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gestão empresarial administração geral AdministrAção e o AdministrAdor – Funções dA AdministrAção 1 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Mostrar a importância da administração, nas organiza- ções e no cotidiano de cada um., e as funções da Admi- nistração na organização. COmpetênCias Conhecer a Administração e seus conceitos. Habilidades Analisar a aplicação da administração e seus recursos, e a melhor forma da aplicabilidade destas funções. administração geral AdministrAção e o AdministrAdor – Funções dA AdministrAção parte 1 A administração é uma ciência das mais abrangentes existentes do conhecimento humano, ela interfere no cotidiano do homem, das coisas, da produção, dos re- cursos naturais e tudo que os cerca. O administrador é o gestor, a cabeça pensante, o organizador, o analista de causas e efeitos desta ciência; ao mesmo tempo, exige- -se dele a constante integração do conhecimento com a evolução e transformação de todos estes componentes. para Começar Antes de falar de administração, quero levar você a uma reflexão da atual conjuntura do planeta e do homem que nele vive. Sem considerar, nesta introdução, o passado recente, mas a modernidade e pós-modernidade, em momento de fluxos incomensuráveis de informações e o medo com que convivemos no dia a dia da incerteza e ansieda- de de um futuro desconhecido. Tudo que acreditamos está alicerçado no conhecimen- to empírico até então experimentado. No entanto, não podemos deixar de lado a teoria, legado de pensadores e grandes autores nesta ciência gratificante e estimula- dora do crescimento e desenvolvimento social. Ciência que estuda e retrata o homem, em seu comportamento, suas habilidades, seus instrumentos e ferramentas na ação de administrar. As incertezas nos remetem a um túnel cuja luz fica dis- tante, quando nos referimos ao futuro. Não só do homem em si, mas em todo o universo que o cerca, na desen- freada ânsia do novo, do consumismo e, consequente e inconsequentemente, na destruição do meio ambiente. O legado teórico dos pensadores na administração e relacionamentos humanos, a modernização nos setores produtivos aliados às inovações e tecnologia, nos leva a uma reflexão mais profunda. Isso, no que se diz respeito Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 4 ao perfil profissional de administrador na atualidade, suas aptidões, no- vos conceitos, quebras de paradigmas, conhecimentos, e acima de tudo, preocupado com o bem-estar social e profissional das pessoas. E isso tudo chega até você ou passa longe? É uma preocupação que o aflige? Existe uma receita pronta para este perfil profissional em especial ou tende a curto ou médio prazo a mudar o que temos pronto hoje? Você já analisou a administração do ponto de vista do seu dia a dia? Façamos o seguinte: enquanto desenvolvemos a matéria, sempre se imagine no foco da atenção, como o administrador de uma empresa fic- tícia, partindo primeiramente da organização (arrumação) do seu quarto. Esse é um departamento seu na empresa em que você trabalha (sua casa) onde outras tantas pessoas (funcionários) fazem parte do seu cotidiano (pais, irmãos e amigos). Para começar, faça uma breve reflexão deste pequeno texto e guarde com você, pois certamente servirá para outras situações: Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, não há sucesso no que não se gerencia. (Willian Edwards Deming) ConCeito A administração está presente em todos os cenários de uma sociedade, seja no lar, na empresa e em diversas orga- nizações da sociedade. A administração é universalizada com objetivos focados a facilitar sua operacionalização não como um fim, mas um meio conciliador, tanto no entendimento como de sua con- dução, onde se buscam menores custos e maior qualidade como resultados dentro do cenário proposto. Pode-se considerar a administração como uma arte. Segundo Maximiano (2000), ela está ligada e dependente de habilidades e competências de pessoas. Algumas com mais ou menos talentos, desenvolvem seu papel no contexto global, despersonalizando a individualidade sobre o conjunto. Segundo Chiavenatto (2003, p.26), “A administração é um produto típi- co do século XX (...) os papiros egípcios atribuídos à época de 1300 a.C. já indicavam a importância da organização e administração da burocracia pública do antigo Egito”. Administração hoje é uma das mais complexas áreas do conhecimen- to humano, cheia de desafios e complexidades, pois lida com Produção, Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 5 Finanças, Pessoal, Marketing, em várias modalidades e especialidades da ciência administrativa. A harmonia nos conhecimentos traduz de alguma forma, a facilidade de se administrar, contribuindo com as necessidades da capacitação, pro- fissionalização e especialização dentro do contexto geral e sistemático desta arte científica. A mutação sofrida na sociedade ao longo dos anos se fez sentir tam- bém na administração em todos seus níveis de atuação na sociedade como um todo. Essa tendência se acentua cada vez mais, em decorrência da era tecnológica, que provoca mudanças consideráveis, na postura e a maneira de se fazer resultados. A nova administração, hoje e que se vislumbra no futuro, está foca- da na operacionalização rápida, de baixo custo e de alta qualidade. Para tanto, faz-se necessário uma análise mais profunda, nos procedimentos e nos objetivos, para que a eficiência e eficácia (vocês conhecerão esses conceitos na próxima unidade) não se confundam. Não há tempo e não se permite ficar paralisado pelos paradigmas anti- gos; ao mesmo tempo, prepare-se para os novos padrões de forma mais eficiente; ao mesmo tempo, não se torne entrave para realização de no- vos objetivos. A administração é focada na estratégia, na habilidade de fazer, na as- túcia, na visão crítica e analítica, em conceber a operação antes de ser realizada, em que a pergunta básica é quando, onde e porque fazer; não se deve confundir com a gestão, fase importantíssima nos resultados ad- ministrativos, que é a parte tática (tato = saber moldar, dar forma a), pró- xima dos conflitos e do paradigma. Fundamentos Parece complicado tudo isso, não? Calma! Vamos ter mais conceitos e ex- plicações a respeito. Quando nos referimos a controles, planejamento e organização de coi- sas, afazeres, compromissos, trabalhos, produções, prestação de serviços, é comum e cotidiano utilizar a palavra administrar ou administração. Para entender seus conceitos, é preciso aprofundar no papel do administrador, das organizações e os processos de decisões. COnCeitOs Do Latim administratione, ação de administrar, princípios e normas para ordenação dos fatores de produção. Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 6 Administratio, Administrationis, rerum Curatio (tomar conta das coisas), amministrazione (italiano) Management (inglês). A administração como ciência, é um braço importante das ciências hu- manas, de relacionamento, ditos sociais, pois trata dos agrupamentos hu- manos; por isso, ciência da Administração –muitas áreas são hoje suas ciências de base e apoio, como a Matemática Financeira, a Contabilidade, a Estatística, igualmente importantes para a ciência da Administração, a Psicologia e a Sociologia. Sem, contudo, esquecermos da Informática e Tec- nologia da Informação, bases da modernização na administração atual. São muitos, amplos e distintos os conceitos de Administração, mas em concepções e atuações que levam à mesma direção e contexto. Como ciência social é aplicada e norteada por normas e funções dis- ciplinadoras das funções gerais de produção. A Administração estuda e direciona empreendimentos e os recursos humanos com o objetivo de alcançar resultados eficazes com sustentabilidade de retornos diversos e acima de tudo com responsabilidade social.Fayol foi um dos pioneiros em conceituar e em definir as funções bá- sicas do administrador na empresa ou organização: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar. Outros conceitos de renomados autores: → Maximiano (2000, p. 25): “A administração é o processo ou atividade dinâmica, que consiste em tomar decisões sobre objetivos e recursos”. → Chiavenatto (2003): “É a maneira de governar organizações ou parte delas. É o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz”. → Heilborn Lacombe (2006, p. 48): “Conjunto de princípios e normas que têm por objetivo, planejar, organizar, dirigir, coordenar e con- trolar os esforços de um grupo de indivíduos que se associam para atingir um resultado comum”. Nota-se que, desde Fayol, os princípios básicos ainda permanecem na Admi- nistração atual, em que as variantes inseridas convergem às raízes principais que está no planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar. A nova administração requer mais que um profissional técnico, precisa- mos de gente com visão holística, que busque o desenvolvimento social, econômico e a sustentabilidade entre meio ambiente e produção. Segundo Maximiano (2000, p. 25): “Administração é um processo ou ati- vidade dinâmica, consiste em tomar decisões sobre objetivos e recursos . O processo de administração (ou administrativo) é inerente a qualquer http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_sociais http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_sociais http://pt.wikipedia.org/wiki/Fayol http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejar http://pt.wikipedia.org/wiki/Organizar http://pt.wikipedia.org/wiki/Controlar http://pt.wikipedia.org/wiki/Coordenar http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Comandar&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejar http://pt.wikipedia.org/wiki/Organizar http://pt.wikipedia.org/wiki/Controlar http://pt.wikipedia.org/wiki/Coordenar http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Comandar&action=edit&redlink=1 Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 7 situação em que haja pessoas utilizando recursos para atingir algum obje- tivo. A finalidade última do processo de administrar é garantir a realização de objetivos por meio de aplicação de recursos”. parte 2 A habilidade de fazer, prever e buscar soluções faz do administrador o interlocutor nas ações destas habilidades, atendendo às mudanças cons- tantes que cerca o universo da administração geral. Estas e outras tantas habilidades são funções exercidas na administração, sempre em busca da harmonia do uso dos recursos disponíveis na empresa. para Começar Alguma vez, você parou para pensar se é ou não competente no que faz? Você usa de sua eficiência ou eficácia para realizar suas tarefas diárias dentro ou fora de uma organização? Podemos verificar a seguir, então você terá condições de avaliar e res- ponder melhor tais questões. Mais uma reflexão para iniciarmos esta unidade, aprofunde em seus conceitos pessoais e expanda estas palavras em seu cotidiano: Ouça mais aquilo que você costuma ouvir, isso permite corrigir aquilo que você costu- meiramente ouve; não ouça somente aquilo que você nunca ouviu, pois com certeza suscitará dúvidas frequentes. (Daltro O. Carvalho) Funções na Administração: A administração é focada na estratégia, na habilidade de fazer, na astúcia, na visão crítica e analítica, em conceber a operação antes de ser realizada... (Daltro O. Carvalho) As funções na administração sofrem mutações constantes, a exigência é cada vez maior na visão holística para administrar os conflitos de identidades, que se turvam diante de tantas inovações e a expansão das informações, não obstante a sua veloci- dade das comunicações e quebra de paradigmas. (Daltro O. Carvalho) Para que possamos adentrar nas funções principais na administração, é importante que se entendam e distingam os conceitos de eficiência e Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 8 eficácia. Veremos mais profundamente no módulo quatro, mas abaixo uma breve conceituação. Sua distinção mostrará, no decorrer deste livro, a busca de resultados mais específica de um administrador, dos gestores, da produção e do ne- gócio em si: → Eficiência: qualidade ou capacidade (de alguém, um dispositivo, um método etc.) de ter um bom rendimento em tarefas ou traba- lhos, com um mínimo de dispêndio com tempo, recursos, energia (segundo o Dicionário Digital Aulete). Interfere na decisão de como os recursos disponíveis serão utilizados. Faz parte desse processo a eficiência das ações, voltada à realização dos objetivos. Para tanto, deverá dispor de ferramentas e recursos necessários para obtenção de resultados, como a formação profissional e a infraestrutura para reforços do trabalho proposto. → Eficácia: capacidade de produzir o efeito desejado ou esperado; ca- pacidade de realização de tarefas com eficiência, com bons resulta- dos (segundo o Dicionário Digital Aulete). É certamente, a relação en- tre os resultados obtidos frente aos objetivos iniciais. Antes, porém, deve-se ter em mente os objetivos e os resultados esperados. São resultados finais, a produtividade, exiguidade esperada, a satisfação final dos objetivos executados, cujos benefícios são a sua extensão e sua permanência. O mundo em transformação é a retórica mais comentada. Até que ponto o mundo mudou e até que nível se consegue acompanhar as evoluções e mudanças que nos cercam? As funções na administração também sofrem essas mutações, onde a exigência é cada vez maior na visão holística (visão do todo), a necessi- dade de administrar os conflitos de identidades, que se turvam diante de tantas inovações, a expansão das informações, não obstante a velocidade das comunicações, e quebra de paradigmas. As instituições sem organização, estatutos, regras, regimentos internos, mas que apregoam e se alicerçam nos conceitos coletivos sociais, nos inte- resses sociais e ambientais, devem suplantar esses interesses particulares. Dessa forma, os conceitos da Administração, ao longo do tempo, se aprimoram, não extinguindo suas bases conceituais, onde o bem-estar social, ou seja, o homem como parte principal deste processo, deva estar em constante análise e verificação, para que não se perca o foco de seus princípios básicos sociais (Chiavenatto, 2004). Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 9 Tradicionalmente, segundo renomados autores, consideram-se as principais funções conceituais na administração como base em seus pro- cessos, que em sua evolução não as anulam, mudando somente as con- cepções de resultados e o uso tecnológico, onde permeiam a concepção crítica e analítica em seus resultados: → Planejamento; → Organização (estruturação); → Direção; → Controle. FUndamentOs e COnCeitOs Para que possamos entender mais a respeito, faz-se necessário aprofun- darmos cada uma dessas funções, simples na teoria, mas complexas na aplicabilidade. Fayol foi o primeiro a definir as funções básicas do Administrador: pla- nejar, organizar, controlar, coordenar. Vamos por conceitos de cada uma delas: planejamentO Antes de iniciar qualquer processo, é necessário uma análise antecipada de quais os objetivos propostos, independentes da atividade. O planeja- mento dará sustentação à realização desse processo, avaliando custos, tempo de execução, formas e operacionalização, bem como políticas a serem adotadas para o resultado final ser o mais próximo ao esperado. O planejamento é intimamente ligado à estratégia, deve-se saber os ob- jetivos e os resultados, se preciso, recrutar o envolvimento, de todas ou parte, das áreas da organização. A forma de obter resultados esperados é fazê-los acontecer. Para que seja possível a estratégia no planejamento é preciso alguns cuidados e orientações. Como princípiosbásicos para seus efeitos são ne- cessárias informações para criar uma espinha dorsal. Essa espinha nutrirá toda sequência do planejamento, a interpretação e análises dos dados, as habilidades nas decisões e o papel fundamental para isso. É a perfeita junção da capacitação e conhecimento para o processo que direcionará aos resultados esperados. Tipos de planejamenTo → Estratégico: normalmente sua execução é mediata e de longo pra- zo, dependendo da natureza, objetivos e operacionalidade e, acima http://pt.wikipedia.org/wiki/Fayol http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejar http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejar http://pt.wikipedia.org/wiki/Organizar http://pt.wikipedia.org/wiki/Controlar http://pt.wikipedia.org/wiki/Coordenar Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 10 de tudo, das prioridades elencadas pela organização em decorrência aos impactos possíveis no projeto organizacional. → Tático: execução em médio prazo. O objetivo é traduzir, tornar cla- ras as decisões estratégicas como efetivas e sua implementação pe- los mais diversos setores ou departamentos envolvidos e de forma focada e específica, possibilitando assim, tomadas de decisões mais acertadas e com índice menor de erros. No tático, existe um menor nível de incerteza para as tomadas de decisões. → Operacional: são os recursos e esforços direcionados, aplicados em cada setor preestabelecido. É uma ação em curto prazo, com menos dificuldades decisórias (pois são acompanhadas e revisadas em pe- riodicidade maior), diferente da anterior em médio prazo. Suas de- cisões são técnicas, contrário às estratégicas, que podem ter cunho político inclusive. OrganizaçãO É a alocação dos recursos existentes, a realização do processo de forma equalizada. Conceitua-se também como a arrumação de forma cons- ciente, ordenada, que se possa, dentro do tempo e operacionalidade, estar a pronto para o perfeito andamento, de acordo com o planejado para sua execução. Considera-se a organização como um dos fatores principais para a eficiência da operação como também, da eficácia em seus resultados. Dispor da estrutura e este conjunto de recursos requer disciplina e oti- mização em que se deve pautar coerência entre os fatores organizacio- nais, recursos financeiros, políticas adotadas, hierarquia e a participação da departamentalização, onde cada um terá papel preponderante no sucesso organizacional. direçãO A forma de se convergir aos resultados planejados e propostos é dirigir, criar meios de orientações direcionadas, para que não se perca o rumo ou não se atenda às normas especificadas para a realização do processo. Nesse contexto, dirigir é moldar a cooperação entre todos e a utilização correta das ferramentas dispostas, e também, a motivação das pessoas envolvidas, a atmosfera ambiental, das potencialidades individuais com o sincronismo à missão e tarefas voltadas à realização e apuração dos objetivos propostos. Para dirigir, quando os envolvimentos de vários fatores se entrelaçam, faz-se necessário uma boa elaboração de planos, conscientes e exequíveis Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 11 dentro da realidade da empresa, pessoas perfiladas em equipe cujos ob- jetivos devam ser comuns. A responsabilidade deve ser de todos, de forma responsável, na qual cada um dos envolvidos tenha sua parcela de comprometimento; se as- sim for, evitará que o barco (empresa/projeto) fique à deriva ou se contra- ponha aos objetivos gerais e estratégicos. COntrOle O controle permite a segurança, facilita a verificação e avaliação nas me- tas em andamento, se estão sendo cumpridas, através dos mecanismos necessários para respostas aos padrões predeterminados e de decisões que efetivem o andamento do processo. Nas situações anteriores, no con- trole houve a peculiaridade do conhecimento, do todo no projeto elabora- do, desde seu planejamento estratégico, para que, em caso de necessida- des de situações corretivas, possa operar de forma imediata e inconteste, evitando ocorrências fortuitas, imprevistas. É possível, com o controle, abortar situações que conflitem com os objetivos, fazer correções no andamento do processo, ajustes de custos, retomarem a qualidade, normalmente se acompanha os fatos e aconteci- mentos em dado momento até o processo finalizado. O controle possibi- lita também a recondução à normalidade operacional e cumprimento das metas propostas, em caso de desvios, do desempenho e principalmente, o controle de atos e ações dos membros participantes. Vários são os controles que podem ser adotados pela empresa, sempre com a capacidade de gestão no processo, como operacional, estratégico, administrativo, produtivo, de qualidade e ambiental. DiCa Cada empresa ou organização tem formas mais ou menos apuradas ou técnicas de fazer uso dessas funções, não fu- gindo da base teórica que mencionamos anteriormente. atenção A tecnologia, sistemas e softwares existentes e utilizados atualmente somam cada vez mais para a eficiência de pa- drões e resultados na organização. antena parabóliCa Um bom administrador sempre é bem informado. Está co- nectado com o seu micro e macroambiente. Necessita uma busca constante de informações que so- mem com as suas, novidades, métodos, que podem tam- bém modificar antigos conceitos e práticas, A transforma- ção e mudanças constantes em todo um sistema exigem dele esse jogo de cintura. Você busca esse tipo de informação? Atualiza-se constantemente? Já leu alguma revista específica no tema? Sugiro leituras constantes, que enriqueçam seus conhe- cimentos, de forma mais abrangente, não necessariamen- te técnica, como as revistas Carta Capital, Exame, cadernos econômicos dos jornais, onde poderá notar as mudanças constantes nas organizações, no mercado, no comporta- mento humano e muitas dicas importantes, que você pode usar no seu ambiente de trabalho e de relacionamentos. Pensar nas próprias atividades diárias dá a visão da neces- sidade anterior à execução, com o objetivo de onde se quer chegar, não é mesmo? Organizar todas as atividades que você necessita execu- tar fará você ver que facilita, sobremaneira, detalhar seu plano de ação, para posterior execução, aí sim sua margem de acerto será maior e acima de tudo, seus custos serão menores de uma forma geral. A organização, obrigatoria- mente, deve ter todos esses parâmetros definidos previa- mente, para sua execução ou operacionalização posterior, garantindo assim os resultados esperados. e agora, José? Bem, este foi um começo, mas as coisas não param por aqui. Já temos os conceitos, que tal a gente conhecer, jun- tos, as funções da administração, que são importantíssimas, no resultado final de qualquer empreendimento, no suces- so e resultado positivo, no empreendedorismo. As funções da administração são... Bem, isso você verá na próxima unidade. Que tal uma revisão geral no conteúdo dado para facilitar novos desafios? Como vimos nesta unidade, é muito importante organizar, preparar o terreno para trabalhar, de forma que, com ob- jetivos planejados, a competência na execução é bem mais garantida que feito de forma tresloucada ou inconsequente. Bem, passaremos, a seguir, ao estudo mais teórico, das origens clássicas e científicas da administração, onde pode- remos conhecer um pouco mais de nossos pensadores e homens que fizeram história nesta área tão importante, tão nova e, ao mesmo tempo, complexa, que é a administração. Sugiro que façam, além das leituras com material de apoio, pesquisas mais aprofundadas no tema de “Princípios e Evolução do Pensamento Administrativo”, que dará a você mais bagagem para o entendimento e o atual comporta- mento organizacional e de gestão empresarial. Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 14 glossário Alocação: determinar, destinar (algo, al- guém, tempo) para um fim específico. Analítico: lógica formal (Aristóteles).Ciência das formas do entendimento (Kant). Apregoar: indicar como bom. Astúcia: habilidade maliciosa para não se deixar enganar ou surpreender; esperte- za, sagacidade. Conotação: o mesmo que compreensão (con- junto de características definidoras); Ideia ou sentimento que uma palavra ou coi- sa pode sugerir; significado suplementar que se atribui a uma palavra, expressão ou objeto, por se estabelecer algum tipo de associação com outras palavras. Despersonalizar: fazer perder a identidade pessoal, tanto da organização como da pessoa. Empírico: que provém de experiência prática ou de observação, e não de conhecimento teórico. Entrave: obstáculo, empecilho, estorvo. Equalizado: diz-se de algo tornado unifor- me (modelos equalizados); uniformizado; igualado. Exequível: que se pode executar. Foco: com a atenção ou interesse voltado para um tema ou assunto específico. Habilidades: capacidade de fazer alguma coisa benfeita, com profissionalismo, boa vontade, capacidade para contornar algu- ma situação embaraçosa ou constrange- dora. Minimizar: diminuir os impactos, os custos. Mutação: mudança. Papiro: manuscrito antigo gravado sobre as folhas de uma planta aquática da família das ciperáceas, das quais se faziam folhas (papiros) para escrever e desenhar. Paradigma: padrão que serve como modelo a ser imitado ou seguido. Perfilado: alinhado ao objetivo proposto. Permear: está no meio, faz parte, colocar no meio. Preponderante: que tem mais importância, mais influência decisiva, mais valor ou consideração. Sincronismo: simultaneidade de dois ou mais fenômenos ou acontecimentos. Sistemático: que revela método, organiza- ção intelectual (conhecimento sistemáti- co), com uma linha racional de trabalho ou operacionalização, dentro da organização. Tática: saber moldar, dar forma, saber como fazer, a maneira de operacionalizar. Tresloucado: diz-se do que não tem juízo ou razão (gesto tresloucado); desvairado; en- louquecido. Universalizado: usado pela maioria das or- ganizações; que passou a ser usado por todos. Visão Holística: é a visão do todo, abran- gente, global. Exemplo: o diretor da em- presa ou o seu gerente-geral, deve co- nhecer seus produtos, seus fornecedores, o mercado que atua, sem a necessidade de especialização técnica, entendimento total em cada uma das áreas, mas sim, o conhecimento suficiente para buscar informações corretas para a tomada de decisão. Vislumbre: percepção, visão, entendimento. reFerênCias AULETE, C. �Dicionário contemporâneo da Lín- gua Portuguesa. Versão Digital. Disponí- vel em: <http://www.auletedigital.com.br> Acesso em 16 mai. 2010. COELHO, M. �A essência da administração – conceitos introdutórios. São Paulo: Sarai- va, 2008. http://www.auletedigital.com.br Administração Geral / UA 01 Administração e o Administrador – Funções da Administração 15 CHIAVENATTO, I. �Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. LACOMBE, F. J. M.; HEILBORN, G. L. J.� Adminis- tração: princípios e tendências. São Pau- lo: Saraiva, 2006. MAXIMIANO, A. C. A. �Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007. SILVA, R. O. �Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2001. gestão empresarial administração geral abordagens teóricas na administração 2 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Discutir a evolução do pensamento administrativo. COmpetênCias Analisar e criar parâmetros nas teorias da administração. Habilidades Descrever os conceitos históricos da administração. administração geral abordagens teóricas na administração ApresentAção É importante conhecer os meandros da ciência administra- tiva, suas origens, precursores, pensadores e administrado- res que fizeram da ciência administrativa uma verdadeira arte. Conhecer um pouco de suas origens, capacita-nos a entender a evolução histórica da administração, seus con- ceitos, erros e acertos e, ao longo do tempo, e seus princi- pais personagens, que marcaram época com suas teorias. pArA ComeçAr Para que possamos acompanhar essas transformações na administração é necessária uma análise mais específica nas abordagens que nortearam ao longo do tempo a adminis- tração de forma geral, definindo as Teorias Gerais da Admi- nistração, que aqui se elencam as mais representativas no contexto geral deste estudo. teOrias gerais da administraçãO A teoria geral da administração é dividida nas seguintes abordagens: → Clássica e Científica, com os precursores Frederick W. Taylor e Henri Fayol; → Comportamental ou Humanística, com os precursores Alfred Chandler, Tom Burns e G. M. Stalker e Abraham Maslow, MacGregor e Likert; → Neoclássica, com os precursores Peter F. Drucker, Willian Newman, Ernest Dale e Ralph C. Davis, Louis Al- len e George Terry; → Contigencial, com os precursores Alfred Chandler, Tom Burns e G. M. Stalker e Paul Laurence e Jay Lorsch; → Desenvolvimento organizacional, com Leland Bradford; → Nova administração, com Idalberto Chiavenato e Geral- do Caravantes. Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 4 abordagens clássica e científica Frederick W. Taylor Henri Fayol comportamental ou humanística Alfred Chandler, Tom Burns e G. M. Stalker Abraham Maslow, MacGregor e Likert neoclássica Peter F. Drucker, Willian Newman, Ernest Dale Ralph C. Davis, Louis Allen e George Terry contingencial Alfred Chandler, Tom Burns e G. M. Stalker Paul Laurence e Jay Lorsch desenvolvimento organizacional Leland Bradford nova administração Idalberto Chiavenato Geraldo Caravantes Na figura acima podemos conhecer os precursores de cada teoria e abor- dagem nos conceitos teóricos da administração ao longo dos tempos até a atualidade. Em algum momento, você pode se perguntar: para que estudar e co- nhecer teorias antigas, conceitos centenários? Para que e em que se usa- riam tais conhecimentos e conceitos? Primeiro, temos que ter em mente que a evolução constante tem como alicerce e suporte conhecimentos já adquiridos, que, ao transformar, adaptar ou mesmo recriar os conceitos, fazem necessário voltar às suas origens, e dessa forma, interpretar melhor as teorias, e como eram vistas na época de sua utilização. Segundo, os conhecimentos teóricos validam os experimentos e apri- moram novas transformações, de forma que as administrações dos con- flitos conceituais se tornaram a forma de aprimoramento cada vez mais rápida em sua aplicabilidade nas organizações. Terceiro, a evolução tecnológica e a busca constante do desenvolvi- mento e da responsabilidade social surgem de forma constante; novos paradigmas teóricos a serem estudados. Figura 1. Abordagens e teorias. Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 5 Dito isso, faremos um breve estudo de todas as elencadas, de forma simples e bastante conceitual, para que facilite o discernimento entre cada uma delas. FundAmentos Vamos por etapas: 1. abOrdagem ClássiCa e CientífiCa Os precursores da abordagem clássica e científica foram Frederick W. Taylor (1856-1915), com sua obra Shop Management (Gerência de Fábrica), lançada em 1903 que dá início à Escola da Administração Científica. Também Henri Fayol (1841/1925), com seu trabalho Administracion In- dustrielle et Generale, publicado em 1916, origina a Teoria Clássica da Ad- ministração. Segundo Chiavenato (2003 p. 48), ambos partiram de pontos de vistas diferentes, apesar de não terem se comunicado. Em função dessas duas correntes, formaram as bases da Abordagem Clássica da Administração, desdobrada em duas orientações diferentes: a científica (formada por en- genheiros) e outra corrente formada por anatomistas e fisiologistas da administração. Henry Ford foi um importante engenheiro americano. Nasceu em 30 de julho de 1863, na cidade norte-americana de Springwells; faleceu em 7 de abril de 1947. Produziu seu primeiro automóvel em 1892.Ford se preocupou com os custos finais do produto, buscando, assim, na produção em escala, definir uma linha de montagem, onde seus custos possibilitaram produzir mais e vender mais barato. Com esse modelo de produção em massa, os funcionários cumpriam pequenas etapas no processo de produção, e não se exigia qualificação, que aumentava seus custos. Esse processo de produção pode ser entendido melhor assistindo o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, onde se verifica a falta de qualificação na produção e o ato contínuo e repetitivo na mão de obra empregada na produção. O fordismo foi substituído, na década de 80 do século XX, pelo Toytis- mo, que modificou consideravelmente o sistema de produção colocando custos e qualidade como metas principais. Principais focos das abordagens Científicas e Clássicas: Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 6 CientífiCa Preocupações primordiais: → Estudo do tempo padrão de produção; → Supervisão funcional; → Padronização de ferramentas e instrumentos; → Delineamento da rotina de trabalho; → Planejamento de tarefas e cargos; → Tarefas associadas a prêmios. teoria ClássiCa As principais atividades do corpo empresarial: → Técnica: produção de bens ou de serviços; → Comercial: compra, venda e troca; → Financeira: procurar e aplicar capital; → Segurança: proteção da propriedade e das pessoas; → Contábil: registros, balanços, custos e estatística; → Administrativa: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. 2. COmpOrtamental OU HUmanístiCa O foco principal é o homem na organização e seu bem-estar. O compor- tamento humano nas organizações levou vários autores, como Herbert Alexander Simon (precursor da teoria humanística), seguido por G. M. Stalker, Douglas MacGregor e Rensis Likert a estudar com mais profun- didade o impacto no microambiente do trabalho sobre o operário, com relação ao seu bem-estar e a produtividade. Outro expoente na abordagem humanística foi Abraham Harold Mas- low, nascido no Brooklyn, NY, em 1/4/1908 e falecido em 8/6/1970; foi um dos fundadores da Psicologia Humanística nos anos de 1960, autor da Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow, onde apresenta o homem autorrealizado em suas necessidades básicas. Dentre esses estudos, destacam-se também a preocupação da intera- ção do homem no meio organizacional. A importância dada aos grupos, sua interação, motivação em equipe, liderança, comunicações e dissemi- nação de informações e dinâmica de grupo (Chiavenato, 2003). 3. abOrdagem neOClássiCa O verdadeiro papel do administrador, sua prática, cumprimento de ob- jetivos, propositura de realizações, foco de resultados, são as premissas básicas nesta abordagem. http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/stalkergm.htm http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/stalkergm.htm Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 7 A principal referência é Peter F. Drucker, com a preocupação maior de formatar a empresa, com suas características funcionais e operacionais. Outros expoentes na Teoria Neoclássica são: Willian Newman, Ernest Dale, Ralph C. Davis, Louis Allen e George Terry. Mais à frente, vocês aprofundarão mais no tema do sistema organiza- cional, seus tipos e características. 4. abOrdagem COntingenCial Primeiramente, vamos definir a palavra contingência. Segundo o dicioná- rio Aulete Eletrônico é eventual, temporário, contingente. Os pioneiros da Teoria Contingencial são Alfred Chandler, Tom Burns e G. M. Stalker, Paul Laurence e Jay Lorsch. Segundo Chiavenato (2000, p. 498), “A abordagem contingencial salien- ta que não se alcança a eficácia organizacional seguindo um único e exclu- sivo modelo organizacional[...]”. Isso quer dizer que um modelo específico de uma empresa X, não necessariamente será validado ou terá resultados positivos pelo fato de ter dado certo na empresa Y, diz ainda: “Diferentes ambientes requerem diferentes desenhos organizacionais”. Cada empresa ou organização moldará seu próprio modelo, que aten- da às necessidades operacionais, de acordo com seus recursos, sejam tecnológicos, humanos e financeiros. A teoria da Contingência realça a necessidade da responsabilidade am- biental, a resposta do funcionário no que tange a capacidade evolutiva, flexibilidade e facilidade de adaptação aos ambientes internos, focando principalmente estas capacidades ante a evolução tecnológica e sua im- plementação dentro da empresa. 5. desenvOlvimentO OrganizaCiOnal Toda organização, seja de pequeno, médio ou grande porte, tende-se a aprimorar e buscar o desenvolvimento e crescimento. Para tanto, várias situações podem conflitar para se atingir tais objeti- vos, como por exemplo, mudanças na cultura organizacional da empre- sa, que passa a ser um processo lento e trabalhoso em sua implantação. Para explorar a capacidade e potencialidade de seu conjunto interno (recursos – pessoas) é necessário transpor tais obstáculos, senão há o risco de fracasso. A mudança organizacional planejada deve ser feita de forma participativa e democrática, é importantíssima essa cooperação entre departamentos e pessoas que participam da organização. Essa interação independe dos ní- veis de seu servidor na empresa, onde se apresenta uma variedade muito grande de culturas, desde crenças, lideranças, relacionamento e comporta- mentos diversos; por isso, a necessidade de ser de forma participativa. http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/burnstom.htm http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/stalkergm.htm Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 8 Vale aqui destacar outras situações: administração de conflitos inter- nos através de negociações, descentralização de decisões, responsabi- lidade dimensionadas em grupos, necessidade de contínua adaptação, desenvolvimento em equipes. Vários autores se destacaram com obras no assunto, como Richard Bekhard e Leland Bradford, entre outros. 6. nOva administraçãO Várias são as perspectivas da administração no futuro, em função da tec- nologia e, cada vez mais, pela rapidez e fluidez da informação. A capacidade de o homem interagir com as mudanças, com a tecnolo- gia e, acima de tudo, a sustentabilidade social é o principal escopo para a nova administração. “A teoria administrativa tradicional não contempla o bem-estar das pes- soas e parte dos executivos está voltada para eficiência e eficácia e esque- cem o seu próprio bem-estar e das pessoas que estão ao redor, já a nova administração tem três objetivos: viver, viver bem e viver melhor”, explica Geraldo Caravantes1. No mundo global, fusões de empresas e a expansão do mercado exi- gem cada vez mais a adequação de novas fórmulas para a organização. A quebra de barreiras e fronteiras das comunicações e da velocidade da informação requer contínua quebra de paradigmas organizacionais, e um posicionamento holístico com a realidade atual. No final deste livro, apresentaremos as tendências da nova adminis- tração, de forma mais aprofundada, que após estudar o conteúdo deste trabalho, você poderá ter uma concepção formatada do futuro da admi- nistração. dica Assista antes ao filme Tempos modernos, de Charles Cha- plin, que proporcionará a você uma noção exata, do mecani- cismo, da fadiga humana, da capacitação operária da época, e poderá fazer um juízo melhor das teorias da unidade de hoje. Para que você possa se aprofundar mais nas teorias da Ad- ministração Científica e Clássica, leia o capítulo III do livro de Chiavenato: Introdução à Teoria Geral da Administração. 1. Entrevista de Geraldo Caravantes, disponível em http://www. mauriciodenassau. edu.br/noticia/listar/ rec/1175 acesso em 17/5/2010. Caravantes é o criador da Teoria da Nova Administração Moderna, Ph.D pela Universidade do Sul da Califórnia. http://www.mauriciodenassau.edu.br/noticia/listar/rec/1175 http://www.mauriciodenassau.edu.br/noticia/listar/rec/1175 http://www.mauriciodenassau.edu.br/noticia/listar/rec/1175 http://www.mauriciodenassau.edu.br/noticia/listar/rec/1175Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 9 Chiavenato2, no capítulo 19, da Introdução à Teoria Geral da Administra- ção, abre o capítulo com a pergunta: “Para onde vai a TGA? – Em busca da competitividade”. Administradores, empresários e gestores, questionam a todo instante, o que se exigirá mais. Em momentos de turbulências, internas e externas, e que, com o ad- vento “globalização”, os efeitos são gerais e a rapidez sentida é incontestá- vel, independe da origem, afeta mercados, empresas públicas e privadas e todo um sistema organizacional. Essas mudanças constantes exigem atenção e perspicácia, conhe- cimentos, visão; mas isso tudo gera incertezas e medos. Para tanto, é necessário um amplo estudo estratégico organizacional, criar alicerces para enfrentamento de situações inesperadas, preparo, técnica e lógica na administração. atenção O desafio está lançado. Você está pronto para quebrar pa- radigmas, vencer as resistências e mudar sua própria cultura organizacional? 2. Chiavenato é também um dos modeladores e norteadores da “Nova Administração”. antena pArAbóliCA Sugiro você ler as revistas Isto é Dinheiro, Carta Capital, Você S/A, e verá que o mundo converge para novos mo- delos de competitividade, modelos organizacionais, ca- pacitação profissional, mostra-nos a constante mutação de mercados e também dos perfis profissionais. É importante a interação de conhecimentos teóricos e buscar em si mesmo, a concepção da necessidade de mudanças, e quais os níveis dessas mudanças, para que não sejam pesadas demais para implementá-las, evitan- do assim o fracasso e a desmotivação de seguir o cami- nho rumo ao futuro. e AgorA, José? Bem, já vimos quase tudo de teorias administrativas, ago- ra, que tal a gente se preparar para o próximo módulo. O tema central é o Sistema Organizacional, onde re- tornaremos o assunto de eficiência e eficácia, que já ti- vemos uma pequena canja do assunto. Vamos lá... Continue firme, não solte o leme do barco, pois não há tempo para ficar à deriva. Administração Geral / UA 02 Abordagens Teóricas na Administração 11 glossário Abordagem: modo como é tratado determina- do assunto. Alicerce: aquilo em que algo se apoia; aquilo que dá firmeza, segurança, solidez; base; fundamento. Aprimorar: fazer ou deixar melhor (qualidade de) algo ou alguém (inclusive si mesmo); tornar(-se) primoroso; aperfeiçoar(-se). Delineamento: primeiro projeto de uma obra. Discernimento: capacidade de perceber, com- preender com facilidade; perspicácia. Disseminação: difusão, propagação, vulgariza- ção de ideologia, teoria, visão de mundo etc. Escopo: alvo, ponto que se pretende atingir; fi- nalidade, objetivo; propósito; intuito. Expoente: pessoa eminente em área profissional. Formatar: estabelecer o formato de. Fusões: união total, de agremiações, empresas, formando uma só unidade. Implementação: executar, colocar em prática (plano, projeto). Interagir: desenvolver ação recíproca; inter- -relacionar-se. Nortear: orientar(-se), dirigir(-se), regular(-se). Paradigma: padrão que serve como modelo a ser imitado ou seguido. Perspicácia: qualidade de quem é perspicaz, de quem é capaz de observar com argúcia, de compreender as coisas; argúcia; clarividên- cia; esperteza; lucidez. Precursores: que antecipa, sinaliza ou dá início a novos conceitos, situação, técnicas, com- portamentos. Premissas: ideia ou fato inicial de que se parte para formar um raciocínio. Propositura: ação ou resultado de propor; pro- posição. Salientar: tornar(-se) saliente, destacado, ou notável; destacar(-se). Sustentabilidade: modelo de desenvolvimento que busca conciliar as necessidades econômi- cas, sociais e ambientais de modo a garantir seu atendimento por tempo indeterminado e a promover a inclusão social, o bem-estar econômico e a preservação dos recursos na- turais; desenvolvimento sustentável. Tange: diz respeito a. Turbulência: agitação intensa e desordenada nos mercados, economia etc. reFerênCiAs CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007. PORTAL FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU. Ca- ravantes discute Administração Mo- derna. Disponível em <http://www. mauriciodenassau.edu.br/noticia/exibir/ cid/1/nid/1175>. Acesso em: 17 mai. 2010. gestão empresarial administração geral o sistema organizacional 3 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Discutir o conceito de sistema e sua aplicação na Admi- nistração. COmpetênCias Analisar a organização a partir do conceito de sistema organizacional. Habilidades Descrever os componentes de um sistema. Aplicar o conceito de sistema à organização. administração geral o sistema organizacional ApresentAção O conceito de sistema é amplamente utilizado para a compreensão do mundo no qual vivemos. Sua aplicação na ciência da Administração teve um impacto significa- tivo. Nos primórdios do desenvolvimento desta ciência, o conhecimento da organização e seu desenvolvimento eram limitados, no entanto, como você verificará nesta unidade, com a compreensão da organização como um sistema vivo, complexo e probabilístico a gestão inclui variáveis antes não consideradas, mas potencialmente benéficas ou maléficas à organização. pArA ComeçAr Você reparou que a palavra “sistema” é utilizada em vá- rios contextos? Veja as seguintes manchetes de jornal: Sistema para inscrições no Enem opera normalmente, diz MEC. Sistema do Flamengo dependerá do Corinthians, afirma Mano Menezes. Sistema seria uma palavra sem significado e, portanto, poderia ser utilizada como um “curinga”? Agora avalie os seguintes exemplos: 1. Sistema solar; 2. Sistema educacional; e 3. Sistema respiratório. Sem se preocupar com o significado da palavra “siste- ma”, você já pode ter conversado sobre: Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 4 → O sol e seus planetas (1); → A avaliação no ensino fundamental (2); → A influência do cigarro nos problemas pulmonares (3). Esses são assuntos comuns do nosso cotidiano e se referem aos sistemas de numeração correspondente. Trocamos ideias sobre esses assuntos sem nos preocupar que cada um deles se refere a sistemas. Você sabe que os sistemas citados não são iguais e pode estar se per- guntando: → Por que assuntos tão diversos utilizam a palavra “sistema”? → O que estes sistemas têm em comum? → Afinal, o que significa sistema? Este módulo se inicia com o conceito de sistema que foi responsável por uma mudança na maneira das pessoas verem o mundo e tem ajudado os administradores a compreender como é a organização e como ela pode ficar mais forte. FundAmentos Talvez a parte inicial deste assunto possa parecer um pouco abstrata. Não se preocupe. Todo mundo que tem contato pela primeira vez com o conceito de sistema apresenta as mesmas dificuldades. É um conceito complexo, mas você vai ver que ele é muito útil para o entendimento das organizações. Para facilitar sua compreensão, serão apresentados os componentes do sistema e vários exemplos de sistemas. Além disso, recomendamos que você também procure pensar em ou- tros exemplos. Então, vamos às definições! O sistema Certo (2003) define sistema como: “um conjunto de partes interdependen- tes que funcionam como um todo para algum propósito”. É uma combina- ção de elementos que forma um todo unitário. Chiavenato (2004) destaca que os elementos, as relações entre eles e os objetivos (ou propósitos) constituem os aspectos fundamentais da de- finição de um sistema. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 5 Ao estudar os elementos do sistema procure observar a figura 1. Os elementos que constituem um sistema são: → Entradas: são os elementos necessários ao funcionamento do siste- ma e que o sistema recebe de seu mundo exterior. As entradas não fazem parte do sistema, elas vêm de fora do sistemae são necessá- rias para que ele exista; → Caixa-preta: local onde acontece um processo ou vários processos, e cujos elementos são desconhecidos por quem está fora do sis- tema, ou seja, eles só podem ser conhecidos ao se abrir a caixa- -preta (Caixa-preta é um conceito parecido com a caixa de gravação de aviões). Quando acontecem acidentes, a primeira providência é procurar a caixa-preta, ou seja, descobrir o que se falou minutos an- tes do avião cair. Mas, deixa para lá. Não vamos falar de coisas ruins. Voltemos aos elementos do sistema; → Saídas: são os elementos produzidos pelo sistema, ou seja, o resul- tado final do processo realizado dentro da caixa-preta; → Retroação: é a ligação entre as saídas e as entradas. Também cha- mada de retroinformação. Lembra Chiavenato (2004) que a retro- ação serve para comparar como o sistema funciona em relação ao padrão esperado. Quando ocorre alguma discrepância, a retroação incumbe-se de regular a entrada para que a saída se aproxime do padrão esperado. Muito difícil? Mas, ainda tem mais: Há a retroação positiva – uma ação estimuladora da entrada. Expli- cando de outra maneira, retroação positiva é a satisfação com uma ava- liação do resultado que reforça a escolha das entradas. Já a retroação negativa é inibidora das entradas, como resultado de uma não satisfação com os resultados obtidos na saída. A representação gráfica desses elementos encontra-se na Figura 1. caixa preta entradas saídas retroação É importante lembrar que muitos autores preferem utilizar o idioma in- glês ao se referir aos elementos do sistema: Inputs para entradas; Outputs para saídas; Black-box para caixa-preta; e Feedback para retroação. Figura 1. Representação gráfica de um sistema. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 6 Agora vamos pensar em um exemplo de sistema: você! Isso mesmo, você é um sistema! Vamos testar esse exemplo? SiStema corpo humano Se você é um sistema, então possui: entradas, caixa-preta, saídas e re- troação. As entradas são os elementos necessários para que algo aconteça na caixa-preta. Já a caixa-preta é tudo que pertence ao seu corpo (partes internas e externas, como seu estômago e sua boca), as entradas, então são: a comida, o ar e os sons, por exemplo. Esses elementos iniciam al- guns processos no interior do seu corpo (caixa-preta): digestão, respira- ção e audição. Para conhecer esses processos que acontecem no corpo de um ser humano é necessário abrir a caixa-preta (e literalmente é o que faz um futuro médico em uma unidade de Anatomia). As saídas são aquilo que resultou de um processo que ocorreu na cai- xa-preta. Pois é, saída no nosso exemplo é isso que você está pensando, ou seja, alimento processado, gás carbônico, a resposta ao som ouvido e muito mais saída a depender de quais são as entradas. Dica Antes de prosseguir, leia novamente as definições de entra- das, caixa-preta e saídas. E releia o exemplo dado. Conseguiu entender? Antes de prosseguir, que tal pensar em outro exemplo de sistema? Uma televisão é um sistema. Para acontecer algo dentro dela, ou seja, a TV mostrar imagem e som, é necessário que alguém ligue a TV, assim como ela deve estar ligada a uma tomada para recebimento de energia. A saída é fácil, são as imagens e o som emitidos pela TV. Recapitulando, sistema TV: → Entradas: energia elétrica, transmissão da emissora e alguém ligan- do a TV. → Processo: aquilo que acontece para a TV funcionar. → Saídas: som e imagem. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 7 Recapitulando, sistema “você”: → Entradas: alimento, ar, som, informação... → Processos (caixa-preta): respiração, digestão, raciocínio... → Saídas: sensação de saciedade, prazer, bem-estar, novas informa- ções... a retrOaçãO Para o exemplo que estamos avaliando (você), o que seria a retroação? Suponha que você vá até a uma lanchonete e peça um sanduíche. O sanduíche é uma entrada. A caixa-preta (ou processo) é o seu corpo digerindo o sanduíche. As saídas são a sensação de saciedade e de prazer por comer o sanduíche. Estas são saídas desejadas? Sim. Todo mundo que come um sanduíche espera matar sua fome e ter prazer, então a retroação neste caso é posi- tiva, ou seja, você vai comer um sanduíche nesta lanchonete toda vez que tiver vontade. Pena que às vezes aconteçam saídas não desejadas. Ou seja, e se a saída for outra? Pense na possibilidade do sanduíche fazer mal e você acabar com uma infecção intestinal angustiante. Ninguém come um sanduíche para passar mal, não é? Então, nesse caso a retroação será negativa, ou seja, você não deve voltar a comer esse sanduíche e/ou não deve voltar a frequentar a lanchonete. Resumindo, retroação é uma informação que o sistema tira das saídas que lhe diz se deve (retroação positiva) ou não (retroação negativa) repetir as entradas e/ou o processo. Retroação é muito importante porque protege o sistema, não é? Ou seja, impede que você repita uma tolice. Vamos voltar aos exemplos do começo da unidade? 1. No sistema solar as entradas são os planetas e o sol. O processo é a atração que há entre os planetas e o sol. A saída está no equilíbrio mantido entre eles, ou seja, cada um se mantém em sua órbita. 2. No sistema educacional as entradas são as instituições de ensino, os alunos, os professores, os materiais didáticos e outros. O ensino e o aprendizado é o processo. Alunos formados e preparados para o mercado de trabalho são as saídas. 3. No sistema respiratório a entrada é o ar. O processo é a respiração executada pelo pulmão, ou seja, a passagem do oxigênio para o san- gue. A saída é o gás carbônico. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 8 teOria geral dOs sistemas Quase todas as coisas que existem são sistemas. Uma batedeira, por exemplo, é um sistema eletrônico. Uma flor é um sistema botânico e um ser humano é um sistema fisiológico e psicológico. O conceito de sistema surgiu com os trabalhos do biólogo alemão Lu- dwig Von Bertalanffy que, segundo Chiavenato (2004), integra a Teoria Geral dos Sistemas. Essa Teoria se fundamenta em três premissas básicas: a. Os sistemas existem dentro de sistemas. Cada sistema é constitu- ído de subsistemas e ao mesmo tempo compõe um sistema maior chamado de suprassistema. No nosso exemplo, você, um sistema, é constituído de subsistemas como: sistema respiratório, sistema cir- culatório e outros. E também faz parte de um suprassistema como o sistema educacional ou se quiser pensar em termos físicos: sistema familiar e até sistema solar. b. Os sistemas são abertos. Todo sistema pertence a um ou mais su- prassistemas. Ao conjunto dos suprassistemas que você integra cha- mamos de ambiente. O ambiente é também o local onde os siste- mas buscam energia para continuar existindo. No nosso exemplo, a lanchonete que você frequenta é um ambiente no qual você adquire alimentos (entradas), fonte de energia dos seres humanos. c. As funções de um sistema dependem de sua estrutura. Cada sis- tema tem um propósito que buscará atingir na interação com outros sistemas do ambiente. Você está fazendo este curso, que pertence ao sistema educacional brasileiro de ensino à distância, por alguma razão que pode ser, por exemplo, uma melhor formação profissional. caracteríSticaS doS SiStemaS Os sistemas apresentam características que existem no sistema como um todo e não existe em seus elementos em particular. Duas características básicas de um sistema são: a. Propósito ou objetivo. O sistema existe para alcançar uma finalidade. b. Globalismo ou totalidade. Uma mudança em um subsistema do sistema produz mudanças em todos os outros subsistemas. Chiavenato (2004) afirma que o conceito de sistema permitiu uma visão compreensiva e abrangente de um conjunto de coisas complexas como a organização. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 9 Para Silva (2001), quando uma organização é examinada a partir da perspectiva de sistema, uma atenção especialé dada tanto aos elementos como à interação, ou seja, nenhuma parte de uma organização pode ser compreendida, se a relação desta com as outras partes não for exami- nada. Por isso a visão da organização como um sistema, antes de tudo, favorece a aplicabilidade ao mundo real. E como afirma Maximiano (2000, p. 369): A ideia de sistema – elementos que interagem e se influenciam, agregados em conjun- tos ou todos complexos – é a essência do enfoque sistêmico. É ideia simples, mas de grande influência na formação intelectual do dirigente e de todos os tipos de profis- sionais do mundo moderno. O enfoque sistêmico oferece ao administrador uma visão integrada das organizações e do processo administrativo, e uma ferramenta para or- ganizar sistemas que produzam resultados. Então, enxergar uma organização como um sistema facilita sua compre- ensão e apoia as tomadas de decisão do administrador. E aí, como é um Sistema Organizacional? Observe com atenção a figura 2. mudanças políticas ambiente geral mudanças econômicas mudanças culturais mudanças tecnológicas mudanças sociais ambiente de tarefa recursos resultados concorrentesórgãos reguladores clientes fornecedores produção recursos humanos marketing finanças A figura 2 é uma adaptação do Modelo de organização como sistema aberto proposto por Katz e Kahn, da Universidade de Michigan. Figura 2. O Sistema Organizacional. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 10 entradaS do SiStema organizacional Note que no sistema organizacional as entradas são recursos, que com- preendem elementos físicos como matéria-prima, máquinas e equipa- mentos; e abstratos, como a tecnologia no sentido de “conhecimento de como fazer”, informações e outros. Os recursos humanos também são en- tradas necessárias ao funcionamento do sistema, assim como os recursos financeiros. Ou seja, as entradas constituem-se em tudo que é necessário para o processo que se dá dentro da caixa-preta acontecer. caixa-preta ou proceSSo do SiStema organizacional Os sistemas têm processos que interligam os componentes e transfor- mam os elementos de entrada em resultados. Por exemplo, recursos materiais se transformam em produtos. Como afirma Maximiano (2000), todas as organizações usam recursos humanos, materiais, financeiros, po- rém um banco é diferente de uma lavanderia ou de uma igreja, e, ainda, um banco é diferente de outro. Isso se deve aos diferentes processos in- ternos e nos resultados de cada um. Portanto, o que define um sistema é o seu processo, e não apenas as entradas e saídas, que podem ser muito semelhantes em todos os sistemas. SaídaS do SiStema organizacional As saídas são os resultados dos processos que ocorreram na caixa-preta do sistema. Um dos resultados que o sistema busca são os objetivos. Para o sistema empresa, as saídas são os produtos e serviços, lucro ou pre- juízo, satisfação dos clientes, participação no mercado, e muitos outros resultados que podem ser planejados pelos administradores. Note que na figura nº 2 introduzimos alguns elementos-chave: a. Subsistemas: a caixa-preta do Sistema Organizacional é constituída por quatro subsistemas: Produção, Recursos Humanos, Marketing e Finanças, que correspondem às atividades básicas sugeridas por Fayoll, aquele autor que você estudou no módulo sobre a evolução do pensamento da Administração. Cada um dos subsistemas tem seus objetivos, que correspon- dem ao propósito de suas especializações. Entretanto, não podem trabalhar separados! Se isso ocorresse, seria como se o nosso co- ração “resolvesse” parar de bater enquanto os outros subsistemas que compõem o corpo humano continuassem a funcionar. Isso de nada adiantaria. O sistema corpo humano entraria em colapso. E é exatamente isso que acontece quando morremos. O mesmo aconte- ce quando a Produção, por exemplo, não trabalha em sintonia com Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 11 Marketing, esse é o caso no qual a empresa pode ter problemas de sobrevivência. atenção Produção, Recursos Humanos, Marketing e Finanças preci- sam trabalhar cooperativamente para que o sistema empre- sa atinja seus objetivos. Quando os subsistemas trabalham em harmonia, chamamos isso de si- nergia. Em outras palavras, se o Marketing e a Produção puderem com- pletar o trabalho do outro, um irá influenciar o outro até que o resultado será maior do que a simples soma do trabalho de cada um. b. Ambiente: todas as coisas que circundam o sistema. De acordo com o grau de controle que a organização tem sobre ele, é classificado em: I. Ambiente geral: também chamado de Macroambiente, é cons- tituído por forças externas sobre as quais a organização não tem poder de decisão ou controle. Essas forças afetam o desempenho da organização por isso precisam ser acompanhadas, em especial quando há mudanças. As principais forças do macroambiente são: i. Forças econômicas: a renda dos consumidores, o comporta- mento dos agentes econômicos, a distribuição da riqueza, a disponibilidade de capital, a expansão ou a recessão econômi- ca são alguns dos elementos que constituem essas forças; ii. Forças sociais: a distribuição etária, a taxa de crescimento e composição étnica, o perfil psicológico dos consumidores, va- lores, crenças são exemplos dessa força; iii. Forças tecnológicas: são constituídas por conhecimentos e in- formações práticas sobre produtos e processos, conhecimen- tos atuais e tendências; iv. Forças políticas: essas forças podem incluir desde os aconte- cimentos de uma época de eleição até a legislação criada por quem tem esse poder. Envolve a legislação trabalhista, acordos internacionais de comércio, sistema de governo e muito outros elementos da sociedade humana; Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 12 II. Ambiente de tarefas: também chamado de Microambiente, é aquele constituído por agentes próximos à empresa e com os quais ela deve se relacionar. São eles: os clientes, os concorrentes, os fornecedores e os órgãos reguladores. Esses últimos possuem essa denominação porque na prática regulam a ação da empresa, são representados por órgão governamentais federais, estaduais e municipais, e por grupos de interesse como sindicatos, órgãos de defesa ambientais, de defesa do consumidor e ainda do setor financeiro como bancos e instituições financeiras. Bem, por enquanto é só. Na próxima unidade vamos estudar com maior profundidade a força exercida pelo ambiente geral e de tarefas. antena pArAbóliCA Você conhece a revista ou o site Guia do Estudante da Editora Abril? Nele é possível obter diversas informações sobre pro- fissões, universidades, vestibular, mercado de trabalho e outras. No site da revista você vai encontrar a profissão de Analista de Sistemas de Informação. Outro sistema? Sim. O Sistema de Informação existe em todas as empresas e pode ser computadorizado ou manual e abrange pesso- as, máquinas e/ou métodos. O analista de sistemas de informação desenvolve as seguintes atividades necessárias no mundo corporativo: planeja e organiza o processamento, o armazenamento e a recuperação de informações e disponibiliza esse ma- terial para usuários. Em outras palavras, o sistema pelo qual ele é responsável é constituído por entradas (infor- mações) e saídas (relatórios) necessárias para a tomada de decisão dos administradores e de outros profissio- nais de uma empresa. O mercado de trabalho para este profissional conti- nua aquecido, pois a formação em análise de sistemas de informações é necessária em todas as empresas, se- jam elas pequenas ou grandes. Neste curso você terá a disciplina de Sistemas de In- formação no terceiro semestre e outras relativas a siste- mas como Organização, Sistemas e Métodos e Sistemas de Gestão Integrados. lembre-se O conceito de sistema influenciou o modo de entender e explicar todas as ciências. Para a Administração serviu para organi- zar e simplificar o entendimento do siste- ma organizacional (empresa). e AgorA,José? Vimos nesta etapa do curso o conceito de sistema e sua aplicação na ciência da Administração. Sistema é constituído de entradas, caixa-preta (pro- cessos) e saídas. Quase tudo na nossa existência pode ser caracteriza- do pelo sistema, mas em particular as organizações são sistemas. As entradas do sistema organizacional se constituem de recursos. São eles: recursos humanos, materiais, fi- nanceiros, tecnológicos e outros. A caixa-preta é constituída de processos. Dentre esses processos há aquele que transforma materiais em produ- tos e há aquele que transforma cliente em cliente aten- dido, no caso das organizações prestadoras de serviços. Como todo sistema precisa sobreviver em um am- biente, que é tudo aquilo que cerca o sistema, a organi- zação também precisa. O ambiente da organização pode ser classificado em duas categorias: → Ambiente de tarefa: aquele com o qual a organi- zação interage, constituído por clientes, concorren- tes, fornecedores e órgãos reguladores. → Ambiente geral: aquele com o qual a organização apenas reage, pois não lhe é possível alterar. O am- biente geral é constituído de forças que afetam a organização como as forças econômicas, tecnoló- gicas e sociais. Além disso, o sistema organizacional é composto de sub- sistemas, que são as especializações necessárias ao seu funcionamento, são eles: subsistema Produção, Recur- sos Humanos, Finanças e Marketing. Na próxima unidade continuamos com os elementos que constituem o ambiente do sistema organizacional e veremos a importância da informação para a sobrevi- vência desse sistema. Administração Geral / UA 03 O Sistema Organizacional 15 glossário Ambiente: tudo que cerca o sistema e não per- tence a ele. Ambiente geral: mudanças decorrentes do desenvolvimento da civilização. Podem ser mudanças políticas, sociais, econômicas, tecnológicas, culturais e outras. A empresa precisa se adaptar a elas, pois é impossível controlá-las. Ambiente de tarefa: relacionamento da em- presa com outros sistemas que podem ser controlados ou influenciados. São eles: clien- tes, concorrentes, fornecedores e órgãos re- guladores. Entrada: elementos importados do ambiente e necessário ao processo que se dá dentro da caixa-preta. Podem ser materiais, energia e informação. Processo: atividade de transformação que acontece dentro da caixa-preta. Retroação: ação pela qual a saída reflui sobre a entrada, seja incentivando-a ou inibindo- -a, respectivamente, retroação positiva e negativa. Saída: resultados finais da operação do sistema e que são exportados para o ambiente. Bens, serviços, informações, lucro, prejuízo, funcio- nário desligado são exemplos de saídas. Sinergia: palavra que indica a noção de que o todo é maior que a simples soma de suas partes. Sistema: um conjunto de elementos interativos e relacionados cada um ao seu ambiente de modo a formar um todo. reFerênCiAs CERTO, SamuEl C. Administração Moderna. São Paulo: Pearson Brasil, 2003. CHIaVENaTO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. COElHO, m. A essência da administração – conceitos introdutórios. São Paulo: Sarai- va, 2008. maXImIaNO, a. C. a. Teoria geral da adminis- tração: da escola científica à competitivi- dade na economia globalizada. São Paulo: Atlas, 2000. ___________ Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 2007. SIlVa, R. O. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2001. gestão empresarial administração geral o ambiente do sistema organizacional 4 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Discutir a relação entre o sistema organizacional e seu ambiente. COmpetênCias Avaliar a influência do ambiente no futuro da organização. Habilidades Compreender a dinâmica do relacionamento da organi- zação e seu ambiente. Explicar o valor da informação. administração geral o ambiente do sistema organizacional ApresentAção Uma vez que se compreende a organização como um sistema vivo, deve-se avaliar o ambiente no qual este sis- tema deverá se desenvolver e se fortalecer. Nesta Uni- dade, você conhecerá a classificação dos ambientes da organização, assim como reconhecerá as forças tecnoló- gicas, econômicas, socioculturais que ao longo do tempo moldam as características desses ambientes. A impor- tância da informação será evidenciada pela necessidade de acompanhar as mudanças desses ambientes. pArA ComeçAr Você conhece o produto da figura 1? Se você fosse uma jovem da década de 1950, certamente reconheceria esse produto. Sem ele era impossível manter fixo o penteado, obrigatório na época, como o da figura 2. Mas, a moda, os costumes e os comportamentos mudam. A década de 1960 em especial foi marcada por gran- des mudanças. Essa foi uma década de protestos con- tra a Guerra do Vietnam, do surgimento dos Beatles e de vários produtos novos destinados aos jovens. Nessa década também houve os protestos dos jovens contra a sociedade capitalista e tecnocrata, a revolução sexu- al, o feminismo, o movimento hippie e o black power, o lançamento do primeiro computador e do primeiro homem ao espaço. Figura 1. Laquê. Fonte:� Marlene, Etsy <https:// www.etsy.com/ listing/151137410/ vintage-zotos- can-zotos-hair- spray-can>. Figura 2. Penteado da década de 50. https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can https://www.etsy.com/listing/151137410/vintage-zotos-can-zotos-hair-spray-can Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 4 Se você fosse um fabricante de laquê poderia adivinhar que essas mu- danças teriam alguma relação com o fato das moças deixarem de usá-lo? Pois foi isso que aconteceu. Um novo modelo de elegância feminina emer- giu na década de 1960, como o da figura 4, e exigia cabelos soltos e lisos. Alguns fabricantes de laquê devem ter insistido no produto e com o tempo devem tê-lo modificado, talvez para os atuais hairsprays, de fixa- ção mais leve. Outros podem ter enxergado uma excelente oportunidade para mudar e fabricar xampus, produto que passa a ser fundamental para manter cabelos soltos e saudáveis. Se algum empresário ficou apenas observando as mudanças e não re- agiu, provavelmente observou passivamente a falência da sua empresa. FundAmentos Nesta segunda etapa, ressaltamos a influência do ambiente sobre a so- brevivência e crescimento do sistema organizacional, destacando nesse processo o papel da informação. Coelho (2008) explica que de 1960 até os dias atuais, foram empreendi- dos diversos estudos administrativos que buscaram formas para melho- rar o desempenho da organização, aumentar a produtividade e os lucros. Isso aconteceu porque as empresas nesse período se defrontaram com significativas mudanças da sociedade e com diversos fatores resultantes dessas mudanças. Destaca Alvin Toffler, especialista em apontar tendências para o futuro e autor dos best-sellers O Choque do Futuro e A Terceira Onda, que tanto as pessoas como as organizações deverão enfrentar mudanças cada vez mais rápidas e intensas. Figura 3. Shampoo. Fonte:� Shutterstock, Sheila Fitzgerald <http://www. shutterstock.com/ gallery-2263082p1. html?pl=edit- 00&cr=00>. Figura 4. Brigitte Bardot em coquetel, 1968. Fonte:� Michel Bernanau, Wikimedia Commons. http://www.shutterstock.com/gallery-2263082p1.html?pl=edit-00&cr=00 http://www.shutterstock.com/gallery-2263082p1.html?pl=edit-00&cr=00 http://www.shutterstock.com/gallery-2263082p1.html?pl=edit-00&cr=00 http://www.shutterstock.com/gallery-2263082p1.html?pl=edit-00&cr=00 http://www.shutterstock.com/gallery-2263082p1.html?pl=edit-00&cr=00 https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABrigitte_Bardot.jpghttps://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABrigitte_Bardot.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABrigitte_Bardot.jpg Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 5 mUdanças nO ambiente geral OU maCrOambiente O ambiente geral da organização é constituído de forças externas sobre as quais a organização não tem poder de decisão. Desde a década de 1960, esse ambiente tem mudado profunda e rapidamente. É de se es- perar, então, que os administradores se dediquem cada dia mais a moni- torar as mudanças do ambiente, buscando antecipar as tendências e as novas regras do jogo da sobrevivência do sistema organizacional. Os elementos do ambiente geral que mais merecem esse acompanha- mento são: 1. Forças tecnológicas: a evolução da tecnologia pode afetar as téc- nicas de produção, a realização do trabalho e a forma e função de produtos e serviços. No passado recente, as maiores mudanças des- tas forças ocorreram como resultado dos avanços da informática, da indústria farmacêutica e do setor agropecuário. É importante desta- car que as mudanças tecnológicas geram mudanças sociais, políticas e culturais na medida em que criam novos produtos, processos e novos hábitos de consumo; 2. Fatores econômicos: a globalização dos mercados é um dos pro- cessos econômicos que tem obrigado as empresas a enfrentar uma competição cada dia mais acirrada. Somado a esse fato, a econo- mia do país em um dado momento pode estar crescendo ou em depressão. No primeiro caso, as organizações procuram aproveitar a oportunidade para expandir seus negócios, já no caso de depressão, será obrigada a rever seus planos de expansão. Além disso, simples mudanças na conjuntura econômica em variáveis como: taxas de inflação, taxas de desemprego, crescimento do PIB, e outras, podem servir de oportunidades ou ameaças para o sistema organizacional. Por isso, as organizações devem acompanhar os indicadores econô- micos de modo a minimizar ameaças e aproveitar oportunidades; 3. Fatores políticos/legais: as organizações também precisam se adaptar às leis e à política do local onde atuam como as de proteção ao consumidor, ao funcionário e ao meio ambiente, regulamentos de saúde pública, tributos e outros. Uma mesma lei pode ser uma ameaça ou uma oportunidade de novos negócios, como uma lei an- tipoluição. Com uma nova lei mais severa de controle da poluição, algumas empresas precisarão adquirir novos filtros, que pode elevar seus custos, e outras poderão fabricar esses equipamentos, aprovei- tando a oportunidade; 4. Fatores Socioculturais: como visto no caso do laquê, as socieda- des evoluem. Há mudanças de valores e de comportamentos que Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 6 afetam as vendas e o uso de produtos e serviços. Quem ainda utiliza lenços de tecido? Nas sociedades atuais cresce o número de mulhe- res no mercado de trabalho que “terceirizam” os cuidados com os filhos, ao utilizar babás, creches, aparelhos de distração como TV, videogames e outros. Essa e outras mudanças no comportamento social e cultural que surgiram ou que venham a acontecer devem ser acompanhadas pelos administradores, pois são excelentes oportuni- dades para o lançamento de novos produtos e serviços. Na síntese de Maximiano (2000, p. 382) temos: No Macroambiente, encontram-se organizações, processos e eventos sociais, tecnoló- gicos, institucionais, demográficos e políticos, entre outros. Esses processos afetam a maioria das organizações, ou todas as organizações que compartilhem algo, tal como os mesmos clientes, ou a mesma tecnologia. Sua ação ou seu comportamento pode ajudar ou prejudicar a organização. De acordo com o enfoque sistêmico, é importante reconhecer e avaliar a atuação desses componentes do macroambiente (...) mUdanças nO ambiente de tarefa Este é o ambiente imediato onde a organização atua. É constituído por pessoas ou instituições com as quais a organização se relaciona para ope- rar. É também onde ela extrai suas entradas e depositam suas saídas (ob- serve a Figura 5). ambiente de tarefa recursos resultados produção recursos humanos marketing finançashumanos financeiros tecnológicos informações materiais e outros serviços funcionário demitido lucro prejuízo produtos novas tecnologias informações e outros O ambiente de tarefa é constituído de: 1. Clientes: são pessoas ou organizações que compram o que a em- presa oferece (saídas). Cada organização possui um “público-alvo” para o qual é destinado o esforço para atrair, agradar ou manter. As falhas em acompanhar as mudanças do público-alvo podem com- prometer os resultados; Figura 5. O ambiente de tarefa e sua relação com os recursos de entrada e os resultados de saída. Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 7 2. Competidores: são outras organizações que buscam o mesmo ob- jetivo da empresa por outros caminhos e concorrem com ela por re- cursos e consumidores. Com a globalização dos mercados, potencial- mente os concorrentes podem surgir de qualquer parte do mundo; 3. Fornecedores: são organizações que fornecem os recursos neces- sários para as operações da empresa. Há os fornecedores de ma- teriais, os fornecedores financeiros (instituições bancárias), os for- necedores de recursos humanos (agências de emprego) e outros. Fornecedores desempenham um importante papel na cadeia de produção, pois qualquer falha deles pode comprometer o produto ou o serviço da empresa; 4. Órgãos reguladores: estabelecem limite às operações da organiza- ção. Todas as organizações são controladas por outras organizações que fiscalizam as suas atividades. Por exemplo, os sindicatos, as as- sociações de classe, órgãos do governo federal, estadual e municipal, órgãos de defesa do consumidor e outros controlam as atividades das organizações com fins lucrativos; 5. Parceiros estratégicos: empresas que trabalham juntas para faci- litar a venda, distribuição ou divulgação dos produtos e serviços de ambas. A NUMMI (New United Motor Manufacturing) é um dos mais famosos exemplos de parceria. A Toyota tinha muito interesse no mercado americano e em trabalhar com funcionários americanos. Após sucessivas negociações, a General Motors decidiu pela aliança com a Toyota; 6. Distribuidores e concessionários: a busca da qualidade total co- loca os distribuidores e concessionários como integrantes externos do sistema organizacional. Eles são fundamentais para a satisfação das necessidades dos clientes. Embora o controle sobre esses dis- tribuidores e concessionários possam variar de maior ou menor in- fluência, é comum a empresa fornecer a eles treinamento de seus funcionários para o atendimento do cliente, manutenção de peças de reposição e identidade visual, como é o caso das concessionárias de veículos; 7. Sindicatos de empregados: de acordo com Maximiano (2000, p. 381), “Manter boas relações com os sindicatos é uma das marcas de uma administração saudável”. Aliás, quando a organização não reconhece corretamente o valor de seus recursos humanos, são os sindicatos que têm a responsabilidade de vir em defesa deles. Qualquer mudança no ambiente de tarefa reflete imediatamente no sis- tema organizacional. Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 8 Mas, ao contrário do ambiente geral, que a organização não tem como atuar, o ambiente de tarefa permite que a organização reaja ou se ante- cipe às mudanças. Por isso é fundamental que a organização acompanhe as mudanças, porque só em reconhecer os elementos ambientais relevantes ao negócio já diminui com isso a incerteza quanto ao futuro. Dicas O problema atual das empresas é a incerteza. Entretanto, a incerteza não está no ambiente. A incerteza está na percep- ção e na interpretação dos administradores e não na realida- de ambiental percebida (Chiavenato, 2004). tipOlOgia de ambientes O ambiente é único para todas as empresas. No entanto, cada organiza- ção se relaciona com uma parcelado ambiente que apresenta caracterís- ticas peculiares e necessárias ao seu negócio. Há organizações que atuam em segmentos homogêneos nos quais for- necedores, clientes e concorrentes são semelhantes e há aquelas que atu- am em ambientes heterogêneos nos quais fornecedores, clientes e con- correntes são diferentes, o que provoca uma diversidade de problemas. Há ainda organizações que atuam em segmentos ambientais estáveis, ou seja, caracterizado por pouca ou nenhuma mudança. Essas mudanças, quando ocorrem, são lentas e previsíveis. Já outras atuam em ambiente de tarefa em que os personagens e as condições do ambiente estão em constantes mudanças, formando um campo dinâmico de forças. Quanto mais estável o ambiente de tarefa, menores são as mudanças impostas, o que pode transformar a organização em organismo burocrá- tico e conservador. Mas, se o ambiente é instável, maiores são os proble- mas que a organização enfrenta com as mudanças, isso a transforma em uma organização mutável e inovadora. Na síntese de Maximiano (2000, p. 383) temos: → Ambiente estável: ambiente estável é aquele no qual as mudanças são lentas ou imperceptíveis. A legislação não se altera, a economia é estável, os clientes têm com- portamento regular e previsível, a concorrência inexiste ou é a mesma sempre. Am- bientes assim são pouco desafiadores e não oferecem riscos para as organizações. → Ambiente instável: quanto mais instável, mais turbulento é o ambiente. Altas taxas de mudança econômica, concorrência agressiva, governo tomando decisões rápidas Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 9 e frequentes, e sociedade em transformação são alguns exemplos que caracterizam ambientes turbulentos. De acordo com o enfoque sistêmico, o papel da administração consiste em coordenar os subsistemas com o ambiente, como forma de procurar alcançar a eficácia global da organização. O imperativO ambiental Chiavenato (2004) destaca a pesquisa de Burns e Stalker em indústrias in- glesas para verificar a relação entre práticas administrativas e o ambiente externo dessas indústrias. Os diferentes procedimentos adotados em cada uma delas permitiram classificá-las em duas categorias: organizações mecanicistas e orgânicas, cujas características estão sintetizadas na Tabela 1. orgAnizAção meCAniCistA orgAnizAção orgâniCA Estrutura burocrática e minuciosa divisão do trabalho Estrutura flexível e pouca divisão do trabalho Decisões centralizadas Decisões descentralizadas Cargos bem definidos e rígidos Cargos autodefinidos e mutáveis Limitada capacidade de processamento da informação Grande capacidade de processamento da informação Ênfase nas regras e procedimentos formais Maior confiabilidade nas comunicações informais Indicada para empresas que buscam eficiência Indicada para empresas que buscam a inovação Indicada para empresas que atuam em ambientes estáveis Indicada para empresas que atuam em ambientes dinâmicos atenção O imperativo ambiental determina a estrutura e o funciona- mento das organizações. A globalização dos mercados e o crescente desenvolvimento da tecnologia têm transformado ambientes ora estáveis em ambientes dinâmicos. Por isso, a preocupação das organizações com a competitividade é crescente. Portanto, há uma tendência das organizações se tornarem orgânicas, ou seja, para sobreviver precisam ser flexíveis e inovadoras. Mas como saber se a organização está bem adaptada ao seu ambiente? Tabela 1. Classificação das organizações de acordo com Burns e Stalker. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2004). Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 10 Os administradores precisam utilizar medidas de desempenho para realizar esse diagnóstico. As medidas de desempenho utilizadas por eles são apresentadas a seguir. Eficiência A eficiência de um sistema depende de como seus recursos são utilizados. É o modo certo de fazer algo. Deve estar contida no trabalho do adminis- trador para que ele atinja as metas esperadas. Consiste no melhor méto- do de realizar uma tarefa sem despender desnecessariamente de tempo, dinheiro, matéria-prima e recursos humanos. Uma empresa pode esperar melhoria da eficiência quando fornece treinamentos aos seus funcionários, adquirem máquinas modernas ou escolhe um novo e melhor fornecedor. A eficiência é uma medida de de- sempenho que envolve variáveis de dentro do sistema, veja a Figura 6. As medidas de eficiência são os valores encontrados de produtividade e qualidade. ambiente de tarefa recursos resultados eficiência humanos financeiros tecnológicos informações materiais e outros serviços funcionário demitido lucro prejuízo produtos novas tecnologias informações e outros eficácia ambiente geral Eficácia Em ambientes cada vez mais competitivos não basta ser eficiente. A orga- nização precisa atingir os objetivos que planejou. Deve concluir as tarefas atingindo as metas previstas. De nada adianta aumentar ou melhorar a produção se as vendas caí- rem. Em outras palavras, a eficácia é medida pelos resultados, mas esses dependem de toda a cadeia produtiva, veja a Figura 6. Para avaliar o grau de eficácia de um sistema, é necessário saber quais são os objetivos e quais os resultados de fato encontrados. Figura 6. A eficiência e a eficácia. Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 11 Na verdade, a organização deve buscar tanto a eficiência quanto a efi- cácia, ou seja, deve gastar o menos possível (eficiência) e atingir o maior resultado (eficácia). conceitos Eficiência é realizar as atividades da maneira certa. Eficácia é uma relação entre resultados e objetivos. Para obter eficácia, o administrador deve compreender o ambien- te da organização. O valOr da infOrmaçãO Você já deve ter ouvido falar que estamos na Era da Informação. Muitos teóricos acreditam que uma sucessão de fatos como as inven- ções do microprocessador, a rede de computadores, a fibra óptica e o computador pessoal justificam a passagem da Era Industrial para essa nova Era. Hoje, obter informação é fundamental para a empresa conhecer e utili- zar novas tecnologias, aproveitar oportunidades e planejar suas atividades. Em um contexto de crescente competição e de complexidade dos am- bientes geral e de tarefa, a organização precisa conseguir melhores recur- sos e maximizar sua utilização. Poder contar com maiores e melhores informações reduzem a incerte- za na tomada de decisão ao buscar esses objetivos. Atualmente, uma empresa não funciona sem informação e mais impor- tante ainda, não sobrevive sem sua correta utilização. A tomada de deci- são depende da rapidez, suficiência e correção dos sistemas responsáveis por obter e disseminar a informação. Por isso, quando você for responsável pela administração de um ne- gócio, deve entender que a organização é um sistema, e dependente das forças do ambiente de tarefa e sujeita às incertezas de um ambiente geral turbulento. Para que a organização sobreviva e cresça, você terá que ser um pro- fissional bem informado. Deverá haver em sua organização um sistema de informações gerenciais que garanta a tomada de decisão eficiente e eficaz. Neste curso você conhecerá como se desenvolvem esses sistemas em disciplinas como Informática aplicada à gestão, Sistemas de informa- ção e Sistemas Integrados de gestão. Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 12 COnseqUênCias dO enfOqUe sistêmiCO sObre a prátiCa de administraçãO Maximiano (2000) destaca: 1. O enfoque sistêmico melhorou a visão da organização. Agora o ad- ministrador pode enxergar o todo, ou seja, pode ter uma visão ho- lística, que lhe permite entender a complexidade dos problemas en- frentados pela organização; 2. Mostra a importância de o administrador considerar o ambiente an- tes de tomar decisões; 3. Consolidou a abordagem contingencial na medida em que tanto as práticas administrativas quanto a estrutura organizacional passam a ser dependentesda sintonia com o ambiente; 4. Facilitou a administração estratégica a partir da visão dos elementos que constituem o sistema e seus ambientes. e AgorA, José? Bem, você acaba de estudar a mais moderna abordagem da Teoria da Administração: o enfoque sistêmico. Viu que a empresa é um sistema organizacional que necessita trocar informações e outros recursos com os seus ambientes. Esses ambientes são classificados em ambiente de ta- refa e ambiente geral. O primeiro consiste em clientes, concorrentes, forne- cedores, parceiros e órgãos reguladores. O ambiente geral é constituído pelas mudanças tec- nológicas, econômicas, culturais e outras provocadas por outras organizações, que às vezes pode ser estável, ou seja, com mudanças lentas e previsíveis, e às vezes pode ser instável, com mudanças bruscas, rupturas de equilí- brio, que podem até provocar a falência da organização. Nas próximas aulas, vamos abrir a caixa-preta, ao es- tudar o processo administrativo. Esse processo, como veremos, é aquele que torna pos- sível que os recursos sejam transformados em resultados. O processo administrativo ou processo gerencial é desempenhado pelo administrador ou gerente, cujas atividades você já sabe que obedece aos princípios da Administração. São eles: planejar, organizar, dirigir e controlar. Veja na Figura 7 onde se situa esse processo: mudanças políticas ambiente geral mudanças econômicas mudanças culturais mudanças tecnológicas mudanças sociais ambiente de tarefa recursos resultados concorrentesórgãos reguladores clientes fornecedores Processo administrativo (gerencial): • Planejar • Organizar • Dirigir • Controlar Figura 7. O sistema organizacional e o processo administrativo. Administração Geral / UA 04 O Ambiente do Sistema Organizacional 14 glossário Eficiência: realizar atividades de maneira cor- reta. Eficácia: grau de coincidência dos resultados em relação aos objetivos planejados. Imperativo ambiental: forças ambientais que obrigam a organização a adaptar estrutura e comportamento a fim de sobreviver ou crescer. Informação: é um dos recursos de entradas. Hoje é extremamente valorizado dadas as alterações ambientais. Organização mecanicista: estrutura organiza- cional rígida, com centralização das decisões na cúpula e utilização dos preceitos clássicos. Organização orgânica: estrutura organizacio- nal flexível que valoriza a comunicação, a descentralização das decisões e evita a bu- rocracia. Sistema aberto: é o sistema que interage dina- micamente com o ambiente. reFerênCiAs CERTO, S. C. Administração Moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da adminis- tração. São Paulo: Atlas, 2000. Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007. TOFFLER, A. O choque do futuro. Rio de Janei- ro: Record, 1970. gestão empresarial administração geral planejamento – administração por objetivos, planejamento estratégico e operacional 5 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Apresentar conceitos de planejamento. e de administra- ção por objetivos e planejamentos Estratégicos e Opera- cionais. COmpetênCias Saber planejar antecipadamente e executar depois. Habilidades Usar o planejamento e a melhor forma de operaciona- lizá-lo. administração geral planejamento – administração por objetivos, planejamento estratégico e operacional parte 1 Quando o confeiteiro se prepara para fazer um bolo, a partir de sua receita, ele somente poderá fazê-lo após certificar-se que todos os ingredientes necessários, cons- tantes da sua receita, estão dispostos em quantidade e disponibilidade para realizar sua produção. O planeja- mento incide no estudo preliminar para que o objetivo seja atingido com a maior praticidade, perfeição e efici- ência possível. para Começar Você já viu os técnicos de futebol fazer planejamentos táticos para um jogo qualquer? Estuda o adversário, atletas, preparação física, local, tempo, enfim, baseado nestes conhecimentos elencados de seu adversário, ele montará o seu time e o planejamento tático para enfren- tá-los. Imagine se ele o enfrenta sem buscar informações e nem mesmo avaliar sua equipe para o enfrentamento? A partir daí, é fácil imaginar o planejamento em todos os sentidos, desde no futebol, na vida doméstica, e na organização, que é o foco do seu estudo neste módulo. Fundamentos Nada começa pronto. Onde quero chegar? planejarrecursos resultados esperados Preciso verificar meus recursos, fazer uma análise mais aprofundada de sua utilização e sua disponibilidade, e a partir daí, inicia-se o processo de planejamento, que será a adequação dos recursos e meios para atingir os objetivos e metas traçadas. Figura 1. Representação sistêmica do princípio da Administração: planejar. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 4 A incerteza no resultado pode ser amenizada com o planejamento e a busca de maiores informações e conhecimentos para efetuá-lo. Segundo Maximiliano (2000, p. 175) “Nem todo futuro desconhecido é incerto. É possível antever com razoável grau de precisão alguns eventos, porque estão sob controle, são consequências previsíveis de atos e deci- sões passadas[...]” E, sendo assim, o planejamento é uma ferramenta administrativa para criar rumos mais seguros a serem trilhados na administração do negócio, e ao mesmo tempo, é o suporte para o processo de decisões. Várias definições de planejamento são dadas pelos diversos autores na área, que convergem aos princípios e objetivos da maioria deles. Falando em decisões, não podemos esquecer que as decisões são to- madas de imediato após o planejamento, e seus resultados são espera- dos e sabidos depois, seja a curto, médio ou longo prazo. Abaixo, elencamos algumas definições de planejamento usadas por al- guns autores. Segundo Maximiliano (2000, p. 175): → Definir objetivos ou resultados a serem alcançados; → Meios para a realização de resultados; → Interferir na realidade, para passar de uma situação conhecida a ou- tra situação desejada, dentro de um intervalo definido de tempo; → É tomar no presente decisões que afetem o futuro, para reduzir sua incerteza. Lacombe e Heilborn (2006, p. 162): → Determinação da direção a ser seguido para se alcançar um resul- tado; → Determinação consciente de cursos de ação; → Engloba decisões com base em objetivos. O planejamento é feito considerando não só o microambiente (interno) que são seus recursos disponíveis e ferramentas para sua execução, mas também o macroambiente (externo) organizacional, onde as decisões afe- tarão diretamente. Lacombe e Heilborn (2006, p.162) apresentam um quadro muito escla- recedor para o planejamento: Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 5 Recursos diversos: financeiros, humanos, tecnológicos, insumos e informações. Planejar é decidir antecipadamente O planejamento deve identificar antecipadamente. O planejamento deve identificar antecipadamente. Fazer O quê De que maneira Quando Quem deve O que vai ser feito Os custos Os benefícios Para fazer o que se deseja Os recursos necessários Atenção Os planos são as linhas mestras pelas quais: → A organização obtém e aplica os recursos necessários ao alcance dos seus objetivos; → Os membros da organização realizam atividades a par- tir de seus objetivos escolhidos; → O progresso na direção dos objetivos deve ser coorde- nado e verificado constantemente, a fim de permitir correções caso sejam necessárias. Para que Planejar? O que nos leva a esta necessidade? ConCeito Atitudes em relação ao planejamento: Proativa: → Forças que impulsionam e desejam a mudança. → Espírito renovador. → Capacidade de adaptação a novas situações. → Antecipação de novassituações. Figura 2. O que é Planejamento. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 6 Reativa: → Forças que desejam e preservam a estabilidade. → Apego às tradições. → Espírito conservador. → Incapacidade de adaptação às novas situações. (MAXI- MIANO, 2007, p.177) É imprescindível para a organização, o planejamento, onde aumenta a capacidade do gestor para administrar, controlar e prever as reações nas decisões tomadas, antecipando assim, a mudança e ou ajustes necessá- rios para o equilíbrio da organização. Não podemos esquecer que decisão tomada em qualquer tempo tem seus reflexos mediatos ou, normalmente, futuros. Neste ínterim, é possí- vel rearranjar de forma proativa, preservando a integridade da empresa, evitando antecipadamente ocorrências, que coloquem em riscos os obje- tivos projetados. Como vimos no quadro acima, podemos definir que a reação proativa é uma forma de segurança no caso de mudanças necessárias, e a reativa, que mantém o equilíbrio evitando mudanças abruptas, que possam inter- vir no rumo dos resultados esperados. DiCA Conceito de Objetivos: Objetivos: planejar, essencialmente, é definir objetivos e as formas de realizá-los. Objetivos são resultados finais em di- reção aos quais a atividade é orientada. São os fins que uma pessoa ou organização procuram realizar, por meio de suas atividades, operações e aplicação de recursos. Os objetivos representam a parte mais importante do plano. (MAXIMIANO, 2000, p. 184). Bem, até aqui, vimos conceitos práticos de planejamento e objetivos. Mas é importante também um breve comentário dos componentes básicos para fazer um planejamento. Não basta ter o objetivo, o foco principal, é importante que se estudem as ferramentas e sua capacidade para realizá-lo. Não se deve neste ponto, criar expectativas ou objetivos platônicos, irreais para a organização, pois Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 7 a dificuldade poderá se transformar em fracasso, antes mesmo de sua aplicação. Objetivos básicos devem ser definidos antes, fazer o estudo mais abrangente se possível, em todo contexto que abrangerá o planejamento. Dentre eles, seus custos, estimativas de tempo x custos x trabalho, viabilidade do projeto, planos estratégicos e operacionais e, ao final, a expectativa dos resultados dependendo do seu grau de acertos e corre- ções no curso. Atenção No planejamento, ou durante sua aplicabilidade (operacio- nalização), os objetivos estratégicos podem ser desdobrados em outros objetivos, não fugindo claro, do principal, que po- demos nomeá-los de secundários e específicos. Oliveira (2009, p. 151) apresenta algumas questões quanto a falhas no processo do planejamento e seus efeitos. Apresenta assim em três momentos: → Antes do início da elaboração do planejamento; → Durante a elaboração do planejamento; e → Durante a implementação do planejamento. Na tabela a seguir, Oliveira (2009, p. 152) apresenta de forma detalhada, estas possibilidades como segue: antes do início da elaboração durante a elaboração durante a implementação 1 Estruturação inadequada do setor: 1 Desconhecimento dos conceitos básicos: 1 Inadequação no controle e avaliação: a) Contratação de um elaborador do plano. a) Considerar como um processo fácil ou difícil. a) Falta ou inadequação do sistema de controle. b) Alocação inadequada na estrutura. b) Não considerar como um sistema integrado. b) Desconsideração da relação custos versus benefícios. c) Funcionários ineficientes. c) Desconsideração dos aspectos intuitivos. d) Estruturação inadequada da equipe. d) Desconsideração do processo de aprendizagem e treinamento. 2 Ignorância da importância e significado do planejamento: 2 Inadequação no envolvimento dos níveis hierárquicos: 2 Interação inadequada com os funcionários: a) Existência de sucesso sem o planejamento. a) Envolvimento insuficiente ou demasiado da alta administração. a) Falta de participação e envolvimento. b) Alguma falha anterior do planejamento. b) Não envolvimento da média administração. b) Falta de comprometimento. Tabela 1. Causas de falhas na função de planejamento. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 8 antes do início da elaboração durante a elaboração durante a implementação c) Expectativa de enormes e rápidos resultados. c) Atitudes inadequadas perante o planejamento. d) Transposição direta do planejamento de outra empresa. e) Desassociação do processo de administração. 3 Não preparação do terreno para o planejamento: 3 Defeitos na elaboração em si: a) Não eliminação de focos de resistências. a) Não interligação com os planejamentos operacionais. b) Não esquematização do sistema de controle e avaliação. b) Falhas no estabelecimento de interligação dos vários itens considerados. c) Desconhecimento da natureza do planejamento. c) Excesso ou falta de simplicidade, formalidade e flexibilidade. d) Período de tempo inadequado. e) Ineficiência dos responsáveis pelo planejamento. f) Inadequada ou inexistente gestão do conhecimento. g) Dissociação com o processo de inovação. 4 Desconsideração da realidade da empresa: 4 Baixa credibilidade ao planejamento: a) Inadequação ao tamanho e recursos disponíveis. a) Descontinuidade no processo. b) Inadequação quanto à cultura da empresa. b) Utilização de situações pouco realistas. c) Não divulgação das informações. d) Dificuldade de trabalhar com o planejamento. parte 2 São ferramentas essenciais para atingir os objetivos planejados. São es- tas as ferramentas que o administrador disporá para ter a capacidade de interagir com as pessoas envolvidas no projeto e levar adiante sua exe- cução. Com elas é possível reorganizar, abortar se necessário, corrigir ou mudar o curso em busca dos resultados esperados e planejados. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 9 para Começar vOCê sabe jOgar xadrez? O planejamento é a base principal do jogo, você antecipa sua jogada por estratégia, planejamento, visão de futuras jogadas e, acima de tudo, a in- tuição da jogada do seu adversário. Assim é a organização, um verdadeiro tabuleiro de xadrez, onde o pla- nejamento e estratégia andam juntos, e continuamente proativos às mu- danças e adversidades no mercado. Vamos estudar, pensando como um jogador hábil e como um adversá- rio astuto, porém, antes disso, vamos conhecer os conceitos necessários para iniciarmos o grande torneio. Das teorias administrativas, Administração por Objetivos (APO), nasceu em 1954, a partir da publicação do livro The Practice of Management, de Peter Drucker, cujo modelo apregoava o controle sobre desempenhos na organização, principalmente nos casos de crescimentos repentinos, para se evitar “bolhas” ou crescimentos insustentáveis da empresa. Drucker se preocupava, contudo, para não perder as rédeas do cresci- mento, do planejamento e do controle administrativo, que devem estar em sincronismo para se chegar aos objetivos traçados. O APO nasce na necessidade desta integração, evitando o isolamento tanto de um como de outro, e também, uma forma de divisão da respon- sabilidade e comprometimento de cada função, participação e conjunto para o cumprimento de metas e objetivos. Para resumir a função do APO, dizemos que para sua realização é preciso: → Definir metas e objetivos; → Planejamento e avaliação; → Os participantes (toda hierarquia) definem as prioridades; → Determinam metas e objetivos a serem alcançados; → Mantém o controle contínuo da operação. Com sua aplicação, prever o futuro em suas operações passa a ser menos nebulosas, que em uma operação normal sem os atributos e aplicações do APO. Partindo da Administração por objetivos, complementamos com o Pla-nejamento Estratégico e Planejamento Operacional, onde teremos uma visão mais apurada de suas utilizações e da necessidade de sua implanta- ção nas administrações, que perduram nos dias atuais. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 10 Vários autores, que neste módulo destacamos (Chiavenato, Lacombe e Heilborn, Drucker e Maximiano), contribuíram como facilitadores no en- tendimento deste novo segmento, como ferramenta de suporte à admi- nistração geral. Fundamentos administraçãO pOr ObjetivOs Os princípios e características básicas do APO como processo, está no tra- balho conjunto entre gestores e colaboradores focados no objetivo princi- pal, onde o comprometimento no resultado deverá ser monitorado sem- pre, para que se necessários, sejam possíveis ajustes durante o processo. A grande vantagem do APO é a integração entre os conjuntos gestores e operacionais, onde cada função, atividade, no processo é antecipada- mente determinada de forma a distribuir relativamente, a responsabilida- de, que culmina no comprometimento no cumprimento das metas. Chiavenato (2004, pp. 228-229) descreve o passo a passo da integração e suas características entre gestor e subordinados, que de forma resumi- da apresentamos a seguir. A APO trabalha dentro do seguinte esquema: Operacionalização 1. Gerente e subordinados se reúnem para discutir os objetivos, cada um assumindo seu papel; 2. O gerente se compromete em apoio e recursos para a execução pe- los funcionários; 3. O subordinado executa e cobra pelos recursos; 4. Avaliação constante pelo gerente e subordinados, quanto as metas e operacionalidade; 5. Avaliado periodicamente por ambos, reavaliação ou redimensiona- mento operacional. Características: a. Estabelecimento conjunto de objetivos entre o gerente e o seu su- perior; b. Estabelecimento de objetivos para cada departamento ou posição; c. Interligação entre os vários objetivos departamentais; Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 11 d. Ênfase na mensuração e no controle de resultados; e. Contínua avaliação, revisão e reciclagem dos planos; f. Participação atuante das gerências e dos subordinados; g. Apoio intensivo do staff. Notamos assim, que a integração, o conjunto nas análises, estudos de me- tas e objetivos, somente é possível a partir da integração entre gerência e subordinado. É imprescindível o acompanhamento contínuo pelas partes, reava- liando o processo, e se preciso, readaptar, mudar ou complementar com ações corretivas para que não fuja dos objetivos preestabelecidos. Na atual e moderna administração, os gestores não se isolam hierar- quicamente de seus subordinados, e, sim, integram-nos na responsabili- dade pelos resultados, criando uma cumplicidade e dá maior segurança na obtenção de resultados. Seguramente, consideramos esse um dos principais resultados da apli- cabilidade deste sistema. Vistos os conceitos e princípios da Administração por Objetivos, pode- mos, agora, aprofundar nos conceitos e prática do Planejamento Estraté- gico e Planejamento Operacional, partes integrantes como ferramentas para a obtenção de resultados positivos na administração. Atenção APO – Administração por Objetivos É uma técnica administrativa que enfatiza os objetivos, fi- nalidades e resultados em lugar do processo administrativo (meios). Em vez de como administrar enfatiza o porquê ou para que administrar (Chiavenato, 2004 p. 2514). planejamentO estratégiCO O planejamento estratégico (PE), em um mundo globalizado, é a ferra- menta imprescindível ao gestor e administrador, imprescindível também à necessidade de se conhecer as suas funções e os seus limites, para não fazer dele uma ferramenta de gestão desvalida e que seja, ao mesmo tempo, flexível para notar as mudanças à sua volta. Seu objetivo maior é dar suporte municiando o administrador de infor- mações precisas e diversas para as tomadas de decisões de forma a se antecipar as mudanças que ocorrem no mercado e consequentemente, Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 12 na estrutura organizacional; desta forma, evitando atropelos e as armadi- lhas pelo imediatismo das empresas. Essas mudanças constantes, e a utilização destas ferramentas, possibi- litam e facilitam a empresa se adequar ao mercado e às novas condições adversas, por que passa. Alguns itens iniciais são necessários para sua elaboração, no estudo como análise de viabilidades: → Informações: é o primeiro passo para o planejamento estratégico. É com a informação, que abrirá caminho para uma análise e um diag- nóstico para nutrir as metas e nortear os objetivos, pois com isso em mãos, é possível se antecipar aos acontecimentos de forma proativa e criar meios reativos para não perder o foco de planos estrategica- mente alinhavados. → Ambiente macro e micro: é importante ser feito o diagnóstico, le- vando em conta o micro e macroambiente da organização. No ma- croambiente, atuam os concorrentes, fornecedores, indicadores econômicos, política econômica, aspectos legais, tecnologia e mer- cado consumidor. No microambiente é a empresa propriamente dita e onde tem a sua atuação. → Ambiente Interno: diagnosticar os pontos fortes e fracos da empre- sa, no que tange ao produto, preços, mercado consumidor, custos, para que se saiba exatamente com quais recursos ele pode contar para fazer o PE, delineando assim sua capacidade competitiva. É muito importante também, o estudo e avaliação constante de suas áreas funcionais, que abrangem praticamente, todos os setores e departamentos na organização, tais como: diretoria, departamentos de compras, vendas, marketing, pesquisas e desenvolvimentos, de- partamentos financeiros, produção, estoques, logística e outros que, dentro desta perspectiva, se analisa desempenhos, pontos fracos e sugestões minimizadoras, para que seus efeitos não criem situações de riscos (agir proativamente). De posse das informações, o passo a seguir é a definição da missão e dos objetivos a serem atingidos, e apresentar para tanto, baseado nos recur- sos, de forma clara e explícita, de onde quer chegar. Maximiano (2000, p. 225) aponta algumas situações cruciais a serem atentadas e questões a serem discutidas e respondidas, para se tomar decisões estratégicas; são as seguintes: → Quem são e quem devem ser nossos clientes? Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 13 → Quais são as expectativas do ramo de negócios que escolhemos? → Quais as nossas vantagens competitivas? → Quais são as vantagens de nossos concorrentes? → Quais são os recursos que tornam viável nossa missão? → Temos competências singulares? → Devemos desenvolver nossos próprios recursos, ou procurá-los no ambiente externo? → Qual a hora certa de agir? → Devemos tentar controlar o ambiente, ou ser flexíveis e nos adaptar? → Há nichos que outras organizações não exploraram? → Devemos procurar a verticalização? → Devemos diversificar ou nos especializar? Quando se consegue responder a maioria destas questões apontadas pelo autor, metade do caminho e das interrogações que ficam no ar, se dissiparam. Mãos à obra, podemos começar nosso Planejamento estraté- gico e iniciar sua operacionalidade. Atenção Conceito de Planejamento Estratégico: Maximiano (2000, p. 203) conceitua: “O processo de PE consiste em definir objetivos para a relação com o ambiente, levando em conta os desafios e as oportunidades internos e externos. O processo de PE afeta a empresa em longo prazo, porque compreende as decisões sobre produtos e serviços que a organização pretende oferecer e os mercados e clien- tes que pretende atingir”. Segundo Kotler (1992, p. 63), “planejamento estratégico é definido como o processo gerencial de desenvolver e man- ter uma adequaçãorazoável entre os objetivos e recursos da empresa e as mudanças e oportunidades de mercado”. planejamentO tátiCO OU OperaCiOnal Preocupa-se com “o que fazer” (tarefa/atividade) e com o “como fazer” (método). Vamos recordar o início da unidade, do tabuleiro de xadrez. Você deve analisar cada jogada do seu oponente, criar, avaliar situa- ções mediatas e futuras para sua tomada de decisões que norteará suas próximas jogadas. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 14 Muito bem, depois de avaliadas, é hora de jogar firme, usando de todas as informações necessárias para o próximo passo. Vamos operacionalizar o planejamento estratégico, está e a hora de sua formalização. Primeiramente, definir a atuação e participação de cada componente do plano (pessoas, departamentos, recursos) para assim, iniciar sua aplicação. A atuação das áreas funcionais envolvidas deve ser clara e objetiva, onde a participação de cada um deve respeitar e cumprir seus limites e seus comprometimentos, para não ocorrer imprevistos durante a sua aplicação. Dessa maneira, pensemos como empresa, a distribuição de tarefas, de- composições dos objetivos, estratégias e políticas, como um mapa, a ser seguido à risca, para não se perder pelo caminho. Esse é o momento da operação tática, que fortalecerá as tomadas de decisões em busca dos resultados esperados. Atenção Conceito de Planejamento Operacional: Para realizar os objetivos estratégicos e administrativos, é preciso definir atividades e recursos. Esse é o domínio do PO. O processo de PO consiste em definir como realizar os objetivos (MAXIMIANO, 2000, p. 248). Ainda o mesmo autor, PO – “Definem as ações específi- cas que permitem realizar os objetivos dos níveis anteriores (estratégicos organizacionais e funcionais)” (MAXIMIANO, 2000, p. 237). Note que a concentração no jogo de xadrez, não acaba em cada jogada, mas, sim, neste tabuleiro, em cada uma que você fizer, fará o seu opo- nente estudar, analisar, reordenar, remanejar, e isto é o que ele fará e ao mesmo tempo, estará mensurando os feitos que você poderá criar e surpreendê-lo. Assim, até que a partida se finalize, obviamente, com o resultado que você esperava: sua vitória, e no caso da organização, onde todos esperam o sucesso e a satisfação dos objetivos previamente delineados. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 15 Atenção Planejamento Operacional tem como objetivo, explicar as estratégias funcionais – são realizadas por meio dos planos operacionais, utilizando-se de técnicas para sua identifica- ção, sequenciamento, programação e orçamentação de ati- vidades (MAXIMIANO, 2000, p. 236). Quando você pensar em um planejamento estratégico, você deverá ter em mente um objetivo, e para tanto, você deve elencar as necessidades, recursos, e administrar como chegar até ele. antena parabóliCa Você já leu o Quem mexeu no meu queijo?, livro motiva- cional escrito pelo Dr. Spencer Johnson. O livro apresenta uma parábola envolvendo quatro personagens: dois ra- tinhos, Sniff e Scurry, e dois “homenzinhos”, Hem e Haw. Você poderá, no livro ou no vídeo, estudar um pouco de planejamento junto com os personagens. Faça isso. Sugiro que você leia o livro Mar Sem Fim, de Amyr Klink, da editora Companhia das Letras. Na sinopse do livro, você nota que para uma viagem desta envergadura, o autor utilizou do planejamento es- tratégico e operacional, que é o motivo do sucesso, em contrário, colocando em risco sua própria vida, certa- mente ele não poderia ter tido a oportunidade de deixar tamanho legado cultural e técnico desta obra. Leia, o livro fala por si. e agora, José? Acho que agora que vocês conhecem mais sobre o tema. Podemos partir para o próximo módulo, falando ain- da de planejamento estratégico e Operacional, e com- pletando o módulo com o tema de administração por objetivos. Acho que agora que vocês conhecem mais sobre o tema. Legal, não? Agora você pode planejar estrategicamen- te suas ações e implementá-las de forma táticas e ou operacionais, com a possibilidade mínima de erros, e, claro, com resultados mais reais e atingindo seus objeti- vos mais claramente. Isso é muito bom. Que tal agora, a gente partir para a organização for- mal e informal, aprofundar mais nos conceitos de divi- são do trabalho, autoridade e grupos informais. Vamos em frente! http://pt.wikipedia.org/wiki/Spencer_Johnson http://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A1bola http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/catalogo/busca.asp?parceiro=OJOOIG&tipo_pesq=editora&neditora=3467&refino=2&sid=016538109738399226539&k5=99B4758&uid= Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 17 glossário Abrupto: que é inesperado; repentino. Adversidade: aquilo que importuna, aborrece; aborrecimento, infortúnio. Alinhavado: combinar, encadear, ligar elemen- tos diversos, de modo frouxo ou apressado; executar, formar ou compor (algo). Amenizado: que se tornou ameno; abrandado. Antever: ver antes, com antecedência, com an- tecipação; prever. Apregoar: indicar como bom ou útil; aconselhar. Atributo: aquilo que é próprio de alguém ou de algo; apanágio; característica. Crucial: de extrema importância para que algo aconteça, ocorra, ou exista; muitíssimo im- portante para algo ou alguém. Culminar: ter como ponto culminante; chegar ao ponto culminante, atingir o auge, o apogeu. Delinear: traçar um projeto; planejar; tramar. Desvalidar: o mesmo que invalidar. Dissipar: fazer dispersar ou dispersar-se; espa- lhar (-se), desfazer (-se). Elencar: acrescentar (questão, problema, assun- to etc.) em meio a outros, para ser conside- rado ou discutido. Estratégia: arte de utilizar os meios de que se dispõe para conseguir alcançar certos obje- tivos. Estratégico: em que há astúcia; ardiloso. Imprescindível: que não pode faltar; indispen- sável; insubstituível. Integridade: qualidade ou estado do que é in- teiro, do que não está menor do que era ou do que deveria ser. Ínterim: enquanto isso, entrementes; intervalo de tempo entre dois fatos ou entre dois mo- mentos distintos. Legado: qualquer coisa, conhecimento ou bens materiais ou culturais, que se transmite às gerações seguintes. Macro: grande dimensão, tamanho ou exten- são; de grande valor; de dimensão, tamanho, extensão ou valor maior que o habitual; (que tem algo) em grande quantidade ([aquilo] que trata de, ou diz respeito a, ou constitui, repre- senta ou abrange a) totalidade (de algo). Mediato: que não se encontra em relação direta com outra pessoa ou coisa; que depende de um intermediário (resultado mediato). Mensuração: ato de medir; ação ou resultado de mensurar. Mestra: linhas principais, foco do estudo. Monitorado: acompanhado continuamente. Municiar: prover do necessário; abastecer; guarnecer Nebuloso: perigoso; condição ou qualidade do que é nebuloso. Nortear: orientar (-se), dirigir (-se), regular (-se). Nutrir: fortalecer com informações. Perdurar: durar muito, subsistir, permanecer. Platônico: algo sonhado, porém difícil ou im- possível de realizar, irreal. Proativo: que, por antecipação, identifica pos- síveis desenvolvimentos, problemas ou si- tuações, permitindo adoção de atitudes ou medidas adequadas. Reativo: que reage ou faz reagir; reagente. Reciclagem: reaproveitamento de algo para a elaboração de novos. Rédeas: comando, direção. Sincronismo: ajuste de dois eventos, processos etc., de modo que ocorram exatamente ao mesmo tempo; sincronização. Sinopse: resumo escrito de uma obra. Staff: conjunto de pessoas que compõem o quadro de pessoal de uma empresa, firma, instituição etc. Tange: diz respeito a. Tático: maneira hábil de conduzir, encaminhar ou ajustar um negócio, uma empresa, uma discussão etc. Trilhado: que já é bastante conhecido,experi- mentado. Administração Geral / UA 05 Planejamento – Administração por Objetivos, Planejamento Estratégico e Operacional 18 reFerênCias CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. KOTLER, P. �Administração de Marketing. Aná- lise, Planejamento, Implementação e contro- le. Atlas, 1992. LACOMBE, F. HEILBORN G. Administração – princípios e tendências. São Paulo: Sarai- va, 2006. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007. OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento estratégico. São Paulo: Atlas S/A, 2009. gestão empresarial administração geral A orgAnizAção formAl e informAl 6 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Apresentar o princípio de organização. COmpetênCias Saber organizar uma empresa. Habilidades Identificar os elementos da organização formal e com- preender o papel da organização informal. administração geral A orgAnizAção formAl e informAl ApresentAção Esta é uma das três aulas dedicadas ao princípio da Ad- ministração conhecido como “organizar”. Nesta unidade, você verificará que organizar é tão necessário quanto planejar. Ao organizar, o gerente deve decidir sobre os recursos que tornarão possível a realização da missão organizacional. Além da organização formal, cuja estru- tura é decidida pelo gerente, você também deverá reco- nhecer a importância da organização informal. pArA ComeçAr De quatro em quatro anos a nação brasileira saboreia a Copa do Mundo de Futebol. Como somos os maiores campeões do mundo nes- ta modalidade de esporte, a meta planejada é sempre a mesma: ganhar mais um título! Como você viu nas aulas anteriores, para uma organi- zação (empresa) atingir suas metas, é necessário plane- jamento estratégico (de longo prazo) e operacional (de curto prazo). O mesmo acontece com uma equipe esportiva. Os quatro anos que antecedem a Copa são marcados pelo planejamento estratégico. Na medida em que se aproxi- ma a data de realização do evento, o que era estratégico passa a ser operacional: Onde a equipe vai se hospedar? Quantos pares de meias devemos levar? Outras ques- tões específicas como essas devem ser respondidas. Entretanto, há algo de grande importância ainda a fa- zer quanto aos jogadores (nossos recursos): como ga- nhar a Copa do Mundo? Quem serão os responsáveis? Quem fará o quê? É aí que entra o outro princípio da Administração, que torna possível que recursos se transformem em resultados. Além do planejamento, a organização (ou estrutura- ção) também tem seu papel na realização de metas. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 4 No caso da equipe de futebol, organizar é decidir quem será convocado de acordo com os planos táticos para os diversos jogos. Para cada equipe adversária, a organização dos jogadores deve ser pensada, pois jogadores de futebol são especializados. Alguns jogam na defesa, outros no ataque e em outros papéis. Quando há dois times de futebol se confrontando, há o mesmo nú- mero de jogadores que podem possuir quase as mesmas habilidades, condições físicas e tecnologia (qualidade das chuteiras, esquema tático, metodologia de treinamento etc.). Agora, imagine que um desses times não está organizado, ou seja, não há divisão clara das tarefas, nenhuma coordenação ou estrutura social. Já o outro time é organizado, tem um treinador com autoridade, os jo- gadores têm e sabem muito bem quais são seus papéis de ataque, defesa, alas de esquerda e de direita, centroavante e outras divisões de tarefas. Pergunto: Qual dos dois times ganhará o jogo? FundAmentos Já definimos que a empresa é um sistema onde entram recursos, que sob o comando do processo administrativo (princípios de Administração), são transformados em resultados. O processo administrativo é desempenha- do pelo administrador (gerente) que deve saber como planejar, organizar, dirigir e controlar. Entretanto, antes de começarmos, tente se lembrar de como é um su- permercado. Já reparou que ele é dividido em setores? Há a padaria, o açougue, o local onde se vendem laticínios e outros. Por que decidiram se organizar desta maneira? Agora, procure se lembrar de um Banco. Há os caixas, há os gerentes e um aglomerado de equipamentos para autoatendimento. Por que há essa separação? As duas maneiras de organizar são diferentes? A resposta é não. Ambos procuram organizar os serviços prestados de acordo com as necessidades dos clientes! COnCeitO de OrganizaçãO (estrUtUraçãO) Maximiano (2007) define organização como um conjunto de decisões que dividem uma tarefa (a missão da organização, por exemplo) em outras menores. Sendo que a responsabilidade de realizá-las são distribuídas em Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 5 setores ou departamentos constituídos de gerentes e funcionários que compõem a empresa. conceito Organizar é um princípio da Administração que inclui meto- dologias que possibilitam a ordenação e a estruturação dos recursos da empresa, cuja finalidade é alcançar os resultados planejados. Lembrando que os recursos necessários a uma organização são: mate- riais, humanos, tecnológicos, financeiros, informações e outros. Os resultados planejados são: produção de bens ou serviços, lucro, maior participação no mercado e outros. Em outras palavras, Resultados estão ligados aos Recursos por meio dos processos, entre eles destacamos o planejamento e a organização. Veja a representação sistêmica do princípio da Administração “organi- zar” na Figura 1. organizarrecursos Empresa organizada para atender a sua missão Então, o significado de organização é o mesmo daquele que se emprega quando alguém fala para você: “Arrume suas coisas!”. Arrumar as coisas para a empresa é transformar os recursos citados em resultados e, principalmente, significa realizar a missão para a qual a empresa existe. O termo organização é utilizado como sinônimo de várias palavras. Por exemplo, pode significar coordenação com o significado de dispor. Em Chiavenato (2004) você encontra organização como um sinônimo de ad- ministração. Entretanto, para nós devemos entender que a administração é um conceito amplo que engloba a organização. Um dos mais importantes autores que contribuiu com a construção dos conhecimentos sobre organização foi Henri Fayol (Istambul, 1841 — Paris, 1925). O modelo organizacional proposto por esse autor, e utilizado por empresas do mundo inteiro até hoje, apresentamos na figura 2. Figura 1. Representação sistêmica do princípio da Administração: organizar. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 6 diretor Gerente de Marketing Gerente de Finanças Gerente de Produção Gerente de Recursos Humanos Essa representação recebeu o nome de organograma (gráfico de órgãos ou organismos da empresa). Chamamos esse gráfico de organograma formal, porque ele representa como a empresa se organizou formalmente. Informalmente pode haver diferentes níveis de autoridade e responsabilidade, ou seja, pode haver pessoas que apesar de não ter determinada autoridade do cargo possui o respeito dos colegas e por isso possui autoridade informal, ou seja, o poder de influenciar o trabalho dos outros. Voltaremos a falar sobre isso mais para frente. Atenção As estruturas que as organizações adotam têm a finalidade de facilitar o desempenho do seu serviço por meio da melhor alocação dos seus recursos humanos, financeiros e materiais. CaraCterístiCas dO OrganOgrama fOrmal Esclarece Souza e Ferreira (2000) que nele os diversos órgãos são repre- sentados por retângulos, dispostos em forma ordenada, de modo a reve- lar várias informações sobre a empresa. Nele podemos perceber como ela se organizou quanto à: 1. Cadeia de comando: neste organograma observamos que o supe- rior dos Gerentes de Marketing, Finanças, Produção e Recursos Hu- manos é o Diretor; 2. Unidade de comando: os gerentes citados possuem somente um superior, que é o único a ter autoridadede dar ordens a eles; 3. Canais de comunicação formais: a comunicação formal entre Ge- rentes se dá com a mediação do Diretor; 4. Divisão do trabalho: com a finalidade de melhorar a eficiência, as empresas costumam dividir o trabalho em especialidades como Ma- rketing, Finanças, Produção e Recursos Humanos; 5. Níveis de hierarquia: em toda organização formal existe uma hierarquia que divide a organização em camadas ou níveis de au- toridade. Quanto mais alto é o cargo, maior é a autoridade e a Figura 2. Organograma formal. Fonte: Autor, Eliana Alves Fêo. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 7 responsabilidade. O organograma da figura nº 2 apresenta dois ní- veis de hierarquia: Um do Diretor e outro dos Gerentes; 6. Departamentalização: para atender ao princípio da divisão do tra- balho, esta empresa definiu os departamentos (gerências) de Marke- ting, Finanças, Produção e Recursos Humanos; 7. Amplitude da administração: esta característica do organograma é evidenciada pela quantidade de subordinados que o superior possui. da missãO às tarefas Como as atividades desempenhadas pelo administrador (planejar, orga- nizar, dirigir e controlar) estão interligadas, organizar representa a tra- dução da missão da empresa (planejamento) em funções e essas em de- partamentos. Em outras palavras, a missão da empresa divide-se em funções, essas dão origem aos departamentos. Nos departamentos há um conjunto de pessoas que possuem cargos e que executam tarefas adequadas aos cargos. Isso é muito semelhante à formação de um time com atacantes e jo- gadores de defesa que se organizam para vencer um jogo. Atacante é um exemplo de cargo e vencer o jogo é o objetivo planejado. Da mesma maneira, a empresa se organiza para ganhar, que no seu caso significa a sobrevivência em seu ambiente. aUtOridade e respOnsabilidade Os diferentes cargos possuem diferentes níveis de autoridade, que é alo- cada no cargo e não nas pessoas. Mas, o que é ter autoridade? Um administrador tem autoridade quando ele é aceito pelos subordi- nados, em especial quando enxergam esse direito como legítimo. A responsabilidade significa o dever de desempenhar a tarefa para a qual a pessoa foi designada. O grau de autoridade é proporcional ao da responsabilidade assumida pelo gerente. Em algumas situações, algumas empresas encorajam a delegação de autoridade aos níveis mais baixos da hierarquia para obter flexibilidade em se adaptar ao ambiente. DicA A delegação de responsabilidade desacompanhada de autori- dade gera problemas como expectativas não realistas de par- te a parte, interrupções frequentes e conflitos interpessoais. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 8 Uma observação importante pode-se fazer em relação à autoridade e res- ponsabilidade. No organograma formal, a autoridade e a responsabilida- de são formais, ou seja, quem ocupa o cargo tem autoridade de linha. Você vai entender a importância disso quando pensar que há pessoas que trabalham para a empresa, mas nem sempre é funcionário contratado por ela. São consultores, pessoas especialistas em prestar algum serviço do qual a empresa necessita e não tem pessoa habilitada dentro da em- presa para fazer. Vejamos a seguir então a diferença entre órgãos de linha e de staff. ÓrgãOs de linHa e de staff Em relação aos organogramas é necessário distinguir os departamentos (ou órgãos) de linha e de staff. Observe a figura 3. Os órgãos de linha são aqueles que no desenho do organograma se utilizou linhas contínuas e o de staff se apresenta por linhas pontilhadas. diretor Gerente de Marketing Gerente de Finanças Gerente de Produção Gerente de Recursos Humanos Assessor Jurídico Os órgãos de linha são responsáveis pela execução das tarefas e possuem autoridade formal e executiva sobre os recursos utilizados, enquanto os órgãos de staff prestam serviços de assessoria e possuem autoridade de aconselhamento somente. As empresas que utilizam tais departamentos de staff são aquelas que precisam do trabalho de especialistas que não se enquadram adequa- damente em outros departamentos e seus conselhos são necessários a todos. No exemplo, observamos que a empresa necessita de um assessor jurídico, provavelmente porque os departamentos de linha demandam conselhos sobre como redigir contratos ou resolver problemas jurídicos. Esse assessor poderia ser alguém contratado para prestar um serviço, sem se tornar um funcionário da organização, então, neste caso, ele é cha- mado de consultor. Ou seja, consultor é o assessor externo e vice-versa, o assessor é um consultor que está na folha de pagamento da organização. Souza e Ferreira (2000) informam que a utilização de órgãos de staff está diminuindo na medida em que cresce as alternativas de terceirização, Figura 3. Organograma com órgãos de linha e de staff ou assessoria. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 9 que significam economia e maior qualidade de serviços, portanto há uma tendência de haver mais consultores e menos assessores. OrganizaçãO (estrUtUra) fOrmal e infOrmal Até aqui estudamos a organização formal. Porém, em todas as organiza- ções formais surgem a formação de grupos informais. Chiavenato (2004) afirma que segundo Elton Mayo, autor da Escola de Relações Humanas, os grupos informais surgem espontaneamente, são frutos da evolução social que existe em toda a atividade humana organi- zada. Os grupos informais possuem costumes, tradições, ideais e normas sociais. Sua formação é resultado da necessidade de “associar-se” e de satisfazer interesses comuns. Não se modificam rapidamente e nem obe- decem à lógica. Portanto, a estrutura informal é a rede de relações interpessoais que há dentro da estrutura formal, mas geralmente não é idêntica a ela. A autoridade e a responsabilidade dentro destes grupos são distribuídas de maneira informal, ou seja, depende das crenças e normas sociais. Nas palavras de Chiavenato (2004, p. 105) organização informal se constitui da: (...) organização humana da empresa, muitas vezes em contraposição à organização formal estabelecida pela direção. Esses grupos informais definem suas regras de com- portamento, suas formas de recompensas ou sanções sociais, seus objetivos, sua esca- la de valores sociais, suas crenças e expectativas, que cada participante vai assimilan- do e integrando em suas atitudes e comportamento. a empresa COmO sistema sOCial Após a Escola comportamental, os autores passaram a ver a empresa como um sistema social, formado por pessoas, sentimentos, interesses e motivações. Maximiano (2000) faz uma analogia do sistema social como organiza- ção informal, representando-o como a parte oculta de um iceberg, muito maior do que a parte visível. Veja figura 4. Quando analisamos o sistema social, vê-se que as pessoas nas orga- nizações comportam-se como pessoas e não como peças de máquinas como no filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Nem tampouco se comportam como seres estritamente profissionais, de acordo com a visão de Taylor ou Max Weber. Eles apresentam sentimentos de amizade, hostilidade, cooperação e competição. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 10 Dentro da organização formal que é a empresa, formam-se grupos de colegas de trabalho que criam regras para uma convivência em harmonia. Além disso, as pessoas levam para dentro da empresa todos os seus interesses pessoais na vida como religião, política, doméstica e outros. Seus comportamentos como indivíduos ou pertencentes a um grupo podem ajudar ou atrapalhar os objetivos da empresa. Por isso, como administrador você terá que ficar atento às organizações informais. Elas não são aparentes, como a parte visível do iceberg, mas elas estão lá e icebergs afundam transatlânticos. Lembra-se do Titanic? Objetivos Tecnologia Estrutura Competências Equipamentos Normas e condutas Grupos informais Cultura organizacional Sentimentos e clima organizacionalConflito e cooperação Poder e política Ética e valores Você se lembra do exemplo do começo da unidade? O racional seria o time organizado ganhar o jogo. Mas, se o time desorganizado e sem um bom técnico contar com joga- dores extraordinários? Ao jogar, emergem do grupo alguns líderes informais que organizam o grupo e podem ganhar o jogo! (Dizem que isso aconteceu com a equipe brasileira da Copa de 1970!) Figura 4. A organização informal é maior do que a formal. Fonte: Adaptado de Maximiano (2000). antena pArAbóliCA Celina Fernandes Gonçalves Bruniera escreveu um inte- ressante artigo para a seção Cidadania, do UOL Educa- ção, a Página 3 Pedagogia & Comunicação intitulado “A alienação do trabalho”. De acordo com a autora, foi de Karl Marx a observa- ção de que todo novo estado da divisão do trabalho de- termina as relações dos indivíduos entre si com referên- cia a material, instrumento e produto do trabalho. Na história da humanidade, só passou a haver efetiva divisão quando se instalou uma separação entre traba- lho manual e trabalho intelectual. Enquanto execução e reflexão andaram juntas nesse processo, o indivíduo po- dia de algum modo, realizar-se em sua ocupação. Mas, com o trabalho industrial se dá a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. No modo de produção capitalista, o processo de tra- balho é desmontado pelo capital que o remonta à sua própria lógica. Os operários são classificados e distribuídos segundo suas aptidões específicas. A alienação é então total. Partindo de Marx, André Gorz acrescenta que, “os trabalhadores da ciência e da técnica, no interior de sua função técnico-científica, têm a função de reproduzir as condições e as formas de dominação do capital sobre o trabalho”. As ciências e as técnicas favorecem assim a reprodução do capital e de sua lógica. e AgorA, José? Ao organizar, o gerente deve refletir sobre a necessida- de de separar ou agrupar o trabalho de seus recursos humanos. Organizar é decidir sobre os recursos humanos, ma- teriais, tecnológicos, de informações e outros que são transformados em resultados. Organizar também é transformar a missão organiza- cional em departamentos e esses em tarefas. A separação (descentralização) pode aumentar a efi- ciência dos processos da empresa (divisão do trabalho) e o agrupamento será necessário quando houver simi- laridade de trabalhos ou necessidade de economia de recursos. As características do organograma formal são: 1. Cadeia de comando; 2. Unidade de comando; 3. Canais de comunicação formais; 4. Divisão do trabalho; 5. Níveis de hierarquia; 6. Departamentalização; 7. Amplitude da administração. Dentro de toda organização formal há sempre organiza- ções informais ou grupos informais, que são formados de maneira espontânea, dado a afinidade que existe en- tre seus elementos. A estrutura formal pode ser comparada à ponta de um iceberg. A estrutura informal nessa comparação equivale à parte invisível do iceberg, ou seja, a maior parte do ice- berg. O administrador que ignorar o iceberg pode naufra- gar. Ao transformar a missão da empresa em departamen- tos, o administrador empreende a departamentalização. Na próxima unidade vamos saber o que é departa- mentalização, os tipos de departamentalização utilizados pelas empresas e suas respectivas aplicações, vantagens e desvantagens, além de verificar os prós e contras da centralização e da descentralização. Administração Geral / UA 06 A Organização Formal e Informal 13 glossário Autoridade: é o poder de decisão dado a uma pessoa ou grupo, que possibilita movimentar o comportamento alheio para a realização de uma atividade. Autoridade de linha: é inerente à cadeia de comando e define as relações entre chefes e subordinados. Autoridade de staff ou assessoria: baseia-se no desempenho de funções especializadas. Os gerentes de staff têm somente a autori- dade de aconselhar ou orientar os gerentes de linha. Delegação: delegação é transferir obrigações, responsabilidades a um ou mais funcionários, acompanhá-los e apoiá-los nas dificuldades. Grupos informais: são grupos que se orga- nizam espontaneamente, constituídos por pessoas que se identificam com eles. São encontrados dentro da organização formal e não obedecem a hierarquia da empresa. Níveis Hierárquicos: representam o conjunto de cargos na empresa com um mesmo nível de autoridade. São os vários níveis que com- põem a estrutura organizacional. Responsabilidade: é a obrigação ou função de pessoas ou grupos de trabalho em uma or- ganização. reFerênCiAs CERTO, S. C. Administração Moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Adminis- tração. São Paulo: Atlas, 2000. ____________. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 2007. SOUZA, A. R.; FERREIRA, V. C. P. Introdução à administração – uma iniciação ao mun- do das organizações. 7ª ed. Rio de Janeiro: Pontal, 2006. gestão empresarial administração geral Departamentalização 7 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Apresentar a atividade de departamentalizar e discutir a centralização ou descentralização das decisões. COmpetênCias Saber organizar uma empresa. Habilidades Identificar os principais tipos de departamentalização, suas vantagens e desvantagens e saber decidir quando centralizar ou descentralizar as decisões. administração geral Departamentalização ApresentAção Ao organizar, o gerente decide como ficará o agrupa- mento dos recursos humanos, materiais e de informa- ções. Esta é uma das atividades mais básicas do adminis- trador, por isso nesta unidade você compreenderá como agrupar recursos, quais critérios utilizar para criar depar- tamentos e qual é o tipo de departamentalização mais adequado de acordo com o ambiente da organização. pArA ComeçAr O organograma desta empresa é este da figura ao lado. O Sr. Manoel é o Diretor-Presidente e o Sr. Paulo é o En- carregado da Produção. Além deles há cinco funcioná- rios operacionais. Você conhece a fábrica de doces do Sr. Manoel da Vila Mandioquinha? diretor-presidente Encarregado da Produção Você pode estar se perguntando: 1. Onde ficam neste diagrama os funcionários opera- cionais? 2. Onde está a forma piramidal que os organogramas costumam apresentar? R1. Os funcionários nunca aparecem no organograma, porque os órgãos (departamentos) são ocupados por administradores, ou seja, por aqueles respon- sáveis por planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos organizacionais e somente os cargos de chefia é representado no organograma. Figura 1. Organograma da fábrica de doces do Sr. Manoel da V. Mandioquinha. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 4 R2. A estrutura organizacional não apresenta a forma piramidal porque a empresa é muito pequena. Aliás, a grande maioria das empresas é assim. Os livros de Administração costumam mostrar organogramas com- plexos, com vários níveis hierárquicos e sempre em forma de estrutura piramidal. Nem sempre é assim. Na verdade a maioria das empresas no Brasil é do tipo micro ou pequena empresa. Elas parecem muito mais com o modelo da fábrica do Sr. Manoel. No entanto, em sua carreira profissional, é possível que você venha a tra- balhar em empresas de médio e grande portes, daí será necessário conhe- cer outros tipos de organogramas. Esse é o assunto desta nova unidade. FundAmentos Já vimos que organizar é dispor recursos em uma estrutura que facilite a realização de objetivos. Definir a estrutura organizacional é uma das prin- cipais atribuições do administrador. Montar uma estrutura organizacional é dividir as tarefas entre unida- des de trabalho chamadas de departamentos. De acordo com Maximiano (2007), a forma de dividir essas tarefas en- tre os departamentos obedece aos critérios de departamentalização. Por exemplo, um departamento pode ter o objetivode atender um tipo espe- cífico de cliente, ou de cuidar de determinada área geográfica explorada pela empresa. Os critérios de departamentalização definem as responsa- bilidades especializadas dos departamentos. Além disso, as empresas podem utilizar um ou mais critério de depar- tamentalização, mas para escolher é necessário saber qual a indicação, as vantagens e as desvantagens de cada tipo. E é isso que vamos discutir daqui para frente. Figura 2. Organograma comum. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 5 Atenção O administrador deve ser capaz de montar uma estrutura organizacional na qual as tarefas estão agrupadas em unida- des de trabalho chamadas de departamentos. departamentalizaçãO fUnCiOnal Esta é uma das mais antigas formas de se organizar a empresa e até hoje continua sendo a mais adotada. Trata-se da criação de departamentos por especialização do trabalho ou áreas funcionais como Marketing, Produção, Finanças e Recursos Hu- manos. Organizando assim, os administradores entendem que será mais fácil realizar a missão da empresa. É utilizada quando a empresa percebe circunstâncias estáveis em seu ambiente e que aceitam principalmente tarefas rotineiras. Outra condição para ser utilizada é a empresa possuir poucas linhas de produtos/serviços e que permaneçam inalterados por longo tempo. Empresas no começo de sua existência e as de pequeno porte também utilizam este tipo de departamentalização. Observe a figura 3. Gerente de Produção Gerente de Marketing Gerente de Finanças Gerente de Recursos Humanos diretor Este tipo de organização aumenta a eficiência na realização dos trabalhos, porque está baseada na especialização e propicia maior segurança aos funcionários, pois facilita o entendimento de sua área de atuação. Entretanto, pode gerar problemas de comunicação, quando não há um esforço de entendimento entre os especialistas dos diferentes departa- mentos. Desse modo, quando uma tarefa exigir trabalho de equipe de diferentes especializações pode haver atraso no cumprimento de prazos. Não é indicada para empresas cujo ambiente exige inovação e flexibili- dade, além de gerar uma visão parcial da empresa nos níveis mais baixos da hierarquia. Cabe ressaltar que, ao contrário das grandes empresas, nas pequenas empresas, pela impossibilidade de contratação de muitos funcionários, é Figura 3. Organograma com departamentalização funcional. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 6 possível que uma mesma pessoa desempenhe mais de um cargo, de acor- do com as necessidades e as competências individuais. Isso não muda o fato da departamentalização utilizada ser do tipo funcional. Apesar das desvantagens citadas, esta é a maneira que a maioria das empresas opta por realizar sua missão, porque é adequada às pequenas empresas, é simples e atende às necessidades de competências específi- cas dos funcionários. Além disso, o critério funcional é utilizado em todos os tipos de depar- tamentalização em conjunto com aqueles que vamos ver a seguir. DicA A Departamentalização funcional é utilizada quando é ne- cessária a concentração de competências para resolver problemas específicos e lidar com ambientes estáveis. Mas cuidado com o feudalismo, ou seja, a falta de cooperação interdepartamental. departamentalizaçãO territOrial Esta é uma opção quando a empresa necessita cobrir grandes distâncias territoriais. Permite um melhor conhecimento e atuação em regiões onde a empresa está localizada. Note o exemplo da figura 4. Gerente da Região Norte Gerente da Região Sul diretor de operação A organização das empresas que optam por este modelo é baseada no agrupamento de atividades de um determinado local que fica sob o co- mando de um administrador. Possuir um departamento nos diversos locais onde atua, facilita o ajus- tamento às condições específicas da localidade. Porém, devem ser consideradas as seguintes desvantagens: a duplica- ção de instalações e de pessoal e a possibilidade de ocorrer deficiência de coordenação entre regiões ou filiais, se a autonomia não estiver ao nível adequado. Figura 4. Organograma com departamentalização territorial. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 7 Grandes empresas que atuam no mundo inteiro, como as montadoras de veículos e as redes varejistas, obrigatoriamente utilizam esse tipo de departamentalização. departamentalizaçãO pOr Clientes Esta é a maneira como as empresas do setor varejista organizam suas lojas, porque permite o conhecimento de grupos de clientes bem defini- dos. É indicada quando se lida com diferentes clientes com necessidades diversas. Observe o exemplo da figura 5. diretor comercial Gerente do departamento infantil Gerente do departamento feminino Gerente do departamento esportivo Este tipo de estrutura fornece atendimento contínuo e rápido aos diferen- tes clientes. Focaliza os esforços dos recursos humanos em atendê-los melhor. Se for uma senhora que visita a loja, ela pode ter certeza que será aten- dida por um(a) funcionário(a) especializado em produtos femininos. Contudo, o gerente-geral da loja pode ter dificuldade de coordenação devido às características diversas entre os departamentos. Além disso, em caso de necessidade, os vendedores dificilmente po- dem substituir uns aos outros se forem de diferentes departamentos. É possível observar este tipo de departamentalização em lojas de de- partamentos e supermercados. Porém, pode ser utilizado quando a empresa, mesmo não sendo do ramo comercial, precisar concentrar seus esforços no conhecimento das necessidades de determinados clientes. pOr prOdUtOs OU serviçOs Grandes empresas que oferecem muitas linhas de produtos se organizam assim. A departamentalização por produtos possibilita o esforço concen- trado no desenvolvimento ou venda dos produtos ou serviços. Verifique exemplo na figura 6. Figura 5. Organograma com departamentalização por clientes. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 8 diretor geral Diretor do produto BDiretor do produto A Diretor do produto C Esta maneira de se organizar fornece alta integração entre as pessoas que lidam com o produto e facilita o controle dos resultados por produto. Se a empresa for um grande conglomerado, propicia melhores con- dições para inovação e criatividade, porque além dela possuir o capital necessário, cada produto é como uma empresa autônoma. Por isso, este tipo de departamentalização não é indicado para peque- nas e médias empresas dado que há um custo considerável devido à du- plicidade de atividades nas várias unidades de produto. As que se organizam por produtos/serviços são grandes empresas do setor alimentício, cosméticos e produtos para crianças. Lembrar que as empresas não industriais agrupam as atividades de acordo com os serviços prestados como os hospitais e bancos comerciais. departamentalizaçãO pOr prOCessOs Este tipo de estrutura é encontrado em empresas nas quais as atividades produtivas se apresentam em uma sequência lógica. Suas vantagens estão na maior especialização dos recursos, facilidade de coordenação e avaliação de cada parte do processo e as desvantagens são: a perda da visão global do processo pelos funcionários e a inflexibili- dade da estrutura. Veja um exemplo na figura 7. gerente de produção Supervisor de corteSupervisor de preparação Supervisor de montagem Esta é a opção empregada por manufaturas que atuam em ambientes estáveis de atuação das empresas. Nos últimos anos, as células de manufatura1 estão modificando este tipo de estrutura. Figura 6. Organograma com departamentalização por produto. Figura 7. Organograma com departamentalização por processo. 1. Novo tipo de organização do setor produtivo introduzido pela administração japonesa. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 9 departamentalizaçãO pOr prOjetOs Os diferentes tipos de departamentalização citados até o momento (fun- cional, produtos, clientes e territorial)são utilizados para atividades contí- nuas, ou seja, que se repetem sempre. Em algumas empresas pode haver a necessidade de desenvolver ati- vidades que sejam temporárias (ou finitas) como o desenvolvimento de projetos. Projetos apresentam início, meio e fim porque atendem a uma neces- sidade específica da empresa ou de seu cliente. Há empresas, como consequência do ramo na qual atuam, que preci- sam modificar constantemente seus produtos, assim precisará de uma ou mais equipes de projetos sempre trabalhando. Uma organização por projeto é um departamento temporário, assim que se chega ao objetivo é dissolvido. Empresas que necessitam ser ágeis no atendimento aos clientes se or- ganizam desta maneira. Nesta modalidade de organizar, os recursos, as atividades e as pessoas recebem atribuições temporárias. Um exemplo deste tipo de departamentalização encontra-se na figura 8. diretor de desenvolvimento Coordenador do projeto B Coordenador do projeto A Coordenador do projeto C Com essa organização se obtém alta integração das equipes, o que pode melhorar a qualidade técnica do produto, o atendimento a prazos e a sa- tisfação das necessidades dos clientes. departamentalizaçãO matriCial Algumas empresas necessitam sobrepor a departamentalização funcional com a departamentalização por projetos. Desta maneira, podem unir a especialização com a flexibilidade no atendimento às necessidades dos clientes. Este é o tipo matricial, figura 9. Figura 8. Organograma com departamentalização por projetos. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 10 diretor de operações Gerente da especialidade A Coordenador de projetos Gerente da especialidade B Gerente do projeto Y Gerente do projeto X Recursos humanos, materiais, financeiros e outros Recursos humanos, materiais, financeiros e outros Neste exemplo de departamentalização, há dupla ou múltipla subordi- nação. Os recursos humanos e, logo, os recursos materiais, financeiros e ou- tros pertencem ao departamento de determinada especialidade, mas executam trabalhos em diversos projetos que normalmente incluem o trabalho de especialistas de outros departamentos. Pense em uma empresa de engenharia que recebe uma solicitação do cliente para criar um projeto para construção de um auditório. Esse proje- to envolve o trabalho em equipe de vários especialistas como arquitetos, engenheiros eletrônicos, engenheiros civis etc. Todos eles, apesar de per- tencerem a departamentos diferentes (especializações diversas), trabalha- rão para um gerente responsável pela realização deste projeto. Esta opção apresenta uma série de vantagens como: → A possibilidade de aprimoramento técnico da equipe; → A maior facilidade de coordenação; → Maior especialização da equipe; e → Melhor utilização dos recursos da empresa na execução de projetos para diferentes clientes. Observe que os gerentes de projeto (X e Y) e os de linha (das especialida- des A e B) estão no mesmo nível hierárquico e possuem graus de autori- dade semelhantes, porém de natureza diversa: o gerente de projeto tem autoridade somente sobre as decisões que envolvem o projeto e o geren- te de linha sobre os funcionários lotados em seu departamento. Figura 9. Organograma com departamentalização matricial. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 11 A estrutura matricial fere os princípios clássicos de administração por- que não obedece à unidade de comando devido à dupla ou múltipla su- bordinação. Nesse caso, pode ser que o gerente de projeto tenha dificul- dades em obter o desempenho esperado dos funcionários “emprestados” dos departamentos de linha. Isso só poderá ser resolvido com profissio- nalismo e senso de cooperação, explica Maximiano (2007). CentralizaçãO OU desCentralizaçãO Além de decidir sobre o tipo adequado de departamentalização, o ad- ministrador deve também se preocupar com o nível de centralização da tomada de decisões. A centralização das decisões significa concentração das decisões na alta administração, deixando somente aquelas de caráter rotineiro sob res- ponsabilidade dos departamentos de níveis mais baixos da hierarquia. Dessa maneira a empresa pode se tornar inflexível e lenta na tomada de decisões. conceito A centralização e a descentralização referem-se ao nível hie- rárquico no qual as decisões são tomadas. A decisão é cen- tralizada quando a autoridade para tomar decisões se locali- za nos departamentos do topo da organização. Já a falta de uma centralização adequada pode gerar problemas de coor- denação. As grandes empresas, as multinacionais, espalhadas por diversos paí- ses no mundo, apesar de possuírem uma sede, são independentes umas das outras. Você pode imaginar a lentidão que seria se todas as decisões precisassem passar por uma sede? O quanto as decisões que são compartilhadas com níveis inferiores são influenciadas por inúmeras variáveis como: 1. O tamanho da organização: na medida em que a empresa cresce, a necessidade de flexibilidade das decisões e melhor fluxo de comu- nicação leva à descentralização; 2. O setor no qual a empresa atua: empresas dos setores tradicio- nais, como têxtil ou de alimentos, são mais centralizadas do que aquelas que atuam nos setores eletroeletrônicos e de informática; Administração Geral / UA 07 Departamentalização 12 3. As tendências da economia: uma recessão econômica costuma ge- rar maior centralização das decisões; 4. A cultura organizacional: o que as pessoas da empresa pensam e desejam influencia o nível de centralização; 5. O nível de competência dos gerentes de níveis inferiores: quanto maior o nível de competência, maior será a confiança dos superiores em descentralizar as decisões; 6. A qualidade do sistema de informações gerenciais: o acesso rápi- do a banco de dados e o uso da internet fornece informações neces- sárias ao tomador de decisões local, favorecendo a descentralização. De maneira geral, se a empresa for pequena; atua em um setor tradicio- nal da economia; a economia está tendendo para uma recessão; a cultura organizacional é autocrática; o nível de competência dos supervisores é baixo; o sistema de informações gerenciais é deficiente, todos esses fatos podem levar a uma maior centralização. O inverso costuma ser verdadeiro! Ou seja, se a empresa atua em um setor de produtos de vanguarda; a economia está em expansão; a cultu- ra organizacional é participativa; conta com supervisores bem formados; o sistema de informações gerenciais permite a decisão precisa e rápida, tudo isso permite a maior descentralização, o que costuma ser muito be- néfico para a sobrevivência da organização. antena pArAbóliCA Você já deve ter lido em revistas ou jornais os seguintes termos: reengenharia, downsizing, outsourcing e terceiri- zação. Sabe distinguir estes termos? Downsizing significa o enxugamento da estrutura or- ganizacional ao reduzir os níveis hierárquicos. Elimina- -se, na maioria das vezes, o nível intermediário para aproximar o nível estratégico do operacional. Outsourcing significa utilizar recursos externos para a realização de atividades tradicionalmente realizadas pelos recursos e equipes internos. Está relacionado à gestão estratégica da Tecnologia. Exemplos: gerencia- mento de redes de computadores, de equipamentos de impressão, de segurança corporativa e outras atividades que necessitam equipamentos, conhecimentos e profis- sionais especializados. Terceirização se refere à transferência para terceiros de atividades que não fazem parte da competência principal da empresa. Exemplo: terceirização do trabalho de limpe- za, portaria, segurança e outros que requerem conheci- mentos específicos. Reengenharia é a nova concepção da organização; é repensar a organização e perceber que talvez seja ne- cessário fazer downsizing, outsourcing ou terceirização. Sua empresa é pior do que você imagina Uma pesquisa inédita mostra que a maior parte das empresas brasileiras acredita que presta um ótimoser- viço a seus consumidores. Na prática, um abismo separa autoimagem de realidade. e AgorA, José? Há empresas de vários tamanhos e com variadas missões. Para realizar a missão da empresa, o administrador precisará organizar os recursos em departamentos. Empresas pequenas costumam utilizar a Departamen- talização funcional, pois é adequada quando se espera obter eficiência com a especialização dos departamen- tos. Ela é indicada também para empresas que atuam em ambientes estáveis. Já se a empresa cobre um extenso território de um país, a departamentalização precisará acompanhar, daí o mais comum é a departamentalização territorial ou ge- ográfica, como alguns a chamam. Se estamos organizando uma empresa comercial, a departamentalização por clientes é a mais indicada. Grandes empresas com linhas extensas de produtos optam pela departamentalização por produto ou por serviço. Se for o caso de uma manufatura com vários estágios de processo produtivo, a departamentalização será por pro- cesso. O ambiente mutável que exige o lançamento constan- te de novos produtos ou serviços pode exigir a departa- mentalização por projeto, que se combinado com outras formas de departamentalização geram organizações hí- bridas como a departamentalização matricial. Ao decidir sobre qual a melhor maneira de agrupar os recursos organizacionais, o gerente deve atender aos ob- jetivos estratégicos da organização. Mas, se as mudanças ambientais são constantes e profundas, isso resulta em novas maneiras de agir para se manter competitiva. Pode ser que o gerente tenha que optar em aumen- tar o controle sobre as operações, então se iniciará um processo de centralização. Ou o gerente pode confiar em expandir a empresa com a criação de novos departa- mentos com liberdade para a tomada de decisões. Isso é típico de períodos de expansão econômica, quando tudo favorece a descentralização das decisões. A globalização da economia, a facilidade com que se transporta materiais e informações acabaram por criar novos modelos de organização que se adaptam melhor a essas novas condições ambientais. Na próxima unidade esses novos modelos de organi- zação serão abordados. Administração Geral / UA 07 Departamentalização 15 glossário Centralização: decisões tomadas no topo da organização. Descentralização: decisões delegadas aos ní- veis hierárquicos operacionais. Departamentalização: criação de departamen- tos de acordo com algum critério de homo- geneização para atender aos objetivos estra- tégicos da organização. reFerênCiAs MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007. gestão empresarial administração geral Modelos organizacionais 8 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Apresentar a atividade de departamentalizar e discutir a centralização ou descentralização das decisões. COmpetênCias Saber organizar uma empresa. Habilidades Identificar os principais tipos de departamentalização, suas vantagens e desvantagens e saber decidir quando centralizar ou descentralizar as decisões. administração geral Modelos organizacionais ApresentAção Nesta unidade você conhecerá os modelos de organi- zação. Deverá entender que ao escolher o modelo isso implicará nas decisões sobre cargos, responsabilidades e atribuições. Um desses modelos é conhecido como or- ganização burocrática. Ao reconhecer as características deste modelo, o gerente deve ser capaz de avaliar suas vantagens e desvantagens, assim como avaliar o modelo adhocrático que também apresenta vantagens e desvan- tagens. pArA ComeçAr Você já passou por uma situação semelhante a esta? Aqui estão todos os documentos conforme solicitado. Sr. Leonardo, preciso que o Sr. volte aqui, pois preciso de algumas assinaturas para dar continuidade no seu processo... Agora está tudo resolvido com o meu caso? Posso ficar tranquilo? Quase, Sr. Leonardo. Preciso apenas repassar todos esses documentos para meu superior. Assim que tudo estiver encaminhado ligarei para o senhor. Isso poderá levar até sete dias úteis... dia 1 7 dias depois... Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 4 E você conhece aquela história do cidadão esperando uma resposta numa fila, próximo a um balcão e surge uma teia de aranha para mostrar a mo- rosidade do atendimento? Há lugares que parecem que quem comanda o negócio está contra nós, não é? E isso não acontece somente em repartições públicas, como os humoristas levam a crer. É incrível como uma empresa que depende do cliente para continuar existindo pode tratá-lo com desrespeito. Isso até gerou uma lei do município de São Paulo, que limita o tempo de permanência em fila de banco a 15 minutos. (Mais uma lei que não pegou!) Essa é uma situação retratada em vários trabalhos humorísticos; ao or- ganizar, o administrador pode criar problemas como esses com o público. Qual o melhor modelo de organização? Como decidir sobre cargos, responsabilidades e atribuições? Essas questões são discutidas na unidade de hoje. FundAmentos As estruturas que as organizações adotam têm a finalidade de facilitar o desempenho de suas atividades por meio da melhor alocação dos seus recursos. Grandes empresas apresentam estruturas complexas, pequenas e mi- croempresas têm estruturas simples para determinar quem realiza quais atividades. Apesar das diferenças, as estruturas organizacionais apresentam simi- laridades que permitem agrupá-las em modelos. O modelo de estrutura organizacional deve ser estável, porém deve ser capaz de atender às situações que podem variar. atenção Um administrador deve compreender as características dos modelos organizacionais e as variáveis situacionais para de- cidir sobre qual a melhor estrutura que apoia a estratégia da empresa. Ao organizar, o administrador deve decidir sobre os recursos de toda a empresa, e isso se denomina desenho organizacional. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 5 O desenho organizacional trata da variável em Administração chamada de estrutura. Essa determinará como se dará o processo para que o siste- ma organizacional atinja os resultados planejados. Na unidade 5 vimos superficialmente que o imperativo ambiental de- termina a estrutura e o funcionamento das organizações. Na ocasião fo- ram apresentadas as organizações mecanicistas e orgânicas. Nesta unida- de voltaremos a falar dessas organizações. Porém, antes de discutir como o ambiente influencia a estrutura orga- nizacional, precisamos entender o que é uma organização burocrática. mOdelOs de OrganizaçãO – a OrganizaçãO bUrOCrátiCa Cerca de três décadas atrás o modelo de organização burocrática era o modelo para estruturar grandes organizações. Suas características, segundo Max Weber, estão discriminadas na ta- bela 1. característica descrição 1 Caráter legal das normas e regulamentos As normas e regulamentos conferem às pessoas investidas da autoridade um poder de coação sobre os subordinados. 2 Caráter formal das comunicações As regras, decisões e ações são formuladas e registradas por escrito. Isso gera a criação de formulários para facilitar a comunicação. 3 Caráter racional e divisão do trabalho A divisão do trabalho atende ao objetivo de eficiência. Cada funcionário tem um cargo específico, funções específicas e uma esfera de competência e responsabilidade. Ninguém deve ultrapassar os limites de sua autoridade. 4 Impessoalidade nas relações A distribuição das atividades depende dos cargos e funções e não de pessoas. As pessoas são vistas como ocupantes de um cargo. 5 Hierarquia da autoridade Cada cargo deve estar sob controle de um cargo superior. A autoridade é inerente ao cargo e não ao indivíduo que desempenha a atividade. O conflito entre subordinados e chefias é evitado porque as ações de se processam dentro de um conjunto mutuamente reconhecido de regras. 6 Rotinas e procedimentos padronizados A burocracia fixa as regras e normas técnicas para o desempenho do cargo. 7 Competência técnica emeritocracia A escolha das pessoas para ocupar os cargos é baseada no mérito e na competência técnica e não em preferências pessoais. 8 Especialização da administração Os administradores da burocracia não são seus donos, acionistas ou proprietários. O funcionário não pode vender, comprar ou herdar seu cargo. 9 Profissionalização dos participantes Cada funcionário é um profissional especialista, assalariado, ocupante de um cargo, nomeado pelo supervisor hierárquico, seu mandato é por tempo indeterminado e é fiel ao cargo. 10 Completa previsibilidade do funcionamento Tudo na burocracia é estabelecido no sentido de prever antecipadamente todas as ocorrências e ser possível criar uma rotina para a sua execução para haver a maior eficiência possível. Tabela 1. Características da organização burocrática de acordo com Max Weber. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 6 Então, a organização burocrática de Weber parece um modelo ideal e ra- cional, não é? Se tudo sair como se espera, a racionalidade garante: o alcance dos objetivos da empresa; decisões mais rápidas, pois cada um conhece o que deve ser feito; uniformidade da rotina que favorece a padronização, reduzindo custos e erros; e outros benefícios. Entretanto, pessoas não agem racionalmente somente porque a orga- nização é racional. Aliás, quanto mais racional e burocrática uma organi- zação é, mais as pessoas se sentem como engrenagens de uma máquina, o que provoca sua alienação quanto ao significado do seu trabalho, o que resulta na falta de comprometimento. O próprio Weber notou a fragilidade da estrutura burocrática ao perce- ber que a aceitação de regras como legítimas exige um nível de renúncia que é difícil de manter. Assim, a racionalidade é substituída por relações mais naturais e afetuosas. Na prática, as organizações burocráticas apresentam anomalias em re- lação ao modelo ideal descrito por Weber. Essas anomalias são responsáveis pelo sentido pejorativo que o termo burocracia é utilizado hoje em dia e são chamadas de disfunções da bu- rocracia. ConCeito Para Weber, a divisão e distribuição de funções, a seleção de pessoal especializado, os regulamentos e a hierarquia fazem da burocracia o modo mais eficiente de administração. as disfUnções da bUrOCraCia A imperfeição do modelo burocrático na prática se deve à imprevisibilida- de do comportamento humano que não consegue se enquadrar em uma organização totalmente racional e formal. As disfunções da burocracia são: a. O apego exagerado às normas: faz com que os funcionários per- cam a flexibilidade de decisão e ação; b. Excesso de formalismo e papelório: a necessidade de formalizar as comunicações gera excesso de papel que são distribuídos em várias vias aos vários departamentos; c. A resistência às mudanças: o funcionário se habitua à rotina e à estabilidade e passa a não aceitar as mudanças; Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 7 d. Despersonalização do relacionamento: o caráter impessoal da bu- rocracia enfatiza os cargos e não as pessoas; e. Categorização como base do processo decisório: quem decide é quem está no posto mais alto da hierarquia, independente do seu conhecimento sobre o problema; f. Superconformidade às rotinas e aos procedimentos: com o tem- po as regras passam a ser “sagradas”. O funcionário trabalha em função dos regulamentos e rotinas e não em função dos objetivos organizacionais; g. Exibição de sinais de autoridade: tendência à utilização intensiva de símbolos de status para demonstrar posição hierárquica, como uniforme, localização da sala, vaga no estacionamento, tipo de mesa e outros; h. Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público: todos os clientes são atendidos de forma padronizada. Há confli- tos quando uma necessidade do cliente não é atendida porque não consta nas normas e procedimentos. De acordo com Chiavenato (2004), a burocracia torna-se esclerosada, fe- cha-se ao cliente, que é o seu principal objetivo, e impede a mudança, a inovação e a criatividade. diCa A organização informal surge como uma consequência im- prevista da impossibilidade prática de bitolar e padronizar o comportamento humano nas organizações. (Chiavenato, 2004, p. 290) mOdelOs de OrganizaçãO – meCaniCista e OrgâniCa Maximiano (2007) explica que a maior ou menor ênfase que a organiza- ção apresenta de burocracia dá origem a duas categorias de modelos de organização, conforme a figura 1. maiormenor organização mecanicista organização orgânica burocracia impessoalidade normas e regulamentos racionalismo hierarquia Figura 1. Os modelos organizacionais. Fonte: Adaptado de Maximiano (2007). Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 8 Observe que o modelo orgânico se afasta das características da organiza- ção burocrática ou mecanicista. Nesse novo modelo há maior autonomia nas decisões e poucas normas. Os pesquisadores Burns e Stalker observaram que as empresas que queriam atuar em mercados mais dinâmicos abandonaram aos poucos as características das organizações mecanicistas. Vejamos agora as características que as distinguem. a. Modelo mecanicista → Busca por eficiência e aversão ao risco; → Elevado nível de especialização dos cargos; → Tarefas de escopo reduzido; → Centralização das decisões; → Estilo de liderança autocrático; → Regras e regulamentos bem definidos e por escrito; → Hierarquia rígida; → Relações humanas tendem a ser formais. b. Modelo orgânico → Busca por eficácia, adaptabilidade e propensão ao risco; → Ampla participação dos funcionários no processo de decisão; → Estilo de liderança democrático; → Reduzido nível de especialização; → Tarefas de amplo escopo e cargos definidos de modo impreciso; → Hierarquia imprecisa. Você “sentiu” quanto os dois modelos são diferentes? Qual é o melhor? A seguir vamos discutir o que determina a escolha de um ou outro modelo. COndiCiOnantes da estrUtUra OrganizaCiOnal Maximiano (2007) lembra que a Teoria Contingencial considera os dois mo- delos válidos, pois os modelos devem se ajustar às variáveis situacionais. Essas variáveis são: 1. Estratégia: a estratégia de uma organização é definida pelo tipo de negócio em que atua e por seus objetivos. Por isso, há empresas que atuam em grandes extensões territoriais, e até globais e outras optam pela atuação regional. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 9 2. Tecnologia: cada empresa emprega um tipo de tecnologia de acor- do com as atividades desenvolvidas. O tipo e tecnologia afeta a se- quência dos processos e sua integração, a necessidade de comuni- cação, o número de escalões hierárquicos e amplitude de controle. Por isso, a estrutura de uma fábrica necessariamente é diferente da estrutura de um banco. 3. Ambiente: os pesquisadores Lawrence e Lorsch ao pesquisar diferen- tes ramos industriais perceberam o impacto do ambiente sobre a es- trutura das organizações. Tais impactos resultam em diferenciação ou integração. Alta velocidade de mudança e elevado grau de incerteza caracterizam os ambientes complexos e dinâmicos. Isso resulta uma maior diferenciação, ou seja, os departamentos de uma organização são diferentes uns dos outros, característica do modelo orgânico. 4. Recursos humanos: o tipo de formação e experiência necessária no desempenho do cargo afeta a estrutura da organização. Há funcio- nários que trabalham sozinhos ou quase sozinhos, como os profes- sores, e há aqueles que trabalham em grandes grupos e subordina- dos a um supervisor, como os operários de uma fábrica. As organizações sofrem continuamente o impacto de forças internas e externas que afetam essas variáveis que por sua vez afeta a estrutura da organização, ou seja, a maneira que a empresa ajusta sua estrutura a fim de atingir seus objetivos. CritériOs UtilizadOs para esCOlHer Um tipO de estrUtUra As organizações devem considerar diversos fatores ao estruturar suas ati- vidades. Maximiano (2007) cita asseguintes: 1. Grau de homogeneidade das operações: diferentes tecnologias em- pregadas na produção podem indicar a separação das atividades (Exemplo: departamentalização por processos); 2. Grau de homogeneidade dos canais de distribuição, das fontes de recursos e das necessidades dos clientes (Exemplos: departamenta- lização territorial e por clientes); 3. A natureza da organização (pública, privada, banco, escola etc.); 4. Objetivos estratégicos (estabilidade e eficiência ou expansão e efi- cácia); 5. Predominância de atividades de rotina ou de inovação; 6. Grau de turbulência do ambiente (estabilidade ou instabilidade no comportamento dos clientes, fornecedores ou concorrentes); 7. Diversidade de produtos ou serviços; 8. Ênfase da administração superior na centralização ou descentraliza- ção de autoridade e atividades. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 10 A estrutura escolhida depende da análise do administrador. Por exemplo: se os produtos, canais de distribuição e clientes são homogêneos, e a em- presa valoriza a centralização, a estrutura escolhida é a funcional. atenção As pesquisas mostram que a ênfase dada à estrutura flexível ou rígida depende de fatores contingenciais de estratégia, ambiente, tecnologia e recursos humanos. nOvas fOrmatações OrganizaCiOnais Chiavenato (2004) nos lembra que na atualidade, como consequência da evolução dos mercados, evolução tecnológica e novas regras da economia a estrutura organizacional tem apresentado peculiaridades. Uma das mais interessantes tendências é exatamente o desapareci- mento da estrutura básica da organização tradicional. Com a mudança dos objetivos organizacionais e o foco em processos que melhor atendam aos clientes, a estrutura funcional, ou seja, aquela estrutura na qual a ênfase se dá na divisão do trabalho, está mudando para a formação de equipes multifuncionais dedicadas aos processos em- presariais. Como consequência, temos o achatamento da pirâmide organizacional ou como ficou conhecido: o downsizing. a. Downsizing significa menos níveis hierárquicos e, portanto, melhoria nas comunicações e rapidez nas decisões. E maior amplitude de co- mando que significa que os gerentes podem ter maior contingente de subordinados e maior autoridade e responsabilidade. Mais níveis hierárquicos Menor amplitude de comando Menos níveis hierárquicos Maior amplitude de comando b. Outra consequência da globalização da economia e melhoria das co- municações encontra-se na formação de estrutura em redes. Figura 2. O downsizing. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 11 Unidade de RH Unidade de Produção Unidade de Marketing Unidade de Propaganda centro virtual Unidade de distribuição Unidade de Franquia Segundo Chiavenato (2004), a estrutura em redes pode conter uni- dades organizacionais multifuncionais. As redes ou networks podem ser definitivas ou transitórias. Além disso, a estrutura em redes pode ser utilizada para equipes integradas. A estrutura em redes é caracterizada por apresentar elevada fle- xibilidade, mobilidade, ou seja, permite atuar em termos de tempo e espaço, como no caso de empresas virtuais. Apresenta horizontali- dade, focalizando as atividades na dinâmica de processos e não mais em funções especializadas e hierarquizadas. Apresenta conectividade porque permite um funcionamento co- eso com um mínimo de recursos físicos, utilizando intensamente as tecnologias da informação e comunicação. Como cada unidade é autônoma, permite autossuficiência de re- cursos e competências. As vantagens de uma estrutura em redes estão na possibilidade de virtualização do negócio, ou seja, são unidades de negócios sepa- radas, mas com ligação em redes de informações; permite a prolife- ração de negócios com baixo custo operacional. c. Nos últimos anos ainda houve o aparecimento de organizações que ficaram marcadas pela flexibilidade. São aquelas que ficaram conhe- cidas como organizações temporárias ou adhocráticas. Essa organização temporária, segundo Chiavenato (2004), é do tipo aqui e agora, que se agrupa e se dissolve ao sabor das mudan- ças ambientais. Nesse tipo de organização as pessoas passam de um cargo ao outro, sem ocuparem posições fixas. Isso tem como conse- quência o colapso da hierarquia vertical da burocracia. A adhocracia, Figura 3. Estrutura em rede de negócios. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2004). Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 12 ao contrário da burocracia, é caracterizada por equipes temporárias de trabalho capazes de desenvolver tarefas diferentes e inovadoras que se baseiam no conhecimento, com atribuições e responsabilida- des fluidas e mutáveis, poucas regras e regulamentos e autoridade descentralizada. Adhocracia possui as seguintes vantagens: permite a inovação e o desenvolvimento de pessoas criativas, é um modelo muito dinâmi- co, propicia que a solução de problemas complexos e mal definidos, que incentiva a participação e a democracia interna. Voltaremos a falar sobre a formação da adhocracia em nossa últi- ma unidade que se refere aos tópicos emergentes em Administração. Organizações grandes e antigas tendem para certa burocratização da es- trutura, perdendo a capacidade de inovar. Assim a falta de flexibilidade e de definição de sua estrutura pode criar confusão e ambiguidade, levando a conflitos internos. Além disso, são to- madas as decisões mais lentamente. Qual o momento certo de mudar? Difícil dizer, mas com certeza deveria ser antes de ter problemas com seus públicos (os stakeholders) internos e externos, sob pena da organiza- ção não sobreviver. Lembre-se As variáveis situacionais que influenciam a definição do mo- delo organizacional são: a estratégia, o ambiente, a tecnolo- gia e os recursos humanos. e AgorA, José? Esperamos que as três últimas aulas tenham esclarecido o que é organizar. Você viu que em todas as empresas há a organização formal e informal. Você verificou quais são as características da organi- zação formal. Conheceu os principais tipos de departamentalização e suas respectivas indicações. Nesta unidade você teve a oportunidade de conhecer a organização burocrática e de confrontar suas caracte- rísticas com a organização orgânica. Essa última que surge como resposta às mudanças ambientais que exigem flexibilidade, agilidade e parti- cipação que também estão presentes em organizações em redes e na adhocracia. Administração Geral / UA 08 Modelos Organizacionais 14 glossário Burocracia: é a organização legal, formal e ra- cional. Disfunções da burocracia: são anomalias e im- perfeições de funcionamento da burocracia. Liderança autocrática: líder ordena, impõe sua vontade e centraliza todas as decisões. Liderança democrática: o líder orienta o grupo a executar suas atividades, fazendo-o parti- cipar da tomada de decisão. Max Weber (1864-1920): o criador da Sociolo- gia da Burocracia. Alguns estudiosos buscam na obra deste autor uma teoria da organi- zação sólida e abrangente e que servisse de orientação para o trabalho do administrador (Chiavenato, 2004). Racionalidade: é a adequação dos meios aos fins para obter a eficiência da organização. reFerênCiAs CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus El- sevier, 2004. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administra- ção. São Paulo: Atlas, 2007.