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A angiotomografia de coronárias é feita por meio de uma tomografia computadorizada porém com processamento de imagem mais superior, portanto os tomógrafos ao longo dos anos foram evoluindo tanto em relação ao número de detectores quanto em relação ao seu modo de aquisição. Inicialmente existia apenas um detector, hoje já temos tomógrafos de mais de 200 detectores e isso implica em resolução de imagem. Antigamente o tomógrafo fazia um ciclo, rodava fazia outro ciclo, mas hoje em dia isso não acontece mais, pois a tomografia é feita por aquisição helicoidal e tanto o detector quanto o emissor de radiação giram naquele tubo tomografia de modo a irradiar o paciente por todos os ângulos. Isso proporcionou a análise com uma confiabilidade e uma resolução de imagem maior e que pudesse analisar as coronárias do paciente Seleção dos pacientes e preparo do exame A angiotomografia é uma tomografia que vai analisar vaso sanguíneo e no caso a tomografia cardíaca vai analisar tanto a angiotomografia das coronárias, da aorta quanto também vai analisar o coração. Dessa forma, é preciso injetar o contraste para contrastar os vasos (coronárias, aorta) e até mesmo a cavidade ventricular do paciente. O contraste da tomografia é um contraste iodado e é preciso inicialmente saber se o paciente tem alergia ao iodo ou não. A gente vai fazer alguns questionamentos pro paciente, por exemplo, se tem alergia à frutos do mar, se ele já fez algum exame contrastado e teve alergia, todo paciente que já teve alergia a alguma coisa, independente do que for, ele tem maior chance de alergia ao iodo. Assim, existe a necessidade dos Protocolos de dessensibilização para esses pacientes para que eles não tenham a reação à medicação. Outro detalhe que temos que saber é que o iodo além da alergia pode causar nefropatia induzida por contraste, que é um tipo de insuficiência renal que acontece no paciente após o uso do contraste. Precisamos saber quais os pacientes que têm maior risco de desenvolver essa condição para fazer a prevenção. É utilizada a radiação como em qualquer exame de tomografia Essa tomografia precisa ser “trigada” com eletrocardiograma para fazer a leitura do coração durante uma sístole ou melhor dizendo durante a diástole Vídeo de como é feito o exame de tomografia: Paciente todo preparado, já foi feita dessensibilização ao contraste se for preciso, é obtido acesso venoso desse paciente que é ligado na máquina injetora de contraste. Ele então é monitorizado por três, quatro ou cinco eletrodos para que a tomografia seja “trigada” com o eletrocardiograma . Por vezes, é injetado uma medicação para o coração do paciente bater mais devagar ( metoprolol ) e quando o coração do paciente está mais ou menos com 50 batimentos por minuto a gente pede para ele segurar a respiração e é feita a injeção do contraste e a tomografia. Observe que nós temos o eletrocardiograma junto com a injeção do contraste e aí a tomografia está completa e na hora da análise nós vamos ver a importância do fato da tomografia estar conjunta com o complexo qrs, com as derivações eletrocardiográficas. Após o exame é conferido se as imagens ficaram todas ok, se precisa refazer um ou outro corte, o técnico de radiologia juntamente com o médico revisa de forma imediata essas imagens e caso estiver tudo ok o paciente é liberado. É um exame que demora poucos minutos, mas que traz muitas informações. Isso aqui mostra como que antigamente nós tínhamos a tomografia, primeiro fazia um corte a marca andava, fazia outro corte a marca andava.... Depois isso ficou helicoidal e com a quantidade de detectores maiores, de múltiplos detectores é possível fazer menos radiação e maior resolução de imagem. Nefropatia induzida por contraste Lesão direta ou ateroembolismo - A nefropatia induzida por contraste pode ser uma lesão direta ou até mesmo por ateroembolismo ( na realização do cateterismo, alguma placa de gordura eventualmente se desprende e para no rim). Para tomografia , a nefropatia induzida por contraste geralmente é direta. Fatores de risco Tipo de contraste – Existe o contraste iônico e o contraste não iônico. Contraste não iônico é um pouco mais caro, tem uma antigenicidade menor, causa menos efeitos de reação ao contraste. Medicações que aumentam o risco de NIC - são aquelas medicações que já causam algum grau de lesão renal, sejam diuréticos ou anti-inflamatórios Medidas clínicas para prevenção Efeitos Cardiovasculares O contraste agride nosso corpo por meio de efeitos: Hemodinâmicos Eletrofisiológicos Imunológicos Reações de desconforto Hipertireoidismo - uma vez que contém iodo Nefrotoxicidade Hematológicos Efeitos Hemodinâmicos o Todos os contrastes causam vasodilatação, que se dá por intermédio da diminuição da Resistência vascular sistêmica. Essa vasodilatação quando ocorre em um grau muito avançado pode ter inclusive choque anafilático que é o pior grau de alergia possível ao contraste. o Os contrastes também aumentam o volume intravascular, principalmente os de alta osmolaridade, que vão puxar líquido do extravascular para o intra para poder fazer o equilíbrio. o Causam eventualmente depressão miocárdica, que é multifatorial (devido à osmolaridade, propriedades quelantes do cálcio, isquemia transitória). Efeitos Eletrofisiológicos o Os contrastes de alta osmolaridade basicamente quando injetados direto na coronária direita podem causar bradicardia transitória por reflexo vagal. o Pode ter alterações eletrocardiográficas (Prolonga QRS, PR, QT e deprime ST). o Assistolia e bloqueios são mais raros. o Existe uma relação de diminuição do limiar para fibrilação ventricular, principalmente se há isquemia. o Todos esses efeitos são menos pronunciados nos contrastes não iônicos Efeitos Imunológicos o As reações anafiláticas e anafilactóides são as mais comuns, caracterizados por vasodilatação, urticároa, angioedema, broncoespasmo. o Incidência de reações anafilaticas e anafilactóides em torno de 5% para reações leves e moderadas, que requer tratamento com bloqueio de receptores H1 e H2 e ressuscitação hídrica. o Eventualmente temos reações severas (0,1%) com choque anafilático que necessita de intubação e de aminas. o O melhor tratamento para a reação alérgica ao contraste é a sua prevenção por meio dessensibilização de pacientes que já tiveram reações prévias. Pode utilizar bloqueador H1 (dimenidrato), pode utilizar bloqueador H2 (Ranitidina) e corticoide Prevenção de reação alérgica ao iodo Grupos de maior risco a reação alérgica ao iodo É justamente aquele grupo de pacientes que já tiveram alergia grave a alguma coisa, até mesmo a picada de marimbondo. Quem tem reação alérgica grave a algum tipo de substância têm maior risco de ter reação alérgica ao iodo. Então, nestes pacientes que já tiveram reação alérgica a alguma substância e mais especificamente os pacientes que já tiveram reação alérgica com produtos iodados é necessário fazer um protocolo de dessensibilização. Protocolo de dessensibilização Prescrever para paciente anti H1, anti H2 e corticoide durante 5 dias que antecedem o exame Exemplo: O melhor tratamento para reação anafilática é a dessensibilização com esse protocolo. Loratadina = anti H1 Ranitidina = anti H2 Angiotomografia A angiotomografia per si é utilizada na parte cardiovascular para 3 usos principais: Escore de cálcio coronariano Estudo anatômico da aterosclerose Uso nas doenças vasculares Escore de cálcio coronariano É uma aquisição de tomografia que se faz sem contraste, não há necessidade de acesso venoso quando a gente vai fazer só o escore de cálcio coronariano. Não precisa de jejum e esse escore vai quantificar a quantidade de aterosclerose coronariana calcificada. Compare a imagem da esquerdacom a imagem da direita. A imagem da esquerda não tem nenhuma quantidade de cálcio no território do tronco de coronária esquerda. A imagem da direita tem uma grande quantidade de cálcio no território do tronco coronária esquerda. Quem validou esse protocolo para uso clínico foi Agatston e colaboradores em 1990, que propuseram um escore chamado de Método Agatston que é utilizado até hoje para quantificar escore de cálcio coronariano, proporcionando a divisão dos pacientes em grupos de risco de acordo com essa calcificação coronariana, quanto maior o grau de calcificação coronariana maior risco do paciente ter evento coronariano futuro. Existe o valor absoluto e existe um valor relativo, sabemos que de acordo com a coorte da população que a gente está estudando é esperado algum grau de calcificação coronariana. Sabemos que a aterosclerose é uma doença inerente a raça humana e que ela começa aproximadamente com 40 anos de idade e vai progredindo a partir da exposição aos fatores de risco. Portanto, se pegar uma coorte de paciente de 40 anos imagina-se que esses pacientes podem ter alguma placa de gordura, mas essas placas ainda não estão calcificadas. Se pegar uma coorte de paciente de 50 anos ele já tenha uma quantidade maior de placa de gordura e certamente também já tem um grau de calcificação maior e quando eu pego uma coorte de paciente de 70 anos, esses pacientes já tem uma calcificação bem maior. Então não é só o valor absoluto do escore de cálcio que deve ser analisado e sim em que percentil para sexo, idade e raça aquele paciente está. É comparado esse percentil e quanto maior o percentil que o paciente estiver maior o risco futuro dele fazer eventos. O escore de cálcio coronariano não serve para utilizar em paciente sintomático, pois não é uma ferramenta muito precisa para análise da coronariopatia. É uma ferramenta que vai quantificar o grau de calcificação e quanto maior o grau de calcificação que temos nas coronárias maior risco de desenvolver eventos adversos. A diretriz brasileira de angiotomografia e de ressonância traz as indicações para realização do escore de cálcio coronariano. Classe I nível de evidencia A - Pacientes assintomáticos mas que tem risco intermediário no escore de risco de global (aquele da dislipidemia), esses pacientes têm indicação de fazer o escore de risco coronariano para poder predizer o risco de terem eventos futuros. Observe que não se utiliza o escore em pacientes de baixo risco sem antecedente familiar de DAC precoce. Não usa escore de cálcio em pacientes com alto risco de desenvolver evento cardíaco e nem naqueles pacientes sintomáticos. Portanto, escore de risco coronário é uma ferramenta que vai ajudar a classificar o risco o futuro do paciente desenvolver evento. Aterosclerose Definição A aterosclerose é um processo inflamatório crônico de origem multifatorial que consiste em um crescimento de placa de gordura “entupindo” os vasos sanguíneos de médio e pequeno calibre. História natural da doença Os eventos iniciais da aterosclerose começam na primeira década de vida quando temos as estrias gordurosas depositadas nas artérias das criancinhas e eventualmente teremos a placa de gordura formada nos pacientes em torno dos seus 40 anos. É uma doença que a placa de gordura per si começa aí na quarta década de vida. Placas estáveis x Placas instáveis As placas de gordura se dividem placas estáveis e placas instáveis. A placa de gordura tem um núcleo que é lipídico e tem uma capa fibra fibrótica em volta. Essa capa fibrótica em volta dá estabilidade a placa e quanto mais fator de risco tiver o paciente mais instável é a placa e quanto mais instável é a placa maior o risco dela romper e formar um evento agudo. Custos de investigação de dor torácica Paciente se queixando de dor torácica por vezes é submetido a muitos exames e não tem um diagnóstico correto, porque faz exame físico, faz eletrocardiograma, exame de sangue, eventualmente pede teste ergométrico e nós vimos na aula de teste ergométrico que a isquemia começa a se manifestar com placas a partir de 50%, então existe todo um custo de investigação de dor torácica que a gente precisa utilizar. A angiotomografia é uma forma de otimizar essa propedêutica, porque ela estuda a quantidade de placa e além disso ela gradua, ela diz se tem placa e de quantos por cento. Isso é importante pois se pegarmos os grandes estudos de infarto vamos observar que a grande maioria das coortes de pacientes com infarto agudo do miocárdio são pacientes que têm 60% de placa para baixo. Isso quer dizer que são esses pacientes que têm uma estenose sub obstrutiva que vão romper placa e fazer infarto. Isso é importante dizer, pois eventualmente se a gente pega um paciente que tem 50% de placa ou 40% de placa e faz um teste ergométrico, ele não apresenta dor e o teste ergométrico dele é normal. Desenho que mostra a História Natural da evolução da aterosclerose desde a ausência de DAC até as primeiras estrias gordurosas que acontecem na primeira década de vida, passando pra DAC obstrutiva e o evento de ruptura da capa da placa lipídica, que é o evento índice das síndromes coronarianas agudas. As estatinas são medicações capazes de estabilizar a placa de gordura, capazes de diminuir esse core lipídico, capazes de diminuir a inflamação da placa de forma que essa capa fique íntegra e que ela não sofra ruptura. Dessa forma, quanto mais cedo descobrirmos a doença maior a chance de tratarmos adequadamente. Então, estudar ateromatose coronariana, que é possível por um teste anatômico como a tomografia, estamos olhando a doença em todos os seus momentos, enquanto que investigar a isquemia só vamos ter testes isquêmicos positivos quando a placa estiver acima de 60 ou 70%. Portanto, se a gente estuda ateromatose coronária nós estamos prevenindo evento agudo, mas se a gente estuda apenas a isquemia podemos estar chegando atrasados no processo. Resposta a uma pergunta (ANGIOTOMOGRAFIA X CATETERISMO): Em relação ao contraste os dois apresentam riscos. Em relação ao cateterismo, sua grande vantagem é justamente tratar o paciente, porém imagina o grau de intervenção, você tem que ter um cateter e subir com ele, ele vai batendo na artéria radial se for por ela, vai bater na femoral se for por ela, você vai encunhar esse cateter dentro da coronária e vai injetar contraste. Então além do contraste, tem um fator físico que é um risco maior. Além disso, a estrutura necessária para fazer um cateterismo é uma estrutura hospitalar porque eventualmente acontece ruptura de coronária, dissecção de coronária na hora do cateterismo, isso não é comum de acontecer, mas temos que ter em mente que o grau de invasividade no paciente é muito menor na tomografia. A tomografia só “perde” porque ela não consegue tratar o doente, ela consegue estudar anatomia e quantificar a aterosclerose. Quando é que vamos usar um cateterismo direto? quando nós tivermos viés para já tratar o paciente, por exemplo, quando o paciente chega no hospital com a Síndrome Coronariana Aguda. A angiotomografia de coronárias ou a angiotomografia de coração vai ser utilizada naquele paciente que não está em emergência, naquele paciente que está investigação ambulatorial, já o cateterismo vai ser utilizado principalmente naqueles pacientes que já tem um quadro de maior gravidade e naqueles pacientes que eventualmente já pensamos em fazer o tratamento no mesmo ato. Angiotomografia Na angiotomografia vai ser feito a aquisição da imagem com contraste, que vai analisar a anatomia tanto dos vasos de grande, médio e pequeno calibre. Pode-se utilizar para planejamento de intervenção se tiver algum aneurisma de aorta ou alguma outra coisa. Ajuda também no diagnóstico de anomalias congênitas. Por meio da angiotomografia no protocolo de TEP é o exame de escolha para pesquisa de tromboembolismo.Também é exame de escolha para morfologia e estudo de aneurisma, úlcera de aorta e dissecção de aorta. Dessa forma, vemos que a angiotomografia não tem utilização apenas na coronária e no coração, ela tem essas aplicações vasculares em especial a aplicação para TEP e aneurismas O estudo ROMICAT-1 envolveu pacientes do departamento de emergência com quadro sugestivo de síndrome coronariana e mostrou que resultados normais de uma angiotomografia coronária têm elevado valor preditivo negativo para descartar doença coronária durante a internação hospitalar, bem como a ocorrência de eventos adversos cardiovasculares maiores pelos próximos dois anos. Esse estudo posteriormente foi corroborado com um estudo de Litt e colaboradores que evidenciou que aproximadamente 50% dos pacientes atendidos no pronto-socorro com dor precordial e avaliados com angiotomografia de coronárias poderiam ser liberados para casa sem necessidade de internação para investigação. Ou seja, isso representa mais que o dobro de pacientes que recebem alta após pesquisa de doença coronária pelos métodos tradicionais. Com isso, conclui-se que a angiotomografia tem uma acurácia diagnóstica interessante principalmente em valor preditivo negativo, ou seja, principalmente naqueles pacientes que têm ausência de lesão ou pouca lesão. A angiotomografia é um exame cada vez mais utilizado, em especial nos prontos-socorros que tem estrutura e que trabalham com plano de saúde. A investigação tradicional de um paciente de 50 anos, tabagista, que chega ao hospital com dor precordial caracteristicamente anginosa é fazer o eletro, enzimas, deixar ele em observação, “pegar” acesso venoso para fazer medicação. Eventualmente esse eletro e enzimas podem vim normais, podendo ser repetidos em 6 horas. Se melhorar a dor e ainda tiver em dúvida pode ser feito um teste ergométrico. Se teste ergométrico der negativo vamos dar alta, se o teste ergométrico der positivo internamos o paciente para fazer o cateterismo. Esse é o caminho de investigação tradicional. A angiotomografia vem ganhando espaço principalmente naqueles pacientes que têm baixo ou moderado risco cardiovascular no pronto-socorro, porque ele é um exame do tipo sim ou não. Chega um paciente com dor precordial no pronto-socorro, se suspeita que essa dor precordial é anginosa, ele tá com o eletro normal, enzima normal, mas é um paciente com características clínicas e epidemiológicas de baixo ou de moderado risco, fazemos a angiotomografia e dentro de 30 minutos já tem o diagnóstico e a evolução desse paciente. Se ele tiver placa, veremos a quantidade de placa e saberemos o que fazer, se ele não tiver placa ele vai para casa porque está descartada a etiologia coronariana para dor desse paciente. Desse modo, comparando com métodos tradicionais conseguimos agregar bastante agilidade na evolução desses pacientes. Ela também pode ser utilizada em avaliação pré-operatória e é muito bem validada em pacientes obesos que vão ser submetidos a cirurgia bariátrica ou pacientes de baixo ou moderado risco. Também pode ser utilizada para planejar a intervenção no caso de pacientes que tenham aneurisma de aorta. Tabela mostrando que é indicado a angiotomografia para avaliação de DAC crônica em pacientes sintomáticos com probabilidade pré-teste intermediária – Classe de recomendação I, nível de evidencia A. Paciente que tem DAC suspeita com teste isquêmico prévio conflitante/inconclusivo ou tem dor precordial e teste ergométrico está negativo e ainda tem a suspeição clínica, ou quando tem discordância entre a clínica o resultado de testes. Suspeita de síndrome coronariana aguda no pronto-socorro se baixo/intermediário risco com eletro normal ou não diagnóstico e marcadores negativos também é classe I, nível de evidência A. Pode ser utilizado na avaliação de paciente pós-revascularização miocárdica para ver a patencia dos enxertos. Também pode ser usado em avaliação pré-operatória de pacientes de cirurgia cardíaca não coronariana, com um grau de recomendação mais fraco. É uma opção utilizar nas crianças que suspeitamos de doença de Kawasaki, que é uma doença que causa aneurisma de artéria coronária. E pode ser também uma opção ao cateterismo invasivo naqueles pacientes que tenham a miocardiopatia, uma insuficiência cardíaca de etiologia indeterminada para fazermos a diferenciação entre as causas. Aqui perde um pouco de evidência nos demais pacientes. Lembrando que é contra indicado utilizar angiotomo em pacientes sintomáticos que tem alta probabilidade DAC, porque a angiotomo tem um valor preditivo muito bom em descartar doença, ela é um método que não dá falso negativo, é um método extremamente sensível. Se ela é extremamente sensível e não dá falso negativo, ela é muito utilizada para pacientes com o perfil médio e baixo de doença coronariana, basicamente para descartar a doença. Entao, ela peca por não ser muito específica, assim ela não consegue dizer com precisão se a placa de gordura é de 50, 55 ou 60, tanto é que é dividido em quartis, no laudo de tomografia vem como: irregularidades parietais (placas menores que 25%), placas discretas (de 25 a 50), placas moderadas (de 50 a 75) e placas importantes (acima de 75%). Então, como a angiotomografia tem uma sensibilidade praticamente de 100% ela tem uma grande capacidade de excluir a doença, mas a sua especificidade não é tão alta quanto a sua sensibilidade. Na cardiopatia congênita ela é indicada na avaliação de coronária anômala, na avaliação de cardiopatias congênitas complexas tanto para planejamento cirúrgico quando para avaliação pós-operatória e na avaliação de vias aéreas e parênquima pulmonar. O Guideline de 2019 para o diagnóstico e o manejo de doença coronária crônica da sociedade europeia de Cardiologia traz que a angiotomografia de coronária é recomendada como teste inicial em pacientes sintomáticos, ou seja, todo aquele racional teórico que a angiotomografia olha a doença em toda sua história natural, que ela consegue fazer o diagnóstico precoce, que ela poupa tempo e que é um método anatômico excelente, tá sendo corroborado pelas diretrizes. Uso da angiotomografia nas doenças vasculares Temos que lembrar em especial do uso no paciente com embolia pulmonar, uso em pacientes com aneurismas, dissecções e do uso nos pacientes que vão ser submetidos a procedimentos intervencionistas em válvulas cardíacas. Casos clínicos Aqui temos uma tomografia mostrando a raiz da aorta (seta vermelha) e a artéria descendente anterior (seta verde). Observar que essa artéria tem uma quantidade de cálcio no seu segmento proximal e esse exame aqui não necessita de contraste, que é o exame do escore de cálcio coronariano. Aqui já é um exame contrastado com uma imagem tridimensional excelente, mostrando a coronária direita, tronco de coronária esquerda, descendente anterior e a circunflexa. Nesse caso o tronco é trifurcado ( D1, Cx e tem um ramo intermediário OM1). Observe a riqueza de detalhes. A esquerda tem uma foto obtida por subtração digital com imagem negativa. Cortes tomográficos (A, B e C) e a reconstrução em 3D (D). Setas vermelhas: coronária direita. Seta roxa: ponte de safena saindo da aorta e se ligando a descendente anterior. Seta azul: ponte de safena saindo da aorta e se ligando a artéria circunflexa. Ou seja, classe II A de indicação: utilizar angiotomografia para avaliação de enxertos em cirurgia de revascularização previamente realizada. Outra função importante da angiotomografia é a análise de ponte miocárdica, Observar artéria coronária com trajeto normal (imagem de cima), ou seja, ela está “andando” na superfície do músculo cardíaco. Nas imagens de baixo temos a coronária “mergulhando” em um pedaço de miocárdio, esse mergulho da coronária nomiocárdio é chamado de ponte miocárdica e quando o miocárdio contrai acaba apertando essa artéria coronária. A localização habitual da coronária é no epicárdio e ela não penetra o miocárdio, quando isso acontece tem-se o diagnostico de ponte miocárdica que é uma situação inclusive que pode causar dor precordial tipicamente anginosa e é também uma das indicações de realização da angiotomografia. Quando suspeitar de ponte miocárdica? quando tem um doente jovem com dor precordial típica. Aqui mais fotos de ponte miocárdica. Observe que a descendente anterior simplesmente “some”, simplesmente “mergulha” no miocárdio (seta branca e amarela) e quando ele contrai faz uma constrição desse segmento e uma isquemia a jusante dessa coronária, funciona como uma placa de gordura. Vamos suspeitar disso aqui principalmente quando o paciente tem dor típica e ele é jovem, ainda não tem critérios para aterosclerose. Imagem à esquerda mostrando coarctação de aorta que foi tentado ser corrigido com o implante de um stent (seta vermelha). Imagem à direita: coarctação de aorta um pouco mais crítica do que a da esquerda (seta azul). No planejamento da intervenção de válvula aórtica percutânea, usa- se o contraste que contrasta toda a aorta (abdominal, torácica, arco, raiz da aorta), ilíacas. É preciso medir todo esse trajeto para saber se a prótese sobe até lá em cima. Também vai ser utilizada no planejamento de correção de aneurisma. Observe na foto em cima à direita o volumoso aneurisma que desce até praticamente a aorta abdominal e grande hematoma dentro desse aneurisma (seta branca). Na imagem de baixo à esquerda tem um aneurisma de aorta abdominal e na imagem à direita mostra esse aneurisma após correção com stent. Nesses casos vasculares a angiotomografia é imprescindível, o médico vascular não consegue mexer no paciente sem um bom estudo angiomográfico. Ele mostra que tem uma riqueza de detalhes, tem o coração com a aorta, tem uma ponte de safena para marginal. Aqui ele mostra a anatomia dos vasos: aorta ascendente, tronco braquiocefálico, carótida comum esquerda, subclávia esquerda que emite dois ramos - para cima: artéria vertebral e para baixo: artéria torácica interna ( também chamada de mamária). A artéria torácica interna pode ser anastomosada na cirurgia de revascularização diretamente na artéria descendente anterior. Foto mostrando muito bem tanto a ponte de safena quanto a ponte de mamária no paciente com coronariopatia. Caiu na prova ano passado Aneurisma de artéria coronária, que acontece em doenças congênitas, como por exemplo, a doença de Kawasaki Paciente com aneurisma na curvatura menor do arco aórtico e com essa angiotomografia podemos estudar qual o grau de intervenção que vai ter que ser realizado, qual o tamanho do Stent, qual o tamanho da prótese. Lembrando mais uma vez: é muito importante nas doenças vasculares. Imagem feita após o contraste que mostra toda aorta do paciente, artérias ilíacas e femorais. Imagem mostrando dissecção de aorta, que é uma emergência que gente não quer que aconteça mas às vezes o paciente tem aneurisma e evolui pra dissecção. Dissecção é quando tem uma ruptura entre a camada íntima e a camada média formando um flap de dissecção que caminha anterogradamente fazendo uma falsa luz e uma verdadeira luz. É o exame de escolha para o diagnóstico de dissecção de aorta. Também utilizada nos casos de tromboembolismo pulmonar: TEP MACIÇO EM A. PULMONAR DIREITA TEP MACIÇO EM A. PULMONAR ESQUERDA Revisão da aula: Angiotomografia vai utilizar o contraste para estudar os vasos sanguíneos. Podemos fazer a angiotomografia no protocolo de TEP (estudar as aa. Pulmonares), podemos fazer a angiotomografia para aorta para estudar aneurisma e podemos fazer angiotomografia de coronária para estudar estenose coronariana. No estudo da estenose coronária a angiotomografia consegue nos mostrar toda a história natural da doença, desde o começo até estenoses importantes. Com isso, é possível que nós façamos a intervenção terapêutica desde o começo da história natural da doença e assim evitar eventos agudos por meio da estabilização das placas e uso das estatinas. Ela tem uma excelente sensibilidade, porém uma especificidade que deixa um pouco a desejar. Se ela tem uma excelente sensibilidade ela é muito boa para ser utilizada em pacientes de baixo e intermediário risco porque ela vai descartar muito bem a doença, mas se ela tem uma baixa especificidade ela peca na questão da quantificação milimétrica de placa, não conseguindo ter a precisão que tem um cateterismo. Dessa forma, o laudo da angiotomografia vem em quartis, ou seja, vai ser dividido em estenoses discretas (abaixo de 25%), estenoses de 25 a 50, de 50 a 75 e acima de 75%. É muito utilizada na sala de emergência, principalmente nos pacientes de baixo/intermediário risco. Temos que entender a História Natural da doença para solicitar o exame adequado, pois se solicitarmos angiotomografia de coronária para paciente de 70/80 anos não estamos fazendo correto, porque esses pacientes têm estenose coronariana, eles têm aterosclerose, isso está presente em praticamente todos os pacientes, quanto maior a idade maior a chance de ter. Portanto utilizar para estudo de estenose coronariana principalmente nos pacientes de baixo e intermediário risco. Lembrar dos efeitos colaterais do contraste. Lembrar dos efeitos protetores da nefropatia induzida por contraste, que é retirar as medicações nefrotóxicas e fazer hidratação pro paciente. Lembrar do escore de cálcio coronariano que é uma ferramenta para a estratificação de risco do doente dislipidêmico e não para diagnóstico preciso de estenose coronariana.