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Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Curso de Medicina Disciplina de Educação e Saúde Professoras: Cleidilene Ramos Magalhães e Fúlvia Silva Spohr Aluno: Cauê Oliveira (T.A) AVALIAÇÃO TEÓRICA – EDUCAÇÃO E SAÚDE Nos processos educativos em saúde é extremamente relevante considerar o contexto que o indivíduo em questão está inserido, para avaliar quais os melhores métodos e estratégias educacionais devem ser empregados. Tendo como cenário a atual pandemia, é possível exemplificar dois contextos totalmente diferentes: 1) Cauê, estudante de medicina: para esse indivíduo que está inserido em um local de privilégio, tentar vincular o coronavírus aos conteúdos das disciplinas da faculdade, pode ser um método eficaz, já que, por exemplo, em Citologia, ele pode compreender melhor como o vírus funciona, em Bioquímica, por que o álcool em gel é eficiente para a higienização das mãos e em Introdução à Bioestatística e Delineamentos de Pesquisa, como estão sendo feitos os estudos e testes para o desenvolvimento de uma vacina. Resumidamente, a estratégia de educação sobre a pandemia é adaptada ao contexto em que Cauê está inserido. 2) Dona Helena, dona de casa analfabeta: esse indivíduo ocupa um lugar de não privilégio, bem diferente do outro indivíduo, ou seja, as estratégias utilizadas com Cauê, aluno de medicina, não serão eficientes para Dona Helena, logo, a informação que advém da Academia deve ser simplificada e adaptada ao contexto desse indivíduo em questão, utilizando- se de uma linguagem mais simples e de recursos visuais e orais. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Curso de Medicina Disciplina de Educação e Saúde Professoras: Cleidilene Ramos Magalhães e Fúlvia Silva Spohr Aluno: Cauê Oliveira (T.A) O modelo pedagógico diretivo, baseado no empirismo, possui as seguintes características: 1) Esse modelo propõe o professor como centro do processo ensino-aprendizagem, ou seja, ele é quem desempenhará o papel de transmitir o conhecimento, assumindo uma postura ativa de “doador” do conhecimento. 2) Além disso, nesse modelo, o professor também é visto como um detentor da verdade, isto é, não cabe ao aluno questionar os ensinamentos e/ou métodos do professor 3) Por fim, o principal método de ensino desse modelo é a utilização de aulas expositivas. Para transformar esse método, é necessário que tanto professor, quanto aluno se empenhem em assumirem posturas ativas no processo de ensino-aprendizagem, para que, assim, os dois sejam protagonistas nesse processo. Ademais, é necessário que esse processo seja apropriado ao contexto em que os dois estão inseridos. Por fim, como exemplo, é possível citar a troca das aulas expositivas por salas de aula invertidas ou outras metodologias ativas, em que o aluno pode assumir um papel mais ativo. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Curso de Medicina Disciplina de Educação e Saúde Professoras: Cleidilene Ramos Magalhães e Fúlvia Silva Spohr Aluno: Cauê Oliveira (T.A) Na perspectiva atual da Educação em Saúde, é extremamente necessário levar em consideração tanto a pandemia atual, quanto os diversos contextos mais recentes. Para iniciar essa discussão, é muito importante dizer que a pandemia substituiu as máscaras sociais por máscaras de pano (Schwarcz, 2020), isto é, uma pandemia que era dita "democrática" se mostrou na verdade muito desigual, uma vez que atinge de maneira diferente os indivíduos de classes sociais diferentes, logo, fica claro que as ações educativas em saúde, nesse âmbito, devem tomar rumos diferentes. Além disso, cabe destacar que o Brasil tem se tornado um país cada vez mais negacionista com a ciência, já que há o surgimento de movimentos antivacina e terraplanista que vêm tomando proporções cada vez maiores. Ainda, é possível afirmar que esse negacionismo se mostra presente na atual pandemia, pois, apesar de comprovações científicas, persiste a defesa de remédios comprovadamente ineficazes contra o coronavírus, como a cloroquina. Desse modo, fica evidente que as atuais estratégias de educação em saúde não têm chegado a todas as pessoas, já que esse pensamento anticiência e negacionista ainda continua a existir. Por isso, é muito importante que o profissional de saúde atue de duas maneiras: 1) Adaptando o conhecimento teórico da Academia para o público leigo, já que esses saberes têm se distanciado cada vez mais da população comum; 2) Contextualizando as estratégias educativas ás diferentes necessidades das distintas populações (exemplo: não é eficaz defender o isolamento social para uma pessoa hipossuficiente que não tem condições de ficar em casa, pois necessita sair para trabalhar; logo, o mais eficaz é ensinar para esse indivíduo outras medidas de prevenção como a higienização das mãos e o uso correto da máscara) Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Curso de Medicina Disciplina de Educação e Saúde Professoras: Cleidilene Ramos Magalhães e Fúlvia Silva Spohr Aluno: Cauê Oliveira (T.A) De acordo com o trecho, fica evidente que o atual modelo de educação em saúde está "pautado em concepções reducionistas e biologicistas" e um "modelo vertical de educação", fato esse que é possível traçar paralelos entre o atual momento e o período higienista, que também era baseado nos mesmos ideais, e o modelo educacional diretivo. Para se adequar às orientações previstas no SUS, é necessário que os indivíduos sejam vistos como parte ativa do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, não se pode acreditar que uma comunidade/população é passível de sofrer uma intervenção, pois nenhuma comunidade deve ser considerada incapaz, ao contrário, deve ser entendida como uma potente força desse processo de intervenção. Desse modo, o modelo pedagógico relacional seria o mais indicado, pois é baseado no construtivismo, ou seja, entende o conhecimento como resultado da construção do sujeito por meio de uma ação sobre o objeto, isto é, professor e aluno aprendem e ensinam. Nesse caso, o profissional da saúde deve atuar como aprendiz da cultura daquele território e, baseado nesses saberes, propor estratégias educativas, elaboradas junto àquela população, para que a intervenção em saúde seja de fato efetiva. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Curso de Medicina Disciplina de Educação e Saúde Professoras: Cleidilene Ramos Magalhães e Fúlvia Silva Spohr Aluno: Cauê Oliveira (T.A) A estratégia metodológica apontada acima, em minha opinião, não é eficaz, pois está apenas remediando um falso problema. Assim, cabe destacar que: 1) Os alunos carregarem suas mochilas com excesso de peso, é apenas uma consequência direta do modelo educacional utilizado na referida escola. Assim, a intervenção deveria ser em questionar o porquê de os alunos terem que levar tantos materiais assim para a escola, reavaliando se não está ocorrendo uma sobrecarga desses indivíduos. 2) Uma palestra que parte da ideia de uma aula expositiva não é eficaz para prender a atenção desses alunos com idade média de 14 anos. Seria mais interessante que fosse abordado algum tipo de atividade prática ou mais dinâmica junto à essa palestra, como, por exemplo, utilizando-se alguma tecnologia. 3) Além disso, dependendo do tipo de palestra, essa estratégia pode soar como algo imposto para esses alunos, o que atrapalha o processo de aprendizagem dessa faixa etária, então, seria mais interessante que essas recomendações fossem construídas junto com os próprios alunos, a partir de suas experiências.