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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ 
EAD CAMPO GRANDE – RIO DE JANEIRO 
 
PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR 
 
Disciplina: 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
Título: 
REVISITANDO A HISTÓRIA E PROJETANDO 
PERSPECTIVAS FUTURAS 
Aluno: 
FILIPE PAULINO OLIVEIRA 
Matrícula: 
202002486511 
 
 
Maio de 2020 
 
 
RELATÓRIO 
 
Objetivos 
 Destacar a importância da Reforma Protestante para a Educação 
 Identificar as características do modelo educacional Jesuíta no Brasil 
 Entender o processo educacional do passado ao presente 
 
Introdução 
Este trabalho tem por finalidade, conhecer e destacar alguns aspectos e a 
importância da História da Educação, evidenciando suas contribuições na 
formação dos sujeitos e das sociedades, e assim projetar as suas perspectivas 
futuras. 
 
Desenvolvimento 
 
Precisamos entender, e reconhecer a importância da Reforma Protestante, 
para evidenciarmos as suas contribuições, para a educação nos dias de hoje. 
 Devido a aspectos políticos, econômicos e teológicos e a corrupção 
existente na Igreja Católica, diversos pensadores, chamados de reformistas, 
questionaram a conduta religiosa adotada pela Igreja. No aspecto econômico, o 
apoio por parte da nobreza, particularmente a burguesia, era compreensível, pois 
o enriquecimento pelo lucro era condenável. Porém, era contraditório ser uma 
instituição rica, mas não permitir que o povo também fosse. Além disso, era 
estipulada a cobrança de impostos de todos os seus fiéis. 
 No aspecto político, reis, príncipes e governantes, à medida que essas 
contradições se tornavam mais evidentes, também apoiaram os reformistas, pois 
seus poderes eram cerceados por interferências eclesiásticas, uma vez que era 
praticamente impossível manter-se no comando sem a aprovação do papa, tendo 
seu poder sustentado pela autoridade da Igreja. Isso significa que muitos viam o 
rompimento como uma forma de consolidar ou de assegurar mais poder sem a 
necessidade de ter que se sujeitar a outra autoridade. 
No aspecto teológico, alguns pensadores estavam insatisfeitos com a prática 
religiosa, pois a Igreja de Roma era, naquele período, a maior autoridade da 
Europa Ocidental, e detinha um imenso poder, uma vez que era dona de terras e 
imensas riquezas. 
É nesse contexto, que Martinho Lutero (1483-1546), ganhou força com as 
suas reformas. As vendas de indulgências era a sua maior crítica, pois consistia 
em vender a promessa de remissão dos pecados. Ao continuar suas críticas, foi 
excomungado em 1521. 
As reformas de Lutero se espalharam, em parte, devido a uma invenção que 
modificou o mundo intelectual: a imprensa. A impressão de livros permitiu que a 
Educação ganhasse corpo e que a leitura, antes restrita, começasse a ser 
popularizada. 
Lutero inquietou-se e entendeu que todos deveriam ter acesso ás reflexões 
das Escrituras, mas, como? Se a maioria do povo era analfabeto. 
 
“Antes da Reforma Protestante tomar forma, o direito à educação era 
restrito aos nobres e ao clero. Foi Martinho Lutero quem iniciou um movimento 
para modificar esse cenário. Em uma de suas cartas endereçadas aos príncipes 
europeus, Lutero reivindicava que fossem criadas escolas acessíveis a todos. A 
carta, com teor crítico, solicitava que todas as comunidades tivessem suas 
próprias escolas”, explica o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie 
(UPM) Benedito Guimarães Aguiar Neto sobre o legado que a Reforma deixou 
para a educação. 
Martinho Lutero e a Reforma Protestante provocaram uma enorme 
mudança na Educação, pois na Idade Média, cabia apenas à Igreja o papel de 
ensinar, além do monopólio na produção de livros. 
Antes da Reforma, existiam cerca de 60 universidades, algumas com cerca 
de 300 anos e restritas á formação do clero. 
Foi depois deste movimento espiritual e social que as portas foram abertas 
para a população, com grandes universidades criadas por cristãos reformados, 
como a Universidade de Yale, em 1640; a Universidade de Harvard, em 1643; a 
Universidade de Princeton, em 1746; e a Universidade Livre de Amsterdã, em 
1881. 
 
Os Jesuítas 
Considerados uma Ordem Militar, fundada em 1534 por um grupo de 
estudantes da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola, a 
Companhia de Jesus, era encarregada da conversão e catequese de fiéis. Seus 
membros, denominados jesuítas, desenvolveram práticas pedagógicas que, na 
América, foram aplicadas aos indígenas para obter sua conversão ao catolicismo. 
Os jesuítas foram, então, os pioneiros na Educação no Brasil. A Companhia de 
Jesus, foi fundada no contexto da Contrarreforma Católica, que foi uma resposta 
à Reforma Protestante, em uma tentativa de retomar os princípios religiosos, 
esquecidos ao longo do tempo. 
Educação Jesuíta no Brasil 
 No dia 29 de março de 1549, desembarcaram no Arraial do Pereira, na 
Bahia de Todos os Santos, os seis jesuítas, liderados pelo Padre Manuel da 
Nóbrega tornaram-se o primeiro grupo da nascente Companhia de Jesus que 
chegava às Américas. 
Em 15 dias do desembarque, na Bahia, os jesuítas colocavam em 
funcionamento a primeira instituição educativa em solo brasileiro. Era uma 
escola elementar de ler, escrever, contar e cantar. Ao lado de cada residência, ao 
longo da faixa litorânea do Brasil, os jesuítas foram constituindo escolas de ler e 
aprender, ou escolas de bê-á-bá, para o ensinamento da religião católica e das 
primeiras letras. Além das escolas, os jesuítas no Brasil, a exemplo do que 
acontecia na Europa, também foram fundando colégios, com a finalidade primeira 
de formar quadros para a Companhia de Jesus, mas com vagas para alunos 
externos. 
Dentre o corpo docente, José de Anchieta com seu desempenho polivalente 
alcançou dos seus biógrafos diversos títulos, como educador do país, inaugurador 
da literatura, fundador do teatro, poeta, epistológrafo, etnólogo, indigenista, 
pacificador, cofundador da cidade de São Paulo. 
 
Método pedagógico 
Naquela metade do século xvi os jesuítas não dispunham de um referencial 
normativo para o seu trabalho educativo, pois a estruturação do sistema escolar 
ainda se encontrava em gestação no mundo renascentista. Os jesuítas se 
pautavam pela fonte mais inspiradora para a pedagogia jesuítica, os exercícios 
espirituais, elaborados por santo Inácio de Loyola e que o papa Paulo III havia 
aprovado em 1548. 
Com a promulgação das Constituições da Companhia de Jesus, elaboradas 
por santo Inácio de Loyola, os jesuítas puderam contar com o primeiro código 
educativo, expresso na parte IV. O texto, com 17 capítulos, trata da educação e das 
instituições educativas e dirige-se aos jesuítas formados e em formação, buscando 
capacitá-los para o trabalho docente no intuito apostólico que a ordem propunha 
realizar. A partir de 1586 os jesuítas puderam ter acesso à versão preliminar do 
código pedagógico da ordem, a Ratio Studiorum, que começava a circular. 
Os colégios jesuítas eram classificados segundo o nível de estudos. Os 
Cursos Inferiores eram as escolas elementares de ler e aprender, como uma 
extensão da catequese, onde se ofereciam a doutrina cristã, conhecimentos 
elementares e, para os alunos mais dotados, iniciação musical. A etapa seguinte 
era o Curso Médio, que oferecia gramática, humanidades e retórica para os alunos 
que haviam se destacado intelectualmente na fase anterior, alguns dos quais eram 
enviados depois à universidade de Coimbra ou da Espanha, para realizar os 
estudos superiores. A maioria dos alunos do curso médio era direcionada para o 
aprendizado profissional e agrícola, que teve início no Colégio de São Vicente. O 
Ciclo Superior era integrado pelas faculdades de filosofia e teologia, criadas pela 
primeira vez no Brasil, em Salvador da Bahia, em 1572. A filosofia abrangia lógica, 
física, metafísica, ética, matemática e ciências naturais. A teologia abarcava a 
teologia especulativa, com o estudo dos dogmas e a teologia moral, com a reflexãosobre casos de consciência. O método pedagógico buscava o equilíbrio das 
potencialidades do ser humano. Grande destaque era dado ao estudo do latim, 
como base da cultura geral. 
A expulsão dos jesuítas de Portugal, Brasil e demais domínios, por decreto 
do Marquês de Pombal, em 3 de setembro de 1759, atingiu no país 590 jesuítas. 
A Companhia deixava uma rede educativa e um trabalho evangelizador de 
reconhecida organização e qualidade em todo o país. Afirmou Fernando de 
Azevedo que com a expulsão dos jesuítas não foi um sistema ou tipo pedagógico 
que se transformou ou se substituiu por outro, mas uma organização escolar que se 
extinguiu sem que esta destruição fosse acompanhada de medidas imediatas 
bastante eficazes para lhe atenuar os efeitos ou reduzir a sua extensão. 
 
 
Nos 210 anos em que trabalharam no país os jesuítas se dedicaram com 
ousadia, competência e perseverança ao trabalho evangelizador e civilizador das 
crianças indígenas, mestiças e negras, através de uma rede de instituições 
educativas gratuitas enquanto os portugueses concentravam sua atenção na 
extração de mercadorias a serem enviadas para a metrópole. Na época em que a 
educação popular ainda não era priorizada, os jesuítas, até a sua expulsão do país 
eram responsáveis pelo único sistema de ensino formal e público do país. 
 
A Educação do Brasil 
O modelo atual vigente no Brasil é a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), que é um documento de caráter normativo que define o conjunto 
orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem 
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a 
que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em 
conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). 
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou a ser elaborada em 2015, a 
partir de uma análise aprofundada dos documentos curriculares brasileiros 
realizadas por 116 especialistas indicados por secretarias municipais e estaduais 
de educação e por universidades. Nesse período, teve início um longo processo de 
mobilização nacional em torno das previsões de conteúdo do documento. 
Nos anos de 2015 e 2016, consultas públicas presenciais e on-line foram 
realizadas para possibilitar a participação mais direta da população na 
construção da BNCC. A iniciativa fez com que mais de 12 milhões de contribuições 
– a maioria feita por educadores – fossem enviadas ao Ministério da Educação 
(MEC). 
Em 2017, considerando as versões anteriores do documento, o MEC concluiu a 
sistematização das contribuições e encaminhou uma terceira e última versão do 
texto ao Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável por regulamentar o 
sistema nacional de educação, instituir e orientar a implementação da BNCC e 
realizar audiências públicas regionais sobre o documento nas cidades de Manaus 
(AM), Recife (PE), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e Brasília (DF). As audiências 
públicas tiveram caráter consultivo e resultaram em 235 documentos com 
contribuições e 283 manifestações orais. 
No final de 2017, o texto introdutório da Base e as partes referentes à Educação 
Infantil e ao Ensino Fundamental foram aprovados pelo CNE e oficializados pelo 
MEC – o texto correspondente ao Ensino Médio ainda está em processo de 
elaboração. 
 
 
 
Conclusão 
Apesar de um longo caminho trilhado até os dias de hoje, a Educação 
evoluiu bastante e ainda tem muito a evoluir, mas é inegável o papel 
desempenhado por Lutero no que se refere ao acesso à educação. 
A essência dos princípios das propostas de Lutero para a Educação consiste 
na defesa de uma escola para todos e de caráter obrigatório. Quatro séculos após 
a Reforma Religiosa e a implementação das propostas pedagógicas de Lutero na 
Alemanha, pode-se ainda perceber que o acesso para todos à educação ainda é um 
desafio para muitos países. 
No Brasil, a Educação tornou-se dever do Estado, como prevê no artigo 4º 
da LDB 9.394/96: “O dever do Estado com educação escolar pública será 
efetivado mediante a garantia de: [...] educação básica obrigatória e gratuita dos 4 
(quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade”. 
Todavia, a realidade brasileira ainda evidencia que a garantia ao acesso e a 
permanência à escola depende, também, de políticas públicas que precisam ser 
implementadas. 
 
Referências 
 
 TEMA TRÊS – MÓDULO TRÊS – HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO – CURSO EAD ESTÁCIO - 
http://estacio.webaula.com.br/Classroom/index.asp?191C757E76=484C233D2440BBF19DC4C87005
7D5F665AF990C056DDA4EA2724A06489072295CCB19531086DEBA622FB27F79389A3D8AB7B038F6
26AA435E4E993F6F87A28C41869EBA09637BE61C19F7644D4714BB6CB2A8BF8C2A6976414 
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante 
 https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/a-reforma-protestante-e-a-origem-da-escola-
publica 
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Jesus 
 http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase 
 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/Classroom/index.asp?191C757E76=484C233D2440BBF19DC4C870057D5F665AF990C056DDA4EA2724A06489072295CCB19531086DEBA622FB27F79389A3D8AB7B038F626AA435E4E993F6F87A28C41869EBA09637BE61C19F7644D4714BB6CB2A8BF8C2A6976414
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante
https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/a-reforma-protestante-e-a-origem-da-escola-publica
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