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184 Unidade IV Unidade IV 7 FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E DO SISTEMA RESPIRATÓRIO Do ponto de vista funcional, o sistema nervoso central (SNC) é considerado mais complexo do que o sistema nervoso periférico, e isso torna a compreensão dos efeitos dos fármacos que atuam sobre ele muito mais difícil. O SNC detecta estímulos externos e internos, tanto físicos quanto químicos, e desencadeia respostas orgânicas adaptativas. Assim, é responsável pela integração do organismo com os ambientes externo e interno, exercendo caráter de organização e controle das funções do organismo. Essas funções são exercidas pela ação conjunta dos neurônios, das células da glia e dos vasos sanguíneos, através dos quais várias substâncias atingem o SNC. Os fármacos com ação no SNC agem fundamentalmente em neurônios, considerando a unidade anatomofuncional do SNC, modificando seu estado fisiológico e a comunicação entre eles. 7.1 Aspectos funcionais 7.1.1 Atividade neuronal Os neurônios são células que se interconectam de modo específico e preciso, formando sinapses, que estabelecem os chamados circuitos neurais. Através deles, o organismo é capaz de produzir respostas fixas e invariáveis (por exemplo, os reflexos) ou respostas variáveis em maior ou menor grau. Existem diversos tipos de neurônios, com diferentes funções, dependendo da sua localização e estrutura morfológica, mas em geral são constituídos pelos mesmos componentes básicos (veja a figura a seguir): • Dendritos: projeções que transmitem os impulsos nervosos para o corpo celular do neurônio ou para o axônio. • Corpo celular: constituído de núcleo, citoplasma e citoesqueleto; dá suporte metabólico a toda a célula. • Axônio: prolongamento que se origina do corpo celular, responsável pela condução do impulso nervoso. 185 FARMACOLOGIA Dendritos Axônio Bainha de mielina Célula de Schwann Terminal de axônio Nodos de Ranvier Corpo celular Núcleo Figura 68 – Estrutura básica do neurônio Disponível em: https://bit.ly/2SbavG1. Acesso em: 8 jun. 2021. Saiba mais Relembre a morfologia dos neurônios em: MEDRADO, L. Citologia e histologia humana: fundamentos de morfofisiologia celular e tecidual. São Paulo: Érica, 2014, p. 143-147. A geração do impulso elétrico na membrana neuronal se dá pelo fato de ela se encontrar polarizada, com cargas elétricas negativas predominantemente no meio intracelular. Ou seja, quando os neurônios estão em repouso, sua membrana está negativamente carregada em relação ao meio extracelular. Quando ocorre o estímulo neuronal, acontece a inversão das cargas elétricas no interior da membrana de forma rápida e brusca, e ela se torna positiva em relação à sua superfície externa. Essas mudanças das cargas elétricas produzem uma diferença no potencial elétrico entre as partes interna e externa da membrana, ao que se dá o nome de potencial de ação. Essa alteração elétrica é determinada pelo deslocamento seletivo dos ions sódio, potássio, cloreto e cálcio através da membrana, e é responsável pela propagação do impulso nervoso ao longo do neurônio. O impulso nervoso se propaga em um único sentido na fibra nervosa. Os dendritos sempre conduzem o impulso em direção ao corpo celular. O axônio, por sua vez, conduz o impulso em direção às extremidades. Inicialmente os íons sódio, presentes em maior quantidade no meio extracelular, entram no neurônio, invertendo a polaridade da membrana; a seguir, os canais de sódio são inativados e a membrana é repolarizada pela saída de íons potássio. Em seguida, a Na+/K+ ATPase atua direcionando os íons sódio que entraram no neurônio para o meio extracelular e os íons potássio que saíram para o meio intracelular, restabelecendo o potencial de repouso (veja a figura a seguir). 186 Unidade IV Face extracelular da membrana Face intracelular da membrana Membrana plasmática Potencial de repouso Repolarização Impulso nervoso Íons sódio (Na+) Íons potássio (K+) Canais de sódio Canais de potássio Na+/K+ ATPase Despolarização Potencial de repouso Figura 69 – Representação esquemática do potencial de ação neuronal Disponível em: https://bit.ly/3iqgr8L. Acesso em: 8 jun. 2021. Quando o estímulo elétrico chega ao terminal nervoso, há ativação de canais de cálcio voltagem dependentes, que promovem a entrada desse íon no interior do neurônio, fazendo com que as vesículas de armazenamento do neurotransmissor se fundam à membrana plasmática do neurônio, levando, assim, à liberação do neurotransmissor na fenda sináptica. Uma vez liberado, o neurotransmissor irá atuar em receptores específicos presentes tanto na membrana pré-sináptica quanto na pós-sináptica. Existem vários subtipos de receptores para um determinado neurotransmissor. Os pré-sinápticos em geral estão relacionados à inibição da liberação de mais neurotransmissor (mecanismo de feedback negativo) e/ou inibição da síntese do neurotransmissor. A ativação de receptores pós-sinápticos desencadeia uma série de eventos celulares que levam à abertura ou fechamento de canais iônicos na membrana celular. Isso pode resultar em despolarização — tornar o interior da célula mais positivo — ou hiperpolarização — tornar o interior da célula mais negativo — dependendo dos íons envolvidos. Posteriormente, o neurotransmissor será recaptado pelo terminal nervoso e/ou poderá ser degradado por enzimas presentes na fenda sináptica e seus metabólitos processados pelo próprio neurônio ou por células da glia. As células da glia, particularmente os astrócitos, que são as principais células não neuronais no SNC, também desempenham importante papel sinalizador. Antes eram consideradas principalmente como células de manutenção e suporte aos neurônios exigentes, porém atualmente estão cada vez mais sendo vistas como células que desempenham papel relevante na comunicação neuronal. Essas células expressam vários receptores e transportadores e também liberam ampla variedade de mediadores, incluindo glutamato, óxido nítrico e metabólitos do ácido araquidônico. Elas respondem a sinais químicos dos neurônios e também dos astrócitos vizinhos e das células microgliais. Os astrócitos 187 FARMACOLOGIA respondem a estímulos, controlando assim o ambiente químico no qual os neurônios operam. Embora não conduzam potenciais de ação e não enviem sinais para outras partes do corpo, os astrócitos são, em outros aspectos, muito similares aos neurônios e desempenham papel crucial da comunicação dentro do cérebro. Entretanto, o conhecimento de como funcionam e de como respondem aos fármacos é ainda escasso. 7.1.2 Neurotransmissores Os neurotransmissores são moléculas quimicamente diversas sintetizadas pelos neurônios, geralmente no terminal do axônio, a partir de precursores ali presentes. As enzimas de síntese desses neurotransmissores são produzidas no corpo celular do neurônio e transportadas até o terminal neuronal onde eles são sintetizados. Após a síntese, os neurotransmissores são armazenados em vesículas sinápticas, cujo conteúdo é liberado na fenda sináptica por exocitose pelo impulso nervoso. O neurotransmissor é considerado excitatório quando, ao interagir com seu receptor na membrana pós-sináptica, permite a propagação da informação de um neurônio para outro (despolarização da membrana pós-sináptica, com geração do potencial de ação), ou é considerado inibitório quando, ao interagir com seu receptor na membrana pós-sináptica, promove a hiperpolarização da membrana pós-sináptica. A função normal do SNC depende do equilíbrio entre a liberação de neurotransmissores excitatórios e inibitórios. Os fármacos que agem no SNC produzem seus efeitos por interferir em alguma etapa, desde a síntese do neurotransmissor até sua liberação, degradação, armazenamento ou recaptação na fenda sináptica. Os principais neurotransmissores que agem no SNC são os aminoácidos, as aminas biogênicas, a acetilcolina e os neuropeptídios. Eles exercem seus efeitos pela ativação de receptores ionotrópicos(acoplados a canais iônicos) ou metaborópicos (acoplados à proteína G), conforme será discutido posteriormente. • Aminoácidos: os principais inibitórios são o GABA (ácido γ-aminobutírico) e a glicina, e os excitatórios são o glutamato e o aspartato. • Aminas biogênicas: catecolaminas (dopamina e norepinefrina), serotonina e histamina. • Acetilcolina, que não se encaixa em nenhuma das outras categorias estruturais. • Neuropeptídeos: opioides (endorfinas, encefalinas e dinorfinas), substância P, neuropeptídeo Y, entre outros. O GABA (ácido gama-aminobutírico) é um importante neurotransmissor expresso a partir do estágio embrionário e ao longo da vida. No estágio inicial de desenvolvimento, o GABA atua de maneira excitatória e está envolvido em muitos processos de neurogênese, incluindo proliferação neuronal, migração, diferenciação e construção preliminar de circuitos, além do desenvolvimento de períodos críticos. No SNC maduro, o GABA atua de maneira inibitória. 188 Unidade IV Existem dois tipos principais de receptores GABA, o receptor GABAA, acoplado a canais de cloreto, e o receptor GABAB, acoplado à proteína G. No cérebro adulto, o GABA atua principalmente através da ativação dos receptores GABAA. Quando o GABA se liga a esses receptores pós-sinápticos, o canal iônico de cloreto se abre e esse íon difunde-se na célula ao longo de seu gradiente de concentração, hiperpolarizando o neurônio. Os receptores GABAB são responsáveis pelo componente posterior e mais lento da transmissão inibitória. Esses receptores são encontrados nos neurônios pré e pós-sinápticos. A ativação desses receptores leva à ativação da proteína G inibitória, o que resulta na ativação dos canais de potássio pós-sinápticos (levando à hiperpolarização) ou à inibição dos canais de cálcio pré-sinápticos (levando à inibição da liberação de neurotransmissores), mecanismo semelhante ao observado após a ativação de receptores opioides (conforme vimos nos tópicos Mecanismo de transmissão da dor e Mecanismo de ação dos analgésicos opioides). Além do mecanismo descrito anteriormente, ocorre a ativação de uma série de outras vias de sinalização intracelular. Os receptores de glicina também são canais de íons cloreto dependentes de ligante, responsáveis por mediar a neurotransmissão inibitória na medula espinhal e no tronco cerebral. Eles estão envolvidos principalmente no controle motor e na percepção da dor no adulto. No entanto, esses receptores também são expressos nas regiões superiores do sistema nervoso central, onde participam de diferentes processos, incluindo a neurotransmissão sináptica. Além disso, os receptores de glicina estão presentes desde os estágios iniciais do desenvolvimento do cérebro e podem influenciar esse processo. O glutamato é um importante neurotransmissor excitatório no cérebro. Existem três famílias de receptores ionotrópicos com canais permeáveis por cátions intrínsecos [N-metil-D-aspartato (NMDA), ácido alfa-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolepropiônico (AMPA) e cainato]. Além disso, existem três grupos de receptores de glutamato acoplados à proteína G (mGluR1 – 3) que modificam a excitabilidade neuronal e glial através de subunidades da proteína G que atuam nos canais iônicos da membrana e segundos mensageiros, como diacilglicerol e AMPc. Um dos debates mais antigos sobre cotransmissão envolve glutamato e o aspartato. Embora o o papel do glutamato como transmissor na maioria das sinapses excitatórias no cérebro tenha sido estabelecido, o papel do aspartato permanece incerto. O aspartato é um agonista altamente seletivo para os receptores de glutamato do tipo NMDA e não ativa os receptores de glutamato do tipo AMPA. A dopamina desempenha um papel importante no aprendizado, no controle da atividade motora, nos mecanismos de recompensa, nas emoções e em funções endócrinas, tanto na saúde quanto na doença. As principais vias dopaminérgicas são: • Via mesolímbica: a dopamina é sintetizada na área tegmentar ventral do mesencéfalo e transmitida ao sistema límbico através do núcleo accumbens. O mesencéfalo está relacionado às funções de sono e vigília, enquanto o sistema límbico é o responsável pela elaboração de reações emocionais e comportamento de punição e recompensa. Essa via é chamada de via de recompensa do cérebro. 189 FARMACOLOGIA • Via mesocortical: a dopamina é sintetizada na área tegmental ventral do mesencéfalo e transmitida ao córtex frontal. Essa via está associada às funções cognitivas, à linguagem, à memória de trabalho, à atenção, ao apetite, ao pensamento abstrato e às funções motoras, associativas e visuais. • Via nigrostriatal: a dopamina é sintetizada na substância negra mesencefálica e transmitida ao estriado dorsal. Esse caminho está associado ao controle cetral, involuntário, do movimento. • Via tuberoinfundibular: se estende do hipotálamo à eminência média. O hipotálamo comanda funções autonômicas, elabora funções específicas, como sede e fome, apetite por nutrientes específicos, como sal e açúcar, além de ser responsável pela sobrevivência do indivíduo e propagação da espécie (comportamento de luta/fuga e comportamento sexual), através da secreção de diferentes hormônios. Essa via também regula a secreção do hormônio prolactina pela hipófise anterior. Os receptores da dopamina são subdivididos em D1, D2, D3, D4 e D5, de acordo com localização no cérebro e função. São acoplados a proteínas G e podem ser classificados em duas grandes famílias, com base em características bioquímicas, farmacológicas e moleculares: A superfamília dos receptores semelhantes a D1 inclui os receptores D1 e D5, acoplados à proteína Gs, e a superfamília dos receptores semelhantes ao D2 inclui os receptores D2, D3 e D4, acoplados à proteína Gi. A norepinefrina é encontrada nos corpos celulares da ponte e da medula. Esses corpos projetam neurônios para o hipotálamo, tálamo, sistema límbico e córtex cerebral. A noradrenalina contribui para o controle do humor e da excitação e pode afetar os padrões de sono. A hiperatividade desse sistema induz a um estado de insônia, ansiedade, irritabilidade, paranoia, instabilidade emocional e excitação, enquanto a hipoatividade leva a sonolência excessiva, apatia e embotamento emocional. Lembrete Na periferia, a norepinefrina é o neurotransmissor responsável por mediar as respostas do sistema nervoso simpático, a partir da ativação dos receptores adrenérgicos (adrenoceptores) presentes nos órgãos-alvo. A serotonina, ou 5-hidroxitriptamina (5-HT), é um neurotransmissor que contribui para o humor e o estado mental humano. As principais funções da serotonina são: regular o apetite, equilibrar o desejo sexual e controlar a temperatura corporal, a atividade motora e as funções perceptivas e cognitivas. Além disso, a serotonina regula a secreção de hormônios, como o do crescimento. A serotonina interage com sete famílias de seus receptores (5-HT1-7), localizados na membrana celular dos neurônios e de outros tipos celulares, incluindo o músculo liso. Pertencem à classe dos receptores acoplados à proteína G, à exceção do subtipo 5HT-3, acoplado a canais iônicos. No SNC, os neurônios produtores de histamina são encontrados principalmente no hipotálamo, e a histamina está envolvida com várias funções, como vigília, apetite, secreção de hormônios, termorregulação, controle cardiovascular (central), memória, aprendizado, entre outras. 190 Unidade IV Observação A histamina também é um importante mediador inflamatório liberado pelos mastócitos e está envolvida no estabelecimento de processos alérgicos, ao promover vasodilatação, broncoconstrição, prurido etc. Há uma ampla distribuição de receptores histaminérgicos por todo os SNC. Há três tipos de receptores para a histamina no SNC: H1, H2 e H3. Os receptores H1 e H2 em geral excitam os neurônios ou potencializam impulsos excitatórios. Já a ativação dos receptores H3 causa autoinibição dos neurônios histaminérgicos e também modulaa liberação de outros neurotransmissores, incluindo o glutamato, a serotonina, a dopamina, a acetilcolina, a noradrenalina e o GABA. O bloqueio dos receptores H1 no SNC explica os efeitos colaterais sedativos de muitos anti-histamínicos clássicos (difenidramina, dimenidrinato, prometazina, entre outros). Essa sedação é consequência de sua alta lipossolubilidade, que possibilita a travessia da barreira hematoencefálica e consequente ação no SNC. Esse efeito colateral sedativo dos anti-histamínicos clássicos faz com que sejam empregados como indutores do sono. Os anti-histamínicos mais modernos de segunda geração (loratadina, cetirizina, acrivastina, entre outros) não atravessam a barreira hematoencefálica com facilidade e, portanto, não produzem sedação. No SNC, a acetilcolina exerce um papel muito importante nas funções cognitivas e influencia diretamente no aprendizado, na atenção e na memória. Tanto perifericamente quanto no SNC, a acetilcolina interage com receptores muscarínicos e nicotínicos. Lembrete Na periferia, a acetilcolina é o neurotransmissor responsável por mediar as respostas do sistema nervoso parassimpático, a partir da ativação dos receptores muscarínicos presentes nos órgãos-alvo. Os receptores muscarínicos presentes no SNC são predominantemente do subtipo M1 e se localizam na região pós-sináptica em diferentes regiões do córtex cerebral, hipocampo e estriado. O subtipo M2 é encontrado nas terminações pré-sinápticas e sua função é controlar a liberação da acetilcolina. Os subtipos M3, M4 e M5 são encontrados em quantidades bem menores. Os receptores nicotínicos são inotrópicos, estão localizados em áreas similares às dos receptores muscarínicos no SNC e estão envolvidos em processos de cognição, dor e controle da liberação de dopamina. Os neuropeptídeos estão presentes na maioria das áreas cerebrais e desempenham papel de modulador no SNC, ou seja, são capazes de regular determinados aspectos da função neuronal e atuar 191 FARMACOLOGIA para a modulação de respostas diversas, como sensibilidade e emoções (substância P e encefalinas), fome, dor, prazer, respostas ao estresse (endorfinas), entre diversos outros processos. Um mesmo neurônio pode conter vários mediadores químicos, que são liberados conjuntamente durante a despolarização neuronal. Ou seja, os neuropeptídeos podem coexistir e ser liberados com neurotransmissores. Os neuropeptídios geralmente são liberados em quantidades bem menores em relação aos neurotransmissores. Porém, os neuropeptídeos possuem em geral uma potência de transmissão de impulsos bem maior do que dos neurotransmissores não peptídicos. 7.1.3 Relação entre as disfunções na neurotransmissão e as patologias do SNC As diversas patologias que acometem o SNC são resultado do aumento ou da diminuição dos níveis de neurotransmissores em regiões específicas do cérebro, ou ainda em alterações funcionais nos respectivos receptores. As principais relações entre os neurotransmissores e as patologias são: • Glutamato: pode contribuir para a lesão cerebral que ocorre agudamente após o status epilepticus, a isquemia cerebral ou a lesão cerebral traumática. Também pode contribuir para a neurodegeneração crônica em distúrbios como esclerose lateral amiotrófica e coreia de Huntington. Outras condições clínicas que podem responder a fármacos que atuam na transmissão glutamatérgica incluem epilepsia, amnésia, ansiedade, hiperalgesia e psicose. • Dopamina: no sistema mesolímbico desempenha papel importante na neurobiologia da dependência e também está implicada na esquizofrenia. No sistema mesocortical, participa da fisiopatologia da esquizofrenia e do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A degeneração de neurônios da via nigroestriatal diminui os níveis de dopamina, dando origem à doença de Parkinson. • Norepinefrina: disfunções nos níveis desse neurotransmissor no SNC têm sido associadas a alguns transtornos psiquiátricos, como transtorno de ansiedade, pânico e humor, bem como na esquizofrenia e na demência. • Serotonina: baixos níveis desse neurotransmissor podem provocar sintomas como ansiedade, medo, angústia, agressividade e distúrbios alimentares. • Acetilcolina: diminuição na neurotransmissão colinérgica, causada pela morte neuronal, está associada ao desenvolvimento do mal de Alzheimer. Os receptores nicotínicos centrais também foram implicados em outras doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo o TDAH, a esquizofrenia, a depressão e a epilepsia. 7.2 Fármacos de ação central Os mecanismos de ação dos fármacos no SNC e periférico têm muito em comum. No entanto, é problemático compreender de que forma eles alteram a função cerebral, devido à complexidade da rede neuronal. 192 Unidade IV No SNC, existem vários tipos de interconexões neuronais, de forma que os efeitos de fármacos nas ações de um dos neurotransmissores são difíceis de serem previstos e dependerão das várias conexões sinápticas excitatórias e inibitórias e dos impulsos nervosos. Adicionada a essa complexidade está a influência das células da glia. Um fator adicional importante de complicação é que existem respostas adaptativas secundárias geradas por qualquer perturbação do sistema induzida pelo fármaco. Tipicamente, o aumento na liberação do transmissor, ou interferência na captação dele, é contrabalançado pela inibição da síntese do transmissor, pelo reforço na expressão do transportador ou pela diminuição da expressão do receptor. Essas alterações, geralmente, levam tempo (horas, dias ou semanas) para se desenvolver e não são evidentes nas experiências farmacológicas agudas. Numa situação da prática clínica, com frequência, os efeitos de fármacos psicotrópicos demoram semanas para se desenvolver, sendo que é provável que reflitam respostas adaptativas em vez dos efeitos farmacodinâmicos imediatos dele. Assim, tem-se que levar em conta não apenas a interação primária do fármaco com seu alvo, mas também a resposta secundária do cérebro a esse efeito primário; e, frequentemente, é a resposta secundária, não o efeito primário, que leva ao benefício clínico. De uma forma geral, para fins didáticos, os fármacos que atuam no SNC são classificados de acordo com a natureza de seu comportamento farmacodinâmico, por exemplo: ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, antidepressivos, hipnoanalgésicos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, tratamento de distúrbios degenerativos do SNC (doença de Parkinson e doença de Alzheimer) e anestésicos gerais, entre outros. 7.2.1 Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos Os ansiolíticos são uma categoria de fármacos usados para prevenir e tratar a ansiedade relacionada a vários transtornos (por exemplo, ansiedade generalizada, fobia social, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático etc.). Alguns também são usados como sedativos antes da anestesia para procedimentos médicos. Os ansiolíticos tendem a agir rapidamente e podem levar ao vício. Por esse motivo, geralmente são prescritos apenas para uso a curto prazo. Eles não são recomendados para pessoas com histórico de abuso ou dependência de drogas. Os ansiolíticos são classificados em: barbitúricos, benzodiazepínicos e não benzodiazepínicos. Barbitúricos Os barbitúricos foram, por muito tempo, os fármacos de escolha para o tratamento da insônia. Entretanto, em virtude de mortes por ingestão acidental e do uso em homicídios e suicídios, o seu uso foi substituído pelos benzodiazepínicos. Hoje em dia, os barbitúricos ainda são utilizados no tratamento de distúrbios convulsivos e na indução da anestesia geral. Os barbitúricos são agonistas dos receptores GABAA. Ao ativar o receptor, ocorre aumento do tempo de abertura do canal de cloreto, o que resulta em aumento do influxo do íon negativo e hiperpolarização celular. 193 FARMACOLOGIA Além disso, inibem a liberação de neurotransmissores dependentes do cálcio e deprimem a despolarização neuronal induzida pelo glutamatopor meio dos receptores AMPA. Em concentrações elevadas, são capazes de bloquear os canais de sódio e de potássio. Os barbitúricos são classificados em fármacos de ação ultracurta (tiopental), intermediária (amobarbital) e prolongada (fenobarbital, pentobarbital e secobarbital). O uso dos barbitúricos é bastante limitado, pois esses fármacos apresentam baixo índice terapêutico. O fenobarbital é utilizado por via oral no tratamento da epilepsia e o tiopental (injetável) é empregado na anestesia. Como agentes ansiolíticos e hipnóticos, foram substituídos pelos benzodiazepínicos. Esses fármacos geralmente causam depressão do sistema nervoso central, com sonolência, confusão mental e comprometimento da coordenação. No entanto, em alguns pacientes (principalmente idosos), observa-se excitação. O uso de doses repetidas de barbitúricos está associado ao desenvolvimento de tolerância e dependência, sendo um risco para o uso abusivo. Os sintomas da abstinência consistem em alucinação, convulsão, delírio, excitação e morte. Benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos exercem efeitos hipnóticos, ansiolíticos, miorrelaxantes e anticonvulsivantes. Como hipnóticos, os benzodiazepínicos reduzem o tempo de latência para o sono e aumentam a sua duração no estado natural. Como ansiolíticos, os benzodiazepínicos aliviam os sintomas da ansiedade e o estado de agressividade. Os benzodiazepínicos produzem relaxamento do músculo esquelético por ação no SNC, sem comprometimento da atividade voluntária. O clonazepam e o diazepam possuem atividade miorrelaxante mais pronunciada, e doses muito altas deprimem a transmissão muscular. No tratamento da epilepsia, seu uso é limitado, pois há risco do desenvolvimento de tolerância. Os principais benzodiazepínicos estão listados no quadro a seguir. A principal diferença entre esses agentes diz respeito à duração do efeito terapêutico. Existem representantes de ação ultracurta, curta, média e prolongada. Quadro 9 – Principais benzodiazepínicos Fármaco Duração global da ação Principais indicações Midazolam Ultracurta (< 6 h) Adjuvante da anestesia Lorazepam Curta (12-18 h) Ansiolítico, hipnótico Alprazolam Média (24 h) Ansiolítico, antidepressivo Nitrazepam Média (24 h) Hipnótico, ansiolítico Diazepam Prolongada (24-48 h) Ansiolítico, relaxante muscular Flurazepam Prolongada (24-48 h) Ansiolítico Clonazepam Prolongada (24-48 h) Anticonvulsivante, ansiolítico 194 Unidade IV Os barbitúricos e os benzodiazepínicos compartilham semelhanças e diferenças no que diz respeito às ações sobre o receptor GABAA. Ambos aumentam a neurotransmissão GABAérgica por interferência direta no receptor, porém os barbitúricos o fazem por conta da ação agonista sobre eles, enquanto os benzodiazepínicos apenas promovem o aumento da afinidade do GABA pelo receptor. Na prática, essa diferença resulta em aumento da frequência de abertura dos canais de cloreto pelos benzodiazepínicos e em aumento do tempo de abertura desses canais pelos barbitúricos, com maior influxo iônico nos últimos, o que justifica seu menor índice terapêutico (veja a figura a seguir). Extracelular Intracelular Cl- Canal iônico Figura 70 – Sítios de ligação dos benzodiazepínicos (BDZ) e dos barbitúricos (BRB) sobre o receptor GABAA. Os sítios de ligação do neurotransmissor GABA também estão indicados Adaptada de: Katzung (2004, p. 516). Os efeitos adversos dos benzodiazepínicos incluem tonturas, sonolência, má coordenação e sentimentos de depressão. O uso a curto prazo dos benzodiazepínicos geralmente é seguro e eficaz. No entanto, o uso a longo prazo é controverso, devido ao potencial de tolerância e dependência, entre outros. Ingerir álcool com benzodiazepínicos pode ser fatal. Não benzodiazepínicos Os fármacos classificados como não benzodiazepínicos são a buspirona, o zolpidem e a zopiclona. Esses fármacos apresentam diferenças estruturais em relação aos benzodiazepínicos, porém também apresentam ação depressora do SNC por atuar em outros receptores que não o GABAA. São indicados no tratamento do transtorno da ansiedade generalizada e no alívio em curto prazo dos sintomas da ansiedade, acompanhados ou não de depressão. Os não benzodiazepínicos apresentam efeitos ansiolíticos, mas não os efeitos anticonvulsivantes, sedativos e miorrelaxantes que são característicos dos benzodiazepínicos. A buspirona aparentemente não atua sobre a neurotransmissão GABAérgica. Ela é um agonista dos receptores de serotonina 5HT1A que também apresenta ação antagonista pré-sináptica da dopamina, 195 FARMACOLOGIA além de modular outros sistemas receptores. É rapidamente absorvida via oral e é menos sedativa do que outros ansiolíticos, não comprometendo significativamente o desempenho funcional dos pacientes. Não se deve administrar concomitantemente a buspirona com antidepressivos inibidores da MAO (exemplo: Tranilcipromina), pois pode ocorrer hipertensão arterial. O zolpidem é um agonista seletivo do subtipo ômega do receptor GABAA. Esse fármaco encurta o tempo de indução ao sono, reduz o número de despertares noturnos e aumenta a duração total do sono, porém inibe o sono REM e o sono de ondas lentas, provocando um “desligamento” cerebral, de modo a prejudicar sua qualidade. Esses efeitos estão associados a um perfil eletroencefalográfico específico, diferente daquele observado com os benzodiazepínicos. Os efeitos indesejáveis do zolpidem são sonolência, fadiga, irritabilidade, cefaleia e amnésia no dia seguinte. Esses efeitos são geralmente discretos. Esse fármaco não altera significativamente os resultados dos testes neuropsicológicos de alerta, concentração, memória e coordenação motora em populações de pacientes com insônia em relação aos voluntários normais de diferentes idades. A zopiclona é um agente hipnótico do grupo das ciclopirrolonas que apresenta atividade agonista sobre GABAA, porém, ao contrário do zolpidem, tem ação anticonvulsivante e miorrelaxante, além da ansiolítica. A zopiclona reduz o tempo de início do sono e a frequência dos despertares noturnos, aumenta a duração do sono e melhora a qualidade do sono e do despertar. Nas doses estudadas e recomendadas, os efeitos da zopiclona estão associados a um perfil eletroencefalográfico específico que difere dos benzodiazepínicos. Os efeitos indesejáveis são sonolência, fadiga, irritabilidade, cefaleia e amnésia, e pode causar tolerância e dependência. 7.2.2 Antidepressivos Os fármacos antidepressivos são essenciais no tratamento da depressão. São usados para restaurar o equilíbrio emocional e ajudar as pessoas a realizar as tarefas inerentes à vida cotidiana, porém seu uso deve ser associado à psicoterapia. O principal objetivo do tratamento com antidepressivos é aliviar os sintomas da depressão e impedir que o quadro depressivo se manifeste no indivíduo. Alguns sintomas da depressão incluem: ansiedade, alterações do apetite, de peso e do sono, dor crônica, agitação ou lentificação motora, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou de culpa, dificuldade de concentração e de tomar decisões e, nos casos mais graves, pensamentos de morte e ideação suicida. Além dessas manifestações, que devem estar presentes por pelo menos duas semanas, também é necessário considerar a história de vida do paciente ao realizar o diagnóstico. O diagnóstico da depressão é clínico, feito após coleta completa da história do paciente e realização de um exame do estado mental. Não existem exames laboratoriais específicos para diagnosticar depressão. A depressão é altamente prevalente na população em geral e, de acordo com estudo epidemiológico, a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. A época comum do aparecimento é no final da 3ª década da vida, mas pode começar em qualquer idade. Estudos mostram prevalência ao longo da vida em até 20% nas mulheres e 12% para os homens. As causas da depressão 196 Unidade IV podem ser: genéticas, fisiológicas (deficiência dos neurotransmissorescentrais noradrenalina, serotonina e dopamina) ou fatores externos (eventos estressantes podem desencadear episódios depressivos). Há diferentes tipos de depressão, que possuem sintomas e impactos diversos no dia a dia do paciente. O transtorno depressivo maior, ou depressão unipolar, é o tipo de depressão mais frequente e conhecido, caracterizado por um quadro de humor deprimido, perda de interesse e de prazer, energia reduzida, diminuição das atividades e, em casos mais graves, sofrimento, melancolia e incapacidade temporária, especialmente quando não tratado. A depressão bipolar ou transtorno bipolar é diferente da depressão, mas esse tipo consta nessa lista porque a pessoa experimenta episódios de humor extremamente deprimidos, que satisfazem os critérios para depressão. É a alternância de momentos depressivos com períodos de extremos, eufóricos ou irritáveis, chamados de “mania”, ou uma forma menos grave, chamada “hipomania”. A distimia é uma forma de depressão crônica – com duração mínima de dois anos –, de intensidade moderada, quando o indivíduo fica predominantemente triste, desanimado, pessimista e sem vontade de agir, com pouca energia e concentração. Geralmente, as pessoas se mostram excessivamente preocupadas e apresentam um sentimento persistente de preocupação. As alterações de apetite, de libido e psicomotoras não são frequentes, sendo mais comuns sintomas como letargia e falta de prazer pelas coisas que antes eram prazerosas. Na maioria dos casos, se inicia na adolescência ou no princípio da idade adulta. Há também a depressão pós-parto, o transtorno disfórico pré-menstrual (surge quase todos os meses no período que antecede a menstruação), o transtorno afetivo sazonal (ocorre durante os meses de inverno, quando há menos luz solar natural), a depressão psicótica (pessoa tem depressão grave e sintomas psicóticos, como ter falsas crenças, delírios e alucinações) e o transtorno depressivo induzido por substância/medicamento (associado à ingestão, injeção ou inalação de uma substância – droga de abuso –, exposição a uma toxina ou uso de medicamento). A Teoria Monoaminérgica da Depressão propõe que a depressão seja consequência de uma menor disponibilidade de aminas biogênicas (serotonina, noradrenalina e/ou dopamina) nas sinapses cerebrais. Tal proposição é reforçada pelo conhecimento do mecanismo de ação dos antidepressivos, que se baseia, principalmente, no aumento da disponibilidade desses neurotransmissores na fenda sináptica, seja pela inibição (seletiva ou não) de suas recaptações, seja pela inibição da enzima responsável por suas degradações (inibidores da monoaminoxidase). As principais classes de antidepressivos são: (1) os inibidores da monoamina oxidase (MAO); (2) os antidepressivos tricíclicos; e (3) os inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Outras classes envolvem os inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina e serotonina; os inibidores da recaptação de serotonina que apresentam atividade antagonista alfa; e os inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina. Alguns antidepressivos não se encaixam nos mecanismos de ação que acabamos de listar e serão abordados adiante. 197 FARMACOLOGIA Inibidores da monoamina oxidase (MAO) Os inibidores da MAO atuam inibindo a ação da enzima monoamina oxidase, responsável pela degradação das monoaminas (veja a figura a seguir). Existem dois subtipos dessa enzima, denominados MAO-A e MAO-B, envolvidos na biotransformação da serotonina, da noradrenalina e da dopamina. A ação da MAO é discutida no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação. A MAO-A tem preferência pela serotonina e, normalmente, é encontrada no sistema nervoso, no fígado, no trato gastrointestinal e na placenta. A MAO-B metaboliza preferencialmente o substrato feniletilamina e é, normalmente, encontrada no sistema nervoso e nas plaquetas. Tanto MAO-A como MAO-B são encontradas em neurônios e astrócitos do SNC. Metabólitos inativos Vesícula sináptica Fenda sináptica Neurônio pós-sináptico Resposta pós-sináptica Norepinefrina Serotonina Dopamina - Os IMAOs evitam a inativação das monoaminas no interior do neurônio, causando a difusão de um excesso de neurotransmissor para a fenda sináptica Figura 71 – Mecanismo de ação dos inibidores da MAO Fonte: Clark et al. (2013, p. 158). A isocarboxazida, a fenelzina e a tranilcipromina são inibidores não seletivos da MAO que se ligam de forma irreversível a ambos os subtipos da enzima. A redução na atividade da MAO-A e da MAO-B resulta em aumento na concentração das monoaminas nos locais de armazenamento no SNC, o que está relacionado à sua ação terapêutica, e no sistema nervoso simpático, o que está relacionado ao desenvolvimento de efeitos adversos potencialmente graves. Mais recentemente foram desenvolvidos inibidores seletivos e reversíveis da MAO-A e da MAO-B (moclobemida e selegilina, respectivamente). A inibição reversível e seletiva está relacionada à menor incidência de efeitos adversos. A moclobemida é usada no tratamento da depressão e a selegilina no tratamento da doença de Parkinson, devido à ação significativa dessa enzima sobre a dopamina (cujos níveis estão diminuídos na doença de Parkinson). 198 Unidade IV Os principais efeitos adversos dos inibidores da MAO são devidos ao aumento do tônus simpático, decorrente da diminuição da taxa de biotransformação da norepinefrina no neurônio simpático. Esses efeitos incluem a hipotensão postural grave, principalmente ao levantar, e a crise hipertensiva, que cursa com palpitações, cefaleia, dor torácica intensa, midríase, aumento da sudorese e alteração da temperatura corporal, entre outros sintomas – há, inclusive, registros de hemorragia intracraniana decorrentes do quadro de hipertensão. Outros efeitos adversos menos graves incluem diarreia; edema; diminuição do tônus parassimpático; síndrome da secreção inadequada do hormônio antidiurético, que leva à diminuição na produção de urina; visão turva; mioclonias durante o sono; inquietação ou agitação; disfunção sexual feminina e masculina; sonolência; cefaleia leve sem aumento da pressão arterial; aumento de apetite e peso relacionado à fissura por carboidratos; aumento da sudorese; vertigens, tontura, cansaço ou fraqueza leve; abalos musculares ou tremores. A adesão ao tratamento com inibidores da MAO é dificultada devido aos numerosos efeitos adversos. O uso dos fármacos que inibem irreversivelmente a MAO inspira cuidados: durante o tratamento, é necessário adotar dieta pobre em tiramina, aminoácido precursor de catecolaminas, de modo a evitar uma crise hipertensiva potencialmente fatal. São exemplos de alimentos ricos em tiramina: cerveja, vinho, defumados, fígado de galinha, café, frutas cítricas, enlatados, vagens largas, feijão de corda, chocolate e queijo (por esse motivo, essa reação é denominada “reação do queijo”). A crise hipertensiva ocorre pelo seguinte motivo: a MAO presente no trato gastrointestinal e no fígado é responsável por degradar a tiramina. Como essa enzima está inibida, a tiramina atinge a circulação sistêmica e é captada pelo nervo simpático, o que ocasiona a liberação da norepinefrina armazenada, causando vasoconstrição intensa por conta da ativação de adrenoceptores alfa-1 nos vasos. Antidepressivos tricíclicos Os antidepressivos tricíclicos estão no mercado há mais tempo e são considerados antidepressivos de primeira geração. Eles são divididos em dois grupos, de acordo com sua estrutura química: as aminas terciárias (imipramina, amitriptilina, trimipramina e doxepina) e as aminas secundárias (desmetilimipramina, nortriptilina e protriptilina). A maprotilina e a amoxapina são antidepressivos tetracíclicos, com características farmacológicas semelhantes aos antidepressivos tricíclicos. O mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos é a inibição da recaptação de monoaminas (principalmente da noradrenalina e da serotonina e, em menor proporção,da dopamina) pelo neurônio, o que resulta no aumento do tempo de ação desses neurotransmissores na fenda sináptica e a melhora dos sintomas da depressão (veja a figura a seguir). 199 FARMACOLOGIA N N Cl CH3 CH2CH2 Inibição da recaptação efeitos terapêuticos Imipramina Bloqueio de receptores efeitos adversos CH2 CH3 5HT NE ACH NE M, H1, α1 Figura 72 – Mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos: 5HT = serotonina, NE = norepinefrina, ACH = acetilcolina, M = receptores muscarínicos, H1 = receptores H1 de histamina, α1 = adrenoceptores alfa-1 Fonte: Lüllmann e Jürgen (2000, p. 231). Como esses fármacos apresentam estrutura relativamente semelhante às monaminas, são capazes de bloquear receptores muscarínicos e adrenérgicos nos órgãos-alvo, com consequente diminuição do tônus autonômico. Além disso, ocorre bloqueio de receptores H1 de histamina, o que causa sedação, receptores 5HT de serotonina e receptores de dopamina. Os antidepressivos tricíclicos são usados no tratamento da depressão crônica ou profunda e das fases depressivas da doença bipolar. Também podem ser usados no tratamento da dor neuropática que não responde ao tratamento com opioides, o que possibilita que doses menores de analgésicos sejam empregadas. Essa analgesia possivelmente é decorrente de mudanças na concentração central de serotonina, além do efeito direto ou indireto dos antidepressivos tricíclicos nos sistemas opioides endógenos. Observação A dor neuropática é a dor causada por disfunção nos neurônios das vias centrais da dor. A maioria dos antidepressivos tricíclicos são cardiotóxicos e podem provocar arritmias. Esse efeito é decorrente da inibição periférica da norepinefrina e da epinefrina. Além disso, eles apresentam atividade 200 Unidade IV anticolinérgica periférica, além da central, devido à potente e elevada afinidade de ligação por receptores muscarínicos. O bloqueio de adrenoceptores alfa, por sua vez, resulta em hipotensão postural. Outros efeitos adversos incluem taquicardia, sedação, ganho de peso, boca seca, disfunção sexual, hipotensão postural, retenção urinária, constipação intestinal, visão desfocada, tonturas, sudorese, tremores etc. É muito comum o paciente se queixar de sonolência, fraqueza e fadiga, o que, frequentemente, é motivo para a interrupção do uso. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) constituem uma classe de fármacos tão eficazes quanto os antidepressivos tricíclicos, mas com menos efeitos adversos associados ao seu uso, o que aumenta a adesão ao tratamento. Os principais ISRS são a fluoxetina, a sertralina, o citalopram, a fluvoxamina e a paroxetina. Os ISRS inibem de forma potente e seletiva a recaptação de serotonina, levando ao aumento da concentração de serotonina na fenda sináptica e, consequentemente, resultando em potencialização da neurotransmissão serotonérgica. Esse é o principal mecanismo de ação dos ISRS. Há indicações de que os ISRS possuem ainda efeitos anticolinérgicos, embora em menor proporção do que observado com o uso dos antidepressivos tricíclicos. Os diferentes fármacos ISRS compartilham o principal mecanismo de ação, embora a potência da inibição de recaptação da serotonina varie entre os representantes, sendo a sertralina e a paroxetina os mais potentes inibidores. São fármacos bem tolerados e, inclusive, são os medicamentos de escolha para o tratamento da depressão pediátrica. De forma geral, os efeitos adversos mais frequentemente relatados são: transtornos gastrintestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia); transtornos psiquiátricos (agitação, ansiedade, insônia); alterações do sono; urticária; fadiga; alterações do peso; e disfunções sexuais (retardo ejaculatório em homens e anorgasmia em mulheres). Na maioria dos pacientes, a fluoxetina apresenta efeito anorexígeno e, por esse motivo, ela é utilizada por algumas pessoas para perder peso. É importante salientar que seu uso para fins de emagrecimento não é indicado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), pois o efeito anorexígeno é transitório (a parda de peso ocorre somente durante os primeiros 6 meses) e também porque foram relatados efeitos adversos potencialmente graves, que incluem a síndrome do pânico e os distúrbios psicóticos, em indivíduos não depressivos que fazem uso desse fármaco. Outras classes de antidepressivos • A venlafaxina e seu metabólito ativo, a O-desmetilvenlafaxina, são inibidores seletivos da recaptação de serotonina (principalmente) e de noradrenalina. Essas substâncias não apresentam afinidade por receptores adrenérgicos alfa-1, muscarínicos ou histamínicos (veja a figura a seguir). 201 FARMACOLOGIA Fenda sináptica Neurônio pós-sináptico Neurônio pré-sináptico Resposta pós-sináptica - Venlafaxina Duloxetina Norepinefrina Serotonina O fármaco antidepressivo bloqueia a captação do neurotransmissor Figura 73 – Mecanismo de ação dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina Fonte: Clark et al. (2013, p. 154). • A nefazodona inibe a recaptação neuronal de serotonina e noradrenalina e é um antagonista de receptores 5HT2 e de receptores alfa adrenérgicos. • A trazodona apresenta, como provável mecanismo de ação, a inibição da recaptação de serotonina e de noradrenalina, além de apresentar atividade antagonista de adrenoceptores alfa e atividade anti-histamínica. Esse fármaco está associado à ocorrência de priapismo (ereção peniana prolongada na ausência de estímulo), motivo de interrupção do tratamento. • A reboxetina apresenta atividade seletiva sobre a recaptação de noradrenalina, com atividade antagonista alfa-2. • A bupropiona apresenta mecanismo de ação não completamente conhecido. Propõe-se que esse fármaco apresente atividade noradrenérgica e dopaminérgica, mas não serotoninérgica. Ocorre aumento da liberação de noradrenalina corpórea e fraca inibição in vitro da captação neuronal de noradrenalina e de dopamina. Entre os antidepressivos de nova geração, apresenta o menor potencial de indução de efeitos adversos e a menor incidência de descontinuação do tratamento por intolerância. Além do uso como antidepressivo, é utilizado como suporte para quem deseja parar de fumar. • A ação da mirtazapina se dá através do aumento da atividade noradrenérgica e serotonérgica central. A mirtazapina é um antagonista de receptores alfa-2 adrenérgicos pré-sinápticos e antagonista 5-HT2 e 5-HT3 pós-sináptico. Sua afinidade pelos receptores histamínicos H1 explica o efeito sedativo. Apresenta fraca atividade por receptores muscarínicos e dopaminérgicos. Mesmo estando relacionada com o bloqueio de diferentes sistemas receptores, a mirtazapina apresenta boa tolerabilidade. 202 Unidade IV 7.2.3 Estabilizadores do humor De acordo com Ward e Azzaro (2011), os fármacos utilizados no tratamento do transtorno bipolar são conhecidos como estabilizadores do humor. O transtorno bipolar consiste em uma perturbação mental caracterizada pela alternância entre períodos depressivos e períodos de ânimo exacerbado (mania ou hipomania). Durante o período de mania, a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente enérgica, contente ou irritável. Durante as fases depressivas, a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contato ocular com outras pessoas. O risco de suicídio entre as pessoas com transtorno bipolar é elevado e de 30% a 40% praticam automutilação. As causas do transtorno bipolar ainda não são totalmente compreendidas, mas tanto fatores ambientais como genéticos têm influência. De todos os fármacos denominados de estabilizadores do humor, o carbonato de lítio é o que tem eficácia mais abrangente. Tem como desvantagem início retardado de efeito (por isso utilizam-se anticonvulsivantes, neurolépticos ou benzodiazepínicos em associação com lítio no início do tratamento) e o índice terapêutico estreito,o que aumenta a chance de intoxicação. O mecanismo de ação exato do lítio não é conhecido. As principais hipóteses são: • Interfere no metabolismo do inositol trifosfato, responsável pela liberação do cálcio de seus depósitos intracelulares, possivelmente através da inibição de enzimas envolvidas na formação do inositol. • Por sua similaridade com outros elementos (sódio, potássio, cálcio e magnésio), o lítio eleva os níveis de serotonina e diminui os níveis de norepinefrina, alterando, ainda, as concentrações de dopamina, GABA e acetilcolina. • Inibe a adenilil ciclase e a inositol-1-fosfatase, ocasionando redução da neurotransmissão noradrenérgica. A inibição da adenilil ciclase leva a uma diminuição dos níveis de AMPc, o que resulta em efeitos variados. A inibição da inositol-1-fosfatase leva a uma depleção relativa de inositol e, consequentemente, a alterações no receptor acoplado ao fosfatidilinositol; porém, os efeitos da administração crônica são provavelmente mediados por mudanças distais ao receptor (por exemplo, em nível de proteína G) ou modificações nas isoenzimas da PKC, responsáveis pelas fosforilações de proteínas nucleares. • Em relação à neurotransmissão noradrenérgica, o lítio diminui a estimulação da adenilatociclase mediada por receptores beta-adrenérgicos e tende a diminuir o número de receptores alfa-2. • Promove o aumento da captação do triptofano (precursor da serotonina) e a diminuição da atividade de receptores serotoninérgicos pré-sinápticos inibitórios, um aumento da liberação de serotonina, especialmente no hipocampo. Também ocorre, no hipocampo, diminuição dos receptores 5-HT2 e aumento à resposta pós-sináptica de receptores 5-HT1. • Promove aumento da concentração sináptica de glutamato que, com o tempo, estimula sua atividade do transporte e os receptores de GABA do hipocampo aumentando seus níveis. 203 FARMACOLOGIA A desvantagem do lítio é significativa, pois, além de seus efeitos adversos indesejáveis, ele pode ser tóxico para a tireoide, causando hipotireoidismo. Também pode causar insuficiência renal permanente. Recomenda-se monitorar a função desses órgãos a cada 6 meses. Entretanto, em pacientes com transtorno bipolar os seus benefícios geralmente superam sua toxicidade e, por isso, é importante saber usá-lo. Quando possível, deve-se fazer o monitoramento dos níveis séricos de lítio. O lítio não deve ser administrado em casos de insuficiência renal grave ou doença cardiovascular, debilitação significativa, desidratação, depleção de sódio e para os pacientes em uso de diuréticos ou inibidores da enzima conversora da angiotensina, uma vez que o risco de toxicidade é muito alto nesses pacientes. 7.2.4 Neurolépticos Os neurolépticos, também conhecidos como antiesquizofrênicos antipsicóticos ou tranquilizantes maiores, correspondem a um grupo heterogêneo de fármacos usados principalmente para tratar a esquizofrenia, a psicose, a mania, os delírios e os estados de agitação. A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica comum e grave, que afeta cerca de 1% da população no mundo. A morbidade, a mortalidade e o impacto na qualidade de vida são consideráveis e a doença tem alto custo econômico para a sociedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a esquizofrenia como a oitava principal causa de incapacidade em todo o mundo na faixa etária de 15 a 44 anos. O portador de esquizofrenia e dos denominados transtornos esquizofrênicos apresenta um conjunto de psicoses endógenas (desorganização do pensamento e/ou do comportamento) cujos sintomas fundamentais apontam para a existência de uma dissociação entre a ação e o pensamento, expressa por uma sintomatologia variada, que pode incluir delírios persecutórios, alucinações, labilidade afetiva, entre outros. Pessoas com esquizofrenia podem parecer que perderam o contato com a realidade. Os aspectos mais característicos da esquizofrenia são alucinações e delírios, transtornos de pensamento e fala, perturbação das emoções e do afeto, e déficits cognitivos. Há diferentes tipos de esquizofrenia (paranoide, hebefrênica, catatônica, indiferenciada, residual, simples etc.). De uma forma geral, independentemente do tipo de esquizofrenia, os sintomas se dividem em três categorias: (1) positiva; (2) negativa; e (3) cognitiva. Os sintomas positivos são aqueles que geralmente respondem ao tratamento com neurolépticos clássicos, enquanto os sintomas negativos e os cognitivos são relativamente difíceis de serem tratados e requerem o uso dos neurolépticos mais modernos (atípicos). Pessoas com sintomas positivos podem “perder contato” com alguns aspectos da realidade. Alucinações, delírios, pensamentos desordenados e distúrbios do movimento (por exemplo, a acatisia, caracterizada por agitação psicomotora) são os principais sintomas positivos. Os sintomas negativos estão associados a interrupções nas emoções e nos comportamentos habituais e incluem: redução do afeto (expressão reduzida de emoções através da expressão facial ou tom de voz), anedonia ou perda da capacidade de sentir prazer na vida cotidiana, dificuldade em iniciar e manter atividades do dia a dia, redução de fala e apatia. 204 Unidade IV Para alguns pacientes, os sintomas cognitivos são sutis, mas para outros são mais graves, e os pacientes podem perceber mudanças na memória ou outros aspectos do pensamento. Os sintomas cognitivos incluem: baixo funcionamento intelectual (capacidade de entender informações e usá-las para tomar decisões) e dificuldades para manter-se focado ou prestar atenção em atividades cotidianas. Do ponto de vista etiológico, é difícil estabelecer uma causa única para a esquizofrenia. São necessários fatores predisponentes (genéticos, constitucionais, bioquímicos) associados a fatores ambientais para o desenvolvimento da doença. Teorias dopaminérgica, serotoninérgica e glutamatérgica da esquizofrenia A hipótese dopaminérgica é a mais aceita como sendo associada aos sintomas positivos da esquizofrenia. Os neurônios dopaminérgicos estão presentes no SNC, nas vias mesolímbica, mesocortical, tuberoinfundibular e nigroestriatal, conforme já discutido anteriormente (no tópico Neurotransmissores). O paciente esquizofrênico pode apresentar ilusões na área emocional, mística e sexual, alucinações auditivas e olfativas e distorção da realidade. Esses sintomas estão relacionados ao aumento da dopamina liberada nas sinapses da via mesolímbica e mesocortical e são tratados com neurolépticos que bloqueiam os receptores dopaminérgicos centrais. A teoria dopaminérgica da esquizofrenia foi baseada na observação de que certos fármacos psicoestimulantes (anfetamina) tinham a capacidade de estimular a neurotransmissão da dopamina, causando uma psicose tóxica com características muito semelhantes às da esquizofrenia. A semelhança é tão grande, que pode levar a erros diagnósticos, caso o médico ignore que o paciente tenha ingerido anfetamina. Sabe-se que a anfetamina atua nos terminais dopaminérgicos aumentando a liberação de dopamina, além de impedir sua inativação na fenda sináptica, por inibir o mecanismo neuronal de recaptação existente na membrana pré-sináptica. Assim, acredita-se que os sintomas da esquizofrenia sejam devidos ao excesso de atividade dopaminérgica determinado pela anfetamina. De fato, essas manifestações de psicose cedem rapidamente após a administração de neurolépticos bloqueadores dos receptores dopaminérgicos, sobretudo do tipo D2, ricamente distribuídos nos gânglios da base e áreas mesolímbicas. Além disso, alguns pacientes com doença de Parkinson tratados com L-DOPA, precursor da dopamina, desenvolvem sintomas psicóticos semelhantes. Sabe-se ainda que o efeito antipsicótico de drogas como a clopromazina e o haloperidol deve-se a sua ação em bloquear a atividade dopaminérgica. Atualmente, sabe-se que, além do sistema dopaminérgico, outros sistemas de neurotransmissores centrais desempenham algum papel, sendo provável que vários sistemas estejamenvolvidos simultaneamente. De fundamental importância é a teoria serotoninérgica, que complementa a dopaminérgica no entendimento da gênese dos sintomas negativos e positivos, respectivamente. A teoria serotoninérgica foi formulada a partir da observação de que o LSD, que atua como antagonista dos receptores serotoninérgicos, causa alucinações visuais, auditivas e sensoriais semelhantes às observadas na esquizofrenia. Essa observação levantou a possibilidade de que um déficit de serotonina estivesse envolvido na patogênese dos sintomas negativos da esquizofrenia. De fato, vários experimentos demonstraram que 205 FARMACOLOGIA baixos níveis do ácido 5-hidroxi-indolacético (principal metabólito da serotonina) no líquor estão relacionados com sinais de impulsividade e propensão a cometer atos violentos contra si próprios ou contra os outros. Outro neurotransmissor, o glutamato, também parece estar relacionado ao desenvolvimento da esquizofrenia. Segundo a hipótese glutamatérgica, quantidades excessivas desse neurotransmissor exercem um efeito neurotóxico que desencadeia os sintomas da esquizofrenia. Fármacos neurolépticos Os neurolépticos são fármacos usados majoritariamente no tratamento da esquizofrenia. São antagonistas dos receptores D2 de dopamina, embora atuem bloqueando também adrenoceptores alfa-1, receptores colinérgicos muscarínicos M1, receptores histaminérgicos H1 e receptores 5HT2 de serotonina (veja a figura a seguir). De maneira geral: • Quanto maior a atividade antagonista D2, melhor o controle dos sintomas positivos. • Quanto maior a atividade antagonista 5HT2, melhor o controle dos sintomas negativos. A ativação do receptor 5HT2A pré-sináptico está relacionada com a diminuição da liberação de serotonina na fenda sináptica. Portanto, o bloqueio desse receptor causa aumento da neurotransmissão serotoninérgica, com correção dos sintomas negativos. • Quanto maior a atividade antagonista alfa-1, mais evidentes são os efeitos adversos decorrentes da diminuição do tônus simpático. • Quanto maior a atividade antagonista H1, mais intensa é a sedação decorrente do tratamento. - - - - - Particularmente clorpromazina Antipsicóticos Colinérgico (receptor muscarínico) Receptor de dopamina Receptor α-adrenérgico Receptor de serotonina Receptor de histamina H1 Particularmente clorpromazina, clozapina Risperidona, clozapina Todos, mas particularmente haloperidol, flufenazuna, tiotixeno Particularmente tioridazina, clorpromazina Figura 74 – Ação dos neurolépticos (antipsicóticos) sobre diferentes sistemas receptores Fonte: Clark et al. (2013, p. 163). Os neurolépticos são divididos em duas classes: os típicos e os atípicos. Os neurolépticos típicos, também conhecidos como clássicos, incluem o haloperidol, a clorpromazina, a flufenazina, a tioridazina, o flupentixol e a loxapina. Apresentam maior atividade antagonista em receptores D2 do que em receptores 5HT2. 206 Unidade IV Os antipsicóticos atípicos, como a olanzapina, a clozapina, a quetiapina, a risperidona, o supiride e o sertindol, apresentam maior atividade em receptores 5HT2 de serotonina do que em receptores D2. O aripiprazol, um novo antipsicótico, apresenta como principal característica o agonismo parcial em receptores dopaminérgicos. Os antipsicóticos de primeira geração (típicos) de alta potência e de baixa potência promovem o bloqueio pós-sináptico dos receptores da dopamina D2 no sistema nervoso central. Os de baixa potência também possuem atividade anticolinérgica e anti-histaminérgica. Os antipsicóticos de segunda geração (atípicos) promovem o bloqueio pós-sináptico dos receptores da dopamina D2 (menos pronunciada que dos antipsicóticos típicos), atuam antagonizando os receptores serotoninérgicos 5-HT2A e interagem com vários outros receptores (D3, D4, antagonista nos receptores alfa-1 e alfa-2-adrenérgicos e nos receptores histaminérgicos H1). Os antipsicóticos de primeira geração (típicos) são caracterizados por efeitos colaterais indesejáveis, como sintomas extrapiramidais, hiperprolactinemia, discinesia tardia e possível síndrome maligna dos neurolépticos. Os antipsicóticos de segunda geração (atípicos) podem ser diferenciados dos antipsicóticos tradicionais por seus níveis baixos desses efeitos colaterais indesejados, por eficácia e, em geral, por suposta segurança aumentada. Os neurolépticos bloqueiam os receptores dopaminérgicos em todo o SNC; consequentemente, há o bloqueio das vias tuberoinfundibular e nigroestriatal, o que resulta em efeitos colaterais hormonais e extrapiramidais, respectivamente. O bloqueio dopaminérgico indesejável na via tuberoinfundibular traz efeitos colaterais como a galactorreia (produção de leite nas mamas de homens ou de mulheres que não estão amamentando) e a síndrome neuroléptica maligna (caracterizada por aumento da temperatura corporal, alteração do nível de consciência, hipertonia, disfunção autonômica e insuficiência respiratória, entre outros). Na via nigroestriatal, o bloqueio de receptores dopaminérgicos causa efeitos motores (efeitos extrapiramidais), como acatisia (impossibilidade de estar parado ou sentado; caracteriza-se pela inquietação, ansiedade, agitação, vontade de mover-se todo o tempo), o parkinsonismo medicamentoso, a distonia aguda (contrações musculares involuntárias), o tremor perioral e a discinesia tardia (movimentos involuntários, como fazer caretas e trejeitos ou piscar seguidamente). Os sintomas extrapiramidais podem ser tratados com a redução da dose dos neurolépticos ou com antiparkinsonianos (anticolinérgico e antagonista muscarínico central), como biperideno, benzhexol, orfenadrina, benzatropina, prometazina e amantadina. Esses fármacos melhoram o tremor e a rigidez e diminuem a secreção salivar, mas podem ocasionar confusão mental, retenção urinária e visão embaçada como efeitos adversos. O biperideno é uma referência para o tratamento dos sintomas extrapiramidais, e a dose prescrita está relacionada com a do neuroléptico utilizado. Os sintomas extrapiramidais são causas importantes da não adesão do paciente ao tratamento psiquiátrico. 207 FARMACOLOGIA 7.2.5 Anticonvulsivantes Os fármacos anticonvulsivantes (antiepiléticos) são usados no tratamento da epilepsia. O objetivo do tratamento farmacológico dessa condição é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de efeitos adversos. A epilepsia é um distúrbio crônico caracterizado por episódios recorrentes nos quais o cérebro está sujeito a descargas excessivas anormais (convulsões) em uma população de neurônios do SNC. Observação Não se deve confundir convulsão com epilepsia. A convulsão é a descarga neuronal excessiva, de caráter isolado e sem característica repetitiva (episódio único). A epilepsia caracteriza-se por descarga neuronal excessiva de repetição. Há diferentes tipos de epilepsia. A crise focal (também referida como parcial), apresenta foco restrito a uma (unifocal) ou mais (multifocal) regiões cerebrais. Pode ser uma crise desperceptiva (com perda da consciência) ou perceptiva (com preservação da consciência). Por fim, classifica-se qual a manifestação sintomática (motora versus não motora). Se motora, pode ser clônica, tônica, atônica etc. Se não motora, cognitiva, sensorial, entre outras. Nas epilepsias focais, as crises epilépticas iniciam de forma localizada numa área específica do cérebro, e suas manifestações clínicas dependem do local de início e da velocidade de propagação da descarga epileptogênica. A crise generalizada implica atividade elétrica alterada por todo o encéfalo, com consciência não preservada. Pode ser generalizada e focal, motora e não motora. Se motora, pode envolver movimentos tônicos, clônicos, atônicos etc. Se não motora, por vezes é chamada de “crise de ausência”. As crises generalizadas manifestam-se por crises epilépticas cujo início envolve ambos os hemisfériossimultaneamente. As crises de ausência, as crises mioclônicas e as crises tônico-clônicas generalizadas são seus principais exemplos. A determinação do tipo específico de crise é importante, uma vez que seus mecanismos de geração e propagação diferem para cada situação, e existem anticonvulsivantes apropriados para a reversão de cada tipo de crise. Portanto, a escolha do medicamento é orientada pelo tipo de convulsão. Fármacos anticonvulsivantes Os anticonvulsivantes são classificados em clássicos (mais antigos) ou em mais recentes. Os anticonvulsivantes mais recentes geralmente são mais bem tolerados e têm uma faixa terapêutica mais ampla que os anticonvulsivantes clássicos. Todos os anticonvulsivantes têm efeitos colaterais dependentes da dose no SNC, como sonolência e náusea, mas alguns agentes têm efeitos colaterais mais específicos (por exemplo, hiperplasia gengival causada pela fenitoína). 208 Unidade IV Além de sua importância na terapia antiepilética, os anticonvulsivantes também são usados no tratamento da dor (por exemplo, carbamazepina ou gabapentina como coanalgésicos) ou como estabilizadores de humor nos distúrbios bipolares (valproato). O quadro a seguir descreve os principais anticonvulsivantes, seus mecanismos de ação e principais indicações terapêuticas. Quadro 10 – Principais anticonvulsivantes Fármaco Mecanismo de ação Principais usos terapêuticos Ácido valproico/ Valproato de sódio Provável: - Inibição da GABA transaminase (enzima que metaboliza o neurotransmissor inibitório GABA) - Bloqueio de canais de sódio Tratamento de primeira linha a longo prazo para crises generalizadas tônico-clônicas, convulsões parciais (focais), crises de ausência e convulsões mioclônicas. Também é utilizado no tratamento do transtorno bipolar Carbamazepina Provável: - Estabilização da membrana do nervo hiperexcitado - Inibição da descarga neuronal repetitiva, por bloqueio dos canais de sódio - Redução da propagação sináptica dos impulsos excitatórios glutamatérgicos Tratamento de primeira linha para crises generalizadas e focais tônico-clônicas e como tratamento de primeira linha da neuralgia do nervo trigêmeo Etossuximida Provável: - Inibição dos canais de cálcio do tipo T Crises de ausência Fenitoína Provável: - Bloqueio de canais de sódio Convulsões tônico-clônicas e profilaxia do estado de mal epilético. Raramente usada para tratamento prolongado de convulsões focais Diazepam (benzodiazepínico) Ligação ao receptor GABAA, com consequente aumento da afinidade do GABA por esse receptor e aumento da resposta mediada por ele Tratamento de primeira linha para o estado de mal epiléptico Lamotrigina Atua principalmente como bloqueador dos canais de sódio e bloqueador de canais de cálcio do tipo L, N e P Possui fraco efeito sobre o receptor serotoninérgico 5HT-3 Tratamento de primeira linha para terapia prolongada de crises focais, de segunda linha para crises generalizadas e crises de ausência e como estabilizador de humor para tratamento do transtorno bipolar Fenobarbital (barbitúrico) Ligação ao receptor GABAA, com consequente aumento do tempo de abertura do canal de cloreto induzida pelo GABA Prevenção de convulsões em indivíduos com epilepsia ou crises convulsivas de outras origens. Eficaz especialmente em crises generalizadas tônico-clônicas e convulsões focais Gabapentina Provável: -Bloqueio dos canais de cálcio dependentes de voltagem (tipo T e tipo L) nos neurônios centrais Tratamento de segunda linha para convulsões focais Vigabatrina Provável: -Inibição da GABA transaminase (responsável pela degradação do GABA) Crises focais refratárias Topiramato Bloqueio dos canais de sódio, potencialização da ação do GABA, redução da atividade excitatória do glutamato, inibição dos canais de cálcio de alta voltagem e inibição da anidrase carbônica no SNC. Crises epilépticas tônico-clônicas focais e generalizadas e na profilaxia da enxaqueca em alguns pacientes 209 FARMACOLOGIA 7.2.6 Antiparkinsonianos A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. A etiologia e a patogênese não são completamente compreendidas. O tratamento farmacológico da doença de Parkinson é predominantemente focado no controle dos sintomas motores. O distúrbio do movimento da doença de Parkinson ocorre em grande parte devido à perda seletiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra, com consequente depleção de dopamina no estriado. Os fármacos utilizados no tratamento da doença de Parkinson visam substituir essa dopamina no estriado. Isso pode ser alcançado através de fármacos que são metabolizados em dopamina, ou que ativam o seu receptor ou que impedem a quebra da dopamina endógena. Não existe um padrão único de estratégia de tratamento, com regimes de medicação adaptados a cada paciente, com base na gravidade e natureza temporal de seus sintomas, bem como nos efeitos colaterais que eles experimentam. A dopamina é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica e deve ser produzida dentro do sistema nervoso central para atuar no estriado. É sintetizada principalmente nos neurônios dopaminérgicos (neurônios produtores de dopamina) no cérebro, com pequenas quantidades também sendo produzidas na medula das glândulas suprarrenais. Na via biossintética clássica da dopamina, o precursor metabólico direto é a L-di-hidroxifenilalanina (levodopa ou L-dopa) sintetizada diretamente da tirosina (um aminoácido não essencial) ou indiretamente da fenilalanina (um aminoácido essencial). A via clássica da biossíntese da dopamina foi abordada no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação. Além disso, em condições específicas, a dopamina também pode ser sintetizada por uma via menor, na qual a L-tirosina é convertida em p-tiramina, com subsequente hidroxilação em dopamina pela enzima CYP2D6 (citocromo P450 2D6) encontrada na substância negra do cérebro humano. A dopamina é metabolizada após a recaptação para neurônios dopaminérgicos ou células da glia. Sofre desaminação oxidativa, catalisada pela enzima monoamina oxidase (MAO), conforme descrito anteriormente (no tópico Neurotransmissores autonômicos: biossíntese e biotransformação). Alternativamente, a dopamina é metabolizada em 3-metoxitiramina por COMT, que por sua vez é convertida em 3-metoxi-4-hidroxiacetaldeído pela MAO. A aldeído desidrogenase, mencionada anteriormente, converte isso em HVA, que é excretada na urina. Fármacos usados no tratamento da doença de Parkinson Atualmente, não existem medicamentos modificadores da doença de Parkinson, de forma que os tratamentos utilizados podem oferecer alívio sintomático significativo dos sintomas motores, mas oferecem pouco benefício clínico em termos das manifestações não motoras da doença. É prática comum atrasar o início do tratamento até que os sintomas do paciente se tornem preocupantes, para reduzir o impacto de efeitos adversos. A base do tratamento atual da doença de Parkinson são as preparações à base de levodopa (L-dopa). Como descrito anteriormente, a dopamina em si é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica e não 210 Unidade IV pode ser usada como tratamento. Por outro lado, o precursor da dopamina, levodopa, é capaz de atravessá-la e, portanto, é administrada como terapia. Após absorção e passagem pela barreira hematoencefálica, a levodopa é convertida no neurotransmissor dopamina pela enzima dopa descarboxilase. É prática comum que os pacientes iniciem uma dose baixa de levodopa, com a dose sendo titulada com base na resposta do paciente ao tratamento, equilibrada contra os efeitos adversos experimentados. Geralmente, o efeito clínico da levodopa é percebido rapidamente e pode durar várias horas, principalmente nos estágios iniciais da doença. No entanto, à medida que a doença se torna mais avançada, o efeito do fármaco geralmente desaparece após períodos mais curtos, sendo necessárioo aumento da frequência da dosagem. A levodopa, embora eficaz, apresenta efeitos colaterais significativos que constituem uma parte importante da doença vivenciada pelo paciente, particularmente em quadros avançados. Alguns de seus efeitos adversos resultam da conversão de levodopa em dopamina fora do SNC (conversão periférica). Esses efeitos são minimizados através da associação desse fármaco com inibidores periféricos da dopa descarboxilase, conforme discutiremos adiante. O uso prolongado pode resultar em complicações motoras significativas, incluindo discinesias e graves flutuações motoras. Outros efeitos adversos importantes incluem distúrbios gastrointestinais, como náusea e vômito, e hipotensão ortostática. Características neuropsiquiátricas, incluindo ansiedade e alucinações, podem ocorrer devido ao aumento da neurotransmissão dopaminérgica nas regiões mesolímbica e mesocortical, mimetizando um quadro semelhante à esquizofrenia. Observação Em relação à neurotransmissão dopaminérgica, a esquizofrenia e o Parkinson apresentam características opostas: a primeira é caracterizada pelo aumento dos níveis de dopamina e a segunda pela diminuição. Para reduzir seus efeitos colaterais periféricos, a levodopa é administrada em combinação com inibidores da dopa descarboxilase, como a benserazida e a carbidopa. Esses compostos não atravessam a barreira hematoencefálica e impedem seletivamente a conversão periférica de levodopa em dopamina, reduzindo assim os efeitos adversos na periferia. As associações mais frequentemente prescritas são carbidopa/levodopa e benserazida/levodopa. Os agonistas dos receptores de dopamina ativam os receptores dopaminérgicos na via nigroestriatal e, assim, restabelecem o movimento. Esses fármacos, que incluem os derivados do ergot (bromocriptina e cabergolina) e os não derivados do ergot (apomorfina, pramipexol, ropinirol e rotigotina), são frequentemente prescritos como terapia inicial para a doença de Parkinson, principalmente em pacientes mais jovens. Essa abordagem permite um atraso no uso da levodopa, o que pode reduzir o impacto das complicações motoras problemáticas discutidas anteriormente. Alguns estudos pré-clínicos e de imagem sugeriram que os agonistas de receptores da dopamina podem possuir propriedades antioxidantes e levar à redução da perda de neurônios dopaminérgicos, embora não haja evidências convincentes de que esses fármacos ofereçam um efeito modificador da doença. 211 FARMACOLOGIA Os inibidores da MAO-B (selegilina e rasagilina) inibem a biotransformação da dopamina após sua recaptação neuronal, o que resulta na preservação dos níveis de dopamina endógena. Seu uso alivia os sintomas motores em pacientes com doença de Parkinson e, como os agonistas da dopamina, eles podem ser usados como uma opção inicial de tratamento, para atrasar a necessidade de terapia com levodopa. Os inibidores da MAO-B também podem ser utilizados em combinação com preparações à base de levodopa, para permitir uma redução na sua dose. Os inibidores da COMT (entacapona e tolcapona) também preservam os níveis endógenos de dopamina, reduzindo sua degradação após recaptação pelos tecidos-alvo. Esses fármacos são predominantemente usados como terapia adjuvante à levodopa, prolongando sua duração de ação e aumentando sua meia-vida e sua distribuição. A entacapona, por exemplo, é frequentemente usada em uma preparação combinada, juntamente a carbidopa e levodopa. No entanto, essa associação pode resultar em amplificação dos efeitos adversos induzidos pela levodopa, o que requer a diminuição da sua dose. Todos os fármacos discutidos até agora aumentam a atividade dopaminérgica no estriado. Há, no entanto, um pequeno número de fármacos utilizados no tratamento da doença de Parkinson que atuam através de mecanismos não dopaminérgicos. Uma dessas classes de fármacos são os anticolinérgicos. Os anticolinérgicos de ação central (benzotropina, orfenadrina, prociclidina e triexifenidil e biperideno) são antagonistas dos receptores muscarínicos que reduzem a neurotransmissão colinérgica no sistema nervoso central. Embora seu papel seja limitado e sejam prescritos com pouca frequência, eles podem oferecer algum benefício em melhorar a rigidez e o tremor na doença de Parkinson. A perda de neurônios dopaminérgicos resulta em perturbação do equilíbrio normal entre dopamina e acetilcolina no cérebro, e os medicamentos anticolinérgicos podem levar à restauração e à manutenção do equilíbrio normal entre esses dois neurotransmissores (veja a figura a seguir). Neurônio ACh estimulante Neurônio DA inibitório Neurônio GABA inibitório Substância negra Neurônio Neoestriado Neurônio Conexões ao músculo através do córtex motor e da medula espinal 1. Devido à morte celular, ocorre menor liberação de dopamina no neoestriado 2. A perda do efeito inibitório da dopamina resulta em maior produção de acetilcolina que inicia uma sequência de sinalização anormal, comprometendo a motilidade Figura 75 – Envolvimento da neurotransmissão colinérgica na doença de Parkinson Fonte: Clark et al. (2013, p. 102). 212 Unidade IV Quando são utilizados anticolinérgicos, isso geralmente é feito em combinação com a levodopa e com os outros medicamentos mencionados anteriormente. Geralmente são evitados em pacientes idosos ou com problemas cognitivos, devido ao aumento do risco de confusão mental. O biperideno é um anticolinérgico utilizado no tratamento do parkinsonismo medicamentoso (induzido por neurolépticos), pois, nesse caso, não é recomendado se aumentar a neurotransmissão dopaminérgica, sob o risco do retorno dos sintomas da esquizofrenia. Inicialmente, a amantadina foi desenvolvida como um fármaco antiviral para o tratamento da gripe, mas posteriormente foi usada para o tratamento da doença de Parkinson. Pode ser usado no tratamento de rigidez, tremor de repouso e, às vezes, fadiga, e pode oferecer uma melhora de curta duração nos sintomas. Também pode permitir o uso de uma dose mais baixa de levodopa, reduzindo o risco de discinesia. Entretanto sua propriedade mais útil provavelmente é o fato de poder ser utilizada para limitar a gravidade das discinesias induzidas por levodopa. Não se sabe o mecanismo exato da amantadina que justifique seu efeito antiparkinsoniano, mas há evidências que a amantadina atua como um antagonista fraco do glutamato no receptor N-metil-D-aspartato (NMDA). 7.3 Fármacos que atuam no trato respiratório As principais doenças que afetam o trato respiratório são a asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Cada uma dessas condições pode estar associada à tosse incoercível, que pode ser a única queixa do paciente. A asma é uma doença crônica caracterizada por vias aéreas hiper-responsivas, que afetam milhões de pacientes (7% da população brasileira), resultando anualmente em 1 milhão de atendimentos de emergência, 150 mil hospitalizações e 3 mil mortes. A DPOC, que inclui enfisema e bronquite crônica, pode afetar mais de 12 milhões de pessoas no Brasil. A rinite alérgica, caracterizada por olhos lacrimejantes, prurido, rinorreia e tosse não produtiva, é uma condição extremamente comum que, segundo os pacientes, diminui a qualidade de vida. A tosse é uma defesa respiratória importante contra os agentes irritantes e é citada como a principal razão pela qual os pacientes procuram cuidados médicos. A tosse coercível pode representar diversas etiologias, como resfriado, sinusite ou doença respiratória crônica subjacente. 7.3.1 Antiasmáticos Asma A asma é uma doença das vias aéreas caracterizada por episódios de broncoconstrição aguda, causando encurtamento da respiração, tosse, tensão torácica, respiração ruidosa e rápida. Esses sintomas agudos podem ser resolvidos espontaneamente, com exercícios de relaxamento não farmacológico ou com fármacos de “alívio rápido”, como um agonista beta-2 adrenérgico de ação curta. A asma, diferentemente da bronquite crônica,fibrose cística ou bronquiectasia, não é uma doença progressiva (ou seja, não evolui para a degradação das vias aéreas inevitavelmente). A asma 213 FARMACOLOGIA é uma doença crônica com fisiopatologia inflamatória subjacente, que, se não tratada, pode evoluir para remodelação das vias aéreas, resultando em agravamento e incidência de exacerbações e/ou morte. Mortes decorrentes de asma são relativamente infrequentes, mas a morbidade significativa resulta em altos custos de atendimento e ambulatorial, numerosas hospitalizações e redução na qualidade de vida. O tratamento da asma consiste em dois objetivos: redução do agravamento e redução do risco. A redução do agravamento significa diminuir a intensidade, a frequência dos sintomas e o grau de limitações que o paciente apresenta devido a esses sintomas. A redução do risco significa diminuir os resultados adversos associados à asma e ao seu tratamento. A obstrução do fluxo aéreo na asma resulta em broncoconstrição por contração de músculos lisos brônquicos, inflamação da parede brônquica e aumento na secreção de muco. As crises de asma podem estar relacionadas a uma exposição recente a alérgenos ou irritantes inalados, levando à hiperatividade brônquica e à inflamação da mucosa das vias aéreas. Os sintomas da asma podem ser tratados efetivamente com vários fármacos, mas nenhum deles promove a cura. Trato respiratório superior Trato respiratório inferior Cavidade nasal Faringe Traqueia Pulmão Laringe Brônquio principal Figura 76 – Trato respiratório Fonte: Edward e John (2003, p. 238). Fármacos utilizados no tratamento da asma Os fármacos utilizados no tratamento das doenças respiratórias podem ser aplicados topicamente na mucosa nasal, inalados ou administrados por via oral ou parenteral para a absorção sistêmica. Os métodos de aplicação local, como nebulizadores ou inaladores, são os preferidos, pois o fármaco atinge o tecido-alvo e minimiza os riscos sistêmicos. Os objetivos do tratamento da asma são diminuir a 214 Unidade IV intensidade e a frequência dos sintomas e o grau de limitações que o paciente apresenta devido a esses sintomas. Todos os pacientes necessitam de medicação de alívio rápido para tratar de sintomas agudos. O tratamento farmacológico para controle de longo prazo objetiva reverter e prevenir a inflamação das vias aéreas. As principais classes terapêuticas estão listadas a seguir: • Modificadores de leucotrieno: os principais fármacos desta categoria são o montelucaste e o zafirlucaste. Os leucotrienos são produzidos a partir do ácido araquidônico pela via da 5-lipoxigenase e parte da cascata inflamatória. Os leucotrienos atuam no recrutamento dos eosinófilos e neutrófilos, além de gerar a contração dos músculos lisos dos bronquíolos, aumentar a permeabilidade endotelial e promover a secreção de muco. — Mecanismo de ação: o montelucaste e o zafirlucaste atuam como antagonistas seletivos do receptor de leucotrieno. — Indicação: esses fármacos são aprovados para prevenir os sintomas da asma. Eles não devem ser utilizados em situações em que é necessária a broncodilatação imediata. Os antagonistas de leucotrieno também podem atuar na prevenção do broncoespasmo induzido pelo exercício. — Efeitos adversos: ocorre elevação das enzimas hepáticas, exigindo monitorização periódica e interrupção do tratamento se houver aumento de mais que três vezes dos valores normais das enzimas hepáticas no soro. Outros efeitos incluem cefaleia e dispepsia. • Cromolina — Mecanismo de ação: é um anti-inflamatório profilático que inibe a desgranulação e a liberação de histaminas dos mastócitos. — Indicação: é um tratamento alternativo contra a asma leve persistente. Contudo, não é útil no manejo dos ataques agudos da asma, pois não é broncodilatador. — Efeitos adversos: são mínimos, mas podem surgir tosse, irritação e gosto desagradável. • Antagonistas colinérgicos: são exemplos de fármacos utilizados nesta classe o ipratrópio e o tiotrópio. — Mecanismo de ação: os anticolinérgicos bloqueiam a contração dos músculos lisos das vias aéreas e a secreção de muco mediadas pelo nervo vago. — Indicação: são indicados para pacientes que possuem baixa tolerância a outros broncodilatadores durante os episódios de asma. Oferecem vantagens terapêuticas sobre os demais broncodilatadores durante o tratamento de crises agudas de asma em emergências. — Efeitos adversos: xerostalmia e gosto amargo. Esses efeitos estão relacionados a efeitos locais. 215 FARMACOLOGIA • Teofilina — Mecanismo de ação: a teofilina é um broncodilatador que promove o alívio das vias aéreas na asma crônica. Possui atividade anti-inflamatória, embora o mecanismo ainda não esteja esclarecido. — Indicação: antigamente, a teofilina foi a base do tratamento da asma, sendo amplamente substituída pelos agonistas adrenérgicos e corticosteroides devido à janela terapêutica estreita. — Efeitos adversos: os principais efeitos adversos relatados são convulsões e arritmias potencialmente fatais. Apresenta numerosas interações medicamentosas. • Omalizumabe — Mecanismo de ação: este fármaco é um anticorpo monoclonal que se liga seletivamente à imunoglobulina E (IgE), diminuindo a ligação do IgE ao seu receptor na superfície dos mastócitos e basófilos. A ligação do omalizumabe ao IgE impede, portanto, a liberação de histamina e de outros mediadores inflamatórios. — Indicação: é indicado para o tratamento de asma persistente, de moderada a grave, em pacientes que são mal controlados com o tratamento convencional. — Efeitos adversos: seu uso é limitado devido ao alto custo e à administração subcutânea. Os efeitos adversos mais prevalentes são artralgias e urticárias. • Beta-2 agonistas adrenérgicos: essa classe terapêutica é divida em fármacos de alívio rápido e fármacos para controle a longo prazo. — Alívio rápido (salbutamol e levossalbutamol): os beta-2 agonistas de curta duração (BACAs) têm rápido início de ação (5 minutos) e proporcionam alívio durante 4 horas. - Mecanismo de ação: esses fármacos promovem broncodilação significativa com poucos efeitos indesejáveis de estimulação dos outros receptores adrenérgicos. - Indicação: os BACAs não têm efeitos anti-inflamatórios, são usados no tratamento sintomático do broncoespasmo e dão alívio rápido na broncoconstrição aguda. Todos os pacientes asmáticos devem fazer uso de um BACA. - Efeitos adversos: taquicardia, hiperglicemia, hippotassemia, hipomagnesemia e tremores dos músculos esqueléticos. — Controle a longo prazo (salmeterol e formoterol): são beta-2 agonistas de longa duração (BALAs) e são parecidos quimicamente com o salbutamol. Promovem broncodilatação por 12 horas. - Mecanismo de ação: são semelhantes aos BACAs, possuem apenas tempo de meia-vida maior. 216 Unidade IV - Indicação: não devem ser empregados como monoterapia e nem para alívio rápido durante o ataque de asma aguda. São considerados úteis como tratamento auxiliar para esse controle. - Efeitos adversos: são similares aos efeitos adversos dos BACAs. • Corticosteroides (CSIs): os CSIs são fármacos de escolha para controle de longo prazo em pacientes com algum grau de asma persistente. Estão nesta categoria os fármacos prednisolona, metilprednisolona, prednisona, beclometasona, budesonida, mometasona e fluticasona. — Mecanismo de ação: os CSIs inibem a liberação de ácido araquidônico por meio da inibição da fosfolipase A2, produzindo assim efeito anti-inflamatório direto nas vias aéreas. Não afetam diretamente o músculo liso das vias aéreas, ao contrário, os CSIs inalados visam diretamente à inflamação subjacente das vias aéreas, diminuindo a cascata inflamatória, revertendo o edema da mucosa, diminuindo a permeabilidade dos capilares e inibindo a liberação de leucotrienos. Após algum período de administração, os CSIs diminuem a responsividade das vias aéreas aos alérgenos, como irritantes, ar frio e exercício. — Indicação: nenhuma outra medicação étão eficaz no tratamento da asma crônica em longo prazo que os CSIs, tanto em crianças como em adultos. Devem ser usados regularmente para obter a máxima eficácia. A asma grave e persistente pode exigir o uso de glicocorticoides oral. — Efeitos adversos: candidíase orofarígea e rouquidão. Podem apresentar efeitos sistêmicos semelhantes a outros CSIs. Quadro 11 – Resumo dos fármacos que agem no trato respiratório Medicação Indicação Agonista beta-2 adrenérgico de ação curta Levossalbutamol Asma, DPOC Salbutamol Asma, DPOC Agonista beta-2 adrenérgico de ação longa Arformoterol DPOC Formoterol Asma, DPOC Indacaterol DPOC Salmeterol Asma, DPOC Corticosteroides inalatórios Beclometasona Rinite alérgica, Asma, DPOC Budenosida Rinite alérgica, Asma, DPOC Ciclesonida Rinite alérgica Fluticasona Rinite alérgica, Asma, DPOC Mometasona Rinite alérgica, Asma Triancinolona Rinite alérgica 217 FARMACOLOGIA Medicação Indicação Associação entre agonista beta-2 de ação longa e corticosteroides Formoterol + Budenosida Asma, DPOC Formoterol + Mometasona Asma, DPOC Salmeterol + Fluticasona Asma, DPOC Vilanterol + Fluticasona DPOC Anticolinérgico de ação curta Ipratrópio Rinite alérgica, DPOC Anticolinérgico de ação longa Aclidínio DPOC Tiotrópio DPOC Modificadores de leucotrienos Montelucaste Asma, rinite alérgica Zafirlucaste Asma Zeleutona Asma Anti-histamínico Azelastina Rinite alérgica Cetirizina Rinite alérgica Desloratadina Rinite alérgica Fexofenadina Rinite alérgica Loratadina Rinite alérgica Agonista alfa-adrenérgico Fenilefedrina Rinite alérgica Oximetazolina Rinite alérgica Pseudoefedrina Rinite alérgica Antitussígenos Benzonatato Supressor de tosse Codeína Supressor de tosse + expectorante Dextrometorfano Supressor de tosse Guainefenesina Supressor de tosse Outros fármacos Cromolina Asma, rinite alérgica Omalizumabe Asma Roflumilaste DPOC Teofilina Asma Fonte: Whalen, Finkel e Panaveli (2016, p. 382). 218 Unidade IV 7.3.2 Antialérgicos Rinite alérgica A rinite alérgica, também conhecida como febre do feno, é um tipo de inflamação no nariz que ocorre quando o sistema imune reage em excesso aos alérgenos no ar. Sinais e sintomas incluem um nariz entupido, espirros, olhos vermelhos, pruridos e inchaço ao redor dos olhos. O líquido do nariz geralmente é claro. O início dos sintomas é geralmente em poucos minutos após a exposição e pode afetar o sono, a capacidade de trabalhar e a capacidade de se concentrar na escola. Aqueles cujos sintomas são devidos ao pólen geralmente desenvolvem sintomas durante épocas específicas do ano. Muitas pessoas com rinite alérgica também têm asma, conjuntivite alérgica ou dermatite atópica. A rinite alérgica geralmente é desencadeada por alérgenos ambientais, como pólen, pêlos de animal de estimação, poeira ou mofo. A genética hereditária e as exposições ambientais contribuem para o desenvolvimento de alergias. Quando a criança vive em ambiente rural e tem muitos irmãos, o risco diminui. O mecanismo subjacente envolve anticorpos IgE associados ao alérgeno e causa a liberação de substâncias químicas inflamatórias, como a histamina dos mastócitos. O diagnóstico geralmente é baseado em uma história médica em combinação com um teste cutâneo ou exames de sangue para anticorpos IgE específicos para alérgenos. Esses testes, no entanto, às vezes são falsamente positivos. Os sintomas das alergias se assemelham aos do resfriado comum, no entanto, eles geralmente duram mais de duas semanas e tipicamente não incluem febre. Entre as opções de medicamentos para o tratamento da rinite alérgica estão: • Anti-histamínicos (fexofenadina, loratadina, desloratadina, cetirizina e azelastina). — Mecanismo de ação: são antagonistas dos receptores H1 de histamina que estão constitutivamente distribuídos pelo organismo. Dessa forma, a histamina liberada pelos mastócitos durante a crise alérgica não produzirá os efeitos histamínicos da inflamação. — Indicação: os anti-histamínicos são úteis no manejo dos sintomas de rinite alérgica causada pela liberação de histamina (espirros, rinorreia aquosa e prurido nasal e ocular). Contudo, são menos eficazes na prevenção dos sintomas do que no tratamento após o aparecimento dos sintomas. A combinação de anti-histamínicos com descongestionantes nasais tem uma eficácia maior. — Efeitos adversos: os efeitos mais comuns são sedação e efeitos anticolinérgicos. • Corticosteroides intranasais (beclometasona, budesonida, fluticasona, ciclesonida, mometasona e triancinolona). — Mecanismo de ação: inibem a liberação de ácido araquidônico por meio da inibição da fosfolipase A2, produzindo assim efeito anti-inflamatório direto nas vias aéreas. — Indicação: são os medicamentos mais eficazes no tratamento da rinite alérgica, contudo, há um período de latência antes que os efeitos terapêuticos sejam notados pelos pacientes. 219 FARMACOLOGIA — Efeitos adversos: a absorção sistêmica deve ser evitada para não apresentar os efeitos adversos sistêmicos típicos dos corticosteroides, portanto, o paciente deve ser instruído a não aspirar profundamente as soluções. As principais reações adversas locais são sangramento, irritação e dor de garganta. • Agonistas alfa adrenérgicos: são também chamados de descongestionantes nasais e incluem a fenilefrina e a oximetazolina. — Mecanismo de ação: os alfas agonistas adrenérgicos atuam na contração das arteríolas dilatadas na mucosa nasal e na redução da resistência das vias aéreas. — Indicação: são eficazes no tratamento da rinite alérgica. Podem ser classificados como de longa duração (oximetazolina) ou de curta duração (fenilefrina) e, quando administrados como aerossol, esses fármacos apresentam um início de ação rápido e poucos efeitos sistêmicos. — Efeitos adversos: infelizmente, as formulações intranasais de agonistas alfa adrenérgicos não devem ser usadas por mais de três dias devido ao risco de congestão nasal de rebote (rinite medicamentosa). Observação O tratamento de imunoterapia com alérgenos envolve a administração de doses de alérgenos para acostumar o corpo a substâncias que são geralmente inofensivas, como pólen e ácaros do pó doméstico, induzindo assim uma tolerância específica a longo prazo. A imunoterapia para alergia pode ser administrada por via oral ou por injeções subcutâneas. 7.3.3 Antitussígenos A tosse é um mecanismo de defesa importante do sistema respiratório contra os agentes irritantes e é uma causa comum para a procura por cuidados médicos. A tosse incoercível tem diversas etiologias, como resfriado comum, sinusite e/ou doença respiratória crônica subjacente. Em alguns casos, a tosse pode ser um reflexo de defesa eficaz contra uma infecção bacteriana e não deve ser suprimida. Antes de combater a tosse, é importante identificar suas causas para assegurar que o tratamento antitussivo é apropriado. A prioridade sempre é tratar a causa subjacente, quando possível. Há dois tipos de tosse: a tosse seca e a tosse produtiva. É a presença ou não de muco que estabelece a diferença. Na tosse produtiva, a secreção se movimenta e é eliminada; na seca, esse catarro parece não existir. É importante avaliar se a tosse é, realmente, seca ou se a secreção não flui por desidratação ou tratamento incorreto. O fumo é a principal causa de tosse, porque aumenta o volume de muco produzido pelos brônquios, causa irritação física e química das mucosas, destrói os cílios que cobrem o revestimento interno dos brônquios e facilita o acúmulo de material estranho às vias aéreas. Outras causas importantes são a sinusite, principalmente em crianças, a síndrome do gotejamento pós-nasal, a asma, o refluxo 220 Unidade IV gastroesofágico, as infecções respiratórias, a bronquite crônica e os medicamentos para controle da hipertensão. As principais classes terapêuticas utilizadas como antitussígenas são: • Opioides (codeína e dextrometorfano) — Mecanismo de ação: a codeína diminui a sensibilidadedo centro da tosse no sistema nervoso central aos estímulos periféricos e diminui a secreção da mucosa. Esse efeito terapêutico ocorre em dosagens menores do que as necessárias para causar analgesia. — Indicação: são utilizados para diminuir os reflexos e estímulos da tosse. — Efeitos adversos: constipação, disforia e fadiga. A codeína tem poder de causar dependência, já o dextrometorfano apresenta menor risco de dependência. • Benzonatato — Mecanismo de ação: suprime o reflexo da tosse por ação periférica. Age anestesiando os receptores de estiramento localizados nas passagens respiratórias, nos pulmões e na pleura. — Indicação: é indicado para alívio de tosse. — Efeitos adversos: tonturas, dormência da língua, da boca e da garganta. 7.3.4 Terapêutica da DPOC A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é um tipo de doença pulmonar obstrutiva caracterizada por fluxo de ar insuficiente a longo prazo. Os principais sintomas incluem falta de ar e tosse com produção de escarro. A DPOC é uma doença progressiva, o que significa que tipicamente piora ao longo do tempo. Eventualmente, as atividades diárias, como subir escadas, tornam-se difíceis. Bronquite crônica e enfisema são termos mais antigos usados para diferentes tipos de DPOC. O termo bronquite crônica ainda é usado para definir uma tosse produtiva que está presente há pelo menos três meses por ano por dois anos. O tabagismo é a causa mais comum de DPOC, com fatores como poluição do ar e genética desempenhando um papel menor. A exposição prolongada a estes irritantes fatores provoca uma resposta inflamatória nos pulmões, resultando no estreitamento das pequenas vias aéreas e na lesão do tecido pulmonar. O diagnóstico é baseado no fluxo de ar pobre, conforme medido pelos testes de função pulmonar. Em contraste com a asma, a redução do fluxo de ar não melhora muito com o uso de um broncodilatador. A maioria dos casos de DPOC pode ser prevenida por meio da redução da exposição a fatores de risco. Isso inclui diminuir as taxas de tabagismo e melhorar a qualidade do ar interior e exterior. Enquanto o tratamento pode retardar a piora, não há cura. Os tratamentos de DPOC incluem interrupção do tabagismo, vacinações, reabilitação respiratória e, muitas vezes, broncodilatadores 221 FARMACOLOGIA e esteroides inalatórios. Algumas pessoas podem se beneficiar de oxigenoterapia a longo prazo ou transplante pulmonar. Naqueles que têm períodos de agravamento agudo, pode ser necessário um aumento no uso de medicamentos e hospitalização. Em 2015, a DPOC afetou cerca de 174,5 milhões de pessoas (2,4% da população global). Geralmente ocorre em pessoas com mais de 40 anos, independentemente do sexo. Ainda em 2015, a DPOC resultou em 3,2 milhões de mortes, contra 2,4 milhões de mortes em 1990. Mais de 90% dessas mortes ocorrem no mundo em desenvolvimento. Prevê-se que o número de mortes aumente ainda mais devido ao aumento das taxas de tabagismo no mundo em desenvolvimento e ao envelhecimento da população em muitos países. Ainda não existe uma cura conhecida para a DPOC, mas os sintomas são tratáveis e sua progressão pode ser adiada. Os principais objetivos do tratamento são reduzir fatores de risco, gerenciar DPOC estável, prevenir e tratar exacerbações agudas e gerenciar doenças associadas. As únicas medidas que foram mostradas para reduzir a mortalidade são a cessação do tabagismo e a administração de oxigênio suplementar. Parar de fumar diminui o risco de morte em 18%. Outras recomendações incluem vacinação contra a gripe uma vez por ano, vacinação pneumocócica uma vez a cada cinco anos e redução da exposição à poluição ambiental do ar. Naqueles com doenças avançadas, os cuidados paliativos podem reduzir os sintomas, com a morfina melhorando a sensação de falta de ar. A ventilação não invasiva pode ser usada para suportar a respiração. Fornecer às pessoas um plano de ação personalizado, uma sessão educacional e apoio ao uso de seu plano de ação em caso de exacerbação, reduz o número de visitas hospitalares e incentiva o tratamento precoce de exacerbações. Entre os tratamentos farmacológicos incluem-se: • Broncodilatadores: os broncodilatadores inalatórios são os principais medicamentos utilizados e resultam em um pequeno benefício geral. Existem dois tipos principais, 2 agonistas e anticolinérgicos; ambos existem em formas de ação prolongada e de ação curta. Eles reduzem a falta de ar, a sibilância e a limitação do exercício, resultando em uma melhoria da qualidade de vida. Não está claro se eles alteram a progressão da doença subjacente. Naqueles com doença leve, os fármacos de ação curta são recomendados conforme necessidade. Naqueles com doença mais grave, fármacos recomendados são de ação prolongada. Os fármacos de longa duração funcionam parcialmente, melhorando a hiperinflação. Se os broncodilatadores de ação prolongada são insuficientes, então os corticosteroides inalados são tipicamente adicionados. No que diz respeito aos agentes de ação prolongada, não está claro se os tiotrópios (anticolinérgicos de ação prolongada) são melhores ou se os agonistas beta de ação prolongada (BALAs) são melhores, pode valer a pena tentar cada um e continuar o que melhor funcionar. Ambos os tipos de agentes parecem reduzir o risco de exacerbações agudas entre 15-25%. Ambos os tipos de fármacos já foram relatados anteriormente quanto aos mecanismos de ação, indicações e efeitos adversos. • Corticosteroides: os corticosteroides geralmente são usados na forma inalada, mas também podem ser usados como comprimidos para tratar e prevenir exacerbações agudas. Enquanto os corticosteroides inalados (CSIs) não mostraram benefício para pessoas com DPOC leve, eles 222 Unidade IV diminuem as exacerbações agudas naqueles com doença moderada ou grave. Por si só, não têm efeito sobre a mortalidade global em um ano. Não está claro se eles afetam a progressão da doença. Quando usados em combinação com um BALA, eles podem diminuir a mortalidade em comparação com CSI ou BALA sozinho. Os fármacos desta classe já foram relatados anteriormente quanto aos mecanismos de ação, indicações e efeitos adversos. • Oxigenoterapia: consiste na administração de oxigênio suplementar. — Mecanismo de ação: a falta do oxigênio em pacientes com DPOC é responsável pelos principais sintomas da patologia e sua reposição melhora os sinais clínicos. — Indicação: é recomendada naqueles com baixos níveis de oxigênio em repouso (uma pressão parcial de oxigênio inferior a 50-55 mmHg ou saturações de oxigênio inferior a 88%). Neste grupo de pessoas, diminui o risco de insuficiência cardíaca e morte e, se usada 15 horas por dia, pode melhorar a capacidade de exercício. Naqueles com níveis de oxigênio normais ou suavemente baixos, a suplementação de oxigênio pode melhorar a falta de ar quando administrada durante o exercício, mas pode não melhorar a falta de ar durante as atividades diárias normais ou afetar a qualidade de vida. — Efeitos adversos: existe o risco de incêndios e pouco benefício quando os pacientes continuam a fumar. Nessa situação, não se recomenda a sua utilização. Durante exacerbações agudas, muitos requerem oxigenoterapia. O uso de altas concentrações de oxigênio sem levar em conta as saturações de oxigênio de uma pessoa pode levar a níveis aumentados de dióxido de carbono e à piora dos resultados. Nos pacientes com alto risco de altos níveis de dióxido de carbono, recomendam-se saturações de oxigênio de 88% a 92%, enquanto para aqueles sem esse risco, os níveis recomendados são de 94% a 98%. 8 FARMACOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO E TOXICOLOGIA 8.1 Introdução O sistema digestório por muito tempo foi negligenciado tanto na farmacologia como na clínica médica. Isso porque a princípio parecia um sistema simples que não traria grandes problemas ao indivíduo. No entanto, como eventualmente se percebeu, o fato de esse sistema estar sob o controle de mecanismos neuronais, hormonais e ter umavasta microbiota torna-o bem complexo. Outro fato relevante sobre o sistema digestório é: ainda que o medicamento não atue diretamente sobre ele, o sistema fará parte do efeito do fármaco, uma vez que depende dele o processo de absorção do medicamento, seja ele administrado por via oral, anal ou mesmo através de sondas nasogástricas ou nasoenterais. Assim, mesmo que indiretamente, o sistema digestório interfere muito na ação dos fármacos. 223 FARMACOLOGIA 8.2 Conceitos As funções do sistema digestório podem sofrer alterações fisiológicas dependendo da hidratação, pressão arterial e fenômenos de reflexo. As interferências na função do sistema digestório podem se dar de três maneiras, através da alteração: • da quantidade ou qualidade das secreções digestivas; • da motilidade de estômago e intestino; • da digestão dos alimentos, através da utilização de enzimas. 8.3 Fármacos que alteram a secreção salivar Um dos procedimentos estéticos atualmente realizados para melhorar o contorno facial é a bichectomia, cirurgia plástica em que há a retirada total ou parcial de duas bolsas de gordura presentes uma em cada lado da boca, entre o maxilar e a mandíbula, chamadas de bolas de Bichat. Durante esse processo, podem ser utilizados medicamentos que alteram a secreção de saliva. 8.3.1 Sialogogos São medicamentos que estimulam a secreção de saliva, a qual pode ser alterada por problemas genéticos ou tratamentos como radioterapia ou quimioterapia. Cloreto de Betanecol e cevimelina são agonistas colinérgicos, que estimulam a secreção de saliva. Normalmente são administrados três vezes ao dia. Norepriniferina, epinefrina, isoproterenol são agonistas alfa-2, e também podem ser usados para essa finalidade, mas não em comprimidos. 8.3.2 Antissialógogos Esses são medicamentos que impedem o excesso de secreção de saliva, comum em algumas patologias. Atropina e escopolamina são anticolinérgicos que promovem importante redução na secreção de saliva, sendo mais empregados quando a sialorreia é causada por intoxicações ou por medicação pré-anestésica. O uso da toxina botulínica tipo A foi relatado como eficaz para o tratamento da sialorreia em pacientes com paralisia cerebral. 224 Unidade IV Saiba mais Para saber mais sobre a toxina botulínica em sialorreia, acesse: CASTRO, D. Tratamento da sialorreia (salivação excessiva) com aplicação de toxina botulínica em glândulas salivares. 17 jul. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3uHv75J. Acesso em: 2 jul. 2021. 8.4 Fármacos que alteram o pH estomacal A úlcera gástrica ou duodenal acontece quando a mucosa é agredida pelo suco gástrico, normalmente de pH muito ácido. Ela pode ser decorrente de uma secreção anormal de ácido, estresse ou má alimentação. Os fármacos são empregados com as seguintes propostas: • aliviar a dor; • acelerar a cicatrização; • evitar a reincidência da úlcera. As possibilidades terapêuticas são: • diminuir a produção de ácido clorídrico (HCl); • aumentar a proteção de muco protetor gástrico; • eliminar a presença de Helicobacter pylori. Saiba mais Assista ao vídeo sobre formação do ácido gástrico: FORMAÇÃO de ácido clorídrico pelas células parietais gástricas. 2016. 1 vídeo (5:25). Publicado por Fisiologia 3D. Disponível em: https://bit.ly/2S5O6cS. Acesso em: 2 jul. 2021. 225 FARMACOLOGIA 8.4.1 Neutralizadores da secreção gástrica – antiácidos Antiácidos não sistêmicos – não absorvíveis Os fármacos que neutralizam ácidos são os capazes de reagir com hidrogênio livre do ácido clorídrico (HCl). Eles podem ser derivados de cálcio, magnésio ou alumínio e são chamados de íons não absorvíveis. São eles: hidróxido de magnésio – Mg(OH)2, hidróxido de alumínio – Al(OH)3 e carbonato de cálcio – CaCO3. A absorção sistêmica dos íons formados é pequena, mas exige alguns cuidados. Contraindicações: • insuficiência renal; • precipitação no intestino; • interação com outros alimentos; • diminuição de fosfato pelos íons alumínio; • diarreia pelos íons magnésio; • constipação pelos íons alumínio. Posologia: como os alimentos apresentam efeito tampão, os antiácidos são ingeridos entre as refeições – de 1 a 3 horas após a ingestão de alimentos e antes de deitar. Os antiácidos não absorvíveis são os preferidos. Antiácidos sistêmicos – absorvíveis O bicarbonato de sódio (NaHCO3) é um antiácido absorvível. Uma vez na corrente sanguínea, seus íons sódio (Na+) permanecem em solução, mesmo na presença da secreção alcalina pancreática. Contraindicações: • indivíduos que tenham restrição de sódio; • hipertensos, pessoas com insuficiência cardíaca e edema. O quadro a seguir apresenta um resumo dos antiácidos: 226 Unidade IV Quadro 12 Nome químico Vantagem Desvantagem Hidróxido de magnésio e óxido de magnésio Ação rápida e prolongada Laxativo Distúrbios neurológicos devido à absorção Trissilicato de magnésio Ação prolongada Diarreia Cálculos renais com o uso prolongado Hidróxido de alumínio Ação lenta e prolongada Constipação Náusea e vômito Inativação da pepsina Carbonato de cálcio Ação rápida e prolongada Constipação Paladar desagradável Síndrome Milk-Alkali: cefaleia, vômito e alcalose Bicarbonato de cálcio Ação rápida e paladar agradável Alcalose Ação curta Efeito rebote ácido 8.4.2 Inibidores da produção de ácido Conceitos As secreções de glândulas gástricas formam o suco gástrico, que é constituído de: ácido clorídrico, muco, enzimas como a pepsina, lipase, amilase, entre outras, eletrólitos, como cloreto, fosfato, sódio, potássio, cálcio e fator intrínseco. Do ponto de vista clínico, o ácido clorídrico e a pepsina são os componentes do suco gástrico que mais interferem no desenvolvimento de patologias do sistema digestório, como: gastrite e úlcera. Então podemos ficar sem o ácido clorídrico? Não, pois uma das funções dele é manter o pH estomacal entre 4 e 5 para que ocorra a ativação da pepsina, enzima responsável pela digestão de proteínas. São quatro os fatores para a produção de ácido clorídrico pelo estômago: • Acetilcolina: é um neurotransmissor que estimula as células parietais, via receptores muscarínicos (M3) para a secreção de ácido clorídrico. Bebidas alcóolicas produzidas por fermentação também estimulam esse receptor e, portanto, incentivam a produção de ácido. • Hormônio gastrina: é o principal estimulador de secreção de ácido, em presença de alimento. As células G que sintetizam a gastrina estão localizadas no antro gástrico, duodeno, cólon e pâncreas. Após sua síntese, ela é secretada para o sangue, onde busca os receptores gastrina/colecistoquinina (CCK2) e vai interferir na síntese e liberação de histamina. A histamina liberada estimula as células parietais a produzir HCl. Aminoácidos aromáticos e bebidas alcóolicas fermentadas estimulam a secreção de gastrina. 227 FARMACOLOGIA • Histamina: é liberada pelas células enterocromafins-similes (ECS) e estimula as células parietais via receptor H2 a produzir ácido clorídrico. • Somatostatina: é um hormônio peptídico que regula várias funções fisiológicas; no estômago, controla a secreção gástrica evitando que o pH caia abaixo de 2, bloqueando o efeito da gastrina. Bloqueadores de receptor de histamina Os efeitos da histamina e acetilcolina podem ser neutralizados por antagonistas dos seus respectivos receptores presentes nas células parietais do estômago. São bloqueadores de receptores de histamina: • cimetidina; • ranitidina; • nizatidina; • famotidina. Devido ao papel que a histamina apresenta nas células parietais, os anti-histamínicos também diminuem a secreção de ácido clorídrico e reduzem a ação da gastrina em tumores pancreáticos produtores de gastrina e síndrome de Zollinger-Ellison. Efeitos colaterais: • distúrbios de SNC; • efeitos endócrinos no homem (ginecomastia, diminuição de libido e impotência); • inibição da biotransformação de vários fármacos. Os efeitos diminuem de acordo com a dose necessária, os medicamentos mais novos, como ranitidina, nizatidinae famotidina necessitam de menor dose para efeito, portanto, apresentam efeitos colaterais mais brandos. Bloqueadores de receptor de acetilcolina O nervo vago desempenha importante ação sobre a motilidade e as secreções do sistema digestório, no entanto, drogas que atuam sobre ele não são muito utilizadas, devido a seus efeitos colaterais. Anticolinérgicos como atropina, escopolamina, oxifenciclimina, metantelina e propantelina são exemplos de drogas que alteram a secreção gástrica. 228 Unidade IV Efeitos colaterais: • xerostomia; • falta de acomodação visual; • retenção urinária. Contraindicações: • glaucoma; • uropatia obstrutiva; • estenose; • colite ulcerativa; • miastenia grave. Inibidores de bomba de prótons (IBPs) – azóis O conhecimento sobre a bomba de prótons foi essencial para o desenvolvimento dos fármacos mais utilizados no tratamento de úlceras e gastrites. Os IBPs entram na célula parietal através do sangue e se acumulam nos canalículos secretores de ácido. Todos eles são pró-fármacos que precisam da ativação do ácido; após ativados, realizam ligações covalentes (intensas) com a ATPase e impedem a secreção de íons H+ para dentro do estômago. Devido ao tipo de ligação que realizam para exercerem seu mecanismo de ação, seus efeitos são prolongados. IBPs são os fármacos de primeira escolha para o tratamento de gastrites e úlceras. Podem causar inibição máxima da secreção de ácido clorídrico. Eles devem ser administrados em cápsulas gastro-resistentes. Alcançam as células parietais por via sanguínea. No meio da mucosa ácida, formam um metabólito ativo que se liga à bomba de prótons dependente de ATP (H+/K+ ATPase) que transporta íons H+ para dentro do estômago em troca de íons K+. Lembrete O pH ácido não é um vilão, você precisa dele para realizar a ativação de enzimas digestivas e realizar a digestão. 229 FARMACOLOGIA Atualmente há IBPs: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, esomeprazol, rabeprazol, dexlansoprazol e tenatoprazol. Efeitos colaterais: • cefaleia; • ginecomastia; • diarreia; • tontura; • sonolência; • confusão mental; • dores musculares; • dores articulares. Os antiácidos à base de magnésio podem causar diarreia e os que contêm alumínio, constipação. Saiba mais Obtenha mais informações sobre os efeitos prejudiciais dos IBPs acessando: VIEIRA, M. T. P. M.; BORJA, A. Uso contínuo de inibidores da bomba de prótons e seus efeitos a longo prazo. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2SRnPPP. Acesso em: 2 jun. 2021. 8.5 Modificadores de muco gástrico O sucralfato contém inúmeros resíduos hidróxido de alumínio. Contudo, não é um antiácido porque não reduz a concentração ácida do suco gástrico. Após administração oral, as moléculas de sucralfato fazem ligações cruzadas com suco gástrico, formando uma pasta que adere às lesões na mucosa e em camadas profundas expostas. Ali o sucralfato interrompe o curso de H+. Protegida do ácido e também da pepsina, da tripsina e dos ácidos biliares, a lesão pode cicatrizar rapidamente. Para que tenha efeito, o sucralfato deve ser ingerido em jejum ou com estômago vazio, pelo menos 1 hora antes das refeições e ao deitar. Apesar de ser bem tolerado pelo organismo, a presença de íons alumínio pode causar constipação. 230 Unidade IV 8.6 Análogo de prostaglandina O misoprostol é um derivado semissinético de prostaglandina (PG), com maior estabilidade do que as PG naturais, permitindo absorção por via oral. As PGs liberadas promovem a produção de muco protetor gástrico, pelas células superficiais do estômago e inibem a secreção gástrica das células parietais. Efeitos colaterais: • diarreia; • aborto. 8.7 Eliminação de Helicobacter pylori A bactéria Helicobacter pylori é causadora de complicações nos casos de gastrite e úlcera. Uma bactéria oportunista causa infecções que dificultam o processo de cicatrização da mucosa gástrica. Os antibióticos mais utilizados para esse tratamento são amoxicilina ou claritromicina, em caso de resistência, o metronidazol pode ser uma solução. O bismuto coloidal também é eficaz, contudo, como causa exposição a metal pesado, seu uso não pode mais ser recomendado. Omeprazol Misoprostol Antiácidos Antagonista H2 Antagonista muscarínico Bismuto, antibacterianos pH 6-7 pH 3-4 HCO3 mucoso PGPiloro Fundo Antro pH 1-2 Corpo do estômago ATPase Histamina H2 M1 ACh K+ H+ H+ H+ H+ H+ H + H+ H+ H+ H+H+ H. pylori Figura 77 – Resumo dos medicamentos que atuam no estômago Adaptada de: Raffa, Rawls e Beyzarov (2008, p. 190). 231 FARMACOLOGIA 8.8 Medicamentos que alteram a motilidade A absorção de nutrientes, bem como de fármacos, depende da motilidade do sistema digestório. Um trânsito lento pode potencializar a absorção de medicamentos e um trânsito acelerado pode impedi-la. O trato gastrointestinal é ricamente inervado por vias sensoriais, e informações químicas ou mecânicas detectadas por receptores são transmitidas ao sistema nervoso central, que responde prontamente. 8.8.1 Estimulantes de peristaltismo Drogas colinérgicas, que simulam a ação do sistema nervoso autônomo parassimpático, estimulam o peristaltismo e promovem aumento do trânsito intestinal. Betanecol e metacolina são úteis em casos de atonia, principalmente após cirurgias ou devido ao uso prolongado de laxantes. São de uso hospitalar e podem causar os seguintes efeitos colaterais: • salivação; • náusea; • vômito; • dispneia; • hipersecreção brônquica. A domperidona tem os seguintes efeitos: • acelera o esvaziamento gástrico; • aumenta a motilidade; • exerce ação antidopaminérgica; • aumenta a pressão no esfíncter esofágico inferior; • aumenta o peristaltismo do duodeno. A metoclopramida (Plasil), talvez o mais utilizado bloqueador dopaminérgico, estimula a motilidade e é muito usado como antiemético. Observação Sabia que o Plasil (metoclopramida) causa cólica em bebês? Mulheres amamentando não devem utilizar esse medicamento. 232 Unidade IV 8.8.2 Antiespasmódicos Os antiespasmódicos são uma classe de medicamentos que inibe a motilidade da musculatura visceral, evitando cólicas, como as de rim. O efeito produzido é o de prevenir a ocorrência de espasmos no estômago, intestino, útero ou bexiga. O medicamento mais usado para esse fim é a escopolamina (Buscopan), um anticolinérgico. Deve-se ficar atento pois, embora pareça inofensivo, ele retarda o esvaziamento gástrico, aumentando a absorção de medicamentos que ingeridos por via oral. 8.9 Antieméticos São os medicamentos utilizados para evitar o vômito. As causas determinantes do vômito são várias: estado emotivo, nervosismo, depressão, início de gravidez, cinetose (enjoo por movimento), presença de tremores encefálicos ou ainda efeito colateral de medicamentos, como os analgésicos opioides. Os principais antieméticos são os seguintes: • Cinarizina, ciclizina e prometazina: são anti-histamínicos eficazes em enjoos por cinetose (movimentos – como por andar de montanha-russa ou de carro); para melhor efeito, devem ser administradas 30 minutos antes da exposição ao agente. • Hioscina/escopolamina: antagonista colinérgica de receptores muscarínicos, também pode ser usada contra as náuseas por cinetose. Uma vantagem é que existe o adesivo transdérmico dessa substância, e ele causa menos sonolência que os anti-histamínicos. • Dolasetrona, granisetrona, palonosetrona, tropisetrona e ondansentrona: são antagonistas de receptores de serotonina usadas para tratamento de náusea e vômito resultantes de quimioterapia, radioterapia e pós-operatório. • Clorpromazina: uma fenotiazínica, antagonista dopaminérgica, também utilizada para evitar enjoo e vômito induzidos por quimio ou radioterapia. Deve ser utilizado com critério, pois tem muitos efeitos colaterais, inclusive Parkinson medicamentoso. 8.10 Laxantes Também chamados de catárticos, são medicamentos que auxiliam o trânsito intestinal. Costumam ser muito utilizados por mulheres, as quais jáapresentam o trânsito intestinal naturalmente mais lento. Saiba mais Uso prolongado de fitoterápicos laxantes: CATRACA LIVRE. O perigo do consumo excessivo de chás laxantes. 23 jan. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3c9SoXt. Acesso em: 2 jun. 2021. 233 FARMACOLOGIA Dentre os mais importantes, podemos mencionar: • Ágar-ágar, farelo, palha ispaghula: laxantes formadores de massa, estimulam a motilidade intestinal, melhorando o peristaltismo, pelo aumento do bolo fecal, formando uma massa volumosa e hidratada, deveriam ser os mais utilizados, pelos baixos efeitos colaterais. • Óleo de amendoim, parafina líquida, óleo de oliva, de semente de algodão e de milho: laxantes emolientes, amolecem as fezes, impedindo o seu ressecamento. • Lactulose: laxantes osmóticos, são solutos pouco absorvidos, ou seja, são substâncias que aumentam o volume de água na luz intestinal e que, por sua vez, aumentam o bolo fecal. • Sene, Cáscara-sagrada, Ruibarbo, Óleo de Rícino: São fármacos que estimulam diretamente o peristaltismo, induzindo irritação da mucos, pelo mecanismo de ação cólicas abdominais podem estar presentes. Não se aconselha o uso prolongado. Observação Não é porque é planta que não faz mal. Ao induzir o peristaltismo pelo mecanismo de irritação da mucosa, as plantas laxativas podem levar à atrofia da musculatura intestinal. 8.11 Toxicologia A toxicologia é a ciência que estuda a interação entre o organismo e um agente químico capaz de produzir respostas nocivas, comprometendo uma função fisiológica – levando ou não à morte. Os conhecimentos sobre toxicologia remontam à história da civilização. Há registros egípcios datados de 1500 a.C. O homem tinha conhecimentos dos efeitos tóxicos do efeito de veneno extraído de variedades de plantas e de animais. Esse conhecimento permitia tanto a proteção do risco de envenenamento quanto a utilização desse veneno para abater caças ou funcionar como arma contra inimigos. A história mais interessante, dentre várias, da toxicologia é da Rainha Elizabeth I, que morreu por intoxicação causada pela maquiagem que usava. Pele extremamente branca, peruca vermelha e vestes coloridas iam muito além de uma escolha estética, a monarca realmente queria esconder sua verdadeira face. Em 1562, aos 29 anos, Elizabeth foi acometida pelo que se pensava ser uma febre muito forte. Com o tempo, porém, ela começou a ficar cada vez pior, até que um médico finalmente deu o diagnóstico: se tratava da terrível varíola. Para esconder as cicatrizes de sua pele ela desenvolveu uma maquiagem de aparência muito antinatural, que era obtida por meio de uma pesada mistura feita de chumbo branco e vinagre. Essa mistura era conhecida como “ceruse veneziano”. O uso constante desse preparado acabou causando a intoxicação da rainha. 234 Unidade IV Figura 78 – Queen Elizabeth I, 1588, pintura sobre madeira, 97,8 cm x 72,4 cm, National Portrait Gallery Saiba mais É muito interessante ver a caracterização da atriz Anita Dobson como Elizabeth I na série produzida pela BBC. Assista a: ARMADA: 12 Days to Save England. Direção: Tim Dunn; Simon Winchcombe. BBC, 2015. 59 min. (3 episódios). A toxicologia tem contribuído significativamente para o desenvolvimento de outras disciplinas voltadas às atividades humanas. O seu conhecimento requer a integração de várias áreas, como química, bioquímica, patologia, fisiologia, epidemiologia, imunologia, ecologia, biofísica e biologia molecular. A toxicologia pode ser dividida em: • analítica: determina as técnicas de detecção de intoxicações e monitoramento; • forense: detecta e identifica agentes tóxicos para fins médico-legais; • clínica: previne ou diagnostica intoxicação e indica antídotos específicos; • experimental: estuda a elucidação do mecanismo de ação de agentes tóxicos e seus efeitos; 235 FARMACOLOGIA • ecotoxicologia: estuda as agressões ecológicas por agentes tóxicos; • de medicamentos e cosméticos: estuda a interação de medicamentos e cosméticos com o organismo, em decorrência de uso inadequado ou da suscetibilidade do usuário; • ambiental: refere-se ao ambiente (água, solo e ar) e os efeitos sobre o homem, flora e animais; • ocupacional: estuda a ação dos produtos químicos no ambiente de trabalho e efeitos sobre indivíduos a eles expostos; • de alimentos: estuda as substâncias químicas nos alimentos industrializados, as condições em que esses podem ser ingeridos sem causar danos ao organismo; • social: estuda o uso não terapêutico de drogas que causam danos aos usuários e à sociedade. 8.11.1 Intoxicação A intoxicação é a inteiração entre um agente químico e o organismo e provoca sinais ou sintomas específicos. Na prática, a intoxicação é dividida em três tipos: • intoxicação aguda: os sintomas surgem rapidamente, no máximo em algumas horas após curto período de exposição ao agente tóxico; • intoxicação subcrônica: refere-se à exposição moderada ou pequena a produtos alta ou medianamente tóxicos; • intoxicação crônica: tem surgimento tardio (meses ou anos). 8.11.2 Vias de exposição Para um agente tóxico causar uma intoxicação, a via por meio da qual o indivíduo vai se expor é muito significativa. Observação Não dizemos via de administração, na toxicologia, pois espera-se que as exposições não sejam intencionais. Os agentes toxicantes podem se apresentar nas três formas físicas da matéria: líquido, sólido ou gás (névoa e vapores). E as vias de exposição são: 236 Unidade IV • Via cutânea ou dérmica: é a porta de entrada mais frequente das intoxicações pela maioria dos agentes tóxicos. A absorção depende de fatores como formulação, tempo de exposição, solubilidade (hidro ou lipo), grau de ionização, dimensão das moléculas, hidrólise nas condições de pH da epiderme e derme, estado de hidratação da camada de queratina, umidade ambiental, temperatura do corpo e do ambiente e luz solar. • Via respiratória: acontece com produtos que geram gases, vapores, fumos, fumaças, neblinas e poeiras, principalmente em espaços confinados ou com arejamento insuficiente. • Via oral: a absorção é rápida e ocorre pela parede gastrointestinal. 8.11.3 Toxicidade Toxicidade é o parâmetro para avaliar quão grave será a exposição a determinado agente. Atualmente a toxicidade dos cosméticos é avaliada para que seja baixa e não cause problemas. • Toxicidade aguda: é aquela produzida por dose única e excessiva, por qualquer via de absorção. É a maneira mais comum de expressar o poder letal de uma substância ou composto químico. • Toxicidade crônica: é a toxicidade acumulativa por exposição continuada a um agente por período prolongado. Podem ser avaliadas as doses mínimas para causar os efeitos cumulativos. A toxicidade aguda é expressa como a dose letal mediana 50 (DL50), que é a quantidade em miligramas da substância por quilograma de peso corpóreo (mg/kg) necessária para provocar a morte de 50% do lote de animais submetidos ao teste. Os efeitos da toxicidade, aguda ou crônica, podem causar lesões oculares e dérmicas, sensibilizações (dérmicas), efeitos carcinogênicos, teratogênicos e mutagênicos. 8.11.4 Sensibilização A alergia é uma reação imunológica de sensibilização a uma determinada substância. É umas das alterações que mais perturbam a área da estética. Especialistas afirmam que todas as substâncias, em maior ou menor grau, são capazes de provocar reações alérgicas, uma vez que sensibilidade pode ser induzida. O termo alergia foi criado por Clemens Peter von Pirquet para agrupar os fenômenos de hipersensibilidade que o organismo apresenta quando diante de substâncias tóxicas (vivas ou inanimadas) capazes de provocarem reações típicas, os antígenos (substâncias estranhas, como ácido salicílico das máscaras verdes). O organismo se defende produzindo anticorpos e histamina, que são distribuídos pelo organismo provocando alterações cutâneas, respiratórias, entre outras. 237 FARMACOLOGIA Um tipo particular de sensibilização é produzido pelairradiação UV do Sol, causando as reações fotoalérgicas. São reações cutâneas causadas por irradiação de determinado comprimento de onda e se estendem por todo o corpo. Há outro tipo de reação causada pelo Sol, não de origem alérgica, chamado de reação fototóxica, e que é causada pela ação do Sol sobre um agente aplicado sobre a pele ou mesmo ingerido (medicamentos, corantes etc.), os quais formam reações localizadas. Observação Nunca se esqueça de perguntar a um cliente se tem alergia a determinado produto e, mesmo que ele ou ela não saiba informar, tome cuidado, sempre faça testes antes! Alergias podem aparecer a qualquer momento independe da utilização prévia do produto. 8.12 Desenvolvimento de produtos cosméticos Você já reparou a quantos produtos diferentes você se expõe durante o dia? Talvez esse número chegue a mais de 20. Se cada um deles contiver pelo menos 10 ingredientes diferentes, a exposição, num só dia, será a mais de 200 compostos químicos de natureza e comportamento específicos. Por essa razão, a indústria tem que oferecer produtos seguros ao consumidor. 8.12.1 Matérias-primas A segurança dos produtos cosméticos deve ser garantida a partir da seleção das matérias-primas. São catalogadas atualmente mais de 13.000 matérias-primas sob mais de 30.000 diferentes denominações comerciais. Dentre as matérias-primas, temos os seguintes componentes: • Ingredientes químicos: a regulação própria de cada mercado lista os ingredientes permitidos, as concentrações máximas e a função no produto cosmético. • Corantes: os corantes pertencem a uma classe de ingredientes químicos muito específicos. Os primeiros registros de ocorrências toxicológicas com corantes datam do início século XIX nos Estados Unidos, quando mulheres morreram após ingerir alimentos coloridos com sulfato de cobre, e, posteriormente, ocorreram mortes pelo uso de arsenito de cobre em pudim verde. No início do século XX, o governo americano instituiu a lista de corantes aprovados para uso em alimentos. Em 1938, saiu a primeira lista dos permitidos especialmente para uso em cosméticos quando, então, ficou estabelecida a aprovação individual de cada batelada de fabricação, foi então que surgiram os chamados corantes “certificados”. 238 Unidade IV Apesar disso, na década de 1950, houve novos acidentes envolvendo corantes, fato que obrigou a FDA – Food and Drug Administration (agência americana de alimentos e medicamentos) a instituir a obrigatoriedade de testes mais rígidos para comprovar a segurança. Essa determinação regulatória levou à diminuição do número de corantes certificados de 116, em 1959, para 34, em 1996. A União Europeia tem aprovados atualmente 46 ingredientes corantes para cosméticos. Entretanto, devido a novas evidências de sensibilização, o Comitê Científico da UE classificou 10 corantes com potencial extremo de sensibilização, 13 com potencial forte e 4 com potencial moderado. Sobre os 19 restantes, não há qualquer suspeita. Os fabricantes deverão apresentar comprovação de segurança de todos esses 46 ingredientes caso pretendam continuar a comercializá-los. Observação Para aceitação pelos órgãos reguladores, os fabricantes de ingredientes devem comprovar serem “seguros”, embora se saiba de antemão que não existe ingrediente químico absolutamente seguro. Entretanto, é importante estar alerta para o potencial de riscos de cada ingrediente. Outros componentes importantes dentre as matérias-primas são: • Filtros solares: constituem-se em outra classe de ingrediente altamente regulada. Hoje existem 23 ingredientes ativos de filtro solar (absorvedores e filtros) aprovados em todo o mundo, dos quais 21 são moléculas orgânicas e 2 partículas inorgânicas. Desses, apenas 11 são aprovados simultaneamente em todos os mercados. A preocupação atual é com os nanomateriais com capacidade de penetrar camadas mais profundas da pele. • Fragrâncias: às fragrâncias muitas vezes são corretamente atribuídas causas de muitas reações cutâneas percebidas pelo consumidor. Para avaliar a segurança dos componentes das fragrâncias, a indústria de perfumaria mantém o RIFM (Research Institute for Fragrance Materials), um instituto autônomo e independente. • Produtos botânicos: as ondas de valorização dos produtos naturais têm trazido, a cada dia, mais opções para uso de ingredientes provenientes de biodiversidade ou produtos obtidos de maneira controlada. Saiba mais Quer entender mais de fitocosmetologia? FITOCOSMETOLOGIA: principais princípios ativos vegetais. 2020. 1 vídeo (27:24). Publicado por Renata Goncalves Dias Santucci. Disponível em: https://bit.ly/3uLeiH6. Acesso em: 2 jul. 2021. 239 FARMACOLOGIA 8.12.2 Formulação A formulação é a arte de juntar os ingredientes para obter um produto que atenda aos requisitos do projeto. É específica de matérias como farmacotécnica e cosmetologia. Alguns termos são importantes para entender as formulações: • Interação entre ingredientes: mesmo que o ingrediente já seja conhecido e rotulado como seguro numa determinada formulação, nada garante que repetirá o mesmo comportamento quando numa nova combinação. Há que se avaliar o efeito sinérgico de cada nova formulação. • Concentrações seguras: a regulação de cada mercado estabelece os limites de uso em cada tipo de produto. • Interação com embalagem: embora não aconteça sempre, a interação do conteúdo com a embalagem de cosméticos é digna de avaliação, em especial no caso das confeccionadas em plástico. • Garantia de segurança: o produto cosmético tem que ser eficaz, isto é, cumprir aquilo que promete e que, em geral, está mencionado no rótulo. Além disso, tem que ser seguro e não causar reações adversas ao consumidor. • Testes de segurança: uma série de testes toxicológicos, in vivo e in vitro, é realizada para garantir a segurança dos produtos cosméticos. • Físico-química e estabilidade: são testes que garantem as características originais do produto, desde o início até o final do uso. • Microbiologia: garantia da qualidade microbiológica. Testes microbiológicos avaliam a capacidade do conservante de manter o produto estável. Observação Embora os produtos sejam avaliados em relação ao controle de qualidade físico-químico e microbiológico, não significa que possam ser armazenados em qualquer lugar. Definitivamente o armário do seu banheiro, por exemplo, não é o local mais indicado, devido à temperatura e à umidade. 8.12.3 Comprovação da segurança Para garantir a segurança de produtos de higiene, cosméticos e perfumes, são necessárias comprovações que vão desde o histórico de segurança do produto e de suas matérias-primas até a realização de ensaios toxicológicos específicos in vitro ou in vivo em animais ou humanos. Em princípio, para todo produto cosmético, seja ele de grau de risco 1 ou 2, o fabricante tem por obrigação dispor dos dados de segurança. 240 Unidade IV Ao analisar os pedidos de registros de produtos de grau 2, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pode exigir o laudo comprobatório de testes, de acordo com determinados critérios. Por exemplo: • produtos para uso infantil: irritação cutânea primária; • produtos para a área dos olhos: irritação ocular cumulativa; • produtos para os cabelos, como tinturas e alisantes de cabelo, devem fazer testes de irritação dérmica e do couro cabeludo; • produtos para proteção das radiações solares: testes de fototoxicidade e fotoalergia; • produtos para a higiene íntima: testes clínicos de irritação de mucosa genital em humanos; • produtos destinados à pele sensível: testes de irritabilidade acumulada, sensibilização, fototoxicidade e fotoalergia cutânea; • produtos cujo rótulo contenha as expressões “hipoaergênico”, “não comedogênico”, “não acnogênico”, “dermatologicamente + oftalmológico + ginecologicamente testado”, “clinicamente testado”, “produto para gengiva sensível” e “produtos para pele + couro cabeludo sensível” devem realizar os testes comprobatórios dessaspropriedades. Há produtos cuja rotulagem menciona atributos como “não irritante” e “não arde nos olhos”. Por muito tempo, os ensaios de irritação e toxicidade dérmica e ocular para comprovar a segurança de cosméticos utilizaram os métodos Draize, sugeridos em 1944 pelo Dr. John Draize. Entretanto, com passar do tempo, por pressão dos grupos de proteção aos animais, novos métodos foram sugeridos. Na Europa, desde 2009, não são admitidas matérias-primas ou produtos acabados que tenham se valido de testes em animais para comprovar sua segurança. Há muito tempo, os testes in vitro alternativos foram apresentados ao mercado. No momento, existem vários métodos, e dois já são comerciais e estão sendo validados para avaliar irritação dérmica: a epiderme humana reconstruída da SkinEthic Laboratories (França) e a EpiDerm da MatTek Life Sciences (Estados Unidos). O protocolo básico de ambos os modelos envolve a aplicação tópica do material de teste na superfície do tecido. Após a cultura do tecido, é realizada a avaliação da viabilidade, isto é, se o tecido continua “vivo” após o teste. Esses modelos podem ser utilizados também para testes de fototoxicidade. 241 FARMACOLOGIA Outros modelos in vitro Estão sendo testados para avaliar o potencial de sensibilização (alergia), com excelentes perspectivas de se tornarem comerciais. Esses modelos são baseados em marcadores celulares que utilizam células de cordão umbilical de recém-nascidos ou tutano bovino. Esses métodos ainda estão em fase intermediária até que se tornem completamente validados e possam se correlacionar entre si e com os testes in vivo e, além disso, que possam ser facilmente harmonizados. Dentre esses modelos podemos mencionar: • Imersão: avalia a irritação dérmica aguda e a toxicidade percutânea potencial de produtos para uso no banho. • Inalação aguda: avalia a toxicidade resultante de uma única exposição à inalação do produto na concentração de 200 mg por litro. • Irritação dérmica: configura-se como um teste oclusivo, avalia o potencial irritante da pele devido aos ingredientes cosméticos. Pode ser um único ou repetido que simula o efeito cumulativo. • Irritação ocular: avalia o potencial de irritação dos olhos. Uma gota do produto é instilada no olho da cobaia e, posteriormente, avaliada a reação sobre a córnea. O teste pode ser com dosagem única para simular contato acidental (shampoo, por exemplo) ou dosagens repetidas para simular o uso contínuo e repetido de cosméticos para a área dos olhos (sombras, máscaras, delineadores). • Irritação oral: pesquisa o potencial do material de teste para induzir irritação na mucosa oral. • Irritação respiratória: avalia o potencial de irritação respiratória resultante da inalação do material do teste. • Fotoalergia: pesquisa o potencial do material de teste de induzir uma resposta alérgica na pele semelhante à mediada pela radiação UV. • Fototoxicidade: pesquisa o potencial do material de teste de induzir uma resposta irritante da pele mediada por irradiação UV. • Teratologia: avalia o potencial embriotóxico e efeitos teratogênicos. • Toxicidade dérmica oral aguda: faz uma apreciação inicial da toxicidade oral aguda de compostos que podem ser ingeridos pelo homem, em períodos curtos ou prolongados. • Toxicidade dérmica subcrônica: determina a segurança de produtos aplicados topicamente, avaliando o potencial de efeitos toxicológicos locais e sistêmicos que podem resultar do contato dérmico repetitivo. 242 Unidade IV 8.12.4 Cosmetovigilância A RDC 332/05 (ANVISA, 2005) estabeleceu a obrigatoriedade das empresas fabricantes e importadoras de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes implementarem o sistema de cosmetovigilância com o objetivo de facilitar a comunicação por parte do consumidor sobre problemas decorrentes do uso, defeitos de qualidade ou efeitos indesejáveis. Essa RDC estabelece que as empresas deverão manter registros dos relatos de ocorrências com seus produtos e avaliá-los. Caso identifiquem situações que impliquem risco à saúde do usuário, deverão notificar a autoridade sanitária. Resumo O sistema nervoso central detecta estímulos externos e internos, tanto físicos quanto químicos, e desencadeia respostas orgânicas adaptativas. Assim, é responsável pela integração do organismo com os ambientes externo e interno, exercendo caráter de organização e controle das funções do organismo. Essas funções são exercidas pela ação conjunta dos neurônios, das células da glia e dos vasos sanguíneos, através dos quais várias substâncias atingem o sistema nervoso central. Os fármacos com ação no sistema nervoso central agem fundamentalmente em neurônios, considerados a unidade anatomofuncional desse sistema, modificando seu estado fisiológico e a comunicação entre eles. São fármacos que atuam sobre o sistema nervoso central os ansiolíticos, os neurolépticos, os antidepressivos, os anticonvulsivantes, os antiepiléticos, os antiparkinsonianos etc. Alguns anti-inflamatórios podem ser usados em doenças pulmonares, como a asma e o DPOC. Os fármacos usados para o tratamento das doenças respiratórias podem ser aplicados topicamente na mucosa nasal, inalados ou administrados por via oral ou parenteral para absorção sistêmica. Os métodos de aplicação local, como os nebulizadores ou inaladores, são preferidos, pois o fármaco atinge o tecido-alvo e minimiza os efeitos adversos sistêmicos. A farmacologia do sistema digestório aborda os principais fármacos que alteram as funções desde secreção de saliva até trânsito intestinal. Como são medicamentos utilizados no cotidiano e alguns indivíduos acreditam que não possuem efeitos colaterais, é importante que o profissional reconheça e saiba os efeitos terapêuticos e colaterais dessa classe, para não incorrer no erro da negligência. 243 FARMACOLOGIA A toxicologia é a mãe das ciências que envolvem substâncias químicas de uso animal ou humano. Na cosmetologia, ela é essencial para indicar dosagens, efeitos tóxicos e complicações das aplicações de produtos na pele. Compreender a toxicologia e sua atuação é essencial para o profissional da estética, que está constantemente lidando com novos produtos. Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. O mau uso da fluoxetina Há no país uma tendência ao uso inadequado e até danoso do antidepressivo fluoxetina. O medicamento vem sendo administrado por alguns médicos por causa de um de seus efeitos adversos: induzir à perda de peso. Elisaldo Carlini, professor da Universidade Federal de São Paulo e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, apresenta evidências desse mau uso no Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Em parceria com a Vigilância Sanitária de Santo André, município da Grande São Paulo, a equipe de Carlini analisou 39,8 mil receitas especiais retidas por 13 farmácias de manipulação e 27 drogarias da cidade entre agosto de 2005 e julho de 2006. Nesse período, o grupo identificou 10,9 mil receitas contendo fluoxetina, a grande maioria (85%) aviada por farmácias magistrais – as drogarias atenderam os 15% restantes. As receitas criadas pelos médicos quase sempre continham de quatro a sete substâncias psicotrópicas de outras classes, geralmente usadas para emagrecer (anorexígenos, diuréticos e ansiolíticos). “Isso indica que essas formulações estão sendo dispensadas para perda de peso, mas essa é uma estratégia ineficiente e perigosa”, afirma Carlini. “Vários estudos já mostraram que só se emagrece de modo consistente com reeducação alimentar e exercício físico. Essas pessoas estão tentando resolver os problemas com pílulas mágicas”. A associação desses compostos aumenta muito o risco de reações adversas. Fonte: PESQUISA FAPESP. Mau uso da fluoxetina. Pesquisa Fapesp, ed. 165, nov. 2009. Disponível em: https://bit.ly/3vL7wSd. Acesso em: 22 jun. 2021. Com base no texto e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – A fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptaçãode serotonina. Essa classe de medicamentos é, atualmente, a mais prescrita para o tratamento da ansiedade e da depressão, por apresentar efeitos adversos relativamente brandos. II – A fluoxetina apresenta efeito anorexígeno e, por esse motivo, é utilizada indevidamente no controle do peso corporal. Alguns dos efeitos adversos que podem ser notados com mais frequência em pessoas que fazem uso indevido dessa medicação são as crises de ansiedade e de psicose. III – O estudo indica que as formulações contendo fluoxetina aviadas em farmácias de manipulação, mas não as obtidas em drogarias, visam ao controle do peso. 244 É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) I, apenas. D) I e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa A. Análise da questão As afirmativas I e II estão corretas devido ao seguinte: os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, que incluem a fluoxetina, a paroxetina e a sertralina, são uma classe de fármacos utilizados no tratamento da ansiedade e da depressão. Atualmente, é a classe de fármacos mais prescrita para esse fim. Por atuarem especificamente sobre a recaptação de serotonina, o que resulta no aumento dos níveis desse neurotransmissor na fenda sináptica, esses fármacos apresentam menos efeitos adversos em relação às outras classes de ansiolíticos/antidepressivos, que costumam alterar também os níveis de outros neurotransmissores. Os principais efeitos adversos dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina são a anorexia, os enjoos e a diarreia, o que resulta em perda de peso, síndromes extrapiramidais, alterações do sono e, paradoxalmente, crises de ansiedade. Indivíduos que fazem uso indevido dessas substâncias têm maior chance de desenvolver crises de ansiedade e podem, inclusive, apresentar surtos psicóticos. Já a afirmativa III está incorreta pois, nas farmácias de manipulação, é possível formular o medicamento de maneira personalizada, ao se adicionar vários princípios ativos em uma mesma forma farmacêutica. A composição das formulações analisadas no estudo sugere que elas podem estar sendo usadas para o controle do peso. No entanto, não é possível afirmar se a fluoxetina comercializada em drogarias está sendo utilizada para o tratamento da ansiedade e da depressão ou para promover o emagrecimento, já que esse fármaco, por si só, apresenta efeito anorexígeno. 245 Questão 2. (Enade 2019, adaptada) Em uma clínica de estética, após um procedimento para redução de gordura localizada, um esteticista indicou para uma cliente um produto cosmético para uso domiciliar contendo nicotinato de metila. Orientou que o produto fosse utilizado todos os dias pela manhã ou antes de realizar atividade física. Após a primeira aplicação, a cliente retornou à clínica com queixa de intenso prurido, irritação e formação de placas eritematosas na região aplicada. A partir das informações apresentadas, qual deve ser a conduta do esteticista responsável, considerando os aspectos éticos da profissão? A) Encaminhar a cliente a um hospital, pois a melhora somente será obtida através da administração de antialérgicos intravenosos. B) Esclarecer que se trata de uma reação alérgica irritativa, suspender o uso do produto e solicitar que a cliente utilize pomada antialérgica para controlar os sintomas. C) Realizar um procedimento estético na região, com equipamento que estimula a regeneração da pele, e manter o uso do produto, visto que essa reação é normal e esperada. D) Recomendar a suspensão do uso do produto, aplicar um cosmético hipoalergênico para pele sensível e monitorar o caso, encaminhando ao dermatologista, se necessário. E) Recomendar a suspensão do uso do produto, prescrever um corticoide tópico e encaminhar a cliente a um pronto atendimento hospitalar para iniciar um tratamento específico. Resposta correta: alternativa D. Análise da questão A alergia é um dos principais efeitos tóxicos observados com o uso dos cosméticos. Trata-se de uma reação provocada pela exposição prévia do organismo a um alérgeno, substância que tem a capacidade de estimular o sistema imunológico e desencadear uma reação de hipersensibilidade. As reações de hipersensibilidade são caracterizadas pela ativação de leucócitos, com a consequente liberação de substâncias que alteram a homeostase do organismo, como, por exemplo, a histamina. Existem várias classes de medicamentos utilizados no tratamento das alergias. Os principais são os anti-histamínicos e os corticoides, que podem ser administrados por via sistêmica ou tópica. Esses medicamentos devem ser prescritos exclusivamente por médicos, de acordo com as características clínicas do paciente. Sendo assim, o esteticista nunca deve indicar o uso desses agentes para o controle da alergia. Infelizmente, muitos profissionais da área de estética acabam recomendando o uso de pomadas à base de anti-histamínicos ou de corticoides para o controle de alergias, o que, em muitos casos, leva ao desenvolvimento de efeitos adversos e até à piora do quadro. 246 A conduta do esteticista, nesses casos, deve ser a substituição do cosmético por outro, hipoalergênico, e a orientação da cliente quanto ao acompanhamento da evolução do quadro para que, se necessário, ela procure o dermatologista. Deve-se evitar a realização de outros procedimentos estéticos na pele afetada. 247 REFERÊNCIAS Textuais ALENCAR, M. P. et al. 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