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Terapia Interpessoal (IPT) Weissman, Markowitz, & Klerman (2000) Origens n IPT não tem uma origem teórica específica n Influências: n Sullivan § Desenvolveu um tipo de terapia analítica “Terapia Interpessoal” – 1930’s § Popularizou o termo “interpessoal” como uma alternativa à abordagem intra-psíquica dominante n Bowlby n Experiência de perda e perturbação da vinculação na origem da psicopatologia Origens n Gerald Klerman e Myrna Weissman -1980s n Desevolveram a IPT (inicialmente denominada "high contact“), como forma de operaciolizar a abordagem interpessoal da psicoterapia no contexto da realização de estudos sobre a depressão nos EUA Origens n Ideia central: Depressão é multifactorial, mas ocorre num contexto interpessoal n IPT não é uma explicação para a depressão, mas um meio pragmático de tratamento Origens Gerald Klerman e Myrna Weissman www.interpersonalpsychotherapy.org Objectivos da terapia 1. Paciente compreender a relação entre a flutuação nos sintomas e as dificuldades interpessoais 2. Aprender a lidar com as dificuldades interpessoais de modo a reduzir os sintomas n Terapia breve com pouco impacto na estrutura de personalidade n IPT pode compensar défices sociais da perturbação de personalidade n Possibilidade de perturbação de humor crónica mimetizar perturbação de personalidade Investigação empírica n Depressão ocorre frequentemente como n Resposta ao luto complicado n Disputas maritais n Transições de papéis interpessoais n Importância do suporte social n Relação bidireccional entre acontecimentos de vida e depressão IPT: Características genéricas n É breve (12 a 16 sessões) n É “focada” n Centra-se num ou dois problemas interpessoais n Não é intra-psíquica n Centra-se no presente n “here and now” IPT: Características genéricas n Interpessoal e não cognitiva n Dificuldades (e.g., assertividade) são trabalhadas no contexto interpessoal n Cognições não são analisadas sistematicamente n Cognições são vistas como sintomas entre outros n Personalidade afecta o tratamento, mas não é o foco do tratamento n Prognóstico (eixo 2) n Relutância em fazer diagnóstico no eixo 2 na presença de um episódio depressivo Características genéricas n Pode alterar relação terapeuta-paciente n Pode influenciar problemas interpessoais n IPT procura que o paciente perceba o contributo da sua personalidade para as dificuldades, sem mudar a personalidade n IPT permite construir competências sociais que minorem as dificuldades de personalidade Características genéricas n Papel do terapeuta n Activo n Não prescreve tarefas formais, explicitamente n Transferência não é alvo da terapia n Dificuldades relacionais na terapia (e.g., chegar atrasado) podem ser colocadas no contexto interpessoal mais vasto Processo n Estratégias, técnicas e postura terapêutica n Diferença de outros modelos situa-se ao nível das estratégias n Três fases do processo terapêutico Fase inicial: 1ª à 3ª sessão n Avaliação diagnóstica e história clínica n Rever os sintomas n Dar aos sintomas um nome n Explicar a natureza da depressão e colocá-la num contexto médico n Avaliar a necessidade de medicação n Gravidade dos sintomas n Recorrência dos sintomas n Componente melancólica n Preferência do paciente ou “natureza” não- psicológica n Conferir um papel de doente ao paciente n “Se tivesse partido uma perna…” n Contornar uma visão moral da depressão n Visão negativa (de que se tem uma falha moral) de si é um sintoma, não a verdade n Mudar a culpa da pessoa para a doença n E.g., O Caso do Paulo Utilização terapêutica do “papel de doente” C: Às vezes, tenho medo que a minha incapacidade no trabalho seja um defeito, que tenha a ver com o meu carácter! T: Vou ser muito claro consigo sobre o que eu acho…falei com a sua psiquiatra e eu partilho a ideia de que a maneira negativa como vê as coisas, tão resistente ao feedback, é uma doença… (…) Não podemos exigir do Paulo o mesmo que exigimos de uma pessoa normal! Se o Paulo não tivesse um braço, haveria coisas que não poderia fazer e ninguém o poderia culpar por isso (…) Por vezes, os quadros bipolares, têm ideias delirantes…parte da sua resistência ao feedback anda perto disso (…) a sua perturbação é complicada porque não tem braço e acha que tem. Sessão seguinte C: O maneta deixou a prótese em casa…já sabem o que se passa, posso produzir ao meu ritmo… Se for doença, há mais como eu…ajuda a tirar dos ombros muita da culpabilidade. n Inventário interpessoal n Interacções com o paciente, frequência de contacto, actividades desenvolvidas n Expectativas que ambas as partes têm em relação à relação n Revisão dos aspectos satisfatórios e insatisfatórios das relações n Como pretende o paciente mudar a relação: através de mudanças no seu comportamento ou da outra parte? n Identificação de 1 ou 2 áreas problemáticas n Luto n Disputa interpessoal n Transição de papel n Défices interpessoais n Formulação interpessoal n Explicar importância da área problemática n Objectivo: clarificar dificuldades interpessoais e agir para as resolver + reduzir sintomas depressivos (e.g., alimentar-se melhor) Fase intermédia n Terapeuta centra-se na área eleita na fase anterior n Terapeuta ajuda o paciente a discutir tópicos relevantes n Centra-se em acontecimentos interpessoais que tenham ocorrido na semana que passou Fase intermédia n Quando o paciente se centra nas áreas problemáticas o terapeuta pergunta como está o humor n Quando o paciente se centra no humor o terapeuta pergunta como estão as áreas problemáticas n Foco pode mudar ao longo da terapia n E.g., Filhos vs marido Fase intermédia n Sequência terapêutica (para cada problema): n Exploração global do problema n revisão sistemática da relação com as pessoas envolvidas no problema n Foco nas expectativas e percepções do cliente n Análise de alternativas possíveis n Ensaiar novos comportamentos Fase final n Preparar a finalização n Consolidação dos ganhos terapêuticos n Prevenção de recaída Luto n Luto definido como perda real n Outras perdas são consideradas transições de papel n Sintomas debilitantes do luto normal tendem a desaparecer 2 a 4 meses depois da perda n Luto inadequado pode conduzir à depressão, logo a seguir à perda ou quando esta é lembrada Luto n 2 tipos de processos n Luto “atrasado” n Luto distorcido n Predominam sintomas não afectivos n Importância de rever a história de perdas n Circunstâncias da morte n Comportamento e resposta emocional do paciente n Reduzida auto-estima e idealização extrema da pessoa que morreu é um sinal importante Luto n Evidência de luto anormal n Perdas múltiplas n Luto complicado a seguir à perda n Evitamento acerca da morte n Sintomas perto da data da morte n Medo da doença que causou a morte n Preservação do ambiente da pessoa perdida n Ausência de suporte social a seguir à perda Objectivos n Facilitar o processo de luto n Terapeuta foca-se nas memórias e nas emoções em torno da pessoa perdida n Restabelecer interesses e relações Estratégias n 1. Exploração e suscitação de sentimentos n Pensar acerca da perda n Discutir sequência de acontecimentos e consequências antes, durante e depois da morte n Explorar sentimentos associados n Terapeuta substitui suporte social que não facilitou este processo natural n 2. Tranquilização n Medo de se desorganizar ao discutir este tema Estratégias n Temas típicos n Perder o controlo n Medo de repetição do acontecimento n Vergonhaou culpa por ter sido incapaz de impedir a morte n Raiva contra a pessoa que morreu n Culpa ou vergonha por pensamentos destrutivos n “Culpa de sobrevivente” n Medo de se fundir com a vítima n Tristeza em relação à perda n Importante o terapeuta reconhecer estes temas como habituais Estratégias n 3. Reconstrução da relação n Fixação na morte conduz a uma apreciação pouco realista da relação n Terapeuta explora factos e sentimentos da relação do paciente com a pessoa antes e depois da morte n Pode facilitar rever álbuns de fotografias ou conversar com pessoas que conheciam a pessoa n 4. Desenvolvimento de uma consciência mais adequada da relação n Procurar desenvolver uma visão mais equilibrada da pessoa que morreu Estratégias n 5. Facilitar a expressão de afecto n Importância de aceitar a emergência de afecto negativo sem o abortar com questões n 6. Mudança comportamental n Terapeuta assume um papel activo na facilitação do envolvimento do paciente com novas pessoas e actividades n Luto patológico resulta na maioria das vezes do evitamento das emoções envolvidas n Outras vezes o luto resulta do sentimento de fidelidade para com a pessoa que morre n “Professional mourners” n Cuidado com a pressão para a mudança Disputas interpessoais n Paciente tem com outra(s) pessoa(s) expectativas não-recíprocas n Estas expectativas divergentes geram uma disputa n Terapeuta IT foca-se na disputa se ela está relacionada com a precipitação da depressão ou com a sua manutenção n Tipicamente n Pessoa encontra-se num impasse interpessoal n Tem hábitos de comunicação inadequados n Há diferenças irreconciliáveis n Investigação sugere que as disputas com o parceiro conjugal são as mais frequentemente associadas à depressão n Dificuldade em identificar a disputa n Tipicamente pacientes responsabilizam-se a si próprios, fazendo desaparecer a natureza interactiva das dificuldades n Descrições insuficientes ou idealizadas das relações podem ser um importante sinal Objectivos n Identificar a disputa n Fazer escolhas relativamente a um plano de acção n Modificar expectativas ou modificar formas de comunicação inadequadas n Semelhante a uma terapia de casal “unilateral”, embora parceiro possa ser convidado Estádio da disputa n Impasse n Discussão cessou, n Ressentimento associado a baixo nível de conflitualidade n “Casamento frio” n Renegociação n Parceiros abertamente assumem as diferenças e procuram resolvê-las (sem sucesso) n Dissolução n Parceiros consideram terminar a relação Tarefas do terapeuta n Variam consoante as fases n No impasse pode ser útil aumentar a conflitualidade n Na renegociação diminuir a tensão n Na dissolução a terapia assemelha-se à terapia do luto Tarefas do terapeuta n Identificação de situações paralelas no passado n Identificação das assumpções subjacentes às dificuldades relacionais n Identificação de eventuais ganhos do paciente n Importante não criticar implicitamente o paciente n Uma dificuldade típica: reduzida assertividade dos pacientes depressivos n Resolução n Expressão dos desejos e necessidades do paciente à outra pessoa n Capacidade de negociação das diferenças n Importância do uso do role-play @@Transições de papel n Depressão pode emergir como resultado de dificuldades resultantes de mudanças de vida n Deprimidos têm maior probabilidade de enfrentar transições como se fossem perdas n Transições normativas e não-normativas n Importante perceber as transições num contexto de life-span Dificuldades típicas n Perda de suporte social e relações familiares n Gestão de emoções associadas à transição: raiva e medo n Necessidade de um novo reportório de competências sociais n Diminuição da auto-estima 4 tarefas n Desistir do papel antigo n Expressar culpa, raiva, perda n Adquirir novas competências n Desenvolver novas vinculações e identificar aspectos positivos no novo papel n Avaliar o papel antigo n Facilitar o luto da situação anterior n Facilitar uma avaliação mais equilibrada do papel anterior n Idealização habitual do papel anterior n Encorajar a expressão de afecto n Transição, quando difícil, produz muito afecto negativo n Desenvolver novas competências sociais n Atenção à interferência da ansiedade face à avaliação n Pode ser importante praticar as situações difíceis em imaginação e estar atento aos cenários exageradamente negativos n Atenção à interferência dos estereótipos n E.g., Idoso que recusa frequentar um centro-de-dia n Procurar estabelecer novos suportes sociais n Procurar activar a rede social do paciente n Dificuldades habituais no estabelecimento de novos contactos Défices interpessoais n Características típicas de pacientes com depressão associada a défices interpessoais n Dificuldade em ter tido relações significativas n Isolamento n Dificuldade em manter relações significativas n Grau de perturbação maior n Frequentemente associada a depressão dupla Objectivos n Na ausência de relações significativas terapeuta centra-se n Nas relações passadas (e seus padrões) n Na relação com o terapeuta n No estabelecimento de novas relações Objectivos n Três tarefas n Rever relações passadas de um modo equilibrado (aspectos positivos e negativos) n Exploração de problemas repetitivos nestas relações n Discussão dos sentimentos positivos e negativos acerca do terapeuta, paralelos a outras relações n Importância de analisar relações precoces, sobretudo as familiares n Importância de analisar relações positivas que possam servir de modelo para o estabelecimento de novas relações n Com pacientes isolados a análise da relação com o terapeuta deve ser privilegiada n Dados relacionais mais “directos” n Resolução de dificuldades pode servir de modelo a relações fora da terapia Guidelines n Resolução de défices interpessoais é difícil e não deve ser estabelecida como meta numa terapia breve n Mas somente começar a resolver as dificuldades n Uso abundante da análise da comunicação e do role-play n Cuidado com o modo como os défices interpessoais são explicados ao paciente n Estabelecer número de sessões à partida para definir um foco de trabalho n Tarefas: a) Sair de uma relação e b) desenvolver um sentido de competência n Discussão explícita de o fim do tratamento n Reconhecimento/antecipação dos sentimentos n Ajudar o cliente a reconhecer a sua competência n Consolidação dos ganhos e prevenção da recaída Terminação Terminação n Se a terapia não funcionar é a terapia que não funcionou (exactamente como noutra abordagem médica), e não o paciente que falhou n Dificuldades com a terminação, quando os sintomas estão pouco intensos n Sugerir um período de 4 a 8 semanas sem terapia Técnicas específicas n Semelhança com as terapias dinâmicas, mas com um foco diferente n Objectivo é tratar o episódio depressivo e não aumentar o insight n Centração no presente n Estratégias são prioritárias em relação às técnicas Técnicas exploratórias n Exploração não-directiva n Uso de questões abertas n Suporte n Extensão do tópico em discussão n Silêncio receptivo n Objectivo: facilitar a emergência de temas novos, identificar novas dificuldades, actualizar temas já discutidos n Erro frequente: utilizar quando o paciente está bloqueado, quando está sem direcção ou quando são necessárias técnicas mais activas Técnicas exploratórias n Exploração directiva n Questões fechadas n Erro frequente: elaborar estas questões quando não não há um objectivo claro Encorajamentode afecto 1. Facilitação da aceitação do afecto acerca de acontecimentos que não podem ser mudados 2. Ajudar o paciente a usar este afecto na mudança de situações interpessoais que precisam de ser mudadas 3. Facilitação de novas emoções que possibilitem a mudança Encorajamento de afecto n Aceitação de emoções dolorosas n Quando o cliente evidencia a presença de um sentimento doloroso, inaceitável ou suprimido n o papel do terapeuta é facilitar a expressão clara deste afecto. 1. Explorando áreas sensíveis 2. Questionar sistematicamente o cliente sobre o que está a sentir Encorajamento de afecto n Usar o afecto nas relações interpessoais n Nalguns pacientes pode ser útil facilitar o afecto, enquanto noutros pode ser importante constranger o afecto n É um erro não distinguir estas duas situações n Formas de gerir a experiência afectiva n Mudar as relações de modo a mudar o afecto associado n Evitar situações dolorosas quando apropriado n Adiar a expressão de afecto até estar mais calmo n Mudar a forma como pensa Encorajamento de afecto n “Gerar” afectos suprimidos n Ausência de emoções em situações em que seria esperado uma forte resposta emocional n Podem ser tão pouco assertivos que não sentem que os seus direitos estão a ser violados n Ou não têm coragem para expressar a sua raiva n Pode ser importante salientar que estão a ser abusados Clarificação 1. Pedir para clarificar ou reformular o que foi dito 2. Reformular o que o paciente disse 3. Centrar-se nas assumpções subjacentes 4. Chamar atenção do paciente para contrastes e contradições 5. Identificar e devolver ao cliente a forma problemática de pensar n Ao contrário da CBT não é alvo de desafio sistemático e é interpretado como um sintoma da depressão n Erro comum: usar quando há afecto muito forte não relacionado com o tema, ou quando o tema não está a ser analisado Análise da comunicação n Terapeuta pede para paciente descrever de um modo detalhado um episódio relacional n Dificuldades comunicacionais típicas 1. Comunicação ambígua e indirecta 2. Assumpção incorrecta de que os outros sabem o que a pessoa sente/pensa/deseja 3. Assumpção incorrecta de que a pessoa foi compreendida 4. Usar o silêncio como “castigo” dos outros Uso da relação terapêutica n Relação terapêutica é alvo de análise quando interfere com o tratamento n Importância de analisar sentimentos negativos em relação ao terapeuta n Facilita a aprendizagem acerca de dificuldades relacionais n Facilita a gestão da terapia n Erro: discutir a relação sem uma aliança forte ter sido estabelecida Técnicas de mudança comportamental n Técnicas directivas 1. Aconselhamento e os seus riscos 2. Limit-setting 3. Educação 4. Ajuda directa 5. Self-disclosure n Erro: uso frequente e não usar de uma forma tentativa (e.g., Talvez possa considerar fazer____?”) Técnicas de mudança comportamental n Análise de decisões n Ajudar o paciente a considerar diversas possibilidades n Frequentemente o leque considerado é muito estreito n Ajudar o paciente a analisar a de um modo realista as consequências n Habitualmente irrealistas Técnicas de mudança comportamental n Ajudar o paciente a adiar a acção até todas as possibilidades terem sido consideradas n Erros: pressionar o paciente à acção ou sugerir acção sem toda a informação disponível ter sido recolhida Técnicas de mudança comportamental n Role Playing n Como forma de aceder aos estilos relacionais e aos sentimentos do paciente n Como forma de treinar novas formas relacionais Aplicações da IPT n Perturbação distímica n Perturbações de ansiedade n Fobia social n Perturbação de stress pós-traumático n Perturbação de pânico n Abuso de substâncias n Perturbação borderline da personalidade n …