Prévia do material em texto
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO ÍNDICE Noções de administração. Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração. Evolução da administração pública no Brasil após 1930; reformas administrativas; a nova gestão pública. Processo administrativo. Funções da administração: pla- nejamento, organização, direção e controle. Estrutura organizacional. Cultura organizacional. ...........................................................01 Gestão de pessoas. Equilíbrio organizacional. Objetivos, desafios e características da gestão de pessoas. Comportamento orga- nizacional: relações indivíduo/organização, motivação, liderança, desempenho. ......................................................................................20 Gestão da qualidade e modelo de excelência gerencial. Principais teóricos e suas contribuições para a gestão da qualidade. Ciclo PDCA. Ferramentas de gestão da qualidade. Modelo do gespublica. ..................................................................................................75 Noções de gestão de processos: técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos. .............................................................83 Legislação administrativa. Administração direta, indireta, e funcional. ...........................................................................................................87 Atos administrativos. Requisição. Regime jurídico dos servidores públicos federais: admissão, demissão, concurso público, es- tágio probatório, vencimento básico, licença, aposentadoria. ............................................................................................................................97 Noções de administração de recursos materiais. .................................................................................................................................................. 104 Noções de arquivologia. Arquivística: princípios e conceitos.Legislação arquivística. Gestão de documentos. Protocolos: recebi- mento, registro, distribuição, tramitação e expedição de documentos. Classificação de documentos de arquivo.Arquivamento e ordenação de documentos de arquivo. Tabela de temporalidade de documentos de arquivo. Acondicionamento e armazena- mento de documentos de arquivo. Preservação e conservação de documentos de arquivo. ............................................................ 106 Noções de licitação pública: fases, modalidades, dispensa e inexigibilidade. ........................................................................................... 125 Ética no serviço público: comportamento profissional, atitudes no serviço, organização do trabalho, prioridade em servi- ço. ...............................................................................................................................................................................................................................158 1 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO. ABORDAGENS CLÁSSICA, BUROCRÁTICA E SISTÊMICA DA ADMINISTRAÇÃO. EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL APÓS 1930; RE- FORMAS ADMINISTRATIVAS; A NOVA GESTÃO PÚBLICA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO: PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO, DIREÇÃO E CONTRO- LE. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL. CULTURA ORGANIZACIONAL. Como bem definiu Houaiss, a Administração é o “conjunto de normas e funções cujo objetivo é disciplinar os elemen- tos de produção e submeter a produtividade a um controle de qualidade, para a obtenção de um resultado eficaz, bem como uma satisfação financeira”. O papel profissional do administrador surgiu na gestão das companhias de navegação inglesa a partir do século XVII, e envolve ações elaborar planos, pareceres, relatórios, desenvolvimento de projetos, fazer uso de indicadores, medir resultados e desempenhos, sempre com a aplicação dos conhecimentos e técnicas que norteia a Administração. Segundo Jonh W. Riegel, “O êxito do desenvolvimento de executivos em uma empresa é resultado, em grande parte, da atuação e da capacida- de dos seus gerentes no seu papel de educadores. Cada superior assume este papel quando ele procura orientar e facilitar os esforços dos seus subordinados para se desenvolverem” Administração – Objetivos, decisões e recursos são as palavras-chaves na definição do conceito de administra- ção. Administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de recursos. Segundo CHIAVENATO, as variáveis que representa o desenvolvimento da TGA são: tarefas, estrutura, pessoas, ambiente, tecnologia e competitividade. Na ocorrência de novas situações as teorias administrativas se adaptam a fim de continuarem aplicáveis. Dentre tantas definições já apresentadas sobre o conceito de administração, podemos destacar que: “Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais.” Reinaldo Oliveira da SILVA – 2001) Como percebe-se, a Administração extrapola a ideia limitada de “gerir uma empresa”. A administração representa uma habilidade capaz de, através da utilização adequada e inteligente dos diversos recursos existentes na organização, alcançar os objetivos definidos via planejamento, organização, direção e controle. user Realce user Realce user Realce 2 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO “O ato de administrar é trabalhar com e por intermédio de outras pessoas na busca de realizar objetivos da organiza- ção bem como de seus membros.” Montana e Charnov A Administração compreende um conjunto de ca- racterísticas que envolvem atividades interligadas, busca por resultados, uso de recursos disponíveis, processos administrativos e, para isso necessário se faz o uso de mais de uma habilidade, conforme vemos abaixo: • Habilidades Técnicas: aquelas que fazem uso de conhecimento especializado e procedimentos es- pecíficos e pode ser obtida através de instrução. • Habilidades Humanas: trata-se de aspectos pes- soais observados no CHA, envolvem também apti- dão, pois interage com as pessoas e suas atitudes, exige compreensão para liderar com eficiência. • Habilidades Conceituais: englobam um conheci- mento geral das organizações, o gestor precisa conhecer cada setor, como ele trabalha e para que ele existe. 1.ABORDAGENS DA ADMINISTRAÇÃO - 1.1. Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração. O pensamento administrativo caracteriza um ponto de vista em relação à organização e sua gestão. Quando temos vários pontos de vista sobre isso te- mos então o conceito de Teorias Administrativas, que são agrupadas por correntes ou escolas, sendo que es- sas, conforme definição de Maximiano (2006), trata-se da mesma linha de pensamento ou conjunto de autores que utilizam o mesmo enfoque. PORTANTO: Diferentes pensamentos administrativos = teorias ad- ministrativas = mesma linha de pensamento ou conjunto de autores com mesmo enfoque. 1.2. As teorias administrativas As principais teorias ou abordagens sobre adminis- tração estão classificadas de acordo com as variáveis pri- vilegiadas, sendo essas, na ordem, “ênfase em tarefas”, “ênfase em estruturas”, “ênfase nas pessoas”, “ênfase no ambiente”, “ênfase na tecnologia”, sendo que, cada uma delas tem seu pano de fundo com seus contextos histó- ricos, enfatizando os problemas frequentes e destacáveis à época de sua fundamentação, além de, ao focar um aspecto, omitia ou relegava os demais a um plano se- cundário. Dentre as razões que contribuíram para o surgimento das teorias da administração podemos destacar: Consolidação do capitalismo (lógica de mercado) e de novos modos de produção e organização de trabalho, que levou ao processo de modernização da sociedade (substituição da autoridade tradicional pela autoridade racional-legal); Crescimento acelerado da produção e força de tra- balho desqualificada; Ausência de sistematização de conhecimentos em gestão. Vejamosalguns aspectos de cada uma delas, inician- do pela TEORIA CLÁSSICA, considerada a base de todas as teorias posteriores. A primeira Escola foi a Clássica, responsável pela ên- fase nas tarefas por Frederick Taylor e Henry Ford e fonte de embasamento de todas as outras teorias posteriores. As mudanças ocorridas no início do Séc. XX, em de- corrência da Revolução Industrial, exigiram métodos que aumentassem a produtividade fabril e economizassem mão-de-obra evitando desperdícios, ou seja, “a impro- visação deve ceder lugar ao planejamento e o empiris- mo à ciência: a Ciência da Administração.” (CHIAVENATO, 2004, p. 43). A abordagem clássica da administração se divide em: Administração Científica – defendida por Frederick Taylor Teoria Clássica – defendida por Henry Fayol Os dois autores acima citados partiram de pontos dis- tintos com a preocupação de aumentar a eficiência na empresa. Taylor se preocupava basicamente com a execução das tarefas enquanto Fayol se preocupava com a estrutu- ra da organização. Frederick Taylor buscou o aumento produtivo to- mando como base a eficiência dos trabalhadores. Atra- vés da observação do comportamento dos trabalhadores e dos modos de produção, identificou falhas no processo produtivo responsáveis pela baixa produtividade, des- pertando-o para a necessidade de criação de um méto- do racional padrão de produção. À esse modelo deu-se o nome de Administração Cientifica, “devido à tentati- va de aplicação dos métodos da ciência aos trabalhos operacionais a fim de aumentar a eficiência industrial. Os principais métodos científicos são a observação e men- suração.” (CHIAVENATO, 2004, p. 41). Henri Fayol, enfatizou a estrutura organizacional e de- fendia que: [...] a eficiência da empresa é muito mais do que a soma da eficiência dos seus trabalhadores, e que ela deve ser alcançada por meio da racionalidade, isto é, da adequação dos meios (órgãos e cargos) aos fins que se deseja alcançar. (CHIAVENATO, 2000, p. 11). Fayol traz em sua teoria funcionalista a abordagem prescritiva e normativa, uma vez que a ciência adminis- trativa, como toda ciência, deve basear-se em leis ou princípios globalmente aplicáveis. Sua maior contribui- ção para a administração geral são as funções adminis- trativas – prever, organizar, comandar, coordenar e con- trolar – que são as próprias funções do administrador ainda nos dias atuais. Nesse modelo, a função administrativa difunde-se proporcionalmente a todos os níveis hierárquicos, dei- xando portanto de ser algo inerente à alta gerência. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 3 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Administração Científica - Pressupostos de Fre- derick Taylor • Organização Formal. • Visão de baixo para cima; das partes para o todo. • Estudo das Tarefas, Métodos, Tempo padrão. • Salário, incentivos materiais e prêmios de produção. • Sistema fechado: foco nos processos internos e operacionais. • Padrão de Produção: eficiência, racionalidade. • Divisão equitativa de trabalho e responsabilidade entre direção e operário. • Ser humano egoísta, racional e material: homo eco- nomicus; • Estudo de Tempos e Movimentos e Métodos; • Desenho de Cargos e Tarefas; • Seleção Científica do Trabalhador (eliminação de to- dos que não adotem os métodos); • Preocupação com Fadiga e com as condições de trabalho; • Padronização de instrumentos de trabalho; • Divisão do Trabalho e Especialização; • Supervisão funcional: autoridade relativa e dividida a depender da especialização e da divisão de tra- balho. 2. Princípios da Administração Científica • Desenvolvimento de uma ciência de Trabalho: uma investigação científica poderá dizer qual a ca- pacidade total de um dia de trabalho, para que os chefes saibam a capacidade de seus operários; • Seleção e Desenvolvimento Científicos do Empre- gado: para atingir o nível de remuneração prevista o operário precisa preencher requisitos; • Combinação da Ciência do trabalho com a Se- leção do Pessoal: os operários estão dispostos a fazer um bom trabalho, mas os velhos hábitos da administração resistem à inovação de métodos; • Cooperação entre Administração e Empregados: uma constante e íntima cooperação possibilitará a observação e medida sistemática do trabalho e permitirá fixar níveis de produção e incentivos fi- nanceiros 2.1. Princípios de Taylor • Princípio da separação entre o planejamento e a execução; • Princípio do preparo; • Princípio do controle; • Princípio da exceção. Teoria Clássica – Pressupostos de Henry Fayol • Anatomia – estrutura. • Fisiologia – funcionamento. • Visão de cima para baixo; do todo para as partes. • Funções da Empresa: Técnica, Comercial, Financei- ra, Segurança, Contábil, Administrativa (coordena as de- mais). • Abordagem Prescritiva e Normativa. Funções da Administração Clássica - processo or- ganizacional • Prever: adiantar-se ao futuro e traçar plano de ação; • Organizar: constituir o organismo material e social da empresa; • Comandar: dirigir o pessoal; • Coordenar: ligar, unir e harmonizar os esforços; • Controlar: tudo corra de acordo com as regras. 2.2. Princípios Gerais da Administração Clássica • Divisão do Trabalho: especializar funções; • Autoridade e Responsabilidade: direito de mandar e poder de se fazer obedecer; • Disciplina: estabelecer convenções, formais e infor- mais com seus agentes, para trazer obediência e respeito; • Unidade de comando: recebimento de ordens de apenas um superior – princípio escalar; • Unidade de direção: um só chefe e um só progra- ma para um conjunto de operações que tenham o mesmo objetivo; • Subordinação do particular ao geral: O interesse da empresa deve prevalecer ao interesse individual; • Remuneração do pessoal: premiar e recompensar; • Centralização: concentrar autoridade no topo; • Cadeia escalar ou linha de comando: linha de autori- dade que vai do topo ao mais baixo escalão; • Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar; • Equidade: tratar de forma benevolente e justa; • Estabilidade: manter as pessoas em suas funções para que possam desempenhar bem; • Iniciativa: liberdade de propor, conceber e executar; • Espírito de equipe: harmonia e união entre as pes- soas. Comparativo entre Administração Científica e Es- cola Clássica Enquanto a administração científica preocupava-se na melhoria da produtividade no nível operacional a ges- tão administrativa preocupava-se com a organização em geral e a busca da efetividade. 3. Abordagem burocrática Defendida por Max Weber, que é considerado o “pai da burocracia”, também tem como base a estrutura or- ganizacional. Weber distingue três tipos de sociedade e autorida- des legítimas: • Tradicional: patrimonial, patriarcal, hereditário e de- legável. • Carismática: personalística, mística. • Legal, racional ou burocrática: impessoal, formal, meritocrática. Outro ponto destacado por Weber é a distinção entre Autoridade e Poder. • Autoridade: probabilidade de que um comando ou or- dem específica seja obedecido – poder oficializado. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 4 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO • Poder: potencial de exercer influência sobre outros, imposição de arbítrio de uma pessoa sobre outras. A Burocracia surge na década de 40 em razão da fra- gilidade da teoria clássica e relações humanas, buscando organizar de forma estável, duradoura e especializada a cooperação de indivíduos, apresentando uma aborda- gem descritiva e explicativa, mantendo foco interno e estudando a organização como um todo. Principais características: • Caráter legal das normas; • Caráter formal das comunicações;• Divisão do trabalho e racionalidade; • Impessoalidade do relacionamento; • Hierarquização da autoridade; • Rotinas e procedimentos padronizados; • Competência técnica e mérito; • Especialização da administração – separação do pú- blico e privado; • Profissionalização: especialista, assalariado; segue carreira. Vantagens Principais: • Racionalidade • Precisão na definição do cargo • Rapidez nas decisões • Univocidade de interpretação • Continuidade da organização: • Redução do atrito entre pessoas • Constância • Confiabilidade • Benefícios para as pessoas • O nepotismo é evitado, dificulta a corrupção. A maior vantagem é a democracia: em razão da im- pessoalidade e das regras legais, que permitem igualda- de de acesso. Desvantagens • Internalização das normas; • Excesso de formalismo e papelório; • Resistência a mudanças; • Despersonalização do relacionamento; • Categorização do relacionamento; • Superconformidade às rotinas e procedimentos; • Exibição de sinais de autoridade; • Dificuldades com clientes. 4. Abordagem sistêmica Defendida por Ludwig Von Bertalanffy, a Teoria de Sistemas defende que os sistemas existem dentro de sis- temas; apresenta a Teoria da forma ou Gestalt; os Siste- mas abertos; tem um objetivo ou propósito; e as partes são interdependentes, provocando globalismo. Características: • Sistema é um conjunto ou combinação de partes, formando um todo complexo ou unitário; • Organização como sistema vivo: orgânico • Comportamento não determinístico e probabilístico; • Interdependência entre as partes; • Entropia: característico dos sistemas fechados e or- gânicos, estabelece que todas as formas de orga- nização tendem à desordem ou à morte; • Negentropia ou Entropia negativa: os sistemas so- ciais se reabastecem de energia, assegurando su- primento contínuo de materiais e pessoas; • Homeostase dinâmica ou Estado Firme: regula o sis- tema interno para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico de ruptura e inovação; • Fronteiras ou limites: define a área da ação do siste- ma e o grau de abertura em relação ao meio am- biente; • Diferenciação: os sistemas tendem a criar funções especializadas – Integração (coordenação); • Equifinalidade: um sistema pode alcançar o mesmo estado final a partir de diferentes condições ini- ciais; • Resiliência: determina o grau de defesa ou vulnera- bilidade do sistema a pressões ambientais exter- nas. • Holismo: o sistema só pode ser explicado em sua globalidade; • Sinergia: o todo é maior que a soma das partes; • Morfogênese: capacidade das organizações de mo- dificar a si mesmo e a estrutura; • Fluxos: componentes que entram e saem do sistema (informação, energia, material); • Feedback: é a retroalimentação, como controle do sistema, no qual os resultados retornam ao indiví- duo, para que os procedimentos sejam analisados e corrigidos; • Homem Funcional: desempenha um papel específi- co nas organizações, inter-relacionando-se com os demais indivíduos. 4.1. Evolução da administração e reformas admi- nistrativas A estruturação da Máquina Administrativa passou por sete períodos, vindo de um modelo patrimonial perce- bida até década de 30, na sequencia veio a Era Vargas, onde vemos o modelo burocrático e na segunda metade da década de 90, deu início a implementação do modelo gerencial. Podemos dividir essa estruturação em sete etapas, quais sejam: 1) 1930 a 1945 – Burocratização da Era Vargas: Nessa primeira etapa, em decorrência do Estado patrimonial, da falta de qualificação técnica dos servidores, da crise econômica mundial e da di- fusão da teoria keynesiana, que pregava a inter- venção do Estado na Economia, o governo auto- ritário de Vargas resolve modernizar a máquina administrativa brasileira através dos paradigmas burocráticos difundidos por Max Weber. O auge dessas mudanças ocorre em 1936 com a criação do Departamento Administrativo do Serviço Públi- user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 5 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO co (DASP), que tinha como atribuição modernizar a máquina administrativa utilizando como instru- mentos a afirmação dos princípios do mérito, a centralização, a separação entre público e privado, a hierarquia, a impessoalidade, a rigidez e univer- salidade das regras e a especialização e qualifica- ção dos servidores. 2) 1956 a 1960 – A administração paralela de JK: A administração paralela foi um artifício utilizado pelo governo JK para atingir o seu Plano de Me- tas e seguir seu projeto desenvolvimentista. Surgiu com a criação de estruturas alheias à Administra- ção Direta. 3) 1967 – A reforma militar: Durante a ditadura militar, a administração pública passa por novas transformações, tais como: A ampliação da fun- ção econômica do Estado com a criação de várias empresas estatais, a facilidade de implantação de políticas – em decorrência da natureza autoritária do regime, e o aprofundamento da divisão da ad- ministração pública, mais especificamente através do Decreto-Lei 200/67, que distinguiu claramente a Administração Direta (exercida por órgãos dire- tamente subordinados aos ministérios) da indireta (formada por autarquias, fundações, empresas pú- blicas e sociedades de economia mista). Essa refor- ma trouxe modernização, padronização e norma- tização nas áreas de pessoal, compras e execução orçamentária, estabelecendo ainda, cinco princí- pios estruturais da administração pública: planeja- mento, coordenação, descentralização, delegação de competências e controle. 4) 1988 – A administração pública na nova Cons- tituição: A nova Constituição da República Fede- rativa do Brasil voltou a fortalecer a Administração Direta instituindo regras iguais as que deveriam ser seguidas pela administração pública indireta, prin- cipalmente em relação à obrigatoriedade de con- cursos públicos para investidura na carreira e aos procedimentos de compras públicas. 5) 1990 – O governo Collor e o desmonte da má- quina pública : Essa etapa da administração públi- ca brasileira é marcada pelo retrocesso da máquina administrativa, o governo promoveu a extinção de milhares de cargos de confiança, a reestruturação e a extinção de vários órgãos, a demissão de outras dezenas de milhares de servidores sem estabilida- de e tantos outros foram colocados em disponi- bilidade. Segundo estimativas, foram retirados do serviço público, num curto período e sem qualquer planejamento, cerca de 100 mil servidores. 6) 1995/2002 – O gerencialismo da Era FHC: A re- forma administrativa foi o ícone do governo Fer- nando Henrique Cardoso em relação à adminis- tração pública brasileira. A reforma gerencial teve como instrumento básico o Plano Diretor da Re- forma do Aparelho do Estado (PDRAE), que visava à reestruturação do aparelho do Estado para com- bater, principalmente, a cultura burocrática. 7) Nova Administração Pública: O movimento “reinventando o governo” difundido nos EUA e a reforma administrativa de 95, introduziram no Bra- sil a cultura do management, trazendo técnicas do setor privado para o setor público e tendo como características básicas: ● O foco no cliente ● A reengenharia ● Governo empreendedor ● Administração da qualidade total Assim, partindo-se de uma perspectiva histórica, ve- rifica-se que a administração pública evoluiu através de três modelos básicos, que representam três reformas ad- ministrativas que se destacam, quais sejam, a administra- ção pública patrimonialista, a burocrática e a gerencial. Essas três formas se sucedem no tempo, sem que, no entanto, qualquer uma delas seja inteiramente abando- nada. 5. Administração Pública Patrimonialista Na sociedade anterior ao capitalismo, o Estado apa- recia como um ente “privatizado”, no sentido de que não havia uma distinçãoclara, por parte dos governantes, entre o patrimônio público e o seu próprio patrimônio privado, não definia-se limites entre a res publica e a res principis, ou seja, a “coisa pública” se confundia com o patrimônio particular dos governantes, pois não havia uma fronteira muito bem definida entre ambas. A corrupção e o nepotismo eram extremamente ca- racterísticos nesse tipo de administração, tendo como foco atender o interesse particular dos soberanos e de seus auxiliares, ao invés de priorizar as necessidades co- letivas. Quando surge o capitalismo e a democracia, o cená- rio acima perde espaço, passando a existir uma distinção entre Estado e particular, não havendo mais espaço para a administração patrimonialista, ou seja, não cabe mais uma administração que privilegiava uns poucos em de- trimento de muitos. 5.1. Administração Pública Burocrática Surge como forma de combater a corrupção e o ne- potismo patrimonialista. Como princípios de sua proposta temos a profissio- nalização, a ideia de carreira, a hierarquia funcional, a im- pessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional legal. A forma de controle é sempre a priori, ou seja, con- trole dos procedimentos, das rotinas que devem nortear a realização das tarefas, porem, como a historia anterior gerava desconfiança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos que a eles dirigem suas diversas deman- das sociais, esses controles rígidos de processos como, por exemplo, na admissão de pessoal, nas compras e no atendimento aos cidadãos, passa a ser o foco principal, descaracterizando a missão básica do modelo, que é ser- vir à sociedade. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 6 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO A principal qualidade da administração pública bu- rocrática é o controle dos abusos contra o patrimônio público; o principal defeito, a ineficiência, a incapacida- de de voltar-se para o serviço aos cidadãos vistos como “clientes”. Vale aqui destacar alguns comentários adicionais sobre o termo “Burocracia”, trazidos por Max Weber, que na década de 20, publicou estudos sobre o que ele chamou o tipo ideal de burocracia, ou seja, um esque- ma que procura sintetizar os pontos comuns à maioria das organizações formais modernas, que ele contrastou com as sociedades primitivas e feudais. As organizações burocráticas seriam máquinas totalmente impessoais, que funcionam de acordo com regras que ele chamou de racionais – regras que dependem de lógica e não de interesses pessoais. Weber estudou e procurou descrever o alicerce for- mal-legal em que as organizações reais se assentam. Sua atenção estava dirigida para o processo de autoridade obediência (ou processo de dominação) que, no caso das organizações modernas, depende de leis. No modelo de Weber, as expressões “organização formal” e “organiza- ção burocrática” são sinônimas. “Dominação” ou autoridade, segundo Weber, é a probabilidade de haver obediência dentro de um grupo determinado. Há três tipos puros de autoridade ou do- minação legítima (aquela que conta com o acordo dos dominados): Dominação de caráter carismático Repousa na crença da santidade ou heroísmo de uma pessoa. A obediência é devida ao líder pela confiança pessoal em sua revelação, heroísmo ou exemplaridade, dentro do círculo em que se acre- dita em seu carisma. A atitude dos seguidores em relação ao dominador carismático é marcada pela devoção. Exemplos são líderes religiosos, sociais ou políticos, condutores de multidões de adeptos. O carisma está associado a um tipo de influência que depende de qualida- des pessoais. Dominação de caráter tradicional Deriva da crença quotidiana na santidade das tradi- ções que vigoram desde tempos distantes e na legitimidade daqueles que são indicados por essa tradição para exercer a autoridade. A obediência é devida à pessoa do “senhor”, indica- do pela tradição. A obediência dentro da família, dos feudos e das tribos é do tipo tradicional. Nos sistemas em que vigora a dominação tradicional, as pessoas têm autoridade não por causa de suas qualidades intrínsecas, como acontece no caso ca- rismático, mas por causa das instituições tradicio- nais que representam. É o caso dos sacerdotes e das lideranças, no âmbito das instituições, como os partidos políticos e as corporações militares. Dominação de caráter racional Decorre da legalidade de normas instituídas racio- nalmente e dos direitos de mando das pessoas a quem essas normas responsabilizam pelo exercício da autoridade. A autoridade, portanto, é a contra- partida da responsabilidade. No caso da autoridade legal, a obediência é devida às normas impessoais e objetivas, legalmente instituí- das, e às pessoas por elas designadas, que agem dentro de uma jurisdição. A autoridade racional fundamenta-se em leis que estabelecem direitos e deveres para os integrantes de uma sociedade ou organização. Por isso, a autoridade que Weber chamou de racional é sinônimo de autoridade for- mal. Uma sociedade, organização ou grupo que depen- de de leis racionais tem estrutura do tipo legal-racio- nal ou burocrática. É uma burocracia. A autoridade legal-racional ou autoridade burocrá- tica substituiu as fórmulas tradicionais e carismáticas nas quais se baseavam as antigas sociedades. A admi- nistração burocrática é a forma mais racional de exercer a dominação. A burocracia, ou organização burocrática, possibilita o exercício da autoridade e a obtenção da obediência com precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiança. Portanto, todas as organizações formais são buro- cracias. A palavra burocracia identifica precisamente as organizações que se baseiam em regulamentos. A so- ciedade organizacional é, também, uma sociedade bu- rocratizada. A burocracia é um estágio na evolução das organizações. De acordo com Weber, as organizações formais mo- dernas baseiam-se em leis, que as pessoas aceitam por acreditarem que são racionais, isto é, definidas em fun- ção do interesse das próprias pessoas e não para satisfa- zer aos caprichos arbitrários de um dirigente. O tipo ideal de burocracia, formulado por Weber, apresenta três características principais que diferenciam estas organizações formais dos demais grupos sociais: • Formalidade: significa que as organizações são constituídas com base em normas e regulamentos explícitos, chamadas leis, que estipulam os direitos e deveres dos participantes. • Impessoalidade: as relações entre as pessoas que integram as organizações burocráticas são gover- nadas pelos cargos que elas ocupam e pelos di- reitos e deveres investidos nesses cargos. Assim, o que conta é o cargo e não a pessoa. A formalidade e a impessoalidade, combinadas, fazem a burocra- cia permanecer, a despeito das pessoas. • Profissionalismo: os cargos de uma burocracia ofe- recem a seus ocupantes uma carreira profissional e meios de vida. A participação nas burocracias tem caráter ocupacional. Apesar das vantagens inerentes nessa forma de orga- nização, as burocracias podem muitas vezes apre- sentar também uma série de disfunções, conforme a seguir: • Particularismo – Defender dentro da organização interesses de grupos internos, por motivos de con- vicção, amizade ou interesse material. • Satisfação de Interesses Pessoais – Defender inte- resses pessoais dentro da organização. • Excesso de Regras – Multiplicidade de regras e exi- gências para a obtenção de determinado serviço. • Hierarquia e individualismo – A hierarquia divi- user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 7 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO de responsabilidades e atravanca o processo de- cisório. Realça vaidadese estimula disputas pelo poder. • Mecanicismo – Burocracias são sistemas de cargos limitados, que colocam pessoas em situações alie- nantes. Portanto, as burocracias apresentam dois grandes “problemas” ou dificuldades: em primeiro lugar, certas disfunções, que as descaracterizam e as desviam de seus objetivos; em segundo lugar, ainda que as burocracias não apresentassem distorções, sua estrutura rígida é adequada a certo tipo de ambiente externo, no qual não há grandes mudanças. A estrutura burocrática é, por na- tureza, conservadora, avessa a inovações; o principal é a estabilidade da organização. Mas, como vimos, as mudanças no ambiente exter- no determinam a necessidade de mudanças internas, e nesse ponto o paradigma burocrático torna-se superado. 6. Administração Pública gerencial Surge na segunda metade do século XX, como res- posta à expansão das funções econômicas e sociais do Estado e ao desenvolvimento tecnológico e à globaliza- ção da economia mundial, uma vez que ambos deixaram à mostra os problemas associados à adoção do modelo anterior. Torna-se essencial a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como beneficiário, resultando numa maior eficiência da administração pública. A reforma do aparelho do Estado passa a ser orientada predominantemente pelos valores da eficiência e qualidade na prestação de serviços públi- cos e pelo desenvolvimento de uma cultura gerencial nas organizações. A administração pública gerencial constitui um avan- ço, e até certo ponto um rompimento com a adminis- tração pública burocrática. Isso não significa, entretanto, que negue todos os seus princípios. Pelo contrário, a ad- ministração pública gerencial está apoiada na anterior, da qual conserva, embora flexibilizando, alguns dos seus princípios fundamentais, como: • A admissão segundo rígidos critérios de mérito (concurso público); • A existência de um sistema estruturado e universal de remuneração (planos de carreira); • A avaliação constante de desempenho (dos funcio- nários e de suas equipes de trabalho); • O treinamento e a capacitação contínua do corpo funcional. A diferença fundamental está na forma de controle, que deixa de basear-se nos processos para concentrar-se nos resultados. A rigorosa profissionalização da adminis- tração pública continua sendo um princípio fundamental. Na administração pública gerencial a estratégia vol- ta-se para: 1. A definição precisa dos objetivos que o administra- dor público deverá atingir sua unidade; 2. A garantia de autonomia do administrador na ges- tão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados à disposição para que possa atingir os objetivos contratados; 3. O controle ou cobrança posterior dos resultados. Adicionalmente, pratica-se a competição administra- da no interior do próprio Estado, quando há a possibili- dade de estabelecer concorrência entre unidades inter- nas. No plano da estrutura organizacional, a descentrali- zação e a redução dos níveis hierárquicos tornam-se es- senciais. Em suma, afirma-se que a administração pública deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil e des- locar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resul- tados (fins). A administração pública gerencial inspira-se na ad- ministração de empresas, mas não pode ser confundida com esta última. Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro privado, para a maximização dos interesses dos acionistas, esperando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendido, a admi- nistração pública gerencial está explícita e diretamente voltada para o interesse público. Neste último ponto, como em muitos outros (pro- fissionalismo, impessoalidade), a administração pública gerencial não se diferencia da administração pública bu- rocrática. Na burocracia pública clássica existe uma no- ção muito clara e forte do interesse público. A diferença, porém, está no entendimento do significado do interesse público, que não pode ser confundido com o interesse do próprio Estado. Para a administração pública burocrá- tica, o interesse público é frequentemente identificado com a afirmação do poder do Estado. A administração pública gerencial vê o cidadão como contribuinte de impostos e como uma espécie de “clien- te” dos seus serviços. Os resultados da ação do Estado são considerados bons não porque os processos admi- nistrativos estão sob controle estão seguros, como quer a administração pública burocrática, mas porque as ne- cessidades do cidadão-cliente estão sendo atendidas. O paradigma gerencial contemporâneo, fundamenta- do nos princípios da confiança e da descentralização da decisão, exige formas flexíveis de gestão, de estruturas, descentralização de funções, incentivos à criatividade. Contrapõe-se à ideologia do formalismo e do rigor téc- nico da burocracia tradicional. À avaliação sistemática, à recompensa pelo desempenho, e à capacitação perma- nente, que já eram características da boa administração burocrática, acrescentam-se os princípios da orientação para o cidadão-cliente, do controle por resultados, e da competição administrada. 7. A nova gestão pública. Nas últimas décadas, a administração pública brasilei- ra passou por grandes transformações, sobretudo como parte do trânsito para a democracia. Desenvolveram-se novas práticas e expectativas de modernização, mas mui- tas de suas características tradicionais não foram remo- vidas. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 8 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO A Revista de Administração Pública (RAP) surgiu numa época em que a administração pública possuía forte presença na sociedade, não só por causa das funções de controle não-democrático, mas também porque se procurava o desenvolvimento com base em projetos públicos de grande escala. Pensava-se que a própria ex- pansão do Estado fosse suficiente para garantir mais e melhores serviços, bem como maior acesso comunitário e equidade nas decisões distributivas. Nesse sentido, nos primeiros 20 anos da RAP, a administração pública teve crescimento considerável. No entanto, a experiência histórica revelou que sim- plesmente expandir as atividades do Estado e as funções serviu menos ao propósito de alcançar maior equidade e eficácia na administração pública do que ao desenvol- vimento de formas de inserção de novos grupos prefe- renciais. Nessa época descrevia-se a administração pública brasileira pelos seus aspectos mais patrimonialistas e paternalistas. Viam-se as suas relações com a sociedade como extremamente frágeis. Na verdade, a administra- ção pública desenvolveu-se como um dos grandes ins- trumentos para a manutenção do poder tradicional, e carregava fortes características desse poder. A forma de organização e gestão obedecia menos a critérios técni- cos racionais e democráticos para a prestação de servi- ços e mais a sistemas de loteamento político, para man- ter coalizões de poder e atender a grupos preferenciais. Em grande parte, a expansão do Estado se fez sem alterar substancialmente suas relações com a sociedade. Por ter ainda alicerces frágeis na sociedade, o Estado bra- sileiro, como organização, consiste ainda em uma supe- restrutura que flutua sobre os cidadãos. A formalidade institucional possui limites para ex- plicar a evolução da administração pública brasileira. Fa- tores de informalidade prevalecem e determinam muito do que se decide e se executa na administração brasilei- ra, compreendendo seus três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Por estarem inseridos na cultura sociopolítica do país, esses fatores não são facilmente removíveis ou contornados por meio de reformas admi- nistrativas de lógica racional burocrática. Fatores de informalidade continuam a chamar a aten- ção dos estudiosos e analistas da gestão pública, além deser retratados cotidianamente na mídia como práticas comuns de gestão. São exemplos marcantes o persona- lismo paternalista e a presença de grupos preferenciais que se organizam por fora das instituições, mas que pro- curam manter fortes relações com o Estado. Esses fatores distanciam os cidadãos da gestão pública, desenvolven- do a síndrome nós-eles. No entanto, o personalismo elitista concorre para en- fraquecer substancialmente as instituições. Estas existem em função das pessoas que as dirigem, e a mudança da pessoa no topo muda profundamente políticas e com- promissos institucionais. Na administração pública, dirigentes, normalmen- te prepostos de líderes políticos, tendem a inserir suas opções pessoais como fator diferenciador. Desprezam, assim, não só o racionalmente instituído como também opções e conquistas de seus antecessores. A desconti- nuidade é justificada como necessária à inovação. Na verdade, resulta mais em garantir acesso a novos grupos de poder e ressaltar a liderança de uma pessoa e menos em modernizar a gestão. Compromissos formais institu- cionalmente estabelecidos necessitam ser renegociados a cada novo dirigente. Na verdade, não há contratos com instituições, mas com pessoas. O personalismo fragiliza as instituições públicas, deixando-as altamente vulnerá- veis e dependentes da pessoa de um único dirigente. A administração pública era em grande parte do- minada por grupos preferenciais que visavam garantir seus interesses e a proteção mútua de seus membros. Apesar da modernização, muitos desses grupos ainda se aglutinam no aparato estatal em busca de recursos para garantir sua sobrevivência. Inserem-se em órgãos admi- nistrativos por meios formais — ocupação de cargos de direção —, mas também informalmente, por meio de re- des de apoio e de interação ligadas por laços de lealda- de. Procuram o acesso a recursos públicos para reforçar a lealdade política de base e preservar a liderança sobre determinados setores da comunidade. Esses recursos são utilizados para satisfazer não somente interesses políti- cos de poder como também interesses sociais e parti- culares. Tais grupos dominam máquinas partidárias para evitar que alternativas de política pública, contrárias aos seus interesses, sejam consideradas no processo decisó- rio governamental. Controlam estruturas burocráticas de governo para garantir, durante longos períodos, o uso preferencial de grandes fatias do orçamento público. O uso de recursos públicos é o mecanismo básico de preservação do poder: são utilizados menos para atender a demandas e necessidades reais da comunidade e mais para a troca de favores e os interesses particulares do grupo. Como a lealdade aos membros do grupo é maior do que à instituição pública, tais grupos são capazes de manter a coalizão a qualquer custo, inclusive às expensas do aumento dos gastos governamentais. Normalmente, esses grupos preferem dominar as áreas sociais por serem mais diretamente ligadas às maiores demandas da população. Setores sociais são pri- vilegiados para o exercício do assistencialismo paterna- lista; propiciam ao líder do grupo o exercício da “bonda- de” por meio da concessão de benefícios e favores com o dinheiro público. Assim, os líderes políticos e dirigentes públicos podem favorecer segmentos da população sob sua influência, fazendo-os crer que o benefício concedi- do é uma concessão pessoal do líder, e não um direito individual ou um valor de cidadania. O resultado final é o reforço do poder e da liderança tradicionais. Vale ressaltar que esses grupos que se inserem e do- minam setores da administração pública não são peque- nos grupos de aproveitadores ou perturbadores margi- nais da ordem administrativa; são grupos organizados e institucionalizados dentro do sistema político. Trans- formam o Estado num campo minado de lutas políticas, mas mantidas nos limites das estruturas formais para não ferir a estabilidade e legitimidade do sistema. Por esse motivo, as discórdias são bem toleradas e, de preferên- cia, confinadas à arena política predeterminada, que é o Estado. Visto segundo uma lógica da gestão moderna, o sis- tema administrativo pode parecer altamente irracional, mas para os grupos preferenciais que dele se servem 9 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO representa um sistema lógico e altamente racional. Ba- seia-se em valores e práticas tradicionais: assenta grande parte do poder político no distanciamento autoritário, no paternalismo e no exercício da bondade. E esses grupos não criam rupturas nas dimensões for- mais da administração pública. Procuram seguir os pas- sos formais, mas repletos de acomodação, concessões e opções de natureza paternalista. Por terem lealdade quase nula à instituição pública, circulam facilmente en- tre as repartições, procurando obter melhores benefícios, indiferentes aos danos que causam, tanto ao interesse quanto ao orçamento público. Os cidadãos passam a ser receptores passivos da bondade. Ao receber benefícios, veem seus líderes e di- rigentes como os mais bondosos e por isso merecedores de reconhecimento e apoio político. 8. A era pós-Constituição: a redemocratização e as novas conquistas constitucionais Com a redemocratização, a inspiração neoliberal e as referências das inovações oriundas de países mais avan- çados, os movimentos de reforma procuravam centrar-se nas especificidades das diversas organizações públicas, à semelhança das mudanças na área privada. A perspectiva básica era a eficiência e capacidade de resposta da admi- nistração pública e melhora da gerência pública. Passou- -se a questionar o tradicionalismo da administração pú- blica, mas incorporando os fundamentos democráticos implantados na nova Constituição, como a subordinação da administração pública a mandatos políticos conquis- tados em eleições democráticas. Em períodos não-democráticos, as tentativas de apa- rência tecnocrática ofuscaram muitos dos problemas de embates políticos, não porque deixassem de existir, mas porque havia sempre um lado repressor. Com as novas inspirações ideológicas, começou-se a delinear a ideia de que os governos não poderiam so- zinhos conduzir ao progresso. O desenvolvimento pas- sou a ser visto como algo complexo e gigantesco, e as máquinas administrativas tradicionais não como fator de modernização, mas obstáculos ao progresso. Surgiram movimentos significativos, em muitos países e apoiados por entidades internacionais, para proclamar a descrença nas possibilidades da administração pública de conduzir o desenvolvimento. Reduzir o tamanho do Estado e modernizar a admi- nistração pública tornaram-se pontos importantes de uma nova agenda política. Ao contrário das experiências anteriores, essa modernização se inspirou fortemente nos modelos de gestão privada, considerados superiores e mais eficazes. Assim, as principais mudanças seriam transferir fun- ções estatais para a área privada e as restantes seriam administradas com formas o mais próximo possível das praticadas nas empresas privadas. Tendo a representação democrática como premissa, tentou-se valorizar as técnicas administrativas e a com- petência neutra dos servidores, presumindo sempre a sua ação por delegação política e não por autonomia própria. A administração eficiente seria consequência natural de instrumentos gerenciais, como estruturas e códigos de procedimentos adequados e boas regras or- çamentárias e gestão de pessoal. Pela falta de eficiência, culpavam-se a inadequação das estruturas e dos proce- dimentos e a inabilidade dos próprios servidores. Ajustes administrativos seriam feitos de acordo com novos pro- pósitos políticos, adquiridos em eleições, ou com novas tecnologias administrativas. As reformas preservavam as estruturas organizacionais, favoreciam a rigidez dos có- digos administrativos, e algumas propostas mais auda- ciosas propunham maior descentralização e autonomia organizacional. Entretanto, não se questionavafunda- mentalmente a administração pública, senão sua inefi- ciência ou iniquidade. Em grande parte, essas reformas colocavam em cau- sa a própria viabilidade da administração pública como condutora de eficiência ou de eficácia na gestão de servi- ços e na ação redistributiva. Os novos modelos procuram transformar e introduzir na gestão pública o estilo priva- do. Além de ampliarem a importação de técnicas típicas da área privada, propõem sempre com grande ênfase eliminação, privatização e terceirização de serviços. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, as ideias sobre reformar a administração, com premissas de radicalismo e promessas de eficiência imediata, são sempre atraentes, dadas as dificuldades que os cidadãos enfrentam em tratar de seus interesses em qualquer or- ganização pública. Ao entrar em contato com uma repar- tição pública, a maioria dos cidadãos experimenta uma história de relativo descaso e má qualidade no atendi- mento, sobretudo na área social. Para essas pessoas, a ineficiência no serviço é um sintoma de iniquidade social, já que os mais afortunados normalmente dispõem de outros meios. Ao imitar a gestão privada, as propostas contemporâ- neas assumem a singularidade do cliente e suas deman- das como fundamentais na gestão pública. Por presu- mirem a validade universal do management e, portanto, sua aplicabilidade igualmente às organizações públicas e privadas, veem a reforma como uma simples questão de modernização gerencial. Antes de planejar suas ações ou oferta de serviços, as organizações públicas devem co- nhecer as demandas de sua clientela. A organização pú- blica existe para servir o indivíduo: deve centralizar suas ações na demanda do cliente e na sua escolha. Como no mercado, cliente é categoria primordial, e deve ser consi- derado em todas as instâncias. Essa ideologia veio contaminada e reforçada pelos valores dos países mais avançados, onde o individua- lismo fundamentado na igualdade das oportunidades constitui uma prática social comum. Por isso esses mo- delos centram-se mais no indivíduo (clientes e funcioná- rios) e menos no contexto. A ideologia liberal centrada no indivíduo valoriza a iniciativa, o espírito empreende- dor e o desempenho e realização individuais. As pessoas se singularizam perante os outros pelo seu desempenho e merecem ser tratadas diferentemente pelas desigual- dades conquistadas. Assim, métodos de avaliação de desempenho individual e organizacional passaram a ser propostos com maior vigor. Tais ideias de reforma não progrediram com a ênfase desejada porque esbarraram em fatores históricos tradi- cionais ainda prevalecentes e que não se coadunam com práticas neoliberais. user Realce 10 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Ainda prevalece e se reforça a visão de ser a admi- nistração pública responsável por reduzir a desigualda- de social tanto por medidas desenvolvimentistas quanto por programas sociais compensatórios. Na prática neoliberal de países mais avançados, a gestão pública deve agir no sentido de manter a igualda- de perante a lei e de garantir oportunidades iguais, salvo nos casos em que as chances não são claramente iguais. Programas sociais se justificam mais facilmente pela de- sigualdade de oportunidades do que pela compensação de diferenças de desempenho. A permanência de fortes relações com grupos prefe- renciais faz a administração brasileira ser retratada ainda como de grande base patrimonialista. As relações patri- moniais contradizem não somente as possibilidades de uma administração modernizada no sentido mais amplo do interesse público como também as práticas liberais tão proclamadas como a opção política dos últimos anos. Como a administração pública e a cultura tradicional são ainda bastante interligadas, apesar dos progressos na modernização institucional, os relatos cotidianos na mídia ainda demonstram forte ligação da coisa pública com interesses privados de grupos preferenciais. O mundo das relações informais é fundamentalmente baseado no aspecto político tradicional, mas se ampliou pelo reforço de aspectos psicológicos culturais, como a maior descrença dos cidadãos na representação política e, em decorrência, nos órgãos da administração pública. Com a crença reduzida nas instituições e na formalidade burocrática, buscam-se o informal e novas instituições da sociedade, como associações de usuários, cidadãos e ONGs, para proteger interesses e direitos. Essas orga- nizações e associações comunitárias diversas procuram contornar as instituições públicas existentes tentando assumir tarefas antes vistas como exclusivas do Estado e mesmo influenciar a gestão de órgãos públicos e a repre- sentatividade política. Favorecidas pela consciência popular sobre a inefi- cácia da administração pública em relação à equidade política, econômica e social, essas novas associações e organizações agregam um espírito de proteção de inte- resses da maioria para contrapor-se à crença de que as instituições formais defendem e protegem interesses de uns poucos. Na verdade, essas novas instâncias também agem no sentido de penetrar nas organizações públicas para de- fender interesses de suas clientelas, por serem esses in- teresses julgados legítimos, mas desprezados pelas elites administrativas. Praticam também a informalidade nas relações pessoais para atingir seus objetivos. Mesmo se aceitando uma contraposição legítima de fazer prevale- cerem direitos não-reconhecidos, a prática da informali- dade excessiva, inclusive nesses casos, concorre para en- fraquecer as instituições democráticas de representação política e de ação administrativa. Assim, a administração pública brasileira ainda car- rega tradições seculares de características semifeudais e age como um instrumento de manutenção do poder tradicional. Apesar do progresso em muitas instâncias de governo, as formas de ação obedecem menos a razões técnico-racionais e mais a critérios de loteamento políti- co, para manter coalizões de poder e para atender a ob- jetivos de grupos preferenciais. No Brasil contemporâneo, a democratização e os no- vos processos eleitorais e os dispositivos constitucionais ajudam a levantar ou reacender expectativas sobre mais e melhores serviços, o que, aos poucos, provoca rupturas nas estruturas políticas tradicionais e o surgimento de novas formas de gestão. No entanto, a crescente descrença nos mecanismos políticos tradicionais de representação e nas instituições especializadas, como os partidos políticos, para apresen- tar novas alternativas de ação pública tem dificultado esse progresso. Pode ser mais lenta a reversão da idéia de que os governos agem, prioritariamente, para benefi- ciar grupos preferenciais e ajudar a manter a coalizão de poder. Mas já é notável o reconhecimento da quebra de algumas barreiras burocráticas tanto para a obtenção de serviços rotineiros quanto para o recebimento de aten- ção social, como saúde e educação. Ultimamente parece se ter reforçado a ilusão tradi- cional de que uma nova qualidade da decisão ou uma nova legitimidade da política pública seriam suficientes para produzir maior eficiência na administração pública. Dessa forma, não seria necessário pensar em grandes re- formas administrativas porque a nova direção faria natu- ralmente a máquina administrativa responder com maior produtividade e qualidade. Presume-se, assim, que difi- culdades administrativas anteriores são simples produto de falta de legitimidade e de apoio político mais amplo. Resolvidas essas questões por vitórias eleitorais, o resto seria decorrência natural. Portanto, muitos novos dirigentes chegam às posi- ções de direção político-administrativas para se frustrar rapidamente com a máquina burocrática: redescobrem que formas tradicionais de agir e de se comportar, culti- vadas secularmente, não mudam por simples reposição da liderança administrativa. Não resta dúvida de que houve no país uma amplia- ção dalegitimação política: novos programas sociais rompem laços de grupos preferenciais tradicionais que dominavam paternalisticamente a redistribuição de be- nefícios. Novos canais de distribuição de recursos sociais retiram de grupos locais tradicionais o seu poder de pro- vedor único ou canal privilegiado de acesso ao poder. Reconhecem-se nas comunidades novas lideranças e formas de obter benefícios. Destrói-se grande parte dos sistemas locais de acesso ao poder burocrático repondo- -os com novas lideranças. Pode-se arguir ser apenas uma troca de liderança, apenas a mudança de uma pessoa no poder, mantendo-se porém o mesmo caráter paterna- lista. De fato, parte das condições e formas tradicionais de distribuição, troca e lealdade se mantém. No entan- to, vale notar a troca de liderança feita fora dos grupos tradicionais de poder. Há novas dimensões de lealdade fora do caciquismo tradicional. Há mais dificuldades de acesso e domínio dos cargos públicos locais e mais plu- ralidade nas pelejas políticas. Ademais, a nova lealdade aos provedores da ação distributiva se transfere para líderes maiores não presen- tes na localidade e, portanto, não mais facilmente destru- tíveis por novos ou antigos caciques locais. Somente no- vos líderes nacionais ou regionais, de igual credibilidade, poderiam, em princípio, repor essas lideranças. 11 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO A modernização efetiva do Estado somente pode- rá advir de formas que alterem o sistema de poder e o aglomerado político que o constitui; em outras palavras, reformas que redistribuam os recursos de poder e alte- rem os canais de comunicação entre o público e sua ad- ministração. Em países em desenvolvimento, com experiências si- milares à brasileira, tem se verificado que as forças polí- ticas emergentes não chegam ao poder por retração vo- luntária dos grupos preferenciais. Novos espaços, regras e estruturas políticas que repartam e unam novos recur- sos de poder são necessários para garantir a representa- ção de novos grupos sociais. Essa modernização da administração publica nos leva à analise da nova gestão pública, que passa pela reforma do Estado, que se tornou tema central nos anos 90 em todo o mundo, é uma resposta ao processo de globaliza- ção em curso, que reduziu a autonomia dos Estados de formular e implementar políticas e principalmente à crise do Estado, que começa a se delinear em quase todo o mundo nos anos 70, mas que só assume plena definição nos anos 80. No Brasil, a reforma do Estado começou nesse momento, em meio a uma grande crise econômi- ca, que chega ao auge em 1990 com um episódio hipe- rinflacionário. A partir de então ela se torna imperiosa. O ajuste fiscal, a privatização e a abertura comercial, que vinham sendo ensaiados nos anos anteriores são então atacados de frente (MARE, 1997). No entanto, a reforma administrativa, só se efetivou como tema central no Brasil em 1995, após a eleição e a posse de Fernando Henrique Cardoso. Nesse ano ficou claro para a sociedade brasileira que essa reforma tor- nara-se condição, de um lado, da consolidação do ajuste fiscal do Estado brasileiro e, de outro, da existência no país de um serviço público moderno, profissional e efi- ciente, voltado para o atendimento das necessidades dos cidadãos. Outra consideração foi na área da desregulamenta- ção, quando a proposta era a de reduzir as regras e in- tervenção do Estado aos aspectos onde ela é absoluta- mente necessária. Na reforma administrativa, toda uma série de medidas contribuíram para diminuir o chamado “entulho burocrático” - disposições normativas excessi- vamente detalhadas, que só contribuem para o engessa- mento da máquina e muitas vezes à sua intransparência (BERETTA, 2007). A maior contribuição da reforma administrativa está voltada à governança, entendida como o aumento da ca- pacidade de governo, através da adoção dos princípios da administração gerencial: Orientação da ação do Estado para o cidadão-usuário de seus serviços; ênfase no controle de resultados atra- vés dos contratos de gestão; fortalecimento e autonomia da burocracia no core das atividades típicas de Estado, em seu papel político e técnico de participar, junto com os políticos e a sociedade, da formulação e gestão de po- líticas públicas; separação entre as secretarias formula- doras de políticas e as unidades executoras dessas políti- cas, e contratualização da relação entre elas, baseada no desempenho de resultados; adoção cumulativa de três formas de controle sobre as unidades executoras de po- líticas públicas: controle social direto (através da transpa- rência das informações, e da participação em conselhos); controle hierárquico gerencial sobre resultados (através do contrato de gestão); controle pela competição admi- nistrada, via formação de quase-mercados (BRESSER PE- REIRA, 1997, p. 42). Dessa forma, a reforma administrativa distingue-se das propostas de total ‘insulamento burocrático’, apro- ximando-se mais do conceito de ‘autonomia inserida’ de Peter Evans (1995, apud BERETTA, 2007). 9. Da Administração Burocrática à Gerencial A administração burocrática clássica, baseada nos princípios de administração do exército prussiano, foi implantada nos principais países europeus no final do sé- culo passado e no Brasil, em 1936, com a reforma admi- nistrativa promovida por Maurício Nabuco e Luís Simões Lopes. É a burocracia que Max Weber descreveu, basea- da no princípio do mérito profissional (MARE, 1997). No texto do MARE (1997), ainda se considera que, embora tenham sido valorizados instrumentos impor- tantes à época, tais como o instituto do concurso público e do treinamento sistemático, não se chegou a adotar consistentemente uma política de recursos humanos que respondesse às necessidades do Estado. O patrimonialis- mo, contra o qual a administração pública burocrática se instalara, embora em processo de transformação, manti- nha ainda sua própria força no quadro político brasileiro. A expressão local do patrimonialismo - o coronelismo - dava lugar ao clientelismo e ao fisiologismo e continuava a permear a administração do Estado brasileiro. A administração pública burocrática foi adotada para substituir a administração patrimonialista, que caracteri- zou as monarquias absolutas, na qual o patrimônio pú- blico e o privado eram confundidos. O nepotismo e o empreguismo, senão a corrupção era a norma. Tornou-se assim necessário desenvolver um tipo de administração que partisse não apenas da cla- ra distinção entre o público e o privado, mas também da separação entre o político e o administrador público (MARE, 1997). Surge assim a administração burocrática moderna, racional-legal; a organização burocrática capitalista, ba- seada na centralização das decisões, na hierarquia tradu- zida no princípio da unidade de comando, os Dois Ob- jetivos e os Setores do Estado na estrutura piramidal do poder, nas rotinas rígidas, no controle passo a passo dos processos administrativos. Também surge a burocracia estatal formada por ad- ministradores profissionais especialmente recrutados e treinados, que respondem de forma neutra aos políticos (MARE, 1997 – CADERNO 3). Como a administração pública burocrática vinha combater o patrimonialismo e foi implantada no século XIX, no momento em que a democracia dava seus pri- meiros passos, era natural que desconfiasse de tudo e de todos - dos políticos, dos funcionários, dos cidadãos (MARE, 1997). Segundo o MARE (1997), a administração pública ge- rencial parte do pressuposto de que já se chegou a um nível cultural e político em que o patrimonialismo está condenado e a democracia é um regime político conso- lidado. user Realce user Realce user Realce user Realce 12 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Segundo Beretta (2007), são grandes os impactos pretendidos com a administração gerencial, no grau de accountability (entendida como responsabilidade ou intuito de prestar contas a sociedade)das instituições públicas, e aqui se abrem a ligações entre governança e governabilidade democrática. Na concepção da atual reforma administrativa, a go- vernabilidade depende de várias dimensões políticas, dentre elas a qualidade das instituições políticas quanto à intermediação de interesses; a existência de mecanis- mos de responsabilização (accountability) dos políticos e burocratas perante a sociedade, a qualidade do contra- to social básico. Essas dimensões remetem lato sensu à reforma política, essencial à reforma do Estado no Brasil (BRESSER PEREIRA, 1997, p. 36). A reforma gerencial da administração pública, ao modificar de maneira essencial as formas de controle no interior do aparato estatal, ao se referir sobre a alta buro- cracia e sobre as instituições públicas, dando ao mesmo tempo maior transparência às decisões administrativas, mostrando-as à sociedade, e não apenas da própria bu- rocracia, pode contribuir para o aumento da responsabi- lização dos administradores públicos. Para isto, a infor- mação é insumo fundamental. E não há, aí, contraposição entre aumento de eficiência e aumento de responsabili- dade (BERETTA, 2007). Em síntese, a administração pública gerencial está baseada em uma concepção de Estado e de sociedade democrática e plural, enquanto que a administração pú- blica burocrática tem um vezo centralizador e autoritário. O fato é que a reforma administrativa em curso não é suficiente para superar as responsabilidades existentes no país. Não pode, nem pretende de imediato, alterar significativamente a composição do gasto público, ou a lógica orçamentária. Mas pode contribuir pelo menos quanto a um dos lados perversos das políticas sociais: o mau uso dos re- cursos disponíveis. Pode também favorecer a construção da governabilidade democrática, via maior transparência e responsabilidade do aparelho de Estado. 10. Conceitos de gestão pública Muito se fala sobre gestão pública, mas poucas pes- soas conhecem o significado da expressão, e este assun- to é de muita importância ao administrador público, pois delimita, com absoluta clareza, o campo de sua atuação, indicando-lhe o caminho certo no trato da coisa pública. Para Santos, (2006) “gestão pública refere-se às fun- ções de gerência pública dos negócios do governo”. Assim, de acordo com Silva (2007) pode-se classificar, de maneira resumida, o agir do administrador público em três níveis distintos: a) atos de governo, que se situam na órbita política; b) atos de administração, atividade neutra, vinculada à lei; c) atos de gestão, que compreendem os seguintes parâmetros básicos: I- tradução da missão; II- realização de planejamento e controle; III- administração de R. H., materiais, tecnológicos e financeiros; IV- inserção de cada unidade organizacional no foco da organização; e V- tomada de decisão diante de conflitos internos e externos. Portanto, fica clara a importância da gestão pública na realização do interesse público porque é ela que vai possibilitar o controle da eficiência do Estado na realiza- ção do bem comum estabelecido politicamente e dentro das normas administrativas. Infelizmente, a grande maioria dos agentes políticos desconhece totalmente esta importante ferramenta que está à sua disposição, resultando em gastos públicos ina- dequados ou equivocados, ineficiências na prestação de serviços públicos e, sobretudo, no prejuízo financeiro e moral da sociedade. Portanto, o gestor público não precisa temer a ges- tão pública, por receio de perda de poder político, mas ao contrário, deve conhecê-la e utilizá-la como forma in- teligente de aumento de seu prestígio político porque somente através dela será possível dirigir política e admi- nistrativamente uma pessoa ou organização estatal com objetividade, racionalidade e eficiência (SILVA, 2007). A gestão pública, portanto, considerando o princípio econômico da escassez, em que as demandas sociais são ilimitadas e os recursos financeiros para satisfazê-las são escassos, deve priorizar a administração adequada, eficaz e eficiente de tudo aquilo que for gerado no seio social, sempre tendo em vista o interesse do coletivo. Somados ao conceito de gestão pública, é relevante entender o que vem a ser o moderno dentro dessa aná- lise, portanto, usam-se as concepções de alguns auto- res como Bueno e Oliveira (2002), que conceituam ser a modernização da administração carregada de objetivos a serem cumpridos, como: combater o patrimonialismo e o clientelismo vigentes durante tantos anos; melhorar a qualidade da sua prestação de serviços à sociedade; aprimorar o controle social; fazer mais ao menor custo possível, aumentando substancialmente a sua eficiência, pois não há recursos infinitos disponíveis para o alcan- ce de todas as demandas sociais, conforme conceituam. Neste sentido, Garde (2001, apud Marques, 2003, p. 221), conceitua que: A nova Gestão Pública trata de renovar e inovar o fun- cionamento da Administração, incorporando técnicas do setor privado, adaptadas às suas características próprias, assim como desenvolver novas iniciativas para o logro da eficiência econômica e a eficácia social, subjaz nela a filo- sofia de que a administração pública oferece oportunida- des singulares, para melhorar as condições econômicas e sociais dos povos. Essa nova gestão se baseia na informação, cuja es- sência assume o caráter do conteúdo da ação de ter que ser transmitida, depois de analisada e armazenada, bem como ser liberada, para que possa servir para as futuras tomadas de decisões, para novo controle e para a subse- quente avaliação. Assim, resume-se que a gestão pública moderna tem como fundamento um conteúdo ético, moral e legal por parte daqueles que dela participam, tendo como obje- tivo a crença no resultado positivo da política pública a ser implementada e na credibilidade na administração user Realce user Realce user Realce 13 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO pública exercida pelos mesmos. É igualmente um componente dela a existência de um conteúdo pleno de elementos tecnológicos que facilitem a utilização destes para administrar com potencial de eficácia e eficiência que se espera da Administração dos bens públicos. A Nova Gestão Pública… FERLIE et al. (1999) • A partir de uma revisão bibliográfica sobre a reforma administrativa em diferentes países nas décadas de 80 e 90, os autores evidenciam a existência de 4 (quatro) modelos da NPM que foram introduzidos no setor público. • Utilizando-se do construto do tipo ideal weberiano, esses autores descrevem esses modelos, denominados de Impulso para a Eficiência, Downsizing e Descentralização, Em Busca da Excelência e Orientação para o Serviço Público. Modelo de Impulso para a Eficiência Baseado na Economia Política do Tatcherismo (public choice) • Exacerbação dos controles financeiros • Parametrização dos serviços públicos • Foco na capacidade de resposta • Incremento de produtividade Modelo Downsizing e Descentralização Associado a crise do paradigma das mega organizações públicas • Processos de Privatização • Redução de Hierarquia • Busca de formas flexíveis na prestação do serviço público • Gerenciamento em redes e parcerias (gestão de contratos) Em Busca da Excelência Rejeita o economicismo e adota a vertente gerencialista • Cultura Organizacional (visão, liderança, comunicação) • Gestão de Mudança • Busca da Qualidade (TQM) • Cidadão = Cliente (OSBORNE, GABLER, 1992). Orientação para o Serviço Público Propõe a criação de valor público (gerencialismo + democracia) • Foco no usuário-cidadão (e não no cliente) • Incorporação substantiva da participação política • Transparência administrativa • Desconcentração do poder e aprendizagem social user Realce user Realce user Realce user Realce 14 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO As Narrativas Político-Administrativas da Atualidade Estado ativo Planejamento Estratégico e Provedor de ServiçosDiversos Estado eficiente e eficaz Administração pública como “negócio“, foco na melhoria da prestação de serviços públicos, discurso anti burocra- cia, orientação para o desempenho e o usuário, transfe- rência de ações (Estado Rede) Estado ativador e efetivo Criação de valor público, geração de capital social, engaja- mento cívico capital social, engajamento cívico, coordena- ção de atores público e privados, inclusão social, compar- tilhamento de reponsabilidades 11. Pressupostos da Nova Gestão Pública A prestação de serviços públicos e a provisão de políticas públicas deve orientar-se, complementarmente, pela eficiência, eficácia e a efetividade. user Realce user Realce 15 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Ex.: Vertente Gerencial Respeitando os Ditames Legais Articulando os interesses políticos Focando a Obtenção de Resultados Aperfeiçoando a Gestão Pública Ex.: Vertente Gerencial 16 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Fonte: Coelho & Olenscki, 2005. A (Re)configuração da Gestão Pública no Brasil (pós-90) • Abertura comercial (Globalização) • Organismos Internacionais • (Re)definição do Quadro Fiscal • Avanço da Redemocratização • Controle Social (e Político) do Executivo • Reforma do Estado • Constituição de 1988 Num contexto de edificação de uma Nova Gestão Pública (teoria, práxis) • Dimensão econômico-financeira • Dimensão administrativa-institucional • Dimensão sociopolítica Gestão Pública (Gerencial) no Brasil - Experiência de reforma do Estado do MARE (1995) - Diagnóstico Ins- titucional • Centralização • Controles Formais (legalidade) • Falta de indicadores • Ausência de informações • Ausência de Controle Social Objetivos da Reforma • Aumentar a governança do Estado • Limitar as funções do Estado • Transferir da União para estados e municípios as ações de caráter local • Reverter a crise de eficiência e confiabilidade • Voltar a AP para o cidadão • Fazer melhor e custar menos Desafios imediatos do setor público brasileiro _ o combate à corrupção _ a superação do formalismo _ a diminuição do clientelismo _ o pacto federativo user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 17 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO _ a redução de desigualdades _ aumento da eficiência sistêmica e da eficácia dos serviços públicos e da efetividade das políticas públicas (importância da gestão) 12. Processo administrativo Como vimos acima, a Administração é o ato de administrar ou gerenciar negócios, pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar metas definidas. A gestão de uma empresa ou organização se faz de forma que as atividades sejam administradas com planejamen- to, organização, direção, e controle. Segundo alguns autores (Montana e Charnov) o ato de administrar é trabalhar com e por intermédio de outras pessoas na busca de realizar objetivos da organização bem como de seus membros. O processo administrativo apresenta-se como uma sucessão de atos, juridicamente ordenados, destinados todos à obtenção de um resultado final. O procedimento é, pois, composto de um conjunto de atos, interligados e progres- sivamente ordenados em vista da produção desse resultado. O devido processo legal simboliza a obediência às normas processuais estipuladas em lei; é uma garantia constitu- cional concedida a todos os administrados, assegurando um julgamento justo e igualitário, assegurando a expedição de atos administrativos devidamente motivados bem como a aplicação de sanções em que se tenha oferecido a diale- ticidade necessária para caracterização da justiça. Decisões proferidas pelos tribunais já tem demonstrado essa posição no sistema brasileiro, qual seja, de defesa das garantias constitucionais processuais no sentido de conceder ao cidadão a efetividade de seus direitos. Seria insuficiente se a Constituição garantisse aos cidadãos inúmeros direitos se não garantisse a eficácia destes. Nesse desiderato, o princípio do devido processo legal ou, também, princípio do processo justo, garante a regularidade do processo, a forma pela qual o processo deverá tramitar, a forma pela qual deverão ser praticados os atos processuais e administrativos. Cabe ressaltar que o princípio do devido processo legal resguarda as partes de atos arbitrários das autoridades jurisdicionais e executivas. O processo é composto de fases e atos processuais rigorosamente seguidos, viabilizando as partes a efetividade do processo, não somente em seu aspecto jurídico-procedimental, mas também em seu escopo social, ético e econômico, assegurando o cumprimento dos princípios constitucionais processuais, somente aí, ter-se-á a efetivação de um Estado Democrático de Direito. Toda atuação do Estado há de ser exercida em prol do público, mediante processo justo, e mediante a segurança dos trâmites legais do processo. 13. Funções da administração: planejamento, organização, direção e controle A administração assim como suas funções sofreram constantes mudanças, muito visíveis no último século. Com a chegada de novas tecnologias, novas formas de produção, vendas, logística e mudanças na parte contábil e financeira as teorias assim como a prática precisaram adaptar-se a uma nova realidade administrativa. Das funções da administração de Henri Fayol (precursor dessa teoria), podemos encontrar as seguintes que são demonstradas como PO3C: A primeira delas é: Planejar, isso significa que você terá que criar planos para o futuro de sua organização. Nesse momento começa- mos a programar o que estava no planejamento com o objetivo, claro, de colocar em prática o que está no papel, e é durante esse passo da programação que vemos a estrutura organizacional, a situação da empresa e das pessoas que compõe ela. A segunda função da administração é Organizar. Afinal, qual o sentido de ser uma pessoa organizada? é aquela que sabe onde, fisicamente, se encontra o que é necessário no momento certo, que transforma o ambiente/local de trabalho dela em um ambiente de fácil entendimento para qualquer um encontrar o que precisa? Também, mas no sentido que Fayol define é que as empresas são feitas de pessoas e estrutura física, essa função administrativa utiliza da parte material e social da empresa. A terceira função é Comandar. Essa função serve para orientar a organização, dirigir também. Se a empresa está rumo a um caminho e encontra obstáculos, caberá ao administrador dirigir, se for preciso, ou orientar a organização para traçar o objetivo, às vezes é preciso intervir e tomar as rédeas da organização e orientá-la e dirigi-la. A quarta função é Coordenar. Sem dúvidas, essa é uma função primordial para motivar as pessoas que estão em um ambiente de trabalho, tanto para aprender cada vez mais quanto ao que tem relação em se esforçarem com o objetivo de cumprirem metas e, de forma coletiva, alcançar objetivos traçados pelo administrador da empresa. E por último, a quinta função administrativa é Controlar. Uma organização sem normas e regras, certamente, terá menos desempenho que uma. Segundo Fayol, essas cinco funções administrativas conduzem a uma administração eficaz das atividades da organização. Mas, com o passar do tempo, as funções Comando e Coordenação formaram uma só função, a de Direção. Então as funções de POCCC passaram para PODC (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar). user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 18 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Em síntese, dentro do modelo atual temos: Fonte e texto adaptado de: www.al.sp.gov.br/www.escoladegoverno.pr.gov.br/Fernando Coelho/ Carlos Alberto Bonezzi/Luci Léia De Oliveira Pedraça/ Paulo Roberto Motta/Carlos Ramos EXERCÍCIO COMENTADO 1. (TRT/7ª Região/CE – 2017 - CESPE) Na abordagem científica da organização do trabalho preconizada por Taylor, destaca-se a variável distintiva a) adaptação das máquinas ao trabalhador. b) controle da saúde dos trabalhadores.c) especialização do trabalho. d) conforto dos trabalhadores. Resposta: “Letra C” O que vale é realmente conhecer o pensamento dos autores. Abaixo, uma lista com alguns dos autores mais recorrentes nas provas e suas teorias. user Realce user Realce user Realce 19 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Parte inferior do formulário Taylor - considerado o “Pai da Administração Científi- ca”. Seu foco era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial. Fayol - racionalização da estrutura administrativa Weber - divisão do trabalho baseada na especialização funcional Maslow – Hierarquia das necessidades Alderfer – E(Existencial) R(Relacionamento) C(Crescimento) Vroom – Valor da recompensa (Valência; instrumenta- lidade; expectativa) Skinner – Reforços e Punições McClelland – Realização Pessoal; Afiliação (relaciona- mento); Poder (influência) Herbert Simon – Decisões programadas e não-progra- madas Armand Feigenbaum – Total Quality Control ou Con- trole da Qualidade Total. Walter Stewan – Ciclo PDCA (plan-do-check-act). Kaoru Ishikawa – sete ferramentas do controle esta- tístico da qualidade (diagrama de causa e efeito; folhas de verificação; histograma; cartas ou folllas de controle; fluxograma; diagrama de Pareto; diagrama de disper- são e diagrama de lshikawa). Garvin – Abordagens gerais de qualidade Joseph Juran – trilogia da qualidade: planejamento, controle e melhoria. Philip Crosby – Defeito Zero Edwards Deming – Kaizen, melhoria contínua Charles H. Kepner – Matriz GUT Ford – linha de produção; princípios de intensificação, economicidade e produtividade Porter – Teoria das 5 forças Alternativa A: ERRADA – o processo era o de adap- tação do trabalhador às maquinas. Alternativa B: ERRADA – o foco era na tarefa, no processo produtivo. Alternativa D: ERRADA – o foco era na tarefa e não 2. (TRT/7ª Região/CE – 2017 - CESPE) O objetivo dos estudos de Hawthorne, que deram origem à Escola das Relações Humanas, era a) determinar, por meio de métodos científicos, a tarefa ideal a ser desempenhada pelo operário conforme o seu perfil. b) promover melhores condições de trabalho para os operários nas fábricas. c) demonstrar o impacto das condições físicas do local de trabalho na produtividade dos operários. d) identificar o tipo de estrutura formal da empresa capaz de contribuir para a qualidade de vida dos trabalha- dores. Resposta: “Letra C” Hawthorne pretendia demons- trar a influencia do ambiente de trabalho (condições físicas, de estrutura, de suoorte) no desempenho e produtividade dos trabalhadores. Quanto melhores as condições no espaço de trabalho, mais produtivos seriam os trabalhadores, por exemplo, uma boa ilumi- nação favorece um trabalho mais rápido e de melhor qualidade. 3. (TRT/7ª Região/CE – 2017 - CESPE) O objetivo da nova gestão pública é a) assegurar a impessoalidade e a racionalidade técni- ca na gestão pública por meio da burocratização dos processos. b) fomentar a eficiência da administração por meio da redução de custos e da melhora na qualidade dos ser- viços. c) promover o poder racional-legal como estratégia de combate à corrupção e ao nepotismo. d) garantir o acesso à propriedade privada para o gestor e os seus servidores. Resposta: “Letra C” A nova gestão pública, também conhecida como modelo gerencial de gestão possui foco nos procedimentos, com controle voltado para os resultados, com características de multifuncionalidade, flexibilização das relações de trabalho, busca atender ao cidadão através do alcance de resultados. 4. (TRT/14ª Região/RO e AC – 2016 -FCC) É considerado um mecanismo característico da administração gerencial: a) Controle rígido de procedimentos. b) Gestão hierárquica. c) Normas e regulamentos. d) Controle de legalidade. e) Gestão por Competências. Resposta: “Letra E” Vejamos as características dos três modelos administrativos: Patrimonialista: caracterizado pela não distinção entre o que é patrimônio público e o que é patrimônio priva- do. Apresenta forte presença da seguintes característi- cas: nepotismo, corrupção, ineficiência, improviso, falta de profissionalismo, ausência de métodos de trabalho, falhas de planejamento, entre outras. Burocrático: veio para coibir os excessos do patrimonia- lismo. Segue o modelo racional-legal e apresenta ca- racterísticas como o controle rígido do processo, profis- sionalismo (ligado com a meritocracia e a instituição de planos de carreira), a impessoalidade e o formalismo. Gerencial: possui foco nos procedimentos, com controle voltado para os resultados. As alternativas A, B, C e D estão ERRADAS – trata-se de características burocráticas 05. (TRE/TO - 2017 - CESPE) O processo de burocrati- zação que instituiu um modelo de gestão pública pauta- do no uso do poder racional-legal e na incorporação da racionalidade técnica e do profissionalismo ocorreu no governo de a) Getúlio Vargas. b) Juscelino Kubitschek. c) Fernando Henrique Cardoso. d) Luís Inácio Lula da Silva. e) Eurico Gaspar Dutra. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 20 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Resposta: “Letra A” A estruturação da Máquina Administrativa se dá em sete períodos, conforme vimos em nossos estudos acima. Recapi- tulando temos: 1) 1930 a 1945 – Burocratização da Era Vargas 2) 1956 a 1960 – A administração paralela de JK 3) 1967 – A reforma militar 4) 1988 – A administração pública na nova Constituição 5) 1990 – O governo Collor e o desmonte da máquina pública 6) 1995/2002 – O gerencialismo da Era FHC 7) Nova Administração Pública GESTÃO DE PESSOAS. EQUILÍBRIO ORGANIZACIONAL. OBJETIVOS, DESAFIOS E CARACTERÍS- TICAS DA GESTÃO DE PESSOAS. COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL: RELAÇÕES INDIVÍ- DUO/ORGANIZAÇÃO, MOTIVAÇÃO, LIDERANÇA, DESEMPENHO. GESTÃO DE PESSOAS Quando nos deparamos com um cenário globalizado e com competição cada vez mais acirrada, a Gestão de Pes- soas torna-se fundamentalmente um instrumento diferenciado para as organizações alcançarem sucesso. Segundo (CHIAVENATO, 2005, p. 9): Gestão de pessoas “é o conjunto de decisões integradas sobre as relações de emprego que influenciam a eficácia dos funcionários e das organizações. Assim, todos os gerentes são, em certo sentido, gerentes de pessoas, porque todos eles estão envolvidos em atividades como recrutamento, entrevistas, seleção e treinamento” Exatamente por ser esse diferencial, essa área tem passado por mudanças e transformações, afim de acompanhar a evolução natural das coisas e permitir que o patrimônio intelectual e humano das organizações esteja sempre em desenvolvimento, não apenas nos seus aspectos tangíveis e concretos, mas, principalmente, nos aspectos conceituais e intangíveis. A área de Gestão de Pessoas é uma área muito sensível aos aspectos contingenciais e situacionais da organização, considerando fatores como cultura e estrutura organizacional adotada, clima e ambiente, negócio da organização, tecnologia utilizada dos processos internos, entre vários outros fatores. O papel da Administração para a Gestão de Pessoas tem como definição o ato de trabalhar com e por meio de pessoas para realizar os objetivos tanto da organização quanto de seus membros. Alguns aspectos estão envolvidos na gestão de pessoas, conforme descritos abaixo: • Comportamento; • Processo de decisão; • Ação e execução; • Relacionamento interpessoal; • Comprometimento interpessoal e organizacional; • Perspectiva de futuro; • Envolvimento com processos; • Desenvolvimento de habilidades; • Identificação de capacidades intelectuais – Construindo um patrimônio intelectual. Essa evolução natural percebida pelas organizações trouxe mudanças também na denominação e na forma como se enxerga essa área. Enquanto por muito tempo as organizações consideravam as pessoas como um dos recursos necessários para a existência da organização,hoje essa compreensão envolve um conceito diferenciado, no qual as pessoas não são vistas como um recurso e, sim, como parceiro e colaborador na busca pelos resultados desejados. Gestão de Pessoas atua na área do subsistema social, e há na organização também o subsistema técnico. A intera- ção da gestão de pessoas com outros subsistemas, especialmente o técnico, envolve alinhar objetivos organizacionais e individuais. A seguir, temos três aspectos que dão sustentação a essa colocação do papel das pessoas hoje nas organizações: user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 21 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Como vimos acima, a Gestão de Pessoas tem sido a responsável pela excelência das organizações bem-sucedidas e pelo aporte de capital intelectual, que simboliza, mais do que tudo, a importância do fator humano em plena Era da Informação e do Conhecimento. Como pudemos perceber, existe um processo evolutivo na forma como se trata as pessoas dentro da organização, saindo de um conceito no qual pessoas eram consideradas recursos até chegar no conceito de pessoas como parceiros, sendo que, nessa transição, as mudanças práticas são bem claras, conforme vemos a seguir: Pessoas como Recursos Pessoas como Parceiros Horário rigidamente estabelecido Preocupação com normas e regras Subordinação ao chefe Fidelidade à organização Dependência da chefia Alienação em relação à organização Ênfase na especialização Executoras de tarefas Ênfase nas destrezas manuais Valorização da mão de obra Colaboradores agrupados em equipes Metas negociadas e compartilhadas Preocupação com resultados Satisfação do cliente Vinculação à missão e à visão Interdependência entre colegas Participação e comprometimento Ênfase na ética e responsabilidade Fornecedores de atividade Ênfase no conhecimento Inteligência e talento Valorização do intelecto Uma característica essencial das organizações é que elas são sistemas sociais, com divisão de tarefas, sendo que, nesse contexto, a Gestão de Pessoas atua na área do subsistema social. Dentre os demais sistemas organizacionais, destacamos o subsistema técnico, e é essa interação entre Gestão de pessoas e outros subsistemas, especialmente o técnico, que trabalho para o alinhamento entre os objetivos organiza- cionais e os objetivos individuais. Essa teoria surgiu dos apontamentos feitos sobre motivação, mais especialmente sobre as análises de comportamento que produzem a cooperação por parte dos indivíduos. Essa teoria resume a relação entre pessoas e organização como sendo um sistema no qual a organização recebe cooperação dos colaboradores sob a forma de dedicação ou de trabalho e em troca oferece vantagens e incentivos, dentre os quais podemos citar os salários, prêmios de produção, gratificações, elogios, oportunidades etc. Essa troca mútua cria uma harmonia no ambiente organizacional, permitindo assim que se alcance o equilíbrio organizacional. CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES A Gestão de Pessoas é caracterizada por: participação, capacitação, envolvimento e desenvolvimento do capital humano da organização, que é formado pelas pessoas que a compõem. Cabe à área de gestão de pessoas a função de humanizar as empresas. user Realce user Realce user Realce 22 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Atualmente, nas relações de trabalho, vem ocorrendo mudanças conforme as exigências que o mercado impõe ou na forma de gerir pessoas. Analisemos agora as características e funções dessa área: ATRIBUIÇÕES E OBJETIVOS DA GESTÃO DE PESSOAS Como objetivos, destacamos alguns aspectos bem claros da área de gestão de pessoas: • Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e realizar sua missão; • Proporcionar competitividade à organização; • Proporcionar à organização talentos bem treinados e motivados; • Aumentar a autoatualização e a satisfação das pessoas no trabalho; • Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho; • Administrar a mudança; • Manter política ética e comportamento socialmente responsável. Assim como também compete à área de gestão de pessoas lidar com alguns desafios e atribuições bem relevantes, como vemos a seguir. • Retenção de talentos – antes de mais nada é necessário que a organização consiga identificar os potenciais existentes ali dentro e, a partir daí, criar condições de reter esse talento. Para que essa retenção seja possível, a organização precisa criar uma contrapartida para o colaborador, considerando, aqui, não apenas o aspecto fi- nanceiro, mas os demais aspectos que a geração atual anseia conquistar, como liberdade de tempo, valorização e reconhecimento, oportunidade de crescimento, espaço para participar de forma mais ativa, entre outros. • Choque de gerações – Dentro de uma organização, costumeiramente nos deparamos com várias gerações tra- balhando juntas e, nesse cenário, temos diversidade de características, experiências, expectativas e competências, cabendo à área de gestão de pessoas identificar e equilibrar essas diferenças, evitando assim que um choque de gerações impeça que talentos possam ser descobertos e que trabalhem em conjunto, contribuindo e potenciali- zando o patrimônio intelectual da organização. • Ambiente – Como falamos acima, os anseios da geração atual vão muito além do aspecto financeiro, passando pelo ambiente em que estão inseridos, portanto, cabe à área de gestão de pessoas, dentro do possível, estimular a criação de ambientes mais próximos desses anseios, propiciando mais liberdade, criatividade e estímulos ou- tros que impulsionem esses jovens no processo produtivo. • Papel do Gestor de Pessoas – A área de gestão de pessoas precisa sair do operacional para assumir uma cadeira nas decisões estratégicas. Deve participar opinando e mostrando alternativas de preparação dos profissionais. Antes disso, é preciso estar mais próximo dos clientes internos para acompanhar mudanças, expectativas e iden- tificar quem pode fazer parte de um plano de carreira e de desenvolvimento. Esse gestor deve ser atual, versátil e flexível para atender às necessidades internas e às de mercado. O desafio das empresas é a estruturação de um processo de carreira, tanto horizontal quanto vertical. As pessoas devem começar a ser valorizadas pelas entre- gas, inovações e projetos que fazem e não mais só pela posição que ocupam. Já há algum tempo, a sociedade tem vivido uma transição denominada “Era da Informação e Conhecimento”, no qual as pessoas precisam ser consideradas parte essencial desse processo para que as organizações obtenham êxito em suas operações. No âmbito empresarial, são fundamentais que todos os colaboradores engajados nos processos assimilem a missão e os objetivos da organização, como elementos norteadores na formulação e planejamento de estratégias. Por outro lado, os gerentes devem desenvolver uma atuação que possibilite a ênfase nos focos de apren- dizagem da organização. user Realce 23 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Nesta 3ª fase da globalização em que vivemos, é viá- vel que as organizações que almejam crescimento e me- lhoria contínua invistam em treinamento e qualificação e requalificação de seu pessoal, gerando assim uma sig- nificativa vantagem competitiva num mercado no qual as inovações tecnológicas chegam já com data prevista de saída para novos critérios. Todavia, as empresas que entenderem essa interdependência alcançarão gradual- mente soluções compensatórias em seus trâmites e pro- cessos. Conduzir pessoas numa organização significa dispo- nibilizar o capital (materiais, equipamentos, fatores de produção, treinamento) para que todos os envolvidos no processo (funcionários e parceiros) sintam sua importân- cia para a organização e se renovem dia após dia no al- cance de suas competências profissionais e pessoais em busca de suas eficiências e eficácias. O desempenho das pessoas no processo de tomada de decisão nas instituições, quando entendido o que é eficiência (defeito zero e qualidadetotal) e eficácia (al- cance das metas empresariais), faz com que as empresas entrem no eixo da maturidade mercadológica (posição na qual o produto ou serviço da empresa já é conhecido pelos clientes, mas que pode trazer eventuais problemas caso não se identifique a necessidade de constantes me- lhorias nos processos que serão sentidos pela clientela). Isso tudo traz a área de gestão de pessoas, junto com todos os demais setores organizacionais, para um impor- tante papel estratégico, tanto para despertar e desenvol- ver talentos organizacionais, quanto para potencializar a elaboração e a execução de planos estratégicos que a organização adote para alcançar seus objetivos. Ao longo da história, tivemos muitas teorias pertinen- tes à Administração, podemos citar: Frederick Taylor, que trouxe os princípios da adminis- tração científica, contribuindo para a racionalização do trabalho industrial e para a divisão de autoridade e su- pervisão ao nível de linha (autoridade vertical). Temos também Henry Fayol, que nos apresentou uma teoria mais global da ação administrativa, ao contrário de Taylor, que se dedicou mais as questões relativas à linha de produção. Citamos ainda Henry Ford, que se ocupou do sistema de produção empresarial como um todo, visando a sua maior eficiência, introduzindo conceitos modernos de produção em série e de linhas de montagem, conceben- do um ritmo de trabalho em cadeia, para poupar tempo e custos. Até que chegamos àquela que começa a trabalhar a visão diferente em relação ao indivíduo. Alton Mayo, que nos apresentou uma teoria que tratava exatamente das relações humanas. A Teoria das Relações Humanas preo- cupou-se intensamente com o esmagamento do homem pelo desenfreado desenvolvimento da civilização indus- trializada, salientando que, enquanto a eficiência material aumentou poderosamente nos últimos duzentos anos, a capacidade humana para o trabalho coletivo não mante- ve o mesmo ritmo de desenvolvimento. Mayo afirma que o problema da cooperação não pode ser resolvido apenas por meio do retorno às for- mas tradicionais de organização. O que deve haver é uma nova concepção das relações humanas no trabalho. Como resultado de suas experiências dentro das próprias empresas, verificou que a colaboração na sociedade in- dustrializada não pode ser entregue ao acaso, enquanto se cuida apenas dos aspectos materiais e tecnológicos do progresso humano. A tarefa básica da Administração é formar uma elite capaz de compreender e de comunicar, dotada de chefes democráticos, persuasivos e simpáticos a todo pessoal: ao invés de se tentar fazer os empregados compreende- rem a lógica da administração da empresa, a nova elite de administradores deve compreender as limitações des- sa lógica e ser capaz de entender a lógica dos trabalha- dores. A pessoa humana é motivada essencialmente pela necessidade de “estar junto”, de “ser reconhecida”, de re- ceber adequada comunicação: Mayo se opunha à afirma- ção de Taylor de que a motivação básica do empregado era meramente salarial (homo economicus). Para Mayo, o conflito social deve ser evitado a todo custo por meio de uma administração humanizada que faça um tratamento preventivo e profilático. As relações humanas e a coope- ração constituem a chave para evitar o conflito social, o qual é o germe da destruição da própria sociedade. “O conflito é uma chaga social, a cooperação é o bem-estar social.” Esse processo todo, que veio acompanhando o cená- rio organizacional, justifica a importância da gestão de pessoas, a espinha dorsal, a viga, a estrutura desse todo. Segundo Davel e Vergara (2001, p.31), As pessoas não fazem somente parte da vida produti- va das organizações. Elas constituem o princípio essencial de sua dinâmica, conferem vitalidade às atividades e pro- cessos, inovam, criam, recriam contextos e situações que podem levar a organização a posicionarem-se de maneira competitiva, cooperativa e diferenciada com os clientes, outras organizações e no ambiente de negócios em geral. Conforme Barçante e Castro (1995, p. 20), Ao ouvir a voz do cliente interno, ou seja, dos funcioná- rios, a empresa estará tratando-o como um aliado e não só como um mero cumpridor de ordens, estará vendo que dele dependem os seus resultados. Mas para obter bons resultados, a organização preci- sa abrir mão de alguns paradigmas e criar um cenário em que o colaborador possa pôr em prática toda uma expe- riência profissional já vivenciada ou praticada em outras ocasiões. Nesse momento, o gestor de pessoas (lideran- ça), precisa atuar no sentido de capacitar, estimular e principalmente motivar as pessoas a adquirirem cada vez mais habilidades e atitudes vencedoras para que toda a proposta de negócios atinja grandes resultados, de for- ma que tudo que ficou determinado pelas organizações seja cumprido. A Gestão Estratégica de Pessoas nas organizações é um elo entre metas organizacionais e individuais per- mitindo a colaboração e participação eficaz de todas as pessoas envolvidas. Para isso as etapas Planejar, Organi- zar, Dirigir e Controlar deve ser bem trabalhado pelas li- deranças e gerencias da empresa conduzindo todos num único objetivo. user Realce user Realce user Realce user Realce 24 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Nessa abordagem, faz-se necessário a compreensão e o entendimento sobre Planejamento Estratégico e conse- guintemente o papel potencial das pessoas. É primordial as organizações estabelecerem alguns critérios para que a gestão de pessoas tenha importância sig- nificativa, tais como: – Motivar e reconhecer os esforços de todos os envolvidos; – Transmitir suas ideias e saber exercer suas influências; – Transformar Grupos em Equipes; – Pensar, agir e solucionar problemas; – Gerar ambiente sinérgico; – Ter nos conflitos gerados uma oportunidade de fonte de aprendizagem; – Saber gerenciar o estresse; – Saber delegar; – Desenvolver culturas; – Preparar as pessoas para a avaliação de desempenho; – Elaborar planos individuais de capacitação por competências; – Fornecer opinião sobre as competências individuais; – Identificar, segundo o perfil traçado pela empresa, as pessoas que estão acima, na média ou – aquém das expec- tativas; – Agregar pessoas (valorizar o capital intelectual); – Desenvolver pessoas (integrar e motivar os colaboradores); – Adotar administração horizontal (faz com que as lideranças estejam em maior proximidade dos liderados, privi- legiando o acesso à informação e reduzindo os níveis organizacionais); – Aplicar benchmarking para obtenção de vantagem competitiva; – Desenvolver políticas de parcerias; – Manter e recompensar pessoas; – Monitorar as atividades realizadas diariamente; – Criar um Canal de Reclamações e Sugestões visando a, por meio de críticas construtivas, agregar valores à orga- nização; – Divulgar na Intranet da empresa ou divulgar internamente o desempenho mensal das equipes de trabalho em comparação à evolução alcançada com relação às metas estipuladas pela organização. PROCESSO DE GESTÃO DE PESSOAS Podemos compilar esses e outros critérios dentro de um processo atual de gestão de pessoas, que comporta seis aspectos básicos, como veremos agora: 25 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Todos esses processos estão intimamente relacio- nados entre si, de tal maneira que se interpenetram e se influenciam reciprocamente. Cada processo tende a favorecer ou prejudicar os demais, quando bem ou mal utilizados. Um processo de agregar pessoas malfeito passa a exigir um processo de desenvolver pessoas mais intenso para compensar as suas falhas. Se o processo de recompensar pessoas é falho, ele exige um processo de manter pessoas mais intenso. Além do mais, todos esses processos são desenhados de acordo com as exigências das in fluências ambientais externas e das influências or- ganizacionais internas para obter a melhor compatibili- zação entre si. Trata-se, pois, de um modelo de diagnós- ticode RH. Uma das ferramentas utilizadas pela área de gestão de pessoas para facilitar a administração das informa- ções pertinentes às pessoas envolvidas nos processos organizacionais é o Sistema de Informação Gerencial, no qual, por meio de um banco de dados, é possível fazer o registro de informações que possam auxiliar o gestor e os lideres nos processos decisórios. Os aspectos administrados por meio do SIG podem ser analisados numa visão geral ou focada. Na visão ge- ral, o sistema permite uma análise de todos os processos organizacionais, já os de visão focada, fornecem dados setorizados, referentes aos departamentos que se dese- ja analisar em especifico, sendo que em ambos constam informações como objetivos, estratégias e políticas da empresa, fatores ambientais da empresa, qualidade dos profissionais, das informações e dos processos, tecno- logia da empresa, relação dos custos versus benefícios, bem como os riscos envolvidos e aceitos, entre outros. No entanto, dados coletados por si só não contribuem para esse processo, portanto, faz-se necessário que haja uma análise e classificação desses dados, relacionando entre si as informações e suas possíveis aplicabilidades. No subsistema gestão de pessoas, para facilitar essa classificação e interação de dados, o sistema deve regis- trar dados diversos sobre o colaborador e sua relação com a organização, tais como: • Dados pessoais; • Dados sobre cargos e os encarregados dessas fun- ções; • Dados sobre os setores e departamentos existentes na organização; • Dados sobre remuneração e beneficios; • Dados sobre processos de treinamento e capacita- ção desenvolvidos e/ou necessários; • Dados sobre aspectos relacionados à saúde ocupa- cional, entre outros. Cabe à administração decidir, diante do investimento envolvido, qual o melhor e mais indicado sistema a ser implantado, considerando os processos envolvidos e as expectativas da organização, lembrando também que o sistema só será eficaz se as informações por ele forneci- das forem constantemente atualizadas e revistas, confor- me o desenvolvimento dos processos em andamento na organização. COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Comportamento Organizacional “é um campo de estudo que investiga o impacto que indivíduos, grupos e a estrutura têm sobre o comportamento dentro das organizações com o propósito de aplicar este conheci- mento em prol do aprimoramento da eficácia de uma organização”. Tem por finalidade compreender os “espaços vazios” da organização de forma que estes não prejudiquem o desenvolvimento da organização, possibilitando, assim, reter talentos, evitar o turnover e promover engajamento e harmonia entre os stakeholders. Ter uma compreensão quanto ao comportamento organizacional é extremamente importante para que as lideranças possam prever, e especialmente evitar, pro- blemas individuais ou coletivos entre os colaboradores. O comportamento organizacional refere-se a com- portamentos relacionados a cargos, trabalho, absenteís- mo, rotatividade no emprego, produtividade, desempe- nho humano e gerenciamento. Refere-se ainda à motivação, liderança, poder, co- municação interpessoal, estrutura e processos de grupo, aprendizagem, desenvolvimento e percepção de atitude, processo de mudanças, conflitos. Considerando que, diferentemente das organizações, que possuem uma certa formalidade em sua essência, as pessoas são mais complexas, mais influenciáveis por variáveis diversas e, muitas vezes, são pouco previsíveis. Ao apresentar aos funcionários os ritos, crenças, valo- res, rituais, normas, rotinas e tabus da organização, o que se pretende é buscar a sua identificação com os padrões a serem seguidos na empresa. Dessa forma, se fornece um senso de direção para todas as pessoas que com- partilham desse meio. As definições do que é desejável e indesejável são introjetadas pelos indivíduos atuantes no sistema, orientando suas ações nas diversas interações que executam no cotidiano. Reconhecer os significados e a própria razão de ser da empresa, bem como se familiarizar com as percepções e comportamentos mais aceitos e valorizados na organi- zação, conduz os funcionários a uma uniformidade de atitudes, o que é positivo no sentido de possibilitar maior coesão. No entanto, pode levar a uma perda de indivi- dualidade, pois o comportamento dos indivíduos passa a ser uma extensão do grupo, muitas vezes se estendendo para ambientes externos da organização, quando pas- sam a adotar comportamentos padronizados nas mais diversas situações. Entre os Níveis de Estudos dos Comportamentos Or- ganizacionais, destacamos: • Nível Individual – Estuda as expectativas, motiva- ções, habilidades e competências que cada cola- borador demonstra individualmente por meio de seu trabalho. • Nível Grupal – Estuda a formação das equipes, dos grupos, as funções desempenhadas por estes e a comunicação e interação uns com os outros, além de estudar a influência e o poder do líder neste contexto. Ao ingressar em uma organização, indivíduos com características diversas se unem para atuar dentro de um mesmo sistema sociocultural na busca de objetivos de- user Realce 26 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO terminados. Essa união provoca um compartilhamento de crenças, valores, hábitos, entre outros, que irão orien- tar suas ações dentro de um contexto preexistente, defi- nindo assim as suas identidades. Segundo Dupuis (1996), são os indivíduos que, por meio de suas ações, contribuem para a construção de sua sociedade. Entretanto, os indivíduos agem sempre dentro de contextos que lhes são preexistentes e orien- tam o sentido de suas ações. A construção do mundo social é assim mais a reprodução e a transformação do mundo existente do que sua reconstrução total. Para Berger e Luckmann (1983), a vida cotidiana apresenta-se para os homens como realidade ordenada. Os fenôme- nos estão pré-arranjados em padrões que parecem ser independentes da apreensão que cada pessoa faz deles, individualmente. Dentro dessa perspectiva, a ação humana, em nível do indivíduo e do grupo, mediada pelos processos cog- nitivos, e interdependente do contexto, varia conforme a inserção ambiental e o tipo de organização, tanto quanto também varia internamente em suas subunidades. É im- portante salientar que o universo simbólico integra um conjunto de significados, atribuindo-lhes consistência, justificativa e legitimidade. Em outras palavras, o univer- so simbólico possibilita aos membros integrantes de um grupo uma forma consensual de apreender a realidade, integrando os significados e viabilizando a comunicação. É por meio desse compartilhar da realidade que as identidades dos indivíduos nas organizações são cons- truídas, ao se comunicar aos membros, de forma tangí- vel, um conjunto de normas, valores e concepções que são tidas como certas no contexto organizacional. Ao de- finir a identidade social dos indivíduos, o que se preten- de é garantir a produtividade, pela harmonia e manuten- ção do que foi aprendido na convivência. É importante ressaltar que muitas vezes essas identidades precisam ser reconstruídas quando a empresa se vê diante de situa- ções que exigem mudanças. Daí vem o papel principal da análise do comporta- mento organizacional, que é o de permitir fazer uma lei- tura da dinâmica existente na organização e como essa interfere e influencia o comportamento das pessoas en- volvidas. Considerando que nas relações entre indivíduo e or- ganização existe uma troca de interesses, de conteúdo, de aporte, entre tantos outros aspectos, gerir essa troca é papel da área de gestão de pessoa, que garante que, nessa troca, ambas as partes fiquem satisfeitas. CULTURA ORGANIZACIONAL A cultura organizacional tem por finalidade concei- tuar os valores e as crenças de uma organização, geran- do um entendimento consciente e coletivo sobre a mais indicada e adequada forma de se comportar dentro da organização. Assim como também gera um ajustequase que automático na interação entre os indivíduos, ressal- tando-se que não necessariamente essa cultura esteja formalmente instituída, pois, em alguns casos, esses va- lores são compartilhados entre as pessoas, habitualmen- te, sem que haja um regra formal que a leve a agir dessa forma. Entre os benefícios que a cultura organizacional pode trazer à organização, podemos citar: • Vantagem competitiva derivada de inovação e ser- viço ao cliente; • Maior desempenho dos empregados; • Coesão da equipe; • Alto nível de alinhamento na busca da realização de objetivos. A cultura organizacional tem como base algumas ca- racterísticas básicas que, em conjunto, capturam a essên- cia de uma organização: • Inovação e assunção de riscos: o grau em que os funcionários são estimulados a inovar e assumir riscos. • Atenção aos detalhes: o grau em que se espera que os funcionários demonstrem precisão, análise e atenção aos detalhes. • Orientação para os resultados: o grau em que os dirigentes focam mais os resultados do que as téc- nicas e os processos empregados para seu alcance. • Orientação para as pessoas: o grau em que as de- cisões dos dirigentes levam em consideração o efeito dos resultados sobre as pessoas dentro da organização. • Orientação para as equipes: o grau em que as ati- vidades de trabalho são mais organizadas em ter- mos de equipes do que de indivíduos. • Agressividade: o grau em que as pessoas são com- petitivas e agressivas em vez de dóceis e acomo- dadas. • Estabilidade: o grau em que as atividades organi- zacionais enfatizam a manutenção do status quo em contraste com o crescimento. Tipos de cultura • Culturas adaptativas: caracterizam-se pela sua maleabilidade e flexibilidade e são voltadas para a inovação e a mudança. São organizações que adotam e fazem constantes revisões e atualiza- ções, suas culturas adaptativas evidenciam-se pela criatividade, inovação e mudanças. De um lado, a necessidade de mudança e a adaptação para ga- rantir a atualização e modernização; e de outro, a necessidade de estabilidade e permanência para garantir a identidade da organização. O Japão, por exemplo, é um país que convive com tradições mi- lenares ao mesmo tempo em que cultua e incenti- va a mudança e a inovação constantes. • Culturas conservadoras: caracterizam-se pela ma- nutenção de ideias, valores, costumes e tradições que permanecem arraigados e que não mudam ao longo do tempo. São organizações conservadoras que se mantêm inalteradas como se nada tivesse mudado no mundo ao seu redor. • Culturas fortes: seus valores são compartilhados intensamente pela maioria dos funcionários e in- fluenciam comportamentos e expectativas. • Culturas fracas: são culturas mais facilmente mu- user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 27 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO dadas. Como exemplo, uma empresa pequena e jovem, a qual, por estar no início, torna mais fácil para a administração comunicar os novos valores. Isso explica a dificuldade que as grandes corpora- ções têm para mudar sua cultura. 1. Componentes da cultura A cultura representa a maneira como a organização visualiza a si própria e seu ambiente. Seus principais componentes são os artefatos, valores compartilhados e pressuposições básicas. Vejamos os níveis dos componentes da Cultura Or- ganizacional de acordo com o nível de superficialidade, sendo do mais superficial ao mais profundo. • Artefatos: o mais superficial, visível e perceptível. • Padrões de comportamento: as regras que criam um comportamento linear e padronizado • Valores compartilhados: não são visíveis, estão enraizados nas pessoas, pois esses valores têm re- levância tal que definem as razões pelas quais as pessoas fazem ou deixam de fazer algo. • Pressuposições básicas: trata-se de crenças incons- cientes, pressuposições e sentimentos básicos que regem o pensamento e o comportamento das pes- soas. Este é o nível mais profundo da cultura orga- nizacional. Diante do exposto, temos que a cultura organizacio- nal representa a compreensão que as pessoas envolvidas na organização têm das características da cultura desta, gerando uma sinergia que potencializa a boa convivência interpessoal. CLIMA ORGANIZACIONAL Segundo Chiavenato (1994), o clima organizacional influencia a motivação, o desempenho humano e a sa- tisfação no trabalho. Ele cria certos tipos de expectativas cujas consequências se seguem em decorrência de dife- rentes ações. As pessoas esperam certas recompensas, satisfações e frustrações na base de suas percepções do clima organizacional. Essas expectativas tendem a con- duzir à motivação. O clima organizacional pode ser visto, também, como um conjunto de fatores que interferem na satisfação ou descontentamento no trabalho. Entende-se por fatores de satisfação aqueles que demonstram os sentimentos mais positivos do colaborador em relação ao trabalho, tais como: a realização, o reconhecimento, o trabalho em si, a responsabilidade e o progresso. Por fatores de descontentamento, temos aqueles que contribuem com uma conotação negativa, do ponto de vista do colabora- dor, tais como: as políticas, a administração, a supervisão, o salário e as condições de trabalho. Quando existe um bom clima organizacional, a ten- dência é que a satisfação das necessidades pessoais e profissionais sejam realizadas, no entanto, quando o cli- ma é tenso, ocorre frustração dessas necessidades, pro- vocando insegurança, desconfiança e descontentamento entre os colaboradores. Na opinião de Chiavenato (1994, p.53), “o clima or- ganizacional é favorável quando proporciona satisfação das necessidades pessoais dos participantes, produzindo elevação do moral interno. É desfavorável quando pro- porciona frustração daquelas necessidades.” Clima organizacional pode ser definido também como um conjunto de variáveis que busca identificar os aspectos que precisam ser melhorados, visando à satis- fação e ao bem-estar dos colaboradores Para Bennis (1996, p.6), “clima significa um conjunto de valores ou atitudes que afetam a maneira pela qual as pessoas se relacionam umas com as outras, tais como sinceridade, padrões de autoridade, relações sociais, etc.” Clima organizacional é um conjunto de causas que interferem no ambiente de trabalho. As causas podem variar de acordo com os níveis culturais, de comunicação, econômicos e psicológicos dos indivíduos. Pode-se, ainda, definir clima organizacional como sendo uma visão fotográfica que retrata as percepções mais negativas ou positivas dos indivíduos, que pode ser afetada por fatores internos ou externos. O clima é em geral influenciado pela cultura da orga- nização, embora alguns fatores como políticas organiza- cionais, formas de gerenciamento, lideranças formais e informais, atuação da concorrência e influências gover- namentais também possam alterá-lo. Pode-se também definir clima organizacional como um conjunto de valores, ou seja, aquilo que identifica os colaboradores como seres humanos, suas raças, culturas, crenças. Essas diferenças culturais devem ser reconheci- das como importantes nas organizações, pois mostram a visão de cada um em relação ao ambiente de trabalho. O conceito de clima organizacional é muito abran- gente e complexo, pois busca sintetizar numerosas per- cepções, atitudes e sentimentos em um número limitado de dimensões, numa tentativa de mensuração. 2. Avaliação do clima organizacional A avaliação do clima organizacional é necessária a fim de que a organização tenha parâmetros para buscar me- lhorias no ambiente interno corrigindo problemas que possam estar causando insatisfação dos colaboradores e prejudicando a tanto produtividade dos mesmos quan- to os resultados da organização. O clima organizacional reflete, também, a capacidade da empresa para atrair e reter colaboradores competentes que contribuam com os resultados desejados (CAMPELLO; OLIVEIRA, 2004). Daí a preocupaçãodas empresas em avaliar o clima or- ganizacional. Os profissionais de recursos humanos juntamente com os líderes da organização devem sempre analisar o clima organizacional buscando todas as informações possíveis que possam estar influenciando no resultado dos colaboradores, tais como preocupações, insatisfa- ções, sugestões, dúvidas e inseguranças. Com base nes- sas informações, pode-se fazer um planejamento volta- do para a melhoria das condições de trabalho tendo em vista, além da satisfação do colaborador, o aumento da produtividade do mesmo. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 28 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Avaliar o clima organizacional não compete apenas aos profissionais de recursos humanos, mas sim a todas as pessoas engajadas no processo. Pode-se fazer essa constatação, pois pessoas que estão diretamente liga- das às áreas ou setores a serem avaliados podem anali- sar com uma margem mais segura como é e como pode ser melhorado o desempenho dos colaboradores para o cumprimento dos objetivos da organização. Muitas empresas fazem pesquisa de clima interno com o objetivo de levantar e atuar nos aspectos mais significativos identificados na pesquisa, em que são de- finidas quatro frentes de ação para análise, descritas a seguir: • Desempenho e avaliação: critérios claros de avalia- ção dos funcionários; • Desenvolvimento de pessoas: recrutamento inter- no, treinamento mais alinhado às metas; • Integração: forma de maior integração entre as pessoas, áreas, unidades, com o propósito de maior entrosamento e fortalecimento do banco como um todo; • Processo decisório: tornar o processo decisório mais ágil, deixando-o menos burocrático em al- guns momentos, facilitando decisões e realização de negócios. Esses itens mostram como um bom clima de trabalho influencia diretamente nos negócios e resultados de uma organização. 3. Clima organizacional, motivação e comprome- timento De acordo com Davis & Newstrom (1998), o compor- tamento organizacional integra quatro elementos distin- tos: pessoas, estrutura, tecnologia e ambiente. Isso en- volve conceitos fundamentais sobre a natureza das pes- soas e das organizações, ou seja, como os colaboradores estão preparados para o desempenho de suas funções, seu crescimento e desenvolvimento para atingirem níveis mais altos de competência, criatividade e realização, face à importância dos mesmos serem os recursos centrais em qualquer organização e qualquer sociedade. Então, o comportamento organizacional deve criar produtividade nas organizações. Aí se inclui conheci- mento, habilidade, atitude e motivação. A motivação faz, segundo Davis & Newstrom (1998), o colaborador adqui- rir capacidade. É importante, para todo o esse processo ocorrer de forma normal, que as empresas gerem condições que motivem os colaboradores a um melhor desempenho, ou seja, criem um clima organizacional que facilite o tra- balho para alcançar os resultados pretendidos. Motivação, segundo Ferreira (1999, p. 1371), é o “con- junto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscien- tes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo”. Logo, o comportamento organizacional deve prover condições para criar produtividade nas organizações, fa- zer com que os fatores que atuam sobre a motivação dos colaboradores estejam presentes. Mattar & Ferraz (2004) citam que as empresas sabem o valor e a importância de obter e manter o comprome- timento de seus colaboradores, pois colaboradores com- prometidos propiciam maior eficiência e eficácia. Porém, os autores comentam que nem sempre é fácil conseguir esse comprometimento por parte dos colaboradores. O mercado atualmente exige das empresas uma alta com- petitividade, e estas desejariam o comprometimento de seus colaboradores para atingirem essa maior produtivi- dade com qualidade nos serviços e, assim, obterem um crescimento sustentável. Na era da informação, o maior patrimônio de uma empresa é o seu contingente intelectual, ou seja, as pes- soas, e o grande diferencial está na capacidade que ela tem de atrair, motivar e manter esse patrimônio para ob- ter melhores resultados (MATTAR; FERRAZ, 2004). Entretanto, considerando que as pessoas têm neces- sidades específicas de autorrealização profissional e pes- soal, essa tarefa torna-se cada vez mais difícil. A necessidade de incentivar e manter o comprometi- mento das pessoas levou as empresas a desenvolver pes- quisas sobre perfil dos colaboradores, forma de gestão, liderança, motivação, entre outras, analisando que ações devem ser implantadas para obtenção de maiores resul- tados, conforme Mattar & Ferraz (2004). 4. O papel do gestor no clima organizacional Para Leal (2001), o ambiente organizacional é a per- cepção que os funcionários têm da empresa. É o resulta- do do conjunto das políticas, sistemas, processos, valores e dos estilos gerenciais presentes na empresa. O clima interno é o combustível para a melhora ou a piora dos resultados do negócio. Hoje, as empresas querem e pre- cisam olhar de frente para essa relevante variável e atuar na gestão do clima. A primeira etapa, após se conhecer a percepção das pessoas, é a elaboração de uma pesquisa para se saber em quais aspectos pode-se melhorar. A partir de então, criam-se ações em busca de um ambiente melhor e com mais qualidade, o que naturalmente levará a melhores resultados. Realizar uma pesquisa de clima organizacional é trabalhoso, além de demandar alguns cuidados funda- mentais para o sucesso, como metodologia de pesquisa, confidencialidade de informações etc. Na opinião de Leal (2001), alguns fatores que costumam impactar de forma positiva ou negativa são: estrutura, remuneração, ima- gem da empresa, estilo gerencial, clareza de objetivos e saúde financeira da empresa. A área de recursos humanos costuma conduzir essas pesquisas e, em geral, elas são validadas e “apadrinha- das” pelo principal executivo, que tem nos resultados uma ferramenta de diagnóstico e de marketing para o planejamento da empresa. Os resultados de uma pesquisa de clima podem ser colocados no mercado como uma forte ferramenta para atrair profissionais, como mostram, por exemplo, algu- mas publicações especializadas no setor. Se a empresa não tem uma filosofia para tratar o cli- ma de forma corporativa e coordenada, o gestor pode fazê-lo em seu grupo, prestando atenção às reações das user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 29 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO pessoas, “medindo a temperatura” e analisando cons- tantemente os fatores de impacto do negócio com seu próprio estilo de gestão. Dentro de uma empresa que não cuida institucionalmente de seu ambiente interno, uma área que atue com esses aspectos terá certamente índices mais altos de satisfação, menor rotatividade e ob- terá melhores resultados. No entanto, isso pode não ser suficiente para mudar toda a empresa. Leal (2001) afirma que a empresa pode definir seu clima ideal se levar em consideração fatores como es- tratégias, valores e processos internos. O gestor também pode fazer de sua área um ambiente melhor ou pior para se trabalhar, se comparado com outras áreas da empre- sa. Para isso, outro conjunto de fatores que deve estar sempre em pauta e sendo bem administrado, o qual in- clui: desenvolvimento da equipe, construção e divulga- ção dos objetivos da área, qualidade e rapidez de de- cisões, integração e comunicação, autonomia e suporte para a realização das atividades, administração dos con- flitos, informações sobre a empresa, perspectiva de cres- cimento profissional e imagem da sua área para outras da empresa. Para Chiavenato (1994), o gerente pode criar e de- senvolver um melhor clima organizacional por meio de intervenções no seu estilo gerencial, no sistema de admi- nistrar pessoas, na questão da reciprocidade,na escolha do seu pessoal, no projeto de trabalho de sua equipe, no treinamento de sua equipe, no seu estilo de liderança, nos esquemas de motivação, na avaliação da equipe e, sobretudo, nos sistemas de recompensas e remuneração. A outra fase para a manutenção do clima organiza- cional é um trabalho mais localizado e focado, em que o gestor compõe um plano em conjunto com seus pro- fissionais, cumprindo-o com o envolvimento e a parti- cipação de todos. A gestão de clima, em síntese, é uma gerência dos fatores ambientais, de relacionamento e resultados, em que devem ser cuidados os aspectos de comunicação e valores para que a área e a empresa te- nham visibilidade, atratividade e um grande poder de re- tenção. A manutenção e a atração de bons profissionais e de talentos potenciais são um dos grandes prêmios das empresas que cuidam e se atêm às questões ambientais do trabalho. 5. Ambiência organizacional A Gestão da Ambiência contempla a identificação dos fatores que influenciam a cultura organizacional, desen- volvimento e implementação de planos de ação que es- timulem o comprometimento dos colaboradores, assim como a quantificação do valor percebido pela empresa. Ruy Shiosawa, presidente do Great Place to Work (GPTW), responsável pela pesquisa “100 melhores em- presas para se trabalhar”, diz que: “um melhor ambiente de trabalho atrai talentos e, mais importante, retêm es- ses talentos no longo prazo. Uma maior da preocupa- ção com as pessoas dentro da empresa – e a percepção desse cuidado da empresa por parte dos funcionários – não apenas se reverte em um bom ambiente de trabalho, mas também em melhores indicadores de saúde econô- mica da empresa”. Um bom ambiente de trabalho não se reflete apenas em uma maior felicidade interna da empresa e em um maior comprometimento (ou engajamento) do profissio- nal. Impacta a saúde mental e física do trabalhador e os ambientes externos ao trabalho (como no ambiente fa- miliar). Os resultados dos números mais “frios” também são positivos, claro. Empresas com boa ambiência labo- ral, ao que tudo comprova, são mais rentáveis. 5. O valor da qualidade “Empresas onde os indicadores de Clima Organiza- cional são superiores aos 80% de suporte organizacional e 70% de engajamento têm uma produtividade até 20% superior em comparação com outras empresas com in- dicadores menores. As vendas essas empresas também caminham em par com os indicadores. Uma tendência positiva no clima ambiente profissional pode quadrupli- car as vendas de uma empresa”, aponta Moraes. Observando-se o ranking das “100 melhores empre- sas” e seus resultados na Bolsa de Valores, aponta Shio- sawa, é possível ver a mesma tendência: elas são até 3 vezes mais rentáveis que empresas com piores indica- dores de ambiente de trabalho. O “turnover” – compara- tivo entre contratações e demissões – nessas empresas também é menor. Levando-se em conta que toda con- tratação de um funcionário tem como reflexo um investi- mento por parte da empresa com cursos e treinamentos, por exemplo, um menor “turnover” é garantia de maior manutenção desse investimento no profissional. Como explica Shiosawa, Nós observamos 3 itens que podem explicar esse su- cesso. O primeiro é o sentimento de orgulho que os funcioná- rios sentem do lugar onde trabalham. Profissionais sentem orgulho da empresa quando são respeitadas e percebem que não são apenas mais um número. Elas trabalham para continuar nesses ambientes e recomendam para ou- tros profissionais conhecidos. Isso quer dizer um ”turnover” menor e a atração de mais talentos (profissionais gabari- tados). Em segundo lugar, completa o especialista, está o “ní- vel de camaradagem” dentro da empresa. Isso é um indi- cador de que os times formados no ambiente de traba- lho se complementam (um local mais colaborativo). Além disso, a camaradagem é sinônimo de chefias e gerências equilibradas e respeitosas com os funcionários. “Outro indicador é o de confiança. Ambientes confiá- veis são aqueles onde os indivíduos se sentem respeita- dos, creem nos valores da empresa e têm maior sensação de imparcialidade dos processos implementados no am- biente de trabalho”, aponta. De acordo com Chiavenato (2015), o clima organiza- cional varia ao longo de um continuum, que vai desde um clima favorável e saudável até um clima desfavorável e negativo. Entre esses dois extremos, existe um ponto intermediário: o clima neutro. É necessário ter uma visão sistêmica dos extremos desse fenômeno, e uma das mais importantes interven- ções para levantamento de dados destas variáveis é a user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 30 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO pesquisa de Clima Organizacional, na qual podemos identificar pontos importantes para obtenção de diagnósticos mais precisos de pesquisa de clima. São eles: divulgar amplamente o público-alvo que haverá pesquisa de clima; aplicar as amostras em fontes confiáveis, livres de vícios de procedimento, ou articulações internas; utilizar consultorias exter- nas ou independentes, aumentando a credibilidade e confiabilidade dos dados; alinhar o processo ao nível gerencial e executivo, imprescindível o acompanhamento destas lideranças; focar em objetivos factuais, após a identificação do público para a amostra, ter objetivos claros e segmentos; aplicar questionários reduzidos, concisos, ter o foco em atri- butos importantes, desenvolvido no projeto principal; divulgar amplamente os resultados, manter clareza nos procedi- mento; desenvolver um plano de ação, planejando novas etapas utilizando dados obtidos; desenvolver periodicamente os estudos, fenômenos como Clima Organizacional são cíclicos. Os gestores contemporâneos compreenderão que tratar do fenômeno clima interno como estratégia de gestão torna-se fundamental para o alcance de grandes resultados, market share, diferencial competitivo, sobrevivência em cenário de retração e depressão econômica, resiliência organizacional, sinergia, alinhamento executivo e grande gera- dor de satisfação interna. Em ambientes organizacionais ruins, predomina-se a desmotivação, alta rotatividade de funcionários, ausência de integração, absenteísmo, conflitos, falta de objetivos coletivos, falta de comprometimento das pessoas com negócio da empresa, ausência de transparências na gestão, comunicação deficiente, custos financeiros imensuráveis e falta de respeito ao ser humano. A felicidade em um ambiente empresarial resulta em pessoas produtivas, geradoras de resultados, buscando me- lhores posições hierárquicas, comunicando ao público externo o lado positivo da organização. O resultado financeiro do empreendimento está totalmente conectado ao clima organizacional, e faz-se necessário que seus fatores estejam incorporados aos princípios modernos da gestão estratégica da empresa e que todos dentro da organização tenham a responsabilidade de sua implementação, desde a alta administração, gerentes, líderes, supervisores, enfim, todos os integrantes deste time. MOTIVAÇÃO Trata-se de processos psíquicos que a pessoa tem que a impulsionam à ação. Existe uma influência tanto individual como pelo contexto em que essa pessoa se encontre. Indivíduos motivados tendem a ter um melhor desempenho, o que faz com que a organização invista em estímulos para promover essa motivação. A ideia de hierarquizar os motivos humanos foi, sem dúvida, a solução inovadora para que se pudesse compreen- der melhor o comportamento humano na sua variedade. Um mesmo indivíduo ora persegue objetivos que atendem a uma necessidade, ora busca satisfazer outras. Tudo depende da sua carência naquele momento. Duas pessoas não perseguem necessariamente o mesmo objetivo ao mesmo tempo. O problema das diferenças individuais assume im- portância preponderante quando falamos de motivação. 1. Razões da Motivação 1.1 Razões empresariais • Concorrência; • Produtos e preços; • Fidelização. 1.2 RazõesPessoais • Empregabilidade; • Motivos para servir: • (ordem material = cliente =lucro) • (ordem intelectual = interação / troca / oportunidade) • (ordem espiritual = crescimento pessoal) O indivíduo precisa suprir suas necessidades para motivar-se e alcançar seus objetivos. Podemos identificar os seguintes tipos de motivação: user Realce user Realce user Realce 31 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO O ideal seria o alinhamento de todos esses tipos de motivação; pessoas automotivadas atuando em grupos coesos, com orientação clara, sólida e coerente. Afinal, o que é motivação? É ser feliz? É enxergar o mundo com outros olhos? É conquistar resultados, é superar obstáculos, é ser persistente, é acreditar nos seus sonhos, é o quê? Motivação, segundo o dicionário, é o ato de motivar; exposição de motivos ou causas; conjunto de fatores psicoló- gicos, conscientes ou não, de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, que determinam um certo tipo de conduta em alguém. Sendo assim, motivação está intimamente ligada aos motivos que, segundo o dicionário, é fato que leva uma pessoa a algum estado ou atividade. Motivação vem de motivos que estão ligados simplesmente ao que você quer da vida, e seus motivos são pessoais, intransferíveis e estão dentro da sua cabeça (e do coração). Logo, seus motivos são abstratos e só têm significado pra você, por isso motivação é algo tão pessoal, porque vem de dentro. A motivação é uma força interior que se modifica a cada momento durante toda a vida, a qual direciona e intensifica os objetivos de um indivíduo. Dessa forma, quando dizemos que a motivação é algo interior, ou seja, que está dentro de cada pessoa de forma particular, erramos em dizer que alguém nos motiva ou desmotiva, pois ninguém é capaz de fazê-lo. Existem pessoas que pregam a automotivação, mas tal termo é erroneamente empregado, já que a motivação é uma força intrínseca, ou seja, interior e o emprego desse prefixo deve ser descartado. 32 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Segundo Abraham Maslow, o homem se motiva quando suas necessidades são todas supridas de forma hierárquica. Maslow organiza tais necessidades da se- guinte forma: • Autorrealização; • Autoestima; • Sociais; • Segurança; • Fisiológicas. Tais necessidades devem ser supridas primeiramente no alicerce das necessidades escritas, ou seja, as necessi- dades fisiológicas são as iniciantes do processo motiva- cional, porém, cada indivíduo pode sentir necessidades acima ou abaixo das que está executando, o que quer dizer que o processo não é engessado, e sim flexível. Teoria dos Dois Fatores – Para Frederick Herzberg, a motivação é alcançada por meio de dois fatores: • Fatores higiênicos, que são estímulos externos que melhoram o desempenho e a ação de indivíduos, mas que não conseguem motivá-los. • Fatores motivacionais, que são internos, ou seja, são sentimentos gerados dentro de cada indivíduo a partir do reconhecimento e da autorrealização ge- rada por meio de seus atos. Por outro lado, David McClelland identificou três ne- cessidades que seriam pontos chave para a motivação: poder, afiliação e realização. Para McClelland, tais necessidades são “secundárias”, são adquiridas ao longo da vida, mas que trazem pres- tígio, status e outras sensações que o ser humano gosta de sentir. Em relação às teorias, podemos ainda citar as linhas teóricas, que se dividem em Teorias de Conteúdo e Teo- rias de Processo, nas quais, em cada uma delas, identifi- camos as correntes pertencentes. Disponível em: <gpparaconcursos.blogspot.com.br>. Existem algumas teorias mais clássicas sobre motiva- ção que veremos abaixo: Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow: Organiza as necessidades humanas em cinco catego- rias hierárquicas: necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de au- toestima e necessidades de autorrealização. Teoria ERC de Alderfer: Tentou aperfeiçoar a hierarquia das necessidades de Maslow, criando três categorias: Existência (necessidades fisiológicas e de segurança), Relacionamento (dividiu a estima em duas partes: o componente externo da estima (social) e o componente interno da estima (autoestima), incluindo nessa categoria as necessidades sociais e o componente externo da estima) e Crescimento (incluin- do aqui autoestima e a necessidade de autorrealização). Teoria dos dois fatores de Herzberg: Herzberg descobriu que há dois grandes blocos de necessidade humanas: os fatores de higiene (extrínsecos) e os fatores motivacionais (intrínsecos). Os fatores de Higiene são fatores extrínsecos ou exteriores ao traba- lho. Para Herzberg, eles podem causar a insatisfação e desmotivação se não atendidos, mas, se atendidos, não necessariamente causarão a motivação. Exemplos: se- gurança, status, relações de poder, vida pessoal, salário, condições de trabalho, supervisão, política e administra- ção da empresa. Os fatores motivadores são os fatores intrínsecos, internos ao trabalho. Estes fatores podem causar a satisfação e a motivação. Exemplos: crescimen- to, progresso, responsabilidade, o próprio trabalho, o re- conhecimento e a realização. Teoria da determinação de metas: Considera que a determinação de metas motiva os trabalhadores. A equipe deve participar na definição das metas (construção conjunta), que devem ser claras, desa- fiadoras, mas alcançáveis. Teoria da equidade: Também conhecida como teoria da comparação social. A motivação seria influenciada fortemente pela percepção de igualdade e justiça existente no ambiente profissional. Teoria da expectativa (ou expectância) de Victor Vroom: Construída em função da relação entre três variáveis: Valência, força (instrumentalidade) e expectativa, refe- rentes a um determinado objetivo. Valência, ou valor, é a orientação afetiva em direção a resultados particulares. Pode-se traduzi-la como a preferência em direção, ou não, a determinados objetivos. Valência positiva atrai o comportamento em sua direção, valência zero é indife- rente e valência negativa é algo que o indivíduo prefere não buscar. Força, ou instrumentalidade, por sua vez, é o grau de energia que o indivíduo irá ter que gastar em sua ação para alcançar o objetivo. Expectativa é o grau de probabilidade que o indivíduo atribui a determinado evento, em função da relação entre o esforço que vai ser despendido no evento e o resultado que se busca alcançar. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 33 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Teorias X e Y: McGregor afirmava que havia duas abordagens principais de motivação e liderança: as teorias X e Y. A teoria X apresentava uma visão negativa da natureza humana: pressupunha que os indivíduos são naturalmente preguiçosos, não gostam de trabalhar, precisam ser guiados, orientados e controlados para realizarem a contento os trabalhos. A teoria Y é o oposto: diz que os indivíduos são automotivados, gostam de assumir desafios e responsabilidades e irão contribuir criativamente para o processo se tiverem suficientes oportunidades de participação. Dentre as teorias citadas, a mais difundida é a da Hierarquia das Necessidades, abaixo mais detalhes sobre ela: Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow: necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessi- dades sociais, necessidades de autoestima e necessidades de auto realização. 2. Quanto às implicações dessas teorias Implicações aos Administradores: As implicações para os administradores estão relacionadas quanto à forma de motivar os subordinados: • Determinar recompensas que são valorizadas por cada subordinado. Ao serem motivadoras, devem ser adequa- das aos indivíduos, observando suas reações em diferentes situações e perguntando que tipos de recompensas desejam;• Determinar o desempenho que você deseja e qual o nível de desempenho que os subordinados têm que ter para serem recompensados; • Fazer com que o nível de desempenho seja alcançável – a motivação poderá ser baixa se os subordinados acha- rem que o que foi determinado é difícil ou impossível; • Ligar as recompensas ao desempenho; • Certificar se a recompensa e adequada - recompensas pequenas significam motivações fracas. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 34 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Implicações para a Organização: A expectativa da motivação também traz várias impli- cações para a organização: • Geralmente, as organizações recebem o equivalen- te a recompensa e não o que desejam – o sistema de recompensas deve ser projetado para motivar os comportamentos desejados; ex.: segurança e aumento de produção. • O trabalho em si pode tornar-se intrinsicamente recompensador – se forem projetados para aten- der as necessidades mais elevadas dos emprega- dos, como ex.: independência, criatividade e o tra- balho pode ser motivador por si mesmo. • Portanto, a tarefa mais importante para os admi- nistradores e organizações é garantir que os su- bordinados tenham os recursos necessários para dar o melhor de si em prol do planejamento da organização. • Ainda sobre motivação, precisamos entender o processo que leva o indivíduo a tomar uma ação em busca de um objetivo, conforme mostra o Ciclo Motivacional. 3. O Ciclo Motivacional O ciclo motivacional percorre as seguintes etapas: • Uma necessidade rompe o estado de equilíbrio do organismo; • Causando um estado de tensão, insatisfação, des- conforto e desequilíbrio; • Esse estado de tensão leva o indivíduo a um com- portamento ou ação capaz de descarregar a ten- são ou livrá-lo do desconforto e do desequilíbrio. Se o comportamento for eficaz, o indivíduo encontra- rá a satisfação da necessidade e, satisfeita essa necessi- dade, o organismo volta ao estado de equilíbrio anterior e à sua forma de ajustamento ao ambiente. As necessidades ou motivos não são estáticos, pelo contrário, são forças dinâmicas e persistentes que provo- cam comportamentos. Com a aprendizagem e a repetição (reforço positivo), os comportamentos tornam-se gradativamente mais efi- cazes na satisfação de certas necessidades. Quando uma necessidade é satisfeita, ela não é mais motivadora de comportamento já que não causa tensão ou desconforto. O ciclo motivacional pode alcançar vários níveis de re- solução da tensão: uma necessidade pode ser satisfeita, frustrada (quando a satisfação é impedida ou bloqueada) ou compensada (a satisfação é transferida para objeto). Muitas vezes a tensão provocada pelo surgimento da necessidade encontra uma barreira ou obstáculo para a sua liberação. Não encontrando a saída normal, a tensão represada no organismo procura um meio indireto de saída, seja por via psicológica (agressividade, desconten- tamento, tensão emocional, apatia, indiferença etc.) seja por via fisiológica (tensão nervosa, insônia, repercussões cardíacas ou digestivas etc.). Outras vezes, a necessidade não é satisfeita nem frustrada, mas é transferida ou com- pensada. Isto se dá quando a satisfação de outra necessi- dade reduz ou aplaca a intensidade de uma necessidade que não pode ser satisfeita. A satisfação de alguma necessidade é temporal e passageira, ou seja, a motivação humana é cíclica e orien- tada pelas diferentes necessidades. O comportamento é quase um processo de resolução de problemas, de satis- fação de necessidade, à medida que elas vão surgindo. O conceito de motivação – ao nível individual – con- duz ao de clima organizacional – ao nível da organiza- ção. Os seres humanos estão continuamente engajados no ajustamento a uma variedade de situações, no sen- tido de satisfazer suas necessidades e manter um equi- líbrio emocional. Isto pode ser definido com um estado de ajustamento. Tal ajustamento não se refere somente à satisfação das necessidades de pertencer a um grupo so- cial de estima e de autorrealização. É a frustração dessas necessidades que causa muitos dos problemas de ajus- tamento. Como a satisfação dessas necessidades supe- riores depende muito de outras pessoas, particularmente daquelas que estão em posições de autoridade, torna-se importante para a administração compreender a natu- reza do ajustamento e do desajustamento das pessoas. O ajustamento – assim como a inteligência ou as apti- dões – varia de uma pessoa para outra e dentro do mes- mo indivíduo de um momento para outro. Varia dentro de um continuum e pode ser definido em vários graus. Um bom ajustamento denota “saúde mental”. Uma das maneiras de se definir saúde mental é descrever as ca- racterísticas de pessoas mentalmente sadias. As caracte- rísticas básicas de saúde mental são: • As pessoas sentem-se bem consigo mesmas; • As pessoas sentem-se bem em relação às outras pessoas; • As pessoas são capazes de enfrentar por si as de- mandas da vida. Diante disso tudo, importante é a postura da área de gestão de pessoas frente a esses aspectos, devendo estar sempre atenta, oferecendo ferramentas que proporcio- nem a motivação constante dos colaboradores e equipes no dia a dia de trabalho. LIDERANÇA Uma característica essencial das organizações é que elas são sistemas sociais, com divisão de tarefas. É aí que entra o conceito de Gestão de Pessoas! Gestão de Pes- soas é um modelo geral de como as organizações se re- lacionam com as pessoas. user Realce user Realce user Realce 35 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Profissionais capazes de liderar, de exercer poder e influência sobre as pessoas, fazem a diferença para muitas organizações. É uma atividade que, se bem feita, mantém a saúde das relações entre os indivíduos. Por isso, é muito importante essa atenção dada aos fundamentos da psicologia. Segundo Chiavenato, Liderança é uma influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida por meio do processo de comu- nicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos. Os elementos que caracterizam são, portanto, quatro: a influência, a situação, o processo de comunicação e os objetivos a alcançar. A liderança não deve ser confundida com direção nem com gerência. Um bom administrador deve ser necessaria- mente um bom líder. Por outro lado, nem sempre um líder é um administrador. Na verdade, os líderes devem estar presentes no nível institucional, intermediário e operacional das organizações. Todas as organizações precisam de líderes em todos os seus níveis e em todas as suas áreas de atuação. A liderança envolve o uso da influência e todas as relações interpessoais podem envolver liderança. Todas as rela- ções dentro de uma organização envolvem líderes e liderados: as comissões, os grupos de trabalho, as relações entre linha e assessoria, supervisores e subordinados etc. Outro elemento importante no conceito de liderança é a comunica- ção. A clareza e a exatidão da comunicação afetam o comportamento e o desempenho dos liderados. A dificuldade de comunicar é uma deficiência que prejudica a liderança. O terceiro elemento é a consecução de metas. O líder eficaz terá de lidar com indivíduos, grupos e metas. A eficácia do líder é geralmente considerada em termos de grau de realização de uma meta ou combinação de metas. Mas, por outro lado, os indivíduos podem considerar o líder como eficaz ou ineficaz, em termos de satisfação decorrente da experiência total do trabalho. De fato, a aceitação das diretrizes e co- mandos de um líder apoia-se muito nas expectativas dos liderados de que suas respostas favoráveis os levarão a bons resultados. Nesse caso, o líder serve ao grupo como um instrumento para ajudar a alcançar objetivos. 1. Papel do líder Alcançar eficiência concreta e constante para a organização, por meio de métodos avaliativos, controle e mensura- ção dos resultados. 2. Estilo de Liderança user Realce 36 N O ÇÕ ESD E AD M IN IS TR AÇ ÃO 3. Teorias sobre Liderança É claro que a teoria e o estilo de liderança têm sua importância no contexto, mas o que vale mesmo é que as orga- nizações compreendam definitivamente o papel do líder, a relevância que esse elemento tem na gestão organizacional, instigando a equipe a ser melhor a cada dia. Compete à organização dar o suporte que esse agente motivador precisa para potencializar o desenvolvimento humano, por meio dos desafios colocados à equipe, provocando alto desempenho, estimulando-os a assumir cada vez mais o compromisso de atingirem um nível de competência de excelência. Ao líder compete compreender como fazer isso tudo, por meio de críticas construtivas que visam a melhorar o desempenho, por meio de decisões que resolvam os conflitos existentes e por meio de um olhar atento para descobrir talentos, aos quais deve dar feedback e dos quais deve receber, estando disposto a aprender, assim como ensinar. O papel do líder é o de criar vínculos de confiança, a partir de relações éticas, de postura comprometida com os liderados em harmonia com os objetivos da organização. Quando esse papel é notado dentro das organizações, a pessoas nelas envolvidas se sentem respeitadas e valori- zadas, o clima organizacional é de harmonia e sinergia e, com isso, as organizações atingem não apenas um nível de competitividade no mercado, mas conseguem firmar seu diferencial de maturidade organizacional. GESTÃO POR COMPETÊNCIA A lógica da Gestão por Competências tem como base a obtenção das competências organizacionais, das áreas e das pessoas, necessárias para que a organização atinja seus objetivos estratégicos. Os subprocessos (recrutamento e seleção, o planejamento e a alocação da força de trabalho e a capacitação de pessoal) de gestão de recursos humanos, assim como o plano de carreira e de Remuneração serão balizados pelas necessidades de suprimento dessas competências. 1. Por que mapear as competências? O Sistema de Gestão por Competências, no bojo da Gestão Estratégica Organizacional e de Pessoas, permite geren- ciar as competências e propicia a inovação, a aprendizagem e o desenvolvimento individual e de grupo. Por meio do mapeamento das competências, a organização consegue identificar a lacuna entre as competências existentes e as necessárias. Com base nesse mapeamento, ela planeja as formas de preencher essas lacunas por meio de contratação, capacitação, treinamento e realocação. 37 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 2. Principais etapas do processo de gestão por competências A organização define suas necessidades, em termos de perfis de competências, por meio da formulação da Estra- tégia Organizacional e do Mapeamento de Competências. Este último, realizado não só por levantamentos, mas por meio de instrumentos como a Avaliação de Desempenho. Quanto aos perfis profissionais, as necessidades da organização poderão ser satisfeitas por ações de: • Captação – incluindo recrutamento, seleção, contratação e realocação. • Desenvolvimento – incluindo capacitação e treinamento. Esses processos devem ser avaliados permanentemente e serão os realimentadores da formulação da estratégia organizacional e do mapeamento de competências. Por fim, os resultados da aplicação desses mecanismos deverão ser traduzidos em retribuição aos servidores, por meio do reconhecimento e da premiação pelo desempenho ou até pela remuneração por competências. Vejamos a dinâmica desses elementos: BRANDÃO, Hugo Pena; BAHRY, Carla Patricia. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público. Brasília 56 (2): pp.179-194. Abr./Jun. 2005. Num mundo onde as decisões, os processos e as atitudes devem ser rápidas e agressivas, o diferencial de uma or- ganização são as pessoas que lá trabalham com seus talentos e ideias. Não importa o ramo da organização, se quiser prosperar, ela precisará de pessoas bem formadas, empreendedoras, visionárias, inovadoras e entusiasmadas. Pessoas que possam resolver problemas, com muito talento e alto poder de realização, flexíveis e capazes de enfrentar novos desafios. São elas que ajudarão novos negócios a atravessar os obstáculos da nova economia. Para atrair e reter talentos em uma organização é fundamental, também, que a organização mantenha um clima de trabalho sadio, amistoso, motivador, voltado ao progresso. A gestão por competências, ao viabilizar o contínuo desen- volvimento das pessoas, pode contribuir para o alcance desse objetivo. A gestão por competências deve ser um processo contínuo e estar alinhada com as estratégias organizacionais. Sua adoção implica em redirecionamento das ações tradicionais da área de gestão de pessoas, tais como: recrutamento e seleção, treinamento, gestão de carreira e avaliação de desempenho. Também implica na formalização de alianças estratégicas para capacitação e desenvolvimento das competências necessárias ao alcance de seus objetivos. As competências técnicas são sempre mais fáceis de serem gerenciadas, uma vez que são avaliadas de forma mais objetiva. Exemplos de competência técnica: fluência em inglês, habilidade com o Excel, técnicas de redação, matemá- tica financeira etc. É possível “medir” o quanto o colaborador possui dessas competências no dia a dia e a capacitação técnica acaba sendo sempre uma tarefa mais fácil de ser administrada pelo RH das empresas, uma vez que o mercado de treinamento está repleto de boas soluções para esse fim. Competência técnica é pré-requisito de qualquer colaborador. Ele simplesmente precisa conhecer o seu negócio. Para o exercício da sua função, ele deve carregar consigo essa capacitação e estar constantemente atualizado sobre novas técnicas que o mercado demanda. Então por que colaboradores altamente capacitados tecnicamente podem não apresentar bons indicadores de per- formance? Porque o diferencial está na atitude, não na técnica. A gestão das ações está contemplada nas competências comportamentais. Mais difícil de ser avaliada por ser um tanto quanto subjetiva, uma boa competência comporta- user Realce 38 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO mental deve ser elaborada de tal forma que traga alto grau de objetividade. Assim, são criadas as evidências de comportamento para cada competência, que nos dizem como ela deve ser avaliada e desenvolvida. Exemplo de competência comportamental: Desenvolvimento de pessoas e da organização. Mas como medir se o colaborador entrega ou não esse comportamento? Por meio das evidências que são esperadas para essa competência. Por exemplo: • Busca feedbacks constantemente? • Desenvolve planos de ação para seus pontos de melhoria? • Auxilia o gestor a identificar potenciais/talentos na equipe? • Assume responsabilidade pelo autodesenvolvi- mento? Zarifian define a competência como sendo a inteli- gência prática aplicada na solução dos problemas que surgem. Essa inteligência precisa apoiar-se nos conhe- cimentos adquiridos, procurando constantemente revê- -los e atualizá-los, de modo a adaptá-los aos desafios cotidianos. Uma das mais conhecidas definições é a que diz ser competência um conjunto de conhecimentos, habilida- des e atitudes que credenciam um indivíduo a exercer uma determinada função, que podemos resumir pela si- gla: CHA. Veja a imagem a seguir. Agora vamos analisar as etapas que envolvem a ges- tão por competências, conforme figura abaixo. • Sensibilização: Devemos integrar e informar toda a empresa de uma forma clara e inequívoca, estan- do os responsáveis sempre abertos a questões ou sugestões. Somente com toda a empresa focada neste tipo de gestão e reconhecendo a importân- cia da mesma se consegue alcançar os objetivos pretendidos. • Identificação das competências: após a definição do rumo que delineamos para a nossa empresa, devemos então analisar quais as competências existentes. Antes de qualquer ação dentro da em- presa, devemos analisar o que já existe para saber- mos de que pontopartimos. • Reavaliação dos cargos: Após analisarmos quais as competências existentes e necessárias para ob- termos o sucesso pretendido, devemos procurar formação para atender às necessidades. Essa for- mação poderá ser de caráter comportamental ou técnico, tendo sempre como objetivo permitir que os colaboradores da empresa alcancem as compe- tências pretendidas. • No entanto, é bem provável que não se consiga obter todas as competências necessárias por meio da formação, assim sendo, devemos procurar pes- soas com as competências necessárias, ou seja, implementar processos de recrutamento e seleção por competências. • Treinamento: torna-se necessário implantar e rea- lizar ações de capacitação e de desenvolvimento conforme as necessidades identificadas. • Avaliações de qualificações: verificar a eficácia das ações de capacitação e de desenvolvimento que foram implantadas. • Avaliações de desempenho: verificar se as lacunas de competências e de desempenho foram supera- das. Segundo Maria Odete Rabaglio, Gestão por Compe- tências é um conjunto de ferramentas práticas, consis- tentes e objetivas que torna possível para as empresas instrumentalizar RH e Gestores para fazer Gestão e De- senvolvimento de pessoas com foco, critério e clareza. Isso por meio de ferramentas mensuráveis, personaliza- das e construídas com base nas atribuições dos cargos e funções. A Gestão por Competências é composta por alguns subsistemas, como: user Realce user Realce user Realce 39 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO • Mapeamento e Mensuração por Competências; • Avaliação por Competências (Avaliação de Desem- penho); • Plano de Desenvolvimento por Competências; • Seleção por Competências; • Remuneração por Competências. 2.1 Mapeamento e Mensuração por Competên- cias O Mapeamento e Mensuração por Competências é a base de toda a Gestão por Competências. A partir da Descrição de Cargo, isto é, das atividades que o cargo executa no dia a dia, é realizado o mapeamento das competências técnicas e comportamentais (CHA) para cada uma das atividades. Depois disso, é feita a men- suração do grau ideal para o cargo, isto é, o quanto o cargo precisa de cada uma das competências para atingir os objetivos da empresa. O resultado do Mapeamento e Mensuração é a identificação do perfil comportamental e técnico ideal para cada cargo ou função. Deve-se tomar muito CUIDADO com as metodolo- gias subjetivas existentes no mercado, baseadas no acho e não acho, gosto e não gosto, pode e não pode, o ideal seria etc. Essas metodologias promovem grandes equí- vocos na obtenção do perfil ideal do cargo. 2.2 Avaliação por Competências A partir da Avaliação por Competências, também cha- mada de Avaliação de Desempenho, será identificado se o perfil comportamental e técnico dos colaboradores de uma corporação estão alinhados ao perfil ideal exigido pelos cargos. A Avaliação por Competências é uma maneira de es- timar o aproveitamento do potencial individual de cada colaborador dentro das organizações. O resultado da Avaliação será a identificação das competências comportamentais e técnicas que precisam ser aperfeiçoadas. 2.3 Plano de Desenvolvimento por Competências Baseado no resultado da Avaliação por Competên- cias, será criado um Plano de Desenvolvimento para os colaboradores, cujo objetivo será aperfeiçoar e potencia- lizar o perfil individual de cada colaborador. • O uso de software na Gestão por Competências • Um projeto de implantação de gestão por compe- tências em uma empresa demanda grande traba- lho e dedicação da área de Recursos Humanos e gestores. • A utilização de um sistema informatizado desde o início do processo facilita grandemente o geren- ciamento e as chances de sucesso do projeto. • Alguns benefícios da Gestão por Competências • Melhora o desempenho dos colaboradores; • Identifica as necessidades de treinamentos; • Alinha os objetivos e metas da organização e da equipe; • Reduz a subjetividade na Seleção e Avaliação de pessoas; • Analisa o desenvolvimento dos colaboradores; • Enriquece o perfil dos colaboradores, potenciali- zando seus resultados; • Melhora o relacionamento entre gestores e lidera- dos; • Mantém a motivação e o compromisso; • Extrai o máximo de produtividade de cada colabo- rador. 2.4 Vantagens na adoção do sistema de gestão por competências A adoção do sistema de gestão por competências apresenta diversas vantagens, entre as quais se desta- cam: • Clara visualização das disponibilidades e necessi- dades em termos de competências; • Maior flexibilidade para alocar as pessoas confor- me as competências necessárias; • Desenvolvimento de competências para a agre- gação de valor à organização e ao indivíduo, com foco em resultados; • Sistematização do plano de desenvolvimento dos servidores a partir das necessidades reais; • Atendimento às demandas organizacionais com a utilização das competências adequadas; • Planejamento de carreira do servidor vinculado às demandas organizacionais; • Melhor aproveitamento dos talentos existentes na instituição; • Abertura de espaço para a negociação entre os ge- rentes e seus subordinados. GESTÃO DE DESEMPENHO A maneira mais eficaz do gestor demonstrar que está a par dos resultados apresentados por seus colaborado- res é acompanhando de perto as atividades que esses realizam. E o método mais eficaz de demonstrar esse acompanhamento é por meio da Avaliação de Desempe- nho do colaborador. A avaliação de desempenho é uma ferramenta da gestão de pessoas que visa a analisar o desempenho individual ou de um grupo de funcionários em uma determinada empresa. É um processo de identi- ficação, diagnóstico e análise do comportamento de um colaborador durante um intervalo de tempo, analisando sua postura profissional, seu conhecimento técnico, sua relação com os parceiros de trabalho etc. Esse método tem por objetivo analisar as melhores práticas dos funcionários, proporcionando um cresci- mento profissional e pessoal, visando a um melhor de- sempenho de suas funções no ambiente de trabalho. Além disso, é uma importante ferramenta de auxílio à administração de recursos humanos da empresa, alimen- tando-a com informações que auxiliam a tomada de de- cisão sobre práticas de bonificação, aumento de salários, demissões, necessidades de treinamento etc. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 40 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Segundo Wagner Siqueira, o processo de avaliação de desempenho de um colaborador inclui, dentre outras, as expectativas desejadas e os resultados reais, sendo di- vidida em algumas etapas: • Apreciação diária do comportamento do colabora- dor, seus progressos e limitações, êxitos e insuces- sos, com oferecimento permanente de feedback instantâneo; • Identificação e equacionamento imediato dos pro- blemas emergentes, procurando manter continua- mente um alto padrão de motivação e de obten- ção de resultados; • Entrevistas formais periódicas de avaliação de de- sempenho, em que avaliador e avaliado analisam os resultados obtidos no período considerado e redefinem novas orientações, compromissos recí- procos e ações corretivas, se for o caso. Neste processo, o gestor precisa avaliar as fraquezas e limitações dos funcionários, buscando identificar pontos de melhoria, necessidade de treinamento, ou até mes- mo remanejamento do indivíduo para outras funções em que poderia render melhor. Assim, o papel principal da avaliação de desempenho é identificar e trabalhar de forma sistêmica as diferenças de desempenho entre os muitos funcionários da organi- zação. Tendo sempre como base a interação constante entre avaliador e avaliado. Disponível em: <http://www.sobreadministracao. com/avaliacao-de-desempenho-o-que-e-e-como-fun- ciona/>. Acesso em: 14 jul. 2018. 1. Formas de avaliação de desempenho Listamos abaixo os métodosmais tradicionais de ava- liação: • Escalas gráficas de classificação: é o método mais utilizado nas empresas. Avalia o desempenho por meio de indicadores definidos, graduados através da descrição de desempenho numa variação de ruim a excepcional. Para cada graduação pode ha- ver exemplos de comportamentos esperados para facilitar a observação da existência ou não do indi- cador. Permite a elaboração de gráficos que facili- tarão a avaliação e o acompanhamento do desem- penho histórico do avaliado. • Escolha e distribuição forçada: consiste na avalia- ção dos indivíduos através de frases descritivas de determinado tipo de desempenho em relação às tarefas que lhe foram atribuídas, entre as quais o avaliador é forçado a escolher a mais adequada para descrever os comportamentos do avaliado. Este método busca minimizar a subjetividade do processo de avaliação de desempenho. • Pesquisa de campo: tem base na realização de reuniões entre um especialista em avaliação de desempenho da área de Recursos Humanos e cada líder, para avaliação do desempenho de cada um dos subordinados, levantando-se os motivos de tal desempenho por meio de análise de fatos e situações. Este método permite um diagnóstico padronizado do desempenho, minimizando a sub- jetividade da avaliação. Ainda possibilita o planeja- mento, conjuntamente com o líder, do desenvolvi- mento profissional de cada um. • Incidentes críticos: enfoca as atitudes que repre- sentam desempenhos altamente positivos (suces- so), que devem ser realçados e estimulados, ou altamente negativos (fracassos), que devem ser corrigidos através de orientação constante. O mé- todo não se preocupa em avaliar as situações nor- mais. No entanto, para haver sucesso na utilização desse método, é necessário o registro constante dos fatos para que estes não passem despercebi- dos. • Comparação de pares: também conhecida como comparação binária, faz uma comparação entre o desempenho de dois colaboradores ou entre o desempenho de um colaborador e sua equipe, po- dendo fazer o uso de fatores para isso. É um pro- cesso muito simples e pouco eficiente, mas que se torna muito difícil de ser realizado quanto maior for o número de pessoas avaliadas. • Auto avaliação: é a avaliação feita pelo próprio avaliado com relação a sua performance. O ideal é que esse sistema seja utilizado conjuntamente a outros sistemas para minimizar o forte viés e a falta de sinceridade que podem ocorrer. • Relatório de performance: também chamada de avaliação por escrito ou avaliação da experiência, trata-se de uma descrição mais livre acerca das ca- racterísticas do avaliado, seus pontos fortes, fracos, potencialidades e dimensões de comportamento, entre outros aspectos. Sua desvantagem está na dificuldade de se combinar ou comparar as classifi- cações atribuídas e por isso exige a suplementação de um outro método, mais formal. • Avaliação por resultados: é um método de avalia- ção baseado na comparação entre os resultados previstos e realizados. É um método prático, mas que depende somente do ponto de vista do super- visor a respeito do desempenho avaliado. • Avaliação por objetivos: baseia-se numa avaliação do alcance de objetivos específicos, mensuráveis, alinhados aos objetivos organizacionais e nego- ciados previamente entre cada colaborador e seu superior. É importante ressaltar que, durante a avaliação, não devem ser levados em consideração aspectos que não estavam previstos nos objetivos, ou não tinham sido comunicados ao colaborador. E ainda, deve-se permitir ao colaborador sua auto- avaliação para discussão com seu gestor. • Padrões de desempenho: também chamado de padrões de trabalho, é quando há estabelecimento de metas somente por parte da organização, mas que devem ser comunicadas às pessoas que serão avaliadas. • Frases descritivas: trata-se de uma avaliação atra- vés de comportamentos descritos como ideais ou negativos. Assim, assinala-se “sim” quando o comportamento do colaborador corresponde ao user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 41 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO comportamento descrito, e “não” quando não corresponde. É diferente do método da Escolha e distribuição forçada no sentido da não obrigato- riedade na escolha das frases. • Avaliação 360 graus: neste método, o avaliado recebe feedbacks (retornos) de todas as pessoas com quem ele tem relação, também chamados de stakeholders, como pares, superior imediato, subordinados, clientes, entre outros. • Avaliação de competências: trata-se da identifica- ção de competências conceituais (conhecimento teórico), técnicas (habilidades) e interpessoais (ati- tudes) necessárias para que determinado desem- penho seja obtido. • Avaliação de competências e resultados: é a con- jugação das avaliações de competências e resulta- dos, ou seja, é a verificação da existência ou não das competências necessárias de acordo com o desempenho apresentado. • Avaliação de potencial: com ênfase no desempe- nho futuro, identifica as potencialidades do ava- liado que facilitarão o desenvolvimento de tarefas e atividades que lhe serão atribuídas. Possibilita a identificação de talentos que estejam trabalhando aquém de suas capacidades, fornecendo base para a recolocação dessas pessoas. • Balanced Scorecard: sistema desenvolvido por Ro- bert S. Kaplan e David P. Norton na década de 90, avalia o desempenho sob quatro perspectivas: fi- nanceira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. São definidos objeti- vos estratégicos para cada uma das perspectivas e tarefas para o atendimento da meta em cada obje- tivo estratégico. 2. Vantagens da Avaliação de desempenho Por meio da avaliação de desempenho é possível identificar novos talentos dentro da própria organização, mediante análise do comportamento e das qualidades de cada indivíduo, gerando, assim, novas possibilidades para remanejamento interno de colaboradores. Além disso, pode oferecer bonificações e premiações aos fun- cionários que mais se destacarem na avaliação. Outra vantagem é a possibilidade de gerar um fee- dback mais fácil aos funcionários analisados e gestores, uma vez que tem como resultado informações relevan- tes, sólidas e tangíveis para um resultado eficiente. Esse feedback faz com que os avaliados queiram investir ain- da mais em seu desenvolvimento, melhorando seu de- sempenho e trazendo vantagens para a empresa. Este método é importante, também, para eliminar “achismos” e palpites quanto à avaliação de um funcio- nário. É um meio de obter informações reais e avaliar de perto as implicações de uma possível mudança na gestão de recursos humanos da empresa. Por isso, manter esse tipo de avaliação pode trazer muitos benefícios e mudanças positivas na gestão de pessoas de uma organização, seja qual for o seu tama- nho. Com ela, o gestor pode avaliar melhor seus subor- dinados, melhorar o clima de trabalho, investir no treina- mento de seus pares, melhorar a produtividade, desen- volver os métodos de remuneração, fazê-los trabalhar de forma mais eficiente etc. Todos ganham quando uma equipe é avaliada de forma satisfatória pelos gerentes. 3. Aplicações A avaliação de desempenho presta-se ao exercício de diferentes funções administrativas, motivacionais e de comunicação, como citadas a seguir: • Identificação de pontos fortes e fracos dos colabo- radores e, consequentemente, da organização; • Identificação de diferenças individuais; • Estímulo à comunicação interpessoal; • Desenvolvimento do conceito “equipe de dois”, formada por chefe e subordinado; • Informação ao colaborador de como o seu desem- penho é percebido; • Estímulo ao desenvolvimento individual do avalia- dor e do avaliado; • Indicações de promoções e de aumentos salariais por mérito; • Indicações de necessidade de treinamento; • Gestão decrises nas equipes e nos processos ope- racionais (sistemas técnicos e sociais); • Auxílio na verificação de aprendizagens; • Identificação de problemas de trabalho em geral, no relacionamento individual, intraequipe ou inte- requipes; • Registro histórico suplementar para ações admi- nistrativas de gestão; • Apoio às pesquisas de clima organizacional. 4. Indicadores de Desempenho O que não é medido não é gerenciado.... Robert Kaplan Se você não mede algo, você não pode entender o pro- cesso. Se você não entende o processo, você não consegue aperfeiçoá-lo. Peter Druker A utilização de indicadores de desempenho para aferir os resultados alcançados pelos administradores é uma metodologia que está relacionada ao conceito de gerenciamento voltado para resultados (result oriented management – ROM). Esse conceito tem sido adotado nas administrações públicas de diversos países, espe- cialmente nos de cultura anglo-saxônica (EUA, Austrália, Reino Unido). Para alguns estudiosos/autores da literatura especia- lizada, o conceito de indicador de desempenho pode ser definido como um instrumento de mensuração quanti- tativa ou qualitativa de aspectos do desempenho. Neste material, vamos adotar a seguinte definição: Um indicador de desempenho é um número, percen- tagem ou razão que mede um aspecto do desempenho, com o objetivo de comparar esta medida com metas pré- -estabelecidas. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 42 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 5. Medição de desempenho e indicador de desem- penho A expressão indicador de desempenho é também normalmente utilizada no sentido de medição de de- sempenho. Entretanto, é possível estabelecer-se uma distinção entre ambas. Medições de desempenho são efetuadas quando os aspectos do desempenho podem ser mensurados diretamente e quantificados com faci- lidade. Exemplos: quilometragem de estradas conserva- das; número de alunos matriculados no 1º grau. Indicadores de desempenho são utilizados quando não é possível efetuar tais mensurações de forma direta. Atuam como uma alternativa para a medição do desem- penho, embora não forneçam uma mensuração direta dos resultados. Exemplo: a utilização do índice de repe- tência na 1ª série do 1º grau, como um dos fatores a serem considerados na formação de um indicador de de- sempenho para medir a efetividade do ensino de 1º grau. O que se deseja ressaltar com essa diferenciação é que os indicadores de desempenho podem fornecer uma boa visão acerca do resultado que se deseja medir, mas são apenas aproximações do que realmente está ocor- rendo, necessitando, sempre, de interpretação no con- texto em que estão inseridos. 6. Natureza comparativa dos indicadores de de- sempenho Informações sobre desempenho são essencialmente comparativas. Um conjunto de dados isolado mostrando os resultados atingidos por uma instituição não diz nada a respeito do desempenho da mesma, a menos que seja confrontado com metas ou padrões preestabelecidos, ou realizada uma comparação com os resultados atingidos em períodos anteriores, obtendo-se assim uma série his- tórica para análise. 7. Variáveis empregadas na construção de indica- dores Os indicadores quase sempre são compostos por va- riáveis provenientes de um dos seguintes grupos: custo, tempo, quantidade e qualidade. 8. Principais usos de indicadores de desempenho A utilização de indicadores de desempenho pela ins- tituição: • Possibilita a avaliação qualitativa e quantitativa do desempenho global da instituição, por meio da avaliação de seus principais programas e/ou de- partamentos; • Permite o acompanhamento e a avaliação do de- sempenho ao longo do tempo e ainda a compara- ção entre: • Desempenho anterior x desempenho corrente; • Desempenho corrente x padrão de comparação; • Desempenho planejado x desempenho real; • Possibilita enfocar as áreas relevantes do desem- penho e expressá-las de forma clara, induzindo um processo de transformações estruturais e funcio- nais que permite eliminar inconsistências entre a missão da instituição, sua estrutura e seus objeti- vos prioritários; • Ajuda o processo de desenvolvimento organiza- cional e de formulação de políticas a médio e lon- go prazos; • Melhora o processo de coordenação organizacio- nal, a partir da discussão fundamentada dos resul- tados e o estabelecimento de compromissos entre os diversos setores da instituição; • Possibilita a incorporação de sistemas de reconhe- cimento pelo bom desempenho, tanto institucio- nais quanto individuais. 9. Qualidades desejáveis em um indicador de de- sempenho Tanto na análise de indicadores de desempenho já existentes, quanto na elaboração de novos, deve-se veri- ficar as seguintes características: I. Representatividade: o indicador deve ser a expres- são dos produtos essenciais de uma atividade ou função; o enfoque deve ser no produto: medir aquilo que é produzido, identificando produtos interme- diários e finais, além dos impactos desses produtos (outcomes). Este atributo merece certa atenção, pois indicadores muito representativos tendem a ser mais difíceis de ser obtidos. II. Homogeneidade: na construção de indicadores devem ser consideradas apenas variáveis homogê- neas. Por exemplo, ao estabelecer o custo médio por auditoria, devem-se identificar os diversos tipos de auditoria, já que para cada tipo tem-se uma compo- sição de custo diversa. III. Praticidade: garantia de que o indicador realmente funciona na prática e permite a tomada de decisões gerenciais. Para tanto, deve ser testado, modificado ou excluído quando não atender a essa condição. IV. Validade: o indicador deve refletir o fenômeno a ser monitorado. V. Independência: o indicador deve medir os resul- tados atribuíveis às ações que se quer monitorar, devendo ser evitados indicadores que possam ser influenciados por fatores externos. VI. Confiabilidade: a fonte de dados utilizada para o cálculo do indicador deve ser confiável, de tal forma que diferentes avaliadores possam chegar aos mes- mos resultados. VII. Seletividade: deve-se estabelecer um número equilibrado de indicadores que enfoquem os aspec- tos essenciais do que se quer monitorar. VIII. Simplicidade: o indicador deve ser de fácil com- preensão e não envolver dificuldades de cálculo ou de uso. IX. Cobertura: os indicadores devem representar adequadamente a amplitude e a diversidade de ca- racterísticas do fenômeno monitorado, resguardado o princípio da seletividade e da simplicidade. X. Economicidade: as informações necessárias ao cál- culo do indicador devem ser coletadas e atualizadas a um custo razoável, em outras palavras, a manuten- user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 43 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO ção da base de dados não pode ser dispendiosa. XI. Acessibilidade: deve haver facilidade de acesso às informações primárias bem como de registro e manutenção para o cálculo dos indicadores. XII. Estabilidade: a estabilidade conceitual das variáveis componentes e do próprio indicador bem como a estabi- lidade dos procedimentos para sua elaboração são condições necessárias ao emprego de indicadores para avaliar o desempenho ao longo do tempo. 10. Aspectos do desempenho medidos pelos indicadores O desempenho na obtenção de um determinado resultado pode ser medido segundo as seguintes dimensões de análise: economicidade, eficiência, eficácia e efetividade. Para cada dimensão de análise podem existir um ou mais indicadores. 11. Tipos de indicadores 12. Requisitos dos indicadores • Disponibilidade – Facilidade de acesso para coleta, estando disponível a tempo; • Simplicidade – Facilidade de ser compreendido; • Baixo custo de obtenção; • Adaptabilidade – Capacidade de resposta às mudanças; • Estabilidade – Permanência no tempo, permitindoa formação de série histórica; • Rastreabilidade – Facilidade de identificação da origem dos dados, seu registro e manutenção; • Representatividade – Atender às etapas críticas dos processos, estes sendo importantes e abrangentes. 13. Exemplo de Indicadores de Desempenho PROCESSOS MÉTRICAS Estratégia Corporativa ▪ A posição competitiva na indústria ▪ Custo, tempo de desenvolvimento, tempo de entrega, quantidade, preço e canais dos produtos oferecidos ▪ Quantidade, complexidade e tamanho dos concorrentes, clientes, parceiros e forne- cedores ▪ Valor dos recursos disponíveis Estrutura Corporativa ▪ Número de unidades estratégicas de negócio (UEN) ▪ Diversidade geográfica de produção e vendas ▪ Nível de capacitação para cada (UEN) e gerentes user Realce user Realce user Realce user Realce 44 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Sistemas Corporativos ▪ Índice de retenção de clientes e funcionários ▪ Produtos e índices de qualidade de processos ▪ Investimento na formação de equipes Recursos ▪ Recursos financeiros disponíveis para investimento no negócio ▪ Avaliação de competências dos funcionários existentes ▪ Avaliação da qualidade da tecnologia atual e dos processos Ambiente externo ▪ Avaliação dos investimentos dos concorrentes ▪ Avaliação das necessidades do cliente ▪ das necessidades de fornecedores e recursos Liderança ▪ Tempo dedicado ao negócio ▪ Orçamento por cento atribuído às iniciativas no segmento ▪ Porcentagem de desempenho vinculados ao sucesso do negócio no mercado ▪ Objetivos do negócio claramente comunicados aos administradores e funcionários ▪ Percentagem de gerentes preparados para o negócio Criar e executar estraté- gias adequadas para o negócio ▪ Número, preço de custo e a percepção dos produtos e serviços oferecidos pela empresa Disponibilidade e planejamento de recursos de segurança do segmento ▪ Percepção da marca ▪ Quantidade e qualidade das informações disponíveis sobre a empresa ▪ Os níveis de qualidade, opções de entrega, taxas de cumprimento e satisfação do clien- te de encomendas personalizadas ▪ Rentabilidade das operações para o segmento Suporte e estrutura exter- na ao negócio ▪ Quantidade de produtos terceirizados ▪ Qualidade das parcerias estratégicas formadas ▪ Variação do custo e da qualidade de contratos de fornecedores ▪ Integração ante unidades fornecedoras e funções internas ▪ Número de produtos, canais e serviços específicos Desenvolver e implemen- tar sistemas apropriados ao negócio ▪ Quantidade, qualidade, habilidades e conhecimentos dos funcionários da empresa ▪ Quantidade e qualidade de treinamentos específicos ▪ Porcentagem de medidas de desempenho e recompensas alinhados e ligados à ativi- dade do negócio ▪ Quantidade e qualidade dos dados dos clientes através de sistemas promocionais ▪ Tempo necessário para atender aos pedidos do cliente e solicitações de serviços feitas pessoalmente ou por outros meios ▪ Nível de integração interdepartamental por via eletrônica ▪ Qualidade de vendas e performance de entrega Otimização de canal ▪ Valores em R$ das atividades realizadas pelo segmento concorrente ▪ Número de clientes atendidos pela concorrência ▪ Tempo de inatividade médio por unidade ▪ Nível de satisfação com a cadeia de fornecedores ▪ Melhoria de vendas juntos aos clientes já existentes Redução de custos ▪ R$ economizados em despesas com pessoal, aquisição de produtos e materiais, arma- zenamento etc. ▪ R$ economizados no desenvolvimento de novos produtos e a introdução no mercado ▪ Os custos trabalhistas por unidade vendida Aquisição de novos clien- tes ▪ Novos clientes adquiridos através de promoções ▪ Percentagem de clientes por novo produto ▪ Percentagem de novos clientes específicos ▪ Número de novos clientes por meio de outros canais ▪ Novos clientes que se convertem em clientes fidelizados (taxa de conversão) Fidelização e retenção de cliente ▪ Frequência de visitas e retorno de cliente ▪ Vendas médias, anual por cliente ▪ A satisfação do cliente com o atendimento ▪ Compras do cliente versus a taxa de desistência ▪ Percentagem de atritos com clientes ▪ Relação de novos clientes versus os costumeiros 45 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Geração de valor ▪ Custo e preço dos produtos e serviços oferecidos aos clientes ▪ Média dos preços pagos pelos consumidores ▪ Número de novos produtos e linhas de serviços introduzidos ▪ Rentabilidade das operações do negócio ▪ As receitas geradas através da iniciativa (receita total, receita por cliente) ▪ Rentabilidade por cliente Rentabilidade da empresa a longo prazo ▪ Preço do estoque ▪ Evolução do capital ▪ O crescimento das vendas Vale reforçar que, mesmo adotando-se todos os cuidados na elaboração de indicadores de desempenho, o aperfei- çoamento sempre será possível, à medida em que forem sendo colocados em prática. Criar um canal para críticas e sugestões dos usuários dos serviços públicos, organizações governamentais, entida- des de classe, entidades governamentais fiscalizadoras, enfim, de todos os que, de certa forma, estão interessados no desempenho do serviço da entidade pública é outra forma de aperfeiçoar o uso de indicadores, buscando sempre um processo de melhoria que traga o serviço o mais próximo possível do desejado e necessário. TRABALHO EM EQUIPE Trabalho em equipe pode ser definido como os esforços conjuntos de um grupo ou sociedade visando à solução de um problema. Ou seja, um grupo ou conjunto de pessoas que se dedicam a realizar determinada tarefa estão tra- balhando em equipe. Essa denominação se origina da época logo após a Primeira Guerra Mundial. O trabalho em equipe, por meio da ação conjunta, possibilita a troca de conhecimentos entre especialistas de diversas áreas. Como cada pessoa é responsável por uma parte da tarefa, o trabalho em equipe oferece também maior agilidade e dinamismo. Para que o trabalho em equipe funcione bem, é essencial que o grupo possua metas ou objetivos compartilhados. Também é necessário que haja comunicação eficiente e clareza na delegação de cada tarefa. A diferença de pensamento e visão entre pessoas distintas é fundamental para uma resolução de problemas efi- ciente. Quanto mais perspectivas uma equipe tiver sobre um único problema, mais fácil é encontrar a melhor solução possível. 1. Diferença entre Grupo e Equipe Grupo e equipe não são a mesma coisa. Grupo é definido como dois ou mais indivíduos, em interação e interdepen- dência, que se juntam para atingir um objetivo. Um grupo de trabalho é aquele que interage basicamente para compar- tilhar informações e tomar decisões para ajudar cada membro em seu desempenho na sua área de responsabilidade. Os grupos de trabalho não têm necessidade nem oportunidade de se engajar em um trabalho coletivo que requeira esforço conjunto. Assim, seu desempenho é apenas a somatória das contribuições individuais de seus membros. Não existe uma sinergia positiva que possa criar um nível geral de desempenho maior do que a soma das contribuições individuais. Uma equipe de trabalho gera uma sinergia positiva por meio do esforço coordenado. Os esforços individuais resul- tam em um nível de desempenho maior do que a soma daquelas contribuições individuais. Veja a seguir as diferenças entre grupos de trabalho e equipes de trabalho. Distinguir equipe e grupo é um aspecto muito importante para soluções de exercícios que tratem de tra- balho em equipe. O ponto principal é o objetivo em comum existente quando as pessoas compõem uma equipe. #FicaDica 2. Comparação entre Grupos de Trabalho e Equipes de Trabalho 2.1 Transformando indivíduos em membros de equipe ▪ Partilham suas ideias para a melhoria do que fazem e de todos os processos do grupo; ▪ Respeitam as individualidades e sabem ouvir; ▪ Comunicam-se ativamente; ▪ Desenvolvem respostas coordenadas em benefícios dos propósitos definidos; user Realce user Realce 46 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO ▪ Constroem respeito, confiança mútua e afetividade nas relações; ▪Participam do estabelecimento de objetivos co- muns; ▪ Desenvolvem a cooperação e a integração entre os membros. 2.2 Fatores que interferem no trabalho em equipe ▪ Estrelismo; ▪ Ausência de comunicação e de liderança; ▪ Posturas autoritárias; ▪ Incapacidade de ouvir; ▪ Falta de treinamento e de objetivos; ▪ Não saber “quem é quem” na equipe. 2.3 São características das equipes eficazes: ▪ Comprometimento dos membros com um propó- sito comum e significativo; ▪ O estabelecimento de metas específicas para a equipe que conduzam os indivíduos a um melhor desempenho e também energizem as equipes. Metas específicas ajudam a tornar a comunicação mais clara, além de manter a equipe focada na ob- tenção de resultados; ▪ Os membros defendem suas ideias, sem radicalis- mo; ▪ Grande habilidade para ouvir; ▪ Liderança é situacional; ou seja, o líder age de acordo com o grau de maturidade da equipe; de acordo com a contingência; ▪ Questões comportamentais são discutidas aberta- mente, principalmente as que podem comprome- ter a imagem da equipe ou organização ▪ O nível de confiança entre os membros é elevado; ▪ Demonstram confiança em seus líderes, tornando a equipe disposta a aceitar e a se comprometer com as metas e as decisões do líder; ▪ Flexibilidade permitindo que os membros da equi- pe possam completar as tarefas uns dos outros. Isso deixa a equipe menos dependente de um úni- co membro; ▪ Conflitos são analisados e resolvidos; Há uma preocupação / ação contínua em busca do autodesenvolvimento. O desempenho de uma equipe não é apenas a soma- tória das capacidades individuais de seus membros. Contudo, essas capacidades determinam parâmetros do que os membros podem fazer e de quão eficientes eles serão dentro da equipe. Para funcionar eficazmente, uma equipe precisa de três tipos diferentes de capacida- des. Primeiro, ela precisa de pessoas com conhecimen- tos técnicos. Segundo, pessoas com habilidades para solução de problemas e tomada de decisões que se- jam capazes de identificar problemas, gerar alternativas, avalia-las e fazer escolhas competentes. Finalmente, as equipes precisam de pessoas que saibam ouvir, deem feedback, solucionem conflitos e possuam outras ha- bilidades interpessoais. 3. Tipos de Equipe As equipes podem realizar uma grande variedade de coisas. Elas podem fazer produtos, prestar serviços, ne- gociar acordos, coordenar projetos, oferecer aconselha- mentos ou tomar decisões. ▪ Equipe de solução de problemas: neste tipo de equipe, os membros trocam ideias ou oferecem sugestões sobre os processos e métodos de tra- balho que podem ser melhorados. Raramente, en- tretanto, estas equipes têm autoridade para imple- mentar unilateralmente suas sugestões. ▪ Equipes de trabalho autogerenciadas: são equipes autônomas, que podem não apenas solucionar os problemas, mas também implementar as soluções e assumir total responsabilidade pelos resultados. São grupos de funcionários que realizam trabalhos muito relacionados ou interdependentes e assuem muitas das responsabilidades que antes eram de seus antigos supervisores. ▪ Normalmente, isso inclui o planejamento e o cro- nograma de trabalho, a delegação de tarefas aos membros, o controle coletivo sobre o ritmo de trabalho, a tomada de decisões operacionais e a implementação de ações para solucionar proble- mas. As equipes de trabalho totalmente autoge- renciadas até escolhem seus membros e avaliam o desempenho uns dos outros. ▪ Consequentemente, as posições de supervisão perdem a sua importância e até podem ser elimi- nadas. ▪ Equipes multifuncionais: São equipes formadas por funcionários do mesmo nível hierárquico, mas de diferentes setores da empresa, que se juntam para cumprir uma tarefa. As equipes desempenham vá- rias funções (multifunções), ao mesmo tempo, ou seja, não há especificação para cada membro. O sentido de equipe é exatamente esse, os membros compensam entre si as competências e as carên- cias, num aprendizado contínuo. ▪ As equipes multifuncionais representam uma for- ma eficaz de permitir que pessoas de diferentes áreas de uma empresa (ou até de diferentes em- presas) possam trocar informações, desenvolver novas ideias e solucionar problemas, bem como coordenar projetos complexos. Evidentemente, não é fácil administrar essas equipes. Seus pri- meiros estágios de desenvolvimento, enquanto as pessoas aprendem a lidar com a diversidade e a complexidade, costumam ser muito trabalhosos e demorados. Demora algum tempo até que se de- senvolva a confiança e o espírito de equipe, espe- cialmente entre pessoas com diferentes históricos, experiências e perspectivas. ▪ Equipes Virtuais: Os tipos de equipes analisados até agora realizam seu trabalho face a face. As equipes virtuais usam a tecnologia da informática para reunir seus membros, fisicamente dispersos, e permitir que eles atinjam um objetivo comum. Elas permitem que as pessoas colaborem on-line utili- zando meios de comunicação como redes internas user Realce 47 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO e externas, videoconferências ou correio eletrônico – quando estão separadas apenas por uma parede ou em outro continente. São criadas para durar al- guns dias para a solução de um problema ou mes- mo alguns meses para conclusão de um projeto. Não são muito adequadas para tarefas rotineiras e cíclicas. Em todo processo em que haja interação entre as pessoas vamos desenvolver relações interpessoais. Ao pensarmos em ambiente de trabalho, onde as ati- vidades são predeterminadas, alguns comportamentos são precisam ser alinhados a outros, e isso sofre influên- cia do aspecto emocional de cada envolvido, tais como: comunicação, cooperação, respeito, amizade. À medida que as atividades e interações prosseguem, os senti- mentos despertados podem ser diferentes dos indicados inicialmente e então – inevitavelmente – os sentimentos influenciarão as interações e as próprias atividades. As- sim, sentimentos positivos de simpatia e atração provo- carão aumento de interação e cooperação, repercutindo favoravelmente nas atividades e ensejando maior produ- tividade. Por outro lado, sentimentos negativos de an- tipatia e rejeição tenderão à diminuição das interações, ao afastamento nas atividades, com provável queda de produtividade. Esse ciclo “atividade-interação-sentimentos” não se relaciona diretamente com a competência técnica de cada pessoa. Profissionais competentes individualmente podem render muito abaixo de sua capacidade por in- fluência do grupo e da situação de trabalho. Quando uma pessoa começa a participar de um gru- po, há uma base interna de diferenças que englobam valores, atitudes, conhecimentos, informações, precon- ceitos, experiência anterior, gostos, crenças e estilo com- portamental, o que traz inevitáveis diferenças de percep- ções, opiniões, sentimentos em relação a cada situação compartilhada. Essas diferenças passam a constituir um repertório novo: o daquela pessoa naquele grupo. Como essas diferenças são encaradas e tratadas determina a modalidade de relacionamento entre membros do gru- po, colegas de trabalho, superiores e subordinados. Por exemplo: se no grupo há respeito pela opinião do outro, se a ideia de cada um é ouvida, e discutida, estabelece-se uma modalidade de relacionamento diferente daquela em que não há respeito pela opinião do outro, quan- do ideias e sentimentos não são ouvidos, ou ignorados, quando não há troca de informações. A maneira de lidar com diferenças individuais cria certo clima entre as pes- soas e tem forte influência sobre toda a vida em grupo, principalmente nos processos de comunicação, no rela- cionamento interpessoal, no comportamento organiza- cional e na produtividade. Valores: Representa convicções básicas de que um modo específico de conduta ou de condição de existên- cia é individualmente ou socialmente preferível ao modo contrário ou oposto de conduta ou de existência. Eles contêm um elemento dejulgamento, baseado naquilo que o indivíduo acredita ser correto, bom ou desejável. Os valores costumam ser relativamente estáveis e dura- douros. Atitudes: As atitudes são afirmações avaliadoras – fa- voráveis ou desfavoráveis – em relação a objetos, pes- soas ou eventos. Refletem como um indivíduo se sente em relação a alguma coisa. Quando digo “gosto do meu trabalho” estou expressando minha atitude em relação ao trabalho. As atitudes não são o mesmo que os valo- res, mas ambos estão inter-relacionados e envolvem três componentes: cognitivo, afetivo e comportamental. A convicção de que “discriminar é errado” é uma afir- mativa avaliadora. Essa opinião é o componente cogni- tivo de uma atitude. Ela estabelece a base para a parte mais crítica de uma atitude: o seu componente afetivo. O afeto é o segmento da atitude que se refere ao sentimen- to e às emoções e se traduz na afirmação “Não gosto de João porque ele discrimina os outros”. Finalmente, o sen- timento pode provocar resultados no comportamento. O componente comportamental de uma atitude se refere à intenção de se comportar de determinada maneira em relação a alguém ou alguma coisa. Então, para continuar no exemplo, posso decidir evitar a presença de João por causa dos meus sentimentos em relação a ele. Encarar a atitude como composta por três compo- nentes – cognição, afeto e comportamento – é algo mui- to útil para compreender sua complexidade e as relações potenciais entre atitudes e comportamento. Ao contrário dos valores, as atitudes são menos estáveis. COMPETÊNCIA INTERPESSOAL A competência interpessoal é habilidade de lidar efi- cazmente com relações interpessoais, de lidar com ou- tras pessoas de forma adequada à necessidade de cada uma delas e às exigências da situação. Segundo C. Ar- gyris (1968), é a habilidade de lidar eficazmente com re- lações interpessoais de acordo com três critérios: ▪ Percepção acurada da situação interpessoal, de suas variáveis relevantes e respectiva inter-relação; ▪ Habilidade de resolver realmente os problemas de tal modo que não haja regressões; ▪ Soluções alcançadas de tal forma que as pessoas envolvidas continuem trabalhando juntas tão efi- cientemente, pelo menos, como quando começa- ram a resolver seus problemas. Dois componentes da competência interpessoal as- sumem importância capital: a percepção e a habilidade propriamente dita. O processo da percepção precisa ser treinado para uma visão acurada da situação interpes- soal. ▪ Percepção seletiva: é um processo que aparece na comunicação, pois os receptores vêm e ouvem se- letivamente com base em suas necessidades, expe- riências, formação, interesses, valores etc. ▪ Percepção social: é o meio pelo qual a pessoa forma impressões de uma outra na esperança de compreendê-la. Novas competências começam a ser exigidas pelas organizações, que reinventam sua dinâmica produtiva, desenvolvendo novas formas de trabalho e de resolução de conflitos. Surgem novos paradigmas de relações das organizações com fornecedores, clientes e colaborado- res. Nesse contexto, as relações humanas no ambiente user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 48 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO de trabalho têm sido foco da atenção dos gestores, para que sejam desenvolvidas habilidades e atitudes neces- sárias ao manejo inteligente das relações interpessoais. 1. Definição de competência Chamamos de competência a integração e a coorde- nação de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (C.H.A.) que na sua manifestação produzem uma atuação diferenciada. C – Conhecimento – SABER H – Habilidade – SABER FAZER A – Atitude – QUERER FAZER A competência técnica: envolve o C.H.A em áreas téc- nicas específicas. A competência interpessoal: envolve o C.H.A nas rela- ções interpessoais. 2. Inteligência emocional Qualquer um pode zangar-se. Isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil. Aristóteles Como trabalhar bem com os outros? Como entender os outros e fazer-se entender? A inteligência acadêmica pouco tem a ver com a vida emocional. As pessoas mais brilhantes podem afogar-se nos recifes das paixões e dos impulsos desenfreados, pessoas com alto nível de QI podem ser pilotos incom- petentes de sua vida particular. A aptidão emocional é uma capacidade que determi- na até onde podemos usar bem quaisquer outras apti- dões que tenhamos, incluindo o intelecto bruto. Inteligência emocional: é a habilidade de lidar efi- cazmente com relações interpessoais, de lidar com ou- tras pessoas de forma adequada às necessidades de cada uma e às exigências da situação, observando as emoções e reações evidenciadas no comportamento do outro e no seu próprio comportamento. Inteligência intrapessoal: é a habilidade de lidar com o seu próprio comportamento. Exige autoconheci- mento, controle emocional, automotivação e reconheci- mento dos sentimentos quando eles ocorrem. Inteligência interpessoal: é a habilidade de lidar efi- cazmente com outras pessoas de forma adequada. 3. Elementos básicos da inteligência emocional ▪ Autoconhecimento: conhecer a si próprio, gerar autoconfiança, conhecer pontos positivos e nega- tivos. ▪ Controle Emocional: capacidade de gerenciar as próprias emoções e impulsos. ▪ Automotivação: capacidade de gerenciar as pró- prias emoções com vistas a uma meta a ser alcan- çada. Persistir diante de fracassos e dificuldades. ▪ Reconhecer emoções nos outros: empatia. ▪ Habilidade em relacionamentos interpessoais: ap- tidão social. 4. Autoconhecimento De acordo com estudos psicológicos, autoconheci- mento significa o conhecimento que a pessoa tem de si próprio. Ao nos conhecermos, temos condições de domi- nar nossas emoções, controlar nossos impulsos, estimu- lar nossas potencialidades, controlar nossas fraquezas, impedir que sentimentos negativos e destrutivos, como ansiedade, baixa autoestima, instabilidade emocional entre outras sensações negativas nos afete, resultando em falta de produtividade e um desenvolvimento pessoal prejudicado. A busca pelo equilíbrio depende de sabermos quais são nossas necessidades e nossos interesses, por isso a importância que se deve dar às experiências que pas- samos e ao que elas nos agrega, mostrando-nos as si- tuações em que somos mais positivos, produtivos e nos sentimos com mais potencial e também aquelas nas quais nos abatemos ou nos sentimos mais fragilizados ou impotentes, além da busca pelo processo de melhora interno, em que, como indivíduos, conseguimos atingir um nível de evolução satisfatório. 5. Diferenças individuais O processo de autoconhecimento acima comentado é fundamental para lidarmos com as diferenças existen- tes entre as pessoas. Saber como sou, porque sou assim e me aceitar dessa forma facilita a compreensão e a acei- tação do próximo tal qual ele é. Essas diferenças existem em decorrência de nossas características, sendo que essas podem ser inatas ou ad- quiridas. Entende-se por características inatas tudo aquilo que trazemos conosco desde nosso nascimento, isto é, nossa carga hereditária. Já as características adquiridas são todas aquelas que vamos agregando no nosso processo de crescimento, amadurecimento, são as experiências pelas quais passa- mos e que nos deixam marcas, nos dão forma. A junção dessas duas características é responsável pela formação de nossa personalidade, ou seja, fatores internos e externos vão se moldando em nossa vivência e nos tornando seres únicos e extremamente interessantes no contexto do que podemos fazer com o que acumu- lamos de informação e experiência ao longo do tempo. No campo organizacional isso é muito válido, porque se tem uma rica rede de características que, somadas, podem atingir resultados incríveis para essas organiza- ções, visto que a presença de algumas características em algumas pessoas suprea ausência delas em outras e vi- ce-versa, tornando essa rede mais valiosa, na qual as di- ferenças se encaixam e se completam formando um qua- dro de talentos e potencialidades administráveis quando esses indivíduos, por se conhecerem, são capazes de ad- ministrar suas qualidades e deficiências, proporcionando crescimento coletivo. 6. Personalidade Ao estudar a personalidade, compreendemos o com- portamento e a atitude das pessoas. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 49 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Como vimos acima, a personalidade é a resultante de um conjunto de características que integradas, estabe- lece a forma única como ele se comporta ou reage ao meio. A personalidade demonstra a essência da pessoa. Temos também a persona (latim) que, em alguns mo- mentos, é como se adotássemos algum personagem, ou seja, é como se fosse uma máscara que cada um de nós usa conforme a circunstância ou as conveniências e, por meio dessas facetas, causamos impressões aos outros. Anteriormente falamos sobre as características inatas e as adquiridas, vejamos alguns desses exemplos. 6.1 Inatas ▪ A genética determina a aparência externa da pes- soa; ▪ A genética determina a estrutura da espécie, co- mum a todos os indivíduos; ▪ A genética determina traços individuais e únicos de cada indivíduo particular. 6.2 Adquiridas ▪ Ambiente físico: nutrição, temperatura, altitude; ▪ Ambiente social: cultura, relações interpessoais; ▪ As experiências da vida de uma pessoa são deter- minantes para a constituição de sua personalidade; ▪ Dentre os aspectos importantes da personalidade, citamos o temperamento e o caráter. O temperamento é uma característica inata, que re- cebemos em nossa carga genética, determinando nossas reações, principalmente quando se envolve emoção, por exemplo, tolerância, otimismo, paciência, agressividade, enfim, é a forma como vamos lidar com todas as emo- ções que podem aflorar quando estamos em uma deter- minada situação. Já o caráter é o resultado moral do que agregamos de princípios e valores ao longo de nosso desenvolvimento. A base sobre a qual agimos e decidimos. No campo organizacional, o estudo da personalidade permite compreender o conjunto que se tem, as carac- terísticas presentes na equipe, o que permite o gestor aproveitar todas as potencialidades e estimular o desen- volvimento das competências e a melhoria do desem- penho. Visto que grande parte dos conflitos nas organizações ocorre por diferenças e discordâncias entre as caracterís- ticas e os interesses entre colaboradores e também en- tre estes e os objetivos da organização, as políticas de Gestão de Pessoas precisam ser flexíveis e adaptáveis à realidade e à necessidade de cada indivíduo para assim conseguir tirar o máximo de proveito do conjunto exis- tente no corpo de colaboradores focando nos objetivos organizacionais e no desenvolvimento individual de cada colaborador. 7. Empatia Colocar-se no lugar do outro, mediante sentimentos e situações vivenciadas. “Sentir com o outro é envolver-se”. A empatia leva ao envolvimento, ao altruísmo e a piedade. Ver as coisas da perspectiva dos outros quebra estereótipos tendencio- sos e assim leva à tolerância e à aceitação das diferenças. A empatia é um ato de compreensão tão seguro quanto à apreensão do sentido das palavras contidas numa pá- gina impressa. A empatia é o primeiro inibidor da crueldade huma- na: reprimir a inclinação natural de sentir com o outro nos faz tratar o outro como um objeto. O ser humano é capaz de encobrir intencionalmente a empatia, é capaz de fechar os olhos e os ouvidos aos apelos dos outros. Suprimir essa inclinação natural de sentir com outro desencadeia a crueldade. Empatia implica certo grau de compartilhamento emocional – um pré-requisito para realmente compreen- der o mundo interior do outro. 8. A empatia nas empresas QUAL A RELAÇÃO ENTRE EMPATIA E PRODUTI- VIDADE? O conceito de empatia está relacionado à capacidade de ouvir o outro de tal forma a compreender o mundo a partir de seu ponto de vista. Não pressupõe concordância ou discordância, mas o entendimento da forma de pen- sar, sentir e agir do interlocutor. No momento em que isso ocorre de forma coletiva, a organização dialoga e conhece saltos de produtividade e de satisfação das pessoas. (Silvia Dias – Diretora de RH da Alcoa) A empatia é primordial para o desenvolvimento de lideranças e o aperfeiçoamento da gestão de pessoas, pois pressupõe o respeito ao outro; em uma dinâmica que fa- vorece o aumento da produtividade. (Olga Lofredi – Presi- dente da Landmark ) É quando desenvolvemos a compreensão mútua, ou seja, um tipo de relacionamento em que as partes com- preendem bem os valores, deficiências e virtudes do ou- tro. No contexto das relações humanas, pode-se afirmar que o sucesso dos relacionamentos interpessoais depen- de do grau de compreensão entre os indivíduos. Quando há compreensão mútua, as pessoas comunicam-se me- lhor e conseguem resolver conflitos de modo saudável. COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL Conduzir eficientemente processos de comunicação interpessoal e trocar feedback de forma motivadora têm sido um grande desafio na liderança de equipes e grupos de trabalho em geral. Sendo assim, o profissional precisa aprender a admi- nistrar: ▪ A correta utilização da comunicação verbal e não verbal; ▪ A comunicação como elemento de integração e motivação na empresa; ▪ Competências técnicas e humanas; ▪ Como o ouvinte percebe a sua comunicação; ▪ Gerenciamento de relações; ▪ Resolução de conflitos; ▪ Como ouvir melhor: a arte de esclarecer e confir- mar; user Realce user Realce 50 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO ▪ Como especificar méritos e sugerir mudanças; ▪ A importância de argumentar para os valores do outro. 1. Processo comunicacional O processo comunicacional tem como maior objeti- vo a interação humana, buscando o estabelecimento das relações e o entendimento entre os indivíduos. Desde os tempos antigos, Aristóteles já dizia que: (...) devemos olhar para três ingredientes na comunica- ção: quem fala, o discurso e a audiência. Ele quis dizer que cada um destes elementos é necessário à Comunicação e que podemos organizar nosso estudo do processo sob estes três títulos: 1) a pessoa que fala; 2) o discurso que faz; 3) a pessoa que ouve. É interessante notar que praticamente todos os mo- delos atuais de processos comunicacionais são parecidos com o de Aristóteles, sendo que o que mudou foi a com- plexidade com que eles estão sendo abordados. As primeiras abordagens da Comunicação defendiam um processo comunicacional constituído por apenas quatro elementos fundamentais: emissor, receptor, men- sagem e meio. Já as abordagens mais recentes da Comu- nicação, defendem que o processo é desencadeado por oito elementos, são eles: objetivos, emissor, mensagem, meio, receptor, significado, resposta e situação. Todos os elementos do processo são interdependen- tes e devem seguir uma ordem para que haja uma inte- gração lógica entre esses elementos e o próprio proces- so comunicacional. A seguir, os componentes do processo serão especi- ficados um a um: 2. Situação A situação pode ser considerada a circunstância na qual as mensagens são passadas do emissor ao receptor. “Todos os processos de Comunicação acontecem em de- terminada situação, seja ela favorável ou desfavorável. A situação real que deve ser considerada, no processo de Comunicação, é aquela percebida e sentida pelo recep- tor e não aquela vivida ou sentida pelo emissor”. Para que a transmissão da mensagem seja considerada efi- caz, deve-se procurar a situação mais favorável, pois, se o emissor procurar comunicar-se em uma situação des- favorável, poderá acontecer que o receptor não lhe dará a atenção devida e, consequentemente, não entenderá a mensagem que lhe foi transmitida. 3. Objetivos Podem ser caracterizados comoos estímulos que le- vam o emissor a transmitir a mensagem. Como a Comu- nicação é um processo de interação, na qual as pessoas integram-se umas com as outras, os objetivos podem ser considerados como “os interesses” que levaram o emis- sor a interagir com o receptor. Alguns exemplos de ob- jetivos: ouvir opiniões a respeito de algo ou dar um aviso sobre o churrasco do final de semana. Além dos objetivos serem um interesse que o emissor tem em relação ao receptor, alguns autores lançam uma reflexão intrínseca de que os objetivos também devem chamar a atenção de quem recebe a mensagem, por- que senão o receptor não se sentirá atraído e também não verá utilidade alguma na mensagem. Desta forma, para que o receptor perceba a utilidade da mensagem, o emissor deve conhecer as necessidades, os gostos, ações, pensamentos, crenças e valores de quem vai rece- ber a mensagem, pois só assim a Comunicação valerá a pena. É imprescindível a clareza dos objetivos, pois sem isso, o processo não ocorre eficazmente. 4. Emissor É o agente do processo de Comunicação, ou seja, é a pessoa que tem uma mensagem para comunicar. Ele é a fonte ou a origem do processo de Comunicação. Além disso, é quem vai tomar a iniciativa de se comunicar e buscar a interação com as outras pessoas, a fim de alcan- çar o seu objetivo. Para alcançar a eficácia da Comunicação, o emissor tem que ter como requisitos fundamentais: ▪ Habilidades: para que possa falar, ler, ouvir e racio- cinar. ▪ Atitudes: por influenciar o comportamento e por estarem relacionadas a ideias pré-concebidas, quanto a vários assuntos, as comunicações são influenciadas por determinados tipos de atitudes que as pessoas tomam. ▪ Conhecimento: a extensão e profundidade do co- nhecimento das pessoas sobre um assunto pode restringir (se o assunto não é de conhecimento do emissor) ou ampliar (quando o receptor não com- preende a mensagem que está sendo transmitida) o campo comunicacional. ▪ Sistema sociocultural: a situação cultural em que o emissor se situa, com suas crenças, valores e atitu- des influencia o tempo todo a sua função de co- municador. Um requisito significativo no contexto organizacio- nal é a representatividade do emissor, ou seja, a posição hierárquica exercida pelo emissor, que é de fundamental importância para a credibilidade da mensagem a ser co- municada. 5. Mensagem É o que vai ser comunicado pelo emissor. Deve estar adequada ao nível cultural, técnico e hierárquico do re- ceptor. É composta por conteúdo e forma. O conteúdo representa o que será transmitido e de- pende dos objetivos do processo comunicacional. Não deve ser insuficiente ou excessivo, deve comunicar o essencial, frente aos objetivos a serem alcançados pelo emissor. O conteúdo também “deve ter uma sequencia lógica, ou seja, um início (objetivos), um meio e um fim (conclusões)”. A forma é a maneira pela qual a mensa- gem é transmitida. As formas básicas são as verbais e as não verbais. As verbais podem ser orais e escritas (pala- user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 51 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO vras, letras, símbolos). Já as não verbais, podem ser ges- tuais (mímicas, movimentos corporais), vocais (timbre de voz e entonação) e espaciais (local físico e layout). (...) não há uma forma melhor do que a outra. A es- colha da forma depende de um conjunto de fatores, den- tre os quais os mais relevantes são: rapidez requerida (na transmissão da mensagem, na obtenção das respostas); quantidade de receptores; localização geográfica dos re- ceptores; necessidade de formalizar a mensagem; neces- sidade de consultas posteriores sobre a mensagem; com- plexidade do assunto tratado; facilidade de retenção da mensagem (lembrança) Além disso, também se destaca que um único proces- so pode utilizar mais de uma forma de Comunicação. Um exemplo de conteúdo e formas diferentes de se transmi- tir a mensagem pode ser: demissão de um colaborador da Organização (conteúdo) – comunicada por e-mail a todos os outros colaboradores (forma não verbal) ou na reunião pelo gerente (forma verbal). 6. Meio Pode ser chamado, também, de canal ou veículo de transmissão. Como a própria denominação já diz, o meio é o recurso utilizado pelo emissor para transmitir a men- sagem. O meio “é determinado pelos requisitos de for- ma da mensagem a ser transmitida e da resposta a ser obtida.” Ou seja, o meio de Comunicação está associado à forma verbal ou não verbal de transmissão da men- sagem, isso quer dizer que, dependendo das situações específicas de cada mensagem, o meio pode ser caracte- rizado de várias formas, desde a voz humana à televisão e até pelo fax ou pelo e-mail. Vale ressaltar que não existe um meio ou uma forma melhor que o outro, existe, sim, um mais adequado, de acordo com as características da mensagem a ser trans- mitida. “O requisito fundamental na escolha do meio é que ele não provoque ruído” nas mensagens, pois o ruído é uma interferência que prejudica a transmissão da men- sagem, comprometendo a recepção da mesma, ou seja, a decodificação da mensagem pelo receptor. Para que haja um melhor entendimento do significado de ruído, vale a pena exemplificar: uma linha cruzada do telefone, um documento sujo ou borrado, alguém que fale muito baixo, um ambiente de trabalho desconfortável etc. 7. Receptor É quem recebe a Comunicação, ou seja, é o foco da comunicação. É ele quem vai reagir ao estímulo promo- vido pelo emissor. Sem o receptor, não há Comunicação, pois, se o re- ceptor não faz parte do processo, o emissor não tem para quem comunicar a sua mensagem e, consequentemente, não terá uma resposta. Sendo assim, pode-se dizer que todo o processo de Comunicação deve ser direcionado de acordo com as ca- racterísticas do receptor. A seguir algumas características que, assim como o emissor, o receptor necessita ter, para que a Comunicação seja eficaz: (...) assim como o emissor foi limitado por suas ha- bilidades, atitudes, conhecimento e sistema sociocultural, o receptor é restringido da mesma maneira. Assim como o emissor deve ter habilidades de escrever ou falar, ore- ceptor deve ser hábil em ler ou ouvir, e ambos devem ser capazes de raciocinar. O conhecimento, atitudes e forma- ção cultural de alguém influenciama sua capacidade de receber, assim como o fazem com a capacidade de enviar mensagens. 8. Significado É a compreensão da mensagem, no seu sentido cor- reto. É o “entendimento comum” da mensagem entre o emissor e o receptor. Isso ocorre quando o emissor e o receptor entendem da mesma forma a mensagem. Portanto, quando o receptor interpreta a mensagem da mesma forma que o emissor quis transmiti-la, pode-se dizer que o receptor captou o significado da mensagem. Quando a mensagem é transmitida pelo emissor, ela é codificada e quando é recebida pelo receptor, ela é decodificada. As codificações e decodificações são com- postas por um conjunto de signos, utilizados pelas pes- soas para representar seus pensamentos, a realidade em que vivem etc. Os signos devem expressar a mesma coisa para o emissor e para o receptor, ou seja, o significado que o objeto porta para o emissor deve ser o mesmo que o do receptor. Caso isso não ocorra, a mensagem não será transmitida eficazmente, já que a interpretação do recep- tor não é a correta ou a esperada pelo emissor. Mas, mesmo que o significado seja o mesmo, para o emissor e para o receptor, não se pode dizer que as questões referentes ao processo de comunicação foram resolvidas, pois, “a compreensão, através da comunhão do significado, não quer dizer, necessariamente, acordo. Posso compreender uma ideia, sem concordar com ela.” Portanto, não é apenas o entendimento do significado, por ambas as partes que asseguraa eficácia da comuni- cação. Em relação a isso, podemos dizer que “ainda que o significado comum não assegure sozinho, a eficácia do processo de comunicação como um todo, é um requisito fundamental para promover o entendimento.” 9. Resposta Pode ser chamada, também, de feedback ou compor- tamento esperado, pois é a reação do receptor à mensa- gem recebida. É o último objetivo do processo, pois é o desejado pelo emissor ao emitir uma mensagem. A resposta pode ser considerada como a efetivação do recebimento da mensagem, determinando, ou não, o sucesso da mesma. Por meio da comunicação oral, as pessoas conseguem personificar seu ser. Comunicação é tornar algo comum, compartilhar, di- vidir, trocar. Enfim, é o processo de transmitir uma informação a outra pessoa, no entanto, o que caracteriza a comuni- cação é a compreensão e não simplesmente o informar. Daí a diferença de comunicação (que é a informação sendo transmitida) e comunicabilidade (que é o ato co- municativo otimizado). user Realce user Realce user Realce user Realce 52 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Barreiras à comunicação eficaz – alguns elementos prejudicam a transmissão e a compreensão da comuni- cação, entre eles podemos citar: ▪ Ruídos; ▪ Sobrecarga de informações; ▪ Tipos de informações; ▪ Fonte de informações; ▪ Localização Física; ▪ Defensidade. Além desses, as barreiras são um conjunto de fatores que impedem ou dificultam a recepção da mensagem, no processo comunicacional. A seguir, serão abordadas as teorias da Sociologia e da Administração, em relação às barreiras, especifican- do-as: 10. Abordagem sociológica As barreiras podem ser divididas em seis grupos: • Barreiras pessoais; • Barreiras sociais; • Barreiras fisiológicas; • Barreiras da personalidade; • Barreiras da linguagem; • Barreiras psicológicas. 10.1 Barreiras pessoais 1. Nível de conhecimento: está ligado à profundi- dade de conhecimento que as pessoas têm e re- velam no decorrer do processo comunicacional. Pode também ser atribuído pelas outras pessoas que fazem parte do processo, por perceberem o conhecimento e o reconhecerem. “Este aspecto pode conduzir à maior ou menor credibilidade ao emissor e trazer-lhe um estatuto que pode marcar o desempenho do seu papel enquanto comunica- dor.” Algumas pessoas, por conhecerem profunda- mente um assunto, não gostam ou se incomodam em conversar com alguém que não tem o mesmo domínio do assunto e vice-versa. 2. Aparência: a forma de se vestir e se cuidar pode determinar o jeito com que as pessoas se comu- nicarão umas com as outras. Dias (2001) coloca que, tanto as expectativas provocadas, como as primeiras impressões, são determinantes para um processo comunicacional eficaz. Por exemplo, um homem de terno e gravata tem muito mais faci- lidade de receber atenção do que um homem de bermuda e tênis. 3. Postura corporal: deve ser estabelecida de acordo com o que se quer comunicar. Alguns teóricos da Sociologia dizem que a postura também deve ser adequada de acordo com o grupo com o qual se está comunicando. 4. Movimento corporal: certos movimentos podem ser favoráveis ou não para um processo eficaz. Podemos citar o livro “O corpo fala”, que aborda a questão de que o corpo também se comunica, as expressões corporais manifestam a ansiedade, a atração, o nervosismo, a tristeza etc. 5. Contato visual: a forma como as pessoas se olham demonstra como uma está se sentindo em relação à outra, além de informar o grau de atenção que está sendo dirigida à pessoa que está falando. “O direcionamento, o tempo, o contexto, a oportuni- dade, a intensidade, o status de quem olha ou de quem é olhado impõem um quadro interpretativo que cada cultura se encarrega de transmitir aos seus membros pelo processo de socialização.” 6. Expressão facial: é determinante, pois é uma forma de demonstrar o interesse das pessoas pela men- sagem que está sendo transmitida. 7. Fluência: a articulação das palavras, a modulação (intensidade dos sons), o ritmo e o timbre da voz fazem diferença em termos da maneira como são utilizados para a eficácia da transmissão da men- sagem. 10.2 Barreiras sociais 1. Educação: os princípios e valores adquiridos pelos indivíduos também fazem parte do processo co- municacional. 2. Cultura: a comunicação, como já foi visto, muda de cultura para cultura. Por conseguinte, se as pessoas têm culturas muito distintas, a comunicação ficará prejudicada. 3. Crenças, normas sociais e dogmas religiosos: assim como em relação à cultura, se as pessoas que estão se comunicando divergem com muita intensidade nessas questões, os processos comunicacionais se- rão prejudicados ou a mensagem não será trans- mitida adequadamente. 10.3 Barreiras fisiológicas As deficiências do aparelho fonoaudiológico e do aparelho visual criam dificuldades na Comunicação. 10.4 Barreiras da personalidade 1. Autossuficiência: ocorre quando a pessoa acha que sabe tudo, ou seja, a pessoa acha que o que ela sabe e conhece é o suficiente. Esta barreira ocorre de duas maneiras: “julgamento do todo pela parte” – acontece quando a pessoa julga outras pessoas e/o coisas pelo que ela conhece; e intolerância, a qual acontece quando a pessoa não aceita o ponto de vista das outras pessoas, pois julga que o único ponto de vista correto é o seu próprio. 2. Congelamento das avaliações: acontece quando a pessoa acredita que as pessoas e as coisas não mudam, ou seja, quando a pessoa supõe que as circunstâncias sempre serão as mesmas, indepen- dente das mudanças que surgirem com as pessoas e coisas. Fazem parte dessas avaliações os precon- ceitos e a insegurança que as pessoas têm frente a algumas situações e frente às outras pessoas 3. Comportamento Humano: aspectos objetivos e subjetivos: está no conflito personalidade subjetiva (interior de cada pessoa ou as opiniões próprias) X personalidade objetiva (o que é exteriorizado para as outras pessoas ou a realidade concreta). Quan- user Realce user Realce user Realce user Realce 53 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO do se diz personalidade, toma-se como princípio a caracterização da personalidade por processos comportamentais, que são estabelecidos pela in- teração das reações individuais com o meio social. “A Comunicação Humana baseia-se na concepção da personalidade projetiva, na evidência de que, na sociedade humana, o homem precisa ‘vender’ a sua personalidade.” Para tanto, ele precisa torná- -la socialmente aceitável, e aí está o conflito, pois a pessoa tem que estar o tempo todo tornando a sua personalidade vendível, para que o outro pos- sa aceitar se comunicar com ela. Exemplificando, ocorre quando alguém tem uma determinada opi- nião negativa sobre o aborto, mas, ao conversar com alguém que acabou de conhecer e que é a favor do aborto, deixa de expressar a sua opinião e conversa com a outra pessoa como se não tivesse uma opinião bem formada a respeito do assunto. 4. Geografite: está relacionada com as atitudes das pessoas que se comovem mais com os “mapas” do que com os “territórios”. Mapas são os senti- mentos, imaginações, palpites, hipóteses, pres- sentimentos, preconceitos, inferências etc. Já os territórios são os objetos, as pessoas, as coisas, os acontecimentos etc. Isso é relevado devido ao fato de que, atualmente, as pessoas têm se envolvido, constantemente, com quaisquer tipos de sugestio- nabilidades, tornando-se exageradamente crédu- las; ou pela forma como as pessoas vêm distorcen- do a realidade, como por exemplo, por meio dos horóscopos, das coisas sobrenaturais, das profe- cias etc. Essas questões ocasionam uma certa falta de civilização, ou seja, falta de equilíbrio racional para lidar com os acontecimentos e com as coisas e pessoas. 5. Tendência à complicação: essa é uma das barreiras mais comuns, pois está concebida no fato de que as pessoas têm o hábito de restringir e complicar coisas e acontecimentos simples,o tempo todo, até mesmo quando se trata de sistematização e pensamento lógico. 10.5 Barreiras da linguagem 1. Confusões entre: a) Fatos X Opiniões: As pessoas estão o tempo todo se referindo a fatos, como se estivessem emitin- do opiniões e vice-versa. “Fato é acontecimento; é coisa ou ação feita. Opinião é modo de ver, é conjectura”. Pode-se dizer que uma das coisas mais ameaçadoras do processo comunicacional é a transformação de uma opinião em fato, pois, a partir do momento em que a pessoa se conven- ce de que sua suposição realmente aconteceu, ela perde a noção dos verdadeiros acontecimentos e divulga para outras pessoas as suas opiniões sobre os fatos, como sendo os próprios acontecimentos, causando distorções na realidade. Exemplifican- do: o gerente de departamento chegou duas ho- ras atrasado no trabalho (fato). Patrícia diz que foi porque ele acordou atrasado; já Fabíola diz que foi por razão de algum problema pessoal (opiniões). b) Inferências X Observações: trata-se de considerar as inferências como observações e vice-versa. In- ferir é deduzir e observar é prestar atenção, olhar algo que está acontecendo. “As inferências são menos prováveis do que as observações; (...) as in- ferências nos oferecem certezas relativas; as obser- vações nos oferecem certezas absolutas.” O tempo todo as pessoas fazem inferências. Quando leem um jornal, por exemplo, inferem o que realmen- te ocorreu. O problema desta barreira está no fato das pessoas tomarem sempre como lei as inferên- cias e não se utilizarem mais de observações. 2. Descuidos nas palavras abstratas: “Atrás de uma palavra nem sempre está uma coisa. Palavras não são coisas; são representações de coi- sas, quase sempre específicas, e por isso, difíceis de serem transmitidas, com fidelidade, de uma cabeça para outra.” E como as palavras abstratas fazem parte do repertório específico de cada um, fica difícil um processo comunicativo eficaz, sem uma predefinição dessas palavras, já que elas pos- sibilitam muitos equívocos. 3. Desencontros: Esta barreira pode ser caracterizada como a diferença de percepção de cada indivíduo, ou seja, a sub- jetividade de cada um. Uma determinada palavra, para um indivíduo, tem um significado A; já para outro indivíduo, um significado B, e isso ocorrerá com todos os indivíduos, pois ninguém percebe as coisas da mesma forma, cada um tem a sua for- ma de perceber e significar as coisas, palavras etc. Caso não aconteça um consenso e/ou esclareci- mento das questões a serem comunicadas, o pro- cesso ficará comprometido e cheio de equívocos de compreensão. 4. Indiscriminação: Ocorre quando há uma rotulação das coisas, pessoas e acontecimentos, quando a percepção está fo- cada, apenas, nas semelhanças ou em alguns pa- drões (ou clichês) criados por cada indivíduo, não havendo um discernimento entre as diferenças. Em relação à indiscriminação, a Comunicação Humana é prejudicada por alguns fatores, são eles: abuso dos ditados populares e a crença de que “a voz do povo é a voz de Deus”. 5. Polarização: “Há polarização quando tratamos os contrários como se fossem contraditórios. Polarização é a tendência a reconhecer apenas os extremos, negligenciando as posições intermediárias.” O processo comunica- cional fica bastante prejudicado quando os pontos de vistas são extremistas, pois dificilmente encon- tra-se um meio termo, sem causar grandes discus- sões ou fugir aos objetivos do processo. 6. Falsa identidade baseada em palavras: Acontece quando uma pessoa percebe coisas em co- mum entre duas ou mais coisas e conclui que essas user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 54 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO coisas são idênticas. Um exemplo claro disso é: os cariocas são flamenguistas. Camila é flamenguista. Por conseguinte, Camila é carioca. A palavra tem uma força fora do comum, podendo beneficiar ou prejudicar alguém por meio dessas conclusões das semelhanças entre as coisas. 7. Polissemia: É a reunião de vários sentidos em apenas uma pa- lavra. Cada um tem um repertório de palavras e significados e uma mesma palavra pode ter vários significados para um mesmo indivíduo. Então, já que o processo comunicacional precisa de no mí- nimo duas pessoas para acontecer, pode-se ima- ginar o quão complexo é a Comunicação entre diversas pessoas. “A palavra é a maneira de traduzir ideias ou pensa- mentos.” Portanto, cada indivíduo tende a trans- mitir as mensagens “carregadas” de palavras com suas percepções das coisas. Essa barreira está lado a lado com a barreira de desencontros, pois as duas abordam as diferenças de percepções de cada indivíduo. Tem uma palavra que serve de exemplo desta bar- reira, qual seja: abacaxi pode ser uma fruta ou um problema que dá muito trabalho para ser resolvi- do. 7. Barreiras verbais: São aquelas provocadas por palavras e expressões causadoras de antagonismos, ou seja, são as cau- sadoras de oposições de ideias. 11. Abordagem da Administração As barreiras mais destacadas neste campo de estudos são: ▪ Falta de comunicação: “é um dos problemas mais frequentes nas empresas e que gera as consequ- ências mais graves.” Pode ser causada por: inter- pretações distorcidas dos fatos; falta de adesão a uma decisão e às mudanças; desmotivação das pessoas pela não participação e pelo desconheci- mento do que se passa na Organização; conflitos entre pessoas e departamentos etc. ▪ Falta de clareza de objetivos: ocorre quando a mensagem não tem conteúdo e forma bem defini- dos. Exemplo: uma reunião em que ninguém con- segue entender o porquê de estar acontecendo. ▪ Texto fora do contexto: quando a comunicação é feita, apenas, sobre um determinado acontecimen- to, sem dizer o contexto no qual ele está inserido. Acontece quando uma decisão é simplesmente comunicada, sem que se expliquem os porquês e motivos em questão. ▪ Filtragem: ocorre quando o emissor manipula a mensagem, de acordo com os seus objetivos e in- teresses, de forma que a mensagem favoreça o seu ponto de vista ou o que ele deseja que o receptor decodifique. ▪ Percepção seletiva: o emissor vê e ouve, apenas, ou mais acuradamente, aquilo que lhe interessa, ou seja, faz uma seleção das mensagens relaciona- das com suas necessidades, motivações, referên- cias etc. As pessoas “não veem a realidade; em vez disso, interpretam o que veem e chamam de reali- dade.” Pode ser prejudicial, à medida que a pessoa tende a perceber só aquilo que lhe convém e isso não permite uma percepção neutra dos aconteci- mentos, coisas e pessoas. ▪ Defensiva: “Quando as pessoas se sentem amea- çadas, geralmente respondem de forma que atra- palha a Comunicação.” A partir do momento em que a pessoa se sente ameaçada, ela não consegue decodificar e nem transmitir as mensagens com eficácia. ▪ Uso inadequado dos meios: como já foi falado anteriormente, não existe um meio mais adequa- do para ser utilizado na transmissão de diferentes tipos de mensagem, sendo que o que vai deter- minar se o meio é o mais adequado, ou não, é a situação específica de cada mensagem. ▪ A Comu- nicação Oral tem a tendência de aumentar a eficá- cia da Comunicação, quando bem utilizada, pois proporciona uma resposta imediata, além de esti- mular o pensamento do receptor, no momento em que a mensagem está sendo transmitida e por dar um toque mais pessoal à mensagem e ao processo como um todo. Deve ser mais usada quando se quer comunicar mensagens mais complexas e difí- ceis de serem transmitidas. Já a comunicação escri- ta, tem a tendência de ser mal-entendida, porque quem escreveu pode não ter sido suficientemente claro ou não ter expressado o que queria correta- mente. ▪ Linguagem: pode ser considerada uma das barrei- ras mais comuns, pois ocorre o tempo todo, no dia a dia das pessoas em uma Organização. Como as pessoas tendem a achar que os significados que as palavras têm para elas são os mesmos significados que outraspessoas atribuem, uma barreira acaba surgindo no processo. ▪ Efeito status: A hierarquia dentro das organizações pode criar barreiras nas comunicações. Esta bar- reira está ligada a outra barreira, a filtragem, que já foi citada anteriormente. Quando os colabora- dores têm que comunicar algo aos gerentes das Organizações, eles tendem a filtrar a mensagem, de forma que ela seja transmitida e decodificada, no intuito de agradar os gerentes. ▪ Impertinência da mensagem: quando as mensa- gens são transmitidas em momentos inoportunos e desagradáveis, o processo se prejudica pela ina- dequação da situação escolhida. 12. Como melhorar a comunicação interpessoal ▪ Habilidades de transmissão; ▪ Linguagem apropriada; ▪ Informações claras; ▪ Canais múltiplos; ▪ Comunicação face a face sempre que possível. É notório que problemas de comunicação são de di- fícil intervenção e por isso demandam do emissor um enorme cuidado ao transmitir a mensagem necessária de forma clara e objetiva. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 55 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Existem três fontes de sinais de comunicação e cada uma representa um percentual deste processo: ▪ Comunicação verbal: palavras expressas 7%; ▪ Comunicação vocal: entonação, o tom e timbre de voz 38%; ▪ Expressão facial e corporal 55%; A falta de comunicação adequada pode gerar pro- blemas de diversos tipos e com consequências variadas, entre as quais podemos citar: ▪ Confusão entre os envolvidos; ▪ Perda na prestação do serviço ou na confecção do produto; ▪ Comprometer a imagem da empresa; ▪ Desmotivação; ▪ Retrabalho; ▪ Falta de procedimentos e ordens claras; ▪ Insatisfação de uma forma geral. Um princípio fundamental para a boa comunicação é a disposição e a sabedoria em ouvir. Toda a eficácia do processo depende, essencialmente, de saber ouvir e entender a mensagem que foi transmi- tida inicialmente, para então começar um processo de comunicação. 13. Formas de comunicação A comunicação vem sofrendo evoluções ao longo do tempo, assim como todo o processo que sofre influência do mundo globalizado. As formas mais tradicionais de comunicação englobam: ▪ Manual; ▪ Revista; ▪ Jornal; ▪ Boletim; ▪ Quadro de aviso. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação, figuram novos métodos efetivos para desenvolvê-la, tais como: ▪ Intranet; ▪ Correio eletrônico; ▪ Comunicação face a face; ▪ Telão. Em linhas gerais, torna-se necessário que o profissio- nal exercite tanto a linguagem verbal como a linguagem não verbal, que forçam o tempo todo as habilidades de comunicação. Alguns itens são vitais na linguagem não verbal e de- vem ser compreendidos para a sua melhor utilização: ▪ Gestos; ▪ Postura; ▪ Movimentos do corpo; ▪ Tom da voz e velocidade da fala; ▪ Movimentação entre receptor /emissor. A linguagem não verbal é considerada vital para o processo de comunicação, tendo em vista que esta não ocorre apenas por meio de palavras, sendo um processo muito mais complexo do que se imagina. No momento da comunicação, é necessário decodi- ficar as mensagens não verbais, pois, quando isso não ocorre, estima-se que há uma perda de 65% do que é comunicado. No momento em que o profissional domina as men- sagens não verbais, ele passa a conduzir o processo de comunicação de forma eficaz e consegue atingir os ob- jetivos propostos. Em suma, é necessário para o profissional aprender a utilizar sinais não verbais no processo de comunica- ção, bem como dominar a linguagem verbal. Na ausência destas habilidades, existirá um desnível significativo no processo de comunicação entre emissor /receptor. 14. Eficácia na comunicação Comunicar-se eficazmente é proporcionar transfor- mação e mudança na atitude das pessoas. Se a comuni- cação apenas muda as ideias das pessoas, mas não muda suas atitudes, então a comunicação não atingiu seu re- sultado. Ela não foi eficaz. A clareza e a certeza de que se foi entendido repre- sentam um dos pilares de um projeto bem sucedido e essa sempre foi uma das principais preocupações de to- das as empresas. Várias são as vezes que apenas infor- mamos e não formamos a ideia do que queremos que a outra parte faça. Existem algumas ferramentas e regras que ajudam na conscientização sobre o próprio nível de comunicação. Abaixo, o “Modelo de Quatro Elementos”, comprova- do e aplicado por Philip Walser, como uma das ferramen- tas das quais podemos dispor. Os quatro elementos são: “Framing” – “Advocating” – “Inquiring” –“Illustrating”: ▪ Framing: é definir o tema a ser abordado durante uma conversa logo no começo. Pode ser neces- sário redefinir o tema durante o andamento (“Re- -framing”), mas deve-se evitar que a conversa vá para lugares distantes que não têm nada a ver com o assunto. ▪ Advocating: é explicar o seu próprio ponto de vista de forma clara e objetiva, não deixando de lado os porquês desse ponto de vista, ou seja, não engolir sapos, mas mencionar os valores que são a base deste seu ponto de vista. ▪ Inquiring: até mais importante do que esclarecer o seu, é importante entender o ponto de vista do ou- tro. Isto se faz através de perguntas benevolentes que não tem o objetivo de interrogar. ▪ Illustrating: é resumir os diversos pontos de vis- ta, procurar pontos em comum, colocar assuntos polêmicos na mesa, visando a uma solução sendo flexível e contando com a flexibilidade do outro, diminuir complexidade para focar o que realmente está no centro da conversa. Observar, ouvir e dar importância para o outro é de- terminante para a eficácia da comunicação. De qualquer forma, a comunicação começa pelos sentidos (visão, audição, tato, olfação e gustação). Uma maneira prática de identificar a forma como uma pessoa user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 56 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO está pensando é prestar atenção às palavras que ela uti- liza, pois nossa linguagem está repleta de sinais, gestos, posturas e palavras baseados nos sentidos. Observar, ou- vir e dar importância para o outro é determinante para a eficácia da comunicação. É preciso abandonar a ilusão de que há solução fácil ou improvisada na construção de métricas que avaliem nosso trabalho. Não se deve supor que a outra parte entendeu, ou julgar que já deveria entender a mensa- gem. O que deve ser feito para que a comunicação seja adequada é investigar se a outra parte compreendeu a mensagem. 15. Comunicação interpessoal eficaz: cinco ele- mentos críticos Há cinco componentes que distinguem claramente os bons dos maus comunicadores. Tais componentes são Autoimagem, Saber Ouvir, Clareza de Expressão, Capaci- dade para lidar com sentimentos de contrariedade (irri- tação) e autoabertura. 14.1 Autoimagem (ou autoconceito) O fator isolado mais importante que afeta a comu- nicação entre pessoas é a sua autoimagem: a imagem que têm de si mesmas e das situações que vivenciam. Enquanto as situações podem variar em função do mo- mento ou do lugar, as crenças que as pessoas possuem acerca de si próprias estão sempre determinando seus comportamentos na comunicação. O “eu” é a estrela em todo ato de comunicação. Cada um tem, literalmente, milhares de conceitos a respeito de si mesmo: quem é, o que significa, onde exis- te, o que faz e não faz, o que valoriza, no que acredita. Estas autopercepções variam em clareza, precisão e im- portância de pessoa para pessoa. a) A importância da autoimagem A autoimagem de alguém é quem ele é. É o centro do seu universo, seu quadro referencial, sua realidade pes- soal, o seu ponto de vista particular. É um visor através do qual ele percebe, ouve, avalia a compreende todas as coisas. É o seu filtro individual do mundo que o cerca. A autoimagem de uma pessoa afeta sua maneira de se comunicar com os outros. Um autoconceitoforte, po- sitivo, é necessário para haver interações hígidas e satis- fatórias. Por outro lado, uma autoimagem fraca, inferior, frequentemente distorce a percepção do indivíduo relati- vamente a como os outros o veem, o que gera sentimen- tos de insegurança no seu relacionamento interpessoal. Alguém que tenha a seu próprio respeito uma impressão negativa poderá encontrar dificuldades em conversar com outros, em admitir que esteja errado, em expressar seus sentimentos, em aceitar críticas construtivas que lhe forem feitas ou em apresentar ideias diferentes das dos outros. Sua insegurança o leva a temer que os outros dei- xem de apreciá-lo se discordar deles. Pelo fato de sentir-se desvalorizado, inadequado e inferior, ele não tem confiança e pensa que suas ideias não interessam aos outros e que não vale a pena comu- nicá-las. Ele pode tornar-se arredio e defensivo em sua comunicação, renegando suas próprias ideias. b) Formação da autoimagem Da mesma forma que o autoconceito de alguém afe- ta sua capacidade de se comunicar, a comunicação que trava com outros modela também sua autoimagem. Uma vez que o homem é, antes de tudo, um animal social, ele forma os mais relevantes conceitos acerca do seu pró- prio eu a partir de suas experiências com outros seres humanos. Os indivíduos aprendem a se reconhecer pela manei- ra como são tratados pelas pessoas importantes de sua vida pessoas estas às vezes denominadas os outros sig- nificativos Mediante a comunicação verbal e não verbal com esses outros significativos, cada um passa a reco- nhecer se é apreciado ou não, se é aceito ou rejeitado, se é merecedor de respeito ou desdém, se é um sucesso ou um fracasso. Para que um indivíduo venha a ter uma sólida au- toimagem, ele precisa de amor, respeito e aceitação dos outros significativos de sua vida. O autoconceito, portanto, constitui um fator crítico para que alguém seja um comunicador eficaz. Em es- sência, a autoimagem de um indivíduo é delineada por aqueles que o tiverem amado ou pelos que não o tive- rem amado. 14.2 Saber ouvir Toda a aprendizagem relativa à comunicação tem fo- calizado as habilidades de expressão oral e de persua- são; até há bem pouco tempo dava-se pouca atenção à capacidade de ouvir. Esta ênfase exagerada dirigida para a habilidade de expressão levou a maioria das pessoas a subestimarem a importância da capacidade de ouvir em suas atividades diárias de comunicação. O ouvir, naturalmente, é algo muito mais intrincado e complicado do que o processo físico da audição, ou de escutar. A audição se dá através do ouvido, enquan- to que o ouvir implica num processo intelectual e emo- cional que integra dados (inputs) físicos, emocionais e intelectuais na busca de significados e de compreensão. O ouvir eficaz ocorre quando o “destinatário” é capaz de discernir e compreender o significado da mensagem do remetente. O objetivo da comunicação só assim é atin- gido. O “Terceiro Ouvido”: Reik refere-se ao processo de ouvir eficazmente como sendo “ouvir com o terceiro ouvido”. O ouvinte eficaz escuta não só as palavras em si, como também seus significados subjacentes. Seu ter- ceiro ouvido, diz Reik, ouve aquilo que é dito entre as sentenças e sem palavras, aquilo que se expressa silen- ciosamente, o que o emissor fala e pensa. Logicamente, o ouvir com eficácia não é um proces- so passivo. Ele desempenha um papel ativo na comuni- cação. O ouvinte eficaz interage com o interlocutor no sentido de desenvolver os significados e chegar à com- preensão. Diversos princípios podem servir de auxílio para o aprimoramento das habilidades essenciais para saber ouvir: 1. O ouvinte deve ter uma razão ou propósito de ou- vir; user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 57 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 2. O ouvinte deve suspender julgamentos; 3. O ouvinte deve resistir a distrações – barulhos, pes- soas, olhares – e focalizar o interlocutor; 4. O ouvinte deve esperar antes de responder ao seu interlocutor. As respostas imediatas reduzem a efi- cácia do ouvir; 5. O ouvinte deve repetir palavra por palavra aquilo que o interlocutor está dizendo; 6. O ouvinte deve recolocar em suas próprias palavras o conteúdo e o sentimento daquilo que o outro está dizendo, para que o interlocutor confirme se a mensagem que transmitiu foi realmente recebida; 7. O ouvinte deve buscar os temas, os pontos centrais daquilo que o interlocutor está dizendo, ouvindo “através” das palavras para atingir sua real signi- ficação; 8. O ouvinte deve utilizar o tempo diferencial entre a velocidade do pensamento (400 a 500 palavras por minuto) para “refletir” sobre o conteúdo e “buscar” o seu significado; 9. O ouvinte deve estar pronto para reagir aos co- mentários do interlocutor. a) Clareza de expressão Ouvir eficazmente é uma habilidade necessária e ne- gligenciada na comunicação, porém muitas pes- soas consideram igualmente difícil dizer aquilo que querem dizer ou expressar aquilo que sentem. É que com frequência elas presumem simplesmente que o outro compreende a sua mensagem, mes- mo que sejam descuidadas ou confusas em sua fala. Parecem achar que as pessoas deveriam ser capazes de ler as mentes uns dos outros: “Se está claro para mim, deve estar claro para você tam- bém”. Essa suposição é uma das maiores barreiras ao êxito da comunicação humana. O comunicador deficiente deixa que o ouvinte adivinhe o que ele quer dizer, partindo da premissa de que está, de fato, comunicando. Por sua vez, o ouvinte age de acordo com suas adivinhações. O resultado óbvio disto é um mal-entendido recíproco. Para se chegar a resultados objetivos planejados – desde a execução da rotina diária de trabalho, até a comunhão mais profunda com alguém – as pessoas precisam ter um meio de se comunicarem satisfatoriamente. b) Capacidade para lidar com sentimentos de contrariedade (irritação) A incapacidade de alguém para lidar com manifesta- ções de irritação e contrariedade resulta, com fre- quência, em curtos-circuitos na comunicação. Expressão. A exteriorização das emoções é impor- tante para construir bons relacionamentos com os outros. As pessoas precisam expressar seus senti- mentos de tal modo que elas influenciem, remode- lem e modifiquem a si próprias e aos outros. Elas precisam aprender a expressar sentimentos de ira de forma construtiva e não destrutivamente. As se- guintes orientações podem ser úteis: 1. Esteja alerta para suas emoções; 2. Admita suas emoções. Não as ignore ou renegue; 3. Seja dono de suas emoções. Assuma responsabili- dade por aquilo que fizer; 4. Investigue suas emoções. Não procure “vencer” uma discussão na base do revide, ou de “dar o tro- co”; 5. Relate suas emoções. A comunicação congruente significa uma combinação satisfatória entre o que você está dizendo e aquilo que está vivenciando; 6. Integre suas emoções, o seu intelecto e a sua von- tade. Dê uma oportunidade a você mesmo de aprender e crescer como pessoa. As emoções não podem ser reprimidas. Elas devem ser identifica- das, observadas, relatadas e integradas. Aí então as pessoas podem fazer instintivamente os ajusta- mentos necessários, à luz de seus próprios concei- tos de crescimento. Eles podem acompanhar a vida e mudar com ela. 14.3 Autoabertura A capacidade de falar total e francamente a respeito de si mesmo – é necessária à comunicação eficaz. O in- divíduo não pode se comunicar com outro ou chegar a conhecê-lo a menos que se esforce pela autoabertura. A capacidade de alguém para se autorrevelar é um sintoma de personalidade sadia. Pode-se dizer que um indivíduo compreenderá tanto a respeito de si próprio quanto ele estiver disposto a co- municar a outra pessoa. Obstáculos à autorrevelação: para que se conheçam a si próprias e para que consigam relações interpessoais satisfatórias, as pessoas precisam revelar-se aos outros. Ainda assim, a autorrevelação é obstruída por muitos. A comunicaçãoeficaz, então, tem por base estes cin- co componentes: uma autoimagem adequada; capaci- dade de ser bom ouvinte; habilidade de expressar clara- mente os próprios pensamentos e ideias; capacidade de lidar com emoções, tais como a ira, de maneira funcional e a disposição para se expor, para se revelar aos outros. ATENDIMENTO AO PÚBLICO A qualidade do atendimento ao público apresenta- -se como um desafio institucional e deve ter como meta aprimorar e uniformizar o serviço oferecido tanto ao pú- blico externo como ao público interno. Vale ressaltar que o agente responsável por realizar o atendimento, ao fazê-lo, não o faz por si mesmo, mas pela instituição, ou seja, ele representa a organização naquele momento, é a imagem da organização que se apresenta na figura desse agente. Quando falamos em atendimento de qualidade, pen- samos em excelência na forma com que nossos clientes (internos ou externos) são tratados. Lidar com pessoas, como ocorre em um atendimento, exige uma postura comportamental comprometida com o outro, com suas necessidades, seus anseios, mas também com a organi- zação, suas regras, ou seja, exige responsabilidade, co- nhecimento de funções, uso adequado de ferramentas para se enquadrar ao sistema de funcionamento da or- ganização, agilidade, cordialidade, eficiência e, principal- mente, empatia para realizar um atendimento de exce- lência junto ao público. user Realce user Realce 58 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Atendimento corresponde ao ato de atender, ou seja, ao ato de prestar atenção às pessoas com as quais man- temos contato. A qualidade do atendimento prestado depende da capacidade de se comunicar com o público e da mensa- gem transmitida. O edital cita características que são imprescindíveis quando se almeja alcançar um nível de excelência em qualidade no atendimento. Vejamos: ▪ Atenção: o cliente precisa ser o foco de suas ações. É necessário fazer com que ele se sinta realmente o elemento de maior importância nessa relação, e isso será possível quando o atende dispender a atenção necessária nesse contato, criando empa- tia para identificar de fato qual a melhor forma de atender esse cliente. ▪ Cortesia: ser cortês significa usar de gentileza, edu- cação, lidar as pessoas com amabilidade, generosi- dade e delicadeza no trato. ▪ Interesse: como dissemos acima, desenvolver em- patia, ou seja, quando se coloca no lugar da pessoa e demonstra interesse naquilo que é importante para ela, consequentemente, realiza-se um traba- lho melhor. ▪ Presteza: está relacionado com a boa vontade e pré-disposição em servir. ▪ Eficiência: eficiência é a capacidade de “fazer as coisas direito”, um administrador é considerado eficiente quando minimiza o custo dos recursos usados para atingir determinado fim. ▪ Tolerância: representa a capacidade de uma pes- soa ou grupo de aceitar, em outra pessoa ou grupo uma atitude diferente das que são a norma de seu grupo. ▪ Discrição: envolve zelo, respeito, prudência, discer- nimento e sensatez quando fornece uma informa- ção ao cliente. É necessário manter-se reservado sobre o que o cliente lhe diz. Assim, estará trans- mitindo confiabilidade e seriedade no trabalho de- senvolvido. ▪ Conduta: espera-se que o atendente conheça e respeite as normas internas, afinal, ele é um canal de transmissão da imagem da organização e, como tal, deve manter postura profissional, agir dentro da cultura da empresa/ instituição e conforme os interesses institucionais, mas, ainda sim, atingindo o resultado desejado de atender com excelência o cliente, resolvendo sua necessidade ou atendendo seu desejo. ▪ Objetividade, clareza e concisão: ser direto, obje- tivo e claro em suas respostas para o cliente e se ater ao foco do que está sendo perguntado, forne- cendo informações precisas e sucintas com aten- ção e clareza. 1. Postura de atendimento Aqui, falamos em fatores pessoais que influenciam o atendimento: apresentação pessoal, cortesia (persona- lizar o atendimento), atenção, tolerância (grau de acei- tação de diferente modo de pensar), discrição, conduta, objetividade. A postura pode ser entendida como a junção de to- dos esses aspectos relacionados com a nossa expressão corporal na sua totalidade e nossa condição emocional. Podemos destacar 3 pontos necessários para falar- mos de postura. São eles: ▪ Ter uma postura de abertura: caracteriza-se por um posicionamento de humildade, mostrando-se sempre disponível para atender e interagir pron- tamente com o cliente. Esta postura de abertura do atendente suscita alguns sentimentos positivos nos clientes, como por exemplo: ▪ Postura do atendente de manter os ombros aber- tos e o peito aberto, passa ao cliente um sentimen- to de receptividade e acolhimento; ▪ A cabeça meio curva e o corpo ligeiramente incli- nado transmitem ao cliente a humildade do aten- dente; ▪ O olhar nos olhos e o aperto de mão firme tradu- zem respeito e segurança; ▪ A fisionomia amistosa alenta um sentimento de afetividade e calorosidade. ▪ Ter sintonia entre fala e expressão corporal: caracteriza-se pela existência de uma unidade en- tre o que dizemos e o que expressamos no nosso corpo. Quando fazemos isso, nos sentimos mais harmônicos e confortáveis. Não precisamos fingir, mentir ou encobrir os nossos sentimentos e eles fluem livremente. Dessa forma, nos sentimos mais livres do stress, das doenças, dos medos. ▪ As expressões faciais: podemos extrair dois aspec- tos: o expressivo, ligado aos estados emocionais que elas traduzem e a identificação desses estados pelas pessoas; e a sua função social, que diz em que condições ocorreu a expressão, seus efeitos sobre o observador e quem a expressa. Podemos concluir, entendendo que qualquer com- portamento inclui posturas e é sempre fruto da interação complexa entre o organismo e o seu meio ambiente. Observando essas condições principais que causam a vinculação ou o afastamento do cliente da empresa, po- demos separar a estrutura de uma empresa de serviços em dois itens: 2. Os serviços O serviço assume uma dimensão macro nas organi- zações e, como tal, está diretamente relacionado ao pró- prio negócio. Nesta visão mais global, estão incluídas as políticas de serviços, a sua própria definição e filosofia. Aqui, tam- bém são tratados os aspectos gerais da organização que dão peso ao negócio, como: o ambiente físico, as cores (pintura), os jardins. Este item, portanto, depende mais diretamente da empresa e está mais relacionado com as condições sistêmicas. 3. Pontos e políticas do atendimento É o tratamento dispensado às pessoas, está mais rela- cionado com o funcionário em si, com as suas atitudes e o seu modo de agir com os clientes. Portanto, está ligado às condições individuais. user Realce user Realce 59 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO É necessário unir esses dois pontos e estabelecer nas políticas das empresas o treinamento e a definição de um padrão de atendimento e de um perfil básico para o profissional de atendimento, como forma de avançar no próprio negócio. Dessa maneira, esses dois itens se tornam complementares e inter-relacionados, com de- pendência recíproca para terem peso. 4. O profissional do atendimento Para conhecermos melhor a postura de atendimen- to, faz-se necessário falar do verdadeiro profissional do atendimento. Os três passos do verdadeiro profissional de atendi- mento: 4.1 Entender o seu verdadeiro papel: que é o de compreender e atender as necessidades dos clientes, fa- zer com que ele seja bem recebido, ajudá-lo a se sentir importante e proporcioná-lo um ambiente agradável. Este profissional é voltado completamente para a intera- ção com o cliente, estando sempre com as suas antenas ligadas neste, para perceber constantemente as suas ne- cessidades. Para o profissional, não basta apenas conhe- cer o produto ou serviço, o mais importante é demons- trar interesse em relação às necessidades dos clientes e atendê-las.4.2 Entender o lado humano: conhecendo as neces- sidades dos clientes, aguçando a capacidade de perce- ber o cliente. Para entender o lado humano, é necessário que este profissional tenha uma formação voltada para as pessoas e goste de lidar com gente. Espera-se que ele fique feliz em fazer o outro feliz, pois, para este profissio- nal, a felicidade de uma pessoa começa no mesmo ins- tante em que ela cessa a busca de sua própria felicidade para buscar a felicidade do outro. 4.3 Entender a necessidade de manter um estado de espírito positivo: cultiva-se pensamentos e senti- mentos positivos para ter atitudes adequadas no mo- mento do atendimento. Ele sabe que é fundamental se- parar os problemas particulares do dia a dia do trabalho e, para isso, cultiva o estado de espírito antes da chegada do cliente. O primeiro passo de cada dia é iniciar o tra- balho com a consciência de que o seu principal papel é o de ajudar os clientes a solucionarem suas necessidades. A postura é de realizar serviços para o cliente. 5. A fuga dos clientes As pesquisas revelam que 68% dos clientes das em- presas fogem delas por problemas relacionados à postu- ra de atendimento. Numa escala decrescente de importância, podemos observar os seguintes percentuais: ▪ 68% dos clientes fogem das empresas por proble- mas de postura no atendimento; ▪ 14% fogem por não terem suas reclamações aten- didas; ▪ 9% fogem pelo preço; ▪ 9% fogem por competição, mudança de endereço, morte. A origem dos problemas está nos sistemas implan- tados nas organizações, muitas vezes obsoletos. Esses sistemas não definem uma política clara de serviços, não definem o que é o próprio serviço e qual é o seu produto. Sem isso, existe muita dificuldade em satisfazer plena- mente o cliente. Essas empresas que perdem 68% dos seus clientes não contratam profissionais com características básicas para atender o público, não treinam esses profissionais na postura adequada, não criam um padrão de atendi- mento e este passa a ser realizado de acordo com as ca- racterísticas individuais e o bom senso de cada um. A falta de noção clara da causa primária da perda de clientes faz com que as empresas demitem os funcio- nários “porque eles não sabem nem atender o cliente”. Parece até que o atendimento é a tarefa mais simples da empresa e que menos merece preocupação. Ao contrá- rio, é a mais complexa e recheada de nuances que per- passam pela condição individual e por condições sistê- micas. Essas condições sistêmicas estão relacionadas a: 1. Falta de uma política clara de serviços; 2. Indefinição do conceito de serviços; 3. Falta de um perfil adequado para o profissional de atendimento; 4. Falta de um padrão de atendimento; 5. Inexistência do follow up; 6. Falta de treinamento e qualificação de pessoal. Nas condições individuais, podemos encontrar a con- tratação de pessoas com características opostas ao ne- cessário para atender ao público, como: timidez, avareza, rebeldia... 6. Os requisitos para contratação deste profissio- nal Para trabalhar com atendimento ao público, alguns requisitos são essenciais ao atendente. São eles: ▪ Gostar de servir, de fazer o outro feliz; ▪ Gostar de lidar com gente; ▪ Ser extrovertido; ▪ Ter humildade; ▪ Cultivar um estado de espírito positivo; ▪ Satisfazer as necessidades do cliente; ▪ Cuidar da aparência. Com esses requisitos, o sinal fica verde para o aten- dimento. 7. Outros fatores importantes no atendimento 7.1 O olhar Os olhos transmitem o que está na nossa alma. Através do olhar, podemos passar para as pessoas os nossos senti- mentos mais profundos, pois ele reflete o nosso estado de espírito. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 60 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Ao analisar a expressão do olhar, não vamos nos prender somente a ele, mas à fisionomia como um todo para entendermos o real sentido dos olhos. Um olhar brilhante transmite ao cliente a sensação de acolhimento, de interesse no atendimento das suas ne- cessidades, de vontade de ajudar. Ao contrário, um olhar apático, traduz fraqueza e desinteresse, dando ao cliente, a impressão de desgosto e dissabor pelo atendimento. Mas, você deve estar se perguntando: a que causa este brilho nos nossos olhos? A resposta é simples: Gos- tar do que faz, gostar de prestar serviços ao outro, gostar de ajudar ao próximo. Para atender ao público, é preciso que haja interesse e gosto, pois só assim conseguimos repassar uma sensa- ção agradável para o cliente. Gostar de atender o público significa gostar de atender as necessidades dos clientes, querer ver o cliente feliz e satisfeito. Como o olhar revela a atitude da mente, ele pode transmitir: a). Interesse quando: ▪ Brilha; ▪ Tem atenção; ▪ Vem acompanhado de aceno de cabeça. b) Desinteresse quando: ▪ É apático; ▪ É imóvel, rígido; ▪ Não tem expressão. O olhar desbloqueia o atendimento, pois quebra o gelo. O olhar nos olhos dá credibilidade e não há como dissimular com o olhar. 7.2 A aproximação – raio de ação A aproximação do cliente está relacionada ao concei- to de raio de ação, que significa interagir com o público, independentemente deste ser cliente ou não. Essa interação ocorre dentro de um espaço físico de 3 metros de distância do público e de um tempo imediato, ou seja, prontamente. Além do mais, deve ocorrer independentemente de o funcionário estar ou não na sua área de trabalho. Esses requisitos para a interação tornam-na mais eficaz. Essa interação pode se caracterizar por um cumpri- mento verbal, uma saudação, um aceno de cabeça ou apenas por um aceno de mão. O objetivo com isso é fazer o cliente sentir-se acolhido e certo de estar rece- bendo toda a atenção necessária para satisfazer os seus anseios. Alguns exemplos são: 1. No hotel, a arrumadeira está no corredor com o carrinho de limpeza e o hóspede sai do seu apartamen- to. Ela prontamente olha para ele e diz com um sorriso: “bom dia!” 2. O caixa de uma loja cumprimenta o cliente no mo- mento do pagamento; 3. O frentista do posto de gasolina aproxima-se ao ver o carro entrando no posto e faz uma sudação. 7.3 A invasão Porém, interagir no raio de ação não tem nada a ver com invasão de território. Vamos entender melhor isso. Todo ser humano sente necessidade de definir um território, que é um certo espaço entre si e os estranhos. Esse território não se configura apenas em um espaço físico demarcado, mas principalmente num espaço pes- soal e social, o que podemos traduzir como a necessida- de de privacidade, de respeito, de manter uma distância ideal entre si e os outros de acordo com cada situação. Quando esses territórios são invadidos, ocorrem cor- tes na privacidade, o que normalmente traz consequên- cias negativas. Podemos exemplificar essas invasões com algumas situações corriqueiras: uma piada muito picante contada na presença de pessoas estranhas a um grupo social; ficar muito próximo do outro, quase se encostan- do nele; dar um tapinha nas costas etc. Nas situações de atendimento, são bastante comuns as invasões de território pelos atendentes. Estas, na sua maioria, causam mal-estar aos clientes, pois são traduzi- das por eles como atitudes grosseiras e pouco sensíveis. Alguns são os exemplos destas atitudes e situações mais comuns: ▪ Insistência para o cliente levar um item ou adquirir um bem; ▪ Seguir o cliente por toda a loja; ▪ O motorista de taxi que não para de falar com o passageiro; ▪ O garçom que fica de pé ao lado da mesa sugerin- do pratos sem ser solicitado; ▪ O funcionário que cumprimenta o cliente com dois beijinhos e tapinhas nas costas; ▪ O funcionário que transfere a ligação ou desliga o telefone sem avisar. Essas situações não cabem na postura do verdadeiro profissional do atendimento. 7.4 O sorriso O sorriso abre portas e é considerado uma linguagem universal. Imagine que você tem um exame de saúde muito im- portante para receber e está apreensivo como resultado. Você chega à clínica e é recebido por uma recepcionis- ta que apresenta um sorriso caloroso. Com certeza você se sentirá mais seguro e mais confiante, diminuindo um pouco a tensão inicial. Neste caso, o sorriso foi interpre- tado como um ato de apaziguamento. O sorriso tem a capacidade de mudar o estado de es- pírito das pessoas e as pesquisas revelam que as pessoas sorridentes são avaliadas mais favoravelmente do que as não sorridentes. O sorriso é um tipo de linguagem corporal, um tipo de comunicação não-verbal. Como tal, expressa as emo- ções e geralmente informa mais do que a linguagem falada e a escrita. Dessa forma, podemos passar vários tipos de sentimentos e acarretar as mais diversas emo- ções no outro. 61 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 7.5 Ir ao encontro do cliente Ir ao encontro do cliente é um forte sinal de com- promisso no atendimento por parte do atendente. Este item traduz a importância dada ao cliente no momen- to de atendimento, no qual o atendente faz tudo o que é possível para atender as suas necessidades, pois ele compreende que satisfazê-las é fundamental. Indo ao encontro do cliente, o atendente demonstra o seu inte- resse para com ele. 7.6 A primeira impressão Você já deve ter ouvido milhares de vezes esta frase: a primeira impressão é a que fica. Você concorda com ela? No mínimo seremos obrigados a dizer que será difícil a empresa ter uma segunda chance para tentar mudar a impressão inicial se ela foi negativa, pois dificilmente o cliente irá voltar. É muito mais difícil e também mais caro trazer de volta o cliente perdido, aquele que foi mal atendido ou que não teve os seus desejos satisfeitos. Estes clientes perdem a confiança na empresa e normalmente os cus- tos para resgatá-los são altos. Alguns mecanismos que as empresas adotam são os contatos via telemarketing, mala-direta, visitas, mas nem sempre são eficazes. A maioria das empresas não tem noção da quanti- dade de clientes perdidos durante a sua existência, pois elas não adotam mecanismos de identificação de recla- mações e/ou insatisfações de clientes. Assim, elas deixam escapar as armas que teriam para reforçar os seus pro- cessos internos e o seu sistema de trabalho. Quando as organizações atentam para essa impor- tância, elas passam a aplicar instrumentos de medição, porém, esses coletores de dados nem sempre traduzem a realidade, pois muitas vezes trazem perguntas vagas, subjetivas ou pedem a opinião aberta sobre o assunto. Dessa forma, fica difícil mensurar e acaba-se por não colher as informações reais. A saída seria criar medidores que traduzissem com fatos e dados, as verdadeiras opiniões do cliente sobre o serviço e o produto adquiridos da empresa. 7.7 Apresentação pessoal Que imagem você acha que transmitimos ao cliente quando o atendemos com unhas sujas, os cabelos des- penteados, as roupas mal cuidadas... ? O atendente está na linha de frente e é responsável pelo contato, além de representar a empresa neste mo- mento. Para transmitir confiabilidade, segurança, bons serviços e cuidado, faz-se necessário, também, ter uma boa apresentação pessoal. Alguns cuidados são essenciais para tornar este item mais completo. São eles: a) Tomar um banho antes do trabalho diário: além da função higiênica, também é revigorante e espanta a preguiça; b) Cuidar sempre da higiene pessoal: unhas limpas, cabelos cortados e penteados, dentes cuidados, hálito agradável, axilas asseadas, barba feita; c) Roupas limpas e conservadas; d) Sapatos limpos; e) Usar o crachá de identificação em local visível pelo cliente. Quando esses cuidados básicos não são tomados, o cliente se questiona: puxa, se ele não cuida nem dele, da sua aparência pessoal, como é que vai cuidar de me prestar um bom serviço ? A apresentação pessoal, a aparência, é um aspecto importante para criar uma relação de proximidade e con- fiança entre o cliente e o atendente. 7.8 Cumprimento caloroso O que você sente quando alguém aperta a sua mão sem firmeza? Às vezes ouvimos as pessoas comentando que é possível conhecer alguém, a sua integridade moral, pela qualidade do seu aperto de mão. O aperto de mão “frouxo” transmite apatia, passivida- de, baixa energia, desinteresse, pouca interação, falta de compromisso com o contato. Ao contrário, o cumprimento muito forte, do tipo que machuca a mão, ao invés de trazer uma mensagem positiva, causa um mal-estar, traduzindo hiperatividade, agressividade, invasão e desrespeito. O ideal é ter um cumprimento firme, que prenda toda a mão, mas que a deixe livre, sem sufocá-la. Este aperto de mão demonstra interesse pelo outro, firmeza, bom nível de energia, ativi- dade e compromisso com o contato. É importante lembrar que o cumprimento deve estar associado ao olhar nos olhos, à cabeça erguida, aos om- bros e ao peito abertos, totalizando uma sintonia entre fala e expressão corporal. Não se esqueça: apesar de haver uma forma adequa- da de cumprimentar, esta jamais deverá ser mecânica e automática. 7.9 Tom de voz A voz é carregada de magnetismo e, como tal, traz uma onda de intensa vibração. O tom de voz e a maneira como dizemos as palavras são mais importantes do que as próprias palavras. Podemos dizer ao cliente: “a sua televisão deveria sair hoje do conserto, mas, por falta de uma peça, ela só esta- rá pronta na próxima semana”. De acordo com a maneira que dizemos e de acordo com o tom de voz que usamos, vamos perceber reações diferentes do cliente. Se dissermos isso com simpatia, naturalmente nos desculpando pela falha e assumindo uma postura de humildade, falando com calma e num tom amistoso e agradável, percebemos que a reação do cliente será de compreensão. Por outro lado, se a mesma frase é dita de forma me- cânica, estudada, artificial, ríspida, fria e com arrogância, poderemos ter um cliente reagindo com raiva, procuran- do o gerente, gritando etc. 62 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO As palavras são símbolos com significados próprios. A forma como elas são utilizadas também traz o seu sig- nificado e, com isso, cada palavra tem a sua vibração es- pecial. 7.10 Saber escutar Você acha que existe diferença entre ouvir e escutar? Se você respondeu que não, você errou. Escutar é muito mais do que ouvir, pois é captar o verdadeiro sentido, compreendendo e interpretando a essência, o conteúdo da comunicação. O ato de escutar está diretamente relacionado com a nossa capacidade de perceber o outro. E, para perceber- mos o outro, o cliente que está diante de nós, precisamos nos despojar das barreiras que atrapalham e empobre- cem o processo de comunicação. São elas: ▪ Os preconceitos; ▪ As distrações; ▪ Os julgamentos prévios; ▪ As antipatias. Para interagirmos e nos comunicarmos a contento, precisamos compreender o todo, captando os estímulos que vêm do outro, fazendo uma leitura completa da si- tuação. Precisamos querer escutar, assumindo uma postura de receptividade e simpatia, afinal, nós temos dois ouvi- dos e uma boca, o que nos sugere que é preciso escutar mais do que falar. Quando não sabemos escutar o cliente – interrom- pendo-o, falando mais que ele, dividindo a atenção com outras situações – tiramos dele a oportunidade de ex- pressar os seus verdadeiros anseios e necessidades e corremos o risco de aborrecê-lo, pois não iremos conse- guir atendê-los. A mais poderosa forma de escutar é a empatia (que vamos conhecer mais na frente). Ela nos permite escutar, de fato, os sentimentos por trás do que está sendo dito, mas, para isso, é preciso que o atendente esteja sintoni- zado emocionalmente com o cliente. Essa sintonia se dá por meio do despojamento das barreiras que já falamos antes. 7.11 Agilidade Atender com agilidade significa ter rapidez sem per- der a qualidade do serviço prestado. A agilidade no atendimento transmite ao cliente a ideia de respeito. Sendo ágil, o atendente reconhece a necessidade do cliente em relação à utilização adequadado seu tempo. Quando há agilidade, podemos destacar: ▪ O atendimento personalizado; ▪ A atenção ao assunto; ▪ O saber escutar o cliente; ▪ O cuidar das solicitações e o acompanhar o cliente durante todo o seu percurso na empresa. 7.12 O calor no atendimento O atendimento caloroso evita dissabores e situações constrangedoras, além de ser a comunhão de todos os pontos estudados sobre postura. O atendente escolhe a condição de atender o clien- te e, para isso, é preciso sempre lembrar que o cliente deseja se sentir importante e respeitado. Na situação de atendimento, o cliente busca ser reconhecido e, transmi- tindo calorosidade nas atitudes, o atendente satisfaz as necessidades do cliente de estima e consideração. Ao contrário, o atendimento áspero transmite ao cliente a sensação de desagrado, descaso e desrespeito, além de retornar ao atendente como um bumerangue. O efeito bumerangue é bastante comum em situações de atendimento, pois ele reflete o nível de satisfação, ou não, do cliente em relação ao atendente. Com esse efeito, as atitudes batem e voltam, ou seja, se você atende bem, o cliente se sente bem e trata o atendente com respeito. Se este atende mal, o cliente reage de forma negativa e hostil. O cliente não está na esteira da linha de produção, merecendo ser tratado com diferenciação e apreço. Precisamos ter em atendimento pessoas descontraí- das, que façam do ato de atender o seu verdadeiro sen- tido de vida, que é servir ao próximo. Atitudes de apatia, frieza, desconsideração e hostili- dade retratam bem a falta de calor do atendente. Com essas atitudes, o atendente parece estar pedindo ao cliente que este se afaste, vá embora, desapareça da sua frente, pois ele não é bem-vindo. Assim, o atendente es- quece que a sua missão é servir e fazer o cliente feliz. 8. As gafes no atendimento Depois de conhecermos a postura correta de aten- dimento, também é importante sabermos quais são as formas erradas, para jamais praticá-las. Quem as pratica com certeza não é um verdadeiro profissional de aten- dimento. A seguir, alguns pontos que são considerados postura inadequada: 8.1 Postura inadequada A postura inadequada é abrangente, indo desde a postura física ao mais sutil comentário negativo sobre a empresa na presença do cliente. Em relação à postura física, podemos destacar como inadequado o atendente: ▪ Escorar-se nas paredes da loja ou debruçar a ca- beça no seu birô por não estar com o cliente (esta atitude impede que ele interaja no raio de ação); ▪ Mascar chicletes durante o atendimento; ▪ Cuspir, pôr o dedo no nariz ou no ouvido quando estiver falando pessoalmente com o cliente. O as- seamento deve ser feito apenas no banheiro; ▪ Comer enquanto atende o cliente (comum nas em- presas que oferecem lanches ou têm cantina); ▪ Vociferar um pedido a alguém da empresa. Pedir com gentileza seria o correto porque o grito além de ser algo deselegante é uma forma de agressão; ▪ Coçar-se na frente do cliente; 63 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO ▪ Bocejar. O atendente tem de conter o bocejo, que é um sinal de cansaço. O cliente pode entender que sua pre- sença é desinteressante. Em relação aos itens mais sutis, podemos destacar: ▪ Achar-se íntimo do cliente a ponto de lhe pedir carona, por exemplo; ▪ Receber presentes do cliente em troca de um bom serviço; ▪ Fazer críticas a outros setores, pessoas, produtos ou serviços na frente do cliente; ▪ Desmerecer ou criticar o fabricante do produto que vende, o parceiro da empresa, denegrindo a sua imagem para o cliente; ▪ Falar mal de pessoas ausentes na presença do cliente; ▪ Usar o cliente como desabafo dos problemas pessoais; ▪ Lamentar; ▪ Colocar problemas salariais; ▪ Reclamar de outrem ou da própria vida na frente do cliente. ▪ Lembre-se: a ética do trabalho é servir aos outros e não se servir dos outros. 8.2 Usar chavões O mau profissional utiliza-se de alguns chavões como forma de fugir à sua responsabilidade no atendimento ao cliente. Citamos aqui os mais comuns: Pare e reflita: você gostaria de ser comparado a este atendente? ▪ O senhor como cliente tem que entender; ▪ O senhor deveria agradecer o que a empresa faz pelo senhor; ▪ O cliente é um chato que sempre quer mais; ▪ Aí vem ele de novo. Essas frases geram um bloqueio mental, dificultando a liberação do lado bom da pessoa que atende o cliente. Aqui, podemos ter o efeito bumerangue, que torna um círculo vicioso na postura inadequada, pois o atendente usa os chavões (pensa dessa forma em relação ao cliente e à situação de atendimento), o cliente se aborrece e descarrega no atendente ou simplesmente não volta mais. Para quebrar esse ciclo, é preciso haver uma mudança radical no pensamento e postura do atendente. 8.3 Impressões finais do cliente Toda a postura e comportamento do atendente vai levar o cliente a criar uma impressão sobre o atendimento e, consequentemente, sobre a empresa. Duas são as formas de impressões finais mais comuns do cliente: a) Momento da verdade: por meio do contato direto (pessoal) e/ou telefônico com o atendente; b) Teleimagem: por meio do contato telefônico. (Vamos conhecê-la com mais detalhes.) 8.4 Momentos da verdade Segundo Karl Albrecht, Momento da Verdade é qualquer episódio no qual o cliente entra em contato com qualquer aspecto da organização e obtém uma impressão da qualidade do seu serviço. O funcionário tem poucos minutos para fixar na mente do cliente a imagem da empresa e do próprio serviço pres- tado. Este é o momento que separa o grande profissional dos demais. 64 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Atendimento de Excelência FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA (o que) » MOVIMENTO DA VERDADE (MV’s) » encantado »desencantado »Apático Características de MV’s • MV’s não são apenas os primeiros contatos • MV’s acontecem por meio de múltiplos canais • Ter MV’s com os Clientes não é exclusividade de ningém na empresa FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA (o que) » pelo Cliente depende do...CICLO DE SERVIÇOS Um único MV desastroso compromete todo ciclo. » SATISFAÇÃO DAS PESSOAS » pelo Cliente depende da...CICLO DE SERVIÇOS Satisfação Percepção (P) do = ________________________ Cliente (S) Expectativa (E) O atendimento percebido — Necessidade momentânea do Cliente — Personalidade do Cliente — Experiência do Cliente — Estado de Espírito do Cliente FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA (o que) » SATISFAÇÃO DAS PESSOAS 1º não desencantar 2º satisfazer 3º surpreender É tirar dele a expressão: Ah! Eu não acredito!!! É muito comum cair questões que exigem conhecimento sobre a questão que envolva a relação percep- ção e expectativa ao tratar de satisfação do cliente. #FicaDica Este verdadeiro profissional trabalha em cada momento da verdade, considerando-o único e fundamental para de- finir a satisfação do cliente. Ele se fundamenta na chamada Tríade Do Atendimento ou Triângulo Do Atendimento, que é composto de elementos básicos do processo de interação, que são: a) A pessoa A pessoa mais importante é aquela que está na sua frente. Então, podemos entender que a pessoa mais importante é o cliente que está na frente e precisa de atenção. No Momento da Verdade, o atendente se relaciona diretamente com o cliente, tentando atender a todas as suas necessidades. Não existe outra forma de atender, a não ser pelo contato direto e, portanto, a pessoa fundamental neste momento é o cliente. b) A hora A hora mais importante das nossas vidas é o agora, o presente, pois somente nele podemos atuar. O passado ficou para atrás, não podendo ser mudado e o futuro não cabe a nós conhecer. Então, só nos resta o presente como fonte de atuação. Nele, podemos agir e transformar. O aqui e agora são os únicos momentos nos quais podemos interagir e precisamos fazer isto da melhor forma. c) A tarefa Para finalizar, falamos da tarefa. A nossa tarefa mais importante, diante da pessoa mais importante para nós, na hora mais importante, que é o aquie o agora, é fazer o cliente feliz, atendendo as suas necessidades. user Realce user Realce user Realce 65 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Essa tríade se configura no fundamento dos Momen- tos da Verdade e, para que estes sejam plenos, é necessário que os funcionários de linha de frente, ou seja, que atendem os clientes, tenham poder de decisão. É necessário que os chefes concedam au- tonomia aos seus subordinados para atuarem com precisão nos Momentos da Verdade. 8.5 Teleimagem Pelo telefone, o atendente transmite a teleimagem da empresa e dele mesmo. Teleimagem, então, é a imagem que o cliente forma na sua mente (imagem mental) sobre quem o está aten- dendo e, consequentemente, sobre a empresa ( que é representada pelo atendente). Quando a teleimagem é positiva, a facilidade do clien- te encaminhar os seus negócios é maior, pois ele supõe que a empresa é comprometida com o cliente. No entan- to, se a imagem é negativa, vemos normalmente o clien- te fugindo da empresa. Como exemplo, no atendimento telefônico, o único meio de interação com o cliente é por meio da palavra e, sendo a palavra o instrumento, faz-se necessário usá-la de forma adequada para satisfazer as exigências do cliente. Dessa forma, classificamos 03 itens básicos ligados à palavra e às atitudes como fundamen- tais na formação da teleimagem. São eles: ▪ O tom de voz: é através dele que transmitimos in- teresse e atenção ao cliente. Ao usarmos um tom frio e distante, passamos ao cliente a ideia de de- satenção e desinteresse. Ao contrário, se falamos com entusiasmo, de forma decidida e atenciosa- mente, satisfazemos as necessidades do cliente de sentir-se assistido, valorizado, respeitado, impor- tante. ▪ O uso de palavras adequadas: pois com elas o atendente passa a ideia de respeito pelo cliente. Aqui fica expressamente proibido o uso de termos como: amor, bem, benzinho, chuchu, mulherzinha, queridinha, colega etc. ▪ As atitudes corretas: dar ao cliente a impressão de educação e respeito. São incorretas as atitudes de transferir a ligação antes do cliente concluir o que iniciou a falar; passar a ligação para a pessoa ou ramal errado (demostrando, assim, que não ou- viu o que ele disse), desligar sem cumprimento ou saudação, dividir a atenção com outras conversas, deixar o telefone tocar muitas vezes sem atender, dar risadas no telefone etc. 9. Aspectos psicológicos do atendente Nós falamos sobre a importância da postura de aten- dimento. Porém, a base dela está nos aspectos psicológi- cos do atendimento. Vamos a eles. 9.1 Empatia Capacidade humana de se colocar no lugar do outro. Como esse é um assunto cobrado no tópico seguinte, vamos abordá-lo mais detalhadamente a seguir. 9.2 Percepção Percepção é a capacidade que temos de compreen- der e captar as situações, o que exige sintonia e é fun- damental no processo de atendimento ao público. Para percebermos melhor, precisamos passar pela “escravi- dão” de nós mesmos, ficando, assim, mais próximos do outro. Mas, como é isso? Vamos ficar vazios? É isso mes- mo. Vamos ficar vazios dos nossos preconceitos, das nos- sas antipatias, dos nossos medos, dos nossos bloqueios, vamos observar as situações na sua totalidade, para en- tendermos melhor o que o cliente deseja. Vamos ilustrar com um exemplo real: certa vez, em uma loja de carros, entra um senhor de aproximadamente 65 anos, usando um chapéu de palha, camiseta rasgada e calça amarrada na cintura por um barbante. Ele entrou na sala do ge- rente, que imediatamente se levantou pedindo para ele se retirar, pois não era permitido “pedir esmolas ali “. O senhor, com muita paciência, retirou, de um saco plástico que carregava, um “bolo“ de dinheiro e disse: “eu quero comprar aquele carro ali”. Esse exemplo, apesar de extremo, é real e retrata cla- ramente o que podemos fazer com o outro quando pré- -julgamos as situações. Precisamos ver o todo, não só as partes, pois o todo é muito mais do que a soma das partes. Ele nos diz o que é e não é harmônico e com ele percebemos a essência dos fatos e situações. Ainda falando em percepção, devemos ter cuidado com a percepção seletiva, que é uma distorção de percep- ção, na qual vemos, escutamos e sentimos apenas aquilo que nos interessa. Essa seleção age como um filtro, que deixa passar apenas o que convém. Essa filtragem está diretamente relacionada com a nossa condição física- -psíquica-emocional. Como é isso? Vamos entender: a) Se estou com medo de passar em rua deserta e escura, a sombra do galho de uma árvore pode me assustar, pois eu posso percebê-lo como um braço com uma faca para me apunhalar; b) Se estou com muita fome, posso ter a sensação de um cheiro agradável de comida; c) Se fiz algo errado e sou repreendida, posso ouvir a parte mais amena da repreensão e reprimir a mais severa. Em alguns casos, a percepção seletiva age como me- canismo de defesa. 9.3 O estado interior O estado interior, como o próprio nome sugere, é a condição interna, o estado de espírito diante das situa- ções. A atitude de quem atende o público está diretamente relacionada ao seu estado interior. Ou seja, se o atenden- te mantém um equilíbrio interno, sem tensões ou preo- cupações excessivas, as suas atitudes serão mais positi- vas frente ao cliente. Dessa forma, o estado interior está ligado aos pensa- mentos e sentimentos cultivados pelo atendente. E estes, dão suporte às atitudes frente ao cliente. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 66 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Se o estado de espírito supõe sentimentos e pensa- mentos negativos, relacionados ao orgulho, egoísmo e vaidade, as atitudes advindas deste estado sofrerão as suas influências e serão: ▪ Atitudes preconceituosas; ▪ Atitudes de exclusão e repulsa; ▪ Atitudes de fechamento; ▪ Atitudes de rejeição. É necessário haver um equilíbrio interno, uma estabi- lidade, para que o atendente consiga manter uma atitu- de positiva com os clientes e as situações. 9.4 O envolvimento A demonstração de interesse, prestando atenção ao cliente e voltando-se inteiramente ao seu atendimento, é o caminho para o verdadeiro sentido de atender. Na área de serviços, o produto é o próprio serviço prestado, que se traduz na interação do funcionário com o cliente. Um serviço é, então, um resultado psicológi- co e pessoal que depende de fatores relacionados com a interação com o outro. Quando o atendente tem um envolvimento baixo com o cliente, este percebe com cla- reza a sua falta de compromisso. As preocupações ex- cessivas, o trabalho estafante, as pressões exacerbadas, a falta de liderança e o nível de burocracia são fatores que contribuem para uma interação fraca com o cliente. Essa fraqueza de envolvimento não permite captar a essência dos desejos do cliente, o que se traduz em insatisfação. Um exemplo simples disso é a divisão de atenção por parte do atendente. Quando este divide a atenção no atendimento entre o cliente e os colegas ou outras situa- ções, o cliente sente-se desrespeitado, diminuído e res- sentido. A sua impressão sobre a empresa é de fraqueza e o momento da verdade é pobre. Essa ação traz consequências negativas como: impos- sibilidade de escutar o cliente, falta de empatia, desres- peito com o seu tempo, pouca agilidade e baixo compro- misso com o atendimento. Às vezes, a própria empresa não oferece uma estrutu- ra adequada para o atendimento ao público, obrigando o atendente a dividir o seu trabalho entre atendimento pessoal e telefônico, quando normalmente há um fluxo grande de ambos no setor. Neste caso, o ideal seria se- parar os dois tipos de atendimento, evitando problemas desta espécie. Alguns exemplos comuns de divisão de atenção são: ▪ Atender pessoalmente e interromper com o telefo- ne; ▪ Atender o telefone e interromper com o contato direto; ▪ Sair para tomar café ou lanchar; ▪ Conversar com o colega do lado sobre o final de semana,férias, namorado, tudo isso no momento de atendimento ao cliente. Esses exemplos, muitas vezes, soam ao cliente como um exibicionismo funcional, o que não agrega valor ao trabalho. O cliente deve ser poupado dele. 9.5 Atendimento e qualidade A globalização, os desafios do desenvolvimento tec- nológico e cultural e a competição entre as organizações trazem como consequência o interesse pela qualidade de seus produtos e serviços. Esse interesse não se restringe às empresas privadas e se estende, também, ao setor público. Assim, vemos que: ▪ Os empresários buscam aperfeiçoar o desempe- nho em suas áreas de atuação (produtos ou servi- ços) e o relacionamento com os seus clientes. ▪ O setor público enfrenta os desafios de melhorar (1) a qualidade de seus serviços, (2) aumentar a sa- tisfação dos usuários e (3) instituir um atendimento de excelência ao público. ▪ Os clientes e usuários das organizações públicas e privadas também se mostram mais exigentes na escolha de serviços e produtos de melhor qualida- de. Assim, a relação com os clientes e usuários pas- sa ser um novo foco de preocupação e demanda esforços para sua melhoria. 9.6 Qualidade O conceito de qualidade é amplo e suscita várias interpretações. As mais expressivas se referem, por um lado, à definição de qualidade como busca da satisfação do cliente, e, por outro, à busca da excelência para todas as atividades de um processo. Na mesma vertente, a qualidade é também consi- derada como fator de transformação no modo como a organização se relaciona com seus clientes, agregando valor aos serviços a ele destinados. Em face dessa diversidade de significados, cabe às organizações identificar os atributos ou indicadores de qualidade dos seus produtos e serviços do ponto de vista dos seus usuários. Entre eles, podem ser destacados a eficiência, a eficácia, a ética profissional, a agilidade no atendimento, entre outros. No Brasil, a questão da qualidade na área pública vem sendo abordada pelo Programa de Qualidade no Serviço Público que tem por objetivo elevar o padrão dos serviços prestados e tornar o cidadão mais exigente em relação a esses serviços. Para tanto, o Programa visa à transformação das organizações e entidades públicas no sentido de valorizar a qualidade na prestação de serviços ao público, retirando o foco dos processos burocráticos. O programa estabelece o cidadão como principal foco de atenção de qualquer órgão público federal, defi- ne padrões de qualidade do atendimento e prevê a ava- liação de satisfação do usuário por todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indi- reta e fundacional que atendem diretamente ao cidadão. Nesse sentido, considera-se que o serviço público deve ter as seguintes características: ▪ Adequado: realizado na forma prevista em lei de- vendo atender ao interesse público. ▪ Eficiente: alcança o melhor resultado com menor consumo de recursos. ▪ Seguro: não coloca em risco a vida, a saúde, a se- gurança, o patrimônio ou os direitos materiais e imateriais do cidadão-usuário. 67 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO ▪ Contínuo: oferecido sem risco de interrupção, sen- do obrigatório o planejamento e a adoção de me- didas de prevenção para evitar a descontinuidade. 9.7 Usuários/Clientes Existem dois tipos de usuários ou clientes de uma or- ganização: ▪ Externos – recebem serviços ou produtos na sua versão final. ▪ Internos – fazem parte da organização, de seus se- tores, grupos e atividades. Para identificar esses tipos de usuários, as pessoas da organização devem responder o seguinte: ▪ Com que pessoas mantenho contato enquanto trabalho? ▪ Quem recebe o resultado do meu trabalho? ▪ Qual o nível de satisfação das pessoas que de- pendem do resultado dos serviços executados por mim? 9.8 Princípios para o bom atendimento na gestão da qualidade Foco no cliente. Nas empresas privadas, a importân- cia dada a esse princípio se deve principalmente ao fato de que o sucesso da venda (lucro financeiro) depende da satisfação do cliente com a qualidade do produto e também com o tratamento recebido e com o resultado da própria negociação. No setor público, este princípio se relaciona sobretu- do aos conceitos de cidadania, participação, transparên- cia e controle social. Para cumprir este princípio, é necessário ter atenção com dois aspectos: ▪ Verificar se o que é estabelecido como qualidade atende a todos os usuários, inclusive aos mais exi- gentes; ▪ Fazer bem feito o serviço e, depois, checar os pas- sos necessários para a sua execução. Deve-se lembrar que tais atitudes levam em conta tanto o atendimento do usuário quanto as atividades e rotinas que envolvem o serviço. O serviço ou produto deve atender a uma real ne- cessidade do usuário. Este princípio se relaciona à di- mensão da validade, isto é, o serviço ou produto deve ser exatamente como o usuário espera, deseja ou necessita que ele seja. Manutenção da qualidade. O padrão de qualidade mantido ao longo do tempo é que leva à conquista da confiabilidade. A atuação com base nesses princípios deve ser orien- tada por algumas ações que imprimem qualidade ao atendimento, tais como: ▪ Identificar as necessidades dos usuários; ▪ Cuidar da comunicação (verbal e escrita); ▪ Evitar informações conflitantes; ▪ Atenuar a burocracia; ▪ Cumprir prazos e horários; ▪ Desenvolver produtos e/ou serviços de qualidade; ▪ Divulgar os diferenciais da organização; ▪ Imprimir qualidade à relação atendente/usuário; ▪ Fazer uso da empatia; ▪ Analisar as reclamações; ▪ Acatar as boas sugestões. Essas ações estão relacionadas a indicadores que po- dem ser percebidos e avaliados de forma positiva pelos usuários, entre eles: competência, presteza, cortesia, pa- ciência, respeito. Por outro lado, arrogância, desonestidade, impaciên- cia, desrespeito, imposição de normas ou exibição de poder tornam o atendente intolerável, na percepção dos usuários. No conjunto dessas ações, deve ainda ser ressaltada a empatia como um fator crucial para a excelência no aten- dimento ao público. A utilização adequada dessa ferra- menta no momento em que as pessoas estão interagin- do é fundamental. No bom atendimento, é importante a utilização de frases como “Bom dia”, “Boa tarde”, “Sente- -se por favor”, ou “Aguarde um instante, por favor”, que, ditas com suavidade e cordialidade, podem levar o usuá- rio a perceber o tratamento diferenciado que algumas organizações já conseguem oferecer ao seu público-alvo. Fonte e texto adaptado de: Mônica Larissa Pereira, Camila Lopes Ramos, Andreia Ribas, Marcelo Rodrigues, Gustavo Periard,Wagner Siqueira, Marcos Thadeu Ro- drigues, Daniel Martins, Luis Araújos, Ana França, Vera Souza, Inacio Stoffel, Idalberto Ciavenato, Wagner Ap. Ramos de Oliveira, Roseane de Queiroz Santos. Dispo- nível em: <www.portal.tcu.gov.br/www.sbcoaching.com. br>/<www.paulorodrigues.pro.br>/<www.administrado- res.com.br>/<www.gestaodepessoasmba.com.br> ESCOLHA DAS TÉCNICAS DE SELEÇÃO 1. Triagem A atração de candidatos com potencial pelo perfil de competências e os candidatos que atendem os requisitos se apresentam com maior probabilidade de possuírem as competências procuradas. Inicia-se por análise curricular e posteriormente entrevista para confirmação dos dados. A análise de um currículo se deve inicialmente a partir de uma triagem (filtro), que dá uma primeira impressão das qualificações dos candidatos ao perfil. Nesta triagem é necessário ao selecionador concentrar-se em realiza- ções, resultados que o indivíduo gerou para as organi- zações que já trabalhou. O desenvolvimento de carreira é considerável, ela não se torna a partir de vários cargos mais segundo Dutra (2004), “a ampliação do espaço ocu- pacional, entendido como o nível de complexidade das atribuições e das responsabilidades de um empregado.” O passo seguinte é a entrevista breve e que mostrará pontos que poderãoser aprofundados ao longo da sele- ção. Para Almeida (2004), “tem como objetivo esclarecer alguns aspectos do currículo do profissional e estabele- cer as primeiras impressões sobre algumas características do candidato.” Características tais como: apresentação pessoal, atitudes, capacidade de expressão e comporta- mento serão observados. user Realce 68 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 2. Análise do Perfil de Competências O conhecimento sobre requisitos e competências; quanto maior volume de informações, melhor será a se- leção do melhor candidato para a posição. A descrição do cargo com suas tarefas, deveres, res- ponsabilidades e requisitos são apenas alguns dos aspec- tos levantados para análise. Outro aspecto de relevância para análise é a cultura organizacional, pois constitui aspectos como crenças, valores constituídos a partir de práticas macrossociais, integração de práticas sociais, o que determinam nossas atitudes. Gramigna (2002), diz que “a atitude é o principal componente da competência, estando relacionada ao querer ser e ao querer agir.” Ou seja, um candidato pode ter todos os requisitos para um bom desempenho profissional, mas se suas crenças e valores não estiverem alinhadas com a organi- zação, ele pode não se tornar o que a organização deseja (GRAMIGNA, 2002). 3. Avaliação dos candidatos Os meios utilizados que permitem avaliar os candi- datos são distribuídos em testes, dinâmicas de grupo, entrevistas. Essas técnicas supõem que há uma corres- pondência com o desempenho no futuro trabalho (PAI- VA, 2010). A responsabilidade da avaliação, não é apenas res- ponsabilidade do recrutador mais também do requisi- tante da vaga que elaborou, participou de testes, dinâ- micas de grupos. A participação do requisitante amplia o compromisso nos resultados (VIEIRA,1994). TÉCNICAS DE SELEÇÃO 1. Entrevistas Pontes (1996) diz: “A entrevista é uma técnica univer- sal, sendo em muitos casos a única forma de seleção”. As entrevistas podem ser individuais e coletivas, em forma de comitê, podendo ser dirigidas (com roteiro), semi dirigidas e não dirigidas ou livres (sem roteiros), busca fundamentar as decisões relativas à contratação de um novo colaborador. São perguntas objetivando ava- liar determinadas competências como perfil profissional, competências não vistas por meio de outras técnicas, in- vestigar competências não exploradas e esclarecer fatos, impressões, confirmar ou rejeitar hipóteses que surgem ao longo do processo seletivo. Sendo um dos meios mais importantes para selecionadores, é um dos instrumentos mais usados, onde os testes psicológicos eram predo- minantes. No entanto com o passar do tempo, os testes psicológicos estão cedendo lugar às entrevistas. Existem dois tipos de entrevistas: As entrevistas podem ser estruturadas, quando é so- licitado ao candidato responder questões padronizadas, onde as informações coletadas são as principais vanta- gens é descobrir um provável sucesso no cargo preten- dido. As entrevistas não-estruturadas, as perguntas serão feitas de acordo com a entrevista, tornando-se menos objetiva. Almeida (2004) diz: ”Estudos empíricos, conduzidos por vários pesquisadores, são unânimes em apontar a superioridade das entrevistas estruturadas sobre as en- trevistas não-estruturadas.” 1.1. Entrevista técnica Obtém e aprofunda informações técnicas, experiência profissional e habilidades do candidato, realizadas pelo colaborador que o candidato se reportará. Fundamenta a decisão de qual candidato será escolhido, portanto é de caráter decisivo (MENDONÇA, 2002). 1.2. Entrevista psicológica Busca a personalidade da pessoa, aspectos, vida pes- soal, em família, lazer, sua história. Tem como objetivo investigar vários aspectos da vida do candidato como analisar perfil psicológico adequado ao perfil de compe- tências que se procura (PASSOS, 2005). Este tipo de entrevista está cada vez mais raro uma vez que, a profundidade das informações colhidas, dado ao tempo disponível para os processos e as entrevistas, deve ser conduzida por psicólogos (PASSOS, 2005). 1.3. Entrevista tradicional Com perguntas abertas, envolvem assuntos técnicos e psicológicos tais como: - Interesse em trabalhar na empresa; - Habilidades que você julga essenciais para o bom desempenho do cargo; -Quais os motivos levaram a deixar o último empre- go; - Pontos fortes e pontos fracos. Essas entrevistas possibilitam ao candidato a forma- ção do seu perfil, permitem avaliar as competên- cias contidas no candidato que estão sendo procu- radas (PASSOS, 2005). 1.4. Entrevista situacional É uma variação da entrevista tradicional. Perguntas abertas enfocam características do trabalho. Sua vanta- gem é focalizar situações de trabalho especificas. Elas remetem no candidato a idealização em situação hipo- tética (PASSOS, 2005). 1.5. Entrevista comportamental Para Reis (2003), esse tipo de entrevista específica mostra experiências do passado, essa situação possibili- ta prever o comportamento no futuro do candidato. Ao invés de submeter os candidatos a perguntas que reme- tem ao hipotético, o entrevistador solicita ao candidato descrever uma situação concreta, onde demonstre fatos específicos do passado buscando prever um comporta- mento futuro, ilustrando a competência que se pretende analisar. As competências podem ser de capacidades em administração de tempo, planejamento, organização e negociação. user Realce user Realce user Realce user Realce 69 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Para Reis (2003) as perguntas devem ser abertas e especificas, usando verbos em ação, mas no passado, fo- cando competências, ou seja, o principal objetivo deve ser obter descrições de fatos específicos da vida que po- dem ser usados como evidências. O candidato interrompe o contato visual com o en- trevistador, pára por alguns segundos enquanto pensa ou visualiza um exemplo, e então retoma o contato vi- sual e descreve um acontecimento especifico de sua vida. Essas descrições das experiências são acompanhadas de descrição de tempo, datas, números, locais e quaisquer outras particularidades que evidenciam que o fato real- mente ocorreu (REIS, 2003). Abaixo no Quadro estão listadas as técnicas com per- centagens mais utilizadas na seleção de pessoas em al- gumas organizações brasileiras: QUADRO - Técnicas de Seleção. 2. Provas de Conhecimento ou de Capacidade Segundo Chiavenato (2004), as provas de conheci- mento são instrumentos para avaliar o nível de conhe- cimentos gerais e específicos dos candidatos, exigidos pelo cargo a ser preenchido. Procura medir o grau de conhecimentos dos profissionais ou técnicos, como no- ções de informática, contabilidade, redação entre outros. As provas de conhecimentos gerais medem o grau de cultura do candidato, já as provas específicas avaliam os conhecimentos profissionais do candidato (CHIAVE- NATO, 1999). 2.1. Teste Instrumento padronizado, de seriedade, garantindo objetividade e cientificidade, visa medir pontos da perso- nalidade, refletindo diferenças individuais de cada pessoa testada. Os testes podem ser considerados amostras de comportamento, onde é possível fazer predições a res- peito de outro comportamento, sendo importante que aja uma descrição do cargo e das competências exigidas. As diferentes formas de aplicar os testes podem ser consideradas variantes de padrão básico sendo eles: 2.2. Testes de conhecimento São provas que apuram conhecimentos ou habilida- des sendo elas: Idiomas, matemática financeira entre ou- tros, podendo ser aplicadas via internet e muito utilizado em concursos públicos (ALMEIDA, 2004). Segundo Almeida (2004), “. O teste objetivo utiliza questões com respostas diretas, usando teste de múlti- pla escolha”. Nos testes objetivos exigem como caracte- rística avaliar o candidato em habilidades como leitura, interpretação e crítica, pois cobre vários conhecimentos necessários para desempenho do cargo. Nele o julga- mento se tornamais objetivo através das respostas do candidato, usando gabaritos de respostas como apoio busca-se a subjetividade, as questões têm uma opção correta; difícil de ser elaborado, é um teste que trata as questões de forma direta, desenvolvido para cargos mais específicos (FAISSAL, 2004). O teste discursivo as questões são abertas para co- nhecer os conhecimentos necessários para o cargo em questão. Usa-se leitura e redação, sua elaboração é mais rápida em relação aos testes objetivos e é recomenda- da para um número reduzido de candidatos (ALMEIDA, 2004). 2.3. Testes Psicológicos “Os testes psicológicos, objetivam avaliar o desenvol- vimento intelectual geral, aptidões especificas e a perso- nalidade dos candidatos” (Anastasi, 1977) O objetivo e avaliar o intelecto, aptidões específicas e personalidade dos candidatos (FORMIGA e MELLO 2000). 2.4. Testes de inteligência Contém tarefas de funções intelectuais, onde o re- sultado gera o quociente intelectual (QI). Esses testes acabaram privilegiando certas funções e negligenciando outras. A partir de 1930 este teste passou a ter aptidões diferenciais como: cálculos, memória, raciocínio mecâni- co, espacial e abstrato, atenção concentrada e difusa, pla- nejamento e organização (FAISSAL; MENDONÇA, 2006). Já os testes de personalidade identificam traços da personalidade, aspectos motivacionais e de interesses. Propõe identificar aspectos da dinâmica da personali- dade do candidato tais como introversão e extroversão apresentando níveis necessários para o selecionador avaliar as características em compatibilidade com a com- petência que está buscando (CUNHA, 2000). 2.5. Principais Testes - Wartegg No teste de personalidade, são usados desenhos, de- senvolvidos pelo indivíduo. Idealizado por Ehrig Wartegg em 1930 na Alemanha Oriental. Destaca- do como um dos testes mais utilizados no Brasil para seleção de pessoal (CHIAVENATO; CUNHA, 2000). user Realce 70 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO - Rorscharch Criado por Hermmam Rorscharch em 1921 em Zu- rique, Suíça. Esse teste é feito de forma individu- al com apresentação de lâminas e tintas onde o candidato será avaliado dentro de um processo psíquico, afetivo-emocional, motor-conativo e cognição, funções e sistemas cerebrais entre ou- tros envolvidos na construção das imagens (CHIA- VENATO, 1999). - PMK Idealizado por Emilio Mira Y Lopez em Londres, mos- tra como a pessoa realmente é na sua personalida- de; na sua estrutura, dinâmica e reação em contato com meio ambiente como: depressão, agressivida- de, emotividade (CHIAVENATO, 1999). - Machover O teste da figura humana (1949) usada para perceber a imagem que o próprio candidato faz de si mes- mo, uma vez que o desenho representa a si mesmo e o papel o ambiente. Esse teste proporciona uma série de informações descritivas e significativas a respeito da personalidade (TELLES, 1997). - Casa-árvore-pessoa Idealizado por John N. Buck, em 1948, trata-se de um teste que, projeta experiências internas, pois inves- tiga o fluxo da personalidade invadindo a área da criatividade artística. É possível fazer uma análise quantitativa e qualitativa (CAMPOS, 1999). - Testes psicométricos/aptidões: teste P.M.A. A “PMA” (Primary Mental Abilities) é um conjunto de testes que avaliam conteúdos e situações especí- ficas (verbais, numéricas, mecânicas, espaciais, ou então, tomando a percepção, a memória, a criati- vidade) (PASQUALI, 2002). Realizado com papel e lápis, de aplicação individual ou coletiva, com limi- te de tempo. Elaborada por LL Thurstone, mede 5 fatores. Cada um desses fatores é medido por um teste, des- critos abaixo: O fator V refere-se à compreensão verbal, sendo me- dido por uma prova de vocabulário; o fator E refere-se à visualização espacial, onde há 6 figuras e o sujeito apre- senta as figuras com a mesma forma sendo elas dispos- tas em posições diferentes; o fator R refere-se ao racio- cínio lógico, sendo medido por uma prova que consiste em séries de letras colocadas numa determinada ordem, seguindo uma certa lógica, onde o examinado indica a continuação dessa lógica; o fator N refere-se ao cálculo numérico, sendo avaliado por uma prova em que o indi- víduo tem de indicar se a soma de 4 números e 2 alga- rismos está certa ou errada; o fator F refere-se à fluência verbal, sendo avaliado por uma prova em que o sujeito tem de escrever, dentro do tempo determinado, o maior número de palavras iniciadas por uma letra. Para a aplicação de cada um destes testes é necessária a respectiva folha de teste, um lápis preto e cronometro. 2.5. Teste Grafológico Analisa a grafia individual, onde conclui-se dezenas de traços da personalidade. Para isso os grafólogos soli- citam que os candidatos escrevam alguma coisa em folha branca (uma redação de 20 linhas ou mais) para análise do tamanho de letra, inclinação, direção, altura, pres- são, velocidade; o conteúdo da redação não é analisado. Apresenta baixo custo, detecta traços da personalidade não identificados em outros métodos (SINGER, 1999). 2.6. Técnicas de Simulação São criadas situações para os candidatos interagirem e participarem em grupo visando seu comportamento social. Para isso estão citados abaixo os processos mais conhecidos: 2.7. Provas (técnicas) situacionais Elaboradas a partir das características ou peculiarida- des do cargo ou área de atuação. Bueno (1995) propõe passos para elaboração de um teste. - Objetivo claro: perfil do cargo, resultados espera- dos, processo que se delineou, participação do re- quisitante; - Identificar situações mais comuns, repercussão dos resultados, contexto empresarial e local, tecnologia envolvida, abrangência de tarefas a serem focadas; - Definir a tarefa a ser desenvolvida e a forma de ava- liação; - Orientar o requisitante quanto à forma de elabora- ção de prova e definir quem fará a aplicação e a avaliação, que costuma ser mais qualitativa do que quantitativa; Se a atividade escolhida para prova situacional aten- de a dois requisitos básicos: - Essencialidade: Importância do desempenho. - Abrangência: Volume de atividades relevantes que a prova avaliará. - Logística adequada: local da aplicação, clareza de provas, orientações, tempo para sua realização, material de apoio. 2.8. Dinâmica de Grupo A dinâmica de grupo pode ser conduzida. Em 1939, Kurt Lewin, definiu como: - Um campo específico de pesquisa da psicologia; - Uma pessoa ou mais se reúne, há um conjunto de fenômenos; - Refere-se a um conjunto de métodos práticos de trabalho com grupos. Quando utilizada na seleção de pessoas propõe a um grupo de candidatos um conjunto de vivências, jogos, simulações, testes situacionais, estudos de caso ou de- bates, estimulando a interação dos participantes promo- vendo uma dinâmica onde é possível a observação direta do comportamento dos candidatos. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 71 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Através da dinâmica de grupo é possível avaliar habilidades interpessoais e atitudes. Uma das funções do Recursos Humanos é ter disponível instrumentos que acompanhem a variável do tempo em relação à posição que o candidato for ocupar, sendo ele contratado ou promovido, dando assim mais confiança ao recrutamento e seleção. A importância de um departamento de Recrutamento e Seleção estratégico agregando resultados viabiliza negó- cios e aumenta a responsabilidade em aspectos como: Informações reservadas, pessoais, não podem ser abertas e nem utilizadas. Um ponto de relevância dentro da ética e a valorização das diferenças entre os candidatos é respeitar as pessoas. A diversidade diz respeito ao grau de diferen- ças humanas básicas em uma determinada população, ela realça e contrapõe à homogeneidade, que procura tratar as pessoas como se fossem padronizadas e despersonalizadas. A partir do exposto, observa-se o quadro abaixo demonstrando o tipode seleção: Fontes: CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico – V. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. FORMIGA, N. S., & MELLO, I. (2000). Testes psicológicos e técnicas projetivas: uma integração para um desenvolvi- mento da interação interpretativa indivíduo-psicólogo. Psicologia: Ciência e Profissão, 20, 8-11. MAILHIOT, G. B. Dinâmica e gênese dos grupos. 3. ed. São Paulo: Livraria duas cidades, 1976 PASSOS, Antonio E.V.M, Atração e seleção de pessoas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. REIS, Valéria dos. A entrevista de seleção com foco em competências comportamentais. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. TELLES, V. S. A Leitura cognitiva da psicanálise: problemas e transformações de conceitos., São Paulo, v. 8, n. 1, p. 157-182, 1997. Disponível em: http://monografias.brasilescola.uol.com.br/administracao-financas/recrutamento-selecao-uma-re- visao-bibliografica.htm AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS Cabe ao próprio psicólogo a tarefa de correção dos instrumentos psicológicos, seguindo os critérios apropriados de cada instrumento de modo a contextualizar os dados quantitativos obtidos, integrando-os com uma avaliação qua- litativa (Wechsler, 1999). Ao considerar a instabilidade dos sistemas, o psicólogo também considera que o desempenho apresentado pelo indivíduo está relacionado à situação em que foi avaliado, ao momento de vida e tantas outras variáveis inter-relacio- nadas, podendo se alterar à medida que muda a relação do indivíduo com o ambiente (ao iniciar a atuação na organi- zação, após passar por um processo de treinamento, quando concluir os estudos etc.). A instabilidade também se faz presente nas constantes mudanças das relações de trabalho, sendo oportuno que tal fato seja levado em conta na avaliação dos resultados, bem como a cultura da organização e o perfil do cargo pleiteado. Dessa forma, o psicólogo, ao adotar uma epistemologia sistêmica, estará adotando efetivamente o caminho da objetividade entre parênteses. Então, as questões que irão nortear as suas decisões no processo seletivo devem ser as seguintes: “minha ação está condizente com minhas crenças em que o sistema é auto organizador, em que não posso dirigi-lo, nem instrui-lo e em que o sistema está criando para si uma realidade da qual inevitavelmente participo? Estou 72 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO levando em consideração as conexões intersistêmicas e as possíveis repercussões de minha ação em outros pon- tos da rede ou do sistema de sistemas? É claro que essas respostas ele só terá por meio de sua constante interação conversacional com o sistema”. 1. Devolutiva A entrevista devolutiva com o candidato avaliado se caracteriza como etapa legítima do processo de avalia- ção psicológica, pois reafirma o cuidado com os indiví- duos e confere seriedade e credibilidade ao trabalho do psicólogo. É o momento em que o psicólogo expõe ao avaliando suas análises e interpretações (Goulart Júnior, 2003). Ao realizar a entrevista devolutiva, o profissional con- textualiza seu trabalho, não abstraindo uma parte impor- tante do todo maior que foi a avaliação psicológica, a saber: o candidato. Com isso, ele está também focando para as relações do processo. Tal relação é estendida ain- da à própria organização que, assim como o profissional psicólogo, está expressando seu cuidado para com o in- divíduo. Quando bem conduzida, uma entrevista devolutiva pode trazer importantes contribuições ao candidato que tem a oportunidade de aprimorar seu autoconhecimento e autopercepção, favorecendo seu autodesenvolvimento (Goulart Júnior, 2003). Não é conveniente, no entanto, que se forneçam re- sultados em forma de respostas certas e esperadas aos instrumentos psicológicos utilizados, visto que tal com- portamento pode inviabilizar o uso futuro desses instru- mentos. Além de estar em relação com o sistema da or- ganização da qual faz parte ou para a qual presta serviço e em relação com os indivíduos que avalia, o psicólogo também está em relação com sua própria categoria pro- fissional, devendo considerações a ela e a todo o conhe- cimento construído. Em relação à devolutiva para o empregador solicitan- te, é importante que o psicólogo se paute em uma visão dinâmica do indivíduo naquele momento (quando foi feita a avaliação). Logo, não se colocam inferências sobre o sujeito, sendo todos seus comentários feitos com base nos dados obtidos. Assim, seu relatório focará a relação e não fatores isolados, ou seja, a apresentação dos resulta- dos abrangerá uma visão integrada dos dados, os quais estão em constante processo de mudança. Não é apropriado, no entanto, que a devolutiva para o empregador contenha informações ou interpretações sobre o sujeito que não digam respeito à avaliação sobre o cargo solicitado. Apesar de o todo ser maior do que a soma das partes, também é menor que ela: nem tudo que abrange um indivíduo está diretamente relacionado a sua atuação na organização; há nele aspectos outros que não necessariamente estarão contemplados em sua ação profissional e que, portanto, não precisam ser re- velados ao empregador sob o risco de favorecer vieses. Fonte: PARPINELLI, R. F.; LUNARDELLI, M. C. F. Avalia- ção psicológica em processos seletivos: contribuições da abordagem sistêmica. Estudos de Psicologia. Campinas, 2006 DECISÃO FINAL Neste momento a decisão cabe ao requisitante e não ao selecionador. Serão consolidados uma série de infor- mações coletadas do perfil do candidato durante o pro- cesso, pontos favoráveis e desfavoráveis que levam a uma decisão. Monta-se um relatório onde o requisitante terá acesso, mas é necessário observar que a decisão cabe a um grupo, mesmo porque poderá haver distorções, dú- vidas que poderão ser eliminadas, onde os requisitantes podem não ter tanta experiência (MENDONÇA, 2006). O próximo passo é seguir para exames médicos e referencias dos candidatos. Pode acontecer que algum candidato venha a negligenciar alguma informação. O melhor meio é procurar organizações que os candidatos já tenham trabalhado. Essa coleta pode ser feita por tele- fone, internet. É importante ter cuidado com informações recebidas, não apenas à vínculos de trabalho, mas vida acadêmica, registros de trânsito, verificações de créditos. 1. Exame Médico Indispensável para segurança da organização e do colaborador. O exame físico é compatível em relação as atividades que serão exercidas, onde o resultado irá apontar se o colaborador já tem algum problema de saúde, se é hereditário ou mesmo problemas adquiridos em trabalhos anteriores. Essa prática é determinante em pagamentos de indenizações trabalhistas, quando impli- que risco de morte. Por outro lado, quando as condições físicas são compatíveis as atividades que serão exercidas, o processo está concluído (FAISSAL, 2005). 2. Organização dos Traços do Candidato Cada afirmação e resposta examinada identifica tra- ços positivos que indicam as características requeridas pelo o cargo. Após esta etapa, é hora de iniciar o processo de se- leção dos candidatos. É importante ressaltar que, assim como os métodos de recrutamento, cada organização desenvolve os seus métodos seletivos particulares, que podem ainda variar conforme o cargo e os interesses de cada momento em específico (BOHLANDER, 2003). Os pontos mais comuns são: - Desenvolver estratégias que visam levantar o perfil dos candidatos e comparar com um “ideal” previa- mente determinado para ocupar a vaga em dispo- sição. - Identificar um conjunto de habilidades e de com- petências que caracterizam os profissionais como sendo um diferencial para o mercado, se encarre- gando de passar o know how adquirido pela insti- tuição após a suposta contratação. - Encontrar os candidatos que apresentam as caracte- rísticas mais próximas dos executivos que se desta- cam na própria empresa, funcionando como uma espécie de método de clonagem. - Avaliar os candidatos dando ênfase ao que se cha- ma incidente crítico da função. Trata-se de iden- tificar no cargoos possíveis acontecimentos que demandem do profissional um determinado com- user Realce 73 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO portamento que será considerado pelo contra- tante como desejável ou indesejável, ou seja, que produziriam um desempenho melhor ou pior no dia-a-dia de trabalho de um profissional. Para George (2003), nem sempre após a escolha do candidato e a negociação ter ocorrido verbalmente, a contratação é realizada. Muitas vezes o candidato recebe outra proposta mais atraente, então podemos: - reduzir o máximo de tempo entre a proposta verbal da escrita; - acreditar que o candidato está esperando apenas a sua proposta; - aguardar um tempo para o candidato estudar sua proposta, mas não deve perder contato com ele; - estar preparado para a recusa, e se ocorrer, retomar o processo de seleção. O processo de avaliação demonstra-se complexo diante da quantidade de informações fornecidas pelo candidato, porém deverão ser observadas para que a melhor escolha seja feita. Ao finalizar esse processo de interpretação, segue a montagem do laudo, nela constam todas as informações recebidas durante todo o processo e objetiva confirmá- -las, podendo também ser pesquisadas através de SERA- SA, SPC entre outras instituições (FAISSAL, 2006). O laudo finalizado é um poderoso instrumento para a tomada de decisão (BARBOSA e DALPOZZO, 2006) A tomada de decisão é uma tarefa de grande res- ponsabilidade, Chiavenato (2004), diz “Após todos os aspectos preliminares do processo de seleção, estabele- cimento de critérios adequados, recrutamento, seleção e entrevistas não podem dar a certeza absoluta de ter sido feita a escolha certa. Os gerentes não falham porque to- maram decisões erradas, mas sim porque usam os estilos errados para a decisão, sendo decidido muito depressa e impulsivamente, reúnem informações excessivas ou pro- telando informações”. Sendo assim é importante perceber os seguintes pontos: - Considerar as realizações e não credenciais do can- didato; - Preconceitos devem ser excluídos; - Candidatos fortes ameaçam gerentes fracos; - Candidatos super qualificados sentem-se desmoti- vados; - Candidatos finalistas não devem ser dispensados até o escolhido aceitar o cargo. Aos candidatos que foram reprovados, recomenda-se dar um retorno o mais rápido possível, principalmente aqueles que ficaram no processo final da seleção. Procu- rar sempre passar uma resposta construtiva para motivar os candidatos na procura de um próximo emprego. Toda a documentação dos candidatos reprovados pode ser arquivada de forma a serem úteis para o preen- chimento de um cargo onde o mesmo possa ser ade- quado. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (STM – CESPE – 2018) Uma pesquisa de qualidade no atendimento em um órgão da administração pública de- monstrou discrepância entre as avaliações quando foram comparados os atendimentos prestados por servidores mais experientes e por servidores mais novos. A análise dos motivos mostrou que os mais novos consideravam- -se autossuficientes e ignoravam o conhecimento dos mais experientes. Por outro lado, os mais experientes consideravam que os mais novos eram arrogantes e omi- tiam informações importantes sobre o atendimento. Nessa situação hipotética, percebe-se que a comunica- bilidade no órgão em questão ocorre de maneira fluida, em decorrência de os integrantes de um mesmo grupo pactuarem a adoção de comportamentos similares. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado. Quando analisamos o texto, obser- vamos que não existe um equilíbrio na comunicação entre os servidores, há pontos de discordância entre eles, o que que gera uma comunicação truncada, sem canal de compreensão, portanto, fluidez não é um as- pecto que faça parte da comunicação no cenário apre- sentado. 2. (TRF 1ª REGIÃO – CESPE – 2017) Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue o item seguinte: Eficácia no atendimento ao público significa atender às necessidades do cliente, fazendo o melhor uso dos recur- sos disponíveis na organização. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado. Mais uma questão que exige co- nhecimento de conceitos. Vejamos: ▪ Eficácia: fazer o que foi proposto, atingir a meta. Está relacionado ao resultado. ▪ Eficiência: atingir a meta considerando os recursos, os custos, ou seja, fazer o proposto com baixo custo. Está relacionado ao recurso. ▪ Efetividade: aquilo que causa impacto, ou seja, o re- sultado tem que ser relevante, fazer diferença, positi- vamente, para quem receber a ação. Está relacionado ao impacto provocado. 3. (TRF 1ª REGIÃO – CESPE – 2017) Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue o item seguinte. Atendente que compartilha informações de um cliente com um colega atendente na frente de outras pessoas não atende aos parâmetros conduta e discrição e, por conseguinte, compromete a qualidade do atendimento. ( ) CERTO ( ) ERRADO user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 74 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Resposta: Errado. Entre os Atributos da Qualidade no Atendimento temos: a) Discrição: envolve zelo, respeito, prudência, discer- nimento e sensatez quando fornece uma informação ao cliente. É necessário manter-se reservado sobre o que o cliente lhe diz. Assim, estará transmitindo con- fiabilidade e seriedade no trabalho desenvolvido. b) Conduta: espera-se que atendente conheça e res- peite as normas internas, afinal, ele é um canal de transmissão da imagem da organização e, como tal, deve manter postura profissional e agir dentro da cul- tura da empresa/ instituição, conforme os interesses institucionais, mas, ainda assim, atingindo o resultado desejado de atender com excelência o cliente resol- vendo sua necessidade ou atendendo seu desejo. Conforme os conceitos acima, temos que a assertiva não confere com os conceitos. 4. (ABIN – CESPE – 2018) Julgue o próximo item, refe- rente ao conceito de gestão de pessoas e à função do órgão responsável pela gestão de pessoas nas organi- zações. Do ponto de vista de gestão de pessoas, os empregados vinculados à organização compõem o patrimônio físico da organização. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado. Como vimos em nosso conteúdo acima, a Gestão de Pessoas tem sido a responsável pela excelência das organizações bem-sucedidas e pelo aporte de capital intelectual que simboliza, mais do que tudo, a importância do fator humano em plena Era da Informação e do Conhecimento. As pessoas deixam de ser vistas como recursos (valo- rização da mão de obra) e passam a ser vistas como parceiros (valorização do intelecto). 5. (ABIN – 2018 – CESPE) Julgue o próximo item, refe- rente ao conceito de gestão de pessoas e à função do órgão responsável pela gestão de pessoas nas organi- zações. É recomendado que os órgãos responsáveis pela gestão de pessoas implementem políticas para aumentar a qua- lidade de vida no trabalho e garantir que as condições de trabalho sejam excelentes para os empregados. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo. Como vimos no conteúdo acima, é primordial que as organizações estabeleçam alguns critérios para que a gestão de pessoas tenha impor- tância significativa, sendo que esses critérios foram organizados em seis processos de gestão de pessoas (vide quadro demonstrativo acima). A afirmativa dessa questão enquadra-se no processo de manter pessoas, que são os processos utilizados para criar condições ambientais e psicológicas satis- fatórias para as atividades das pessoas. Incluem admi- nistração da disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida e manutenção de relações sindicais. 6. (DPU – CESPE – 2016) Acerca da gestão de pessoas, função da área de gestão de pessoas, políticas e sistemas de informações gerenciais, gestão de pessoas baseada em competências e aprendizagem organizacional, julgue o item a seguir: Os processos, as políticas e as práticas de gestão de pes- soas alicerçam as decisõesde organizações contemporâ- neas no desenvolvimento da aprendizagem contínua das pessoas a fim de contribuir para o alcance da estratégia organizacional. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo. Para obter bons resultados, a or- ganização precisa abrir mão de alguns paradigmas e criar um cenário no qual o colaborador possa pôr em prática toda uma experiência profissional já vivenciada ou praticada em outras ocasiões e, nesse momento, o gestor de pessoas (liderança), precisa atuar no sen- tido de capacitar, estimular e principalmente motivar as pessoas a adquirirem cada vez mais habilidades e atitudes vencedoras para que toda a proposta de ne- gócios atinja grandes resultados e, com isso. tudo que ficou determinado pelas organizações seja cumprido. Aliado a essa liderança e política de valorização, tam- bém temos, como ferramenta utilizada pela área de gestão de pessoas para facilitar a administração das informações pertinentes às pessoas envolvidas nos processos organizacionais, o Sistema de Informação Gerencial, no qual, por meio de um banco de dados, é possível fazer o registro de informações que possam auxiliar o gestor e os lideres nos processos decisórios. Como podemos ver, a gestão de pessoas e demais setores das organizações representam um elo entre metas organizacionais e individuais, permitindo a co- laboração e participação eficaz de todas as pessoas envolvidas no alcance do objetivo da organização. 7. (SEDF – CESPE – 2017) Com relação ao equilíbrio or- ganizacional, liderança, motivação e objetivos da gestão de pessoas, julgue o seguinte item: A área de recursos humanos (RH) deve articular-se com as demais áreas da organização para a elaboração de planos estratégicos. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo. Algumas pessoas consideram que a área de recursos humanos faça parte no nível tático de planejamento por se tratar de um departamento, no entanto, com a leitura do conteúdo acima, perce- bemos que a evolução da área de RH trouxe algumas características menos setorizadas quanto ao papel das pessoas na organização, consequentemente, da área que trabalha com essas pessoas, passando a ter um papel mais dinâmico e integrado às outras áreas. Quando falamos em RH como função mais ligada a departamento pessoal, até podemos considerar ali um papel tático, mas, quando o RH assume, dentro da nova postura de Gestão de Pessoa, uma função de apoio, de staff, ele passa a se relacionar com os outros user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 75 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO departamentos a fim de alinhar os objetivos organi- zacionais com os objetivos pessoais, potencializando assim os recursos existentes, inclusive o recurso inte- lectual agora visto nas pessoas. Isso tudo traz a área de gestão de pessoas, junto com todos os demais setores organizacionais, para um importante papel estratégico, tanto para despertar e desenvolver talentos organizacionais, como para po- tencializar a elaboração e a execução de planos estra- tégicos que a organização adotar para alcançar seus objetivos. 8. (STM – CESPE – 2018) Julgue o item seguinte, relativo à gestão e estrutura de organizações. Líderes liberais são aqueles que adotam postura con- sultiva, compartilhando com suas equipes a tomada de decisão. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo. O enunciado se refere ao líder de- mocrático. Como características do líder liberal temos: ocupa o papel de passividade, permitindo total liberdade para a tomada de decisões individuais ou grupais, parti- cipando delas apenas quando solicitado pelo grupo; são os membros do grupo que treinam a si mesmos e promovem suas próprias motivações. O líder tem ape- nas um papel secundário. A decisão parte da equipe e não do líder. 9. (TRT 7ª Região-CE – CESPE – 2017) “A motivação depende do esforço despendido pelo empregado para atingir um resultado e do valor atribuído por ele a esse resultado.” Essa premissa se refere à teoria motivacional denominada teoria a) das necessidades de Maslow. b) da expectativa. c) da equidade. d) behaviorista. Resposta: Letra B. O que vemos aqui é a relação entre o quanto o empregado se esforça para realizar algo e como ele é valorizado por tal esforço, aumen- tando ou diminuindo sua motivação, de acordo como essa valorização. Essa relação já descarta a alternativa “a”, que defende que, a cada nível de necessidade suprida, o indivíduo se dedica ao nível seguinte, sem nenhuma correlação com ser valorizado pelo que fez. A teoria da equidade defende que as recompensas de- vem ser proporcionais ao esforço e iguais para todos. Já de acordo com a teoria behaviorista, a motivação tem caráter apenas impulsivo, já que as respostas aos estímulos seriam automáticas e motivadas pelo am- biente. Visto isso, temos como assertiva a alternativa B, que trata da teoria da expectativa, na qual a crença do funcionário está no fato de que seu esforço gerará o desempenho esperado e que esse resultado será per- cebido pela organização em sua avaliação de desem- penho. 10. (PREFEITURA DE SÃO LUÍS-MA – CESPE – 2017) O fato de os indivíduos estabelecerem conexões humanas uns com os outros favorece o trabalho coletivo, o que, por sua vez, implica maior desempenho na execução das atividades das organizações. Considerando-se essas in- formações, é correto afirmar que a unidade de trabalho fundamentada na sinergia denomina-se: a) repartição. b) equipe. c) grupo. d) setor. e) diretoria. Resposta: Letra B. Quando falamos em repartição, setores ou diretoria, estamos falando em divisões da estrutura organizacional, sendo que seus membros fazem parte da equipe, a qual, por meio da sinergia, consegue obter melhor desempenho da execução das atividades propostas. Destaca-se que o diferencial entre equipe e grupo é o objetivo final de ambas, o grupo, grosso modo, re- presenta uma reunião de pessoas, mas não quer dizer, necessariamente, que todos nesse grupo tenham o mesmo objetivo, fato que já é característico da equipe. GESTÃO DA QUALIDADE E MODELO DE EXCELÊNCIA GERENCIAL. PRINCIPAIS TEÓRICOS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A GESTÃO DA QUALIDADE. CICLO PDCA. FERRAMENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE. MODELO DO GESPUBLICA. Pode-se definir a gestão da qualidade como qualquer atividade coordenada de direção e controle dos proces- sos, que possui como principal objetivo a melhoria de produtos e serviços, visando ainda a garantir a satisfação total dos clientes. A primeira abordagem da qualidade surgiu durante a Segunda Guerra Mundial e tinha como única finalidade a correção de erros nos produtos bélicos dos exércitos. Com a expansão da indústria no início do século XX, surgiu o controle da qualidade, que visava à uniformidade dos processos, sem haver uma preocupa- ção explícita com a qualidade em si, mas sim com a ativi- dade da empresa em geral. Após o término da Segunda Guerra, ocorreram no- vos avanços nos estudos da qualidade (muito devido ao sucesso da produção em massa de Ford). Com isso, foi desenvolvido o conceito do controle estatístico da qua- lidade, o que posteriormente abriria as portas para pes- quisas mais aprofundadas sobre o assunto. Já dentro do contexto mundial, a qualidade é visualizada como uma forma de gerenciamento que tem por finalidade melho- rar de modo contínuo (Kaizen) o desempenho organi- zacional. De acordo com os estudos sobre gestão da qualidade, existem seis elementos nos quais a mesma se baseia, sendo eles: excelência, valor, especificações, con- formidade, regularidade e adequação ao uso. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 76 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 1. Elementos da Gestão da Qualidade • Excelência: Significa fazer o melhor que se conse- gue fazer. A excelênciaé considerada um valor por muitas organizações, sendo também um objetivo a ser seguido. Em termos simples, quando falamos de gestão da qualidade, utilizamos a palavra como sinônimo de um desempenho de alto nível, ou seja, trata-se basicamente do “fazer bem feito”, que é o ideal da própria excelência (boas práticas que con- duzem à inovação e melhoram o resultado). • Regularidade: Significa a redução da variação que ocorre em qualquer processo de trabalho, seja fa- bricar um produto ou prestar um serviço. Qualida- de, em seu conceito, também é sinônimo de regu- laridade e confiabilidade. Dessa maneira, quanto menor for a variação de um produto (suas carac- terísticas ou desconformidades), mais qualidade ele conseguirá ter e vice-versa. Trata-se de um dos principais pontos na gestão da qualidade. • Valor: O valor é a apreciação feita pelo indivíduo da importância de um bem, tendo como base sua utilidade, aspecto e características. Num primeiro momento, significa produto de luxo ou de alto de- sempenho. Quanto mais alta a qualidade do pro- duto, consequentemente mais alto será o seu pre- ço, uma vez que mais qualidade implica em custos maiores. • Conformidade: É a contrapartida da qualidade pla- nejada, ou seja, é a qualidade real que o produto oferece (àquela que o cliente recebe). Dependen- do da taxa de sucesso do planejamento, ela pode ser próxima ou distante da qualidade planejada. Se, ao final, houver baixa conformidade, significa também que o produto é de baixa qualidade, pois um produto ou serviço bem feito é aquele que está dentro das especificações que foram planejadas. • Especificações: O elemento de especificação se re- fere à descrição do produto, ou de sua determi- nação circunstancial. São as características do pro- duto. As especificações descrevem o produto ou serviço em termos de sua utilidade, desempenho e atributos. Com isso, nós temos a “qualidade pla- nejada’’ que estabelece como o produto ou serviço devem ser. • Adequação ao uso: A adequação dependerá da perspectiva do cliente. Essa perspectiva abrange dois aspectos distintos: a qualidade de projeto e a ausência de deficiências. O primeiro compreen- de as características do produto que atendem às necessidades do cliente. Quanto mais o produto atender à sua finalidade, maior será a qualidade do projeto. A ausência de deficiências compreende as falhas no cumprimento das especificações, ou seja, quanto menor o número de falhas, mais alta será a qualidade do produto ou serviço. A gestão de qualidade é uma estratégia empresarial, bastante difundida, que visa a associar qualidade a todas as etapas e processos de uma empresa ou organização. A gestão de qualidade não só apenas afeta a gestão da empresa, mas também os fornecedores e todos aqueles que trabalharem junto à empresa. O conceito da gestão de qualidade vem do toyotismo, que é um modo de produção japonês, do qual a Toyota foi a precursora. O toyotismo foi a solução encontrada para a produção no Japão pós-segunda guerra. A situa- ção que eles tinham era bem diferente da americana, por isso o fordismo não pode ser usado no Japão. O méto- do japonês era um sistema flexível. A mão de obra não era extremamente segmentada como a de Henry Ford, e era multifuncional, dando flexibilidade para a produ- ção japonesa da época, que era pequena e tinha recursos escassos. O modelo de Toytota valorizava a capacitação dos profissionais e a eficiência. Esta é a sua semelhança com a gestão de qualidade. A gestão de qualidade objetiva aumentar a satisfação dos clientes com o produto, ter uma melhor eficiência de produção, reduzir os custos, formar um sistema que faci- lite buscar novos mercados e novas parcerias com outras empresas. A implementação da gestão de qualidade Muitos empresários se inibem na hora de implantar a gestão de qualidade em suas empresas, estas sendo normalmente de pequeno e médio porte. Isso acontece porque muita gente pensa que são necessários proces- sos caros e trabalhosos para implantar a gestão de qua- lidade, mas não é verdade. Claro que em grandes empresas o processo acaba sendo feito de maneira mais complexa e com investi- mentos maiores. Porém, a gestão de qualidade pode ser levada para dentro das empresas sem grandes gastos. A gestão de qualidade é uma série de conceitos que pre- cisam ser absorvidos por cada um dos profissionais que trabalham dentro da empresa. E para isso não são de gastos financeiros que precisamos, e sim de liderança e motivação para fazer com que todos mudem a sua ma- neira de pensar para a empresa, como um todo, poder melhorar. 2. Princípios da Gestão de Qualidade A gestão de qualidade total, como às vezes é chama- da, tem alguns princípios básicos, listados a seguir: • Qualidade é algo que pode e deve ser gerenciada; • Problemas devem ser prevenidos, não remediados; • Processos são os frutos dos problemas¸ não pes- soas; • Todo mundo tem um fornecedor e um cliente; • Cada empregado da empresa é responsável por manter a qualidade; • A qualidade precisa ser medida; • A melhora da qualidade precisa ser contínua; • Objetivos são baseados em necessidades, não são negociados; • O padrão de qualidade é livre de defeitos; • Para melhorar a qualidade é preciso planejar e or- ganizar; • O gerenciamento deve liderar e estar envolvido diariamente no processo. A gestão de qualidade é uma filosofia empresarial. Uma empresa que trabalha efetivamente com ela tem as suas fundações baseadas na busca pelo melhor a cada user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 77 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO dia que passa. Uma placa dourada, pendurada na parede, com os princípios da empresa em baixo relevo é bonito, mas se cada um dentro da organização não acreditar e viver aquilo, de nada adianta. A gestão da qualidade pode ser definida como sen- do qualquer atividade coordenada para dirigir e contro- lar uma organização no sentido de possibilitar a melhoria de produtos/serviços com vistas a garantir a completa satisfação das necessidades dos clientes relacionadas ao que está sendo oferecido, ou ainda, à superação de suas expectativas. Desta forma, a gestão da qualidade não precisa, ne- cessariamente, implicar na adoção de alguma certifica- ção, embora este seja o meio mais comum e o mais di- fundido, porém, sempre envolve a observância de alguns conceitos básicos, ou princípios de gestão da qualidade, que podem e devem ser observados por qualquer orga- nização. A saber: • Focalização no cliente: qualquer organização tem como motivo de sua existência a satisfação de de- terminada necessidade de seu cliente, seja com o oferecimento de um produto ou serviço. Portan- to, o foco no cliente é um princípio fundamental da gestão da qualidade que deve sempre buscar o atendimento pleno das necessidades do cliente, sejam elas atuais, futuras ou mesmo a superação das expectativas deste. • Liderança: cabe aos líderes em uma organização criar e manter um ambiente propício para que os envolvidos no processo desempenhem suas ativi- dades de forma adequada e que se sintam moti- vadas e comprometidas a atingir os objetivos da organização. • Envolvimento das pessoas: toda organização é for- mada por pessoas que, em conjunto, constituem a essência da organização. Portanto, a gestão da qualidade deve compreender o envolvimento de todos, o que possibilitará o uso de suas habilida- des para o benefício da organização. • Abordagem por processos: a abordagem por pro- cessos permite uma visão sistêmica do funciona- mento da empresa como um todo, possibilitando o alcance mais eficiente dos resultados desejados. • Abordagem sistêmica: a abordagem sistêmica na gestão da qualidade permite que os processos inter-relacionados sejam identificados, entendidos e gerenciados de forma a melhorar o desempenho da organização como um todo. • Melhoria contínua: para que a organizaçãoconsiga manter a qualidade de seus produtos atendendo suas necessidades atuais e futuras e encantando- -o (excedendo suas expectativas), é necessário que ela tenha seu foco voltado sempre para a melhoria contínua do seu processo e produto/serviço. • Abordagem factual para a tomada de decisão: to- das as decisões dentro de um sistema de gestão de qualidade devem ser tomadas com base em fatos, dados concretos e análise de informações, o que implica na implementação e manutenção de um sistema eficiente de monitoramento. • Benefícios mútuos nas relações com fornecedores: a organização deve buscar o relacionamento de benefício mútuo com seus fornecedores por meio do desenvolvimento de alianças estratégicas, par- cerias e respeito mútuo, pois o trabalho em con- junto de ambos facilitará a criação de valor. 3. Administração da qualidade Todas as pessoas convivem sob a sombra da palavra qualidade. Não é para menos, a qualidade tornou-se ali- cerce fundamental para as organizações, o qual ganhou destaque a cerca de 30 anos. Porém, a sua abordagem é bem mais antiga, vindo de filósofos gregos e chineses. A primeira abordagem de qualidade dentro das or- ganizações visava à uniformidade dos processos e não havia uma preocupação explícita com a qualidade. A produção em massa abriu as portas para a pesquisa da qualidade. Como qualidade era sinônimo de uniformidade e o controle de todas as peças produzidas era muito demo- rado, surgiu o controle estatístico da qualidade. 4. Como definir qualidade? Não há uma definição universal para qualidade, mas podemos abordá-la segundo alguns pontos de vista. 4.1 Excelência Nesta definição, elaborada pelos pensadores gregos, excelência é o que diferencia as coisas superiores das inferiores. Refere-se ao mais alto nível possível sob um aspecto. Esta linha é exemplificada por frases como: 1. Qualidade significa a aplicação dos melhores tal- entos e recursos para produzir os resultados mais elevados. 2. Ou se faz bem feito ou mal feito. A ideia é obter a qualidade máxima desde o primeiro momento. 4.2 Valor Esta definição está bastante ligada ao status que o produto ou serviço proporciona para o comprador. Ela surgiu na ascensão da produção massificada de bens de consumo que tinham baixo preço. Ela faz a diferencia- ção entre produtos que podem ser adquiridos a baixos preços pela grande maioria da população e produtos que são adquiridos somente por pouquíssimas pessoas a custos muito altos. Essa definição segue uma frase de Freud: “Se quiser qualidade, pague por ela”. 4.3 Especificações Do ponto de vista dos profissionais da área de exatas, qualidade está relacionada com as especificações técni- cas de um produto ou serviço. Se o produto ou serviço está de acordo com as suas especificações técnicas, ele tem qualidade. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 78 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Este conceito está relacionado com a qualidade planejada para o produto ou serviço. 4.4 Conformidade com Especificações A qualidade planejada é apenas um ponto, é preciso verificar se as especificações foram bem definidas e alcançadas. Ou seja, é preciso analisar a qualidade recebida pelo cliente. 4.5 Regularidade Qualidade também significa a uniformidade sugerida por Taylor e Ford. A uniformidade sugere confiabilidade do produto ou serviço. 4.6 Adequação ao uso Como não poderia deixar de haver, existe uma definição exclusiva para o cliente. Neste contexto, há dois significa- dos: • Qualidade do Projeto – este conceito compreende as características do produto que atendem às necessidades dos clientes. Quanto mais o produto atender a esta finalidade, maior será a sua qualidade. Em outras palavras significa: • Clientes satisfeitos com o produto; • Produtos e serviços mais competitivos; • Melhor desempenho da empresa. • Ausência de Deficiências – esta parte compreende as falhas de cumprimento das especificações. Essas falhas de um modo ou de outro podem ser evitadas pela organização. Quanto menor o número de falhas, maior a quali- dade. Isto se reflete em: • Maior eficiência dos recursos produtivos; • Maior satisfação do cliente com o desempenho dos produtos e serviços; • Custos menores de inspeção e controle; • Tempo menor de colocação e consolidação de produtos no mercado. 4.7 Custos da qualidade De forma geral, Freud não está errado quando diz: “Se quer qualidade, pague por ela”. A qualidade tem custo e requer investimentos por parte da organização. Esses custos são repassados para o preço final do serviço ou produto. Existem, basicamente, duas categorias de custos da qualidade, que estão descritas na tabela a seguir. Tabela - Categoria de Custos da Qualidade CUSTOS DE PREVENÇÃO Custos para evitar a ocorrência de erros e defeitos CUSTOS DE AVALIAÇÃO Custos de aferição da qualidade do sistema de produção de bens e serviços • Planejamento do processo do controle de qualidade; • Mensuração e teste de matérias-primas e insumos de produção; • Treinamento para a qualidade; • Aquisição de equipamentos para avaliação de produtos; • Desenvolvimento de fornecedores; • Realização de atividades de controle estatístico de produtos; • Desenvolvimento de produtos com qualidade; • Inspeção; • Desenvolvimento do Sistema de Produção; • Elaboração de Relatórios. • Manutenção preventiva; • Implantação e manutenção de componentes auxilia- res do sistema de qualidade. user Realce user Realce user Realce user Realce 79 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 4.9 Custos da não qualidade A falta de qualidade do produto, ou seja, a inadequação do produto ou serviço para os clientes gera custos para a organização que também são agrupados em duas categorias, conforme a tabela a seguir: CUSTOS INTERNOS DOS DEFEITOS Custos dos defeitos que são identificados antes do serviços e produtos serem expedidos para os clientes CUSTOS EXTERNOS DOS DEFEITOS Custos dos defeitos que ocorrem depois que o pro- duto ou serviço chega ao cliente • Matérias-primas e produtos refugados; • Cumprimento das garantias oferecidas ao cliente; • Produtos que precisam ser retrabalhados; • Perda de encomendas; • Modificações nos processos produtivos • Processamento de devoluções; • Perda de receitas; • Custos de processos nos organismos de defesa do consumidor; • Tempo de espera dos equipamentos parados para cor- reção; • Comprometimento da imagem; • Pressa e tensão para entrega dos produtos corrigidos. • Perda de mercado. 4.10 O cliente em primeiro lugar Dentro dos conceitos modernos de administração, a qualidade é definida com base nas necessidades e no interes- se do cliente. A ausência de deficiências permite oferecer produtos que satisfaçam os clientes e evitar os indesejáveis custos da não qualidade. Para transformar desejos, interesses e necessidades do cliente em especificações, é aplicada uma técnica chamada Quality Function Deployment (QFD). Ela consiste de quatro etapas: 1. Os atributos que o produto deve ter, segundo o cliente, são transformados em características e especificações técnicas; 2. As especificações técnicas são transformadas em características ou especificações de componentes ou matérias primas; 3. As especificações técnicas dos componentes são transformadas em características ou especificações do processo produtivo; 4. As informações de especificação do processo produtivo são aplicadas na montagem de um sistema de produção. Dentro da visão moderna, o cliente é o ponto de partida para a definição de qualidade. Ao contrário dos enfoques da Administração Científica, o cliente é o elemento chave. 5. Qualidade total 5.1 Eras da História da Qualidade A história da qualidade do ponto de vista administrativo pode ser dividida em nas eras a seguir: a) Era da inspeção A ênfase está em separar os bons produtos dos defeituosos por meio da observação direta. Esta abordagem vem desde os primórdios da RevoluçãoIndustrial, quando o próprio artesão fazia a inspeção da sua produção que tinha que estar de acordo com as especificações técnicas que ele mesmo estipulou. No início do século XX, as empresas come- çaram a ver os supervisores de produção como agentes da qualidade. b) Era do controle estatístico Com a ascensão da produção massificada, a inspeção tornou-se impraticável. Este novo ambiente era mais propício a outras técnicas de controle de qualidade. Uma delas era o controle estatístico. Ele se baseia na amostragem, ou seja, são tomadas algumas amostras da produção ao invés de todos os produtos. Sua primeira aplicação veio com Walter A. Shewhart, que definiu a carta de controle, que desenvolveu técnicas de amostragem. Até a Segunda Grande Guerra, o seu modelo não era muito utilizado, entretanto, as forças armadas precisavam de grandes quantidades de insumos com altíssima qualidade. As forças armadas influenciaram muito, pois adotaram técnicas refinadas de amostragem. Após a guerra, a estatística ganhou força dentro das organizações como forma de controlar e obter a qualidade. Nesta mesma época, veio à tona a ideia do departamento de qualidade dentro das organizações, pois até então era considerado um trabalho geral, porém ocorria o seguinte: user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 80 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO A qualidade era um trabalho de todos, mas acabava sendo de ninguém. O departamento de qualidade deveria ocupar-se, segundo o seu fundador Armand V. Feigenbaum, com: • Estabelecer padrões: definir os padrões de custo e desempenho do produto; • Avaliar o desempenho: comparar o desempenho dos produtos com os padrões; • Agir quando necessário: tomar providências corretivas quando os padrões forem violados; • Planejar aprimoramentos. 5.2 Qualidade Total Prosseguindo as suas pesquisas, Feigenbaum apresentou uma evolução de suas propostas, chamado Controle da Qualidade Total (TQC – Total Quality Control). O seu foco continua no cliente, ou seja, a pedra fundamental para a de- finição de qualidade é o ponto de vista dos clientes. A qualidade quem estabelece é o cliente e não os engenheiros, nem o pessoal de marketing ou a alta administração. A qualidade de um produto ou serviço pode ser definida como o conjunto total das características de marketing, en- genharia, fabricação e manutenção do produto ou serviço que satisfazem às expectativas do cliente. Consequentemente, a qualidade não é somente a conformidade com as especificações, como era pregado na inspeção. A qualidade vem desde a concepção do produto ou serviço a partir dos desejos dos clientes. Depois dessa análise, viriam outras características, como, por exemplo, confiabilidade e a manutenabilidade. Feigembaum enumerou oito estágios da qualidade no ciclo industrial: 1. Marketing – avalia no nível de qualidade desejado pelo cliente e o custo que ele está disposto a pagar; 2. Engenharia – transforma as expectativas e os desejos do cliente em especificações; 3. Suprimentos – escolhe, compra e retém fornecedores de peças e materiais; 4. Engenharia de Processo – escolhe máquinas, ferramentas e métodos de produção; 5. Produção – a supervisão e os operadores têm uma responsabilidade importante pela qualidade durante a fab- ricação; 6. Inspeção e testes – verificam a conformidade do produto com as especificações; 7. Expedição – é responsável pela embalagem e transporte; 8. Instalação e assistência técnica. Com esta nova visão a qualidade deixa de ser atributo do produto ou serviço. Deixa de ser responsabilidade de ape- nas um departamento, mas de todos os componentes da organização. A qualidade exige visão sistêmica para integrar as ações das pessoas, máquinas informações e todos os recursos envolvidos na administração da qualidade. A qualidade de administração começa na administração superior, de onde vem toda a coordenação do sistema de qualidade. Nesse novo contexto, o departamento de qualidade deve ter poderes para garantir a qualidade dos produ- tos e serviços com o custo aceitável. A qualidade total envolve os clientes e os interesses das empresas. 6. A escola japonesa da qualidade total O Japão é um país sem recursos naturais, consequentemente a sua sobrevivência viria das exportações. Diante dessa realidade, a qualidade tornou-se uma verdadeira obsessão. Foram iniciadas pesquisas e visitas a países onde a qualidade do processo industrial era mais apurada. 6.1 Deming Em 1947, a JUSE (Associação Japonesa de Cientistas e Engenheiros) tornou-se o centro das atividades de qualidade do país. Essa entidade convidou Willaim Edwards Deming para visitar o país e ministrar alguns cursos de estatística. Ele percebeu que a alta administração não se empenhava de forma minimamente adequada com a qualidade. Ele presumiu que, em pouco tempo, a qualidade iria se restringir a separar os produtos com defeitos dos sem defeitos. Com o apoio da JUSE, Deming conseguiu chegar à alta administração, em que dirigiu todos os seus esforços para sensibilizá-la da necessidade da consciência na qualidade. Ele dizia que a qualidade era o caminho natural para a prosperidade por meio do aumento de produtividade, redução de custos, conquista de mercados e da expansão do emprego. Para ele, havia quatorze pontos a serem trabalhados: user Realce user Realce user Realce user Realce 81 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Princípios de Deming: I. Estabelecer a constância do propósito de melhorar o produto e o serviço, com a finalidade de tornar a em-presa competitiva, permanente no mercado e criar novos empregos; II. Adotar a nova filosofia. Numa nova era econômica, a administração deve despertar para o desafio, assumir as responsabilidades e assumir a liderança da mudança; III. Acabar coma dependência da inspeção em massa. Elimina-se a necessidade da inspeção em massa construindo a qualidade junto com o produto desde o começo; IV. Cessar a prática da compra baseada exclusivamente no preço. Deve-se avaliar a relação custo/benefício; V. Melhorar constantemente o sistema de produção e serviços; VI. Instituir o treinamento de serviço; VII. Instituir a liderança; VIII. Afastar o medo para que todos possam trabalhar de forma eficaz; IX. Eliminar as barreiras entre as organizações para prever erros e tratá-los; X. Cuidado com slogans que estimulam a competição interna e prejudicial dentro da organização; XI. Eliminar as cotas numéricas do chão da fábrica; XII. Remover as barreiras que impedem o operário de sentir orgulho de suas funções; XIII. Instituir um sólido programa de treinamento e educação; XIV. Agir para concretizar a mudança. Era preciso conhecer as necessidades dos clientes. Ele montou três alicerces para a prosperidade com a qualidade: • Predominância do Cliente; • Importância da mentalidade preventiva; • Necessidade de envolvimento da alta administração. 6.2 Juran Com Joseph M. Juran, a JUSE conscientizou que o controle de qualidade não se resumia à inspeção, mas a todas as áreas funcionais e todas as operações das organizações. Ele criou o curso de controle de qualidade do gerente médio. 6.3 Ishikawa e a Qualidade Total Os japoneses criaram a própria filosofia de qualidade total. Diferente de Feigerbaum, que pregava a participação de todos, mas com a centralização em um departamento altamente especializado. A cultura da indústria japonesa prega a qualidade a todos os setores sem a necessidade de um departamento que centraliza as atividades. Os treinamentos são direcionados a todos os membros da organização. 7. Maturidade da era da qualidade total 7.1 Garantia da qualidade e auditoria do sistema No ambiente da qualidade total, a qualidade não é preocupação somente com os serviços ou produtos. Muito menos é responsabilidade exclusiva de um grupo. Para a filosofia da qualidade total, todos os membros e setores da organização são responsáveis pela qualidade, sendo tratada de forma sistêmica. As organizaçõespassaram a exigir de seus fornecedores que eles entregassem as matérias-primas com alta quali- dade. Elas passaram a fazer auditoria no sistema de qualidade de seus fornecedores. Dessa maneira, forma-se um ciclo de controle de qualidade e o sistema torna-se bastante completo. 8. Normas ISO 9000 A International Organization for Standartization (ISO) é uma organização privada que publicou normas para ava- liação de um Sistema de Qualidade, chamada Série 9000. Existem mais de 11.000 padrões introduzidos pela ISO. Um ponto importante a ser considerado é que a ISO não faz auditorias para verificar se seguem as suas recomendações. A adesão às suas recomendações é voluntária. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 82 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Entretanto, devido a sua grande aceitação, ela tornou-se referência em auditorias de sistemas de qualidade, surgin- do empresas especializadas nesse tipo de auditoria, mas é importante ter conhecimento que não há uma certificação ISO. A tabela a seguir ilustra alguns exemplos de categorias ISSO: Tabela - Exemplos das categorias ISO 9000 ISO 9000:2000 – Sistema de Administração da Qualidade Fundamentos e vocabulários Fornece um ponto de partida para a compreensão dos padrões e define os termos e conceitos fundamentais usados na família ISO 9000. Requisitos Padrão de Requisitos usados para avaliar a capacidade de atender requi- sitos estabelecidos pelo cliente e pela legislação. Ele é amplamente usado para certificação de empresas. Diretrizes para Aprimoramento do Desem- penho É um conjunto de diretrizes para o aprimoramento contínuo de seu sistema de administração da qualidade, de forma a atender a todas as partes interessadas por meio da satisfação permanente do consu- midor. Diretrizes sobre a Auditoria de Sistemas de Administração da qualidade no Ambiente Diretrizes para conferir a capacidade de o Sistema alcançar os objeti- vos da qualidade. 9. Prêmios de qualidade A sociedade mundial criou uma série de prêmios para as organizações que se preocupam com a qualidade, como, por exemplo, Deming, Baldrige e Europeu. Enfim, temos, resumidamente, que a qualidade tem existido desde os tempos em que os chefes tribais, reis e faraós governavam. Desde a antiguidade, a qualidade possuía diferentes formas, que variavam de acordo com o tipo de ne- gócio que era realizado. Nesses tempos, já existiam inspetores que aceitavam ou rejeitavam os produtos se estes não cumpriam com as especificações solicitadas. Por outro lado, nos dias atuais, a gestão da qualidade nos traz pensamen- tos estratégicos que antecedem o agir e o produzir. Esse modelo mudou a postura e a forma que as empresas veem a qualidade, tornando-a um valioso item de vantagem competitiva empresarial. No Brasil, a gestão da qualidade começou a ser implantada a partir de 1990. Esse modelo foi um dos principais pro- pulsores que as organizações brasileiras tiveram para começarem a adquirir novas competências e maiores patamares. Com a gestão da qualidade, foi possível adquirir o aprendizado de novos procedimentos, a melhora na interação com o público interno e externo e a aceleração do desenvolvimento econômico e industrial. Essa “nova era” também trouxe consigo uma nova filosofia, baseada na elaboração e na aplicação de conceitos, métodos e técnicas adequadas à nova realidade corporativa em que vivemos. A gestão da qualidade marcou o deslocamento da análise do produto ou serviço para a concepção de um sistema integrado de qualidade. A qualidade deixou de ser um aspecto do produto e passou a ser um problema da empresa, abrangendo todos os pontos de sua operação. Esse modelo pode ajudar a alavancar o melhor da organização ao lhe permitir entender seus processos de entrega de seus produtos e serviços a seus clientes. Suas diretrizes são desenvol- vidas para serem usadas por toda organização como uma estrutura para guiar a companhia em direção à melhoria de contínua, levando em conta as necessidades de todas as partes interessadas (stakeholders), não somente dos clientes. EXERCÍCIO COMENTADO 1. (TRT 7ª REGIÃO-CE – CESPE – 2017) Na gestão da qualidade, conformidade se refere ao nível de correspondência entre determinado produto ou serviço e a sua: a) qualidade do projeto, que corresponde ao uso adequado do produto ou serviço. b) categoria de excelência, que corresponde ao padrão de qualidade estabelecido para o produto ou serviço. c) especificação, que corresponde à qualidade planejada para esse produto ou serviço. d) regularidade, que corresponde à uniformidade entre produtos ou serviços de mesma categoria. Resposta: Letra C. Temos aqui dois conceitos a considerar: QUALIDADE e CONFORMIDADE Qualidade é um conceito subjetivo, que está relacionado à expectativa do consumidor, e essa percepção pode ser diferente de uma pessoa para outra. Conforme defende Crosby, a qualidade da organização está muito além da qualidade de seus produtos puramente falando. Ele defende que a organização atinge um nível de qualidade quando se percebe um cenário positivo de user Realce user Realce user Realce 83 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO todos os processos e setores da organização, dentro de um planejamento específico para cada um. Conformidade é quando algo está de acordo com o que foi planejado, que depois de pronto corresponde ao que deveria ser, que pode ou não ter qualidade, pode acontecer de algo ser produzido exatamente como o previsto e nem por isso corresponder ao nível de qualidade para uma determinada pessoa ou organização. Instrução: Na questão a seguir, preencha o campo designado com o código C, caso julgue o item CERTO; ou o campo designado com o código E, caso julgue o item ERRADO. 2. (POLICIA FEDERAL – CESPE – 2014) As ferramentas empregadas na gestão da qualidade fundamentam-se em abordagem qualitativa, razão pela qual não existem modelos estatísticos para auxiliar no controle da qualidade. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado. A gestão da qualidade atua considerando uma série de variáveis, e essas, por sua vez, representam tudo que pode ser medido por instrumento de medição, e um dos principais benefícios que a gestão da qualidade proporciona são os controles estatísticos, portanto, a gestão da qualidade faz sim uso de abordagem quantitativa. NOÇÕES DE GESTÃO DE PROCESSOS: TÉCNICAS DE MAPEAMENTO, ANÁLISE E MELHORIA DE PROCESSOS. Processos são sequências de ações ou eventos que levam a um determinado fim, resultado ou objetivo. A relação fundamental entre os processos é que há uma entrada de alguma coisa, uma etapa de transformação ou processamento e uma saída. Exemplo: Para acompanhar as novas tendências, a área de gestão de processos ocupa cada vez mais espaço na gestão ad- ministrativa. Os principais fatores que têm contribuído para essa tendência são: • Aumento da demanda de mercado exige desenvolvimento e lançamento de novos produtos e serviços de forma mais ágil e rápida. • A implantação dos ERPs gera a necessidade prévia de mapeamento dos processos. • As regras e procedimentos organizacionais mostram-se cada vez mais desatualizados devido ao ambiente de constante mudança, provocando ocorrência de erros ou decisões postergadas por falta de uma orientação clara. • Maior frequência de entrada e saída de profissionais (turnover), dificultando a gestão de conhecimento e a do- cumentação das regras de negócio e, além disso, gera maior dificuldade na integração e treinamento de novos colaboradores. Diante disso tudo, as organizações têm buscado cada vez mais novas formas de gerenciar seus processos e iniciam essa ação por meio da revisão e pelo desenvolvimento das normas organizacionais, criando assim um mapeamento do processo queirá orientar as ações posteriormente. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 84 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Nesse momento, identificar os processos relevantes à organização e à forma como estes devem ser operacio- nalizados com eficiência requer que os administradores saibam: • Qual o dimensionamento de equipe ideal para a execução e o controle dos processos; • Qual o suporte adequado de ferramentas tecno- lógicas; • Quais os métodos de monitoramento e controle do desempenho a serem utilizados e • Qual é o nível de integração e interdependência entre processos. A identificação desses aspectos permite à organiza- ção ter uma visão panorâmica e abrangente (BPM) sobre os processos a serem implantados, sendo que essa visão, para ser implantada, deve considerar: • Tradução do negócio em processos: É importante definir quais são os processos mais relevantes para a organização e aqueles que os suportam. Isso é possível a partir do entendimento da Visão Estra- tégica, como se pretende atuar e quais os diferen- ciais atuais e desejados para o futuro. Com isso, é possível construir o Mapa Geral de Processos da Organização. • Mapeamento e detalhando os processos: A partir da definição do Mapa Geral de Processos inicia-se a priorização dos processos que serão detalhados. O mapeamento estruturado com a definição de padrões de documentação permite uma análise de todo o potencial de integração e automação pos- sível. De forma complementar são identificados os atributos dos processos, o que permite, por exem- plo, realizar estudos de custeio das atividades que compõem o processo, ou ainda dimensionar o ta- manho da equipe que deverá realizá-lo. • Definição de indicadores de desempenho: O ob- jetivo do BPM é permitir a gestão dos processos, o que significa medir, atuar e melhorar. Assim, tão importante quanto mapear os processos é definir os indicadores de desempenho, além dos modelos de controle a serem utilizados. • Gerando oportunidades de melhoria: A intenção é garantir um modelo de operação que não leve a retrabalho, perda de esforço e de eficiência, ou que gere altos custos ou ofereça riscos ao negó- cio. Para tal, é necessário identificar as oportunida- des de melhoria, que por sua vez seguem quatro alternativas básicas: incrementar, simplificar, au- tomatizar ou eliminar. Enquanto que na primeira busca-se o ganho de escala, na última busca-se a simples exclusão da atividade ou transferência da mesma para terceiros. • Implantando um novo modelo de gestão: O BPM não deve ser entendido como uma revisão de pro- cessos. A preocupação maior é assegurar melhores resultados e nesse caminho trata-se de uma mu- dança cultural. É necessária maior percepção das relações entre processos. Nesse sentido, não basta controlar os resultados dos processos, é preciso treinar e integrar as pessoas visando gerar fluxo de atividades mais equilibrado e de controles mais robustos. É por causa desse último passo que a implantação de BPM deve ser tratada de forma planejada e orientada em resultados de curto, médio e longo prazo. Como já dissemos, o BPM representa uma visão bem mais abrangente, na qual a busca por ganhos está vincu- lada a um novo modelo de gestão. Colocar tal modelo em prática requer uma nova forma de analisar e decidir como será o dia a dia da organização de hoje, amanhã, na semana que vem, no próximo ano e assim por diante. A gestão de processos envolve dois componentes es- senciais: • Recursos: tudo aquilo que é necessário para a exe- cução do processo – recursos humanos, financeiro e infraestrutura. • Regras: representa o aspecto documental que irá nortear as ações – procedimentos, regras, regi- mentos, regulamentos, entre outros. Como vimos acima, gestão de processo é um con- junto de atividades realizadas por indivíduos ou equi- pamentos, com auxílio de recursos, com a finalidade de atingir uma transformação de insumos/informações em produtos ou serviços. Com a departamentalização, o processo não é mais visto como um todo, o que exige uma atenção maior para a execução em cada fase, de forma que não se com- prometa o resultado final. Por meio da departamentalização, cada área cuida de forma individual da aquisição de suas matérias primas, do desenvolvimento do produto, do contas a pagar e a receber, perde-se o contato com o cliente e, muitas ve- zes, os processos correm o risco de serem “quebrados”, “interrompidos” e iniciam-se os problemas de retraba- lhos, de perda de tempo, de desperdícios, acúmulo e desvio de funções, entre outros problemas possíveis de ocorrem quando se perde a visão por processos. Exatamente, existe uma diferença entre gestão de processo e gestão por processo, como veremos a seguir. #FicaDica Portanto, a partir da Gestão POR processos, alcança- -se: • Gerenciamento alinhado à estratégia da organiza- ção; user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 85 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO • Foco no desenvolvimento do produto/serviço para o cliente; • Aplicação e análise permanente do desempenho dos processos por meio de indicadores; • Direcionamento e capacitação das equipes de trabalho; • Fortalecimento da comunicação em todos os níveis da organização. Assim, conclui-se que com a gestão por processos há maior sinergia entre as áreas, com processos otimizados, padronizados e controlados, fortalecendo o relacionamento interdepartamental, possibilitando a visão do “todo” e produzindo resultados voltados para o negócio. TIPOS DE PROCESSOS Na gestão de processos, observamos a ocorrência de atividades inter-relacionadas, que interagem entre si, cada uma dentro de um contexto de processo, porém, relacionando-se umas com as outras. Esses processos são conhecidos como: Primários • Os processos primários, também conhecidos por processos finalísticos ou centrais, são compostos por ações essenciais para o desenvolvimento do negócio, são os que agregam valor diretamente ao cliente e geram neste uma percepção quanto à organização. Processos de Suporte • Reforçam ou apoiam a realização de demais processos dentro da organização, garantindo os suprimentos e as condições necessárias para que os processos finalísticos e de suporte se realizem. Não entregam valor direto ao cliente, mas permitem que este receba o produto/serviço final ao qual a organização se propõe. Também é conhe- cido como processo de apoio. Processos Gerenciais • Representa as atividades de coordenação e controle das atividades da empresa de acordo com o planejamento da organização, por meio de análise de resultados, controles, entre outras ações, proporcionando à organização atingir seus objetivos. Também conhecido como periférico. MAPEAMENTO DE PROCESSOS O Mapeamento de processos tem por finalidade: • Proporcionar conhecimento e a análise dos processos e seu relacionamento com os dados, estruturados em uma visão top down, até um nível que permita sua perfeita compreensão e obtenção satisfatória dos produtos e serviços, objetivos e resultados dos processos. • Permitir que sejam conhecidas com detalhes e profundidade todas as operações que ocorrem durante a fabrica- ção de um produto ou a produção de um serviço. • Permitir descobrir a “organização oculta”. Vale ressaltar que o mapeamento de processos tem como pressuposto a visão sistêmica, segundo a qual a organi- zação deve ser entendida como um todo, com componentes que estabelecem relações complexas entre si, dentro de um contexto. 1. Análise e melhoria de processos A análise permite um aperfeiçoado de forma constante, de forma que o processo agregue cada vez mais valor à organização e consuma menos recursos (menos insumos, ser executado mais rapidamente, exigir menos esforços das pessoas, necessitar de menos pessoas). A melhoria é a “mudança discreta de um processo, no qual os parâmetros de saída (especificações do produto, produtividade, regularidade etc.) apresentam melhoriasmensuráveis, de forma estável e consistente, em relação a uma fase anterior”. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 86 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO Ao considerarmos a melhoria, percebemos a relação próxima da gestão de processos com a gestão da qualidade. O aperfeiçoamento de processos, inclusive, é frequentemente inserido nas organizações dentro de programas de qua- lidade total. Unir tempo, lucratividade e redução de custos tornou-se um objetivo das organizações, em que o foco é conseguir serviços e produtos com qualidade, não somente como uma forma de estratégia de diferenciação do seu produto/ serviço no mercado, mas como condição de preexistência. A gestão da qualidade e a gestão de processos complementam-se e, se bem conduzidas, podem levar a organiza- ção a alcançar elevados patamares de produtividade e eficácia. Ambas têm como objetivo: a melhoria do desempenho organizacional a partir da melhoria de seus processos, tor- nando a administração dos negócios mais transparente e auxiliando na tomada de decisão e gestão corporativa. EXERCÍCIO COMENTADO 1. (TRT 7ª REGIÃO-CE – CESPE – 2017) Nas organizações, a gestão de processos deve considerar tanto os processos centrais quanto os de apoio e os periféricos. Na gestão de processos, os processos considerados centrais incluem a) a aquisição de insumos para a produção. b) o processamento de pedidos de produtos. c) a elaboração do balanço patrimonial e financeiro. d) o recrutamento e a seleção de empregados. Resposta: Letra B. Processos centrais são aqueles alinhados à finalidade da organização, ou seja, são os respon- sáveis por fazer com que a organização atinja seu objetivo, resultando em produtos ou serviços. Dentre as alternativas, a única que podemos considerar central é a B, afinal, processamento de pedido está direta- mente relacionado à finalidade, pois as alternativas A e C estão relacionadas aos processos que viabilizam o fun- cionamento, enquanto a alternativa D trata-se de aspecto organizacional. 2. (TRT 7ª REGIÃO-CE – CESPE – 2017) Nas organizações, a gestão de processos deve considerar tanto os processos centrais quanto os de apoio e os periféricos. Na gestão de processos, os processos considerados centrais incluem a) a aquisição de insumos para a produção. b) o processamento de pedidos de produtos. c) a elaboração do balanço patrimonial e financeiro. d) o recrutamento e a seleção de empregados. Resposta: Letra B. Conforme vimos no conteúdo acima, na gestão de processo temos três aspectos diferentes, cada um com uma importância dentro do contexto geral, porém, todos inter-relacionados. Analisemos as alternativas: Alternativa A – Errada – trata-se de processo suporte (representa suprimento, viabiliza o funcionamento). Alternativa B – Certa. Alternativa C – Errada – trata-se de processo gerencial (ação de direção, relacionado à gestão). Alternativa D – Errada – trata-se de processo suporte (viabiliza o funcionamento da empresa). 3. (TCE-PE – CESPE – 2017) Acerca da gestão de processos, julgue o item a seguir. Processos de suporte são aqueles que têm o objetivo de medir, monitorar, controlar atividades e administrar o presente e o futuro do negócio, não agre- gando valor diretamente para o cliente. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado. As funções descritas no enunciado referem-se às atividades gerenciais da organização, caracteri- zando, portanto, processo gerencial. O processo de suporte representa as ações necessárias para o funcionamento da empresa, ou seja, por meio delas o processo primário (ou central) torna-se executável user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 87 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO LEGISLAÇÃO ADMINISTRATIVA. ADMINIS- TRAÇÃO DIRETA, INDIRETA, E FUNCIO- NAL. Centralização, descentralização, concentração e desconcentração Em linhas gerais, descentralização significa transferir a execução de um serviço público para terceiros que não se confundem com a Administração direta; centralização significa situar na Administração direta atividades que, em tese, poderiam ser exercidas por entidades de fora dela; desconcentração significa transferir a execução de um serviço público de um órgão para o outro dentro da própria Administração; concentração significa manter a execução central ao chefe do Executivo em vez de atri- bui-la a outra autoridade da Administração direta. Passemos a esmiuçar estes conceitos: Desconcentração implica no exercício, pelo chefe do Executivo, do poder de delegar certas atribuições que são de sua competência privativa. Neste sentido, o pre- visto na CF: Artigo 84, parágrafo único, CF. O Presidente da Re- pública poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações. Neste sentido: Artigo 84, VI, CF. dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração fe- deral, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando va- gos; Artigo 84, XII, CF. conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; Artigo 84, XXV, CF. prover e extinguir os cargos públi- cos federais, na forma da lei; (apenas o provimento é delegável, não a extinção) Com efeito, o chefe do Poder Executivo federal tem opções de delegar parte de suas atribuições privati- vas para os Ministros de Estado, o Procurador-Geral da República ou o Advogado-Geral da União. O Presi- dente irá delegar com relação de hierarquia cada uma destas essencialidades dentro da estrutura organizada do Estado. Reforça-se, desconcentrar significa delegar com hierarquia, pois há uma relação de subordinação dentro de uma estrutura centralizada, isto é, os Mi- nistros de Estado, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União respondem diretamente ao Presidente da República e, por isso, não possuem plena discricionariedade na prática dos atos adminis- trativos que lhe foram delegados. Concentrar, ao inverso, significa exercer atribuições privativas da Administração pública direta no âmbito mais central possível, isto é, diretamente pelo chefe do Poder Executivo, seja porque não são atribuições dele- gáveis, seja porque se optou por não delegar. Artigo 84, CF. Compete privativamente ao Presidente da República: I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição; IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; VI - dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração fe- deral, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando va- gos; VII - manter relações com Estados estrangeiros e acre- ditar seus representantes diplomáticos; VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacio- nais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; X - decretar e executar a intervenção federal; XI - remeter mensagem e plano de governo ao Con- gresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias; XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generaise nomeá-los para os cargos que lhes são privativos; XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribu- nais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os di- retores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei; XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Minis- tros do Tribunal de Contas da União; XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União; XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII; XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional; XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional; XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas; XXII - permitir, nos casos previstos em lei complemen- tar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 88 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano pluria- nual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Consti- tuição; XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei; XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62; XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Cons- tituição. Descentralizar envolve a delegação de interesses es- tatais para fora da estrutura da Administração direta, o que é possível porque não se refere a essencialidades, ou seja, a atos administrativos que somente possam ser pra- ticados pela Administração direta porque se referem a interesses estatais diversos previstos ou não na CF. Des- centralizar é uma delegação sem relação de hierarquia, pois é uma delegação de um ente para outro (não há subordinação nem mesmo quanto ao chefe do Executivo, há apenas uma espécie de tutela ou supervisão por parte dos Ministérios – se trata de vínculo e não de subordi- nação). Basicamente, se está diante de um conjunto de pes- soas jurídicas estatais criadas ou autorizadas por lei para prestarem serviços de interesse do Estado. Possuem pa- trimônio próprio e são unidades orçamentárias autôno- mas. Ainda, exercem em nome próprio direitos e obriga- ções, respondendo pessoalmente por seus atos e danos. Existem duas formas pelas quais o Estado pode efe- tuar a descentralização administrativa: outorga e dele- gação. A outorga se dá quando o Estado cria uma entidade e a ela transfere, através de previsão em lei, determinado serviço público e é conferida, em regra, por prazo inde- terminado. Isso é o que acontece quanto às entidades da Administração Indireta prestadoras de serviços públicos. Neste sentido, o Estado descentraliza a prestação dos serviços, outorgando-os a outras entidades criadas para prestá-los, as quais podem tomar a forma de autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fun- dações públicas. A delegação ocorre quando o Estado transfere, por contrato ou ato unilateral, apenas a execução do serviço, para que o ente delegado o preste ao público em seu próprio nome e por sua conta e risco, sob fiscalização do Estado. A delegação é geralmente efetivada por prazo determinado. Ela se dá, por exemplo, nos contratos de concessão ou nos atos de permissão, pelos quais o Es- tado transfere aos concessionários e aos permissionários apenas a execução temporária de determinado serviço. Centralizar envolve manter na estrutura da Adminis- tração direta o desempenho de funções administrativas de interesses não essenciais do Estado, que poderiam ser atribuídos a entes de fora da Administração por outorga ou delegação. Todos envolvem transferência na execução de serviços: Descentralização – da Administração para terceiros; Centralização – de terceiros para a Admi- nistração; Desconcentração – de um órgão central para outro na Administração; Concentração – de um órgão na Adminis- tração para o órgão central. Descentralização e centralização são movi- mentos externos, desconcentração e con- centração são movimentos internos. #FicaDica EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (PGM - AM - PROCURADOR DO MUNICÍPIO - CESPE/2018) Acerca dos instrumentos jurídicos que podem ser cele- brados pela administração pública para a realização de serviços públicos, julgue o item a seguir. A União poderá celebrar convênio com consórcio público constituído por municípios para viabilizar a descentrali- zação e a prestação de políticas públicas em escalas ade- quadas na área da educação fundamental. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo -Pelo instrumento utilizado – convênio ou consórcio público – já cabe determinar que se trata de um movi- mento externo (descentralização ou centralização). Se for de dentro da Administração para fora, é descen- tralização, pois sai da autoridade central da Adminis- tração para um terceiro. Assim, o exemplo descreve corretamente a descentralização. 2.(STM - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINIS- TRATIVA - CESPE/2018) A respeito dos princípios da administração pública, de noções de organização administrativa e da administra- ção direta e indireta, julgue o item que se segue. A descentralização administrativa consiste na distribui- ção interna de competências agrupadas em unidades individualizadas. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Errado Quando a distribuição se dá de forma interna, fala-se em concentração (de um órgão fragmentário para o central) ou em desconcentração (de um órgão cen- tral para unidades individualizadas, como é o caso do exemplo). A descentralização é um movimento exter- no, de dentro da Administração para terceiro, externo à estrutura administrativa. user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce user Realce 89 N O ÇÕ ES D E AD M IN IS TR AÇ ÃO 3. (CGM DE JOÃO PESSOA/PB - CONHECIMENTOS BÁSICOS - CARGOS: 1, 2 E 3 - CESPE/2018) A respeito da organização e dos poderes da administra- ção pública, julgue o próximo item. A criação de secretaria municipal de defesa do meio am- biente por prefeito municipal configura caso de descon- centração administrativa. ( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo A secretaria municipal seria um órgão interno que de- sempenharia atribuições que poderiam ser exercidas pelo órgão central, a prefeitura. No caso, para melhor desempenhar as funções, a Prefeitura transferiu o exercício de funções para a Secretaria, um movimento interno, caracterizando desconcentração. Administração direta e indireta Administração Direta Administração Pública direta é aquela formada pelos entes integrantes da federação e seus respectivos ór- gãos. Os entes políticos são a União, os Estados, o Dis- trito Federal e os Municípios. À exceção da União, que é dotada de soberania, todos os demais são dotados de autonomia. Dispõe o Decreto nº 200/1967: Art. 4° A Administração Federal compreende: I - A Administração Direta, que se constitui dos servi- ços integrados na estrutura administrativa da Presi- dência da República e dos Ministérios. A administração direta é formada por um conjunto de núcleos de competências administrativas, os quais já fo- ram tidos como representantes do poder central (teoria da representação) e como mandatários do poder central (teoria do mandato). Hoje, adota-se a teoria do órgão, de Otto Giërke,