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Capítulo
25
Fármacos que afetam a
função excretora renal
Edwin K. Jackson
PARTE 1: FISIOLOGIA RENAL E AÇÃO DOS FÁRMACOS
DIURÉTICOS
Anatomia e fisiologia renal
Princípios da ação dos diuréticos
Inibidores da anidrase carbônica
Diuréticos osmóticos
Inibidores do simporte de Na+-K+-2e1-: diuréticos de alça,
diuréticos de alta potência
Inibidores do sim porte de Na+ -CI-: diuréticos tiazídicos e
diuréticos semelhantes às tiazidas
Inibidores dos canais de Na+ do epitélio renal: diuréticos
poupadores de K+
Antagonistas dos receptores de mineralocorticoides:
antagonistas da aldosterona, diuréticos poupadores de K+
O rim filtra o volume de líquido extracelular (VLEC) por meio dos
glomérulos renais em média 12 vezes por dia, enquanto os néfrons
renais regulam com precisão o volume de líquido do corpo e sua
quantidade de eletrólitos por meio dos processos de secreção e re
absorção. Doenças como hipertensão, insuficiência cardíaca, insu
ficiência renal, síndrome nefrótica e cirrose podem atrapalhar esse
equibbrio. Os diuréticos aumentam a taxa do fluxo de urina e a ex
creção de Na+ e são usados para corrigir o volume ou a composi
ção dos líquidos corporais nessas doenças. Também é essencial a
regulação precisa da osmolalidade do líquido corporal, que é con
trolada por meio de um mecanismo homeostático devidamente re
gulado que opera ao ajustar o equilíbrio de água, ou seja, a taxa de
captação de água e a taxa de excreção de água sem soluto pelos rins.
Anormalidades nesse sistema homeostático podem surgir a par
tir de doenças genéticas, doenças adquiridas ou fármacos e causar
desvios graves e potencialmente fatais na osmolalidade plasmática.
A Parte I deste capítulo descreve inicialmente a fisiologia re
nal e, em seguida, introduz os diuréticos, descrevendo seu me
canismo e local de ação, efeitos na composição da urina e efeitos
sobre a hemodinâmica renal, para finalmente combinar a farma
cologia dos diuréticos a uma discussão sobre os mecanismos en
volvidos na formação do edema e o papel dos diuréticos na clí
nica médica. As aplicações terapêuticas especificas dos diuréticos
são apresentadas nos Capítulos 28 (hipertensão) e 29 (insuficiên
cia cardíaca). A Parte II deste capítulo descreve o sistema de vaso
pressina que regula a homeostasia da água e a osmolalidade plas
mática, bem como os fatores que perturbam esses mecanismos,
e examina, por fim, as abordagens farmacológicas para o trata
mento de distúrbios do equilíbrio hídrico.
Parte 1: Fisiologia renal e ação dos
fármacos diuréticos
Anatomia e fisiologia renal
A unidade básica do rim para a formação de urina é o néfron. A par
te inicial do néfron, o corpúsculo renal (de Malpighi), consiste
Inibidores dos canais de cátions não específicos: peptídeos
natriuréticos
Antagonistas dos receptores de adenosina
Uso clínico dos diuréticos
PARTE li: HOMEOSTASIA DA ÁGUA E SISTEMA DA
VASOPRESSINA
Fisiologia da vasopressina
Agonistas do receptor da vasopressina
Doenças que afetam o sistema da vasopressina
Uso clínico de agonistas da vasopressina
Uso clínico de antagonistas da vasopressina
em uma cápsula (cápsula de Bowman) e em um tufo de capilares
(o glomérulo) localizado dentro da cápsula. O glomérulo recebe
o sangue de uma arteríola aferente, e o sangue sai do glomérulo
por uma arteríola eferente. O ultrafiltrado produzido pelo glo
mérulo se acumula no espaço entre o glomérulo e a cápsula (es
paço de Bowman) e entra em uma porção tubular longa do né
fron, onde é reabsorvido e condicionado. Cada rim humano é
composto de cerca de 1 milhão de néfrons. A Figura 25-1 ilustra
as subdivisões do néfron.
Filtração glomerular
Uma parte da água do plasma é forçada através de um filtro nos
capilares glomerulares que possui três componentes básicos: as
células endoteliais fenestradas do capilar, uma membrana ba
sal situada logo abaixo das células endoteliais e os diafragmas de
filtração em fenda formados por células epiteliais que cobrem a
membrana basal virada para o espaço urinário. Os solutos de me
nor tamanho fluem com a água fütrada (dragagem do solvente)
para o espaço de Bowman, enquanto os elementos figurados e as
macromoléculas são retidos pela barreira de fütração.
Visão geral da função do néfron
O rim fütra grandes quantidades de plasma, reabsorve substân
cias que o corpo precisa conservar e retira ou secreta substâncias
que precisam ser eliminadas. A arquitetura variável e a diferen
ciação celular em toda a extensão do néfron são cruciais para o
desempenho dessas funções (ver Fig. 25-1). Nos seres humanos,
os dois rins juntos produzem cerca de 120 mL de ultrafiltrado/
min, porém apenas 1 mL de urina/min; mais de 99% do ultrafü
trado glomerular é reabsorvido a um incrível custo de energia. Os
rins consomem 7% do aporte de 0 2 total do corpo, apesar de re
presentar apenas 0,5% da massa corporal.
O túbulo proximal está próximo à cápsula de Bowman e faz
um caminho tortuoso até finalmente formar uma porção reta que
termina na medula renal. Normalmente, cerca de 65% do Na+
fütrado é reabsorvido no túbulo proximal e, como essa parte do
550
a:
da leve natriurese induzida pelos inibidores dos ca
nais de Na+, esses fármacos raramente são usados como agentes
isolados no tratamento de edema ou hipertensão. Sua principal
utilidade é na combinação com outros diuréticos. A coadmi
nistração de um inibidor dos canais de Na+ aumenta a resposta
diurética e anti-hipertensiva dos diuréticos tiazídicos e de alça.
Mais importante, a capacidade dos inibidores dos canais de Na+
de reduzir a excreção de K+ tende a contrabalançar os efeitos
caliuréticos dos diuréticos tiazídicos e de alça e resultar em valo
res plasmáticos normais de K+.
A síndrome de Liddle (descrita mais adiante neste capítulo)
pode ser tratada efetivamente com inibidores dos canais de Na+.
Foi demonstrado que a amilorida aerossolizada melhora a de
puração mucociliar em pacientes com fibrose cística. Ao inibir
a absorção de Na+ da superfície das células epiteliais das vias res
piratórias, a amilorida aumenta a hidratação das secreções respi
ratórias, melhorando, assim, a depuração mucociliar. A amilori
da também é útil no tratamento do DI nefrogênico induzido por
lítio, visto que ela bloqueia o transporte de u + para dentro das
células do túbulo coletor (Kortenoeven et ai., 2009).
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações,
interações medicamentosas
O efeito adverso mais perigoso dos inibidores dos canais de Na+
renais é a hiperpotassernia, que pode pôr a vida do paciente em ris
co. Consequentemente, a amilorida e o triantereno são contraindi
cados para pacientes com hiperpotassernia, assim como para pa
cientes com maior risco de desenvolver hiperpotassemia (p. ex.,
pacientes com insuficiência renal, pacientes recebendo outros diu
réticos poupadores de K+, pacientes usando inibidores da enzima
conversora de angiotensina ou pacientes usando suplementos de
K+). Até mesmo os AINE podem aun1entar a probabilidade de hi
perpotassemia em pacientes que recebem inibidores dos canais de
Na•. Dessa forma, o monitoramento rotineiro do nível sérico de K+
é essencial em pacientes que recebem diuréticos poupadores de K+.
Pacientes com cirrose são propensos a desenvolver megaloblasto
se, por causa da deficiência de ácido fálico, e o triantereno, um an
tagonista fraco do ácido fólico, pode aumentar a probabilidade
desse evento adverso. O triantereno tan1bém pode reduzir atole
rância à glicose e induzir fotossensibilidade e está associado a nefri
te intersticial e cálculos renais. Os dois fármacos podem produzir
efeitos adversos GI, musculoesqueléticos, dermatológicos, hema
tológicos e no SNC. Os efeitos adversos mais comuns da amilori
da são náuseas, vômitos, diarreia e cefaleia e os do triantereno são
náuseas, vômitos, cãibras nas pernas e tontura.
Antagonistas dos receptores de
mineralocorticoides: antagonistas da
aldosterona, diuréticos poupadores de K+
Os mineralocorticoides causam retenção de sal e água e aumen
tam a excreção de K+ e H+ por meio de sua ligação a MR específi
cos. Nos Estados Unidos, dispõe-se de dois MRA: a espironolac
tona e a eplerenona (Tab. 25-7).
Mecanismo e local de ação
As células epiteliais na porção final do túbulo distal e no due
to coletor (particularmente no túbulo coletor cortical) contêm
MR citosólicos com alta afinidade pela aldosterona. Quando a
aldosterona se liga aos MR, o complexo MR-aldosterona sofre
translocação para o núcleo, onde regula a expressão de diversos
produtos gênicos, denominados AIP (Fig. 25-6). As AIP afetam
TABELA 25-6 • INIBIDORES DOS CANAIS DE Na• DO EPITÉLIO RENAL (DIURÉTICOS POUPADORES DE K+)
FARMACO POTtNCIA RELATIVA BIODISPONIBILIDADE ORAL t112 (h) VIA DE ELIMINAÇÃO
Amilorida
Triantereno 0,1
15-25%
- 50%
-21
- 4
M, metabolismo; R, excreção renal do fármaco intacto; porém, o triantereno é transformado em um metabólito ativo que é excretado na urina.
R
M
TABELA 25-7 • ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES DE MINERALOCORTICOIDES (ANTAGONISTAS DA
ALDOSTERONA, DIURÉTICOS POUPADORES DE K+)
FÁRMACO DISPONIBILIDADE ORAL t112 (h) VIA DE ELIMINAÇÃO
Espironolactona
Canrenonaª
Canrenoato de potássioª
Eplerenona
M, metabolismo.
'Não disponível nos Estados Unidos.
A TÚBULO DISTAL FINAL
E DUCTO COLETOR
Lúmen
Espaço
..-----------'intersticial
Antagonistas
da aldosterona ~
- ""J' MR
MR-Aldo ..4 Aldo +-+ Aldo
Cortisol
LM BL
-65%
80%
100%
69%
B
LM
- 1,6
3,7-22
3,7-22
-5
M
M
M
M
{
Ub1qu1tinação/degradação do CENa
CENa menos ativo na membrana
{
+ Ubiquitinação do CENa
.,,....-- Nedd4-2 + + Degradação do CE Na
~~ •e,.,"~"'=••=
(menos ativa)
... .. ..........................
t Expressão
de GILZ {
Estabilização da SGK1
+ Sinalização de ERK
+ Fosforilação do CENa
' {
+ Suscetibilidade à Nedd4-2
+ Degradação
+ CENa ativo na membrana
BL
Figura 25-6 Efeitos da aldosterona na porção final do túbulo distal e no dueto coletor e mecanismo diurético dos antagonistas da aldosterona.
A. Visão geral das influências da aldosterona sobre a retenção de Na+. Por meio de sua interação com o MR, a aldosterona afeta várias vias
renais que processam Na+. Legenda para os itens numerados que são influenciados pela Aldo:
1. Ativação dos canais de Na+ ligados à membrana
2. Remoção do canal de Na+ (CENa) da membrana é inibida
3. Síntese de novo dos canais de Na+
4. Ativação da Na•-K+·ATPase ligada a membrana
5. Redistribuição da Na•-K·-ATPase do citosol para a membrana
6. Síntese de novo de Na•-K· -ATPase
7. Mudanças na permeabilidade das junções compactas
8. Produção mitocondrial de ATP aumentada
O cortisol também tem afinidade pelo MR, mas é inativado na célula pela HSD tipo li.
B. Detalhes das influências da aldosterona sobre o CENa da membrana. A sinalização da ERK fosforila componentes do CENa, tornando-os
suscetíveis à interação com Nedd4-2, uma ubiquitina-proteína-ligase responsável pela ubiquitinação do CENa, levando à sua degradação.
A interação da Nedd4-2 com o CENa ocorre por meio de vários motivos de prolina-t irosina-prolina (PY) do CENa. A A Ido aumenta a expressão da
SGK1 e da proteína zíper leucina induzida por glicocorticoides (GILZ; T5C22D3). A SGK1 fosforila e inativa a Nedd4-2. Os dímeros 14-3-3 ligam-se
aos sítios fosforilados na Nedd4-2 e a estabilizam. A Nedd4-2 fosforilada não interage mais com os motivos PY do CENa. Consequentemente, o
CENa não sofre ubiquitinação e permanece na membrana, com consequente aumento da entrada de Na+ na célula. A GILZ estabiliza a SGK1 ,
potencializando seus efeitos, e diminui a sinalização da ERK e a fosforilação do CENa, eventos que preparam o CENa para a degradação. Todos
esses efeitos levam a uma menor ubiquitinação e a um CENa mais ativo nas membranas celulares do túbulo distal e do dueto coletor. Para mais
detalhes, ver Ronzaud e Staub (2014) e Ronchetti e colaboradores (2015).
Siglas: AIP, proteínas induzidas pela aldosterona; Aldo, aldosterona; CH, canal iônico; BL, membrana basolateral; LM, membrana luminal; MR,
receptor de mineralocorticoides; ERK, proteínas-cinase reguladas por sinal extracelular (o mesmo que MAPK, proteínas-cinase ativadas por
mitógenos).
563
564
a:
eplerenona blo
queian1 os efeitos biológicos da aldosterona, esses agentes tam
bém são designados como antagonistas da aldosterona. Os MRA
são os únicos diuréticos que não exigem acesso ao lúmen tubular
para induzir a diurese.
Ambas as subunidades ~ e y do CENa possuem uma região es
pecifica em sua extremidade C-terminal denominada motivo PY.
O motivo PY interage com a ubiquitina-ligase Nedd4-2 (Fig. 25-6B),
uma proteína que ubiquitina o CENa e é direcionada para a sua
destruição pelo proteassoma. A aldosterona aumenta a expressão
da SGKl, que, por sua vez, fosforila e inativa a Nedd4-2. Portanto,
a aldosterona resulta em internal.ização atenuada e degradação do
CENa mediada por proteassoma, com consequente aumento da ex
pressão do CENa na LM. A síndrome de Liddle, uma doença mo
nogênica autossômica dominante, caracterizada por retenção de
sódio e hipertensão grave, é causada por mutações do motivo PY
ou da subunidade~ ou da subunidade y do CENa, levando à hipe
rexpressão do CENa independente do MR. Portanto, a síndrome de
Liddle responde a inibidores do CENa, mas não a MRA.
Efeitos na excreção urinária
Os efeitos dos MRA sobre a excreção urinária se assemelham aos
induzidos por inibidores do CENa renal. Entretanto, diferente
dos inibidores dos canais de Na+, a eficácia clínica dos MRA está
em função dos níveis endógenos de aldosterona. Quando maior
o nível endógeno de aldosterona, maiores os efeitos dos MRA
sobre a excreção urinária. Os MRA possuem pouco ou nenhum
efeito sobre a hemodinâmica renal e não alteram a TGF.
Outras ações
A espironolactona tem alguma afmidade pelos receptores de pro
gesterona e de androgênio e, portanto, induz efeitos colaterais
como ginecomastia, impotência e irregularidades menstruais.
Devido a seu grupo 9,11-epóxido, a eplerenona tem afinidade
muito baixa pelos receptores de progesterona e de androgênio
(dos NP. Os vários NP exercem efeitos ligeiramente superpostos,
causando natriurese, inibição da produção de renina e aldostero
na e vasodilatação (resultado da elevação do GMPc no músculo
liso vascular). A nesiritida, um BNP recombinante humano que
possui a mesma estrutura de 32 aminoácidos do peptídeo endó
geno produzido pelo miocárdio ventricular, está disponível para
uso clínico.
Mecanismo e local de ação
O DCMI é o último local ao longo do néfron onde o Na+ é re
absorvido - até 5% da carga filtrada de Na+ pode ser reabsor
vida aqui. Os efeitos da nesiritida e de outros NP são mediados
por meio dos efeitos do GMPc sobre os transportadores de Na+
Espaço
.----------~ intersticial
~
NP - ~ C GMPc - PKG ---f - ~ ::;_-
2
K+
GTP
Na+. ··>
e
LM BL
Figura 25-7 Transporte de Na+ do DCMI e sua regulação. O Na+ entra
na célula do DCMI por uma de duas maneiras: por meio do CENa ou
por meio de um CNGCc que transporta Na+, K+ e NHt e é controlado
pelo GMPc. O Na+ então deixa a célula por meio da Na+1K· -ATPase. O
CNGCc é a principal via para a entrada de Na+ e é inibido pelos NP.
Os NP se ligam ao NPR-A, ao NPR-B e ao NPR-C da superfície celular.
Os receptores A e B são isoformas da guanililciclase particulada que
sintetiza o GMPc. O CNGCc é inibido diretamente pelo GMPc e indire
tamente pela PKG. A ativação da PKG também inibe a saída de Na+ por
meio da Na+-K•-ATPase. O CENa é um canal de Na+ altamente seletivo
e de baixa condutância, 4-pS, que desempenha um papel menor no
transporte de Na+ do DCMI (ver Fig. 25-6).
(Fig. 25-7). Dois tipos de canais de Na• são expressos no DCMI.
O primeiro é wn CNGCc, não seletivo de alta condutância, 28-pS.
Esse canal é inibido pelo GMPc intracelular e pelos NP em vir
tude de sua capacidade de estimular a atividade da guanililciclase
ligada à membrana e de elevar o GMPc. O segundo tipo de canal
de Na+ expresso no DCMI é o CENa, um canal de Na+ altamente
seletivo de baixa condutância, 4-pS. A maior parte da reabsorção
de Na+ no DCMI é mediada pelo CNGCc.
Efeitos sobre a excreção urinária e a hemodinâmica
renal
A nesiritida inibe o transporte de Na+ na porção proximal e distal
do néfron, mas seu principal efeito é no DCMJ. A excreção uri
nária de Na+ aumenta com a nesiritida, mas o efeito pode ser ate
nuado pela suprarregulação da reabsorção de Na+ nos segmentos
superiores do néfron. A TFG aumenta em resposta à nesiritida
em indivíduos normais, porém, em pacientes com ICC tratados,
a TFG pode aumentar, diminuir ou permanecer inalterada.
Outras ações
A administração de nesiritida reduz as resistências sistêmica e
pulmonar e a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo, ao
mesmo tempo em que induz um aumento secundário no débi
to cardíaco.
ADME
Os peptídeos natriuréticos são administrados por via intraveno
sa. A nesiritida tem uma t112 de distribuição de 2 minutos e uma
t112 terminal média de 18 minutos. A depuração ocorre por meio
de pelo menos dois mecanismos: internalização com subsequen
te degradação mediada pelo NPR-C e metabolismo por proteases
extracelulares (Potter, 201 1). Não é necessário ajustar a dose em
caso de insuficiência renal.
Usos terapêuticos
O ANP (carperitida, disponível apenas no Japão) e o BNP (nesi
ritida) recombinantes humanos são os agentes terapêuticos dis
poníveis dessa classe de fármacos. A urodilatina (ularitida) está
em fase de desenvolvimento. A nesiritida está indicada para o
tratamento da ICC agudamente descompensada. Em pacientes
que apresentam dispneia com atividade mínima ou em repouso,
a nesiritida reduz a pressão capilar pulmonar em cunha e melho
ra os sintomas da dispneia em curto prazo. Entretanto, no ensaio
clínico ASCEND-HF, foi constatado que a nesiritida não modi
ficou a mortalidade nem a reinternação dos pacientes, além de
exercer apenas um pequeno efeito sobre a dispneia (O'Connor
et ai., 201 1). Portanto, a nesiritida não é recomendada para uso
rotineiro na ampla população de pacientes com insuficiência car
díaca aguda (O'Connor et ai., 2011).
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações e
interações medicamentosas
A nesiritida pode provocar hipertensão e existe uma preocupa
ção quanto a efeitos renais adversos. Entretanto, o ensaio clínico
ASCEND-HF não demonstrou qualquer agravamento da função
renal em pacientes com insuficiência cardíaca tratados com nesi
ritida (O'Connor et ai., 2011).
Antagonistas dos receptores de adenosina
Existem quatro subtipos de receptores de adenosina (A1, A2A,
A28 e A3). Os receptores A1, A2A e A28 regulam aspectos da fisio
logia renal. O receptor A1 é expresso no túbulo proximal e es
timu la a reabsorção de Na• . Consequentemente, os antagonis
tas dos receptores A1 provocam diurese/natriurese, porém são
poupadores de K+. Várias metilxantinas de ocorrência natural
565
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~
(p. ex., cafeína, teofilina e teobromina) são antagonistas do
receptor A1 (embora não seletivos) e, portanto, produzem diure
se. O pamabrom é um diurético leve que consiste em uma mis
tura um para um de 8-bromoteofüina e 2-amino-2-metil-l-pro
panol. A 8-bromoteofilina, uma metilxantina, é o componente
ativo do pamabrom. O pamabrom é um ingrediente diurético
de vários produtos de venda livre comercializados para alívio da
síndrome pré-menstrual. Pouco se sabe a respeito da farmacolo
gia, do mecanismo de ação diurética e da eficácia do pamabrom.
Todavia, como a 8-bromoteofilina é uma metilxantina, é possí
vel que a diurese leve induzida pelo pamabrom esteja relacionada
com o bloqueio dos receptores A1 renais .
PAM
Taxa de excreção de Na+
!
õNa+ global = captação de Na+
- excreção de Na+
Uso clínico dos diuréticos
Mecanismo e local de ação dos diuréticos
O conhecimento dos locais e mecanismos de ação dos diuréti
cos melhora a compreensão dos aspectos clínicos da farmacolo
gia dessa classe de fármacos. A Figura 25-5 fornece um resumo
dos locais e mecanismos de ação dos diuréticos.
O papel dos diuréticos na medicina clínica
A Figura 25-8 ilustra as inter-relações entre função renal, aporte
de Na+, homeostasia da água, distribuição do volume de líquido
Outras perdas
(p. ex.,
7
VLEC "percebido"
2
Captação
de Na+ -+
na dieta - outras perdas + transpiração,
fezes, etc.)
Restrição l
de Na+
~ Captação de H20
õNa+ global M \., ""Ç
~ ÍSfh-
ao A.~ Excreção de H20
~ õVLEC
Figura 25-8 Inter-relações entre função renal, aporte de Na•, homeostasia da água, distribuição do VLEC e pressão arterial média. A figura deve ser
lida em sentido anti-horário, começando no painel superior à esquerda (1 ). Existem inter-relações complexas entre o sistema cardiovascular, os
rins, o SNC e os leitos capilares, de modo que a ocorrência de perturbações em um desses locais pode afetar todos os outros. Uma lei primária do
rim é a de que a excreção de Na• é uma função em aclive da pressão arterial média (PAM), de modo que pequenas elevações da PAM provocam
aumentos acentuados na excreção de Na•. Essa lei é conhecida como relação de "pressão-natriurese" (parte superior à esquerda). Ao longo de
qualquer intervalo de tempo, a mudança efetiva no Na• total do corpo consiste no aporte dietético de Na• menos a taxa de excreção urinária e
de outras perdas (parte inferior à esquerda). Se a curva de pressão-natriurese for desviada para a d ireita, ocorrerá um balanço positivo efetivo de
Na• e a concentração extracelular de Na• irá aumentar, estimulando, assim, a ingestão de água (sede) e reduzindo a eliminação urinária de água
(por meio da liberação de ADH). Essas alterações expandem o VLEC, que, aumentado, distribui-se entre muitos compartimentos corporais (parte
inferiorà d ireita). O VLEC no lado arterial da circulação pressuriza a árvore arterial (VLEC "percebido") e aumenta a PAM (parte superior à direita),
com consequente aumento na excreção de Na• (completando a alça). Essa alça circula até que o acúmulo global de Na• seja zero, ou seja, em
longo prazo, o aporte de Na+ deve ser igual à perda de Na• .
Essas considerações explicam os mecanismos fundamentais da formação do edema:
1. Desvio da curva de pressão-natriurese renal para a direita.
2. Aporte dietético excessivo de Na• .
3. Distribuição aumentada do VLEC para a cavidade peritoneal (p. ex., cirrose hepática com aumento da pressão hidrostática dos sinusoides
hepáticos), levando à formação de ascite.
4. Distribuição aumentada do VLEC para os pulmões (p. ex., insuficiência cardíaca do lado esquerdo com aumento da pressão hidrostática
capilar pulmonar), levando a edema pulmonar.
5. Distribuição aumentada do VLEC para a circulação venosa (p. ex., insuficiência cardíaca do lado direito), levando a congestão venosa.
6. Edema periférico provocado por forças de Starling alteradas, levando ao aumento da distribuição do VLEC para o espaço intersticial (p. ex.,
proteínas p lasmáticas diminuídas na síndrome nefrótica, queimaduras graves e doença hepática).
7. Elevação da PAM em consequência do VLEC "percebido" no lado arterial do coração.
Essas perturbações que levam à formação de edema podem ser tratadas por meio de: A. correção da doença subjacente; B. administração de
diuréticos para desviar para a esquerda a relação de pressão-natriurese renal; C. restrição do aporte dietético de Na• .
extracelular e pressão arterial medida e sugere três estratégias
fundamentais para a mobilização do líquido do edema:
• Correção da doença subjacente
• Restrição da captação de Na+
• Administração de diuréticos
A Figura 25-9 apresenta uma síntese útil: o algoritmo de Bra
ter, um algoritmo logicamente convincente para a terapia com
diuréticos (recomendações específicas para fármaco, dose, via e
combinações de fármacos) em pacientes com edema causado por
distúrbios renais, hepáticos ou cardíacos (Brater, 1998).
A situação clínica é que determina se um paciente deve re
ceber diuréticos e, nesse caso, que esquema terapêutico deve ser
usado (tipo de diurético, dose, via de administração e velocidade
de mobilização do líquido do edema). O edema pulmonar agudo
em pacientes com insuficiência cardíaca aguda do lado esquerdo
é uma emergência médica que requer terapia rápida e agressiva,
que inclua a administração intravenosa de um diurético de alça.
Nessa situação, o uso de diuréticos orais é inadequado. Em con
trapartida, a congestão pulmonar e venosa leve associada à insu
ficiência cardíaca crônica é maís bem tratada com um diurético
de alça ou tiazídico oral, cuja dose deve ser titulada cuidadosa
mente para maximizar a relação risco-benefício. Os diuréticos de
alça e tiazídicos diminuem a morbidade e a mortalidade em pa
cientes com insuficiência cardíaca (Faris et ai., 2002). Os MRA
também demonstram uma redução da morbidade e da mortali
dade em pacientes com insuficiência cardíaca que recebem trata
mento ideal com outros fármacos (Roush et ai., 2014).
A admin istração periódica de diuréticos em pacientes com
cirrose e ascite pode eliminar a necessidade ou reduzir o interva
lo entre as paracenteses, dando mais conforto ao paciente e pro
tegendo as reservas de proteína perdidas entre as paracenteses.
Embora os diuréticos possam reduzir o edema associado à insu
ficiência renal crônica, em geral são necessárias doses maiores de
diuréticos de alça mais potentes. Na síndrome nefrótica, a res
posta ao diurético geralmente é desapontadora. Na insuficiência
renal crônica e na cirrose, o edema não representa um risco ime
diato para a saúde, mas pode reduzir muito a qualidade de vida.
Nesses casos, deve-se tentar apenas a remoção parcial do líquido
do edema, que deve ser lentamente mobilizado usando um regi
me com diuréticos que obtenha o resultado com mínima pertur
bação da fisiologia normal.
A resistência aos diuréticos ocorre quando um edema é ou se
torna refratário a um dado diurético. Se surgir resistência contra
um diurético menos eficaz, um diurético mais eficaz deve subs
tituir o anterior, como um diurético de alça por um tiazídico.
Entretanto, a resistência aos diuréticos de alça pode ter diversas
causas. A coadministração de AINE constitui uma causa evitável
comum de resistência aos diuréticos. A produção de PG, parti
cularmente da PGE2, é um importante mecanismo contrarregu
lador em estados de redução da perfusão renal, como na contra
ção de volume, na ICC e na cirrose caracterizada pela ativação do
SRAA e do SNS. A administração de AINE pode bloquear os efei
tos mediados pela PG que contrabalançam o SRAA e o SNS, com
consequente retenção de sal e água. Também ocorre resistência
aos diuréticos com os inibidores seletivos da COX-2.
Espironoláctona: titular
até 400 mg/dla,
conforme n
CLc,
75 e proporção urinária [Na]:[K] 50, usar 25-50 mg/dia de HCTZ
CLc, 20-50, usar 50-100 mg/dia de HCTZ
CLc, ,
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Na insuficiência renal crônica, a redução no FSR diminui a
distribuição de diuréticos para os rins e o acúmulo de ácidos or
gânicos endógenos compete com os diuréticos de alça pelo trans
porte no túbulo proximal. Consequentemente, a concentração
de diuréticos é reduzida no local de ação no lúmen do túbulo.
Na síndrome nefrótica, foi postulado que a ligação dos diuréti
cos à albumina luminal limita a resposta, porém a validade desse
conceito tem sido questionada. Na cirrose hepática, na síndrome
nefrótica e na insuficiência cardíaca, os néfrons podem ter uma
responsividade diminuída aos diuréticos, em virtude da maior
reabsorção tubular proximal de Na+, o que leva a um aporte di
minuído de Na+ na porção distal dos néfrons .
No caso da resistência aos diuréticos de alça, o médico tem
várias opções:
• O repouso na cama pode restaurar a sensibilidade ao diurético
ao melhorar a circulação renal.
• Um aumento na dose do diurético de alça pode restaurar a
sensibilidade, porém não se ganha nada ao aumentar a dose
acima da que provocaria um efeito quase máximo (a dose-li
mite) do diurético.• A administração de doses menores com mais frequência ou a
infusão intravenosa contínua de um diurético de alça irão au
mentar o tempo em que a concentração efetiva do diurético
permanece no sítio ativo.
• O uso de terapia combinada para bloquear sequencialmente
mais de um local no néfron pode levar a uma interação sinér
gica entre dois diuréticos. Por exemplo, a combinação de um
diurético de alça com um poupador de K+ ou com um diuréti
co tiazídico pode melhorar a resposta terapêutica, porém a ad
ministração de dois fármacos do mesmo tipo não traz nenhum
ganho para o tratamento. Os diuréticos tiazídicos com efeitos
significativos na porção proximal do túbulo (p. ex., metolazo
na) são particularmente adequados para o bloqueio sequencial
quando coadministrados com um diurético de alça.
• A redução na captação de sal diminuirá a retenção de Na+
pós-diurético, o que pode anular os aumentos anteriores na
excreção de Na+.
• Agendar a administração do diurético pouco antes da refeição
melhora a concentração efetiva do diurético no lúmen tubular
quando a carga de sal for maior.
Parte li: Homeostasia da água e sistema da
vasopressina
Fisiologia da vasopressina
A argina-vasopressina (ADH nos seres humanos) é o principal
hormônio que regula a osmolalidade do líquido corporal. O hor
mônio é liberado pela neuro-hipófise sempre que a falta de água
provocar aumento na osmolalidade plasmática ou o sistema car
diovascular for desafiado por hipovolemia ou hipotensão. A va
sopressina atua principalmente no dueto coletor renal de modo a
aumentar a permeabilidade da membrana celular à água, possibi
litando, assim, o movimento passivo da água ao longo de um gra
diente osmótico por meio do dueto coletor para dentro do com
partimento extracelular.
A vasopressina é um potente vasopressor/vasoconstritor, as
sim como, também, um neurotransmissor. Entre suas ações no
SNC, destacam-se as funções na secreção de ACTH e na regula
ção do sistema cardiovascular, da temperatura e de outras fun
ções viscerais. Ela também promove a liberação dos fatores de
coagulação pelo endotélio vascular e aumenta a agregação pla
quetária.
Anatomia do sistema da vasopressina
O mecanismo antidiurético nos mamíferos envolve dois compo
nentes anatômicos: um componente do SNC para síntese, trans
porte, armazenamento e liberação da vasopressina e um sistema
de duetos coletores renais composto de células epiteliais que res
pondem a vasopressina ao aumentar sua permeabilidade a água.
O componente do SNC do mecanismo antidiurético é denomi
nado sistema hipotálamo-neuro-hipofisário e consiste em neurô
nios neurossecretores com pericários localizados predominante
mente em dois núcleos hipotalâmicos específicos: no NSO e no
NPV. Os longos axônios dos neurônios magnocelulares no NSO
e no NPV terminam no lobo neural da neuro-hipófise (hipófise
posterior), onde liberam vasopressina e ocitocina (ver Fig. 42-1).
Síntese da vasopressina
A vasopressina e a ocitocina são sintetizadas principalmente nos
pericários dos neurônios magnocelulares no NSO e no NPV. To
davia, os neurônios parvicelulares no NPV, assim como algu
mas células fora do SNC, também sintetizam vasopressina (ver
discussão adiante). A síntese da vasopressina parece ser regula
da unicamente ao nível de transcrição. Nos seres humanos, um
pré-pró-hormônio de 168 aminoácidos (Fig. 25-10) é sintetiza
do e, em seguida, acondicionado em grânulos associados à mem
brana. O pró-hormônios contém três domínios: a vasopressina
(resíduos 1-9), a vasopressina-neurofisina (resíduos 13-105) e
a vasopressina-glicopeptídeo (resíduos 107-145). O domínio da
vasopressina está ligado ao domínio da vasopressina-neurofisi
na por meio de um sinal de processamento GLY-LYS-ARG, en
quanto a vasopressina-neurofisina está ligada ao domínio vaso
pressina-glicopeptídeo por meio de um sinal de processamento
ARG. Nos grânulos secretores, uma endopeptidase, uma exopep
tidase, uma monoxigenase e uma liase atuam em sequência sobre
o pró-hormônio para produzir vasopressina, vasopressina-neu
rofisina (algumas vezes designada neurofisina II) e vasopressi
na-glicopeptídeo. A síntese e o transporte da vasopressina depen
dem da conformação do pré-pró-hormônio. Particularmente, a
vasopressina-neurofisina liga-se à vasopressina e é fundamental
para o correto processamento, transporte e armazenamento da
vasopressina. Mutações genéticas no peptídeo sinal ou na vaso
pressina-neurofisina dão origem ao DI central.
A vasopressina também é sintetizada pelo coração e pela glân
dula suprarrenal. No coração, o estresse elevado da parede au
menta em várias vezes a síntese da vasopressina e pode contribuir
para o comprometimento do relaxamento ventricular e para a
vasoconstrição coronariana. A síntese da vasopressina na medula
suprarrenal estimula a secreção de catecolaminas das células cro
mafins e pode promover o crescimento cortical da suprarrenal e
estimular a síntese de aldosterona.
Regulação da secreção de vasopressina
Hiperosmo/alidade. A elevação da osmolalidade plasmática é
o principal estímulo fisiológico para a secreção de vasopressina
pela neuro-hipófise. O limiar da osmolalidade para a secreção é
de cerca de 280 mOsm/kg. Abaixo do limiar, a vasopressina no
plasma é quase indetectável e acima do limiar, os níveis são ex
cessivos e uma função relativamente linear da osmolalidade plas
mática. De fato, uma elevação de 2% na osmolalidade do plasma
provoca um aumento de 2 a 3 vezes nos níveis plasmáticos deva
sopressina, que, por sua vez, provoca um aumento na reabsorção
de água sem soluto, com aumento na osmolalidade. Aumentos
acin1a de 290 mOsm/kg na osmolalidade plasmática levam a um
intenso desejo por água (sede). Assin1, o sistema da vasopressina
permite que o organismo tenha períodos mais longos sem sede
PRÉ-PRÓ-HORMÔNIO AVP (HUMANO)
-1 * 29 *
~~ G'.&iiefeito sobre
a secreção de vasopressina, enquanto reduções maiores (20-30%)
podem aumentar os níveis de vasopressina em 20 a 30 vezes do
normal (ultrapassando a concentração de vasopressina necessá
ria para induzir a antidiurese máxima). A vasopressina é um dos
mais potentes vasoconstritores conhecidos e a sua resposta à hi
povolemia e à hipotensão serve como um mecanismo para prote
lar o colapso cardiovascular durante períodos de grande perda de
sangue ou de hipotensão. A regulação hemodinâmica da secre
ção de vasopressina não afeta a regulação osmótica; na verdade,
a hipovolemia e a hipotensão alteram o ponto de ajuste e a incli
nação da relação entre osmolalidade plasmática e vasopressina
plasmática.
As vias neuronais que medeiam a regulação hemodinâmica
da liberação de vasopressina são diferentes das envolvidas na os
morregulação. Os barorreceptores no átrio esquerdo, no ventrí
culo esquerdo e nas veias pulmonares sentem o volume de san
gue (pressões de enchimento), enquanto os barorreceptores no
seio carotídeo e na aorta monitoram a pressão arterial. Os impul
sos nervosos alcançam os núcleos do tronco encefálico predomi
nantemente por meio do tronco vagai e do nervo glossofaríngeo.
Esses sinais são, por fim, retransmitidos para o NSO e o NPV.
Hormônios e neurotransmissores. Os neurônios magnocelula
res que sintetizam a vasopressina possuem um grande conjunto
de receptores, tanto nos pericários quanto nas terminações ner
vosas, portanto a liberação de vasopressina pode ser acentuada
ou atenuada por agentes químicos com ação em ambas as extre
midades do neurônio magnocelular (!ovino et ai., 2014). Além
disso, os hormônios e os neurotransmissores podem modular a
secreção de vasopressina ao estimular ou inibir neurônios nos
núcleos que se projetam, direta ou indiretamente, para o NSO e
o NPV (Iovino et ai., 2014). Em virtude dessas complexidades, a
modulação da secreção de vasopressina pela maioria dos hormô
nios ou neurotransmissores não está bem esclarecida. Diversos
agentes estimulam a secreção de vasopressina, incluindo a acetil
colina (por receptores nicotínicos), a histamina (por receptores
H 1), a dopamina (por receptores D 1 e D2) , a glutamina, o aspar
tato, a colecistocinina, o neuropeptídeo Y, a substância P, o poli
peptídeo intestinal vasoativo, a PG e a Angll. Os inibidores da se
creção de vasopressina incluem o ANP, o ácido y-aminobutírico
e opioides (principalmente a dinorfina por meio de receptores
K). Os efeitos da Angll vêm recebendo muita atenção. A Angll
sintetizada no cérebro e a Angll circulante podem estimular a
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liberação de vasopressina. A inibição da conversão da Angll em
AngIII bloqueia a liberação de vasopressina induzida pela Angll,
sugerindo que a AngIII é o principal peptídeo efetor do SRA do
cérebro que controla a liberação de vasopressina.
Agentes farmacológicos. Vários fármacos alteram a osmolali
dade da urina ao estimular ou inibir a secreção de vasopressina.
Na maioria dos casos, o mecanismo é desconhecido. Os estimu
ladores da secreção de vasopressina incluem a vincristina, a ci
clofosfamida, antidepressivos tricíclicos, a nicotina, a epinefrina
e altas doses de morfina. O lítio, que inibe os efeitos renais dava
sopressina, também potencializa a sua secreção. Os inibidores da
secreção de vasopressina incluem o etanol (ver Cap. 23), a feni
toina, baixas doses de morfina, glicocorticoides, a flufenazina, o
haloperidol, a prometazina, o oxilorfano e o butorfanoL A carba
mazepina exerce ação renal, produzindo antidiurese em pacien
tes com DI central, porém, na verdade, inibe a secreção de vaso
pressina por uma ação central.
Receptores da vasopressina
Os efeitos celulares da vasopressina são mediados principalmen
te por interações do hormônio com três tipos de receptores: V13,
V1b e V2 - todos GPCR. O receptor v1• é o subtipo mais disse
minado de receptor da vasopressina e é encontrado no músculo
liso vascular, na glândula suprarrenal, no miométrio, na bexiga,
nos adipócitos, nos hepatócitos, nas plaquetas, nas células inters
ticiais da medula renal, nos vasos retos da microcirculação renal,
nas células epiteliais do dueto coletor do córtex renal, no baço,
nos testículos e em muitas estruturas do SNC. Os receptores V1b
possuem uma distribuição mais limitada e são encontrados na
adeno-hipófise, em várias regiões do cérebro, no pâncreas e na
medula suprarrenal. Os receptores V2 estão localizados predomi
nantemente nas células principais do sistema de duetos coletores
renais, mas também estão presentes nas células epiteliais do RAE
e nas células endoteliais vasculares.
A Figura 25-11 resume o modelo atual de acoplamento recep
tor V1-efetor. A ligação da vasopressina a receptores V1 ativa a
via Gq-PLC-IP3, mobilizando Ca2+ intracelular e ativando PKC,
para, finalmente, provocar efeitos biológicos que incluem respos
tas imediatas (p. ex., vasoconstrição, glicogenólise, agregação pla
quetária e liberação de ACTH) e respostas de crescimento nas cé
lulas do m úsculo liso.
As células principais no dueto coletor renal possuem recep
tores V 2 em suas membranas basolaterais que se acoplam à Gs
para estimular a atividade da adenililciclase (Fig. 25-12). A ati
vação resultante da via AMPc/PKA desencadeia um aumento na
taxa de inserção de WCV na membrana apical e uma redução na
taxa de endocitose dessas vesículas da membrana apical. Como
as WCV contêm canais de água funcionais pré-formados (aqua
porina 2), seu deslocamento efetivo para as membranas apicais
em resposta à estimulação dos receptores V2 aumenta acentua
damente a permeabilidade a água da membrana apical (Nejsum,
2005) (ver Figs. 25-12 e 25-13).
A ativação do receptor V 2 também aumenta em 400% a per
meabilidade a ureia nas porções terminais do DCMI. Os recep
tores V 2 aumentam a permeabilidade a ureia pela ativação de um
Espaço intersticial
Vasoconstrição
Glicogenólise
Agregação plaquetária
Liberação de ACTH
Respostas
imediatas
t AP-1 -~
tcrescimento
celular
Crescimento
celular
/
AA co,y'{ox
PG, Tx LT
i i
Modulação da
sinalização
celular
Figura 25-11 Mecanismo de acoplamento receptor V1-efetor. A ligação da AVP a receptores de vasopressina V, (V,) estimula as fosfolipases ligadas
à membrana. A estimulação da Gq ativa a via PLCl3-IPJ DAG-Ca2+-PKC. A ativação dos receptores V, também provoca o influxo de Ca2+ extracelular
por meio de um mecanismo desconhecido. A PKC e as proteínas-cinase ativadas por Ca2+/calmodul ina fosforilam proteínas específicas do tipo
celular, resultando em respostas celulares. Outro componente da resposta a AVP provém da produção de eicosanoides secundária à ativação de
PLA2• A mobilização resultante de ácido araquidônico fornece o substrato para a síntese de eicosanoides pelas vias da COX e da LOX, levando
à produção local de PG, Tx e LT, que podem ativar numerosas vias de sinalização, incluindo aquelas ligadas à Gs e Gq. AA, ácido araquidônico.
Degradação
\
Espaço intersticial
Membrana basolateral
Célula principal
no dueto coletor
Atividade
da PKA
Corpos multivesiculares
(MVB)
~
CV
Proteínas
'-~ fosforiladas
Eod~oo, t~ ~ /
Exoc1tose ~ O
Membrana a ical
WCV = vesículas contendo canais de água
R = Aquaporina 2 = canal de água
Figura 25-12 Mecanismo de acoplamento receptor V1-efetor. A ligação
da AVP ao receptorV2 ativa a via da G,-adenilikiclase-AMPc-PKA e des
loca o equilíbrio de trânsito da aquaporina 2 no sentido da membrana
apical da célula principal do dueto coletor, potencializando, assim, a
permeabilidade à água. Embora a fosforilação da Ser256 da aquapo
rina 2 esteja envolvida nasinalização do receptor V2, outras proteínas
localizadas tanto nas WCV quanto na membrana a picai do citoplasma
também podem estar envolvidas.
transportador de ureia regulado por vasopressina (denominado
VRUT, UTJ ou UTAl), mais provavelmente pela fosforilação in
duzida pela PKA. A cinética da permeabilidade a água e ureia in
duzida pela vasopressina diferem e a regulação do VRUT indu
zida pela vasopressina não permite o trânsito de vesículas para a
membrana plasmática.
A ativação do receptor V2 também aumenta o transporte de
Na+ no RAE e no dueto coletor. O aumento do transporte de Na+
no RAE é mediado por três mecanismos que afetam o simpor
tador de Na+-K+-2c1-: a fosforilação rápida do simportador, a
translocação do simportador para a LM e a expressão aumentada
da proteína do simportador. A Figura 25- 14 fornece um resumo
dos diversos mecanismos pelos quais a vasopressina aumenta a
reabsorção de água.
Ações renais da vasopressina
Diversos locais de ação da vasopressina no rim envolvem os re
ceptores V1 e V2 • Os receptores V 1 medeiam a contração das célu
las mesangiais no glomérulo e a contração das células do múscu
lo liso vascular nos vasos retos e na arteríola eferente. A redução
a e
Figura 25-13 Estrutura das aquaporinas. As aquaporinas possuem seis
domínios transmembrana, e as terminações NH2 e COOH são intrace
lulares. As alças b e e contêm, cada uma, uma sequência NPA. As aqua
porinas se dobram nos domínios transmembrana 1, 2 e 6 com estreita
proximidade e nos domínios transmembrana 3, 4 e 5 em justaposição.
As longas alças b e e afundam na membrana, e as sequências de NPA
se alinham para criar um poro pelo qual a água pode-se difundir. É
provável que as aquaporinas formem um oligômero tetramérico. Pelo
menos sete aquaporinas são expressas em diferentes locais do rim. A
aquaporina 1, abundante no túbulo proximal e no RDD, é essencial
para a concentração da urina. A aquaporina 2, expressa exclusiva
mente nas células principais do túbulo conector e do dueto coletor, é
o principal canal de água regulado pela vasopressina. As aquaporinas
3 e 4 são expressas nas membranas basolaterais das células principais
do dueto coletor e fornecem vias de saída para a água reabsorvida na
membrana apical pela aquaporina 2. A aquaporina 7 está localizada
na borda em escova apical do túbulo proximal reto. As aquaporinas
6 a 8 também são expressas nos rins, porém suas funções precisam ser
elucidadas. A vasopressina regula a permeabilidade a água do dueto
coletor ao influenciar o tráfico de aquaporina 2 das vesículas intrace
lulares para a membrana plasmática apical (Fig. 25-12). A ativação da
via do AMPc-PKA induzida por AVP também potencializa a expressão
do mRNA e da proteína da aquaporina 2. A desidratação crônica pro
voca uma suprarregulação da aquaporina 2 e do transporte de água
no dueto coletor.
do fluxo sanguíneo da medula interna mediada pelo receptor V1
contribui para a capacidade de concentração máxima do rim. Os
receptores V1 também estimulam a síntese de PG por meio das
células intersticiais da medula. Como a PGE2 inibe a adenililci
clase nos duetos coletores, a estimulação da síntese de PG pelos
receptores V I pode contrabalançar a antidiurese mediada pelos
receptores V2. Os receptores V 1 nas células principais dos due
tos coletores corticais podem inibir o fluxo de água mediada pe
los receptores V 2 por meio da ativação da PKC. Os receptores V 2
medeian1 a resposta mais notável à vasopressina, que consiste em
um aumento na permeabilidade a água do dueto coletor em con
centrações baixas até 50 fM. Portanto, os efeitos da vasopressina
mediados pelos receptores V2 ocorrem em concentrações muito
mais baixas do que as necessárias para induzir as ações mediadas
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Redução rápida no
fluxo sanguíneo +- Receptor V
da medula interna 'ª
- vasopressina
+
Receptor V
Ativação rápida do //___.-:;
2
VRUT na membrana ,.._-- /
apical do DCMI
Ativação rápida
do simporte de
Na•-K•-2cr para a
membrana apical
do RAE
Translocação rápida
do simporte de
Na•-K•-2cr para a
membrana apical
do RAE Aumento prolongado
Aumento prolongado na expressão de
na expressão do aquaporina 2 nas
Na•-K•-2cr no RAE do dueto coletor 1/
simporte de células principais
Inserção rápida de
Osmolalidade aquaporina 2 pré-formada
medular
aumentada na membrana apical
das células principais
do dueto coletor
+ Aumento da permeabilidade
a água no dueto coletor
+ Conservação renal da água
Figura 25-14 Mecanismos pelos quais a vasopressina aumenta a con
servação renal da água. As setas vermelhas e as pretas indicam, res
pectivamente, as vias principais e as vias menos importantes.
pelos receptores V1• Outras ações renais mediadas pelos recepto
res V2 incluem o aumento do transporte de ureia no DCMI e o
aumento do transporte de Na+ no RAE, ambos os efeitos contri
buindo para a capacidade de concentração da urina no rim. Os
receptores V 2 também aumentam o transporte de Na+ nos duetos
coletores corticais, efeito que pode ser sinérgico com a aldostero
na para intensificar a reabsorção de Na+ durante a hipovolemia.
Modificação farmacológica da resposta
antidiurética à vasopressina
Os AINE, particularmente a indometacina, intensificam a res
posta antidiurética à vasopressina. Como as PG atenuam as res
postas antidiuréticas à vasopressina e os AINE inibem a síntese
de PG, a produção reduzida de PG provavelmente é responsável
pela potencialização da resposta antidiurética da vasopressina. A
carbamazepina e a clorpropamida também potencializam os efei
tos antidiuréticos da vasopressina por meio de mecanismos des
conhecidos. Em raros casos, a clorpropamida pode induzir into
xicação por água. Vários fármacos inibem as ações antidiuréticas
da vasopressina. O lítio é particularmente importante em virtude
de seu uso no tratamento do transtorno bipolar (Kishore e Ecel
barger, 2013). Quando administrado de forma aguda, o Li+ parece
reduzir a estimulação da adenililciclase mediada pelos receptores
V 2• Além disso, o u + aumenta os níveis plasmáticos de PTH, um
antagonista parcial da vasopressina. Na maioria dos pacientes, o
antibiótico demeclociclina atenua os efeitos antidiuréticos da va
sopressina, provavelmente em consequência de uma diminuição
no acúmulo e na ação do AMPc (Kortenoeven et ai., 2013).
Ações não renais da vasopressina
Sistema cardiovascular. Os efeitos cardiovasculares da vasopres
sina são complexos. A vasopressina é um potente vasoconstritor
(mediado pelo receptor V1) e os vasos de resistência presentes na
circulação podem ser afetados. O músculo liso vascular na pele, o
músculo esquelético, a gordura, o pâncreas e a tireoide parecem
ser mais sensíveis, com significativa vasoconstrição ocorrendo
também no trato GI, nos vasos coronarianos e no cérebro. Ape
sar da potência da vasopressina como um vasoconstritor direto, as
respostas pressoras in vivo induzidas por esse hormônio são míni
mas e ocorrem apenas com concentrações de vasopressina muito
maiores do que as necessárias para a antidiurese máxima. Em uma
maior extensão, isso ocorre por causa das ações da vasopressina
circulante sobre os receptores V1 para inibir os eferentes simpáti
cos e potencializar os barorreflexos. Além disso, os receptores V2
provocam vasodilatação em alguns vasos sanguíneos.
A vasopressina ajuda a manter a pressão arterial durante epi
sódios de hipovolemia ou hipotensão graves. Os efeitos da vaso
pressina sobre o coração (débito e frequência cardíacos reduzi
dos) são em grande parte indiretos e resultam da vasoconstrição
coronariana, da redução do fluxo sanguíneo coronarianoe de al
terações no tônus vagai e simpático. Alguns pacientes com insu
ficiência coronariana experimentam angina mesmo em resposta
à quantidade relativamente pequena de vasopressina necessária
para controlar o DI. Além disso, a isquemia do miocárdio indu
zida pela vasopressina leva a reações graves e até a morte.
SNC. A vasopressina provavelmente desempenha um papel como
neurotransmissor ou neuromodulador. Embora ela possa mo
dular os sistemas autônomos do SNC que controlam a frequên
cia cardíaca, a pressão arterial, a frequência respiratória e os pa
drões de sono, a importância fisiológica dessas ações não está
clara. Mesmo não sendo o principal fator de liberação da ACTH,
a vasopressina pode fornecer uma ativação contínua do eixo hi
potalâmico-hipofisário-suprarrenal durante o estresse crônico.
Estudos realizados tanto em animais de laboratório quanto em
seres humanos indicaram que a vasopressina e a ocitocina consti
tuem reguladores essenciais dos comportamentos sociais e emo
cionais (Benarroch, 2013). Os efeitos da vasopressina no SNC pa
recem ser mediados principalmente pelos receptores V1•
Coagulação do sangue. A ativação dos receptores V 2 pela DDA VP
ou pela vasopressina aumenta os níveis circulantes do fator VIII
pró-coagulante e do fator de von Willebrand. Esses efeitos são me
diados por receptores V2 extrarrenais. Aparentemente, a vasopres
sina estimula a secreção do fator de von Willebrand e do fator VIII
a partir dos locais de armazenamento no endotélio vascular. En
tretanto, como a liberação do fator de von Willebrand não ocorre
quando a DDA VP é aplicada diretamente em culturas de células
endoteliais ou em vasos sanguíneos isolados, é provável que exis
tam fatores intermediários envolvidos.
Outros efeitos não renais. Em altas concentrações, a vasopres
sina estimula a contração do músculo liso no útero (por meio de
receptores da ocitocina) e no trato GI (por meio de receptores
V 1). Ela é armazenada nas plaquetas e a ativação dos receptores
VI estimula a agregação plaquetária. A ativação dos receptores V 1
nos hepatócitos também estimula a glicogenólise.
Agonistas do receptor da vasopressina
Diversos peptideos semelhantes à vasopressina ocorrem natural
mente no reino animal (Tab. 25-8) e todos são nonapeptídeos.
Em todos os mamíferos, com exceção dos suínos, o peptideo neu
ro-hipofisário é a 8-arginina-vasopressina e os termos vasopressi
na, A VP e ADH são usados de modo intercambiável. Há também
TABELA 25-8 • AGONISTAS DO RECEPTOR DA VASOPRESSINA
o
1 li
H" /HC - C-w - X - v -Asn-Cys-Pro- z -Gly-(NH2)
e 1 2 3 4 s Is 1 a e
H/ "-S---------S
Peptídeos semelhantes à vasopressina de ocorrência natural
A. Vertebrados
1. Mamíferos
AVPª (humanos e outros mamíferos)
Lipressinaª (suínos, marsupiais)
Fenipressina (macropodídeos)
2. Vertebrados não mamíferos
Vasotocina
B. Invertebrados
1. Arginina conopressina (Conus striotus)
2. Usina conopressina (Conus geogrophicus)
3. Peptídeo dos gânglios subesofágicos do gafanhoto
Peptídeos sintéticos da vasopressina
A. Agonistas seletivos do V,
1. V1,-seletivo: [Phe2
, lle3, Orn8] AVP
2. V,b-seletivo: desamino [o-3-(3'-piridil)-Ala2] AVP
B. Agonistas seletivos de V2
1. Desmopressina (DDAVP)
2. Desamino [Val4, o-Arg8
] AVP
Agonista não peptídico
A. OPC-51803
ªDisponível para uso clínico.
A
NH2
NH2
NH2
NH2
NH2
NH2
NH2
NH2
H
H
H
diversos peptídeos sintéticos com especificidade para os subtipos
de receptores, bem como um agonista não peptídico.
Muitos análogos da vasopressina foram sintetizados com o ob
jetivo de aumentar a duração da ação e a seletividade dos subtipos
do receptor da vasopressina (receptores V 1 vs. V 2, que medeiam,
respectivamente, as respostas pressoras e as antidiuréticas). Por
tanto, a razão antidiurético-vasopressor para a DDA VP, um ago
nista seletivo de V2, também denominada desmopressina, é cerca
de 3 mil vezes maior do que a para a vasopressina. Por essa razão, a
DDA VP é o fármaco preferido para o tratamento do DI central. A
substituição da glutamina por valina na posição 4 aumenta ainda
mais a seletividade antidiurética, e a razão antidiurético-vasopres
sina para a desamino [Vai\ o-Arg8]AVP é cerca de 11 mil vezes
maior do que a para a vasopressina.
O aumento da seletividade de V1 demonstrou ser mais difícil
do que o aumento da seletividade para V 2. Os receptores da vaso
pressina na adeno-hipófise que medeiam a liberação de ACTH in
duzida pela vasopressina não são os receptores V1 ou V2 clássicos.
Tendo em vista que os receptores da vasopressina na adeno-hipó
fise parecem compartilhar um mecanismo comum de transdução
de sinais com os receptores V 1 clássicos e que muitos análogos da
vasopressina com atividade vasoconstritora liberam ACTH, os re
ceptores V 1 foram subclassificados em receptores V 1, ( vascular/he
pático) e V1b (hipofisário) (também denominados receptores V3).
Existem agonistas seletivos para os receptores V1, e V1b.
A estrutura química da ocitocina está estreitamente relacio
nada com a da vasopressina: a ocitocina é [lle3, Leu8]A VP. Com
w X y z
Tyr Phe Gln Arg
Tyr Phe Gln Lys
Phe Phe Gln Arg
Tyr lle Gln Arg
lle lle Arg Arg
Phe lle Arg Lys
Leu lle Thr Arg
Phe lle Gln Orn
o-3-(3'-piridil)-Ala2 Phe Gln Arg
Tyr Phe Gln o-Arg
Tyr Phe Vai o-Arg
essas semelhanças estruturais, não é surpreendente que os ago
nistas e antagonistas da vasopressina e da ocitocina possam se
Ligar aos receptores um do outro. Portanto, a maioria dos ago
nistas e dos antagonistas disponíveis da vasopressina possuem al
guma afinidade pelos receptores da ocitocina e, em altas doses,
podem bloquear ou mimetizar os efeitos da ocitocina.
Doenças que afetam o sistema da
vasopressina
Diabetes insípido
O DI é uma doença de comprometimento da conservação renal
de água devido à secreção inadequada de vasopressina pela neu
ro-hipófise (DI central) ou à resposta renal insuficiente à vaso
pressina. Em casos muito raros, o DI pode ser causado por uma
taxa de degradação altamente anormal da vasopressina pelas va
sopressinases circulantes. A gravidez pode acentuar ou revelar o
DI central ou o nefrogênico ao aumentar os níveis plasmáticos de
vasopressinase e reduzir a sensibilidade dos rins à vasopressina.
Pacientes com DI eliminam grandes volumes (> 30 mL/kg/dia)
de urina diluída ( • o
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baixa ou baixa-normal em pacientes com polidipsia primária e
alta ou alta-normal em pacientes com DI.
D/ central. Uma lesão na cabeça, tanto cirúrgica quanto traumáti
ca, na região da hipófise ou do hipotálamo pode provocar DI cen
tral. O DI central pós-operatório pode ser temporário, permanen
te ou trifásico (recuperação seguida por urna recaída permanente).
Outras causas incluem tumores hipotalâmicos ou hipofisários,
aneurismas cerebrais, isquemia do SNC e infiltração e infecções do
cérebro. O DI central pode ser idiopático ou familiar. Em geral, o
DI central hereditário é dominante autossômico (cromossomo 20)
e a deficiência da vasopressina ocorre vários meses ou anos após o
nascimento, piorando gradualmente. O DI central dominante au
tossômico tem relação com mutações no gene pré-pró-hormônio
vasopressina que permitemcom que o pró-hormônio dobre e oli
gomerise de forma inadequada. O acúmulo do precursor mutante
da vasopressina provoca morte neuronal, daí o modo dominante
de herança. Em raros casos, o DI central familiar é recessivo autos
sôrnico graças a urna mutação no próprio peptídeo da vasopressi
na que dá origem a um mutante de vasopressina inativo.
Os peptídeos antidiuréticos constituem o principal tratamen
to do DI central, sendo a DDA VP o peptídeo de escollia. Exis
tem outras opções de tratamento para pacientes com DI central
que, por causa dos efeitos colaterais ou de reações alérgicas, se
jam intolerantes aos peptídeos antidiuréticos. A clorpropamida,
uma sulfonilureia oral, potencializa a ação de quantidades peque
nas ou residuais de vasopressina circulante e reduz o volume de
urina em mais da metade de todos os pacientes com DI central.
Doses de 125 a 500 mg/dia parecem ser eficientes em pacientes
com DI central parcial. Se a poliúria não for controlada de modo
satisfatório apenas com clorpropamida, a adição de um diurético
tiazídico ao regime geralmente leva a urna redução adequada no
volume de urina. A carbamazepina (800-1.000 mg/dia, divididos
em doses) também reduz o volume de urina em pacientes com
DI central. O uso prolongado pode induzir graves efeitos adver
sos, portanto, é raro usar a carbamazepina para tratar o DI cen
tral. Esses agentes não são eficientes para o DI nefrogênico, o que
indica que são necessários receptores V 2 funcionais para o efei
to antidiurético. Como a carbamazepina inibe e a clorpropamida
tem pouco efeito sobre a secreção de vasopressina, é provável que
esses dois fármacos atuem diretamente sobre os rins para inten
sificar a antidiurese mediada pelos receptores V 2•
D/ nefrogênico. O DI nefrogênico pode ser congênito ou adqui
rido. Hipercalcemia, hipopotassemia, insuficiência renal pós-obs
trutiva, assim como Li+, foscarnete, clozapina, demeclociclina e
outros fármacos, podem induzir o DI nefrogênico. Em torno de
um entre três pacientes tratados com u • pode desenvolver DI ne
frogênico. O DI nefrogênico ligado ao X é causado por mutações
no gene que codifica o receptor V2, que mapeia Xq28. Mutações
no gene do receptor V2 podem comprometer a transferência do
receptor V2 na superficie da célula, danificar o acoplamento do
receptor às proteínas G ou reduzir a afinidade do receptor pelava
sopressina. O DI nefrogênico autossômico recessivo ou dominan
te surge a partir de mutações inativadoras na aquaporina 2. Essas
descobertas indicam que a aquaporina 2 é essencial para o efeito
antidiurético da vasopressina nos seres humanos.
Embora o suporte principal do tratamento de DI nefrogêni
co seja garantir a captação adequada de água, fármacos também
podem ser usados para reduzir a poliúria. A amilorida bloqueia a
captação deu+ pelos canais de Na• no sistema de duetos coleto
res e pode ser eficiente em pacientes com defeitos leves a mode
rados na concentração. Os diuréticos tiazídicos reduzem a poliú
ria de pacientes com DI e muitas vezes são usados para tratar o DI
nefrogênico. Em lactentes com DI nefrogênico, o uso de diuréticos
tiazídicos pode ser crucial, visto que a poliúria não controlada pode
exceder a capacidade da criança de assimilar e absorver líquidos.
É possível que a ação natriurética das tiazidas e a depleção resultan
te do volume do líquido extracelular tenham um papel importante
na antidiurese induzida pela tiazida. Contudo, parece que os efei
tos antidiuréticos são comparáveis à capacidade da tiazida em pro
vocar natriurese e os fármacos são administrados em doses seme
lliantes às usadas para mobilizar o líquido de edema. Em pacientes
com DI, urna redução de 50% no volume de urina é urna boa res
posta às tiazidas. A restrição moderada da captação de Na• pode
potencializar a efetividade antidiurética das tiazidas.
Vários relatos de casos descrevem a efetividade da indome
tacina no tratamento de DI nefrogênico, entretanto parece que
outros inibidores da PG-sintase (p. ex., ibuprofeno) são menos
eficientes. O mecanismo do efeito pode envolver uma redução
da TFG, um aumento na concentração medular de solutos ou
um aumento na reabsorção proximal de líquidos. Além disso,
como as PG atenuam a antidiurese induzida pela vasopressina
em pacientes com pelo menos um sistema de receptores V2 par
cialmente intacto, parte da resposta antidiurética à indometacina
pode resultar de urna diminuição no efeito das PG e de um au
mento nos efeitos da vasopressina sobre as células principais do
dueto coletor.
Síndrome de secreção inapropriada de hormônio
antidiurético
A SIADH é uma doença de comprometimento da excreção de
água, acompanhada de hiponatremia e hipo-osmolalidade, cau
sada pela secreção inapropriada de vasopressina. As manifesta
ções clínicas da hipotonicidade plasmática causada pela SIADH
podem incluir letargia, anorexia, náuseas e vômitos, cãibras mus
culares, coma, convulsões e morte. Diversos distúrbios podem
induzir a SIADH, incluindo neoplasias malignas, doenças pul
monares, lesões/doenças do SNC (p. ex., traumatismo cranience
fálico, infecções e tumores) e cirurgia geral.
Três classes de fármacos estão geralmente associadas à SIADH
induzida por fármacos: medicamentos psicotrópicos (p. ex., inibi
dores seletivos da recaptação de serotonina, haloperidol e antide
pressivos tricíclicos), sulfonilureias (p. ex., clorpropamida) e alca
loides da vinca (p. ex., vincristina e vimblastina). Outros fármacos
fortemente associados à SIADH incluem clonidina, ciclofosfami
da, enalapril, felbamato, ifosfarnida, metildopa, pentamidina e vi
norelbina e muitos outros fármacos já foram associados. Em urna
pessoa normal, a elevação da vasopressina plasmática por si só não
induz a hipotonicidade plasmática, já que a pessoa simplesmente
para de beber por causa de urna aversão a líquidos induzida por os
mose. Portanto, a hipotonicidade plasmática ocorre apenas quan
do o aporte excessivo de líquido (oral ou intravenoso) acompanha
a secreção inadequada de vasopressina.
O tratamento da hipotonicidade no quadro da SIADH inclui
restrição de água, administração intravenosa de soro fisiológico
hipertônico, diuréticos de alça (que interferem na capacidade do
rim em concentrar) e fármacos que inibem o efeito da vasopres
sina ao aumentar a permeabilidade a água nos duetos coletores.
Para inibir a ação da vasopressina nos duetos coletores, a deme
clociclina, urna tetraciclina, é o fármaco preferido, mas atual
mente estão disponíveis dois antagonistas do receptor V2, atol
vaptana e a conivaptana (ver próxima seção e Tab. 25-9).
Embora o u • possa inibir as ações renais da vasopressina, ele é
eficiente em apenas uma minoria de pacientes, pode induzir lesão
renal irreversível quando usado de forma crônica e tem um bai
xo índice terapêutico. Portanto, o u + deve ser considerado ape
nas para uso em pacientes com SIADH sintomática que não pode
ser controlada por outros meios ou nos quais as tetraciclinas seja
TABELA 25-9 • ANTAGONISTAS DO RECEPTOR DA VASOPRESSINA
Antagonistas peptídicos
o
li
/CH2 -CH 2 '- /CH2 -C Phe Asn-Cys-Pro-Arg
H2C C 1 2 3 4 5 16 7 a 9
'-CH2 -CH 2 / '-S----------S
A. Antagonistas seletivos de V, X y z
1. Antagonista seletivo de V,, d(CH2ls[Tyr(Me)2] AVP Tyr-OMe Gln Gly (NH2)
2. Antagonista seletivo de v,b dP [Tyr(Me)2] AVPª·b Tyr-OMe Gln Gly(NH2)
B. Antagonistas seletivos de Vi'
1. des Gly-NH/-d(CH2)s[o-lle2
, lle4
] AVP D-lle lle
2. d(CH2)s[o-lle2, lle4
, Ala-NH/] AVP D-lle lle Ala (NH2)
Antagonistas não peptídicos
A. Antagonistas seletivos de V, 0
OPC-21268
B. Antagonistas seletivos de V,b
SSR 149415 (nelivaptana)
SR 49059 (relcovaptana)
C. Antagonistas seletivos de V2
SR 121463 (satavaptana)
VPA-985 (lixivaptana)
OPC-31260 (mozavaptana)
OPC-41061 (tolvaptana)'
D. Antagonistas seletivos de V10/ V2
YM-471
'Também bloqueia o receptor V 1, .
YM 087 (conivaptana)'
JTV-605
CL-385004
•Atividade de antagonistaV2 em ratos; entretanto, a atividade antagonista pode ser menor ou inexistente em outras espécies. Além disso, com infusão prolongada, pode exibir
atividade agonista significativa.
'Disponível para uso clínico nos Estados Unidos.
contraindicadas (p. ex., pacientes com doença hepática). É impor
tante destacar que a maioria dos pacientes com SIADH não precisa
de terapia porque o Na+ plasmático estabiliza na faixa de 125 a 132
mM e, em geral, esses pacientes são assintomáticos. A terapia com
demeclociclina deve ser iniciada apenas quando surge hipotonici
dade sintomática - em geral quando os níveis de Na+ plasmático
caem para menos de 120 mM. Como a hipotonicidade, que leva a
entrada de água para as células com consequente edema cerebral, é
a causa dos sintomas, o objetivo da terapia é simplesmente aumen
tar a osmolalidade plasmática para níveis normais.
Outros estados de retenção de água
Em pacientes com ICC, cirrose ou síndrome nefrótica, o volu
me sanguíneo efetivo geralmente está reduzido e a hipovolemia é,
com frequência, exacerbada pelo uso liberal de diuréticos. Como
a hipovolemia estimula a liberação da vasopressina, os pacientes
se tornam hiponatrêmicos por causa da retenção de água media
da pela vasopressina. O desenvolvimento de antagonistas poten
tes dos receptores V 2 ativos por via oral e de inibidores específicos
dos canais de água no dueto coletor forneceu uma nova estraté
gia terapêutica não apenas para pacientes com SIADH, mas tam
bém para o contexto mais comum da hiponatremia em pacientes
com insuficiência cardíaca, cirrose hepática e síndrome nefrótica.
Uso clínico de agonistas da vasopressina
Dois peptídeos antidiuréticos estão disponíveis para uso clínico
nos Estados Unidos:
• A vasopressina (8-L-AVP sintética) está disponível como so
lução aquosa estéril. Pode ser administrada por via intrave
nosa, subcutânea, intramuscular, intranasal, intraóssea (sem
indicação na bula), intra-arterial ou endotraqueal (sem indi
cação na bula; não confiável).
• O acetato de desmopressina (DDA VP sintética) está disponível
como solução aquosa estéril acondicionada para injeção intra
venosa ou subcutânea, como solução para administração intra
nasal com bomba de spray nasal ou sistema de liberação com
tubo nasal, bem como comprimidos para administração oral.
Usos terapêuticos
Os usos terapêuticos da vasopressina e seus congêneres podem
ser divididos em duas categorias principais de acordo com o tipo
de receptor de vasopressina envolvido: mediadas pelo receptor
VI e mediadas pelo receptor V 2•
As aplicações terapêuticas mediadas pelo receptor V1 se ba
seiam no fundamento lógico de que os receptores V1 causam
contração do músculo liso GI e vascular. A vasopressina é o prin
cipal agente utilizado. A contração do músculo liso GI mediada
pelo receptor V I vem sendo usada para tratar íleo pós-operatório
e distensão abdominal, assim como para dissipar o gás no intes
tino antes de radiografia (roentnografia) abdominal, evitando a
interferência das sombras dos gases. A vasoconstrição dos vasos
arteriais esplâncnicos mediada pelos receptores V1 reduz o flu
xo sanguíneo para o sistema porta e, assim, atenua a pressão e
o sangramento nas varizes esofágicas. Embora a ligadura endos
cópica de varizes seja o tratamento de escolha para varizes esofá
gicas com sangramento, os agonistas dos receptores V1 têm sido
usados em emergências até que a endoscopia possa ser realizada.
A administração simultânea de nitroglicerina e agonistas do recep
tor V1 pode atenuar os efeitos tóxicos desses agonistas enquanto
potencializa seus efeitos benéficos sobre o baço. Os agonistas do
receptor V1 também são usados durante a cirurgia abdominal em
575
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pacientes com hipertensão portal para diminuir o risco de he
morragia durante o procedimento. A vasoconstrição mediada
pelos receptores VI tem sido usada para redução de sangramento
durante a gastrite hemorrágica aguda, excisão de feridas de quei
madura, cistite hemorrágica induzida por ciclofosfamida, trans
plante de fígado, cesariana e ressecção de mioma uterino. Os ní
veis de vasopressina em pacientes com choque por vasodilatação
são inadequadamente baixos e esses pacientes são extremamen
te sensíveis às ações pressoras dos agonistas dos receptores V 1•
Portanto, esses agonistas estão indicados para o tratamento da
hipotensão em pacientes com choque vasodilatador que não res
pondem suficientemente à terapia com líquidos e catecolaminas
(Serpa Neto et ai., 2012). A vasopressina combinada com epine
frina e esteroides demonstrou produzir melhores resultados após
parada cardíaca no paciente internado (Layek et al., 2014).
As aplicações terapêuticas mediadas pelos receptores V2 seba
seiam no fundamento lógico de que esses receptores ocasionam
a conservação de água e a liberação de fatores da coagulação san
guínea. A desmopressina é o fármaco de escolha padrão. O DI cen
tral, mas não o nefrogênico, pode ser tratado com agonistas do
receptor V2, que geralmente controlam bem a poliúria e a po
lidipsia. Alguns pacientes experimentam DI temporário (p. ex.,
com lesão na cabeça ou cirurgia na área da hipófise), entretanto,
para a maioria dos pacientes com DI, a terapia dura a vida intei
ra. A duração do efeito de uma dose única intranasal é de 6 a 20
horas e a administração de 2 vezes/dia é eficiente na maioria dos
pacientes. A dose intranasal comum em adultos é de 10 a 40 µg/
dia, com uma dose única ou dividida em 2 ou 3 doses. Por cau
sa do alto custo do fármaco e de sua importância em evitar a in
toxicação pela água, o esquema de administração deve ser ajus
tado para a menor quantidade necessária. Em alguns pacientes,
a rinite alérgica crônica ou outra patologia nasal pode impedir a
absorção confiável do peptídeo após a administração nasal. A ad
ministração oral de desmopressina em doses de 0,1 a 1,2 mg/dia
produz níveis sanguíneos adequados do fármaco para controlar a
poliúria. A administração subcutânea ou intravenosa de 2 a 4 µg/
dia de desmopressina também é efetiva no DI central.
A vasopressina tem pouco espaço - quando tem - na terapia
prolongada do DI por causa da sua curta duração de ação e dos
efeitos colaterais mediados pelo receptor V1• A vasopressina pode
ser usada como uma alternativa à desmopressina na avaliação ini
cial do diagnóstico de pacientes com suspeita de DI e para con
trolar a poliúria em pacientes com DI que foram recentemente
submetidos a cirurgia ou tiveram trauma craniano. Sob essas cir
cunstâncias, a poliúria pode ser temporária e os agentes de longa
ação podem produzir intoxicação por água.
A desmopressina é usada em distúrbios hemorrágicos. Na
maioria dos pacientes com DvW tipo I e em alguns com DvW
tipo IIn, a desmopressina eleva o fator de von Willebrand e di
minui o tempo de sangramento. Todavia, a desmopressina geral
mente não é eficiente em pacientes com DvW dos tipos Ua, IIb e
III. A desmopressina pode provocar uma marcante trombocito
penia temporária em pessoas com DvW tipo IIb e é contraindi
cada para esses pacientes. Ela também aumenta os níveis do fa
tor VIII em pacientes com hemofilia A leve a moderada e não é
indicada para pacientes com hemofilia A grave, hemofilia B ou
com anticorpos antifator VIII. Em pacientes com insuficiência
renal, a desmopressina encurta o tempo de sangramento e au
menta os níveis circulantes da atividade coagulante do fator VIII
do antígeno relacionado ao fator VIII e do cofator ristocetina.
Ela também induz o surgimento de multimeros maiores do fator
de von Willebrand. A desmopressina é efetiva em alguns pacien
tes com distúrbios hemorrágicos induzidos por cirrose ou medi
camentosbasicamente iso
tônica. Entre as faixas externa e interna da medula externa, o tú
bulo modifica abruptamente a sua morfologia, passando a cons
tituir o RDD - que penetra na medula interna, faz uma volta em
forma de grampo de cabelo e, em seguida, dá origem ao RAD. Na
junção entre a medula interna e externa, o túbulo mais un1a vez
modifica a sua morfologia, tornando-se o RAE. Juntos, o túbulo
reto proxin1al e os segmentos RDD, RAD e RAE são conhecidos
como alça de Henle.
O RDD é muito permeável à água, enquanto a sua permeabili
dade ao NaCl e à ureia é baixa. Em contraste, o RAD é permeável
ao NaCl e à ureia, mas impermeável à água. O RAE absorve ati
vamente o NaCl, porém é impermeável à água e à ureia. Aproxi
madamente 25% do Na+ filtrado é reabsorvido na alça de Henle,
principalmente no RAE, que possui uma grande capacidade de
reabsorção. O RAE passa entre as arteríolas aferente e eferente e
estabelece contato com a arteríola aferente por meio de um gru
po de células epiteliais colunares especializadas conhecido como
mácula densa. A mácula densa está localizada estrategicamente
para sentir as concentrações de NaCl que deixam a alça de Hen
le. Se a concentração de NaCl for demasiado elevada, a mácula
densa emite um sinal químico (talvez adenosina ou ATP) para a
arteríola aferente do mesmo néfron, causando a sua constrição,
com consequente redução da TFG. Esse mecanismo homeostá
tico, conhecido como TGF, protege o organismo contra a perda
de sal e de volume. A mácula densa também regula a liberação de
renina das células justaglomerulares adjacentes na parede da ar
teríola aferente.
Aproximadamente 0,2 mm após a mácula densa, o túbulo
modifica mais uma vez a sua morfologia, transformando-se no
TCD. Assim como o RAE, o TCD transporta NaCl ativamente
e é impermeável à água. Como essas características conferem a
capacidade de produzir uma urina diluída, o RAE e o TCD são
coletivamente denominados segmento diluente do néfron, e o lí
quido tubular no TCD é hipotônico, independentemente do es
tado de hidratação. Entretanto, diferentemente do RAE, o TCD
não contribui para a hipertonicidade do interstício medular in
duzida por contracorrente (descrita adiante).
O sistema de duetos coletores (segmentos 10-14 na Fig.
25-1) constitui uma área de controle fino da composição e do
volume do ultrafi.ltrado. É lá que são feitos os ajustes finais na
12
(Faixa externa)
(Faixa interna)
p
6
composição de eletrólitos, um processo modulado pela aldoste
rona, um esteroide suprarrenal. A vasopressina (também deno
minada ADH) também modula a permeabilidade à água dessa
parte do néfron. As porções mais distais do dueto coletor passam
pela medula renal, onde o líquido intersticial é significativamente
hipertônico. Na ausência de ADH, o sistema de duetos coletores
é impermeável à água, e a urina excretada é diluída. Na presença
de ADH, o sistema de duetos coletores é permeável à água, que é
1
~ 2
3
4
CÓRTEX
MEDULA
-- EXTERNÃ
MEDULA
INTERNA
8egmaam s, [ ""'' ro,meid, p=i='
...J Segmento P1
O-
mX Segmento P2 [ . . ,:::,0 Tubulo reto proximal 1- a:
a.. 3 Segmento S3
Segmento P3
º 4 Ramo descendente delgado (RDD) w a:
o ·::! .....J
...Jo
::::> LJ.J z m~
5 Ramo ascendente delgado (RAD) ·::::> a: w 1- LJ.J
1-
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6 Ramo ascendente espesso medular (MTAL) ::, ::,
o _J
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U) ::, ~ ':!1
U)ºU)o o ~ si! o o
U) f-C o _J
w ':Q _j :::i
CD
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(D •:)
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0....1 m ti 1-- º o 5~ o a: o o
z o o si: .....J m C/) ~_,~~ -~o U) ffi l) a: -
C/) zº
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Túbulo coletor inicial -~ o ü: ü
ü C/)
11
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o a: 12 Túbulo coletor cortical (TCC)
LJ.J~ a: OLJ.J 13 Dueto coletor medular externo (DCME)
~~ ...J
1- 14 Dueto coletor medular interno (DCMI) ºº ~ ü
C/)
Figura 25-1 Anatomia e nomenclatura do néfron.
551
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reabsorvida. O movimento da água para fora do túbulo é aciona
do pelo gradiente de concentração excessivo que existe entre o lí
quido tubular e o interstício medular.
A hipertonicidade do interstício medular desempenha uma
função vital na capacidade dos mamíferos e das aves de concen
trar a urina, possível por causa de uma combinação da topogra
fia específica da alça de Henle e das características de permea
bilidade especializada dos subsegmentos da alça. A "hipótese de
multiplicador passivo por contracorrente" propõe que o trans
porte ativo no RAE concentre o NaCl no interstício da medula
externa. Como esse segmento do néfron é impermeável à água,
o transporte ativo no ramo ascendente dilui o líquido tubular.
À medida que o líquido diluído passa pelo sistema de duetos co
letores, a água é extraída se - e somente se - o ADH estiver pre
sente. Como os duetos coletores corticais e a medula externa são
pouco permeáveis à ureia, ela fica concentrada no liquido tubu
lar. Entretanto, o DCMI é permeável à ureia, de modo que ela
sofre difusão para medula interna, onde é retida pela troca em
contracorrente nos vasos retos (capilares medulares que seguem
o seu trajeto paralelamente à alça de Henle). Como o RDD é im
permeável ao sal e à ureia, a alta concentração de ureia na medula
interna extrai água do RDD e concentra NaCl no líquido tubu
lar desse ramo. À medida que o líquido tubular entra no RAD, o
NaCl se difunde do RAD, que é permeável ao sal, contribuindo,
assim, para a hipertonicidade do interstício medular.
Mecanismo geral de transporte do epitélio renal
Existem diversos mecanismos pelos quais os solutos podem atra
vessar as membranas (ver Fig. 5-4). Os tipos de transporte obti
dos por um segmento particular do néfron dependem muito de
Lúmen
tubular
Espaço intercelular
Espaço
intersticial
Na+
ro
Cro ro .e -~
E E
Q) ~
- Zona ocludente
Uunções compactas)
Membrana
Difusão simples basolateral
X
~ C_O_NV_ E_C~Ç~Ã_O __ >
Difusão simples (paracelular)
,__ _____ ~------------------· p
Difusão simples (transcelular)
Transporte mediado
URINA
+ +
Figura 25-2 Mecanismo geral de transporte da célula epitelial renal (ver texto para detalhes). A, antiportador; ATPase, Na+/K+-ATPase (bomba de
sódio); CH, canal iônico; 1, solutos impermeáveis à membrana; P, solutos permeáveis à membrana; PD, diferença de potencial ao longo da mem
brana ou célula indicada; S, simportador; U, uni portador; PA, poro de água; X e Y, solutos transportados.
quais transportadores estão presentes e se eles estão incrustados
na membrana LM ou na membrana BL. A Figura 25-2 apresenta
um modelo geral do transporte tubular renal, que pode ser resu
mido da seguinte maneira:
1. A Na+/K+-ATPase (bomba de sódio) na BL transporta o Na+
para dentro dos espaços intercelular e intersticial e o K+ para
dentro da célula, estabelecendo um gradiente eletroquímico
para o Na+ por meio da membrana celular de direção interna.
2. O Na+ pode sofrer difusão ao longo desse gradiente de Na+ atra
vés da LM por meio de canais de Na+ e sirnportadores da mem
brana, que utilizam a energia armazenada no gradiente de Na+
para transportar solutos para fora do lúmen tubular e para den
tro da célula (p. ex., Na+-glicose, Na+-H2Po-4 e Na+-arninoáci
dos) e antiportadores (p. ex., Na+-H+), que movem os solutos
para dentro do lúmen à medida que o Na+ segue ao longo de
seu gradiente para dentro da célula.(p. ex., heparina, hirudina e agentes antiplaquetários).
A desmopressina administrada por via intravenosa em uma dose
de 0,3 µg/kg aumenta o fator VIII e o fator de von Willebrand por
mais de 6 horas. Ela pode ser administrada a intervalos de 12 a 24
horas dependendo da resposta clínica e da gravidade do sangra
mento. A taquiftlaxia à desmopressina geralmente ocorre após
vários dias (graças à depleção dos locais de estoque do fator VIII e
do fator de von Willebrand) e limita sua utilidade na preparação
pré-operatória, no sangramento pós-operatório, no sangramento
menstrual excessivo e em situações de emergência.
Outra aplicação terapêutica mediada pelos receptores V2 é o
uso da desmopressina para a enurese noturna primária. A ad
ministração de comprimidos de desmopressina ao deitar fornece
uma alta taxa de resposta, que é mantida com uso prolongado e
acelera a taxa de cura. A desmopressina intranasal não é mais re
comendada para o tratamento da enurese noturna primária, de
vido ao risco aumentado de hiponatremia. Esse fármaco alivia a
cefaleia que ocorre após punção lombar, provavelmente por pro
vocar retenção de água e facilitar, assim, o rápido equilíbrio do
líquido no SNC.
ADME
Quando administradas por via oral, a vasopressina e a desmopres
sina são rapidamente ativadas pela tripsina. A inativação por pepti
dases em vários tecidos (particularmente hepático e renal) resulta
em uma t112 plasmática da vasopressina de 17 a 35 minutos. Após
injeção intramuscular ou subcutânea, os efeitos antidiuréticos da
vasopressina persistem por 2 a 8 horas. A t112 da desmopressina é de
75 minutos a 3,5 horas.
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações,
interações medicamentosas
A maioria dos efeitos adversos é mediada pela ativação do re
ceptor V1 no músculo liso do GI e vascular. Consequentemente,
esses efeitos adversos são muito menos comuns e menos graves
com a desmopressina do que com a vasopressina. Após a inje
ção de grandes doses de vasopressina, é comum observar palidez
facial marcante causada pela vasoconstrição cutânea. É provável
que o aumento da atividade intestinal provoque náuseas, eructa
ção, cólicas e urgência de defecar. A vasopressina deve ser admi
nistrada com extrema cautela em indivíduos que sofrem de doen
ça vascular, particularmente doença arterial coronariana. Outras
complicações cardíacas incluem arritmia e débito cardíaco redu
zido. Foram detectadas vasoconstrição periférica e gangrena em
pacientes que receberam grandes doses de vasopressina.
O principal efeito adverso mediado pelos receptores V 2 é a in
toxicação por água. Muitos fármacos, incluindo carbamazepina,
clorpropamida, morfina, antidepressivos tricíclicos e AINE, po
dem potencializar os efeitos antidiuréticos desses peptídeos. Vá
rios fármacos, como o Lt e a demeclociclina, ou ainda o etanol,
podem atenuar a resposta antidiurética à desmopressina. A des
mopressina e a vasopressina devem ser usadas com cuidado em
doenças nas quais um rápido aumento na água extracelular possa
apresentar riscos (p. ex., angina, hipertensão e insuficiência car
díaca) e não devem ser usadas em pacientes com insuficiência
renal aguda. Pacientes que recebem desmopressina para man
ter a hemostasia devem ser orientados a reduzir a captação de lí
quidos. É imperativo que esses peptídeos também não sejam ad
ministrados a pacientes com polidipsia primária ou psicogênica,
porque podem desenvolver grave hiponatremia. Rubor facial leve
e cefaleias constituem os efeitos adversos mais comuns. Podem
ocorrer reações alérgicas variando de urticária a anafilaxia com
desmopressina ou vasopressina. A administração intranasal pode
provocar efeitos adversos locais na passagem nasal, como edema,
rinorreia, congestão, irritação, prurido e ulceração.
Uso clínico de antagonistas da vasopressina
A Tabela 25-9 fornece um resumo da seletividade dos antagonis
tas do receptor de vasopressina. Apenas a tolvaptana e a conivap
tana estão atualmente disponíveis nos Estados Unidos.
Usos terapêuticos
Quando o rim percebe uma redução no volume de sangue ar
terial (em doenças como ICC, cirrose e nefrose), a AVP perpe
tua um estado de excesso total de água e sal no corpo. Os anta
gonistas do receptor V2, ou "aquaréticos", podem ter um papel
terapêutico nessas condições, especialmente em pacientes com
hiponatremia concomitante. Eles também são eficientes na hipo
natremia associada à SIADH. Os aquaréticos aumentam a excre
ção renal de água livre com pouca ou nenhuma mudança na ex
creção de eletrólitos. Como eles não afetam a reabsorção de Na+,
não estimulam o mecanismo da TGF com sua consequente redu
ção da TFG associada.
A tolvaptana é um antagonista seletivo do receptor V2 oral
aprovado pela FDA para hiponatremia hipervolêmica e euvolê
mica significativa. A conivaptana é um antagonista não seletivo
dos receptores V1.fV2 aprovado pela FDA para o tratamento de
pacientes hospitalizados com hiponatremia hipervolêmica ou
euvolêmica. A conivaptana está disponível apenas para infusão
intravenosa. Grupos de especialistas ainda precisam alcançar um
consenso a respeito do uso adequado dos antagonistas dos recep
tores V 2 (Berl, 2015).
ADME
A tolvaptana tem uma t112 de 2,8 a 12 horas e menos de 1 % é
excretado na urina. Ela é um substrato e inibidor da glicopro
teína P e é totalmente eliminada pelo metabolismo da CYP3A4.
A conivaptana se liga altamente às proteínas, possui t112 de elimi
nação terminal de 5 a 12 horas, é metabolizada pela CYP3A e é
parcialmente excretada pelos rins.
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações,
interações medicamentosas
O efeito adverso mais perigoso dos antagonistas dos recepto
res V 2 se deve à sua ação farmacológica no aumento da excre
ção de água livre. Essa ação pode corrigir a hiponatremia com
rapidez excessiva, com consequências graves e até mesmo fatais
(síndrome de desmielinização osmótica). Com efeito, a tolvap
tana tem uma advertência em tarja preta contra a correção ex
cessivamente rápida da hiponatremia e uma recomendação para
iniciar o tratamento em um hospital com capacidade de monito
ração rigorosa do Na+ sérico. Os antagonistas dos receptores V 2
não devem ser usados com solução salina hipertônica. O anta
gonismo dos receptores V2 também pode causar poliúria, o que
provavelmente explica a incidência aumentada de desidratação,
hipotensão, tontura, pirexia, aumento da sede e xerostomia com
essa classe de fármacos. Tanto a tolvaptana quanto a conivaptana
podem causar efeitos adversos GI. A tolvaptana pode provocar
lesão hepática e, por esse motivo, sua administração geralmen
te deve ser limitada a 30 dias e o fármaco não deve ser usado em
pacientes com doença hepática. Tanto a tolvaptana quanto a co
nivaptana podem induzir cefaleias, hipopotassemia e hiperglice
mia, e ambos os fármacos são contraindicados em caso de anúria
(sem benefício) e para pacientes em uso de fármacos que inibem
a CYP3A4 (p. ex., claritromicina, cetoconazol).
Agradecimento: Robert F. Reilly contribuiu para a elaboração do
presente capítulo na edição anterior deste livro. Conservamos par
te do texto na edição atual.
RESUMO: Diuréticos e agentes que regulam a excreção renal
Fármaco Principais usos terapêuticos Farmacologia clínica e dicas
Inibidores da anidrase carbônica
Acetazolamida
Diclorfenamida
Diuréticos osmóticos
Manitol
• Glaucoma
• Epilepsia
, Doença das altitudes
• Resistência aos diuréticos
, Alcalose metabólica
• Paralisia periódica familiar
• Pressão intraocular elevada
• Pressão intracraniana elevada
• Síndrome de desequilíbrio da diálise
• Diagnóstico de hiper-reatividade brônquica
• Irrigação urológica
, Tratamento de algumas superdosagens
• Ineficaz como monoterapia diurét ica, visto que os efeitos sobre
a excreção renal são autolimitados
, A diclorfenamida é o fármaco de escolha para a paralisia
periódica familiar
• Frequentemente usado no tratamento ou na prevenção de
lesões renaisMLA, et ai. Amiloride blocks lithium entry through the so
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579
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r-3. O Na+ deixa a BL e entra nos espaços intercelular e intersticial
por meio da bomba de Na+.
4. A ação dos simportadores ligados ao Na+ na LM propicia o
aumento da concentração dos substratos para esses simportes
na célula epitelial. Esses gradientes de substrato/soluto, então,
permitem a difusão simples ou o transporte mediado (p. ex.,
simportes, antiportes, uniportes e canais) de solutos para os
espaços intercelular e intersticial.
5. O acúmulo de Na+ e de outros solutos no espaço intercelular
cria um pequeno diferencial de pressão osmótica ao longo da
célula epitelial. No epitélio permeável à água, o diferencial de
pressão osmótica conduz o deslocamento da água para os es
paços intercelulares. A água se move através de poros aquosos
nas membranas celulares luminal e basolateral, assim como
através de junções firmes (via paracelular). A maior parte do
fluxo de água carrega alguns solutos para o espaço intercelular
por meio do arraste de solventes.
6. O movimento da água no espaço intercelular concentra ou
tros solutos no líquido tubular, resultando em um gradiente
eletroquímico para essas substâncias ao longo do epitélio. En
tão, os solutos permeáveis à membrana se deslocam no senti
do dos seus gradientes para o espaço intercelular por meio das
vias transcelular (p. ex., difusão simples, sin1portes, antipor
tes, uniportes e canais) e paracelular. Os solutos in1permeá
veis à membrana permanecem no lúmen tubular e são excre
tados na urina com uma quantidade obrigatória de água.
A Espaço luminal Célula epitelial Espaço peritubular
Difusão
facilitada
K+_ ....,. _ _
LM BL
7. À medida que a água e os solutos se acumulam no espaço in
tercelular, a pressão hidrostática aumenta, fornecendo, assim,
uma força direcionada para o fluxo em massa de água, que,
por sua vez, carrega o soluto para fora do espaço intercelular e
para dentro do espaço intersticial e, finalmente, para os capi
lares peritubulares.
Secreção de ácidos e bases orgânicas
O rim é o principal órgão envolvido na eliminação de substâncias
químicas orgânicas do corpo. As moléculas orgânicas podem en
trar nos túbulos renais por filtração glomerular ou ser secretadas
de modo ativo diretamente nos túbulos. O túbulo proximal tem
um sistema de transporte muito eficiente para ácidos orgânicos
e um sistema de transporte igualmente eficiente, mas separado,
para bases orgânicas. Os modelos atuais para esses sistemas se
cretores estão ilustrados na Figura 25-3. Os dois sistemas rece
bem energia da bomba de sódio na BL, envolvem o transporte
ativo secundário e terciário e usam uma etapa de difusão facili
tada. Existem muitos transportadores de ácidos e bases orgâni
cas (ver Cap. 5). Uma família de OAT une o contratransporte de
ânions orgânicos com dicarboxilatos (Fig. 25-3A).
Processamento renal de ânions e cátions
específicos
Em geral, a reabsorção do c 1- acompanha a reabsorção de Na+.
Nos segmentos do túbulo com zônulas de oclusão de baixa resis
tência (i.e., epitélio permeável), como o túbulo proximal e o RAE, o
movin1ento de c 1- pode ocorrer de modo paracelular. O c1- atra
vessa a LM por antiporte com formato e oxalato (túbulo proxi
mal), simporte com Na+/K+ (RAE), sirnporte com Na+ (TCD) e
antiporte com Hco-3 (sistema de duetos coletores). O ci- atra
vessa a BL por meio de simporte com K+ (túbulo proximal e
RAE), antiporte com Na+/Hco-3 (túbulo proximal) e canal de
c 1- (RAE, TCD, sistema de duetos coletores).
Cerca de 80 a 90% do K+ filtrado é reabsorvido no túbulo
proximal (difusão e dragagem de solvente) e no RAE (difusão),
principalmente por via paracelular. O TCD e o sistema de due
tos coletores secretam quantidades variáveis de K+ por uma via
mediada por canais. A modulação da taxa de secreção de K+ no
sistema de duetos coletores, particularmente pela aldosterona,
permite que a excreção urinária de K+ seja combinada com a
captação dietética. A diferença de potencial transepitelial, VT,
B Espaço luminal Célula epitelial Espaço peritubular
K+~K+
~ TPase
Na+ Na+ Na+
Antiportador
H(Dw
Antiportador e 3 . ~
LM
c+- - - - c +
Difusão
BL facilitada
Figura 25-3 Mecanismos de secreção de ócido orgãnico (A) e base orgânica (B) no túbulo proximal. Os números 1, 2 e 3 indicam, respectivamente,
o transporte ativo primário, secundário e terciário. A-, ácido orgânico (ânion); e+, base orgânica (cátion); aKG2
- , a-cetoglutarato, como também
outros dicarboxilatos. BL e LM indicam, respectivamente, as membranas basolateral e luminal.
553
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554
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é
encontrada nas membranas lurninal e basolateral (anidrase car
bônica tipo IV), bem como no citoplasma (anidrase carbônica
tipo II) (Fig. 25-5). Essa enzima tem um papel fundamental na
reabsorção de NaHC03 e na secreção ácida.
No túbulo proximal, a energia livre no gradiente de Na+ estabe
lecida pela bomba de Na+ basolateral é usada por um antiportador
de Na+-H+ (permutador de Na+-H+ tipo 3) na LM para o trans
porte de H+ no lúmen tubular na troca por Na+. No lúmen, o H+
reage com o HC03 filtrado para formar o H2C0 3, que se decom
põe rapidamente em C02 e água na presença da anidrase carbô
nica na borda em escova. A anidrase carbônica acelera reversível
mente essa reação em vários milhares de vezes. O C02 é lipofílico
e se difunde rapidamente ao longo da LM para a célula epite
lial, onde reage com água para formar H2C03, uma reação cata
lisada pela anidrase carbônica citoplasmática. A operação contí
nua do antiportador Na+-H+ mantém uma baixa concentração
de prótons na célula, de modo que o H2C03 é ionizado esponta
neamente para formar H + e HC03, criando um gradiente eletro
químico para o HC03 atravessar a BL. O gradiente eletroquímico
para HCOj é usado por um simportador de Na+-HCOj (tam
bém conhecido como cotransportador de Na+-HC03) na BL
para o transporte de NaHC03 para dentro do espaço intersticial.
O efeito global desse processo é o transporte de NaHC03 do lúmen
tubular para o espaço intersticial, seguido pelo movimento da água
(reabsorção isotônica). A remoção da água concentra o c1- no lú
men tubular e, consequentemente, o c 1- se difunde no sentido de
seu gradiente para o interstício por meio da via paracelular.
Os inibidores da anidrase carbônica inibem fortemente tanto
a anidrase carbônica ligada à membrana como a citoplasmática e
Diurético
70
êl
~
ni ... o 69
Q.
õ
CJ
o 68 \ "' (1) Peso corporal a.
diminui
o -t----,--...--,--.--,---,--r----,---r--,--.--,---,--,
Excreção > captação
200
Mecanismos
cõ 150 contrarregulatórios
~ ainda funcionando
iff 100 _ _,_ _____ _,.-'------'-1-----
~ - Excreção
50 - Captação
Dias
Captação > excreção
Figura 25-4 Mudanças no peso e no volume do líquido extrocelular com
a terapia diurética. O período de administração do diurético é apre
sentado na caixa sombreada junto com seus efeitos sobre o peso cor
poral, na parte superior da figura, e a excreção de Na2+, na metade
inferior da figura. Inicialmente, quando a excreção de Na2+ excede o
aporte, o peso corporal e o VLEC d iminuem. Subsequentemente, um
novo estado de equilíbrio é alcançado onde a captação e a excreção
de Na+ são iguais, mas com VLEC e peso corporal menores. Isso resulta
da ativação do SRAA e do SNS, "o fenômeno de travagem". Quando
o diurético é interrompido, o peso corporal e o VLEC sobem durante
um período em que a captação de Na2+ excede a excreção. Um novo
estado de equilíbrio é alcançado com o declínio da estimulação do
SRAA e do SNS.
TABELA 25-1 • EFEITOS HEMODINÂMICOS EXCRETÓRIOS E RENAIS DOS DIURÉTICOSª
CATIONS ÃNIONS ACIDO ÚRICO HEMODINÃMICA RENAL
MECANISMODODIURÉTICO - - -
(principal local de ação) Na+ K+ W b Ca2
• Mg2
• c1- HC03 H2P04 AGUDO CRÔNICO FSR TFG FF TGF
Inibidores da CA (túbulo + ++ NC V (+) ++ ++ NC +
proximal)
Diuréticos osmóticos ++ + + ++ + + + + + NC
(alça de Henle)
Inibidores do simporte ++ ++ + ++ ++ ++ +' +' + V(+) NC V(-)
Na•-K•-20-
(ramo ascendente espesso)
Inibidores do simporte Na•-c1- + ++ + V(-) V(+) + +' +' + NC V(-) V(-) NC
(túbulo contorcido distal)
Inibidores dos canais de Na+ + + (+) NC NC NC NC NC
epiteliais renais (túbulo distal
final, dueto coletor)
Antagonistas dos receptores + + (+) NC NC NC NC
mineralocorticoides (túbulo
distal final, dueto coletor)
'Exceto para o ácido úrico, as mudanças são para os efeitos agudos dos diuréticos na ausência de depleção de volume significativa, que desencadearia ajustes fisiológicos
complexos.
•o W inclui ácido t itulável e NH:.
' Em geral, estes efeitos estão restritos aos agentes individuais que inibem a anidrase carbônica. Entretanto, existem exceções importantes em que os inibidores do sim porte
aumentam o bicarbonato e o fosfato (p. ex., metolazona, bumetanida). ++, +, (+).-, NC, V, V(+), V(-) e I indicam, respectivamente, aumento marcante, aumento leve a moderado,
aumento leve, redução, sem mudança, efeito variável, aumento variável, redução variável e dados insuficientes. Para cátions e ãnions, os efeitos indicados se referem a mudanças
absolutas na excreção da fração.
TABELA 25-2 • INIBIDORES DA ANIDRASE CARBÔNICA
FÁRMACO POT~NCIA RELATIVA DISPONIBILIDADE ORAL t112 (h) VIA DE ELIMINAÇÃO
Acetazolamida
Diclofenamida
Metazolamida
30
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Inibidores da CA
Lúmen
Inibidores do simporte
de Na•-c1-
Figura 25-5 Locais e mecanismos de ação dos diuréticos. Três características importantes são notáveis: 1. O transporte de soluto pelas células epi
teliais em todos os segmentos do néfron envolve proteínasespecializadas, que, em sua maioria, são proteínas integrais das membranas apical e
basolateral. 2. Os diuréticos direcionam e bloqueiam a ação das proteínas epiteliais envolvidas no transporte de solutos. 3. O local e o mecanismo
de ação de uma dada classe de diuréticos são determinados pela proteína específica inibida pelo diurético. Aldo, aldosterona.
na epilepsia se deve em parte à produção da acidose metabóli
ca, porém suas ações diretas no SNC também contribuem para
a sua ação anticonvulsivante. Graças à interferência da atividade
da anidrase carbônica nas hemácias, os inibidores dessa enzima
aumentam os níveis de C02 nos tecidos periféricos e reduzem os
níveis de C02 no gás expirado. A acetazolamida provoca vaso
dilatação ao abrir os canais vasculares de K+ ativados pelo Ca2+,
porém a importância clínica desse efeito não está bem definida.
ADME
Ver a Tabela 25-2 para dados farmacocinéticos.
Usos terapêuticos
A eficácia dos inibidores da anidrase carbônica como agentes
isolados é baixa. A combinação de acetazolamida com diuréti
cos que bloqueiam a reabsorção de Na+ em locais mais distais
no néfron provoca uma resposta natriurética acentuada em pa
cientes com baixa excreção fracional basal de Na+ (de salicilatos, barbitúricos, brometos e lítio
após superdosagem; o diagnóstico de hiper-reatividade brôn
quica (por inalação oral); e a irrigação urológica anti-hemolítica
durante procedimentos transuretrais.
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações e
interações medicamentosas
Os diuréticos osmóticos são distribuídos no líquido extracelular
e contribuem com a osmolalidade extracelular. Dessa forma, a
água é extraída dos compartimentos intracelulares e o volume
do líquido extracelular aumenta. Em pacientes com insuficiência
cardíaca ou congestão pulmonar, esse efeito pode provocar ede
ma pulmonar franco. A extração da água também provoca hipo
natrernia, o que pode explicar os efeitos adversos comuns, que
incluem cefaleia, náuseas e vômitos. Em contrapartida, uma per
da de água maior que a de eletrólitos pode causar hipernatremia
e desidratação. Os diuréticos osmóticos são contraindicados para
pacientes que estão anúricos por causa de doença renal grave.
O extravasamento de ureia pode provocar trombose ou dor e ela
não deve ser administrada a pacientes com função hepática com
prometida, por causa do risco de elevação dos níveis sanguíneos
de amônia. Tanto o manitol quanto a ureia estão contraindica
dos para pacientes com sangramento craniano ativo. A glicerina
é metabolizada e pode provocar hiperglicemia.
Inibidores do simporte de Na+-K+-2c1-:
diuréticos de alça, diuréticos de alta potência
Os diuréticos de alça e de alta potência inibem a atividade do
simportador de Na+-K+-2cr no RAE da alça de Henle, daí a sua
designação de diuréticos de alça. Apesar de o túbulo proximal
reabsorver cerca de 65% do Na+ filtrado, os diuréticos que atuam
apenas nesse túbulo possuem eficácia limitada, visto que o RAE
tem a capacidade de reabsorver a maior parte do material rejeita
do pelo túbulo proximal. Em contrapartida, os inibidores do sim
porte de Na+-K+-2c1- no RAE, às vezes denominados diuréticos
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de alta potência, são altamente eficazes, visto que (1) cerca de
25% carga filtrada de Na+ normalmente é reabsorvida pelo RAE,
e (2) os segmentos do néfron depois do RAE não possuem a ca
pacidade de reabsorção para recuperar o fluxo de material que
sai do RAE.
Entre os inibidores do sim porte de Na+_ K+ -2cr (Tab. 25-4),
apenas a furosemida, a bumetanida, o ácido etacrínico e a tora
semida estão disponíveis nos Estados Unidos. A furosemida e a
bumetanida contêm um componente sulfonamida; o ácido eta
crínico é um derivado do ácido fenoxiacético; e a torsemida é
uma sulfonilureia. A furosernida e a bumetanida estão disponí
veis como formulações orais e injetáveis; a torsemida, como for
mulação oral; o etacrinato de sódio, como solução injetável; e o
ácido etacrínico, como comprimido oral.
Mecanismo e local de ação
Esses agentes atuam principalmente no RAE, onde o fluxo de Na+,
K+ e c1- do lúmen para dentro das células epiteliais é mediado por
um simportador de Na•-K•-2ct- (Fig. 25-5). Os inibidores desse
simportador bloqueiam a sua função (Bernstein e Ellison, 2011;
Wile, 2012), praticamente paralisando o transporte de sal nesse
segmento do néfron. Há evidências de que esses fármacos se li
guem ao sítio de ligação do ci- localizado no domínio transmem
brana do simportador, porém estudos mais recentes questionam
esse ponto de vista. Os inibidores do simporte de Na•-K•-2ct
também inibem a reabsorção de Ca2
• e Mg2+ no RAE, anulando a
diferença de potencial transepitelial que constitui a força propul
sora dominante para a reabsorção desses cátions.
Os simportadores de Na•-K•-2ci- são encontrados em mui
tos epitélios secretores e absortivos. Existem dois tipos de sim
portadores de Na•-K•-2cr. O simportador "absortivo" (deno
minado ENCC2, NKCC2 ou BSCI) é expresso apenas no rim, está
localizado na membrana apical e nas vesículas intracelulares su
bapicais do RAE e é regulado pela via do AMPc/PKA. O sim porte
"secretor" (chamado de ENCCJ, NKCCI ou BSC2) é uma proteí
na "gestora" amplamente expressa e, nas células epiteliais, está lo
calizada na BL. A afinidade dos diuréticos de alça para o sim porte
secretor é de alguma forma menor do que para o sim porte absor
vente (p. ex., diferença de 4 vezes para bumetanida). Mutações no
simportador de Na•-K•-2ct- provocam uma forma de alcalose
hipopotassêmica hereditária, denominada síndrome de Bartter.
Efeitos na excreção urinária
Os diuréticos de alça aumentam acentuadamente a excreção uri
nária de Na• e c1- (i.e., até 25% da carga filtrada de Na•), bem
como a excreção de Ca2
• e Mg2•. A furosemida possui ativida
de inibidora fraca da anidrase carbônica e, portanto, aumenta a
excreção urinária de HC03 e fosfato. Todos os inibidores do sim
porte Na•-K•-2ci- aumentam a excreção urinária de K+ e de áci
do titulável. Esse efeito se deve, em parte, ao maior aporte de Na•
no túbulo distal (o mecanismo pelo qual o aporte distal aumen
tado de Na+ intensifica a excreção de K+ e H+ é discutido na se
ção sobre os inibidores dos canais de Na•). Outros mecanismos
que contribuem para potencializar a excreção de K+ e H+ incluem
a potencialização de secreção do íon dependente do fluxo pelo
dueto coletor, a liberação não osmótica de vasopressina e a ati
vação do eixo SRA.
Quando usados de forma aguda, os diuréticos de alça aumen
tam a excreção de ácido úrico, enquanto a sua administração crô
nica resulta em excreção diminuída desse ácido. Os efeitos crôni
cos dos diuréticos de alça sobre a excreção do ácido úrico podem
decorrer do aumento do transporte tubular proximal ou podem
ser secundários à depleção de volume ou à competição entre o
diurético e o ácido úrico pelo mecanismo secretor de ácido orgâ
nico no túbulo proximal. A hiperuricemia assintomática é uma
consequência comum dos diuréticos de alça, todavia raros casos
de episódios dolorosos de gota também já foram relatados (Bru
derer et ai., 2014). Ao bloquear a reabsorção ativa de NaCl no
RAE, os inibidores do simporte de Na•-K+-2ct- interferem em
uma etapa fundamental do mecanismo responsável pela produ
ção de um interstício medular hipertônico. Por conseguinte, os
diuréticos de alça bloqueiam a capacidade do rim de concentrar
a urina. Além disso, como o RAE faz parte do segmento diluidor,
os inibidores do simporte de Na•-K•-2cr comprometem acen
tuadamente a capacidade do rim de excretar uma urina diluída
durante a diurese de água.
Efeitos na hemodinâmica renal
Se a depleção do volume é evitada ao repor as perdas de líqui
dos, os inibidores do simporte de Na•-K•-2ct- geralmente au
mentam o FSR total e o redistribuem para o córtex mediano.
O mecanismo de aumento do FSR é desconhecido, mas pode en
volver as PG. Os AINE atenuam a resposta diurética dos diuréti
cos de alça, em parte ao impedir aumentos do FSR mediados por
PG. Os diuréticos de alça bloqueiam a TGF ao inibir o transporte
de sal na mácula densa, de modo que a mácula densa não possa
mais detectar concentrações de NaCl no líquido tubular. Portan
to, diferentemente dos inibidores da anidrase carbônica, os diu
réticos de alça não reduzem a TFG ao ativar a TGF. Os diuréticos
de alça são poderosos estimulantes da liberação de renina. Esse
efeito ocorre por causa da interferência do transporte de NaCl
pela mácula densa e, se ocorrer depleção do volume, da ativação
reflexa do SNS e da estimulação do mecanismo barorreceptor in
trarrenal.
TABELA 25-4 • INIBIDORES DO SIMPORTE DE Na+-w-2cr (DIURÉTICOS DE ALÇA, DIURÉTICOS DE ALTA POTÊNCIA)
FÁRMACO POT~NCIA RELATIVA DISPONIBILIDADE ORAL t112 (h} VIA DE ELIMINAÇÃO
Furosemida
Bumetanida 40
Ácido etacrínico 0,7
Torsemida 3
Azossemidab
Piretanidab 3
M, metabolismo; R, excreção renaldo fármaco intacto.
'O metabolismo da furosemida ocorre predominantemente no rim.
"Não disponível nos Estados Unidos.
- 60% -1,5 - 65% R, - 35% Mª
- 80% - 0,8 - 62% R, - 38% M
-100% -1 -67%R, - 33% M
-80% -3,5 - 20% R, -80% M
-12% -2,5 - 27% R, -63%M
- 80% 0,6-1,5 - 50% R, - 50% M
Outras ações
Os diuréticos de alça, principalmente a furosemida, aumentam de
forma aguda a capacitância venosa sistêmica, reduzindo, dessa for
ma, a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo. Esse efeito,
que pode ser mediado pelas PG e requer que os rins estejam in
tactos, beneficia os pacientes com edema pulmonar mesmo antes
que a diurese ocorra. Em altas doses, os inibidores do simporte de
Na+-K+-2ci- podem inibir o transporte de eletrólitos em vários te
cidos. Esse efeito é clinicamente importante na orelha interna e
pode resultar em ototoxicidade, principalmente em pacientes com
comprometimento auditivo preexistente.
ADME
A Tabela 25-4 fornece algumas propriedades farmacocinéticas
desses agentes. Como esses fármacos se ligam extensamente às
proteínas plasmáticas, a sua liberação por filtração nos túbulos é
limitada. Entretanto, eles são secretados de modo eficiente pelo
sistema de transporte de ácidos orgânicos no túbulo proximal e,
portanto, têm acesso ao simportador de Na+-K+-2cr na LM do
RAE. Aproximadamente 65% da furosemida é excretada inalte
rada na urina e o restante é conjugado com ácido glicurônico nos
rins. Portanto, em pacientes com doença renal, a t112 de elimina
ção da furosemida é prolongada. A bumetanida e a torsemida so
frem metabolismo hepático significativo, de modo que a presen
ça de doença hepática pode prolongar a t112 de eliminação desses
diuréticos de alça. A biodisponibilidade oral da furosemida varia
(10-100%). Em contraste, as disponibilidades orais da burnetani
da e da torsernida são elevadas.
Como classe, os diuréticos de alça apresentam /112 de elimina
ção curtas e não se dispõe de preparações de liberação prolonga
da. Consequentemente, na maioria das vezes, o intervalo de ad
ministração é muito curto para manter níveis adequados desses
diuréticos no lúmen tubular. Convém observar que a torsemida
possui t112 mais longa do que outros agentes disponíveis nos Es
tados Unidos. A medida que a concentração do diurético de alça
declina no lúmen tubular, os néfrons começam a reabsorver avi
damente o Na+, o que frequentemente anula o efeito geral do diu
rético de alça sobre o Na+ total do corpo. Esse fenômeno de "re
tenção de Na+ pós-diurético" pode ser superado pela restrição da
ingestão dietética de Na+ ou pela administração mais frequente
do diurético de alça.
Usos terapêuticos
O uso principal dos diuréticos de alça é no tratamento do ede
ma pulmonar agudo. Um rápido aumento na capacitância veno
sa junto com uma rápida natriurese reduz as pressões de enchi
mento do ventrículo esquerdo e, portanto, alivia rapidamente o
edema pulmonar. Os diuréticos de alça também são usados am
plamente para o tratamento da ICC crônica, quando é desejável
obter urna diminuição do VLEC para minimizar a congestão ve
nosa e pulmonar (ver Cap. 29). Os diuréticos levam a urna redu
ção significativa da mortalidade e do risco de agravamento da in
suficiência cardíaca, bem como a uma melhora na capacidade de
realizar exercícios. Embora a furosemida seja o diurético de alça
mais comum usado no tratamento da insuficiência cardíaca, os
pacientes com insuficiência cardíaca têm menos hospitalizações
e urna melhor qualidade de vida com a torsemida do que com a
furosemida, talvez como resultado de sua absorção mais confiá
vel e devido a outros efeitos farmacológicos auxiliares (Buggey
et al., 2015).
Embora os diuréticos sejam amplamente usados no trata
mento da hipertensão (ver Cap. 28), os inibidores do simpor
te de Na+-K+-2cr não são considerados diuréticos de primeira
escolha para o tratamento da hipertensão em pacientes com fun
ção renal normal. Isso se deve à menor eficácia anti-hipertensiva
dos diuréticos de alça nesses pacientes e à falta de dados que de
monstrem uma redução na ocorrência de eventos cardiovascu
lares. Todavia, em pacientes com TFG baixa ( = 3:
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contraindicações para o uso dos diuréticos de alça incluem deple
ção grave de Na+ e de volume, hipersensibilidade às sulfonamidas
(para diuréticos de alça à base de sulfonamida) e anúria não res
ponsiva a uma dose de teste do diurético de alça.
Podem ocorrer interações medicamentosas quando os diu
réticos de alça são coadministrados com os seguintes fármacos:
• Aminoglicosídeos, carboplatina, paclitaxel e outros (sinergis
mo de ototoxicidade)
• Anticoagulantes (aumento da atividade anticoagulante)
• Glicosídeos digitálicos (aumento de arritmias induzidas por
digitálicos) .
• Lítio (aumento dos níveis plasmáticos de Lj+)
• Propranolol (aumento dos níveis plasmáticos de propranolol)
• Sulfonilureias (hiperglicemia)
• Cisplatina (risco aumentado de ototoxicidade induzida por
diuréticos)
• AINE (resposta diurética atenuada e toxicidade do salicilato
com altas doses de salicilatos)
• Probenecida (resposta diurética reduzida)
• Diuréticos tiazídicos (sinergismo da atividade diurética de
ambos os fármacos, levando a profunda diurese)
• Anfotericina B (aumento do potencial de nefrotoxicidade e
intensificação do desequilíbrio eletrolítico)
Inibidores do simporte de Na+-c1- : diuréticos
tiazídicos e diuréticos semelhantes às tiazidas
O termo diuréticos tiazfdicos geralmente se refere a todos os ini
bidores do simporte de Na+-c1-, assim designados porque os ini
bidores originais do simporte de Na+-cr eram derivados das
benzotiadiazinas. Atualmente, a classe inclui diuréticos deriva
dos da benzotiadiazina (diuréticos tiazfdicos ou do tipo tiazida)
e agentes farmacologicamente semelhantes aos diuréticos tiazí
dicos, mas que diferem estruturalmente (diuréticos semelhantes
às tiazidas) . A Tabela 25-5 fornece uma lista de diuréticos dessa
classe de fármacos atualmente disponíveis nos Estados Unidos.
Mecanismo e local de ação
Os diuréticos tiazídicos inibem o transporte de NaCl no TCD e
o túbulo proximal pode representar um local de ação secundá
rio. A Figura 25-5 ilustra o modelo atual do transporte de eletró
litos no TCD. O transporte é impulsionado por uma bomba de
Na+ na BL. A energia livre no gradiente eletroquimico do Na+ é
aproveitada por um simportador de Na+-ci- na LM que desloca,
contra o seu gradiente eletroquímico, o c1- para a célula epitelial.
O c1-, então, sai de forma passiva pela BL por um canal de c1-.
Os diuréticos tiazídicos inibem o simportador de Na+-cr (de
nominado ENCCl ou TSC), que é expresso predominantemente
no rim e localizado na membrana apical das células epiteliais do
TCD. A expressão do simportador é regulada pela aldosterona.
A ocorrência de mutações no simportador de Na+-c1- provoca
uma forma de alcalose hipopotassêmica hereditária, denominada
síndrome de Gitelman.
Efeitos na excreção urinária
Os inibidores do simporte de Na+-cr aumentam a excreção de
Na+ e cr. Entretanto, as tiazidas são apenas moderadamente efi
cazes (ou seja, a excreção máxima da carga filtrada de Na+ é de
apenas 5%), já que cerca de 90% da carga filtrada de Na+ é reab
sorvida antes de alcançar o TCD. Alguns diuréticos tiazídicos
também são inibidores fracos da anidrase carbônica, um efeito
que aumenta a excreção de HC03- e fosfato e provavelmente é
responsável pelos seus efeitos fracos no túbulo proximal. Os ini
bidores do sim porte de Na+ -c1- aumentam o K+ e a excreção de
ácido titulável pelos mesmos mecanismos dos diuréticos de alça
discutidos anteriormente. A administração aguda de tiazida au
menta a excreção de ácido úrico. Entretanto, a excreção de ácido
úrico é reduzida após a administração crônica, por mecanismos
semelhantes aos discutidos para os diuréticos de alça. Além dis
so, as tiazidas podem ser transportadas do compartimento basa
lateral para o compartimento luminal por meio do antiportador
OAT4 na membrana apical (Palmer, 2011; ver Cap. 5). Os efei
tos agudos dos inibidores do simporte de Na+-c1- na excreção de
Ca2
+ são variáveis. Com a administração crônica, os diuréticos tia
zídicos reduzem a excreção de Ca2+. O mecanismo envolve a rea
bsorção proximal aumentada graças à depleção de volume, assim
como efeitos diretos das tiazidas para aumentar a reabsorção de
Ca2+ no TCD. Os diuréticos tiazídicos podem causar magnesúria
leve e seu uso prolongado pode causar deficiência de magnésio,
principalmente nos idosos. Como os inibidores do simporte de
Na+ -Cl- inibem o transporte no segmento diluente cortical, esses
diuréticos atenuan1 a capacidade do rim em excretar urina dilu
ída durante a diurese da água. Entretanto, como o TCD não está
envolvido no mecanismo que gera o interstício medular hipertô
nico, os diuréticos tiazídicos não alteram a capacidade do rin1 de
concentrar urina durante a hidropenia. Em geral, os inibidores do
simporte de Na+ -Cr não afetam o FSR e reduzem apenas varia
velmente a TFG graças aos aumentos na pressão intratubular. As
tiazidas têm pouca ou nenhuma influência na TGF.
TABELA 25-5 • INIBIDORES DO SIMPORTE DE Na+-cr (DIURÉTICOS TIAZÍDICOS)
FÁRMACO POTÊNCIA RELATIVA DISPONIBILIDADE ORAL t112 (h) VIA DE ELIMINAÇÃO
Diuréticos tiazídicos
Bendroflumetiazida
Clorotiazida
Hidroclorotiazida
Meticlotiazida
Diuréticos semelhantes às tiazidas
Clortalidona
lndapamida
Metolazona
10
0,1
10
20
10
-100%
9-56% (dependente da dose)
-70%
ID
-65%
-93%
-65%
3-3,9 - 30% R, - 70% M
-1,5 R
-2,5 R
ID M
- 47 - 65% R, - 10% B, - 25% U
-14 M
8-14 -80% R, -10% B, -10% M
B, excreção do fármaco intacto na bile; ID, dados insuficientes; M, metabolismo; R, excreção renal do fármaco intacto; U, via de eliminação desconhecida.
ADME
A Tabela 25-5 fornece uma lista de parâmetros farmacocinéticos
dos inibidores do simporte de Na+-c1-. Convém observar a ampla
faixa de t112 desses fármacos. As sulfonamidas, por serem ácidos
orgânicos, são secretadas no túbulo proximal pela via secretora de
ácidos orgânicos. Como as tiazidas devem ter acesso ao lúmen tu
bular para inibir o simporte de Na+-ci-, fármacos como a probe
necida podem atenuar a resposta diurética das tiazidas ao compe
tir pelo transporte para o túbulo proximal. Entretanto, a ligação a
proteínas plasmáticas varia consideravelmente entre os diuréticos
tiazídicos e esse parâmetro determina a contribuição da filtração
na liberação tubular de uma tiazida específica.
Usos terapêuticos
Os diuréticos são usados no tratamento do edema associado a
doenças cardíacas (ICC), doença hepática (cirrose hepática) e
doença renal (síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica e
glomerulonefrite aguda). Com as possíveis exceçôes da metola
zona e da indapamida, a maioria dos diuréticos tiazídicos é ine
ficaz quando a TFG for inferior a 30 a 40 mL/min. Os diuréticos
tiazídicos reduzem a pressão arterial em pacientes hipertensos
e são amplamente usados no tratamento da hipertensão em as
sociação com outros agentes anti-hipertensivos (Tamargo et ai.,
2014) (ver Cap. 28). Os diuréticos tiazídicos são baratos, bem to
lerados e tão eficazes quanto outras classes de agentes anti-hiper
tensivos. As tiazidas podem ser administradas 1 vez/dia, não exi
gem titulação da dose e possuem poucas contraindicaçôes. Além
disso, elas possuem efeitos aditivos ou sinérgicos quando combi
nadas com outras classes de agentes anti-hipertensivos. Embora
a hidroclorotiazida seja o décimo fármaco mais prescrito nos Es
tados Unidos e seja prescrita com uma frequência 20 vezes maior
do que a hidroclorotiazida (Roush et ai., 2014), há fortes evidên
cias de que a clortalidona e outros diuréticos semelhantes às tia
zidas, como a indapamida, reduzam mais a pressão arterial e os
eventos cardiovasculares em pacientes hipertensos do que a hi
droclorotiazida (Olde Engberink et ai., 2015; Roush et ai., 2014,
2015). Isso provavelmente se deve à t112 mais longa dos diuréticos
semelhantes às tiazidas em comparação com a hidroclorotiazida,
resultandoem melhor controle da pressão arterial em 24 horas
pela clortalidona.
Os diuréticos tiazídicos que reduzem a excreção urinária de
Ca2+ às vezes são empregados para tratar a nefrolitíase por Ca2+ e
podem ser úteis para tratar a osteoporose (ver Cap. 44). Os diuré
ticos tiazídicos constituem a base para o tratamento do DI nefro
gênico, reduzindo o volume de urina em até 50%. Embora possa
parecer contraintuitivo tratar um distúrbio de volume aumenta
do de urina com um diurético, as tiazidas reduzem a capacidade
do rim de excretar água livre. Esses fármacos aumentam a reab
sorção de água tubular proximal (secundário à contração devo
lume) e bloqueiam a capacidade do TCD de formar urina diluída.
Esse último efeito resulta em aumento da osmolalidade urinária.
Como outros haletos são excretados por meio de processos renais
similares aos do Ct, os diuréticos tiazídicos também podem ser
úteis para o tratamento da intoxicação por Br-.
Toxicidade, efeitos adversos, contraindicações,
interações medicamentosas
Os diuréticos tiazídicos raramente provocam distúrbios GI, he
matológicos, dermatológicos (p. ex., fotossensibilidade e exan
temas) ou no SNC (p. ex., vertigem e cefaleia). A incidência
de disfunção erétil é maior com os inibidores do simporte de
Na+-c1- do que com vários outros agentes anti-hipertensivos
(Grimm et al., 1997), porém geralmente é tolerável. Como ocorre
com os diuréticos de alça, os efeitos adversos mais graves das tia
zidas estão relacionados a anormalidades no equilíbrio de líqui
dos e eletrólitos. Esses efeitos adversos incluem depleção do vo
lume extracelular, hipotensão, hipopotassemia, hiponatremia,
hipocloremia, alcalose metabólica, hipomagnesemia, hipocalce
mia e hiperuricemia (Palmer, 2011). Os diuréticos tiazídicos já
provocaram hiponatremia fatal ou quase fatal (Rodenburg et ai.,
2013), e alguns pacientes correm risco recorrente de hiponatre
mia quando expostos novamente às tiazidas.
Os diuréticos tiazídicos também diminuem a tolerância à gli
cose e desmascaram o diabetes melito latente (Palmer, 2011).
O mecanismo de comprometimento da tolerância à glicose pare
ce envolver uma redução na secreção de insulina e alterações no
metabolismo da glicose. A hiperglícemia é reduzida quando se
administra K+ juntamente com o diurético. É importante assina
lar que o diabetes melito induzido por tiazidas não está associado
ao mesmo risco de doença cardiovascular que o diabetes inciden
te (Barzilay et ai., 2012). A hipopotassemia induzida por tiazidas
também compromete o efeito anti-hipertensivo e a proteção car
diovascular proporcionados pelas tiazidas em pacientes com hi
pertensão. Os diuréticos tiazídicos também podem aumentar os
níveis plasmáticos de colesterol LDL, colesterol total e triglice
rídeos totais. Os diuréticos tiazídicos são contraindicados para
pessoas hipersensíveis às sulfonamidas. Com relação a intera
ções medicamentosas, os diuréticos tiazídicos podem reduzir os
efeitos de anticoagulantes, agentes uricosúricos usados para tra
tar gota, sulfonilureias e insulina, assim como podem aumentar
os efeitos de anestésicos, diazóxido, glicosídeos digitálicos, lítio,
diuréticos de alça e vitamina D. A efetividade dos diuréticos tia
zídicos pode ser reduzida por AINE, inibidores não seletivos ou
seletivos da COX-2 e sequestrantes dos ácidos biliares (absorção
reduzida das tiazidas). A anfotericina B e os corticosteroides au
mentam o risco de hipopotassemia induzida por esses diuréticos.
Em uma interação potencialmente letal, a depleção de K+ in
duzida por diuréticos tiazídicos pode contribuir para arritmias
ventriculares fatais associadas a fármacos que prolongam o inter
valo QT (i.e., quinidina, dofetilida, trióxido de arsênio; vertam
bém Cap. 30).
Inibidores dos canais de Na+ do epitélio renal:
diuréticos poupadores de K+
O triantereno e a amilorida são os únicos dois fármacos dessa clas
se que estão em uso clínico. Ambos os fármacos provocam peque
nos aumentos na excreção de NaCl e geralmente são usados por
causa de suas ações anticaliuréticas, para compensar os efeitos de
outros diuréticos que aumentam a excreção de K+. Consequente
mente, o triantereno e a amilorida, juntamente com a espironolac
tona e a eplerenona (descritas na próxima seção), são frequente
mente classificados como diuréticos poupadores de potássio (K').
Ambos os fármacos são bases orgânicas, são transportados
pelo mecanismo secretor de bases orgânicas no túbulo proximal
e apresentam mecanismos de ação semelhantes (Fig. 25-5). As
principais células na parte final dos túbulos distais e nos duetos
coletores (particularmente dos túbulos coletores corticais) apre
sentam em suas LM CENa que fornecem uma via de condução
para a entrada de Na+ dentro da célula ao longo do gradiente ele
troquímico criado pela bomba de Na+ basolateral. A maior per
meabilidade para Na+ da LM despolariza essa membrana, mas
não a BL, criando uma diferença de potencial transepitelial nega
tiva no lúmen. Essa voltagem transepitelial fornece uma impor
tante força motriz para a secreção de K+ no lúmen por meio dos
canais de K+ (ROMK [Kirl.l] e canais BK) (Garcia e Kaczoro
wski, 2014) da LM. Entretanto, a regulação global da secreção de
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K+ na parte final do túbulo distal e no dueto coletor envolve múl
tiplos mecanismos de sinalização (Welling, 2013). Os inibidores
da anidrase carbônica, os diuréticos de alça e os diuréticos tiazí
dicos aumentam a liberação de Na+ para o final do túbulo distal e
para o dueto coletor, uma situação que frequentemente está asso
ciada ao aumento da excreção de K+ e H+.
A amilorida e o triantereno bloqueiam os CENa na LM das
células principais na parte final dos túbulos distais e nos duetos
coletores ao se ligarem a um local no poro do canal. Os CENa
consistem em três subunidades (a,~ e y) (Kellenberger e Schild,
2015). Embora a subunidade a seja suficiente para a atividade do
canal, a permeabilidade máxima do Na• é induzida quando to
das as três subunidades são coexpressas na mesma célula, pro
vavelmente formando uma estrutura tetramérica de duas subu
nidades a, uma subunidade ~ e uma subunidade y. Embora não
estejam totalmente elucidados, existem mecanismos complexos,
incluindo clivagem proteolítica, que regulam a ativação do CENa
(Kellenberger e Schild, 2015).
Efeitos na excreção urinária
A porção final do túbulo distal e o dueto coletor possuem capa
cidade limitada de reabsorção de solutos, portanto o bloqueio do
canal de Na+ nessa parte do néfron aumenta apenas levemente
as taxas de excreção de Na+ e c1- (- 2% da carga filtrada). O blo
queio dos canais de Na+ hiperpolariza a LM, reduzindo a volta
gem transepitelial negativa do lúmen. Como a diferença de po
tencial negativa do lúmen geralmente se opõe à reabsorção de
cátions e facilita a secreção de cátions, a atenuação da voltagem
negativa do lúmen reduz as taxas de excreção de K+, H+, Ca2+ e
Mg2+. A contração do volume pode aumentar a reabsorção de
ácido úrico no túbulo proximal; dessa forma, a administração
crônica de amilorida e triantereno pode reduzir a excreção de
ácido úrico. A amilorida e o triantereno possuem pouco ou ne
nhum efeito na hemodinâmica renal e não alteram a TGF.
ADME
A Tabela 25-6 fornece uma lista de dados farmacocinéticos para
a amilorida e o triantereno. A amilorida é eliminada predomi
nantemente pela excreção urinária do fármaco intacto. O trian
tereno é metabolizado no fígado a um metabólito ativo, o sulfato
de 4-hidroxitriantereno, que é excretado na urina; portanto, sua
toxicidade pode ser potencializada na presença de doença hepá
tica e insuficiência renal.
Usos terapêuticos
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