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Revista Diálogos Interdisciplinares 2019 VOL. 8 N° 2 - ISSN 2317-3793 BIOCONCRETO Carlos Eduardo S.B de Araujo1; Brendon Garcia Abreu1; Ronaldo Barros Órfão2 3; Mayara dos Santos Amarante2,4 RESUMO O concreto convencional tem diversas patologias, e um dos seus principais problemas é a corrosão da armadura, uma das mais comuns e mais graves patologias que acaba pondo em risco toda a estrutura da obra que ela ali sustenta. Acabando também ocorrendo as principais causas de fissuras e trincas em estruturas de concreto convencional, geralmente causada por retração térmicas e esforços de cargas. Junte isso tudo a uma estrutura subterrânea e seus altos gastos em manutenção, surgindo uma nova opção e podemos assim dizer que, o concreto como nós conhecemos hoje está evoluindo, e baseando se no método de cura do corpo humano, Henk Jonkers criador deste novo concreto, viu as possibilidade de inovar no que até então não se havia imaginado ser aplicável a construções, feitas de concreto e aço. Este novo concreto é chamado de bioconcreto ou também de concreto auto curável, ele é composto por cápsulas que tem seu interior preenchidas por bactérias produtoras de calcário, tais bactéria que estão dentro do concreto encapsuladas, e que quando por intermédio de uma fissura são exposta a atmosfera e entrarem em contato com a água produzem o calcário preenchendo assim a fissura onde ali habitam. Tendo isso em mente, porque não as utilizar em ambientes mais úmidos e de difícil manutenção como em túneis e em construções subterrâneas e que são mais propícios a proliferação de bactérias. Proporcionado assim uma menor manutenção, gerando uma economia e mais segurança para as estruturas e para as pessoas. Palavras-chave: Bioconcreto, Fissuras e Economia. ABSTRACT Conventional concrete has several pathologies, and one of its main problems is the corrosion of the armature, one of the most common and serious pathologies that endangers the whole structure of the work that it supports there. The main causes of cracking and cracking in conventional concrete structures, usually caused by thermal shrinkage and load stresses, are also occurring. Combine this with an underground structure and its high expenses in maintenance, a new option arises and we can say that, concrete as we know it today is evolving, and based on the method of healing of the human body, Henk Jonkers, creator of this new concrete, saw the possibility of innovating in what had not until then been imagined to be applicable to constructions made of concrete and steel. This new concrete is called bioconcrete or also of self-curable concrete; it is composed of capsules that have their interior filled by bacteria producing limestone, such bacteria that are inside the encapsulated concrete, and that when through a fissure are exposed to atmosphere and coming into contact with the water produce the limestone thus filling the fissure where they live there. With this in mind, why not use them in humid and difficult-to-maintain environments such as in tunnels and underground constructions, and which are more conducive to the proliferation of bacteria. This provides less maintenance, generating savings and more security for structures and people. Keywords: Bioconcrete, Fissures and Economy. 1 Bacharelandos do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Braz Cubas. 2 Professor Titular do Centro Universitário Braz Cubas, Brasil. 3 MESTRADO em Educação Matemática pela Universidade Bandeirante de São Paulo, Brasil (2012). 4 MESTRADO em Ciências e Tecnologias Espaciais pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Brasil (2014). 46 1. INTRODUÇÃO Ao longo dos anos um dos maiores problemas da engenharia civil é o empuxo causado pelo lençol freático, que é inevitável já que é uma ação natural do solo saturado, a degradação natural causada pelo tempo. Ele prejudica as estruturas de concreto que são resistente a compressão mais frágil a flexão, essas flexões causadas pelo lençol freático e esforços de carga exercidos sobre a estrutura de concreto, geram micro fissuras, e que por sua vez causa as infiltrações por capilaridade, fazendo com que a umidade “suba” pela estrutura causando o desgaste e enfraquecimento da estrutura de concreto, que por sua vez irá afetar as barras de aço, causando sua oxidação pelo fato de estar em contato com a água, e outros, forçados por ação de cargas sobre o mesmo que geram pequenas fissuras [1]. Com esse problema em vista Henk Jonkers viu uma oportunidade de combater tais problemas, com uma invenção que vai revolucionar o mundo da construção civil, o Bioconcreto [2]. O Dr. Henk Jonkers teve esta ideia quando observou a regeneração do corpo humano ao notar que, “Quando você quebra a perna, ela finalmente se recompõe. As células osteoblásticas produzem minerais que criam a estrutura do novo osso, transformando fragmentos de volta em um todo.” Por que, pensou o microbiologista Henk Jonkers, os prédios não podem fazer a mesma coisa? [3]. Com isso em mente o microbiologista especializado em comportamento bacteriano, o Dr. Jonkers que ingressou na Universidade de Tecnologia de Delft em 2006. Iniciou Sua pesquisa em concreto que faz parte de um projeto interessante de estudar o potencial de cura de diferentes materiais, tais como plástico, poliuretano e asfáltico. Anteriormente, os juristas foram pesquisados como cientistas no Instituto Max Plank de Microbiologia Marítima, em Germânia, assim como na Universidade de Groningen, no Departamento de Paleontologia e na Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica Aplicada [2]. Até chegarem nos testes com bactérias produtoras de calcário, que foi o que funcionaram com melhor eficácia, essas bactérias são Bacillus pseudofirmus e Sporosarcіna pasteurіi, já localizada em lagos altamente alcalinos perto de vulcões e parecia feita para o trabalho. Eles são capazes de ficar dormentes por até 200 anos e só começam a trabalhar de forma importante somente depois que rachaduras aparecem e entram em contato com a água [2]. Quando o concreto racha, o ar e a umidade acionam a bactéria para começar a “mastigar” o lactato de cálcio. Eles convertem o lactato de cálcio em calcita, um ingrediente do calcário, selando as rachaduras [3]. Imagine só poder ficar anos sem fazer manutenção em estruturas subterrâneas, que são de difícil acesso e manutenção e que necessitam de frequentes vistorias e que juntando tudo isso acabam pesando no bolso. E com essa nova invenção de Jonkers agora pode ser possível economizar e diminuir a quantidade de manutenções feitas nas estruturas de concreto? [4]. E grande questão é, será realmente possível implementar a técnica de Jonkers desenvolvida para regeneração do concreto em estruturas subterrâneas, e o quão eficaz seria? 2. OBJETIVO Realizar estudo teórico da utilização do bioconcreto em estruturas subterrâneas. 2.1 Objetivos Específicos Estudo teórico da viabilidade do bioconcreto em estrutura subterrâneas, seus benefícios ao mesmo e valores. 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Concreto Convencional O concreto convencional é uma mistura com base cimentícia, sendo sua principal característica a reação química entre a água e o cimento, que começa a ocorrer logo após a mistura e é responsável pela ligação entre os materiais e pela resistência adquirida após a cura do concreto [5]. De uma forma mais técnica o concreto contém em seus poros uma solução de elevada alcalinidade, com pH que varia entre 12 a 13, devido principalmente ao hidróxido de cálcio que é formado nas reações de hidratação dos silicatos do cimento que também forma os álcalis incorporados no clínquer, ele pode ser definido como cimento numa fase básica de fabrico. Em razão de sua natureza alcalina, esta solução proporciona um meio adequado para a formação de uma camada de óxidos, que é extremamente fina, compacta e aderente, na superfície da armadura de ferro do concreto. Enquantouma solução presente nos poros do concreto conserva, a sua característica básica e isenta de agentes agressivos que o afetam, essa camada de óxidos continuam agindo para proteger a armadura contra a corrosão e degradação. Assim, o concreto tem que manter a estabilidade química da solução intersticial e de mesmo modo, servir como barreira física contra a penetração de agentes agressivos a armadura, como os íons cloreto, que quando em presença de água e oxigênio, que possuem a capacidade de destruir o local que entrarem em contato com a superfície da armadura, e dando início ao processo de corrosão da armadura [6]. O dióxido de carbono presente na atmosfera, constitui-se em um outro agente agressivo pois, ao reagir com o hidróxido de cálcio do concreto, faz com que o pH da sua solução intersticial diminua, podendo levar à despassivação da armadura, fazendo com que se torne vulnerável à degradação (Figura 1). Este processo de reação química é conhecido como carbonatação. O transporte destes agentes agressivos para o interior do concreto se dá principalmente por mecanismo de absorção por capilaridade, permeabilidade, que é transporte que ocorre quando um meio saturado está submetido à ação de pressões externas e difusão, podendo ainda ocorrer migração iônica no caso haja penetração de cloretos. O índice de taxa de transporte de agentes agressivos por meio da absorção e permeabilidade é governada pelo índice da taxa de penetração de água, pois somente através da umidade é que os agentes são levados até o interior do concreto. Além da água no estado líquido, a também presença de umidade nos poros do concreto na forma de vapor influi no ingresso dos agentes químicos, principalmente o gás carbônico. Isto se dá ao fato de que a difusão é o principal processo pelo qual o dióxido de carbono penetra no concreto até chegar à armadura, atravessando os poros com ar e também com água. Ocorre que a difusão do dióxido de carbono na fase líquida é aproximadamente 10.000 vezes menor que na fase gasosa do mesmo [6]. Figura 1: laje de concreto armado – corrosão da armadura [14]. Dependendo do tipo de condição que o concreto for submetido definirá também qual tipo de patologia se desenvolverá, seja ela uma condição intrínseca ou extrínseca. Deste modo, é necessário a busca por alternativas de remediação destas patologias, que sejam eficientes e com baixo custo, uma vez que reparos em concreto demandam tempo, mão- de-obra e que possuam uma boa aderência ao concreto original, ocasionando assim muitos gastos com manutenção. 3.2 Fissuras em Estruturas de Concreto O concreto convencional está exposto a vários fatores físicos e químicos que possam prejudicar suas características físicas e mecânicas ao longo dos anos, e estes fatores fazem com que apareçam fissuras no concreto, tanto fatores internos quanto externos [10]. A variação de temperatura e por vez a grande geradora de fissuras, devido à retração térmica, que é a ação que mais faz gerar fissuras, devido que sua superfície perde mais calor que o seu centro e com isso há uma elevação na temperatura no seu interior e conforme o calor se propaga para superfície tendo uma expansão, mas como o concreto tem um módulo de elasticidade muito baixa e nisso com a propagação térmica para a superfície a massa ganhará uma certa rigidez e o centro contraindo mais que a superfície faz com que a capacidade do concreto de deformação seja ultrapassada ocorrendo as fissuras (Figura 2). Já dilatação térmica quando tem fissuras provocadas por levantamento quando não há juntas de dilatação com o espaçamento adequado [10]. No Brasil por ser um país tropical, tem as variações sazonais de temperatura, é sem dúvida uma região onde há grandes problemas nas patologias devido a dilatação térmica, no inverno quando se tem geadas que pelas ações dos ventos, e como o concreto é poroso tem a percolação de água e gases, ocasiona um fenômeno de gelo e degelo deteriorando o concreto. E quando tem o resfriamento do concreto gera um choque térmico devido a variação brusca de temperatura, geram as fissuras, aparecendo na superfície do concreto e depois em toda sua massa, sua resistência a compressão diminui, e tudo isso é mais comum em estruturas com menor massa [10]. Figura 2: fissuras em estruturas de concreto, pode trazer risco para a segurança da edificação [12]. 3.3 Estruturas Subterrâneas O aparecimento de água na construção de túneis pode causar vários tipos de dificuldades de maior ou menor gravidade, dependendo da sua quantidade (apenas uma infiltração ou uma inundação), da prevenção e das características do maciço. Isto poderá originar alterações no maciço, como a formação de chaminés, e danificar os trabalhos em curso e pôr em causa a segurança das pessoas envolvidas, sendo necessárias intervenções adicionais de modo a resolver o problema. O aparecimento de água em escavações subterrâneas pode dever-se a condições naturais (hidrogeológicas) ou não e influencia o processo de construção, a estabilidade do túnel e do meio envolvente e pode, em caso extremo, levar ao colapso à luz do dia. Uma inundação de água pode ser particularmente crítica se o túnel estiver a ser escavado numa direção descendente ou a partir de um poço. A estabilidade das paredes estruturais e da frente de escavação pode ficar comprometida pela alta capacidade erosiva de fluxos de água a grande pressão ou pela insuficiente resistência ao corte, fazendo com que possam surgir falhas nas paredes do túnel. A presença de uma máquina TBM (Tunneling Boring Machine) pode atrasar este tipo de falhas, seja quando é utilizado o método EPBM (Earth Pressure Balanced Machine) ou o método STSM (Slurry Type Shield Machine). É comum que o aparecimento de água seja a fase preliminar de outra categoria de colapso, ou seja, tanto os colapsos à luz do dia como os subterrâneos poderão ter tido origem no aparecimento inesperado de água (Figura 3) [11]. Levando em conta todos os fatores aqui citados durante a execução das obras, outros bem importante acontecem após o término da obra, que são infiltrações, trincas e ações naturais do solo como, decalques e outros problemas geológicos. É uma opção vem sendo estudada para diminuir os riscos após o término da obra, o chamado bioconcreto que em um âmbito geral pode aumentando seu tempo de manutenção, ou seja, as manutenções são feitas com menos frequência e com isso diminuindo os custos envolvidos ao mesmo. Figura 3: perfuração de túnel [13]. (é possível notar a presença evidente de água) 3.4 Bioconcreto O bioconcreto ou concreto auto cicatrizante é um produto da MICP (Microbially induced carbonate precipitation - Precipitação de carbonato induzida microbiologicamente) que tem como objetivo diminuir os espaços entre as partículas do concreto e também as fissuras geradas por diferentes patologias naturais e provocados por esforços de cargas [7]. O bioconcreto está relacionado com a atuação da atividade enzimática da cepa bacteriana que é a composição da cultura de bactérias utilizada, e quanto mais a atividade da uréase, melhor o perfil nutricional de lactato de cálcio, um exemplo é que, será maior a precipitação de cálcio realizada por esta cultura de bactérias. E o bioconcreto vem sendo usado para melhorar a resistência à compressão do concreto e também de outros materiais provenientes do mesmo [7]. E outros estudos feitos a partir da MICP comprovou um aumento significativo na resistência à compressão de 25% quando foi usada no bioconcreto a cultura de bactérias Shewanella sp. O experimento feito utilizou as células bacterianas em meio líquido e logo foram adicionados a mistura de areia e cimento, e foi feito um corpo de prova de 70.6 mm. E este molde de cimentos foram realizados os testes de compressão e teve um aumento de 17% a 36% na sua resistência a permeabilidade à água [7]. Os materiais de construçãocivil tais como argamassas, revestimentos a base de areia e estruturas de concretos, estão sempre suscetíveis a ação do intemperismo e de vários outros fatores químicos, físicos e biológicos. Devido a sua composição de rochas carbonáticas estão sujeitas ao intemperismo, levando a um aumento de sua porosidade, consequentemente, a redução de suas características mecânicas e físicas. Como um dos objetivos é a reduzir a problemática da deterioração, muitos testes e tratamentos têm sido utilizados para alterar as características das rochas na areia. Materiais hidrofóbicos tem sido aplicado para proteção da mesma contra agentes agressivos presentes na atmosfera que afetam a armadura. Visando restabelecimento da coesão de seus grãos deteriorados tem sido usado consolidantes para unir as rochas, contudo ambos tratamentos estão sujeitos a controvérsias devido a suas ações não reversíveis e limitada, podendo até acelerar o processo de deterioração [7]. Segundo o inventor e cientista Henk Jonkers da Universidade Técnica de Delft, não haverá limites para a extensão das rachaduras, mas há um limite para as fissuras. Para que haja uma cicatrização perfeita a fissura não pode ter mais que 8 mm, mas com novas tecnologias e avanços que surgem a todo momento o bioconcreto vai ajudar ter uma economia de milhões de dólares em manutenções de estruturas da construção civil (Figura 4). E mesmo Jonkers comentou para um jornal britânico The Guardian (2015) que: “Apesar de ser mais caro que o concreto tradicional, o benefício econômico é perceptível, pois economiza em custos de manutenção” [8]. Figura 4: Bioconcreto em processo de “autocura”. Fonte: [9] 4. Metodologia Foi utilizado o método de exploração de dados em fatos e artigos, com fim demonstrar se o bioconcreto é aplicável em estruturas subterrâneas, e seus benefícios econômicos e físicos. Baseado também em bibliografias, web sites, livros e artigos publicados na internet nacionais e internacionais. Não foi possível fazer testes de campo, pelo fato de não ter o bioconcreto acessível, para a realização dos testes. Todos os testes aqui abordados são teóricos, embasado no que foi pesquisado e publicado. E que pretendemos futuramente dar continuidade ao trabalho em uma pesquisa de campo, e ver se é possível gerar tais economia nas construções. 5. Resultados e Discussões De acordo com a pesquisa feita por Daniel Henrique da Silva (Tabela 1) [14]. Foram levantados dados de 2005 até 2015, tendo como base 166 obras acompanhadas neste período, dentre elas sendo divididas em: Tabela 1: obras analisadas [14]. Tipologia Quantidade % Residencial 121 72,89 Comercial 25 15,06 Industrial 12 7,23 Institucional 8 4,82 TOTAL 166 100 As principais patologias observadas foram divididas em: Gráfico 1: análise patológica [14]. Segundo Daniel, de acordo como (Gráfico 1), a principal patologia do concreto armado no estado endurecido é a corrosão das armaduras (69%), seguido pelos recalques diferenciais (10%), infiltrações (6%), detalhes construtivos (5%), a desagregação do concreto aparece em seguida (4%), em mesmo nível encontram-se os problemas estruturais (4%), ataques químicos e outras patologias (2%) [14]. Podemos observar que o maior causador de problemas em obras da engenharia civil é a corrosão das armaduras de ferro. Levando em conta este fato podemos observar que, a corrosão da armadura se dá pelo fato de ter infiltrações, tanto por capilaridade ou por vazamentos, fissuras e trincas que se dá por efeitos de cargas e esforços sobre a estrutura, fazendo com que o oxigênio entre em contato com a armadura, oxidando assim o ferro e futuramente pondo em risco a estrutura e pessoas ao seu entorno. Observando estes fatores de risco as pessoas, encontramos a possível solução para este problema, o bioconcreto. Num âmbito geral como já foi dito pelo Dr. Henk Jonkers o inventor do Bioconcreto foram utilizados bactérias da cultura, Bacillus pseudofirmus ou Sporosarcіna pasteurіi, essas bactérias produtoras de calcário que são encapsuladas dentro do bioconcreto, e que quando o concreto é fissurado as bactérias produzem calcário e reestruturam a falha, começando a agir assim que entram em contato com a água ali presente na patologia, cobrindo a com o tempo e evitando assim o aumento da patologia na estrutura. A empresa spin-off Green-Basilisk em 2015 que potencial para a tecnologia patenteada é impressionante já que cerca de 70% da infraestrutura da Europa é composta por concreto, a manutenção é extremamente custosa. O HealCON, um projeto financiado pelo FP-7 da UE, estima o custo anual de manutenção de pontes, túneis e muros de contenção de terra nos países membros da UE em até 6 bilhões de dólares. Em qualquer lugar, de 7 a 12% das emissões anuais de CO2 do mundo estão relacionadas à produção do material de construção. "Fizemos alguns cálculos e o preço do concreto em uma construção final é de apenas 1% do valor total da construção", acrescentou Jonkers. "Se você, em seguida, faz a manutenção, você teria o investimento de volta para o negócio em aproximadamente quatro anos." Também vale lembrar que as bactérias ficam dormentes dentro das cápsulas por 200 anos, aumentando ainda mais o custo benefício do investimento inicial da construção. Se olharmos aqui para brasil como exemplo, a prefeitura do Rio de Janeiro este ano foram gastos apenas R$ 439 mil em manutenção, dentre elas sendo: viadutos, pontes, passarelas e túneis (Gráfico 2). O levantamento foi feito pelo gabinete de Teresa Bergher, no sistema Fincon (de execução orçamentária) e nas prestações de contas da prefeitura [15]. Analisando graficamente e comparando com os anos anteriores seriam: Gráfico 2: Gastos anuais com viadutos, pontes, passarelas e túneis [15]. Se analisarmos os dados do gráfico acima, e levarmos em conta que Henk Jonkers disse que se investimos 1% do valor total da obra em concreto ou seja o bioconcreto, teríamos o investimento retornado em 4 anos. Mas abriu se outro questionamento, que foi a pesquisa de Daniel, que revelou 69% das patologias em construções estão ligadas a corrosão da armadura, causadas por exposição da armadura a atmosfera, ou seja, ocasionadas inicialmente por trincas e fissuras, podendo em sua grande maioria ser evitadas com a utilização do bioconcreto. E que no mesmo contexto, leva à conclusão de que por volta de 69% do dinheiro investido em manutenções poderiam ser economizados? Mas com os dados colhidos até o momento, se o representarmos em uma tabela, (Tabela 2) seriam uma economia anual de: Tabela 2: Próprio autor. Ano Despesas em Manutenção 69% de economia Valor Real da Manutenção 2010 R$ 1.352.000,00 R$ 932.880,00 R$ 419.120,00 2011 R$ 2.297.000,00 R$ 1.584.930,00 R$ 712.070,00 2012 R$ 5.651.000,00 R$ 3.899.190,00 R$ 1.751.810,00 2013 R$ 8.761.000,00 R$ 6.045.090,00 R$ 2.715.910,00 2014 R$ 4.800.000,00 R$ 3.312.000,00 R$ 1.488.000,00 2015 R$ 1.241.000,00 R$ 856.290,00 R$ 384.710,00 2016 R$ 1.759.000,00 R$ 1.213.710,00 R$ 545.290,00 2017 R$ 1.183.000,00 R$ 816.270,00 R$ 366.730,00 Podemos assim observar o impacto de uma pequena bactéria para a economia em um país e a diferença que faz em nossas construções. Trabalhos Futuros: Necessitaríamos de uma pesquisa de campo para apurar estes fatos e comprovar a efetiva economia nas obras. 6. REFERÊNCIAS: 1. Altair Santos.Trincas, fissuras, fendas e rachaduras exigem cuidado, 2015. Disponível em: http://gbcengenharia.com.br/blog/tag/como-identificar-rachaduras/ 2. Henk Jonkers.SELF-HEALING CONCRETE. Disponível em: https://spinoff.com/bioconcrete 3 Emily Matchar. With This Self-Healing Concrete, Buildings Repair Themselves, 2015. Disponível em: https://www.smithsonianmag.com/innovation/with-this-self- healing-concrete-buildings-repair-themselves-180955474/4. VANESSA KANNENBERG.O que dizem especialistas sobre o custo de mais de R$ 650 mil por mês para túneis da BR-101, 2017. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2017/11/o-que-dizem-especialistas-sobre- o-custo-de-mais-de-r-650-mil-por-mes-para-tuneis-da-br-101- cja9kilui03i501mx2zsvwg78.html 5. SOARES CARNEIRO, Guilherme Victor Humberto; DOS SANTOS GIL, Leonardo Koziel; CAMPOS NETO, Manoel Pires. Calor de Hidratação no Concreto. 2011. 67 p. Trabalho de conclusão de curso (GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA CIVIL)- ESCOLA DE ENGENHARIA CIVIL, UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, [S.l.], 2011. 6. HELENE, PAULO R. L. Contribuição ao estudo da corrosão em armaduras de concreto armado. São Paulo, 1993. Tese (Livre docência). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. 7. VIEIRA DOS REIS, Luann. BIOTECNOLOGIA MICROBIANA DA CONSTRUÇÃO: POTENCIAL DE BIOMINERALIZAÇÃO DE BACTÉRIAS UREOLÍTICAS DE SOLO DE CERRADO E DE REJEITOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL . 2017. 103 f. Dissertação (PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS)- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, [S.l.], 2017. 8. THE GUARDIAN (2015): The self-healing concrete that can fix its own cracks. United Kingdom, UK: Rosie Spinks. 9. GOYAL, N. Self-Healing Concrete Can Repair Its Own Cracks with Bacteria. 2015. Disponível em: http://www.industrytap.com/self-healing-concrete-can-repair- cracksbacteria/29051. 10. EFFTING, Carmeanne et al. Efeitos da Temperatura Sobre o Concreto. Disponível em:https://pt.scribd.com/document/355067447/Efeitos-da-Temperatura-Sobre- oConcretoFINAL-pdf 11. DAVID ANDRÉ PRATA GOMES (2012). Gestão de riscos na construção de túneis e obras subterrâneas. Disponível em:https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2095/1/Disserta %C3%A7%C3%A3o.pdf 12.Juliana Nakamura. Fissuras em estruturas de concreto. Disponível em: https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/fissuras-poem-em-risco-a-vida-util-das- estruturas-de-concreto_16243_10_9 13. perfuração de túnel. Disponível em: https://www.tamegasousa.pt/recomeca-hoje- perfuracao-tunel-marao/ 14. SILVA, Daniel Henrique. Recuperação de estruturas de concreto – Corrosão das Armaduras – Estudo levantado no Centro Oeste de Minas Gerais, 2018. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/recuperacao-de-estruturas 15. Selma Schmidt. publicação :Verba da Prefeitura destinada a investimentos em túneis, viadutos e pontes está zerada. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/verba-da-prefeitura- destinada-investimentos-em-tuneis-viadutos-pontes-esta-zerada-23676206 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVO 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Concreto Convencional 3.2 Fissuras em Estruturas de Concreto 3.3 Estruturas Subterrâneas 3.4 Bioconcreto 4. Metodologia 5. Resultados e Discussões 6. REFERÊNCIAS: