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VOLUME I
Ciências da Natureza e suas tecnologias
BIOLOGIA
Ciências Humanas e suas tecnologias
FILOSOFIA
SOCIOLOGIA
Linguagens, Códigos e suas tecnologias
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA ESTRANGEIRA
LITERATURA
Matemática e suas tecnologias
ÁLGEBRA
GEOMETRIA
Redação
REDAÇÃO
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CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS
BIOLOGIA
Oi, tudo bem? Resolvi reunir para você os conceitos básicos da Biologia nessa apostila,
que darão aquela ajuda especial e prática na hora de estudar e arrasar no ENEM (=
E C O L O G I A
Biomassa: matéria orgânica que compõe o corpo dos organismos vivos.
Biosfera: regiões do planeta onde existem seres vivos.
Biótopo: área geográfica onde se encontra uma comunidade.
Cadeia alimentar: representa a transferência de matéria e energia que se inicia sempre
por um organismo produtor e termina em um decompositor. O fluxo é sempre
unidirecional.
Ciclo biogeoquímico: conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que permite
aos elementos circularem entre os seres vivos e a atmosfera, hidrosfera e litosfera.
Comunidade: conjunto de populações de espécies diferentes que vive em uma mesma
área geográfica.
Consumidores: seres que não são capazes de produzir seu próprio alimento e precisam
alimentar-se de outro ser vivo para obter sua energia (heterotrófico).
Decompositores: seres que obtêm nutrientes e energia a partir da decomposição da
matéria orgânica.
Ecologia: ciência que estuda as relações entre os seres vivos entre si e destes com o meio
ambiente.
Ecossistema: local de interação entre seres vivos (fatores bióticos) e fatores físicos e
químicos (fatores abióticos).
Espécie: organismos semelhantes capazes de reproduzir-se e produzir descendentes
férteis.
Habitat: local em que determinada espécie vive.
Nicho ecológico: papel ecológico de uma espécie em uma comunidade. Envolve seus
hábitos alimentares, sua reprodução, suas relações ecológicas e outras atividades.
Nível trófico: posição que uma espécie ocupa em uma cadeia alimentar.
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Pirâmide ecológica: representação gráfica do fluxo de energia e matéria em um
ecossistema.
População: conjunto de seres vivos da mesma espécie que vive em determinado local.
Produtores: seres vivos capazes de produzir seu próprio alimento (autotróficos).
Relações ecológicas: são as relações que os seres vivos possuem uns com os outros. Essas
relações podem ser entre indivíduos da mesma espécie ou espécies diferentes.
Cadeia alimentar: representa uma sequência linear de seres vivos na qual um serve de
alimento para o outro.
Teia alimentar: conjunto de cadeias alimentares interligadas.
R E L A Ç Õ E S E C O L Ó G I C A S
Relações ecológicas são as interações que ocorrem entre os seres vivos.
Relações intraespecíficas: ocorrem entre indivíduos da mesma espécie.
Relações interespecíficas: ocorrem entre indivíduos de diferentes espécies.
Relações harmoniosas: são benéficas a um ou mais indivíduos da relação, mas nunca
prejudicam nenhum indivíduo.
Relações desarmoniosas: prejudiciais a algum indivíduo da relação.
Sociedade: indivíduos de uma mesma espécie vivem juntos, sem união física, e
apresentam uma divisão de trabalhos entre eles.
Colônia: indivíduos de uma mesma espécie vivem juntos, no entanto, podem
apresentar ou não divisão de trabalho.
Competição: indivíduos de uma mesma espécies podem entrar em disputa por
recursos que são limitados, como alimento, território e parceria para reprodução.
Canibalismo: um indivíduo alimenta-se de outro da mesma espécie.
Mutualismo: indivíduos de espécies diferentes vivem associados, sendo
dependentes ou não dessa associação.
Protocooperação: ocorre entre espécies diferentes e ambas obtém benefícios.
Comensalismo: apenas uma das espécies é beneficiada, no entanto, não causa
prejuízo à outra.
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Comensalismo: um indivíduo secreta substâncias que inibem ou impedem o
desenvolvimento de outro.
Parasitismo: um dos indivíduos (parasita) retira do organismo de outro
(hospedeiro) nutrientes para sua sobrevivência.
Predatismo: um indivíduo mata o de outra espécie para alimentar-se.
Competição: indivíduos de espécies diferentes podem entrar em disputa por
recursos que são limitados, como alimento ou território.
C I T O L O G I A
Teoria Celular de Schwann e Schleiden: “todos os seres vivos são formados por
células”.
Procariontes= têm uma organização mais simples, sem núcleo organizado e organelas
membranosas, como retículo endoplasmático e aparelho de Golgi.
Eucariontes= apresentam inúmeros compartimentos e estruturas membranosas internas.
Além disso, possuem um núcleo onde fica o material genético
Membrana Plasmática: é uma estrutura presente em todos os tipos celulares. É
composta por uma bicamada fosfolipídica que controla a entrada e saída de substâncias
da célula.
Núcleo Celular: está presente apenas em seres eucariontes, é onde fica o material
genético da célula. É o centro de comando da célula, controlando o metabolismo celular
e fazendo a síntese de ácidos nucleicos.
Mitocôndria: é uma organela com DNA próprio, responsável pela respiração celular.
Cloroplasto: está presente em organismos fotossintetizantes, por isso possui pigmentos
verdes (clorofila) que possibilitam a realização da fotossíntese.
Citoplasma: constitui o interior da célula em procariontes e, em eucariontes, corresponde
ao espaço entre a membrana plasmática e o núcleo. É onde se localizam as organelas
celulares e ocorrem muitas reações químicas.
Ribossomos: são responsáveis pela síntese proteica e estão presentes em todas as células,
tanto eucariontes quanto procariontes.
Retículo Endoplasmático (R. E.): é um sistema de canalículos e bolsas membranosas
presente no citoplasma de células eucarióticas. Essas membranas podem ser lisas (R. E.
Liso) ou apresentar ribossomos aderidos (R. E. Rugoso). O R. E. Liso é uma região de
intensa síntese de lipídios e o R. E. Rugoso de proteínas.
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Aparelho/Complexo de Golgi: é um sistema membranoso localizado no citoplasma de
células eucarióticas especializado em armazenamento, transformação e secreção de
substâncias.
Lisossomos: são vesículas compostas por enzimas digestivas com funções de digerir
materiais englobados pelas células (digestão intracelular) e elementos da própria célula
(autofagia), quando necessário.
E M B R I O L O G I A
Embriologia: é a área da biologia que estuda o desenvolvimento dos embriões, desde a
fecundação até a formação completa dos seres vivos.
Embriologia Humana: é a área de estudo da embriologia que analisa o desenvolvimento
dos embriões humanos e identifica causas de malformações e anomalias;
Embriologia vegetal: é a área que analisa o estágio de desenvolvimento das plantas;
Embriologia Comparada: faz análise comparada de embriões de diferentes espécies.
Fecundação: é a primeira etapa do desenvolvimento dos embriões humanos. Iniciam-se
com o encontro das células responsáveis pela reprodução, os gametas masculino e
feminino. Nessa fase, o espermatozoide penetra o óvulo e os núcleos dos gametas se
fundem, formando o zigoto;
Segmentação: esta segunda fase também é denominada de clivagem. É a etapa em que
o zigoto se divide inúmeras vezes. Inicialmente se divide em duas células denominadas
blastômeros.Continua se dividindo e aumentando o número de células. Passa a se fixar
na parede uterina em um processo denominado de blastocisto;
Gastrulação: o embrião continua se dividindo e aumentando suas células, além de
ampliar seu volume total. Nesta etapa também são formados, os três folhetos
embrionários ou germinativos — camadas celulares darão origem aos tecidos e órgãos do
novo indivíduo — além da ectoderma, mesoderma e endoderma;
Organogênese: é a última fase do embrião. Nessa fase ocorre a diferenciação dos tecidos
e dos órgãos.
Fertilização in vitro: é a fecundação do ovo com espermatozoide feita em um
laboratório. Após análise de especialistas, o embrião é colocado no útero materno;
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Inseminação artificial: é a reprodução intrauterina. Essa técnica prepara uma amostra
de esperma em laboratório e depois o transfere para o interior do útero. Isso aumenta a
probabilidade de fecundação dos espermatozoides.
Células-tronco embrionárias: esse tipo de células é encontrado nos embriões com cinco
dias de fecundação. Atualmente são desenvolvidas diversas pesquisas com elas, pois
possuem a capacidade de se transformar em outro tipo de célula. Acredita-se que elas são
capazes de colaborar com o tratamento de diversas doenças, como leucemia, Alzheimer,
Parkinson, epilepsia.
V Í R U S
Vírus: são parasitas que se destacam principalmente pelas doenças causadas no homem,
entretanto, eles não parasitam apenas as células humanas.
Capsídeo: cápsulas proteicas que envolvem o ácido nucleico.
Nucleocapsídeo: conjunto do capsídeos com o ácido nucleico.
Envelope viral: composto de duas camadas lipídicas intercaladas com moléculas de
proteína (bicamada de lipoproteínas) e pode conter material da membrana de uma célula
hospedeira da qual o vírus saiu.
Ciclo lítico: após a multiplicação os vírus podem romper as células infectadas para a
liberação de novas estruturas.
Ciclo lisogênico: quando o material genético viral pode manter-se ligado ao da célula
hospedeira, e a transmissão desse material para novas células ocorre à medida que ela se
divide.
F U N G O S
Fungos: são organismos eucarióticos representados por cogumelos, mofos e bolores.
Parede celular: composta por quitina.
Glicogênio: reserva energética.
Micorrizas: associações de fungos à raízes de plantas.
Líquens: união de fungos à algas ou cianobactérias.
P A R A S I T A S
Parasitologia: é a ciência que estuda os parasitas e ocorre quando um organismo
(parasita) vive em associação com outro organismo (hospedeiro).
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P R O T I S T A S
Protistas: organismos eucariontes, autótrofos ou heterótrofos e unicelulares ou
pluricelulares. Compreendem protozoários e algas.
Sacordinos: representados pelas amebas que se locomovem por meio de pseudópodes.
Mastigóforos: locomovem-se por flagelos.
Esporozoários: não possuem estrutura locomotora.
Ciliados: locomovem-se através de cílios.
Algas: organismos autótrofos, pois têm clorofila, além de outros pigmentos, logo,
realizam fotossíntese.
Algas verdes ou Clorofíceas: as algas verdes se caracterizam pela presença de clorofilas
A e B e carotenoides, reservas de amido, parede celular de celulose. Podem ser uni ou
pluricelulares. Há espécies comestíveis.
Algas vermelhas ou Rodofíceas: as algas vermelhas apresentam clorofila A e ficobilina,
uni ou pluricelulares, filamentosas e fixadas a substratos. Existem espécies comestíveis.
B O T Â N I C A
Androceu: conjunto de estames de uma flor.
Angiosperma: plantas vasculares com sementes abrigadas no interior de um fruto.
Antera: porção localizada no ápice do filete onde estão localizados os grãos de pólen.
Anterídio: estrutura reprodutiva que produz os gametas masculinos nas briófitas e
pteridófitas.
Anterozoides: gameta masculino.
Arquegônio: estrutura reprodutiva que produz os gametas femininos nas briófitas,
pteridófitas e gimnospermas.
Briófitas: plantas avasculares.
Cálice: conjunto de sépalas de uma flor.
Carpelo: estruturas que formam o gineceu e local onde são encontrados os óvulos.
Caule: eixo da planta que carrega as folhas e possui gemas.
Corola: conjunto de pétalas de uma flor.
Endosperma: tecido nutritivo presente na semente.
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Esporângio: estrutura onde estão localizados os esporos.
Esporófitos: geração que produz os esporos.
Estame: estrutura formada por filete e antera que porta os grãos de pólen.
Estigma: local do carpelo onde são depositados os grãos de pólen.
Estilete: parte alongada do carpelo, entre o estigma e o ovário, por onde o tubo polínico
cresce.
Estômato: estrutura relacionada com as trocas gasosas formada por células-guarda e
ostíolo.
Filete: estrutura alongada do estame.
Flor: estrutura reprodutora das angiospermas.
Folha: estrutura normalmente relacionada com a fotossíntese da planta.
Fruto: ovário maduro e desenvolvido.
Gametângio: estrutura que produz gametas.
Gametófitos: geração que produz gametas.
Gimnospermas: plantas vasculares com sementes expostas.
Gineceu: conjunto de carpelos de uma flor.
Grão de pólen: micrósporo que contém o gametófito masculino.
Megasporo: esporo que dá origem a um gametófito feminino.
Micrósporo: esporo que dá origem a um gametófito masculino.
Oosfera: gameta feminino.
Pétalas: estrutura da flor normalmente associada à função de atração de polinizadores.
Pteridófita: plantas vasculares sem sementes.
Sépalas: estrutura da flor que é normalmente verde e está relacionada com a proteção das
estruturas mais internas.
Soro: conjunto de esporângios encontrados em algumas pteridófitas.
Tubo polínico: parte formada a partir do grão de pólen que possui a função de transportar
o gameta masculino até o feminino.
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CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
FILOSOFIA
Textos de filosofia
Filosofia e seus períodos históricos
Você sabe o que significa filosofia? Boécio (1998) nos lembra que, segundo a
etimologia dessa palavra, filosofia significa “amor à sabedoria”. Ou seja, o desejo de
conhecer, compreender e explicar as coisas da vida de forma mais profunda e reflexiva
faz parte dessa disciplina. Mas como filosofar? Por meio da própria reflexão sobre o
pensar e o agir humano. Então qualquer pessoa pode propor questões filosóficas? Sim,
qualquer pessoa pode fazer suas questões diante do mundo, inclusive você. Indagar sobre
a vida cotidiana também nos permite desenvolver o pensamento reflexivo, uma vez que
as ideias do senso comum são questionadas, e, por meio da investigação filosófica, pode-
se constituir o pensamento crítico.
Por consequência, o estudo dos períodos históricos na filosofia corresponde ao
estudo dos períodos históricos na história da sociedade Ocidental. Assim, baseado em
Marcondes (2010), podemos periodizar a história da filosofia da seguinte forma.
Filosofia Antiga corresponde à História Antiga, datada entre o surgimento do
homem até o fim do século IV. Nessa época, passou-se do pensamento mítico-religioso
para o pensamento filosófico-científico, evidenciando a noção da natureza, da causalidade
e da racionalidade. Coube buscar as primeiras respostas para os dilemas existenciais
humanos.
Filosofia Medieval corresponde à Idade Média, período entre os séculos V e XV.
Nesse momento, deu-se a transição do helenismo para o cristianismo, que veio
acompanhando de uma deterioração cultural e econômica na Europa em decorrência do
Império Romano do Ocidente.
Filosofia Modernacorresponde à História Moderna, indo do século XV até o
século XVIII. Nessa época, ocorre a descoberta das Américas, há uma ruptura com a
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tradição e valoriza-se o progresso e a individualidade. Na questão da fé, é a reforma
protestante que entra em voga, questionando a autoridade institucional da Igreja.
Filosofia Contemporânea corresponde à Contemporaneidade, período a partir
do final do século XVIII até os dias atuais. Sua concepção busca encontrar respostas para
a crise do projeto filosófico da modernidade, pretendendo-se, assim, atualizar o
racionalismo, trazer novas alternativas para o questionamento da subjetividade e
evidenciar questões de linguagens.
A Filosofia Antiga engloba todo o pensamento filosófico anterior ao século V. Esse
momento corresponde à Antiguidade, que vai da invenção da escrita (4000 a.C. a 3500
a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.). Surgiu, então, a formação
do Estado, e as civilizações existentes nesse período eram Egito, Grécia, Roma, Persas,
Fenícios, povos germânicos, entre outros. Quanto ao desenvolvimento da filosofia, sobre
esse período histórico Braz (2005) enfatiza o período pré-socrático, que faz referência ao
período anterior à existência de Sócrates e destaca filósofos que se focavam com aspectos
da natureza para responder suas questões; o período socrático, que, na figura de Sócrates,
estimulava o diálogo para filosofar; o período sistemático, que é um período atribuído a
Aristóteles; e período greco-romano, que destacou aspectos da cosmologia para buscar
responder aos problemas da época.
Segundo Marques (2007), as principais preocupações neste momento eram
compreender a origem do universo, os fenômenos da natureza e os comportamentos
humanos a partir da razão. Assim, não se aceita mais as explicações míticas e busca-se
observar, analisar e fundamentar as explicações por meio da racionalidade humana.
Podemos destacar uma das escolas desse período, que é uma das escolas com maior
representatividade na Filosofia Antiga: a Escola Socrática. Seu representante é Sócrates,
que viveu durante o ano de 470 a.C. em Atenas, na Grécia. Ele foi discípulo de Platão e
preferiu evidenciar a questão ética e política na filosofia.
O método utilizado por ele ficou conhecido como método socrático. Esse método
visava à construção de conhecimento pelo homem a partir de questionamentos sobre
questões banais. Assim, o diálogo entre professor e aluno não era mais um processo de
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simples transmissão de ideias, mas uma profusão de trocas em que se podia realizar novas
aprendizagens.
A Filosofia Medieval comporta o período que é determinado entre os séculos V e
XV. Sua correspondência histórica se deu com a Idade Média, que começou com a queda
do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e foi até a tomada de Constantinopla,
capital do Império Bizantino. Esse período ficou conhecido como Idade das Trevas, visto
que se opôs à difusão de conhecimento existente no período anterior, o Renascimento.
Nessa época, a cultura greco-romana é recuperada, e a igreja Católica tem uma forte
influência sobre a produção de conhecimento. Sendo assim, a figura de Deus torna-se
base para as explicações, e a filosofia leva em consideração as orientações teológicas da
época.
Um dos principais expoentes nesse período é Santo Agostinho, que viveu de 354
a 430 na Argélia. Para ele, era Deus que atuava na vida do homem, de modo que essa
relação era considerada fundamental para compreender o comportamento humano e até
mesmo outros fenômenos. Nesse sentido, Franco Júnior (2001, p. 145) enfatiza que “[...]
é preciso lembrar que para ele as verdades da fé não podem ser demonstráveis pela razão,
mas esta pode confirmar aquelas: ‘compreender para crer, crer para compreender’”.
Outro expoente é São Tomás de Aquino, que viveu de 1225 a 1274 na Itália. Ele
retomou a escola aristotélica a partir de princípios do cristianismo.
A Filosofia Moderna começa no século XV e vai até o século XVIII. Com a queda
do Império Romano do Ocidente, o poder da igreja Católica diminuiu, e, então, a filosofia
passa a valorizar a reflexão humana como partida do raciocínio filosófico. Para
aprofundar a discussão.
Logo, o homem ganha centralidade nas respostas das indagações da época, e as
questões humanas passam a ser o centro de preocupações filosóficas. Assim, o homem
não é mais passivo do mundo em que vive, pelo contrário, ele é agente do seu processo
de existência e aos poucos vai se dando conta disso, como reforça Chauí (2000, p. 57):
“[...] A realidade é um sistema de causalidades racionais rigorosas que podem ser
conhecidas e transformadas pelo homem”.
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A escola identificada neste período envolve o racionalismo clássico. O filósofo que
encabeçou as bases filosóficas neste momento foi René Descartes. Ele foi um filósofo
francês, nascido em 1596, que propôs uma obra intitulada “discurso do método”. Nessa
publicação, Descartes aposta em uma metodologia racional para se buscar a verdade,
contrapondo-se à autoridade eclesiástica. Seu método é nomeado cartesiano.
A Filosofia Contemporânea é considerada desde o final do século XVIII – que tem
como marco a Revolução Francesa em 1789 – e vai até os dias de hoje. No entanto,
enfocaremos o começo do período para refletir como ele é determinante de toda uma
reflexão acompanhada de experiências de lutas e reivindicações por direitos e expressões
políticas.
Podemos dizer que esse foi um período de agitação política que questionou as
estruturas de Estado na época, e, após derrubarem o governo vigentes, na França,
definiram-se novos valores para a sociedade, como liberdade, igualdade e fraternidade.
Essa situação política ecoou em outros países e transformou o modo de pensar da
população como um todo.
Quanto ao ponto de vista da filosofia, de forma geral, as afirmações universais da
tradição filosófica foram colocadas em xeque, e novas reinvindicações filosóficas
entraram em voga. Nesse momento, a ênfase de análise é dada para condição de vida do
homem na sociedade e diversas escolas a compõem.
Para compreender este momento histórico, Domingues (2006, p. 9-10) entende que:
Trata-se de uma época em que as distinções dos campos disciplinares eram
mais elásticas, as especializações mais fluidas e a filosofia moral garantia
a ligação da filosofia e da ciência com o mundo da ação, ligação requerida
por toda a sabedoria que se preze, do Oriente e do Ocidente. Ora, é
justamente esse liame da filosofia, da ciência e da sabedoria que se rompeu
no curso da modernidade, gerando a conhecida situação de uma ciência
sem filosofia e sem sabedoria, bem como de uma filosofia sem sabedoria e
sem ciência. Minha tentativa ao longo da conferência, uma vez convencido
de que esse estado de coisas não pode persistir, sob pena de pôr tudo a
perder, será justamente a de restabelecer as pontes entre a filosofia, a
ciência e a sabedoria (bem entendido: a sabedoria não é uma disciplina,
mas um olhar e uma atitude), tendo por foco a filosofia contemporânea e
por eixo os grandes desafios do pensamento no século XXI.
Uma das escolas que se destacou nessa época é a escola marxista. Karl Marx nasceu
na Alemanha, em 1818, e morreu no Reino Unido, em 1883. Sua proposta de metodologia
envolvia a análise socioeconômica das relações 8 A história da filosofia sociais e visava
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à dialética para a transformação. Para Marx, é a contradiçãodas próprias ideias que levam
a novas ideias. Portanto, a proposição da dialética é de refletir acerca da realidade, e não
mais de interpretá-la.
Desenvolvimento do pensamento humano
A partir da filosofia, podemos perceber que o pensamento humano passa por
transformações tanto no sentido de negar ideias que antes eram consideradas corretas
como de retomar conceitos e proposições antigas em novos contextos. Sendo assim, o que
é considerado verdade é ressignificado com o passar do tempo, e o estudo da história da
filosofia nos apresenta as características que são evidenciadas em cada período.
Desse modo, a história da filosofia explicita uma sequência histórica do pensamento
humano, mostrando questões relevantes em cada período histórico da sociedade
Ocidental.
[...] trata-se de ter opiniões sobre certos temas bem definidos e sustentá-las
em algo diferente de uma convicção pessoal; mais ainda, o núcleo essencial
da filosofia não é constituído de crenças tematicamente definidas e
racionalmente fundadas, senão de problemas e soluções.
Contudo, só podemos ter certeza da pertinência de “problemas e soluções” que
marcam um período quando temos certo distanciamento sobre essa época, pois também
estamos contaminados por diversas outras questões que julgamos pertinentes.
Ainda se deve levar em conta que os acontecimentos históricos são marcadores de
mudanças de paradigmas, o que torna ainda mais importante compreender a história do
homem e o desenvolvimento da sociedade.
Nesse sentido, o estudo do pensamento humano nos permite compreender quais são
as bases para as explicações das questões filosóficas e buscar novas soluções para
problemas da sociedade. Contudo, para isso temos de partir de algum lugar, de alguma
pergunta, de algo que nos intrigue, como a dúvida, assim como todos esses pensadores
explicitados ao longo do capítulo o fizeram para iniciar suas reflexões. Como enfatiza
Fernandes (1994, p. 341): “Parte-se da dúvida, fazem-se conjecturas e aplica-se o
raciocínio explicativo causal. Chega-se assim a à ‘certeza’ possível”.
Assim, entendemos a importância da linguagem para canalizar as nossas dúvidas,
apresentar possibilidades de reflexões sobre elas e também construir conhecimento sobre
o mundo. Chauí enfatiza que: “[...] para se relacionarem com o mundo e com os outros
humanos, os homens devem valer-se de um outro instrumento – a linguagem – para
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persuadir os outros de suas próprias ideias e opiniões” (2000, p. 139). Um dos atributos
da linguagem é que ela nos ajuda a encontrar a verdade, a expor nossas ideias e a chegar
a conclusões sobre o mundo.
Sendo o homem questionador sobre si e o mundo em que vive, cabe a ele desvendar
o desenvolvimento humano por meio da linguagem e buscar novas verdades. Essa troca
entre os seres humanos é fundamental, e o que é construído como saber pode ser
acumulado como conhecimento não só para o homem que a descobriu, mas também para
as gerações futuras.
Pré-socráticos, Sócrates e sofistas
Introdução A filosofia surge na Grécia Antiga, com os pré-socráticos. Ela nasce em
oposição às narrativas mitológicas e aspira ao conhecimento racional acerca do mundo.
Os pré-socráticos procuram causas naturais para explicar a origem e a ordem do universo.
Mais tarde, outros temas passam a interessar aos gregos, os temas morais. Sócrates seria
o precursor dessa outra maneira de se fazer filosofia, a filosofia humanista.
Conjuntamente e debruçando-se sobre os mesmos assuntos, surge a figura do sofista,
especialista que vende o seu conhecimento em retórica e argumentação. Neste capítulo,
você vai estudar a origem da filosofia e conhecer os primeiros filósofos, os pré-socráticos.
Além disso, vai se debruçar sobre a obra de Sócrates e os ensinamentos dos sofistas.
Sofismo ou sofisma significa um pensamento ou retórica que procura induzir ao
erro, apresentada com aparente lógica e sentido, mas com fundamentos contraditórios e
com a intenção de enganar. ... Em um sentido popular, um sofisma pode ser interpretado
como uma mentira ou um ato de má fé.
Os sofistas foram sábios que atuavam como professores ambulantes de filosofia,
ensinando, a um preço estipulado, a arte da política, garantindo o sucesso dos jovens na
vida política. Eles ensinavam a arte da retórica. ... Para Platão,
os sofistas não eram filósofos.
Os filósofos pré-socráticos
Geralmente, entende-se a filosofia a como uma aspiração ao conhecimento racional
sobre o mundo e a realidade humana. Assim entendida, a filosofia surge entre o final do
século VII e o início do século VI a.C., na Grécia Antiga. É difícil explicar por que a
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filosofia surgiu na Grécia, já que algumas características que parecem ter sido
determinantes para o seu surgimento também estavam presentes em outras civilizações;
por isso, diz-se que ocorreu um “milagre grego” (CHAUÍ, 2000). Essas características
seriam: o fato de as cidades-estados gregas, as pólis, serem democráticas; o florescimento
da cultura grega na época; a adoção de moedas; e a vasta troca comercial no Mediterrâneo.
Os filósofos pré-socráticos são tidos como os primeiros filósofos. A principal
marca do seu pensamento é a busca por explicações sobre a ordem e a origem do mundo
dentro da própria natureza e de seus elementos. Por conta disso, eles são denominados
“filósofos naturalistas”.
Antes da filosofia, o mito era a narrativa principal do povo grego. Os mitos
explicam o mundo ao descrever a sua origem, além de elucidar o porquê de alguns
fenômenos naturais. Eles também apresentam os valores de um povo e a sua origem. Na
Grécia Antiga, os mitos eram transmitidos principalmente de forma oral, mas foram
sistematizados por dois poetas clássicos, Homero e Hesíodo. Por conta disso, até hoje
você pode acessar essas histórias.
Credita-se aos filósofos pré-socráticos uma insatisfação em relação às explicações
mitológicas. O mito recorre a algo misterioso e desconhecido para explicar o mundo. Por
outro lado, os pré-socráticos apresentaram explicações que recorriam apenas a elementos
naturais, presentes no mundo real. Para eles, o mundo é um cosmos, isto é, um todo
ordenado. Além disso, esse cosmos é acessível ao conhecimento humano por meio da
razão (logos).
Para defenderem as suas visões de mundo, os pré-socráticos traziam argumentos
causais. Por serem argumentos e não alegorias, como nos mitos, as teorias defendidas
pelos pré-socráticos podiam ser contrapostas por outros argumentos. Isso talvez explique
por que diferentes filósofos pré-socráticos defendem teses distintas.
Argumentos causais são regressivos. Isto é, ao descobrir uma causa, falta descobrir
a causa da causa e assim sucessivamente. Pense no caso de uma criança que interroga
sobre o porquê de algum fenômeno; por exemplo: por que anoitece? Imagine que você
explique brevemente o movimento do Sol em relação à Terra e descreva como esse
movimento se relaciona com a concepção de dia e noite.
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Se você já interagiu com uma criança, sabe que ela não se contentará com a sua
primeira explicação e fará novas perguntas, como “Mas por que o Sol roda ao redor da
Terra?”. Ao fazer esse tipo de indagação, a criança está procurando argumentos causais e
vendo como eles regridem sucessivamente: pode-se engatar em cada resposta uma nova
pergunta. Por conta desse caráter regressivo das explicações causais e, para evitar
regressões infinitas, os filó2 Pré-socráticos, Sócrates e sofistas sofos pré-socráticos
estabeleceram a noção de causa primeira, um elemento que é a origem de todosos outros.
Esse elemento é a arqué ou arché (do grego antigo ἀρχή). Cada filósofo pré-socrático
assume uma arché distinta. Ao longo deste capítulo, você vai conhecer algumas delas.
Tales de Mileto Tales de Mileto (aproximadamente 625–558 a.C.) é o primeiro
filósofo conhecido.
Ele defende que o princípio fundamental da realidade é a água: ela é a origem e está
presente em todas as coisas. Sobre Tales de Mileto, sabe-se muito pouco, pois nenhum
texto original sobreviveu à passagem do tempo. A existência de Tales de Mileto é
conhecida apenas porque outros filósofos fizeram referência ao pensamento dele em seus
textos.
Heráclito
Heráclito viveu por volta de 500 a.C. na cidade de Éfeso, na região da atual Turquia.
Ele é um dos pré-socráticos mais estudados, principalmente em dicotomia com a teoria
de outro fi lósofo que você vai conhecer a seguir, Parmênides. Para ele, o fogo é a arché
e o mundo está em fl uxo, nada sendo permanente. A tese de que tudo fl ui, de modo que
nada persiste nem permanece o mesmo, é central em seu pensamento. Uma conclusão que
ele obtém dessa primeira tese é a de que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois
o rio seria outro, assim como o sujeito. O rio se movimenta e, assim, se modifi ca. Por
sua vez, as pessoas também estão em constante transformação. Portanto, é impossível
reviver exatamente o mesmo mergulho no rio. Talvez você estranhe essa teoria do
constante fluxo de movimento. No entanto, Heráclito explica que, apesar do movimento,
a complementação dos opostos garante a unidade das coisas no mundo. Ele ainda diz que
a mente humana é capaz de identificar ordem e harmonia no movimento. Então, em vez
de ver o mundo como um movimento contínuo de mudanças bruscas e inexplicáveis, a
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razão humana organiza o movimento por meio da concepção de opostos, como o frio e o
calor, o dia e a noite e a vida e a morte.
Parmênides
Parmênides viveu por volta de 500 a.C. na cidade de Eleia. Em contraposição a
Heráclito, o filósofo do movimento, Parmênides é tido como o filósofo da unidade. Para
ele, o elemento primordial, a arché, é o próprio ser. Ao contrário dos textos dos filósofos
citados anteriormente, um dos textos de Parmênides chegou até o mundo contemporâneo:
o Poema. Nesse texto, ele narra o caminho da verdade. Ali, a firma que “O ser é e não
pode não ser e o não-ser não é e não pode ser de modo algum [...]” (PARMÊNIDES,
1996, p. 26). A sua constatação é considerada a primeira versão do princípio de não
contradição, princípio que denota que duas afirmações contraditórias não podem ser
verdadeiras ao mesmo tempo.
Por exemplo, se a afirmação “A mesa é azul” é verdadeira, então “A mesa não é
azul” não pode também ser verdadeira. Como você viu, a teoria de Parmênides é
contraposta à de Heráclito. Para Parmênides, o movimento é apenas uma ilusão dos
sentidos, e o seu estudo não ajuda a encontrar a verdade. Por outro lado, para se chegar à
verdade, a razão humana deve ver a realidade como única, imóvel, imutável e eterna. No
Quadro 1, a seguir, você pode ver as principais diferenças entre Heráclito e Parmênides.
Pitágoras
Outro pré-socrático bastante conhecido é Pitágoras. Ele nasceu por volta de 578
a.C., na Jônia, e fundou a escola pitagórica, que defendia que os números e a matemática
são essenciais para a compreensão do real, pois o mundo é regido pela matemática. Desse
modo, para Pitágoras, o número é a arché. Talvez você já tenha ouvido falar sobre
Pitágoras por conta das suas contribuições para a matemática. Pitágoras descobriu o
teorema que leva o seu nome. A sua formulação tradicional é que, em qualquer triângulo
retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos
comprimentos dos catetos. O filósofo também é conhecido por ter inventado a palavra
“filosofia”.
Outros pré-socráticos
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Além dos citados, existiram outros filósofos pré-socráticos. Cada um deles
defendeu a existência de diferentes princípios primeiros. Anaxímenes defendia que o ar
era a arché; Demócrito dizia que era o átomo; Anaximandro defendia que era o ápeiron,
que se traduz por “infinito” ou “ilimitado”. Como você viu, os pré-socráticos traziam
explicações causais para a origem e a ordem do mundo. Os seus argumentos eram
passíveis de crítica e revisão.
Sócrates
Sócrates nasceu em Atenas por volta de 469 a.C. e morreu por volta de 399 a.C. Ele
inaugurou uma nova fase na história da filosofia: o período humanista ou clássico. Como
você viu, os filósofos pré-socráticos se debruçaram sobre a explicação e o conhecimento
do mundo natural, buscando caracterizar a arché. Sócrates, por outro lado, leva a
discussão filosófica para outro lugar e foca nos temas relacionados à ética e à política.
Assim como os textos dos pré-socráticos, os escritos de Sócrates não são acessíveis.
No entanto, a razão é diferente: Sócrates não escreveu textos. É possível acessar as suas
ideias porque o seu mais famoso discípulo, Platão, usou Sócrates como personagem dos
seus diálogos e, assim, fez referência ao seu pensamento (PLATÃO, 2009). Outro
discípulo seu, Xenofante, também cita Sócrates em seus escritos, mas Platão é o maior
responsável pela presença de Sócrates na história da filosofia. Graças a ele, sabe-se que
Sócrates foi condenado à morte, acusado dos crimes de corrupção da juventude e de não
acreditar nos deuses da pólis. Ele influenciou o pensamento de jovens atenienses
fundamentalmente por seu modo de viver e questionar, que ele levou adiante até o
momento de sua morte. Desse modo, o símbolo maior da filosofia é alguém que ousou
viver de maneira diferente e defender ideias, ainda que elas o levassem à morte.
Sócrates defendia a existência de uma verdade única. Além disso, a distinção entre
opinião e verdade era central para ele. Para encontrar a verdade, Sócrates empreendia o
método socrático ou dialético. Em seus escritos, Platão apresenta alguns diálogos entre
Sócrates e interlocutores diferentes em que eles investigam algum tema abstrato, mais
especificamente a definição de alguma virtude moral.
O método socrático contém duas partes: a ironia e a maiêutica. Durante a etapa da
ironia, o interlocutor de Sócrates descrevia situações em que certa virtude poderia ser
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encontrada e começava um processo de abstração para identificar o que todas as situações
possuíam em comum, definindo, assim, a virtude. O interlocutor era então interrompido
por perguntas de Sócrates. Essas perguntas problematizavam o discurso do interlocutor,
exigindo maior rigidez. Ao final dessa etapa, o desconhecimento do interlocutor sobre o
assunto era evidenciado. Então, ele era convidado a, conjuntamente a Sócrates, construir
uma definição mais refinada do que aquela compartilhada na primeira etapa. Na segunda
etapa do seu método, a maiêutica, Sócrates ajudava o interlocutor a aperfeiçoar a sua
definição e alcançar um conhecimento mais profundo sobre o assunto.
O método da ironia teria sido inspirado no seu pai, que era escultor. Ao começar a
sua escultura, o escultor trabalha com uma peça inteira. Sua primeira tarefa consiste em
lapidar essa peça, retirar os seus excessos para começar a esculpir a figura almejada. O
método da maiêutica teria sido inspirado na sua mãe, que era parteira. Para Sócrates, todos
possuem a verdade dentro de si, tal como mulheres grávidas carregam o feto. A função
da parteira é ajudar a grávida a dar à luz o seu filho, enquanto a tarefa do filósofo, no
método da maiêutica, é ajudar o interlocutor a encontrar o conhecimento quejá está dentro
dele.
O método dialético socrático almeja, em um primeiro momento, deixar clara a
ignorância do interlocutor sobre determinado assunto. Depois disso, ele estaria mais
desarmado e pronto para começar a sua própria reflexão. Em geral, Sócrates utilizava esse
método em espaços públicos da pólis, convidando diferentes cidadãos a exporem
definições e terem suas respostas problematizadas sucessivamente até encontrarem o
conhecimento juntos ou se depararem com a aporia.
Sócrates se recusava a ser visto como um professor, pois, stricto sensu, ele não
transmitia conteúdos. O que ele fazia era evidenciar a ignorância dos interlocutores,
levando-os a reconhecer a falibilidade de suas opiniões e motivando-os a refletir a partir
disso, em busca da verdade. A frase mais famosa atribuída a ele é: “Só sei que nada sei”.
Esse dizer não é encontrado de maneira direta nos escritos platônicos em que a figura de
Sócrates aparece, mas é derivado deles. No diálogo Apologia de Sócrates, Platão afirma
o seguinte: “[...] aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu,
como não sei nada, também estou certo de não saber [...]” (PLATÃO, 2009, p. 142). A
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partir dessa frase, pode-se concluir que Sócrates toma a admissão de ignorância como
uma virtude.
Sofistas
Você viu que as pólis gregas eram democráticas. Na democracia grega, assuntos
de interesse público eram discutidos nas assembleias. Nesses locais, ocorriam discussões
organizadas, e cada lado poderia apresentar argumentos e buscar consenso entre os
ouvintes. Os sofistas eram figuras de destaque nas assembleias. Eles eram mestres de
oratória e retórica, realizavam discursos públicos e davam aulas pagas para aqueles que
gostariam de dominar essas habilidades.
Assim como no caso de Sócrates, o foco dos sofistas eram os temas relacionados à
ética e à política. Esses eram os assuntos que mais interessavam aos participantes das
assembleias, pois ali eram discutidas as normas e leis que regeriam a população. As
técnicas ensinadas pelos sofistas eram neutras, no sentido de que podiam ser utilizadas
tanto para defender uma posição quanto a posição contrária. Protágoras de Abdera
(aproximadamente 490–415 a.C.), famoso sofista, defendia o antropocentrismo, a ideia
de que o homem é a medida de todas as coisas. Isso significa que o homem é quem dita
as normas, as regras e a cultura de um lugar. O que é válido em um local em dado
momento pode não ser válido em outro local ou em outro momento. Desse modo, é
fundamental ter as técnicas de oratória e retórica necessárias para convencer ambos os
lados. Outro sofista, Górgias (aproximadamente 485–380 a.C.) foi além e disse que seria
capaz de convencer qualquer pessoa de qualquer coisa.
Vertentes filosóficas defendidas por pré-socráticos, Sócrates, Platão e
Aristóteles
A filosofia, desde seus primórdios, sempre organizou-se por sistemas (JAEGER,
2010). Desde os pré-socráticos, ainda que de maneira inconsciente, a filosofia se orientou
por uma temática, por um escopo teórico comum à sua comunidade filosófica. Isso
significa dizer que o exercício filosófico se manteve como uma compreensão de um
grupo, ou ainda, de uma época, o que justifica — ainda por filosofias solitárias — uma
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compreensão comum, configurando um entendimento que implica em um contexto
próprio a determinado pensamento. Nesse contexto, a filosofia grega, desde seu
surgimento até a última escola filosófica desse período antigo, é o resultado de um
contexto político, científico, artístico, cultural, enfim, paradigmático.
O povo grego antigo é conhecido por uma forte característica mística e sábia.
Assim, os gregos representam, na história ocidental, os pilares da sua civilização, de modo
que, sem a contribuição grega, a história ocidental poderia ter sido outra, e talvez o
Ocidente não conhecesse a racionalidade como foi originada e formada. Nesse contexto,
Jaeger (2010) afirma que a formação da racionalidade frente às crenças que envolviam a
narrativa mítica deu-se, em um primeiro momento, em relação à natureza, ou seja, nos
mitos, vê-se muitas histórias que buscavam, antes de tudo, explicar a realidade natural
das coisas. Muitos dos mitos tinham como contexto as paixões humanas, por exemplo, o
mito de Afrodite, que era tida como a deusa do amor e da beleza. Essa deusa foi
considerada a responsável por proteger os amantes Helena e Paris na guerra de Troia.
Entretanto, a maior parte das narrativas voltava-se a explicar os fenômenos naturais:
a colheita, a chuva, o mar, o sol, entre outros elementos que compõem a realidade natural
do mundo. Assim, o primeiro movimento filosófico demonstrava essa preocupação: “[é]
comum a todos aquele incompreensível devotamento ao conhecimento do cosmos, da
meteorologia, como então se dizia num sentido mais vasto e mais profundo. Isto é, a
ciência das coisas do alto” (JAEGER, 2010, p. 194–195).
Considerado o primeiro filósofo pré-socrático, Tales de Mileto dedicou-se, assim
como quase todos os pré-socráticos, a pensar a arché (elemento originário, ou seja, que
dá origem a tudo) da physis (natureza). Para Tales, a arché era a água, ou seja, tudo o que
existe vem da água. Nesse sentido, a filosofia pré-socrática foi a primeira a demonstrar
também um sistema de pensamento filosófico, ou seja, organizar o pensamento em torno
de determinadas questões e fundamentos foi uma atitude inaugurada pelos pré-socráticos.
Com a ascensão de Péricles (494–429 a.C.) à liderança de Atenas e com a instituição
do sistema democrático, deu-se início a outra transição. Assim como a transição do mito
ao logos, a mudança no foco de reflexão dos gregos também aconteceu por meio de um
processo (JAEGER, 2010). No sistema democrático, os cidadãos atenienses podiam
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manifestar suas opiniões (doxa) e discutir os caminhos e escolhas políticas para a pólis
(cidade-estado grega). Vale ressaltar que era considerado cidadão grego apenas homens,
com mais de 18 anos e filhos de pais e mães gregos. Dessa forma, as figuras que
ascenderam nesse cenário foram os sofistas, que eram os oradores na Atenas Antiga.
De acordo com Jaeger (2010), os sofistas são considerados os primeiros professores
da história. Anteriormente a eles, na Grécia, já existia o ideal de formação, em um sentido
pedagógico, ou seja, por meio das narrativas míticas, os cidadãos eram educados com
vistas à arete (excelência virtuosa). Assim, os valores e conhecimentos eram passados de
geração em geração. Entretanto, foi com os sofistas que surgiu a figura de preceptor. Com
os debates que eram realizados em praça pública, os jovens sentiam necessidade — e seus
familiares os estimulavam — de participar da vida pública-política. Nesse contexto, os
sofistas impressionavam pela oratória e persuasão, portanto, eram tidos como os
preceptores ideais para a juventude que almejava participar do debate.
A figura de Sócrates ganhou notoriedade a partir desse contexto. Considerado o pai
da filosofia, Sócrates foi um homem bem simples. Filho de um escultor e de uma parteira,
sua filosofia é muito conhecida pelos diálogos platônicos. Entretanto, outros filósofos e
escritores também citaram Sócrates em seus escritos. Esse fato é relevante porque,
durante muito tempo, houve a dúvida de que Sócrates pudesse ter sido apenas um
personagem que Platão usou para ilustrar seus diálogos.
Sócrates era crítico à postura dos sofistas porque acreditava que eles corrompiam a
juventude ateniense, não se importavam com a verdade e cobravam por seus
ensinamentos.Os sofistas preocupavam-se com a persuasão argumentativa: os
argumentos eram construídos tendo como base a doxa, podendo ser verdadeiros ou não.
Outro ponto era a remuneração: para Sócrates, era a cobrança por conhecimento:
“porquanto, cada um desses, ó cidadãos, passando de cidade em cidade, é capaz de
persuadir os jovens, os quais poderiam conversar gratuitamente com todos os cidadãos
que quisessem; é capaz de persuadir a estar com eles, deixando as outras conversações,
compensando-os com dinheiro e proporcionando-lhes prazer” (PLATÃO, 2008, p. 4).
Sócrates considerava que essa conduta dos sofistas representava o mercenarismo e não a
busca pelo conhecimento. Desse modo, a busca pelo conhecimento deveria ocorrer
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mediante a filosofia. É assim que o pensamento filosófico se volta a outro objeto de
reflexão: o homem.
Sócrates ficou famoso em seu tempo porque, em contraposição aos sofistas,
caminhava por Atenas aplicando o seu método — chamado de maiêutica socrática — ao
conversar com os cidadãos. Por isso, Platão refere-se a Sócrates por meio do gênero de
escrita do diálogo. Sócrates abordava as pessoas com perguntas que, à primeira vista,
pareciam ingênuas: o que é bom? O que é belo? O que é verdadeiro? Esse movimento é
chamado de ironia socrática. Acreditando saber as respostas, as pessoas respondiam de
forma assertiva, e Sócrates respondia com outra pergunta. Assim, iniciava-se o diálogo.
A finalidade do diálogo era chegar a uma resposta considerada pertinente e, portanto,
verdadeira. Sócrates chamava esse movimento de maiêutica, pois essa palavra tem como
significado dar à luz. Nesse sentido, ele traçava uma analogia com a profissão de sua mãe,
que era parteira, pois acreditava que a dialética (essa forma de diálogo) era o caminho
para se dar à luz o conhecimento (JAEGER, 2010).
Essa teoria se altera com a filosofia de Aristóteles (384–322 a.C.). Aristóteles
nasceu em Estagira, mas viveu grande parte de sua vida em Atenas. Foi aluno da
Academia de Platão e seu discípulo. Entretanto, a filosofia aristotélica rompe com a teoria
platônica. Para Aristóteles (2002), o conhecimento não está nas ideias, mas nas formas,
nos sentidos, ou seja, ele defendia que, em primeiro lugar, o indivíduo tem contato com
o objeto de conhecimento e, depois, o elabora intelectualmente. Assim, é por meio dos
sentidos que reconhecemos a essência das coisas em sua forma. Por exemplo, é por meio
da visão que reconhecemos a forma das coisas, é por meio do cheiro que também
distinguimos uma coisa da outra, do som (o silêncio) e do gosto dos alimentos (no que
compete à sua categoria).
Aristóteles (2002) argumenta que a essência está na forma porque é na forma que
temos a finalidade de cada ser. Por exemplo, uma colher é uma colher porque sua
finalidade está em sua forma, levar os alimentos à boca. Ainda que haja distinção na cor
ou no material de cada colher, sua essência é ser colher: auxiliar a alimentação. Assim,
existem modos de ser que são os modos como as coisas são, portanto, divididas em
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categorias que auxiliam a divisão por meio de classificações que definem as coisas como
são.
Essas filosofias mudaram o modo de pensar na Grécia Antiga, pois partiram de um
aspecto natural e passaram por uma discussão formativa ética, moral e política, com
Sócrates e Platão, que se relacionam com a filosofia Aristotélica. Desse modo, Aristóteles
(1987, 2002) relaciona em sua filosofia tanto uma teoria do conhecimento quanto uma
reflexão ética, política, moral, biológica e artística sobre o homem, trazendo um caráter
mais realista à sua teoria.
Características filosóficas da Era Helenística, da Idade Média e do
Renascimento
O termo Helenismo deriva da obra do historiador J. G. Droysen Hellenismus e
caracteriza o período de intercâmbio cultural entre a Grécia, o Mediterrâneo Ocidental e
o Oriente próximo à Grécia. É normativo que um dos métodos que a humanidade utilizou
para classificar e periodizar momentos da história foi nomeando e atribuindo
características que são próprias a esses momentos. Desse modo, entende-se por período
helênico aquele entre a morte de Alexandre, o Grande (323 a.C.), e o suicídio de Cleópatra
(30 a.C.).
Nesse contexto, o Egito foi um dos últimos lugares a herdar a tradição helenística,
que teve fim, por sua vez, após a conquista do Império Romano (SILVA, 2010). Contudo,
não há como precisar o momento dessa ruptura cultural com o helenismo. Sabe-se que a
ascensão cristã pôs fim a qualquer resquício da cultura helênica, principalmente, em
Alexandria. Uma grande pensadora que retratou essa ruptura em sua história foi a filósofa
Hipátia (c. 351/370-415 d.C.), que viveu no período de ascensão do discurso cristão e,
por ser adepta da filosofia helenística, acabou assassinada, apedrejada pelos novos
cristãos de seu tempo.
A partir da morte de Aristóteles e da ascensão romana, a Grécia deixou de ter sua
influência centralizada na cidade de Atenas, que perdeu muito de seu cosmopolitismo e
protagonismo na produção cultural e filosófica no mundo antigo. Desse modo, surgiu uma
nova forma de conceber a realidade, bem como uma abertura cultural e filosófica à
concepção greco-romana cristã. Nesse período, entrou em vigência outras intersecções
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culturais, incluindo a expansão linguística e de métodos educativos. Nas escolas e nas
academias criadas por Platão e Aristóteles em Atenas, começou a surgir um
distanciamento das doutrinas platônicas e aristotélicas em detrimento de novos olhares
sobre a realidade (SILVA, 2010). Assim, estabeleceram-se as escolas estoicas, epicuristas
e céticas, o que foi chamado de ecletismo filosófico. Se a característica fundamental do
helenismo era a troca cultural, com a filosofia não foi diferente. Nesse período, a filosofia
grega sofreu uma forte decadência, com destaque apenas para os neopitagóricos e os
neoplatônicos.
As principais características da filosofia desse período consistem em uma grande
ruptura com as reflexões platônicas e aristotélicas, bem como em uma ampliação das
reflexões filosóficas por parte de outros pensadores da época (SILVA, 2010). Esses novos
pensadores passaram a trazer novas perspectivas, e a corrente que acabou por durar até
mesmo em relação à ética e à religião foi o ceticismo. Outra forte característica da
filosofia helenística é que, na pólis grega, a cultura relacionada ao culto aos deuses se
manteve. Mesmo com o surgimento da filosofia, os gregos mantiveram certos aspectos
culturais e religiosos relacionados ao politeísmo. Entretanto, com a hegemonia entre os
gregos e os persas, passou a predominar a religião de apenas um deus, o Deus Cósmico.
Isso simbolizou uma abertura para a unificação religiosa que, mais tarde, seria convertida
no cristianismo.
Portanto, o helenismo é marcado pela superação do homem grego da pólis. Nesse
sentido, o heleno volta-se à sua liberdade, à cultura e à espiritualidade, deixando para trás
a dimensão política, mas atendo-se ao cosmopolitismo.
Isso demonstra como a alteração cultural afetou a dimensão formativa do homem,
uma vez que a pólis se preocupava em formar cidadãos, enquanto a cultura helenista se
concentrava em formar indivíduos, ou seja, a primeira experiência do homem como
indivíduo, aquele que goza de sua individualidade e liberdade frente ao mundo, buscando,
assim, sua identidade.
Assim, deu-se a transição da Antiguidade Clássica para a Idade Média, que é
marcada pelo encontro entre a cultura greco-romana com a cultura judaico-cristã. Em seus
primórdios, o cristianismonão consistia em um sistema religioso doutrinário fechado, o
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que começou a se alterar com a tradição apostólica iniciada por Paulo que, antes de se
converter à religião cristã, era um soldado do Império Romano, estoico, portanto, helênico
e judeu (SILVA, 2010). Após a sua conversão, Paulo começou a pregar, em cidades
greco-romanas, o cristianismo enquanto religião igualitária, feita para todos e universal.
Nesse período, o cristianismo ainda não se constituía em uma unidade, em uma doutrina
prática. Para se consolidar como uma doutrina, o cristianismo valeu- -se da filosofia
grega, principalmente, a platônica. Preponderou-se, a partir de então, a filosofia cristã.
Nesse contexto, muitos filósofos só valorizavam a filosofia grega em seus aspectos
concordantes com a nova religião. Em relação à filosofia de modo geral, consideravam-
na desnecessária, pois foi concebida anteriormente à palavra de Cristo, portanto, não era
relevante.
Entretanto, apesar de alguns pensadores considerarem a filosofia grega em alguns
aspectos, defendiam que a razão deveria estar a serviço da fé. Nesse sentido, a reflexão
filosófica era admitida e praticada apenas com a finalidade de comprovar as verdades
bíblicas, portanto, acreditava-se que a religião cristã, de certa forma, purificou a filosofia
grega. Importante ressaltar que, nesse período de disseminação do cristianismo, as
pessoas não se encontravam sem espiritualidade, ou cultura religiosa, mas foram
convertidas e, em alguns casos, obrigadas à conversão. A partir de então, a nova religião
ocupou-se de mudar até mesmo a linguagem grega, inserindo vocábulos próprios ao
cristianismo e alterando o sentido e o significado dos termos gregos.
A partir da solidificação do cristianismo e da queda do Império Romano, teve início
a Idade Média (século V–XV). Esse período é caracterizado pelo forte poder da Igreja,
pelo sistema político-econômico feudal e pelo poder da nobreza. Nesse contexto, o
conhecimento ficava detido nos mosteiros, assim, somente quem tinha acesso eram os
padres e religiosos (SILVA, 2010). A característica central desse período é a relação entre
razão e fé. Assim, são classificadas duas correntes da história da filosofia cristã na Idade
Média: a filosofia patrística, que tem duração do século I ao século VI; e a filosofia
escolástica, que vai do século XIII ao século XIV.
A corrente patrística da filosofia teve início a partir da formalização e consolidação
do cristianismo. Seu início foi marcado pelas Epístolas de São Paulo e pelo Evangelho de
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João, então, esse período filosófico tem como fundamento os escritos desses apóstolos.
Após a morte deles, a continuidade foi dada pelos padres. A missão da patrística era
converter o povo e o governo romano, e isso só seria possível unindo a filosofia grega ao
cristianismo. Ressalta-se que, até aquele momento, restava, culturalmente, ainda a
devoção aos deuses. Portanto, ao evangelizar, os padres buscavam demonstrar que a razão
servia para revelar as verdades da fé. Nesse contexto, os principais argumentos orbitavam
em torno das seguintes problemáticas:
a criação do mundo;
„ a santa trindade;
„ a bondade e a origem do mal; „ o livre arbítrio pensado, sobretudo, em relação ao
pecado original.
O grande representante desse período foi o filósofo Santo Agostinho (340-430), que
buscou associar o argumento cristão à filosofia platônica, substituindo o mundo das ideias
pelo mundo divino. Nesse sentido, a alma, assim como para Platão, assume um caráter
superior ao corpo e, por isso, deve conduzir o corpo ao caminho do bem e a Deus (SILVA,
2010). Já a filosofia escolástica (século IX ao século XV) marca um período mais sólido
em relação à difusão do cristianismo. Esse momento da história é marcado pelas cruzadas
e pelo surgimento das primeiras universidades (criadas pela Igreja), portanto, há alguma
abertura do conhecimento, desde que submetidos à religião.
O maior nome desse período foi São Tomás de Aquino, que buscou associar a fé à
filosofia aristotélica (SILVA, 2010). Assim, filosoficamente, esse período ficou
conhecido como aquele em que procurou-se unir o cristianismo a investigações
filosóficas científicas de Aristóteles. Nesse sentido, a preocupação central passou a ser
uma coalisão entre a racionalidade da natureza e seus fenômenos com a doutrina cristã.
A filosofia tomista ocupou-se em buscar formas de fazer essa junção sem que a fé fosse
de modo algum contrariada. Para tanto, Tomás de Aquino sistematizou o aristotelismo
privilegiando o mundo, ou seja, conhecer o mundo racionalmente é como conhecer a
Deus. Esse caráter mais racional, seguindo o aristotelismo, contribuiu para o período
posterior, que demarcou a ruptura com a Idade Média: o Renascimento.
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Como o próprio termo já denota, o Renascimento foi um momento para a Europa
renascer (BURKE, 2008). Esse período é caracterizado pelo individualismo e pela
modernidade, ou seja, após o período obscurantista da Idade Média, o homem despertou
para a própria consciência e autonomia, rompendo, até certo ponto, com a preponderância
religiosa. Assim, o homem passou a reconhecer-se em qualquer comunidade tradicional
– familiar, de classe, de raça, política e social –, mas apenas como algo mais geral e não
determinante. Isso não significa dizer que o homem rompeu com a espiritualidade, mas
que passou a reconhecer em si a possibilidade espiritual em uma espécie de espelhamento
com o mundo.
Na Europa, em especial, na Itália, aumentou o número de pensadores, artistas e
escritores: “começou a usar a imagética da renovação para assinalar uma nova era, uma
era de regeneração, restauração, reabilitação, rememoração, renascimento ou
ressurgimento, em direção à luz, após aquilo a que foram eles os primeiros a chamar a
‘Idade das Trevas’” (BURKE, 2008, p. 11). Seu avanço intelectual e científico originou
o período convencionalmente chamado de Modernidade.
René Descartes e o nascimento da filosofia moderna
O racionalismo cartesiano foi responsável por uma profunda transformação no
modo como se concebe a fi losofi a na tradição ocidental. Entre os dois milênios que
separam as obras de Platão (428–347 a.C.) e de Aristóteles (384–322 a.C.), escritas no
século IV a.C., da obra de René Descartes (1596–1650), datadas do século XVII, não
havia surgido uma teoria do conhecimento tão radical em sua originalidade. Os fi lósofos
gregos foram audaciosos ao propor um novo estilo de pensar, colocando em dúvida as
verdades que os poetas explicavam a partir dos mitos, e os sofi stas, a partir da retórica.
Da mesma forma, o racionalismo de Descartes propôs uma forma de interpretar a
realidade que acabou superando a fi losofi a da Idade Média, então dominada pelo
pensamento escolástico. Por isso, Descartes é conhecido como um dos pais da fi losofi a
moderna.
Desde os gregos, portanto, nenhum pensador havia proposto uma mudança tão
radical na epistemologia (teoria do conhecimento) ou na metafísica (especulação sobre o
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suprassensível) como aquela que se anuncia na obra de Descartes. Isso porque toda a
filosofia medieval é marcada pela tentativa de reinterpretar a filosofia grega pagã à luz
dos dogmas cristãos. Daí que se conte a piada de que, apesar da profunda influência de
Santo Agostinho (354–430 d.C.) e de São Tomás de Aquino (1225–1247), os dois mais
importantes filósofos da Idade Média foram, na verdade, Platão e Aristóteles.Todo o
pensamento medieval é apenas uma releitura sistemática dos conceitos filosóficos gregos
(AGAMBEN, 2012a).
É nisto, justamente, que consiste a radicalidade do pensamento de Descartes: a sua
filosofia não é simplesmente comentário ou releitura de outros filósofos, mas é uma
tentativa de fundar um sistema de pensamento coerente e racional inteiramente novo. Para
explicar a sua intenção, Descartes (1973a) compara a sua filosofia com o trabalho de um
arquiteto que demole uma casa e constrói outra inteiramente nova a partir dos seus
destroços: o que ele pretendia demolir era justamente tudo aquilo que os escolásticos —
isto é, os doutores da Igreja de sua época — tomavam como verdade; e a casa nova seria
o seu pensamento racionalista, científico e matemático. É claro que essa intenção de
originalidade em relação aos professores da Igreja não surgiu do nada. É bem evidente
que o próprio Descartes se valia de ideias da filosofia medieval para fundamentar os seus
argumentos — especialmente quando trata Deus como um ser perfeito, indivisível e
imutável (DESCARTES, 1973a).
A importância de Descartes não é necessariamente o simples resultado da
publicação dos seus dois livros mais lidos, Discurso do Método (1637) e Meditações
Metafísicas (1641). Descartes faz parte de um contexto mais amplo de crescente
racionalização do mundo, que ficou conhecido como Revolução Científica. Esse
movimento havia se iniciado no Renascimento, com cientistas e pensadores como
Leonardo da Vinci (1452–1519), Nicolau Copérnico (1473–1543), Galileu Galilei (1564–
1642) e Johannes Kepler (1571–1630). Algumas das ideias desenvolvidas nesse período
por esses cientistas já colocavam em questão crenças da Igreja Católica: da Vinci havia
deslocado o eixo de interesse de Deus para a natureza a partir dos seus importantes
estudos de anatomia, matemática e engenharia, influenciados pelo humanismo da
Antiguidade Greco-Romana; Copérnico e Galileu haviam afirmado, contra a Igreja, que
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era o Sol, e não a Terra, que estava no centro do universo (isso inclusive colocou as suas
vidas em risco, já que foram perseguidos pela Inquisição); e Kepler havia proposto uma
interpretação racional do movimento dos astros, aproximando a astronomia da
matemática.
Não se pode, portanto, ignorar que tudo isso já anuncia historicamente o imenso
sucesso que as ideias racionalistas de Descartes teriam na Europa dos séculos XVII e
XVIII. Mas isso também não torna irrelevante o profundo corte que o pensamento
cartesiano opera na história da metafísica e da teoria do conhecimento. Há um consenso
quase geral entre os historiadores de que Descartes foi o primeiro filósofo eminentemente
moderno, pela forma com que deslocou a metafísica de suas questões teológicas — isto
é, questões relativas à existência e à vontade de Deus — para uma explicação mecânica
e matemática da natureza. Veja o que Descartes (1973a, p. 53) afirmou em uma de suas
cartas ao teólogo Mersenne: “[...] se lhe apraz considerar o que escrevi do solo, da neve,
do arco-íris etc... saberá efetivamente que toda a minha Física não é mais do que
Geometria”.
No Medievo, a interpretação da natureza derivava da profunda fé e da intensa
servidão que o homem medieval devotava a Deus. Assim, para os medievais, a pergunta
“por que o Sol nasce?” acabava se transformando automaticamente na questão “por que
Deus quer que o Sol nasça?”. Dessa forma, todas as respostas para essa pergunta
acabavam pressupondo que, se Deus criou o Sol, foi porque ele quis, e se ele quis, os
homens devem, como seus servos, se adequar à sua vontade: “Deus ajuda quem cedo
madruga”. Assim, no pensamento medieval, há uma inevitável sobreposição entre uma
vontade divina e a natureza: as leis da natureza são idênticas ao próprio desígnio do
Senhor.
Com a Revolução Científica, iniciada no Renascimento e levada a cabo por
Descartes, a pergunta “por que o Sol nasce?” passou a ser respondida a partir das leis
fundamentais da matemática e da física. Separaram-se, assim, a finalidade da natureza e
o desígnio divino — algo que será ainda mais consolidado no século XIX, com o
Positivismo. Nessa perspectiva, a resposta mais adequada para a questão “por que o Sol
nasce?” depende unicamente de uma causa natural: como afirmou Galileu, o Sol nasce
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porque a Terra gira em torno de si mesma e, assim, só se pode ver o Sol quando um de
seus lados estiver na direção da luz solar. Essa é uma explicação que não pressupõe,
necessariamente, um ensinamento de como se deve agir segundo a vontade de Deus. É
por isso, justamente, que os pensadores da Revolução Científica incomodavam a Igreja
Católica.
Seguindo esse pensamento científico da época, Descartes havia sugerido que o
conhecimento verdadeiro não depende exclusivamente de uma “graça” concedida por
Deus ao homem, mas deve ser construído por um sujeito que, a partir de sua própria
vontade individual, questiona e indaga a existência das coisas. Certamente, as conclusões
de Descartes no Discurso mostram que, sem Deus, não é possível um conhecimento
verdadeiro — pois, para ele, é Deus quem dá ao homem o acesso às ideias: “[...] dado que
conhecia algumas perfeições que não possuía, eu [concluí que] não era o único ser que
existia” (DESCARTES, 1973a, p. 56). Nesse sentido, dizer que Descartes é um filósofo
moderno se justifica pela forma com que colocou a subjetividade, e não a existência de
Deus, como o problema mais fundamental da filosofia. Em termos mais precisos, como
afirma Agamben (2012b), desde a Antiguidade, o problema central da teoria do
conhecimento foi a relação entre o uno e o múltiplo, o humano e o divino; na época
moderna, a partir de Descartes, passou a ser a relação entre um sujeito e um objeto, um
eu e um não eu.
Isso não quer dizer, necessariamente, que Descartes fosse um ateu ou que não
acreditasse em Deus — embora tenha sido acusado de ateísmo em sua época pelo reitor
da Universidade de Utrecht, que o comparou “[...] a Vanini, acusado de haver
expressamente exibido provas frágeis e ineficazes da existência de Deus”
(STRATHERN, 1997, p. 48). Tanto no Discurso do Método como nas Meditações
Metafísicas, Descartes (1973a) afirma que a segunda coisa mais certa e mais racional,
para ele, é que Deus existe — precedida apenas da evidência de sua própria existência
enquanto ser pensante. Mas é justamente por dizer que Deus é a segunda, e não a primeira
coisa mais evidente e verdadeira, que Descartes desloca a questão fundamental da
epistemologia da existência de Deus para a da existência do próprio sujeito. Para
Descartes, antes de se ter conhecimento da existência de Deus, é preciso que uma vontade
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humana se coloque a pensar: primeiro, a evidência do pensamento; depois, a evidência
do divino. Como bem disseram os jesuítas que rivalizavam com Descartes, o famoso lema
cartesiano “Penso, logo existo” anunciava o fim da escolástica medieval
(STRATEHERN, 1997).
O que é a razão em Descartes?
Desde Immanuel Kant (1724–1804), os historiadores dividem a filosofia moderna
em duas grandes linhas: a filosofia racionalista e a filosofia empirista. Não resta dúvidas
de que ambas as correntes valorizaram muito mais a ciência metódica e racional do que
a fé para explicar de que modo o homem pode ter acesso à verdade — e é isso o que as
torna modernas. Mas as duas grandes linhas da filosofia moderna não estão de acordo
quanto à forma como os homens distinguem o verdadeiro do falso a partir da razão. Para
os filósofos empiristas — como Francis Bacon (1561–1626), ThomasHobbes (1588–
1679), John Locke (1632–1704) e David Hume (1711–1776) —, o homem só pode
conhecer a realidade a partir de seus sentidos e de suas experiências, com base no método
indutivo. Daí o nome dessa corrente ser “empirismo”: em grego, a palavra émpeiria
significa simplesmente “experiência”, a mesma que qualquer sujeito adquire a partir da
prática ou da apreensão atenta dos fatos pelos sentidos.
O método cartesiano Descartes
Foi o precursor do racionalismo moderno, justamente por desconfiar de todas as
verdades que seus contemporâneos afirmavam a partir de suas experiências. No Discurso
do Método, seu livro mais importante, ele conta como estava descontente tanto com a
filosofia que aprendeu nas universidades quanto com o saber dos outros povos que
conheceu ao viajar para terras distantes (apesar de ter nascido na França, Descartes
adorava viajar; foi na Holanda que ele desenvolveu o seu método).
Em seu desejo de distinguir o verdadeiro do falso, Descartes passou a duvidar
radicalmente das opiniões dos outros — o que, em sua época, a filosofia chamava de
“senso comum” e que Platão havia definido muito antes como “dóxa”. Surge daí o
procedimento cartesiano da dúvida metódica. Tal procedimento consiste em colocar em
suspenso todas as verdades que o sujeito adquiriu a partir de suas experiências de vida.
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A palavra “método” nada mais significa do que um “caminho” que o raciocínio
deve percorrer em sua busca pela verdade. O método indica como o sujeito deve pensar
se quiser distinguir a ilusão sensível da verdade inteligível. O método cartesiano é o do
esquecimento das verdades adquiridas pela experiência em favor do uso ativo e pleno da
razão.
Descartes dizia que, para buscar a verdade, as pessoas devem, antes de tudo,
abandonar as opiniões que receberam por meio de professores, livros, poesias, literatura
ou senso comum. Ou seja: para descobrir a verdade, você não pode se basear no que já
sabe a partir de sua memória ou de sua formação cultural, mas apenas em sua relação
individual com o mundo (DESCARTES, 1973a). Por isso, no Discurso do Método, ao
contar como criou o seu método, Descartes (1973a) fala da importância da solidão para a
sua formação como cientista.
Esse procedimento de isolar um sujeito do conhecimento puro, sem influências de
outros sujeitos, é chamado pela história da filosofia de époche. O significado literal desse
termo é “colocar em suspenso”. É importante lembrar que “suspender” uma verdade não
quer dizer simplesmente achar que o que os outros contam é falso, ou que tudo o que os
sentidos indicam é mera ilusão — isso seria o absoluto ceticismo, o que não corresponde
à filosofia de Descartes, para quem é possível ter certeza sobre a existência da realidade.
Suspender não é simplesmente negar que os outros possam dizer a verdade, mas tomar o
cuidado de não acreditar em nada antes de averiguar, por meio da sua própria razão, a
verdade de uma afirmação que vem do outro.
E por que desconfiar tanto assim dos outros? Segundo Descartes, o problema em
basear-se simplesmente no hábito é que, dessa forma, não se chega nunca a uma verdade
universal, igual para todos. Em suas viagens e em suas leituras, Descartes percebeu que
diferentes pessoas afirmavam diferentes opiniões sobre um mesmo fato. Havia tantas e
variadas versões para se explicar por que o Sol nasce — porque Deus quis, porque
precisamos de calor para viver, porque o Sol é um ser mitológico, etc. —, que algumas
chegavam a contradizer as outras. Se é assim, em qual se deve acreditar? Como, a partir
dessa dúvida radical, encontrar a verdade?
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Descartes acreditava que só poderia haver uma resposta verdadeira para cada
problema e que a única ciência universalmente válida era a matemática — especialmente
a geometria. Tanto um matemático da Grécia Antiga quanto um matemático francês
deveriam chegar à mesma solução para um mesmo problema geométrico. Disso,
Descartes deduziu que para qualquer questão em que pairasse uma dúvida seria possível
encontrar uma certeza ao aplicar os procedimentos da geometria. Esse é o método da
dedução racional da verdade. Para Descartes (1973a), são quatro as etapas que devem ser
seguidas depois de se colocar a opinião dos outros em suspenso.
1. Verificar: em vez de acreditar na opinião dos outros, só se deve acreditar em algo
que seja claro e distinto, aquilo que a geometria chama de “evidência”.
2. Analisar: implica dividir as observações nas partes mais simples possíveis — isto
é, reduzi-las matematicamente a unidades, números.
3. Sintetizar: consiste em reunir essas unidades em agrupamentos coerentes,
partindo do mais simples em direção ao mais complexo.
4. Enumerar: é a revisão da construção completa da ordem do pensamento para ter
certeza de que nenhum raciocínio errado foi tomado como certo.
“Penso, logo existo”: a matematização do mundo em Descartes
No Discurso do Método, Descartes (1973a) conta como aplicou o seu método para
colocar à prova as várias suposições da tradição fi losófi ca ocidental. Ao colocar em
suspenso todas as suas crenças e opiniões, ele buscava encontrar o elemento mínimo e
dedutível capaz de sustentar todo o edifício do saber científi co — isto é, o seu
fundamento, a verdade primeira. Mesmo a sua própria existência deveria ser colocada em
questão, pois como ele poderia saber que não estava simplesmente sonhando?
Desse procedimento de colocar a existência de tudo o que ele sentia em dúvida, o
que sobrou, então? Apenas Descartes, frente ao próprio pensar, num quarto solitário;
apenas o “eu” do filósofo diante do absoluto nada. É aí que Descartes chega a uma das
máximas mais famosas da história da filosofia: se esse “eu” que duvida continua existindo
enquanto duvida, então a coisa mais clara e mais distinta que se pode reconhecer é a
existência do próprio pensamento: “[...] notando que esta verdade: eu penso, logo existo,
era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam
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capazes de a abalar, julguei que podia aceitá-la sem escrúpulo, como o primeiro princípio
da Filosofia que procurava” (DESCARTES, 1973a, p. 54).
A partir da definição do “eu” pensante como a coisa mais clara e mais distinta, o
princípio sobre o qual se pode edificar um novo pensamento, Descartes se pergunta qual
seria a segunda coisa mais evidente. Seria a existência do seu próprio corpo? Não
exatamente. Para Descartes, embora a razão pudesse extrair de si mesma a evidência de
sua existência, nada ainda comprovava que esse “eu” pensante fosse idêntico ao corpo
que ele podia sentir. Pois o corpo, para Descartes, é a origem das sensações, da
experiência, da empiria; todos os sentidos poderiam estar, naquele momento mesmo, lhe
enganando. A partir disso, Descartes define que os seres humanos possuem uma alma que
é absolutamente separada do corpo, e que se o corpo morre, a alma permanece viva.
Assim, por meio de um raciocínio matemático, Descartes tentava provar a seu modo a
tese da imortalidade da alma, que já se encontrava em Platão e em todo o pensamento
cristão medieval (DESCARTES, 1973)
A Escola de Frankfurt
A Escola de Frankfurt foi uma escola de análise e pensamento filosófico e
sociológico que surgiu na Universidade de Frankfurt, situada na Alemanha. Tinha como
objetivo estabelecer um novo parâmetro de análise social com base em uma releitura do
marxismo.
A Escola de Frankfurt e a Teoria Crítica surgiram após a Primeira Semana de
Trabalho Marxista, um evento organizado por Félix Weil. A intenção do evento erabuscar
uma nova interpretação do marxismo, mais pura e fiel às ideias de Marx e com
possibilidade de aplicação no cenário do século XX.
O que é a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt?
Os membros da Escola de Frankfurt eram peritos em todas essas disciplinas.
A teoria crítica visa a criticar e mudar a sociedade como um todo, em contraste com
a teoria tradicional que visa somente a entender e explicar a sociedade. A teoria crítica é
emancipatória.
Escola de Frankfurt é a designação histórico-institucional para Teoria Crítica,
nome de resto resumitivo para Teoria Crítica Social. ... Concebido por Felix Weil,
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Horkheimer e Pollock, a Escola de Frankfurt corporizaria uma das configurações
paradigmáticas do chamado Marxismo Ocidental (Anderson, 1972, Merquior, 19872).
Os pensadores que se destacaram são immanuel Kant, George Wihelm Friedrich,
Karl Mark, Sigmund Freud, George Simmel, George Lukács e Mac Weber. A crítica
deles quanto ao capitalismo era de que o capitalismo avançado havia conseguido conter
ou liquidas forças que causariam se
Teóricos críticos da Escola de Frankfurt desenvolveram numerosas teses sobre
estruturas de dominação econômica, política, cultural e psicológica da civilização
industrial avançada. ... Isso também significa o início do reconhecimento da ideologia
como parte das fundações da estrutura social por parte da teoria crítica.
Racionalismo Moderno
Mais do que mais uma doutrina gnosiológica ou teoria do conhecimento, o
Racionalismo foi uma perspectiva cultural global. Foi uma das correntes filosófico-
científicas do homem da Idade Moderna. Para o Racionalismo, o homem pode chegar
pela razão, a verdades de valor absoluto.
O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio
como uma operação mental, discursiva e lógica que usa uma ou mais proposições para
extrair conclusões, ou seja, se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável.
O racionalismo consiste em acreditar nas ideias inatas e no raciocínio lógico,
através da razão. É, de certo modo, a própria filosofia desde a sua origem pois, de facto,
a razão é a condição de todo o pensamento teórico. ... Opõe-se ao empirismo, tornando-
se metódico, armando-se com a lógica e a matemática.
Racionalismo é uma corrente filosófica que traz como argumento a noção de que
a razão é a única forma que o ser humano tem de alcançar o verdadeiro conhecimento por
completo. O filósofo, físico e matemático René Descartes foi um dos principais difusores
dos pensamentos ligados a essa teoria.
Racionalismo -Desenvolvendo a mentalidade crítica, questiona a autoridade da
Igreja e o saber aristotélico. Assume uma atitude polemica perante a tradição. Só a razão
é capaz de conhecer. Antropocentrismo -O homem moderno coloca a si próprios nos
interesses de decisões.
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O racionalismo tem como principal objetivo teorizar o modo de conhecer dos
seres humanos, não aceitando qualquer elemento empírico como fonte do conhecimento
verdadeiro.
FILOSOFIA DCFONTEMPORANEA
O que é a filosofia contemporânea?
A Filosofia Contemporânea é aquela desenvolvida a partir do final do século
XVIII, que tem como marco a Revolução Francesa, em 1789. ... Note que a chamada
"filosofia pós-moderna", ainda que para alguns pensadores seja autônoma, ela foi
incorporada a filosofia contemporânea, reunindo os pensadores das últimas décadas.
A filosofia contemporânea é a maneira de pensar racionalmente desenvolvida
desde o final do século XVIII até os dias atuais. A Revolução Francesa é o marco inicial
da chamada Idade Contemporânea, da qual a filosofia contemporânea faz parte.
Theodor Adorno: também alemão, o pensador contemporâneo
questiona elementos políticos fundamentais da sociedade do século XX e elabora uma
crítica ao iluminismo. Jean-Paul Sartre: um dos principais teóricos do
existencialismo, questionou o modo como o ser humano encarava a existência.
A preocupação da filosofia contemporânea é de explicar a consciência e a existência
humana. Explicação: Após o homem virar o centro das preocupações filosóficas,
entender a consciência humana, bem como a sua existência, passa a ser o objeto de estudo
da Filosofia.
Qual foi o motivo do surgimento da filosofia?
A filosofia, como expoente do conhecimento racional pensado de maneira
sistemática, surgiu na Grécia em meados do século VI a.C. Essa nova ciência surgiu a
partir da necessidade de explicar o mundo de maneira racional.
Qual foi a crise da razão na idade contemporânea?
Resumidamente, a crise da razão foi a mudança na forma do pensar científico e
na divergência de pensamentos filosóficos da segunda metade do século xx.
Quais as principais características da metafísica contemporânea?
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Anexo ao IETAAM
Investiga o modo como os entes ou seres existem; investiga a essência ou o sentido
e a estrutura desses entes ou seres; investiga a relação necessária entre a existência e a
essência dos entes e o modo como aparecem para nossa consciência.
Referencias
BENJAMIN, W. A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução. Pensadores. São Paulo:
Abril Cultural, 1980.
Dicionários Del Saber Moderno – la filosofia (De Hegel a Foucault, del marxismo a la
fenomenologia). Mensajiero: Bilbao, 1974. DUFRENNE, M. Estética e Filosofia. Tradução de
Roberto Figurelli. São Paulo: Perspectiva, 1998.
FREIRE JR, O. Novo Tempo, Novo Espaço, Novo Espaço-Tempo. Breve história da relatividade.
IN: Origens e Evolução das idéias da Física. José Fernando M. Rocha (org). Salvador: Edufba,
2002.
GUNNING, T. O Cinema das Origens e o Espectador (in)Crédulo. Tradução de Luciana Artacho
Penna. IN: Revista Imagens. N.5 Ago/Dez 1995.
HUSSERL, E. Lições para uma Fenomenologia da Consciência Interna do Tempo. Tradução de
Pedro M. S. Alves. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994.
MARCUSE, H. A Dimensão Estética. Tradução de Maria Elisabete Costa. São Paulo: Martins
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Moraes. São Paulo: Nova Cultural, 1989.
_______. O cinema e a nova Psicologia. Tradução de José Lino Grünewald. In: XAVIER, Ismail
(Org). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Embrafilmes, 1983
_______. Fenomenologia da Percepção. Tradução: Reginaldo de Piero. Rio de Janeiro: Freitas
Bastos, 1971.
NUNES, B. Introdução à Filosofia da Arte. 3a ed. Série: Fundamentos.
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Anexo ao IETAAM
CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
SOCIOLOGIA
INTRODUÇÃO A SOCIOLOGIA
A palavra sociologia vem da fusão de dois termos: societas, termo em latim que
significa sociedade, e logos, termo grego que
significa estudo, ciência. Sociologia significa o estudo científico da sociedade, o estudo
das formas de convivência humana.
A Sociologia estuda as relações sociais e a forma de associação. É uma
disciplina que considera as interações que ocorrem na vida em sociedade: envolve o
estudo dos grupos e dos fatos sociais, das divisões em classes e camadas, da mobilidade
social e da interação entre as pessoas e grupos que a constituem. Em síntese, a Sociologia
é uma ciência que estuda a sociedade por meio da observação do comportamento humano.
A Sociologia é uma Ciência Social. É importante ressaltar que os métodos
utilizados nas Ciências Sociais são diferentes dos métodos utilizados nas Ciências
Naturais. Estas empregam vários métodos precisos – cálculos, previsibilidade,
demonstrações. Já as Ciências Sociais empregamprocessos quantitativos e de
observação.
O objetivo das Ciências Sociais é ampliar o conhecimento sobre o ser humano
em suas interações sociais. A Sociologia revela a sociedade como ela é de fato, não como
ela deveria ser. O propósito da Sociologia é o de contribuir para uma melhor compreensão
a respeito da sociedade, o que permite que medidas sejam tomadas para melhorar a vida
daqueles que dela fazem parte.
O estudo sistemático da sociedade humana se iniciou na Antiguidade. O grande
filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), autor de Política, afirmou que “o homem nasce
para viver em sociedade”.
Na Idade Média, foram pensadores ligados à Igreja que refletiam sobre os
assuntos pertinentes à sociedade humana. Durante o Renascimento, sugiram vários
pensadores que abordaram fenômenos sociais: entre eles, Maquiavel (autor do famoso
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clássico político, O Príncipe), Erasmo de Roterdã (Elogio da Loucura), Thomas Morus
(Utopia) e Francis Bacon (Nova Atlântida).
Uma obra particularmente importante ao desenvolvimento do estudo da
Sociologia foi escrita por Giambattista Vico, no século XVIII. Na sua obra A Nova
Ciência, Vico escreveu que a sociedade se suborna a leis definidas que podem ser
descobertas pelo estudo e pela observação objetiva. Sua afirmação de que “O mundo
social é, com toda certeza, obra do homem”, foi uma ideia revolucionária.
Anos mais tarde, o famoso filósofo Jean-Jaques Rousseau reconheceu que a
sociedade exerce uma profunda influência sobre o indivíduo. Em sua célebre obra O
Contrato Social, Rousseau afirmou que “O homem nasce puro, a sociedade é que o
corrompe”.
Mas foi apenas a partir do século XIX, através de Augusto Comte, Herbert
Spencer, Gabriel Tarde, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, que o estudo da
sociedade se tornou verdadeiramente científico.
Os pais da Sociologia
Augusto Comte (1798-1857) é tradicionalmente considerado o pai da
Sociologia. Comte foi o criador do positivismo, no século XIX, que constituiu a base
para o surgimento do cientificismo. O cientificismo acredita que a única forma que existe
para se chegar ao conhecimento é por meio da ciência.
Comte lutava para que todos os ramos de estudos fossem abordados com a
máxima objetividade. Este pensador francês defendia o ponto de vista de serem válidas
apenas as análises das sociedades que eram feitas com espírito científico, ou seja, com
objetividade e sem metas preconcebidas. Os estudos das relações humanas deveriam
constituir uma nova ciência, a que se deu o nome de Sociologia. De fato, Comte foi o
primeiro a usar a palavra sociologia, em 1839, em seu Curso de Filosofia Positiva.
Segundo Comte, a Sociologia é a ciência suprema, estando acima de todas as filosofias e
religiões. “Dela tudo parte e a ela tudo se reduz,” afirmou.
Mas foi a partir do trabalho de Émile Durkheim (1858-1917) que a Sociologia
passou, de fato, a ser considerada uma ciência. Com seu rigor científico, Durkheim
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classificou a Sociologia como uma ciência com credibilidade, e assim ela se desenvolveu
academicamente. Foi Durkheim quem formulou os primeiros conceitos da Sociologia.
Ele demonstrou que os fatos sociais têm características próprias. Para Durkheim, a
Sociologia é o estudo dos fatos sociais.
O que são os fatos sociais? De acordo com Durkheim, são o modo como um
grupo social pensa, sente e age. Para Durkheim, os fatos sociais existem independentes
da vontade de uma pessoa, antes mesmo de ela nascer, e são impostos pela sociedade.
Os fatos sociais são basicamente caracterizados por três características:
1. Generalidade: o fato social é comum a todos, ou a pelo menos à maioria, de um
grupo de pessoas. Exemplos: a forma de habitação, de comunicação, de sentidos e
moral.
2. Exterioridade: o fato social existe, não dependendo da vontade do indivíduo.
São as leis, as regras sociais e os costumes que são impostos de maneira coercitiva.
3. Coercitividade: os indivíduos se sentem pressionados a adotar o comportamento
estabelecido. As pessoas são obrigadas a viver conforme as regras da sociedade,
independentemente de sua vontade ou escolha.
Os fatos sociais, de acordo com Durkheim, podem ser estudados de forma
objetiva, como “coisas”. Da mesma maneira como a Biologia estuda a natureza, a
Sociologia estuda os fatos sociais. Para a teoria sociológica de Durkheim, os fatos sociais
têm existência própria, ou seja, independem das crenças e ações de indivíduos.
Max Weber (1864-1920) : Sociólogo alemão, foi professor de economia e
participou da comissão que redigiu a Constituição da República de Weimar. Weber é
considerado um dos mais importantes pensadores modernos, fundou a disciplina chamada
Sociologia da Religião.
Para Weber, o objeto da Sociologia é o sentido da ação humana individual que deve
ser buscado pelo método de compreensão, baseado no estudo da mente humana. Max
Weber concebeu a pessoa humana como um ser capaz de agir e que não é passivo frente
às forças da natureza. A sociedade para Weber, constitui um sistema de poder, pois as
relações cotidianas, de classes, empresarial, por exemplo, se deparam com o fato de que
https://cafecomsociologia.com/tag/max-weber
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o indivíduo tem condição de impor sua vontade a outros. Weber elabora os fundamentos
de uma sociologia compreensiva ou interpretativa.
Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem social tenha que se opor
e se distinguir dos indivíduos como uma realidade exterior a eles, mas que as normas
sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma
de motivação. E Weber distingue quatro tipos de ação social que orientam o sujeito:
a ação racional com relação a um objetivo, como, por exemplo, a de um
engenheiro que constrói uma estrada, onde a racionalidade é medida pelos
conhecimentos técnicos do indivíduo visando alcançar uma meta.
a ação racional com relação a um valor, como um indivíduo que prefere morrer
a abandonar determinada atitude, onde o que se busca não é um resultado externo
ao sujeito, mas a fidelidade a uma convicção.
a ação afetiva, que é aquela definida pela reação emocional do sujeito quando
submetido a determinadas circunstâncias.
a ação tradicional que é motivada pelos costumes, tradições, hábitos, crenças,
quando o indivíduo age movido pela obediência a hábitos fortemente enraizados
em sua vida.
Weber vê como objetivo primordial da sociologia a captação da relação de sentido
da ação humana, ou seja, chegamos a conhecer um fenômeno social quando o
compreendemos como fato carregado de sentido que aponta para outros fatos
significativos. O sentido, quando se manifesta, dá à ação concreta o seu caráter, quer seja
ele político, econômico ou religioso. O objetivo do sociólogo é compreender este
processo, desvendando os nexos causais que dão sentido à ação social em determinado
contexto.
Principais obras: A ética e o espírito do capitalismo (1905), Economia e sociedade
(1922) publicada após sua morte.
Karl Marx (1818-1883) : Filósofo e economista alemão, estudou na Universidade
de Berlim, interessando-se pelas ideias do filósofo Hegel. Em 1842 assumiu o cargo de
redator-chefe do jornal alemão Gazeta Renana, onde tinha uma postura política de um
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liberal radical. Em Paris conheceu Friedrich Engels, com quem escreveria vários ensaios
e livros.
Em 1847, redigiu com Engels o Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria
revolucionária, quemais tarde seria chamado marxismo. No Manifesto, Marx convoca o
proletariado à luta pelo socialismo.
Os primeiros socialistas foram chamados por Marx de utópicos porque, apesar de
criticarem o capitalismo e promoverem vários modelos de socialismo comunitário, não
indicaram com clareza o caminho para a sociedade como um todo. Karl Marx, ao
contrário, procurou interpretar o movimento geral da sociedade através do materialismo
histórico ou dialético, e realizou a mais profunda análise do capitalismo feita até hoje,
sem deixar de indicar caminhos para a ação política.
Fundou em 1864, a Associação Internacional dos Trabalhadores, chamada depois
de Primeira Internacional dos Trabalhadores com objetivo de organizar a conquista do
poder pelo proletariado em todo o mundo. Em 1867, publicou o primeiro volume de sua
obra mais importante, O Capital, em que faz uma crítica ao capitalismo e à sociedade
burguesa.
Marx é o principal idealizador do socialismo e do comunismo revolucionário. O
marxismo, conjunto de ideias político-filosóficas, propunha a derrubada da classe
dominante, através de uma revolução do proletariado, criticava o capitalismo e seu
sistema de livre empresa. Propunha uma sociedade na quais os meios de produção fossem
de toda a coletividade.
Sistema posterior ao feudalismo
O capitalismo é um sistema social e econômico com início entre os séculos XI e
XV mancando o fim do sistema feudal. Essa ideologia está apoiada na concentração de
bens e na propriedade privada.
Pesquisas históricas apontam que o termo "capitalismo" foi utilizado pela primeira
vez por um escritor chamado William Makepeace Thackeray, no trabalho denominado
de The Newcomes, em 1845. Com base nesse escritor, a palavra significa "ter a posse do
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capital". Karl Marx, um dos filósofos mais críticos a esse sistema usou a palavra no
trabalho intitulado como "O manifesto comunista", em 1848.
A origem do capitalismo
O capitalismo surgiu depois do declínio do feudalismo que consistia em uma
organização econômica, social e política concentrada na Europa Ocidental, na Idade
Média. O sistema feudal não era fundamentado no comércio, mas tinha como base as
trocas naturais entre o senhor feudal e o camponês.
O senhor feudal, também denominado de suserano, era o dono de terras e membro
da burguesia, tinha como servo o camponês também chamado de vassalo. A relação
dentre os dois consistia na fidelidade, ou seja, o camponês realizava serviços para seu
senhor e, com isso, recebia em troca títulos de terras, proteção, além de outros benefícios.
Obs.: a relação entre o senhor feudal e o servo é conhecida como vassalagem.
O feudalismo caiu por várias razões, entre elas: o declínio da produção agrícola,
onde a escassez de terras desencadeou a diminuição de alimentos, as revoluções
camponesas, dentre outros motivos. A expansão de produção artesanal e do comércio fez
com que camponeses deixassem o local e fossem para cidade. Eles se uniram aos artesãos
e deram origem a nova classe: a burguesia.
Os burgueses conseguiam riquezas através do comércio e, nesse período,
banqueiros obtinham lucros por meio da circulação de dinheiro. A partir de então, foi
desencadeada os primeiros indícios do capitalismo, como: o acúmulo de riquezas,
expansão de negócios, dentre outras características.
O capitalismo é consolidado de fato como sistema econômico com a Revolução
Francesa (1789-1799), Revolução Industrial e a Independência dos Estados Unidos (1776
e 1783).
Aspectos do capitalismo
O capitalismo possui características próprias. Uma que pode ser citada é a divisão
de classe, ou seja, o estabelecimento entre a elite que compõe a classe empregadora e os
trabalhadores que formam o setor operário.
Outro aspecto desse sistema é o trabalho assalariado, o qual diz respeito a força do
trabalho em troca do pagamento em dinheiro. Uma das características mais comuns do
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/revolucao-francesa
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capitalismo está no acúmulo de bens, pois o desejo de quem adere a esse modo econômico
é obter maiores riquezas possíveis.
Quais são as fases
O capitalismo é estabelecido na história em três fases, chamadas de comercial,
industrial e financeiro.
Capitalismo comercial
O capitalismo comercial é também conhecido como pré-capitalismo ou
de mercantilismo. Esse momento começou após o sistema feudal chegar ao fim e
compreende do século XVI ao XVIII. A Expansão Marítima e a Expansão Comercial
foram fatores nos quais contribuíram para a transferência do feudalismo para o
capitalismo.
A Expansão Marítima, por exemplo, foi marcada pelo descobrimento de novas
rotas marítimas para oriente e também marcou a conquista da América. Com isso, os
burgueses expandiram o comércio do Mediterrâneo ao Atlântico e os locais recém-
encontrados foram explorados com finalidade comercial.
Nesses locais, as nações como: França, Holanda, Inglaterra, Portugal e Espanha
conseguiram lucros através do comércio de metais preciosos, recursos agrícolas,
comercialização de escravos. Tudo isso, desencadeou o surgimento da primeira fase do
capitalismo.
Capitalismo Industrial
Depois da primeira fase do capitalismo sucede-se o segundo momento que foi
marcado pela Revolução Industrial. Esse período é caracterizado como a fase de
concretização do capitalismo.
A Revolução Industrial teve como principal característica a fase de transição da
produção manual para a industrial através do advento das máquinas.
A industrialização também teve como característica o advento da classe operária,
em que os trabalhadores recebiam dinheiro em troca dos serviços prestados. A primeira
fase da Revolução Industrial abrange o período de 1760 a 1860. A Inglaterra foi a nação
destaque dessa fase porque detinha propriedades as quais a favoreceram, como: o
crescimento populacional e o acúmulo de capitais.
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/mercantilismo
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/revolucao-industrial
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Capitalismo financeiro
O Capitalismo Financeiro denominado também de monopolista compreende a
terceira fase desse sistema econômico. Esse momento teve início no século XX e está
fundamentado na ligação entre os bancos e o setor industrial. Muitos acontecimentos
históricos estão ligados a essa fase econômica: Segunda Revolução Industrial, a Crise de
1929 e a criação da União Soviética.
Os problemas do sistema
O sistema capitalista é alvo de críticas de muitos estudiosos e pesquisadores
econômicos. Uma das preocupações que o modelo pode gerar é a desigualdade
social, assim como os prejuízos para a natureza.
Conflito entre as classes
É comum observar na história as reivindicações realizadas por operários em razão
das condições de trabalho. Os motivos são os mais variados, no entanto há alguns de
destaque como: aumento salarial, a longa jornada de trabalho e garantias de direito
trabalhistas.
Contudo, também há as exigências do empregador, o qual objetiva a elevação dos
lucros e cumprimento de metas. Diante desses aspectos, o capitalismo é criticado por
trazer esse conflito entre o proletariado e a burguesia.
SOCIOLOGIA CONTEMPORÂNEA
CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
Os Direitos Humanos surgiram na idade média, do casamento entre a Filosofia
Cristã Católica com o Direito Natural (Jus Naturale). Tal afirmação pode ser comprovada
de forma simples uma vez que ao surgir o Cristianismo todos os homens (nobres e
plebeus) passaram a serfruta do mesmo saco sendo colocados ao mesmo nível como
criaturas e filhos de Deus. Até mesmo os Reis, que eram em muitos lugares da
antiguidade, considerados como naturais representantes de Deus na terra passaram a
necessitar da benção da igreja, pois do contrário nada mais seriam do que déspotas
excomungados.
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/segunda-revolucao-industrial
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No início da Idade Moderna os racionalistas desvincularam a visão divina do Jus
Naturale e passaram a defender que o homem é por natureza livre e possuidor de direitos
irrevogáveis que não podem ser subtraídos ao se viver em sociedade.
Estes pensamentos começaram a dar frutos inicialmente no Reino Unido durante a
Revolução Inglesa onde as prisões ilegais feitas pelos Monarcas começaram a ser
contestadas com o surgimento do Habeas Corpus (1679). Seguindo essa linha temporal o
segundo país a abraçar a luta pelo Direito Natural e por um Estado Livre foram os Estados
Unidos da América em 4 de julho de 1776 ao declararem independência e protegerem em
sua constituição os direitos naturais do ser humano que o poder político deve respeitar.
A Revolução Francesa que deu padrões universais para o Direito Natural, sendo
nesta época que passou a ser utilizado o termo Direitos do Homem, tal universalismo é
expresso pela Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Sendo que a Igualdade muitas
vezes é vista, de maneira Marxista, como Fator Social, mas na prática, tal ideia comunista
é utópica, desnecessária e levou vários países a um absolutismo sem procedentes na
história da humanidade. Logo o correto é apenas a igualdade de condições e
possibilidades, pois do contrário à igualdade social constitui um pesadelo horrendo, onde
as pessoas são vistas como ferramentas do mesmo tipo, fabricadas em série, pela indústria
do Estado. Nesta realidade as particularidades de cada ser humano como a cultura, as
características próprias e principalmente os méritos pessoais não existem. Poderia
adentrar mais neste assunto, porém tal conduta fugiria do tema proposto.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) oriunda da Revolução
Francesa, deu uma amplitude muito maior às liberdades individuais e serviu de base para
edificação dos Direitos Humanos do tempo atual, porém os acontecimentos históricos que
mais influenciaram este ramo do Direito Internacional aconteceram entre os anos de 1914
e 1948, quando o mundo cria consciência sobre as atrocidades terríveis acontecidas na 1ª
e 2ª Guerra mundial, Na guerra Espanhola, Na Exterminação Ética de 10 milhões de
Ucranianos em 1932 pela URSS, no Holocausto com o extermino de 6 milhões de Judeus,
entre outras barbáries acontecidas neste período. Surgindo assim, em outubro de 1945, à
Organização das Nações Unidas, que no dia 10 de dezembro de 1948 proclamaria à
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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Direitos humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos.
Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de
expressão, e a igualdade perante a lei. A ONU (Organização das Nações Unidas) foi a
responsável por proclamar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que deve ser
respeitada por todas as nações do mundo.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas
afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos,
dotados de razão e de consciência, e devem agir uns para com os outros em espírito de
fraternidade.
A ONU adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos com o objetivo de
evitar guerras, promover a paz mundial e de fortalecer os direitos humanitários.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem uma importância mundial,
apesar de não obrigar juridicamente que todos os Estados a respeitem. Para a Assembleia
Geral da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem como ideal ser atingido
por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que todos tenham sempre em
mente a Declaração, para promover o respeito a esses direitos e liberdades.
Por exemplo, durante o século XX nos Estados Unidos, o movimento a favor dos
direitos humanos defendia a igualdade entre todas as pessoas. Na sociedade americana
daquela época, havia uma forte discriminação contra os negros, que muitas vezes não
desfrutavam dos plenos direitos fundamentais. Um importante defensor dos movimentos
a favor dos direitos humanos foi Martin Luther King Jr.
Existem várias organizações e movimentos que têm como objetivo defender os
direitos humanos, como por exemplo a Anistia Internacional.
Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos
na Constituição de um país.
A cidadania também pode ser definida como a condição do cidadão, indivíduo que
vive de acordo com um conjunto de estatutos pertencentes a uma comunidade
politicamente e socialmente articulada.
Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o respeito
e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada e justa.
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Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações, garantindo que
estes sejam colocados em prática. Exercer a cidadania é estar em pleno gozo das
disposições constitucionais. Preparar o cidadão para o exercício da cidadania é um dos
objetivos da educação de um país.
O conceito de cidadania também está relacionado com o país onde a pessoa exerce
os seus direitos e deveres. Assim, a cidadania brasileira está relacionada com o indivíduo
que está ligado aos direitos e deveres que estão definidos na Constituição do Brasil.
Para ter cidadania brasileira, a pessoa deve ter nascido em território brasileiro ou
solicitar a sua naturalização, em caso de estrangeiros. No entanto, os cidadãos de outros
países que desejam adquirir a cidadania brasileira devem obedecer a todas as etapas
requeridas para este processo.
Uma pessoa pode ter direito a dupla cidadania, isso significa que deve obedecer aos
diretos e deveres dos países em que foi naturalizada.
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de
1988, pela Assembleia Nacional Constituinte, composta por 559 congressistas (deputados
e senadores), consolidou a democracia, após longos anos da ditadura militar no Brasil.
Para exercer a cidadania, os membros de uma sociedade devem usufruir dos direitos
humanos, direitos fundamentais tanto no âmbito individual, coletivo ou institucional.
Assim também poderão cumprir os seus deveres para o bem da sociedade.
Cultura
Para sociologia, cultura é tudo aquilo que resulta da criação humana. Não existe
cultura superior ou inferior, melhor ou pior, mas sim culturas diferentes.
No senso comum, cultura adquire diversos significados: grande conhecimento de
determinado assunto, arte, ciência, “fulano de tal tem cultura”.
Aos olhos da Sociologia, cultura é tudo aquilo que resulta da criação humana. São
ideias, artefatos, costumes, leis, crenças morais, conhecimento, adquirido a partir do
convívio social.
Só o homem possui cultura.
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Seja a sociedade simples ou complexa, todas possuem sua forma de expressar,
pensar, agir e sentir, portanto, todas têm sua própria cultura, o seu modo de vida.
Não existe cultura superior ou inferior, melhor ou pior, mas sim culturas diferentes.
As funções da cultura são:
satisfazer as necessidades humanas;
limitar normativamenteessas necessidades;
implica em alguma forma de violação da condição natural do homem. Por
exemplo: paletó e gravata são incompatíveis com clima quente; privar-se de boa
alimentação em prol da ostentação de um símbolo de prestígio, como um automóvel;
pressão social para que tanto homens quanto mulheres atinjam o ideal de beleza física.
O que é belo numa sociedade poderá ser feio em outro contexto cultural.
Já o conceito de cultura de massa pode ser definido como padrões compartilhados
pela maioria dos indivíduos, independente da renda, instrução, ocupação etc.
Cultura de massa é produto da indústria cultural, tipicamente de sociedades
capitalistas; refere-se aspectos superficiais de lazer, gosto artístico e vestuário.
A indústria cultural está sempre “fabricando” modas e gostos, a cultura de massa
só é viável em razão da invenção da comunicação em massa.
Orson Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo –
FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Política, poder e Estado
Estude as relações entre política, poder e Estado, entendendo como estes temas
influenciam nossa vida cotidiana.
Talvez você não saiba, mas a Ciência Política – que é uma das três ciências sociais
– estuda muito mais do que os partidos políticos. Esta ciência estuda as relações de poder
na sociedade, ou seja, as forças que estão em jogo na relação entre o povo e o governo.
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A Ciência Política nos ajuda a entender como funcionam o governo, as leis, os
partidos e tudo aquilo que influencia ou regulamenta a nossa vida em sociedade. Neste
post, vamos explicar melhor como a política está presente em nossa vida.
O que é a política?
Muito se fala em política nos dias de hoje, mas poucos sabem exatamente o que ela
significa, tanto na teoria como na prática.
A política engloba todos os aspectos relacionados ao poder em uma sociedade. Ela
é o conjunto de práticas e ideias que envolvem as relações de poder. A política está tanto
no Estado, ao qual chamamos de governo, como no nosso dia-a-dia.
As políticas de Estado são aquelas feitas pelos nossos governantes. Por exemplo, a
implantação de um novo serviço no SUS, a construção de uma ponte ou a demarcação de
uma terra indígena. Estas políticas podem ser feitas em nível municipal, estadual ou
federal.
A política também está no nosso cotidiano. Quando pesquisamos atentamente sobre
os candidatos antes de irmos às urnas votar, quando denunciamos um crime ambiental ou
quando nos calamos frente a uma injustiça social estamos fazendo política.
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Política em construção. Fonte: http://www.vozdascomunidades.com.br/destaques/eu-
acredito/
Quem constrói a política?
Muitas vezes, pensamos que a política é algo que só diz respeito aos governantes
e aos partidos políticos, achando que não precisamos nos ocupar dela ou que pouco
diferença irá fazer o nosso envolvimento na política.
Algumas pessoas pensam que o voto é o único ou grande ato que um cidadão
pode fazer pela política de seu país. Esta forma de pensar, muito comum na sociedade,
nos leva ao pensamento errôneo de que quem constrói a política não somos nós.
Na prática, quem constrói a política é o cidadão. Pequenos atos cotidianos são
atos políticos.
Por exemplo: quando eu, ao perceber que o caminhão da coleta seletiva de lixo não
passa na minha rua, resolvo ligar para o órgão responsável e fazer uma reclamação, estou
realizando um ato político. Quando me reúno com alguns vizinhos e faço um abaixo-
assinado solicitando à prefeitura que minha rua de chão batido seja calçada, estou
realizando um ato político. Da mesma forma, quando eu furo a fila do banco porque tenho
um conhecido que está nela, “passando para trás” pessoas que chegaram antes de mim,
também estou realizando um ato político.
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Atos políticos são decisões cotidianas que afetam minha vida e a de outros membros
da sociedade e que estão relacionadas a direitos e deveres que temos como cidadãos.
Assim, a política costuma refletir as ações políticas de seus cidadãos.
Corrupção no cotidiano
Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/483714816212588466/
Contudo, não podemos concluir que é natural que os representantes políticos do
Estado simplesmente reproduzam o que veem ocorrer na sociedade.
Quando elegemos estes representantes, ao qual chamamos de políticos, esperamos
– e deveríamos exigir! – que eles criem políticas públicas que atendam aos interesses do
povo, ou seja, que eles invistam em saúde, educação, segurança, cultura, etc.
O Estado arrecada dinheiro do povo – os impostos que pagamos – para, em teoria,
reverter em serviços que beneficiem a população.
Caso o Estado não faça isso, ou faça de maneira pouco eficiente, temos o direito
de reclamar e exigir que os recursos sejam melhor aplicados.
E existem várias formas de reclamar e exigir nossos direitos: por incrível que
pareça, uma das mais efetivas é transformar nossas ações cotidianas, evitando “pequenos
atos de corrupção”.
Não avançar o sinal vermelho, recusar qualquer tipo de suborno, respeitar a fila do
banco e denunciar atos de injustiça social são pequenas coisas que fazem a diferença pois
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criam bons exemplos. Assim, diferente do que muita gente pensa, o povo, quando
consciente e organizado, tem muito poder.
ECONOMIA E GLOBALIZAÇÃO
A globalização é um dos termos mais frequentemente empregados para descrever
a atual conjuntura do sistema capitalista e sua consolidação no mundo. Na prática, ela é
vista como a total ou parcial integração entre as diferentes localidades do planeta e a
maior instrumentalização proporcionada pelos sistemas de comunicação e transporte.
Veja também: As três fases do capitalismo ao longo da história
Mas o que é globalização exatamente?
O conceito de globalização é dado por diferentes maneiras conforme os mais
diversos autores em Geografia, Ciências Sociais, Economia, Filosofia e História que se
pautaram em seu estudo. Em uma tentativa de síntese, podemos dizer que a globalização
é entendida como a integração com maior intensidade das relações socioespaciais em
escala mundial, instrumentalizada pela conexão entre as diferentes partes do globo
terrestre.
Vale lembrar, no entanto, que esse conceito não se refere simplesmente a uma
ocasião ou acontecimento, mas a um processo. Isso significa dizer que a principal
característica da globalização é o fato de ela estar em constante evolução e transformação,
de modo que a integração mundial por ela gerada é cada vez maior ao longo do tempo.
A origem da Globalização
Não existe um total consenso sobre qual é a origem do processo de globalização. O
termo em si só veio a ser elaborado a partir da década de 1980, tendo uma maior difusão
após a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria. No entanto, são muitos os autores
que defendem que a globalização tenha se iniciado a partir da expansão marítimo-
comercial europeia, no final do século XV e início do século XVI, momento no qual o
sistema capitalista iniciou sua expansão pelo mundo.
De toda forma, como já dissemos, ela foi gradativamente apresentando evoluções,
recebendo incrementos substanciais com as transformações tecnológicas proporcionadas
pelas três revoluções industriais. Nesse caso, cabe um destaque especial para a última
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/fases-do-capitalismo.htm
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/guerra-fria.htmTravessa Tiradentes, entre Siqueira Mendes e Getúlio Vargas
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delas, também chamada de Revolução Técnico-Científica-Informacional, iniciada a
partir de meados do século XX e que ainda se encontra em fase de ocorrência. Nesse
processo, intensificaram-se os avanços técnicos no contexto dos sistemas de informação,
com destaque para a difusão dos aparelhos eletrônicos e da internet, além de uma maior
evolução nos meios de transporte.
Portanto, a título de síntese, podemos considerar que, se a globalização iniciou-se
há cerca de cinco séculos aproximadamente, ela consolidou-se de forma mais elaborada
e desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, a partir da segunda metade do século XX
em diante.
Acesse também: Imperialismo - uma prática desenvolvida com a consolidação do
capitalismo
Aspectos positivos e negativos da globalização
Uma das características da globalização é o fato de ela se manifestar nos mais
diversos campos que sustentam e compõem a sociedade: cultura, espaço geográfico,
educação, política, direitos humanos, saúde e, principalmente, a economia. Dessa forma,
quando uma prática cultural chinesa é vivenciada nos Estados Unidos ou quando uma
manifestação tradicional africana é revivida no Brasil, temos a evidência de como as
sociedades integram suas culturas, influenciando-se mutuamente.
Existem muitos autores que apontam os problemas e os aspectos negativos da
globalização, embora existam muitas polêmicas e discordâncias no cerne desse debate.
De toda forma, considera-se que o principal entre os problemas da globalização é uma
eventual desigualdade social por ela proporcionada, em que o poder e a renda encontram-
se em maior parte concentrados nas mãos de uma minoria, o que atrela a questão às
contradições do capitalismo.
Além disso, acusa-se a globalização de proporcionar uma desigual forma de
comunicação entre os diferentes territórios, em que culturas, valores morais, princípios
educacionais e outros são reproduzidos obedecendo a uma ideologia dominante. Nesse
sentido, forma-se, segundo essas opiniões, uma hegemonia em que os principais centros
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-ideologia-imperialista.htm
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de poder exercem um controle ou uma maior influência sobre as regiões economicamente
menos favorecidas, obliterando, assim, suas matrizes tradicionais.
Entre os aspectos positivos da globalização, é comum citar os avanços
proporcionados pela evolução dos meios tecnológicos, bem como a maior difusão de
conhecimento. Assim, por exemplo, se a cura para uma doença grave é descoberta no
Japão, ela é rapidamente difundida (a depender do contexto social e econômico) para as
diferentes partes do planeta. Outros pontos considerados vantajosos da globalização é a
maior difusão comercial e também de investimentos, entre diversos outros fatores.
É claro que o que pode ser considerado como vantagem ou desvantagem da
globalização depende da abordagem realizada e também, de certa forma, da ideologia
empregada em sua análise. Não é objetivo, portanto, deste texto entrar no mérito da
discussão em dizer se esse processo é benéfico ou prejudicial para a sociedade e para o
planeta.
Efeitos da Globalização
Existem vários elementos que podem ser considerados como consequências da
globalização no mundo. Uma das evidências mais emblemáticas é a configuração do
espaço geográfico internacional em redes, sejam elas de transporte, de comunicação, de
cidades, de trocas comerciais ou de capitais especulativos. Elas formam-se por pontos
fixos – sendo algumas mais preponderantes que outras – e pelos fluxos desenvolvidos
entre esses diferentes pontos.
Outro aspecto que merece destaque é a expansão das empresas multinacionais,
também chamadas de transnacionais ou empresas globais. Muitas delas abandonam seus
países de origem ou, simplesmente, expandem suas atividades em direção aos mais
diversos locais em busca de um maior mercado consumidor, de isenção de impostos, de
evitar tarifas alfandegárias e de angariar um menor custo com mão de obra e matérias-
primas. O processo de expansão dessas empresas globais e suas indústrias reverberou no
avanço da industrialização e da urbanização em diversos países subdesenvolvidos e
emergentes, incluindo o Brasil.
https://brasilescola.uol.com.br/economia/empresas-multinacionais.htm
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Outra dinâmica propiciada pelo avanço da globalização é a formação dos acordos
regionais ou dos blocos econômicos. Embora essa ocorrência possa ser inicialmente
considerada como um entrave à globalização, pois acordos regionais poderiam impedir
uma global interação econômica, ela é fundamental no sentido de permitir uma maior
troca comercial entre os diferentes países e também propiciar ações conjunturais em
grupos.
Por fim, cabe ressaltar que o avanço da globalização culminou também na expansão
e consolidação do sistema capitalista, além de permitir sua rápida transformação. Assim,
com a maior integração mundial, o sistema liberal – ou neoliberal – ampliou-se
consideravelmente na maior parte das políticas econômicas nacionais, difundindo-se a
ideia de que o Estado deve apresentar uma mínima intervenção na economia.
A globalização é, portanto, um tema complexo, com incontáveis aspectos e
características. Sua manifestação não pode ser considerada linear, de forma a ser mais ou
menos intensa a depender da região onde ela se estabelece, ganhando novos contornos e
características. Podemos dizer, assim, que o mundo vive uma ampla e caótica inter-
relação entre o local e o global.
Por Me. Rodolfo Alves Pena
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/classificacao-dos-blocos-economicos.htm
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A globalização permite, em tese, uma maior integração entre as diferentes áreas do
planeta.
Há um século, por exemplo, a velocidade da comunicação entre diferentes partes
do planeta até existia, porém ela era muito menos rápida e eficiente que a dos dias atuais,
que, por sua vez, poderá ser considerada menos eficiente em comparação com as
prováveis evoluções técnicas que ocorrerão nas próximas décadas. Podemos dizer, então,
que o mundo encontra-se cada dia mais globalizado.
O avanço realizado nos sistemas de comunicação e transporte, responsável pelo
avanço e consolidação da globalização atual, propiciou uma integração que aconteceu de
tal forma que tornou comum a expressão “aldeia global”. O termo “aldeia” faz referência
a algo pequeno, onde todas as coisas estão próximas umas das outras, o que remete à ideia
de que a integração mundial no meio técnico-informacional tornou o planeta
metaforicamente menor.
REFERENÇA
ALEXANDER, J. A importância dos clássicos. In: GIDDENS, A.; TURNER, J. Teoria
social hoje. São Paulo: Ed. Unesp, 1996.
COHN, G. Crítica e resignação. Fundamentos da sociologia de Max Weber. São Paulo:
TAQ, 1979.
COLLIOT-THÉLÈNE, C. A sociologia de Max Weber. Petrópolis: Vozes, 2016.
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DIAS, F. C. Presença de Max Weber na sociologia brasileira contemporânea.
Revista de Administração de Empresas, v. 14, n. 4, p. 47-62, 1974.
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Modernidades múltiplas. Sociologia, Problemas e Práticas, Oeiras, n. 35, p. 139-163,
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setembro 2019.
FERNANDES, F. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. São Paulo:
Companhia
Editora Nacional, 1959.
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LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
LÍNGUA PORTUGUESA
Modulo I: Estratégia de Leitura para a Compreensão do Texto
Ler estrategicamente é diferente de ler rápido. Ler rápido pode nos levar a:
• Perder informações importantes
• Não compreender as ideias
• Inverter o sentido do que foi exposto
Ler estrategicamente significa:
• Focar nas informações necessárias, sem se apegar a minúcias que podem levar a gasto
desnecessário de tempo, como em significados de palavras isoladas que desconheça.
Compreenda o contexto geral.
• Saber onde procurar as informações, captando o essencial de cada parágrafo.
• Compreender a ideia principal do texto.
• Identificar as palavras-chave.
Além de tudo isso, uma leitura só é eficaz quando praticada. Tenha o hábito de
ler. Sempre. Isso melhorará, inclusive, sua capacidade de concentração. É preciso
também atentar-se à sinalização estrutural, que tem a ver com a parte gramatical do
texto. Saber identificar a ligação entre os parágrafos, analisando se estes se
complementam, se contrariam, etc., através da análise das conjunções que os iniciam, por
exemplo, é peça chave para a compreensão das ideias expostas. E não basta interpretar
o texto corretamente, mas também o enunciado das questões. Uma interpretação
incorreta do que o exercício está pedindo certamente levará ao erro, por mais que a leitura
do texto tenha seguido todas as dicas apresentadas.
Tipos de Questão: Ideia Principal
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Para resolver as questões que se centram na ideia principal do texto é preciso entendê-lo
como um todo, sem apego a particularidades. Nesse caso nos depararemos com
enunciados do tipo:
• qual das alternativas resumo melhor a ideia do texto?
• qual dos seguintes títulos pode ser mais apropriado para o conteúdo deste texto?
• o texto pode ser melhor descrito por qual alternativa?
• assinale a alternativa correta (ou incorreta) em relação ao assunto do texto.
Para interpretar esse tipo de questão é importante desenvolver a habilidade de leitura
estratégica, exposta na aula anterior. Outra dica é, após a leitura geral do texto, caso ainda
não tenha ficado clara a ideia principal, reler o primeiro e último parágrafo e articulá-los,
já que nestes estão presentes a introdução e a conclusão do assunto, respectivamente,
auxiliando no entendimento da ideia principal.
Tipos de Questão: Ideia de Suporte
Ao contrário das questões baseadas na ideia principal do texto, que vimos anteriormente,
as questões centradas nas ideias de suporte têm a ver com informações mais específicas
presentes no texto, exigindo uma leitura mais focada em cada trecho. Assim, os
enunciados dessas questões ressaltarão partes determinadas do texto, e, nesse caso, a dica
é ler o enunciado antes do texto, para que no momento da leitura já foquemos na
informação solicitada na questão, e poupemos tempo na hora da prova.
Tipos de Questão: Inferência
Inferência tem a ver com a conclusão, com a lógica do texto. Dessa maneira, esse tipo de
questão estará ligado à conclusão que podemos tirar de determinado trecho ou do texto
como um todo. Tanto é que na maioria das vezes o enunciado trará algo como “de acordo
com o texto podemos concluir que...”.
Para responder a essas questões é importante uma leitura focada e muita atenção, visto
que na maioria das vezes há alternativas muito semelhantes, que podem gerar confusão
na hora da resolução. Assim, responder questões sobre inferência consiste na leitura dos
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trechos do texto e da descoberta das afirmações corretas sobre eles, presentes nas
alternativas.
Mas atenção: essa descoberta das afirmações corretas sobre eles também pode conter
armadilhas. Muitas vezes tendemos a fazer suposições com base em nossos
conhecimentos prévios, em vez de nos centrar apenas no que consta no texto. Essa
utilização do conhecimento prévio em questões de inferência pode induzir ao erro. A
alternativa correta deverá estar ligada às informações claramente contidas no texto,
apenas.
Tipos de Questão: Lógica Estrutural
O texto narrativo conta uma história, seja ela real ou nesse tipo de questão devemos
analisar a estrutura do texto, ou seja, a divisão dos parágrafos, o que está contido em cada
um deles etc. Para isso, é recomendada primeiramente uma leitura geral, para
entendimento do texto como um todo, seguida de uma leitura focada, a fim de
compreender cada parágrafo mais especificamente. Devemos nos atentar à coesão, à
coerência, e à forma como cada parágrafo é iniciado, ou seja, às sinalizações estruturais,
feitas principalmente por meio dos conectivos.
Tipos de Questão: Informação Aplicada
As questões sobre informação aplicada consistem em pegarmos uma informação contida
num texto e aplica-la noutro contexto. Essa informação não estará explícita, e testará
nossa habilidade de realizar intertextualidade, reconhecendo ideias semelhantes em textos
diferentes.
Tipos de Questão: A Arte da Resposta Errada
Muitas vezes ficamos em dúvida entre duas alternativas na hora de resolver o exercício,
e acabamos assinalando justamente a incorreta. É necessária uma leitura atenta das
alternativas que geraram a dúvida, para que assim consigamos enxergar a incorreção
contida numa delas, já que apenas uma das alternativas deve ser incontestavelmente
correta, ao contrário das demais, que possuirão algum elemento, por menor que seja, que
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as torne inaceitáveis. Para identificar as alternativas erradas, devemos eliminar, por
exemplo:
• Alternativas aparentemente certas, mas que contêm informações adicionais que não
estão no texto;
• Alternativas que têm a ver com o texto, mas que ou são muito vagas ou não condizem
exatamente ao trecho questionado no enunciado;
• Alternativas que citam partes realmente contidas no texto, mas não as que se referem ao
que é solicitado no enunciado.
Aula 2: Modos de Organização da Composição Textual
Leitura e Conhecimento Prévio:
Muitas vezes a interpretação de um texto exige um conhecimento prévio do leitor,
gerando uma interação entre o que está escrito e a bagagem que ele já traz consigo.
Esse conhecimento prévio advém de fatores como a profissão do leitor, seu nível
econômico, base familiar, nível de escolaridade, grupo de amigos, viagens que fez, filmes
e programas de TV que assistiu, livros que leu, peças de teatro que viu, entre outros.
Esses fatores se subdividem em três categorias de conhecimento:
• Conhecimento linguístico: domínio do idioma, gramática, semântica...
• Conhecimento textual: diferenciação dos gêneros textuais, como narrativo, descritivo,
dissertativo...
• Conhecimento de mundo: cultura geral adquirida ao longo do tempo.
A Importância do Contexto
Na interpretação de um texto é muito importante conhecer o contexto em que ele foi
escrito, já que este corresponde ao momento de sua produção, às situações externas que
podem ter influenciado o autor, ou seja, à totalidade das informações que circundam o
texto.
• As informações relacionadas ao MOMENTO da produção correspondem ao
CONTEXTO HISTÓRICO;
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• As informações ligadas ao LOCAL de produção dizem respeito ao CONTEXTO
GEOGRÁFICO;
• O CONTEXTO LITERÁRIO é determinado pela ESCOLA LITERÁRIA à qual o texto
pertence;
• E há, ainda, o CONTEXTO EMOCIONAL, determinado pelos sentimentos do autor no
momento em que escreveu o texto.
O desconhecimento do contexto pode gerar uma interpretação vaga, ou até mesmo
incorreta.
Informações Implícitas
Apresentadas claramente, nitidamente no texto. Informações implícitas Apresentadas de
maneira indireta, subentendida, sendo decifráveis a partir de alguns indicadores,
geralmente gramaticais, que podem ser:
• Conjugação verbal • Classificação das conjunções
• Classificação dos advérbios
• Adjetivos
• Classificação de orações subordinadas • Imagens que acompanhem um texto ou
enunciado de questão.
Informações explícitas
Apresentadas claramente, nitidamente no texto.
Denotação e Conotação
Denotação – ou sentido denotativo – é a palavra apresentada em seu sentido original,
impessoal, da forma como aparece no dicionário.
Ex: A garotinha pintou a cara com tintas coloridas.
Conotação – ou sentido conotativo – é a palavra apresentada com outro significado,
passível de interpretações diferentes, dependendo do contexto em que estiver inserida.
Ex: Aquele cara é novo no bairro.
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Resumo:
Denotação: significado do dicionário. Sentido real.
Conotação: sentido figurado.
Sinonímia: significado igual ou muito semelhante (sinônimos)
Antonímia: significado oposto (antônimos)
Texto Verbal e Não verbal
Texto Verbal - construção de um enunciado de composição linguística, sintática e
semântica - LINGUAGEM VERBAL
Texto não verbal - sentido transmitido por meio da linguagem visual - IMAGEM/
CÓDIGO/ SÍMBOLO
Texto verbal e não verbal - Linguagem MISTA
Elementos da Narrativa
Uma narrativa tem como elemento central a ação de contar histórias, deriva do gênero
épico, definido na Antiguidade clássica, por Aristóteles.
Desenvolve-se como uma sequência organizada para dar sentido às ações, por isso o texto
se divide em:
Apresentação: Situação inicial Desenvolvimento: Conflito/ Clímax Desfecho: Retorno à
situação inicial - resolução do conflito A resolução do conflito não significa final feliz
Além dessa estrutura, as narrativas apresentam os seguintes elementos: -Narrador - voz
narrativa em primeira ou terceira pessoa
- Personagens - envolvidos na ação
- Tempo - data, época
- Espaço - cenário, ambiente
- Enredo - ação central
Tipos de Narrador
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O que define o texto como narração é a presença de um narrador que conta uma história
De acordo, com a escolha da pessoa do discurso o narrador assume um papel na história.
TIPOS DE NARRADOR:
• NARRADOR OBSERVADOR - 3ª pessoa - discurso direto
• NARRADOR PERSONAGEM - 1ª pessoa - discurso direto e indireto
• NARRADOR ONISCIENTE - 3ª pessoa - discurso indireto livre
Espaço na Narrativa
Espaço na narrativa pode marcar o lugar específico geográfico, cenário, mas pode marcar
também o ambiente social/ emocional.
As palavras que contribuem para a identificação de lugar são os advérbios, locuções
adverbiais, os adjetivos que caracterizam o lugar.
O espaço pode contribuir para a atmosfera da narrativa, por exemplo em um conto de
humor ou de terror terão classificações diferentes.
Tempo na Narrativa
Um dos elementos que compõe o texto narrativo é o tempo. A marcação do tempo garante
a coerência da sequência de ações. Quanto a isso é importante diferenciar:
Marcação temporal - Expressões que se referem à época ou data específica quando a
história se passa.
Exemplos:
Era uma vez
Certo dia
Foi no mês de dezembro
Às 14h do dia 23 de Abril
Tempo da narrativa - Duração da história (passagem do tempo dentro do contexto da
obra).
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Tipos de Personagens
Os personagens são responsáveis por dar vida às ações da narrativa. Na análise do texto
é importante notar o quanto a descrição ou não sobre o personagem pode interferir no
curso da história.
Sendo assim, há algumas classificações possíveis de serem observadas, como: tipos de
personagens; caracterização do personagem; análise sobre o personagem.
Tipos:
• Protagonista - personagem principal - o núcleo na narrativa se refere a ele e suas ações.
• Antagonista - personagem importante que realiza ações contrárias ao personagem, ou
seja, aquele que cria os conflitos da narrativa, principalmente como forma de oposição ao
protagonista.
• Secundária - personagem de importância secundária na história, não interfere
diretamente nas ações.
Caracterização:
• Indivíduo - personagem dotado de características muito pessoais e marcantes.
• Caricatura - personagem com características exageradas, utilizadas geralmente para
marcar um grupo social.
• Tipo - personagem com características que representam um grupo específico da
sociedade, como profissões.
Estudo do Texto Dissertativo
O texto dissertativo consiste na exposição de ideias e opiniões sobre determinado assunto.
Para a realização dessa exposição o autor pode fazer uma análise do assunto, uma
comparação com ideias de outros autores ou, também, questionamentos acerca de outras
opiniões a respeito do assunto. Tudo isso compõe a fundamentação de ideias do autor do
texto.
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Na interpretação de textos dissertativos é importante observar as ideias nas quais o autor
se baseou para expor sua opinião, analisando os argumentos que ele usa para comprova-
la.
Além disso, devemos ter em mente a estrutura de uma dissertação, que facilitará a busca
por informações importantes dentro do texto:
• Introdução: onde é apresentada a tese do texto, a ideia geral que ele contém.
• Desenvolvimento: onde se encontra a fundamentação de ideias.
• Conclusão: onde o autor retoma a ideia principal do texto fazendo suas considerações
finais sobre ela.
Estudo do Texto Argumentativo Entende-se o texto argumentativo como componente
de um texto dissertativo, já que para fundamentar ideias e opiniões utilizamos,
principalmente, argumentos, que têm por objetivo persuadir o leitor. Para essa persuasão
podem ser usados exemplos, estatísticas, comparações etc., que darão consistência à
argumentação. Para interpretar um texto argumentativo é fundamentar termos em mente
que um argumento é um conjunto de proposições interligadas entre si. Essas proposições
podem ser entendidas como provas de meu ponto de vista sobre o assunto. Tais provas
recebem o nome de premissas, que resultam numa conclusão sobre o tema tratado. A
conclusão também pode ser chamada de inferência. Sendo assim, sempre devemos
lembrar que o texto argumentativo é composto por um conjunto de premissas que
resultam numa inferência.
Estudo do Texto Descritivo
O texto descritivo tem por objetivo caracterizar ou representar algo ou alguém. As
descrições são constantemente componentes dos outros tipos de texto, principalmente do
narrativo, e contribuem para situar o leitor na história. Para essa caracterização são
expostos elementos que distinguem o ser em questão dos demais. Essa descrição pode
ser:
• Subjetiva: baseada na opinião pessoal de quem está descrevendo.
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• Objetiva: sem interferência daopinião pessoal de quem descreve, imparcial. No
momento da interpretação de um texto descritivo é preciso atentar-se ao tipo de descrição
presente e ao que o enunciado do exercício está pedindo, para que não se confunda uma
descrição pessoal com uma imparcial, objetiva.
Estudo dos Gêneros Digitais
Devido à rapidez da comunicação no meio digital, a linguagem assume características
específicas da escrita eletrônica. Alguns dos aspectos desse tipo de linguagem que se pode
identificar são:
• redução drástica dos sinais de pontuação
• alterações ortográficas
• excesso de abreviações
• uso de maiúsculas
Esses aspectos mostram o quanto a linguagem se adequa à situação de comunicação e ao
suporte, alterando, inclusive, as regras comuns da norma padrão. Apesar dessas
adaptações serem, muitas vezes, consideradas desvios às regras, a comunicação acontece
e, portanto, é eficiente. Mas, essa eficiência apenas se desenvolve dentro do contexto
específico. Em situações formais, mesmo no ambiente virtual, a norma culta deve
prevalecer.
Estudo do Texto Jornalístico
Textos jornalísticos são todos aqueles que têm o objetivo de comunicar, informar aos
leitores a respeito dos mais variados assuntos, como política, economia, fatos verídicos e
curiosidades. Eles são veiculados em diversos suportes, como jornais e revistas (impressos
e digitais), blogs, sites, rádio e televisão, e são gêneros textuais bastante procurados e lidos
por diferentes públicos, uma vez que alcançam diversos setores da sociedade e favorecem a
difusão das informações atuais. Os objetivos desses veículos são: informar, entreter,
apresentar uma interpretação competente sobre determinada informação etc.
De maneira geral, ao desenvolver um texto jornalístico, o jornalista tem a função de
transformar as informações a respeito de determinado fato/assunto e transmiti-lo, de maneira
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eficiente, a seus leitores. Para isso, eles utilizam algumas técnicas básicas para alcançar seu
objetivo.
Linguagem em Textos Jornalísticos
Os textos jornalísticos são redigidos em prosa. A linguagem deve ser objetiva, simples,
imparcial e deve estar alinhada à norma padrão da língua. O texto jornalístico apresenta
frases e ideias sucintas. A linguagem é essencialmente denotativa, ou seja, possui um único
sentido, sem margens para dupla interpretação e/ou outras formas de ambiguidades.
Gêneros textuais jornalísticos
Como existem variados gêneros textuais jornalísticos, tendo isso em vista, realizamos um
levantamento a respeito dos gêneros textuais mais recorrentes no Enem nos últimos cinco
certames. Confira:
Notícia: A notícia é um relato impessoal sobre algum fato. Esse gênero textual tem função
referencial (informativa) da linguagem. Há algumas maneiras de escrever uma notícia, e
algumas delas são a partir de:
Sequências narrativas: Narrativa curta a respeito do fato ocorrido;
Sequências descritivas: Descrição mais detalhada dos fatos ocorridos;
Sequências explicativas: Explicações específicas a respeito do fato ocorrido.
Observe alguns exemplos:
Dois corpos femininos foram encontrados às margens do rio Arruda, na capital de
Minas Gerais, Belo Horizonte.
O prêmio da Mega-Sena está novamente acumulado e apostadores passam a
madrugada nas filas em frente às casas lotéricas para garantirem suas apostas até a
meia-noite desta terça-feira.
Os sete detentos que tentaram fugir do presídio de Lage Alto, no interior de Minas
Gerais, foram ouvidos na quarta-feira pelo delegado responsável pelo caso.
Artigo de Opinião
https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/lingua-culta-como-variedade-prestigio.htm
https://brasilescola.uol.com.br/literatura/denotacao-conotacao.htm
https://brasilescola.uol.com.br/redacao/a-predominancia-alguns-termos-que-comprometem-oralidade-.htm
https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/funcoes-linguagem.htm
https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/funcoes-linguagem.htm
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O Artigo de Opinião tem o objetivo de informar a respeito de algum assunto e manifestar o
posicionamento do articulista (autor do texto) a respeito dos fatos.
Editorial
O Editorial também tem o objetivo de informar os leitores a respeito de determinado assunto
e exprimir o parecer do veículo de comunicação sobre os fatos.
Crônica
A Crônica é um relato de fatos do cotidiano e carrega a subjetividade/análise
do cronista (autor da crônica) a respeito do assunto. Veja agora algumas etapas pelas quais
passam os textos jornalísticos durante seu desenvolvimento:
Pauta: Seleção do assunto;
Apuração: Seleção e verificação da veracidade das informações;
Redação: Organização textual das informações;
Edição: Ajustes de espaço e revisão da linguagem;
Publicação: Veiculação do texto em algum suporte (jornais, revistas, sites, blogs
etc.).
Agora que você já conhece alguns dos textos jornalísticos, veja um exemplo de questão do
Enem:
QUESTÃO 16 - ENEM 2015
Dubai é uma cidade-estado planejada para estarrecer os visitantes. São tamanhos e
formatos grandiosos, em hotéis e centros comerciais reluzentes, numa colagem de estilos e
atrações que parece testar diariamente os limites da arquitetura voltada para o lazer. O
maior shopping do tórrido Oriente Médio abriga uma pista de esqui, e tem ainda o projeto
de um campo de golfe coberto! Coberto e refrigerado, para usar com sol e chuva, inverno
e verão.
Disponível em: http://viagem.uol.com.br. Acesso em: 30 jul. 2012 (adaptado).
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No texto, são descritas algumas características da paisagem de uma cidade do Oriente
Médio. Essas características descritas são resultado do(a)
( ) A - criação de territórios políticos estratégicos.
( ) B - preocupação ambiental pautada em decisões governamentais.
( ) C - utilização de tecnologia para transformação do espaço.
( ) D - demanda advinda da extração local de combustíveis fósseis.
( ) E - emprego de recursos públicos na redução de desigualdades sociais.
Resposta: Letra C. O texto jornalístico foi utilizado no Enem para informar os leitores a
respeito das modernas construções em meio a uma região desértica do Oriente Médio. A
partir das descrições sobre o desenvolvimento dessa região, o texto jornalístico pretende
ressaltar as transformações estéticas ocorridas na cidade de Dubai, as quais alteraram a
paisagem local. Para resolver essa questão, o candidato deve analisar o que propiciou essas
grandes transformações: a utilização de tecnologia.
Vamos praticar!
ENEM – 2007 - Há cerca de dez anos, estimava-se que 11,2% da população brasileira
poderiam ser considerados dependentes de álcool. Esse índice, dividido por gênero,
apontava que 17,1% da população masculina e 5,7% da população feminina eram
consumidores da bebida. Quando analisada a distribuição etária desse consumo, outro
choque: a pesquisa evidenciou que 41,2% de estudantes da educação básica da rede
pública brasileira já haviam feito uso de álcool Dados atuais apontam que a
porcentagem de dependentes de álcool subiu para 15%. Estima-se que o país gaste 7,3%
do PIB por ano para tratar de problemas relacionados ao alcoolismo, desde o tratamento
de pacientes até a perda da produtividade no trabalho. A indústria do álcool no Brasil,
que produz do açúcar ao álcool combustível, movimenta 3,5% do PIB.
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Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 28, nº 4, dez/2006 & Intemet: um alcoolismo.com
br> (com adaptações).A partir dos dados acima, conclui-se que:
A ( ) O país, para tratar pessoas com problemas provocados pelo alcoolismo, gasta o
dobro do que movimenta para produzir bebida alcoólica.
B ( ) O aumento do número de brasileiros dependentes de álcool acarreta decréscimo no
percentual do PIB gasto no tratamento dessas pessoas.
C ( ) O elevado percentual de estudantes que já consumiram bebida alcoólica é indicativo
de que o consumo do álcool é problema que deve ser enfrentado pela sociedade.
D ( ) As mulheres representam metade da população brasileira dependente de álcool.
E ( ) O aumento na porcentagem de brasileiros dependentes de álcool deveu-se,
basicamente, ao crescimento da indústria do álcool.
Aula 3: Funções da Linguagem
Função Referencial ou Denotativa
Centrada no REFERENTE, ou seja, no ASSUNTO. Função correspondente a materiais
informativos, como relatórios, cardápios, bulas de remédio, notícias, textos e livros
didáticos etc.
Função Conativa
Também conhecida como APELATIVA, é centrada no DESTINATÁRIO, buscando
PERSUADI-LO. Função correspondente a textos publicitários, propagandas, comerciais
de TV, artigos de opinião etc.
Função Metalinguística
Função centrada no próprio CÓDIGO de comunicação. Ou seja, utilizamos um código
para falar sobre esse mesmo código, como um poema que fala sobre a arte da poesia; uma
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gramática, que usa a Língua Portuguesa para falar sobre a própria língua; um dicionário
etc.
Função Emotiva
Função centrada no EMISSOR da mensagem, buscando a expressão de sentimentos. É
correspondente a diários e cartas pessoais, poemas líricos e textos em 1ª pessoa.
Função Fática
Centrada na INTERAÇÃO, no DIÁLOGO, buscando MANTER CONTATO no discurso
direto. Corresponde às conversas, telefonemas, mensagens de texto etc., em que
utilizamos determinados termos focados na manutenção do diálogo, como “né?”,
“entendeu?”, “alô” etc.
Função Poética ou Estética
Centrada na própria MENSAGEM e sua valorização. Possui estrutura poética,
sonoridade, ritmo... Função correspondente a poemas, letras de música etc.
Função Expressa ou Emotiva
Função centrada no EMISSOR da mensagem, buscando a expressão de sentimentos. É
correspondente a diários e cartas pessoais, poemas líricos e textos em 1ª pessoa.
Função Apelativa ou Conotativa
Função APELATIVA é centrada no DESTINATÁRIO, buscando PERSUADI-LO.
Função correspondente a textos publicitários, propagandas, comerciais de TV, artigos de
opinião etc.
Aula 4: Variação Linguística
As línguas humanas são constituídas de uma multiplicidade de formas de falar, e a essas
diferenças damos o nome de variedade ou variação linguística. Dessa maneira, a língua é
considerada como um conjunto de variedades, sendo ela heterogênea em sua composição.
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Ao considerarmos a língua portuguesa, por exemplo, podemos observar suas variações
desde uma perspectiva mais ampla, comparando com o português falado em outros
países; até uma mais estrita, se analisarmos o tipo de fala de cada região do Brasil, ou até
mesmo a individualidade de cada falante.
Desde a Antiguidade, a variação linguística já era um objeto de estudo, porém, nesse
momento, ela era vista como algo negativo, pois interferia no intento dos gramáticos de
homogeneizar a língua, a fim de um maior controle sócio-territorial. Atualmente, a
variação linguística é vista e estudada de outra perspectiva, considerando sua lógica
gramatical e todos os fatores que contribuem para a sua manifestação.
Fatores que contribuem para a variação linguística
Levando em consideração as informações que explicam o que é a variação linguística,
agora, devemos conhecer quais são os elementos que fazem com que a língua seja
heterogênea e, por consequência, tenha suas variações.
No Brasil, a língua portuguesa sofreu a influência das línguas de diversos outros povos
(indígenas, africanos, europeus etc.) desde o seu achamento. Para além disso, devemos
ter em conta que as suas mudanças, bem como os empréstimos de vocábulos, os novos
termos, entre outros fatores, estão sempre presentes na nossa língua, fazendo com que ela
se mantenha viva e em constante transformação.
Para as linguistas Mussalin e Bentes, as variedades linguísticas podem ser descritas a
partir de dois parâmetros principais - a variação geográfica ou diatópica e a variação
social ou diastrática. Sendo a geográfica relacionada às diferenças que ocorrem entre
falantes de espaços físicos distintos (região Norte, Sul, Nordeste etc.); e a social associada
aos aspectos socioculturais (classe social, idade, gênero etc.), bem como a identidade de
cada falante.
Porém, existem outros parâmetros que analisam e explicam as variantes que ocorrem na
língua. Vejamos a seguir.
Tipos de variação linguística
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Variação histórica
Se relaciona com as mudanças históricas e, por consequência, os novos usos e termos em
desuso que sucederam a partir desses contextos. Essa variação pode ser observada ao
lermos textos de outros séculos, por exemplo.
Variação situacional ou diafásica
Relacionam-se com o contexto de fala. Geralmente, falamos de diferentes maneiras a
depender da situação em que estamos. Em um grupo de amigos, por exemplo, a fala tende
a ser mais informal (uso de gírias, abreviações etc); já em uma entrevista de emprego,
busca-se uma variante mais formal.
Variação geográfica ou diatópica
Como já mencionada, se relaciona às regiões e diferenças de falas entre elas, que podem
ser chamadas de regionalismo. A exemplo disso, podemos observar uma mesma fruta ser
nomeada de várias maneiras diferentes, dependendo da região: ponkan, mexerica,
bergamota etc.
Variação social ou diastrática:
Como já explicitada, relaciona-se a fatores socioculturais do falante. Podemos observar
essa variação, por exemplo, no termo “inflamações no trato respiratório” (mais específico,
termo médico) e “dor de garganta” (mais comum, termo genérico).
Preconceito linguístico
Já compreendemos que as variações linguísticas são fenômenos que fazem parte
de qualquer língua, sendo uma marca que diferencia falantes a partir de vários aspectos
como a região, a idade, o gênero, a classe social, e outros. Assim sendo, não existe uma
variante da língua que seja errada, justamente porque ela possui uma lógica
gramatical que a faz funcionar e ser usada.
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norma culta também é uma variação linguística, apesar de ainda ser erroneamente
considerada, por parte de algumas pessoas, como a forma “correta” da língua portuguesa
em detrimento das outras, gerando o que podemos chamar de preconceito linguístico.
Esse equívoco acontece justamente porque a norma culta é bastante difundida em
ambientes acadêmico-escolares, sendo ela um registro mais formal e que está relacionado
ao uso das normas gramaticais. É importante que ela seja ensinada justamente para
que o falante reconheça que a língua possui variantes e que, dependendo do contexto
(formal, informal), ele pode alternar nos seus usos para uma melhor relação entre os
grupos.
O preconceito linguístico, porém, pode ser explicitado nas diversas variações que
vimos, sendo ele a expressão da não compreensão da composição da língua e seus
determinantes.
Aula 5: Classes de Palavras
As classes de palavras em Língua Portuguesa são 10: substantivo, artigo, adjetivo,
pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção,interjeição.
A seguir, a definição de cada uma delas:
Substantivo
Classe de palavras que dá nome às coisas, aos seres em geral.
Exemplos: lousa, caderno, fada, chapéu, carro, monstro, cachorro, gato...
Artigo
Classe de palavras que antecede os substantivos atribuindo-lhes um sentido determinado
ou indeterminado (artigo definido/indefinido), além de indicar também seu número
(singular/plural) e gênero (masculino/feminino).
São eles: o(s), a(s), um, uma, uns, umas.
Exemplos: o estudante/a estudante, o aluno/um aluno.
Adjetivo
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Classe de palavras que expressa as qualidades ou características dos seres.
Exemplos: feio, bonito, inteligente, esperto, alto, baixo, gordo, magro...
Pronome
Classe de palavras que substituem os nomes (pronomes substantivos), ou os determinam
(pronomes adjetivos). São eles: pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos,
indefinidos, relativos, interrogativos. Contribuem também para a coesão textual, evitando
repetições de termos ao longo de um texto.
Exemplo: A parede está rachada. Ela (parede) será reformada.
Numeral
Classe de palavras que indica quantidade, ordem numérica, multiplicação ou fração.
Verbo
Classe de palavras que representa ações, estados ou fenômenos da natureza.
Exemplos: correr (ação), estar (estado), chover (fenômeno da natureza).
Advérbio
Classe de palavras que modifica, ou que especifica o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de
outro advérbio.
Exemplo: As crianças chegaram cedo.
Preposição
Classe de palavras que liga termos dentro de uma oração, estabelecendo uma relação entre um
termo principal e um dependente.
Exemplo: Gosto de chocolate.
Conjunção
Classe de palavras que liga orações ou palavras dentro de uma mesma oração, expressando ideias
de adição, explicação, conclusão, comparação etc.
Exemplos: Acordei cedo, mas perdi o ônibus.
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Anexo ao IETAAM
Comprei bananas e laranjas.
Interjeição
Classe de palavras que exprime uma emoção, seja de espanto, surpresa, alegria, medo etc., vindo
acompanhada por ponto de exclamação (!).
Exemplos: Puxa! Caramba! Legal! Socorro!
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Anexo ao IETAAM
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
LÍNGUA ESTRANGEIRA (ESPANHOL)
CONJUNÇÕES
No Espanhol as conjunções também são invariáveis e ligam orações relacionando
palavras, equiparando, subordinando, coordenando, etc.
● Consecutivas: Así que, tanto que, tan que, de forma que, de modo que, por eso, así
pues, conque, por lo tanto, luego, pues, pues bien, por consiguiente.
● Causais: Porque, es que, que, como, pues, puesto que, ya que, dado que, en vista de
que, visto que, a fuerza de, a causa de, debido a, gracias a, por culpa de.
● Finais: A, para, que, a fin de que, de modo que, de manera que, con la intención de
que, porque, con tal de que.
● Temporais: cuando, hasta que, apenas, en cuanto, así que, no bien, cada vez que,
antes de que, siempre que, después de que, a medida que, en seguida que, según,
una vez que, conforme, antes que, en cuanto, mientras, mientras tanto, mientras que,
tan pronto como.
● Concessivas: Aunque, de manera que, a pesar de que, pese a que, aun cuando, si
bien, y eso que, por más que, por mucho que, incluso si.
● Condicionais: Si, a condición de que, con tal de que, con que, siempre, cuando, en
caso de que, salvo que, excepto que, a no ser que, a menos que, salvo si, excepto si.
● Lugar: a donde, donde.
● Comparativas: Como…si, igual…que, más…que, menos…que, tan…como,
tanto…como, tal…cual.
● Completivas: Que, si.
● Copulativas: Y/e, ni.
● Disjuntivas: O/u, bien, tal, ora…
● Distributivas: Ya…ya, ora…ora, bien…bien.
● Adversativas: Pero, mas, sino, más bien, aunque.
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Anexo ao IETAAM
ADVÉRBIOS
Eles são de um grau comparativo (estabelecendo relações de igualdade, inferioridade ou
superioridade), ou superlativo (neste caso, serão analíticos ou sintéticos).
● adverbios de afirmación: sí, claro, ciertamente, cierto, también, ya, exacto
● adverbios de cantidad: además, bastante, casi, más, menos, mucho, muy, poco,
tan, tanto
● adverbios de duda: acaso, quizá, probablemente, posiblemente
● adverbios de lugar: abajo, ahí, allí, aquí, alrededor, cerca, delante, detrás, lejos
● adverbios de modo: así, bien, despacio, deprisa, peor, mejor, fácilmente
● adverbios de negación: no, nunca, jamás, tampoco
● adverbios de orden: posteriormente, primeramente, sucesivamente
● adverbios de tiempo: ahora, anoche, antes, aún, ayer, después, temprano, mientras,
anteanoche, hoy, mañana
PALAVRAS HOMÔNIMAS
● el cólera (doença) / la cólera (raiva)
● el guarda (cobrador de ônibus) / la guarda (tutela)
● el policía (agente) / la policía (administração)
● el mañana (futuro) / la mañana (parte do dia)
● el/la periodista (jornalista)
● el/la turista (turista)
● el/la cantante (cantor/a)
● el/la atleta (atleta)
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Anexo ao IETAAM
ARTIGOS
Não pense como em português. Nós usamos o, a, os, as dentre outros. Em espanhol o
artigo masculino é el, e lo é um artigo neutro. Para o feminino: la.
● Definidos masculinos: el, los
● Definidos femininos: la, las
● Indefinidos masculinos: un, unos
● Indefinidos femininos: una, unas
SUBSTANTIVOS: eles também são masculinos e femininos
Os masculinos são terminados em “or“, geralmente. Fora as terminações em a para
os substantivos femininos, as terminações em esa, isa e ina também são femininas.
Claro, há sempre exceções e palavra as quais as regras não se aplicam.
Exemplos: Ator, actriz, imperador, imperatriz, hombre, mujer, caballo, yegua, duque,
duquesa, poeta, poetisa, rey, reina, niño, niña.
ADJETIVOS
O uso dos adjetivos no espanhol também é parecido com o uso no português. Há formas
semelhantes de se usar o masculino e feminino, singular ou plural. Eles também podem
vir antes ou depois do substantivo.
FALSOS COGNATOS
Falsos cognatos são palavras idênticas ao português, na fonética ou na grafia, mas que
têm significados bem diferentes. Um falso cognato pode mudar toda a ideia de um texto
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Anexo ao IETAAM
e conduzir o candidato ao erro. Portanto, fique atento: você só vai conseguir identificar
esse recurso com um bom conhecimento vocabular.
Conheça alguns falsos cognatos em espanhol e seu verdadeiro significado em português:
● Acordarse: Lembrar-se
● Almohada: Travesseiro
● Apellido: Sobrenome
● Borracha: Bêbada
● Brinco: Pulo
● Crianza: Criação
● Cubierto: Talher
● Dirección: Endereço
● Embarazada: Grávida
Esses são apenas alguns falsos cognatos que trouxemos como exemplo, mas há realmente
uma lista enorme de palavras que se parecem muito com o português mas que têm um
significado muito diferente.
Verbos ser, ter, estar e haver.
São verbos irregulares, comportam-se sendo verbos de ligação e são importantíssimos.
Alguns dos verbos mais importantes da língua espanhola
são ser (ser), estar (estar), haber (ter) e tener (ter). Observe que há diferentes maneiras
de dizer tu, nós e eles, com as formas singular e plural, masculina e feminina, formal e
informal. Note também que quando o sentido da sentença está claro, os pronomes (eu, tu
etc) podem ser omitidos.
Ser
O verbo “Ser” é um verbo de existência e de definição e como tal expressa as
característicasessenciais de uma pessoa ou coisa.
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Anexo ao IETAAM
Infinitivo Ser
Particípio Sido
Gerúndio Siendo
Pronome Sujeito Verbo Conjugado Português
Yo soy Eu sou
Tú / Vos eres / sos Tu és
Él / Ella / Usted es Ele / Ela / Você é
Nosotros(as) somos Nós somos
Vosotros(as) sois Vós sois
Ellos / Ellas / Ustedes son Eles / Elas / Vocês são
Usa-se o verbo “ser“:
Para identificar pessoas ou coisas:
● Ése es mi primo. (Esse é meu primo.)
● Ésa es la biblioteca. (Essa é a biblioteca.)
● ¿De dónde es usted? (De onde é o senhor?)
Para indicar a profissão, nacionalidade ou ideologia.
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Anexo ao IETAAM
● Soy cubana. (Sou cubana.)
● Soy profesora de español. (Sou professora de espanhol.)
● Yo soy inglesa. (Eu sou inglesa.)
● Somos españoles. (Somos espanhóis.)
Para indicar relacionamento ou parentesco.
● Ésa es mi madre. (Essa é minha mãe.)
● Es mi hermana. (Ela é minha irmã.)
Para expressar qualidade ou característica física:
● Soy linda. (Sou linda.)
● Soy simpática. (Sou simpática.)
● El dormitorio es azul. (O quarto é azul.)
Para indicar tempo, quantidade, hora ou preço:
● Son las tres de la tarde. Es lunes. (São três da tarde. É segunda-feira)
● Son dos kilos. Son 20 euros. (São dois quilos. São 20 euros.)
Estar
Infinitivo estar
Particípio estado
Gerúndio estando
Pronome Sujeito Verbo Conjugado Português
Yo estoy Eu estou
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Tú / Vos estás Tu estás
Él / Ella / Usted está Ele / Ela / Você está
Nosotros(as) estamos Nós estamos
Vosotros(as) estáis Vós estáis
Ellos / Ellas / Ustedes están Eles / Elas / Vocês estão
O verbo “estar” é um verbo que denota situação e estado, e, como tal, indica posição no
espaço e no tempo. Usa-se o verbo “estar” para:
Para indicar localização.
● Estoy en mi casa. (Estou em minha casa.)
● Estamos en España. (Estamos na Espanha.)
Para indicar estados físicos e de humor temporários.
● Estoy cansado. (Estou cansado.)
● Estás linda. (Estás linda.)
Para referir-se a situações temporárias.
● El carro está roto. (O carro está quebrado.)
Para indicar finalidade.
● Estoy aquí por el pastel. (Estou aqui pelo bolo.)
Para perguntar e responder preço:
● ¿A cuánto está la pera? Está a 1 euro. (Quando está a pera? Está a 1 euro.)
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Anexo ao IETAAM
Para indicar dia, mês, estação ou ano:
● Hoy estamos a 14 de septiembre. (Hoje estamos em 14 de setembro.)
● Estamos a viernes. (Estamos na sexta-feira.)
● Estamos en invierno. (Estamos no inverno.)
● Estamos en el año 2020. (Estamos no ano de 2020.)
Comparação entre “ser” e “estar”
Ser
É usado para falar das características ou qualidades permanentes de algo ou alguém.
● Exemplo: Soy responsable. (Sou responsável.)
É usado para indicar o lugar ou momento de um acontecimento.
● Exemplo: La fiesta es en mi casa. (A festa é na minha casa.)
Estar
É usado para falar das características ou qualidades temporárias de algo ou alguém.
● Exemplo: Estoy embarazada. (Estou grávida.)
Para indicar mudanças.
● Exemplo: Está muy tranquilo hoy. (Está muito tranquilo hoje.)
Para enfatizar o momento.
● Exemplo: Estás muy rara. (Estás muito estranha.)
Para indicar lugar ou posição de alguém ou algo.
● Exemplo: Mi escuela está en la próxima calle. (Minha escola fica na próxima rua.)
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Anexo ao IETAAM
Ser/Estar muda o sentido
O mesmo adjetivo utilizado com “ser” ou “estar” pode mudar de sentido.
Ser Estar
ser distraído (qualidade permanente). estar distraído (modo ocasional).
ser cojo (qualidade permanente). estar cojo (modo ocasional).
ser decidido (qualidade permanente). estar decidido (modo ocasional).
ser pobre (condição modesta). estar pobre (ficar momentaneamente sem dinheiro).
ser tranquilo (pessoa calma). estar tranquilo (estar momentaneamente calmo).
ser guapo (fisicamente bonito). estar guapo (aparência momentânea, estar bem vestido).
ser joven (de idade). estar joven (parecer jovem).
ser un loco (perder as faculdades mentais). estar loco (comportar-se de maneira louca).
ser nuevo (feito recentemente). estar nuevo (parecer como novo).
ser difícil (oposto de ser fácil). estar difícil (resultar complicado circunstancialmente).
Alguns adjetivos mudam totalmente seu significado, na medida que fosse utilizado com
“ser” ou “estar“.
Ser Estar
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Anexo ao IETAAM
ser listo (inteligente). estar listo (estar pronto).
ser católico (na religião). estar católico (com boa saúde).
ser malo (personalidade). estar malo (estar doente).
ser vivo (rápido de espírito). estar vivo (estar com vida).
ser rico (ter muito dinheiro). estar rico (alimento saboroso).
ser bueno (personalidade). estar bueno (de saúde, aparência, ou comida).
Haber
Infinitivo haber
Particípio habido
Gerúndio habiendo
Pronome Sujeito Verbo Conjugado Português
Yo he Eu hei
Tú / Vos has Tu hás
Él / Ella / Usted ha; hay Ele / Ela / Você há
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Anexo ao IETAAM
Nosotros(as) hemos Nós havemos/hemos
Vosotros(as) habéis Vós haveis/heis
Ellos / Ellas / Ustedes han Eles / Elas / Vocês hão
Vejo nos exemplos abaixo, como pode ser utilizado o verbo “haber“:
Hay + substantivos contáveis:
● Hay 5 vasos. (Há 5 copos.)
Hay + substantivos não contáveis:
● No hay mucha agua. (Não há muita água.)
Para indicar ou perguntar pela existência de algo ou alguém em um lugar determinado:
● ¿Hay un restaurante cerca? Sí, hay uno en la próxima cuadra. (Já um restaurante
perto daqui? Sim, tem um na próxima quadra.)
Para perguntar pela situação de algo ou alguém que não conhecemos.
● ¿Dónde hay una farmacia? (Onde tem uma farmácia?)
Tener
Infinitivo tener
Particípio tenido
Gerúndio teniendo
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Anexo ao IETAAM
Pronome Sujeito Verbo Conjugado Português
Yo tengo Eu tenho
Tú / Vos tienes / tenés Tu tens
Él / Ella / Usted tiene Ele / Ela / Você tem
Nosotros(as) tenemos Nós temos
Vosotros(as) tenéis Vós tendes
Ellos / Ellas / Ustedes tienen Eles / Elas / Vocês têm
Vejo nos exemplos abaixo, como pode ser utilizado o verbo “tener“:
Indicar posse:
● Tengo una casa y un carro. (Tenho uma casa e um carro.)
● Él tiene una reunión. (Ele tem uma reunião.)
Pedir algo a alguém:
● ¿Tienes una goma? (Você tem uma borracha?)
● ¿Tiene usted móvil? (O senhor tem um celular?)
Para falar de família:
● Tengo dos hermanos y tres primos. (Tenho dois irmãos e três primos.)
● ¿Cuántos hermanos tiene usted? (Quantos irmãos o senhor tem?)
Para falar da idade:
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Anexo ao IETAAM
● Tengo veinte años. (Tenho vinte anos.)
● ¿Cuántos años tienes? (Quantos anos você tem?)
Para descrever pessoas, coisas e lugares:
● Él tiene bigote. (Ele tem bigode)
● La casa tiene tres habitaciones. (A casa tem três quartos.)
● El restaurante tiene música. (O restaurante tem música.)
Para expressar alguns estados físicos e de humor temporário:
● Tengo hambre y sed. (Tenho fome e sede.)
● Tengo miedo. (Tenho medo.)
● Tengo calor. / Tengo gripe. (Estou com calor. / Estou gripado.)
Frases negativas
É fácil montar uma frase negativa em espanhol, bastapôr no antes do verbo: No somos
americanos (“Não somos americanos”).
● No soy español. (Eu) não sou espanhol.
● No tengo coche. Não tenho carro.
● No es vegetariano. (Ele) não é vegetariano.
● No tenemos niños. (Nós) não temos filhos.
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Anexo ao IETAAM
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
LITERATURA
TROVADORISMO
Para começarmos a estudar Literatura Brasileira nós precisamos, inicialmente,
compreender o início da Literatura Portuguesa. As primeiras manifestações literárias em
língua portuguesa ocorreram na Idade Média, quando Portugal ainda estava em processo
de formação. Esse período é conhecido como Trovadorismo. Portanto, o Trovadorismo
é o primeiro período da história da Literatura Portuguesa e é o primeiro que nós iremos
estudar.
Marco Inicial
O Trovadorismo surgiu na Idade Média, no século XII e o seu marco inicial foi a "Cantiga
da Ribeirinha" (ou "Cantiga da Garvaia"), escrita em 1189 por Paio Soares de Taveirós.
Por que "trovadores"?
Como a maior parte do povo não sabia ler nem escrever, o gênero que mais se destacou
no período do Trovadorismo foi a poesia, que era cantada (daí vem o nome “cantigas”),
acompanhadas de música e de dança. Os trovadores compunham e cantavam essas
cantigas, que eram escritas e reunidas em livros chamados cancioneiros.
Classificação das Cantigas
http://4.bp.blogspot.com/-uNn4bXjVozI/UxHpRCl_shI/AAAAAAAAEt8/PNXCWUtIZIE/s1600/download.jpg
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Anexo ao IETAAM
As cantigas podiam ser Líricas (de Amor ou de Amigo) ou Satíricas (de Escárnio ou de
Maldizer).
Cantiga de Amigo (Poesia Lírica): ambiente rural, linguagem simples e forte
musicalidade (exemplo: paralelismo – repetição de palavras ou frases). Eu-lírico
feminino, que vive se lamentado porque o namorado foi para a guerra. Amor natural e
espontâneo. Observação: nesse contexto, "amigo" tem o mesmo sentido de "namorado".
Cantiga de Amor (Poesia Lírica): linguagem mais rebuscada, ambientação aristocrática
das cortes. Eu-lírico masculino, que vive se declarando para uma mulher idealizada,
inatingível e distante (amor cortês: convencionalismo amoroso). Seu amor nunca é
correspondido e o homem sempre é inferior à mulher, como um vassalo (servo feudal)
em relação ao seu suserano (senhor feudal).
Cantiga de Maldizer (Poesia Satírica): Crítica direta, linguagem agressiva e zombaria.
Às vezes apareciam até palavrões. Eram cantigas usadas para falar mal das pessoas de
modo explícito.
Cantiga de Escárnio (Poesia Satírica): Crítica indireta, linguagem sutil (jogo de
palavras), ironia e duplo sentido. O nome da pessoa que era zombada não era revelado.
Além das cantigas (poesia), havia outros tipos de textos:
Novelas de Cavalaria (Prosa): adaptações das canções de gesta (poemas que narravam
aventuras heróicas). Aventuras fantásticas de cavaleiros lendários e destemidos. Detalhes
da vida e dos costumes da sociedade da época.
Teatro: Mistérios (episódios bíblicos), milagres (episódios da vida dos santos),
moralidades (didático-moralista, com personagens abstratos ou defeitos morais).
Características do Trovadorismo
Como você já sabe, o Trovadorismo surgiu na Idade Média e ele se desenvolveu em meio
ao domínio da Igreja Católica, da visão teocêntrica do mundo (Deus no centro de tudo) e
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Anexo ao IETAAM
do moralismo religioso. Além disso, outro aspecto do período é a questão do feudalismo
e das relações de vassalagem, que nas cantigas ficou conhecida como vassalagem
amorosa (nas cantigas, o homem se coloca como o vassalo ou servo da mulher amada).
"Cantiga da Ribeirinha", texto considerado o marco inicial do Trovadorismo.
Logicamente, na Idade Média a língua portuguesa era bem diferente de como ela é hoje.
HUMANISMO
O que é?
Você viu que o Trovadorismo foi o período de produção literária da Idade Média marcado
pelas cantigas, que eram cantadas (acompanhadas de músicas).
Depois de um tempo, as cantigas deixaram de existir e foram substituídas por poesias
mais elaboradas, que deixaram de ser cantadas e passaram a ser escritas. Essas poesias se
restringiam aos palácios e às pessoas mais nobres e cultas. Por isso, esse tipo de poesia
era chamado de poesia palaciana. Ou seja: no Trovadorismo, as poesias eram cantadas
(cantigas) pelos trovadores. No Humanismo, a poesia deixou de ser acompanhada de
música e ficou mais elaborada e mais culta (poesia palaciana).
Período de Transição
O Humanismo também é o período da história da Literatura Portuguesa situado entre a
Idade Média e a Idade Moderna (Renascimento). O que vemos aqui é um momento onde
o ser humano procura se valorizar mais, ou seja: o Teocentrismo (Deus no centro de
tudo) e o domínio da Igreja Católica são substituídos pelo Antropocentrismo (o homem
no centro de tudo). É uma época de grandes avanços científicos (destaque para Galileu,
que provou a teoria heliocêntrica, dizendo que o sol é o centro do sistema planetário) e,
assim, o homem passa a ser mais racional (Racionalismo).
Tipos de textos escritos no Humanismo:
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-trovadorismo-literatura.html
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Poesia Palaciana (Poesia Lírica): como nós já vimos, é uma poesia mais elaborada do
que as cantigas do Trovadorismo. É caracterizada por: redondilhas (maior e menor),
ambiguidades, aliterações, assonâncias, figuras de linguagem. A visão da mulher continua
sendo idealizada, porém existe mais sensualidade e intimidade. Os sentimentos do eu-
lírico são mais aprofundados.
Crônicas de Fernão Lopes (Prosa): Crônicas que relatavam os acontecimentos
históricos de Portugal. Fernão Lopes soube conciliar os fatos históricos às técnicas de
narração com qualidade literária. Suas principais obras foram: "Crônica d’El-Rei D.
Pedro", "Crônica d’El-Rei D. Fernando" e "Crônica d’El-Rei D. João I".
Gil Vicente (teatro): início do teatro leigo (desvinculado do teatro cristão). Teatro
rústico e primitivo, que critica o homem e os seus costumes com o propósito de reformá-
los (teatro moralizante e reformador). Destaques: Auto da Barca do Inferno, Auto da
Lusitânia, Farsa de Inês Pereira. Veja o resumo e a análise do Auto da Barca do Inferno.
Esclarecendo: os autos são peças teatrais que abordam principalmente a temática
religiosa. Já as farsas são peças de caráter cômico. São mais curtas e são baseadas no
cotidiano. Portanto, de modo geral, podemos destacar esses três aspectos no
Humanismo: Gil Vicente (teatro moralizante que critica a sociedade), Poesia
Palaciana (mais sensual e elaborada do que as cantigas do Trovadorismo) e Fernão
Lopes (crônicas históricas com qualidade literária).
CLASSICISMO
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O Trovadorismo foi o período literário da Idade Média e o Classicismo foi o período
literário da época do Renascimento (Idade Moderna). Entre esses dois períodos há um
momento de transição chamado de Humanismo.
O que você precisa saber sobre o Renascimento
A doutrina da Igreja Católica dominou a vida do povo durante a Idade Média. Agora, na
Idade Moderna, a Igreja vive a crise da Reforma Protestante e entra em choque com a
evolução científica, que passa a considerar o homem como o centro do universo
(antropocentrismo) ao invés de Deus (teocentrismo), além de exaltar o pensamento
baseado na razão (racionalismo). Portanto, o homem passa a ser valorizado e, além disso,
há uma volta à antiga culturaclássica da Grécia e da Roma antiga (daí vem o nome
"Renascimento"), trazendo a mitologia e seus deuses de volta (paganismo). É por isso que
nas pinturas renascentistas é bem comum vermos as pessoas sem roupa (valorização do
corpo humano), além das figuras mitológicas (como a deusa Vênus).
O período literário dessa época é chamado de "Classicismo" justamente por todas essas
características do Renascimento: antropocentrismo (o homem no centro de
tudo), racionalismo (valorização da razão) e paganismo (mitologia grega e
romana). Era a época também das Grandes Navegações (universalismo: o homem rompe
fronteiras e conquista o resto do mundo) e o grande destaque literário do período foi Luís
de Camões, que escreveu Os Lusíadas, um poema épico que gira em torno da expansão
de Portugal nas Grandes Navegações.
Os Lusíadas
"Os Lusíadas" era a obra que representava o Renascimento, pois falava a respeito do povo
heroico português que foi desbravar o mar, que descobriu o novo continente
(antropocentrismo e universalismo). O herói é o povo português (e não apenas os
marinheiros que desbravaram o mar). Os portugueses avançaram contra os mares
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-trovadorismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-humanismo-literatura.html
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desconhecidos, esmagaram as superstições dos monstros invisíveis que habitavam as
águas e redesenharam os mapas do mundo.
A obra é uma "epopeia", ou seja, um poema épico de grandes proporções que narra o
heroísmo e a bravura dos marinheiros portugueses que foram conquistar o mundo.
A característica da mitologia grega também aparece na obra de Camões. Vários deuses
aparecem em "Os Lusíadas": Apolo, Baco, Neptuno, Júpiter, Vênus, entre outros. Há uma
parte do poema onde Camões pede inspiração às "ninfas do rio Tejo" para poder escrever,
o que não deixa de ser uma característica mitológica.
Estrutura
De modo geral, o poema é dividido em cinco partes:
1) Proposição: Camões mostra o assunto de seu poema, dizendo que vai escrever sobre
uma viagem de Vasco da Gama às Índias, além de exaltar a glória do povo português em
sua expansão pelo mundo, espalhando a fé cristã (a obra mistura mitologia com
cristianismo).
2) Invocação: Camões pede às Tágides (musas mitológicas que ficam no rio Tejo)
inspiração para escrever.
3) Dedicatória: Camões dedica o livro ao rei de Portugal, dedicando as linhas do canto 6
ao 17 só pra isso. Camões diz ao rei (dom Sebastião) que confia a continuação das
glórias e das conquistas do povo que estão sendo narradas no livro.
4) Narração: é o enredo em si.
5) Epílogo: Finalmente, Camões termina a sua obra com o epílogo. Nessa parte, o poeta
fica triste ao observar a realidade, não vendo mais as glórias e as conquistas no futuro de
seu povo.
Poesia Lírica
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Além do poema épico (Os Lusíadas), Camões também escrevia poesias líricas (que é a
poesia "normal" como a gente conhece: poesia com sentimento, onde o autor dá voz a um
Eu-Lírico). As poesias líricas de Camões eram escritas na medida velha (redondilhas) e
seus versos eram decassílabos. O grande destaque de suas poesias líricas eram os seus
sonetos (uma modalidade específica de poesia formada por quatro estrofes: duas de quatro
versos e duas de três versos).
QUINHENTSMO
Até agora, vimos os períodos literários da história da Literatura
Portuguesa: Trovadorismo (Idade Média), Humanismo (transição da Idade Média para
Renascimento) e Classicismo (Renascimento). E então, ocorreram as Grandes
Navegações e o Brasil foi descoberto em 1500. Portanto, o estudo da Literatura Brasileira
começa com a descoberta do Brasil em 1500.
O que é?
O Quinhentismo foi o período das manifestações literárias do século XVI (ou seja, a
partir de 1500). O Brasil era recém descoberto e tudo o que tínhamos eram textos sobre o
Brasil no ponto de vista dos europeus.
Portanto, nessa época, tudo o que tínhamos em termos de produção literária se resumia a
dois tipos de escrita:
Literatura de Informação: narram e descrevem as viagens e os primeiros contatos com
a terra brasileira. A linguagem era simples e cheia de descrições e de informações a
respeito das viagens e das terras descobertas. Grande destaque: A Carta de Caminha,
escrita por Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal (D. Manoel), documento
considerado o marco inicial da Literatura Brasileira (afinal, foi o primeiro texto escrito
sobre o Brasil).
Literatura de Catequese: Jesuítas foram enviados para catequizarem os índios no Brasil
e o grande destaque desse período foi o padre José de Anchieta. Seus textos eram escritos
para serem representados (teatro e encenações) já que o público era muito diversificado
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-trovadorismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-humanismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/03/resumo-de-classicismo-literatura.html
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(índios, marujos, colonos, comerciantes, soldados...). Porém, seu alvo maior era o índio.
Para isso, o padre Anchieta escreveu em mais de uma língua (ele inclusive aprendeu Tupi
e escreveu uma gramática sobre a língua dos índios).
Enquanto que no Brasil (Literatura Brasileira) ocorria o Quinhentismo com a produção
da Literatura de Informação e de Catequese, em Portugal (Literatura Portuguesa)
continuava ocorrendo o Classicismo.
BARROCO
O Barroco foi o período da Literatura Brasileira que se iniciou nos anos 1600, vindo
depois do Quinhentismo (por isso pode ser chamado também de Seiscentismo).
Características:
Dualidades\Antíteses
Conflito entre o corpo e a alma, a vida terrena e a vida eterna, a vida virtuosa e a vida
do pecado, a vida e a morte, a razão e a fé. É o conflito entre os princípios cristãos da
Igreja Católica e os princípios do Renascimento e do Classicismo (paganismo,
racionalismo, antropocentrismo). O Barroco é uma época de conflitos de princípios
opostos, é a época das antíteses, é a época em que se tenta conciliar o inconciliável. A
Igreja Católica reage à Reforma Protestante com a Contrarreforma e com a Inquisição,
procurando reprimir as manifestações culturais que vão contra as suas doutrinas. Portanto,
esse é um período de contradições e de dualidades, onde o homem se vê perdido entre a
doutrina cristã e as ideias do Renascimento (Classicismo).
Cultismo\Conceptismo
O homem barroco valoriza o cultismo, ou seja: a linguagem difícil e rebuscada, cheia
de inversões e de jogo de palavras, empregando demais as figuras de linguagem. Ele
também valoriza o conceptismo, que está associado ao pensamento complexo, ao
raciocínio lógico, ao jogo de ideias. Ou seja: as palavras são rebuscadas e difíceis
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(cultismo) e as ideias e o raciocínio são complexos (conceptismo).
O tempo (Carpe Diem)
O tempo passa rápido, a vida é efêmera (é rápida), o tempo é veloz e destrói tudo. Tudo
é instável e passageiro. O homem barroco vive esse conflito de modo angustiado.
Barroco em Portugal: Padre Antônio Vieira.
No Barroco Português, quem se destaca é o padre Antônio Vieira. Seus sermões estavam
a serviço das causas políticas que abraçava e defendia. Defendia os índios contra a
escravidão (mas não tinha a mesma postura com a escravização dos negros, limitando a
apontar-lhes uma perspectiva de vida apósa morte que compensasse os sofrimentos da
vida). Seus sermões eram dotados de raciocínios complexos e lógicos, com metáforas,
comparações e alegorias (um discurso que faz entender outro; exemplo: "semeadura" ou
"semente do trigo" são alegorias que representam uma coisa só: a disseminação da
doutrina cristã).
Barroco no Brasil: Gregório de Matos
No Barroco brasileiro, o grande destaque foi Gregório de Matos. Por ser irreverente e
satírico ele recebeu o apelido de "Boca do Inferno". Sua poesia pode ser classificada
como lírica, religiosa, filosófica ou satírica.
Poesia Lírica: dualismo amoroso (carne X espírito), que leva a um sentimento de culpa
cristão. A mulher é a personificação do pecado e da perdição espiritual (morte). O apelo
sensorial do corpo se contrapõe ao ideal religioso. O poeta fica dividido entre o pecado
(representado na mulher) e o espírito (cristianismo).
Poesia Religiosa: obedece aos fundamentos do Barroco europeu. Temas: amor a Deus,
culpa, arrependimento, pecado, perdão. Linguagem culta, com inversões e muitas figuras
de linguagem.
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Poesia Filosófica: desconcerto do mundo, consciência da transitoriedade da vida e do
tempo (carpe diem).
Poesia Satírica: Criticou todas as classes da sociedade baiana de seu tempo. Linguagem
diversificada, com termos indígenas, africanos, palavrões, gírias e expressões locais.
ARCADISMO
O Arcadismo é o período que vem depois do Barroco, podendo ser chamado também de
"Setecentismo", já que ele ocorreu nos anos 1700 (século XVIII).
Entenda o contexto
Era a época do Iluminismo na Europa, da Revolução Francesa, da Independência das
Treze Colônias na América do Norte e essas ideias de "liberdade", "igualdade" e
"fraternidade" que nasceram na Filosofia Francesa chegaram ao Brasil, inspirando a
Inconfidência Mineira. O Brasil era colônia de Portugal e o desejo de liberdade e de
independência ficava cada vez mais intenso por aqui. Porém, escrever sobre isso era
perigoso e, por conta disso, os escritores do período costumavam usar pseudônimos.
É importante observar que o Arcadismo brasileiro passa a ter características mais
próprias, diferenciando-se da Literatura europeia. Sendo assim, a Literatura Brasileira
passa a ter mais identidade, passa a "andar mais com as próprias pernas", a ter mais
autonomia.
Características que você precisa saber:
Crítica da vida nas cidades ("fugere urbem" ou "fuga da cidade"), valorização da vida no
campo (vida bucólica), vida mais simples e natural, uso de apelidos, linguagem mais
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simples, pastoralismo (vida pastoril no campo), sentimentos mais espontâneos, pureza
dos nativos (mito do "bom selvagem", de Rousseau).
Autores do período:
Cláudio Manuel da Costa (apelido: Glauceste Satúrnio)
Poesia Lírica: “Obras Poéticas”, a obra que marcou o início do Arcadismo no Brasil. O
autor se declara para sua musa (Nise), mas vive se lamentando por não ser correspondido
por ela. Nise é uma figura distante, não se manifesta e nem é descrita com detalhes. A
lírica se limita a lamentação do autor em não ser correspondido. Possui traços do barroco
(como inversões) apesar de ser árcade e tem afinidade com a tradição clássica (à lírica de
Camões).
Poesia Épica: “Vila Rica”. Diz a respeito à descoberta das minas, fundação de Vila Rica,
entradas e bandeiras, revoltas locais, etc... Destaca-se a descrição da paisagem local. Tem
afinidade às tradições clássicas.
Tomás Antônio Gonzaga (apelido: Dirceu)
Poesia Lírica: “Marília de Dirceu”. Poesia de transição entre o Arcadismo e o
Romantismo. A mulher (Marília) é descrita de uma forma mais emotiva, espontânea,
humana e real, comparando com Nise, de Cláudio Manuel. O tema do distanciamento da
mulher amada e do sofrimento em virtude disso é encarado de uma forma mais real.
Poesia Satírica: “Cartas Chilenas”. Foi um meio que Gonzaga usou para criticar o
governador da capitania de Minas Gerais (Luís da Cunha Meneses) e seus assessores.
Essas cartas circulavam pela cidade e não se sabia a autoria, pois essas cartas eram escritas
baseadas em pseudônimos (Luís da Cunha Meneses X Fanfarrão Minésio, mineiras X
chilenas, Vila Rica X Santiago, Doroteu – destinatário – e Critilo – quem assinava).
Basílio da Gama (apelido: Termindo Sipílio)
Poesia Épica: Uraguai
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Estrutura: não copia o modelo clássico de Camões (sem estrofação, versos brancos, início
do poema com a ação em pleno desenvolvimento). A história trata da guerra entre jesuítas
e índios contra os portugueses e espanhóis com a aprovação do Tratado de Madri, que
trocava a posse da Colônia do Sacramento pelos Sete Povos das Missões.
Características temáticas: O índio é visto como um herói moral, pois ele é manipulado
pelo jesuíta (anti-jesuitismo). Crítica à guerra (a necessidade da guerra é questionada). A
história não é mudada (os portugueses e os espanhóis vencem). A descrição é fiel à
paisagem (natureza bruta, figura do índio – nativismo).
Frei José de Santa Rita Durão
Poesia Épica: Caramuru
Estrutura: copia o modelo clássico camoniano
História: narra a história de um náufrago português, Diogo, que vai acabar parando numa
tribo indígena.
Características temáticas: vai escrever o poema épico baseado no que ele ouviu ou leu.
Ele teve pouca vivência no Brasil, por isso é inferior ao Uraguai, que traz uma maior
riqueza da descrição brasileira.
ROMANTISMO
Romantismo (século XIX) é o período literário que veio depois do Arcadismo (século
XVIII) e é dividido em três fases: Primeira Geração (Indianismo), Segunda Geração
(Ultrarromantismo) e Terceira Geração (Condoreirismo). De modo geral, o
Romantismo é caracterizado pela subjetividade, pela emoção, pelo sentimentalismo e
pelo lirismo (à grosso modo, tudo isso é a mesma coisa). Ou seja: os escritores românticos
escreviam de modo mais emotivo e sentimental, explorando as emoções e o
dramahumano.
A primeira fase dá destaque ao nacionalismo e ao índio (símbolo brasileiro), a segunda
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fase explora o drama humano, investigando o próprio "eu" (é uma fase mais dramática e
depressiva) e a terceira fase explora a temática social.
1ª Geração (Indianismo): No século XIX, o Brasil finalmente deixou de ser colônia de
Portugal e conquistou a sua independência. Sendo assim, surgiu o desejo de fazer com
que a nossa produção literária ficasse, de fato, mais "brasileira", afastando-se da literatura
europeia e ganhando características mais próprias, ou seja: ficando mais nacional. Afinal,
o Brasil agora é independente e precisa de uma literatura própria, precisa construir a sua
cultura. Surgiu, então, a primeira fase do Romantismo, que era o Indianismo (Primeira
Geração), que tinha como característica valorizar e exaltar tudo o que o Brasil tinha de
bom: exaltação do índio (daí vem o nome "indianismo"), da natureza, da liberdade,
além da presença do forte espírito patriótico (nacionalismo ufanista). Destacam-se nesse
período: Gonçalves Dias (que escreveu Canção do Exílio, I-Juca-Pirama e OsTimbiras)
e Gonçalves de Magalhães (que escreveu Suspiros Poéticos e Saudades, obra que iniciou
o Romantismo no Brasil).
Exemplo de texto Indianista (Gonçalves Dias):
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossosbosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Esse poema foi escrito quando o poeta estava em Portugal. Portanto, o poema retrata a
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saudade do Brasil, exaltando suas características (palmeiras, sabiá, várzeas, flores,
bosques, etc...).
Na prosa, quem se destacou foi José de Alencar, que era um romancista "completo":
escreveu romances históricos, indianistas, urbanos e regionalistas. É o autor de Iracema,
grande obra do período. Também podemos destacar Joaquim Manoel de Macedo (autor
de "A Moreninha") e Manuel Antônio de Almeida (autor de "Memórias de um Sargento
de Milícias").
Segunda Geração (Ultrarromantismo)
O Ultrarromantismo é a segunda fase do Romantismo e é caracterizado pela influência
do poeta britânico George Byron, que aborda temas depressivos e pessimistas, como a
morte, a dor, o amor não correspondido, o tédio, a tristeza profunda, o individualismo, o
saudosismo, o excesso de sentimentalismo, entre outros. Por isso, essa geração de poetas
é conhecida como "Mal do Século". No Brasil, os principais autores foram: Álvares de
Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varella.
Os poetas eram ultrarromânticos, ou seja: eles eram "ultrasentimentais", "ultraemotivos",
"ultrasubjetivos". Isso significa que eles eram bem emotivos e sentimentais.
Terceira Geração (Condoreirismo)
O Condoreirismo foi a terceira fase do Romantismo e tinha como característica a
questão social: abolicionismo da escravidão, liberdade, republicanismo. O abolicionismo
foi um tema de destaque nesse período, sendo bem explorado por Castro
Alves (conhecido como o "poeta dos escravos"), que escreveu Navio Negreiro e Espumas
Flutuantes. "Condoreirismo" vem de "condor", uma ave que tem uma visão ampla.
Portanto, os escritores do período também agiam como condores, pois tinham uma visão
ampla e conseguiam enxergar a realidade social e seus problemas.
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Outra característica é que o amor é realizado: o homem não fica mais idealizando sua
musa inatingível (como ocorria antes), não ocorre mais o "amor platônico". Dessa vez, a
mulher é algo muito mais real e a poesia é muito mais erótica.
Essa fase já começa a apresentar alguns elementos de transição para os próximos períodos
da Literatura Brasileira: o Realismo e o Naturalismo.
REALISMO
Vimos que o Romantismo foi um período da história da Literatura Brasileira
caracterizado pela emoção e pelo sentimentalismo. Depois do Romantismo vieram dois
movimentos: o Realismo e o Naturalismo.
O Realismo e o Naturalismo foram dois movimentos literários que ocorreram ao mesmo
tempo, aparecendo depois do Romantismo. Neste artigo, nós vamos falar a respeito do
Realismo.
Contexto Histórico
Para entendermos o Realismo, nós precisamos entender o que estava acontecendo no
Brasil naquela época. De modo geral, o nosso país estava sendo "sacudido" por uma
série de mudanças sociais, econômicas e políticas. Afinal, nesse período, ocorreu a
Abolição da Escravatura (1888),a decadência da economia açucareira, o crescimento da
cafeicultura, a influência do pensamento positivista (vindo da França) e a Proclamação
da República (1889). Ou seja: era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Surgiu, então, o Realismo, uma tendência literária que era oposta ao Romantismo. Ao
invés de os escritores se afundarem nos sentimentos e nas emoções interiores (como os
românticos faziam), os escritores realistas, influenciados pela filosofia positivista,
ficaram mais interessados em observar o mundo de um modo mais real e coerente (daí
vem o nome "Realismo").
Características
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Os escritores realistas, ao contrário dos românticos, não se envolviam
emocionalmente. Ou seja: não existia mais aquele sentimentalismo do Romantismo.
No Realismo, os escritores estavam mais preocupados em representar a realidade da
forma mais concreta e fiel possível. Por isso, suas narrativas eram bem detalhadas e
seus personagens eram trabalhados psicologicamente (análise psicológica).
Portanto, o objetivo do Realismo era observar a sociedade do modo mais real,
concreto e objetivo possível (sem a interferência das emoções), analisando os valores
da sociedade e criticando suas instituições e os comportamentos da época. O casamento,
por exemplo, era visto como uma instituição decadente por causa do adultério. A
burguesia (classe social dos comerciantes urbanos) também era criticada.
Machado de Assis
O grande destaque do período foi Machado de Assis, um dos maiores escritores de toda
a história da Literatura Brasileira. Sua escrita era caracterizada pela intertextualidade,
pela metalinguagem pela análise realista do espírito humano e de seus valores. Algumas
de suas obras mais famosas foram: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas
Borba e Dom Casmurro, além dos contos O Espelho, A Cartomante, Sereníssima
República, dentre outros.
Outros autores de destaque do Realismo foram: Raul Pompeia (autor de "O Ateneu") e
Aluísio de Azevedo (autor de "O Cortiço"), além de Inglês de Souza, Domingos
Olímpio e Adolfo Caminha.
NATURALISMO
Falamos a respeito do Realismo, período literário onde se buscava escrever a respeito da
realidade brasileira, criticando-se a sociedade e o comportamento das pessoas de modo
fiel à realidade (sem emotividade ou sentimentalismo, coisa que acontecia lá
no Romantismo).
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-realismo-literatura-brasileira.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-romantismo-literatura.html
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O Naturalismo é uma ramificação do Realismo e ambos os movimentos se manifestaram
na mesma época. Os naturalistas também faziam o que os realistas faziam (retratar a
realidade humana), porém eles eram um pouco mais radicais, já que eles tratavam a
realidade de um modo mais científico, ou seja: tratavam o ser humano como um objeto
de estudo que deveria ser estudado por meio da observação fiel da realidade e também
da experiência.
Portanto, a característica principal do Naturalismo é o excesso da linguagem
científica (cientificismo exagerado), que tratava o homem como um objeto de estudo
científico. Por isso, a escrita naturalista é simples e objetiva, porém repleta
de descrições e de detalhes. Os naturalistas observavam os problemas sociais e lidavam
com temas polêmicos da época (crimes, adultério, sexo, homossexualidade, violência,
agressividade, etc...). Eles escreviam a respeito dos instintos e da personalidade humana.
PARNASIANISMO
O Parnasianismo nada mais é do que o Realismo/Naturalismo na poesia. De modo geral,
o Naturalismo e o Parnasianismo fazem parte do Realismo, sendo que o Naturalismo é
um Realismo mais científico e o Parnasianismo é o Realismo na poesia. Os três
movimentos aconteceram na mesma época.
Ao contrário dos românticos do Romantismo (que eram movidos pelo excesso de
sentimentos e de emoções), os poetas do Parnasianismo gostavam da linguagem
rebuscada e racionalista, ou seja: eles gostavam da poesia mais elaborada.
São características da poesia parnasiana: preocupação com a forma, vocabulário culto
e formal, objetivismo, apego à poesia clássica (com referências à mitologia grega e
romana), a "arte pela arte" (compara a poesia como escultura, pintura ou qualquer outra
arte), o gosto pela descrição (poesias que descrevem os fatos, as cenas, os objetos).
Exemplo de poesia parnasiana:
VasoGrego (Alberto de Oliveira)
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-naturalismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-realismo-literatura-brasileira.html
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Esta de áureos relevos, trabalhada,
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.
Depois... Mas, o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,
Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.
Observe que: o vocabulário é bem rebuscado e formal (busca pela perfeição estética),
não existe o sentimentalismo dos românticos (a poesia é descritiva, objetiva e racional),
há diversas referências à cultura e à mitologia clássica ("aos deuses servir", "vinda do
Olimpo", "Teos", "Anacreonte"), "arte pela arte" (a poesia é tratada como o vaso; o vaso
representa a poesia).
Principais Poetas do Parnasianismo: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo
Correia.
Outras informações: a poesia parnasianista foi o principal tipo de poesia do século XIX.
Isso significa que a poesia só era considerada poesia de verdade se ela tivesse as
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características parnasianas (busca pela perfeição estética, formalidade, vocabulário culto,
etc).
SIMBOLISMO
Já vimos que o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo foram movimentos
literários que ocorreram na mesma época, que eles reagiam contra o sentimentalismo do
Romantismo e que retratavam o mundo de modo real, observando-o e o descrevendo
exatamente como ele é, sem emoção e sem sentimento.
O Simbolismo foi um movimento literário que reagiu contra essa forma científica de ver
o mundo, resgatando um pouco a segunda fase do Romantismo (o Ultrarromantismo, o
"mal do século"). Porém, os simbolistas foram mais profundos no aspecto metafísico: eles
eram muito mais filosóficos.
Características do Simbolismo: mergulho no "eu" (introspecção), emoção, universo
metafísico e filosófico, misticismo, desejo de transcender o mundo e alcançar o "cosmos",
pessimismo (interesse pela morte, pelo oculto, pelo mistério e pela noite), subjetivismo e
decadência humana (retoma as características do Ultrarromantismo). Desse modo, eles
viam a realidade do mundo de uma maneira mais metafísica, usando uma linguagem cheia
de metáforas, de imagens, de símbolos (daí vem o nome "Simbolismo"), de elementos
sinestésicos (mistura de sensações; exemplo: visão com olfato).
Principais Autores: Cruz e Souza e Eugênio de Castro.
Exemplo de texto simbolista:
Cavador do Infinito (Cruz e Souza)
Com a lâmpada do Sonho desce aflita
E sobe aos mundos mais imponderáveis,
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-realismo-literatura-brasileira.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-naturalismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/11/resumo-de-parnasianismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-romantismo-literatura.html
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Vai abafando as queixas implacáveis,
Da alma o profundo e soluçado grito.
Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito
Sente, em redor, nos astros inefáveis.
Cava nas fundas eras insondáveis
O cavador do trágico Infinito.
E quanto mais pelo Infinito cava
mais o Infinito se transforma em lava
E o cavador se perde nas distâncias...
Alto levanta a lâmpada do Sonho.
E com o seu vulto pálido e tristonho
Cava os abismos das eternas ânsias!
Observe as metáforas ("lâmpada do Sonho", "cavador do trágico Infinito"), o "mergulho
no Eu" (o poeta "mergulha em si mesmo", ou seja: ele mergulha no Infinito),
o misticismo e o desejo de transcender a matéria ("e sobe aos mundos mais
imponderáveis", "nos astros inefáveis") e o pessimismo ("e com o seu vulto pálido e
tristinho", "cava os abismos das eternas ânsias"). O poeta se afunda em si próprio ("cava
o Infinito") em busca do fundamento da existência humana (metafísica, filosofia) e se
perde ("e o cavador se perde nas distâncias").
PRÉ-MODERNISMO
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Ao longo do século XIX a Literatura Brasileira foi caracterizada pelo Realismo,
pelo Naturalismo, pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo. Depois de todos esses
movimentos literários veio o Pré-Modernismo, um momento de transição para o
Modernismo.
O Pré-Modernismo não é considerado uma escola literária (ou seja: um período literário
com características próprias), mas sim uma fase de transição entre os movimentos
literários do século XIX e XX, já que ele mistura, de modo diversificado, as características
do Modernismo, do Parnasianismo, do Simbolismo e do Realismo.
De modo geral, são características do Pré-Modernismo: transição entre os
movimentos literários conservadores do século XIX (Realismo, Naturalismo e
Parnasianismo) e moderno do século XX (Modernismo), oscilação entre a linguagem
culta e coloquial, exposição da realidade social brasileira, regionalismo, nacionalismo,
temáticas históricas, econômicas, políticas e sociais.
Autores importantes:
Euclides da Cunha: escreveu Os Sertões.
Lima Barreto: escreveu Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Monteiro Lobato: autor do Sítio do Pica Pau Amarelo e do personagem Jeca Tatu.
MODERNISMO
Já estudamos que a Literatura Brasileira do século XIX foi caracterizada pelo Realismo,
pelo Naturalismo, pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo.
No século XX, surgiu um movimento que queria renovar o estilo da Literatura, rompendo
com a Literatura tradicional do século XIX (Realismo, Naturalismo, Parnasianismo,
Simbolismo), buscando, assim, inovações modernas para o novo século: é
o Modernismo (antes houve um momento de transição chamado de Pré-
Modernismo). Os modernistas queriam uma Literatura livre, sem "fórmulas" e sem
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-realismo-literatura-brasileira.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/10/resumo-de-naturalismo-literatura.html
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regras, sem palavras cultas e formais demais, sem o rebuscamento do vocabulário, sem a
cultura tradicional e acadêmica.
O Modernismo no Brasil começou com a Semana de Arte Moderna de 1922, que foi a
reunião de vários artistas (pintura, literatura, música, arquitetura, escultura, etc) de várias
tendências artísticas que buscavam renovar as artes, difundindo suas ideias e rompendo,
assim, com a cultura tradicional e conservadora do século XIX.
O Modernismo teve três fases (gerações):
1ª Geração Modernista (1922 -1930)
Os principais nomes dessa geração foram: Manuel Bandeira, Oswald de
Andrade e Mário de Andrade,
As principais características dessa geração foram: linguagem livre (poesia sem regras de
rima e de métrica), linguagem coloquial (livre de formalismos e de palavras
cultas), gírias e até erros gramaticais (porque os erros de gramática e a linguagem
coloquial é a linguagem usada pelos brasileiros). Temas tratados com irreverência e
ironia (bom-humor, piada, paródia), temas inspirados no cotidiano das pessoas e poemas
"relâmpagos" (curtíssimos e breves).
Claro que tudo isso irritava os mais conservadores e tradicionais.
Exemplo de texto modernista da primeira geração:
Pronominais (Oswald de Andrade)
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
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Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Observe que: não existe rima, nem métrica, nem formalismos. A linguagem é coloquial
e também é impregnada de irreverência e ironia. Não há preocupação com erros de
português. Enquanto que a gramática diz que o correto é "dê-me", o poeta zomba da
gramática e escreve "me dá". Ele está mais interessado na gramática coloquial que é usada
no cotidiano das pessoas, ou seja: o poeta prefere a modalidade linguística mais adequada
à realidade brasileira. Em outras palavras: "que se dane a gramática e os velhos
conservadores do século passado, isso aqui é Modernismo, pô!".
2ª Geração Modernista (1930 - 1945)
Essa geração também é conhecida como Geração de 30. É nessa fase que o Modernismo
ganha mais força no Brasil. Os principais autores dessa geração foram: na poesia, Carlos
Drummond de Andrade e Cecília Meireles; na prosa, Jorge Amado, Graciliano
Ramos, Rachel de Queiroz e José Lins do Rego.
Na parte da prosa, os modernistas se interessaram por temas nacionais e usaram uma
linguagem mais brasileira (uma linguagem mais regionalista). Destaque para o
regionalismo nordestino, que retratou os problemas da região (seca e migração). Também
podemos destacar o romance urbano (histórias das cidades grandes), que retratou a vida
das famílias urbanas. Na poesia, continuamos com o verso livre, mas também
encontramos uma poesia mais amadurecida e sensível à realidade, que questiona a
existência humana e a inquietação social.
3ª Geração Modernista (1945 - 1960)
Essa geração também é conhecida como Geração de 45. Os principais autores do período
foram: Clarice Lispector, João Guimarães Rosa e Nelson Rodrigues, além de Ariano
Suassuna e Lygia Fagundes Telles.
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A poesia volta a ficar um pouco mais formal (efeito "poesia é a arte da palavra") e há
uma preocupação maior com o estilo e com a estética da poesia. Na prosa, Clarice
Lispector e Lygia Fagundes Telles trabalharam o aprofundamento psicológico dos
personagens e inovaram as técnicas narrativas, quebrando o tradicional "início, meio e
fim". Guimarães Rosa se dedicou ao regionalismo (ele é o autor de Grande Sertão:
Veredas) e inovou a narrativa ao empregar o discurso indireto livre. O teatro ganhou força
com Nelson Rodrigues.
Fonte: http://www.resumosdeliteratura.com/2014/11/resumo-de-modernismo-
literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/11/resumo-de-modernismo-literatura.html
http://www.resumosdeliteratura.com/2014/11/resumo-de-modernismo-literatura.html
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MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS
MATEMÁTICA
RAZÃO E PROPORÇÃO
Uma razão é a divisão entre dois números e a proporção é uma igualdade entre
razões. Parece estranho? Imagine que você lê uma receita em que há: para cada xicara de
achocolatado, coloque três de leite (1 está para 3), mas você resolve dobrar essa receita,
então precisará duas xicaras de achocolatado e seis de leite. A razão é a relação entre o
número de xicaras de achocolatado e o número de xicaras de leite; a proporção é a relação
entre uma receita e duas receitas. Veja abaixo:
1
3
=
2
6
A razão de uma receita deve ser lida como “1 está para 3” e a razão da receita
dobrada deve ser lida como “2 está para 6”. Como temos uma relação de proporção entre
essas razões, dizemos “1 está para 3 assim como 2 está para 6”.
REGRA DE TRÊS
A regra de três é um processo matemático para a resolução de muitos problemas
que envolvem duas ou mais grandezas diretamente ou inversamente proporcionais.
Neste sentido, existem dois tipos de regra de três, regra de três simples e a regra
de três composta.
Regra de três simples: Precisa de três valores apresentados para descobri o
quarto valor.
Regra de três composta: Permite descobrir um valor a partir de três ou mais
valores conhecidos.
Grandezas Diretamente Proporcionais
Duas grandezas são diretamente proporcionais quando, o aumento de uma
implica no aumento da outra na mesma proporção.
Grandezas Inversamente Proporcionais
Duas grandezas são inversamente proporcionais quando, o aumento de uma
implica na redução da outra.
PRATICANDO
1. Uma torneira enche um tanque em 6 h. Quanto tempo o mesmo tanque levará para
encher, se forem utilizadas 4 torneiras com a mesma vazão da torneira anterior?
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Anexo ao IETAAM
2. Em uma empresa, 50 funcionários, produzem 200 peças, trabalhando 5 horas por dia.
Se o número de funcionários cair pela metade e o número de horas de trabalho por dia
passar para 8 horas, quantas peças serão produzidas?
LEITURA E INTERPLETAÇÃO DE GRÁFICOS
ELEMENTOS DOS GRÁFICOS
1. Título: apresenta de forma clara e direta o que as informações presentes no gráfico
representam e, algumas vezes, a unidade de medida usada para essas informações ou
alguma transformação para ela;
2. Legenda: é usada para identificar as informações apresentadas no gráfico,
separadas por cor ou por hachura;
3. Fonte de pesquisa: site, blog, página, pesquisa, jornal, revista ou qualquer outra
fonte para a construção do gráfico.
Veja agora os tipos de gráfico existentes:
TIPOS DE GRÁFICO
Gráfico de barras
Gráfico de linhas
0
5
10
15
20
25
30
35
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de alunos de uma escola, por série
Sétimo ano
Oitavo ano
Nono ano
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Gráfico de setores
ESTATÍSTICA
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
População é qualquer conjunto, não necessariamente de pessoas, que constituem
todo o universo de informações de que se necessita.
Amostra corresponde a um grupo representativo da população.
MÉDIA ARITIMETICA
A média (Me) é calculada somando-se todos os valores de um conjunto de dados
e dividindo-se pelo número de elementos deste conjunto.
Me =
x1+x2+x3+⋯+xn
n
MODA
A Moda (Mo) representa o valor mais frequente de um conjunto de dados, sendo
assim, para defini-la basta observar a frequência com que os valores aparecem.
0
10
20
30
40
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Sétimo ano
Oitavo ano
Nono ano
Números de alunos do
sétimo ano de uma escola,
por ano
2014
2015
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MEDIANA
A Mediana (Md) representa o valor central de um conjunto de dados. Para
encontrar o valor da mediana é necessário colocar os valores em ordem crescente ou
decrescente.
Quando o número elementos de um conjunto é par,a mediana é encontrada pela
média dos dois valores centrais. Assim, esses valores são somados e divididos por dois.
PORCENTAGEM
Observemos o gráfico que representa brinquedos doados para uma caridade:
Como calcular a porcentagem:
Caso N = 350 brinquedos doados. Sendo N números total de brinquedos.
Por regra de 3:
40----------------------100
X------------------------350
Multiplicando meio pelos extremos, temos:
100.x = 40.350
x = 140
Logo, para uma doação de 350 brinquedos, são 140 carrinhos.
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Anexo ao IETAAM
Pode-se obter tal resultado mais rapidamente se pensarmos que o número de
carrinhos é igual a 40% (0,4) do número de brinquedos.
Tal expressão remete à multiplicação do número de brinquedos por 0,4. Logo,
rapidamente obtemos:
x = 0,4.350
x = 140
Aumento ou redução em determinada porcentagem
Um trabalhador recebia R$ 2000 de salário mensal, mas seu chefe deu um
aumento de 10% no salário do seu empregado. Quanto o trabalhador recebe após o
aumento? Resolução:
Chamemos de x o novo salário:
x = 2000.(100%+10%)
x = 2000.(1+0,1)
x = 2000 . 1,1
x = R$ 2200
O novo salário do trabalhador é de R$ 2200.
Outro exemplo. Em uma promoção, o preço do refrigerante que era de R$ 4,00 foi
reduzido de 25%, qual o novo preço? Resolução:
Chamemos de x o novo preço do refrigerante:
x = 4.(100%-25%)
x = 4.(1-0,25)
x = 4 . 0,75 x = R$ 3,00
FUNÇÕES
DEFINIÇÃO DE FUNÇÃO
Dados dois conjuntos A e B não vazios, uma função f de A em B é uma relação
que associa a cada elemento x∈A, um único elemento y∈B. Assim, uma função liga um
O novo preço é de R$ 3,00. Note que como
é uma redução, o sinal de menos foi
utilizado.
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Anexo ao IETAAM
elemento do domínio (conjunto A de valores de entrada) com um segundo conjunto, o
contradomínio (conjunto B de valores de saída) de tal forma que a cada elemento do
domínio está associado exatamente a um, e somente um, elemento do contradomínio. O
conjunto dos elementos do contradomínio que são relacionados pela f a algum x do
domínio é o conjunto imagem, denotado por Im(f).
Vejamos um exemplo através da representação por diagramas, onde podemos observar a
definição descrita:
Representação por diagramas:
Dom (f) = {-3,-2,-1,0}
CD (f) = {0,1,2,3,4,5,6,7,8,9}
IM (f) = {0,1,4,9}
Classificação de uma função:
Função injetora: uma função é injetora se os elementos distintos do domínio tiverem
imagens distintas. Por exemplo, dada a função f : A→B, tal que f(x) = 3x.
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Anexo ao IETAAM
Função sobrejetora: uma função é sobrejetora se, e somente se, o seu conjunto
imagem for especificadamente igual ao contradomínio, Im = B. Por exemplo, se temos
uma função f : Z→Z definida por y = x +1 ela é sobrejetora, pois Im = Z.
Função bijetora: uma função é bijetora se ela é injetora e sobrejetora. Por exemplo,
a função f : A→B, tal que f(x) = 5x + 4.
FUNÇÃO DE PRIMEIRO GRAU
Chama-se função polinomial do 1º grau, ou função afim, a qualquer função f de
IR em IR dada por uma lei da forma f(x) = ax + b, onde a e b são números reais dados e a
0.
Na função f(x) = ax + b, o número a é chamado de coeficiente de x e o número b é
chamado termo constante.
Gráfico
O gráfico de uma função polinomial do 1º grau, y = ax + b, com a 0, é uma reta
oblíqua aos eixos Ox e Oy. Por exemplo, vamos construir o gráfico da função y = 3x – 1
Já vimos que o gráfico da função afim y = ax + b é uma reta.
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Anexo ao IETAAM
O coeficiente de x, a, é chamado coeficiente angular da reta e, como veremos
adiante, está ligado à inclinação da reta em relação ao eixo Ox.
O termo constante, b, é chamado coeficiente linear da reta. Para x = 0, temos y =
a · 0 + b = b. Assim, o coeficiente linear é a ordenada do ponto em que a reta corta o eixo
Oy.
Zero ou raiz da função do 1º grau
Chama-se zero ou raiz da função polinomial do 1º grau f(x) = ax + b, a 0, o
número real x tal que f(x) = 0. Temos:
f(x) = 0 ax + b = 0 x = -
𝑏
𝑎
Função crescente ou decrescente
Consideremos a função do 1º grau y=3x-1. Vamos atribuir valores cada vez
maiores a x e observar o que ocorre com y:
X aumenta
X -3 -2 -1 0 1 2 3
Y -10 -7 -4 -1 2 5 8
Y aumenta
Regra geral:
- a função do 1º grau f(x) = ax + b é crescente quando o coeficiente de x é positivo (a >
0);
- a função do 1º grau f(x) = ax + b é decrescente quando o coeficiente de x é negativo (a
< 0).
FUNÇÃO DO SEGUNDO GRAU
Definição
Função Polinomial do 2º Grau ou Função Quadrática é a função real definida por:
f(x) = ax2 + bx + c, onde a, b e c são coeficientes reais, sendo a ≠ 0.
Propriedades gráficas
O gráfico da Função Polinomial do 2º Grau y = ax2 + bx + c é uma parábola cujo
eixo de simetria é uma reta vertical, paralela ao eixo y ou até mesmo o próprio eixo y,
passando pelo vértice da parábola.
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Anexo ao IETAAM
Concavidade da parábola
Interseção da parábola com o eixo x (eixo das abscissas) ou raízes da função:
A parábola intercepta o eixo x (eixo das abscissas) no ponto (x,0), ou seja, sempre
que y for igual a zero. Logo, temos que ax2 + bx + c = 0. As raízes da função são raízes
da equação do 2º grau, ou seja, 𝒙 =
−𝒃±√𝚫
𝟐𝒂
, onde Δ = b2 – 4ac.
Repare que, sendo ∆ = b2 – 4ac, podemos ter:
Δ < 0 => a parábola não intercepta o eixo Ox, ou seja, não existe raízes reais.
Δ = 0 => a parábola é tangente ao eixo Ox, ou seja, possui duas raízes iguais.
Δ > 0 => a parábola intercepta o eixo Ox em dois pontos distintos, ou seja, possui duas
raízes distintas.
Interseção da parábola com o eixo y (eixo das ordenadas):
A parábola intercepta o eixo das ordenadas sempre quando temos o valor de x igual a
zero, ou seja, y = a.02 + b.0 + c = 0 + 0 + c = c. Logo, a parábola intercepta o eixo das
ordenadas no ponto (0,c).
Vértice da parábola:
O vértice da parábola determina o ponto de mínimo ou de máximo da função. Tal
vértice será o par ordenado (xv,yv).
Para determinar o vértice de uma parábola precisa-se calcula o Xv e o Yv, usando
a seguinte fórmula:
a > o
a < o
A parábola pode ter a concavidade voltada para
cima ou para baixo. A parábola tem a concavidade
voltada para cima quando a > 0 enquanto tem a
concavidade voltada para baixo quando a < 0.
Observe:
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Anexo ao IETAAM
Xv =
−𝑏
2𝑎
ou
𝑥1+𝑥2
2
Yv =
−𝛥
4𝑎
PRATICANDO
1. A temperatura T de um forno (em graus centígrados) é reduzida por um sistema a
partir do instante de seu desligamento (t = 0) e varia de acordo com a expressão T(t)
= -
t2
4
+ 400, com t em minutos.
Por motivos de segurança, a trava do forno só é liberada para abertura quando o forno
atinge a temperatura de 39ºC. Qual o tempo mínimo de espera, em minutos, após se
desligar o forno, para que a porta possa ser aberta?
a) 19,0
b) 19,8
c) 20,0
d) 38,0
e) 39,0
ANÁLISE COMBINATÓRIA
PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA CONTAGEM
No princípio fundamental da contagem, também chamado de princípio
multiplicativo, multiplica-se o número de opções entre as escolhas que lhe são
apresentadas.
Ex: Uma lanchonete vende uma promoção de lanche a um preço único. No lanche, estão
incluídos um sanduíche, uma bebida e uma sobremesa. São oferecidos três opções de
sanduíches: hambúrguer especial, sanduíche vegetariano e cachorro-quentecompleto.
Como opção de bebida pode-se escolher 2 tipos: suco de maçã ou guaraná. Para a
sobremesa, existem quatro opções: cupcake de cereja, cupcake de chocolate, cupcake de
morango e cupcake de baunilha. Considerando todas as opções oferecidas, de quantas
maneiras um cliente pode escolher o seu lanche?
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Anexo ao IETAAM
ARRANJOS
Nos arranjos, os agrupamentos dos elementos dependem da ordem e da natureza
dos mesmos.
An,p =
𝑛!
(𝑛−𝑝)!
Ex: Como exemplo de arranjo, podemos pensar na votação para escolher um
representante e um vice-representante de uma turma, com 20 alunos. Sendo que o mais
votado será o representante e o segundo mais votado o vice-representante.
Dessa forma, de quantas maneiras distintas a escolha poderá ser feita? Observe que nesse
caso, a ordem é importante, visto que altera o resultado final.
An,p =
20!
(20−2)!
=
20.19.18!
18!
= 380
PERMUTAÇÕES
As permutações são agrupamentos ordenados, onde o número de elementos (n)
do agrupamento é igual ao número de elementos disponíveis.
Assim a permutação é expressa pela fórmula:
Pn = n!
Ex: Para exemplificar, vamos pensar de quantas maneiras diferentes 6 pessoas podem se
sentar em um banco com 6 lugares.
Pn = 6! = 6.5.4.3.2.1 = 720
COMBINAÇÕES
3 x 2 x 4 = 24
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Anexo ao IETAAM
As combinações são subconjuntos em que a ordem dos elementos não é
importante, entretanto, são caracterizadas pela natureza dos mesmos.
Cn,p =
𝑛!
𝑃! (𝑛−𝑝)!
Ex: A fim de exemplificar, podemos pensar na escolha de 3 membros para formar uma
comissão organizadora de um evento, dentre as 10 pessoas que se candidataram.
De quantas maneiras distintas essa comissão poderá ser formada?
C10,3 =
10!
3! (10−3)!
=
10.9.8.7!
3! .7!
=
10.9.8
3.2.1
= 120
PRATICANDO
1. Perfumista é o profissional que desenvolve novas essências para a indústria de
cosméticos. Considere que um perfumista constatou que a combinação de quaisquer três
extratos entre os de Andiroba, Cupuaçu, Pitanga e Buriti produzem fragrâncias especiais
para a fabricação de perfumes.
Simbolizando-se a essência de Andiroba por A, a de Buriti por B, a de Cupuaçu por C e
a de Pitanga por P, quais são as possíveis combinações dessas essências para a fabricação
de perfumes, constatadas pelo perfumista?
a) ABC, BCP
b) ACB, BCP, PCA
c) ABC, BCP, CBP
d) ABC, ABP, ACP, BCP
e) ACB, BAP, CPA, PAB
2. O corpo clínico da pediatria de um certo hospital é composto por 12 profissionais,
dos quais 3 são capacitados para atuação junto a crianças que apresentam necessidades
educacionais especiais. Para fins de assessoria, deverá ser criada uma comissão de 3
profissionais. Quantas comissões distintas podem ser formadas?
a) 36
b) 220
c) 132
d) 1320
e) 400
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Anexo ao IETAAM
PROBABILIDADE
A teoria da probabilidade é o ramo da Matemática que estuda experimentos ou
fenômenos aleatórios e através dela é possível analisar as chances de um determinado
evento ocorrer.
EXPERIMENTO ALEATÓRIO
Um experimento aleatório é aquele que não é possível prever qual resultado será
encontrado antes de realizá-lo.
FÓRMULA DA PROBABILIDADE
Em um fenômeno aleatório, as possibilidades de ocorrência de um evento são
igualmente prováveis.
Sendo assim, podemos encontrar a probabilidade de ocorrer um determinado
resultado através da divisão entre o número de eventos favoráveis e o número total de
resultados possíveis:
P(A) =
𝒏(𝑨)
𝒏(𝜴
ESPAÇO AMOSTRAL
Representado pela letra Ω, o espaço amostral corresponde ao conjunto de
resultados possíveis obtidos a partir de um experimento aleatório.
Por exemplo, ao retirar ao acaso uma carta de um baralho, o espaço amostral
corresponde às 52 cartas que compõem este baralho.
TIPOS DE EVENTOS
O evento é qualquer subconjunto do espaço amostral de um experimento aleatório.
Quando um evento é exatamente igual ao espaço amostral ele, é chamado de evento
certo. Ao contrário, quando o evento é vazio, ele é chamado de evento impossível.
Ex: Imagine que temos uma caixa com bolas numeradas de 1 a 20 e que todas as bolas
são vermelhas.
P(A): probabilidade da ocorrência de um evento A
n(A): número de casos que nos interessam (evento A)
n(Ω): número total de casos possíveis
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Anexo ao IETAAM
O evento "tirar uma bola vermelha" é um evento certo, pois todas as bolas da caixa
são desta cor. Já o evento "tirar um número maior que 30", é impossível, visto que o maior
número na caixa é 20.
GEOMETRIA PLANA
A geometria plana estuda o comportamento de estruturas no plano, a partir de
conceitos básicos primitivos como ponto, reta e plano. Estuda o conceito e a construção
de figuras planas como quadriláteros, triângulos, círculos, suas propriedades, formas,
tamanhos e o estudo de suas áreas e perímetro.
CONCEITOS BÁSICOS
PONTO
Segundo “Os Elementos”, de Euclides, um ponto é definido como "o que não tem
partes". É apenas uma posição no espaço. É representado por letras maiúsculas.
RETA
Uma reta é a reunião de infinitos pontos. É uma “linha” com comprimento, mas
sem largura. É sempre representada por uma letra minúscula.
PLANO
A
α
Um plano é uma região onde há infinitos pontos e
infinitas retas. É um elemento com comprimento e
largura. Geralmente é representado por letras
gregas.
https://www.infoescola.com/livros/elementos-obra-de-euclides-de-alexandria/
https://www.infoescola.com/biografias/euclides/
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Anexo ao IETAAM
SEGMENTO DE RETA
Dados dois pontos distintos A e B, a união desses pontos com o conjunto de pontos
compreendidos entre A e B é chamado de segmento de reta.
Representamos esse segmento de reta AB por AB.
SEMIRRETA
Dados dois pontos distintos A e B, a reunião do segmento de reta AB com o
conjunto dos pontos X tais que B está entre A e X é a semirreta AB, indicada por AB.
ÂNGULOS
Chama-se ângulo a região entre duas semirretas que partem de uma mesma
origem. Podemos dizer, ainda que um ângulo é a medida da abertura de duas semirretas
que partem da mesma origem.
CÁLCULO DE ÁREAS
O QUADRADO
O quadrado é uma figura geométrica plana regular em que todos os seus lados e
ângulos são iguais. Veja um exemplo de quadrado na figura a
seguir:
Indica-se: ∠AOB, ∠BOA, AÔB, BÔA ou Ô.
Para calcular a área de um quadrado basta que se
multipliquem dois dos seus lados l entre si.
AQ = l2
https://www.infoescola.com/matematica/angulos/
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Anexo ao IETAAM
O RETÂNGULO
O retângulo é uma figura geométrica plana cujos lados opostos são paralelos e
iguais e todos os ângulos medem 90º. Confiram o retângulo abaixo:
O TRIÂNGULO
O triângulo é uma figura geométrica plana formada por três lados e três ângulos.
A soma dos seus ângulos internos é igual 180º.
O TRAPÉZIO
O trapézio é uma figura plana com um par de lados paralelos (bases) e um par de
lados concorrentes.
CIRCUNFERÊNCIA
Para calcular a área do retângulo, basta que se
multipliquem seu comprimento c pela largura l.
AR = c x l
Para calcular a área do triângulo multiplica-se a
base b pela altura h e divide o resultado por 2 (metade da
área do retângulo).
AT =
𝒃 . 𝒉
𝟐
Para calcular a área do trapézio adiciona-se a base maior c à
base menor a, aoresultado da soma multiplica-se a altura, e por
fim, divide-se o resultado final por 2.
ATra =
(𝒄 + 𝒂).𝒉
𝟐
https://www.infoescola.com/geometria-plana/trapezio/
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Anexo ao IETAAM
Circunferência é a figura geométrica formada por todos os pontos que equidistam
de um ponto fixo, chamado de centro.
CÍRCULO
Podemos definir um círculo como sendo o conjunto de todos os pontos interiores
de uma circunferência, ou seja, é o espaço contido dentro da circunferência.
ÁREA DE UM CÍRCULO
A área de um círculo pode ser determinada matematicamente por:
GEOMETRIA ESPACIAL
CARACTERÍSTICAS DA GEOMETRIA ESPACIAL
A Geometria Espacial estuda os objetos que possuem mais de uma dimensão e
ocupam lugar no espaço. Por sua vez, esses objetos são conhecidos como "sólidos
geométricos" ou "figuras geométricas espaciais". Conheça melhor alguns deles:
A circunferência não possui área.
O é o centro da circunferência;
AB é o Diâmetro (D);
AO e OB são raios (r);
𝑨𝒄 = 𝝅𝒓𝟐
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Anexo ao IETAAM
PRISMA
Fórmulas do Prisma
Área Lateral: para calcular a área lateral do prisma, basta somar as áreas das faces
laterais.
Área Total: para calcular a área total de um prisma, basta somar as áreas das faces
laterais e as áreas das bases.
Volume do Prisma: O volume do prisma é calculado pela seguinte fórmula:
CUBO
Fórmulas do Cubo
Diagonal lateral:
É caracterizado por ser um poliedro convexo
com duas bases (polígonos iguais) congruentes
e paralelas, além das faces planas laterais
(paralelogramos).
Podendo ser classificado como:
Reto: possui arestas laterais perpendiculares à
base, cujas faces laterais são retângulos.
Oblíquo: possui arestas laterais oblíquas à
base, cujas faces laterais são paralelogramos.
Al = n . a
At = Al . 2Ab
V = Ab . h
O cubo é formado por 12 arestas
(segmentos de retas) congruentes, 6
faces quadrangulares e 8 vértices
(pontos).
Dl = a√𝟐
Dl = a√𝟑
https://www.todamateria.com.br/volume-do-prisma/
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Anexo ao IETAAM
Diagonal Cubo:
Área total: para calcular a área total do Cubo, basta somar as áreas das 6 faces.
Volume do Cubo: O volume de uma figura geométrica corresponde ao espaço ocupado
por determinado objeto. Assim, para calcular o volume do cubo utiliza-se a fórmula:
PARALELEPÍPEDO
O paralelepípedo é um prisma quadrangular com base de paralelogramos.
Fórmulas do paralelepípedo
Área da Base: Ab = a.b
Área Total: At = 2ab+2bc+2ac
Volume: V = a.b.c
PIRÂMIDE
A pirâmide é um sólido geométrico de base poligonal que possui todos os
vértices num plano (plano da base). Sua altura corresponde a distância entre o vértice e
sua base.
At = 6a2
V = a3
Paralelepípedo Reto: possuem arestas
laterais perpendiculares à base, ou
seja, apresentam ângulos retos (90º)
entre cada uma das faces.
Paralelepípedos Oblíquos: possuem
arestas laterais oblíquas à base.
Elementos da Pirâmide
Base: corresponde à região plana poligonal na qual se sustenta a pirâmide.
Altura: designa a distância do vértice da pirâmide ao plano da base.
Arestas: são classificadas em arestas da base, ou seja, todos os lados do
polígono da base, e arestas laterais, segmentos formados pela distância do
vértice da pirâmide até sua base.
Apótemas: corresponde à altura de cada face lateral; são classificadas em
apótema da base e apótema da pirâmide.
Superfície Lateral: É a superfície poliédrica composta por todas as faces
laterais da pirâmide.
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Anexo ao IETAAM
Fórmulas da Pirâmide
Área total: Al + Ab
Volume: V =
Ab . h
3
CONE
Ele possui uma base circular (r) formada por segmentos de reta que têm uma
extremidade num vértice (V) em comum.
Fórmulas do Cone
Área da Base: Para calcular a área da base de um cone (circunferência), utiliza-se a
seguinte fórmula:
Ab = 𝝅𝒓𝟐
Área Lateral: formada pela geratriz do cone, a área lateral é calculada através da fórmula:
Al = 𝝅.r.g
Área Total: para calcular a área total do cone, soma-se a área da lateral e a área da base.
Para isso utiliza-se a seguinte expressão:
At = 𝝅.r (g+r)
Volume do cone: corresponde a 1/3 do produto da área da base pela altura, calculado
pela seguinte fórmula:
V =
𝝅.𝑟2.ℎ
3
CILINDRO
Cone Reto: No cone reto, o eixo é perpendicular à
base, ou seja, a altura e o centro da base do cone
formam um ângulo de 90º, donde todas as geratrizes
são congruentes entre si e, de acordo com o Teorema
de Pitágoras, tem-se a relação: g²=h²+r². O cone reto
é também chamado de “cone de revolução” obtido
pela rotação de um triângulo em torno de um de seus
catetos.
Cone Oblíquo: No cone oblíquo, o eixo não é
perpendicular à base da figura.
https://www.todamateria.com.br/volume-do-cone/
https://www.todamateria.com.br/teorema-de-pitagoras/
https://www.todamateria.com.br/teorema-de-pitagoras/
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Anexo ao IETAAM
O cilindro ou cilindro circular é um sólido geométrico alongado e arredondado
que possui o mesmo diâmetro ao longo de todo o comprimento.
ESFERA
A esfera é um sólido geométrico obtido através da rotação do semicírculo em
torno de um eixo. É composto por uma superfície fechada na medida em que todos os
pontos estão equidistantes do centro (O).
Fórmulas da Esfera
Área da Esfera: Para calcular a área da superfície esférica, utiliza-se a fórmula:
Ae = 4.𝝅.r2
Área da Base: Para calcular a área da base do cilindro, utiliza-
se a seguinte fórmula:
Ab= π.r2
Área Lateral: Para calcular a medida da superfície lateral, utiliza-
se a fórmula:
Al= 2 π.r.h
Área Total: Para calcular a área total do cilindro soma-se 2 vezes
a área da base à área lateral
At= 2.Ab+Al
Volume do cilindro: é calculado a partir do produto da área da
base pela altura:
V = π.r2.h
Superfície Esférica: corresponde ao conjunto de pontos
do espaço no qual a distância do centro (O) é equivalente
ao raio (R).
Cunha Esférica: corresponde à parte da esfera obtida ao
girar um semicírculo em torno de seu eixo.
Fuso Esférico: corresponde à parte da superfície esférica
que se obtém ao girar uma semicircunferência de um
ângulo em torno de seu eixo.
Calota Esférica: corresponde a parte da esfera
(semiesfera) cortada por um plano.
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Volume da Esfera: Para calcular o volume da esfera, utiliza-se a fórmula:
Ve =
𝟒.𝝅.𝒓𝟑
𝟑
https://www.todamateria.com.br/volume-da-esfera/
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REDAÇÃO
REDAÇÃO
GÊNEROS TEXUAIS E ORAIS
GÊNEROS TEXTUAIS
Chamamos de gênero textual as classificações criadas para agrupar texto de acordo com
suas características. São exemplos romances, novelas, contos, crônicas, fábulas, relatos,
biografias, notícias, currículos, cardápios, resenhas, artigos, ensaios, monografias,
seminários, palestras, conferências, propagandas ou editoriais jornalísticos.
Para começar, vamos observar os textos abaixo. Qual deles você classificaria como gênero
textual?
TEXTO I
A ORIGEM DA FOME
BRÁULIO BESSA
Eu procurei entender
Qual a receita da fome
Quais são seus ingredientesA origem do seu nome
Entender também porque
Falta tanto o de comer
Se todo mundo é igual
Chega dá um calafrio
Saber que o prato vazio
É o prato principal
Do que é que ela é feita
Se não tem gosto, nem cor
Não cheira, nem fede a nada
E o nada é seu sabor
Qual o endereço dela
Se ela tá lá na favela
Ou nas brenhas do sertão
É companheira da morte
Mesmo assim não é mais forte
Do que um pedaço de pão!
Que rainha estranha é essa
Que só reina na miséria
Que entra em milhões de lares
Sem sorrir, com a cara séria
Que provoca dor e medo
E sem encostar um dedo
Causa em nós tantas feridas
A maior ladra do mundo
Que nesse exato segundo
Roubou mais algumas vidas!
Continuei sem saber
Do que é que a fome é feita
Mais vi que a desigualdade
Deixa ela satisfeita
Foi aí que eu percebi
Por isso que eu não a vi
Eu olhei pro lado errado
Ela tá em outro canto
Entendi que a dor e o pranto
Era só seu resultado!
Eu achei seus ingredientes
Na origem da receita
No egoísmo do homem
Na partilha que é má feita!
E mexendo num caldeirão
Eu vi a corrupção
Cozinhando a tal da fome
Temperando com vaidade
Misturando com maldade
Pro pobre que lhe consome!
Acrescentou na receita
Notas superfaturadas
1 K de desemprego
30 verbas desviadas
Rebolou num caldeirão
20 gramas de inflação
E 30 escolas fechadas!
Sendo assim,
Sendo assim, se a fome é feita
De tudo que é do mal
É consertando a origem
Que a gente muda o final
Fiz uma ponte ligeiro
Se juntar todo dinheiro
Dessa tal corrupção
Mata fome em todo canto
E ainda sobra outro tanto
Pra saúde e Educação
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TEXTO II
Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/09/04/no-malaui-consumo-de-rato-ajuda-populacao-a-evitar-a-fome-durante-a-
pandemia.ghtml
TEXTO III
Calvin, Haroldo e seus amigos.
www.novaescola.com.br
Acertou quem disse:
- Todos!
Sim, todos os textos acima apresentam um Gênero Textual diferente.
ATENÇÃO
Não confunda Gênero Textual com tipo de texto!
Diferente dos gêneros textuais que são incontáveis, os tipos textuais são apenas cinco.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/09/04/no-malaui-consumo-de-rato-ajuda-populacao-a-evitar-a-fome-durante-a-pandemia.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/09/04/no-malaui-consumo-de-rato-ajuda-populacao-a-evitar-a-fome-durante-a-pandemia.ghtml
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Blog Maxi Educa
Relações entre tipo textual e gênero textual
Os gêneros textuais em muitos sentidos se relacionam com os tipos textuais. Assim, cabe
observar tanto as marcas textuais e linguísticas (tipos de textuais) quanto a própria forma
do texto (gênero) no processo de construção do texto. Observe a tabela:
TIPOS TEXTUAIS
GÊNEROS TEXTUIAS
NARRATIVO
Tipo textual predominante em gêneros como conto, romance,
crônica, fábula, piada...
ARGUMENTATIVO
Tipo textual predominante em gêneros como manifesto, resenha,
editorial, crítica e redação argumentativa...
DESCRITIVO
Tipo textual predominante em gêneros como legenda de
imagens, classificados...
INJUNTIVO
Tipo textual predominante em gêneros como capítulos de livros
didáticos, verbetes de dicionários, receitas, manuais...
INFORMATIVO
Tipo textual predominante em gêneros como notícias e
reportagens.
Fonte: www.mesalva.com
Gêneros Textuais argumentativos
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Como já estudamos, os gêneros textuais se organizam a partir dos tipos textuais. Vejamos
alguns exemplos de textos predominantemente argumentativos:
Redação escolar
A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos
nas últimas décadas. De acordo com o Mapa da Violência de 2012, o número de mortes
por essa causa aumentou em 230% no período de 1980 a 2010. Além da física, o balanço
de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses
a psicológica. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter
raízes históricas e ideológicas.
O Brasil ainda não conseguiu se desprender das amarras da sociedade patriarcal.
Isso se dá porque, ainda no século XXI, existe uma espécie de determinismo biológico
em relação às mulheres. Contrariando a célebre frase de Simone de Beavouir “Não se
nasce mulher, torna-se mulher”, a cultura brasileira, em grande parte, prega que o sexo
feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu
convívio social, capaz de construir um ser como mulher livre. Dessa forma, os
comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, pois estavam dentro da
construção social advinda da ditadura do patriarcado. Consequentemente, a punição
para este tipo de agressão é dificultada pelos traços culturais existentes, e, assim, a
liberdade para o ato é aumentada.
Além disso, já o estigma do machismo na sociedade brasileira. Isso ocorre porque
a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no
cotidiano dos brasileiros. Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como
fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos
e a serem recatadas. Dessa maneira, constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo
feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência
física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte, o número de
casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive os
de reincidência.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras
dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa
erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade
de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la
para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo
feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para
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aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem
sabe, assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil.
Amanda Carvalho Maia Castro
https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-do-enem-2015-que-tiraram-nota-maxima
Editorial
O poder da mulher incomoda
“É um tanto ridículo chegarmos perto da terceira década do século XXI ainda falando
sobre luta por direitos. O direito de não apanhar de um homem fisicamente mais forte; o
direito de não sofrer abuso no transporte público; o direito de casar-se com quem bem
entender; o direito de ter um salário melhor; o direito de expressar no corpo a própria
religião (ou abster-se de ter que acreditar em qualquer coisa sobrenatural); o direito de
ocupar cargos diretivos; o direito de vestir-se como queira; o direito de ser dono do seu
corpo, o direito de fazer trabalho braçal.
Embora esses “direitos” sejam para todos os cidadãos, hoje o foco é nas mulheres. Ontem
foi seu “dia”. Seu dia? Por que é preciso ter uma data marcada para lembrar a sociedade
que é preciso bater no peito o orgulho de ser mulher? A resposta é simples e pode ser
equiparada ao racismo. Ele nunca deixará de existir até o dia em que não precisemos mais
falar sobre isso.
Outro dia, ouvi, em tom de brincadeira, uma piada sobre o empoderamento feminino.
“Não sei o que elas querem. Para que mudar uma tradição de tantos séculos?” Tantosséculos de submissão, abusos ferrenhos dentro da própria casa e uma constante omissão
para preservar a imagem do agressor perante a sociedade. Além disso, e talvez o pior,
superar a incredulidade sobre sua força intelectual (até mesmo de outras mulheres)
perante o mundo.
O compositor Douglas Germano escreveu a emblemática canção “Maria da Vila
Matilde”, em que aquela Maria eleva sua voz sobre os desmandos do agressor com quem
ela se relacionava. Na canção, Germano replica a violência doméstica que viu em sua
própria casa. “Você vai se arrepender de levantar a mão para mim. Cadê meu celular, eu
vou ligar pro 180” é o verso principal e que deve ser o grito de guerra das mulheres de
todo o país contra o machismo velado que persiste em escorar-se em nosso cotidiano,
mostrando suas perigosas garras ao menor descuido.
A quem acredita na falsa afirmação de que somos um país tolerante, sinto dizer. É hora
de pensar fora da sua caixa. O Brasil tolera o que convém. Nos bastidores, a coisa é bem
https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-do-enem-2015-que-tiraram-nota-maxima
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diferente. As estatísticas apontam nosso país como um dos mais violentos do mundo em
questão de raça, gênero e religião.
Quinhentos mil estupros por ano, com cerca de 70% das vítimas tendo como agressores
pessoas próximas; dez estupros coletivos diariamente; somente 15,7% dos acusados
presos; quase 5 milhões de denúncias na Central de Atendimento à Mulher, desde sua
implantação em 2005 (fone 180, não é por acaso que está na música).
Tudo isso gera vergonha, omissão, medo de assassinato, medo de encarar a sociedade. O
que vão pensar de mim? Eles vão pensar que o poder feminino incomoda, então é melhor
você ficar calada para não abalar as estruturas de uma sociedade com números medievais
em meio a tantos avanços.
O que nos dá um alento é que, em meio a toda essa banalidade, há para quem gritar. “Seja
a voz que tantas mulheres gostariam de ter.”
https://www.guiaestudo.com.br/texto-editorial (Jornal SP Norte – 09/03/2018).
Gêneros Literários: gêneros textuais narrativos
De acordo com as definições clássicas, os gêneros literários seriam o épico, o lírico e o
dramático. O épico encarregava-se de narrar os feitos dos heróis, ou seja, narrar uma
história com personagens considerando o espaço-tempo específico. São exemplos de
epopeia a Ilíada e a Odisséia. O gênero lírico é aquele que expressa emoção no qual a
sonoridade é parte crucial do texto. Geralmente esses textos eram declamados com o
auxilio de instrumentos musicais (a Lira, por exemplo). O gênero dramático constituía-se
através da representação, logo, os personagens encarregavam-se de narrar as histórias,
principalmente por meio de diálogos.
No entanto, com a mistura desses gêneros, ocorrem certas modificações que acarretam na
formação de novos gêneros, os chamados gêneros híbridos. Vejamos alguns exemplos:
Romance
“Só Gabriela parecia não sentir a caminhada, seus pés como que deslizando pela picada
muitas vezes aberta na hora a golpes de facão, na mata virgem. Como se não existissem
as pedras, os tocos, os cipós emaranhados. A poeira dos caminhos da caatinga a cobrira
tão por completo que era impossível distinguir seus traços. Nos cabelos já não penetrava
o pedaço de pente, tanto pó se acumulara. Parecia uma demente perdida nos caminhos.
Mas Clemente sabia como ela era deveras e o sabia em cada partícula de seu ser, na ponta
dos dedos e na pele do peito. Quando os dois grupos se encontraram, no começo da
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viagem, a cor do rosto de Gabriela e de suas pernas era ainda visível e os cabelos rolavam
sobre o cangote, espalhando perfume. Ainda agora, através da sujeira a envolvê-la, ele a
enxergava como a vira no primeiro dia, encostada numa árvore, o corpo esguio, o rosto
sorridente, mordendo uma goiaba.” (Trecho de Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado,
1958)
Conto
Segue abaixo um trecho do conto “Missa do Galo”, do escritor brasileiro Machado de
Assis (1839-1908):
“NUNCA PUDE entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos,
contava eu dezessete, ela trinta”. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho
irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em
primeiras núpcias, com uma de minhas primas A segunda mulher, Conceição, e a mãe
desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes,
a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com
os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a
mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente
estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma
vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas
ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-
se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um
eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e
dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a
existência da comborça; mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que
era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava
os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem
extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para
maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo
mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem
feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava
tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já
devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver “a missa do galo
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Anexo ao IETAAM
na Corte”. A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido
e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três
chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
Crônica
Segue abaixo um trecho de crônica do escritor brasileiro “Machado de Assis”. Ela foi
publicada em 22 de agosto de 1889, no jornal “Gazeta de Notícias” no Rio de Janeiro.
“Bons dias!
Quem nunca invejou, não sabe o que é padecer. Eu sou uma lástima. Não posso ver uma
roupinha melhor em outra pessoa, que não sinta o dente da inveja morder-me as entranhas.
É uma comoção tão ruim, tão triste, tão profunda, que dá vontade de matar. Não há
remédio para esta doença. Eu procuro distrair-me nas ocasiões; como não posso falar,
entro a contar os pingos de chuva, se chove, ou os basbaques que andam pela rua, se faz
sol; mas não passo de algumas dezenas. O pensamento não me deixa ir avante. A roupinha
melhor faz-me foscas, a cara do dono faz-me caretas...
Foi o que me aconteceu, depois da última vez que estive aqui. Há dias, pegando numa
folha da manhã, li uma lista de candidaturas para deputados por Minas, com seus
comentos e prognósticos. Chego a um dos distritos, não me lembra qual, nem o nome da
pessoa, e que hei de ler? Que o candidato era apresentado pelos três partidos, liberal,
conservador e republicano.A primeira coisa que senti, foi uma vertigem. Depois, vi amarelo. Depois, não vi mais
nada. As entranhas doíam-me, como se um facão as rasgasse, a boca tinha um sabor de
fel, e nunca mais pude encarar as linhas da notícia. Rasguei afinal a folha, e perdi os dois
vinténs; mas eu estava pronto a perder dois milhões, contando que aquilo fosse comigo.
Poesia
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava
Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
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Anexo ao IETAAM
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade)
REDAÇÃO DISSERATIVA ARGUMENTATIVA
O que é um texto dissertativo argumentativo?
O texto dissertativo-argumentativo é um gênero discursivo muito comum em
provas de vestibular, como a Fuvest, e no Enem. Em resumo, trata-se de uma produção
em que um autor defende seu ponto de vista por meio de argumentos. No caso específico
do Exame Nacional do Ensino Médio, exige-se, também, que se apresentem propostas de
solução para os problemas levantados na argumentação.
CARACTERÍSTICAS
O texto dissertativo-argumentativo - ou apenas dissertação - é um tipo de texto
que discute assuntos socialmente relevantes. No caso específico do Enem, questões que
envolvem o Brasil e seus principais problemas costumam aparecer como tema da redação.
Além disso, esse tipo de texto é reconhecido por ter uma estrutura bastante rígida, dividida
em três partes fundamentais: introdução (sempre o primeiro parágrafo), desenvolvimento
1 (segundo parágrafo), desenvolvimento 2 (terceiro parágrafo) e a conclusão (quarto
parágrafo, cada um com uma função específica. Vamos olhar a tabela:
1º parágrafo
INTRODUÇÃO
Tem a função de iniciar o
texto, ou seja, um efeito de
abertura. Pode ser
entendido como matriz
textual, uma vez que
apresenta o plano de texto
de forma sintética: tema,
tese e os dois argumentos a
serem desenvolvidos no
texto.
2º parágrafo
DESENVOLVIMENTO I
O desenvolvimento tem a
função de defender o ponto
de vista, apresentando suas
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(argumentação) ideias por meio de
estratégias argumentativas.
3º parágrafo
DESENVOVIMENTO II
(argumentação)
4º parágrafo
CONCLUSÃO
Tem a função de concluir,
ou seja, atribui um efeito e
fechamento ao texto. Nesse
material veremos três
formas de conclusão: a
retomada, a nova tese e a
proposta de intervenção.
Fonte: mesalva.com
LEITURA E COMPREENSÃO DE TEXTO
Como ler e interpretar um texto.
O ATO DE ESTUDAR
(Apresentação a partir do texto de Paulo Freire)
Paulo Freire, educador da atualidade, aponta a necessidade de se fazer uma prévia
reflexão sobre o sentido do estudo. Segundo suas palavras:
“Toda bibliografia deve refletir uma intenção fundamental de quem a elabora: a
de atender ou despertar o desejo de aprofundar os conhecimentos naqueles a quem se
oferece a bibliografia." Se falta o ânimo de usar a bibliografia em quem a recebe, ou se a
bibliografia, em si mesma, não foi capaz de desafiá-lo, se frustra a referida intenção
fundamental. A relação bibliográfica, então, permanece como um papel inútil, entre
outros, perdido nas gavetas de um escritório.
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Anexo ao IETAAM
Essa intenção fundamental de quem elabora a bibliografia exige dele um tríplice
respeito: a quem se dirige a bibliografia, aos autores citados e a ele mesmo.
A sugestão de leitura de livros não é a cópia dos títulos ao acaso. Quem sugere
deve saber o quê e por que sugere. Aqueles que recebem a relação bibliográfica, por sua
vez, devem ter nela, não uma rota dogmática de leitura, mas um desafio, desafio que vai
se concretizando na medida em que vão estudando e não simplesmente lendo, por alto,
os livros citados.
"Estudar, realmente, é um trabalho difícil. Exige, de quem a ele se propõe, uma
posição crítica, sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser
praticando-a."
HÜHNE, Leda Miranda (Org.). O ato de estudar. In: Metodologia Científica. 4ª ed. Rio
de Janeiro, Agir, 1990.
Isto, infelizmente, é o que a educação "bancária" não estimula. Ao contrário, sua
técnica reside, fundamentalmente, em matar nos educandos a curiosidade, o espírito
investigador, sua criatividade. Sua "disciplina" é a disciplina para a ingenuidade frente ao
texto, não para a indispensável criticidade.
Este procedimento ingênuo ao Qual é submetido o educando, ao lado de outros
fatores, pode explicar "as fugas do texto que os estudantes fazem, cuja leitura se torna
puramente mecânica, enquanto, em imaginação, se voltam a outras situações. O que se
lhes exige não é a compreensão do conteúdo, mas sua memorização."
Paulo Freire nos mostra que em vez do Estudante tentar compreender o texto, ele
toma como único desafio a sua memorização.
No entanto, prossegue o autor, no caso de uma visão crítica, se dá exatamente o
contrário.
Paulo Freire, no seu texto Considerações em Torno do Ato de Estudar, nos chama
a atenção para os seguintes itens indispensáveis ao ato de estudar:
• O estudante deve assumir o papel de sujeito do ato de estudar.
• O ato de estudar é uma atitude frente ao mundo.
• O estudo de um tema específico deve colocar o estudioso a par da bibliografia
em questão.
• O ato de estudar depende de uma Atitude de humildade face ao saber.
• O ato de estudar significa compreender e criticar.
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Anexo ao IETAAM
• Estudar significa assumir "uma misteriosa relação dialógica" com o autor do
texto, cujo mediador é o tema!
• O ato de estudar, como reflexão crítica, exige do sujeito uma reflexão sobre o
próprio significado de estudar.
(Estes itens encontram-se explicitados no texto que se encontra no livro Ação
Cultural para a Liberdade, Ed. Paz e Terra, RJ. págs. 9-12.)
A Leitura
No texto de Paulo Freire não só é possível analisar a própria atitude face ao
estudo, como também se pode estudar a relação com a leitura. Não nos diz Paulo Freire
que o ato de ler só se realiza mediante um espaço de relação dialógica com o autor? Esta
postura nos remete à questão do pensar. Todavia, na época atual, época dos meios de
comunicação de massa, dos sistemas educacionais funcionalistas, de imediato não se
consegue apreender claramente as dificuldades inerentes ao trabalho teórico. Mas o ato
de ler, que é um ato de concentração, exige distanciamento e reflexão. É um ato que só
se realiza mediante os procedimentos lógicos de análise, síntese, interpretação, juízo
crítico.
Deste modo, só seguindo uma série de atividades preparatórias é que se consegue
alcançar um nível de interpretação aprofundado do texto, onde afinal o sentido se
manifesta.
COMO LER
Dizia um professor de filosofia: "a inteligência humana é lenta". Isto pode
significar que passamos por um lento processo intelectual até vencermos os obstáculos
pessoais e culturais e alcançarmos a exata compreensão de uma mensagem. Esta nem
sempre se mostra de imediato no momento da comunicação. E necessário da nossa parte
um espaço de tempo para que possamos decodificar, assimilar, o que foi revelado no
texto.
Deste modo, se quisermos descobrir a mensagem de um texto, de modo
abrangente, temos de nos submeter a uma séria disciplinade trabalho:
1.°- delimitar a unidade de leitura que pode ser um capítulo, uma seção ou até
mesmo um grande parágrafo. O que caracteriza a unidade de leitura é a apresentação do
sentido de modo global. Só após o entendimento dessa unidade é possível prosseguir na
investigação de novas unidades de leitura;
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Anexo ao IETAAM
2.°- ler repetidas vezes o mesmo texto para certificar-se do alcance da
compreensão verdadeira do assunto em pauta, grifando as idéias principais de cada
parágrafo; ao lado, na margem, escrevendo uma frase-resumo.
PASSOS
a) Leitura exploratória - é a fase em que se deve prestar atenção à diretriz do
pensamento do autor. Neste primeiro contato, dependendo das motivações da leitura, o
leitor poderá levantar outros elementos que possam esclarecer mais a leitura.
Nessa primeira leitura corrida não convém resumir nem sublinhar as idéiaschave.
Todavia, é possível elaborar um modo sucinto um esquema das grandes partes do texto,
de preferência dos três momentos da relação: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão,
que expressam a estrutura lógica do pensamento do autor. O esquema para visualizar o
texto de modo global.
Poderá procurar dados sobre a vida e obra do autor, sobre o momento histórico
que ele viveu, sobre as influências que recebeu e até mesmo se elucidar sobre o
vocabulário que ele usa.
b) Leitura analítica - é a fase do exame do texto ou, como diz Paulo Freire, fase
"da relação dialógica com o autor do texto, cujo mediador não é o texto considerado
formalmente, mas o tema, ou os temas nele tratados".
Nesta etapa é necessário deixar o autor falar para tentar perceber o quê e como ele
apresenta o assunto. Quando estamos atentos ao texto, geralmente surge na mente um
conjunto de perguntas, cujas respostas revelam o sentido e o conteúdo da mensagem.
Exemplo de perguntas:
1. De que fala o texto?
2. Como está problematizado?
3. Qual o fio condutor da explanação?
4. Que tipo de raciocínio ele segue na argumentação?
Todavia, é necessário lembrar que a idéia central defendida pelo autor só pode
tomar corpo associada a outras idéias que são chamadas de secundárias em relação à
principal. Mas como trabalhar nesta fase da leitura?
A partir de unidades bem determinadas (parágrafos), tendo sempre à frente o
tema-problema, que é o fio condutor de todo o texto. Neste trabalho de análise o texto é
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Anexo ao IETAAM
subdividido refazendo toda a linha de raciocínio do autor. Para deixar às claras a idéia
central e as idéias secundárias do texto é fundamental a técnica de sublinhar.
DICAS
1 - Nunca sublinhar na primeira leitura.
2 - Só sublinhar as idéias principais e os pormenores significativos.
3 - Elaborar um código a fim de estabelecer sinais que indiquem o seu modo
pessoal de apreender a leitura. Ex.: um sinal de interrogação face aos pontos obscuros do
parágrafo; um retângulo para colocar em destaque as palavras-chave.
4 - Reconstruir o texto a partir das palavras sublinhadas em cada parágrafo.
A leitura analítica serve de base para a elaboração do resumo ou síntese do livro.
Convém lembrar que o resumo não é uma redução de idéias apreendidas nos parágrafos,
mas é fundamentalmente a síntese das idéias do pensamento do autor.
c) Leitura interpretativa - o ato de compreender se afirma no processo da
interpretação, que afinal expressa a nossa capacidade de assimilação e crítica do texto.
Nessa nova etapa de interpretação já não mais estamos apreendendo apenas o fio
condutor do raciocínio do autor como na leitura analítica.
Estamos nos posicionando face ao que ele diz. Para isso precisamos muitas vezes
de outras fontes de consulta. Elas deverão servir para ampliar a nossa visão sobre o
assunto e o autor e deste modo servir de instrumento de avaliação do texto.
Este momento de crítica, momento de muita ponderação, exige uma consciência
dos nossos pressupostos de análise diante dos pressupostos do autor. Se não houver
distinção provavelmente haverá interferência na compreensão dos fundamentos básicos
da mensagem.
Também é possível se estabelecer critérios de julgamento, como originalidade,
nova contribuição à exploração do assunto, coerência interna, etc. Todavia, esta postura
considerada objetiva pode estar tão presa à diretriz de uma escola que pode até mesmo
impedir a autocrítica e nos induzir a uma postura crítica inadequada em relação ao assunto
e ao autor.
O esforço de autocrítica nos permite perceber os limites da certeza da nossa
interpretação como também possibilita prestar maior atenção aos argumentos
apresentados pelo autor. Deste modo, ficamos sensíveis à demonstração da verdade e o
exercício da sua busca se torna o sentido do nosso estudo e trabalho acadêmicos.
Travessa Tiradentes, entre Siqueira Mendes e Getúlio Vargas
Em frente à Colônia Dos Pescadores
Anexo ao IETAAM
d) Problematização - Para termos certeza da compreensão do que foi lido, nada
mais indicativo do que o levantamento dos problemas do texto. Esse esforço nos faz rever
todo o texto dando-nos elementos para a reflexão pessoal e debate em grupo.
A Crítica
O que você entende por crítica? Repare que o ato de criticar é um juízo. Como
criticar sem conhecer a matéria que está analisando? Criticar por criticar é um ato
psicológico, mas não estritamente lógico. E o ato de se contrapor, mas, na maior parte das
vezes, sem fundamentos por falta de exame. Como estabelecer a verdadeira
correspondência entre os conceitos de um texto, se não se estabeleceu a ligação ou a
separação entre os dados?
O ato de estudar é um ato lógico, que exige uma consciência e um domínio dos
processos intelectuais próprios à abordagem dos problemas. De imediato as coisas ou as
idéias surgem numa unidade confusa. Indiferenciada, sincrética, que exige uma postura
de análise e síntese.
A análise é um processo de decomposição de um todo em partes, visando separar
os elementos de uma realidade complexa que pode ser tanto um objeto individual ou uma
idéia.
A análise não é apenas uma operação, é também um método, nesse sentido a
análise é uma divisão, parte de um dado singular, para chegar aos princípios gerais.
A síntese é um processo de composição dos elementos visando chegar a uma
totalidade. Mas também é um método que, partindo de um todo, estabelece ordem entre
os elementos chegando às últimas conseqüências.
Embora a análise muitas vezes se oponha à síntese. Elas devem em geral caminhar
juntas, já que uma complementa a outra. Se só se usa a análise há o perigo de se perder a
visão de Conjunto. Se só se emprega a síntese, pode-se alcançar o nível de interpretação
arbitrária.
Se o pensar não se identifica ao raciocinar porque sua extensão é mais ampla,
todavia é impossível pensar sem se usar os procedimentos da razão. E só deste modo se
pode argumentar, demonstrar e conseqüentemente criticar.
O Trabalho da Crítica do Pensamento
Marilena Chauí
...Normalmente se imagina que a crítica permite opor um pensamento verdadeiro
a um pensamento falso. Na verdade, a crítica não é isso. Não é um conjunto de conteúdos
Travessa Tiradentes, entre Siqueira Mendes e Getúlio Vargas
Em frente à Colônia Dos Pescadores
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verdadeiros que se oporia a um conjunto de conteúdos falsos. A crítica é um trabalho
intelectual com a finalidade de explicitar o conteúdo de um pensamento qualquer, de um
discurso qualquer, para encontrar o que está sendo silenciado por esse pensamento ou por
esse discurso. O que interessa para a crítica não é o que está explicitamente pensado,
explicitamente dito, mas exatamente aquilo que não está sendo dito. e que, muitas vezes,
nem sequer está sendo pensadode maneira consciente. Ou seja, a tarefa da crítica é fazer
falar o silêncio, colocar em movimento um pensamento que possa desvendar todo o
silêncio contido em outros pensamentos, em outros discursos.
Qual é a finalidade de fazer falar o silêncio, ou tornar explícito o implícito? Essa
finalidade é dupla.
Se quando explicito um pensamento ou um discurso, fazendo aparecer tudo
aquilo que estava em silêncio, tudo aquilo que estava implícito, se, ao fazer isso, o
pensamento ou o discurso que estou examinando se revela insustentável, se começa a
desmanchar, se dissolver, se destruir à medida que vou explicitando tudo que nele havia,
mas que ele não dizia, então a crítica encontrou algo muito preciso, encontrou a
IDEOLOGIA. A ideologia é exatamente aquele tipo de discurso, aquele tipo de
pensamento que contém um silêncio que, se for dito, destrói a coerência, a lógica da
ideologia.
Mas esse trabalho crítico pode encontrar uma outra coisa também. É
perfeitamente possível que, ao fazer falar o silêncio de um pensamento ou de um discurso
ao explicitar o seu implícito, o que se revele para nós seja um pensamento ainda mais rico
do que havíamos imaginado, ainda mais coerente do que havíamos imaginado, ainda mais
importante do que havíamos imaginado, capazes de nos dar pistas para pensar, caminhos
novos, justamente porque pudemos perceber muito mais do que o que parecia à primeira
vista estar contido nele. Nesse caso, a crítica encontrou um pensamento verdadeiro e,
mais do que um pensamento verdadeiro, encontrou uma obra de pensamento
propriamente dita. Ou seja, o que diferencia uma obra de pensamento de uma ideologia é
o fato de que, na obra de pensamento, a descoberta de tudo o que estava silenciosamente
contido nela, de tudo aquilo que nela pedia interpretação, de tudo aquilo que nela pedia
revelação, explicitação, desdobramento, é aquilo que faz, no caso de uma ideologia, a
destruição do próprio pensamento.
Assim, a tarefa da crítica não é trazer verdades para se opor à falsidade; mas
realizar um trabalho interpretativo com relação a pensamentos e discursos dados, para
explicitar o implícito ou fazer falar seu silêncio, de tal modo que a abertura de um novo
campo de pensamento através da crítica revela a descoberta de uma obra de pensamento,
enquanto a destruição da coerência e da lógica do que foi explicitado revela que
descobrimos uma ideologia.
Travessa Tiradentes, entre Siqueira Mendes e Getúlio Vargas
Em frente à Colônia Dos Pescadores
Anexo ao IETAAM
A crítica não é, portanto, um conjunto de conteúdos verdadeiros, mas uma forma
de trabalhar. A forma de um trabalho intelectual, que é o trabalho filosófico por
excelência. Nesse sentido, excluir a Filosofia de uma Universidade é, provavelmente,
abolir o lugar privilegiado da realização da crítica. Obviamente, tem-se medo da crítica,
pois se a crítica não traz conteúdos prévios, mas é descoberta de conteúdos escondidos,
então ela é muito perigosa...
(MARILENA CHAUÌ - O Papel da Filosofia na Universidade. Cadernos SEAF, nº 1.)
HÜHNE, Leda Miranda (Org.). O ato de estudar. In: Metodologia Científica. 4ª ed. Rio de Janeiro, Agir, 1990.
COMO FAZER A REDAÇÃO DO ENEM
A prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio solicita aos estudantes
a redação de um texto dissertativo-argumentativo para um determinado tema, seja ele de
ordem social, cultural, científica ou até mesmo politica. O autor, nesse texto, deve
defender um ponto de vista partindo de argumentos claros e concretos que permitam a
apresentação de uma proposta de intervenção com finalidade de resolver a problemática
que foi desenvolvida ao longo da produção textual.
Para se alcançar a nota máxima, o texto deve atender a cinco competências, nas
quais cada uma vale 200 pontos, que podem ser descontados de 40 em 40 (se o texto não
as atender) até à chegar nota 0. São elas:
COMPETÊNCIA I
Demonstrar domínio da modalidade
escrita formal da Língua Portuguesa.
COMPETÊNCIA II
Compreender a proposta da redação e
aplicar conceitos de várias áreas do
conhecimento para desenvolver o tema,
dentro dos limites estruturais do texto
dissertativo-argumentativo em prosa.
COMPETÊNCIA III
Selecionar, relacionar, organizar e
interpretar informações fatos, opiniões e
argumentos em defesa de um ponto de
vista.
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Em frente à Colônia Dos Pescadores
Anexo ao IETAAM
COMPETÊNCIA IV
Demonstrar conhecimento dos
mecanismos linguísticos necessários para
a construção da argumentação.
COMPTÊNCIA V
Elaborar proposta de intervenção
relacionada ao problema abordado,
respeitando os direitos humanos.
Fonte: mesalva.com
Vejamos o exemplo a seguir:
TEMA: "Democratização do acesso ao cinema no Brasil" (ENEM 2019)
REDAÇÃO NOTA 1000
“Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à cultura como direito de
todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa
garantia, principalmente no que diz respeito ao cinema”. Isso acontece devido à
concentração de salas de cinema nos grandes centros urbanos e à concepção cultural de que
a arte direcionada aos mais favorecidos economicamente.
É relevante abordar, primeiramente, que as cidades brasileiras foram construídas
sobre um viés elitista e segregacionista, de modo que os centros culturais estão, em sua
maioria, restritos ao espaço ocupado pelos detentores do poder econômico. Essa dinâmica
não foi diferente com a chegada do cinema, já que apenas 17% da população do país
frequenta os centros culturais em questão. Nesse sentido, observa-se que a segregação social
- evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de
Holanda, no livro "Raízes do Brasil" - se faz presente até os dias atuais, por privar a
população das periferias do acesso à cultura e ao lazer que são proporcionados pelo cinema.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que a concepção cultural de que a arte não
abrange a população de baixa renda é um fato limitante para que haja a democratização plena
da cultura e, portanto, do cinema. Isso é retratado no livro "Quarto de Despejo", de Carolina
Maria de Jesus, o qual ilustra o triste cotidiano que uma família em condição de
miserabilidade vive, e, assim, mostra como o acesso a centros culturais é uma perspectiva
distante de sua realidade, não necessariamente pela distância física, mas pela ideia de
pertencimento a esses espaços.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da democratização do cinema é
imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é
imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para a construção de salas de
cinema, de baixo custo ou gratuitas, nas periferias brasileiras por meio da inclusão desse
objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de descentralizar o acesso à arte.
Além disso, cabe às instituições de ensino promover passeios aos cinemas locais, desde o
Travessa Tiradentes, entre Siqueira Mendes e Getúlio Vargas
Em frente à Colônia Dos Pescadores
Anexo ao IETAAM
início da vida escolar das crianças, mediante autorização e contribuição dos responsáveis, a
fim de desconstruir a ideia de elitização da cultura, sobretudo em regiões carentes. Feito isso,
a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito
cultural.”
Ana Clara Socha
SUGESTÕES DE LEITURA
BAGNO, Marcos. Gramática de bolso do português brasileiro. São Paulo:
Parábola Editorial, 2013.
BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim. São Paulo: Parábola editorial,
2009.
BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. São Paulo:
Nova Fronteira, 2010.
GUEDES, Paulo Coimbra. Da redação escolar ao texto: um manual de redação.
Porto Alegre: Editorada UFRGS, 2002.
MORENO, Cláudio. Guia Prático do Português Correto. Porto Alegre: LP&M,
2010. [4 volumes]
HOUAISS, Instituto Antônio. Escrevendo pela Nova Ortografia. São Paulo:
Publifolha, 2009.
REFERÊNCIAS
https://oglobo.globo.com/arquivos/manual-avaliadorENEM2013.
http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_participante/2013/guia_de_redacao_en
em_2013.
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/generos-textuais
https://brasilescola.uol.com.br/redacao/texto-dissertativo-argumentativo.
http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2016/edital_enem_2016.pdf
https://enem.inep.gov.br/antes
https://oglobo.globo.com/arquivos/manual-avaliadorENEM2013
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http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2016/edital_enem_2016.pdf
https://enem.inep.gov.br/antes