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Laura Vieira Gomes de Oliveira – Medicina UNIFG FISIOPATOLOGIA É uma dor pulsátil, aguda, que pode ser sentida de forma: latejante, queimação ou tipo cãibras. É de curta duração ou constante. Ocorre, nesse paciente, uma percepção intensa do membro perdida; sendo que, a maior percepção e, concomitantemente, a dor, é predominante nas regiões distais. É relativamente comum. Pode ter um início imediato (logo após a lesão traumática e/ou amputação) ou pode aparecer depois de muitos anos; sendo que, em 50% dos casos aparece em 24 horas e, em 70% dos casos, surge após 1 anos. Fatores associados Principais e mais estudados fatores causais Fatores periféricos Neuroma de amputação Acredita-se que quando acontece a secção do nervo na área de amputação, ocorre uma degeneração retrógada. Fazendo um encurtamento de neurônios aferentes e iniciando um quadro de lesão, edema, inflamação e regeneração desse axônio (uma vez que ele foi lesionado). Contudo, essa regeneração não tem mais “caminho” para seguir no dermatomo uma vez que o local foi seccionado. Esse crescimento acaba ficando restrito aquela área e cria uma desorganização e estrutura conhecida como neuroma. Dessa maneira, o neuroma são terminações de fibras Adelta e C expandidas e desorganizadas que, possuem em sua fisiologia, o disparo de sinais ectópicos. Esse disparo tem a característica de ser maior durante a estimulação mecânica e química dessa área com neuroma. Centrais Medula espinhal Uma vez que estas novas fibras estão enviando mensagens ectópicas e por causa da somação de informações – já que agora temos o brotamento de novas fibras – essa junção de fatores vai ocasionar a hiperexcitabilidade. Além disso, já que entramos no nível central, ocorre também a regulação negativa dos processos inibitórios; com isso, os processos descendentes que regulam a passagem de informações da dor aferentes estão desregulados, sem cumprir sua função. Isso contribui para a passagem de informações com força Além disso, alterações estruturais nas terminações nervosas também acontece – centrais primarias e projeções neuronais – mas, principalmente, na funcionalidade do interneurônio, uma vez que ele está desregulado por conta das aferencias periféricas e falta de eferências inibitórias centrais. Dessa forma, em nível bioquímico, vamos ter um cenário de ALTA liberação de glutamato e redução de interneurônios gabaérgicos e glicinérgicos (neurotransmissores que suprimem os processos excitatórios). Para piorar a situação, a uma mudança de neurônios inibitórios para excitatórios em decorrência da liberação de um fator neurotrófico derivado do cérebro chamado de BDNF – ou seja, se antes secretava GABA, agora secreta glutamato. FARMACOLOGIA Tratamento Química Será receitado, nesses casos, um fármaco que é da classe dos aminoácidos – a Gabapentina, ou seja, um análogo ao GABA (já que é isso que falta). Ela é do grupo de medicamento anticonvulsionantes. É uma substância abolar – estrutura bioquímica formada basicamente por um grupo amina, um acido e uma cadeia secundaria formada por carbono e hidrogênio. Laura Vieira Gomes de Oliveira – Medicina UNIFG Esta é uma característica importante para compreender a absorção dela pela barreira hematocefalica – ser uma substância apolar em sua maioria e pequena. Outra substância que pode ser usada é a pregabalina. Sua funcionalidade é estimular o incremento da liberação do GABA – ela NÃO se liga aos receptores GABA. Farmacocinética da Gabapentina ▪ É feita apenas através de preparações orais. ▪ Absorvida no intestino delgado através da combinação de difusão e transporte facilitado e seu receptor no tecido intestinal ainda não foi identificado (a porta de entrada; acredita-se que são os mesmos de aminoácido) – absorve e manda para a corrente sanguínea. ▪ Biodisponibilidade em uma dose de 300mg é de 60% (é saturável) ▪ Não é metabolizada ▪ Possui meia vida de 4,8 a 8,7 horas ▪ É eliminada pela urina Obs. o aumento da dose de medicamento DIMINUI sua biodisponibilidade. Isso ocorre pois os receptores que absorve a agabapentina no intestino delgado é saturável; ou seja, quando ele satura, deixa de ser expresso e acaba tendo uma densidade de receptores reduzida por conta disso (deixa passar o medicamento prescrito a mais). Lembrar sempre o enterócito tem o poder de modular a expressão do receptor que está localizado na sua membrana apical. Mecanismo de ação Ela NÃO atua em receptores GABA De forma sináptica e não sináptica, ela atua elevando a secreção de GABA, além de ajudar a aumentar a atividade dele. É uma espécie de antagonismo indireto de receptores NMDA (aqueles que serão acionados com o glutamato). Dessa forma, a medicação irá agir inibido os nervos e informações que chegam através da periferia. Obs. no final, ela vai elevar a atuação do GABA – que trabalha inibindo o SNC – e inibindo a atuação do glutamato – que excita o SNC; ou seja, uma menor estimulação para a iniciação/propagação do impulso nervoso nesse neurônio a nível pós-sináptico. Canal de cálcio N (neural) ativados por voltagem A gabapentina atua como antagonista desses canais de cálcio localizados no SNC É um canal que está na membrana do neurônio – possui uma parte intracelular e outra extracelular. A parte Alfa1 desse canal é a mais importante uma vez que é formada por quatro proteínas que estão localizadas transmembranamente e formam um poro no canal que é por onde o cálcio vai entrar. Dessa forma, quando ocorre um estímulo em uma dessas subunidades, tem a abertura desse poro na área dessa subunidade e a passagem desse cálcio para a região intracelular Além disso, temos também uma porção Alfa 2 que é uma estrutura extracelular que possui uma subunidade chamada delta. E é exatamente nessa região delta da porção alfa 2 que a gabapentina vai agir, se ligando nesse ponto e impedindo o influxo de cálcio. Ao se ligar a parte delta da porção alfa 2, ela inibi a própria porção alfa 2 que impede que os subgrupos de alfa 1 se abram e permitam o influxo de cálcio. Mas o que estamos tentando impedir com a interrupção do influxo de cálcio? A liberação dos neurotransmissores de dentro da vesícula. Como já vimos anteriormente, é o influxo de cálcio para dentro do neurônio que faz com que as vesículas, que guardam os neurotransmissores, se rompam e perpetuem a interação e ativação sináptica. Explicando numa ótica maior, a membrana o axônio tem uma estrutura chamada t- SNARE e a membrana da vesícula com neurotransmissores tem uma estrutura chamada v-SNARE. Uma vez que ocorra o influxo de cálcio, essas duas estruturas irão se conectar, trazendo a membrana do axônio para uma posição justaposta a membrana da vesícula até que seja formado um processo de “hemifusão” (membrana da vesícula completamente aderida a membrana). Após essa hemifusão, o que resta é a fusão completa e consequente liberação desse neurotransmissor na fenda sináptica. Obs. lembrar que o neurônio não tem um canal de cálcio só; então a dose do medicamento tem que ser equivalente para atingir ao máximo de canais possíveis – reduzir a resposta, mas não abolir ela (lembrar da importância da dor no dia a dia do paciente) – sem saturar o receptor presente no intestino. Além disso tudo, a gabapentina também vai agir nas células da glia e astrocitos. Eles dois são responsáveis por fazer a Laura Vieira Gomes de Oliveira – Medicina UNIFG recaptação dos neurotransmissores que foram liberados na fenda sináptica. A gabapentina age também sobre o transportador chamado EEAT – responsável pela captação do glutamato – fazendo com que esse neurotransmissor seja recaptado mais rápido, reduzindo ainda mais a concentração daqueles que passam pelos canais de cálcio não atingidos.Posologia Gabapentina ▪ 300mg por via oral a cada 8 horas ▪ Em caso de ineficiência → máximo de 2.400mg por dia (aumento a dose gradualmente) ou associar com outro medicamento (como AINES ou opioide) Obs. observar a qualidade de vida do paciente; não ignorar o fato do GABA atuar como um depressor do SNC – não é o foco nem o objetivo fazer com que o paciente fique letárgico, aumentar a chance de quedas, a não resposta a estímulos. Ganhos importantes são: menor incidência de efeitos adversos (muito melhor que os opioides), equiparável aos AINEs, superior a ação do paracetamol e do tramadol, propriedades ansiolíticas e moduladoras do sono. Pregabalina ▪ Recomenda-se 50-100mg por via oral a cada 8 horas ▪ Inicia-se o tratamento com a menor dose ▪ Passando a 300mg por dia após 1 semana