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Modelo Litisconsorcio - Mudança de Nivel - Professor

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AO DOUTO JUÍZO DA VARA DOS FEITOS DAS RELAÇÕES DE CONSUMO CÍVEIS E COMERCIAIS DA COMARCA DE COMARCA - ESTADO.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, brasileira, solteira, auxiliar de serviços gerais, inscrita na cédula de identidade sob o nº 08.382.644-09, portadora do CPF nº 011.222.445-84, com residência e domicílio no Loteamento Santo André, nº 9965, CEP: 45435-000, Ituberá-BA;, por intermédio de seus advogados infra-assinados, devidamente constituídos (procuração anexa), com escritório na Rua Professor Leonídio Rocha, nº 221, Centro, Feira de Santana, local onde receberá todas as intimações, à presença de Vossa Excelência, ajuizar a presente:
AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA
em face do MUNICÍPIO DE ITUBERÁ/BA, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ nº 13.070.222/0001-22, com endereço Rua Cel. Barachísio Lisboa, n. 91, Centro, CEP: 45.435-000, pelos motivos de fato e direito a seguir delineados:
 I – DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA
 PRELIMINARMENTE, informa a presente parte que não possui condições financeiras de arcar com os honorários de advogados sem prejuízo próprio ou de sua família. Requerendo na forma como preleciona o art. 98 e seguintes do Código de Processo Civil os benefícios da Gratuidade da Justiça. 
O Código de Processo Civil aponta expressamente que a gratuidade da justiça pode ser formulada na inicial, nos termos em que se solicita de Vossa Excelência que sejam concedidos todos os efeitos que o aludido instituto faculta para a parte que a ela faz jus, como ocorre no presente caso concreto.
Destarte, pleiteiam-se os benefícios da Justiça Gratuita, assegurados pela Constituição Federal, artigo 5o, LXXIV e pela Lei 13.105/2015 (CPC), artigo 98 e seguintes, consoante exposto alhures.
E, nos termos do art. 319, VII do NCPC informa o Autor que OPTA PELA REALIZAÇÃO da audiência de conciliação ou mediação.
II - DO CABIMENTO DO LISTISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO
O Código de Processo Civil prevê em seu art. 113, II, a possibilidade de duas ou mais pessoas litigarem no mesmo processo, em conjunto, quando houver entre as causas conexão pelo pedido ou pela causa de pedir.
No presente caso, conforme restará demonstrado a seguir, os autores possuem a mesma causa de pedir, ou seja, os mesmos fundamentos de fato e de direito do pedido/a mesma razão pela qual se pede.
Ademais, cumpre ressaltar que a formação do litisconsórcio ativo facultativo visa conferir celeridade a demanda processual e a justiça como um todo, uma vez que possibilita a resolução da lide envolvendo várias pessoas em uma única ação.
Desta forma, requer, de logo, o deferimento da manutenção do presente litisconsórcio.
III - DOS FATOS
Os Autores são servidores públicos efetivos do Município de Ituberá e reclamam, por meio da presente ação, o pagamento retroativo dos valores referentes à progressão de nível concedida aos Servidores em julho de 2019.
Ocorre que as Servidoras ELENICE CARDOSO PEREIRA e IRAILDE DE JESUS SOUZA requereram a progressão em abril de 2019, CARMENA MARIA CAIRO GUIMARÃES realizou o requerimento em março de 2019 e REGINA CONCEIÇÃO PEREIRA fez o requerimento em janeiro de 2019.
Ou seja, a concessão se deu meses após o requerimento, extrapolando todos os limites de um prazo razoável para a avaliação. Não há qualquer motivação plausível para tamanho atraso que só serviu para prejudicar os Servidores que contavam com a progressão merecida.
Portanto, a contar da data do requerimento, visto que desde aquele momento os Autores já possuíam o direito à progressão de nível e a demora se deu por falha da Administração Pública em cumprir um prazo razoável para a concessão, pendente está o pagamento dos valores referente à progressão de nível desde a data do requerimento até a data da concessão da gratificação.
Ademais, sem esperanças de ver seu direito reconhecido na via administrativa, os Autores devidamente legitimados e amparados em lei procuram o poder judiciário no intuito de ver reconhecido o seu direito.
IV - DO DIREITO
IV.1 – DA MUDANÇA DE NÍVEL 
A LEI COMPLEMENTAR Nº 12/2017, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2017 de Ituberá, a qual dispõe sobre o plano de cargos, carreira e remuneração dos servidores da Prefeitura Municipal de Ituberá, prevê a mudança de nível para o cargo de professor, de forma automática, obedecido os critérios de formação, habilitação e titulação, vejamos:
Art. 9º. Promoção vertical é a passagem do servidor enquadrado nesta lei de um nível para outro imediatamente superior dentro da carreira, obedecidos os requisitos previstos, dentre os quais estão:
I. a formação educacional formal;
II. a qualificação profissional; e
(...)
§ 4º A promoção dar-se-á sempre a requerimento do interessado ao Secretário a que esteja vinculado e, após apreciação pela comissão de avaliação, nos termos desta lei, concedida por ato da Prefeita Municipal.
Da analise do dispositivo legal, extrai-se que a mudança de nível é ato vinculado ao preenchimento dos requisitos, os quais devidamente comprovados através de regular deferimento, da causa à mudança de nível.
Ocorre que, como resta comprovado nas portarias publicadas em anexo, os Servidores tinham direito à progressão e esta fora concedida, entretanto a concessão se deu meses após o requerimento. Ora, Excelência, sabe-se que da progressão de nível decorre o aumento dos vencimentos dos servidores que subsistem com o salário pouco vantajoso devido à desvalorização dos professores brasileiros e ao adquirirem o direito à uma melhora não podem ficar um ano esperando a boa vontade da Administração Pública em conceder o que lhes deve.
É preciso que haja obediência ao Princípio da Razoabilidade! O princípio da razoabilidade é uma diretriz de bom-senso, aplicada ao Direito. Esse bom-senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espírito.
Enuncia-se com este princípio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida.
Dessa forma, ainda que na legislação municipal não tenha descrito o tempo exato para a avaliação, é necessário que haja um prazo razoável para que se atenda as demandas dos Servidores, visto que o acréscimo aos vencimentos referente à progressão de nível é de inestimável valia para os Servidores que se esforçaram demasiadamente para adquirir tal direito.
IV.2 – DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
 O "Princípio da dignidade da pessoa humana" é um valor moral e espiritual inerente à pessoa, ou seja, todo ser humano é dotado desse preceito, e tal constitui o princípio máximo do ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Está elencado no rol de direitos fundamentais da Constituição Brasileira de 1988. Preceitua Ingo Wolfgang Sarlet ao conceituar a dignidade da pessoa humana:
“[...] temos por dignidade da pessoa humana a qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais que asseguram a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável, além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos.”
 A dignidade da pessoa humana é fundamento, valor supremo da República e por isso, deve ter seu conteúdo respeitado não apenas na esfera jurídica, mas também social, econômica, cultural, política, em suma, em toda a vida do homem em sociedade. Dessa forma, o devido respeito à pessoa humana deve ser como analisado, alvo de proteção também pela processualidade administrativa.
 Existe assim a exigênciado devido processo legal: qualquer restrição à esfera patrimonial ou às liberdades públicas de uma pessoa só é legitimada quando respeitados os ditames do devido processo legal administrativo. Ou seja, exemplificativamente, a liberdade de peticionar, de acessar cargos públicos, de participar dos negócios da Administração, de opor-se à abusos, tudo isso só pode ser mitigado se observados forem os princípios e regras que contemplam o devido processo legal.
 Atrelado a tais conceitos, a dignidade da pessoa humana surge, especialmente após momentos beligerantes do século XX, como princípio positivado em diversas Cartas Internacionais, e em especial, a Declaração dos Direitos Humanos promulgada pela ONU em 1948. No Brasil, o princípio é alçado à categoria de fundamento da República Federativa, no art.1º, III, CF/1988, representando “valor supremo”, aglutinador de inúmeros direitos fundamentais dos seres humanos.
 A necessidade de salvaguarda desse importante princípio, o qual aloca o ser humano em posição central de toda atividade estatal, como ente dotado de fins absolutos, conduziu à presente reflexão que pretendeu ajustar a necessidade de proteção dos direitos fundamentais do homem no âmbito da seara processual administrativa. 
 Posto isso, é inegável que ao homem são asseguradas garantias básicas constitucionais em sua relação com a administração pública. Além das tradicionais garantias reservadas aos processos em geral, como ampla defesa, contraditório e devido processo legal, é imprescindível salvaguardar a dignidade e segurança do indivíduo em qualquer ato administrativo, não podendo a gestão pública tomar decisões sérias descontroladamente, sem cumprimento de prazo razoável para tal, principalmente se isso afeta direitos fundamentais da pessoa humana, guarnecendo o processo administrativo de garantias fundamentais.
IV.3 - DA NATUREZA DAS VERBAS PLEITEADAS.
As verbas pleiteadas, por tratar-se de vencimentos, têm nítida característica alimentar, como se infere do ensinamento de HUMBERTO THEODORO JÚNIOR, in verbis:
"...a remuneração do trabalho pessoal, de maneira geral, destina-se ao sustento do indivíduo e de sua família. Trata-se, por isso de verba de natureza alimentar, donde sua impenhorabilidade". (Processo de Execução, EUD, 16ª ed. P. 253 – Neste mesmo sentido, ainda, CANDIDO RANGEL DINAMARCO, Impenhorabilidade de vencimentos e descontos feitos pela administração, RT 547, pp 19.).”
A natureza de suprimento vital dos vencimentos, já está plenamente pacificada na doutrina, valendo conferir, dentre outros, as lições do insigne doutrinador Yussef Sahid Cahali, aduzindo que: 
"em uma modalidade de assistência imposta por lei, de ministrar recursos necessários à subsistência, à conservação da vida, tanto física como moral e social do indivíduo; sendo, portanto, a obrigação alimentar, (Yussef Sahid Cahali, Dos Alimentos, 1ª ed. 2ª tiragem, Editora RT, p. 02.).”
Sendo assim não resta duvida que a melhor doutrina ao falar sobre a natureza jurídica dos vencimentos determinam que o mesmo têm caráter alimentar; é a doutrina dominante. 
JOSÉ AUGUSTO DELGADO, Juiz Federal no Rio Grande do Norte e Professor Adjunto do Departamento de Direito Público na Universidade do Rio Grande do Norte, sustenta com base em Geoges L. Pierre François, que o:
"...o crédito de natureza alimentícia define-se, de modo muito nítido, por seu objeto, em face de consistir em uma prestação nitidamente positiva, com função de fazer viver, permitir a subsistência e mais genericamente a existência normal do credor, considerado o sentido largo no qual convém entender a noção jurídica de alimentos". (Aut. Cit., - Execução de quantia certa contra a Fazenda Pública – art. Publicado na Revista de Processo, vol. 57, p. 13 e seguintes, em homenagem ao Professor José Frederico Marques, a convite da Professora Teresa Celina de Arruda Alvim Pinto).”
Corroborando com a tese de que os salários devidos aos servidores têm natureza de proventos destinados à subsistência e a alimentação, vertendo-se na própria manutenção da vida, esta o entendimento jurisprudencial do STJ, in literis:
PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. OCORRÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. VENCIMENTOS. DIFERENÇA. JUROS DE MORA.TERMO INICIAL. CITAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ.1. Nos termos da compreensão firmada nesta Corte, se a matéria controvertida for debatida e apreciada no Tribunal de origem à luz da legislação federal pertinente, tem-se como preenchido o requisito da admissibilidade 2. O entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, tratando-se de pagamento de diferenças de vencimentos de servidores públicos, verba de natureza alimentar, os juros de mora incidem a partir da citação válida, consoante dispostono art. 219 do Código de Processo Civil.3. Agravo regimental improvido. pagamento219Código de Processo Civil(1156559 MG 2009/0026799-3, Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Data de Julgamento: 26/06/2012, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/08/2012)
 Outrossim, os Servidores receberam com um atraso absurdo a gratificação que lhes era devida, motivo pelo qual o Requerido correspondente dever e obrigação de lhe pagar a remuneração devida, sem quaisquer atrasos que venham impor dificuldades de ordem financeira aos mesmos, de qualquer espécie. Tal, com efeito, é a regra geral, porquanto, como já salientou HELY LOPES MEIRELLES:
"...a percepção de vencimentos pelo exercício do cargo é a regra da administração brasileira, que desconhece cargo sem retribuição pecuniária".
V - DOS PEDIDOS
Diante de todo o expor, requer-se:
a) Seja a presente ação recebida e processada pelo rito da Lei nº 7.347/85 (ACP);
b) A intimação do Requerido para querendo apresentar resposta a presente ação;
c) A PROCEDÊNCIA da presente ação para determinar a que o Município Requerido pague retroativamente todos os valores devidos e não pagos referente à mudança de nível, inclusive os seus reflexos, tudo devidamente atualizado e corrigido monetariamente, desde a data do Requerimento Administrativo até a data da concessão da gratificação;
d) A Condenação ao Requerido às custas processuais e honorários de advogado.
Ainda, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental e a testemunhal.
Dá-se a causa o valor de R$ 1.902,46 (mil novecentos e dois reais e quarenta e seis centavos).
Nestes termos,
Pede deferimento.
Feira de Santana - BA, 10 de junho de 2020.
NOILDO GOMES DO NASCIMENTO 	 PRISCILA CORREIA COSTA
 OAB/BA 37.150 OAB/BA 52.000
Rua Professor Leonídio Rocha, nº 221, Centro, Feira de Santana – Bahia 	Página 1

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