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Procedimentos num derrame de combustível durante o processo de refueling e defueling. Curso: AB-initio Módulo 7: Práticas de Manutenção Formando: Breno Lucas Coelho Turma: AB12 Formadores: Pedro Alves e José Brigas 0 Índice Introdução: página 2 Sistema de combustível: página 4 Refueling e Defueling: página 6 Derrame de combustível durante um refueling/defueling: página 8 Conclusão: página 10 Bibliografia: página 11 1 Introdução Ao longo dos últimos anos a aviação teve um enorme avanço em seus mais variados setores, e acompanhando essa evolução constante que vivemos no mundo aeronáutico os combustíveis evoluíram com grande maestria proporcionando assim menor consumo, maior potência aos motores e acompanhado de uma menor pegada ecológica e seguindo a tendência vanguardista da aviação os procedimentos de abastecimento avançaram significativamente, visando sempre a segurança de todos os envolvidos nas operações. 1960 2019 A operação de abastecimento de combustível de um avião, deve ser efetuada por profissionais capacitados para tal, tendo em consideração as precauções associadas a tal atividade, preferencialmente eliminando ou não sendo possível minimizando o risco de incêndio provocado pela libertação de vapores de combustível, além dos possíveis riscos de contaminação do combustível que pode originar sérios problemas para o normal funcionamento da aeronave podendo desencadear incidentes ou acidentes tanto no ar como 2 no solo, devemos ter em consideração também os riscos de derrame de combustível durante a operação de refueling ( reabastecimento ) e de defueling (ato de esvaziamento do depósito de combustível). Veremos como funciona um sistema de combustível (ATA 28), tipos de combustíveis comumente usados em aviação, como é efetuado o processo de refueling e defueling, e como proceder mediante a um derrame de combustíveis que ocasionalmente pode vir a ocorrer durante essas operações, e as normas que os envolvidos no processo de abastecimento ou esvaziamento dos tanques devem seguir segundo a legislação em vigor nos imposta pela ANAC sob a alçada da EASA. 3 Sistema de Combustível O sistema de combustível tem a finalidade de armazenar e fornecer a quantidade de combustível adequada às necessidades do motor em qualquer regime, altitude e atitude de voo. Este sistema poder ser mais ou menos complexo, consoante o fim a que se destina a aeronave, o seu tamanho, número e potência dos motores, tecto de serviço e raio de acção. Existem dois tipos de combustível de aviação: ● AVGAS- “Aviation Gasoline” utilizada em motores alternativos com sistema de ignição; ● AVTUR- “Aviation Kerosene” utilizado em motores de turbina e novos motores alternativos tipo Diesel Avgas Combustível destilado a partir de óleo mineral. Consiste numa mistura de hidrocarbonetos leves e pode ter diferentes graus, ou seja, diferentes graus de resistência a detonação e dividem-se em: ● Grau 80 ● Grau 100 ● Grau 100 LL ● Grau 115 Avtur Combustível destilado a partir de óleo mineral e uma mistura de hidrocarbonetos pesados e a semelhança do Avgas, também pode ter diferentes graus. ● JET A ● JET A1 ● JET B A fim de melhorar as características do combustível são utilizados vários aditivos, sempre obedecendo as características da aeronave e indicações do fabricante da mesma e ordens das autoridades aeronáuticas reguladoras de cada país. Os mais comuns são: ● FSII Fuel System Icing Inhibitor 4 ● HITEC Lubricity agent ● Dissipador de eletricidade estática com a finalidade de reduzir os perigos da eletricidade estática gerada durante o movimento rápido do combustível. O sistema de combustível pode ser mais ou menos complexo tendo a totalidade ou apenas alguns destes componentes: depósitos, tubagens, bombas, válvulas, bocais de enchimento, filtros e instrumentos indicadores e de aviso. Salientando que cada aeronave possui o seu manual e que deve ser respeitado rigorosamente por todos afetos ao serviço na mesma. 5 Reabastecimento e retirada de combustivel ( refueling e defuelling) Existem dois tipos de processos de reabastecimento e de retirada de combustível dos depósitos. ● Através de bocal de enchimento (open line); ● Ponto único através de sistema de pressão (Single Point Refueling SRP). Bocal de Enchimento Processo simples, mas moroso, uma vez que os plenos são feitos por gravidade abastecendo um depósito de cada vez e abrindo e fechando os respectivos tampões dos bocais de enchimento. A retirada do combustível dos depósitos é efetuada por gravidade existindo a possibilidade de derrame nesta ação e também na de enchimento. Abastecimento por ponto único SRP Permite abastecer todos os depósitos permanentes a partir de um único ponto de ligação de forma mais rápida e mais segura. O combustível é fornecido a pressão e a sua retirada dos depósitos pode ser efetuado por sucção utilizando um carro de combustível. O controlo destes processos é efetuado num painel existente para o efeito na aeronave (refueling control panel). Nos aviões de caça e treino o sistema é bastante simples não havendo normalmente sequência de enchimento. Todos os depósitos são enchidos ao mesmo tempo. Nos aviões pluri motores de grande porte o sistema é mais complexo podendo ser estabelecida a sequência de enchimento dos depósitos através do painel de controlo. O fornecimento de combustível a aeronave pode ser efetuado por um carro de combustível, através de um dispenser ou a partir de um hydrant. 6 O carro de combustível pode ter o sistema de abastecimento através de bocal de enchimento e através de SPR. Possui um painel de controlo com comando da bomba do carro, indicador da gravidade específica do combustível, contador de quantidade de combustível fornecida e indicador da pressão a qual o combustível é fornecido. O dispenser consiste numa instalação fixa na placa de estacionamento com um sistema de controlo semelhante ao existente no carro de combustível. O hydrant consiste num ponto de reabastecimento existente na placa de estacionamento ou caminho de rolagem. O fornecimento de combustível a aeronave pode ser efetuado através de bombas fixas junto ao hydrant ou através da utilização de uma unidade (carro/caminhões) com bombas. 7 Derrame de combustível durante um refueling/defueling. A constante evolução da aviação leva-nos a que seja alterada constantemente a legislação e procedimentos de trabalho e segurança, visando sempre a segurança em primeiro lugar, garantindo que a aviação continue a ser um dos meios de transportes mais seguros do mundo. Assim como os combustíveis e métodos de abastecimento progrediram tecnologicamente o procedimento de como atuar perante um derrame de combustíveis nas operações e refueling e defueling também sofreu algumas alterações ao longo dos anos, sendo a última Circular de Informação Aeronáutica (CIA) CIA 10/2009 datada de 28 de maio de 2009, com a entrada em vigor a 1 de junho de 2009, vindo para cancelar ou substituir a CIA nº 01/85 de 11 de fevereiro de 1985. Esta CIA tem por objectivo esclarecer e orientar a elaboração e aplicação de procedimentos de segurança operacional nas operações de abastecimento, com a finalidade de controlar e minimizar o risco de acidente, tendo aplicação em todos os aeródromos nacionais estando a ela obrigadas todas as entidades envolvidasno abastecimento de combustíveis em aeronaves e outros agentes com responsabilidades de segurança operacional, nomeadamente os operadores de aeronaves, combustível e os diretores. Um derrame de combustível durante um abastecimento na placa implica um alto fator de risco, assim sendo os operadores de aeronaves ou de abastecimento de combustível devem estabelecer procedimentos para esta situação que venha a garantir: ● A ausência de atos inseguros e reduzir ao máximo as condições perigosas durante a operação. ● Fiabilidade dos dispositivos de abastecimento. ● Limitar de imediato o derrame e o desenvolvimento das ações adequadas a dimensão do mesmo. ● A necessidade de alerta e comparência dos Serviço de Salvamento e Luta contra Incêndios (SSLCI). Os equipamentos usados para o processo de refueling e defueling devem estar de acordo com o as exigências relativas a derrames, mantendo as condições de segurança nessas situações. 8 Equipamentos com fugas ou com mau funcionamento não devem ser utilizados, sendo colocados fora de serviço de imediato. A quando de um derrame de combustível, a operação deve ser parada imediatamente e libertadas os controlos do sistema STOP de corte de emergência, se o derrame perdurar o sistema de corte de combustível de emergência deve ser acionado e seguir os procedimentos para estanque e limpeza do local. A limpeza do combustível derramado não deve ser feito com água, pois essa vai espalhar ainda mais o combustível agravando assim a situação. Normalmente é feito usando produtos químicos próprios para a situação em questão, e depois da reação concluída limpar recorrendo a um aspirador, que devem estar sempre disponíveis a quando das operações de refueling e defueling, assim como os demais materiais necessários para esses processos. (Extintores de incêndio, manta corta fogo, EPI´s …). O supervisor da operação deve ser notificado e não se recomeça a operação até que solucione o ocorrido e a área seja dada como segura. Se o derrame tiver uma extensão maior que 3 metros em qualquer direção, uma área superior a 5 metros quadrado, alimentado por fuga ou ainda ter pessoas ou bens em perigo o SSLCI deve ser notificado. Exemplo de produtos químicos que podemos encontrar no posto de trabalho para contenção de um derrame. 9 Conclusão A segurança é sempre uma prioridade no nosso ramo, é dever de todos envolvidos no ambiente de trabalho seguir e zelar por ela, entretanto somos humanos e todos estamos sujeitos a incidentes e acidentes inerentes a nossa condição humana ou dos meios mecânicos de apoio que dispomos, mas podemos minimizar sempre os potenciais danos e danos causados com uma constante atualização dos nossos conhecimentos através de formações contínuas, conscientização e boa conduta no nosso posto de trabalho. Devemos sempre seguir a formação que nos é dado para tal situação, agir em conformidade com os procedimentos do manual, respeitando cada passo a fim de evitar danos maiores a estrutura, equipamentos, aeronave, nossa saúde e de todos que nos rodeiam. A segurança de todos começa em si próprio. 10 Bibliografia https://www.anac.pt/vPT/Generico/Paginas/Homepage00.aspx https://www.ana.pt/pt/institucional/home https://www.easa.europa.eu/ Manual Módulo 7 Práticas de Manutenção Manual Módulo 11 11.10 Sistema de combustiveis (ATA28) EASA ATA 28 11 https://www.anac.pt/vPT/Generico/Paginas/Homepage00.aspx https://www.ana.pt/pt/institucional/home https://www.easa.europa.eu/