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Unidade IV
Unidade IV
7 FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
Do ponto de vista funcional, o sistema nervoso central (SNC) é considerado mais complexo do que 
o sistema nervoso periférico, e isso torna a compreensão dos efeitos dos fármacos que atuam sobre ele 
muito mais difícil.
O SNC detecta estímulos externos e internos, tanto físicos quanto químicos, e desencadeia respostas 
orgânicas adaptativas. Assim, é responsável pela integração do organismo com os ambientes externo 
e interno, exercendo caráter de organização e controle das funções do organismo. Essas funções são 
exercidas pela ação conjunta dos neurônios, das células da glia e dos vasos sanguíneos, através dos 
quais várias substâncias atingem o SNC. Os fármacos com ação no SNC agem fundamentalmente em 
neurônios, considerando a unidade anatomofuncional do SNC, modificando seu estado fisiológico e a 
comunicação entre eles.
7.1 Aspectos funcionais
7.1.1 Atividade neuronal
Os neurônios são células que se interconectam de modo específico e preciso, formando 
sinapses, que estabelecem os chamados circuitos neurais. Através deles, o organismo é capaz de 
produzir respostas fixas e invariáveis (por exemplo, os reflexos) ou respostas variáveis em maior ou 
menor grau.
Existem diversos tipos de neurônios, com diferentes funções, dependendo da sua localização e 
estrutura morfológica, mas em geral são constituídos pelos mesmos componentes básicos (veja a figura 
a seguir):
•	 Dendritos: projeções que transmitem os impulsos nervosos para o corpo celular do neurônio ou 
para o axônio.
•	 Corpo celular: constituído de núcleo, citoplasma e citoesqueleto; dá suporte metabólico a toda 
a célula.
•	 Axônio: prolongamento que se origina do corpo celular, responsável pela condução do impulso nervoso.
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FARMACOLOGIA
Dendritos
Axônio
Bainha de 
mielina
Célula de 
Schwann
Terminal de 
axônio
Nodos de 
Ranvier
Corpo celular
Núcleo
Figura 68 – Estrutura básica do neurônio
Disponível em: https://bit.ly/2SbavG1. Acesso em: 8 jun. 2021.
 Saiba mais
Relembre a morfologia dos neurônios em:
MEDRADO, L. Citologia e histologia humana: fundamentos de 
morfofisiologia celular e tecidual. São Paulo: Érica, 2014, p. 143-147.
A geração do impulso elétrico na membrana neuronal se dá pelo fato de ela se encontrar polarizada, 
com cargas elétricas negativas predominantemente no meio intracelular. Ou seja, quando os neurônios 
estão em repouso, sua membrana está negativamente carregada em relação ao meio extracelular.
Quando ocorre o estímulo neuronal, acontece a inversão das cargas elétricas no interior da membrana de 
forma rápida e brusca, e ela se torna positiva em relação à sua superfície externa. Essas mudanças das cargas 
elétricas produzem uma diferença no potencial elétrico entre as partes interna e externa da membrana, ao 
que se dá o nome de potencial de ação. Essa alteração elétrica é determinada pelo deslocamento seletivo 
dos ions sódio, potássio, cloreto e cálcio através da membrana, e é responsável pela propagação do impulso 
nervoso ao longo do neurônio.
O impulso nervoso se propaga em um único sentido na fibra nervosa. Os dendritos sempre 
conduzem o impulso em direção ao corpo celular. O axônio, por sua vez, conduz o impulso em direção às 
extremidades. Inicialmente os íons sódio, presentes em maior quantidade no meio extracelular, entram 
no neurônio, invertendo a polaridade da membrana; a seguir, os canais de sódio são inativados e a 
membrana é repolarizada pela saída de íons potássio. Em seguida, a Na+/K+ ATPase atua direcionando os 
íons sódio que entraram no neurônio para o meio extracelular e os íons potássio que saíram para o meio 
intracelular, restabelecendo o potencial de repouso (veja a figura a seguir).
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Unidade IV
Face extracelular 
da membrana
Face intracelular 
da membrana
Membrana 
plasmática
Potencial de 
repouso
Repolarização
Impulso nervoso
Íons sódio (Na+)
Íons potássio (K+)
Canais de sódio
Canais de potássio
Na+/K+ ATPase
Despolarização Potencial de 
repouso
Figura 69 – Representação esquemática do potencial de ação neuronal
Disponível em: https://bit.ly/3iqgr8L. Acesso em: 8 jun. 2021.
Quando o estímulo elétrico chega ao terminal nervoso, há ativação de canais de cálcio voltagem 
dependentes, que promovem a entrada desse íon no interior do neurônio, fazendo com que as vesículas 
de armazenamento do neurotransmissor se fundam à membrana plasmática do neurônio, levando, 
assim, à liberação do neurotransmissor na fenda sináptica. Uma vez liberado, o neurotransmissor irá 
atuar em receptores específicos presentes tanto na membrana pré-sináptica quanto na pós-sináptica.
Existem vários subtipos de receptores para um determinado neurotransmissor. Os pré-sinápticos 
em geral estão relacionados à inibição da liberação de mais neurotransmissor (mecanismo de feedback 
negativo) e/ou inibição da síntese do neurotransmissor. A ativação de receptores pós-sinápticos 
desencadeia uma série de eventos celulares que levam à abertura ou fechamento de canais iônicos 
na membrana celular. Isso pode resultar em despolarização — tornar o interior da célula mais positivo 
— ou hiperpolarização — tornar o interior da célula mais negativo — dependendo dos íons envolvidos. 
Posteriormente, o neurotransmissor será recaptado pelo terminal nervoso e/ou poderá ser degradado 
por enzimas presentes na fenda sináptica e seus metabólitos processados pelo próprio neurônio ou por 
células da glia.
As células da glia, particularmente os astrócitos, que são as principais células não neuronais no 
SNC, também desempenham importante papel sinalizador. Antes eram consideradas principalmente 
como células de manutenção e suporte aos neurônios exigentes, porém atualmente estão cada vez mais 
sendo vistas como células que desempenham papel relevante na comunicação neuronal.
Essas células expressam vários receptores e transportadores e também liberam ampla variedade de 
mediadores, incluindo glutamato, óxido nítrico e metabólitos do ácido araquidônico. Elas respondem a 
sinais químicos dos neurônios e também dos astrócitos vizinhos e das células microgliais. Os astrócitos 
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FARMACOLOGIA
respondem a estímulos, controlando assim o ambiente químico no qual os neurônios operam. Embora não 
conduzam potenciais de ação e não enviem sinais para outras partes do corpo, os astrócitos são, em outros 
aspectos, muito similares aos neurônios e desempenham papel crucial da comunicação dentro do cérebro. 
Entretanto, o conhecimento de como funcionam e de como respondem aos fármacos é ainda escasso.
7.1.2 Neurotransmissores
Os neurotransmissores são moléculas quimicamente diversas sintetizadas pelos neurônios, 
geralmente no terminal do axônio, a partir de precursores ali presentes. As enzimas de síntese desses 
neurotransmissores são produzidas no corpo celular do neurônio e transportadas até o terminal neuronal 
onde eles são sintetizados. Após a síntese, os neurotransmissores são armazenados em vesículas 
sinápticas, cujo conteúdo é liberado na fenda sináptica por exocitose pelo impulso nervoso.
O neurotransmissor é considerado excitatório quando, ao interagir com seu receptor na membrana 
pós-sináptica, permite a propagação da informação de um neurônio para outro (despolarização da 
membrana pós-sináptica, com geração do potencial de ação), ou é considerado inibitório quando, ao 
interagir com seu receptor na membrana pós-sináptica, promove a hiperpolarização da membrana 
pós-sináptica. A função normal do SNC depende do equilíbrio entre a liberação de neurotransmissores 
excitatórios e inibitórios.
Os fármacos que agem no SNC produzem seus efeitos por interferir em alguma etapa, desde a síntese 
do neurotransmissor até sua liberação, degradação, armazenamento ou recaptação na fenda sináptica.
Os principais neurotransmissores que agem no SNC são os aminoácidos, as aminas biogênicas, a acetilcolina 
e os neuropeptídios. Eles exercem seus efeitos pela ativação de receptores ionotrópicos(acoplados a canais 
iônicos) ou metaborópicos (acoplados à proteína G), conforme será discutido posteriormente.
•	 Aminoácidos: os principais inibitórios são o GABA (ácido	 γ-aminobutírico) e a glicina, e os 
excitatórios são o glutamato e o aspartato.
•	 Aminas biogênicas: catecolaminas (dopamina e norepinefrina), serotonina e histamina.
•	 Acetilcolina, que não se encaixa em nenhuma das outras categorias estruturais.
•	 Neuropeptídeos: opioides (endorfinas, encefalinas e dinorfinas), substância P, neuropeptídeo Y, 
entre outros.
O GABA (ácido gama-aminobutírico) é um importante neurotransmissor expresso a partir do estágio 
embrionário e ao longo da vida.
No estágio inicial de desenvolvimento, o GABA atua de maneira excitatória e está envolvido em 
muitos processos de neurogênese, incluindo proliferação neuronal, migração, diferenciação e construção 
preliminar de circuitos, além do desenvolvimento de períodos críticos. No SNC maduro, o GABA atua de 
maneira inibitória.
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Unidade IV
Existem dois tipos principais de receptores GABA, o receptor GABAA, acoplado a canais de cloreto, e 
o receptor GABAB, acoplado à proteína G.
No cérebro adulto, o GABA atua principalmente através da ativação dos receptores GABAA. Quando 
o GABA se liga a esses receptores pós-sinápticos, o canal iônico de cloreto se abre e esse íon difunde-se 
na célula ao longo de seu gradiente de concentração, hiperpolarizando o neurônio.
Os receptores GABAB são responsáveis pelo componente posterior e mais lento da transmissão 
inibitória. Esses receptores são encontrados nos neurônios pré e pós-sinápticos. A ativação desses 
receptores leva à ativação da proteína G inibitória, o que resulta na ativação dos canais de potássio 
pós-sinápticos (levando à hiperpolarização) ou à inibição dos canais de cálcio pré-sinápticos (levando à 
inibição da liberação de neurotransmissores), mecanismo semelhante ao observado após a ativação de 
receptores opioides (conforme vimos nos tópicos Mecanismo de transmissão da dor e Mecanismo 
de ação dos analgésicos opioides). Além do mecanismo descrito anteriormente, ocorre a ativação de 
uma série de outras vias de sinalização intracelular.
Os receptores de glicina também são canais de íons cloreto dependentes de ligante, responsáveis 
por mediar a neurotransmissão inibitória na medula espinhal e no tronco cerebral. Eles estão envolvidos 
principalmente no controle motor e na percepção da dor no adulto. No entanto, esses receptores também 
são expressos nas regiões superiores do sistema nervoso central, onde participam de diferentes processos, 
incluindo a neurotransmissão sináptica. Além disso, os receptores de glicina estão presentes desde os estágios 
iniciais do desenvolvimento do cérebro e podem influenciar esse processo.
O glutamato é um importante neurotransmissor excitatório no cérebro. Existem três famílias de 
receptores ionotrópicos com canais permeáveis por cátions intrínsecos [N-metil-D-aspartato (NMDA), 
ácido alfa-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolepropiônico (AMPA) e cainato]. Além disso, existem três 
grupos de receptores de glutamato acoplados à proteína G (mGluR1 – 3) que modificam a excitabilidade 
neuronal e glial através de subunidades da proteína G que atuam nos canais iônicos da membrana e 
segundos mensageiros, como diacilglicerol e AMPc.
Um dos debates mais antigos sobre cotransmissão envolve glutamato e o aspartato. Embora o 
o papel do glutamato como transmissor na maioria das sinapses excitatórias no cérebro tenha sido 
estabelecido, o papel do aspartato permanece incerto. O aspartato é um agonista altamente seletivo 
para os receptores de glutamato do tipo NMDA e não ativa os receptores de glutamato do tipo AMPA.
A dopamina desempenha um papel importante no aprendizado, no controle da atividade motora, 
nos mecanismos de recompensa, nas emoções e em funções endócrinas, tanto na saúde quanto na 
doença. As principais vias dopaminérgicas são:
•	 Via mesolímbica: a dopamina é sintetizada na área tegmentar ventral do mesencéfalo e 
transmitida ao sistema límbico através do núcleo accumbens. O mesencéfalo está relacionado 
às funções de sono e vigília, enquanto o sistema límbico é o responsável pela elaboração de 
reações emocionais e comportamento de punição e recompensa. Essa via é chamada de via 
de recompensa do cérebro.
189
FARMACOLOGIA
•	 Via mesocortical: a dopamina é sintetizada na área tegmental ventral do mesencéfalo e transmitida 
ao córtex frontal. Essa via está associada às funções cognitivas, à linguagem, à memória de trabalho, 
à atenção, ao apetite, ao pensamento abstrato e às funções motoras, associativas e visuais.
•	 Via nigrostriatal: a dopamina é sintetizada na substância negra mesencefálica e transmitida ao 
estriado dorsal. Esse caminho está associado ao controle cetral, involuntário, do movimento.
•	 Via tuberoinfundibular: se estende do hipotálamo à eminência média. O hipotálamo comanda 
funções autonômicas, elabora funções específicas, como sede e fome, apetite por nutrientes 
específicos, como sal e açúcar, além de ser responsável pela sobrevivência do indivíduo e propagação 
da espécie (comportamento de luta/fuga e comportamento sexual), através da secreção de diferentes 
hormônios. Essa via também regula a secreção do hormônio prolactina pela hipófise anterior.
Os receptores da dopamina são subdivididos em D1, D2, D3, D4 e D5, de acordo com localização no 
cérebro e função. São acoplados a proteínas G e podem ser classificados em duas grandes famílias, com base 
em características bioquímicas, farmacológicas e moleculares: A superfamília dos receptores semelhantes a 
D1 inclui os receptores D1 e D5, acoplados à proteína Gs, e a superfamília dos receptores semelhantes ao D2 
inclui os receptores D2, D3 e D4, acoplados à proteína Gi.
A norepinefrina é encontrada nos corpos celulares da ponte e da medula. Esses corpos projetam 
neurônios para o hipotálamo, tálamo, sistema límbico e córtex cerebral. A noradrenalina contribui para 
o controle do humor e da excitação e pode afetar os padrões de sono. A hiperatividade desse sistema 
induz a um estado de insônia, ansiedade, irritabilidade, paranoia, instabilidade emocional e excitação, 
enquanto a hipoatividade leva a sonolência excessiva, apatia e embotamento emocional.
 Lembrete
Na periferia, a norepinefrina é o neurotransmissor responsável por 
mediar as respostas do sistema nervoso simpático, a partir da ativação dos 
receptores adrenérgicos (adrenoceptores) presentes nos órgãos-alvo.
A serotonina, ou 5-hidroxitriptamina (5-HT), é um neurotransmissor que contribui para o humor e 
o estado mental humano. As principais funções da serotonina são: regular o apetite, equilibrar o desejo 
sexual e controlar a temperatura corporal, a atividade motora e as funções perceptivas e cognitivas. 
Além disso, a serotonina regula a secreção de hormônios, como o do crescimento.
A serotonina interage com sete famílias de seus receptores (5-HT1-7), localizados na membrana 
celular dos neurônios e de outros tipos celulares, incluindo o músculo liso. Pertencem à classe dos 
receptores acoplados à proteína G, à exceção do subtipo 5HT-3, acoplado a canais iônicos.
No SNC, os neurônios produtores de histamina são encontrados principalmente no hipotálamo, 
e a histamina está envolvida com várias funções, como vigília, apetite, secreção de hormônios, 
termorregulação, controle cardiovascular (central), memória, aprendizado, entre outras.
190
Unidade IV
 Observação
A histamina também é um importante mediador inflamatório liberado 
pelos mastócitos e está envolvida no estabelecimento de processos 
alérgicos, ao promover vasodilatação, broncoconstrição, prurido etc.
Há uma ampla distribuição de receptores histaminérgicos por todo os SNC. Há três tipos de receptores 
para a histamina no SNC: H1, H2 e H3. Os receptores H1 e H2 em geral excitam os neurônios ou 
potencializam impulsos excitatórios. Já a ativação dos receptores H3 causa autoinibição dos neurônios 
histaminérgicos e também modulaa liberação de outros neurotransmissores, incluindo o glutamato, a 
serotonina, a dopamina, a acetilcolina, a noradrenalina e o GABA.
O bloqueio dos receptores H1 no SNC explica os efeitos colaterais sedativos de muitos 
anti-histamínicos clássicos (difenidramina, dimenidrinato, prometazina, entre outros). Essa sedação 
é consequência de sua alta lipossolubilidade, que possibilita a travessia da barreira hematoencefálica e 
consequente ação no SNC.
Esse efeito colateral sedativo dos anti-histamínicos clássicos faz com que sejam empregados como 
indutores do sono. Os anti-histamínicos mais modernos de segunda geração (loratadina, cetirizina, acrivastina, 
entre outros) não atravessam a barreira hematoencefálica com facilidade e, portanto, não produzem sedação.
No SNC, a acetilcolina exerce um papel muito importante nas funções cognitivas e influencia 
diretamente no aprendizado, na atenção e na memória. Tanto perifericamente quanto no SNC, a 
acetilcolina interage com receptores muscarínicos e nicotínicos.
 Lembrete
Na periferia, a acetilcolina é o neurotransmissor responsável por mediar 
as respostas do sistema nervoso parassimpático, a partir da ativação dos 
receptores muscarínicos presentes nos órgãos-alvo.
Os receptores muscarínicos presentes no SNC são predominantemente do subtipo M1 e se localizam 
na região pós-sináptica em diferentes regiões do córtex cerebral, hipocampo e estriado. O subtipo M2 
é encontrado nas terminações pré-sinápticas e sua função é controlar a liberação da acetilcolina. Os 
subtipos M3, M4 e M5 são encontrados em quantidades bem menores.
Os receptores nicotínicos são inotrópicos, estão localizados em áreas similares às dos receptores 
muscarínicos no SNC e estão envolvidos em processos de cognição, dor e controle da liberação de dopamina.
Os neuropeptídeos estão presentes na maioria das áreas cerebrais e desempenham papel de 
modulador no SNC, ou seja, são capazes de regular determinados aspectos da função neuronal e atuar 
191
FARMACOLOGIA
para a modulação de respostas diversas, como sensibilidade e emoções (substância P e encefalinas), 
fome, dor, prazer, respostas ao estresse (endorfinas), entre diversos outros processos.
Um mesmo neurônio pode conter vários mediadores químicos, que são liberados conjuntamente 
durante a despolarização neuronal. Ou seja, os neuropeptídeos podem coexistir e ser liberados com 
neurotransmissores. Os neuropeptídios geralmente são liberados em quantidades bem menores 
em relação aos neurotransmissores. Porém, os neuropeptídeos possuem em geral uma potência de 
transmissão de impulsos bem maior do que dos neurotransmissores não peptídicos.
7.1.3 Relação entre as disfunções na neurotransmissão e as patologias do SNC
As diversas patologias que acometem o SNC são resultado do aumento ou da diminuição dos 
níveis de neurotransmissores em regiões específicas do cérebro, ou ainda em alterações funcionais nos 
respectivos receptores. As principais relações entre os neurotransmissores e as patologias são:
•	 Glutamato: pode contribuir para a lesão cerebral que ocorre agudamente após o status 
epilepticus, a isquemia cerebral ou a lesão cerebral traumática. Também pode contribuir para 
a neurodegeneração crônica em distúrbios como esclerose lateral amiotrófica e coreia de 
Huntington. Outras condições clínicas que podem responder a fármacos que atuam na transmissão 
glutamatérgica incluem epilepsia, amnésia, ansiedade, hiperalgesia e psicose.
•	 Dopamina: no sistema mesolímbico desempenha papel importante na neurobiologia da 
dependência e também está implicada na esquizofrenia. No sistema mesocortical, participa 
da fisiopatologia da esquizofrenia e do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). 
A degeneração de neurônios da via nigroestriatal diminui os níveis de dopamina, dando origem à 
doença de Parkinson.
•	 Norepinefrina: disfunções nos níveis desse neurotransmissor no SNC têm sido associadas a 
alguns transtornos psiquiátricos, como transtorno de ansiedade, pânico e humor, bem como na 
esquizofrenia e na demência.
•	 Serotonina: baixos níveis desse neurotransmissor podem provocar sintomas como ansiedade, 
medo, angústia, agressividade e distúrbios alimentares.
•	 Acetilcolina: diminuição na neurotransmissão colinérgica, causada pela morte neuronal, está 
associada ao desenvolvimento do mal de Alzheimer. Os receptores nicotínicos centrais também 
foram implicados em outras doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo o TDAH, a esquizofrenia, 
a depressão e a epilepsia.
7.2 Fármacos de ação central
Os mecanismos de ação dos fármacos no SNC e periférico têm muito em comum. No entanto, é 
problemático compreender de que forma eles alteram a função cerebral, devido à complexidade da 
rede neuronal.
192
Unidade IV
No SNC, existem vários tipos de interconexões neuronais, de forma que os efeitos de fármacos nas 
ações de um dos neurotransmissores são difíceis de serem previstos e dependerão das várias conexões 
sinápticas excitatórias e inibitórias e dos impulsos nervosos. Adicionada a essa complexidade está a 
influência das células da glia.
Um fator adicional importante de complicação é que existem respostas adaptativas secundárias 
geradas por qualquer perturbação do sistema induzida pelo fármaco. Tipicamente, o aumento na 
liberação do transmissor, ou interferência na captação dele, é contrabalançado pela inibição da síntese 
do transmissor, pelo reforço na expressão do transportador ou pela diminuição da expressão do receptor. 
Essas alterações, geralmente, levam tempo (horas, dias ou semanas) para se desenvolver e não são 
evidentes nas experiências farmacológicas agudas.
Numa situação da prática clínica, com frequência, os efeitos de fármacos psicotrópicos demoram 
semanas para se desenvolver, sendo que é provável que reflitam respostas adaptativas em vez dos 
efeitos farmacodinâmicos imediatos dele. Assim, tem-se que levar em conta não apenas a interação 
primária do fármaco com seu alvo, mas também a resposta secundária do cérebro a esse efeito primário; 
e, frequentemente, é a resposta secundária, não o efeito primário, que leva ao benefício clínico.
De uma forma geral, para fins didáticos, os fármacos que atuam no SNC são classificados de 
acordo com a natureza de seu comportamento farmacodinâmico, por exemplo: ansiolíticos, sedativos e 
hipnóticos, antidepressivos, hipnoanalgésicos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, tratamento de distúrbios 
degenerativos do SNC (doença de Parkinson e doença de Alzheimer) e anestésicos gerais, entre outros.
7.2.1 Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos
Os ansiolíticos são uma categoria de fármacos usados para prevenir e tratar a ansiedade relacionada 
a vários transtornos (por exemplo, ansiedade generalizada, fobia social, síndrome do pânico, transtorno 
obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático etc.). Alguns também são usados como sedativos antes 
da anestesia para procedimentos médicos.
Os ansiolíticos tendem a agir rapidamente e podem levar ao vício. Por esse motivo, geralmente são 
prescritos apenas para uso a curto prazo. Eles não são recomendados para pessoas com histórico de 
abuso ou dependência de drogas.
Os ansiolíticos são classificados em: barbitúricos, benzodiazepínicos e não benzodiazepínicos.
Barbitúricos
Os barbitúricos foram, por muito tempo, os fármacos de escolha para o tratamento da insônia. 
Entretanto, em virtude de mortes por ingestão acidental e do uso em homicídios e suicídios, o seu uso 
foi substituído pelos benzodiazepínicos. Hoje em dia, os barbitúricos ainda são utilizados no tratamento 
de distúrbios convulsivos e na indução da anestesia geral.
Os barbitúricos são agonistas dos receptores GABAA. Ao ativar o receptor, ocorre aumento do tempo de 
abertura do canal de cloreto, o que resulta em aumento do influxo do íon negativo e hiperpolarização celular. 
193
FARMACOLOGIA
Além disso, inibem a liberação de neurotransmissores dependentes do cálcio e deprimem a despolarização 
neuronal induzida pelo glutamatopor meio dos receptores AMPA. Em concentrações elevadas, são capazes 
de bloquear os canais de sódio e de potássio.
Os barbitúricos são classificados em fármacos de ação ultracurta (tiopental), intermediária 
(amobarbital) e prolongada (fenobarbital, pentobarbital e secobarbital).
O uso dos barbitúricos é bastante limitado, pois esses fármacos apresentam baixo índice terapêutico. 
O fenobarbital é utilizado por via oral no tratamento da epilepsia e o tiopental (injetável) é empregado 
na anestesia. Como agentes ansiolíticos e hipnóticos, foram substituídos pelos benzodiazepínicos.
Esses fármacos geralmente causam depressão do sistema nervoso central, com sonolência, confusão 
mental e comprometimento da coordenação. No entanto, em alguns pacientes (principalmente idosos), 
observa-se excitação. O uso de doses repetidas de barbitúricos está associado ao desenvolvimento de 
tolerância e dependência, sendo um risco para o uso abusivo. Os sintomas da abstinência consistem em 
alucinação, convulsão, delírio, excitação e morte.
Benzodiazepínicos
Os benzodiazepínicos exercem efeitos hipnóticos, ansiolíticos, miorrelaxantes e anticonvulsivantes. 
Como hipnóticos, os benzodiazepínicos reduzem o tempo de latência para o sono e aumentam a sua 
duração no estado natural. Como ansiolíticos, os benzodiazepínicos aliviam os sintomas da ansiedade e 
o estado de agressividade.
Os benzodiazepínicos produzem relaxamento do músculo esquelético por ação no SNC, sem 
comprometimento da atividade voluntária. O clonazepam e o diazepam possuem atividade miorrelaxante 
mais pronunciada, e doses muito altas deprimem a transmissão muscular. No tratamento da epilepsia, 
seu uso é limitado, pois há risco do desenvolvimento de tolerância.
Os principais benzodiazepínicos estão listados no quadro a seguir. A principal diferença entre esses 
agentes diz respeito à duração do efeito terapêutico. Existem representantes de ação ultracurta, curta, 
média e prolongada.
Quadro 9 – Principais benzodiazepínicos
Fármaco Duração global da ação Principais indicações
Midazolam Ultracurta (< 6 h) Adjuvante da anestesia
Lorazepam Curta (12-18 h) Ansiolítico, hipnótico
Alprazolam Média (24 h) Ansiolítico, antidepressivo
Nitrazepam Média (24 h) Hipnótico, ansiolítico
Diazepam Prolongada (24-48 h) Ansiolítico, relaxante muscular
Flurazepam Prolongada (24-48 h) Ansiolítico
Clonazepam Prolongada (24-48 h) Anticonvulsivante, ansiolítico
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Unidade IV
Os barbitúricos e os benzodiazepínicos compartilham semelhanças e diferenças no que diz respeito 
às ações sobre o receptor GABAA. Ambos aumentam a neurotransmissão GABAérgica por interferência 
direta no receptor, porém os barbitúricos o fazem por conta da ação agonista sobre eles, enquanto os 
benzodiazepínicos apenas promovem o aumento da afinidade do GABA pelo receptor. Na prática, essa 
diferença resulta em aumento da frequência de abertura dos canais de cloreto pelos benzodiazepínicos 
e em aumento do tempo de abertura desses canais pelos barbitúricos, com maior influxo iônico nos 
últimos, o que justifica seu menor índice terapêutico (veja a figura a seguir).
Extracelular
Intracelular
Cl-
Canal iônico
Figura 70 – Sítios de ligação dos benzodiazepínicos (BDZ) e dos barbitúricos (BRB) sobre o receptor GABAA. 
Os sítios de ligação do neurotransmissor GABA também estão indicados
Adaptada de: Katzung (2004, p. 516).
Os efeitos adversos dos benzodiazepínicos incluem tonturas, sonolência, má coordenação e 
sentimentos de depressão. O uso a curto prazo dos benzodiazepínicos geralmente é seguro e eficaz. 
No entanto, o uso a longo prazo é controverso, devido ao potencial de tolerância e dependência, entre 
outros. Ingerir álcool com benzodiazepínicos pode ser fatal.
Não benzodiazepínicos
Os fármacos classificados como não benzodiazepínicos são a buspirona, o zolpidem e a zopiclona. 
Esses fármacos apresentam diferenças estruturais em relação aos benzodiazepínicos, porém também 
apresentam ação depressora do SNC por atuar em outros receptores que não o GABAA. São indicados no 
tratamento do transtorno da ansiedade generalizada e no alívio em curto prazo dos sintomas da ansiedade, 
acompanhados ou não de depressão. Os não benzodiazepínicos apresentam efeitos ansiolíticos, mas não 
os efeitos anticonvulsivantes, sedativos e miorrelaxantes que são característicos dos benzodiazepínicos.
A buspirona aparentemente não atua sobre a neurotransmissão GABAérgica. Ela é um agonista dos 
receptores de serotonina 5HT1A que também apresenta ação antagonista pré-sináptica da dopamina, 
195
FARMACOLOGIA
além de modular outros sistemas receptores. É rapidamente absorvida via oral e é menos sedativa do 
que outros ansiolíticos, não comprometendo significativamente o desempenho funcional dos pacientes. 
Não se deve administrar concomitantemente a buspirona com antidepressivos inibidores da MAO 
(exemplo: Tranilcipromina), pois pode ocorrer hipertensão arterial.
O zolpidem é um agonista seletivo do subtipo ômega do receptor GABAA. Esse fármaco encurta o 
tempo de indução ao sono, reduz o número de despertares noturnos e aumenta a duração total do sono, 
porém inibe o sono REM e o sono de ondas lentas, provocando um “desligamento” cerebral, de modo 
a prejudicar sua qualidade. Esses efeitos estão associados a um perfil eletroencefalográfico específico, 
diferente daquele observado com os benzodiazepínicos.
Os efeitos indesejáveis do zolpidem são sonolência, fadiga, irritabilidade, cefaleia e amnésia no dia 
seguinte. Esses efeitos são geralmente discretos. Esse fármaco não altera significativamente os resultados 
dos testes neuropsicológicos de alerta, concentração, memória e coordenação motora em populações 
de pacientes com insônia em relação aos voluntários normais de diferentes idades.
A zopiclona é um agente hipnótico do grupo das ciclopirrolonas que apresenta atividade agonista 
sobre GABAA, porém, ao contrário do zolpidem, tem ação anticonvulsivante e miorrelaxante, além 
da ansiolítica. A zopiclona reduz o tempo de início do sono e a frequência dos despertares noturnos, 
aumenta a duração do sono e melhora a qualidade do sono e do despertar. Nas doses estudadas e 
recomendadas, os efeitos da zopiclona estão associados a um perfil eletroencefalográfico específico 
que difere dos benzodiazepínicos. Os efeitos indesejáveis são sonolência, fadiga, irritabilidade, cefaleia e 
amnésia, e pode causar tolerância e dependência.
7.2.2 Antidepressivos
Os fármacos antidepressivos são essenciais no tratamento da depressão. São usados para restaurar o 
equilíbrio emocional e ajudar as pessoas a realizar as tarefas inerentes à vida cotidiana, porém seu uso 
deve ser associado à psicoterapia. O principal objetivo do tratamento com antidepressivos é aliviar os 
sintomas da depressão e impedir que o quadro depressivo se manifeste no indivíduo.
Alguns sintomas da depressão incluem: ansiedade, alterações do apetite, de peso e do sono, dor 
crônica, agitação ou lentificação motora, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou de 
culpa, dificuldade de concentração e de tomar decisões e, nos casos mais graves, pensamentos de morte 
e ideação suicida. Além dessas manifestações, que devem estar presentes por pelo menos duas semanas, 
também é necessário considerar a história de vida do paciente ao realizar o diagnóstico.
O diagnóstico da depressão é clínico, feito após coleta completa da história do paciente e realização de 
um exame do estado mental. Não existem exames laboratoriais específicos para diagnosticar depressão.
A depressão é altamente prevalente na população em geral e, de acordo com estudo epidemiológico, 
a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. A época comum do 
aparecimento é no final da 3ª década da vida, mas pode começar em qualquer idade. Estudos mostram 
prevalência ao longo da vida em até 20% nas mulheres e 12% para os homens. As causas da depressão 
196
Unidade IV
podem ser: genéticas, fisiológicas (deficiência dos neurotransmissorescentrais noradrenalina, serotonina 
e dopamina) ou fatores externos (eventos estressantes podem desencadear episódios depressivos).
Há diferentes tipos de depressão, que possuem sintomas e impactos diversos no dia a dia do paciente.
O transtorno depressivo maior, ou depressão unipolar, é o tipo de depressão mais frequente e 
conhecido, caracterizado por um quadro de humor deprimido, perda de interesse e de prazer, energia 
reduzida, diminuição das atividades e, em casos mais graves, sofrimento, melancolia e incapacidade 
temporária, especialmente quando não tratado.
A depressão bipolar ou transtorno bipolar é diferente da depressão, mas esse tipo consta nessa 
lista porque a pessoa experimenta episódios de humor extremamente deprimidos, que satisfazem os 
critérios para depressão. É a alternância de momentos depressivos com períodos de extremos, eufóricos 
ou irritáveis, chamados de “mania”, ou uma forma menos grave, chamada “hipomania”.
A distimia é uma forma de depressão crônica – com duração mínima de dois anos –, de 
intensidade moderada, quando o indivíduo fica predominantemente triste, desanimado, pessimista e sem 
vontade de agir, com pouca energia e concentração. Geralmente, as pessoas se mostram excessivamente 
preocupadas e apresentam um sentimento persistente de preocupação. As alterações de apetite, de 
libido e psicomotoras não são frequentes, sendo mais comuns sintomas como letargia e falta de prazer 
pelas coisas que antes eram prazerosas. Na maioria dos casos, se inicia na adolescência ou no princípio 
da idade adulta.
Há também a depressão pós-parto, o transtorno disfórico pré-menstrual (surge quase todos 
os meses no período que antecede a menstruação), o transtorno afetivo sazonal (ocorre durante os 
meses de inverno, quando há menos luz solar natural), a depressão psicótica (pessoa tem depressão 
grave e sintomas psicóticos, como ter falsas crenças, delírios e alucinações) e o transtorno depressivo 
induzido por substância/medicamento (associado à ingestão, injeção ou inalação de uma substância 
– droga de abuso –, exposição a uma toxina ou uso de medicamento).
A Teoria Monoaminérgica da Depressão propõe que a depressão seja consequência de uma 
menor disponibilidade de aminas biogênicas (serotonina, noradrenalina e/ou dopamina) nas sinapses 
cerebrais. Tal proposição é reforçada pelo conhecimento do mecanismo de ação dos antidepressivos, que 
se baseia, principalmente, no aumento da disponibilidade desses neurotransmissores na fenda sináptica, 
seja pela inibição (seletiva ou não) de suas recaptações, seja pela inibição da enzima responsável por 
suas degradações (inibidores da monoaminoxidase).
As principais classes de antidepressivos são: (1) os inibidores da monoamina oxidase (MAO); 
(2) os antidepressivos tricíclicos; e (3) os inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Outras 
classes envolvem os inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina e serotonina; os inibidores 
da recaptação de serotonina que apresentam atividade antagonista alfa; e os inibidores seletivos da 
recaptação de noradrenalina. Alguns antidepressivos não se encaixam nos mecanismos de ação que 
acabamos de listar e serão abordados adiante.
197
FARMACOLOGIA
Inibidores da monoamina oxidase (MAO)
Os inibidores da MAO atuam inibindo a ação da enzima monoamina oxidase, responsável pela 
degradação das monoaminas (veja a figura a seguir). Existem dois subtipos dessa enzima, denominados 
MAO-A e MAO-B, envolvidos na biotransformação da serotonina, da noradrenalina e da dopamina. A ação 
da MAO é discutida no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação. 
A MAO-A tem preferência pela serotonina e, normalmente, é encontrada no sistema nervoso, no 
fígado, no trato gastrointestinal e na placenta. A MAO-B metaboliza preferencialmente o substrato 
feniletilamina e é, normalmente, encontrada no sistema nervoso e nas plaquetas. Tanto MAO-A como 
MAO-B são encontradas em neurônios e astrócitos do SNC.
Metabólitos 
inativos
Vesícula 
sináptica
Fenda 
sináptica
Neurônio 
pós-sináptico Resposta pós-sináptica
Norepinefrina 
Serotonina 
Dopamina
-
Os IMAOs evitam a inativação 
das monoaminas no interior do 
neurônio, causando a difusão de 
um excesso de neurotransmissor 
para a fenda sináptica
Figura 71 – Mecanismo de ação dos inibidores da MAO
Fonte: Clark et al. (2013, p. 158).
A isocarboxazida, a fenelzina e a tranilcipromina são inibidores não seletivos da MAO que se ligam 
de forma irreversível a ambos os subtipos da enzima. A redução na atividade da MAO-A e da MAO-B 
resulta em aumento na concentração das monoaminas nos locais de armazenamento no SNC, o que 
está relacionado à sua ação terapêutica, e no sistema nervoso simpático, o que está relacionado ao 
desenvolvimento de efeitos adversos potencialmente graves.
Mais recentemente foram desenvolvidos inibidores seletivos e reversíveis da MAO-A e da MAO-B 
(moclobemida e selegilina, respectivamente). A inibição reversível e seletiva está relacionada à menor 
incidência de efeitos adversos. A moclobemida é usada no tratamento da depressão e a selegilina no 
tratamento da doença de Parkinson, devido à ação significativa dessa enzima sobre a dopamina (cujos 
níveis estão diminuídos na doença de Parkinson).
198
Unidade IV
Os principais efeitos adversos dos inibidores da MAO são devidos ao aumento do tônus simpático, 
decorrente da diminuição da taxa de biotransformação da norepinefrina no neurônio simpático. Esses 
efeitos incluem a hipotensão postural grave, principalmente ao levantar, e a crise hipertensiva, que 
cursa com palpitações, cefaleia, dor torácica intensa, midríase, aumento da sudorese e alteração da 
temperatura corporal, entre outros sintomas – há, inclusive, registros de hemorragia intracraniana 
decorrentes do quadro de hipertensão. Outros efeitos adversos menos graves incluem diarreia; edema; 
diminuição do tônus parassimpático; síndrome da secreção inadequada do hormônio antidiurético, 
que leva à diminuição na produção de urina; visão turva; mioclonias durante o sono; inquietação ou 
agitação; disfunção sexual feminina e masculina; sonolência; cefaleia leve sem aumento da pressão 
arterial; aumento de apetite e peso relacionado à fissura por carboidratos; aumento da sudorese; 
vertigens, tontura, cansaço ou fraqueza leve; abalos musculares ou tremores. A adesão ao tratamento 
com inibidores da MAO é dificultada devido aos numerosos efeitos adversos.
O uso dos fármacos que inibem irreversivelmente a MAO inspira cuidados: durante o tratamento, é 
necessário adotar dieta pobre em tiramina, aminoácido precursor de catecolaminas, de modo a evitar 
uma crise hipertensiva potencialmente fatal. São exemplos de alimentos ricos em tiramina: cerveja, 
vinho, defumados, fígado de galinha, café, frutas cítricas, enlatados, vagens largas, feijão de corda, 
chocolate e queijo (por esse motivo, essa reação é denominada “reação do queijo”).
A crise hipertensiva ocorre pelo seguinte motivo: a MAO presente no trato gastrointestinal e no fígado 
é responsável por degradar a tiramina. Como essa enzima está inibida, a tiramina atinge a circulação 
sistêmica e é captada pelo nervo simpático, o que ocasiona a liberação da norepinefrina armazenada, 
causando vasoconstrição intensa por conta da ativação de adrenoceptores alfa-1 nos vasos.
Antidepressivos tricíclicos
Os antidepressivos tricíclicos estão no mercado há mais tempo e são considerados antidepressivos 
de primeira geração. Eles são divididos em dois grupos, de acordo com sua estrutura química: as 
aminas terciárias (imipramina, amitriptilina, trimipramina e doxepina) e as aminas secundárias 
(desmetilimipramina, nortriptilina e protriptilina). A maprotilina e a amoxapina são antidepressivos 
tetracíclicos, com características farmacológicas semelhantes aos antidepressivos tricíclicos.
O mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos é a inibição da recaptação de monoaminas 
(principalmente da noradrenalina e da serotonina e, em menor proporção,da dopamina) pelo neurônio, 
o que resulta no aumento do tempo de ação desses neurotransmissores na fenda sináptica e a melhora 
dos sintomas da depressão (veja a figura a seguir).
199
FARMACOLOGIA
N
N
Cl CH3
CH2CH2
Inibição da recaptação 
efeitos terapêuticos
Imipramina
Bloqueio de receptores 
efeitos adversos
CH2
CH3
5HT
NE
ACH
NE
M, H1, α1
Figura 72 – Mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos: 5HT = serotonina, NE = norepinefrina, 
ACH = acetilcolina, M = receptores muscarínicos, H1 = receptores H1 de histamina, α1 = adrenoceptores alfa-1
Fonte: Lüllmann e Jürgen (2000, p. 231).
Como esses fármacos apresentam estrutura relativamente semelhante às monaminas, são capazes 
de bloquear receptores muscarínicos e adrenérgicos nos órgãos-alvo, com consequente diminuição do 
tônus autonômico. Além disso, ocorre bloqueio de receptores H1 de histamina, o que causa sedação, 
receptores 5HT de serotonina e receptores de dopamina.
Os antidepressivos tricíclicos são usados no tratamento da depressão crônica ou profunda e das 
fases depressivas da doença bipolar. Também podem ser usados no tratamento da dor neuropática 
que não responde ao tratamento com opioides, o que possibilita que doses menores de analgésicos 
sejam empregadas. Essa analgesia possivelmente é decorrente de mudanças na concentração 
central de serotonina, além do efeito direto ou indireto dos antidepressivos tricíclicos nos sistemas 
opioides endógenos.
 Observação
A dor neuropática é a dor causada por disfunção nos neurônios das vias 
centrais da dor.
A maioria dos antidepressivos tricíclicos são cardiotóxicos e podem provocar arritmias. Esse efeito é 
decorrente da inibição periférica da norepinefrina e da epinefrina. Além disso, eles apresentam atividade 
200
Unidade IV
anticolinérgica periférica, além da central, devido à potente e elevada afinidade de ligação por receptores 
muscarínicos. O bloqueio de adrenoceptores alfa, por sua vez, resulta em hipotensão postural.
Outros efeitos adversos incluem taquicardia, sedação, ganho de peso, boca seca, disfunção 
sexual, hipotensão postural, retenção urinária, constipação intestinal, visão desfocada, tonturas, 
sudorese, tremores etc. É muito comum o paciente se queixar de sonolência, fraqueza e fadiga, o que, 
frequentemente, é motivo para a interrupção do uso.
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina
Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) constituem uma classe de 
fármacos tão eficazes quanto os antidepressivos tricíclicos, mas com menos efeitos adversos associados 
ao seu uso, o que aumenta a adesão ao tratamento. Os principais ISRS são a fluoxetina, a sertralina, o 
citalopram, a fluvoxamina e a paroxetina.
Os ISRS inibem de forma potente e seletiva a recaptação de serotonina, levando ao aumento da 
concentração de serotonina na fenda sináptica e, consequentemente, resultando em potencialização 
da neurotransmissão serotonérgica. Esse é o principal mecanismo de ação dos ISRS. Há indicações de 
que os ISRS possuem ainda efeitos anticolinérgicos, embora em menor proporção do que observado 
com o uso dos antidepressivos tricíclicos.
Os diferentes fármacos ISRS compartilham o principal mecanismo de ação, embora a potência da 
inibição de recaptação da serotonina varie entre os representantes, sendo a sertralina e a paroxetina os 
mais potentes inibidores.
São fármacos bem tolerados e, inclusive, são os medicamentos de escolha para o tratamento 
da depressão pediátrica. De forma geral, os efeitos adversos mais frequentemente relatados são: 
transtornos gastrintestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia); transtornos psiquiátricos 
(agitação, ansiedade, insônia); alterações do sono; urticária; fadiga; alterações do peso; e disfunções 
sexuais (retardo ejaculatório em homens e anorgasmia em mulheres).
Na maioria dos pacientes, a fluoxetina apresenta efeito anorexígeno e, por esse motivo, ela é utilizada 
por algumas pessoas para perder peso.
É importante salientar que seu uso para fins de emagrecimento não é indicado pela Associação 
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), pois o efeito anorexígeno é 
transitório (a parda de peso ocorre somente durante os primeiros 6 meses) e também porque foram 
relatados efeitos adversos potencialmente graves, que incluem a síndrome do pânico e os distúrbios 
psicóticos, em indivíduos não depressivos que fazem uso desse fármaco.
Outras classes de antidepressivos
•	 A venlafaxina e seu metabólito ativo, a O-desmetilvenlafaxina, são inibidores seletivos da 
recaptação de serotonina (principalmente) e de noradrenalina. Essas substâncias não apresentam 
afinidade por receptores adrenérgicos alfa-1, muscarínicos ou histamínicos (veja a figura a seguir).
201
FARMACOLOGIA
Fenda 
sináptica
Neurônio 
pós-sináptico
Neurônio 
pré-sináptico
Resposta pós-sináptica
-
Venlafaxina 
Duloxetina
Norepinefrina
Serotonina
O fármaco antidepressivo 
bloqueia a captação do 
neurotransmissor
Figura 73 – Mecanismo de ação dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina
Fonte: Clark et al. (2013, p. 154).
•	 A nefazodona inibe a recaptação neuronal de serotonina e noradrenalina e é um antagonista de 
receptores 5HT2 e de receptores alfa adrenérgicos.
•	 A trazodona apresenta, como provável mecanismo de ação, a inibição da recaptação de serotonina 
e de noradrenalina, além de apresentar atividade antagonista de adrenoceptores alfa e atividade 
anti-histamínica. Esse fármaco está associado à ocorrência de priapismo (ereção peniana 
prolongada na ausência de estímulo), motivo de interrupção do tratamento.
•	 A reboxetina apresenta atividade seletiva sobre a recaptação de noradrenalina, com atividade 
antagonista alfa-2.
•	 A bupropiona apresenta mecanismo de ação não completamente conhecido. Propõe-se que esse 
fármaco apresente atividade noradrenérgica e dopaminérgica, mas não serotoninérgica. Ocorre 
aumento da liberação de noradrenalina corpórea e fraca inibição in vitro da captação neuronal 
de noradrenalina e de dopamina. Entre os antidepressivos de nova geração, apresenta o menor 
potencial de indução de efeitos adversos e a menor incidência de descontinuação do tratamento 
por intolerância. Além do uso como antidepressivo, é utilizado como suporte para quem deseja 
parar de fumar.
•	 A ação da mirtazapina se dá através do aumento da atividade noradrenérgica e serotonérgica 
central. A mirtazapina é um antagonista de receptores alfa-2 adrenérgicos pré-sinápticos e 
antagonista 5-HT2 e 5-HT3 pós-sináptico. Sua afinidade pelos receptores histamínicos H1 explica 
o efeito sedativo. Apresenta fraca atividade por receptores muscarínicos e dopaminérgicos. Mesmo 
estando relacionada com o bloqueio de diferentes sistemas receptores, a mirtazapina apresenta 
boa tolerabilidade.
202
Unidade IV
7.2.3 Estabilizadores do humor
De acordo com Ward e Azzaro (2011), os fármacos utilizados no tratamento do transtorno bipolar 
são conhecidos como estabilizadores do humor.
O transtorno bipolar consiste em uma perturbação mental caracterizada pela alternância entre 
períodos depressivos e períodos de ânimo exacerbado (mania ou hipomania). Durante o período de 
mania, a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente enérgica, contente ou irritável. Durante as 
fases depressivas, a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contato ocular com 
outras pessoas. O risco de suicídio entre as pessoas com transtorno bipolar é elevado e de 30% a 40% 
praticam automutilação. As causas do transtorno bipolar ainda não são totalmente compreendidas, mas 
tanto fatores ambientais como genéticos têm influência.
De todos os fármacos denominados de estabilizadores do humor, o carbonato de lítio é o que tem 
eficácia mais abrangente. Tem como desvantagem início retardado de efeito (por isso utilizam-se 
anticonvulsivantes, neurolépticos ou benzodiazepínicos em associação com lítio no início do tratamento) 
e o índice terapêutico estreito,o que aumenta a chance de intoxicação.
O mecanismo de ação exato do lítio não é conhecido. As principais hipóteses são:
•	 Interfere no metabolismo do inositol trifosfato, responsável pela liberação do cálcio de seus depósitos 
intracelulares, possivelmente através da inibição de enzimas envolvidas na formação do inositol.
•	 Por sua similaridade com outros elementos (sódio, potássio, cálcio e magnésio), o lítio eleva os 
níveis de serotonina e diminui os níveis de norepinefrina, alterando, ainda, as concentrações de 
dopamina, GABA e acetilcolina.
•	 Inibe a adenilil ciclase e a inositol-1-fosfatase, ocasionando redução da neurotransmissão noradrenérgica. 
A inibição da adenilil ciclase leva a uma diminuição dos níveis de AMPc, o que resulta em 
efeitos variados. A inibição da inositol-1-fosfatase leva a uma depleção relativa de inositol e, 
consequentemente, a alterações no receptor acoplado ao fosfatidilinositol; porém, os efeitos 
da administração crônica são provavelmente mediados por mudanças distais ao receptor 
(por exemplo, em nível de proteína G) ou modificações nas isoenzimas da PKC, responsáveis 
pelas fosforilações de proteínas nucleares.
•	 Em relação à neurotransmissão noradrenérgica, o lítio diminui a estimulação da adenilatociclase 
mediada por receptores beta-adrenérgicos e tende a diminuir o número de receptores alfa-2.
•	 Promove o aumento da captação do triptofano (precursor da serotonina) e a diminuição da 
atividade de receptores serotoninérgicos pré-sinápticos inibitórios, um aumento da liberação 
de serotonina, especialmente no hipocampo. Também ocorre, no hipocampo, diminuição dos 
receptores 5-HT2 e aumento à resposta pós-sináptica de receptores 5-HT1.
•	 Promove aumento da concentração sináptica de glutamato que, com o tempo, estimula sua 
atividade do transporte e os receptores de GABA do hipocampo aumentando seus níveis.
203
FARMACOLOGIA
A desvantagem do lítio é significativa, pois, além de seus efeitos adversos indesejáveis, ele pode ser 
tóxico para a tireoide, causando hipotireoidismo. Também pode causar insuficiência renal permanente. 
Recomenda-se monitorar a função desses órgãos a cada 6 meses. Entretanto, em pacientes com 
transtorno bipolar os seus benefícios geralmente superam sua toxicidade e, por isso, é importante saber 
usá-lo. Quando possível, deve-se fazer o monitoramento dos níveis séricos de lítio.
O lítio não deve ser administrado em casos de insuficiência renal grave ou doença cardiovascular, 
debilitação significativa, desidratação, depleção de sódio e para os pacientes em uso de diuréticos 
ou inibidores da enzima conversora da angiotensina, uma vez que o risco de toxicidade é muito alto 
nesses pacientes.
7.2.4 Neurolépticos
Os neurolépticos, também conhecidos como antiesquizofrênicos antipsicóticos ou tranquilizantes 
maiores, correspondem a um grupo heterogêneo de fármacos usados principalmente para tratar a 
esquizofrenia, a psicose, a mania, os delírios e os estados de agitação.
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica comum e grave, que afeta cerca de 1% da população no 
mundo. A morbidade, a mortalidade e o impacto na qualidade de vida são consideráveis e a doença tem 
alto custo econômico para a sociedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a esquizofrenia 
como a oitava principal causa de incapacidade em todo o mundo na faixa etária de 15 a 44 anos.
O portador de esquizofrenia e dos denominados transtornos esquizofrênicos apresenta um conjunto 
de psicoses endógenas (desorganização do pensamento e/ou do comportamento) cujos sintomas 
fundamentais apontam para a existência de uma dissociação entre a ação e o pensamento, expressa 
por uma sintomatologia variada, que pode incluir delírios persecutórios, alucinações, labilidade afetiva, 
entre outros. Pessoas com esquizofrenia podem parecer que perderam o contato com a realidade. 
Os aspectos mais característicos da esquizofrenia são alucinações e delírios, transtornos de pensamento 
e fala, perturbação das emoções e do afeto, e déficits cognitivos.
Há diferentes tipos de esquizofrenia (paranoide, hebefrênica, catatônica, indiferenciada, residual, 
simples etc.). De uma forma geral, independentemente do tipo de esquizofrenia, os sintomas se dividem em 
três categorias: (1) positiva; (2) negativa; e (3) cognitiva. Os sintomas positivos são aqueles que geralmente 
respondem ao tratamento com neurolépticos clássicos, enquanto os sintomas negativos e os cognitivos 
são relativamente difíceis de serem tratados e requerem o uso dos neurolépticos mais modernos (atípicos).
Pessoas com sintomas positivos podem “perder contato” com alguns aspectos da realidade. 
Alucinações, delírios, pensamentos desordenados e distúrbios do movimento (por exemplo, a acatisia, 
caracterizada por agitação psicomotora) são os principais sintomas positivos.
Os sintomas negativos estão associados a interrupções nas emoções e nos comportamentos habituais 
e incluem: redução do afeto (expressão reduzida de emoções através da expressão facial ou tom de voz), 
anedonia ou perda da capacidade de sentir prazer na vida cotidiana, dificuldade em iniciar e manter 
atividades do dia a dia, redução de fala e apatia.
204
Unidade IV
Para alguns pacientes, os sintomas cognitivos são sutis, mas para outros são mais graves, e os 
pacientes podem perceber mudanças na memória ou outros aspectos do pensamento. Os sintomas 
cognitivos incluem: baixo funcionamento intelectual (capacidade de entender informações e usá-las 
para tomar decisões) e dificuldades para manter-se focado ou prestar atenção em atividades cotidianas.
Do ponto de vista etiológico, é difícil estabelecer uma causa única para a esquizofrenia. São 
necessários fatores predisponentes (genéticos, constitucionais, bioquímicos) associados a fatores 
ambientais para o desenvolvimento da doença.
Teorias dopaminérgica, serotoninérgica e glutamatérgica da esquizofrenia
A hipótese dopaminérgica é a mais aceita como sendo associada aos sintomas positivos da 
esquizofrenia. Os neurônios dopaminérgicos estão presentes no SNC, nas vias mesolímbica, mesocortical, 
tuberoinfundibular e nigroestriatal, conforme já discutido anteriormente (no tópico Neurotransmissores).
O paciente esquizofrênico pode apresentar ilusões na área emocional, mística e sexual, alucinações 
auditivas e olfativas e distorção da realidade. Esses sintomas estão relacionados ao aumento da 
dopamina liberada nas sinapses da via mesolímbica e mesocortical e são tratados com neurolépticos 
que bloqueiam os receptores dopaminérgicos centrais.
A teoria dopaminérgica da esquizofrenia foi baseada na observação de que certos fármacos psicoestimulantes 
(anfetamina) tinham a capacidade de estimular a neurotransmissão da dopamina, causando uma psicose tóxica 
com características muito semelhantes às da esquizofrenia. A semelhança é tão grande, que pode levar a erros 
diagnósticos, caso o médico ignore que o paciente tenha ingerido anfetamina.
Sabe-se que a anfetamina atua nos terminais dopaminérgicos aumentando a liberação de dopamina, 
além de impedir sua inativação na fenda sináptica, por inibir o mecanismo neuronal de recaptação existente 
na membrana pré-sináptica. Assim, acredita-se que os sintomas da esquizofrenia sejam devidos ao excesso 
de atividade dopaminérgica determinado pela anfetamina. De fato, essas manifestações de psicose 
cedem rapidamente após a administração de neurolépticos bloqueadores dos receptores dopaminérgicos, 
sobretudo do tipo D2, ricamente distribuídos nos gânglios da base e áreas mesolímbicas.
Além disso, alguns pacientes com doença de Parkinson tratados com L-DOPA, precursor da dopamina, 
desenvolvem sintomas psicóticos semelhantes. Sabe-se ainda que o efeito antipsicótico de drogas como 
a clopromazina e o haloperidol deve-se a sua ação em bloquear a atividade dopaminérgica.
Atualmente, sabe-se que, além do sistema dopaminérgico, outros sistemas de neurotransmissores 
centrais desempenham algum papel, sendo provável que vários sistemas estejamenvolvidos simultaneamente. 
De fundamental importância é a teoria serotoninérgica, que complementa a dopaminérgica no 
entendimento da gênese dos sintomas negativos e positivos, respectivamente.
A teoria serotoninérgica foi formulada a partir da observação de que o LSD, que atua como antagonista 
dos receptores serotoninérgicos, causa alucinações visuais, auditivas e sensoriais semelhantes às observadas na 
esquizofrenia. Essa observação levantou a possibilidade de que um déficit de serotonina estivesse envolvido 
na patogênese dos sintomas negativos da esquizofrenia. De fato, vários experimentos demonstraram que 
205
FARMACOLOGIA
baixos níveis do ácido 5-hidroxi-indolacético (principal metabólito da serotonina) no líquor estão relacionados 
com sinais de impulsividade e propensão a cometer atos violentos contra si próprios ou contra os outros.
Outro neurotransmissor, o glutamato, também parece estar relacionado ao desenvolvimento da 
esquizofrenia. Segundo a hipótese glutamatérgica, quantidades excessivas desse neurotransmissor 
exercem um efeito neurotóxico que desencadeia os sintomas da esquizofrenia.
Fármacos neurolépticos
Os neurolépticos são fármacos usados majoritariamente no tratamento da esquizofrenia. São 
antagonistas dos receptores D2 de dopamina, embora atuem bloqueando também adrenoceptores 
alfa-1, receptores colinérgicos muscarínicos M1, receptores histaminérgicos H1 e receptores 5HT2 de 
serotonina (veja a figura a seguir). De maneira geral:
•	 Quanto maior a atividade antagonista D2, melhor o controle dos sintomas positivos.
•	 Quanto maior a atividade antagonista 5HT2, melhor o controle dos sintomas negativos. A ativação 
do receptor 5HT2A pré-sináptico está relacionada com a diminuição da liberação de serotonina 
na fenda sináptica. Portanto, o bloqueio desse receptor causa aumento da neurotransmissão 
serotoninérgica, com correção dos sintomas negativos.
•	 Quanto maior a atividade antagonista alfa-1, mais evidentes são os efeitos adversos decorrentes 
da diminuição do tônus simpático.
•	 Quanto maior a atividade antagonista H1, mais intensa é a sedação decorrente do tratamento.
- - - - -
Particularmente 
clorpromazina
Antipsicóticos
Colinérgico 
(receptor 
muscarínico)
Receptor de 
dopamina
Receptor 
α-adrenérgico
Receptor de 
serotonina
Receptor de 
histamina H1
Particularmente 
clorpromazina, 
clozapina
Risperidona, 
clozapina
Todos, mas 
particularmente 
haloperidol, 
flufenazuna, 
tiotixeno
Particularmente 
tioridazina, 
clorpromazina
Figura 74 – Ação dos neurolépticos (antipsicóticos) sobre diferentes sistemas receptores
Fonte: Clark et al. (2013, p. 163).
Os neurolépticos são divididos em duas classes: os típicos e os atípicos. Os neurolépticos típicos, também 
conhecidos como clássicos, incluem o haloperidol, a clorpromazina, a flufenazina, a tioridazina, o flupentixol 
e a loxapina. Apresentam maior atividade antagonista em receptores D2 do que em receptores 5HT2.
206
Unidade IV
Os antipsicóticos atípicos, como a olanzapina, a clozapina, a quetiapina, a risperidona, o supiride e 
o sertindol, apresentam maior atividade em receptores 5HT2 de serotonina do que em receptores D2. 
O aripiprazol, um novo antipsicótico, apresenta como principal característica o agonismo parcial em 
receptores dopaminérgicos.
Os antipsicóticos de primeira geração (típicos) de alta potência e de baixa potência promovem o 
bloqueio pós-sináptico dos receptores da dopamina D2 no sistema nervoso central. Os de baixa potência 
também possuem atividade anticolinérgica e anti-histaminérgica.
Os antipsicóticos de segunda geração (atípicos) promovem o bloqueio pós-sináptico dos receptores 
da dopamina D2 (menos pronunciada que dos antipsicóticos típicos), atuam antagonizando os 
receptores serotoninérgicos 5-HT2A e interagem com vários outros receptores (D3, D4, antagonista 
nos receptores alfa-1 e alfa-2-adrenérgicos e nos receptores histaminérgicos H1).
Os antipsicóticos de primeira geração (típicos) são caracterizados por efeitos colaterais indesejáveis, 
como sintomas extrapiramidais, hiperprolactinemia, discinesia tardia e possível síndrome maligna dos 
neurolépticos. Os antipsicóticos de segunda geração (atípicos) podem ser diferenciados dos antipsicóticos 
tradicionais por seus níveis baixos desses efeitos colaterais indesejados, por eficácia e, em geral, por 
suposta segurança aumentada.
Os neurolépticos bloqueiam os receptores dopaminérgicos em todo o SNC; consequentemente, há 
o bloqueio das vias tuberoinfundibular e nigroestriatal, o que resulta em efeitos colaterais hormonais e 
extrapiramidais, respectivamente.
O bloqueio dopaminérgico indesejável na via tuberoinfundibular traz efeitos colaterais como a 
galactorreia (produção de leite nas mamas de homens ou de mulheres que não estão amamentando) 
e a síndrome neuroléptica maligna (caracterizada por aumento da temperatura corporal, alteração do 
nível de consciência, hipertonia, disfunção autonômica e insuficiência respiratória, entre outros).
Na via nigroestriatal, o bloqueio de receptores dopaminérgicos causa efeitos motores (efeitos 
extrapiramidais), como acatisia (impossibilidade de estar parado ou sentado; caracteriza-se pela 
inquietação, ansiedade, agitação, vontade de mover-se todo o tempo), o parkinsonismo medicamentoso, 
a distonia aguda (contrações musculares involuntárias), o tremor perioral e a discinesia tardia 
(movimentos involuntários, como fazer caretas e trejeitos ou piscar seguidamente).
Os sintomas extrapiramidais podem ser tratados com a redução da dose dos neurolépticos ou com 
antiparkinsonianos (anticolinérgico e antagonista muscarínico central), como biperideno, benzhexol, 
orfenadrina, benzatropina, prometazina e amantadina. Esses fármacos melhoram o tremor e a rigidez e 
diminuem a secreção salivar, mas podem ocasionar confusão mental, retenção urinária e visão embaçada 
como efeitos adversos. O biperideno é uma referência para o tratamento dos sintomas extrapiramidais, 
e a dose prescrita está relacionada com a do neuroléptico utilizado. Os sintomas extrapiramidais são 
causas importantes da não adesão do paciente ao tratamento psiquiátrico.
207
FARMACOLOGIA
7.2.5 Anticonvulsivantes
Os fármacos anticonvulsivantes (antiepiléticos) são usados no tratamento da epilepsia. O objetivo 
do tratamento farmacológico dessa condição é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o 
paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de efeitos adversos.
A epilepsia é um distúrbio crônico caracterizado por episódios recorrentes nos quais o cérebro está 
sujeito a descargas excessivas anormais (convulsões) em uma população de neurônios do SNC.
 Observação
Não se deve confundir convulsão com epilepsia. A convulsão é a 
descarga neuronal excessiva, de caráter isolado e sem característica 
repetitiva (episódio único). A epilepsia caracteriza-se por descarga neuronal 
excessiva de repetição.
Há diferentes tipos de epilepsia. A crise focal (também referida como parcial), apresenta foco restrito 
a uma (unifocal) ou mais (multifocal) regiões cerebrais. Pode ser uma crise desperceptiva (com perda da 
consciência) ou perceptiva (com preservação da consciência). Por fim, classifica-se qual a manifestação 
sintomática (motora versus não motora). Se motora, pode ser clônica, tônica, atônica etc. Se não 
motora, cognitiva, sensorial, entre outras. Nas epilepsias focais, as crises epilépticas iniciam de forma 
localizada numa área específica do cérebro, e suas manifestações clínicas dependem do local de início e 
da velocidade de propagação da descarga epileptogênica.
A crise generalizada implica atividade elétrica alterada por todo o encéfalo, com consciência não preservada. 
Pode ser generalizada e focal, motora e não motora. Se motora, pode envolver movimentos tônicos, clônicos, 
atônicos etc. Se não motora, por vezes é chamada de “crise de ausência”. As crises generalizadas manifestam-se 
por crises epilépticas cujo início envolve ambos os hemisfériossimultaneamente. As crises de ausência, as 
crises mioclônicas e as crises tônico-clônicas generalizadas são seus principais exemplos.
A determinação do tipo específico de crise é importante, uma vez que seus mecanismos de geração 
e propagação diferem para cada situação, e existem anticonvulsivantes apropriados para a reversão de 
cada tipo de crise. Portanto, a escolha do medicamento é orientada pelo tipo de convulsão.
Fármacos anticonvulsivantes
Os anticonvulsivantes são classificados em clássicos (mais antigos) ou em mais recentes. Os 
anticonvulsivantes mais recentes geralmente são mais bem tolerados e têm uma faixa terapêutica mais 
ampla que os anticonvulsivantes clássicos.
Todos os anticonvulsivantes têm efeitos colaterais dependentes da dose no SNC, como sonolência e 
náusea, mas alguns agentes têm efeitos colaterais mais específicos (por exemplo, hiperplasia gengival 
causada pela fenitoína).
208
Unidade IV
Além de sua importância na terapia antiepilética, os anticonvulsivantes também são usados no 
tratamento da dor (por exemplo, carbamazepina ou gabapentina como coanalgésicos) ou como 
estabilizadores de humor nos distúrbios bipolares (valproato).
O quadro a seguir descreve os principais anticonvulsivantes, seus mecanismos de ação e principais 
indicações terapêuticas.
Quadro 10 – Principais anticonvulsivantes
Fármaco Mecanismo de ação Principais usos terapêuticos
Ácido valproico/
Valproato de sódio
Provável:
- Inibição da GABA transaminase (enzima que 
metaboliza o neurotransmissor inibitório GABA)
- Bloqueio de canais de sódio
Tratamento de primeira linha a 
longo prazo para crises generalizadas 
tônico-clônicas, convulsões parciais 
(focais), crises de ausência e convulsões 
mioclônicas. Também é utilizado no 
tratamento do transtorno bipolar
Carbamazepina
Provável:
- Estabilização da membrana do nervo hiperexcitado
- Inibição da descarga neuronal repetitiva, por 
bloqueio dos canais de sódio
- Redução da propagação sináptica dos impulsos 
excitatórios glutamatérgicos
Tratamento de primeira linha para crises 
generalizadas e focais tônico-clônicas e 
como tratamento de primeira linha da 
neuralgia do nervo trigêmeo
Etossuximida
Provável:
- Inibição dos canais de cálcio do tipo T
Crises de ausência
Fenitoína
Provável:
- Bloqueio de canais de sódio
Convulsões tônico-clônicas e profilaxia do 
estado de mal epilético. Raramente usada para 
tratamento prolongado de convulsões focais
Diazepam
(benzodiazepínico)
Ligação ao receptor GABAA, com consequente 
aumento da afinidade do GABA por esse receptor e 
aumento da resposta mediada por ele
Tratamento de primeira linha para o estado 
de mal epiléptico
Lamotrigina
Atua principalmente como bloqueador dos canais 
de sódio e bloqueador de canais de cálcio do tipo L, 
N e P
Possui fraco efeito sobre o receptor serotoninérgico 
5HT-3
Tratamento de primeira linha para terapia 
prolongada de crises focais, de segunda 
linha para crises generalizadas e crises de 
ausência e como estabilizador de humor 
para tratamento do transtorno bipolar
Fenobarbital
(barbitúrico)
Ligação ao receptor GABAA, com consequente 
aumento do tempo de abertura do canal de cloreto 
induzida pelo GABA
Prevenção de convulsões em indivíduos 
com epilepsia ou crises convulsivas de 
outras origens. Eficaz especialmente em 
crises generalizadas tônico-clônicas e 
convulsões focais
Gabapentina
Provável:
-Bloqueio dos canais de cálcio dependentes de 
voltagem (tipo T e tipo L) nos neurônios centrais
Tratamento de segunda linha para 
convulsões focais
Vigabatrina
Provável:
-Inibição da GABA transaminase (responsável pela 
degradação do GABA) 
Crises focais refratárias
Topiramato
Bloqueio dos canais de sódio, potencialização da 
ação do GABA, redução da atividade excitatória 
do glutamato, inibição dos canais de cálcio de alta 
voltagem e inibição da anidrase carbônica no SNC.
Crises epilépticas tônico-clônicas focais e 
generalizadas e na profilaxia da enxaqueca 
em alguns pacientes
209
FARMACOLOGIA
7.2.6 Antiparkinsonianos
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa do sistema nervoso central, crônica 
e progressiva. A etiologia e a patogênese não são completamente compreendidas. O tratamento 
farmacológico da doença de Parkinson é predominantemente focado no controle dos sintomas motores.
O distúrbio do movimento da doença de Parkinson ocorre em grande parte devido à perda seletiva de 
neurônios dopaminérgicos na substância negra, com consequente depleção de dopamina no estriado. 
Os fármacos utilizados no tratamento da doença de Parkinson visam substituir essa dopamina no 
estriado. Isso pode ser alcançado através de fármacos que são metabolizados em dopamina, ou que 
ativam o seu receptor ou que impedem a quebra da dopamina endógena. Não existe um padrão único de 
estratégia de tratamento, com regimes de medicação adaptados a cada paciente, com base na gravidade e 
natureza temporal de seus sintomas, bem como nos efeitos colaterais que eles experimentam.
A dopamina é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica e deve ser produzida dentro 
do sistema nervoso central para atuar no estriado. É sintetizada principalmente nos neurônios 
dopaminérgicos (neurônios produtores de dopamina) no cérebro, com pequenas quantidades também 
sendo produzidas na medula das glândulas suprarrenais.
Na via biossintética clássica da dopamina, o precursor metabólico direto é a L-di-hidroxifenilalanina 
(levodopa ou L-dopa) sintetizada diretamente da tirosina (um aminoácido não essencial) ou 
indiretamente da fenilalanina (um aminoácido essencial). A via clássica da biossíntese da dopamina 
foi abordada no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação. Além 
disso, em condições específicas, a dopamina também pode ser sintetizada por uma via menor, na qual a 
L-tirosina é convertida em p-tiramina, com subsequente hidroxilação em dopamina pela enzima CYP2D6 
(citocromo P450 2D6) encontrada na substância negra do cérebro humano.
A dopamina é metabolizada após a recaptação para neurônios dopaminérgicos ou células da glia. 
Sofre desaminação oxidativa, catalisada pela enzima monoamina oxidase (MAO), conforme descrito 
anteriormente (no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação). 
Alternativamente, a dopamina é metabolizada em 3-metoxitiramina por COMT, que por sua vez 
é convertida em 3-metoxi-4-hidroxiacetaldeído pela MAO. A aldeído desidrogenase, mencionada 
anteriormente, converte isso em HVA, que é excretada na urina.
Fármacos usados no tratamento da doença de Parkinson
Atualmente, não existem medicamentos modificadores da doença de Parkinson, de forma que os 
tratamentos utilizados podem oferecer alívio sintomático significativo dos sintomas motores, mas 
oferecem pouco benefício clínico em termos das manifestações não motoras da doença. É prática 
comum atrasar o início do tratamento até que os sintomas do paciente se tornem preocupantes, para 
reduzir o impacto de efeitos adversos.
A base do tratamento atual da doença de Parkinson são as preparações à base de levodopa (L-dopa). 
Como descrito anteriormente, a dopamina em si é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica e não 
210
Unidade IV
pode ser usada como tratamento. Por outro lado, o precursor da dopamina, levodopa, é capaz de atravessá-la 
e, portanto, é administrada como terapia. Após absorção e passagem pela barreira hematoencefálica, a 
levodopa é convertida no neurotransmissor dopamina pela enzima dopa descarboxilase. É prática comum 
que os pacientes iniciem uma dose baixa de levodopa, com a dose sendo titulada com base na resposta 
do paciente ao tratamento, equilibrada contra os efeitos adversos experimentados. Geralmente, o efeito 
clínico da levodopa é percebido rapidamente e pode durar várias horas, principalmente nos estágios iniciais 
da doença. No entanto, à medida que a doença se torna mais avançada, o efeito do fármaco geralmente 
desaparece após períodos mais curtos, sendo necessárioo aumento da frequência da dosagem.
A levodopa, embora eficaz, apresenta efeitos colaterais significativos que constituem uma parte 
importante da doença vivenciada pelo paciente, particularmente em quadros avançados. Alguns de seus 
efeitos adversos resultam da conversão de levodopa em dopamina fora do SNC (conversão periférica). 
Esses efeitos são minimizados através da associação desse fármaco com inibidores periféricos da dopa 
descarboxilase, conforme discutiremos adiante. O uso prolongado pode resultar em complicações 
motoras significativas, incluindo discinesias e graves flutuações motoras. Outros efeitos adversos 
importantes incluem distúrbios gastrointestinais, como náusea e vômito, e hipotensão ortostática. 
Características neuropsiquiátricas, incluindo ansiedade e alucinações, podem ocorrer devido ao aumento 
da neurotransmissão dopaminérgica nas regiões mesolímbica e mesocortical, mimetizando um quadro 
semelhante à esquizofrenia.
 Observação
Em relação à neurotransmissão dopaminérgica, a esquizofrenia e o 
Parkinson apresentam características opostas: a primeira é caracterizada 
pelo aumento dos níveis de dopamina e a segunda pela diminuição.
Para reduzir seus efeitos colaterais periféricos, a levodopa é administrada em combinação com 
inibidores da dopa descarboxilase, como a benserazida e a carbidopa. Esses compostos não atravessam a 
barreira hematoencefálica e impedem seletivamente a conversão periférica de levodopa em dopamina, 
reduzindo assim os efeitos adversos na periferia. As associações mais frequentemente prescritas são 
carbidopa/levodopa e benserazida/levodopa.
Os agonistas dos receptores de dopamina ativam os receptores dopaminérgicos na via 
nigroestriatal e, assim, restabelecem o movimento. Esses fármacos, que incluem os derivados do ergot 
(bromocriptina e cabergolina) e os não derivados do ergot (apomorfina, pramipexol, ropinirol e rotigotina), 
são frequentemente prescritos como terapia inicial para a doença de Parkinson, principalmente em 
pacientes mais jovens. Essa abordagem permite um atraso no uso da levodopa, o que pode reduzir o 
impacto das complicações motoras problemáticas discutidas anteriormente.
Alguns estudos pré-clínicos e de imagem sugeriram que os agonistas de receptores da dopamina 
podem possuir propriedades antioxidantes e levar à redução da perda de neurônios dopaminérgicos, 
embora não haja evidências convincentes de que esses fármacos ofereçam um efeito modificador 
da doença.
211
FARMACOLOGIA
Os inibidores da MAO-B (selegilina e rasagilina) inibem a biotransformação da dopamina após sua 
recaptação neuronal, o que resulta na preservação dos níveis de dopamina endógena. Seu uso alivia 
os sintomas motores em pacientes com doença de Parkinson e, como os agonistas da dopamina, eles 
podem ser usados como uma opção inicial de tratamento, para atrasar a necessidade de terapia com 
levodopa. Os inibidores da MAO-B também podem ser utilizados em combinação com preparações à 
base de levodopa, para permitir uma redução na sua dose.
Os inibidores da COMT (entacapona e tolcapona) também preservam os níveis endógenos 
de dopamina, reduzindo sua degradação após recaptação pelos tecidos-alvo. Esses fármacos são 
predominantemente usados como terapia adjuvante à levodopa, prolongando sua duração de ação e 
aumentando sua meia-vida e sua distribuição. A entacapona, por exemplo, é frequentemente usada 
em uma preparação combinada, juntamente a carbidopa e levodopa. No entanto, essa associação pode 
resultar em amplificação dos efeitos adversos induzidos pela levodopa, o que requer a diminuição da 
sua dose.
Todos os fármacos discutidos até agora aumentam a atividade dopaminérgica no estriado. Há, no 
entanto, um pequeno número de fármacos utilizados no tratamento da doença de Parkinson que atuam 
através de mecanismos não dopaminérgicos. Uma dessas classes de fármacos são os anticolinérgicos.
Os anticolinérgicos de ação central (benzotropina, orfenadrina, prociclidina e triexifenidil e 
biperideno) são antagonistas dos receptores muscarínicos que reduzem a neurotransmissão colinérgica 
no sistema nervoso central. Embora seu papel seja limitado e sejam prescritos com pouca frequência, 
eles podem oferecer algum benefício em melhorar a rigidez e o tremor na doença de Parkinson. 
A perda de neurônios dopaminérgicos resulta em perturbação do equilíbrio normal entre dopamina e 
acetilcolina no cérebro, e os medicamentos anticolinérgicos podem levar à restauração e à manutenção 
do equilíbrio normal entre esses dois neurotransmissores (veja a figura a seguir).
Neurônio ACh 
estimulante
Neurônio DA 
inibitório
Neurônio GABA 
inibitório
Substância 
negra
Neurônio
Neoestriado
Neurônio
Conexões ao músculo 
através do córtex motor 
e da medula espinal
1. Devido à morte celular, 
ocorre menor liberação de 
dopamina no neoestriado
2. A perda do efeito inibitório 
da dopamina resulta em maior 
produção de acetilcolina 
que inicia uma sequência 
de sinalização anormal, 
comprometendo a motilidade
Figura 75 – Envolvimento da neurotransmissão colinérgica na doença de Parkinson
Fonte: Clark et al. (2013, p. 102).
212
Unidade IV
Quando são utilizados anticolinérgicos, isso geralmente é feito em combinação com a levodopa 
e com os outros medicamentos mencionados anteriormente. Geralmente são evitados em pacientes 
idosos ou com problemas cognitivos, devido ao aumento do risco de confusão mental.
O biperideno é um anticolinérgico utilizado no tratamento do parkinsonismo medicamentoso 
(induzido por neurolépticos), pois, nesse caso, não é recomendado se aumentar a neurotransmissão 
dopaminérgica, sob o risco do retorno dos sintomas da esquizofrenia.
Inicialmente, a amantadina foi desenvolvida como um fármaco antiviral para o tratamento da 
gripe, mas posteriormente foi usada para o tratamento da doença de Parkinson. Pode ser usado no 
tratamento de rigidez, tremor de repouso e, às vezes, fadiga, e pode oferecer uma melhora de curta 
duração nos sintomas. Também pode permitir o uso de uma dose mais baixa de levodopa, reduzindo o 
risco de discinesia. Entretanto sua propriedade mais útil provavelmente é o fato de poder ser utilizada 
para limitar a gravidade das discinesias induzidas por levodopa.
Não se sabe o mecanismo exato da amantadina que justifique seu efeito antiparkinsoniano, 
mas há evidências que a amantadina atua como um antagonista fraco do glutamato no receptor 
N-metil-D-aspartato (NMDA).
7.3 Fármacos que atuam no trato respiratório
As principais doenças que afetam o trato respiratório são a asma, a rinite alérgica e a doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Cada uma dessas condições pode estar associada à tosse 
incoercível, que pode ser a única queixa do paciente. A asma é uma doença crônica caracterizada 
por vias aéreas hiper-responsivas, que afetam milhões de pacientes (7% da população brasileira), 
resultando anualmente em 1 milhão de atendimentos de emergência, 150 mil hospitalizações e 
3 mil mortes. A DPOC, que inclui enfisema e bronquite crônica, pode afetar mais de 12 milhões 
de pessoas no Brasil. A rinite alérgica, caracterizada por olhos lacrimejantes, prurido, rinorreia e 
tosse não produtiva, é uma condição extremamente comum que, segundo os pacientes, diminui 
a qualidade de vida. A tosse é uma defesa respiratória importante contra os agentes irritantes 
e é citada como a principal razão pela qual os pacientes procuram cuidados médicos. A tosse 
coercível pode representar diversas etiologias, como resfriado, sinusite ou doença respiratória 
crônica subjacente.
7.3.1 Antiasmáticos
Asma
A asma é uma doença das vias aéreas caracterizada por episódios de broncoconstrição aguda, 
causando encurtamento da respiração, tosse, tensão torácica, respiração ruidosa e rápida. Esses 
sintomas agudos podem ser resolvidos espontaneamente, com exercícios de relaxamento não 
farmacológico ou com fármacos de “alívio rápido”, como um agonista beta-2 adrenérgico de ação 
curta. A asma, diferentemente da bronquite crônica,fibrose cística ou bronquiectasia, não é uma 
doença progressiva (ou seja, não evolui para a degradação das vias aéreas inevitavelmente). A asma 
213
FARMACOLOGIA
é uma doença crônica com fisiopatologia inflamatória subjacente, que, se não tratada, pode evoluir 
para remodelação das vias aéreas, resultando em agravamento e incidência de exacerbações e/ou 
morte. Mortes decorrentes de asma são relativamente infrequentes, mas a morbidade significativa 
resulta em altos custos de atendimento e ambulatorial, numerosas hospitalizações e redução na 
qualidade de vida.
O tratamento da asma consiste em dois objetivos: redução do agravamento e redução do risco. 
A redução do agravamento significa diminuir a intensidade, a frequência dos sintomas e o grau de 
limitações que o paciente apresenta devido a esses sintomas. A redução do risco significa diminuir os 
resultados adversos associados à asma e ao seu tratamento.
A obstrução do fluxo aéreo na asma resulta em broncoconstrição por contração de músculos lisos 
brônquicos, inflamação da parede brônquica e aumento na secreção de muco. As crises de asma podem 
estar relacionadas a uma exposição recente a alérgenos ou irritantes inalados, levando à hiperatividade 
brônquica e à inflamação da mucosa das vias aéreas. Os sintomas da asma podem ser tratados 
efetivamente com vários fármacos, mas nenhum deles promove a cura.
Trato respiratório superior
Trato respiratório inferior
Cavidade nasal
Faringe
Traqueia
Pulmão
Laringe
Brônquio principal
Figura 76 – Trato respiratório 
Fonte: Edward e John (2003, p. 238).
Fármacos utilizados no tratamento da asma
Os fármacos utilizados no tratamento das doenças respiratórias podem ser aplicados topicamente 
na mucosa nasal, inalados ou administrados por via oral ou parenteral para a absorção sistêmica. Os 
métodos de aplicação local, como nebulizadores ou inaladores, são os preferidos, pois o fármaco atinge 
o tecido-alvo e minimiza os riscos sistêmicos. Os objetivos do tratamento da asma são diminuir a 
214
Unidade IV
intensidade e a frequência dos sintomas e o grau de limitações que o paciente apresenta devido a esses 
sintomas. Todos os pacientes necessitam de medicação de alívio rápido para tratar de sintomas agudos. 
O tratamento farmacológico para controle de longo prazo objetiva reverter e prevenir a inflamação 
das vias aéreas. 
As principais classes terapêuticas estão listadas a seguir:
• Modificadores de leucotrieno: os principais fármacos desta categoria são o montelucaste 
e o zafirlucaste. Os leucotrienos são produzidos a partir do ácido araquidônico pela via da 
5-lipoxigenase e parte da cascata inflamatória. Os leucotrienos atuam no recrutamento dos 
eosinófilos e neutrófilos, além de gerar a contração dos músculos lisos dos bronquíolos, aumentar 
a permeabilidade endotelial e promover a secreção de muco. 
— Mecanismo de ação: o montelucaste e o zafirlucaste atuam como antagonistas seletivos do 
receptor de leucotrieno. 
— Indicação: esses fármacos são aprovados para prevenir os sintomas da asma. Eles não devem 
ser utilizados em situações em que é necessária a broncodilatação imediata. Os antagonistas 
de leucotrieno também podem atuar na prevenção do broncoespasmo induzido pelo exercício. 
— Efeitos adversos: ocorre elevação das enzimas hepáticas, exigindo monitorização periódica e 
interrupção do tratamento se houver aumento de mais que três vezes dos valores normais das 
enzimas hepáticas no soro. Outros efeitos incluem cefaleia e dispepsia.
• Cromolina 
— Mecanismo de ação: é um anti-inflamatório profilático que inibe a desgranulação e a liberação 
de histaminas dos mastócitos. 
— Indicação: é um tratamento alternativo contra a asma leve persistente. Contudo, não é útil no 
manejo dos ataques agudos da asma, pois não é broncodilatador. 
— Efeitos adversos: são mínimos, mas podem surgir tosse, irritação e gosto desagradável.
• Antagonistas colinérgicos: são exemplos de fármacos utilizados nesta classe o ipratrópio e o 
tiotrópio. 
— Mecanismo de ação: os anticolinérgicos bloqueiam a contração dos músculos lisos das vias 
aéreas e a secreção de muco mediadas pelo nervo vago. 
— Indicação: são indicados para pacientes que possuem baixa tolerância a outros 
broncodilatadores durante os episódios de asma. Oferecem vantagens terapêuticas sobre os 
demais broncodilatadores durante o tratamento de crises agudas de asma em emergências. 
— Efeitos adversos: xerostalmia e gosto amargo. Esses efeitos estão relacionados a efeitos locais.
215
FARMACOLOGIA
• Teofilina
— Mecanismo de ação: a teofilina é um broncodilatador que promove o alívio das vias aéreas na asma 
crônica. Possui atividade anti-inflamatória, embora o mecanismo ainda não esteja esclarecido. 
— Indicação: antigamente, a teofilina foi a base do tratamento da asma, sendo amplamente 
substituída pelos agonistas adrenérgicos e corticosteroides devido à janela terapêutica estreita. 
— Efeitos adversos: os principais efeitos adversos relatados são convulsões e arritmias 
potencialmente fatais. Apresenta numerosas interações medicamentosas.
• Omalizumabe
— Mecanismo de ação: este fármaco é um anticorpo monoclonal que se liga seletivamente à 
imunoglobulina E (IgE), diminuindo a ligação do IgE ao seu receptor na superfície dos mastócitos 
e basófilos. A ligação do omalizumabe ao IgE impede, portanto, a liberação de histamina e de 
outros mediadores inflamatórios. 
— Indicação: é indicado para o tratamento de asma persistente, de moderada a grave, em 
pacientes que são mal controlados com o tratamento convencional. 
— Efeitos adversos: seu uso é limitado devido ao alto custo e à administração subcutânea. Os 
efeitos adversos mais prevalentes são artralgias e urticárias.
• Beta-2 agonistas adrenérgicos: essa classe terapêutica é divida em fármacos de alívio rápido 
e fármacos para controle a longo prazo. 
— Alívio rápido (salbutamol e levossalbutamol): os beta-2 agonistas de curta duração (BACAs) 
têm rápido início de ação (5 minutos) e proporcionam alívio durante 4 horas. 
- Mecanismo de ação: esses fármacos promovem broncodilação significativa com poucos 
efeitos indesejáveis de estimulação dos outros receptores adrenérgicos. 
- Indicação: os BACAs não têm efeitos anti-inflamatórios, são usados no tratamento 
sintomático do broncoespasmo e dão alívio rápido na broncoconstrição aguda. Todos os 
pacientes asmáticos devem fazer uso de um BACA. 
- Efeitos adversos: taquicardia, hiperglicemia, hippotassemia, hipomagnesemia e tremores 
dos músculos esqueléticos.
— Controle a longo prazo (salmeterol e formoterol): são beta-2 agonistas de longa duração (BALAs) 
e são parecidos quimicamente com o salbutamol. Promovem broncodilatação por 12 horas. 
- Mecanismo de ação: são semelhantes aos BACAs, possuem apenas tempo de meia-vida maior. 
216
Unidade IV
- Indicação: não devem ser empregados como monoterapia e nem para alívio rápido durante o 
ataque de asma aguda. São considerados úteis como tratamento auxiliar para esse controle. 
- Efeitos adversos: são similares aos efeitos adversos dos BACAs.
• Corticosteroides (CSIs): os CSIs são fármacos de escolha para controle de longo prazo em 
pacientes com algum grau de asma persistente. Estão nesta categoria os fármacos prednisolona, 
metilprednisolona, prednisona, beclometasona, budesonida, mometasona e fluticasona. 
— Mecanismo de ação: os CSIs inibem a liberação de ácido araquidônico por meio da inibição 
da fosfolipase A2, produzindo assim efeito anti-inflamatório direto nas vias aéreas. Não afetam 
diretamente o músculo liso das vias aéreas, ao contrário, os CSIs inalados visam diretamente à 
inflamação subjacente das vias aéreas, diminuindo a cascata inflamatória, revertendo o edema 
da mucosa, diminuindo a permeabilidade dos capilares e inibindo a liberação de leucotrienos. 
Após algum período de administração, os CSIs diminuem a responsividade das vias aéreas aos 
alérgenos, como irritantes, ar frio e exercício. 
— Indicação: nenhuma outra medicação étão eficaz no tratamento da asma crônica em longo 
prazo que os CSIs, tanto em crianças como em adultos. Devem ser usados regularmente para 
obter a máxima eficácia. A asma grave e persistente pode exigir o uso de glicocorticoides oral. 
— Efeitos adversos: candidíase orofarígea e rouquidão. Podem apresentar efeitos sistêmicos 
semelhantes a outros CSIs.
Quadro 11 – Resumo dos fármacos que agem no trato respiratório
Medicação Indicação
Agonista beta-2 adrenérgico de ação curta
Levossalbutamol Asma, DPOC
Salbutamol Asma, DPOC
Agonista beta-2 adrenérgico de ação longa
Arformoterol DPOC
Formoterol Asma, DPOC
Indacaterol DPOC
Salmeterol Asma, DPOC
Corticosteroides inalatórios
Beclometasona Rinite alérgica, Asma, DPOC
Budenosida Rinite alérgica, Asma, DPOC
Ciclesonida Rinite alérgica
Fluticasona Rinite alérgica, Asma, DPOC
Mometasona Rinite alérgica, Asma
Triancinolona Rinite alérgica
217
FARMACOLOGIA
Medicação Indicação
Associação entre agonista beta-2 de ação longa e corticosteroides
Formoterol + Budenosida Asma, DPOC
Formoterol + Mometasona Asma, DPOC
Salmeterol + Fluticasona Asma, DPOC
Vilanterol + Fluticasona DPOC
Anticolinérgico de ação curta
Ipratrópio Rinite alérgica, DPOC
Anticolinérgico de ação longa
Aclidínio DPOC
Tiotrópio DPOC
Modificadores de leucotrienos
Montelucaste Asma, rinite alérgica
Zafirlucaste Asma
Zeleutona Asma
Anti-histamínico
Azelastina Rinite alérgica
Cetirizina Rinite alérgica
Desloratadina Rinite alérgica
Fexofenadina Rinite alérgica
Loratadina Rinite alérgica
Agonista alfa-adrenérgico
Fenilefedrina Rinite alérgica
Oximetazolina Rinite alérgica
Pseudoefedrina Rinite alérgica
Antitussígenos
Benzonatato Supressor de tosse
Codeína Supressor de tosse + expectorante
Dextrometorfano Supressor de tosse
Guainefenesina Supressor de tosse
Outros fármacos
Cromolina Asma, rinite alérgica
Omalizumabe Asma
Roflumilaste DPOC
Teofilina Asma
Fonte: Whalen, Finkel e Panaveli (2016, p. 382).
218
Unidade IV
7.3.2 Antialérgicos
Rinite alérgica
A rinite alérgica, também conhecida como febre do feno, é um tipo de inflamação no nariz que 
ocorre quando o sistema imune reage em excesso aos alérgenos no ar. Sinais e sintomas incluem um 
nariz entupido, espirros, olhos vermelhos, pruridos e inchaço ao redor dos olhos. O líquido do nariz 
geralmente é claro. O início dos sintomas é geralmente em poucos minutos após a exposição e pode 
afetar o sono, a capacidade de trabalhar e a capacidade de se concentrar na escola. Aqueles cujos 
sintomas são devidos ao pólen geralmente desenvolvem sintomas durante épocas específicas do ano. 
Muitas pessoas com rinite alérgica também têm asma, conjuntivite alérgica ou dermatite atópica.
A rinite alérgica geralmente é desencadeada por alérgenos ambientais, como pólen, pêlos de animal 
de estimação, poeira ou mofo. A genética hereditária e as exposições ambientais contribuem para o 
desenvolvimento de alergias. Quando a criança vive em ambiente rural e tem muitos irmãos, o risco diminui. 
O mecanismo subjacente envolve anticorpos IgE associados ao alérgeno e causa a liberação de substâncias 
químicas inflamatórias, como a histamina dos mastócitos. O diagnóstico geralmente é baseado em uma 
história médica em combinação com um teste cutâneo ou exames de sangue para anticorpos IgE específicos 
para alérgenos. Esses testes, no entanto, às vezes são falsamente positivos. Os sintomas das alergias se 
assemelham aos do resfriado comum, no entanto, eles geralmente duram mais de duas semanas e tipicamente 
não incluem febre. Entre as opções de medicamentos para o tratamento da rinite alérgica estão:
• Anti-histamínicos (fexofenadina, loratadina, desloratadina, cetirizina e azelastina). 
— Mecanismo de ação: são antagonistas dos receptores H1 de histamina que estão 
constitutivamente distribuídos pelo organismo. Dessa forma, a histamina liberada pelos 
mastócitos durante a crise alérgica não produzirá os efeitos histamínicos da inflamação. 
— Indicação: os anti-histamínicos são úteis no manejo dos sintomas de rinite alérgica causada 
pela liberação de histamina (espirros, rinorreia aquosa e prurido nasal e ocular). Contudo, 
são menos eficazes na prevenção dos sintomas do que no tratamento após o aparecimento 
dos sintomas. A combinação de anti-histamínicos com descongestionantes nasais tem uma 
eficácia maior. 
— Efeitos adversos: os efeitos mais comuns são sedação e efeitos anticolinérgicos.
• Corticosteroides intranasais (beclometasona, budesonida, fluticasona, ciclesonida, mometasona 
e triancinolona). 
— Mecanismo de ação: inibem a liberação de ácido araquidônico por meio da inibição da 
fosfolipase A2, produzindo assim efeito anti-inflamatório direto nas vias aéreas. 
— Indicação: são os medicamentos mais eficazes no tratamento da rinite alérgica, contudo, há 
um período de latência antes que os efeitos terapêuticos sejam notados pelos pacientes. 
219
FARMACOLOGIA
— Efeitos adversos: a absorção sistêmica deve ser evitada para não apresentar os efeitos adversos 
sistêmicos típicos dos corticosteroides, portanto, o paciente deve ser instruído a não aspirar 
profundamente as soluções. As principais reações adversas locais são sangramento, irritação e 
dor de garganta.
• Agonistas alfa adrenérgicos: são também chamados de descongestionantes nasais e incluem a 
fenilefrina e a oximetazolina. 
— Mecanismo de ação: os alfas agonistas adrenérgicos atuam na contração das arteríolas 
dilatadas na mucosa nasal e na redução da resistência das vias aéreas. 
— Indicação: são eficazes no tratamento da rinite alérgica. Podem ser classificados como de 
longa duração (oximetazolina) ou de curta duração (fenilefrina) e, quando administrados como 
aerossol, esses fármacos apresentam um início de ação rápido e poucos efeitos sistêmicos. 
— Efeitos adversos: infelizmente, as formulações intranasais de agonistas alfa adrenérgicos não 
devem ser usadas por mais de três dias devido ao risco de congestão nasal de rebote (rinite 
medicamentosa).
 Observação
O tratamento de imunoterapia com alérgenos envolve a administração 
de doses de alérgenos para acostumar o corpo a substâncias que são 
geralmente inofensivas, como pólen e ácaros do pó doméstico, induzindo 
assim uma tolerância específica a longo prazo. A imunoterapia para alergia 
pode ser administrada por via oral ou por injeções subcutâneas.
7.3.3 Antitussígenos
A tosse é um mecanismo de defesa importante do sistema respiratório contra os agentes irritantes 
e é uma causa comum para a procura por cuidados médicos. A tosse incoercível tem diversas etiologias, 
como resfriado comum, sinusite e/ou doença respiratória crônica subjacente. Em alguns casos, a tosse 
pode ser um reflexo de defesa eficaz contra uma infecção bacteriana e não deve ser suprimida. Antes 
de combater a tosse, é importante identificar suas causas para assegurar que o tratamento antitussivo 
é apropriado. A prioridade sempre é tratar a causa subjacente, quando possível. Há dois tipos de tosse: 
a tosse seca e a tosse produtiva. É a presença ou não de muco que estabelece a diferença. Na tosse 
produtiva, a secreção se movimenta e é eliminada; na seca, esse catarro parece não existir. É importante 
avaliar se a tosse é, realmente, seca ou se a secreção não flui por desidratação ou tratamento incorreto.
O fumo é a principal causa de tosse, porque aumenta o volume de muco produzido pelos brônquios, 
causa irritação física e química das mucosas, destrói os cílios que cobrem o revestimento interno 
dos brônquios e facilita o acúmulo de material estranho às vias aéreas. Outras causas importantes 
são a sinusite, principalmente em crianças, a síndrome do gotejamento pós-nasal, a asma, o refluxo 
220
Unidade IV
gastroesofágico, as infecções respiratórias, a bronquite crônica e os medicamentos para controle 
da hipertensão. As principais classes terapêuticas utilizadas como antitussígenas são:
• Opioides (codeína e dextrometorfano) 
— Mecanismo de ação: a codeína diminui a sensibilidadedo centro da tosse no sistema nervoso 
central aos estímulos periféricos e diminui a secreção da mucosa. Esse efeito terapêutico ocorre 
em dosagens menores do que as necessárias para causar analgesia. 
— Indicação: são utilizados para diminuir os reflexos e estímulos da tosse. 
— Efeitos adversos: constipação, disforia e fadiga. A codeína tem poder de causar dependência, 
já o dextrometorfano apresenta menor risco de dependência.
• Benzonatato
— Mecanismo de ação: suprime o reflexo da tosse por ação periférica. Age anestesiando os 
receptores de estiramento localizados nas passagens respiratórias, nos pulmões e na pleura. 
— Indicação: é indicado para alívio de tosse. 
— Efeitos adversos: tonturas, dormência da língua, da boca e da garganta.
7.3.4 Terapêutica da DPOC
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é um tipo de doença pulmonar obstrutiva caracterizada 
por fluxo de ar insuficiente a longo prazo. Os principais sintomas incluem falta de ar e tosse com 
produção de escarro. A DPOC é uma doença progressiva, o que significa que tipicamente piora ao 
longo do tempo. Eventualmente, as atividades diárias, como subir escadas, tornam-se difíceis. Bronquite 
crônica e enfisema são termos mais antigos usados para diferentes tipos de DPOC. O termo bronquite 
crônica ainda é usado para definir uma tosse produtiva que está presente há pelo menos três meses por 
ano por dois anos.
O tabagismo é a causa mais comum de DPOC, com fatores como poluição do ar e genética 
desempenhando um papel menor. A exposição prolongada a estes irritantes fatores provoca uma 
resposta inflamatória nos pulmões, resultando no estreitamento das pequenas vias aéreas e na lesão 
do tecido pulmonar. O diagnóstico é baseado no fluxo de ar pobre, conforme medido pelos testes de 
função pulmonar. Em contraste com a asma, a redução do fluxo de ar não melhora muito com o uso de 
um broncodilatador. 
A maioria dos casos de DPOC pode ser prevenida por meio da redução da exposição a fatores 
de risco. Isso inclui diminuir as taxas de tabagismo e melhorar a qualidade do ar interior e exterior. 
Enquanto o tratamento pode retardar a piora, não há cura. Os tratamentos de DPOC incluem 
interrupção do tabagismo, vacinações, reabilitação respiratória e, muitas vezes, broncodilatadores 
221
FARMACOLOGIA
e esteroides inalatórios. Algumas pessoas podem se beneficiar de oxigenoterapia a longo prazo ou 
transplante pulmonar. Naqueles que têm períodos de agravamento agudo, pode ser necessário um 
aumento no uso de medicamentos e hospitalização. 
Em 2015, a DPOC afetou cerca de 174,5 milhões de pessoas (2,4% da população global). Geralmente 
ocorre em pessoas com mais de 40 anos, independentemente do sexo. Ainda em 2015, a DPOC resultou 
em 3,2 milhões de mortes, contra 2,4 milhões de mortes em 1990. Mais de 90% dessas mortes ocorrem 
no mundo em desenvolvimento. Prevê-se que o número de mortes aumente ainda mais devido ao 
aumento das taxas de tabagismo no mundo em desenvolvimento e ao envelhecimento da população 
em muitos países.
Ainda não existe uma cura conhecida para a DPOC, mas os sintomas são tratáveis e sua progressão 
pode ser adiada. Os principais objetivos do tratamento são reduzir fatores de risco, gerenciar DPOC 
estável, prevenir e tratar exacerbações agudas e gerenciar doenças associadas. As únicas medidas que 
foram mostradas para reduzir a mortalidade são a cessação do tabagismo e a administração de oxigênio 
suplementar. Parar de fumar diminui o risco de morte em 18%. 
Outras recomendações incluem vacinação contra a gripe uma vez por ano, vacinação pneumocócica 
uma vez a cada cinco anos e redução da exposição à poluição ambiental do ar. Naqueles com doenças 
avançadas, os cuidados paliativos podem reduzir os sintomas, com a morfina melhorando a sensação de 
falta de ar. A ventilação não invasiva pode ser usada para suportar a respiração. Fornecer às pessoas um 
plano de ação personalizado, uma sessão educacional e apoio ao uso de seu plano de ação em caso de 
exacerbação, reduz o número de visitas hospitalares e incentiva o tratamento precoce de exacerbações. 
Entre os tratamentos farmacológicos incluem-se:
• Broncodilatadores: os broncodilatadores inalatórios são os principais medicamentos utilizados 
e resultam em um pequeno benefício geral. Existem dois tipos principais, 2 agonistas e 
anticolinérgicos; ambos existem em formas de ação prolongada e de ação curta. Eles reduzem 
a falta de ar, a sibilância e a limitação do exercício, resultando em uma melhoria da qualidade 
de vida. Não está claro se eles alteram a progressão da doença subjacente. Naqueles com 
doença leve, os fármacos de ação curta são recomendados conforme necessidade. Naqueles 
com doença mais grave, fármacos recomendados são de ação prolongada. Os fármacos de 
longa duração funcionam parcialmente, melhorando a hiperinflação. Se os broncodilatadores 
de ação prolongada são insuficientes, então os corticosteroides inalados são tipicamente 
adicionados. No que diz respeito aos agentes de ação prolongada, não está claro se os tiotrópios 
(anticolinérgicos de ação prolongada) são melhores ou se os agonistas beta de ação prolongada 
(BALAs) são melhores, pode valer a pena tentar cada um e continuar o que melhor funcionar. 
Ambos os tipos de agentes parecem reduzir o risco de exacerbações agudas entre 15-25%. 
Ambos os tipos de fármacos já foram relatados anteriormente quanto aos mecanismos de ação, 
indicações e efeitos adversos.
• Corticosteroides: os corticosteroides geralmente são usados na forma inalada, mas também 
podem ser usados como comprimidos para tratar e prevenir exacerbações agudas. Enquanto 
os corticosteroides inalados (CSIs) não mostraram benefício para pessoas com DPOC leve, eles 
222
Unidade IV
diminuem as exacerbações agudas naqueles com doença moderada ou grave. Por si só, não têm 
efeito sobre a mortalidade global em um ano. Não está claro se eles afetam a progressão da 
doença. Quando usados em combinação com um BALA, eles podem diminuir a mortalidade em 
comparação com CSI ou BALA sozinho. Os fármacos desta classe já foram relatados anteriormente 
quanto aos mecanismos de ação, indicações e efeitos adversos.
• Oxigenoterapia: consiste na administração de oxigênio suplementar. 
— Mecanismo de ação: a falta do oxigênio em pacientes com DPOC é responsável pelos principais 
sintomas da patologia e sua reposição melhora os sinais clínicos. 
— Indicação: é recomendada naqueles com baixos níveis de oxigênio em repouso (uma pressão 
parcial de oxigênio inferior a 50-55 mmHg ou saturações de oxigênio inferior a 88%). Neste 
grupo de pessoas, diminui o risco de insuficiência cardíaca e morte e, se usada 15 horas 
por dia, pode melhorar a capacidade de exercício. Naqueles com níveis de oxigênio normais 
ou suavemente baixos, a suplementação de oxigênio pode melhorar a falta de ar quando 
administrada durante o exercício, mas pode não melhorar a falta de ar durante as atividades 
diárias normais ou afetar a qualidade de vida. 
— Efeitos adversos: existe o risco de incêndios e pouco benefício quando os pacientes 
continuam a fumar. Nessa situação, não se recomenda a sua utilização. Durante 
exacerbações agudas, muitos requerem oxigenoterapia. O uso de altas concentrações de 
oxigênio sem levar em conta as saturações de oxigênio de uma pessoa pode levar a níveis 
aumentados de dióxido de carbono e à piora dos resultados. Nos pacientes com alto risco 
de altos níveis de dióxido de carbono, recomendam-se saturações de oxigênio de 88% a 
92%, enquanto para aqueles sem esse risco, os níveis recomendados são de 94% a 98%.
8 FARMACOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO E TOXICOLOGIA
8.1 Introdução
O sistema digestório por muito tempo foi negligenciado tanto na farmacologia como na clínica 
médica. Isso porque a princípio parecia um sistema simples que não traria grandes problemas ao 
indivíduo. No entanto, como eventualmente se percebeu, o fato de esse sistema estar sob o controle de 
mecanismos neuronais, hormonais e ter umavasta microbiota torna-o bem complexo.
Outro fato relevante sobre o sistema digestório é: ainda que o medicamento não atue diretamente 
sobre ele, o sistema fará parte do efeito do fármaco, uma vez que depende dele o processo de absorção 
do medicamento, seja ele administrado por via oral, anal ou mesmo através de sondas nasogástricas ou 
nasoenterais.
Assim, mesmo que indiretamente, o sistema digestório interfere muito na ação dos fármacos.
223
FARMACOLOGIA
8.2 Conceitos
 As funções do sistema digestório podem sofrer alterações fisiológicas dependendo da hidratação, 
pressão arterial e fenômenos de reflexo. As interferências na função do sistema digestório podem se dar 
de três maneiras, através da alteração:
• da quantidade ou qualidade das secreções digestivas;
• da motilidade de estômago e intestino;
• da digestão dos alimentos, através da utilização de enzimas.
8.3 Fármacos que alteram a secreção salivar
Um dos procedimentos estéticos atualmente realizados para melhorar o contorno facial é a 
bichectomia, cirurgia plástica em que há a retirada total ou parcial de duas bolsas de gordura presentes 
uma em cada lado da boca, entre o maxilar e a mandíbula, chamadas de bolas de Bichat. Durante esse 
processo, podem ser utilizados medicamentos que alteram a secreção de saliva.
8.3.1 Sialogogos
São medicamentos que estimulam a secreção de saliva, a qual pode ser alterada por problemas 
genéticos ou tratamentos como radioterapia ou quimioterapia.
Cloreto de Betanecol e cevimelina são agonistas colinérgicos, que estimulam a secreção de saliva. 
Normalmente são administrados três vezes ao dia. Norepriniferina, epinefrina, isoproterenol são 
agonistas alfa-2, e também podem ser usados para essa finalidade, mas não em comprimidos.
8.3.2 Antissialógogos
Esses são medicamentos que impedem o excesso de secreção de saliva, comum em algumas 
patologias. 
Atropina e escopolamina são anticolinérgicos que promovem importante redução na secreção 
de saliva, sendo mais empregados quando a sialorreia é causada por intoxicações ou por medicação 
pré-anestésica.
O uso da toxina botulínica tipo A foi relatado como eficaz para o tratamento da sialorreia em 
pacientes com paralisia cerebral.
224
Unidade IV
 Saiba mais
Para saber mais sobre a toxina botulínica em sialorreia, acesse: 
CASTRO, D. Tratamento da sialorreia (salivação excessiva) com aplicação 
de toxina botulínica em glândulas salivares. 17 jul. 2019. Disponível em: 
https://bit.ly/3uHv75J. Acesso em: 2 jul. 2021.
8.4 Fármacos que alteram o pH estomacal
A úlcera gástrica ou duodenal acontece quando a mucosa é agredida pelo suco gástrico, 
normalmente de pH muito ácido. Ela pode ser decorrente de uma secreção anormal de ácido, estresse 
ou má alimentação.
Os fármacos são empregados com as seguintes propostas:
• aliviar a dor;
• acelerar a cicatrização;
• evitar a reincidência da úlcera.
As possibilidades terapêuticas são:
• diminuir a produção de ácido clorídrico (HCl);
• aumentar a proteção de muco protetor gástrico;
• eliminar a presença de Helicobacter pylori.
 Saiba mais
Assista ao vídeo sobre formação do ácido gástrico:
FORMAÇÃO de ácido clorídrico pelas células parietais gástricas. 2016. 
1 vídeo (5:25). Publicado por Fisiologia 3D. Disponível em: https://bit.ly/2S5O6cS. 
Acesso em: 2 jul. 2021.
225
FARMACOLOGIA
8.4.1 Neutralizadores da secreção gástrica – antiácidos
Antiácidos não sistêmicos – não absorvíveis
Os fármacos que neutralizam ácidos são os capazes de reagir com hidrogênio livre do ácido 
clorídrico (HCl). Eles podem ser derivados de cálcio, magnésio ou alumínio e são chamados de 
íons não absorvíveis. São eles: hidróxido de magnésio – Mg(OH)2, hidróxido de alumínio – Al(OH)3 
e carbonato de cálcio – CaCO3. A absorção sistêmica dos íons formados é pequena, mas exige alguns cuidados.
Contraindicações:
• insuficiência renal;
• precipitação no intestino;
• interação com outros alimentos;
• diminuição de fosfato pelos íons alumínio;
• diarreia pelos íons magnésio;
• constipação pelos íons alumínio.
Posologia: como os alimentos apresentam efeito tampão, os antiácidos são ingeridos entre as 
refeições – de 1 a 3 horas após a ingestão de alimentos e antes de deitar. Os antiácidos não absorvíveis 
são os preferidos.
Antiácidos sistêmicos – absorvíveis
O bicarbonato de sódio (NaHCO3) é um antiácido absorvível. Uma vez na corrente sanguínea, seus 
íons sódio (Na+) permanecem em solução, mesmo na presença da secreção alcalina pancreática.
Contraindicações:
• indivíduos que tenham restrição de sódio;
• hipertensos, pessoas com insuficiência cardíaca e edema.
O quadro a seguir apresenta um resumo dos antiácidos:
226
Unidade IV
Quadro 12
Nome químico Vantagem Desvantagem
Hidróxido de magnésio e 
óxido de magnésio Ação rápida e prolongada
Laxativo
Distúrbios neurológicos 
devido à absorção
Trissilicato de magnésio Ação prolongada
Diarreia 
Cálculos renais com o 
uso prolongado
Hidróxido de alumínio Ação lenta e prolongada
Constipação
Náusea e vômito
Inativação da pepsina
Carbonato de cálcio Ação rápida e prolongada
Constipação
Paladar desagradável
Síndrome Milk-Alkali: 
cefaleia, vômito e alcalose
Bicarbonato de cálcio Ação rápida e paladar agradável
Alcalose
Ação curta
Efeito rebote ácido
8.4.2 Inibidores da produção de ácido
Conceitos
As secreções de glândulas gástricas formam o suco gástrico, que é constituído de: ácido clorídrico, 
muco, enzimas como a pepsina, lipase, amilase, entre outras, eletrólitos, como cloreto, fosfato, sódio, 
potássio, cálcio e fator intrínseco.
Do ponto de vista clínico, o ácido clorídrico e a pepsina são os componentes do suco gástrico que 
mais interferem no desenvolvimento de patologias do sistema digestório, como: gastrite e úlcera.
Então podemos ficar sem o ácido clorídrico? Não, pois uma das funções dele é manter o pH estomacal 
entre 4 e 5 para que ocorra a ativação da pepsina, enzima responsável pela digestão de proteínas.
São quatro os fatores para a produção de ácido clorídrico pelo estômago:
• Acetilcolina: é um neurotransmissor que estimula as células parietais, via receptores muscarínicos 
(M3) para a secreção de ácido clorídrico. Bebidas alcóolicas produzidas por fermentação também 
estimulam esse receptor e, portanto, incentivam a produção de ácido.
• Hormônio gastrina: é o principal estimulador de secreção de ácido, em presença de alimento. 
As células G que sintetizam a gastrina estão localizadas no antro gástrico, duodeno, cólon e pâncreas. 
Após sua síntese, ela é secretada para o sangue, onde busca os receptores gastrina/colecistoquinina 
(CCK2) e vai interferir na síntese e liberação de histamina. A histamina liberada estimula as células 
parietais a produzir HCl. Aminoácidos aromáticos e bebidas alcóolicas fermentadas estimulam a 
secreção de gastrina.
227
FARMACOLOGIA
• Histamina: é liberada pelas células enterocromafins-similes (ECS) e estimula as células parietais 
via receptor H2 a produzir ácido clorídrico.
• Somatostatina: é um hormônio peptídico que regula várias funções fisiológicas; no estômago, 
controla a secreção gástrica evitando que o pH caia abaixo de 2, bloqueando o efeito da gastrina.
Bloqueadores de receptor de histamina 
Os efeitos da histamina e acetilcolina podem ser neutralizados por antagonistas dos seus respectivos 
receptores presentes nas células parietais do estômago.
São bloqueadores de receptores de histamina:
• cimetidina;
• ranitidina;
• nizatidina;
• famotidina.
Devido ao papel que a histamina apresenta nas células parietais, os anti-histamínicos também 
diminuem a secreção de ácido clorídrico e reduzem a ação da gastrina em tumores pancreáticos 
produtores de gastrina e síndrome de Zollinger-Ellison.
Efeitos colaterais:
• distúrbios de SNC;
• efeitos endócrinos no homem (ginecomastia, diminuição de libido e impotência);
• inibição da biotransformação de vários fármacos.
Os efeitos diminuem de acordo com a dose necessária, os medicamentos mais novos, como ranitidina, 
nizatidinae famotidina necessitam de menor dose para efeito, portanto, apresentam efeitos colaterais 
mais brandos.
Bloqueadores de receptor de acetilcolina
O nervo vago desempenha importante ação sobre a motilidade e as secreções do sistema digestório, 
no entanto, drogas que atuam sobre ele não são muito utilizadas, devido a seus efeitos colaterais.
Anticolinérgicos como atropina, escopolamina, oxifenciclimina, metantelina e propantelina são 
exemplos de drogas que alteram a secreção gástrica.
228
Unidade IV
Efeitos colaterais:
• xerostomia;
• falta de acomodação visual;
• retenção urinária.
Contraindicações:
• glaucoma;
• uropatia obstrutiva;
• estenose;
• colite ulcerativa;
• miastenia grave.
Inibidores de bomba de prótons (IBPs) – azóis
O conhecimento sobre a bomba de prótons foi essencial para o desenvolvimento dos fármacos mais 
utilizados no tratamento de úlceras e gastrites. 
Os IBPs entram na célula parietal através do sangue e se acumulam nos canalículos secretores de 
ácido. Todos eles são pró-fármacos que precisam da ativação do ácido; após ativados, realizam ligações 
covalentes (intensas) com a ATPase e impedem a secreção de íons H+ para dentro do estômago. Devido 
ao tipo de ligação que realizam para exercerem seu mecanismo de ação, seus efeitos são prolongados. 
IBPs são os fármacos de primeira escolha para o tratamento de gastrites e úlceras. Podem 
causar inibição máxima da secreção de ácido clorídrico. Eles devem ser administrados em cápsulas 
gastro-resistentes. 
Alcançam as células parietais por via sanguínea. No meio da mucosa ácida, formam um metabólito 
ativo que se liga à bomba de prótons dependente de ATP (H+/K+ ATPase) que transporta íons H+ para 
dentro do estômago em troca de íons K+.
 Lembrete
O pH ácido não é um vilão, você precisa dele para realizar a ativação de 
enzimas digestivas e realizar a digestão.
229
FARMACOLOGIA
Atualmente há IBPs: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, esomeprazol, rabeprazol, dexlansoprazol 
e tenatoprazol. 
Efeitos colaterais:
• cefaleia;
• ginecomastia;
• diarreia;
• tontura;
• sonolência;
• confusão mental;
• dores musculares;
• dores articulares.
Os antiácidos à base de magnésio podem causar diarreia e os que contêm alumínio, constipação. 
 Saiba mais
Obtenha mais informações sobre os efeitos prejudiciais dos IBPs 
acessando:
VIEIRA, M. T. P. M.; BORJA, A. Uso contínuo de inibidores da bomba de prótons 
e seus efeitos a longo prazo. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2SRnPPP. 
Acesso em: 2 jun. 2021.
8.5 Modificadores de muco gástrico
O sucralfato contém inúmeros resíduos hidróxido de alumínio. Contudo, não é um antiácido porque 
não reduz a concentração ácida do suco gástrico. Após administração oral, as moléculas de sucralfato 
fazem ligações cruzadas com suco gástrico, formando uma pasta que adere às lesões na mucosa e em 
camadas profundas expostas. Ali o sucralfato interrompe o curso de H+. Protegida do ácido e também 
da pepsina, da tripsina e dos ácidos biliares, a lesão pode cicatrizar rapidamente. 
Para que tenha efeito, o sucralfato deve ser ingerido em jejum ou com estômago vazio, pelo menos 
1 hora antes das refeições e ao deitar. Apesar de ser bem tolerado pelo organismo, a presença de íons 
alumínio pode causar constipação. 
230
Unidade IV
8.6 Análogo de prostaglandina 
O misoprostol é um derivado semissinético de prostaglandina (PG), com maior estabilidade do que as 
PG naturais, permitindo absorção por via oral. As PGs liberadas promovem a produção de muco protetor 
gástrico, pelas células superficiais do estômago e inibem a secreção gástrica das células parietais. 
Efeitos colaterais:
• diarreia;
• aborto.
8.7 Eliminação de Helicobacter pylori
A bactéria Helicobacter pylori é causadora de complicações nos casos de gastrite e úlcera. Uma 
bactéria oportunista causa infecções que dificultam o processo de cicatrização da mucosa gástrica.
Os antibióticos mais utilizados para esse tratamento são amoxicilina ou claritromicina, em caso de 
resistência, o metronidazol pode ser uma solução.
O bismuto coloidal também é eficaz, contudo, como causa exposição a metal pesado, seu uso não 
pode mais ser recomendado.
Omeprazol
Misoprostol
Antiácidos
Antagonista H2
Antagonista 
muscarínico
Bismuto, 
antibacterianos
pH 6-7
pH 3-4
HCO3
mucoso
PGPiloro
Fundo
Antro
pH 1-2
Corpo do 
estômago
ATPase
Histamina
H2
M1
ACh
K+
H+
H+
H+
H+ H+ H
+
H+
H+
H+
H+H+
H. pylori
Figura 77 – Resumo dos medicamentos que atuam no estômago 
Adaptada de: Raffa, Rawls e Beyzarov (2008, p. 190).
231
FARMACOLOGIA
8.8 Medicamentos que alteram a motilidade
A absorção de nutrientes, bem como de fármacos, depende da motilidade do sistema digestório. Um 
trânsito lento pode potencializar a absorção de medicamentos e um trânsito acelerado pode impedi-la.
O trato gastrointestinal é ricamente inervado por vias sensoriais, e informações químicas ou mecânicas 
detectadas por receptores são transmitidas ao sistema nervoso central, que responde prontamente.
8.8.1 Estimulantes de peristaltismo
Drogas colinérgicas, que simulam a ação do sistema nervoso autônomo parassimpático, estimulam 
o peristaltismo e promovem aumento do trânsito intestinal. 
Betanecol e metacolina são úteis em casos de atonia, principalmente após cirurgias ou devido ao uso 
prolongado de laxantes. São de uso hospitalar e podem causar os seguintes efeitos colaterais:
• salivação;
• náusea;
• vômito;
• dispneia;
• hipersecreção brônquica.
A domperidona tem os seguintes efeitos:
• acelera o esvaziamento gástrico; 
• aumenta a motilidade; 
• exerce ação antidopaminérgica; 
• aumenta a pressão no esfíncter esofágico inferior; 
• aumenta o peristaltismo do duodeno.
A metoclopramida (Plasil), talvez o mais utilizado bloqueador dopaminérgico, estimula a motilidade 
e é muito usado como antiemético.
 Observação
Sabia que o Plasil (metoclopramida) causa cólica em bebês? Mulheres 
amamentando não devem utilizar esse medicamento.
232
Unidade IV
8.8.2 Antiespasmódicos
Os antiespasmódicos são uma classe de medicamentos que inibe a motilidade da musculatura 
visceral, evitando cólicas, como as de rim. O efeito produzido é o de prevenir a ocorrência de espasmos 
no estômago, intestino, útero ou bexiga.
O medicamento mais usado para esse fim é a escopolamina (Buscopan), um anticolinérgico. 
Deve-se ficar atento pois, embora pareça inofensivo, ele retarda o esvaziamento gástrico, aumentando 
a absorção de medicamentos que ingeridos por via oral.
8.9 Antieméticos
São os medicamentos utilizados para evitar o vômito. As causas determinantes do vômito são várias: 
estado emotivo, nervosismo, depressão, início de gravidez, cinetose (enjoo por movimento), presença de 
tremores encefálicos ou ainda efeito colateral de medicamentos, como os analgésicos opioides. 
Os principais antieméticos são os seguintes:
• Cinarizina, ciclizina e prometazina: são anti-histamínicos eficazes em enjoos por cinetose 
(movimentos – como por andar de montanha-russa ou de carro); para melhor efeito, devem ser 
administradas 30 minutos antes da exposição ao agente.
• Hioscina/escopolamina: antagonista colinérgica de receptores muscarínicos, também pode ser 
usada contra as náuseas por cinetose. Uma vantagem é que existe o adesivo transdérmico dessa 
substância, e ele causa menos sonolência que os anti-histamínicos.
• Dolasetrona, granisetrona, palonosetrona, tropisetrona e ondansentrona: são antagonistas de 
receptores de serotonina usadas para tratamento de náusea e vômito resultantes de quimioterapia, 
radioterapia e pós-operatório.
• Clorpromazina: uma fenotiazínica, antagonista dopaminérgica, também utilizada para evitar 
enjoo e vômito induzidos por quimio ou radioterapia. Deve ser utilizado com critério, pois tem 
muitos efeitos colaterais, inclusive Parkinson medicamentoso.
8.10 Laxantes
Também chamados de catárticos, são medicamentos que auxiliam o trânsito intestinal. Costumam 
ser muito utilizados por mulheres, as quais jáapresentam o trânsito intestinal naturalmente mais lento.
 Saiba mais
Uso prolongado de fitoterápicos laxantes: 
CATRACA LIVRE. O perigo do consumo excessivo de chás laxantes. 23 
jan. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3c9SoXt. Acesso em: 2 jun. 2021.
233
FARMACOLOGIA
Dentre os mais importantes, podemos mencionar:
• Ágar-ágar, farelo, palha ispaghula: laxantes formadores de massa, estimulam a motilidade 
intestinal, melhorando o peristaltismo, pelo aumento do bolo fecal, formando uma massa 
volumosa e hidratada, deveriam ser os mais utilizados, pelos baixos efeitos colaterais.
• Óleo de amendoim, parafina líquida, óleo de oliva, de semente de algodão e de milho: laxantes 
emolientes, amolecem as fezes, impedindo o seu ressecamento.
• Lactulose: laxantes osmóticos, são solutos pouco absorvidos, ou seja, são substâncias que 
aumentam o volume de água na luz intestinal e que, por sua vez, aumentam o bolo fecal.
• Sene, Cáscara-sagrada, Ruibarbo, Óleo de Rícino: São fármacos que estimulam diretamente o 
peristaltismo, induzindo irritação da mucos, pelo mecanismo de ação cólicas abdominais podem 
estar presentes. Não se aconselha o uso prolongado.
 Observação
Não é porque é planta que não faz mal. Ao induzir o peristaltismo pelo 
mecanismo de irritação da mucosa, as plantas laxativas podem levar à 
atrofia da musculatura intestinal.
8.11 Toxicologia
A toxicologia é a ciência que estuda a interação entre o organismo e um agente químico capaz 
de produzir respostas nocivas, comprometendo uma função fisiológica – levando ou não à morte. Os 
conhecimentos sobre toxicologia remontam à história da civilização. Há registros egípcios datados de 
1500 a.C. O homem tinha conhecimentos dos efeitos tóxicos do efeito de veneno extraído de variedades 
de plantas e de animais. Esse conhecimento permitia tanto a proteção do risco de envenenamento 
quanto a utilização desse veneno para abater caças ou funcionar como arma contra inimigos.
A história mais interessante, dentre várias, da toxicologia é da Rainha Elizabeth I, que morreu por 
intoxicação causada pela maquiagem que usava. Pele extremamente branca, peruca vermelha e vestes 
coloridas iam muito além de uma escolha estética, a monarca realmente queria esconder sua verdadeira 
face. Em 1562, aos 29 anos, Elizabeth foi acometida pelo que se pensava ser uma febre muito forte. Com 
o tempo, porém, ela começou a ficar cada vez pior, até que um médico finalmente deu o diagnóstico: 
se tratava da terrível varíola. 
Para esconder as cicatrizes de sua pele ela desenvolveu uma maquiagem de aparência muito 
antinatural, que era obtida por meio de uma pesada mistura feita de chumbo branco e vinagre. Essa 
mistura era conhecida como “ceruse veneziano”. O uso constante desse preparado acabou causando a 
intoxicação da rainha.
234
Unidade IV
Figura 78 – Queen Elizabeth I, 1588, pintura sobre madeira, 97,8 cm x 72,4 cm, National Portrait Gallery
 Saiba mais
É muito interessante ver a caracterização da atriz Anita Dobson como 
Elizabeth I na série produzida pela BBC. Assista a: 
ARMADA: 12 Days to Save England. Direção: Tim Dunn; Simon 
Winchcombe. BBC, 2015. 59 min. (3 episódios).
A toxicologia tem contribuído significativamente para o desenvolvimento de outras disciplinas 
voltadas às atividades humanas. O seu conhecimento requer a integração de várias áreas, como química, 
bioquímica, patologia, fisiologia, epidemiologia, imunologia, ecologia, biofísica e biologia molecular. 
A toxicologia pode ser dividida em:
• analítica: determina as técnicas de detecção de intoxicações e monitoramento; 
• forense: detecta e identifica agentes tóxicos para fins médico-legais; 
• clínica: previne ou diagnostica intoxicação e indica antídotos específicos;
• experimental: estuda a elucidação do mecanismo de ação de agentes tóxicos e seus efeitos;
235
FARMACOLOGIA
• ecotoxicologia: estuda as agressões ecológicas por agentes tóxicos;
• de medicamentos e cosméticos: estuda a interação de medicamentos e cosméticos com o 
organismo, em decorrência de uso inadequado ou da suscetibilidade do usuário;
• ambiental: refere-se ao ambiente (água, solo e ar) e os efeitos sobre o homem, flora e animais; 
• ocupacional: estuda a ação dos produtos químicos no ambiente de trabalho e efeitos sobre 
indivíduos a eles expostos;
• de alimentos: estuda as substâncias químicas nos alimentos industrializados, as condições em 
que esses podem ser ingeridos sem causar danos ao organismo;
• social: estuda o uso não terapêutico de drogas que causam danos aos usuários e à sociedade. 
8.11.1 Intoxicação
A intoxicação é a inteiração entre um agente químico e o organismo e provoca sinais ou sintomas 
específicos. 
Na prática, a intoxicação é dividida em três tipos:
• intoxicação aguda: os sintomas surgem rapidamente, no máximo em algumas horas após curto 
período de exposição ao agente tóxico;
• intoxicação subcrônica: refere-se à exposição moderada ou pequena a produtos alta ou 
medianamente tóxicos;
• intoxicação crônica: tem surgimento tardio (meses ou anos).
8.11.2 Vias de exposição
Para um agente tóxico causar uma intoxicação, a via por meio da qual o indivíduo vai se expor é 
muito significativa. 
 Observação
Não dizemos via de administração, na toxicologia, pois espera-se que as 
exposições não sejam intencionais.
Os agentes toxicantes podem se apresentar nas três formas físicas da matéria: líquido, sólido ou gás 
(névoa e vapores). E as vias de exposição são:
236
Unidade IV
• Via cutânea ou dérmica: é a porta de entrada mais frequente das intoxicações pela maioria 
dos agentes tóxicos. A absorção depende de fatores como formulação, tempo de exposição, 
solubilidade (hidro ou lipo), grau de ionização, dimensão das moléculas, hidrólise nas condições 
de pH da epiderme e derme, estado de hidratação da camada de queratina, umidade ambiental, 
temperatura do corpo e do ambiente e luz solar. 
• Via respiratória: acontece com produtos que geram gases, vapores, fumos, fumaças, neblinas e 
poeiras, principalmente em espaços confinados ou com arejamento insuficiente.
• Via oral: a absorção é rápida e ocorre pela parede gastrointestinal.
8.11.3 Toxicidade
Toxicidade é o parâmetro para avaliar quão grave será a exposição a determinado agente. Atualmente a 
toxicidade dos cosméticos é avaliada para que seja baixa e não cause problemas. 
• Toxicidade aguda: é aquela produzida por dose única e excessiva, por qualquer via de absorção. 
É a maneira mais comum de expressar o poder letal de uma substância ou composto químico. 
• Toxicidade crônica: é a toxicidade acumulativa por exposição continuada a um agente por 
período prolongado. Podem ser avaliadas as doses mínimas para causar os efeitos cumulativos.
A toxicidade aguda é expressa como a dose letal mediana 50 (DL50), que é a quantidade em 
miligramas da substância por quilograma de peso corpóreo (mg/kg) necessária para provocar a morte 
de 50% do lote de animais submetidos ao teste.
Os efeitos da toxicidade, aguda ou crônica, podem causar lesões oculares e dérmicas, sensibilizações 
(dérmicas), efeitos carcinogênicos, teratogênicos e mutagênicos.
8.11.4 Sensibilização
A alergia é uma reação imunológica de sensibilização a uma determinada substância. É umas das 
alterações que mais perturbam a área da estética. Especialistas afirmam que todas as substâncias, em 
maior ou menor grau, são capazes de provocar reações alérgicas, uma vez que sensibilidade pode ser 
induzida.
O termo alergia foi criado por Clemens Peter von Pirquet para agrupar os fenômenos de 
hipersensibilidade que o organismo apresenta quando diante de substâncias tóxicas (vivas ou inanimadas) 
capazes de provocarem reações típicas, os antígenos (substâncias estranhas, como ácido salicílico das 
máscaras verdes). 
O organismo se defende produzindo anticorpos e histamina, que são distribuídos pelo organismo 
provocando alterações cutâneas, respiratórias, entre outras.
237
FARMACOLOGIA
Um tipo particular de sensibilização é produzido pelairradiação UV do Sol, causando as reações 
fotoalérgicas. São reações cutâneas causadas por irradiação de determinado comprimento de onda e se 
estendem por todo o corpo. 
Há outro tipo de reação causada pelo Sol, não de origem alérgica, chamado de reação fototóxica, e 
que é causada pela ação do Sol sobre um agente aplicado sobre a pele ou mesmo ingerido (medicamentos, 
corantes etc.), os quais formam reações localizadas.
 Observação
Nunca se esqueça de perguntar a um cliente se tem alergia a determinado 
produto e, mesmo que ele ou ela não saiba informar, tome cuidado, sempre 
faça testes antes! Alergias podem aparecer a qualquer momento independe 
da utilização prévia do produto.
8.12 Desenvolvimento de produtos cosméticos
Você já reparou a quantos produtos diferentes você se expõe durante o dia? Talvez esse número 
chegue a mais de 20. Se cada um deles contiver pelo menos 10 ingredientes diferentes, a exposição, num 
só dia, será a mais de 200 compostos químicos de natureza e comportamento específicos.
Por essa razão, a indústria tem que oferecer produtos seguros ao consumidor.
8.12.1 Matérias-primas
A segurança dos produtos cosméticos deve ser garantida a partir da seleção das matérias-primas. São 
catalogadas atualmente mais de 13.000 matérias-primas sob mais de 30.000 diferentes denominações comerciais.
Dentre as matérias-primas, temos os seguintes componentes:
• Ingredientes químicos: a regulação própria de cada mercado lista os ingredientes permitidos, as 
concentrações máximas e a função no produto cosmético.
• Corantes: os corantes pertencem a uma classe de ingredientes químicos muito específicos. Os 
primeiros registros de ocorrências toxicológicas com corantes datam do início século XIX nos 
Estados Unidos, quando mulheres morreram após ingerir alimentos coloridos com sulfato de 
cobre, e, posteriormente, ocorreram mortes pelo uso de arsenito de cobre em pudim verde. 
No início do século XX, o governo americano instituiu a lista de corantes aprovados para uso em 
alimentos. Em 1938, saiu a primeira lista dos permitidos especialmente para uso em cosméticos quando, 
então, ficou estabelecida a aprovação individual de cada batelada de fabricação, foi então que surgiram 
os chamados corantes “certificados”.
238
Unidade IV
Apesar disso, na década de 1950, houve novos acidentes envolvendo corantes, fato que obrigou 
a FDA – Food and Drug Administration (agência americana de alimentos e medicamentos) a instituir 
a obrigatoriedade de testes mais rígidos para comprovar a segurança. Essa determinação regulatória 
levou à diminuição do número de corantes certificados de 116, em 1959, para 34, em 1996.
A União Europeia tem aprovados atualmente 46 ingredientes corantes para cosméticos. Entretanto, 
devido a novas evidências de sensibilização, o Comitê Científico da UE classificou 10 corantes com 
potencial extremo de sensibilização, 13 com potencial forte e 4 com potencial moderado. Sobre os 
19 restantes, não há qualquer suspeita. Os fabricantes deverão apresentar comprovação de segurança 
de todos esses 46 ingredientes caso pretendam continuar a comercializá-los.
 Observação
Para aceitação pelos órgãos reguladores, os fabricantes de ingredientes 
devem comprovar serem “seguros”, embora se saiba de antemão que não 
existe ingrediente químico absolutamente seguro. Entretanto, é importante 
estar alerta para o potencial de riscos de cada ingrediente.
Outros componentes importantes dentre as matérias-primas são:
• Filtros solares: constituem-se em outra classe de ingrediente altamente regulada. Hoje existem 
23 ingredientes ativos de filtro solar (absorvedores e filtros) aprovados em todo o mundo, dos 
quais 21 são moléculas orgânicas e 2 partículas inorgânicas. Desses, apenas 11 são aprovados 
simultaneamente em todos os mercados. A preocupação atual é com os nanomateriais com 
capacidade de penetrar camadas mais profundas da pele.
• Fragrâncias: às fragrâncias muitas vezes são corretamente atribuídas causas de muitas reações 
cutâneas percebidas pelo consumidor. Para avaliar a segurança dos componentes das fragrâncias, a 
indústria de perfumaria mantém o RIFM (Research Institute for Fragrance Materials), um instituto 
autônomo e independente.
• Produtos botânicos: as ondas de valorização dos produtos naturais têm trazido, a cada dia, 
mais opções para uso de ingredientes provenientes de biodiversidade ou produtos obtidos de 
maneira controlada.
 Saiba mais
Quer entender mais de fitocosmetologia? 
FITOCOSMETOLOGIA: principais princípios ativos vegetais. 2020. 1 vídeo 
(27:24). Publicado por Renata Goncalves Dias Santucci. Disponível em: 
https://bit.ly/3uLeiH6. Acesso em: 2 jul. 2021.
239
FARMACOLOGIA
8.12.2 Formulação
A formulação é a arte de juntar os ingredientes para obter um produto que atenda aos requisitos do 
projeto. É específica de matérias como farmacotécnica e cosmetologia. 
Alguns termos são importantes para entender as formulações:
• Interação entre ingredientes: mesmo que o ingrediente já seja conhecido e rotulado como 
seguro numa determinada formulação, nada garante que repetirá o mesmo comportamento 
quando numa nova combinação. Há que se avaliar o efeito sinérgico de cada nova formulação.
• Concentrações seguras: a regulação de cada mercado estabelece os limites de uso em cada tipo 
de produto.
• Interação com embalagem: embora não aconteça sempre, a interação do conteúdo com a embalagem 
de cosméticos é digna de avaliação, em especial no caso das confeccionadas em plástico.
• Garantia de segurança: o produto cosmético tem que ser eficaz, isto é, cumprir aquilo que 
promete e que, em geral, está mencionado no rótulo. Além disso, tem que ser seguro e não causar 
reações adversas ao consumidor.
• Testes de segurança: uma série de testes toxicológicos, in vivo e in vitro, é realizada para garantir 
a segurança dos produtos cosméticos.
• Físico-química e estabilidade: são testes que garantem as características originais do produto, 
desde o início até o final do uso.
• Microbiologia: garantia da qualidade microbiológica. Testes microbiológicos avaliam a capacidade 
do conservante de manter o produto estável.
 Observação
Embora os produtos sejam avaliados em relação ao controle de qualidade 
físico-químico e microbiológico, não significa que possam ser armazenados 
em qualquer lugar. Definitivamente o armário do seu banheiro, por exemplo, 
não é o local mais indicado, devido à temperatura e à umidade.
8.12.3 Comprovação da segurança
Para garantir a segurança de produtos de higiene, cosméticos e perfumes, são necessárias 
comprovações que vão desde o histórico de segurança do produto e de suas matérias-primas até a 
realização de ensaios toxicológicos específicos in vitro ou in vivo em animais ou humanos.
Em princípio, para todo produto cosmético, seja ele de grau de risco 1 ou 2, o fabricante tem por 
obrigação dispor dos dados de segurança.
240
Unidade IV
Ao analisar os pedidos de registros de produtos de grau 2, a Anvisa (Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária) pode exigir o laudo comprobatório de testes, de acordo com determinados 
critérios. Por exemplo:
• produtos para uso infantil: irritação cutânea primária;
• produtos para a área dos olhos: irritação ocular cumulativa;
• produtos para os cabelos, como tinturas e alisantes de cabelo, devem fazer testes de irritação 
dérmica e do couro cabeludo;
• produtos para proteção das radiações solares: testes de fototoxicidade e fotoalergia;
• produtos para a higiene íntima: testes clínicos de irritação de mucosa genital em humanos;
• produtos destinados à pele sensível: testes de irritabilidade acumulada, sensibilização, 
fototoxicidade e fotoalergia cutânea;
• produtos cujo rótulo contenha as expressões “hipoaergênico”, “não comedogênico”, “não 
acnogênico”, “dermatologicamente + oftalmológico + ginecologicamente testado”, “clinicamente 
testado”, “produto para gengiva sensível” e “produtos para pele + couro cabeludo sensível” devem 
realizar os testes comprobatórios dessaspropriedades. 
Há produtos cuja rotulagem menciona atributos como “não irritante” e “não arde nos olhos”. Por 
muito tempo, os ensaios de irritação e toxicidade dérmica e ocular para comprovar a segurança de 
cosméticos utilizaram os métodos Draize, sugeridos em 1944 pelo Dr. John Draize. 
Entretanto, com passar do tempo, por pressão dos grupos de proteção aos animais, novos métodos 
foram sugeridos.
Na Europa, desde 2009, não são admitidas matérias-primas ou produtos acabados que tenham se 
valido de testes em animais para comprovar sua segurança.
Há muito tempo, os testes in vitro alternativos foram apresentados ao mercado.
No momento, existem vários métodos, e dois já são comerciais e estão sendo validados para avaliar 
irritação dérmica: a epiderme humana reconstruída da SkinEthic Laboratories (França) e a EpiDerm da 
MatTek Life Sciences (Estados Unidos). 
O protocolo básico de ambos os modelos envolve a aplicação tópica do material de teste na superfície 
do tecido. Após a cultura do tecido, é realizada a avaliação da viabilidade, isto é, se o tecido continua 
“vivo” após o teste.
Esses modelos podem ser utilizados também para testes de fototoxicidade.
241
FARMACOLOGIA
Outros modelos in vitro
Estão sendo testados para avaliar o potencial de sensibilização (alergia), com excelentes perspectivas 
de se tornarem comerciais. Esses modelos são baseados em marcadores celulares que utilizam células de 
cordão umbilical de recém-nascidos ou tutano bovino.
Esses métodos ainda estão em fase intermediária até que se tornem completamente validados e 
possam se correlacionar entre si e com os testes in vivo e, além disso, que possam ser facilmente harmonizados.
Dentre esses modelos podemos mencionar:
• Imersão: avalia a irritação dérmica aguda e a toxicidade percutânea potencial de produtos para 
uso no banho. 
• Inalação aguda: avalia a toxicidade resultante de uma única exposição à inalação do produto na 
concentração de 200 mg por litro.
• Irritação dérmica: configura-se como um teste oclusivo, avalia o potencial irritante da pele 
devido aos ingredientes cosméticos. Pode ser um único ou repetido que simula o efeito cumulativo. 
• Irritação ocular: avalia o potencial de irritação dos olhos. Uma gota do produto é instilada no 
olho da cobaia e, posteriormente, avaliada a reação sobre a córnea. O teste pode ser com dosagem 
única para simular contato acidental (shampoo, por exemplo) ou dosagens repetidas para simular 
o uso contínuo e repetido de cosméticos para a área dos olhos (sombras, máscaras, delineadores).
• Irritação oral: pesquisa o potencial do material de teste para induzir irritação na mucosa oral.
• Irritação respiratória: avalia o potencial de irritação respiratória resultante da inalação do 
material do teste. 
• Fotoalergia: pesquisa o potencial do material de teste de induzir uma resposta alérgica na pele 
semelhante à mediada pela radiação UV.
• Fototoxicidade: pesquisa o potencial do material de teste de induzir uma resposta irritante da 
pele mediada por irradiação UV.
• Teratologia: avalia o potencial embriotóxico e efeitos teratogênicos.
• Toxicidade dérmica oral aguda: faz uma apreciação inicial da toxicidade oral aguda de 
compostos que podem ser ingeridos pelo homem, em períodos curtos ou prolongados.
• Toxicidade dérmica subcrônica: determina a segurança de produtos aplicados topicamente, 
avaliando o potencial de efeitos toxicológicos locais e sistêmicos que podem resultar do contato 
dérmico repetitivo.
242
Unidade IV
8.12.4 Cosmetovigilância
A RDC 332/05 (ANVISA, 2005) estabeleceu a obrigatoriedade das empresas fabricantes e importadoras 
de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes implementarem o sistema de cosmetovigilância 
com o objetivo de facilitar a comunicação por parte do consumidor sobre problemas decorrentes do uso, 
defeitos de qualidade ou efeitos indesejáveis.
Essa RDC estabelece que as empresas deverão manter registros dos relatos de ocorrências com seus 
produtos e avaliá-los. Caso identifiquem situações que impliquem risco à saúde do usuário, deverão 
notificar a autoridade sanitária.
 Resumo
O sistema nervoso central detecta estímulos externos e internos, tanto 
físicos quanto químicos, e desencadeia respostas orgânicas adaptativas. 
Assim, é responsável pela integração do organismo com os ambientes 
externo e interno, exercendo caráter de organização e controle das 
funções do organismo. Essas funções são exercidas pela ação conjunta dos 
neurônios, das células da glia e dos vasos sanguíneos, através dos quais 
várias substâncias atingem o sistema nervoso central.
Os fármacos com ação no sistema nervoso central agem fundamentalmente 
em neurônios, considerados a unidade anatomofuncional desse sistema, 
modificando seu estado fisiológico e a comunicação entre eles. São 
fármacos que atuam sobre o sistema nervoso central os ansiolíticos, os 
neurolépticos, os antidepressivos, os anticonvulsivantes, os antiepiléticos, 
os antiparkinsonianos etc.
Alguns anti-inflamatórios podem ser usados em doenças pulmonares, 
como a asma e o DPOC. Os fármacos usados para o tratamento das doenças 
respiratórias podem ser aplicados topicamente na mucosa nasal, inalados 
ou administrados por via oral ou parenteral para absorção sistêmica. Os 
métodos de aplicação local, como os nebulizadores ou inaladores, são 
preferidos, pois o fármaco atinge o tecido-alvo e minimiza os efeitos 
adversos sistêmicos.
A farmacologia do sistema digestório aborda os principais fármacos que 
alteram as funções desde secreção de saliva até trânsito intestinal. Como são 
medicamentos utilizados no cotidiano e alguns indivíduos acreditam que 
não possuem efeitos colaterais, é importante que o profissional reconheça 
e saiba os efeitos terapêuticos e colaterais dessa classe, para não incorrer 
no erro da negligência. 
243
FARMACOLOGIA
A toxicologia é a mãe das ciências que envolvem substâncias químicas 
de uso animal ou humano. Na cosmetologia, ela é essencial para indicar 
dosagens, efeitos tóxicos e complicações das aplicações de produtos na pele. 
Compreender a toxicologia e sua atuação é essencial para o profissional da 
estética, que está constantemente lidando com novos produtos.
 Exercícios
Questão 1. Leia o texto a seguir.
O mau uso da fluoxetina
Há no país uma tendência ao uso inadequado e até danoso do antidepressivo fluoxetina. 
O medicamento vem sendo administrado por alguns médicos por causa de um de seus efeitos adversos: 
induzir à perda de peso. Elisaldo Carlini, professor da Universidade Federal de São Paulo e diretor do 
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, apresenta evidências desse mau uso no 
Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Em parceria com a Vigilância Sanitária de Santo André, município da 
Grande São Paulo, a equipe de Carlini analisou 39,8 mil receitas especiais retidas por 13 farmácias 
de manipulação e 27 drogarias da cidade entre agosto de 2005 e julho de 2006. Nesse período, o 
grupo identificou 10,9 mil receitas contendo fluoxetina, a grande maioria (85%) aviada por farmácias 
magistrais – as drogarias atenderam os 15% restantes. As receitas criadas pelos médicos quase sempre 
continham de quatro a sete substâncias psicotrópicas de outras classes, geralmente usadas para 
emagrecer (anorexígenos, diuréticos e ansiolíticos). “Isso indica que essas formulações estão sendo 
dispensadas para perda de peso, mas essa é uma estratégia ineficiente e perigosa”, afirma Carlini. “Vários 
estudos já mostraram que só se emagrece de modo consistente com reeducação alimentar e exercício 
físico. Essas pessoas estão tentando resolver os problemas com pílulas mágicas”. A associação desses 
compostos aumenta muito o risco de reações adversas.
Fonte: PESQUISA FAPESP. Mau uso da fluoxetina. Pesquisa Fapesp, ed. 165, nov. 2009. 
Disponível em: https://bit.ly/3vL7wSd. Acesso em: 22 jun. 2021.
Com base no texto e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas.
I – A fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptaçãode serotonina. Essa classe de medicamentos 
é, atualmente, a mais prescrita para o tratamento da ansiedade e da depressão, por apresentar efeitos 
adversos relativamente brandos.
II – A fluoxetina apresenta efeito anorexígeno e, por esse motivo, é utilizada indevidamente no 
controle do peso corporal. Alguns dos efeitos adversos que podem ser notados com mais frequência em 
pessoas que fazem uso indevido dessa medicação são as crises de ansiedade e de psicose.
III – O estudo indica que as formulações contendo fluoxetina aviadas em farmácias de manipulação, 
mas não as obtidas em drogarias, visam ao controle do peso.
244
É correto o que se afirma em:
A) I e II, apenas.
B) II e III, apenas.
C) I, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa A.
Análise da questão
As afirmativas I e II estão corretas devido ao seguinte: os inibidores seletivos da recaptação de 
serotonina, que incluem a fluoxetina, a paroxetina e a sertralina, são uma classe de fármacos utilizados 
no tratamento da ansiedade e da depressão. Atualmente, é a classe de fármacos mais prescrita para 
esse fim. 
Por atuarem especificamente sobre a recaptação de serotonina, o que resulta no aumento dos níveis 
desse neurotransmissor na fenda sináptica, esses fármacos apresentam menos efeitos adversos em 
relação às outras classes de ansiolíticos/antidepressivos, que costumam alterar também os níveis de 
outros neurotransmissores.
Os principais efeitos adversos dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina são a anorexia, 
os enjoos e a diarreia, o que resulta em perda de peso, síndromes extrapiramidais, alterações do sono e, 
paradoxalmente, crises de ansiedade. Indivíduos que fazem uso indevido dessas substâncias têm maior 
chance de desenvolver crises de ansiedade e podem, inclusive, apresentar surtos psicóticos.
Já a afirmativa III está incorreta pois, nas farmácias de manipulação, é possível formular o 
medicamento de maneira personalizada, ao se adicionar vários princípios ativos em uma mesma forma 
farmacêutica. A composição das formulações analisadas no estudo sugere que elas podem estar sendo 
usadas para o controle do peso. No entanto, não é possível afirmar se a fluoxetina comercializada em 
drogarias está sendo utilizada para o tratamento da ansiedade e da depressão ou para promover o 
emagrecimento, já que esse fármaco, por si só, apresenta efeito anorexígeno.
245
Questão 2. (Enade 2019, adaptada) Em uma clínica de estética, após um procedimento para redução 
de gordura localizada, um esteticista indicou para uma cliente um produto cosmético para uso domiciliar 
contendo nicotinato de metila. Orientou que o produto fosse utilizado todos os dias pela manhã ou 
antes de realizar atividade física. Após a primeira aplicação, a cliente retornou à clínica com queixa de 
intenso prurido, irritação e formação de placas eritematosas na região aplicada.
A partir das informações apresentadas, qual deve ser a conduta do esteticista responsável, 
considerando os aspectos éticos da profissão?
A) Encaminhar a cliente a um hospital, pois a melhora somente será obtida através da administração 
de antialérgicos intravenosos.
B) Esclarecer que se trata de uma reação alérgica irritativa, suspender o uso do produto e solicitar 
que a cliente utilize pomada antialérgica para controlar os sintomas.
C) Realizar um procedimento estético na região, com equipamento que estimula a regeneração da 
pele, e manter o uso do produto, visto que essa reação é normal e esperada.
D) Recomendar a suspensão do uso do produto, aplicar um cosmético hipoalergênico para pele 
sensível e monitorar o caso, encaminhando ao dermatologista, se necessário.
E) Recomendar a suspensão do uso do produto, prescrever um corticoide tópico e encaminhar a 
cliente a um pronto atendimento hospitalar para iniciar um tratamento específico.
Resposta correta: alternativa D.
Análise da questão
A alergia é um dos principais efeitos tóxicos observados com o uso dos cosméticos. Trata-se de uma 
reação provocada pela exposição prévia do organismo a um alérgeno, substância que tem a capacidade 
de estimular o sistema imunológico e desencadear uma reação de hipersensibilidade. 
As reações de hipersensibilidade são caracterizadas pela ativação de leucócitos, com a consequente 
liberação de substâncias que alteram a homeostase do organismo, como, por exemplo, a histamina.
Existem várias classes de medicamentos utilizados no tratamento das alergias. Os principais são 
os anti-histamínicos e os corticoides, que podem ser administrados por via sistêmica ou tópica. Esses 
medicamentos devem ser prescritos exclusivamente por médicos, de acordo com as características 
clínicas do paciente. Sendo assim, o esteticista nunca deve indicar o uso desses agentes para o controle 
da alergia. 
Infelizmente, muitos profissionais da área de estética acabam recomendando o uso de pomadas à 
base de anti-histamínicos ou de corticoides para o controle de alergias, o que, em muitos casos, leva ao 
desenvolvimento de efeitos adversos e até à piora do quadro.
246
A conduta do esteticista, nesses casos, deve ser a substituição do cosmético por outro, hipoalergênico, 
e a orientação da cliente quanto ao acompanhamento da evolução do quadro para que, se necessário, 
ela procure o dermatologista. Deve-se evitar a realização de outros procedimentos estéticos na pele afetada.
247
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