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15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 1/25 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Você já ouviu falar em direitos fundamentais e garantias individuais? Abordaremos esses temas nesta nossa aula. Falaremos, em especí�co, sobre o direito à liberdade, o direito à igualdade e o direito ao devido processo legal. Esses direitos que hoje se encontram em nosso ordenamento jurídico receberam in�uência da sociedade Pós- Revolução Francesa, traduzidos nos lemas liberdade, igualdade e fraternidade, e estão previstos na Constituição Federal, possuindo vários desdobramentos. O direito à liberdade divide-se em várias espécies, como liberdade de manifestação de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de consciência, crença e culto, liberdade de locomoção, dentre tantas outras. Já o direito à igualdade é classi�cado em igualdade material e igualdade formal. Por �m, o princípio do devido processo legal, além de ser um princípio fundamental, trata-se de garantia processual. Aula 1 OS DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS Você já ouviu falar em direitos fundamentais e garantias individuais? Abordaremos esses temas nesta nossa aula. 17 minutos OS DIREITOS FUNDAMENTAIS E A JUDICIALIZAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS Aula 1 - Os direitos individuais e coletivos Aula 2 - Os direitos sociais Aula 3 - Os direitos políticos Aula 4 - O papel dos poderes na efetivação dos direitos fundamentais Aula 5 - Revisão da unidade Referências 80 minutos 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 2/25 Con�ra nosso material e venha aprender mais sobre o tema. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 3/25 DIREITO DE IGUALDADE, DIREITO DE LIBERDADE E DIREITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Nesta aula, abordaremos alguns direitos e garantias individuais, dentre eles o direito de liberdade, direito de igualdade e o direito ao devido processo legal. Antes, contudo, é importante entendermos como se deu a evolução dos direitos fundamentais e das garantias individuais até se chegar ao que temos hoje no ordenamento jurídico brasileiro. Os direitos fundamentais são classi�cados em gerações ou dimensões de direitos, e sofreram fortes in�uências da sociedade Pós-Revolução Francesa, a partir dos lemas de liberdade, igualdade e fraternidade. Os direitos fundamentais de 1ª Geração �caram conhecidos como o direito às liberdades individuais, relacionados ao absenteísmo estatal, ou seja, o Estado não poderia intervir nas liberdades dos indivíduos. Nesse passo, pregava-se uma maior autonomia, sem intervenção estatal, nas garantias dos direitos políticos, direitos civis e liberdades públicas. Aqui destacam-se o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à liberdade de expressão, à participação política e religiosa, à inviolabilidade de domicílio, à liberdade de reunião, entre outros. Por outro lado, nos direitos fundamentais de 2ª Geração, o Estado passa a intervir para a garantia de maior igualdade entre os indivíduos. Trata-se de direitos sociais, econômicos e culturais que, para alcançar as populações, necessita da criação de políticas públicas pelo poder estatal. Os direitos fundamentais de 3ª Geração são os direitos difusos e coletivos, como, por exemplo, o direito ao meio ambiente saudável, à proteção do patrimônio público histórico e cultural, entre outros, decorrentes do intenso crescimento da globalização. Assim, diante do crescimento mundial, o Estado passou a se preocupar com o bem-estar social. Já os direitos fundamentais de 4ª Geração são dos direitos à democracia, à informação e ao pluralismo, enquanto, na 5ª Geração, tem-se a defesa da paz. LENZA (2023, p. 559) traça algumas distinções entre direitos e garantias fundamentais. Para o autor, os direitos e deveres individuais e coletivos são espécies do gênero direitos e garantias fundamentais. Nesse passo, “direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, enquanto as garantias são instrumentos dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos”. Quando se fala em direito à liberdade, é importante destacarmos que ela se manifesta de várias formas no texto da Constituição Federal de 1988. Temos, por exemplo, a liberdade de manifestação de pensamento (art. 5º, IV e V, CF/88), a liberdade de consciência, crença e culto (art. 5º, VI a VIII, CF/88), a liberdade de atividade intelectual, artística, cientí�ca ou de comunicação (art. 5º, IX e X, CF/88), liberdade de pro�ssão (art. 5º, XIII, CF/88), liberdade de informação (art. 5º, XIV e XXXIII, CF/88), liberdade de locomoção (art. 5º, XV, CF/88), Direito de reunião (art. 5º, XVI, CF/88), Direito de associação (art. 5º, XVII, XXVIII, XIX, XX e XXI, CF/88), dentre tantos outros. Já no que se refere ao direito à igualdade, a Constituição Federal consagra que todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção, a não ser nos casos previstos pelo próprio texto constitucional. Aqui, a doutrina classi�ca a igualdade em material e formal, e encontra previsão em vários artigos na Constituição Federal. Algumas dessas igualdades serão estudadas de forma mais detalhada. Por último, a direito ao devido processo legal encontra previsão no art. 5º, LIV e LV, da CF/88, decorrendo dele o direito ao contraditório a à ampla defesa. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 4/25 DIREITO DE IGUALDADE, DIREITO DE LIBERDADE E DIREITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Vamos aprofundar nossos estudos sobre o direito de igualdade, direito de liberdade e direito ao devido processo legal. Começaremos falando sobre o direito de igualdade e a doutrina que classi�ca a igualdade em material e formal. A igualdade formal é aquela descrita pela própria lei, enquanto a igualdade material diz respeito à não discriminação arbitrária, devendo o Estado promover igualdade de oportunidades entre os indivíduos, elaborando leis e políticas públicas que tendem a diminuir as desigualdades sociais existentes. Quando falamos em igualdade material, é importante destacar que tal igualdade se encontra prevista em vários artigos no texto constitucional e, em especial, no caput do art. 5º, que diz serem todos “iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. O inciso I do art. 5º continua dizendo que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. Nesse passo, veja-se que, caso necessário, é a própria Constituição Federal quem poderá estabelecer distinções entre os indivíduos, não cabendo a nós qualquer tipo de discriminação. Exemplo disso são as condições mais favoráveis às mulheres nas regras sobre aposentadoria (art. 40, III, e art. 201, § 7º, I e II, CF/88), a diferença entre a licença maternidade e a licença paternidade (art. 7º, XVIII e XIX, CF/88), dentre outras distinções. Dessa forma, percebe-se que o direito à igualdade não é absoluto, pois o próprio poder constituinte traça algumas distinções que se traduzem em desigualdades entre alguns indivíduos. Da mesma forma que o direito à igualdade não é absoluto, o direito à liberdade também não é. Vamos entender um pouco como a Constituição Federal trata a liberdade de manifestação de pensamento prevista no art. 5º, IV e V. A manifestação depensamento diz respeito à exteriorização de ideias e pensamentos, individual, coletiva ou institucional, não podendo o Estado impor qualquer tipo de censura ou licença. Trata-se de um direito que a doutrina a�rma ser a base sagrada de qualquer democracia (MUZY, 2023, p. 233). A liberdade de manifestação de pensamento, em conjunto com outros dispositivos, assegura a chamada liberdade de expressão, seja artística, de ensino e pesquisa, seja com uso da comunicação ou da informação ou, ainda, religiosa. Ocorre que a liberdade de expressão tem sido objeto de constante discussão perante o Supremo Tribunal Federal e, com o argumento de defender o Estado Democrático, a nossa Suprema Corte não tem admitido os chamados “discursos de ódio” sob qualquer hipótese. Nessa seara, enquanto guardião da Constituição Federal, cabe ao Supremo Tribunal Federal estipular alguns limites no uso da liberdade de expressão para garantia de uma perfeita ordem pública. Diferentemente do que ocorre com o direito à igualdade e o direito à liberdade, as regras para o direito ao devido processo legal são absolutas, isso porque se traduzem em garantias processuais individuais que, caso sejam inobservadas, gerarão nulidades processuais absolutas. Assim, por exemplo, a inobservância de prazos, fases processuais, regras processuais de impedimentos e suspeição, poderão gerar nulidades processuais, retornando o processo ao status anterior ao ato processual viciado, levando a uma ine�caz prestação jurisdicional. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 5/25 DIREITO DE IGUALDADE, DIREITO DE LIBERDADE E DIREITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Ainda falando sobre o direito à igualdade, o Poder Público tem criado ações a�rmativas, também chamadas de discriminações positivas, como medidas de compensação, buscando proporcionar oportunidades iguais a alguns grupos de pessoas que por gerações sofreram intensas desigualdades. Dentre as políticas públicas de a�rmação, podemos destacar uma muito importante, e que já gerou inúmeras discussões perante o Supremo Tribunal. Trata-se das políticas de cotas étnico-raciais para seleção de estudantes nas universidades públicas. Importante mencionar que o Supremo Tribunal Federal reconheceu ser possível que universidades públicas se utilizem de ações a�rmativas para alcançar grupos sociais determinados, distribuindo certas vantagens, para permitir a “suplantação de desigualdades ocasionadas por situações históricas particulares” (Inf. 663/STF). A partir dessa importante decisão, foi editada a Lei n. 12.990/2014 que reserva aos negros 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal. Tal lei foi reconhecida como constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei Maria da Penha é outra medida a�rmativa que encontra fundamento no princípio da igualdade e no combate ao desprezo às famílias (LENZA, 2023, p. 570). Continuando nossos estudos sobre o direito à liberdade, vamos falar sobre a liberdade de consciência, crença e culto prevista no art. 5º, VI a VIII, da CF/88. Nela, é assegurada a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo ainda assegurado o livre exercício de cultos religiosos. Com base nessas garantias, podemos destacar alguns desdobramentos: • É possível a ministração de disciplina de Ensino Religioso nas escolas, desde que não tenha natureza confessional, cuja matrícula será facultativa, observando o respeito à diversidade cultural do país (art. 210, CF/88). • É possível a criação, por meio de lei, de feriados religiosos, diante de seu caráter histórico-cultural. • É possível que o casamento religioso tenha efeito civil e poderá ser realizado perante autoridade religiosa (art. 226, CF/88). • A transfusão de sangue nas Testemunhas de Jeová é tema sensível e tem gerado muita discussão perante o Supremo Tribunal Federal. Em geral, a Suprema Corte decidiu que a recusa na transfusão de sangue somente será válida se houver o consentimento genuíno, que se traduz nos seguintes requisitos: a) somente poderá ser recusada pelo titular do direito; b) o consentimento deverá ser livre, sem in�uência externa; e, c) o consentimento terá de ser informado. Quanto aos menores, a discussão ainda possui várias controvérsias, por ausência do consentimento genuíno. Concluindo nosso estudo, ainda sobre o direito ao devido processo legal, é importante ressaltar que não se aplica ao Inquérito Policial, por se tratar de garantia prevista para processos administrativos e processos judiciais. Logo, insta esclarecer que o Inquérito Policial não se trata de processo administrativo, mas de procedimento administrativo, de natureza inquisitiva, já que não há que se falar em contraditório e ampla defesa nessa fase investigativa, cuja �nalidade é a colheita de elementos de provas quanto à autoria e materialidade delitiva. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 6/25 O delegado que preside o Inquérito Policial não profere qualquer decisão ou soluciona a lide. Sua função é meramente informativa, para subsidiar o Ministério Público quanto ao oferecimento ou não da denúncia nos crimes de ação penal pública. VIDEO RESUMO Nesta aula, você aprendeu alguns aspectos importantes sobre o Direito Público, dentre eles, estudamos o direito à liberdade, o direito à igualdade e o direito ao devido processo legal. Vimos a evolução dos direitos fundamentais e os seus desdobramentos no ordenamento jurídico brasileiro. Você também aprendeu que, embora estejam previstas na Constituição Federal, as regras de alguns direitos e garantias fundamentais não são absolutas. Saiba mais Para aprofundar seu conhecimento, indico a leitura do Capítulo 9 da obra de Gustavo Muzy, intitulada Direito Constitucional Decifrado, que fala sobre a Teoria Geral dos direitos e garantias fundamentais. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Você já ouviu falar em direitos sociais e coletivos? Esses serão os temas abordados nesta aula. Falaremos, em especí�co, sobre os direitos sociais elencados no art. 6º, da CF/88, que se traduzem no direito à educação, direito à saúde, direito à alimentação, direito ao trabalho, direito à moradia, direito ao transporte, direito ao lazer, direito à segurança, direito à previdência social, direito à maternidade e à infância, e direito à assistência aos desamparados. Será que o Estado pode deixar de observar tais direitos sociais sob o argumento de que não possui recursos econômicos e �nanceiros su�cientes? Também abordaremos aspectos importantes sobre o princípio da vedação do retrocesso social. Con�ra nosso material e venha aprender mais sobre o tema. Aula 2 OS DIREITOS SOCIAIS Você já ouviu falar em direitos sociais e coletivos? Esses serão os temas abordados nesta aula. 16 minutos https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559646449/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml1]!/4/2/2%4051:60 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559646449/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml1]!/4/2/2%4051:60 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559646449/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml1]!/4/2/2%4051:60 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 7/25 OS DIREITOS SOCIAIS, O MÍNIMO EXISTENCIAL E A RESERVA DO POSSÍVEL, E OS DIREITOS SOCIAIS E A VEDAÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL Nesta aula, abordaremos aspectos importantes sobre os direitos sociais e como eles foram introduzidosno ordenamento jurídico brasileiro. Os direitos sociais nas dimensões dos direitos fundamentais estão inseridos como direitos de 2ª Geração, exigindo do Estado uma atuação positiva na criação de políticas públicas para garantir maior igualdade social entre os indivíduos e determinar a proteção à dignidade da pessoa humana. Tais direitos encontram previsão sobretudo no art. 6º da Constituição Federal, sendo eles: • Educação. • Saúde. • Alimentação. • Trabalho. • Moradia. • Transporte. • Lazer. • Segurança. • Previdência social. • Proteção à maternidade e à infância. • Assistência aos desamparados. Tavares (2023, p. 292) classi�ca os direitos sociais nas seguintes espécies: Assim, os direitos sociais têm por �nalidade reduzir a vulnerabilidade socioeconômica de pessoas em situação de pobreza ou hipossu�cientes. [...] Os direitos sociais dos trabalhadores podem ser classi�cados em: 1º) direitos sociais individuais do trabalhador; 2º) direitos sociais coletivos do trabalhador. Os direitos sociais da seguridade social compreendem: 1º) direito à saúde; 2º) direito à assistência social; 3º) direito à previdência social. Os direitos sociais de natureza econômica envolvem todas as prestações positivas do Estado voltadas: 1º) à busca do pleno emprego; 2º) à redução das desigualdades sociais e regionais; 3º) à erradicação da pobreza e da marginalização; 4º) à defesa do consumidor e da concorrência. [...] Os direitos sociais da cultura englobam: 1º) direito à educação; 2º) direito à cultura propriamente dita. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 8/25 Já os arts. 7º ao 11 da CF/88 elencam de forma exempli�cativa os direitos sociais restritos aos trabalhadores urbanos e rurais. A problemática do tema se encontra na relação existente ou não dos princípios do mínimo existencial e da reserva do possível, diante da possibilidade ou não da implementação dos direitos sociais de forma progressiva, em respeito aos limites orçamentários do Poder Público. Quando falamos em mínimo existencial, nos referimos às condições básicas para a existência de qualquer ser humano. São condições que retratam o verdadeiro sentido dos direitos fundamentais universais, que independem da existência de lei por serem inerentes aos seres humanos. Sem o mínimo existencial o indivíduo não poderá viver dignamente. Por outro lado, importante destacar que a reserva do possível diz respeito à escassez dos recursos públicos, que di�culta que o Estado implemente, de forma e�ciente, os direitos sociais às populações em geral. O Poder Público se depara com um direito fundamental respaldado no mínimo existencial, porém, cabendo a ele a indicação dos recursos disponíveis para a execução desse direito. Assim, �ca o questionamento, se diante da insu�ciência de recursos pode o Estado se negar a garantir os direitos mínimos para a subsistência e sobrevivência de cada indivíduo, e se pode esse mesmo indivíduo judicializar tal questão, levando ao Poder Judiciário a apreciação da controvérsia, com a �nalidade de obrigar o Poder Público a fornecer alguns serviços essenciais à sua sobrevivência. OS DIREITOS SOCIAIS, O MÍNIMO EXISTENCIAL E A RESERVA DO POSSÍVEL, E OS DIREITOS SOCIAIS E A VEDAÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL Você já aprendeu que os direitos sociais se encontram disciplinados no texto da Constituição Federal, sendo elencados como direitos fundamentais à existência humana. Vamos estudar de forma aprofundada alguns direitos sociais. Começaremos pelo direito à educação, que se encontra disciplinado em vários artigos na Constituição Federal. Vejamos alguns: 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 9/25 O art. 206 da CF/88 consagra os princípios inerentes ao direito à educação. Nesse passo, importante ressaltar que o direito à educação está ligado à dignidade da pessoa humana, sendo dever do Estado e da família, e diretamente ligados ao ideal de igualdade, busca pela erradicação da pobreza, dentre os objetivos consagrados à República Federativa do Brasil. O direito à saúde também se trata de direito de todos e dever do Estado (art. 196, CF/88), devendo ser implementado por meio de políticas sociais e econômicas, visando à redução do risco de doenças. O direito à alimentação foi introduzido na Constituição Federal por meio da EC n. 64/2010, e também diz respeito ao mínimo existencial e à proteção da dignidade da pessoa humana. O direito à moradia busca proporcionar ao indivíduo o direito à habitação digna para sua sobrevivência. O direito ao transporte também exerce função social essencial à vida do ser humano. LENZA (2023, p. 646) vai dizer que se trata de “direto-meio para a implementação de vários outros direitos fundamentais (e sociais), como a educação, a saúde, a alimentação, o lazer, o direito de ir e vir etc.” O direito ao lazer diz respeito ao direito à recreação, constituindo verdadeiras prestações estatais que podem interferir na qualidade de vida do ser humano. Daí sua importância. O direito à segurança é dever do Estado e responsabilidade de todos (art. 144, caput, CF/88), para a preservação do patrimônio e da ordem pública. A previdência social, que se trata de um seguro social adquirido por meio de uma contribuição mensal, garante ao segurado o direito a uma renda em caso de incapacidade laborativa. Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua quali�cação para o trabalho. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria [...] IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade [...] VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 10/25 O direito à proteção à maternidade e à infância se trata de direito de previdência e direito assistencial, garantindo maior proteção às trabalhadoras gestantes ou que recentemente deram à luz ou adotaram crianças nas mais variadas faixas etárias. Por �m, o direito de assistência aos desamparados garante assistência social às pessoas desamparadas, independentemente de contribuição social. OS DIREITOS SOCIAIS, O MÍNIMO EXISTENCIAL E A RESERVA DO POSSÍVEL, E OS DIREITOS SOCIAIS E A VEDAÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL Agora que você conheceu, de forma detalhada, alguns direitos sociais, vamos retomar ao nosso debate sobre a relação entre o princípio do mínimo existencial e da reserva do possível? Diante da insu�ciência de recursos, pode o Estado se negar a garantir os direitos mínimos para a subsistência e sobrevivência de cada indivíduo? Pode esse mesmo indivíduo judicializar tal questão, levando ao Poder Judiciário a apreciação da controvérsia, com a �nalidade de obrigar o Poder Público a fornecer alguns serviços essenciais à sua sobrevivência?Para responder a tal questionamento, você deve entender que, em se tratando de direitos mínimos à sobrevivência do indivíduo, mesmo diante de escassez e de insu�ciência de recursos econômicos ou �nanceiros, o Estado não pode se negar a garantir a todos os direitos fundamentais elencados no texto constitucional. Não se trata de discricionariedade ou opção do Estado, mas de obrigatoriedade, já que é impossível que um indivíduo tenha uma vida digna sem o mínimo para viver. Dessa forma, é possível concluir que o mínimo existencial afasta a reserva do possível. Assim, por exemplo, não nos parece razoável condicionar uma e�ciente prestação de serviço de saúde à disponibilidade de orçamento por parte do Estado, principalmente quando o próprio texto constitucional (art. 196, CF/88) apregoa se tratar de direitos de todos e dever do Estado. Da mesma forma, não seria razoável que a educação, enquanto dever do Estado, estivesse condicionada a limite orçamentário do Poder Público, principalmente a educação básica, já que, intrinsecamente se encontra inserida nos objetivos da República Federativa do Estado, vez que, sem educação, não há como erradicar a pobreza e alcançar condições melhores de vida para os indivíduos. Os tribunais pátrios têm recebido inúmeras ações judiciais pertinentes para garantir que direitos fundamentais mínimos sejam alcançados por pessoas que se veem diante de inobservâncias de uma prestação de serviços e�caz por parte do Poder Público. Ainda nesse contexto, é importante observarmos o chamado princípio da vedação ao retrocesso, que se traduz na impossibilidade de que a lei poderá retroceder ou diminuir os direitos fundamentais que já foram conquistados. Como garantia desse princípio, Lenza (2023, p. 655) cita a PEC do Orçamento Impositivo, que foi transformada na EC n. 86/2015. Tal ementa constitucional estabelece um gasto mínimo federal em saúde, que perfaz o total de 15% sobre a receita corrente líquida do respectivo exercício �nanceiro. O autor também cita a EC n. 95/2016 (LENZA, 2023, p. 656) que instituiu um novo regime orçamentário, prevendo a correção desse percentual (15%) de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescricao… 11/25 Assim, o princípio da vedação do retrocesso visa proteger os direitos sociais que já foram conquistados ao longo dos anos, de forma a impedir que o Estado suprima ou restrinja tais direitos. VÍDEO RESUMO Nesta aula, você aprendeu alguns aspectos importantes sobre o Direito Público, dentre eles, estudamos os direitos sociais elencados no art. 6º da CF/88. Vimos a relação entre o princípio do mínimo existencial e o princípio da reserva do possível, no sentido que aquele afasta este, por se traduzir na garantia da própria dignidade humana. Você também aprendeu que os direitos conquistados não podem ser suprimidos ou restringidos pelo Estado, por força do princípio da vedação do retrocesso social. Saiba mais Para ampliar seu conhecimento, leia do artigo jurídico Direitos Fundamentais e reserva do possível: a judicialização da saúde. Con�ra, também, a tese �rmada pelo STJ no julgamento do Recurso Especial n. 1.185.474-SC. Os textos sugeridos estão relacionados ao princípio do mínimo existencial e da reserva legal. Bons estudos! INTRODUÇÃO Olá, estudante! Certamente você já ouviu falar em direitos políticos, pois são direitos presentes no dia a dia de cada cidadão, principalmente no período das eleições, quando escolhemos o presidente da república, os deputados federais e estaduais, os prefeitos e vereadores, por meio do voto. São os direitos políticos que regulam o exercício da soberania popular, permitindo que o povo participe das tomadas de decisões de nossos governantes, seja de forma direta ou indireta. É esse importante tema que abordaremos nesta aula. Aula 3 OS DIREITOS POLÍTICOS Certamente você já ouviu falar em direitos políticos, pois são direitos presentes no dia a dia de cada cidadão, principalmente no período das eleições, quando escolhemos o presidente da república, os deputados federais e estaduais, os prefeitos e vereadores, por meio do voto. 15 minutos http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Educacao/Jurisprudencia/STJ-creche%20-%20tese%20reserva%20do%20poss%C3%ADvel.pdf 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 12/25 Assim, convido você a aprofundar seu conhecimento e descobrir mais sobre os direitos políticos. Con�ra nosso material e venha aprender sobre o tema. CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA, CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA E INELEGIBILIDADE Os direitos políticos regulamentam o exercício da soberania popular e se traduzem em vários aspectos, por exemplo, no direito de todos os cidadãos participarem das eleições para eleger seus representantes por meio do voto direto e secreto, além do direito de ser votado, e ainda na regulamentação dos partidos políticos que integrarão o sistema eleitoral. Os direitos políticos representam grandes fatores determinantes de um Estado democrático, conferindo ao povo o direito de participação na tomada das decisões dos governantes, tanto direta quanto indiretamente. Lenza (2023, p. 674) classi�ca os regimes democráticos em três espécies: A Constituição Federal de 1988 adotou o regime da democracia semidireta ou participativa (art. 1º, CF/88), pois o povo, além de eleger os representantes que tomarão decisões em nome dele, poderá participar das tomadas de decisões por meio do plebiscito, referendo, iniciativa popular, e, ainda, propor ação popular, inclusive como meio de �scalizar a atuação desses governantes. A diferença entre plebiscito e referendo consiste no fato de que, no primeiro, a participação popular consiste na decisão sobre uma matéria antes de ser elaborada pelo Congresso Nacional. Já no referendo, o povo é consultado após a elaboração da matéria, podendo ela ser acatada ou rejeita pela soberania popular. Na iniciativa popular, algumas matérias podem ter iniciativa do próprio povo, nesse caso, é o povo quem propõe o projeto de lei que será votado perante o Poder Legislativo. Já a ação popular é a medida judicial que possibilita ao cidadão controlar e �scalizar a legalidade dos atos administrativos praticados pelos representantes eleitos. Feitas essas considerações iniciais sobre os direitos políticos, falaremos agora sobre a capacidade eleitoral. Quando se fala em capacidade eleitoral, é importante traçar em poucas palavras o conceito de sufrágio, que signi�ca o direito de votar e ser votado. A partir desse conceito, podemos classi�car a capacidade eleitoral em ativa e passiva. Nesse caso, se o indivíduo, após preenchidos os requisitos legais, puder votar, signi�ca que ele possui capacidade ativa; por outro lado, se puder ser votado, será ele dotado de capacidade eleitoral passiva. a) Democracia direta, em que o povo exerce por si só o poder, sem intermédio, sem representantes; b) Democracia representativa, na qual o povo, soberano, elege representantes, outorgando-lhes poderes para que, em nome deles e para o povo, governem o país; c) Democracia semidireta ou participativa, um “Sistema híbrido”, uma democracia representativa, com peculiaridades e atributos da democracia direta, a qual, conforme observação de Mônica de Melo, constitui um mecanismo capaz de propiciar, além da participação direta, concreta do cidadão na democracia representativa, controle popular sobre os atos estatais. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica…13/25 Por �m, em se tratando de capacidade eleitoral passiva, os requisitos previstos em lei podem variar de acordo com o cargo a que o cidadão pretende se candidatar. A ausência desses requisitos legais ou a presença de algum impedimento pode ensejar a sua inelegibilidade. CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA, CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA E INELEGIBILIDADE Agora que você aprendeu alguns conceitos básicos sobre os direitos políticos, vamos aprofundar nosso estudo sobre capacidade eleitoral ativa e passiva. A capacidade eleitoral ativa ou sufrágio ativo dá-se pelo voto e possui como requisitos: • O alistamento eleitoral. • A nacionalidade brasileira (nata ou adquirida). • Idade mínima de 16 anos. • Não ser conscrito durante o serviço militar obrigatório. Quanto ao alistamento eleitoral e o voto, estes pressupõem a inscrição como eleitor (título de eleitor), podem ser obrigatórios para os maiores de dezoito anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. 14, § 1º, da CF/88). Além disso, são proibidos de votar os estrangeiros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório. Caso o estrangeiro venha se naturalizar brasileiro, poderá exercer o sufrágio ativo. Já no que se refere à capacidade eleitoral passiva ou sufrágio passivo, pressupõe a capacidade para se eleger e ser votado. Para adquirir essa capacidade, é necessário que o candidato preencha as condições de elegibilidade para o cargo prevista no § 3º do art. 14 da CF/88, que são: a) A nacionalidade brasileira. b) O pleno exercício dos direitos políticos. c) O alistamento eleitoral. d) O domicílio na circunscrição. e) A �liação partidária. f) A idade mínima de: 35 anos para presidente e vice-presidente da república e senador; 30 anos para governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal; 21 anos para deputado federal, deputado estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz; e, 18 anos para vereadores. Algumas situações previstas pela CF/88 ou por Lei Complementar poderão ensejar a inelegibilidade do candidato, suspensão e a perda dos direitos políticos. LENZA (2023, p. 679) a�rma que a “inelegibilidade são as circunstâncias (constitucionais ou previstas em lei complementar) que impedem o cidadão do exercício total ou parcial da capacidade eleitoral passiva, ou seja, da capacidade de eleger-se”. O Autor a�rma, ainda, que tais circunstâncias visam proteger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato. As inelegibilidades podem ser absolutas ou relativas. Serão absolutas, quando presentes as condições constitucionais de impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo e relativas, quando esse impedimento se mostrar parcial, para algum determinado cargo eletivo ou mandato. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 14/25 Nesse passo, são absolutamente inelegíveis para qualquer cargo eletivo (art. 14, § 4º, CF/88) os inalistáveis e os analfabetos. Por outro lado, as inelegibilidades relativas se darão em relação à função exercida, o grau de parentesco, candidato militar, bem como em situações previstas em lei complementar, por força do que dispõe o art. 14, §§ 8º e 9º, da CF/88. A inelegibilidade em razão da função exercida ou por motivos funcionais se infere a partir da leitura do § 5º do art. 14 da CF/88 que o presidente da república, os governadores de estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos não poderão ser reeleitos para um terceiro mandato sucessivo, isso porque o diploma constitucional em comento, a�rma que a reeleição somente se dará para um único período subsequente. A inelegibilidade em razão do grau de parentesco dispõe serem inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou a�ns, conforme o § 7º do art. 14 da CF/88. CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA, CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA E INELEGIBILIDADE Voltando ao tema sufrágio ativo, Tavares (2023, p. 278) sustenta uma natureza dúplice do voto, pois tanto possui natureza política como natureza jurídica. O voto seria político porque representa umas das formas de participação do indivíduo no poder, e jurídico por ser regulamentado pelo Direito. Por sua vez, Lenza (2023, p. 678) traça as características do voto, quais sejam: ▪ direto, no sentido de que o cidadão vota diretamente no candidato, sem intermediário. [...] ▪ secreto, na medida em que não se dá publicidade da opção do eleitor, mantendo-a em sigilo absoluto; [...] ▪ universal, visto que o seu exercício não está ligado a nenhuma condição discriminatória, como aquelas de ordem econômica (ter ou não certa renda), intelectual (ser ou não alfabetizado), as concernentes a nome, família, sexo, cor, religião. [...] ▪ periódico, já que a democracia representativa prevê e exige mandatos por prazo determinado; ▪ livre, pois o eleitor pode escolher o seu candidato, ou, se preferir, anular o voto ou depositar a cédula em branco na urna. [...] ▪ personalíssimo, pois é vetada a votação por procurador. O voto é exercido pessoalmente pelo cidadão, identi�cado pelo título eleitoral. [...] ▪ com valor igual para todos, decorrente do princípio one mano one vote – “um homem um voto”, o voto deve ter valor igual para todos, independentemente da cor, sexo, situação econômica, social, intelectual etc. (voto igualitário) 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 15/25 Nesse passo, é importante mencionar que o voto direto, secreto, universal e período é considerado cláusula pétrea (art. 60, § 4º, II, CF/88), não podendo ser objeto de deliberação por proposta de emenda constitucional que tenha por �nalidade sua abolição. Ainda falando sobre inelegibilidade, vamos entender quando ela se dará para os militares. O § 8º do art. 14 da CF/88 prevê que o militar alistável é elegível desde que atendidas as seguintes condições: se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. No que se refere à perda e suspensão dos direitos políticos, é importante ressaltar alguns pontos previstos pelo próprio texto constitucional. Primeiro, à luz do que dispõe o art. 15, da CF/88, será vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão somente se dará nas seguintes situações: Para concluirmos, a perda se dará em caso de cancelamento da naturalização, recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, e a suspensão ocorrerá nos casos de incapacidade civil absoluta e condenação criminal transitada em julgado. VIDEO RESUMO Nesta aula, você aprendeu alguns aspectos importantes sobre o Direito Público, dentre eles a importância dos direitos políticos na vida de todo cidadão. Aprendemos quais são as condições de elegibilidade para adquirir a capacidade eleitoral passiva, e os requisitos para a aquisição da capacidade eleitoral ativa. Também estudamos sobre as situações de inelegibilidade, perda e suspensão dos direitos políticos. Saiba mais Para ampliar seu conhecimento, sugerimos a leitura do tópico que trata sobre candidatos com �cha suja na obra Direito Constitucional, de Pedro Lenza. O texto aborda a lei da �cha limpa e os casos em que candidatos que possuem �cha suja são inelegíveis. Bons estudos! • Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. • Incapacidade civil absoluta. • Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos. • Recusa de cumprirobrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII, da CF/88. • Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º, da CF/88. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553624900/ 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 16/25 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Nesta aula, falaremos sobre as funções do Estado, distinguindo as funções do Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário. Também estudaremos sobre o papel de cada um desses poderes na efetivação dos direitos fundamentais, explicando como podem contribuir na garantia da e�cácia das normas constitucionais. Você aprenderá sobre as mais variadas situações que poderão gerar violação dos direitos sociais e o importante papel do Poder Judiciário para solucionar as controvérsias. Assim, convido você a aprofundar seu conhecimento e descobrir mais sobre o tema. Con�ra nosso material e venha aprender conosco sobre o papel do Estado na garantia dos direitos fundamentais. AS FUNÇÕES ESTATAIS, O PAPEL DO LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS, E A JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DOS DIREITOS SOCIAIS A Constituição Federal adota a teoria da separação dos poderes. Essa teoria foi disseminada por toda Europa durante o período da Revolução Francesa pelo iluminista Montesquieu. Embora a teoria da separação dos poderes tenha in�uenciado o mundo somente a partir do século XVIII, sua concepção decorreu de Aristóteles, �lósofo grego, que viveu entre 384 e 322 a.C. Gonçalves Filho (2023, p. 116) a�rma que a separação dos poderes pressupõe a “tripartição das funções do Estado”, distinguindo as funções legislativa, administrativa e jurisdicional. Nesse passo, cumpre distinguir as três funções estatais, começando pela função legislativa. Gonçalves Filho (2023, p. 139) a�rma que cabe ao Poder Legislativo “estabelecer as regras de direito gerais e impessoais a que todos devem obediência”. O autor completa dizendo que essas regras são as próprias leis. Nesse caso, cabe ao Poder Legislativo criar as leis, que por vezes serão gerais e impessoais. Por outro lado, Gonçalves Filho (2023, p. 191) sustenta que ao Poder Executivo cabe a dupla missão: garantir a defesa externa e manter a ordem interna. Aula 4 O PAPEL DOS PODERES NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS Nesta aula, falaremos sobre as funções do Estado, distinguindo as funções do Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário. 16 minutos 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 17/25 Por último, o autor (2023, p. 213) de�ne a função do Poder Judiciário como a de fazer justiça. Lenza (2023, 268), por sua vez, ao trazer a distinção entre as funções legislativa, executiva e jurisdicional, vai além ao a�rmar que tais órgãos, ou seja, o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário possuem funções que lhes são típicas ou predominantes e, ainda, funções atípicas. Nesse passo, Lenza (2023, p. 268) distribui as funções típicas da seguinte forma: Embora cada poder possua sua função típica ou predominante, é possível que cada um também tenha funções atípicas (LENZA, 2023, p. 268). Vejamos: ▪ função legislativa: “consiste na edição de regras gerais, abstratas, impessoais e inovadoras da ordem jurídica, denominadas leis”; ▪ função executiva: “resolve os problemas concretos e individualizados, de acordo com as leis; não se limita à simples execução das leis, como às vezes se diz; comporta prerrogativas, e nela entram todos os atos e fatos jurídicos que não tenham caráter geral e impessoal; por isso, é cabível dizer que a função executiva se distingue em função de governo, com atribuições políticas, colegislativas e de decisão, e função administrativa, com suas três missões básicas: intervenção, fomento e serviço público”; ▪ função jurisdicional: “tem por objeto aplicar o direito aos casos concretos a �m de dirimir con�itos de interesse”. ▪ Legislativo: a) Natureza executiva: “ao dispor sobre sua organização, provendo cargos, concedendo férias, licenças a servidores etc. b) Natureza jurisdicional: “o Senado julga o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (art. 52, I)”. ▪ Executivo: a) Natureza legislativa: “o Presidente da República, por exemplo, adota medida provisória, com força de lei (art. 62)”. b) Natureza jurisdicional: “o Executivo julga, apreciando defesas e recursos administrativos”. ▪ Judiciário: a) Natureza legislativa: “regimento interno de seus tribunais (art. 96, I, “a”)”. b) Natureza executiva: “administra, v.g., ao conceder licença e férias aos magistrados e serventuários (art. 96, I, “f”)”. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 18/25 essa forma, em linhas gerais, cabe ao Poder Legislativo a função de elaborar as leis; ao Executivo, administrar internamente o país, enquanto Chefe de Governo, e representar o Brasil internacionalmente, enquanto Chefe de Estado; por �m, cabe ao Poder Judiciário a função de julgar, declarando o direito aplicado ao caso concreto. AS FUNÇÕES ESTATAIS, O PAPEL DO LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS, E A JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DOS DIREITOS SOCIAIS Agora que você conheceu as funções estatais, vamos entender como cada poder contribui na efetivação dos direitos fundamentais? As normas constitucionais são dotadas de e�cácia, que pode ser plena, contida e limitada. Fala-se em norma constitucional de e�cácia plena como aquela que, no momento de sua entrada em vigor, está apta por si só a produzir todos os seus efeitos, independentemente de qualquer outra norma infraconstitucional. Já a norma constitucional de e�cácia contida é aquela que, embora tenha condições de produzir todos os seus efeitos, poderá haver restrição de seu alcance por motivo de ordem pública, bons costumes e em defesa da paz social. Por outro lado, a norma de e�cácia limitada é aquela que, no momento de sua vigência não possui condições de produzir seus efeitos, pois depende de edição de norma regulamentadora infraconstitucional por parte do Poder Legislativo. Dentro da classi�cação das normas de e�cácia limitada, têm-se as normas de e�cácia limitada orgânicas e as normas de e�cácia limitada programáticas. É justamente na garantia da e�cácia das normas constitucionais que se tem a atuação do Estado, por meio do Poder Legislativo, Poder Executivo ou Poder Judiciário. Vamos entender mais sobre o tema? Quando falamos em normas constitucionais de e�cácia limitada programática, o Estado, visando alcançar seu �m social, deverá criar programas sociais ou políticas públicas para dar efetividade àqueles direitos sociais já estudados por nós. Nesse caso, por exemplo, voltado ao direito à moradia, o Estado poderá implementar programas habitacionais. Lembrando que cabe ao Poder Executivo a implantação dessas políticas públicas que visam alcançar maior igualdade social. O Poder Legislativo, por sua vez, também tem importante papel na efetivação dos direitos fundamentais, uma vez que, a prática, pode haver colisão entre os vários direitos e garantias individuais existentes, cabendo a ele a edição de normas regulamentadoras que visam proteger outros inúmeros direitos fundamentais. Assim, por exemplo, todo o indivíduo tem liberdade de locomoção dentro do território nacional, contudo, essa liberdade pode confrontar com outros direitos, como a integridade física no trânsito, direito à vida etc. Dessa forma, houve a edição de umCódigo de Trânsito Brasileiro, restringindo, de certa forma, o direito de locomoção, visando resguardar vários outros direitos. Não diferente, o Poder Judiciário também participa ativamente na efetivação dos direitos fundamentais. Por exemplo, quando algum direito trabalhista é violado, pode o trabalhador buscar auxílio do Poder Judiciário para reclamar essa violação. Nesse caso, o Poder Judiciário irá aplicar a legislação vigente ao caso concreto como garantia constitucional de uma e�caz prestação jurisdicional. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 19/25 Não obstante, quando é o próprio Estado quem viola esse direito fundamental, também teremos atuação direta do Poder Judiciário, caso provocado, para uma devida prestação jurisdicional com a �nalidade de resguardar as garantias individuais, bem como os direitos difusos e coletivos. Assim, a atuação dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário é fundamental para a garantia dos direitos fundamentais. AS FUNÇÕES ESTATAIS, O PAPEL DO LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS, E A JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DOS DIREITOS SOCIAIS Você aprendeu sobre a importância da atuação do Poder Legislativo, do Poder Executivo e do Poder Judiciário para a efetivação dos direitos fundamentais. Agora, abordaremos outro importante tema que é a judicialização da política e dos direitos sociais. Os direitos sociais estão disciplinados pelo texto constitucional (art. 6º) e se traduzem em vários: direito à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à infância, e à assistência aos desamparados. A problemática reside no fato de o Estado não garantir o mínimo para que os indivíduos tenham condições dignas de vida. Nesse caso, será que podemos levar à apreciação do Poder Judiciário a inobservância desses direitos fundamentais? A resposta é positiva, até porque também é garantia individual que qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito seja apreciada pelo Poder Judiciário. E aqui podemos trazer inúmeros exemplos de judicialização dos direitos sociais. Quando, por exemplo, falamos em direito à educação, é muito comum que Municípios pequenos não disponham de vagas para todas as crianças da educação infantil. Contudo, será que a ausência de vaga em escolas públicas é justi�cativa para que a criança �que sem estudar? Aqui a resposta é negativa, pois é dever do Estado fornecer educação para todas as crianças à educação infantil. Nesse caso, a família pode recorrer ao Poder Judiciário para obrigar o Município a abrir vaga para aquela criança. Outro exemplo corriqueiro, é em relação ao direito à saúde. Também é comum pacientes em estado de saúde que requeiram atendimento de emergência ou urgência se confrontarem com ausência de vagas nas UTIs. Embora na prática os hospitais se neguem a receber esses pacientes, é dever do Estado fornecer saúde pública a todos. Quando a questão chega ao Poder Judiciário, também é comum que ele obrigue o Estado a receber esses pacientes. Se sobrevier a um trabalhador, contribuinte da previdência social, qualquer incapacidade laborativa, também é devida a ele a assistência da previdência social. Ocorre que, por vezes, a perícia da autarquia responsável nega a concessão do benefício previdenciário, sendo necessário acionar o Poder Judiciário para veri�car se a incapacidade laborativa é legítima e se esse trabalhador faz jus ao benefício. Quando falamos em proteção à maternidade e à infância, o art. 10, II, “b”, da ADCT, oferece à gestante a garantia provisória do emprego, desde a concepção até cinco meses após o parto. É comum a dispensa arbitrária da gestante e, neste caso, pode ela também se socorrer ao Poder Judiciário para assegurar esse direito social. Veja-se que são inúmeros os exemplos de situações em que instituições privadas e o próprio Poder Público violam direitos sociais do cidadão, nascendo a necessidade de se buscar ajuda do Poder Judiciário para coibir essas arbitrariedades, para tornar e�caz a observância desses direitos, enquanto direitos fundamentais. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 20/25 Imprimir VIDEO RESUMO Nesta aula, você aprendeu alguns aspectos importantes sobre o Direito Público, dentre eles, sobre as funções do Estado. Estudamos como o Poder Legislativo, Executivo e Judiciário podem contribuir na efetivação dos direitos fundamentais, e ainda, em quais situações haverá a judicialização dos direitos sociais diante de violações por parte de instituições privadas e do próprio Poder Público. Saiba mais Para ampliar seu conhecimento, sugerimos a leitura do artigo A atualidade da re�exão sobre a separação dos poderes. O sugerido aborda o papel que cada poder exerce na sociedade atual. Bons estudos! OS DIREITOS FUNDAMENTAIS E AS GARANTIAS INDIVIDUAIS E COLETIVAS Olá, estudante! Os direitos fundamentais se consolidaram a partir do século XVIII, com a Revolução Francesa, quando, com a queda do estado totalitário, emergiu o estado de direito a partir dos lemas liberdade, igualdade e fraternidade. Diante desse contexto, e na história da evolução dos direitos fundamentais, este passou a ser classi�cado em gerações ou dimensões ligadas aos lemas da Revolução Francesa. Assim, os direitos de primeira geração �caram conhecidos por consagrar as liberdades individuais. Já os direitos de segunda geração se relacionam com a igualdade, enquanto os direitos de terceira geração se relacionam com a fraternidade. A doutrina moderna traz ainda os direitos de quarta e quinta geração, tratando dos direitos à democracia, à informação e ao pluralismo, e o último se relaciona com a defesa da paz. Quanto ao direito de liberdade, é importante destacar que se manifesta de várias formas: por meio da manifestação de pensamento, pela liberdade de locomoção do indivíduo e até mesmo a liberdade de pro�ssão, associação e reunião, dentre tantas outras. Aula 5 REVISÃO DA UNIDADE 13 minutos https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/43/169/ril_v43_n169_p21.pdf https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/43/169/ril_v43_n169_p21.pdf 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 21/25 Já o direito de igualdade prega uma igualdade material e uma igualdade formal. Em sua concepção material, a igualdade diz respeito à não discriminação arbitrária, enquanto, na concepção formal, é a igualdade traçada pelo texto da constituição e das leis infraconstitucionais. Em que pese ao direito ao devido processo legal, trata-se de garantia processual que, caso seja inobservada, ensejará nulidade processual, voltando o processo ao status anterior ao ato nulo. Quanto aos direitos sociais, encontram previsão sobretudo no art. 6º da CF/88, e representam os direitos de segunda geração, exigindo do Estado um comportamento positivo, no sentido de ser necessária a criação de programas sociais e políticas públicas para alcançar uma maior igualdade social. Assim, esses direitos representam um mínimo existencial, diretamente relacionado à dignidade da pessoa humana, afastando, por sua vez, a reserva do possível do Estado. Em relação aos direitos políticos, são aqueles que regulamentam o exercício da soberania popular, se traduzindo no direito de votar e ser votado durante o período das eleições. A capacidade eleitoral ativa representa o direito de votar, ou seja, durante as eleições, o cidadão poderá eleger seus representantespor meio do voto direto, secreto e universal. Por outro lado, a capacidade eleitoral passiva representa o direito de votar, ou de se candidatar aos cargos de presidente da república, governador de Estado e do Distrito Federal, deputados federais, estaduais e distritais, senadores, prefeitos e vereadores. Tem capacidade eleitoral ativa o cidadão que preencher os requisitos de alistamento eleitoral. Já com relação à capacidade passiva, poderá se candidatar aquele que preencher as condições de elegibilidade. Para concluirmos, o Estado nas pessoas do Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário possui papel importante na efetivação dos direitos fundamentais, no exercício da respectiva função típica, cabendo a cada poder, dentro de suas competências constitucionais, a garantia desses direitos. REVISÃO DA UNIDADE Nesta unidade, aprendemos sobre aspectos importantes relacionados ao Direito Público, bem como sua importância na consolidação do Estado Democrático. Você aprendeu sobre alguns direitos e garantias individuais, como o direito de liberdade, o direito de igualdade, direito ao devido processo legal e os direitos políticos. Você também conheceu os direitos sociais previstos na Constituição brasileira e a importância de sua observância, já que se encontra diretamente relacionada à dignidade da pessoa humana. ESTUDO DE CASO Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você, um pro�ssional especialista em Direito Público, foi convidado para analisar a seguinte situação: Marta, mãe de Beatriz, de 6 anos de idade, é moradora do Município X, e durante o período de matrícula escolar tentou vaga no primeiro ano do Ensino Fundamental I em todas as escolas municipais para sua �lha, tendo inclusive procurado escolas situadas em áreas rurais, sem lograr êxito. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 22/25 Marta acionou a Secretaria de Educação Municipal que colocou sua �lha em uma lista de espera. Contudo, já se aproximando do início das aulas, Marta percebeu que não conseguiria a vaga tão esperada. Assim, procurou a Defensoria Pública para ingressar com ação judicial e obrigar o Município a disponibilizar a vaga para Beatriz e efetivar sua matrícula. Após ajuizada a competente ação e citado o Município X, contestou a ação argumentando que as vagas em todas as escolas já se encontravam preenchidas, e que as escolas estavam com suas capacidades superlotadas. Ainda em sede de contestação, o Município invocou a cláusula da reserva do possível, sustentando que não possuía previsão orçamentária para construção de novas escolas, e tampouco a contratação de novos professores, e que a responsabilidade deveria recair sobre a Câmara dos Vereadores que não aprovou a suplementação no orçamento proposta pelo referido Município. O Município X sugeriu ainda que Marta tentasse vaga em escolas de cidades vizinhas, a�rmando que provavelmente conseguiria, já que eram municípios pequenos, com baixo número de moradoras e, consequentemente, reduzido número de crianças da idade de Beatriz. Marta, ao tomar conhecimento das razões invocadas pelo Município X, mostrou-se indignada e angustiada, já que a cidade vizinha mais próxima �cava a mais de uma hora de distância, não dispondo de recursos �nanceiros para arcar com os gastos do deslocamento. Diante da situação hipotética, o direito à educação está inserido na garantia do mínimo existencial? Explique. A cláusula da reserva do possível, diante da garantia do mínimo existencial diretamente relacionado à dignidade da pessoa humana, pode ser invocada pelo Município X com a �nalidade de frustrar ou inviabilizar a implementação de políticas públicas de�nidas na Constituição Federal de 1988? Justi�que sua resposta. Re�ita Os direitos sociais encontram previsão nos arts. 6º a 11, da CF/88. O caput do art. 6º da CF/88 traça um rol exempli�cativo de direitos sociais, dentre eles têm-se o direito à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, dentre outros. Os direitos sociais são classi�cados como direitos de segunda geração, por exigir um comportamento positivo do Estado, e têm por �nalidade reduzir a vulnerabilidade socioeconômica de pessoas em situação de pobreza, cabendo ao Poder Público implementar políticas públicas para alcançar uma maior igualdade social. Nesse passo, �ca o questionamento se a implementação das políticas públicas de garantia à educação infantil é ato vinculado ou discricionário do Poder Público. Apesar de a falta de recursos orçamentários ser verdadeiro óbice na gestão governamental, pode o Poder Público se omitir na execução dos direitos sociais, deixando de instituir programas sociais ou políticas públicas que garantam a efetivação desses direitos? RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Para resolver o nosso estudo de caso, é importante relembrarmos alguns pontos sobre o direito à educação. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 23/25 O direito à educação se encontra disciplinado em vários artigos na Constituição Federal, dentre eles o art. 250 que a�rma se tratar de direito de todos e dever do Estado e da família, devendo ser promovido e incentivado com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa humana, seu preparo para o exercício da cidadania e sua quali�cação para o trabalho. Além disso, o art. 208, da CF/88 disciplina ainda que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia da educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurando, inclusive, a oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria. Além disso, o art. 206 da CF/88 consagra os princípios inerentes ao direito à educação, sendo importante ressaltar que o direito à educação está ligado à dignidade da pessoa humana, sendo dever do Estado e da família, e diretamente ligado ao ideal de igualdade, à busca pela erradicação da pobreza, dentre os objetivos consagrados à República Federativa do Brasil. Quando falamos em mínimo existencial, nos referimos às condições básicas para a existência de qualquer ser humano. São condições que retratam o verdadeiro sentido dos direitos fundamentais, universais, que independem da existência de lei por serem inerentes aos seres humanos. Sem o mínimo existencial o indivíduo não poderá viver dignamente. Por outro lado, importante destacar que a reserva do possível diz respeito à escassez dos recursos públicos, que limita que o Estado implemente, de forma e�ciente, os direitos sociais às populações em geral. O Poder Público se depara com um direito fundamental respaldado no mínimo existencial, porém, cabendo a ele a indicação dos recursos disponíveis para a execução desses direitos. Dessa forma, respondendo ao primeiro questionamento, o direito à educação se encontra consagrado como mínimo existencial, por se tratar de direito relacionado à dignidade da pessoa humana. Assim, mesmo diante de escassez e de insu�ciência de recursos econômicos ou �nanceiros, o Estado não pode se negar a garantir a todos os direitos fundamentais elencados no texto constitucional. Não se trata de discricionariedade ou opção do Estado, mas de obrigatoriedade, já que é impossível que um indivíduo tenha uma vida digna sem o mínimo para viver. Dessa forma, é possível concluir que o mínimo existencial afasta a reserva do possível. RESUMO VISUAL Gerações do Direito Primeira Geração: direitos políticos, direitos civil e liberdades públicas. Segunda Geração: direitos sociais, econômicos e culturais. 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica…24/25 Terceira Geração: direitos difusos e coletivos. Quarta Geração: direito à democracia, à informação e ao pluralismo. Quinta Geração: direito à paz. Aula 1 BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. BRASIL. Lei nº. 12.990, de 9 de junho de 2014. Reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. Brasília, publicada no DOU em 09.06.2014. LENZA, P. Direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. (Coleção esquematizado®). MUZY, G. Direito Constitucional Decifrado. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. (Coleção Decifrado). TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Aula 2 BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. LENZA, P. Direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. (Coleção esquematizado®). MUZY, G. Direito Constitucional Decifrado. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. (Coleção Decifrado). TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Aula 3 BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. LENZA, P. Direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. p. 682-685. (Coleção esquematizado®). E- book. ISBN 9786553624900. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553624900/. Acesso em: 27 jun. 2023. REFERÊNCIAS 3 minutos https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553624900/ 15/02/2024, 16:42 wlldd_232_u3_dir_pub https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=cabogeber1%40gmail.com&usuarioNome=EDILSON+OLIVEIRA+GEBER&disciplinaDescricao=&atividadeId=3927307&atividadeDescrica… 25/25 Imagem de capa: Storyset e ShutterStock. MUZY, G. Direito Constitucional Decifrado. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. (Coleção Decifrado). TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Aula 4 BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. GONÇALVES FILHO, M. Curso de Direito Constitucional. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. LENZA, P. Direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. (Coleção esquematizado®). MUZY, G. Direito Constitucional Decifrado. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. (Coleção Decifrado). TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Aula 5 BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. BRASIL. Lei nº. 12.990, de 9 de junho de 2014. Reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. Brasília, publicada no DOU em 09.06.2014. GONÇALVES FILHO, M. Curso de Direito Constitucional. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. LENZA, P. Direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. (Coleção esquematizado®). MUZY, G. Direito Constitucional Decifrado. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. (Coleção Decifrado). TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. https://storyset.com/ https://www.shutterstock.com/pt/