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Lesões Elementares

Apostila sobre lesões elementares da pele: define lesões primárias e secundárias, orienta anamnese e exame dermatológico (história de atopia, ocupação, fármacos) e classifica alterações de cor: pigmentares, vasculares e hemorrágicas.

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Anny Beatriz Barreto Costa 
Lesões Elementares 
Introdução 
 É válido lembrar que várias condições patológicas de outros 
sistemas podem manifestar sintomas no tecido cutâneo. 
 São modificações na pele que podem ter diversas etiologias 
(processo inflamatório, degenerativo, circulatório, 
neoplásico...). 
 As lesões podem ser primárias, que é a lesão original na pele 
“sadia”, e entre elas se encontram pápulas, pústulas, mácula, 
mancha, vesícula, eritema, placa e bolha. 
 Já as lesões secundárias são produzidas por agressão 
externa/ em consequência das lesões primárias. São elas: 
crosta, cicatriz, escoriação, erosão, escara, úlcera, escama e 
fissura. 
Anamnese e exame físico 
 Seguiremos toda ortodoxia semiológica de uma anamnese 
comum. Pois, fatores como a raça, a profissão, a procedência, 
e outros serão imprescindíveis para um bom diagnóstico. 
 Informações importantes: 
1. História pessoal ou familiar de atopia (predisposição a 
reações de hipersensibilidade a substâncias comuns), 
pois pode ser uma dermatite atópica, 
2. Exposição ocupacional: dermatite de contato. 
3. Exposição prolongada ao sol ou outras formas de 
radiação. Pode ser casos de tumores cutâneos. 
4. Doenças sistêmicas como diabetes, cândida, hepatite 
C... 
5. História sexual (sífilis e gonorreia). 
6. Uso de fármacos (síndrome de Stevens- Johnson, 
necrólise epidérmica tóxica). 
7. História de viagens (doenças de Lyme, infecções de 
pele). 
 Na avaliação, é importante definir uma série de fatores como 
a localização, a distribuição (focal, distribuída, topográfica), o 
padrão, a forma (anelar, linear..), o tipo (eritema, bolha..), etc. 
 O exame físico dermatológico, deve ser realizado com uma 
iluminação adequada (de preferência luz natural), e o paciente 
deve estar sem roupa. 
 Nele, são investigados: Coloração (palidez generalizada ou 
segmentar, vermelhidão, bronzemanto, cianose, icterícia), 
integridade (ausência de lesão na superfície) , umidade, textura 
(pele lisa, normal, áspera, enrugada) , temperatura, 
elasticidade (percebida ao tracionar a pele) , mobilidade, 
turgor (analisada pinçando a pele com o polegar e o indicador), 
sensibilidade, lesões elementares. 
Lesões Elementares – Alterações de cor 
 São circunscritas sem alteração da textura ou do relevo, 
apenas da cor. 
 As células permanecem inalteradas, o que ocorre é o acúmulo 
de pigmento. 
 São divididas em manchas (maior que 1 cm e sem relevo) e 
mácula ( menor que 1 cm e sem relevo). 
 Divisão delas por motivo que causou alteração da cor: 
1. Pigmentares: resultantes de alterações da melanina. 
Podem ser hipocrômicas/acrÔmicas (diminuição ou 
ausência da melanina), observadas no vitiligo, pitríase 
alba, albinismo, hanseníase. Hipercrômicas, como o 
pelagra, melasma, cloasma gravidício. Por pigmento 
endógeno, no caso da hemossiderina (acúmulo de 
ferro causando escurecimento), bilirrubina 
(amarelamento). Por pigmento exógeno, como o 
consumo de muito caroteno (pele amarelada ou 
alaranjada), metais (máculas escurecidas), Além de 
substâncias aplicadas topicamente como antralina, 
nitrato de prata e pergamanato de potássio.. Obs: 
Eféildes, são as sardas. 
 
Vitiligo 
 
 
Hemossiderina- efeito na pele 
 
Anny Beatriz Barreto Costa 
 
 
2. Vasculares: Decorrem por distúrbios da 
microcirculação da pele. Diferente das 
hemorrágicas, somem quando aplicamos técnicas 
como a digitopressão. 
Podem ocorrer por modificações circulatórias, estas 
são transitórias, como a cianose ou o eritema 
(provocado por vasodilatações cutâneas, seja por 
processo infeccioso ou inflamatório. Quando vem 
acompanhado de calor local chamamos de eritema 
quente, geralmente em casos de infecções e quando 
não, chamamos de eritema frio, comum na urticária 
e processos alérgicos) apresenta-se com manchas de 
coloração avermelhada e podem aparecer com 
outras lesões. Na sífilis, podemos evidenciar máculas 
eritematosas. Lembrar também da mancha anêmica, 
que é uma mancha branca causada por diminuição 
ou ausência de vasos sanguíneos, quando fazemos a 
digitopressão a pele ao redor fica de coloração igual. 
Também podem ocorrer em decorrência de 
neoformação vascular, são permanentes devido à 
instalação de novas células endoteliais dotadas de 
neovascularização. São as telangiectasias (dilatação 
dos vasos terminais, podem se apresentar como 
microvarizes, varículas, aranhas vasculares) e os 
angiomas (aumento do número de capilares, com a 
formação de uma lesão cutânea de aspecto tumoral). 
 
 
Sífilis 
 
 
 
 
3. Hemorrágicas/púrpuras: Suas representantes são: 
Petéquias ( lesões puntiformes que, quando ganham 
volume, podem caracterizar uma vasculite).Víbices 
(Petéquias lineares) .Equimose: ( Quando apresentam 
formato de placa, mas sem elevação da pele). A 
coloração das manchas hemorrágicas varia de 
vermelho-arroxeado ao amarelo. Nas grandes e 
médias equimoses, as mudanças de coloração 
seguem um determinado período de tempo, condição 
dada pela fagocitose.Até 48h: avermelhadas.48h–
96h: arroxeadas.5º-6º dia: azuladas.6–8º dia: 
amareladas.Após 9º dia: retorno a cor normal. 
Hematoma: é designado quando o extravasamento de 
sangue foi suficientemente grande para causar uma 
elevação da pele(o que o diferencia da equimose). 
Anny Beatriz Barreto Costa 
 
Petéquias 
 
Vibrices 
 
Equimose 
Lesões Elementares- Formações sólidas 
 Pápula: tem tamanho menor que 1 cm, com bordas bem 
delimitadas e da cor da pele circundante, possui relevo. 
Causada por acúmulo de material na epiderme. Dermatoses 
que podem causar pápulas: leishmaniose, blastomicose, acne, 
hanseníase. 
 
 Placa: lesão em forma de disco, por extensão ou coalescência. 
Maiores que 1 cm e geralmente com relevos planos. A sua 
superfície pode ser descamativa, crostosa, queratinizada ou 
macerada. 
 
 Tubérculo: lesão de consistência mole ou firme, com mais de 
1cm, ocorre em decorrência de acúmulo de células 
inflamatórias da pele, geralmente desenvolvem cicatriz. Pode 
ser manifestação de doença granulomatosa. Estão na derme. 
Observadas na sífilis, tuberculose, hanseníase, etc. 
 
 
 Nódulo: lesões acima de 1,0 cm. Podendo ser mais palpável que 
visível. Localizado na hipoderme. Podendo ser elevado ou 
profundamente na derme, medindo 1 a 3cm. Infiltrado sólido. 
 
 Goma: nódulo que sofre evolução em 4 fases (endurecimento, 
amolecimento, esvaziamento, reparação) em decorrência de 
um processo inflamatória. Ocorre na tuberculose cutânea. 
Anny Beatriz Barreto Costa 
É um nódulo que se liquefaz no centro, drenando a 
substância. 
 
 Tumoração: lesão maior que 3,0cm. 
 
 Vegetação: crescimento exofítico pela hipertrofia das papilas 
dérmicas. Podem ser verrucosas ou condilomatosas ( quando 
a vesícula é localizada na mucosa e se tornam úmidas). 
 
 
Lesões elementares- Coleções líquidas 
 Vesícula: Menor que 1,0cm, intra-epidérmica, conteúdo líquido e 
claro. Se diferenciam da pápula justamente pelo conteúdo 
líquido. O examinador deve observar se elas estão agrupadas 
ou isoladas, pois essas características indicam diagnósticos. 
Quando agrupadas, com base eritematosa, suspeitar de herpes 
zoster. 
 
 
 Bolha: Diâmetro superior a 1,0cm, situa-se na epiderme ou 
entre a derme e epiderme. Seu conteúdo é seroso e claro, 
depois pode se tornar purulenta (infecção= pústula) ou 
hemorrágica. Vistas nas queimaduras, piodermites, alergias 
medicamentosas. 
 
 Cisto: apresenta um líquido mais firme e denso que a bolha. São 
tumores benignos relativamente comuns. A pele que o recobre 
é móvel, exceto nas proximidades do pequeno orifício central, 
por esse orifício que podem entrar bactérias e que extravasa 
conteúdo gorduroso, com queratina. 
 
 Pústula: lesão circunscrita da epiderme contendo pus com até 
1,0 cm. Encontradas na acne, na psoríase pustulosa... 
 
Anny Beatriz Barreto Costa 
 
 Abscesso: Pode se localizar na derme ou tecido subcutâneo, 
geralmente acompanhado de sinais inflamatórios e sãomaiores que 1.0cm . Podem drenar na pele como coleção 
purulenta ou como nódulo eritematoso. Exemplo: furunculose, 
blastomicose... 
 
 
Lesões elementares- alterações da espessura 
 Liquenificação: lesão sólida que ocorre devido ao atrito gerado 
pelo prurido. Nela, ocorre o espessamento da pele com 
acentuação das estrias. Também se enquadra em lesão de 
espessamento. 
 
 Infiltração: aumento da consistência e espessura da pele, que 
se mantém depressível e sem acentuação das estrias. Ex: 
hanseníase virchowiana. 
 
 Queratose: a pele se torna mais consistente, dura e 
inelástica, em consequência do espessamento da camada 
córnea. Ex: calo. 
 
 Esclerose: aumento da consistência da pele, que se torna 
mais firme, aderente aos planos profundos e difícil de ser 
pregueada entre os dedos. Caracterizada por área de pele 
atrófica, mais fina do que o normal, embora seja mais dura, 
com perda de mobilidade devido ao acúmulo de fibras 
colágenas. 
 
 Edema: acúmulo de líquido no espaço intersticial. A pele 
torna-se lisa e brilhante. 
 Atrofias: decorrente da diminuição da quantidade de células 
na epiderme. Pode ocorrer em decorrência de patológico 
(Lúpus) e/ou pela utilização de determinados medicamentos 
(corticosteroides tópicos). Na semiotécnica, durante a 
palpação, podemos evidenciar uma diminuição da superfície 
cutânea. A estria é um tipo de atrofia. 
 
Anny Beatriz Barreto Costa 
 Cicatriz: reparação conjuntiva e epitelial da pele 
traumatizada. Pode ser atrófica (processo cicatricial que 
cursa com perda da quantidade e depressão da pele por 
sobre a lesão antiga), hipertrófica (ocorre quando a cicatriz 
acompanha a margem do insulo traumático. Tem uma boa 
resolução, geralmente, em até 6 meses), ou em forma de 
queloide (neste caso, a lesão prolonga-se além da margem da 
lesão. A cicatriz dura mais de 6 meses, com aspecto 
diferente.). 
 
 
Lesões elementares- perdas e reparações 
teciduais 
 Escamas: lâminas epidérmicas secas que tendem a 
desprender-se da superfície cutânea. Se apresentarem o 
aspecto de farelo são furfuráceas, e quando em tiras, 
lamilares ou foliáceas. Resultante do acúmulo de 
queratinócitos, em decorrência de distúrbio da 
queratinização. Ex: caspa, psoríase.... 
 
 
 Erosão ou exulceração: acomete apenas a epiderme (perda 
parcial dela), pode ser traumática ou não, e neste caso é 
secundária, decorrente da ruptura de vesículas, bolhas e 
pústula. Ao regenerarem-se não deixam cicatrizes. 
 
 Úlcera ou ulceração: Acomete toda a derme e/ou hipoderme. 
Diferentemente das anteriores, por ser bastante profunda, 
pode evoluir com cicatriz. Suas bordas são elevadas e bem 
delimitadas(tal fato a diferencia da escoriação), comum nas 
lesões do calazar (leishmaniose). O conteúdo interno da 
úlcera é um importante delineador da terapia a ser 
instituída; em casos de conteúdo necrótica, indica-se o 
desbridamento. 
 
 Escoriação: Lesão superficial linear traumática (frequente 
em quedas, prurido intenso), que somente acomete até a 
epiderme. 
 
Fissura: Perda de substância linear, superficial ou profunda não 
causada por instrumento cortante. Comprometem a epiderme e 
a derme. Decorrente de um trauma (atrito),processo infeccioso 
(fungos), etc. 
 
Anny Beatriz Barreto Costa 
 Fístula: Trajeto (pertuito) linear sinuoso e profundo, de modo 
que comunique duas cavidades ou um plano profundo com o 
meio externo, podendo ou não eliminar substância. Geralmente 
com borda fibrótica, por onde se dá a drenagem de material 
proveniente de foco supurativo ou necrótico profundo. 
 
 Crosta: Ressecamento de secreção serosa, sanguínea, 
purulenta ou mista , que recobre a área previamente lesada. 
 
 Escara: porção de tecido cutâneo necrosado, resultante da 
pressão isolada ou combinada com fricção. A área mortificada 
torna-se insensível, tem cor escura e é separada do tecido 
sadio por um sulco.

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