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PRÁTICAS 
FORMATIVAS EM 
EXTENSÃO
Professora Me. Daniele Moraes Cecílio Soares
Professora Esp. Daniela Sikorski 
Professora Esp. Valéria Cristina da Costa
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; SOARES, Daniele Moraes Cecílio; SIKORSKI, Daniela; 
COSTA, Valéria Cristina da. 
 
 Práticas Formativas em Extensão. Daniele Moraes Cecílio So-
ares; Daniela Sikorski; Valéria Cristina da Costa. 
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpressão - 2018
 162 p.
“Graduação - EaD”.
 
 1. Ensino. 2. Pesquisa . 3. Extensão 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0875-3
CDD - 22 ed. 378.
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida 
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de 
Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Nayara G. Valenciano
Bárbara Neves
Iconografia
Isabela Soares Silva
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Arthur Cantarelli Sivla
Qualidade Textual
Helen Braga do Prado
Érica Fernanda Ortega
Ilustração
Marta Kakitani
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um 
grande desafio para todos os cidadãos. A busca 
por tecnologia, informação, conhecimento de 
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma 
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar 
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir 
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a 
educação de qualidade nas diferentes áreas do 
conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais 
e sociais; a realização de uma prática acadêmica 
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização 
do conhecimento acadêmico com a articulação e 
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela 
qualidade e compromisso do corpo docente; 
aquisição de competências institucionais para 
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade 
da oferta dos ensinos presencial e a distância; 
bem-estar e satisfação da comunidade interna; 
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de 
cooperação e parceria com o mundo do trabalho, 
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Pró-Reitor de 
Ensino de EAD
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou 
seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de 
Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista 
às aulas ao vivo e participe das discussões. Além dis-
so, lembre-se que existe uma equipe de professores 
e tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza-
gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e 
segurança sua trajetória acadêmica.
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A
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Professora Me. Daniele Moraes Cecílio Soares
Mestre em Serviço Social pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná 
– Unioeste (2016). Especialista em Gestão e Planejamento de Programas e 
Projetos Sociais pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2013). 
Bacharel em Serviço Social pelo Centro Universitário de Maringá - Unicesumar 
(2011). Em 2014 iniciou como professora mediadora no Curso de Serviço 
Social do Núcleo de Educação a Distância – NEAD Unicesumar e atualmente 
é professora formadora do referido curso de graduação.
Conferir mais detalhes em: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/
visualizacv.do?id=K4477762U1>.
Professora Esp. Daniela Sikorski
Especialista em Políticas Sociais e Gestão de Serviços Sociais pela 
Universidade Estadual de Londrina (UEL/2005). Graduada em Serviço Social 
pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/2001). Especialização em 
andamento em MBA Gestão de Pessoas pelo Centro Universitário Cesumar 
(Unicesumar). Docente e Supervisora Acadêmica da Unicesumar, autora de 
livros e materiais pedagógicos do Curso de Serviço Social. Gestora de Pessoas 
e Relacionamento no Hospital Gastroclínica de Londrina. Experiência na área 
de Serviço Social Educacional, Serviço Social Organizacional, Terceiro Setor, 
Responsabilidade Social, Gestão de Voluntariado, Qualidade e Acreditação 
Hospitalar. 
Conferir mais detalhes em : <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/
visualizacv.do?id=K4243572E7>.
Professora Esp. Valéria Cristina da Costa
Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina 
(1998) MBA em RH - UNICESUMAR. Tem experiência na área de supervisão de 
benefícios sociais, gestão de responsabilidade social e na gestão da política 
pública de Assistência Social. Atualmente, professora da UNICESUMAR 
- Maringá do curso de Serviço Social - EAD, coordenadora de estágio pela 
mesma instituição.
Conferir mais detalhes em: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/
visualizacv.do?id=K4328770P1>.
SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) aluno(a), é com imensa satisfação que nós, professoras Daniela, Daniele e Valéria, 
trazemos para o debate a importância das “Práticas Formativas em Extensão”, conteúdo 
que emerge, na contemporaneidade, como fundamental para a formação acadêmica,profissional e cidadã.
Na Unidade I aborda-se a função da universidade tripé: ensino - pesquisa - extensão, em 
que são trabalhados estes conceitos e sua relação indissociável no processo de ensino 
e aprendizagem.
A Unidade II apresenta a extensão universitária: o papel da extensão universitária para a 
formação acadêmica, suas competências, articulações, viabilidade, contribuições e pos-
sibilidades.
A Unidade III refere-se à relevância da interdisciplinaridade no trabalho comunitário, 
estendendo como o desenvolvimento de ações interdisciplinares, colaboram na inter-
face dos conhecimentos específicos de cada área para a resolutividade efetiva em prol 
da qualidade de vida aos indivíduos atendidos, bem como a retribuição da academia 
junto à comunidade de seu entorno, em que esta troca entre conhecimentos e saberes 
populares complementam o aprendizado in locu.
Na Unidade IV discute-se a extensão universitária e o estágio supervisionado em Ser-
viço Social, uma vez que é de extrema importância conhecer os aspectos históricos e a 
relação com ensino e a pesquisa na construção da profissão, para compreender e refletir 
teoricamente sobre o projeto extensionista para o processo de formação.
Na Unidade V elegeu-se o debate sobre a experiência da extensão universitária no Nú-
cleo de Prática Jurídicas da Unicesumar: um estudo de caso, para apresentar os projetos 
de extensão universitária desenvolvidos pelo Serviço Social na perspectiva interdisci-
plinar.
Esse momento da formação acadêmica e profissional de cada um seja contemplado 
com o aprendizado da relação indissociável entre o ensino-pesquisa-extensão.
Bons estudos e até mais!
APRESENTAÇÃO
PRÁTICAS FORMATIVAS EM EXTENSÃO
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E 
EXTENSÃO
15 Introdução
16 A Universidade no Mundo 
21 A Universidade no Brasil 
27 Tripé: Ensino – Pesquisa – Extensão 
41 Considerações Finais 
47 Referências 
50 Gabarito 
UNIDADE II
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PAPEL DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA 
PARA A FORMAÇÃO ACADÊMICA
53 Introdução
54 Revisando o Conceito de Extensão Universitária 
63 Plano Nacional de Extensão – (2000) 
64 As Ações de Extensão 
70 Considerações Finais 
77 Referências 
79 Gabarito 
SUMÁRIO
10
UNIDADE III
A RELEVÂNCIA DA INTER-DISCIPLINARIDADE NO TRABALHO 
COMUNITÁRIO
83 Introdução
84 Conceituando Interdisciplinaridade 
89 O Trabalho Comunitário na Universidade 
95 Como se Organiza o Desenvolvimento Comunitário 
101 A Interdisciplinaridade e a Extensão Universitária no Serviço Social 
104 Considerações Finais 
109 Referências 
112 Gabarito 
UNIDADE IV
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM 
SERVIÇO SOCIAL
115 Introdução
116 Extensão Universitária: Aspectos Históricos, Propostas e Relevância para 
Formação Profissional
120 A Extensão e o Projeto Ético-Político Profissional 
123 A Extensão Enquanto Espaço para o Desenvolvimento do Estágio 
Supervisionado
SUMÁRIO
11
127 Considerações Finais 
132 Referências 
135 Gabarito 
UNIDADE V
A EXPERIÊNCIA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NO NÚCLEO DE 
PRÁTICA JURÍDICAS DA UNI-CESUMAR: UM ESTUDO DE CASO
139 Introdução
140 O Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar e o Atendimento Sócio-Jurídico
145 A Mediação de Conflitos nas Relações Familiares e Escolares 
150 Considerações Sobre a Contribuição do Serviço Social na Extensão 
Universitária
153 Considerações Finais 
160 Referências 
161 Gabarito 
162 Conclusão 
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Professora Esp. Daniela Sikorski
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE 
– TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E 
EXTENSÃO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Proporcionar ao acadêmico a história do Ensino Superior e 
Universidade nos principais países do mundo. 
 ■ Proporcionar ao acadêmico o conhecimento acerca do surgimento 
das Universidades Brasileira. 
 ■ Refletir acerca do Papel da Universidade e a necessidade da 
compreensão acerca do tripé: Ensino – Pesquisa – Extensão.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ A universidade no mundo 
 ■ Universidade no Brasil 
 ■ Tripé: Ensino – Pesquisa – Extensão
INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a) a esta nova etapa da sua formação profissional. A cada dia 
você se aproxima mais do seu sonho, que será realizado graças ao seu empenho 
e desempenho!
Nesta unidade de estudo, veremos mais a fundo o universo da formação 
superior, a universidade, qual a sua função, qual o seu papel junto às pessoas e 
a sociedade, como foi a sua formação e desenvolvimento em vários países do 
mundo até chegarmos ao Brasil.
Tenha em mente que estando na universidade, fazendo um curso superior, 
você também está auxiliando na construção desta universidade.
Estar na universidade é fazer história, a sua e a da Instituição onde você está! 
Ao mesmo tempo em que você a influencia, é também influenciada por ela, você 
já pensou nisso? Já pensou que a sua presença também influencia o espaço e his-
tória da Universidade, neste caso a Unicesumar?
Essa influência independe se o ensino é à distância ou presencial, pois a sala 
de aula ultrapassa os muros da instituição.
A Universidade deve contemplar as experiências, vivências, discussões, 
reflexões na (re)construção de saberes, deve estimular e exercitar a criticidade, 
buscando cada vez mais profissionais aptos e capacitados a atuar na sociedade, 
pois toda profissão está e deve estar a serviço da sociedade e suas necessidades, 
pois nenhuma profissão existe por acaso.
Veremos, nesta unidade, o ensino, a pesquisa e extensão e o que eles signifi-
cam na formação profissional, a relevância deste tripé na formação profissional 
e na construção de saberes, pois não existe formação sem o ensino, não existe 
ensino sem pesquisa, não existe pesquisa e ensino sem a extensão.
Esse tripé possibilita o encontro dos diferentes conhecimentos, na constru-
ção de conhecimentos atualizados, que dão seguimento da vida em sociedade, 
em seus aspectos sociais, culturais, políticos, econômicos etc. Sendo assim, boa 
leitura e bons estudos! 
Introdução
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A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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 A UNIVERSIDADE NO MUNDO
 Iniciamos toda nossa discussão e reflexão com o seguinte pensamento: não existe 
teoria sem prática e prática sem teoria, ambas precisam ser experienciadas, sen-
tidas, vividas e refletidas para que ganhem sentido e se tornem ação profissional.
Definir Universidade é procurar entender que, além da compreensão do 
conhecimento científico e técnico, devemos compreender todo o contexto no 
qual ela é formada e existe. Envolve cultura, interesses que dizem respeito ao 
futuro de toda uma nação, envolve socialização e formação técnica.
A universidade, assim como todas as instituições educacionais estão para 
preparar o ser humano para que este assuma seu papel ocupacional e profissio-
nal. Todo ser humano é um transmissor da cultura da sociedade, provocando 
mudanças e restabelecendo novas formas de relacionar-se entre seus pares.
Para iniciarmos nossos estudos vamos conhecer um pouco mais sobre a tra-
jetória histórica das Universidades no mundo:
[...] na Antiguidade Clássica, o Ocidente, principalmente na Grécia e 
em Roma, já dispunha de escolas tidas como de alto nível, para formar 
especialistas de classificação refinada em medicina, filosofia, retórica, 
direito. Discípulos se reuniam em torno de um mestre, cuja considerá-
vel bagagem de conhecimentos era zelosamente transmitida. Aos discí-
pulos cabia aprender do mestre, espelho e modelo de aperfeiçoamento. 
 A Universidade no Mundo
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Cada mestre conduzia sua escola, fazia escola. Tinha-se, pois nesses 
tempos, uma comunidade de discípulos gravitando em torno de um 
mestre, de uma cabeça de escola (LUCKESI et al., 2003, p. 30). 
 Esse processo de “ensino superior”, apontado na citação anterior, sofreu uma 
interrupção entre os séculos V e X, devido às invasões bárbaras, sendo que no 
final da Idade Média nasce oficialmente (para efeitos históricos) a “Universidade”, 
de forma mais estruturada e formal. 
 A Igreja Católica desse tempo é responsável pela unificação do ensino 
superior em um só órgão, a ‘universidade’. Isto ocorre como resultante 
de todo um esforço da Igreja no sentido de fundamentar a sua ação 
política e religiosa, enquanto preparava seus quadros, o clero especifi-
camente (LUCKESI, et al., 2003, p. 30-31).
 Nesse contexto, a Igreja Católica imprime uma forte influência religiosa, 
 […] que, naquelas circunstâncias, gerava o dogmatismo, a imposição 
de verdades, tão a gosto dos ambientes autoritários ainda nos nossos 
dias; as universidades não ficam ilesas do ambiente dogmático. Por ou-
tro lado, é nesses tempos que nasce e se cultiva, nas escolas universitá-
rias, o hábito das discussões abertas, dos debates públicos, das disputas 
como elementos integrantes do currículo e especificidade de certas dis-
ciplinas. É claro que tais debates sempre aconteciam sob a vigilância de 
um professor que, além de ponderador, garantia a ortodoxia das ideias 
e eventuais conclusões (LUCKESI, et al., 2003, p. 31). 
A partir da citação anterior, percebe-se que os conhecimentos produzidos giram 
em torno da verdade da fé e religião, na qual a Filosofia e seus pensadores se 
fazem muito presentes, como Aristóteles e Platão. Tais pensadores ainda exer-
cem muita influência nos dias atuais, contribuindo para a sistematização lógica, 
séria e rigorosa do conhecimento científico. 
Passamos assim para a questão do Ensino Superior, suas escolas e Universidades 
na Idade Moderna (XVII), onde 
 [...] notamos, nesses tempos, uma considerável diversificação do co-
nhecimento humano e uma fragmentação dos órgãos de transmissão 
do saber. [...] Nessa fase a universidade se caracteriza pelas ações dog-
máticas, ditadas, como verdades incontestáveis, de cátedras. Os dog-
mas eram impostos – ensinados – através de teses autoritariamente 
demonstrativas. Tais teses, se contestadas, geravam ira das autoridades 
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
e das instituições guardiães da ortodoxia, o que implicava sempre em 
penas que variavam de acordo com a gravidade da contestação, como 
a fogueira, prisão, afastamento das funções, perda da cátedra, excomu-
nhão, index, etc. (LUCKESI, et al., 2003, p. 32). 
As “cátedras” apontadas na citação acima, referem-se ao que, hoje, chamamos 
de disciplinas. Já nesse ponto podemos propor um questionamento e uma refle-
xão a partir do seguinte ponto: o que hoje podemos verificar como diferente das 
universidades da Idade Média? 
Passando para o século XVIII vemos a chegada, o surgimento dos chamados 
enciclopedistas, também ligado ao que foi denominado movimento iluminista, 
que vem para questionar o tipo de saber transmitido de forma imposta. 
Já no século seguinte (XIX), 
[...] com a nascente industrialização, o responsável pelo ‘golpe’ à uni-
versidade medieval e pela entronização da universidade napoleônica 
– na França – caracterizada pela progressiva perda do sentido unitário 
da alta cultura e a crescente aquisição do caráter profissional, profis-
sionalizante, na linha do espírito positivista, pragmático e utilitarista 
do Iluminismo. A universidade napoleônica, além de surgir em função 
de necessidades profissionais, estrutura-se fragmentada em escolas su-
periores, cada uma das quais isoladas em seus objetivos práticos (LU-
CKESI, et al., 2003, p. 32). 
Com o advento da universidade napoleônica, na França, busca-se trazer, para o 
centro da formação do ensino superior, a questão da pesquisa. 
Aqui e acolá, ainda hoje, sofremos resquícios dessa época: o ensino autoritá-
rio, onde o professor assume a postura de quem detém o critério de verdade 
e o aluno simplesmente repete o professor e os livros de texto ou manuais; 
a arraigada dificuldade para o livre debate das ideias, etc. 
(Cipriano Luckesi)
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Nesse momento de transformação do surgimento de novos espaços e ideias, 
quando novos propósitos vêm à tona, no que diz respeito ao papel da Universidade, 
teve, em 1810, o surgimento da Universidade de Berlim, conforme podemos 
verificar a seguir: 
[...] o marco dessa transformação ocorre em 1810, quando da criação 
da Universidade de Berlim (Alemanha), por Humboldt. A universida-
de moderna, enquanto centro de pesquisa, é, portanto, uma criação 
alemã, preocupando-se em preparar o homem para descobrir, formular 
e ensinar ciência, levando em conta as transformações da época (LU-
CKESI, et al., 2003, p. 33). 
Jaspers, um autor e pensador da época, ao reafirmar e dar sentido à Universidade 
de Berlim, relata que: 
[...] ensinar... é participar do processo de pesquisa. Só o homem vol-
tado para a pesquisa pode realmente ensinar; do contrário, ele reduz 
seu trabalho a transmitir um pensamento inerte, mesmo sendo peda-
gogicamente ordenado, no lugar de comunicar a vida do pensamento 
(JASPERS apud FÁVERO, 1975, p. 20).
Verificamos, assim, à preocupação e entendimento de que a Instituição forma-
dora deve ir além do mero repasse de conteúdo e que a formação e a educação 
é uma via de mão dupla. 
No que diz respeito a criação das universidades no mundo, no século XII, 
temos também os países da Europa, como Inglaterra, França, Itália - a Europa é 
tida como um dos expoentes e precursores do Ensino Superior no Mundo. Logo, 
a partir dos séculos XIX-XX as IES (Instituições de Ensino Superior) estariam 
e estavam disseminadas por todos os continentes.
Em 1851, na Irlanda, foi criada a Universidade de Dublin, tendo como seu 
fundador o Cardeal Newmam, que aspirava difundir o pensamento de que a 
universidade deve ser o centro da criação e difusão do saber (cf. LUCKESI, et 
al., 2003, p. 33). 
Sendo assim, quanto à criação das Universidades da Europa, observamos que:
[...] que nesse esforço de construção [...] uma busca pela livre autono-
mia universitária, como condição indispensável para questionar, inves-
tigar, propor soluções de problemas levantados pela atividade humana. 
A sociedade como um todo cabia suscitar e manter um clima de li-
berdade, como garantia de uma ação racional de crítica, de autonomia 
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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cultural da nação, condições necessárias a um povo que buscava ter 
identidade e autodeterminação social e política (LUCKESI, et al., 2003, 
p. 33). 
A busca pela criação e implantação de uma universidade que proporcionasse a 
formação de um cidadão autônomo e crítico não é uma ideia recente; esse enten-
dimento atravessa séculos. Contudo, a sua prática ainda enfrenta desafios, ainda 
temos resquícios de uma formação depositária.
A seguir você poderá observar, no quadro esquemático, as características 
das principais Universidades, ao longo da história, percebendo que em todos os 
períodos contou-se com estudiosos e pensadores que buscavam uma educação 
que fosse além dos ensinamentos formais e científicos:
Quadro 1 - Características das principais Universidades no Mundo
Idade Média Universidade como órgão de elaboração do pensamento da 
época, identificada com sua cultura, centro de debates e dis-
cussões e a exigência de seriedade, rigor e lógica na demons-
tração das verdades. 
O surgimento daUniversidade do debate, porém com a devida 
vigilância da ortodoxia na produção intelectual. 
Renascença A Universidade era compreendida como guardiã e defensora 
das verdades definidas e estáticas, porém depois percebe que 
o conhecimento só evolui se é passível de crise, de questiona-
mento. 
Universidade 
Alemã 
Entendimento da Universidade como Centro de Pesquisa.
Universidade 
de Dublin 
A Universidade deveria ter uma dimensão de criação e difusão 
do saber e da cultura. 
Fonte: adaptado de Luckesi et al. (2003, p. 38). 
 
A Universidade no Brasil 
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A UNIVERSIDADE NO BRASIL 
Muitos estudos já foram publicados acerca do surgimento das Universidade no 
Brasil, muitas abordagens, reflexões e interpretações foram realizadas sobre essa 
temática. 
Nesse momento, trazemos para você algumas informações relevantes acerca 
da história da educação superior no Brasil a partir de literaturas estudadas, a fim 
de contribuir com a proposta deste material, com um olhar crítico e informativo. 
Depois de passear, brevemente, pelo entendimento e surgimento das insti-
tuições de Ensino Superior em alguns países, vamos compreender como se deu 
a história desse processo educacional no Brasil, afinal, hoje voce faz parte desta 
construção.
Nossa história foi um pouco diferente, pois, 
[...] os primeiros sinais da instituição universitária brasileira aparecem 
com a marca europeia da universidade napoleônica: são vários cursos 
profissionalizantes em instituições isoladas e nível superior. Na década 
de trinta nasce, com Anísio Teixeira, a ideia de uma universidade cen
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tro livre de debate de ideias tomam corpo e ressurgem esperanças de 
uma universidade nova, livre, criadora, encarnada e crítica (LUCKESI, 
et al., 2003, p. 38). 
De acordo com Junior e Bittar (1999), no Brasil, as primeiras ações de educação 
foram iniciadas em 1549, com a chegada dos Jesuítas, uma ação com objetivo de 
civilizar os “nativos” que habitavam o Brasil, bem como integrar os índios aos 
“padrões europeus” da época. 
No entanto, apesar desse interesse em “civilizar” os nativos que aqui 
se encontravam as prioridades da metrópole lusitana sempre foram 
fiscalizar e defender a colônia, arrancando dela todas as riquezas pos-
síveis. E, desse modo, se não fosse por interesse das ordens religiosas 
em “educar” os aborígines que aqui se encontravam, nada em matéria 
de ensino teria sido realizada no Brasil Colônia (RAUBER e COSTA, 
2009, p. 244). 
Contudo, 
Não podemos deixar de reconhecer que os portugueses trouxeram um 
padrão de educação próprio da Europa, o que não quer dizer que as 
populações que por aqui viviam já não possuíam características pró-
prias de se fazer educação [...]. Quando os jesuítas chegaram por aqui 
eles não trouxeram somente a moral, os costumes e a religiosidade eu-
ropéia; trouxeram também o método pedagógico (RAUBER, 2008, p. 
52-53). 
Ao observarmos a história da educação no Brasil, vamos percebendo que esta 
parte desde a ideia de “doutrinar” os índios que aqui moravam, passando pelo 
modelo europeu de formação profissional, até que chegássemos ao modelo que 
temos hoje.
Esta é uma construção que levou muitos anos e, se observarmos atenta-
mente o Quadro 2, veremos que a criação das Universidades no Brasil seguiram 
num ritmo mais lento do que em outros países, sendo que algumas delas deixa-
ram de existir, ou mudaram sua configuração, considerando a questão política 
do nosso país:
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Quadro 2 - As primeiras Universidades no Brasil
Ano de Criação 
1808 Faculdade de Medicina da Bahia. 
1854 Faculdades de Direito de São Paulo e Recife. 
1874 Escola Militar e Escola Politécnica do Rio de Janeiro. 
1876 Escola de Engenharia de Ouro Preto (Minas Gerais). 
1892 Universidade do Paraná. 
1909 
Escola Universitária Livre de Manaus. 
Escola de Aprendizes Artífices. 
1914 Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas. 
1927 Universidade de Minas Gerais. 
1933 Escola Paulista de Medicina. 
1934 
Universidades de São Paulo. 
Faculdade Federal de Direito. 
Instituto Ciências e Letras de Cuiabá. 
1943 Universidade Rural do Brasil. 
1947 Universidade do Rio Grande do Sul. 
1948 Universidade Estadual Rural de Minas Gerais 
1953 
Faculdade de Filosofia de São Luís do Maranhão. 
Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. 
1955 Universidade da Paraíba. 
1958 Universidade do Rio Grande do Norte. 
1960 
Universidade Federal de São Paulo. 
Universidade Federal Rural do Rio Grande do Sul. 
1971 Centro Universitário do Acre. 
Fonte: adaptado de MEC ([2017], on-line)1. 
Algumas das Universidades brasileiras surgiram ao longo da Primeira República, 
porém algumas delas não se mantiveram ativas por muito tempo, como por 
exemplo: 
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 ■ A Universidade de Manaus, criada em 1909 sofreu com a falta de acadê-
micos e recursos; 
 ■ A Universidade São Paulo (1911), que era particular e foi a primeira uni-
versidade a realizar projetos de extensão. Porém encerrou suas atividades 
no ano de 1917, devido as suas críticas a outras escolas e seus profissionais, 
o governo cria suas instituições e restringe a ação de alguns profissionais, 
reconhecendo apenas aqueles formados por instituições governamentais; 
 ■ A Universidade do Paraná (1982), em Curitiba, encerrou suas atividades 
em 1915, pois de acordo com a Reforma Carlos Maximiliano não se con-
cedia equiparação de universidades em capitais com menos de 1 milhão 
de habitantes. 
 ■ Contudo, temos também Universidades criadas na Primeira República 
que perduraram, como: 
 ■ Universidade do Rio de Janeiro, criada em 1920; 
 ■ Universidade de Minas Gerais, criada em 1927; 
 ■ Universidade do Rio Grande do Sul, criada em 1928. 
O Ministério da Educação (MEC) foi criado em 1930 com o nome de Minis-
tério da Educação e Saúde Pública, o qual desenvolvia atividades relaciona-
das à saúde, esporte e meio ambiente e os assuntos pertinentes à educação 
eram tratados pelo Departamento Nacional do Ensino, ligado ao ministério 
da Justiça. Até então, as influências positivistas na educação brasileira fa-
voreciam um modo de funcionamento administrativo descentralizado e de 
(ao menos relativa) liberdade de ensino. Em 1931, foi promulgado o Decreto 
19.851, denominado de Estatuto das Universidades Brasileiras, a partir da 
centralização político-administrativa do ensino superior. Até 1953, foi o Mi-
nistério da Educação e Saúde, e com autonomia dada área da saúde, surge o 
Ministério e Cultura, com sigla MEC. 
Fonte: adaptado de Arroyo (2010, p. 24).
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A Educação Superior no Brasil também refletiu e ainda reflete a realidade 
sócio-econômico-cultural do país, pois, ao observarmos o seu surgimento e 
desenvolvimento ao longo dos anos, podemos constatar desde a vontade de ins-
truir e desenvolver o povo trazido pelos jesuítas (mesmo com forte viés religioso) 
até a repressão junto a pensadores e professores na época da ditadura militar. 
As bases universitárias, insatisfeitas com as tomadas de posição e com 
as decisões autoritárias, a exemplo da lei 5.540-68 (Lei da Reforma Uni-
versitária), cujos efeitos, hoje, são nada animadores, mantém acesa a 
esperança de que seja revitalizado o processo de transformação da uni-
versidadebrasileira, ao lado do sistema educacional, ao tempo em que 
estuda para descobrir como interferir nos rumos da educação nacional. 
É, então, na perspectiva de participar e interferir que a universidade é, 
urgentemente, a abandonar seu papel tradicional de receptora e trans-
missora de uma cultura técnico-científica importante, com o rótulo de 
‘desinteressada’, e assumir a luta pela conquista de uma cultura, de um 
saber comprometido com os interesses educacionais (LUCKESI et al., 
2003, p. 36).
A universidade deve ter como objetivos transmitir o conhecimento estabelecido, 
bem como criar novos conhecimentos. Para tanto, existem vários agentes nesse 
processo: professores, acadêmicos e funcionários da instituição de ensino; todos, 
de uma forma ou de outra, produzem conhecimentos. Essa interação entre os 
agentes do processo podem se valer das mais variadas metodologias, a fim de que 
juntos cheguem ao objetivo exposto anteriormente, para que este não se perca. 
Sendo a Universidade uma instituição central da sociedade, a qual 
está radicalmente interligada às transformações contemporâneas, não 
é possível explicá-la, tendo por base uma única ideia, pois apresenta 
determinada pluralidade e complexidade no que diz respeito aos fenô-
menos humanos e ao conhecimento produzido, disseminado e modi-
ficado nesse contexto (DIAS SOBRINHO, 2005 apud ARAÚJO, 2014, 
p. 16). 
Logo, ressaltamos que quando pensamos o processo da instauração do ensino 
superior em nosso país devemos lembrar que este também faz parte do movi-
mento contraditório que contempla a nossa sociedade. Lembrando, ainda, que 
esta construção trouxe consigo modelos adotados de outros países, por exemplo: 
Alemanha e Inglaterra, as quais traziam consigo a concepção de que a educa-
ção superior possuía funções que englobavam a transmissão da cultura, saberes 
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acumulados historicamente advindo das relações humanas, ensino de profissões 
e aprendizagem e criação de novos conhecimentos.
Hoje, 
[...] as universidades públicas brasileiras são instituições criadas para 
atender às necessidades do país. Estão distribuídas em todo o territó-
rio nacional e em toda a sua existência sempre estiveram associadas 
ao desenvolvimento econômico, social, cultural e político da nação, 
constituindo-se em espaços privilegiados para a produção e acumula-
ção do conhecimento e a formação de profissionais cidadãos (BRASIL, 
2000/2001, on-line)2. 
E você já parou para pensar quais as transformações que a universidade tem 
proporcionado a sua vida? Quais conhecimentos adquiriu? Como você avalia 
seu senso crítico? Consegue, neste momento da sua formação, perceber quan-
tos novos conhecimentos você organizou e articulou?
Uma coisa deve ficar clara: a universidade está posta na sociedade, sobretudo, 
para formar cidadãos melhores e conscientes, profissionais que se coloquem à 
serviço da sociedade a partir da especificidade da sua profissão, visa formar pro-
fissionais éticos, competentes e comprometidos.
Por fim, como você se percebe neste processo? Lembrando que a formação 
superior é uma via de mão dupla, na qual eu aprendo e também ensino, todos 
são fortalecidos nesta construção, e isso independe se a sua instituição forma-
dora é pública ou privada, se você faz parte do ensino presencial ou a distância; 
hoje o universo do conhecimento e formação superior transpõe muros e bar-
reiras espaciais.
 
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TRIPÉ: ENSINO – PESQUISA – EXTENSÃO 
O eixo fundamental da Universidade, no Brasil, é constituído por um tripé for-
mado pelo Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Esse tripé é previsto na Legislação 
que norteia as atividades universitárias. 
De acordo com a Constituição Federal do Brasil de 1988, em seu artigo 207, 
“[...] as universidades [...] obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre 
ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 1988).” Essas funções devem ser contempla-
das e praticadas pelas universidades brasileiras de forma igualitária e equiparada, 
caso contrário estarão em desacordo com o que rege a Constituição Federal. “A 
indissociabilidade é um princípio orientador da qualidade da produção universi-
tária, porque afirma como necessária a tridimensionalidade do fazer universitário 
autônomo, competente e ético” (MOITA; ANDRADE, 2009, p. 269). 
Para que realmente ocorra a indissociabilidade é necessário que a universi-
dade tenha clareza da sua função e seu papel consolidado ao longo da história 
brasileira, ou seja, longos 200 anos. 
Este tripé (Ensino-Pesquisa-Extensão) deve constituir-se enquanto forma 
de proporcionar um diálogo interdisciplinar entre seus agentes, em que os obje-
tivos devem seguir na busca por relacionar saberes, conhecimentos, atingindo, 
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assim, o objetivo da Universidade. Ospina (1990, p. 31) afirma que “as funções 
seriam formar ou ensinar, investigar ou pesquisar e servir ou exercer a ativi-
dade de extensão”. 
A partir dessa premissa, podemos entender que o ensino universitário engloba 
não só a transmissão do conhecimento em sala de aula, mas a pesquisa, que pode 
ser pura ou aplicada e a objetivação da pesquisa aplicada, por meio da extensão. 
Faz-se necessário compreender que é preciso ir além da ideia de que o espaço 
e a função da universidade deve transcender a mera transmissão ou depósito de 
conhecimento; deve-se, assim, buscar a construção de saberes ligados às reais 
necessidades cotidianas. 
De acordo com Mora-Osejo e Borda (2004, p. 720 apud MOITA; ANDRADE, 
2009, p. 271), “[...] precisa-se de universidades participativas, comprometidas 
com o bem comum, em especial com as urgências das comunidades de base [...], 
de modo a favorecer a substituição de definições discriminatórias entre o aca-
dêmico e o popular”. 
O que realmente significa cada item desse tripé? Vamos verificar cada um 
deles: 
O ENSINO
Quando falamos em Ensino, temos consciência de que o termo nos é muito fami-
liar, pois nos remete às instituições escolares (formais e não formais), das quais 
já fizemos e fazemos parte ao longo de nossa vida.
Certamente a compreensão de ensino está bem ligada à concepção de alguém 
que ensina X alguém que aprende, numa relação unilateral de aprendizagem.
Compreender o conceito de ensino vai além dessa via de mão única, em 
que um ensina e outro aprende, num processo de transferência. De acordo com 
Paulo Freire (1993, p. 9), em seu livro Política e Educação, “Ninguém educa nin-
guém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam 
em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Nessa perspectiva compreendemos 
o processo de ensino-aprendizagem.
Ensino é o termo bastante familiar para as instituições escolares, organizações não-es-
colares, movimentos sociais emergentes e os mais diversos segmentos sociais. Palavra 
familiar quando entendida como mera transmissão e reprodução de conhecimentos e 
subsequente recepção por parte do aprendiz.
Ensinar não se caracteriza com o simples ato de tranferir conhecimentos por 
aqueles que sabem àqueles que não sabem; a palavra ensino não chega a ter esse 
sentido para a totalidade dos que participam da vida escolar e dos segmentos 
sociais.
É indispensável, pois, repensar o conceito de ensino a �m de adequá-lo ao momento 
histórico presente (com vistas ao futuro próximo) e fazer com que as atividades didáticas 
escolarizadas se voltem para o desenvolvimento das formas superiores de pensamento, de 
ação e que possam resultar para o educando numa sólida formação política e cientí�ca a 
respeito do mundo da natureza edo mundo da cultura.
Para se obter qualidade no ensino, necessitam-se selecionar procedimentos didáticos 
que promovam o aprendizado crítico de conteúdos, habilidades, hábitos e valores. A 
insistência nessa concepção reside no fato de o desenvolvimento social alcançado por 
nossa sociedade exigir da educação universitária um caráter cientí�co.
Isso sifni�ca que os conteúdos programáticos tenham correspondência concreta 
com os avanços das ciências, a �m de garantir ao futuro pro�ssional a assimilação 
crítica do conhecimento atualizado, isto é, assimilá-lo historicamente.
Essa concepção de ensino e respectivos métodos de trabalho pedagógico ofere-
cem, certamente, elementos concretos para a construção de alternativas para a 
junção dialética entre o ensino, a pesquisa e a extensão.
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A partir desta concepção, vamos agora compreender o que se entende por 
ensino, enquanto parte do tripé: Ensino-Pesquisa-Extensão, componentes que 
integram o papel da universidade em nosso país.
Quadro 3 - Compreendendo o ensino enquanto componente do tripé
Fonte: as autoras.
Ainda sobre o Ensino na discussão acerca da indissociabilidade entre Pesquisa-
Ensino-Extensão, vale observar a seguinte colocação, encontrada no Plano 
Nacional de Extensão Universitária (2000/2001, on-line)²: 
[...] quanto ao ensino, discute-se e aprofunda-se um novo conceito de 
sala de aula, que não se limite ao espaço físico da dimensão tradicional, 
mas compreenda todos os espaços, dentro e fora da universidade, em 
A Pesquisa é produto natural do amadurecimento do ensino. É o aprofundamento do conhecimento já 
existente, nascido da busca por soluções, da busca pelo novo, do gosto pela investigação, pela descober-
ta. Em síntese, a pesquisa é, na verdade, um excelente exercício de maturidade cientí�co-sociocultural.
Pesquisar signi�ca, efetivamente, participar de um novo universo qualitativo, constantemente 
transofrmado e quantitativamente enriquecido pelos novos conhecimentos que se vão somando ao 
longo desse processo.
A Pesquisa é a atividade que dá sustentação ao ensino universitário, o que signi�ca dizer, literal-
mente, que não existe universidade sem pesquisa.
A Pesquisa assume interesse especial à possibilidade de produção de conhecimento na interface universi-
dade/comunidade, priorizando as metodologias participativas e favorecendo o diálogo entre categorias 
utilizadas por pesquisados e pesquisadores, visando à criação e recriação de conhecimentos possibilitado-
res de transformações sociais, em que a questão central será identi�car o que deve ser pesquisado e para 
quais �ns e interesses se buscam novos conhecimentos.
Essa concepção de ensino e respectivos métodos de trabalho pedagógico oferecem, certamente, 
elementos concretos para a construção de alternativas para a junção dialética entre o ensino, a 
pesquisa e a extensão.
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que se realiza o processo histórico-social com suas múltiplas determi-
nações, passando a expressar um conteúdo multi, inter e transdiscipli-
nar, como exigência decorrente da própria prática. 
A PESQUISA 
Quanto à Pesquisa, enquanto um dos elementos do tripé Ensino-Pesquisa-
Extensão, é importante que você saiba que 
[...] o primeiro compromisso da pesquisa universitária é com a gera-
ção de conhecimento novo e com a transmissão desse conhecimento 
às salas de aula, o que só é possível com a detenção de saber próprio 
e a qualificação científica progressiva de seus professores (MARTINS 
FILHO, 1997, on-line)3.
Ainda sobre a pesquisa, é importante observarmos no Quadro 4:
Quadro 4 - Compreendendo a pesquisa enquanto componente do tripé
Fonte: as autoras.
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Ao estudarmos e nos aproximarmos da tríade, Ensino–Pesquisa-Extensão, vemos 
que o termo Pesquisa é muito mais reconhecido que a discussão acerca do ensino, 
contudo, a pesquisa não é um elemento consideravelmente proposto e promo-
vido pela maioria das IES. 
A pesquisa, tanto a básica quanto a aplicada, necessita, ao lado do en-
sino e da extensão, constituir-se como uma atividade progressivamente 
constante nos meios acadêmicos e nas atividades de difusão de conhe-
cimentos e de intervenção em problemas efetivos da sociedade. Essas 
atividades, conforme o caso, são realizadas não só nos meios acadêmi-
cos mas também nos meios não-acadêmicos. Assim, por exemplo, o 
contato interativo com problemas específicos da sociedade pode pro-
vocar nos pesquisadores a necessidade de transformarem os resultados 
de suas investigações em ações cognitivas e práticas (cognição-prá-
tica-cognição) que possam auxiliar a comunidade a resolver os seus 
problemas. Esse contato interativo tem, ainda, despertado em muitos 
pesquisadores, inquietações que os auxiliam na definição de temas e 
problemas concretos de pesquisa (PLANO NACIONAL DE EXTEN-
SÃO UNIVERSITÁRIA, 2000/2001, on-line)2. 
A EXTENSÃO 
O conceito de extensão foi formulado em comum acordo durante o Fórum 
Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, 
realizado no ano de 1987, no qual chegou ao entendimento de que a extensão é 
o “[…] processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa 
de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a universidade 
e a sociedade” (PLANO NACIONAL DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2000-
2001, on-line)2. 
Ainda sobre as conceituações realizadas durante este Fórum, entendeu-se que: 
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Quadro 5 - Conceituação de Extensão Universitária - Fórum Nacional de Pró Reitores (1987)
Fonte: adaptado de Plano Nacional de Extensão Universitária (2000/2001, on-line)2. 
Veremos mais sobre a extensão na próxima unidade.
INDISSOCIABILIDADE: O ENSINO – A PESQUISA - A EXTENSÃO 
Retomamos o artigo 207 da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), 
no qual diz: “as universidades 
gozam de autonomia didático-
-científica, administrativa e de 
gestão financeira e patrimonial, 
e obedecerão ao princípio da 
indissociabilidade entre ensino, 
pesquisa e extensão”, para apresen-
tarmos brevemente a articulação 
entre o Ensino-Pesquisa-Extensão, 
a qual damos o nome de princípio 
da indissociabilidade: 
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[...] o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão 
reflete um conceito de qualidade do trabalho acadêmico que favorece a 
aproximação entre universidade e sociedade, a auto-reflexão crítica, a 
emancipação teórica e prática dos estudantes e o significado social do 
trabalho acadêmico. A concretização deste princípio supõe a realiza-
ção de projetos coletivos de trabalho que se referenciem na avaliação 
institucional, no planejamento das ações institucionais e na avaliação 
que leve em conta o interesse da maioria da sociedade (ANDES, 2003 
p. 18 on-line). 
A partir do exposto, na citação anterior, ressaltamos que o fato do princípio 
estar presente e explícito na lei não garante que o mesmo aconteça na prática 
das universidades. 
Ao se afirmar que a extensão é parte indispensável do pensar e fazer 
universitários assume-se uma luta pela institucionalização dessas ativi-
dades, tanto do ponto de vista administrativo como acadêmico, o que 
implica a adoção de medidas e procedimentos que redirecionama pró-
pria política das universidades. Ao reafirmar o compromisso social da 
universidade como forma de inserção nas ações de promoção e garan-
tia dos valores democráticos, de igualdade e desenvolvimento social, 
a extensão se coloca como prática acadêmica que objetiva interligar a 
universidade, em suas atividades de ensino e pesquisa, com as deman-
das da sociedade. 
O Plano Nacional de Educação (PNE), através da Lei 10.172, de 09 de 
janeiro de 2001, aponta, em suas diretrizes, que a educação superior 
tem como núcleos estratégicos as Universidades e estas devem atender 
às diferentes demandas e funções, inclusive aquelas vinculadas ao ensi-
no, à extensão e à pesquisa atribuídas pela Constituição. (PLANO NA-
CIONAL DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2000-2001, on-line)².
Voltamos a dizer que somente a presença das leis não garantem a indissociabilidade. 
E como podemos compreender a relação, articulação e complementaridade 
dos elementos deste tripé na Universidade? Vejamos no Quadro 6.
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
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Quadro 6 - Pesquisa, ensino e extensão
RELAÇÃO ENSINO E EXTENSÃO:
Na reflexão e entendimento da relação ensino e extensão se percebe o discente 
como protagonista de sua formação tanto no que diz respeito às competências 
necessárias para atuação profissional (formação técnica) quanto no processo 
de reconhecer-se como agente de transformação social e garantia de direitos e 
deveres (formação cidadã).
Dessa maneira, emerge um novo conceito de ‘sala de aula’, que não mais se limita 
ao espaço físico tradicional de ensino-aprendizagem.
‘Sala de aula’ são todos os espaços, dentro e fora da Universidade, em que se 
apreende e se (re)constrói o processo histórico-social em suas múltiplas determi-
nações e facetas.
O eixo pedagógico clássico “estudante - professor” é substituído pelo eixo “estu-
dante – professor - comunidade”.
O estudante, assim como a comunidade com a qual se desenvolve a ação de 
Extensão, deixa de ser mero receptáculo de um conhecimento validado pelo 
professor para se tornar participante do processo.
RELAÇÃO PESQUISA E ENSINO:
A indissociabilidade ensino, extensão e pesquisa, promovem, no âmbito da pes-
quisa e do ensino, possibilidades de melhorar a trajetória acadêmica do discente 
e do docente para que os mesmos se envolvam na formação do profissional, 
garantindo a efetividade de todas as funções da Universidade.
RELAÇÃO EXTENSÃO E PESQUISA:
Esta relação proporciona a articulação entre Universidade e outros setores da 
sociedade, visando à produção de conhecimento. A extensão utiliza, principal-
mente, as metodologias participativas no formato investigação-ação, as quais 
promovem métodos de análise que consideram o diálogo e a participação dos 
atores sociais. Diante da relação extensão e pesquisa, a Política Nacional de Ex-
tensão defende o desenvolvimento de dois processos da vida acadêmica.
O primeiro refere-se à incorporação de estudantes de pós-graduação em ações 
extensionistas. Essa importante forma de produção do conhecimento – a Ex-
tensão Universitária – pode e deve ser incorporada aos programas de mestrado, 
doutorado ou especialização, o que pode levar à qualificação tanto das ações 
extensionistas quanto da própria pós-graduação.
O segundo desenvolvimento, que aqui se defende, é a produção acadêmica a 
partir das atividades de Extensão, seja no formato de teses, dissertações, livros 
ou capítulos de livros, artigos em periódicos e cartilhas, seja no formato de apre-
sentações em eventos, filmes ou outros produtos artísticos e culturais.
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Vertente do 
Ensino 
Quando prepara ou executa uma aula, 
o docente deve se questionar acerca do 
conhecimento fundamental que o es-
tudante, na área de conhecimento que 
está sendo trabalhada, precisa para dar 
conta da episteme e da profissão. 
ESTAS AÇÕES SE DÃO DE 
FORMA CONCOMITANTE. 
Vertente da 
Pesquisa 
É preciso fazer a pergunta ao estudante 
sobre como ajudar esse estudante a 
aprender o método de construção desse 
conhecimento. 
Vertente da 
Extensão 
Ajudar o estudante a compreender com 
que interesse o conhecimento foi pro-
duzido e socializado, bem como a sua 
relevância social e ética. 
 Fonte: adaptado de Moita e Andrade (2009).
A intenção da indissociabilidade do tripé está ligada à formação integral do acadê-
mico, enquanto ser em formação. Devem ser aplicadas e vivenciadas nas atividades 
realizadas dentro e fora da sala de aula, nas atividades extras e curriculares. 
Essa indissociabilidade “[…] é um princípio orientador da qualidade da pro-
dução universitária, pois afirma como é necessária a tridimensionalidade do fazer 
universitário autônomo, competente e ético” (MOITA; ANDRADE, 2009, p. 269). 
Destarte, observando todo material apresentado nesta unidade de estudo, 
vamos concluindo e refletindo que: 
[...] diante do sistema educacional, como um todo, a universidade pode 
ser definida como uma rede de conversações acadêmicas e científicas 
que se entrecruzam nas atividades/práticas de produção e socializa-
ção do conhecimento (ANDRADE, 2003 apud BEDIM, 2006, p. 12).
Instituída no sistema social do País como subsistema, reproduz o modo 
geral das relações sociais, justificando sua importante função educativa 
e promovendo atividades de produção e socialização do conhecimento. 
No entanto, nem sempre as redes de conversação existentes na univer-
sidade legitimam ou refletem as redes que se apresentam na sociedade. 
Dessa forma, a universidade passa a ser, potencialmente, um foco pri-
mordial de mudanças estruturais da sociedade (BEDIM, 2006, p. 12). 
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Reprodução proibida. A
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Como podemos compreender a Educação na Constituição Federal de 1988? 
De acordo com a CF 1988 em seu Capítulo III - da Educação, da Cultura e 
do Desporto, Seção Da Educação: 
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando 
ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988).
E o que são as universidades? Para, enfim, respondermos a esta pergunta, encer-
ramos com a apresentação do que nos apresenta a Lei de diretrizes e bases (Lei 
9394/96): 
Art. 52º. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação 
dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de 
domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: 
 
Criação da LDB
A primeira LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi promul-
gada em 1961, que foi palco de outros importantes acontecimentos para a 
universidade brasileira. Um deles foi a fundação da Universidade de Brasí-
lia (UnB), concebida por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, que se fundava nos 
princípios de autonomia e de democracia interna. A UnB constituiu-se num 
projeto arrojado para o momento, incorporando muitas ideias que susten-
taram os projetos da USP e da UDF, exercendo forte influência na constru-
ção de uma ideia de universidade no Brasil. Mantém o compromisso com a 
formação das elites dirigentes, sem referir-se ao caráter seletivo e, portanto, 
excludente da universidade brasileira. O processo que gerou um novo para-
digma para a universidade brasileira ocorreu no início da década de 1960, 
a partir do movimento deflagrado por estudantes universitários [...]. Este 
movimento, com base nas teses elaboradas por Álvaro Vieira Pinto (1986), 
reorienta as discussões sobre a universidade ao colocar como questões fun-
damentais as perguntas: para quem e para que serve a universidade?Fonte: adaptado de Mazzilli (2011, p. 210-211).
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I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemá-
tico dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista 
científico e cultural, quanto regional e nacional; 
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica 
de mestrado ou doutorado; 
III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral. 
Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas 
por campo do saber. 
Art. 53º. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universi-
dades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições: 
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de edu-
cação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da 
União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino; 
II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as dire-
trizes gerais pertinentes; 
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, 
produção artística e atividades de extensão; 
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional 
e as exigências do seu meio; 
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância 
com as normas gerais atinentes; 
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; 
VII - firmar contratos, acordos e convênios; 
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimen-
tos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como admi-
nistrar rendimentos conforme dispositivos institucionais; 
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no 
ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos; 
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação finan-
ceira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. 
Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das uni-
versidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, 
dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: 
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E38
I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; 
II - ampliação e diminuição de vagas; 
III - elaboração da programação dos cursos; 
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; 
V - contratação e dispensa de professores; 
VI - planos de carreira docente. 
Art. 54º. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na 
forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiarida-
des de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, 
assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu 
pessoal. 
§ 1º. No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas 
pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: 
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, 
assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais 
pertinentes e os recursos disponíveis; 
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as 
normas gerais concernentes; 
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos 
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os 
recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; 
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; 
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiarida-
des de organização e funcionamento; 
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprova-
ção do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações 
e equipamentos; 
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de 
ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom 
desempenho. 
§ 2º. Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a 
instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a 
pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. 
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A partir da leitura da lei citada, podemos dizer também que a universidade 
deve estar inserida na sociedade, assim como a sociedade deve estar inserida 
na universidade. 
Esta compreensão resume as atribuições das responsabilidades previstas em lei, 
bem como reforça a necessidade do Ensino-Pesquisa-Extensão serem compre-
endidos e sobretudo praticados como núcleos indissociáveis e como princípios 
orientadores na/da formação acadêmica. 
Outra vantagem decorrente da articulação entre ensino, pesquisa e ex-
tensão é o reconhecimento dos limites e peculiaridades de cada uma 
dessas três atividades. Nem toda pesquisa consiste em extensão, pois 
o conhecimento produzido pode ser encarcerado no debate teórico ou 
ser desenvolvido com objetivos que não sejam aqueles das populações 
que participaram na investigação. Já a extensão, caso seja orientada pela 
concepção da superioridade do saber científico em relação aos saberes 
produzidos pelos grupos atendidos, também pode incorrer no erro de 
fechar os olhos para esses últimos saberes e manter a separação entre o 
que Visvanathan (2004) chamou, por um lado, de ciência; e, por outro, 
de mundivisões alternativas (MOITA; ANDRADE, 2009, p. 273). 
Logo, a Universidade pode ser compreendida como uma instituição de ensino 
superior que compreende um conjunto de faculdades ou escolas superiores des-
tinadas à especialização profissional e científica. Devendo ofertar atividades de 
ensino, de pesquisa e de extensão, que são serviços de atendimento à comuni-
dade, nas diversas áreas do saber. 
Com base no exposto até o momento, cabe aqui um questionamento: a ati-
vidade Extensionista é meramente assistencialista? 
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
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Como se ingressa em uma universidade? Você lembra de como foi o processo 
seletivo para você iniciar o curso de Serviço Social? Vamos ver a seguir alguma 
das maneiras do ingresso em uma universidade? 
Quadro 7 - Formas de ingressar no Ensino Superior no Brasil
 
Para se ingressar em uma universidade é necessário concluir os estudos básicos 
(níveis fundamental e médio) e ser aprovado no processo seletivo do instituto 
de sua escolha. 
 
 
As regras desse processo podem variar de acordo com a instituição, mas geral-
mente ele é realizado na forma de uma prova para avaliação dos conhecimentos 
gerais do indivíduo, sendo essa prova chamada de vestibular e as vagas preen-
chidas de acordo com a colocação no mesmo. 
 
 Outro critério classificatório é a nota pela qualidade dos estudos oferecidos 
que é avaliado pelo MEC (Ministério da Educação e Ciência) por meio de vários 
critérios. 
 
A principal função de uma universidade é compartilhar os conhecimentos 
necessários para o desenvolvimento de um novo profissional e para o abas-
tecimento do mercado de trabalho sendo que este indivíduo deve ser for-
mado de maneira eficiente para que saiba lidar com a extensão de suas ativi-
dades e assim manter esse conhecimento em bom uso. [...] Outra função da 
universidade, porém, não menos importante, é a atualização dos conheci-
mentos através dos projetos de pesquisa. Esses projetos têm por finalidade 
a gerar novos conhecimentos através de estudos e testes realizados sobre 
hipóteses levantadas das observações feitas nos conhecimentos anteriores, 
mas que ainda não foram testados para serem dadas como verdadeiras. 
Uma vez provada esta hipótese ela se torna um novo conhecimentos a ser 
partilhado nas salas de aula das universidades.Fonte: Que Conceito ([2017], on-line)4. 
Considerações Finais
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Geralmente as maiores notas classificatórias do MEC são das universidades pú-
blicas que, infelizmente, contam hoje com pouquíssimas vagas por curso e uma 
procura muito grande todos os anos fazendo sua seleção cada vez mais rigorosa 
e, cujos alunos, aptos a estudar, geralmente, vieram de escolas básicas privadas 
com excelente base de formação. 
 
Fonte: Que Conceito ([2017], on-line)4. 
E como podemos classificar as Universidades? No Brasil, as universidades são 
classificadas de duas maneiras distintas: 
[...] a primeira e mais simples de ser explicada é pela origem de seu 
dinheiro que pode ser público, e o órgão mantenedor é o gover-
no e os alunos não necessitam pagar nada pela educação recebida. 
A segunda é privada onde os mantenedores são empresários ou institu-
tos e a educação fornecida vem entre outras coisas com um custo men-
sal que se não é pago desabilita a estudante do direito de permanecer 
estudando nela (QUE CONCEITO [2017], on-line)4.
Enfim, caro(a) aluno(a), vimos um pouco da classificação das universidades, a 
forma de ingresso e o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão, explicando-os e enten-
dendo suas principais características.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A nossa caminhada rumo a reta final do curso já iniciou e, pelo o que você pode 
perceber, estamos ampliando nossos horizontes.
Estamos caminhando por territórios que, a princípio, pode parecer que 
não possui relação com o serviço social. Porém, não podemos esquecer que o 
processo de formação profissional inicia com escolha de um curso específico, 
seguido de um vestibular e, por fim, o curso das disciplinas propriamente ditas.
A partir desse processo de duração do curso, fazemos parte ativamente do 
tripé Ensino, Pesquisa e Extensão.
A FUNÇÃO DA UNIVERSIDADE – TRIPÉ: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Reprodução proibida. A
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IU N I D A D E42
Participamos de aulas ao vivo, aulas conceituais, leituras, seminários, tra-
balhos, fóruns, congressos, oficinas, projetos, pesquisas de iniciação científica, 
estágios obrigatórios e não obrigatórios, enfim, uma gama de propostas que 
exigem dedicação e envolvimento que fazem parte da construção da formação 
específica profissional.
Precisamos rever nosso conceito acerca da Universidade, pois atualmente, 
ela já não é, e não deve ser compreendida como um espaço de transferência de 
saber, mas sim um espaço de troca e construção de saberes. A educação deposi-
tária deve ser evitada. Não podemos compreender a formação profissional como 
um “banco”, onde se entra e sacamos informações somente.
É necessário ter em mente que construímos a universidade diariamente, 
você, eu e todos os colaboradores fazemos parte desta construção e esta edifi-
cação é inacabada, não tem fim, pois este espaço se renova permanentemente.
O ensino, a pesquisa e a extensão fazem parte desse processo em diferentes 
momentos e se você se permitir entendê-los e vivenciá-los, com certeza saberá 
a contribuição que cada profissão tem na vida em sociedade.
Sendo assim, compreenda que este momento formativo profissional é ape-
nas a porta de entrada para a construção de um mundo melhor e que você tem 
sua parcela de participação, por isso, nunca deixe de aprender!
43 
1. Analise o conceito a seguir:
“...produto natural do amadurecimento do ensino. É o aprofundamento do conhe-
cimento já existente, nascido da busca por soluções, da busca pelo novo, do gosto 
pela investigação, pela descoberta. Em síntese,[...] é, na verdade, um excelente exer-
cício de maturidade científico-sociocultural” (SLEUTJES, 1999).
Assinale a alternativa que correspondente ao conceito:
a) Extensão Universitária.
b) Pesquisa.
c) Universidade.
d) Ensino.
e) Monografia.
 
2. Sobre a Extensão Universitária, analise as afirmativas a seguir:
I. A primeira menção legal referente à Extensão Universitária tem data em 11 de 
abril de 1931, com base no Estatuto das Universidades Brasileiras, Decreto Lei nº 
19.851, o qual dispõe sobre a Reforma do Ensino Superior da República.
II. A Lei nº 5.540 de 1968, determina que “as universidades e a instituições de ensi-
no superior deverão estender à comunidade suas atividades de ensino e o resul-
tado da pesquisa, por meio de cursos e serviços especiais”.
III. Entender a Extensão apenas como promoção de cursos ou apenas como presta-
ção de serviços é restringi-la a um nível que a impede de alcançar sua dimensão 
acadêmica. Dificilmente nestas atividades realizadas de forma isolada, existe ar-
ticulação com as demais atividades acadêmicas: o Ensino e a Pesquisa.
IV. Extensão é processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pes-
quisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a univer-
sidade e a sociedade.
 Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Todas as alternativas estão corretas.
 
44 
3. Julgue as afirmativas em Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) Na reflexão entendimento da relação ensino e extensão, se percebe o discen-
te, como protagonista de sua formação, tanto no que diz respeito às competências 
necessárias para atuação profissional (formação técnica) quanto no processo de re-
conhecer-se como agente de transformação social e garantia de direitos e deveres 
(formação cidadã).
( ) A indissociabilidade ensino, extensão e pesquisa, promovem, no âmbito da 
pesquisa e do ensino, possibilidades de melhorar a trajetória acadêmica do discente 
e do docente, para que os mesmos se envolvam na formação do profissional, garan-
tindo a efetividade de todas as funções da Universidade.
( ) A relação extensão e pesquisa proporciona a articulação entre Universidade e 
outros setores da sociedade, visando à produção de conhecimento. A extensão uti-
liza, principalmente, as metodologias participativas no formato investigação-ação, 
as quais promovem métodos de análise que consideram o diálogo e a participação 
dos atores sociais.
 Assinale a alternativa correta:
a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
 
4. Vimos, ao longo desta unidade, que as universidades gozam de autonomia didá-
tico-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão 
ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Relate, a seguir, o que significa neste contexto a indissociabilidade entre 
ensino-pesquisa-extensão:
 
5. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96), como são conceituadas 
as universidades?
45 
REFORMAS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL PÓS-85: DESAFIOS À 
EXTENSÃO E À AUTONOMIA UNIVERSITÁRIAS
Os anos 80, no Brasil, foram marcados por um movimento em direção a socialização do 
poder político, que, no âmbito da Educação, possibilitou o debate - quer na sociedade 
política quer na civil - sobre projetos diferenciados de reestruturação da política educa-
cional.
Apesar do intenso debate em torno de propostas sobre a reestruturação da universi-
dade, tanto por parte do Governo quanto por parte do movimento docente, através da 
Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (ANDES) e dos dirigentes universi-
tários, através do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), a extensão 
universitária, per se, não se constituiu em tema prioritário nos primeiros anos da década 
de 80. Isso pode ser imputado, com relação ao Governo - praticamente omisso quanto à 
questão da extensão universitária - à crise de hegemonia existente na época, crise esta 
que impedia a utilização dessas atividades enquanto mecanismo ideológico de fortale-
cimento do poder notadamente enfraquecido.
A chamada “Nova República”(mar/85 a jan/90) foi o resultado de uma combinação de 
pressões populares “de baixo” e de operações transformistas “pelo alto”, ou seja, uma 
“revolução restauração” na concepção gramsciana. Contudo não se pode deixar de re-
conhecer que houve um encaminhamento político diferente daqueles ocorridos em pe-
ríodos anteriores da História do Brasil, como a Revolução de 1930 e o Governo Militar 
de 1964.
É fundamental ter claro que esse Governo se diferenciava dos anteriores, por ser ne-
cessariamente mais permeável à pressão social organizada; impedido pela sua própria 
composição de opor-se diretamente àquela pressão, lançou mão fartamente do recur-
so às “Comissões de Alto Nível”, cujo objetivo fundamental era contornar a mobilização 
social direta, tentando esvaziar a representatividade das entidades da sociedade civil, 
deslocando assim o embate político, próprio de uma sociedade democrática, para o ter-
reno “técnico” dos “especialistas” cuja “representatividade” era conferida pelo próprio go-
verno e não pelos segmentos organizados da sociedade a quem se tentava minimizar.
No campo educacional e, especificamente, no ensino superior, esse período caracteri-
zou-se pelo aparecimento de várias propostas de reestruturação da universidade ela-
boradas pelo Governo, (Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior, 
Programa Nova Universidade e Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Su-
perior) com forte apelo social, preenchendo uma lacuna na área de extensão universitá-
ria sentida nos primeiros anos da década de 80. 
Fonte: Tavares (2017, 5. p)3.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Construção Conceitual da Extensão Universitária na América Latina
Dóris Santos de Faria
Editora: EDU - UNB
Sinopse: o livro “Contribuições para a Construção 
Conceitual da Extensão universitária na América 
Latina” reúne uma série de 11 artigos publicados 
pelos principais estudiosos brasileiros sobre o assunto. 
Identifi ca-se claramente que a conceituação de 
extensão universitária encontra-se em momento que 
deverá anteceder profunda reformulação, dado que 
quase todos os autores identifi cam as insufi ciências 
atuais, o que repercute na própria prática da extensão 
pelas universidades latino-americanas. Questionam-
se as concepções de “tripé ensino-pesquisa-extensão” 
e sua (suposta) “indissociabilidade” da relação (“mão-
dupla”) entre universidade e sociedade.
Na web você encontra várias Revistas on-line, que abordam a temática da extensão 
universitária. Sugiro a leitura da Revista Brasileira de Extensão Universitária. 
Disponível em: <https://periodicos.uff s.edu.br/index.php/RBEU/index>.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Carolina Morais. Implicações dos projetos de extensão universitária 
para a formação do professor de educação física. 2014. 88f. dissertação de mes-
trado Disponível em: <http://bdtd.uftm.edu.br/bitstream/tede/322/5/Dissert%20
Carolina%20M%20Araujo.pdf>. Acesso em: 09 mai. 2017.
ARROYO, Daniela Piccolo. A meta-avaliação e a extensão universitária: um estudo 
de caso. 2010. 173f. Dissertação Mestrado Área Avaliação Institucional – Pontifícia 
Universidade Católica de Campinas (PUC). Campinas, 2010. 
BEDIM, Juçara Gonçalves Lima. Uma proposta de metodologias participativas 
na extensão universitária: o ensino de idiomas como uma vertente instrumental. 
2006. 307f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
Faculdade de Educação / Rio de Janeiro: UFRJ, 2006. Disponível em: <http://www.
educacao.ufrj.br/ppge/teses/jucarabedim.pdf>. Acesso em: 09 mai. 2017.
BRASIL. Decreto-lei n. 19.851, de 11 de abril de 1931. Dispõe que o ensino supe-
rior no Brasil obedecerá, de preferência, ao sistema universitário, podendo ainda ser 
ministrado em institutos isolados, e que a organização técnica e administrativa das 
universidades é instituida no presente decreto, regendo-se os institutos isolados 
pelos respectivos regulamentos, observados os dispositivos do seguinte Estatuto 
das Universidades Brasileiras. 1931. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/decreto/1930-1949/d19851.htm>. Acesso em: 09 mai. 2017.
 ______. Lei n. 5.540 de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e 
funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá ou-
tras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5540.
htm>. Acesso em: 09 mai. 2017.
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 
09 mai. 2017.
______. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases 
da educação nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
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ANDES-SN. Proposta do Andes-SN para a Universidade Brasileira. Caderno Andes. 
n. 2. 3. ed. atualizada e revisada, out. 2003 Brasília: ANES-SN, 2003. Disponível em: 
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DIAS SOBRINHO, José. Educação superior, globalização e democratização. Qual uni-
versidade? Revista Brasileira de Educação. São Paulo, n. 28, p. 164-173, jan./abr. 
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REFERÊNCIAS
49
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3 Em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz110309.htm>. Acesso em: 09 
mai. 2017.
4 Em: <http://queconceito.com.br/universidade>. Acesso em: 09 mai. 2017.
GABARITO
1) B.
2) E.
3) E.
4) O princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão reflete um 
conceito de qualidade do trabalho acadêmico que favorece a aproximaçãoentre 
universidade e sociedade, a auto-reflexão crítica, a emancipação teórica e práti-
ca dos estudantes e o significado social do trabalho acadêmico. A concretização 
desse princípio supõe a realização de projetos coletivos de trabalho que se re-
ferenciam na avaliação institucional, no planejamento das ações institucionais e 
na avaliação que leve em conta o interesse da maioria da sociedade.
5) De acordo com a LDB em seu Art. 52º. As universidades são instituições pluridis-
ciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, 
de extensão e de domínio e cultivo do saber humano.
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Professora Esp. Daniela Sikorski
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PAPEL 
DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA 
PARA A FORMAÇÃO ACADÊMICA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Promover a reflexão acerca da Extensão Universitária no processo de 
formação profissional. 
 ■ Compreender os elementos que compõem a Extensão Universitária. 
 ■ Promover ao acadêmico o conhecimento e reflexão acerca da 
Universidade e seu papel junto à sociedade
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Revisando o Conceito de Extensão Universitária 
 ■ Plano Nacional de Extensão – (2000) 
 ■ As ações de extensão 
INTRODUÇÃO
Nesta unidade de estudo, poderemos nos aprofundar acerca da extensão univer-
sitária e o seu papel na formação acadêmica.
Agora que você pode conhecer um pouco mais sobre a constituição de uma 
Universidade no Brasil, sua função e o tripé que a fundamenta, poderá vislum-
brar com maior clareza e propriedade a proposta desta nossa próxima Unidade 
de estudo. Pense, primeiramente, que o seu caminho, enquanto acadêmico de 
Serviço Social, já está quase finalizando, contudo o seu processo de formação e 
capacitação profissional não possui prazo para acabar; logo, precisaremos sem-
pre estar nos inteirando das possibilidades de atuação.
Pretendemos, com esta próxima proposta de estudo, que você tenha a pos-
sibilidade de refletir acerca da Extensão Universitária, no processo de formação 
profissional, bem como compreender os elementos que compõem a Extensão 
Universitária e possibilidades de ações e projetos de extensão. 
É nosso objetivo, ainda, promover o conhecimento e reflexão acerca da 
Universidade e seu papel junto à sociedade. Afinal, como vimos anteriormente, 
a Universidade deve romper com uma educação depositária, oportunizando, 
aos seus alunos, crescimento, reflexão, criticidade e, sobretudo, protagonismo.
Você, caro(a) e estimado(a) acadêmico(a) de serviço social, tenha claro e 
certo que desde já você deve ser autor da sua história, saindo da condição de 
passivo e enfrentando com coragem ações de protagonismo!
Como fazer?
Propondo ações de extensão, contribuindo com ideias, observando a sua 
realidade, contatando seu supervisor acadêmico e de campo, pois, a partir daí, 
poderão surgir propostas maravilhosas, que impactem positivamente a sua rea-
lidade e tenha certeza que o saldo será mais que positivo.
Um bom profissional é ativo, criativo e ciente de seu papel junto a sociedade, 
aproveite esta e as demais unidades de estudos! Contem comigo e boa leitura!
Introdução
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REVISANDO O CONCEITO DE EXTENSÃO 
UNIVERSITÁRIA
Para que possamos compreender a amplitude da Extensão Universitária e a 
importância das ações extensionistas realizadas pelas universidades e também 
para a comunidade em que estas estão inseridas, é imprescindível conhecermos 
o contexto histórico em que a Extensão Universitária teve início.
Os primeiros registros da Extensão Universitária são oriundos da Inglaterra, 
na segunda metade do século XIX, sendo ela vinculada a uma nova idéia de edu-
cação continuada, a qual era destinada não somente as camadas sociais menos 
favorecidas, mas também a toda a população adulta que se encontrava fora das 
universidades. As demandas eram atendidas a partir de cursos breves e demais 
atividades.
Conforme Nogueira (2005), alguns anos depois da Extensão Universitária 
ter aparecido na Inglaterra, foi a vez das Universidades Americanas registrarem 
atividades extensionistas, as quais tinham como objetivo a prestação de serviço 
nas áreas rurais e também urbanas. Desse modo, é possível notar que em seus 
primórdios, a extensão era concebida a partir de atividades isoladas e objetiva-
vam apenas disseminar conhecimento técnico.
Sobre esse formato de Extensão Universitária proposto pelas universidades, 
Gramsci (1981 apud MELO NETO, 2002 on-line)1 faz uma crítica aos intelectuais 
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que buscavam levar estas ações ao povo, no sentido de meramente de serví-los, 
pois, segundo o autor, esses estudiosos expressavam uma visão dominadora de 
seu conhecimento, sem dar a oportunidade do povo se expressar e contribuir 
com seus saberes populares.
Nas palavras de Gramsci:
[...] estes movimentos eram dignos de interesse e merecem ser estu-
dados: eles tiveram êxito no sentido em que revelaram da parte dos 
simplórios um sincero entusiasmo e um forte desejo de elevação a uma 
forma superior de cultura e de uma concepção de mundo. Faltava-lhes, 
porém, qualquer organicidade, seja de pensamento filosófico, seja de 
solidez organizativo e de centralização cultural; tinha-se a impressão 
de que eles se assemelhavam aos primeiros contatos entre mercadores 
ingleses e negros africanos: trocavam-se berloques por pepitas de ouro 
(GRAMSCI, 1981 apud MELO NETO, 2002, on-line)1.
A partir do exposto e da análise realizada por Gramsci, é possível evidenciar 
que a extensão universitária, em seus primórdios, tinha como intuito levar, até 
as comunidades, o conhecimento produzido dentro da universidade como algo 
pronto, ou seja, não levando em consideração as necessidades específicas de cada 
comunidade ou local e, por consequência, não tendo a participação da comuni-
dade e a rica experiência de troca de saberes entre as duas partes, como de fato 
deve ser a extensão universitária.
Na América Latina, inicialmente, a extensão universitária tem relação com 
os movimentos sociais, sendo o Movimento de Córdoba que aconteceu em 1918 
na Argentina o que merece maior destaque, pois foi a primeira vez em que estu-
dantes ressaltam a relação entre universidade e sociedade. Essa relação, segundo 
Melo Neto (2002, p. 9 on-line)1, “ocorreria através de propostas de extensão uni-
versitária que possibilitasse a divulgação da cultura a ser conhecida pelas classes 
populares” fortalecendo, assim, a função social da universidade integrando-a ao 
povo. Vale ressaltar, ainda, que essa idéia de extensão universitária também emba-
sou posteriormente as concepções do movimento estudantil brasileiro a partir 
de 1938 com a criação da União Nacional do Estudantes - UNE.
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Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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No Brasil, as primeiras experiências de Extensão Universitárias são datadas do iní-
cio do século XX, as quais coincidem com o criação do ensino superior, e trazem 
influências dos modelos citados anteriormente. Primeiramente, na Universidade 
de São Paulo, criada em 1911, onde eram ministrados cursos e conferências gra-
tuitas abertas à população e, posteriormente, na Escola Superior de Agricultura 
e Veterinária de Viçosa/MG e na Escola de Lavras/MG, sendo realizadas ativi-
dades de extensão com agricultores, sendo que o objetivo era levar assistência 
técnica aos mesmos.A primeira menção legal referente à Extensão Universitária tem data em 11 de 
abril de 1931, com base no Estatuto das Universidades Brasileiras, Decreto Lei nº 
19.851, o qual dispõe sobre a Reforma do Ensino Superior da República e apresenta 
que “à extensão cabe: divulgar as atividades técnicas e científicas da universidade 
através de cursos e conferências” (MESQUITA FILHO, 1997, on-line)3, tendo 
como intuito levar o conhecimento técnico das universidades para a população de 
forma geral. Porém, apenas quem estava dentro das universidades tinha a oportu-
nidade de participar dos momentos reflexivos, restando, dessa forma, à população 
que participava desses cursos, meramente ser espectador desse conhecimento.
A UNE é a entidade máxima dos estudantes brasileiros e representa cerca de 
seis milhões de universitários de todos os 26 Estados e do Distrito Federal.
A universidade é um ambiente onde a juventude brasileira tradicionalmen-
te se organiza em torno de visões, opiniões e vontades comuns. Movimento 
estudantil é o nome dessa atividade que envolve tanto a organização de 
uma festa como a participação numa passeata, a criação de uma empresa 
júnior ou a representação política para debater o país.
Em meio a esse processo, os estudantes vão se organizando em entidades 
representativas como DAs (diretórios acadêmicos), CAs (centros acadêmi-
cos), DCEs (diretórios centrais), uniões estaduais de estudantes e executivas 
nacionais de cursos. A união destas organizações forma, há mais de 70 anos, 
a UNE. 
Fonte: UNE ([2017], on-line)2.
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Essa concepção, tecnicista e assistencialista empregada a Extensão 
Universitária, perdura dos anos 30 até a Lei de Diretrizes e Bases nº 4.024/61, 
em que, ainda, a extensão era vista como uma modalidade de cursos, conferên-
cias ou assistência técnica rural, que abrangiam principalmente a classe que já 
estava dentro das universidades, existindo, assim, um distanciamento entre a 
população e as atividades extensionistas.
A Lei nº 5.540 de 1968 vem acolhendo a concepção de extensão evidencia-
das historicamente, no qual determina que “as universidades e a instituições de 
ensino superior deverão estender à comunidade suas atividades de ensino e o 
resultado da pesquisa, por meio de cursos e serviços especiais” (BRASIL, 1968, 
on-line). Cabe ressaltar, que, por meio desta lei, a extensão era praticada sem a 
participação dos docentes, apenas pelos estudantes em caráter assistencialista, 
como atividade opcional e secundária, sem qualquer vínculo com as demais ati-
vidades acadêmicas.
Nogueira (2005), em seus estudos, discute a problemática de entender a 
extensão apenas como prestação de serviço e manifesta que, dessa forma, a ati-
vidade extensionista não atinge a parcela da população que de fato deveria ser 
priorizada com tais atividades. Nas palavras da autora:
[...] entender a Extensão apenas como promoção de cursos ou apenas 
como prestação de serviços é restringi-la a um nível que a impede de 
alcançar sua dimensão acadêmica. Dificilmente nestas atividades rea-
lizadas de forma isolada, existe articulação com as demais atividades 
acadêmicas: o Ensino e a Pesquisa. Ademais, quando realizadas des-
vinculadas de um planejamento institucional, muitas vezes atendem a 
uma clientela oriunda de camada social que pode pagar por esses ser-
viços e que, em geral, já tem acesso ao ensino superior (NOGUEIRA, 
2005, p. 107).
Até o presente momento é notório que a extensão universitária ainda sofre 
grande influência das vertentes europeias do início do século, sendo ela man-
tida como uma forma da universidade transmitir para as comunidades o ensino 
que ela produz e o resultado das pesquisas que desenvolve de forma isolada, não 
havendo, deste modo, uma articulação entre a extensão e as atividades de ensino 
e pesquisa. Além disso, também não se concebe a troca de saberes entre a uni-
versidade e a sociedade, sendo esta mera receptora de conhecimento.
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Essa visão errônea, até então, destinada à Extensão Universitária começa a 
mudar com o surgimento do Movimento Estudantil, a partir da década de 60, 
quando eram discutidos os problemas político-ideológicos e a educação em um 
contexto nacional.
Nogueira (2005) corrobora com esta afirmação, na qual relata que “a partir de 
documentos produzidos pela UNE percebe-se a proposta de uma Universidade 
aberta para a sociedade, comprometida com as classes populares”. Nesse momento, 
a visão posta a Extensão passa a abranger um formato mais aberto, sendo rea-
lizada de várias formas:
[...] por meio de cursos acessíveis a todos, incluindo operários, analfa-
betos, etc, não se restringindo, como nos cursos frequentemente reali-
zados nas Universidades, à classe social que a ela já tinha acesso; por 
meio de serviços prestados aos órgãos públicos, especialmente no inte-
rior dos Estados, onde se encontra maior carência de pessoal qualifica-
do; por meio de assistência às camadas populares nos setores médicos, 
no odontológico, no jurídico, técnico, etc. Algumas dessas atividades 
poderiam ser realizadas sob forma de estágio curricular, integrando o 
Ensino e a Extensão (NOGUEIRA, 2005, p. 64). 
A extensão Universitária reflete as condições sociais, econômicas e políticas da 
sociedade (PAIVA, 1985, p. 19), pois ao mesmo tempo em que exerce influên-
cia sobre a sociedade é influenciado por ela. 
Já vimos, anteriormente, que o termo extensão aparece pela primeira vez em 
1931, na Legislação Educacional, no que foi chamado o primeiro Estatuto das 
Universidades Brasileiras, ressurgindo na Lei 5.540/68, que tornou obrigatória a 
extensão universitárie sendo afirmada para o fim na Constituição Federal de 1988. 
 E como podemos compreender a extensão? Vamos visitar alguns conceitos? 
A compreensão da extensão, como uma das modalidades de desin-
cumbência do compromisso social da universidade, passa pela com-
preensão histórica desta última... o estudo da universidade concreta 
não pode deixar, de modo algum, de levar em consideração as relações 
múltiplas e recíprocas entre universidade e sociedade (FAGUNDES, 
1985 apud SOUZA, 2010, p. 13). 
[…] a extensão constitui a área mais heterogênea e diversificada das 
universidades. É também aquela para a qual não foram desenvolvidos 
ainda instrumentos adequados de avaliação, nem no Brasil nem no ex-
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terior (DURHAM, 1996, p. 109). 
 A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científi co 
que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a 
relação transformadora entre Universidade e Sociedade. A Extensão é 
uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à comunidade aca-
dêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração 
da práxis de um conhecimento acadêmico (PLANO NACIONAL DE 
EXTENSÃO, 2000/2001, on-line)4. 
 A extensão é o próprio ensino e pesquisa desenvolvidos dentro de uma 
concepção político-metodológica que privilegiou as necessidades da 
maioria da população, numa perspectiva do movimento ação-refl exão-
-ação, em que a concepção de ensino se constitui na elaboração, ela 
mesma, do conhecimento pelos alunos, resultante do confronto com a 
realidade concreta e a pesquisa da sistematização dessa prática (TAVA-
RES, 1997, p. 15). 
Figura 1 - Representação da Extensão Universitária
Fonte: adaptado de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996). 
A Figura 1 dá ênfase à questão da Extensão enquanto soma, como construçãocoletiva do saber, em que se produz saberes a partir da troca, conforme podemos 
confi rmar na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9.394 – 1996): 
[...] no retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendiza-
do que, submetido à refl exão teórica, será acrescido àquele conhecimento. 
Esse fl uxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados, acadêmico e 
popular, terá como consequências a produção do conhecimento resultan-
te do confronto com a realidade brasileira e regional, a democratização 
do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na 
atuação da Universidade. Além de instrumentalizadora deste processo 
dialético de teoria/prática, a Extensão é um trabalho interdisciplinar que 
favorece a visão integrada do social (BRASIL, Lei nº 9.394/96).
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E ainda temos a contribuição de Castro (2004, p. 14) que afirma “[...] no caso 
da extensão, o que percebemos é que ela produz conhecimento a partir da expe-
riência e, assim, tem capacidade de narrar sobre o seu fazer”. Contando com a 
contribuição de Moita e Andrade (2009, p. 274), que diz que: 
Narrar uma experiência implica pensá-la. Considerando que nossa re-
flexão fundamenta-se sobre essa experiência, cumpre relatá-la suma-
riamente, a fim de que seja possível compreender o cenário e o proces-
so sobre os quais se situa nossa discussão.
A Universidade é uma instituição social, cujas funções são a socialização do saber 
e integração social dos diversos indivíduos. Tendo no ensino a sua função mais 
tradicional, pois está relacionada a transmissão de conhecimento. 
Assim, tem-se hoje como princípio que, para a formação do profissional ci-
dadão, é imprescindível sua efetiva interação com a sociedade, seja para se 
situar historicamente, para se identificar culturalmente e/ou para referenciar 
sua formação técnica com os problemas que um dia terá de enfrentar. 
Fonte: Nogueira (2000, p. 120).
A extensão, entendida como prática acadêmica que interliga a universidade 
nas suas atividades de ensino e de pesquisa com as demandas da maioria 
da população, possibilita essa formação do profissional cidadão e se creden-
cia cada vez mais junto à sociedade como espaço privilegiado de produção 
do conhecimento significativo para a superação das desigualdades sociais 
existentes. 
Fonte: Instituto Federal de Santa Catarina ([2017], on-line)2
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As relações sociais entre Instituição de Ensino e aluno é que vão imprimir o 
modelo de universidade perante a sociedade onde está inserida. De acordo 
com Souza (2010, p. 15), “As Universidades sempre serviram à alguém, fosse no 
ensino, na pesquisa ou na Extensão; sempre mantiveram um compromisso com 
algum grupo de seu meio social”. 
Figura 2 - Tripé- compromisso das Universidades
Fonte: as autoras.
Convido você a retomar a história da educação superior, abordada na Unidade 
I de estudo e, assim, compreender em que momento a extensão se faz presente e 
marcante como parte do tripé que compõe a função da Universidade Brasileira: 
 [...] a principal característica da Universidade do período Medieval era 
estar voltada exclusivamente para o ensino. A universidade Francesa 
foi um caso típico, pois a pesquisa desenvolvia-se fora de seus muros, 
sendo que a principal preocupação era com o ensino especializado, 
uma faculdade para cada profi ssão. A Universidade Brasileira vai se 
servir deste modelo na sua criação. 
Essa Universidade Medieval começa a ceder espaço para a Universida-
de Moderna como a nova forma encontrada para responder às deman-
das sociais criadas com o advento da Revolução Industrial, no século 
XVII. 
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PAPEL DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA PARA A FORMAÇÃO ACADÊMICA
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Uma nova concepção de educação, surgindo no século XIX, leva as 
universidades a se preocuparem com a prestação de serviços que de-
veriam oferecer às comunidades. Essa nova concepção apresentava a 
necessidade de uma educação continuada, que não terminasse na in-
fância, mas seguisse por toda a vida. 
Foi nesse contexto que surgiu a Extensão como atividade da Universi-
dade como Instituição (SOUZA, 2010, p.14-15). 
De acordo com Souza (2010, p. 16), a Extensão Universitária acaba por se con-
solidar enquanto instrumento de mediação, pois “deveria propiciar o vínculo 
mútuo e dialético entre Universidade e Sociedade, demonstrando que a existên-
cia de ambas não pode ocorrer isoladamente”. 
O conceito de mediação indica que nada é isolado. Esta Sociedade é forma-
da pela existência e convivência dos seres humanos [...].
 (Ana Luiza Lima Souza)
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PLANO NACIONAL DE EXTENSÃO – (2000) 
De acordo com o Plano Nacional de Extensão, as Diretrizes para a Extensão 
Universitária são: 
• Impacto e transformação: estabelecimento de uma relação entre a 
Universidade e outros setores da Sociedade, com vistas a uma atu-
ação transformadora, voltada para os interesses e necessidades da 
maioria da população e implementadora de desenvolvimento re-
gional e de políticas públicas. Essa diretriz consolida a orientação 
para cada ação da Extensão Universitária: frente à complexidade 
e a diversidade da realidade, é necessário eleger as questões mais 
prioritárias, com abrangência suficiente para uma atuação que co-
labore efetivamente para a mudança social. Definida a questão, é 
preciso estudá-la em todos seus detalhes, formular soluções, decla-
rar o compromisso pessoal e institucional pela mudança, e atuar. 
• Interação dialógica: desenvolvimento de relações entre universi-
dade e setores sociais marcadas pelo diálogo, pela ação de mão-
-dupla, de troca de saberes, de superação do discurso da hegemo-
nia acadêmica – que ainda marca uma concepção ultrapassada de 
extensão: estende à sociedade o conhecimento acumulado pela 
universidade – para uma aliança com movimentos sociais de su-
peração de desigualdade e de exclusão. 
• Interdisciplinaridade: caracterizada pela interação de modelos e 
conceitos complementares, de material analítico e de metodolo-
gias, buscando consistência teórica e operacional que estruture o 
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trabalho dos atores do processo social e que conduza à interinsti-
tucionalidade, construída na interação e inter-relação de organiza-
ções, profissionais e pessoas. 
• Indissociabilidade (ensino/pesquisa/extensão): reafirmando a 
Extensão como processo acadêmico – justificando-lhe o adjetivo 
“universitária” – em que toda ação de extensão deverá estar vincu-
lada ao processo de formação de pessoas e de geração de conheci-
mento, tendo o aluno como protagonista de sua formação técnica 
para obtenção de competências necessárias à atuação profissional, 
e de sua formação cidadã – reconhecer-se agente da garantia de 
direitos e deveres, assumindo uma visão transformadora e um 
compromisso. Na aplicação dessa diretriz abre-se um capítulo es-
pecial, o da participação da Extensão Universitária na flexibiliza-
ção da formação discente, contribuindo para a implementação das 
diretrizes curriculares nacionais, com reconhecimento de ações de 
extensão no processo curricular, com atribuição de créditos acadê-
micos (UFU, 2009, on-line)6.
AS AÇÕES DE EXTENSÃO 
Dando seguimento ao nosso entendimentoacerca dos papeis da Extensão 
Universitária, vamos ver que estas podem ser classificadas da seguinte forma: 
 ■ Programa;
 ■ Projeto;
 ■ Curso; 
 ■ Evento; 
 ■ Prestação de Serviços. 
Veremos, a seguir, a definição de cada 
uma dessas ações. Você já participou de 
alguma dessas ações junto a Unicesumar 
ou outra Universidade? 
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Quadro 1 - Ações de Extensão Universitária
AÇÃO DE 
EXTENSÃO 
DESCRIÇÃO 
Programa Conjunto articulado de projetos e outras ações de extensão (cur-
sos, eventos, prestação de serviços), preferencialmente integrando 
as ações de extensão, pesquisa e ensino. Tem caráter orgânico-
-institucional, clareza de diretrizes e orientação para um objetivo 
comum, sendo executado a médio e longo prazo. 
Projeto Ação processual e contínua de caráter educativo, social, cultural, 
científico ou tecnológico, com objetivo específico e prazo deter-
minado. 
Modalidades de Projeto: 
• Projeto Vinculado a um Programa (forma preferencial – o projeto 
faz parte de uma nucleação de ações). 
• Projeto Não-vinculado a Programa (Projeto isolado). 
Curso Ação pedagógica, de caráter teórico e/ou prático, presencial ou a 
distância, planejada e organizada de modo sistemático, com carga 
horária mínima de 8 horas e critérios de avaliação definidos. 
CURSOS
Classificação feita em três categorias: 
I. Presencial;
A distância. 
II. Até 30 horas; 
Igual ou superior a 30 horas; 
Iniciação; 
Atualização. 
III. Treinamento e Qualificação Profissional; 
Aperfeiçoamento; 
Especialização. 
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IIU N I D A D E66
Evento Ação que implica na apresentação e/ou exibição pública, livre ou 
com clientela específica, do conhecimento ou produto cultural, 
artístico, esportivo, científico e tecnológico desenvolvido, conser-
vado ou reconhecido pela Universidade. 
Classificação dos tipos de Eventos: 
• Congresso (duração de 3 a 7 dias); 
• Seminário (algumas horas ou de 1 a 2 dias); 
• Ciclo de Debates (encontros sequências e com tema específico; 
• Exposição (feira, salão, mostra, lançamento); 
• Espetáculo (demonstrações públicas); 
• Evento esportivo; 
• Festival (edições periódicas); 
• Outros (Ação pontual de mobilização que visa a um objetivo 
definido, exemplo – campanhas). 
Prestação 
de Serviços 
Realização de trabalho oferecido pela Instituição de Educação Su-
perior ou contratado por terceiros (comunidade, empresa, órgão 
público etc.); a prestação de serviços se caracteriza por intangibi-
lidade, inseparabilidade processo/produto e não resulta na posse 
de um bem. 
A prestação de serviço pode, em algumas circunstâncias, ser ofere-
cida na forma de um Curso ou Projeto de Extensão, nesses casos 
deve ser registrada como tal. 
Fonte: adaptado de UFMG (2013, on-line)7. 
É sempre conveniente reafirmar que, em todas as oportunidades, na implemen-
tação da ação de extensão devem ser consideradas: 
 ■ A valorização do cenário de aprendizagem sobre conteúdos 
pré-estabelecidos.
 ■ A primazia da relação estudante/sociedade.
 ■ O acompanhamento por professor-orientador.
 ■ O sistema de avaliação prospectivo, participativo, com enfoque subje-
tivo e objetivo.
 ■ A relação da continuidade pactuada e dialogada eticamente com a comu-
nidade em que se insere a ação de extensão. 
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Caro(a) aluno(a), compreender a extensão nos modos como preconiza o Plano 
Nacional, e a realidade sócioeconômica atual, nos impulsiona a olhar além da 
visão tradicional da educação, a extensão permite a permanente inovação no 
meio acadêmico, pois busca, nas realidades da sociedade, elementos que possi-
bilitem uma nova forma de compreender também os conhecimentos científicos, 
permite a troca de saberes e a construção de um saber democratizado, no qual 
aluno, professor e comunidade possam interagir de maneira cooperativa.
É importante ressaltar que a intervenção na realidade não visa levar a 
universidade a substituir funções de responsabilidade do Estado, mas 
sim produzir saberes, tanto científicos e tecnológicos quanto artísticos 
e filosóficos, tornando-os acessíveis à população, ou seja, a compreen-
são da natureza pública da universidade se confirma na proporção em 
que diferentes setores da população brasileira usufruam dos resultados 
produzidos pela atividade acadêmica, o que não significa ter que, ne-
cessariamente, freqüentar seus cursos regulares (BRASIL, 2000/2001).
Destarte podemos compreender que a extensão contribui para a mudança da 
sociedade e que, juntamente com o ensino e a pesquisa, é capaz de provocar 
mudanças significativas e deveras impactante na vida das pessoas. Para encerrar 
esta Unidade, compartilho com você esse quadro esquemático, para exemplifi-
car ações de extensão que podem ocorrer nos espaços comunidade X academia:
Refletir sobre a extensão universitária, de fato, impõe o desafio de enten-
dê-la e desenvolvê-la com qualidade acadêmica tão importante quanto as 
outras atividades – o ensino e a pesquisa –, concebendo que as três funções 
da universidade constituem o processo acadêmico que se estende desde a 
produção e a sistematização do conhecimento até a transmissão dos resul-
tados. 
(Juçara Gonçalves Lima Bedim)
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Quadro 2 - Exemplos de extensão universitária NEAC - Núcleo de Extensão e Assuntos Comunitários
I - Atividades 
Anuais
1. Palestras (exemplos)
• Limites e Possibilidades da Profissão Jurídica;
• Estatuto da Ordem e Código de Ética;
• A Gestão do Escritório de Advocacia;
• Aspectos Econômicos do Processo Forense.
2. Seminários Temáticos
• Direitos das Mulheres;
• Direitos das Crianças e Adolescentes;
• Direitos das Pessoas com Deficiências;
• Diversidade Sexual e Direitos Humanos;
• Direitos dos Idosos.
3. Oficinas
• Informática Jurídica;
• Redação Jurídica;
• Técnicas de Mediação e Arbitragem;
• Direito e Prática Notarial.
4. Minicursos
• Temas:
• Direitos Humanos: abordagem antropológica;
• Direitos dos Povos Indígenas;
• Movimentos Sociais, Terceiro Setor e Cidadania;
• Racismo e Políticas de Ação Afirmativa no Brasil;
• Violência e Crimes Urbanos;
• Direito e Saúde;
• Direito Municipal;
• Medicina Legal;
• Direito Penal: legislação especial.
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5. Extensão à Comunidade
Campanhas
• Campanha 8 de Março: Dia Internacional da Mulher – Ação: 
Lugar de Mulher é na Praça;
• Campanha 18 de Maio: Semana de Combate ao Abuso e Explo-
ração Sexual contra Crianças e Adolescentes;
• Campanha 26 de Junho: Dia Mundial de Combate às Drogas.
Cursos
• Promotoras Legais Populares;
• Defensores Populares da Infância e Juventude.
Extensão
• Direitos do Paciente com Câncer;
• Projeto Reeducando.
6. Workshops
Diálogos: Café com Arte e Direito
• Literatura: O Processo (Franz Kafka);
Diante da Lei (Franz Kafka);
O Julgamento de Jesus Cristo (Rodrigo Freitas Palma);
O Caso dos Exploradores de Caverna (Carlos Alberto 
Marchi de Queiroz).
• Teatro: Antígona (Sófocles);
Galileu Galilei (Bertolt Brechet).
• Cinema: Julgamento em Nuremberg;
À Espera de um Milagre;
Um Crime de Mestre.
7. Semana Jurídica
Fonte: adaptado de NEAC - Núcleo de Extensão e Assuntos Comunitários (2017, on-line)8.
E então, o que você achou desses exemplos? Foi possível perceber a viabilidade 
e a riqueza da realização dosprojetos de extensão acadêmica? Se você não par-
ticipou, digo que vale muito à pena, e, lembre-se, após formado, no exercício de 
sua prática profissional enquanto assistente social, você poderá estabelecer par-
cerias de forma a construir parcerias. 
Você já pensou nisso?
 
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IIU N I D A D E70
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta unidade de estudo, você pôde vislumbrar a relevância da exten-
são, tanto para a formação acadêmica quanto para a comunidade.
Os ganhos são grandes para todos os envolvidos, reforçando o que vimos ao 
longo da unidade anterior: a extensão é uma via de mão dupla, pois todos são 
capazes de agir e interagir em prol da construção do conhecimento alinhado à 
realidade, ao concreto e ao vivido.
 De acordo com o processo educacional, que se inicia na infância, o ensino 
superior também prevê, dentro de seus objetivos, a formação do aluno enquanto 
ser social e de relações, visando estimular e proporcionar a criticidade e a for-
mação de profissional comprometidos com a ética, justiça e cidadania, sujeitos 
socialmente responsáveis. 
As ações de extensão podem ser desenvolvidas junto a comunidades em situ-
ação de vulnerabilidade, potencializando organizações comunitárias, estimulando 
a participação política e a sensibilização quanto à necessidade de participarem 
em espaços de controle social. Podendo ainda ser em propostos projetos de curto, 
médio ou longa duração, estimulando a criticidade, formação e fortalecimento 
das lideranças, visando sempre a autonomia, a autoconsciência e a construção 
de uma sociedade melhor.
A universidade deve sempre ser um espaço ao diálogo, sujeito a novas ideias, 
por isso, nas demais unidades, você conseguirá compreender melhor as práticas 
formativas de extensão, como ela contribui para a formação profissional e como 
ela pode fazer parte da sua vida profissional no futuro. Afinal, futuramente você 
poderá estabelecer parcerias de extensão para viabilizar ações na sua institui-
ção, você já pensou nisso?
Você, que está quase na reta final da sua graduação, deve procurar olhar 
o espaço acadêmico e vislumbrar possibilidades de atuação profissional. Tire 
suas dúvidas, converse com seu supervisor de campo e acadêmico, questione-o, 
discuta, procure investigar as diversas possibilidades de projetos de extensão 
possíveis, pois, logo em breve, você também poderá estar propondo um projeto 
ou pleiteando, junto a uma universidade, uma parceria.
71 
1. De acordo com Paiva (1985, p.19), a extensão universitária reflete as condições 
sociais, econômicas e políticas da sociedade, pois ao mesmo tempo em que 
exerce influência sobre a sociedade é influenciado por ela. Quando o termo ex-
tensão aparece pela primeira vez no Brasil? Assinale a alternativa correta.
a) Em 1931, na Legislação Educacional, no que foi chamado o primeiro Estatuto 
das Universidades Brasileiras.
b) Em 1808, logo que criada a Faculdade de Medicina do Rio Grande do Norte.
c) Em 1988, após a promulgação da Constituição Federal.
d) Em 1505, juntamente com a criação da primeira Santa Casa de Misericórdia.
e) Em 1964, após golpe da ditadura, principal apoiadora da liberdade de expres-
são.
2. Dentre os conceitos de extensão visto nesta unidade, complete as lacunas 
apresentando seu verdadeiro sentido:
A Extensão Universitária é o processo ____________________, cultural e científi-
co que articula o Ensino e a ________________ de forma indissociável e viabiliza 
a relação transformadora entre Universidade e Sociedade. A Extensão é uma via 
de _________________, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que 
encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhe-
cimento acadêmico (BRASIL, 2000-2001).
a) 1- automotivo / 2- Pesquisa / 3- mão-dupla.
b) 1-educativo / 2- Alienação / 3- mão-dupla.
c) 1-educativo / 2- Pesquisa / 3- mão-única.
d) 1-educativo / 2- Alienação / 3- mão-única.
e) 1- social / 2- Pesquisa / 3- mão-dupla.
3. A partir do exposto ao longo da unidade, como podem ser classificadas as ações 
de extensão?
4. De acordo com o Plano Nacional de Extensão 2000-2001, quais são as Diretrizes 
previstas para a Extensão Universitária?
5. Ao fazer a leitura complementar proposta nesta Unidade, vimos que, de acordo 
com o Plano Nacional de Extensão, é previsto que as Instituições de Ensino Su-
perior elaborarão planos regionais e institucionais que deverão considerar algu-
mas área temáticas. Cite quais são essas áreas temáticas.
72 
Assumir mais veementemente a posição de uma universidade voltada para os interesses 
e as necessidades da maioria da população requer a retomada de alguns princípios bási-
cos presentes na plataforma política da extensão universitária desde 1987:
• a ciência, a arte e a tecnologia devem alicerçar-se nas prioridades do local, da região, 
do país;
• a universidade não pode se imaginar proprietária de um saber pronto e acabado, 
que vai ser oferecido à sociedade, mas, ao contrário, exatamente porque participa 
dessa sociedade, a instituição deve estar sensível a seus problemas e apelos, quer 
através dos grupos sociais com os quais interage, quer através das questões que 
surgem de suas atividades próprias de ensino, pesquisa e extensão;
• a universidade deve participar dos movimentos sociais, priorizando ações que vi-
sem à superação das atuais condições de desigualdade e exclusão existentes no 
Brasil;
• a ação cidadã das universidades não pode prescindir da efetiva difusão dos sabe-
res nelas produzidos, de tal forma que as populações cujos problemas tornam-se 
objeto da pesquisa acadêmica sejam também consideradas sujeito desse conheci-
mento, tendo, portanto, pleno direito de acesso às informações resultantes dessas 
pesquisas;
• a prestação de serviços deve ser produto de interesse acadêmico, científico, filosó-
fico, tecnológico e artístico do ensino, pesquisa e extensão, devendo ser encarada 
como um trabalho social, ou seja, ação deliberada que se constitui a partir da rea-
lidade e sobre a realidade objetiva, produzindo conhecimentos que visem à trans-
formação social;
• a atuação junto ao sistema de ensino público deve se constituir em uma das diretri-
zes prioritárias para o fortalecimento da educação básica através de contribuições 
técnico-científicas e colaboração na construção e difusão dos valores da cidadania.
 
PROFISSIONAL CIDADÃO
Assim, tem-se hoje como princípio que, para a formação do profissional cidadão, é im-
prescindível sua efetiva interação com a sociedade, seja para se situar historicamente, 
para se identificar culturalmente e/ou para referenciar sua formação técnica com os 
problemas que um dia terá de enfrentar. A extensão, entendida como prática acadê-
mica que interliga a universidade nas suas atividades de ensino e de pesquisa com as 
demandas da maioria da população, possibilita essa formação do profissional cidadão 
e se credencia cada vez mais junto à sociedade como espaço privilegiado de produção 
do conhecimento significativo para a superação das desigualdades sociais existentes.
 
73 
INSTRUMENTO DE MUDANÇA
A partir dessas premissas é que se considera a atividade de extensão, pelo potencial da 
comunidade universitária (professores, alunos, técnicos), um instrumento incompará-
vel de mudança nas próprias instituições onde se desenvolve e nas sociedades onde 
essas instituições estiverem inseridas. Resultado dessas reflexões é que se considera im-
portante consolidar essa prática dentro das instituições de ensino, o que possibilitará a 
constante busca do equilíbrio adequado entre as demandas que lhe são socialmente 
exigidas e os saberes e as inovações que surgem do trabalho de seus professores, estu-
dantes e funcionários técnico-administrativos.
SIGNIFICADO E IMPORTÂNCIA
• Este Plano Nacional de Extensão Universitária, além do significado para o desenvol-
vimento dasinstituições acadêmicas, é importante também porque permite:
• a possibilidade de dar unidade nacional aos programas temáticos que já se desen-
volvem em diferentes universidades brasileiras;
• a garantia de recursos financeiros destinados à execução de políticas públicas corre-
latas, viabilizando a continuidade dos referidos programas;
• o reconhecimento, pelo poder público, de que a extensão universitária não se colo-
ca apenas como uma atividade acadêmica, mas como uma concepção de universi-
dade cidadã;
• a viabilidade de interferir na solução dos grandes problemas sociais existentes no 
país.
 OBJETIVOS
• Reafirmar a extensão universitária como processo acadêmico definido e efetivado 
em função das exigências da realidade, indispensável na formação do aluno, na 
qualificação do professor e no intercâmbio com a sociedade;
• assegurar a relação bidirecional entre a universidade e a sociedade, de tal modo que 
os problemas sociais urgentes recebam atenção produtiva por parte da universida-
de;
• dar prioridade às práticas voltadas para o atendimento de necessidades sociais 
emergentes como as relacionadas com as áreas de educação, saúde, habitação, pro-
dução de alimentos, geração de emprego e ampliação de renda; - estimular ativida-
des cujo desenvolvimento implique relações multi, inter e/ou transdisciplinares e 
interprofissionais de setores da universidade e da sociedade;
74 
• enfatizar a utilização de tecnologia disponível para ampliar a oferta de oportunida-
des e melhorar a qualidade da educação, aí incluindo a educação continuada e a 
distância;
• considerar as atividades voltadas para o desenvolvimento, produção e preservação 
cultural e artística como relevantes para a afirmação do caráter nacional e de suas 
manifestações regionais;
• inserir a educação ambiental e desenvolvimento sustentado como componentes da 
atividade extensionista [...].
ARTICULAÇÃO COM A SOCIEDADE
Desenvolvimento de programas e projetos de extensão ligados à:
• ampliação da oferta e melhoria da qualidade da Educação Básica, em até três anos;
• preservação e sustentabilidade do meio ambiente, em parceria com as agências fi-
nanciadoras, em nível nacional e internacional, em até três anos;
• melhoria da saúde e qualidade de vida da população brasileira, em até três anos;
• melhoria do atendimento à atenção integral à criança, adolescente e idoso, em até 
dois anos;
• participação no Programa Nacional de Educação nas áreas da Reforma Agrária atra-
vés da capacitação pedagógica de monitores e coordenadores locais, em até dois 
anos;
• promoção do desenvolvimento cultural, estimulando as atividades voltadas para 
o incentivo à leitura, turismo regional, folclore e cultura popular, em até dois anos;
• desenvolvimento, em parceria com órgãos federais, estaduais, municipais e entida-
des não governamentais, de programas e projetos voltados para a formação de mão 
de obra, qualificação para o trabalho, reorientação profissional e a capacitação de 
gestores de políticas públicas, em até três anos.
 Fonte: Brasil ([2017])4.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Construção Conceitual da Extensão Universitária na América Latina
Dóris Santos de Faria
Editora: EDU - UNB
Sinopse: o livro “Contribuições para a 
Construção Conceitual da Extensão universitária 
na América Latina” reúne uma série de 11 
artigos publicados pelos principais estudiosos 
brasileiros sobre o assunto. Identifi ca-se, 
claramente, que a conceituação de extensão 
universitária encontra-se em momento que 
deverá anteceder profunda reformulação, dado 
que quase todos os autores identifi cam as 
insufi ciências atuais, o que repercute na própria 
prática da extensão pelas universidades latino-
americanas. Questionam-se as concepções 
de “tripé ensino-pesquisa-extensão” e sua 
(suposta) “indissociabilidade” da relação (“mão-
dupla”) entre universidade e sociedade. Há 
críticas aos caminhos históricos que passaram 
pelo assistencialismo da extensão universitária e 
hoje pelo risco de submissão ao mercado, dentre as mais marcantes. Como tendência 
mais fundamental, identifi ca-se nos trabalhos que a extensão é o ensino e a pesquisa 
e, como tal, não seria mais correto concebê-la como atividade separada daquelas. 
Como conseqüência, é posta em dúvida a própria estruturação das universidades, 
organizadas em pró-reitorias distintas, muito embora seja reconhecida a falta, ainda, de 
amadurecimento no assunto. 
Comentário: o caminho da extensão universitária realizada pelas Universidades 
Públicas é, certamente, o mais promissor para a reformulação do Ensino Superior 
Público, tanto no Brasil quanto na América Latina. No bojo da intensifi cação do processo 
de globalização, a extensão universitária nestas instituições caminha na direção do 
envolvimento com projetos estratégicos nacionais cujas direções levem, cada vez mais, 
a universidades profundamente identifi cadas com os projetos da sociedade. Daí a 
importância deste livro, saído das hostes de tão candente debate!
MATERIAL COMPLEMENTAR
Sociedade dos poetas mortos
Ano: 1990
Sinopse: o novo professor de Inglês John Keating é 
introduzido a uma escola preparatória de meninos que 
é conhecida por suas antigas tradições e alto padrão. 
Ele usa métodos pouco ortodoxos para atingir seus 
alunos, que enfrentam enormes pressões de seus pais e 
da escola. Com a ajuda de Keating, os alunos Neil Perry, 
Todd Anderson e outros aprendem como não serem 
tão tímidos, seguir seus sonhos e aproveitar cada dia.
Comentário: a universidade é um espaço de encontro 
de vidas, de sonhos, de planejamento profi ssional 
e por consequência, de crescimento pessoal. O 
fi lme possibilitará a você a refl exão sobre a vida, 
bem como sobre como se constrói o conhecimento. 
Enquanto futuro(a) assistente social você também 
será um profi ssional que propiciará ao usuário, o 
processo refl exivo, que auxilia no autoconhecimento e 
autoconsciência.
“Quando você pensa que conhece alguma coisa, você 
tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça 
bobo ou errado, você deve tentar!”
REFERÊNCIAS
BEDIM, Juçara Gonçalves Lima. Uma proposta de metodologias participativas 
na extensão universitária: o ensino de idiomas como uma vertente instrumental. 
2006. 307f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
Faculdade de Educação / Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases 
da educação nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L9394.htm>. Acesso em: 04 maio. 2017.
______. Lei n. 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e 
funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá ou-
tras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5540.
htm>. Acesso em: 09 maio. 2017.
______. Decreto 19.851, de 11 de abril de 1931. Dispõe que o ensino superior no 
Brasil obedecerá, de preferência, ao sistema universitário, podendo ainda ser minis-
trado em institutos isolados, e que a organização técnica e administrativa das uni-
versidades é instituida no presente decreto, regendo-se os institutos isolados pelos 
respectivos regulamentos, observados os dispositivos do seguinte Estatuto das Uni-
versidades Brasileiras. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decre-
to/1930-1949/d19851.htm>. Acesso em: 09 maio. 2017.
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Durham, Eunice. Subsídios para discussão da avaliação do ensino superior. Bra-
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MOITA, Filomena MariaGonçalves da Silva Cordeiro; ANDRADE, Fernando Cézar 
Bezerra de. Ensino-pesquisa-extensão: um exercício de indissociabilidade na pós-
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NOGUEIRA, Maria das Dores Pimentel. Políticas de extensão universitária brasi-
leira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.
PAIVA, Vanilda Pereira. O II Congresso Nacional de Educação de Adultos (1958). In: 
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77
REFERÊNCIAS
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TAVARES. Dirce Encarnacion. A Interdisciplinaridade na contemporaneidade – qual 
o sentido? In: FAZENDA. Ivani Catarina Arantes (Org.). O que é interdisciplinarida-
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C3%A9%20Francisco%20de%20Melo%20Neto.pdf>. Acesso em: 09 mai. 2017.
2 Em: <https://www.une.org.br/a-une/>. Acesso em: 09 mai. 2017.
3 Em: <http://www.ecientificocultural.com/ECC3/epe.htm>. Acesso em: 09 mai. 
2017.
4 Em: <https://www.ufmg.br/proex/renex/images/documentos/Plano-nacional-de-
-extensao-universitaria-editado.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2017.
5 Em: <http://www.joinville.ifsc.edu.br/website/index.php?option=com_content&-
view=article&id=74&Itemid=53>. Acesso em: 09 mai. 2017.
6 Em: <http://www.proex.ufu.br/menu-prim%C3%A1rio/pol%C3%ADtica-extens%-
C3%A3o>. Acesso em: 09 mai. 2017.
7 Em:<https://www2.ufmg.br/proex/Sistemas/SIEX/Concepcoes-de-Extensao>. 
Acesso em: 09 mai. 2017.
8 Em: <http://www.fundacaojau.edu.br/integradas/views/102>. Acesso em: 09 mai. 
2017.
GABARITO
79
1) A.
2) C.
3) Resposta: Programa - Projeto - Curso - Evento - Prestação de Serviços. 
4) Resposta: Impacto e transformação - Interação dialógica - Interdisciplinaridade 
- Indissociabilidade (ensino/pesquisa/extensão).
5) Comunicação - Cultura - Direitos humanos - Educação - Meio ambiente - Saúde 
- Tecnologia - Trabalho.
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Professora Me. Daniele Moraes Cecilio Soares
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Compreender o conceito de interdisciplinaridade.
 ■ Analisar o trabalho comunitário e sua relação com a extensão 
universitária.
 ■ Promover o debate acerca da importância da interdisciplinaridade e 
da extensão universitária para o Serviço Social.
 ■ Debater a interdisciplinaridade e a extensão universitária no Serviço 
Social e conceituar sua aplicação em prol do aprendizado coletivo.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Conceituando Interdisciplinaridade
 ■ O trabalho comunitário na Universidade
 ■ Como se organiza o desenvolvimento comunitário
 ■ A interdisciplinaridade e a extensão universitária no Serviço Social
A RELEVÂNCIA DA INTER-
DISCIPLINARIDADE NO 
TRABALHO COMUNITÁRIO
INTRODUÇÃO
Bem-vindo(a), caro(a) aluno(a), à Unidade de estudo III, do material da disci-
plina: Práticas Formativas em Extensão. Nesta unidade, temos os objetivos de 
compreender o conceito de interdisciplinaridade, analisar o trabalho comunitário 
e sua relação com a extensão universitária, promover o debate acerca da impor-
tância interdisciplinaridade e da extensão universitária para o Serviço Social e 
debater a interdisciplinaridade e a extensão universitária no Serviço Social e 
conceituar sua aplicação em prol do aprendizado coletivo. Para isso, vamos estu-
dar o conceito de interdisciplinaridade e como ele está associado nas atividades 
de extensão universitária, suas importância e interface entre as competências e 
habilidades de cada área do conhecimento.
No segundo tópico, é abordado como o trabalho comunitário na universi-
dade pode ser desenvolvido por meio das atividades de extensão e a troca entre 
conhecimento e saber empírico, isto é, os acadêmicos com a formação profissio-
nal e a comunidade com as experiências vivenciadas. Essa relação é de extrema 
importância, pois é uma forma da universidade retribuir à comunidade o apren-
dizado que vem se apropriando e desenvolvendo, além de exercitar in locu e, 
assim, contribuir para e com a qualidade de vida de seu entorno.
Em seguida, é apresentado como se organiza o desenvolvimento comunitá-
rio, sua relação com a universidade, importância para o aprendizado acadêmico, 
humano e cidadão dos discentes, além da socialização do conhecimento desenvol-
vido pelo homem ao longo da história, compartilhando informações pertinentes 
para a vida da população.
Por fim, o debate gira em torno da interdisciplinaridade e a extensão uni-
versitária no Serviço Social e como esse conceito se aplica diretamente nas ações 
desenvolvidas pelas diversas áreas do saber em prol do aprendizado coletivo.
Assim, vamos juntos desvelar a importância da interdisciplinaridade na 
extensão universitária para o Serviço Social.
Introdução
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CONCEITUANDO INTERDISCIPLINARIDADE
Caro(a) acadêmico(a), nesta unidade de estudo, do material da disciplina Práticas 
Formativas em Extensão, vamos debater o conceito de interdisciplinaridade e sua 
importância no trabalho comunitário, uma vez que este envolve a colaboração 
e troca de saberes entre diversas áreas do conhecimento e inúmeras profissões.
Para isso, será necessário compreender os conceitos de multidisciplinaridade, 
pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade desmistificando suas finalidades. 
Concomitantemente, aborda-se a questão do trabalho comunitário como res-
posta da universidade e do meio acadêmico em dar a devolutiva do conhecimento 
para a comunidade, isto é, a troca entre a teoria e o mundo objetivo.
 Ao iniciarmos o debate acerca da interdisciplinaridade, é necessário que 
tracemos uma linha histórica sobre a origem e desenvolvimento desse conceito. 
A história demarca que, na Grécia, os filósofos tinham a preocupação com a 
integração do conhecimento na educação de jovens cidadãos, sendo estes consi-
derados em sua totalidade, por meio do processo de mediação entre o universal 
- particular - singular.
 ■ Universalidade: sínteses dos singulares;
 ■ Particularidade: campo da mediação – suspensão;
 ■ Singularidade: imerso na realidade no aparente – campo da experiên-
cia empírica.
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Ressalta-se que as mediações são feitas do singular para o universal e vice e versa, 
sendo tratadas no particular e retroalimentadas nesse movimento.
A Idade Média destacou que a pedagogia da totalidade possuía a compre-
ensão do ser humano como uno, ou seja, um ser com capacidades únicas e 
insubstituíveis. Já a Modernidade, em especial com o Iluminismo - o qual trouxe 
as descobertas científicas, avanços tecnológicos - destaca-se a separação entre 
a razão e a emoção.
A interdisciplinaridade se refere à “[…] reciprocidade, enriquecimento 
mútuo, com tendência à horizontalização das relações de poder entre os campos 
implicados “[…] para a criação de campos de saber, teóricos ou aplicados […]” 
(VASCONCELOS, 1997, p. 141-142). Desse modo, caro(a) aluno(a), a interdis-
ciplinaridade ao significar mutualidade e reciprocidade, exige que as relações 
sociais sejam horizontais, não tendo a interdependência hierárquica quea ver-
ticalização impõe.
Por isso, a interdisciplinaridade tem o objetivo de ouvir e processar os questio-
namentos e indagações do outro, sendo de extrema importância o conhecimento 
e a reflexão. Esta, por sua vez, implica em trabalhar com o pensar do outro, intro-
jetar novos e/ou outros conhecimentos, para, a partir daí, criar novas práticas, o 
que pressupõe atuar de uma “nova” forma criativa. 
Dessa forma, o trabalho interdisci-
plinar indica uma diferença de todos os 
profissionais envolvidos nesse processo, 
pois exige que seja trabalhada uma visão 
de mundo e de totalidade por parte de 
todos, isto é, agrega-se a compreensão 
de todas as profissões e elabora-se um 
posicionamento que contemple todas 
elas.
Nesse sentido, a interdisciplinaridade 
ultrapassa os limites das estruturas institucionais, públicas e governamentais, pois 
requer que haja o trabalho intersetorial entre as políticas públicas, serviços e órgãos. 
Tal situação implica nas instituições formadoras, principalmente, por considerar o 
coletivo e o ser social enquanto histórico.
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Para tanto, faz-se necessária a articulação de diversos saberes, fundamentados 
em uma base teórica que a sustente, para transformar ou criar uma nova teo-
ria, novos conhecimentos e saberes, bem como práticas e ações que possibilitem 
ao atendimento integral das demandas manifestas pelos usuários dos serviços.
No entanto, a multidisciplinaridade é compreendida como “[…] um sistema 
de referência e contrarreferência dos clientes, com uma coordenação apenas 
administrativa [...]” (VASCONCELOS, 1997, p. 141). Isso significa que a rela-
ção entre os diversos profissionais não implica na troca de seus saberes em prol 
de uma nova ação.
A prática interdisciplinar vista, a partir da ideia do pluralismo, não corres-
ponde a questão do ecletismo ou relativismo moral, ou seja, não corresponde a 
conciliação de pontos de vistas teóricos e éticos antagônicos. Entretanto, é con-
siderada, enquanto sinônimo de abertura ao diferente, em respeito a posição 
alheia, uma vez que esta auxilia na formação da própria opinião e posiciona-
mento profissional.
Prezado(a) acadêmico(a), agora que definimos cada um destes conceitos, 
surge a seguinte questão: nos espaços sócio-ocupacionais, em que estão 
inseridos os assistentes sociais, é possível a presença de mais de um dos 
conceitos trabalhados acima?
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Para compreendermos a diferença dos conceitos seguem suas principais 
características:
 ■ Multidisciplinaridade: vários profissionais, sem relações entre si, troca 
de informações e/ou saberes;
 ■ Pluridisciplinaridade: justaposição de diversas disciplinas no mesmo nível 
hierárquico e agrupadas para fazer aparecer as relações existentes entre si;
 ■ Interdisciplinaridade: ocorre reciprocidade, enriquecimento mútuo. 
Grupo de disciplinas conexas, no mesmo nível hierárquico, para criação 
de um novo saber autônomo;
 ■ Transdisciplinaridade: coordenação de todas as disciplinas e integran-
tes do campo, sobre a base axiomática geral compartilhada.
Tendo em vista a importância que a interdisciplinaridade possui no trabalho 
multidisciplinar, salienta-se que:
[…] a ideia é partir das demandas, necessidades, dificuldades priorida-
des locais […], sempre guiado pelo princípio da interdisciplinaridade, 
no qual os saberes são complementares e mantêm uma relação hori-
zontal com as diferentes áreas de conhecimento, sejam elas formais ou 
não (AMARO, 2012, p. 165).
Corrobora-se da ideia da autora, uma vez que a interdisciplinaridade requer a 
troca de saberes em prol de novas respostas e ações profissionais que se entrela-
çam nas atividades do trabalho e nas relações de referência e contrarreferência 
de serviços e políticas públicas sociais.
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Nesse sentido, Raynaut (2014) apresenta que é necessário atravessar as fron-
teiras disciplinares e repensar o recorte disciplinar para se explorar a diversidade 
dos significados das interpretações divergentes da interdisciplinaridade. Por 
isso, a abordagem integrada na resolução dos problemas é fundamental, mas 
não é um processo técnico que possa se restringir a um domínio único de com-
petências, sendo de extrema importância o respeito mútuo entre as disciplinas 
e os espaços de interface entre: materialidade, imaterialidade, saberes, modo de 
fazer, dentre outros.
Ressalta-se que a interdisciplinaridade estabelece sua capacidade de dialo-
gar com outros especialistas, a fim de engajar com eles colaborações concretas, 
mas sem perder o que já se adquiriu durante a formação profissional.
A interdisciplinaridade tem se expandido nos últimos anos, especialmente 
no meio acadêmico, “[...] a nível da CAPES: iniciativa que visava encorajar as 
inovações pedagógicas que ultrapassam as fronteiras disciplinares e a reforçar 
sua legitimidade institucional” (RAYNAUT, 2014, p. 02). 
De acordo Raynaut (2014), o Brasil pode ser considerado pioneiro na área 
interdisciplinar, devido aos investimentos na educação superior, especificamente 
com a pós-graduação latu e stricto sensu. Apesar disso, há um grande desafio 
pedagógico para se abrir as mentes e minimizar as barreiras, em que intelectu-
ais utilizam o método de reconstrução de espíritos do movimento de reflexão 
que vise ultrapassar as fronteiras entre territórios do saber, para se ter um olhar 
crítico sobre sua própria disciplina em particular.
Assim, caro(a) aluno(a), é preciso favorecer uma convergência de olhares 
para um novo modo de cooperar e cruzar os olhares, para se conduzir os alu-
nos à tomada de consciência da necessidade 
de interagir com outros profissionais, lançar 
portas entre os modos de abordar e tratar os 
problemas, para proporcionar a aprendiza-
gem de práticas e instrumentos, em que as 
novas capacidades adquiridas poderão ser 
colocadas em evidência num processo cole-
tivo de produção do ato ou de resolução de 
problemas para se obter êxito.
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A Interdisciplinaridade foi tratada como uma questão diretamente li-
gada à academia e foi considerada sob a ótica de desafio e problema, es-
treitamente ligada à produção e transmissão do conhecimento. Ressal-
ta-se que, neste momento, já se denunciava a fragmentação do saber e, 
à extensão caberia um espaço privilegiado para promover a integração 
das atividades acadêmicas entre áreas distintas (RODRIGUES, 2003, 
p. 21).
Portanto, é primordial a compreensão do coletivo, em que se troca e agrega 
saberes por meio de metodologias adaptadas para essa relação de aprendizado 
mútuo, em que todos os envolvidos ensinam e aprendem no mesmo processo. 
Essa complexidade do saber interdisciplinar tem caráter híbrido, porém neces-
sário ao mundo contemporâneo.
Sendo assim, prezado(a) aluno(a), é possível observar a importância do com-
partilhar o conhecimento e da importância da construção de um novo saber com 
princípios da horizontalização e respeito entre as áreas e profissionais, uma vez 
que busca-se objetivos comuns. 
O TRABALHO COMUNITÁRIO NA UNIVERSIDADE
 A extensão universitária compõe o tripé de sus-
tentação da universidade que agrega o ensino, 
a pesquisa e extensão como eixos estruturan-
tes da formação acadêmica e profissional das 
diversas áreas do conhecimento. Com base nos 
princípios da extensão em contribuir com a 
comunidade e socializar o saber acadêmico e 
intelectual, em prolda resolutividade de pro-
blemas e acesso a serviços e programas que 
estimulem a qualidade de vida da população, 
sua relação com a comunidade é intrínseca e 
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repleta de significados, pois aplica o conhecimento adquirido na realidade e se 
apropria dos resultados como em um laboratório, isto é, exercita-se o saber inte-
lectual e como num processo de estágio acadêmico e profissional.
A extensão é um dos espaços estratégicos para a promoção de ativida-
des acadêmicas, de caráter interdisciplinar, integrando grupos de áreas 
distintas do conhecimento, contribuindo à modificação progressiva da 
forma de fazer ciência e da transmissão desse tipo de saber e rever-
tendo a tendência historicamente dominante de compartimentação do 
conhecimento da realidade (RODRIGUES, 2003, p. 26).
No decorrer da história da universidade, verifica-se que ela se manteve afastada 
da sociedade durante muitos anos, como se estivesse dentro de uma redoma, o 
que fez surgir o mito de que a universidade era destino de poucas pessoas, por 
isso a vivência na academia era restrita aos docentes, discentes e pesquisado-
res, mas, com a extensão universitária, iniciou o rompimento desse paradigma.
[...] a extensão universitária pode construir o vínculo maior com a co-
munidade, a plenificação curricular, tal com a diviso, tem a faculdade 
de proporcionar, na justa medida, aquilo de que o jovem necessita para 
melhor adentrar no mercado de trabalho […] traduzida por cursos e 
serviços destinados à comunidade vincula, como um todo, a escola ao 
seu meio […] (FRANCO, 1998, p. 29).
Diante deste contexto, que traz à luz a finalidade da extensão universitária junto 
à comunidade, evidencia-se que sua função é de extrema importância para cola-
borar com todo o processo de ensino e aprendizagem, juntamente ao retorno do 
conhecimento adquirido, isto significa que há impactos reais na vida cotidiana 
de diversos cidadãos. É a troca mútua entre aplicar o conhecimento e formar-se 
profissionalmente com dados verdadeiros.
Os impactos do trabalho comunitário e interdisciplinar que a extensão uni-
versitária pressupõe são resultados concretos da realidade de pessoas que, em 
suas condições objetivas, possuem dificuldades e são arrebatadas pelas diversas 
manifestações da questão social. Tendo em vista que este é um mecanismo impor-
tantíssimo no enfrentamento e fortalecimento dos interesses e direitos humanos,
[…] visando à implementação e ao desenvolvimento de uma proposta 
extensionista articulada às demandas da população [...] uma ligação 
com o social, uma vez que a compreensão, a avaliação do conhecimen-
to adquirido e de sua efetiva aplicação podem propiciar um desempe-
nho competente e autônomo dos indivíduos na atual sociedade (alta-
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mente avançada cultural e tecnologicamente), bem como abrir portas 
no mercado de trabalho (BEDIM, 2006, p. 108).
Arroyo (2010) afirma que o papel da universidade com a extensão universitária 
não é assumir as responsabilidades do Estado, mas contribuir com processo de 
formação profissional pautados na realidade, o que propicia a troca de conheci-
mentos entre o ambiente acadêmico e a realidade.
Quanto ao exercício da extensão universitária, podemos compreender assim 
a importância que
[...] representa a ação decorrente do exercício da Extensão Universitária 
em suas várias modalidades ou formulações em que se incluem: cursos 
de Extensão; atividades de assistência técnica; prestação de serviços no 
campo social, no educacional, no sanitário, no jurídico e no de difusão 
cultural; atuação em projetos de ação comunitária ou similares; asses-
sorias ou consultas; realização de levantamentos; elaboração de planos 
e projetos; difusão de resultados de Pesquisas (GURGEL, 2001, p. 13).
Nesse sentido, verifica-se que “[…] a indissociabilidade é um princípio orienta-
dor da qualidade da produção Universitária, porque afirma como necessária a 
tridimensionalidade do fazer universitário autônomo, competente e ético [...]” 
(MOITA; ANDRADE, 2009, p. 269).
Com base nos apontamentos do autores, em que a extensão universitária 
realiza a aplicabilidade do ensino e da pesquisa em benefício da comunidade, 
é fundamental que nesse processo de aprendizagem a mediação do tripé que 
sustenta a universidade seja realizado, pois evidencia a função que as práticas 
formativas em extensão possui. Segundo Buarque (1994), com a universidade 
tridimensional é possível almejar a liberdade, ao exercer seis formas diferentes, 
sendo elas:
1. Conquista do tempo livre: avanço técnico em prol da redução das ativi-
dades produtivas, para se ter qualidade de vida;
2. Garantia do equilíbrio ecológico: manutenção do patrimônio natural;
3. Exercício da justiça: distribuição e resultados;
4. Encantamento e desencantamento do mundo por meio da construção 
da beleza e da procura da verdade: curiosidade, imaginação filosófica, 
prática das artes;
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5. Compromisso com a paz e com os direitos humanos: avanço do saber;
6. Prática da aventura: desafio de avançar o patrimônio da humanidade.
Esses elementos propuseram à universidade uma nova forma de estabelecer suas 
funções com a comunidade interna e externa, isto é, avaliar as necessidades da 
conjuntura dentro e fora do seu espaço.
Nessa perspectiva, “[…] a atividade de extensão é o caminho básico para 
a universidade descobrir o mundo e para o mundo descobrir a universidade” 
(BUARQUE, 1994, p. 137). Esse papel da extensão universitária possibilita a 
legitimação da universidade enquanto instituição, pois, somente, com o reco-
nhecimento social é possível vislumbrar a qualidade da formação.
A relação da universidade com a comunidade, por meio da extensão univer-
sitária, promove o conhecimento para a população e, em contrapartida, desvela 
para os acadêmicos, professores e pesquisadores a realidade social muitas vezes 
desconhecida, além de ser uma condição importante para o amadurecimento 
do pensamento na universidade. Essa troca entre o saber teórico e prático con-
solida a função social da universidade de ensinar, bem como contribui para o 
desenvolvimento social local.
Os instrumentos da universidade tridimensional são fundamentais para 
estruturar seus métodos e funções; destaca-se os núcleos permanentes de apoio 
à extensão, centros de estudos avançados multidisciplinares, centro de apoio às 
atividades culturais, observatórios, fóruns e centros interuniversitários.
A extensão é uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à comu-
nidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade de 
elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico. No retorno à 
universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, subme-
tido à reflexão teórica, será acrescido àquele conhecimento. Este fluxo, 
que estabelece a troca de saberes sistematizados/acadêmicos e popular, 
terá como conseqüência: a produção de conhecimento resultante do 
confronto com a realidade brasileira e regional; e a democratização do 
conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na 
atuação da universidade (NOGUEIRA, 2000, p. 11).
Segundo Sousa (2010, p. 128), “a universidade tem desempenhado uma fun-
ção transformadora, de produção de conhecimento, de formação de recursos 
humanos e de crítica social [...]”. O conhecimento estudado e desenvolvido na 
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93universidade tem que ser para o processo de ensino e aprendizagem formal, mas, 
também, atingir os muros fora da academia, em que se almeja a transformação 
da vida e da sociedade.
Concomitantemente, a autora aponta que a extensão universitária é a media-
dora do movimento que a universidade realiza, e por isso “[...] não pode pensar 
em si mesma como instituição formadora se ignora o ambiente social na for-
mação dos profissionais” (SOUSA, 2010, p. 130). Assim, há necessidade do 
conhecimento científico acompanhar o movimento da realidade social, que é 
dinâmica e se reflete conforme os padrões econômicos e políticos de determi-
nado período sócio-histórico.
Para melhor compreender os conceitos de desenvolvimento, comunitário e 
comunidade, seguem definições sobre estes:
[...] desenvolvimento: s.m. ato ou efeito de desenvolver ou desenvol-
ver-se; progresso; aumento; prolongamento; o progresso de um estado 
a outro, de tal modo que o seguinte é sempre mais perfeito que o ante-
rior; (fig.) cultura intelectual; civilização; minuciosidade; propagação. 
(De desenvolver + - mento). Por isso, a ação ou efeito de desenvolver-
-se, desenvolução, aumento da capacidade ou possibilidades de algo, 
progresso, crescimento econômico, social e político de um país, região, 
comunidade.
Comunitário: adj. Relativo à comunidade; Diz-se da formação dos po-
vos em que prepondera o sentimento de comunidade; como nas tribos 
orientais, em oposição a particularista, ou seja, são grupos ou pessoas 
que se relacionam pelos mesmos objetivos dando assim corpo a grupos 
sociais articuladores.
Comunidade: s. f. Qualidade daquilo que é comum; Agremiação; Co-
muna; Sociedade; Identidade; Paridade; Conformidade; Lugar onde 
vivem indivíduos agremiados (DICIONÁRIO PRIBERAM, 2013, on-
-line)1.
O século XXI tem sido marcado por comunidades pobres que podem ser clas-
sificadas pelo seu grau de integração ao mercado global, sendo consideradas as 
excluídas (que vivem em condições de subsistência, onde os pobres não ganham 
o dinheiro necessário para adquirir bens e serviços na comunidade a fim de 
satisfazer as necessidades básicas) e as recém excluídas, como: o cinturão da 
“ferrugem” (a região do ABC, São Paulo) cujos moradores eram ex-emprega-
dos de indústrias, que encolheram ou desapareceram em função da abertura do 
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mercado interno e do progresso tecnológico, sendo que, hoje, sobrevivem com 
uma renda baixa, composta por auxílios e aposentadorias; este grupo é marcado 
pela falta de atividade para seus membros, ou seja, pela ociosidade.
Nesse sentido, de acordo com Santos (2002, p. 1), o desenvolvimento comu-
nitário “[...] é o esforço para melhorar as condições de vida daqueles que habitam 
um local”, isto é, a comunidade e o seu espaço geográfico e cultural, tomando 
em linha de conta a especificidade deste local. Distingue-se do desenvolvimento 
de uma população em geral, porque procura o desenvolvimento equilibrado e 
integrado de uma comunidade, com o máximo respeito pelos seus valores pró-
prios e procurando tirar partido da sua riqueza histórica.
Por isso, para que haja melhores condições de vida de uma determinada 
comunidade devem ser consideradas as características desse local, buscando o 
equilíbrio, o qual está interligado a uma comunidade, utiliza o respeito pelos seus 
próprios valores. Dessa forma, desenvolver uma comunidade pobre é aumentar a 
renda, garantindo que os membros adquiram bens e serviços vendidos fora dela.
Segundo a cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego (2004, p. 3, on-line)2 
o desenvolvimento comunitário “[...] significa o desenvolvimento de todos seus 
membros conjuntamente, unidos pela ajuda mútua e pela posse coletiva de certos 
meios essenciais de produção ou distribuição”, e para se desenvolver é necessário 
que encontre uma abertura no mercado, ou seja, um espaço onde possa inserir-
-se, de forma a garantir que haja lucratividade para os membros. Isso é possível 
por meio de investimentos que vão desde a qualidade dos produtos tradicionais, 
da criação de outros, da atenção na real demanda até a atenção nas tecnológi-
cas dos produtos.
Como se Organiza o Desenvolvimento Comunitário
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COMO SE ORGANIZA O DESENVOLVIMENTO 
COMUNITÁRIO
Caros(as) alunos(as), o desenvolvimento comunitário, enquanto atuação, busca 
conduzir a comunidade a ter iniciativas para gerar renda e emprego, em que 
desenvolve e promove estratégias de ação que viabiliza induzir para melhorar a 
conjuntura e as condições de vida das pessoas que vivem em uma comunidade.
Desse modo, o desenvolvimento comunitário se organiza por meio de asso-
ciações de bairros, moradores, conselhos deliberativos de direito, fóruns, reuniões 
entre comunidades e associações, participação nas plenárias e reuniões da câmara 
de vereadores, reuniões de pais nas escolas, plano diretor, orçamento participa-
tivo, dentre outros que visem à efetiva participação na vida em sociedade.
Assim, cabe aos agentes (associar-se ao assistente social) o processo de desve-
lar à comunidade o leque de alternativas de desenvolvimento disponíveis e deixar 
que a mesma faça sua escolha. Para tanto, é preciso que a comunidade acesse as 
informações pertinentes para a escolha, o que, provavelmente, demanda a assis-
tência dos agentes externos. Como a comunidade deve escolher uma entre muitas 
possibilidades, parece-nos essencial que ela mesma se apodere dos conhecimen-
tos que lhe permitam escolher da forma mais consciente possível.
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Para Santos (2002, p. 1), os objetivos a serem realizados pelo desenvolvi-
mento comunitário são:
 ■ Reforçar e valorizar o potencial humano de determinada região.
 ■ Melhorar o nível e qualidade do emprego.
 ■ Melhorar a organização do mercado de formação.
 ■ Melhorar os níveis de escolaridade e de qualificação da população resi-
dente, em particular dos jovens e ativos.
 ■ Promover os jovens no mercado de trabalho e a reconverter e reinserir 
profissionalmente trabalhadores desempregados.
Prezado(a) aluno(a), proponho que neste momento você leia com atenção o poema 
abaixo e, a seguir, realize uma interpretação de acordo com o conteúdo apresen-
tado, buscando desvelar como o assistente social pode instigar o tipo de ação 
apresentada no poema em sua prática profissional, independentemente de seu 
campo de atuação.
Vá às pessoas
às pessoas;
Viva entre elas;
Aprenda com elas;
Comece de onde elas
já sabem;
Trabalhe com elas;
Construa sobre o que elas
já desenvolveram.
[...]
Porque sobre os grandes líderes,
quando a meta estiver alcançada,
e a tarefa cumprida,
Todos dirão:
Nós mesmos realizamos isto.
Vá
Fonte: Lao Tsu ([2017, on-line)3.
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Para retomar o sentido que a extensão universitária possui e sua relação com a 
comunidade, destaca-se que:
[...] a extensão é uma espécie de “tempero ético” que pode dar sabor de 
vida ao ensino e à pesquisa visando a se ter uma Universidade social-
mente referenciada nos princípios da justiça, da igualdade e dignidade. 
As ações extensionistas devem contribuir como as demais funções da 
Universidade, para a formação de seres humanos responsáveis e quali-
ficados para atuarem de maneira digna na sociedade (SAMPAIO, 2005, 
p. 104 apud ARAÚJO, 2014, p. 39).
Tendo em vista esse contexto, é possível compreender a extensão universitária 
como um laboratório social, onde a realidade ea particularidades de cada territó-
rio são solo fértil para a academia propor, estudar e contribuir com a resolutividade 
de conflitos e execução de projetos que visem o desenvolvimento comunitário, 
na perspectiva da garantia dos direitos sociais e humanos.
Vale destacar que o conhecimento ao ser disseminado da academia para a 
comunidade faz-se surgir um processo de transformação, em que se traduz o 
conhecimento enquanto um bem coletivo. Porém, é de suma importância que 
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o respeito à cultura da comunidade seja o princípio norteador da relação entre 
os atores envolvidos, pois primeiro é preciso conquistar a confiança e estabele-
cer os vínculos necessários para iniciar as atividades.
[…] busca-se resgatar e entender a extensão como um serviço que seja 
para os cidadãos, deixando de ter uma direção apenas voltada a setores 
estratégicos que são responsáveis pela exclusão social. Nesse sentido, 
a extensão universitária vem agregar um novo olhar da sociedade que 
instiga à vida interna desta, reconhecendo que existe outros saberes tão 
importantes quanto os acadêmicos (CUNHA, 2011 p. 28).
Por isso, “quando o homem 
compreende sua realidade, pode 
levantar hipóteses sobre o desafio 
dessa realidade e procurar solu-
ções. Assim, pode transformá-la 
e com o seu trabalho pode criar 
um mundo próprio: seu eu e suas 
circunstâncias” (FREIRE, 1979, p. 
30 apud SOUSA, 2010, p. 119). 
Portanto, caro(a) aluno(a), o pro-
cesso educativo, seja ele formal ou 
não formal, é de extrema importância para o indivíduo se descobrir enquanto ser 
social, sendo que a extensão universitária contribui diretamente nesse sentido.
Segundo Gohn, a educação não formal é considerada como:
[…] processo sociopolítico, cultural, e pedagógico de formação para a 
cidadania, entendendo o político como a formação do indivíduo para 
interagir com o outro em sociedade. Ela designa um conjunto de práti-
cas socioculturais de aprendizagem e produção de saberes, que envolve 
organizações/instituições, atividades, meios e formas variadas, assim 
como uma multiplicidade de programas e projetos sociais (GOHN, 
2010, p. 33).
Nesse sentido, o trabalho realizado pelo educador social é fundamental, pois é 
a partir deste que o indivíduo e/ou grupo passa a compreender e apreender a 
intencionalidade da educação não formal, cujos eixos principais são a formação 
para a cidadania e a emancipação dos indivíduos. Desse modo, o processo polí-
tico-pedagógico de aprendizagem e produção de saberes, nessa área, é composto 
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pelas seguintes dimensões: a aprendizagem política dos direitos de todos os cida-
dãos - conhecida também como aprendizagem para a cidadania - aprendizagem 
dos indivíduos para se inserirem no mercado de trabalho por meio de oficinas 
e laboratórios que possam desvelar as habilidades de cada um; aprendizagem 
de conteúdos, aprendizagem e o exercício de práticas que orientem os indiví-
duos a se organizarem em coletivo em busca de seus objetivos, como em fóruns, 
conselhos deliberativos de políticas públicas, conferências, aprendizagem pela 
cultura, em que as artes e a literatura possibilitam uma nova visão de mundo e 
de homem para si, dentre outras.
Diante desse contexto, Cortella (2007) afirma que:
[…] como Educação não é sinônimo de escola, dado que esta é par-
te daquela, tudo o que se expande para além da formalização escolar 
é território educativo a ser operado. Ademais, se essa operação com-
partilhante na Educação não formal pretende a consolidação de uma 
sociedade com convivência justa e equânime, a cidadania em paz é o 
horizonte (CORTELLA, 2007, p. 47 apud GOHN, 2010, p. 37).
Assim, para a autora, a educação não formal é (ou deve ser) o eixo central a for-
mação para a cidadania, voltada para a emancipação social, ela não se limita 
apenas às atividades para as classes populares, excluídos, embora tenha um campo 
maior de abrangência nesses setores e segmentos sociais. A educação não formal 
não tenciona substituir a escola formal, ao contrário, ela reafirma sua importân-
cia como um direito conquistado.
No livro “Educação não formal e o educador social: atuação no desenvolvi-
mento de projetos sociais”, a autora disserta sobre experiências de educa-
dores sociais de todo o Brasil, apontando na prática desses como deve ser 
desenvolvida a educação não formal.
Fonte: Gohn (2010). 
A RELEVÂNCIA DA INTER-DISCIPLINARIDADE NO TRABALHO COMUNITÁRIO
Reprodução proibida. A
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A educação formal, que se adquire a partir do processo de ensino e aprendizagem 
nos anos iniciais da educação básica, é “[…] a educação é um lugar de interpe-
lação e de interrogação filosófica por excelência [...]” (GADOTTI, 1984, p. 31). 
A definição do autor possibilita a compreensão da diferença entre os processos 
de educação formal e não formal.
A educação enquanto processo de desenvolvimento intelectual do ser humano 
tornou-se fundamental para o aprimoramento da capacidade de aprendizado em 
várias áreas para a formação do ser social ao longo da evolução política, eco-
nômica e social. Dessa forma, a educação foi dividida em formal, referente aos 
níveis de ensino, e não formal, que se inicia nos primeiros anos de vida.
Frente a esse contexto, verifica-se que a educação formal e a não formal 
complementam-se para a formação das capacidades do indivíduo enquanto ser 
social, o que significa sua plena inserção e clareza na sociedade. A extensão uni-
versitária, ao desenvolver suas atividades junto com a comunidade, promove 
espaço de educação não formal, pois tem o objetivo de colaborar para o desen-
volvimento do trabalho conjunto.
Para Marx (2010, p. 46), “[…] A teoria só se efetiva num povo na medida 
em que representa a concretização das suas necessidades [...]”. Essa é a função da 
universidade com o trabalho comunitário, como propagadora do conhecimento 
tem o dever de esclarecer às pessoas os direitos, políticas públicas e sociais ine-
rentes ao bem estar social.
Por isso, a emancipação é o caminho que deve ser traçado para uma nova 
concepção de mundo, em que não haja a exploração de uma classe sobre a outra. 
Entretanto, isso só será possível por meio do conhecimento como ferramenta de 
luta de todos os cidadãos (GOHN, 2010).
Sendo assim, só ocorrerão mudanças e a (trans)formação:
[...] quando o indivíduo-cidadão, sabendo-se que ele está condicionado 
pelo meio, pelas estruturas e processos sociais, pela ação dos outros 
indivíduos-cidadãos, consegue criar uma história pessoal, unir subje-
tividade e objetividade, dar um sentido ao conjunto de experiências da 
sua vida, combater os poderes e domínios que lhe afetam, integrar o 
vivido, o percebido e o imaginado, ele se transforma num sujeito. Ou 
seja, alguém dotado de autonomia e liberdade, com capacidade de fazer 
escolhas (WANDERLEY, 2000, p. 162).
A Interdisciplinaridade e a Extensão Universitária no Serviço Social
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Tal afirmação nos permite compreender que há uma indissociabilidade entre o 
processo educativo, formal e informal, em que os dois são necessários e impor-
tantes para a formação do ser social, isto é, quando o “[…] o homem introduz 
suas finalidades na natureza [...]” (FREDERICO, 1995, p. 176). Portanto, é pri-
mordial que haja a compreensão da extensão universitária e seu papel enquanto 
partícipe no trabalho comunitário, em que se introduz o conhecimento acadê-
mico e intelectual e partilha-se do saber local na aplicação, reflexão e criação de 
novosconhecimentos e saberes em prol da qualidade de vida humana.
A INTERDISCIPLINARIDADE E A EXTENSÃO 
UNIVERSITÁRIA NO SERVIÇO SOCIAL
O caráter interdisciplinar, nas várias dimensões do projeto de formação profis-
sional, defende a necessidade da interdisciplinaridade no processo de formação 
profissional, daí a presença de profissionais de outras áreas afins, sobretudo das 
ciências humanas e sociais, tanto nas atividades de ensino como na pesquisa e 
A RELEVÂNCIA DA INTER-DISCIPLINARIDADE NO TRABALHO COMUNITÁRIO
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extensão. Essa heterogeneidade de saberes subsidia o diálogo efetivo que a for-
mação profissional de Serviço Social exige no processo de conhecimento do real.
Segundo Martinelli (1994, p. 13 apud FRAGA, 2010, p. 50), as ações reali-
zadas pelos assistentes sociais possuem “[…] uma riqueza de vida que poucas 
profissões têm, temos uma atividade que se constrói na trama do cotidiano, que 
se constrói nas tramas do real”. Assim, caro(a) aluno(a), o trabalho da extensão 
universitária e sua relação com trabalho comunitário são fundamentais para que 
o acadêmico e profissional de Serviço Social busque na perspectiva interdisci-
plinar a troca de saberes que se complementam para que a garantia dos direitos 
sociais e humanos sejam efetivos para todos.
Por isso: 
[...] a formação profissional de acordo uma capacitação teórico meto-
dológica e ético-política, como requisito fundamental para o exercí-
cio de atividades técnico operativas, com vistas à apreensão crítica dos 
processos sociais numa perspectiva de totalidade (ABEPSS, 1999, p. 1, 
on-line)4.
Desse modo, verifica-se que a formação em seus eixos de análise propicia o 
conhecimento teórico e sua relação prática com a realidade social, em que deve 
abstrair o movimento da realidade para compreender os processos e as relações 
sociais. Para isso, deve ser utilizado o método do materialismo histórico dialé-
tico, que ao indagar sobre o assunto abordado, possibilita a mudança de posição 
ou conceito, permitindo que o diálogo ocorra.
A matriz curricular vigente desde 1996 é composta por três núcleos de 
fundamentação da formação profissional, são eles: (a) fundamentos teórico-his-
tóricos metodológicos das configurações socioeconômicas, culturais, políticas 
e teóricas do ser social; (b) fundamentos da formação sócio-histórica da socie-
dade brasileira, inserida na divisão internacional do trabalho e (c) fundamentos 
do trabalho profissional.
Ressalta-se que o objeto do Serviço Social é:
[...] a questão social não é senão as expressões do processo de formação 
e desenvolvimento da classe operária e seu ingresso no cenário políti-
co da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte 
do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida 
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social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa 
a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão 
(CARVALHO, IAMAMOTO, 2006, p. 77).
Neste sentido, a atividade proposta pela extensão universitária possibilita o alu-
no(a), vislumbrar que a “[…] prática é a libertação na perspectiva daquela teoria 
que declara ser o humano a mais elevada essência do ser humano […]” (MARX, 
2010, p. 56). Esta é a função da tríade da universidade: Ensino-Pesquisa-Extensão, 
a qual deve ser indissociável do processo de formação acadêmico-profissional e 
cidadã, pois, somente com condições reais é possível compreender a sociedade 
e suas diversas disparidades.
Caros(a) alunos(a), chegamos ao término desta unidade de estudo, que os con-
ceitos trabalhados sejam elementos de indagação e propiciem o conhecimento 
em novas pesquisa sobre a temática, pois o conteúdo abordado é uma amostra 
das potencialidades que a extensão universitária pode desenvolver por meio da 
interdisciplinaridade no trabalho comunitário.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), ao finalizar nossos estudos sobre a interdisciplinaridade na 
extensão universitária e o trabalho comunitário, é possível verificar a importân-
cia e contribuição com o desenvolvimento de ações para a qualidade de vida da 
comunidade ao entorno da universidade.
Desse modo, a literatura e o tripé entre Ensino-Pesquisa-Extensão tem afir-
mado que esse processo de ensino e aprendizagem é indissociável e primordial 
para a formação acadêmica e profissional, bem como para promover a cidada-
nia e compartilhamento de conhecimentos e saberes.
Tendo em vista que o cenário brasileiro, em especial, as políticas públicas 
e sociais vem se mostrando deficitário em relação a um trabalho multidiscipli-
nar e interdisciplinar, para atender as diversas manifestações das expressões da 
questão social, que são, veementemente, vivenciadas, diariamente, nos diversos 
espaços sócio-ocupacionais, a extensão universitária encontra um vasto espaço 
de desenvolvimento por obter a oportunidade ímpar de contribuir com quali-
dade nos atendimentos à sociedade, em que há a devolutiva do aprendizado e 
conhecimento adquirido no universo acadêmico.
Por isso, a universidade e a comunidade têm uma relação intrínseca e neces-
sária para todos os envolvidos, uma vez que ambas contribuem para o processo 
de formação e interação dos seres sociais. Isso nos remete às considerações da 
importância dessa corrente e disseminação do conhecimento e do saber que 
agregam à humanidade o processo sócio-histórico de evolução social, política e 
econômica das relações sociais na produção e reprodução social.
Sendo assim, a premissa de que a extensão universitária agrega elementos fun-
damentais para a formação acadêmica, profissional, ética e humana dos discentes, 
estando cada vez mais presente no ambiente educacional de ensino e pesquisa.
105 
1. Com base no conceito de interdisciplinaridade, disserte sobre a importância 
do trabalho interdisciplinar na extensão universitária.
2. De acordo com os autores estudados, explique qual é o papel da extensão 
universitária.
3. Explique como o trabalho comunitário realizado pela extensão universitária 
pode contribuir para o desenvolvimento da comunidade.
4. Descreva quais são os objetivos do desenvolvimento comunitário.
5. Diferencie os conceitos de: multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, pluridis-
ciplinaridade e transdisciplinaridade.
106 
O PRINCÍPIO DA INDISSOCIABILIDADE ENTRE ENSINO, PESQUISA E 
EXTENSÃO
A discussão que gira em torno dos pressupostos da indissociabilidade entre Ensino, Pes-
quisa e Extensão busca a ressignificação de toda ação universitária perseguir o princípio 
vinculado ao processo de formação de pessoas e de geração de conhecimento. A preo-
cupação na difícil tarefa do fazer-se universidade volta-se para o anseio da realização da 
tarefa da promoção da totalidade no que se refere ao Ensino, Pesquisa e Extensão em 
uma abordagem de universalidade.
No entanto, com as transformações ocorridas no cerne da questão ideológica da Univer-
sidade, quando a mesma se propõe por meio do abandono ou do uso da reflexão uni-
versitária, agora pautada na especialização e fragmentação do conhecimento e do saber 
universitário, assume uma postura hegemônica política e epistemologicamente liberal 
em seu sentido de mantença, é então necessário pautar-se que a reforma na universi-
dade deve partir da desconstrução das formas hegemônicas de poder e direcionar-se 
para a questão da legitimidade que só é possível na dinâmica da indissociabilidade. [...]
Além da importância da redefinição da Universidade no sentido conceitual, o que lhe 
mantém protegida do sistema predatóriosocial que passa por práticas de consumo e 
mercado legitimados pela exploração do capital, a luta por sua legitimidade, aborda, se-
gundo SANTOS (2011, p. 65) a garantia de “o acesso; extensão; pesquisa-ação; ecologia 
dos saberes; universidade e escola pública”.
Dentro da abordagem de discussão desse artigo, que busca compreender a indissocia-
bilidade do Ensino, Pesquisa e Extensão na Universidade, o debate segue a partir da Ex-
tensão como modo alternativo ao capitalismo global; as ações em extensão, bem como 
o objetivo prioritário da Extensão.
Como modo alternativo ao capitalismo global, a extensão remete ao pensar que resig-
nifica a Universidade a partir de sua participação ativa na construção do debate social. 
O capitalismo global vem, em sua dinâmica assertiva de mercado internacionalizado, 
supondo a pretensa vontade de transformar a universidade em ferramenta ideológica 
à seu serviço. Não é apenas um movimento de ressignificação no âmbito estrutural e 
funcional, mas implica em um posicionamento epistemológico que confere poder em 
relação ao “aprofundamento da democracia, na luta contra a exclusão social e a degra-
dação ambiental e, na defesa da diversidade cultural” (SANTOS, 2011, p. 73). Em outras 
palavras, essa ressignificação passa também pela discussão dos currículos e na forma-
ção dos docentes.
No momento em que o capitalismo global pretende funcionalizar a Uni-
versidade e, de fato, transformá-la numa vasta agência de extensão ao 
seu serviço, a reforma da universidade deve conferir uma nova centrali-
dade às atividades de extensão (SANTOS, 2011, p. 73).
107 
Tendo presente o sentido da Universidade enquanto universalidade do saber a partir do 
paradigma de uma universidade socialmente referenciada, a Extensão por intermédio 
da dinâmica de um processo de interação dialógica, aproximando a universidade dos 
outros setores sociais, implica o diálogo, a troca de saberes, a superação do discurso 
hegemônico acadêmico, visando o estabelecimento de relações dialéticas com movi-
mentos sociais superando a desigualdade e a exclusão social.
As ações de extensão na universidade não se limitam à área de prestação de serviços, mas 
se voltam para o desenvolvimento do protagonismo em diferentes grupos sociais. [...]
Assim, a relação que se estabelece entre Universidade e os outros setores da sociedade 
se dá com vistas a uma atuação transformadora, ou seja, o processo dialógico ancora-se 
na dialética como relação da teoria e prática. Quanto aos princípios da transformação 
dos grupos e, porque não dizer, da própria universidade, a ação mediada pela crítica 
possibilita o desenvolvimento e implementação de políticas públicas que tratem do de-
senvolvimento regional.
É importante observar também que o solo em que se dá a ação da extensão é complexo, 
uma vez que implica no reconhecimento da diversidade de realidades. Sobre essa pre-
missa, há que se concordar de que, dada a caracterização e abrangência das ações em 
extensão, é fator desafiante para a universidade colaborar efetivamente para a mudança 
social. Por essa questão, mais que desenvolver ações de extensão no contexto citado, é 
necessário desenvolver o movimento dialético (crítica ao dualismo teoria versus práti-
ca), em todos os seus detalhes, evidenciando o estudo em grupos auto reflexivos que 
gestem o ensino e a pesquisa em um processo de detalhamento, discussão, produção, 
publicações, declarando na indissociabilidade o compromisso do curriculum profissio-
nal dos docentes bem como a dimensão política da universidade no sentido da atuação 
para a mudança social.
Dado o desafio da Extensão na Universidade ser um processo educativo, cultural e cien-
tífico, articulado por meio dos processos de Ensino e Pesquisa, ela acontece na afirma-
ção de que Extensão é um processo da Universidade enquanto sentido de sua existên-
cia, onde a mesma se dá em sua compreensão democrática, quando do “apoio solidário 
da resolução de problemas de exclusão e discriminação social e de tal modo que nele se 
dê voz aos grupos excluídos e discriminados” (SANTOS, 2001, p. 74). Fica evidente que, a 
partir da descrição do objetivo prioritário da extensão, haja com urgência a reestrutura-
ção da Universidade, seja enquanto aspectos conceituais, de gestão, ou mesmo de fins.
Discutiu-se dessa forma, o princípio da indissociabilidade do Ensino, Pesquisa e Extensão na 
Universidade, pelo mote da afirmação da extensão como processo de produção de conheci-
mento vinculado à necessidade de formação de agentes para a transformação social. Neste, 
a necessidade acadêmica de assumir uma postura no Ensino e na Pesquisa que norteie o 
compromisso da universidade para com as políticas públicas, contribuindo para a imple-
mentação e o reconhecimento da Universidade como um espaço socialmente referenciado.
Fonte: Dalcin e Augusti (2016).
MATERIAL COMPLEMENTAR
A História da Extensão Universitária
Ana Luiza Lima Souza
Editora: Alínea
Sinopse: a construção do conceito de Extensão 
não é um exercício novo. Na história da 
universidade brasileira, fi ca evidente que há 
três momentos bem defi nidos na extensão 
universitária: uma primeira fase em que o corpo 
discente, representado pela União Nacional dos 
Estudantes, assume esta prática no seu formato 
cultural, socializador e político; o segundo 
momento, tomado pela representação do 
governo como uma prática assistencialista, e 
um terceiro momento, em construção ainda, 
em que as próprias instituições de ensino 
superior, representadas pelos docentes, têm 
buscado construir uma prática extensionista na perspectiva de um processo educativo, 
articulador da universidade com a sociedade. A obra apresentada é resultado desse 
caminhar pela história, numa tentativa de demonstrar como a concepção da Extensão 
Universitária tem sido elaborada em nosso país.
Extensão Universitária e Interdisciplinaridade
O artigo “Extensão Universitária e Interdisciplinaridade: uma discussão em torno da universidade 
contemporânea”, de Maria Lucimara dos Santos, aborda as necessidades que a extensão 
universitária e a interdisciplinaridade precisam responder no contexto atual.
Disponível em: <http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/
CI-254-TC.pdf>.
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4 Em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/legislacao_diretrizes.pdf>. Acesso em: 09 
mai. 2017.
GABARITO
1) O conhecimento ao ser disseminado da academia para a comunidade faz-se sur-
gir um processo de transformação, em que se traduz o conhecimento enquanto 
um bem coletivo, porém é de suma importância que o respeito a cultura da co-
munidade seja o princípio norteador da relação entre os atores envolvidos, pois 
primeiro é necessário conquistar a confiança e estabelecer os vínculos necessá-
rios para iniciar as atividades. 
2) Segundo Sousa (2010), “a universidade tem desempenhado uma função trans-
formadora, de produção de conhecimento, de formação de recursos humanos 
e de crítica social [...]” (SOUSA, 2010, p. 128). O conhecimento estudado e de-
senvolvido na universidade tem que ser para o processo de ensino e aprendiza-
gem formal, mas também atingir os muros fora da academia, em que se almeja 
a transformação da vida e da sociedade.
3) A extensão universitária como um laboratório social, onde a realidade e a parti-
cularidades de cada território são solo fértil para a academia propor, estudar e 
contribuir com a resolutividade de conflitos e execução de projetos que visem 
o desenvolvimento comunitário, na perspectiva da garantia dos direitos sociais 
e humanos. 
4) 
• Reforçar e valorizar o potencial humano de determinada região.
• Melhorar o nível e qualidade do emprego.
• Melhorar a organização do mercado de formação.
• Melhorar os níveis de escolaridade e de qualificação da população residen te, 
em particular dos jovens e ativos.
Promover os jovens no mercado de trabalho e a reconverter e reinserir profissio-
nalmente trabalhadores desempregados.
5) 
• Multidisciplinaridade: vários profissionais, sem relações entre si, troca de infor-
mações e/ou saberes.
• Pluridisciplinaridade: justaposição de diversas disciplinas no mesmo nível hie-
rárquico e agrupadas para fazer aparecer as relações existentes entre si.
• Interdisciplinaridade: ocorre reciprocidade, enriquecimento mútuo. Grupo de 
disciplinas conexas, no mesmo nível hierárquico, para criação de um novo sa-
ber autônomo.
• Transdisciplinaridade: coordenação de todas as disciplinas e integrantes do 
campo, sobre a base axiomática geral compartilhada.
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Professora Esp. Valéria Cristina da Costa
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E 
O ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
EM SERVIÇO SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer os aspectos históricos e a relação com ensino e a pesquisa 
na construção da profissão. 
 ■ Refletir teoricamente sobre o projeto extensionista para o processo 
de formação.
 ■ Reconhecer a extensão como caminho viável e eficiente do estágio 
supervisionado em Serviço Social.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Extensão universitária: aspectos históricos, propostas e relevância 
para formação profissional
 ■ A Extensão e o Projeto Ético-Político profissional
 ■ A Extensão enquanto espaço para o desenvolvimento do Estágio 
Supervisionado
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, vamos tratar sobre a contribuição do desen-
volvimento de projetos de Extensão na formação profissional do(a) assistente 
social, bem como de outras áreas.
A Unicesumar considera no projeto pedagógico do curso de Serviço Social 
a Extensão como espaço devidamente regulamentado para realização de está-
gio supervisionado, pois reconhece a formação do ensino superior por meio do 
desenvolvimento articulado entre o tripé: ensino, pesquisa e extensão.
Ao discutirmos a concepção de Extensão, verificamos uma estratégia de atra-
vessar os muros universitários e aproximar nossos alunos da realidade social, de 
forma planejada e articulada com as práticas profissionais e em campos os mais 
diversificados possíveis e verdadeiramente vinculado ao Projeto Ético-Político 
Profissional.
A Extensão historicamente se legitimou na Universidade como um espaço de 
interlocução e permanência da relação dessa instituição com a sociedade, mas a 
ideia aqui proposta é que consiga relacionar este espaço privilegiado de formação 
com o projeto profissional, identificando na proposta de Estágio Supervisionado 
e seus mecanismos legais as respostas para os desafios apresentados na sua cons-
trução profissional.
Portanto, vamos nesta unidade do livro didático desafiá-los a ver com outros 
olhos, mais aprofundados sobre a participação em projetos como mecanismo de 
contribuição para uma formação contextualizada, mais completa por integrar 
a teoria e prática com a sociedade, ampliação de seus horizontes, socialização e 
produção de conhecimentos.
Introdução
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EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ASPECTOS 
HISTÓRICOS, PROPOSTAS E RELEVÂNCIA PARA 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O estágio supervisionado no curso de Serviço Social já é comprovadamente 
fundamental ao processo de ensino/aprendizagem, por meio da vivência do coti-
diano profissional, relacionando e aproximando a teoria com prática. “O estágio 
é o lócus onde a identidade profissional do aluno é gerada, construída e referida; 
volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva e crítica e, 
por isso, deve ser planejado gradativamente e sistematicamente” (BURIOLLA, 
2010, p. 13). 
Lewgoy (2009) contempla que não há para o Serviço Social um método 
próprio de atuação, da realização do exercício profissional, estes dependem de 
variáveis, o que reflete diretamente na realização do estágio, e o choque com 
essa realidade torna na maioria das vezes frustrante, desmotivante e até decep-
cionante o primeiro contato do acadêmico com a realidade prática profissional. 
Por outro lado, Buriolla (2010) é concreta ao contribuir afirmando que o 
estágio é essencial à formação do acadêmico, enquanto este lhe proporcione 
momentos específicos de aprendizagem, uma reflexão sobre a ação profissional, 
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uma visão crítica da dinâmica das relações existentes na instituição campo apoia-
dos na supervisão como processo dinâmico e criativo, tendo em vista sempre 
possibilitar a elaboração de novos conhecimentos.
Contudo, um ponto ainda apontado como desafio nesse processo é o estágio 
supervisionado articulado à pesquisa ou à Extensão, não sendo unanimidade na 
classe dos trabalhadores a defesa deste espaço como sendo privilegiado. Dessa 
forma, cabe aqui uma reflexão importante: primeiro que as propostas que desen-
cadeiam os projetos de Extensão estejam contempladas nos eixos estruturantes 
do projeto profissional, que não sejam reduzidas a uma alternativa de ausência 
de campos de estágio, mas fundamentadas na concepção teórica-metodológica 
do exercício profissional.
Essa não é uma novidade, a Extensão nas universidades surgiu das neces-
sidades apresentadas pela Revolução Industrial na Inglaterra, ou seja, ligado ao 
capitalismo. Entretanto, gradativamente foi assumindo um caráter na perspec-
tiva da prestação de serviço.
Rodrigues (1997) discute que a extensão universitária no Brasil do seu iní-
cio em 1930 a 1987 foram moldados de acordo com os objetivos impostos pelos 
poderes políticos, sociais e econômicos ao longo dos anos.
Após esse período, o país passa por um novo momento, em que os aspec-
tos como democratização e cidadania instauram novas discussões, pautadas 
na autonomia política e científica para desenvolver a pesquisa e ensino. As 
Universidades passam por mudanças quanto a sua função, propondo aproxi-
mação com a sociedade e como agentes de transformação social. Nesse sentido, 
é importante destacarmos:
A Extensão Universitária e o processo educativo, cultural e cientí-
fico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável entre 
Universidade e Sociedade. A Extensão é uma via de mão-dupla, com 
trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na so-
ciedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento 
acadêmico. No retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um 
aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele 
conhecimento. Esse fluxo, que estabelece a troca de saberes sistemati-
zados, acadêmico e popular, terá como consequências a produção do 
conhecimento resultante do confronto com a realidade brasileira e re-
gional, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação 
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Reprodução proibida. A
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efetiva da comunidade na atuação da Universidade. Além de instru-
mentalizadora deste processo dialético de teoria/prática, a extensão e 
um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social 
(FORPROEX, 1987, on-line).
A formação do ensino superior, por meio do desenvolvimento articulado entre o 
tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão, segundo a PNE - Política Nacional de Estágio 
em Serviço Social (2009, p. 37): [...] “objetiva-se reforçar o cumprimento do prin-
cípio universitário e a possibilidade da efetivação de uma formação crítica e de 
qualidade, capaz de articular teoria e prática, numa perspectiva de revisitar a 
função social da universidade que é produzir e socializar conhecimentos neces-
sários e úteis à sociedade”.
Nesse sentido, podemos afirmar que a Política Nacional de Estágio de Serviço 
Social prevê a extensão como legítimo espaço para desenvolver o estágio super-
visionado, ampliando as estratégias de atravessar os muros universitários e 
aproximar o universo acadêmico com a realidade social, possibilitando articular 
as dimensões profissionais de forma crítica e reflexiva. Pois desenvolver o está-
gio na metodologia da extensão, é preconizado o ensino de forma participativo, 
que agrega valor à intervenção e investigação no Serviço Social.
No que tange às legislações, a Lei Federal 11.788 permite a extensão como 
estágio, ao afirmar que “as atividades de extensão, de monitorias e de iniciação 
Científica na educação superior, desenvolvidas pelo estudante, somente poderão 
ser equiparadas ao Estágio em caso de previsão no projeto pedagógico do curso”.
Para tanto, para que os projetos de extensão se tornem campo de estágio, a 
orientação da Política Nacional de Estágio e demais legislações pertinentes ao 
estágio supervisionado em Serviço Social devem ser asseguradas. De acordo com 
a Política Nacional de Educação (2010, on-line)1, podemos verificar as seguin-
tes condicionalidades:
 ■ Explicitar objetivos e funções desempenhadas pelo Serviço Social em 
conformidade com os artigos 4º e 5º da Lei que regulamenta a profissão.
 ■ Indicar que os projetos e planos de intervenção do estágio estão articu-
lados ao exercício profissional do Serviço Social, considerando a análise 
e a apropriação crítica do contexto socioinstitucional.
 ■ Que o docente envolvido na atividade de extensão assuma o processo de 
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supervisão de campo, quando não houver outro assistente social devida-
mente registrado no Conselho.
 ■ Que não haja acúmulo nas funções de supervisor(a) de campo e de super-
visor(a) acadêmico(a). O(a) docente, ao assumir a função de supervisor(a) 
acadêmico(a) de um grupo de estudantes, não poderá acumular a função 
do supervisor de campo junto aos outros.
A Extensão deve ser realizada por meio de levantamento de necessidades e um 
planejamento de ações dirigidas à sociedade, as quais devem estar indissocia-
velmente vinculadas ao Ensino e à Pesquisa.
Ao realizar o estágio em extensão, os alunos terão a possibilidade de maior 
absorção, disseminação e produção de conhecimentos, capacitados para o exer-
cício profissional, passando a desenvolver potenciais para todo processo do 
trabalho em qualquer âmbito de atuação, desde o planejamento até a produção 
de novos conhecimentos. Portanto, ao desenvolver estágio em extensão, há um 
aprimoramento na formação, tornando-o diferenciado ao mercado de trabalho.
Afinal, o estágio lhe dá a oportunidadedo primeiro contato do saber com o 
fazer profissional, orientado pela fundamentação teórica e as experiências da rea-
lidade do trabalho do(a) assistente social, em sua objetividade e subjetividade, em 
um processo de construção, desconstrução e reconstrução das relações sociais.
A Política Nacional de Estágio (PNE) é um instrumento político pedagógi-
co que tem por objetivo orientar os estágios supervisionados em Serviço 
Social na luta por uma educação de qualidade. Coloca o estágio como um 
dos momentos privilegiados da formação profissional na articulação entre 
ensino, pesquisa e extensão. A partir da concepção de estágio das Diretrizes 
Curriculares da ABEPSS de 1996, em abril de 2010, a entidade torna pública 
a versão final deste documento.
Para saber mais sobre a PNE e mais informações a respeito, acesse o link 
disponível em: <http://www.abepss.org.br/politica-nacional-de-estagio-
-da-abepss-11>.
Fonte: ABEPSS ([2017], on-line).
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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Sendo assim, entendido tudo o que apresentamos neste tópico, foi possível verifi-
car e constatar que, respaldado pelas legislações educacionais vigentes, a extensão 
realmente se configura como estratégica no alinhamento entre teoria e prática, 
oportunizando aos acadêmicos olhar além do espaço que compõe a universidade, 
ela oportuniza a compreensão da realidade, na própria realidade (in locu), desta 
forma vai-se compreendendo o real significado e relevância da profissão esco-
lhida e seu efetivo papel na divisão sociotécnica do trabalho na qual está inserida.
A EXTENSÃO E O PROJETO ÉTICO-POLÍTICO 
PROFISSIONAL
É preciso ressaltar que a extensão universitária não tem como atribuição subs-
tituir a responsabilidade do Estado em desenvolver políticas que atendam às 
demandas apresentadas.
A Extensão e o Projeto Ético-Político Profissional
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A aproximação da prática do exercício do(a) assistente social pode iniciar 
a partir do estágio, da pesquisa e/ou da extensão. No caso da nossa formação, o 
estágio é obrigatório, uma discussão que temos que acirrar é que muitas vezes, 
ao desenvolver o estágio em um campo sócio ocupacional, tanto em razão do 
tempo, como da falta de autonomia, os aspectos burocráticos institucionais limi-
tam o desenvolvimento de atividades e metodologias essenciais no processo de 
formação. Por outro lado, o projeto de extensão permite ao aluno(a) participar 
de pesquisa, para levantamento de dados e subsidiar a análise das demandas 
apresentadas, desenvolvendo senso crítico e analítico, como a prática da escrita, 
organização das ideias, oportuniza a leitura da realidade e intervenção da pro-
fissão, conhecendo assim as diversas formas de atuação e contribuindo para a 
produção de novos conhecimentos, por meio da análise dos projetos e produ-
ção de artigos a respeito.
Partindo da ideia de que a extensão contribuirá com os princípios fundamen-
tais do Código de Ética Profissional, vamos agora relacioná-los com a experiência 
extensionista que o estágio supervisionado pode proporcionar. Vamos retomar 
os onze princípios: o primeiro princípio reconhece como valor ético central a 
liberdade, na qual tem a autonomia, emancipação e a expansão dos indivíduos 
sociais como inerentes ao processo; o segundo princípio posiciona o(a) assistente 
social em defesa dos direitos humanos, suscetivelmente os princípios primam 
por: ampliação e consolidação da cidadania, defesa da democracia, a favor da 
equidade e justiça social, contra qualquer forma de preconceito, garantia do 
pluralismo, um projeto de profissão dentro de uma nova ordem societária, sem 
dominação e exploração de classes, etnia e gênero, articulação junto aos movi-
mentos em defesa dos(as) trabalhadores(as), qualidade dos serviços prestados 
em qualquer espaço de atuação e não discriminar e não permitir ser discrimi-
nado por qualquer motivo que seja: classe social, gênero, etnia, identidade de 
gênero, religião etc.
As atividades desenvolvidas em pesquisa e na Extensão tem eu seu alicerce 
o compromisso de defender os direitos humanos, luta pela democracia, norte-
ados pelas concepções de igualdade e justiça social. Então caros(as) alunos(as), 
tenham o nosso Código de Ética de 1993 como livro de “bolso”, pois deve ser 
consultado permanentemente, pois permeia todo o processo social.
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Ao desenvolver estas práticas, desenvolve-se também o senso crítico sobre 
a realidade, como afirma Jezine (2004, p. 4).
No que tange à extensão universitária, o artigo 207 da Constituição Federal 
de 1988 afirma que: “as universidades gozam de autonomia didático-científica, 
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio 
de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. Assim, a universidade, 
por meio do desenvolvimento da Extensão, poderá socializar conhecimento, 
democratizar informações, defender os direitos e interesses das classes sociais, 
disseminar boas práticas, não limitando desta forma o seu bem mais precioso 
produzido – o conhecimento além dos interesses individuais dentro dos muros 
universitários, traduzindo-se em privilégio não somente de quem tem acesso à 
formação acadêmica universitária, mas a toda sociedade.
A confirmação da extensão como função acadêmica da universidade não 
passa apenas pelo estabelecimento da interação ensino e pesquisa, mas implica a 
sua inserção na formação do aluno, do professor e da sociedade, na composição 
de um projeto político-pedagógico de universidade e sociedade em que a crí-
tica e autonomia sejam os pilares da formação e da produção do conhecimento. 
A extensão possibilita ainda ao acadêmico uma educação de qualidade, 
contextualizando a profissão, e de forma dialética relaciona a fundamentação 
teórica com a prática.
Parte-se do princípio de que a formação do acadêmico é tomada como fun-
damento do processo educativo implementado na universidade, uma vez que 
contribuirá para sua compreensão como ser socialmente responsável e livre, capaz 
de refletir sobre o vivido e o aprendido em sala de aula e outros espaços, como 
Você já teve contato com a Extensão Universitária, seja no estágio ou fora 
dele? Se você não teve a oportunidade de participar, verifique junto à Uni-
versidade quais os projetos ativos e participe!
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na comunidade, que vão construindo cotidianamente sua identidade pessoal e 
profissional alicerçadas na busca do saber ser, saber fazer e saber aprender, ou 
seja, na formação de suas competências. (FERNANDES et al., 2012).
Dessa forma, pela análise de que a Extensão vem ao encontro das necessi-
dades da formação, enquanto projeto ético-político profissional, vamos discutir 
neste próximo momento a atividade Extensionista enquanto possibilidade de 
espaço de realização do estágio supervisionado.
A EXTENSÃO ENQUANTO ESPAÇO PARA O 
DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Discutir sobre estágio supervisionado remonta a debater sobre a aproximação 
entre a prática e a teoria, ao ser inserido nos campos de estágio, que são espaços 
sócio-ocupacionais dos(as) assistentes sociais, capacitando-o(a) nas dimensões 
teórico-metodológica, ético-política, investigativa e técnico-operativa para o 
exercício profissional. Se a extensão é uma prática acadêmica prevista em lei, 
que aproxima a Universidade com as demandas da sociedade, podemos afirmar, 
portanto,que os estágios em projetos de extensão proporcionam aos estudantes 
a vivência de práticas profissionais de forma ainda mais ampla, pois preconiza-
-se a pesquisa e a análise crítica transcrita em artigos acadêmicos.
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A Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social - ABEPSS 
preconiza na Política Nacional de Estágio condiciona as disciplinas de estágio 
nos núcleos de fundamentação da formação profissional:
[...] tais núcleos afirmam-se como eixos articuladores da formação pro-
fissional pretendida e desdobram-se em áreas de conhecimento que, 
por sua vez, se traduzem pedagogicamente através do conjunto dos 
componentes curriculares, rompendo, assim, com a visão formalista 
do currículo, antes reduzida à matérias e disciplinas. Esta articulação 
favorece uma nova forma de realização das mediações - aqui entendi-
da como a relação teoria-prática - que deve permear toda a formação 
profissional, articulando ensino-pesquisa-extensão. Propõe-se uma ló-
gica curricular inovadora, que supere a fragmentação do processo de 
ensino-aprendizagem, e permita uma intensa convivência acadêmica 
entre professores, alunos e sociedade. Este é, ao mesmo tempo, um de-
safio político e uma exigência ética: construir um espaço por excelência 
do pensar crítico, da dúvida, da investigação e da busca de soluções 
(ABEPSS, 2010, p. 36).
Historicamente a Extensão se legitimou na Universidade como um espaço de 
interlocução e permanência da relação desta instituição com a sociedade civil 
(movimentos sociais de base, luta pelos direitos, diversidade cultural etc.), que 
demanda uma outra postura e compromisso da universidade face aos proble-
mas sociais do seu contexto (ABREU, 2008, p. 08).
A Lei Federal 11.788 permite a extensão como estágio ao afirmar que “as ati-
vidades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior, 
desenvolvidas pelo estudante, somente poderão ser equiparadas ao estágio em 
caso de previsão no projeto pedagógico do curso”. (BRASIL, 2008)
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A PNE reconhece que as atividades de extensão podem ser caracterizadas 
enquanto campo de estágio “desde que devidamente previstas no projeto peda-
gógico e respeitada a questão da carga horária docente e discente”. Para que os 
projetos de extensão se tornem campo de estágio, faz-se necessário: 
Explicitar objetivos e funções desempenhadas pelo Serviço Social em 
conformidade com artigo 4º e 5º da Lei que regulamenta a profissão; 
Indicar que os projetos e planos de intervenção do estágio estejam arti-
culados ao exercício profissional do serviço social, considerando a aná-
lise e a apropriação crítica do contexto sócio-institucional; 
Que o docente envolvido na atividade de extensão assuma o processo 
de supervisão de campo, quando não houver outro assistente social de-
vidamente registrado no Conselho;
Que não haja acúmulo nas funções de supervisor(a) de campo e de 
supervisor(a) acadêmico(a). O(a) docente, ao assumir a função de su-
pervisor(a) acadêmico(a) de um grupo de estudantes, não poderá acu-
mular a função do supervisor de campo junto aos mesmos (ABEPSS, 
2010, p. 40).
Dessa forma, concluímos que a Extensão devidamente embasada teoricamente, 
a partir do levantamento da realidade, das demandas apresentadas, tendo como 
pressuposto a articulação universitária e a sociedade, possibilita de fato a aproxi-
mação do aluno ao exercício profissional. Cumprindo-se o que significa estágio 
no processo de formação, como 
uma atividade curricular obrigatória que se configura a partir da in-
serção do aluno no espaço sócio-institucional, objetivando capacitá‐lo 
para o exercício do trabalho profissional, o que pressupõe supervisão 
sistemática [...] tendo como referência a Lei 8662/93 e o Código de Éti-
ca (1993) (ABEPSS, 1996, p. 71).
A proposta pedagógica do perfil do profissional de Serviço Social tem como centra-
lidade as dimensões investigativas e interventivas como princípio da formação, para 
atender este perfil desejado, o discente precisa necessariamente aproximar-se da reali-
dade, buscar elementos teóricos, metodológicos, técnicas e capacitar-se para intervir. 
Nesse contexto, o processo formativo deve estar pautado em preparar cientificamente 
quadros profissionais capazes de responder às exigências de um projeto profissio-
nal coletivamente construído e historicamente situado (IAMAMOTO, 1992, p. 13).
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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Contudo, destacamos que 
a formação não deve limitar-
-se ao preparo para o mercado 
de trabalho, mas de um pro-
jeto político-pedagógico que de 
fato articule o ensino, a pesquisa 
e a extensão. Assim, o caminho 
entre a formação e o exercício 
da profissão estabelece a relação 
intrínseca dos discursos teóricos 
e prática, considerando a realidade 
histórico-conjuntural.
Você, aluno(a), ao estar inserido no campo para realização de estágio, em pro-
jetos de Extensão, não está conduzido à mera execução de trabalhos, sem senso 
crítico, o direcionamento do desenvolvimento de suas atividades devem estar 
pautadas na mediação entre o ensino e o propósito da pesquisa e da extensão.
Assim, pode-se afirmar que o desafio presente nesta forma de conceber o es-
tágio supervisionado é romper com o paradigma de uma atividade direcio-
nada majoritariamente para a informação teórica e a prestação de serviços 
por meio do exercício profissional. O estágio, além desta prerrogativa, deve 
centrar-se no estudo dos elementos históricos e conceituais ministrados no 
curso de Serviço Social, aproximando-se de situações reais e experiências 
cotidianas, na tentativa de compreendê-las em suas múltiplas determina-
ções e, dentro da realidade político-institucional, apresentar criativamente 
propostas de enfrentamento das expressões da questão social.
Fonte: Oliveira (2004).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), podemos compreender que o desenvolvimento do estágio 
supervisionado em Extensão lhe oportuniza maior aprofundamento na área de 
atuação, diversificação das possibilidades de atuação, permitindo-o problema-
tizar as experiências de estágio.
O ingresso do aluno/estagiário no estágio passa por inquietudes, contradi-
ções e possibilita maior concretude diante não só da prática profissional, mas da 
realidade apresentada. Dessa forma, o processo de aprendizagem passa para um 
novo momento, permitindo o desenvolvimento de novas linguagens e formas de 
compreender e interpretar as relações sociais, até mesmo no dia a dia do desenvol-
vimento das demais disciplinas do curso. A Extensão como espaço de estágio, 
diante de suas diretrizes, objetivos e metodologia conduz o aluno a incorporar 
novas habilidades, não só adquirindo informações, mas produzindo novos con-
ceitos e conhecimentos, pois a articulação entre o ensino, pesquisa e extensão, 
conforme já explicado nas unidades anteriores deste livro, possibilita atender às 
expectativas da formação, desenvolvendo as competências emergentes para o 
exercício profissional em suas dimensões dentro da lógica das diretrizes curri-
culares e do projeto de formação do curso de Serviço Social.
Por fim, podemos afirmar que o estágio e a supervisão de estágio lhe per-
mitirá aproximar-se do contexto da profissão, da realidade da sociedade e dos 
objetivos e projeto enquanto categoria profissional, na perspectiva críticae refle-
xiva frente desafios que se apresentam à profissão, para uma prática consciente, 
ética e comprometida com a direção social da profissão.
Assim, todos ganham com a possibilidade do estágio em Extensão: o aluno, 
diante dos argumentos já expostos, como contextualização da profissão e apro-
ximação ao enfrentamento às expressões da questão social; a sociedade, que 
apresenta as demandas e reconhece os esforços em atendê-las; e a própria 
Universidade pela construção de novos conhecimentos.
128 
1. Com base na Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008, como se define Estágio 
e quais as condições previstas na PNE para que possamos considerar a Ex-
tensão Universitária como espaço para a realização do Estágio Obrigatório 
em Serviço Social?
2. Já na Constituição Federal de 1988 está preconizada a Extensão enquanto indis-
sociável ao processo de Formação: em qual artigo está previsto e o que diz o 
mesmo a respeito?
3. A Política Nacional de Estágio da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em 
Serviço Social - ABEPSS, manifesta o Estágio em Extensão condições para que 
sejam considerados como campo de estágio. Discorra sobre os argumentos 
expostos.
4. O estágio supervisionado no curso de Serviço Social já é comprovadamente 
fundamental ao processo de ensino/aprendizagem, por meio da vivência do 
cotidiano profissional, relacionando e aproximando a teoria com a prática. Te-
mos poucos autores que publicam sobre essa temática e dentre as poucas está 
Buriolla, que a utilizamos com frequência para fundamentação. A partir das ex-
plicações desta autora, discorra sobre o papel do estágio no processo de for-
mação. 
5. Acerca do Estágio em Extensão na área do serviço social, julgue os próximos 
itens.
a) No serviço social, o estágio em Extensão está eminentemente proibido, justifica-
do na Política Nacional de Estágio.
( ) Certo.
( ) Errado.
b) A formação no ensino superior, por meio do desenvolvimento articulado entre o 
tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão, segundo a PNE, objetiva-se reforçar o cumpri-
mento do princípio universitário e a possibilidade da efetivação de uma forma-
ção crítica e de qualidade, capaz de articular teoria e prática, numa perspectiva 
de revisitar a função social da universidade que é produzir e socializar conheci-
mentos necessários e úteis à sociedade.
( ) Certo.
( ) Errado.
129 
PROJETO DE EXTENSÃO EM COMUNIDADE: ESTREITANDO AS RELAÇÕES 
ENTRE A INSTITUIÇÃO DE ENSINO E A COMUNIDADE
Entre os alunos do Curso de Serviço Social, encontram-se pessoas de diversas faixas etá-
rias e uma predominância do gênero feminino. O perfil destes alunos espelha o do tra-
balhador brasileiro, que exerce atividade remunerada, perfazendo uma carga horária de 
no mínimo oito horas diárias, e assim a maioria dos alunos se dirige do trabalho para a 
sala de aula, diretamente. A realidade do aluno trabalhador tem apontado para algumas 
dificuldades no desempenho das atividades universitárias, pois quando se concilia a ati-
vidade profissional com as atividades acadêmicas, depara-se com o cansaço e algumas 
limitações na participação das atividades curriculares e extracurriculares exigidas pelo 
curso, constitutivos individuais a serem considerados, levando em conta a influência das 
condições socioeconômicas. Na luta individual e grupal pelos privilégios sociais, o que a 
educação oferece mais que a oportunidade de adquirir uma formação em si melhor ou 
pior, é a ocasião de adquirir símbolos de ‘status’ que logo se valorizarão nos mercados de 
trabalho e de bem materiais e simbólicos (Enguita, 1995, p. 108).
Como elencamos o bairro Industrial para o presente estudo, a proposta de realização do 
Projeto de Extensão previa que o grupo de alunos estaria no referido bairro, quinzenal-
mente, aos sábados. Enquanto aos domingos, aconteceria a elaboração dos respectivos 
relatórios e definição dos encaminhamentos à Rede Socioassistencial do município. O 
projeto previu também o acontecimento de no mínimo 02 (dois) encontros semanais, 
de alunos participantes e supervisora de campo, para a realização das devidas orienta-
ções, correções de relatórios, debates, estudo de casos e leituras de textos específicos.
 A realização deste trabalho de extensão se justificou pelo interesse das Assistentes So-
ciais e dos acadêmicos do curso Serviço Social em conhecer as diversas expressões da 
questão social que assolam o município de Formiga/MG, acrescido à realidade dos estu-
dantes, que por serem trabalhadores encontram dificuldades em exercer as atividades 
de estágio em horário comercial.[...]
O BAIRRO ONDE SE DESENVOLVE O PROJETO DE EXTENSÃO
O Bairro Industrial, localizado às margens da MG-050 no município de Formiga/MG, foi 
um dos bairros no qual o projeto de extensão foi desenvolvido, tendo sido o bairro esco-
lhido para realização do presente estudo. O mesmo foi criado a partir de uma realidade 
de desabrigamento ocorrida após uma grande enchente, há aproximadamente vinte e 
três anos no bairro Recanto da Praia, às margens do rio Formiga, quando famílias que re-
sidiam no bairro inundado perderam suas residências. A princípio, os moradores foram 
alojados no Parque de Exposições Agropecuárias de Formiga/MG, por um período de 
três meses. [..]. Nos primeiros dois anos, não havia iluminação pública e nem o abasteci-
mento de água tratada. Para higiene pessoal e limpeza da casa, os moradores retiravam 
água em um córrego próximo. Já para alimentação, uma oficina próxima ao bairro que 
130 
lhes fornecia água potável. A mudança do nome do bairro ocorreu devido à construção 
de indústrias nas proximidades. Com o passar dos anos, surgiram novos moradores que 
ampliaram e modificaram a estrutura do local. O bairro é afastado da área central do 
município, [...], para seu acesso não é oferecida a segurança adequada na travessia da 
rodovia (MG 050), onde se percebe que a construção de uma passarela é necessária, 
para que os moradores possam atravessar a rodovia, seja para acessar o centro da cida-
de, seja no retorno à suas moradias, sem correrem os riscos oferecidos pela travessia da 
rodovia. Percebeu-se na execução do trabalho de extensão a dificuldade na garantia dos 
direitos e necessidades básicas dos moradores, como o acesso à saúde, educação, lazer, 
transporte e pavimentação das ruas do bairro. Os moradores precisam se deslocar para 
o bairro mais próximo, do outro lado da rodovia, para acessarem estes serviços básicos.
[...] 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta do Projeto de Extensão em Comunidade apoiada pela Coordenação do Cur-
so de Serviço Social da Universidade de Formiga UNIFOR /MG contemplou a extensão 
acadêmica e a investigação empírica. A investigação, que apontou o estudo científico, 
atendeu metodologicamente os requisitos acadêmicos na sua aplicação. O objetivo 
central foi pautado no conhecimento da realidade das Comunidades periféricas deste 
município, e alcançou êxito, além de apontar a importância deste Projeto de Extensão, 
onde o Serviço Social contribuiu para a articulação entre teoria e prática, além de orien-
tar a comunidade pesquisada quanto à conquista dos serviços e espaços de relevância 
social e na garantia de seus direitos. Neste estudo os estagiários compreenderam a re-
alidade dos moradores do bairro Industrial e aprenderam a analisar as mazelas sociais 
de uma comunidade, conhecendo as demandas e identificando as peculiaridades de 
cada caso. Podemos reafirmar que os desafios e as estratégias postas à formação dos 
Assistentes Sociais estão vinculados à qualificação, ao treinamento e ao desenvolvimen-
to das competências teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política, e outros 
fatores e aspectos relevantes, tendo em vista a formação de um novo perfil profissional. 
Assim, no Projeto de Extensão em Comunidade, os profissionais envolvidos puderam 
observar a organização daquela comunidade e suas mazelas; e a partir dos instrumen-
tais criados pelo Serviço Social realizar intervenções e os devidos encaminhamentos àRede Socioassistencial municipal para que os direitos fossem garantidos e as demandas 
individuais e coletivas atendidas [...]. 
Fonte: Silva (2015, on-line).
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Código de Ética do/a Assistente Social: Comentado
Maria Lucia Silva Barroco e Sylvia Helena Terra.
Editora: Cortez
Sinopse: este livro preenche uma lacuna porque não havia até 
agora um texto acadêmico destinado a comentar o Código 
de Ética em vigor, de 1993, na sua totalidade. As autoras 
comentam o Código em seus fundamentos sócio-históricos 
e ontológicos, bem como em suas reais possibilidades de 
materialização, no contexto de uma sociabilidade fundada na 
acumulação e na propriedade privada. 
*Essa edição do Código de ética do/a assistente social. Lei 
8.662/93 de regulamentação da profi ssão. - 10ª. ed. rev. e 
atual. - [Brasília]: Conselho Federal de Serviço Social, [2012]. 
60 páginas “Atualizado em 13.3.1993, com alterações 
introduzidas pelas Resoluções CFESS n.290/94, 293/94, 333/96 
e 594/11.
CRESS-RJ - Estágio
Folder do CRESS-RJ sobre estágio. Você poderá acessá-lo no link a seguir:
Em: http://www.cressrj.org.br/download/arquivos/forumestagio.pdf
Política Nacional de Extensão Universitária.
Leia sobre o Fórum de Pró-Reitores das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras 
Manaus - AM Maio de 2012 sobre a Política Nacional de Extensão Universitária.
Em: <http://proex.ufsc.br/fi les/2016/04/Pol%C3%ADtica-Nacional-de-Extens%C3%A3o-
Universit%C3%A1ria-e-book.pdf>
REFERÊNCIASREFERÊNCIAS
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ABEPSS-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL. 
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______. Código de ética do/a Assistente Social: Lei 8.662/93 de regulamentação 
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______. Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de es-
tudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, 
aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 
20 de dezembro de 1996; revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 
8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 
de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.164-41, de 24 de agosto 
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REFERÊNCIAS
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-a-institui%C3%A7%C3%A3o-de-ensino-e-a-comunidade-Nelma-Ferreira-da-Silva.
pdf>. Acesso em: 10 mai. 2017.
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIA ON-LINE
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d&alias=7116-pl-pne-2011-2020&Itemid=30192>. Acesso em: 11 mai. 2017.
GABARITO
135
1) Com base na referida Lei: Art. 1º - Estágio é ato educativo escolar supervisionado, 
desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho 
produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em ins-
tituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da 
educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade pro-
fissional da educação de jovens e adultos. No parágrafo 3º deste mesmo artigo, 
diz: as atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educa-
ção superior, desenvolvidas pelo estudante, somente poderão ser equiparadas 
ao estágio em caso de previsão no projeto pedagógico do curso. 
2) Está preconizado no artigo 207 da Constituição Federal Brasileira de 1988: as 
universidadesgozam de autonomia didático-científica, administrativa e de ges-
tão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade en-
tre ensino, pesquisa e extensão.
3) Para efeitos da PNE, as atividades de extensão (núcleos, projetos) podem ser 
caracterizadas como campo de estágio, desde que devidamente previstas no 
projeto pedagógico e respeitada a questão da carga horária docente e discente. 
Para que os projetos de extensão se tornem campo de estágio, faz-se necessá-
rio: explicitar objetivos e funções desempenhadas pelo Serviço Social em con-
formidade com artigo 4º e 5º da Lei que regulamenta a profissão; Indicar que 
os projetos e planos de intervenção do estágio estejam articulados ao exercício 
profissional do serviço social, considerando a análise e a apropriação crítica do 
contexto sócio-institucional; Que o docente envolvido na atividade de extensão 
assuma o processo de supervisão de campo, quando não houver outro assisten-
te social devidamente registrado no Conselho; Que não haja acúmulo nas fun-
ções de supervisor(a) de campo e de supervisor(a) acadêmico(a). O(a) docente, 
ao assumir a função de supervisor(a) acadêmico(a) de um grupo de estudantes, 
não poderá acumular a função do supervisor de campo junto a eles.
4) “O estágio é o lócus onde a identidade profissional do aluno é gerada, construí-
da e referida; volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva 
e crítica e, por isso, deve ser planejado gradativamente e sistematicamente.” (BU-
RIOLLA, 2001, p.13). 
5) a) Errado; b) Certo.
GABARITO
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Professora Me. Daniele Moraes Cecilio Soares
A EXPERIÊNCIA DA EXTENSÃO 
UNIVERSITÁRIA NO NÚCLEO 
DE PRÁTICA JURÍDICAS DA UNI-
CESUMAR: UM ESTUDO DE CASO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar os projetos de extensão universitária desenvolvidos pelo 
Serviço Social na perspectiva interdisciplinar.
 ■ Desvelar o espaço sócio-jurídico do NPJ Unicesumar.
 ■ Promover o debate sobre a extensão universitária e o Serviço Social.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar e o atendimento 
sócio-jurídico
 ■ A mediação de conflitos nas relações familiares e escolares
 ■ Considerações sobre a contribuição do Serviço Social na extensão 
universitária
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), a presente unidade aborda “A experiência da extensão uni-
versitária no Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar: um estudo de caso”, 
em que destacam-se os projetos de extensão universitária desenvolvidos pelo 
Serviço Social, em nossa instituição de ensino. Tem-se os objetivos de apresen-
tar os projetos de extensão universitária desenvolvidos pelo Serviço Social, na 
perspectiva interdisciplinar, desvelar o espaço sócio-jurídico do NPJ (Núcleo de 
Prática Jurídicas) Unicesumar e promover o debate sobre a extensão universi-
tária e o Serviço Social.
Vamos iniciar abordando sobre o Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar 
e o atendimento sócio-jurídico; neste, temos um resgate da história do NPJ e da 
inserção do Serviço Social, que são elementos fundamentais para a compreen-
são da intrínseca relação que os cursos de Direito e Serviço Social possuem no 
trabalho interdisciplinar.
No segundo tópico apresenta-se a mediação de conflitos nas relações fami-
liares e escolares, projeto este que vem crescendo a cada dia, principalmente pelo 
respaldo do Tribunal de Justiça do Paraná e da luta do poder judiciário brasileiro 
em exercer novas ferramentas para a resolução de conflitos.
Em seguida, tem-se as considerações sobre a contribuição do Serviço Social 
na extensão universitária, em que elencam-se os principais pontos sobre a rele-
vância dos projetos desenvolvidos na recente história do curso.
Conforme estudado nas unidades anteriores, a extensão universitária tem se 
ampliado, o que é visto de forma importantíssima, pois significa que a universidade 
e a comunidade estão dialogando em prol de seus objetivos, firmando parceria na 
troca de conhecimentos e saberes, sendo fundamental para o desenvolvimento 
do ensino e aprendizagem dos acadêmicos, bem como para o esclarecimento e 
acesso aos direitos, serviços, políticas públicas e sociais.
Introdução
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139
A EXPERIÊNCIA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NO NÚCLEO 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E140
O NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICAS DA UNICESUMAR 
E O ATENDIMENTO SÓCIO-JURÍDICO
Prezado(a) acadêmico(a), nesta unidade de estudo, vamos abordar os projetos 
de extensão universitária realizados no NPJ Unicesumar, seu funcionamento, 
articulação e a importância para a formação acadêmica e profissional, em espe-
cial para o Serviço Social.
Em 1997 surgiu o Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário de 
Maringá – CESUMAR, atualmente Unicesumar. A implantação do NPJ veio aten-
der a uma exigência do curso de bacharelado em Direito, por ser um espaço de 
aprendizado profissional de relevância na formação sócio-jurídica.
Segundo as Diretrizes Curriculares do curso de Direito, os Núcleos Jurídicos 
são requisitos obrigatórios para o credenciamento das Instituições de Ensino 
Superior junto à Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. Esta exigência atende 
à portaria, que estabeleceu as exigências e conteúdos jurídicos, sendo o estágio 
curricular supervisionado de prática jurídica obrigatória.
O parágrafo 1 da portaria nº 1.886 introduz que “o núcleo de prática jurí-
dica, coordenado por professores do curso, disporá instalações adequadas para 
O Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar e o Atendimento Sócio-Jurídico
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141
treinamento das atividades de advocacia, magistratura, Ministério Público, demais 
profissões jurídicas e para atendimento ao público” (BRASIL, 1994, inciso 1).
Neste sentido, verifica-se que a função dos NPJs deve:
[…] atuar não de endógena e utilitarista, constituindo-se um mero la-
boratório de vivência de práticas para alunos das diferentes áreas que o 
compõe, mas estar integrado, de forma orgânica, com a sociedade, pal-
co este contraditório, em que se vive, em que se estuda, em que se atua 
profissionalmente e que, espera-se, nos suscite um projeto societário e 
profissional, vinculado a valores éticos, humanitários e de justiça social 
(OLIVEIRA, 2000, p. 1).
Sincronicamente, em 2010 é implantado no NPJ da Unicesumar o projeto de 
extensão universitária, “O Serviço Social e o atendimento sócio-jurídico: uma 
abordagem interdisciplinar”, por meio da parceria dos cursos de Direito e Serviço 
Social, o qual teve por sua atuação direta nos atendimentos de assistência jurídica 
gratuita aos usuários do serviço, que são indivíduos de baixa condição econô-
mica, conforme expresso no artigo 5º da Constituição Federal de 1988.
A interface da relação Serviço Social e Direito revela situações inusita-
das, já que dizem a mesma coisa, vêem a mesma coisa, mas não na mes-
ma linguagem, nem com os mesmos olhos. Um exemplo dessa questão 
pode ser visualizado por meio da triagem inicial que tem como “carro 
chefe” a análise da situação econômica do cidadão. Esta atividade guar-
da uma infinidade de questões que podem ser vistas com um olhar do 
Serviço Social, do Direito ou de outro profissional e com referencial 
teórico diferenciado (RODRIGUES, 2006, p. 60-61).
Nesta perspectiva, verifica-se a importância da 
interdisciplinaridade no atendimento sócio-ju-
rídico, principalmente para ampliar a visão do 
profissional do Direito, que expande seus hori-
zontes sobre as reais necessidades do usuário, o 
que possibilita sua aproximação e comprometi-
mento com a justiça social equidade e direitos 
humanos (SANTOS, 2011).
A relação de interdisciplinaridadeentre 
os cursos fez nascer outro projeto de extensão 
universitária, o “Ser Cidadão”, que agregou, 
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também, os cursos de Artes Visuais e Psicologia, em que se desenvolveu ofici-
nas com temáticas de garantia de direitos para disseminar o conhecimento nas 
seguintes áreas: bullying, direito do consumidor, direito do idoso, direito da 
criança e do adolescente, direito de família e drogas.
Estas oficinas foram construídas a partir de estudos sistemáticos sobre cada 
tema transversal de cidadania, em que os alunos, divididos em grupos, realiza-
ram leituras, debates, elaboraram cartilhas para disseminar o conhecimento aos 
usuários do NPJ e à comunidade, especialmente em escolas e espaços de convi-
vência e fortalecimento de vínculos.
A necessidade de levar o conhecimento para a comunidade foi visualizada 
durante o primeiro ano de atendimento sócio-jurídico, em que alunos e professo-
res identificaram questões referentes à negligência e violação de direitos, devido 
a falta de esclarecimento e conhecimento das legislações vigentes.
Caro(a) aluno(a), a relação de interdisciplinaridade, que permeou as ativi-
dades da extensão universitária, foi a peça chave para a junção dos saberes de 
cada área para se atingir o público-alvo. Por isso
[...] a interdisciplinaridade tem que respeitar o território de cada cam-
po do conhecimento, bem como distinguir os pontos que os unem e 
que os diferenciam. Essa é a condição necessária para detectar as áreas 
onde se possam estabelecer as conexões possíveis. A exigência inter-
disciplinar impõe a cada especialista que transcenda sua própria espe-
cialidade, tomando consciência de seus próprios limites para colher às 
contribuições e interface das outras disciplinas (MORIN, 2005 apud 
RODRIGUES, 2006, p. 91).
Com base na premissa de que o trabalho interdisciplinar deve pautar-se nos 
saberes e que estes saberes se complementam, é fundamental a troca de conhe-
cimentos (de diversas áreas) para a formação profissional e exercício da extensão 
universitária, o que requer
[…] o novo modelo curricular, de base interdisciplinar, exige uma nova 
visão de escola, criativa, ousada e com uma nova concepção de divisão 
do saber. Pois a especificidade de cada conteúdo precisa ser garantida, 
paralelamente à sua integração num todo harmonioso e significativo. 
Num currículo multidisciplinar os alunos recebem informações in-
completas e tem uma visão fragmentada e deformada do mundo. Num 
currículo interdisciplinar as informações, as percepções e os conceitos 
O Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar e o Atendimento Sócio-Jurídico
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compõe uma totalidade de significação completa e o mundo já não é 
visto como um quebra-cabeça desmontado (ANDRADE, 1995, p. 97).
Haja vista esse contexto, é de suma importância enfatizar que o currículo interdis-
ciplinar seria a melhor forma de ensinar o acadêmico, bem como de se perceber 
enquanto ser social, capaz de apreender, pois o mesmo interliga as áreas do saber 
buscando trazer uma visão totalizadora, mas não generalista enquanto todo 
completo, o que significa ver o mundo sem a visão focalizada e pontual, a qual 
é constantemente cultivada.
Para Andrade (1995) é preciso compreender a importância da interdisciplina-
ridade a partir do novo paradigma curricular, em que o currículo multidisciplinar 
está ultrapassado, assim como a tec-
nologia evolui, o ensino também deve 
evoluir, uma vez que este modelo de 
currículo apenas repassa aos alunos 
uma visão fragmentada, incompleta e 
deformada de mundo, pois as áreas do 
saber são tratadas sem relação entre si.
Contudo, em um novo modelo 
de currículo interdisciplinar, o ensino 
seria criativo, ousado e haveria uma 
nova divisão do saber, isto é, as áreas 
do saber iriam se relacionar, integrar e interar, assim ocorreria trocas significa-
tivas, como forma de melhorar a qualidade do ensino.
Portanto, é necessário resgatar a inteireza do saber, considerar o seu todo e 
a sua inter-relação com todas as áreas do saber, já que todas se unem em uma 
mesma área, a Ciência, a qual se divide conforme sua especificidade. A interdis-
ciplinaridade é a troca de saber, respeitando as diversas áreas do conhecimento, 
é ver o todo e não a soma das partes.
[…] necessita-se visualizar a Educação como um conjunto onde todos 
devem se sentir responsáveis e comprometidos no processo de ensi-
no-aprendizagem, ressaltando-se que o processo educativo, onde quer 
que aconteça, será sempre permeado a partir do contexto social e po-
lítico que determina seus objetivos e meios de ação (ABDALA; MON-
TEMOR, 2016, p. 68).
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VU N I D A D E144
Sendo assim, caro(a) aluno(a), ressalta-se que “a interdisciplinaridade refere-
-se a uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência 
entre os diversos ramos do conhecimento” (ANDRADE, 1995, p. 93).
Concomitantemente à ideia da autora, de que a interdisciplinaridade faz 
com que as áreas do saber dependem uma das outras como forma de melhorar 
o ensino e o currículo, reflete-se nas ações profissionais e nos projetos de exten-
são universitária.
Diante desse contexto, tem-se que “[…] a atividade da educação escolar é de 
desenvolvimento humano, ou seja, de potencialização de capacidades em quatro 
perspectivas claras e convergentes: realização pessoal, qualidade de vida, parti-
cipação política e inclusão planetária […] (CARNEIRO, 2010, p. 37).
Nesta perspectiva, verifica-se a importância do desenvolvimento da extensão 
universitária, que atende às necessidades da formação acadêmica e profissional, 
em contrapartida contribui com o acesso a informações, direitos e serviços e 
políticas públicas aos cidadãos.
 Conforme Saviani (1980, p. 52) promover o homem significa “torná-lo cada 
vez mais capaz de conhecer os elementos de sua situação a fim de poder inter-
vir nela transformando-a no sentido da ampliação da liberdade, comunicação e 
colaboração entre os homens”. 
Por isso, a necessidade da formação política crítica cidadã, para que os 
indivíduos possam ter condições de compreender as questões que estão além 
do aparente, isto requer que os estudantes e a população tenham clareza de seu 
papel na sociedade, uma vez que estão inseridos e são partícipes do movimento 
da realidade local.
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A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NAS RELAÇÕES 
FAMILIARES E ESCOLARES
O envolvimento embrionário do Serviço Social na extensão universitária no 
NPJ instigou a implantação de outro projeto em 2012 “A mediação das relações 
familiares e escolares”, que iniciou a formação dos alunos sobre os métodos alter-
nativos de resolução de conflitos, em que se destaca a mediação transformativa. 
Segundo Nazareth (2009, p. 85),
a mediação não é vôo cego. Tal qual um piloto de avião, o profissional 
não pode, sob hipótese alguma, decolar sem um plano de vôo, o que 
não impede mudanças de rota ao longo do percurso. A cada encontro 
é preciso proporcionar as condições para que os pontos combinados 
sejam cumpridos à risca. Para tanto, o mediador deve estar bem anco
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VU N I D A D E146
rado, a fim de que possa oferecer segurança e compromisso à partes. 
Durante o procedimento, ele deve estar atento para distribuir as infor-
mações na medida certa, de forma coerente e precisa[…].
Tendo por base o Manual de Mediação Judicial do Ministério da Justiça, verifi-
ca-se que o conflito e sua teoria são as peças principais para a mediação, pois é 
o conflito, divergências e contradições de opiniões e/ou posições que apresen-
tam os primeiros indícios de caminhos para o mediador na resolução qualitativa 
e equânime para os envolvidos (BRASIL apud CRUZ, 2016).
Nesse sentido, é fundamental que o mediador analise e compreenda não 
apenas as questões apresentadas pelos indivíduos, mas busque nas expressões 
faciais, gestos, tom de voz, apreender o contexto social, econômico e cultural dos 
envolvidos, isto é, visualizar e compreender por meio de uma leitura crítica de 
análise de conjuntura o ser humano em sua totalidade, para que sejam esclare-
cidas todas as situações possíveis.
Por isso, e tendo em vista uma resolução qualitativa do conflito analisado, a 
teoria do conflito é primordial no processo de mediação, por propiciar a refle-
xão, com base na realidade dos envolvidos, vislumbrando melhores condições 
de vida e relacionamentos.
Destarte, a mediação tem o papel de dar respostas e soluções aos conflitos, 
com o objetivo de tratar as relações humanas como o próprio nome diz, com 
humanidade e respeito pelo indivíduo, pois não são apenas questões burocráti-
cas, mas também de cunho psicológico e social.
Demarca-se que, em 2015, com a parceria da Unicesumar, por meio desse 
projeto de extensão universitária com o Fórum da Comarca de Maringá, espe-
cificamente com a 2ª Vara de Família, a qual encaminhou alguns casos para 
atendimento no projeto, inicou as atividades junto a comunidade com aten-
dimentos de mediação interdisciplinar entre as áreas do Direito, Psicologia e 
Serviço Social.
Os atendimentos foram realizados, primeiramente, pelo curso de Direito, em 
seguida, pelo Serviço Social e, por último, pela Psicologia no Núcleo de Prática 
Jurídica na sala de mediação, em que se realizou escuta social, para compreen-
der detalhes das relações sociais que permeiam o conflito, sendo atendida uma 
parte de cada vez em datas e horários previamente agendados.
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Os processos de mediação tiveram uma duração de 03 meses em cada caso, 
pois após cada atendimento foram realizadas discussões interdisciplinares para 
compreender e mediar as partes, conforme as necessidades e particularidades 
de cada caso.
A resolução 125/2010 refere-se à Política Judiciária Nacional de tratamento 
adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário, isto é, ins-
titui-se uma política pública e permanente de autocomposição e cidadania, para 
a resolução de conflitos por meio dos meios alternativos, em especial a conci-
liação e mediação.
Tendo em vista a conjuntura de mudança, no âmbito do poder judiciário, 
em atender as demandas efetivas dos requerentes de processos judiciais, surge 
a implantação nos Tribunais de Justiça os Núcleos Permanentes de Métodos 
Consensuais de Solução de Conflitos, com a atribuição de se instalar junto aos 
Fóruns das Comarcas os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania 
- CEJUSC.
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No final de 2015, a Unicesumar firma a parceria de ser uma unidade de 
extensão do CEJUSC do município de Maringá, em que passa a realizar atendi-
mentos pré-processuais, ou seja, aqueles que ainda não foram abertos o processo 
judicial tradicional.
Essa conquista é fruto do trabalho de extensão universitária, da qual são 
responsáveis a instituição de ensino pelo suporte e apoio, os docentes, discentes 
e a comunidade atendida, que são a teia que envolve a necessidade de troca de 
saberes, ou seja, a devolutiva que a universidade realiza à sua comunidade, em 
que se contribui com o desenvolvimento e, nesse caso, com a resolução de con-
flitos familiares e cíveis.
Conforme visto na Unidade III, em que a professora Valéria aborda a ques-
tão de validação do estágio supervisionado obrigatório em Serviço Social nos 
projetos de extensão universitária, os projetos desenvolvidos no NPJ Unicesumar 
contemplam os estágios obrigatórios dos cursos de Direito e Psicologia, unifi-
cando os conhecimentos de cada área e das modalidades de ensino presencial e 
a distância da referida instituição de ensino.
Diante disso, verifica-se que há o rompimento de barreiras em todos os âmbi-
tos para o fortalecimento do tripé Ensino-Pesquisa-Extensão, pois ao término de 
cada etapa dos projetos de extensão, os alunos desenvolvem um artigo científico 
para a conclusão das atividades realizadas, sendo este um requisito obrigatório 
aos alunos do curso de Serviço Social, mas que pode-se ter a parceria de cole-
gas de outros cursos, o que enriquece as discussões e análises de conjuntura na 
perspectiva interdisciplinar.
Desta forma, “[...] fica claro analisar que a extensão não seria um sujeito do 
processo, ficando marginalizada em um lugar indecifrável, mas estaria presente 
como um agente capaz de articular as outras funções da universidade: o ensino 
e à pesquisa [...]” (SANTOS, 2006, p. 286).
Assim, é de suma importância o diálogo e a parceria entre a equipe interdis-
ciplinar, tanto na colaboração e construção de um novo saber e conhecimento 
acerca de determinada questão, quanto na compreensão da situação atendida. É 
o exercício desta ação conjunta, que respaldada a resolução qualitativa e eficiente.
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Bedim (2006) aponta que:
[…] para institucionalizar uma prática de extensão universitária com-
prometida e significativa, uma prática que realmente possa aliar ex-
celência acadêmica e compromisso social, que gere conhecimentos e 
saberes, a partir da interação da instituição com a comunidade para a 
formação profissional dos universitários, numa proposta que seja edifi-
cante e que verdadeiramente propicie a abertura da instituição à comu-
nidade de seu entorno social […] (BEDIM, 2006, p. 103).
Portanto, a interface entre Direito, Psicologia e Serviço Social é de extrema valia 
para o sucesso das atividades, uma vez que não são apenas questões visíveis do 
conflito. 
Ao compreendermos todo este contexto de avanços e desafios, pudemos também 
perceber que o trabalho interdisciplinar só tem a contribuir com os projetos de 
extensão universitária realizados, o que se presume ser sua finalidade na formação 
acadêmica, profissional e social. Certamente, o que vimos até o presente momento 
nos mostra que a extensão universitária contribui, em grau significativo, para a 
formação profissional e que quando envolve outras áreas do conhecimento, os 
ganhos são ainda muito maiores.
O livro o que são direitos humanos, de João Ricardo W. Dornelles, aborda a 
história e a trajetória dos direitos humanos, onde nasceu esta terminologia, 
o porquê de sua existência, o que tais direitos garantem ao homem. De um 
modo geral, o autor tem o objetivo de apresentar aos leitores o que real-
mente são os direitos humanos, saindo do senso comum.
O autor buscou traçar sua metodologia a partir de declarações de diver-
sos países de diferentes contextos históricos e culturais, as quais tinham a 
mesma finalidade de garantir direitos à humanidade. A pesquisa está fun-
damentada a partir das diferentes formas e óticas de grandes intelectuais 
como Hobbes, Santo Tomás de Aquino, Locke dentre outros, para poder de-
finir qual conceito expressa melhor o sentido de direitos humanos.
Fonte: Dornelles (2006).
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VU N I D A D E150
CONSIDERAÇÕES SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DO 
SERVIÇO SOCIAL NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
De acordo com Richardson 
(1999) , a observação consiste em 
ver e ouvir fenômenos a serem 
estudados, além de ser uma téc-
nica de investigação assistemática, 
a qual exige uma grande capaci-
dade para distinguir entre fatos 
observados e a interpretação dos 
mesmos. Por isso, caro(a) aluno 
(a), a observação enquanto leitura 
de realidade é composta de inten-
cionalidade, a qual é orientada por 
uma visão e escuta aguçada, pla-
nejada, podendo ser sistemática 
ou simétrica, sendo necessário 
estar em constante observação nas ações do público atendido.
Diante disso, Fraga (2010) coloca que o assistente social tem, em sua prá-
tica, uma atitude investigativa, ou seja, realiza seus atendimentos, entrevistas, 
escutas sociais, dentre outras atividades, atento a toda informação que o sujeito 
possa lhe passar, seja pela fala, gesto ou emoção.
Para Battini (1994):
[...] pensar os fatos, os acontecimentos, as relações exige questionar, 
investigar a realidade, criticá-la, tornando-a evidente pela contínua re-
colocação de questões, fazendo-a emergir de forma cada vez mais rica e 
viva, recriando-a num contínuo percurso entre a aparência e a essência, 
entre a parte e o todo, entre o universal e o particular, numa visão dialé-
tica (BATTINI, 1994, p. 144 apud FRAGA, 2010).
Sendo o Serviço Social uma profi ssão investigativa e interventiva, em que realiza 
seu exercício profi ssional na descoberta das necessidades e causas que determi-
nado indivíduo enfrenta, para buscar lhe assegurar seus direitos.
Figura 1: Símbolo do Serviço Social
Fonte: Blog dos Assistentes Sociais (2016, on-line)1.
Considerações Sobre a Contribuição do Serviço Social na Extensão Universitária
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Esse olhar técnico do assistente social sobre as situações e condições de 
vida do indivíduo, propiciam a compreensão das relações sociais, econômicas 
e políticas que são intrínsecas ao contexto que este está inserido, isto é, traz ao 
debate interdisciplinar fatores que, por vezes, não são conhecidos e analisados 
por outras profissões, pois o Serviço Social possui atribuições e competências 
privativas sobre as políticas públicas e sociais.
A interdisciplinaridade, dimensão mesmo da multidisciplinaridade 
quando efetivamente plural, envolve não só o ensino propriamente 
dito, mas também a organização curricular, a pesquisa, a avaliação dis-
cente e docente, entre outros. É uma estratégia que favorece a comuni-
cação de idéias, a articulação e o esforço conjunto em torno de assuntos 
correlatos no domínio do saber e no domínio da investigação, permi-
tindo ampliar o âmbito do conhecimento e da prática (RODRIGUES, 
2006, p. 147).
Diante desse contexto, o trabalho interdisciplinar vem demarcando um papel 
fundamental para compreender, decifrar, orientar e encaminhar os indivíduos 
conforme suas necessidades.
Para tanto, a troca de saberes entre as diversas áreas do conhecimento se com-
plementam, sendo fundamental a intersetorialidade entre as políticas públicas 
de assistência social, educação, saúde, habitação, dentre outras, para a garantia 
da integralidade dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana de uma 
vida digna.
Tendo em vista que o Serviço Social trabalha diretamente e indiretamente 
com as relações sociais, a população usuária é reflexo das relações produtivas 
(IAMAMOTO, 2008). Por isso, a interface entre as políticas públicas exige ações 
Como ocorre interdisciplinaridade nos projetos de extensão universitária, 
em especial nas experiências apresentadas dos cursos de Direito, Psicologia 
e Serviço social.
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VU N I D A D E152
conjuntas que referenciam o cidadão para resolutividade eficaz e qualitativa, den-
tre as quais possam promover o usuário, instruindo-o para a inclusão social e 
buscando subsídios para sua emancipação.
Assim, verifica-se que articulação do trabalho em rede contribui para o for-
talecimento da cidadania, pois busca assegurar a garantia da universalidade e 
do acesso aos serviços e benefícios que estão atrelados frente à complexidade 
das demandas efervescentes da questão social. Esse trabalho vem sendo desen-
volvido com êxito pelos assistentes sociais, por suas habilidades e competências 
técnicas, nos diversos espaços sócio-ocupacionais onde estão inseridos.
[...] as atividades de ensino e pesquisa só se realizarão plenamente 
quando permeáveis ao sujeito destinatário da ação universitária, isto é: 
a sociedade; o que na prática significa dizer que que ensino e pesquisa 
só se realizarão plenamente quando associados à extensão e a intera-
ção-cooperação com a sociedade (PAULA, 2004, p. 59).
Frente a esse contexto, afirma-se que os projetos de extensão universitária rea-
lizados a partir do NPJ Unicesumar tem possibilitado aos estudantes e usuários 
este processo de troca de saberes e aplicabilidade de ações que tenham efetivi-
dade na vida dos usuários e da comunidade em geral.
Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao término desta unidade de estudo, verifica-se a importância dos projetos de 
extensão universitária realizados na Unicesumar, especificamente com relação 
à participação do Serviço Social, o qual reúne competências e habilidades para 
o trabalho com a comunidade, na perspectiva interdisciplinar.
Conforme vimos, as atividades que compreendem os projetos de extensão: 
o atendimento sócio-jurídico, Ser Cidadão e Mediação de Conflitos nas relações 
familiares e escolares, agregam o processo de ensino e aprendizagem em relação 
indissociável entre Ensino-Pesquisa-Extensão, uma vez que a ação final é deter-
minada pelo conhecimento técnico por meio do ensino e da pesquisa.
A interdisciplinaridade perpassa por todo o processo dos projetos de exten-
são em sua fase inicial, com o planejamento dos professores das diversas áreas 
envolvidas, no desenvolvimento com a relação de troca de conhecimentos espe-
cíficos de cada curso entre alunos e professores, momento privilegiado para o 
amadurecimento e crescimento intelectual da importância da complementari-
dade das ações conjuntas em prol da resolutividade efetiva.
Neste sentido, a interação com a comunidade promove a retribuição da aca-
demia com o conhecimento adquirido e recebe o aprendizado dos saberes de 
vida dos indivíduos atendidos, o que possibilita a experiência in loco da reali-
dade em movimento e suas múltiplas manifestações, esse processo de ensino e 
aprendizagem, para ambas as partes, possui muita riqueza de conhecimento.
Sendo assim, caro(a) aluno(a), o aprendizado que a extensão universitária 
articula, entre os conhecimentos com a interdisciplinaridade de cursos e a troca 
de saberes populares, são fundamentais para a formação acadêmica, profissio-
nal e cidadã, pois desenvolve probabilidades de participação social nos diversos 
espaços da sociedade civil com atuações ativas em prol da melhoria e qualidade 
de vida para todos. 
154 
1. Com base nos estudos realizados nesta unidade, descreva como é realizado o 
atendimento sócio-jurídico no NPJ Unicesumar.
2. De que forma foram instituídas as oficinas do Ser Cidadão? Justifique sua res-
posta.
3. Como o CEJUSC realiza o trabalho no projeto de extensão universitária da 
Unicesumar?
4. Tendo em vista a relação da interdisciplinaridade nos projetos de extensão uni-
versitária, defina esse conceito.
5. O Serviço Social vem se destacando nas parcerias firmadas nos projetos de ex-
tensão. Explique como ocorre este processo e sua importância para a forma-
ção acadêmica e profissional.155 
DECRETO Nº 7.416, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2010
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, 
da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 10 e 12 da Lei no 12.155, de 23 de 
dezembro de 2009.
DECRETA:
Art. 1o A concessão das bolsas previstas nos arts. 10 e 12 da Lei no 12.155, de 23 de de-
zembro de 2009, por instituições federais de educação superior a estudantes de cursos 
de graduação para desenvolvimento de atividades de ensino e extensão universitária, 
será promovida nas modalidades de:
I - bolsas de permanência, para a promoção do acesso e permanência de estudantes em 
condições de vulnerabilidade social e econômica; e
II - bolsas de extensão, para o desenvolvimento de atividades de extensão universitária 
destinadas a ampliar e fortalecer a interação das instituições com a sociedade.
Art. 2o As bolsas de permanência e de extensão serão pagas mensalmente e adotarão 
como referência os valores das bolsas correspondentes pagas pelas agências oficiais de 
fomento à pesquisa.
Parágrafo único. As bolsas de permanência e de extensão poderão ser renovadas, ob-
servados a disciplina própria da instituição e os termos do edital de seleção, consideran-
do o desempenho do estudante, a avaliação dos programas ou projetos desenvolvidos, 
bem como a disponibilidade orçamentária.
Art. 3o Aplicam-se ao candidato às bolsas de permanência e de extensão os seguintes 
requisitos, sem prejuízo de outros específicos fixados pela instituição:
I - estar regularmente matriculado em curso de graduação;
II - apresentar indicadores satisfatórios de desempenho acadêmico, definidos pela ins-
tituição;
III - ser aprovado em processo de seleção, que deve considerar critérios de vulnerabilida-
de social e econômica, no caso da bolsa permanência;
IV - não receber qualquer outra bolsa paga por programas oficiais; e
V - apresentar tempo disponível para dedicar às atividades previstas no edital de sele-
ção, quando a modalidade exigir.
§ 1o Os editais dos processos de seleção deverão ser divulgados oficialmente, com an-
tecedência mínima de oito dias de sua realização, incluindo informações sobre data, 
horário, local, critérios e procedimentos a serem utilizados.
156 
§ 2o Poderão ser incluídos em um mesmo programa ou projeto bolsistas atendidos 
pelas modalidades previstas nos incisos I e II do art. 1o, bem como estudantes não bol-
sistas.
Art. 8o A prestação institucional de serviços, se admitida como modalidade de exten-
são, nos termos da disciplina própria da instituição, em vista de justificativa acadêmica 
não enseja a concessão de bolsas de extensão, aplicando-se as disposições sobre está-
gio, nos termos da Lei no 11.788, de 25 de setembro de 2008.
Parágrafo único. A prestação institucional de serviços de que trata o caput refere-se 
ao estudo e solução de problemas dos meios profissional ou social, com a participação 
orientada de estudantes, e ao desenvolvimento, pelos docentes, de novas abordagens 
pedagógicas e de pesquisa, bem como a transferência de conhecimentos e tecnologia 
à sociedade.
Art. 9o A concessão de bolsas de extensão deverá estar prevista em programa ou proje-
to que preencha os seguintes requisitos:
I. ter sido aprovado por órgão colegiado competente para as atividades de exten-
são, nos termos da disciplina própria da instituição;
II. ser coordenado por docente em efetivo exercício na instituição;
III. ser desenvolvido por no mínimo dois terços de pessoas vinculadas à instituição, 
sejam docentes, servidores técnico-administrativos ou estudantes regulares de 
graduação ou pós-graduação; e
IV. estar inserido em sistema informatizado da instituição, disponível para consulta 
do público.
Parágrafo único. No caso de programas e projetos realizados em conjunto por mais de 
uma instituição, as proporções indicadas no inciso III considerarão o total das institui-
ções envolvidas.
Art. 12. A avaliação das instituições e cursos contemplados pela concessão das bolsas 
de que trata este Decreto será realizada no âmbito das avaliações para fins de recreden-
ciamento e renovação de reconhecimento, de acordo com o ciclo avaliativo do Sistema 
Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, nos termos da Lei no 10.861, de 
14 de abril de 2004, e respectiva regulamentação.
Art. 13. São deveres dos estudantes bolsistas de extensão:
I. participar das atividades de extensão, ensino e pesquisa previstas no projeto ou 
programa;
II. manter os indicadores satisfatórios de desempenho acadêmico definidos pela 
instituição;
157 
III. apresentar trabalhos relativos ao projeto ou programa em eventos científicos, 
previamente definidos;
IV. fazer referência à sua condição de bolsista nas publicações e trabalhos apresen-
tados; e
V. cumprir as demais exigências estabelecidas nos editais de seleção.
Art. 14. As despesas decorrentes deste Decreto correrão à conta das dotações orçamen-
tárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação, devendo ser compatibilizada 
a distribuição das bolsas às dotações existentes, observados os limites de movimenta-
ção e empenho, bem como os limites de pagamento da programação orçamentária e 
financeira da União.
Art. 15. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 30 de dezembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.
Fonte: adaptado de Brasil (2010).
MATERIAL COMPLEMENTAR
Construção Conceitual da Extensão Universitária na América Latina
Dóris Santos de Faria
Editora: EDU - UNB
Sinopse: o livro “Contribuições para a Construção 
Conceitual da Extensão universitária na América 
Latina” reúne uma série de 11 artigos publicados pelos 
principais estudiosos brasileiros sobre o assunto. 
Identifi ca-se claramente que a conceituação de 
extensão universitária encontra-se em momento que 
deverá anteceder profunda reformulação, dado que 
quase todos os autores identifi cam as insufi ciências 
atuais, o que repercute na própria prática da extensão 
pelas universidades latino-americanas. Questionam-
se as concepções de “tripé Ensino-Pesquisa-Extensão” 
e sua (suposta) “indissociabilidade” da relação (“mão-
dupla”) entre universidade e sociedade. Há críticas aos 
caminhos históricos que passaram pelo assistencialismo 
da extensão universitária e hoje pelo risco de submissão ao mercado, dentre as mais 
marcantes. Como tendência mais fundamental, identifi ca-se nos trabalhos que a 
extensão é o ensino e a pesquisa e, como tal, não seria mais correto concebê-la como 
atividade separada daquelas. Como consequência, é posta em dúvida a própria 
estruturação das universidades, organizadas em pró-reitorias distintas, muito embora 
seja reconhecida a falta, ainda, de amadurecimento no assunto. O caminho da extensão 
universitária realizada pelas Universidades Públicas é, certamente, o mais promissor 
para a reformulação do Ensino Superior Público, tanto no Brasil quanto na América 
Latina. Daí a importância deste livro, saído das hostes de tão candente debate!
Resolução 125/2010
A Resolução 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça, estabelece a implantação de 
serviços para aplicabilidade dos meios alternativos de solução de confl itos por meio da 
autocomposição, em especial com relação a mediação e conciliação.
Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=2579>.
REFERÊNCIAS
159
ABDALA, Rachel Duarte; MONTEMOR, Rosana do Carmo. A 
extensão universitária em uma instituição de ensino superior do Vale do 
Paraíba: estudo de caso. Disponível em: <http://file:///C:/
Users/DW/Downloads/1446-4127-1-PB.pdf>. Acesso em: 
11 mar. 2017.
ANDRADE, Rosamaria Calaes de. Interdisciplinaridade: Um Novo Pa-
radigma Curricular. In: GOULART, Iris Barbosa (org.). A Educação na 
Perspectiva Construtiva: Reflexões de uma equipe interdisciplinar. 3 ed. Petrópo-
lis: Vozes, 1995.
BEDIM, Juçara Gonçalves Lima. Uma proposta de metodologias 
participativas na extensão universitária: o ensino de idiomas como uma vertente 
instrumental. 2006. 307 f. Tese (Doutorado)- Universidade Federal do Rio de Janeiro, 
Rio de Janeiro, 2006.
BRASIL. Decreto Nº 7.416, de 30 de dezembro de 2010, Regulamenta os arts. 10 e 
12 da Lei nº 12. 155, de 23 de dezembro de 2009, que tratam da concessão de bolsas 
para desenvolvimento de atividades de ensino e extensão universitária. 2010. Dis-
ponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/Decreto/
D7416.htm>. Acesso em: 10 maio. 2017.
BRASIL. PORTARIA No 1.886, de 30 de dezembro de 1994, Fixa as diretrizes cur-
riculares e o conteúdo mínimo do curso jurídico. 1994. Disponível em: http://www.
zumbidospalmares.edu.br/pdf/legislacao-ensino-juridico.pdf>. Acesso em: 13 mar. 
2017.
CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico – compreensiva artigo a 
artigo. 17 ed. Atualizada e ampliada. Petropólis: Vozes, 2010.
CRUZ, Fabrício Bittencourt da (org). Justiça restaurati-
va: horizontes a partir da resolução CNJ 225. 2016. Disponível em: 
<http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2016/08/4d6370b2cd6b7ee-
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DORNELLES, João Ricardo W. O que são Direitos Humanos. São Paulo: Brasiliense, 
2006.
FRAGA, Cristina Kologeski. A atitude investigativa no trabalho do assistente social. 
Revista Quadrimestral de Serviço Social – Serviço Social e Sociedade, São Paulo, 
n. 101, p. 41-65, 2010.
IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e 
formação profissional. 14 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
NAZARETH, E.R. Guia de mediação familiar: Aspectos psicológicos. In: A.R.P. NETRO 
(org.), Mediação familiar. São Paulo: Editora Equilíbrio, p. 11-26, (2009).
OLIVEIRA, Cirlene Aparecida Hilário da Silva. O estágio supervisionado na for-
REFERÊNCIAS
mação profissional do assistente social: desvendando significados. Revista 
Quadrimestral de Serviço Social – Serviço Social e Sociedade, São Paulo, 
n. 80, v. 17, p. 59-81, 2008.
PAULA, João Antônio. Interdisciplinaridade, extensão e universidade. 2004. 
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RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 
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RODRIGUES, Maria de Sousa. Intervenção profissional e interface entre assisten-
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SANTOS, Maria Lucimara dos. Extensão Universitária e Interdisciplinaridade: 
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SANTOS, Mariane Biazon. A intervenção do Serviço Social e do Direito no 
núcleo de prática jurídica do Centro Universitário de Maringá: uma experiência, 
interdisciplinar. 2011. Monografia (Graduação) - Centro Universitário de Maringá, 
Maringá, 2011.
SAVIANI, Demerval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo: 
Cortez Autores Associados, 1980.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <https://servicosocial-ramires.blogspot.com.br/2016/05/insalubridade-para-
-assistente-social.html>. Acesso em 10 maio. 2017.
GABARITO
161
1) A importância da interdisciplinaridade no atendimento sócio-jurídico, principal-
mente para ampliar a visão do profissional do Direito que expande seus horizon-
tes sobre as reais necessidades do usuário, o que possibilita sua aproximação e 
comprometimento com a justiça social equidade e direitos humanos (SANTOS, 
2011).
2) A partir de estudos sistemáticos sobre temas transversais de cidadania, entre 
eles: bullying, direito do consumidor, direito do idoso, direito da criança e do 
adolescente, direito de família e drogas. Os alunos foram divididos em grupos re-
alizaram leituras, debates, elaboraram cartilhas para disseminar o conhecimento 
aos usuários do NPJ, bem como a comunidade, especialmente em escolas e es-
paços de convivência e fortalecimento de vínculos.
3) Em 2015, os atendimentos foram realizados, primeiramente, pelo curso de Direi-
to, em seguida, Serviço Social e por último pela Psicologia no Núcleo de Prática 
Jurídica na sala de mediação, em que se realizou escuta social para compreender 
detalhes das relações sociais que permeiam o conflito, sendo atendida uma par-
te de cada vez em datas e horários previamente agendados.
4) A interdisciplinaridade tem que respeitar o território de cada campo do conheci-
mento, bem como distinguir os pontos que os unem e que os diferenciam. Essa 
é a condição necessária para detectar as áreas onde se possam estabelecer as 
conexões possíveis. A exigência interdisciplinar impõe a cada especialista que 
transcenda sua própria especialidade, tomando consciência de seus próprios 
limites para colher às contribuições e interface das outras disciplinas (MORIN, 
2005 apud RODRIGUES, 2006, p.91).
5) O olhar técnico do assistente social sobre as situações e condições de vida do 
indivíduo, propiciam a compreensão das relações sociais, econômicas e políticas 
que são intrínsecas ao contexto que este está inserido, isto é, traz ao debate in-
terdisciplinar fatores que por vezes não são conhecidos e analisados por outras 
profissões, pois o Serviço Social possui atribuições e competências privativas so-
bre as políticas públicas e sociais.
GABARITO
CONCLUSÃO
Conclui-se, após as discussões apresentadas neste material de estudo, que você te-
nha compreendido a importância da extensão universitária e sua relação indissoci-
ável entre ensino-pesquisa-extensão. 
Pudemos ver, na Unidade I, a função da universidade – tripé: Ensino-Pesquisa-Ex-
tensão, entendendo como esses conceitos possuem uma relação indissociável no 
processo de ensino e aprendizagem. Compreendeu-se também que a universidade 
desempenha um papel que vai além da formação profissional e formadora de co-
nhecimentos científicos, ela deve buscar a formação de cidadãos socialmente res-
ponsáveis e críticos.
Em seguida, na Unidade II, discorremos sobre a extensão universitária e a sua rele-
vância para a formação acadêmica, abordando como devemos estimular o desen-
volvimento da comunidade, entendendo que a extensão é uma via de mão dupla, 
no qual todos saem beneficiados: acadêmicos, academia e comunidade.
Já na Unidade III explanou-se sobre o impacto positivo da interdisciplinaridade no 
trabalho comunitário e de como as ações interdisciplinares podem colaborar para 
o crescimento social, mediante a interface dos conhecimentos específicos de cada 
área para a resolutividade efetiva em prol da qualidade de vida aos indivíduos aten-
didos. A extensão permite a troca de conhecimento oportunizando o conhecimen-
to in loco.
Ao adentrarmos na Unidade IV, trouxemos a reflexão acerca da extensão universitá-
ria e o estágio supervisionado em Serviço Social, conhecendo os seus aspectos his-
tóricos e a relação com Ensino-Pesquisa-Extensão na formação do assistente social.
Por fim, na Unidade V do livro, apresentamos a experiência da extensão universitá-
ria, o Projeto de Extensão: Núcleo de Prática Jurídicas da Unicesumar. Nesse projeto 
pudemos ver o envolvimento de outras áreas do conhecimento além do serviço 
social e se apresenta como uma referência no impacto social e formativo. 
Parabéns! Você é mais mercedor(a), por concluir mais esta etapa, o orgulho também 
é nosso, assim como privilégio de poder ter feito parte de um pouco mais da sua 
história de formação em serviço social.
CONCLUSÃO

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