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SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA (SNM) • Também conhecida como síndrome maligna dos neuropeptídios, ou síndrome da deficiência aguda de dopamina; • É uma complicação idiossincrática associada ao uso de antipsicóticos; • Descrita pela primeira vez na França em 1960 por Delay e colaboradores; • Ocorre em 80% dos casos no início do tratamento com antipsicóticos; • Rara, ocorre em cerca de 0,2% dos pacientes que fazem uso de antipsicóticos; • Alta morbidade e mortalidade (11% a 38%); • Os homens parecem ser mais atingidos do que as mulheres; • Cerca de 70% dos pacientes tem recuperação completa; Idiossincrático: Próprio e particular de uma pessoa, grupo; característico CAUSAS Bloqueio de receptores dopaminérgicos mais especificamente receptores D2 da dopamina ou antagonistas da dopamina. Consumo de antagonistas dopaminérgicos, geralmente medicamentos antipsicóticos (neuropléticos), que são usados para tratar psicoses. É uma complicação idiossincrática. O mais comum utilizado é o haloperidol do grupo de butirofenonas, usado especialmente para esquizofrenia,quando se compara com os antipsicóticos antagonistas da dopamina convencionais de alta potência têm sido mais correlacionados com a SNM. A administração por via parenteral e a superdosagem do fármaco administrado têm sido associadas a aumento do risco de SNM, apesar de número de casos significantes ocorrerem sob doses terapêuticas mais baixas. Outros medicamentos antidopaminérgicos como os antieméticos, metoclopramida ou o antidepressivo tricíclico, amoxapina também podem causar efeitos colaterais extrapiramidais. MECANISMO DE AÇÃO A síndrome neuroléptica maligna é uma reação idiossincrática ao uso de neurolépticos, tendo já sido descrita como ocasionada pela retirada de agentes antiparkinsonianos e drogas depletoras de dopamina. A fisiopatologia desta síndrome ainda não está definida. Acredita-se que ela se dá ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos nos gânglios da base. Determinados indivíduos em certas condições, tornam-se extremamente sensíveis ao bloqueio da neurotransmissão dopaminérgica por neurolépticos. Ocorre um bloqueio excessivo da transmissão dopaminérgica na região do hipotálamo, corpo estriado e medular. A dopamina é um neurotransmissor com impacto nas estruturas centrais, o bloqueio da dopamina no organismo por antipsicóticos pode ocasionar rigidez muscular e redução da dissipação do calor, rigidez muscular, descarga simpática e anormalidades vasculares. Já a diminuição da dopamina no mesocortex, gânglio de base e medula espinhal podem ser responsáveis por alterações do estado mental (emoções, pensamentos e concentração), regulação autonômica e ritmos biológicos. A dopamina também exibe efeitos periféricos de impacto sobre a contração do musculo e processo de relaxamento, o bloqueio dopaminérgico conduz a um aumento da liberação de cálcio a partir do reticulo sarcoplasmático que contribui para o aumento da contractilidade e hipertermia. A disfunção autonômica é um componente central da SNM assim como um aumento de catecolaminas periféricas. Atividade noradrenérgica central também está possivelmente relacionada, como hiperatividade simpática é associada com a fase ativa da síndrome. EFEITO DO BLOQUEIO D2 NAS TRÊS PRINCIPAIS VIAS DOPAMINÉRGICAS VIA NIGROESTRIATAL A via nigroestriatal consiste em neurônios que se projetam da substância negra até o caudado e o putame, essa via está envolvida na coordenação dos movimentos voluntários, podendo ocasionar a síndrome extrapiramidal (EPS). Essa situação é o resultado da ação do medicamento na via nigroestriatal, onde parece haver um balanço entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas. Desta forma, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da atividade colinérgica e, conseqüentemente, uma liberação dos sintomas ditos extrapiramidais. O bloqueio dos receptores D2 nesta via leva a um aumento na síntese de receptores, com o consequente aumento do número de receptores ocorre efeito colateral mais difícil de resolver a discinesia tardia (movimentos involuntários anormais lingual ou buco orofacial geralmente passíveis de tratamento). VIA MESOCORTICAL-MESOLÍMBICA As vias mesolímbicas e mesocorticais são as envolvidas nos efeitos terapêuticos dos antipsicóticos. A via mesolímbica inerva diversos núcleos subcórticais do Sistema Límbico: amígdala, núcleo acumbens, tubérculo olfatório e o septo lateral. A via mesocortical tem suas terminações sinápticas localizadas no córtex frontal, na parte anterior do giro do cíngulo e no córtex temporal medial. O bloqueio da via mesocortical pode levar a um agravamento dos sintomas negativos da psicose. Este efeito é conhecido como síndrome de déficit induzido por neurolépticos. VIA TUBEROINDIFULAR A via tuberoinfundibular liga os núcleos arqueados e neurônios periventriculares ao hipotálamo e à hipófise posterior. A dopamina liberada por esses neurônios inibe fisiologicamente a secreção de prolactina. A dopamina inibe a liberação da prolactina. Na deficiência da dopamina, os níveis de prolactina estarão aumentados estando associados a galactorréia (secreções da mama), a amenorréia e a disfunção sexual em ambos os sexos. SINTOMAS DA SÍNDROME Os sintomas ou efeitos colaterais extrapiramidais (sistema piramidal e extrapiramidal- cadeias de neurônios do SNC ligados aos movimentos do corpo) são transtornos do movimento do corpo humano, resultado do consumo de antagonistas dopaminérgicos. O antipsicótico mais comum associado com os sintomas é o haloperidol, usado especialmente na esquizofrenia, o antiemético metoclopramida e o antidepressivo tricíclico amoxapina também podem estar associados a síndrome. O sintoma extrapiramidal mais conhecido é a discinesia tardia (movimentos musculares irregulares e involuntários, geralmente na face). O paciente apresenta-se com quadro de hipertonia (aumento anormal do tônus muscular e a redução da capacidade de estiramento), espasmos musculares, sinal da roda denteada (alternância entre movimentos de contração e relaxamento, indicação clássica da síndrome de Parkinson) catatonia (alternância entre períodos de passividade e de negativismo, uma forma de esquizofrenia), dificuldades de se manter parado/ imóvel, crises oculógiras (movimentação involuntária dos olhos), opistótono (postura comum no tétano), mímica facial pobre (ausência de expressões faciais), choro monótono, distonia (espasmos musculares do pescoço, olhos, língua ou mandíbula, mais frequente em crianças) e o parkinsonismo induzido por drogas (rigidez muscular, bradicinesia/acinesia, tremor de repouso e instabilidade postural; mais frequente em adultos e idosos). Manifestações Parkinsonianas: tremos, rigidez, opistótono O reconhecimento dessas síndromes permite a identificação mais rápida do agente causal e, consequentemente, a realização do tratamento adequado. Entretanto, é importante salientar que muitas vezes pode-se ter um quadro clínico misto. Por exemplo, um paciente intoxicado por um antidepressivo tricíclico pode apresentar manifestações anticolinérgicas, depressão neurológica e convulsões. DIAGNÓSTICO O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos laboratoriais e exclusão de outras condições médicas gerais ou psiquiátricas que melhor expliquem os sintomas. De acordo com o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV) os principais critérios para diagnóstico incluem rigidez muscular grave, elevação da temperatura, diaforese, disfagia, tremor, incontinência, alterações no nível de consciência, taquicardia, pressão arterial elevada e instável, leucocitose e evidências laboratoriais de lesão muscular (creatinofosfoquinase (CPK) elevada), além da exclusão de outras condições médicas ou intoxicação por alguma substância. Vale ressaltar que a síndromedura de 7 a 10 dias em casos simples, em que o paciente tomava neurolépticos orais e, na maioria dos casos, os sintomas se resolvem em uma ou duas semanas, tendo uma taxa de mortalidade em torno de 10% a 20% [2] [3] [4]. O perfil da síndrome neuroléptica maligna pode também ser induzida por antipsicóticos de segunda geração (olanzapina, risperidona, ziprazidona, por exemplo, incluindo aripiprazol) parece semelhante à dos neurolépticos de primeira geração (haloperidol e fenotiazinas, por exemplo). Uma possível exceção é a síndrome maligna induzida por clozapina, que é menos provável do que induzida por outros antipsicóticos de segunda geração, no tocante à rigidez. Os sintomas podem durar até um mês havendo leucocitose, acidose metabólica, e urina escura de coloração amarelo-marrom, devido à função da rabdomiólise e de libertação de mioglobina para a corrente sanguínea, podendo culminar em falência renal [3]. O diagnóstico precoce, a cessação de medicamentos neurolépticos, a pronta intervenção médica, e a consideração de remédios específicos são a base do controle. No entanto, a vigilância deve ser mantida, com observação e cuidados preventivos [3]. TRATAMENTO O tratamento está relacionado com a suspensão da droga que desencadeia tal situação e suporte em unidade de terapia intensiva, para essa síndrome é muito importante também que seja descoberta precocemente, para assim pode suspender o uso do medicamento o quanto antes, sendo importante também realizar o balanço hídrico, visto que o organismo está desidratado, monitoramento de complicações como por exemplo falência renal e cardiorespiratória, além da redução da temperatura, pois a elevação da temperatura predispõe a morbimortalidade, a qual nesses casos está entre 10 e 20% . O tratamento farmacológico pode ser realizado por meio de medicamentos agonistas da dopamina, neutralizando o bloqueio do receptor e relaxantes do músculo esquelético para diminuir a rigidez como por exemplo bromocriptina (agonista) que é um fámaco utilizado plea via oral e dantrolene (relaxante do músculo esquelético) utilizado por infusão contínua ( este pode causar também alguns efeitos colaterais como fraqueza, vomito, diarreia, tontura). A utilização de ambos os fármacos depende da gravidade dos sintomas, sendo indicado em casos mais graves ou prolongados Pode-se adicionar também benzoadiazepinicos, amantadina e levodopa de acordo com a necessidade. Outra alternativa também de tratamento seria a eltroconvulsoterapia caso os sintomas resistam aos medicamentos. Leva em média 1 a 2 semanas para cessar os sintomas e após recuperados o neuroléptico pode ser reintroduzido novamente nos pacientes, mas há riscos de recorrência da síndrome dependendo da dose e potencia que se utilizar o medicamento e também do tempo desde a recuperação.