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1 Universidade Estadual de Londrina Profa. Dra. Alessandra L. Cecchini Armani 1ª. Edição: BIOMEDICINA TURMA 6 -2007 2ª. Edição BIOMEDICINA TURMA 12 – 2013 3ª. Edição PÓS-GRADUAÇÃO EM PATOLOGIA EXPERIMENTAL – 2021 Londrina – PR/Brasil: 2021 2 ATLAS DE PATOLOGIA GERAL 1ª. edição Alexandre Haruo Inue Ana Carolina Andrade Ana Lívia Ferreira Ana Paula Segantine Dornellas Andressa Megumi Niwa Diogo Campos Vesenick Julie Massayo Luana Soares Silva Lucimara Sensiate Mateus Prates Mori Natália Aparecida de Paula Nathália Maciel Maniezzo Paola Bianca Barbosa Cavalin Priscila Rumi Yamaoka Raquely Moreira Lenzi Silvia Emanoele Cestari Simone Cristine Semprebom Thiago Cesar Fujita Vander Cardoso de Matos Vinicius Antonio Hiroaki Sato Orientadora: Profa. Dra. Alessandra L. Cecchini Armani 2007 3 ATLAS DE PATOLOGIA GERAL 2ª. edição Ana Camila V. Ferreira Andressa Busetti Martins Danilo Koiti Matsuda Ellen Cristine Duarte Garcia Fernanda Nogueira Tomiotto Gabriella Pasqual Melo Giovana Carvalho Karina Maturana Pinheiro Marcelly Chue Gonçalves Marília Fernandes Manchope Natalia Kimie Matsubara Nichelle Antunes Vieira Victor Hugo Clébis Orientadora: Profa. Dra. Alessandra L. Cecchini Armani 2013 4 ATLAS DE PATOLOGIA GERAL 3ª. edição Açucena Veleh Rivas Caroline Yukari Motoori Fernandes Ellen Mayara Souza Cruz Fabricio Seidy Ribeiro Inoue Ivana Regina da Costa Janaina Nicolau de Oliveira Jôse de Melo Juliana Maria Bitencourt de Morais William Capellari Fumegali Yasmin Munhoz dos Santos Orientadora: Profa. Dra. Alessandra L. Cecchini Armani 2021 5 6 INDEX – LAMINÁRIO INTRODUÇÃO À PATOLOGIA 1. HIPERTROFIA 2. HIPERPLASIA 3. ATROFIA 4. METAPLASIA 5. TUMEFAÇÃO TURVA 6. DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA 7. ESTEATOSE HEPÁTICA 8. AMILOIDOSE 9. NECROSE 10. APOPTOSE 11. EDEMA AGUDO – CONGESTÃO DAS PAREDES ALVEOLARES 12. TROMBOSE E ATEROSCLEROSE 12.1 ATEROSCLEROSE 12.2 TROMBOSE 13. INFARTO 13.1 INFARTO VERMELHO OU HEMORRÁGICO 13.2 INFARTO PULMONAR 14. INFARTO ANÊMICO 15. ENDOCARDITE INFECCIOSA 16. MIOCARDITE COM COLÔNIA DE BACTÉRIAS 17. PERICARDITE FIBRINOSA 18. INFLAMAÇÃO CRÔNICA (HEPATITE) E ESTEATOSE 19. TUBERCULOSE PULMONAR 20. HANSENÍASE VIRCHOWIANA DA PELE 21. BLASTOMICOSE 22. PNEUMONIA EM FASE DE HEPATIZAÇÃO CINZENTA 23. CICATRIZAÇÃO 24. CARCINOMA BASOCELULAR 25. CARCINOMA ESPINOCELULAR 26. TUMOR DE WALKER-256 27. CÉLULA B16F10 28. METÁSTASE 29. HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 7 INTRODUÇÃO À PATOLOGIA A palavra Patologia é traduzida como o estudo (logos) das doenças (pathos). Em suma, a patologia pode ser definida como a ciência no qual tenta-se explicar as causas das doenças, e o fundamento dos sinais e sintomas que os indivíduos apresentam, fornecendo assim bases para a compreensão acerca da prevenção, diagnóstico, tratamento e prognóstico da mesma (Bogliolo Patologia, 9ª. ed., 2016). Em condições normais e ideais a célula é submetida a uma estreita faixa de função e estrutura por seu estado de metabolismo, diferenciação e especialização; por limitações das células vizinhas; e pela disponibilidade de substratos metabólicos, sendo suficiente para se manter no estado de homeostasia (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010). Consequentemente, o estado de saúde pode ser definido como uma situação de adaptação do organismo frente ao meio externo e físico, psíquico ou social em que vive, não apresentando sinais ou alterações de caráter orgânico; em contrapartida, a doença é o estado no qual há falta de adaptação a esse ambiente físico, psíquico ou social, com alteração não compensada da homeostase (Bogliolo Patologia, 9ª. ed., 2016). As adaptações são, além de propriedade geral dos seres vivos, manifestações estruturais e funcionais reversíveis das células, diante de estresses fisiológicos mais excessivos e a alguns estímulos patológicos, durante os quais podem modificar suas funções dentro de certos limites, para assim ajustar-se as modificações que lhe foram impostas (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010; Bogliolo Patologia, 9ª. ed., 2016). A resposta adaptativa pode representar um aumento do número de células (HIPERPLASIA), um aumento no tamanho das células (HIPERTROFIA), uma redução do tamanho e/ou número e da atividade metabólica das células (ATROFIA) ou uma mudança de fenótipo das células, onde há substituição de uma célula adulta por outro tipo celular adulto (METAPLASIA) (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010). Uma vez que as fronteiras da resposta adaptativa são ultrapassadas ou as células forem expostas a agente lesivos ou estresse, privadas das condições nutricionais, ou ficarem comprometidas por mutações que afetam os constituintes celulares essenciais, advém uma série de eventos, dos quais surgem as lesões celulares, podendo resultar em danos ao interstício, alterações locais da circulação e da inervação ou alterações complexas que envolvem muitos dos componentes teciduais ou todos eles (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010; Bogliolo Patologia, 9ª. ed., 2016). A lesão celular é reversível até o momento onde a célula agredida pelo estímulo nocivo sofre alterações funcionais e morfológicas, porém recupera-se quando estímulo nocivo cessa ou é retirado; em uma situação na qual o estímulo persistir ou for demasiadamente intenso, a célula se torna incapaz de recuperar-se depois de cessada a agressão, sofrendo lesão irreversível e caminhando para a morte celular (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010). Embora não há um único evento que caracterize a passagem de uma lesão reversível para irreversível, pode-se considerar um conjunto de fatores atuantes, são eles: severa vacuolização mitocondrial, extensa lesão de membrana, tumefação de lisossomos e maciço influxo de cálcio (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010). Qualquer um dos componentes teciduais, dentre eles: células da matriz extracelular, microcirculação sanguínea, vasos linfáticos e terminações nervosas, constituem alvos de lesões (Bogliolo Patologia, 9ª. ed., 2016). Onde as lesões celulares representadas por degenerações são alterações morfológicas que se restringem a processos reversíveis. Para as microscopias de DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA, ESTEATOSE HEPÁTICA E AMILOIDOSE, o termo degeneração indica as lesões reversíveis decorrentes de alterações bioquímicas que resultam no acúmulo de substâncias no interior das células. Em último quesito a morte celular representa um dos eventos mais significativos na evolução da doença, em qualquer tecido ou órgão, sendo o resultado final da lesão celular progressiva. Existem duas 8 vias principais de morte celular, a NECROSE e a APOPTOSE. A morte celular pode ser decorrente tanto de causas oriundas de fenômenos isquêmicos, infecções e toxinas, como também pode ser resultante de um processo fisiológico e essencial na embriogênese, no desenvolvimento dos órgãos e na manutenção da homeostasia (Robbins & Cotran Patologia, 8ª ed., 2010). Este Atlas digital tem por objetivo criar um modelo de correlações patológicas/microscópicas em doenças sistêmicas, utilizando imagens macroscópicas e microscópicas, destinando-se a ser um modelo de ensino-aprendizagem que atue como um instrumento de ensino teórico-prático, em consonância com os meios de busca disponíveis e atualizados. 1. HIPERTROFIA A hipertrofia constitui em um aumento dos constituintes estruturais e das funções celulares, ocasionando em aumento volumétrico das respectivas células e dos órgãos afetados, em uma situação na qual não há novas células, apenas células maiores. O tamanho aumentadoaguda idiopática (provavelmente viral); (b) associada a infecção sistêmica; (c) pós-infarto do miocárdio; (d) pós-cardiotomia ou pós-toracotomia; (e) por ruptura de abscesso no saco pericárdico; (f) urêmica; (g) associada a doenças do tecido conjuntivo; (h) em tumores do pericárdio; (i) induzida por medicamentos; (j) pós-irradiação para tratamento de neoplasias torácicas. O quadro morfológico das pericardites varia de acordo com a causa, mas pode ser agrupado segundo categorias etiológicas, dentre elas a Pericardite Fibrinosa constitui a forma mais frequente dentre as pericardites. 41 Macroscopicamente, o coração fica recoberto por material fibrinoso, branco-amarelado e friável, que confere à superfície o aspecto de “pão com manteiga”, ou seja, superfície seca e aspereza granular fina. Histologicamente, o pericárdio apresenta graus variados de espessamento por edema, discreto infiltrado inflamatório e acúmulo de fibrina na superfície. Dependendo da duração do processo, pode haver reparação com deposição de colágeno a partir de tecido de granulação. Muitas vezes, há proliferação exuberante de células mesoteliais reativas. A organização da pericardite pode levar a aderências entre os dois folhetos; quando a fibrose é muito desenvolvida, origina a pericardite constritiva. De forma geral, essa pericardite manifesta-se por atrito pericárdico característico, dor torácica, febre e, às vezes, sinais de insuficiência cardíaca. 18. INFLAMAÇÃO CRÔNICA (HEPATITE) E ESTEATOSE O conceito de hepatite inclui o conjunto de lesões necróticas e inflamatórias que acometem o fígado de modo difuso, embora com distribuição heterogênea, e que se expressam clinicamente por icterícia, colúria, acolia fecal, astenia e outras manifestações sistêmicas. Hepatites são provocadas, sobretudo por vírus e, menos frequentemente, por outras causas, como drogas, distúrbios auto-imunes e transtornos metabólicos. A hepatite pode se manifestar das seguintes formas: (1) infecção assintomática; (2) hepatite aguda (ictérica ou anictérica); (3) hepatite fulminante; (4) hepatite crônica; (5) portador assintomático e (6) o pano de fundo para o vírus da hepatite D Em geral, é resultado da ação de um vírus. Menos frequentemente, a hepatite pode dever-se a outras infecções virais, tais como a mononucleose infecciosa, febre amarela e infecção por citomegalovírus. As principais causas da hepatite não viral são a esteato-hepatite alcoólica e medicamentosa. No primeiro caso, a hepatite é causada por consumo excessivo de álcool. Gotículas lipídicas pequenas acumulam-se nos hepatócitos, porém com a ingestão crônica, o acúmulo de lipídios chega ao ponto de criar grandes glóbulos macrovesiculares claros, comprimindo e deslocando o núcleo para a periferia do hepatócito. Essa transformação inicialmente é centro-lobular, mas pode atingir todo o lóbulo nos casos intensos. A hepatite aguda apresenta infiltrado de células inflamatórias, inicialmente mononucleares, que pode não se limitar aos espaços-porta, “transbordando” para o parênquima periportal junto à placa limitante lobular, mas geralmente sem lesão de hepatócitos da interface. Na hepatite aguda, a lesão dos hepatócitos assume a forma de tumefação difusa (degeneração em balão), de modo que o citoplasma parece estar vazio e contém apenas feixes esparsos de remanescentes citoplasmáticos. Um achado inconstante é colestase, com tampões biliares nos canalículos e pigmentação castanha dos hepatócitos. Esteatose é incomum, exceto com o HCV. A hepatite autoimune (HAI) é uma doença causada por um distúrbio do sistema imunológico, que passa a reconhecer as células do fígado (principalmente hepatócitos) como estranhas. A partir daí o sistema imune desencadeia uma inflamação crônica, com destruição progressiva do fígado e a formação de cicatrizes (fibrose). Sem o tratamento adequado em tempo, isso pode levar a progressão para cirrose com suas complicações. Na hepatite crônica há persistência de lesão hepática de natureza inflamatória associada a níveis séricos elevados de aminotransferases por mais de 6 meses. O diagnóstico histológico de hepatite crônica é reservado aos quadros de acometimento difuso do fígado por infiltrado inflamatório portal. As características histológicas da hepatite crônica variam de extremamente leves a graves. Nas formas 42 mais leves, a inflamação significativa limita-se aos tratos portais e consiste em linfócitos, macrófagos, plasmócitos eventuais e raros neutrófilos ou eosinófilos. A marca da lesão hepática irreversível é o depósito de tecido fibroso. No início, somente os tratos portais exibem fibrose aumentada, mas a fibrose periportal ocorre com o tempo, seguida por conexão dos septos fibrosos entre lóbulos. A perda continuada de hepatócitos e a fibrose resultam em cirrose, com septos fibrosos e nódulos regenerativos de hepatócitos. Esteato-Hepatite Alcoólica: Doença hepática gordurosa, podendo ou não ser por natureza alcoóloca. Infiltrado celular no espaço porta, com macrófagos e linfócitos, mas principalmente neutrófilos ao redor da veia centro lobular do fígado. Algumas células apresentam núcleos picnóticos, característicos de processos necróticos dos hepatócitos. Destruição celular em razão de inflamação ativa, desestruturação dos cordões de hepatócitos, assim como de sinusóides. Abundância de proteínas e fibrina, que progressivamente levará à cirrose, que é a marca da lesão hepática irreversível. A esteatose pode ser observada através dos glóbulos de gordura intracitoplasmáticos. Hepatite alcoólica se caracteriza-se pelo seguinte: • Tumefação e necrose de hepatócitos. Focos isolados ou espalhados de células sofrem tumefação e necrose. A tumefação resulta do acúmulo de gordura e água. • Cospúsculos de Mallory. Hepatócitos espalhados acumulam meadas emaranhadas de filamentos intermediários de citoceratina e outras proteínas, visíveis como inclusões citoplasmáticas eosinofilias nos hepatócitos em degeneração. • Reação neutrofílica. Neutrófilos permeiam o lóbulo e acumulam-se ao redor de hepatócitos em degeneração. • Fibrose. A hepatite alcoólica quase sempre é acompanhada de fibrose sinusoidal e perivenular acentuada; a fibrose periportal às vezes predomina, sobretudo com episódios repetidos de ingestão de alcoólica. 43 Figura 18.1: Corte histológico de fígado apresentando esteato-hepatite alcoólica, corada com hematoxilina e eosina. Ao redor da veia centro-lobular, observa-se um infiltrado de células (macrófagos, linfóticos e neutrófilos, indiferenciáveis nesse aumento). A gordura citoplasmática é vista como vacúolos claros, representando a esteatose (setas vermelhas). Aumento de 10x. 19. TUBERCULOSE PULMONAR A tuberculose é uma doença pulmonar crônica e sistêmica grave, causada mais frequentemente pelo M. tuberculosis, um bacilo álcool ácido resistente (BAAR). A maioria das infecções é adquirida pela transmissão de pessoa a pessoa de organismos veiculados pelo ar, de um caso ativo para um hospedeiro suscetível. A tuberculose clínica é separada em dois tipos fisiopatológicos importantes: a tuberculose “primária”, que ocorre em hospedeiro não imune, onde a fonte do organismo é exógena, e a tuberculose “secundária”, que ocorre no hospedeiro que é imune ao M. tuberculosis, onde a fonte do organismo pode ser endógena por reativação ou exógena na reinfecção. Na maioria das pessoas saudáveis, a tuberculose primária é assintomática, podendo permanecer um nódulo pulmonar fibrocalcificado no local da infecção. Organismos viáveis podem permanecer e serem reativados caso as defesas imunes sejam diminuídas, causando uma doença transmissível e potencialmente com risco de morte. A evolução da infecção é mediada por células T, que controlam a resposta do hospedeiro e resultam no desenvolvimento de lesões patológicas, como granulomas caseosos e cavitação. Veiacentrolobular Infiltrado perivascular de células inflamatórias 44 O M. tuberculosis inalado se implanta usualmente próximo à pleura, à medida que a sensibilização se desenvolve, surge uma área de 1 a 1,5 cm de inflamação branco-acinzentada com consolidação (foco de Ghon), posteriormente esses bacilos são drenados para os linfonodos regionais, os quais também frequentemente sofrem caseação. Essa combinação de lesão parenquimatosa pulmonar e envolvimento nodal é referida como complexo de Ghon. No início da tuberculose primária (manifestações pulmonares, cutâneas e mucosas; III. Forma residual ou sequelas, caracterizadas pelas manifestações clínicas decorrentes de alterações anatômicas e funcionais causadas pelas cicatrizes que se seguem ao tratamento da PCM. A maioria dos indivíduos após a infecção apresentam um padrão Th1 da resposta imune, que pela síntese de citocinas ativam macrófagos, células T, IFN-γ, IL-12 e TNF-α para conter a infecção durante o período subclínico, resultando na formação de granulomas, seguida pela formação de fibrose. Uma resposta Th1 deficiente ou inibida é observada em indivíduos nos quais a PCM progrediu para o 49 estágio crônico, sugerindo maior suscetibilidade. Em formas graves, a resposta imune evolui com predomínio de resposta Th2 e Th9, com ativação de linfócitos B. Na PCM os pulmões estão clinicamente envolvidos em mais de 80% dos casos e a infecção pulmonar costuma ser acompanhada por lesões em outros órgãos. No pulmão, o preenchimento dos espaços alveolares por exsudato inflamatório leva à formação de nódulos de tamanhos variáveis (macronodular ou miliar) e consolidações do espaço aéreo, associadas a cavitações (forma pneumônica). A forma denominada granulomatosa é constituída de pequenos nódulos aleatórios que geralmente apresentam formas atípicas, refletindo a presença de granulomas no interstício pulmonar, ou nas paredes brônquicas, que tendem a se unir. O padrão macronodular consiste em nódulos redondos ou lobulados, isolados ou confluentes, que se assemelham à forma pneumônica ou broncopneumônica. A PCM pode comprometer qualquer órgão, aparelho ou sistema, podendo se espalhar dos pulmões para outros órgãos e tecidos por via linfática e hematogênica, sendo o baço e outros órgãos linfoides os principais alvos. A esplenomegalia ocorre em vários casos e é mais frequente na forma aguda da doença (aproximadamente 23-42%), com ocorrência de granulomas, áreas de necrose e leveduras internalizadas em macrófagos. Lesão no baço como abscessos e calcificações representam menos de 10% dos casos de déficits esplênicos. Nos cortes corados por hematoxilina eosina as células epitelióides apresentam citoplasma granular rosa-pálido com perda dos limites celulares, geralmente parecendo que se fundem umas às outras. O núcleo é menos denso do que dos linfócitos, oval ou alongado e a membrana nuclear pode apresentar dobras. Frequentemente as células epitelióides se fundem para formar células gigantes na periferia ou, algumas vezes, no centro do granuloma, que são chamadas Células Gigantes de Langhans. Essas células gigantes podem alcançar diâmetros de 40 a 50 µm, tem grande quantidade de citoplasma, onde ocorre um rearranjo do citoesqueleto, e contêm cerca de 20 pequenos núcleos periféricos. Figura 21.1 - Paracoccidioidomicose no pulmão. Fragmento de pulmão, evidenciando células gigantes de Langhans rodeada por leucócitos (setas). Aumento de 10X. 50 Figura 21.2 - Inflamação Granulomatosa no Baço (crônica). Em (a) observa-se corte histológico do baço em menor aumento (4x), o qual mostra uma Célula Gigante de Langhans. Em (b) observa-se (aumento de 40x) a Célula Gigante de Langhans com citoplasma homogêneo secretado pelos macrófagos (fibrina, proteínas e metabólitos); e na seta menor célula epitelióide agente infeccioso isolado; e um infiltrado leucocitário formando uma espécie de colar (ausente nesta figura). Figura 21.3: Paracoccidioidomicose de baço. Fragmento de baço, evidenciando células gigantes de Langhans rodeada por leucócitos (círculos) e o fungo Paracoccidioides brasiliensis (setas) em granulomas. Aumento 10X. 51 22. PNEUMONIA EM FASE DE HEPATIZAÇÃO CINZENTA Pneumonia é a infecção do parênquima pulmonar, com quadro inflamatório característico. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos como bactérias, vírus, fungos, parasitas, além de terapia com radiação, ingestão e inalação de substâncias químicas, porém a maioria das pneumonias é bacteriana. O parênquima pulmonar está constantemente exposto à agressão de agentes infecciosos, porém consegue manter-se estéril graças à eficácia de vários mecanismos de defesa do organismo, imunológicos e não imunológicos. Quando os mecanismos de defesa “falham” ou quando o agente é demasiadamente agressivo, surge o quadro infeccioso – pneumonia – em que os bronquíolos respiratórios e alvéolos são preenchidos por exsudato inflamatório, levando ao comprometimento da função de troca gasosa. A pneumonia pode ser classificada, tendo por base a sua distribuição anatômica, em três subtipos: • Pneumonia lobular ou broncopneumonia: A infecção apresenta-se como focos inflamatórios múltiplos que acometem lóbulos pulmonares, às vezes bilaterais, em alguns casos, os focos são confluentes e podem comprometer grande parte do pulmão. • Pneumonia Intersticial: Caracterizada por reação inflamatória que afeta predominantemente o interstício pulmonar, que são rede de fibras de tecidos conectivos que sustenta os pulmões acometimento pode ser zonal ou difuso, às vezes bilateral. • Pneumonia Lobar: A pneumonia lobar é comumente causada por Streptococcus pneumoniae, o lobo atingido é consolidado de forma homogênea, com substituição do ar alveolar por exsudato inflamatório. Se não for tratada, a doença evolui em quatro fases: Congestão: Aumento do volume sanguíneo, presença de poucos neutrófilos e numerosas bactérias nos alvéolos, com consequente dilatação vascular; Hepatização vermelha: O pulmão fica compacto e vermelho lembrando o aspecto de fígado (por isso o termo “hepatização”). Isto ocorre porque os alvéolos estão preenchidos por exsudato, fibrina e bactérias. e perdem o ar que dá ao pulmão o aspecto e consistência de esponja. A hiperemia ativa do processo inflamatório agudo também contribui para a cor vermelha; Hepatização cinzenta: Onde há o aumento de células inflamatórias e fibrina nos alvéolos, além de diminuição da congestão e do número de bactérias ; Resolução: Quando há lise da fibrina e redução progressiva do exsudato, permitindo a penetração de ar nos alvéolos , por conta do aparecimento de anticorpos contra as bactérias leva à resolução da infecção e eliminação do exsudato, via fagocitose por macrófagos e eliminação pela tosse. 52 Figura 22.1. Pneumonia em fase de hepatização cinzenta. A – alvéolos congestos, B – fibrina e neutrófilos. 23. CICATRIZAÇÃO Cicatrização é o processo pelo qual um tecido lesado é substituído por tecido conjuntivo vascularizado. Esse processo ocorre quer a lesão tenha sido traumática ou causada por necrose, sendo que, em ambos os casos, segue-se a mesma sequência de eventos: (1) reação inflamatória; (2) proliferação fibroblástica e endotelial (que vai formar o tecido conjutivo cicatricial); (3) remodelação do tecido. Quanto a capacidade regenerativa dos tecidos, existem 3 tipos: • Células lábeis: estão em divisão continua, alta capacidade proliferativa. Ex: pele, medula óssea; • Células permanentes: tecidos que não se dividem. Ex: neurônios, muscúlo estriado cardíaco; • Células estáveis: quiescentes, não estão em divisão constante, porém se necessário ele pode se proliferar. Ex: tecido hemático, músculo liso. Dependendo do tamanho da lesão e da ocorrência ou não da infecção ela pode ocorrer de duas formas: cicatrização por primeira intenção, ou primária, e cicatrização por segunda intenção ou secundária. Os dois itens que se seguem explicam esses dois processos. • Cicatrização por primeira intenção: A cicatrização de primeira intenção é mais rápida e forma cicatrizes menores no indivíduo. Ela pode ser bem exemplificada pela seguinte circunstância: uma ferida na pele, cujas bordas foram aproximadas por sutura e que não tenha sido infectada. A explicação desse processo de cicatrização se dará com base nesse caso. Primeiro ocorre a instalação da resposta inflamatóriano local lesado. Ela se instala a partir de mediadores originados do coágulo de fibrina, das células que ficaram 53 aprisionadas no coágulo, do tecido conjuntivo da borda das feridas e das células epiteliais da margem da lesão, que são principalmente TNF-α e IL-1. Essas moléculas fazem com que as células endoteliais exponham suas moléculas de adesão (ICAM, VCAM e selectinas), o que vai favorecer a adesão dos leucócitos. Esses leucócitos após cerca de 24h já são as células predominantes no exsudato inflamatório. O coágulo começa a ser fagocitado por fagócitos, iniciando assim a produção do tecido conjuntivo cicatricial e, portanto, a regeneração do epitélio. Uma peça importante desse processo são os ceratinócitos, células da borda da ferida, que expõem os receptores CXCR 2, que induzem a produção de citocinas, quimiocinase fatores de crescimento. Além disso, eles ainda se proliferam, se deslocam, se prendem a matriz provisória de fibrina e começam a sintetizar a membrana basal, restabelecendo assim uma ligação normal com a matriz extra celular (MEC). Os fatores FGF-α e β e também o TGF-β e PDGF são responsáveis pela proliferação de fibroblastos e ativação da síntese de componentes da MEC. Os fibroblastos proliferados vão se deslocar e depositar os componentes da matriz, inicialmente com bastante poliglicanos e colágeno do tipo III, com fibras finas. Forma-se assim uma MEC mais fluida e que permite a migração de células, assim como a sua diferenciação. Simultaneamente a esse processo ocorre a formação de novos capilares. Esse tecido recém formado, é frouxo, rico em capilares sanguíneos, contem leucócitos, MEC formada por fibras colágenas finas, ácido hialurônico, além de uma quantidade moderada de proteoglicanos, e é chamado de tecido de granulação. Começa então a remodelação do tecido cicatricial. Ocorre o aumento da produção de colágeno (em cerca de 2 semanas há o predomínio de fibras colágenas no local), proteoglicanas (principalmente o Ac. Hialurônico), ocorre predomínio de colágeno tipo I (que faz com que as fibras colágenas se tornem mais grossas, suprimindo os capilares e reduzindo seu número), as células fagocitárias vão desaparecendo. O tecido conjuntivo vai se tornando então mais denso e menos vascularizado. Figura 23.1. Cicatrização por primeira intenção. Aumento de 10x. 54 • Cicatrização por segunda intenção: É o tipo de cicatrização onde o tecido de granulação abundante cresce a partir da margem para completar a reparação. Ela ocorre quando há uma perda excessiva de células, em feridas grandes, onde as bordas do tecido ficam afastadas. Tem uma reação inflamatória mais intensa do que a cicatrização por primeira intenção por ter maior coágulo de fibrina, detritos necróticos e exsudato que devem ser removidos. Diferentemente da cicatrização por primeira intenção, ocorre a contração da ferida feita pela ação dos miofibroblastos (fibroblastos alterados com características de células musculares lisas). Figura 23.2: Cicatrização por segunda intenção. Pode ser observada reação inflamatória intensa, tecido de granulação abundante. Aumento de 20x. 55 Figura 23.3: Cicatrização por segunda intenção. Pode ser observado tecido de granulação abundante com presença de fibroblastos e tecido fibroso. Aumento de 40x. Alguns fatores podem interferir no processo de cicatrização como: idade (diminuição do colágeno), nutrição, estado imunológico, oxigenação do tecido, diabetes (menor síntese do colágeno e menor oxigenação), tabagismo, hemorragia, tensão da ferida. • Queloide: Cicatrização hipertrófica e queloide são duas condições em que há formação excessiva de tecido conjuntivo denso na cicatriz cutânea, podendo adquirir volume considerável. Trata-se de situações em que os mecanismos de produção estão exacerbados ou os mecanismos de degradação da MEC estão reduzidos. A cicatriz hipertrófica tende a ser reversível, regredindo com o passar do tempo. Já o queloide forma tumorações nas áreas de cicatrização, podendo não regredir. Em ambos os casos, o aspecto microscópico é semelhante: as fibras colágenas são irregulares, grossas, e formam feixes distribuídos ao acaso, contendo capilares e fibroblastos em maior número do que uma cicatriz normal. 56 Figura 23.4: Lâmina de queloide. Aumento de 10x. Superfície protuberante e irregular com proliferação de células epiteliais. 24. CARCINOMA BASOCELULAR O carcinoma basocelular é a neoplasia maligna cutânea mais recorrente em suas abordagens clinicas (75%). O termo carcinoma é preferível a epitelioma, pois eles têm a capacidade de destruição local, em especial na face. Conforme Wells (2019), com aproximadamente 4 milhões de novos casos anualmente só nos Estados Unidos da América. Ele é mais corriqueiro em pessoas de pele clara com histórico de exposição solar e raramente acomete em pessoas com pigmentação escura de pele. Os carcinomas basocelulares são tumores comuns, de aumento lento, que é raro sofrer metástases. Tendem a acontecer mais corriqueiramente em locais sugestivos à exposição crônica ao sol, em especial a face, e de forma excepcional na região panmoplantar. Além de acometer os indivíduos de pigmentação clara também indivíduos idosos, acima da 6ª década é recorrente também. A exemplo de células escamosas, a incidência do carcinoma basocelular cresce paralelamente com a imunossupressão e em pacientes com desvios hereditários, replicação ou no reparo do DNA (xerodermia pigmentosa). Os carcinomas basocelulares também estão tangenciados a síndromes genéticas e podem advir em um nevo sebáceo. O xeroderma pigmentoso apresentam um molde defeituoso herdado na restauração do DNA que pode ter o resultado em melanoma e outros tumores de pele. A síndrome do nevo basocelular (síndrome de Gorlin) é uma enfermidade autossômica prevalecente que é resultante em múltiplos carcinomas basocelulares, como também em meduloblastomas, meningiomas, câncer de mama, linfomas não Hodgkin e câncer de ovário. A síndrome de Bazex é uma genodermatose rara que pode resultar no início precoce de múltiplos carcinomas basocelulares. (WELLS, 2019). Clinicamente, esses tumores aparecem como pápulas peroladas que, frequentemente, contêm vasos sanguíneos subepidérmicos dilatados e proeminentes (telangiectasias). Alguns tumores contêm o pigmento melanina e, por conseguinte, assemelham-se a nevos nevocelulares ou melanomas. As lesões avançadas podem ulcerar, podendo ocorrer invasão local extensa do osso ou dos seios faciais depois de 57 muitos anos de negligência ou em tumores inusitadamente agressivos, justificando a antiga designação de “úlceras roedoras”. Histologicamente, em todos os tipos desse carcinoma, a lesão é constituída por proliferação de células basaloides. Às vezes, o centro da massa neoplásica desintegra-se, dando o tipo cístico. Outras vezes, surgem formações tubulares e glandulares (tipo adenoide), ou aparecem cistos córneos nas massas celulares (tipo ceratótico). Em termos de morfologia o exame histológico, as células tumorais são símiles a àquelas da camada normal de células basais da epiderme. Advém-se a partir da derme ou do epitélio folicular e não acontecem nas mucosas. São considerados dois padrões definidos e forma analítica: crescimentos multifocais, que se advém a partir da epiderme e se alastra por diversos cm2 ou mais de superfície da pele (tipologia superficial multifocal), e lesões nodulares, que crescem profundamente na derme, como cordões e ilhotas de células com basofilia variável com núcleos hipercromáticos e frequentemente cercadas por numerosos fibroblastos e linfócitos. As células que compõe a periferia das ilhotas de células tumorais reratam um arranjo radial, com seus eixos longos em alinhamento de forma aproximada paralelamente (em paliçada). O estroma sofre retração, afastando-se dos ninhos de tumorepitelial, desenvolvendo fendas ou artefatos de separação que auxiliam a distinguir os carcinomas basocelulares de certos tumores de anexos que também se caracterizam pela proliferação de células basalóides (por exemplo: tricoepitelioma). Figura 24.1: Células indiferenciadas da camada basal da epiderme que migram para a derme, ficando uma do lado da outra em forma de paliçada (seta amarela). Aumento de 40x. Voltando a dissertar sobre sua apresentação clínica e o comportamento biológico dos carcinomas basocelulares são muito infrequentes. Assim, as tipologias mais comuns são na concepção de Wells (2019). 58 • Nodular (aproximadamente de 60% dos carcinomas basocelulares): essas tipologias são pequenas, rutilantes, afixados, quase translúcidos ao tom rosa com telangiectasias, geralmente localiza-se na face. Ulceração e crostas são comuns. • Superficial (aproximadamente de 30%): essas tipologias são pápulas ou placas delgadas e marginadas, tons vermelhos ou rosa, que geralmente acontece no tronco e são difíceis de distinguir da psoríase ou da dermatite localizada • Morfeiforme (nesse contexto cerca de 5% a 10%): essas tipologias são placas planas, semelhantes com cicatriz e induradas que podem ter eritema intenso ou claro e bordas indefinidas. • Outros: outras tipologias são viáveis. Carcinomas basocelulares nodulares e superficiais podem produzir pigmento (às vezes intitulado carcinoma basocelular pigmentado). 25. CARCINOMA ESPINOCELULAR O carcinoma espinocelular é o mais recorrente tumor da pele das membranas mucosas de transição. Ao contrário do carcinoma basocelular, ele tem em sua nuance a produção de metástases por meio das vias linfáticas e vasos sanguíneos. Este carcinoma acontece em seu lume na moldura de coloração não indubitável da pele, simulando uma ceratose actínica. Esses pressupostos transformam- se inflamadas e tornam-se em células tumorais vulneráveis, de crescimento intrínseco ou externo, acometendo com maior frequência as áreas da mucosa aparente, como boca ou o lábio, cicatrizes de queimaduras antigas, regiões que sofreram irradiação ou exposição intensa e repetida a luz solar. O carcinoma espinocelular in situ (restrito ao local onde se adveio), também intitulado como doença de Bowen, se caracteriza pelo surgimento de uma região de tom avermelhada revestido por crostas, com lesões bem precisa de bordas irregulares. A maioria dos pacientes é idosa e, em um terço deles, as lesões são múltiplas. Também pode acontecer na pele das áreas anal e genital, muitas vezes em motivo de infecções pelo vírus do papiloma humano (HPV). A doença de Bowen pode evoluir para um câncer invasivo, por isso deve ser tratada rapidamente. O carcinoma espinocelular é também encarregado por 90% das neoplasias malignas orais. Dos intraorais, 50% localizam-se na língua; enquanto dentre os extraorais, o mais recorrente está localizado no lábio inferior. O carcinoma espinocelular simetriza a cerca de 20% de todos os cânceres de pele. É plenamente curável e mortes ocasionados por ele são raros, ocorrendo entre idosos e pessoas com sistema imunológico enfraquecido. Na concepção de Inue (2013), são muitos os tópicos identificados que podem designar risco para o desenvolvimento de um carcinoma espinocelular. Eles são divididos em três grupos: • Processos inflamatórios, infecciosos e produtores de cicatrizes; • Exposições ao sol; • Outras dermatites primárias. Os principais sinais e sintomas do carcinoma espinocelular são verrugas que não param de crescer; manchas persistentes, escamosas, vermelhas, com arestas irregulares, que sangram de forma fácil; feridas na pele que não cicatrizam ou demoram em média a mais de quatro semanas para cicatrizar; lesões elevadas, com superfície áspera e uma depressão central; variação na cor de pintas e sinais pré-existentes. Portanto, na maioria dos casos identificados, o carcinoma espinocelular evolui devido da exposição exacerbada aos raios ultravioletas, emitidos pelas luzes solar ou pelas câmeras de bronzeamento, sendo que sujeitos com pele e olhos mais claros têm maior risco de ter este tipo de câncer. 59 Em termos de Histologia – os tumores cônicos que consistem em células escamosas malignas sofrem protrusão oriunda da epiderme para a derme. Às vezes, são vistas pérolas córneas (de queratina), que incidem de várias camadas de células escamosas malignas, envolvendo um foco comum de queratinização. Figura 25.1. Pérolas córneas de queratinização indicada pela seta amarela. Aumento de 10x. 60 Figura 25.2. Pérola córnea (queratinização). Aumento de 40x. Uma peculiaridade do carcinoma espinocelular (CEC) é que ele pode ser encontrado em mucosas, principalmente no lábio. Quando localizado na região interna da boca ou genitais não há ligação com os raios UV, mas sim com fumo ou alguns tipos de vírus. 26. TUMOR DE WALKER-256 O tumor de Walker -256 é um carcinossarcoma de origem espontânea, descoberto por Geoger Walker em 1928, a partir de estudos com adenocarcionomas mamário de rata. As células do tumor de Walker -256 possuem comportamento biológico agressivo, sendo localmente invasivo e possui um alto poder de metastatização por via linfática e hematogênica. A linhagem celular se disseminou para os laboratórios de pesquisa no mundo todo e desde então o tumor de Walker-256 tem sido empregado em modelos experimentais visto a sua capacidade de induzir síndromes neoplásicas como a caquexia. Um grande número de trabalhos são publicados sobre o desenvolvimento do tumor e sobre a síndrome neoplásica que gera, e que tem auxiliado na compreensão de diversos fenômenos bioquímicos sobre seu comportamento biológico, alterações bioquímicas e imunológicas. CITOLOGIA As células dos tumores malignos possuem características distintas das células normais. Elas tendem a ser maiores que as células normais, com contornos irregulares e formas bizarras, apresentando pleomorfismo, ou seja, variação no tamanho e na forma da célula. Células gigantes, frequentemente com vários núcleos e formas atípicas, são comuns nos cânceres com alto grau de malignidade. Os núcleos das células tumorais apresentam alterações mais evidentes. Usualmente, os núcleos das células tumorais estão aumentados, em desproporção ao tamanho da própria célula. 61 Normalmente a relação núcleo/citoplasma é de 1/6, sendo que nas células neoplásicas malignas pode apresentar uma relação de até 1/1, com núcleos aumentados e desproporcionais em relação ao citoplasma. A cromatina está aumentada ou condensada, e os nucléolos se tornam evidentes. Estes, frequentemente, apresentam lobulação ou então, forma irregular e podem mostrar a mesma tendência ao pleomorfismo da própria célula. A quantidade de núcleo-proteína está aumentada. Geralmente, as mitoses são mais frequentes que no tecido normal, e ocorrem mitoses atípicas, originando células multinucleadas. Observa-se também um espessamento na membrana nuclear. No tumor de Walker-256 algumas características podem ser visualizadas através do microscópio óptico. São elas: ● Pleomorfismo; ● Cromatina distribuída de forma aleatória; ● Núcleo hipercromático; ● Célula gigante multinucleada; ● Fusos mitóticos bizarros (mais de 2 fusos); ● Aumento do número de mitoses. Figura 26.1: Nota-se células de tamanhos variados, ora grandes, ora pequenos, aumento do número de mitoses (círculos). A seta indica um agrupamento de células indiferenciadas, característico de células neoplásicas malignas. Células de Tumor de Walker 256 coradas com hematoxilina-eosina. Aumento de 40x. 27. CÉLULA B16F10 O melanoma é uma neoplasia maligna originada a partir dos melanócitos normalmente presentes na epiderme, sendo a principal causa de morte por doença de pele, o qual caracteriza-se pela 62alta capacidade de infiltração no sistema nervoso central. A B16F10, célula tumoral murina causadora do melanoma e muito utilizada em estudos científicos do melanoma. A linhagem B16 parece ser menos invasiva que suas sublinhagens e a habilidade de formar metástases aumenta segundo a ordem: B16F0, B16F1 até B16F10. Neste tipo celular é possível fazer a observação das alterações clássicas encontradas em células de tumores malignos. Além das características individuais das células, o tecido, como um todo, apresenta índice mitótico elevado, reforçando as características de neoplasias malignas. As anaplasias (perda das características típicas das células do tecido, também chamadas de atipias celulares) encontradas na lâmina são determinantes no diagnóstico de neoplasia maligna. As células apresentam os pleomorfismos: • Alteração na proporção núcleo/citoplasma; • Hipercromasia; • Alteração na proporção núcleo/citoplasma; • Células gigantes polinucleares (com mais de um núcleo); • Pontes interfásicas com figuras mitóticas. Uma das características do melanoma é a capacidade de adquirir resistência a terapias. As células de melanoma podem aumentar a liberação de vesículas extracelulares (VEs) em resposta ao tratamento com quimioterápicos. O prognóstico de pacientes com melanoma metastático é desfavorável, com sobrevida média de 8 a 9 meses, e o tratamento com fármacos quimioterápicos e/ou compostos imunoterápicos e hormonais tem falhado em fornecer melhorias clínicas significativas. Figura 27.1: Cultura de células B16F10 com aumento de 40x. As setas ( ) apontam células com pontes interfásicas com figuras mitóticas e as setas ( ) apontam células com alterações na proporção núcleo/citoplasma. 63 28. METÁSTASE As metástases são implantes tumorais descontínuos em relação ao tumor primário. As metástases inequivocamente definem um tumor como maligno, visto que as neoplasias benignas não se metastatizam. Com exceção dos gliomas e carcinomas basocelulares de pele, que apresentam formas altamente invasivas de neoplasias, mas raramente sofrem metástase, todos os cânceres podem sofrer metástase. Em geral, as metástases apresentam-se macroscópicamente como nódulos numerosos, bem delimitados, de tamanhos diversos, na superfície ou na intimidade de órgãos. Muitas vezes o nódulo metastático tem característica macroscópica de tumor benigno. Ao microscópio o quadro é bem variado. As células metastáticas podem ter as mesmas características do tumor primário ou até, raramente, ser mais diferenciado; na maioria das vezes, com tudo, são menos diferenciadas e mais atípicas. A teoria mais aceita indica que as metástases têm origem a partir do surgimento de subclones metastáticos e passam pelas seguintes fases: (1) afrouxamentos de junções intercelulares, (2) fixação e degradação da matriz extracelular, (3) migração. Na fase de afrouxamento de junções intercelulares, o subclone metastático apresenta alterações na expressão de caderinas, no caso a redução da E-caderina, responsável pela ligação célula-célula e aumento da N-caderina, que ancora a célula à MEC. Durante a fixação, o subclone aumenta a expressão de receptores de componentes da matriz extracelular, como os receptores de fibronectina e de laminina, e posteriormente passa a liberar proteases de destruição da MEC, como colagenases e metaloproteinases. A matriz celular é degradada e o subclone metastático atinge vias que permitem sua disseminação. A disseminação dos cânceres pode ocorrer através de 3 vias, sendo elas: (1) via cavitária, (2) via linfática ou (3) via hematogênica. Na via cavitária, o subclone metastático se implanta em cavidades ou superfícies corporais, como a pleura, pericárdio e peritônio. A disseminação pela via linfática afeta os linfonodos de vigia da drenagem linfática e acarreta o aumento do tamanho dos linfonodos por hiperplasia imunorreativa ou infiltração de células cancerosas. Na via hematogênica, as células metastáticas atingem os vasos sanguíneos, principalmente veias, e os principais tecidos de implantação são o fígado e os pulmões, podendo haver também implantação organotrópica. Os sítios de instalação das metástases podem estar relacionados à existência de estruturas celulares ou endoteliais que permitam a adesão das células metastáticas. Há também a teoria da semente e do solo, na qual há a hipótese que o tumor primário prepara o tecido ao qual a célula metastática será implantada, por meio da indução de quimiocinas e mediadores inflamatórios no tecido alvo. 64 Figura 28.1: Principais etapas do estabelecimento da metástase. O fígado é o principal órgão acometido por metástases hematogênicas provenientes da circulação portal e um frequente alvo de metástases advindas da circulação sistêmica. O acometimento hepático por um tumor metastático é muito mais comum do que por um tumor primário, chegando a ser vinte vezes mais frequente. Em necropsias, cerca de 40% dos pacientes com tumores extra-hepáticos apresentavam metástase hepática. Esse fato pode ser atribuído ao fato de o fígado ser a maior víscera sólida do organismo, recebendo grande fluxo sanguíneo arterial e venoso (todo sangue da cavidade abdominal drena para a veia porta, passando obrigatoriamente pelo fígado antes de atingir a veia cava). Os principais sítios primários dos tumores metastáticos do fígado são cólon, pâncreas, mama, ovário, reto, estômago, pulmões e rins, respectivamente (Tabela 28.1). Tabela 28.1: freqüência de tumores metastáticos no fígado: Tumor primário % de pacientes com metástase hepática Vesícula biliar 77,6% Pâncreas 70,4% Primário desconhecido 57,0% Cólon 56,0% Mama 53,2% 65 Melanoma 50,0% Ovário 48,0% Estômago 44,0% Broncogênico 41,8% As metástases chegam ao fígado de quatro formas básicas: 1. Por contiguidade: ocorre devido à proximidade do tumor primário ao fígado, como no caso dos tumores de estômago, cólon, ducto biliar e vesícula biliar; 2. Por via linfática: a disseminação por via linfática ocorre dos tumores de mama, pulmão e também dos órgãos drenados pela veia porta; 3. Pela artéria hepática: a disseminação pela artéria hepática, por via sistêmica, ocorre em casos como tumores pulmonares e melanomas; 4. Pela veia porta: as metástases chegam ao fígado predominantemente através da veia porta, de forma que metástases hepáticas podem ser encontradas em quase que a metade dos casos em que há acometimento de um órgão drenado pela veia porta. Embora a via preferencial de metastatização seja a veia porta, as metástases hepáticas são supridas quase que exclusivamente através da artéria hepática. Nos carcinomas colorretais parece haver uma predileção pela metastatização para o lado direito do fígado, embora não haja substratos que explicam totalmente essa tendência. 29. HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA A hiperplasisa prostática benigna (HPB) ou também conhecida como hiperplasia nodular da próstata (HNP), consiste no crescimento nodular do órgão resultante de proliferação não neoplásica do estroma e das glândulas prostáticas. Os nódulos hiperplásicos originam-se nos lobos laterais e médio, a partir do grupo glândular internernos (glândulas mucosas e submucosas); os lobos anterior e posterior não são comprometidos. Caracterizada pela proliferação tanto de elementos estromais quanto de epiteliais, com o resultante do crescimento da glândula (dependente do androgênio), podendo levar à compressão da uretra e obstrução urinária. A HPB não acomete homens castrados antes do estabelecimento da puberdade ou homens com doenças genéticas que bloqueiam a atividade do androgênio. Mas, há evidências na literatura sobre duas hipóteses principais, sendo: O de fatores de crescimento locais ou Ação de fatores hormônais. A HPB origina-se da zona de transição da próstata. O aspecto macroscópicovaria conforme os lobos acometidos e a constituição histológica do nódulo. Na maioria das vezes, tanto os lobos laterais como o médio estão comprometidos com menor frequência, somente os lobos laterais estão afetados. Uma próstata aumenta de tamanho pode apresentar uma capsula rugosa e opaca, exibir uma superficie pardo-clara e multinodular. Os nódulos hiperplásicos são bem delimitados, constituídos predominantemente por estroma e tecido glandular ou, mais raramente, predominantemente por glândulas. Na maioria das vezes, na mesma próstata encontram-se nódulos estromatosos e estromatoglandulares. As glândulas hiperplásicas têm forma e tamanho variados, são às vezes dilatadas cisticamente e mostram proliferação papilífera para a luz. A presença de infitrado inflamatório de mononucleares em focos esparsos é constante. A inflamação é asséptica, admitindo-se que resulte do extravasamento de secreção prostática no estroma por causa da obstrução. 66 Apresentam células epiteliais colunares com dupla camada glandular, com citoplasma claro de aspecto mucoso, e são mais altas que as da próstata normal. As dobras do epitélio glandular são também mais pronunciadas que na glândula normal. Em muitos lugares é possível observar que as glândulas são formadas por uma dupla camada de células epiteliais: a mais interna, de células colunares proeminentes, e uma camada periférica de células basais achatadas, que pode ser descontínua. O encontro da dupla camada tem importância para definir a benignidade do processo (ou seja, que se trata de hiperplasia, e não neoplasia) já que nos carcinomas há perda da dupla camada. Na próstata, ao contrário da mama, as células basais não são mioepiteliais. Figura 29.1. Lâminas histológicas de Hiperplasisa Prostática Benigna com aumento de 10x. A seta indica uma glândula com hiperplasia benigna de próstata. 67 Figura 29.2. Lâminas histológicas de Hiperplasisa Prostática Benigna com aumento de 20x. Presença de células colunares (representado pela seta preta) e as células basais (representado pelas setas vermelhas). 68 Figura 29.3. Lâminas histológicas de Hiperplasisa Prostática Benigna com aumento de 40x. Presença de células colunares (representado pela seta preta) e as células basais (representado pelas setas vermelhas). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo Patologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 2. KUMAR, Vinay; PERKINS, James A. Robbins e Cotran patologia: bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 3. Earle, WR A Study of the Walker rat mammary carcinoma 256 in vivo and in vitro. Am J Cancer. 1935; 8:566-612. 4. Camargo, AEI. Redução do estresse oxidative no músculo cardíaco de ratos com caquexia induzida por tumor de Walker-256. 2008. Dissertação (Mestrado em Patologia Experimental) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 5. Guarnier FA, Cecchini AL, Suzukawa AAI, Maragno ALGC, Simão AANC, MD, Cecchini R. Time course of skeletal muscle loss and oxidative stress in rats with walker 256 solid tumor. 2006. Dissertação (Mestrado em Patologia Experimental) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 6. FEDELE, T. A.; Análise metabolômica de animais portadores de melanoma murinho B16F10 por espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN). Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo; 2012. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-22012013-165318/fr.php 69 7. WELLS, Gregory L. Carcinoma basocelular. Disponível em . Acesso em 10 de maio de 2021. 8. SÍRIO LIBANÊS. Carcionoma Espinocelular. Disponível em . Aceeso em 11 de maio de 2021. 9. CASTRO, Luiz Guilherme Martins. Carcinoma Espinocelular - O mais grave? Disponível em . Acesso em 12 de maio de 2021. 10. MENEZES, Joana D’arc S. O que é edema agudo de pulmão? Disponível em . Acesso em 10 de abril de 2021. Sinopse da 3ª. Edição. Atlas de Patologia abrange lesões celulares reversíveis e irreversíveis, processos adaptativos, alterações vasculares, inflamação aguda e crônica e neoplasias benignas e malignas. Esta obra idealizada pela Professora Dra. Alessandra L. Cecchini nasceu pelas mãos dos alunos de graduação da Biomedicina em 2007 da Universidade Estadual de Londrina em sua primeira edição. A segunda edição em 2013 contou, também, com a participação de outra turma da Biomedicina, trazendo uma atualização e novas fotos. Em 2021, alunos da pós-graduação em Patologia Experimental da UEL abraçaram a missão de atualizar o Atlas e de adicionar novos textos explicativos. Esta edição também conta com esquemas e novas fotos. Vale ressaltar que todas as fotos são provenientes do laminário das aulas práticas da Disciplina de Patologia Geral da UEL. Profa. Dra. Alessandra Lourenço Cecchini Armani é professora de Patologia Geral da Universidade Estadual de Londrina desde 2005. É pesquisadora permanente do Programa de Pós-graduação em Patologia Experimental, programa nota 6 na Capes. Ministra aula para os cursos de Farmácia, Odontologia, Medicina, Biomedicina, Fisioterapia, Enfermagem e Nutrição. Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/7688587931428505das células depende de algumas exigências, tais como o fornecimento de O2 e de nutrientes capazes de suprir o aumento de exigência das células; as células devem ter suas organelas e sistemas enzimáticos íntegros; células lesadas (degeneradas) não conseguem hipertrofiar-se como as células normais; as células cuja atividade depende de estimulação nervosa só podem hipertrofiar se a inervação estiver preservada. Como uma das formas de adaptações celulares já mencionas, a hipertrofia pode ser fisiológica ou patológica. A hipertrofia fisiológica é um fenômeno dito como programado, ocorrendo em certos órgãos e em determinadas fases da vida (p. ex., hipertrofia da musculatura uterina na gravidez). Em contrapartida, a hipertrofia patológica não é programada, surgindo a partir de estímulos variáveis, como por exemplo, na hipertrofia da musculatura esquelética, cujo estímulo responsivo dos atletas ou trabalhadores corresponde ao grande esforço físico, levando os músculos esqueléticos a entrarem em hipertrofia. Macroscopicamente tecidos e órgãos hipertróficos tornam-se aumentados de volume e de peso, por aumento volumétrico de suas células, mas sua arquitetura básica mantém-se inalterada, mas aumenta o fluxo de sangue e de linfa. Algumas vezes, coexiste aumento do número de células. Como a hipertrofia constitui resposta a sobrecarga de trabalho, ao atingirem certo volume as células tendem a dividir-se ou induzem células-tronco a originar outras células. Em alguns casos, o estímulo que leva a hipertrofia resulta também em aumento do material genético, podendo haver poliploidia ou multiplicação celular. 2. HIPERPLASIA A hiperplasia é resultante da proliferação de células maduras quando estimuladas por fatores de crescimento e, em algumas ocasiões, pelo surgimento elevado de novas células originadas de células- tronco teciduais; a hiperplasia corresponde então a uma alteração a nível de proliferação celular com aumento do número de células em um órgão ou tecido, resultando geralmente em aumento da massa de um órgão ou tecido. Fisiologicamente, a hiperplasia pode ser dividida em: hiperplasia hormonal, corresponde ao aumento da capacidade funcional de um tecido, quando necessário e hiperplasia compensatória, com aumento da massa de tecido após lesão ou ressecção parcial. A primeira tem como exemplificação a 9 proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade e durante a gravidez, a última corresponde, por exemplo, a capacidade compensatória de regeneração dos hepatócitos. O caráter patológico da hiperplasia é causado por excesso de hormônios ou fatores de crescimento agindo em células-alvo e pode também ser uma resposta característica a certas infecções virais, como os papilomavírus, que causam verrugas cutâneas e várias lesões de mucosa compostas por massas de epitélio hiperplásico. A hiperplasia endometrial é um exemplo de hiperplasia anormal induzida por hormônio, no qual após um período menstrual, há um surto rápido de atividade proliferativa no epitélio que é estimulado por hormônios hipofisários e por estrogênio ovariano. Sendo detida pelos níveis crescentes de progesterona nos dias que antecedem o fim do período menstrual. Porém, em situações onde o equilíbrio entre estrogênio e progesterona é alterado, resulta em aumentos absolutos ou relativos de estrogênio, com consequente hiperplasia das glândulas endometriais. Em suma a hiperplasia endometrial constitui uma relevante causa do sangramento anormal, definida como um aumento da proliferação das glândulas endometriais em relação ao estroma, levando a maior proporção de glândulas para estroma em comparação ao endométrio proliferativo saudável. Morfologicamente a hiperplasia endometrial é dividida em quatro categorias, sendo elas: hiperplasia simples sem atipia (fig. 2.1 e 2.2), caracterizada por glândulas de vários tamanhos e formas irregulares com dilatações císticas, com lesões que dificilmente progridem para um adenocarcinoma e refletem em grande parte uma resposta à estimulação estrogênica persistente; hiperplasia simples com atipia, bastante rara, ocorre atipia citológica no interior das células epiteliais glandulares, com perda da polaridade, núcleos vesiculares e nucléolos proeminentes; hiperplasia complexa sem atipia (fig. 2.3 e 2.4), apresenta um elevado número e tamanho de glândulas endometriais, aglomeração glandular e ramificação das glândulas, porém tais glândulas permanecem distintas e não confluentes e as células epiteliais permanecem citologicamente normais; hiperplasia complexa com atipia, caracterizada por uma sobreposição morfológica com o adenocarcinoma endometrioide bem diferenciado. Vale ressaltar que que aproximadamente 23% a 48% das mulheres com um diagnóstico de hiperplasia complexa com atipia apresentam carcinoma e por ventura apresentam características metaplásicas (como será discutido adiante). 10 Figura 2.1: Hiperplasia glandular cística do endométrio. Presença de maior número e dilatação das glândulas endometriais e escassez estromal. Aumento de 100x. Figura 2.2: Hiperplasia glandular cística do endométrio. Aumento da luz glandular e diminuição do estroma interglandular. Aumento de 400x. 11 Figura 2.3: Hiperplasia glandular cística do endométrio. Aumento do número e aglomeração de glândulas endometriais com diminuição estromal. Aumento de 100x. Figura 2.4: Hiperplasia glandular cística do endométrio. Glândulas aglomeradas apresentando pseudoestratificação das células colunares. Aumento de 400x. 12 Embora essas formas de hiperplasia sejam anormais, o processo permanece controlado porque não há mutações em genes que regulam a divisão celular e a hiperplasia regride se a estimulação hormonal cessa, mas não se pode excluir que a hiperplasia patológica pode vir a ser um solo fértil no qual a proliferação cancerosa pode surgir posteriormente. 3. ATROFIA O mecanismo da atrofia resulta da diminuição da síntese proteica e do aumento da degradação das proteínas nas células, ou seja, corresponde a redução do tamanho de um órgão ou tecido que resulta da diminuição do tamanho e do número de células. A atrofia fisiológica é recorrente durante o desenvolvimento normal, onde algumas estruturas embrionárias, como a notocorda e o ducto tireoglosso, sofrem atrofia durante o desenvolvimento fetal. A atrofia patológica é dependente de uma causa, podendo ser local ou generalizada, tendo como causas mais frequentes a redução da carga de trabalho ao qual um músculo, por exemplo, era submetido (atrofia de desuso); uma lesão a nível dos nervos (atrofia por desnervação); diminuição do suprimento sanguíneo; nutrição inadequada; perda de estimulação endócrina e uma compressão tecidual, independente do período de tempo. Na atrofia não são formadas novas células, há alteração apenas no tamanho e no volume daquelas já existentes, por meio da diminuição de seu conteúdo intracelular. Figura 3.1: Atrofia muscular. Aumento do espaço entre os fascículos e perda da morfologia regular e poligonal das fibras musculares. Aumento de 100x. 13 Figura 3.2: Atrofia muscular. Morfologia irregular das fibras musculares, com redução de volume celular. Evidenciando a diminuição das fibras através dos resquícios do endomísio, tecido conjuntivo localizado entre as fibras de um fascículo. Aumento de 400x. Ao restabelecer a proporção entre a demanda metabólica da célula e menores níveis de suprimento sanguíneo, nutrição ou estimulação trófica, um novo equilíbrio é atingido. Embora, no início do processo atrófico, as células têm sua função diminuída e não estejam mortas, a atrofia causada por redução gradual do suprimento sanguíneo pode progredir até o ponto no qual as células são lesadas de modo irreversível e morrem, frequentemente por apoptose. 4. METAPLASIA Representandouma substituição adaptativa de células sensíveis ao estresse por tipos celulares mais capazes de suportar o ambiente hostil, a metaplasia significa mudança de um tipo de tecido adulto (epitelial ou mesenquimal) em outro da mesma linhagem; não resulta assim de uma alteração no fenótipo de um tipo celular já diferenciado, em vez disso, ela é derivada de uma reprogramação de células-tronco que sabidamente existem em tecidos normais ou de células mesenquimais indiferenciadas presentes no tecido conjuntivo. A metaplasia é oriunda da inativação de alguns genes importantes no que diz respeito a sua expressão que define a diferenciação do tecido que sofre metaplasia, e da depressão de outros. A metaplasia óssea de pulmão é uma condição benigna do pulmão e é a causa mais comum de nódulos pulmonares mineralizados. A base etiológica teórica para a doença inclui começo de ossificação em um ambiente ácido e anóxico crônico, estimulando metaplasia de fibroblastos para osteoblastos. Os nódulos provocados por metaplasia óssea pulmonar podem ser detectados em um tamanho menor que no nódulo de tecido mole, não estão localizados ao lado de um brônquio e não 14 apresentam uma cauda de conexão visível, e embora não tenha uma grande relevância clínica, pode comprometer a capacidade respiratória global. Figura 4.1: Metaplasia óssea de pulmão. Presença de cartilagem hialina (cabeça de seta) e deposição de tecido ósseo (seta). Aumento de 100x. Figura 4.2: Metaplasia óssea de pulmão. Melhor visualização de cartilagens hialina com presença de condrócitos (círculos) em seu interior e tecido ósseo (seta) circundante. Aumento de 400x. 15 5. TUMEFAÇÃO TURVA Tumefação turva e degeneração hidrópica são sinonímias das lesões reversíveis que apresentam a mesma alteração, definindo-se: é a lesão celular reversível caracterizada pelo acúmulo de água e eletrólitos no interior da célula, tornando-a tumefeita e aumentada de volume. As sinonímias representam diferentes características morfológicas observadas ao microscópio, que podem ocorrer em maior ou menor grau de acordo com a fase e intensidade da lesão celular. A tumefação turva é caracterizada principalmente pelo aumento de volume celular e turbidez do citoplasma acompanhado de eosinofilia, sendo considerada uma fase anterior a degeneração hidrópica, que por sua vez já apresenta um acúmulo de água mais evidente, favorecendo a compartimentalização deste volume, trazendo um aspecto rendilhado ao citoplasma. Esse processo degenerativo, pode atingir células parenquimatosas, principalmente dos rins, fígado e coração, sendo causado por vários distúrbios diferentes, os quais se destacam: infecção aguda, agentes tóxicos endógenos ou exógenos e hipóxia. Após hipóxia, a célula sofre alterações bioquímicas e posteriormente morfológicas, como redução dos níveis de ATP e consequente diminuição da atividade da bomba de Na+/ K+. A ineficiência desta bomba, culmina no aumento da concentração de Na+ intracelular, estimulando o influxo de H2O a fim de reestabelecer o equilíbrio hidroeletrolítico da célula. Esta alteração está associada ao aumento de volume celular e tumefação do citoplasma e de organelas observado no processo de degeneração, bem como com a formação de pequenos vacúolos na tumefação turva, o que também promove o deslocamento do núcleo para a periferia da célula. Outra alteração bioquímica comum resultante da redução dos níveis de ATP após hipóxia, é a ativação da glicólise anaeróbica, que tem como produto o ácido lático. Esta molécula acidifica o conteúdo celular, podendo causar a precipitação de proteínas no citosol, cuja alteração morfológica é observada como um aspecto turvo, de “poeira”, além de aumento da eosinofilia observada já na fase de tumefação turva. No entanto, como toda degeneração, este é um processo reversível, desde que a exposição ao agente agressor seja cessada antes que a célula sofra danos permanentes. As principais características macroscópicas dos órgãos afetados por esse processo degenerativo, bem como suas características microscópicas são listadas a seguir. Características macroscópicas: • Aumento de volume tecidual (devido ao aumento do volume das células); • Palidez (devido à compressão dos vasos). Características microscópicas: • Tumefação e distensão celular; • Tumefação de organelas; • Deslocamento do núcleo; • Citoplasma turvo e com aspecto de “poeira”; • Eosinofilia no citoplasma. 16 Figura 5.1: Em (A) microscopia de rim normal, aumento de 10x. Em (B) microscopia de rim com tumefação turva. Aumento de 10x. 6. DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA A tumefação turva evolui para degeneração hidrópica conforme há o aumento do volume de água e eletrólitos no interior da célula devido à continuidade da lesão química ou tóxica, levando a alterações bioquímicas mais intensas, modificando, portanto, a função da célula. Devido a essas alterações, a diminuição da atividade da bomba de Na+/K+ se intensifica, fazendo com que haja um aumento do nível intracelular de Na+ e um influxo de H2O continuamente na tentativa de restabelecer o equilíbrio eletrolítico. Desta forma, na degeneração hidrópica observa-se aumento mais acentuado do volume celular, com aumento no tamanho dos vacúolos dispostos pelo citoplasma, comumente conferindo um aspecto “rendilhado” à célula. Também pode haver solubilização das proteínas anteriormente precipitadas, devido a este aumento. A deficiência de ATP vai sendo intensificada, tendo como consequência a diminuição da síntese proteica e a falha na bomba de Ca++, elevando sua concentração intracelular. O Ca++ ativa enzimas como as fosfolipases, que hidrolisam os fosfolipídios de membrana, favorecendo a formação de figuras de mielina e um desequilíbrio hidroeletrolítico mais intenso, por alterar a seletividade da membrana plasmática. As principais características macroscópicas e microscópicas observadas na degeneração hidrópica são listadas a seguir. Características macroscópicas: • Aumento de volume tecidual; • Tonalidade pálida; • Perda da elasticidade do tecido; • Brilho característico. Características microscópicas: • Células aumentadas de volume; • Núcleo deslocado para a periferia, resultado do acúmulo de água; • Presença de grânulos eosinofílicos; • Aumento do volume celular, com alteração da proporção citoplasma/núcleo e vacuolização citoplasmática que aumenta de volume, frequência e intensidade de acordo com o estágio da lesão; • Compartimentalização da água (aspecto rendilhado); • Presença de figuras mielínicas (resíduos de organelas e proteínas precipitadas devido à queda do pH intracelular). A B http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%BAcleo http://www.icb.ufmg.br/pat/pat/imagem/micro/rentubhidr.jpg 17 Em síntese, as alterações morfológicas observadas em ambas as fases continuam e se intensificam da TUMEFAÇÃO TURVA para a DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA, porém algumas diferenças são observadas, como a presença de vacúolos (organelas distendidas ou rompidas) menores e citoplasma com aspecto turvo mais intenso, de “poeira”, na fase de tumefação turva, e um aumento da quantidade de água no interior da célula, com a compartimentalização desta, na degeneração hidrópica. Uma figura (fig. 6.1) esquemática contendo as principais alterações bioquímicas e morfológicas decorrentes do processo de tumefação turva e degeneração hidrópica é ilustrada a seguir. Figura 6.1: Representação esquemática das principais alterações bioquímicas (em cinza) e morfológicas (em laranja) observadas no processo de degeneração hidrópica. Figura 6.2: Microscopia renal com (A) Degeneração hidrópica. Aumento 40x e (B) Degeneração hidrópica. Aumento 20x. A B 18 7. ESTEATOSE HEPÁTICA Esteatose é o acúmulo de gorduras neutras no citoplasma de células que não as armazenam. A lesão é comumno fígado, mas pode ser vista também outros locais (miocárdio, túbulos renais, músculos esqueléticos etc.). A esteatose pode ser causada por várias agressões: agentes tóxicos, hipóxia, alterações na dieta e distúrbios metabólicos. A lesão aparece quando o agente aumenta a captação ou a síntese de ácidos graxos ou dificulta sua utilização, seu transporte ou sua excreção. A lesão é mais conhecida no fígado. Os hepatócitos normalmente retiram da circulação ácidos graxos e triglicerídeos provenientes da absorção intestinal e da lipólise no tecido adiposo. No fígado, ácidos graxos são utilizados para: (1) produção de colesterol e seus ésteres; (2) síntese de fosfolipídeos, esfingolipídeos ou glicerídeos; (3) geração de energia por meio da β-oxidação até acetil-CoA e da formação de corpos cetônicos. Os triglicerídeos, os fosfolipídios e o colesterol associam-se a apoproteínas para formar lipoproteínas, que são excretadas no espaço de Disse, processo que depende de transporte intracitoplasmático de vesículas do qual participam microtúbulos e microfilamentos Esteatose resulta de: (1) maior aporte de ácidos graxos por ingestão excessiva ou lipólise aumentada; (2) síntese de ácidos graxos a partir do excesso de acetil-CoA não oxidada no ciclo de Krebs; (3) redução na utilização de triglicerídeos ou de ácidos graxos para a síntese de lipídeos complexos, por carência de fatores nitrogenados e de ATP; (4) menor formação de lipoproteínas por deficiência na síntese de apoproteínas; (5) distúrbios no transporte de lipoproteínas por alterações no citoesqueleto. Ingestão abusiva de etanol e síndrome metabólica são as causas mais comuns de esteatose hepática. O etanol é a principal causa de esteatose hepática. No fígado, o álcool é metabolizado por três vias: (1) sistema microssomal (MEOS), via citocromo P-450, sobretudo CYP2E1 – ingestão alcoólica induz maior atividade do CYP2E1, o que explica a tolerância ao etanol vista em alcoolistas crônicos; (2) via da álcool-desidrogenase (ADH), no citosol, em que um íon hidrogênio é transferido para o NAD e gera NADH; (3) via da catalase, em peroxissomos. Nessas três vias, o produto final é o acetaldeído, que, por ação da aldeído-desidrogenase (ALDH) em mitocôndrias, é convertido a ácido acético e acetil- CoA. No etilismo, a esteatose resulta de: (1) menor disponibilidade de NAD – como o NAD é necessário para a oxidação de lipídeos via ADH, sua redução contribui para o acúmulo de gorduras; (2) maior disponibilidade de acetil-CoA – excesso de acetil-CoA induz síntese de ácidos graxos, que, somados aos provenientes da circulação, originam triglicerídeos que se acumulam nas células; (3) redução no transporte de lipoproteínas porque o acetaldeído e os radicais livres alteram microtúbulos e microfilamentos. Esteatose pode ser agravada por desnutrição (ver adiante), especialmente em crianças; muitas vezes, desnutrição acompanha o etilismo. Nos estados de hipóxia (anemia, insuficiência cardíaca ou respiratória etc.), há menor disponibilidade de O2 no ciclo de Krebs e, portanto, menor utilização de acetil-CoA, que favorece a síntese de ácidos graxos. Redução de ATP também dificulta a síntese de lipídeos complexos e diminui a utilização de ácidos graxos e triglicerídeos. Na desnutrição proteico-energética: (1) a carência de proteínas diminui a síntese lipoproteínas e a excreção de triglicerídeos; (2) a ingestão calórica deficiente mobiliza lipídeos do tecido adiposo e aumenta o aporte de ácidos graxos para o fígado. Agentes tóxicos (p. ex., CCl4) lesam o retículo endoplasmático granuloso e reduzem a síntese de lipoproteínas. Em adultos, desnutrição proteica não induz esteatose como na infância, além de inibidores da síntese proteica nem sempre induzirem esteatose hepática. Por outro lado, inibidores da síntese proteica (p. ex., ácido orótico e puromicina) podem provocar esteatose mediante bloqueio na 19 utilização de triglicerídeos sem que a síntese proteica tenha sido reduzida. Como nem sempre a deficiência proteica leva a acúmulo de lipídeos nas células, é possível que a esteatose na desnutrição ou por agentes tóxicos tenha mecanismos mais complexos. Esteatose é frequente na obesidade, hoje um dos mais importantes problemas de saúde pública: em todos os continentes, há mais pessoas com peso acima do normal, com frequência associado a aumento do risco para doenças cardiovasculares e diabetes melito do tipo 2. Essa epidemia de obesidade deve-se, sobretudo, à associação de ingestão excessiva de energia (carboidratos e lipídeos) e sedentarismo. Frente à ingestão excessiva de energia, o organismo pode adaptar-se mediante aumento do gasto energético e armazenamento de gordura no tecido adiposo, além de diminuição do apetite. Tal adaptação, porém, é limitada e depende do perfil genético do indivíduo, razão pela qual uma dieta rica em calorias leva a obesidade em frequência e graus variáveis em diferentes pessoas. A obesidade associa-se comumente a uma nova entidade clínica, conhecida como síndrome metabólica, cujos componentes são: (1) obesidade central (aumento da circunferência abdominal ou da relação cintura-quadril); (2) dislipidemia (aumento de triglicerídeos e redução de HDL); (3) intolerância à glicose, geralmente acompanhada de resistência à insulina; (4) hipertensão arterial sistêmica; (5) esteatose visceral; (6) aumento do risco para doença cardiovascular aterosclerótica e diabetes melito do tipo 2. Na síndrome metabólica, ocorre esteatose visceral no fígado, nas ilhotas de Langerhans, nos músculos esqueléticos e no miocárdio. No fígado, o excesso de ácidos graxos induz aumento da oxidação de ácidos graxos no REL e em peroxissomos. Com isso, ocorre aumento de radicais livres, que alteram proteínas do citoesqueleto e dificultam o transporte de lipoproteínas, favorecendo o acúmulo de triglicerídeos no citosol, os quais estão com síntese aumentada. A esteatose pode evoluir para a esteato-hepatite, que, além do acúmulo de gorduras nos hepatócitos, apresenta corpúsculos de Mallory-Denk, degeneração hidrópica, inflamação e fibrose, podendo evoluir para cirrose hepática. A inflamação é secundária à necrose focal de hepatócitos, também por ação de radicais livres. A fibrose resulta da ativação de células estreladas por citocinas liberadas nos focos de inflamação e por aldeídos originados da peroxidação lipídica. A esteatose aguda da gravidez e a que aparece na síndrome de Reye têm patogênese em parte desconhecida e devem-se a defeito mitocondrial na oxidação de lipídeos. A tetraciclina causa esteatose em hepatócitos possivelmente por alterar a excreção de lipoproteínas. Figura 7.1: Fígado de rato com esteatose induzida por CCl4 (rato da esquerda, círculo). Comparar a alteração da cor em relação ao fígado do rato normal (rato da direita). 20 Figura 7.2: Esteatose hepática. Nota-se uma desorganização do parênquima hepático devido ao cúmulo de gordura e a presença de inúmeros vacúolos no interior dos hepatócitos. Aumento de 10x. Figura 7.3: Esteatose hepática em maior aumento. Observar os hepatócitos com um grande vacúolo único de gordura e núcleo deslocado para periferia (estrutura conhecida como “anel de bacharel”). Aumento de 40x. 8. AMILOIDOSE A amiloidose é uma condição associada a diversas doenças hereditárias e inflamatórias nas quais depósitos extracelulares de proteínas fibrilares são responsáveis por dano tecidual e comprometimento funcional. Essas fibrilas anormais são produzidas pela agregação de proteínas deformadas (que são solúveis na sua configuração dobrada normal). Os depósitos fibrilares ligam-se a 21 uma ampla variedade de proteoglicanas e glicosaminoglicanos, incluindo o heparan sulfato e o sulfato de dermatano e proteínas plasmáticas, especialmente o componente amiloide P do soro (SAP). A presença de grande quantidade de grupos de açúcarescarregados nessas proteínas adsorvidas confere as características de coloração dos depósitos que tinham semelhança com o amido (amilose). Dessa forma, os depósitos foram chamados de amiloide, um nome que está firmemente enraizado apesar da constatação de que os depósitos não estão relacionados com o amido. O amiloide é depositado no espaço extracelular em vários tecidos e órgãos do corpo em uma variedade de situações clínicas. Como a deposição do amiloide aparece de forma insidiosa e algumas vezes misteriosa, o seu reconhecimento clínico depende da identificação morfológica dessa substância em espécimes de biópsia apropriados. À microscopia óptica e com as colorações de hematoxilina e eosina, o amiloide se apresenta como uma substância amorfa, eosinófila, hialina e extracelular. Com o acúmulo progressivo, ele invade e produz atrofia por pressão das células adjacentes. Para diferenciar o amiloide de outros materiais hialinos (p. ex., colágeno, fibrina), são usadas várias técnicas histoquímicas. Talvez a mais amplamente utilizada seja a coloração pelo vermelho Congo, que sob a luz comum confere uma cor rósea ou vermelha aos depósitos teciduais. A amiloidose resulta da dobradura anormal de proteínas que se tornam insolúveis, agregadas, e se depositam como fribrilas nos tecidos extracelulares. Normalmente, as proteínas dobradas de forma errada são degradadas dentro das células, em proteossomos, ou fora das células, por macrófagos. Parece que na amiloidose esses mecanismos de controle de qualidade falham, resultando no acúmulo de proteínas dobradas de forma errada fora das células. As proteínas que formam o amiloide incluem-se em duas categorias gerais: (1) proteínas normais que têm uma tendência inerente de se dobrar inadequadamente, associar-se e formar fibrilas, e o fazem quando são produzidas em quantidades aumentadas; e (2) proteínas mutantes que têm mais propensão ao dobramento errado e subsequente agregação. Qualquer que seja o distúrbio clínico, a amiloidose pode ou não ser aparente no exame macroscópico. Quando o amiloide se acumula em quantidades maiores, o órgão está frequentemente aumentado e o tecido se mostra cinza, com consistência firme. Histologicamente, o depósito amiloide é sempre extracelular e começa entre as células, frequentemente próximo das membranas basais. À medida que a amiloide se acumula, ele invade as células, circundando-as e destruindo-as. Na forma associada com a proliferação de plasmócitos, depósitos perivasculares e vasculares são comuns. Figura 8.1: Amiloidose Hepática. Não é possível distinguir com clareza os lóbulos hepáticos, observa- se uma densa massa eosinofílica e infiltrado proteíco fibrilar intracelularmente. Aumento de 10x. 22 9. NECROSE O termo necrose é utilizado para indicar morte celular ocorrida em um organismo vivo e seguida de fenômeno de autólise. Sendo uma consequência comum de inflamações, processos degenerativos e infiltrativos e alterações circulatórias. É o resultado de uma lesão celular irreversível, quando então o ponto de não retorno é ultrapassado, caracterizando a incapacidade de restauração do equilíbrio homeostático. As células necróticas são incapazes de manter a integridade da membrana e os seus conteúdos extravasam. As enzimas responsáveis pela digestão da célula são derivadas dos lisossomos das próprias células que estão morrendo ou dos lisossomos dos leucócitos que são recrutados como parte da reação inflamatória das células mortas. Alterações nucleares: • Picnose: Redução de volume e aumento da basofilia, com homogeneização do núcleo (Contração nuclear e condensação da cromatina); • Cariorrexe: Ruptura em vários fragmentos, com distribuição irregular da cromatina, acúmulo de grumos em torno da carioteca e posterior desintegração em grupos amorfos com perda dos limites nucleares; • Cariólise ou cromatólise: Dissolução da cromatina por hidrólise dos ácidos nucléicos gerando hipoacidez e redução da basofilia nuclear; • Ausência de núcleos: Consequência da cariólise total. A necrose é um processo patológico que ocorre somente no organismo vivo, em que a célula sofre o fenômeno de autólise, obrigatoriamente com a presença de inflamação no tecido adjacente. Uma característica importante da necrose é a perda da integridade nuclear, em que o núcleo sofre alterações, sendo elas a picnose (condensação da cromatina, tornando o núcleo intensamente basófilo e bem menor que o normal), a cariorrexe (fragmentação do núcleo com sua dispersão no citoplasma) e a cariólise (digestão da cromatina, com desaparecimento da afinidade tintorial do núcleo). Na necrose o dano às membranas é severo e o conteúdo celular sofre digestão enzimática e pode extravasar para fora da célula. Constitui-se, portanto, no estágio final da lesão irreversível e pode ser causada por isquemia, por exemplo. Há vários tipos de necrose, dentre eles: • Necrose Coagulativa - ocorre em tecidos com irrigação terminal (coração, pâncreas, baço, supra renal, rim), a arquitetura básica dos tecidos mortos é preservada por alguns dias. Normalmente ocorre quando há uma obstrução vascular, impedindo a chegada de oxigênio nos tecidos, ou seja, ocorre uma isquemia ou hipóxia. A lesão desnatura proteínas estruturais e enzimas, bloqueando a proteólise das células mortas; têm-se como resultado então, células anucleadas e eosinofílicas que persistem por dias ou semanas. A isquemia causada por obstrução em um vaso que supre um tecido pode levar à necrose de coagulação, em todos os tecidos exceto no cérebro. A área onde ocorre a necrose coagulativa é também chamada de infarto. • Necrose Liquefativa - ocorre em tecidos moles, com grande quantidade de enzimas hidrolíticas (cérebro, pâncreas, baço). É observada frequentemente no sistema nervoso central e ocorre em decorrência de infecções (bacterianas ou fúngicas) ou por hipóxia. No processo inflamatório ocorre acúmulo de leucócitos e liberação de enzimas que “liquefazem” o tecido. Seja qual for a patogenia, a liquefação digere completamente as células mortas, resultando em transformação do tecido em uma massa viscosa líquida. O tecido digerido é removido por fagocitose. Se o processo foi iniciado por inflamação 23 aguda, como na infecção bacteriana, o material é frequentemente amarelo devido a presença de leucócitos mortos e é chamado de pus. • Necrose Caseosa - encontrada frequentemente em focos de infecção tuberculosa, onde ocorre a formação de granuloma, que é uma reação inflamatória com o objetivo de conter o agente infeccioso, devido a isso muitas células são recrutadas para o local. O termo caseoso (semelhante a queijo) é derivado da aparência friável branco-amarelada da área de necrose. • Necrose Gordurosa - refere-se a áreas focais de destruição gordurosa, tipicamente resultantes da liberação de lipases pancreáticas ativadas na cavidade peritoneal. Isso ocorre na pancreatite aguda. As enzimas pancreáticas que escapam liquefazem as membranas dos adipócitos do peritônio, e dividem os ésteres de triglicerídeos contidos nessas células. Os ácidos graxos liberados combinam-se com o cálcio, produzindo áreas brancas macroscopicamente visíveis (saponificação da gordura), que permitem ao cirurgião e ao patologista identificar as lesões. Ao exame histológico, os focos de necrose exibem contornos sombreados de adipócitos necróticos com depósitos de cálcio basofílicos circundados por reação inflamatória. • Necrose Gangrenosa - ocorre em tecidos expostos, em contato com ar, bactérias, é uma forma de evolução de necrose resultante da ação de agentes externos sobre o tecido necrosado. Acomete principalmente extremidades de membros que perderam o suprimento sanguíneo. É uma necrose seguida de infecção e putrefação tecidual que envolve várias camadas de tecido. A gangrena requer cuidados urgentes e o tratamento inclui antibióticose remoção de tecido morto. • Necrose Fibrinosa - é uma forma especial de necrose, ocorre no sistema vascular degenerando as paredes dos vasos, geralmente observada nas reações imunes que envolvem os vasos sanguíneos. Esse padrão de necrose ocorre tipicamente quando complexos de antígenos e anticorpos são depositados nas paredes das artérias, pode ocorrer em doenças auto imunes. Histologicamente, as vegetações são constituídas por células inflamatórias (predomínio de neutrófilos), rede de fibrina, produtos da destruição tecidual e o organismo infeccioso. Algumas das características da célula na necrose: tumefação das organelas; influxo intenso de cálcio para dentro da célula; perda de ATP, proteínas, enzimas, coenzimas e metabólitos; perda da permeabilidade plasmática e, como mencionado, inflamação. Ao microscópio, as células possuem a presença de figuras de mielina e eosinofilia. Macroscopicamente é possível observar vegetações grandes, destruição extensa tecidual e presença de abscesso. Pode haver também, a perda da estrutura original do tecido na área necrosada. 24 Figura 9.1: Necrose Caseosa de Linfonodo. Aumento de 10x. A figura 9.1 mostra as seguintes características: Necrose caseosa no centro do granuloma. Figura 9.2: Necrose Caseosa de Linfonodo. Aumento de 20x. A figura 9.2 mostra as seguintes características: Linfonodos com granulomas com presença de células gigantes. 25 Figura 9.3: Necrose hepática centro-lobular. Aumento de 10x. A figura 9.3 mostra as seguintes características: (a) Área do retângulo: área de necrose, perda da morfologia celular e destruição dos sinusóides hepáticos; (b) Área do círculo: veia centro-lobular hepática; (c) Células tumefeitas ao redor da veia centro-lobular; (d) Notar hemorragia por diabrose: hemácias espalhadas devido à diabrose (digestão da parede dos vasos). Neste aumento não é possível analisar as alterações nucleares. 10. APOPTOSE A apoptose ou popularmente conhecida como morte celular programada recebe esse nome como forma de autodestruição celular, ou seja, a via de morte celular sendo regulada por um programa. Na morte celular por apoptose alterações nos aspectos morfológicos ocorrem, como a retração celular, condensação da cromatina, formação de bolhas citoplasmáticas, corpos apoptóticos, fagocitose dessas células ou corpos apoptóticas através dos macrófagos, essas características permitem que possamos identificar que as células sofreram apoptose. Esse processo de morte celular perdura durante várias horas desde o início até a fragmentação celular final, porém, o tipo de célula vai determinar o tempo gasto e qual estímulo e via apoptótica será utilizada. Existem dois tipos de apoptose: a fisiológica e a patológica. A apoptose fisiológica, a membrana da célula permanece intacta e não provoca nenhuma resposta inflamatória, esse tipo de apoptose ocorre para eliminar as células que não são mais necessárias e assim manter, nos tecidos, um número constante das várias populações celulares. Situações fisiológicas acontecem como, a destruição programada de células durante a embriogênese, a involução de tecidos hormônios-dependentes sob privação de hormônio, perda celular em populações celulares proliferativas, a eliminação de linfócitos autorreativos potencialmente nocivos e a morte de células que já tenham cumprido seu papel, como por exemplo, os neutrófilos. 26 Já, a apoptose patológica inclui alguns mecanismos distintos, e atua na eliminação de células que são lesadas de forma irreparável, porém sem executar reação no hospedeiro, de forma que a lesão tecidual seja limitada e paralela. Alguns dos eventos que acontecem como algumas enzimas serão ativadas por células que degradam o DNA nuclear e as proteínas plasmáticas, o acúmulo de proteínas anormalmente dobradas e a Morte celular em certas infecções. Todas as células contêm mecanismos intrínsecos que sinalizam morte ou sobrevivência, e a apoptose resulta de um desequilíbrio nesses sinais. O processo de apoptose pode ser dividido em fase de iniciação, durante a qual algumas caspases se tornam catalíticas ativas, e subdivida em via intrínseca e extrínseca, e também possui a última fase que é a fase de execução, durante a qual outras caspases iniciam a degradação de componentes celulares críticos. Figura 10.1: Lâminas histológicas de linfonodos com aumento de 40x. Células apoptóticas em evidência. 27 Figura 7.2: Lâmina histológicas de Epiderme de camundongo hairless com aumento de 20x. Com célula apoptótica (Sun burn cell) em evidência. 11. EDEMA AGUDO – CONGESTÃO DAS PAREDES ALVEOLARES Edema: basicamente, é o acúmulo de líquido no interstício ou em cavidades do organismo. Sua presença faz reduzir a circulação do sangue, assim prejudicando a nutrição e eficiência dos tecidos. Na literatura contemporânea o edema agudo de pulmão (EAP) é uma enfermidade clínica que pode ser conceituada como uma aglomeração líquida extravasado dos capilares para o interstício pulmonar, encarregado de gerar dificuldade para o ocorrido das trocas gasosas entre o capilar e os alvéolos pulmonares. Pode ser percepção no paciente quando este apresenta um crescimento na pressão capilar pulmonar e, consequentemente, aumento de líquido no espaço intersticial e alveolar do pulmão. Esse quadro acomete no paciente dispneia súbita e contínua ao repouso, com saturação de O2 menor que aproximadamente 90% à respiração ambiente (hipoxemia), redução da complacência pulmonar, trabalho respiratório aumentado e relação ventilação-perfusão anormal. (HERACLES, 2019). O edema pulmonar é uma exige uma atenção clínica corriqueira, mais diante ao contexto de insuficiência ventricular esquerda, como também acontece na síndrome de insuficiência respiratória do adulto, infecções pulmonares, insuficiência renal e reações de hipersensibilidade. Já o Edema por crescimento da pressão hidrostática capilar advém quando há crescimento da pressão nos capilares pulmonares (congestão das paredes alveolares). Condições de estudos de cunho patológico sugere que geram a falência aguda ou crônica do ventrículo esquerdo (arritimias cardíacas, lesões na valva vitral ou perda da massa ventricular funcional), com conservação relativa do débito 28 cardíaco direito, emerge a pressão nos capilares pulmonares e aumentam a movimentação de fluidos do compartimento intravascular para o interstício. Caso esse fluxo perpasse a capacidade de drenagem intersticial, o fluido extravasado de forma exacerbada dos capilares atinge a luz alveolar e compromete as trocas gasosas. Ocasionado à isso, a formação de edema pulmonar, por causa à congestão das paredes alveolares, interdepende de dois fatores essenciais: quantidade visto do fluído extravasado e capacidade de adaptação do sistema de drenagem linfática. (IVANUE e et.al., 2013). Comumente, em casos de EAP, na concepção de Heracles (2019), ou há uma causa de desequilíbrio nas impulsões das trocas de fluidos intravasculares e intersticiais, ou há um rompimento de membrana alveolocapilar; independente disso, uma vez que um alvéolo é atulhado, haverá algum grau de rompimento e a sequência pode ser dividida em três estágios: • Erigir do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar ocasionado ao crescimento paralelo e compensatório de drenagem linfática; • O volume que é purificado pelos capilares perpassa a capacidade de drenagem linfática máxima e começa-se o cumular de líquido no interstício; inicialmente, este acontece de forma preferencial tangente aos bronquíolos terminais, onde a tensão intersticial é menor; • Aumentos adicionais do volume, no interstício, encerram por distender os septos interalveolares e consequente cumulação dos alvéolos. O acúmulo de líquidos no interstícioocasiona a diminuição da distensibilidade pulmonar, prejudicando a aeração; além do mais, gera prejuízo nas trocas gasosas por razão do espessamento dos septos (membrana de trocas), que ficam ainda mais afetadas de forma prejudicial com o acúmulo de líquidos e cumulação dos alvéolos, não proporcionando o fluxo de ar. Pode haver também agressão endotelial, promovendo a intensificação do edema. Classificação: 1. De acordo com sua localização: - Edema Localizado: Ocasionado por um fator que atua localmente; - Edema Sistêmico ou Generalizado: Acréscimo de líquido intersticial em muitos (ou todos os) órgãos. 2. De acordo com sua composição: Microscopicamente, o edema pulmonar aparece como material hialino, homogêneo, na luz dos alvéolos, podendo ser: - Transudato: líquido com baixo conteúdo de proteínas (densidade 1,020 g/ml). Dá-se por alterações da permeabilidade da parede vascular ou por obstrução linfática. EDEMA AGUDO DE PULMÃO É o caso mais grave da Congestão Pulmonar, também reconhecida como Hiperemia Passiva. Nesse caso, há diminuição da drenagem venosa, por impedimento intrínseca ou extrínseca de uma veia das paredes alveolares (congestão localizada), ou por redução do retorno venoso, como acontece na insuficiência cardíaca esquerda (congestão sistêmica). Este edema caracteriza-se como sendo um transudato, enquanto o edema resultante da reação inflamatória aguda é classificado como um exsudato. Desse modo, Menezes (2020), existem duas classificações relativas à etiologia do edema agudo de pulmão, que são: • Cardiogênica: Momento quando a pressão capilar pulmonar ultrapassa a pressão padrão que é considerado normal, crescendo a filtração transcapilar, de forma a acontecer 29 normalmente em casos em que há má viscosidade e utiliza incorreto de medicação, elevada ingesta hídrica, síndromes coronarianas agudas, miocardites agudas, emergências hipertensivas, taquiarritimias e miocardiopatias crônicas (como as isquêmicas, hipertensivas ou valvares); • Não cardiogênica: nesta tipologia de origem de EAP, costumam ocorrer alterações na permeabilidade alveolocapilar, possibilitando rápido extravasamento de líquido para o alvéolo e para o interstício, ocorrendo em circunstâncias que envolvam: liberação de endotoxinas pela membrana externa de bactérias Gram negativa, embolia pulmonar, síndrome do desconforto respiratório agudo, anafilaxia, acidente ofídico, manipulação das vias aéreas por pressão negativa, edema agudo neurogênico, pré-expansão pós- pneumotórax, exposição a altas altitudes e infecções virais. Outros tópicos, como aumento da pressão capilar, diminuição da pressão oncótica intravascular ou agressão aos capilares contribuem para a formação do edema pulmonar. - Inicialmente, o líquido se cumula nos septos interalveolares (onde geralmente não existem vasos linfáticos). - Se a causa é persistente, o líquido passa para os alvéolos. - Quando há agressão endotelial, acontece também perda de proteínas, ocasionando aumento da pressão oncótica intersticial e intensificação do edema. Histologia: Os capilares alveolares encontram-se dilatados e os septos tornam-se desapertados por edema intersticial; em longo prazo, os septos sofrem fibrose e ficam espessados. Os alvéolos apresentam precipitados de proteínas em seu interior, devido ao crescimento da pressão do endotélio e extravasamento das proteínas do sangue. Figura 11.1: Corte histológico de pulmão com edema agudo. Em verde, o contorno de um alvéolo dilatado, devido ao extravasamento de líquido intersticial em seu interior. O contorno em azul destaca um alvéolo em tamanho e condições normais. Aumento de 10x. 30 Figura 11.2: Corte histológico de pulmão com edema agudo. Os pontos em rosa no interior dos alvéolos são precipitados de proteínas plasmáticas (transudato). Aumento de 40x. 12. TROMBOSE E ATEROSCLEROSE 12.1 ATEROSCLEROSE A aterosclerose é uma lesão que acomete principalmente a camada íntima de artérias de grande e médio calibre em que há a formação de placas ateroscleróticas, compostas por uma placa fibrosa, com núcleo central de lipídios. A formação da placa é estimulada por lesões endoteliais e inflamação. A partir de uma lesão ou disfunção endotelial, ocorre acúmulo de lipoproteínas (principalmente LDL) na camada íntima, e há adesão plaquetária e de monócitos ao endotélio. As plaquetas e os monócitos liberam mediadores inflamatórios e fatores de crescimento que contribuem para o recrutamento de mais células inflamatórias e para a migração e proliferação de células musculares. Os monócitos migram para a camada íntima, se diferenciam em macrófagos e fagocitam as moléculas de LDL e se tornam células espumosas. A placa aterosclerótica formada pode ser estável ou vulnerável. As placas estáveis apresentam capa fibrosa densa, e estão relacionadas a lesões isquêmicas, enquanto as placas vulneráveis apresentam uma camada fibrosa delgada e podem desencadear, além de lesões isquêmicas, complicações relacionadas com a ruptura da placa, trombose ou embolização. A ruptura das placas ateroscleróticas expõe a superfície luminal do vaso a substâncias trombogênicas e induz a formação de trombos no local. Os trombos podem ocluir parcial ou totalmente o lúmen dos vasos e agravar ou desencadear lesões isquêmicas. Aspectos Morfológicos: a aterosclerose acomete preferencialmente a camada íntima das artérias, podendo afetar secundariamente, também a camada média. É composta com uma placa fibrinogordurosa de 0,3 a 1,5 cm no centro do material gorduroso. Nas fotomicrografias apresentadas a seguir, a artéria apresenta espessamento fibroso de sua camada íntima contendo, de permeio, depósito 31 de numerosos cristais de colesterol (vistos como imagem negativa, após sua dissolução durante a preparação da lâmina). O lúmen da artéria, já reduzido pelo processo aterosclerótico anterior, apresenta a instalação recente e superposta de um trombo, diminuindo ainda mais a luz do vaso. Com isso, instala-se um processo de trombose arterial em vaso com aterosclerose. 12.2 TROMBOSE A trombose é definida como uma solidificação do sangue dentro dos vasos ou do coração, podendo ser desencadeada por uma lesão do endotélio, como o que ocorre na aterosclerose. O processo trombótico é dependente do que chamamos de tríade de Virchow, que compreende a lesão endotelial e alteração de fluxo, seja estase ou turbulência como os principais fatores e a hipercoagulabilidade, que se apresenta com menor frequência. Os trombos se apresentam sempre fixados na parede vascular, e podem também apresentar alternadas camadas de hemácias, de coloração mais eosinofílica, e camadas de fibrina e plaquetas, de coloração menos eosinofílica. Essas camadas alternadas são denominadas de linhas de Zahn, e se formam devido ao fluxo sanguíneo; processo qual não ocorre na formação do coágulo, que é formado fora dos vasos sanguíneos ou post mortem. A classificação dos trombos pode ser realizada de diferentes formas, a partir de sua composição, grau de obstrução e localização. Quanto a composição, podem ser divididos em trombos vermelhos, que se originam dentro de veias por meio da estase sanguínea, apresentando predominância de hemácias; trombos brancos, mais frequente nas artérias, por meio da turbulência e com predomínio de plaquetas e fibrinas; trombos hialinos, frequente em capilares e constituído majoritariamente por fibrina; por fim os trombos mistos, sendo os mais frequentes e são formados por cabeça (trombo branco), colo (presença de linhas de Zahn) e cauda (trombo vermelho). Podem ser oclusivos, com obstrução total de veias e artérias; murais, com obstrução parcial, ocorrendo frequentemente em artériase nas câmaras cardíacas; ou canalizados, onde um trombo oclusivo é recanalizado por meio de um processo de neovascularização. A localização também pode variar. Por exemplo, tromboses venosas ocorrem principalmente nos membros inferiores; as tromboses arteriais acometem em sua maioria as artérias coronárias, cerebrais, ilíacas e femurais; as tromboses capilares são originadas por meio de coagulopatias, como a coagulação intravascular disseminada; e as tromboses cardíacas podem ser murais, quando o trombo se localiza nas câmaras cardíacas ou denominadas vegetações, devido a infecção e colonização das válvulas. 32 Figura 12.1: Trombo em vaso com aterosclerose. Vaso sanguíneo com placa de ateroma (A) e inúmeros depósitos de cristais de colesterol (células espumosas) visto como imagens negativas na camada íntima (*). Percebe-se a formação de um trombo (T) ocluindo o lúmen do vaso. Aumento de 400x. Figura 12.2: Trombo em vaso com aterosclerose. Presença de linhas de Zahn, com predomínio de hemácias nas regiões mais eosinofílicas e predomínio de plaquetas e fibrinas nas regiões de coloração eosinofílica mais pálida. Aumento de 200x. 33 Figura 12.3: Trombo arterial. Trombo (T) em artéria, evidenciando uma grande quantidade de leucócitos, fixadas a parede do vaso. Mostrando também as camadas arteriais média (M) e adventícia (A). Aumento de 100x. Figura 12.4: Trombo arterial. Nota-se grande quantidade de redes de fibrina na composição do trombo, indicadas pelas setas amarelas. Aumento de 200x. 34 Figura 12.5: Trombo venoso. Nota-se camada média (M) mais delgada que em artéria e trombo (T) de coloração mais avermelhada devido à grande concentração de hemácias e menor presença de leucócitos, por isso denominado trombo vermelho. Aumento de 100x. Figura 12.6: Trombo com início de recanalização. Trombo com regiões de neovascularização (setas). Aumento de 100x. 35 13. INFARTO O infarto é caracterizado como uma área de necrose isquêmica causada por oclusão do suprimento arterial ou da drenagem venosa em um determinado tecido, sendo, portanto, uma área de morte celular decorrente de um distúrbio circulatório. A isquemia consiste na interrupção ou redução do fluxo sanguíneo em determinado tecido, que culmina na diminuição do aporte de oxigênio e nutrientes para as células. A velocidade, intensidade e tipo de tecido na qual instala-se a isquemia, pode determinar a magnitude da lesão, podendo ou não haver necrose e infarto. Isquemia decorrente de eventos rápidos como por exemplo obstrução vascular por êmbolo ou de grande intensidade como interrupção total do fluxo sanguíneo normalmente causam morte tecidual e, portanto, infarto. Após isquemia, dá-se a instalação de um quadro de hipóxia ou anóxia, que consequentemente leva à diminuição da síntese de adenosina trifosfato (ATP) e ao consumo das reservas energéticas celulares, provocando estresse mitocondrial, produção de espécies reativas de oxigênio, lesão de organelas e membranas, podendo culminar por fim, na necrose de células parenquimatosas e eventualmente estromais, caracterizando desta forma, o infarto. Os infartos têm enorme importância clínica. Nos Estados Unidos 40% dos óbitos são causados por doenças cardiovasculares, sendo a maioria atribuível ao infarto do miocárdio ou cerebral. Apesar do termo infarto ser popularmente associado ao tecido cardíaco, porém, a necrose tecidual isquêmica pode ocorrer em diversos tecidos como cerebral, intestinal e pulmonar, tendo como principais causas a obstrução vascular ou ruptura mecânica dos vasos. A obstrução do lúmen vascular arterial ou venoso pode ocorrer por vasoespasmo ou obstrução anatômica. A obstrução anatômica é etiologicamente mais importante para o desenvolvimento de infarto e pode ocorrer de três maneiras: • Compressão física dos vasos por tumores, edema, decúbito dorsal por longos períodos ou por torção dos vasos e aprisionamento em saco herniário, como por exemplo a torção de alças intestinais; • Espessamento da parede arterial, como ocorre na aterosclerose; • Bloqueio intraluminal ocasionado por trombos ou êmbolos. De acordo com a anatomia vascular da região acometida, a área de necrose tecidual pode apresentar características diversas, que auxiliam na classificação do infarto. Os infartos são classificados principalmente de acordo com a cor do tecido necrótico, podendo ser denominados de infarto branco ou anêmico (serão vistos mais adiante) e infarto vermelho ou hemorrágico. 13.1 INFARTO VERMELHO OU HEMORRÁGICO Infarto vermelho ou hemorrágico é aquele em que a região atingida tem cor avermelhada e escura justamente pela intensa hemorragia que se forma na área de necrose. Decorre do acometimento de órgãos que possuem circulação colateral, no qual a obstrução de uma artéria causará a isquemia seguida de necrose enquanto o fluxo de sangue da circulação colateral permanece e extravasa sobre a lesão. Ou seja, o vaso paralelo desobstruído extravasa tornando o tecido avermelhado. O infarto vermelho também pode ocorrer quando há a reperfusão do local prévio de oclusão, como na lise ou dissolução de um trombo ou êmbolo após obstrução de artérias. A obstrução do retorno venoso também pode ser causa de infarto vermelho, visto que as veias possuem baixa pressão, portanto logo que se estabelece a obstrução, o fluxo de retorno será interrompido, enquanto o fluxo de sangue arterial permanece no tecido. A interrupção do fluxo venoso leva à congestão, que dificulta as trocas gasosas teciduais, gerando isquemia e hipóxia, necrose e infarto, que por fim, é inundado pelo extravasamento 36 de sangue. As principais causas de obstrução do retorno venoso são trombose, torções de pedículo vascular ou compressão por edema, por exemplo. Os tecidos que são acometidos por infarto vermelho apresentam características macroscópicas e microscópicas típicas que auxiliam na classificação da lesão e que serão descritas a seguir. A área atingida no infarto vermelho possui a tendência de apresentar o formato de “cunha”, na qual o vaso ocluído estará presente no ápice ou vértice da forma e a periferia do órgão formará a base da figura de cunha As cores características da área atingida é vermelho-escura ou azulada, dura e saliente sobre a superfície do órgão. Normalmente a lesão apresenta-se mal delimitada em relação ao tecido adjacente devido à infiltração hemorrágica, além de, frequentemente, ocorrer a inflamação fibrinosa na região enfartada. Histopatologia: Na microscopia óptica de uma lâmina de infarto vermelho em geral, observa-se características típicas de tecido necrótico, como predominância de eosinofilia e ausência de núcleo celular, além de difícil distinção entre a área necrótica do tecido adjacente preservado devido à presença de células provenientes do extravasamento de sangue sobre o tecido. 13.2 INFARTO PULMONAR O infarto pulmonar é classicamente hemorrágico e tende a ser raro e jovem. Aproximadamente três quartos de todos os infartos afetam os lobos inferiores e em mais da metade dos casos ocorrem lesões múltiplas. Essas lesões se estendem para a periferia do pulmão em forma de cunha com o ápice apontando na direção do hilo do pulmão. No infarto pulmonar ocorre a obstrução de ramos médios da artéria pulmonar e as artérias brônquicas são incapazes de manter a irrigação. Nesse caso, a pressão do sangue nas artérias brônquicas é incapaz de vencer a resistência pós-capilar aumentada pela congestão; consequentemente, o fluxo para e estabelece-se a anóxia com necrose e hemorragia da área correspondente. Clinicamente, o infarto pulmonar manifesta-se por crise aguda de dispnéia, dor torácica ventilatório-dependente e hemoptise. 37 Figura 13.1: Área de hemorragia em um quadro de infarto pulmonar, no qual observa-se nas áreas contornadas,alvéolos repletos de eritrócitos. O tecido encontra-se amplamente eosinofílico e com a presença de eritrócitos provenientes do extravasamento de sangue. Observa-se claramente a difícil distinção entre a área enfartada e o tecido adjacente. 14. INFARTO ANÊMICO O infarto anêmico, ou branco, é desta forma denominado devido à cor branca e pálida que apresenta após evento de necrose isquêmica. Ocorre quando há obstrução arterial em órgãos sólidos com circulação terminal e pouca ou nenhuma circulação colateral, no qual a obstrução da artéria terminal privará o tecido do fluxo sanguíneo (isquemia) que não será compensado por vias colaterais de perfusão, levando à necrose e infarto, não havendo extravasamento de sangue na lesão. São tipicamente encontrados no coração, baço e rins, com necrose do tipo coagulativa. Como o território de distribuição anatômico das artérias é em forma de cunha, com o ápice voltado para o interior do órgão, os infartos 38 também tendem a ter forma de cunha, com o ápice voltado para o ramo obstruído, no qual é possível observar e distinguir claramente a delimitação da região acometida em relação ao tecido adjacente preservado. Macroscopicamente, o infarto branco se apresenta como uma área em forma de cunha com ápice no ponto de obstrução vascular e base voltada para a superfície do órgão, cor esbranquiçada e boa delimitação entre a região enfartada e o tecido adjacente. A partir de 6 a 8 h ocorre uma demarcação leucocitária. No 2° dia evidencia-se uma reação inflamatória / exsudativa de neutrófilos e macrófagos (fagocitam restos celulares) e posteriormente forma-se tecido de granulação e cicatriz fibrosa, podendo ser observada certo retraimento da região acometida. Histopatologia: Na microscopia óptica observa-se principalmente a ausência de núcleos celulares, e predominância de tecido eosinofílico ou róseo, características observadas tipicamente no processo necrótico, sendo possível observar também massas celulares mais homogêneas no tecido. Observa-se com mais clareza a delimitação das regiões acometidas em relação às regiões adjacentes. Figura 14.1: Infarto anêmico do Baço. Aumento de 40x. As setas indicam a necrose coagulativa (observar a ausência de núcleos e eosinofilia). 15. ENDOCARDITE INFECCIOSA A principal maneira pela qual o sistema imune lida com as infecções e lesões teciduais é estimulando uma inflamação, que é o acúmulo de leucócitos, proteínas plasmáticas e fluido derivado do sangue em tecido extravascular, local de infecção ou lesão. Se a causa da injúria inicial não for totalmente eliminada, a inflamação aguda caracterizada por se desenvolver em minutos, horas e durar poucos dias, vai gradualmente dando lugar a inflamação crônica. Ou seja, a causa básica da inflamação crônica é a persistência do fator etiológico, seja o agente infeccioso ou então restos de microrganismos, 39 entre outros. Assim a inflamação tem papel fundamental no sentido de aumentar o número de fagócitos no foco infeccioso, ampliando as chances de eliminação dos microrganismos. A nível de inflamações do tecido muscular cardíaco, vale ressaltar que o muscular estriado cardíaco é constituído por sua camada média, o chamado miocárdio. Este é revestido internamente por endotélio, o qual é contínuo com a camada íntima dos vasos que chegam ou saem do coração, o endocárdio, ou seja, o endocárdio é o homólogo da intima dos vasos sanguíneos. E a terceira túnica externa denominada de pericárdio, responsável por envolver o coração e fixá-lo na cavidade torácica, sendo dividido em uma camada fibrosa externa e duas camadas sorosas internas. Nesse conexo a endocardite infecciosa é a inflamação do endocárdio, como próprio nome prediz, provocada por microrganismos. Na prática, a maioria das endocardites ocorre em valvas cardíacas, porém podem ocorrer no endorcárdio mural (revestimento das paredes da câmara de coração), e são também consideradas endocardite as infecções que se instalam em próteses valvares. Embora os fungos e outras classes de micro-organismos possam ser responsáveis pela doença, a maioria dos casos são por infecções bacterianas (endocardite bacteriana), sendo os principais microrganismos causadores: estreptococos, enterococos e estafilococos. A fisiopatologia da Endocardite Infecciosa é representada quando os patógenos ganham acesso à corrente sanguínea, por exemplo, através de um cateter intravenoso. Posteriormente, eles aderem a uma área de superfície anormal da válvula cardíaca, no qual alguns patógenos, como o Staphylococcus aureus, obtém acesso intracelular ao endotélio da válvula. É possível então observar a vegetação sendo criada dentro de uma matriz protetora de moléculas de soro. E em um último momento as partículas de vegetação podem se desprender e disseminar para formar embolia. Isso pode levar a complicações, como derrame isquêmico, aneurismas micoses e infartos ou abscessos em locais remotos. A febre constitui o sinal mais consistente da Endocardite Infecciosa, no qual a aguda apresenta um início violento, com rápido desenvolvimento de febre, calafrios, fraqueza e cansaço. No entanto, na doença subaguda, a febre pode estar ausente e as únicas manifestações podem ser inespecíficas: fadiga, perda de peso, e uma síndrome semelhante à gripe. E esplenomegalia (consiste no aumento do tamanho do baço) é comum na forma subaguda. Histologicamente, as vegetações são constituídas por células inflamatórias (predomínio de neutrófilos), rede de fibrina, produtos da destruição tecidual e o organismo infeccioso. Macroscopicamente é possível observar vegetações grandes, destruição extensa das cúspides e presença de abscesso. 16. MIOCARDITE COM COLÔNIA DE BACTÉRIAS Define-se miocardite como: comprometimento miocárdico por processo inflamatório acompanhado de agressão e intensa degeneração ou necrose das fibras miocárdicas. Histologicamente, portanto, é definido pela presença de um infiltrado de células inflamatórias no miocárdio. Tal infiltrado aparece em vista de distúrbios de hipersensibilidade ou antígenos (resultantes de casos de septicemia- que ocorre por disseminação hematogênica- quanto de doenças autoimunes) no miocárdio; entretanto, uma miocardite não constitui o foco principal da infecção, mas representa apenas o componente secundário. Casos de septicemia clássicos são casos de infecções por meningococos, estafilococos ou pneumococos. A miocardite, em sua fase aguda, é caracterizada pela dilatação dos vasos coronários e das câmaras cardíacas. Então pode ocorrer a formação de edemas (que ao longo da doença se tornam inflamatórios com a entrada de leucócitos) de abscessos. O abscesso caracteriza um caso inflamação purulenta (ou seja, que formam pus) e é composto por uma camada central de pus formada pelo estimulador da resposta cercado por macrófagos; uma camada periférica de leucócitos circundada por 40 uma membrana piogênica. A miocardite pode evoluir em uma pericardite no caso de extravasamento dos estímulos pró-inflamatórios extravasarem para o pericárdio. A miocardite pode ser assintomática ou resultar em sintomas como arritmias, diminuição da respiração e retenção de líquidos, sendo o diagnóstico clínico e o tratamento por uso de vasodilatadores, evitando a retenção nas câmaras cardíacas. Figura 16.1: Corte histológico de coração com inflamação. Observar ao redor do abscesso células cardíacas lesadas. Aumento de 40x. 17. PERICARDITE FIBRINOSA A Pericardite corresponde a um processo inflamatório que afeta o pericárdio e é, em geral, secundária a várias doenças cardíacas, distúrbios torácicos ou sistêmicos, metástases de neoplasias que surgem em locais distantes, ou procedimentos cirúrgicos realizados no coração. Em alguns casos, porém, a pericardite corresponde a doença primária. As principais pericardites são: (a)