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Alterações da orientação e vivências de tempo e espaço
ORIENTAÇÃO é capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da atividade mental. A avaliação da orientação é um instrumento valioso para a verificação das perturbações do nível de consciência.
A capacidade de orientar-se requer, de forma consistente, a integração das capacidades de atenção, percepção e memória.
Além disso, a orientação é excepcionalmente vulnerável aos efeitos da disfunção ou do dano cerebral. A desorientação é um dos sintomas mais frequentes das doenças cerebrais.
Orientação Autopsíquica e Alopsíquica
A capacidade de orientar-se é classificada em orientação alopsíquica e alopsíquica.
A orientação autopsíquica é a orientação do indivíduo em relação a si mesmo. Revela se o sujeito sabe quem é: nome, idade, data de nascimento, profissão, estado civil, etc.
Já a orientação alopsíquica diz respeito à capacidade de orientar-se em relação ao mundo, isto é é verificado através da investigação:
Quanto ao espaço (orientação espacial), investiga-se o tipo de lugar, nome do lugar e discriminação de distâncias e etc. 
 Quanto ao tempo (orientação temporal). Trata-se de orientação mais sofisticada que a espacial e a alopsíquica. A orientação temporal indica se o paciente sabe em que momento cronológico está vivendo, a hora do dia, se é manhã, tarde ou noite, o dia da semana, o dia,.
ALTERAÇÕES DA ORIENTAÇÃO
Distinguem-se vários tipos de desorientação, de acordo com a alteração de base que a condiciona. É preciso lembrar que geralmente a desorientação ocorre, em primeiro lugar, em relação ao tempo. Só após o agravamento do transtorno, o indivíduo se desorienta quanto ao espaço e, finalmente, quanto a si mesmo.
Desorientação por redução do nível de consciência. Também denominada desorientação torporosa ou confusa, é aquela na qual o indivíduo está desorientado por turvação da consciência. Tal turvação e o rebaixamento do nível de consciência produzem alteração da atenção, da concentração e, consequentemente, da capacidade de percepção e retenção dos estímulos ambientais. É a forma de desorientação mais comum.
Desorientação por déficit de memória imediata e recente. Também denominada desorientação amnéstica. Aqui, o indivíduo não consegue reter as informações ambientais básicas em sua memória. Não conseguindo fixar as informações, perde a noção do fluir do tempo, do deslocamento no espaço, passando a ficar desorientado temporoespacialmente. A desorientação amnésica é típica da síndrome de Korsakoff.
Já a desorientação demencial é muito próxima à amnéstica. Ocorre não apenas por perda da memória de fixação, mas por déficit de reconhecimento ambiental (agnosias) e por perda e desorganização global das funções cognitivas. Ocorre nos diversos quadros demenciais (doença de Alzheimer, demências vasculares, etc.).
Desorientação apática ou abúlica. Ocorre por apatia ou desinteresse profundos. Aqui, o indivíduo torna-se desorientado devido a uma marcante alteração do humor e da volição, comumente em quadro depressivo. Por falta de motivação e interesse, o indivíduo, geralmente muito deprimido, não investe sua energia no mundo, não se atém aos estímulos ambientais e, portanto, torna-se desorientado.
Desorientação delirante. Ocorre em indivíduos que se encontram imersos em profundo estado delirante, vivenciando idéias delirantes muito intensas, crendo com convicção plena que estão “habitando” o lugar (e/ou o tempo) de seus delírios. Nesses casos, é comum a chamada dupla orientação, na qual a orientação falsa, delirante delirante, coexiste com a orientação correta. O paciente afirma que está no inferno, cercado por demônios, mas também pode reconhecer queestá em uma enfermaria do hospital ou em um CAPS
Desorientação por déficit intelectual (anteriormente chamada de desorientação oligofrênica). Ocorre em indivíduos com deficiência ou retardo mental grave ou moderado. Nesse caso, a desorientação ocorre pela incapacidade ou dificuldade em compreender o ambiente e de reconhecer e interpretar as convenções sociais (horários, calendário, etc.) que padronizam a orientação do indivíduo no mundo.
Desorientação por dissociação, ou desorientação histérica. Ocorre em geral em quadros histéricos graves, normalmente acompanhada de alterações da identidade pessoal (fenômeno da possessão histérica ou desdobramento da personalidade)e de alterações da consciência secundárias à dissociação histérica (estado crepuscular)
Desorientação por desagregação. Ocorre em pacientes psicóticos, geralmente esquizofrênicos em estado crônico e avançado da doença, quando o indivíduo, por desagregação profunda do pensamento, apresenta toda a sua atividade mental gravemente desorganizada, o que o impede de se orientar de forma adequada quanto ao ambiente e quanto a si mesmo.
As vivências de tempo e espaço e suas alterações.
As vivências do tempo e do espaço constituem-se como dimensões fundamentais de todas as experiências humanas.
Para o físico Newton (1643-1727) e o filósofo Leibniz (1646-1716), o espaço e o tempo produzem-se exclusivamente fora do homem e têm uma realidade objetiva plena. São realidades independentes do ser humano.
Kant (1724-1804) defende que o espaço e o tempo são dimensões básicas, que possibilitam todo e qualquer conhecimento, intrínsecas ao ser humano como ser cognoscente. Segundo ele, não se pode conhecer realmente nada que exista fora do tempo e do espaço. para ele, o tempo e o espaço são “entidades potenciais ou ocas”, que serão preenchidas pelo objeto de conhecimento.
Para Heidegger (1889-1976), o homem deve ser compreendido pelas condições básicas do “estar/ser no mundo”, “estar estar/ ser com os outros” e, fundamentalmente, como “ser para a morte”. Assim, a morte e, por consequência, a temporalidade definem a condição humana.
A dimensão temporal da experiência humana relaciona-se com os chamados ritmos biológicos. Os de maior importância para a psicopatologia são: 
 O ritmo circadiano (dura cerca de 24 horas, alternando-se o dia e a noite),
 Os ritmos mensais relacionados principalmente ao ciclo menstrual e as fases da lua(dura cerca de 28 dias), 
As variações sazonais (as quatro estações do ano)
 As grandes fases da vida (gestação, infância, adolescência, período adulto e velhice).
ANORMALIDADES DA VIVÊNCIA
DO TEMPO: VIVÊNCIA DO TEMPO E
RITMO PSÍQUICO NAS SÍNDROMES
DEPRESSIVAS E MANÍACAS
QUALIDADES DA VIVÊNCIA DO ESPAÇO E DO TEMPO
É inquestionável que a vida psíquica, além de ocorrer e se configurar no tempo, tem ela mesma um aspecto especificamente temporal e, por isso, é legítima a distinção do tempo em:
• Tempo subjetivo (interior, pessoal)
• Tempo objetivo (exterior, cronológico, mensurável)
Muitas vezes, ocorre certo descompasso entre o tempo subjetivo e o cronológico nos transtornos mentais.
Taquipsiquismo e Bradipsiquismo
De modo geral, a passagem do tempo é percebida como lenta e vagarosa nos estados depressivos, e rápida e acelerada nos estados maníacos.
O ritmo psíquico também é oposto nesses dois transtornos: 
Na mania, há taquipsiquismo geral, com aceleração de todas as funções psíquicas (pensamento, psicomotricidade, linguagem, etc.), e, 
Na depressão, ocorre, bradipsiquismo com lentificação de todas as atividades mentais
Ilusão sobre a duração do tempo
Trata-se da deformação acentuada da percepção da duração temporal.
Ocorre, sobretudo, nas intoxicações por alucinógenos ou psicoestimulantes (cocaína, anfetamina,etc.). 
Nas fases agudas e iniciais das psicoses. 
Situações emocionais especiais e intensas.
Ocorre também quando são recebidas, por exemplo, muitas informações novas; o tempo pode parecer transcorrer de modo extremamente veloz ou comprimido, ou de forma muito lenta e dilatada.
Atomização do tempo.
A alteração ou a falta dessa experiência subjetiva natural de fluir temporal, decorrente da perda ou do enfraquecimento de ambas as margens do tempo (passado e futuro),
O indivíduo não consegue inserir-senaturalmente na continuidade do devir, adere a momentos quase descontínuos. 
Esse fenômeno ocorre nos estados de exaltação e agitação maníaca, geralmente acompanhados da chamada fuga de idéias e de distraibilidade intensa.
Inibição da sensação de fluir do tempo (inibição do devir subjetivo)
A anormalidade da sensação do fluir do tempo corresponde à falta da sensação do avançar subjetivo do tempo, na qual o sujeito perde o sincronismo entre o passar do tempo objetivo, cronológico, e o fluir de seu tempo interno.
Isso ocorre em síndromes depressivas graves. Certos pacientes depressivos expressam a sua vivência do tempo dizendo que o tempo encolheu, que não passa, deixou de fluir, ou que está passando muito mais devagar que o normal.
Pacientes esquizofrênicos, sentem que a sua percepção do tempo é controlada por uma instância exterior ao seu Eu. 
Pacientes muito ansiosos descrevem uma pressão do tempo, como se o tempo de que dispõem fosse sempre insuficiente; “sinto que nunca vou dar conta de fazer o que devo fazer em determinado período.
Pacientes obsessivo-compulsivos graves ocasionalmente experimentam uma lentificação enorme de todas as atividades, sobretudo quando devem completar alguma tarefa.
No estado de êxtase, há perda das fronteiras entre o eu e o mundo exterior. Nesse caso (que também pode ser classificado como transtorno da consciência do eu), o sujeito sente como se estivesse fundido ao mundo exterior (López Ibor, 1957)
A vivência do espaço no indivíduo em estado maníaco é a de um espaço extremamente dilatado e amplo, que invade o das outras pessoas. O maníaco desconhece as fronteiras espaciais e vive como se todo o espaço exterior fosse seu. Esse espaço não oferece resistências ao seu eu.
Nos quadros depressivos, o espaço exterior pode ser vivenciado como muito encolhido, contraído, escuro e pouco penetrável pelo indivíduo e pelos outros.
O indivíduo com quadro paranoide vivencia o seu espaço interior como invadido por aspectos ameaçadores, perigosos e hostis do mundo. O espaço exterior é, em princípio, invasivo, fonte de perigos e ameaças.
No caso do indivíduo com agorafobia, o espaço exterior é percebido como sufocante, pesado, perigoso e potencialmente aniquilador.

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