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Neurose e Psicose Neurose e psicose são duas formas distintas de adoecer psicologicamente. Ambas surgem como tentativas da mente de lidar com desejos, frustrações e exigências internas e externas, mas diferem em onde começa o conflito e como a realidade é tratada pelo ego. Conceitos centrais ● Id: fonte dos impulsos e desejos instintivos. ● Ego: mediador entre desejos, realidade e superego; tenta conciliar exigências. ● Superego: internalização de normas, proibições e ideais. ● Ponto-chave: se o ego reprime o id e surge um sintoma → tendência para neurose; se o ego cede ao id e afasta‑se da realidade → tendência para psicose. Neurose Como a neurose se forma 1. Desejo conflituoso: surge um impulso do id (por exemplo, um desejo proibido). 2. Repressão pelo ego: o ego, em nome da realidade e/ou do superego, reprime esse impulso. 3. Retorno do reprimido: o material reprimido tenta voltar e cria sintomas (ansiedade, fobias, sintomas somáticos, obsessões). 4. Resultado clínico: o paciente mantém contato com a realidade e geralmente tem consciência de que algo está errado (juízo crítico preservado). ● Formação de compromisso: o sintoma é uma solução intermediária que contém traços do desejo (id) e traços da defesa (ego/superego). É um “acordo” psíquico que reduz a ansiedade sem satisfazer plenamente o desejo proibido. ● Sinais clínicos: insight preservado; paciente percebe que sofre; fala coerente; sintomas simbólicos (rituais, queixas físicas sem causa orgânica). Psicose Como a psicose se forma 1. Frustração intolerável ou falha do ego: um desejo ou frustração muito grave faz o ego ceder ao id. 2. Afastamento da realidade: o ego se afasta de um fragmento da realidade; em vez de reprimir, ele rejeita ou substitui essa parte da realidade. 3. Remodelação autocrática: o indivíduo constrói uma nova “realidade” interna (delírios, alucinações) que serve aos desejos do id. 4. Resultado clínico: perda do juízo crítico; perda de contato com a realidade; percepções e crenças passam a ser governadas por essa nova construção. Embotamento afetivo e volitivo ● Embotamento afetivo: diminuição da expressão e da intensidade emocional; frieza, indiferença, perda de interesse nas relações. Observado com frequência em psicoses (ex: esquizofrenia). Impacto: prejuízo da empatia, isolamento social, dificuldade em responder a eventos emocionais. ● Embotamento volitivo: redução da vontade, iniciativa e energia para agir; procrastinação, negligência do autocuidado, perda de pragmatismo. Impacto: queda no rendimento escolar/profissional e na vida diária. ● Diferença prática: afetivo = sentir menos; volitivo = fazer menos. Ambos podem coexistir e agravar a desorganização funcional. Senso-Percepção Sensação vs Percepção ● Sensação = dado bruto que chega pelos órgãos dos sentidos (o estímulo físico transformado em sinal nervoso). Ex.: luz que entra no olho; som que chega ao ouvido; calor na pele. ● Percepção = processo que organiza, interpreta e dá significado a essas sensações (o que eu entendo que aquele estímulo é). Ex.: ver uma mancha e reconhecer que é uma pessoa; ouvir um som e identificar que é uma sirene. Regra prática: sensação = o que entra; percepção = o que eu faço com o que entrou. Tipos de sensações e sensibilidade ● Sensação externa (sensibilidade especial): cada sentido tem receptores específicos (visão, audição, tato, olfato, paladar). ● Sensibilidade geral: sensações internas e corporais (posição, movimento, estado visceral). ○ Cenestesia: sensação vaga do funcionamento visceral (ex.: “sinto o estômago apertado”, sensação de bem‑estar ou mal‑estar interno). ○ Cinestesia: sensação do movimento e posição do corpo (ex.: saber onde está o braço com os olhos fechados). ○ Sine stesia: fusão de sensações (ex.: “ver” cores ao ouvir música) — geralmente associada a intoxicações ou experiências neurológicas. Alterações quantitativas da sensação (o “quanto” muda) ● Hiperestesia: aumento da sensibilidade (tudo parece mais intenso). Ex.: enxaqueca, intoxicação por LSD. ● Hipoestesia: diminuição da sensibilidade (tudo parece mais fraco). Ex.: alcoolismo, depressão. ● Analgesia: ausência de dor. ● Anestesia: perda total de sensibilidade em uma área. ● Parestesia: sensações anormais (formigamento) geralmente de origem periférica. ● Agnosia: sensação preservada, mas incapacidade de reconhecer o estímulo (problema perceptivo cortical). Ex.: ver uma cadeira, descrever cor e forma, mas não saber que é uma cadeira nem para que serve. Percepção verdadeira Uma percepção verdadeira tem seis traços que a tornam “real” para o sujeito: 1. Corporalidade — parece vir do mundo externo, com presença física. 2. Passa no espaço externo — depende de um objeto fora do sujeito. 3. Nitidez de contorno — detalhes e contornos reconhecíveis. 4. Constância — o objeto percebido é estável. 5. Frescor sensorial — sensação vívida e recente. 6. Independência da vontade — não é algo que a pessoa evoca voluntariamente; é recebido passivamente. Pseudopercepções Ilusão ● O que é: deformação de uma percepção real; existe um estímulo externo, mas ele é interpretado de forma errada. ● Exemplo: ver um galho à noite e achar que é uma cobra. ● Características: corrigível quando a pessoa reavalia a cena; depende do objeto real estar presente. Alucinação ● O que é: percepção sem estímulo externo; vivida com todas as características de uma percepção verdadeira. 1. Alucinações auditivas ● O que são: percepções sonoras sem fonte externa — desde ruídos indistintos até vozes complexas. - Subtipos e características: ● Elementares: ruídos, estalos, zumbidos, passos; sem conteúdo verbal. Podem ocorrer em estados orgânicos, epilepsia, intoxicações. ● Complexas (auditivas verbais): vozes que falam, comentam, conversam entre si ou dirigem‑se ao paciente; típicas da esquizofrenia. Podem ser únicas ou múltiplas, internas ou percebidas como vindas do ambiente. ● Imperativas: vozes que dão ordens (podem ser perigosas se mandarem atos violentos). ● Funcionais: atribuição de vozes a sons reais (ex.: ao abrir a torneira “ouvir” uma ofensa) desaparecem com o fim do estímulo. ● Sonorização do pensamento: sensação de ouvir os próprios pensamentos como se viessem de fora (diferente do eco do pensamento). - Por que ocorrem: alterações na rede auditiva e em circuitos de atribuição de agência; em psicose primária há falha na distinção entre pensamento interno e estímulo externo. 2. Alucinações visuais ● O que são: ver objetos, figuras, cenas ou fenômenos que não existem no ambiente. - Subtipos e características: ● Elementares (fotopsias): clarões, pontos brilhantes, cores; comuns em epilepsia e lesões occipitais. ● Complexas: cenas inteiras, figuras humanas, animais; podem ser cenográficas (visão de eventos completos, como incêndios ou brigas). ● Macropsias / Micropsias / Zoopsias: distorções de tamanho ou forma (ver coisas enormes ou minúsculas; ver animais). ● Autoscopia / Heautoscopia: ver o próprio duplo (interna ou externamente). ● Extracampinas (Bleuler): fenômenos fora do campo visual direto do paciente (descritos em esquizofrenia). - Por que ocorrem: frequentemente associadas a causas orgânicas (delirium, intoxicações, epilepsia, lesões cerebrais); alucinógenos (LSD, mescalina) produzem visuais complexas. 3. Alucinações táteis (hápticas) ● O que são: sensações de toque, pressão, picadas, queimaduras ou movimento sobre a pele sem estímulo real. ● Características: podem ser localizadas (sensação de insetos andando sobre a pele — “formigas”) ou de contato genital (alucinações genitais) ● Sinais úteis: frequentemente acompanhadas por alucinações visuais (ver os insetos) — quando combinadas, sugerem intoxicação ou delirium. 4. Alucinações olfativas e gustativas ● O que são: perceber cheiros ou sabores inexistentes(ex.: cheiro de podre, gosto metálico). ● Características: raras; quando presentes, muitas vezes indicam lesão cerebral focal (lobo temporal), epilepsia temporal ou tumor. ● Sinais úteis: surgem isoladamente em epilepsia temporal; se associadas a delírio, pensar em causas orgânicas. 5. Alucinações cenestésicas ● O que são: sensações internas estranhas e mal definidas sobre órgãos ou partes do corpo (ex.: “meus órgãos estão podres”, “algo se move dentro de mim”). ● Características: muito angustiantes; comuns em psicoses somáticas e em transtornos com conteúdo hipocondríaco. ● Sinais úteis: conteúdo frequentemente ligado a delírios somáticos; avaliar risco de automutilação (tentativas de “remover” o que o paciente sente). 6. Alucinações cinestésicas ● O que são: falsas percepções de movimento do corpo ou de partes dele (ex.: sensação de voar, chão afundando, ser impelido a andar). ● Associações clínicas: esquizofrenia (especialmente formas catatônicas), delirium, intoxicações. ● Sinais úteis: podem acompanhar estados de desorganização psicomotora; observar coerência entre relato e comportamento. Pseudoalucinação ● O que é: experiência sensorial vivida internamente (no “mundo interno”), sem a sensação de corporalidade externa; o paciente às vezes reconhece que é falsa. ● Exemplo: ouvir uma voz “dentro da cabeça” que o sujeito percebe como diferente de uma voz externa; pode ter menos convicção do que uma alucinação verdadeira. Agnosia e afasia ● Agnosia: sensação preservada (a pessoa vê, ouve, toca), mas não reconhece o objeto; é um problema de associação perceptiva no cérebro (ex.: paciente descreve forma e cor de uma cadeira, mas não sabe que é uma cadeira nem para que serve). Geralmente indica lesão cortical (ex.: demência, AVC). ● Afasia: distúrbio da linguagem (compreensão e/ou expressão) sem déficit sensorial; também sugere lesão cerebral. Alteração do Pensamento O que é pensamento v ● Pensamento = capacidade de formar conceitos, fazer juízos e encadear raciocínios para resolver problemas. ● Conceito = unidade do pensamento; juízo = relação entre conceitos (ex.: “a flor é bela”). Alterações nesses níveis comprometem a realidade e o funcionamento. Alterações de conteúdo (o quê do pensamento) ● Ideias prevalentes / sobrevalorizadas: convicções intensas, compreensíveis por contexto afetivo (religião, política, hipocondria). Não são verdadeiros delírios; admitem correção. ● Ideias delirantes (delírios): juízos patologicamente falsos, com convicção absoluta, incorrigibilidade e frequentemente incompreensibilidade (delírios primários surgem “do nada”; secundários derivam de humor, culpa ou experiências). Exemplos: delírio de perseguição, de grandeza, erotomaníaco, de ciúmes, niilista/somático. Ideias delirantes primárias ● Conteúdo absurdo: o delírio apresenta um conteúdo impossível ou manifestamente irreal. ● Certeza subjetiva extrema: o paciente tem convicção absoluta e persistente, mesmo diante de provas contrárias. ● Impermeabilidade à argumentação: é incorrigível; raciocínios e experiências não o modificam. ● Surgimento espontâneo: aparece “do nada”, sem derivação lógica da realidade ou do humor; é incompreensível e transforma a personalidade. ● Contexto sociocultural: o tema pode refletir símbolos ou referências culturais do indivíduo. Delírios primários versus delírios secundários ● Primários: inderiváveis, incompreensíveis, autônomos; alteram profundamente a personalidade. ● Secundários: derivam de estados emocionais, experiências ou predisposições (culpa na depressão; grandiosidade na mania); são compreensíveis em relação ao contexto afetivo e não provocam a mesma transformação da personalidade. Humor delirante ● Definição: sensação angustiante e vaga de que algo está mudando; prenúncio de surto psicótico. ● Efeito: ansiedade intensa, despersonalização e desrealização; tende a preceder e depois ceder quando o delírio se cristaliza. Tipos de vivência delirante primária (autorreferenciadas) ● Percepção delirante: atribuição imediata de um significado delirante a uma percepção normal. ● Cognição ou intuição delirante: convicção súbita e sem base (ex.: “sou o Presidente”), sem estímulo externo. ● Representação delirante mnésica: atribuição delirante a uma lembrança (ex.: recordar um episódio infantil como prova de uma identidade grandiosa). TIPOS DE DELÍRIOS 1. Delírio de perseguição ● O que é: crença fixa de que se é vigiado, perseguido, sabotado ou ameaçado. ● Sinais práticos: desconfiança extrema, interpretações persecutórias de gestos e notícias, comportamento defensivo ou litigioso (querelas). ● Contextos comuns: esquizofrenia paranoide, transtornos delirantes, intoxicações. ● Subtipos: delírio de prejuízo (forma atenuada), delírio querelante (reivindicação legal), autorreferência (acreditar que mensagens/gestos são dirigidos a si). 2. Delírio de influência (controle) ● O que é: sensação de que pensamentos, vontades ou ações são controlados por forças externas (telepatia, radiações, espíritos). ● Sinais práticos: queixas de “pensamentos inseridos/roubados”, sensação de ser manipulado; relatos de ações que “não são minhas”. ● Contextos comuns: esquizofrenia, estados psicóticos com sintomas de passividade. 3. Delírio de grandeza ● O que é: crença exagerada de poder, riqueza, talento ou identidade especial (ser figura histórica, ter poderes). ● Sinais práticos: afirmações grandiosas, descompasso entre relato e realidade, comportamento expansivo. ● Contextos comuns: mania, transtornos delirantes, alguns quadros psicóticos. 4. Delírio de ciúmes ● O que é: convicção infundada de que o parceiro é infiel; vigilância e desconfiança contínuas. ● Sinais práticos: fiscalizações, confrontos, risco aumentado de agressão; forte componente emocional. ● Contextos comuns: transtorno delirante, esquizofrenia paranoide, alcoolismo. 5. Delírio erotomaníaco ● O que é: crença de que outra pessoa (frequentemente de status mais alto) é secretamente apaixonada pelo indivíduo. ● Sinais práticos: perseguição idealizada, tentativas de contato, interpretações de sinais mínimos como prova de amor. ● Contextos comuns: transtorno delirante. 6. Delírios de conteúdo negativo (niilista / somático / hipocondríaco) ● O que é: crenças de perda, negação ou deterioração do corpo ou do mundo (ex.: “meus órgãos apodreceram”, “estou morto”). ● Sinais práticos: queixas somáticas bizarras, recusa de cuidados, angústia intensa. ● Contextos comuns: depressão grave (delírios de culpa/niilistas), esquizofrenia, transtornos somáticos. 7. Delírio de ruína / miséria ● O que é: convicção de perda total, falência ou desgraça iminente. ● Sinais práticos: queixas de pobreza absoluta, desesperança, ideias de desvalia. ● Contextos comuns: depressão severa, demência. 8. Delírio de culpa / auto acusações ● O que é: crença fixa de ter cometido crimes, pecados ou faltas graves, merecendo punição. ● Sinais práticos: remorso exagerado, pedidos de punição, risco de automutilação em casos extremos. ● Contextos comuns: depressão melancólica, alguns quadros psicóticos. TIPOS DE PENSAMENTOS ESQUIZOFRÊNICOS 1. Desagregação do pensamento ● O que é: perda da capacidade de ligar conceitos; fala e raciocínio tornam‑se fragmentados, ilógicos e muitas vezes incompreensíveis. ● Como aparece: respostas misturadas, saltos associativos, frases sem conexão; varia em intensidade. ● Importância clínica: sinal típico de esquizofrenia desorganizada; pode ocorrer também em psicoses tóxicas. 2. Neologismo (condensação de conceitos) ● O que é: criação de palavras novas ou junção absurda de sílabas/palavras que só fazem sentido para o paciente. ● Efeito: prejudica a comunicação e indica reorganização anômala do sistema conceitual. 3. Roubo do pensamento ● O que é: sensação subjetiva deque ideias foram subtraídas da mente do paciente. ● Significado clínico: fenômeno de perda de autoria do pensamento, típico de sintomas de passividade. 4. Publicação/divulgação do pensamento ● O que é: crença de que os próprios pensamentos são conhecidos por outros (“meus pensamentos são públicos”). ● Impacto: quebra da fronteira entre pensamento interno e mundo externo; sugestivo de psicose com sintomas de controle. 5. Interceptação / bloqueio / suspensão do pensamento ● O que é: interrupção abrupta do fluxo de pensamento; sensação de “branco” ou de que o pensamento foi impedido. ● Como se manifesta: relatos de perda súbita de ideias, dificuldade em continuar o raciocínio. Outros pensamentos típicos 1. Fuga de ideias (taquifrenia) ● O que é: aceleração do fluxo de pensamento com saltos rápidos entre temas; perda de direção e conclusão. ● Como soa: fala muito rápida, muitas associações; às vezes ainda compreensível (ordenada) ou totalmente caótica (desordenada). ● Contexto clínico: típico da mania (transtorno bipolar). ● Exemplo: a pessoa pula de um assunto a outro sem terminar frases; parece eufórica e dispersa. 2. Inibição do pensamento (bradifrenia) ● O que é: lentificação do pensamento; menos temas e ideias verbalizadas; dificuldade para pensar. ● Como soa: fala lenta, pausas longas, queixas de “não conseguir pensar”. ● Contexto clínico: depressão, demência, epilepsia, intoxicações. ● Exemplo: demora para responder, respostas curtas e escassas. 3. Pensamento prolixo (prolixidade) ● O que é: excesso de detalhes irrelevantes; dificuldade de síntese, mas o relato pode ser concluído. ● Como soa: muitas voltas, informações supérfluas que atrapalham a comunicação. ● Contexto clínico: TOC, transtornos de personalidade anancástica, retardo mental. ● Diferenciação: minuciosidade traz muitos detalhes relevantes; prolixidade traz muitos detalhes irrelevantes. 4. Perseveração do pensamento ● O que é: fixação em um único tema; retorno constante ao mesmo assunto apesar de tentativas de mudar. ● Como soa: a pessoa sempre volta ao mesmo ponto, perde flexibilidade associativa. ● Contexto clínico: demência, epilepsia, delirium, alcoolismo, esquizofrenia. ● Exemplo: mesmo falando de outra coisa, volta repetidamente ao mesmo episódio ou ideia. 5. Pensamento obsessivo ● O que é: ideias intrusivas, repetitivas e involuntárias que o sujeito reconhece como absurdas e luta para controlar. ● Como soa: pensamentos persistentes sobre contaminação, agressão, dúvidas torturantes; geram ansiedade. ● Contexto clínico: Transtorno Obsessivo‑Compulsivo (TOC), depressão, às vezes esquizofrenia. ● Comportamento associado:rituais/compulsões (limpeza, verificação, contagem) para neutralizar a angústia. Alteração da Afetividade Conceitos essenciais ● Afetividade = conjunto de emoções, sentimentos e humor. ● Emoção = reação súbita e breve; ● Sentimento = experiência afetiva mais duradoura; ● Humor = tom afetivo basal. Perturbações da afetividade 1. Hipertimia ● Aumento patológico da intensidade e/ou duração dos afetos; reação desproporcional ao contexto. Engloba alegria excessiva, irritabilidade e ansiedade intensas. - Manifestações principais ● Euforia simples: sensação de felicidade imotivada; sinais associados — aceleração do pensamento, loquacidade, riso fácil, aumento da gesticulação e logorreia (fala rápida e difícil de interromper). ● Exaltação patológica: além da euforia, há aumento da convicção sobre o próprio valor e ambições exageradas; acompanha-se de maior apetite, excitação sexual e tendência à ação. - Irritação patológica ● O que é: propensão a respostas coléricas e agressivas desproporcionais. ● Consequências: desde mau humor até explosões violentas; pode levar a atos contra si ou terceiros. ● Contextos clínicos: mania/hipomania, psicopatia, epilepsia, esquizofrenia (especialmente com ideação persecutória), demências, transtorno de personalidade explosiva. 2. Hipotimia e quadro depressivo ● Diminuição da intensidade afetiva e inibição global dos processos psíquicos. ● Sinais-chave: tristeza profunda, lentidão, perda de libido e apetite, cansaço, alterações do sono. ● Contextos comuns: depressão maior, esquizofrenia catatônica, alcoolismo, demência. 3. Catatimia ● Definição: Deformação da percepção da realidade sob a influência do afeto; o afeto colore e distorce a experiência. ● Sinais‑chave: interpretação afetiva exagerada de estímulos; reações emocionais que alteram a percepção; comportamento guiado por emoção intensa. ● Contextos comuns: estados psicóticos, transtornos afetivos graves, reações emocionais agudas. 4. Rigidez Afetiva ou Hipomodulação ● Definição: Dificuldade em modular emoções conforme o contexto; respostas afetivas pouco flexíveis. ● Sinais‑chave: respostas emocionais desajustadas; pouca variação afetiva; dificuldade em adaptar a reação ao estímulo. ● Contextos comuns: esquizofrenia, demência, transtornos de personalidade, sequelas neurológicas. 5. Instabilidade Afetiva ou Labilidade ● Definição: Oscilações rápidas e frequentes do humor, com dificuldade de controle afetivo. ● Sinais‑chave: mudanças bruscas de humor; reações emocionais imprevisíveis; sensibilidade a pequenos gatilhos. ● Contextos comuns: transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, lesões cerebrais, intoxicações, infância normal em episódios transitórios. 6. Incontinência Emocional ● Definição: Incapacidade de inibir a expressão emocional; emoções transbordam com facilidade. ● Sinais‑chave: riso ou pranto convulsos; explosões emocionais desproporcionais; dificuldade em conter reações. ● Contextos comuns: demências, lesões orgânicas cerebrais, quadros maníacos, retardo mental, transtorno de personalidade explosiva. 7. Ambivalência Afetiva ● Definição: Coexistência simultânea de sentimentos opostos em relação ao mesmo objeto, gerando perplexidade e angústia. ● Sinais‑chave: expressa amor e ódio pela mesma pessoa ao mesmo tempo; indecisão emocional intensa; sofrimento pela contradição. ● Contextos comuns: esquizofrenia, transtornos neuróticos, conflitos afetivos intensos. 8. Paratimias ou Incongruência Afetiva ● Definição: Afetos inadequados ou paradoxais em relação ao conteúdo ou situação. ● Sinais‑chave: rir diante de uma tragédia; chorar por motivo trivial; reação emocional que não combina com o pensamento ou evento. ● Contextos comuns: esquizofrenia paranoide, alguns transtornos psicóticos, lesões cerebrais. 9. Tenacidade Afetiva ● Definição: Duração anormalmente prolongada de estados afetivos como rancor, ódio ou mau humor. ● Sinais‑chave: ressentimento persistente; dificuldade em superar emoções negativas; humor cronicamente negativo. ● Contextos comuns: esquizofrenia, epilepsia, deficiência intelectual, transtornos de personalidade. 10. Puerilismo ● Definição: Regressão a comportamentos e afetos infantis por perda de maturidade emocional. ● Sinais‑chave: linguagem infantil (pedolalia), caretas, gargalhadas inadequadas, comportamento imaturo e dependente. ● Contextos comuns: histeria e outras neuroses, esquizofrenia desorganizada, regressão em crises psicóticas. 11. Pavor Noturno ● Definição: Crises agudas de pavor durante o sono, com desorientação e reação de pânico ao despertar. ● Sinais‑chave: sentar ou saltar da cama em pânico, choro inconsolável, confusão temporária, dificuldade em reconhecer pessoas próximas. ● Contextos comuns: crianças (distúrbios do sono), epilepsia noturna, hipoglicemia, transtornos dissociativos. Alteração da Vontade O que é vontade ● Definição prática: é o processo que vai da sensopercepção → intenção → deliberação → decisão → execução. Em outras palavras: algo chama sua atenção, você quer, escolhe como e decide agir, e então executa. ● Por que importa: sem vontade não há início nem manutenção de açõesúteis (trabalho, higiene, alimentação). Estupor e sintomas da série catatônica 1. Definição de Estupor - Estupor é uma síndrome caracterizada por ausência quase total de iniciativa e reação a estímulos externos, com imobilismo marcado. Não é apenas “estar quieto”: é uma paralisação volitiva e motora que pode manter a lucidez interna. - Tríade sintomática do Estupor ● Abulia — ausência de vontade. ● Apraxia — incapacidade de executar atos práticos apesar de preservação motora. ● Acinesia — ausência de movimento. 2. Diferença prática entre Estupor e Coma COMA ESTUPOR Ausência de consciência Preservação de lucidez; paciente pode estar orientado Estado vegetativo, medular Mantém orientação auto e alopsíquica Amnésia do episódio Paciente pode relatar o que ocorreu após a crise Reflexos podem desaparecer ou variar Reflexos geralmente preservados Causa primária neurológica grave Associado a catatonia, depressão grave, transtorno bipolar; também psicogênico 3. Observações clínicas importantes ● Variação clínica: o estupor pode ir de bloqueios transitórios a imobilização total em posição fixa. ● Estados semi-estuporosos: o paciente pode ainda andar, falar ou realizar ações, porém de forma muito lenta, interrompida ou automática. ● Estupor psicogênico: em contextos histéricos pode mimetizar estupor catatônico ou depressivo; costuma ocorrer em “choque emocional” e apresentar mutismo. ● Causas associadas: esquizofrenia catatônica, fases depressivas graves (incluindo depressão no transtorno bipolar), transtorno depressivo recorrente; sempre investigar causas orgânicas e tóxicas. Negativismo ● Definição: tendência persistente a reagir de modo contrário às solicitações ou estímulos do meio. ● Formas principais: ○ Negativismo passivo: o paciente não obedece a ordens, mas pode ser levado à ação se for fisicamente conduzido; há resistência sem hostilidade ativa. ○ Negativismo ativo: o paciente faz deliberadamente o oposto do pedido (por exemplo, pede‑se que levante a mão e ele a abaixa). ○ Mutismo: recusa a falar; pode acompanhar negativismo e ocorre em estupor catatônico, depressivo, psicogênico, demência avançada e autismo. ○ Pararespostas: respostas paralelas ou deslocadas às perguntas, que não respondem ao conteúdo solicitado. ● Sinais observáveis: recusa a olhar, não seguir comandos simples, silêncio persistente, respostas que “fogem” da pergunta. Sugestibilidade volitiva ● Definição: tendência patológica a aceitar e executar qualquer solicitação externa sem reflexão crítica. ● Manifestações: obediência automática (cumprir ordens mesmo perigosas), comportamento hipnótico, aceitação de sugestões em estados dissociativos ou conversivos. ● Grau extremo: obediência automática, quando o paciente realiza atos danosos sem avaliar consequências. ● Quando aparece: transtornos dissociativos, estados hipnóticos, catatonias e alguns quadros psicóticos. Pseudoflexibilidade cerácea: ● Paciente permanece em qualquer posição em que for colocado. ● É uma falsa flexibilidade parecida com a da cera. ● Ex: Catalepsia – é uma similaridade da rigidez cadavérica. ● Esquizofrenia catatônica Fenômenos do eco ● Ecopraxia — imitação automática de gestos ou atos. Exemplo: alguém coça a própria cabeça e o paciente imediatamente repete o gesto, sem intenção consciente. ● Ecolalia — repetição verbal imediata do que outra pessoa diz. Exemplo: o examinador pergunta “Como você está?” e o paciente repete “Como você está?” em vez de responder. ● Ecomimia — imitação da expressão facial de outra pessoa. Exemplo: o interlocutor sorri e o paciente reproduz exatamente o mesmo sorriso. ● Clinicamente: Esquizofrenia Catatônica, Retardo Mental, Delirium, nos processos demenciais, Autismo. Estereotipias 1. Definição: Movimentos, posturas ou verbalizações repetitivas e invariáveis, sem propósito aparente, mantidos por longos períodos. 2. Sinais‑chave: ● Estereotipias motoras: andar de um lado para outro sem objetivo; balançar o corpo; movimentos rítmicos das mãos. ● Estereotipias de posição/atitude: manter o corpo numa mesma postura por tempo prolongado. ● Maneirismo: gestos, mímicas ou vocalizações exageradas, afetadas ou bizarras (estilo “teatral”). ● Maneirismo verbal: escolha de palavras rebuscadas, uso de jargões, diminutivos ou sotaque afetado. ● Palilalia: repetição da última palavra que o paciente diz. ● Logoclonia: repetição da última sílaba da palavra. ● Verbigeração: inserção repetitiva de frases ou expressões no discurso, em tom monótono. ● Mussitação: fala muito baixa, murmurada, com movimento labial sem articulação clara. Ansiedade ● Ansiedade é a resposta a qualquer eventualidade de ameaça ao indivíduo; ● Tem uma componente fisiológica e psicológica ● A característica que todas as perturbações da ansiedade partilham é a presença de medo e ansiedade excessivos, e alterações do comportamento relacionadas Ansiedade vs Medo ● Medo: resposta emocional a uma ameaça real ou percebida ● Ansiedade: antecipação de uma ameaça futura Ansiedade Normal vs Patológica ● Distinguem-se pela intensidade, frequência e impacto na pessoa; ● Devemos analisar a proporcionalidade entre a gravidade da situação objetiva e a resposta ansiosa, o grau de sofrimento subjetivo e o grau do comprometimento funcional. ● Nas perturbações da ansiedade, o medo persiste após o estímulo desaparecer. Perturbação de Ansiedade Generalizada Ansiedade e preocupação excessiva sobre vários acontecimentos e atividades Critérios ● Ansiedade e preocupação excessiva que ocorrem em mais de metade dos dias durante pelo menos 6 meses, sobre vários acontecimentos ou atividades (desempenho escolar ou laboral, etc) ● O indivíduo tem dificuldade em controlar a preocupação ● A ansiedade e a preocupação estão associadas com 3 ou mais dos sintomas seguintes (com pelo menos alguns presentes em mais de metade dos dias durante 6 meses) ○ Agitação, nervosismo ou tensão interior ○ Fadiga fácil ○ Dificuldades de concentração ou mente vazia ○ Irritabilidade ○ Tensão muscular (pode incluir tremores, espasmos, dores musculares...) ○ Perturbações do sono (dificuldade em adormecer ou permanecer a dormir ou sono insatisfatório) ● A ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam mal-estar clinicamente significativo ou défice no funcionamento social, ocupacional, etc ● A perturbação não é atribuível a efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica ● Os sintomas não são melhor explicados por outra perturbação mental Ataque de Pânico Um ataque de pânico requer 4 ou mais dos seguintes sintomas: 1. Palpitações, batimentos cardíacos ou ritmo cardíaco acelerado 2. Suores 3. Estremecimentos ou tremores 4. Sensações de falta de ar ou abafamento 5. Sensação de asfixia 6. Desconforto ou dor no peito 7. Náuseas ou mal-estar abdominal 8. Sensação de tontura, de desequilíbrio, de cabeça vazia ou desmaio 9. Sensações de frio ou calor 10. Parestesias 11. Desrealização ou despersonalização 12. Medo de perder o controlo ou de enlouquecer 13. Medo de morrer Categorias de Ataques de Pânico Inesperado: não há estímulo aparente Situacional ou esperado: há um estímulo que desencadeia o ataque (ex: situação em que a pessoa costuma ter ataques de pânico) Frequência de Ataques de Pânico Moderadamente frequentes: 1x por semana, com regularidade por períodos de meses Infrequentes: por exemplo, 2 por mês Surtos curtos de ataques mais frequentes: por exemplo, diariamente, separados por períodos longos sem ataques ou com ataques infrequentes Perturbação de Pânico Caracterizada por ataques de pânico inesperados que causam preocupação persistente sobre a possibilidade de ter outro(s) ou das suas possíveis consequências, e/ou alteração desadaptativa do comportamento para tentar evitar que o mesmo aconteçaCritérios ● Ataques de pânico inesperados recorrentes ● Pelo menos um dos ataques foi seguido por um mês de um ou ambos dos seguintes: ○ Preocupação persistente acerca de ter novos ataques ou das suas consequências (ex: ataque cardíaco, enlouquecer...) ○ Alteração significativa desadaptativa relacionada com os ataques (ex: evitar prática de exercício ou situações desconhecidas) ● Não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou de outra condição médica ● A perturbação não é melhor explicada por uma outra perturbação mental (ou seja, os ataques não acontecem apenas em situações sociais temidas, em resposta a estímulos fóbicos ou à separação das figuras de vinculação) Diagnóstico Diferencial ● Outras perturbações com ataques de pânico como característica associada ● Se os ataques de pânico apenas ocorrerem em resposta a estímulos específicos, só se atribui o diagnóstico da perturbação de ansiedade relevante: ○ Ansiedade social: quando desencadeados por situações sociais ○ Fobia específica ou agorafobia: causado por objetos ou situações fóbicas ○ Ansiedade generalizada: desencadeado por preocupações Agorafobia Medo ou ansiedade intensos e irracionais causados pela exposição real ou antecipação à exposição a um amplo conjunto de situações (transportes públicos, espaços abertos, espaços fechados, multidões ou estar fora de casa sozinho) Critérios ● Medo ou ansiedade marcados em 2 ou mais das seguintes situações: ○ Utilizar transportes públicos (carros, autocarros, barcos, aviões...) ○ Estar em espaços abertos (parques de estacionamento, mercados ao ar livre...) ○ Estar em espaços fechados (cinema, lojas, teatros...) ○ Estar numa fila ou multidão ○ Estar fora de casa sozinho ● O indivíduo tem medo ou evita essas situações devido a medo de que fugir seja difícil ou de que precise de ajuda e não a consiga obter no caso de ter algum sintoma (ex: medo de cair, de incontinência, ataque de pânico...) ● As situações agorafóbicas provocam quase sempre medo ou ansiedade ● As situações agorafóbicas são evitadas ativamente, requerem a presença de um companheiro ou são suportadas com medo ou ansiedade intensos ● O medo e ansiedade são desproporcionais em relação ao perigo real e ao contexto sociocultural ● O medo, ansiedade ou evitamento são persistentes, com uma duração de 6 meses ou mais ● O medo, ansiedade ou evitamento causam mal estar clinicamente significativo ou um défice funcional, escolar, social... ● Se outra condição estiver presente, o medo, ansiedade ou evitamento são desproporcionais ou excessivos em relação ao perigo real ● O medo, ansiedade e evitamento não são melhor explicados pelos sintomas de outras condições psicológicas, como fobia específica, fobia social, obsessões, falhas ou defeitos percepcionados na aparência (perturbação dismórfica corporal), recordações de acontecimentos traumáticos ou medo de separação ● A agorafobia é diagnosticada independentemente da presença da perturbação de pânico Fobia Específica ● Medo/ansiedade excessiva/irracional circunscrita à presença de um estímulo fóbico, que provoca uma resposta ansiosa imediata (pode ser ou não um ataque de pânico) ● Limitada a um estímulo específico ● Possui um caráter mais leve, porque os sintomas só se apresentam frente ao estímulo em questão ● O(s) estímulo(s) é evitado ou suportado mas com grande mal estar ● A pessoa reconhece o medo como sendo irracional Critérios ● Medo ou ansiedade marcados em relação a um estímulo específico (ex: andar de avião, animais, sangue...) ● O estímulo provoca quase sempre medo ou ansiedade imediatos ● O estímulo é ativamente evitado ou tolerado com intenso desconforto ● O medo/ansiedade são desproporcionais ao perigo real e ao contexto sociocultural da pessoa ● O medo, ansiedade e evitamento são persistentes, durando mais de 6 meses ● O medo, ansiedade e evitamento causam mal estar clinicamente significativo ou um défice funcional, social, ocupacional... ● A perturbação não é mais bem explicada pelos sintomas de outra perturbação mental, objetos e situações relacionados com obsessões, recordações de acontecimentos traumáticos, separação de casa ou de figuras de vinculação ou situações sociais Especificadores ● Animal (animais ou insetos) ● Ambiental (tempestades, rios, precipícios) ● Sangue/injeção/ferimento ● Situacional (medo de situações específicas, como conduzir, andar de elevador...) ● Outros tipos (sons altos, asfixia, vómito...) Ansiedade Social ou Fobia Social O que é? ● Medo/ansiedade excessiva/irracional em uma ou mais situações de desempenho nas quais se expõe à observação, por receio de se comportarem de forma embaraçosa ● A exposição a tal cenário causa quase invariavelmente ansiedade e pode assumir a forma de uma ataque de pânico ● O(s) estímulo(s) é evitado ou suportado mas com grande mal estar ● A pessoa reconhece o medo como sendo irracional Critérios ● Medo ou ansiedade marcados de um ou mais tipos de situações sociais em que o indivíduo está exposto ao possível escrutínio dos outros (ex: interações sociais, como conversas, ser observado a fazer determinadas atividades, situações de desempenho como falar em público, etc) ● O indivíduo teme comportar-se de forma que revela ansiedade por medo que os mesmos sejam avaliados de forma negativa ● As situações sociais provocam quase sempre medo ou ansiedade ● Situações sociais são ativamente evitadas ou toleradas com intenso desconforto ● O medo/ansiedade são desproporcionais ao perigo real que a situação social pressupõe e ao contexto sociocultural da pessoa ● O medo, ansiedade e evitamento são persistentes, durando mais de 6 meses ● O medo, ansiedade e evitamento causam mal estar clinicamente significativo ou um défice funcional, social, ocupacional... ● O medo, ansiedade ou evitamento não são atribuíveis aos efeitos fisiológicos de uma substância ou condição médica ● O medo, ansiedade ou evitamento não são melhor explicados por sintomas de outra perturbação mental, como a Perturbação do Pânico, Dismórfica Corporal ou do Espetro do Autismo ● Se outra condição médica está presente, o medo/ansiedade não estão relacionados a ela ou são desproporcionais Especificadores Tipo apenas de desempenho (estes indivíduos só têm sintomas em relação a situações onde têm de fazer algo que requer desempenho, como apresentações académicas, performances, etc, mas não aparecem em situações sociais que não envolvem desempenho) Transtorno bipolar Episódio maníaco ● Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e um aumento anormal e persistente da atividade dirigida a determinados objetivos, ou da sua energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, quase todos os dias (ou qualquer duração, se a hospitalização se tornar necessária). ● Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes, representando uma mudança notável do comportamento habitual: ○ Aumento considerável da autoestima ou grandiosidade ○ Redução da necessidade de dormir (sente-se descansado com apenas três horas de sono, por exemplo) ○ Demonstra-se mais eloquente/falador do que é habitual, ou faz pressão para prolongar a conversa ○ Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados ○ Distratibilidade (a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado (pelo próprio) ou observado (por outros) ○ Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora (atividade sem propósito não dirigida a objetivos) ○ Envolvimentoexcessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos, por exemplo) ● A perturbação do humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização a fim de prevenir dano a si mesmo ou a outras pessoas; podem também existir características psicóticas. ● O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (uso de substâncias, medicamentos ou qualquer outro tratamento) ou a outra condição médica. Episódio hipomaníaco ● Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e um aumento anormal e persistente da atividade dirigida a determinados objetivos, ou da sua energia, com duração mínima de quatro dias consecutivos e presente na maior parte do dia, quase todos os dias. ● Durante o período de perturbação do humor e aumento de energia e atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) persistem, representando uma mudança notável em relação ao comportamento habitual: ○ Aumento considerável da autoestima ou grandiosidade ○ Redução da necessidade de dormir (sente-se descansado com apenas três horas de sono, por exemplo) ○ Demonstra-se mais eloquente/falador do que é habitual, ou faz pressão para prolongar a conversa ○ Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados ○ Distratibilidade (a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado (pelo próprio) ou observado (por outros) ○ Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora (atividade sem propósito não dirigida a objetivos) ○ Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos, por exemplo) ● O episódio está associado a uma mudança clara no funcionamento que não é característica do indivíduo quando assintomático. ● A perturbação do humor e a mudança no funcionamento são observáveis por outras pessoas. ● O episódio não é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização. Se existirem características psicóticas, por definição, o episódio é maníaco. ● O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (uso de substâncias, medicamentos ou qualquer outro tratamento). Episódio depressivo ● cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior ○ Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado pelo próprio indivíduo (“sinto-me triste, vazio, sem esperança") ou por observação feita por outras pessoas (“parece choroso”). ○ Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades, na maior parte do dia, quase todos os dias (relatada pelo próprio sujeito ou através da observação feita por outras pessoas). ○ Perda ou ganho significativo de peso, sem a implementação de qualquer dieta (uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês, por exemplo), ou redução ou aumento do apetite, quase todos os dias. insônia ou hipersonia, quase todos os dias. ○ Insônia ou hipersonia, quase todos os dias. ○ Agitação ou lentidão psicomotora, quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não somente sensações (subjetivas) de inquietação ou de sentir mais lento). ○ Fadiga ou perda de energia, quase todos os dias. ○ Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes, não se limitando a uma mera autorrecriminação, ou culpa por estar doente), quase todos os dias. ○ Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (relatada pelo próprio sujeito ou através da observação feita por outras pessoas). ○ Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio. ● Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. ● O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. Esquizofrenia ● Caracteriza-se por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, bem como afeto inadequado ou embotado. ● A esquizofrenia afeta 1% da população mundial e é uma das dez doenças que mais incapacita os indivíduos afetados. ● Atinge mulheres e homens em taxas similares, no entanto, a doença tem início mais precoce em homens – dos 20 aos 25 anos – e mais tarde em mulheres – dos 25 aos 30 anos, aproximadamente. ● A taxa de suicídio é 10 vezes maior do que na população em geral e mais frequente no sexo masculino. Conceitos ● Delírio: crenças fixas e inflexíveis às evidências conflitantes ou contrárias. Podem ser: ○ Persecutório: crença de estar sendo prejudicado, assediado, perseguido. ○ Referência: crença de que comentários, gestos e estímulos ambientais são direcionados à própria pessoa. ○ Grandeza: crença de ser muito famoso, rico ou ter alguma habilidade especial. ○ Erotomaníacos: a pessoa crê que alguém, geralmente uma pessoa famosa ou importante, está apaixonado por ela. ○ Niilistas: crença de que acontecerá alguma tragédia. ○ Somáticos: crença de que órgãos estão se fragmentando ou que não possuem cérebro, por exemplo. ○ Conteúdo bizarro: são aqueles impossíveis de serem reais por se expressarem como a crença de perda de controle sobre seu corpo e sua mente. Pode ser: retirada de pensamento, inserção de pensamento ou delírios de controle (suas ações estariam sendo manipuladas por terceiros). ● Alucinações: são alterações na sensopercepção. São vívidas, claras e involuntárias. Exemplos: alucinações visuais (ver o que não está lá) e auditivas (ouvir o que não está lá). ● Desorganização do pensamento/discurso (transtorno do pensamento formal): percebida pelo discurso do indivíduo. Este muda de um tópico para outro tópico constantemente (organização frouxa de ideias ou afrouxamento das associações) e as respostas a perguntas podem ter uma relação oblíqua ou simplesmente não ter relação alguma (tangencialidade). ● Comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal: desde comportamento “tolo e pueril” até agitação imprevisível. ○ Comportamento catatônico: redução acentuada da reatividade ao ambiente; ausência total de respostas verbais e motoras (mutismo e estupor); atividade motora excessiva sem propósito ou causa óbvia (excitação catatônica). Não é patognomônico da esquizofrenia. ○ Sintomas negativos: caracterizados pela expressão emocional diminuída (redução de expressões faciais, da prosódia e da linguagem corporal), avolia, alogia, anedonia e falta de sociabilidade. A avolia é a redução nas atividades autoiniciadas, motivadas e com uma finalidade. A alogia, por sua vez, é a redução do discurso; a anedonia, a redução no prazer de estímulos positivos e, por fim, a falta de sociabilidade se expressa pela redução nas interações sociais. Quadro clínico ● Geralmente, inicia-se na adolescência ou nos primeiros anos da idade adulta. Pode ser precedido por um período prodrômico, no qual há alterações súbitas no comportamento (isolamento social, crenças esquisitas e anormalidades) e declínio funcional. ● A consciência clara e a capacidade intelectual estão preservadas, mas os déficits cognitivos podemsurgir como consequência do curso da doença. ● O paciente pode ver a si próprio como o pivô de todos os acontecimentos. ○ Aspectos insignificantes da vida comum podem parecer extremamente importantes, fazendo com que situações cotidianas adquiram significados especiais e pareçam destinados especificamente para o indivíduo. ● São frequentes as perturbações sensoperceptivas, particularmente a auditiva (paciente ouve vozes que comentam sobre seu comportamento ou dão ordens). Pode haver ilusões em que cores e sons parecem vívidos ou alterados. ● O quadro clínico pode precipitar de forma aguda inicialmente, como uma psicose, mas mais frequentemente assume um curso insidioso e crônico, com deterioração progressiva da funcionalidade do paciente Subtipos ● Paranoide: predominam delírios e alucinações, principalmente auditivas. Afeto menos embotado e com menor incongruência. Alterações de humor são comuns, como irritabilidade, raiva, receio, suspeita. Sintomas negativos não predominam. ● Hebefrênica ou desorganizada: mudanças afetivas, delírios e alucinações fugazes (não predominantes), maneirismo (gestos extravagantes, prolixo ou afetados). Sintomas negativos que evoluem rapidamente. Pensamento e discurso desorganizados e incoerentes. Comportamento irresponsável, imprevisível, apragmático, com tendência à solidão. Início mais precoce (entre 15 e 25 anos). ● Catatônica: há proeminência de perturbações psicomotoras, que podem variar de hipercinesia e estupor ou obediência automática e negativismo. Posturas forçadas podem ser mantidas por longo período de tempo, com rigidez generalizada, e episódios de ação violenta podem ser notáveis. ● Indiferenciada: não se enquadra em nenhum subtipo, apresentando características mistas dos outros subtipos. ● Residual: fase “tardia” da esquizofrenia, que ocorre após um período da doença (compreendendo um ou mais episódios psicóticos com critérios para esquizofrenia). Predominam sintomas negativos. Neurose e Psicose Conceitos centrais Neurose Como a neurose se forma Psicose Como a psicose se forma Embotamento afetivo e volitivo Senso-Percepção Sensação vs Percepção Tipos de sensações e sensibilidade Alterações quantitativas da sensação (o “quanto” muda) Percepção verdadeira Pseudopercepções Ilusão Alucinação 2. Alucinações visuais 3. Alucinações táteis (hápticas) 4. Alucinações olfativas e gustativas 5. Alucinações cenestésicas 6. Alucinações cinestésicas Pseudoalucinação Agnosia e afasia Alteração do Pensamento O que é pensamento v Alterações de conteúdo (o quê do pensamento) Ideias delirantes primárias Delírios primários versus delírios secundários Humor delirante Tipos de vivência delirante primária (autorreferenciadas) TIPOS DE DELÍRIOS 1. Delírio de perseguição 2. Delírio de influência (controle) 3. Delírio de grandeza 4. Delírio de ciúmes 5. Delírio erotomaníaco 6. Delírios de conteúdo negativo (niilista / somático / hipocondríaco) 7. Delírio de ruína / miséria 8. Delírio de culpa / auto acusações TIPOS DE PENSAMENTOS ESQUIZOFRÊNICOS Outros pensamentos típicos 1. Fuga de ideias (taquifrenia) 2. Inibição do pensamento (bradifrenia) 3. Pensamento prolixo (prolixidade) 4. Perseveração do pensamento 5. Pensamento obsessivo Alteração da Afetividade Conceitos essenciais Perturbações da afetividade 2. Hipotimia e quadro depressivo 3. Catatimia 4. Rigidez Afetiva ou Hipomodulação 5. Instabilidade Afetiva ou Labilidade 6. Incontinência Emocional 7. Ambivalência Afetiva 8. Paratimias ou Incongruência Afetiva 9. Tenacidade Afetiva 10. Puerilismo 11. Pavor Noturno Alteração da Vontade O que é vontade Estupor e sintomas da série catatônica Negativismo Sugestibilidade volitiva Pseudoflexibilidade cerácea: Fenômenos do eco Estereotipias Ansiedade Ansiedade vs Medo Ansiedade Normal vs Patológica Perturbação de Ansiedade Generalizada Critérios Ataque de Pânico Categorias de Ataques de Pânico Frequência de Ataques de Pânico Perturbação de Pânico Critérios Diagnóstico Diferencial Agorafobia Critérios Fobia Específica Critérios Especificadores Ansiedade Social ou Fobia Social O que é? Critérios Especificadores Transtorno bipolar Episódio maníaco Episódio hipomaníaco Episódio depressivo Esquizofrenia Conceitos Quadro clínico Subtipos