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Cuidado Integral à saúde 
da Mulher 
AULA 1 – MORTALIDADE MATERNA E 
PNAISM 
A morte de uma mulher durante a gestação ou 
dentro de um período de 42 dias após o 
término da gestação, independente da duração 
ou da localização da gravidez, devido a qualquer 
causa relacionada com ou agravada pela 
gravidez ou por medidas em relação a ela, 
porém não devida a causas acidentais ou 
incidentais. 
• OBTETRICA DIRETA 
• OBTETRICA INDIRETA 
 
 
MORTALIDADE 
MATERNA 
PREVENÇÃO 
PRÉ- 
ECLÂMPSIA 
SUPLEMENTAÇÃO DE 
CALCIO + AAS 
ECLÂMPSIA SULFATO DE 
MAGNESIO 
HEMORRAGIA OCITOCINA 
 
 
 
INFECÇÃO 
BOA HIGIENE FOR 
PRATICADA + 
PRIMEIROS SINAIS 
FOREM 
RECONHECIDOS E 
TRATADOS EM 
TEMPO OPORTUNO. 
 
MULHERES/ 
ADOLESCENTES 
ACESSO A MÉTODOS 
CONTRACEPTIVOS E 
AOS SERVIÇOS QUE 
REALIZEM ABORTOS 
SEGUROS 
 
“Taxa de mortalidade materna depende 
substancialmente da qualidade da assistência 
médica durante o pré-natal, o parto e o pós-
parto, e do nível de desenvolvimento do país 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
A saúde da mulher foi incorporada às políticas 
nacionais de saúde nas primeiras décadas do 
século XX, sendo limitada, nesse período, às 
questões relacionadas à gestação e ao parto. 
 
Os programas materno-infantis, elaborados 
nas décadas de 30, 50 e 70, traduziam uma 
visão restrita sobre a mulher 
Ênfase na especificidade biológica e no papel 
social de mãe e doméstica, responsável pela 
criação, educação e pelo cuidado com a saúde 
dos filhos e demais familiares. 
 
DÉCADA – 50 
Objetivo: “melhores mães”, maternidade é o mais 
importante. 
• Medidas de combate a desnutrição 
• Planejamento familiar 
 
DÉCADA – 70 
Enfoque médico-hospitalar (curativa-
assistencialista. 
 
Programa nacional Materno – Infantil (PNMI) 
1975 -> Finalidade reduzir a mortalidade 
materna infantil, focalizando o processo de 
reprodução ações voltadas, pré-natal, parto e 
puerpério. 
 
Propostas: 
• Garantir mulheres reproduzindo com 
segurança 
• Crianças saudáveis 
• Controle de natalidade 
 
 
 
DÉCADA – 80 
• Reforma sanitária – SUS 
 
Programa nacional de atenção a saúde da 
mulher (PAISM) – 1984 
• Desvinculando a atenção prestada a 
mulher a atenção a criança. 
• Ênfase: 
o Doenças cardiovasculares 
o CA cervicouterino e mama 
 
1975 OMS
década da 
mulher 
Brasil alto 
índice de 
mortalidade 
infantil
Programa Nacional de Atenção à Saúde da 
Mulher (PAISM) – 1984 
• Ampliação da cobertura a saúde da mulher 
• Continuou dando ênfase ao ciclo reprodutivo 
(doenças, parto e maternidade) 
• Mulher como sujeito ativo 
o Assistência clínico-ginecológicas 
o ISTs 
o Climatério 
o Planejamento Familiar 
o Ciclo gravídico-puerperal 
• Discurso oficial: INTEGRALIDADE 
o Atenção a todo o ciclo vital, não apenas o 
reprodutivo. 
 
DÉCADA – 90 
Intensificação das iniciativas publicas do 
movimento de mulheres. 
 
Atender as necessidades: 
• Violência de gênero, doméstica, sexual 
• Direitos reprodutivos. 
ANOS 2000 
• PROGRAMA DE HUMANIZAÇÃO NO PRÉ-
NATAL E NASCIMENTO (PHPN) 2000 
 
• POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO 
INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER – 
PRINCÍPIOS E DIRETRIZES (PNAISM) 2004 
 
OBJETIVO PNAISM – 2004 
Promover a melhoria das condições de vida e 
saúde das mulheres brasileiras, mediante a 
garantia de direitos legalmente constituídos e 
ampliação do acesso aos meios e serviços de 
promoção, prevenção, assistência e 
recuperação da saúde em todo território 
brasileiro. 
 
Contribuir para a redução da morbidade e 
mortalidade feminina no Brasil, especialmente 
por causas evitáveis, em todos os ciclos de vida e 
nos diversos grupos populacionais, sem 
discriminação de qualquer espécie. 
 
Ampliar, qualificar e humanizar a atenção 
integral à saúde da mulher no Sistema Único 
de Saúde. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS E ESTRATÉGIAS 
DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO 
INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER 
1. Ampliar e qualificar a atenção clínico-
ginecológica, inclusive para as portadoras da 
infecção pelo HIV e outras IST 
2. Estimular a implantação e implementação 
da assistência em planejamento familiar, 
para homens e mulheres, adultos e 
adolescentes, no âmbito da atenção integral 
à saúde 
3. Promover a atenção obstétrica e neonatal, 
qualificada e humanizada, incluindo a 
assistência ao abortamento em condições 
inseguras, para mulheres e adolescentes 
4. Promover a atenção às mulheres e 
adolescentes em situação de violência 
doméstica e sexual 
5. Promover a prevenção e o controle das 
ISTs e da infecção pelo HIV na 
população feminina 
6. Reduzir a morbimortalidade por câncer na 
população feminina 
7. Implantar um modelo de atenção à saúde 
mental das mulheres sob o enfoque de 
gênero 
8. Implantar e implementar a atenção à saúde 
da mulher no climatério 
9. Promover a atenção à saúde da mulher na 
terceira idade 
10. Promover a atenção à saúde da mulher 
negra 
11. Promover a atenção à saúde da mulher 
indígena 
12. Promover a atenção à saúde das mulheres em 
situação de prisão, incluindo a promoção 
das ações de prevenção e controle de ISTs e 
HIV nessa população 
13. Fortalecer a participação e o controle 
social na definição e implementação das 
políticas de atenção integral à saúde das 
mulheres 
 
REDE CEGONHA 
PORTARIA N° 1.459 DE 24 DE JUNHO DE 2011 
• objetivo de reduzir a mortalidade materna e 
infantil e garantir os direitos sexuais e 
reprodutivos de mulheres, homens, jovens e 
adolescentes. 
• A proposta qualifica os serviços ofertados 
SUS no planejamento familiar, na 
confirmação da gravidez, no pré-natal, no 
parto e no puerpério (28 dias após o parto). 
Componentes: 
• Pré-natal 
• Parto e nascimento 
• Puerpério e atenção integral a saúde da 
criança 
• Sistema logístico (transporte sanitário e 
regulação) 
 
REDUÇÃO DA TAXA DE CESÁREA NO 
BRASIL 
• América Latina e Caribe têm as taxas mais 
altas de cesariana (40,5%) 
• Taxa de 55%, o Brasil ocupa a segunda 
posição no ranking de países com maior 
porcentagem de cesáreas no mundo 
• 2017 – 2,7 milhões de partos no país 
• Serviços públicos: 
o Parto normal: 58,1% 
o Parto cesáreo: 41,9% 
 
DIRETRIZES 
• Acolhimento com avaliação e classificação 
de risco e vulnerabilidade, ampliação do 
acesso e melhoria da qualidade do pré-natal; 
• Vinculação da gestante à unidade de 
referência para o parto, e ao transporte 
seguro; 
• Boas práticas e segurança na atenção ao 
parto e nascimento; 
• Atenção à saúde das crianças de 0 a 24 
meses, meses com qualidade e 
resolutividade; 
• Acesso às ações de planejamento 
reprodutivo 
 
OBJETIVOS 
• Promover a implementação de novo modelo 
de atenção à saúde da mulher e à saúde da 
criança com foco na atenção ao parto, ao 
nascimento, ao crescimento e ao 
desenvolvimento da criança; 
• Organizar a rede de atenção à saúde materna 
e infantil para que esta garanta acesso, 
acolhimento e resolutividade. 
• Reduzir a mortalidade materna e infantil 
com ênfase no componente neonatal. 
 
 
 
 
 
AULA 2 – ANATOMIA E FISIOLOGIA NA 
GESTAÇÃO 
 
REPRODUÇÃO HUMANA 
• Gametas femininos Óvulos (23 
cromossomos) 
+ 
• Gameta masculino espermatozoide (23 
cromossomos) 
= 
Zigoto 
 (46 cromossomos) 
 
PELVE 
 
 
Os ossos se unem: 
• Parte anterior: sínfise púbica 
• Parte posterior: articulações sacroilíacas 
e sacrococcígea 
 
GENITÁLIA EXTERNA 
Períneo: conjunto de estruturas do assoalho 
pélvico que abrange os músculos, as aponeurores 
e os vasos 
 
Localiza-se entre a 
vulva e o ânus. 
Função: sustentar 
os órgãos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 GENITÁLIA INTERNA 
VAGINA 
Canal de 8 a 10 cm de comprimento, de pares 
elásticas, que liga o colo do útero aos genitais 
externos. 
Por meio dele ocorre a eliminação menstrual, o 
pênis deposita os espermatozoides e é o canal do 
parto. 
Apresenta grande capacidade de distensãodurante o trabalho de parto e parto, facilitando a 
expulsão fetal 
 
ÚTERO 
Órgão oco situado na cavidade pélvica 
anteriormente à bexiga, e posteriormente ao reto 
 
Estrutura maciça, formato de pera invertida, pesa 
60g em mulheres Nuligesta e pode alcançar 70g 
em uma mulher que já vivenciou o período 
gestacional 
Tem formato piriforme (“pera invertida”) 
É revestido: 
• Internamente: endométrio (tecido 
vascularizado rico em glândulas) 
• Intermediário: Miométrio 
• Externamente: Perimétrico 
 
 
 
TÚBAS UTERINAS 
Dois ductos que unem o útero ao ovário, seu 
epitélio é formado por células ciliadas. 
Fímbrias recolhem gameta feminino. Os 
batimentos dos cílios e os movimentos 
peristálticos impulsionam ate o útero. 
 
 
 
OVÁRIOS 
Estruturas ovais bilaterais ao útero, localizada na 
parte superior da cavidade pélvica. 
 
Duas funções: 
• Atividade endócrina (liberação de 
hormônios ovarianos) 
• Formação e desenvolvimento dos 
gametas sexuais femininos. 
 
MAMAS 
Primeiras semanas: 
• Hipersensibilidade (diminui até 10° 
semana) 
• Dor e tensão mamária. 
 
2° trimestre 
• Veias subcutâneas se tornam mais visíveis, 
devido a hipertrofia alveolar mamária 
rede de Haller 
• Papilas e aréolas mais pigmentadas 
aumentam em número as glândulas 
sebáceas na região areolar – tubérculos 
de Montgomery 
 
ÚTERO 
Hipertrofia, elasticidade e contratilidade – 
aumenta de tamanho e evolui em algumas 
semanas após o parto 
 
Ocorre devido a disposição simétrica dos feixes 
entrelaçados (formado por musculatura lisa-
miométrio) 
 
Espessura miométrio: 
• Antes da gravidez: 7 a 12 mm 
• 1 mês até 20 semanas: 25mm 
• 5 meses ao final da gestação: forma 
ovoide, afinamento 4 a 10 mm 
 
Gestação: parede fina e pode alcançar ao 
término da gestação tamanho de 15 a 20 vezes 
maior que seu estado pré-gravídico – 1,100g 
 
Hipertrofia, elasticidade e contratilidade 
• Estimulação da hipertrofia e hiperplasia 
ocorre inicialmente em função dos 
hormônios (estrogênio e progesterona) 
• 2° trimestre: o aumento se dá devido a 
pressão excedida pelo feto em 
desenvolvimento. 
• Ao longo do período gestacional ocorre 
contrações irregulares, indolores, que 
podem ser percebidas pela palpação externa 
– contrações de Braxton Hicks 
• Desconfortáveis e esporádicas no 3º trim , 
podem assumir ritmo e aumento da 
frequência preparando a gestante e o feto 
para o processo de parto e nascimento 
 
Alterações de tamanho, de forma e de posição 
do útero 
• Semanas iniciais: aumento de tamanho 
desigual, sendo o maior crescimento da zona 
de implantação – forma assimétrica (sinal de 
Piskacek) 
• 12 Semanas: transpõe os limites da pelve e 
torna-se abdominal anterior, as medidas 
que cresce é desviado pelas estruturas 
abdominais (especial cólon sigmoide) 
• 20 semanas: corpo e fundo uterino torna-se 
globoso ou esférico e chega ao limite por 
isquemia no final do 3° trimestre. 
• Final 3° trimestre: torna-se cilindro ou 
ovoide, devido ao alongamento das fibras 
musculares. 
• Mulheres não gravida: recebe 
aproximadamente 50ml/min de fluxo 
sanguíneo 
• Gestação: circulação uteroplacentária, 
aumento fisiológico do fluxo sanguíneo – 
500ml/min 
• Aumento da vascularização adquire mudança 
de coloração – mais vinhoso 
 
COLO UTERINO, OVÁRIOS E TUBAS 
UTERINAS 
• Formado por tecido conjuntivo, com poucas 
fibras musculares 
• 4 sem após a fecundação: amolecimento 
(ao toque, colo amolecido – sinal de Godell- 
A cérvix não gravídica tem a consistência 
parecida com cartilagem nasal, já a gravídica 
assemelha-se com a mucosa labia), 
edemaciado e cianose (↑ da vascularização) 
• Sinal de Hegar: Sensação de separação do 
corpo uterino do colo, devido ao 
amolecimento externo do istmo. Consistência 
amolecida do colo uterino, percebida ao 
toque vaginal 
 
 
 
 
Glândulas cervicais 
• Início gestação: hipertrofia e secretam 
muco opaco muito espesso que resulta na 
obstrução cervical – tampão mucoso ou 
rolha de Schroeder 
• Eliminação no termo de uma gestação: 
indicativo de início do trabalho de parto 
• Primeiras 10 sem: corpo lúteo que se 
originou previamente a nidação mantém seu 
funcionamento, produzindo progesterona 
até que a placenta (se forma entre a 10 a 12 
sem) assuma essa função. 
• Obs: tubas uterinas não sofrem alterações 
significativas durante a gestação 
 
VAGINA E PERÍNEO 
Músculos períneo e vulva: ↑ da vascularização 
(coloração da mucosa arroxeada ou violácea- 
sinal de Chadwick) e amolecimento do tecido 
conjuntivo dessa região. 
• 8 semanas Exame especular -> coloração 
vinhosa 
• Sinal de Jacquemier -> vagina colo 
 
Cél. Musculares lisas das paredes vaginais 
ficam hipertrofiadas: ↑ espessura e perdendo 
rugosidade característica 
• ↑ Vascularização paredes vaginais: tom 
arroxeado – sinal de Kluge 
• ↑ secreções cervicais e vaginais: muco 
espesso de coloração branca, pH ácido 
(3,6-6) o que resulta no ↑ de produção de 
ácido láctico a partir do glicogênio do 
espitélio vaginal por ação do Lactobacillus 
acidophilis 
 
SINAL DE KLUGE -> Vulva 
 
 SISTEMA CIRCULATÓRIA 
Alteração hemodinâmica: débito cardíaco 
(produto do vol. ejeção pela FR cardíaca) normal 
de 5L da mulher não grávida começa a aumentar 
com 5-6sem, alcançando níveis mais elevados 
a partir da 24º sem e pico em torno da 32º-
34ºsem. Permanece nesses níveis até a 36º-38º 
sem, com pequena queda até o parto. 
 
Aumento volêmico: depende do peso, estatura, 
número de gestações e paridades, gestação feto 
único ou gemelar. 
 
 
Débito cardíaco: 
• sensível a alterações posturais, visto que o 
útero comprime a veia cava inferior, 
diminuindo o retorno venoso 
• ↑ por aumento da volemia e por diminuição 
da resistência vascular periférica, ocasionado 
o ↑ da FR cardíaca em 10-15 bpm 
 
Hipervolemia: suprir as necessidades do útero 
que está extremamente aumentado 
 
Fluxo sanguíneo aumenta: direcionado para 
órgãos como rim, pele (principalmente pé e 
mãos) com o propósito de dissipar o calor 
excessivo produzido pelo aumento do 
metabolismo 
 
Aumento do fluxo sanguíneo leva ao aumento 
da massa de eritrócitos (hemácias), que se 
eleva a medida em que a demanda de ferro e 
ácido fólico são repostos na gestação. 
 
Necessário reposição de ferro, pois a 
quantidade absorvida dieta e reservas é 
insuficiente para atender as demandas na 
gravidez 
 
Na ausência da suplementação de ferro (pode 
aumentar o risco de abortamento e partos 
prematuros) e ácido fólico: concentração de 
hemoglobina e hematócrito materno sofrerá 
decréscimo considerável conforme o aumento do 
vol. Plasmático 
 
SISTEMA RESPIRATÓRIO 
Alterações respiratórias retornam ao normal após 
a gravidez 
 
Vias respiratórias superiores ocorre 
vasodilatação, edema de mucosa, congestão 
nasal e aumento de secreções 
 
Aumento da Caixa torácica: proporcionando 
maior movimentação do diafragma e do tórax, 
que leva a gestante ao aumento da FR em 
resposta ao aumento do consumo de O2 
 
Vol. da reserva expiratória diminui à medida 
que o feto se desenvolve e o útero cresce levando 
a uma compressão do diafragma (capacidade 
expiratória diminui-hiperventilação-respiração 
diafragmática- aumenta a concentração de 02 no 
sangue- favorece o feto) 
•Vantagens da hiperventilação: diminui a 
concentração de CO2, facilitando as trocas fetais 
com a placenta 
 
SISTEMA URINARIO 
• Aumento do peso (30%) e comprimento 
(cerca de 1 cm) dos rins, resultante de maior 
vascularização 
• Ureteres dilatados: efeito da progesterona, 
ocasionando estase urinária – suscetilidade a 
ITU 
• Compressão da bexiga: aumenta a 
frequência de micções (polaciúria) 
 
SISTEMA GASTROINTESTINAL 
Náuseas e vômitos comuns 1º trim.: aumento 
da gonadotrofina coriônica, tendem a 
desaparecer no final do 1º trim.- diminuição 
deste hormônio.Pode ocorrer também devido a 
parosmia (alteração do olfato), perversão 
alimentar (desejo de comer coisas bizarras- Ex: 
sabão, carvão), aumento do apetite 
 
Sialorréia ou ptialismo (salivação excessiva): 
devido a dificuldade da deglutição associado a 
náuseas 
 
Arcada dentária: degradação de peças e as 
gengivas podem sangrar (efeito da carência de 
cálcio nos dentes- mobilizado para o 
desenvolvimento do feto) 
 
Pirose (azia): acompanhada de refluxo gástrico, 
devido a diminuição do tônus e ao relaxamento 
do esfíncter esofágico inferior, em resposta ao 
descolamento do estômago e aumento da 
pressão abdominal 
 
Motilidade gastresofágica, intestinal, biliar e 
tonicidade dos esfíncteres: diminuída devido 
aumento da progesterona 
 
Esvaziamento gástrico lento e constipação 
intestinal: o tempo de trânsito alimentar 
intestinal pode levar ao aumento da reabsorção 
de água superior ao normal 
 
Hemorroidas: constipação intestinal e ao 
aumento da pressão nas veias abaixo do nível do 
útero 
 
 
SISTEMA TEGUMENTAR 
Aumento da pigmentação cutânea 
1. Face: cloasma ou Melasma gravídico 
2. Aréolas mamárias e abdome 
 
• Estímulo dos melanócitos: surgimento de 
machas 
• Aumento da secreção das g. sebáceas: pele 
mais oleosa, predispondo a proliferação de 
acne 
• Aumento da produção de estrogênio e 
progesterona: hipófise libera maior 
concentração de alfamelatropina 
(estimulantes sobre os melanócitos), que 
desencadeia alterações de pigmentares que 
tendem a aumentar com a exposição solar 
• Linha nigra: pigmentação de cor preto-
acastanhada na linha média do abdome, 
devido a ação estimulantes sobre os 
melanócitos 
• Estrias gravídicas (abdome, mamas, nádegas 
e coxas): hiper distensão da pele, estimulada 
pela diminuição da hidratação e estiramento 
das fibras colágenas 
o Gestação atual ou recente: cor 
avermelhada 
o Gestações anteriores: Claras com cor 
acinzentadas 
 
SISTEMA MUSCOESQUELÉTICO 
• Alterações posturais: coluna vertebral 
(lombalgia) 
• Equilíbrio: aumento do peso (útero, feto e 
anexos) coloca o centro de gravidade para 
frente para corrigir o eixo corporal (lordose 
lombar- posiciona tórax para trás) 
• Volume uterino aumenta- aumenta a 
lordose lombar: afasta discretamente um pé 
do outro para manter sustentação e equilíbrio 
• Marcha anserina: andar oscilante com 
passos curtos e lentos, base de sustentação 
alargada e maior ângulo dos pés com a linha 
média 
• Dor lombar: queixa mais comum no último 
semestre. 
 
SISTEMA ENDÓCRINO 
Alterações hormonais – 
• Placenta: órgão acessório da gestação 
(glândula endócrina). A partir de 16-18 sem 
está completamente formada. Apresenta 2 
faces: fetal (fica diretamente em contato com 
a cavidade amniótica, feto e cordão umbilical) 
e materna (contato com a musculatura 
uterina) 
 
Gonadotrofina coriônica humana (hCG) 
Garante o desenvolvimento do produto da 
concepção no 1º trim., assumindo a função de 
manter o corpo lúteo íntegro além da sua 
duração habitual (14 dias quando não há 
concepção) 
• Atinge seu pico máximo entra a 10 e 12º 
sem, depois descresse desaparecendo cerca 
de 12-24 após o parto 
• É secretada pelo sinciotrofoblasto e pode ser 
detectada no sangue no 1ºd após a 
implantação do ovo fertilizado no 
endométrio, ou seja, entre 8º e o 10ºd após a 
fecundação 
• Estimula a síntese de relaxina e inibi a 
secreção hipofisária de hormônio luteinizante 
(LH) 
• Relaxante uterino: principalmente no início 
da gestação, enquanto a musculatura uterina 
hipertrofia e consequente sofre estiramento 
 
Progesterona 
Responsável pela instalação manutenção do 
crescimento e desenvolvimento fetal na 
cavidade uterina até o momento do 
nascimento 
• Tem ação sobre a secreção da hCG e do 
lactogênio placentário humano (hPL) – 
hormônio produzido pela placenta 
• Impede as contrações uterinas: inibição da 
produção de prostaglandinas e pela 
diminuição da sensibilidade à ocitocina, 
evitando expulsão prematura do feto 
• Estimula o desenvolvimento dos sacos 
alveolares mamários 
• Início TP: Níveis de progesterona reduzem e 
a ocitocina age sobre o útero iniciando o 
processo de contratilidade para expulsão fetal 
 
Estrogênio 
É responsável por estimular o crescimento 
contínuo do miométrio uterino, preparando 
este órgão para desempenhar uma importante 
função de contratilidade durante o TP e parto. 
• É sintetizado pelo corpo lúteo sob a ação 
da hCG, papel que mais tarde é assumido 
pela placenta 
• Estimula o desenvolvimento do sistema 
ductal mamário – alvéolos 
• Em conjunto com a relaxina promove o 
relaxamento dos ligamentos pélvicos 
 
Lactogênio Placentário Humano (hPL) 
É sintetizado pelo sinciciotroflobasto (camada 
de células embrionárias siciciais originada dos 
trofoblastos, que tem como função abrir caminho 
na parede do endométrio para a implantação do 
blastocisto) e pode ser detectado logo na 4º sem 
de gestação 
• Tem ação similar à da prolactina (hormônio 
produzido pela adeno-hipófise e sua principal 
função é assegurar a lactação. Sua produção 
se inicia no 1º trim., mas se mantem inibida 
durante a gestação pela ação do estrogênio e 
progesterona) e atua no desenvolvimento da 
glândula mamária 
• Estimula após o parto as glândulas 
mamárias a produzirem leite 
 
Relaxina 
É secretada inicialmente pelo corpo lúteo 
durante a gravidez, por estimulação da hCG, 
até o momento de a placenta assumir a sua 
produção. 
• 1º trim. atua como relaxante miometral, a 
fim de impedir o abortamento espontâneo 
• Fase mais tardia da gestação facilita a 
passagem do feto pelo canal do parto, por 
tornar mais flexíveis tanto a estrutura óssea 
como os ligamentos pélvicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 3 – ASSISTÊNCIA DE 
ENFERMAGEM DURANTE A GESTAÇÃO 
 
 
Gestação dura cerca de 40 semanas (280 dias) 
 
Diagnóstico: clínico (sinais e sintomas), exame 
hormonal e ultrassonografia. 
A suspeita de gravidez ocorre quando há atraso 
ou irregularidade menstrual associado à 
suspensão ou irregularidade de uso de método 
contraceptivo. 
A partir de 15 dias de atraso menstrual, já é 
possível identificar marcadores de HCG 
urinário (teste rápido), e a partir de 12 
semanas o Exame clínico já é capaz de 
confirmar a gestação. 
 
SINAIS E SINTOMAS DE PRESUNÇÃO 
• Amenorreia: atraso menstrual > 15d; 
• Manifestações clínicas (náuseas, vômitos, 
tonturas, aumento da frequência urinaria, 
sonolência, mudança do apetite, salivação 
excessiva) 
• Modificações anatômicas (aumento das 
mamas, hipersensibilidade dos mamilos, 
tubérculos de Montgomery, colostro, 
coloração violácea vulvar, cianose vaginal e 
cervical, aumento do volume abdominal) 
 
SINAIS E SINTOMAS DE PROBABILIDADE 
• Amolecimento da cérvix uterina (sinal de 
Goodell), com posterior aumento do seu 
volume 
• Paredes vaginais aumentadas com aumento 
da vascularização 
• Positivação do BetaHCG 
 
 
SINAIS E CERTEZA 
• Presença de batimentos cardíacos fetais 
(Pelo sonar a partir de 10 a 12 semanas; pelo 
Pinard a partir de 20 semanas) 
• Percepção dos movimentos fetais (18 a 20 
semanas) 
• Ultrassonografia (Saco gestacional com 4 a 
5 semanas e BCF a partir de 6 semanas) 
 
ATENÇÃO!! 
Para ampliar a captação precoce das 
gestantes, o MS incluiu o Teste Rápido de 
Gravidez (TIG) nos exames de rotina do pré-
natal, que pode ser realizado na própria UBS 
 
Toda mulher da área de abrangência da 
unidade de saúde e com história de atraso 
menstrual de mais de 15 dias (solicitado pelo 
médico ou enfermeiro) 
 
O ßHCG pode ser detectado no sangue periférico 
da mulher grávida entre 8 a 11 dias após a 
concepção. 
 
CONSULTA DE ENFERMAGEM 
Atividade independente, realizada 
privativamente pelo enfermeiro. Objetivo 
propiciar condições para a promoção da saúde 
da gestante e a melhoria nasua qualidade de 
vida, mediante uma abordagem contextualizada 
e participativa (Lei do Exercício Profissional, 
Decreto nº 94.406/87.) 
 
Os enfermeiros e os enfermeiros obstetras 
estão habilitados para atender ao pré-natal, 
aos partos normais sem distorcia e ao 
puerpério em: 
• Hospitais 
• centros de parto normal 
• unidades de saúde ou em domicílio. 
Caso haja alguma intercorrência durante a 
gestação, os referidos profissionais devem 
encaminhar a gestante para o médico continuar 
a assistência. 
 
CALENDÁRIO DE CONSULTAS 
Programado em função dos períodos 
gestacionais que determinam maior risco 
materno e perinatal. 
• Iniciado precocemente (1º trim.) e deve ser 
regular 
• Total de consultas deverá ser de, no mínimo, 
6 (seis), com acompanhamento intercalado 
entre médico e enfermeiro. 
 
o Até 28 semanas – mensal 
o Da 28 até 36 semanas – 15/15 dias 
o Da 36 ate a 41 semana – 7/7 dias 
 
A maior frequência de visitas no final da 
gestação: avaliação do risco perinatal e das 
intercorrências clínico-obstétricas mais comuns 
(TP prematuro, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, 
amniorrexe prematura e óbito fetal) 
• ATENÇÃO: Não existe “alta” do pré-natal 
antes do parto!!!! 
• Quando o parto não ocorre até a 41ª sem: 
encaminhar a gestante para avaliação do 
bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice 
do líquido amniótico e monitoramento 
cardíaco fetal. 
• O acompanhamento da mulher no ciclo 
grávido-puerperal deve ser iniciado o mais 
precocemente possível e só se encerra após 
o 42º dia de puerpério. 
 
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO 
Fatores de risco que permitem a realização do 
pré-natal pela equipe de atenção básica (Risco 
Habitual) 
 
Fatores relacionados às características 
individuais e às condições sociodemográficas 
desfavoráveis: 
• Idade menor do que 15 e maior do que 35 
anos; 
• Ocupação: esforço físico excessivo, carga 
horária extensa, rotatividade de horário, 
exposição a agentes físicos, químicos e 
biológicos, estresse; 
• Situação familiar insegura e não aceitação da 
gravidez, principalmente em se tratando de 
adolescente; 
• Situação conjugal insegura; 
• Baixa escolaridade (menor do que 5 anos de 
estudo regular); 
• Condições ambientais desfavoráveis; 
• Altura menor do que 1,45m; 
• IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou 
 
 
 
 
Fatores relacionados à história reprodutiva 
anterior: 
• Recém-nascido com restrição de crescimento, 
pré-termo ou malformado; 
• Macrossomia fetal; 
• Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; 
• Intervalo interpartal menor do que dois anos 
ou maior do que cinco anos; 
• Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais 
partos); 
• Cirurgia uterina anterior; 
• Três ou mais cesarianas 
 
Fatores relacionados à gravidez atual: 
• Ganho ponderal inadequado; 
• Infecção urinária; 
• Anemia. 
 
PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO 
Gestação de alto risco é “aquela na qual a vida 
ou a saúde da mãe e/ou do feto e/ou do 
recém-nascido têm maiores chances de serem 
atingidas que as da média da população 
considerada” 
 
Critérios de risco: cardiopatias, pneumopatias 
graves, nefropatias graves, endocrinopatias, 
doenças hematológicas, HAS, doenças 
neurológicas, psiquiátricas, autoimunes, 
alterações genéticas maternas, antecedente de 
trombose venosa profunda / embolia pulmonar, 
ginecopatias, portadoras de doenças infecciosas 
(Ex: HIV), Hanseníase, Tuberculose, uso de drogas 
lícitas e ilícitas, patologias clínicas que necessitem 
acompanhamento especializado e fatores 
relacionados a vida reprodutiva prévia e fatores 
relacionados a gestação atual. 
 
ROTEIRO DA 1° CONSULTA DE 
ENFERMAGEM 
1. Anamnese: história clínica e exame físico 
2. Exames complementares 
3. Condutas gerais 
 
1. ANAMNESE: HISTÓRIA CLÍNICA 
Identificação: Nome; Número do Cartão 
Nacional de Saúde; Idade; Cor; Naturalidade; 
Procedência; Endereço atual; Unidade de 
referência. 
Dados socioeconômicos: Grau de instrução; 
Profissão/ocupação (deve-se identificar fatores 
de risco); - Estado civil/união; Número e idade de 
dependentes (deve-se avaliar a sobrecarga de 
trabalho doméstico);Renda familiar; Pessoas da 
família com renda; Condições de moradia (tipo, 
nº de cômodos); Condições de saneamento 
(água, esgoto, coleta de lixo);Distância da 
residência até a unidade de saúde. 
 
Antecedentes familiares: HAS; DM; 
Malformações congênitas e anomalias 
genéticas;Gemelaridade; CA de mama e/ou do 
colo uterino; Hanseníase; Tuberculose e outros 
contatos domiciliares (deve-se anotar a doença e 
o grau de parentesco); Doença de Chagas; 
Parceiro sexual que vive com HIV. 
 
Antecedentes pessoais gerais: Uso de 
medicamentos; Uso de drogas, tabagismo e 
alcoolismo; Alergias (inclusive medicamentosas) 
HAS; DM;Cardiopatias; Doença de Chagas; 
Doenças renais crônicas; Anemias e deficiências 
de nutrientes específicos; Desvios nutricionais 
(baixo peso, desnutrição, sobrepeso, obesidade); 
Epilepsia; Doenças da tireoide e outras 
endocrinopatias; Viroses (rubéola, hepatites); 
Hanseníase, tuberculose, malária, sífilis ou outras 
doenças infecciosas; HIV (deve-se anotar se a 
paciente está em uso de antirretrovirais e 
especificar o esquema utilizado); ITU; Doenças 
neurológicas e psiquiátricas; Cirurgia (tipo e 
data); Transfusões de sangue;; Doenças 
neoplásicas; Vacinação; 
 
Antecedentes ginecológicos: Ciclos menstruais 
(duração, intervalo e regularidade; idade da 
menarca); Uso de métodos anticoncepcionais 
prévios (quais, por quanto tempo e motivo do 
abandono); Infertilidade e esterilidade 
(tratamento); IST’s, inclusive doença inflamatória 
pélvica (tratamentos realizados, inclusive pelo 
parceiro); Cirurgias ginecológicas (idade e 
motivo); Malformações uterinas; Mamas 
(patologias e tratamento realizado); Última 
colpocitologia oncótica (papanicolau ou 
“preventivo”, data e resultado). 
 
Sexualidade: Início da atividade sexual (idade da 
primeira relação); - Dispareunia (dor ou 
desconforto durante o ato sexual); Prática sexual 
na gestação atual ou em gestações anteriores; 
Número de parceiros da gestante e de seu 
parceiro em época recente ou pregressa; Uso de 
preservativos masculinos e/ou femininos (“uso 
correto” e “uso habitual”). 
Antecedentes obstétricos: 
• Nº de gestações (incluindo abortamentos, 
gravidez ectópica, mola hidatiforme); 
• Nº de partos (domiciliares, hospitalares, 
vaginais espontâneos, por fórceps, cesáreas – 
indicações);- Nº de abortamentos 
(espontâneos, provocados, causados por DST, 
complicados por infecções, relato de 
insuficiência istmo-cervical, história de 
curetagem pós-abortamento); 
• Nº de filhos vivos; Idade na primeira 
gestação; Intervalo entre as gestações (em 
meses); Isoimunização Rh; 
• Nº de RN: pré-termo (antes da 37ª semana 
de gestação), pós-termo (igual ou mais de 42 
semanas de gestação); 
• Nº de RN de baixo peso (menos de 2.500g) 
e com mais de 4.000g; 
• Nº de RN prematuros ou pequenos para a 
idade gestacional; 
• Mortes neonatais precoces: até sete dias de 
vida (número e motivo dos óbitos); Mortes 
neonatais tardias: entre sete e 28 dias de vida 
(número e motivo dos óbitos); Natimortos 
(morte fetal intraútero e idade gestacional em 
que ocorreu) 
• RN com icterícia, transfusão, hipoglicemia; 
Intercorrências ou complicações em 
gestações anteriores (deve-se especificá-las); 
Complicações nos puerpérios (deve-se 
descrevê-las) 
• Histórias de AM anteriores (duração e 
motivo do desmame). 
 
ATENÇÃO: HISTÓRIA OBSTÉTRICA 
GESTA: 
• Refere-se ao n° de gestações. 
• Nuligesta (nunca concebeu). Primigesta (1° 
gravidez), secundigesta, tercigesta etc. 2 ou 
+ gesta= multigesta 
 
PARA: 
• N° de gestações que houve viabilidade 
fetal. 
• Paridade não é maior se o parto é gemelar, 
nem é menor se o feto já nasce morto. 
 
ABORTO 
• Fetos com menos de 22 semanas e/ou 
pesando menos de 500g 
• Eliminaçãoou extração fetal após 22 semanas 
considera-se indução do parto ou TP 
prematuro. 
Obs: mulher que teve gêmeos em sua primeira 
gestação, após o parto contabiliza paridade I 
 
Gestação atual: 
• Data do primeiro dia/mês/ano da última 
menstruação – DUM (anotar certeza ou 
dúvida); 
• Cálculo da idade gestacional (IG) e data 
provável do parto (DPP). 
• Peso prévio e altura; 
• Sinais e sintomas na gestação em curso; 
• Aceitação ou não da gravidez pela mulher, 
pelo parceiro e pela família, principalmente se 
for adolescente (identificar gestantes com 
fraca rede de suporte social) 
• Hábitos alimentares; 
• Medicamentos utilizados na gestação; 
• Internação durante a gestação atual; 
• Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), 
álcool e drogas ilícitas; 
• Ocupação habitual (esforço físico intenso, 
exposição a agentes químicos e físicos 
potencialmente nocivos, estresse); 
 
1. ANAMNESE: EXAME FÍSICO 
Mais importantes na primeira visita pré-natal 
são os seguintes: peso, altura, pressão arterial, 
avaliação de mucosas, da tireoide, das mamas, 
dos pulmões, do coração, do abdome e das 
extremidades. 
 
No exame ginecológico/obstétrico: avaliar a 
genitália externa, a vagina, o colo uterino e, no 
toque bidigital, o útero e os anexos. 
 
Após a 12ª semana, deve-se medir a altura do 
fundo uterino (AU) no abdome. A ausculta 
fetal será possível após a 10ª-12ª semana, com 
o sonar-doppler 
 
Consultas subsequentes: obrigatório medir a 
altura uterina, pesar a paciente, mensurar a 
pressão arterial, verificar a presença de anemia de 
mucosas, a existência de edemas e auscultar os 
batimentos cardíacos fetais. Avaliar o mamilo 
para lactação. A definição da apresentação fetal 
deverá ser determinada por volta da 36ªsem. 
 
 
 
 
 
 
Exame físico geral: 
• Inspeção da pele e das mucosas 
• Sinais vitais: aferição do pulso, frequência 
cardíaca, frequência respiratória, temperatura 
axilar; 
• Palpação da tireoide, região cervical, 
supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos 
ou outras anormalidades); 
• Ausculta cardiopulmonar; 
• Exame do abdome; 
• Exame dos MMII; 
• Determinação do peso; 
• Determinação da altura; 
• Cálculo do IMC; 
• Avaliação do estado nutricional e do ganho 
de peso gestacional; 
• Medida da pressão arterial; 
• Pesquisa de edema (membros, face, região 
sacra, tronco). 
 
Exame físico específico (gineco-obstetrico) 
• Palpação obstétrica; 
• Medida e avaliação da altura uterina; 
• Ausculta dos batimentos cardiofetais; 
• Registro dos movimentos fetais; 
• Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess); 
• Exame clínico das mamas; 
• Exame ginecológico (inspeção dos genitais 
externos, exame especular, coleta de material 
para exame colpocitopatológico, toque 
vaginal). 
 
2. EXAMES COMPLEMENTARES 
Devem ser solicitados na primeira consulta os 
seguintes exames complementares: 
• Hemograma; 
• Tipagem sanguínea e fator Rh; 
• Coombs indireto (se for Rh negativo): detecta 
se a gestante de sangue Rh negativo possui 
anticorpos contra o tipo positivo; 
• Glicemia de jejum; 
• Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL; 
• Teste rápido diagnóstico anti-HIV; 
• Anti-HIV; 
• Toxoplasmose IgM e IgG; 
• Sorologia para hepatite B (HbsAg); 
• Exame de urina e urocultura; 
• Ultrassonografia obstétrica (não é 
obrigatório) - verificar a idade gestacional; 
• cito patológico de colo de útero (se 
necessário); 
• Exame da secreção vaginal (se houver 
indicação clínica); 
• Parasitológico de fezes (se houver indicação 
clínica); 
• Eletroforese de hemoglobina (se a gestante 
for negra, tiver antec. Fam. de anemia 
falciforme (hemoglobina anormais) ou 
apresentar história de anemia crônica). 
 
3. CONDUTAS GERAIS 
• Interpretação dos dados da anamnese, o 
exame clínico/obstétrico e a instituição de 
condutas específicas; 
• Orientar a gestante sobre a alimentação e o 
acompanhamento do ganho de peso 
gestacional; 
• Incentivar o aleitamento materno exclusivo 
até os seis meses; 
• Fornecer todas as informações necessárias 
e respostas às indagações da mulher, de seu 
companheiro e da família; 
• Prescrever suplementação de sulfato 
ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e 
ácido fólico (5mg/dia) para profilaxia da 
anemia; 
• Orientar a gestante sobre os sinais de risco e 
a necessidade de assistência em cada caso; 
• Referenciar a gestante para atendimento 
odontológico; 
• Encaminhar a gestante para imunização; 
• Deve-se referenciar a gestante para 
serviços especializados quando o 
procedimento for indicado (mulher deverá 
continuar sendo acompanhada, 
conjuntamente, na unidade básica de 
saúde) 
• Ações e práticas educativas individuais e 
coletivas. 
• Deve-se agendar consultas subsequentes. 
 
IMPORTANTE LEMBRAR!! 
IgG (Imunoglobulina G) e IgM 
(Imunoglobulina M) 
são anticorpos que o organismo produz quando 
entra em contato com algum tipo de micro-
organismo invasor. 
 
IgM é produzido na fase aguda da infecção 
 
IgG, que também surge na fase aguda, é mais 
específico e serve para proteger a pessoa de 
futuras infecções, permanecendo por toda a 
vida. 
IgG - (não reagente) e IgM - (não reagente): 
nunca entrou em contato com o patógeno 
(nunca teve a doença ou nunca tomou vacina) e 
está susceptível a ter a doença; 
 
IgG - e IgM +: infecção aguda (dias, semanas); 
 
IgG + (reagente) e IgM + (reagente): infecção 
recente (semanas ou meses); 
 
IgG + e IgM -: infecção antiga (meses ou anos) 
ou sucesso da vacina; a pessoa está protegida 
para essa doença. 
 
ROTEIRO DAS CONSULTAS 
SUBSEQUENTES 
Anamnese atual sucinta: deve-se enfatizar a 
pesquisa das queixas mais comuns na gestação e 
dos sinais de intercorrências clínicas e obstétricas, 
com o propósito de se reavaliar o risco 
gestacional e de se realizar ações mais efetivas; 
• Exame físico direcionado (deve-se avaliar o 
bem-estar materno e fetal); 
• Verificação do calendário de vacinação; 
• Deve-se avaliar o resultado dos exames 
complementares; 
• Devem ser feitas a revisão e a atualização do 
Cartão da Gestante e da Ficha de Pré-Natal. 
 
Além disso, devemos executar as seguintes 
tarefas: 
I. Controles maternos: 
• Cálculo e anotação da IG; 
• Determinação do peso e IMC: anote no 
gráfico e realize a avaliação nutricional 
subsequente e o monitoramento do ganho 
de peso gestacional; 
• Medida da PA; 
• Palpação obstétrica e medida da AU (anote os 
dados no gráfico e observe o sentido da curva 
para avaliação do crescimento fetal); 
• Pesquisa de edema; 
• Exame ginecológico, incluindo das mamas, 
para observação do mamilo. 
 
II. Controles fetais: 
• Ausculta dos batimentos cardiofetais; 
• Avaliação dos movimentos percebidos pela 
mulher e/ou detectados no exame obstétrico/ 
registro dos movimentos fetais; 
 
 
 
III. Condutas: 
• Interpretação dos dados da anamnese e do 
exame clínico/obstétrico e correlação com 
resultados de exames complementares; 
• Avaliação dos resultados de exames 
complementares e tratamento de alterações 
encontradas ou encaminhamento, se 
necessário; 
• Prescrição de suplementação de sulfato 
ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e ácido 
fólico (5mg/dia), para profilaxia da anemia; 
• Oriente a gestante sobre alimentação e faça o 
acompanhamento do ganho de peso 
gestacional; 
• Incentive o AME até os seis meses; 
• Oriente a gestante sobre os sinais de risco e a 
necessidade de assistência em cada caso; 
• Faça o acompanhamento das condutas 
adotadas em serviços especializados, pois a 
mulher deverá continuar a ser acompanhada 
pela equipe da atenção básica; 
• Proceda à realização de ações e práticas 
educativas individuais e coletivas; 
• Faça o agendamento das consultas 
subsequentes. 
 
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E 
DO GANHO DE PESO GESTACIONAL 
• Medida do peso, da altura e o cálculo da 
semana gestacional, o que permite a 
classificaçãodo índice de massa corporal 
(IMC) por semana gestacional. 
• Com base no IMC obtido na primeira consulta 
de pré-natal, é possível conhecer o estado 
nutricional atual e acompanhar o ganho de 
peso até o final da gestação. 
 
Atenção :peso verificado em todas as 
consultas. 
 
OBS: A estatura pode ser aferida apenas na 
primeira consulta, desde que não seja gestante 
adolescente (menor de 20 anos), cuja medida 
deverá ser realizada pelo menos 
trimestralmente. 
 
 
 
 
 
• Baixo peso: quando o valor do IMC for igual 
ou menor do que os valores apresentados na 
coluna correspondente abaixo peso 
• Adequado: quando o IMC observado estiver 
compreendido na faixa de valores 
apresentada na coluna correspondente a 
adequado 
• Sobrepeso: quando o IMC observado estiver 
compreendido na faixa de valores 
apresentada na coluna correspondente a 
sobrepeso 
• Obesidade: quando o valor do IMC for igual 
ou maior do que os valores apresentados na 
coluna correspondente a obesidade. 
 
PALPAÇÃO OBSTÉTICA E MEDIDA DA 
ALTURA UTERINA (AU) 
Objetivo: 
• Identificar o crescimento fetal; 
• Diagnosticar os desvios da normalidade a 
partir da relação entre a altura uterina e a 
idade gestacional; 
• Identificar a situação e a apresentação fetal. 
 
 
 
Ela deve iniciar pela delimitação do fundo 
uterino, bem como de todo o contorno da 
superfície uterina (este procedimento reduz o 
risco de erro da medida da altura uterina). 
A identificação da situação e da apresentação 
fetal é feita por meio da palpação obstétrica, 
procurando-se identificar: 
• os polos cefálico e pélvico 
• dorso fetal, facilmente identificados a 
partir do terceiro trimestre. 
Pode-se, ainda, estimar a quantidade de líquido 
amniótico. 
 
TÉCNICA DE PALPAÇÃO ABDOMINAL 
MANOBRAS DE LEOPOLD 
Consiste em um método palpatório do abdome 
materno em 4 passos (tempos) 
 
 
1º Tempo: Delimite o fundo do útero com a 
borda cubital de ambas as mãos e reconheça a 
parte fetal que o ocupa 
 
 
2º Tempo Deslize as mãos do fundo uterino até 
o polo inferior do útero, procurando sentir o 
dorso e as pequenas partes do feto 
 
 
3º Tempo Explore a mobilidade do polo, que se 
apresenta no estreito superior pélvico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
palpação 
obstétrica 
antes
Medida da 
altura 
uterina 
4º Tempo Determine a situação fetal, colocando 
as mãos sobre as fossas ilíacas, deslizando-as em 
direção à escava pélvica e abarcando o polo fetal, 
que se apresenta. 
 
 
As situações que podem ser encontradas são: 
Longitudinal (apresentação cefálica e pélvica) 
Transversa (apresentação córmica) e oblíquas. 
 
 
TIPOS DE APRESENTAÇÃO FETAL 
 
a- Cefálica 
b- Pélvica 
c- Córmica 
 
 
MEDIDA DA ALTURA UTERINA – AU 
Visa ao acompanhamento do crescimento fetal 
e à detecção precoce de alterações 
(crescimento intrauterino retardado, 
macrossomia fetal...) 
 
Use como indicador a medida da altura uterina e 
sua relação com o número de semanas de 
gestação. 
 
 
 
I. Técnica para medida da altura uterina: 
• Posicione a gestante em decúbito dorsal, 
com o abdome descoberto; 
• Delimite a borda superior da sínfise púbica 
e o fundo uterino; 
• Por meio da palpação, procure corrigir a 
comum dextroversão uterina; 
• Fixe a extremidade inicial (0cm) da fita 
métrica, flexível e não extensível, na borda 
superior da sínfise púbica com uma das 
mãos, passando-a entre os dedos indicador e 
médio. 
• Deslize a fita métrica entre os dedos 
indicador e médio da outra mão até 
alcançar o fundo do útero com a margem 
cubital da mesma mão; 
• Proceda à leitura quando a borda cubital da 
mão atingir o fundo uterino; 
• Anote a medida (em centímetros) na ficha 
e no cartão e marque o ponto na curva da 
altura uterina. 
 
AUSCULTA DOS BATIMENTOS 
CARDIOFETAIS 
• Constatar a cada consulta a presença, o 
ritmo, a frequência e a normalidade dos 
batimentos cardíacos fetais (BCF). 
• Sonar dopler após 12 semanas de gestação 
ou Pinard, após 20 semanas 
• É considerada normal a frequência cardíaca 
fetal entre 120 a 160 bpm. 
 
Observação: após uma contração uterina, a 
movimentação fetal ou o estímulo mecânico 
sobre o útero, um aumento transitório na 
frequência cardíaca fetal é sinal de boa 
vitalidade. 
 
Por outro lado, uma desaceleração ou a não 
alteração da frequência cardíaca fetal, 
concomitante a estes eventos, é sinal de alerta, 
o que requer aplicação de metodologia para 
avaliação da vitalidade fetal. Recomenda-se 
referir a gestante para um nível de maior 
complexidade ou à maternidade. 
 
I. Técnica para ausculta dos BCF: 
• Posicione a gestante em decúbito dorsal, 
com o abdômen descoberto; 
• Identifique o dorso fetal. Além de realizar a 
palpação, perguntar à gestante em qual lado 
ela sente mais os movimentos fetais; o dorso 
estará no lado oposto; 
• Procure o ponto de melhor ausculta dos 
BCF na região do dorso fetal; 
• Controle o pulso da gestante para certificar-
se de que os batimentos ouvidos são os do 
feto, já que as frequências são diferentes; 
• Conte os batimentos cardíacos fetais por 
um minuto, observando sua frequência e seu 
ritmo; 
• Registre os BCF na ficha perinatal e no Cartão 
da Gestante; 
• Avalie resultados da ausculta dos BCF. 
 
 
 
 
 
VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE EDEMA 
• Detectar precocemente a ocorrência de 
edema patológico 
 
Nos membros inferiores: 
• Posição: decúbito dorsal ou sentada, sem 
meias; 
• Pressione a pele na altura do tornozelo 
(região perimaleolar ou maleolar) e na 
perna, no nível do seu terço médio, face 
anterior (região pré-tibial). 
 
Na região sacra: 
• Posição: decúbito lateral ou sentada; 
• Pressione a pele, por alguns segundos, na 
região sacra, com o dedo polegar. 
 
Face e nos membros superiores 
• Identifique a presença de edema pela 
inspeção 
Obs: O edema fica evidenciado mediante 
presença de depressão duradoura no local 
pressionado 
 
Observar varizes e sinais flogísticos 
 
ACHADOS E ORIENTAÇÕES 
ORIENTAÇÃO ALIMENTAR PARA 
GESTANTE 
• Apreciar cada refeição, comer devagar, 
mastigar bem e de forma que evite qualquer 
tipo de estresse na hora da alimentação. 
• Evitar consumir líquidos durante as 
refeições, para reduzir os sintomas de 
pirose. 
• Evitar deitar-se logo após as refeições, pois 
assim pode evitar mal-estar e pirose. 
• Beber água entre as refeições (melhora o 
funcionamento do intestino e hidrata o corpo. 
Bebidas açucaradas (como os refrigerantes e 
os sucos industrializados) e as bebidas com 
cafeína (café, chá preto e chá mate) não 
substituem a água, devem ser evitadas 
durante o período de gestação para favorecer 
o controle de peso. 
• Incluir diariamente nas refeições seis porções 
do grupo de cereais (arroz, milho, pães e 
alimentos feitos com farinha de trigo e milho) 
e tubérculos, como as batatas e raízes, como 
mandioca/macaxeira. 
• Montar um prato colorido (tipos de frutas, 
legumes e verduras) considerando a 
disponibilidade de alimentos regionais; 
• Consumir hortaliças verde-escuras (por 
exemplo: couve, brócolis, agrião, taioba, 
rúcula) 
• Dar preferência a frutas, legumes e verduras 
crus para obter mais fibras em sua 
alimentação 
• Lavar em água corrente as frutas, os legumes 
e as verduras e colocá-los de molho por dez 
minutos, em água clorada, na diluição de uma 
colher de sopa do produto para cada litro de 
água. Depois, é necessário enxaguar o 
alimento em água corrente; 
• Beber sucos naturais de frutas feitos na hora 
• Reduzir para, no máximo, uma vez por 
semana o consumo de alimentos gordurosos, 
como carnes com gordura visível, embutidos 
(salsicha, linguiça, salame, presunto, 
mortadela), queijos amarelos, salgadinhos, 
chocolates e sorvetes. 
• Usar óleos vegetais (de soja, canola, girassol, 
milho ou algodão) em vez de margarina, 
gordura vegetal, manteiga ou banha para 
cozinhar. 
• Evitarrefrigerantes e sucos industrializados, 
biscoitos recheados e outras guloseimas no 
seu dia a dia. 
• Utilizar temperos naturais (cheiro verde, 
alho, cebola, ervas frescas ou secas e suco de 
frutas, como limão) com isso, reduzir a 
quantidade de sal. 
• Utilizar somente sal iodado. 
• Para evitar a anemia, consumir alimentos 
que são fontes de ferro (carnes, vísceras, 
feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, folhas 
verde-escuras, grãos integrais e castanhas). 
Deve-se consumir, juntamente alimentos, 
aqueles que são fontes de vitamina C(como 
acerola, laranja, caju e limão). 
• Manter o ganho de peso gestacional 
dentro de limites saudáveis. 
• Deve ainda praticar, seguindo orientação de 
um profissional de saúde, alguma atividade 
física, além de evitar as bebidas alcoólicas 
e o fumo. 
 
ANTES DE FAZER QUALQUER ORIENTAÇÃO 
ALIMENTAR VERIFICAR: 
• QUAIS SÃO OS HÁBITOS ALIMENTARES 
(QUANTAS REFERIÇÕES? O QUE COME? 
HORÁRIO) 
• QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES/ RECURSOS 
FINANCEIROS DA GESTANTE E SUA 
FAMÍLIA 
 
SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO E ÁCIDO 
FÓLICO 
• Ferro elementar (40 mg/dia) até o 3mês após 
a gestação; 
• Ácido fólico (400 μg/dia ou 0,4 mg/dia). 
Utilizar no período pré-gestacional até o final 
da gestação 
 
SINAIS DE ALERTA 
• sangramento vaginal 
• cefaléia 
• escotomas visuais 
• epigastralgia 
• edema excessivo 
• contrações regulares 
• perda de líquido 
• diminuição da movimentação fetal 
• febre 
• dor em “baixo ventre” 
• dispneia e cansaço 
 
ABORDAGEM DE QUEIXAS FREQUENTES 
NA GESTAÇÃO 
Pirose/azia: 
• Fazer alimentação fracionada (pelo menos 
três refeições ao dia e dois lanches); evitar 
líquido durante as refeições e deitar-se logo 
após as refeições. 
• Ingerir líquido gelado durante a crise; 
• Elevar a cabeceira da cama ao dormir 
(dormir com travesseiro alto); 
• Evitar frituras, café, chá mate e preto, doces, 
alimentos gordurosos e/ou picantes; 
• Medicamentos: Hidróxido de alumínio ou 
magnésio, dois a quatro comprimidos 
mastigáveis após as refeições e ao deitar se; 
Bloqueadores H2 e inibidores da bomba de 
prótons (omeprazol). 
 
Sialorréia 
• Explicar que é uma queixa comum no início 
da gestação; 
• Manter dieta semelhante à indicada para 
náuseas e vômitos. 
• Orientar a gestante a deglutir a saliva e 
tomar líquidos em abundância 
(especialmente em época de calor). 
Fraqueza/Tontura 
• Evitar a inatividade; 
• Fazer alimentação fracionada (pelo menos 
três refeições ao dia e dois lanches); 
• Evitar jejum prolongado; 
• Sentar-se com a cabeça abaixada ou 
deitar-se de decúbito lateral esquerdo e 
respirar profunda e pausadamente para 
aliviar os sintomas; 
• Evitar permanecer, por longo tempo, em 
ambientes fechados, quentes e sem 
ventilação adequada; ingerir líquidos; 
• Nos casos reincidentes, o uso de meias 
elásticas para melhorar o retorno venoso 
pode estar indicado; 
• Avaliar a pressão arterial. 
 
Falta de ar/ dificuldade para respirar 
• É recomendado realizar ausculta cardíaca e 
pulmonar e, se houver alterações, 
encaminhar para avaliação médica. 
• Solicitar repouso em decúbito lateral 
esquerdo. 
• Elevar a cabeceira (ajuda a resolver o fator 
mecânico) 
 
Dor nas mamas (mastalgia) 
• Esclarecer que o aumento de volume 
mamário na gestação pode ocasionar 
desconforto doloroso. 
• É recomendado realizar exame clínico das 
mamas para descartar qualquer alteração. 
• Orientar uso de sutiã com boa sustentação. 
 
Obstipação/ constipação intestinal/ 
flatulências 
• Ingerir legumes e verduras – em especial as 
folhosas, por serem ricas em fibras – e frutas 
cítricas. 
• Aumentar a ingestão de água para 6-8 
copos/ dia 
• Reavaliar alimentação rica em fibras e evitar 
alimentos que causem muita fermentação, 
alimentos flatulosos (feijão, grão-de-bico, 
lentilha, repolho, brócolis, pimentão, pepino e 
couve). 
• Fazer caminhadas leves (se não forem 
contraindicadas). 
• Prevenir fissuras anais (não usar papel 
higiênico, usar água e sabão para limpeza 
após as evacuações). 
 
 
• Medicamentos: 
o Dimeticona (40-80 mg), de 6/6 horas, 
para flatulência; 
o Hioscina (10 mg), de 8/8 horas, para dor 
abdominal; Supositório de glicerina. 
 
Hemorroida 
• Avaliar sempre sinais de gravidade: Aumento 
da intensidade da dor; Endurecimento do 
botão hemorroidário; Sangramento retal. 
• Dieta rica em fibras, estimular a ingestão 
de líquidos e, se necessário, supositórios 
de glicerina; 
• Higiene local com duchas ou banhos após 
a evacuação; 
• Banho de assento com água morna; 
• Usar anestésicos tópicos, se necessário; Obs.: 
tratamentos esclerosantes ou cirúrgicos são 
contraindicados. Se ocorrerem complicações 
como trombose, encaminhar para o hospital 
de referência 
 
Dor lombar 
• Corrigir a postura ao se sentar e andar; 
• Observar a postura adequada, evitando 
corrigir a lordose fisiológica; 
• Recomendar o uso de sapatos confortáveis e 
evitar saltos altos; 
• Recomendar a aplicação de calor local e 
massagens especializadas; 
• Indicar atividades de alongamento e 
orientação postural. 
• Medicamento: Paracetamol (500-750 mg), 
de 6/6 horas; Dipirona (500-1.000 mg), de 
6/6 horas. 
 
Corrimento vaginal 
• O fluxo vaginal normal é comumente 
aumentado durante a gestação e não causa 
prurido, desconforto ou odor fétido; 
• Lembrar que em qualquer momento da 
gestação podem ocorrer as IST. Não usar 
cremes vaginais quando não houver sinais e 
sintomas de infecção vaginal 
 
Cefaleia 
• Repouso em local com pouca luminosidade e 
boa ventilação; 
• Conversar com a gestante sobre suas tensões, 
conflitos e temores; 
• Se dor recorrente, agendar consulta médica e 
orientar sobre os sinais de alerta, como 
frequência, intensidade etc. 
• Medicamentos: Paracetamol (500-750 
mg), de 6/6 horas; Dipirona (500-1.000 
mg), de 6/6 horas. 
 
Varizes 
• Mudar de posição com maior frequência; 
• Não permanecer por muito tempo em pé, 
sentada ou com as pernas cruzadas; 
• Repousar por 20 minutos com as pernas 
elevadas, várias vezes ao dia; 
• Utilizar meia elástica com suave ou média 
compressão, que pode aliviar o quadro de dor 
e edema dos membros inferiores; 
• Não usar roupas muito justas, ligas nas pernas 
e nem meias 3/4 ou 7/8. Valorizar a 
possibilidade de complicações 
tromboembólicas 
 
Câimbras 
• Evitar o alongamento muscular excessivo ao 
acordar, em especial dos músculos do pé (ato 
de se espreguiçar); 
• Na gestação avançada, devem ser evitados o 
ortostatismo (ficar em pé) prolongado e a 
permanência na posição sentada por longo 
período, como em viagens demoradas; 
• Nas crises, a grávida com câimbras nos 
membros inferiores se beneficia muito do 
calor local, da aplicação de massagens na 
perna e da realização de movimentos 
passivos de extensão e flexão do pé; 
• Evitar excesso de exercício físico e massagear 
o músculo contraído e dolorido; 
• Realizar alongamentos específicos, com 
orientação profissional. 
 
Estrias 
• Orientar que são frequentes após o 5º mês de 
gestação, geralmente no quadril, abdome e 
mamas, ocasionadas pela distensão dos 
tecidos, e que não existe método eficaz de 
prevenção; 
• preveni-las: a massagem local, com óleos e 
cremes hidratantes compatíveis com a 
gravidez, livre de conservantes ou qualquer 
outro alergênico. 
• Qualquer tratamento de estrias está 
contraindicado na gestação, inclusive o uso 
de ácido retinoico, também contraindicado 
na amamentação. 
 
 
 
Pigmentação/ cloasma gravídico 
• Orientar que é comum na gravidez e costuma 
diminuir ou desaparecer após o parto; 
• Evitar exposição direta ao sol (usar boné, 
chapéu ou sombrinha); 
• Utilizar filtro solar, aplicando no mínimo três 
vezes ao dia. 
 
Epistaxe e congestão nasal 
• Congestão nasal: instilação de soro 
fisiológico. 
• Epistaxe: leve compressão na base do nariz. 
Casos mais graves: encaminhar ao 
especialistaou ao serviço de emergência. 
 
Náusea e Vômitos 
• Fazer alimentação fracionada, pelo menos 
três refeições e dois lanches por dia; 
• Alimentar-se logo ao acordar; 
• Evitar jejum prolongado; 4. Variar refeições 
conforme a tolerância individual; 
• Dar preferência a alimentos pastosos e secos 
(pão, torradas, bolachas); 
• Evitar alimentos gordurosos e 
condimentados 
• Medicamento: Metoclopramida 10 mg, de 
8/8 horas; 2. Dimenidrato 50 mg + cloridrato 
de piridoxina 10 mg, de 6/6 horas (não 
exceder 400 mg/dia). 
 
CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO 
PARTO (DPP) E IDADE GESTACIONAL 
(IG) 
Exemplo 3: DUM 04/04/18 
07 . 04 . 18 
+7 -3_____ 
14/01/19 (DPP) 
 
Exemplo 4: DUM 26/05/18 
26.05.18 
+7 -3____ 
02/02/19 (DPP) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Somatória do período que corresponde a 
DUM até a data da consulta. 
• Após a somatória deve-se dividir o total por 
7 (nº de dias em uma sem) 
• •Resultado em semanas e o resto da divisão 
será expresso em dias 
Atenção: quando necessário arredondar a sem 
gestacional 
1,2,3d –nº semanas completas 
4,5,6d – semana seguinte 
 
Exemplo 
16semanas e 2d: 16 sem 
16semanas e 5d: 17sem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL (IG) 
Data da última menstruação 
 
1. Uso do calendário 
• Contar o número de semanas a partir do 
1° dia da última menstruação, até o dia da 
consulta 
• DPP: final da 40a semana, contada a partir 
do 1° dia da última menstruação 
2. Uso do disco ou gestograma 
 
1. Período do mês é conhecido 
• Início mês -> considerar dia 5 
• Meio mês -> considerar dia 15 
• Final mês -> considerar dia 25 
• Uso: calendário/ disco/ gestograma 
 
2. Data e período desconhecidos 
• Exame obstétrico 
• Ultrassom 
 
AULA 4 – ASSISTÊNCIA DE 
ENFERMAGEM DIANTE DOS PRINCIPAIS 
AGRACOS A SAÚDE NO CICLO 
GRAVÍDICO 
ABORTAMENTO 
• Em 2017, foram feitos 1.636 abortos legais 
• É uma das complicações mais frequentes da 
gravidez, acontecendo muitas vezes antes 
mesmo do atraso menstrual. 
• Apenas 30% das concepções alcançam o 
nascimento de recém-nascido vivo. 
• Das gestações confirmadas, 
aproximadamente 15% a 20% terminam em 
aborto (PETROZZA, 2017). 
• Problema de saúde pública: Estima-se que 
ocorram, considerando apenas o Brasil, mais 
de 1 milhão de abortamentos induzidos ao 
ano, sendo uma das principais causas de 
morte materna no País. 
 
O abortamento segundo a OMS é a expulsão 
de feto pesando < 500 g ou com < 20 semanas 
de gestação ou 16,5 cm de comprimento 
(OMS, 1976), podendo ser espontâneo ou 
provocado. 
 
No Brasil, o MS define como abortamento a 
interrupção da gravidez até 20 ou 22 semanas 
e com o produto pesando menos que 500g. 
 
 
FATORES DE RISCO 
A incidência de alterações cromossômicas em 
abortamentos esporádicos de 1o trimestre é de 
50%. 
 
Os mais comuns fatores de risco identificados 
em mulheres com abortamento precoce são a 
idade materna avançada e a história de perda 
anterior (ACOG, 2015). 
 
A frequência de abortamentos precoces 
clinicamente reconhecidos em mulheres com 
idade de 20 a 30 anos é de 9 a 17%, aumentando 
rapidamente para 20% na idade de 35 anos, 40% 
com 40 anos e 80% com 45 anos. 
 
Qualquer doença materna grave, traumatismo ou 
intoxicação, além de inúmeras infecções, podem 
levar ao abortamento. 
 
ASPECTOS ÉTICO-PROFISSIONAIS E 
JURÍDICOS DO ABORTAMENTO 
Atenção humanizada as mulheres 
• Igualdade 
• Liberdade 
• Dignidade 
• Sem discriminação ou restrito acesso 
 
Não é crime e não se pune quando... 
Abortamento praticado por médico(a), se: 
a) não há outro meio de salvar a vida da 
mulher (Art. 128, I); 
b) a gravidez é resultante de estupro (ou 
outra forma de violência sexual), com o 
consentimento da mulher ou, se incapaz, 
de seu representante legal (Art. 128, II). 
A jurisprudência brasileira tem autorizado a 
interrupção de gravidez nos casos de 
malformação fetal com inviabilidade de vida 
extrauterina (anencefalia), com o 
consentimento da mulher. Nesses casos, o 
abortamento é um direito da mulher 
 
PORTARIA N° 2.282, DE 27 DE AGOSTO DE 
2020 
Dispõe sobre o Procedimento de Justificação e 
Autorização da Interrupção da Gravidez nos casos 
previstos em lei, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde-SUS. 
• Equipe médica é obrigada a notificar à 
política os casos de acolhimento de 
paciente quando houver indícios ou 
confirmação de crime de estupro. 
• Equipe médica deve oferecer à vítima de 
estupro a visualização do feto ou do 
embrião por meio de ultrassonografia. 
 
CONSTITUEM TIPOS CLÍNICOS DE 
ABORTAMENTO 
• Ameaça de abortamento 
• Abortamento inevitável 
• Abortamento completo 
• Abortamento incompleto 
• Abortamento infectado 
• Abortamento retido 
• Abortamento habitual 
• Insuficiência cervical 
• Eletivo previsto em lei 
 
AMEAÇA DE ABORTAMENTO: gravidez 
complicada por sangramento antes de 20 
semanas 
• O sangramento genital é de pequena a 
moderada intensidade, podendo existir 
dores, tipo cólicas, geralmente pouco 
intensas. 
• O colo uterino (orifício interno) encontra-se 
fechado, o volume uterino é compatível com 
o esperado para a idade gestacional, e não 
existem sinais de infecção. 
• O exame de ultrassom mostra-se normal, 
com feto vivo, podendo encontrar pequena 
área de descolamento ovular 
• Não existe indicação de internação 
hospitalar, a mulher deve ser orientada para 
ficar em repouso, utilizar analgésico se 
apresentar dor, evitar relações sexuais 
durante a perda sanguínea, e retornar ao 
atendimento de pré-natal. 
• Atenção: Nos casos em que não ocorre 
regressão das alterações ou se surgir febre, 
dor pélvica localizada ou sangramento com 
odor fétido deve a mulher retornar ao 
serviço de saúde para nova avaliação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABORTAMENTO INEVITÁVEL/INCOMPLETO: o 
colo está dilatado, mas o produto da concepção 
não foi eliminado (inevitável) ou alguma parte do 
produto da concepção foi eliminada, mas não a 
sua totalidade; podem estar retidos feto, placenta 
ou membranas (incompleto) 
• O sangramento é maior que na ameaça de 
abortamento, que diminui com a saída de 
coágulos ou de restos ovulares, as dores 
costumam ser de maior intensidade que na 
ameaça, e o orifício cervical interno 
encontra-se aberto. 
• O exame de ultrassom confirma a hipótese 
diagnóstica, embora não seja 
imprescindível. 
• Abortamento precoce (até 12 semanas) 
o aspiração manual ou elétrica 
intrauterina (AMIU) por ser mais segura 
e permitir o esvaziamento mais rápido 
o Quando não for possível empregar essa 
técnica, realiza-se a curetagem uterina. 
 
• Abortamento tardio (após 12 semanas) 
o Misoprostol na dose de 200mcg de 
12/12. 31 horas, via vaginal, em ciclos de 
48 horas de tratamento, com 3 a 5 dias 
de intervalo. 
 
• Atenção: Após a expulsão, persistindo o 
sangramento, 
o tamanho uterino for < ou = a gestação 
de 12 semanas podemos realizar a 
complementação por AMIU. 
o volume uterino for > de 12 semanas 
utilizamos a curetagem uterina. 
 
Em situações onde o esvaziamento é emergencial 
(hemorragias graves ou infecções graves), o uso 
do misoprostol deve ser evitado devido ao tempo 
de resposta necessário para o esvaziamento 
medicamentoso. 
 
ABORTAMENTO RETIDO: gravidez na qual já 
há a morte fetal (em geral por semanas) sem a 
sua expulsão 
• Ocorre a regressão dos sintomas e sinais da 
gestação, o colo uterino encontra-se 
fechado e não há perda sanguínea. 
• O exame de ultrassom revela ausência de 
sinais de vitalidade ou a presença de saco 
gestacional sem embrião (ovo 
anembrionado). 
• Pode ocorrer o abortamento retido sem os 
sinais de ameaça. 
• Trata-se com misoprostol quando o útero 
corresponder à gestação > que 12 semanas 
e por meio de AMIU com útero 
correspondente a < de 12 semanas. 
 
ABORTAMENTO COMPLETO: todo o produto 
da concepção foi eliminado sem a necessidadede intervenção médica ou cirúrgica 
• Geralmente ocorre em gestações com 
menos de 8 semanas. A perda sanguínea e 
as dores diminuem ou cessam após a 
expulsão do material ovular. 
• O colo uterino (orifício interno) pode estar 
aberto e o tamanho uterino mostra-se 
menor que o esperado para a idade 
gestacional. No exame de ultrassom 
encontra-se cavidade uterina vazia ou com 
imagens sugestivas de coágulos. 
• A conduta: observação, com atenção ao 
sangramento e/ou à infecção uterina. 
Quando persiste o sangramento, podemos 
prescrever uterotônicos (induzir 
contrações), ou pode ser realizada AMIU 
com cânula bem fina. 
• É importante ressaltar que a curetagem 
uterina deve ser usada apenas quando a 
aspiração não estiver disponível. 
 
ABORTAMENTO INFECTADO: abortamento 
(geralmente incompleto) complicado por 
infecção intrauterina 
• Com muita frequência está associado a 
manipulações da cavidade uterina pelo uso 
de técnicas inadequadas e inseguras. 
• Estas infecções são polimicrobianas e 
provocadas, geralmente, por bactérias da 
flora vaginal. São casos graves e devem ser 
tratados, independentemente da vitalidade 
do feto. 
• As manifestações clínicas são: elevação da 
temperatura, sangramento genital com 
odor fétido acompanhado de dores 
abdominais ou eliminação de secreção 
purulenta através do colo uterino. 
• Na manipulação dos órgãos pélvicos, 
através do toque vaginal, a mulher pode 
referir bastante dor, e deve-se sempre 
pensar na possibilidade de perfuração 
uterina. 
• Exames para melhor avaliação: 
hemograma com contagem de plaquetas; 
urina tipo I; coagulograma; hemocultura; 
cultura da secreção vaginal e do material 
endometrial; raios-x do abdome; 
ultrassonografia pélvica ou de abdome 
total; e tomografia. 
• No tratamento: iniciar antibioticoterapia 
(utilizado metronidazol ou clindamicina; 
associado com gentamicina ou amicacina) 
• O esvaziamento uterino: naqueles úteros 
com tamanho compatível 12 semanas 
(AMIU). Na impossibilidade de o uso 
empregar a curetagem uterina; em ambas, 
o esvaziamento uterino deve ser feito sob 
infusão de ocitocina. 
• Casos mais graves, acompanhados de 
peritonite e que demoram a dar uma 
resposta satisfatória, deve-se proceder a 
laparotomia exploradora e, se necessário, 
realizar retirada de órgãos pélvicos. 
• A persistência de febre após os cuidados 
iniciais pode traduzir abscessos pélvicos ou 
tromboflebite. Nesse caso indica-se a 
utilização da heparina. 
 
ABORTAMENTO HABITUAL: 2 ou mais 
abortamentos consecutivos 
• Caracteriza-se pela perda espontânea e 
consecutiva de 3 ou mais gestações antes 
da 22ª semana. 
• É Primário: mulher jamais conseguiu levar a 
termo qualquer gestação 
• É Secundário: houve uma gravidez a termo. 
• Estas mulheres devem ser encaminhadas 
para tratamento especializado, onde seja 
possível identificar as causas e realizados 
tratamentos específicos. 
 
ABORTAMENTO ELETIVO PREVISTO EM LEI 
Nos casos em que exista indicação de interrupção 
da gestação, obedecida a legislação vigente e, 
por solicitação da mulher ou de seu 
representante, deve ser oferecida à mulher a 
opção de escolha da técnica a ser empregada: 
• Abortos farmacológicos (misoprostol, 
ocitocina) 
• AMIU 
• Dilatação e curetagem 
 
Tal escolha deverá ocorrer depois de adequados 
esclarecimentos das vantagens e desvantagens 
de cada método, suas taxas de complicações e 
efeitos adversos. 
 
INSUFICIÊNCIA CERVICAL: incapacidade do 
colo uterino em reter o produto da concepção 
no 2º trimestre da gravidez, na ausência de 
sinais e sintomas de contrações e/ou parto 
• Uma das principais causas de 
abortamento habitual tardio ou de parto 
pré-termo extremo. A “dilatação cervical 
é sem dor” e o feto nasce vivo e 
morfologicamente normal. 
• Costuma ser precedida por história de 
traumatismo cervical causado por 
conização, laceração cervical no parto ou 
dilatação exagerada do colo em casos de 
interrupção provocada da gravidez e 
defeitos müllerianos (más formações 
uterinas) 
• Secreção mucoide vaginal e dilatação de 
4 a 6 cm sem desconforto apreciável ou 
percepção de contrações reforçam o 
diagnóstico. 
• A dilatação cervical com Herniação das 
membranas visualizadas ao exame 
especular configura o quadro de 
insuficiência cervical aguda. 
• As perdas gestacionais ocorrem tipicamente 
no 2 ou no início do 3 trimestre, com cada 
interrupção ocorrendo mais cedo do que a 
anterior. 
• Atenção: Não há nenhum teste 
diagnóstico pré-concepcional 
recomendado para confirmar 
insuficiência cervical. 
• Tratamento é cirúrgico por meio da 
cerclagem do colo uterino, realizada na 
gravidez. 
• A cerclagem deve ser limitada a gestações 
no 2 trimestre (até 24 semanas), antes da 
viabilidade fetal. Nem antibióticos nem 
tocolíticos profiláticos melhoram a eficácia 
da cerclagem. 
• Certas condutas não cirúrgicas, incluindo 
restrição da atividade física e repouso no 
leito e pélvico, não são efetivas para o 
tratamento da insuficiência cervical e 
devem ser desencorajadas 
• Deve ser removida com 36 a 37 semanas 
de gravidez 
 
 
 
 
 
 
SINDROMES HIPERTENSIVAS 
A hipertensão complica cerca de 10% de todas as 
gestações -> morte materna 
 
Pode se apresentar como: 
1. Pré-eclâmpsia (ou, nos casos mais graves, 
eclâmpsia) 
2. Hipertensão crônica 
3. Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia 
superposta 
4. Hipertensão gestacional 
 
HIPERTENSÃO ARTERIAL (MS) 
Considera-se HAS na gestação se a: 
PA sistólica for ≥140 mmHg e/ou PA diastólica 
≥90mmHg, mantidos em medidas repetidas, 
aferido em condições ideais, em pelo menos 3 
dias diferentes com duas medidas a cada 
avaliação. 
 
As síndromes hipertensivas, dividem-se em 5, 
são elas: 
• HAS CRÔNICA: HAS que ocorre antes das 
20 semanas de gestação, ou após 12 
semanas do parto. 
• HIPERTENSÃO GESTACIONAL: HAS que 
ocorre após 20 sem de gestação, sem 
proteinúria. Pode ser definida como 
transitória (quando normaliza após o parto) 
ou crônica (quando persiste após o parto) 
• PRÉ ECLÂMPSIA: Aparecimento de HAS e 
Proteinúria (>300mg/24 h), após 20 sem, em 
gestantes previamente normotensas. 
• PRÉ- ECLÂMPSIA SUPERPOSTA À HAS 
CRÔNICA (SÍND. HELLP): Elevação Aguda 
da PA: proteinúria, trombocitopenia 
(↓plaquetas), ou anormalidades da função 
hepática, em gestantes com HAS Crônica, 
com IG >20 semanas 
• ECLÂMPSIA: Pré-eclâmpsia complicada por 
convulsões. 
 
HAS CRÔNICA 
• A hipertensão crônica é aquela que está 
presente antes de 20 semanas da gravidez, e 
pode persistir até 12 semanas do pós-parto 
(diagnóstico retrospectivo) (ACOG, 2012). 
• A hipertensão crônica na gravidez pode 
resultar em significativa morbimortalidade 
materna e fetal. 
• Pode ocorre maior chance de desenvolver 
pré-eclâmpsia 
HIPERTENSÃO GESTACIONAL 
• HAS que ocorre após 20 sem de gestação, 
sem proteinúria. 
• Diagnóstico não-específico – pode incluir 
mulheres com ou sem pré-eclâmpsia ou 
hipertensas crônicas 
• Diagnóstico retrospectivo no pós-parto (12 
sem) 
o Hipertensão Transitória – não ocorreu PE 
e PA voltou ao normal 
o HAS Crônica – PA persiste elevada 
 
25 – 50% das mulheres com hipertensão 
gestacional progridem para pré-eclâmpsia! 
 
FATORES DE RISCO: 
• Primigesta; 
• Gestante com menos de 16 anos 
(adolescente); 
• Gestante com mais de 30 anos; 
• Obesidade; 
• Raça negra; 
• Doenças prévias à gestação (HAS, diabetes, 
doenças renais ou lúpus); 
• História de familiares com pré-eclâmpsia ou 
eclâmpsia; 
• Ter apresentado pré-eclâmpsia na gestação 
anterior; 
• Gestação gemelar; 
 
PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA 
O termo eclâmpsia se origina do grego 
eklampein, que significa “surgir de repente” ou 
“prenúncio brilhante” 
 
Representam as principais formas clínicas de 
hipertensão na gravidez, acometendo 6-8% das 
gestações, uma incidência que varia de acordocom: 
• a região do mundo 
• a idade das gestantes 
• proporção de primíparas na população 
 
FISIOPATOLOGIA 
Estão relacionados ao processo de 
desenvolvimento da placenta, porque por algum 
motivo, genético-imunológico, ainda não 
completamente desvendado, não ocorre 
penetração adequada da placenta nas camadas 
do útero, e a unidade uteroplacentária não é bem 
perfundida (oxigenada). 
Essa isquemia é que leva ao desencadeamento 
das alterações bioquímicas, que acabam por 
induzir hipertensão, proteinúria e efeitos diversos 
em vários órgãos e sistemas, incluindo rins, 
fígado, cérebro e coagulação sanguínea. 
 
PRÉ-ECLÂMPSIA 
Hipertensão (PA sistólica (PAS) maior ou igual 
que 140mmHg e/ou diastólica (PAD) maior ou 
igual que 90mmHg), que surge depois de 20 
sem de gravidez, associada com proteinúria 
(excreção de proteína na urina) = ou > que 
300mg nas 24 horas. 
 
Atenção: Na ausência do exame de proteinúria 
nas 24 h, considera-se o achado de proteinúria de 
fita em amostra isolada de urina de 1+ ou mais 
 
Fatores de risco clínicos para pré eclampsia: 
Risco alto: 
• Trombofilia 
• Lúpus eritematoso sistêmica (LES) 
• Diabetes (1 e 2) 
• Hipertensão crônica e/ou doença renal 
 
Risco moderado: 
• Primípara 
• Hist. familiar de pré-eclâm. (mãe, irmãs) 
• Gravidez gemelar 
• Fertilização in vitro 
• Obesidade (IMC ≥ 35 kg/m2, na consulta 
inicial) 
• Idade materna avançada (≥ 40 anos) 
• Intervalo gestacional > 10 anos 
• Etnia negra 
 
A presença de edema não faz mais parte dos 
critérios diagnósticos (não apresenta correlação 
com o prognóstico gestacional, visto que 
grávidas perfeitamente normais podem 
apresentar edema, mesmo edema generalizado) 
 
Exames: hemograma, ureia, creatinina, ácido 
úrico, contagem de plaquetas, testes de função 
hepática (transaminases) e bilirrubinas fazem 
parte da propedêutica complementar, mas não 
dos critérios diagnósticos. Esses exames servem 
para avaliar a gravidade da pré-eclâmpsia, mas o 
diagnóstico não depende de sua alteração 
 
A associação de HÁ surgindo depois de 20 
semanas de gravidez com proteinúria 
• A pré-eclâmpsia pode se sobrepor a uma 
hipertensão crônica pré-existente, quando 
então é dita pré-eclâmpsia superposta. 
• Somente a pressão alta não permite o 
diagnóstico de pré-eclâmpsia. 
 
• Existe a hipertensão gestacional, em que 
surge a hipertensão no final da gravidez e 
que é transitória (desaparece pós-parto), 
não se associando com proteinúria: 
o recomenda-se tranquilizar a gestante, 
realizar os exames para afastar pré-
eclâmpsia, avaliar o bem-estar fetal, e 
pode-se aguardar o trabalho de parto 
espontâneo. 
o não indica a cesariana, porém 
habitualmente a interrupção da gravidez 
está indicada a termo. Em alguns casos a 
hipertensão gestacional pode estar 
mascarando formas atípicas de pré-
eclâmpsia, de forma que toda a 
investigação laboratorial para pré-
eclâmpsia e suas complicações 
(principalmente síndrome HELLP) está 
indicada 
 
COMPLICAÇÕES E PROGNÓSTICO 
Associado com diversas complicações: 
• Maternas: risco de eclâmpsia (a crise 
convulsiva), síndrome HELLP 
(comprometimento do fígado, com 
elevação das enzimas hepáticas, associado a 
queda das plaquetas - plaquetopenia - e 
anemia hemolítica microangiopática), 
descolamento prematuro de placenta (DPP) 
e coagulação intravascular disseminada, 
dentre outras 
• Perinatais: alterações da vitalidade fetal, 
restrição do crescimento fetal, 
prematuridade e aumento da morbidade e 
mortalidade neonatal 
 
Os maiores riscos são associados à eclâmpsia, 
que sobreleva a chance de complicações e 
morte materna e perinatal 
 
FORMAS CLÍNICAS 
• LEVE: Hipertensão e proteinúria e ausência 
dos sinais e sintomas característicos de pré-
eclâmpsia grave 
 
 
 
• GRAVE: 
o Apresenta qualquer um dos seguintes 
sinais ou sintomas: PAS maior ou igual que 
160mmHg e/ou PAD maior ou igual que 
110mmHg 
o Manifestações visuais e/ou cerebrais sinais 
de encefalopatia hipertensiva (cefaleia e 
distúrbios visuais). 
o Proteinúria maior do que 2g/24 h ou 2 ++ 
cruzes ou mais no exame qualitativo 
(proteinúria de fita), creatinina maior que 
1,2mg%, oligúria, edema agudo de 
pulmão ou cianose e presença de 
manifestações clínicas ou laboratoriais da 
síndrome HELLP 
 
CONDUTA 
O único tratamento definitivo: é o parto! 
 
A fim de prevenir as complicações da 
prematuridade e melhorar o prognóstico 
neonatal, a conduta na pré-eclâmpsia tem por 
objetivos: 
1. Minimizar o risco de complicações 
2. Evitar prematuridade desnecessária 
3. Maximizar a sobrevivência da mãe e do 
bebê (tanto fetal como neonatal e tardia) 
 
PRÉ-ECLAMPSIA LEVE 
• Gestação pode prosseguir até o termo, 
desde que os níveis tensionais estejam 
controlados, gestante e feto em boas 
condições. 
• Devem ser intensificadas as consultas pré-
natais (SEMANAIS), visando a detectar uma 
possível evolução do quadro para pré-
eclâmpsia grave 
• Em alguns casos a hospitalização pode 
estar indicada. 
• Dieta equilibrada, repouso relativo, 
períodos de descanso em decúbito lateral 
esquerdo, também são recomendados. 
• Pode ocorrer o parto espontâneo ou se 
realizar indução, obrigatoriamente em regime 
hospitalar. A indução a termo está associada 
com melhor prognóstico e prevenção de 
picos hipertensivos e morbidade materna 
• O diagnóstico de pré-eclâmpsia leve é 
transitório, porque a qualquer momento 
pode haver progressão para pré-eclâmpsia 
grave e, mais raramente, para eclâmpsia. 
 
 
PRÉ-ECLAMPSIA GRAVE 
• A conduta na presença de pré-eclâmpsia 
grave vai depender da idade gestacional 
e das condições maternas e fetais. 
• Habitualmente, o desenvolvimento da 
doença antes de 32 sem (pré-eclâmpsia de 
início precoce) piora o prognóstico, sendo 
mais comuns as complicações tanto 
maternas como perinatais da doença. 
• ATENÇÃO: É preciso lembrar que, embora 
essas complicações sejam mais frequentes 
nas formas graves, a progressão de uma 
forma leve para grave pode ser rápida, 
inesperada e, às vezes, fulminante 
• Antes de 34 sem, e na ausência de 
complicações maternas ou fetais, é 
possível manter conduta conservadora 
nos casos de pré-eclâmpsia grave, para 
aguardar a maturidade fetal. Nesses 
casos, a hospitalização é obrigatória. 
Recomenda-se administrar corticoide 
(betametasona) para acelerar a 
maturação pulmonar fetal. 
 
 
COMPLICAÇÕES (70% das mulheres): 
• DPP 
• Síndrome HELLP 
• Edema agudo de pulmão 
• Insuficiência renal 
• Coagulação intravascular disseminada 
• Edema cerebral 
• Hemorragia CEREBRAL 
• Coma 
• Morte materna 
 
Pode acontecer em cerca de 3% dos casos de pré-
eclâmpsia grave que não recebem profilaxia com 
sulfato de magnésio e em 0-0,6% dos casos de 
pré-eclâmpsia leve. 
 
SÍNDROME HELLP 
(PRÉ-CLÂMPSIA SUPERPOSTA À HAS 
CRÔNICA) 
São as iniciais usadas para descrever a condição 
de pacientes com pré-eclâmpsia grave que 
apresenta: 
H: Hemólise (fragmentação das células vermelhas 
do sangue na circulação); 
EL: níveis elevados de enzimas hepáticas; 
LP: diminuição do número de plaquetas. 
 
A Síndrome HELLP, em 70% dos casos, ocorre 
anteriormente ao parto, sendo 15% entre 17-26 
semanas e a quase totalidade antes de 36 
semanas. Os 30% restantes aparecem no pós-
parto. 
 
Os sintomas tópicos dessa síndrome são: 
• Cefaleia 
• Dor epigástrica ou no quadrante superior 
direito do abdome. 
• Náuseas e vômitos 
 
DIAGNÓSTICO 
Deve-se avaliar: 
• Pressão arterial; 
• Presença de edema generalizado (parede 
abdominal, pernas, face, região lombossacra 
e mãos); 
• Aumento de peso acima de 500g por 
semana; 
• Proteinúria com valores iguais ou maiores a 
300mg de proteína na urina coletada 
durante 24h. 
 
 
IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 
• Manifestações visuais e/ou cerebrais 
persistentes: Amaurose (cegueira total ou 
parcial),turvação visual, escotomas (é uma 
região do campo visual que apresenta perda 
total ou parcial da acuidade visual, rodeada 
de uma outra região em que a visão normal 
está preservada), diplopia (visão dupla), 
cefaleia, torpor (Sensação de indisposição), 
obnubilação (turvação) 
• Dor em hipocôndrio direito e/ou 
epigastralgia 
• Oligúria (diminuição da quantidade de urina) 
• Exaltação dos reflexos tendinosos 
 
ECLÂMPSIA: Ocorrência de uma ou mais crises 
convulsivas tônico-clônicas, generalizadas, em 
pacientes com diagnóstico de pré-eclâmpsia, na 
ausência de outras condições neurológicas, ou 
seja, além da sintomatologia descrita para a 
pré-eclâmpsia grave (proteinúria, hemólise, 
cefaleia, escotomas, aumento das enzimas 
hepáticas, trombocitopenia (síndrome HELLP) ), 
observa-se convulsão seguida de coma. 
 
 
 
 
TRATAMENTO 
• Hipotensor: controle da PA 
O tratamento dos picos hipertensivos, 
todavia, é sempre recomendado (com PAS 
maior ou igual a 160mmHg e/ou PAD maior 
ou igual a 110mmHg), podendo-se utilizar 
hidralazina intravenosa ou nifedipina por 
via oral. 
 
 
• Interrupção da gravidez 
A partir de 34 sem, em geral indica-se a 
interrupção da gravidez, que pode 
também ser necessária antes dessa idade 
gestacional, se surgirem complicações 
colocando em risco o bem-estar da 
gestante ou do bebê. 
A Organização Mundial da Saúde recomenda 
conduta expectante entre 34 e 36 semanas de 
gravidez para os casos de pré-eclâmpsia 
grave na ausência de hipertensão 
descontrolada, disfunção de órgãos maternos 
e sofrimento fetal, desde que exista a 
possibilidade de monitorização materna e 
fetal. 
 
• Via de Parto 
Apesar de ser frequentemente utilizada como 
pretexto para a cirurgia cesariana, a 
hipertensão em qualquer de suas formas, 
incluindo pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia, 
não representa indicação de cesárea 
A cesárea só será realizada se houver 
indicação específica e não pela pré-eclâmpsia 
(chance de cesárea está aumentada, em 
virtude de algumas complicações como :DPP 
e alterações da vitalidade fetal, por exemplo, 
indicarem o parto imediato, porém em 
muitos casos pode ocorrer o parto normal, 
sem riscos para a mulher). 
ATENÇÃO: O parto normal é preferível em 
diversas circunstâncias ( distúrbios da 
coagulação podem complicar a pré-
eclâmpsia, e o risco de sangramento é, 
evidentemente, muito maior na cesariana em 
relação ao parto normal e se houver redução 
acentuada da contagem de plaquetas (abaixo 
de 75.000/mm3), não pode ser feita anestesia 
regional (raquidiana ou peridural) e, na 
cesariana, a anestesia terá que ser geral, com 
maiores riscos para o binômio mãe-bebê ) 
 
 
• Indução do Parto 
Pode estar indicada em mulheres com pré-
eclâmpsia, quando há a indicação de 
interrupção da gravidez, porém ainda não 
se desencadeou o trabalho de parto. 
Como o colo do útero pode não estar 
preparado (avaliado pelo escore de Bishop), a 
droga mais utilizada é o misoprostol 
(análogo das prostaglandinas), é 
recomendada pela OMS quer por via oral 
(25mcg via oral a cada 2h) ou quer vaginal 
(25mcg por via vaginal a cada 6h) OBS: 
Misoprostol é contraindicado em mulheres 
com cicatriz uterina prévia, incluindo cesárea 
anterior. Nesse caso, pode ser realizado o 
preparo cervical com sonda de Foley. 
Ocitocina pode ser utilizada nos casos com 
colo favorável 
Em todos os casos: monitorizar a 
frequência cardíaca fetal e a contratilidade 
uterina, vigiando sinais como: síndrome de 
hiperatividade uterina (aumento excessivo 
das contrações - taquissistolia - em 
associação com frequência cardíaca fetal - 
FCF - não tranquilizadora). 
 
• Sulfato de magnésio 50% na pré-eclâmpsia 
• Está indicado para prevenção da eclâmpsia. 
É efetiva para reduzir a incidência de 
eclâmpsia e a morte materna, sem efeitos 
prejudiciais para o concepto. 
Administração intravenosa é preferível: 
Dose de ataque de 4g EV ou 5,0g IM em cada 
nádega. Dose de manutenção de 2g/horas 
em bomba de infusão ou 5,0g IM de 4 em 4 
horas; monitorar reflexos patelares, débito 
urinário e frequência respiratória 
• Reversão: Gluconato de Cálcio 1g EV OBS: É 
fundamental observar parâmetros que, uma 
vez ausentes, indicam a suspensão do 
medicamento: Reflexo tendinoso presente 
(embora hipoativo), Diurese > 25 a 30 mℓ/h, 
Frequência respiratória ≥ 16 
movimentos/minuto. Em doses tóxicas, o 
sulfato de magnésio é um medicamento 
perigoso para a mãe: deprime a respiração e 
causa parada cardíaca. Em casos de 
depressão respiratória, deve-se administrar 1 
a 2 g de gliconato de cálcio IV (10 mℓ de 
solução a 10%), em cerca de 3 min para 
combater os efeitos tóxicos do sulfato de 
magnésio 
 
• Via de parto na eclâmpsia 
• Eclâmpsia também não é indicação de 
cesárea 
• A interrupção não deve ser imediata nem 
intempestiva, havendo necessidade de se 
estabilizar a condição clínica materna, obter 
exames laboratoriais (pelo menos a contagem 
de plaquetas) e evitar retirar o feto 
imediatamente depois da crise convulsiva 
• O parto normal é perfeitamente possível e 
pode ser induzido com segurança, não tendo 
sido comprovados efeitos benéficos da 
cesariana a partir de 34 semanas. Em casos 
mais precoces com colo muito desfavorável, a 
cesariana pode estar indicada para resolução 
mais rápida. 
 
PREVENÇÃO 
• Infelizmente a prevenção ideal ainda não 
foi encontrada. 
• Alguns estudos apontam que a suplementação 
de cálcio (1,5g-2g/dia) em populações de alto 
risco e com baixa ingestão pode prevenir a 
ocorrência de pré-eclâmpsia. 
• Em mulheres com risco elevado, há efeito 
benéfico, embora modesto, do uso de 
aspirina (AAS) em baixas doses (50-
100mg/dia) 
• Recomendações básicas são manter uma 
dieta equilibrada, tentar se enquadrar 
dentro dos limites normais de peso antes 
de engravidar e não ganhar peso 
excessivamente durante a gestação. No 
entanto, nenhuma dessas estratégias é efetiva 
para todas as gestantes. 
 
DIABETES GESTACIONAL 
• Atualmente, aproximadamente 415 milhões 
de adultos apresentam DM em todo o 
mundo e 318 milhões de adultos possuem 
intolerância à glicose, com risco elevado de 
desenvolver a doença no futuro 
• O DM e suas complicações estão entre as 
principais causas de morte na maioria dos 
países. 
• Para as mulheres, o principal fator de risco 
para o desenvolvimento de diabetes do tipo 
2 e de síndrome metabólica é o antecedente 
obstétrico de Diabetes Mellitus 
Gestacional (DMG). 
• A hiperglicemia durante o ciclo gravídico-
puerperal constitui um relevante problema da 
atualidade, não só pelo risco de piores 
desfechos perinatais e de desenvolvimento 
de doenças futuras, como também pelo 
aumento de sua prevalência, em 
decorrência da epidemia de obesidade que 
tem sido observada em vários países. 
• A gestação se caracteriza um estado 
resistência à insulina, que somada a intensa 
mudança nos mecanismos de controle da 
glicemia, em função do consumo de 
glicose pelo embrião e feto, pode contribuir 
para ocorrência de alterações glicêmicas 
favorecendo o desenvolvimento de DMG. 
• Alguns hormônios produzidos pela placenta 
e outros aumentados pela gestação, tais 
como lactogênio placentário, cortisol e 
prolactina, podem promover redução da 
atuação da insulina em seus receptores e, 
consequentemente, um aumento da 
produção de insulina nas gestantes 
saudáveis. 
 
 
Período gravídico-puerperal: ocorrência de 
hiperglicemia tanto em mulheres já sabidamente 
diagnosticadas como portadoras de DM 
previamente à gestação quanto em gestantes 
sem esse diagnóstico prévio 
 
Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) 
mulher com hiperglicemia detectada pela 
primeira vez durante a gravidez, com níveis 
glicêmicos sanguíneos que não atingem os 
critérios diagnósticos para DM. 
DMG: Não produz o hormônio insulina suficiente 
para suprir as necessidades do organismo ou este 
hormônionão é capaz de agir de maneira 
adequada. 
 
SINTOMAS CLÁSSICOS 
• Poliúria (Micção excessiva) 
• Polifagia (alimentação excessiva) 
• Perda involuntária de peso 
• Polidipsia (Sede excessiva) 
 
FATORES DE RISCO PARA 
HIPERGLICEMIA NA GRAVIDEZ 
• Idade (aumento progressivo do risco com o 
aumentar da idade) 
• Sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 25Kg/m2 ) 
• Antecedentes familiares de DM (primeiro 
grau) 
• Antecedentes pessoais de alterações 
metabólicas: HbA1c ≥ 5,7% (útil na 
identificação de altos níveis de glicemia 
durante períodos prolongado), Síndrome dos 
ovários policísticos, Hipertrigliceridemia 
(Nível elevado triglicéridos), HAS, Acantose 
nigricans (doença de pele caracterizada por 
manchas aveludadas e escuras em dobras e 
vincos do corpo.), Doença cardiovascular 
aterosclerótica, Uso de medicamentos 
hiperglicemiantes 
• Antecedentes obstétricos: Duas ou mais 
perdas gestacionais prévias, Diabetes Mellitus 
gestacional, Polidrâmnio (líquido amniótico 
excessivo), Macrossomia (recém-nascido 
anterior com peso ≥ 4000g), Óbito 
fetal/neonatal sem causa determinada, 
Malformação fetal 
 
TESTE ORAL DE TOLERÂNCIA À GLICOSE 
(TOTG) 
• O exame da curva glicêmica, também 
chamado de teste oral de tolerância à glicose, 
ou TOTG 
• auxiliar no diagnóstico de diabetes, pré-
diabetes, resistência à insulina ou outras 
alterações relacionadas às células 
pancreáticas. 
• Esse exame é feito a partir da análise da 
concentração de glicose no sangue em 
jejum e depois da ingestão de um líquido 
açucarado fornecido pelo laboratório. 
 
Coleta de sangue: 
1. deve ser feita com o paciente em jejum de 
pelo menos 8 horas. 
2. Após a primeira coleta, o paciente deve beber 
um líquido açucarado que contém cerca de 
75 g de glicose, 
3. Após o consumo do líquido são feitas coletas. 
Normalmente são realizadas 4 coletas de 
sangue até que sejam completados 2 horas 
da ingestão da bebida, ou seja, são feitas 
coletas 30, 60, 90 e 120 minutos após o 
consumo do líquido. 
 
AVALIAÇÃO PÓS-PARTO 
Ainda que a tolerância à glicose se normalize 
rapidamente após o parto na maioria das 
mulheres que desenvolveram DMG, o risco de 
desenvolvimento de DM do tipo 2 ou de 
intolerância à glicose é significativo. 
São considerados fatores de risco para o 
desenvolvimento de DM do tipo 2 em 
mulheres com DMG prévio: 
• Glicemia em jejum na gestação acima de 
100 mg/dL. 
• Etnia não branca. 
• História familiar de diabetes tipo 2, 
principalmente materna. 
• Ganho excessivo de peso durante ou após a 
gestação. 
• Obesidade. 
• Obesidade abdominal. 
• Dieta hiperlipídica. 
• Sedentarismo. 
• Uso de insulina na gestação 
 
TRATAMENTO 
• Hábitos alimentares saudáveis 
• Hipoglicemiantes orais: os mesmos ainda 
não devem ser utilizados na prática clínica até 
que mais estudos possam confirmar a sua 
segurança. As mulheres que estiverem em 
uso deles devem interrompê-los ao 
engravidar. 
• Insulinoterapia: As insulinas podem ser 
humanas (NPH e regular), ou seja, com a 
molécula idêntica à insulina produzida pelo 
pâncreas humano, ou análogos de insulina 
(lispro, aspart, glulisina, glargina, detemir e 
degludeca) 
• DMG: indicado se após duas semanas de 
dieta os níveis glicêmicos permanecerem 
elevados 
As doses iniciais devem ser de 0,3 a 0,5U/Kg/dia, 
preferencialmente em mais de uma dose diária. 
Dividir o total de unidades em duas ou três doses 
iguais de insulina NPH, aplicadas às 7h e 22h, ou 
às 7h, 12h e 22h. O crescimento fetal exagerado 
(circunferência abdominal fetal maior ou igual ao 
percentil 75 em ecografia obstétrica realizada 
entre 29 e 33 semanas de gestação) também é 
critério para o uso de insulina. 
 
ACOMPANHAMENTO 
• Macrossomia/polidramnia fetal: 
ultrassonografia seriada de 28 até 36 
semanas. Aquelas que fazem uso de insulina 
necessitam de cardiotocografia (CTG) e 
avaliação do volume do líquido amniótico 
(vLA) a partir de 32 semanas. 
• Recomenda não deixar a gravidez 
ultrapassar 40+6 semanas. A gravidez deve 
ser interrompida antes de 40+6 semanas se 
houver complicações maternas ou fetais. 
• A indução do parto, ou a cesárea, se 
indicada, devem ser oferecidas com 
37+38+6 semanas; outra opção seria 
esperar o parto espontâneo até 40+6 
semanas. Considerar a interrupção antes 
de 37+0 semanas se houver complicações 
maternas ou fetais. A cesárea deve ser 
considerada se o peso fetal estimado pela 
ultrassonografia for > 4.500 g (NICE, 2008). 
 
PLACENTA PRÉVIA 
INTRODUÇÃO 
Em latim, previa significa ir antes – e, nesse 
sentido, a placenta entra no canal de parto 
antes do feto. 
• Placenta que está implantada em qualquer 
área do segmento uterino inferior, 
exatamente sobre ou nas proximidades 
diretas do orifício cervical interno (WILLIANS, 
2016). 
• Principais sintomas 
o Sangramento vaginal vermelho 
brilhante sem dor durante a segunda 
metade da gestação. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 
 
A. Total (Central) - Placenta recobre totalmente 
o Orifício Interno (OI) 
B. Parcial - Placenta recobre parcialmente o OI 
C. Marginal - Margem da placenta alcança o OI 
sem recobri-lo 
D. Baixa Placenta - situada no segmento 
inferior, mas sem alcançar o OI do colo 
 
PLACENTA ACRETA E VASA PRÉVIA 
Condições estão intimamente associadas à 
placenta prévia: 
• Percreta: perfura o peritônio, alcançando, 
por vezes, órgãos vizinhos como a bexiga 
• Placenta acreta: adere ao miométrio; 
• Increta: invade o miométrio; 
 
DIAGNÓSTICO E CONDUTA PARTO 
O diagnóstico da placenta prévia deve ser 
realizado por ultrassonografia trans abdominal 
de 20 a 24 semanas, mas a confirmação é feita 
pela ultrassonografia transvaginal, muito mais 
precisa que a abdominal, bem aceita pela 
paciente e segura, pois não causa sangramento 
(Oyelese, 2009) 
 
Sobre o Parto: 
• O colo com comprimento < 3 cm, pela 
ultrassonografia de 3o trimestre, indica 
possibilidade elevada de cesárea de 
emergência, antes de 34 semanas, por 
sangramento importante anteparto. 
• Pacientes que apresentam distância entre a 
borda da placenta e o OI ≥ 2 cm podem 
ser candidatas ao parto vaginal. 
 
ATENÇÃO: não se deve induzir o parto!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 5 – ESTUDO DO TRAJETO BACIA 
OBSTÉTRICA 
 
 
 
1. Ginecoide 
• Arredondada, mas com diâmetro transverso 
e oblíquo maiores 
• É a bacia mais comum nas mulheres 
(50%). 
• É uma bacia favorável ao parto normal. 
 
2. Antropóide 
• 20 25% das mulheres. 
• Bacia típica dos gorilas 
• Não costuma atrapalhar parto normal 
 
3. Andróide (triangular) 
• Bacia típica dos homens. 
• Bacia de péssimo prognóstico para parto 
normal: o feto não 
• Utilizar a via abdominal alta 
 
4. Platipelóide (chata) 
• 5% das mulheres. 
• Normalmente não traz dificuldades para 
o parto 
 
 
 
 
 
PELVE
Grande bacia 
ou pelve falsa
Pequena bacia 
ou escavação
Divisão
PLANOS DA BACIA 
São imaginários, traçados na entrada, na saída e 
em várias alturas da escavação pélvica. 
 
PLANOS DE - DE HODGE 
1. Plano cefálico paralelo passa pela borda 
superior do púbis e pelo promontório. 
2. Corresponde à borda inferior 
3. É traça nas espinhas ciáticas 
4. Parte da ponta do cóccix e mistura-se com o 
assoalho pélvico. 
 
 
PLANOS DE - DE LEE 
• Altura de apresentação 
• Referência 0 as espinhas ciáticas 
• O ponto mais baixo da apresentação estiver a 
1 cm acima do plano zero, a altura será – 1; 2 
cm acima, como -2 
• Polo cefálico abaixo do plano zero, usaremos 
a mesma progressão trocando o sinal para 
positivo +1; +2 
• O plano 0 DE LEE corresponde 
aproximadamente, ao plano 3 de HODGE 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTÁTICA FETAL 
Fatores que afetam o TP e Parto: 
• Objeto (feto e placenta) 
• Trajeto (canal de parto) 
• Força/motor (contrações) 
• Posição da mãe 
• Resposta psicológica 
 
O PARTO 
• Trajeto: por onde o feto passao que 
importa é a bacia óssea 
• Objeto: o próprio feto como ele se relaciona 
(estática fetal) 
• Motor: força que empurra o feto (objeto) 
pela bacia (trajeto) 
 
ATITUDE OU HÁBITO FETAL 
A relação das diversas partes do feto entre si 
 
O feto se aloja na cavidade uterina em atitude de 
flexão generalizada (coluna vertebral encurvada 
no seu todo e a cabeça com o mento 
aproximado da face anterior do tórax) 
• CONCEPTA forma ovoide (ovoide fetal) 
 
Apresenta 2 polos cefálico e o pélvico 
• Ovoide córmico: O conjunto do tronco com 
os membros 
 
 
CABEÇA 
Crânio: 2 ossos frontais, 2 parietais, 2 temporais, 
1 occipital, 1 esfenoide e 1 etmoide 
 
São separados por tecidos membranosos 
suturas e fontanelas: possibilita a redução de 
seu volume durante o parto 
 
FONTANELAS 
São zonas membranosas, nos pontos de 
convergência de 3 ou 4 ossos e delas partem as 
Suturas 
• Fontanela bregmática (anterior, ou grande 
fontanela): formato losangular, constitui 
valioso ponto de referência para o 
diagnóstico de posição 
• Fontanela Lambdoide (posterior ou 
pequena fontanela): formato triangular 
 
 
 
SITUAÇÃO 
A relação entre os grandes eixos longitudinais 
fetal e uterino. 
• Quando ambos coincidem: Situação 
longitudinal (mais comum 99%) 
• Quando perpendiculares: Situação 
transversa 
• Quando cruzados: situação obliqua ou 
inclinada (é transitória e vira transversa ou 
longitudinal) 
 
 
APRESENTAÇÕES 
• Situação transversa: sempre apresentação 
córmica 
• Situação longitudinal: apresentação 
cefálica e pélvica. 
Polo cefálico: fletido, cefálicas defletidas: 1° grau 
(bregmática), 2° grau (fronte), e 3° grau 
(apresentação de face) 
 
 
 
Rotação axial do feto: em decorrência 
acomodação do feto a transformação de uma 
apresentação por outra. Até o 6 o mês de 
gestação a cabeça é encontrada no fundo 
uterino, e depois, graças a essa rotação axial, o 
feto, por “orienta o polo cefálico para as porções 
inferiores do órgão, e aí se mantém. 
 
Polo pélvico: no estreito superior, 2 
apresentações podem ocorrer: 
pélvica completa (se as coxas e as pernas estão 
fletidas), e a apresentação pélvica incompleta 
(fletidas as coxas contra a bacia, as pernas se 
acham estendidas sobre a face anterior do 
tronco.) 
• Pélvica completa: Pelvipodálica 
• Pélvica incompleta (ou modo de 
nádegas): Pélvica simples. 
 
 
 
ALTURA DA APRESENTAÇÃO 
O que interessa saber durante o trabalho de parto 
é se o feto já passou pelo estreito médio ou não 
• Assim chamamos o estreito médio (plano 
das espinhas) de marca zero 
• Avaliamos fazendo o toque e procurando a 
ponta da apresentação 
 
Pode ser: 
1. Alta e móvel: quando a apresentação não 
toma contato com o estreito superior 
2. Ajustada: se ocupa a área desse estreito 
3. Fixa: ao palpar, não se consegue mobilizá-la 
4. Insinuada (encaixamento): quando a maior 
circunferência da apresentação transpõe a área 
do estreito superior. 
 
 
MECANISMO DO PARTO 
TEMPOS DO MECANISMO DO PARTO 
1. Insinuação (ou encaixamento): é a 
passagem da maior circunferência da 
apresentação através do anel do estreito 
superior. 
• Insinuação com flexão 
• Está no ponto mais baixo da apresentação à 
altura das espinhas ciáticas (plano “O” de 
DeLee) 
• Redução diâmetros da cabeça 
 
 
2. Descida: a cabeça migra até as proximidades 
do assoalho pélvico, onde começa o cotovelo 
do canal. 
• Descida com rotação interna da cabeça e 
insinuação das espáduas. 
• Ocorre desde o início do TP e só com a 
expulsão total do feto. 
• Polo cefálico atinge o estreito médio. 
• A medida que o polo desde há rotação 
 
 
 
3. Desprendimento 
• Ocorre por movimento de deflexão 
• Rotação externa da cabeça 
• Rotação interna das espáduas 
• Desprendimento das espaduas 
• O restante do feto não oferece resistência 
para o nascimento 
 
 
MECANISMO DO PARTO 
TRABALHO DE PARTO 
• Evento fisiológico 
• Processo pelo qual de inicia as contrações 
regulares e rítmicas da musculatura 
uterina associado a apagamento e 
dilatação progressivos do colo, além da 
insinuação e descida da parte que apresenta 
no estreito superior, a fim de que o feto seja 
expelido. 
 
O VERDADEIRO TRABALHO DE PARTO 
Atividade com metrossístoles regulares: 2 
contrações em 10 minutos. 
 
Contrações: triplo gradiente descendentes. Início 
das contrações em maior intensidade e duração 
no fundo do útero, descendo em direção ao colo. 
 
Apagamento e dilatação do colo: 
• Dilatação em 4 cm para admissão da 
gestante. 
• Perda do tampão mucoso ou rolha de 
Schoeder. 
 
 
 
Liberdade de posição: direito de parir em pé, de 
lado de cócoras e outras posições. Movimentos 
da mulher durante o TP é uma prática que 
deve ser utilizada e incentivada. 
 
 
PERIODO PRODRÔMICO 
• Pré parto: é o período caracterizado pela 
descida do fundo uterino. 
• A adaptação do polo proximal do feto ao 
estreito superior é responsável pela 
incidência de dores lombares, por 
estiramento das articulações da cintura 
pélvica e transtornos circulatórios 
decorrentes dos novos contatos. 
• As secreções das glândulas cervicais 
tornam-se mais volumosas, com eliminação 
de muco, por vezes mesclado de sangue 
• Encurta-se a porção vaginal do colo: inicia-
se a percepção, por vezes dolorosas, das 
metrossístoles intermitente do útero, com 
espaços cada vez mais curtos e contrações 
que se vão intensificando, prenunciando o 
parto (Dolores praeparentes) 
• Maior intensidade e frequência das 
contrações de Braxton-Hicks 
• Essa fase ocorre semanas ou dias antes do 
parto e torna possível que o colo esteja 
amadurecido para se dilatar e promover a 
passagem do concepto a termo após o início 
das contrações. 
 
PERÍODOS CLÍNICOS – TP 
FASES: 
• DILATAÇÃO: Inicia-se com a dilatação do 
colo uterino e termina quando essa atinge 
10. 
• EXPULSÃO: cm inicia-se com a completa 
dilatação do colo uterino e termina com o 
nascimento do bebê. 
• DEQUITAÇÃO: inicia-se com expulsão do 
feto e termina com a saída da placenta. 
• PERÍODO DE GREENBERG: Compreende 
a/ás 1 hora ou 2 horas após o parto. 
 
CUIDADOS GERAIS DURANTE O TP 
• Informação e comunicação: 
o Humanização 
o Relação de confiança 
o Participar das decisões (autonomia e 
empoderamento) 
o Apoio emocional 
 
• Alimentação durante o TP 
o Podem ingerir líquidos 
o Dieta leve 
 
 
• Avaliação do feto 
o BCF (110 – 160 bpm) ausculta BCF antes 
e durante e depois das contrações a cada 
30 minutos. 
o Frequência (dinâmica uterina) contrações 
uterinas 1h/1h 
o Pulso de 1h/1h 
o Temperatura e PA 4h/4h 
o Frequência diurese 
o Exame vaginal 4h/4h 
 
• Métodos não farmacológicos para o 
controle da dor 
o Técnicas de relaxamento 
o Massagem 
o Músicas 
o Aromaterapia 
o Imersão em água 
o Acupuntura 
 
ATENÇÃO PARA O USO DA OCITOCINA 
• Opção de conduta em caso de falha de 
progresso 
• Aumentará a frequência e intensidade 
das contrações 
• A criança deve ser monitorada 
continuamente ou com mais frequência 
(BCF) 
• Obs: o uso de ocitocina deve ser 
gotejamento controlado, poque altas doses 
podem causar ruptura uterina. 
 
FASE DA DILATAÇÃO 
• Primeiro estágio: período mais longo e mais 
variável 
o Ocorre desde o início das contrações 
regulares ao final da gestação 
 
• APAGAMENTO DO COLO: diminuição da 
espessura, ou seja, encurtamento da 
distância entre o orifício interno e o externo 
do colo 
 
• DILATAÇÃO: alargamento do orifício 
cervical 
o Avaliado pelo toque vaginal (registro 
partograma) 
 
• Dilatação: registrada em cm (10cm 
completamente dilatado- ao toque vaginal 
não é possível palpa-lo) 
 
 
Duração do TP 
• Primípara: 1º apagamento depois 
dilatação; 10 a 12h 
• Multípara: apagamento e dilatação 
ocorrem simultaneamente; 8 a 10h 
 
 
 
• Contrações uterinas: sãoas forças vigorosas 
• Dinâmica uterina: colocar a mão sobre o 
fundo uterino e avaliar 
o Intensidade 
o Frequência: nº de contrações ocorridas 
em 10min 
3 contrações: fase inicial 
4 contrações: fase final 
5 contrações: fase e expulsiva 
• Duração: registrada em segundos 
 
A ausculta fetal deve ser realizada antes, 
durante e depois da contração para 
diagnosticar precocemente as desacelerações 
intraparto (caracteriza se por diminuição 
temporária da frequência cardíaca fetal ao 
mesmo tempo da contração uterina) do Tipo I, II 
e III. 
 
FASES – 1° ESTÁGIO 
1. Latente 
• Início lento do TP 
• Contrações com duração variável 
• Intervalos de 10 a 15 minutos com duração 
entre 15 a 20 segundos. 
• Dilatação colo: em até 4cm 
• Apagamento: 60% a 70% 
 
2. Ativa 
• Contrações mais vigorosas e mais longas: 30 
a 40 segundos. 
• Dilatação: 8cm 
• Apagamento: 80% 
 
3. Transição 
• Ritmo lento 
• Contrações: mais frequentes, intensas e 
longas – 45 a 90 segundos, com intervalos 
de 1 a 2 minutos. 
• Dilatação: 8 cm para 10 cm 
• Apagamento: 100% 
FASE DA EXPULSÃO 
• Segundo estágio: dilatação completa da 
cérvice até a completa expulsão do feto 
• Mais curto que o primeiro 
• Puxos: o feto ao descer pelo canal de parto, 
parturiente sente vontade de fazer força 
para baixo (região perineal) 
 
Manobra de Kristeller é violência obstétrica 
 
 
DESPRENDIMENTO CEFÁLICO COM ROTAÇÃO 
EXTERNA DA CABEÇA 
 
 
ROTAÇÃO DE CABEÇA TOTAL 
 
 
DESPRENDIMENTO CEFÁLICO, VERIFICAÇÃO 
CIRCULAR DE CORDÃO 
 
 
 
DESPRENDIMENTO DO OMBRO ANTERIOR 
 
 
SAÍDA DO OMBRO POSTERIOR 
 
 
DESPRENDIMENTO CÓRMICO 
 
 
NASCIMENTO 
 
 
LIGADURA DO CORDÃO: 
• Faz-se o esmagamento do cordão com 2 
pinças, mais ou menos a 4 cm de distância 
do abdome. 
• O Ministério da Saúde recomenda, em sua 
Portaria de 2014, que em recém-nascidos 
saudáveis deve-se esperar que o cordão 
pare de pulsar para realizar o 
clampeamento 
• 3 a 5 min para realizar o corte. 
• Não se deve fazer antes de 1 min. 
 
FASE DE DEQUITAÇÃO 
• Terceiro estágio: inicia com o nascimento do 
bebê e termina com a expulsão da placenta 
• Dequitação: eliminação placentária 
o Segundamento ou delivramento 
• 85% dos casos a placenta é expulsa 
espontaneamente cerca de 5 a 10 min após a 
expulsão fetal 
o Prolongado: 10 a 30 min 
o Não ocorre delivramento: após 30 min 
 
Alterações processadas no útero durante o 
terceiro período. 
 À esquerda, traço preto cheio: 
imediatamente após o parto do feto; 
 Traço vermelho: desceu a placenta e 
ocupa o segmento inferior; traço 
pontilhado: secundamento completado. 
 Observe a correspondência com os 
esquemas da direita. 
 
 
 
MANEJO ATIVO 
Maior probabilidade de hemorragias: atonia 
uterina 
1. Administração 10 UI / IM de ocitocina 
logo após o desprendimento da criança 
(prevenir hemorragias) 
2. Clampear o cordão antes de 5 minutos. 
3. Tração controlada do cordão após uso 
da ocitocina e sinais de separação da 
placenta. 
 
Manobras palpatórias para favorecer o 
desprendimento: 
• Manobra de Fabre (ou pescador): 
movimentos delicados de massagem em 
fundo uterino (obs: não existe comprovação 
de que a massagem uterina diminui 
sangramento) com a mão não dominante e 
ao mesmo tempo, o profissional mante a 
mão dominante suave tração e rotação 
(movimentos circulares) do cordão 
umbilical. 
 
• Manobra de Jacob-Dublin: apreensão 
bimanual da placenta e segue com 
movimento rotatório (torção) da placenta 
que já está fora da cavidade uterina. 
 
• o profissional deve esperar a placenta sair 
naturalmente: tracionar aumenta o risco de 
hemorragia, retenção de restos placentários 
e inversão uterina. 
 
• Inspecionar as faces da placenta (materna e 
fetal), com o objetivo de avaliar sua 
integridade. 
 
 
 
O exame da placenta, do cordão umbilical e 
das membranas, imediatamente após a 
expulsão, é prática indispensável. 
 
 
PERÍODO CLÍNICO DE GREENBERG 
Quarto período: caracteriza-se o momento 
seguido a 1ºh após a dequitação, quando o 
útero se encontra contraído com a formação do 
GLOBO DE SEGURANÇA DE PINARD (útero ao 
nível da cicatriz umbilical, fortemente contraído). 
 
Após a expulsão fetal: inicia vigorosas 
contrações na musculatura uterina na tentativa 
de controlar a perda de sangue, através da 
homeostasia dos seios venosos que irrigam a 
placenta. 
 
Estágio de maior risco de mortalidade 
materna. 
 
Maior probabilidade de 
hemorragia: Atonia 
uterina 
 
Administração IM/RV 
de ocitocina (prevenir 
hemorragia)

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