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VITAMINA A @MIACOLHE | vitaminas | RESUMO Definição A vitamina A foi a primeira vitamina lipossolúvel reconhecida e denominada retinol em razão da sua função específica na retina do olho. Considerada um micronutriente encontrado em fontes de origem animal (retinol) e vegetal (provitamina A). Refere-se a três compostos pré-formados que exibem atividade metabólica: o álcool (retinol), o aldeído (retinal ou retinaldeído) e o ácido (ácido retinóico). O retinol armazenado é frequentemente esterificado para um ácido graxo, geralmente de retinilopalmitato, que é normalmente encontrado junto com proteínas alimentares. Além da vitamina A pré-formada encontrada nos produtos de origem animal, os vegetais contêm um grupo de compostos conhecidos coletivamente como carotenoides, que podem produzir retinoides quando metabolizados no organismo. Embora existam vários carotenoides antioxidantes nos alimentos, apenas alguns possuem atividade significativa. O mais importante deles é o betacaroteno. A quantidade de vitamina A disponível a partir dos carotenoides dietéticos depende da sua absorção e da sua conversão em retinol. A absorção varia muito (de 5% a 50%) e é afetada por outros fatores dietéticos, como a digestibilidade das proteínas complexadas com os carotenoides e quantidade e o tipo de gordura na dieta. Absorção, transporte, armazenamento e metabolismo Antes que a vitamina A ou os seus carotenoides pró- vitamina possam ser absorvidos, as proteases no estômago e no intestino delgado devem hidrolisar as proteínas que estão normalmente complexadas com esses compostos. Além disso, os ésteres de retinol devem ser hidrolisados no intestino delgado pelas lipases em retinol e ácidos graxos livres. Os retinoides e os carotenoides são incorporados nas micelas, juntamente com outros lipídios para a absorção passiva nas células mucosas do intestino delgado. Uma vez dentro das células mucosas intestinais, o retinol é ligado a uma proteína celular fixadora de retinol (CRBP) e reesterificado primariamente pela lecitina retinol aciltransferase em ésteres de retinil. Os carotenoides e os ésteres de retinil são incorporados nos quilomícrons para o transporte na linfa e, finalmente, na corrente sanguínea. Eles podem ser clivados em retinal, que é então reduzido a retinol e reesterificado em ésteres de retinil para serem incorporados nos quilomícrons. O fígado desempenha um papel importante no transporte e armazenamento da vitamina A. Os remanescentes de quilomícron liberam ésteres de retinil para o fígado. Esses ésteres são imediatamente hidrolisados em retinol e ácidos graxos livres. O retinol no fígado possui três destinos metabólicos principais. Primeiro, o retinol pode ser ligado à CRBP, que controla as concentrações livres de retinol que podem ser tóxicas na célula. Segundo, o retinol pode ser reesterificado para formar retinil palmitato, para armazenamento. Aproximadamente 50 a 80% da vitamina A no organismo é armazenada no fígado. O tecido adiposo, os pulmões e os rins também armazenam ésteres de retinil em células especializadas, chamadas células estreladas. Essa capacidade de armazenamento tampona os efeitos dos padrões altamente variáveis da ingestão de vitamina A e é particularmente importante durante os períodos de baixa ingestão, quando uma pessoa está em risco de desenvolver uma deficiência. Finalmente, o retinol pode ser ligado à proteína fixadora de retinol (RBP). O retinol ligado à RBP deixa o fígado e entra no sangue, no qual outra proteína, a transtirretina (TTR), se liga, formando um complexo para o transporte de retinol do sangue para os tecidos periféricos. Como a síntese RBP hepática depende da quantidade adequada de proteínas, a deficiência de proteína afeta as concentrações de retinol, juntamente com a deficiência de vitamina A. Assim, indivíduos com PCM normalmente têm baixos níveis circulantes de retinol, que podem não responder à suplementação de vitamina A até a deficiência proteica também ser corrigida. O complexo retinol-RBP-TTR libera o retinol para os outros tecidos por meio dos receptores da superfície celular. O retinol é transferido da RBP para a CRBP com a subsequente liberação da apolipoproteína ligante de Apo RBP em proteína ligante e TTR para o sangue. A Apo RBP é finalmente metabolizada e excretada pelo rim. Além da CRBP, as proteínas celulares ligantes de ácido retinóico (CRABP) se ligam ao ácido retinóico na célula e atuam no controle das concentrações desse ácido da mesma maneira que a CRBP controla as concentrações de retinol. Além de ser esterificada para o armazenamento, a forma transportadora do retinol também pode ser oxidada em VITAMINA A @MIACOLHE | vitaminas | RESUMO retinal e, depois, em ácido retinóico, ou conjugada em retinil glucuronide ou fosfato. Após o ácido retinóico ser formado, ele é convertido em formas que são facilmente excretadas. As formas de vitamina A de cadeia curta e oxidadas são excretadas na urina; as formas intactas são excretadas na bile e nas fezes. Funções no organismo Visão: é essencial para a integridade da fotorrecepção. Quando há uma deficiência de vitamina A, os bastonetes e os cones da retina não se ajustam às alterações de luminosidade. A cegueira noturna ou a deficiente adaptação ao escuro, é uma consequência precoce quando estas células estão destituídas de vitamina A e está correlacionada à concentração sanguínea de retinol. Crescimento e desenvolvimento ósseo: necessária para o crescimento e o desenvolvimento do esqueleto e das partes moles em razão de seus efeitos na síntese proteica e na diferenciação das células ósseas. Aparentemente o metabólito ativo nessa capacidade é o ácido retinóico. A ingestão adequada de vitamina A contribui para um desenvolvimento ósseo normal. Também é necessária para as células epiteliais formadoras do esmalte dos dentes. Desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial: o ácido retinóico também tem papel na manutenção da estrutura epitelial. A deficiência é acompanhada da queratinização das membranas de mucosas, o que dificulta a função da barreira protetora executada por essas membranas na proteção contra as infecções. Imunidade: a deficiência de vitamina A aumenta a suscetibilidade a infecções bacterianas, virais ou parasitárias. O número de linfócitos T também pode diminuir na deficiência de vitamina A. Reprodução: o retinol parece ser a forma ativa na manutenção da função reprodutiva, parece haver um envolvimento na síntese de hormônios esteroides ou um papel básico na diferenciação celular. Função anticancerígena: estudos indicam que a deficiência de retinoides (retinol, ésteres de retinila e ésteres, ácido retinoico e ésteres de ácido retinoico) aumenta a susceptibilidade à carcinogênese. Os retinoides parecem ter um papel na promoção da diferenciação normal de células epiteliais e na manutenção do controle que impede o desenvolvimento de neoplasias malignas nestas células. Deficiência A deficiência de vitamina A é a única e mais comum causa de cegueira em crianças que pode ser prevenida. Além de deficiência alimentar, a deficiência funcional também pode ocorrer, apesar das reservas de vitamina A no fígado, como resultado de síntese diminuída da proteína ligadora de retinol (retinol binding protein – RBP) na desnutrição energético-proteica e na deficiência de zinco. A deficiência moderada resulta em dificuldade de adaptação ao escuro (cegueira noturna ou nictalpia), seguida de xerose conjuntival (a superfície conjuntival perde o brilho e a transparência, sofrendo um processo de endurecimento e espessamento). A diminuição da adaptação ao escuro ou da capacidade de adaptação a uma luz brilhante ou de uma claridade para a escuridão é sintoma de deficiênciada vitamina. Nas áreas da conjuntiva onde a xerose é mais intensa, formam-se as manchas de Bitot, depósito de material espumoso, resultante do acúmulo de células epiteliais descamadas, fosfolipídios e bacilos saprófitas. O declínio na produção de muco causa metaplasia escamosa e queratinização das células epiteliais da conjuntiva, provocando ressecamento, enrugamento e espessamento da córnea (xeroftalmia). A xeroftalmia ou xerose conjuntiva está associada à atrofia das glândulas perioculares, à hiperceratose da conjuntiva e, finalmente, ao comprometimento da córnea, levando ao amolecimento ou ceratomalácia e à cegueira. Este processo avança rapidamente, e é mais grave em crianças. No progresso da deficiência, há queratinização da córnea; neste ponto, o processo ainda é reversível, embora possa haver cicatrizes residuais na córnea. O próximo estágio é de ulceração da córnea em decorrência de ação paleolítica causando cegueira irreversível. Imagem 1 – Sinais clínicos de deficiência de Vitamina A Fonte: Cartilha Suplementação de vitamina A (2016). VITAMINA A @MIACOLHE | vitaminas | RESUMO Alterações cutâneas também ocorrem na deficiência de vitamina A e as características são hiperqueratose folicular ou xeroderma (“escamas de peixe”). Imagem 2 – Hiperqueratose folicular Fonte: Mahan et al. (2012). Hipervitaminose A A Hipervitaminose A foi observada com aparecimento de reação tóxicas: sonolência, vômitos, perda de apetite, queda de cabelos, erupções de pele, erosões no canto da boca, irritabilidade e visão dupla estão entre os sintomas. A Hipervitaminose prolongada e grave resulta em fragilidade óssea, espessamento dos ossos longos, dor óssea profunda e incapacidade de andar. Doses grandes e persistentes de vitamina A (> 100 vezes a quantidade necessária) superam a capacidade do fígado de armazenar a vitamina e produzem intoxicação e, por fim, resultam em hepatopatias. Fontes alimentares A vitamina A pré-formada é encontrada apenas em alimentos de origem animal, tais como fígado, leite, queijo, iogurte e gema de ovo. Teores muito elevados de vitamina A são encontrados nos óleos de fígado de bacalhau e de linguado gigante. Os carotenoides pró-vitamina A são encontrados em vegetais folhosos verde-escuros e em vegetais e frutas amarelo-alaranjados. Recomendações nutricionais Formas de prescrição • Acetato de vitamina A • Palmitato de vitamina A • Betacaroteno DRI adulto ✓ Homens – 2.700 UI ou 900 mcg ✓ Mulheres – 2.100 UI ou 700 mcg ANVISA ✓ 8736 UI ✓ 2623,61 mcg UL adulto ✓ 9000 UI ✓ 3000 mcg ✓ 25 mg (betacaroteno) Bebês, crianças e adolescentes ✓ 0 a 6 meses – 200 mcg ✓ 7 a 11 meses – 100 mcg ✓ 1 a 3 anos – 300 mcg ✓ 4 a 8 anos – 500 mcg ✓ 9 a 18 anos – 1.350 mcg Gestantes ✓ 2.400 mcg Lactantes ✓ 2.400 mcg Referências bibliográficas GOIÁS. Secretaria de Estado da Saúde; Superintendência de Vigilância em Saúde; Coordenação de Vigilância Nutricional. 2016. Cartilha Suplementação de Vitamina A. Organizadores: Larissa Mendonça; Maria Janaína Cavalcante Nunes; Mariella de Almeida e Almeida Oliveira. MAHAN, L. Kathleen et al. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. 2. ed. São Paulo: Manole, 2014. SIBARÁ, Hospital Infantil. Vitamina A. 2021. Disponível em: https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas- doencas-tratamentos/vitamina-a/.