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CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DO MEMBRO SUPERIOR CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA Por: Prof . Dr. Sergio Medeiros Pinto COMPLEXO DO OMBRO O complexo do ombro possui diversas articulações e cada uma delas contribui para o movimento do braço por meio de ações articulares coordenadas. O complexo do ombro possui quatro articulações: Escapulotorácica Esternoclavicular Acromioclavicular Ombro (glenoumeral) A- articulação Acromioclavicular; B - clavícula C- Articulação esternoclavicular ARTICULAÇÃO ESTERNOCLAVICULAR Único ponto de fixação do membro superior com o tronco. União da clavícula com o manúbrio do esterno. A clavícula possui quatro funções Local de inserção muscular. Barreira para proteção de estruturas subjacentes. Suporte para estabilizar o ombro e evita a deslocamento medial durante a contração muscular. Previne o deslocamento inferior do ombro ARTICULAÇÃO ESTERNOCLAVICULAR Articulação sinovial deslizante com um disco fibrocartilaginoso É reforçada por três ligamentos: Interclavicular Costoclavicular Esternoclavicular O lig. Costoclavicular é a principal sustentação para a articulação. Os três ligamentos da art. esternoclavicular ARTICULAÇÃO ESTERNOCLAVICULAR Possui três graus de liberdade Elevação e depressão (30 e 40º) Protração e retração (30 e 35º) Rotação anterior e posterior ao longo do eixo longitudinal (40 a 50º) A - Elevação B - Depressão C - Protração D - Retração ARTICULAÇÃO ACROMIOCLAVICULAR Ligação da clavícula com a escápula. Articulação sinovial deslizante. Pode possuir disco fibrocartilaginoso. Nesta articulação ocorrem a maioria dos movimentos da escápula. Convive com grandes estresses de contato, resultado de grandes cargas axiais. Situa-se no alto da cabeça do úmero. ARTICULAÇÃO ACROMIOCLAVICULAR Pode funcionar como restrição óssea a movimentos do braço acima da cabeça. É reforçada por uma densa cápsula articular e por um grupo de ligamentos acima e abaixo da articulação. Ocorre rotação na articulação AC durante a elevação do braço. A posição de travamento da articulação AC ocorre quando o ombro está abduzido a 90°. Ao lig. Acromioclaviculares dão sustentação em situações de baixa carga e de movimentos de pequena amplitude. Ligamentos acromioclaviculares ARTICULAÇÃO ACROMIOCLAVICULAR O lig. Coracoclavicular é importante pois ajuda nos movimentos da escápula funcionando como um eixo de rotação e proporciona apoio para movimentos que necessitam de amplitude e deslocamento. Este ligamento não penetra da articulação o lig. Coracoacromial , também não penetra na articulação que protege estruturas subjacentes ao ombro, podendo inclusive, limitar a amplitude de movimento ARTICULAÇÃO ESCAPULOTORÁCICA Faz a interface da escápula com o tórax. É uma articulação fisiológica (não conecta osso com osso). Fica entre dois músculos: serrátil anterior e subescapular. 17 músculos se fixam na escápula. A escápula possui duas funções importantes no movimento do ombro: Fornece outra articulação para aumentar a amplitude de movimento do ombro. Sem isso os movimentos do ombro não ultrapassariam 120º. Aumenta a vantagem mecânica nos músculos que estão aderidos a este osso. MÚSCULOS ESCAPULARES ARTICULAÇÃO GLENOUMERAL Articulação de movimento mais livre no corpo humano, permitindo flexão, extensão, hiperextensão, abdução, adução, abdução e adução horizontais e rotação medial e lateral do úmero. Articulação sinovial do tipo esferoide com três graus de liberdade. Vista lateral da articulação glenoumeral ESTABILIDADE DA ARTICULAÇÃO GLENOUMERAL Lábio glenoidal - um lábio composto por parte da cápsula articular, o tendão da cabeça longa do M. bíceps braquial e os ligamentos glenoumerais. O lábio aprofunda a fossa e adiciona estabilidade à articulação. ESTABILIDADE DA ARTICULAÇÃO GLENOUMERAL Manguito Rotador: contribuem para a rotação do úmero (LATERAL E MEDIAL). Os músculos do grupo rotador lateral trocam fascículos musculares uns com os outros, o que aumenta sua habilidade de produzir tensão e potência funcional rapidamente. O manguito rotador recobre o ombro pelas faces posterior, superior e anterior. MANGUITO ROTADOR MOVIMENTOS COMBINADOS DO COMPLEXO DO OMBRO Os primeiros 30º de abdução e os primeiros 45 a 60º de flexão o ombro são conseguidos com um mínimo de movimento da escápula. Após esta etapa a relação passa a ser de 2:1, ou seja 2º para o úmero e 1º graus para escápula A elevação do braço é acompanhada por movimentos da escápula e do clavícula RITMO ESCAPULOUMERAL Ritmo escapuloumeral: padrão regular de rotação escapular que acompanha e facilita a abdução do úmero BOLSAS Vários sacos pequenos e fibrosos, que secretam líquido sinovial internamente de maneira semelhante à da cápsula articular, estão localizados na região do ombro (BURSAS). Amortecem e reduzem o atrito entre as camadas de tecidos conectivos. subescapular, subcoracoide subacromial. CARGAS SOBRE O OMBRO Braço de momento do membro superior: Braço de momento no Plano Frontal Braço de momento no plano sagital e frontal: - Peso do segmento antebraço/mão CARGAS SOBRE O OMBRO Os músculos que se fixam ao úmero em pequenos ângulos em relação à cavidade glenoidal contribuem principalmente para o cisalhamento, e não para a compressão da articulação. Esses músculos desempenham papéis importantes para a estabilização do úmero na cavidade glenoidal contra as contrações dos músculos potentes que poderiam, de outra forma, deslocar a articulação. LESÕES COMUNS DO OMBRO Luxações A articulação glenoumeral é a articulação mais comumente luxada do corpo. Os deslocamentos glenoumerais ocorrem quando o úmero é abduzido e girado lateralmente, sendo os deslocamentos anteroinferiores mais comuns do que outros em outras direções. Lesões do manguito rotador Uma lesão comum entre trabalhadores e atletas que realizam movimentos forçados acima da cabeça que envolvam tipicamente abdução ou flexão junto com a rotação medial é a síndrome do impacto do manguito rotador. Esse é o distúrbio mais comum do ombro, com perda progressiva da função e invalidez. Atividades que podem causar a síndrome do impacto do ombro incluem o lançamento (particularmente de um dispositivo como o dardo), o saque do tênis e a natação (especialmente os estilos livre, de costas e borboleta). Entre os nadadores de elite, a síndrome é conhecida como ombro de nadador. LESÕES COMUNS DO OMBRO Lesões por rotação Rotações forçadas e repetitivas do ombro podem causar rupturas do lábio glenoidal, dos músculos do manguito rotador e do tendão do M. bíceps braquial. O lançamento, o saque no tênis e a cortada no vôlei são exemplos de movimentos rotacionais forçados. Neuropatia subescapular A neuropatia subescapular, ou paralisia do nervo subescapular, ocorre mais comumente em atletas que realizam atividades acima da cabeça e levantamento de peso. Ela foi relatada em jogadores de vôlei, beisebol, futebol (americano). ARTICULAÇÃO DO COTOVELO Superficialmente é do tipo gínglimo (dobradiça). Porém dentro da mesma capsula articular estão três articulações distintas. Portanto o cotovelo é uma articulação trocogínglima (trocoide + gínglimo): Umeroulnar Umerorradial Radiulnar proximal ARTICULAÇÃO DO COTOVELO ART. UMEROULNAR A articulação em dobradiça do cotovelo é a articulação umeroulnar, na qual a tróclea do úmero se articula com a fossa troclear da ulna, com formato recíproco. A flexão e a extensão são os movimentos principais. É considerada como a articulação do cotovelo. ARTICULAÇÃO DO COTOVELO ART. UMERORRADIAL É imediatamente lateral à articulação umeroulnar e é formada entre o capítulo do úmero e a extremidade proximal do rádio. É classificada como uma articulação plana, com restrição de movimento no plano sagital. ARTICULAÇÃO DO COTOVELO ART. RADIULNAR PROXIMAL ligamento anular liga a cabeça do rádio ao recesso radial da ulna, formando esta articulação. É do tipo pivô (trocoide). Em pronação e supinação o rádio rola sobre a ulna medial e lateralmente ARTICULAÇÃO DO COTOVELO Ângulo de Carregamento (Transporte)Ângulo formado entre os eixos longitudinais do úmero e da ulna quando o braço está na posição anatômica. O tamanho do ângulo de carregamento varia entre 10 a 15º em homens e 15 a 25º em mulheres. MOVIMENTOS DO COTOVELO Flexão e extensão: M. Braquial igualmente eficiente quando o antebraço está em pronação ou em supinação. M Bíceps Braquial mais efetivo quando o antebraço está supinado. M. Braquiorradial mais efetivo quando o antebraço está na posição neutra (entre a pronação completa e a supinação). Tríceps principal extensor igualmente eficiente quando o antebraço está em pronação ou em supinação. MOVIMENTOS DO COTOVELO Pronação e supinação: A pronação e a supinação do antebraço envolvem a rotação do rádio ao redor da ulna. Existem três articulações radiulnares. Radiulnar Proximal - pivô Radiulnar Média - sindesmose Radiulnar Distal - pivô O principal pronador é o M. pronador quadrado. Quando a pronação é resistida ou rápida, o M. pronador redondo que cruza a articulação radiulnar proximal auxilia. O M. supinador é o principal músculo responsável pela supinação. Quando o cotovelo está em flexão, a tensão do M. supinador diminui e o M. bíceps braquial auxilia a supinação. Quando o cotovelo está flexionado a 90° ou menos, o M. bíceps braquial é posicionado para funcionar como supinador. CARGAS SOBRE O COTOVELO Embora o cotovelo não seja considerado uma articulação de sustentação de carga, ele frequentemente suporta grandes cargas durante as atividades diárias. 1.700 N (173 kg) quando o corpo é apoiado sobre os braços ao se levantar de uma cadeira e 1.900 N (194 kg) quando um indivíduo arrasta uma mesa sobre o chão. Cargas ainda maiores estão presentes durante a execução de certas atividades esportivas. Durante o arremesso no beisebol, o cotovelo sofre um torque em valgo da ordem de 64 Nm, que demanda uma força muscular de 1.000 N para evitar a luxação. LESÕES COMUNS DO COTOVELO Entorses e Luxações: A hiperextensão forçada do cotovelo pode causar deslocamento posterior do processo coronoide da ulna com relação à tróclea do úmero. Quase metade das luxações agudas do cotovelo ocorre durante a prática de esportes, com maior risco no futebol americano para os homens, e na ginástica e na patinação para as mulheres. As luxações de cotovelo em crianças pequenas, entre 1 e 3 anos Lesões por uso excessivo: Com exceção do joelho, o cotovelo é a articulação mais comumente afetada por lesões por uso excessivo. A epicondilite lateral (cotovelo de tenista) A epicondilite medial, ESTRUTURA DO PUNHO O punho é composto pelas articulações radiocarpal e intercarpais. A maioria dos movimentos do punho ocorrem na articulação radiocarpal. Se articular com os seguintes ossos do carpo: escafoide, semilunar e piramidal. Condilar com 2 graus de liberdade Flexão, extensão, hiperextensão, desvio ulnar, desvio radial, circundução. Articulação Radiocarpal MOVIMENTOS DA ARTICULAÇÃO DO PUNHO Flexão: Os músculos responsáveis pela flexão no punho são o M. flexor radial do carpo e o M. flexor ulnar do carpo. O M. flexor superficial dos dedos e o M. flexor profundo dos dedos podem auxiliar na flexão do punho quando os dedos estão completamente estendidos, mas, quando os dedos estão flexionados, esses músculos não conseguem produzir tensão suficiente por causa da insuficiência ativa. MOVIMENTOS DA ARTICULAÇÃO DO PUNHO Extensão: A extensão e a hiperextensão do punho resultam da contração do M. extensor radial longo do carpo, do M. extensor radial curto do carpo e do M. extensor ulnar do carpo Desvio ulnar e desvio radial: A ação cooperativa dos músculos flexores e extensores produz desvio lateral da mão no punho. O M. flexor radial do carpo e os Mm. extensores longo e curto radiais do carpo contraem para produzir o desvio radial. Os Mm. flexor ulnar do carpo e extensor ulnar do carpo causam o desvio ulnar. Clique para adicionar texto MOVIMENTOS DA ARTICULAÇÃO DO PUNHO ESTRUTURAS ARTICULARES DA MÃO Diversas articulações atuam para permitir a grande variedade de movimento das mãos: articulações carpometacarpal (CM) Intermetacarpais metacarpofalângicas (MF) interfalângicas (IF) Articulações do Punho e Mão Ossos do Punho e Mão Ossos do Carpo ESTRUTURAS ARTICULARES DA MÃO Articulação carpometacarpal A articulação carpometacarpal (CM) do polegar, a articulação entre o trapézio e o primeiro metacarpo, é uma articulação em sela clássica. As outras articulações CM são consideradas normalmente como articulações de deslizamento. Articulação intermetacarpal Articulações deslizantes planas que compartilham a capsula articular. ESTRUTURAS ARTICULARES DA MÃO Articulações metacarpofalângicas As articulações metacarpofalângicas (MF) são articulações elipsóideas entre as cabeças redondas distais dos metacarpos e as extremidades proximais côncavas das falanges. Articulações interfalângicas As articulações interfalângicas (IF) proximal e distal dos dedos e a articulação interfalângica do polegar são todas articulações em gínglimo. LESÕES COMUNS DA MÃO Entorses e luxações do punho são bastante comuns e são acompanhadas ocasionalmente por deslocamento de um osso carpal ou da extremidade distal do rádio. Certas lesões de mão/punho são características da participação em um determinado esporte. Fraturas de metacarpo (de boxeador) e a deformidade de dedo em martelo resultante de lesão nas articulações interfalângicas distais entre os receptores do futebol americano e do beisebol. O punho é a articulação mais frequentemente lesionada entre golfistas, com os golfistas destros tendendo a lesionar o punho esquerdo. A síndrome do túnel do carpo é uma alteração bastante comum. Foi relatada entre atletas de badminton, beisebol, ciclismo, ginástica, hóquei no campo, raquetebol, esqui, squash, tênis e escalada.