Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
1. RECONHECER AS ALTERAÇÕES 
QUANTITATIVAS DA 
CONSCIÊNCIA (NÍVEL DE 
CONSCIÊNCIA, ALERTA, 
RESPONSIVIDADE, ATENÇÃO, 
ORIENTAÇÃO E CAMPO DA 
CONSCIÊNCIA) 
 
 
Apesar de ser absolutamente necessário o estudo 
analítico das funções psíquicas isoladas e de suas 
alterações, nunca é demais ressaltar que a 
separação da vida e da atividade mental em 
distintas áreas ou funções psíquicas é um 
procedimento essencialmente artificial. Trata-se 
apenas de uma estratégia de abordagem da vida 
mental que, por um lado, é bastante útil, mas, por 
outro, um tanto arriscada, pois pode suscitar 
enganos e simplificações inadequadas. É útil 
porque permite o estudo mais detalhado e 
aprofundado de determinados fatos da vida 
psíquica normal e patológica; é arriscada porque 
facilmente se passa a acreditar na autonomia desses 
fenômenos, como se fossem objetos naturais. 
Que fique claro: não existem funções psíquicas 
isoladas e alterações psicopatológicas 
compartimentalizadas desta ou daquela função. É 
sempre a pessoa na sua totalidade que adoece. 
O que conta não são os sinais e os sintomas, mas, 
sobretudo, o fundo mental e inter-humano do qual 
eles procedem e no qual se realizam e que, afinal, 
determina sua significação, seu sentido. 
 
DEFINIÇÃO DA CONSCIENCIA 
 
Na língua portuguessa, a palavra consciência tem, 
pelo menos, 3 definições diferentes: 
A definição neuropsicológica emprega o 
termo “consciência” no sentido de estado vígil 
(vigilância), o que, de certa forma, iguala a 
consciência ao grau de clareza do sensório. 
Consciência, aqui, é fundamentalmente o estado de 
estar desperto, acordado, vígil, lúcido. Trata-se 
especificamente do nível de consciência. 
Já a definição psicológica a conceitua como a 
soma total das experiências conscientes de um 
indivíduo em determinado momento. Nesse 
sentido, consciência é o que se designa campo da 
consciência. É a dimensão subjetiva da atividade 
psíquica do sujeito que se volta para a realidade. 
Na relação do Eu com o meio ambiente, a 
consciência é a capacidade do indivíduo de entrar 
em contato com a realidade, perceber e conhecer os 
seus objetos. 
Por fim, a definição ético-filosófica é 
utilizada mais frequentemente no campo da ética, 
da filosofia, do direito ou da teologia. O termo 
“consciência” refere-se à capacidade de tomar 
ciência dos deveres éticos e assumir as 
responsabilidades, os direitos e os deveres 
concernentes a essa ética. Assim, a consciência 
ético-filosófica é atributo do homem desenvolvido 
e responsável, engajado na dinâmica social de 
determinada cultura. Refere-se a consciência 
moral, ética e política. 
John Searle (2000), talvez um dos filósofos 
contemporâneos que mais se tem dedicado ao 
estudo da consciência, diz que O aspecto 
fundamental da consciência que se deve tentar 
explicar, segundo ele, é seu caráter de unidade 
qualitativa subjetiva. Mas o que é isso? 
Todo estado de consciência vem acompanhado de 
um sentimento qualitativo especial. A experiência 
de beber uma cerveja com os amigos é muito 
diferente da de ouvir uma sinfonia de Beethoven, e 
ambas são distintas de sentir o perfume de uma 
mulher bonita ou ver o crepúsculo na praia. Esses 
exemplos revelam o caráter 
qualitativo das experiências conscientes. 
Experimentar os estados de consciência é também 
algo essencialmente subjetivo. A experiência da 
consciência é sempre realizada em um 
sujeito, vivenciada na primeira pessoa. Searle 
(2000) afirma que sem subjetividade não há 
experiência consciente. Assim, os estados de 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
consciência são experimentados como um campo 
de consciência unificado. Dessa forma, unidade, 
subjetividade e caráter qualitativo são as marcas da 
experiência dos estados de consciência. 
Segundo ele, estes são sempre vivenciados 
com caráter prazeroso ou desprazível, como 
experiências totais e 
globalizantes (caráter gestáltico) e com um senso 
de familiaridade que impregna todas as 
experiências conscientes (mesmo quando vejo uma 
casa que nunca vi antes, ainda reconheço que é uma 
casa; sua forma e estrutura me são familiares). Os 
pintores surrealistas tentaram quebrar tal senso de 
familiaridade, mas mesmo o relógio derretendo de 
Salvador Dali nos remete à estrutura familiar de um 
relógio. 
 
 NEUROPSICOLOGIA DA 
CONSCIÊNCIA / NÍVEL DA 
CONSCIÊNCIA 
O Sistema Reticular Ativador Ascendente 
(SRAA ou SARA) contém construtos psicológicos 
dimensionais relevantes tanto para o 
comportamento humano normal como para a 
psicopatologia. No campo da neuropsicologia da 
consciência, o RDoC propõe sistemas 
reguladores relacionados ao nível de consciência 
(arousal), os quais são responsáveis por gerar toda 
a ativação dos sistemas neurais nos vários 
contextos da vida. Eles têm por função produzir 
uma regulação adequada dos estados de 
consciência vígil (sujeito acordado) e dos períodos 
de sono. 
Segundo o RDoC, deve-se salientar que 
o nível de consciência é o continuum de 
sensibilidade e alerta do organismo perante os 
estímulos, tanto internos como externos. 
As principais características e propriedades do 
nível de consciência são: 
1. O nível de consciência facilita a interação 
da pessoa com o ambiente de forma 
adequada ao contexto no qual o sujeito está 
inserido (p. ex., em situações de ameaça, 
alguns estímulos podem ser ignorados, e, ao 
mesmo tempo, a sensibilidade para outros, 
mais relevantes, pode estar aumentada, 
expressando o chamado estado de alerta). 
2. O nível de consciência adequado pode 
ser evocado tanto por estímulos externos 
ambientais como por estímulos internos, 
como pensamentos, emoções, recordações. 
3. O nível de consciência pode 
ser modulado tanto pelas características dos 
estímulos externos como pela motivação que o 
estímulo implica para o indivíduo em questão. 
4. O nível de consciência varia ao longo de 
um continuum que inclui desde o estado total 
de alerta, passando por níveis de redução da 
consciência até os estados de sono (variação 
normal) ou coma (variação patológica). 
O primeiro elemento do sistema nervoso 
relacionado ao nível de consciência é o 
chamado sistema reticular ativador 
ascendente (SRAA). Foram Horace Winchell 
Magoun e Giuseppe Moruzzi (Moruzzi; Magoun, 
1949) que inicialmente propuseram o SRAA. Esses 
autores partiram da noção de que a capacidade 
de estar desperto e agir 
conscientemente depende da atividade do tronco 
cerebral e do diencéfalo. Essas estruturas exercem 
poderosa influência sobre os hemisférios 
cerebrais, ativando-os e mantendo 
o tônus necessário para seu funcionamento normal. 
O SRAA se origina no tronco cerebral, e sua 
ação se estende até o córtex, por meio de projeções 
talâmicas. Elementos do SRAA particularmente 
importantes para a ativação cortical são os 
neurônios da parte superior da ponte e os 
do mesencéfalo. Tais neurônios recebem impulsos 
da maioria das vias ascendentes, as quais trazem 
estímulos intrínsecos (proprioceptivos e viscerais) 
e extrínsecos (órgãos dos sentidos: visão, audição, 
tato, paladar e olfato). Lesões ou disfunções no 
SRAA produzem alterações do nível de 
consciência e prejuízo a todas as funções psíquicas. 
Embora a importância do SRAA para o nível 
de consciência seja aceita até hoje, sabe-se 
atualmente que várias estruturas mais altas, do 
telencéfalo, têm também participação crítica na 
gênese do nível de consciência. Verificou-se, por 
exemplo, que a ação sincrônica de numerosas áreas 
corticais visuais, que contêm amplas redes 
neuronais bidirecionais, é uma pré-condição para a 
visão consciente. 
É de fundamental importância, para a 
atividade mental consciente, a atividade do lobo 
parietal direito, o qual está intimamente 
relacionado ao reconhecimento do própriocorpo, 
dos objetos e do mundo, assim como da apreensão 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
daquilo que, convencionalmente, se denomina 
realidade. Também as áreas pré-frontais são 
fundamentais na organização da atividade mental 
consciente. Por fim, reconhece-se a importância 
das interações talamocorticais na ativação e na 
integração da atividade neuronal cortical 
relacionada à consciência (Zeman; Grayling; 
Cowey, 1997). 
Nos anos de 1990, o cientista Francis Crick, 
que formulou, com James Watson, a tese do DNA 
como dupla hélice, também propôs, juntamente 
com o neurocientista Cristof Koch, uma hipótese 
original para dar conta das atividades mentais 
conscientes mediadas pelo nível de consciência. 
Eles propuseram que as atividades mentais 
conscientes emergiriam relacionadas aos disparos 
sincronizados dos neurônios do tálamo e das 
camadas quatro e seis do córtex cerebral, em ritmo 
de 40 vezes por segundo. Apesar do caráter 
ambicioso da proposta de Crick e Koch (1998), a 
maioria dos neurocientistas concorda que é 
extremamente difícil encontrar os correlatos 
neuronais da emergência dessa experiência humana 
chamada atividade mental consciente. 
Estão relacionados a alterações do nível da 
consciência na síndrome 
denominada delirium (que veremos adiante) as 
regiões do córtex parietal posterior direito 
superficial, o córtex pré-frontal bilateral, o córtex 
fusiforme (ventromedial temporoparietal), o giro 
lingual, o tálamo anterior direito e os núcleos da 
base. Também têm sido reconhecidas as conexões 
talamofrontais e temporolímbicas frontais, em 
nível subcortical, como importantes na gênese dos 
quadros de delirium (Trzepacz; Meagher; Wise, 
2006). Assim, pode-se concluir que, além do 
SRAA, também o tálamo e as regiões do córtex 
parietal direito e pré-frontal direito têm 
importância estratégica para o funcionamento da 
consciência, sobretudo no seu aspecto de nível de 
consciência. 
O tálamo é uma estrutura posicionada 
singularmente no centro do cérebro para filtrar, 
integrar e regular as informações que chegam ao 
córtex cerebral, dados que partem da periferia do 
organismo e meio externo e se dirigem ao córtex 
cerebral. O tálamo é extensiva e reciprocamente 
interligado a todas as áreas do córtex cerebral, de 
forma que uma pequena lesão talâmica pode 
produzir graves alterações do nível de consciência, 
como, por exemplo, o delirium (Trzepacz; 
Meagher; Wise, 2006). Por fim, deve-se ressaltar a 
importância das estruturas encefálicas do lado 
direito (parietais, frontais e mesmo talâmicas) na 
origem dos transtornos da consciência. 
 
 
 CAMPO DA CONSCIÊNCIA 
Ao voltar-se para a realidade, a consciência 
demarca um campo, no qual se pode delimitar um 
foco, ou parte central mais iluminada da 
consciência, e uma margem (franja ou umbral), 
que seria sua periferia menos iluminada, mais 
nebulosa. Segundo a psicopatologia clássica, é 
na margem da consciência que surgem os 
chamados automatismos mentais e os estados ditos 
subliminares. 
 
 ATENÇÃO 
A atenção pode ser definida como a direção da 
consciência, o estado de concentração da atividade 
mental sobre determinado objeto. A fim de 
explicitar o que os mecanismos de atenção 
representam para o funcionamento psíquico 
normal, William James dizia que: 
Milhões de itens [...] que são apresentados aos 
meus sentidos nunca ingressam propriamente 
em minha experiência. Por quê? Porque esses 
itens não são de interesse para minha pessoa. 
Minha experiência é aquilo que eu consinto 
em captar... Todos sabem o que é a atenção. É 
o tomar posse pela mente, de modo claro e 
vívido, de um entre uma diversidade enorme 
de objetos ou correntes de pensamentos 
simultaneamente dados. Focalização, 
concentração da consciência são a sua 
essência. Ela implica abdicar de algumas 
coisas para lidar eficazmente com outras. 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
A atenção se refere, portanto, ao conjunto de 
processos psicológicos que torna o ser humano 
capaz de selecionar, filtrar e organizar as 
informações em unidades controláveis e 
significativas. Os termos “consciência” e “atenção” 
estão estreitamente relacionados. A determinação 
do nível de consciência é essencial para a avaliação 
da atenção. 
Em outros palavras, a atenção é um processo 
psíquico que concentra a atividade mental sobre 
determinado ponto, traduzindo um esforço mental. 
É resultado de uma atividade deliberada e 
consciente do indivíduo. Tomando-se em 
consideração a natureza da atenção, pode-se 
discernir dois tipos básicos de atenção: 
- a atenção voluntária (ativa e intencional – 
capacidade de ler um livro) e; 
- a espontânea (que ocorre por algum interesse 
incidental e momentâneo por algum objeto – 
capacidade de parar de ler o livro para focar em 
algum barulho que ocorre no momento). 
Em relação à direção da atenção, pode-se 
discriminar duas formas básicas: a atenção 
externa, projetada para fora do mundo subjetivo do 
sujeito, voltada para o mundo exterior ou para o 
corpo, geralmente de natureza mais sensorial, 
utilizando os órgãos dos sentidos. Difere-se 
da atenção interna, que se volta para os processos 
mentais do próprio indivíduo. É uma atenção mais 
reflexiva, introspectiva e meditativa. 
Em relação à amplitude atencional, há 
a atenção focal, que se mantém concentrada sobre 
um campo determinado e relativamente delimitado 
e restrito da consciência, em contraposição 
à atenção dispersa, que não se concentra em um 
campo determinado, espalhando-se de modo 
menos delimitado. 
Foi o psiquiatra suíço Eugen Bleuler (1857-
1939) que sugeriu, no início do século XX, que a 
atenção tinha duas qualidades fundamentais: 
tenacidade e vigilância. A tenacidade consiste na 
capacidade do indivíduo de fixar e manter sua 
atenção sobre determinado estímulo, em um tema 
da conversa ou em um campo de atenção. Na 
tenacidade, a atenção se prende a certo estímulo, 
fixando-se sobre ele. A vigilância (nessa 
conceitualização de Bleuler) é definida como o 
aspecto da atenção relacionado a mudança de foco, 
de um objeto para outro. Tais qualidades são com 
frequência antagônicas; por exemplo, nos estados 
maníacos, os pacientes costumam 
apresentar hipotenacidade (redução da capacidade 
de fixar a atenção) e hipervigilância (uma atenção 
que salta rapidamente de um estímulo para outro). 
- será * ALERTA? 
Atenção flutuante é um conceito desenvolvido por 
Freud (1856-1939), relativo ao estado de como 
deve funcionar a atenção do psicanalista durante 
uma sessão analítica. Segundo Freud, a atenção do 
analista não deve privilegiar a priori qualquer 
elemento do discurso ou comportamento do 
paciente, o que implica deixar funcionar livremente 
sua própria atividade mental, consciente e 
inconsciente, deixando livre a atenção e 
suspendendo ao máximo as motivações, os desejos 
e os planos próprios. É um estado artificial da 
atenção, cultivado pela necessidade técnica do 
processo psicanalítico. Para o psicanalista inglês 
Wilfred Bion (1897-1979), a atenção do analista 
deve se manter o máximo possível aberta à 
experiência imediata, evitando a fuga para o 
passado ou para o futuro; assim, o profissional 
buscaria abolir momentaneamente a memória e o 
desejo, a fim de que sua atenção permaneça livre 
para o que realmente emerge na experiência mútua 
(analista-analisando) da situação analítica. 
Investiga-se assim: 
-Atenção normal ou euprosexia; 
- Hiperprosexia: ocorre um estado de atenção 
exarcebada; 
- Hipoprosexia: diminuição global da atenção; 
- Aprosexia: abolição total da capacidade de 
atenção; 
- Hipertenacidade: a atenção se adere em demasia 
a algum estímulo específico, ocorrendo diminuição 
da atenção espontânea (quadros obsessivos e 
síndromes depressivas); 
- Hipotenacidade: a atenção se afastacom 
demasiada rapidez do estímulo específico, 
ocorrendo diminuição da atenção voluntátia 
(ansiedade intensa e estados maníacos). 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
NEUROPSICOLOGIA DA ATENÇÃO 
Atenção e funções executivas frontais 
As funções executivas, processadas nos lobos 
frontais (áreas pré-frontais), são um conjunto de 
habilidades cognitivas relacionadas à capacidade 
do indivíduo de planejar, executar e monitorar de 
forma flexível comportamentos com objetivos 
(Lezak; Howieson; Bigler, 2012). 
Os déficits em funções executivas impedem o 
indivíduo de iniciar, parar ou mudar seus 
comportamentos, conforme as exigências 
ambientais. As funções executivas incluem 
processos cognitivos relacionados à ação 
apropriada sobre o ambiente, ou seja, processos 
relacionados ao agir, como planejamento da ação, 
início da atividade, geração de hipóteses, 
flexibilidade cognitiva, tomada de decisões, 
regulação do comportamento, julgamento, 
utilização de feedback e autopercepção (Yuana; 
Raza, 2014). 
As funções executivas são divididas em 
“quentes” e “frias”. As quentes incluem os aspectos 
emocionais e volicionais como parte central de tais 
funções, enquanto as “frias” se referem a atividades 
cognitivas sem envolvimento de fatores 
emocionais, como, por exemplo, realizar cálculos 
matemáticos mentalmente ou decorar números. Em 
neuropsicologia, a atenção é vista por alguns 
autores como uma função básica de apoio às 
funções executivas e, por outros, como parte das 
funções executivas. 
De qualquer forma, como modelo da interação 
entre a atenção e as funções executivas (incluindo 
o controle executivo), quatro componentes têm 
sido sugeridos: memória de trabalho, seleção 
competitiva (competição entre diferentes 
estímulos), controle sensorial top-down (do córtex 
pré-frontal para os processos sensoriais e de vigília) 
e filtros de saliência (seleção dos estímulos mais 
salientes). 
No processo bottom-up, as informações 
sensoriais que chegam ao cérebro são filtradas a 
partir de sua importância para o sujeito, sendo 
filtrados os estímulos mais relevantes do ponto de 
vista de sobrevivência, assim como os mais 
infrequentes. Os estímulos são, então, codificados 
e sofrem uma seleção competitiva baseada na força 
relativa do sinal, no sentido de poder acessar o 
sistema de memória de trabalho. 
Sendo um dos elementos principais das 
funções executivas, a memória de trabalho usa a 
informação fornecida pelo processo atencional para 
dirigir e gerenciar os comportamentos 
subsequentes, assim como faz dirigir a atenção por 
meio de um mecanismo top-down mediado pelo 
córtex pré-frontal. 
NEUROANATOMIA E REDES NEURAIS DA 
ATENÇÃO 
A atenção resulta da interação complexa de 
diversas áreas corticais e subcorticais do sistema 
nervoso, não sendo, portanto, um processo unitário 
(Cohen; Salloway; Zawacki, 2006). As principais 
estruturas subcorticais do sistema nervoso 
relacionadas à atenção são: no tronco cerebral, o 
sistema reticular ativador ascendente (SRAA) e 
o locus ceruleus noradrenérgico (LCN); no 
diencéfalo, o tálamo; e, no telencéfalo, o corpo 
estriado; no nível cortical, o córtex parietal 
posterior direito (não dominante), o córtex pré-
frontal e o giro cingulado anterior (também na 
região frontal), assim como estruturas do lobo 
temporal medial do sistema límbico. 
O SRAA possibilita o nível de consciência 
básico para manter a vigilância necessária aos 
processos de atenção; assim, fornece a preparação 
inespecífica à atenção. O LCN é o principal centro 
de alerta subcortical, importante para a manutenção 
de um estado de alerta eficiente. A noradrenalina 
do LCN inibe a atividade neuronal espontânea, 
permitindo o aumento da resposta neuronal 
específica para estímulos sensoriais. Os núcleos 
intralaminares do tálamo filtram os sinais 
enviados pelo tronco cerebral e os projetam para o 
núcleo caudado (no corpo estriado) e para o córtex 
pré-frontal, assim como para outras áreas corticais 
(exceto as áreas sensoriais primárias). O núcleo 
reticular do tálamo também tem associações 
recíprocas com o córtex pré-frontal e com núcleos 
sensoriais do tálamo. Ele age como um filtro ou 
uma comporta, permitindo que apenas algumas 
informações prossigam em direção ao córtex 
cerebral (Cohen; Salloway; Zawacki, 2006; 
Langner; Eickhoff, 2013). 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
Por sua vez, o córtex parietal (sobretudo o 
posterior direito) também está envolvido na seleção 
sensorial (principalmente na atenção seletiva visual 
e na atenção dirigida ao espaço extrapessoal), ao 
passo que o córtex frontal do cíngulo se vincula à 
intensidade do foco de atenção e à motivação. 
No nível cortical, são as estruturas do córtex 
pré-frontal as mais relevantes à atenção. As áreas 
pré-frontais dorsolaterais (na porção mais 
externa e alta do cérebro frontal) estão muito 
relacionadas à “seleção de resposta e controle 
seletivo”. Além disso, desempenham um papel na 
manutenção da flexibilidade da resposta e na 
geração de alternativas de respostas, assim como 
na memória de trabalho (ver esse conceito no 
capítulo sobre memória) e no sequenciamento da 
informação temporal. Na região pré-frontal, em 
particular o córtex do cíngulo anterior e o córtex 
pré-frontal dorsolateral direito agem para manter o 
nível de atenção, modulando a atividade do locus 
ceruleus via núcleo reticular do tálamo. Além 
disso, o sistema atencional de alerta é mediado, 
ainda, por um circuito frontoparietal ventral direito, 
também responsável pela obtenção e manutenção 
de um nível apropriado de alerta atencional. 
Lesões nas áreas frontais 
dorsolaterais produzem alterações da atenção, 
como distraibilidade, impersistência e 
perseveração (repetição automática de respostas). 
Já as áreas pré-frontais orbitomediais (córtex 
frontal medial acima dos globos oculares) 
relacionam-se à modulação dos impulsos, ao 
humor e à memória de trabalho. Lesões nessas 
áreas ocasionam alterações da atenção relacionadas 
a impulsividade, desinibição e labilidade afetiva 
(Cohen; Salloway; Zawacki, 2006; Langner; 
Eickhoff, 2013). 
Além dos lobos frontais, diversas estruturas 
límbicas nas porções medianas dos lobos 
temporais estão envolvidas no interesse afetivo, 
principalmente no que diz respeito a atração, 
motivação, importância do estímulo e carga 
emocional que este ou aquele objeto desperta na 
mente. Assim, também participam dos mecanismos 
neuronais da atenção. Nesse sentido, há consenso 
de que os aspectos motivacionais e afetivos da 
atenção, mobilizados em áreas límbicas, devam 
interagir com os aspectos de seleção e 
hierarquização da atividade consciente, elaborados 
em áreas pré-frontais e parietais, produzindo um 
vetor final, a saber, a atividade atencional do 
indivíduo (Engelhardt; Laks; Rozenthal, 1996). 
Cabe mencionar, ainda, que a atenção 
sustentada depende intimamente da ação do 
mesencéfalo e do tronco cerebral interagindo com 
o córtex pré-frontal. A atenção seletiva, focada, 
também depende do córtex temporal superior, do 
córtex parietal inferior e do striatum. Por fim, 
o processo de codificação dos estímulos, 
processados pelo sistema atencional, irá depender 
intimamente do hipocampo e da amígdala. 
Psicopatologia da atenção 
A alteração mais comum e menos específica da 
atenção é sua diminuição global, a 
chamada hipoprosexia. Nessa condição se verifica 
uma perda básica da capacidade de concentração, 
com fatigabilidade aumentada, o que dificulta a 
percepção dos estímulos ambientais e a 
compreensão; as lembranças tornam-se mais 
difíceis e imprecisas, e há dificuldade crescente em 
todas as atividades psíquicas complexas, como o 
pensar, o raciocinar e a integração de informações. 
Denomina-se aprosexia a total abolição da 
capacidade deatenção, por mais fortes e variados 
que sejam os estímulos utilizados. Por sua vez, 
a hiperprosexia consiste em um estado da atenção 
exacerbada, no qual há uma tendência incoercível 
a obstinar-se, a deter-se indefinidamente sobre 
certos objetos com surpreendente infatigabilidade. 
Em psicopatologia, usa-se o 
termo distração para um sinal, não de déficit 
propriamente (não é anormalidade), mas de 
superconcentração ativa da atenção sobre 
determinados conteúdos ou objetos, com a inibição 
de tudo o mais (Nobre de Melo, 1979). Há, nesse 
sentido, certa hipertenacidade e hipovigilância. É o 
caso do cientista que, pelo fato de seu interesse e de 
sua atenção estarem totalmente voltados para um 
problema, comete erros do tipo esquecer onde 
estacionou o carro ou colocar meias de cores 
diferentes. 
Já a distraibilidade, diferentemente da 
distração, é um estado patológico que se exprime 
por instabilidade marcante e mobilidade acentuada 
da atenção voluntária, com dificuldade ou 
incapacidade para fixar-se ou deter-se em qualquer 
coisa que implique esforço produtivo. Ou seja, a 
atenção do indivíduo é muito facilmente desviada 
de um objeto para outro. 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
 
 ALERTA 
Compreende a manutenção de um foco de atenção 
para estímulos externos. Pode estar aumentada 
(hipervigilante) e diminuída (hipovigilante). 
 ORIENTAÇÃO 
É um complexo de funções psíquicas pelo qual 
tomamos consciência da situação real em que nos 
encontramos. Ela encontra-se intimamente ligada 
as noções de tempo e espaço. 
Em geral, o primeiro sentido de orientação que se 
perde é o de tempo, depois o de espaço, que 
envolve deslocamento e localização e, num estado 
mais grave, a desorientação do próprio eu 
(identidade e corpo) 
A orientação divide-se em: 
- Autopsíquica: paciente reconhece dados de 
identificação pessoal e sabe quem é; 
- Alopsíquica: paciente reconhece os dados do 
ambiente: 
 Temporal: dia, mês, ano em que está; em 
que parte do dia se localiza (manhã, tarde, 
noite); 
 Espacial: em que lugar se encontra, para 
que está lá, a cidade onde está; como 
chegou ao consultório. 
A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e 
quanto ao ambiente é elemento básico da atividade 
mental e fundamental para a sobrevivência do 
indivíduo. A avaliação da orientação é um 
instrumento valioso para a verificação das 
perturbações do nível de consciência, da 
percepção, da atenção, da memória e de toda a 
cognição. As alterações da orientação também 
podem ser decorrentes de déficits cognitivos graves 
(como nas demências) e de qualquer transtorno 
mental grave que desorganize de modo marcante o 
funcionamento mental global. 
Muitas vezes, verifica-se que um paciente com 
nível de consciência aparentemente normal está, de 
fato, desorientado. Assim, ao examiná-lo melhor, 
verifica-se que, na realidade, ele está com a 
consciência ligeiramente turva e rebaixada, o que 
se revela pela sua desorientação. Desse modo, 
investigar a orientação é também um recurso útil 
para aferir o nível de consciência dos pacientes. 
A capacidade de orientar-se requer, de forma 
consistente, a integração das capacidades de nível 
de consciência preservado, atenção, percepção e 
memória. Alterações de atenção e retenção 
(memória imediata e recente), moderadas ou 
graves, costumam resultar em alterações globais da 
orientação. 
Além disso, a orientação é excepcionalmente 
vulnerável aos efeitos da disfunção ou do dano 
cerebral. A desorientação é um dos sintomas 
mentais mais frequentes e sensíveis das doenças 
cerebrais. 
A capacidade de orientar-se é classificada em 
autopsíquica e alopsíquica. A orientação 
autopsíquica é aquela do indivíduo em relação a si 
mesmo. Revela se o sujeito sabe quem é: seu nome, 
idade, profissão, estado civil, com quem mora, etc. 
Já a orientação alopsíquica diz respeito à 
capacidade de orientar-se em relação ao mundo, 
isto é, quanto ao espaço (orientação espacial ou 
topográfica) e quanto ao tempo (orientação 
temporal). 
Orientação espacial 
Por orientação espacial entende-se vários subtipos 
de orientação: quanto ao local onde o sujeito está 
no momento (o local específico, o tipo de edifício, 
distância entre onde está e sua casa, etc.), 
orientação topográfica (ter a noção do arranjo e da 
organização de seu quarto, de sua casa, saber se 
localizar em seu bairro, sua cidade), orientação 
geográfica (saber onde fica sua cidade, seu país, 
saber localizar-se em relação a 
mapas), julgamento de distância (quão longe é o 
hospital de sua casa, sua cidade de outras cidades 
conhecidas, etc.) e capacidades de 
navegação (conseguir seguir caminhos e rotas 
previamente conhecidos ou com pistas suficientes) 
A orientação temporal necessita de uma 
adequada percepção do tempo e da sequência 
de intervalos temporais, de sua 
correspondente representação mental e 
do processamento mental da temporalidade. 
Essa orientação é, de modo geral, mais 
sofisticada que a espacial e a autopsíquica. A 
orientação temporal indica se o paciente sabe em 
que momento cronológico está vivendo, a hora do 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
dia, se é de manhã, de tarde ou de noite, o dia da 
semana, o dia do mês, o mês do ano, a época do 
ano, bem como o ano corrente. Também é possível 
avaliar a noção que o paciente tem da duração dos 
eventos e da continuidade temporal. O examinador 
pode perguntar: há quanto tempo o senhor está 
neste local? Há quanto tempo trabalhou (ou se 
alimentou) pela última vez? Faz quanto tempo que 
o senhor não me vê? 
A orientação temporal é adquirida mais 
tardiamente que a autopsíquica e a espacial na 
evolução neuropsicológica da criança. Jean Piaget 
notou que crianças de 4 a 7 anos, no nível pré-
operatório, têm ainda algumas dificuldades com a 
noção de tempo. Elas acreditam que pessoas mais 
altas são sempre mais velhas, que árvores altas, 
mais largas e com mais frutos são sempre “mais 
velhas” e que a duração de uma viagem é dada 
pelos pontos de chegada, sem consideração da 
velocidade de locomoção (Beard, 1978). 
Assim, a temporalidade (timing), em relação à 
espacialidade, é uma função que exige maior 
desenvolvimento cognitivo do indivíduo, além da 
integração de estímulos ambientais de forma mais 
elaborada. Por isso, em relação à orientação 
espacial, a orientação temporal é mais fácil e 
rapidamente prejudicada pelos transtornos mentais 
e distúrbios neuropsicológicos e neurológicos, 
particularmente pelos que afetam a consciência; do 
mesmo modo, costuma ser o último aspecto da 
orientação a se recuperar. 
 RESPONSIVIDADE: Prontidão em 
resposta ao estímulo. 
 SENSOPERCEPÇÃO 
Sensação é o fenômeno que estimula órgãos 
receptores., gerada pior estímulos físicos, químicos 
ou biológicos. 
Percepção é a tomada de consciência de tal 
estímulo sensorial. 
Podem ser quantitativas como qualitativas: 
Quentitativas: 
- Hiperestesia: intoxicação por alucinógenos, 
epilepsia; 
- Hipoestesia: quadros depressivos; 
- Anestesia: abolição de todas as formas de 
sensibilidade 
Qualitativas: 
- Alucinação: alteração do sensopercepção. 
Inserção de um objeto que não existe no campo 
daquele sujeito. Pode haver vozes, ver coisas, por 
ex. 
- Ilusão: Tambem alteração do sensopercepção. Só 
que aqui o objeto de fato existe, mas ele se altera. 
Paciente começa a ver um vaso de planta se 
mexendo, uma flor anadando, por ex. 
2. DEBATER SOBRE AS ALTERAÇÕES 
PATOLÓGICAS (estado crepuscular, estado de 
transe, dissociação, experiência de quase morte 
e delírio) E AS FISIOLÓGICAS (sono). 
 
Em diversos quadros neurológicos e 
psicopatológicos, o nível de consciência diminui de 
forma progressiva, desde o estado normal, vígil, 
desperto, até o estado de coma profundo, no qual 
não há qualquer resquício de atividadeconsciente. 
Os diversos graus de rebaixamento da 
consciência (Ramos Jr., 1986) são: 1) obnubilação, 
2) torpor, 3) sopor e 4) coma. Examinemo-los com 
mais detalhes. 
•1º grau, OBNUBILAÇÃO: turvação da 
consciência ou sonolência patológica leve. 
Trata-se do rebaixamento da consciência 
em grau leve a moderado. À inspeção inicial, 
o paciente pode já estar claramente sonolento 
ou parecer desperto, o que pode dificultar o 
diagnóstico desse estado. De qualquer forma, 
há sempre diminuição do grau de clareza do 
sensório, com lentidão da compreensão e 
dificuldade de concentração. Nota-se que o 
indivíduo tem dificuldade para integrar as 
informações sensoriais oriundas do ambiente. 
Assim, mesmo não se notando a sonolência do 
paciente de forma evidente, observa-se, nos 
quadros de obnubilação, que a pessoa se 
encontra um tanto perplexa, com a 
compreensão dificultada, podendo o 
pensamento que expressa revelar confusão 
mental. No geral, o indivíduo diminui a 
atenção para as solicitações externas, 
dirigindo-se para a sonolência. Já se pode 
observar alguma lentificação do traçado 
eletrencefalográfico. 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
•2º grau, TORPOR: é um grau mais 
acentuado de rebaixamento da consciência. 
O paciente está evidentemente sonolento; 
responde ao ser chamado apenas de forma 
enérgica e, depois, volta ao estado de 
sonolência evidente. A resposta aos estímulos 
externos, quando solicitado energicamente, é 
mais curta do que nos estados de obnubilação, 
mas menos frustra que no estado de sopor. Na 
obnubilação e no torpor, o paciente pode ainda 
apresentar traços de crítica e pudor, tentando 
cobrir as partes íntimas de seu corpo com o 
cobertor, quando em uma enfermaria ou 
emergência de hospital. No sopor e no coma, 
tal pudor e crítica da situação não existe mais, 
estando o indivíduo totalmente indiferente à 
exposição de partes íntimas (o que deve ser 
evitado sempre que possível, em respeito à 
pessoa). 
•3º grau, SOPOR: é um estado de marcante e 
profunda turvação da consciência, de 
sonolência intensa, da qual o indivíduo pode 
ser despertado apenas por um tempo muito 
curto, por estímulos muito enérgicos, do nível 
de uma dor intensa. Nesse momento, o 
paciente pode revelar fácies de dor e ter 
alguma gesticulação de defesa. Retorna, então, 
muito rapidamente, em segundos, à quase 
ausência de atividade consciente. Portanto, 
aqui, ele sempre se mostra intensamente 
sonolento, quase em coma. Embora ainda 
possa apresentar reações de defesa muito 
esporádicas, é incapaz de qualquer ação 
espontânea. A psicomotricidade encontra-se 
mais inibida do que nos estados de 
obnubilação e de torpor. O traçado 
eletrencefalográfico acha-se global e 
marcadamente lentificado, podendo surgir as 
ondas mais lentas, do tipo delta e teta. 
•4º grau, COMA: é a perda completa da 
consciência, o grau mais profundo de 
rebaixamento de seu nível. No estado de 
coma, não é possível qualquer atividade 
voluntária consciente. Além da ausência de 
qualquer indício de consciência, os seguintes 
sinais neurológicos podem ser verificados: 
movimentos oculares errantes com desvios 
lentos e aleatórios, nistagmo, transtornos do 
olhar conjugado, anormalidades dos reflexos 
oculocefálicos (cabeça de boneca) e 
oculovestibular (calórico) e ausência do 
reflexo de acomodação. Além disso, 
dependendo da topografia e da natureza da 
lesão cerebral, podem ser observadas rigidez 
de decorticação ou de decerebração, 
anormalidades difusas ou focais do EEG com 
lentificações importantes e presença de ondas 
patológicas. 
Os graus de intensidade de coma são 
classificados de I a IV: I, semicoma; II, coma 
superficial; III, coma profundo; e IV, 
coma dépassé. 
 DELLIRIUM 
Delirium é o termo atual mais adequado para 
designar a maior parte das síndromes confusionais 
agudas (o termo “paciente confuso”, muito usado 
em serviços de emergência e enfermarias médicas, 
refere-se a tais síndromes confusionais, ou seja, 
ao delirium). Cabe ressaltar que esses termos 
(síndrome confusional e paciente confuso) dão 
ênfase ao aspecto confuso do pensamento e do 
discurso do paciente (fala incongruente, com 
conteúdos absurdos e sem articulação lógica), um 
dos traços do delirium, mas não necessariamente o 
mais importante ou mais frequente. Daí a opção 
preferencial de se utilizar o termo delirium em vez 
de síndrome confusional. O delirium é uma das 
síndromes mais frequentes na prática clínica diária, 
principalmente em pacientes com doenças 
somáticas (emergências e enfermarias médicas e 
geriátricas) e idade avançada. 
O delirium diz respeito, portanto, aos vários 
quadros com rebaixamento leve a moderado do 
nível de consciência, acompanhados 
de desorientação temporoespacial, dificuldade de 
concentração, perplexidade, ansiedade em graus 
variáveis, agitação ou lentificação 
psicomotora, discurso ilógico e 
confuso e ilusões e/ou alucinações, quase 
sempre visuais. Trata-se de um quadro que oscila 
muito ao longo do dia. 
Geralmente, o paciente está com o sensório 
claro pela manhã, e, no início da tarde, o nível de 
consciência “afunda”, piorando no fim da tarde e à 
noite. Podem surgir, então, ilusões e alucinações 
visuais, bem como intensificar-se a desorientação e 
a confusão do pensamento e do discurso, com a 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
possibilidade de haver também agitação 
psicomotora e sudorese. 
Não se deve confundir delirium (quadro 
sindrômico causado por alteração do nível de 
consciência, em pacientes com distúrbios cerebrais 
agudos) com o termo “delírio” (ideia delirante; 
alteração do juízo de realidade encontrada 
principalmente em psicóticos esquizofrênicos ou 
em outras psicoses). 
ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS 
QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA 
Além dos diversos estados de redução global do 
nível de consciência, a observação psicopatológica 
registra uma série de estados alterados da 
consciência, nos quais se tem mudança 
parcial ou focal do campo da consciência. Uma 
parte do campo da consciência está preservada, 
normal, e outra, alterada. De modo geral, há quase 
sempre, nessas alterações qualitativas, algum grau 
de rebaixamento (mesmo que mínimo) do nível de 
consciência. Têm-se, então, as 
seguintes alterações qualitativas da consciência: 
 
ESTADOS CREPUSCULARES (état 
crepusculaire, twilight state, Dämmerzustand). 
Consistem em um estado patológico transitório no 
qual uma obnubilação leve da consciência (mais 
ou menos perceptível) é acompanhada de relativa 
conservação da atividade motora coordenada. 
Permite a ocorrência dos chamados atos 
automáticos. 
O estado “crepuscular” caracteriza-se por surgir e 
desaparecer de forma abrupta e ter duração 
variável, de poucos minutos ou horas a algumas 
semanas (Sims, 1995). Durante esse estado, 
ocorrem, com certa frequência, atos explosivos 
violentos e episódios de descontrole emocional 
(podendo haver implicações legais de interesse à 
psicologia e à psiquiatria forense). Geralmente 
ocorre amnésia lacunar para o episódio inteiro, 
podendo o indivíduo se lembrar de alguns 
fragmentos isolados. Os estados crepusculares 
foram descritos classicamente como associados à 
epilepsia, mas também podem ocorrer em 
intoxicações por álcool ou outras substâncias 
psicoativas (SPA), após traumatismo craniano 
(TCE), em quadros dissociativos histéricos agudos 
e, eventualmente, após choques emocionais 
intensos. 
 
ESTADO SEGUNDO. Estado patológico 
transitório semelhante ao estado crepuscular, 
caracterizado por uma atividade psicomotora 
coordenada, a qual, entretanto, 
permanece estranha à personalidade do sujeito 
acometido e não se integra a ela. Com certa 
frequência, alguns autores utilizam os termos 
“estado segundo” e “estado crepuscular” de forma 
indistinta ou intercambiável.Em geral, atribui-se, ao estado segundo, 
uma natureza mais psicogenética, sendo 
produzido por fatores emocionais (choques 
emocionais intensos). Já ao estado crepuscular, são 
conferidas causas mais frequentemente orgânicas 
(confusão pós-ictal, intoxicações, traumatismo 
craniano, etc.). Os atos cometidos durante o estado 
segundo são geralmente incongruentes, 
extravagantes, em contradição com a educação, as 
opiniões ou a conduta habitual do sujeito 
acometido, mas quase nunca são realmente graves 
ou perigosos, como no caso dos estados 
crepusculares (Porot, 1967). Do ponto de vista do 
mecanismo produtor da alteração, o estado segundo 
se aproxima mais da dissociação da consciência do 
que do estado crepuscular. 
 
DISSOCIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA. Tal 
expressão designa a fragmentação ou a divisão do 
campo da consciência, ocorrendo perda da 
unidade psíquica comum do ser humano. O termo 
“dissociação” pode cobrir não apenas a consciência 
como também a memória, a percepção, a 
identidade e o controle motor. 
Em geral ocorre nos quadros histéricos. Vista como 
uma estratégia defensiva inconsciente para lidar 
com a ansiedade. O indivíduo se desliga da 
realidade para não sofrer. Quadros dissociativos 
são também frequentes em pessoas com o 
diagnóstico de transtorno da 
personalidade borderline. 
 
TRANSE. Se assemelha a sonhar acordado, 
porém há atividade motora 
automática e estereotipada acompanhada de suspensão 
parcial dos movimentos voluntários. 
O estado de transe ocorre sobretudo em contextos 
religiosos e culturais (espiritismo kardecista, 
religiões afro-brasileiras e religiões evangélicas 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
pentecostais e neopentecostais). O transe 
dito extático pode ser induzido por treinamento 
místico-religioso, ocorrendo geralmente 
a sensação de fusão do eu com o universo. Não se 
deve confundir o transe religioso, culturalmente 
contextualizado e sancionado, com o 
chamado transe histérico, que é um estado 
dissociativo da consciência relacionado 
frequentemente a conflitos interpessoais e 
alterações psicopatológicas. 
Os estados de transe e possessão culturalmente 
contextualizados e sancionados são fenômenos 
muito difundidos nas várias culturas em todo o 
mundo, vistos, na atualidade, como um recurso 
religioso e sociocultural que permite às pessoas, 
sobretudo às mulheres, lidar com as dificuldades da 
vida por meio de estratégias religiosas socialmente 
legitimadas. 
 
ESTADO HIPNÓTICO. É um estado de 
consciência reduzida e estreitada e de atenção 
concentrada, que pode ser induzido por outra 
pessoa (hipnotizador). Trata-se de um estado de 
consciência semelhante ao transe, no qual a 
sugestionabilidade do indivíduo está aumentada, e 
sua atenção, concentrada no hipnotizador. Nesse 
estado, podem ser lembradas cenas e fatos 
esquecidos e podem ser induzidos fenômenos 
como anestesia, paralisias, rigidez muscular, 
alterações vasomotoras. Não há nada de místico ou 
paranormal na hipnose. É apenas uma técnica 
refinada de concentração da atenção e de alteração 
induzida do estado da consciência. 
 
EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE: Em 
situações de grave ameaça a vida (parada 
cardiorrespiratória (PCR), isquemia, acidentes) 
ocorrem experiências muito rápidas em que um 
estado de consciência particular é vivenciado e 
registrado por essas pessoas (sensação de paz e 
tranquilidade, presença de um espírito). 
O genial geólogo suíço Albert von St. Gallen 
Heim (1849-1937) teve uma marcante EQM ao 
sofrer grave queda quando escalava os Alpes 
suíços, em 1872. Ele passou, então, a coletar relatos 
de experiências semelhantes e as descreveu 
no Clube Alpino Suíço, em 1892. Em seu relato, 
afirmou a sensação de paz e tranquilidade imensa e 
deslocamento muito rápido ao longo de um túnel 
escuro que, ao fim, tinha uma luz particularmente 
brilhante. Disse, ainda, que tal “viagem” se 
acompanhara da passagem rapidíssima de um 
“retrospecto da vida” e da sensação da presença de 
um espírito pleno de amor (Vignat, 1996; Nahm, 
2016). 
Estudos de revisão (Nelson et al., 2006) têm 
mostrado que as características mais frequentes 
desses estados (EQM) são as seguintes (em 55 
casos revisados a partir da literatura científica 
internacional): sensação de paz (87%), de estar fora 
do próprio corpo (80%), de estar rodeado por uma 
luz intensa (78%), de estar em “outro mundo” 
(75%), sensações de “união cósmica” (67%), de ter 
atingido um “ponto de não retorno” (67%), de 
alegria intensa (64%), de “compreensão imediata” 
(60%) e de contato com uma “entidade mística” 
(55%). 
As EQMs parecem ocorrer em muitas culturas, 
com variações nos seus conteúdos. Nos Estados 
Unidos, aparentemente, ocorrem em 6 a 12% das 
pessoas que sobreviveram a uma parada cardíaca, 
e, na Europa, 6% de uma amostra de 14 mil pessoas 
da população em geral relatou já ter experienciado 
EQM. Em estudo recente, Nelson e colaboradores 
(2006) buscaram demonstrar que a EQM seria a 
consequência de uma invasão maciça de atividade 
cerebral do tipo sono REM nas pessoas enquanto 
passavam por tais experiências. Entretanto, há 
também consistentes hipóteses socioculturais e 
históricas para tal experiência 
 
DELÍRIO: Alteração de juízo de realidade, 
pensamento alterado, alteração da criticidade. A 
alucinação muitas vezes complementa o delírio, 
mas são coisas diferentes. Por exemplo: delírio – 
“aqui embaixo mora um grupo do estado islâmico”. 
Só que isso normalmente vem acompanhado de 
uma alucinação – “Toda noite eu escuto eles 
conversando”. 
 
ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS (sono). 
SONO 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
 
 
Não é inconsciente! É um estado especial da 
consciência que ocorre de forma recorrente e 
cíclica, necessário para a fisiologia/ homeostasia do 
organismo. 
Divide-se em: 
 NREM (o sono sincronizado, sem 
movimentos oculares rápidos): 
SINCRONIZADO. Possui elementos 
eletrencefalográficos próprios ( como os 
fusos do sono, os complexos K e as 
ondas lentas de grande amplitude) e 
alterações no SNA (simpático diminuído e 
parassimpático aumentado). Por isso, 
menor FC, FR, PA, DC e os movimentos 
intestinais. 
As alterações normais da consciência 
ocorrem no contexto dos chamados ritmos 
circadianos (relógio interno de 24 horas 
que nossos corpos seguem, é mantido pela 
exposição a estímulos externos, padrões e 
hábitos de vida e funções naturais do 
corpo.) A luz desempenha um papel 
fundamental durante a regulação do ritmo 
circadiano. Uma vez que os olhos captam a 
luz do sol, um sinal é enviado ao 
hipotálamo de que é hora de ficar alerta. Se 
os olhos não forem expostos à luz por um 
longo período de tempo, o cérebro 
interpreta que é para desencadear a 
liberação de melatonina. Isso faz com que 
você se sinta cansado quando o sol se põe. 
Possui 4 estágios: 
Estágio 1: mais leve e superficial, com 
atividade regular do EEG de baixa voltagem, 
de 4 a 6 ciclos por segundo (2-5% do tempo 
total de sono). 
•Estágio 2: um pouco menos superficial, com 
traçado do EEG revelando aspecto fusiforme 
de 13 a 15 ciclos por segundo (fusos do sono) 
e algumas espículas de alta voltagem, 
denominadas complexos K (45-55% do tempo 
total de sono). 
•Estágio 3: sono mais profundo, com traçado 
do EEG mais lentificado, com ondas delta, 
atividade de 0,5 a 2,5 ciclos por segundo, 
ondas de alta voltagem (3-8% do tempo total 
de sono). 
•Estágio 4: estágio de sono mais profundo, 
com predomínio de ondas delta e traçado bem 
lentificado. É mais difícil de despertar alguém 
nos estágios 3 e 4, podendo o indivíduo 
apresentar-se confuso ao ser despertado (10-
15% do tempo total de sono). 
 REM (sono dessincronizado, com 
movimentos oculares rápidos): 
DESSINCRONIZADO. Corresponde a 20-
25% do sono, É um estágio peculiar, cujo 
padrãodo EEG é semelhante ao do Estágio 
1 do não REM. Há instabilidade do sistema 
simpático (aumento - variações das 
frequências cardíaca e respiratória, da 
pressão arterial, do débito cardíaco e do 
fluxo sanguíneo cerebral e ereções 
penianas totais e parciais.). Possui ao 
mesmo tempo atonia muscular e 
movimentos oculares sacádicos (rápidos e 
conjugados). 
É durante o sono REM que ocorre a maior parte 
dos sonhos, e, em 60 a 90% das vezes, se o 
indivíduo for despertado durante a fase REM, 
relatará que estava sonhando. Durante o sono 
REM, dá-se a ativação das vias neuronais que 
TUTORIA 13 
Alterações da consciência 
FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO 
ligam o tronco cerebral ao córtex occipital (a área 
da visão); são as chamadas ondas ponto-genículo-
occipitais. Tal ativação cerebral das áreas occipitais 
se relaciona ao caráter visual dos sonhos. O sono 
REM não é, entretanto, um sono leve, tampouco 
profundo, mas um tipo de sono qualitativamente 
diferente. 
Em uma noite normal de sono, esses ciclos se 
repetem de 4-6 vezes em uma noite, com duração 
de 70-110 minutos cada. Seu inicio ocorre 70 a 120 
minutos após o indivíduo adormecer, pela fase 1. 
Com o passar da noite, os estágios vão se 
acelerando, reduzindo os estágios 3 e 4, com isso 
os períodos REM vão se tornando mais frequentes 
e prolongados. 
A maior quantidade de sono REM ocorre no último 
terço da noite, geralmente de madrugada (das 4 às 
7h da manhã), momento em que a maioria das 
pessoas mais sonha. O Estágio 4, de forma oposta, 
ocorre predominantemente no primeiro terço da 
noite. 
Pessoas com depressão grave e narcolepsia podem 
ter a latência – adormecimento-primeiro sono REM 
– bastante diminuída, implicando geralmente uma 
inversão da arquitetura do sono. 
ESTRUTURAS RELACIONADAS: 
- Núcleo supraquiasmático: no hipotálamo 
anterior; 
- Glândula pineal: secreta melatonina bifásica 
(entre 22 horas e 1 hora), modulador do ciclo sono-
vigília. 
- Sistema reticular mesencéfalo e bulbos: gera 
sono REM; 
- Receptores aminérgicos, colinérgicos e 
histaminérgicos. 
 
SONHO 
É um fenômeno associado ao sono e uma alteração 
normal da consciência. Maioria das pessoas 
sonham várias vezes durante a noite, mas acabam 
se esquecendo rapidamente (6-8 min). São 
vivências predominantemente visuais, sendo rara a 
ocorrência de percepções auditivas, olfativas ou 
táteis. Isso se deve às ondas ponto-genículo-
occipitais que ativam as áreas corticais visuais do 
lobo occipital. 
Em sonhos eróticos, podem ocorrer sensações de 
orgasmo. Pessoas cegas de nascença geralmente 
relatam sonhos com sensações corporais e de 
movimento, mas obviamente sem o caráter visual 
das pessoas que enxergam. 
O seu significado ainda permanece controvérsio. 
As diversas culturas tendem a interpretá-los a partir 
de seus símbolos, crenças religiosas e valores 
próprios, geralmente tomando-os como mensagens 
divinas ou demoníacas. 
No ano de 1900, Freud publicou um de seus mais 
importantes trabalhos: A interpretação do sonho. 
Nessa obra, ele busca demonstrar que o sonho não 
é nem um “produto aleatório e sem sentido de um 
cérebro em condições alteradas de 
funcionamento”, nem um “mensageiro de recados 
do além”. O sonho é um fenômeno psicológico 
extremamente rico e revelador de desejos e 
temores, ainda que de forma indireta e disfarçada. 
Enfim, para ele, o conteúdo do sonho tem um 
sentido. 
Dessa forma, para Freud, o sonho é uma solução de 
compromisso, o resultado de uma intensa 
negociação entre o inconsciente (que visa expulsar, 
forçar os desejos para a consciência) e o consciente 
(que visa impedir que tais desejos inconscientes 
surjam).

Mais conteúdos dessa disciplina