Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Organizadores
Alberto Casado Lordsleem Júnior
Alexandre Duarte Gusmão
Autores
Alberto Casado Lordsleem Júnior
Alexandre Duarte Gusmão
Arthur José da Silva
Bruno Carlos de Araújo Alves
Diego José Araújo Viégas
Eliana Cristina Barreto Monteiro
Eudes de Arimatéa Rocha
Luiz Fernando Bernhoeft
Yêda Vieira Póvoas
Recife, PE
2017
AGRADECIMENTOS
 Ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil (PEC) da 
Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco (POLI-UPE), pela 
oportunidade de desenvolver pesquisas que agregam valor à construção, 
prevenção e recuperação de patologias das construções.
 Aos Grupos de ensino, pesquisa e extensão em Tecnologia e Ges-
tão da Construção de Edifícios (POLITECH) e Engenharia Aplicada ao 
Meio Ambiente (AMBITEC), pelo ambiente de contínua discussão e bus-
ca de atendimento das demandas de construtoras e entidades setoriais da 
construção.
 Aos nossos familiares e amigos, sem os quais esse fruto não seria 
possível e dão razão a nossa existência.
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – UPE 
REITOR Pedro Henrique Falcão 
VICE-REITOR Dra. Socorro Cavalcanti
EDITORA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – EDUPE 
CONSELHO EDITORIAL 
Profa. Dra. Adriana de Farias Gehrer 
Prof. Dr. Amaury de Medeiros 
Prof. Dr. Alexandre Gusmão 
Prof. Dr. Álvaro Vieira de Mello 
Profa. Dra. Ana Célia O. dos Santos 
Profa. Dra. Aronita Rosenblatt 
Prof. Dr. Belmiro do Egito 
Prof. Dr. Carlos Alberto Domingos do Nascimento
GERENTE CIENTÍFICO Prof. Karl Schurster 
COORDENADORA Profa. Sandra Simone Moraes de Araújo 
DIAGRAMAÇÃO Derek Schelling
CAPA Aldo Barros
Patologia das Construções De Edifícios
ORGANIZADORES
Alberto Casado Lordsleem Júnior
Alexandre Duarte Gusmão
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Autores
Alberto Casado Lordsleem Júnior
Alexandre Duarte Gusmão
Arthur José da Silva
Bruno Carlos de Araújo Alves
Diego José Araújo Viégas
Eliana Cristina Barreto Monteiro
Eudes de Arimatéa Rocha
Luiz Fernando Bernhoeft
Yêda Vieira Póvoas
SUMÁRIO
15 PREFÁCIO
19 PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
19 1. Contextualização
20 2. Responsabilidades
22 3. Manutenção
24 4. Garantia
27 Referências
31 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
31 1. Contextualização
32 2. Segurança das fundações
32 2.1 Requisitos de projeto
33 2.2 Conceito de segurança
34 2.3 Critérios para avaliação da segurança
36 2.4 Uso de fator de segurança global
38 2.5 Uso de fatores de segurança parciais
38 2.6 Uso de critérios probabilísticos
39 2.7 Dimensionamento das peças estruturais
39 3. Movimentos da fundação
42 4. Patologias causadas por recalques
42 4.1 Tipos de danos
42 4.2 Patologias típicas
48 5. Reforço de fundações
50 Referências
53 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS 
DE CONCRETO
53 1. Manifestações Patológicas das Construções em Concreto
55 1.1 Fissuração
56 1.1.1 Fissuras Causadas por Movimentações Térmicas
57 1.1.2 Fissuras Causadas por Movimentações Higroscópicas
58 1.1.3 Fissuras Causadas pela Atuação de Cargas Diretas e 
Sobrecargas
58 1.1.4 Fissuras Causadas por Deformabilidade Excessiva de 
Estruturas de Concreto Armado
61 1.1.5 Fissuras Causadas pela Retração de Produção à Base de 
Cimento
62 1.1.6 Fissuras Causadas por Alterações Químicas dos Materiais 
de Construção
63 1.2 Ataques Químicos
64 1.2.1 Íons Cloretos
64	 1.2.2	Eflorescências
67 1.2.3 Corrosão das Armaduras
69 1.3 Ataques Físicos
70 1.4 Ataques Biológicos ou Biodeterioração
72 Referências
77 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE 
VEDAÇÃO
77 1. Introdução
79	 2.	Origem	das	fissuras
79 2.1 No revestimento de argamassa
84 2.2 Na alvenaria de vedação
86	 3.	Causas	da	fissuração	das	alvenarias	de	vedação
86 3.1 Movimentação térmica
89 3.2 Movimentação higroscópica
92 3.3 Movimentos das fundações
95 3.4 Deformações de estruturas de concreto armado
98 Referências
105 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS 
REVESTIMENTOS
105 1. Contextualização
110	 2.	Termografia	infravermelha
111	 2.1	Fatores	que	influenciam	na	medição	com	radiação	
infravermelha
112 2.1.1 Condições térmicas do objeto e do meio
112 2.1.2 Presença de fontes externas
113 2.1.3 Condições de medição
113 2.1.4 Ângulo de medição
114	 2.2	Técnicas	de	termografia	digital
116	 2.3	Métodos	de	aplicação	da	termografia
116	 2.3.1	Termografia	qualitativa
116	 2.3.2	Termografia	quantitativa
117	 2.4	Câmera	termográfica
118 2.4.1 Emissividade do objeto
119	 2.4.2	Temperatura	aparente	refletida
120 2.4.3 Temperatura atmosférica
120 2.4.4 Distância
121 2.4.5 Umidade relativa do ar
122 2.5 Termogramas
126 3 Detecção de descolamento de revestimento cerâmico
134 Referências
141 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS 
IMPERMEABILIZAÇÕES
141 1. Introdução
144 2. O sistema de impermeabilização
145 a. Interferência com instalações hidráulicas
146 b. Interferência com instalações Elétricas
147 c. Interferência com projeto estrutural.
148 d. Interferência com Arquitetura / paisagismo
148 3. Abrangência e vida útil da impermeabilização
150	 4.	Classificação	de	manifestações	patológicas	ligadas	à	
impermeabilização
12
151 a. Projeto
151 b. Inadequada preparação da superfície
151 c. Execução
151 d. Materiais
152 e. Agressão das camadas posteriores (em obra)
152 f. Uso e manutenção
153 5. Manifestações patológicas ligadas à impermeabilização
153 5.1 Lixiviação da estrutura de concreto
155 5.2 Corrosão eletroquímica de armadura de concreto armado ou 
protendido
157 5.3 Reação álcali agregado (RAA)
157 5.4 Ataque externo de sulfato
158 5.5 Umidade ascendente em paredes
159 5.6 Desplacamentos do sistema impermeável
161 5.7 Ausência de estanqueidade com origem no lençol freático
162 5.8 Desplacamentos de revestimento sobre rodapé 
impermeabilizado
164	 5.9	Manchas	e	eflorescências	em	revestimentos
166 5.10 Não remoção de película protetora de manta asfáltica 
exposta
167 5.11 Ausência de pintura protetora em mantas auto protegidas
167 6. Soluções para recuperação de impermeabilização
167 6.1 Análise das possibilidades de intervenções
170 Pontos negativos
170 Pontos positivos
170 6.2 Opções de reparos não tradicionais (demolição geral de piso)
170 6.2.1 Cristalização integral do concreto
172 6.2.2 Membranas de impermeabilização para aplicação sobre 
piso/sem remoção do mesmo
173 a. Membrana de poliurenato 
173 b. Membrana de poliuréia
175 6.2.3 Mantas PVC
176 6.2.4 Sistemas de injeção na estrutura
177 a. Injeção para gerar estanqueidade
177 b. Injeção para Recomposição Estrutural
179 6.2.5 Umidade ascendente
179 Conclusões
180 Referências
15
PREFÁCIO
 A construção civil é um dos segmentos industriais mais impor-
tantes para a sociedade, não apenas pelo potencial de movimentação da 
economia e elevado grau de absorção da mão de obra, mas também por 
ser uma das principais consumidoras de recursos naturais para a produção 
de obras.
	 Num	 cenário	 de	marcantes	 desafios	 na	 construção	 de	 edifícios,	
onde é imperiosa a necessidade de melhoria da produtividade, qualida-
de, desempenho e, preponderante, a redução de custos, não se considera 
razoável e, até mesmo, coerente o investimento em novas construções 
diante da demanda pela preservação e/ou recuperação do bom estado das 
edificações	existentes.
 Adicionalmente, o aparecimento cada vez mais precoce de ma-
nifestações patológicas aliado ao grau de insatisfação dos clientes, apon-
tados pelas instituições de defesa dos consumidores, devem ser fatores 
indutores do desenvolvimento da ciência patologia das construções.
	 A	ocorrência	de	manifestações	patológicas	em	edificações	é	resul-
tante, em grande parte, pela adoção em obra de procedimentos de execu-
ção inadequados, pelo não atendimento das recomendações estabelecidas 
na	 normalização	 e	 falhas	 nas	 especificações	 de	 projeto	 e	 dos	materiais	
empregados.
 É nesse contexto que esta publicação está inserida, como resulta-
do do conhecimento desenvolvido sobre o assunto em diversas pesquisas 
e	trabalhos	técnicos	coordenados	por	profissionais	especializados	emdi-
ferentes subsistemas do edifício.
 Esta publicação trata das responsabilidades dos agentes partici-
pantes do processo de produção de edifícios; do estudo da manutenção 
como mecanismo de prevenção e correção de problemas; do direito e pra-
zos de garantias; das manifestações patológicas incidentes nas fundações, 
nas estruturas de concreto, nas alvenarias de vedação, nos revestimentos 
e nas impermeabilizações. Dependendo do tipo de manifestação patoló-
gica, procura-se priorizar o conhecimento sobre as causas, a inspeção, os 
ensaios, o diagnóstico e/ou a recuperação.
16
 A patologia das construções de edifícios aqui é entendida como 
uma	ciência,	a	qual	estuda	os	defeitos	que	ocorrem	nas	edificações,	bus-
cando compreender as causas, a evolução dos problemas, além da terapia 
a ser adotada.
 Não se tem a pretensão de abranger todas as manifestações pato-
lógicas do edifício; entretanto, é desejo dos autores deste trabalho contri-
buir	para	o	seu	correto	entendimento	e,	quando	aplicável,	para	a	definição	
da conduta de recuperação mais adequada a ser adotada.
Recife, junho de 2017.
Prof. Livre Docente Alberto Casado Lordsleem Júnior
19
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
RESPONSABILIDADES, MANUTENÇÃO E GARANTIA
Alberto Casado Lordsleem Júnior - acasado@poli.br
Livre Docente pela UPE
Pós-Doutorado, Doutorado e Mestrado pela USP
Engenharia Civil pela UFPE
1. Contextualização
 O desenvolvimento do processo de produção de edifícios muito 
se deve a evolução da construção habitacional, principalmente a partir da 
acelerada urbanização ocorrida nas últimas décadas.
 Ao mesmo tempo, parcela expressiva dos edifícios construídos ao 
longo desses anos tem apresentado desempenho insatisfatório, cujos pro-
blemas recorrentes são frequentemente considerados tão antigos quan-
to à própria existência da construção (LICHTENSTEIN, 1991; ALVES, 
2016).
	 É	nesse	contexto	que	se	insere	a	patologia	das	construções,	defi-
nida como sendo a ciência que procura, de forma metodizada, estudar os 
defeitos	dos	materiais,	dos	componentes,	dos	elementos	ou	da	edificação	
como um todo, diagnosticando suas causas e estabelecendo seus meca-
nismos de evolução, formas de manifestação, medidas de prevenção e de 
recuperação.
 Os defeitos mencionados anteriormente são os denominados pro-
blemas	patológicos,	definidos	como	sendo	todos	os	fatores	que	compro-
metem o desempenho expectado do edifício, dos seus subsistemas, com-
ponentes, elementos e materiais. Alguns autores preferem denominar os 
defeitos como manifestação	patológica	(FRANÇA	et	al.,	2011),	definindo
-a como sendo a resultante de um mecanismo de degradação; distinguindo 
de patologia da construção, por esta ser muito mais ampla, uma vez que 
estuda e tenta explicar a ocorrência de tudo o que se relaciona com a de-
gradação	de	uma	edificação.
 A palavra patologia tem origem grega páthos (doença) e logos 
(estudo) e, assim como outros termos da Medicina, vem sendo emprega-
20
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
do	pela	Engenharia.	Mais	especifi	camente,	quando	se	busca	a	resolução	
de problemas patológicos, são imprescindíveis a anamnese, os exames, o 
diagnóstico,	o	prognóstico	e	a	terapia,	entre	outros	termos	específi	cos	à	
construção civil.
2. Responsabilidades
 O resgate histórico relativo à patologia das construções encontra 
na lei de talião um dos principais exemplos da importância do assunto 
para a sociedade. A lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: 
tal, idêntico), consistiu na rigorosa reciprocidade do crime e da pena e, fre-
quentemente é expressa pela máxima do “olho por olho, dente por dente”.
O código de Hamurábi, baseado na lei de talião, reúne um conjunto de leis 
criadas na Mesopotâmia, por volta do século XVIII a.C, pelo rei Hamurá-
bi da primeira dinastia babilônica.
No que diz respeito ao colapso de estruturas, o código de Hamurábi es-
tabelecia que:
• caso	um	construtor	faça	uma	casa	que	não	seja	fi	rme	e	o	seu	colapso	
causar a morte do dono da casa, o construtor deverá morrer;
• caso	o	colapso	provoque	a	morte	do	fi	lho	do	dono	da	casa,	o	fi	lho	do	
construtor deverá morrer;
• caso o colapso provoque a morte do escravo do dono da casa, o cons-
trutor deverá dar ao dono da casa um escravo de igual valor;
• caso o colapso destrua a propriedade, o construtor deverá reconstruir 
a casa por sua própria conta;
• caso	o	construtor	execute	uma	casa	para	um	homem	e	não	fi	zer	de	
acordo	com	as	especifi	cações,	e	uma	parede	ameaçar	cair,	o	constru-
tor deverá reforçá-la por conta própria.
 Nos dias atuais, as leis e as normas dos diferentes países, em dis-
tintos graus de reciprocidade do crime e da pena, estabelecem as respon-
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
21
sabilidades de cada interveniente no processo de produção de edifícios 
(ALVES, 2016).
 Particularmente, no Brasil a publicação em 09/02/2013 da norma 
NBR 15575 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2013), 
voltada	 aos	 requisitos	 e	 critérios	 de	desempenho	de	 edifi	cações	habita-
cionais, buscou estabelecer um embasamento quanto à delimitação das 
responsabilidades técnicas dos intervenientes.
 As responsabilidades pelos problemas patológicos no âmbito ju-
rídico estão preponderantemente estabelecidas no Código de Defesa do 
Consumidor - Lei 8078 (BRASIL, 1990) e no Código Civil brasileiro - Lei 
10406 (BRASIL, 2002)), não sendo objetos desta publicação.
 A Figura 1 ilustra o conjunto de incumbências técnicas elencadas 
pela NBR 15575 (ABNT, 2013) para cada interveniente do processo de 
produção	de	edifi	cações	habitacionais.
Figura 1 – Incumbências técnicas dos intervenientes quanto ao desem-
penho	das	edifi	cações	habitacionais
22
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
	 Analisando-se	a	Figura	1,	é	possível	identifi	car	a	responsabilidade	
do usuário quanto à realização da manutenção, a qual objetiva restituir ao 
edifício as condições satisfatórias de desempenho, na maioria das vezes 
não alcançadas pela incidência de problemas patológicos.
3. Manutenção
 De acordo com a norma NBR 5674 (2012), compreende-se a ma-
nutenção como sendo o conjunto de atividades a serem realizadas para 
conservar	 ou	 recuperar	 a	 capacidade	 funcional	 da	 edifi	cação	 e	 de	 seus	
sistemas constituintes de forma a atender as necessidades e segurança dos 
seus usuários.
 O estudo da manutenção é essencial para minimizar os custos pro-
venientes da prestação de serviços de assistência técnica, muitas vezes sem 
previsão nos orçamentos de obras; corrigir o uso de uma tecnologia de 
produção	defi	ciente,	 empregada	pela	ausência	de	conhecimento	 técnico	
e preservar a imagem da empresa, reduzindo possíveis reincidências de 
problemas.
 Mais recentemente entre 2006-2014, ao passo que a construção de 
edifícios experimentou relevante crescimento, também foi registrado o ex-
pressivo aumento do número de reclamações dos usuários em virtude da 
baixa qualidade das construções (RESENDE et al., 2004; LORDSLEEM 
JR.; RABBANI, 2006; ALVES, 2016).
 O PROCON-SP (2014) registrou em 2013 o crescimento do per-
centual de reclamações em até 71%, com o pior índice de solução dos 
problemas (8%) entre todos os fornecedores de bens e serviços. Também 
o PROCON-PE (2013) destacou já em 2012 o registro de diversas recla-
mações, tendo como principais queixas os vícios e defeitos da qualidade 
das construções.
 A necessidade de manutenção assume papel de destaque princi-
palmente quando ocorre algum problema patológico que poderia ter sido 
evitado com a sua prévia realização, minimizando os custos e transtornos 
envolvidos através da adoção de soluções previamente planejadas.
 Considerando a ordem cronológica, o primeiro conceito que sur-
giu foi o de manutenção corretiva, com a busca da recuperação ou corre-
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
23
ção de defeitos apresentados no edifício ou parte dele. Logo em seguida, 
o conceito evoluiu para o de manutenção preventiva, com o controle das 
atividades	de	inspeção,	conservação	e	restauração	executados	coma	fi	na-
lidade de prever, detectar ou corrigir defeitos, visando evitar as falhas.
	 A	Figura	2	ilustra	a	classifi	cação	dos	tipos	de	manutenção	em	fun-
ção dos seguintes critérios: viabilidade de execução dos serviços, falhas e 
anomalias existentes, atividades do plano de manutenção, tipo de interven-
ção e periodicidade.
Figura 2 –	Classifi	cação	dos	tipos	de	manutenção	conforme	critérios
 Os critérios e tipos listados na Figura 2 buscam aqui tão somen-
te	 exemplifi	car	 a	diversidade	 acerca	da	 classifi	cação	da	manutenção	e	o	
encadeamento das nomenclaturas sobre o tema, não sendo objeto desta 
publicação discorrer sobre este assunto.
 Porém, cabe destacar ainda a recuperação como uma das ativida-
des constituintes da manutenção, que por sua vez apresenta interface com 
o processo de assistência técnica, função inerente do âmbito de atuação 
das empresas construtoras (CBIC, 2014). O ponto comum de convergên-
cia entre a assistência técnica e a manutenção reside no manual de uso, 
24
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
operação	e	manutenção	das	edifi	cações,	cujos	requisitos	para	elaboração	
e conteúdo são descritos na norma NBR 14037 (ABNT, 2011), também 
alvo de publicação do CBIC (2014).
 O processo de assistência técnica contempla o atendimento aos 
clientes após a entrega da obra, enquanto vigorar o prazo legal de garantia, 
assunto discutido adiante.
4. Garantia
 De acordo com a norma NBR 15575 (ABNT, 2013), compreende-
se a garantia como sendo o direito do consumidor de reclamar reparos, 
recomposição, devolução ou substituição do produto adquirido, conforme 
legislação vigente; já o prazo de garantia é o período de tempo previsto em 
lei	que	o	consumidor	dispõe	para	reclamar	dos	vícios	(defeitos)	verifi	cados	
na compra de produtos duráveis.
 Os prazos de garantia passam a vigorar a partir da expedição do 
Auto de Conclusão do imóvel, também denominado de Habite-se, certi-
dão expedida pela Prefeitura atestando que o imóvel está pronto para ser 
habitado e foi construído ou reformado conforme as exigências legais 
estabelecidas (SINDUSCON-PE, 2008).
 Recomenda-se que o termo entregue pela empresa construtora ou 
incorporadora aos proprietários do imóvel integre tanto o contrato de 
compra e venda, com o intuito de conscientizar o comprador quanto as 
suas obrigações, como também o manual de uso, operação e manutenção 
(SINDUSCON-PE, 2008).
 O Código Civil brasileiro estabelece no artigo 618 (BRASIL, 2002) 
que nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções con-
sideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o 
prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim 
em razão dos materiais, como do solo.
 A norma NBR 15575 (ABNT, 2013) fornece diretrizes para o es-
tabelecimento dos mínimos prazos de garantia para os elementos, com-
ponentes e sistemas do edifício habitacional. Os prazos indicados para os 
componentes e elementos nesta norma são aqueles comumente pratica-
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
25
dos pela construção civil, os quais permitem que os sistemas contempla-
dos preencham as condições de funcionalidade.
 O Quadro 1 contém os prazos de garantia estabelecidos na norma 
NBR 15575 (ABNT, 2013).
Quadro 1 - Prazos de garantia da norma NBR 15575 (ABNT, 2013)
26
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Quadro 1 - Prazos de garantia da norma NBR 15575 (ABNT, 2013) 
(continuação)
 
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
27
	 Caso	algum	componente,	elemento	ou	sistema,	específi	co	de	de-
terminado empreendimento, não esteja contemplado no Quadro 1, reco-
menda-se ao construtor ou incorporador fazer constar o prazo de garantia 
no manual de uso, operação e manutenção.
Referências
 ALVES, K. C. C. O processo de assistência técnica de empresas de 
construção: estudos de caso. Recife, 2016. 117p. Dissertação (Mestrado) – 
Escola Politécnica de Pernambuco, Universidade de Pernambuco.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
NBR 14037: Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e 
manutenção	das	edifi	cações	—	Requisitos	para	elaboração	e	apresentação	
dos conteúdos. Rio de Janeiro, 2011.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 
5674:	Manutenção	de	edifi	cações	–	Requisitos	para	o	sistema	de	gestão	de	
manutenção. Rio de Janeiro, 2012.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
NBR	15575:	Edifi	cações	habitacionais	-	Desempenho	-	Partes	1,	2,	3,	4,	5	
e 6. Rio de Janeiro, 2013.
 BRASIL. Lei no 8078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a 
proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília, 1990.
 BRASIL. Lei no 10406, de 10 de janeiro de 2002. Dispõe sobre a 
legislação aplicável às relações civis em geral. Brasília, 2002.
 CBIC. Guia nacional para a elaboração do manual de uso, opera-
ção	e	manutenção	das	edifi	cações.	Câmara	Brasileira	da	Indústria	da	Cons-
trução. Fortaleza: Gadioli Cipolla Branding e Comunicação, 2014. 185p.
28
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 COORDENADORIA GERAL DE DEFESA E PROTEÇÃO 
DO CONSUMIDOR – Procon-PE. Cadastro de Reclamação Fundamen-
tada. Relatório referente ao ano de 2012. Recife, 2013. Disponível em: 
<http://www.procon.pe.gov.br/downloads/publicacoes/ rankingRecla-
macoes/rel_reclamacao_fundamentada_ordem_alfabetica_2012.pdf>. 
Acesso em: 23 set. 2014.
 FRANÇA, A.A.V.; MARCONDES, C.G.N.; ROCHA, F.C.; ME-
DEIROS, M.H.F.; HELENE, P.R.L. Patologia das construções: uma espe-
cialidade na engenharia civil. Téchne. São Paulo, v. 174, set. 2011.
 Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor – Procon-SP. Ca-
dastro de reclamações fundamentadas 2013. São Paulo, 2014. Disponível 
em: <http://www.procon.sp.gov.br/ pdf/ranking_2013_coment.pdf>. 
Acesso em: 23 mar. 2015.
 LICHTENSTEIN, N.B. Patologia das construções: procedimento 
para	formulação	do	diagnóstico	de	falhas	e	defi	nição	da	conduta	adequada	
à	recuperação	de	edifi	cações.		São	Paulo,	1985.	191p.	Dissertação	(Mestra-
do) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
 LORDSLEEM JR., A.C.; RABBANI, E.R.K. Management of 
construction maintenance work through performance indicators. In: XII 
International Conference on Industrial Engineering and Operations Ma-
nagement, Fortaleza, 2006. Anais... Fortaleza: 2006. 1 CD ROM.
 RESENDE, M.M.; MELHADO, S.B.; MEDEIROS, J.S. Gestão 
da qualidade e assistência técnica aos clientes na construção de edifícios. 
In: V CONGRESSO DE ENGENHARIA CIVIL, 1., Juiz de Fora, 2004. 
Anais... Juiz de Fora, UFJF. CD-ROM.
 SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL 
NO ESTADO DE PERNAMBUCO – SINDUSCON-PE. Manual do 
proprietário. Disponível em: <http://www.sindusconpe.com.br/ arqQua-
lidade/Manual%20do%20proprietario.pdf>. Acesso em 27 ago. 2008.
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
29
 SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL 
NO ESTADO DE PERNAMBUCO – SINDUSCON-PE. Manual das 
áreas comuns. Disponível em: <http://www.sindusconpe.com. br/arq-
Qualidade/manual%20area%20comuns.pdf>. Acesso em 27 ago. 2008.
31
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS 
FUNDAÇÕES
Alexandre Duarte Gusmão - gusmao.alex@ig.com.br
Livre Docente pela UPE
Doutorado pela PUC/RJ e Mestrado pela UFRJ
Engenharia Civil pela UFPE
1. Contextualização
	 O	termo	patologia	em	medicina	significa	“estudo	das	doenças	e	
suas	consequências	no	corpo	humano”.	De	modo	análogo,	pode-se	defi-
nir patologia das fundações como sendo o “estudo dos danos provocados 
pelos movimentos da fundação”.
 Para se resolver um problema que envolva patologia das funda-
ções, é necessário seguir as mesmas etapas da medicina: anamnese; diag-
nóstico / prognóstico; tratamento (Tabela 1).
 Nesse capítulo são apresentados e discutidos os principais tipos de 
patologias de edifícios associadas aos movimentos da fundação.
Tabela 1 – Etapas de um reforço de fundações
Etapa Medicina Engenharia de Fundações
Anamnese
 - Idade, sexo
- Alergias
- Histórico de doenças 
- Remédios, vacinas 
- Tipo de estrutura e 
fundação
- Materiais usados e sua 
vida útil 
- Carregamento 
- Tempo de construção
Diagnóstico
- Sintomasfisiológicos e 
psíquicos 
- Ocorrência 
- Definição das causas 
- Levantamento de danos 
e sua tipologia 
- Ocorrência / histórico 
- Causas dos danos 
Tratamento
- Nenhum (defesa natural)
- Tópico (remédios, trata-
mentos)
- Generalizado (operação, 
transplante) 
- Convivência com os 
danos (estabilização 
natural)
- Reforço localizado 
- Reforço generalizado
32
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
2. Segurança das fundações
2.1 Requisitos de projeto
 Com exceção das estruturas espaciais (satélites, estações espaciais, 
etc), todas as demais obras de engenharia transmitem seus carregamentos 
ao terreno. Com isto, estas obras impõem um novo estado de tensões no 
terreno, que pode ocasionar um desequilíbrio (Figura 1).
 A engenharia civil, em última análise, pode sempre ser resumida 
ao binômio carga-resistência (Figura 2). Há de se buscar nos projetos a 
compatibilização das cargas aplicadas pelas obras com a resistência dos 
materiais	envolvidos.	Deve-se,	 também,	verifi	car	se	as	deformações	dos	
materiais são compatíveis com a obra projetada.
 No caso da engenharia de fundações, a coisa se complica um pou-
co mais, já que o material envolvido (solo ou maciço rochoso), não é arti-
fi	cial	como	o	concreto	ou	o	aço.	Este	fato	é	muito	interessante	e	relevante,	
já	que	na	construção	de	uma	edifi	cação,	quase	sempre	podem	ser	especi-
fi	cados	os	materiais	para	a	estrutura	que	se	deseja.	No	caso	da	fundação,	
ocorre	exatamente	o	contrário,	ou	seja,	o	terreno	é	que	vai	defi	nir	qual	o	
tipo de fundação a ser adotada.
EQUILÍBRIO
ANTES
?
=>
Figura 1 – Efeito da obra de engenharia no terreno
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
33
CARREGAMENTO
ATUANTE
RESISTÊNCIA DOS
MATERIAIS
SEGURANÇA
Figura 2 – Binômio carga-resistência
2.2 Conceito de segurança
 
	 Defi	ne-se	como	segurança	de	uma	fundação	a	capacidade	que	a	
mesma apresenta em suportar as cargas que lhe são impostas, continuando 
a atender as condições fundamentais para as quais foi projetada (ALON-
SO, 1991).
 É importante ressaltar que o conceito de segurança de fundação 
não está relacionado apenas à ruptura, mas também às deformações do 
conjunto solo-estrutura e a sua durabilidade. Na realidade estes três aspec-
tos devem constituir as premissas de um projeto de fundações (Figura 3):
I. Estabilidade: a fundação deve ter uma segurança adequada quanto à 
ruptura do terreno, e também do elemento estrutural (sapata, radier, 
estaca, etc).
II. Deformações Toleráveis: as deformações do maciço e os movimentos da 
fundação não devem comprometer a estética, funcionalidade ou esta-
34
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
bilidade	da	edifi	cação.
III. Durabilidade: os elementos de fundação devem ter garantida a sua du-
rabilidade durante toda a vida útil da obra.
REQUISITOS
DE PROJETO
ESTABILIDADE
DEFORMAÇÕES
TOLERÁVEIS
DURABILIDADE
ELEMENTO
TERRENO
DANOS
ESTÉTICOS
DANOS
FUNCIONAIS
DANOS
ESTRUTURAIS
Figura 3 – Requisitos de um projeto de fundações
2.3 Critérios para avaliação da segurança
 Como foi visto no item anterior, o conceito de segurança de fun-
dação é meramente qualitativo, podendo dar margem a diferentes inter-
pretações. Há necessidade, portanto, de se estabelecer critérios que pos-
sam ser utilizados na avaliação da segurança da fundação.
 Quando se aplicam cargas crescentes a uma fundação qualquer, 
o conjunto solo-fundação começa a mobilizar resistência, no sentido de 
reequilibrar	o	sistema.	A	fundação	fi	ca	sujeita	a	deslocamentos	verticais	
descendentes denominados de recalques, que também são crescentes. 
Este mecanismo continua até que seja mobilizada a máxima resistência do 
conjunto,	quando	os	recalques	crescem	indefi	nidamente,	caracterizando	a	
ruptura da fundação (Figura 4).
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
35
V
V
S S
Vrup
V
S
Figura 4 – Curva carga-recalque da fundação
	 Defi	ne-se	capacidade de carga da fundação como sendo a máxima car-
ga suportada pela fundação sem haver sua ruptura (Vrup). Dentro das pre-
missas básicas de projeto, é evidente que a carga de trabalho da fundação 
deve ser menor que a sua capacidade de carga, e também que para as 
condições de trabalho, os deslocamentos da fundação devem ser toleráveis 
pela estrutura.
 Quando a carga de trabalho atende tanto ao critério de ruptura, 
quanto ao critério de deslocamento tolerável, é denominada de carga admis-
sível da fundação ou carga de projeto. Portanto, deve-se ressaltar que capacidade 
de carga e carga admissível são conceitos diferentes.
 Em alguns casos, a carga admissível é governada pelo critério de 
ruptura do solo (em geral areias compactas e argilas rijas), enquanto em 
outros é governada pelo critério dos deslocamentos toleráveis (areias fofas 
e argilas moles), como mostra a Figura 5. No primeiro caso, o valor de 
V1adm conduz a um recalque tolerável, e a carga admissível é este próprio 
valor. No segundo caso, sendo o recalque maior que o tolerável, tem-se a 
carga admissível passa a ser aquela correspondente ao valor do recalque 
tolerável S2adm.
36
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
V
S
Vrup
Vadm = Vrup / FS
Sadm
1
Vadm
2
2
Sadm
1
Figura 5 –	Defi	nição	da	carga	admissível	da	fundação
2.4 Uso de fator de segurança global
	 É	um	critério	puramente	determinístico,	onde	é	defi	nido	um	fator	
de segurança global, que é a razão entre os valores médios da resistência 
(no caso, a capacidade de carga da fundação) e da solicitação (no caso, a 
carga aplicada à fundação).
	 É	fi	xado,	então,	um	valor	mínimo	para	o	fator	de	segurança	em	
função de uma série de fatores, tais como:
• Confi	ança	na	estimativa	das	solicitações.
• Variação das resistências e solicitações em relação aos valores médios 
de projeto.
• Combinação das solicitações.
• Consequências prováveis de um colapso.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
37
• Confi	ança	nos	parâmetros	geotécnicos.
 Há vários artigos publicados na literatura técnica com tabelas de 
fatores de segurança globais mínimos recomendados para diferentes tipos 
de fundações, em função da obra projetada e prospecção geotécnica do 
subsolo.
 O uso de fatores de segurança globais é o critério mais usado na 
prática de projetos no Brasil. A Norma Brasileira NBR-6122/10 (Projeto 
e Execução de Fundações) recomenda os valores mostrados na Tabela 2.
Para se ter a redução no fator de segurança de 3,0 para 2,0 em fundações 
superfi	ciais,	ou	de	2,0	para	1,6	em	fundações	profundas,	a	Norma	exige	
que sejam disponíveis os resultados de um número adequado de provas 
de carga realizadas a priori, ou seja, na fase de projeto, e que os elementos 
ensaiados sejam representativos do conjunto da fundação.
 A Norma prevê, ainda, que quando forem levadas em considera-
ção todas as combinações possíveis entre os carregamentos previstos nas 
normas estruturais, e o vento for a ação variável principal, pode-se majorar 
em 30 % os valores admissíveis das tensões no terreno, e das cargas ad-
missíveis em estacas. Entretanto, estes valores admissíveis não podem ser 
ultrapassados quando consideradas apenas as cargas permanentes e aci-
dentais.	Em	qualquer	situação,	deve	ser	feita	a	verifi	cação	dos	elementos	
estruturais.
Tabela 2 – Fatores de segurança globais recomendados pela NBR-
6122/10
Condição de projeto Fator de segurança mí-nimo
- Capacidade de carga de fundações superfi ciais 
através de métodos semi-empíricos ou analíticos 3,0
- Capacidade de carga de fundações superfi ciais 
através de métodos semi-empíricos ou analíticos, 
acrescidos de duas ou mais provas de carga está-
tica a priori 2,0
38
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
- Capacidade de carga de estacas ou tubulões 
através de métodos semi-empíricos 2,0
- Capacidade de carga de estacas ou tubulões 
através de métodos semi-empíricos acrescidos 
de um determinado número de provas de carga 
a priori
1,6
2.5 Uso de fatores de segurança parciais
 Neste critério, é associado um fator de segurança parcial a cada 
uma das variáveis envolvidas (variabilidade dascaracterísticas dos mate-
riais, imperfeições do cálculo devido a hipóteses teóricas, imperfeição na 
execução, entre outros).
 O cálculo é feito no estado nominal de ruptura, onde as solicita-
ções majoradas pelos correspondentes fatores de segurança parciais, não 
devem ser superiores às resistências minoradas pelos respectivos fatores 
de segurança parciais. Este procedimento é semelhante ao usado no di-
mensionamento do concreto armado.
 A escolha dos fatores parciais depende de uma série de aspectos, já 
citados no item anterior. Apesar de previsto desde a antiga Norma NBR-
6122/96, este critério tem sido pouco usado na prática de projetos de 
fundações no Brasil. Há uma expectativa de que com a publicação da nova 
versão da Norma haja um incremento de projetos com uso de fatores de 
segurança parciais.
2.6 Uso de critérios probabilísticos
 Ao contrário do uso de fatores de segurança, este critério consi-
dera a dispersão e variabilidade dos parâmetros de resistência do terreno 
e das cargas atuantes, devendo-se conhecer as suas respectivas funções de 
probabilidade.
	 É	fi	xada	uma	probabilidade	de	ruína,	ao	invés	de	um	fator	de	se-
gurança. Esta probabilidade de ruína é numericamente igual à área de in-
terseção das curvas onde as solicitações são maiores que as resistências 
(Figura 6).
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
39
 Ressalta-se que a probabilidade de ruína nunca é nula, mesmo que 
o fator de segurança global seja superior à unidade. É evidente, no entanto, 
que à medida que cresce o fator de segurança, diminui a área hachurada e, 
consequentemente, a probabilidade de ruína. A NBR-6122/10 não con-
templa este tipo de análise.
Figura 6 –	Defi	nição	de	probabilidade	de	ruína
2.7 Dimensionamento das peças estruturais
 A avaliação da segurança de uma fundação deve incluir a análise de 
estabilidade dos elementos estruturais (sapatas, radiers, estacas, etc).
Estas peças devem ser dimensionadas segundo as recomendações pre-
vistas nas normas dos respectivos materiais envolvidos (por exemplo, a 
NBR-6118 para peças de concreto armado).
3. Movimentos da fundação
 Burland e Wroth (1974) propuseram um conjunto consistente de 
defi	nições	para	descrever	os	movimentos	da	fundação	(Figura	7	–	notar	
40
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
que o recalque está representado pela letra W). O recalque absoluto ou 
total é o deslocamento vertical descendente da fundação. O recalque di-
ferencial entre dois pontos é a diferença entre os valores dos respectivos 
recalques absolutos.
 Um dos conceitos mais usados na previsão de patologias em edi-
fi	cações	decorrentes	de	movimentos	da	fundação	é	a	rotação	relativa	ou	
distorção angular (β). No caso da inclinação ser nula, o seu valor coincide 
com o da rotação (θ), que pode ser calculada pela relação entre o recalque 
diferencial entre dois pontos e o seu vão, facilitando os cálculos.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
41
Figura 7 - Movimentos da fundação (Gusmão, 1990)
 O recalque é o principal movimento das fundações de edifícios, 
já que o carregamento preponderante é decorrente de peso próprio. A 
Tabela 3 apresenta um resumo das principais causas de recalques. Para o 
correto diagnóstico das patologias e seu tratamento ou reforço, é funda-
mental que as causas dos recalques sejam devidamente caracterizadas. Do 
contrário o tratamento pode ser inócuo ou até mesmo piorar o desempe-
nho do edifício.
Tabela 3 – Causas de recalques
Tipo Descrição Exemplo
Carregamento
Estático
Dinâmico
Própria obra e obras vizi-
nhas
Máquinas, veículos, etc.
Variação de
Umidade
Variação sazonal
Drenagem
Cortes no relevo
Barragem
Chuva
Seca prolongada
Absorção por plantas
Evaporação
Regularização de rios e 
canais
Rebaixamento do NA
Métodos de
Construção
Escavação
Rebaixamento do NA
Cravação de estacas
Execução de aterros
Ruptura de peças
Cavas superfi ciais, túneis e 
galerias
Camada mole, erosão in-
terna e gradiente crítico
Condições ambien-
tais
Fatores geológicos
Erosão
Elementos biológicos
Deterioração do elemen-
to estrutural
Cavernas cársticas
vossorocas
Formigueiros
Reação álcali-agregado 
(RAA)
42
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
4. Patologias causadas por recalques
4.1 Tipos de danos
 Os danos causados pelos movimentos da fundação podem ser 
classifi	cados	 em	 estéticos,	 funcionais	 e	 estruturais	 (BURLAND	 et	 al.,	
1977), como mostra a Tabela 4. Por outro lado, a maioria dos critérios 
usados	para	avaliação	de	danos	em	edifi	cação	faz	a	comparação	entre	os	
movimentos da fundação e valores ditos como limites ou admissíveis.
Tabela 4 – Danos associados a movimentos da fundação (BURLAND et 
al., 1977)
Tipo de
Dano Características Exemplos
Estético
- Dano afeta apenas a 
aparência, sem compro-
meter o uso e a estabili-
dade da edifi cação
- Fissuras em painéis de estru-
turas aporticadas.
- Pequena inclinação de corpo 
rígido
Funcional
- Dano afeta o uso e/
ou a funcionalidade da 
edifi cação
- Difi culdade para abertura de 
portas e janelas.
- Reversão de drenagem.
- Inclinação de poço de eleva-
dor.
Estrutural
- Dano afeta os elemen-
tos estruturais e podem 
comprometer a estabili-
dade da edifi cação
- Fissuras em lajes, vigas e pila-
res em estruturas aporticadas.
- Fissuras em paredes de alve-
naria estrutural.
4.2 Patologias típicas
 A ocorrência de recalques diferenciais causa o aparecimento de 
esforços secundários nos elementos estruturais. A Figura 8, por exemplo, 
mostra o caso de um painel de alvenaria apoiado em uma viga de concreto 
armado.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
43
Figura 8 – Parede de alvenaria em estrutura aporticada
 Admitindo-se que haja um recalque diferencial da coluna central 
em relação aos demais apoios (situação muito comum de ocorrer na práti-
ca), o recalque afeta a parede, a viga e os pilares. Surgem tensões cisalhan-
tes nas faces na parede, e uma tração máxima a 45º (Figura 9). Dependen-
do	da	magnitude,	pode	ocorrer	o	fi	ssuramento	da	parede	nesta	direção,	
normalmente na junta entre os tijolos (Figura 10).
44
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 9 – Esforços adicionais na alvenaria devido ao recalque diferen-
cial
Figura 10 – Fissura na alvenaria
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
45
 A Figura 11 apresenta o modelo de cálculo da viga admitindo-se 
apoios indeslocáveis. O recalque também provoca o surgimento de mo-
mentos negativo e positivo nos apoios periférico e central da viga, respec-
tivamente.	Se	a	viga	não	estiver	devidamente	armada,	pode	haver	fi	ssura-
mento, conforme indicado na Figura 12.
Figura 11 – Modelo de cálculo da viga com apoios indeslocáveis
46
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 12 –	Esforços	adicionais	e	fi	ssura	na	viga	devido	ao	recalque	di-
ferencial
 Finalmente, o recalque também provoca uma redistribuição das 
cargas nos pilares, havendo uma migração de carga do pilar central para os 
pilares extremos. O acréscimo de carga pode provocar o esmagamento do 
pilar (Figura 13).
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
47
Figura 13 – Esmagamento dos pilares devido ao recalque diferencial
	 No	caso	de	edifi	cações	com	estrutura	de	alvenaria	autoportante,	o	
padrão	de	fi	ssuramento	é	infl	uenciado	pela	presença	de	aberturas	(janelas	
e portas), como mostrado esquematicamente na Figura 14.
 Há ainda que se considerar a rigidez da estrutura na redistribuição 
dos esforços na estrutura (GUSMÃO, 1990). Se a deformada de recalques 
for uniforme, há apenas uma translação da estrutura (sem inclinação), e 
não	surgem	esforços	adicionais	na	estrutura,	mesmo	sendo	a	mesma	fl	exí-
vel ou rígida. Se, ao contrário, a deformada não for uniforme, a estrutura 
perfeitamente	fl	exível	acompanha	os	movimentos	do	terreno	e	também	
não há esforços adicionais na estrutura. Se, no entanto, for uma estrutura 
rígida,	há	uma	signifi	cativa	redistribuição	de	esforços.
48
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 14 –	Exemplos	de	fi	ssuras	causadas	por	recalquesem	paredes	
autoportantes (HOLANDA Jr., 2002)
5. Reforço de fundações
O reforço de uma fundação em geral é usado nas seguintes situações:
• Mau desempenho da fundação existente;
• Alteração do carregamento da estrutura (ex: ampliação vertical);
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS FUNDAÇÕES
49
• Alteração do tipo de uso da estrutura (ex: de residencial para comer-
cial). 
 Mas esse reforço não deve ser concebido de uma maneira isolada, 
sem levar em conta o contexto da obra. Do mesmo modo, não se deve di-
mensionar um reforço de fundação sem que o diagnóstico das patologias 
esteja devidamente esclarecido. A Tabela 5 apresenta as principais condi-
cionantes do projeto do reforço.
Tabela 5 – Condicionantes do reforço de fundações
Condicionantes Características
Técnicas
- Compatibilidade entre as condições do solo, da es-
trutura e do reforço.
- O tempo de execução do reforço deve ser compa-
tível com a velocidade de ganho de estabilidade da 
estrutura.
Econômicas
- Custo do reforço x valor da construção.
- Custo do reforço x valor da ampliação (ex: subsolo 
para garagem).
- Edifi cações públicas e históricas.
Exequibilidade e 
Segurança
- Acesso de pessoal e equipamentos.
- Monitoramento da obra para identifi cação de situa-
ções de risco.
50
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Referências
 ALONSO, U.R. (1991). Previsão e Controle das Fundações. Editora 
Edgard Blucher, 142p.
 BURLAND, J. B e WROTH, C. P. (1974). Settlements of Buil-
dings and Associated Damage. Proc. of Conference on Settlements of 
Structures, Cambridge/UK, pp. 611-654,.
 BURLAND, J.B.; BROMS, B.B.; MELLO, V.F.B. (1977). Beha-
vior of foundations and structures. Proc. Of IX ICSMFE, Tóqui, Vol. 2, 
pp.495-546. 
 GUSMÃO, A. D. (1990). Estudo da Interação Solo-Estrutura e sua In-
fl uência em Recalques de Edifi cações. Tese de Mestrado, COPPE, UFRJ, Rio de 
Janeiro.
 HOLANDA JR., O. G.(2002), Infl uência de Recalques em Edifícios de 
Alvenaria Estrutural. Doutorado, EESC/USP, São Carlos.
53
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS DE CONCRETO
Eudes de Arimatéa Rocha - ear_pec@poli.br
Mestrado pela UPE
Engenharia Civil pela UPE
Eliana Cristina Barreto Monteiro – eliana@poli.br
Livre Docente pela UPE
Doutorado pela USP e Mestrado pela UnB
Engenharia Civil pela UPE
1. Manifestações Patológicas das Construções em Concreto
 Em decorrência do que vem sendo discutido sobre patologia das 
construções,	o	meio	no	qual	a	construção	está	inserida,	é	um	definidor	do	
comportamento desta estrutura em relação a sua probabilidade de apre-
sentar defeitos. Uma vez que os fenômenos patológicos estão interligados 
à ação degradante do ambiente, torna-se necessário uma prática constru-
tiva cada vez mais precisa, onde em todas as fases, desde a concepção e 
planejamentos até a utilização da estrutura sejam tomadas as devidas pre-
cauções.
	 Assim,	de	 acordo	 com	Azevedo	 (2011),	 pode-se	 afirmar	que	 as	
manifestações patológicas têm suas origens motivadas por falhas ocasio-
nadas durante uma ou mais fases dos processos que permeiam a constru-
ção civil, sejam eles provenientes da fase de projeto, execução ou utilização 
de determinada construção. 
 Tais falhas, por sua vez, são agravadas pela ação de agentes agres-
sivos,	cuja	atuação	dificilmente	se	dá	de	forma	isolada,	mas	sim	como	um	
conjunto de agentes ligados a uma série de causas.
 Outro importante aspecto que deve ser considerado e que está 
atrelado ao desenvolvimento dos fenômenos patológicos em uma cons-
trução é a existência ou não de um programa de manutenção predial regu-
lar.
 De maneira mais abrangente, os problemas patológicos exibem 
sintomas que se apresentam numa escala evolutiva, em que, durante um 
54
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
eventual acompanhamento do sintoma, percebe-se o desenvolvimento do 
problema de forma a permitir distinção das diferentes causas. Neste caso, 
quanto	mais	cedo	for	a	identifi	cação	de	determinada	falha,	mas	fácil	será	
o tratamento do problema e consequentemente menos oneroso.
 Em Monteiro (2005) é apresentado a lei de evolução dos custos, 
conhecida também como Lei de Sitter ou Lei dos Cinco (Figura 1) em 
que os custos de correção de um problema em uma estrutura de concreto 
armado crescem segundo uma progressão geométrica de razão cinco, ou 
seja, quanto mais cedo começa a se recuperar a estrutura, maior será a vida 
útil da mesma e mais econômico será o processo de recuperação.
 Diversos estudos, realizados em vários países do mundo, busca-
ram relacionar a fase da construção civil que mais origina problemas pa-
tológicos em estruturas de concreto. Em sua grande maioria as manifesta-
ções patológicas de estruturas de concreto surgem na fase de concepção e 
projeto seguido por aspectos relacionados à execução das estruturas e aos 
materiais construtivos empregados.
Figura 1 - Lei da evolução de custos de Sitter.
Fonte: Sitter (1986).
 Vale salientar que a adoção de determinados materiais de cons-
trução	sem	o	devido	cuidado,	em	alguns	casos,	é	condição	sufi	ciente	para	
o aparecimento de manifestações patológicas. O concreto, assim como o 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
55
tijolo e a pedra, são materiais porosos com uma microestrutura caracte-
rizada pela presença de um sistema de poros de várias dimensões através 
dos quais podem penetrar as substâncias presentes no ambiente. Para Ber-
toloni (2010), o transporte de substâncias gasosas ou líquidas está frequen-
temente na base dos fenômenos de degradação desses materiais.
 Entretanto outros mecanismos também podem atuar de maneira 
a favorecer o aparecimento dos fenômenos patológicos. A presença de 
umidade	em	uma	edifi	cação,	uma	movimentação	eventual	no	terreno,	uma	
sobrecarga	 adicional	 na	 estrutura	 ou	 uma	 nova	 utilização	 da	 edifi	cação	
(não prevista em projeto) e, principalmente, a execução de reformas nas 
construções sem a supervisão técnica estão entre alguns dos principais 
fatores que desencadeiam problemas patológicos nas construções.
 Vários autores, entre eles Bertolini (2010), Azevedo (2011), Metha 
e	Monteiro	(2014),	classifi	cam	em	cinco	os	principais	mecanismos	de	de-
terioração que podem ocorrer durante a vida útil de uma estrutura, elenca-
dos a seguir:
• Fissuração;
• Ataques químicos;
• Ataques físicos;
• Corrosão de armaduras;
• Defeitos devido à construção, concepção de projeto e detalhamento.
1.1 Fissuração
	 Em	Veloso	(2014),	a	fi	ssuração	é	o	segundo	processo	patológico	
mais	frequente	nas	edifi	cações,	fi	cando	atrás	somente	dos	problemas	de	
presença de umidade nas estruturas. Segundo a autora supracitada, isto 
ocorre	pela	diversidade	de	causas	existentes,	que	podem	provocar	as	fi	ssu-
ras	numa	edifi	cação.
 Thomaz (1989) alerta para três aspectos relevantes que necessitam 
ser	considerados	mediante	a	fi	ssuração	dos	edifícios.	São	eles,	(i)	o	com-
prometimento do desempenho da obra em serviço (estanqueidade à água, 
56
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
durabilidade, isolação acústica, etc.), (ii) o constrangimento psicológico 
que	a	fi	ssuração	do	edifício	exerce	sobre	seus	usuários	e	(iii)	o	aviso	de	um	
eventual estado perigoso para a estrutura.
	 Não	necessariamente,	a	presença	de	fi	ssuras	em	estruturas	de	con-
creto	armado	é	uma	indicação	de	defi	ciência	de	resistência	ou	funciona-
mento e não deve ser, em geral, causa para alarme, considerando a possi-
bilidade	de	fi	ssuração	(CASTRO,1994).	No	entanto	é	importante	salientar	
que	a	fi	ssuração	das	estruturas	facilita	a	entrada	de	agentes	agressivos	e,	
muitas vezes, um problema simples se torna uma anomalia muito mais 
danosa.
	 De	forma	simplifi	cada,	as	fi	ssuras	em	estruturas	de	concreto	po-
dem ser ocasionadas por tensões oriundas de atuação de sobrecargas ou 
de movimentações de materiais, dos componentes ou da obra como um 
todo.	Assim,	nas	 edifi	cações	 as	fi	ssuras	 são	provocadas,	 principalmente	
por:
• Movimentações provocadas por variações térmicas e de umidade;
• Atuação de sobrecargasou concentração de tensões;
• Deformabilidade excessiva das estruturas;
• Recalques diferenciados das fundações;
• Retração de produtos à base de ligantes hidráulicos;
• Alterações químicas de materiais de construção.
1.1.1 Fissuras Causadas por Movimentações Térmicas
 Os elementos e componentes de uma estrutura estão sujeitos a 
variações de temperatura, sazonais e diárias. Essas variações repercutem 
em uma variação dimensional dos materiais de construção (dilatação ou 
contração); os movimentos de dilatação e contração são restringidos pelos 
diversos vínculos que envolvem os elementos e componentes, desenvol-
vendo nos materiais tensões que poderão provocar o aparecimento de 
fi	ssuras.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
57
 As trincas de origem térmica podem também surgir por movimen-
tações diferenciadas entre componentes de um elemento, entre elementos 
de um sistema e entre regiões distintas de um mesmo material.
 O CIBW80/RILEM 71-PSL (1983) explicita que as principais mo-
vimentações diferenciadas ocorrem em função de:
• Junção	de	materiais	com	diferentes	coefi	cientes	de	dilatação	térmica,	
sujeitos às mesmas variações de temperatura;
• Exposição de elementos a diferentes solicitações térmicas naturais;
• Gradiente de temperaturas ao longo de um mesmo componente.
1.1.2 Fissuras Causadas por Movimentações Higroscópicas
 Para Thomaz (1989), as mudanças higroscópicas provocam va-
riações dimensionais nos materiais porosos que integram os elementos e 
componentes	da	edifi	cação.
 Bertolini (2010, p.32) descreve que “em quase todos os fenôme-
nos de degradação físico-química dos materiais, é necessária a presença de 
água”.	Freitas,	Torres	e	Guimarães	(2008),	por	sua	vez,	reafi	rmam	que	a	
umidade constitui uma das principais causas de degradação dos edifícios.
	 Tal	afi	rmação	se	justifi	ca	porque	o	aumento	do	teor	de	umidade	
provoca uma expansão do material enquanto que a diminuição desse teor 
provoca uma contração. Os vínculos impedem ou restringem essas mo-
vimentações,	ocasionando	as	fi	ssuras	nos	elementos	e	 componentes	do	
sistema construtivo.
 A umidade tem acesso aos materiais de construção através de di-
versas vias, como por exemplo:
• Umidade resultante da produção dos componentes;
• Umidade proveniente da execução da obra;
• Umidade do ar ou proveniente de fenômenos meteorológicos;
• Umidade ascencioanal proveniente dos mecanismos de migração por 
58
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
capilaridade da água no interior dos poros dos materiais de constru-
ção.
1.1.3 Fissuras Causadas pela Atuação de Cargas Diretas e Sobre-
cargas
 Conforme comentado por Filho e Carmona (2013), os esforços 
mais	comuns	e	que	levam	à	fi	ssuração	devido	à	esforços	externos	aplica-
dos	são	aqueles	que	produzem	tensões	de	tração,	tais	como	fl	exão,	cisalha-
mento, punção, torção entre outros.
	 Segundo	Thomaz	(1989),	a	ocorrência	de	fi	ssuras	em	um	determi-
nado elemento estrutural produz uma redistribuição de tensões ao longo 
do	componente	fi	ssurado	e	mesmo	nos	componentes	vizinhos,	de	manei-
ra que a solicitação externa geralmente acaba sendo absorvida de forma 
globalizada pela estrutura ou parte dela. 
	 O	controle	de	fi	ssuras	em	projeto	é	bastante	complexo	e	 impli-
cações	estruturais	sérias	não	devem	ser	esperadas	de	fi	ssuras	excedendo	
marginalmente	os	limites	de	norma	se	a	armadura	é	sufi	ciente	e	adequa-
damente colocada, e o cobrimento é compatível com o ambiente onde a 
estrutura	está	situada.	As	principais	confi	gurações	de	fi	ssuras	sob	efeito	de	
cargas são apresentadas na Figura 2, transcrita do Bulletin d` Information 
(CEB nº 182, 1989). 
 Quanto às sobrecargas, previstas ou não em projeto, as mesmas 
podem	produzir	o	fi	ssuramento	de	componentes	de	concreto	armado	sem	
que	isto	signifi	que,	necessariamente,	a	ruptura	do	componente	ou	instabi-
lidade da estrutura. No entanto, é sempre bom considerar a incidência de 
fi	ssuras	em	uma	estrutura	de	forma	a	evitar	a	penetração	de	agentes.
1.1.4 Fissuras Causadas por Deformabilidade Excessiva de Estru-
turas de Concreto Armado
 Vigas e lajes deformam-se naturalmente sob ação do peso próprio, 
das demais cargas permanentes e acidentais e mesmo sob efeito da retra-
ção e da deformação lenta do concreto. Os componentes estruturais ad-
mitem	fl	echas	que	podem	não	comprometer	em	nada	sua	própria	estética,	
a	estabilidade	e	a	resistência	da	construção;	tais	fl	echas,	entretanto,	podem	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
59
ser incompatíveis com a capacidade de deformação de paredes ou outros 
componentes que integram os edifícios (THOMAZ, 1989).
	 A	NBR	6118	(ABNT,	2014)	estipula	as	máximas	fl	echas	permissí-
veis para vigas e lajes (alínea c, item 4.2.3.1):
As	fl	echas	medidas	a	partir	do	plano	que	contém	
os apoios, quando atuarem todas as ações, não 
ultrapassarão 1/300 do vão teórico, exceto no 
caso de balanços para os quais não ultrapassarão 
1/150 do seu comprimento teórico.
O deslocamento causado pelas cargas acidentais 
não será superior a 1/500 do vão teórico e 1/250 
do comprimento teórico dos balanços.
60
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 2 - Fissuras devido a carga imposta.
Fonte CEB, (1989) – adaptada.
 Salienta-se a necessidade de maior atenção e cuidado especial ao se 
verifi	car	a	possibilidade	de	ser	atingido	o	estado	de	deformação	excessiva,	
evitando as deformações que possam ser prejudiciais à estrutura ou a ou-
tras partes da construção.
 É comum alguns calculistas não darem a devida atenção a este 
item	da	Norma,	presenciando-se	frequentes	casos	de	fi	ssuras	em	alvena-
rias	provocadas	pelas	fl	echas	dos	componentes	estruturais.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
61
1.1.5 Fissuras Causadas pela Retração de Produção à Base de Ci-
mento
 O fenômeno da retração está associado a deformações em pastas 
de cimento, argamassas e concretos, sem que haja qualquer tipo de carre-
gamento. De uma forma geral, a principal causa da retração é a perda de 
água da pasta de cimento (FILHO; CARMONA, 2013).
 Nesta compreensão o principal mecanismo de retração é a perda 
de água por evaporação em estado fresco ou endurecido.
 Thomaz (1989) considera que em função da trabalhabilidade ne-
cessária, os concretos e argamassas normalmente são preparados com 
água em excesso, o que vem acentuar a retração. Na realidade é importante 
distinguir as três formas mais comuns de retrações que ocorrem em um 
produto preparado com cimento:
• Retração química: a reação química entre o cimento e a água se dá 
com redução de volume; devido a grandes forças interiores de coesão, 
a água combinada quimicamente (22 a 32%) sofre uma contração de 
cerca de 25% de seu volume original;
• Retração por secagem: a quantidade excedente de água, empregada 
na preparação do concreto ou argamassa, permanece livre no interior 
da massa, evaporando-se posteriormente; tal evaporação gera forças 
capilares equivalentes a uma compressão isotrópica da massa, produ-
zindo a redução do seu volume;
• Retração por carbonatação: a cal hidratada liberada nas reações de 
hidratação do cimento reage com o gás carbônico presente no ar, 
formando carbonato de cálcio. Esta reação é acompanhada de uma 
redução de volume.
 Os três tipos acima descritos, acontecem com o concreto em seu 
estado endurecido, ou em seu processo de endurecimento em períodos 
de tempo relativamente longos. Ainda há um quarto tipo de retração que 
ocorre quando o concreto está em seu estado fresco. Este se chama retra-
ção plástica.
62
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
	 Andrade	e	Silva	(2005)	afi	rmam	que	a	perda	de	água	do	concreto	
ainda não endurecido ocorre devido à exposição de sua superfície às in-
tempéries como vento, baixa umidade relativa e aumento da temperatura 
ambiente	que	podem	levar	o	concreto	à	fi	ssuração.	
 Desse modo, a retração plástica é consequência da evaporação da 
água da superfície exposta do concreto. Este tipo de retração está ligado 
ao fenômeno daexsudação, ou seja, se a evaporação da água da superfície 
for	mais	rápida	do	que	a	exsudação,	podem	ocorrer	fi	ssuras	superfi	ciais,	
de pequena profundidade e normalmente espaçadas de 0,30 a 1,0mm.
	 As	 fi	ssuras	 provenientes	 de	 retração	 térmica	 se	 interceptam	 se-
gundo ângulos aproximadamente retos, podendo dar origem a uma rede 
reticular	formada	por	um	grande	número	de	fi	ssuras	com	profundidade	
elevada que abrem caminho para a percolação da água e consequente-
mente deterioração do concreto (SANTOS; BITTENCOURT; GRAÇA, 
2011).
1.1.6 Fissuras Causadas por Alterações Químicas dos Materiais de 
Construção
 Os materiais de construção são susceptíveis de deterioração 
pela ação de substâncias químicas, principalmente as soluções ácidas e 
alguns tipos de álcool. A seguir serão enfocados três tipos de alterações 
químicas que se manifestam com frequência relativa:
• Retração retardada de cales: Segundo Santos, Bittencourt e Graça 
(2011), no caso de fabricação de componentes ou elementos com ca-
les	mal	hidratadas,	se	por	qualquer	motivo	ocorrer	uma	umidifi	cação	
do componente ao longo de sua vida útil, haverá a tendência de que 
os óxidos livres venham a hidratar-se, apresentando, em consequên-
cia, um aumento do volume de aproximadamente 100%. Em função 
da	intensidade	dessa	expansão	poderão	surgir	fi	ssuras	que	ocorrerão	
preferencialmente nas proximidades do topo da parede, onde são me-
nores os esforços de compressão oriundos do seu peso próprio;
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
63
• Ataque por sulfatos: O aluminato tricálcico, um constituinte normal 
dos cimentos, pode reagir com sulfatos em solução formando um 
composto denominado sulfoaluminato tricálcico ou etringita, sen-
do que esta reação é acompanhada de grande expansão (METHA; 
MONTEIRO, 2014). Para que esta reação ocorra é necessária a pre-
sença de cimento, de água e de sulfatos solúveis. Os sulfatos poderão 
provir de diversas fontes, como o solo, águas contaminadas ou mes-
mo componentes cerâmicos constituídos por argila com altos teores 
de sais solúveis; 
• Corrosão de armaduras: Quando há corrosão das armaduras no in-
terior do concreto, os óxidos que se formam são expansivos, geran-
do grandes tensões. Isto provoca o rompimento do concreto, com 
o	 aparecimento	 de	 fi	ssuras	 e	 lascamento	 do	 concreto	 ao	 longo	 da	
armadura.
1.2 Ataques Químicos
 A degradação do concreto por ataque químico é, comumente, um 
resultado de ataque sobre a matriz do cimento mais que sobre os agrega-
dos. A permeabilidade do concreto, caracterizada pela existência de poros, 
e	a	presença	de	fl	uídos	agressivos	são	fatores	determinantes	nos	efeitos	
dos ataques químicos. Estes podem ocorrer em duas formas: dissolução, 
que é a lavagem de componentes solúveis, e expansão, devido à forma-
ção/cristalização dos componentes (CASTRO, 1994).
 Segundo Almeida e Sales (2014), os ataques químicos mais co-
muns são:
• Efl	orescência:	São	manchas	ocasionadas	geralmente	pela	precipitação	
de carbonato de cálcio (CaCO3) na superfície do concreto, devido à 
evaporação da água que contém o hidróxido de cálcio;
• Ataque por sulfatos: É uma reação que consiste na formação de etrin-
gita (trisulfoaluminato de cálcio hidratado) a partir da reação de íons 
sulfatos com aluminatos de cálcio hidratado de cimento e /ou a alu-
mina reativa dos agregados. Este composto é muito expansivo e pro-
64
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
duz desagregação de toda a massa, com perdas de resistência notáveis;
• Ataque por ácidos: A penetração dos ácidos causa a decomposição de 
produtos de hidratação do cimento formando outros elementos que, 
se forem solúveis, podem ser lixiviados e, se insolúveis, podem ex-
pandir no próprio local onde se formam. O resultado deste ataque é a 
redução da capacidade aglomerante da pasta de cimento provocando 
a desagregação do concreto;
• Ataque por água do mar – Contém os sais, cloretos e nitratos; com 
cátions (Al, Fe, Mg) formam bases insolúveis e de baixa alcalinidade. 
Não interferem no aumento da porosidade da pasta, mas reduzem o 
seu pH, sendo prejudiciais à estabilidade dos silicatos de cálcio hidra-
tados e à corrosão das armaduras.
1.2.1 Íons Cloretos
	 De	acordo	com	Figueiredo	(2011),	nas	edifi	cações	a	maior	preo-
cupação quanto ao ataque químico nas estruturas é através da névoa salina 
com	alto	teor	de	íons	cloretos	que	se	infi	ltram	nas	estruturas	provocando	
corrosão das armaduras ou outras anomalias. A ação desta névoa salina é 
intensifi	cada	pela	proximidade	com	mares	e	oceanos.	Neste	caso	as	edi-
fi	cações	 presentes	 próximas	 às	 zonas	 litorâneas	 podem	 apresentar	 uma	
quantidade elevada de íons cloreto em sua estrutura.
1.2.2 Efl orescências
	 A	 efl	orescência	pode	 aparecer	nas	peças	de	 concreto	 após	dias,	
semanas ou mesmo meses. São depósitos salinos que se formam na super-
fície, resultantes da migração e posterior evaporação de soluções aquosas 
salinizadas, deixando assim formações salinas na superfície dos materiais 
(LANNES,	2011).	Na	maior	parte	dos	casos	as	efl	orescências	não	causam	
problemas maiores que o mau aspecto resultante, mas há circunstâncias 
em que o sal formado pode levar a lesões tais como o descolamento dos 
revestimentos ou pinturas, a desagregação das paredes e até a queda de 
elementos construtivos.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
65
	 Os	sais	solúveis	que	dão	origem	às	efl	orescências	podem	ter	várias	
origens, dentre elas as matérias-primas, os materiais de construção, a água 
existente	no	subsolo,	etc.	Na	maioria	dos	casos	as	efl	orescências	em	ma-
teriais de construção são causadas por sais de cálcio, de sódio, de potássio, 
de magnésio ou de ferro, raramente por outros. E também na maioria dos 
casos esses sais já fazem parte integrante do material de construção que, 
ao ser atravessado pela umidade, os dissolve na água (VERÇOZA, 1991).
	 A	efl	orescência	é	um	processo	natural	em	que	a	água,	tendo	en-
trado pelos poros capilares, dissolve o hidróxido de cálcio da pasta de 
cimento. O hidróxido de cálcio dissolvido pode, em seguida, reagir com 
o dióxido de carbono do ar para formar carbonato de cálcio insolúvel na 
superfície	do	 concreto.	Visto	que	um	fi	lme	de	 água	normalmente	 tam-
bém está presente na superfície do concreto, na maioria dos casos toda a 
superfície	fi	cará	coberta	por	carbonato	de	cálcio,	que	são	as	manchas.	O	
sal também pode se formar quando a água reúne dois ou mais compostos 
diferentes	que	reajam	entre	si.	Para	que	ocorra	a	efl	orescência	há	sempre	
uma constante necessidade de umidade, sendo por isso a sua correção 
implicar na eliminação da umidade. 
 Na percepção de Verçoza (1991), “raramente o sal pode ser depo-
sitado pela atmosfera, devido à presença de indústrias químicas ou situa-
ções similares nas proximidades, que lancem produtos químicos no ar. Ou 
pode ser simplesmente poeira trazida pelo ar”. (p.28-9)
	 Já	em	Lannes	(2011),	as	efl	orescências	podem	possuir	manchas	de	
cor castanhas, ou de ferrugem, que é o tipo de mancha mais comum do 
concreto armado. Ela aparece quando há pouco recobrimento da arma-
dura, ou quando o concreto é muito poroso, ou quando o aço entra em 
contato com substâncias oxidantes, como os ácidos inorgânicos. Podem 
possuir também manchas brancas, com aspecto de nuvem, pulverulentas, 
geralmente causadas por sulfatos (de sódio, de potássio, cálcio ou magné-
sio), e que não desagregam dos materiais. A maior lesão é o mau aspecto, 
a depreciação e descolamento de pinturas, mas nem sempre acontece por 
que às vezes, a umidade com o sal, atravessa também a pintura. Quando 
o sal é depositado por atmosferas industriais, ou vem do solo junto com 
a água de capilaridade, nesse caso a deposição será permanente. Podem 
ocorrer também manchas de cor branca escorrida, que não são solúveis 
66
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
em água e são muito aderentes, são manchas de carbonato de cálcio, co-
mumente formado pela reação do hidróxido decálcio (nata de cal) com o 
gás carbônico do ar. Essas manchas não corroem o material, porém dão 
um péssimo aspecto e podem causar o descolamento dos revestimentos 
ou pinturas, porque o sal é mais grosso que os sulfatos.
 Em decorrência da diversidade de compostos que podem originar 
o	fenômeno	da	efl	orescência,	Bauer	(2011),	sintetiza	no	Quadro	1	a	natu-
reza	química	das	efl	orescências	relacionando-as	com	a	sua	respectiva	fonte	
de origem e solubilidade em água.
Quadro 1 –	Natureza	química	das	efl	orescências
Composição Química Fonte Provável Solubilidade em Água
Carbonato de Cálcio
Carbonatação da cal lixiviada 
da argamassa ou concreto e 
de argamassa de cal não car-
bonatada.
Pouco solúvel
Carbonato de Magnésio
Carbonatação da cal lixiviada 
de argamassa de cal não car-
bonatada.
Pouco solúvel
Carbonato de Potássio
Carbonatação dos hidróxidos 
alcalinos de cimentos com 
elevado teor de álcalis
Muito solúvel
Carbonato de Sódio
Carbonatação dos hidróxidos 
alcalinos de cimentos com 
elevado teor de álcalis
Muito solúvel
Hidróxido de Cálcio Cal liberada na hidratação do cimento Solúvel
Sulfato de Cálcio Desi-
dratado
Hidratação do sulfato de cál-
cio do tijolo
Parcialmente so-
lúvel
Sulfato de Magnésio Tijolo, água de amassamento Solúvel
Sulfato de Cálcio Tijolo, água de amassamento Parcialmente so-lúvel
Sulfato de Potássio Reação tijolo-cimento, agre-gados, água de amassamento Muito solúvel
Sulfato de Sódio Reação tijolo-cimento, agre-gados, água de amassamento Muito solúvel
Cloreto de Cálcio Água de amassamento Muito solúvel
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
67
Cloreto de Magnésio Água de amassamento Muito solúvel
Nitrato de Potássio Solo adubado ou contami-nado Muito solúvel
Nitrato de Sódio Solo adubado ou contami-nado Muito solúvel
Nitrato de Amônia Solo adubado ou contami-nado Muito solúvel
Cloreto de Alumínio Limpeza com ácido muriático Solúvel
Cloreto de Ferro Limpeza com ácido muriático Solúvel
Fonte: Bauer (2011).
1.2.3 Corrosão das Armaduras
 Quando o concreto se combina com o cimento, a água, o agrega-
do, e se necessário com aditivos, seus diversos componentes se hidratam 
formando um conglomerado sólido. O concreto resulta, portanto, em um 
sólido compacto e denso, porém poroso. A rede de poros permite que o 
concreto apresente certa permeabilidade aos líquidos e gases. Mesmo que 
o cobrimento das armaduras seja uma barreira física, esta é permeável, em 
certa medida, e permite o acesso de elementos agressivos. 
 Helene (2014) considera que a mais generalizada das manifesta-
ções patológicas do concreto é a corrosão das armaduras, principalmente 
em peças de concreto aparente. A corrosão do aço é a sua transformação 
em Fe (OH)n, onde pode ser o Fe (OH)2 que é o hidróxido ferroso ou 
hidróxido de ferro II e também pode ser o Fe (OH)3 que é o hidróxido 
férrico ou hidróxido de ferro III. Este hidróxido é a ferrugem, material 
fraco e, pulverulento ou escamado, que não tem aderência ou coesão, e 
aumenta de volume à medida que se forma até alcançar de oito a dez vezes 
o volume do aço que lhe deu origem.
 Para este mesmo autor, o fenômeno da corrosão pode ser enten-
dido como a interação destrutiva de um material (no caso o aço do con-
creto armado) com o meio ambiente, como resultado de ações deletérias 
de natureza química e eletroquímica, associadas ou não a ações físicas ou 
mecânicas de deterioração. Basicamente, são dois os processos principais 
68
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
de corrosão que podem sofrer as armaduras de aço para concreto armado: 
a oxidação e a corrosão propriamente dita.
	 Contudo,	Verçoza	(1991)	afi	rma	que	a	corrosão	química,	em	geral,	
é a menos importante no concreto armado, é a corrosão provocada por 
reações químicas normais. Todos os ácidos inorgânicos (sulfídrico, clorí-
drico,	nítrico,	fl	uorídrico,	entre	outros)	são	agentes	violentos	de	corrosão;	
sendo os mesmos gotejados em aços, os perfuram rapidamente. Havendo 
a presença de cloretos com a água, formam-se eletrólito com cloro livre 
que reage com o ferro, formando então a ferrugem. O cloro e cloretos 
são perigosíssimos para a armadura e também para o concreto, porque a 
reação é contínua. Estes elementos são muito encontrados em aditivos, já 
que	são	aceleradores	de	pega	muito	efi	cientes	e	rápidos.	
 O cloro também é encontrado na água do mar, em atmosferas e 
esgotos industriais, em muitos detergentes, etc. Reações semelhantes às do 
cloro e cloretos sucedem com o enxofre e sulfato, com amônia e nitrato. 
Ainda de acordo com Helene (2014), a corrosão química pode ocorrer 
eventualmente sem a penetração de substâncias corrosivas. O aço, ao ar 
livre, em presença de oxigênio, pode ou não se transformar em ferrugem. 
Quando bem polido e nas temperaturas ambientes é difícil a corrosão 
química, a não ser que haja outras substâncias na atmosfera.
	 De	acordo	com	Sousa	(2014),	não	existe	uma	fronteira	fi	xa	entre	
a corrosão química e a eletroquímica, sendo que, a corrosão eletroquímica 
localiza-se em pontos que atuam como ânodo, embora logo se generalize. 
Esse tipo de corrosão apresenta-se principalmente, quando existe hetero-
geneidade no aço, sejam elas devidas à sua própria natureza, às tensões a 
que se acha submetido, ao meio em que está, entre outros. A corrosão ele-
troquímica é a principal causa de deterioração nas armaduras do concreto 
armado e protendido.
 No concreto nas primeiras idades e nas demais idades, a armadura 
está em meio alcalino ideal e, portanto, o aço está em forma passiva. En-
tretanto, por diversas causas, esta passividade pode desaparecer em pontos 
localizados (corrosão localizada ou sob tensão); ou desaparecer comple-
tamente (corrosão generalizada). Para que haja perda da passividade e se 
inicie a corrosão do aço é preciso que apareçam causas que possibilitem 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
69
a	criação	de	correntes	elétricas	de	sufi	ciente	diferença	de	potencial	para	
gerar uma pilha que desencadeie o processo corrosivo.
 Ainda segundo Sousa (2014), os fatores desencadeadores da cor-
rosão localizada que dão origem a ânodos nos quais se produzem a corro-
são,	podem	ser	muito	variados.	Alguns,	às	vezes,	não	originam	sufi	ciente	
diferença de potencial para produzir uma corrosão e esse é o caso da he-
terogeneidade estrutural criada pelo dobramento de armaduras, ninhos de 
pedra em contato com barras, diferenças de concentração de pasta ao seu 
redor, etc.; outros pelo contrário, podem produzir diferenças de potencial 
sufi	cientemente	alta	para	pôr	em	perigo	a	passividade	e	entre	elas	pode-se	
distinguir os cloretos, sulfatos e sulfetos na massa do concreto, entre ou-
tros.
 Quando há corrosão acentuada, o primeiro efeito é o aparecimen-
to de manchas avermelhadas na superfície do concreto. O segundo, mais 
grave, é consequência da expansão, pressionando o concreto e, com o 
tempo, o faz romper ocasionando o descolamento da armadura.
1.3 Ataques Físicos
 Na compreensão de Sousa, Almeida e Araújo (2014), as causas 
intrínsecas ao processo de ataques físicos à estrutura são as resultantes 
da ação da variação da temperatura externa, da insolação, do vento e da 
água, esta última sob a forma de chuva, gelo e umidade, podendo-se ainda 
incluir as eventuais solicitações mecânicas ou acidentes ocorridos durante 
a fase de execução de uma estrutura.
 Para Almeida e Sales (2014) as principais causas físicas que podem 
produzir danos importantes no concreto são:
• Ações dos ciclos de congelamento/descongelamento: a água ao con-
gelar-se sofre um aumento no seu volume da ordem de 9%. Se ela 
penetrar nos poros abertos do concreto e os saturar, existirá o perigo 
de que o incremento de volume de água congelada crie pressões in-
ternas	no	concreto	que	podem	provocar	fi	ssuras	e	escamações.	Esse	
fenômeno	difi	cilmente	ocorre	no	Brasil;
• Ação do fogo: a ação do fogo em estruturas de concreto pode pro-
70
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
vocar	diversas	 transformaçõesque	o	danifi	cam,	podendo	ocasionar	
fi	ssuração	e	decréscimo	da	resistência	à	compressão.	No	caso	do	con-
creto armado, a ação do fogo pode ainda comprometer a resistência à 
tração das armaduras;
• Cristalização de sais nos poros: também conhecido por descamamen-
to por sal, desagregação por sal ou ataque por hidratação de sal; este 
ataque puramente físico ocorre a partir da penetração de uma solução 
de sais hidratáveis na estrutura. Os danos típicos causados por esta 
ação podem ser constatados em monumentos históricos de pedra ou 
rocha;
• Erosão por abrasão: a erosão por abrasão, em geral, ocorre por for-
te contato e atrito de corpos ou partículas rígidas com a superfície 
do concreto. A abrasão pode ser motivada pela passagem de veícu-
los, deslocamento de material solto sobre canalizações, etc. também 
pode ser motivada por ações de partículas pesadas suspensas na água 
e circulando com grande velocidade, como ocorre em canalizações e 
estruturas marinhas, etc.
1.4 Ataques Biológicos ou Biodeterioração
 As principais anomalias oriundas da biodeterioração são o bolor, 
o mofo e o limo que representam manifestações patológicas decorrentes 
da	 colonização	por	diversas	populações	de	bactérias,	 fungos	fi	lamento-
sos e micro vegetais que se alimentam de materiais orgânicos formando 
manchas sobre a superfície atacada. Verçoza (1991) salienta que o bolor e 
o mofo são manifestações ocasionadas por um tipo de microvegetais, os 
fungos. Entretanto, há também outros microorganismos, como as bacté-
rias e algas microscópicas que provocam o mesmo efeito que os fungos, 
contudo a diferenciação deve ser feita por meio de investigações em labo-
ratórios biológicos.
 Já o limo, é uma película esverdeada formada por colônias de al-
gas ou microalgas que se depositam sobre a superfície do material. Estes 
agentes não atacam diretamente o substrato, no entanto, causam um mau 
aspecto	diminuindo	a	estética	da	edifi	cação.	Quando	presentes	em	grandes	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
71
quantidades na estrutura podem causar o desagregamento lento das arga-
massas pela pressão de suas raízes.
 Conforme descrito por Guerra, Cunha e Silva (2012), o apareci-
mento	destas	anomalias	é	muito	comum	em	edifi	cações	que	apresentam	
pouca	iluminação	natural,	ausência	de	ventilação	e	ou	ventilação	inefi	caz	
nos cômodos e umidade elevada (pontos sem água corrente) produzindo 
o ambiente perfeito para o desenvolvimento e proliferação dos mofos.
 Outro aspecto relacionado à biodeterioração dos materiais e igual-
mente relevante, refere-se a ação de excrementos de animais, especialmen-
te aves. Urina e fezes destes animais são bastante ácidas e podem promo-
ver a degradação generalizada de argamassas e rochas. Além do mais, tais 
dejetos em demasia, oferecem riscos biológicos para os seres humanos. 
 Bencke (2007) alerta para o perigo biológico que os pombos do-
mésticos	representam	para	as	edifi	cações	e,	principalmente,	para	a	socie-
dade. Segundo sua análise, os pombos transmitem doenças mortais aos 
homens e podem ser provocadas tanto por fungos existentes em suas fe-
zes secas, como por bactérias presentes em seus organismos. 
 Em virtude desta preocupação, foram criados diversos mecanis-
mos	que	difi	cultam	a	presença	dessas	aves	nas	estruturas	das	edifi	cações.	
A Figura a seguir apresenta alguns destes mecanismos de proteção.
(a) Redução da área de pouso pelo 
uso de arames ou fi os de nylon.
(b) Hastes pontiagudas tipo “porco 
espinho” colocadas em locais altos.
72
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
(c) Uso de telas uniformes.
Figura 3 – Medidas que inibem a presença de pombos nas fachadas das 
edifi	cações.
Fonte: (a) e (b) Bencke (2007) e (c) Beck (2003).
Referências
 ALMEIDA, F. C. R.; SALES, A. Efeitos da ação do meio ambiente 
sobre as estruturas de concreto. In: Daniel Véras Ribeiro (Org.). Corrosão 
em estruturas de concreto armado: teoria, controle e métodos de aná-
lises. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p. 51 – 73.
 ANDRADE, T. W. C. O.; SILVA, A. J. C. Patologia das estruturas. 
In: Geraldo C. Isaia. (Org.). Concreto: ensino, pesquisa e realizações. São 
Paulo: IBRACON, 2005, v.2, p. 953 – 983.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto: Procedimento. Rio de Ja-
neiro, 2014.
 AZEVEDO, M. T. Patologia das estruturas de concreto. In: Geral-
do C. Isaia (Org.). Concreto: Ciência e Tecnologia. São Paulo: IBRACON, 
2011, v.2, p. 1095 – 1128.
 BAUER, L. A. F. Materiais de Construção 2. Rio de Janeiro: 
LTC, 2011, 510 – 922 p.
 BERTOLINI, L. Materiais de construção: patologia, reabilita-
ção,	prevenção.	São	Paulo:	Ofi	cina	de	textos,	2010.	408	p.
 BECK, P. V. Estudo das infestações de pombos nas edifi ca-
ções da cidade de Brasília.	Brasília,	2003.	Monografi	a	de	conclusão	de	
curso de biologia. UNICEUB, 20p.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
73
 BENCKE, G. A. Pombo domésticos: sugestões para o controle 
em escolas públicas estaduais de Porto Alegre. Fundação Zoobotânica do 
Rio Grande do Sul, 2007. 22p.
 CASTRO, E. K.; Desenvolvimento de metodologia para ma-
nutenção de estruturas de concreto armado. Brasília, 1994. Disserta-
ção de Mestrado, Universidade de Brasília, 185p.
 CEB (COMMITE EURO-INTERNACIONAL DU BETON). 
CEB Design guide: Durable concrete structures, Bulletin d’Information 
nº 182. [S.I.: s.n.] junho, 1989.
 CIB W80/ RILEM 71-PSL (CONSEIL INTERNACIONAL DU 
BÁTMENT POUR LA RECHERCHE L’ÉTUDE ET LA DOCUMEN-
TATION & RÉUNION INTERNATIONALE DES LABORATOIRES 
D’ESSAIS ET DE RECHERCHES SUR LES MATÉRIAUX ET LES 
CONSTRUCTIONS). Prediction of servise life of building materials 
and components, Rotterdam, 1983, 98p.
 FILHO, A. C.; CARMONA, T.G. Boletín técnico nº 03: grie-
tas en estructuras de hormigón. ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA 
DE CONTROL DE CALIDAD, PATOLOGÍA Y RECUPERACIÓN 
DE LA CONSTRUCCIÓN – ALCONPAT Internacional, [S.I.], IDD, 
2013. 16 p.
 FIGUEIREDO, E. P. Ação dos cloretos no concreto. In: Geraldo 
C. Isaia (Org.). Concreto: Ciência e Tecnologia. São Paulo: IBRACON, 
2011, v.1, p. 887 – 902.
 FREITAS, V.P.; TORRES, M.I.; GUIMARÃES, A.S. Humidade 
ascencional. Faculdade de engenharia da Universidade do Porto, Portu-
gal, 2008. 106 p.
 GUERRA, F. L.; CUNHA, E. G.; SILVA, A.C.S.B. et al. Análise 
das	condições	favoráveis	à	formação	de	bolor	em	edifi	cação	histórica	de	
Pelotas, RS, Brasil. Ambiente Construído. Porto Alegre, v.12, n. 4, p. 7 – 
23, out. / dez. 2012.
 HELENE, P.R.L. Introdução a corrosão das armaduras. In: Da-
niel Véras Ribeiro (Org.). Corrosão em estruturas de concreto arma-
do: teoria, controle e métodos de análises. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. 
p. 1 – 12.
74
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 LANNES, L. D. Reincidência de danos em prédio histórico 
preservado. Pelotas, 2011. Dissertação de Mestrado (Curso de Programa 
de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo), Universidade Federal de 
Pelotas, 278 p.
 MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: microestrutura, 
propriedades e materiais. São Paulo: IBRACON, 2014. 2 ed. 751 p. 
MONTEIRO, E. C. B. Reabilitação de estruturas de concreto. In: Geraldo 
C. Isaia (Org). Concreto: Ensino, Pesquisa e Realizações. São Paulo, SP: 
IBRACON, 2005, v.2, p. 1109 - 1125.
 SANTOS, S. B.; BITTENCOURT, R. M.; GRAÇA, N. G. Efeitos 
da temperatura sobre o concreto. In: Geraldo C. Isaia (Org.). Concreto: 
Ciência e Tecnologia. São Paulo: IBRACON, 2011, v.1, p. 705 – 731.
 SOUSA, A. K. D.; ALMEIDA, M.V.V.A.; ARAÚJO, N. M. V. et 
al. Incidência de Manifestações Patológicas nas Estruturas de Concreto 
Armado	de	uma	Edifi	cação	Histórica	na	Cidade	de	Natal	–	RN.	In:	CON-
GRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO, 56, 2014, João Pessoa, Paraí-
ba. Anais... João Pessoa: IBRACON, 2014. v. 1, p. 1- 22.
 SOUSA, C. A. C. Princípios da corrosão eletroquímica. In: Daniel 
Véras Ribeiro (Org.). Corrosão em estruturas de concreto armado: 
teoria, controle e métodos de análises. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p. 
13 – 35.
 THOMAZ, E. Trincasem edifícios: causas, prevenção e recupe-
ração. São Paulo: Pini. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 
Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 1989. 194 p.
	 VELOSO,	H.	 Fissuras	 em	 edifi	cações.	PET Engenharia Civil 
UFRJ.	 Disponível	 em:	 <http://blogdopetcivil.com/2014/04/23/fi	ssu-
ras-em-edifi	cacoes/>.	Acesso	em:	30	abr.	2015.
VERÇOZA, E. J. Patologia das edifi cações. Porto Alegre: Sagra, 1991. 
173 p.
77
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS 
ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
FISSURAS NA ALVENARIA DE VEDAÇÃO
Alberto Casado Lordsleem Júnior
Livre Docente pela UPE
Pós-Doutorado, Doutorado e Mestrado pela USP
Engenharia Civil pela UFPE
1. Introdução
	 A	 fissuração	 é	 um	 problema	 patológico	 que	 interessa	 a	 vários	
ramos da engenharia, entre outros motivos, por estar diretamente rela-
cionada à resistência dos materiais. Na engenharia de construção civil, a 
incidência	 é	 verificada	 tanto	nos	 componentes	mais	 simples,	 como	por	
exemplo nos blocos de uma alvenaria, como até em elementos comple-
xos,	tais	como	os	responsáveis	pela	segurança	estrutural	de	uma	edificação	
(LORDSLEEM JR., 1997).
	 De	acordo	com	COSTA	(1993),	a	fissura	também	é	conhecida	por	
outras denominações, como por exemplo: trinca e rachadura. A seguir são 
apresentadas	algumas	definições	extraídas	da	bibliografia.
 ELDRIDGE (1982), discorrendo sobre as principais patologias 
que	incidem	nas	edificações,	define	fissura	como:	“o	resultado	de	solici-
tações maiores do que aquelas que o edifício ou parte dele pode suportar. 
Essas solicitações podem ser externas ou internas ao edifício ou aos seus 
materiais (...). Pode ser uma ou várias solicitações, resultante de uma ou 
várias	causas”.	Essa	definição	deixa	implícito	quão	difícil	é	o	diagnóstico	
dessa	patologia,	 pois	 a	fissura	pode	 ser	 resultante	de	uma	ou	 inúmeras	
causas, atuando ou não ao mesmo tempo.
	 MORAES	(1982),	em	sua	dissertação	de	mestrado,	define	trinca	
(terminologia utilizada por esse autor) como: “um fenômeno, patológico 
às construções, caracterizado pela ruptura entre as partes de um mesmo 
elemento ou entre dois elementos acoplados, causando danos de ordem 
78
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
estética	ou	estrutural	a	uma	edifi	cação”.	MORAES	destaca	nessa	defi	nição	
a forma como a trinca pode ocorrer: entre elementos ou em um mesmo 
elemento.
 O Centre Scientifi que et Technique de la Construction - CSTC apud SA-
BBATINI	(1984),	particulariza	a	defi	nição	de	fi	ssura	ao	elemento	parede:	
“manifestação patológica do alívio das tensões que se desenvolvem inter-
namente na parede. Essas tensões ao sobrepujarem a capacidade resistente 
dos	materiais	levam	à	ruptura	localizada	-	a	fi	ssura,	cuja	abertura	raramen-
te ultrapassa 1 mm”.
 SABBATINI acrescenta ainda que: “as trincas, que se diferenciam 
das	fi	ssuras	pela	sua	maior	abertura,	ocorrem	por	desequilíbrios	de	grande	
amplitude, como devido a recalques diferenciais exagerados das funda-
ções”.
 O Conseil International du Bâtiment - CIB (CIB..., 1993), numa publi-
cação	sobre	as	patologias	das	edifi	cações,	ressalta	a	forma	da	fi	ssura	em	
sua	defi	nição:	“(...)	uma	descontinuidade	linear,	produzida	pela	fratura	de	
um material. Abertura estreita e longa”.
 Para a compreensão dos assuntos aqui tratados, adotou-se a se-
guinte	 defi	nição	 para	fi ssura: manifestação patológica resultante de uma 
solicitação maior do que a capacidade de resistência da alvenaria, com 
aberturas lineares até a ordem de 1 mm de largura, que podem interferir 
nas suas características estéticas, funcionais ou estruturais. As aberturas 
cuja largura seja inferior a 0,1 mm podem também ser denominadas de 
microfi ssuras e aquelas superiores a 1 mm denominadas de trincas.
	 Como	regra	geral,	será	utilizado	o	termo	fi	ssura	no	decorrer	deste	
capítulo, exceto nos casos de citações diretas em que os autores utilizem 
outras expressões para designar essa patologia.
	 O	surgimento	de	fi	ssuras	no	revestimento	constitui-se	apenas	na	
manifestação exterior de um fenômeno que pode ter origem no próprio 
revestimento ou na base sobre a qual o revestimento é aplicado, no caso 
em questão a alvenaria de vedação. E, em função da origem, a recuperação 
a ser adotada será completamente diferente. Por isso, convém distinguir as 
diferentes	possibilidades	de	origem	da	fi	ssura.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
79
2. Origem das fi ssuras
2.1 No revestimento de argamassa
 Os revestimentos, assim como as paredes e as aberturas fazem par-
te do subsistema vedação vertical. Estes elementos já foram tema de dis-
cussão de várias publicações, entre as quais: ALVENARIAS (1988), INS-
TITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS - IPT (INSTITUTO..., 
1988), SABBATINI et al. (1988a), SABBATINI et al. (1988b), SELMO 
(1989), LORDSLEEM JR. (1997), SAHADE (2005) e LORDSLEEM JR., 
FARO (2016).
 CINCOTTO (1984), ao tratar das patologias das argamassas de 
revestimento,	afi	rma	que	a	manifestação	de	fi	ssuras	com	origem	no	reves-
timento de argamassa ocorre geralmente na forma de mapa.
A	Figura	1	ilustra	a	ocorrência	de	fi	ssuras	no	revestimento	de	argamassa	
na forma de mapa.
	 MEDEIROS;	SABBATINI	(1994),	discorrendo	sobre	a	fi	ssuração	
dos	revestimentos	de	argamassa,	afi	rmam	que	a	manifestação	de	fi	ssuras	
podem acontecer tanto na fase plástica quanto na fase endurecida. Segun-
do esses autores, é a perda de umidade nas primeiras idades que desenca-
deia movimentos de retração, os quais acabam gerando tensões internas 
de	tração	e,	consequentemente,	a	fi	ssuração	do	revestimento.	De	acordo	
com SABBATINI (1984), essa retração também ocorre em função das 
reações de hidratação e carbonatação dos aglomerantes.
80
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 1 -	Manifestação	típica	de	fi	ssuras	com	origem	no	revestimento	
de argamassa
 BAUER (1997), ao analisar as patologias dos revestimentos de ar-
gamassas	inorgânicas,	também	considera	que	a	incidência	de	fi	ssuras,	sem	
que	tenha	ocorrido	movimentação	ou	fi	ssuração	da	base,	ocorre	principal-
mente por retração da argamassa.
	 Segundo	SABBATINI	(1995),	as	fi	ssuras	ocasionadas	pela	retra-
ção da argamassa de revestimento podem ser prejudiciais ou não, conforme 
ilustra a Figura 2.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
81
Figura 2 -	Fissuração	da	argamassa	por	retração:	a)	formação	de	fi	ssuras	
prejudiciais;	b)	formação	de	microfi	ssuras	não-prejudiciais	(SABBATINI,	
1995)
	 MEDEIROS;	SABBATINI	(1994)	esclarecem	que	as	fi	ssuras	con-
sideradas prejudiciais ou patológicas, como ilustra a Figura 2(a), são aque-
las que “interferem nas propriedades fundamentais dos revestimentos de 
argamassa - estanqueidade, durabilidade, integridade e aderência à base”.
	 As	microfi	ssuras	não-prejudiciais	ilustradas	na	Figura	2(b)	podem	
ainda se propagar ao longo do tempo por efeito das movimentações tér-
micas e higroscópicas do revestimento causadas pelas variações nas con-
dições ambientais.
	 O	processo	que	se	forma	com	a	associação	dessas	microfi	ssuras	
existentes	no	interior	da	argamassa	leva	a	formação	das	fi	ssuras	prejudi-
ciais, como aquelas ilustradas na Figura 2(a).
	 Dessa	forma,	a	formação	de	fi	ssuras	na	argamassa	de	revestimen-
to é análoga aquela que HANAI (1992) descreve para a argamassa armada, 
na	qual	a	“propagação	de	fi	ssuras	a	partir	de	micro1	ou	macrofi	ssuras	pré-
1	HANAI	(1992),	ao	tratar	da	argamassa	armada,	defi	ne	microfi	ssuração	como	sendo:	“o	
fenômeno	de	propagação	de	fi	ssuras	a	partir	de	descontinuidades	físicas	-	bolhas,	poros,	
falhas	de	aderência	entre	pasta	e	agregado	-	que	podem	ser	vistas	como	microfi	ssuras	
pré-formadas no interior do material”.
82
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
formadas acaba, num intricado processo de conexão entre minúsculas fra-
turas, conduzindo à superfície de fratura global, segundo a qual as partes 
de uma amostra de argamassa se separam”.
 Segundo SABBATINI et al. (1988a), os principais fatores que in-
terferem	na	fi	ssuração	dos	revestimentos	são:	teor	e	naturezados	aglome-
rantes, teor e natureza dos agregados, capacidade de absorção de água da 
base e a técnica de execução. A Tabela 1 de MEDEIROS; SABBATINI 
(1994)	relaciona	a	importância	desses	fatores	para	o	surgimento	de	fi	ssuras	
nos revestimentos de argamassa.
Tabela 1 -	Fatores	que	interferem	na	fi	ssuração	dos	revestimentos	nas	
primeiras idades (MEDEIROS; SABBATINI, 1994)
Fatores Considerações
Teor e natureza dos 
aglomerantes
É principalmente o teor de fi nos na argamassa 
que determina três importantes propriedades 
que infl uenciam na fi ssuração dos revestimentos: 
a retenção de água, a trabalhabilidade e a 
reatividade.
Teor e natureza dos 
agregados
A granulometria dos agregados deve ser contínua 
permitindo a ocorrência de um menor volume de 
vazios. Finos inertes devem ser limitados. Desta 
forma, pode-se reduzir o consumo de água e, con-
seqüentemente, a retração do revestimento.
Absorção de água 
pela base
A perda de umidade excessiva durante o endureci-
mento agravada pelas condições ambientais é um 
fator determinante no ganho de resistência inicial. 
Argamassas com maior capacidade de reter água 
podem minimizar este efeito.
Técnica de execução
O grau de compactação exercido na execução e o 
teor de umidade remanescente durante o desem-
penamento são fatores muito importantes no apa-
recimento de fi ssuras nas primeiras idades.
 Ainda em função do teor de aglomerantes, de acordo com SAB-
BATINI	et	al.	(1988a),	as	fi	ssuras	na	argamassa	de	revestimento	podem	se	
manifestar de duas formas diferentes.
 Nas argamassas ditas fortes, ou seja, com maior teor de cimento 
e maior limite de resistência, as tensões vão se acumulando e a ruptura 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
83
quando	ocorre	é	na	forma	de	macrofi	ssuras.	Em	contrapartida,	há	as	ar-
gamassas ditas fracas, cujas ligações internas são menos resistentes e as 
tensões	podem	ser	dissipadas	na	forma	de	microfi	ssuras	não-prejudiciais,	
como aquelas mostradas na Figura 2(b).
 Para SABBATINI et al. (1988a), a relação entre as capacidades 
de absorção de água da base e de retenção de água da argamassa podem 
regular a perda de umidade do revestimento durante seu endurecimento, 
permitindo o desenvolvimento de resistência de aderência à tração.
 Em função disso, LOGEAIS (1989) aconselha que as característi-
cas dos materiais empregados na produção da argamassa de revestimento 
sejam compatíveis com as características da base, de forma a evitar o apa-
recimento	de	fi	ssuras.
	 Outro	parâmetro	que	infl	uencia	a	fi	ssuração	do	revestimento	de	
argamassa é a técnica de execução pois estabelece o grau de compactação 
do revestimento e os tempos de sarrafeamento e desempeno.
 Objetiva-se com a máxima compacidade da argamassa, reduzir ao 
mínimo	os	vazios	inter-granulares	com	a	fi	nalidade	de	aumentar	a	resis-
tência mecânica do revestimento e, conseqüentemente, a ocorrência de 
fi	ssuras.	Segundo	SABBATINI	(1995),	a	compressão	realizada	no	desem-
peno	desloca	um	fl	uxo	de	pasta	para	a	superfície,	a	qual	irá	envolver	os	
grãos	superfi	ciais	e	permitir	obter	uma	adequada	resistência	mecânica	na	
superfície desempenada e uma maior impermeabilidade da camada.
 SABBATINI et al. (1988a) acrescentam que “estes parâmetros de-
terminam o teor de umidade remanescente no revestimento e a capacida-
de de retração subseqüente a tais operações”.
	 Como	se	pôde	verifi	car	pelas	considerações	anteriores,	a	fi	ssura-
ção dos revestimentos de argamassa com origem no próprio revestimento 
pode estar relacionada tanto com os materiais como com a técnica de 
execução ou ser resultante da combinação de ambos.
	 A	fi	ssuração	do	revestimento	pode	ser	ainda	decorrente	das	defor-
mações da alvenaria de vedação, assunto que será discutido adiante e foco 
maior deste capítulo.
84
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
2.2 Na alvenaria de vedação
	 A	defi	nição	adotada	neste	trabalho,	para	a	alvenaria	de	vedação,	é	a	
de SABBATINI (1984): “componente complexo, utilizado na construção, 
e conformado em obra, constituído por tijolos ou blocos unidos entre 
si por juntas de argamassa formando um conjunto rígido e coeso, (...), 
não sendo dimensionada para resistir a cargas além de seu peso próprio”. 
Como exemplo, esse autor cita as paredes de alvenaria.
	 Segundo	SABBATINI	et	al.	(1988a),	as	fi	ssuras	nos	revestimentos	
de argamassa podem ocorrer em função da amplitude de deformação da 
base,	no	caso	a	alvenaria	de	vedação.	A	Figura	3	ilustra	as	fi	ssuras	decor-
rentes de deformações de grande e pequena amplitude da base.
Para esses autores, não é função do revestimento absorver as deformações 
de grande amplitude da base.
Figura 3 - Fissuras decorrentes da deformação da base: a) deformação 
de grande amplitude; b) deformação de pequena amplitude (SABBATI-
NI, 1995)
	 LOGEAIS	 (1989)	 considera	 que	 a	 fi	ssuração	 do	 revestimento	
também pode ser decorrente de solicitações inaceitáveis da alvenaria, sem 
que nada de anormal tenha ocorrido com ela.
 No entanto, LOGEAIS concorda que na maioria dos casos a si-
tuação	mais	comum	é	que	a	fi	ssuração	do	revestimento	ocorra	em	virtude	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
85
da	própria	fi	ssuração	da	alvenaria.	As	causas	das	fi	ssuras	na	alvenaria	de	
vedação são discutidas no item 3.
 De acordo com THOMAZ (1989), em função da resistência à tra-
ção da argamassa de assentamento e dos componentes de alvenaria, as 
fi	ssuras	na	alvenaria	poderão	ser	de	dois	tipos,	conforme	ilustra	a	Figura	4.
Figura 4 -	Tipos	de	fi	ssuras	na	alvenaria	de	vedação:	a)	a	resistência	à	
tração dos componentes é superior à da argamassa ou à resistência de 
aderência argamassa/blocos; b) a resistência à tração dos componentes é 
igual ou inferior à da argamassa (THOMAZ, 1989)
	 ELDRIDGE	(1982)	considera	que	a	fi	ssuração	do	revestimento	
como	consequência	da	fi	ssuração	da	base,	ou	seja,	da	alvenaria	de	vedação,	
é o caso mais comum.
 De fato, diversas pesquisas foram realizadas no exterior e no Bra-
sil	e	confi	rmaram	o	maior	número	de	casos	de	fi	ssuração	com	origem	na	
alvenaria. De um modo geral, comparando-se os resultados das pesquisas 
estrangeiras com as nacionais, a incidência dos problemas relacionados à 
fi	ssuração	das	alvenarias	é	bastante	semelhante.
 Da análise das investigações percebe-se que as causas diferem de 
pesquisa	para	pesquisa,	não	sendo	possível	 afi	rmar	a	existência	de	uma	
única causa. Isso se deve, em grande parte, às diferentes condições de ex-
posição das regiões das investigações, aos diferentes métodos de avaliação 
86
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
e	classifi	cação	das	fi	ssuras,	a	diversidade	de	materiais	empregados;	enfi	m,	
às características intrínsecas da construção civil de cada país.
	 No	entanto,	pôde-se	concluir	que	as	principais	causas	das	fi	ssuras	
nas alvenarias poderiam ser agrupadas em quatro grupos: movimentação 
térmica; movimentação higroscópica; movimentos das fundações e defor-
mações de estruturas de concreto armado.
3. Causas da fi ssuração das alvenarias de vedação
 Apresentam-se, a seguir, ainda que de forma sucinta, as principais 
causas	de	manifestação	das	fi	ssuras	na	alvenaria	de	vedação.	Para	cada	uma	
delas são destacados os agentes causadores e as formas mais comuns de 
manifestação. Estas últimas são reunidas em forma de tabelas, nas quais 
constam a descrição do caso, a ilustração da patologia e os comentários 
pertinentes. Informações mais detalhadas de cada assunto podem ser ob-
tidas	 diretamente	 dos	 trabalhos	 citados,	 cujas	 referências	 bibliográfi	cas	
completas	encontram-se	no	fi	nal	deste	capítulo.
3.1 Movimentação térmica
 “Todos os materiais, componentes e elementos de uma constru-
ção estão sujeitos a variações de temperatura. Estas variações, diárias ou 
sazonais, permitem variações dimensionais dos mesmos, proporcionando 
movimentos de dilatação e contração” (BUILDING..., 1977).
 Segundo THOMAZ (1989), “a amplitude e a taxa de variação da 
temperatura de um componente expostoà radiação solar, principal fonte 
de	calor	atuante	sobre	os	componentes	de	uma	edifi	cação,	 irá	depender	
da atuação combinada dos seguintes fatores: intensidade da radiação solar, 
absorbância2 da superfície do componente à radiação solar, emitância da 
superfície	do	componente,	condutância	 térmica	superfi	cial,	entre	outras	
propriedades térmicas dos materiais de construção”.
2 Segundo THOMAZ (1989), a absorbância é a energia absorvida por um componente 
quando exposto à radiação solar que faz com que a sua temperatura super� cial seja 
superior à do ar ambiente.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
87
	 As	fi	ssuras	de	origem	térmica	têm	origem	nas	movimentações	di-
ferenciais entre componentes de um elemento, entre elementos de um 
sistema e entre regiões distintas de um mesmo material. Algumas das prin-
cipais	 formas	 de	manifestação	 de	 fi	ssuras	 causadas	 pela	movimentação	
térmica são ilustradas na Tabela 2.
Tabela 2 -	Formas	de	manifestação	de	fi	ssuras	causadas	pela	movimen-
tação térmica
88
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
	 A	primeira	coluna	descreve	a	fi	ssura	ou	fornece	alguma	descrição	
do problema; enquanto a segunda coluna ilustra a forma de manifestação 
daquele. A terceira coluna destaca os comentários pertinentes.
	 Como	se	pôde	verifi	car	pelos	casos	apresentados	na	Tabela	2,	as	
manifestações	de	fi	ssuras	na	alvenaria	de	vedação	podem	ser	decorrentes	
das variações térmicas extrínsecas ou intrínsecas à alvenaria.
 “As principais movimentações diferenciais ocorrem em função da: 
junção	de	materiais	com	diferentes	coefi	cientes	de	dilatação	térmica,	su-
jeitos às mesmas variações de temperatura; exposição de elementos a dife-
rentes solicitações térmicas naturais e gradiente de temperatura ao longo 
de	uma	mesma	parte	da	edifi	cação”	(FOUNDATIONS...,	1979).
	 Para	SABBATINI	(1984),	“as	fi	ssuras	de	origem	térmica,	apesar	
de não comprometerem a segurança, assumem grande importância na 
construção	de	edifícios”.	SABBATINI	justifi	ca	a	importância	das	fi	ssuras	
de	origem	térmica	ao	afi	rmar	que	“as	deformações	que	as	causam	são	ine-
vitáveis;	as	fi	ssuras	são	de	difícil	reparo,	pelo	seu	caráter	cíclico	e	variável	
e, normalmente comprometem alguma exigência essencial (por exemplo, 
uma exigência psicológica - o temor pela segurança ou de habitabilidade - 
sanidade)”.
 Caso prático descrito por LORDSLEEM JR. (2015) detalha a aná-
lise	das	fi	ssuras	nas	vedações	de	uma	edifi	cação	de	33	pavimentos	na	ci-
dade brasileira de Recife, com estrutura em concreto, alvenaria de tijolos 
cerâmicos e cobertura com manta asfáltica. As manifestações patológicas 
das	 fi	ssuras	 nas	 vedações	 foram	 ocasionadas	 preponderantemente	 pela	
movimentação da laje de cobertura, cujas paredes estavam rigidamente 
vinculadas.
	 Muitas	vezes,	uma	mesma	forma	de	manifestação	de	fi	ssura	pode	
ser decorrente da movimentação térmica, da movimentação higroscópica 
ou	da	combinação	das	duas,	o	que	difi	culta	a	determinação	da	causa	ou	
causas. São exemplos dessa situação o terceiro, o quarto e o sexto casos da 
Tabela 2.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
89
3.2 Movimentação higroscópica
 Segundo POLISSENI (1986), denomina-se teor higroscópico o 
“teor mínimo de umidade que na prática pode estar presente em um ma-
terial	 poroso”.	 “As	 fi	ssuras	 causadas	 por	movimentações	 higroscópicas	
apresentam-se bastante semelhantes àquelas devidas às movimentações 
térmicas. Ambas são conseqüência de deformações provocadas por varia-
ções volumétricas (expansão e contração)” (NOTE..., 1980).
 De fato, os materiais porosos que constituem os componentes e 
elementos da construção estão sujeitos às mudanças higroscópicas que 
provocam as variações dimensionais, assim como o efeito da mudança de 
temperatura.
 De acordo com BEALL (1987), “o aumento do teor de umidade 
produz uma expansão do material enquanto que a diminuição provoca 
uma contração”.
	 Segundo	PEREZ	(1986),	“existe	uma	classifi	cação	para	os	tipos	
de umidade existentes nas construções, internacionalmente aceita com 
pequenas variações de um país para outro, onde se procura conciliar a 
origem do fenômeno (materiais de construção sujeitos a diversas vias de 
umidade) e a forma como este se manifesta, quais sejam: de obra; de ab-
sorção	e	capilaridade;	de	infi	ltração,	de	condensação	e	acidental”.
	 Um	dos	fenômenos	que	mais	interessam	ao	estudo	da	fi	ssuração	
das alvenarias, segundo MEDEIROS (1993) e COSTA (1995), é a retra-
ção na secagem provocada por variação do teor de umidade dos blocos e 
da argamassa, dentre outros motivos, por estar relacionada à estabilidade 
dimensional dos mesmos.
 SABBATINI (1984) interpreta o fenômeno da seguinte forma: “a 
retração inicial, originada após a fabricação úmida do material, no caso 
de blocos e argamassas, surge com a diminuição do teor de umidade. Até 
um determinado ponto, a retração que ocorre é irreversível, ou seja, se 
re-umidecermos o material até aquela umidade de fabricação (ou supe-
rior) não iremos observar qualquer movimento com tendência ao retorno 
à dimensão original. A partir deste determinado ponto, com o contínuo 
secamento até o teor de umidade nulo (...) ocorre uma contínua retração, 
que no entanto é reversível (...)”.
90
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 THOMAZ (1989) salienta que “a quantidade de água absorvida 
por um material de construção depende de dois fatores: a porosidade e 
a capilaridade. O fator mais importante que rege a variação do teor de 
umidade dos materiais é a capilaridade. Na secagem de materiais porosos, 
a capilaridade provoca o aparecimento de forças de sucção, responsáveis 
pela condução da água até a superfície do componente, onde será evapo-
rada”.
	 Analisando	a	manifestação	de	fi	ssuras	nas	alvenarias	de	fachada,	
verifi	ca-se	que	elas	são	preponderantemente	causadas	pelas	variações	ter-
mo-higroscópicas. Isso se deve, principalmente, à exposição à água de 
chuva e à radiação solar, o que não ocorre com as alvenarias de vedação 
internas.
 Um artigo do Stichting Bouwresearch (NOTE..., 1989), sobre a ma-
nifestação	de	fi	ssuras	nas	fachadas	de	uma	edifi	cação,	exemplifi	ca	a	situa-
ção	 anterior.	A	 constante	umidifi	cação	 e	 secagem	dos	 componentes	da	
alvenaria, sujeitos ainda à variações de temperatura entre 17 e 35oC, foram 
considerados	os	responsáveis	pela	incidência	das	fi	ssuras.
 Motivado por essa situação, o CSTC (NOTE..., 1989) relacionou 
alguns	 parâmetros	 em	 função	dos	 quais	 varia	 o	 risco	 de	fi	ssuração	das	
alvenarias de fachada: “dimensões; condições de exposição; características 
mecânicas dos materiais da alvenaria; estabilidade dimensional da alvenaria 
(coefi	ciente	de	dilatação,	retração	hidráulica,	etc.)	e	a	tinta	do	acabamen-
to”.
 A Tabela 3 ilustra algumas das principais formas de manifestação 
de	fi	ssuras	causadas	pela	movimentação	higroscópica.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
91
Tabela 3 -	Formas	de	manifestação	de	fi	ssuras	causadas	pela	movimen-
tação higroscópica
 
92
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
	 Além	das	fi	ssuras	nas	alvenarias	serem	decorrentes	de	variações	
termo-higroscópicas das próprias alvenarias ou das estruturas às quais es-
tão vinculadas, elas também podem ser causadas pelos movimentos das 
fundações e deformação de elementos estruturais.
3.3 Movimentos das fundações
 “Como todo material de construção, o solo está sujeito a carrega-
mentos, deformações elásticas e plásticas. Em geral, os solos constituem-
se de partículas sólidas entre as quais existem poros de diversos tama-
nhos	preenchidos	por	ar	ou	água.	Sob	a	infl	uência	das	cargas,	as	partículas	
sólidas se deslocam provocando a deformação do terreno” (PFEFFER-
MANN, 1968).
 Dessa forma, o estudo do solo constitui-se no fator mais impor-
tante para a compreensão do comportamento da fundação. THOMAZ 
(1989) considera dois parâmetros do solo como os mais importantes a 
analisar, são eles: a capacidade de carga e a deformabilidade.
 Essesparâmetros, completa THOMAZ, “são função dos seguin-
tes fatores: tipo e estado do solo; disposição do lençol freático; intensidade 
da carga; tipo de fundação (direta ou profunda); cota de apoio da funda-
ção; dimensões e formato da placa carregada e interferência de fundações 
vizinhas”.
 A Tabela 4 mostra um resumo das principais causas que podem 
produzir os movimentos das fundações.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
93
Tabela 4	-	Resumo	dos	movimentos	das	fundações	causadores	de	fi	ssu-
ras	-	modifi	cada	de	PFEFFERMANN	(1968)
Causas Formas de manifestação
Consolidação • fi ssuras nos elementos estruturais;
Recalque di-
ferencial
Fundação sobre terrenos dife-
rentes
• fi ssuras verticais entre 
elementos de madeira e a 
alvenaria;
Tipos diferentes de fundação • fi ssuras a partir das aber-turas;
Fundação sobre aterros • fi ssuras de fl exão (ater-ros).
Ação do sol • fi ssuras sobre a fachada que incide o sol;
Movimento 
de água Ação da vegetação
• variação sazonal do apa-
recimento das fi ssuras 
(sol);
Rebaixamento do lençol freá-
tico
• fi ssuras a partir das aber-
turas (rebaixamento do 
nível de água);
• abertura brusca de fi s-
suras (rebaixamento do 
nível de água.
Ausência de juntas • fi ssuras entre construções (juntas);
Erros Vibração • falhas nas fachadas (jun-tas);
Excesso de água
• fi ssuras a partir das aber-
turas (vibrações);
• abertura das fi ssuras em 
função de vibrações.
 A Tabela 5 ilustra algumas das principais formas de manifestação 
de	fi	ssuras	causadas	pelos	movimentos	das	fundações.
94
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Tabela 5	-	Formas	de	manifestação	de	fi	ssuras	causadas	pelos	movimen-
tos das fundações
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
95
	 Segundo	 SABBATINI	 (1984),	 “as	 fi	ssuras	 nas	 paredes	 de	 alve-
naria ocasionadas pelas movimentações das fundações apresentam algu-
mas características bastante particulares: formas de manifestações típicas, 
ocorrência alta de casos e, geralmente, são as que mais comprometem a 
segurança	estrutural”,	e	acrescenta	que	“as	fi	ssuras	devidas	aos	recalques	
diferenciais são as mais comuns”.
 Analisando o comportamento do edifício frente a ocorrência de 
recalques diferenciais, THOMAZ (1989) comenta que “em geral, há gran-
de probabilidade das estruturas lineares desempenharem-se de maneira 
fl	exível,	predominando	nas	paredes	de	fechamento	(vedação)	tensões	de	
cisalhamento”.
	 De	 acordo	 com	THOMAZ	 (1989),	 “as	fi	ssuras	provocadas	por	
recalques diferenciados ainda são função de outras variáveis: geometria 
das	edifi	cações	e/ou	do	componente,	tamanho	e	localização	de	aberturas,	
grau de enrijecimento da construção (emprego de cintamentos, vergas e 
contra-vergas), eventual presença de juntas no edifício, etc.”.
3.4 Deformações de estruturas de concreto armado
 A discussão adiante será restrita às estruturas de concreto armado 
por serem as de maior utilização na construção tradicional de edifícios.
O desenvolvimento da tecnologia do concreto, aliado aos avanços recen-
tes da teoria do dimensionamento têm permitido a produção de estruturas 
cada vez mais esbeltas. Entretanto, os métodos construtivos das alvena-
rias não evoluíram da mesma forma, sendo ainda empregadas, na grande 
maioria das obras brasileiras, as mesmas técnicas do passado.
 THOMAZ (1989) explica que “os elementos estruturais (pilar, 
viga e laje) deformam-se naturalmente sob a ação do peso próprio, das 
cargas permanentes e acidentais, da retração e da deformação lenta do 
concreto;	entretanto,	as	fl	echas	podem	não	comprometer	sua	integridade;	
porém, podem ser incompatíveis com a capacidade de deformação das 
paredes”.
 THOMAZ considera ainda que “as alvenarias são os componen-
tes	da	obra	mais	suscetíveis	à	ocorrência	de	fi	ssuras	pela	deformação	do	
suporte”.
96
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 SOMERS; DE KESEL (1981) advertem que essa situação exige 
que a análise das deformações das estruturas de concreto seja realizada 
com	maior	cuidado,	ainda	mais	porque	as	fi	ssuras	decorrentes	desse	pro-
blema vêm sendo apontadas como as de maior ocorrência já há algum 
tempo, conforme os trabalhos de PFEFFERMAN; PATIGNY (1975), 
FRANCO et al. (1993) e LORDSLEEM JR. (2016).
	 Limites	para	as	fl	echas	das	estruturas	de	concreto	armado	foram	
destacados na norma NBR 15575 (ABNT, 2013), os quais quando excedi-
dos provocariam danos às vedações. Entretanto, alguns casos citados por 
PFEFFERMANN (1968); PFEFFERMANN; PATIGNY (1975); BUL-
LETIN... (1981); FRANCO et al. (1994) e CUNHA et al. (1996), registram 
fi	ssuras	em	paredes	sendo	produzidas	por	deformações	de	l/1000	ou	va-
lores menores.
	 Algumas	das	principais	formas	de	manifestação	de	fi	ssuras	causa-
das pelas deformações das estruturas de concreto armado são ilustradas 
na Tabela 6.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
97
Tabela 6 -	Formas	de	manifestação	de	fi	ssuras	pelas	deformações	de	
estruturas de concreto
98
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 Conclui-se pela necessidade de novos estudos práticos que objeti-
vem compatibilizar as deformações das estruturas à capacidade de defor-
mação das alvenarias. O desenvolvimento de novas pesquisas deve enfocar 
o elemento parede de alvenaria, levando em consideração: os componen-
tes utilizados, as dimensões dos componentes e da parede, as juntas de ar-
gamassa, a presença de aberturas, o revestimento, o acabamento e a forma 
de vinculação às estruturas.
	 A	divisão	das	manifestações	das	fi	ssuras	segundo	as	deformações	
das estruturas de concreto armado, os movimentos das fundações e as 
movimentações termo-higroscópicas, como foi feita aqui, nada mais é do 
que	a	classifi	cação	da	fi	ssura	em	função	das	causas.
Referências
 ALVENARIAS. Construção São Paulo, p.14-23, 1988. Suplemen-
to.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 
15575:	Edifi	cações	habitacionais	–	Desempenho:	requisitos	gerais	-	Parte	
1. Rio de Janeiro, 2013.
 BASSO, A.; LANDI, F.R. Patologia por ação térmica em cobertu-
ras de edifícios habitacionais. São Paulo, EPUSP, 1992. (Boletim Técnico 
da Escola Politécnica da USP. Departamento de Engenharia de Constru-
ção Civil, BT /PCC/79)
 BAUER, R.J.F. Patologia em revestimentos de argamassa inor-
gânica. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS AR-
GAMASSAS, 2., Salvador, 1997. Anais. Salvador, CETA/ANTAC, 1997. 
p.321-33.
 BEALL, C. Masonry design and detailing for architects, engineers 
and builders. Austin, McGraw-Hill, 1987.
 BUILDING RESEARCH ESTABLISHMENT. Housing defects 
reference manual. Londres, E. & F. N. Spon, 1994.
 BUILDING RESEARCH ESTABLISHMENT DIGEST. Repai-
ring brickwork. Garston, n.200, Apr. 1977.
 BUILDING RESEARCH STATION DIGEST. Cracking in buil-
dings. Garston, n.75, Oct. 1966.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
99
 Bulletin d’information du cOMITE EURO-INTERNATIONAL 
DU BETON. Fissuration et deformations. Paris, n.143, dec. 1981.
CANADIAN STANDARDS ASSOCIATION. Design of concrete struc-
tures - CSA A.23.3-94. Ontario, 1994.
 CASADO LORDSLEEM, A.. Cracks of Masonry Partition Walls 
in	Multifl	oor	Building:	Case	Study.	In:	Delgado,	João	M.P.Q..	(Org.).	Buil-
ding Pathology and Rehabilitation. 1ed.Singapore: Springer Singapore, 
2016, v. 7, p. 183-198.
 CIB WORKING COMMISSION W86 - BUILDING PATHO-
LOGY. Building pathology a state-of-the-art-report. Delft, 1993.
 CINCOTTO, M.A. Patologia das argamassas de revestimento: 
análise	e	recomendações.	Tecnologia	de	Edifi	cações,	n.1,	p.7-12,	ago.	1984.
 COSTA, M.R.M.M. Método construtivo de alvenaria de vedação 
de blocos de concreto celular autoclavado. São Paulo, 1995. 234p. Disser-
tação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
 COSTA, A.C. A linguagem das trincas. Téchne, v.1, n.3, p.14-6, 
mar./abr. 1993.
 CUNHA, A.J.P.; LIMA, N.A.; SOUZA, V.C.M. Acidentes estrutu-
rais na construção civil. São Paulo, PINI, 1996.
 EICHLER, F. Patologia de la construcción - detalles constructi-
vos. Trad. deAdrián Margarit, Jose Fabregat. Barcelona, Editorial Labor, 
1973.
 ELDRIDGE, H.J. Common defects in buildings. London, Crown, 
1982.
Foundations for low-rise buildings. BRE News, n.47, p.10-1, 1979.
 FRANCO, L.S.; BARROS, M.M.S.B.; SABBATINI, F.H. Desen-
volvimento de um método construtivo de alvenaria de vedação de blocos 
de concreto celular autoclavados. São Paulo, EPUSP-PCC, 1993. (Do-
cumento sobre a análise do sistema construtivo SICAL (MSPET) - EP/
SICAL-1)
 HANAI, J.B. Construções de argamassa armada: fundamentos 
tecnológicos para projeto e execução. São Paulo, PINI, 1992.
INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS, SÃO PAULO. Pa-
rede de vedação em blocos cerâmicos: manual de execução. São Paulo, 
IPT/SINDUSCON-SP, 1988.
100
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 LOGEAIS, L. L’étanchéité a l’eau des façades lourdes. Deuxième 
partie. Paris, E.G., 1989. (Qualité Construction)
 LORDSLEEM JR., A. C.; FARO, H. B. Coating building façade 
detachment: case study. In: REHABEND 2016, Burgos, 2016. Procee-
dings. Burgos, University of Cantabria, 2016. p.1-8.
 LORDSLEEM JR., A. C. Fissurações das vedações verticais oca-
sionadas pela movimentação da laje de cobertura: estudo de caso. In: XIII 
Congresso Latino-Americano de Patologia da Construção, Lisboa, 2015. 
Anais... Lisboa, IST, 2015. p.6937-52.
 LORDSLEEM JR., A.C.. Cracks of masonry partition walls in 
multifl	oor	building:	case	study.	In:	International	Symposium	on	Building	
Pathology, 2015, Porto. Problems on Building Pathology - The Research 
and the Practice. Porto: FEUP Edições, 2015. v. 1. p. 693-700.
	 LORDSLEEM	JR.,	A.	C.	Sistemas	de	recuperação	de	fi	ssuras	da	
alvenaria de vedação: avaliação da capacidade de deformação. São Paulo, 
1997. 174p. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica, Universidade de 
São Paulo.
 MEDEIROS, J.S. Alvenaria estrutural não-armada de blocos de 
concreto: produção de componentes e parâmetros de projeto. São Paulo, 
1993. 449p. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de 
São Paulo.
 MEDEIROS, J.S.; SABBATINI, F.H. Estudos sobre a técnica 
executiva de revestimentos de argamassa sobre paredes de alvenaria. In: 
INTERNATIONAL SEMINAR ON STRUCTURAL MASONRY FOR 
DEVELOPING COUNTRIES, 5., Florianópolis, 1994. Proceedings. 
Florianópolis, UFSC/University of Edinburgh/ANTAC, 1994. p.594-
607.
 MORAES, M.B. Estudo das trincas em paredes de alvenaria au-
to-portante de tijolos e blocos de solo-cimento. São Paulo, 1982. 82p. 
Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
 NOTE D’INFORMATION TECHNIQUE. Deformations ad-
missibles dans le bâtiment. Bruxelles, n.132, 1980.
	 PEREZ,	A.R.	Umidade	nas	edifi	cações.		São	Paulo,	1986.		271p.		
Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS ALVENARIAS DE VEDAÇÃO
101
	 PFEFFERMANN,	O.		Les	fi	ssures	dans	les	constructions	consé-
quence de phénomenes physiques naturels. Annales de L’Institut Techni-
que du Bâtiment et des Travaux Publics, v.21, n.250, p.1453-82, oct. 1968.
 PFEFFERMANN, O.; PATIGNY, J.J. Fissuration des cloisons en 
maçonnerie due a une deformation excessive du support. CSTC Revue, 
n.4, p.11-25, dec. 1975.
 POLISSENI, A.E. Método de campo para avaliar a capacidade 
impermeabilizante de revestimento de parede: método do cachimbo. Por-
to Alegre, 1986. 140p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia, 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 SABBATINI, F.H. O processo construtivo de edifícios de alvena-
ria estrutural sílico-calcária. São Paulo, 1984. 298p. Dissertação (Mestrado) 
- Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
 SABBATINI, F.H. Tecnologia de produção de revestimento. São 
Paulo, 1995. /Notas de aula da disciplina de pós-graduação PCC-816 - Es-
cola Politécnica, Universidade de São Paulo. Não impresso/
 SABBATINI, F.H. et al. (a) Recomendações para execução de re-
vestimentos de argamassas para paredes de vedação e tetos. São Paulo, 
EPUSP-PCC, 1988. (Relatório CPqDCC n.20012 - EP/ENCOL-1)
 SABBATINI, F.H. et al. (b) Recomendações para construção de 
paredes de vedação em alvenaria. São Paulo, EPUSP-PCC, 1988. (Relató-
rio CPqDCC n.20013 - EP/ENCOL-1)
	 SAHADE,	R.	F.	Avaliação	de	sistemas	de	recuperaçao	de	fi	ssuras	
em alvenaria de vedação. São Paulo, 2005. 169p. Dissertação (Mestrado) - 
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.
 SELMO, S.M.S. Dosagem de argamassas de cimento portland e 
cal para revestimento externo de fachada de edifícios. São Paulo, 1989. 
187p. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São 
Paulo.
 SOMERS, H.; DE KESEL, J.P. Fissurations dans de parois inte-
rieures non portantes. CSTC Revue, n.3, p.29-32, sept. 1981.
 STORMS, M. Fissuration de maçonneries due a un monque de 
foundations dans un sol argileux, au voisinage d’arbres et a un été excep-
tionnellement sec. CSTC Revue, n.1, p.49-52, mars, 1977.
102
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 THOMAZ, E. (a) Fissuração: casos reais. São Paulo, 1987. /Apre-
sentado em curso no Instituto de Engenharia de São Paulo. Xerocopia-
do/
 THOMAZ, E. (b) Alvenarias para pequenas construções: alguns 
dados	para	projeto	e	execução.		Tecnologia	de	Edifi	cações,	n.4,	p.77-86,	
set. 1987.
 THOMAZ, E. Trincas em edifícios. São Paulo, IPT/EPUSP/
PINI, 1989.
 TOKAZI, A. et al. Manual técnico de manutenção e recuperação. 
São Paulo, FDE, 1990.
	 VERÇOZA,	E.J.	 	 Patologia	 das	 edifi	cações.	 	 Porto	Alegre,	 SA-
GRA, 1991.
105
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS 
REVESTIMENTOS
UTILIZAÇÃO DE TERMOGRAFIA INFRAVERMELHA 
EM FACHADAS PARA VERIFICAÇÃO DE DESCOLA-
MENTO DE REVESTIMENTO CERÂMICO
Yêda Vieira Póvoas Tavares – yeda.povoas@gmail.com
Doutorado e Mestrado pela USP
Engenharia Civil pela UPE
Bruno Carlos de Araújo Alves - brunobcaa@gmail.com
Engenharia Civil pela UPE
Diego José Araújo Viégas – diegoaraujoviegas@hotmail.com
Mestrado pela UPE
Engenharia Civil pela UPE
Arthur José da Silva - arthur.j.s@hotmail.com
Engenharia Civil pela UPE
1. Contextualização
 Na atualidade, no acelerado e necessitado mercado imobiliário, as 
edificações	foram	sendo	executadas	de	forma	cada	vez	mais	rápidas,	sem	
controle	e	às	vezes	até	com	pouca	fiscalização	desde	a	época	de	elaboração	
de projeto, passando pela execução do mesmo até a manutenção da própria 
estrutura.
	 O	que	 também	pode	 ser	 percebido,	 a	 fim	de	 que	 possa	melhor	
aproveitar os terrenos cada vez menores nas cidades, são edifícios cada vez 
mais esbeltos, grandes vãos de lajes, estruturas mais leves e menos rígidas.
Somado ao que fora supracitado, pode ser acrescentado a baixa qualidade 
na execução, o que interfere diretamente no resultado e no que poderá se 
apresentar	nas	edificações.	Muitas	vezes,	as	manifestações	patológicas	são	
mais comuns que se pode imaginar.
 Com o passar do tempo, somando-se à constante falta de manu-
tenção	das	edificações,	as	patologias	nas	edificações	surgem	e,	por	muitas	
106
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
vezes, se tornam um grande problema, seja na vida do engenheiro, seja na 
vida de quem convive diariamente com os defeitos.
 Porém, muitas vezes patologias que se manifestam demoram certo 
tempo para que visualmente possam ser notadas. As manifestações patoló-
gicas,	tais	como	infi	ltrações,	fi	ssuras,	trincas,	carbonatação,	descolamento	
de revestimento cerâmico, podem após certo tempo serem visíveis. Porém, 
a manutenção demandará maior custo e tempo para sua reparação. 
 Destacam-se, no Brasil, os estudos de casos de manifestações pa-
tológicas de revestimentos de fachadas realizados por Bauer et al. (2010), 
Bauer et al. (2012), Silva et al. (2014), entre outros. Estes estudos buscam 
identifi	car,	entender	e	sistematizar	os	fenômenos	que	provocam	as	mani-
festações patológicas que surgem nas fachadas.
	 No	Nordeste,	verifi	ca-se	o	aumento	do	interesse	pelos	revestimen-
tos cerâmicos. Isso ocorre devido às inúmeras vantagens do uso deste tipo 
de revestimento em relação aos demais revestimentostradicionais (pintu-
ras, pedras, tijolos aparentes, argamassas decorativas), dentre as quais se 
destacam: maior durabilidade, valorização estética e econômica, facilidade 
de limpeza, estanqueidade da vedação, e conforto térmico e acústico (ME-
DEIROS; SABBATINI, 1999; PADILHA JUNIOR et al., 2007).
	 Em	estudo	realizado	na	região	Nordeste,	mais	especifi	camente	em	
Recife- Pernambuco, a partir de um extensivo levantamento das manifes-
tações	patológicas	realizado	em	fachadas	de	edifi	cações,	a	mais	frequente	
foi o descolamento, apresentando um índice de 37%. Em seguida vem o 
bolor com 30% e o escurecimento de rejunte com 19% (MATIAS; PÓ-
VOAS, 2009). 
	 De	maneira	geral,	das	500	edifi	cações	visitadas,	percebeu-se	que	
245 destas possuíam placa cerâmica como revestimento, 105 possuíam 
placa cerâmica mesclada com outros tipos de acabamento e 150 com ou-
tros revestimentos sem ser o cerâmico, que correspondem a 49%, 21% e 
30%,	 respectivamente.	 Para	 cada	 edifi	cação	 estudada	 foram	observadas	
manifestações patológicas, que foram pontuadas por cada prédio, as quais 
foram	divididas	em:	descolamento	(D);	efl	orescência	(E);	bolor	(B);	man-
cha de água (M); escurecimento de rejunte (R); e destacamento de tinta 
(T). Os quantitativos destas foram: 131 (33,40%) do tipo descolamento; 
25	(6,37%)	do	tipo	efl	orescência;	118	(30,10%)	do	tipo	bolor;	25	(6,37%)	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
107
do tipo mancha de água; 73 (18,62%) do tipo escurecimento de rejunte; e 
20 (5,10%) destacamento de pintura.
 É importante tentar eliminar ou amenizar as manifestações patoló-
gicas, pois elas podem gerar desconforto e risco, tanto para as pessoas que 
utilizam diretamente o empreendimento quanto para os transeuntes de seu 
entorno.	Além	disso,	podem	reduzir	a	vida	útil	da	edifi	cação	e	o	desperdí-
cio de materiais que é um benefício para os resultados econômicos, além 
de ser bom para o meio ambiente (MARANTE, 2012).
 Na Figura 1, pode ser analisado o que Masuero (2001 apud SE-
GAT,	2005)	afi	rma	que	são	fenômenos,	de	origens	diversas,	que	podem	
originar a ocorrência dos danos supracitados. Pode-se citar como exemplo 
a ação de vento, chuva, calor, emissões gasosas, vibrações e variações de 
temperatura e umidade.
Fig ura 1 - Solicitações nos revestimentos
Fonte: Bonin et al. (1999) apud Segat (2005)
108
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 “As manifestações patológicas em revestimento podem ser enten-
didas como situações nas quais, em determinado momento de sua vida útil, 
o revestimento deixa de apresentar o desempenho esperado, ou seja, não 
cumpre mais as funções para as quais foi projetado, deixando de atender às 
necessidades dos usuários” (CAMPANTE, 2001).
 As manifestações patológicas podem ocorrer a partir de diversos 
fatores, tais como:
• na fase de projeto: a falta destes, a escolha inadequada dos materiais 
utilizados ou erro dos projetistas; 
• na fase de execução: a falta de domínio tecnológico da técnica de exe-
cução	dos	assentadores,	ou	ainda	a	falta	de	fi	scalização	por	parte	do	
responsável pela obra durante e após a execução; e 
• na	fase	de	utilização:	a	defi	ciência	ou	inexistência	de	manutenção.
	 As	origens	das	manifestações	patológicas	podem	ser	classifi	cadas	
como se segue (PEDRO et al., 2002):
• congênitas: originadas na fase de projeto;
• construtivas: originadas na fase de execução;
• adquiridas: resultante da exposição do revestimento ao meio em que 
se insere ao logo de sua vida útil; e
• acidentais: resultante da ocorrência de algum fenômeno atípico.
 As manifestações patológicas incidentes nos revestimentos dimi-
nuem a vida útil (período de tempo para o qual o elemento foi projetado, 
atendendo a todos os requisitos de qualidade). Importante destacar que 
a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) trouxe uma nova visão no que tange aos 
aspectos relacionados ao edifício, pois coloca em norma conceitos de vida 
útil, durabilidade, desempenho para o edifício e suas partes que, no Bra-
sil, eram mais acadêmicos. Antes de 2013 a preocupação com vida útil, 
desempenho e segurança de edifícios, no Brasil, estava relegada somente 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
109
para as estruturas de concreto (NBR 6118 (ABNT, 2014)). Neste sentido, 
a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) amplia o caráter normativo não somente 
para um elemento, mas sim para o edifício como um todo, estabelecendo 
nível de desempenho mínimo ao longo da vida útil dos elementos princi-
pais (estrutura, vedações, instalações elétricas, instalações hidrossanitárias, 
pisos, fachada e cobertura) para todos os edifícios habitacionais. Estabe-
lece, portanto, novos rumos para pesquisas que envolvam o estudo do 
comportamento da degradação das fachadas e estimativa de vida útil.
	 Neste	 contexto,	 a	 vida	 útil	 dos	 edifícios	 fi	ca	 subordinada	 à	 in-
fl	uência	do	comportamento	das	propriedades	dos	elementos	e	dos	 seus	
componentes, além da interação entre estes ao longo do tempo (HOVDE, 
2004; SILVA et al., 2014). Fachadas que apresentam manifestação patoló-
gica principalmente em idades precoces devem ser avaliadas no sentido de 
verifi	car	quais	fenômenos	de	degradação	conduziram	à	perda	de	sua	fun-
cionalidade e, por conseguinte, provocaram um envelhecimento prematuro 
em função da vida útil prevista (SILVESTRE; BRITO, 2011). 
 Na era do desenvolvimento sustentável a retirada de revestimentos 
degradados provoca grande geração de resíduos que, se não forem reci-
clados, serão depositados em aterros que muitas vezes são clandestinos 
(MARCOS, 2009). 
	 A	identifi	cação	da	manifestação	patológica	após	sua	manifestação	
visual restringe as alternativas de correção e de minimização do problema. 
Algumas manifestações patológicas estão presentes, de forma latente, na 
etapa de projeto e no próprio processo construtivo (CORTIZO, 2007).
 Percebe-se que deve haver um cuidado especial no planejamento e 
na execução do revestimento. É importante que haja um estudo detalhado 
do comportamento do revestimento junto à estrutura, a necessidade da 
existência de juntas de movimentação para aliviar as tensões sofridas e a 
utilização de materiais adequados e de boa qualidade. Porém, isso não é 
o bastante, também é necessária a adoção de uma cultura de manutenção 
preventiva.
 Essa manutenção irá ser útil para que possa ser evitado ou corrigi-
do eventuais problemas que possam ocorrer, como por exemplo, as mani-
festações patológicas.
110
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 Para que as manifestações patológicas sejam observadas e averi-
guadas com mais certeza, ensaios são realizados e podem ser distinguidos 
desde uma simples observação visual, até ensaios destrutivos (que irão 
comprometer de alguma forma o corpo de prova ou o local onde o ensaio 
foi realizado) e ensaios não destrutivos (que evita que a peça estudada ou 
o local seja avariado).
 Ensaios destrutivos são os mais comuns para a inspeção e ditos 
como a melhor forma para caracterização das manifestações patológicas, 
mas, com o avanço da tecnologia, novos métodos vêm sendo desenvolvi-
dos	e	a	termografi	a	infravermelha,	que	era	largamente	utilizada	em	outras	
áreas, foi introduzida na engenharia civil para a detecção das manifesta-
ções patológicas, ocultas ou não, tornando mais fácil o tratamento e até a 
prevenção das mesmas.
2. Termografi a infravermelha
	 A	termografi	a	infravermelha	é	a	ciência	de	aquisição	e	análise	de	
informações térmicas a partir de dispositivos de obtenção de imagens tér-
micas	sem	contato.	A	fi	gura	gerada	é	chamada	de	termograma	ou	imagem	
térmica. A emissão da radiação infravermelha dos objetos é o que torna 
possível a obtenção das imagens sem contato (termogramas). A avaliação 
térmica	com	base	na	termografi	a	é	a	percepção	da	temperatura	superfi	cial	
de um corpo pelo mecanismo de transferência de calor (radiação), uma vez 
que todo corpo com temperatura acima do Zero Absoluto emite radiação 
térmica (ITC, 2014). 
 De acordo com Santos (2012), sempre que existir uma diferença 
de temperaturaem um meio ou entre meios diferentes, ocorre, necessa-
riamente, transferência de calor do mais quente para o mais frio (1ª Lei da 
Termodinâmica: a energia não pode ser criada ou destruída, apenas conver-
tida). A transmissão de calor pode ocorrer segundo três fenômenos distin-
tos, nomeadamente, condução, radiação e convecção. 
 De acordo com Maldague (2001), existem duas técnicas – passiva 
e	ativa	–	para	o	método	não	destrutivo	de	análise	termográfi	ca.	A	termo-
grafi	a	passiva	tem mais o caráter qualitativo, pois apresenta indicativos de 
anormalidades, enquanto o processo de excitação térmica tende a um cará-
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
111
ter de resultados quantitativos, pela possibilidade de mensurar e controlar 
os eventos (fonte, tempo, intensidade e distância).
	 A	termografi	a	infravermelha	pode	detectar	a	existência	de	incoe-
rências nos padrões de temperatura de elementos da construção, indicando 
a presença de problemas patológicos não aparentes, mas embrionários. 
 Ela tem sido utilizada nos últimos 30 anos para testar e diagnosti-
car edifícios, estruturas e heranças culturais. Vem provando ser uma forma 
efi	caz,	conveniente	e	um	método	econômico	utilizado	no	campo	da	con-
servação, podendo: detectar características ocultas das estruturas de edi-
fícios (formas pré-existentes, alterações estruturais, anomalias estruturais, 
presença	de	cavidades);	mostrar	a	morfologia;	avaliar	AVAC	(que	signifi	ca	
Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) do sistema desempenho; 
detectar	a	degradação	(rachaduras);	identifi	car	as	fontes	de	vazamento	de	
ar, para as perdas de calor determinadas; mapear a umidade, isolamento; 
e avaliar tratamentos de conservação (fortalecimento das operações) (OS-
TROWSKI et al., 2003; GAMIDI, 2009; BIANCO; CERADINI, 2010; 
NUZZO et al., 2010).
2.1 Fatores que infl uenciam na medição com radiação infraverme-
lha
	 Existem	diversos	fatores	que	infl	uenciam	nas	análises	dos	resulta-
dos e podem gerar conclusões erradas caso não sejam tomadas medidas 
preventivas antes e durante a realização do ensaio. Na análise dos termo-
gramas é elevado o risco de confundir defeitos do objeto com irregulari-
dades	na	temperatura	superfi	cial	devido	a	fatores	externos	(BARREIRA,	
2004; COMITTI, 2012). Esses fatores são: 
• condições térmicas do objeto e do meio em que se encontra, antes e 
durante o ensaio;
• presença de fontes externas;
• condições necessárias para a medição; e
• ângulo de medição.
112
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
2.1.1 Condições térmicas do objeto e do meio
 Segundo Chew (1998); Labat et al. (2011), o calor irradiado pelo sol 
pode	afetar	a	medição	termográfi	ca,	pois	altera	o	fl	uxo	normal	de	calor	do	
interior para o exterior. A distância do equipamento ao objeto pode alterar 
a	leitura	da	temperatura	superfi	cial,	pois	diminui	a	resolução	dos	termogra-
mas	e	infl	uencia	a	atenuação	atmosférica.	
	 Testes	verifi	caram	que	a	absorção	de	água	capilar	e	a	taxa	de	eva-
poração	da	área	em	análise	 infl	uenciam	a	interpretação	de	termogramas	
em laboratório. Amostras que apresentam altas percentagens de absorção 
de água apresentam reduções consideráveis de temperatura, enquanto que 
amostras com baixas percentagens oferecem pequenas diferenças de tem-
peratura (MOROPOULOU, 2000 apud FREITAS et al., 2014). Ou seja, 
nessa superfície, na realidade, está havendo evaporação. Percebe-se, assim, 
que enquanto está chovendo não há diferença na visualização. Porém, pas-
sadas	algumas	horas,	quando	ocorre	a	evaporação,	consegue-se	verifi	car	a	
umidade.
2.1.2 Presença de fontes externas
 Os gradientes térmicos e a turbulência alteram o índice de refração 
do ar provocando uma redução na qualidade da imagem. Em paralelo, a 
atmosfera presente entre a fonte emissora e o receptor pode originar pertur-
bações na medição. A atenuação atmosférica é, portanto, uma das maiores 
causas de problemas, gerando um erro sistemático que é função da gama 
espectral utilizada, da distância de observação e das condições meteorológi-
cas. Logo, deve-se manter a distância de até 10 metros entre a fonte emisso-
ra e o receptor, corrigindo-se as medições feitas com distâncias superiores 
(BARREIRA, 2004; COMITTI, 2012). Outros exemplos de fontes exter-
nas	são:	sombra,	refl	exão,	superfícies	com	diferentes	acabamentos,	etc.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
113
2.1.3 Condições de medição
 O mecanismo de transferência de calor de um corpo é função das 
propriedades físicas e químicas de seus componentes, da sua estrutura de 
formação (disposição e organização dos seus elementos), de suas dimen-
sões, do meio ambiente no qual o corpo está inserido e das interações entre 
o corpo e o meio (ITC, 2014). São exemplos das condições de medição: 
emissividade adotada, temperatura do ar, distância entre a câmera e o ob-
jeto,	ângulo	de	observação,	vento,	temperatura	refl	etida,	etc.
 Em dias com ventos acima de 7m/s não se deve realizar medições 
com	termografi	a	infravermelha,	pois	os	dados	obtidos	induzirão	ao	erro	da	
análise térmica do objeto (ITC, 2014).
2.1.4 Ângulo de medição
 De acordo com a ABNT NBR 15572 (2013), recomenda-se que o 
ângulo entre o termovisor e o ponto inspecionado seja o mais perpendi-
cular possível, de modo a evitar a redução na emissividade em função de 
ângulos de observação inadequados (maiores que 60º).
	 Deve-se	evitar	fi	car	diretamente	na	 frente	do	alvo	para	que	não	
haja	refl	exão	do	calor	do	termografi	sta	(principalmente	em	casos	de	baixa	
emissividade) para tanto é recomendado posicionar-se a uma angulação 
de mais ou menos 5º, com relação à horizontal, do objeto a ser analisado 
termicamente, conforme Figura 2 (ITC, 2014). 
114
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figu ra 2 - Ângulos de medição: cuidados
Fonte: Viégas (2015)
	 Para	identifi	car	se	o	ponto	quente	captado	é	um	refl	exo	do	calor	
do operador, basta mover-se de um lado a outro; se o ponto quente acom-
panhar	o	movimento,	 trata-se	de	um	refl	exo.	Também	se	pode	detectar	
um	refl	exo	quando	o	ponto	quente	não	apresentar	gradiente	térmico,	ou	
seja, variação de temperatura, pois o objeto tende a funcionar como um 
espelho	–	toda	a	radiação	incidente	é	refl	etida	(ITC,	2014).
2.2 Técnicas de termografi a digital
 Existem duas técnicas – passiva e ativa – para o método não des-
trutivo de imageamento termal (Figura 3) (MALDAGUE, 2001; CORTI-
ZO, 2007; SALES, 2008; PEDRA, 2011):
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
115
Figur a 3	-	Diferentes	métodos	de	análise	por	termografi	a
Fonte: Maldague (2001); Cortizo (2007); Sales (2008); Pedra (2011)
• Técnicas Passivas: são realizadas em objetos que contêm energia tér-
mica própria ou são estimulados a armazenar energia por uma fonte 
natural de calor (energia solar), devendo existir uma diferença natural 
de temperatura entre o objeto sob estudo e o meio onde ele está in-
serido.
• Técnicas Ativas: aquelas que necessitam da aplicação de uma fonte 
externa	de	energia	artifi	cial	para	o	aquecimento	ou	resfriamento	de	
objetos	com	o	intuito	de	causar	um	fl	uxo	de	calor/gradiente	térmico	
sobre o corpo.
116
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Estas técnicas podem possuir caráter qualitativo e/ou quantitativo.
2.3 Métodos de aplicação da termografi a
	 A	termografi	a	por	infravermelho	pode	ser	somente	qualitativa	ou	
qualitativo-quantitativa dependendo da aplicação.
2.3.1 Termografi a qualitativa
	 Aplica-se	quando	o	que	interessa	é	o	perfi	l	e	não	os	valores	térmi-
cos	apresentados.	Essa	característica	classifi	ca	a	termografi	a	infravermelha	
como uma técnica que fornece laudos instantâneos (ITC, 2014).
 Essa análise, normalmente é a primeira a ser executada, sempre 
que se buscam pontos suspeitos na imagem, e assim que encontrados se-
rão analisados, sem a necessidade da aplicação do método quantitativo 
(MALDAGUE, 2001 apud REZENDE, 2014). 
 Deve-se considerar que em uma primeira medição não se pode 
concluir com tanta exatidão sobre a existência de algum defeito.Através 
de um histórico, ou por comparação com outro equipamento com ca-
racterísticas construtivas e operacionais semelhantes, as conclusões serão 
mais precisas (MALDAGUE, 2001 apud REZENDE, 2014). Por isso, 
neste	estudo	decidiu-se	realizar	o	preenchimento	de	uma	fi	cha	de	inspe-
ção	(anamnese),	a	fi	m	de	fazer	um	levantamento	histórico	das	fachadas	
estudadas, bem como se utilizou outros ensaios no intuito de comparar 
com	a	termografi	a	infravermelha.
	 Segundo	Rezende	(2014),	a	aplicação	da	termografi	a	pode	detec-
tar falhas potenciais ainda em seu estágio inicial, que não são perceptíveis 
aos sensores, por eles serem pontuais, enquanto a inspeção dá uma visão 
macro da distribuição das temperaturas.
2.3.2 Termografi a quantitativa
	 Com	esse	método	é	possível	defi	nir	o	nível	de	gravidade	de	uma	
anomalia. Vale salientar que esse método é sempre o segundo a ser apli-
cado, pois, incondicionalmente, a primeira análise sempre tem de ser a 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
117
qualitativa.	Caso	contrário,	é	bem	provável	que	o	termografi	sta	(inspetor)	
não esteja fazendo nada além de análise comparativa (ITC, 2014).
 Para Tarpani et al. (2009), a integridade de um material está ligada 
à resistividade térmica dele, portanto, cada ponto que apresentar divergên-
cia de temperatura, sendo analisado um mesmo tipo de material, poderá 
ser um determinado defeito a ser acompanhado.
2.4 Câmera termográfi ca
A captação das imagens de calor (termogramas), não visíveis pelo olho 
humano,	é	feita	através	de	uma	câmera	termográfi	ca	ou	termocâmera	(PE-
DRA, 2011; SALES et al., 2011) (Figura 4).
Figura 4 -	Câmera	termográfi	ca	ou	termocâmera
Fonte: Viégas; Póvoas (2015)
	 Uma	 câmara	 de	 termografi	a	 por	 infravermelhos	 é	 um	 aparelho	
que detecta energia infravermelha (calor), converte-a em sinal elétrico e 
produz imagens, efetuando cálculos de temperatura. A radiação térmi-
ca está próxima da radiação luminosa visível, e pertence à vulgarmente 
118
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
chamada radiação eletromagnética. Propaga-se a 300.000 km/s, ou seja, à 
habitualmente designada velocidade da luz (PEDRA, 2011; SALES et al., 
2011)
 Apesar de, até o momento, apenas se ter referido radiação, o uti-
lizador desta tecnologia está interessado em temperatura. Como a relação 
entre radiação e temperatura é uma lei física, torna-se possível às câmeras 
termográfi	cas	a	medição	da	radiação	e	sua	conversão	em	temperatura.	
	 As	câmeras	termográfi	cas	são	dotadas	de,	basicamente,	uma	lente	e	
sensores ou detectores de radiação, que captam a energia radiante na faixa 
do	infravermelho	e	direcionam	esse	sinal	para	um	amplifi	cador	onde	um	
software o processa e o converte em imagens térmicas (termogramas). Carlo-
magno e Cardone (2010) colocam os detectores de infravermelhos como o 
componente mais importante dos termovisores. 
 De acordo com FLIR (2014), para medir a temperatura com preci-
são é necessário compensar os efeitos de um determinado número de dife-
rentes fontes de radiação. Isto é feito online e automaticamente pela câmera. 
Os seguintes parâmetros devem, todavia, ser introduzidos na câmera:
• emissividade do objeto;
• temperatura	aparente	refl	etida;
• temperatura atmosférica;
• distância entre o objeto e a câmera; e
• umidade relativa.
2.4.1 Emissividade do objeto
 Todo material com temperatura acima de zero Kelvin (zero abso-
luto) emite radiação eletromagnética. Esta emissão depende de uma pro-
priedade denominada emissividade.
 Segundo Silva et al. (2006), a radiação medida pela câmera depen-
de tanto da temperatura quanto da emissividade do corpo que está sendo 
analisado. Portanto, a informação da emissividade da câmera é fundamen-
tal	para	uma	estimativa	precisa	da	temperatura	do	fl	uxo	radiante	medido.	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
119
Esses	valores	podem	variar	de	0	(refl	etor	perfeito	-	espelho)	a	1	(emissor	
perfeito ou corpo negro). Normalmente os valores variam de 0,10 a 0,95, 
ou seja, para superfícies extremamente polidas a emissividade se apresenta 
inferior a 0,10 e, para superfícies com presença de sujidades, o valor é su-
perior a 0,95.
 A emissividade está diretamente relacionada com o comprimento 
de onda, isto é, cada material emite energia em um dado comprimento e 
absorve uma quantidade diferente em outro. Pequenos comprimentos de 
onda são mais sensíveis a altas temperaturas (maiores que a ambiente) e 
grandes comprimentos de onda são mais sensíveis a baixas temperaturas 
(menores que a ambiente). Os materiais mais comuns utilizados na cons-
trução civil, como argamassa, pedra e concreto, possuem altos valores de 
emissividade (geralmente superiores a 0,8) (AVDELILDIS; MOROPOU-
LOU, 2003; SILVA et al.,2006). 
 Guerrero et al. (2005) enfatiza que saber o valor da emissividade 
dos materiais para o correto ajuste da câmera é fundamental para uma boa 
análise. Além disso, a hora da realização da medição é um ponto muito 
importante	(pela	infl	uência	dos	raios	solares)	assim	como	a	superfície	do	
material (superfícies planas, perpendiculares ao eixo da câmera, trazem 
resultados mais precisos que uma superfície irregular de uma amostra) 
(GUERRERO et al., 2005). 
2.4.2 Temperatura aparente refl etida
	 A	temperatura	refl	etida	é	aquela	admitida	para	todas	as	superfícies	
emissoras no meio adjacente ao objeto em estudo, enquanto que tempe-
ratura atmosférica é a da atmosfera entre objeto e câmera (SILVA et al., 
2006).
	 Este	parâmetro	é	necessário	para	compensar	as	radiações	refl	eti-
das pelo objeto e a emitida pela atmosfera. Às vezes é necessário regular 
outros	parâmetros,	a	fi	m	de	minimizar	efeitos	prejudiciais	durante	a	análi-
se, como por exemplo, baixa emissividade do material ou distância muito 
grande entre o objeto e a termocâmera (MALDAGUE, 2001; MEOLA et 
al., 2005).
120
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
2.4.3 Temperatura atmosférica
	 A	atmosfera	que	existe	entre	a	câmera	termográfi	ca	e	o	objeto	alvo	
tende a atenuar a radiação devido à absorção de gases e ao espelhamento 
de partículas. Em analogia, embora a atmosfera normalmente transmita 
muito bem a luz visível, nevoeiro, nuvens, chuva e neve podem impedir 
a visualização de objetos distantes. O mesmo princípio aplica-se à radia-
ção infravermelha. Dessa forma, se nenhuma correção para atenuação for 
aplicada,	o	erro	associado	à	temperatura	medida	por	termografi	a	é	pro-
porcional à distância entre termovisor e objeto. O software da termocâmera 
é o componente responsável por essa correção. A intensidade da atenua-
ção depende fortemente do comprimento de onda da radiação. Câmeras 
que	operam	na	faixa	espectral	entre	7,5μm	e	13,5μm	trabalham	bem	em	
qualquer	ambiente,	pois	a	atmosfera	tende	a	atuar	como	um	fi	ltro	passa-al-
to3	para	comprimento	de	onda	acima	de	7,5μm	(FLIR,	2014).	
2.4.4 Distância
 A distância entre o objeto e a termocâmera é informada para com-
pensar o fato de parte da radiação emitida pelo objeto ser absorvida pela 
atmosfera e também pelo fato da transmitância atmosférica cair quando 
a distância aumenta (MALDAGUE, 2001; MEOLA et al., 2005). É im-
portante dar atenção à distância da câmera ao objeto, pois se o objeto 
em questão possuir baixa emissividade em uma distância muito grande, a 
câmera não conseguirá ler corretamente a irradiação do objeto, chegando 
a valores incorretos de temperaturas.
 Durante o processo de varredura (escaneamento), a câmera infra-
vermelha percebe a temperatura do objeto e de todos os pontos próximos 
3 Filtro passa-alto é um � ltro que permite a passagem das frequências altas com faci-
lidade, porém atenua (ou reduz) a amplitude das frequências abaixo de frequência de 
corte. A quantidade de atenuação para cada frequência varia de � ltro para � ltro. O � l-
tro passa-alto possui um princípio de funcionamento oposto ao do � ltro passa-baixa. 
Ele é muito utilizado para bloquear as frequências baixas não desejadas em um sinal 
complexo enquanto permite a passagem das frequênciasmais altas. As frequências são 
consideradas ‘altas’ ou ‘baixas’ quando estão acima ou abaixo da frequência de corte, 
respectivamente (MUSSOI, 2004).
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
121
a ele. Portanto, a leitura da temperatura do objeto será uma média aritmé-
tica	das	temperaturas	de	todos	os	pontos	presentes	na	área	de	infl	uência.	
Dessa maneira, há de se ter um cuidado especial com a distância entre a 
câmera e o objeto durante o processo de leitura (CORTIZO et al., 2008).
	 Moncó	(2002	apud	MARIO,	2011)	apresenta	um	gráfi	co	de	fator	
de	correção	por	distância,	conforme	mostra	a	Figura	5.	Este	gráfi	co	foi	
feito para uma atmosfera medida em laboratório.
• Onda curta - (SW) • Onda longa - (LW)
Figura 5 - Fator de correção atmosférica em uma atmosfera medida em 
laboratório
Fonte: Moncó (2002, apud MARIO, 2011)
2.4.5 Umidade relativa do ar
 A termocâmera pode compensar o fato de a transmitância atmos-
férica depender, em parte, da umidade relativa do ar. Assim, sabendo-se o 
valor da umidade, é possível inseri-la nas opções de comando do equipa-
mento (MALDAGUE, 2001; MEOLA et al., 2005).
122
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
2.5 Termogramas
 Os termogramas exibem as diferentes temperaturas de um deter-
minado local da amostra na forma de gradientes de coloração (escala poli-
cromática) ou de tonalidades de cinza (escala monocromática), cuja escala 
fi	ca	localizada	a	direita	do	termograma	que	indica	as	temperaturas	(maior	
e menor) visualizadas, conforme Figura 2 (TARPANI et al., 2009).
Figura 6 - Termograma
Fonte: Viégas; Póvoas (2015)
	 O	termograma	representa	a	distribuição	da	temperatura	superfi	-
cial do objeto observado. A distribuição da temperatura se dá em tempo 
real. O termograma deve ser acompanhado por uma medição térmica pre-
cisa para poder mostrar as condições reais de um objeto (ITC, 2014).
 A intensidade da radiação emitida depende de dois fatores: a tem-
peratura do objeto e a capacidade do objeto de emitir radiação. Esta última 
é conhecida por emissividade, intrínseca de cada material. Pode-se vir a 
considerar	que	a	radiação	de	calor	signifi	ca	o	mesmo	que	radiação	infra-
vermelha (BAUER; LEAL, 2013; ITC, 2014). Quanto mais quente está o 
objeto, maior a radiação para a mesma emissividade. 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
123
 A nova tecnologia para a detecção de manifestação patológica na 
construção civil utilizada nos detectores, a imagem visual integrada e o 
software	hoje	disponível,	permitem	a	realização	de	inspeções	termográfi	cas	
produtivas e precisas.
 O software Flir Tools pode facilitar a análise dos termogramas por 
possibilitar a variação das paletas (colorações) (Figuras 6 e 7), uso de iso-
termas (local de temperatura que se deseja enfatizar) (Figura 8), mudança 
da ferramenta de medição (ponto, caixa, elipse e linha) (Figuras 9 e 10), 
bem como a inclusão ou exclusão desses. As únicas coisas que esse software 
não	é	capaz	de	modifi	car	são	o	foco	da	imagem	(foco	óptico),	a	faixa	de	
temperatura e a composição da imagem.
	 A	Figura	7	mostra	os	termogramas	com	a	modifi	cação	de	paleta	
da iron (ferro) para arctic (ártico). Percebe-se que a paleta “ártico” mostra 
os	pontos	frios	com	maior	clareza.	Esses	pontos	estão	identifi	cados	com	a	
cor azul claro e na paleta “ferro” na cor roxa, em ambas a cor dos pontos 
quentes apresenta a tonalidade amarela.
(a) (b)
 Figura 7 - Paleta de cores: (a) Iron (ferro); (b) arctic (ártico)
Fonte: Viégas (2015)
 A Figura 8 mostra o uso da isoterma de intervalo a qual mostra 
através das temperaturas limites escolhidas (máxima = 47,8ºC e mínima = 
43,6ºC) aquelas que ultrapassam estes. A cor amarela mostra as temperatu-
ras superiores ao limite máximo e a cor azul claro as temperaturas abaixo 
do limite mínimo. Estes pontos indicam provável presença de manifes-
124
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
tações patológicas. Os mesmos foram destacados com contornos na cor 
vermelha. 
F igura 8 - Isoterma de intervalo
Fonte: Viégas (2015)
 A Figura 9 mostra o uso da ferramenta “linha” a qual mostra a 
distribuição da temperatura na fachada em análise através do termograma. 
Assim,	consegue-se	perceber	o	sentido	do	fl	uxo	de	calor	e	concomitante-
mente a sua área mais crítica.
Fi gura 9 - Uso da ferramenta “linha”
Fonte: Viégas (2015)
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
125
 A Figura 10 mostra a utilização de dois tipos de ferramenta de me-
dição de temperatura no termograma captado, são elas: a ferramenta elip-
se e a caixa. Comparando-se os valores máximos dados pelas ferramentas 
caixa e elipse percebe-se uma variação de temperatura (∆T) de 0,7ºC. Por 
outro lado, comparando-se as temperaturas mínimas das mesmas teve-se 
um ∆T igual a 0,8ºC.
Fi gura 10 - Uso das ferramentas elipse e caixa
Fonte: Viégas (2015)
 O software Flir Tools possibilita, ainda, a utilização da tecnologia 
MSX, que funde imagens térmicas e fotos digitais para criar imagens tér-
micas mais nítidas. Essa tecnologia é ideal para criar imagens que ilustram 
claramente as questões emergentes/existentes. Esta ferramenta propor-
ciona uma visualização da imagem térmica em 3D e em conjunto com 
a isoterma facilita detectar o foco da manifestação patológica, bastando 
para isso colocar como temperatura limite um valor bem próximo do valor 
limite da escala de temperatura (policromática ou monocromática). Esta 
tecnologia pode ser utilizada tanto na escala de cinza quanto na escala de 
cores, conforme a Figura 11.
126
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
(a) (b)
 Figura 11 - Uso da tecnologia MSX em conjunto com a isoterma: (a) na 
escala de cinza; (b) na escala de cores
Fonte: Viégas (2015)
3 Detecção de descolamento de revestimento cerâmico
	 A	análise	termográfi	ca	de	um	edifício	procura	detectar	a	existência	
de incoerências nos padrões de temperatura dos elementos da construção, 
quando analisados nas mesmas condições. A ocorrência de diferenças nos 
padrões de temperatura indicia a existência de problemas (MENDONÇA, 
2005).
 Alvarenga, Pedra e Sales (2012) apresentaram um estudo em facha-
das	revestidas	de	cerâmicas	de	cores	diferentes,	evidenciando	a	infl	uência	
da cor na absortância4 do material. Partindo do pressuposto que a estrutura 
vertical do envelope construtivo seja o principal contribuinte para as con-
dições	de	conforto	no	 interior	das	edifi	cações	–	e,	 consequentemente,	o	
material	empregado	nas	fachadas	tem	forte	infl	uência	sobre	isso	–,	que	o	sol	
seja a principal fonte de calor em construções residenciais e que a cor das 
4 Absortância ou poder de absorção: é a fração absorvida quando a radiação incide 
sobre uma superfície real. A maior fonte de radiação eletromagnética (REM) captada 
pelo planeta Terra é o Sol, responsável por mais de 99% de toda radiação incidente 
sobre o nosso planeta (DORNELLES, K. A.; CARAM, R. M.; SICHIERI, E. P., 2014). A 
norma técnica NRB 15220:2005 de� ne-a como o quociente da taxa de radiação solar 
absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma 
superfície. 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
127
superfícies	seja	um	dos	fatores	que	infl	uenciam	a	absortância	do	material,	as	
pesquisadoras	utilizaram	a	termografi	a	infravermelha	para	verifi	car	a	tem-
peratura	superfi	cial	da	fachada	de	três	edifícios	construídos	com	blocos	de	
concreto de alvenaria estrutural e revestidos com cerâmica nas cores branca, 
verde	escuro,	verde	claro	e	vermelho.	As	temperaturas	superfi	ciais	das	cerâ-
micas	foram	medidas	sob	infl	uência	da	luz	solar	e	comparadas	entre	si	com	
a	fi	nalidade	de	avaliar	se	a	termografi	a	seria	capaz	de	perceber	as	variações	
de temperatura entre as cores em estudo. Os resultados indicaram que as 
cores	mais	escuras	infl	uenciam	mais	a	temperatura	superfi	cial	das	fachadas	
do que as cores claras, sendo fortemente recomendado o uso de acabamen-
to cerâmico na cor branca para obtenção de um maior conforto térmico no 
interior	da	edifi	cação.	A	 termografi	a,em	tal	estudo,	mostrou-se	efi	ciente	
como técnica para avaliar ou validar resultados relacionados a estudos de 
temperatura	nas	fachadas	de	edifi	cações.
 De acordo com Dorneles (2008) o valor da absortância (αTOT) da cor 
branco médio é 0,31, enquanto que a absortância (αTOT) do verde escuro é 
0,65. Ou seja, verde-escuro absorve muito mais o calor que o branco médio.
Amorim; Monteiro (2013) em um estudo intitulado “A	infl	uência	das	cores	
no ganho térmico de superfícies cerâmicas” realizaram um experimento 
com seis placas cerâmicas de diferentes cores: branco, amarelo, verde, azul, 
vermelho e preto. 
 A primeira medição foi efetuada com as placas à sombra, sem in-
cidência da radiação direta, e, em seguida, as placas foram expostas ao sol, 
sendo	realizadas	seis	medições	em	intervalos	de	cinco	minutos,	por	fi	m,	os	
dois	registros	fi	nais	foram	realizados	à	sombra	com	o	intuito	de	identifi	car	
o resfriamento das placas (AMORIM; MONTEIRO, 2013). 
Na Figura 12, visualiza-se que inicialmente as placas registraram o mesmo 
valor	de	temperatura,	confi	rmando	a	efi	ciência	da	estratégia	de	sombrea-
mento para o desempenho térmico das superfícies. Em seguida, com ex-
posição	ao	sol,	as	temperaturas	superfi	ciais	se	elevam	e	se	distanciam	umas	
das outras, alcançando o valor máximo às 11:25 horas, com 15 minutos de 
exposição à radiação solar direta, registrando 39°C na superfície branca e 
64°C na superfície preta, amplitude de 25°C. 
 Em seguida, com alteração na nebulosidade, as superfícies resfriam 
e mantêm um comportamento mais constante, entre 11:30 horas e 11:40 
128
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
horas. Observa-se que as superfícies com cores mais claras, branco e ama-
relo, apresentam valores de temperatura inferiores ao conjunto de cores 
intermediárias, verde, vermelho e azul, enquanto a mais escura, cor preta, 
apresenta	valores	superiores.	Por	fi	m,	à	sombra,	as	placas	resfriam	rapida-
mente, devido a sua baixa massa térmica, por se tratar de placas isoladas, e 
alta emissividade, indicando que alcançarão brevemente o mesmo valor de 
temperatura	superfi	cial.
 Figura 12	-	Temperatura	superfi	cial	das	placas	cerâmicas	em	intervalos	
de cinco minutos
Fonte: Amorim; Monteiro (2013)
 Ainda de acordo com os supracitados autores, realizou-se um en-
saio	com	o	uso	de	uma	câmera	termográfi	ca,	o	conjunto	de	placas	cerâ-
micas	e	a	respectiva	imagem	termográfi	ca	(Figura	13),	na	qual	podem	ser	
observadas	 as	 temperaturas	 superfi	ciais	 após	 uma	 exposição	 à	 radiação	
solar direta de aproximadamente 10 minutos. As cerâmicas apresentaram 
comportamento semelhante ao observado nas coletas anteriores, porém 
com menor amplitude térmica devido ao horário com menor radiação 
solar. A cerâmica de cor preta registrou temperatura de 44,2°C, enquanto 
a de cor branca, 36,3°C, variação de 8°C, aproximadamente. 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
129
 Figura 13 - Sequência de cerâmicas de diferentes cores expostas ao sol e 
sua	respectiva	imagem	termográfi	ca
Fonte: Amorim; Monteiro (2013)
 Viégas (2015), analisando o descolamento de um revestimento 
cerâmico	em	fachada	verifi	cou	que	a	angulação	maior	que	60º	infl	uencia	
no resultado da medição, mas que a distância até 10 metros do objeto em 
análise	não	infl	uencia	muito	nos	valores	das	medições	captadas	pela	câme-
ra	termográfi	ca.	Verifi	cou,	também,	que	períodos	de	chuva	inviabilizam	a	
medição	através	da	termografi	a	infravermelha,	uma	vez	que	o	equipamento	
capta a incidência de raios solares na fachada a ser estudada, e a alta umida-
de	do	ar	resfria	o	componente,	difi	cultando	a	detecção,	análise	e	diagnós-
tico de defeitos. 
	 O	autor	citou	que	o	melhor	período	para	verifi	cação	de	anoma-
lias é durante o resfriamento da fachada, após esta ter alcançado o pico 
máximo de temperatura (técnica passiva). Nos termogramas realizados no 
período com incidência de raios solares, as áreas degradadas apresentaram 
temperatura	maior	pela	difi	culdade	que	existe	do	fl	uxo	de	calor	ser	absor-
vido	durante	o	aquecimento	da	superfície.	Essa	difi	culdade	existiu,	dentre	
outras coisas, por causa das lâminas de ar entre o revestimento e a fachada 
que algumas anomalias acarretam, criando barreiras térmicas. Esse efeito 
pode ser observado na Figura 14. 
 Na Figura 14a pode-se perceber que a variação de temperatura 
entre o revestimento cerâmico e o revestimento em argamassa é de 5,5°C 
130
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
e que onde não há revestimento cerâmico as temperaturas são mais ame-
nas, devido, entre outras coisas, à diferença de emissividade. A sombra da 
platibanda provocou uma diminuição da temperatura na parte superior da 
fachada (tonalidade roxa).
	 Verifi	ca-se	ainda,	uma	coloração	de	amarelo	“mais	vibrante”	na	re-
gião com presença de descolamento de revestimento cerâmico. Isto por-
que, nas referidas regiões há uma elevação da temperatura com relação ao 
restante da fachada revestida com cerâmica sem presença de manifestações 
patológicas, conforme Figura 14b.
(a) (b)
 Figura 14	-	Verifi	cação	de	descolamento	do	revestimento	cerâmico	atra-
vés do termograma
Fonte: Viégas (2015)
 Em outra parte da fachada, sem áreas próximas com placas descola-
das, também se percebeu a presença de regiões com tonalidade de amarelo 
“mais vibrante” caracterizando presença de descolamento de revestimento, 
o	qual	foi	confi	rmado	através	do	ensaio	de	percussão	(Error! Reference 
source not found.).
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
131
Figura 15 - Elevação da temperatura na região com suspeita de descola-
mento, sem área próxima com placas descoladas
Fonte: Viégas (2015)
 N o início da noite os locais com presença de manifestações pato-
lógicas do tipo descolamento os quais tinham uma temperatura mais ele-
vada (cor amarela) passaram a ter uma temperatura mais baixa (cor roxa). 
Em paralelo, notou-se que a área abaixo da platibanda e a área sem reves-
timento cerâmico tornou-se mais quente que a região degradada, ou seja, 
o comportamento inverteu-se (Error! Reference source not found.).
132
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 16 - Inversão no comportamento da fachada à noite nas áreas 
com descolamento (lateral acima da esquadria)
Fonte: Viégas (2015)
 Usando Tmáx da Figura 14b como limite, utilizou-se a ferramenta 
isoterma a qual mostra a região que tem temperaturas superiores à tempe-
ratura limite estipulada. Essa região está destacada na cor marrom ou cor 
do revestimento da fachada analisada (Figura 17). 
Fig ura 17 - Uso da ferramenta “isoterma”
Fonte: Viégas (2015)
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
133
 Percebe-se perscrutando um pouco mais a imagem térmica (ter-
mograma)	que	o	fl	uxo	de	calor	segue	a	primeira	lei	da	termodinâmica,	ou	
seja, parte do ponto de maior para o de menor temperatura. Por isso que 
a área inicial ou próxima à região degradada é maior comparando-se com 
a área mais afastada, ou seja, apresenta um gradiente térmico.
	 Silva,	Viégas	e	Póvoas	(2015)	também	verifi	caram	o	descolamento	
de	revestimento	cerâmico	por	meio	da	análise	termográfi	ca	em	uma	área	
com temperatura mais elevada nas imediações dos descolamentos que fo-
ram	visíveis	(Figura	18).	Para	verifi	car	se	existia	descolamento	ou	não,	foi	
realizado ensaio de percussão para atestar a ocorrência de som cavo, o que 
caracterizou o descolamento da placa cerâmica.
(a) (b)
Figur a 18 - Local que visivelmente não apresenta manifestação patológi-
ca (a) e região de temperatura mais elevada indicando um descolamento 
(b)
Fonte: Silva; Viégas; Póvoas (2015)
	 De	acordo	com	Viégas	(2015),	a	termografi	a	mostra-se	como	uma	
técnica	efi	caz	na	predição	de	falhas	funcionais	e	acidentes,	uma	vez	que	é	
possível detectar manifestações patológicas em fachada de forma preven-
tiva. Além disso, é uma ferramenta de análise não destrutiva e bastante 
rápida, que proporciona resultados instantâneos (termogramas).
 Porém, ainda segundo o autor, são necessárias adequações antes 
de	se	iniciaros	ensaios	por	meio	de	análise	termográfi	ca,	como	a	defi	nição	
de todos os parâmetros do equipamento, tais quais: determinação da emis-
sividade; medição da temperatura ambiente; da umidade relativa do ar; da 
134
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
distância objeto-equipamento; e da velocidade do vento. Os supracitados 
são inseridos no equipamento antes que se iniciem as medições. A inser-
ção errada destes acarretarão distorções nos resultados.
	 A	termografi	a	apresenta	algumas	limitações,	dentre	elas,	medir	a	
espessura da manifestação patológica e determinar a que profundidade se 
encontra o defeito. No entanto, quando o valor de algum desses parâme-
tros	for	necessário,	a	termografi	a	infravermelha	pode	ser	complementada	
por outras tecnologias (VIÉGAS, 2015).
	 A	termografi	a	 infravermelha	se	mostrou	viável	e	atraente	para	a	
detecção de manifestações patológicas, principalmente se a inspeção for 
realizada	por	pessoa	habilitada	(termografi	sta)	a	qual	poderá	analisar	com	
maior precisão os termogramas captados (VIÉGAS, 2015).
Referências
	 ALVARENGA,	C.;	PEDRA,	S.A.;	SALES,	R.B.C.	 Infl	uência	da	
cor	 no	 revestimento	 cerâmico	 de	 fachadas	 em	 edifi	cação	 de	 alvenaria	
estrutural,	 utilizando	 termografi	a	 infravermelha.	 In:	 10º	CONGRESSO	
BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DE-
SIGN – P&D DESIGN. Anais... São Luiz, Maranhão, 2012.
	 AMORIM,	R.;	MONTEIRO,	J.A.	infl	uência	das	cores	no	ganho	
térmico de superfícies cerâmicas. In: ENCONTRO LATINO AMERI-
CANO DE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS, 
5., 2013, Curitiba. Anais... Curitiba: UFPR, 2013. p. 1 - 8.
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 
6118. Projetos de estrutura de concreto - Procedimento. 2014.
	 ____.	NBR	15572.	Ensaios	não	destrutivos:	termografi	a	por	infra-
vermelho. Guia para inspeção de equipamentos elétricos e mecânico. Rio 
de janeiro, 2013.
 ____. NBR 15575-1. Edifícios habitacionais de ate cinco pavi-
mentos - Desempenho. Rio de Janeiro, 2013.
 AVDELIDIS, N.P.; MOROPOULOU, A. Emissivity considera-
tions in building thermography. Energy and Buildings, v.35 (2003) p.663-
667.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
135
	 BARREIRA,	E.	Aplicação	da	termografi	a	ao	estudo	do	compor-
tamento higrotérmico dos edifícios. Dissertação de Mestrado, Faculdade 
de Engenharia, Universidade do Porto. Porto. 2004.
 BAUER, E.; KRAUS, E.; ANTUNES, G.R. Patologias mais cor-
rentes nas fachadas de edifícios em Brasília In: CONGRESSO PORTU-
GUÊS DE ARGAMASSAS DE CONSTRUÇÃO, 3., Anais... APFAC, 
Lisboa, 2010.
 BAUER, E.; KRAUS, E.; SILVA, M.N.B. Patologia e deterioração 
das	fachadas	de	edifícios	em	Brasília	–	estudo	da	quantifi	cação	de	danos.	
In: PATORREB, CONGRESO DE PATOLOGÍA Y REHABILITA-
CIÓN DE EDIFICIOS, 4., Anais... Santiago de Compostela, Espanha, 
2012.
 BAUER, E.; LEAL, F.E. Condicionantes das medições termográ-
fi	cas	para	avaliação	da	temperatura	em	fachadas.	In:	SIMPÓSIO	BRASI-
LEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 10., Anais... Porto 
alegre: ANTAC, 2013.
 BIANCO, A.; CERADINI, V. The Church of S. Eusanio, Dama-
ged by the April 6 2009 L’Aquika Earthquake: In situ Diagnostic Investi-
gations	as	Confi	rmation	of 	Historical	Research	and	Aimed	at	Restotation	
Plan. In: EUROPEAN CONFERENCE ON EARTHQUAKE, 14., Pro-
ceedings... Ohrid, Republic of Macedonia. 2010, 1-6.
 CAMPANTE, E.F. Metodologia de diagnóstico, recuperação e 
prevenção de manifestações patológicas em revestimentos cerâmicos de 
fachadas. Tese de Doutorado, Escola Politécnica da Universidade de São 
Paulo, Departamento de Engenharia de Construção Civil, São Paulo, 2001, 
408 p.
 CARLOMAGNO, G.M.; CARDONE, G. Infrared thermography 
for convective heat transfer measurements. Experiments in Fluids. Berlin, 
v. 49, n. 6, p. 1187- 1218, dez. 2010.
 CHEW, M.Y.L. Assessing building façades using infra-red thermo-
graphy, Structural Survey, 1988. v.16 Iss: 2 pp. 81 – 86.
 COMITTI, A. Engenharia	de	manutenção:	Uso	da	Termografi	a.	
Revista Saber Eletrônica. Ano: 47; N° 459; Jan / Fev – 2012.
	 CORTIZO,	 E.C.	 Avaliação	 da	 técnica	 de	 termografi	a	 infraver-
melha	para	identifi	cação	de	estruturas	ocultas	e	diagnóstico	de	anomalias	
136
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
em	edifi	cações:	ênfase	em	edifi	cações	do	patrimônio	público.	2007.	177	f.	
Tese (doutorado em engenharia Mecânica) – Programa de Pós-Graduação 
em Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Minas Gerais. Minas 
Gerais.
 CORTIZO, E.C.; BARBOSA, M.P.; SOUZA, L.A.C. Estado 
da	 Arte	 da	 Termografi	a.	 In:	 FÓRUM	 PATRIMÔNIO	 –	 AMBIENTE	
CONSTRUÍDO	E	PATRIMÔNIO	SUSTENTÁVEL.	Anais...	Belo	Ho-
rizonte, v.2, n.2, maio/ago., 2008.
 DORNELLES, K. A. Absortância solar de superfícies opacas: 
métodos de determinação e base de dados para tintas látex acrílica e PVA. 
2008. 160p. Tese (Doutorado) - Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetu-
ra e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
 FLIR SYSTEMS. Manual do equipamento ThermaCAM® E320, 
2014.
 FREITAS, J.G. de; CARASEK, H.; CASCUDO, O. Utilização de 
termografi	a	infravermelha	para	avaliação	de	fi	ssuras	em	fachadas	com	re-
vestimento de argamassa e pintura. Ambiente Construído (Online), v. 14, 
p. 57-73, 2014.
 GAMIDI, S. H. Non-Destructive Testing of Structures. Disserta-
tion. Indian Institute of Technology, Bombay, Líbia. 2009.
 GUERRERO, I.C.; OCAÑA, S.M.; REQUENA, I.G. Thermal - 
physical aspects of materials used for the construction of rural buildings 
in Soria (Spain). Construction and Buildings Materials, v.19 ( 2005 ) p.197-
211.
 HOVDE, P. Factor methods for service life prediction. CIB 
W080/RILEM 175 SLM: Service Life Methodologies Prediction of Ser-
vice Life for Buildings and Components, Task Group: Performance Based 
Methods of Service Life Prediction, Trondheim, Norway, 2004, 51 p.
 INFRARED TRAINING CENTER – ITC – Manual do usuário 
–	Certifi	cação	Nível	1	–	2014.
 LABAT, M.; GARNIER G.; WOLOSZYN; M.; ROUX, J. J. 
(2011). Infrared measurements on ventilated cladding for assessing its sur-
fasse temperature and insulated part of the envelope using a simulation 
tool. In: NBS 2011 – NORDIC SYMPOSIUM ON BUILDING PHYSI-
CS, 9., Tampere, Finland 29May-2June 2011 – Volume 1 – Hygrothermal 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
137
performance of envelope assumblies and air tightness of building. Session 
A7	–	Walls	in	fi	eld	measurements.	pp.	315-322.
 MALDAGUE, X. Infrared and Thermal testing: Nondestructive 
testing handbook. 3th ed, Columbus, OH: Patrick O. Moore, 2001.
MARANTE, M.I. Para onde caminha a gestão da energia em grandes edi-
fi	cações.	Revista	Infra,	ed.	137,	Abr.	2012.
 MARCOS, M.H.C. Análise da emissão de CO2 na fase pré-opera-
cional em habitações de interesse social, através da utilização de uma fer-
ramenta CAD-BIM. 130 f. Dissertação (Mestrado em Construção Civil) 
- Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009.
	 MARIO,	M.	Uso	da	termografi	a	como	ferramenta	não	destrutiva	
para avaliação de manifestações patológicas ocultas. Trabalho de conclu-
são de curso (Faculdade de Engenharia Civil) Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul, 2011.
 MATIAS, G.A.; PÓVOAS, Y.V. Manifestações patológicas em re-
vestimento	cerâmico	em	fachadas	das	edifi	cações	na	Região	Metropolitana	
do Recife-PE. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONO-
MIA DA CONSTRUÇÃO. VI SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO 
E ECONOMIA DA CONSTRUÇÃO. João Pessoa. Anais... 2009.
 MEDEIROS, J.S.; SABBATINI, F.H. Tecnologia e projeto de re-
vestimentos cerâmicos de fachadas de edifícios. BT/PCC/246. São Paulo: 
EPUSP, 1999.
	 MENDONÇA,	L.V.	Termografi	a	por	infravermelhos	–	Inspeção	
de betão. Revista Engenharia & Vida, Lisboa, n. 16, p. 53-57, set. 2005.
MEOLA, C.; MAIO, R. di; ROBERTI, N.; CARLOMAGNO, G.M. 
Application of infrared thermography and geophysical methods for de-
fect detetion in architectural structures. Engineering Failure Analysis, v.12, 
p. 875-892. 2005.
 NUZZO, I.; CALIA, A., LIBERATORE, D.; MASINI, N.; RIZ-
ZO, E. Integrationof Ground-Pentrating Radar, Ultrasonic Testes and 
Infrared Thermography for the Analysis of Precious Medieval Rose Win-
dow. Advances in Geoscience, 69-82 (2010).
 OSTROWSKI, Ch.; ANTCZAK, E.; DEFER, D.; DUTHOIT, 
B. Association of Empty Spaces under Concrete Slabas. In: Internatio-
138
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
nal Symposium of Non-Destructive Testing in Civil Engineering. Anais... 
2003, 1-6.
 PADILHA JUNIOR, M.; AYRES, G.; LIRA, R.; JORGE, D.; 
MEIRA, G. Levantamento quantitativo das Patologias em Revestimentos 
Cerâmicos	em	fachadas	de	Edifi	cações	Verticais	na	Cidade	de	João	Pessoa.	
In: CONGRESSO DE PESQUISA E INOVAÇÃO DA REDE NOR-
TE NORDESTE DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA. 2., João Pessoa, 
2007.
	 PEDRA,	S.A.	Potencialidades	da	termografi	a	infravermelha	apli-
cada ao design do conforto térmico de alvenaria estrutural. Dissertação 
de Mestrado. Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG. Belo 
Horizonte. 2011.
 PEDRO, E.G.; MAIA, L.E.F.C.; ROCHA, M.O.; CHAVES, M.V. 
Patologia em Revestimento Cerâmico de Fachada. Curso de Pós-Gradua-
ção do CECON, Especialização em Engenharia de Avaliações e Perícias. 
Síntese	de	Monografi	a.	Belo	Horizonte,	2002.
	 REZENDE	 C.F.O.	 Aplicações	 termográfi	cas	 na	 manutenção;	
Onde geralmente erramos. Nova Manutenção y Qualidade, v. 62, p. 28-32, 
s/d. Disponível em: < http://www.myq.com.br/html/revistas/62/MyQ-
62ter.pdf> Acesso em: 06 jun 2014.
 SALES, R.B.C. Estudo de compostos de cimento Portland uti-
lizando	 o	 ensaio	 de	 freqüência	 ressonante	 forçada	 e	 termografi	a.	 Tese	
(Doutorado em Engenharia Mecânica) - Escola de Engenharia, Universi-
dade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
 SALES, R.B.C.; AGUILAR, M.T.P.; LANA, S.L.B.; SALES, F.A.; 
CETLIN, P.R. Concrete study using infrared thermography and forced 
resonant frequency. Advanced Materials Research, v. 168-170, p. 778-786. 
2011.
	 SANTOS,	L.	Classifi	cação	e	Modelagem	de	Fatores	de	Infl	uência	
sobre	inspeções	Termográfi	cas	em	Ambientes	Desabrigados.	161	f.	Dis-
sertação (Doutor em Ciências em Engenharia Elétrica). 2012.
 SILVA, A.J. da; VIÉGAS, D.J.A.; PÓVOAS, Y.V. O uso da termo-
grafi	a	infravermelha	para	detecção	de	manifestações	patológicas.	In:	EN-
CONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONS-
TRUÍDO, 16., 2016, São Paulo. Anais... Porto Alegre: ANTAC, 2016.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DOS REVESTIMENTOS
139
 SILVA, R.N.T.; BEZERRA, L.A.; GUERRERO, J.R.H.; MAG-
NANI,	 F.S.	 Estudo	 da	 infl	uência	 de	 parâmetros	 por	 termografi	a.	 In:	
IV CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA MECÂNICA, 
Anais... Recife-PE, 2006.
 SILVA, M.N.B.; BAUER, E.; CASTRO, E.K.; ZANONI, V.A.G. 
Distribuição de ocorrência de danos e patologias em fachadas de Brasília 
– estudo de caso. In: I SIMPÓSIO DE ARGAMASSAS E SOLUÇÕES 
TÉRMICAS DE REVESTIMENTO, Argamassa 2014, Anais... Coimbra, 
Portugal, 2014.
 SILVESTRE, J.D.; BRITO, J. Ceramic tiling in building façades: 
Inspection and pathological characterization using an expert system. 
Construction and Building Materials, 25, 2011, 1560–1571.
 TARPANI, J.R.; ALMEIDA, E.G.R. de; SIMENCIO, E.C. .; 
MOTA,	L.P.;	PAZ,	J.H.A.A.	Inspeção	termográfi	ca	de	danos	por	impacto	
em	laminados	de	matriz	polimérica	reforçados	por	fi	bras	de	carbono.	Po-
límeros: Ciência e Tecnologia, São Carlos, v. 19, n. 4, p. 318-328, 2009.
	 VIÉGAS,	D.J.A.;	PÓVOAS,	Y.V.	Uso	de	análise	termográfi	ca	para	
detecção de manifestações patológicas na construção civil. Construir Nor-
deste, v. 77, p. 33, 2015.
	 VIÉGAS,	D.J.A.	Utilização	de	 termografi	a	 infravermelha	em	fa-
chadas	para	verifi	cação	de	descolamento	de	revestimento	cerâmico.	Dis-
sertação de Mestrado, Universidade de Pernambuco, Recife, PE, 2015.
141
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS 
IMPERMEABILIZAÇÕES
PROBLEMAS PATOLÓGICOS E RECUPERAÇÕES DAS 
IMPERMEABILIZAÇÕES
Luiz Fernando Bernhoeft – luizfernando@petrusengenharia.com.
br
Mestrado pela UPE
Engenharia Civil pela UPE
1. Introdução
	 É	um	princípio	básico	das	construções	entender	que	toda	edifica-
ção, nada mais é do que o conjunto de vários sistemas e subsistemas que 
devem ou deveriam trabalhar em perfeita harmonia, quando essa sintonia 
é alcançada chegamos a um resultado na pratica ainda utópico, mas na 
teoria, no ponto de vista de tecnologia disponível absolutamente alcan-
çável, que é uma obra isenta de manifestações patológicas relevantes, o 
sucesso desse trabalho resultado de uma ação necessariamente multidisci-
plinar com especialidades em diversos ramos da engenharia, dentre elas a 
tecnologia de impermeabilização que tem como função, segundo a NBR 
9575 proteger a construção e seus usuários. No entanto, certamente por 
diversas razões, provavelmente sendo uma das mais relevantes, por força 
do mercado (redução de custos), a ciência aplicada a impermeabilização 
vem sendo historicamente negligenciada, tratada em segundo plano, empi-
ricamente, quando, se observa a ótica de uma especialização da engenha-
ria.
	 Qualquer	breve	pesquisa	pode	concluir	que	as	opções	bibliográfi-
cas são mínimas, ou seja, os livros em circulação raridade, assim como as 
disciplinas disponíveis nos cursos de graduação (engenharia, arquitetura, 
tecnólogos) praticamente inexistem, o assunto impermeabilização é trata-
do como um mero apêndice de cadeiras como Tecnologia da Construção, 
Construção civil dentre outras, na pós graduação a realidade não é muito 
142
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
diferente uma vez que tentativas de criação de especialização em imper-
meabilização são quase sempre frustradas pela pequena procura.
 Essa realidade citada é absolutamente paradoxal ao fato de que a 
engenharia de impermeabilização é uma ciência (aplicada) em constante 
evolução, e ainda ou fato também relevante, o resultado dessa negligencia 
tem custado caro as construções, como grande exemplo observamos a 
área imobiliária (construção de edifícios residenciais) cuja uma das maiores 
preocupações nos serviços de atendimento ao cliente estão ligadas a essa 
área	da	engenharia,	ou	seja	com	problemas	de	infi	ltração	(LIMA,	2012),	
que	resultam	além	de	perdas	fi	nanceiras,	comprometimento	do	maior	pa-
trimônio de uma empresa, que é seu nome no mercado, tem sido resultado 
de problemas ligados a impermeabilização, que é uma disciplina que não 
permite margem de falha.
 Apenas como exemplo meramente ilustrativo do fato citado, a Fi-
gura 1, apresenta um levantamento executado por uma construtora imo-
biliária de Brasília, no que diz respeito as solicitações a sua assistência téc-
nica, mostrando a relevância dos problemas ligados a impermeabilização, 
ratifi	cando	a	incoerência	desses	números	com	o	que	podemos	chamar	de	
desprezo a engenharia de impermeabilização.
Figura 19 - Percentual de solicitações em assistência técnica de constru-
tora de Brasília (JOFFILY, 2011)
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
143
Levantamento elaborado por Lima (2012) indica que o custo referente a 
impermeabilização de obras varia entre 0,5 a 2,0% do valor do empreendi-
mento,	se	incluirmos	projetos	e	fi	scalização,	controle	tecnológico	(inclusi-
ve dos materiais) temos uma estimativa aceita no mercado como máximo 
de 3,0%, porém o mau desempenho do sistema, pode resultar em retra-
balho, demolições, troca de revestimentos que podem chegar a 30% do 
custo da obra.
O	gráfi	co	de	Pareto	referente	a	custos	com	SAC	de		uma	construtora	do	
Rio	de	Janeiro	ratifi	ca	a	questão,	mostrando	a	relevância	dos	custos	ligados	
a problemas de impermeabilização.
Figura 20 -	Gráfi	co	de	Pareto	do	SAC	de	construtora	do	Rio	de	Janeiro	
(D.F Oliveira, 2013)
 Quando saímos da área imobiliária ou ainda deixamos o foco de 
manifestações patológicas de obras novas ainda assim é impossível per-
der o foco da importância da impermeabilização, uma vez que a água / 
umidade é agente degradador das construções em especial das estruturas, 
seja por condição necessária ao problema propriamente dito como por 
144
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
exemplo RAA e Corrosão de armadura,seja por mecanismo de trans-
porte dos agentes agressivos que é o caso do ataque externo de sulfato, 
a NBR 15.575-3 declara textualmente que “A água é o principal agente 
de degradação de um amplo grupo de materiais da construção”, e por 
esse motivo estabelece requisitos de estanqueidade que serão analisados 
posteriormente.
2. O sistema de impermeabilização
	 Refl	etir	sobre	patologias	das	impermeabilizações	requer	necessa-
riamente	a	análise	do	que	verdadeiramente	o	que	signifi	ca	um	sistema	de	
impermeabilização, especialmente porque despeito do que se imagina a 
impermeabilização não é uma camada isolada, um ponto, na verdade tra-
ta-se de um sistema abrangente em etapas, sendo conjunto de ações e 
produtos	que	tem	uma	função	especifi	ca,	essa	premissa	fi	ca	claramente	ex-
plicita na NBR 9575 (ABNT, 2010) que esclarece o sistema de impermea-
bilização como o conjunto de produtos e serviços destinados a conferir 
estanqueidade a partes de uma construção, ou seja trata-se de uma disci-
plina bastante abrangente que envolve desde um projeto (necessariamente 
compatibilizado),	especifi	cação,	execução,	controle	tecnológico,	entrega	e	
orientações pós obra (instruções de manutenção).
	 Esta	norma	defi	ne	estanqueidade	como	propriedade	de	um	ele-
mento (ou de um conjunto de componentes) em impedir a penetração ou 
passagem	de	fl	uídos	através	de	si,	trata-se	de	um	requisito	importante	para	
se evitar prejuízos e perdas, especialmente as indicadas a seguir:
I. Prejuízo funcional: Perda da capacidade ou potencial de utilização de 
uma	área	ou	 ambiente	Ex.	 Infi	ltração	 em	garagens	 impedindo	uso,	
poço de elevador interditando a utilização dos mesmos.
II. Prejuízo	patrimonial:	 Infi	ltrações	 geram	 comprometimento	 estético	
gera mais do que incômodo ou poluição visual, e resulta em desvalo-
rização, ou danos a bens materiais.
III. Comprometimento da Vida Útil de Projeto: talvez o mais recorrente 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
145
problema uma vez que umidade atacam não apenas revestimentos, 
mas também e principalmente a estrutura, como dito água / umidade 
é um dos principiais agentes catalisadores de degradação do concreto 
armado, pré-moldado ou ainda de estruturas metálicas.
IV. Risco a saúde dos usuários: Umidade, lodo e bolor são riscos iminen-
tes especialmente a pessoas que sofrem problemas respiratórios, por 
exemplo.
 Apesar de não ser o objeto do presente trabalho, é bastante obvio 
que o princípio levantado por Sitter (lei de Sitter ou lei dos 5), que inclu-
sive converge para a sabedoria popular “melhor prevenir do que remediar” 
se aplica ao estudo das manifestações patológicas ligadas a impermeabili-
zação, o primeiro grande passo para a prevenção é um projeto de imper-
meabilização que segundo normas são obrigatórios a todas as edi� cações, 
a NBR 9575 (ABNT, 2010) no item 6.2.2 indica textualmente que “O 
projeto deve ser desenvolvido em conjunto e compatibilizado com de-
mais projetos da construção”, ou seja , o grande trunfo do projeto é a 
compatibilização junto as demais disciplinas, por isso o momento de se 
pensar impermeabilização é na etapa de projetos e não no momento de 
acabamento da obra, nesse segundo momento é absolutamente tarde para 
fornecer soluções básicas ao sucesso da camada impermeável, a compati-
bilização é necessária junto a todas as disciplinas, mas especializações a 
seguir, certamente são os mais relevantes no que diz respeito a interferên-
cia com os sistemas de impermeabilização:
a. Interferência com instalações hidráulicas
 Dimensionamento de drenos sem a previsão de arremates dos 
sistemas impermeabilizantes, os diâmetros mínimos de drenos em áreas 
impermeabilizadas devem ser de 75 mm, drenos inferiores, como o de 40 
mm,	ilustrado	na	fi	gura	03,	impossibilitam	um	bom	arremate	neste	pon-
to crítico, além de comprometer o diâmetro útil pela entrada do sistema 
impermeabilizante, do ponto de vista de cálculo da vazão hidráulica (se 
fosse considerada apenas essa disciplina), certamente o diâmetro projeta-
do projetada atenderia a necessidade pluviométrica da pequena laje sobre 
o reservatório e casa de máquina. Diversos outros exemplos poderiam ser 
146
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
citados tais como quantidade de ralos para garantir espessura razoável de 
regularização, arremates e distância entre tubulações emergentes.
Figura 21 - Tubulação de drenagem com perda de diâmetro pelo arre-
mate impermeabilizante - acervo do autor
b. Interferência com instalações Elétricas
 Proximidade de faces verticais, tubulação x tubulação; ou tubula-
ção x paredes, impossibilitando arremates seguros entre essas faces deve 
existir nesse caso uma distância mínima de 10 cm possibilitando o arrema-
te impermeabilizante entre os mesmos (Figura 04). Outros fatores impor-
tantes são existência de pontos de luz em paredes próximas ou dentro da 
cota de impermeabilização.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
147
Figura 22 - Eletro dutos verticais sem espaçamento impossibilitando 
acabamento adequado do sistema impermeabilizante - acervo do autor
c. Interferência com projeto estrutural.
 Além da importância do grau de deformação, tipo de estrutura 
que	exigira	de	o	sistema	de	impermeabilização	ser	mais	ou	menos	fl	exível,	
existem	 fatores	práticos	 tais	 como	a	 ausência/insufi	ciência	de	desníveis	
na estrutura entre áreas internas e externas, locais impermeabilizados e 
não impermeabilizados, impossibilitando a devida execução das camadas: 
regularização, impermeabilização, camada separadora e proteção mecâni-
ca,	sem	comprometimento	estético	e	ou	funcional	(fi	gura	05).	Outro	fato	
bastante recorrente é a não construção de mureta em concreto armado 
solidarizada a estrutura existente mureta perimetral de contensão em lajes 
sujeitas	e	elevado	gradiente	térmico,	causando	fi	ssuras	por	dilatação	e	pos-
teriormente escorrimento de água pelos revestimentos e da mesma forma 
causando	manchas,	efl	orescências	e	danos	gerais	aos	revestimentos.	
148
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 23 - Necessidade de batente pela não previsão de desnível entre 
área impermeabilizada e não impermeabilizada - acervo do autor
d. Interferência com Arquitetura / paisagismo
 Não obstante as normas exigirem altura mínima de rodapé imper-
meabilizado a cota de 20 centímetros de piso acabado, é o projeto arqui-
tetônico que determinara as melhores soluções para a real abrangência do 
sistema impermeabilizante, caso a caso a utilização do local (se trafego de 
veículo ou pedestre) da mesma forma possui grande interferência devido 
a efeitos de aceleração e frenagem, como um exemplo clássico é funda-
mental conhecer o tipo de vegetação que seria instalada da mesma forma 
é informação crucial para escolha do sistema.
	 Ratifi	cando,	 os	 diversos	problemas	 enfrentados	 com:	o	planeja-
mento, a contratação e controle da Impermeabilização podem ser consi-
deravelmente minimizados com a elaboração do projeto de impermeabi-
lização de forma e momento adequados, ou seja, com a inclusão de um 
especialista na equipe multidisciplinar de projetos.
3. Abrangência e vida útil da impermeabilização
	 A	edifi	cação	e	as	normas	atuais,	mais	especifi	camente	NBR	9575	
(ABNT, 2010), e NBR 9574 (ABNT, 2008) indicam necessidade de utili-
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
149
zação de sistema impermeabilizante, em uma abrangência maior do que 
comumente foca da nas obras basicamente são áreas por solicitações de:
a) Água por percolação - Áreas que recebem água rotineiramente, em 
quantidades	que	resultam	escoamento	superfi	cial	a	exemplo	dos	ba-
nheiros e lajes descobertas
b) Água por condenação - Pequenas gotas que são formadas pelo vapor 
de água no ar são mais nocivas a estrutura do que se pode imaginar, 
espacialmente devido a presença de oxigênio que é condição funda-
mental para corrosão.
c) Umidade proveniente do solo – Água pura e principalmente conta-
minada no solo deveria ser condição fundamentalpara previsão de 
sistemas de impermeabilização em subsolo, incluindo fundações.
d) Fluido por pressão unilateral ou bilateral – Locais como reservatórios 
de água, piscina, estações de tratamento são objeto óbvio de estudo e 
planejamento de uma boa impermeabilização.
Por	outro	lado,	a	NBR	15.575-3,	classifi	ca	as	possibilidades	de	exigência	
quanto a estanqueidade em 03 níveis possíveis:
I. Áreas secas - exemplos: quarto, salas corredores - não existe requisito 
quanto a estanqueidade
II. Áreas molhadas - exemplos: Box, calhas, lajes descobertas – deve 
resistir a teste de estanqueidade de 72 horas com lamina de água de 
10 centímetros.
III. Áreas molháveis – Banheiro externo ao box, cozinhas – Pode não 
atender ao requisito de estanqueidade, mas a informação deve constar 
no manual de uso e operação.
 Um debate igualmente importante ainda sobre a norma de de-
sempenho, é a exigência atual de Vida Útil de Projeto (VUP), segundo a 
tabela C.6 um sistema de impermeabilização deve possuir VUP, mínima de 
20 anos, intermediária de 25 anos e superior de 30 anos quando a imper-
meabilização não for acessível sem quebra de revestimentos, que hoje no 
150
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Brasil ainda é a grande maioria dos casos. No caso de impermeabilização 
manutenível sem quebra de revestimentos a VUP é reduzida para 8, 10 e 
12 anos respectivamente, ou seja, a norma de desempenho mantem para 
impermeabilização sua diretriz que favorecer / buscar sistemas manute-
níveis, essa fato é absolutamente importante para o estudo das manifes-
tações patológicas de impermeabilização, uma vez que , com um sistema 
exposto (manutenível) além da menor exigência quanto a VUP, é possível 
prescrever atuações / manutenções preventivas em manuais de uso e ope-
ração, dividindo as responsabilidades e os esforços e garantir com isso 
uma aceitável durabilidade ao sistema, além disso, em caso de sistemas 
expostos (acessíveis sem quebra de revestimentos) a própria eventual ne-
cessidade de intervenção corretiva é muito facilitada.
4. Classifi cação de manifestações patológicas ligadas à impermea-
bilização
 Conforme proposto por Storte (2011) é prudente subdividir as 
manifestações patológicas ligadas a impermeabilização em dois grupos, 
são eles: 
Grupo	1.	Manifestações	provocadas	pela	infi	ltração	d’água,	devido	à	au-
sência ou falha da impermeabilização. 
Grupo 2. Manifestações originárias do processo construtivo, que podem 
provocar danos à impermeabilização.
 O foco do presente e trabalho é o estudo grupo 1, cuja a origem 
dos problemas está na impermeabilização, seja por projeto, concepção, 
execução ou mau uso, os problemas do grupo 2 são técnicas preventivas, 
de boa pratica, normativas, de controle de qualidade e tecnológico ligadas 
a outras disciplinas tais como estrutura, instalações, vedações e revesti-
mentos.
	 Sobre	o	grupo	1	também	não	será	objeto	da	atual	refl	exão	as	ori-
gens dos problemas, pois nesse caso o assunto seria tecnologia de imper-
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
151
meabilização e não patologias da impermeabilização, porém é importante 
ressaltar que a origem do problema pode estar ligada a:
a. Projeto
 Concepção inadequada, uso de materiais inapropriados ao grau e 
ou tempo de exposição, falta de detalhamento, falta de compatibilização 
com demais disciplinas, escolha de sistema não compatível com mão de 
obra disponível local;
b. Inadequada preparação da superfície
 Toda impermeabilização requer adequada regularização e ou pre-
paração da superfície, é muito mais comum do que se imagina, falhas na 
impermeabilização, não obstante a concepção / escolha correta do produ-
to e a correta mão de obra de execução, o motivo é a falha na regularização 
que pode chegar inclusive a comprometer o todo.
c. Execução
 Obviamente a maior responsável pelos problemas, trata-se de fa-
lha	de	procedimentos	associadas	a	ausência	de	fi	scalização.	Defi	ciências	de	
emendas, sobreposições além de pontos críticos tais como juntas de movi-
mentação, ralos e tubos emergentes são os grandes focos dos problemas.
d. Materiais
 Via de regra acontecem em pequena intensidade uma vez que 
nesse item não está incluída a concepção inadequada, mas apenas even-
tuais falhas do material, por exemplo uma manta asfáltica tipo III segundo 
NBR 9952 deve possuir alongamento superior a 30%, caso um controle 
tecnológico (ensaio) mostre que o material não alcançou esse valor, clara-
mente trata-se de uma falha de fabricação e consequentemente uma falha 
de material.
152
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
e. Agressão das camadas posteriores (em obra)
 Após projeto e execução esse item certamente é a origem com 
maior incidência de problemas, O histórico das manifestações patológi-
cas relacionadas a impermeabilização indicam que grande parte são danos 
posteriores ao correto sistema aplicado, sendo comum por exemplo áreas 
como piscinas impermeabilizadas e em teste por semanas, após a execução 
do	revestimento	apresentam	infi	ltrações		em	1	ou	2	dias,	por	esse	motivo	
é	 indicado	que	a	empresa	ou	profi	ssional	 responsável	pela	 aplicação	da	
impermeabilização seja o mesmo que aplique a proteção mecânica, essa 
atitude minimiza a possibilidade insucesso, mesmo que danos profundos 
como novas chumbações ainda são possíveis.
f. Uso e manutenção
 Muitos sistemas de impermeabilização requerem manutenções 
preventivas ao longo de sua vida útil, porém a omissão de manutenção 
nem sempre é responsabilidade apenas do usuário (sindico ou adminis-
trador) mas em alguns casos do próprio construtor quando não repassa 
as informações de forma clara e técnica das ações necessárias. Vae a pena 
registrar as principais informações que se deve constar em manual:
• Indicar em croqui as áreas molhadas, registrando a absoluta impossi-
bilidade de perfurações e danos;
• Indicar em croqui locais apropriados para perfurações inevitáveis tais 
como	fi	xação	de	antenas	de	TV	a	cabo	–	é	prudente	a	construção	de	
bases	especifi	cas.
• Para as impermeabilizações manuteníveis (expostas) incluir de forma 
clara, técnica se possível com quantitativo a ações necessárias pre-
ventivas.
• Registrar no manual (croqui ilustrado) onde são as áreas molháveis, e 
esclarecer que as mesmas não possuem requisito de estanqueidade.
• Para impermeabilizações ou componentes não manuteníveis ou 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
153
substituíveis indicar a VUP, com prazos para troca. Exemplo o tem-
po que um selante de juntas deve ser substituído.
5. Manifestações patológicas ligadas à impermeabilização
5.1 Lixiviação da estrutura de concreto
 Parte do produto da reação de hidratação do cimento são cristais 
de Ca (OH)2 e Mg (OH)2, cal hidratada/hidróxidos de cálcio e de mag-
nésio, componentes que são parcialmente solúveis em água (corrente). A 
falha na impermeabilização gera indesejada e não projetada passagem de 
água no concreto resultando na dissolução e transporte da cal hidratada 
que	é	chamada	lixiviação	que	é	ilustrada	na	fi	gura	6.
Figura 24 - Lixiviação do concreto, devido a passagem inadequada de 
água em seu interior - acervo do autor
 Não se trata de uma simples não conformidade estética, além de 
danos funcionais (comprometimento do uso de uma garagem por exem-
plo), o problema é prioritariamente técnico gerando:
154
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
• Remoção de sólidos gerando redução na resistência mecânica;
• Facilidade de gases e líquidos agressivos às armaduras;
• Penetração de água e oxigênio (corrosão de armaduras);
• Perda da proteção química pela carbonatação (transformação de hi-
droxilas em carbonatos) – queda do pH do concreto.
 Sabe-se que a armadura inerente ao concreto armado ou protendi-
do possui duas importantes forma de proteção:
• Barreira física, que é uma barreira gerada pela qualidade e espessu-
ra	do	cobrimento,	fato	que	em	parte	justifi	ca	a	grande	importância	
dada na NBR 6118 as classes de agressividade ambientais e exigên-cias quanto a espessura do cobrimento;
• Barreira química, que é o ambiente alcalino do concreto original, que 
se perde na redução do pH, favorecendo a corrosão.
 A lixiviação que visualmente é evidenciada pela mancha ou esta-
laquitites esbranquiçadas nas estruturas de concreto, quimicamente é ex-
pressa	na	reação	da	fi	gura	07.
Figura 25 - esquema da reação de lixiviação.
 Resumidamente a lixiviação é atestado de que a estrutura de con-
creto perdeu sua proteção química, ou seja esta vulnerável a corrosão. 
Esse fato alerta para a verdade de que para evitar degradação da estrutura 
não	são	sufi	cientes	o	controle	de	lançamento	e	adensamento	do	concreto,	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
155
assim como a qualidade e quantidade do cobrimento das armaduras, mas a 
qualidade	da	estanqueidade	da	edifi	cação	é	da	mesma	forma	fundamental.
 
5.2 Corrosão eletroquímica de armadura de concreto armado ou 
protendido
 Essa manifestação patológica será minuciosamente tratada em ou-
tro capítulo dessa publicação, porém o registro é importante por escla-
recer que uma das condições necessárias para a corrosão eletroquímica 
das armaduras é o eletrólito, logo a umidade gerada pela falha no sistema 
de impermeabilização também desta forma (além da lixiviação), catali-
sa a degradação da estrutura. A Figura 8 ilustra uma garagem com dois 
pilares com aproximadamente 2,5 metros de distância um do outro, de 
mesma idade, mesma geometria, mesma resistência, mesma agressividade 
ambiente, certamente a mesma qualidade de mão de obra e supervisão 
se apresentam em níveis de deterioração complemente diferentes, o da 
esquerda	 (com	 infi	ltração	 vinda	 do	 teto),	 se	 encontra	 com	 elevado	 em	
elevada degradação quando comparado com o da direita. 
156
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 26 - Comparação de degradação entre pilares com grau de umi-
dade diferenciadas - acervo do autor
 Trabalho apresentado no simpósio brasileiro de impermeabili-
zação mostra que 90,91% de edifícios residências vistoriados em caráter 
preventivo apresentem corrosão em teto interno de reservatório ilustrado 
na	fi	gura	9,	devido	à	ausência	de	impermeabilização	do	teto	interno,	pro-
cedimento que é uma premissa da NBR 9575 quando indica necessidade 
de impermeabilização por água de condensação, e fato porém que via de 
regra	o	problema	está	associado	a	outras	falhas,	especialmente	defi	ciência	
de cobrimento das armaduras.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
157
Figura 27 - teto interno de reservatório com corrosão de armadura por 
ausência de impermeabilização contra água por percolação - acervo do 
autor
5.3 Reação álcali agregado (RAA)
 A exemplo da corrosão de armadura, não é objetivo desse capitulo 
se aprofundar no RAA propriamente dito, porém é fundamental registrar 
que a água é condição necessária para formação do gel expansivo e das 
bordas de reação, e ainda que desde 1986 a NBR 9575 prevê a abrangência 
de impermeabilização em “Umidade proveniente do solo – Água pura e 
principalmente contaminada no solo deveria ser condição fundamental 
para previsão de sistemas de impermeabilização em subsolo, incluindo 
fundações“.
5.4 Ataque externo de sulfato
 Assim como o gel no RAA, a formação da etringita leva à expan-
são e devido à baixa resistência à tração do concreto se instala um quadro 
fi	ssuratório	com	características	inclusive	similares	a	do	RAA,	não	sendo	
rara a ação conjunta das duas manifestações patológicas.
158
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 A fonte da contaminação por sulfato são diversas, merecendo 
destaque: O solo, águas contaminadas (industriais e chuvas), águas servi-
das e água do mar, ou seja, em todos os casos a água é responsável pelo 
transporte do agente agressivo (o sulfato), de modo que é correto atribuir 
a prevenção dessa manifestação patológicas se dá no uso de concretos 
menos permeáveis, com baixa relação a/c, uso de cimentos de alto-forno, 
pozolânicos ou resistentes aos sulfatos (RS), mas também a impermeabili-
zação das fundações ou elementos estruturais sujeito a contaminação.
5.5 Umidade ascendente em paredes
 A umidade ascendente por capilaridade se manifesta em paredes, 
rodapés e piso, a capacidade da altura ase atingir depende de muitas va-
riáveis, mas é comum observar cotas de até 1,3 metros. Apesar de esse 
manifestar em maior frequência em obras de pequeno ou médio porte, 
especialmente	 edifi	cações	unifamiliares,	 a	 umidade	 ascendente	pode	 ser	
observada em garagens de pavimento térreo e ou subsolo.
 Além de graves transtornos estéticos e funcional essa umidade 
proveniente do solo cuja a passagem é permitida pela ausência de correto 
tratamento das fundações / vigas baldrames, permitindo a ligação entre 
a	área	enterrada	e	a	parede	sobre	o	nível	dom	solo	(fi	gura	10),	essa	ma-
nifestação patológica compromete o revestimento e ainda a vida útil da 
estrutura, seja alvenaria estrutural / resistência ou estruturas em apoios 
aporticados.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
159
Figura 28 - Ilustração de umidade ascendente em paredes (Bernhoeft, 
2012)
5.6 Desplacamentos do sistema impermeável
 O desplacamentos do sistema de impermeabilização pode se dar 
por diversos motivos, porém certamente os mais recorrentes são:
a. Ausência ou defi ciência da camada de regularização, essa falha 
produz falta de uniformidade na camada berço, assim quando aplicada 
a impermeabilização não se apresenta totalmente apoiada no substra-
to, com a aplicação de cargas (água, sobre cargas acidentais, revesti-
mentos) se observa o rompimento e desplacamentos da impermeabi-
lização	(fi	gura	11).
160
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 29 - Desplacamentos da impermeabilização por falha na regulari-
zação- acervo do autor
b. Ausência ou defi ciência de cura em impermeabilizações de base 
cimentícia, essa omissão gera retração, que por sua vez resulta em 
esforços de cisalhamento comprometendo a ancoragem mecânica (es-
tacas	/	agulhas	na	porosidade)	como	ilustra	a	fi	gura	12.
Figura 30 - Desplacamentos de revestimento devido a ausência de cura 
em impermeabilizações em base cimentícia - acervo do autor
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
161
c. Falta de preparo cuidado no substrato, Os materiais mais relevan-
tes de impermeabilização possuem matriz diferente das argamassas 
mistas inorgânicas que via de regra são utilizadas como regulariza-
ção, esses materiais, possuem base asfáltica, poliuretano dentre outros 
possuem	uma	inerente	difi	culdade	de	aderência	na	matriz	cimentícia,	
associado	a	esse	desafi	o	é	comum	registrar	na	ausência	de	fi	scalização	
e controle agravantes como umidade, poeira e eventualmente outros 
materiais estranhos as superfícies tais como : graxas , óleos , óxidos e 
etc.
5.7 Ausência de estanqueidade com origem no lençol freático
 Levantamento apresentado no simpósio brasileiro de impermeabi-
lização	em	2015	mostra	que	36,36%	das	edifi	cações	residenciais	na	Região	
Metropolitana do Recife (RMR) possuem problemas ligados a ausência de 
impermeabilização em estruturas enterradas ou semienterradas especial-
mente reservatórios inferiores, poço de elevador e laje de piso (garagens), 
como	ilustra	a	fi	gura	13.
 Esses números mostram descaso sobre o assunto, uma vez que via 
de regra a tentativa de solução do problema se dá por instalação de dre-
nagem muitas vezes empíricas, quando na verdade, lajes estruturais sub-
pressão impermeabilizadas seriam apropriadas uma vez que eliminariam a 
necessidade de um sistema caro e vulnerável de manutenção envolvendo 
bombas, canaletas e tubos enterrados, além de eliminar a possibilidade de 
possíveis problemas estruturais pelo carreamento de materiais com drena-
gem	ao	longo	dos	anos,	e	por	fi	m,	um	sub	solo	não	estanque	apenas	dre-
nado resulta em um micro clima mais agressivo (mais úmido) com prome-
tendo	a	durabilidade	da	edifi	cação.	Nenhuma	umidade	deve	estar	presente	
em estruturas enterradas, pois nessecaso, independentemente do local 
em	que	a	edifi	cação	se	encontre	ela	estaria	simulando	no	seu	microclima	a	
classe de agressividade ambiental IV, ou seja, como não foi prevista dessa 
forma, certamente terá sua Vida Útil comprometida.
162
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 31 -	Infi	ltração	em	garagem	em	pavimento	semienterrado	na	
RMR
5.8 Desplacamentos de revestimento sobre rodapé impermeabili-
zado
 Se a aderência do sistema impermeabilizante ao substrato é um 
desafi	o,	a	fi	xação	do	revestimento	fi	nal	a	um	rodapé	impermeabilizado	é	
procedimento da mesma forma complexo que une camadas distintas (base 
de baixa porosidade) e essas camadas estão expostas a um elevado gra-
diente térmico via de regra com incidência direta do sol. Por esse motivo 
81,82 % (Simposio Brasileiro de Impermeabilização 2015) dos empreen-
dimentos	com	até	5	anos	de	entrega	na	RMR	apresentam	fi	ssuras	nesses	
rodapés	como	ilustra	a	fi	gura	14.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
163
Figura 32 - Desplacamentos em revestimento de rodapés sobre im-
permeabilização - acervo do autor
É possível atribuir as principais causas desse desplacamentos a:
a. Ausência de tela sobre chapisco, A tela tem a função de fomentar a 
aderência do emboço e deve ser aplicada sobre a camada de chapisco, 
nunca diretamente sobre a impermeabilização.
b. Defi ciência na altura de tela instalada, Muitas vezes a tela estru-
turante do emboço é instalada, mas é interrompida na cota de imper-
meabilização, nesse caso ela só atua com uma de suas duas funções, a 
função de dissipar tensões na área de concentração de esforços (que 
é o limite da altura do rodapé impermeabilizado) não é utilizado, é 
recomendado não apenas a instalação da tela, mas sua cota com 10 
centímetros acima no nível da impermeabilização.
c. Ausência de junta de dessolidarização, essas juntas são providen-
cialmente colocadas nos encontros de panos, ou seja, entre o piso e a 
parede. Com a junta nesse local, a movimentação termoigometrica do 
piso não gera esforços na face vertical, sendo absorvida pela junta que 
dessolidarizou o piso da parede, na inexistência desse componente o 
164
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
esforço agrava o desplacamentos gerando o momento Fxd, onde F é a 
força gerada pelo piso na parede, e d é a altura do rodapé.
d. Ausência de tratamento na camada superfi cial da impermea-
bilização, no caso das mantas asfálticas é fundamental a queima do 
fi	lme	superfi	cial	de	polietileno,	que	ainda	no	estado	pastoso	(quente)	
favorece a aderência do chapisco. Caso o sistema impermeabilizante 
utilizado tenha sido a base de poliuretano ou acrílico, seria prudente 
na ocasião da última camada executar aspersão de agregado, tais como 
grão de quartzo ou areia com umidade controlada.
5.9 Manchas e efl orescências em revestimentos
	 Muitas	vezes	manchas	e	efl	orescências	nos	revestimentos	(a	exem-
plo da Figura 15) não são atribuídas a falha de impermeabilização, mas 
de	fato	são	defi	ciência	nas	regularizações.	Normas	técnicas	indicam	a	ne-
cessidade de caimento de 1% das áreas impermeabilizadas (com exceção 
de calhas e banheiros que são admitidos 0,5%), e ainda é relevante citar 
que esses caimentos devem ser executadas na camada de regularização e 
não proteção mecânica, de modo que a água que naturalmente percolar 
no	piso	não	fi	cara	retida	no	contra	piso,	essa	retenção	geraria	manchas	de	
umidade, escurecimento da argamassa de rejunte, comprometimento da 
aderência	a	médio	ou	longo	prazo	e	as	efl	orescências.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
165
Figura 33	-	Efl	orescências	fruto	de	acumulo	de	água	sob	o	piso,	sobre	o	
sistema impermeável - acervo do autor
 Outras falhas de abrangência do sistema impermeabilizante, regu-
larização,	ou	defi	ciência	de	detalhamento	tais	como	chapins	ou	respinga-
dores	da	mesma	forma	resultam	em	manchas	e	efl	orescência	(fi	gura	16).
Figura 34 -	Manchas	e	efl	orescência	gerado	por	defi	ciência	de	detalha-
mento / abrangência de impermeabilização 
166
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
5.10 Não remoção de película protetora de manta asfáltica exposta
 As proteções mecânicas são necessárias na grande maioria dos 
casos de impermeabilização com manta asfáltica, existindo basicamente 
duas exceções: Na aplicação de mantas auto protegidas, e nas aplicações 
em reservatórios. Nesse segundo caso a boa pratica construtiva e os fa-
bricantes indicam a execução de proteção apenas no piso, devido a neces-
sidade de manutenção, apoio a escadas, bombas e etc. Porém as paredes 
devem conter mantas expostas sem proteção, além de torna-las manute-
níveis se um revestimento em rodapés de 30 centímetros já se apresentam 
como	desafi	adores,	paredes	de	2	ou	3	metros	são	panos	absolutamente	
complexos de se revestir, e ainda que se obtenha sucesso, a proteção me-
cânica nas paredes geram esforços contínuos que tenderão a destacar a 
impermeabilização do substrato.
	 Portanto	uma	vez	 expostas	o	fi	lme	de	polietileno	 remanescente	
deve ser removido / queimado pois na presença de água estancada o mes-
mo é removido em médio prazo gerando elevado risco de obstrução das 
instalações	hidros	sanitárias	a	exemplo	da	ilustração	da	fi	gura	17.
Figura 35 - Película de polietileno não removida gerando risco de obs-
trução de instalações – Acervo do autor
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
167
5.11 Ausência de pintura protetora em mantas auto protegidas
 As mantas asfálticas auto protegidas são bastante uteis e apropria-
das a pequenas lajes de trafego leve e eventual, ocorre que levantamen-
to realizado na RMR (IBI xxx2014) indica que em 81,82% dos casos as 
emendas	não	são	devidamente	protegidas	(fi	gura	18),	fato	grave	uma	vez	
que essas são justamente os locais mais vulneráveis. Os fabricantes indi-
cam pintura asfáltica alumínio no caso de utilização de autoproteção com 
película alumínio e aspersão de grãos de ardósia no caso das mantas deno-
minadas de ardosiadas. O resultado da omissão é a fadiga precoce, e mau 
desempenho / durabilidade da emenda.
Figura 36 - Manta auto protegida com grãos de ardósia aplicada em co-
bertura sem proteção das emendas – Acervo do Autor
6. Soluções para recuperação de impermeabilização
6.1 Análise das possibilidades de intervenções
 Tomar a decisão de qual possibilidade de solução pode ser dada a 
uma	infi	ltração	de	água,	nem	sempre	é	uma	tarefa	fácil,	os	principais	mo-
tivos são:
168
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
a. Devido a ausência de projeto ou registros em geral, via de regra não 
se conhece o sistema de impermeabilização utilizado originalmente 
uma vez que o mesmo se encontra quase sempre sob um revestimento 
fi	nal	estético	e	ou	sob	camada	de	proteção	mecânica.	Esse	desconhe-
cimento resulta em duvidas sobra a VUP do sistema utilizado, sobre 
a possibilidade / facilidade de emenda do mesmo, podendo resultar 
muitas vezes em escolha de re impermeabilização geral.
b. Os	sistemas	de	impermeabilização,	mesmo	os	classifi	cados	como	ade-
ridos (existem sistemas aderidos, semi aderidos e não aderidos) quase 
sempre	possuem	difi	culdade	de	aderência	em	substrato	úmidos,	logo	
em	caso	de	 infi	ltração	de	 água	 a	úmida	 sob	 a	 camada	 impermeável	
compromete a aderência resultando num efeito muito recorrente que 
é	o	fato	da	infi	ltração	na	estrutura	não	se	apresentar	na	projeção	do	
problema. Após penetrar na falha existem em um ponto a umidade 
pode percolar horizontalmente distancias relevantes até algum ponto 
mais vulnerável da estrutura tais como : Fissuras, falhas de concreta-
gem, chumbação de tubulações , juntas estruturais, juntas de concre-
tagem	dentre	outras.	Esse	fenômeno	difi	culta	a	identifi	cação	pontual	
do problema e a exemplo do item anterior resulta muitas vezes em 
opção pela re impermeabilização. total. Por esse motivo, em caso de 
reparos pontuais se a área permitir, é fundamental a execução de teste 
de estanqueidade geral (toda a área da laje, toda a piscina, todo opreservatório) pequenos testes de estanqueidade pontuais tem grande 
probabilidade de não apresentar a realidade, gerando falsa conclusão 
de solução.
 A decisão entre tentativas pontuais de reparos e re impermeabi-
lização geral passa por variáveis que devem ser levadas em consideração, 
tornando cada caso peculiar, tais como:
a. Além	da	funcionalidade,	momentânea	 (estancar	as	 infi	ltrações)	deve	
se considerar a durabilidade e garantia requerida, como exemplo po-
demos citar injeções em lajes elevadas de super estrutura onde, esse 
procedimento	 estanca	o	 local	 da	 infi	ltração	mas	 a	 probabilidade	 de	
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
169
aparecimento de umidade em outro ponto do mesmo ambiente deve 
ser considerada alta.
b. Deve-se levar em consideração as condições de uso, a possibilidade 
de intervenção das áreas, cozinhas industriais ou de restaurantes de 
shoppings por exemplo que nunca param, muitas vezes a solução mais 
adequada deve ser meramente mitigadora diante a impossibilidade de 
intervenção de elevado transtorno;
	 Como	 já	 comentado	 diante	 os	 desafi	os	 citados	 e	 especialmente	
a nova “garantia” requerida é comum se adotar um procedimento tradi-
cional, de re impermeabilização total que requer remoção total do piso, 
execução	de	nova	camada	impermeável		a	exemplo	da	ilustração	da	fi	gura	
19.
Figura 37 - Demolição total de piso para nova impermeabilização após 
decisão judicial na RMR - Acervo do autor
As caracteristas dessas decisão resultam em aspectos tanto negativos como 
positivos, os principais deles são listados a seguir:
170
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Pontos negativos
• Elevado transtorno aos usuários, especialmente devido a poeira e 
ruído. Fato agravado em caso de garagens que resultam em interdi-
ções mais complexas;
• Elevado	custo	uma	vez	que	toda	a	camada	de	piso	fi	nal,	proteção	
mecânica , impermeabilização e ainda muitas vezes a própria regula-
rização, que requer ajustes;
Pontos positivos
• Possibilidade de renovação total da VUP e das garantias;
• Não requer mão de obra ou equipamentos especializados como por 
exemplo em soluções que envolvem injeção de resinas. Essa relativa 
facilidade de mão de obra abrange o leque de opções de contratação 
/ concorrência.
6.2 Opções de reparos não tradicionais (demolição geral de piso)
	 Não	 obstante	 as	 difi	culdades	 e	 desafi	os	 apresentados	 no	 item	
anterior, novas tecnologias e materiais ligados ao ramo de impermeabili-
zação tem possibilitado alternativas na recuperação de impermeabilização, 
as principais delas são:
6.2.1 Cristalização integral do concreto
 Esse sistema tem se mostrado muito útil em recuperações de mau 
desempenho em impermeabilização para estruturas que se apresentam em 
contato direto com umidade, podendo ser a água no estado liquido propri-
amente dito ou solo, resumindo trata-se de ambientes enterrados de forma 
geral (poço de elevador, reservatórios enterrados, cortinas de concreto, 
fundações, parede diafragma, laje sob pressão) ou estruturas elevadas ou 
semi enterradas como reservatórios e estações de tratamento.
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
171
 Nos últimos anos, devido a novas gerações de cristalização, esse 
sistema tem ampliado muito sua fatia de atuação no mercado. Em princip-
io existem duas formas de aplicação da cristalização, a tópica, em forma de 
pintura projetada ou com trincha e a adição em concreto no estão frescos, 
como o foco desse trabalho são reparos / recuperação a utilização apro-
priada é a tópica.
 Importante ressaltar que a cristalização é um dos poucos sistemas 
de impermeabilização que não requer regularização quanto camada pre 
liminar em argamassa por exemplo, ao contrario disso o produto só tem 
efi	ciência	 quando	 aplicado	 diretamente	 sobre	 o	 concreto	 estrutural,	 ela	
requer sim preparação do substrato, mas não camada de regularização.
 Constituído de Cimento Portland, areia de quartzo, compostos 
químicos ativos (misturado a água). Na aplicação os componentes quími-
cos ativos reagem com os compostos da pasta de cimento e com a umi-
dade presente nos capilares do concreto formando cristais insolúveis que 
preenchem	os	poros	e	fi	ssuras	de	retração.	
É possível citar como vantagens do sistema:
• Torna-se parte integrante do concreto – não cria uma camada barreira 
/ película como os demais sistemas de impermeasbilização;
• Pode ser aplicado na face positiva ou negativa do concreto – vanta-
gem fundamental em reparos por ser comum em sub solos por exem-
plo o acesso apenas a face negativa;
• As propriedades de impermeabilização e resistência química se man-
têm	intactas	mesmo	se	a	estrutura	for	danifi	cada,	o	máximo	necessá-
rio são reparos pontuais em caso de danos mais profundos;
• Efi	caz	contra	pressões	hidrostáticas	elevadas;		
• Fácil de aplicar, simples pintura em duas demãos, CUIDADO requer 
cuidado	muito	especifi	co	na	preparação	do	substrato.;
• Pode	selar	fi	ssuras	próximas	a	0,4	mm	de	abertura;
172
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
• Resistente aos ataques químicos, majora a durabilidade da estrutura;
• Pode ser aplicado em concreto úmido ou durante a fase plástica;
 Por se tornar parte integrante do concreto, para sua qualidade e 
bom desempenho é fundamental, o adequado tratamento da superfície 
tratamento de eventual concreto segregado, em caso de recuperações de-
stacamento ou corrosão da armadura, seguido de hidrojateamento de alta 
pressão (> 250 bares) com objetivo de limpeza abertura dos poros, sendo 
inclusive fundamental posterior escovação, uma vez que o objetivo é a 
penetração e cristalização dos poros. 
	 Deve	existir	o	prévio	tratamento	de	juntas	de	concretagem	e	fi	s-
suras	localizadas	após	o	hidrojato,	assim	como	identifi	cação	e	tratamento	
especial	em	furos	de	tirante,	remoção	do	tubo	de	PVC;	escarifi	cação	da	
superfície do furo e lixamento das bordas; saturação com água; ponte de 
aderência, aplicação de argamassa de reparo.
 Na aplicação tópica da cristalização deve-se saturar o concreto al-
gumas	horas	antes	e	aguardar	a	secagem	superfi	cial	para	aplicação,	aplicar	
diretamente no substrato do concreto, limpo, com porosidade aberta em 
pelo menos duas demãos, consumo médio de 1,5 kg/m². Deve-se buscar 
preferencialmente no sentido de pressão positiva, sendo fundamental a 
cura através de pulverização de água 3 a 5 vezes ao dia, por 3 dias consec-
utivos.
6.2.2 Membranas de impermeabilização para aplicação sobre piso/
sem remoção do mesmo
 Uma outra possibilidade, agora para super estrutura, em geral lajes 
e a utilização de membranas que possuem elevada resistência mecânica, 
química além de ser apropriada a exposição de raios ultra violetas e mov-
imentação	estrutural	/	térmica	(são	sistemas	fl	exíveis).	Essas	membranas	
por	resistirem	a	trafego,	inclusive	de	veículos	quando	o	substrato	é	sufi	-
cientemente	resistente	podem	fi	car	expostas,	fato	que	além	do	benefi	cio	
da	manutenibilidade	e	do	prazo	da	obra	(sem	necessidade	de	piso	fi	nal)	
resulta a grande vantagem em recuperações de impermeabilização que é a 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
173
não necessidade de demolição do piso, uma vez que esse novo sistema não 
vai gerar sobre carga.
As principais membranas para alto trafego são:
a. Membrana de poliurenato 
 Por ser membrana é moldada in loco são indicadas para imper-
meabilização de reservatórios, lajes, piscinas, terraços, sacadas, jardineiras, 
calhas, canaletas de concreto e áreas molhadas internas. Trata-se de um 
poliuretano reativo, isento de voláteis orgânicos. Aplicado a frio, forma 
uma membrana impermeável, resistente e ideal para áreas com cota re-
duzida e capacidade aderente a diversos tipos de substratos tais como: 
argamassas, madeira, plásticos e metais. 
 Sua principal vantagem é a fácil aplicação, quando recebido o tre-
inamento adequado, não requer equipamentos caros ou especiais, tem cura 
rápida, além de apresentar um bom desempenho a exposição de modoque 
onde	for	possível	pode	fi	car	exposta,	como	dito	alguns	fabricantes	desen-
volveram membranas resistentes a tráfego pesado (veículos), que vem 
apresentando bom desempenho. O material deve atender aos requisitos 
da NBR 15487 – Membrana de Poliuretano para Impermeabilização e da 
NBR 12.170 – Potabilidade de água aplicável em sistemas de impermeabi-
lização.
b. Membrana de poliuréia
 São sistemas elastoméricos de dois componentes reativos (isoci-
anatos e aminas), de cura extremamente rápida, aplicados normalmente 
por equipamentos spray em temperaturas por volta de +60° C a +80° C 
(hot spray), sendo importante destacar que as poliuréias puras resultam 
maior resistência química e a abrasão.
 As origens das poliuréias podem ser: Alifáticas nesse caso Resis-
tente ao UV não sofrendo variação de sua coloração ao longo do tempo, 
e as Aromáticas, que são resistentes ao UV em características, físicas e 
mecânicas porém e sem estabilidade de cor.
174
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 É importante citar ainda as poliuréias Híbridas: poliuretanos/poli-
uréia (composta de isocianatos+aminas+poliol), que apresentam menor 
custo, em alguns casos maior viabilidade, porém, estas menos resistentes 
(menores propriedades químico/físicas) que as poliuréias puras. 
 Apesar de necessidade de elevado cuidado na aplicação, com uma 
quantidade de variaves muito elevada para o sucesso da aplicação, algumas 
características fazem da poliuréia um produto que não pode ser desconsid-
erado, são elas:
• Cura instantaneamente: 3 a 40 segundos; 
• Alta resistência química;
• Possibilidade de aplicação em condições extremas de umidade relativa 
e temperatura;
• Não	 é	 tóxico,	 não	 infl	amável,	 isenta	 de	 solventes,	 não	 libera	 gases	
tóxicos;
• Excelente alongamento, com formulações variando entre 100% a 
600%;
• Excelente resistência à abrasão, podendo ser utilizado como revesti-
mento sujeito a tráfego de veículos, empilhadeiras, etc.;
• Resistência a Tração: 18 Mpa;
• Liberação para tráfego em poucos minutos;
• Elevada resistência mecânica, inclusive impactos;
• Adere sobre concreto, metal e outros materiais;
• Resistente ao UV, embora desbote, quando do tipo aromático. 
• Espessura ilimitada para aplicação. 
• Aplicável em temperaturas variando entre -15° C a +70° C 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
175
Como principais desvantagens da membrana de poliuréria e possível de-
stacar:
• Elevado custo quando comparado com outros sistemas;
• Necessidade	de	mão	de	obra	amplamente	qualifi	cada	e	equipamentos	
específi	cos	de	altos	valores;
• Necessidade de elevada e cara mobilização em caso de necessidade 
de pequenos reparos, infelizmente comuns a obras de impermeabili-
zação.
 A grande restrição a se fazer recuperação de impermeabilização 
com membranas de alto trafego, é qualidade do substrato existente, nos 
casos de pisos de maior resistência tais como concreto polido (superiores 
a 25 MPa), granilite / granitina dentre outros. Caso esse revestimento es-
teja coeso, bem aderido, com resistência a tração direta entre 2 a 4 MPa 
(a depender do uso e tipo de trafego) é possível recuperar essa superfície, 
tratar	fi	ssuras	 e	 juntas	 ,	 gerar	 a	 rugosidade	necessária,	 e	 após	 aplicação	
de primer epóxi fornecido pelo mesmo fabricante do sistema escolhido, 
aplicar a impermeabilização, que possui a grande vantagem, como já infor-
mado,		de	não	gerar	sobre	carga	por	isentar	piso	fi	nal.
6.2.3 Mantas PVC
 Para re-impermeabilizações outro sistema importante é a manta 
PVC, a exemplo das membranas citadas anterioremente é possível refazer 
um sistema sem a demolição total das camadas existentes sejam imperme-
abilizações como também as proteções. Como vantagem é possível citar 
a não necessidade de elevada qualidade do substrato uma vez que trata-se 
de um sistema semi aderido, porém ao contrario das membranas citadas, 
para se apresentar exposta, sem proteção mecânica, sem sobre carga essa 
solução só é possível para locais de trafego eventuais, sendo recomenda-
da construção de calçadas / passeios para a área concentrada de trafego, 
como por exemplo na coberta.
176
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
 Com larga utilização em túneis e subsolos, o PVC (poli cloreto 
de vinila) é a combinação química de carbono, hidrogênio e cloro. Suas 
matérias primas vêm do petróleo (43%) e do sal comum (57%), essas 
geomembranas de baixa condutividade hidráulica e pequenas espessuras 
resistem a estágios de aquecimento e resfriamento sem fadiga ou alteração, 
altas resistências e deformações, no caso de recuperação de impermeabi-
lização	é	uma	excelente	alternativa	para	coberta	por	exemplo	(fi	gura	20),	
que isenta a necessidade de proteção mecânica e possui trafego eventu-
al.É importante ressaltar a facilidade de emenda, boa trabalhabilidade, ex-
celente resistência a punção.
Figura 38 - Manta PVC em re imprmeabilização de coberta - Pires pires 
giovanetti, 2012
6.2.4 Sistemas de injeção na estrutura
A tecnologia de injeção em concreto se desenvolveu de forma muito bem 
vinda para soluções de reparos em impermeabilização, essas injeções além 
gerar estanqueidade impedem a penetração de agentes agressivos e umi-
dade protegendo assim o concreto armado, garantindo sua durabilidade.
Premissa básica para se falar em injeção em estrutura de concreto é dividir 
as funções da injeção que podem ser:
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
177
a. Injeção para gerar estanqueidade
 Nesses casos a necessidade não é estrutural, como por exemplo 
remonolitização	da	estrutura,	mas	apenas	vedar	a	fi	ssura	que	é	caminho	
aberto para penetração de umidade e ou agentes agressivos, nesses casos 
via de regra a injeção apropriada é gel de poliuretano, obtendo-se um sela-
mento	fl	exível	e	defi	nitivo.	Porém	é	importante	ressaltar	que	alguns	casos	
existe	um	fl	uxo	d’água	continuo,	e	assim	a	gel	de	poliuretano	não	apres-
netara	bom	desempenho	quanto	a	sua	aderência,	nesse	caso	especifi	co	é	
fundamental injeção prévia de espuma de poliuretano hidroativado, por-
teriormente a espuma, através dos mesmos bicos, é feita a injeção do gel.
b. Injeção para Recomposição Estrutural
 Nesse caso o objetivo não é impermeabilização mas garantir a 
restauração da capacidade de suporte das estruturas em algumas vezes 
apenas sua remonolitização, como consequência pode gerar o estanca-
mento	 das	 infi	ltrações.	 Para	 essa	 função	 os	 produtos	 utilizados	 são	 os	
microcimentos	(cimento	aditivado	ultra-fi	no)	ou	resinas	de	base	epóxica,	
porem	me	 caso	 de	 fi	ssuras	 úmidas	 (umidade	 acima	 de	 6%)	 é	 indicado	
somente a injeção de microcimento, uma vez que as epóxicas aplicadas 
elevadas umidade tem seu desempenho comprometido
 É relevante registrar que utilizados no Brasil, existem basicamente 
dois tipos de bicos injetores, os de perfuração e os de adesão e podem ser 
metálicos ou plásticos. Os plásticos são recomendados para com pressões 
limitadas a 30 bar, já os metálicos apresentam bom desempenho em ate 
200	bar.	Os	bicos	de	adesão	são	teoricamente	mais	simples,	são	fi	xados	
diretamente	na	fi	ssura,	 são	possíveis	quando	as	dimensões	e	comporta-
mento	dessas	fi	ssuras	são	conhecidas,	ou	seja	é	de	conhecimento	do	ex-
ecutor	 	 sua	 direção	 e	 profundidade,	 esses	 são	 	fi	xados	 com	adesivo	de	
epóxi , espaçados entre si com distâncias equivalentes à espessura da peça 
estrutural, obviamente a limpeza, remoção de poeira, óleo ou qualquer 
elemento	estranho		é	fundamental,	além	de	requerer	selamento	superfi	cial	
da	fi	ssura.	Outra	restrição	para	utilização	de	bicos	de	adesão	é	a	existência	
de	umidade	ou	fl	uxo	de	água	(fi	gura	21).
178
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
Figura 39 – Esquema ilustrativo referente a bicos de adesão, mc bauche-
mie, 2016
	 Já	os	bicos	de	injeção	de	perfuração	(fi	gura	22)	são	fi	xados	em	fu-
ros mecânicos / abertos com brocas, utilizando diâmetro compatível com 
s bicos e instalados em ângulos de 45º em relação à superfície Odistancia 
entre as perfurações é recomendada a metade da espessura da peça estru-
tural,	a	ideia	é	que	o	bico	atinga	a	fi	ssura	não	na	superfície,	mas	no	meio	da	
peça	(meio	da	fi	ssura),	além	de	também	preencher	a	porosidade	adjacente	
do concreto. A limpeza é da mesma forma criteriosa, e no caso dos bicos 
de	perfurações	sua	aplicação	em	locais	úmidos	ou	com	fl	uxo	de	água	são	
absolutamente recomendáveis.
Figura 40 - Figura 21 – Esquema ilustrativo referente a bicos de perfura-
ção, MC bauchemie, 2016
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
179
6.2.5 Umidade ascendente
 Nenhuma manifestação patológica ligada a impermeabilização tra-
duz tanto o conceito de maior facilidade no tratamento preventivo diante 
o corretivo que a umidade ascendente por capilaridade, impermeabilizar a 
base das paredes e ou vigas baldrames é um procedimento absolutamente 
simples, porém correções ligadas a essa omissão pode resultar em inter-
venções bastante complexas.
 Uma opção comum de tentativa é retirada de toda a argamassa 
úmida ou condenada ate uma altura segura de pelo menos 30 cm acima 
da cota afetada, limpeza da superfície e aplicação de argamassa polimérica 
direto sobre as vedações (3,00 kg / m²), após o procedimento deve-se 
repostas as camadas de chapisco e emboço ambos adicionados com hidro-
fugos. Porém é importante frisar que essa alternativa deve ser considerada 
como tentativa, pois atua no efeito e não na causa.
	 Uma	solução	defi	nitiva	é	o	total	isolamento	dos	baldrames,	abrin-
do / cortando a base das paredes (trechos de 1 metros a 1 metro) para 
instalação	de	uma	camada	ou	fi	lme	impermeável	que	quebra	a	sequencia	
capilar, ma barreira física pode ser executada com uma placa PVC, manta 
asfáltica, ou prima de concreto com aditivo cristalizante.
Conclusões
No caso dos sistemas impermeabilizantes a lei de SITTER mais uma vez 
se mostra como uma verdade importante e que deve ser levada em con-
sideração, ou seja é menos oneroso, menos traumático, menos complexo, 
gera menos transtorno, prevenir, ou seja, projetar e controlar, porém a 
negligencia da tecnologia de impermeabilização, muitas vezes não tratada 
como uma especialidade da engenharia tem gerado prejuízos e transtor-
nos. As opções de reparos possuem um leque bastante abrangente, porém 
as tecnologias atuais fornecem opções interessantes devendo ser levado 
em consideração basicamente os critérios : 
a. Funcionalidade ;
b. Peculiaridade	do	local	–	difi	culdades,	interferências,	possibilidade	de	
180
PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFÍCIOS
interdição;
c. Mão de obra disponível no mercado local;
d. Disponibilidade	fi	nanceira;
e. Possibilidade de cronograma disponível;
f. Vida útil requerida para o reparo / conserto.
Referências
 ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI-
CAS. NBR 9575: Projeto de Impermeabilização. Rio de Janeiro, 2010.
 ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI-
CAS. NBR 9574: Execução de Impermeabilização. Rio de Janeiro, 
2008.
 ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI-
CAS. NBR 15575 : Norma de desempenho. Rio de Janeiro, 2013.
 BERNHOEFT, L.F.; MELHADO, S.B. A importância da pre-
sença de especialista em impermeabilização na equipe multi disci-
plinar de projetos para durabilidade das edifi cações. CIMPAR 2010. 
Cordoba - Argentina. 2002.
 CUNHA, E.H. Impermeabilização. PUC, Goiais, 2010.
 JOFFILY, I.A.L. Impermeabilização introdução. UNICEUB, 
Brasília, 2011.
 LIMA, J.L. A. Processo integrado de projeto, aquisição e ex-
ecução de sistemas de impermeabilização. 2012. 128f. Dissertação 
(Mestrado	Profi	ssional)	–	FTSC,	Salvador,	2012.
 SABADINI, J.C.; MELHADO, S.B. Considerações gerais so-
bre sistemas de impermeabilização em piso de pavimento tipo. 1998 
Dissertação de Mestrado – USP, São Paulo, 1998.
 STORTE, Marcos. Manifestações Patológicas na Impermeabi-
lização de Estruturas de Concreto em Saneamento. Instituto Brasile-
iro de Desenvolvimento da Arquitetura, São Paulo, 18 nov. 2011. 
MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
181
Disponível em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/ conteudo.
php?a=20&Cod=703>. Acesso em: 20 fev. 2017.

Mais conteúdos dessa disciplina