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Números complexos
Introdução
Ao resolvermos a equação x2 – 4x + 5 =0, encontramos
2 1x = ± − , que não são soluções reais. Euler, em
1777, chamou 1− de i (unidade imaginária), e Gauss,
em 1800, associou a cada símbolo a + bi o par ordenado
(a, b). Esse par recebe o nome de número complexo e
é representado por um ponto no plano.
O número complexo (0, 1) é chamado unidade imaginária
e será indicado por i, ou seja, (0, 1) = i.
Representação algébrica
Todo número complexo z = (a, b), com a e b reais,
pode ser escrito na forma z = a + bi, chamada de
forma algébrica.
O número real a é chamado de parte real de z e é
indicado por Re (z). O número real b é chamado de parte
imaginária de z e é indicado por Im (z).
A unidade imaginária i satisfaz a equação i2 = – 1
Se a parte imaginária de z é igual a zero, então z é um
número real.
z é real ⇔ Im (z) = 0
Se a parte real de z é igual a zero e a parte imaginária é
não nula, então z é um número imaginário puro.
z é imaginário puro ⇔ Re (z) = 0 e Im (z) ≠ 0
Igualdade e operações de números complexos
Sejam os números complexos 1z a bi= + e
2z c di= +
Igualdade
1 2 z z a bi c di a ceb d= ⇔ + = + ⇔ = =
Adição
1 2 ( ) ( )z z a c b d i+ = + + +
Subtração
( ) ( )1 2z z a c b d i− = − + −
Multiplicação
A multiplicação é tratada como produto de binômios
( ) ( ) 21 2. .z z a bi c di ac adi bci bdi= + + = + + +
( ) ( )1 2.z z ac bd ad bc i= − + +
Conjugado
1z a bi= −
Observações:
a) não confundir o conjugado com oposto 1z a bi− = − −
b) ( ) ( ) ( )22 2 21 1. .z z a bi a bi a bi a b= + − = − = + ,
pois 2 1i = − .
Divisão
A divisão
21 1
22 2
.z z z
z z z
= ,com z2 ≠ 0.
Exemplos
Dados os complexos 2 5z i= + e 3w i= − temos:
5 4z w i+ = +
1 6z w i− = − +
( ) ( ) ( )
( ) ( )
2. 2 5 . 3 2.3 2. 5 .3 5
6 2 15 5 6 5 5 2
11 13
z w i i i i i
i i i
i
= + − = + − + − =
= − + + = + + − =
= +
3w i= +
( )
( )
( )
( )
( ) ( )
2 2
2 5 3
. .
3 3
6 5 15 2 1 17
3 9 1
i iz z w
w w w i i
i i
i
+ +
= = =
− +
− + + +
= =
− +
1 17
10 10
z i
w
= +
Encontre o número complexo z a bi= + tal que
2 9w i= − + seja igual ao oposto do conjugado do
complexo z .
Queremos que w z= − e como z a bi= − , então
temos:
2 9 2 9 2 9i a bi a eb z i− + = − + ⇒ = = ⇒ = +
Representação Geométrica
O conjunto de todos os números complexos
representados no plano recebe o nome de Plano
Complexo, também chamado de Plano de Argand-
Gauss.
Neste plano, como já vimos no início, o eixo das
abscissas recebe o nome de Eixo Real e o eixo das
ordenadas, de Eixo Imaginário, visto que sobre estes
eixos são representadas, respectivamente, as partes
reais e imaginárias de cada número complexo.
Podemos interpretar, geometricamente, um número
complexo z a bi= + como o vetor (a,b) de origem em
(0,0) e extremidade final no ponto (a,b) do plano
cartesiano.
Acesse o link e mova a extremidade do vetor que
representa o complexo ( ) ( ),0 0,z a b i= + para
percorrer o plano complexo: https://goo.gl/uVHWVD
Como é possível encontrar, graficamente, a soma de dois
complexos?
Como são identificados como vetores, o método gráfico
para encontrar a soma de dois números complexos é o
que chamamos no estudo de vetores de "Lei do
Paralelogramo", muito utilizado na Física.
Veja na figura a seguir está representada graficamente a
adição dos complexos
1 0.z i= + e 1 2
2
w i= − ⇒ 5 2
2
z w i+ = −
https://goo.gl/uVHWVD
Então para interpretar geometricamente a soma e a
diferença de dois números complexos, usamos a
interpretação da Lei do Paralelogramo.
A soma dos vetores está representada no vetor sobre a
diagonal maior e a diferença dos vetores representada
pelo vetor sobre a diagonal menor do paralelogramo
(como na figura anterior).
Explore graficamente a adição de vetores no link:
https://goo.gl/59oNiY
http://www.im.ufrj.br/dmm/projeto/projetoc/precalculo/sala/conteudo/capitulos/complexo2.html
Módulo de um Vetor
Olhando a representação de um número complexo
z a bi= + como um vetor com ponto inicial em (0,0) e
final (a,b), o módulo de z é o módulo do vetor, ou seja,
distância entre os pontos inicial e fina do vetor. Assim, o
módulo de z é o número real:
2 2z a b= +
Representação Trigonométrica (ou polar)
Vamos agora nos reportar à forma trigonométrica de
vetores, já que existe a identificação de vetor com
número complexo.
Argumento
Chama-se argumento de um número complexo z = x +
yi, não nulo, o ângulo θ tal que
cos xθ
ρ
= e
ysenθ
ρ
= onde ρ = lzl.
Notamos que:
1º) a condição z ≠ 0 garante ρ≠ 0
2º) existe ao menos um ângulo θ satisfazendo a
definição pois:
2 2 2 2 2 2
2 2
2 2 2cos 1
x y x y x ysen
x y
θ θ
ρ ρ ρ
+ +
+ = + = = +
3º) fixado o complexo z ≠ 0, estão fixados cosθ e senθ
mas o ânguloθ pode assumir infinitos valores,
congruentes dois a dois (congruência módulo 2π).
Assim, o complexo z ≠ 0 tem argumento
0 2 ,θ θ κπ κ= + ∈Ζ
Onde θ 0, chamado argumento principal de z, é tal que
0 0 0cos , 0 2
ysen eθ θ θ π
ρ
= ≤ < . Frequentemente
trabalhamos com θ 0 chamando-o simplesmente
argumento de z.
Exemplos:
1º)
0
3cos
23 2
1 6
2
x
z i
ysen
θ
θ πρ θ κπ
θ
ρ
= == + ⇒ ⇒ +
= =
2º)
0
cos 0
32 2
21
x
z i ysen
θ
θ
πρ θ κπ
θ
ρ
= == − ⇒ ⇒ +
= = −
3º)
0
cos 1
5 2
0
x
z ysen θ
θ
ρ θ π κπ
θ
ρ
= = −= − ⇒ ⇒ +
= =
4º)
0
2cos
521 2
42
2
x
z i
ysen θ
θ
πρ θ κπ
θ
ρ
= = −= − − ⇒ ⇒ +
= = −
Plano de Argand-Gauss
As noções de módulo e argumento tornam-se mais
concretas quando representamos os números complexos
z = x + yi = (x,y) pelos pontos do plano cartesiano xOy,
com a convenção de marcarmos sobre os eixos Ox e Oy,
respectivamente, a parte real e a parte imaginária de z.
Assim, a cada número complexo z = (x, y) corresponde
um único ponto P do plano xOy.
Nomenclatura:
xOy = plano de Argand-Gauss
Ox = eixo real
Oy = eixo imaginário
P = afixo de z
Notemos que a distância entre P e O é o módulo de z:
2 2OP x y ρ= + =
E o ângulo formado por OP
com o eixo real é 0θ tal que
0 0cos
x ye senθ θ
ρ ρ
= = portanto 0θ é o argumento
principal de z.
Dado um número complexo z = x + yi, não nulo,
podemos escrever . .x yz x yi iρ
ρ ρ
= + = +
.
Portanto temos:
( )cosz i senρ θ θ= ⋅ + ⋅
Chamada forma trigonométrica (ou polar) de z.
Observação: o argumento principal é o ângulo na
primeira volta que coincide com o vetor identificado com
o número complexo z = x + yi.
Assim, todos os argumentos de z são da forma
0 2kθ θ π= +
Veja o exemplo:
Então para encontrar a forma polar do complexo
3z i= + procedemos assim:
( )2 23 1 3 1 4 2zρ = = + = + = =
Se 0θ é a determinação principal, temos:
0
3
2
cosθ = e 0
1
2
senθ = . Portanto, 0 6
πθ = e a
forma polar é 2
6 6
z cos isenπ π = +
Exemplos:
3z i= +
1º)
2 3 32 2 cos3
2 22
z i z i sen
ρ π π
πθ
= = − ⇒ ⇒ = ⋅ + ⋅ =
2º)
{ ( )55 5 cosz z i senρ π πθ π== − ⇒ ⇒ = ⋅ + ⋅=
3º)
2 5 51 2 cos5 4 4
4
z i z i sen
ρ π π
πθ
= = − − ⇒ ⇒ = ⋅ + ⋅ =
A forma trigonométrica é mais prática que a forma
algébrica para as operações de multiplicação,
potenciação e radiciação no conjunto dos complexos
conforme veremos a seguir.
Potenciação
Vamos verificar as potências do imaginário puro i :
1i i= ,
( ) ( )2 3 2 4 2 2 5 41, . ; . 1 . 1 1; .i i i i i i i i i i i i= − = = − = = − − = = =
Então: 5 1i i i= = , 6 2 1i i= = − , 7 3i i i= = − e
8 4 1i i= = e assim, sucessivamente, se repetem de 4
em 4.
Agora é com você: 2017 ?i =
Veja no link o significado dessas potências:
https://goo.gl/911LAZ
http://www.im.ufrj.br/dmm/projeto/projetoc/precalculo/sala/conteudo/capitulos/complexo3.htmlPara multiplicar dois números complexos na forma polar
temos o seguinte resultado:
Teorema
O módulo do produto de dois complexos é igual ao
produto dos módulos dos fatores e seu argumento é
congruente à soma dos argumentos dos fatores.
Demonstração:
Dados dois complexos ( )1 1 1 2z cos isenρ θ θ= + e
( )2 2 2 2z cos isenρ θ θ= + . Seja 1 2.z z z= .
( ) ( )1 2 1 2 1 1 2 2. . . .z z z cos isen cos isenρ ρ θ θ θ θ= = + +
( ) ( )1 2 1 2 1 2 1 2 2 1. . . . .z cos cos sen sen i sen cos sen cosρ ρ θ θ θ θ θ θ θ θ = − + +
Pela forma de soma de arcos para o seno e o cosseno:
( ) ( )1 2 1 2 1 2.z cos isenρ ρ θ θ θ θ = + + +
Logo, 1 2 1 2. .z z zρ ρ= = e o argumento principal de
z é 0 1 2θ θ θ= + .
Na verdade os argumentos de z são
( )1 2 2 , k k inteiroθ θ θ π= + +
Exemplo:
Se 1 2 6 6
z cos isenπ π = +
e
2
3 35
4 4
z cos isenπ π = +
, então
1 2
3 3. 2.5
6 4 6 4
11 1110
12 12
z z z cos isen
cos isen
π π π π
π π
= = + + + =
= +
Podemos então deduzir que:
( ) ( )1 2 1 1 1 2 1 2. . cosn n n nz z z isenρ ρ ρ θ θ θ θ θ θ … = … + +…+ + + +…
Como a potenciação é a multiplicação de fatores iguais,
podemos deduzir que, dado um complexo
( )z cos isenρ θ θ= + , então:
( ) ( )( )cosn nz n isen nρ θ θ= +
Esta fórmula é conhecida como Primeira Fórmula de
Moivre.
Exemplo:
Se 2
6 6
z cos isenπ π = + ⇒
5 5 5 52 cos 5. 5 32
6 6 6 6
z isen cos isenπ π π π ⇒ = + = +
Radiciação
Para resolver a radiciação de números complexos temos
o seguinte:
Teorema (Segunda Fórmula de Moivre)
Dado o complexo ( )z cos isenρ θ θ= + e n um
número natural, 2n ≥ , estão existem n raízes enésimas
de z que são da forma:
2 2. .nkz cos k isen kn n n n
θ π θ πρ = + + +
,
com n ekρ +∈ ∈
Vale ressaltar que todos os complexos kz são tais que
( )nn k kz z z z= ⇔ = .
Então para termos
( ) ( ).nr cosn isenn cos isenϕ ϕ ρ θ θ+ = + é
necessário que:
i) n nr rρ ρ= ⇒ =
ii)
{ ( )22 . , 0,1,2, 1cosn cos n k k k nsenn sen n nθ πϕ θ ϕ θ π ϕϕ θ= ⇒ = + ⇒ = + = … −=
Teremos n raízes complexas de um número complexo
(Teorema Fundamental da Álgebra)
Vejamos um exemplo:
Calcular as raízes quartas de ( )8 8 3z i= − +
Vamos passar z para a forma trigonométrica:
( ) ( ) ( )228 8 3 64 1 3 64.4 8.2 16ρ = − + = + = = =
8 1
16 2
cosθ −= = − e 8 3 3 2
16 2 3
sen πθ θ= = ⇒ =
(argumento principal)
Então, aplicando a fórmula de Moivre, as raízes quartas
de z são:
4
2 2
2 23 316 . . , 0,1,2,3
4 4 4 4k
z cos k isen k k
π π
π π
= + + + =
2 . . , 0,1,2,3
6 2 6 2k
z cos k isen k kπ π π π = + + + =
Para 00 2 6 6
k z cos isenπ π = ⇒ = +
Para
1
4 41 2 2
6 2 6 2 6 6
k z cos isen cos isenπ π π π π π = ⇒ = + + + = +
Para
2
7 72 2 2
6 6 6 6
k z cos isen cos isenπ π π ππ π = ⇒ = + + + = +
Para
3
3 3 10 103 2 2
6 2 6 2 6 6
k z cos isen cos isenπ π π π π π = ⇒ = + + + = +
Propositalmente não simplifiquei os valores dos
argumentos para explicitar que obtivemos par as raízes
os seguintes argumentos, nessa ordem,
1 ,4 ,7 1 0
6 6 6 6
eπ π π π . O argumento seguinte seria
13 2
6 6
π ππ= + , o que seria mais uma volta completa
recaindo sobre a primeira raiz.
Ou seja, as raízes quartas complexas de z são
complexos de módulo 2 e que formam ângulos com o
eixo OX, respectivamente nesta ordem: 30°, 120°, 210°
e 300°. Vejam que não faria sentido o vetor seguinte
Explicitando as 4 raízes quartas na forma algébrica
temos:
0
3 12 2 3
6 6 2 2
z cos isen i iπ π
= + = + = +
( )1 2 2 1 32 2 1 33 3 2 2z cos isen i i
π π = + = − + = − +
2
7 7 3 12 2 3
6 6 2 2
z cos isen i iπ π
= + = − − = − −
( )3 10 10 1 32 2 1 36 6 2 2z cos isen i i
π π = + = − = −
Números complexos
Introdução
Representação algébrica
Igualdade
Adição
Subtração
Multiplicação
Conjugado
Divisão
Representação Geométrica
Módulo de um Vetor
Representação Trigonométrica (ou polar)
Argumento
Plano de Argand-Gauss
Potenciação
Teorema
Radiciação