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HIPOLIPEMIANTES A dislipidemia é uma condição associada a riscos de aterosclerose e problemas cardiovasculares. Uma característica é o valor alto de LDL e baixo de HDL. Fatores de risco: obesidade, estilo de vida, genética. O primeiro tratamento é a melhora nos hábitos de vida. DIAGNÓSTICO: triglicerídeos > 150; colesterol total > 200 LDL = CT – HDL – TG/5 para quem tem triglicerídeos col), que será enviado aos tecidos periféricos. A síntese começa pela junção de duas moléculas de Acetil- CoA que formam Acetoacetil-CoA. Por meio da enzima HMG-CoA sintase, mais um Acetil-CoA se junta, formando o HMG-CoA. Quando ele é reduzido pela redutase, torna-se o mevalonato (ác. mevalônico), que é um precursor do colesterol. A HMG-CoA redutase é importante porque é o alvo das estatinas. Depois esse colesterol se junta aos triglicerídeos, formando o VLDL. OBJETIVOS DO TRATAMENTO: reduzir LDL, aumentar HDL (ou pelo menos não diminuir), reduzir risco. Pode-se usar associação. ESTATINAS: inibidores específicos, reversíveis e superáveis da HMG-CoA redutase, impedindo a síntese de colesterol. Fármacos de primeira escolha (eficácia e tolerância). Redução de LDL porque o fígado aumenta a expressão de seus receptores (pela SREBP) para tentar compensar a falta de produção de colesterol, ao reutilizar o colesterol que está nessa molécula. Diminui a síntese de VLDL. - efeito cardioprotetor, por diminuir risco aterosclerótico e estimular NO sintetase - efeito antioxidante e anti-inflamatório nas placas de ateroma - sem efeitos no HDL - se não houver mudança na dieta, triglicerídeos continuam altos naturais: Lovastatina, Pravastatina → isolados do fungo Penicillium citrinum semissintéticos: sinvastatina sintéticos: Fluvastatina, Pitavastatina; nova geração: Rosuvastatina e Atorvastatina (maior meia-vida, dose única) Via oral - intensa primeira passagem Sinvastatina e Lovastatina são pró-fármacos (lactonas), ativos quando em forma ácida 95% ligação proteica, biodisponibilidade de 5-30% (pitavastatina tem 80) 70% excreção por fezes redução de LDL máxima de 55% - quanto maior dose, maior o efeito e maiores as consequências - efeitos colaterais: rabdomiólise - destruição do tecido muscular pela CPK (rosuvastatina não causa, sinvastatina é a pior), efeitos GI, não indicado para gestantes - interage com: digoxina, nicotina, ciclosporina, genfibrozila, verapamil SEQUESTRADORES DE ÁCIDOS BILIARES: são resinas catiônicas, que capturam os ácidos biliares (aniônicos) mecanismo normal: O colesterol remanescente dos hepatócitos é colocado, pela enzima 7-alfa-hidroxilase, nos sais biliares, para que sejam disponibilizados ao intestino. Quando chegam lá, cerca de 95% desse colesterol é reabsorvido, e os sais vão para as fezes. Os sequestradores impedem que o colesterol se dissocie do sal biliar, provocando eliminação desse 95% que seria reabsorvido. São moléculas grandes e não reabsorvidas no trato GI. Como não volta colesterol para o fígado, tem aumento da produção de 7-alfa-hidroxilase, para aumentar a recaptação de colesterol. Isso só potencializa o efeito do fármaco. Em contrapartida, tem mais produção de VLDL, porque o fígado tenta compensar a falta de colesterol, expressa mais HMG-CoA redutase → aumenta triglicerídeos Colestipol (pó solúvel), Colestiramina (pó solúvel), Colesevelam (drágea) - os pós solúveis causavam muitos gases e desconforto abdominal reduz 25% de LDL associação com estatinas sem absorção causam diarreia, contraindicados para quem tem hipertrigliceridemia ÁCIDO NICOTÍNICO: faz parte do complexo B - vitamina B3 → usado em doses muito mais altas do que a vitamina ingerida na forma inativa, é ativada pelo contato com NAD ou NADP, virando nicotinamida - aumenta os níveis de HDL em 30-40% → inibe o catabolismo hepático da APO A, permitindo que o HDL dure mais tempo - reduz os níveis de triglicerídeos 35-45% (parecido com estatinas e fibratos) → inibe lipólise dos ácidos graxos no tecido adiposo, o que impede que seja sintetizado VLDL pelo fígado (porque tem menos ácido graxo livre no fígado também) - reduz os níveis de lipoproteína A (lpA) em 40%, responsável pelo depósito das placas de ateroma - reduz risco cardiovascular dose de 2-6g/dia, 1-3 doses/dia (difícil adesão) efeitos adversos: flushing (liberação excessiva de prostaglandinas - uso de AAS para melhorar isso), hepatotoxicidade, gota, não usado em gestantes absorção quase completa X monoterapia FIBRATOS: genfibrozila (mais efeitos adversos), fenofibrato (segundo mais usado), bezafibrato estimulam os receptores alfa ativadores da proliferação de peroxissomos (PPAR alfa) - o PPAR estimula a ação da LPL, estimulando a quebra de triglicerídeos do quilomícron e do VLDL - reduz níveis séricos em cerca de 40% estimula expressão de APO A → aumento do transporte reverso (mais no fenofibrato) - aumenta HDL em cerca de 10% sem efeitos anti-inflamatórios muito expressivos associação com estatinas mais usado é o fenofibrato por meia vida maior e menos efeito colateral, mas genfibrozila é mais eficaz FARMACOCINÉTICA: absorção de 90% que melhora com alimentação, 95% ligação à albumina, excreção renal (metabolismo de fase 2) fármaco transplacentário → X gestantes potencializa anticoagulantes, cuidado com problema biliar e disfunção renal INIBIDORES DA CAPTAÇÃO DO COLESTEROL: único fármaco: Ezetimibe ACAT-2 é uma enzima responsável por transformar o colesterol da alimentação em quilomícron - Ezetimibe inibe a ACAT-2, diminuindo a absorção de colesterol exógeno