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PLANEJAMENTO E ELABORAÇÃO DE PROJETOS CETEB – Centro de Ensino Tecnológico de Brasília Brasília, DF Caderno de Estudos e Pesquisa Elaboração: Cleia Cervigni Martinelli e Neurismar de Castro Barreto Torres Colaboração: Elisaíde Santos de Souza Ramos Avaliação e revisão linguística: Equipe Técnica do CETEB Desenho educacional: Heliane Maria Bergo Nos termos da legislação sobre direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial deste documento, por qualquer forma ou meio – eletrônico ou mecânico, inclusive por processos xero- gráficos de fotocópia e de gravação – sem a permissão expressa e por escrito do CETEB. DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DO CETEB TODOS OS DIREITOS RESERVADOS SumárioPlanejamento e Elaboração de Projetos Sumário – Como é o Caderno de Estudos e Pesquisa – CEPes .................................................................................................................... 04 – Outros recursos ...................................................................................................................................................................... 05 – O que você vai ver neste curso ................................................................................................................................................. 06 – Mapa conceitual ..................................................................................................................................................................... 07 – Intenção educativa .................................................................................................................................................................. 08 – Provocação ............................................................................................................................................................................ 09 – Unidade 1 – Planejamento ....................................................................................................................................................... 11 • O planejamento: conceitos, características e dimensões ......................................................................................................... 11 • Planejamento e instrumentos ............................................................................................................................................... 19 • Abrangência do planejamento .............................................................................................................................................. 25 – Unidade 2 – Elaboração do Projeto ........................................................................................................................................... 33 • Estrutura técnica para elaboração do projeto ......................................................................................................................... 33 • O projeto e seu orçamento ................................................................................................................................................... 53 • O custo do projeto: classificação dos recursos financeiros por elemento de despesa .................................................................. 57 • O projeto e sua avaliação ..................................................................................................................................................... 85 – Unidade 3 – Modelos de Projeto ............................................................................................................................................... 92 • A estruturação de projetos: modelos propostos ...................................................................................................................... 92 – Para (não) finalizar .................................................................................................................................................................. 107 • Acreditar e agir ................................................................................................................................................................... 107 – Referências ............................................................................................................................................................................ 109 4Planejamento e Elaboração de Projeto Como é o Caderno de Estudos e Pequisa – CEPes Como é o Caderno de Estudos e Pesquisa – CEPes O que você vai ver neste curso Apresentação da ementa das Unidades. Mapa conceitual Expressão gráfica do que você vai ver no Curso. Observe que o mapa é formado por conceitos ligados por setas. Ele foi preparado para possibilitar-lhe visualizar as relações entre os conceitos. Você poderá realizar o seu estudo obedecendo à sequência em que os temas aparecem neste Caderno de Estudo e Pesquisa – CEPes, ou, se preferir, poderá definir a partir do mapa a ordem em que pretende estudá-los. Observe que os conceitos mais inclusivos vêm em destaque e o principal está localizado no Centro. Intenção educativa Competências e habilidades pretendidas neste curso. Para pesquisar Questões propostas para estimular você a analisar de forma mais profunda a sua realidade e buscar novas soluções. Provocação Texto colocado no início do Curso para provocar você a refletir sobre sua prática e seus sentimentos. É importante que você reflita sobre as questões propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. O que você pensa disto? Questões colocadas no início de cada tema para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto em estudo. Registre aqui a sua visão, sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante é verificar seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos prévios. Textos básicos Textos que desenvolvem os temas. Janelas Novos textos, exemplos e sugestões, para enr iquecer, concret i za r, apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Espaço para você fazer uma síntese dos textos e enriquecê-lo com a sua contribuição pessoal. Para (não) finalizar Texto no final do Caderno com a intenção de instigá-lo a prosseguir na reflexão. Bibliografia Bibliografia consultada para a elaboração do curso e que você poderá consultar também. 5Planejamento e Elaboração de Projeto Outros recursos Outros recursos Memorial Instrumento de avaliação preparado para possibilitar o registro de sua caminhada no curso: suas reflexões, suas dúvidas, suas soluções, seus feedbacks etc. 6Planejamento e Elaboração de Projeto O que você vai ver neste curso O que você vai ver neste curso Você encontrará neste curso as seguintes Unidades: Unidade 1 – Planejamento Esta unidade apresenta uma introdução ao planejamento, envolvendo: conceitos, características, tipos, abrangência e instrumentos de planejamento. Analisam-se, ainda, aspectos da abrangência política do planejamento, abordando-se o Plano Plurianual de Ação – PPA em níveis federal, estadual e municipal. Unidade 2 – Elaboração do Projeto Constam desta unidade informações a respeito da estrutura técnica para elaboração do projeto, abordando seus componentes, orçamento, bem como o acompanhamento, o controle e a avaliação. Unidade 3 – Modelos de Projeto Apresenta diversos modelos de elaboração de projetos. 7Planejamento e Elaboração de Projeto Mapa conceitual Mapa conceitual Veja, no mapa a seguir, os temas abordados neste Caderno e as suas inter-relações. 8Planejamento e Elaboração de Projeto Intenção educativa Intenção educativa Este curso visa ao desenvolvimento das habilidades específicas para o alcance das competências necessárias ao exercício profissional, no que se refere à elaboração de projetos institucionais. Destacam-se os seguintes conhecimentos, habilidades e competências pretendidos neste curso: • Conceituar planejamento, identificando suas características, tipos,abrangência e instrumentos. • Identificar os principais tipos de planejamento. • Conhecer os elementos estruturais da elaboração de projetos. • Identificar os tipos de elementos de despesa utilizados no orçamento dos projetos. • Reconhecer a importância da sistemática de acompanhamento, controle e avaliação de projetos. • Analisar modelos diferenciados de elaboração de projetos. • Apropriar-se das habilidades e competências desenvolvidas para a elaboração de projetos. 9Planejamento e Elaboração de Projeto Provocação Provocação Leia o texto que se segue. Ele tem finalidade de provocar você a refletir sobre o Plane- jamento em sua prática pedagógica. Contar grão-de-bico Era uma vez – não se trata de uma história imaginária – um internato de crianças que possuía, em torno do seu prédio, uma ampla e rica área de terra. Lá, os trabalhadores agrícolas, ligados ao internato, teriam sabido fazer crescer toda uma variedade de produtos próprios das diversas estações. Poderiam plantar alfaces e tomates, couves e rabanetes, cenouras e aipos, feijões e berinjelas, pêssegos e uvas e até um pequeno canteiro de salsa onde a cozinheira previdente iria buscar o condimento dos seus molhos. No caso, não é só o valor intrínseco desses produtos que conta, mas, como dizem as donas de casa, o uso e a comodidade. Mas o “agrônomo” oficial estava alerta. Aquela produção anárquica, condicionada apenas pelas necessidades da comunidade, não era nada do seu gosto, mesmo que os convivas e a cozinheira se declarassem satisfeitos. O agrônomo é um “cientista”. Quer precisão e, portanto, medida. Tem de ter, ao lado da coluna Despesas, uma Receita com todas as verbas, para a majestade dos totais impressionar os controladores e os burocratas. Mandou plantar beterrabas, nabos e grão-de-bico. Ninguém os queria, nem sequer o agrônomo, mas a “escrita”, com os seus resultados de pesagens e de cálculos, estava salva. A carreira do funcionário estava assegurada. O internato teria grão-de-bico. A nossa Escola encontra-se muitas vezes, infelizmente, no regime do agrônomo, da falsa ciência e das estatísticas enganadoras, de que ele é o espantoso protótipo. Não se pergunta se o que irá produzir pode alimentar uma clientela de necessidades sutis e especiais. Receita, mais que tudo, a complexidade da vida, os diferentes gostos e apetites dos convivas, essa espécie de produção artesanal delicada e íntima como os sentimentos, as sensações, as cores e os perfumes que são a sua eterna riqueza. Todo mundo ao grão-de-bico! Os manuais escolares repartirão e pesarão a semente; os problemas sobre as Vamos fazer uma reflexão? Procure colocar-se numa posição em que se sinta bem confortável, ouvindo uma música relaxante para refletir sobre as questões que se seguem. Sentiu o gosto desagradável do “grão-de- bico” imposto ao professor e aos alunos? Reflita sobre como tem planejado as ações educacionais. Como fica o seu “canteiro”? O que você tem cultivado? Procure recordar-se de situações das quais participou como educador, identificando aquelas que se assemelharam a um canteiro de grão-de-bico e aquelas que eram ricos canteiros de verduras, frutos e flores. Respire fundo, expire lentamente e vá pensando sobre as questões. Depois retorne aqui e descreva essas experiências. 10Planejamento e Elaboração de Projeto Provocação formas culturais e os adubos necessários estabelecerão os preços exatos do custo. Já não haverá surpresas: medir-se-ão e contar-se-ão grãos-de-bico. A falsa ciência pedagógica ri-se das sutilezas. Tem necessidade do prático, do sólido, do simples. Os exames sancionarão o rendimento com uma precisão e uma eficiência que atividades funcionais rebeldes aos testes engenhosos não permitem. Se as crianças e os professores definham a contar e a comer grão-de-bico, se lhes falta o frescor das verduras, os sucos nutritivos e as vitaminas cujas virtudes são suspeitadas pelo menos pela ciência, é questão de clínica e de médicos, e não de educadores agrônomos. Você sente o ridículo dessa mania de agrônomo cultivador de grão-de-bico, mas aceita, ou tolera, que uma escola, ultrapassada pela vida, cultive exclusivamente os produtos mortos – ortografia, redação e problemas –, essas beterrabas, esses nabos e esse grão-de-bico, medidos pelos programas e pesados pelos exames. Extraído de: FREINET, Celestin. Pedagogia do bom-senso. Trad. J. BAPTISTA. 7. ed. Martins Fontes: São Paulo, 2004. Para pesquisar Vamos iniciar propondo que você realize uma pesquisa em sua instituição, objetivando verificar a visão e a prática de planejamento. Estabeleça a forma de abordar a equipe. Relate no Memorial como você resolveu essa questão. 11Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento O que você pensa disto? O que é planejamento? Quais as características e dimensões do planejamento? UNIDADE 1 – Planejamento O planejamento: conceitos, características e dimensões A noção de planejamento, por si mesma, é tão antiga quanto a humanidade. Sabe-se que a construção das pirâmides egípcias não teria se concretizado se não tivessem sido elaborados, para isso, vários planos e projetos. O mesmo se pode afirmar em relação a outras construções importantes como os aquedutos construídos pelos romanos, os templos astecas, as muralhas chinesas e outros. O planejamento era conhecido antigamente como “estratégia” ou “a arte dos generais”. O ato de planejar foi conhecido pelo homem a partir do momento em que o mesmo descobriu sua capacidade de pensar e agir. A sua sistematização se dá fora do campo educacional estando relacionada, também, ao da produção e a emergência da ciência da administração. Em todas as áreas de atuação, é fundamental a preocupação com o planejamento. Todos, de forma mais científica ou não, têm as suas ideias próprias do que seja planejar. Tradicionalmente, os planejadores têm sido vistos como pessoas inatingíveis, mágicas, que se fecham em gabinetes para buscar soluções miraculosas aos problemas considerados insolúveis. Hoje, felizmente, as coisas mudaram e o planejamento já é socializado entre vários profissionais e segmentos da sociedade, utilizando-se de metodologias menos complexas. Breve retrospectiva histórica Embora a atividade de planejar seja tão antiga quanto o homem, a sistematização do planejamento se dá fora do campo educacional, estando ligada ao mundo da produção (I e II Revoluções Industriais) e à emergência da ciência da administração, no final do séc. XIX. Este novo campo de saber terá como emblemáticos os nomes do americano Taylor (1856–1915) e do francês Fayol (1841–1925). A própria Administração vai se utilizar, para configurar o planejamento, de termos (como objetivos, estratégia) de um campo ainda mais distante e ancestral: a guerra! Considerada como um empreendimento que desde muito cedo buscou a eficiência... Mas talvez o elemento genealógico mais complicador em termos de alienação do trabalho – em geral e escolar – tenha sido a preconização por Taylor da necessidade de separar a tarefa de planejamento da execução, ou seja, para ele, organizar cientificamente o trabalho implicava a distinção radical entre concepção e realização. Desta forma, esta nova ciência acaba por respaldar e justificar a prática tão antiga (desde os gregos, por exemplo) de uns conceberem (homens livres) e outros executarem (escravos). Abre também o campo para o planejamento tecnocrático, onde o poder de decisão e controle está nas mãos de outros (‘técnicos’, ‘políticos’, ‘especialistas’), e não no próprio agente. 12Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento De acordo com Gracioso (1990): “Há uma crença, ainda hoje bastante arraigada, de que no Brasil é impossível (ou inútil) planejar, dado o alto grau de imprevisibilidade da economia. De fato, depois de décadas de inflação e loucuras, em que o jeito era “empurrar as coisas com a barriga” (um conselho, imaginem, de um de nossos Ministros do Planejamento!),não fica fácil acreditar que o Brasil virou de repente um país sério. Aliás, o mais provável é que no Brasil se pode hoje planejar com relativa dose de segurança – pelo menos tanto quanto na Europa, por exemplo, onde a maioria das empresas está a menos de 100km de um arsenal ou depósito de bombas atômicas. A verdade é que planejar não é apenas possível, mas cada vez mais necessário. O que é preciso, porém, é definir com clareza, antes de começarmos o processo de planejamento, quais são nossos objetivos principais; em outros termos, o que (de mais importante) esperamos obter, através de nosso plano estratégico.” E você, o que pensa disto? Leia o texto Breve retrospectiva histórica que se encontra na janela. Conceito de planejamento O planejamento é um processo que implica a formulação de um conjunto de decisões sobre as ações futuras. Caracteriza-se como um processo racional, por meio do qual se pode garantir um maior grau de eficiência às atividades. O planejamento pressupõe um método para sistematizar o processo de decisões e planificar ações, de forma que se possa prever situações futuras, a partir de respostas a questionamentos, tais como: • O que fazer? • Como fazer? • Quando fazer? • Onde fazer? • Com que meios fazer? No início do século XX, o planejamento vai avançando para todos os setores da sociedade, provocando um enorme impacto a partir do seu uso na ex-União Soviética, não como simples organização interna a uma empresa, mas como planificação de toda uma economia. Atualmente, pode-se identificar três grandes linhas em termos de planejamento administrativo: o gerenciamento da qualidade total, o planejamento estratégico e o planejamento participativo, sendo que a tendência do primeiro é decrescente em favor do segundo, que procura, em certos casos, incorporar contribuições do terceiro, que é mais difícil de ser utilizado em empreendimentos cuja função social não possa ser definida coletivamente. Extraído e adaptado de: VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. São Paulo: Libertad, 2006. Continua ... 13Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Finalidades e benefícios do processo de planejamento O futuro é não apenas inevitável, como dizia Oscar Wilde, mas também incerto. É possível antever com clareza alguns eventos que acontecerão, porque estão sob controle, são consequências previsíveis de atos e decisões passadas, ou estão dentro de um calendário de acontecimentos regulares. As estações repetem-se todos os anos, há datas certas para o pagamento de impostos e prestações, e sabemos que é preciso comparecer àquela reunião da semana que vem para a qual fomos convocados. O material em estoque é consumido segundo a taxa constante, e assim o responsável pelas compras sabe quando será necessário fazer nova encomenda ao fornecedor. No entanto, não se pode ter essa mesma certeza em relação a outros tipos de eventos, sobre os quais é limitada ou inviável a possibilidade de controle. Não se pode saber qual vai ser exatamente o comportamento da concorrência e dos consumidores, se os fornecedores serão capazes de atender às encomendas, se haverá recursos financeiros disponíveis para cumprir os compromissos assumidos, ou o que dirão as outras pessoas presentes àquela reunião da semana que vem. A incerteza é particularmente aguda quando dois ou mais competidores estão tentando alcançar o mesmo objetivo: vencer uma eleição, uma batalha ou um campeonato, ou conquistar os mesmos clientes. Nesse sentido, pode-se afirmar que PLANEJAR é: • o oposto de improvisar; • conhecer a realidade e nela intervir; • decidir, previamente, o que fazer; • tomar decisões; • preparar para a ação; • um processo sistêmico, racional, participativo e dinâmico. A construção de um planejamento compreende uma série de etapas que ocorrem, em geral, na seguinte sequência: Dessa forma, planejar é preciso e é possível. Planeja-se para desenvolver a ação e age-se em função do planejamento. Agir significa intervir na realidade, planejar significa refletir criticamente sobre a ação. ETAPAS DO PLANEJAMENTO Diagnóstico Alternativas de ações Acompanhamento, controle e avaliação Implantação/ implementação Planificação Decisão 14Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento O planejamento não é um ato isolado que antecede a ação, mas um ato contínuo e permanente que precede, acompanha e continua após a ação. Nesse sentido, conforme teóricos da área, o planejamento é: • Previsão – reflexão crítica, que precede a ação. • Revisão – reflexão crítica, no decorrer da ação. • Avaliação – reflexão crítica, durante e após a ação. Características do planejamento A partir dessas considerações sobre o planejamento, destacam-se alguns aspectos essenciais sobre os seus componentes básicos para se apreender o seu conceito e os objetivos a que se propõe. Podem-se destacar, dentre outras, como características do planejamento: • é sempre voltado para o futuro; • visa à racionalidade e à tomada de decisões; • objetiva selecionar, entre várias alternativas, a mais apropriada; • é sistêmico, isto é, considera a totalidade da instituição; • é iterativo, ou seja, deve ser suficientemente flexível, para aceitar ajustes e correções; • é uma alocação (técnica) de recursos, visando ao emprego de recursos humanos e não humanos, da instituição; • é uma técnica cíclica, pois a sua execução permite avaliação e mensuração para novos planejamentos; • é uma função administrativa que interage de forma dinâmica com as demais, influenciando e sendo influenciado por elas; • é uma técnica de coordenação, já que as atividades de diferentes órgãos ou níveis operacionais são integrados e sincronizados para a consecução dos objetivos finais; Natureza do processo de planejamento Seja o futuro previsível ou incerto, a organização precisa preparar-se para enfrentá-lo, visando assumir os riscos certos e aproveitar as oportunidades que ele oferece. O processo de preparar o futuro chama-se planejamento. O processo de planejar consiste em tomar decisões antecipadamente. Certas decisões são tomadas de imediato, assim que o problema ocorre, e seu alcance esgota-se com a resolução desse mesmo problema. Outras decisões, ao contrário, visam definir um objetivo ou curso de ação para o futuro. Elas são formuladas no presente, para serem postas em prática no futuro. Não apenas serão postas em prática num futuro que pode estar próximo ou distante, mas também têm o objetivo de influenciar esse mesmo futuro. Decisões desse tipo são decisões de planejamento. O processo de planejamento pode ser definido de várias maneiras: – É o processo de definir objetivos ou resultados a serem alcançados, bem como os meios para atingi-los. – É o processo de interferir na realidade, com o propósito de passar de uma situação conhecida para outra situação desejada, dentro de um intervalo definido de tempo. – É tomar no presente decisões que afetam o futuro, visando reduzir sua incerteza. Continua ... 15Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento • é uma técnica de transformação, já que introduz mudanças e inovações dentro da instituição; • é um processo permanente e contínuo e • é viável ou exequível, isto é, adequado ao público-alvo e à realidade na qual será executado. O planejamento é um processo e como tal é contínuo e permanente, ou seja, não se restringe à elaboração de documentos, tais como Planos, Programas e Projetos, que por si só não garantem os resultados pretendidos. Há uma longa distância entre documentos e ação. Muitas vezes sobram bons Planos, mas faltam boas ações. Para ser efetivado, de forma sistemática, o planejamento requer uma organização e uma administração relativamente complexas. Essa organização pressupõe uma estrutura que pode abranger diferentesníveis e setores, normas e regulamentos e sistemas de informações e avaliação, a partir da linha mestra política de ação que serve de base a todos os níveis de decisão. O planejamento está voltado ou é dirigido para a ação futura, ou seja, preocupa-se em determinar o futuro, implicando duas ações básicas: a projeção e a implementação. Assim, por meio da projeção de dados é examinada a maneira como a situação evolui historicamente e quais os fatores dinâmicos que influenciaram essa evolução. Por exemplo: quais as taxas de crescimento da população obtidas e os esforços realizados para consegui-las ou, conforme o caso, para reduzi-las? A pesquisa procurará identificar as tendências futuras prováveis, as possibilidades de variação ou de persistência de determinados fatores, as possibilidades de desenvolvimento da situação e o grau de intervenção necessário para desencadeá-las. Os dados analisados servirão, por exemplo, para definir a política de ampliação ou redução da rede física escolar em determinadas regiões. A implementação é a formalização, incorporação dos diversos recursos (humanos, materiais, financeiros e institucionais) e a obtenção das Finalidades do processo de planejamento O processo de planejamento tem três finalidades principais: antecipação a situações previsíveis, predeterminação de acontecimentos e preservação da lógica entre eventos. Em outras palavras, há três situações principais que geram a necessidade de planejar: – enfrentar fatos que certamente ocorrerão; – criar um futuro desejável; – coordenar fatos entre si. Você pode estabelecer um paralelo entre essas finalidades e sua vida como estudante. Supondo- se que você esteja agora no segundo ano de um curso de quatro, dentro de, no mínimo, dois anos você sabe que estará alcançando um diploma. Este é o futuro previsível, que ocorrerá com certeza. O que você pretende fazer com esse diploma? Pode ser que dentro de um ano você escolha uma das modalidades que sua habilitação profissional lhe oferece, o que significa que no quarto ano você estará decidindo-se por uma profissão e especializando-se. Este é o futuro incerto, relacionado com o destino profissional que você pretende seguir, e que depende de suas decisões para se concretizar. Seja qual for sua escolha, terá de eleger determinadas disciplinas e estágios profissionalizantes para alcançar a especialização pretendida. Essa é sua tentativa de coordenar os fatos do futuro entre si. Continua ... 16Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento decisões políticas para a colocação em andamento da intervenção planejada. O processo de planejamento supõe, também, a realimentação contínua, principalmente através dos dados obtidos da avaliação da execução das ações propostas. A realimentação ou feedback do processo de planejamento permitirá a redefinição ou elaboração de novas políticas, novos planos, com base nas evidências detectadas a partir do comportamento do progresso da intervenção e da análise dos resultados obtidos. O planejamento visa a atingir objetivos determinados, ou seja, deve haver uma relação necessária entre planejamento e tomada de decisão, a fim de se assegurar que o processo esteja voltado para a consecução daqueles objetivos desejados. Os momentos específicos de tomada de decisão ocorrem por ocasião da definição dos objetivos, quando são escolhidas as metas, eleitas as prioridades e alternativas de intervenção de modificação nos níveis, na composição de recursos, na distribuição de responsabilidades etc. Assim, a tomada de decisão quanto aos objetivos e metas a atingir envolve uma função política. Pode-se até afirmar que não há situações totalmente planejadas nem totalmente improvisadas. Em algumas circunstâncias há necessidade de improvisar soluções rápidas, usar a criatividade. Outras situações exigem uma ação cuidadosamente planejada, resultando em sérios prejuízos quando isso não acontece. Mesmo nesses casos o planejamento deve ser flexível, passível de mudanças, correções, adaptações e redirecionamento. Em qualquer situação o planejamento não é, por si só, nem eficiente, nem ineficiente, é um instrumento racional de ação, cuja eficiência depende da interpretação e do uso que dele se faça. Benefícios do processo de planejamento O processo de planejamento permite que a organização tenha controle sobre seu próprio futuro – ela não deixa o futuro ao acaso e procura definir um caminho a ser seguido para não ser apanhada de surpresa. Isso traz três benefícios principais. Permanência das decisões Um pequeno grupo informal pode facilmente alterar seus objetivos: em vez do clube, que tal a praia neste fim de semana? Uma organização, especialmente uma de grande porte, não pode alterar um programa de trabalho e muito menos seus rumos com a mesma facilidade. É necessária uma certa permanência de comportamento ao longo do tempo. É neste ponto que o planejamento ajuda a organização, definindo objetivos a serem perseguidos e os caminhos a serem percorridos. Como o processo de planejamento procura antever os problemas e as formas de resolvê-los, quando chegar o momento, basta colocar em prática aquilo que já foi decidido anteriormente. Os planos estabelecidos passam a constituir um caminho a ser seguido pela organização, independentemente de quem dela faça parte e, dessa forma, alguns problemas estão resolvidos antecipadamente. Isto é particularmente útil em organizações onde a composição da administração muda periodicamente. Continua ... 17Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Dimensões do planejamento O processo de planejamento envolve diferentes dimensões (Suzart, 2003): • dimensão racional, visto que é uma prática que norteia naturalmente as ações humanas, levando-nos a pensar e agir dentro de uma sistemática própria; • dimensão política, pois o processo contínuo de tomada de decisões requer a definição de objetivos e metas, a seleção de prioridades e alternativas, a dotação de recursos etc., que envolvem uma função política e exercício do poder, seja na área governamental ou privada; • dimensão valorativa, considerando que as decisões tomadas envolvem opções que não são neutras, mas têm conteúdos éticos, sociais, formativos, cuja execução propositada, sistemática, implica mudanças na situação presente e futura, podendo se constituir em um instrumento de dominação ou de participação e • dimensão técnico-administrativa, ou seja, sob esse aspecto o planejamento significa atividades estruturadas em uma organização, com funções e responsabilidades claramente definidas, buscando operar com eficiência, aplicar economicamente os recursos materiais, humanos, financeiros e controlar o processo e a qualidade dos resultados. Todas essas dimensões se relacionam no processo dinâmico e contínuo do planejamento. As decisões tomadas para a intervenção em uma realidade determinada são sistematizadas, interpretadas e consubstancializadas em documentos específicos. Esses documentos, decorrentes das ações de elaboração do planejamento podem se caracterizar como um Plano, um Programa ou um Projeto, a depender do nível decisório a que se relacionam, de seu âmbito de ação e de seu grau de agregação de variáveis e detalhamento. Permanência das decisões não signif ica imobilidade. Assim, o objetivo é orientar o comportamento da organização, de modo a torná-la menos vulnerável às incertezas do futuro, bem como aos interesses pessoais ou de momento, e evitar a necessidade de tomar decisões uma a uma. Equilíbrio A organização que não se prepara para o futuro está constantemente sendo apanhada de surpresa: no extremo, seu dia a dia é feito de emergências e calamidades. A consequência de uma administração sem planejamento (por incoerente que isto possa parecer) é a incerteza quanto ao futuro e a falta de rumos. As decisões são tomadas conforme os problemas aparecem, e alguns problemas são criados pelas próprias decisões. Comoos recursos estão previstos para serem aplicados em situações de normalidade, a organização fica sempre no limite do risco, na “corda bamba”, e qualquer evento inesperado provoca uma drenagem de esforços que deveriam estar sendo usados em outro lugar. Uma administração praticada desta maneira parece-se muito com o primeiro e desajeitado governo daquela fase da história do Brasil que ficou conhecida como “Nova República”: foi nessa época que inventaram a expressão “pacote”, para designar um conjunto de decisões. Se um pacote não dava certo, o que acontecia regularmente, inventava-se outro, e assim indefinidamente, sem que qualquer problema fosse resolvido. Continua ... 18Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento O planejamento deve estar dirigido à realização de metas. O interesse pelos resultados é a primeira razão para que se faça a opção pelo planejamento, que se prevejam metas a realizar, em lugar de improvisar. A necessidade de planejamento é tanto maior quanto mais complexa for a ação planejada, que, por sua vez, requer proporcional empenho para o alcance dos seus resultados. Dessa forma, tendo estabelecido os objetivos da ação, o processo de planejamento busca empregar os meios mais convenientes para atingi-los, ou seja, otimizar, maximizar recursos e meios. Utilizando esses componentes básicos poderemos sintetizar mais um conceito de planejamento: Planejamento é um processo contínuo, que requer uma organização e uma administração nos vários ramos da atividade humana. Nesse sentido, se analisarmos todos os conceitos, encontraremos explícita ou implicitamente os seus componentes básicos. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça uma síntese do texto O planejamento: conceitos, características e dimensões. Você acrescentaria outras características? Analise o texto Finalidade e benefícios do processo de planejamento, apresentado na janela. Você apontaria outros benefícios do planejamento? Melhor desempenho Quando se tem um curso de ação definido, as pessoas sabem de antemão quais serão os padrões que servirão para avaliar seu desempenho e quais são os problemas que se espera que elas resolvam. Implícita ou explicitamente, sabem quais serão os benefícios que advirão de atender esses padrões ou resolver esses problemas. É de se esperar, portanto, que se dediquem a eles com certo grau de empenho. Outro importante benefício que advém do processo de planejar é, portanto, esse efeito positivo sobre o comportamento de indivíduos e grupos, que se acentua quando há algum tipo de participação na definição dos objetivos. A possibilidade de seguir um caminho predefinido, para reduzir um problema do presente ou previsto no futuro, especialmente quando se trabalhou para ajudar a estabelecê-lo, constitui um poderoso fator de mobilização de competências. Extraído e adaptado de: MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Introdução à administração. 7. ed. revisada e ampliada. São Paulo: Atlas, 2007. Continua ... Para refletir Alice no país das maravilhas Por falar em planejamento, lembramos o diálogo seguinte de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol: – Alice perguntou ao gato: “Diga-me, por favor, por onde devo ir daqui? – “Isto depende muito de para onde você quer ir”, disse o gato. Alice respondeu: – “Não me importa muito para onde...” O gato concluiu: “Então não importa qual o caminho que você tome”. Extraído de Stephen Paul Robins. O processo administrativo: integração teoria e prática. São Paulo: Atlas. 1981 – p. 155. 19Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Planejamento e instrumentos Tipos de planejamento Os tipos de planejamento mais utilizados podem ser classificados em: Planejamento Participativo e Planejamento Estratégico. Planejamento participativo é o planejamento em que “o saber deixa de ser considerado como propriedade de especialistas, valorizando a construção, a participação, o diálogo, o poder coletivo local, objetivando transformar as relações de poder autoritárias e verticais, em relações igualitárias e horizontais, de caráter dialógico e democrático”. (VASCONCELLOS, 2006). O conceito de planejamento que se apresenta traz consigo uma exigência: a participação. Conforme (VASCONCELLOS, 2006) não importa “o que” se planeja mas também “o como”, visto que estamos na busca do bem comum, de uma nova qualidade de vida para todos. A autêntica participação é, muito concretamente, uma estratégia de superar a dominação e a exclusão. A proposta metodológica do planejamento participativo é o envolvimento, visto que nasce da própria participação ativa de cada membro. O problema maior não está em se fazer uma mudança, mas em sustentá-la, daí, a essencialidade da participação. Que o planejar seja do grupo e não para o grupo. A participação pode ser enfocada em três níveis inter-relacionados: a institucional, que remete ao tipo de proposta feita para a elaboração do planejamento, a individual que tem a ver com o grau de conhecimento das pessoas e a coletiva relativa à organização, que pode favorecer a que um conjunto de forças se articule em torno de uma mesma meta, o que aumenta as chances das ações se concretizarem. O que você pensa disto? Quais os tipos de planejamento que você conhece? Descreva-os. Quais os instrumentos de planejamento que você já utilizou? Planejamento Participativo • O planejamento participativo “se constitui num processo político, num contínuo propósito coletivo, numa deliberada e amplamente discutida construção do futuro na comunidade, na qual participe o maior número possível de membros de todas as categorias que a constituem. Significa, portanto, mais do que uma atividade técnica, um processo político vinculado à decisão da maioria, tomada pela maioria, em benefício da maioria” (CORNELY, 1977, p. 37). • “Genericamente, o Planejamento Participativo constitui-se uma estratégia de trabalho, que se caracteriza pela integração de todos os setores da atividade humana social, num processo global, para solução de problemas comuns” (VIANNA, 1986, p. 23). • Sobre o Planejamento: “(...) Valorizar a participação é considerar importante o próprio processo de planejamento e não apenas o produto final que é o plano com suas propostas. A eficácia torna-se, portanto, mensurável a partir de critérios mais amplos do que apenas custo e tempo. Aceitar o planejamento participativo como um valor a ser buscado deve fazer com que uma possível incapacidade inicial dos envolvidos para participar não seja impeditivo intransponível, justificador do abandono do esforço inicial 20Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento A participação deve se dar em todas as instâncias: sensibilização, discussão, decisão, colocação em prática, avaliação e resultados. No planejamento participativo há a oportunidade das pessoas se posicionarem, arriscarem-se, apostarem em algo, assim, abrem-se espaços para o autêntico diálogo. Leia na janela, um pouco mais a respeito do planejamento participativo. Planejamento estratégico é definido normalmente pela alocação de recursos para atingir determinados objetivos; é o instrumento em torno do qual todos os demais sistemas de controle – orçamento, informações, estrutura organizacional – podem ser integrados. A função precípua do planejamento estratégico é criar condições para o crescimento equilibrado da instituição ou empresa (GRACIOSO, 1996). O planejamento estratégico é uma técnica administrativa que, através da análise do ambiente de uma organização, cria a consciência das suas oportunidades e ameaças, dos seus pontos fortes e fracos para o cumprimento de sua missão e, por meio desta consciência, estabelece o propósito de direção que a organização deverá seguir para aproveitar as oportunidades e evitar riscos. O planejamento estratégico incentiva a identificação de valores, visão e missão da instituição. Nesse tipo de planejamento, as ações não ficam só no papel. Para cadaação é nomeada uma pessoa responsável pelo andamento e implementação. Os resultados esperados, os indicadores que justificam a necessidade da ação, os custos e os financiadores também são definidos previamente. O processo é dinâmico. A cada ano, o planejamento estratégico é avaliado para identificação do alcance das metas. rumo à participação. Antes, deve ser vista tal dificuldade como um desafio a superar. Nesta perspectiva, viabilizar a participação de todos passa a ser também uma tarefa educativa (...) O processo participativo, longe de ser estanque, é dinâmico e dotado de tensões que precisam ser vividas e administradas” (FONSECA, NASCIMENTO; SILVA, 1995:88- 91). Extraído de PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez, Instituto Paulo Freire, 2001. Continua ... 21Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento A partir daí, há duas possibilidades: melhoria contínua ou ação corretiva que implica um novo planejar. Novas metas e ações serão propostas para o alcance dos objetivos que são de longo prazo. Hoje a exigência é por um estudo, um trabalho mais científico, não mais empírico ou intuitivo, mas técnico; e o planejamento estratégico promove isso. Instrumentos do planejamento O planejamento assume formas instrumentais diversas de acordo com o âmbito e a abrangência a que o mesmo se destina. Em decorrência, pode ser apresentado sob a forma de Planos, Programas e Projetos. Observe as características essenciais desses instrumentos: Plano • Delineia as decisões de caráter geral do sistema; • define as linhas políticas prioritárias; • apresenta estratégias e diretrizes básicas; • estabelece responsabilidades para os órgãos/setores; • constitui-se em referencial para análises setoriais e/ou regionais, visando à elaboração de programas e projetos específicos; • estabelece a duração, em geral, a médio e longo prazos. Programa • Apresenta o detalhamento do Plano; • detalha, por setor, a política e diretrizes do Plano; • possibilita projeções mais aproximadas em relação ao nível setorial ou regional; Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE: um modelo de Planejamento Estratégico O Plano de Desenvolvimento da Escola é o planejamento estratégico da escola, elaborado após o levantamento de dados e intenso debate com a comunidade escolar para definir prioridades e metas. Foi instituído em 1998 e implantado, primeiramente, em 400 escolas das regiões Norte e Centro-Oeste. No ano seguinte, passou a ser adotado também na região Nordeste. Trata-se de uma proposta de gestão baseada na escola e busca promover a autonomia escolar e estimular a comunidade ao pensar estratégico. Enquanto na Secretaria de Educação o FUNDESCOLA apoia o Planejamento Estratégico da Secretaria (PES), na escola é dado apoio ao PDE. Em 2002, 6.735 escolas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste desenvolveram o PDE com apoio do FUNDESCOLA. Os estados de Goiás, Acre, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso promoveram uma expansão autônoma do programa para todas as escolas da rede estadual. Alguns municípios também adotaram o plano em todas as escolas. Santo Augusto, no Rio Grande do Sul, está entre os municípios situados fora da área de atendimento do FUNDESCOLA que o adotou. Extraído de BOLETIM TÉCNICO DO FUNDESCOLA – ano VII – nº 63 – dez/2002, p. 8. 22Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento • apresenta a referência para a elaboração dos projetos; • pressupõe a vinculação entre os projetos dele decorrentes; • permite a realização de diagnósticos precisos; • identifica, com detalhes, as disponibilidades de recursos humanos, materiais, financeiros e institucionais. Projeto • É o instrumento mais próximo da execução; • sistematiza as ações principais; • detalha as atividades; • objetiva a produção de bens ou serviços; • propõe-se a obter resultados definidos, específicos; • estabelece prazos mais curtos; • determina recursos humanos, materiais e financeiros; • exige maior detalhamento técnico e financeiro; • atende, na sua elaboração, a um roteiro predeterminado, estabelecido conforme as características do objeto, necessidades e exigências da instituição executora ou financiadora. Como exemplificação desses tipos de instrumentos, pode-se citar: • O Plano Nacional de Educação – PNE, documento norteador para elaboração dos Planos Estaduais e Municipais de Educação, com duração decenal. • O Programa de Aceleração da Aprendizagem – PAA, voltado para a correção da defasagem idade-ano nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, em atendimento à meta estabelecida no Plano Nacional de Educação – PNE. Apresentam-se, a seguir, algumas concepções relacionadas por Padilha (2001), referentes a Planejamento, Plano, Programa e Projeto. Planejamento • O planejamento “é uma atividade essencial e exclusivamente humana. Somente o homem, como animal racional e temporal que é, realiza a complexa atividade de planejamento. (...) Pensar antes de agir. Organizar a ação. Adequar meios a fins e valores. Estas expressões sintetizam o conceito de planejamento, considerando-o uma técnica, uma ferramenta para a ação. Coloca-se esta questão dentro do que se convencionou chamar de visão instrumental do planejamento, destacando-se seu aspecto utilitário. (...) Global, integrado, contínuo, realista, flexível, interdisciplinar e multiprofissional, participativo: estas são algumas condições, entre outras, para um bom planejamento, inclusive o educacional” (FONSECA, NASCIMENTO; SILVA, 1995:81-86). • Planejamento é um “processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego dos meios materiais e dos recursos humanos disponíveis, a fim de alcançar objetivos concretos, em prazos determinados e em etapas definidas, a partir do conhecimento e da avaliação científica da situação original” (MARTINEZ; LAHORE, 1977, p. 11). 23Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento • O Projeto de Correção do Fluxo Escolar – desenvolvido com financiamento do MEC/FNDE, por Municípios e Estados, objetivando a regularização do fluxo escolar nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Utiliza como alternativa pedagógica a Aceleração da Aprendizagem. Para perceber melhor as distinções, do ponto de vista do âmbito da ação e do grau de detalhamento de cada um, observe: • se o âmbito da ação tem maior abrangência, como no caso do Plano Nacional de Educação e o nível de detalhamento é menor, o documento se caracteriza como um Plano. • se o âmbito da ação se refere a um setor específico (educação, saúde, segurança) ou a uma área geográfica (leste, oeste, urbano, rural), e o nível de detalhamento com abrangência setorial ou regional, pode-se caracterizar o documento como um Programa. • se o âmbito ou área de abrangência é menor, porém o grau de detalhamento é maior (educação infantil, ensino fundamental, defasagem idade-série, desempenho escolar), o documento apresentará as características de um Projeto. Conforme COHEN e FRANCO, “um Plano é a soma de Programas que procuram objetivos comuns, ordena os objetivos gerais e os desagrega em objetivos específicos, que constituirão por sua vez os objetivos gerais dos Programas.” “o Programa é um conjunto de Projetos que perseguem os mesmos objetivos. Estabelece as prioridades da intervenção, identifica e ordena os projetos, define o âmbito institucional e aloca os recursos a serem utilizados. O horizonte temporal dos Programas são, em geral, de 1 a 5 anos.” “um Projeto é um empreendimento planejado que consiste num conjunto de atividades inter-relacionadas e coordenadas para alcançar objetivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados.” Plano • O Plano é um documento que registra o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, com quem fazer. Para que exista o Plano é necessário que um grupo tenha antes sereunido e, com base nos dados e informações disponíveis, tenha definido os objetivos a serem alcançados, tenha confrontado os objetivos com os recursos humanos e financeiros disponíveis, tenha definido o período de realização das ações, enfim, tenha organizado o conjunto de ações e recursos. O Plano evita o improviso, o imediatismo, a ausência de perspectivas, pois ele antecipa, ele prevê. O Plano passa a ser um referencial, um norte para as ações educacionais do município. Com o Plano é possível então acompanhar o seu desempenho, avaliar se os resultados alcançados foram ou não os esperados, onde houve desvios, quais os problemas enfrentados. Planejamento e Plano estão estreitamente relacionados, mas não são sinônimos. O primeiro representa o processo e o segundo é um registro do processo (SOBRINHO, 1994, pp. 3-4). • “P lano é um cor te no processo de planejamento – que torna explícitos os seus elementos já conhecidos: é um instantâneo da situação presente que fixa os objetivos, suas interdependências e prioridades, meios e recursos, estimativas de prazos e custos” (LAMPARELLI, in BIERRENBACH, 1981:30). Continua ... 24Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Programa “Programa é constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores, num período de tempo definido” (LAMPARELLI, in BIERRENBACH, 1981:30). Projeto “O projeto é uma antecipação. A utilização do prefixo pro-, que significa antes, na terminologia da planificação e nomeadamente nas noções de projeto e de programa, é neste ponto de vista significativa: o conteúdo de um projeto não tem a ver com acontecimentos ou objetivos, pertencendo ao ambiente atual ou passado do ator que o elabora, mas com acontecimentos ou objetos ainda não verificados; não se debruça sobre fatos, mas sobre possíveis; relaciona-se com um tempo a vir, com um futuro de que constitui uma antecipação, uma visão prévia” (BARBIER, 1993:49). Continua ... Em síntese, pode-se dizer que o planejamento em nível macro vai direcionar ou estar alinhado ao planejamento em nível micro. Para exemplificar melhor essa correspondência, podemos citar um dos objetivos e metas – item 3, citado no Plano Nacional de Educação, no que se refere ao fluxo escolar, ou seja, “Regularizar o fluxo escolar, reduzindo 50%, em cinco anos, as taxas de repetência e evasão, por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso, garantindo efetiva aprendizagem.” Este objetivo é consubstanciado nos Planos Estaduais e Municipais de Educação, mediante a implantação/implementação do Programa de Aceleração da Aprendizagem para o Ensino Fundamental – 1o ao 9o ano, sob a forma de Projeto, nos vários estados brasileiros e municípios, objetivando regularizar o fluxo escolar dos alunos. Você encontrará nas janelas pequenos textos que analisam os conceitos aqui discutidos. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça uma síntese dos tipos e instrumentos de planejamento, apresentados no texto Planejamento e instrumentos. 25Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Abrangência do planejamento A abrangência do planejamento pode ser definida em relação à sua duração, ao seu alcance físico ou ao político. Em relação ao período em que os Planos são elaborados, pode-se ter o planejamento: conjuntural – menos de um ano; de curto prazo – de um a dois anos; de médio prazo – de três a quatro anos e de longo prazo – mais de quatro anos, vinculado às vezes, a mais de um período governamental. Essa duração é flexível, sendo que alguns autores e órgãos financiadores a classificam como: curto prazo – 1 mês a 1 ano; médio prazo – até 2 anos e longo prazo – mais de 2 anos. Quanto a sua abrangência física, o planejamento pode ser: • mundial, multinacional, nacional, regional, estadual, municipal, urbano, rural, local, institucional, familiar e, até, individual. Em referência à abrangência política, pode-se ter o planejamento em: • nível macro e • nível micro. Observa-se, que na prática, utilizam-se nos planejamentos dois ou mais critérios de abrangência, como pode ser observado nos exemplos apresentados a seguir. Plano Plurianual de Ação – PPA, em nível federal A ideia da elaboração do Plano Plurianual foi inspirada no patrono universal do planejamento econômico, o czar soviético Josef Stalin, que já em 1939, elaborava planos quinquenais para a ex-URSS. O que você pensa disto? Como classificar o planejamento em termos de abrangência? Em que consiste um Plano Plurianual de Ação? Quais os Planos Plurianuais de Ação que você conhece na área educacional? Os desafios do Plano Plurianual Pensar no Brasil a longo prazo e fazer cumprir as promessas da campanha. Com essas intenções, o governo anunciou há pouco a elaboração do próximo Plano Plurianual – PPA. Até aí, nenhuma novidade. O planejamento é o alicerce das finanças públicas: quem planeja tem melhores condições de fazer uma boa gestão. Mas o atual governo lança as discussões do PPA com um grande diferencial: pela primeira vez no Brasil, a sociedade civil organizada poderá participar da elaboração do planejamento orçamentário do governo. Mesmo diante dos drásticos cortes orçamentários do início de gestão, da indefinição do futuro do país com o novo contexto internacional e dos juros severos da dívida, o presidente tem chances factíveis de fazer um bom trabalho. Primeiro, porque vai aproveitar os avanços metodológicos do plano, que hoje não pode mais ser considerado uma carta de boas intenções. Desde 1996, o PPA passou a ser organizado por programas, voltados para a solução de problemas, quantificados por indicadores. Incorporou metas físicas de gasto e passou a definir gerentes, explicitar parcerias, além de prever a avaliação dos programas orçamentários. Antes os governantes rejubilavam-se com a divulgação das cifras de gasto, em puro exercício de abstração. Com o novo método de elaboração do PPA, o cerne da questão 26Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento No Brasil, a partir da promulgação da Constituição de 1988, que obrigou o Governo Federal a elaborar e submeter ao Congresso Nacional seus projetos de médio e longo prazos, o então chamado PLANO PLURIANUAL foi adotado. Pode-se afirmar que, em nível macro, a expressão máxima de PLANEJAMENTO está consubstanciada no PLANO PLURIANUAL DE AÇÃO elaborado tanto em nível federal quanto estadual e municipal. Ele representa o documento maior, sendo que os demais são decorrentes dele. É um plano de médio prazo, por meio do qual procura-se ordenar as ações do Governo que levem ao atingimento dos objetivos e metas fixados para o período de 4 anos. Cabe ao Governo Federal expressar sua visão sobre os problemas prioritários enfrentados pelo país e apontar soluções mediante a concepção e execução de Programas e Metas. Um dos instrumentos utilizados por ele para isso é o Plano Plurianual de Ação – PPA, que consiste em instrumento de previsão, organização e sistematização de suas atividades nas várias áreas de atuação. O Plano apresenta uma percepção dos desafios em cada área, ou seja, Educação, Saúde, Transporte, Ciência e Tecnologia, Defesa, Comunicações, Energia e outros, apresentando, também, um elenco de políticas, com propostas para a superação das dificuldades, entre outras, a redução das desigualdades sociais e diminuição das disparidades regionais, integração do país com os países vizinhos. Assim, o PPA estabelece Diretrizes, Objetivos, Metas e Programas da administração pública federal vinculados aos respectivos custos orçamentários. O PPA é elaborado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a partir de dados e informações coletados, bem como instrumentos próprios elaborados em cada um dos ministérios, já no primeiro ano do mandato do Presidente. passou a ser a relação custo-benefício, ou seja, o que se pretende fazer com os recursos previstos. Segundo, porquea abertura das discussões à sociedade civil representa uma grande parceria para o país. Bem conduzido, esse processo poderá constituir um marco referencial no processo de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas no Brasil. No entanto, alguns aspectos do plano devem ser pontuados e discutidos pelo governo e pela sociedade para que não aconteçam os mesmos erros do passado. 1. Um projeto de desenvolvimento. O primeiro ponto refere-se ao diagnóstico, realizado em etapa anterior à formulação dos programas do plano. É o ponto de partida para a discussão dos problemas que atingem a sociedade brasileira e que devem ter sua proposta de resolução elencada no PPA. Essa análise deve orientar a intervenção planejada do governo para dar sentido aos programas que compõem o Plano Plurianual como parte de um projeto de desenvolvimento para o país. Esse diagnóstico deve estar inserido na agenda de debate do governo com a sociedade civil. E, sob o pressuposto da transparência da ação governamental, é fundamental que se dê publicidade ao estudo. 2. Compatibilidade. Refere-se à necessidade de compatibilizar os programas com as estratégias abordadas, ou seja, estabelecer uma lógica interna entre os programas, bem como Continua ... 27Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Trata-se de Programas para todo o Brasil e empreendimentos que devem ser assumidos não só pelo governo federal, mas também por estados, municípios, iniciativa privada e sociedade civil organizada. É uma convocação à união de esforços para o desenvolvimento voltado para o bem-estar e melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. O microplanejamento, aquele que se dá em nível da escola, tem vinculação direta com o macroplanejamento, ou seja, aqueles projetos elaborados com vistas à melhoria da ação pedagógica correspondem às diretrizes e aos objetivos determinados para a educação em nível nacional. Assim, as ações estabelecidas numa escola do interior do Amapá ou de São Paulo, para combater a repetência, não estão isoladas, soltas, mas buscam atender ao que está estabelecido no Plano Plurianual de Ação do Governo Federal, que se caracteriza como um macroplanejamento. Veja, na janela, as reportagens Os desafios do Plano Plurianual e PPA prevê aumento de consumo. Elas mostram a abrangência e os desafios de um PPA. Como modelo de macroplanejamento no setor educacional, destaca-se o Plano Nacional de Educação. No contexto de um processo histórico de planejamento e organização, não é resultado de uma decisão isolada, de um grupo de pessoas, de forças políticas ou educacionais organizadas, mas de uma ampla discussão em níveis nacional e internacional, e sendo lei está em consonância com compromissos internacionais firmados pelo Brasil, que dizem respeito diretamente à educação. Como exemplo, citem-se as diretrizes do PNE – 2011/2020: • erradiação do analfabetismo; • universalização do atendimento escolar; • superação das desigualdades educacionais; • melhoria da qualidade do ensino; • formação para o trabalho; entre estes e as prioridades elencadas pelo governo. Na questão ambiental, por exemplo, não faz sentido propor um programa que crie um corredor de exportação onde antes havia uma floresta, para depois criar um outro com o objetivo de protegê-las e recuperá-las. Do mesmo modo, se o governo tem como meta concentrar seus esforços na área social, seus programas precisam ser compatíveis com esse objetivo e sua estratégia organizada para atingir tal fim. 3. Interação com os Estados. O terceiro aspecto aponta para uma coerência entre o planejamento dos governos federal e estadual. Embora os prazos constitucionais ainda sejam um empecilho a essa tarefa – matéria que deverá ser objeto da lei de finanças públicas –, é importante realizar um esforço para evitar contradições e sobreposições entre os PPAs federal e estaduais. 4. Indicadores adequados. O quarto ponto diz respeito à definição dos indicadores que servem para estabelecer os parâmetros iniciais de ação e avaliar a eficiência dos programas ao término de sua implementação. Até o momento, não há estatísticas adequadas para mensurar demandas específicas do país. 5. Realismo. Deve-se buscar o realismo das metas físicas em relação aos seus custos e das ações em relação ao objetivo de cada programa. Ao mesmo tempo, evitar ao máximo Continua ... 28Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento • promoção da sustentabilidade socioambiental; • promoção humanística, científica e tecnológica do País; • estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto; • valorização dos profissionais da educação; e • difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. O PNE abrange todos os níveis de ensino, desde a Educação Infantil até a Pós-Graduação, nas diversas modalidades para as diferentes demandas. Ali estão incluídas a educação regular, especial, a indígena, o afro-brasileiro, a educação de jovens e adultos, a formação para o trabalho, a educação a distância etc. Quanto aos níveis de ensino e modalidades de educação, os entes federados têm suas respectivas áreas de atuação prioritária, consoante atribuição da Constituição Federal e da LDB. Município Educação Infantil Ensino Fundamental Estado Ensino Fundamental Ensino Médio (inclui formação de professores em nível médio) União Ensino Superior (inclui formação de professores em nível superior) A União presta, ainda, assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para garantir a equalização das oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino. Plano Plurianual de Ação – PPA, em níveis estaduais e municipais De forma semelhante ao de nível federal, também os governos estaduais elaboram o seu Plano Plurianual de Ação, como documento-síntese dos Programas/Metas estabelecidos pelo governo. a dispersão dos recursos em vários programas, o que introduz o risco de comprometimento dos objetivos inicialmente estabelecidos. 6. Participação. Diante do compromisso do governo de ouvir a sociedade, é demonstração de boa vontade definir interlocutores no governo federal para receber as sugestões da sociedade civil. A articulação da sociedade para intervir no PPA é legítima no contato de fortalecimento da democracia brasileira, mas deve contar com instrumentos adequados, não apenas na elaboração do PPA, mas em todas as etapas da gestão fiscal (PPA, Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO, orçamento e execução). É preciso, por exemplo, que os critérios adotados no contingenciamento não se choquem com as prioridades definidas para o PPA. A participação da sociedade poderá representar também um salto de qualidade se articulada ao gerenciamento dos programas durante o processo e elaboração, gestão e avaliação do PPA. 7. Transparência. Para que a participação seja efetiva e não sirva apenas para validar o PPA elaborado pelo governo, uma condição prévia é o acesso à informação. A transparência no processo de formulação e implementação do Plano Plurianual faz parte de uma estratégia maior que permitiria o monitoramento pela sociedade civil de todo o ciclo orçamentário (PPA, LDO, execução financeira e avaliação dos relatórios de gestão fiscal). Esse Continua ... 29Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento A concepção geral do PPA estadual é relativamente tradicional, em consonância com as determinações da legislação de cada estado. O PPA deve ser entendido como um instrumento de trabalho que orienta as ações governamentais nos quatro anos de governo. Os Planos Plurianuais estaduais podem variar conforme metodologia específica adotada para cada estado. Em geral, devem conter uma estrutura integrada composta de: apresentação, de forma sintética, das principais tendências atuais e os fundamentos da ação governamental; definiçãodas principais prioridades, diretrizes e programas que sintetizam a compreensão da ação governamental; apresentação dos objetivos, diretrizes, programas, subprogramas, projetos e metas setoriais, abrangendo todos os poderes e entidades do governo e, finalmente, o financiamento e as prestações de despesas ao longo dos quatro anos que abrangem o Plano. Devem ser elaborados instrumentos de coleta de informações direcionados especificamente às unidades orçamentárias do Governo, contendo: • diagnóstico: a análise da situação atual, problemas e deficiências que afetam a população e as limitações e carências que dificultam a efetividade das ações corretivas por parte do Governo; • objetivos: o quadro ideal da sociedade que se pretende atingir pela ação do Governo; • metas: etapas de curto, médio ou longo prazo, quantificáveis ou passíveis de serem aferidas, com prazo definido, considerado como marco no alcance dos objetivos estabelecidos; • diretrizes: as estratégias e os princípios que orientam a ação do governo para melhor atingimento dos objetivos. O PPA estadual abrange os Poderes Legislativo, Judiciário e o Executivo. No Executivo, definem-se Programas/Metas e respectivos orçamentos estabelecidos para as áreas de Educação, Cultura e Esporte, Saúde, Segurança Pública, Trabalho, Transportes, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio e outros. Continua ... monitoramento pressupõe a abertura do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) e do Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento do Plano Plurianual (Sigplan), bem como a publicidade dos diagnósticos dos problemas que orientam a estratégia do governo na elaboração dos programas. 8. Avaliação. O processo de planejamento apenas se completa com uma avaliação periódica e independente dos programas, com base em indicadores adequados, de forma a realimentar pelos próprios gerentes dos programas, o que é útil, mas não confere a necessária transparência e isenção ao processo. Seria extremamente importante envolver instituições de pesquisa não públicas, principalmente de organizações da sociedade civil. Levanta-se, ainda, a necessidade de a avaliação do PPA ser um processo contínuo, concebido desde o início do programa. Extraído do Jornal Correio Braziliense. Brasília, 2003. 30Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Com relação à área educacional, além do disposto no PPA, tem-se como referência o estabelecido no PNE, para nortear a elaboração dos Planos Decenais da Educação e dos seus correspondentes, em níveis estaduais e municipais. O PNE foi arquitetado sob três eixos: a educação como direito, a educação como instrumento do desenvolvimento econômico e social e a educação como fator de inclusão social. Da mesma forma que o Plano Nacional de Educação, os estaduais e municipais terão como primeira referência para a fixação de seus objetivos, aqueles estabelecidos pela Constituição Federal, em seu art. 214: erradicação do analfabetismo, universalização do atendimento escolar, melhoria da qualidade do ensino, formação para o trabalho e promoção humanística, científica e tecnológica do País. Em seguida, devem contemplar os objetivos estabelecidos pelo PNE: • elevação global da escolaridade da população; • melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; • redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública e • democratização da gestão do ensino público. Os planos estaduais e municipais seguirão, no que couber, a estrutura temática do PNE: Educação Infantil Ensino Fundamental Ensino Médio Educação Superior Educação de Jovens e Adultos Educação a Distância e Tecnologias Educacionais Educação Especial Educação Afro-Brasileira e Indígena Magistério da Educação Básica Financiamento e Gestão Acompanhamento e Avaliação Plano Plurianual – PPA O Plano Plurianual – PPA, é visto como a principal ferramenta que o governo têm em mãos para se diferenciar das gestões anteriores. Apesar de falar várias vezes sobre a questão social, o PPA mostra a continuidade da política econômica, com a manutenção de um superavit primário (receita total menos despesas, excluídos os juros) “consistente” e a preocupação com o controle da inflação. As prioridades do Plano Ao apresentar o documento sobre o Plano Plurianual – PPA, o ministro do Planejamento, destaca as principais prioridades do governo. Ampliação do Consumo de Massa O governo quer estimular a expansão do chamado mercado de consumo de massa. Isso significa aumentar o poder aquisitivo de famílias de baixa renda, por meio de sua inclusão no mercado de trabalho. Com isso, o consumo de bens e serviços também cresce, movimentando a economia e gerando mais investimentos. 31Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Os Planos Decenais de Educação, em níveis estaduais e municipais, deverão, em consonância com o Plano Nacional de Educação, contemplar no seu processo de planejamento, a seguinte estrutura técnica: diagnóstico, diretrizes, objetivos e metas. a. Diagnóstico: indicação e análise, com a maior objetividade e precisão possível, dos problemas da educação no território do ente federado, das medidas já adotadas, das experiências que vêm dando certo. Sugere-se a utilização dos estudos, diagnósticos, relatórios existentes na Secretaria de Educação e em outros órgãos, os levantamentos próprios do Sistema de Ensino e os dados disponíveis do IBGE e do INEP. É importante enfatizar a participação no diagnóstico dos diversos atores da educação, para assegurar uma visão mais realista, vivenciada, da realidade educacional. b. Diretrizes político-pedagógicas para a ação educacional: a análise das diretrizes nacionais presentes no PNE à luz das realidades locais subsidiará a definição ou eleição das diretrizes estaduais e municipais. c. Objetivos e Metas: enquanto o PNE estabelece objetivos e metas globais para a Nação, os planos das unidades federadas determinarão a participação de cada um no conjunto, o que implica ter, na sua elaboração, duas referências: o desejo nacional e as possibilidades locais. Os objetivos e as metas serão particularizadas e passarão a ser compromisso efetivo de cada unidade federada. Sempre que possível, separar objetivo e meta, sendo o primeiro uma clara intenção finalística, e a segunda, um dado quantificado mensurável no tempo. Pode haver metas qualitativas para as quais não é possível estabelecer um indicador temporal ou quantitativo. A prática, em cada caso, indicará a melhor forma de tratar o assunto, ora separando-os, ora juntando-os. O importante é expressar o que o Estado e o Município assumem, na dimensão que lhes corresponde no conjunto do Plano Nacional. Neste item, incluem-se as linhas de ação de curto e médio prazos. À medida que a execução do Plano avança no tempo, novas ações vão sendo definidas para realizar os objetivos e atingir as metas. Investimento em Infraestrutura No PPA o investimento público tem um papel fundamental na ampliação da infraestrutura, mas não há recursos suficientes. Por isso, o governo vai concentrar esforços nas áreas que dificilmente serão atendidas pelo setor privado e incentivar o investimento de empresas privadas nas outras áreas. Extraído e Adaptado do Jornal Correio Braziliense. Brasília, DF. Continua ... 32Planejamento e Elaboração de Projeto Planejamento Os planos estaduais serão encaminhados às Assembleias Legislativas, e os planos municipais, às Câmaras de Vereadores, para sua aprovação, e serão, respectivamente, leis estaduais e municipais. Além do Plano Decenal, os governos estaduais e municipais poderão, ainda, elaborar um Plano específico, para o período de vigência do governo, buscando sempre a coerência com o Plano Decenal. Em síntese, verifica-se que o planejamento em nível macro norteia o planejamento em níveis regional e local. Dessa forma, a elaboração dos PlanosEstaduais deve estar em consonância com o Plano Nacional – nível macro, e também, a dos Planos Municipais – nível micro, que devem ser coerentes com o Plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado, quanto a objetivos, prioridades, diretrizes e metas estabelecidas. E articulado nas ações, de forma que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados, Municípios e a União, alcancem-se as metas estabelecidas pelo PNE. Os objetivos e as metas do PNE somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como “Plano de Estado”, mais do que “Plano de Governo” e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro. Maiores informações sobre o Plano Nacional de Educação poderão ser acessadas no site <http://www.mec.gov.br/legislaçãoeducacional>. Em síntese, a concretização dos objetivos/metas estabelecidos tanto no Plano Nacional de Educação quanto nos Planos Decenais, em níveis estaduais e municipais, serão consubstanciados em Projetos específicos, caracterizados como produto final do processo de planejamento. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça a síntese do texto Abrangência do planejamento. 33Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto UNIDADE 2 – Elaboração do Projeto Estrutura técnica para elaboração do projeto O projeto resulta de um procedimento lógico e racional que substitui o comportamento intuitivo e empírico. Assim, o projeto desenvolve alternativa que substitui o comportamento arbitrário por decisões tecnicamente justificadas, assegurando padrões mínimos de eficiência e eficácia. Como já foi dito, os projetos públicos surgem como decorrência de planos globais e/ou setoriais de caráter nacional, estadual ou municipal e se constituem em propostas que devem atender a uma estrutura definida. Uma vez estabelecido o processo de planejamento, este tende a evoluir no sentido de um progressivo detalhamento, que contém indicações bastante precisas para a elaboração, execução e avaliação do projeto. Tem-se convencionado que a técnica de elaboração de projetos envolve três processos fundamentais: a) elaboração do projeto; b) implantação; c) avaliação. Na verdade, é difícil dissociar esses aspectos que quase sempre se apresentam estreitamente inter-relacionados, mesmo porque a elaboração do projeto é, até certo ponto, uma simples ordenação de dados para a sua implantação, implementação e avaliação. Leia o texto Predominância da ação que se encontra na janela. O que você pensa disto? Quais as etapas para a elaboração de um projeto? Quais os seus componentes? Explique. Predominância da ação A ação deve ter predominância sobre o planejamento em si. O planejamento prepara para a ação, mas não a substitui. É como disse certa vez um prefeito de São Paulo, recém-empossado, ao tomar conhecimento da miríade de planos não realizados que seus antecessores haviam deixado: “chega de planejamento, a hora é de fazejamento!” A atitude de fazer a ação predominar sobre o planejamento evita a síndrome de paralisia analítica: o coordenador ou equipe preocupa-se tanto em tomar todos os cuidados de não errar, de fazer previsões, as mais corretas, que termina por não fazer nada. Extraído de: MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Op. cit., p. 209. 34Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto A forma de ordenamento desses dados e/ou informações é muito flexível, dependendo dos diferentes modelos apresentados para elaboração. Na fase de elaboração do projeto, todas essas questões têm que ser devidamente observadas: torna-se necessário organizar os dados, estabelecer uma justificativa para proposição do projeto, definir metas, ações e até mesmo atividades, especificar responsabilidades e parcerias e dimensionar o prazo em que o projeto deverá acontecer. Para que você tenha uma ideia da relação entre esses aspectos ou partes/ itens de um projeto, apresenta-se o esquema a seguir: JUSTIFICATIVA OBJETIVO META AÇÃO ATIVIDADE RESPONSABILIDADE INTERFACE CRONOGRAMA PROJETO Com base nessa representação, você pode observar que o projeto final é o desdobramento do objetivo em metas, das metas em ações, das ações em atividades e a delimitação dessas quanto à responsabilidade, interface e cronograma. Definição de objetivos e análise do contexto Os objetivos são os resultados finais em direção aos quais a atividade é orientada. Por exemplo: • comprar um casa é um objetivo para uma família; • aumentar em 25% a participação no mercado é um objetivo para uma empresa; • disputar a final do campeonato é um objetivo para um time de futebol; • reduzir a inflação é um objetivo para o governo petista; • melhorar o nível de vida da população é o objet ivo de um projeto de desenvolvimento. Os objetivos definem o que deve ser feito, orientam o comportamento de indivíduos e de organizações, e condicionam a forma e o conteúdo dos planos que possibilitam sua realização.Os objetivos são criados de muitas maneiras diferentes: eles originam-se das missões da organização, de intenções, necessidades, desejos de pessoas ou grupos, problemas atuais ou previstos, ameaças ou oportunidades e outras circunstâncias. Este é o contexto dentro do qual o plano é elaborado. 35Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Nesse sentido, vale lembrar que o PROJETO é uma proposta de intervenção em uma dada realidade; realidade essa que o justifica. E o objetivo que se quer atingir com essa intervenção é que direciona todo o desdobramento da elaboração do projeto. A partir desse entendimento, caracteriza-se cada um desses aspectos para que você possa ter maior clareza na sua diferenciação. Nesta etapa, você vai aprender a elaborar os itens físicos do projeto, os itens físico-financeiros serão trabalhados em seguida. A elaboração do projeto é um processo que compreende várias fases, iniciando com a concepção até a sua redação final. Elas ocorrem de forma dinâmica e simultânea. É importante observar que não se consegue elaborar um projeto de uma só vez; é preciso muita discussão, reflexão, rascunhos e reelaboração até que se obtenha o resultado desejado. É preciso ressaltar que esse processo exige muita exercitação, à medida que as experiências vão se acumulando, o técnico vai adquirindo mais segurança e competência no desenvolvimento dessa atividade. Essa tarefa deve ser feita pela equipe que irá desenvolver o projeto e jamais por um técnico isolado do grupo. No entanto, a redação final poderá ser de responsabilidade de um pequeno grupo de representantes da equipe inicial. Lembre-se: A elaboração de um projeto exige: bom-senso, negociação, criatividade, coerência, experiência e conhecimento técnico sobre o assunto objeto do projeto. Passemos ao processo de elaboração do Projeto, detalhando seus componentes. O que é uma JUSTIFICATIVA? A JUSTIFICATIVA de um projeto é a descrição clara e sucinta das razões que levaram à proposição do projeto, evidenciando os benefícios sociais a serem Quanto mais precisa for a análise do contexto mais realistas e viáveis serão os objetivos. Se o problema a ser resolvido for o abastecimento de energia para uma região, a avaliação do contexto, envolve informações sobre a demanda presente e sua evolução previsível, sobre o potencial de energia disponível e suas perspectivas de utilização ou esgotamento, as possibilidades de substituição ou complementação das fontes que estiverem sendo usadas e assim por diante.Se informações como estas não forem analisadas, o planejador corre o risco de subestimar ou superestimar a demanda futura, e de prever um potencial de fornecimento incorreto. Algumas vezes, verifica-se que os objetivos foram definidos de forma inadequada, mas somente depois que eles são atingidos. Uma empresa industrial do ramo alimentício lançou um tipo especial de farinha para o mercado das panificadoras com uma previsão de renda de 210 toneladas nos três primeiros meses de vendas e de 400 toneladas no ano seguinte. As vendas foram, na realidade, de 750 toneladas nos três primeiros meses e de 2.000 toneladas no ano seguinte. Neste caso, os resultados superaram os objetivos, mas não se pode dizer conclusivamente se: a. houve uma subestimativa do mercado e, consequentemente, dos volumes de venda e de produção, ou Continua ... 36Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto alcançados pela comunidade, a localização geográfica a ser atendida, bem como os resultados a serem obtidos com a sua realização. Nessa parte do projeto, devem ser observados os seguintes tópicos: • breve diagnóstico do problema a ser solucionado, ressaltando o contexto no qual se situa, a ação ou ações e a significância da proposta para a melhoria da qualidade do que se pretende; • beneficiários, ou seja, a população-alvo beneficiada pelo projeto, em termos qualitativos e quantitativos; • contribuições positivas que o projeto acarretará e • a repercussão esperada durante e após a conclusão do projeto. Entende-se por diagnóstico o levantamento de dificuldades ou de dados da realidade, como também da identificação das necessidades da instituição, a partir da análise da realidade existente. O diagnóstico compreende as seguintes tarefas: • conhecer a realidade, por meio de pesquisa (levantamento de dados) e análise dos dados (estudo dos dados no sentido de captar os problemas, desafios e pontos de apoio para o processo de mudança). A pesquisa deverá utilizar instrumentos específicos; • analisar a realidade, caracterizada como o confronto entre o ideal e o real, entre aquilo que desejamos e aquilo que está ocorrendo; • identificar as necessidades, ou seja, verificar o que falta em cada aspecto analisado para que possa atingir o que se deseja. As necessidades da instituição emergem da investigação analítica e/ou do julgamento (avaliação) que se faz da realidade, do confronto entre o ideal e o real. Analise o exemplo de justificativa a seguir: No final da década de 1990, os exames da Educação de Jovens e Adultos – EJA atenderam, de acordo com a legislação em vigor, candidatos com a idade mínima de 15 e 18 anos para oportunizar certificação de Ensino Fundamental e Médio. Visavam à redução dos percentuais de baixa escolaridade, registrados b. houve uma estimativa correta do mercado e outros fatores interferiram para provocar uma reação favorável inesperada, que fez os resultados serem tão positivos. A alternativa b é a resposta correta neste caso, já que a empresa optou por uma estimativa conservadora – que é o que ocorre quando se procura evitar um risco elevado e para isso se definem objetivos modestos – por se tratar de um produto totalmente novo, cujo impacto no mercado não havia condições de antecipar com precisão. A avaliação do contexto, nesta situação, era difícil de ser feita, e os planejadores precisaram usar o método da tentativa e erro. Os objetivos podem ser enunciados como intenções genéricas ou alvos muito precisos. Quando enunciados como intenções genéricas, os objetivos são chamados de objetivos gerais ou declarações de propósitos, que definem algum ponto ao qual o indivíduo ou a organização pretende chegar ou o problema que é preciso resolver. Os objetivos definidos dessa forma também podem ser chamados de missões. Extraído de: MAXIMIANO, Antônio César Amaru, Op. cit. Continua ... 37Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto nos levantamentos estatísticos, que acusavam, na população do Estado “X”, com idade igual ou superior a 15 anos, aproximadamente 30% dos indivíduos com escolaridade incompleta de Ensino Fundamental e Médio. Como alternativa pedagógica, os exames da Educação de Jovens e Adultos continuarão na luta em favor do resgate de uma dívida social, decorrente do próprio sistema político-educacional que colocou, aqueles que o procuram, à margem do processo de inserção do saber formal, para que, ao menos, consigam reivindicar a cidadania e o respeito à vida humana. Pretende-se atender, em 2011, a aproximadamente 30.000 candidatos a esses exames. A leitura desse exemplo permite identificar: • o problema que se quer corrigir; • a população-alvo que se beneficiará; • os resultados que se espera na execução desse projeto. O que é um OBJETIVO? O OBJETIVO de um projeto é expresso ou descrito com um verbo na forma infinitiva e imprime um caráter mais amplo, geral ao projeto. Os objetivos específicos, fundamentais e necessários na elaboração do projeto, detalham um pouco mais o objetivo geral, tornando-se um desdobramento do mesmo. Nesse sentido, o objetivo é a explicitação clara e sucinta dos fins para os quais a execução do projeto concorre, podendo ser expresso conforme sua abrangência em: • objetivo geral finalidade ampla que se quer atingir com o projeto e • objetivos específicos detalhamentos ou desdobramentos diferenciados decorrentes do objetivo geral, dando um caráter mais aproximado do que se pretende com a elaboração do projeto. Assim, há que se manter O que você pensa disto? O que é objetivo? O que é um objetivo geral? O que são os objetivos específicos? Metas educacionais para antes do 2o Centenário da Independência – 2022 Em um país federativo, onde a educação básica é radicalmente descentralizada e a cargo dos estados e municípios, o Governo Federal não tem os instrumentos necessários para executar políticas que permitam mudar a realidade educacional; ao mesmo tempo, em um país com a centralização fiscal brasileira, não é possível aos estados e municípios dispor dos recursos financeiros necessários para provocar o salto educacional de que o Brasil precisa. A tarefa de revolucionar a educação brasileira exige uma aliança clara em todos os níveis da Federação, que permita a execução de uma política unitária, embora descentralizada, contando com recursos públicos da união, dos estados e dos municípios. Exige mais ainda – um programa que tenha duração muito além do mandato de um governo. A mudança do quadro educacional do Brasil vai exigir um programa de longo prazo – de pelo menos 15 anos – e amplo, que envolva todos os partidos políticos e os poderes executivo, legislativo e judiciário, nas 27 Unidades da Federação, nos 5.565 municípios, com o apoio de toda a sociedade. O ponto de partida 38Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto estreita vinculação ou paralelismo entre eles, conforme representação gráfica a seguir: Objetivo geral Objetivos específicos A A1 A2 A3 A4 Veja o exemplo de objetivo apresentado a seguir. Objetivo geral • Ampliar a oferta de exames na EJA, visando oportunidades de melhor inserção no mercado de trabalho e inclusão social. Objetivos específicos • Oferecer exames de EJA – para os Ensinos Fundamental e Médio. • Oferecer exames de Técnico de Nível Médio. • Reformular a sistemática adotada para a realização dos exames. Para exercitar Agora, a partir do objetivo geral apresentado a seguir, formule dois ou três objetivos específicos. Objetivo geral Promover a melhoria da qualidade do Ensino Fundamental, buscando reduzir os índices de evasão e repetência. Objetivos específicos ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________Continua ... para isso é um conjunto de metas definidas por nossos líderes, Prefeito, Governadores e pelo Presidente da República, a ser realizadas por todos nós, povo brasileiro, ao longo de nossa história futura: até o segundo centenário de nossa Independência, em 2022. Metas educacionais até 2022 1. 100% das crianças até 14 anos na escola até 2006; 2. 100% das crianças até 17 anos na escola até 2010; 3. Abolição do trabalho infantil até 2006; 4. Abolição da prostituição infantil até 2006; 5. O Brasil Alfabetizado – 2006; 6. Toda criança alfabetizada até os dez anos de idade até 2006; 7. 95% das crianças terminando a 4ª série – 2010; 8. 80% das crianças terminando a 8ª série – 2006; 9. 80% dos jovens até 17 anos concluindo o ensino médio – 2010; 39Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Você pode ter sugerido os seguintes objetivos específicos: • Redefinir a Proposta Curricular para o Ensino Fundamental. • Desenvolver a capacitação do corpo docente de 1o a 9o ano. • Promover campanha de combate à evasão e repetência junto à comunidade escolar. • Reformular a sistemática de atuação do Conselho de Classe. • Oferecer atividades de recuperação no contraturno. E, agora, a partir dos objetivos específicos apresentados, formule um objetivo geral. Objetivos específicos • Implantar a Proposta Pedagógica de Alfabetização. • Redimensionar os conteúdos programáticos das disciplinas de 6o ao 9o ano. • Capacitar o corpo docente em relação a métodos e técnicas didáticas em Português e Matemática. • Promover a melhoria pedagógica das condições de funcionamento das escolas rurais. Objetivo geral _________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Com base nos objetivos específicos apresentados, você pode ter sugerido o seguinte objetivo geral: Promover a melhoria qualitativa do Ensino Fundamental, nas escolas urbanas e rurais da rede oficial de ensino. Continua ... 10. O Brasil ocupar posições de destaque no Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes – 2015; 11. Toda escola de ensino fundamental com horário integral até 2010; 12. Toda escola de ensino médio com horário integral até 2015; 13. Novo ensino profissionalizante implantado – 2004; 14. Garantia de matrícula para toda criança a partir dos 4 anos até 2006; 15. Toda criança de 0 a 3 anos com apoio nutricional e assistência pedagógica até 2006; 16. Todo professor com formação adequada até 2006; 17. Implantação do Programa de Valorização e Formação do Professor – 2004; 18. Duplicar o salário médio do professor até 2007; 19. Definição de piso salarial do professor – 2003; 20. Criação do Fundeb – 2004; 21. Ampliação do valor do Fundef – 2003; 22. Implantação do Sistema Brasileiro de Formação do Professor – 2004; 40Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Analise o objetivo geral e redija, a seguir, três objetivos específicos correspondentes: GERAL ESPECÍFICO Promover a melhoria do desempenho dos professores na escola. • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ Agora, analise os objetivos específicos e redija, ao lado, um objetivo geral correspondente: GERAL ESPECÍFICO ____________________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ • Constituir o Conselho de Pais. • Promover campanhas dentro e fora da escola. • Redimensionar as reuniões bimestrais entre pais e professores. Compare as respostas dadas por você com as que apresentamos, a seguir, para a elaboração dos objetivos específicos: • Capacitar os professores da escola. • Prover a escola de novos materiais didáticos. • Dinamizar as relações interpessoais na escola. Em relação ao objetivo geral, sugerimos: • Ampliar a participação da comunidade nas decisões da escola. Você encontrará na janela o texto Definição de objetivos e análise do contexto, que apresenta outras reflexões sobre o tema. Continua ... 23. Definição de um novo projeto para a universidade brasileira – 2003; 24. A m p l i a r a a u t o n o m i a d a s Universidades Federais a partir de 2003; 25. Criação do PAF, o novo FIES – 2003; 26. Recuperação do sistema de hospitais universitários até 2005; 27. Preenchimento das vagas ociosas e aumento do número de vagas nas universidades a partir de 2003. Extraído da Publicação: “É possível um Brasil bem educado”. 9o Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. MEC, maio de 2003. Jan Fev Mar .... Jul 91 87 84 .... 78 A meta é a quantificação do objetivo. Se tenho como objetivo emagrecer até o peso ideal, poderei estabelecer como meta atingir certos pesos em épocas determinadas. 41Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto O que é uma META? A META de um projeto é expressa ou descrita com um verbo na forma infinitiva e imprime um caráter particularizado do objetivo, com informações que a identificam, e sempre que possível deve aparecer quantificada. Analise os exemplos a seguir. • Propiciar a, aproximadamente, 32.000 candidatos, por meio da oferta de exames supletivos, oportunidade de obtenção de conclusão do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e/ou habilitação legal ao exercício da profissão em nível de Ensino Médio. • Implementar a Proposta Curricular do Ensino Fundamental – 1o ao 5o ano, em 200 escolas da rede oficial de ensino, beneficiando aproximadamente 20.000 alunos. • Implementar a Proposta Curricular de Ensino Regular Noturno – 6o ao 9o ano, em 50 escolas da rede oficial de ensino, atendendo a 5.000 alunos. Você deve ter percebido que a meta se distingue do objetivo, embora seja decorrente dela, pelo fato de que se apresenta quantificada. Todos os dados possíveis devem ser identificados. Ela assume, assim, um caráter mais operacional, mais concreto, com base na realidade. Relacionamos, a seguir, alguns dos verbos mais comumente utilizados na área educacional para a elaboração de metas: implantar, implementar, atender, apoiar, propiciar, promover, conceder, capacitar, garantir, prover, desenvolver, estimular, assegurar, possibilitar, oferecer e outros. Verifique, agora, alguns exemplos de metas elaboradas com os verbos acima relacionados: • Implantar o sistema de sala de leitura escolar, em 50 escolas de Ensino Fundamental, beneficiando 20.000 alunos. • Implementar o uso de tecnologia de informática na Educação Profissional, atendendo a 20 escolas e beneficiando a 20.000 alunos. Funilândia existe? Existe! Fica próximo de Belo Horizonte. Fomos lá visitar uma escola municipal. A primeira surpresa foi que o gramado e os jardins estavam impecáveis e o prédio, bem-cuidado. Bom sinal. Entrando na sala de aula do 2o ano, a surpresa foi ainda maior. Além dos cartazes de palhaços e bichos, as paredes estavam cobertas de gráficos e tabelas. Perguntamos à queima-roupa a um aluno qual era sua missão nessa escola. A resposta já estava pronta: aprender a ler, a escrever e a fazer contas. Em seguida, foram arguidos outros alunos acerca do que lhes cabia fazer, dos problemas encontrados e das soluções contempladas. Estava tudo escrito nos cartazes colados nas paredes. Uma aluninha mostrou uma tabela com as presenças e ausências de cada um dos alunos e disse que uma das metas era reduzir as faltas de um ou dois alunos mais recalcitrantes. Um cartaz mostrava os pontos negativos: problemas de indisciplina e excesso de conversas paralelas. E assim se seguiu a visita, um aluno após outro completando o diagnósticodo que havia de certo e de errado na sua turma, e mais as medidas 42Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto • Atender a 100% dos alunos portadores de deficiência visual do Ensino Fundamental com passes de ônibus, beneficiando 2.000 alunos carentes das cidades periféricas. • Apoiar o desenvolvimento de eventos e projetos na área educacional, em 10 escolas que oferecem o Curso de Magistério, atendendo 10.000 alunos. • Propiciar aos 50 alunos-atletas, condições de treinamento especializado em voleibol para participação nos Jogos Estudantis. • Promover 10 cursos de Formação Inicial e Continuada para 300 professores atuantes na Educação Básica. • Garantir o funcionamento de 300 escolas de Educação Básica por meio de suprimento de material escolar, beneficiando 200.000 alunos. • Prover com materiais/equipamentos necessários ao funcionamento dos laboratórios de Física, Química e Biologia, as 50 escolas de Ensino Médio, atendendo 50.000 alunos. • Desenvolver ações sistemáticas de saneamento em 100% das escolas da rede pública, com vistas à melhoria das condições do ambiente escolar. • Estimular a participação de 50% dos pais no cotidiano escolar, mediante discussões sobre o seu papel na construção de uma escola democrática. • Assegurar a expansão de 10 linhas telefônicas urbanas e rurais, atendendo as escolas carentes desse serviço. • Possibilitar a 30 profissionais que lecionam Português, oportunidade de pós-graduação, por meio da concessão de bolsas de estudos, oriundas de Convênios com Universidades Públicas e Particulares. • Oferecer suplementação alimentar a 100.000 alunos matriculados no Ensino Fundamental e curso de Magistério. Essa é apenas uma pequena relação técnica de verbos. É claro que o seu uso depende da natureza do projeto que se vai elaborar e da criatividade do elaborador. Em geral, os Projetos apresentam poucas metas. Só elabore uma meta diferente quando as ações forem muito distintas. Se elas tiverem afinidades podem ser descritas numa só meta, o que facilita o acompanhamento e a avaliação do projeto. Continua ... para consertar os problemas. O que quer que se diga acerca do que foi encontrado, fica claro que os alunos de 2o ano sabem ler os textos na parede e conseguem interpretar gráficos de barra. Estão todos mais do que alfabetizados. Não é pouca coisa em uma escola de um município de 3.500 habitantes, com IDH – Índice de Desenvolvimento Humano na média mineira. No corredor estava um cartaz com as metas do professor de religião, enfatizando o ecumenismo e a tolerância. Também na educação física havia metas ligadas à obtenção de uniformes e tênis. Havia metas para a limpeza da escola (que é feita pelos alunos) e para o uso das cestas de lixo. Passamos à cantina, que igualmente tinha cartazes sobre as metas a ser atingidas pelas merendeiras (sabor, limpeza etc.). Abaixo do nome de cada funcionário da cantina estava pregado um copinho de papel. Embaixo de tudo, três copinhos com canudinhos de refresco cortados em pedaços menores. Após cada refeição, os professores escolhem a cor dos canudinhos para colocar no copo da merendeira de turno: verde para bom serviço, amarelo para mais ou menos e vermelho para deficiente. As professoras são premiadas pelo seu bom desempenho (faltas dos alunos, limpeza etc.). Como não há dinheiro, os 43Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Para exercitar Agora vamos exercitar um pouco. Transforme o objetivo geral “Ampliar a participação da comunidade nas decisões da escola”, em uma meta. Redija-a nas linhas a seguir. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Você pode ter estabelecido metas como: • Aumentar em 60% a presença dos pais nas atividades promovidas pela escola. • Envolver 60% dos pais nas decisões gerais da escola. • Assegurar a participação de 70% dos pais nas reuniões bimestrais sobre o rendimento escolar. Ainda, reforçando a sua prática, elabore metas a partir dos objetivos gerais apresentados: OBJETIVO GERAL 1 META Dotar a rede pública de ensino de infraestrutura adequada ao seu funcionamento. ____________________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ OBJETIVO GERAL 2 META Promover a melhoria qualitativa da Educação Infantil nas escolas urbanas e rurais da rede pública de ensino. ____________________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ Continua ... prêmios são dados pelos comerciantes locais. Visitamos a aula de uma professora premiada com uma galinha, um livro e um serviço de manicure. Na entrada da escola estão os gráficos que mostram seu desempenho acadêmico em comparação com o das outras (medido pelos testes do Estado). Funilândia supera bastante as médias do Estado e empata com a melhor escola da região. A meta para o próximo ano é dar mais um salto. Na secretaria há uma caixa de sugestões e reclamações. Dali têm saído muitas ideias implementadas pela diretora. O que significa isso tudo, uma revolução gerencial? No fundo é isso mesmo. A escola adotou as técnicas de gerenciamento das melhores empresas, já aclimatadas para a educação. Ou seja, as técnicas mais bem-sucedidas para administrar empresas foram adaptadas para as escolas. O que dirão os puristas da pedagogia? Transformaram a escola em uma fábrica, com números medindo tudo? Mercantilizaram o ensino? Acho que não. As ferramentas gerenciais adotadas levam a escola a fazer o mesmo que as boas empresas fazem. Isto é, definir prioridades para direção, professores, alunos e funcionários. Depois, converter as prioridades em metas educativas 44Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Você pode ter sugerido metas como: • Meta 1. Prover 200 escolas de Ensino Fundamental e Médio com cadeiras e carteiras escolares, ventiladores, televisão e vídeo, beneficiando 200.000 alunos da rede pública, nas áreas urbana e rural. • Meta 2. Apoiar a implementação da Educação Infantil em 50 escolas da rede pública, nas redes urbana e rural, beneficiando 5.000 alunos. Leia, nas janelas, os textos Metas educacionais para antes do 2o Centenário da Independência – 2022 e Funilândia existe? que tratam de metas. O que é uma AÇÃO? A AÇÃO de um projeto é expressa ou descrita de forma substantivada e se constitui em desdobramento da meta, relacionando-se às etapas ou ações necessárias para o alcance da meta estabelecida. Deve ser elaborada de forma detalhada e se possível quantificada. Observe os exemplos a seguir. – Meta Propiciar, a aproximadamente 32.000 candidatos, por meio da oferta de exames, oportunidade de obtenção de certificados de conclusão do ensino fundamental e médio e/ou habilitação legal ao exercício da profissão em nível de ensino médio. – Ações • Realização de 2 (dois) exames de EJA – Ensino Fundamental, sendo 01 por semestre, para aproximadamente 10.000 candidatos. • Realização de 2 (dois) exames de EJA – Ensino Médio, sendo 01 por semestre, para aproximadamente 20.000 candidatos. • Oferecimento de exames de suplência profissionalizante, de Ensino Médio, a aproximadamente 2.000 candidatos, no primeiro semestre, em até 6 modalidades técnicas. Continua ... concretas, decidir como ensinar (a pedagogia) e medir se foram atingidas as metas, avaliando assim o próprio desempenho. A gerência não substitui a pedagogia, mas faz soar alarmes se esta falhar. O que há de errado nisso? Se uma escola em um município diminuto consegue fazer isso, por que não outras mais aquinhoadas? Extraído e adaptado: Revista VEJA. Ponto de Vista de Cláudio de Moura Castro. 12/11/2003, p.30. 45Planejamento e Elaboraçãode Projeto Elaboração do Projeto • Revisão dos conteúdos programáticos que compõem as modalidades técnicas dos exames de suplência profissionalizante. • Dinamização do Banco de Questões, como forma de redução dos custos operacionais dos exames e agilização da sistemática de organização dos exames. • Articulação com o Setor de Material com vistas à aquisição de material de consumo necessário à execução dos mencionados exames. • Acompanhamento, controle e avaliação da sistemática de execução dos exames, visando a sua melhoria qualitativa. A partir desses exemplos, você deve ter observado que as ações são relacionadas em uma ordem sequencial de ocorrência e são as mais significativas para o alcance da meta pretendida. Não há necessidade de relacioná-las na sua exaustão. No entanto, lembre-se de que, quanto mais complexa a operacionalidade da meta, maior o número de ações a serem relacionadas, pois as mesmas funcionam como um roteiro de ação para quem vai executar/avaliar o projeto. Geralmente, os projetos são elaborados até o nível de ação. Para o setor ou órgão que vai executá-lo e acompanhá-lo, é interessante que o projeto seja detalhado até o nível de atividade, pois sinaliza o que deve ser feito, possibilitando mais segurança e eficácia ao projeto desenvolvido. Para exercitar Com base na meta apresentada a seguir, registre três ações que podem ser desenvolvidas para alcançá-la. META AÇÃO Propiciar, a 50 alunos-atletas, condições de treinamento especializado. • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ Planejar, para quê? Para fazer acontecer, para transformar sonhos em realidade. Para transformar nosso trabalho, nossa relação com os alunos, a nós mesmos, a escola, a comunidade, e, no limite, a própria sociedade. O projeto não é uma ‘varinha de condão’, não tem ‘superpoderes’. No entanto, se o enfrentamento da situação é penoso com um planejamento, certamente será bem pior sem ele, visto que ficaríamos bem mais susceptíveis à desorganização interior e às pressões exteriores. Assim, o processo de planejamento pode ser de grande valia, na medida em que busca ressignificar, orientar e dinamizar o trabalho. Planejar pede envolvimento sincero na elaboração, e por isso mesmo as diferentes posições vão se manifestar, gerando os conflitos, as ‘neuroses’, os componentes de não vida (desânimo, desesperança) também vão aparecer. É um trabalho exigente. Vai implicar investimento de tempo, e sobretudo, energias, crenças, valores, verdade, reflexão. 46Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Certamente, para registrar as ações, você deve ter se lembrado do diagnóstico que o levou a incluir essa meta em seu projeto. Esse diagnóstico, provavelmente, poderá estar apontando para ações como: • Fornecimento de passes estudantis para os atletas que participam do treinamento especializado. • Garantia de merenda escolar reforçada para os atletas. • Aquisição de uniformes próprios para os atletas segundo a modalidade desportiva. • Aquisição de novos equipamentos desportivos. Vamos praticar um pouco mais, elaborando ações correspondentes às metas apresentadas abaixo: META 1 AÇÃO Apoiar a implementação da Educação Infantil em 50 escolas da rede pública, nas áreas urbana e rural, beneficiando 5.000 alunos. • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ META 2 AÇÃO Promove r o desenvo l v imen to das potencialidades individuais do aluno com necessidades especiais, proporcionando-lhes o exercício da cidadania. • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ • _______________________________ _______________________________ Prec isamos ter em conta que o planejamento é apenas um instrumento teórico-metodológico poderoso, mas instrumento. Portanto, depende de sujeitos que o assumam (tanto na elaboração quanto na realização). Não é, pois, uma coisa maravilhosa: é relativamente complexo, exigente e ainda falível. No entanto, não é também um capricho; é uma necessidade! A menos que desejemos caminhar sem destino certo, improvisando, agindo sob pressão, administrando por crise, sem procurar intervir no vir a ser do real, abrindo mão da nossa condição de sujeitos. Hoje mais do que nunca ‘o tempo é construção’, para dizê-lo com as palavras de Paul Valéry. Não podemos ter a esperança de predizer o futuro, mas podemos influir nele (PRIGOGINE, 1996: 262). Extraído e adaptado de: VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. 7 ed. São Paulo: Libertad, 2000. p. 63 e 64. Continua ... 47Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Veja se as suas respostas apontam nesse sentido. – Ações da Meta 1 • Sensibilização dos pais para participação no processo escolar dos filhos. • Assessoramento técnico-pedagógico sistemático quanto às necessidades identificadas pelos docentes que atuam com crianças de 3 a 5 anos. • Aquisição de material pedagógico específico para a Educação Infantil. • Garantia da oferta de 05 cursos de formação inicial e continuada para os professores. • Realização de seminários, encontros pedagógicos e demais eventos geradores de estudos e reflexão sobre a ação pedagógica. – Ações da Meta 2 • Assessoramento técnico-pedagógico aos professores para orientação, acompanhamento, controle e avaliação dos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos portadores de necessidades especiais. • Capacitação do corpo docente mediante a realização de cursos e treinamento em serviço. • Desenvolvimento de ações voltadas para a assistência ao educando, por meio de atividades culturais e desportivas. • Implementação de metodologias adequadas ao aluno com deficiência auditiva, mental, múltipla e para os alunos superdotados. • Expansão do atendimento em educação precoce à criança com necessidades especiais de 0 a 03 anos. O que é uma ATIVIDADE? A ATIVIDADE em um projeto é expressa ou descrita com um substantivo e se caracteriza como um desdobramento da ação, relacionando-se às tarefas (atividades) da ação necessárias ao atingimento da mesma. No projeto, a atividade representa a menor parte da meta. A Grande Viagem à Lua Em 1961, fa lando ao Congresso americano, o Presidente John F. Kennedy declarou: – Acredi to que esta nação deva comprometer-se com a meta, antes que esta década termine, de levar um homem para descer na Lua e trazê-lo de volta em segurança à Terra. Para realizar esta meta, os Estados Unidos realizaram três projetos distintos: Mercury, Gemini e Apollo. Os objetivos principais do projeto Mercury eram investigar as potencialidades humanas no espaço e desenvolver a tecnologia dos voos espaciais tripulados. Os objetivos principais do projeto Gemini eram submeter dois homens e seu equipamento de apoio a voos prolongados, realizar manobras de aproximação e engate com outros veículos em órbita, e aperfeiçoar os métodos de reentrada e pouso na Terra. O Programa Apollo tinha o objetivo principal de pousar um homem na superfície da Lua e trazê- lo de volta em segurança à Terra. Os objetivos implícitos eram dar aos Estados Unidos a liderança e a competência em voos espaciais tripulados, edefinir as potencialidades do homem como explorador do espaço. 48Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto O detalhamento da ação em atividade é mais utilizado em caráter interno, ou seja, é necessário e muito útil ao setor que vai executar o projeto, pois detalha a atividade a ser desenvolvida. Examine o desdobramento de uma ação em atividade apresentado a seguir. – Ação • Realização de 02 (dois) exames de EJA – Ensino Médio, sendo 01 por semestre, para aproximadamente 20.000 candidatos. – Atividades • Elaboração/divulgação do Edital dos Exames de EJA – Ensino Médio. • Realização da inscrição dos candidatos em 15 postos de inscrição. • Constituição da Comissão Elaboradora de Provas, por disciplina. • Revisão técnica e linguística das provas. • Impressão de 22.000 provas. • Orientação às equipes de aplicação das provas. • Distribuição das provas aos postos de aplicação. • Realização das provas nos 05 postos de aplicação. • Divulgação dos resultados das provas. • Avaliação da sistemática adotada para a realização das provas. Veja que o desdobramento da ação em atividade facilita o desenvolvimento da ação, pois se forma um roteiro de trabalho a ser cumprido e executado, evitando falhas no processo operacional. Como é difícil esgotar todas as atividades necessárias, tenta-se priorizar as mais significativas. Continua ... Para realizar esses objetivos, a NASA desenvolveu um programa com três partes: uma nave para levar os astronautas da Terra até a órbita da Lua e trazê-los de volta, um módulo de excursão lunar para levá-los dessa nave até a superfície e trazê-los de volta à órbita da Lua, e um veículo de lançamento, para colocar tudo isso na órbita da Terra e dar o impulso para a viagem à Lua. O programa Apollo foi criado para realizar esse empreendimento. Compreendia o Saturno V, veículo de lançamento com três estágios e unidade de instrumentação, e da nave Apollo, que transportava os astronautas e o módulo lunar. Para construir o equipamento, a NASA promoveu uma concorrência. O primeiro estágio do Saturno V foi contratado com a Boeing, o segundo com a North American, o terceiro com a Douglas e a unidade de instrumentação com a IBM. O contrato do módulo lunar foi ganho pela Grumman e o da espaçonave Apollo pela North American. O programa Apollo era administrado pelo Voo Espacial Tripulado, uma organização montada pela NASA e que compreendia a Gerência do Voo Espacial Tripulado (Office of Manned Space Flight) e a Gerência do Programa Apollo (Apollo Program Office) em Washington, D.C., e três centros de “produtos”: 49Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Para exercitar A partir da ação apresentada, formule algumas atividades e ela pertinentes. AÇÃO 1 ATIVIDADE Reformulação da Proposta Curricular adotada para a Educação Infantil. • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ AÇÃO 2 ATIVIDADE Assessoramento técnico-pedagógico aos p ro fessores para o r ien tação, acompanhamento, controle e avaliação dos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos portadores de necessidades especiais. • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ • _________________________________ _________________________________ Verifique se as suas sugestões se aproximam ou correspondem às nossas. – Atividades da Ação 1 • Realização de reuniões com os professores e diretores para análise da Proposta Curricular vigente. • Realização de pesquisa, junto aos professores e pais, para levantamento das disfunções apresentadas na execução da proposta. • Assessoramento técnico-pedagógico aos professores para embasamento teórico/prático sobre a Educação Infantil. • Contratação de especialista para orientação quanto à revisão e reelaboração da proposta. • Articulação com o setor financeiro para garantia dos recursos necessários à consultoria. • Realização de visitas a outros estados para conhecimento de experiências bem-sucedidas. Continua ... – Centro Marshall do Voo Espacial, no Alabama, responsável pelo desenvolvimento do veículo de lançamento. – Centro de Espaçonave Tripulada, no Texas, responsável pela Espaçonave Apollo e pelo acompanhamento das missões. – Centro Espacial Kennedy, na Flórida, responsável pelas instalações de lançamento. Cada um desses centros tinha sua própria gerência de Projeto (Apollo Project Offices), com a responsabilidade de monitorar seus fornecedores e de garantir que o equipamento ficasse pronto dentro dos prazos, custos e padrões de qualidade previstos. À medida que os fabricantes desenvolviam os equipamentos, o pessoal da gerência verificava se tudo estava dentro do cronograma. Se houvesse um problema, e o fabricante propusesse uma mudança nos projetos, a Gerência tinha que aprovar primeiro. Em resumo, a Gerência tinha a responsabilidade de verificar se os fabricantes estavam fazendo o serviço direito. A sede da Gerência da espaçonave Apollo, por exemplo, ficava em Houston, mas seus funcionários viajavam continuamente para visitar os fabricantes, e recebiam relatórios frequentes que lhes permitiam decidir se o projeto estava progredindo de acordo com o esperado. 50Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto – Atividades da Ação 2 • Realização de reuniões mensais com os professores, no 1o semestre, para levantamento de suas necessidades técnico-pedagógicas. • Realização de estudos para seleção e discussão de material pertinente à educação desses alunos. • Elaboração de Orientação Pedagógica específica para cada tipo de necessidade especial. • Realização de reuniões sistemáticas e visitas às escolas para acompanhamento, controle e avaliação do processo ensino-aprendizagem dos alunos. • Oferta de cursos e promoção de encontros/seminários para os professores. Lembre-se de que os tópicos ou itens do projeto explorados até aqui se constituem na essência do trabalho. Nesses itens, encontra-se a espinha dorsal do projeto. Observe que cada item responde a uma questão: – Por que fazer? → Justificativa – Para que fazer? → Objetivo – O que fazer? → Meta – Como fazer? → Ação/Atividade – Com quem fazer? → Responsabilidade e Interface – Quando fazer? → Cronograma As questões “com quem fazer” e “quando fazer” sugerem uma organização adequada da responsabilidade e do tempo. Num congresso da Sociedade Astronáutica Americana, em 1996, o Major General Samuel C. Philips, integrante da Gerência do Programa, em Washington, declarou: – O controle do programa deve ser enfatizado, dizendo isso, não quero dar a impressão de estar diminuindo a importância das outras áreas funcionais. No entanto, tenho observado deficiências na administração de programas em que a função de controle foi negligenciada. Na Gerência do Programa Apollo, demos a esta função a mesma importância das outras áreas, ampliando seu papel, antes limitado à administração financeira, para incluir administração de fornecedores, logística e informações. Esta ampliação das responsabilidades possibilita aos escritórios envolver-se nas três variáveis quantitativas – custo, cronograma e qualidade – e fazer um serviço mais integrado de integração, planejamento e controle. Para um Diretor de Programa, é indispensável ter um controle eficaz. John Kennedy foi assassinado em 1963, mas seus sucessores Johnson e Nixon prosseguiram com seu projeto. Em 1967, o Saturno V subiu pela primeira vez. Tinha 360 pés de altura, produzia 7,5 milhões de libras de empuxo e podia colocar 285.000 libras em órbita da Terra. Em julho de 1969, dois americanos desceram na Lua e voltaram em segurança à Terra. Continua ... 51Planejamento e Elaboração de ProjetoElaboração do Projeto O que significam rESPOnSABILIDADE, InTErFACE e CrOnOGrAMA? A RESPONSABILIDADE num projeto é registrada, preferencialmente, com siglas. Trata-se do nome do órgão, setor ou da instituição responsável pela execução de cada ação ou atividade, quando for o caso. A cada ação ou atividade deve corresponder o item de responsabilidade. A INTERFACE num projeto é registrada, preferencialmente, com siglas. Por interface ou parceria compreende-se o envolvimento ou participação de outros setores externos àquele que é responsável pela elaboração/execução do projeto. Isto implica que não é necessário interface para cada ação ou atividade. O CRONOGRAMA de um projeto, de forma semelhante ao item responsabilidade, é registrado em relação a cada ação ou atividade, mediante abreviatura correspondente aos meses do ano. A partir dessas considerações, examine o exemplo citado a seguir. Ação Responsabilidade* Interface* Cronograma • Realização de 2 de EJA – Ensino Fundamenta l , 1 (um) por semestre, para aproximadamente 10.000 candidatos. • Realização de 2 exames de EJA – Ensino Médio, 1 (um) por semestre, para aproximadamente 20.000 candidatos. UEJA UEJA GSG GMa EE GSG GMa EE JUN/NOV JUN/DEZ * As siglas apresentadas nos itens Responsabilidade e Interface significam: UEJA – Unidade de Educação de Jovens e Adultos, GSG – Gerência de Serviços Gerais, GMa – Gerência de Material e EE – Estabelecimento de Ensino. Se possível, as ações devem ser relacionadas numa ordem cronológica de ocorrência, para que o cronograma inicie, por exemplo, com janeiro e siga numa sequência até dezembro. Se a mesma ação ocorrer durante todo o ano, pode-se utilizar de JAN/DEZ. Se o projeto for anual, dispensa o registro Depois disso, a exploração espacial entrou em nova fase e as viagens à Lua deram lugar ao Programa do Space Shuttle. Extraído de: MAXIMIANO, Antônio César Amaru Op. cit. Continua ... 52Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto do ano. Observe, também, que o registro desses itens deve ser escrito na 1ª linha da ação descrita. A partir dessas noções teórico-práticas, você já dispõe de conhecimentos básicos e esperamos que se sinta estimulado para começar a elaborar seus projetos, não só na área educacional, mas em outras afins como na de saúde, social, cultural etc. Lembre-se de que para qualquer assunto ou tema do projeto a ser elaborado, você poderá utilizar modelos simplificados, que dispensam alguns desses componentes. É muito comum os profissionais chamarem de projeto um documento mínimo, ligeiro e superficial, onde se expõem algumas intenções, ações, observações, sem que se constitua, na verdade, um projeto, como tecnicamente foi aqui apresentado. Há, portanto, que se tomar cuidado com as simplificações. Em geral, os órgãos que financiam os projetos possuem modelos próprios. Você encontrará na janela o texto A Grande Viagem à Lua (pp. 47, 48, 49, 50 e 51). Analise-o. Leia, também, Planejar, para quê? apresentado na janela (pp. 45 e 46). Analisando e enriquecendo nossas informações Faça uma síntese do texto Estrutura técnica para elaboração do projeto. Relacione o texto A Grande Viagem à Lua à elaboração do projeto. Tecnicamente, convencionaram-se as abreviaturas apresentadas a seguir, correspondentes aos meses: JANEIRO – JAN FEVEREIRO – FEV MARÇO – MAR ABRIL – ABR MAIO – MAI JUNHO – JUN JULHO – JUL AGOSTO – AGO SETEMBRO – SET OUTUBRO – OUT NOVEMBRO – NOV DEZEMBRO – DEZ 53Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto O projeto e seu orçamento Entre nós, educadores, falar em orçamento pode parecer às vezes complicado, acostumados que estamos a discutir, refletir sobre questões menos concretas, porém complexas, como Avaliação, Currículo, Metodologia, Técnicas Didáticas etc. E é exatamente esse desafio que se propõe ser trabalhado neste tópico. Você vai ver que trabalhar com números, somando, multiplicando e dividindo não é tão árido quanto parece. O orçamento é parte substantiva do projeto, integrado às metas/ações estabelecidas, caracterizadas não mais por rotineira dotação de recursos, mas sim por uma distribuição de recursos com base em necessidades e prioridades, previamente estabelecidas e distribuídas, ao longo de um tempo, via de regra, por um ano. O orçamento de um projeto não pode ser considerado apenas como sinônimo de previsão, estimativa, limitação de despesas, custos etc., é acima de tudo uma forma de planejar, controlar e avaliar resultados obtidos. Só assim, a execução do orçamento deixa de ser algo aleatório e sujeito a pressões políticas, para tornar-se um instrumento racional, objetivando a melhoria da gestão educacional. É importante lembrar que a técnica de elaboração de orçamento não se esgota com a elaboração de estimativas orçamentárias em cada meta. Como já foi dito, estende-se mais além, como todo o projeto, para as fases de execução, avaliação e controle, procurando correlacionar sempre as realizações físicas com os valores nelas despendidos. Nesse contexto, o orçamento no projeto indica o custo das metas/ações que envolvem recursos financeiros para a sua execução, em termos de despesas, tais como: Material de Consumo, Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física e Pessoa Jurídica, Encargos, Obras e Instalações, Material Permanente, Equipamentos e outros. Esses custos são denominados custos diretos, ou seja, despesas efetivamente realizadas para a implantação e manutenção das ações propostas por um projeto; são de fácil constatação e quantificação. O que você pensa disto? Em que consiste o orçamento de um Projeto? Quais as características essenciais ao orçamento do Projeto? Características essenciais ao orçamento RACIONALIDADE – a tomada de decisão referente à alocação dos recursos financeiros consiste de uma série de passos lógicos e ordenados. Primeiramente se faz uma análise de todas as ações, listando-as por ordem de prioridade face aos recursos financeiros disponíveis ou a serem solicitados. Para isso, é preciso ter bom senso e coerência. Exemplificando: Uma escola de ensino fundamental comprar computadores quando a mesma não dispõe de laboratório de Ciências, de acervo bibliográfico mínimo, de papel, mapas, atlas e material básico necessário ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos não nos parece estar utilizando racionalmente o recurso público. Isto não quer dizer que a escola não possa adquirir materiais mais sofisticados. Ela pode e deve, desde que tenha suprido as necessidades básicas para o trabalho docente. Por exemplo: Se essa escola se dispuser a comprar, no mínimo, 5 computadores para uma sala de aula, no valor de R$ 2.500,00 cada, isso totaliza o montante de R$ 12.500,00, quantia suficiente para equipar um laboratório de 54Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Lembre-se de que o orçamento é a identificação de custos por meta/ação com vistas a alcançar os objetivos determinados no projeto. Concluída a etapa de definição de metas/ações a serem executadas, inicia-se a etapa de elaboração do orçamento, ou seja, o cálculo do custo financeiro, de acordo com as necessidades e prioridades estabelecidas. Veja como essas conceituações podem ser melhor entendidas, no esquema apresentado a seguir. O que é o orçamento no projeto? DEFINIÇÃO DA APLICAÇÃO DE RECURSOS PARA ATINGIMENTO DOS OBJETIVOS 1. Determinados 1. Financeiros 2. Cronograma 1. Planejamento 2. Controle 1. Identificação das metas/ações prioritárias que necessitam de recursos 2. Estimativa de custo 1. Avaliação dos resultados A partir desse entendimento, é fundamental que você disponha de informações relativas à disponibilidade de recursos financeiros para a elaboração orçamentária e execução do seu projeto: – O recurso financeiro necessário já existe na Secretaria da Educação ou Escola? Ou seja, já está alocado (garantido) por meio de repassedo MEC ou outro órgão financiador? ou – O recurso financeiro não existe e portanto deverá ser solicitado à Secretaria da Educação, ao MEC ou Instituições financiadoras? Continua ... Ciências, adquirir mapas, globos, papéis, livros e outros que poderão atender a um número maior de alunos. Se você fosse responsável pela aplicação desse recurso, que decisão tomaria? O que seria prioritário para você? Com que referencial você decidiria? Reflita sobre isso. EFETIVIDADE – a alocação dos recursos financeiros, além de obedecer ao critério da racionalidade, deve buscar ainda a efetividade, isto é, que o recurso gasto reverta em melhoria qualitativa nos serviços prestados. É a preocupação da qualidade obtida pela aplicação do recurso. Não adianta estabelecer bem as prioridades, investir o recurso de forma otimizada, se o objeto na qual está se investindo não reverte em “qualidade” ou “melhoria” da situação que se deseja mudar. O uso do recurso financeiro deve estar voltado para a eficiência e eficácia da ação pretendida, ou seja, para obter a maximização dos recursos disponíveis. Por exemplo, embora se verifique que o orçamento do MEC, previsto pelo FNDE, tenha sido 95% aplicado, não implica que tenham sido alcançados índices equivalentes em número de alunos atendidos ou melhoria qualitativa no padrão do ensino ministrado. Isso remete à seguinte indagação: a implantação do 55Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto A primeira situação é mais promissora do que a segunda, pois você vai elaborar o seu projeto com base no recurso existente, isto é, você deverá elaborar o seu projeto conforme dados fornecidos pelo órgão financiador. Veja o exemplo a seguir: Você é informado pela direção da sua escola de que dispõe de uma verba de R$ 35.000,00, para execução de um projeto na área de tecnologia educacional, sendo que o recurso já está distribuído da seguinte forma: Material Permanente Material de Consumo Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física 20.000,00 8.000,00 3.000,00 4.000,00 TOTAL 35.000,00 Considerando os recursos disponíveis ou verba existente e a sua respectiva classificação (material de consumo, permanente etc), que tem que ser rigorosamente obedecida, você passa para a elaboração do projeto, com a certeza de que a sua execução estará garantida. Com relação à outra alternativa, isto é, quando o recurso não existe, ou seja, ainda não foi alocado ou solicitado, você terá que apresentar seu projeto junto aos órgãos financiadores ou parcerias financeiras para a obtenção do montante. Em geral, nesse caso, você terá liberdade para definir os valores a serem solicitados e o tipo de recurso que lhe interessa. É recomendável que você tenha cautela e os “pés no chão”, pois o fato de não dispor de recursos não significa que, de repente, você possa solicitar ao MEC, por exemplo, quantias exorbitantes e utópicas. Nessa situação, é preciso muito senso de realidade para que o projeto não tenha seus recursos drasticamente reduzidos no momento de avaliação pelo órgão financiador. Finalmente, após tomar conhecimento da existência ou não do recurso financeiro necessário, é fundamental que você conheça a técnica de elaboração do orçamento do projeto. Essa técnica pode variar de um Continua ... projeto fez diferença na escola? Os índices de evasão e repetência diminuíram? A capacitação dos professores repercutiu na aprendizagem dos alunos? A melhoria do acervo da biblioteca possibilitou melhor aprendizagem dos alunos? Você deve estar percebendo que a rac ional idade está assoc iada ao direcionamento dos recursos, por meio do estabelecimento de prioridade, e a efetividade está preocupada com a qualidade, com os benefícios que o uso do recurso vai propiciar. As duas dimensões são fundamentais no momento de você decidir o uso do recurso. CONTINUIDADE – refere-se ao continuum nas linhas de ação relativas aos projetos em desenvolvimento e/ou já desenvolvidos, para que não haja desperdício do dinheiro público. A quebra na continuidade de desenvolvimento dos projetos é considerada um dos problemas cruciais na gestão educacional. A descontinuidade se apresenta bem evidente no Brasil e se relaciona ao fato de que cada novo gestor desconsidera os projetos e as experiências desenvolvidos em anos anteriores e, assim, decide que tudo deve começar de novo. Infelizmente, estamos contaminados por desperdícios dessa natureza, com muitos exemplos espalhados pelo país. 56Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto planejador para outro, dependendo, às vezes, de sua área de especialização, contudo entre educadores, adota-se uma técnica simples e objetiva. Ainda com respeito à técnica de elaboração do orçamento, não se exige raciocínio sofisticado para a obtenção dos dados, basta apenas bom senso, organização, seriedade e interesse na tarefa a ser cumprida, além, é claro, da adoção de conceitos e normas próprias para a elaboração do orçamento. Como já vimos, todo projeto a ser implantado tem um custo. Ou é um custo direto, explícito, indispensável para a sua execução ou um custo, implícito, denominado indireto. Supondo que você execute um projeto com seus alunos para o qual não necessite o acréscimo de nenhum recurso financeiro, pois vai envolver infraestrutura disponível etc., mesmo dispensando a solicitação de recursos financeiros, ele tem um custo indireto que dispensa ser registrado no seu projeto. Por exemplo: o salário do professor, caso ele deixe de atuar com a regência de classe; a energia consumida pelo uso de aparelhos; o uso de material de expediente (papéis, cópias de xerox etc). Tendo em vista a necessidade de explorar um pouco mais as ideias apresentadas, lembramos a você que a elaboração do orçamento de um projeto deve se pautar em alguns aspectos, tais como, racionalidade, efetividade e continuidade. Leia o texto sobre eles que se encontra na janela. Em síntese, o que se pretende mostrar é que o uso do recurso público é uma questão ÉTICA e exige extrema RESPONSABILIDADE. Para tanto é preciso adotar procedimentos orçamentários que assegurem a utilização de critérios racionais na alocação dos recursos financeiros, dando condições para que, em todos os níveis, os objetivos educacionais possam ser alcançados com a maior eficiência e eficácia. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça uma síntese dos textos O projeto e seu orçamento e Características essenciais ao orçamento (janela). Continua ... Pode até ser que um gestor se decida pela não continuidade de um projeto, contudo as aquisições ou ações realizadas para tal, que implicaram uso do dinheiro público, devem ser reaproveitadas, adaptadas para que o material não se perca, fique inutilizado ou abandonado em algum depósito da escola ou da Secretaria. Assim, a continuidade de projetos por períodos mais longos é uma necessidade incontestável, uma questão ética. 57Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto O custo do projeto: classificação dos recursos financeiros por elemento de despesa Conceituação de despesas e sua classificação As principais categorias econômicas de despesa utilizadas na elaboração do orçamento do projeto são as Correntes e de Capital, ou Custeio e Investimento, denominação amplamente utilizada pelos órgãos oficiais. Por Despesas Correntes ou Custeio, entende-se: “Todas as despesas que não contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. referem-se a gastos com material de consumo, serviços de terceiros – pessoa física e jurídica, pessoal, despesas com passagens e diárias etc.” Por Despesas de Capital ou Investimento, entende-se: “Todas as despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. referem-se a gastos com material permanente, equipamentos, obras e instalações, bem como aquisição de imóveis.” São materiais ou bensque passam a integralizar o patrimônio da Instituição. Assim, o custo total do projeto vai ser resultante da soma do custo relativo às despesas correntes e despesas de capital, a saber: Custo total do Projeto = Despesas Correntes (Custeio) + Despesas de Capital (Investimento) CP = DCo + DCa O que você pensa disto? Quais os tipos de despesas realizados em um Projeto? O que cada um deles contempla? Capítulo II DAS FINANÇAS PÚBLICAS Seção I Normas Gerais Art. 163. Lei complementar disporá sobre: I – finanças públicas; II – dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controladas pelo Poder Público; III – concessão de garantias pelas entidades públicas; IV – emissão e resgate de títulos da dívida pública; V – f iscal ização das instituições financeiras; VI – operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII – compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional. Art. 164. A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo Banco Central. § 1o É vedado ao Banco Central conceder, direta ou indiretamente, 58Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Você pode elaborar um projeto com várias metas e ações, sendo que apenas algumas delas vão envolver a discriminação de recursos financeiros. Analise o modelo apresentado abaixo: 01. Implantar, em 05 escolas, alternativas pedagógicas centradas em teleducação. Despesa de Capital Material Permanente Despesa de Capital Material Permanente Despesa Corrente Material de Consumo Despesa Corrente* OST – Pessoa Física ou Jurídica ou Consultoria e Consumo – Seleção das escolas envolvidas no projeto, tendo como referenciais o rendimento escolar e a carência de professores. – Realização de reuniões com diretores das escolas selecionadas para discussão do projeto. – Definição das atribuições dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto. – Definição da sistemática operacional do projeto, objetivando: • provimento de carências de professores; • reforço ao processo ensino- aprendizagem; • preparação para o vestibular. – Elaboração de ficha de acompanhamento das atividades diárias da Telessala. – Aquisição de equipamentos, tais como TV e vídeo, para montagem da Telessala. – Aquisição de fitas cassete para operacionalização das disciplinas. – Aquisição de material didático, módulos de ensino, por componente curricular. – Realização de capacitação para os professores atuantes na Telessala. Meta Ação Categoria da Despesa * A despesa com capacitação, geralmente, é caracterizada como Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física ou Jurídica – – –– – – empréstimo ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. § 2o O Banco Central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. § 3o As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no Banco Central; as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei. Seção II Dos Orçamentos Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I – o plano plurianual; II – as diretrizes orçamentárias; III – os orçamentos anuais. § 1o A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Continua ... 59Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Observe que para esta meta do projeto nem todas as ações necessitam da alocação/garantia de recursos financeiros, ou seja, elas não necessitam da discriminação de recursos financeiros para serem executadas. Veja que as cinco primeiras ações descritas independem de custo para serem realizadas. Já, as quatro últimas ações necessitam, para sua execução, da alocação de recursos financeiros por parte da escola ou Secretaria da Educação. Esses são os custos diretos do projeto. Lembre-se: Caso um projeto não possua nenhuma meta/ação que exija a alocação de recursos, mesmo assim ele tem um custo denominado indireto, que se refere às condições existentes inerentes à sua execução, tais como: disponibilidade de infraestrutura física e administrativa, de funcionários, professores etc. Assim, o custo desse projeto para a meta 01 será a soma de: Despesas Correntes: • aquisição de material instrucional para o aluno. • pagamento de instrutor para a capacitação de professores. • aquisição de material de expediente para apoio logístico ao treinamento. Despesas de Capital: • aquisição de televisores e videocassetes. • aquisição de fitas cassete, por disciplina. Supondo-se que a meta 02 não implique a necessidade de alocação de recursos financeiros, o custo total do projeto corresponde ao valor resultante da meta 01. Portanto, é necessário especificar para cada meta/ação, quando for o caso, o valor da Despesa Corrente e de Capital, em reais, a ser custeada com recursos do órgão – Secretaria de Educação ou escola, ou da entidade financiadora como, por exemplo, o Ministério da Educação, o Ministério da Cultura, o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Fundação Banco do Brasil – FBB, a Fundação de Apoio à Pesquisa – FAP e muito outros, em níveis federais e estaduais. Continua ... § 2o A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. § 3o O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária. § 4o Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional. § 5o A l e i o r çamentá r i a anua l compreenderá: I – o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II – o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III – o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou 60Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Os custos do projeto devem ser calculados com os preços vigentes à época da sua elaboração. Caso haja instabilidade nos custos, ou seja, inflação, os recursos financeiros poderão, a critério do órgão financiador, ser atualizados à época da liberação, com base em índice adotado pelo Governo Federal. Para que você possa entender melhor o que vem a ser Despesas Correntes e Despesas de Capital, detalhamos um pouco mais cada um de seus componentes, ou seja, os Elementos de Despesa, mais comumente utilizados em projetos educacionais. Observe, ainda que, esses termos utilizados na parte orçamentária do projeto são convencionados por lei específica – Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Manual Técnico de Orçamento (MTO), portanto devem ser respeitados pelos planejadores, resguardando a unidade orçamentária dos projetos em qualquer área ou natureza. Assim, a discriminaçãoda despesa far-se-á, no mínimo, por elementos de despesa, entendendo-se por isso, o desdobramento da despesa com pessoal, material, serviços, obras e outros meios de que se serve a administração pública para consecução dos seus fins. Nesse sentido, apresentamos no quadro, a seguir, as Categorias de Despesa e os respectivos Elementos de Despesa, bem como os seus códigos, que são imprescindíveis para a elaboração orçamentária do seu projeto. Categoria de Despesa Elemento de Despesa Código do Elemento de Despesa Despesas Correntes •Material de Consumo •Material de Distribuição Gratuita •Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física •Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica •Passagens e Locomoção •Diárias – Pessoa Civil •Serviços de Consultoria (Outros) 33.90.30 33.90.32 33.90.36 33.90.39 33.90.33 33.90.14 33.90.35 Despesas de Capital •Equipamentos e Material Permanente •Obras e Instalações •Aquisição de Imóveis (Outros) 44.90.52 44.90.51 44.90.61 indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. § 6o O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. § 7o Os orçamentos previstos no § 5o, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional. § 8o A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contração de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. § 9o Cabe à lei complementar: I – dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; II – estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos. Continua ... 61Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Como já dissemos, apresentamos apenas alguns elementos de despesa mais pertinentes aos projetos desenvolvidos nas áreas sociais. A listagem de elementos é muito mais ampla. Caso você tenha interesse em conhecê-la por completo, consulte o Manual Técnico de Orçamento, elaborado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Para ajudá-lo na identificação do tipo do elemento de despesa que o seu projeto vai envolver, especificamos cada um deles conforme o quadro anterior, a saber: Despesas Correntes ou Custeio/Elementos de Despesa Material de Consumo – Código 33.90.30 Despesas com material de ensino-aprendizagem, gêneros alimentícios, material de higiene e limpeza, material de expediente, material de informática, combustíveis e lubrificantes, e outros materiais de uso não duradouro. Exemplos: Reagente, vidraria, pipeta, proveta, bureta, lâmina virgem, tubo, algodão, gaze, fio, pilha, tinta, pincel, tecido, fita, lápis, caneta, disquete, formulário-contínuo, pasta, etiqueta, fita-adesiva, fita para impressora, fita cassete, cola, pincel atômico, cartolina, envelope, clipes, durex, bola, corda e outros congêneres. Atenção: A característica mais simples pela qual se identifica um objeto como material de consumo é o fato de, como o próprio termo “consumo” define, ser alguma coisa consumível, que acabe, que não se consegue preservar, pois se desgasta com o tempo de uso. Por exemplo: pincéis, papéis diversos, cola, lápis coloridos, fita adesiva etc. Por outro lado, enciclopédias, coleções técnicas, que são consultadas esporadicamente, e por isso preservadas, são considerados materiais permanentes e não de consumo. Outro exemplo semelhante é o caso de fitas de videocassete ou de gravador; quando virgens são consideradas de consumo, quando adquiridas já gravadas, como uma coleção de vídeos, são consideradas permanentes. Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plur ianual, às diretr izes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § 1o Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados: I – examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República; II – examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58. § 2o As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas, na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional. § 3o As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: I – sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; II – indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de Continua ... 62Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Material de Distribuição Gratuita – 33.90.32 Despesas com materiais de consumo e permanente, distribuídos gratuitamente aos alunos, professores e outros. Exemplos: Livros didáticos, livros paradidáticos, troféus, medalhas, dentre outros. Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física – 33.90.36 Despesas decorrentes de serviços prestados por pessoa física, pagos diretamente ao profissional e não à instituição de vínculo empregatício, quando for o caso. Exemplos: • Contratação de 5 instrutores para atuarem em cursos de atualização e aperfeiçoamento para professores do ensino fundamental e médio. • Contratação de 3 palestrantes para proferirem palestras em Seminário sobre Alfabetização. • Contratação de instrutores para atuarem em cursos de curta duração para a comunidade, tais como: Padeiro, Cabeleireiro, Relações Humanas, Serigrafia etc. • Contratação de Pedreiro para executar reparos no muro da escola. Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica – Código 33.90.39 Despesas com prestação de serviços por pessoas jurídicas (empresas ou instituições) para órgãos públicos, tais como: assinatura de jornais e periódicos, energia elétrica e gás, serviços de comunicações (telefone, correios etc.), locação de equipamentos e materiais permanentes, serviços de limpeza (taxa de água, esgoto, lixo), vale-transporte, vale-refeição, auxílio-creche e outras congêneres. anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitu-- -cionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou III – sejam relacionadas: a) com a correção de erros ou omissões; ou b) com os dispositivos do texto do projeto de lei. § 4o As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual. § 5o O Presidente da República poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor modificação nos projetos a que se refere este artigo enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja alteração é proposta. § 6o Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo Presidente da República ao Congresso Nacional, nos termos da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9o. § 7o A p l i c a m - s e a o s p r o j e t o s mencionados neste artigo, no que não contrariar o disposto nesta seção, as demais normas relativas ao processo legislativo. Continua ... 63Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboraçãodo Projeto Exemplos: • Assinatura de contrato com firmas e/ou instituições para a manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos em geral, tais como: computadores, fogões, geladeiras, instrumentos musicais, retroprojetor, videocassete, televisão e outros. • Contratação do CETEB para oferta de Curso sobre Educação de Jovens e Adultos para professores e diretores do ensino fundamental e médio. • Contratação dos serviços especializados da Universidade de Goiás para apoiar na reformulação curricular do ensino médio. • Despesa com hospedagem e alimentação de profissionais convidados para atuação em seminário (pagamento de hotel). Atenção: Pela leitura do texto, você deve ter observado que quando se trata de solicitação de serviços prestados por uma instituição e/ou órgão, trata- se de um serviço de natureza jurídica. Por outro lado, se você contrata o serviço de um profissional desvinculado da instituição ou empresa, trata-se de atividade realizada por pessoa física. Essa é a diferença básica. Passagens e Despesas com Locomoção – Código 33.90.33 Despesas com aquisição de passagens aéreas, terrestres, fluviais ou marítimas; taxas de embarque, seguros, fretamento, locação ou uso de veículos para transporte de pessoas e suas respectivas bagagens e mudanças em objetos de serviço. Exemplos: • Contratação de Companhia de Viação Terrestre para transporte de 40 profissionais para participarem de evento em outra Unidade da Federação. • Aquisição de 1 (uma) passagem aérea São Luís – São Paulo – São Luís para participação em Seminário sobre Educação de Jovens e Adultos. • Aquisição de 1 (uma) passagem rodoviária Goiânia – Brasília – Goiânia para participação em evento sobre Educação Especial, bem como pagamento com deslocamento do hotel ao local de realização do evento, no percurso ida e volta. § 8o Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa. Art. 167. São vedados: I – o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual; II – a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais; III – a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autor izadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta; IV – a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, como determinado pelo art. 212, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8o. Continua ... 64Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Diárias – Pessoa Civil – Código 33.90.14 Cobertura de despesas relativas à alimentação e hospedagem, com servidor público que se deslocar do seu local permanente de trabalho para outro, em caráter eventual ou transitório. Exemplo: Pagamento de 06 (seis) diárias para participação de 02 professores em Seminário sobre Educação Infantil, em Curitiba. Atenção: Quando se tratar de profissional convidado de outro estado para o local da contratante a despesa será classificada como Pessoa Jurídica (Hotel). Serviços de Consultoria – Código 33.90.35 Despesas decorrentes de contratos com pessoas físicas ou jurídicas, prestadoras de serviços nas áreas de consultorias técnicas, auditorias financeiras ou jurídicas assemelhadas. Exemplo: Contratação de 1 (um) especialista e/ou consultor para prestar apoio técnico-pedagógico à reformulação da Proposta Curricular do Curso de Magistério. Atenção: É vedado aos orgãos públicos contratarem servidor público para prestarem serviços de Consultoria e OST – Pessoa Física. É importante ressaltar que, possivelmente, numa meta só, você tenha necessidade de elaborar ações relativas a material de consumo, material permanente, consultoria, passagens e, em outra meta, apenas material permanente. Essa situação vai depender da natureza do seu projeto e respectivas metas/ações. O que dificilmente ocorre é a colocação de todas essas despesas numa única meta ao final do projeto, por exemplo. Como, em geral, cada meta aborda um aspecto do projeto, para cada uma delas é necessário relacionar e conhecer que tipos de despesas são alocadas e imprescindíveis à sua execução. Em decorrência, a soma dessas despesas, meta por meta, vai resultar no total global do custo do projeto. V – a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes; VI – a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa; VII – a concessão ou utilização de créditos ilimitados; VIII – a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social para suprir necessidades ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165, § 5o. IX – a inst i tu ição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. § 1o Nenhum invest imento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. § 2o O s c r é d i t o s e s p e c i a i s e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus Continua ... 65Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Se o seu projeto visa a implantação do currículo da educação pré-escolar, certamente você terá ações como: elaboração do currículo da pré-escola; elaboração e divulgação de textos e documentos técnico-pedagógicos para a ação docente; garantia de provimento de material de ensino-aprendizagem para as escolas; definição da sistemática de avaliação; capacitação e atualização dos professores; adaptação do ambiente físico da escola etc. Para a execução dessas ações você necessitará de contratação de consultoria, de instrutor, de aquisição de materiais de consumo e permanente, bem como de serviços referentes à adaptação do prédio escolar. Concluída essa etapa de identificação das Despesas Correntes e de Capital, é só proceder ao levantamento de custos das mesmas, e transcrever para o formulário específico do projeto, o que veremos mais adiante. Voltemos, agora, ao mesmo encaminhamento, considerando as Despesas de Capital. Despesas de Capital ou Investimento/Elementos de Despesa Equipamentos e Material Permanente – Código 44.90.52. Despesas com aquisição de coleções e materiais bibliográficos, aparelhos e equipamentos para esporte, aparelhos e equipamentos para laboratórios e salas-ambiente dos diversos componentes curriculares, instrumentos musicais e artísticos, aparelhos e equipamentos gráficos, de informática, mobiliário em geral utilizado nas escolas e Secretaria de Educação, veículos diversos e outros congêneres. Exemplos: Aquisição de microcomputador, impressora, mobiliário para informática, videocassete, televisor, microscópio, balança, enciclopédia, fita de videocassete (gravada), livro técnico, software, spinlight, lupa, globo, atlas, mapa, jogo didático, panela, armário, arquivo, fogão, geladeira, freezer etc. saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subsequente. § 3o A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesasimprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62. Extraído de: Brasil. Constituição: República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. Continua ... 66Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Atenção: É interessante observar que uma das características do material permanente é a necessidade de controle do mesmo. A isso se dá o nome de tombamento do material. O setor responsável pelo mesmo deve relacioná- lo em cadastro e afixar no equipamento uma placa pequena, contendo um número e o local de aquisição ou daquele setor o que utilizará. Com relação a outros tipos de materiais, já não se utiliza este procedimento, como é o caso de livros, enciclopédias, atlas e mapas. Carimba-se o objeto, identificando o setor responsável pelo uso e faz-se um cadastro no qual são identificados como bens relacionados, o que exige apenas o relacionamento e a reposição do objeto em caso de perda, dano ou roubo. Obras e Instalações – Código 44.90.51 Despesas com início, prosseguimento e conclusão de obras, reformas, adaptação de prédios, bem como despesas referentes a projetos arquitetônicos. Exemplos: Construção, reforma e adaptação da escola, ampliação da rede física da escola, tais como: construção de um laboratório de Informática ou de Física, de auditório, de quadras e piscinas, adaptação de uma sala de audiovisual etc. Aquisição de Imóveis – Código 44.90.61 Aquisição de imóveis considerados necessários à realização de obras ou sua pronta utilização. Exemplo: Compra de terreno para construção de escola, para ampliação de uma escola existente ou de um imóvel já construído. Se você é um técnico da área pedagógica da sua escola ou Secretaria da Educação, dificilmente vai utilizar os dois últimos itens. Eles estão mais afetos à gerência administrativa da Secretaria ou à direção da escola. Vamos exercitar um pouco mais. Orçamento para 2010 O Projeto de Lei – Orçamento 2010, que estima e fixa a despesa da União para o exercício de 2010, no Cap. I, das Disposições Preliminares, art. 1o, dispõe que: Art. 1 “Esta Lei estima a receita da União para o exercício financeiro de 2010, no montante de R$ 1.860.428.516.577,00 (um trilhão, oitocentos e sessenta bilhões, quatrocentos e vinte e oito milhões, quinhentos e dezesseis mil e quinhentos e setenta e sete reais) e fixa as despesas em igual valor, nos termos do art. 165, § 5o, da Constituição e dos arts. 6o, 7o e 54 da Lei no 12.017 de 12 de agosto de 2009, Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2010 – LDO, compreendendo: I – o Orçamento Fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da Administração Federal direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II – o Orçamento da Seguridade Social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da Administração Federal direta e indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público; e 67Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Suponha que a equipe pedagógica da sua escola identifique que o rendimento escolar dos alunos de 6o a 9o ano não está bem em relação ao ensino de Ciências. Dessa forma, vocês decidem investir na adaptação de uma sala de aula para laboratório de Ciências, buscando vivenciar os conhecimentos teóricos explorados. Assim, elabore uma meta e algumas ações, que exijam suporte financeiro, discriminando o tipo de despesa necessária. Examine a proposta abaixo, verificando se o seu projeto se aproximou dessa proposição: Meta Ação Elemento de Despesa Código 1. Elevar o rendimento escolar dos alunos do ensino fundamental por meio da oferta de aulas no laboratório de Ciências. 1.1. Definição do espaço físico da escola para adaptação em laboratório. 1.2. Reforma do espaço para transformação em laboratório de Ciências. 1.3. Provimento de materiais de ensino-aprendizagem necessários à operacionalização do currículo. 1.4. Capacitação dos professores de Ciências em curso sobre desenvolvimento de atividades de laboratório. 1.5. Participação dos professores em eventos relacionados à avaliação do processo ensino-aprendizagem, em outro estado. 1.6. Elaboração de coletânea de experimentos para os 7o, 8o e 9o anos. – Obras e Instalações Material de Consumo e Material Permanente Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física (instrutor) Passagens e Locomoção Diárias Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física ou Pessoa Jurídica – 44.90.51 33.90.30 44.90.52 33.90.36 33.90.33 33.90.14 33.90.36 33.90.39 III – o Orçamento de Investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detém a maioria do capital social com direito a voto. Extraído de: <www.planejamento.gov.br>, acessado em 25.2.2011. Continua ... 68Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Veja que a redação das ações não necessita estar diretamente voltada para a despesa específica, como por exemplo: 1.3. Provimento de materiais de ensino e de aprendizagem... – está implícita nessa ação a ideia da compra de material de consumo e permanente. 1.4. Formação dos professores... – traz implícita a ideia de realização de curso. 1.5. Participação dos professores em eventos... – implica a necessidade de aquisição de passagens aéreas ou terrestres e disponibilidade de diárias para os professores poderem se deslocar para outra Unidade da Federação. Isto significa que, ao elaborar a ação, a mesma pode ser descrita de forma mais ampla, sem minúcias, pois a identificação do Elemento de Despesa indica o direcionamento da ação. Vamos supor que você elaborou este projeto e vai encaminhá-lo ao Ministério da Educação para solicitação de financiamento, tendo em vista que a Secretaria de Educação não dispõe de verba para apoiá-lo. Neste caso, a sua escola/Secretaria de Educação é considerada a proponente (órgão solicitante) e o outro órgão financiador, o MEC, é o concedente. Neste tipo de financiamento, a liberação de recursos financeiros pelo concedente é sempre acompanhada de uma estimativa de despesas pelo órgão proponente, conhecida como contrapartida. Geralmente, os órgãos financiadores estabelecem um percentual do custo total do projeto que deve ficar sob a responsabilidade do órgão solicitante (proponente). Essa taxa, ou seja, a contrapartida, tem variado de 1% a 20% do valor total do projeto, sendo que para alguns financiadores deve ser discriminada por elemento de despesa, podendo variar de acordo com as normas estabelecidas pela instituição financiadora. Caso o seu projeto seja aprovado pelo MEC, o repasse dos recursos financeiros será garantido através da celebração de Convênio firmado entre o MEC e a Secretaria de Educação, sendo que os recursos financeiros deverão ser Gestão de Projetos A maioria dos projetos das civilizações antigas era relacionada a poder, religião ou construção de grandes monumentos. O custo, cuja importância é hoje dominante, significava muito pouco para os déspotas do passado, e o tempo, agora tão valioso e estreitamente ligado ao custo do projeto, era de importância secundária. Eram raras as ocasiões em que o prazo seria sinônimo de sucesso. Na quinta dinastia, uma pirâmide no Egito, em Abusir, não foi concluída a tempo para a morte de seu patrocinador, e acabou sendo usada para abrigar os restos de outro dignitário. Esse requintado desdém pelo prazo se aplicou também à construção das grandes catedrais. A obra se estendia por centenas de anos e sucessivas gerações de pedreiros eram empregadas em sua edificação. As considerações então dominantes eram beleza, durabilidade da estrutura e qualidade da mão de obra. Com o passar dos anos, custo e prazo assumiram importância cada vez maior. Um estudo das grandes habitações da Europa conta muitas histórias tristes de proprietários ambiciosos que, não conseguindorealizar o planejamento 69Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto destinados, obrigatoriamente, de acordo com os elementos de despesa discriminados no projeto. Essa determinação é verificada no momento da prestação de contas, a ser realizada pelo órgão proponente ao término da execução do projeto. Existem muitos outros tipos de Elementos de Despesa pertencentes às categorias econômicas apresentadas, ou seja, Despesas Correntes e Despesas de Capital. Relacionamos algumas delas, a título de ilustração: Aposentadorias e Reformas, Pensões, Benefício mensal ao deficiente e ao idoso, Salário-Família, Obrigações Patronais, Prêmios e Condecorações, Publicidade e Propaganda, Locação de mão de obra, Subvenções Sociais, Aquisição de Títulos de Crédito, Indenizações e Restituições e outras. Observe que nos projetos pedagógicos elaborados no cotidiano da escola ou Secretaria de Educação é pouco provável que sejam utilizados esses últimos elementos de despesa apresentados. Leia, nas janelas, os textos Das Finanças Públicas, Orçamento para 2010 e Gestão de Projetos que tratam de questões orçamentárias públicas e privadas. Elaboração do orçamento do projeto A partir dos conceitos e orientações apresentados, estamos prontos para dar o próximo passo, ou seja, estimar e calcular o custo do projeto. O custo total ou final do projeto, como já foi dito, vai resultar da soma de todas as despesas previstas conforme os Elementos de Despesa necessários (material de consumo, material permanente, passagens, diárias, consultoria etc.) Assim, é necessário que ao elaborar suas metas/ações, você já relacione aquelas referentes aos recursos financeiros e estime o custo financeiro de cada uma delas. É uma tarefa feita, parte por parte, ação por ação, que, ao final, vai resultar no custo total do projeto. A prática tem mostrado uma espécie de roteiro para execução dessa tarefa, utilizando-se de alguns passos. Para isso você precisa verificar: • em que meta/ação existe a necessidade de garantir o recurso financeiro; financeiro, foram reduzidos à pobreza pela escalada no custo do projeto. Extraído de: KEELING, Ralph. Gestão de projetos: uma abordagem global. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 3. Continua ... 70Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto • a característica da ação para que você possa identificar o elemento de despesa necessário; • e finalmente, fazer os cálculos estimados, utilizando sempre a memória de cálculo para que você tenha registrado exatamente o que pretende executar e quanto custa. Assim, você deve estimar os custos de seu projeto, em relação a cada meta/ação, quando necessário, com base em: a. definição dos componentes dos custos, por meio da análise dos recursos necessários à execução da ação, identificando as Despesas Correntes e de Capital e respectivos Elementos de Despesas; b. elaboração da Memória de Cálculo, ou seja, registro do processo e dados necessários para se atingir o custo em cada categoria de despesa, por elemento de despesa; c. preenchimento do formulário específico do projeto, referente a custos, conforme dados levantados a partir da “memória de cálculo”. Veja, na janela, uma representação gráfica da atividade de elaboração do orçamento. Vamos exemplificá-la, a partir de algumas ações previstas em um Projeto de Melhoria do Rendimento Escolar. Ação 1.1 – Provimento dos laboratórios de Física e Química, sendo 1 de cada, no que se refere a material permanente e de consumo para apoio à atividade curricular. Representação gráfica de Elaboração do Orçamento Despesas Correntes ou Custeio Despesas de Capital ou Investimento ELABORAÇÃO DA MEMÓRIA DE CÁLCULO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO ESPECÍFICO CUSTO TOTAL DO PROJETO Levantamento de dados e informações para delineamento dos custos Organização do cadastro de dados Registro por meta/ação das Despesas Correntes e de Capital, por Elemento de Despesa Material de Consumo Material de Distribuição Gratuita Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica Serviços de Consultoria Passagens e Locomoção Diárias – Pessoa Civil Material Permanente Obras e Instalações Aquisição de Imóveis DEFINIÇÃO DOS CUSTOS 71Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Passo 1: Definição do Custo da Ação Custo da Ação = Despesas Correntes + Despesas de Capital Material de Consumo + Material Permanente Passo 2: Elaboração da Memória de Cálculo Vamos supor que essa escola seja recém-inaugurada, portanto, necessita de suprimento de 100% do material de laboratório. Assim, para a elaboração da modulação (listagem) de material ensino-aprendizagem é necessário definir quais os materiais e as quantidades que são considerados básicos ou mínimos para que o professor/aluno possa desenvolver seus experimentos. Isso nada mais é do que elaborar um quadro, juntamente com o professor da área ou especialista, contendo as seguintes informações. Exemplo: Modulação de material ensino-aprendizagem permanente – Laboratório de Física N° de Ordem Item Unidade Quantidade Custo em (R$1,00) Unitário Total 01 02 03 04 05 06 Osciloscópio Dinamômetro Paquímetro Cronômetro Plano Inclinado Micrômetro Unid. Unid. Unid. Unid. Unid. Unid. 02 02 02 04 04 01 1.000,00 500,00 240,00 300,00 580,00 1.000,00 2.000,00 1.000,00 480,00 1.200,00 2.320,00 1.000,00 Total – 8.000,00 Procedimento semelhante deverá ser adotado em relação ao material permanente de Química e aos materiais de consumo para ambos. Vamos supor que concluído o levantamento das modulações, obtivemos os seguintes valores: Laboratório Despesa Corrente – Material de Consumo Despesa de Capital – Material Permanente Total Física Química 3.200,00 9.600,00 8.000,00 24.000,00 11.200,00 33.600,00 Valor Total 12.800,00 32.000,00 44.800,00 O tapete tribal Para os nômades balúchis*, a posse familiar mais valorizada é um tapete artesanal ricamente colorido. Os balúchis levam uma vida errante, geralmente com pouco dinheiro e poucas posses. O desenho e a tecelagem de um tapete é uma atividade de grande significado familiar nesta paisagem árida e inóspita. Ele provavelmente será tecido em um grande cercado próximo a um amontoado de habitações e, de tempos em tempos, transportado por distâncias consideráveis até que a tarefa seja carinhosamente concluída. O procedimento acompanha as seguintes fases. Fase conceitual Depois de um noivado ou algum outro evento familiar importante, uma discussão dá início ao projeto. O chefe da família comanda a discussão e os mais velhos expressam suas ideias sobre o desenho, custo e fonte de finanças, antes de se tomar a decisão final do prosseguir. *Balúchis – nativos ou habitantes do Baluchistão, região da Ásia que se estende do Leste do Irã ao Oeste do Paquistão. 72Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Isto é, a sua ação vai custar: Ação 1.1 = Despesas Correntes + Despesas de Capital Ação 1.1 = R$ 12.800,00 + R$ 32.000,00 Ação 1.1 = R$ 44.800,00 Observação: Esta é uma atividade exaustivamente realizada em projetos. Os recursos que usualmente são mais liberados dizem respeito a material permanente e de consumo. Portanto, sugerimos que você tenha sempre à mão, um levantamento (modulação) de Material Ensino-Aprendizagem, considerado básico, para o desenvolvimento dos conteúdos programáticos de cada componente curricular, da educação básica. Observe que para planejar é necessário ser extremamente organizado e dispor de todos os dados possíveis. Esses cuidados e atenção vão facilitar em muito o seu trabalho. É necessário que você disponha, também, de dados relativos à condição de funcionamento de ambientes específicos. Exemplos: cozinha – geladeira em condições precárias, fogão bom, vasilhames regulares, para que sirva de referencial para a decisão do que comprar. Se um laboratório dispuser de 7 microscópios, avaliados como “bons” e se a modulação delimitarem 7 o seu quantitativo, obviamente, os recursos não devem ser destinados para a compra desse equipamento. É necessário, assim, compatibilizar a situação atual da sala-ambiente da escola com a prevista pela modulação e racionalizar o uso do recurso da forma mais eficiente e correta possível. Nesse sentido, a ação de planejar do técnico da Secretaria de Educação ou da escola deve estar embasada em dados fidedignos em relação a todas as questões pertinentes à vida escolar, especialmente no que se refere aos recursos materiais e humanos. A isso tem se denominado condições de materialidade da escola, fundamental como suporte à ação pedagógica no dia a dia da escola. Fase de planejamento Um desenhista profissional é pago para preparar uma seleção de projetos adequados para apreciação, seguindo-se uma discussão animada até chegar à escolha final do desenho e da cor. Um desenho novo e complicado pode custar até 40.000 riais (aproximadamente 500 dólares). Fase de implementação (execução) Aprovisionamento de recursos Quando se chega a um acordo quanto ao desenho e o preço é negociado, o passo seguinte é a seleção dos materiais – lã, cânhamo, algodão ou algum outro material para a urdidura e a trama, lã para as felpas do tapete e corante para produzir as ricas cores do complicado desenho. O desenhista acompanhará os aldeões ao mercado para selecionar a lã e o algodão. Os materiais são comprados sem que estejam tingidos e quando o processo de pechincha é concluído os grupos vão até o tintureiro, onde são discutidos os tons exatos. A primeira fase de confecção consiste no processo de tingimento, que leva muito tempo. Corantes vegetais ou à base de anilina são misturados e a quantidade necessária de lã é colorida em cada um dos vários tons para completar o desenho. O tingimento de lã é uma arte Continua ... 73Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Passo 3: Preenchimento do Formulário Específico antiga que exige considerável habilidade. É importante que a quantidade correta de lã seja tingida em cada cor, ou o custo se elevará e a qualidade será prejudicada, pois pode não ser possível alcançar o tom com precisão suficiente para produzir mais lã de um determinado tom e qualquer excesso em uma cor resultará em escassez em outra. Confecção O tapete é feito numa grande armação de madeira (tear) na qual a urdidura e a trama são esticadas durante o processo de amarração manual. A madeira não é abundante e as circunstâncias determinam se para o trabalho esse equipamento essencial será construído, pedido emprestado ou negociado com outra família. Outras ferramentas incluem a tika – uma pequena navalha semelhante a uma faca, um pente especial, tesouras e recipientes nos quais a lã será tingida. O trabalho de confecção de tapetes é uma arte antiga praticada por povos nômades durante milhares de anos. A aprendizagem começa na infância e cada felpa de lã é cuidadosamente inserida e amarrada a mão. Quando o tapete está terminado, ele é lavado em água corrente limpa e levado a um empreiteiro para que a penugem seja Continua ... Material Permanente Custo da ação Ordem da fo lha deste formulário em relação ao total de folhas do projeto Material de Consumo Custo da ação 74Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Observe que ao preencher este formulário do projeto, com o registro do dado final, você deverá utilizar um formulário de Dimensionamento de Recursos para cada Elemento de Despesa, ou seja, um para material de consumo e outro para permanente. Veja que o preenchimento é simples, basta: • identificar o Elemento de Despesa; • fazer uma descrição sintética da atividade a ser executada. No caso, destaca-se o laboratório, pois esse é o objetivo final da ação. Verifique que a listagem exaustiva do material não é descrita aqui, ela permanece na Memória de Cálculo, à disposição para consulta e providências pertinentes. Se houvessem outras metas no projeto com o mesmo Elemento de Despesa, ou seja, de consumo ou permanente, poderiam ser relacionadas no mesmo formulário, com a devida numeração da meta/ação. • definir a unidade, quantidade e mês em que se pretende executar a ação; • calcular o valor total da despesa. Estes dados vão para o formulário de Distribuição dos Recursos, conforme o exemplo a seguir: raspada, resultando em um acabamento uniforme. Fase de conclusão O tapete acabado é passado a ferro e deixado nos becos e ruelas da aldeia tribal para que o passar de pés possa realçar sua beleza. Depois, ele é entregue à pessoa para quem foi feito. Extraído de: KEELING, Ralph. Op. cit., p.13 e 14. Continua ... 75Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Em relação ao formulário de Distribuição de Recursos, é necessário transcrever em cada Elemento de Despesa os custos obtidos nos formulários anteriores, já somados e globalizados. Esse formulário unifica os custos citados nos anteriores de forma que se constitua no valor da ação 1.1. Nele, você identifica o custo da ação 1.1. do Projeto, no valor de R$ 44.800,00, e nos anteriores, você especifica o quanto alocar para o material de consumo e o permanente em cada meta e respectiva ação. O valor atingido deverá ser desdobrado em trimestre para efeito de repasse pelo concedente e alocação de recursos. Como neste caso, trata-se de compra, é recomendável que o recurso seja garantido no 1o trimestre do ano. Conhecendo as instâncias do projeto • Proponente é a pessoa jurídica de direito público ou privado que propõe ao Ministério ou Instituição a execução do projeto. • Concedente é o Ministério ou Instituição responsável pela descentralização ou transferência dos recursos financeiros destinados à execução do projeto. • Contrapartida pode se constituir em moeda, material, recursos humanos ou quaisquer outros, desde que possa ser mensurada economicamente, devendo, contudo, haver um percentual mínimo representado por recursos financeiros, estabelecido de modo compatível com a capacidade financeira do Estado, Distrito Federal ou do Município. A partir desses conceitos, analise os modelos, a seguir, e registre ao lado os termos proponente, concedente ou contrapartida: 1. Escola:_________________________ Ministério da Educação: ____________ 2. Escola:_________________________ Fundação Banco do Brasil: _________ 76Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Vamos imaginar agora, que este mesmo projeto tenha previsto na meta 1, a seguinte ação 1.2: Ação 1.2 – Participação de professores em congressos, cursos e outros eventos realizados em outras Unidades da Federação. Passo 1: Definição do Custo da Ação Custo da Ação = Despesas Correntes = Passagens + Diárias Passo 2: Elaboração da Memória de Cálculo Vamos supor que a escola tenha priorizado os componentes curriculares de Português, Matemática, História, Física e Química, por se tratarem de componentes com baixo rendimento escolar. Neste sentido, investirá na atualização desses professores por meio da participação em eventos. A partir daí é possível elaborar um quadro contendo os seguintes dados: Evento Área de Atuação Quantidade (Professores) Local Duração Mês Congresso Seminário Curso Português Matemática Física Química História 2 2 1 1 1 São Paulo Fortaleza Curitiba Salvador Recife 3 dias 3 dias 5 dias 5 dias 5 dias Mar Mar Abr Mai Mai Decidida a participação, passemos aos cálculos dos custos que isto implica. Para tanto, vamos elaborar um outro quadro: Área de atuação Quantitativo (Professores) Local Custo Unitário Valor Total (Em R$ 1,00) Passagem Diária Passagem Diária Português Matemática Física Química História 2 2 1 1 1 São Paulo Fortaleza Curitiba Salvador Recife 704,00 1.068,00 646,00 704,00 736,00 150,00 150,00 150,00 150,00 150,00 1.408,00 2.136,00 646,00 704,00 736,00 1.200,00 1.200,00 900,00 900,00 900,00 Valor Total – – 5.630,00 5.100,00 3. Secretariade Educação: ___________ Ministério do Trabalho e Emprego: ______________________________ 4. Valor Total do Projeto: R$ 33.000,00 _______________________________ Valor Total Dispendido pelo Concedente: R$ 30.000,00 _______________________________ Valor da contrapart ida e o seu percentual: _______________________________ Confira as suas respostas 1. Escola – proponente/MEC – concedente 2. Escola – proponente/FBB – concedente 3. SE – proponente/MTE – concedente 4. Contrapartida – R$ 3.000,00 (10%) Continua ... 77Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Observação: é necessário prever diárias que cubram o período de deslocamento até o local do evento, quando necessário. No exemplo citado, incluiu-se uma diária a mais para cada participante. Concluído o levantamento de custos com passagens aéreas, de ida e volta, bem como diárias, podemos registrar no formulário o custo total da ação. Passo 3: Preenchimento do Formulário Específico Passagens Custo da ação A Ópera de Sydney A Ópera de Sydney é conhecida no mundo inteiro, não só por sua localização bucólica e concepção rara, mas pelo custo astronômico de sua construção. Além da Ópera em si, o complexo abrange um teatro, cinema e outras instalações e é um dos exemplos mais divulgados e controvertidos da arquitetura moderna. O desenvolvimento do complexo começou quando, em 1955 e 1956, o governo de Nova Gales do Sul, realizou concorrência internacional procurando concepções originais e inovadoras para uma casa de ópera a ser construída em um terreno peninsular próximo à Ponte do Porto de Sydney. Um plano criativo apresentado por Jorn Utzon, arquiteto dinamarquês, foi escolhido, e ele mesmo ficou encarregado da coordenação do projeto. Instigado talvez pelo entusiasmo e a ambição política, o governo de Nova Gales do Sul, concordou com o início antecipado a despeito do fato de muitos problemas de planejamento técnico e construção ainda requererem solução. Em 1959, o governo 78Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Assim, o custo da Ação 1.2 é o seguinte: Despesas Correntes = R$ 5.630,00 + R$5.100,00 Total da Ação = R$ 10.730,00 Atenção: Uma outra situação que ocorre com muita frequência é o desconhecimento de eventos que possam ser relacionados. Neste caso, você estima um número de participação, como por exemplo, 5 ao ano, verifica o custo médio de uma passagem aérea, tal como Belém/Brasília, define as áreas de atuação prioritárias e estima o custo. Alguns eventos se repetem sistematicamente, por isso proceda a um cadastro dos mesmos, de forma a manter um referencial para o seu planejamento. deu início ao projeto. Uma impressionante cerimônia pública marcou a ocasião, com uma orquestra tocando ao fundo enquanto uma frota de bulldozers movia-se para iniciar a limpeza do terreno. Ao contrário da prática habitual, os engenheiros do projeto (Ove Arup & Partners) foram contratados pelo governo sem que se consultasse o arquiteto. Os motivos para essa escolha não são claros. Como a empresa de engenharia, a reputação da Ove Arup era inquestionável, mas embora muito competente, não possuía aparentemente experiência suficiente para dotar seus engenheiros de habilidade para solucionar os novos desafios de construção e ir de encontro aos métodos aprovados pelo arquiteto. Muito trabalho experimental foi necessário até que os complexos problemas de construir as estruturas em forma de concha pudessem ser resolvidos. Após prolongada deliberação e experimentação, Utzon acabou tendo a brilhante ideia de construir as gigantescas conchas por meio de um processo modular, como segmentos de uma esfera. À medida que Utzon se empenhava na perfeição de cada detalhe, etapas ficavam comprometidas, processando-se Continua ... 79Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Considerando, ainda, o mesmo projeto, vamos supor que a escola planeje um curso de atualização para professores na área de Avaliação Educacional. Veja o exemplo, a seguir: Ação 1.3 – Contratação de 01 instrutor para ministrar Curso sobre “Avaliação do Processo de Ensino e de Aprendizagem” para 40 professores, das áreas de Português, Matemática, Física, Química e História. Passo 1: Definição do custo da ação Custo da Ação = Despesas Correntes Outros Serviços de Terceiros-Pessoa Física + Material de Consumo Passo 2: Elaboração da Memória de Cálculo A oferta do curso vai envolver a contratação de um instrutor com nível de mestrado e será providenciado, ainda, material de consumo para infraestrutura do mesmo. Vamos elaborar um quadro de memória para estimar os custos em relação ao pagamento do instrutor. Curso Instrutor Formação Carga Horária Custo (em R$ 1,00 h/a Total Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 01 Mestrado 120h 70,00 8.400,00 Total – 8.400,00 O custo com o instrutor será de R$ 8.400,00, caracterizado como Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física, considerando que o contrato é feito diretamente com o profissional e não com a instituição de seu vínculo empregatício. Atenção: Você deve estabelecer uma tabela de valor hora/aula para pagamento de instrutoria ou consultoria. lentamente. O tempo passava e o atraso provocava uma enxurrada de críticas por parte de arquitetos locais e adversários políticos do partido que estava no governo. Utzon, que não estava interessado na opinião pública local entrando, às vezes, em conflito com os engenheiros, empenhava-se decididamente pela excelência em todos detalhes. Mas, em 1963, concluída grande parte das obras externas, observa-se que em certas áreas o prédio estava demorando muito para ser concluído, e ficando caro demais. Um dos muitos problemas, típico da situação, dizia respeito ao complexo tratamento de interiores, que implicava uso de lâminas de compensados muito grandes que eram produzidas por um único fabricante local. Utzon enfrentou dificuldades na aquisição dessas lâminas e afirma-se que o Departamento de Obras Públicas provocou atraso adicional por ter exigido que a compra fosse objeto de licitação, apesar da óbvia ausência de fornecedores alternativos. A visão de Utzon e grande parte do trabalho desenvolvido para o interior do prédio como elemento essencial do conceito total perderam-se quando, em 1965, um membro do Partido Liberal Nacional foi eleito com a plataforma de Continua ... 80Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Normalmente os valores variam conforme a formação do especialista. Esse dado é estabelecido e determinado em cada Estado, e é importante para facilitar a estimativa de custos e manter uniformidade e coerência. Podemos supor, como exemplo: Curso Superior – R$ 50,00 hora/aula Curso de Mestrado – R$ 70,00 hora/aula Curso de Doutorado – R$ 100,00 hora/aula Curso de Pós-Doutorado – R$ 140,00 hora/aula Esses valores podem ser estabelecidos pela Secretaria de Educação ou algum outro órgão responsável pela política de recursos humanos do Estado e norteiam os custos com instrutoria, consultoria, palestras e outros do gênero. Passemos ao cálculo da outra parte dessa ação. Para isso, construímos um quadro com os materiais necessários à execução do curso. Por exemplo: N° de Ordem Item Unidade Quantidade Custo em (R$1,00) Unitário Total 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 Pasta com elástico Lápis Caneta Borracha Papel ofício Papel Craft Pincel atômico Transparência Copo descart. p/ água Copo descart. p/ café Unid. Unid. Unid. Unid. Resma Fl. Unid. Cx. Pct. Pct 50 50 50 50 05 250 05 03 20 20 1,50 0,20 0,60 0,30 13,50 0,50 1,50 50,00 5,00 1,50 75,00 10,00 30,00 15,00 67,50 125,00 7,50 150,00 100,00 30,00 Total – 610,00 Concluído o levantamento de custo com o Material de Consumo, obtemos o custo final da ação, ou seja: Custo do curso = Custo do instrutor + custo com material de consumo = R$ 8.400,00 + R$ 610,00 = R$ 9.010,00 “consertar” a Ópera, passando a explorar a questãoquanto ao custo da construção. O Secretário de Obras Públicas contratou outro arquiteto para supervisionar o projeto que junto a Ove Arup & Partners, não conseguiu apoiar Utzon. Em 1966, Utzon demitiu-se, sete anos após o início da construção. O palco e as conchas externas estavam concluídas e o maquinário de palco, instalado. Utzon esperava concluir o projeto no prazo de dezoito meses, a um custo total de vinte e dois milhões de dólares. Um novo grupo, sob a direção do Secretário de Obras Públicas, assumiu então o controle do projeto. Foram necessários mais sete anos até a conclusão da tarefa, e o custo final estimado em cento e dois milhões de dólares (cerca de dez vezes mais que a estimativa original). Extraído de: KEELING, Ralph. Op. cit., p.182 e 183. Continua ... reflita! O que podemos aprender com esse relato? 81Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Passo 3: Preenchimento do Formulário Específico * Esta unidade de medida pode ser ainda denominada de Instrutor. * A denominação da unidade pode ser kit. Os Grandes números do FnDE Alimentação Escolar • 45,6 milhões de alunos, em média, recebem a merenda escolar nos 200 dias letivos; • R$ 3,1 bilhões são distribuídos por ano; • 24% da população brasi leira é beneficiada com os recursos do Programa; • É o maior Programa do gênero no mundo e está em todos os municípios brasileiros. Livro Didático • 170 mil escolas públicas, em média anual, benef ic iadas com l ivros didáticos; • 31,9 milhões de alunos de 1o ao 9o ano serão beneficiados em 2010. Dinheiro Direto na Escola • 138 mil escolas são atendidas anualmente; • 42 milhões de alunos são beneficiados, em média, por ano; • 75,7 mil escolas têm unidades executoras próprias. • Para 2010 foi previsto um orçamento de 1,4 bilhão. 82Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Observação: Embora, o curso seja oferecido no 2o trimestre, é recomendável prever a alocação do recurso no 1o trimestre para garantir a disponibilidade do mesmo. Considerando que essas ações estão incluídas no mesmo projeto, vejamos qual o seu custo final, a partir do quadro a seguir (Memória de Cálculo). META AÇÃO Recursos Finaneiros (em R$ 1,00) Valor Total M. Consumo M. Perman. Passagens Diárias Instrutor 01 1.1 1.2 1.3 12.800,00 – 610,00 32.000,00 – – – 5.630,00 – – 5.100,00 – – – 8.4000,00 44.800,00 10.730,00 9.010,00 Valor Total 13.410,00 32.000,00 5.630,00 5.100,00 8.400,00 64.540,00 Enfim, chegamos ao custo final de nosso projeto, a partir do custo parcial de cada uma das três ações que envolvem a utilização de recursos. Observe no quadro anterior, que você dispõe do valor total da Ação 1.1 – R$ 44.800,00, da Ação 1.2 – R$ 10.730,00 e da 1.3, no valor de R$ 9.010,00, totalizando assim o custo de R$ 64.540,00. Transferindo esses custos para o formulário final, vamos ter a representação do Custo Total do Projeto. Biblioteca da Escola • Em 2010 foram investidos maior de R$ 19 milhões; • Serão atendidos até 2011 30 milhões de alunos; • Para 2011, está previsto o incremento de R$ 60 milhões para o atendimento de 30 milhões de alunos. Saúde do Escolar • A previsão do programa para 2010 é de atender a cerca de 23 milhões de alunos; • Mais de 3 milhões de alunos receberão exames de acuidade visual; • Mais de 300 mil alunos foram examinados por oftalmologista, em municípios com população acima de 40 mil habitantes. Transporte Escolar • O orçamento para 2010 foi de R$ 644 milhões; • O FNDE vai repassar para as prefeituras até R$ 50 mil para a compra de veículo escolar; • Foi previsto para 2010, o aumento dos valores no orçamento, do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate); • Transporte gratuito e diário para milhares de alunos; • Alunos residentes na zona rural ou em lugares de difícil acesso são beneficiados. Continua ... 83Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Atenção: Este formulário com o total final de custos, dispensa a elaboração de um específico para cada Elemento de Despesa (folhas 7/13 e 10/13). Assim, o seu projeto vai conter um formulário de Dimensionamento de Recursos para cada elemento de despesa, ou seja, para Material de Consumo, Outros Serviços de Terceiros-Pessoa Física etc.; sendo que num só formulário você pode registrar várias ações diferentes, de diversas metas, desde que sejam do mesmo elemento de despesa. Esse caso ocorreu com o nosso exemplo. Observe que na ações 1.1 e 1.3, poderia ser utilizado o mesmo formulário, no que se refere a material de consumo, desde que discriminada cada ação com o respectivo valor. Fazendo Escola Programa • Fo i p rev i s to o o rçamento de R$ 544 milhões para 2006; • 1.400 municípios atendidos; • 1,5 milhão de alunos beneficiados; • Aumento de 3% no número de municípios e de 22% de alunos; • Jovens com idade acima de 15 anos e adultos são beneficiados. Programas e Projetos Educacionais • O orçamento para 2010 foi de R$ 250 milhões; • Capacitação de 380 mil professores; • Distribuição de 20 mil kits de material didático para comunidades indígenas; • Distribuição de 20 mil kits de Educação Infantil. Extraído de: FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. (Portal) MEC, gov.br. Continua ... 84Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Com relação ao formulário de Distribuição de Recursos, como já foi dito, basta preencher apenas um, contemplando os custos de todas as metas/ações. Quando os valores são mais altos ou expressivos utiliza-se a referência de custo, não em R$ 1,00, mas em R$ 1.000,00, ou R$ 1.000.000,00, se for o caso. Por exemplo, se uma ação custa R$100.000,00 pode ser expressa como R$ 100,00 (referência em R$ 1.000,00). Você encontrará nas janelas os textos O tapete tribal, Conhecendo as instâncias do projeto, A Ópera de Sydney e Os Grandes Números do FNDE, que abordam custos e orçamento em diversos projetos. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça a síntese do texto O custo do projeto: classificação dos recursos financeiros por, elemento de despesa, destacando os passos necessários à realização da memória de cálculo e preenchimento dos formulários. Para pesquisar 2 I. Elabore a memória de cálculo e registre os dados nos formulários específicos, para o Projeto a seguir. Projeto: Festival de Música Estudantil Meta 1: Valorizar o talento musical dos alunos de educação básica. Ações: • Definição da programação do Festival • Elaboração do Regimento do Festival • Inscrição dos alunos-candidatos por escola • Seleção prévia dos candidatos por região • Contratação de conjunto musical para acompanhamento dos candidatos • Constituição do júri do Festival • Impressão de cartazes e folhetos sobre a realização do Festival • Contratação de firma para confecção dos troféus aos participantes • Aquisição de passagem aérea para o primeiro colocado • Contratação de firma especializada em sonorização e iluminação de eventos II. Faça um levantamento dos Projetos da Escola que demandam recursos financeiros e verifique as fontes de financiamento/ elementos de despesa utilizados. Há necessidade de alguma reformulação? Explique. 85Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto O projeto e sua avaliação A avaliação do projeto não deve ser concebida como uma atividade isolada e autossuficiente. Ela faz parte do planejamento, gerando uma retroalimentação que permite escolher entre diversas alternativas de acordo com sua eficácia e eficiência. Também, analisa os resultados obtidos pelos projetos, criando a possibilidade de retificar as ações e reorientá-las em direção ao fim desejado. Nesse sentido, pode-se dizer que “se planejar é introduzir organização e racionalidade na ação para a consecução de determinadas metas e objetivos, a avaliação é um modo de verificaressa racionalidade, medindo o cumprimento ou perspectiva de cumprimento dos objetivos previamente estabelecidos e a capacidade para alcançá-los em direção ao fim desejado.” Cabe ao planejador identificar as mudanças mais importantes a serem efetuadas, formular ações ou atividades para corrigi-las, participando no acompanhamento, controle e avaliação dos projetos. Essas tarefas estão intimamente relacionadas e dependentes da coleta de dados, análise, interpretação e mensuração das informações obtidas. Por conseguinte, as informações sobre o avanço físico dos projetos, custos, resultados, benefícios esperados e mudanças produzidas por tais fatores são de fundamental importância. A ênfase dada à avaliação como um processo quer destacar que não se trata de um fato alheio e separado do projeto, mas que é uma dimensão do mesmo. Nas últimas décadas, uma série de novos conceitos e métodos de controle e avaliação vêm se desenvolvendo gradualmente. Esses conceitos e métodos são mais fáceis de serem entendidos e úteis para os profissionais que trabalham em projetos sociais. O que você pensa disto? Qual a importância da Avaliação no Projeto? Avaliação de Projetos Quando as pessoas detectam algum problema na vida cotidiana ou profissional, elas recolhem informações ou dados para poder tomar decisões que lhes deem condições de enfrentá-lo da melhor maneira possível. Da mesma forma, realizadas as ações que julgarem oportunas em seu momento, passam a refletir sobre os acertos e os erros que incorreram ao agir desta maneira. Neste sentido, estão avaliando ações e obtendo informações para ajustar suas atitudes futuras. Para avaliar um projeto deve-se enfatizar a objetividade, a suficiência da informação e a utilização de métodos científicos para se chegar a resultados válidos e confiáveis. A avaliação faz parte do processo de planejamento das políticas, gerando uma retroalimentação que permite escolher entre diversos projetos de acordo com sua eficácia e eficiência. Também permite analisar os resultados obtidos pelos projetos, criando a possibilidade de retificar as ações e reorientá-los em direção ao fim desejado. A avaliação é definida como um ramo da ciência que se ocupa da análise da eficiência, ou que “mede até que ponto um programa alcança certos objetivos”. 86Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Um dos conceitos mais simples de avaliação, que a própria vivência nos ensina, é que avaliar significa simplesmente determinar o valor de alguma coisa. Importância da avaliação do projeto Podem ser identificados vários motivos para que se proceda à avaliação do projeto. Esses motivos estão relacionados com: • Resultado – verificar o que foi alcançado com a execução do projeto. • Medição do progresso – segundo os objetivos do projeto. • Aperfeiçoamento do controle – para uma melhor coordenação do projeto. • Identificação dos pontos fortes e fracos – para aprimorar o projeto. • Verificação da eficácia – que impacto teve o projeto. • Custos – se os custos foram razoáveis. • Coleta de dados – para planejar e direcionar melhor as atividades do projeto. • Troca de experiências – evitar que outros cometam os mesmos erros ou incentivá-los a aplicar métodos semelhantes. • Aumento de eficácia – para aumentar o impacto do projeto. • Melhoria do planejamento – rever o projeto, tornando-o mais condizente com os objetivos. • Benefícios – resultados obtidos. Em síntese: Avaliar equivale a enxergar para onde e a que velocidade estamos indo e então prever quando devemos chegar ao destino. A avaliação tem sido feita principalmente como uma forma de “enxergar” atividades do projeto, recursos humanos, recursos materiais, informações, dados, recursos financeiros; com o objetivo de controlar o andamento e a eficácia, calcular os custos e os benefícios alcançados, mostrar onde há necessidade de mudanças e orientar um planejamento mais eficaz no futuro. Continua ... A avaliação ex-post inclui tanto a avaliação de processos (ou avaliação contínua) como a de impacto. Essa última deve ser realizada durante a execução do projeto ou depois de sua finalização (avaliação terminal). A avaliação de processos, de resultados e de impacto, que é realizada enquanto o projeto está sendo implementado, serve para reprogramar a execução do mesmo. A avaliação terminal, por sua vez, tem como propósito aprender da experiência e utilizá-la para a formulação de projetos semelhantes ou novos. A conveniência de ser feita a avaliação pode ser defendida de várias maneiras. É preciso lembrar que muitos órgãos financeiros internacionais estão cada vez mais, exigindo a avaliação dos recursos que emprestam ou doam aos projetos sociais, principalmente, para os países em desenvolvimento, onde as necessidades aumentam e os recursos escasseiam. Extraído e adaptado de: COHEN, Ernesto e FRANCO, Rolando. Avaliação de Projetos Sociais. Op. cit. 87Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Temos que atentar para a questão de que a avaliação não é a cura para todos os males de um projeto. Há que se ter em mente que ela não pode fazer tudo. Porém, geralmente a avaliação pode: • mostrar os principais êxitos ou fracassos; • mostrar onde e como são necessárias mudanças; • mostrar como aproveitar os pontos positivos; • fornecer informações e aumentar a competência no planejamento e na tomada de decisões; • permitir que todos vejam o seu trabalho dentro de um contexto mais amplo e compreender as consequências de sua atuação. Dimensões da avaliação O processo de avaliação deve ser circular. Neste sentido, a avaliação é: • um processo contínuo porque não se deve limitar a momentos formais, como ao final do projeto, do ano, do curso etc. Deve realizar-se no decorrer do desenvolvimento do projeto. Para se garantir o atendimento das metas/ ações é necessário conhecê-las e acompanhá-las, fazendo-se o controle permanente e progressivo de sua realização. Será possível obter-se bons resultados sem ter um processo contínuo de avaliação? O alcance dos objetivos do projeto (resultados), por meio da execução das metas/ações (processo) só acontece se for continuamente ajustado e corrigido. • um processo sistemático por se caracterizar numa atividade organizada, metódica e desenvolvida conforme regras preestabelecidas. Consequentemente, fica claro que não se pode nem se deve improvisar a avaliação de projetos. Tanto é assim que se deve pensar nela tão logo esteja elaborando o projeto. No seu planejamento, como já foi dito, deve- se determinar a sistemática de avaliação, selecionar as técnicas e os instrumentos de coleta de dados, além de fixar os critérios adequados e compatíveis com o quê e a quem avaliar. Características do Coordenador de Projetos A designação de um coordenador é a providência mais importante na gerência de um projeto. Sem um coordenador, não se completa o conjunto das técnicas de administração de projetos, porque é este ator que faz o papel definitivo de integração e mobilização de todos os demais recursos. É importante observar, ainda, as características que o coordenador deve apresentar: a. estar compromissado polít ica e pedagogicamente com o projeto, e transmitir esta atitude para a equipe; b. ter uma visão global do projeto e de suas alternativas; c. ser capaz de transmitir à equipe a ideia do projeto, motivando-a para a sua execução; d. ser sensível às competências e habilidades dos participantes da equipe, para poder adequá-los às atividades; e. descentralizar responsabilidades para os membros da equipe; sem contudo perder a autoridade e sem deixar de acompanhar os resultados; f. demonstrar uma visão técnica e política, procurando identificar a priori os obstáculos que surgirão no O que você pensa disto? Quais as dimensões da avaliação? 88Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto • um processo científico porque a avaliação nãopode ser improvisada. Deve ser planejada e desenvolvida com base em conhecimentos e princípios científicos já estudados e comprovados. Os estudiosos do assunto desenvolveram métodos, técnicas e procedimentos que garantam ao avaliador saber com segurança o que deve fazer, em que basear os julgamentos, que critérios adotar. Usando desses conhecimentos, os avaliadores conseguem emitir sobre o projeto executado, juízos válidos, confiáveis e fidedignos. • um processo integral, envolvendo todos os aspectos relacionados ao projeto, tanto no que se refere aos recursos humanos quanto aos materiais e financeiros. Avaliar apenas alguns aspectos do projeto, como, por exemplo, utilização dos recursos financeiros previstos, não basta, faltarão elementos para uma avaliação de forma completa. A prática avaliativa deve desenvolver-se permanentemente e de modo concomitante à execução do projeto. Leia, na janela, o texto Programas estruturados de inspeção e avaliação. Enfoques da avaliação A avaliação pode ser de natureza quantitativa e qualitativa. Toda avaliação, como você já percebeu, lida com elementos que podem ser contados e/ou medidos. Por exemplo, o número de pessoas envolvidas em um curso, o número de escolas construídas, o número de laboratórios equipados, o número de professores capacitados ou o número de reuniões realizadas. A avaliação quantitativa visa aos números, somas – quantidades. Em geral, não é difícil determinar o aspecto quantitativo da avaliação. Por exemplo, um projeto na área educacional de Melhoria de Rendimento Escolar, pode ter por meta “Elevar o rendimento escolar no Ensino Fundamental em 30%”, utilizando determinada metodologia de ensino, em determinado período. Ao final da execução do projeto, é possível saber, exatamente, o número de alunos que apresentou melhoria do rendimento escolar, em decorrência, analisar se o projeto atingiu a meta proposta. desenvolvimento do projeto e definir estratégias para corrigi-los ou evitá-los; g. promover frequentes reuniões para esclarecimentos dos objetivos do p ro je to , ava l i ação das ações desenvolvidas, tendo como referencial as metas estabelecidas e dar feedback aos envolvidos; h. estimular a participação efetiva da equipe no processo de coordenação do projeto discutindo problemas, soluções, definições, alterações etc; i. nas fases iniciais de planejamento, estimular a equipe a buscar informações sobre experiências anteriores e evitar “reinventar a roda”; j. estabelecer clara divisão do trabalho, com objetivos bem definidos para cada etapa. Estruturar e planejar o projeto em etapas bem definidas; k. apoiar a equipe, ressaltando os êxitos e discutindo os insucessos; l. definir com muita clareza os objetivos, metas, ações, atividades, cronogramas, levando em conta a capacitação técnica dos recursos envolvidos e a disponibilidade de recursos financeiros e m. ser um líder e gerenciador de conflitos. Extraído e adaptado de: MAXIMIANO, Antonio César Amaru . Op. cit., p. 467. Continua ... O que você pensa disto? Quais os enfoques da avaliação? 89Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Mas um projeto não inclui apenas fatores que podem ser contados e/ou medidos. Existem aspectos que são difíceis de mensurar, e que afetam o êxito ou o fracasso de um projeto. Esses aspectos estão relacionados com a qualidade daquilo que está sendo avaliado, ou seja, se referem à avaliação qualitativa. A avaliação qualitativa é a fase mais complexa do processo avaliativo, porém indispensável. Apesar do fato de estarmos a todo momento atribuindo qualidades a quase tudo e às pessoas que encontramos no dia a dia, como por exemplo, “que livro bom”, “que pessoa inteligente”, achamos difícil aplicar esse processo numa forma sistemática. A definição de qualidade de cada produto observável de um projeto, constitui- se num pré-requisito para o estabelecimento de um sistema de avaliação qualitativa. Na verdade, este é o ponto onde a maioria das tentativas de estabelecer à avaliação qualitativa fracassa. Muitas vezes os planejadores do projeto acham tão difícil concordar com as definições de qualidade, que, em consequência, acabam examinando apenas os produtos quantitativos, como: número de salas de aula construídas, número de reuniões técnico-pedagógicas realizadas etc. e outros resultados facilmente identificáveis. A outra dificuldade é a defensiva natural que surge em qualquer ocasião em que a avaliação é mencionada. A chave do sucesso é ter certeza de que o sistema permite uma retroalimentação rápida e significativa que possa ser utilizada para a melhoria e aperfeiçoamento do projeto. Lembramos que a avaliação não é um fim em si mesma, e tampouco se pode pensar que seja o meio para superar todas as dificuldades que surgem na execução dos projetos. Mas, sem dúvida, ela contribui para aumentar a racionalidade na tomada de decisões, identificando problemas, selecionando alternativas de solução, prevendo suas consequências e otimizando a utilização dos recursos disponíveis. Programas estruturados de inspeção e avaliação Projetos maiores e mais complexos exigem um programa estruturado que consiste em todas ou algumas das inspeções seguintes: 1. Inspeções iniciais e relatórios de implantação – inspeções preliminares importantes no estabelecimento de um projeto complexo ou remoto. 2. Inspeções periódicas – de acordo com um programa, a intervalos, digamos, de três meses. Essas inspeções, aparentadas a um exame médico de rotina, fornecem uma oportunidade para avaliar a saúde geral e o progresso do projeto, sintomas, problemas e a experiência adquirida, e avaliar as lições que foram aprendidas. Pode ocorrer discussão em torno do melhor modo de prosseguir e podem ser feitos ajustes ou melhorias para promover um progresso adicional. 3. Inspeções de progresso por “marcos” – estas inspeções são realizadas quando da consecução de objetivos acordados ou estágios do projeto. 4. Inspeções especiais – requeridas em decorrência de um pedido de revisão do projeto por parte do proprietário, 90Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Avaliação externa e avaliação interna Até recentemente, acreditava-se que só os especialistas podiam fazer avaliações. Sem dúvida, muitas avaliações precisam mesmo ser feitas por técnicos qualificados. No entanto, muitos profissionais da área de educação, saúde, trabalho e outras, vêm a bastante tempo, utilizando métodos simples e comuns de avaliação. As rotinas, em geral, já exigem de cada um de nós, sermos constantemente, um avaliador. Os projetos desenvolvidos devem ter alguém responsável pela coordenação da avaliação. Embora muitos participem do processo de avaliação do projeto, há que se designar um responsável, para efeito de sistematização da atividade. A avaliação de um projeto pode ocorrer de duas formas, ou seja, avaliação interna e externa. A avaliação externa é a realizada por profissionais alheios à organização executora do projeto. O avaliador externo é considerado capaz de fornecer uma visão nova do projeto, porque não está pessoalmente envolvido e, portanto, nada tem a perder ou a ganhar com a avaliação. Ele é pouco influenciado pela equipe que trabalha no projeto, pelo órgão financiador, por amizades. Por isso, é considerado mais imparcial e capaz de ser objetivo. A avaliação interna é realizada dentro da organização gestora do projeto. O avaliador interno é uma pessoa atuante no projeto, que o conhece muito bem. Ele sabe como o projeto funciona, conhece os objetivos, problemas, dificuldades e êxitos. Entretanto, como esse avaliador conhece o projeto, supõe-se que seja difícil para ele fazer uma avaliação imparcial. Pode ser influenciado por amizades, aversões e até pela própria ambição. Em outras palavras, talvez seja muito subjetivo, ao contrário do avaliador externo. Como os projetos educacionais têm se utilizado muito da avaliação interna, é bom quevocê fique atento para as limitações mencionadas. uma mudança no seu ritmo, escopo ou receptíveis, porque conseguiu mais do que o esperado ou encontrou problemas inesperados. 5. Inspeções de conclusão – procedimentos de validação abrangente, avaliação e inspeção adotados na fase de conclusão e, normalmente, constituindo a base de um relatório final. Eles confirmam a justificativa do projeto; fornecem detalhes de custos e resultados das atividades e necessidades de acompanhamento; resumem contas, desembolsos e liquidação de ativos; fazem agradecimentos e assim por diante. 6. Inspeções de programas e de grupos de projetos – organização de múltiplos projetos realizam ou encomendam inspeções de grupos ou projetos setoriais. Extraído de: KEELING, Ralph. Gestão de projetos: uma abordagem global. Op. cit. pp. 262-263. Continua ... 91Planejamento e Elaboração de Projeto Elaboração do Projeto Apresentamos, nas janelas, um quadro apontando algumas vantagens e desvantagens do uso do avaliador interno e externo e textos a respeito do Coordenador de Projetos e Avaliação de Projetos. Em síntese, é importante que você compreenda que a avaliação precisa observar todo o caráter ou natureza do projeto. Saber porque um projeto dá certo ou porque fracassa é mais importante do que saber apenas se ele deu certo ou fracassou.Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça uma síntese do texto O projeto e sua avaliação, complementando nossas informações, se julgar necessário. Sintetize as características do Coordenador de Projeto, apresentadas no texto da janela. AVALIAÇÃO INTERNA Conhece o projeto amplamente. Encontra dificuldade em ser objetivo. Faz parte da estrutura de poder e detém autoridade. Foi capacitado ou não em métodos de avaliação. Não tem experiência (ou apenas é um pouco mais preparado do que os outros que trabalham no projeto). Compreende o projeto. Sabe interpretar comportamentos e atitudes pessoais. Como é conhecido de todos não causa ansiedade nem rupturas. As recomendações finais não parecem ameaçadoras. AVALIAÇÃO EXTERNA Tem uma nova visão do projeto. Não tendo envolvimento pessoal, é mais fácil ser objetivo. Não faz parte da estrutura normal de poder. Especializou-se em métodos de avaliação. Possivelmente adquiriu experiência em outras avaliações. É considerado um especialista pela equipe do projeto. Sendo alguém de fora, talvez não compreenda o projeto nem as pessoas envolvidas. Pode causar ansiedade, uma vez que as pessoas que atuam no projeto não sabem o que esperar dele. 92Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto UNIDADE 3 – Modelos de Projeto A estruturação de projetos: modelos propostos A elaboração de um Projeto não é um “bicho de sete cabeças”. Afinal, fazemos projetos (implícitos ou informais) a todo o momento em nossas vidas: a realização de uma viagem, a superação de uma dificuldade, o projeto para o ano que se inicia, a aquisição de bens necessários à família, a aquisição de um carro ou a reforma da casa etc. Projeto é uma palavra que se utiliza para significar uma intenção, um propósito de ação, uma proposta para resolver um problema, alcançar algo estabelecido. O projeto de vida de cada um de nós é a articulação das intenções, prioridades e caminhos escolhidos para realização de nossa vida pessoal, familiar e profissional. A escola é o espaço de realização de um projeto educativo, uma vez que precisa organizar todas as suas metas/ações em torno da educação de seus alunos. Ou seja, em torno de promover o crescimento de todos eles em relação à compreensão do mundo e à participação/transformação da sociedade. É gradativamente que um projeto se estrutura, permeando o cotidiano da instituição, modificando sua cultura, isto é, seu jeito de ser e acontecer. É importante ressaltar que isso não ocorre espontaneamente, é preciso muito trabalho, persistência e organização. Definido o projeto que se quer desenvolver, é preciso, desde o início, juntar esforços da equipe envolvida, partindo da reflexão sobre a qualidade do trabalho que vem sendo realizado e o que se quer realizar. Assim, se inicia O que você pensa disto? Ex is te um modelo f i xo de estruturação de projetos? Explique sua resposta. Dicas para Elaboração de Projetos Escrever um projeto exige atenção, dedicação e competência. A complexidade não está na forma de escrever, mas no detalhamento das açõs que se pretende desenvolver. Na tentativa de facilitar esta atividade, apresentamos algumas dicas importantes para a elaboração de projetos: • o tamanho do projeto não traduz sua eficiência. O número de páginas não significa a qualidade do que está escrito; • o projeto deve ter relação com todo o planejamento que se desenvolve na escola; • imagine que você está contando para alguém suas ideias e as escreva no papel a partir de um roteiro; • ao escrever não se preocupe com a linguagem formal. Ponha suas ideias no papel como elas vêm à sua mente. É um momento de criação, não iniba sua imaginação; • o projeto não está sendo feito para ser engavetado ou para cumprir formalidades. Além de ser o seu roteiro de trabalho, ele será lido por outras pessoas que precisam 93Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto o trabalho com o projeto. Para o percurso de elaboração do projeto, é recomendável que se tomem alguns cuidados, tais como: • Analisar a situação do objeto do projeto e apontar as necessidades (diagnóstico/prognóstico). • Estabelecer a linha geral do projeto, definindo aquilo que se quer atingir (objetivos/metas). • Escolher e preparar as ações que permitirão atingir as metas e os objetivos desejados (ações, atividades, responsabilidade, interface, cronograma e custos). • Montar o processo de acompanhamento, controle e avaliação do projeto (instrumentos próprios). Quando você organizar e desenvolver essas etapas estará delineando/ elaborando o seu projeto. Redigir e/ou elaborar um projeto não é uma simples formalidade administrativa. É a tradução do processo e construção coletivos de sua elaboração, implicando, dessa forma, colaboração de todos os envolvidos. Deve resultar em documento simples, completo, claro, preciso, que constituirá um recurso importante para o seu acompanhamento e avaliação. Os modelos ou formatação/estruturação dos projetos dependem, às vezes, da complexidade do assunto a ser tratado ou das exigências de quem vai financiá-los, avaliá-los e aprová-los. Tradicionalmente os projetos têm obedecido a uma estruturação rígida, composta de vários itens e explorados na sua exaustão. Hoje, felizmente, os modelos de projeto adotados têm sido simplificados, são mais enxutos, restringem-se aos itens essenciais e perderam aquele toque mirabolante e extremamente técnico de décadas atrás, concebidos pelos burocratas de gabinetes. No entanto, alguns permanecem extremamente complexos, de difícil elaboração. Apresenta-se, a seguir, uma série de modelos de estruturação de projetos, para que você possa optar por aquele que atende melhor às suas necessidades e exigências, ou até, construir o seu próprio modelo, desde que resguardadas as condições mínimas requeridas. compreender a lógica proposta. Nem todos compartilham suas ideias ou conhecem a sua realidade. Tente ser objetivo naquilo que escreve, mas não deixe de dizer o necessário; • procure usar tópicos no lugar de textos explicativos muito longos; • quando for traçar os objetivos, procure iniciar sempre com um verbo que traduza sua intenção (Ex.: identificar, oportunizar, promover, capacitar); • ao usar algum modelo, não o copie. O que se encaixa para a realidade de outros pode não se adequar com a sua. Crie seu próprio estilo, faça você mesmo um modelo de roteiro para seus projetos; • planejar e elaborar projetos é como qualquer outra aprendizagem. Quanto mais você exercitar mais simples será o processo e• após concluída a elaboração do projeto, releia-o com atenção, procurando reformular eventuais falhas de linguagem escrita, tornando-o cada vez mais elaborado do ponto de vista formal. Continua ... 94Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Modelo A – Este modelo é um dos mais simples e conhecidos. É composto de 7 formulários. Pode ser apresentado numa formatação horizontal ou vertical, sendo que cada formulário deve constituir uma folha em separado. Formulário 1 – Identificação do Projeto CENTRO DE ENSINO TECNOLÓGICO DE BRASÍLIA – CETEB PROJETO (Título) Brasília, nov/20___ Formulário 2 – Justificativa do Projeto JUSTIFICATIVA Formulário 3 – Especificação dos Objetivos do Projeto OBJETIVOS • Geral • Específicos Escolha sua meta Você não pensaria em iniciar uma longa viagem de automóvel sem saber para onde vai e sem munir-se de um mapa. Mas apenas cerca de duas pessoas, em cada cem, sabem exatamente o que desejam na vida e traçam planos práticos para atingir seus objetivos. Estes são os homens e mulheres que lideram em todas as situações – os realmente bem-sucedidos, os que, literalmente obrigam a vida a lhes pagar o que julgam que merecem. A coisa mais estranha a respeito dessas pessoas é que elas não têm mais oportunidade do que outras, que não chegaram a lugar nenhum. Sabendo exatamente o que quer, e tenho fé absoluta em sua capacidade de consegui- lo, você terá sucesso. Se não tem certeza sobre o que quer na vida, comece agora, neste exato minuto, e decida, de uma vez por todas, o que realmente quer, quanto quer e quando quer tê-lo em suas mãos. Há uma fórmula exata, com quatro pontos, para realizar seus objetivos. 1. Redija uma precisa declaração do que mais quer – a única coisa ou circunstância que, depois que conseguisse, o tornaria, em sua opinião, bem-sucedido. 95Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Formulário 4 – Especificação da Meta/Ação/Responsabilidade/Interface/Cronograma do Projeto No de Meta No de Ação Responsa- Interface Cronograma Ordem Ordem bilidade Formulário 5 – Especificação dos Recursos Humanos e Materiais do Projeto RECURSOS HUMANOS RECURSOS MATERIAIS Formulário 6 – Especificação do Acompanhamento, Controle e Avaliação do Projeto ACOMPANHAMENTO, CONTROLE E AVALIAÇÃO 2. Ponha no papel um esboço bem definido do plano através do qual tenciona atingir esse objetivo e diga claramente o que pretende dar em troca. 3. Estabeleça um prazo-limite, dentro do qual pretende adquirir o objeto exato de sua finalidade. 4. Mentalize o que escreveu e repita-o muitas vezes durante o dia, como se fosse uma oração, dando graças por ter recebido o que o plano prevê. Lembre -se de que nada jama is “simplesmente acontece”. Alguém tem que fazer com que as coisas aconteçam, incluindo sucessos individuais. Para ter certeza do sucesso, aja em direção à sua meta. Pense e planeje sobre o que quer obter. Afaste a mente daquilo que não quer. Você acabou de aprender a fórmula prática seguida por todos os indivíduos bem-sucedidos na vida. Texto extraído e adaptado de HILL, Napoleão in Um Ano Para Enriquecer. Continua ... 96Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Formulário 7 – Identificação da Coordenação e Equipes de Elaboração, Execução e Avaliação do Projeto COORDENAÇÃO • Coordenador Equipe de Elaboração, Execução e Avaliação • Elaborador • Executor • Avaliador Modelo B – Compõe-se de 05 formulários, seu preenchimento é simples e é mais adequado para projetos que envolvam recursos financeiros. Formulário 1 – Dados Gerais do Projeto Estrutura básica referencial do projeto político-pedagógico da escola Como se trata de um processo e não apenas de um produto, a estrutura básica de um projeto político-pedagógico é sempre indicativa e pode variar de escola para escola. Cada um dos itens da estrutura do projeto poderá, assim, contribuir efetivamente para que as diretrizes, princípios, propostas e deliberações dos participantes da construção do projeto estejam consignados e registrados, o que irá favorecer a execução e a permanente avaliação desse processo. 1. Identificação do projeto. Nome do projeto, identificação geral da escola, período de duração do projeto, número de alunos, de professores e de funcionários. 2. Histórico e justificativa. Registrar como se deu o processo de articulação dos segmentos escolares para a realização do planejamento e como as decisões foram tomadas pelo coletivo escolar. A seguir, faz-se a apresentação propriamente dita do projeto político- pedagógico, incluindo uma análise do marco referencial relacionada ao “retrato da escola que temos” e às prioridades e ações que pretendemos implementar e implantar em nossa 97Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Formulário 2 – Especificação da Meta/Ação/Interface e Cronograma do Projeto Formulário 3 – Dimensionamento dos Recursos do Projeto escola. Deve mostrar a relevância das propostas, as prioridades e sua validade política e técnica e, ainda, descrever o alcance social que as ações do projeto proporcionarão. 3. Objetivos gerais e específicos. Os objetivos gerais devem reportar-se aos objetivos do sistema ao qual a escola está ligada. A exposição dos objetivos gerais refere-se aos propósitos da escola, de forma coerente com a justificativa, e tem como fonte os direitos sociais, as políticas nacionais, estaduais e municipais da educação e as prior idades estabelecidas com a etnografia da escola. Os objetivos específicos do projeto político-pedagógico representam o desdobramento do objetivo geral tendo em vista a construção de uma proposta essencialmente voltada para os direitos, interesses e necessidades do aluno. Nesse sentido é de extrema relevância o estabelecimento de objetivos relacionados, por exemplo, à definição do currículo escolar (a escola cidadã defende, por exemplo, o regime de ciclos, o trabalho interdisciplinar e transdisciplinar, associado à realização da avaliação dialógica do processo de ensino e aprendizagem, à avaliação institucional etc.). Mas os objetivos nascem do processo e não fora dele. Ou seja, são definidos com Continua ... 98Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Formulário 4 – Distribuição dos Recursos Financeiros do Projeto Formulário 5 – Comentários e Responsabilidade pela Elaboração/Execução do Projeto base nas diretrizes e prioridades do projeto político-pedagógico da escola, conforme pudemos acompanhar. 4. Metas. São mais concretas que os objetivos e mais imediatamente exequíveis, devendo ser quantificadas e detalhadas segundo a localização (onde e quando vai ocorrer a ação). Contudo, elas não são rígidas nem pressupõem comportamentos rigorosos. Por meio de uma ação sistemática e de avaliação permanente, contribui-se para dar mais sentido ao percurso. Quando as metas não são atingidas, deve-se verificar coletivamente quais as possíveis causas e levantar as ações anteriormente previstas que, eventualmente, ainda não foram concretizadas. As metas devem ser enumeradas em consonância com as atividades que serão desenvolvidas durante o período de execução do projeto. 5. Desenvolvimento metodológico. Para que os objetivos e as metas sejam alcançados, determinadas metodologias (estratégias) têm de ser desenvolvidas na prática. Elas emergem da realidade e dizem respeito ao quê, ao como e em que tempo será feito. Trata-se também de prever a disponibilidade de meios (físicos, materiais, humanos e financeiros). Continua ... 99Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Modelo C – Possui formatação simples e é muito utilizado. É composto por 03 formulários. Formulário 1 – Identificação do Projeto CENTRO DE ENSINO TECNOLÓGICO DE BRASÍLIA – CETEB PROJETO (Título) Ementário Brasília, jan/20___ Formulário 2 – Diagnóstico e Justificativa do Projeto Diagnóstico Justificativa Formulário3 – Especificação dos Objetivos/Meta/Ação/Interface/Cronograma e Re- cursos do Projeto Objetivos: Meta Ação Interface Cronograma Recursos Humanos Materiais Continua ... 6. Recursos. Uma unidade escolar envolve recursos humanos, materiais e financeiros. Deve-se abrir subitens para cada um desses grupos de recursos, prevendo-os de acordo com a meta a ser atingida, com o desenvolvimento metodológico adotado e com o cronograma de execução. No caso de recursos financeiros, facilita-se sua visualização se previstos em termos de receita (e respectivas fontes) e despesa, com especificação de bens e serviços a serem adquiridos e classificação das rubricas que abrigarão os dispêndios (classificação orçamentária). Lembre-se que a escola cidadã enfatiza a realização de um orçamento participativo, em que toda a comunidade escolar decide sobre os gastos e investimentos da escola, além de acompanhar e de fiscalizar a aplicação destes. 7. Cronograma. Prevê a distribuição ordenada das ações ao longo do tempo, de acordo com as possibilidades de ação e a disponibilidade de recursos, cronologicamente situadas. Será mais fácil visualizar as principais iniciativas e medidas que serão tomadas, no momento ou periodicidade adequados, se o cronograma for elaborado em um quadro, no qual, à esquerda, dispõem-se as atividades a serem realizadas e, respectivamente à direita de cada data, distribuem-se 100Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Modelo D – É semelhante ao anterior e adequado para uso em nível setorial, pois detalha inclusive as atividades desenvolvidas em cada ação. Formulário 1 – Dados Gerais do Projeto Objetivo Diagnóstico Justificativa Formulário 2 – Detalhamento da Meta/Ação/Atividade/Responsabilidade/Interface e Cronograma do Projeto Meta: Nº Ação Atividade Resp. Interface Cronograma Como os demais, este modelo também deve conter uma capa com a identificação do órgão proponente, título do Projeto, local e ano de elaboração. os períodos (dias, meses ou anos) em que elas deverão ser cumpridas. 8 Avaliação. São os momentos de verificação da concretização parcial e total dos objetivos e metas. Para tanto, é necessário prever também os instrumentos de avaliação. Em alguns casos, eles serão quantitativos, como, por exemplo, no caso de taxas e índices (matrículas, percentuais de aprovação, reprovação, evasão etc.), em outros, serão qualitativos. 9. Conclusão. O projeto político-pedagógico da escola deve ter coerência com o Regimento Escolar que rege as decisões dos segmentos escolares em relação às diferentes atribuições e competências administrativas, financeiras e pedagógicas da escola. Deve dispor sobre como a escola compreende a questão da avaliação, do currículo, da gestão dos colegiados e dela própria, da utilização das novas tecnologias na educação e sobretudo da relação entre professores e alunos e entre escola e comunidade. Extraído e adaptado de PADILHA, Paulo Roberto. Op. cit. Continua ... 101Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Modelo E – Tem estrutura vertical, dispensando formulários. É muito simples e de fácil elaboração. 1. Dados gerais do Projeto Título do Projeto: Escola: Endereço: CEP: CGC: Fone: Fax: E-mail: 2. Coordenação do Projeto: Nome do Coordenador: Cargo: Fone: Fax: E-mail: 3. Identificação do Projeto Projeto • População-alvo • Municípios envolvidos • Número e relação de escolas • Interface/Parcerias • Custo total • Equipe responsável • Data 4. Síntese da Proposta Deverá resumir, de maneira eficiente, todas as informações-chave relativas ao projeto, não devendo ultrapassar cinco ou seis parágrafos: • Resumo dos problemas/necessidades; Descrição do projeto com objetivo/metas, atividades (como/onde) e resultados previstos; • Recursos requeridos para o objetivo. O que pode dificultar a elaboração do Projeto? No processo de elaboração do Projeto, muitos fatores podem interferir de forma a comprometê-lo parcial ou totalmente. Pode-se citar, por exemplo: • comodismo por parte dos sujeitos: não quererem a desacomodação que poderá vir em decorrência da concretização das ideias ali colocadas; • imediatismo: ter pressa, não querer ‘perder tempo’ com as discussões; achar que não há necessidade de se fazer a elaboração teórica, que se deveria ir direto à ação; • perfeccionismo: querer chegar a um texto extremamente preciso e correto; • formalismo: perigo de reduzir o Projeto a uma sequência de passos, a simplesmente elaborar um documento, sem vida, sem significado, sem envolvimento com as ideias, com as propostas; • mera reprodução do novo senso comum pedagógico; • nominalismo: achar que definir uma linha de trabalho para a escola é se ‘filiar’ a alguma concepção corrente (educação libertadora, construtivismo etc.); 102Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto 5. Justificativa Descrever o contexto onde o projeto irá se inserir, as características da escola e dos alunos, suas pontencialidades e deficiências, as iniciativas já desenvolvidas, correlacionando-as, mostrando a quem vai analisar a proposta, sua compreensão da realidade local e, em consequência, a importância do projeto para o sistema educacional. Procure escrever em forma de tópicos para proporcionar clareza. 6. Objetivo Geral 7. Objetivos Específicos 8. Meta 9. Ações/Cronograma 10. Recursos • Recursos Humanos • Recursos Materiais e Financeiros. Observação: Elaborar a Planilha de custos, contemplando contrapartida do Governo Estadual ou Municipal. Este montante pode ser utilizado: – em bens economicamente mensuráveis (por exemplo: mão de obra); – no aporte direto de recursos; – em investimentos no objetivo do convênio; 11. Cronograma Físico-Financeiro 12. Avaliação Aplicação de instrumentos previstos para que o projeto possa ser acompanhado, supervisionado, de maneira que possa ser submetido a ajustes periódicos, considerando: o que avaliar; como avaliar; quando avaliar. Continua ... • falta de experiência de caminhada comum enquanto grupo; a rotatividade das pessoas na instituição; • falta de condições objetivas de espaço-tempo para encontro, reflexão, elaboração e acompanhamento e • falta de exercício democrático da equipe. Caso ocorram essas dificuldades, devem ser tematizadas, enfrentadas, tendo em vista sua superação. Extraído e adaptado de VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Op. cit, p. 180 e 181. 103Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto Você encontrará, em anexo, o modelo utilizado pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, para financiamento de Programas e Projetos Educacionais, nos seguintes níveis e modalidades: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Educação Escolar Indígena, Cultura Afro-Brasileira – áreas remanescentes de Quilombos, Correção do Fluxo Escolar – Aceleração da Aprendizagem, Programa Nacional de Transporte do Escolar entre outros. Os projetos devem ser elaborados de acordo com as orientações do Sistema Integrado do MEC – Simec. Para elaborar projetos e Planos de Ações Articuladas (PAR), conheça as diretrizes do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) a seguir. “Apresentado pelo Ministério da Educação que colocou à disposição dos estados, municípios e Distrito Federal, instrumentos eficazes de avaliação e de implementação de políticas de melhoria da qualidade da educação, sobretudo da Educação Básica pública. O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, instituído pelo Decreto no 6.094 de 24 de abril de 2007, é um programa estratégico do PDE, e inaugura um novo regime de colaboração, que busca concertar a atuação dos entes federados sem lhes ferir a autonomia, envolvendo primordialmente a decisão política, a ação técnica e o atendimento da demanda educacional, visando à melhoria dos indicadores educacionais. Trata-se de um compromisso fundadoem vinte e oito diretrizes e consubstanciado em um plano de metas concretas, efetivas, que compartilha competências políticas, técnicas e financeiras para a execução de programas de manutenção e desenvolimento da Educação Básica. A partir da adesão ao Plano de Metas do PDE, os estados, os municípios e o Distrito Federal passaram à elaboração de seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR). Para a elaboração do PAR, o Ministério da Educação criou um novo módulo no Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (Simec) – o Módulo PAR Plano de Metas –, que pode ser acessado de qualquer computador conectado a rede mundial de computadores (internet), representando uma importante evolução tecnológica, com agilidade e transparência nos processos de elaboração, análise e monitoramento das ações do PAR.” Nas páginas seguintes, conheça os formulários para elaboração do Plano de Trabalho utilizados pelas Secretárias da Educação dos Estados e Municípios. BRASIL. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação. Orientações Gerais para Elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR). Brasília – MEC, 2009. Sintetizando e enriquecendo nossas informações Faça a síntese do texto A estruturação de projetos: modelos propostos. Você teria outro modelo a sugerir? Em caso afirmativo, anexe-o ao Memorial. 104Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto 105Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto 106Planejamento e Elaboração de Projeto Modelos de Projeto 107Planejamento e Elaboração de Projeto Para (não) finalizar Para (não) finalizar Acreditar e agir Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar até o outro lado. Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de cabelos brancos, oferecendo-se para transportá-lo, quebrou o silêncio momentâneo. Era um barqueiro. O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante olhou detidamente o barco e percebeu que parecia haver letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que havia mesmo duas palavras. Num dos remos estava entalhada a palavra acreditar e, no outro, agir. Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro pegou o remo no qual estava escrito acreditar e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo em que estava escrito agir e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante. Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou por meio das águas do lago, chegando calmamente à outra margem. Então o barqueiro disse ao viajante: “Este barco pode ser chamado de autoconfiança. E a margem é a meta que desejamos atingir. Para que o barco da autoconfiança navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade: acreditar e agir. Não basta apenas acreditar, senão o barco ficará rodando em círculos. É preciso também agir para movimentá-lo na direção que nos levará a alcançar a nossa meta. Acreditar e agir. Impulsionar os remos com força e com vontade, superando as ondas e os vendavais e não esquecer que, por vezes, é preciso remar contra a maré”. E você? Está remando com firmeza para atingir a meta ou ao projeto que se propôs? 108Planejamento e Elaboração de Projeto Para (não) finalizar Se o barco da sua autoconfiança está parado no meio do caminho ou andando em círculos, é hora de tomar uma decisão e impulsioná-lo com força e com vontade. Lembre-se de que só você poderá acioná-lo, utilizando-se dos dois remos: acreditar e agir. Pense nisso! Caso você ainda não tenha uma meta traçada, projeto idealizado ou deseje refazê-los, considere alguns pontos. Verifique se os caminhos que irá percorrer são os mais apropriados. Se as águas que deseja navegar estão protegidas das interferências que poderão aparecer e como vai superá-las. E antes de movimentar o barco, verifique se os remos não estão corroídos pelo ácido da comodidade, da inflexibilidade e da falta de determinação. Depois de tomar todas essas precauções, siga em frente e boa viagem. Texto adaptado de autor desconhecido, recebido por e-mail. Para refletir Que ref lexões este texto lhe sugere? Relacione-o à atividade de planejamento, em todas as suas etapas. Para pesquisar 3 Elabore um projeto de tema de sua escolha, envolvendo a estrutura apresentada, incluindo a parte orçamentária. Escolha o modelo de formatação do projeto entre os apresentados ou utilize outro com o qual esteja mais acostumado. Não se esqueça de anexar as memórias de cálculo. 109Planejamento e Elaboração de Projeto Bibliografia consultada Referências BRASIL. Constituição: República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. _____. Ministério da Educação. Boletim Técnico do FUNDESCOLA, nº 61. Brasília, outubro/2002. _____. Ministério da Educação. Boletim Técnico do FUNDESCOLA – Ano VII, nº 63, dezembro 2002. _____. Ministério do Planejamento. Plano Plurianual de Ação 1996/1999. Brasília: 1995. _____. Plano de Desenvolvimento da Educação. Orientações Gerais para Elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR). Brasília – MEC, 2009. _____. Plano Nacional de Educação. Brasília: Senado Federal, UNESCO, 2001. COHEN, Ernesto e FRANCO, Rolando. Avaliação de Projetos Sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. FARIA, J. Carlos. Administração: introdução ao estudo. São Paulo: Pioneira. 1994 FREINET, Celestin. Pedagogia do bom-senso. Lisboa, Portugal: Martins Fontes, 2004. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL. Plano Plurianual de Ação 1996/1999. Brasília: 1995. GRACIOSO, Francisco. Planejamento estratégico orientado para o mercado. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996. HILL, Napoleão. Um ano para esquecer. s/d. Jornal Correio Braziliense, Primeiro Caderno, Brasília, s/d. KEELING, Ralph. Gestão de projetos: uma abordagem global. São Paulo: Saraiva, 2002. 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