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SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 1 Patologia Patologia Patologia Patologia Patologia Patologia Patologia Patologia Sofia Helena Vitte SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 2 O pulmão • Endotélio capilar: reveste a rede entrelaçada de capilares anastomosados • Membrana basal e tecido intersticial vizinho, que separam as células endoteliais do revestimento alveolar. Em porções finas do septo alveolar, as membranas basais do epitélio e do endotélio são fundidas, enquanto em porções mais grossas elas estão separadas por um interstício pulmonar que contém fibras elásticas finas, pequenos feixes de colágenos, algumas células intersticiais semelhantes a fibroblastos, células musculares lisas, mastócitos e raramente linfócitos e monócitos • Epitélio alveolar: pneumócitos tipo I achatados, pavimentosos, que cobrem 95% da superfície alveolar, e pneumócitos do tipo II arredondados. As células do tipo II sintetizam surfactante, contido nos corpos lamelares osmiofílicos e estão envolvidas no reparo do epitélio alveolar por meio de sua capacidade de originar células do tipo I • Macrófagos alveolares • As paredes alveolares são perfuradas por numerosos poros de Kohn, que permitem a passagem de bactérias e exsudato entre os alvéolos adjacentes. Adjacente à membrana celular alveolar está a camada surfactante pulmonar SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 3 • Expansão incompleta dos pulmões ou colapso do pulmão previamente inflado, produzindo áreas de parênquima pulmonar relativamente sem ar • Atelectasia por reabsorção: consequência da obstrução completa de uma via aérea, que com o tempo leva à reabsorção do oxigênio aprisionado nos alvéolos dependentes, sem prejuízo do fluxo sanguíneo pelas paredes alveolares afetadas. Uma vez que o volume pulmonar diminui, o mediastino se desvia no sentido do pulmão atelectásico. É causada principalmente por secreções ou exsudatos no interior de brônquios menores e, portanto, é encontrada frequentemente na asma brônquica e aspiração de corpos estranhos • Atelectasia por compressão: ocorre sempre que a cavidade pleural é parcial ou completamente preenchida por exsudato líquido, tumor, sangue ou ar ou com pneumotórax de tensão, quando a pressão do ar prejudica e ameaça a função do pulmão e do mediastino, especialmente os grandes vasos. O mediastino se desvia para longe do pulmão afetado • Atelectasia por contração: ocorre quando alterações fibróticas locais ou generalizadas no pulmão ou na pleura impedem a expansão completa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 4 • Lesão pulmonar aguda (edema pulmonar não cardiogênico): caracterizado por início abrupto de hipoxemia significativa e infiltrados pulmonares difusos na ausência de insuficiência cardíaca • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (casos severos de LPA): aumento da permeabilidade vascular pulmonar associada a inflamação e morte de células epiteliais e endoteliais, lesão alveolar difusa • Morfologia: Estado agudo: pulmões pesados, firmes, vermelhos e encharcados Exibem congestão, edema intersticial e intra-alveolar, inflamação e depósito de fibrina Lesão alveolar difusa As paredes do alvéolo tornam-se revestidas por membranas hialinas de aspecto céreo. Consistem em um líquido de edema rico em fibrina misturado com resíduos citoplasmáticos e lipídicos de células epiteliais necróticas Algumas vezes, ocorre o espessamento fibrótico dos septos alveolares, causado pela proliferação de células intersticiais e depósito de colágeno SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 5 • Patogenia: A integridade das barreiras do endotélio microvascular e do epitélio alveolar está comprometida Marcadores de lesão e ativação endotelial como endotelina e o fator de von Willebrand Tumefação, vacuolização, formação de bolhas e necrose franca Aumento da permeabilidade vascular e inundação dos alvéolos Perda da capacidade de difusão Anormalidades disseminadas do surfactante causadas pela avaria dos pneumócitos tipo II A lesão endotelial desencadeia a formação de microtrombos, acrescentando a agressão da lesão isquêmica Condensação de líquido edematoso rico em proteínas, que aprisiona resíduos de células epiteliais alveolares mortas A lesão pulmonar é causada por um desequilíbrio de mediadores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios O exame histológico dos pulmões no início da doença mostra maior número de neutrófilos no espaço vascular, no interstício e nos alvéolos Os neutrófilos liberam uma variedade de produtos que causam a lesão de epitélio alveolar e estimulam a cascata inflamatória SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 6 A agressão combinada ao endotélio e ao epitélio perpetua o extravasamento vascular e a perda de surfactante, tornando a unidade alveolar incapaz de se expandir • A resolução do SARA requer reabsorção do exsudato, a renovação das células mortas e sua substituição por um novo endotélio e novas células epiteliais alveolares. A remoção dos exsudatos e restos de tecido é efetuada por macrófagos, como em qualquer outra forma de lesão tissular. As células epiteliais são recuperadas por uma proliferação inicial dos pneumócitos de tipo II sobreviventes que revestem a membrana basal desnudada • A restauração endotelial ocorre tanto por migração de capilares não lesados quanto de células progenitoras endoteliais derivadas da medula óssea • A maioria dos carcinomas de pulmão, de modo semelhante ao câncer em outros locais, surge pelo acúmulo gradual de anormalidades genéticas que transformam o epitélio brônquico benigno em um tecido neoplásico SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 7 • Vários tipos histológicos de câncer de pulmão podem ser agrupados em dois grupos com base na probabilidade de metástases e respostas às terapias disponíveis: carcinomas de células pequenas (quase sempre metastáticos, resposta inicial alta à quimioterapia) ou carcinoma de células não pequenas • Morfologia: Hilo pulmonar ou ao seu redor Estágio sintomático: massa tumoral bem definida começa a obstruir a luz do brônquio principal, frequentemente produzindo atelectasia distal e infecção Também pode penetrar rapidamente a parede do brônquio, seguindo ao longo do tecido peribrônquico para infiltrar a região adjacente da carina ou o mediastino Tumor cresce a longo de uma frente ampla para produzir massa intraparenquimatosa em forma de couve-flor, que parece empurrar a substância pulmonar à sua frente Cinza-esbranquiçado, firme e duro Tumores volumosos: áreas focais de hemorragia ou necrose podem parecer produzir pontilhamento vermelho ou amarelo-esbranquiçado e amolecimento Cavitação Erosão do epitélio brônquico • Adenocarcinoma: é um tumor epitelial maligno com diferenciação glandular ou produção de mucina pelas células tumorais. Os adenocarcinomas crescem em vários padrões, incluindo acinar, papilar, bronquioalveolar e sólido com formação de mucina; as lesões em geral estão localizadas mais perifericamente tendem a ser menores. Padrão de disseminação broncoalveolar SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 8 • Enfisema e bronquite crônica frequentemente são consideradas como um único grupo e referidas como doença pulmonar obstrutiva crônica, uma vez que muitos pacientes apresentam características sobrepostas das lesões tanto em nível acinar (enfisema) quanto em nível brônquico (bronquite), quase certamente porque um gatilho extrínseco -o cigarro- é comum a ambas • Asma típica: broncoespasmo reversível ENFISEMA SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 9• Aumento irreversível dos espaços aéreos distalmente ao bronquíolo terminal, acompanhado por destruição de suas paredes sem fibrose óbvia • O enfisema é classificado de acordo com a sua distribuição anatômica do lóbulo Centroacinar: afeta as partes centrais ou proximais dos ácinos, formadas por bronquíolos respiratórios, enquanto os alvéolos distais são poupados. Consequentemente, existem tanto espaços aéreos enfisematosos quanto normais no mesmo ácino e lóbulo. As lesões são mais comuns e geralmente mais severas nos lobos superiores, particularmente nos segmentos apicais. As paredes dos espaços enfisematosos frequentemente contêm grandes quantidades de um pigmento preto. A inflamação ao redor dos brônquios e bronquíolos é comum Panlobular: os ácinos estão uniformemente aumentados desde o nível dos bronquíolos respiratórios até os alvéolos em fundo cego terminais. O termo pan refere-se ao ácino completo, mas não a todo o pulmão. Ocorre nas zonas mais baixas e nas margens anteriores do pulmão. Associado à deficiência de α1-antitripsina Acinar: a porção proximal do ácino está normal e a parte distal é predominantemente envolvida. O enfisema é mais notável em áreas adjacentes à pleura, ao longo dos septos de tecido conjuntivo lobular e nas margens dos lóbulos. Ocorre em locais adjacentes a áreas de fibrose, cicatrização ou atelectasia e geralmente é mais severo na metade superior dos pulmões. Os achados característicos consistem em múltiplos espaços aéreos aumentados e contínuos Irregular: o ácino é envolvido irregularmente e está quase invariavelmente associado a uma cicatrização SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 10 • Patogenia: macrófagos, linfócitos T CD8+ e CD4+ e neutrófilos estão aumentados em várias partes do pulmão. As células inflamatórias ativadas liberam vários mediadores, incluindo leucotrieno B4, IL-8, TNF e outros, que são capazes de danificar as estruturas pulmonares ou manter uma inflamação neutrofílica • Considera-se que resulte do efeito destrutivo de uma elevada atividade de protease em indivíduos com baixa atividade antiprotease • Os neutrófilos acumulados são ativados e liberam seus grânulos, ricos em uma variedade de proteases celulares, resultando em lesão tissular • Uma vez que as pequenas vias aéreas são normalmente firmadas pelo recuo elástico do parênquima pulmonar, a perda do tecido elástico nas paredes dos alvéolos que circundam os bronquíolos respiratórios, reduz a tração radial e, consequentemente, causa o colapso dos bronquíolos respiratórios durante a expiração. Isso provoca uma obstrução funcional do fluxo aéreo, apesar da ausência de uma obstrução mecânica • Morfologia: produz pulmões volumosos, muitas vezes sobrepostos ao coração e ocultando- o; grandes vesículas ou bolhas apicais são mais características do enfisema irregular secundário a cicatrização e do enfisema acinar distal. Grandes alvéolos podem ser vistos facilmente na superfície de corte do pulmão inflado. Alvéolos anormalmente grandes, separados por septos delgados, apenas com fibrose centroacinar focal. Ocorre uma perda de fixação dos alvéolos à parede externa das pequenas vias aéreas. Os poros de Kohn são tão grandes que os septos parecem estar flutuando ou sofrem protusão cega para os espaços alveolares com uma extremidade em forma de baqueta. Conforme as paredes alveolares são destruídas, ocorre uma redução do leito capilar; espaços aéreos anormais ainda maiores e possivelmente vesículas ou bolhas, que muitas vezes deformam e comprimem os bronquíolos respiratórios e a vasculatura do pulmão SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 11 • Curso clínico: dispneia é geralmente o primeiro sintoma; tórax em barril, com um prolongamento óbvio da expiração, senta-se inclinado para frente em uma posição curvada e respira por lábios franzidos • Enfisema intersticial: a entrada de ar no estroma de tecido conjuntivo do pulmão, mediastino ou tecido subcutâneo. Na maioria dos casos, lacerações alveolares no enfisema pulmonar fornecem uma via para a entrada do ar no estroma do pulmão. BRONQUITE CRÔNICA • É definida clinicamente como tosse persistente com produção de escarro por, no mínimo, 3 meses em pelo menos 2 anos consecutivos, na ausência de qualquer outra causa identificável • Pode progredir para DPOC, provocar cor pulmonale e insuficiência cardíaca ou causar metaplasia atípica e displasia do epitélio respiratório, proporcionado um terreno fértil para uma transformação cancerosa • Patogenia: irritação de longa duração por substâncias inaladas como fumaça de tabaco e pó de grãos, algodão e sílica. Hipersecreção de muco nas grandes vias aéreas, associada a uma hipertrofia das glândulas submucosas na traqueia e nos brônquios. Proteases liberadas dos neutrófilos e metaloproteinases da matriz estimulam esta hipersecreção. Aumento acentuado das células caliciformes das pequenas vias aéreas, levando à produção excessiva de muco, que contribui para a obstrução de vias aéreas • Morfologia: hiperemia, tumefação e edema das membranas mucosas, frequentemente acompanhadas pelo excesso de secreções mucinosas ou mucopurulentas. Cilindros grosseiros de secreções e pus preenchem os brônquios e bronquíolos. Inflamação crônica das vias aéreas (linfócitos) e aumento das glândulas secretoras de muco da traqueia e dos brônquios. A principal alteração está no tamanho da glândula mucosa (hiperplasia). O epitélio brônquico pode exibir metaplasia escamosa e displasia. Há um estreitamento acentuado dos bronquíolos causados por tampões de muco, inflamação e fibrose. Nos casos mais severos, pode ocorrer obliterações da luz em virtude da fibrose • Aspecto clínico: tosse persistente com produção de escarro, dispneia ao esforço, hipercapnia, hipoxemia e cianose leve SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 12 ASMA • É um distúrbio inflamatório crônico das vias aéreas que causa episódios recorrentes de sibilos, falta de ar, opressão torácica e tosse, particularmente à noite ou no início da manhã. Estes sintomas geralmente estão associados a uma broncoconstrição difusa, porém variável, e uma limitação do fluxo aéreo, que é ao menos parcialmente reversível, seja espontaneamente ou com tratamento. Os aspectos característicos da doença são aumento da reatividade das vias aéreas a uma série de estímulos, resultando em broncoconstrição episódica, inflamação das paredes dos brônquios e aumento da secreção de muco • Asma atópica Reação de hipersensibilidade mediada por IgE de tipo I Começa na infância Desencadeada por alérgenos ambientais História familiar positiva para asma Teste cutâneo com antígeno agressor nesses pacientes resulta em uma reação papuloeritematosa imediata • Asma não atópica Não apresenta evidências de sensibilização a alérgenos Teste cutâneo negativo Infecções respiratórias causadas por vírus constituem gatilhos comuns-> diminui o limiar dos receptores vagais subepiteliais aos irritantes Irritabilidade excessiva da árvore brônquica • Patogenia: a IgE reveste os mastócitos submucosos, e a exposição repetida ao alérgeno faz com que os mastócitos liberem o conteúdo dos grânulos e produzam citocinas e outros mediadores, que coletivamente induzem a reação de fase inicial e a reação de fase tardia. A reação inicial é dominada por broncoconstrição, aumento da produção de muco e graus variáveis de vasodilatação com aumento da permeabilidade vascular. A broncoconstrição é desencadeada pela estimulação direta de receptores vagais subepitelais por meio de reflexos centrais e locais. A reação de fase tardia consiste em inflamação com recrutamento dos leucócitos, notavelmente eosinófilos, neutrófilos e mais células T. O SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 13 recrutamento de leucócitos é estimulado por quimiocinas produzidas por mastócitos, células epiteliaise células T. sabe-se que as células epiteliais produzem uma grande variedade de citocinas em resposta a agentes infecciosos, drogas e gases, e também a mediadores inflamatórios. • Remodelagem das vias aéreas: hipertrofia e hiperplasia da musculatura lisa brônquica, dano epitelial, aumento da vascularidade das vias aéreas, maior hipertrofia/hiperplasia das glândulas mucosas subepiteliais e deposição e colágeno subepitelial. Fibrose abaixo da membrana basal • Morfologia: os pulmões estão superdistendidos em virtude de hiperinflação, com pequenas áreas de atelectasia; oclusão de brônquios e bronquíolos por tampçoes mucosos espessos e pegajosos. Histologicamente, os tampões contêm espirais de epitélio descamado, que originam os espirais de Curshmann (obstrução dos ductos das glândulas mucosas subepiteliais por tampões mucosos posteriormente expelidos ou de tampões nos bronquíolos) BRONQUIECTASIA • Dilatação permanente dos brônquios e bronquíolos causada pela destruição do tecido muscular e elástico, resultante de ou associada a infecções necrozantes crônicas SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 14 • Etiologia e patogenia: Obstrução e infecção são as principais condições associadas Após uma obstrução brônquica, os mecanismos de eliminação normais estão prejudicados, ocorre acúmulo de secreções distalmente a obstrução e inflamação das vias aéreas. Inversamente, infecções severas dos brônquios levam à inflamação, frequentemente com necrose, fibrose e eventualmente dilatação das vias aéreas Geralmente, afeta os lobos inferiores bilateralmente, particularmente as passagens aéreas verticais, e é mais severa nos brônquios mais distais e bronquíolos Os brônquios e bronquíolos estão suficientemente dilatados para que possam ser seguidos quase até as superfícies pleurais Brônquios dilatados transeccionados aparecem como cistos preenchidos com secreções muco-purulentas Intenso exsudato inflamatório agudo e crônico no interior da parede dos brônquios e bronquíolos, associado a uma descamação do epitélio de revestimento e áreas extensas de ulceração necrosante Pode haver pseudoestratificação das células colunares ou metaplasia escamosa do epitélio remanescente Em alguns casos, a necrose destrói completamente as paredes brônquicas ou bronquiolares e forma abcesso pulmonar. A fibrose das paredes brônquicas e bronquiolares e fibrose peribronquiolar surgem em casos mais crônicos, levando a graus variáveis de obliteração subtotal ou total da luz bronquiolar Uma flora mista pode ser cultivada a partir dos brônquios envolvidos, incluindo estafilococos, estreptococos, pneumococos, organismos entéricos, bactérias anaeróbias e microerófilas • Curso clínico: Tosse severa e persistente; Expectoração de escarro de odor fétido e às vezes sanguinolento; Dispneia e ortopneia em casos severos Hemoptise com risco à vida Paroxismos de tosse são particularmente frequentes quando o paciente se levanta pela manhã, quando as mudanças de posição provocam drenagem das coleções de pus e secreções para os brônquios A insuficiência respiratória obstrutiva pode causar dispneia e cianose pronunciadas Cor pulmonale, abcessos cerebrais e amiloidose são complicações menos frequentes da bronquiectasia SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 15 • Caracterizadas predominantemente por inflamação e fibrose do tecido conjuntivo pulmonar, principalmente o interstício mais periférico e delicado nas paredes alveolares • Os pacientes apresentam dispneia, taquipneia, crepitações no final da inspiração e eventual cianose, sem sibilos ou outras evidências de obstrução das vias aéreas SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 16 • Reduções da capacidade de difusão de monóxido de carbono, volume pulmonar e complacência • As radiografias exibem lesões infiltrativas bilaterais na forma de pequenos nódulos, lihas irregulares ou sombras com aspecto de vidro despolido • Pulmão em favo de mel FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA • Refere-se a uma síndrome clinicopatológica com aspectos radiológicos, patológicos e clínicos característicos • Pneumonia intersticial usual (PIU), que é necessário para o diagnostico de FPI, mas também pode ser observada em outras doenças, notavelmente doenças do tecido conjuntivo, pneumonia com hipersensibilidade crônica e asbestose • Patogenia: É causada por ciclos repetidos de ativação/lesão epitelial por algum agente não identificado Ocorre inflamação e indução de resposta de células T, caracterizada pela presença de eosinófilos, mastócitos, Il-4 e Il-3 nas lesões O reparo epitelial anormal nesses locais origina lesões fibroblásticas/ miofibroblástica exuberante, levando aos “focos fibroblásticos”, que são tão característicos da FPI TGF-β1 como acionador do processo As superfícies pleurais do pulmão apresentam aspecto de pedra de calçamento como resultado da retração das cicatrizes ao longo dos septos interlobulares Fibrose do parênquima pulmonar (áreas brancas firmes, borrachosas) com predominância do lobo inferior e distribuição distintiva nas regiões subpleurais e ao longo dos septos interlobulares Fibrose intersticial irregular, que varia em intensidade e idade Proliferação fibroblástica exuberante. Com o tempo, essas áreas tornam-se mais colagenosas e menos celulares A fibrose densa causa destruição da arquitetura alveolar e formação de espaços císticos revestidos por pneumócitos de tipo II hiperplásicos ou epitélio bronquiolar (fibrose em favo de mel) SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 17 Existe inflamação leve a moderada dentro de áreas fibróticas, consistindo principalmente em linfócitos e alguns plasmócitos, neutrófilos, eosinófilos e mastócitos Focos de metaplasia escamosa e hiperplasia de músculo liso Alterações hipertensivas arteriais pulmonares (fibrose da íntima e espessamento da média) frequentemente estão presentes • Curso clínico: dispneia de esforço gradualmente crescente E tosse seca hipoxemia, cianose e baqueteamento ocorrem tardiamente na evolução deterioração gradual de seu estado pulmonar, apesar do tratamento médico PNEUMONIA INTERSTICIAL INESPECÍFICA • Doença pulmonar intersticial difusa de etiologia desconhecida cujas biópsias pulmonares não conseguem mostrar aspectos diagnósticos de nenhuma das outras doenças intersticiais bem caracterizadas • Padrão celular consiste em inflamação intersticial crônica leve a moderada, contendo linfócitos e alguns plasmócitos em uma distribuição uniforme ou irregular • O padrão fibrosante consiste em fibrose intersticial difusa ou irregular sem a heterogeneidade temporal característica da PIU • Focos fibroblásticos e o aspecto de favo de mel estão ausentes • Curso clínico: dispneia e tosse de vários meses de duração SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 18 PNEUMONIA ORGANIZADA CRIPTOGÊNICA • Síndrome clinicopatológica de etiologia desconhecida e evita confusão com doenças das vias aéreas, como a bronquiolite obliterante • Tosse, dispneia e exibe radiograficamente áreas irregulares subpleurais ou peribrônquicas de consolidação do espaço aéreo • Tampões polipoides de tecido conjuntivo organizado solto (corpos de Masson) no interior de ductos alveolares, alvéolos e, frequentemente, bronquíolos. Todo o tecido conjuntivo tem a mesma idade e a arquitetura pulmonar subjacente é normal • Não ocorre fibrose intersticial ou pulmão em favo de mel • Resposta a infecções ou lesões inflamatórias dos pulmões Embolia, hemorragia e infarto pulmonar • Coágulos sanguíneos que ocluem as grandes artérias pulmonares quase sempre têm origem embólica • Trombose in situ dos grandes vasos são raras e se desenvolvem apenas na presença de hipertensão pulmonar, aterosclerose pulmonar e insuficiência cardíaca • A fonte usual de êmbolos pulmonares são trombosnas veias profundas da perna em mais de 95% dos casos • A embolia pulmonar é uma complicação que ocorre principalmente em pacientes que já sofrem de algum distúrbio subjacente, como doença cardíaca ou câncer, ou que estão imobilizados por vários dias ou semanas, sendo que aqueles com fraturas de quadril apresentam alto risco • Estados de hipercoagulação, tanto primários quanto secundários são fatores de risco de risco frequentes • Linhas venosas centrais de demora podem constituir um ninho para um trombo arterial direito, que pode ser fonte de embolia pulmonar • A resposta fisiopatológica e o significado clínico da embolia pulmonar dependem: Extensão na qual o fluxo sanguíneo da artéria pulmonar é obstruído SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 19 Do tamanho dos vasos ocluídos Número de êmbolos Estado geral do sistema cardiovascular Liberação de fatores vasoativos, como tromboxanos A2 das plaquetas, que se acumulam no local do trombo • Os êmbolos resultam em duas consequências fisiopatológicas principais: 1. Comprometimento respiratório: devido a um segmento não perfundido, embora ventilado 2. Comprometimento hemodinâmico: decorrente do aumento da resistência ao fluxo sanguíneo pulmonar causado pela obstrução embólica • Grandes êmbolos são alojados na principal artéria pulmonar ou em seus ramos principais na bifurcação como um êmbolo a cavaleiro-> bloqueio do fluxo sanguíneo pelos pulmões • Morte também pode ser causada por cor pulmonale agudo-> Agripino • Êmbolos menores se deslocam para os vasos mais periféricos, onde podem causar hemorragia ou infarto • Em pacientes com função cardiovascular adequada, o suprimento arterial brônquico pode sustentar o parênquima pulmonar. Podem ocorrer hemorragias, mas não há infarto. A arquitetura pulmonar subjacente é preservada, e a reabsorção de sangue permite a reconstituição da arquitetura preexistente • Apenas aproximadamente 10% dos êmbolos realmente causam infarto, como em pacientes com doença cardíaca ou pulmonar • Três quartos de todos os infartos afetam os lobos inferiores, e em mais da metade dos casos ocorrem lesões múltiplas-> estendem-se para a periferia do tecido pulmonar em forma de cunha com o ápice apontando na direção do hilo do pulmão. Em muitos casos, um vaso ocluído pode ser identificado próximo ao ápice do infarto • O infarto pulmonar classicamente é hemorrágico e aparece como uma área elevada, vermelho-azulada nos estágios iniciais. Muitas vezes, a superfície pleural aposta é coberta por um exsudato fibrinoso. Os eritrócitos começam a sofrer lise dentro de 48 horas, e o infarto torna-se pálido e eventualmente vermelho-acastanhado à medida que hemossiderina é produzida. Com a passagem do tempo, a substituição fibrosa começa nas margens como uma zona periférica cinza-esbranquiçada e, eventualmente, converte o infarto em uma cicatriz contraída • Necrose isquêmica da substância pulmonar na área de hemorragia, afetando as paredes alveolares, os bronquíolos e os vasos. • Se o infarto for causado por um êmbolo infectado, ele é modificado por uma reação inflamatória neutrofílica mais intensa= infarto séptico • Curso clínico: mimetiza um infarto do miocárdio Dor torácica severa Dispneia Choque Febre Aumento dos níveis de desidrogenase láctica sérica Hemorragias pulmonares decorridas de êmbolos pequenos induzem apenas dor torácica transitória e tosse SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 20 Infartos se manifestam coo dispneia, taquipneia, febre, dor torácica, tosse e hemoptise • Diagnóstico: angiografia com tomografia computadorizada espiral • Após a agressão aguda inicial, os êmbolos frequentemente são resolvidos por contração e fibrinólise, particularmente em indivíduos jovens • Múltiplos êmbolos pequenos e não resolvidos, com o passar do empo, podem levar à hipertensão pulmonar, esclerose vascular pulmonar e cor pulmonale crônico • Um pequeno êmbolo pode ser presságio de um mau maior. Na presença de uma condição predisponente subjacente, pacientes com êmbolo pulmonar apresentam risco de 30% de desenvolver um segundo êmbolo. Êmbolos repetidos podem resultar em hipertensão arterial pulmonar. Hipertensão pulmonar • Ocorre quando a pressão pulmonar média atinge um quarto dos níveis sistêmicos • Hipertensão arterial pulmonar, hipertensão pulmonar com doença cardíaca esquerda, hipertensão pulmonar associada a doenças pulmonares e/ou hipoxemia, hipertensão pulmonar decorrente de crônica doença trombótica e/ou embólica ou hipertensão pulmonar diversa • Doenças pulmonares obstrutivas crônicas: pacientes com essas doenças apresentam hipóxia além da destruição do parênquima pulmonar e, por isso, possuem menos capilares alveolares. Isso causa aumento da resistência arterial pulmonar e, secundariamente, elevação da pressão • A disfunção de células endoteliais é produzida pelo processo que inicia o distúrbio, como o aumento do cisalhamento e da lesão mecânica associada a shunts de esquerda para a direita ou lesões bioquímicas produzidas por fibrina no tromboembolismo • A menor elaboração de prostaciclina, a menor produção de óxido nítrico e o aumento da liberação de endotelina promovem vasoconstrição pulmonar. Além disso, a menor elaboração de prostaciclina e óxido nítrico promove a adesão e ativação plaquetária • A ativação endotelial torna as células endoteliais trombogênicas e promove a persistência da fibrina • A produção e liberação dos fatores de crescimento e citocinas induzem a migração e a replicação de células musculares lisas vasculares e a elaboração da matriz extracelular SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 21 • Hipertrofia medial das artérias musculares e elásticas, ateromas da artéria pulmonar e seus ramos principais e hipertrofia ventricular direita. A presença de muitos trombos em organização ou recanalizados favorece a embolia pulmonar recorrente como causa, e a coexistência de fibrose pulmonar difusa ou enfisema severo e bronquite crônica apontam para hipóxia crônica como evento inicial. As alterações dos vasos podem envolver toda a árvore arterial, desde as artérias pulmonares principais até as arteríolas . • Uma pneumonia pode ocorrer sempre que os mecanismos de defesa locais estiverem prejudicados ou quando a resistência sistêmica d hospedeiro estiver diminuída • Fatores que afetam a resistência em geral incluem doenças crônicas, deficiência imunológica, tratamento com agentes imunossupressores e leucopenia. • Os mecanismos de defesa locais do pulmão podem ser afetados por muitos fatores, como: Perda ou supressão do reflexo da tosse, como resultado de coma, anestesia, distúrbios neuromusculares, medicamentos ou dor torácica (pode levar à aspiração de conteúdo gástrico) Lesão do aparelho mucociliar, tanto por prejuízo da função ciliar quanto por destruição do epitélio ciliado, em virtude do tabagismo, inalação de gases quentes ou corrosivos, doenças virais ou defeitos genéticos da função ciliar Acúmulo de secreções em condições como fibrose cística e obstrução brônquica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 22 Interferência com a ação fagocítica ou bactericida dos macrófagos alveolares por álcool, tabaco, fumaça, anoxia ou intoxicação por oxigênio Congestão e edema pulmonares • Um tipo de pneumonia algumas vezes predispõe a outra, especialmente em pacientes debilitados • A pneumonia bacteriana apresenta dois padrões de distribuição anatômica: broncopneumonia lobular e pneumonia lobar • A consolidação irregular do pulmão é uma característica dominante da broncopneumonia, enquanto a consolidação fibrinossupurativa de uma grande porção de um lobo inteiro define a pneumonia lobar • O envolvimento irregular pode se tornar confluente, produzindo uma consolidação lobar virtualmente total, em contraste, a antibioticoterapia efetiva para qualquerforma de pneumonia pode limitar o envolvimento a uma consolidação subtotal. Além disso, os mesmos organismos podem produzir qualquer um dos padrões, dependendo da susceptibilidade do paciente • O mais importante do ponto de vista clínico é a identificação do agente causador e a determinação da extensão da doença • Na pneumonia lobar, quatro estágios de resposta inflamatória foram descritos classicamente: congestão, hepatização vermelha, hepatização cinza e resolução 1. Congestão: o pulmão é pesado, encharcado e vermleho. É caracterizado por um ingurgitamento vascular, líquido intra-alveolar com alguns neutrófilos e muitas vezes a presença de numerosas bactérias 2. Hepatização vermelha: exsudação confluente maciça com neutrófilos, eritrócitos e fibrina preenchendo os espaços alveolares. O lobo aparece distintamente vermelho, firme e desprovido de ar, com a consistência semelhante ao fígado 3. Hepatização cinza: desintegração progressiva dos eritrócitos e persistência de um exsudato fibrinossupurativo, fornecendo aspecto macroscópico de uma superfície seca, castanho acinzentada 4. Resolução: o exsudato consolidado no interior dos espaços alveolares sofre digestão enzimática progressiva para produzir resíduos granulares, semifluidos, que são reabsorvidos, ingeridos por macrófagos, expectorados ou organizados por fibroblastos que crescem em direção aos mesmos • Focos de broncopneumonia são áreas consolidades de inflamação supurativa aguda. A consolidação pode ser irregular em um lobo, mas, na maioria das vezes, é multilobar e frequentemente bilateral e basal em razão da tendência de as secreções se acumularem nos lobos inferiores em decorrência do efeito da gravidade. Lesões bem desenvolvidas são discretamente elevadas, secas, granulares, cinza-avermelhadas a amarelas. A reação geralmente estimula um exsudato supurativo, rico em neutrófilos, que preenche brônquios, bronquíolos e os espaços alveolares adjacentes SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 23 SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 24 • Reação pulmonar não neoplásica à inalação de poeiras minerais encontradas no local de trabalho. Atualmente, também inclui doenças induzidas por partículas orgânicas assim como inorgânicas e fumaças e vapores de produtos químicos • A poluição do ar também tem efeitos nocivos sobre a população geral, especialmente em áreas urbanas • O desenvolvimento de uma pneumoconiose depende: 1. Quantidade de poeira retida no pulmão e nas vias aéreas 2. Do tamanho, forma e, consequentemente, poder de flutuação das partículas 3. Da solubilidade de partículas e reatividade físico-químicas 4. Possíveis efeitos adicionais de outros irritantes • A quantidade de poeira retida pelos pulmões é determinada pela concentração de poeira do ar ambiente, pela duração, exposição e eficácia dos mecanismos de eliminação. Qualquer influência como o fumo, que afete a integridade do aparelho mucociliar predispõe significativamente ao acúmulo de poeira. • A solubilidade e citotoxicidade das partículas, que são influenciadas em um grau considerável por seu tamanho, modificam a natureza da resposta pulmonar. Em geral, quanto menor a partícula, maior a probabilidade de que ela apareça em líquidos pulmonares e atinja rapidamente níveis tóxicos, dependendo da solubilidade do agente. Consequentemente, partículas menores tendem a causar a lesão pulmonar aguda. Partículas maiores resistem à dissolução e, desse modo, podem persistir no interior do parênquima pulmonar por anos. Algumas das partículas podem ser captadas pelas células epiteliais ou podem atravessar o revestimento das células epiteliais e interagir diretamente com fibroblastos e macrófagos intersticiais. Algumas podem atingir os vasos linfáticos por drenagem direta ou no interior de macrófagos migratórios e iniciar assim uma resposta imunológica aos componentes das partículas ou autoproteínas modificadas pelas partículas ou ambos. Essa resposta amplifica a intensidade e duração da reação local. Embora o tabagismo agrave os efeitos de todas as poeiras minerais inaladas, os efeitos do asbesto são amplificados pelo fumo. Os efeitos das partículas inaladas não são confinados apenas ao pulmão, uma vez que os solutos de partículas podem entrar no sangue, e a inflamação pulmonar invoca respostas sistêmicas • É uma doença pulmonar causada pela inalação do dióxido de silício cristalino • Geralmente se apresenta após décadas de exposição como uma pneumoconiose fibrosante, nodular, de progressão lenta • Após a inalação, as partículas interagem com células epiteliais e macrófagos. No interior dos macrófagos, a sílica causa a ativação e liberação de mediadores. Esses mediadores incluem Il-1, TNF, fibronectina, mediadores lipídicos, radicais livres derivados de oxigênio e citocinas fibrogênicas. • Estágios iniciais com pequenos nódulos pouco palpáveis, distintos, pálidos a escurecidos nas zonas superiores dos pulmões. À medida que a doença progride, esses nódulos podem coalescer em cicatrizes colagenosas duras • Alguns nódulos podem sofrer amolecimento e cavitação central. Essa alteração pode ser decorrente de tuberculose ou isquemia superpostas. Lesões fibróticas também podem ocorrer nos linfonodos hilaes e na pleura. • Se a doença continuar a progredir, expansão e coalescência das lesões podem produzir fibrose maciça progressiva. O exame histológico revela que as lesões nodulares consistem em camadas concêntricas de colágenos hialinizado cercado por uma cápsula densa de colágeno mais condensado SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 25 SARCOIDOSE • Doença sistêmica de causa desconhecida caracterizada por granulomas não caseoso em muitos tecidos e órgãos. A sarcoidose apresenta muitos padrões clínicos, porém, linfodenompatia hilar bilateral ou envolvimento pulmonar são visíveis em radiografias de tórax em 90% dos casos. Lesões oculares e cutâneas são as seguintes em frequência. • Etiologia desconhecida, mas sabe-se que é uma doença causada por perturbação da regulação imunológica em indivíduos geneticamente predispostos e expostos a determinados agentes ambientais. • O processo é acionado por células T auxiliares CD4+. Estas anormalidades incluem: a. Acúmulo intra-alveolar e intersticial de células TCD4+, o que resulta em razões de células TCD4/CD8 variando de 5:1 a 15:1. Ocorre expansão oligoclonal de subgrupos de células T, sugerindo uma proliferação acionada por antígeno b. Maiores níveis de citocinas derivadas de células T como IL-2 e IFN-gama, resultando em expansão de células T e ativação de macrófagos, respectivamente c. Maiores níveis de várias citocinas no ambiente local, que favorecem o recrutamento de células T adicionais e monócitos e contribuem para a formação de granulomas. • Anormalidades imunológicas sistêmicas: alergia a antígeno cutâneo comum, hipergamaglobulinemia policlonal • Granulomas caseosos bem formados, cada um composto por um agregado de células epiteliais firmemente agrupados, muitas vezes com células gigantes de Langhans ou de tipo corpo estranho. • Necrose central é incomum • Com cronicidade, os granulomas podem ser envolvidos com bordas fibrosas ou podem, eventualmente, ser substituídos por cicatrizes fibrosas hialinas. • Concreções laminadas compostas por cálcio e proteínas e inclusões estreladas • Histologicamente, as lesões são distribuídas ao longo dos linfáticos, ao redor dos brônquios e vasos sanguíneos • Envolvimento de nodos hilares e mediastinais. São caracteristicamente aumentados, distintos e algumas vezes calcificados • O envolvimento ocular assume a forma de irite ou iridociclite, tanto bilateral quanto unilateralmente -> opacidade corneana, glaucoma e perda total de visão -> inflamação das glândulas lacrimais, com supressão do lacrimejamento. Pneumonite por hipersensibilidade • Espectro de distúrbios pulmonares,predominantemente intersticiais, imunologicamente mediados, causados por exposição intensa e frequentemente prolongada a antígenos orgânicos inalados Sensibilidade anormal ou reatividade aumentada ao antígeno que, em contraste com o que ocorre na asma, envolve primariamente os alvéolos. • Nível aumentado de quimiocina pró-inflamatória • Número aumentado de linfócitos T de fenótipos tanto CD4+ quanto CD8+ Hipersensibilidade do tipo III Adenocarcinoma • A maioria dos carcinomas de pulmão, de modo semelhante ao câncer em outros locais, surge pelo acúmulo gradual de anormalidades genéticas que transformam o epitélio brônquico benigno em tecido neoplásico SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 26 • Vários tipos histológicos de câncer de pulmão podem ser agrupados em dois grupos com base na probabilidade de metástases e respostas às terapias disponíveis: carcinoma de células pequenas versus carcinoma de células não pequenas • Hilo pulmonar ou ao seu redor • Um número crescente de carcinomas primários de pulmão surge na periferia do pulmão a partir das células septais alveolares ou dos brônquios terminais. Estes são predominantemente adenocarcinomas • Eventualmente, uma neoplasia em crescimento atinge um estado sintomático, quando uma massa tumoral bem definida começa a obstruir a luz do brônquio principal, frequentemente produzindo atelectasia distal e infecção. • Também pode penetrar rapidamente a parede do brônquio, seguindo ao longo do tecido peribrônquico para infiltrar a região adjacente da carina ou do mediastino • Pulmão cinza-esbranquiçado, firme a duro • Tumores volumosos: áreas focais de hemorragia ou necrose podem parecer produzir pontilhamento vermelho ou amarelo-esbranquiçado e amolecimento • Cavitação • Erosão do epitélio brônquico • Adenocarcinoma é um tumor epitelial maligno com diferenciação glandular ou produção de mucina pelas células tumorais • Crescem em vários padrões, incluindo acinar, papilar, bronquioloalveolar e sólido em formação de mucina • Lesões mais periféricas e tendem a ser menores • Padrão de disseminação broncoalveolar SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 27 Tumores neuroendócrinos • Os tumores carcinoides são neoplasias epiteliais malignas de baixo grau subclassificadas em carcinoides típicos e atípicos • Os carcinoides típicos não possuem mutação em p53, enquanto os carcinoides atípicos exibem essas alterações • Podem surgir centralmente ou podem ser periféricos • Os tumores centrais crescem como massas polipoides digitiformes ou esféricas, que se projetam comumente para a luz do brônquio e, em geral, são cobertos por mucosa intacta • Lesão em botão em colarinho • Os tumores periféricos são sólidos e nodulares • Arranjos de células organoides, trabeculares, em paliçada, faixas ou rosetas separadas por um estroma fibrovascular delicado SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 28 Vasos sanguíneos • A patologia vascular resulta em doença por meio de dois mecanismos principais: 1. Estreitamento (estenose) ou obstrução completa dos lúmens dos vasos, seja progressivamente, seja precipitadamente (por trombose ou embolia) 2. Enfraquecimento das paredes vasculares, levando à dilatação ou à ruptura • Certas características da vasculatura variam com as exigências funcionais em diferentes localizações e as refletem • Os constituintes básicos das paredes dos vasos são as células endoteliais e as células musculares lisas, além da matriz extracelular, incluindo elastina, colágeno e glicosaminoglicanos • As três camadas concêntricas- íntima, média e adventícia – são mais claramente definidas nos vasos maiores, particularmente nas artérias • Em artérias normais, a íntima consiste em uma única camada de células endoteliais com o mínimo de tecido conjuntivo subendotelial subjacente. Ela é separada da média por uma densa membrana elástica chamada lâmina elástica interna • As camadas de células musculares lisas da média perto da luz do vaso recebem oxigênio e nutrientes por difusão direta da luz do vaso, o que é facilitado por orifícios a membrana elástica interna. No entanto, a difusão direta da luz é inadequada para as partes externas das médias em vasos de grandes e médios calibres e, portanto, estas áreas são nutridas por pequenas arteríolas que se originam de fora do vaso (vasa vasorum), que têm um trajeto em direção à metade aos dois terços externos da média • O limite externo da média da maioria das artérias é uma lâmina elástica externa bem definida • Externamente à média fica a adventícia, consistindo em um tecido conjuntivo com fibras nervosas e vasa vasorum SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 29 • A quantidade relativa e a configuração dos constituintes básicos diferem, ao longo do sistema arterial, devido às adaptações locais às necessidades mecânicas ou metabólicas. Essas alterações estruturais, de localização em localização, ocorrem principalmente na média e na MEC • Nas artérias elásticas, a média é rica em fibras elásticas. Isso permite que vasos como a aorta se expandam durante a sístole e se retraiam durante a diástole, assim impulsionando o sangue pelo sistema vascular periférico • Com o envelhecimento, a aorta perde a elasticidade, e os grandes vasos se expandem menos rapidamente, em particular quando aumenta a pressão arterial. Desse modo, as artérias dos indivíduos mais velhos costumam ficar progressivamente tortuosas e dilatadas (ectásicas) • Nas artérias musculares, a média é composta predominantemente por células musculares lisas em disposição circular ou espiral. Nas artérias musculares e arteríolas, o fluxo sanguíneo regional e a pressão arterial são reguladas por alterações do tamanho da luz através da contração (vasoconstricção) ou relaxamento (vasodilatação) das células musculares lisas, controladas, em parte, pelo sistema nervoso autônomo e, em outra parte, por fatores metabólicos locais e interações celulares. Como a resistência de um tubo ao fluxo de líquido é inversamente proporcional à quarta potência do diâmetro, pequenas alterações do tamanho da luz de pequenas artérias, causadas por alteração estrutural ou vasoconstrição, podem ter um efeito profundo. Deste modo, as arteríolas são os principais pontos de resistência fisiológica ao fluxo sanguíneo. • Os capilares têm um revestimento de células endoteliais, mas não têm média. Coletivamente, os capilares têm uma área transversal total muito grande; dentro dos capilares, o fluxo fica dramaticamente lento. Com as paredes finas apenas e fluxo lento, os capilares são idealmente adequados para as trocas rápidas de substâncias difusíveis entre o sangue e os tecidos. Como uma função normal dos tecidos depende do fornecimento adequado de oxigênio através dos vasos sanguíneos, e como a difusão do oxigênio através dos tecidos sólidos é ineficaz ao longo de distâncias grandes, a rede de capilar da maioria dos tecidos é muito rica. Tecidos com alta atividade metabólica, tais como o miocárdio, têm a densidade mais alta de capilares • O sangue dos leitos capilares flui inicialmente para vênulas pós-capilares e depois sequencialmente através das vênulas coletoras e pequenas, médias e grandes veias. Em muitos tipos de inflamação, ocorrem vazamento vascular e exsudação de leucócitos, preferencialmente nas vênulas pós-capilares • Em razão da sua pouca sustentação, as veias são predispostas à dilatação irregular, compressão e fácil penetração por tumores e processos inflamatórios. O sistema venoso, coletivamente, tem uma grande capacidade; aproximadamente dois terços de todo o sangue está nas veias. A inversão do fluxo é impedida por valvas venosas nas extremidades, onde o sangue flui contra a gravidade • Vasculogênese é a formação dos vasos sanguíneos novos durante a embriogênese. Desenvolvem-se precursores angiogênicos dos hemangioblastos e migramaos locais de vascularização. Eles se diferenciam em células endoteliais que se associam para formar um plexo vascular primitivo; com o passar do tempo e a influência de fatores genéticos, metabólicos e hemodinâmicos locais, esta rede de células se remodela através de aparas e/ou remodelamento de volume do vaso, até formar o sistema vascular definitivo • Angiogênese: constitui o processo de neoformação de vasos no organismo maduro • Arteriogênese: refere-se à remodelação de artérias existentes em resposta a alterações crônicas da pressão ou do fluxo e resulta de um inter-relacionamento de fatores derivados de células endoteliais e de células musculares lisas SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 30 Células endoteliais • Manter a homeostasia da parede do vaso e a função circulatória • As células endoteliais contêm corpúsculos de Weibel-Palade, organelas de armazenamento intracelulares ligadas à membrana para fator de von Willebrand • Anticorpos contra o fator de von Willebrand e/ou molécula de adesão celular endotelial às plaquetas-1 podem ser usados para identificar as células endoteliais de modo imunoistoquímico • Tecido multifuncional • Mantêm uma interface sangue-tecido não trombogênica (até que a coagulação seja necessária por lesão local), modula a resistência vascular, metaboliza hormônios, regulam reações inflamatórias e afetam o crescimento de outros tipos celulares, particularmente as células do tecido liso SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 31 • As junções interendoteliais são substancialmente impermeáveis. No entanto, as junções estreitas das células endoteliais podem se afrouxar sob a influência de fatores hemodinâmicos e/ou agentes vasoativos (ex. histamina em reação inflamatória), resultando na inundação dos tecidos adjacentes por eletrólitos e proteínas, nos estados inflamatórios • Nos glomérulos renais são necessários fenestrações, para facilitar a filtração; enquanto as células endoteliais do sistema nervoso central criam uma barreira hematoencefálica impermeável • Podem responder a vários estímulos fisiopatológicos pelo ajuste de suas funções habituais e por expressão de propriedades recém-adquiridas (indutíveis) – um processo chamado de ativação endotelial. Os indutores da ativação endotelial incluem as citocinas e os produtos bacterianos, que causam inflamação e choque séptico; estresses hemodinâmicos e produtos lipídicos, críticos para a patogenia da aterosclerose; produtos finais avançados da glicosilação, assim como vírus, componentes do complemento e hipóxia. As células ativadas, por sua vez, expressam moléculas de adesão e produzem citocinas e quimiocinas, fatores de crescimento, moléculas vasoativas que resultam em vasoconstrição ou vasodilatação, moléculas com complexo principal de histocompatibilidade, partes pró-coagulantes e anticoagulantes de moléculas, e vários outros produtos biologicamente ativos. As células endoteliais influenciam a vasorreatividade das células musculares lisas subjacentes através da produção de fatores relaxantes e fatores de contração. A função endotelial normal caracteriza-se por um equilíbrio destas respostas. • Disfunção endotelial: fenótipo alterado que compromete a vasorreatividade ou induz uma superfície trombogênica ou anormalmente adesiva às células inflamatórias. Ela é responsável, pelo menos em parte, pelo início da formação do trombo, aterosclerose e lesões vasculares da hipertensão e outros transtornos. Certas formas de disfunção das células endoteliais têm início rápido, são reversíveis e independentes da síntese de nova proteínas (ex. contração de células endoteliais induzida pela histamina e outros mediadores vasoativos que causem solução de continuidade do endotélio venular) Células musculares lisas SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 32 • Têm a capacidade de proliferar quando apropriadamente estimuladas; também podem sintetizar colágeno da MEC, elastina e proteoglicanos e elaborar fatores de crescimento e citocinas. As células musculares lisas também são responsáveis pela vasoconstrição ou dilatação que ocorre em resposta a estímulos fisiológicos ou farmacológicos • Promotores e inibidores do crescimento Espessamento da íntima- resposta vascular estereotipada à lesão vascular • A lesão vascular – com perda de células endoteliais ou mesmo por apenas disfunção- estimula o crescimento das células musculares lisas e a síntese da matriz associada, o que espessa a íntima -> formação de uma neoníntia. Durante o processo de restauração, células endoteliais que preenchem áreas de desnudação podem migrar das áreas não lesadas adjacentes ou podem ser derivadas de precursores circulantes. • As células musculares lisas mediais ou as precursoras do músculo liso também migram para a íntima, proliferam-se e sintetizam a MEC exatamente do mesmo modo que os fibroblastos preenchem um ferimento. A neoíntima resultante, tipicamente, é completamente coberta por células endoteliais • Ocorre em qualquer forma de lesão ou disfunção vascular, independentemente da causa. Desse modo, o espessamento da íntima é a resposta estereotipada da parede do vaso a qualquer agressão • As células musculares lisas da neoíntima não se contraem como as células musculares lisas da média, mas têm a capacidade de se dividir • As atividades migratórias, proliferativas e sintéticas das células musculares da íntima são reguladas fisiologicamente por produtos derivados de plaquetas, células endoteliais e macrófagos, bem como por coagulação ativada e fatores do complemento • No entanto, a resposta de restauração resulta em espessamento permanente da íntima. Com agressões persistentes ou recorrentes, o espessamento excessivo pode causar estreitamento ou estenose dos vasos sanguíneos de pequeno e médio calibres, impedindo a perfusão tecidual distal • Ocorre espessamento da íntima em artérias normais sob os demais aspectos como resultado de maturação e envelhecimento. Tal alteração da íntima relacionada com a idade tipicamente não tem consequência, em SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 33 parte porque uma remodelação compensatória para fora do vaso leva à pequena alteração resultante no diâmetro luminal • Hipotensão resulta em perfusão inadequada dos órgãos e podem levar à disfunção ou morte dos tecidos. Inversamente, hipertensão pode causar dano ao vaso e ao órgão-alvo • Cerca de 95% dos casos de hipertensão são idiopáticos (hipertensão essencial). Essa forma de hipertensão, em geral, não causa problemas em curto prazo. Quando controlada, é compatível com vida longa e assintomática, a menos que sobrevenha infarto do miocárdio, AVC ou outra complicação Regulação da pressão arterial normal • Uma função do débito cardíaco e da resistência vascular periférica. O débito cardíaco é altamente dependente do volume sanguíneo, ele mesmo influenciado pela homeostasia do sódio. A resistência vascular periférica é determinada principalmente ao nível das arteríolas e é afetada por fatores neurais e hormonais. O tônus vascular reflete o equilíbrio entre influências vasoconstritoras humorais (incluindo angiotensina II, catecolaminas e endotelina) e vasodilatadoras humorais (incluindo citocinas, prostaglandinas e NO) • Autorregulação: o aumento do fluxo sanguíneo induz vasoconstrição para proteger o tecido da hiperperfusão. Outros fatores locais, como o pH e a hipóxia, além dos sistemas alfa e beta adrenérgicos, que influenciam a frequência cardíaca, a contração cardíaca e o tônus vascular, também podem ser importantes em regular a pressão arterial. A função integrada desses sistemas assegura a perfusão adequada de todos os tecidos, apesar de diferenças de demandas regionais • Rins ➢ Sistema renina-angiotensina, o rim influencia a resistência periférica e a homeostasia do sódio. A renina é secretada pelas células justaglomerulares do rim em respostaà queda de pressão arterial. Converte o angiotensinogênio plasmático em angiotensina I, a qual é então convertida para agiotensina II pela enzima conversora de angiotensina. A angiotensina II eleva a pressão arterial por aumento da resistência periférica (ação direta sobre as células musculares lisas vasculares) e do volume sanguíneo (estimulação da secreção de aldosterona e aumento da reabsorção tubular distal de sódio) ➢ Produz várias substâncias relaxantes vasculares ou anti-hipertensivas (incluindo prostaglandinas e o NO), que presumivelmente contrabalançam os efeitos vasopressores de angiotensina ➢ Quando se reduz o volume sanguíneo, a taxa de filtração glomerular cai, levando a um aumento da reabsorção de sódio pelos túbulos proximais, assim conservando sódio e expandido o volume sanguíneo ➢ Fatores natriuréticos inibem a reabsorção de sódio nos túbulos distais e, assim, causam a excreção de sódio e diurese. Os peptídeos natriuréticos também induzem vasodilatação e se pode considerar que representem inibidores endógenos do sistema renina-angiotensina Mecanismos da hipertensão essencial • Redução da excreção de sódio na presença de pressão arterial normal pode ser um evento-chave iniciante na hipertensão essencial e, na verdade, uma via final comum para a patogenia da hipertensão. A diminuição da excreção de sódio pode levar sequencialmente a um aumento no volume de líquido, a aumento do débito cardíaco e à vasoconstrição periférica, elevando assim a pressão arterial. No ajuste mais alto da pressão SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 34 arterial, seria excretando sódio adicional suficiente pelos rins para igualar o consumo e impedir maior retenção hídrica. Desse modo, um estado alterado, mas de equilíbrio, da excreção de sódio seria atingindo, mas à custa de um aumento da pressão arterial • Influências vasoconstritoras, como fatores que induzem vasoconstricção ou estímulos que causam alterações estruturais na parede do vaso, podem levar a um aumento da resistência periférica e também podem desempenhar um papel na hipertensão primária. Além disso, as influências vasocontstritoras crônicas ou repetidas poderiam causar espessamento e rigidez dos vasos envolvidos • Fatores ambientais podem modificar o impacto dos determinantes genéticos. Estresse, obesidade, tabagismo, sedentarismo e alto consumo de sal têm sido implicados como fatores exógenos na hipertensão. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 35 Patologia vascular na hipertensão • A hipertensão não apenas acelera a aterogênese, mas também causa alterações degenerativas nas paredes das grandes e médias artérias, o que pode levar à dissecção da aorta e à hemorragia cerebrovascular • Morfologia: arteriosclerose hialina e arteriolosclerose hiperplásica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 36 • Arteriolosclerose hialina: espessamento hialino homogêneo e róseo com estreitamento luminal associado. Essas alterações se originam de vazamento de proteínas plasmáticas através das células endoteliais lesadas e do aumento da síntese de matriz de células musculares lisas em resposta ao estresse hemodinâmico crônico. Mais generalizada e mais intensa nos indivíduos com hipertensão. Na nefrosclerose causada por hipertensão crônica, o estreitamento arteriolar da arteriosclerose hialina causa comprometimento difuso da irrigação renal e cicatrizes glomerulares As alterações renais na hipertensão arterial sistêmica benigna são inespecíficas, ocorrendo também no diabete mélito e em outras doenças renais crônicas. Em menor grau, são observadas também em normotensos e não diabéticos idosos. A hialinose arteriolar causa espessamento da parede e redução da luz de arteríolas aferentes glomerulares, levando a isquemia e destruição de vários glomérulos. Esses apresentam hialinização, tornando-se atróficos e não funcionantes. Contudo, como as alterações são focais, grande parte do parênquima renal permanece ativa e os pacientes com hipertensão arterial benigna não apresentam insuficiência renal crônica. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 37 • Arteriosclerose hiperplásica: esta lesão ocorre na hipertensão grave (maligna); os vasos exibem “lesões em casa de cebola”, caracterizadas por espessamento concêntrico e laminado das paredes e estreitamento luminal. As laminações consistem em células musculares lisas com membranas basais espessadas e reduplicadas; na hipertensão aligna, são acompanhadas por depósitos fibrinoides e necrose da parede dos vasos (arteriolite necrosante), particularmente no rim. • Termo genérico que reflete espessamento da parede arterial e perda de sua elasticidade • Arteriolosclerose: afeta pequenas artérias e arteríolas e pode causar lesão isquêmica distal. A hialinose arteriolar (também conhecida por arteriolosclerose hialina) é a deposição de material proteico homogêneo em posição subendotelial em arteríolas, isto é, entre o endotélio e a camada média. Ocorre por filtração de proteínas do plasma através do endotélio. Não é patognomônica (exclusiva) de nenhuma doença, sendo observada em arteríolas de indivíduos normais com o avançar da idade, especialmente nas arteríolas do baço. Contudo, ocorre de forma mais precoce e intensa na hipertensão arterial e no diabete mélito. No rim, afeta especialmente as arteríolas aferentes glomerulares. Admite-se que a pressão arterial elevada (mínima > 90 mmHg) gradualmente lesa as células endoteliais, alterando sua permeabilidade. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 38 • Esclerose medial de Monckeberg: depósitos calcificados nas artérias musculares em pessoas tipicamente acima dos 50 anos de idade. Os depósitos podem sofrer alteração metaplásica e se transformar em osso. Todavia, as lesões não invadem a luz do vaso e geralmente não são clinicamente significativas • Aterosclerose: é o padrão mais frequente e clinicamente mais importante • Lesões das íntimas chamadas de ateromas que fazem protrusão nas luzes dos vasos. Uma placa ateromatosa consiste em uma lesão elevada com centro mole, amarelo e grumoso de lipídios (principalmente colesterol e ésteres de colesterol), cobertas por uma cápsula fibrosa branca • Podem obstruir mecanicamente o fluxo sanguíneo ou romper-se levando a uma trombose catastrófica de vasos; as placas também enfraquecem a média subjacente e, assim, levam à formação de aneurismas • Principal manifestação: doença das artérias coronárias • Fatores de risco: SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 39 o Hiperlipidemia (hipercolesterolemia): até na ausência de outros fatores, é suficiente para estimular o desenvolvimento da lesão. O principal componente do colesterol sérico associado a aumento do risco é colesterol com lipoproteína de baixa densidade (LDL): o LDL-colesterol é a forma de colesterol oferecida aos tecidos periféricos o Hipertensão: por si só aumenta em 60% do risco de doença coronariana. A hipertensão é a causa mais importante de hipertrofia ventricular esquerda e, por isso, também está relacionada com DCI o Tabagismo o Diabetes melito: induz hipercolesterolemia e aumenta acentuadamente o risco de aterosclerose. Permanecendo constantes os outros fatores, a incidência de IAM é duas vezes mais alta em diabéticos do que não diabéticos. Há, também, aumento do risco de AVC e um aumento de 100 vezes no risco de gangrena induzida pela aterosclerose nas extremidades inferiores o Inflamação: está presente durante todos os estágios da aterogênese e se liga estreitamente à formação de placa aterosclerótica e sua ruptura. Com o aumento do reconhecimento de que a inflamação desempenha um papel causal significativo na DCI, a avaliação da inflamação sistêmica tem se tornado importante na estratificação do risco global. Embora alguns marcadores circulantes de inflamaçãose correlacionem com o risco de DCI, a proteína C reativa emergiu como um dos mais simples e mais sensíveis o Lipoproteína: forma alterada da LDL que contém a porção da Apolipoproteína B-100 do LDL ligada à Apolipoproteína A. Os níveis de lipoproteína se associam a risco de doença coronariana e cerebrovascular, independentemente dos níveis de colesterol total ou LDL o Fatores que afetam a hemostasia: vários marcadores da função hemostática e/ou fibrinolítica são preditores de risco para eventos maiores de aterosclerose, incluindo IAM e AVC. A rombina, através de seus efeitos pró-coagulantes e pró-inflamatórias, bem como fatores derivados de plaquetas, é cada vez mais reconhecida como contribuinte maior para a patologia vascular local Patogenia da aterosclerose • Duas hipóteses dominantes: uma enfatiza a proliferação celular da íntima, enquanto a outra enfoca a formação repetitiva e a organização dos trombos • Hipótese da resposta à lesão: o modelo vê a aterosclerose como uma resposta inflamatória e de resolução crônica da parede arterial à lesão endotelial. Ocorre progressão da lesão através da interação de lipoproteínas modificadas, de macrófagos e derivados de monócitos e de linfócitos T com os constituintes celulares normais da parede arterial • Principais eventos: o Lesão endotelial: aumento da permeabilidade vascular, adesão de leucócitos e trombose o Acúmulo de lipoproteínas na parede do vaso o Adesão de monócitos ao endotélio, seguida por migração para a íntima e transformação em macrófagos e células espumosas o Adesão plaquetárias o Liberação de fatores de plaquetas, macrófagos e células da parede vascular ativados, induzindo recrutamento das células musculares lisas o Proliferação de células musculares lisas e produção da MEC o Acúmulo de lipídios extracelularmente e dentro das células (macrófagos e células musculares lisas) A. Lesão endotelial • A perda endotelial por qualquer tipo de lesão resulta em espessamento da íntima; na presença de dietas ricas em lipídios, surgem ateromas típicos. No entanto, as lesões humanas iniciais são encontradas em locais de endotélio morfologicamente intacto. Deste modo, a disfunção endotelial fica por trás da SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 40 aterosclerose humana; nesta situação, células endoteliais disfuncionais mostram aumento da permeabilidade endotelial, aumento da adesão de leucócitos e alteração da expressão genética • Duas causas mais importantes: desequilíbrios hemodinâmicos e hipercolesterolemia B. Desequilíbrios hemodinâmicos • As placas tendem a ocorrer nos óstios de saída dos vasos, nos pontos de ramificações e ao longo da parede posterior da aorta abdominal, onde há distúrbios dos padrões de fluxos C. Lipídios • Aumento dos níveis de LDL-colesterol • Diminuição dos níveis de HDL-colesterol • Aumento dos níveis da lipoproteína (a) anormal • Os lipídios dominantes nas placas ateromatosas são o colesterol e os ésteres de colesterol • Os defeitos genéticos na captação e metabolismo das lipoproteínas que causam hiperlipoproteinemia se associam a uma aterosclerose acelerada • Outros distúrbios genéticos ou adquiridos que causam hipercolesterolemia levam à aterosclerose prematura SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 41 • Hiperlipidemia crônica, particularmente hipercolesterolemia, pode comprometer diretamente a função das células endoteliais por aumento da produção de radicais livres de oxigênio locais; os radicais livres de oxigênio podem lesar os tecidos e acelerar o decaimento do óxido nítrico, reduzindo sua atividade vasodilatadora • Com a hiperlipidemia crônica, as lipoproteínas se acumulam no interior da íntima. Esses lipídios são oxidados através de ação de radicais livres de oxigênio gerados localmente por macrófagos ou células endoteliais. O LDL oxidado é ingeridos pelos macrófagos através de um receptor depurador, distinto do receptor de LDL, e se acumula nos fagócitos, que são então chamados de células espumosas. Além disso, o LDL oxidado estimula a liberação de fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas pelas células endoteliais e macrófagos que aumentam o recrutamento de monócitos para as lesões. Finalmente, o LDL oxidado é citotóxico para as células endoteliais e as células musculares lisas e pode induzir disfunção das células endoteliais. A importância do LDL oxidado na aterogênese é sugerida pelo fato de que ele se acumula no interior dos macrófagos em todos os estágios de formação de placas D. Inflamação • Os monócitos se transformam em macrófagos e englobam, avidamente, as lipoproteínas, inclusive o LDL oxidado. O recrutamento e a diferenciação dos monócitos em macrófagos são, teoricamente, protetores, porque estas células removem partículas lipídicas potencialmente prejudiciais. No entanto, o LDL-oxidado potencializa a ativação dos macrófagos e a produção de citocinas. Isto aumenta ainda mais a adesão de leucócitos e a produção de quimiocinas, criando um estímulo para recrutamento de células inflamatórias mononucleares adicionais. Os macrófagos ativados também produzem espécies reativas de oxigênio que agravam a oxidação do LDL e elaboram fatores de crescimento que impulsionam a proliferação de células musculares lisas • Os linfócitos T recrutados para a íntima interagem com os macrófagos e podem gerar um estado inflamatório crônico. Não está claro se os linfócitos T estão respondendo a antígenos específicos, ou se estão ativados inespecificamente pelo meio inflamatório local. Todavia, os linfócitos T ativados nas lesões das íntima em crescimento elaboram em citocinas inflamatórias, que podem estimular os macrófagos, bem como as células endoteliais e as células musculares lisas E. Proliferação do músculo liso SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 42 • A proliferação de células musculares lisas da íntima e a deposição de MEC convertem uma estria gordurosa, a lesão mais inicial, em ateroma maduro e contribuem para o crescimento progressivo das lesões ateroscleróticas • As células musculares lisas recrutadas sintetizam MEC, que estabiliza as placas ateroscleróticas. No entanto, as células inflamatórias ativadas dos ateromas podem causar apoptose de células musculares lisas da íntima e também podem aumentar o catabolismo da MEC, resultando em placas instáveis Panorama • Nas etapas iniciais, as placas da íntima são pouco mais do que agregados de células musculares lisas e de macrófagos sob a forma de células espumosas. Com a progressão, o ateroma é modificado pela MEC, sintetizada pelas células musculares lisas; o tecido conjuntivo é particularmente proeminente na íntima, onde forma uma cápsula fibrosa, embora as lesões possam, tipicamente, reter um centro de células carregadas de lipídios e resíduos gordurosos que podem se calcificar. A placa da íntima pode progressivamente invadir a luz do vaso ou comprimir e causar degeneração da média subjacente; a ruptura da cápsula fibrosa pode levar à trombose e à oclusão vascular aguda • Estrias gordurosas: mais precoces na aterosclerose. São compostas por macrófagos espumosos cheios de lipídios. Começando como múltiplas manchas amarelas planas e diminutas, finalmente coalescem em estrias alongadas com 1 cm ou mais de comprimento. Não causam desequilíbrio do fluxo. • Placa aterosclerótica: espessamento da íntima e o acúmulo de lipídios. As placas ateromatosas invadem a luz da artéria e têm um aspecto macroscópico branco e amarelo; o trombo superposto às placas ulceradas é castanho-amarelado. Lesões focais, geralmente envolvendo apenas uma parte de qualquer dada parede arterial, e raramente são circunferenciais; no corte transversal, as lesões, portanto, parecem excêntricas. A focalidade das lesões ateroscleróticas – apesar da exposição uniforme das paredes vasculares e fatores como toxinas de cigarros, LDL elevado, hiperglicemia e etc.- é atribuível aoscaprichos da hemodinâmica vascular. Os desequilíbrios locais do fluxo levam a aumento da susceptibilidade de certas porções da parede de um vaso a formação de placa, • As placas ateroscleróticas têm três componentes principais: 1. Células, incluindo as células musculares lisas, macrófagos e células T 2. MEC, incluindo o colágeno, fibras elásticas e proteoglicanos 3. Lipídios intra e extracelulares • Tipicamente, há uma cápsula fibrosa superficial composta por célula musculares lisas e colágeno relativamente denso. Abaixo da cápsula e ao lado dela, há uma área mais celular contendo macrófagos, linfócitos e células musculares lisas. Profundamente à cápsula fibrosa, há um centro necrótico que contém lipídios, restos de células mortas, células espumosas (macrófagos carregados de lipídios e células musculares lisas), fibrina, trombo com organização variável e outras proteínas plasmáticas; o colesterol frequentemente está presente com agregados cristalinos lavados durante o processamento de rotina do tecido e que deixam para trás apenas “fendas” vazias. A periferia das lesões mostra neovascularização • Os ateromas típicos contêm abundantes lipídios, mas algumas placas (“placas fibrosas”) são compostas quase que exclusivamente por células musculares lisas e tecido fibroso • Alterações clinicamente importantes dos ateromas: o Ruptura, ulceração ou erosão da superfície da íntima de placas ateromatosas expõem o sangue a substâncias altamente trombogênicas e induzem trombose. Tal trombose pode ocluir parcial ou completamente a luz e levar à isquemia distal. Se o paciente sobreviver à oclusão trombótica inicial, o coágulo poderá tornar-se organizado e ser incorporado à placa em crescimento o Hemorragia em uma placa: a ruptura da cápsula fibrosa sobrejacente ou dos vasos com paredes finas nas áreas de neovascularização pode causar hemorragia intraplaca; um hematoma contido pode expandir a placa ou induzir ruptura de placa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 43 o Ateroembolia: a ruptura da placa pode descarregar resíduos ateroscleróticos na corrente sanguínea, produzindo microêmbolos o Formação de aneurismas: a pressão induzida por aterosclerose ou a atrofia isquêmica da média subjacente, com a perda de tecido elástico, causa fraqueza que resulta em dilatação aneurismática e potencial ruptura SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 44 SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 45 SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 46 • Aneurisma: dilatação anormal localizada de um vaso sanguíneo ou do coração. Quando um aneurisma envolve uma parede arterial atenuada intacta ou a parede ventricular mais fina do coração, é chamado de aneurisma verdadeiro. Aneurismas vasculares ateroscleróticos, sifilíticos e congênitos, bem como os aneurismas ventriculares que vêm após os infartos do miocárdio transmurais, são deste tipo. Diferentemente, um falso aneurisma (pseudoaneurisma) é um defeito da parede vascular levando a um hematoma extravascular que se comunica livremente com o espaço intravascular (“hematoma pulsante”). Exemplos incluem uma ruptura ventricular depois do infarto do miocárdio e que é contida por uma aderência pericárdica, ou um vazamento na junção suturada de um enxerto vascular com uma artéria natural. • Dissecção arterial: origina-se quando o sangue entra na própria parede arterial, como um hematoma dissecando entre suas camadas. As dissecções são frequentemente, mas nem sempre, aneurismáticas. Os aneurismas verdadeiros e falsos, bem como dissecções, podem romper-se, muitas vezes com consequências catastróficas Aneurismas • São classificados por forma e tamanho: o Saculares: bolsas esféricas, variam de 5 a 20 cm e costumam conter um trombo SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 47 o Fusiformes: envolvem dilatação difusa e circunferencial de um segmento vascular longo; têm variações de diâmetro até 20 cm e de comprimento e podem envolver porções extensas do arco aórtico, aorta abdominal ou até das artérias ilíacas • Patogenia o As artérias são tecidos que apresentam remodelação dinâmica e que mantêm sua integridade por síntese, degradação e reparo constantes dos danos constituintes de sua MEC. Os aneurismas podem ocorrer quando a estrutura ou a função do tecido conjuntivo no interior da parede vascular é comprometida. o Os dois transtornos mais importantes na predisposição aos aneurismas da aorta são a aterosclerose e a hipertensão; a aterosclerose é um fator maior nos aneurismas da aorta abdominal, enquanto a hipertensão é a afecção mais comumente associada aos aneurismas da aorta ascendente. Outras afecções que enfraquecem as paredes dos vasos e levam aos aneurismas incluem trauma, vasculite, defeitos congênitos e infecções • Aneurisma de aorta abdominal: a placa aterosclerótica na íntima comprime a média subjacente e compromete a difusão de nutrientes e de resíduos da luz vascular para a parede arterial. A média, portanto, sofre degeneração e necrose, o que resulta em fraqueza da parede arterial e consequente diminuição da espessura. Todavia, como já foi descrito, a principal influência que leva à formação de aneurismas é a produção de MPM por infiltrados de células inflamatórias o Morfologia: geralmente posicionados abaixo das artérias renais e acima da bifurcação da aorta, podem ser saculares ou fusiformes. Tipicamente, a superfície da íntima do aneurisma mostra aterosclerose complicada intensa, com destruição e diminuição da espessura da média da aorta subjacente; o aneurisma frequentemente contém um trombo mural de pequena consistência, laminado e pouco organizado, que pode preencher uma parte do ou todo o segmento dilatado. Ocasionalmente, o aneurisma pode afetar as artérias renais e as mesentéricas superior ou inferior, seja produzindo pressão direta, seja estreitando ou ocluindo os óstios dos vasos com trombos murais. Não é infrequente que os AAAs sejam acompanhados por aneurismas menores das artérias ilíacas o AAAs inflamatórios: caracterizam-se por densa fibrose periaortica, contendo abundante reação inflamatória infoplasmocitária com muitos macrófagos e, frequentemente, células gigantes. Sua causa é incerta o AAAs micóticos: são lesões que se infectaram pelo alojamento de microrganismos circulantes na parede, particularmente em bacteremia por uma gastroenterite primária por Salmonella. Em tais casos, a supuração destrói a média, potencializando a dilatação rápida e a ruptura. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 48 o Aspectos clínicos: ruptura na cavidade peritoneal ou nos tecidos retroperitoneais com hemorragia maciça potencialmente fatal; obstrução de um ramo, resultando em lesão isquêmica de tecidos distais; embolia do ateroma ou de trombo mural; invasão de uma estrutura adjacente, por exemplo, compressão de um ureter ou erosão de vértebras; apresentação como massa abdominal que simule um tumor o O risco de ruptura é diretamente proporcional ao tamanho do aneurisma • Aneurisma de aorta torácica: associam-se, mais comumente, à hipertensão. Sinais e sintomas referíveis à o Invasão de estruturas do mediastino o Dificuldades respiratórias causadas por invasão dos pulmões e das vias aéreas o Dificuldade para deglutir pela compressão do esôfago o Tosse persistente por irritação dos nervos laríngeos recorrentes ou pressão sobre eles o Dor causada por erosão do osso o Doença cardíaca, pois o aneurisma aórtico leva à dilatação da valva aórtica, com insuficiência valva ou estreitamento dos óstios coronarianos, causando isquemia do miocárdio o Ruptura SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 49 Dissecção da aorta • Ocorre quando o sangue separa em leque os planos laminares da média, formando um canal cheio de sangue dentro da parede aórtica; isso pode ser catastrófico se a dissecção então se romper através da adventícia e causar hemorragia nosespaços adjacentes • Pode não se associar à dilatação aórtica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 50 • Patogenia: o A hipertensão é um fator de risco importante na dissecção aórtica. A aorta de pacientes hipertensos tem hipertrofia da média dos vasa vasorum associada a alterações degenerativas na média da aorta e à perda variável de células musculares lisas da média, sugerindo que a lesão mecânica relacionada com a pressão e/ou lesão isquêmica (causada por diminuição do fluxo através dos vasa vasorum) sejam contribuintes o No entanto, a lesão reconhecível da média não parece ser pré-requisito para a dissecção nem garantia de que a dissecção seja iminente. Independentemente da etiologia subjacente causadora de fraqueza da média, não se conhece, na maioria dos casos, o desencadeante para a laceração da íntima e hemorragia aórtica intramural inicial não é conhecido na maioria dos casos o Ocorrida a laceração, o fluxo sanguíneo sob a pressão sistêmica opera através do meio, estimulando a progressão do hematoma da média. Em alguns casos, a ruptura dos vasos penetrantes dos vasa vasorum pode dar origem a um hematoma intramural sem laceração da íntima o A lesão preexistente mais frequente histologicamente detectável é a degeneração cística da média; a inflamação está caracteristicamente ausente. No entanto, podem ocorrer dissecções na situação de degeneração trivial da média e é incerta a relação das alterações estruturais com a patogenia da dissecção o Uma dissecção aórtica geralmente se inicia com uma laceração da íntima o A dissecção pode estender-se ao longo da aorta, retrogradamente em direção ao coração, bem como distalmente, algumas vezes entrando nas artérias ilíacas e femoral. o O hematoma dissecante se propaga, caracteristicamente, ao longo dos planos laminares na aorta, geralmente entre os terços médio e externo. Ele frequentemente se rompe através da adventícia, causando hemorragia maciça ou tamponamento cardíaco • Aspectos clínicos: o Lesões proximais (dissecções do tipo A): mais comuns e perigosas; envolvem a aorta ascendente e descendente ou apenas a aorta ascendente o Lesões distais não envolvendo a parte ascendente e geralmente começando distalmente à artéria subclávia (dissecções do tipo B) SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 51 • A causa mais comum de óbito é a ruptura da dissecção nas cavidades pericárdica, pleural ou peritoneal. A dissecção retrógrada para a raiz aórtica pode causar ruptura do aparelho valvar aórtico. Desse modo, as manifestações clínicas comuns incluem tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica e infarto do miocárdio ou extensão da dissecção às grandes artérias do pescoço ou às artérias coronárias, renais, mesentéricas ou ilíacas, causando obstrução vascular crítica e consequências isquêmicas associadas; a compressão das artérias espinais pode causar mielite transversa. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 52 • Inflamação das paredes dos vasos • Sinais e sintomas constitucionais, como febre, mialgia, artralgia e mal-estar • A maioria das vasculites envolve pequenos vasos, de arteríolas a capilares a vênulas. Várias das vasculites tendem a afetar apenas vasos de um tamanho em particular ou de leitos vasculares em particular • Os dois mecanismos patogênicos mais comuns de vasculite são a inflamação imunomediada e a invasão direta das paredes vasculares por patógenos infecciosos. Previsivelmente, infecções também podem infuzir indiretamente uma vasculite não infecciosa, por exemplo, gerando imunocomplexos ou desencadeando reatividade cruzada VASCULITE NÃO INFECCIOSA • Os principais mecanismos imunológicos que iniciam a vasculite não infecciosa são: 1. Deposição de imunocomplexos 2. Anticorpos anticitoplasma de neutrófilos 3. Anticorpos anticélulas endoteliais • Vasculite associada a imunocomplexos: são tipicamente detectados anticorpo e complemento nas lesões vasculíticas, embora geralmente não possa ser determinada a natureza dos antígenos responsáveis por sua deposição. Também podem ser vistos complexos antígeno-anticorpo circulantes • Anticorpo anticitoplasma de neutrófilos (ANCA): muitos pacientes com vasculite têm anticorpos circulantes que reagem com antígenos citoplasmáticos de neutrófilos. Os ANCAs são um grupo heterogêneo de autoanticorpos dirigidos contra os constituintes (principalmente enzimas) dos grânulos primários dos neutrófilos, lisossomos dos monócitos e células endoteliais. Eles foram previamente classificados de acordo com sua distribuição intracelular citoplasmática (c-ANCA) ou perinuclear (p- ANCA) o Os ANCAs servem como marcadores diagnósticos úteis para as vasculites associadas a ANCAs, e seus títulos podem refletir o grau de atividade inflamatória. A estreita associação entre títulos de ANCA e a atividade da doença sugere um papel patogênico. Embora sejam desconhecidos, o ANCA pode ativar diretamente os neutrófilos e pode, assim, estimular os neutrófilos a liberarem espécies reativas de oxigênio e enzimas proteolíticas; dentro da vasculatura, isto também leva a interações célula endotelial-neutrófilos e subsequente lesão das células endoteliais SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 53 • Anticorpos anticélulas endoteliais: os anticorpos contra células endoteliais podem predispor certas vasculites, por exemplo, a doença de Kawasaki Arterite de células gigantes (temporal) • É uma inflamação crônica tipicamente granulomatosa de artérias grandes a pequenas e que afeta principalmente as artérias da cabeça – especialmente as artérias temporais- mas também as artérias vertebral e oftálmica • O envolvimento da artéria oftálmica pode levar à cegueira permanente; consequentemente, a arterite de células gigantes é uma emergência médica, precisando de pronto reconhecimento e tratamento • As lesões também ocorrem em outras artérias, inclusive na aorta • Morfologia: o Espessamento nodular da íntima (com ocasionais tromboses) que reduz o diâmetro da luz o As lesões clássicas exibem inflamação granulomatosa da média que leva à fragmentação da lâmina elástica o Há um infiltrado de células TCD4+ > CD8+ e macrófagos o Pan-arterite inespecífica composta predominantemente por linfócitos e macrófagos o As lesões inflamatórias não são contínuas ao longo do vaso e longos segmentos de artérias relativamente normal podem ficar interpostos o Os estágios resolvidos são marcados por uma cicatriz da média e espessamento da íntima, tipicamente com fragmentação do tecido elástico residual • Aspectos clínicos: febre, cansaço, perda de peso, dor facial ou cefaleia que é mais intensa ao longo do trajeto da artéria temporal superficial, a qual pode ser dolorosa à palpação. Os sintomas oculares aparecem abruptamente em cerca de 50% dos pacientes; eles variam da diplopia à perda visual completa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 54 Arterite de Takayasu • Vasculite granulomatosa das artérias médias e maiores, caracterizada principalmente por distúrbios oculares e acentuado enfraquecimento dos pulsos nas extremidades superiores • Espessamento fibroso transmural da aorta – particularmente do arco aórtico e dos grandes vasos- e intenso estreitamento luminal dos principais ramos vasculares • As lesões aórticas compartilham muitos atributos com a aortite de células gigantes • Morfologia: o A arterite de Takayasu classicamente envolve o arco aórtico o Há espessamento irregular da parede dos vasos com hiperplasia das íntimas; quando o arco aórtico é envolvido, os lúmens dos grandes vasos podem ficar acentuadamente estreitados ou até obliterados -> explica a fraqueza dos pulsos periféricos o As alterações histológicas variam de infiltrados mononucleares da adventícia com manguito perivascular dos vasa vasorum à intensa inflamação granulomatosa, repleta de células gigantes e com necrose focal da média. O aspectohistológico é indistinguível daquele da arterite de células gigantes • Aspecto clínico: cansaço, perda de peso e febre. Com evolução, aparecem os sintomas vasculares e dominam o quadro clínico, inclusive com redução da pressão arterial e pulsos mais fracos nas extremidades superiores; distúrbios oculares, incluindo defeitos visuais, hemorragias da retina e cegueira total; e déficits neurológicos SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 55 Poliarterite nodosa • É uma vasculite sistêmica de artérias musculares com calibre pequeno ou médio (mas não arteríolas, capilares ou vênulas), tipicamente envolvendo vasos renais e viscerais, mas poupando a circulação pulmonar. • Morfologia: o Inflamação necrosante transmural segmentar de artérias de pequeno e médio calibres o Os vasos dos rins, coração, fígado e trato gastrointestinal estão envolvidos em ordem decrescente de frequência o As lesões geralmente afetam apenas parte da circunferência do vaso e mostram uma predileção por pontos de ramificação o O processo inflamatório enfraquece a parede arterial e pode levar a aneurismas ou até à ruptura o O comprometimento da perfusão, resultando em ulcerações, infartos, atrofia isquêmica ou hemorragias na distribuição dos vasos afetados, pode ser o primeiro sinal da doença o Durante a fase aguda, há inflamação transmural da parede arterial, com infiltrado misto de neutrófilos, eosinófilos e células mononucleares, frequentemente acompanhada por necrose fibrinoide o Pode ocorrer trombose luminal o Mais tarde, o infiltrado inflamatório agudo é substituído por espessamento fibroso (ocasionalmente nodular) da parede do vaso, que pode se estender à adventícia o Caracteristicamente, todos os estágios de atividade coexistem em diferentes vasos ou até dentro do mesmo vaso, sugerindo agressões constantes e recorrentes SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 56 • Aspectos clínicos: mal estar, febre e perda de peso; hipertensão (envolvimento renal); dor abdominal e melena por lesões vasculares no TGI; dores musculares difusas e neurite periférica Doença de Kawasaki • Doença febril aguda, geralmente autolimitada de lactantes e crianças, associada a uma arterite que afeta vasos com grande e médio calibres e até pequenos vasos • Envolvimento das artérias coronárias • Pode causar aneurismas que se rompem ou trombosam, resultando em infartos agudos do miocárdio • Reação de hipersensibilidade do tipo tardio com células T contra um antígeno ainda não caracterizado. Isto leva à produção de citocinas e à ativação de macrófagos e é acompanhado por ativação de células B policlonais • Morfologia: o As lesões exibem pronunciada inflamação, afetando a espessura inteira da parede do vaso; entretanto, a necrose fibrinóide é menos proeminente o Pode sobreir a formação de aneurisma com trombose o As lesões resolvidas podem ter espessamento da íntima obstrutivo • Aspectos clínicos: apresenta eritema e erosão conjuntivais e orais, edema das mãos e dos pés, eritemas das palmas e plantas, um rash descamativo e linfodenopatia cervical Poliangiite microscópica • Vasculite necrosante que geralmente afeta capilares, bem como arteríolas e vênulas de um tamanho menor que as envolvidas na poliaterite nodosa; raramente, podem ser envolvidas artérias maiores. Também é chamada de vasculite por hipersensibilidade ou vasculite leucocitoclástica • Todas as lesões da poliangiite microscópica tendem a ser da mesma idade em qualquer paciente • Glomerulonefrite necrosante e capilarite pulonar são particularmente comuns • Podem ocorrer lesões vasculares de outros transtornos • Patogenia: a maioria das lesões é pauci-imune (desprovida de imunocomplexos) e, cada vez mais, os MPO- ANCAs são causalmente implicados. Recrutamento e ativação de neutrófilos num particular leito vascular podem ser responsáveis pela manifestação da doença • Morfologia: o Necrose fibrinoide segmentar da média, com lesões necrosantes transmurais segmentares o Está ausente a inflamação granulomatosa o Essas lesões se assemelham morfologicamente à poliarterite nodosa, mas tipicamente poupam artérias de médio e grande calibres; consequentemente, são incomuns os infartos macroscópicos o Vênulas pós-capilares: neutrófilos infiltrativos e fragmentados -> vasculite leucocitoclástica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 57 • Aspectos clínicos: hemoptise, hematúria e proteinúria; dor ou sangramento intestinal; dor ou fraqueza muscular; púrpura cutânea palpável Síndrome de Churg-Strauss • Vasculite necrosante de pequenos vasos classicamente associada a asma, rinite alérgica, infiltrados pulmonares, hipereosinofilia periférica e granulomas necrosantes extravasculares relativamente rara • As lesões vasculares podem ser histologicamente semelhantes à poliarterite nodosa ou poliangiite microscópica, mas também são caracteristicamente acompanhados por granulomas e eosinófilos • Estão presentes ANCAs, que são provavelmente responsáveis pelas manifestações vasculares da doença • O envolvimento cutâneo, sangramento do TGI e doença renal são as principais associações • Infiltrados miocárdicos de eosinófilos e citotoxicidade causada por eles são implicados na miocardiopatia vista na síndrome de Churg-Strauss Granulomatose de Wegner • Vasculite necrosante caracterizada por uma tríade • As formas limitadas da granulomatose de Wegner podem ficar restritas ao trato respiratório • Patogenia: reação de hipersensibilidade mediada por células T, possivelmente contra um agente infeccioso ou outro agente ambiental inalado; tal patogenia é apoiada pela presença de granulomas e uma resposta dramática à terapia imunossupressora • Morfologia: SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 58 o Sinusite inflamatória com granulomas de mucosa e lesões ulcerativas do nariz, palato ou faringe, rodeadas por granulomas com padrões geográficos de necrose central e vasculite acompanhando o Os granulomas permanentes são cercados por uma zona de proliferação fibroblástica com células gigantes e infiltrados de leucócitos, reminiscentes de infecções micobacterianas ou fúngicas o Múltiplos granulomas podem coalescer para produzir nódulos radiograficamente visíveis que também podem cavitar; a doença em estágio avançado pode ser marcada por envolvimento granulomatoso necrosante extenso do parênquima o A hemorragia alveolar pode ser proeminente o As lesões podem sofrer fibrose e organização progressivas o Pode ser visto um espectro de lesões renais. Nos estágios iniciais, os glomérulos exibem apenas necrose focal com trombose de alças capilares glomerulares isoladas; há proliferação mínima de células parietais na cápsula de Bowman. As lesões glomerulares mais avançadas caracterizam-se por necrose difusa e proliferação de células parietais, formando crescentes Tromboangiite obliterante (doença de Buerger) • Inflamação segmentar trombosante aguda e crônica de artérias de médio e pequenos calibres, principalmente as artérias tibial e radial, com ocasional extensão secundária às veias e nervos das extremidades • Patogenia: forte relação com o tabagismo -> toxicidade direta para as células endoteliais de algum componente do tabaco ou a uma resposta imune idiossincrásica aos mesmos agentes. A maioria dos pacientes tem hipersensibilidade a extratos de tabaco injetados via intradérmica e seus vasos exibem comprometimento da vasodilatação dependente do endotélio quando estimulados com a acetilcolina • Morfologia: o Vasculite nitidamente segmentar aguda e crônica das artérias de médio e pequeno calibres, predominantemente nas extremidades o Microscopicamente, há inflamação aguda e crônica, acompanhada por trombose luminal. Tipicamente, o trombo contém pequenos microabscessos compostos por neutrófilos cercados por inflamação granulomatosa; o trombo finalmente pode organizar-se e recanalizaro O processo inflamatório se estende às veias e nervos contíguos • Aspectos clínicos: flebite nodular superficial, sensibilidade ao frio do tipo Raynaud nas mãos, dor no arco do pé induzida pelo exercício (dor intensa, mesmo em repouso, relacionada indubitavelmente com o envolvimento neural). Podem aparecer ulcerações crônicas dos dedos dos pés, pés ou dedos das mãos, as quais podem ser seguidas, com o passar do tempo, por franca gangrena SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 59 • Resulta de uma vasoconstricção exagerada das artérias e arteríolas digitais • Induz a palidez ou cianose paroxística dos dedos das mãos ou dos pés • Alterações de cor vermelhas, brancas e azuis da parte mais proximal para a mais distal, correlacionando-se com vasodilatação proximal, vasoconstrição central e cianose mais distal • Primário: reflete um exagero de respostas vasomotoras centrais e locais ao frio ou a estresses emocionais. Estão ausentes alterações estruturais das paredes arteriais, exceto tardiamente na evolução, quando pode aparecer espessamento da íntima • Secundário: insuficiência vascular das extremidades secundária a uma doença arterial causada por outras entidades, inclusive o LES ou até aterosclerose SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 60 • São veias anormalmente dilatadas e tortuosas produzidas por pressão intraluminal aumentada e prolongada por perda de sustentação da parede dos vasos • Locais típicos: veias superficiais de veias inferiores e superiores • Aspectos clínicos: torna as valvas venosas incompetentes e leva a estase, congestão, edema, dor e trombose. Pode gerar edema persistente nas extremidades e alterações isquêmicas da pele, incluindo dermatite de estase e ulcerações. Mal cuidado com as lesões causa úlcera varicosa. • Varizes do esôfago: a cirrose hepática causa hipertensão portal. A hipertensão portal leva à abertura de shunts portossistêmicos que aumentam o fluxo sanguíneo para as veias na junção gastroesofágica, formando as varizes esofágicas, no reto, formando as hemorroidas e nas veias periumbilicais da parede abdominal (formando a cabeça de Medusa). Podem levar à hemorragia gastrointestinal maciça • Hemorroidas: dilatação varicosa primária do plexo venoso na junção anorretal. As hemorroidas podem trombosar e inflamar, além de serem propensas à ulceração dolorosa • Termos usados para designação de trombose e inflamação venosa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 61 • A afecção predisponente mais importante é a imobilização prolongada, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo para as veias • A hipercoagulabilidade sistêmica costuma predispor à tromboflebite • Sinal de Trousseau: a trombose venosa classicamente aparece em um local, desaparece e ocorre novamente em outras veias (tromboglebite migratória) • A dor pode ser desencadeada por pressão sobre as veias afetadas, aperto dos músculos das panturrilhas ou decúbito dorsal forçado do pé (Sinal de Homan). A ausência de achados não exclui TVP. • Embolia pulmonar é uma complicação séria de TVP. Em muitos casos, a primeira manifestação de tromboflebite é uma embolia pulmonar. • Veia cava superior: geralmente é causada por neoplasias que comprimem ou invadem a veacava superior, como o carcinoma broncogênico ou o linfoma do mediastino. Ocorre acentuada dilatação das veias da cabeça, pescoço e membros superiores, além de cianose. Os vãos pulmonares também podem ser comprimidos, causando angústia respiratória • Síndrome da veia cava inferior: pode ser causada por neoplasias que comprimem ou invadem a veia cava inferior, ou por um trombo das veias hepáticas, renal ou das extremidades inferiores que se propague cranialmente. A obstrução da veia cava inferior induz acentuado edema das extremidades inferiores, distensão das veias colaterais superficiais da parte inferior do abdome e, com envolvimento da veia renal, proteinúria maciça SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 62 • Linfedema secundário ou obstrutivo: origina-se de um bloqueio de um linfático previamente normal; tal obstrução pode resultar de: o Tumores malignos que obstruam canais linfáticos ou linfonodos regionais o Procedimentos cirúrgicos que removam grupos regionais de linfonodos o Fibrose pós-irradiação o Filariose o Trombose pós-inflamatória e formação de cicatriz • Aumenta a pressão hidrostática nos linfáticos distais à obstrução e causa aumento do acúmulo intersticial de líquido. A persistência do edema leva ao aumento da deposição de tecido conjuntivo intersticial, infiltração castanha da pele sobrejacente e, finalmente, a úlceras causadas pela perfusão tecidual inadequada. Os acúmulos leitosos de linfa, em vários espaços, são designados de ascite aquosa, quilotórax e quilopericárdio; eles são causados por ruptura de linfáticos dilatados, tipicamente obstruídos secundariamente a uma massa tumoral infiltrativa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 63 O coração • Bomba muito eficiente • Fornece aos tecidos um suprimento constante de nutrientes vitais e facilita a exceção de produtos residuais • Principal causador de mortes no mundo • Hipertrofia: aumento do peso do coração ou da espessura do ventrículo • Dilatação: aumento do tamanho de uma câmara cardíaca • Cardiomegalia: aumento do peso ou tamanho do coração ou de ambos, como resultado da hipertrofia e/ou dilatação • Função de bombeamento do coração • Miócitos ventriculares: estão dispostos de modo circunferencial em uma orientação espiral e se contraem durante a sístole e se distendem durante a diástole • A unidade contrátil é o sarcômero, um arranjo ordenado de filamentos espessos composto principalmente de miosina, filamentos finos contendo actina e proteínas reguladoras, tais como a troponina e tropomiosina. As células musculares cardíacas contêm arranjos de sarcômeros em série, que são responsáveis pela aparência estriada dessas células. Com a dilatação posterior, entretanto, existe um ponto no qual a sobreposição eficaz dos filamentos de miosina é reduzida e a força de contração diminui rapidamente, como ocorre na insuficiência cardíaca SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 64 • Miócitos atriais: apresentam os grânulos atriais específicos, que constituem o local de armazenamento do peptídeo natriurético atrial, responsável por causar vasodilatação, natriurese e diurese, ações que são benéficas em estados patológicos, tais como a hipertensão e a insuficiência cardíaca congestiva. • Anormalidades na distribuição espacial das junções comunicantes e suas respectivas proteínas na cardiopatia isquêmica e miocárdica podem contribuir para a disfunção eletromecânica (arritmia) e insuficiência cardíaca. • Mantêm o fluxo sanguíneo unidirecional no coração • Dependem da mobilidade, flexibilidade e integridade estrutural de suas bordas delicadas, chamadas folhetos (nas valvas mitral e tricúspide) ou cúspides (nas valvas aórtica e pulmonar, também conhecidas como as valvas semilunares) • Estrutura: o Uma camada de colágeno denso (fibrosa), próxima à superfície do fluxo de saída e contínua com as estruturas que dão suporte às válvulas o Uma camada central de tecido conjuntivo frouxo (esponjosa) o Uma camada rica em elastina (ventricular ou atrial, dependendo de qual câmara está em contato), situada abaixo da superfície do fluxo de entrada, e um revestimento endotelial. • O colágeno é responsável pela integridade mecânica da valva • A função das valvas semilunares depende da integridade e dos movimentos coordenados das inserções valvulares. Assim, a dilatação da raiz da aorta pode dificultar a coaptação das cúspides da valva aórtica durante o fechamento, produzindo regurgitação. Por outro lado, a competência das valvas atrioventriculares não depende somentedos folhetos e de suas inserções, mas também da conexão tendinosa dos músculos papilares da parede ventricular. A dilatação do ventrículo esquerdo, a ruptura de um tendão, uma disfunção do músculo papilar pode interferir no fechamento da valva mitral, levando à regurgitação SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 65 • As alterações patológicas das valvas, são, em sua maioria, de três tipos: lesão do colágeno com enfraquecimento dos folhetos (prolapso e mitral); calcificação nodular que se inicia nas células intersticiais (estenose aórtica calcificada) e espessamento fibrótico (cardiopatia reumática) • Composto por miócitos excitatórios e condutores especializados dentro do sistema de condução cardíaco que regula a frequência e o ritmo cardíaco 1. Marca-passo sinoatrial do coração, localizado próximo à junção do apêndice do átrio direito com a veia cava superior 2. Nó atrioventricular, localizado no átrio direito ao longo do septo atrial 3. Feixe de His, que segue do átrio direito até o ápice do septo ventricular, além de seus ramos direito e esquerdo, que se ramificam nos seus respectivos ventrículos através de divisões anterossuperior e posteroinferior do feixe esquerdo e da rede de Purkinje. • As células do sistema de condução cardíaco especializado despolarizam-se espontaneamente, fazendo com que elas funcionem como marcapassos cardíacos • O sistema nervoso autônomo, a mesma parte do sistema nervoso envolvida no controle da pressão arterial, controla a frequência do nó AS para ativar o início do ciclo cardíaco • Artérias coronarianas, que depois penetram no miocárdio (artérias intramurais)-> suprimento constante de sangue oxigenado -> fosforilação oxidativa pelas mitocôndrias dos miócitos, processo que torna o tecido cardíaco extremamente vulnerável à isquemia • Falência de bomba: o músculo cardíaco se contrai fraca ou inadequadamente, e as câmaras não são capazes de se esvaziar de modo apropriado. Às vezes, o músculo pode não ser capaz de relaxar o suficiente para permitir o enchimento ventricular • Obstrução do fluxo: lesões que obstruem o fluxo sanguíneo de um vaso ou impedem a abertura de uma valva, ou que aumentam a pressão da câmara ventricular (estenose aórtica valvular, HAS ou coarctação da aorta). No caso de um bloqueio valvular, o aumento da pressão faz a câmara que bombeia contra a obstrução trabalhar em demasia • Fluxo regurgitante: pelo menos uma parte do sangue expulso em cada contração flui para trás e adiciona uma sobrecarga de volume a cada uma das câmaras, que precisam bombear sangue extra • Fluxo colateral: o sangue pode ser desviado de uma parte do coração para outra, por defeitos que podem ser congênitos ou adquiridos. O fluxo colateral também pode ocorrer entre vasos, como em ductos arteriais persistentes • Distúrbios de condução cardíaca: os defeitos de condução ou arritmias devido à geração descoordenada de impulsos levam a contrações ineficientes e não uniformes das paredes musculares • Ruptura do coração ou de um vaso principal: há sangramento maciço dentro das cavidades corporais ou externamente SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 66 • A insuficiência cardíaca congestiva ocorre quando o coração é incapaz de bombear o sangue em uma taxa proporcional às necessidades metabólicas ou é capaz disso apenas na presença de uma pressão de enchimento elevada • Ela frequentemente se desenvolve de forma insidiosa devido aos efeitos cumulativos da sobrecarga de trabalho crônica, tal como na doença valvar ou na hipertensão, ou cardiopatia isquêmica. • Mecanismos fisiológicos que mantêm a pressão arterial e perfusão dos órgãos vitais: o Mecanismo de Frank-Starling: o aumento do volume dilata o coração e aumenta a formação de pontes transversais funcionais dentro dos sarcômeros, aumentando a contratilidade o Adaptações miocárdicas, incluindo hipertrofia com ou sem dilatação das câmaras cardíacas: remodelagem ventricular. Essas alterações frequentemente são adaptativas e podem levar a uma função cardíaca prejudicada. o Ativação dos sistemas neuro-humorais: liberação de norepinefrina pelos nervos cardíacos do sistema nervoso autônomo (eleva a frequência cardíaca e a contratilidade do miocárdio e resistência vascular), ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, liberação do peptídeo natriurético atrial (esses dois últimos para justar os volumes de enchimento e pressão) • Resulta da deterioração progressiva da função contrátil do miocárdio (disfunção sistólica); isso pode ser atribuído à lesão isquêmica, sobrecarga de pressão ou volume devido à doença valvular u hipertensão, ou cardiomiopatia dilatada SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 67 SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 68 • Hipertrofia dos miócitos que, cumulativamente, provoca um aumento do tamanho e peso do coração • É dependente do aumento da síntese de proteínas, o que possibilita a organização dos sarcômeros adicionais. Também contêm um maior número de mitocôndrias e núcleo aumentando • Em resposta ao aumento de pressão, os ventrículos desenvolvem a hipertrofia por sobrecarga de pressão, que geralmente causa um aumento concêntrico na espessura da parede. Os novos sarcômeros são depositados em paralelo ao longo do eixo das células, expandindo a área transversal dos miócitos. • A hipertrofia por sobrecarga de volume é caracterizada por dilatação do ventrículo, uma vez que os novos sarcômeros estão depositados em série com os sarcômeros existentes. Como resultado, a espessura da parede pode ser maior, normal ou menor do que o normal; então, o peso do coração, em vez da espessura da parede, é a melhor medida para corações com esse tipo de hipertrofia. • O aumento do tamanho do cardiomiócito não é acompanhado por um aumento proporcional do número de capilares. Como resultado, o suprimento de oxigênio e nutrientes para o coração hipertrofiado, especialmente para aquele que está com sobrecarga de pressão, é mais tênue do que para o coração normal • A hipertrofia também é frequentemente acompanhada pela deposição de tecido fibroso • Em nível funcional, está associada à maior demanda metabólica devido ao aumento de tensão na parede, frequência cardíaca e contratilidade, todos os quais aumentam o consumo de oxigênio cardíaco. Como resultado, o coração hipertrofiado é vulnerável à descompensação, que pode levar para a insuficiência cardíaca. Isso pode ocorrer através: 1. Do metabolismo anormal do miocárdio 2. Alterações na utilização intracelular dos íons cálcio 3. Da apoptose dos miócitos 4. Reprogramação gênica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 69 • Seja qual for a sua origem, a ICC é caracterizada por graus variáveis de débito cardíaco e perfusão tecidual reduzida (insuficiência retrógrada), sendo que o último fator pode levar à edema pulmonar, à edema periférico ou a ambos • O sistema cardiovascular é um sistema fechado. Então, embora a insuficiência do lado direito ou esquerdo possa ocorrer de modo independente, a insuficiência de um lado, especial o lado esquerdo, frequentemente resulta em esforço excessivo do outro, provocando insuficiência cardíaca global • Causas: cardiopatia isquêmica, hipertensão, doença valvular aórtica e mitral e doenças miocárdicas • Efeitos: congestão da circulação pulmonar, estase de sangue nas câmaras esquerdas e hipoperfusão dos tecidos levando à disfunção do órgão • Classificação: o Sistólica: insuficiência do débito cardíaco (“de bomba”), e pode, então, ser causada por desordens que lesam ou desorganizam a função contrátil do ventrículo esquerdo o Diastólica: o débito cardíaco está relativamente preservado no repouso, mas o ventrículo esquerda está normalmente inflexível ou limitado na sua capacidade de relaxar durante a diástole. Dessa forma, o coração é incapaz de aumentar seu débito em resposta ao aumento da demanda metabólica dostecidos periféricos. Qualquer aumento na pressão de enchimento é imediatamente solicitado a retornar à circulação pulmonar, produzindo edema pulmonar agudo o Podem se originar da fibrose do miocárdio, desordens infiltrativas relacionadas a cardiomiopatias restritivas e pericardite restritiva. • Morfologia: SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 70 o Ventrículo esquerdo hipertrofiado e frequentemente dilatado o Miócitos hipertrofiados e níveis variados de fibrose intersticial o Dilatação do átrio esquerdo e aumenta o risco de fibrilação atrial o Estase no apêndice atrial (formação de trombos) o Pulmões: edema pulmonar = pulmões pesados e úmidos. Edema perivascular e intersticial, que é responsável pelas linhas B de Kerley; alargamento edematoso progressivo dos septos alveolares e acúmulo de líquido edematoso nos espaços alveolares. Algumas hemácias podem extravasar par o fluído do edema -> célula da insuficiência cardíaca • Apresentação clínica: tosse e dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, fibrilação atrial, trombose e derrame tromboembolítico. A redução do débito cardíaco provoca uma redução da perfusão renal, à qual leva à ativação do sistema renina-agiotensina-aldosterona. Isso induz a retenção de sal e água e expansão dos fluídos intersticial e intravascular, efeitos compensatórios que podem exacerbar o edema pulmonar. Encefalopatia hipóxica, esturpor e coma. • É provocada pela insuficiência cardíaca esquerda, pois um aumente da pressão da circulação pulmonar decorrente da insuficiência cardíaca esquerda inevitavelmente produz uma carga no lado direito do coração • Cor pulmonale: está comumente associado a doenças do parênquima do pulmão, mas também pode surgir de odo secundário a desordens que afetam a vascularização pulmonar, ou que simplesmente produzem hipóxia • Causa comum: hipertensão pulmonar, que resulta em hipertrofia e dilatação do lado direito do coração • Morfologia o Hipertrofia e dilatação do átrio e ventrículo direito o Fígado e sistema portal: a congestão dos vasos hepáticos e portais pode produzir alterações patológicas do fígado, baço e intestino. O fígado geralmente está com aumento de tamanho e peso (hepatomegalia congestiva) devido a uma congestão passiva proeminente. A congestão é maior ao redor dos vasos centrais no interior dos lóbulos hepáticos, que mostram centros vermelhos- acastanhados e congestão e regiões periféricas mais pálidas, às vezes gordurosas; essa combinação produz a aparência de fígado “noz-moscada”. Quando a insuficiência cardíaca está presente, a intensa hipóxia central produz necrose centrolobular. Na insuficiência cardíaca direita de longa duração, as áreas centrais podem tornar-se fibróticas, originando a chamada esclerose cardíaca e, em alguns casos mais graves, a cirrose cardíaca. A hipertensão portal produz esplenomegalia congestiva, que também pode contribuir para congestão e edema crônicos na parede do intestino, interferindo na absorção de nutrientes o Espaços pleural, pericárdico e peritoneal: a congestão sistêmica venosa pode levar ao acúmulo de líquidos nos espaços pleural, pericárdico e peritoneal (derrames). Assim, o edema pulmonar e derrame pleural estão associados à insuficiência cardíaca esquerda. Além disso, o acúmulo de transudatos na cavidade peritoneal pode dar origem a ascite o Tecidos subcutâneos: edema no tornozelo (pedioso) e o edema pré-tibial são características inconfundíveis da insuficiência cardíaca direita. O edema maciço e generalizado (anasarca) também pode ocorrer • Aspectos clínicos: relacionados com a congestão venosa sistêmica e portal e incluem a hepatomegalia, edema periférico, derrames pleurais e ascite. Os órgãos que são mais comumente afetados incluem os rins e o cérebro. A congestão dos rins é mais pronunciada na insuficiência cardíaca direita do que na esquerda, provocando uma grande retenção de fluído, edema periférico e azotemia mais pronunciada. A congestão venosa e a hipóxia do sistema nervoso central podem produzir déficits de função mental que são essencialmente idênticos àqueles descritos na insuficiência cardíaca esquerda SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 71 • É a designação genética para um grupo de síndromes fisiologicamente relacionadas que resultam na isquemia do miocárdio- um desequilíbrio entre o suprimento (perfusão) e a demanda do coração por sangue oxigenado • Abrange não somente uma insuficiência de oxigênio, mas também uma disponibilidade reduzida de substratos de nutrientes e uma remoção inadequada de metabólitos • Geralmente é menos tolerada pelo coração do que a hipóxia • É uma redução do fluxo sanguíneo coronariano em razão de uma obstrução aterosclerótica nas artérias coronárias -> frequentemente denominada de doença arterial coronariana ou doença cardíaca coronariana • Manifestações clínicas: infarto do miocárdio (a isquemia provoca a morte do músculo cardíaco) angina pectoris (a isquemia não é grave o suficiente para provocar o infarto, mas pode ser uma ameaça para infarto do miocárdio), cardiopatia isquêmica crônica com insuficiência cardíaca, morte súbita cardíaca • Causas: aterosclerose coronariana, embolia coronariana, bloqueio de pequenos vasos sanguíneos do miocárdio e pressão sanguínea sistêmica baixa • Pode ser agravada por um aumento da demanda do coração por energia • Patogenia: o Perfusão coronariana diminuída com relação à demanda miocárdica, decorrente de um estreitamento aterosclerótico progressivo e crônico das artérias coronárias epicárdicas, e de vários graus de alteração aguda da placa sobreposta, trombose e vasoespasmo • Aterosclerose crônica: resultantes da progressiva invasão do lúmen que leva a uma estenose (obstruções fixas) ou da ruptura aguda da placa acompanhada de trombose, ambas comprometendo o fluxo de sangue • A isquemia miocárdica progressiva induzida por oclusões eu se desenvolvem lentamente estimula a formação de vasos colaterais ao longo do tempo, os quais podem proteger o coração contra a isquemia e infarto do miocárdio e mitigar os efeitos das estenoses de alto grau • Alteração aguda de placa: depende do número, distribuição, estrutura e grau de obstrução das placas ateromatosas. Não podem ser explicadas pela doença anatômica somente. A maioria dos casos, a alteração da placa provoca a formação de trombos superpostos que ocluem parcial ou completamente a artéria afetada • Consequências: isquemia miocárdica abaixo da região do trombo. A angina estável resulta de aumentos da demanda de oxigênio pelo miocárdio que ultrapassam a capacidade das artérias coronárias acentuadamente estenosadas de elevar a oferta de oxigênio, mas ela geralmente não está associada à ruptura de placas. A angina instável deriva de uma alteração súbita na morfologia da placa, que desencadeia uma agregação plaquetária particularmente oclusiva ou a formação de um trombo mural e, de uma vasoconstricção que provoca reduções intensas, mas transitórias do fluxo sanguíneo coronariano SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 72 • Caracterizada por ataques paroxísticos e geralmente recorrentes de desconforto torácico precordial ou subesternal (em aperto, ou semelhantes a uma facada), causados por isquemia miocárdica transitória que não chega a provocar a necrose celular que define o infarto. • Os três padrões de angina pectoris são causadas por demanda aumentada do miocárdio, diminuição da perfusão do miocárdio e patologia arterial coronariana • Nem todos os eventos isquêmicos são percebidos pelos pacientes (isquemia silenciosa) • Angina estável: causada pela redução da perfusão coronariana com relação à demanda do miocárdio, tal como aquela produzida pela atividade física, excitação emocional ou por qualquer outra causa de sobrecarga cardíaca. Geralmente é aliviada pelo repouso ou pela nitroglicerina, um potente vasodilatador que aumenta a perfusão •A angina instável refere-se a um padrão de dor que ocorre com uma frequência crescente, frequentemente de uma duração prolongada que é precipitada por esforços progressivamente menores ou que ocorre mesmo em repouso. Na maioria dos pacientes, é causada pela ruptura de uma placa aterosclerótica com SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 73 trombose mural superposta e, possivelmente, formação de êmbolos ou vasoespasmos. A angina instável então serve de alerta para um iminente IM agudo (angina pré-infarto) • Morte do músculo cardíaco resultante de isquemia grave prolongada • Oclusão arterial coronariana: o Alteração súbita da morfologia de uma placa ateromatosa, que pode consistir em hemorragia no interior da placa, erosão ou ulceração, ou ruptura ou fissuramento o Quando são expostas ao colágeno subepitelial e ao conteúdo necrótico da placam as plaquetas dão início aos processos de adesão, agregação, ativação e liberação de potentes agentes agregadores para formar o microtrombo o O vasoespasmo é estimulado por mediadores liberados das plaquetas o O fator tecidual ativa a cascata de coagulação, aumentando o volume do trombo o Frequentemente, dentro de minutos, o trombo evolui e oclui completamente o lúmen do vaso • Em aproximadamente 10% dos casos, o IM transmural ocorre na ausência de uma patologia vascular coronariana típica. Os mecanismos responsáveis pela redução do fluxo sanguíneo coronário incluem: vasoespasmo, êmbolos e isquemia sem aterosclerose e trombose coronariana detectável • Resposta do miocárdio: a obstrução da artéria coronariana compromete o suprimento sanguíneo a uma região do miocárdio provocando isquemia, disfunção do miocárdio e potencial morte celular. A região anatômica irrigada por essa artéria é denominada área de risco. O prognóstico depende predominantemente da gravidade e duração da privação do fluxo o Cessação do metabolismo aeróbico em um período de segundos, levando à produção inadequada de fosfatos de alta energia e ao acúmulo de produtos de degradação potencialmente nocivos o Por causa da extrema dependência da função do miocárdio do oxigênio, a isquemia grave induz a perda de contratilidade dentro de 60 segundos. Esse fato pode precipitar o aparecimento de uma insuficiência cardíaca antes do inicio da morte das células do miocárdio SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 74 • Na maioria dos casos de IM agudo, o dano permanente ao coração ocorre quando a perfusão do miocárdio está gravemente reduzida, por um intervalo de tempo extenso, geralmente em 2-4 horas • A isquemia é mais pronunciada no subendocárdio, então, uma lesão irreversível dos miócitos isquêmicos ocorre primeiro na zona subendocárdica. Com a isquemia mais extensa, uma frente de onda de morte celular se move através do miocárdio e penetra cada vez mais na espessura transmural da zona isquêmica. A localização precisa, tamanho e características morfológicas específicas de um IM agudo dependem: o Do local, intensidade e taxa de desenvolvimento da obstrução aterosclerótica o Do tamanho do leito vascular irrigado pelos vasos obstruídos o Da duração da oclusão o Da quantidade de vasos sanguíneos colaterais: pouco sangue circula através de circulação colateral no coração normal. Entretanto, quando uma artéria está muito estreitada, o sangue passa pelas colaterais por um sistema de alta a baixa pressão e provoca a ampliação dos canais. Assim, a dilatação progressiva e o crescimento de vasos colaterais, estimulados pela isquemia, podem desempenhar um papel no fornecimento de fluxo sanguíneo para a área do miocárdio que está desprovida de perfusão adequada • Infarto transmural: a necrose isquêmica envolve toda ou quase toda a espessura da parede ventricular na distribuição de uma única artéria coronária. Geralmente está associado à combinação de aterosclerose coronariana crônica, alteração aguda da placa e trombose superposta • Infarto não transmural: constitui uma área de necrose isquêmica limitada ao terço interno à metade da parede ventricular. É a última região perfundida do miocárdio, sendo a mais vulnerável a qualquer redução do fluxo coronariano. Pode ocorrer como resultado do rompimento de uma placa seguido por um trombo SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 75 coronário que se torna lisado antes da necrose do miocárdio se estender ao longo de toda a espessura da parede; nesse caso, o infarto estará limitado à região irrigada pela artéria coronária que foi atingida pela alteração na placa • Morfologia: o Depende da duração da sobrevida do paciente após o IM o As áreas lesadas passam por uma sequência progressiva de alterações morfológicas que consistem em típica necrose isquêmica por coagulação, seguida da inflamação e reparo que se assemelham muito mais às respostas teciduais à lesão em outros locais o Fibras onduladas podem estar presentes na periferia da área do infarto -> esforço sistólico vigoroso realizado pelas fibras viáveis imediatamente adjacentes às fibras mortas não contráteis, que em consequência, sofrem alongamento. o Degeneração vacuolar ou miocitólise: origina grandes espaços vacuolares no interior das células, os quis provavelmente contêm água o O músculo necrosado produz uma inflamação aguda. Após os macrófagos removerem os miócitos necrosados e a zona lesada é progressivamente substituída por um tecido de granulação altamente vascularizado que cresce para o interior da área lesada e se torna progressivamente menos vascularizado e mais fibroso. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 76 o O processo de cura da área do infarto se inicia nas bordas e caminha em direção ao centro -> uma área de grandes infartos pode não se curar tão rapidamente nem tão completamente quanto uma área de infarto pequena o Uma área de infarto curada pode não ter aspecto tão uniforme, exibindo uma cura mais avançada na periferia SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 77 SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 78 • Complicações: o Disfunção contrátil o Arritmia o Ruptura do miocárdio o Pericardite o Infarto do ventrículo direito o Extensão da área de infarto o Expansão da área de infarto o Trombo mural o Aneurisma ventricular o Disfunção de músculos papilares o Insuficiência progressiva cardíaca • Morte inesperada de origem cardíaca em indivíduos sem doença cardíaca sintomática ou logo após o início de um sintoma • É consequência de uma arritmia letal • A isquemia aguda do miocárdio é o mecanismo desencadeante mais comum para arritmias fatais • Embora a lesão isquêmica possa afetar o sistema de condução e gerar instabilidade cardíaca eletromecânica, na maioria dos casos a arritmia fatal é desencadeada por uma instabilidade elétrica induzida por isquemia do miocárdio que está distante do sistema de condução • Causas: o Estenose da valva aórtica SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 79 o Prolapso de mitral o Miocardite o Miocardiopatia dilatada ou hipertrófica o Hipertensão pulmonar o Arritmias cardíacas o Hipertrofia cardíaca d qualquer origem • Morfologia: o A aterosclerose coronariana acentuada com estenose crítica está presente o A maior parte dos casos parece resultar de uma irritabilidade induzida por isquemia do miocárdio que inicia arritmias ventriculares malignas o Cicatrize de infartos anteriores e vacuolização do miócito subendocárdico indicativa de isquemia crônica grave são comuns nos pacientes • Resposta do coração à demanda aumentada induzida pela hipertensão, que provoca sobrecarga de pressão e hipertrofia ventricular • A hipertensão pulmonar pode provocar CH direita ou cor pulmonale • Resposta adaptativa à sobrecarga por pressão que pode levar à disfunção do miocárdio, dilatação cardíaca, ICC e alguns casos de morte súbita • Hipertrofia do ventrículo esquerdo, geralmente concêntrica, na ausência de outrapatologia cardiovascular • História ou evidências patológicas de hipertensão • Morfologia: o Hipertrofia do ventrículo esquerdo por sobrecarga de pressão sem que ocorra inicialmente dilatação do ventrículo o Espessura da parede do ventrículo esquerdo aumenta o peso do coração de modo desproporcionalmente ao aumento do tamanho total do coração o Após algum tempo, o aumente na espessura da parede do ventrículo esquerdo confere a essa câmara uma rigidez que prejudica o enchimento diastólico, levando, com frequência, à dilatação do átrio esquerdo o Aumento do diâmetro transversal dos miócitos, que pode ser difícil de ser visualizado ao exame microscópico o Em uma fase mais avançada, graus variáveis de aumento celular e nuclear se tornam evidentes, frequentemente acompanhados de fibrose intersticial • A vascularização pulmonar está na circulação de baixa pressão, o ventrículo direito possui uma parede mais fina e mais complacente do que o ventrículo esquerdo • Origina-se da sobrecarga da pressão do ventrículo direito e é caracterizada pela hipertrofia do ventrículo direito, dilatação e insuficiência do ventrículo direito secundária à hipertensão pulmonar • Agudo: pode surgir após uma embolia pulmonar maciça. Há acentuada dilatação do ventrículo direito sem hipertrofia. No corte transversal, o ventrículo direito, que possui o formato normal de crescente, exibe um formato ovoide dilatado SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 80 • Crônico: DPOC. A parede do ventrículo direito se espessa, com o espessamento de fibras musculares da via de saída, ou do feixe moderador, o feixe muscular que conecta o septo ventricular ao músculo papilar anterior do ventrículo direito. Algumas vezes, pode comprimir a câmara ventricular esquerda, ou leva à regurgitação tricúspide com espessamento fibroso desta válvula. A gordura da parede pode desaparecer e os miócitos se alinham de um modo circunferencial • Estenose: falha de abertura completa da valva, impedindo o fluxo para frente • Insuficiência: falha de fechamento completo da valva, possibilitando um fluxo reverso • Regurgitação funcional: incompetência de uma valva originada de uma anomalia de uma de suas estruturas de suporte. Exemplo: regurgitação mitral isquêmica • Consequências dependem da valva envolvida, do grau da lesão, do tempo em que a doença se desenvolve (se é um quadro agudo ou crônico), da velocidade e da qualidade dos mecanismos compensatórios • A estenose ou a insuficiência valvular podem produzir alterações secundárias, proximal e distalmente à valva afetada -> a estenose valvular causa sobrecarga de pressão no coração, enquanto uma insuficiência valvular gera sobrecarga por volume do coração • Em casos de estenose, a ejeção do sangue ocorre em alta velocidade, o que pode lesar a região endocárdica atingida • Causas: o Estenose aórtica: calcificação da valva aórtica normal e de valva aórtica bicúspide de origem congênita o Insuficiência aórtica: dilatação da aorta ascendente relacionada à hipertensão e ao envelhecimento o Estenose mitral: cardiopatia reumática o Insuficiência mitral: prolapso de valva mitral • Consequência do uso e do desgaste associado à idade • Morfologia: o Origem não reumática: presença de massas calcificadas e amontoadas, situadas dentro das cúspides aórticas e que se projetam para a superfície de saída para dentro dos seios de valsava, impedindo a abertura das cúspides SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 81 o Área funcional diminuída pelos grandes depósitos de cálcio, que podem obstruir o fluxo de saída, o que submete o coração a uma sobrecarga de pressão progressivamente crescente • Aspectos clínicos: hipertrofia concêntrica do coração esquerdo, devido à sobrecarga de pressão, tendendo a apresentar áreas isquêmicas e podendo apresentar angina pectoris. As funções do coração podem estar prejudicadas, contribuindo para a instalação de um quadro de ICC caso haja descompensação cardíaca • Os depósitos calcificados degenerativos podem se desenvolver no anel fibroso periférico da valva mitral • Apresenta nódulos irregulares, com consistência dura e que podem ser ulcerados • Pode causar: o Regurgitação, por interferir na contração fisiológica do anel valvar o Estenose, pois os depósitos calcificados prejudicam a abertura dos folhetos o Arritmias, quando os depósitos de cálcio afetam o sistema de condução atrioventricular o Risco aumentado de formação de trombos o Nicho para endocardite infecciosa Prolapso de valva mitral • Um ou ambos os folhetos da valva mitral estão frouxos e sofrem abaulamento para dentro do átrio durante a sístole (prolapso) • Alteração fisiopatológica: degeneração mixomatosa • Morfologia: o Balonização dos folhetos mitrais ou de parte deles entre as cordas tendíneas o Folhetos afetados aumentados, redundantes, espessos e elásticos o Cordas tendíneas associadas alongadas, adelgaçadas e/ou rompidas o Anéis valvares dilatados o Enfraquecimento da camada fibrosa da valva e espessamento focal da camada esponjosa com deposição de material mixomatoso (mucoso) o Alterações secundárias: espessamento fibroso dos folhetos da valva, espessamento linear onde as cordas tendíneas se chocam com a valva, espessamento do endocárdio mural do átrio ou do Mixoma: deterioração do tecido conjuntivo do interior do coração SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 82 ventrículo esquerdo por causa da fricção dos folhetos prolapsados, formação de trombos sobre a superfície atrial dos folhetos ou pelas paredes atriais e calcificação focal na base do folheto mitral posterior • Doença inflamatória aguda e multissistêmica que ocorre mediada pelo sistema imunológico após um episódio de faringite ou infecção cutânea por estreptococos do grupo beta hemolítico A • A cardite reumática se apresenta durante a fase aguda da doença, mas pode progredir para uma cardiopatia crônica, que recebe destaque devido às alterações valvares presentes • Característica: doença valvular fibrótica deformante -> estenose mitral • Morfologia: o Lesões inflamatórias focais SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 83 o Nódulos de Aschoff: focos de linfócitos T e macrófagos grandes ativados, que apresentam citoplasma abundante e núcleos centrais com formato ovóide e com cromatina deposta em formato de lagarta o Pancardite: a inflamação difusa e os nódulos de Aschoff podem ser encontrados em qualquer uma das três camadas do coração o Verrugas ao longo das linhas de fechamento das cúspides. o A inflamação do endocárdio e das valvas resultam em necrose fibrinoide no interior das cúspides ou ao longo das cordas tendíneas o Placas de MacCallum: espessamentos irregulares no endocárdio devido às lesões subendocárdicas causadas por jatos de regurgitação o Forma crônica: espessamento dos folhetos, fusão e encurtamento das comissuras e espessamento e fusão das cordas tendíneas o Estenoses em boca de peixe são comuns quando as pontes fibrosas envolvem a valva aórtica e a mitral o Inflamação aguda e fibrose difusa com neovascularização que oblitera a arquitetura do folheto mitral • Patogenia: os anticorpos que atuam contra as proteínas dos estreptococos mostram reação cruzada com os antígenos do coração, com envolvimento dos linfócitos TCD4+ específicas para proteínas estreptocócicas, produzindo citocinas ativadoras de macrófagos • Aspectos clínico: o Poliartrite migratória o Pancardite o Nódulos subcutâneos o Eritema marginatum o Coreia de Syndenham o Critérios de Jones: evidências de infecção prévia por estreptococos do grupo A, com a presença de duas principais manifestações citadas neste tópico e duas secundárias (sinais e sintomas inespecíficos, como febre e mal estar) SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 84 • Doença cardíaca de é resultado de uma anormalidade primária (própria)do miocárdio • Consequência: anormalidades na espessura da parede cardíaca, no tamanho da câmara e disfunção mecânica e/ou elétrica • Ponto mais importante: disfunção cardíaca • Miocardiopatias primárias: doenças que estão confinadas principalmente ao coração • Miocardiopatias secundárias: envolvimento miocárdico como componente de desordem sistêmica • Classificação: miocardiopatia dilatada, miocardiopatia hipertrófica ou miocardiopatia restritiva SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 85 • Dilatação cardíaca progressiva e disfunção sistólica, com hipertrofia concomitante • Morfologia: o Coração pesado e flácido (dilatação de todas as câmaras) o Trombos murais são comuns o Regurgitação mitral ou tricúspide, como resultado da dilatação do ventrículo esquerdo (dilatação funcional) o A maioria das células musculares está hipertrofiada com núcleos aumentados ou estão adelgaçadas, esticadas e irregulares o Fibrose intersticial e endocárdica de graus variáveis o Pequenas cicatrizes subendocárdicas podem substituir células individuais ou grupo de células, provavelmente refletindo a cicatrização de uma necrose isquêmica prévia dos miócitos causada por m desequilíbrio entre a perfusão e a demanda • Patogenia: miocardite, intoxicação e gravidez SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 86 • Aspectos clínicos o Sinais e sintomas lentamente progressivos de IC, como folego curto, cansaço fácil e fadiga aos esforços. Pode ocorrer regurgitação mitral e ritmos cardíacos anormais • Hipertrofia do miocárdio, com complacência deficiente do ventrículo esquerdo, provocando enchimento diastólico anormal e obstrução intermitente ao fluxo de saída do ventrículo • Coração pesado, com paredes espessadas, hipercontrátil e com disfunção diastólica • Doenças de deposição do coração (amiloidose) e cardiopatia hipertensiva • Morfologia: o Hipertrofia maciça do miocárdio sem dilatação ventricular o Espessamento desproporcional do septo ventricular o Cavidade ventricular amorfa, perdendo sua forma arredondada e ovoide e pode estar comprimida, ficando com o formato de uma banana (projeção do septo ventricular para dentro do lúmen) o Espessamento endocárdico ou formação de placas murais na vida de saída do ventrículo esquerdo e de espessamento do folheto mitral anterior o Extensa hipertrofia dos miócitos o Desarranjo aleatório dos feixes de miócitos, dos miócitos individuais e dos elementos contráteis nos sarcômero e fibrose intersticial e de substituição SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 87 • Aspectos clínicos: o Redução do volume sistólico devido ao enchimento diastólico deficiente que resulta em um tamanho reduzido da câmara e da diminuição da complacência do ventrículo esquerdo muito hipertrofiado o Limitação do débito cardíaco e aumento secundário da pressão venosa pulmonar provocam dispneia aos esforços o A ausculta apresenta sopro sistólico de ejeção áspero, causado pela obstrução da via de saída do ventrículo pelo folheto mitral anterior que se move na direção do septo ventricular durante a sístole o Isquemia miocárdica focal -> dor anginosa • Diminuição primária da complacência ventricular, que resulta em um enchimento ventricular deficiente durante a diástole • Morfologia: os ventrículos apresentam tamanho normal ou ligeiramente aumentado, com miocárdio firme e não complacente. Ocorre dilatação biatrial, com fibrose intersticial focal ou difusa SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 88 Os rins • O rim excreta os produtos residuais do metabolismo, regula a concentração corporal de água e sais, mantém o equilíbrio ácido-base adequado para o plasma e apresenta função endócrina ao produzir hormônios como a eritropoetina, renina e prostaglandinas • O estudo das doenças renais é facilitado pela sua divisão em doenças que afetam os quatro componentes morfológicos básicos: os glomérulos, túbulos, interstícios e vasos sanguíneos • A maioria das doenças glomerulares é mediada imunologicamente, enquanto os distúrbios tubulares e intersticiais são frequentemente causados por agentes tóxicos ou infecciosos • Uma doença primariamente nos vasos sanguíneos, inevitavelmente, afeta todas as estruturas que dependem deste suprimento sanguíneo. Diversos danos glomerulares graves prejudicam o fluxo através do sistema vascular, peritubular e também distribui produtos potencialmente tóxicos para os túbulos; contrariamente, a distribuição tubular pelo aumento de pressão intragomerular, pode induzir a injúria glomerular. Logo, qualquer que seja a sua origem, há uma tendência para que todas as formas de doenças renais crônicas destruam todos os componentes do rim, resultando em insuficiência renal crônica e n que foi chamado de rins terminais. • A parede capilar glomerular é a membrana filtrante e apresenta como estruturas: o Células endoteliais fenestradas o Membrana basal glomerular, que consiste em colágeno, laminina, proteoglicanos, fibronectina e outras glicoproteínas, formando uma rede na qual os proteoglicanos aderem o Células epiteliais viscerais o Tufo glomerular com células mesangiais localizadas entre os capilares. São células contráteis, fagocíticas e capazes de proliferar • Características dos glomérulos: permeabilidade alta à água e pequenos solutos, devido à natureza fenestrada do endotélio, e impermeabilidade a proteínas, como moléculas do tamanho da albumina ou SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 89 maiores. Quanto maior a proteína, menos permeável é a barreira de filtração glomerular, e quanto mais catiônica a molécula, mais permeável. • Inflamação nos glomérulos • Os pacientes apresentam hematúria, grumos de células vermelhas na urina, azotemia, oligúria e hipertensão leve a moderada. A proteinúria e o edema são comuns, mas não são tão graves como na síndrome nefrótica • Glomerulonefrite proliferativa pós estreptocócica aguda: lesões causadas pelos complexos imunológicos, em que o agente incitante pode ser exógeno ou endógeno. Somente a linhagem beta-hemolítica A é nefritogênicos. Existem depósitos imunológicos nos glomérulos, provando eu o mecanismo é mediado por complexos imunológicos. O componente antigênico estreptocócico responsável pela reação imunológica evitou sua identificação durante anos • Morfologia: o Glomérulo aumentado e hipercelular o A hipercelularidade é causada pela infiltração por leucócitos, proliferação de células endoteliais e mesangiais e, em casos graves, formação de crescentes. o A proliferação e infiltração dos leucócitos é difusa, envolvendo todos os lóbulos do glomérulo o Há inchaço das células endoteliais e a combinação da proliferação, do inchaço e da infiltração leucocítica oblitera o lúmen dos capilares, podendo haver edema intersticial e inflamação o Depósitos eletrodensos discretos e amorfos do lado epitelial da membrana, apresentando aparência de protuberância • Curso clínico: grumos de células vermelhas na urina, proteinúria leve, edema periorbital e hipertensão leve a moderada SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 90 • Pode-se dizer que a síndrome nefrótica é bem definida por sua fisiopatologia, ou seja, presença de edema, proteinuria de 24 horas, acima de 3.5g/1.73 m^2 de superfície corporal; hipoalbuminemia e hiperlipidemia • A nível de glomérulo ocorre um desarranjo nas paredes dos capilares glomerulares o que aumenta sua permeabilidade. Isso causa a proteinúria maciça e consequentemente ocorre uma diminuição da concentração de albumina sérica, o que também causa hipoalbuminemia. Hipoalbuminemia reduz a pressão oncótica do plasma causando uma anasarca. • Anasarca também pode ser causada por um aumento da concentração de aldosterona ou por um aumento do estímulo simpático ou pela redução do fator natriurético peptídeo atrial. • A proteinúria pode ser classificadade 2 tipos: • Altamente seletiva, ou seja, com a presença de proteínas de baixo peso molecular na urina . • Fracamente Seletiva, ou seja, com proteína de alto peso molecular na urina. Isso faz com que os pacientes sejam mais suscetíveis a infecções, pois haverá perda de imunoglobulinas na urina. Isso também pode levar a complicações por haver perda de anticoagulantes endógenos e plasmina na urina. • CAUSAS o Crianças com menos de 17 anos: Lesão Primária do rim (Glomeruloesclerose segmentar focal; Doença da lesão mínima; Glomerulopatia membranosa; Glomerulonefrite proliferativa) o Adultos: Doenças sistêmica (Diabetes; lúpus eritematosos sistêmico) • É uma doença crônica mediada por distúrbios imunológicos. Espessamento difuso da parede capilar glomerular devido ao acúmulo de depósitos eletrodensos contendo imunoglobulinas ao longo do lado subepitelial da membrana basal. Resumidamente, é uma doença autoimune ligada a genes de suscetibilidade e causada provavelmente por anticorpos para um autoantígeno renal • Causado, também, por uma nefropatia secundária associada a outras causas sistêmicas: Drogas; tumores malignos subjacentes; lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças autoimunes. • Patogenia: Uma mutação no gene C5b-C9 leva à ativação das células glomerulares, epiteliais e mesangiais. Essa ativação leva a liberação de proteases e oxidantes, causando injúria da parede capilar e extravasamento de proteínas • Morfologia o Microscopia óptica: Espessamento uniforme e difuso da parede capilar glomerular o Microscopia eletrônica: Depósitos densos, irregulares dos complexos imunológicos entre a membrana basal e células epiteliais sobrejacentes, destruindo os processos pediculares o As espículas irregulares se projetam da MBG causando espessamento com protusões semelhantes a cupulas. Essas protusões se fecham sobre os depósitos imunológicos, gerando uma membrana irregular espessada que com o passar do tempo dá origem a uma esclerose • Causa mais frequente em crianças de 2-6 anos. • É a destruição difusa dos podócitos das células epiteliais nos glomérulos, sendo que estes aparecem normais por microscopia óptica. Seu aspecto mais característico é sua resposta geralmente complicada à terapia corticoesteróides. • Pode ocorrer após uma infecção respiratória ou vacinação de rotina. • Patogenia: A fisiopatologia se justifica em bases imunológicas e isso é corroborado com a associação infecções respiratórias e vacinação; a resposta ao tratamento com corticosteróides; associação com outros distúrbios atópicos (rinite); prevalência aumentada em certos haplotipos HLA em pacientes com lesão mínima associada à atopia; aumento da incidência em pacientes com linfoma de Hodgkin. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 91 • Hipótese atual: A disfunção imunologica leva a produção de citocinas que danificam as células epitelias viscerais, ocasionando uma injúria primária, além de possibilitar a proteinúria. Nesta é possível identificar 2 proteínas: Nefrina e Apodocina, que apresentam possíveis rotas: o Transcelular o Espaços residuais dos pedículos remanescentes danificados ou espaços anormais abaixo deles. o Extravasamento através de focos de destacamento das células epiteliais e da membrana basal. • Morfologia: O diagnóstico só pode ser feito quando a destruição está associada aos glomérulos normais por microscopia óptica. • A principal lesão é nas células epiteliais viscerais, que causam destruição uniforme e difusa dos processos pediculares. Isso forma um aro de citoplasma causando vacuolização, inchaço e hiperplasia dos vilos. Portanto, pode-se dizer que há uma simplificação da arquitetura das células. • Os túbulos proximais estão carregados com lipídeos e proteínas. Significando uma reabsorção tubular de lipoproteínas através de glomérulos doentes • Aspectos Clínicos: o Função renal permanece boa e sem hipertensão ou hematúria o Proteinúria altamente seletiva o Bom prognóstico • Enrijecimento de parte do tufo capilar de alguns glomérulos. • Ocorrências: Doença primária (Glomeruloesclerose segmentar focal idiotapática); Nefropatia de HIV; Nefropatia de Heroína; obesidade massiva; doença falciforme; como evento secundário à nefropatia de IgA; resposta à ablação renal; nefropatia de refluxo; nefropatia hipertensiva; agenesia renal unilateral ou forma hereditária incomum da síndrome nefrótica. • Patogenia: Citocina circulante ou defeitos genéticos que afetam o diafragma fenestrado propiciando degeneração e ruptura das células epiteliais viscerais. Com isso há um aumento da depoisção da matriz extracelular ocasionando o aprisionamento de proteínas que é manifestado com hialinose e esclerose. • Morfologia: Início nos néfrons justaglomerulares; há o colapso das alças capilares; aumento da deposição da MEC; hialinose que oclui os capilares; gotículas lipídicas e células espumosas; destruição difusa do processos pediculares; destacamento focal das células epiteliais e destacamento da MBG subjacente • Aspectos Clínicos: o aumento da hematúria o redução da taxa filtração glomerular o Hipertensão proteinúria não seletiva o Resposta fraca a terapia com corticoesteróides • Progressão para doença renal crônica • Definição: Alterações na membrana basal glomerular na proliferação das células glomerulares e na infiltração leucocítica. • Predominante no mesângio, podendo envolver os capilares • Representa de 10% - 20% dos casos da síndrome nefrótica em adulto jovens • Pode estar associado com distúrbios sistêmicos e agentes etiológicos conhecidos (Tipo II) ou ser idiopático (Tipo I) • Patogenia: SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 92 Tipo I • Apresenta complexo imunológico nos glomérulos junto com a ativação da via clássica e alternativa do complemento • Antígenos envolvidos são desconhecidos Tipo II (Doença do Depósito Denso) • Presença de anormalidades leva à ativação da via alternativa do complemento • Redução dos níveis séricos de C3 • C1 e C4 normais • Redução do fator B e da properdina que são componentes da via alternativa do complemento • IgG não é depositado no glomérulo • O anticorpo circulante é fator nefrítico C3 • Morfologia: o Similar para ambos os casos o Glomérulos grandes e Hipercelulares. A hipercelularidade deve-se a proliferação de células do mesângio, proliferação endocapilar com componentes do endotélio e de leucócitos o Crescente presente o MBG espessada segmentalmente. Esse fator é muito bem notado nas alças capilares periféricas e vão apresentar um contorno duplo o Glomérulos de aparência lobular o Duplicação da membrana basal devido aos depósitos subendoteliais do complexo imunológico que irão favorecer a síntese de uma nova membrana o Tipo I: Depósitos eletrodensos subendoteliais; C3 depositado em padrão granular; IgG C1 e C4 presentes indicando que há uma patogenia do complexo imunológico o Tipo II: MBG irregular em forma de fita; depósito de material denso, C3 em foco irregulares na MBG e em anéis mesangiais e IgG ausente • Aspecto Clínicos: o Síndrome Nefrótica e Nefrítica o Hematúria o Proteinúria branda o Curso lento, progressivo e contínuo o 50% dos casos pode evoluir para falência renal crônica em um período de 10 anos • Há duas teorias para ocorrência do edema: • Teoria do Subenchimento: A proteinúria altamente seletiva leva a uma hipoalbuminemia e a uma redução da pressão oncótica do plasma. Esses dois fatores combinados resultam na ultra infiltração capilar responsável por gerar o edema. Pode ocorrer necrose tubular se as alterações hemodinâmicas persistirem. • Aumento do sistema renina-angiotensina e da concentração plamáica da norepinefrina. • Hipovolemia acontece no compartimento arterial da circulação • Teoria do Super enchimento: Aumento da concentração de sódio nos rins juntamente com aumento da absorçãode água, causando uma expensao do volume intravascular responsável por gerar o edema SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 93 • Azotemia: anormalidade bioquímica que se refere a uma elevação dos níveis de nitrogênio da ureia sanguínea e da creatinina, e está amplamente relacionada com uma taxa de filtração glomerular diminuída o Azotemia pré-renal: encontrada quando há hipoperfusão dos rins que prejudica a função renal na ausência de danos parenquimais o Azotemia pós-renal: quando o fluxo urinário está obstruído além dos níveis do rim • Uremia: falência da função excretora renal, com o aumento de alterações metabólicas e endócrina que resultam em danos renais. Os pacientes manifestam um envolvimento secundário do sistema gastrointestinal, de nervos periféricos e do coração • Síndrome nefrítica: doença glomerular dominada por um início agudo de uma hematúria macroscópica, proteinúria branda ou moderada e hipertensão • Glomerulonefrite rapidamente progressiva: síndrome nefrítica com declínio rápido da TFG • Síndrome nefrótica: proteinúria intensa, hpoalbuminemia, edema grave, hiperlipidemia e lipidúria • Insuficiência renal aguda: oligúria ou anúria. Pode resultar de injúrias glomerulares, intersticiais ou vasculares, ou de injúrias tubulares agudas • Insuficiência renal crônica: sintomas e sinais prolongados de uremia, sendo resultado final de todas as doenças parenquimais renais crônicas • Distúrbio renal que afeta os túbulos, interstício e pelve renal • A pielonefrite aguda é causada por infecção bacteriana e é a lesão renal associada à infecção do trato urinário • A pielonefrite crônica é um distúrbio m que a infecção bacteriana desempenha um papel dominante, mas outros fatores, como refluxo vesicoureteral, estão envolvidos • A infecção do trato urinário inferior sempre carrega o risco de se espalhar para o rim • A infecção ascendente é a causa mais comum de pielonefrite crônica • Passos para que ocorra a infecção ascendente: o Colonização da uretra distal e do intrólito, com a capacidade da bactéria de aderir às células epiteliais da mucosa da uretra o Da uretra para a bexiga: os organismos entram durante a cateterização uretral ou uma outra instrumentação o Obstrução do trato urinário e estase da urina: geralmente, os organismos introduzidos na bexiga são eliminados pelo fluxo contínuo do esvaziamento e pelos mecanismos antibacterianos. No entanto, a obstrução do fluxo de saída ou a disfunção da bexiga resultam em esvaziamento incompleto e volume residual de urina aumentado. Na presença de estase, as bactérias introduzidas na bexiga podem se multiplicar livremente sem serem lavadas ou destruídas. Consequentemente, a infecção do trato urinário é particularmente frequente entre pacientes com obstrução do trato urinário inferior o Refluxo vesicoutereteral: a incompetência da válvula vesicoureteral é o que permite que as bactérias subam do ureter até a pelve renal o Refluxo intrarrenal: o refluxo vesicoureteral também proporciona mecanismo útil pelo qual a urina da bexiga infectada pode ser propelida para cima para pelve renal e profundamente para o parênquima renal através dos ductos abertos na ponta das papilas (refluxo intrarrenal) SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 94 • Inflamação supurativa aguda do rim causada por infecções bacterianas • Morfologia: o Agregados intratubulares de neutrófilos e necrose tubular o A supuração pode ocorrer em abcessos focais nítidos envolvendo um ou ambos os rins, o que pode se estender para grandes áreas de supuração em forma de cunha o As lesões apresentam padrão imprevisível de distribuição o A necrose papilar geralmente é bilateral, mas pode ser unilateral. Apresentam-se como páreas branco-acinzentadas ou amarelas o Necrose coagulativa, com preservação do contorno dos túbulos o Pielonefrose é observada quando há obstrução total ou quase completa, particularmente da parte alta do trato urinário. O exsudato supurativo é incapaz de drenar e, portanto, enche a pelve renal, os cálices e o ureter de pus o Abcesso perinéfrico: extensão da inflamação supurativa através da cápsula renal para o tecido perinéfrico SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 95 o A cicatrização pielonéfrica está quase sempre associada a inflamação, fibrose e deformação do cálice e da pelve subjacente • É um distúrbio no qual a inflamação túbulo-intersticial crônica e a cicatrização renal estão associadas com o envolvimento patológico dos cálices e da pelve renal • É uma infecção que nunca sarou • As infecções recorrentes sobrepostas nas lesões obstrutivas difusas ou localizadas levam a ataques recorrentes de inflamação renal e cicatrização • Os efeitos da obstrução contribuem para a atrofia do parênquima • A doença pode ser bilateral, resultando em insuficiência renal a menos que a anomalia seja corrigida; ou unilateral, como ocorre com cálculos e anomalias obstrutivas unilaterais do ureter • Os rins geralmente são irregularmente cicatrizados • Se o acometimento for bilateral, o envolvimento é assimétrico • Cicatrizes grosserias, nítidas e corticomedulares sobrepondo os cálices dilatados, grosseiros e deformados, e o achatamento das papilas SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 96 • Dividida em categorias perinatal (causa morte em algumas horas por insuficiência renal), neonatal (causa morte nas primeiras semanas de vida), infantil e juvenil (causa morte com poucos anos de vida), que dependem do momento de apresentação da doença e se há ou não lesões hepáticas associadas • Alterações no gene responsável pela codificação da fibrocistina, uma proteína integral da membrana plasmática celular. • A origem da doença ocorre nos ductos coletores, fato sustentado pelo tipo revestimento presente nos cistos. • Morfologia: • Os rins se apresentam aumentados, mas com aparência externa lisa. Também podem apresentar-se com forma normal • O interior dos rins apresenta aspecto de esponja, graças à presença de inúmeros cistos pequenos, que, na microscopia, apresentam-se como dilatação cilíndrica • Os cistos apresentam disposição característica no sentido radial • Os cistos apresentam parede delgada • A esmagadora maioria dos casos se apresenta com cistos associados no fígado e com fibrose portal, além de ocorrer uma proliferação dos ductos biliares portais • Rim esponjoso medular: conjunto de lesões causadas pelas múltiplas dilatações císticas dos ductos coletores na medula, de patogenia desconhecida. Ocorre em adultos e é diagnosticada quando descoberta de maneira acidental, ou associada a complicações secundárias. Por causa disso, a função renal é preservada e se apresenta normal. As lesões são revestidas por um epitélio cuboide ou epitélio de transição. • Nefronoftise e doença cística medular com início na vida adulta: são distúrbios renais progressivos, marcados pela presença de cistos na junção corticomedular. O primeiro local de afecção das lesões seria o túbulo distal com rompimento da membrana basal tubular, seguido por atrofia crônica ou tubular progressiva, além de fibrose intersticial. Esse dano é responsável por causar o quadro de insuficiência renal • Tipos mais conhecidos: esporádica, não familiar; nefronoftise familiar juvenil e displasia renal-retinal (apresenta lesões oculares) • As formas familiares são autossômicas recessivas e se manifestam na infância ou na adolescência. Nesse caso, os primeiros aspectos clínicos são a poliúria e a polidipsia, indicando defeitos dos túbulos renais. Por causa disso, também pode ocorrer perda de sódio e acidose tubular. Essas manifestações precedem o quadro de rim end-stage. • Morfologia: rins pequenos ou moderadamente contraídos, com superfície granular e contraída com cistos mais proeminentes na junção corticomedular. O revestimento epitelial é achatado e cubóide, circundado por célulasinflamatórias ou regiões de fibrose. O córtex pode apresentar atrofia espalhada e espessamento da membrana basal dos túbulos proximais, juntamente com fibrose intersticial. Por fim, os glomérulos podem se apresentar hialinizados, mas, geralmente, são preservados. SOFIA HELENA VITTE TURMA LX 2020.2 97 Doença cística dos rins-Robins Doença Renal Policística Autossômica Recessiva Fonte: Fonte: http://library .med.utah.edu/Web Path/RENAHTML/ RENALIDX.html#6 Rim em esponja medular. Fonte: Fonte: http://library.med.utah.edu/We bPath/RENAHTML/RENALIDX.html# 6