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@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues OMBRO INTRODUÇÃO A articulação glenoumeral distingue-se por um movimento de grande amplitude em todas as direções. Essa articulação praticamente não sofre restrição pelas estruturas ósseas. A cabeça do úmero faz contato com menos de um terço da área de superfície da cavidade glenoidal e praticamente pende da escápula, presa pela cápsula articular, os ligamentos capsulares extra-articulares, o lábio glenoidal e malha de músculos e tendões. O ombro deriva sua mobilidade de uma estrutura complexa interconectada de três articulações, três grandes ossos e três principais grupos musculares, muitas vezes referidos como cintura escapular. Essas estruturas são descritas como: • Estabilizadores dinâmicos: consistem em músculos SIRS do manguito rotador (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular), que movem o úmero e comprimem e estabilizam a cabeça umeral na cavidade glenoidal • Estabilizadores estáticos: são as estruturas ósseas da cintura escapular, o lábio glenoidal, a cápsula articular e os ligamentos glenoumerais ESTRUTURAS ÓSSEAS As estruturas ósseas do ombro incluem o úmero, a clavícula e a escápula. Articulações Três articulações diferentes são encontradas no ombro: • Articulação glenoumeral • Articulação esternoclavicular • Articulação acromioclavicular Grupos musculares Três grupos de músculos fixam-se no ombro: Grupo escapuloumeral – este grupo localiza-se entre a escápula e o úmero e inclui os músculos que se inserem diretamente no úmero, designados como “músculos SIRS” do manguito rotador: → M. supraespinal – localizado acima da articulação glenoumeral (articulação do ombro); inserese no tubérculo maior → Mm. infraespinal e redondo menor – cruzam a articulação glenoumeral (articulação do ombro) posteriormente; inserem-se no tubérculo maior @anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues → M. subescapular (não ilustrado) – origina-se da superfície anterior da escápula e cruza a articulação inferiormente; insere-se no tubérculo menor. Grupo axioescapular – este grupo liga a escápula ao tronco e inclui os músculos trapézio, romboides, serrátil anterior e levantador da escápula. Esses músculos efetuam a rotação da escápula e puxam o ombro posteriormente. Grupo axioescapular – este grupo liga a escápula ao tronco e inclui os músculos trapézio, romboides, serrátil anterior e levantador da escápula. Esses músculos efetuam a rotação da escápula e puxam o ombro posteriormente. Grupo axioumeral – este grupo liga o úmero ao tronco e inclui os músculos peitoral maior, peitoral menor e latíssimo do dorso. Esses músculos efetuam a rotação do ombro internamente. EXAME FÍSICO Inspeção. De frente para o paciente, inspecione o ombro e a cintura escapular dele e, depois, as escápulas e os músculos correlacionados na parte posterior. Observe se existe tumefação, deformidade, atrofia ou fasciculações musculares (tremores finos dos músculos), ou posicionamento anormal. Palpação. Comece palpando os contornos dos marcos ósseos e estruturas do ombro; palpe em seguida qualquer área de dor. 1. Começando medialmente, na articulação esternoclavicular, acompanhe lateralmente a clavícula com seus dedos 2. Agora, por trás, acompanhe a espinha óssea da escápula lateralmente e para cima, até que ela se transforme no acrômio (A), o ponto mais alto do ombro. A sua superfície superior é áspera e discretamente convexa. Identifique a extremidade anterior do acrômio 3. O examinador, com seu dedo indicador colocado sobre a parte superior do acrômio, logo atrás de sua extremidade, comprime medialmente com seu polegar até encontrar a crista ligeiramente elevada que marca a extremidade distal da clavícula, na articulação acromioclavicular (mostrada pela seta). A seguir, o examinador desloca o polegar medialmente e para baixo por uma distância curta até a próxima proeminência óssea, o processo coracoide (B) da escápula 4. Com o polegar sobre o processo coracoide, o examinador faz os dedos deslizarem e alcançarem a face lateral do úmero, para palpar o tubérculo maior (C), no qual se inserem os músculos SIRS 5. A seguir, para palpar o tendão do músculo bíceps braquial no sulco bicipital intertubercular, mantém o polegar sobre o processo coracoide e os dedos da mão sobre a face lateral do úmero. O examinador coloca o dedo indicador no ponto médio entre o processo coracoide e o tubérculo maior na superfície anterior do braço. Ao pesquisar a existência de hipersensibilidade, pode ser útil deslizar o tendão sob as pontas de seus dedos. Você também pode fazer uma rotação externa do antebraço, localizar o músculo distalmente no cotovelo e acompanhar o músculo e seu tendão proximalmente até o sulco intertubercular. @anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues SULCO BICIPITAL E O TENDÃO ESTENDA O ÚMERO POSTERIORMENTE PALPE A BOLSA SUBACROMIAL INSPEÇÃO DINÂMICA Os seis movimentos da cintura escapular são flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna (medial) e rotação externa (lateral). Verifique se o movimento é suave e uniforme postando-se de frente para o paciente, enquanto ele executa os movimentos citados no boxe adiante. @anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues TESTES ESPECIAIS TESTE DE PROVOCAÇÃO DE DOR Sinal de compressão de Neer Faça compressão com uma das mãos sobre a escápula para impedir seu movimento e erga o braço do paciente com a outra mão. Isso comprime a tuberosidade maior do úmero contra o acrômio. Sinal de compressão de Hawkins Flexione o ombro e o cotovelo do paciente a 90°, com a palma de sua mão voltada para baixo. Em seguida, com uma das mãos no antebraço e a outra no braço, efetue a rotação interna do braço. Isso comprime a tuberosidade maior do úmero contra o tendão do músculo supraespinal e o ligamento coracoacromial. Manobra de Yocum: dor referida quando paciente coloca a palma da mão no ombro oposto, enquanto o examinador eleva o cotovelo para a posição horizontal, provocando o atrito do SE sob o arco coracoacromial e sob a articulação acromioclavicular. Este teste também pode acusar lesão da articulação acromioclavicular. AVALIAR MÚSCULO ESPECIFICO → Supra espinhal - Teste de Jobe: posicionar os braços abduzidos a 90º, flexionados a 30º em relação ao plano frontal e internamente rodados, com os polegares apontados para o chão. Os cotovelos devem permanecer estendidos. A seguir, o examinador faz o abaixamento comparativo dos membros superiores contra a resistência do paciente. O teste será considerado positivo quando houver dor, fraqueza ou insuficiência do SE secundário a uma ruptura ou associada a impacto. → Infra-espinhal - Teste de Patte: posiciona-se o braço a 90º de abdução e o cotovelo a 90º de flexão. Solicita-se que o paciente resista à força de rotação interna feita pela mão do examinador posicionada no dorso da mão do paciente. A resistência diminuída pode indicar ruptura tendínea. @anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues - Teste de cancela: o MS fica ao lado do tórax e o cotovelo em 90° de flexão, o braço é rodado passivamente pelo examinador, em sentido lateral, posição que deve ser mantida ativamente. A não sustentação da rotação lateral faz com que o braço rode espontaneamente em sentido medial em direção ao tórax (como se fosse a porta de uma cancela que se fecha). → Subescapular - Teste lift off test: instrui ao paciente que realize uma adução e rotação interna do membro superior a ser avaliado e pede ao paciente que coloque o dorso da mão na altura da região lombar. Após o terapeuta pede para que o paciente afaste o dorso da mão da lombar. Caso o paciente não consiga levar o braço até a posição ou não consiga afastá-lo da região lombar indica inflamação ou até mesmo ruptura do tendão do músculo subescapular. → Bíceps - Teste de Speed (palm up): o teste é realizado com o paciente flexionando o braço anteriormente contra resistênciacom o cotovelo estendido e o antebraço supinado. O teste é positivo quando a dor é localizada na corredeira bicipital. - Manobra de Yergason: coloca-se o paciente com o braço junto ao tronco, com o cotovelo flexionado a 90º e o ombro em posição neutra. Solicita-se ao paciente que faça supinação contra resistência. O teste é positivo quando há surgimento de dor na região do sulco bicipital. → Avaliar lesão ântero-póstero-superior do lábio glenóideo (lesão SLAP) - Teste de O'Brien: é executado em dois tempos: primeiro, com o paciente fletindo o ombro em 90º e aduzindo 15º com o cotovelo em extensão e antebraço em pronação (polegar aponta para o solo). AVALIAR INSTABILIDADE DO OMBRO → Instabilidade anterior e posterior: - Teste da gaveta ântero-posterior: com a escápula estabilizada por uma das mãos, segurar firmemente a cabeça umeral com a outra e aplicar uma força para a frente e para trás, fazendo a translação da articulação; pode-se notar translação excessiva para anterior, posterior ou ambas, quando comparada com o lado oposto → Instabilidade inferior: - Teste do sulco subacromial: com os membros ao longo do corpo, aplica-se tração distal e aparece um sulco evidente entre o acrômio e a cabeça umeral, podendo indicar frouxidão ligamentar global, comum nas instabilidades multidirecionais. COTOVELO O cotovelo ajuda a posicionar a mão no espaço e estabiliza a ação de alavanca do antebraço. A articulação do cotovelo é formada pelo úmero e pelos dois ossos do antebraço, o rádio e a ulna. Estes ossos apresentam três articulações: a articulação umeroulnar, a articulação radioumeral e a articulação radioulnar. As três compartilham uma grande cavidade articular comum e um extenso revestimento sinovial. Os músculos que atravessam o cotovelo incluem os músculos bíceps braquial e braquiorradial (flexão), tríceps braquial (extensão), pronador redondo (pronação) e supinador (supinação). EXAME FÍSICO INSPEÇÃO O antebraço do paciente é apoiado pela mão oposta do examinador, de modo que o cotovelo fique flexionado em cerca de 70°. Identifique os epicôndilos medial e lateral e o olécrano da ulna. Inspecione os contornos do cotovelo, incluindo a superfície extensora da ulna e o olécrano. Verifique se existem nódulos ou edema. PALPAÇÃO Palpe o olécrano e comprime os epicôndilos, à procura de derrame ou dor à palpação. @anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues Palpe os sulcos entre os epicôndilos e o olécrano, onde é mais fácil examinar a sinóvia. Normalmente, nem a sinóvia nem as bolsas do olécrano são palpáveis. AMPLITUDE DE MOVIMENTO A amplitude de movimento inclui a flexão e a extensão do cotovelo, bem como a pronação e a supinação do antebraço, que também move o punho e a mão. TESTES ESPECIAIS - Teste de Esforço de Adução: com o paciente sentado, estabilizar o braço medialmente, e colocar uma pressão de adução (em valgo) no antebraço lateralmente. Se for provocado uma folga e dor no local, são indicadoras de instabilidade do ligamento colateral radial. - Teste de Esforço de Abdução: com o paciente sentado, estabilizar o braço lateralmente, e colocar um pressão de abdução (em varo) no antebraço medialmente. Se for provocado uma folga e dor no local, são indicadores de instabilidade do ligamento colateral ulnar. - Teste para Epicondilite Medial (golfista): paciente sentado, estende o cotovelo e supina a mão; paciente vai flexionar o punho contra resistência. Os tendões que flexionam o punho estão fixados ao epicondilo medial. Se for provocado dor no epicôndilo medial, deve-se suspeitar de sua inflamação (epicondilite). - Teste para Epicondilite Lateral (tenista): fixar o antebraço em pronação, e pedir para o paciente para fechar e estender o punho. A seguir, forçar o punho estendido para flexão contra a resistência do terapeuta. Se for provocado dor no epicôndilo lateral (origem comum dos extensores), deverá suspeitar de epicondilite.