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UNIDADE 1 | VOCÊ NO ENSINO SUPERIOR 6 3 OS MODELOS DE ENSINO SUPERIOR OU UNIVERSITÁRIO Como vimos na origem das universidades, a ideia embutida era de um ensino voltado para o conhecimento filosófico, crítico e um envolvimento com a pesquisa. De que forma podemos, então, observar a origem daquilo que hoje entendemos como universidade, debruçada sobre investigações e em conhecimento científico? Segundo Paula (2009, p. 72): “Da França e da Prússia emergiram, no início do século XIX, as primeiras universidades modernas e laicas: a napoleônica, para formar quadros para o Estado, e a de Berlim, com ênfase na integração entre ensino e pesquisa e na busca da autonomia intelectual”. De acordo com Paula (2009), esses dois modelos influenciaram a formação universitária no Brasil. Do modelo francês, ainda segundo a autora, herdamos a formação profissionalizante, voltada para o mercado de trabalho. Do modelo alemão, a pretensão de uma formação humanística, geral, não pragmática, baseada no tripé francês: Filosofia, Ciências e Letras. Assim, vemos surgir os modelos que chegam ao Brasil, construindo aquilo que entendemos como universidade na atualidade. Essas universidades são apontadas como as primeiras, uma vez que estejamos estudando as origens das universidades brasileiras. Enquanto há outros autores que apontam universidades mais antigas, em configurações diferentes. Há correntes que afirmam que a primeira universidade do mundo foi o Museu de Alexandria (ROSA, 2012), com mais de 500 mil rolos de papiro e 100 professores trabalhando nela. Caso o foco desta unidade fosse investigar a origem de todas as correntes e pensadores que contribuíram para a construção da ciência, esta unidade, de fato, ficaria bastante extensa e perderia seu foco. O interesse dessa discussão inicial está em compreender melhor a universidade brasileira hoje. Fazer ciência também é isso: não entender os fatos do presente como algo pronto e acabado, sem origem, sem história. Falar sobre ciência, modelos, técnicas, antes de tudo, é entender as influências dessas nossas práticas. Se hoje a universidade brasileira faz ensino, pesquisa e extensão – sendo essa a busca, aquilo que é defendido e discutido em congressos e eventos das mais variadas áreas –, faz-se necessário entender, ainda que brevemente, os modelos que seguimos e almejamos no presente. O modelo norte-americano também deixa marcas na organização e na estrutura da universidade brasileira. A reforma de 1968 – durante o período militar – coloca a universidade mais vinculada ao mercado de trabalho. Afinal de contas, a educação também havia sido atrelada ao desenvolvimento econômico. Entre outras alterações estruturais feitas, Paula (2009, p. 77) destaca a incorporação da “ideia moderna de extensão universitária”. Contudo, citar Extensão Universitária dessa forma, a nosso ver, dá a impressão de que nada, anteriormente, estava sendo feito no país em termos de Extensão Universitária. Ainda que fossem práticas pontuais, a extensão já tinha uma história própria, já estava sendo desenvolvida em nosso país.