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Prefeitura de Serra-ES
Professor MaPA – Séries Iniciais
Práticas de linguagem: oralidade, leitura/escuta, produção (escrita e multissemiótica) e
análise linguística/semiótica ..................................................................................................... 1
Alfabetização ..................................................................................................................... 23
Currículo; Avaliação do/no processo de alfabetização ....................................................... 29
Conceito de Ensino e Aprendizagem ................................................................................. 45
Noções de Planejamento de Ensino: Objetivos, Conteúdos, Estratégias, Recursos e
Avaliação.... ............................................................................................................................ 55
Didática e Metodologia do Ensino em Anos Iniciais ........................................................... 72
As inovações tecnológicas e sua utilização no processo de ensino-aprendizagem ........... 84
Educação integral e educação em tempo Integral ............................................................. 95
Números e operações: uso do sistema numérico, números naturais, análise, interpretação e
resolução de situações-problema, compreendendo a soma, a subtração, a multiplicação e a
divisão. ................................................................................................................................. 110
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Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO E DA LINGUAGEM
Conforme Rabello e Passos1, no livro, “A construção do pensamento e da linguagem”, Vygotsky estuda
questões fundamentais do pensamento infantil, formula concepções inteiramente novas para a época em
que o escreveu, articula seu pensamento em um bem urdido aparato conceitual e sedimenta o processo
infantil de aquisição da linguagem e do conhecimento com um sistema de categorias bem definidas,
subordinando todo o seu trabalho a uma clara orientação epistemológica.
Para o autor A linguagem é, antes de tudo, social. Portanto, sua função inicial é a comunicação,
expressão e compreensão. Essa função comunicativa está estreitamente combinada com o pensamento.
A comunicação é uma espécie de função básica porque permite a interação social e, ao mesmo tempo,
organiza o pensamento.
Para Vygotsky, a aquisição da linguagem passa por três fases: a linguagem social, que seria esta que
tem por função denominar e comunicar, e seria a primeira linguagem que surge. Depois teríamos a
linguagem egocêntrica e a linguagem interior, intimamente ligada ao pensamento.
A linguagem egocêntrica
A progressão da fala social para a fala interna, ou seja, o processamento de perguntas e respostas
dentro de nós mesmos - o que estaria bem próximo ao pensamento, representa a transição da função
comunicativa para a função intelectual. Nesta transição, surge a chamada fala egocêntrica. Trata-se da
fala que a criança emite para si mesmo, em voz baixa, enquanto está concentrado em alguma atividade.
Esta fala, além de acompanhar a atividade infantil, é um instrumento para pensar em sentido estrito, isto
é, planejar uma resolução para a tarefa durante a atividade na qual a criança está entretida.
A fala egocêntrica constitui uma linguagem para a pessoa mesma, e não uma linguagem social, com
funções de comunicação e interação. Esse “falar sozinho” é essencial porque ajuda a organizar melhor
as ideias e planejar melhor as ações. É como se a criança precisasse falar para resolver um problema
que, nós adultos, resolveríamos apenas no plano do pensamento / raciocínio.
Uma contribuição importante de Vygotsky, descrita no livro, é o fato de que, por volta dos dois anos de
idade, o desenvolvimento do pensamento e da linguagem - que até então eram estudados em separado
- se fundem, criando uma nova forma de comportamento.
Este momento crucial, quando a linguagem começa a servir o intelecto e os pensamentos começam a
oralizar-se - a fase da fala egocêntrica - é marcado pela curiosidade da criança pelas palavras, por
perguntas acerca de todas as coisas novas (“o que é isso?”) e pelo enriquecimento do vocabulário.
O declínio da vocalização egocêntrica é sinal de que a criança progressivamente abstrai o som,
adquirindo capacidade de “pensar as palavras”, sem precisar dizê-las. Aí estamos entrando na fase do
discurso interior. Se, durante a fase da fala egocêntrica houver alguma deficiência de elementos e
processos de interação social, qualquer fator que aumente o isolamento da criança, iremos perceber que
seu discurso egocêntrico aumentará subitamente. Isso é importante para o cotidiano dos educadores, em
que eles podem detectar possíveis deficiências no processo de socialização da criança.
Discurso interior e pensamento
O discurso interior é uma fase posterior à fala egocêntrica. É quando as palavras passam a ser
pensadas, sem que necessariamente sejam faladas. É um pensamento em palavras. Já o pensamento é
um plano mais profundo do discurso interior, que tem por função criar conexões e resolver problemas, o
que não é, necessariamente, feito em palavras. É algo feito de ideias, que muitas vezes nem conseguimos
verbalizar, ou demoramos ainda um tempo para achar as palavras certas para exprimir um pensamento.
O pensamento não coincide de forma exata com os significados das palavras. O pensamento vai além,
porque capta as relações entre as palavras de uma forma mais complexa e completa que a gramática faz
na linguagem escrita e falada. Para a expressão verbal do pensamento, às vezes é preciso um esforço
grande para concentrar todo o conteúdo de uma reflexão em uma frase ou em um discurso. Portanto,
1 Texto adaptado de RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S.
Práticas de linguagem: oralidade, leitura/escuta, produção (escrita e
multissemiótica) e análise linguística/semiótica
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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podemos concluir que o pensamento não se reflete na palavra; realiza-se nela, a medida em que é a
linguagem que permite a transmissão do seu pensamento para outra pessoa.
Finalmente, cabe destacar que o pensamento não é o último plano analisável da linguagem. Podemos
encontrar um último plano interior: a motivação do pensamento, a esfera motivacional de nossa
consciência, que abrange nossas inclinações e necessidades, nossos interesses e impulsos, nossos
afetos e emoções. Tudo isso vai refletir imensamente na nossa fala e no nosso pensamento.
Opensamento e a fala unem-se em pensamento verbal. Neste significado há um sentido cognitivo e
um afetivo, que sempre estão intimamente entrelaçados.
Para Vygotsky, a criança se inscreve desde os seus primeiros dias num sistema de comportamento
social em que suas atividades adquirem significado. Sua relação com o ambiente se dá por meio da
relação com outras pessoas, situação em que é oferecido a ela um conjunto de acepções, já culturalmente
enraizado no grupo em que ela foi inserida. Os significados, por sua vez, são interiorizados ao longo de
seu processo de desenvolvimento, culminando com o aparecimento do pensamento verbal. Assim, o
pensamento verbal - síntese entre a atividade prática e a fala - é uma forma de comportamento que se
circunscreve num processo histórico-cultural e suas características e propriedades não podem ser
vislumbradas nas formas naturais da fala e do pensamento.
A teoria de Piaget sobre a Linguagem e o Pensamento das crianças
Piaget em seus estudos tentou descobrir as características que permeavam o pensamento das
crianças, ou seja, buscou mais saber sobre o que elas tinham do que o que lhes faltava. Preferiu fazer
isso do que enumerar as deficiências do raciocínio infantil quando em comparação com os adultos2.
Dessa forma, entendeu que a diferença entre o pensamento das crianças e dos adultos era mais
qualitativa do que quantitativa.
Com o uso de novos métodos e novos fatos conseguiu-se chegar as situações problemas, que deram
origem as mais variadas teorias, embora Piaget evitasse o uso destas, pois dava maior preferência aos
fatos do que as experiências. Contudo, não podemos separar totalmente a teoria dos fatos.
O egocentrismo do pensamento das crianças é que liga as características da lógica infantil, pois
demonstra todas as outras características que foram descobertas, quais sejam, o realismo intelectual, o
sincretismo, além da dificuldade em compreender as relações, de modo que o egocentrismo ocupa um
lugar intermediário entre o pensamento autístico e o pensamento orientado.
Segundo Piaget, o pensamento egocêntrico é o elo entre o autismo e a lógica, sendo que esta última
aparece bem depois do autismo.
No pensamento orientado, há uma adaptação à realidade, é consciente, já no autístico, trabalha-se
com o subconsciente, quer dizer, os problemas encontrados não estão presentes no consciente, não tem
adaptação com à realidade externa, construindo dentro de si a mesmo a própria realidade.
As observações levaram a conclusão que todas as conversações das crianças podem ser classificadas
em dois grupos: o socializado e o egocêntrico. O que diferencia ambos é o fato das suas funções.
Na fala egocêntrica, a criança fala apenas dela, sem se preocupar com o interlocutor, não tenta se
comunicar, nem aguarda resposta ou sequer quer saber se alguém o escuta.
Quando a criança tem sete ou oito anos de idades, a vontade de trabalhar com os outros começa a
manifestar-se, e a fala egocêntrica ainda subsiste. Em sua descrição do discurso egocêntrico e
desenvolvimento genético, Piaget sublinha que esse discurso não cumpre função no comportamento da
criança, encontrando limitação quando a criança atinge a idade escolar.
A teoria de Stern sobre o desenvolvimento da linguagem
O sistema de Wilhelm Stern defende a concepção intelectual sobre o desenvolvimento da linguagem
na criança.
Para ele, há uma diferença entre a origem da linguagem: tendência expressiva, tendência social e
tendência intencional. As duas primeiras estão subjacentes aos rudimentos de linguagem observados nos
animais, enquanto a intencional é especificamente humana.
O que existe na mente de uma criança entre um ano e meio e dois anos contrasta com a ideia segundo
a qual ela poderia ser capaz de adaptar com operações intelectuais complexas. A criança descobre de
modo repentino que o discurso tem significado.
2 Adaptado de: Vygotsky. Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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A linguagem expressiva e a comunicativa tem seu desenvolvimento ocorrido desde os animais mais
inferiores até os antropoides e ao homem. Esse tipo de linguagem é primordial e surge de uma vez,
fazendo com que a criança descubra a função da linguagem através de uma operação puramente lógica.
A interpretação é uma das primeiras palavras das crianças, pois é a pedra de toque de todas as teorias
da linguagem infantil.
As raízes genéticas do pensamento e da linguagem
O fato mais importante posto a nu pelo estudo genético do pensamento e a linguagem é o fato de a
relação entre ambas passar por muitas alterações; os progressos no pensamento e na linguagem não
seguem trajetórias paralelas: as suas curvas de desenvolvimento cruzam-se repetidas vezes, podem
aproximar-se e correr lado a lado, podem até fundir-se por momentos, mas acabam por se afastar de
novo. Isto aplica-se tanto ao desenvolvimento filogenético como ao ontogenético3.
Nos animais, o pensamento e a linguagem têm várias raízes e desenvolvem-se segundo diferentes
trajetórias de desenvolvimento.
Este fato é confirmado pelos estudos recentes de Koehler, Yerkes e outros sobre os macacos. Koehler
provou que o surgimento de um intelecto embrionário nos animais - isto é, o aparecimento de pensamento
no sentido próprio do termo - não se encontra de maneira nenhuma relacionado com a linguagem. As
“invenções” dos macacos na execução e utilização de instrumentos, ou no capítulo da descoberta de
caminhos indiretos para a solução de determinados problemas, embora sejam sem sombra de dúvida
pensamento embrionário, pertencem a uma fase pré-linguística do desenvolvimento do pensamento.
Na opinião de Koehler, as suas investigações mostram que o chimpanzé evidencia um esboço de
comportamento intelectual do mesmo gênero e do mesmo tipo que o do homem. São a ausência de
linguagem, “esse instrumento técnico auxiliar infinitamente valioso”, e a pobreza das imagens, “esse
material intelectual extremamente importante”, que explicam a tremenda diferença existente entre os
antropoides e os homens mais primitivos “e vedam ao chimpanzé o mais pequeno desenvolvimento
cultural”
Vigora considerável desacordo entre os psicólogos das diferentes escolas acerca da interpretação
teórica das descobertas de Koehler. A massa de literatura crítica a que estes estudos deram origem
representa uma grande variedade de pontos de vista o que torna tanto mais significativo o ninguém
contestar os fatos ou a dedução que mais particularmente nos interessa: a independência entre as ações
do chimpanzé e a linguagem. Isto é admitido de boa mente, mesmo pelos psicólogos que, como
Thorndyke e Borovski. Nada veem nas ações do chimpanzé para lá dos mecanismos instintuais e da
aprendizagem por “tentativas e erros”, “nada mais, salvo o já conhecido processo de formação de
hábitos”. E pelos introspeccionistas que fogem a rebaixar o intelecto ao nível do comportamento dos
macacos, mesmo dos mais avançados.
Buehler diz com muito acerto que as ações dos chimpanzés não têm qualquer relação com a
linguagem; e que, no homem, o pensamento mobilizado pela utilização dos utensílios (Werkzeugdenken)
também tem uma relação muito mais tênue com a linguagem e com os conceitos do que qualquer outra
forma de pensamento.
A questão seria bem simples se os macacos não tivessem nenhum rudimento de linguagem, não
tivessem nada que se assemelhasse à linguagem. Ora, acontece que encontramos no chimpanzé uma
linguagem relativamente bem desenvolvida, que, sob certos aspectos - sobretudo foneticamente - não
deixa de ser semelhante à humana. Esta linguagem tem uma característica notável: a de funcionar
independentemente do intelecto.
Koehler, que estudou os chimpanzés durante muitos anos na Estação de Antropoides das Ilhas
Canárias, ensina-nos que as suas expressões fonéticas denotam apenas desejos e estados subjetivos;
são expressões de afetos e nunca um sinal de algoobjetivo” Mas a fonética dos chimpanzés e a humana
têm tantas coisas em comum que podemos confiantemente presumir que a ausência de um discurso do
gênero humano não se deve a nenhuma causa periférica.
O chimpanzé é um animal extremamente gregário e responde de forma muito intensa à presença
doutros exemplares da sua espécie. Koehler descreve formas altamente diversificadas de “comunicação
linguística” entre chimpanzés. Em primeiro lugar vem o seu vasto repertório de expressões afetivas: jogo
facial, gestos, vocalização; a seguir encontram-se os movimentos que exprimem as emoções sociais;
gestos de saudação, etc. Os macacos são capazes tanto de “compreender mutuamente os seus gestos”
como também de “exprimir”, por meio de gestos, desejos que envolvem outros animais.
3 Adaptado de: Vygotsky. Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem.
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Habitualmente, um chimpanzé executará o início de uma ação que pretende que outro animal execute
- por exemplo, empurrá-lo-á e executará os movimentos iniciais de marcha para “convidar” o outro a segui-
lo, ou agarrará o ar quando pretende que o outro lhe dê uma banana. Todos estes gestos são gestos
relacionados diretamente com a própria ação. Koehler menciona que o experimentador é levado a utilizar
meios de comunicação elementares essencialmente semelhantes para transmitir aos macacos aquilo que
espera deles.
Estas observações confirmam sobejamente a opinião de Wundt segundo a qual os gestos de apontar
que constituem o primeiro estádio do desenvolvimento da linguagem humana não aparecem ainda nos
animais, mas alguns gestos dos macacos são uma forma de transição entre o movimento de preensão e
o de apontar. Consideramos que este gesto de transição é um passo muito importante da expressão
afetiva não adulterada para a linguagem objetiva.
Não há no entanto provas factuais de que os animais tenham atingido o estádio da representação
objetiva de nenhuma das suas atividades. Os chimpanzés de Koehler brincavam com barro colorido,
começando por “pintar, com os lábios e a língua e passando mais tarde para pincéis a sério; mas estes
animais - que normalmente transferem para as suas brincadeiras o uso dos utensílios e outros
comportamentos aprendidos em atividades “sérias” (isto é, em experiências) e, vice-versa - nunca
evidenciaram a mínima intenção de representar o quer que fosse nos seus desenhos nem o mais leve
indício de atribuírem o mais pequeno significado aos seus produtos. Afirma Buehler:
Certos fatos põem-nos de sobreaviso no sentido de não sobrestimarmos as ações dos chimpanzés.
Sabemos que nunca nenhum viajante confundiu um gorila ou um chimpanzé com um homem, e que
nunca ninguém observou entre eles nenhum dos utensílios ou métodos tradicionais que, nos homens,
embora variando com as tribos, indicam a transmissão de geração em geração das descobertas já feitas,
nenhuma das arranhadelas que executam na areia ou no barro poderia ser confundida com desenhos
que representassem alguma coisa ou com decorações traçadas durante a atividade lúdica; não há
linguagem representacional, isto é, não há sons equivalentes a nomes. Todo este conjunto de
circunstâncias deve ter alguma causa intrínseca.
De entre os observadores modernos dos macacos, Yerkes deve ser o único que explica a sua carência
de linguagem por outras razões que não sejam as “causas intrínsecas”. A sua investigação sobre o
cérebro do orangotango produziu dados muito semelhantes aos de Koehler; mas levou as suas
conclusões mais longe, pois admite uma “inteleção mais elevada” nos orangotangos - ao nível é certo de
uma criança de três anos, pelo menos.
Yerkes deduz esta intelecção com base em semelhanças superficiais entre o comportamento dos
homens e o dos antropoides: não apresenta nenhuma prova objetiva de que os orangotangos resolvam
os problemas socorrendo-se da intelecção, isto é, de “imagens”, ou de que sigam e discirnam os
estímulos. No estudo dos animais superiores, pode-se usar a analogia com bons resultados, dentro dos
limites da objetividade, mas basear uma hipótese em analogias não será com certeza um procedimento
científico correto.
Koehler, por outro lado, foi mais além: não se limitou a utilizar a simples analogia na sua investigação
da natureza dos processos intelectuais dos chimpanzés. Mostrou também, por meio de uma análise
experimental rigorosa, que o êxito das ações dos animais dependia do fato de eles poderem ver todos os
elementos da situação simultaneamente - este fator era decisivo para o seu comportamento.
Se o pau que utilizavam para chegar a um fruto colocado para lá das barras fosse ligeiramente
deslocado de forma que o utensílio (o pau) e o objetivo (o fruto) deixassem de ser visíveis num só relance,
a resolução do problema tornar-se-ia muito difícil, frequentemente impossível até (especialmente durante
as primeiras experiências). Os macacos tinham aprendido a alongar os seus utensílios, inserindo um pau
no orifício praticado noutro pau. Se por acaso os dois paus se cruzassem nas suas mãos formando um
X, tornavam-se incapazes de realizar a operação familiar muito praticada de alongar o utensílio. Poderiam
citar-se dúzias de exemplos destes extraídos das experiências de Koehler.
Koehler considera que a presença real de uma situação bastante simples é condição indispensável
em qualquer investigação do intelecto dos chimpanzés, condição sem a qual o seu intelecto não
funcionará: conclui daqui que as limitações intrínsecas da “imagética” (ou “ideação”) são uma
característica fundamental do comportamento intelectual do chimpanzé. Se aceitarmos as teses de
Koehler, então a hipótese de Yerkes parece mais do que duvidosa.
Em conexão com estes recentes estudos experimentais e observações do intelecto e da linguagem
dos chimpanzés, Yerkes apresenta novo material sobre o seu desenvolvimento linguístico e uma nova e
engenhosa teoria que pretende explicar a sua carência de verdadeira linguagem. “As reações orais”,
afirma ele, “são muito frequentes e variadas nos chimpanzés jovens, mas a linguagem no sentido humano
não existe”. O seu aparelho vocal é tão desenvolvido e funciona tão bem como o do homem. O que lhe
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falta é a tendência para imitar sons. A sua mímica está quase totalmente dependente dos estímulos óticos;
eles copiam ações, mas não sons. São incapazes de fazer o que o papagaio faz com tanto êxito.
Se as tendências imitativas do papagaio se combinassem com o calibre intelectual das do chimpanzé,
este último possuiria sem dúvida linguagem, já que tem um mecanismo vocal semelhante ao do homem,
assim como um intelecto de tipo e nível que lhe permitem utilizar os sons tendo em vista o discurso oral
Ontogeneticamente, a relação entre a gênese do pensamento e a da linguagem é muito mais intrincada
e obscura; mas também aqui poderemos distinguir duas linhas de evolução distintas, resultantes de duas
raízes genéticas diferentes.
A existência de uma fase pré-linguística do desenvolvimento do pensamento na infância só
recentemente foi corroborada por provas objetivas. Aplicaram-se a crianças que ainda não tinham
aprendido a falar as mesmas experiências que Koehler levou a cabo com chimpanzés. O próprio Koehler
havia já realizado ocasionalmente essas experiências com crianças com o objetivo de estabelecer
comparações e Buehler empreendeu um estudo sistemático das crianças com a mesma orientação. Os
resultados foram semelhantes para as crianças e os chimpanzés.
As raízes pré-intelectuais da linguagem no desenvolvimento da criança há muito que são conhecidas.
O papaguear das crianças, o seu choro e inclusivamente as suas primeiras palavras são muito claramente
estádios do desenvolvimento da linguagem que nada têm a ver com o desenvolvimento do pensamento.
Tem-se encarado duma forma generalizada estas manifestações como formas de comportamentopredominantemente emocionais.
Contudo, nem todas servem apenas a função de alívio de uma tensão. Investigações recentes das
primeiras formas de comportamento das crianças e das primeiras reações das crianças à voz humana
(efetuadas por Charlotte Buehler e o seu círculo) mostraram que a função social da linguagem já é
claramente evidente durante o primeiro ano de vida, quer dizer, no estádio pré-intelectual do
desenvolvimento da linguagem de criança.
Observaram-se reações bem definidas à voz humana logo no terceiro mês de vida e a primeira reação
especificamente social à voz durante o segundo mês Estas investigações também estabeleceram que as
gargalhadas, os sons inarticulados, os movimentos etc., são meios de contato social logo durante os
primeiros meses da vida das crianças.
Assim, as duas funções da linguagem que observamos no desenvolvimento filogenético já existem e
são evidentes nas crianças com menos de um ano de idade.
Mas a mais importante descoberta é o fato de em determinado momento por alturas dos dois anos de
idade, as curvas de desenvolvimento do pensamento e da linguagem, até então separadas, se tocarem
e fundirem, dando início a uma nova forma de comportamento. Foi Stern quem pela primeira vez e da
melhor forma nos deu uma descrição deste momentoso acontecimento. Ele mostrou como a vontade de
dominar a linguagem se segue à primeira compreensão difusa dos propósitos desta, quando a criança
“faz a maior descoberta da sua vida”, a de que “todas as coisas têm um nome”
Este momento crucial, quando a linguagem começa a servir o intelecto e os pensamentos começam a
oralizar-se, é indicado por dois sintomas objetivos que não deixam lugar a dúvidas:
(I) a súbita e ativa curiosidade da criança pelas palavras, as suas perguntas acerca de todas as coisas
novas (“o que é isto?”) e,
(II) o consequente enriquecimento do vocabulário que progride por saltos e muito rapidamente.
Antes do ponto de viragem, a criança reconhece (como alguns animais) um pequeno número de
palavras que, tal como no condicionamento, substituem objetos, pessoas, ações, estados, desejos. Nessa
idade, a criança só conhece as palavras que lhe foram transmitidas por outras pessoas. Agora a situação
altera-se: a criança sente a necessidade das palavras e, por meio das suas perguntas, tenta ativamente
aprender os signos relacionados com os objetos Parece ter descoberto a função simbólica das palavras.
A linguagem, que no estádio anterior era afetiva-conotativa entra agora no estádio intelectual. As
trajetórias do desenvolvimento da linguagem e do pensamento encontraram-se.
Em resumo, devemos concluir que:
(1) No seu desenvolvimento ontogenético, o pensamento e a linguagem têm raízes diferentes.
(2) No desenvolvimento linguístico da criança, podemos estabelecer com toda a certeza uma fase pré-
intelectual no desenvolvimento linguístico da criança - e no seu desenvolvimento intelectual podemos
estabelecer uma fase pré-linguística.
3) A determinada altura estas duas trajetórias encontram-se e, em consequência disso, o pensamento
torna-se verbal e a linguagem racional.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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Importante ainda traçarmos alguns pontos sobre a obra de Vygostsky, L. S. Construção Social
da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
Vygotsky, L. S. Construção Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 2002
No livro Construção Social da Mente - Vygotsky tem por objetivo caracterizar os aspectos tipicamente
humanos do comportamento e elaborar hipóteses de como essas características se desenvolveram
durante a vida do indivíduo e enfatiza três aspectos4:
- Relação entre seres humanos e o seu ambiente físico e social.
- Novas formas de atividade que fizeram com que o trabalho fosse o meio fundamental de
relacionamentos entre o homem e a natureza e as consequências psicológicas dessas formas de
atividade.
- A natureza das relações entre o uso de instrumento e desenvolvimento da linguagem.
O estudo do desenvolvimento infantil começou a ser feita por comparação à botânica, associado à
maturação do organismo como um todo. Como maturação por si só, é um fator secundário e não explica
o desenvolvimento de formas mais complexas do comportamento humano, a psicologia moderna passou
a estudar a criança a partir dos modelos zoológicos, isto é, da experimentação animal.
Segundo Vygotsky, o momento de maior significado no curso do desenvolvimento intelectual, que dá
origem às formas puramente humanas de inteligência prática e abstrata, acontece quando a fala e a
atividade prática estão juntas. A criança, antes de controlar o próprio comportamento, começa a controlar
o ambiente com a ajuda da fala, produzindo novas relações com o ambiente, além de uma nova
organização do próprio ambiente. A criação dessas formas caracteristicamente humanas de
comportamento produz o intelecto, e constitui a base do trabalho produtivo: à forma especificamente
humana do uso de instrumento.
Experiências feitas por Vygotsky concluíram que a fala da criança é tão importante quanto a ação para
atingir um objetivo. Sua fala e ação fazem parte de uma mesma função psicológica complexa, dirigida
para a solução do problema em questão. Conclui-se também que quanto mais complexa a ação exigida
pela situação e menos direta a solução, maior a importância que a fala adquire na operação como um
todo. “Essas observações, me levam a concluir que as crianças resolvem suas tarefas práticas com a
ajuda da fala, assim como dos olhos e das mãos”. (Vygotsky)
A criança quando se confronta com um problema mais complicado, apresenta ótima variedade
complexa de respostas que incluem tentativas diretas de atingir o objetivo, uso de instrumentos, fala
dirigidas as pessoas ou que simplesmente acompanha a ação e apelos verbais direto ao objeto de
atenção. O desenvolvimento da percepção e da atenção, o uso de instrumentos e da fala afeta várias
funções psicológicas: Operações sensório-motoras e atenção - cada uma das quais é parte de um sistema
dinâmico de comportamento.
Para o desenvolvimento da criança principalmente na primeira infância, o que se reveste de
importância primordial são as interações com os adultos (assimétricas), portadores de todas as
mensagens de cultura. Nessa interação o papel essencial corresponde aos diferentes sistemas
semióticos seguida de uma função individual: começam a ser utilizado como instrumentos de organização
e de controle do comportamento individual. A abordagem dialética, admitindo a influência da natureza
sobre o homem, afirma que o homem, por sua vez, age sobre a natureza e cria, através das mudanças
por ele provocadas, novas condições naturais para a sua existência. Essa posição representa o elemento-
chave da abordagem de estudo e interpretação das funções psicológicas superiores FPS, do homem e
serve como base dos novos métodos de experimentação e análise.
Com relação à interação entre aprendizado e ensino - O aprendizado é considerado um processo
puramente externo que não está envolvido ativamente no desenvolvimento, simplesmente se utilizará dos
avanços do desenvolvimento ao invés de fornecer um impulso para modificar seu curso. Para Vygotsky
não existe melhor maneira de descrever a educação do que considerá-la como a organização dos hábitos
de conduta e tendências comportamentais adquiridos. O aprendizado não altera nossa capacidade global
de focalizar a atenção, ao invés disso, desenvolve várias capacidades de focalizar a atenção sobre várias
coisas.
Numa abordagem sobre a zona de desenvolvimento proximal, o ponto de partida da discussão é o fato
de que o aprendizado das crianças começa muito antes delas frequentam a escola. A zona de
desenvolvimento proximal é resumidamente à distância entre o nível de desenvolvimento real, que se
costuma determinar através da solução independe de problemas e o nível de desenvolvimento potencial,
4 Texto adaptado de: Lídia Lindislay OcanhaMorale. https://bit.ly/2AASEN1
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto. O brinquedo tem um papel
marcante para desenvolvimento, o brinquedo não é uma atividade pura e simples de prazer a uma criança,
pois há outras atividades que dão mais prazer, como o habito de chupar chupeta, em relação aos jogos
que marcam a perda e ganho com frequência e é acompanhado pelo desprazer da perda. A criança em
idade pré-escolar envolve-se num mundo ilusório para resolver suas questões e considera essencial e
reconhece a enorme influência do brinquedo no desenvolvimento da criança. O brinquedo não é o aspecto
predominante da infância, mas um fator muito importante do desenvolvimento, demonstra o significado
da mudança que ocorre no desenvolvimento do próprio brinquedo, de uma predominância de situações
imaginárias para as predominâncias de regras e mostra as transformações internas das crianças que
surgem em consequência do brinquedo.
Questões
01. (Prefeitura de Piraúba/MG - Psicólogo Clínico) Com relação aos pressupostos teóricos do
desenvolvimento humano, analise as assertivas e assinale a alternativa incorreta:
(A) Vygotsky não acredita que na presença de condições adequadas de vida, e tendo cultura, o ser
humano não se desenvolverá intensamente, evidenciando o processo de construção do desenvolvimento
histórico-cultural do indivíduo.
(B) O estudo da Teoria Histórico Cultural é a compreensão de como se alteram as organizações de
desejos, opiniões, ansiedade e habilidades presentes nas diferentes etapas do ciclo vital. Pois acredita
que os seres humanos são pessoas inteiras e todos os aspectos de desenvolvimento estão intimamente
ligados, até mesmo no útero.
(C) O desenvolvimento da personalidade se constitui de maneira espontânea ainda no período da
infância e, para a Teoria Histórico-Cultural, a idade pré-escolar e a adolescência marcam momentos
fundamentais desse desenvolvimento, que é um dos desenvolvimentos do ser humano.
(D) Vygotsky destinou seus estudos também à origem da linguagem e sua relação com o
desenvolvimento do pensamento a partir de uma abordagem histórica, o que o tornou o primeiro psicólogo
moderno a sugerir os mecanismos pelos quais a cultura torna-se parte da natureza de cada pessoa.
02. (SEPLAG/MG - Pedagogia - BFC) Para ser considerada como possuidora de certa habilidade, a
criança tem que demonstrar que pode cumprir a tarefa sem nenhum tipo de ajuda. Denomina- se essa
capacidade de realizar tarefas de forma independentes:
(A) NDP - Nível de Desenvolvimento Potencial.
(B) ZDP - Zona de Desenvolvimento Proximal.
(C) PDH - Processo de Desenvolvimento de habilidade.
(D) NDR - Nível de Desenvolvimento Real.
03. (Prefeitura de Tijucas/SC - Professor - Séries Iniciais - FEPESE). A perspectiva histórico-cultural
de Vygotsky levou-o a considerar que a linguagem é um instrumento psicológico que age de forma
mediada no estágio precoce do pensamento (a atividade prática).
Para o referido autor o resultado desse caráter mediado é:
(A) A linguagem escrita.
(B) A linguagem gestual.
(C) A escrita espontânea.
(D) O pensamento verbal.
(E) A leitura convencional.
Gabarito
01.A / 02.D / 03.D
Comentários
01. Resposta: A.
Para Vygotsky, a criança se inscreve desde os seus primeiros dias num sistema de comportamento
social em que suas atividades adquirem significado. Sua relação com o ambiente se dá por meio da
relação com outras pessoas, situação em que é oferecido a ela um conjunto de acepções, já culturalmente
enraizado no grupo em que ela foi inserida.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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02. Resposta: D.
Para Vygotsky, a aprendizagem e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de
vida do indivíduo. Nível de desenvolvimento real: Referente as conquistas que já estão consolidadas na
criança, ela já aprendeu e domina. Indica os processos mentais da criança que já se estabeleceram.
Representa as funções já amadurecidas. Exemplos: andar de bicicleta, cortar com tesoura, dominar o
teclado.
03. Resposta: D.
Para a expressão verbal do pensamento, às vezes é preciso um esforço grande para concentrar todo
o conteúdo de uma reflexão em uma frase ou em um discurso. Portanto, podemos concluir que o
pensamento não se reflete na palavra; realiza-se nela, a medida em que é a linguagem que permite a
transmissão do seu pensamento para outra pessoa.
O pensamento e a fala unem-se em pensamento verbal. Neste significado há um sentido cognitivo e
um afetivo, que sempre estão intimamente entrelaçados.
LEITURA E ESCRITA
O ser humano em sua interação com o meio e com o outro representa por símbolos o que experiência
no real, dessa forma, constrói significados e acumula conhecimentos. Todo ensino, na escola, implica na
utilização da função simbólica. As atividades que concorrem para a formação da função simbólica variam
conforme o período do desenvolvimento humano. Por exemplo, o desenho e a brincadeira de faz-de-
conta são atividades simbólicas próprias da criança pequena, que antecedem à escrita. Na verdade, elas
criam as condições internas para que a criança aprenda a ler e escrever.
Ao longo da Educação Fundamental desenvolve-se o processo de escolarização. As capacidades
linguísticas são importantes na alfabetização e no aprendizado da língua escrita durante o percurso da
vida do educando.
No processo de comunicação e expressão não basta ter o domínio do processo do ler e do escrever
(codificar e decodificar), mas também saber fazer uso dessas habilidades em práticas sociais em que são
necessárias. A aprendizagem da linguagem visual, oral, gestual, digital e escrita são elementos
importantes para o ser humano ampliar suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas
práticas sociais. Implícita nessa concepção está a ideia de que o domínio e o uso da língua escrita trazem
consequências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social
em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la.
O desafio que se coloca para os primeiros anos da Educação Fundamental é o de conciliar os dois
processos: alfabetização, como o processo específico e indispensável de apropriação do sistema de
escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico que possibilita ao aluno ler e escrever com
autonomia; e letramento, como o processo de apropriação, inserção e participação na cultura escrita.
Trata-se de um processo que tem início quando a criança começa a conviver com as diferentes
manifestações da escrita na sociedade (placas, rótulos, embalagens, comerciais, revistas etc.) e se
prolonga por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas sociais, que
envolvem a língua escrita (leitura e redação de contratos, de livros científicos, de obras literárias, por
exemplo).
Esta concepção considera que alfabetização e letramento são processos diferentes, cada um com
suas especificidades, mas complementares e inseparáveis, ambos indispensáveis à formação plena do
cidadão.
Assim, não se trata de escolher entre alfabetizar ou letrar; trata-se de alfabetizar letrando. Também
não se trata de pensar os dois processos como sequenciais, isto é, vindo um depois do outro, como se o
letramento fosse uma espécie de preparação para a alfabetização, ou, então, como se a alfabetização
fosse condição indispensável para o início do processo de letramento.
Considerando-se que os alfabetizandos vivem numa sociedade letrada, em que a língua escrita está
presente de maneira visível e marcante nas atividades cotidianas, inevitavelmente eles terão contato com
textos escritos e formularão hipóteses sobre sua utilidade, seu funcionamento, sua configuração. Excluir
essa vivência da sala de aula, por um lado, pode ter o efeito de reduzir e artificializaro objeto de
aprendizagem que é a escrita, possibilitando que os alunos desenvolvam concepções inadequadas e
disposições negativas a respeito desse objeto.
Por outro lado, deixar de explorar a relação extraescolar dos alunos com a escrita, significa perder
oportunidades de conhecer e desenvolver experiências culturais ricas e importantes para a integração
social e o exercício da cidadania.
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A linguagem escrita, materializada nas práticas que envolvem a leitura e a produção de textos, deve
ser ensinada em contextos reais de aprendizagem, em situações que tenham sentido para os educandos,
para que possam mobilizar o que sabem e aprender com os textos.
Os modos de utilização da linguagem são tão variados quanto as próprias esferas da atividade
humana. As esferas sociais delimitam, historicamente, os discursos e seus processos. As práticas de
linguagem - falar, escutar, ler e escrever, cantar, desenhar, representar, pintar etc. - são afetadas pelas
representações que se tem dos modos pelos quais elas podem se materializar em textos orais, escritos
e não verbais. A linguagem não verbal representa 80% de nossa comunicação e pode ser expressa
mediante gestos espontâneos, olhar, expressão facial, expressão corporal, música, sinais, mímica,
desenho, pintura, as Artes em geral etc.
Assim, entende-se que a ação pedagógica mais adequada e produtiva é aquela que contempla a
alfabetização e o letramento, de maneira articulada e simultânea, compreendendo que a alfabetização e
o letramento acontecem em ciclos e de forma processual e contínua dentro das temporalidades humanas.
Usos e Funções da Escrita e Leitura5
Os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) afirmam que a “Língua Portuguesa” é composta por
diversas variedades linguísticas. Essas variedades são, frequentemente, estigmatizadas por se levar em
conta o relativo valor social que se atribui aos diversos modos de falar: as variantes linguísticas de menor
prestígio social são logo catalogadas de “inferiores” ou até mesmo, de “erradas”.
Atualmente, diversos linguistas, ressaltam a importância da variação linguística no ensino de língua
materna, pois a mesma, além de provar que nossa língua continua viva e dinâmica, desmistifica o mito
da “unidade linguística”.
Vale lembrar que os PCN, também, incorporam essa visão de linguagem pautada na variação
linguística, deixando claro que para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns
mitos: o de que existe uma única forma “certa” de falar e que esta se reflete de forma perfeita na escrita,
de que nossas salas de aulas são compostas por uma única variante linguística - a tida como Padrão - e
que as anomalias esporádicas que surgem em alguns alunos das castas baixas da sociedade, tem que
ser concertada, para não contamina a língua padrão e para que este indivíduo se integre na sociedade
dialetal.
Ao nosso entendimento, essas são provavelmente filhas de outra terrível inverdade a de que a
sociedade é igualitária, a existência de classes sociais por sua vez é fruto das diferenças de esforço
individual de cada um e/ou talvez por obra do acaso.
Essas ideias são frutos de uma cultura distorcida, industrializada, proveniente das castas superiores
que chega até nós, embebidas em ideologias de uma continua e consistente melhora. É bem verdade
que as pesquisas em torno da educação comprovam certa melhora, nos diversos índices que avaliam
nossos alunos, mas ao passo que esta caminha demorara incontáveis gerações para que alcancemos à
educação preconizada por Paulo Freire.
São inúmeros os obstáculos para que a educação abandone seu caráter colonialista e se transforme
em um instrumento de inserção social, capaz de aplanar a enorme pirâmide existente em nossa
sociedade. Acreditamos que um dos mais relevantes obstáculos, para isto, encontra-se na língua.
Essa que em nosso entender é a maior “descoberta” do homem, além de ser, indubitavelmente, o pilar
que dá sustentabilidade a sociedade como a conhecemos. A linguagem, em seu atual, estágio transpassa
a condição instrumental de comunicação entre indivíduos no mesmo espaço-temporal, possibilitando que
indivíduos em épocas e lugares diferentes dialoguem. Entretanto o mesmo instrumento que une é o que
separa. São incontáveis os conflitos históricos ocasionados pela intolerância à cultura, à religião, à
linguagem do outro, o que a nosso ver isso se configura como uma continuidade do mito da Torre se
Babel.
Como nos lembra Bagno o preconceito linguístico constitui-se em um não aceitar, da variação
linguística falada pelo outro, ainda na concepção do mesmo autor os chamados erros gramaticais não
existem nas línguas naturais, salvo por patologias de ordem cognitiva. Na concepção de Xavier6, a qual
ressaltamos, a noção de correto imposta pelo ensino tradicional da gramática normativa e o repasse
incorreto do léxico pertencente à variação padrão da língua originam os preconceitos contra as variedades
não padrão.
5 Texto adaptado de SILVA, A. C. da.
6 XAVIER, Diogo; et al. O preconceito linguístico na sala de aula: atitudes de professores e alunos de 7ª a 8ª séries diante da variação linguística.
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Em nosso entendimento a escola deveria atuar como um combatente a este como a muitos outros
preconceitos, mas infelizmente, essas também como foram observadas, tornou-se uma fonte
discriminatória das variações não padrão da língua. Bagno nos lembra ainda “a vitória sobre esse
preconceito passa por um estudo mais apropriado da língua, onde o aluno tenha as outras variedades,
mas sempre tendo como base em sua própria variedade”. Sobre esse prisma compreendemos o papel
impa desempenhado pelo pelos PCNs, como um instrumento de prevenção e combate aos diversos
estigmas que circundam a presença da oralidade dentro das salas de aula. Balizados nisso
confeccionamos o presente trabalho.
Nosso texto pretende, apoiada na fundamentação teórica levantada em diversas investigações
existentes, oferecer subsídios para analisarmos à abordagem dos PCNs em relação as variações
linguísticas e como esta influência na aquisição da escrita.
Sem pretendemos esgotar os desafios e as possibilidades envolvidas nas temáticas em pauta,
estruturamos o texto de modo a discorremos sobre a sociolinguística e como esta atua dentro da sala de
aula, a seguir iremos contar de forma breve, a história dos PCNs. Em um terceiro plano iremos discursas
sobre a aquisição da linguagem escrita, a seguir iremos analisar o trato dado pelos PCNs em relação a
oralidade e como este contribuem para a aquisição da escrita.
Sociolinguística
Por se considerar a língua um sistema homogêneo, o estudo das variações nunca havia despertado o
interesse dos linguistas. Só em meados da década de 1960, quando muitos desses cientistas da
linguagem perceberam que não era mais possível estudar a língua sem considerar também a sociedade
em que ela é falada, é que se começou a estudar a língua na perspectiva da mudança e da variação em
termos sociolinguísticos7.
Tendo por base, pois, a heterogeneidade, a sociolinguística de 1960 pode ser vista como uma área
que abriu caminhos para o surgimento de novas correntes de estudo e pesquisas que põem em foco,
principalmente, o trato do fenômeno linguístico em sua relação com o contexto social e cultural de
produção. Sendo que, pelo crescente interesse em estudar a linguagem nesse contexto social, diversos
enfoques se abrigam sob o título de sociolinguística.
Esta ciência, conforme afirma Mollica8, se faz presente num espaço interdisciplinar em fronteira com a
língua e a sociedade, tendo como foco principal os empregos linguísticos concretos, principalmente os de
caráter social heterogêneo. Assim, tendo em vista que todas as línguas naturais humanas, de modo geral,
apresentam um dinamismo inerente -heterogeneidade -, a está ciência vem considerar para objeto de
estudo justamente essa dinamicidade da língua, que pressupõe a variação, “entendo-a como um princípio
geral e universal, passível de ser descrita e analisada cientificamente” (Mollica, assim, em linhas gerais,
podemos dizer que o objeto de estudo da sociolinguística é o estudo da língua falada, observada, descrita
e analisada em seus contextos reais de uso.
A sociolinguística em sala de aula
À medida que a criança se desenvolve e cria relações com o meio, modifica seu modo de ver e interagir
com o mundo, criando assim sua própria identidade linguística e cultural. Ao adentrar na escola a criança
traz consigo uma gama de informações linguísticas, as quais são, na maioria das vezes, desprezadas
e/ou taxadas de erradas, em detrimentos de outras provenientes das castas superiores da sociedade. O
que por sua vez se reflete em uma enorme dificuldade em apreender a variedade tida como eleita, tanto
em sua variante escrita, como em sua variante falada.
Ao dar início ao seu “processo de alfabetização”, o aluno já é um falante nativo da língua, com um
certo leque de signos, o qual é capaz de interpretar todo o seu campo de interesse, mas em concordância
com o que pregam a maioria dos livros didáticos, estes campos são substituídos, por aspectos formais
de uma língua ideal, juntamente com apreciação de aspectos mecânicos no ensino da leitura e escrita,
como se todos os alunos obedecessem ao mesmo ritmo, tivessem a mesma motivação e o mesmo foco
de interessem.
É fácil perceber que cada indivíduo tem seu ritmo e interesses próprios, principalmente quando
trabalhamos com jovens e adultos, é sensível também que estas características se manifestam de forma
mais aberta na linguagem de cada um. Foi provavelmente este um dos motivos da aceitação da sala de
aula e de suas relações como um dos objetos de estudo para a sociolinguística, além é claro do combate
7 BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007
8 MOLICA, Maria Cecília e BRAGA Maria Luiza. Introdução a Sociolinguística: o tratamento da variação. 2ª ed. - São Paulo: Contexto, 2004.
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e prevenção as diversas formas de preconceitos existente em sala de aula e que se origina nas diferentes
linguagens que compõem o âmbito escolar.
Enfatizando Souza o qual cita Cagliari, os modos diferentes de falar acontecem porque a língua
portuguesa, como qualquer outra língua, é um fenômeno dinâmico, isto é, está sempre em evolução.
Pelos usos diferenciados ao longo do tempo e nos mais diversos grupos sociais, as línguas passam a
existir como um conjunto de falares diferentes ou dialetos, todos muito semelhantes entre si, porém cada
qual apresentando suas peculiaridades com relação a alguns aspectos linguísticos. Todas as variedades,
do ponto de vista da estrutura linguística, são perfeitas e completas em si. O que as tornam diferentes
são os valores sociais que seus membros possuem na sociedade. Ainda segundo o autor, os dialetos de
uma língua, apesar de serem semelhantes entre si, apresentam-se como línguas específicas, com sua
gramática e usos próprios.
É fácil perceber que em nenhum nicho social a variação linguística é mais sentida do que na escola. É
lá em que está, que deveria ser uma característica positiva, acaba se transformando em um obstáculo
para a aquisição de uma nova variedade dialetal.
Em qualquer lugar onde se desenvolva o preconceito linguístico, este já causa sequelas enormes, mas
é justamente na escola, local onde o caráter do indivíduo está sendo formado, onde estes estigmas são
mais prejudiciais à sociedade. Foi pensando nisso que os estudiosos abordaram essa características na
confecção dos PCNs.
Os PCNs
Em função da LDB 9.394/96, o Ministério da Educação e Desporto achou por bem elaborar uma série
de documentos orientativos sobre a prática pedagógica, tendo em vista a amplitude do território nacional,
as diferenças de formação do professorado e suas dificuldades de acesso a conteúdo pedagógicos
atualizados. Surgiram, assim, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais (também conhecidos como
RCNs - Referenciais Curriculares Nacionais).
Entretanto o processo de elaboração dos PCNs iniciou um pouco antes como nos lembra Czapski9: O
processo de elaboração dos PCN começou em 1995, sendo que no fim daquele ano já havia a versão
preliminar, que foi apresentada a diferentes instituições e especialistas. Em resposta, o MEC recebeu
cerca de 700 pareceres, que foram catalogados por áreas temáticas e embasaram a revisão do texto.
Para completar, Delegacias do MEC promoveram reuniões com suas equipes técnicas, o Conselho
Federal de Educação organizou debates regionais e algumas universidades se mobilizaram. Tudo isso
subsidiou a produção da versão final dos PCN para 1ª a 4ª série, que foi aprovada pelo Conselho Federal
de Educação em 1997. Os PCNs foram transformados num conjunto de dez livros, cujo lançamento
ocorreu em 15 de outubro de 1997, Dia do Professor, em Brasília. Depois, professores de todo país
passaram a recebê-los em casa. Enquanto isso, o MEC iniciou a elaboração dos PCN para 5ª a 8ª série.
Assim estes, constituem uma coleção de documentos onde, além de uma introdução geral: onde foi
abordando a tradição pedagógica brasileira, dados estatísticos sobre população, alunos e professores
(dados de 1990), orientações doutrinárias e metodológicas (o sócio construtivismo, a postura crítico-social
de conteúdo, as teorias psicogenéticas) e conteúdos técnicos sobre planejamento e avaliação.
Encontram-se listadas as exigências educacionais previstas pela LDB, a Base Nacional Comum (o
currículo disciplinar) e a utilização da transversalidade (Temas Transversais) como instrumento de
trabalho para contextualização dos temas de aula.
Há, ainda, os objetivos gerais e específicos, além das características das áreas do conhecimento
componentes da Base Nacional Comum, a listagem dos Temas Transversais e sua operacionalização.
Os Parâmetros (ou Referenciais) abordam todas as modalidades da Educação Básica no Brasil, além
da Educação Especial, modalidade educativa que perpassa, de modo transversal, todos os níveis de
ensino, inclusive o nível superior.
Ainda segundo Czapski: Os PCN são apresentados não como um currículo, e sim como subsídio para
apoiar o projeto da escola na elaboração do seu programa curricular. Sua grande novidade está nos
Temas Transversais, que incluem o Meio Ambiente. Ou seja, os PCN trazem orientações para o ensino
das disciplinas que formam a base nacional, e mais cinco temas transversais que permeiam todas
disciplinas, para ajudar a escola a cumprir seu papel constitucional de fortalecimento da cidadania.
Aquisição da leitura
A quase totalidade das crianças que adentram na escola, ainda não sabem ler, mas já reconhecem
uma estreita relação entre língua falada e escrita, compreendem, mesmo que de forma “não formal”, que
uma é a representação gráfica da outra. Como nos complementa Bento (2008) citando Ferreiro e
9 CZAPSKI, Silvia. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil, Ed. MEC/Unesco, 1997 -seção "Fichário", cap "PCN"
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Taberosky pareceu-lhes difícil admitir que a criança - que aprende a falar sem ir à escola - não aprendesse
nada sobre a língua escrita, “[...] até ter seis anos e uma professora à sua frente.”. Do ponto de vista
destas autoras, a criança, como sujeito cognoscente, não poderia ser impermeável ao contato com a
língua escrita e de alguma forma ela haveria de tentar apreender esta, relacionando-a com a língua falada.
Ainda segundo Bento10, aos quatro anos, as crianças já constroem conceptualizações interessantes
sobre as relações entre a linguagem falada e o sistema de escrita.
Estas elaboraçõessucedem-se num percurso constituído por diversas fases ou níveis e permitem
concluir que o processo de aprendizagem não consiste na aquisição de elementos isolados que depois
se reúnem - mas na construção de sistemas em que o valor dos elementos se vai redefinindo em função
das mudanças estruturais.
Nível A - É o nível de conceptualização mais evoluído. Todas as palavras do texto oral estão
representadas no texto escrito. Nesta fase, a criança é capaz de estabelecer uma correspondência, termo
a termo, entre as unidades vocabulares do enunciado oral e os segmentos do texto escrito (palavras
gráficas).
Nível B - Todas as palavras estão escritas, exceto os artigos. Para estes, surgem três soluções: O
texto escrito é tratado como se fosse feito em linguagem de telegrama, dos 4 aos 7 anos,
aproximadamente, os artigos, preposições, pronomes e conjunções são sistematicamente, havendo uma
rejeição da classe das "palavras".
Nível C - Há correspondência para os substantivos, mas não para o verbo
A escrita não é vista [pela criança] como uma reprodução rigorosa de um texto oral, e sim como a
representação de alguns elementos essenciais do texto oral. Em consequência, nem tudo está escrito.
Nível D - Impossibilidade de estabelecer correspondência entre as partes do texto oral e as partes do
texto escrito. A criança não consegue segmentar a frase oralizada. Por isso, as respostas são diversas e
incongruentes. Quando se pergunta à criança onde está escreve uma palavra ou toda a frase, a resposta
é imprevisível: pode estar em qualquer parte do texto escrito, em todo ou apenas numa sílaba.
Nível E - Também, neste nível, a criança não consegue segmentar o texto oral, para que possa
estabelecer correspondências com o texto escrito. Porém, enquanto no nível D se tentava sem êxito essa
divisão, agora essa tentativa já não tem lugar. A criança atribui toda a frase a um segmento do texto.
Nível F - A criança procura no texto escrito apenas os nomes, i. é, na interpretação de Emília Ferreiro
e Ana Tabaroski, a escrita serve como objeto substitutivo (função simbólica) dos objetos.
Palavras só com dois caracteres, como alguns artigos, e as ações não são representáveis.
Tudo se passa como no desenho. Aí figuram dois “atores”: a pessoa que executa a ação e a ação.
A análise destes cinco níveis mostra que a criança vai relacionando a seu modo à fala e a escrita,
independentemente de qualquer forma de ensino e que, até chegar ao nível mais elevado, ela não espera
"ler" no texto escrito o mesmo que o adulto. Este processo construtivo resulta da atividade da criança
(sujeito cognoscitivo) e pressupõe o contato com materiais e atividade de leitura/escrita (objeto do
conhecimento).
PCNs e a relação língua falada e escrita.
Segundo os Paramentos Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998), a língua é fundamental
para a participação social efetiva do indivíduo. Por isso, ao repassa-la, a escola tem a responsabilidade
de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da
cidadania, direito inalienável de todo cidadão.
No tocante os, PCNs afirmam sobre o trabalho com a modalidade oral, a necessidades de seu uso
como base para o desenvolvimento das outras modalidades comunicativas e por conseguinte ampliação
das possibilidades discursivas do discente.
Ensinar língua oral deve significar para a escola à possibilidade de dar acesso a usos da linguagem
mais formalizados e convencionais, que exijam controle mais consciente e voluntário da enunciação,
tendo em vista a importância que o domínio da palavra pública tem no exercício da cidadania. “Ensinar
linguagem oral” não significa trabalhar a capacidade de falar, pois este já é domínio pleno do discente,
mas significa auxiliar o desenvolver do domínio dos tipos discursivos que vão apoiar a aprendizagem
escolar de Língua Portuguesa e de outras áreas e, por conseguinte serão aplicados na vida social no
sentido mais amplo do termo.
10 BENTO, Joaquim R. A Gênese da aprendizagem da língua escrita.
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Como já ressaltamos um aspecto importante presente no documento é que não se pode mais empregar
somente o nível mais formal de fala para todas as situações. A escola precisa se livrar da ideia - enfatiza
o documento - de que a fala “correta” é a que se aproxima da escrita.
Os Paramentos Curriculares Nacionais propõem duas modalidades distintas de atividades para se
trabalhar à oralidade são elas a escuta e a produção de textos orais, ambas indiscutivelmente
fundamentais para a aquisição da variante escrita e por sua vez capacitar o aluno para enfrentar as
diversas demandas sociais de comunicação. A seguir discorreremos sobre ambas as atividades:
A Escuta objetiva ampliar o conjunto dos conhecimentos discursivos, semânticos, pragmáticos e
gramaticais envolvidos na construção dos discursos. Além disso dar-se-á ênfase aos elementos não-
verbais presentes na fala, como gestos expressões faciais, postura corporal, tons de voz, etc. A utilização
dos mecanismos da escrita ficou restrita a suportes, além de serem empregados com o intuito de
comparação a respeitos dos mecanismos não-verbais da fala.
Lembramos que a escuta de textos pode ser real ou gravada, de autoria dos alunos (ou não). São
relevantes para o processo de aprendizagem, pois as gravações conferem ao processo de análise um
verdadeiro entendimento da relação oral-escrito, uma vez que se pode transcrever os dados, voltar a
trechos que não tenham sido bem compreendidos, dar ênfase a trechos que mostrem características
típicas da fala, etc.
A Produção de Textos Orais privilegiar-se-á a produção dos diversos gêneros orais presentes no
cotidiano, já que para o documento o texto, seja este proveniente de qualquer suporte, como a unidade
básica do ensino, é relevante lembramos ainda que na produção oral, não ficara presa a língua em sua
variante eleita, mas será permitido a comparação entre esta variante e as demais, permitindo assim que
o aluno amplie seu léxico e tenha ciência que a variante por ele falada não perde em nada para a tida
como eleita.
Um aspecto relevante, o qual também salientamos, na produção dos textos orais, é que, o documento
alia o planejamento prévio da língua oral à escrita - em função da intencionalidade do locutor, das
características do receptor, das exigências da situação e dos objetivos estabelecidos -, o que reforça
Magalhães citando Fávero et ali também prescreveram: “aliar o tratamento da oralidade à escrita”.
Na visão dos PCNs, a produção textual Oral seria aquela atividade em que os alunos são orientados
tanto para a preparação prévia - elaboração de quaisquer suportes como cartazes, esquemas,
encenação, memorização de textos - quanto para o uso em situações reais de interlocução - gêneros por
natureza orais como entrevistas, debates, exposições, teatros, leituras expressivas.
Assim para os PCNs estes exercícios significam colocar os alunos em situações reais de interlocução,
apenas ouvido, ou participando ativamente, com ou sem interferência, o que tende a proporcionar aos
alunos conhecimentos teóricos e práticos acerca da produção oral, proporcionando assim o aluno
apreender as capacidades comunicativas para uma efetiva participação social.
Infelizmente este cuidado especial dado pelos PCNs a produção oral, não se reflete diretamente em
sala de aula, pois um dos mais importantes instrumentos educacionais, o livro didático ainda não
contempla de forma efetiva esta modalidade, como nos afirma Magalhães; infelizmente existe
divergências entre os estudiosos que avaliam e selecionam os livros que iram integrar o PNLD (programa
nacional do livro didático) e os texto que compõe os PCN, deixando assim lacunas para que os LDs ora
contemplem a modalidade oral, ora não.
Leitura11
A leitura é prática de interação social de linguagem. A leitura,como prática social, exige um leitor crítico
que seja capaz de mobilizar seus conhecimentos prévios, quer linguísticos e textuais, quer de mundo,
para preencher os vazios do texto, construindo novos significados. Esse leitor parte do já
sabido/conhecido, mas, superando esse limite, incorpora, de forma reflexiva, novos significados a seu
universo de conhecimento para melhor entender a realidade em que vive.
Algumas estratégias de Leitura:
O professor como mediador e facilitador no processo ensino-aprendizagem deve promover algumas
estratégias de leitura como, por exemplo, ativar o conhecimento prévio do aluno por meio de determinadas
perguntas que tenham relação com o que vai ser lido, levar o aluno a distinguir o essencial do que é pouco
relevante, esquematizando uma hierarquização, para construir o significado global do texto. Para isso, é
extremamente importante que o aluno saiba qual é o objetivo da leitura, para poder avaliar e reformular,
se necessário, as ideias iniciais. Além disso, o professor pode instigá-lo a interagir com o texto, criando
11 Fontes: http://www.ufmt.br/ufmt/unidade/userfiles/publicacoes/87371cd65b68bfbc63b1147f67cbaa11.pdf
http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem03pdf/sm03ss07_05.pdf
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expectativas ou, ainda, fazendo previsões. Esses procedimentos, a princípio, devem ser feitos com o
auxílio do professor, o que mais tarde, deve tornar-se um hábito no aluno. Nesse sentido, ao ensinar a ler
e compreender, o professor não impõe sua própria leitura ou a do livro.
Solé ao destacar algumas das estratégias mais empregadas nas aulas de leitura, destaca que, mesmo
dentro das principais estratégia mencionadas, pode-se apresentar ainda as seguintes variações:
1) Os objetivos da leituras, dependendo da situação, podem servir para: a) obter uma informação
precisa; b) obter uma informação de caráter geral; c) revisar um escrito próprio para comunicação; e)
praticar em voz alta; f) verificar o que se compreendeu.
2) Em relação a ativar o conhecimento prévio pode: a) ser dada uma explicação geral por parte da
professora sobre o que será lido; b) instigar o aluno a prestar atenção a determinados aspectos do texto
que podem ativar seu conhecimento; c) incentivar os alunos a expor o que já sabem sobre o assunto em
discussão com o grande grupo.
3) Estabelecer previsões sobre o texto seria formular hipóteses sobre a continuidade textual. Nessa
atividade, sugere-se omitir a sequência do texto e solicitar aos alunos que formulem hipóteses.
4) Incentivar os alunos a fazerem perguntas pertinentes sobre o texto, as quais devem ser
reformuladas, se necessário, pelo professor. Eles devem ser instigados, paulatinamente, a fazer seus
próprios questionamentos, o que implica auto direcionamento.
Tipos de Leitura:
- Pré-Leitura:
Como o próprio nome diz vem antes da leitura, propriamente dita, é uma rápida “passada de olhos”
pelo texto, fase essa que não se fala em fixação ou plena compreensão do escrito.
- Leitura Fragmentada:
Algumas pessoas, na verdade grande parte delas não gostam de ler pelo fato de trazer-lhes fadiga ou
conforme vão lendo chegam a um ponto que não conseguem mais se compreender, não prestam mais
atenção e chegam ao final, em muitos casos sem saber conta a metade da estória que deveria saber.
Esse fator se deve pela falta de disciplina e continuidade. Não ter prática, costume em ler faz com que
as pessoas não consigam associar determinado assunto com um todo, assimilam parágrafos, algumas
frases soltas.
Enfim, é o chamado ler sem conhecer.
- Leitura Integral:
Aqui temos o amadurecimento da pessoa, que já exercitou seu cérebro diversas vezes, de forma
contínua, levando a uma plena compreensão e interpretação do que está escrito. O leitor nesse caso
consegue associar as frases e parágrafos, compreendendo de modo coerente todo conteúdo, inclusive
com a condição de memorizar ou absorver algumas passagens do texto.
- Leitura Dinâmica:
Neste tipo de leitura são usados métodos e técnicas de leitura que permitem a decifração substanciada,
feitas em blocos de um pensamento de modo integral, evitando-se a decifração de ideias de modo linear.
Essa é a típica leitura rápida, acelerada, chamada também de leitura fotográfica.
- Leitura Informativa:
São encontradas disposições textuais em prosa, com uma linguagem de forma clara e direta, ou seja
denotativa, que visa transmitir informação sobre alguma coisa, retirando a possiblidade de interpretações
duplas.
Para melhor entendermos devemos pensar em um fio condutor, em que o redator (emissor) transmite
a informação para os receptores (leitores), de forma objetiva.
Um Importante Recurso Para o Desenvolvimento do Prazer de Ler12
Acreditamos que o brincar para a criança possibilita a diversão o entretenimento, assim como também
se torna uma forma de entender o mundo. É neste contexto de construção de conhecimento que a
12 CASSIANO, A. A. O prazer de ler :O incentivo da leitura na educação infantil. Londrina, 2009.
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fantasia, o faz-de-conta proporciona a criança vivenciar um mundo mágico, em que se pode brincar, imitar,
inventar, expressar sentimentos, interagir com o outro.
A leitura por sua vez, também tem esse caráter, pois quando se é criança as histórias infantis
encantam, suscitam a imaginação, despertam para o “mundo do faz de conta”, onde tudo que existe nos
livros é possível, os seres inanimados as fadas, as bruxas, os monstros, entre outros elementos presentes
nas histórias infantis.
Aspecto esse totalmente importante para o desenvolvimento cognitivo, e ao mesmo tempo um
processo que têm implicações importantes também no desenvolvimento enquanto sujeito histórico,
particularmente naquilo que se refere à construção de significados sobre o mundo que a cerca. Neste
momento da infância, acreditamos que esses elementos presentes na literatura apontada como arte, é
muito importantes, pois conforme Coelho13 “a literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é
arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os
sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/ impossível realização [...].” Além
da diversão, a leitura proporciona a criança o observar, refletir, ouvir, sensações que provocam medo,
alegria, construindo gradativamente o prazer de uma boa leitura e entendemos que a literatura tem
estímulos para essa construção.
Notamos que o livro tem esse “poder” de encantamento, quando utilizado como instrumento de
diversão e brincadeira, em que a leitura pode se tornar espaço para a aprendizagem da imaginação e de
reinvenção da realidade.
Assim, ao ouvir uma história a criança pode vivenciar um mundo imaginário viajando através das
histórias, participando ativamente em cada cena como se fosse um dos personagens do livro. Deste
modo, a literatura devido ao seu caráter de ludicidade e ficção, rico em textos que constituiu um mundo
de fantasia têm esse poder.
Visando principalmente o despertar para o gosto de ler por prazer e conhecimento, uma leitura que vai
além de uma função somente pedagógica, uma leitura de encantamento que tem como intuito o
envolvimento entre o livro e a criança. Fazendo com que essa interação torne-se significativa e possa
ampliar o seu conhecimento dos diversos aspectos da produção de uma obra de arte literária.
Como afirma Zilberman14 :
Supondo este processo um intercâmbio cognitivo entre e o texto e o leitor, verifica-se que está
implicado aí o fenômeno da leitura enquanto tal. Esta não representa a absorção de uma certa mensagem,
mas antes uma convivência particular com o mundo criado através do imaginário. A obra de arte literária
não se reduz a um determinado conteúdo reificado, mas depende da assimilaçãoindividual da realidade
que recria.
Desta forma, acreditamos que a infância é o melhor momento para iniciar o processo de estímulo a
leitura, motivando as crianças desde cedo a criar hábitos de ler por prazer, utilizando como caminho as
histórias infantis e principalmente os textos literários devido a sua riqueza de detalhes, que promovem o
entretenimento garantindo o interesse contínuo pela leitura. Sendo assim, o contato com o livro quanto
mais cedo melhor, pois esse fator pode contribuir para o domínio da leitura na fase da aprendizagem da
escrita.
Desse modo à criança vai interagindo com o livro, formando seus conceitos sobre o mundo com a
contribuição da literatura. Assim como relata Cunha “se o homem se constitui a proporção de conceitos,
a infância se caracteriza por ser o momento basilar e primordial dessa constituição e a literatura infantil
um instrumento relevante dele.”
Mas segundo Faria15 em seu livro “Como usar a literatura infantil em sala”, existem poucas iniciativas
de trabalho com a literatura infantil e também a falta de pesquisa de caráter didático para utilização da
literatura infantil em sala de aula, que muitas vezes é utilizada como uma mera abordagem pedagógica,
quando poderia ser um valioso recurso para o estímulo à leitura prazerosa. E os poucos professores que
se propõe a trabalhar com a literatura infantil são desvalorizados. Essa falta de preocupação com o
trabalho voltado a literatura infantil está presente até mesmo nos cursos de formação de professores,
raramente se encontra uma matéria que desenvolva recursos didáticos para utilização da literatura em
sala de aula. Por outro lado, essa ausência tem origens históricas que foi se constituindo ao longo da
história e o professor precisa fazer um resgate à literatura infantil. Desse modo, poderá ter outra postura
diante do trabalho com a literatura, que não seja essa apontada por Faria:
13 COELHO, Nelly Novaes. A literatura infantil! Abertura para a formação de uma nova mentalidade. In: ______ Literatura Infantil: teoria-análise-didática. São
Paulo: Moderna, 2000
14 ZILBERMAN, Regina. A literatura na escola. 8. ed. São Paulo: Global, 1987.
15 FARIA, Maria Alice. Como usar a literatura infantil na sala de aula. São Paulo: contexto: 2004. (Série coleção como usar na sala de aula).
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Esta postura, que considera a atividade menor o trabalho com a literatura para crianças e jovens em
geral (pesquisa, análise, avaliação, usos na escola), tanto no que diz respeito à literariedade desses livros
como à (des) importância de sua leitura na escola, tem origem em diferentes causas históricas.
Neste contexto, o livro para criança passou a existir somente no final do século 17, pois antes não
existia a chamada infância, adultos e crianças eram vistos como iguais16. Desta forma não se escrevia
para criança, segundo Zilberman17 em seu livro “A literatura Infantil na escola”, somente com a “nova
concepção de família, centrada não mais em amplas relações de parentesco, mas num núcleo unicelular,
preocupado em manter a privacidade”, a criança e seu mundo passam a ser percebido enquanto diferente
dos adultos, e consequentemente passa a existir uma literatura voltada para o público infantil, e a escola
por sua vez, se une à literatura para trabalhar com essa faixa etária.
A partir daí, o aspecto do desenvolvimento intelectual da criança passa a ser uma preocupação dos
adultos, assim como a manipulação de suas emoções, conforme relata Zilberman
A valorização da infância gerou maior união familiar, mas igualmente os meios de controle do
desenvolvimento intelectual da criança e a manipulação de suas emoções. Literatura infantil e escola,
inventadas a primeira e reformada a segunda, são convocadas para cumprir essa missão.
Essa tarefa é atribuída à escola, a qual trouxe algumas divergências que distorcem e desvalorizam o
trabalho com a literatura, como destaca Zilberman “a aproximação entre a instituição e o gênero literário
não é fortuita. Sintoma disto é que os primeiros textos para crianças são escritos por pedagogos e
professores, com marcante intuito educativo”. Neste contexto, a literatura foi utilizada para educar as
crianças com intuito de dominação, uma educação que transmitia os ideais burgueses sem a promoção
da reflexão em torno do contexto histórico a qual estavam inseridos; pois o adulto diante do contexto
histórico e ideológico da sociedade elaborou uma concepção de infância em que a criança era um ser
frágil, imaturo, que precisava ser educado de acordo com os ideais e conceitos da época.
Torna-se evidente assim que, a literatura era utilizada para “veiculação de conceitos comportamentais”
da época. Esse objetivo didático estava comprometido com a dominação da criança, não sendo a
literatura reconhecida como arte, tornando-se um fato negativo entre a literatura e a educação.
Esquecendo-se que a sala de aula é um espaço para a construção de bons leitores, que valorizam a
leitura pelo simples prazer de viajar pela história, e a literatura por sua vez, é um importante recurso para
essa formação. Assim como relata Zilberman.
De um lado, o vínculo de ordem prática prejudica a recepção das obras: o jovem não quer ser ensinado
por meio da arte literária; e a crítica desprestigia globalmente a produção destinada aos pequenos,
antecipando a intenção pedagógica, sem avaliar os casos específicos. De outro, a sala de aula é um
espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela leitura, assim como um importante setor de
intercâmbio da cultura literária, não podendo ser ignorada, muito menos desmedida sua utilidade.
Desta forma, muitas vezes, a literatura foi utilizada pelos pedagogos e professores, com intuito de
transmitir para criança o mundo de normas e valores da classe dominante, sem analisar que esta é uma
arte para ser utilizada como um importante recurso envolvendo o estímulo à leitura prazerosa, destacando
sempre o seu lado de ficção, possibilitando a criança fazer suas próprias interpretações do texto escrito
de forma divertida, com ludicidade. Através de uma boa história a criança tem a possibilidade de
compreender mundo a sua volta, assim como afirma Bettelheim18
Para que uma história realmente prenda a atenção da criança deve entretê-la e despertar sua
curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação: ajudá-la a desenvolver seu
intelecto e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações;
reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para problemas que a
perturbam.
Entretanto, para que a literatura torne-se um recurso para estimular o aluno a encontrar na leitura o
prazer, o livro deve ter como primordial intuito estimular a imaginação da criança. Portanto as histórias
devem ser ricas em imagens visuais que despertem sua atenção. Essa literatura envolve e incita no aluno
a fantasia, ela faz com que a criança seja transportada para outros mundos imaginários proporcionando
assim, uma experiência inesquecível em torno da leitura, criando toda uma expectativa em torno deste
hábito.
Desta forma, cabe ao professor analisar a extrema importância e valorização de livros que utilize a
literatura reconhecida como arte praticada de forma lúdica e prazerosa para criança, ou seja, uma
literatura que promova o gosto pela leitura de forma a trazer uma compreensão do mundo pela criança,
que por outro lado também venha suscitar no aluno a reflexão e compreensão da leitura escrita de forma
16 ZILBERMAN, Regina. A literatura na escola. 8. ed. São Paulo: Global, 1987.
17 Idem Zilmerman
18 BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Tradução de Arlene Caetano. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
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crítica, pois segundo Zilberman “isto significa por partedo professor, o reconhecimento de que a leitura é
uma atividade decisiva na vida dos alunos, na medida em que, como se viu, permite a eles um
discernimento do mundo e um posicionamento perante a realidade”.
Todavia, é necessário que o valor por excelência a guiar esta seleção se relacione à qualidade estética.
Porque a literatura infantil atinge seu estatuto de arte literária e se distancia de sua origem comprometida
com a pedagogia, quando apresenta textos de valor artístico a seus pequenos leitores. E não é porque
estes ainda não alcançaram o status de adultos que merecem uma produção literária menor.
Assim trabalhar com a literatura procede de uma atuação em que o professor utilize textos com
qualidade literária que deve ter como finalidade o conhecimento do mundo. Comprometendo-se com uma
literatura em que a arte literária promova o gosto pela leitura e ajude o aluno na compreensão da sua
realidade. Segundo Faria19 “sabemos que o texto literário oferece ao leitor a possibilidade de
“experimentar uma vivência simbólica” por meio da imaginação suscitada pelo texto escrito e/ou pelas
imagens”. Deste modo, através da vivência simbólica a criança pode avaliar o mundo e situar-se nele,
obtendo um conhecimento entre a ficção e a realidade e aos poucos aumenta e amplia o domínio da
leitura mediada pelo professor.
Desta forma, ao escrever uma pesquisa que vise o caráter do prazer de ler, propondo um estudo sobre
o incentivo à leitura na educação infantil, logo se tem a Literatura Infantil como importante recurso para
esse processo devido ao seu caráter lúdico, onde as crianças começam a aprender uma diversidade de
conhecimento sobre o universo da leitura através da sua imaginação.
Vemos que a criança elabora suas próprias hipóteses sobre um texto escrito, argumentando com suas
ideias e ponto de vista, aumentando seu vocabulário, mas também com a história, ela consegue expressar
seus sentimentos, através de representações em que a criança possa se identificar com algum
personagem da história.
Como se refere Bettelheim “devido esta identificação a criança imagina que sofre com o herói suas
provas e tribulações, e triunfa com ele quando sai vitoriosa. A criança faz tais identificações por conta
própria, e as lutas interiores e exteriores do herói imprimem moralidade sobre ela”.
Assim, acreditamos que a criança traz para sua realidade uma forma mais alegre de vivenciar a vida.
A literatura devido ao seu caráter de ficção, onde a fantasia está presente, prende a atenção da criança
que por sua vez, aprende sempre algo sobre a história.
Conforme Coelho (2000) “note-se, porém, que literatura infantil ocupa um lugar específico no âmbito
do gênero ficção, visto que ela se destina a um leitor em especial, a seres em formação, a seres que
estão passando pelo processo de aprendizagem inicial da vida”.
Entendemos que a criança pode trazer o conteúdo da fantasia de uma história para a construção de
uma relação de prazer com o livro, num processo permanente que não se limite a sala de aula. Sendo
que esta relação com a leitura seja representativa no sentido de ampliar o conhecimento da criança com
uma relação criada através do imaginário num processo cognitivo entre o texto lido e o leitor, pois como
relata Zilbermam:
[...] ao professor cabe denotar das múltiplas visões que cada criação literária sugere, enfatizando as
variadas interpretações pessoais, porque estas decorrem da compreensão que o leitor alcançou do objeto
artístico, em razão de sua percepção singular do universo representado.
Desta forma, compreendemos que a literatura infantil tem uma forma alegre de apresentar “o mundo
da leitura” para as crianças. Ela pode oferecer subsídios teóricos que contribuem para o incentivo à leitura
na educação infantil, para tanto, os professores tem que elaborar todo um trabalho, que irá oportunizar
ao seu aluno uma leitura prazerosa, respeitando a individualidade de cada um.
Ressaltamos que o educador deve reconhecer a importância de adequar o livro a idade da criança,
considerando assim as fases pertencentes à literatura. Partindo deste pressuposto, é preciso conhecer
as fases apontadas pela literatura, pois esse é um elemento que pode contribuir para o desenvolvimento
de um trabalho em que se respeite o limite de cada criança, experiências e ligações com o livro a ser
utilizado, assim a historia fará mais sentido para a criança e será agradável para se ouvir.
De acordo com Cunha 20:
Para literatura Infantil, têm sido consideradas três fases: a do mito, a do conhecimento da realidade e
a do pensamento racional. Parecenos fundamental alertar para relatividade dessas informações. Os
limites apresentados são teóricos. Na realidade, cada criança tem seu próprio limite, num
desenvolvimento peculiar definido por muitos e diferentes fatores. Mais do que conhecer as fases do
19 FARIA, Maria Alice. Como usar a literatura infantil na sala de aula. São Paulo: contexto: 2004. (Série coleção como usar na sala de aula).
20 CUNHA, Maria Antonieta Antunes. A narrativa para crianças. In: ______. Literatura infantil: teoria e prática. 12. ed. São Paulo: Ática. 1991.
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desenvolvimento infantil, importa conhecer a criança, sua história, suas experiências e ligações com o
livro.
Como foi dito acima, é preciso atentar aos pequenos detalhes que envolvem o trabalho com a literatura
infantil e a fase é um deles, considerada como um ponto de referência como aponta Cunha em seu livro
“A narrativa para crianças”. Mas acreditamos ser um aspecto pertinente à pesquisa para melhor
compreensão do trabalho com a literatura infantil, pois é através de se conhecer pequenos detalhes e
que vamos atingir o fim pretendido que é o incentivo à leitura prazerosa.
Enfim, destacamos a fase do mito devido ao seu caráter de fantasia, onde se encontram os mitos, as
lendas, fábulas, adequadas às idades das crianças de três a quatro anos, aspecto esse que acreditamos
ser importante para o trabalho na educação infantil como relata Cunha:
Na fase do mito se encontram as crianças 3/4 a 7/8 anos. Predomina nelas a fantasia, o animismo:
tanto quanto as pessoas, os objetos têm para a criança, alma reações. Não existe para ela diferença entre
realidade e fantasia, e a leitura a ser feita para criança desta época é a que também não faz distinção: a
literatura de maravilhas. Os contos de fadas, as lendas, os mitos e as fábulas são especialmente
adequados a essa idade.
Compreendemos que esta fase interessa especialmente a pesquisa, pois visa uma leitura voltada ao
público infantil de três a quatro anos, como também está ligada ao mundo da fantasia. A ludicidade está
presente de forma alegre, concisa, divertida.
Assim, os livros que tem a fantasia como foco principal irão envolver a criança renovando a cada leitura
seu prazer de ler, experiências essas necessárias para desenvolver o contato com o mundo da escrita, e
sua capacidade de comunicação. E também por outro lado, os contos de fada presente na literatura que
destacam a fantasia, enriquecem o mundo da criança, e permitem a ela aprender a resolver problemas
interiores e lidar com eles, mesmo que esses contos foram inventados antes deles nascerem como afirma
Bettelheim:
Na verdade, em um nível manifesto, os contos de fadas ensinam pouco sobre as condições específicas
da vida na moderna sociedade de massa; estes contos foram inventados muito antes que ela existisse.
Mas através deles pode-se aprender mais sobre os problemas interiores dos seres humanos, e sobre as
soluções corretas para seus predicamentos em qualquer sociedade, do que com qualquer outro tipo de
estória dentro da compreensão infantil.
Portanto é de extrema importância os professores saberem como utilizar a literatura em sala de aula
com intuito de promover segundo Maria Alice Faria em seu livro “Como usar a Literatura emsala de aula”
“um universo lúdico, com criatividade”. A autora em seu livro não tenciona reduzir a literatura infantil
apenas em uma abordagem pedagógica e sim capacitar os educadores para perceber toda riqueza de
detalhes típica dos livros para criança. Apontando elementos básicos e trabalhos práticos para o dia-dia,
utilizando da leitura de narrativas como “ferramentas literárias”, por outro lado à ilustração, como elemento
constituinte do livro em suas diferentes funções e articulação com o texto escrito.
Desta forma, Faria destaca a importância dos professores lerem para as crianças numa linguagem
didática e afetiva, utilizando preferencialmente o texto literário, pois o mesmo é considerado polissêmico,
apresentando um mundo de conhecimento para seu aluno, estabelecendo uma aprendizagem
significativa. Quando a leitura torna-se uma maneira divertida de conduzir uma aula, a brincadeira está
presente e quando a criança brinca, relaxa se solta, mistura o real ao imaginário. Aspecto esses que são
de extrema importância para valorização de uma leitura prazerosa.
Já o texto literário é polissêmico, pois sua leitura provoca no leitor reações diversas, que vão além do
prazer emocional ao intelectual. Além de simplesmente fornecer informações sobre diferentes temas
históricos, sociais, existenciais e éticos, por exemplo -, eles também oferecem vários outros tipos de
satisfação ao leitor: adquirir conhecimentos variados, viver situações existenciais, entrar em contato com
novas ideias etc.
Entretanto, para trabalhar a literatura infantil em sala de aula, é necessário saber narrar uma bela
história com dramatismo, em que a todo o momento apareçam fatos novos e interessantes, cheios de
peripécias e situações imprevistas, movimentando o espírito infantil (CUNHA, 1991). Para que desta
forma envolva a criança em momento mágico, em que a leitura proporcione momentos de prazer,
deixando a criança com vontade, desejo de ouvir a história novamente.
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Assim para envolver a criança com a história segundo Abramovich21 é preciso estar atento ao
aproveitamento do texto, criando todo um clima de envolvimento, e encantamento, respeitando pausas e
intervalos para que a criança consiga construir e visualizar o seu cenário imaginário. Evitar descrições
cansativas e cheias de detalhes, saber trabalhar a tonalidade da voz, sussurrando, levantado a voz,
valorizando a onomatopeias, para que o ouvinte vivencie e tome sua posição; começando a história
sempre com “senhas mágicas como era uma vez”, mantendo o ritmo sem ter pressa de acabar e terminar
a história de maneira especial, mostrando para a criança que tudo que ouviu está impresso num livro e
ela poderá ler quantas vezes quiser.
Cabe ao professor despertar emoções, estimulando a curiosidade a cada passo da história. Portanto
como afirma Faria:
O professor, para elaborar seu trabalho com a leitura de livros para as crianças, precisa ler primeiro
essas obras como leitor comum, deixando-se levar espontaneamente pelo texto, sem pensar ainda na
sua utilização em sala de aula. Em seguida, virá à leitura analítica, reflexiva, avaliativa.
Neste contexto, é fundamental escolher um livro bem acabado, bem feito que aguce os olhos das
crianças, com ilustrações interessantes. O educador aos poucos deve articular o texto escrito com o
visual, fazendo do momento da leitura a hora mais agradável possível, onde as crianças se sintam
hipnotizadas, provocadas a sentir emoções de forma intensa pela história.
Como afirma Abramovich: Ouvir histórias é viver um momento de gostosura, de prazer, de divertimento
dos melhores... É encantamento, maravilhamento, sedução... O livro da criança que ainda não lê é a
história contada. E ela é (ou pode ser) ampliadora de referenciais, poetura colocada, inquietude
provocada, emoção deflagrada, suspense a ser resolvido, torcida desenfreada, saudades sentidas,
lembranças ressuscitadas, caminhos novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as
mil maravilhas mais que uma boa história provoca... (desde que seja boa).
Pois quando escolhemos com critérios uma boa literatura infantil, temos a oportunidade de brincar
através da leitura, tornando o contato com o livro um momento de diversão escolhendo uma boa trama
deixando bem claro como a história acontece, com seu começo, meio e fim, respeitando a sequências
das cenas.
Os professores precisam contar a história com conhecimento, sem improvisações, pois o sucesso da
história está em narrá-la com simplicidade e autenticidade estimulante para o seu leitor mirim.
Assim como afirma Coelho:
Constada a importância da história como fonte de prazer para criança e a contribuição que oferece ao
seu desenvolvimento, não se pode correr o risco de improvisar. O sucesso da narrativa depende de vários
fatores que se interligam, sendo fundamental a elaboração de um plano, um roteiro, no sentido de
organizar o desempenho do narrador, garantindo-lhe segurança e assegurando-lhe naturalidade. O
roteiro possibilita transformar o improviso em técnica, fundir a teoria à prática. O primeiro passo consiste
em escolher o que contar.
Para tanto, é necessário utilizar da literatura de uma forma artística, permitindo que a criança divirta-
se enquanto vivencia a história, e que de alguma forma essa história quando bem selecionada ofereça
recursos para o ouvinte refletir sobre si mesmo, trazendo de alguma forma experiência para sua vida que
seja duradoura e importante, pois segundo Coelho “Aquilo que não divertir, emocionar ou interessar ao
pequeno leitor, não poderá também transmitir-lhe nenhuma experiência duradoura ou fecunda”.
Assim, sua relação com a leitura deve ser sempre prazerosa, promovendo momentos de intensa
experiência, enriquecendo sua aprendizagem de maneira significativa, porque a prática de leitura em sala
de aula não pode estar ausente, principalmente os contos de fada, pois conforme Bettelhim:
Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma, e favorece o
desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significados em tantos níveis diferentes, e enriquece a
existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de
contribuições que esses contos dão à vida da criança.
Devemos refletir sempre sobre a prática educativa, procurando enxergar as particularidades de cada
criança, sua relação com o mundo, pensando em uma proposta que vai além dos modelos estabelecidos
pela sociedade como prontos e acabados, e estruturar as ações em algo que aguce o aluno a ir além do
que lhe é proposto, isto é, com autonomia, criatividade, sabedoria, e construir sua aprendizagem de forma
significativa estabelecendo novos conceitos.
Sendo assim, nossas intervenções, interações, mediações com a leitura poderão ajudar na construção
do conhecimento e desenvolvimento da criança, oferecendo uma diversidade de possibilidades com a
leitura dedicada ao mundo infantil utilizando a literatura infantil, que além de promover a diversão,
21 ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997. (Série Pensamento e Ação no Magistério).
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expressão de emoções, entretenimento, permite também com a sua utilização adequada à construção de
bons leitores.
Acreditamos que os professores devem valorizar o trabalho com a literatura infantil como uma atividade
enriquecedora da criatividade, e autonomia de seus alunos, construídas através de leituras prazerosas
onde o professor se comprometa com práticas educativas que envolvam a leitura de forma lúdica
centrando seu trabalho na criança.
Cantinho da Leitura
O Cantinho de Leitura é um espaço, dentro da sala de aula, utilizado para, também, despertar nos
alunos a prática da leitura. Nele, os alunos terão, depronto, acesso às leituras diversas do conhecimento
humano. Com este privilégio, além dos livros já disponíveis na Biblioteca da Escola, os alunos poderão
aproveitar, a qualquer momento em que surgir a oportunidade, um bom momento de leitura.
Os cantinhos de leitura dispostos em sala de aula contribuem para um processo de desenvolvimento
e capacitação de leitores, desde os primeiros anos da escola. É através da leitura que se trabalha com o
lúdico das crianças, garantindo assim mais participação do aluno em sala de aula, fazendo com que a
criança aprenda a ter concentração e saiba o que está lendo.
A orientação passada por especialistas é que os professores criem espaço com tapetes, almofadas,
com contos de fadas, poesias, fábulas, romances. Recomenda-se variar esse espaço com cantinho do
gibi, cantinho do jornal e cantigas de roda.
Questões
01. (Prefeitura de Jacundá/PA - Técnico em Enfermagem - INAZ do Pará) Texto para a questão:
Você sabe o que está comendo?
A dica da vovó, o anúncio da televisão e até mesmo interesses políticos se misturam com pesquisas
sérias e confundem o consumidor, ávido por receitas para emagrecer e viver mais. Essa mistura de
interesses se transformou em um grande refogado de mitos.
Os enganos começam pela carne. E a principal vítima dos preconceitos é a de porco. Originalmente,
ela era gordurosa. Mas há tempos perdeu medidas. A seleção genética segue a tendência light do
mercado e dá preferência aos animais magros. Antes, a capa de gordura tinha em média 5,5 centímetros
- agora tem 1,5 centímetros. O bife de pernil tem hoje a metade da gordura saturada de um bife de filé
mignon com o mesmo tamanho. E praticamente metade do colesterol presente na mesma medida de uma
coxa de frango com pele.
Mas isso não significa que a gordura saturada deve ser demonizada e cortada da alimentação, pois é
ela que recobre e protege as células cerebrais. Ou seja, é importante. O corpo precisa dela assim como
precisa do colesterol. O problema são as quantidades.
É o excesso que tem feito até dos sucos de frutas uma ameaça à saúde. Mesmo sendo 100% naturais,
os sucos não devem ser consumidos à vontade, por serem calóricos. Sede se mata com água, que não
tem calorias. Lia Bock. Época, 25/07/2005. Adaptado.
A partir da leitura do texto infere-se que ele é:
(A) Descritivo, pois visa detalhar quais são os benefícios advindos pelo consumo da carne de porco.
(B) Narrativo, pois existem informações associadas aos personagens do reino animal.
(C) Informativo com o uso predominante da linguagem denotativa.
(D) Injuntivo, pois apresenta caráter ficcional baseado em fatos reais.
(E) Apelativo, porque tenta convencer o leitor.
02. (Prefeitura de Brusque/SC - Professor Séries - Anos Iniciais - FEPESE) A respeito da leitura e
escrita no espaço escolar, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN Língua Portuguesa
/Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: 1997), é correto afirmar:
1. Leitura e escrita são práticas complementares, fortemente relacionadas, que se modificam
mutuamente no processo de letramento - a escrita transforma a fala e a fala influência a escrita.
2. Leitura e escrita, além de serem práticas complementares, permitem ao aluno construir seu
conhecimento sobre os diferentes gêneros, sobre os procedimentos mais adequados para lê-los e
escrevê-los, e sobre as circunstâncias de uso da escrita.
3. A relação que se estabelece entre leitura e escrita, entre o papel de leitor e de escritor não é
mecânica: alguém que lê muito não é, automaticamente, alguém que escreve bem.
4. Leitura e escrita não são práticas complementares, elas são totalmente independentes uma da outra.
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5. O ensino da Língua Portuguesa deve ter como meta formar leitores que sejam também capazes de
produzir textos coerentes, coesos, adequados e ortograficamente escritos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
(A) É correta apenas a afirmativa 3.
(B) São corretas apenas as afirmativas 4 e 5.
(C) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
(D) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.
(E) São corretas apenas as afirmativas 1, 2, 3 e 5.
03. (Prefeitura de Brusque/SC - Professor Séries - Anos Iniciais - FEPESE) Letramento é palavra
e conceito recentes, introduzidos na linguagem da educação e das ciências linguísticas há pouco mais
de duas décadas. Seu surgimento pode ser interpretado como decorrência da necessidade de configurar
e nomear comportamentos e práticas sociais na área da:
(A) leitura e escrita.
(B) leitura e tradução.
(C) matemática e tecnologia.
(D) educação e política.
(E) ciência e didática.
04. (Prefeitura de Nilópolis - RJ - Professor - FUNCEFET/) Observe estes quadros.
A partir da leitura desse texto, pode-se inferir que:
(A) o autoritarismo e o desrespeito nas relações familiares asseguram a disciplina e a ordem social.
(B) a relação escola-família reflete a organização e os valores da sociedade em que a escola e a família
se inserem.
(C) o autoritarismo da família e a autoridade do professor jamais devem ser questionados
(D) a criança só adquire independência e segurança a partir das experiências na vida escolar
05. (AL/SP- Agente Técnico Legislativo Especializado - Pedagogia - FCC) A instituição de um
canto de leitura em uma sala de educação infantil é interessante por propiciar
(A) condições ideais de concentração para a leitura individual.
(B) apropriação da organização dos livros em bibliotecas.
(C) interação entre crianças com diferentes habilidades de leitura.
(D) prática da leitura corrente e em voz alta.
(E) primeiro contato com a escrita e seus registros.
06. (COTEC - Professor - Língua Portuguesa - Prefeitura de Japonvar/MG). “Entre as tendências
que definem a alfabetização, uma delas atribui a esse processo um significado muito amplo negando-lhe,
assim, sua especificidade, com reflexos indesejáveis na caracterização de sua natureza, na configuração
das habilidades básicas de leitura e escrita, na definição da competência de alfabetizar”. Com esta
afirmação, o autor quer defender o processo de alfabetização em seu sentido próprio, específico, qual
seja:
(A) desenvolvimento total da língua (oral e escrita).
(B) desenvolvimento e apropriação da leitura de mundo juntamente com o desenvolvimento da língua
escrita.
(C) aquisição da língua materna, num processo nunca terminado.
(D) processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e de escrita.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
22
Gabarito
01.C / 02.E / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D
Comentários
01. Resposta: C.
Nos textos informativos encontramos disposições textuais em prosa, com uma linguagem de forma
clara e direta, ou seja, denotativa, que visa transmitir informação sobre alguma coisa, retirando a
possiblidade de interpretações duplas.
Para melhor entendermos devemos pensar em um fio condutor, em que o redator (emissor) transmite
a informação para os receptores (leitores), de forma objetiva.
02. Resposta: E.
De acordo com o PCN Língua Portuguesa, apesar de apresentadas como dois sub-blocos, é
necessário que se compreenda que leitura e escrita são práticas complementares, fortemente
relacionadas, que se modificam mutuamente no processo de letramento. São práticas que permitem ao
aluno construir seu conhecimento sobre os diferentes gêneros, sobre os procedimentos mais adequados
para lê-los e escrevê-los e sobre as circunstâncias de uso da escrita.
A relação que se estabelece entre leitura e escrita, entre o papel de leitor e de escritor, no entanto, não
é mecânica: alguém que lê muito não é, automaticamente, alguém que escreve bem.
Pode-se dizer que existe uma grande possibilidade de que assim seja. É nesse contexto - considerando
que o ensino deveter como meta formar leitores que sejam também capazes de produzir textos coerentes,
coesos, adequados e ortograficamente escritos - que a relação entre essas duas atividades deve ser
compreendida. Assim, o único item que não corresponde ao texto acima é o item 4.
03. Resposta: A.
Pois, a escrita transforma a fala (a constituição da “fala letrada”) e a fala influencia a escrita (o
aparecimento de “traços da oralidade” nos textos escritos).
04. Resposta: B.
A escola se vê diante de vários problemas educacionais agregados à desordem, ao desrespeito às
regras de conduta e à falta de limites com seus alunos que considera como responsabilidade da família,
e esta nutre uma expectativa de que a escola forneça a criança alguns ensinamentos, muitas vezes
equivocada. Cada vez mais os alunos vêm para a escola com menos limites trabalhados pela família.
Muitos pais chegam mesmo a passar toda responsabilidade para a escola. Mediante suas remotas
experiências como estudantes e a desorganização da classe que os filhos relatam, os pais exigem da
escola uma postura autoritária. É preciso ajudá-los a compreender que existe uma outra alternativa, que
supera tanto o autoritarismo, quanto o espontaneísmo. Discutir e reconstruir esses contornos se mostra
necessário à reflexão sobre situações, por vezes, problemáticas, principalmente no que tange ao
conhecimento sobre o tipo de família que hoje a escola tem que lidar e como lidar.
05. Resposta: C.
O Cantinho de Leitura é um espaço, dentro da sala de aula, utilizado para, também, despertar nos
alunos a prática da leitura. Nele, os alunos terão, de pronto, acesso às leituras diversas do conhecimento
humano. Com este privilégio, além dos livros já disponíveis na Biblioteca da Escola, os alunos poderão
aproveitar, a qualquer momento em que surgir a oportunidade, um bom momento de leitura.
06. Resposta: D.
No processo de comunicação e expressão não basta ter o domínio do processo do ler e do escrever
(codificar e decodificar), mas também saber fazer uso dessas habilidades em práticas sociais em que são
necessárias. A aprendizagem da linguagem visual, oral, gestual, digital e escrita são elementos
importantes para o ser humano ampliar suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas
práticas sociais. Implícita nessa concepção está a ideia de que o domínio e o uso da língua escrita trazem
consequências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social
em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
23
ALFABETIZAÇÃO - LETRAMENTO
Alfabetização
O termo Alfabetização, segundo Soares22, etimologicamente, significa:
Levar à aquisição do alfabeto, ou seja, ensinar a ler e a escrever. Assim, a especificidade da
Alfabetização é a aquisição do código alfabético e ortográfico, através do desenvolvimento das
habilidades de leitura e de escrita.
Letramento
De acordo com Soares, a palavra letramento é de uso ainda recente e significa:
“Letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a
leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno.”
A escola não somente influencia a sociedade, mas também é por ela influenciada, ou seja, conjuntos
de possíveis causas que estão dentro e no entorno da escola, realmente, afetam o ensino e a
aprendizagem. Há algumas décadas, a principal causa que apontava para a baixa qualidade da
alfabetização era o ensino fundamentado na Pedagogia Tradicional.
(...só lembrando as características da Pedagogia Tradicional...: o papel da escola é o de promover
uma formação puramente moral e intelectual; os conteúdos de ensino são aqueles que foram ao longo
do tempo acumulados e, nesse momento, são passados como verdades absolutas, sem chance de
questionamentos ou levantamentos de dúvidas; a metodologia de ensino é a exposição verbal por parte
do professor; a relação professor-aluno é marcada pelo autoritarismo do primeiro em relação ao segundo;
os pressupostos da aprendizagem são fundamentados na receptividade dos conteúdos e na mecanização
de sua recepção.)
Atualmente, entre outros fatores que envolvem um bom ensino e aprendizagem, as principais causas
estão ligadas à perda da especificidade da alfabetização, devido à compreensão equivocada de novas
perspectivas teóricas e suas metodologias, que foram surgindo em contraposição ao tradicional, e a
grande abrangência que se tem dado ao termo alfabetização.
Concordando, com Magda Soares, em seu artigo Letramento e Alfabetização: as muitas facetas, a
expansão do significado de alfabetização em direção ao conceito de letramento, levou à perda de sua
especificidade. [...] no Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada no conceito de
alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempre proposta na produção acadêmica, a
uma inadequada e inconveniente fusão dos dois processos, com prevalência do conceito de letramento,
[...] o que tem conduzido a certo apagamento da alfabetização que, talvez com algum exagero, denomino
desinvenção da alfabetização.
Essa fusão dos dois processos, que leva à chamada “desinvenção da alfabetização”, aliada à
interpretação equivocada das novas perspectivas teóricas acarretou na prática a negação de qualquer
atividade que visasse à aquisição do sistema alfabético e ortográfico, como o ensino das relações entre
letras e sons, o desenvolvimento da consciência fonológica e o reconhecimento das partes menores das
palavras, como as sílabas, pois eram vistos como tradicionais. Passou-se a acreditar que o aluno
aprenderia o sistema simplesmente pelo contato com a cultura letrada, como se ele pudesse aprender
sozinho o código, sem ensino explícito e sistemático.
Atualmente, se reconhece a importância de se usar algumas práticas da escola tradicional, que são
entendidas como as facetas da alfabetização segundo Soares, assim como os equívocos de
compreensão do construtivismo foram percebidos e ajustados e muitos aspectos da escola nova tidos
22 SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Trabalho apresentado na 26° Reunião Anual da ANPED, Minas Gerais, 2003.
Alfabetização
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
24
como essenciais. Com tudo isso, não se pode negar uma prática ou outra, só por ela estar fundamentada
em uma ou em outra concepção, mas, sim, avaliar quais são as suas contribuições e se convêm serem
utilizadas para um processo de alfabetização significativa.
Dermeval Saviani23, apresenta que aspectos da escola tradicional são importantes para a educação.
Ainda argumenta que uma pedagogia comprometida com a qualidade educacional e voltada para a
transformação social, deve incorporar aspectos positivos e relevantes da pedagogia tradicional e da
pedagogia nova, de modo que o ponto de partida seja a prática social sincrética e o de chegada uma
prática social transformada.
Assim, se faz necessário resgatar a significação verdadeira da alfabetização e delinear corretamente
o conceito de letramento, de forma que eles não se fundam e nem se confundam, apesar de, como já foi
dito, necessitarem acontecer de maneira inter-relacionada. Com uma prática educativa que faça uma
aliança entre alfabetização e letramento, sem perder a especificidade de cada um dos processos, sempre
fazendo relação entre conteúdo e prática e que, fundamentalmente, tenha por objetivo a melhor formação
do aluno.
O letramento ganha espaço a partir da constatação de uma problemática na educação, pois através
de pesquisas, avaliações e análises realizadas, chegou- se à conclusão de que nem sempre o ato de ler
e escrever garante que o indivíduo compreenda o que lê e o que escreve. Entretanto, se reconhece que
muito mais que isso, é realizar uma leitura crítica da realidade, respondendo satisfatoriamenteas
demandas sociais.
Deve-se cuidar para não privilegiar um ou outro processo (alfabetização/letramento) e entender
que eles são processos diferentes, mas, indissociáveis e simultâneos.
Assim, como descreve Soares: entretanto, o que lamentavelmente parece estar ocorrendo atualmente
é que a percepção que se começa a ter, de que, se as crianças estão sendo, de certa forma, letradas na
escola, não estão sendo alfabetizadas, parece estar conduzindo à solução de um retorno à alfabetização
como processo autônomo, independente do letramento e anterior a ele.
Analisando dialeticamente a evolução humana, fica explícito que o homem antes mesmo de aprender
à escrita, apreende o mundo a sua volta e faz a leitura crítica desse imenso mundo material. Por isso, é
incorreto dizer que uma pessoa é iletrada, mesmo que ela ainda não seja alfabetizada, pois ela desde o
princípio da vida reflete sobre as coisas. O letramento está intimamente ligado às práticas sociais,
exigindo do indivíduo, uma visão do contexto social em que vive. Isso faz da alfabetização uma prática
centrada mais na individualidade de cada um e do letramento uma prática mais ampla e social.
Nesse sentido, destacamos o papel do professor dentro desse processo. Este profissional deve
acreditar e promover a construção de pensamento crítico em si próprio e em seus alunos. Assim, o
letramento se torna uma forma de entender a si e aos outros, desenvolvendo a capacidade de questionar
com fundamento e discernimento, intervindo no mundo e combatendo situações de opressão.
Pronto!! Agora que entendemos a diferença entre os dois processos... podemos chegar à qualidade,
conciliando ambos os procedimentos e produzindo uma prática reflexiva de aliança entre os dois
processos.
Partindo das reflexões de Brandão24, sobre a metodologia freiriana de se alfabetizar, é possível
compreender a importância da indissociabilidade e simultaneidade destes dois processos. Em seu
método de alfabetização, ele propõe que se parta daquilo que é concreto e real para o sujeito, tornando
a aprendizagem significativa, mas utilizando também os mecanismos de alfabetização.
Ele ainda coloca em sua obra Pedagogia da Autonomia, que o sujeito quanto mais amplia sua visão
de mundo, mais se liberta da opressão, ou seja, o sujeito letrado que já possui seus conhecimentos
prévios, com um determinado ponto de vista, quando alfabetizado, pode modificar seus pensamentos,
ampliando-os de forma que passa a refletir criticamente sobre a prática social. Freire acreditava ser
fundamental que as pessoas compreendam o seu lugar no mundo e sua função social nele.
O professor, portanto, tem um papel muito importante a realizar, para que esse pensamento crítico se
desenvolva em seus alunos. Para Freire...
“[...] percebe-se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza
de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar
certo.”
23 SAVIANI, D. Escola e Democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 40ªed. Campinas: Autores Associados,
2008.
24 BRANDÃO, C.R. O que é o método Paulo Freire. São Paulo: Brasiliense, 2004.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
25
É fundamental que o educador esclarecido de uma realidade de opressão, não torne o processo de
ensino bancário e improdutivo, mas uma educação que desvende o mundo material e liberte as pessoas
da opressão, como defende Freire. Para isso, as práticas de alfabetização e letramento são necessárias,
cada uma com suas especificidades, como explicita Tfouni25:
“Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos,
o letramento focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.”
Logo, o letramento vai além do ler e escrever, ele tem sua função social, enquanto a alfabetização
encarrega-se em preparar o indivíduo para a leitura e um desenvolvimento maior do letramento do sujeito.
Nessa perspectiva, alfabetização e letramento se completam e enriquecem o desenvolvimento do aluno.
Alfabetizar letrando é uma prática necessária nos dias atuais, para que se possa atingir a educação
de qualidade e produzir um ensino, em que os educandos não sejam apenas uma caixa de depósito de
conhecimentos, mas que venham a ser seres pensantes e transformadores da sociedade.
O papel do educador na formação de indivíduos alfabetizados e letrados
Numa sociedade letrada, o objetivo do ensino deve ser o de aprimorar a competência e melhorar o
desempenho linguístico do estudante, tendo em vista a integração e a mobilidade sociais dos indivíduos,
além de colocar o ensino numa perspectiva produtiva.
O ensino da leitura e da escrita deve ser entendido como prática de um sujeito agindo sobre o mundo
para transformá-lo e, para, através da sua ação, afirmar a sua liberdade e fugir à alienação.
É através da prática que desenvolvemos nossa capacidade linguística. Conhecer diferentes tipos de
textos não é, pois, decorar regras gramaticais e listas de palavras.
No rap Estudo Errado, Gabriel, o Pensador, diz com propriedade: “Decorei, copiei, memorizei, mas
não entendi. Decoreba: este é o método de ensino. Eles me tratam como ameba e assim eu não
raciocino”.
É lamentável que, no Brasil, a escola, lugar fundamental para a pessoa desenvolver sua capacidade
de linguagem, continue limitando-se, na maioria das vezes, a um ensino mecânico. Na perspectiva do
letramento, a leitura e a escrita são vistas como práticas sociais.
Vargas26 apresenta uma distinção entre ledores e leitores muito importante quando se fala de
alfabetização e de letramento. Segundo a autora,
[...] A estrutura educacional brasileira tem formado mais ledores que leitores. Qual é a diferença entre
uns e outros se os dois são decodificadores de discursos? A diferença está na qualidade da decodificação,
no modo de sentir e de perceber o que está escrito. O leitor, diferentemente do ledor, compreende o texto
na sua relação dialética com o contexto, na sua relação de interação com a forma. O leitor adquire através
da observação mais detida, da compreensão mais eficaz, uma percepção mais crítica do que é lido, isto
é, chega à política do texto. A compreensão social da leitura dá-se na medida dessa percepção. Pois
bem, na medida em que ajudo meu leitor, meu aluno, a perceber que a leitura é fonte de conhecimento e
de domínio do real, ajudo-o a perceber o prazer que existe na decodificação aprofundada do texto.
O objetivo de se ensinar a ler e escrever deve estar centrado em propiciar ao estudante a aquisição
da língua portuguesa, de maneira que ele possa exprimir-se corretamente, aconselhado pelo professor
por meio de estímulos à leitura de variados textos, nos quais serão verificadas as diferentes variações
linguísticas, tornando um poliglota em sua língua, para que, ao dominar o maior número de variantes, ele
possa ser capaz de interferir socialmente nas diversas situações a que for submetido.
A educação, sendo uma prática social, não pode restringir-se a ser puramente livresca, teórica, sem
compromisso com a realidade local e com o mundo em que vivemos. Educar é também, um ato político.
É preciso resgatar o verdadeiro sentido da educação. De acordo com Freire27,
(...) o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo, é expressão da forma de estar
sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não
apenas sabem mas sabem que sabem.
25 TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização. São Paulo, Cortez,1995.
26 VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. 4ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
27 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-4726
Assim, quando os alunos são o sujeito da própria aprendizagem, “seres fazedores, transformadores”,
no dizer de Paulo Freire, tomam consciência de que sabem e podem transformar o já feito, construído.
Deixam a passividade e a alienação para se constituírem como seres políticos. Como afirma Freire28,
“O diálogo é fundamental em qualquer prática social. O diálogo consiste no respeito aos educandos,
não somente enquanto indivíduos, mas também enquanto expressões de uma prática social. (...) A grande
tarefa do sujeito que pensa certo não é transferir, depositar, oferecer, doar ao outro, tomado como
paciente de seu pensar a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos. A tarefa coerente do
educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desafiar o
educando com quem se comunica e a quem comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo
comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde
na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico.”
O aluno não pode ser um simples objeto nas mãos do professor. É o que Freire chama de “educação
bancária”, isto é, o educando, ao receber passivamente os conhecimentos, torna-se um depósito do
educador. “Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para sua produção ou a
sua construção”.
Cabe ao professor mostrar aos alunos uma pluralidade de discurso. Trabalhar com diferentes textos
possibilita ao professor fazer uma abordagem mais consciente das variadas formas de uso da língua.
Assim, o professor pode transformar a sua sala de aula num espaço de descobertas e construção de
conhecimentos.
A tarefa de selecionar materiais de leitura para os alunos é uma das tarefas mais difíceis. Nessa
escolha, são postas em jogo as diferentes concepções que tem cada professor sobre a aprendizagem,
os processos de leitura, a compreensão, as funções dos textos e o universo do discurso. Além disso,
coloca-se em jogo a representação que tem cada docente não só do desenvolvimento cognitivo e sócio
afetivo dos sujeitos a quem são dirigidos os materiais, mas também dos interesses de leitura de tais
destinatários. Assim, também intervém como variável significativa o valor que o docente atribui aos
materiais enquanto recursos didáticos.
Trabalhar com gêneros textuais variados nos permite entender que a escolha de um gênero leva em
conta os objetivos visados, o lugar social e os papéis dos participantes. Daí decorre a detecção do que é
adequado ou inadequado em cada uma das práticas sociais.
Diante disso, na medida em que o educador tomar consciência de sua posição política, articulando
conteúdos significativos a uma prática também significativa, desvinculando-se da função tradicional de
mero transmissor de conteúdos e, consequentemente, de mero repetidor de exercícios do livro didático
estará transformando o ensino da leitura e da escrita. Um educador como mediador, partindo da
observação da realidade para, em seguida, propor respostas diante dela estará contribuindo para a
formação de pessoas críticas e participativas na sociedade.
Assim, uma prática significativa depende do interesse do professor em planejar as suas aulas com
coerência, visando a construção de conhecimentos com os alunos.
É importante destacar que letrar não é apenas função de professor de Língua Portuguesa. Em todas
as áreas de conhecimento, em todas as disciplinas, os alunos aprendem através de práticas de leitura e
de escrita: em História, em Geografia, em Ciências, mesmo em Matemática, enfim, em todas as
disciplinas, os alunos aprendem lendo, interpretando e escrevendo.
Letrar é função de todos os professores, mesmo porque, em cada área de conhecimento, a escrita e
a leitura têm peculiaridades, que só os professores que nela atuam é que conhecem e dominam.
O educador reeducando-se e transformando-se, deixará de vez "suas tarefas e as funções da
educação sob a ótica das elites econômicas, culturais e políticas das classes dominantes", em direção a
uma prática libertadora. Assim, o ensino deixará de ser um martírio, para se tornar num processo de
construção permanente de conhecimentos. O educador deve estimular no aluno o pensamento crítico, de
modo que ele possa atuar na sociedade como um indivíduo pensante, questionador.
Enfim, nos dias atuais, o conhecimento é uma das "ferramentas" para se conquistar oportunidades de
trabalho e renda. Assim, aos professores, cabe a responsabilidade de fazer com que seus alunos se
interessem pela leitura e pela escrita.
28 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
27
Questões
01. (Prefeitura de Palhoça/SC) No que diz respeito ao conceito de letramento, marque V para as
afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) Nos últimos anos, um conceito que vem ganhando espaço e nova dimensão no mundo da escrita
é o letramento. Ele é um termo que nomeia o conhecimento do sistema alfabético ortográfico e um dos
princípios que norteiam essa perspectiva é que para que os alunos leiam e escrevam com autonomia é
necessário que eles desenvolvam muitas atividades de escrita, utilizando principalmente o livro didático
e o caderno de caligrafia.
( ) Letramento é um termo relativamente recente, visto que surgiu há cerca de 30 anos, e nomeia o
conjunto de práticas sociais de uso da escrita em diversos contextos socioculturais.
( ) O conceito de letramento surgiu para dar conta da complexidade de eventos que lidam com a
escrita. Mais amplo que o conceito restrito de alfabetização, a noção de letramento inclui não só o domínio
das convenções da escrita, mas também o impacto social que dele advém.
( ) Um dos princípios que norteiam a perspectiva do letramento é que a aquisição da escrita não se
dá desvinculada das práticas sociais em que se inscreve: ninguém lê ou escreve no vazio, sem propósitos
comunicativos, sem interlocutores, descolado de uma situação de interação; as pessoas escrevem, leem
e interagem por meio da escrita, guiadas por propósitos interacionais, desejando alcançar algum objetivo,
inseridas em situações de comunicação.
A sequência correta é:
(A) V, V, V, F.
(B) F, V, F, V.
(C) F, V, V, V.
(D) F, F, F, F.
02. (EMSERH) “Para aprender a ler e escrever, a criança precisa construir um conhecimento de
natureza conceitual.” (BRASIL, 2001, vol. 3, p. 122).
Com base na citação significa defender a alfabetização como:
I. Função da maturação biológica.
II. Desenvolvimento de capacidades relacionadas à percepção, memorização e treino de um conjunto
de habilidades sensório-mecânicas.
III. Um processo de construção de conhecimento pelas crianças por meio de práticas que têm como
ponto de partida e de chegada o uso da linguagem e a participação nas diversas práticas sociais e de
escrita.
IV. Aquisição de um código de transcrição da fala.
Está(ão) correto(s) apenas o(s) itens(s):
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) IV.
(E) I e IV.
03. (SEDUC/RO) Dadas as afirmações abaixo:
I. Em meados da década de 1980, surgiu no Brasil um novo conceito: letramento - a palavra letramento
está ligada ao termo literacy, usado nos Estados Unidos e na Inglaterra no mesmo período.
II. O conceito letramento busca situar os aspectos técnicos da aquisição da escrita, pois compreende
que esta ocorre através de uma consciência fonológica de correspondência entre sons e palavras.
III. Alfabetizar e letrar são dois processos metodológicos diferentes, mas que devem ser considerados
indissociáveis e simultâneos.
IV. Alfabetizar e letrar são sinônimos, ambos responsáveis pela aquisição do sistema da escrita e pelo
desenvolvimento das práticas sociais de leitura e escrita.
Estão corretas apenas as afirmações:
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) II e III.
(D) I e IV.
(E) II e IV.
Apostilagerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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04. (Prefeitura de Brusque/SC) Letramento é palavra e conceito recentes, introduzidos na linguagem
da educação e das ciências linguísticas há pouco mais de duas décadas. Seu surgimento pode ser
interpretado como decorrência da necessidade de configurar e nomear comportamentos e práticas sociais
na área da:
(A) Leitura e escrita.
(B) Leitura e tradução.
(C) Matemática e tecnologia.
(D) Educação e política.
(E) Ciência e didática.
Gabarito
01.C / 02.C / 03.B / 04.A
Comentários
01. Resposta: C
O termo letramento pode ser considerado bastante atual no campo da educação brasileira. Conforme
Soares29, esse termo parece ter sido usado pela primeira vez no país no ano de 1986 por Mary Kato, no
livro “No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística”.
A busca por uma definição única para o termo letramento parece ser algo difícil, uma vez que se trata
de um conceito amplo e complexo. Conforme Soares, as “[...] dificuldades e impossibilidades devem-se
ao fato de que o letramento cobre uma vasta gama de conhecimentos, habilidades, capacidades, valores,
usos e funções sociais; o conceito de letramento envolve, portanto, sutilezas e complexidades difíceis de
serem contempladas em uma única definição”.
Letramento seria, portanto, causa e consequência do desenvolvimento. Assim, o significado atribuído
pela autora ao termo letramento extrapola a escola e o processo de alfabetização, referindo-se a
processos sociais mais amplos. “O letramento [...] focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição da
escrita. [...] tem por objetivo investigar não somente quem é alfabetizado, mas também quem não é
alfabetizado, e, nesse sentido, desliga-se de verificar o individual e centraliza-se no social mais amplo
(Mortatti30)”.
02. Resposta: C
A alfabetização não é o desenvolvimento de capacidades relacionadas à percepção, memorização e
treino de um conjunto de habilidades sensório-motoras, mas sim um processo no qual as crianças
precisam resolver problemas de natureza lógica até chegarem a compreender de que forma a escrita
alfabética em português representa a linguagem. Com isso, as crianças certamente aprenderão a
escrever e a ler por si mesmas. Nessa perspectiva, a aprendizagem da linguagem escrita é concebida
como: - A compreensão de um sistema de representação e não somente como a aquisição de um código
de transcrição da fala; - Um aprendizado que coloca diversas questões de ordem conceitual, e não
somente perceptivo-motoras, para a criança; - Um processo de construção de conhecimento pelas
crianças por meio de práticas que têm como ponto de partida e de chegada o uso da linguagem e a
participação nas diversas práticas sociais de escrita.
03. Resposta: B
O surgimento do termo literacy (cujo significado é o mesmo de alfabetismo), nessa época, representou,
certamente, uma mudança histórica nas práticas sociais: novas demandas sociais pelo uso da leitura e
da escrita exigiram uma nova palavra para designá-las. Ou seja: uma nova realidade social trouxe a
necessidade de uma nova palavra (Soares31). No entanto, é preciso compreender que alfabetização e
letramento são práticas distintas, porém, indissociáveis, interdependentes e simultâneas. No entanto, a
falta de compreensão destes termos gera grande confusão em seu uso teórico e prático, levando à perda
da especificidade destas.
29 SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 124 p.
30 MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Educação e Letramento. São Paulo: UNESP, 2004. 136 p.
31 SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 6 ed. São Paulo: Contexto, 2011. 123 p.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
29
04. Resposta: A
Segundo Tfouni32: “Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou
grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição de um sistema escrito
por uma sociedade.”
Dessa forma, é viável entendermos que o letramento vai além do ler e escrever, ele tem sua função
social, enquanto a alfabetização encarrega-se em preparar o indivíduo para a leitura e um
desenvolvimento maior do letramento do sujeito. Nessa perspectiva, alfabetização e letramento se
completam e enriquecem o desenvolvimento do aluno.
AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM
A avaliação33, tal como concebida e vivenciada na maioria das escolas brasileiras, tem se constituído
no principal mecanismo de sustentação da lógica de organização do trabalho escolar e, portanto,
legitimador do fracasso, ocupando mesmo o papel central nas relações que estabelecem entre si os
profissionais da educação, alunos e pais.
Os métodos de avaliação ocupam, sem dúvida espaço relevante no conjunto das práticas pedagógicas
aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem. Avaliar, neste contexto, não se resume à mecânica do
conceito formal e estatístico; não é simplesmente atribuir notas, obrigatórias à decisão de avanço ou
retenção em determinadas disciplinas.
Para Oliveira34, devem representar as avaliações aqueles instrumentos imprescindíveis à verificação
do aprendizado efetivamente realizado pelo aluno, ao mesmo tempo que forneçam subsídios ao trabalho
docente, direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de forma a
contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequado à disciplina -
mas não somente -, à medida que consideram, igualmente, o contexto sócio-político no qual o grupo está
inserido e as condições individuais do aluno, sempre que possível.
A avaliação da aprendizagem possibilita a tomada de decisão e a melhoria da qualidade de ensino,
informando as ações em desenvolvimento e a necessidade de regulações constantes.
Origem da Avaliação
Avaliar vem do latim a + valere, que significa atribuir valor e mérito ao objeto em estudo. Portanto,
avaliar é atribuir um juízo de valor sobre a propriedade de um processo para a aferição da qualidade do
seu resultado, porém, a compreensão do processo de avaliação do processo ensino/aprendizagem tem
sido pautada pela lógica da mensuração, isto é, associa-se o ato de avaliar ao de “medir” os
conhecimentos adquiridos pelos alunos.
A avaliação da aprendizagem tem seus princípios e características no campo da Psicologia, sendo que
as duas primeiras décadas do século XX foram marcadas pelo desenvolvimento de testes padronizados
para medir as habilidades e aptidões dos alunos.
A avaliação é uma operação descritiva e informativa nos meios que emprega, formativa na
intenção que lhe preside e independente face à classificação. De âmbito mais vasto e conteúdo mais rico,
a avaliação constitui uma operação indispensável em qualquer sistema escolar.
Havendo sempre, no processo de ensino/aprendizagem, um caminho a seguir entre um ponto de
partida e um ponto de chegada, naturalmente que é necessário verificar se o trajeto está a decorrer em
direção à meta, se alguns pararam por não saber o caminho ou por terem enveredado por um desvio
errado.
É essa informação, sobre o progresso de grupos e de cada um dos seus membros, que a avaliação
tenta recolher e que é necessária a professores e alunos.
A avaliação descreve que conhecimentos, atitudes ou aptidões que os alunos adquiriram, ou seja, que
objetivos do ensino já atingiram num determinado ponto de percurso e que dificuldades estão a revelar
relativamente a outros.
32 TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e Alfabetização. 9 ed. São Paulo: Cortez, 2010. 103 p.
33 KRAEMER, M. E. P.- A avaliação da aprendizagem como processo construtivo de um novo fazer. 2005.
34 OLIVEIRA, I. B. Currículos praticados: entre a regulação e a emancipação. Rio de Janeiro: DP & A, 2003.
Avaliação do/no processo de alfabetização
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Esta informação é necessária ao professorpara procurar meios e estratégias que possam ajudar os
alunos a resolver essas dificuldades e é necessária aos alunos para se aperceberem delas (não podem
os alunos identificar claramente as suas próprias dificuldades num campo que desconhecem) e tentarem
ultrapassá-las com a ajuda do professor e com o próprio esforço. Por isso, a avaliação tem uma intenção
formativa.
A avaliação proporciona também o apoio a um processo a decorrer, contribuindo para a obtenção de
produtos ou resultados de aprendizagem.
As avaliações a que o professor procede enquadram-se em três grandes tipos: avaliação
diagnostica, formativa e somativa.
Evolução da Avaliação
A partir do início do século XX, a avaliação vem atravessando pelo menos quatro gerações, conforme
Guba e Lincoln35 são elas: mensuração, descritiva, julgamento e negociação.
1. Mensuração: não distinguia avaliação e medida. Nessa fase, era preocupação dos estudiosos a
elaboração de instrumentos ou testes para verificação do rendimento escolar. O papel do avaliador era,
então, eminentemente técnico e, neste sentido, testes e exames eram indispensáveis na classificação de
alunos para se determinar seu progresso.
2. Descritiva: essa geração surgiu em busca de melhor entendimento do objetivo da avaliação.
Conforme os estudiosos, a geração anterior só oferecia informações sobre o aluno.
Precisavam ser obtidos dados em função dos objetivos por parte dos alunos envolvidos nos programas
escolares, sendo necessário descrever o que seria sucesso ou dificuldade com relação aos objetivos
estabelecidos. Neste sentido o avaliador estava muito mais concentrado em descrever padrões e critérios.
Foi nessa fase que surgiu o termo “avaliação educacional”.
3. Julgamento: a terceira geração questionava os testes padronizados e o reducionismo da noção
simplista de avaliação como sinônimo de medida; tinha como preocupação maior o julgamento.
Neste sentido, o avaliador assumiria o papel de juiz, incorporando, contudo, o que se havia preservado
de fundamental das gerações anteriores, em termos de mensuração e descrição.
Assim, o julgamento passou a ser elemento crucial do processo avaliativo, pois não só importava medir
e descrever, era preciso julgar sobre o conjunto de todas as dimensões do objeto, inclusive sobre os
próprios objetivos.
4. Negociação: nesta geração, a avaliação é um processo interativo, negociado, que se fundamenta
num paradigma construtivista. Para Guba e Lincoln é uma forma responsiva de enfocar e um modo
construtivista de fazer.
A avaliação é responsiva porque, diferentemente das alternativas anteriores que partem inicialmente
de variáveis, objetivos, tipos de decisão e outros, ela se situa e desenvolve a partir de preocupações,
proposições ou controvérsias em relação ao objetivo da avaliação, seja ele um programa, projeto, curso
ou outro foco de atenção. Ela é construtivista em substituição ao modelo científico, que tem caracterizado,
de um modo geral, as avaliações mais prestigiadas neste século.
Neste sentido, Souza diz que a finalidade da avaliação, de acordo com a quarta geração, é fornecer,
sobre o processo pedagógico, informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre as
intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo, definido
coletivamente, e comprometido com a garantia da aprendizagem do aluno. Converte-se, então, em um
instrumento referencial e de apoio às definições de natureza pedagógica, administrativa e estrutural, que
se concretiza por meio de relações partilhadas e cooperativas.
Funções do Processo Avaliativo
As funções da avaliação são: de diagnóstico, de verificação e de apreciação.
1. Função diagnóstica: a primeira abordagem, de acordo com Miras e Solé36, contemplada pela
avaliação diagnóstica (ou inicial), é a que proporciona informações acerca das capacidades do aluno
35 FIRME, Tereza Penna. Avaliação: tendências e tendenciosidades. Avaliação v Políticas Públicas Educacionais, Rio de Janeiro,1994.
36 MIRAS, M., SOLÉ, I. A Evolução da Aprendizagem e a Evolução do Processo de Ensino e Aprendizagem in COLL, C., PALACIOS, J., MARCHESI, A.
Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
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antes de iniciar um processo de ensino/aprendizagem, ou ainda, segundo Bloom, Hastings e Madaus,
busca a determinação da presença ou ausência de habilidades e pré-requisitos, bem como a identificação
das causas de repetidas dificuldades na aprendizagem.
A avaliação diagnóstica pretende averiguar a posição do aluno face a novas aprendizagens que lhe
vão ser propostas e a aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no sentido de obviar as
dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações presentes.
2. Função formativa: a segunda função á a avaliação formativa que, conforme Haydt, permite
constatar se os alunos estão, de fato, atingindo os objetivos pretendidos, verificando a compatibilidade
entre tais objetivos e os resultados efetivamente alcançados durante o desenvolvimento das atividades
propostas.
Representa o principal meio através do qual o estudante passa a conhecer seus erros e acertos, assim,
maior estímulo para um estudo sistemático dos conteúdos.
Outro aspecto é o da orientação fornecida por este tipo de avaliação, tanto ao estudo do aluno como
ao trabalho do professor, principalmente através de mecanismos de feedback.
Estes mecanismos permitem que o professor detecte e identifique deficiências na forma de ensinar,
possibilitando reformulações no seu trabalho didático, visando aperfeiçoa-lo.
Para Bloom, Hastings e Madaus, a avaliação formativa visa informar o professor e o aluno sobre o
rendimento da aprendizagem no decorrer das atividades escolares e a localização das deficiências na
organização do ensino para possibilitar correção e recuperação.
A avaliação formativa pretende determinar a posição do aluno ao longo de uma unidade de ensino, no
sentido de identificar dificuldades e de lhes dar solução.
3. Função somativa: tem como objetivo, segundo Miras e Solé determinar o grau de domínio do aluno
em uma área de aprendizagem, o que permite outorgar uma qualificação que, por sua vez, pode ser
utilizada como um sinal de credibilidade da aprendizagem realizada.
Pode ser chamada também de função creditativa. Também tem o propósito de classificar os alunos ao
final de um período de aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento.
A avaliação somativa pretende ajuizar do progresso realizado pelo aluno no final de uma
unidade de aprendizagem, no sentido de aferir resultados já colhidos por avaliações do tipo
formativa e obter indicadores que permitem aperfeiçoar o processo de ensino. Corresponde a um
balanço final, a uma visão de conjunto relativamente a um todo sobre o qual, até aí, só haviam
sido feitos juízos parcelares.
Objetivos da Avaliação
Na visão de Miras e Solé, os objetivos da avaliação são traçados em torno de duas possibilidades:
emissão de “um juízo sobre uma pessoa, um fenômeno, uma situação ou um objeto, em função de
distintos critérios”, e “obtenção de informações úteis para tomar alguma decisão”.
Para Nérici, a avaliação é uma etapa de um procedimento maior que incluiria uma verificação prévia.
A avaliação, para este autor, é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que
o educando revelou ter aprendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo
ensino/aprendizagem.
Para outros autores, a avaliação pode ser considerada como um método de adquirir e processar
evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem, incluindo uma grande variedade de
evidências que vão além do exame usual de ‘papel e lápis’.
É ainda um auxílio para classificar os objetivos significativos e as metas educacionais, um processo
para determinarem que medida os alunos estão se desenvolvendo dos modos desejados, um sistema
de controle da qualidade, pelo qual pode ser determinada etapa por etapa do processo
ensino/aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso negativo, que mudança devem ser
feitas para garantir sua efetividade.
Modelo Tradicional de Avaliação X Modelo Mais Adequado
Gadotti diz que a avaliação é essencial à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como
problematização, questionamento, reflexão, sobre a ação.
Entende-se que a avaliação não pode morrer, ela se faz necessária para que possamos refletir,
questionar e transformar nossas ações.
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O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica, sendo que seus fantasmas ainda se
apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. Acreditar em um processo
avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o
ensino/aprendizagem.
A forma como se avalia, segundo Luckesi, é crucial para a concretização do projeto educacional. É ela
que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. O autor, na tabela 1, traça uma
comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma mais adequada a objetivos
contemporâneos, relacionando-as com as implicações de sua adoção.
Tabela 1 - Comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma mais adequada
Modelo tradicional de avaliação Modelo adequado
Foco na promoção - o alvo dos alunos é a
promoção. Nas primeiras aulas, se discutem as
regras e os modos pelos quais as notas serão
obtidas para a promoção de uma série para outra.
Implicação - as notas vão sendo observadas e
registradas. Não importa como elas foram obtidas,
nem por qual processo o aluno passou.
Foco na aprendizagem - o alvo do aluno deve ser
a aprendizagem e o que de proveitoso e prazeroso
dela obtém.
Implicação - neste contexto, a avaliação deve ser
um auxílio para se saber quais objetivos foram
atingidos, quais ainda faltam e quais as
interferências do professor que podem ajudar o
aluno.
Foco nas provas - são utilizadas como objeto de
pressão psicológica, sob pretexto de serem um
'elemento motivador da aprendizagem', seguindo
ainda a sugestão de Comenius em sua Didática
Magna criada no século XVII. É comum ver
professores utilizando ameaças como "Estudem!
Caso contrário, vocês poderão se dar mal no dia da
prova!" ou "Fiquem quietos! Prestem atenção! O dia
da prova vem aí e vocês verão o que vai
acontecer..."
Implicação - as provas são utilizadas como um
fator negativo de motivação. Os alunos estudam
pela ameaça da prova, não pelo que a
aprendizagem pode lhes trazer de proveitoso e
prazeroso. Estimula o desenvolvimento da
submissão e de hábitos de comportamento físico
tenso (estresse).
Foco nas competências - o desenvolvimento das
competências previstas no projeto educacional
devem ser a meta em comum dos professores.
Implicação - a avaliação deixa de ser somente um
objeto de certificação da consecução de objetivos,
mas também se torna necessária como instrumento
de diagnóstico e acompanhamento do processo de
aprendizagem. Neste ponto, modelos que indicam
passos para a progressão na aprendizagem, como
a Taxionomia dos Objetivos Educacionais de
Benjamin Bloom, auxiliam muito a prática da
avaliação e a orientação dos alunos.
Os estabelecimentos de ensino estão
centrados nos resultados das provas e exames
- eles se preocupam com as notas que demonstram
o quadro global dos alunos, para a promoção ou
reprovação.
Implicação - o processo educativo permanece
oculto. A leitura das médias tende a ser ingênua
(não se buscam os reais motivos para
discrepâncias em determinadas disciplinas).
Estabelecimentos de ensino centrados na
qualidade - os estabelecimentos de ensino devem
preocupar-se com o presente e o futuro do aluno,
especialmente com relação à sua inclusão social
(percepção do mundo, criatividade,
empregabilidade, interação, posicionamento,
criticidade).
Implicação - o foco da escola passa a ser o
resultado de seu ensino para o aluno e não mais a
média do aluno na escola.
O sistema social se contenta com as notas - as
notas são suficientes para os quadros estatísticos.
Resultados dentro da normalidade são bem vistos,
não importando a qualidade e os parâmetros para
sua obtenção (salvo nos casos de exames como o
ENEM que, de certa forma, avaliam e "certificam"
os diferentes grupos de práticas educacionais e
estabelecimentos de ensino).
Sistema social preocupado com o futuro - Já
alertava o ex-ministro da Educação, Cristóvam
Buarque: "Para saber como será um país daqui há
20 anos, é preciso olhar como está sua escola
pública no presente". Esse é um sinal de que a
sociedade já começa a se preocupar com o
distanciamento educacional do Brasil com o dos
demais países. É esse o caminho para revertermos
o quadro de uma educação "domesticadora" para
"humanizadora".
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Implicação - não há garantia sobre a qualidade,
somente os resultados interessam, mas estes são
relativos. Sistemas educacionais que rompem com
esse tipo de procedimento tornam-se incompatíveis
com os demais, são marginalizados e, por isso,
automaticamente pressionados a agir da forma
tradicional.
Implicação - valorização da educação de
resultados efetivos para o indivíduo.
Mudando de paradigma, cria-se uma nova cultura avaliativa, implicando na participação de todos os
envolvidos no processo educativo. Isto é corroborado por Benvenutti, ao dizer que a avaliação deve estar
comprometida com a escola e esta deverá contribuir no processo de construção do caráter, da
consciência e da cidadania, passando pela produção do conhecimento, fazendo com que o aluno
compreenda o mundo em que vive, para usufruir dele, mas sobretudo que esteja preparado para
transformá-lo.
A Avaliação da Aprendizagem como Processo Construtivo de um Novo Fazer
O processo de conquista do conhecimento pelo aluno ainda não está refletido na avaliação. Para
Wachowicz & Romanowski, embora historicamente a questão tenha evoluído muito, pois trabalha a
realidade, a prática mais comum na maioria das instituições de ensino ainda é um registro em forma de
nota, procedimento este que não tem as condições necessárias para revelar o processo de aprendizagem,
tratando-se apenas de uma contabilização dos resultados.
Quando se registra, em forma de nota, o resultado obtido pelo aluno, fragmenta-se o processo de
avaliação e introduz-se uma burocratização que leva à perda do sentido do processo e da dinâmica da
aprendizagem.
Se a avaliação tem sido reconhecida como uma função diretiva, ou seja, tem a capacidade de
estabelecer a direção do processo de aprendizagem, oriunda esta capacidade de sua característica
pragmática, a fragmentação e a burocratização acima mencionadas levam à perda da dinamicidade do
processo.
Os dados registrados são formais e não representam a realidade da aprendizagem, embora
apresentem consequências importantes para a vida pessoal dos alunos, para a organização da instituição
escolar e para a profissionalização do professor.
Uma descrição da avaliação e da aprendizagem poderia revelar todos os fatos que aconteceram na
sala de aula. Se fosse instituída, a descrição (e não a prescrição) seria uma fonte de dados da realidade,
desde que não houvesse uma vinculação prescrita com os resultados.
A isenção advinda da necessidade de analisar a aprendizagem (e não julgá-la) levaria o professor e
os alunos a constatarem o que realmente ocorreu durante o processo: se o professor e os alunos tivessem
espaço para revelar os fatos tais como eles realmente ocorreram, a avaliação seria real, principalmente
discutida coletivamente.
No entanto, a prática das instituições não encontrouuma forma de agir que tornasse possível essa
isenção: as prescrições suplantam as descrições e os pré-julgamentos impedem as observações.
A consequência mais grave é que essa arrogância não permite o aperfeiçoamento do processo de
ensino e aprendizagem. E este é o grande dilema da avaliação da aprendizagem.
O entendimento da avaliação, como sendo a medida dos ganhos da aprendizagem pelo aluno, vem
sofrendo denúncias há décadas, desde que as teorias da educação escolar recolocaram a questão no
âmbito da cognição.
Pretende-se uma mudança da avaliação de resultados para uma avaliação de processo, indicando a
possibilidade de realizar-se na prática pela descrição e não pela prescrição da aprendizagem.
Avaliação da Aprendizagem37
A noção de aprendizagem está, em sua origem, associada a ideia de apreensão de conhecimento e,
nesse sentido, só pode ser compreendida em função de determinada concepção de conhecimento - algo
que a filosofia compreende como base ou matriz epistemológica. A partir de tais concepções, podem ser
focalizadas três possibilidades de definição de aprendizagem:
“Aprendizagem é mudança de comportamento resultante do treino ou da experiência”
37 http://crv.educacao.mg.gov.br/
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34
Esta seria a definição mais impregnada e dominante no campo psicológico e pedagógico e,
certamente, a mais resistente às proposições alternativas. Funda-se na concepção empirista formulada
por Locke e Hume. Realimenta-se do positivismo de Comte, com seus ideais de objetividade científica,
ao final do século XIX e se encarna como corrente behaviorista, comportamentista ou de estímulo-
resposta, no início do século XX. Valoriza o polo do objeto e não o do sujeito, marcando a influência do
meio ou do ambiente através de estímulos, sensações e associações. Reserva ao sujeito o papel de
receptáculo e reprodutor de informações, através de modelagens comportamentais progressivamente
reforçadas e dele expropria funções mais elaboradas que tenham relação com motivações e
significações. Neste modelo, aprendizagem e ensino têm o mesmo estatuto ou identidade, pois a primeira
é considerada decorrência linear do segundo (em outros termos: se algo foi ensinado, dentro de
contingências ambientais adequadas, certamente foi apreendido...). Na perspectiva pedagógica, essa
concepção encontra plena afinidade com práticas mecanicistas, tecnicistas e bancárias - metáfora
utilizada por Paulo Freire, para traduzir a ideia de passividade do sujeito, depositário de informações,
conforme a lógica do acúmulo, a serviço da seleção e da classificação.
“Aprendizagem é apreensão de configurações perceptuais através de insights”.
Esta seria a concepção que se opõe à anterior, polarizando em torno das condições do sujeito e não
mais do objeto ou meio. Funda-se em uma base filosófica de natureza racionalista ou apriorista, que
percebe o conhecimento como resultante de estruturas pré-formadas, de variáveis biológicas ou
maturacionais e de organização perceptual de situações imediatas. A escola psicológica alemã conhecida
como Gestalt, responsável no início do século XX, por estudos na vertente da percepção, constitui umas
das expressões mais fortes dessa posição, tendo deixado um legado mais associado ao estudo da “boa
forma” ou das condições capazes de propiciar soluções de problemas por discernimento súbito (insight),
em função de relações estabelecidas na totalidade da situação. Neste modelo, a aprendizagem prevalece
sobre o ensino, em seu estatuto de autossuficiência e autorregulação, reducionismo que permanece
recusando a relação ensino-aprendizagem e se fixando em apenas um de seus polos.
“Aprendizagem é organização de conhecimentos como estruturas, ou rede construídas a
partir das interações entre sujeito e meio de conhecimento ou práticas sociais”
Esta seria uma concepção de base construtivista ou interacionista, comprometida com a superação
dos reducionismos anteriores (experiência advinda dos objetos X pré-formação de estruturas) e
identificada com modelos mais abertos, fundados nas ideias de gênese ou processo.
Por esta razão, suas principais vertentes podem ser identificadas como “psicogenéticas” e são
representadas pela Epistemologia Genética Piagetiana e pela abordagem sócio-histórica dos psicólogos
soviéticos (Vygotsky, Luria e Leontierv, em especial).
Dois destaques merecem ser feitos em relação a essas duas vertentes:
1- Na perspectiva piagetiana, aprendizagem se identifica com adaptação ou equilibração à
medida que supõe a “passagem de um estado de menor conhecimento a um estado de
conhecimento mais avançado” ou “uma construção sucessiva com elaborações constantes de
estruturas novas, rumo a equilibrações majorantes”38
(O motor para tais processos de adaptação e equilibração seria o conflito cognitivo diante de novos
desafios ou necessidades de aprendizagem, em esforços complementares de assimilação (polo do sujeito
responsável por incorporações de elementos do mundo exterior) e acomodação (polo modificado do
estado anterior do sujeito em função das atuais demandas apresentadas pelo objeto de conhecimento).
Essa posição sugere a importância de que o meio de aprendizagem seja alargado e pleno de significado,
para que se chegue a uma congruência entre a parte do sujeito e as pressões externas, entre
autorregulações e regulações externas, entre sistemas pertinentes ao aluno e ao professor. Assim, a não-
aprendizagem seria resultante da ausência de congruência entre os sistemas envolvidos nos processos
de ensino-aprendizagem.
2- Na perspectiva sócio-histórica de Vygotsky e seus colaboradores, destaca-se, no contexto
dessa discussão, a articulação fortemente estabelecida entre aprendizagem e desenvolvimento,
sendo a primeiro motor do segundo, no sentido que apresenta potência para projeta-lo até
patamares mais avançados. Esta potência da aprendizagem se ancora nas relações entre ”zona
38 PIAGET, J. A Evolução Intelectual da Adolescência à Vida Adulta. Trad. Fernando Becker; Tania B.I. Marques, Porto Alegre: Faculdade de Educação, 1993.
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de desenvolvimento real” e “zona de desenvolvimento proximal”: a primeira referindo-se às
competências ou domínios já instalados (no campo conceitual, procedimental ou atitudinal, por
exemplo) e a segunda entendida como campo aberto de possibilidades, em transição ou em vias
de se consolidar, a partir de intervenções ou mediações de outros - professores ou pares mais
experientes ou competentes em determinada área, tarefa ou função.39
Nesse sentido, este teórico redimensiona a relação ensino-aprendizagem, superando as dicotomias e
fragmentação de outras concepções e valoriza o aprendizado escolar como meio privilegiado para as
mediações em direito a patamares conceituais mais elevados.
Além disso, a perspectiva dialética dessa abordagem insere a aprendizagem em uma dimensão mais
próxima de nossa realidade educacional: um processo marcado por contradições, conflitos, rupturas e,
até mesmo, regressões - necessitando, por isso mesmo, de mediações que assegurem o espaço do
reconhecimento das práticas sociais dos alunos, de seus conhecimentos prévios, dos significados e
sentidos pertinentes às situações de aprendizagem de cada sujeito singular e de suas dimensões
compartilhadas.
As abordagens contemporâneas da Psicologia da Aprendizagem e dos estudos sobre reorientações
curriculares apoiam-se nessas categorias para a necessária reorientação das estratégias de
aprendizagem.
Um enfoque superficial: centrado em estratégias mnemônicas ou de memorização (reprodutoras em
contingências de provas ou exames) ou centrado em passividade, isolamento, ausência de reflexão sobre
propósitos ou estratégias; maior foco na fragmentação e no acúmulo de elementos;
Um enfoque profundo: centrado na intenção de compreender, na relaçãodas novas ideias e conceitos
com o conhecimento anterior, na relação dos conceitos como experiência cotidiana, nos componentes
significativos dos conteúdos, nas inter-relações e nas condições de transcendência em relação às
situações e aprendizagens do momento.
As questões mais relevantes, a partir dessas distinções seriam: Por que um aluno se dirige para um
outro tipo de aprendizagem? O que faz com que mostre maior ou menor disposição para a realização de
aprendizagens significativas? Por que não aprende em determinadas circunstâncias? Por que alunos
modificam seu enfoque em função da tarefa ou da mudança de estratégias dos professores? Quais os
fatores de mediação capazes de produzir novos patamares motivacionais e novas zonas de
aprendizagem e competência?
Tais questões sinalizam para um projeto educativo comprometido com novas práticas e relações
pedagógicas, uma lógica a serviço das aprendizagens e da Avaliação Formativa, uma concepção
construtiva e propositiva sobre erros e correção dos mesmos, uma articulação entre dimensões cognitivas
e sócio afetivas que ressignifiquem o ato de aprender.
Definindo os Tipos de Avaliação
- Avaliação Classificatória
Avaliação Classificatória é uma perspectiva de avaliação vinculada à noção de medida, ou seja, à ideia
de que é possível aferir, matemática, e objetivamente, as aprendizagens escolares. A noção de medida
supõe a existência de padrões de rendimento a partir dos quais, mediante comparação, o desempenho
de um aluno será avaliado e hierarquizado. A Avaliação Classificatória é realizada através de variadas
atividades, tais como exercícios, questionários, estudos dirigidos, trabalhos, provas, testes, entre outros.
Sua intenção é estabelecer uma classificação do aluno para fins de aprovação ou reprovação.
A centralidade da aprovação/reprovação na cultura escolar impõe algumas considerações importantes
em torno da nota e da ideia de avaliação como medida dos desempenhos do aluno. Para se medir
objetivamente um fenômeno, é preciso definir uma unidade de medida. Sua operacionalização se dá
através de um instrumento. No caso da avaliação escolar, este instrumento é produzido, aplicado e
corrigido pelo professor, que acaba sendo, ele próprio, um instrumento de medição do desempenho do
aluno, uma vez que é ele quem atribui o valor ao trabalho. Portanto, o critério de objetividade, implícito na
ideia de avaliação como medida, perde sua confiabilidade, já que o professor é um ser humano e, como
tal, impossibilitado de despir-se de sua dimensão subjetiva: a visão de mundo, as preferências pessoais,
o estado de humor, as paixões, os afetos e desafetos, os valores, etc., estão necessariamente presentes
nas ações humanas. Esta questão é objeto de estudo de inúmeras pesquisas que apontam desacordos
consideráveis na atribuição de valor a um mesmo trabalho ou exame corrigido por diferentes professores.
E esse valor, geralmente registrado de forma numérica, é a referência para a classificação do aluno e o
julgamento do professor ou da escola quanto à sua aprovação/reprovação.
39 VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes,1984.
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36
No contexto escolar, e no imaginário social também, o significado da nota e sua identificação com a
própria avaliação tornaram-se tão fortes que num dos argumentos para a sua manutenção costuma ser
o de que, sem ela, acabou-se a avaliação e o interesse ou a motivação do aluno pelos estudos. Estes
argumentos refletem, por um lado, a distorção da função avaliativa na escola, que não deve confundir-se
com a atribuição de notas: a avaliação deve servir à orientação das aprendizagens. Por outro lado,
revelam uma compreensão do desempenho do aluno como decorrente exclusivamente de sua
responsabilidade ou competência individual. Daí o fato da avaliação assumir, frequentemente, o sentido
de premiação ou punição. Essa questão torna-se mais grave na medida que os privilégios são justificados
com base nas diferenças e desigualdades entre os alunos. Fundamentada na meritocracia (a ideia de
que a posição dos indivíduos na sociedade é consequência do mérito individual), a Avaliação
Classificatória passa a servir à discriminação e à injustiça social.
Na Avaliação Classificatória trabalha-se com a ideia de verificação da aprendizagem. O termo verificar
tem origem na expressão latina verum facere, que significa verdadeiro. Parte-se do princípio de que existe
um conhecimento - uma verdade - que dever ser assimilado pelo aluno. A avaliação consistiria na aferição
do grau de aproximação entre as aprendizagens do aluno e essa verdade.
Estabelece-se uma escala formulada a partir de critérios de qualidade de desempenho, tendo como
referência o conteúdo do programa. É a partir dessa escala que os alunos serão classificados, tendo em
vista seu rendimento nos instrumentos de avaliação, ou seja, o total de pontos adquiridos. De um modo
geral, as provas e os testes são os instrumentos mais utilizados pelo professor para medir o alcance dos
objetivos traçados para aprendizagem dos alunos. A sua formulação exige rigor técnico e deve estar de
acordo com os conteúdos desenvolvidos e os objetivos que se quer avaliar. A dimensão diagnóstica não
está ausente dessa perspectiva de avaliação.
- Avaliação de Conteúdos sobre a Dimensão Conceitual
A dimensão conceitual do conhecimento implica que a pessoa esteja estabelecendo relações entre
fatos para compreendê-los. Os fatos e dados, segundo COLL, estão num extremo de um contínuo de
aprendizagem e a retenção da informação simples, a aprendizagem de natureza mnemônica ou
“memorística”. São informações curtas sobre os fenômenos da vida, da natureza, da sociedade, que dão
uma primeira informação objetiva sobre o que é, quem fez, quando fez, o que foi. Os conceitos estão no
outro extremo (desse contínuo da aprendizagem) e envolvem a compreensão e o estabelecimento de
relações. Traduzem um entendimento do porquê daquele fenômeno ser assim como é.
As crianças, para aprenderem fatos, apenas os memorizam. Esquecem mais rápido. Para aprenderem
conceitos precisam estabelecer conexões mais complexas, de aprendizagem significativa, identificada
por autores como os citados acima. Quando elas constroem os conceitos, os fatos vão tomando outras
dimensões, informando o conceito. É como se os fatos começassem a ser ordenados, atribuindo sentido
ao que se tenta entender.
Como a escola teve, durante muito tempo, a predominância da concepção empirista de ensino como
transmissão, a memorização era o referencial mais comum para a avaliação. Nesse sentido, os
instrumentos e momentos de avaliação traziam a característica de um espaço em que as pessoas
tentavam recuperar um dado de sua memória. Um meio e realizar essa atividade por evocação (pergunta
direta, com resposta certa ou errada) ou por reconhecimento, quando lhe oferecemos pistas e
apresentamos alternativas para as respostas. Uma hipótese a ser levantada é a de que a avaliação foi,
durante muito tempo, entendida com a recuperação dos fatos nas memórias. Essa redução do
entendimento do que é avaliar vem sendo superada nas reflexões sobre a tipologia dos conteúdos,
principalmente ao se diferenciar a aprendizagem e a avaliação de conceitos. A construção conceitual
demanda compreensão e estabelecimento de relações, sendo, portanto, mais complexa para ser
avaliada.
Ao decidir a legitimidade de um instrumento de avaliação, cada escola e cada professor precisam
analisar seu alcance. Pedir ao aluno que defina um significado (técnica muito comum nas escolas), nem
sempre proporciona boa medida para avaliação, é uma técnica com desvantagens, pois pode induzir a
falsos erros e falsos acertos. É uma técnica que exige um critério de correção muito minucioso. Ele ainda
propõe que, se a opção for por usar essa técnica, que se valide mais o que o aluno expuser com as
próprias palavras do que uma reproduçãoliteral. Se usarmos a técnica de múltipla escolha, o
reconhecimento da definição, corre-se o risco de se cair na armadilha da mera reprodução de uma
definição previamente estabelecida e mesmo de um conhecimento fragmentário, o que coloca esse tipo
de instrumento e questão na condição de insuficiente para conhecer a aprendizagem de conceitos. Outra
possibilidade é a da exposição temática na qual o aluno debate sobre um tema incluindo comparações,
estabelecendo relações.
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É preciso cuidado do professor para analisar se o aluno não está procurando reproduzir termos e ideias
de autores e sim usando sua compreensão e sua linguagem. Evidencia-se, com isso, a necessidade de
se trabalhar com questões abertas. Outra técnica, - a identificação e categorização de exemplos - por
evocação (aberta) ou reconhecimento (fechada), possibilita ao professor conhecer como o aluno está
entendendo aquele conceito. Na técnica de reconhecimento o aluno deverá trabalhar, em questão
fechada, com a categorização. Pode ser incluída, portanto, num instrumento como a prova objetiva.
Outra possibilidade para avaliar a aprendizagem de conceitos seria a técnica de aplicação à solução
de problemas, deveriam ser situações abertas, nas quais os alunos fariam exposição da compreensão
que têm do conceito, tentando responder à situação apresentada. Nesse caso, o instrumento mais
adequado seria uma prova operatória, é importante, no caso da avaliação de conceitos, resgatar sempre
os conhecimentos prévios dos alunos, para analisar o que estiver sendo aprendido. Isso implica legitimar
a avaliação inicial, o momento inicial da aprendizagem. A avaliação de aprendizagem de conceitos remete
o professor, portanto, a instituir também a observação como uma técnica de levantamento de dados sobre
a aprendizagem dos alunos, ampliando as informações sobre o que o aluno está sabendo para além dos
momentos formais de avaliação, como momentos de provas ou outros instrumentos de verificação.
- Dimensão Procedimental
A dimensão procedimental do conhecimento implica no saber fazer. Ex.: uma pesquisa tem uma
dimensão procedimental. O aluno precisa saber observar, saber ler, saber registrar, saber procurar dados
em várias fontes, saber analisar e concluir a partir dos dados levantados. Nesse caso, são procedimentos
que precisam ser desenvolvidos. Muitas vezes o aluno está com uma dificuldade procedimental e não
conceitual e, dependendo do instrumento usado, o professor não identifica essa dificuldade para então
ajudá-lo a superá-la, por isso é importante diferenciar essas dimensões. Outros exemplos de dimensões
procedimentais do conhecimento: saber fazer um gráfico, um cartaz, uma tabela, escrever um texto
dissertativo, narrativo. Vale a pena, nesse caso, que o professor acompanhe de perto essa aprendizagem.
O melhor instrumento para isso é a observação sistemática - um conjunto de ações que permitem ao
professor conhecer até que ponto seus alunos estão sabendo: dialogar, debater, trabalhar em equipe,
fazer uma pesquisa bibliográfica, orientar-se no espaço, dentre outras. Devem ser atividades abertas,
feitas em aula, para o professor perceber como o aluno transfere o conteúdo para a prática.
- Dimensão Atitudinal
A dimensão atitudinal do conhecimento é aquela que indicará os valores em construção. É mais difícil
de ser trabalhada porque não se desliga da formação mais ampla em outros espaços da sociedade, sendo
complexa por seus componentes cognitivos (conhecimentos e crenças), afetivos (sentimentos e
preferências) e condutais (ações e declaração de intenção). Manifesta-se mais através do comportamento
referenciado em crenças e normas. Por isso, precisa ser amplamente entendida à luz dos valores que a
escola considera formadores. A aquisição de valores é alcançada através do desenvolvimento de atitudes
de acordo com esse sistema de valores. Depende de uma autopersuasão que está sempre permeada por
crenças que sustentam a visão que as pessoas têm delas mesmas e do mundo. E delas mesmas em
relação ao mundo. As atitudes e valores envolvem também as normas.
Valores são princípios ou ideias éticas que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e
seu sentido. Ex.: a solidariedade, a responsabilidade, a liberdade, o respeito aos outros. Atitudes são
tendências relativamente estáveis das pessoas para atuarem de certas maneiras: cooperar com o grupo,
respeitar o meio ambiente, participar das tarefas escolares, respeitar datas, prazos, horários, combinados.
Normas são padrões ou regras de comportamentos que as pessoas devem seguir em determinadas
situações sociais. Portanto, são desenvolvidas nas interações, nas relações, nos debates, nos trabalhos
em grupos, o que indica uma natureza do planejamento das atividades de sala de aula.
Os melhores instrumentos para se avaliar a aprendizagem de atitudes são a observação e
autoavaliação.
Para uma avaliação completa (envolvendo fatos, conceitos, procedimentos e atitudes), deve-se
formalizar sempre o momento da avaliação inicial. Ela é um início de diagnóstico que ajudará aos
professores e alunos conhecerem o processo de aprendizagem. O professor deve diversificar os
instrumentos para cobrir toda a tipologia dos conhecimentos: provas, trabalhos e observação, para avaliar
fatos e conceitos, observação para concluir na avaliação da construção conceitual; observação para
avaliar a aprendizagem de procedimentos e atitudes; autoavaliação para avaliar atitudes e conceitos.
Além disso, deve-se validar o momento de avaliação inicial em todo o processo de aprendizagem,
usando a prática de datar o que está sendo registrado e propiciando ao próprio aluno refletir sobre o que
ele já sabe acerca de um conteúdo novo quando se começa a estudar seriamente sobre ele.
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Sugestões de avaliação inicial / campo atitudinal
Essa sugestão não substitui a avaliação inicial de cada conteúdo que é introduzido, pois, é a partir dela
que se pode fazer uma avaliação do que realmente pode ser considerado aprendido.
Como são os alunos individualmente em grupos?
Que grupos sociais representam?
Como se comportam e se vestem?
O que apreciam?
Quais seus interesses?
O que valorizam?
O que fazem quando não estão na escola?
Como suas famílias vivem?
O que suas famílias e vizinhos fazem e o que comemoram?
Como se organiza o espaço que compartilham fora da escola?
Como falam, expressam seus sentimentos, seus valores, sua adesão/rejeição às normas, suas
atitudes?
Feito isso, planeja-se como trabalhar as atitudes importantes para a formação dos alunos na
adolescência. Para mudança de atitudes é que são feitos os projetos.
- Valores são princípios ou ideias éticas que permitem às pessoas emitir juízo sobre as condutas e seu
sentido. Ex.: a solidariedade, a responsabilidade, a liberdade, o respeito aos outros...
- Atitudes são tendências relativamente estáveis das pessoas para atuarem de certas maneiras:
cooperar com o grupo, respeitar o meio ambiente, participar das tarefas escolares, respeitar datas, prazos,
horários, combinados...
- Normas são padrões ou regras de comportamentos que a pessoas devem seguir em determinadas
situações sociais.
Depois de realizada a avaliação inicial, os professores terão dados para dar continuidade ao trabalho
com a Avaliação Formativa: a serviço das aprendizagens.
Fatos ou dados devem ser “aprendidos” de forma reprodutiva: não é necessário compreendê-los. Ex.:
capitais de um estado ou país, data de acontecimentos, tabela de símbolos químicos. Correspondem a
uma informação verbal literal como vocabulários, nomes ou informação numérica que não envolvem
cálculos, apenas memorização. Para isso se usa a repetição, buscando mesmo a automatização da
informação.
Esse processo de repetição não se adequa à construção conceitual. Um aluno aprende,atribui
significado, adquire um conceito, quando o explica com suas próprias palavras. É comum o aluno dizer
que sabe, mas não sabe explicar. Nesse caso, eles estão num início de processo de compreensão do
conceito. Precisam trabalhar mais a situação, o que vai ajudá-los a entender melhor, até saberem explicar
com as suas palavras. Esse processo de construção conceitual não é estanque, ele está em permanente
movimento entre o conceito espontâneo, construído nas representações sociais e o conceito científico.
Princípios são conceitos muito gerais, de alto nível de abstração, subjacentes, à organização
conceitual de uma área, nem sempre explícitos. Atravessam todos os conteúdos das matérias, devendo
ser o objetivo maior da aprendizagem na educação básica. Eles orientam a compreensão de noções
básicas. Assim, por exemplo, se a compreensão de conceitos como sociedade e cultura são princípios
das áreas de humanas, eles devem referenciar o trabalho nos conceitos específicos. Dentro de um
conceito como o de sociedade, outros específicos como o de migração, democracia, crescimento
populacional, estariam subjacentes. Portanto, ao definir o que referenciará o trabalho do professor, será
muito importante uma revisão conceitual por área de conhecimento e por disciplina. Será preciso
esclarecer as características dos fatos e dos conceitos como objetos de conhecimento.
- Avaliação Formativa
Essa perspectiva de avaliação fundamenta-se em várias teorias que postulam o caráter diferenciado
e singular dos processos de formação humana, que é constituída por dimensões de natureza diversa -
afetiva, emocional, cultural, social, simbólica, cognitiva, ética, estética, entre outras. A aprendizagem é
uma atividade que se insere no processo global de formação humana, envolvendo o
desenvolvimento, a socialização, a construção da identidade e da subjetividade.
Aprendizagem e formação humana são processos de natureza social e cultural. É nas interações que
estabelece com seu meio que o ser humano vai se apropriando dos sistemas simbólicos, das práticas
sociais e culturais de seu grupo. Esses processos têm uma base orgânica, mas se efetivam na vida social
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e cultural, e é através deles que o ser humano elabora formas de conceber e de se relacionar com o
mundo físico e social. Esses estudos sobre a formação humana e a aprendizagem trazem implicações
profundas para a educação e destacam a importância do papel do professor como mediador do processo
de construção de conhecimento dos alunos. Sua ação pedagógica deve estar voltada para a
compreensão dos processos sociocognitivos dos alunos e a busca de uma articulação entre os diversos
fatores que constituem esses processos - o desenvolvimento psíquico do aluno, suas experiências
sociais, suas vivências culturais, sua história de vida - e as intenções educativas que pretende levar a
cabo. Nesse contexto, a avaliação constitui-se numa prática que permite ao professor aproximar-se dos
processos de aprendizagem do aluno, compreender como esse aluno está elaborando seu conhecimento.
Não importa, aqui, registrar os fracassos ou os sucessos através de notas ou conceitos, mas entender o
significado do desempenho: como o aluno compreendeu o problema apresentado? Que tipo de
elaboração fez para chegar a determinada resposta? Que dificuldades encontrou? Como tentou resolvê-
las?
Na Avaliação Formativa, o desempenho do aluno deve ser tomado como uma evidência ou uma
dificuldade de aprendizagem. E cabe ao professor interpretar o significado desse desempenho. Nessa
perspectiva, a avaliação coloca-se a serviço das aprendizagens, da forma dos alunos. Trata-se, portanto,
de uma avaliação que tem como finalidade não o controle, mas a compreensão e a regulação dos
processos dos educandos, tendo em vista auxiliá-los na sua trajetória escolar. Isso significa entender que
a avaliação, indo além da constatação, irá subsidiar o trabalho do professor, apontando as necessidades
de continuidade, de avanços ou de mudanças no seu planejamento e no desenvolvimento das ações
educativas. Caracterizando-se como uma prática voltada para o acompanhamento dos processos dos
alunos, este tipo de avaliação não comporta registros de natureza quantitativa (notas ou mesmo
conceitos), já que estes são insuficientes para revelar tais processos. Tampouco pode-se pensar, a partir
desta concepção, na manutenção da aprovação/reprovação. Isso porque este tipo de avaliação não tem
como objetivo classificar ou selecionar os alunos, mas interpretar e compreender os seus processos, e
promover ações que os ajudem a avançar no seu desenvolvimento, nas suas aprendizagens. Sendo
assim, a avaliação a serviço das aprendizagens desmistifica a ideia de seleção que está implícita na
discussão sobre aprovação automática. É uma avaliação que procura administrar, de forma contínua, a
progressão dos alunos. Trata-se, portanto, de Progressão Continuada.
A Avaliação Formativa é um trabalho contínuo de regulação da ação pedagógica. Sua função é permitir
ao professor identificar os progressos e as dificuldades dos alunos para dar continuidade ao processo,
fazendo as mediações necessárias para que as aprendizagens aconteçam. Inicialmente, é fundamental
conhecer a situação do aluno, o que ele sabe e o que ele ainda não sabe, tendo em vistas as intenções
educativas definidas. A partir dessa avaliação inicial, organiza-se o planejamento do trabalho, de forma
suficientemente flexível para incorporar, ao longo do processo, as adequações que se fizerem
necessárias. Ao mesmo tempo, o uso de variados instrumentos e procedimentos de avaliação,
possibilitará ao professor compreender o processo do aluno para estabelecer novas propostas de ação.
Uma mudança fundamental, sobretudo nos ciclos ou séries finais do Ensino Fundamental, diz respeito
à organização dos professores. Agrupamentos de professores responsáveis por um determinado número
de turmas facilita o planejamento, o desenvolvimento das atividades, a relação pessoal com os alunos e
o trabalho coletivo.
Ex.: definir um grupo de X professores para trabalhar com 5 turmas de um mesmo ciclo ou de séries
aproximadas, visando favorecer o trabalho voltado para determinado período de formação humana
(infância, adolescência, etc.). Este tipo de organização tende a romper com a fragmentação do trabalho
pedagógico, facilitando a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de uma Avaliação Formativa.
Tendo em vista a diversidade de ritmos e processos de aprendizagem dos alunos, um dos aspectos
importantes da ação docente deve ser a organização de atividades cujo nível de abordagem seja
diferenciado. Isso significa criar situações, apresentar problemas ou perguntas e propor atividades que
demandem diferentes níveis de raciocínio e de realização. A diversificação das tarefas deve também
possibilitar aos alunos que realizem escolhas. As atividades devem oferecer graus variados de
compreensão, diferentes níveis de utilização dos conteúdos, e devem permitir distintas aproximações ao
conhecimento.
Outro movimento importante rumo a uma Avaliação Formativa deve acontecer na organização dos
tempos e espaços escolares. Os tempos de aula (50min, 1h, etc.) os recortes de cada disciplina, os
bimestres, os semestres, as séries, os níveis de ensino são formas de estruturar o tempo escolar que têm
como fundamento a lógica da organização dos conteúdos. Os processos de aprender e de construir
conhecimento, no entanto, não seguem essa mesma lógica. A organização escolar por ciclos é uma
experiência que busca harmonizar os tempos da escola com os tempos de aprendizagem próprios do ser
humano. Os ciclos permitem tomar as progressões das aprendizagens mais fluidas, evitando rupturas ao
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longo do processo. A flexibilização do tempo e do trabalho pedagógico possibilita o respeito aosdiferentes
ritmos de aprendizagem dos alunos e a organização de uma prática pedagógica voltada para a construção
do conhecimento, para a pesquisa.
Os tempos podem ser organizados, por exemplo, em torno de projetos de trabalho, de oficinas, de
atividades. A estruturação do tempo é parte do planejamento pedagógico semanal ou mensal, uma vez
que a natureza da atividade e os ritmos de aprendizagem irão definir o tempo que será utilizado.
O espaço de aprendizagem também deve ser ampliado, não pode restringir-se a sala de aula. Aprender
é constituir uma compreensão do mundo, da realidade social e humana, de nós mesmos e de nossa
relação com tudo isso. Essa atividade não se constitui exclusivamente no interior de uma sala de aula. É
preciso alargar o espaço educativo no interior da escola (pátios, biblioteca, salas de multimídia,
laboratórios, etc.) e para além dela, apropriando-se dos múltiplos espaços da cidade (parques, praças,
centros culturais, livrarias, fábricas, outras escolas, teatros, cinemas, museus, salas de exposição,
universidades, etc.). A sala de aula, por sua vez, deve adquirir diferentes configurações, tendo em vista
a necessidade de diversificação das atividades pedagógicas.
A forma de agrupamento dos alunos é outro aspecto que pode potencializar a aprendizagem e a
Avaliação Formativa. Os grupos ou classes móveis - em vez de classes fixas - possibilitam a organização
diferenciada do trabalho pedagógico e uma maior personalização do itinerário escolar do aluno, na
medida em que atendem melhor às suas necessidades e interesses. A mobilidade refere-se ao
agrupamento interno de uma classe ou entre classes diferentes. Na prática, acontece conforme o objetivo
da atividade e as necessidades do aluno.
Ex.: oficinas de livre escolha onde alunos de diferentes turmas de um ciclo se agrupam por interesse
(oficina de cinema, de teatro, de pintura, de jogos matemáticos, de fotografia, de música, de vídeo, etc.).
Projetos de trabalho também permitem que a turma assuma configurações diferentes, em momentos
diferentes, de acordo com o interesse e para atendimento às necessidades de aprendizagem.
Instrumentos de Avaliação
As provas objetivas (mais conhecidas como provas de múltipla escolha), as provas abertas /
operatórias, observação e autoavaliação são ferramentas para levantamento de dados sobre o processo
de aprendizagem. São materiais preparados pelo professor levando em conta o que se ensina e o que se
quer saber sobre a aprendizagem dos alunos. Podem ter diferentes naturezas. Alguns, como as provas,
são instrumentos que têm uma intenção de testagem, de verificação, de colocar o aluno em contato com
o que ele realmente estiver sabendo. Esses instrumentos podem ser elaborados em dois formatos: um
de questões fechadas, de múltipla escolha ou de respostas curtas, identificado como prova objetiva; outro
com questões abertas. Ambos são instrumentos que possibilitam tanto a avaliação de aprendizagem de
fatos, como de aprendizagem de conceitos, embora, em relação à construção conceitual, o professor
precisará inserir também instrumentos de observação.
Outra importante ferramenta é a observação: uma técnica que coloca o professor como pesquisador
da sua prática. Toda observação pressupõe registros. É um bom instrumento para avaliar a construção
conceitual, o desenvolvimento de procedimentos e as atitudes.
Outro instrumento é a autoavaliação, que é muito importante no desenvolvimento das habilidades
metacognitivas e na avaliação de atitudes.
Pode-se ainda utilizar questionários e entrevistas quando as situações escolares necessitarem de um
aprofundamento maior para levantamento de dados.
Outra questão relevante ao processo de avaliação do ensino e aprendizagem é Como avaliar o aluno
com deficiência? 40
A avaliação sempre foi uma pedra no sapato do trabalho docente do professor. Quando falamos em
avaliação de alunos com deficiência, então, o problema torna-se mais complexo ainda. Apesar disso,
discutir a avaliação como um processo mais amplo de reflexão sobre o fracasso escolar, dos mecanismos
que o constituem e das possibilidades de diminuir o violento processo de exclusão causado por ela, torna-
se fundamental para possibilitarmos o acesso e a permanência com sucesso dos alunos com deficiência
na escola.
De início, importa deixar claro um ponto: alunos com deficiência devem ser avaliados da mesma
maneira que seus colegas. Pensar a avaliação de alunos com deficiência de maneira dissociada das
concepções que temos acerca de aprendizagem, do papel da escola na formação integral dos alunos e
40 SARTORETTO, Mara Lúcia. Assistiva-Tecnologia e Educação, 2010.
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das funções da avaliação como instrumento que permite o replanejamento das atividades do professor,
não leva a nenhum resultado útil.
Nessa linha de raciocínio, para que o processo de avaliação do resultado escolar dos alunos seja
realmente útil e inclusivo, é imprescindível a criação de uma nova cultura sobre aprendizagem e avaliação,
uma cultura que elimine:
- O vínculo a um resultado previamente determinado pelo professor;
- O estabelecimento de parâmetros com os quais as respostas dos alunos são sempre comparadas
entre si, como se o ato de aprender não fosse individual;
- O caráter de controle, adaptação e seleção que a avaliação desempenha em qualquer nível;
- A lógica de exclusão, que se baseia na homogeneidade inexistente;
- A eleição de um determinado ritmo como ideal para a construção da aprendizagem de todos os
alunos.
Numa escola onde a avaliação ainda se define pela presença das características acima certamente
não haverá lugar para a aceitação da diversidade como inerente ao ser humano e da aprendizagem como
processo individual de construção do conhecimento. Numa educação que parte do falso pressuposto da
homogeneidade não há espaço para o reconhecimento dos saberes dos alunos, que muitas vezes não
se enquadram na lógica de classificação das respostas previamente definidas como certas ou erradas.
O que estamos querendo dizer é que todas as questões referentes à avaliação dizem respeito à
avaliação de qualquer aluno e não apenas das pessoas com deficiências. A única diferença que há entre
as pessoas ditas normais e as pessoas com deficiências está nos recursos de acessibilidade que devem
ser colocados à disposição dos alunos com deficiências para que possam aprender e expressar
adequadamente suas aprendizagens. Por recursos de acessibilidade podemos entender desde as
atividades com letra ampliada, digitalizadas em Braille, os interpretes, até uma grande gama de recursos
da tecnologia assistiva hoje já disponíveis, enfim, tudo aquilo que é necessário para suprir necessidades
impostas pelas deficiências, sejam elas auditivas, visuais, físicas ou mentais.
Neste contexto, a avaliação escolar de alunos com deficiência ou não, deve ser verdadeiramente
inclusiva e ter a finalidade de verificar continuamente os conhecimentos que cada aluno possui, no seu
tempo, por seus caminhos, com seus recursos e que leva em conta uma ferramenta muito pouco
explorada que é a coaprendizagem.
Nessa mudança de perspectiva, o primeiro passo talvez seja o de nos convencermos de que a
avaliação usada apenas para medir o resultado da aprendizagem e não como parte de um compromisso
com o desenvolvimento de uma prática pedagógica comprometida com a inclusão, e com o respeito às
diferenças é de muito pouca utilidade, tanto para os alunos com deficiências quanto para os alunos em
geral.
De qualquer modo, a avaliação como processo que contribui para investigação constante da prática
pedagógica do professor que deve ser sempre modificada e aperfeiçoada a partir dos resultados obtidos,
não é tarefa simples de ser conseguida. Entender a verdadeira finalidade da avaliação escolar só será
possível quando tivermos professores dispostos a aceitar novos desafios,capazes de identificar nos erros
pistas que os instiguem a repensar seu planejamento e as atividades desenvolvidas em sala de aula e
que considerem seus alunos como parceiros, principalmente aqueles que não se deixam encaixar no
modelo de escola que reduz o conhecimento à capacidade de identificar respostas previamente definidas
como certas ou erradas.
Segundo a professora Maria Teresa Mantoan, a educação inclusiva preconiza um ensino em que
aprender não é um ato linear, continuo, mas fruto de uma rede de relações que vai sendo tecida pelos
aprendizes, em ambientes escolares que não discriminam, que não rotulam e que oferecem chances de
sucesso para todos, dentro dos interesses, habilidades e possibilidades de cada um. Por isso, quando
apenas avaliamos o produto e desconsideramos o processo vivido pelos alunos para chegar ao resultado
final realizamos um corte totalmente artificial no processo de aprendizagem.
Pensando assim temos que fazer uma opção pelo que queremos avaliar: produção ou reprodução.
Quando avaliamos reprodução, com muita frequência, utilizamos provas que geralmente medem
respostas memorizadas e comportamentos automatizados. Ao contrário, quando optamos por avaliar
aquilo que o aluno é capaz de produzir, a observação, a atenção às repostas que o aluno dá às atividades
que estão sendo trabalhadas, a análise das tarefas que ele é capaz de realizar fazem parte das
alternativas pedagógicas utilizadas para avaliar.
Vários instrumentos podem ser utilizados, com sucesso, para avaliar os alunos, permitindo um
acompanhamento do seu percurso escolar e a evolução de suas competências e de seus conhecimentos.
Um dos recursos que poderá auxiliar o professor a organizar a produção dos seus alunos e por isso
avaliar com eficiência é utilizar um portfólio.
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A utilização do portfólio permite conhecer a produção individual do aluno e analisar a eficiência das
práticas pedagógicas do professor. A partir da observação sistemática e diária daquilo que os alunos são
capazes de produzir, os professores passam a fazer descobertas a respeito daquilo que os motiva a
aprenderem, como aprendem e como podem ser efetivamente avaliados.
No caso dos alunos com deficiências, os portfólios podem facilitar a tomada de decisão sobre quais os
recursos de acessibilidade que deverão ser oferecidos e qual o grau de sucesso que está sendo obtido
com o seu uso. Eles permitem que tomemos conhecimento não só das dificuldades, mas também das
habilidades dos alunos, para que, através dos recursos necessários, estas habilidades sejam ampliadas.
Permitem, também, que os professores das classes comuns possam contar com o auxílio do professor
do atendimento educacional especializado, no caso dos alunos que frequentam esta modalidade, no
esclarecimento de dúvidas que possam surgir a respeito da produção dos alunos.
Quando utilizamos adequadamente o portfólio no processo de avaliação podemos:
- Melhorar a dinâmica da sala de aula consultando o portfólio dos alunos para elaborar as atividades:
- Evitar testes padronizados;
- Envolver a família no processo de avaliação;
- Não utilizar a avaliação como um instrumento de classificação;
- Incorporar o sentido ético e inclusivo na avaliação;
- Possibilitar que o erro possa ser visto como um processo de construção de conhecimentos que dá
pistas sobre o modo cada aluno está organizando o seu pensamento;
Esta maneira de avaliar permite que o professor acompanhe o processo de aprendizagem de seus
alunos e descubra que cada aluno tem o seu método próprio de construir conhecimentos, o que torna
absurdo um método de ensinar único e uma prova como recurso para avaliar como se houvesse
homogeneidade de aprendizagem.
Nessa perspectiva, entendemos que é possível avaliar, de forma adequada e útil, alunos com
deficiências. Mas, se analisarmos com atenção, tudo o que o que se diz da avaliação do aluno com
deficiência, na verdade serve para avaliar qualquer aluno, porque a principal exigência da inclusão escolar
é que a escola seja de qualidade - para todos! E uma escola de qualidade é aquela que sabe tirar partido
das diferenças oportunizando aos alunos a convivência com seus pares, o exemplo dos professores que
se traduz na qualidade do seu trabalho em sala de aula e no clima de acolhimento vivenciado por toda a
comunidade escolar.
Questões
01. (TSE - Analista Judiciário - Pedagogia - CONSULPLAN) Para Cipriano Carlos Luckesi (2000), a
avaliação é um ato amoroso e dialógico que envolve sujeitos e, como tal, a primeira fase do processo de
avaliação começa com:
(A) o acolhimento do sujeito avaliado.
(B) a qualificação dos conhecimentos prévios.
(C) o julgamento das aprendizagens avaliadas.
(D) o diagnóstico do perfil do sujeito.
02. (Prefeitura de Uberlândia/MG - Professor Educação Básica II - Português - CONSULPLAN) A
avaliação da aprendizagem escolar é um elemento do processo de ensino e de aprendizagem.
Dessa forma, a avaliação tanto serve para avaliar a aprendizagem dos alunos quanto o ensino
desenvolvido pelo professor. Numa perspectiva emancipatória, que parte dos princípios da autoavaliação
e da formação, podemos afirmar que:
(A) os alunos também devem participar dos critérios que servirão de base para a avaliação de sua
aprendizagem.
(B) os professores devem utilizar a avaliação como um mecanismo de seleção para o processo de
ensino.
(C) alunos e professores devem compartilhar dos mesmos critérios que possam classificar as
aprendizagens corretas.
(D) os alunos também devem registrar o processo de avaliação que servirá para disciplinar o espaço
da sala de aula.
03. (Prefeitura de Montes Claros/MG - PEB I - UNIMONTES) De acordo com Luckesi (1999), é
importante estar atento à função ontológica (constitutiva) da avaliação da aprendizagem, que é de
diagnóstico.
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Dessa forma, a avaliação cria a base para a tomada de decisão. Articuladas com essa função básica
estão, EXCETO:
(A) a função de motivar o crescimento.
(B) a função de propiciar a autocompreensão, tanto do educando quanto da família.
(C) a função de aprofundamento da aprendizagem.
(D) a função de auxiliar a aprendizagem.
04. (IFC/SC - Pedagogia - Educação Infantil - IESES) No que diz respeito à avaliação no processo
de aprendizagem, é INCORRETO afirmar que:
(A) A avaliação é constituída de instrumentos de diagnóstico que levam a uma intervenção, visando à
melhoria da aprendizagem. Ela deve propiciar elementos diagnósticos que sirvam de intervenção para
qualificar a aprendizagem.
(B) Na esfera educacional infantil, a avaliação que se faz das crianças pode ter algumas consequências
e influências decisivas no seu processo de aprendizagem e crescimento. Neste sentido, a expectativa
dos professores sobre os seus alunos tem grande influência no que diz respeito ao rendimento da
aprendizagem. Nesta fase, é preciso ter uma visão fragmentada da criança. É aconselhável concentrar
esforços no que as crianças não sabem fazer e, não, considerar as suas potencialidades.
(C) A avaliação deve se dar de forma sistemática e contínua, aperfeiçoando a ação educativa,
identificando pontos que necessitam de maior atenção na busca de reorientar a prática do educador,
permitindo definir critérios para o planejamento, auxiliando o educador a refletir sobre as condições de
aprendizagem oferecidas e ajustar sua prática às necessidades colocadas pelas crianças.
(D) Na educação infantil, a avaliação tem a finalidade básica de fornecer subsídios para a intervenção
na tomada de decisões educativas e observar a evolução da criança, como também, ajudar o educador
a analisar se é preciso intervir ou modificar determinadas situações, relações ou atividades na sala de
aula.
05. (Prefeitura do Rio de Janeiro/RJ - Professor de Ensino Fundamental - Artes Plásticas -Prefeitura do Rio de Janeiro) Leia o fragmento abaixo: Normalmente, quando nos referimos ao
desenvolvimento de uma criança, o que buscamos compreender é até onde a criança já chegou, em
termos de um percurso que, supomos, será percorrido por ela. Assim, observamos seu desempenho em
diferentes tarefas e atividades, como por exemplo: ela já sabe andar? Já sabe amarrar sapatos? Já sabe
construir uma torre com cubos de diversos tamanhos? Quando dizemos que a criança já sabe realizar
determinada tarefa, referimo-nos à sua capacidade de realizá-la sozinha. Por exemplo, se observamos
que a criança já sabe amarrar sapatos, está implícita a ideia de que ela sabe amarrar sapatos, sozinha,
sem necessitar de ajuda de outras pessoas.
OLIVEIRA, Martha Kolh de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento; um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1991. Pág. 11
O trecho apresenta uma das categorias de análise usada por Vygotsky ao estudar o desenvolvimento
humano, que é:
(A) a zona de desenvolvimento real
(B) a zona de desenvolvimento proximal
(C) a fase potencial do pensamento formal
(D) a fase operatória do pensamento formal
06. (IFB - Pedagogo - CESP) Partindo das concepções de avaliação institucional, de desempenho e
de aprendizagem nas diferentes abordagens teóricas, julgue os seguintes itens.
A função classificatória é o principal objetivo da avaliação formativa, que ocorre ao final de uma etapa
ou período para verificação da aquisição de conhecimento ou habilidade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito
01.A / 02.A / 03.B / 04.B / 05.A / 06.Errado
Comentários
01. Resposta: A
Luckesi (2005) destaca que o papel da avaliação é diagnosticar a situação da aprendizagem, tendo
em vista subsidiar a tomada de decisão para a melhoria da qualidade do desempenho do educando.
Nesse contexto, a avaliação, segundo o autor, é processual e dinâmica. Na medida em que busca meios
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pelos quais todos possam aprender o que é necessário para o próprio desenvolvimento, é inclusiva.
Sendo inclusiva é, antes de tudo, um ato democrático. O autor é enfático ao afirmar que o ato de avaliar,
uma vez que está a serviço da obtenção do melhor resultado possível, implica a disposição de acolher a
realidade como ela é, seja satisfatória ou insatisfatória, agradável ou desagradável. A disposição para
acolher é, pois, o ponto de partida para qualquer prática de avaliação.
Nesse cenário, a avaliação da aprendizagem escolar é compreendida como um ato amoroso, “O ato
amoroso é aquele que acolhe a situação, na sua verdade (como ela é)” (LUCKESI, 2005), é um estado
psicológico oposto ao estado de exclusão.
Como afirma Hoffmann (1993), “a avaliação é uma reflexão permanente sobre a realidade, e
acompanhamento, passo a passo, do educando, na sua trajetória de construção de conhecimento”. Dessa
forma, o avaliador, por ser avaliador, não se assusta com a realidade, mas a observa atentamente; não
a julga (aprova/reprova), mas se abre para observá-la, buscando conhecer essa realidade como
verdadeiramente é, e, a partir dela, criar estratégias de superação dos limites e ampliação das
possibilidades, com vistas à garantia da aprendizagem.
02. Resposta: A
A avaliação educacional é feita através de situações de aprendizagem, buscando a aquisição de novo
conhecimento, atitudes ou habilidades. A avaliação emancipatória tem como compromisso fazer com que
as pessoas envolvidas em uma ação, realizem e executem a sua própria história e escolham as suas
ações de maneira libertadora.
03. Resposta: B
Segundo Luckesi, a avaliação da aprendizagem deverá ter como premissa a função ontológica
(constitutiva), pois busca resoluções para as decisões e não um julgamento definitivo. O ato de avaliar,
por sua constituição mesma, não se destina a um julgamento “definitivo” sobre alguma coisa, pessoa ou
situação, pois não é um ato seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico e, por isso mesmo, à inclusão;
destina-se a melhoria do ciclo da vida. Deste modo, por si, é um ato amoroso. Infelizmente, por nossas
experiências histórico-sociais e pessoais, temos dificuldades em assim compreendê-la e praticá-la.
04. Resposta: B
Na esfera educacional infantil, a avaliação que se faz das crianças pode ter algumas consequências e
influências decisivas no seu processo de aprendizagem e crescimento. Neste sentido, a expectativa dos
professores sobre os seus alunos tem grande influência no que diz respeito ao rendimento da
aprendizagem. Nesta fase, é preciso ter uma visão fragmentada da criança- (ao contrário, não se deve
ter visão fragmentada, mas sim global da criança. É aconselhável concentrar esforços no que as crianças
não sabem fazer e, não, considerar as suas potencialidades (deve-se sempre considerar as suas
potencialidades).
05. Resposta: A
Para especificar melhor a inter-relação instrução/desenvolvimento e a importância das conquistas
ontogenéticas para a constituição do homem, Vygotsky entende que o desenvolvimento humano
compreende dois níveis: o primeiro é o nível de desenvolvimento real, que compreende o conjunto de
atividade que a criança consegue resolver sozinha. Esse nível é indicativo de ciclos de desenvolvimento
já completos, isto é, refere-se às funções psicológicas que a criança já construiu até determinado
momento.
O segundo nível de desenvolvimento é o nível de desenvolvimento potencial: conjunto de atividades
que a criança não consegue realizar sozinha, mas que, com a ajuda de alguém que lhe dê algumas
orientações adequadas (um adulto ou outra criança mais experiente), ela consegue resolver. Para
Vygotsky, o nível de desenvolvimento potencial é muito mais indicativo do desenvolvimento da criança
que o nível de desenvolvimento real, pois este último refere-se a ciclos de desenvolvimento já completos,
é fato passado, enquanto o nível de desenvolvimento potencial indica o desenvolvimento
prospectivamente, refere-se ao futuro da criança.
06. Resposta: Errado
Esta é a avaliação somativa, pois essa avaliação possui função classificatória ao final do processo,
julgamento de valor e função estática, enquanto que a avaliação formativa ocorre durante o processo e
tem como objetivo fornecer feedback para professor e aluno de como estão procedendo para realizar as
mudanças necessárias.
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PROCESSOS PEDAGÓGICOS - ENSINO E APRENDIZAGEM
Pressupostos para o Processo de Ensino e Aprendizagem
Através do seu próprio interesse, o aluno busca nos conteúdos apresentados pelo professor, fazer
relação com sua realidade, para assim tornar sua experiência mais rica. Dessa forma, o novo
conhecimento se apoia numa construção cognitiva que já existe, ou o professor auxilia na construção
conhecimento no qual o discente ainda não dispõe. O nível de envolvimento na aprendizagem depende
do interesse e disposição do aluno, além do empenho do professor no contexto da sala de aula.
A visão da pedagogia dos conteúdos desenvolve nos alunos a capacidade de processar informações
e transformar a realidade em que vive. Assim, o professor precisa compreender seus alunos, o que eles
dizem ou pensam e os alunos precisam fazer o mesmo em relação a ele. Essa transferência de
aprendizagem só se realiza no momento da operação mental, isto é, quando o aluno supera sua visão
parcial e confusa e adquire uma visão mais nítida e ampla.
Ao fim do processo, o aluno já deve estar preparado para o mundo adulto de modo a praticar todo o
aprendizado adquirido com a ajuda do professor, como a democracia, a liderança, a iniciativa e a
responsabilidade, assim como ter formação ética no sentido de pensar valores, a saber, competências do
pensar no âmbito da educação moral da tomada de decisões.
O Processo de Ensino e Aprendizagem
Para Fernández41, as reflexões sobre o estado atual do processo ensino e aprendizagemnos permite
identificar um movimento de ideias de diferentes correntes teóricas sobre a profundidade do binômio
ensino e aprendizagem.
Entre os fatores que estão provocando esse movimento podemos apontar as contribuições da
Psicologia atual em relação à aprendizagem, que nos leva a repensar nossa prática educativa, buscando
uma conceptualização do processo ensino e aprendizagem.
As contribuições da teoria construtivista de Piaget, sobre a construção do conhecimento e os
mecanismos de influência educativa têm chamado a atenção para os processos individuais, que têm lugar
em um contexto interpessoal e que procuram analisar como os alunos aprendem, estabelecendo uma
estreita relação com os processos de ensino em que estão conectados.
Os mecanismos de influência educativa têm um lugar no processo de ensino e aprendizagem, como
um processo onde não se centra atenção em um dos aspectos que o compreendem, mas em todos os
envolvidos.
Se analisarmos a situação atual da prática educativa em nossas escolas identificaremos problemas
como:
a) A grande ênfase dada a memorização, pouca preocupação com o desenvolvimento de habilidades
para reflexão crítica e autocrítica dos conhecimentos que aprende;
b) As ações ainda são centradas nos professores que determinam o quê e como deve ser aprendido
e a separação entre educação e instrução.
A solução para tais problemas está no aprofundamento de como os educandos aprendem e como o
processo de ensinar pode conduzir à aprendizagem, assim o processo de ensino e aprendizagem tem
sido historicamente caracterizado de formas diferentes, que vão desde a ênfase no papel do professor
como transmissor de conhecimento, até as concepções atuais que concebem o processo de ensino e
aprendizagem com um todo integrado que destaca o papel do educando.
Nesse último enfoque, considera-se a integração do cognitivo e do afetivo, do instrutivo e do educativo
como requisitos psicológicos e pedagógicos essenciais.
41 FERNÁNDEZ. Fátima Addine. Didática y optimización del processo de enseñanzaaprendizaje.IN: Instituto Pedagógico Latinoamericano y Caribeño – La
Havana – Cuba,1998.
Conceito de Ensino e Aprendizagem
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A concepção defendida aqui é que o processo de ensino e aprendizagem é uma integração dialética
entre o instrutivo e o educativo que tem como propósito essencial contribuir para a formação integral da
personalidade do aluno.
O instrutivo é um processo de formar homens capazes e inteligentes. Entendendo por homem
inteligente quando, diante de uma situação problema ele seja capaz de enfrentar e resolver os problemas,
de buscar soluções para resolver as situações. Ele tem que desenvolver sua inteligência e isso só será
possível se ele for formado mediante a utilização de atividades lógicas.
Já o educativo, se logra com a formação de valores, sentimentos que identificam o homem como ser
social, compreendendo o desenvolvimento de convicções, vontade e outros elementos da esfera volitiva
e afetiva que junto com a cognitiva permitem falar de um processo de ensino e aprendizagem que tem de
pôr fim a formação multilateral da personalidade do homem.
A eficácia do processo de ensino e aprendizagem está na resposta em que este dá à apropriação do
conhecimento, ao desenvolvimento intelectual e físico do estudante, à formação de sentimentos,
qualidades e valores, que alcancem os objetivos gerais e específicos propostos em cada nível de ensino
de diferentes instituições, conduzindo a uma posição transformadora, que promova as ações coletivas, a
solidariedade e o viver em comunidade.
Todo ato educativo obedece determinados fins e propósitos de desenvolvimento social e econômico e
em consequência responde a determinados interesses sociais, sustentam-se em uma filosofia da
educação, adere a concepções epistemológicas específicas, leva em conta os interesses institucionais e,
depende, em grande parte, das características, interesses e possibilidades dos sujeitos participantes,
alunos, professores, comunidades escolares e demais fatores do processo. A visão tradicional do
processo ensino e aprendizagem é que ele é um processo neutro, transparente, afastado da conjuntura
de poder, história e contexto social. O processo ensino e aprendizagem deve ser compreendido como
uma política cultural, isto é, como um empreendimento pedagógico que considera com seriedade as
relações de raça, classe, gênero e poder na produção e legitimação do significado e experiência.
Tradicionalmente, este processo tem reproduzido as relações capitalistas de produção e ideologias
legitimadoras dominantes ao ignorarem importantes questões referentes às relações entre conhecimento
x poder e cultura x política. O produto do processo ensino e aprendizagem é o conhecimento. Partindo
desse princípio, concebe-se que o conhecimento é uma construção social, assim torna-se necessário
examinar a constelação de interesses econômicos, políticos e sociais que as diferentes formas de
conhecer podem refletir. Para que o processo ensino e aprendizagem possa gerar possibilidades de
emancipação é necessário que os professores compreendam a razão de ser dos problemas que
enfrentam e assuma um papel de sujeito na organização desse processo. As influências sócio-político
econômicas, exercem sua ação inclusive nos pequenos atos que ocorrem na sala de aula, ainda que não
sejam conscientes. Ao selecionar algum destes componentes para aprofundar deve-se levar em conta a
unidade, os vínculos e os nexos com os outros componentes.
O componente é uma propriedade ou atributo de um sistema que o caracteriza; não é uma parte do
sistema e sim uma propriedade do mesmo, uma propriedade do processo docente-educativo como um
todo. Identificamos como componente do processo de ensino e aprendizagem:
a) Aluno - devem responder à pergunta: "quem?"
b) Problema - elemento que é determinado a partir da necessidade do aprendiz.
c) Objetivo - deve responder à pergunta: "Para que ensinar?"
d) Conteúdo - deve responder à pergunta: "O que aprender?"
e) Métodos - deve responder à pergunta: "Como desenvolver o processo?"
f) Recursos - deve responder à pergunta: "Com o quê?"
g) Avaliação - elemento regulador, sua realização oferece informação sobre a qualidade do processo
de ensino aprendizagem, sobre a efetividade dos outros componentes e das necessidades de ajuste,
modificações que o sistema deve usufruir.
A integração de todos os componentes forma o sistema, neste caso o processo de ensino e
aprendizagem. As reflexões sobre o caráter sistêmico dos componentes do processo de ensino e
aprendizagem e suas relações são importantes em função do caráter bilateral da comunicação entre
professor-aluno; aluno-aluno, grupo-professor, professor-professor.
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O Processo De Aprendizagem Organizacional
A questão da aprendizagem tem sido amplamente discutida, ocupando um espaço considerável em
discussões educacionais e profissionais da atualidade; porém não se trata de algo totalmente novo, nem
mesmo em ambientes organizacionais.
As empresas aprendem a operar a produção e vão melhorando os seus processos a partir de suas
próprias experiências, alimentadas por informações advindas do mercado e da concorrência. De acordo
com Bell (1984)42, este tipo de aprendizado é passivo, automático e não implica custos adicionais,
sendo porém limitado.
Há, entretanto, outras formas de aprendizagem, que exigem determinação e postura ativa, envolvendo
considerável esforço e investimento. São os processos de aprendizagem por meio da mudança, da
análise do desempenho, do treinamento, da contratação e da busca, detalhados a seguir:
a) A introdução de novas tecnologias ou qualquer outro elemento que aponte a necessidade de
mudança, estrutural ou processual, impele as organizações à aprendizagem. As experiênciase
conhecimentos, positivos ou negativos, adquiridos ao longo de processos de mudança são extremamente
enriquecedores, conferindo à organização um plus que todos os processos de aprendizagem oferecem.
b) A análise do desempenho da organização em termos produtivos também irá conduzir à
aprendizagem, não só em função da apreciação do comportamento de determinados índices que
indicarão a necessidade de manutenção do processo produtivo ou sua correção, mas também como
decorrência da necessidade de se buscarem índices de desempenho confiáveis e expressivos.
O Contexto Organizacional Atual e o Imperativo de uma Nova Dinâmica de Aprendizagem
De fato, as tendências do mundo atual têm influenciado as organizações na busca da aprendizagem.
A rápida disseminação de informações e a própria renovação do conhecimento, impulsionadas pelo
avanço constante da ciência e da tecnologia, têm forçado as pessoas a renovar e a adquirir novos
conhecimentos, sob pena de se tornarem obsoletas.
A necessidade de aquisição e renovação dos conhecimentos é percebida de modo individual e também
organizacional. As pessoas estão dispostas a desenvolver e aumentar seus estoques de conhecimento,
porque percebem as potenciais ameaças do ambiente sobre a passividade intelectual, abalando
principalmente questões de segurança profissional.
As organizações precisam de capacidade criativa e de competências para se tornarem mais ágeis.
Não só em termos de capacidade de resposta às mudanças, mas também em termos de capacidade para
estar à frente delas.
Baseados na necessidade de transformar as organizações em organizações de aprendizagem, uma
série de autores, recomendam diferentes práticas para a promoção do aprendizado organizacional, todas
destacando o papel da mudança e inovação organizacional.
Esta competência para mudar e inovar implica a necessidade de a organização possuir maior
expertise. Segundo Drucker “as dinâmicas do conhecimento implicam num imperativo claro: cada
organização precisa embutir o gerenciamento das mudanças em sua própria estrutura”. É, portanto,
responsabilidade de cada organização tornar esta expertise disponível. Em outras palavras, além das
pessoas estarem forçosamente motivadas a aprender, é papel das organizações contribuir e
operacionalizar o aprendizado.
As Abordagens do Processo de Ensino
O Conhecimento humano, dependendo dos diferentes referencias, é explicado diversamente em sua
gênese e desenvolvimento, o que condiciona conceitos diversos de homem, mundo, cultura, sociedade,
educação, etc. Dentro de um mesmo referencial, é possível haver abordagens diversas, tendo em comum
apenas os diferentes primados: ora do objeto, ora do sujeito, ora da interação de ambos. Diferentes
posicionamentos pessoais deveriam derivar diferentes arranjos de situações ensino aprendizagem e
diferentes ações educativas em sala de aula, partindo-se do pressuposto de que a ação educativa
exercida por professores em situações planejadas de ensino-aprendizagem é sempre intencional.
Subjacente a esta ação, estaria presente - implícita ou explicitamente, de forma articulada ou não - um
referencial teórico que compreendesse conceitos de homem, mundo, sociedade, cultura, conhecimento,
etc.
42 ALPERSTEDT, Cristiane. Universidades corporativas: discussão e proposta de uma definição. Rev. adm. Contemp. Curitiba, v. 5, Dec. 2001.
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O estudo acerca das diferentes linhas pedagógicas, tendências ou abordagens, no ensino brasileiro
podem fornecer diretrizes à ação docente, mesmo considerando que a elaboração que cada professor
faz delas é individual e intransferível. De acordo com Mizukami (1986)43, algumas abordagens apresentam
claro referencial filosófico e psicológico, ao passo que outras são intuitivas ou fundamentadas na prática,
ou na imitação de modelos. A complexidade da realidade educacional deve ser considerada para não ser
tratada de forma simplista e reducionista.
Nesse estudo, deve-se ter em mente seu caráter parcial e arbitrário, assim como as limitações e
problemas decorrentes da delimitação e caracterização (necessárias) de cada abordagem. A professora
assim, não incluiu em seus estudos a abordagem escola novista, introduzida no Brasil através do
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Anísio Teixeira, Gustavo Capanema e outros), a partir da
década de 1930. Ela justifica sua opção por considerar que essa abordagem pode ser tomada como
didaticista, por suas atribuições aos aspectos didáticos, e por possuir diretrizes incluídas em outras
abordagens. Argumenta ainda que, as demais abordagens, apresentadas por ela, apresentam
justificativas teóricas ou evidências empíricas. Mas reconhece que se trata de uma abordagem com
possível influência na formação de professores no Brasil.
a) Abordagem Tradicional
Trata-se de uma concepção e uma prática educacionais que persistem no tempo, em suas diferentes
formas, e que passaram a fornecer um quadro diferencial para todas as demais abordagens que a ela se
seguiram. Como se sabe, o adulto, na concepção tradicional, é considerado como homem acabado,
"pronto" e o aluno um "adulto em miniatura", que precisa ser atualizado. O ensino será centrado no
professor. O aluno apenas executa prescrições que lhe são fixadas por autoridades exteriores.
- Homem: o homem é considerado como inserido num mundo que irá conhecer através de informações
que lhe serão fornecidas. É um receptor passivo até que, repleto das informações necessárias, pode
repeti-las a outros que ainda não as possuam, assim como pode ser eficiente em sua profissão, quando
de posse dessas informações e conteúdos.
- Mundo: a realidade é algo que será transmitido ao indivíduo principalmente pelo processo de
educação formal, além de outras agências, tais como família, Igreja.
- Sociedade/Cultura: o objetivo educacional normalmente se encontra intimamente relacionado aos
valores apregoados pela sociedade na qual se realiza. Os Programas exprimem os níveis culturais a
serem adquiridos na trajetória da educação formal. A reprovação do aluno passa a ser necessária quando
o mínimo cultural para aquela faixa não foi atingido, e as provas e exames são necessários a constatação
de que este mínimo exigido para cada série foi adquirido pelo aluno. O diploma pode ser tomado como
um instrumento de hierarquização. Dessa forma, o diploma iria desempenhar um papel mediador entre a
formação cultural e o exercício de funções sociais determinadas. Pode-se afirmar que as tendências
englobadas por esse tipo de abordagem possuem uma visão individualista do processo educacional, não
possibilitando, na maioria das vezes, trabalhos de cooperação nos quais o futuro cidadão possa
experimentar a convergência de esforços.
- Conhecimento: parte-se do pressuposto de que a inteligência seja uma faculdade capaz de
acumular/armazenar informações. Aos alunos são apresentados somente os resultados desse processo,
para que sejam armazenados. Evidencia-se o caráter cumulativo do conhecimento humano, adquirido
pelo indivíduo por meio de transmissão, de onde se supõe o papel importante da educação formal e da
instituição escola. Atribui-se ao sujeito um papel insignificante na elaboração e aquisição do
conhecimento. Ao indivíduo que está "adquirindo" conhecimento compete memorizar definições,
anunciando leis, sínteses e resumos que lhes são oferecidos no processo de educação formal.
- Educação: entendida como instrução, caracterizada como transmissão de conhecimentos e restrita
à ação da escola. Às vezes, coloca-se que, para que o aluno possa chegar, e em condições favoráveis,
há uma confrontação com o modelo, é indispensável uma intervenção do professor, uma orientação do
mestre. Trata-se, pois, da transmissão de ideias selecionadas e organizadas logicamente.
- Escola: a escola, é o lugar por excelência onde se realiza a educação, a qual se restringe, a um
processo de transmissãode informações em sala de aula e funciona como uma agência sistematizadora
de uma cultura complexa. Considera o ato de aprender como uma cerimônia e acha necessário que o
professor se mantenha distante dos alunos. Uma escola desse tipo é frequentemente utilitarista quanto a
resultados e programas preestabelecidos. As possibilidades de cooperação entre pares são reduzidas, já
que a natureza da grande parte das tarefas destinadas aos alunos exige participação individual de cada
um deles.
43 MIZUKAMI, Maria da Graça. Ensino as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
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- Ensino/Aprendizagem: a ênfase é dada às situações de sala de aula, onde os alunos são
"instruídos" e "ensinados" pelo professor. Os conteúdos e as informações têm de ser adquiridos, os
modelos imitados. Seus elementos fundamentais são imagens estáticas que progressivamente serão
"impressas" nos alunos, cópias de modelos do exterior que serão gravadas nas mentes individuais. Uma
das decorrências do ensino tradicional, já que a aprendizagem consiste em aquisição de informações e
demonstrações transmitidas, é a que propicia a formação de reações estereotipadas, de automatismos
denominados hábitos, geralmente isolados uns dos outros e aplicáveis, quase sempre, somente às
situações idênticas em que foram adquiridos. O aluno que adquiriu o hábito ou que "aprendeu" apresenta,
com frequência, compreensão apenas parcial. Ignoram-se as diferenças individuais. É um ensino que se
preocupa mais com a variedade e quantidade de noções/conceitos/informações que com a formação do
pensamento reflexivo.
- Professor/Aluno: o professor/aluno é vertical, sendo que (o professor) detém o poder decisório
quanto a metodologia, conteúdo, avaliação, forma de interação na aula etc. O professor detém os meios
coletivos de expressão. A maior parte dos exercícios de controle e dos de exames se orienta para a
reiteração dos dados e informações anteriormente fornecidos pelos manuais.
- Metodologia: se baseia na aula expositiva e nas demonstrações do professor a classe, tomada
quase como auditório. O professor já traz o conteúdo pronto e o aluno se limita exclusivamente a escutá-
lo a didática profissional quase que poderia ser resumida em dar a lição e tomar a lição. No método
expositivo como atividade normal, está implícito o relacionamento professor - aluno, o professor é o
agente e o aluno é o ouvinte. O trabalho continua mesmo sem a compreensão do aluno somente uma
verificação a posteriori é que permitirá o professor tomar consciência deste fato. Quanto ao atendimento
individual há dificuldades, pois, a classe fica isolada e a tendência é de se tratar todos igualmente.
- Avaliação: a avaliação visa a exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em sala de aula. As
notas obtidas funcionam na sociedade como níveis de aquisição do patrimônio cultural.
b) Abordagem Comportamentalista
O conhecimento é uma "descoberta" e é nova para o indivíduo que a faz. O que foi descoberto, porém,
já se encontrava presente na realidade exterior. Os comportamentalistas consideram a experiência ou a
experimentação planejada como a base do conhecimento, o conhecimento é o resultado direto da
experiência.
- Homem: o homem é uma consequência das influências ou forças existentes no meio ambiente a
hipótese de que o homem não é livre é absolutamente necessária para se poder aplicar um método
científico no campo das ciências. O homem dentro desse referencial é considerado como o produto de
um processo evolutivo.
- Mundo: a realidade para Skinner, é um fenômeno objetivo; O mundo já é construído e o homem é
produto do meio. O meio pode ser manipulado. O comportamento, por sua vez, pode ser mudado
modificando-se as condições das quais ele é uma função, ou seja, alterando-se os elementos ambientais.
O meio seleciona.
- Sociedade/Cultura: a sociedade ideal, para Skinner, é aquela que implicarias um planejamento
social e cultural. Qualquer ambiente, físico ou social, deve ser avaliado de acordo com seus efeitos sobre
a natureza humana. A cultura, é representada pelos usos e costumes dominantes, pelos comportamentos
que se mantém através dos tempos.
- Conhecimento: o conhecimento é o resultado direto da experiência, o comportamento é estruturado
indutivamente, via experiência.
- Educação: a educação está intimamente ligada à transmissão cultural. A educação, pois, deverá
transmitir conhecimentos, assim como comportamentos éticos, práticas sociais, habilidades consideradas
básicas para a manipulação e controle do mundo /ambiente.
- Escola: a escola é considerada e aceita como uma agência educacional que deverá adotar forma
peculiar de controle, de acordo com os comportamentos que pretende instalar e manter.
- Ensino/Aprendizagem: é uma mudança relativamente permanente em uma tendência
comportamental e ou na vida mental do indivíduo, resultantes de uma prática reforçada.
- Professor/Aluno: aso educandos caberia o controle do processo de aprendizagem, um controle
científico da educação, o professor teria a responsabilidade de planejar e desenvolver o sistema de ensino
aprendizagem, de forma tal que o desempenho do aluno seja maximizado, considerando-se igualmente
fatores tais como economia de tempo, esforços e custos.
- Metodologia: nessa abordagem, se incluem tanto a aplicação da tecnologia educacional e
estratégias de ensino, quanto formas de reforço no relacionamento professor-aluno.
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- Avaliação: decorrente do pressuposto de que o aluno progride em seu ritmo próprio, em pequenos
passos, sem cometer erros, a avaliação consiste, nesta abordagem, em se constatar se o aluno aprendeu
e atingiu os objetivos propostos quando o programa foi conduzido até o final de forma adequada.
c) Abordagem Humanista
Nesta abordagem é dada a ênfase no papel do sujeito como principal elaborador do conhecimento
humano. Da ênfase ao crescimento que dela se resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade
do indivíduo na sua capacidade de atuar como uma pessoa integrada. O professor em si não transmite o
conteúdo, dá assistência sendo facilitador da aprendizagem. O conteúdo advém das próprias
experiências do aluno o professor não ensina: apenas cria condições para que os alunos aprendam.
- Homem: é considerado como uma pessoa situada no mundo. Não existem modelos prontos nem
regras a seguir, mas um processo de vir a ser. O objetivo do ser humano é a auto realização ou uso pleno
de suas potencialidades e capacidades o homem se apresenta como um projeto permanente e mau
acabado.
- Mundo: o mundo é algo produzido pelo homem diante de si mesmo. O mundo teria o papel
fundamental de crias condições de expressão para a pessoa, cuja tarefa vital consiste no pleno
desenvolvimento do seu potencial inerente. A ênfase é no sujeito mais uma das condições necessárias
para o desenvolvimento individual é o ambiente. Na experiência pessoal e subjetiva o conhecimento é
construído no decorrer do processo de vir a ser da pessoa humana. É atribuída ao sujeito papel central e
primordial na elaboração e criação do conhecimento. O conhecimento é inerente à atividade humana. O
ser humano tem curiosidade natural para o conhecimento.
- Educação: trata-se da educação centrada na pessoa, já que nessa abordagem o ensino será
centrado no aluno. A educação tem como finalidade primeira a criação de condições que facilitam a
aprendizagem de forma que seja possível seu desenvolvimento tanto intelectual como emocional seria a
criação de condições nas quais os alunos pudessem tornar-se pessoas de iniciativas, de
responsabilidade, autodeterminação que soubessem aplicar-se a aprendizagem no que lhe servirão de
solução para seus problemas servindo-se da própria existência. Nesse processo os motivos de aprender
deverão ser do próprio aluno. Autodescoberta e autodeterminação sãocaracterísticas desse processo.
- Escola: a escola será uma escola que respeite a criança tal qual é, que ofereça condições para que
ela possa desenvolver-se em seu processo possibilitando a autonomia do aluno. O princípio básico
consiste na ideia da não interferência com o crescimento da criança e de nenhuma pressão sobre ela. O
ensino numa abordagem como esta consiste num produto de personalidades únicas, respondendo as
circunstâncias únicas num tipo especial de relacionamentos. A aprendizagem tem a qualidade de um
envolvimento pessoal.
- Professor/Aluno: cada professor desenvolverá seu próprio repertório de uma forma única,
decorrente da base percentual de seu comportamento. O processo de ensino irá depender do caráter
individual do professor, como ele se relaciona com o caráter pessoal do aluno. Assume a função de
facilitador da aprendizagem e nesse clima entrará em contato com problemas vitais que tenham
repercussão na existência do estudante. Isso implica que o professor deva aceitar o aluno tal como é e
compreender os sentimentos que ele possui. O aluno deve responsabilizar-se pelos objetivos referentes
a aprendizagem que tem significado para eles. As qualidades do professor podem ser sintetizadas em
autenticidade compreensão empática, aceitação e confiança no aluno.
- Metodologia: não se enfatiza técnica ou método para facilitar a aprendizagem. Cada educador
eficiente deve elaborar a sua forma de facilitar a aprendizagem no que se refere ao que ocorre em sala
de aula é a ênfase atribuída a relação pedagógica, a um clima favorável ao desenvolvimento das pessoas
que possibilite liberdade para aprender.
- Avaliação: só o indivíduo pode conhecer realmente sua experiência, só pode ser julgada a partir de
critérios internos do organismo. O aluno deverá assumir formas de controle de sua aprendizagem, definir
e aplicar os critérios para avaliar até onde estão sendo atingidos os objetivos que pretende, com
responsabilidade. As relações verticais impostas por relações EU - TU e nunca EU - ISTO; as avaliações
de acordo com padrões prefixados, por auto avaliação dos alunos. Considerando-se, pois, o fato de que
só o indivíduo pode conhecer realmente a sua experiência, está só pode ser julgada a partir de critérios
internos do organismo.
d) Abordagem Cognitivista
A organização do conhecimento, processamento de informações estilos de pensamento ou estilos
cognitivos, comportamentos relativos à tomada de decisões, etc.
- Homem/Mundo: o homem e mundo serão analisados conjuntamente, já que o conhecimento é o
produto da interação entre eles, entre sujeito e objeto.
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- Sociedade/Cultura: os fatos sociológicos, pois, tais como regras, valores, normas, símbolos etc. De
acordo com este posicionamento, variam de grupo para grupo, de acordo como o nível mental médio das
pessoas que constituem o grupo.
- Conhecimento: o conhecimento é considerado como uma construção contínua. A passagem de um
estado de desenvolvimento para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas
que não existiam anteriormente no indivíduo.
- Educação: o processo educacional, consoante a teoria de desenvolvimento e conhecimento, tem um
papel importante, ao provocar situações que sejam desequilibradoras para o aluno, desequilíbrios esses
adequados ao nível de desenvolvimento em que a criança vive intensamente (intelectual e afetivamente)
cada etapa de seu desenvolvimento.
- Escola: segundo Piaget, a escola deveria começar ensinando a criança a observar. A verdadeira
causa dos fracassos da educação formal, diz, decorre essencialmente do fato de se principiar pela
linguagem (acompanhada de desenhos, de ações fictícias ou narradas etc.) ao invés de o fazer pela ação
real e material.
- Ensino/Aprendizagem: um ensino que procura desenvolver a inteligência deverá priorizar as
atividades do sujeito, considerando-o inserido numa situação social.
- Professor/Aluno: ambos os polos da relação devem ser compreendidos de forma diferente da
convencional, no sentido de um transmissor e um receptor de informação. Caberá ao professor criar
situações, propiciando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao
mesmo tempo moral e racional.
- Metodologia: o desenvolvimento humano que traz implicações para o ensino. Uma das implicações
fundamentais é a de que a inteligência se constrói a partir da troca do organismo como o meio, por meio
das ações do indivíduo. A ação do indivíduo, pois, é centro do processo e o fator social ou educativo
constitui uma condição de desenvolvimento.
- Avaliação: a avaliação terá de ser realizada a partir de parâmetros extraídos da própria teoria e
implicará verificar se o aluno já adquiriu noções, conservações, realizou operações, relações etc. O
rendimento poderá ser avaliado de acordo como a sua aproximação a uma norma qualitativa pretendida.
e) Abordagem Sócio Cultural
Pode-se situar Paulo Freire com sua obra, enfatizando aspectos sócio-político-cultural, havendo uma
grande preocupação com a cultura popular, sendo que tal preocupação vem desde a II Guerra Mundial
com um aumento crescente até nossos dias.
- Homem/Mundo: O homem está inserido no contexto histórico. O homem é sujeito da educação, onde
a ação educativa promove o próprio indivíduo, como sendo único dentro de uma sociedade/ambiente.
- Sociedade/Cultura: O homem alienado não se relaciona com a realidade objetivo, como um
verdadeiro sujeito pensante: o pensamento é dissociado da ação.
- Conhecimento: A elaboração e o desenvolvimento do conhecimento estão ligados ao processo de
conscientização.
- Educação: Toda ação educativa, para que seja válida, deve, necessariamente, ser precedida tanto
de uma reflexão sobre o homem como de uma análise do meio de vida desse homem concreto, a quem
se quer ajudar para que se eduque.
- Escola: Deve ser um local onde seja possível o crescimento mútuo, do professor e dos alunos, no
processo de conscientização o que indica uma escola diferente de que se tem atualmente, coma seus
currículos e prioridades.
- Ensino/Aprendizagem: Situação de ensino-aprendizagem deverá procurar a superação da relação
opressor-oprimido. A estrutura de pensar do oprimido está condicionada pela contradição vivida na
situação concreta, existencial em que o oprimido se forma. Resultando consequências tais como:
a) ser ideal é ser mais homem.
b) atitude fatalista
c) atitude de auto desvalia
d) o medo da liberdade ou a submissão do oprimido.
- Professor/Aluno: A relação entre o professor e o aluno é horizontal. Professor empenhado na prática
transformadora procurará desmitificar e questionar, junto com o aluno.
- Metodologia: Os alunos recebem informações e analisam os aspectos de sua própria experiência
existencial, utilizando situações vivenciais de grupo, em forma de debate Paulo Freire delineou seu
método de alfabetização.
Características:
a) ser ativa
b) criar um conteúdo pragmático próprio
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c) enfatiza o diálogo crítico
As Abordagens do Processo de Ensino, Aprendizagem e o Professor
Segundo Mizukami, a partir de análises feitas sobre as diferentes abordagens do processo ensino
aprendizagem pôde-se constatar que certas linhas teóricas são mais explicativas sobre alguns aspectos
em relação a outros, percebendo-se assim a possibilidade de articulação das diversas propostas de
explicação do fenômeno educacional. Ela procura fazer uma sistematização válida de conceitos do
fenômeno estudado. Mesmo com teorias incompletas por estarem ainda em fase de elaboração ou
reelaboração, faltando validação empírica ou confronto com o real. Lembrando ainda as teorias não são
as únicas fontes de resposta possíveis e incorrigíveis, pois (...) elas são elaboradas para explicar, de
forma sistemática, determinados fenômenos, e os dados doreal é que irão fornecer o critério para a sua
aceitação ou não, instalando-se, assim, um processo de discussão permanente entre teoria e prática.
Mizukami ainda critica a formação de professores colocando que o aprendido pelos professores nada
tinha a ver com a prática pedagógica e seu posicionamento frente ao fenômeno educacional. A
experiência pessoal refletiria um comportamento coerente por parte do educador, pondo fim assim ao
permanente processo de discussão entre teoria e prática. Uma possível solução seria repensar os cursos
de formação de professores, voltando as atenções principalmente para as disciplinas pedagógicas que
analisam as abordagens do processo ensino aprendizagem, procurando articulá-los à prática pedagógica.
Também é discutida uma forma de aproximar cada vez mais as opções teóricas existentes analisando e
discutindo as vivências na prática e a partir da prática, se pudesse discutir e criticar as opções teóricas
confrontando com a mesma prática. É tentar criar teorias através da prática, analisando o cotidiano e
questionando, evitando-se assim a utilização de Receituários pedagógicos, que é o que a autora chama
de seguir cegamente a teoria ignorando a prática.
Um curso de professores deveria possibilitar confronto entre abordagens, quaisquer que fossem elas,
entre seus pressupostos e implicações, limites, pontos de contraste e convergência. Ao mesmo tempo,
deveria possibilitar ao futuro professor a análise do próprio fazer pedagógico, de suas implicações,
pressupostos e determinantes, no sentido de que ele se conscientizasse de sua ação, para que pudesse,
além de interpretá-la e contextualizá-la, superá-la constantemente.
Alguns dados revelam que são preferidas pelos professores as abordagens cognitivista e sociocultural
deixando as abordagens tradicional e comportamentalista em segundo plano. E também que a
abordagem que mais faz sucesso neste momento histórico é a cognitivista. Na abordagem cognitivista
piagetiana e a preferida pelos professores, desde que o aluno se encontre em um ambiente que o solicite
devidamente, e que tenha sido constatada a ausência de distúrbios biológicos ligados
preponderantemente à atividade cerebral, ele terá condições de chegar ao estágio das operações formais.
Não se justificam nem se legitimam, por esta abordagem, desigualdades baseadas nas potencialidades
de cada um, tal como poderia decorrer dos princípios escola novistas. Estaria neste detalhe, talvez de
grande importância, já que o determinismo biológico age mais em função de determinar desenvolvimento,
do que de determinar máximos de desenvolvimento para cada sujeito, a ideia que despertaria maior
interesse para um trabalho realizado por um profissional com as idiossincrasias de um educador.
De forma genérica tanto o cognitivismo, humanismo e comportamentalismo apresentam aspectos
escola novistas que os colocam contra a escola tradicional. Um outro elemento a ser considerado é a
ligação entre o desenvolvimento intelectual e os ideais apregoados pelo ensino tradicional elaborado
através dos séculos. Concluindo, de todas as abordagens analisadas obteve-se quase plenamente
preferência dos professores pela abordagem cognitivista por que esta abordagem se baseia numa teoria
de desenvolvimento em grande parte válida, e também a abordagem sociocultural que complementa o
desenvolvimento humano e genético com aspectos socioculturais e personalistas. Sendo que a
abordagem sociocultural está impregnada de aspectos humanistas característicos das primeiras obras de
Paulo Freire. O ideário pedagógico de alguns professores não segue nenhuma das abordagens, e são
classificados como tendência indefinida dentre as demais abordagens.
A Educação para além do Capital
A educação para além do capital é um texto publicado a partir da conferência pronunciada por István
Mészáros44, por ocasião da abertura do Fórum Mundial de Educação, realizado em Junho de 2004, em
Porto Alegre.
44 MÉSZAROS, István. A educação para além do capital. São Paulo: Boi Tempo Editorial, 2006.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
53
O texto, partindo de três epígrafes atribuídas pelo autor a Paracelso, pensador do Século XVI, a José
Martí, político, poeta e pensador cubano, e a Marx, em Teses sobre Feuerbach, traz a análise com vistas
à urgente necessidade de se instituir uma mudança que nos leve para além do capital, “no sentido genuíno
e educacionalmente viável do termo”.
O exame discute as relações íntimas entre processos educacionais e processos sociais amplos de
reprodução do capital em quatro aspectos básicos: Primeiro, no embate entre os parâmetros estruturais
do capital - que se colocam com uma lógica irreversível e incontestável - e a necessidade de romper com
essa lógica para a criação de uma alternativa educacional diferente, mediante a natureza irreformável do
capital como totalidade reguladora sistêmica; Segundo, na clareza de que as possíveis soluções não
podem ser formais, apenas como alterações superficiais, mas devem atingir o patamar de mudança
essencial, abarcando a totalidade das práticas educacionais da sociedade e seus processos de
internalização dos parâmetros reprodutivos gerais do sistema do capital; Terceiro, na compreensão de
que apenas uma ampla concepção de educação pode assegurar a luta pelo objetivo de mudança radical
requerida e a aquisição de instrumentos de pressão capazes de provocar o rompimento com a lógica
mistificadora do capital; Quarto, na defesa de que o papel da educação é estratégico tanto para a
mudança das condições objetivas de reprodução quanto para a auto mudança dos indivíduos envolvidos
na luta pela construção de uma nova ordem social metabólica radicalmente diferente.
Na primeira seção do texto, evidencia-se a ideia de que as reformulações que possam acontecer na
educação são inconcebíveis sem a transformação também no quadro social. O autor recusa a noção de
reforma que se proponha apenas a correções marginais, mantendo intactas as estruturas fundamentais
da sociedade e conformando-se às exigências da lógica do capital. Para Mészáros, esta modalidade
utiliza-se das reformas educacionais para apenas remediar os efeitos desastrosos da ordem produtiva,
mas não elimina os “fundamentos causais e profundamente enraizados”. Para o autor, “limitar uma
mudança educacional radical às margens corretivas interesseiras do capital significa abandonar de uma
só vez, conscientemente ou não, o objetivo de uma transformação social qualitativa”45.
Exemplificando: Mészáros examina a experiência de Adam Smith, economista político, e de Roberto
Owen, reformador social educacional utópico. Sobre Smith, atesta que mesmo que este ilustre iluminista
reconheça o impacto negativo do sistema sobre a classe trabalhadora, sua análise atribuindo ao “espírito
comercial” a causa do problema é incapaz de se dirigir às causas reais, reduzindo seu esforço de
expressar sua preocupação humanitária a um círculo vicioso de apontar apenas “os efeitos condenados”,
dando assim prevalência aos limites objetivos da lógica do capital. Ao tratar da posição de Robert Owen,
reconhece sua posição de denúncia da exploração e instrumentalização do empregado pelo empregador,
mas condena no seu discurso - com marcas de parcialidade, gradualismo e circularidades - sinais de
conformação aos debilitantes limites do capital.
Neste caso, Mészáros observa que Owen “não pode escapar à auto-imposta camisa de força das
determinações causais do capital”. Numa conclusão ao tópico, o autor lembra que “[...] o sentido da
mudança educacional radical não pode ser senão o rasgar da camisa de força da lógica incorrigível do
sistema”.
A persecução de estratégias de rompimento com o controle exercido pelo capital é explicitada na
segunda seção do texto com a defesa de que as soluções devem ser buscadas não apenas na dimensão
formal, mas no que é essencial. O autor reconhece que a educação institucionalizadaserviu, nos últimos
150 anos para fornecer condições técnicas e humanas à expansão do capital, ao mesmo tempo em que
contribuiu para instalar valores que legitimam os interesses dominantes e que negam alternativas
possíveis a esse modelo. Distanciando-se de uma posição reprodutivista, assim advoga que não basta
simplesmente reformar o sistema escolar formal estabelecido, porque isso traduziria apenas uma
mudança institucional isolada. “O que precisa ser confrontado é todo o sistema de internalização, com
todas as suas dimensões, visíveis e ocultas”. A internalização, entendida como o esforço do capital em
fazer com que cada indivíduo incorpore como suas as metas de reprodução do sistema, legitimando sua
posição na hierarquia social e conformando suas expectativas e sua conduta ao estipulado pela ordem
estabelecida, insere-se como instrumento que conforma a totalidade das práticas sociais, entre elas, a
educação, ao interesse do capital.
Romper com a lógica do capital na área de educação equivale, portanto, a substituir as formas
onipresentes e profundamente enraizadas de internalização mistificadora por uma alternativa concreta
abrangente46.
A tarefa acima requerida aparece na terceira seção, condicionada ao fortalecimento de uma concepção
de educação ampla e mais profunda, nos moldes de Paracelso, vendo a “aprendizagem como nossa
própria vida”.
45 Mészàros -A educação para além do capital, 2ª. ed Boitempo, 2008
46 Idem 5.
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Neste rumo, o autor se coloca, a exemplo de Gramsci, contra a visão tendenciosamente elitista e
estreita de educação que pleiteia o domínio da instituição educacional formal como único espaço de
educação e define a educação e a atividade intelectual como possibilidade apenas dos que são
designados para “educar” e para governar, em detrimento da maioria, à qual é reservado o papel de objeto
de manipulação. Mészáros assevera a posição profundamente democrática de Gramsci como o caminho
mais claro para a concepção ampla de educação, na qual todo ser humano contribui para a formação de
uma concepção de mundo ao mesmo tempo em que pode contribuir para manter ou mudar esta
concepção. A educação, reconhecida, no seu entendimento amplo, é um processo contínuo de
aprendizagem. “Temos de reivindicar uma educação plena para toda a vida, para que seja possível
colocar em perspectiva a sua parte formal, a fim de instituir, também aí, uma reforma radical”. A reforma
significa, segundo o autor, desafiar as formas atualmente dominantes de internalização existentes no
sistema educacional formal, pôr em execução urgentemente uma atividade de “contra internalização”
coerente e sustentada na direção da criação de uma alternativa ao que já existe. Significa que a educação
formal precisa desatar-se do revestimento da lógica do capital e mover-se em direção a práticas
educacionais mais abrangentes O bem sucedido processo de redefinição da tarefa da educação formal
num espírito orientado para a construção de uma alternativa hegemônica à ordem existente irá contribuir
para romper com a lógica do capital não somente em seu campo, mas em toda a sociedade.
No quarto tópico, Mészáros trata a educação como uma “transcendência positiva da auto alienação do
trabalho”. A análise atesta as condições desumanizantes da alienação em que vivemos e afirma que,
para a mudança dessa condição, exige-se uma intervenção consciente em todos os domínios e níveis da
existência individual e social, “em toda a nossa maneira de ser”. O autor considera que estando na raiz
de todos os tipos de alienação a historicamente revelada alienação do trabalho, torna-se possível superar
a alienação com a reestruturação radical de nossas condições de vida estabelecida até então, já que o
processo histórico se constitui pelo próprio trabalho. Mas isso não pode ser apenas uma questão de
negação. Para Mészáros, “a tarefa histórica que temos de enfrentar é incomensuravelmente maior que a
negação do capitalismo”47. Ir para além do capital significa a realização de uma ordem social metabólica
sem nenhuma relação nem ranços com a ordem anteriormente hegemônica. Por essa razão,
O papel da educação é soberano, tanto para a elaboração de estratégias apropriadas e adequadas
para mudar as condições objetivas de reprodução, como para a auto mudança consciente dos indivíduos
chamados a concretizar a criação de uma ordem social metabólica radicalmente diferente
Para esse fim, a universalização da educação e a universalização do trabalho são peças fundamentais,
sem as quais não pode haver solução para a auto alienação do trabalho. Tal realização pressupõe
necessariamente a igualdade verdadeira - substancial e não apenas formal - de todos os seres humanos.
Apenas na perspectiva de ir além do capital essa universalização e igualdade podem ser vistas, porque
a educação para além do capital almeja uma ordem social qualitativamente diferente.
No nosso dilema histórico definido pela crise estrutural do capital global, época onde se evidencia uma
condição histórica de transição, define-se também um espaço histórico e social aberto à ruptura com a
lógica do capital e à elaboração de planos estratégicos na direção de uma educação para além do capital.
Nesse ambiente, a tarefa educacional é uma tarefa de transformação social, ampla e emancipadora. A
educação deve ser articulada e redefinida no seu inter-relacionamento com as condições cambiantes e
as necessidades da transformação social emancipadora e progressiva em curso.
Questões
01. Pode-se afirmar que: “O processo de ensino e aprendizagem não é uma integração dialética entre
o instrutivo e o educativo que tem como propósito essencial contribuir para a formação integral da
personalidade do aluno”.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
02. Sobre a abordagem comportamentalista, é correto afirmar que: “A organização do conhecimento,
processamento de informações estilos de pensamento ou estilos cognitivos, comportamentos relativos à
tomada de decisões, etc.”.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
03. (CEFET/RJ - Pedagogo - CESGRANRIO) O trecho indica amplos desafios para a prática docente.
“Um curso de professores deveria possibilitar confronto entre abordagens, quaisquer que fossem elas,
entre seus pressupostos e implicações, limites, pontos de contraste e convergência. Ao mesmo tempo,
47 RABELO, C. D. Educação Para Além do Capital. Revista Resenha: A Eletrônica Arma da Crítica. N.º 4. 2012.
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deveria possibilitar ao futuro professor a análise do próprio fazer pedagógico, de suas implicações,
pressupostos e determinantes, no sentido de que ele se conscientizasse de sua ação, para que pudesse,
além de interpretá-la e contextualizá-la, superá-la constantemente”. (MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti.
Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986. p. 109.)
Sobre as diferentes abordagens pedagógicas, aquela que considera a relação professor-aluno como
não imposta, que permite que o educador se torne educando e a aprendizagem seja favorecida pela
mediação é a:
(A) tradicional
(B) humanista
(C) comportamentalista
(D) ambientalista
(E) sócio-histórico-cultural
Gabarito
01.Falso / 02.Falso / 03.E
Comentários
01. Resposta: Falso
O processo de ensino é justamente o oposto, já que, é uma integração dialética entre o instrutivo e o
educativo que tem como propósito essencial contribuir para a formação integral da personalidade do
aluno.
02. Resposta: Falso
As características dadas remetem às características da abordagem cognitivistas, por isso a questão é
falsa. Sendo características da abordagem comportamentalista, o conhecimento como uma descoberta
nova realizada pelo indivíduo, assim para os comportamentalistas a experiência ou a experimentação
planejada como a base do conhecimento, o conhecimento é o resultado diretoda experiência.
03. Resposta: E
Para a autora Mizukami, o processo de ensino e aprendizagem ocorre através de uma abordagem
sociocultural, dessa forma o professor e o aluno se colocam em uma relação horizontal, onde ambos se
posicionam como sujeitos do ato de aprender, porém o educador tem a tarefa de conduzir o professor por
meio da mediação.
PLANEJAMENTO ESCOLAR
Para Moretto48, planejar é organizar ações (ideias e informações). Essa é uma definição simples, mas
que mostra uma dimensão da importância do ato de planejar, uma vez que o planejamento deve existir
para facilitar o trabalho tanto do professor como do aluno.
Gandin49 sugere que se pense no planejamento como uma ferramenta para dar eficiência à ação
humana, ou seja, deve ser utilizado para a organização na tomada de decisões. Para melhor entender
precisa-se compreender alguns conceitos, tais como: planejar, planejamento e planos.
Libâneo50 diz que o planejamento do trabalho docente é um processo de racionalização, organização
e coordenação da ação do professor, tendo as seguintes funções: explicar princípios, diretrizes e
procedimentos do trabalho; expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico, político, pedagógico
e profissional das ações do professor; assegurar a racionalização, organização e coordenação do
48 MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: planejando a educação para o desenvolvimento de competências. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
49 GANDIN, Danilo. O planejamento como ferramenta de transformação da prática educativa. 2011.
50LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 2013.
Noções de Planejamento de Ensino: Objetivos, Conteúdos, Estratégias,
Recursos e Avaliação
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trabalho; prever objetivos, conteúdos e métodos; assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente;
atualizar constantemente o conteúdo do plano; facilitar a preparação das aulas.
Planejamento: “É um instrumento direcional de todo o processo educacional, pois estabelece e
determina as grandes urgências, indica as prioridades básicas, ordena e determina todos os recursos e
meios necessários para a consecução de grandes finalidades, metas e objetivos da educação. ”
Plano Nacional de Educação: “Nele se reflete a política educacional de um povo, num determinado
momento histórico do país. É o de maior abrangência porque interfere nos planejamentos feitos no nível
nacional, estadual e municipal. ”
Plano de Curso: “O plano de curso é a sistematização da proposta geral de trabalho do professor
naquela determinada disciplina ou área de estudo, numa dada realidade. Pode ser anual ou semestral,
dependendo da modalidade em que a disciplina é oferecida. ”
Plano de Aula: “É a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido em um dia letivo. (...). É a
sistematização de todas as atividades que se desenvolvem no período de tempo em que o professor e o
aluno interagem, numa dinâmica de ensino e de aprendizagem. ”
Plano de Ensino: “É a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou um
semestre; é um documento mais elaborado, no qual aparecem objetivos específicos, conteúdos e
desenvolvimento metodológico. ”
Projeto Político Pedagógico: “É o planejamento geral que envolve o processo de reflexão, de
decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. É um processo
de organização e coordenação da ação dos professores. Ele articula a atividade escolar e o contexto
social da escola. É o planejamento que define os fins do trabalho pedagógico.”51.
Os conceitos apresentados têm por objetivo mostrar para o professor a importância, a funcionalidade
e principalmente a relação íntima existente entre essas tipologias.
Segundo Fusari52, “Apesar de os educadores em geral utilizarem, no cotidiano do trabalho, os termos
“planejamento” e “plano” como sinônimos, estes não o são.”
Outro aspecto importante, segundo Schmitz53 é que “as denominações variam muito. Basta que fique
claro o que se entende por cada um desses planos e como se caracterizam. ” O que se faz necessário é
estar consciente que:
“Qualquer atividade, para ter sucesso, necessita ser planejada. O planejamento é uma espécie de
garantia dos resultados. E sendo a educação, especialmente a educação escolar, uma atividade
sistemática, uma organização da situação de aprendizagem, ela necessita evidentemente de
planejamento muito sério. Não se pode improvisar a educação, seja ela qual for o seu nível. ”
Conceito de Planejamento
O Planejamento pode ser conceituado como um processo, considerando os seguintes aspectos:
produção, pesquisa, finanças, recursos humanos, propósitos, objetivos, estratégias, políticas, programas,
orçamentos, normas e procedimentos, tempo, unidades organizacionais etc. Desenvolvido para o alcance
de uma situação futura desejada, de um modo mais eficiente, eficaz e efetivo, com a melhor concentração
de esforços e recursos.
O Planejamento também pressupõe a necessidade de um processo decisório que ocorrerá antes,
durante e depois de sua elaboração e implementação na escola. Este processo deve conter ao mesmo
tempo, os componentes individuais e organizacionais, bem como a ação nesses dois níveis deve ser
orientada de tal maneira que garanta certa confluência de interesses dos diversos fatores alocados no
ambiente escolar.
O processo de planejar envolve, portanto, um modo de pensar; e um salutar modo de pensar envolve
indagações; e indagações envolvem questionamentos sobre o que fazer, como, quando, quanto, para
51 MEC - Ministério da Educação e Cultura. Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos - Avaliação e Planejamento - Caderno 4 - SECAD - Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. 2006.
52 FUSARI, José Cerchi. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas.1990.
53 SCHMITZ, Egídio. Fundamentos da Didática. 7ª Ed. São Leopoldo, RS: Editora Unisinos, 2000.
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quem, por que, por quem e onde. É um processo de estabelecimento de um estado futuro desejado e um
delineamento dos meios efetivos de torna-lo realidade justifica que ele antecede à decisão e à ação.
Finalidade - Para que Planejar?54
A primeira coisa que nos vem à mente quando perguntamos sobre a finalidade do planejamento é a
eficiência. Ela é a execução perfeita de uma tarefa que se realiza. O carrasco é eficiente quando o
condenado morre segundo o previsto. A telefonista é eficiente quando atende a todos os chamados e faz,
a tempo, todas as ligações. O digitador, quando escreve rapidamente (há expectativas fixadas) e não
comete erros.
O planejamento e um plano ajudam a alcançar a eficiência, isto é, elaboram-se planos, implanta-se
um processo de planejamento a fim de que seja benfeito aquilo que se faz dentro dos limites previstos
para aquela execução.
Mas esta não é a mais importante finalidade do planejamento. Ele visa também a eficácia. Os
dicionários não fazem diferença suficiente entre eficácia e eficiência. O melhor é não se preocupar com
palavras e verificar que o planejamento deve alcançar não só que se faça bem as coisas que se fazem
(chamaremos isso de eficiência), mas que se façam as coisas que realmente importa fazer, porque são
socialmente desejáveis (chamaremos isso de eficácia).
A eficácia é atingida quando se escolhem, entre muitas ações possíveis, aqueles que, executadas,
levam à consecução de um fim previamente estabelecido e condizente com aquilo em que se crê.
Além destas finalidades do planejamento, Gandin55 introduz a discussão sobre uma outra, tão
significativa quanto estas, e que dá ao planejamento um status obrigatório em todas as atividades
humanas: é a compreensão do processo de planejamento como um processo educativo.
É evidente que esta finalidade só é alcançada quandoo processo de planejamento é concebido como
uma prática que sublime a participação, a democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa
vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade.
Elementos Constitutivos do Planejamento
Objetivos e Conteúdos de Ensino: os objetivos determinam de antemão os resultados esperados do
processo entre o professor e o aluno, determinam também a gama de habilidades e hábitos a serem
adquiridos. Já os conteúdos formam a base da instrução.
A prática educacional baseia-se nos objetivos por meio de uma ação intencional e sistemática para
oferecer aprendizagem. Desta forma os objetivos são fundamentais para determinação de propósitos
definidos e explícitos quanto às qualidades humanas que precisam ser adquiridas. Os objetivos têm pelo
menos três referências fundamentais para a sua formulação.
- Os valores e ideias ditos na legislação educacional.
- Os conteúdos básicos das ciências, produzidos na história da humanidade.
- As necessidades e expectativas da maioria da sociedade.
Métodos e Estratégias: o método por sua vez é a forma com que estes objetivos e conteúdos serão
ministrados na prática ao aluno. Cabe aos métodos dinamizar as condições e modos de realização do
ensino. Refere-se aos meios utilizados pelos docentes na articulação do processo de ensino, de acordo
com cada atividade e os resultados esperados.
As estratégias visam à consecução de objetivos, portanto, há que ter clareza sobre aonde se pretende
chegar naquele momento com o processo de ensino e de aprendizagem. Por isso, os objetivos que
norteiam devem estar claros para os sujeitos envolvidos - professores e alunos.
Multimídia Educativa: a multimídia educativa é uma estratégia de ensino e de aprendizagem que
pode ser utilizada por estudantes e professores. É imperativa a importância das multimídias educativas
com uso da informática no processo educativo como uma ferramenta auxiliar na educação.
Avaliação Educacional: é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor,
deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e de aprendizagem. É através dela que vão
sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos,
conforme os objetivos propostos, a fim de verificar progressos, dificuldades e orientar o trabalho para as
correções necessárias.
54 GANDIN, Danilo. Planejamento. Como Prática Educativa. São Paulo: Edições Loyola, 2013.
55 GANDIN, Danilo. O planejamento como ferramenta de transformação da prática educativa. 2011.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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A avaliação insere-se não só nas funções didáticas, mas também na própria dinâmica e estrutura do
Processo de Ensino e de Aprendizagem.
Planejamento e Políticas de Educação no Brasil
A formação da Educação Brasileira inicia-se com a Companhia de Jesus, em 1549, com o trabalho
dos Jesuítas: suas escolas de primeiras letras, colégios e seminários, até os dias atuais. Nesse primeiro
momento, a educação não foi um problema que emergisse como um assunto Nacional, no entanto, tenha
sido um dos aspectos das tensões constantes entre a Ordem dos Jesuítas e a Coroa Portuguesa, que
mais tarde, levou à expulsão dos mesmos em 1759. A expulsão dos jesuítas criou um vazio escolar. A
insuficiência de recursos e escassez de mestres desarticulou o trabalho educativo no País, com
repercussões que se estenderam até o período imperial.
Com a vinda da Família Imperial, a educação brasileira toma um novo impulso, principalmente com a
criação dos cursos superiores, no entanto a educação popular foi relegada em segundo plano. Com a
reforma constitucional de 1834, as responsabilidades da educação popular foram descentralizadas,
deixando-as às províncias e reservando à Corte a competência sobre o ensino médio e superior.
Nesse período, a situação continuou a mesma: escassez de escolas e de professores na educação
básica. Com a educação média e superior, prevaleceram às aulas avulsas destinadas apenas às classes
mais abastadas.
A Proclamação da República, também não alterou significativamente a ordenação legal da Educação
Brasileira, foi preciso esperar até a década de 20 para que, o debate educacional ganhasse um espaço
social mais amplo. Nesta época, as questões educacionais deixaram de ser temas isolados para se
tornarem um problema nacional. Várias tentativas de reforma ocorreram em vários estados; iniciou-se
uma efetiva profissionalização do magistério e novos modelos pedagógicos começaram a ser discutidos
e introduzidos na escola.
Surgimento do Plano de Educação
A primeira experiência de planejamento governamental no Brasil foi executada no governo de
Juscelino Kubitschek com seu Plano de Metas (1956/61). Antes, os chamados planos que se sucederam
desde 1940, foram diagnósticos que tentavam racionalizar o orçamento. Neste processo de planejamento
convém distinguir três fases:
- A decisão de planejar;
- O plano em si; e
- A implantação do plano.
A primeira e a última fase são políticas e a segunda é um assunto estritamente técnico.
No caso do Planejamento Educacional, essa distinção é interessante, pois foi preciso um longo
período de maturação para que se formulasse de forma explícita a necessidade nacional de uma política
de educação e de um plano para programá-la. A revolução de 30 foi o desfecho das crises políticas e
econômicas que agitaram profundamente a década de 20, compondo-se assim, um quadro histórico
propício à transformação da Educação no Brasil.
Em 1932, um grupo de educadores conseguiu captar o anseio coletivo e lançou um manifesto ao povo
e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, que extravasava
o entusiasmo pela Educação. O manifesto era ao mesmo tempo uma denúncia uma exigência de uma
política educacional consistente e, um plano científico para executá-la, livrando a ação educativa do
empirismo e da descontinuidade. O mesmo teve tanta repercussão e motivou uma campanha que
repercutiu na Assembleia Constituinte de 1934.
De acordo com a Constituição de 34, o conselho Nacional de Educação elaborou e enviou, em maio
de 37, um anteprojeto do Plano de Educação Nacional, mas com a chegada do estado Novo, o mesmo
nem chegou a ser discutido.
Sendo assim, mesmo que a ideia de plano nacional de educação fosse um fruto do manifesto e das
campanhas que se seguiram, o Plano 37 era uma negação das teses defendidas pelos educadores
ligados àqueles movimentos. Totalmente centralizador, o mesmo pretendia ordenar em minúcias toda a
educação nacional. Tudo estava regulamentado ao plano, desde o ensino pré-primário ao ensino superior;
os currículos eram estabelecidos e até mesmo o número de provas e os critérios de avaliação.
No entanto, os dois primeiros artigos dos 504 que compuseram o Plano de 37, chamam atenção, no
que se refere ao Planejamento Educacional a nível nacional, atualmente:
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
59
Art. 1°- O Plano Nacional de Educação, código da educação nacional, é o conjunto de princípios e
normas adotados por esta lei para servirem de base à organização e funcionamento das instituições
educativas, escolares e extraescolares, mantidas no território nacional pelos poderes públicos ou por
particulares.
Art. 2°- Este Plano só poderá ser revisto após vigência de dez anos.
Nesses artigos, há três pontos os quais convém destacar, pois repercutiram e persistiram em parte,
em iniciativas e leis posteriores:
- O Plano de Educação identifica-se com as diretrizes da Educação Nacional;
- O Plano deve ser fixado por Lei;
- O Plano só poderá ser revisto após uma vigência prolongada.
Segundo Kuenzer56 “o planejamento de educação também é estabelecido a partir das regras e relações
da produção capitalista, herdando, portanto, as formas, os fins, as capacidadese os domínios do
capitalismo monopolista do Estado.”
Aqui no Brasil, Padilha57 explica que “Durante o regime autoritário, eles foram utilizados com um
sentido autocrático. Toda decisão política era centralizada e justificada tecnicamente por tecnocratas à
sombra do poder.” Kuenzer complementa a citação acima explicando que “A ideologia do Planejamento
então oferecida a todos, no entanto, escondia essas determinações político-econômicas mais
abrangentes e decididas em restritos centros de poder.”
O regime autoritário fez com que muitos educadores criassem uma resistência com relação à
elaboração de planos, uma vez que esses planos eram supervisionados ou elaborados por técnicos que
delimitavam o que o professor deveria ensinar, priorizando as necessidades do regime político. “Num
regime político de contenção, o planejamento passa a ser bandeira altamente eficaz para o controle e
ordenamento de todo o sistema educativo.”
Apesar de se ter claro a importância do planejamento na formação, Fusari58 explica que:
“Naquele momento, o Golpe Militar de 1964 já implantava a repressão, impedindo rapidamente que
um trabalho mais crítico e reflexivo, no qual as relações entre educação e sociedade pudessem ser
problematizadas, fosse vivenciada pelos educadores, criando, assim, um “terreno” propício para o avanço
daquela que foi denominada ‘tendência tecnicista’ da educação escolar.”
Mas não se pode pensar que o regime político era o único fator que influenciava no pensamento com
relação à elaboração dos planos de aulas; as teorias da administração também refletiam no ato de
planejar do professor, uma vez que essas teorias traziam conceitos que iriam auxiliar na definição do tipo
de organização educacional que seria adotado por uma determinada instituição.
No início da história da humanidade, o planejamento era utilizado sem que as pessoas percebessem
sua importância, porém com a evolução da vida humana, principalmente no setor industrial e comercial,
houve a necessidade de adaptá-lo para os diversos setores.
Nas escolas ele também era muito utilizado; a princípio, o planejamento era uma maneira de controlar
a ação dos professores de modo a não interferir no regime político da época. Hoje o planejamento já não
tem a função reguladora dentro das escolas, ele serve como uma ferramenta importantíssima para
organizar e subsidiar o trabalho do professor.
Diretrizes e Bases da Educação Nacional
Após o anteprojeto de Plano de 37, a ideia de um Plano Nacional de Educação permaneceu sem efeito
até 1962, quando foi elaborado e efetivamente instituído o primeiro Plano Nacional governamental. No
entanto, no Plano de Metas de Kubitschek, a educação era a meta número 30.
O setor de educação entrou no conjunto do Plano de metas pressionado pela compreensão de que a
falta de recursos humanos qualificados poderia ser um dos pontos de estrangulamento do
desenvolvimento do país.
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) acabou surgindo com a Lei n° 4.024
de 1961, no entanto, vale ressaltar a concepção do que deveria ser uma LDB. Segundo o Relatório Geral
da Comissão:
56 KUENZER, Acácia Zeneida, CALAZANS, M. Julieta C., GARCIA, Walter. Planejamento e educação no Brasil. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
57 PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. 4ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003.
58 FUSARI, José Cerchi. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas.1990.
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Diretriz é uma linha de orientação, norma de conduta, "Base" é a superfície de apoio, fundamento.
Aquela indica a direção geral a seguir, não às minudências do caminho. Significa também o alicerce do
edifício, não o próprio edifício sobre o qual o alicerce está construído. A lei de Diretrizes e Bases conterá
somente os preceitos genéricos e fundamentais.
No entanto, a LDB de 61, distanciou-se muito da clareza e da sensatez do anteprojeto original, e a lei
que sucedeu e substituiu em parte (Lei n° 5.692/71) agravou a situação. Eliminaram substancialmente
qualquer possibilidade de instituição de políticas e planos de educação como instrumentos efetivos de um
desenvolvimento ideal da Educação Brasileira, pois novamente foi consagrada a ideia de plano como
distribuição de recursos.
Após a iniciativa pioneira de 1962 e suas revisões, sucedem-se, em trinta anos, cerca de dez planos.
Em um estudo realizado nessa área até 1989, conclui-se que essa sucessão de planos que são
elaboradas, parcialmente executadas, revista e abandonada, refletem os males gerais da administração
pública brasileira. A educação, realmente não era prioritária para os governos. As coordenadas da ação
governamental no setor ficavam bloqueadas ou dificultadas pela falta de uma integração ministerial.
Em consequência disso e de outras razões, sobretudo políticas, o panorama da experiência brasileira
de planejamento educacional é um quadro de descontinuidades administrativas, que, fez dessa
experiência um conjunto fragmentado de incoerentes iniciativas governamentais que nunca foram mais
do que esquemas distributivos de recursos.
Com esta visão podemos compreender o “porquê” do caos educacional em nosso país. Desde há
muito a educação foi relegada ao final das filas. O povo foi passando de governo em governo sem
perceber as perdas que lhe trariam o atraso educacional.
Níveis de Planejamento
Na esfera educacional o processo de planejamento ocorre em diversos níveis, segundo a magnitude
da ação que se tem em vista realizar. O planejamento educacional é o mais amplo, geral e abrangente.
Prevê a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. Determina as diretrizes da
política nacional de educação.
A seguir, temos o planejamento Escolar e depois o Curricular, que está intimamente relacionado às
prioridades assentadas no planejamento educacional. Sua função é traduzir, em termos mais próximos e
concretos, as linhas-mestras de ação delineadas no planejamento imediatamente superior, através de
seus objetivos e metas. Constitui o esquema normativo que serve de base para definir e particularizar a
linha de ação proposta pela escola. Permite a inter-relação entre a escola e a comunidade.
Logo após, temos o planejamento de ensino, que parte sempre de pontos referenciais estabelecidos
no planejamento curricular. Temos, em essência, neste tipo de planejamento, dimensões:
- Filosófica, que explicita os objetivos da escola;
- Psicológica, que indica a fase de desenvolvimento do aluno, suas possibilidades e interesses;
- Social, que expressa as características do contexto sócio-econômico-cultural do aluno e suas
exigências.
Este detalhamento é feito tendo em vista os processos de ensino e de aprendizagem. Assim,
chegamos ao nível mais elementar e próximo da ação educativa. É através dele que, em relação ao aluno:
- Prevemos mudanças comportamentais e aprendizagem de elementos básicos;
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- Propomos aprendizagens a partir de experiências anteriores e de suas reais possibilidades;
- Estimulamos a integração das diversas áreas de estudo.
Como vemos, o planejamento tem níveis distintos de abrangência; no entanto, cada nível tem bem
definido e delimitado o seu universo. Sabemos que um nível particulariza - um ou vários - aspectos
delineados no nível antecedente, especificando com maior precisão as decisões tomadas em relação a
determinados eventos da ação educativa.
A linha de relacionamento se evidencia, então, através de escalões de complexidade decrescente,
exigindo sempre um alto grau de coerência e subordinação na determinação dos objetivos almejados.
Vejamos cada um deles:
Planejamento Educacional
Planejamento educacional é aplicar à própria educação àquilo que os verdadeiros educadoresse
esforçam por inculcar em seus alunos: uma abordagem racional e científica dos problemas. Tal
abordagem supõe a determinação dos objetivos e dos recursos disponíveis, a análise das consequências
que advirão das diversas atuações possíveis, a escolha entre essas possibilidades, a determinação de
metas específicas a atingir em prazos bem definidos e, finalmente, o desenvolvimento dos meios mais
eficazes para implantar a política escolhida.
O planejamento educacional significa bem mais que a elaboração de um projeto contínuo que engloba
uma série de operações interdependentes.
O Planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (enquanto um dos níveis de
planejamento na educação escolar), correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional,
estadual ou municipal. Incorpora e reflete as grandes políticas educacionais. Enfrenta os problemas de
atendimento à demanda, alocação e gerenciamento de recursos etc.
Características do Planejamento Educacional
Categorias Tipos Características
Níveis
1- Global ou de
conjunto
Para todo o sistema
2- Por setores Graus do Sistema Escolar
3- Regional Por divisões geográficas
4- Local Por escola
Enquanto
Processo
1- Técnico
Por utilizar metodologia de análise, previsão,
programação e avaliação.
2- Político Por permitir a tomada de decisão.
3- Administrativo Por coordenar as atividades administrativas.
Quanto aos
Prazos
1- Curto prazo 1 a 2 anos
2- Médio prazo 2 a 5 anos
3- Longo prazo 5 a 15 anos
Enquanto
Método
1- Demanda Com base nas demandas individuais de educação.
2- Mão-de-obra
Com base nas necessidades do mercado, voltado
para o desenvolvimento do país.
3- Custo e
Benefício
Com base nos recursos disponíveis visando a
maiores benefícios.
Fundamentos do Planejamento Educacional
Concepções Características
Clássica
Divisão pormenorizada, hierarquizado verticalmente, com ênfase na
organização e pragmático.
Transitiva
Planejamento seguindo procedimentos de trabalho com ênfase na
liderança.
Mayoista
Visão horizontal, com ênfase nas relações humanas, na dinâmica
interpessoal e grupal, na delegação de autoridade e na autonomia.
Neoclássica / por objetivos
Pragmática, racionalidade no processo decisório, participativo, com
ênfase nos resultados e estratégia de cooperação.
Tradição Funcionalista Características (do consenso / positivista / evolucionista)
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Burocrático
Cumprimento de leis e normas. Visa à eficácia institucional do sistema.
Enfatiza a dimensão institucional ou objetiva.
Idiossincrático
Enfatiza a eficiência individual de todos os que participam do sistema,
portanto, dimensão subjetiva.
Integradora
Clima organizacional pragmático. Visa o equilíbrio entre eficácia
institucional e eficiência individual, com ênfase na dimensão grupal ou
holística.
Tradição Interacionista Características (conflito / teorias críticas e libertárias)
Estruturalista
Ênfase nas condições estruturais de natureza econômica do sistema.
Enfatiza a dimensão institucional ou objetiva. Orientação determinista.
Interpretativa
Ênfase na subjetividade e na dimensão individual. O sistema é uma
criação do ser humano. A gestão é mediadora reflexiva entre o
indivíduo e o seu meio.
Dialógica
Ênfase na dimensão grupal ou holística e nos princípios de totalidade,
contradição, práxis e transformação do sistema educacional.
Enfoques Características
Jurídico Práticas normativas e legalistas / sistema fechado.
Tecnocrático Predomínio dos quadros técnicos / especialistas.
Comportamental Resgate da dimensão humana: ênfase psicológica.
Desenvolvimentista Ênfase para atingir objetivos econômicos e sociais.
Sociológico
Ênfase nos valores culturais e políticos, contextualizados. Visão
interdisciplinar.
Fonte dos dois quadros: Padilha59
Objetivos do Planejamento Educacional
São objetivos do planejamento educacional, segundo Joanna Coaracy60:
- “Relacionar o desenvolvimento do sistema educacional com o desenvolvimento econômico, social,
político e cultural do país, em geral, e de cada comunidade, em particular;
- “Estabelecer as condições necessárias para o aperfeiçoamento dos fatores que influem diretamente
sobre a eficiência do sistema educacional (estrutura, administração, financiamento, pessoal, conteúdo,
procedimentos e instrumentos);
- Alcançar maior coerência interna na determinação dos objetivos e nos meios mais adequados para
atingi-los;
- Conciliar e aperfeiçoar a eficiência interna e externa do sistema”.
É condição primordial do processo de planejamento integral da educação que, em nenhum caso,
interesses pessoais ou de grupos possam desviá-lo de seus fins essenciais que vão contribuir para a
dignificação do homem e para o desenvolvimento cultural, social e econômico do país.
Requisitos do Planejamento Educacional
- Aplicação do método científico na investigação da realidade educativa, cultural, social e econômica
do país;
- Apreciação objetiva das necessidades, para satisfazê-las a curto, médio e longo prazo;
- Apreciação realista das possibilidades de recursos humanos e financeiros, a fim de assegurar a
eficácia das soluções propostas;
- Previsão dos fatores mais significativos que intervêm no desenvolvimento do planejamento;
- Continuidade que assegure a ação sistemática para alcançar os fins propostos;
- Coordenação dos serviços da educação, e destes com os demais serviços do Estado, em todos os
níveis da administração pública;
- Avaliação periódica dos planos e adaptação constante destes mesmos às novas necessidades e
circunstâncias;
- Flexibilidade que permita a adaptação do plano a situações imprevistas ou imprevisíveis;
- Trabalho de equipe que garanta uma soma de esforços eficazes e coordenados;
- Formulação e apresentação do plano como iniciativa e esforço nacionais, e não como esforço de
determinadas pessoas, grupos e setores”.61
59 PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. 4ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003.
60 COARACY, Joanna. O planejamento como processo. Revista Educação, Ano I, no. 4, Brasília, 1972.
61 UNESCO, Seminário Interamericano sobre planejamento integral na educação. Washington. 1958.
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Pressupostos Básicos do Planejamento Educacional
- O delineamento da filosofia da educação do país, evidenciando o valor da pessoa e da escola na
sociedade;
- A aplicação da análise - sistemática e racional - ao processo de desenvolvimento da educação,
buscando torná-lo mais eficiente e passível de responder com maior precisão às necessidades e objetivos
da sociedade.
Podemos, portanto, considerar que o planejamento educacional constitui a abordagem racional e
científica dos problemas da educação, envolvendo o aprimoramento gradual de conceitos e meios de
análise, visando estudar a eficiência e a produtividade do sistema educacional, em seus múltiplos
aspectos.
Planejamento Curricular
Planejamento curricular é o processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É a
previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno. É o instrumento que orienta a educação
como um processo dinâmico e integrado de todos os elementos que interagem para consecução dos
objetivos, tanto os dos alunos como os da escola.
O Planejamento curricular, enquanto um dos níveis dos planejamentos da educação escolar é a
proposta geral das experiências de aprendizagem que serão oferecidas pela escola, incorporada nos
diversos componentes curriculares.
Enquanto um dos níveis do planejamento na educação escolar, o Planejamento curricular é a proposta
geral das experiências de aprendizagem que serão oferecidas pela escola, incorporada nos diversos
componentes curriculares desde as séries iniciais até as finais.
A proposta curricular podeter como referência os seguintes elementos:
- Fundamentos da disciplina;
- Área de estudo;
- Desafios Pedagógicos;
- Encaminhamento Metodológico;
- Propostas de Conteúdos;
- Processos de Avaliação.
Objetivos do Planejamento Curricular
- Ajudar aos membros da comunidade escolar a definir seus objetivos;
- Obter maior efetividade no ensino;
- Coordenar esforços para aperfeiçoar o processo de ensino e de aprendizagem;
- Propiciar o estabelecimento de um clima estimulante para o desenvolvimento das tarefas educativas.
Requisitos do Planejamento Curricular
O planejamento curricular deve refletir os melhores meios de cultivar o desenvolvimento da ação
escolar, envolvendo, sempre, todos os elementos participantes do processo.
Seus elaboradores devem estar alertas paras novas descobertas e para os novos meios postos ao
alcance das escolas. Estes devem ser minuciosamente analisados para verificar sua real validade
naquele âmbito escolar. Posto isso, fica evidente a necessidade dos organizadores explorarem,
aceitarem, adaptarem, enriquecerem ou mesmo rejeitarem tais inovações.
O planejamento curricular é de complexa elaboração. Requer um contínuo estudo e uma constante
investigação da realidade imediata e dos avanços técnicos, principalmente na área educacional. Constitui,
por suas características, base vital do trabalho. A dinamização e integração da escola como uma célula
viva da sociedade, que palmilha determinados caminhos conforme a linha filosófica adotada, é o
pressuposto inerente a sua estruturação.
O planejamento curricular constitui, portanto, uma tarefa contínua a nível de escola, em função das
crescentes exigências de nosso tempo e dos processos que tentam acelerar a aprendizagem. Será
sempre um desafio a todos aqueles envolvidos no processo educacional, para busca dos meios mais
adequados à obtenção de maiores resultados.
Planejamento de Ensino
Planejamento de ensino é o processo que envolve a atuação concreta dos educadores no cotidiano
do seu trabalho pedagógico, envolvendo todas as suas ações e situações o tempo todo. Envolve
permanentemente as interações entre os educadores e entre os próprios educandos.
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Objetivos do Planejamento de Ensino
- Racionalizar as atividades educativas;
- Assegurar um ensino efetivo e econômico;
- Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos;
- Verificar a marcha do processo educativo.
Requisitos do Planejamento do Ensino
Por maior complexidade que envolva a organização da escola, é indispensável ter sempre bem
presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural, cuja dinâmica concretiza ao fenômeno
educativo. Portanto, o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico.
O professor, ao planejar o trabalho, deve estar familiarizado com o que pode pôr em prática, de maneira
que possa selecionar o que é melhor, adaptando tudo isso às necessidades e interesses de seus alunos.
Na maioria das situações, o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de
trabalho. Por isso, deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar,
independentemente, sem dificuldades.
Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola para escola, tendo sempre
que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio. Considerando que o ensino é o guia
das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados, a ação
de planejá-lo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada
no âmbito escolar.
O professor, durante o período (ano ou semestre) letivo, pode organizar três tipos de planos de ensino.
Por ordem de abrangência:
- Plano de Curso - delinear, globalmente, toda a ação a ser empreendida;
- Plano de Unidade - disciplinar partes da ação pretendida no plano global;
- Plano de Aula - especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores.
Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos, é considerado
etapa obrigatória de todo o trabalho docente. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor,
oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos, bem como na verificação da
qualidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola.
Planejamento Escolar
O Planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em
termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e
adequação no decorrer do processo de ensino. É um processo de racionalização, organização e
coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social.
Planejamento global da escola é o nível do planejamento que corresponde às decisões sobre a
organização, funcionamento e proposta pedagógica da escola. É o que o que mais requer a participação
conjunta da comunidade.
O Planejamento da escola, enquanto outro nível do planejamento na educação escolar é o que
chamamos de “Projeto Educativo” - sendo o plano global da instituição. Compõem-se de Marco
Referencial, Diagnóstico e programação. Envolve as dimensões pedagógicas, administrativas e
comunitárias da escola.
O Planejamento anual da escola consiste em elaborar a estratégia de ação para o prazo de um ano
- conforme a realidade específica de cada escola - tomando decisões sobre o que, para que, como e com
o que se vai fazer o trabalho na escola o período proposto levando em conta as linhas tiradas no plano
global.
Planejamento Participativo
O Planejamento Participativo se constitui num processo político onde há um propósito contínuo e
coletivo onde se tem a oportunidade de discutir a construção do futuro da comunidade, na qual participe
o maior número possível de membros de todas as categorias que a constituem. Mais do que um
significado técnico, o planejamento participativo é um processo político vinculado à decisão da maioria
que será em benefício da maioria.
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Genericamente o planejamento participativo constitui-se em uma estratégia de trabalho que se
caracteriza pela integração de todos os setores da atividade humana social, dentro de um processo global
para solucionar problemas comuns.
Planejamento de Aulas
O Planejamento de aula é a tomada de decisões referentes ao trabalho específico da sala de aula:
- Temas
- Conteúdos
- Metodologia
- Recursos didáticos
- Avaliação.
Antes, porém de se planejar a aula propriamente dita deve ser executado um planejamento de curso
para o ano todo. E este deve ser subdividido em semestre para que possa ser visualizado com mais
clareza e objetividade.
Dentro destes Planos anuais podem ser inseridas as unidades temáticas, temas transversais que
ocorrerão com o desenvolvimento do Plano bimestral ou trimestral. Estes são os marcos para que o
professor e toda a equipe da escola não se percam dentro de conteúdos extensos e, deixem de ministrar
em cada momento a essência, o significativo para que o aluno possa prosseguir seu conhecimento e
transformá-lo em aprendizagem.
O centro do processo educativo não deve ser o conteúdo preestabelecido como se tem feito nas
escolas ainda hoje. Qualquer professor estaria de acordo em dizer que o centro do processo não é o
conteúdo, mas em sua prática, a grande maioria faz dele todo o processo. Muitas vezes, isso acontece
até contra a sua vontade. É que há uma cultura dentro da escola, junto com os pais dos alunos e em todo
senso comum social, de que se vai para a Escola para memorizar alguma informação, normalmente até
consideradas inúteis até pelas mesmas pessoas que as exigem.
O centro do processo educativo também não pode ser o aluno. Este desastre é tão conservador como
centraro trabalho no conteúdo. E que quando centramos o processo educativo somente no aluno
convertemos todo o processo em um egoísmo e em um individualismo onde uns dominam os outros.
Planejamento e Educação Libertadora62
No planejamento, é fundamental a ideia de transformação da realidade. Isto quer dizer que uma
instituição (um grupo) se transforma a si mesma tendo em vista influir na transformação da realidade
global.
Quer dizer, também, que fez sentido falar em planejamento, acima e além da administração, como
uma tarefa política, no sentido de participar na organização na mudança das estruturas sociais existentes.
Quer dizer, finalmente, que planejar não é preencher quadrinhos para dar status de organização séria a
um setor qualquer da atividade humana.
Isso nos traz à educação libertadora como proposta educacional apta a inspirar um processo de
planejamento. Porque a educação libertadora é uma proposta de mudança. Essa educação libertadora
Gandin fala que tem sua base na II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Medellín,
Colômbia, 1968).
Referindo-se a educação:
- “A que converte o educando em sujeito do seu próprio desenvolvimento”;
- “O meio-chave para libertar os povos de toda a escravidão e para fazê-los ascender de condições de
vida menos humanas a condições mais humanas”.
Há nisto uma dimensão pessoal e uma proposta social global bem claras, no texto apresentadas de
forma não separada, mas como um posicionamento apenas.
Sem entrar na discussão se o termo “meio-chave” é exagerado e aceitando que a educação, mesmo
a escolar, tem uma dimensão política realizável, pode-se ver que esta dupla proposta leva em conta os
dois grandes problemas da América Latina de então, que perduram ainda hoje: a organização injusta da
sociedade e a falta quase total do remédio para isso, a participação.
Ao propor que o educando seja sujeito de seu desenvolvimento, está propondo a existência do grupo,
da participação e, como consequência, a conscientização que gera a transformação. Basicamente está
62 GANDIN, Danilo. Planejamento. Como Prática Educativa. São Paulo: Edições Loyola, 2013.
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dando ao pedagógico a força que ele realmente pode assumir como contribuinte de uma transformação
social ampla em proveito do homem todo e de todos os homens.
A partir daí a aproximação entre educação libertadora e planejamento educacional sublinha as
mesmas ideias básicas, de grupo, de participação, de transformação da realidade. Tanto que, a partir
desta dupla base de Medellín, e pensando no que lhe é mais característico, a metodologia, pode-se definir
a educação libertadora assim: um grupo (sujeitos em interação) na dinâmica de ação-reflexão, buscando
a verdade e tendendo ao crescimento pessoal e à transformação social.
Projetos Educativos
É o primeiro grande instrumento de planejamento da ação educativa da escola, devendo por isso,
servir permanentemente de ponto de referência e orientação na atuação de todos os elementos da
Comunidade Educativa em que a escola se insere, em prol da formação de pessoas e cidadãos cada vez
mais cultos, autônomos, responsáveis, solidários e democraticamente comprometidos na construção de
um destino comum e de uma sociedade melhor.
Um Projeto Educativo é, segundo a definição de Costa63, um “documento de caráter pedagógico que,
elaborado com a participação da comunidade educativa, estabelece a identidade da própria escola
através da adequação do quadro legal em vigor à sua situação concreta, apresenta o modelo geral de
organização e os objetivos pretendidos pela instituição e, enquanto instrumento de gestão, é ponto de
referência orientador na coerência da ação educativa”.
Isto é, um Projeto Educativo é um documento de orientação pedagógica que, não podendo contrariar
a legislação vigente, explicita os princípios, os valores, as metas as estratégias através das quais a escola
propõe realizar a sua função educativa.
Barbier64 distingue dois tipos de projeto - o projeto de situação (“representações relativas ao estado
final do objeto, da identidade, da situação que se procura transformar ou modificar”) e o projeto do
processo (“representações relativas ao processo que permite chegar a este estado final”).
O projeto é, por um lado, uma “antecipação” relativa a um estado, uma “representação antecipadora
do estado final de uma realidade”, uma previsão ou prospectiva, um objetivo ou fim a atingir, uma pequena
utopia.
Seu conteúdo não é um acontecimento ou objeto pertencente ao ambiente atual ou passado, mas um
fato possível, uma imagem ou representação de uma possibilidade, uma ideia a se transformar em ato,
um futuro a se “fazer”, uma possibilidade a se transformar em realidade. Sua relação é com um “tempo a
vir”, “um futuro de que constitui uma antecipação, uma visão prévia” segundo Barbier65.
Por outro lado, a função do projeto não se reduz a simples representação do futuro. Barbier66 atribui-
lhe ainda um duplo efeito - o operatório ou pragmático e o mobilizador da atividade dos atores implicados.
No entendimento de Boutinet67, o projeto implica um comprometimento com o futuro. A construção de
um projeto já implica na vontade de fazê-lo acontecer. Daí seu valor pragmático. O projeto não age, pois,
dizer não equivale automaticamente a fazer, mas “dizer prepara o fazer”.
O projeto expressa a representação da realização da ação, ou seja, a imagem do resultado da ação.
“No caso de uma ação coletiva[...], escreve Barbier68, é o projeto que fornece a representação comum
que permite a realização coordenada das operações de execução”. Na sua função mobilizadora, o projeto
apresenta, no plano afetivo, efeitos dinamizadores da atividade dos atores implicados.
Nossas imagens ou representações constituem um elemento dinamizador da mudança e, portanto, um
fator de concretização do projeto.
Para Vidal, Cárave e Florencio69, o projeto educativo é:
- Um meio de adequação das intenções educativas da sociedade às características concretas de uma
escola;
- Elemento orientador do conjunto de atividades educativas de uma escola;
- Instrumento integrador das atividades educativas de uma escola;
63 COSTA, Adelino Jorge: "Construção de projetos educativos nas escolas: traços de um percurso debilmente articulado." - Revista Portuguesa de Educação,
Volume 17, nº 2. 2004.
64 BARBIER, J.-M. Elaboração de projectos de acção e planificação. Porto: Porto Editora.1993.
65 Idem 16.
66 Idem 16.
67 BOUTINET, J. P.. Le concept de projet e ses niveaux. Éducation Permanente, nº 86. 1986.
68 BARBIER, J.-M. Elaboração de projectos de acção e planificação. Porto: Porto Editora.1993.
69 VIDAL, J. G., CÁRAVE, G. e FLORENCIO, M. A. Madrid: Editorial EOS. 1992.
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- Garantia de coerência e de continuidade nas diferentes atuações dos membros de uma comunidade
escolar;
- Critério para avaliar e homologar os processos;
- Documento dinâmico para definir as estruturas e estratégias organizacionais da escola;
- Ponto de referência para a solução dos conflitos de convivência.
O projeto educativo traduz o engajamento da instituição escolar, suas prioridades, seus princípios. Ele
define o sentido de suas ações e fixa as orientações e os meios para colocá-las em prática. É formulado
por um documento escrito que estabelece a identidade da escola (diz o que ela é), apresenta seus
propósitos gerais (diz o que ela quer) e descreve seu modelo geral de organização (diz como ela se
organiza).
Concebido como um projeto de longo prazo, ele visa favorecer a continuidade e a coerência da ação
da escola. Embora não seja um documento inalterável, não deverá estar sujeito a profundas e constantes
alterações anuais. De modo geral, “a sua duração dependerá fundamentalmente da permanência em
cada instituição das pessoas que o elaboraram e da estabilidadedas suas convicções”, segundo Costa70..
Para Vidal, Cárave e Florencio71 e para Carvalho e Diogo72, o projeto educativo de escola é um
documento de planificação da ação educativa, de amplitude integral, de duração de longo prazo e de
natureza geral e estratégica. Assim, é mais amplo e abrangente do que o projeto pedagógico e o plano
de Unidade Didática que são meios em relação ao projeto educativo e têm como objeto converter as
finalidades deste em ações, pois são documentos de planificação operatória.
O projeto educativo distingue-se também de outras planificações escolares, como o Plano Trienal
escolar, o Plano anual de Escola, o Projeto curricular de turma e o Regimento interno da Escola, que
estão destinados a concretizá-lo relativamente a aspectos mais operacionais e, portanto, têm um caráter
tático, e instrumental.
O projeto educativo é elaborado por toda a comunidade escolar. O projeto educativo da escola é um
conjunto de opções ideológicas, políticas, antropológicas, axiológicas e pedagógicas resultantes da
tensão entre o estabelecido ou imposto pelo Estado (projeto vertical), a prática implícita interna à escola
(projeto ritual) e a postura utópica ou intencional da comunidade escolar (projeto intencional).
Dimensões do projeto educativo, citadas por Carvalho e Diogo73:
O projeto deve servir a incerteza, ter em conta o indeterminado, ser capaz de infletir de direção como
resultado de uma avaliação permanente, incorporar o conflito, mas, sobretudo, devolver a cada indivíduo
o seu espaço de criatividade e ação de modo a que ele sinta reconhecida a sua atividade, compreenda
as suas ações e as possa inscrever num todo significativo.
Neste sentido, o projeto educativo deve ser coletivo, mas favorecendo a interação; autônomo, mas não
independente. Uma tal concepção exige do projeto educativo:
- Explicitação de valores comuns;
- Coerência de atividades;
- Busca coletiva de recursos e meios para melhorar o ensino;
- Definição de ação;
- Definição de um sentido para uma ação comum;
- Gestão participativa;
- Avaliação permanente, participada e interativa;
- Implicação do conjunto dos atores;
- Apropriação de saberes e instrumentos de ação por parte dos implicados.
Sobre o que não deve ser e o que deve ser o projeto educativo de escola, Vidal, Cárave e Florencio
elaboraram um quadro-síntese que ajuda a clarificar seu entendimento adequado.
Não deve ser Deve ser
Uma enumeração detalhada dos
elementos que compõem um centro: planos,
descrições, professores, etc.
Uma exposição clara, concisa e breve das
intenções educativas, estruturas, regulamentos e
organização curricular de uma comunidade escolar.
Um manual de psicologia, pedagogia,
sociologia, de organização escolar, etc.
Uma adequação daqueles princípios e estruturas
educativas que se consideram adequados para uma
comunidade.
70 COSTA, J. A. Gestão escolar: Participação, autonomia, projecto educativo da escola. Lisboa: Texto Editora. 1992.
71 VIDAL, J. G., CÁRAVE, G. e FLORENCIO, M. A. Madrid: Editorial EOS. 1992.
72 CARVALHO, A. E DIOGO, F. Projecto educativo. Porto: Edições Afrontamento. 1994.
73 Idem 24.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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Um documento destinado ao exercício
burocrático da educação.
Um documento orientador e guia de todas as
atividades educativas.
Um produto fechado, acabado e
inalterável.
Um projeto dinâmico e modificável em função da
prática educativa.
Um “empenho” pessoal de algum
membro do corpo docente ou da Associação
de Pais de Alunos.
Uma criação coletiva do conjunto de membros da
comunidade educativa do centro.
Uma complicação a mais para o trabalho
docente.
Um facilitador do trabalho docente.
Uma fórmula paradigmática que resolve
todos os problemas do centro. Um
regulamento de funcionamento.
Um conjunto articulado de princípios, orientações e
sistemas que servem de marco às atividades
educativas.
Um “panfleto” que diz coisas muito
“atrevidas” sobre a educação.
Um projeto equilibrado, produto das intenções de
toda a comunidade educativa.
Um documento que só expressa o que se
quer que se conheça.
Um projeto resultante da tensão entre o
estabelecido (imposto), a prática implícita (ritual) e o
intencional.
Em suma, concebendo-se como uma adaptação do “projeto educacional” do país (leis e diretrizes
curriculares) ao nível específico local, como uma programação geral da escola e como um instrumento
de autonomia didático-pedagógica e organizativa da escola, o projeto educativo da escola se caracteriza
por quatro categorias metodológicas (Baldacci74):
- A intencionalidade;
- A contextualização;
- A metodicidade; e
- A flexibilidade.
Pela intencionalidade, o projeto educativo estabelece direção e metas precisas e explícitas, evitando
a ação educativa casual e extemporânea.
A contextualização representa a adaptação do projeto educacional do país à realidade sociocultural
concreta de uma escola. A intencionalidade passa a ser “historicizada”, ou seja, contextualizada num
ambiente de referência específico, o que permite a passagem de um projeto abstrato para um projeto
concreto.
A metodicidade valoriza o princípio de sistematicidade e organicidade no processo didático, mesmo
reconhecendo as diferenças de estilo de aprender e ensinar de alunos e professores, respectivamente.
Finalmente, a flexibilidade assegura que o projeto educativo seja tratado como uma mera hipótese
de trabalho e por isso está sujeito a retificações e revisões ao longo de sua implementação.
PPP - Projeto Político Pedagógico
O PPP nasce da necessidade de organização do trabalho pedagógico para os alunos, a escola é o
lugar de concepção, realização e avaliação dessa ação. Será um elo entre a escola e a comunidade
escolar, bem como com o sistema de ensino que a compõe. Essa construção faz emergir a necessidade
de responsabilização de diversos atores na prática social.
É projeto porque significa lançar para diante. “Todo projeto supõe rupturas com o presente e
promessas para o futuro” (Gadotti).
É político, pois “a dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática
especificamente pedagógica" (Saviani).
É pedagógico porque traz a possibilidade de efetivação da intencionalidade da escola, que é a
formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. A partir de ações
educativas. (Ilma Veiga)
Questões
01. (CS/UFG - IFGoiano - Pedagogo - 2019) O planejamento pedagógico é uma ação assegurada
pela Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a qual garante que os profissionais da escola tenham um
tempo para planejar suas atividades. No entanto, a sua importância não se constitui apenas por ser
74 BALDACCI, M. La scuola dell´autonomia: Il Progetto educativo d´Istituto. Bari: Maria Adda Edittore. 1996.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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assegurado por lei, mas pelo planejamento se constituir parte indispensável do trabalho docente, pois o
planejamento docente deve ser
(A) uma ação desenvolvida pelos docentes para os discentes com vistas a organizar seus estudos e
suas avaliações.
(B) um processo de elaboração de currículos e programas específicos desenvolvidos pelos docentes
para a equipe diretiva da escola.
(C) um processo burocrático de preenchimento de formulários pelo docente para controle e
arquivamento.
(D) um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando atividade
escolar e o contexto social.
02. (CS/UFG - IFGoiano - Pedagogo - 2019) O planejamento é um processo de sistematização,
organização e coordenação da ação docente que articula a atividade escolar ao contexto social. A escola,
os professores e os alunos são integrantes desse processo. Nesse sentido, o planejamento de ensino
necessita
(A) ser elaborado considerando a realidade externa à escola desvinculada dos programase
conhecimentos a serem trabalhados em sala de aula.
(B) ser produzido de forma consciente e qualitativamente satisfatória, no que diz respeito aos aspectos
científicos e aos aspectos político-pedagógicos.
(C) estar vinculado diretamente aos objetivos da comunidade para a proposição das ações técnico-
administrativas da escola.
(D) orientar as decisões dos gestores das redes de ensino em relação às situações relativas ao
funcionamento da escola.
03. (IDECAN - AGU - Técnico em Assuntos Educacionais - 2019) O planejamento educacional,
considerado por Calazans (1990) uma ação de cunho técnico e político, constitui elemento fundamental
ao bom desenvolvimento dos processos educativos. Em se tratando do planejamento macro da educação
brasileira, tem-se como referência o
(A) PNAE.
(B) PDDE.
(C) PNE.
(D) PNAIC.
(E) PNAD.
04. (IFB - Professor Pedagogia - IFB) Em relação aos aspectos do planejamento, assinale a opção
que contenha a CORRETA sequência hierárquica do mais amplo ao mais restrito, em relação ao
planejamento:
(A) planejamento escolar; planejamento educacional; planejamento de ensino; planejamento curricular;
(B) planejamento curricular; planejamento educacional; planejamento escolar; planejamento de ensino;
(C) planejamento de ensino; planejamento curricular; planejamento escolar; planejamento
educacional;
(D) planejamento de ensino; planejamento educacional; planejamento curricular planejamento escolar;
(E) planejamento educacional; planejamento escolar; planejamento curricular; planejamento de ensino.
05. (SEDF - Professor de Educação Básica - Quadrix) Quanto ao planejamento e à organização do
trabalho pedagógico, julgue o item subsecutivo.
No processo de planejamento e organização do trabalho pedagógico, as ações estão circunstanciadas
no âmbito dos vários elementos que compõem o universo escolar, devendo ser dada importância máxima
àquelas circunscritas à prática pedagógica do professor e à sua formação.
( ) Certo ( ) Errado
06. (Pref. Rio de Janeiro/RJ - Professor de Ensino Fundamental) José Carlos Libâneo, em seu livro
Didática, declara:
(...) A ação de planejar, portanto, não se reduz ao simples preenchimento de formulários para controle
administrativo; é, antes, a atividade consciente de previsão das ações docentes (...). LIBÂNEO, José
Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1990. Pág.222
Nesse trecho, o autor destaca uma das características do planejamento pedagógico, que é:
(A) a flexibilidade
(B) a contextualidade
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(C) a intencionalidade
(D) o rigor administrativo
07. (Pref. Marcação/PB - Professor de Ciências - FACET) Plano tem a conotação de produto do
planejamento. Ele é na verdade um guia com a função de orientar a prática, é a formalização do processo
de planejar, com esta informação responda a proposição abaixo.
I. Planejamento educacional, planejamento escolar são tipos de planejamento essenciais à educação.
II. Os tipos de planejamento essenciais à educação são quatro.
III. O PPP Projeto Político-Pedagógico não faz parte do planejamento, a sua construção deve envolver
e articular todos os que participam da realidade escolar: corpo docente, discente e comunidade.
IV. Plano é a “apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação a
realizar”. Plano tem, a conotação de produto do planejamento.
Marque a proposição que contém as alternativas corretas.
(A) I, II, IV
(B) I, III, IV
(C) II, IV, III
(D) I, II, III
(E) Todas estão corretas
08. (Pref. Nova Friburgo/RJ - Professor de Ciências - Exatus) Assinale (V) para as alternativas
verdadeiras e (F) para as falsas:
( ) O planejamento escolar não assegura a unidade e a coerência do trabalho docente.
( ) O planejamento escolar não inter-relaciona ao plano de aula.
( ) O planejamento escolar é um processo contínuo e dinâmico.
( ) O planejamento escolar deve ser dialógico e flexível.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de cima para baixo:
(A) V, V, F, V.
(B) F, F, V, V.
(C) V, F, V, F.
(D) F, V, V, F.
09. (IF/SC - Professor de Administração) Leia o texto.
“O planejamento, em relação aos diversos níveis, deve ser o instrumento direcional de todo o processo
educacional, pois ele tem condições de estabelecer e determinar as grandes urgências, de indicar as
prioridades básicas e de ordenar e determinar todos os recursos e meios necessários para a consecução
de metas da educação." (Menegolla e Sant'Anna, 2001, p.31)
Considerando as características dos diferentes níveis de planejamento, associe as colunas.
(1) Planejamento Educacional
(2) Planejamento da Escola
(3) Planejamento curricular
(4) Plano de curso
(5) Plano de disciplina
(6) Plano de aula
( ) É de fundamental importância para a escola e para o aluno, pois determina os objetivos, relaciona
as disciplinas, os conteúdos, as atividades e experiências que possibilitarão o alcance dos objetivos de
aprendizagem.
( ) Define a organização de um conjunto de disciplinas que serão ministradas e desenvolvidas em
uma escola.
( ) Torna-se necessário, tendo em vista as finalidades da educação, constituindo o instrumento básico
para que todo o processo educativo se concretize.
( ) Constitui uma atividade que envolve o processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o
funcionamento e a proposta pedagógica da instituição.
( ) Expressa a proposta de trabalho do professor, constituindo a previsão do desenvolvimento do
conteúdo. Corresponde ao nível de maior detalhamento do processo de planejamento didático.
( ) Sistematiza a ação do professor, pois expressa a previsão de conhecimentos e conteúdos que
serão ministrados, a definição dos objetivos e a seleção de procedimentos e técnicas de ensino.
Assinale a alternativa que contém a ordem CORRETA de associação, de cima para baixo
(A) 3, 4, 1, 2, 6, 5
(B) 2, 4, 1, 3, 6, 5
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(C) 3, 4, 2, 1, 6, 5
(D) 2, 4, 1, 5, 6, 3
(E) 3, 1, 4, 2, 5, 6
10. (IF/SC - Professor de Administração) A respeito dos elementos pedagógicos da capacitação,
julgue o item subsecutivo.
Em razão de sua importância para o bom andamento do ensino, o planejamento deve ser pensado e
executado pelos professores a partir de reflexões conjuntas com os alunos e a comunidade escolar.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito
01.D / 02.B / 03.C / 04.E / 05.Errado / 06.C / 07.A / 08.B / 09.A / 10.Certo
Comentários
01. Resposta: D
Conforme até mesmo as definições de Libâneo para o planejamento do trabalho docente, que diz que
é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação do professor.
02. Resposta: B
O planejamento deve levar a realidade externa à escola, mas que deve estar vinculada aos programas
e conhecimentos a serem trabalhados em sala de aula.
Não é o planejamento que deve estar vinculado diretamente aos objetivos da comunidade para a
proposição das ações técnico-administrativas da escola, mas sim o projeto político-pedagógico.
E aquilo que vai orientar as decisões dos gestores é o projeto político-pedagógico, não o planejamento.
03. Resposta: C
Plano Nacional de Educação: Nele se reflete a política educacional de um povo, num determinado
momento histórico do país. É o de maior abrangência porque interfere nos planejamentos feitos no nível
nacional, estadual e municipal. Atualmente regido pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, tendo a
vigência de 10 anos.
E as siglas trazem como significado:
- Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
- Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE)
- Plano Nacional de Educação (PNE)
- Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC)
- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD)
04. Resposta: E
05. Resposta: Errado
É condição primordial do processo de planejamentointegral da educação que, em nenhum caso,
interesses pessoais ou de grupos possam desviá-lo de seus fins essenciais que vão contribuir para a
dignificação do homem e para o desenvolvimento cultural, social e econômico do país.
06. Resposta: C
A “atividade consciente de previsão das ações docentes” (intencionalidade)
Pela intencionalidade, o projeto educativo estabelece direção e metas precisas e explícitas, evitando
a ação educativa casual e extemporânea. A contextualização representa a adaptação do projeto
educacional do país à realidade sociocultural concreta de uma escola. A intencionalidade passa a ser
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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“historicizada”, ou seja, contextualizada num ambiente de referência específico, o que permite a
passagem de um projeto abstrato para um projeto concreto.
07. Resposta: A
Alternativa errada: O PPP Projeto Político-Pedagógico não faz parte do planejamento, a sua
construção deve envolver e articular todos os que participam da realidade escolar: corpo docente,
discente e comunidade.
08. Resposta: B
Alternativas falsas:
O planejamento escolar não assegura a unidade e a coerência do trabalho docente.
O planejamento escolar não inter-relaciona ao plano de aula.
09. Resposta: A
Planejamento Educacional - também denominado “Planejamento do Sistema de Educação”, é o de
maior abrangência.
Planejamento Escolar ou Planejamento da Escola - atividade que envolve o processo de reflexão, de
tomada de decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição
(escola).
Planejamento Curricular - é o “[...] processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar.
É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno”. Nesse momento a preocupação é
com a aprendizagem através dos diversos componentes curriculares.
Planejamento de Ensino - é o processo de decisão sobre a atuação concreta dos professores no
cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações em constante interações entre
professor e alunos e entre os próprios alunos.
10. Resposta: Certo
O processo de planejamento nada mais é do que um conjunto de princípios teóricos, procedimentos
metodológicos e técnicas de grupo que podem ser aplicados a qualquer tipo de organização social que
demanda um objetivo, que procura uma mudança situacional futura.
Deve ser elaborado e executado em equipe. Os objetivos e as atividades podem ser alterados à medida
que se desencadeiem, pois, a realidade pode oferecer surpresas não previstas, portanto, é necessário
que a Unidade Escolar tenha um planejamento claro e flexível.
DIDÁTICA
Libâneo75 pontua que os alunos costumam comentar entre si: “gosto desse professor porque ele tem
didática”. Outros dizem: “com essa professora a gente tem mais facilidade de aprender”. Provavelmente,
o que os alunos estão querendo dizer é que esses professores têm um modo acertado de dar aula, que
ensinam bem, que com eles, de fato, aprendem.
Então, o que é ter didática? A didática pode ajudar os alunos a melhorar seu aproveitamento escolar?
O que um professor precisa conhecer de didática para que possa levar bem o seu trabalho em sala de
aula?
Considerando as mudanças que estão ocorrendo nas formas de aprender e ensinar, principalmente
pela forte influência dos meios de informação e comunicação, o que mudar na prática dos professores?
É certo que a maioria do professorado tem como principal objetivo do seu trabalho conseguir que seus
alunos aprendam da melhor forma possível. Por mais limitações que um professor possa ter (falta de
tempo para preparar aulas, falta de material de consulta, insuficiente domínio da matéria, pouca variação
nos métodos de ensino, desânimo por causa da desvalorização profissional, etc.), quando entra em
classe, ele tem consciência de sua responsabilidade em proporcionar aos alunos um bom ensino.
75 LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2010.
Didática e Metodologia do Ensino em Anos Iniciais
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
73
Apesar disso, saberá ele fazer um bom ensino, de modo que os alunos aprendam melhor?
É possível melhorar seu desempenho como professor?
Qual é o sentido de “mediação docente” nas aulas?
Os Estilos de Professor
Há diversos tipos de professores. Os mais tradicionais contentam-se em transmitir a matéria que está
no livro didático, por meio de aula expositiva. É o estilo professor-transmissor de conteúdo. Suas aulas
são sempre iguais, o método de ensino é quase o mesmo para todas as matérias, independentemente
da idade e das características individuais e sociais dos alunos. Pode até ser que essas práticas de passar
a matéria, dar exercícios e depois cobrar o conteúdo na prova, tenham algum resultado positivo. Mesmo
porque alguns alunos aprendem “apesar do professor”.
O mais comum, no entanto, é o aluno memorizar o que o professor fala, decorar a matéria e mecanizar
fórmulas, definições etc. A aprendizagem que decorre desse tipo ensino (vamos chamá-la de mecânica,
repetitiva) serve para responder questões de uma prova, sair-se bem no vestibular ou num concurso, mas
ela não é duradoura, ela não ajuda o aluno a formar esquemas mentais próprios. O aluno que aprende
mecanicamente, na maior parte dos casos, não desenvolve raciocínio próprio, não forma generalizações
conceituais, não é capaz de fazer relações entre um conceito e outro, não sabe aplicar uma relação geral
para casos particulares.
O professor transmissor de conteúdo não favorece uma aprendizagem sólida porque o
conteúdo que ele passa não se transforma em meio de atividade subjetiva do aluno. Ou seja, o
aluno não dá conta de explicar uma ideia, uma definição, com suas próprias palavras, não saber
aplicar o conhecimento em situações novas ou diferentes, nem na sala de aula nem fora dela. A
participação do aluno é pouco solicitada, e quando o professor faz uma pergunta, ele próprio
imediatamente a responde.
É possível que entre os professores que se utilizam desses procedimentos de ensino haja
alguns que levem os alunos a aprender os conceitos de forma mais sólida, que saibam lidar de
forma autônoma com os conceitos. Mas não é o caso da maioria. O que se vê nas instituições de
ensino superior é um ensino meramente expositivo, empírico, repetitivo, memorístico.
Os alunos desses professores não aprendem solidamente, ou seja, não sabem lidar de forma
independente com os conhecimentos, não “interiorizam” os conceitos, o modo de pensar,
raciocinar e atuar, próprios da matéria que está sendo ensinada e, assim, os conceitos não se
transformam em instrumentos mentais para atuar com a realidade.76
O estilo professor-facilitador aplica-se a professores que se julgam mais atualizados nas metodologias
de ensino, eles tentam variar mais os métodos e procedimentos. Alguns deles preocupam-se, realmente,
com certas características individuais e sociais dos alunos, procuram saber os conhecimentos prévios ou
as experiências dos alunos, tentam estabelecer diálogo ou investir mais no bom relacionamento com os
alunos. Outros tentam inovar organizando trabalhos em grupo ou estudo dirigido, utilizando recursos
audiovisuais, dando tarefas que requerem algum tipo de pesquisa.
Há, também, em algumas áreas de conhecimento, professores que entendem que a melhor forma de
aprender é colocar os alunos no laboratório na crença de que, fazendo experiências, lidando com
materiais, assimilam melhor a matéria. Essas formas de trabalho didático, sem dúvida, trazem mais
vantagens do que aquelas do ensino tradicional. Entretanto, quase sempre esses professores acabam
voltando às práticas tradicionais, por exemplo, não sabem utilizar a atividade própria do aluno para eles
próprios formando conceitos.
Com efeito, ao avaliar a aprendizagem dos alunos pedem respostas memorizadas e a repetição de
definições ou fórmulas.Mesmo utilizando técnicas ativas e respeitando mais o aluno, as mudanças
metodológicas ficam apenas na forma, mantendo empobrecidos os resultados da aprendizagem, ou aluno
não forma conceitos, não aprende a pensar com autonomia, não interioriza ações mentais. Ou seja, sua
atividade mental continua pouco reflexiva.
Poderíamos mencionar outros estilos de professor: o professor-técnico (preocupado pelo lado
operacional, prático da sua matéria, seu objetivo é saber-fazer, não fazer-pensar-fazer); o professor-
laboratório (acha que única forma eficaz de aprender é a pesquisa ou a demonstração experimental); o
professor-comunicador (o típico professor de cursinhos que só sabe trabalhar o conteúdo fazendo
graça, não dando conta de colocar o próprio conteúdo no campo de interesses e motivos do aluno).
76 LIBÂNEO, J. C. A didática e a aprendizagem do pensar e do aprender: a teoria histórico-cultural da atividade e a contribuição de Vasili Davydov. In: Revista
Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 27, 2004.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
74
Em resumo, muitos professores não sabem como ajudar o aluno a, através de formas de
mobilização de sua atividade mental, elaborar de forma consciente e independente o
conhecimento para que possa ser utilizado nas várias situações da vida prática. As atividades que
organizam não levam os alunos a adquirir conceitos e métodos de pensamento, habilidades e
capacidades mentais, para poderem lidar de forma independente e criativa com os conhecimentos
e a realidade, tornando esses conceitos e métodos meios de sua atividade.
Sugerimos para quem deseja um ensino eficaz, tendo em vista aprendizagens mais sólidas dos alunos,
a metáfora do professor-mediador. Quais são as características do professor mediador? O que caracteriza
uma didática baseada no princípio da mediação? Numa formulação sintética, boa didática significa um
tipo de trabalho na sala de aula em que o professor atua como mediador da relação cognitiva do aluno
com a matéria. Há uma condução eficaz da aula quando o professor assegura, pelo seu trabalho, o
encontro bem sucedido entre o aluno e a matéria de estudo. Em outras palavras, o ensino satisfatório
é aquele em que o professor põe em prática e dirige as condições e os modos que asseguram um
processo de conhecimento pelo aluno.
Vejamos isso mais detalhadamente.
Uma pedagogia que valoriza os conteúdos e as ações mentais correspondentes ao modo de
constituição desses conteúdos
Uma boa didática, na perspectiva da mediação, é aquela que promove e amplia o desenvolvimento
das capacidades intelectuais dos alunos por meio dos conteúdos. Conforme a teoria histórico-cultural,
formulada inicialmente pelo psicólogo e pedagogo russo Lev Vygotsky, o objetivo do ensino é o
desenvolvimento das capacidades mentais e da subjetividade dos alunos através da assimilação
consciente e ativa dos conteúdos, em cujo processo se leva em conta os motivos dos alunos. O ensino é
meio pelo qual os alunos se apropriam das capacidades humanas formadas historicamente e objetivadas
na cultura material e espiritual. Essa apropriação se dá pela aprendizagem de conteúdos, habilidades,
atitudes, formadas pela humanidade ao longo da história. Conforme as próprias palavras de Vygotsky:
A internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade
psicológica tendo como base as operações com signos. (...) A internalização das atividades
socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas constitui o aspecto característico da
psicologia humana.
Esse processo de interiorização ou apropriação tem as seguintes características:
a) O desenvolvimento mental dos alunos depende da transmissão-apropriação de conhecimentos,
habilidades, valores, que vão sendo constituídos na história da humanidade;
b) O papel do ensino é propiciar aos alunos os meios de domínio dos conceitos, isto é, dos modos
próprios de pensar e de atuar da matéria ensinada, de modo a formar capacidades intelectuais com base
nos procedimentos lógicos e investigativos da ciência ensinada;
c) A ação de ensinar, mais do que “passar conteúdo”, consiste em intervir no processo mental de
formação de conceitos por parte dos alunos, com base na matéria ensinada;
d) As relações intersubjetivas na sala de aula implicam, necessariamente, a compreensão dos motivos
dos alunos, isto é, seus objetivos e suas razões para se envolverem nas atividades de aprendizagem.
e) A aprendizagem se consolida melhor se forem criadas situações de interlocução, cooperação,
diálogo, entre professor e alunos e entre os alunos, em que os alunos tenham chance de formular e opera
com conceitos.
Na mesma linha teórica, Davydov afirma que o papel do ensino é desenvolver nos alunos as
capacidades intelectuais necessárias para assimilar e utilizar com êxito os conhecimentos. Ele escreve:
Os pedagogos começam a compreender que a tarefa da escola contemporânea não consiste em dar
às crianças uma soma de fatos conhecidos, mas em ensiná-las a orientar-se independentemente na
informação científica e em qualquer outra. Isto significa que a escola deve ensinar os alunos a pensar,
quer dizer, desenvolver ativamente neles os fundamentos do pensamento contemporâneo para o qual é
necessário organizar um ensino que impulsione o desenvolvimento. Chamemos esse ensino de
desenvolvimental.
Conforme Davydov, para que o ensino esteja voltado para o desenvolvimento das capacidades
intelectuais dos alunos, é preciso que o professor conheça quais são os métodos de investigação
utilizados pelo cientista (em relação à matéria que ensina), pois é nesses métodos que encontrará as
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
75
capacidades intelectuais a serem formadas pelos estudantes enquanto estudam a matéria. Em outras
palavras, para aprender a pensar e a agir com base nos conteúdos de uma matéria de ensino é preciso
que os alunos dominem aquelas ações mentais associadas a esses conteúdos, as quais são encontradas
nos procedimentos lógicos e investigativos próprios da ciência que dá origem a esses conteúdos. Conclui-
se, daí, que a um professor não basta dominar o conteúdo, é preciso que saiba mais três coisas:
a) Qual é o processo de pesquisa pelo qual se chegou a esse conteúdo, ou seja, a epistemologia da
ciência que ensina;
b) Por quais métodos e procedimentos ensinará seus alunos a se apropriarem dos conteúdos da
ciência ensinada e, especialmente, das ações mentais ligadas a esses conteúdos;
c) Quais são as características individuais e socioculturais dos alunos e os motivos que os
impulsionam, de modo a saber ligar os conteúdos com esses motivos.
Para M. Castells, a tarefa das escolas e dos processos educativos é o de desenvolver em quem está
aprendendo a capacidade de aprender, em razão de exigências postas pelo volume crescente de dados
acessíveis na sociedade e nas redes informacionais, da necessidade de lidar com um mundo diferente e,
também, de educar a juventude em valores e ajudá-la a construir personalidades flexíveis e eticamente
ancoradas. Também E. Morin expressa com muita convicção a exigência de se desenvolver uma
inteligência geral que saiba discernir o contexto, o global, o multidimensional, a interação complexa dos
elementos. Escreve esse autor:
(...) o desenvolvimento de aptidões gerais da mente permite melhor desenvolvimento das
competências particulares ou especializadas. Quanto mais poderosa é a inteligência geral, maior é sua
faculdade de tratar problemas especiais. A compreensão dos dados particulares também necessita da
ativação da inteligência geral, que opera e organiza a mobilização dos conhecimentos de conjunto em
cada caso particular. (...) Dessa maneira, há correlação entre a mobilização dos conhecimentos de
conjunto e a ativação da inteligência geral.
Em síntese, esses estudos destacam, nos processos do ensinar a aprendere a pensar em um campo
de conhecimento, o papel ativo dos sujeitos na aprendizagem e, especialmente, a necessidade dos
sujeitos desenvolverem habilidades de pensamento, competências cognitivas, como meio para
compreender e atuar no mundo da profissão, da política, da cultura. Esses meios da atividade aprender
são aprendidos pelo estudante quando desenvolve as ações mentais conexas aos conteúdos, isto é, o
modo próprio de pensar, pesquisar e agir que corresponde à ciência, arte ou tecnologia ensinadas.
A Didática e o Trabalho dos Professores77
A didática é uma disciplina que estuda o processo de ensino no qual os objetivos, os
conteúdos, os métodos e as formas de organização da aula se combinam entre si, de modo a criar
as condições e os modos de garantir aos alunos uma aprendizagem significativa. Ela ajuda o
professor na direção e orientação das tarefas do ensino e da aprendizagem, fornecendo-lhe mais
segurança profissional.
Em que consiste o processo de ensino e aprendizagem? O princípio básico que define esse processo
é o seguinte: o núcleo da atividade docente é a relação ativa do aluno com a matéria de estudo, sob a
direção do professor. O processo de ensino consiste de uma combinação adequada entre o papel de
direção do professor e a atividade independente, autônoma e criativa do aluno.
O papel do professor, portanto é o de planejar, selecionar e organizar os conteúdos, programar tarefas,
criar condições de estudo dentro da classe, incentivar os alunos para o estudo, ou seja, o professor dirige
as atividades de aprendizagem dos alunos a fim de que estes se tornem sujeitos ativos da própria
aprendizagem. Não há ensino verdadeiro se os alunos não desenvolvem suas capacidades e habilidades
mentais, se não assimilam pessoal e ativamente os conhecimentos ou se não dão conta de aplicá-los,
seja nos exercícios e verificações feitos em classe, seja na prática da vida.
Podemos dizer, então, que o processo didático é o conjunto de atividades do professor e dos alunos
sob a direção do professor, visando à assimilação ativa pelos alunos dos conhecimentos, habilidades e
hábitos, atitudes, desenvolvendo suas capacidades e habilidades intelectuais. Nessa concepção de
didática, os conteúdos escolares e o desenvolvimento mental se relacionam reciprocamente, pois o
77 LIBÂNEO, J. C. A didática e a aprendizagem do pensar e do aprender: a teoria histórico-cultural da atividade e a contribuição de Vasili Davydov. In: Revista
Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 27, 2004.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
76
progresso intelectual dos alunos e o desenvolvimento de suas capacidades mentais se verificam no
decorrer da assimilação ativa dos conteúdos. Portanto, o ensino e a aprendizagem (estudo) se movem
em torno dos conteúdos escolares visando o desenvolvimento do pensamento.
Mas, qual é a dinâmica do processo de ensino? Como se garante o vínculo entre o ensino (professor)
e a aprendizagem efetiva decorrente do encontro cognitivo e afetivo entre o aluno e a matéria?
A pesquisa mais atual sobre a didática utiliza a palavra “mediação” para expressar o papel do professor
no ensino, isto é, mediar a relação entre o aluno e o objeto de conhecimento. Na verdade, trata-se de
uma dupla mediação: primeiro, tem-se a mediação cognitiva, que liga o aluno ao objeto de conhecimento;
segundo, tem-se a mediação didática, que assegura as condições e os meios pelos quais o aluno se
relaciona com o conhecimento. Sendo assim, a especificidade de toda didática está em propiciar as
condições ótimas de transformação das relações que o aprendiz mantém com o saber. Escreve D´Ávila:
A relação com o saber é, portanto, duplamente mediatizada: uma mediação de ordem cognitiva (onde
o desejo desejado é reconhecido pelo outro) e outra de natureza didática que torna o saber desejável ao
sujeito. É aqui que as condições pedagógicas e didáticas ganham contornos, no sentido de garantir as
possibilidades de acesso ao saber por parte do aprendiz educando.
A força impulsionadora do processo de ensino é um adequado ajuste entre os
objetivos/conteúdos/métodos organizados pelo professor e o nível de conhecimentos, experiências e
motivos do aluno. O movimento permanente que ocorre a cada aula consiste em que, por um lado, o
professor propõe problemas, desafios, perguntas, relacionados com conteúdos significativos, instigantes
e acessíveis; por outro lado, os alunos, ao assimilar consciente e ativamente a matéria, mobilizam seus
motivos, sua atividade mental e desenvolvem suas capacidades e habilidades. Portanto, um bom
planejamento de ensino depende da análise e organização dos conteúdos junto com a análise e
consideração dos motivos dos alunos.
Essa forma de compreender o ensino é muito diferente do que simplesmente passar a matéria ao
aluno. É diferente, também, de dar atividades aos alunos para que fiquem “ocupados” ou aprendam
fazendo. O processo de ensino é um constante vai-e-vem entre conteúdos e problemas que são
colocados e as características de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. É isto que caracteriza a
dinâmica da situação didática, numa perspectiva histórico-cultural.
Insistimos bastante na exigência didática de partir do nível de conhecimentos já alcançado, da
capacidade atual de assimilação e do desenvolvimento mental do aluno, dos motivos do aluno. Ou seja,
não existe o aluno em geral, mas um aluno vivendo numa sociedade determinada, que faz parte de um
grupo social e cultural determinado, sendo que essas circunstâncias interferem na sua capacidade de
aprender, nos seus valores e atitudes, na sua linguagem e suas motivações. Ou seja, a subjetividade (os
motivos) e a experiência sociocultural concreta dos alunos são o ponto de partida para a orientação da
aprendizagem. Um professor que aspira ter uma boa didática necessita aprender a cada dia como lidar
com a subjetividade dos alunos, seus motivos, sua linguagem, suas percepções, sua prática de vida. Sem
essa disposição, será incapaz de colocar problemas, desafios, perguntas, relacionados com os
conteúdos, condição para se conseguir uma aprendizagem significativa.
Essas considerações mostram o traço mais marcante de uma didática crítico-social na perspectiva
histórico-cultural: o trabalho docente como mediação entre a cultura elaborada, convertida em saber
escolar, e o aluno que, para além de um sujeito psicológico, é um sujeito portador da prática social viva.
O modo adequado de realizar a mediação didática, pelo trabalho dos professores, é o provimento aos
alunos dos meios de aquisição de conceitos científicos e de desenvolvimento das capacidades cognitivas
e operativas, dois elementos da aprendizagem escolar interligados e indissociáveis.
O Ensino e o Desenvolvimento do Pensamento - O Ensino Para o Desenvolvimento Humano
A teoria do ensino desenvolvimental de Vasíli Davydov, baseada na teoria histórico-cultural de
Vygotsky, sustenta tese de que o bom ensino é o que promove o desenvolvimento mental, isto é, as
capacidades e habilidades de pensamento. Segundo Vygotsky, a aprendizagem e o ensino são formas
universais de desenvolvimento mental. Para Davydov, a atividade de aprendizagem está assentada no
conhecimento teórico-científico, ou seja, no desenvolvimento do pensamento teórico e nas ações mentais
que lhe correspondem.
É importante esclarecer que, na teoria histórico-cultural elaborada entre outros por Vygotsky, Leontiev
e Davydov, pensamento teórico ou conceito não tem o sentido de “estudar teoria”, de lidar com o conteúdo
só na teoria. Na teoria histórico-cultural, conceito não se refere apenas às características e propriedades
dos fenômenos em estudo, mas a uma ação mental peculiar pela qual se efetua uma reflexão sobre um
objeto que, ao mesmo tempo, é um meio de reconstrução mental desse objeto pelo pensamento.
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Nesse sentido,pensar teoricamente é desenvolver processos mentais pelos quais chegamos aos
conceitos e os transformamos em ferramentas para fazer generalizações conceituais e aplicá-las a
problemas específicos. Como escreve Seth Chaiklin, conceito significa um conjunto de procedimentos
para deduzir relações particulares de uma relação abstrata.
O ensino, portanto, propicia a apropriação da cultura e da ciência, e o desenvolvimento do pensamento,
por meio da formação e operação com conceitos. São dois processos articulados entre si, formando uma
unidade: Podemos expressar essa ideia de duas maneiras:
- À medida que o aluno forma conceitos científicos, incorpora processos de pensamento e vice-versa.
- Enquanto forma o pensamento teórico-científico, o aluno desenvolve ações mentais mediante a
solução de problemas que suscitam sua atividade mental.
Com isso, o aluno assimila o conhecimento teórico e as capacidades e habilidades relacionadas a esse
conhecimento.
Sendo assim, o papel da escola é ajudar os alunos a desenvolver suas capacidades mentais, ao
mesmo tempo em que se apropriam dos conteúdos. Nesse sentido, a metodologia de ensino, mais do
que o conjunto dos procedimentos e técnicas de ensino, consiste em instrumentos de mediação
para ajudar o aluno a pensar com os instrumentos conceituais e os processos de investigação da
ciência que se ensina. Por exemplo, a boa pedagogia da física é aquela que consegue traduzir
didaticamente o modo próprio de pensar, investigar e atuar da própria física. Boa pedagogia da
geografia é aquela cujo aluno sai das aulas pensando, raciocinando, investigando e atuando como
o modo próprio de pensar, raciocinar, investigar e atuar da geografia.
Trata-se, assim, de fazer a junção entre o conteúdo e o desenvolvimento das capacidades de pensar.
A ideia central contida nessa teoria é simples: ensinar é colocar o aluno numa atividade de aprendizagem.
A atividade de aprendizagem é a própria aprendizagem, ou seja, com base nos conteúdos, aprender
habilidades, desenvolver capacidades e competências para que os alunos aprendam por si mesmos.
É essa ideia que Davydov defende: a atividade de aprender consiste em encontrar soluções gerais
para problemas específicos, é apreender os conceitos mais gerais que dão suporte a um conteúdo, para
aplicá-los a situações concretas. Esse modo de ver o ensino significa dizer que o ensino mais compatível
com o mundo da ciência, da tecnologia, dos meios de comunicação, é aquele que contribui para que o
aluno aprenda a raciocinar com a própria cabeça, que forme conceitos e categorias de pensamento
decorrentes da ciência que está aprendendo, para lidar praticamente com a realidade. Os conceitos,
nessa maneira de ver, são ferramentas mentais para lidar praticamente com problemas, situações,
dilemas práticos, etc.
Explicitando essa ideia numa formulação mais completa, podemos dizer: o modo de lidar
pedagogicamente com algo, depende do modo de lidar epistemologicamente com algo, considerando as
condições do aluno e o contexto sociocultural em que ele vive (vale dizer, as condições da realidade
econômica, social, etc.). Trata-se, portanto, de unir no ensino a lógica do processo de investigação com
os produtos da investigação. Ou seja, o acesso aos conteúdos, a aquisição de conceitos científicos,
precisa percorrer o processo de investigação, os modos de pensar e investigar da ciência ensinada. Não
basta aprender o que aconteceu na história, é preciso pensar historicamente. Pensar matematicamente
sobre matemática, biologicamente sobre biologia, linguisticamente sobre português.
Essa forma de entender a atividade de ensino das disciplinas específicas requer do professor não
apenas o domínio do conteúdo, mas, também, dos procedimentos investigativos da matéria que está
ensinando e das formas de pensamento, habilidades de pensamento que propiciem uma reflexão sobre
a metodologia investigativa do conteúdo que se está aprendendo. Ensinar, portanto, é adquirir meios do
pensar, através dos conteúdos. Em outras palavras, é desenvolver nos alunos o pensamento teórico, que
é o processo através do qual se revela a essência e o desenvolvimento dos objetos de conhecimento e
com isso a aquisição de métodos e estratégias cognoscitivas gerais de cada ciência, em função de
analisar e resolver problemas. Escreve a esse respeito Rubtsov:
A aquisição de um método teórico geral visando à resolução de uma série de problemas
concretos e práticos, concentrando-se naquilo que eles têm em comum e não na resolução
específica de um entre eles, constitui-se numa das características mais importantes da
aprendizagem. Propor um problema de aprendizagem a um escolar é confrontá-lo com uma
situação cuja solução, em todas as suas variantes concretas, pede uma aplicação do método
teórico geral.
(...) Podemos definir o processo de resolução de um problema como o da aquisição das formas
de ação características dos conteúdos teóricos. O termo “forma de ação geral”, também chamado
de forma de ação universal, designa aquilo que é obtido como resultado ou modo de
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
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funcionamento essencial para trazer soluções para os problemas de aprendizagem; mais do que
soluções, é este resultado particular que constitui o objeto desses problemas.
Nesses termos, o papel da didática é: a) ajudar os alunos a pensar teoricamente (a partir da formação
de conceitos); b) ajudar o aluno a dominar o modo de pensar, atuar e investigar a ciência ensinada; c)
levar em conta a atividade psicológica do aluno (motivos) e seu contexto sociocultural e institucional.
Para chegar à consecução desses objetivos, o professor precisa saber como trabalhar a matéria no
sentido da formação e operação com conceitos. Para isso, no trabalho com os conteúdos, podem ser
seguidos três momentos:
1º) Análise do conteúdo da matéria para identificar um princípio geral, ou seja, uma relação mais
geral, um conceito nuclear, do qual se parte para ser aplicado a manifestações particulares desse
conteúdo.
2º) Realizar por meio da conversação dirigida, do diálogo com os alunos, da colocação
problemas ou casos, tarefas que possibilitem deduções do geral para o particular, ou seja,
aplicação do princípio geral (relação geral, conceito nuclear) a problemas particulares.
3º) Conseguir com que o aluno domine os procedimentos lógicos do pensamento (ligados à
matéria) que têm caráter generalizante. Ao captar a essência, isto é, o princípio interno explicativo
do objeto e suas relações internas, o aluno se apropria dos métodos e estratégias cognitivas dos
modos de atividades anteriores desenvolvidas pelos cientistas; o aluno reproduz em sua mente o
percurso investigativo de apreensão teórica do objeto realizado pela prática científica e social.
Todos esses momentos devem estar conectados com os motivos e objetivos subjetivos do aluno,
ampliados com as necessidades sociais de estudar e aprender interpostos pelo professor, na sua
condição de educador.
O Caminho Didático: Sugestões para Elaboração de Planos de Ensino
Ao assumir o ensino de uma matéria, os professores geralmente partem de um conteúdo já
estabelecido num projeto pedagógico-curricular. O procedimento da análise de conteúdo indicado na
didática desenvolvimental pode levar a uma organização do conteúdo muito diferente da existente na
instituição, ou seja, os temas podem ser os mesmos, mas a sequência e a lógica de estruturação podem
ser outras.
Os procedimentos a serem utilizados em relação à formulação de conteúdos, objetivos e metodologia
podem ser os seguintes:
a) Identificar, o núcleo conceitual da matéria (essência, princípio geral básico) e as relações gerais
básicas que a definem e lhe dão unidade. Este núcleo conceitual contém a generalização esperada para
que o aluno a interiorize, de modo a poder deduzir relações particulares da relação básica identificada.
b) Construir a rede de conceitosbásicos que dão suporte a esse núcleo conceitual, com as devidas
relações e articulações (mapa conceitual).
c) Estudo da gênese e dos processos investigativos do conteúdo, de modo a extrair ações mentais,
habilidades cognitivas gerais a formar no estudo da matéria.
d) Formulação de tarefas de aprendizagem, com base em situações-problema, que possibilitem a
formação de habilidades cognitivas gerais e específicas em relação à matéria.
e) Prever formas de avaliação para verificar se o aluno desenvolveu ou está desenvolvendo a
capacidade de utilizar os conceitos como ferramentas mentais.
A Didática e as Diretrizes Curriculares para a Educação Básica
A estrutura didática da Educação Básica instituída pela Lei n°. 9.394 de 20 de dezembro de 1996
envolve escolas de diferentes níveis: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, além de
modalidades específicas de ensino, como a Educação de Jovens e Adultos, a Educação Profissional e a
Educação Especial.
Conforme o artigo 22 desta lei: “A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando,
assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para
progredir no trabalho e em estudos posteriores”. Essas finalidades devem ser analisadas de acordo com
os pressupostos filosóficos e políticos contidos na Constituição Brasileira vigente. Portanto, todas as
atividades de ensino-aprendizagem devem obrigatoriamente convergir para as finalidades
constitucionalmente estabelecidas.
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A Educação Infantil é o primeiro nível da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento
integral da criança até seis anos, considerando os aspectos físico, psicológico, intelectual e social e
completando a ação da família e da comunidade. Segundo o artigo 30 da LDB, é oferecida em dois níveis:
“I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II - pré-escolas, para as
crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade.”.
O Ensino Fundamental, segundo artigo 32 da LDB, obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito
na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão,
mediante:
I - O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da
leitura, da escrita e do cálculo;
II - A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos
valores em que se fundamenta a sociedade;
III - O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos
e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância
recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino
fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-
aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino.
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades
indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação
da aprendizagem ou em situações emergenciais.
§ 5° O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das
crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o
Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático
adequado.
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do
ensino fundamental.
O Ensino Médio, conforme o artigo 35 da LDB, é a etapa final da Educação Básica, com duração
mínima de três anos. Tem como finalidades:
I - A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental,
possibilitando o prosseguimento de estudos;
II - A preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de
modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento
posteriores;
III - O aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o
desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - A compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando
a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
A Educação de Jovens e de Adultos - EJA é a modalidade de ensino prevista nos artigos 37 e 38 da
LDB para jovens e adultos concluírem o Ensino Fundamental ou Médio.
A Educação Profissional não se coloca como um nível de ensino, mas tipo de formação que se integra
ao trabalho, à ciência e à tecnologia e conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida
produtiva. Está regulamentada nos artigos 39, 40 e 41 da LDB.
A Educação Especial, de acordo com o artigo 58 da LDB, é uma modalidade de educação oferecida
preferentemente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
Questões
01. (SEDUC/PI - Professor - Informática - NUCEPE) A Didática constitui disciplina essencial nos
processos de formação de professores, notadamente articulando o saber, o saber-ser e o saber-fazer. No
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contexto dessa análise, pode-se afirmar CORRETAMENTE, acerca da concepção tradicional de Didática
que:
(A) refere-se a um conjunto de procedimentos universais relativos à docência;
(B) afirma a neutralidade científica do método, a preocupação com os meios desvinculados dos fins e
do contexto;
(C) caracteriza-se por transcender métodos e técnicas de ensino, buscando articular escola/sociedade;
(D) compreende uma doutrina da instrução, revelando-se como um conjunto de normas prescritivas
centradas no método;
(E) caracteriza-se por estabelecer métodos e técnicas de educação desvinculados dos princípios
educacionais.
02. (SEE/AL - Todos os Cargos - CESPE) Com relação à didática e à sua prática histórico-social,
julgue o item a seguir.
O enfoque tecnicista da didática busca estratégia objetiva, racional e neutra do processo de ensino-
aprendizagem, em contraposição ao enfoque humanista.
( ) Certo ( ) Errado
03. (Prefeitura de Nova Friburgo/RJ - Professor - EXATUS/PR) Em relação à Didática, é incorreto
afirmar que
(A) contribui para transformar a prática pedagógica da escola, ao desenvolver a compreensão
articulada entre os conteúdos a serem ensinados e as práticas sociais.
(B) não compete refletir acerca dos objetivos sócio-políticos e pedagógicos, ao selecionar os conteúdos
e métodos de ensino.
(C) realiza-se por meio de ação consciente, intencional e planejada, no processo de formação humana,
estabelecendo-se objetivos e critérios socialmente determinados.
(D) sua finalidade é converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino,
selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos.
Gabarito
01.D / 02.Certa / 03.B
Comentários
01. Resposta: D
Conjunto de regras e normas prescritivas visando a orientação técnica do ensino e do estudo. Alicerce
de uma tradição didática centrada no método e em regras de bem conduzir a aula e o estudo - ação
desvinculada da realidade brasileira.
02. Resposta: Certa
"Entre os anos 1960 e 1980 a didática assumiu o enfoque teórico numa dimensão denominada
tecnicista, e deixou o enfoque humanista centrado no processo interpessoal, para uma dimensão técnica
do processo ensino-aprendizagem.
A era industrialfez-se presente na escola, e a didática era vista como uma estratégia objetiva, racional
e neutra do processo. O referencial principal do ensino era a fábrica, e sobre ela se construíram as práticas
educativas e as conceptualizações referentes à educação."
03. Resposta: B
Ao contrário do apresentado na alternativa compete refletir acerca dos objetivos sócio-políticos e
pedagógicos.
MÉTODOS DE ENSINO
78Os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino
e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. Eles
regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo
78 LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
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resultado é a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades
cognoscitivas e operativas dos alunos.
O método não se reduz a um conjunto de procedimentos. O procedimento é um detalhe do método,
formas específicas da ação docente utilizadas em distintos métodos de ensino. Por exemplo, se é utilizado
o método da exposição, podem-se utilizar procedimentos tais como leitura de texto, demonstração de um
experimento, etc.
Qual é o Melhor Método?
O melhor método para a alfabetização79 é uma discussão antiga entre os especialistas no assunto e
também entre os pais quando vão escolher uma escola para seus filhos começaram a ler as primeiras
palavras e frases. No caso brasileiro, com os elevados índices de analfabetismo e os graves problemas
estruturais na rede pública de ensino, especialistas debatem qual seria o melhor método para
revolucionar, ou pelo menos, melhorar a educação brasileira. Ao longo das décadas, houve uma mudança
da forma de pensar a educação, que passou de ser vista da perspectiva de como o aluno aprende e não
como o professor ensina.
São muitas as formas de alfabetizar e cada uma delas destaca um aspecto no aprendizado. Desde o
método fônico, adotado na maioria dos países do mundo, que faz associação entre as letras e sons,
passando pelo método da linguagem total, que não utiliza cartilhas, e o alfabético, que trabalha com o
soletramento, todos contribuem de uma forma ou de outra, para o processo de alfabetização.
Para Libâneo:80"Os métodos são determinados pela relação objetivos-conteúdos, e referem-se aos
meios para alcançar os objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao 'como' do processo de ensino,
englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir objetivos e
conteúdos."
Características dos Métodos de Alfabetização
Método Sintético
O método sintético estabelece uma correspondência entre o som e a grafia, entre o oral e o escrito,
através do aprendizado por letra por letra, ou sílaba por sílaba e palavra por palavra.
Os métodos sintéticos podem ser divididos em três tipos: o alfabético, o fônico e o silábico. No
alfabético, o estudante aprende inicialmente as letras, depois forma as sílabas juntando as consoantes
com as vogais, para, depois, formar as palavras que constroem o texto.
No fônico, também conhecido como fonético, o aluno parte do som das letras, unindo o som da
consoante com o som da vogal, pronunciando a sílaba formada. Já no silábico, ou silabação, o estudante
aprende primeiro as sílabas para formar as palavras.
Por este método, a aprendizagem é feita primeiro através de uma leitura mecânica do texto, através da
decifração das palavras, vindo posteriormente a sua leitura com compreensão.
Neste método, as cartilhas são utilizadas para orientar os alunos e professores no aprendizado,
apresentando um fonema e seu grafema correspondente por vez, evitando confusões auditivas e visuais.
Como este aprendizado é feito de forma mecânica, através da repetição, o método sintético é tido pelos
críticos como mais cansativo e enfadonho para as crianças, pois é baseado apenas na repetição e é fora
da realidade da criança, que não cria nada, apenas age sem autonomia.
Método Analítico
O método analítico, também conhecido como “método olhar-e-dizer”, defende que a leitura é um ato
global e audiovisual. Partindo deste princípio, os seguidores do método começam a trabalhar a partir de
unidades completas de linguagem para depois dividi-las em partes menores. Por exemplo, a criança parte
da frase para extrair as palavras e, depois, dividi-las em unidades mais simples, as sílabas.
Este método pode ser divido em palavração, sentenciação ou global. Na palavração, como o próprio
nome diz, parte-se da palavra. Primeiro, existe o contato com os vocábulos em uma sequência que
engloba todos os sons da língua e, depois da aquisição de certo número de palavras, inicia-se a formação
das frases.
Na setenciação, a unidade inicial do aprendizado é a frase, que é depois dividida em palavras, de onde
são extraídos os elementos mais simples: as sílabas. Já no global, também conhecido como conto e
estória, o método é composto por várias unidades de leitura que têm começo, meio e fim, sendo ligadas
79 VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo:Martins Fontes, 1989.
80 LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
Apostila gerada especialmente para: Nathan Gonçalves 148.811.597-47
82
por frases com sentido para formar um enredo de interesse da criança. Os críticos deste método dizem
que a criança não aprende a ler, apenas decora.
Método Alfabético
Um dos mais antigos sistemas de alfabetização, o método alfabético, também conhecido como
soletração, tem como princípio de que a leitura parte da decoração oral das letras do alfabeto, depois,
todas as suas combinações silábicas e, em seguida, as palavras. A partir daí, a criança começa a ler
sentenças curtas e vai evoluindo até conhecer histórias.
Por este processo, a criança vai soletrando as sílabas até decodificar a palavra.
Por exemplo, a palavra casa soletra-se assim c, a, ca, s, a, sa, casa. O método Alfabético permite
a utilização de cartilhas.
As principais críticas a este método estão relacionadas à repetição dos exercícios, o que o tornaria
tedioso para as crianças, além de não respeitar os conhecimentos adquiridos pelos alunos antes de eles
ingressarem na escola.
O método alfabético, apesar de não ser o indicado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ainda é
muito utilizado em diversas cidades do interior do Nordeste e Norte do país, já que é mais simples de ser
aplicado por professores leigos, através da repetição das Cartas de ABC, e na alfabetização doméstica.
Método Fônico
O método fônico consiste no aprendizado através da associação entre fonemas e grafemas, ou seja,
sons e letras. Esse método de ensino permite primeiro descobrir o princípio alfabético e,
progressivamente, dominar o conhecimento ortográfico próprio de sua língua, através de textos
produzidos especificamente para este fim.
O método é baseado no ensino do código alfabético de forma dinâmica, ou seja, as relações entre sons
e letras devem ser feitas através do planejamento de atividades lúdicas para levar as crianças a aprender
a codificar a fala em escrita e a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento.
O método fônico nasceu como uma crítica ao método da soletração ou alfabético. Primeiro são
ensinadas as formas e os sons das vogais. Depois são ensinadas as consoantes, sendo, aos poucos,
estabelecidas relações mais complexas. Cada letra é aprendida como um fonema que, juntamente com
outro, forma sílabas e palavras. São ensinadas primeiro as sílabas mais simples e depois as mais
complexas.
Visando aproximar os alunos de algum significado é que foram criadas variações do método fônico. O
que difere uma modalidade da outra é a maneira de apresentar os sons: seja a partir de uma palavra
significativa, de uma palavra vinculada à imagem e som, de um personagem associado a um fonema, de
uma onomatopeiaou de uma história para dar sentido à apresentação dos fonemas. Um exemplo deste
método é o professor que escreve uma letra no quadro e apresenta imagens de objetos que comecem
com esta letra. Em seguida, escreve várias palavras no quadro e pede para os alunos apontarem a letra
inicialmente apresentada. A partir do conhecimento já adquirido, o aluno pode apresentar outras palavras
com esta letra.
Os especialistas dizem que este método alfabetiza crianças, em média, no período de quatro a seis
meses. Este é o método mais recomendado nas diretrizes curriculares dos países desenvolvidos que
utilizam a linguagem alfabética.
A maior crítica a este método é que não serve para trabalhar com as muitas exceções da língua
portuguesa. Por exemplo, como explicar que cassa e caça têm a mesma pronúncia e se escrevem de
maneira diferente?
A Velha Cartilha Caminho Suave
A grande maioria dos brasileiros alfabetizados até os anos de 1970 e início dos 80 teve na cartilha
Caminho Suave o seu primeiro passo para o aprendizado das letras. Com mais de 40 milhões de
exemplares vendidos desde a sua criação, a cartilha idealizada pela educadora Branca Alves de Lima,
que morreu em 2001, aos 90 anos, teve um grande sucesso devido à simplicidade de sua técnica.
Na tentativa de facilitar a memorização das letras, vogais e consoantes, e depois das sílabas para
aprender a formar as palavras, a então professora Branca, no final da década de 40, criou uma série de
desenhos que continham a inicial das palavras: o “A” no corpo da abelha, o “F” no cabo da faca, o “G”, no
corpo do gato.
Por causa da facilidade no aprendizado por meio desta técnica, rapidamente a cartilha tornou-se o
principal aliado na alfabetização brasileira até o início dos anos 80, quando o construtivismo começou a
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tomar forma. Em 1995, o Ministério da Educação retirou a cartilha do seu catálogo de livros. Apesar disto,
estima-se que ainda são vendidas 10 mil cartilhas por ano no Brasil.
Tipos de Métodos de Ensino81
1 - Método de Exposição pelo professor: exposição verbal, demonstração, ilustração, exemplificação,
etc.
2 - Método de Trabalho Independente: estudo dirigido, investigação e solução de problemas, etc.
3 - Método de Elaboração Conjunta: conversação didática (perguntas).
4 - Método de Trabalho em Grupo: debate, TPG, Tempestade Mental, GV-GO, Seminário, etc.
5 - Atividades Especiais: estudo do meio, atividades práticas, etc.
Questões
01. (IF/AP - Pedagogo - FUNIVERSA) Os métodos de ensino são as ações por meio das quais os
professores organizam as atividades de ensino com o intuito de atingir objetivos. Considerando essa
informação, assinale a alternativa correta.
(A) Os métodos de ensino adotados em sala de aula independem dos objetivos gerais propostos pelo
Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola.
(B) O método de ensino deve corresponder à necessária unidade: objetivos; conteúdos; métodos; e
formas de organização do ensino.
(C) Os métodos de ensino independem dos conteúdos e das disciplinas, por isso todos os métodos
podem ser utilizados em qualquer conteúdo.
(D) A escolha do método a ser utilizado para o ensino de um determinado conteúdo independe da idade
e do nível de desenvolvimento dos alunos.
(E) No PPP da escola, já estão definidos todos os métodos e todas as ações que o professor adotará
em sala de aula.
02. (Secretaria da Criança/DF - Especialista Socioeducativo - FUNIVERSA) Assinale a alternativa
que apresenta o termo correspondente ao seguinte conceito: são determinados pela relação objetivo-
conteúdo e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específicos do ensino, englobando as
ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos.
(A) conteúdos de ensino
(B) planos de aulas
(C) currículos
(D) planejamentos curriculares
(E) métodos de ensino
Gabarito
01.B / 02.E
Comentários
01. Resposta: B
"Os métodos são determinados pela relação objetivos-conteúdos, e referem-se aos meios para
alcançar os objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao 'como' do processo de ensino,
englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir objetivos e
conteúdos."
02. Resposta: E
Os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e
dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. Eles regulam
as formas de interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo resultado é a
assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e
operativas dos alunos.
81 LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
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EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
82Muitas formas de ensinar hoje não se justificam mais. Perdemos tempo demais, aprendemos muito
pouco, nos desmotivamos continuamente. Tanto professores como alunos temos a clara sensação de
que muitas aulas convencionais estão ultrapassadas. Mas, para onde mudar? Como ensinar e aprender
em uma sociedade mais interconectada?
Avançaremos mais se soubermos adaptar os programas previstos às necessidades dos alunos,
criando conexões com o cotidiano, com o inesperado, se transformarmos a sala de aula em uma
comunidade de investigação.
Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço temporal, pessoal e de grupo, menos
conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. Uma das dificuldades atuais é
conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua
compreensão, em espaços menos rígidos, menos engessados. Temos informações demais e dificuldade
em escolher quais são significativas para nós e conseguir integrá-las dentro da nossa mente e da nossa
vida.
A aquisição da informação, dos dados dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem
trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor - o papel principal
- é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los.
Aprender depende também do aluno, de que ele esteja pronto, maduro, para incorporar a real
significação que essa informação tem para ele, para incorporá-la vivencialmente, emocionalmente.
Enquanto a informação não fizer parte do contexto pessoal - intelectual e emocional - não se tornará
verdadeiramente significativa, não será aprendida verdadeiramente.
Avançaremos mais pela educação positiva do que pela repressiva. É importante não começar pelos
problemas, pelos erros, não começar pelo negativo, pelos limites. E sim começar pelo positivo, pelo
incentivo, pela esperança, pelo apoio na nossa capacidade de aprender e de mudar.
Ajudar o aluno a que acredite em si, que se sinta seguro, que se valorize como pessoa, que se aceite
plenamente em todas as dimensões da sua vida. Se o aluno acredita em si, será mais fácil trabalhar os
limites, a disciplina, o equilíbrio entre direitos e deveres, a dimensão grupal e social.
As Dificuldades para Mudar na Educação
As mudanças demorarão mais do que alguns pensam, porque nos encontramos em processos
desiguais de aprendizagem e evolução pessoal e social. Não temos muitas instituições e pessoas que
desenvolvam formas avançadas de compreensão e integração, que possam servir como referência.
Predomina a média, a ênfase no intelectual, a separação entre a teoria e a prática.
Temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional,
o que dificulta o aprendizado rápido. São poucos os modelos vivos de aprendizagem integradora, que
junta teoria e prática, que aproxima o pensar do viver.
A ética permanece contraditória entre a teoria e a prática. Os meios de comunicação mostram com
frequência como alguns governantes,empresários, políticos e outros grupos de elite agem impunemente.
Muitos adultos falam uma coisa - respeitar as leis - e praticam outra, deixando confusos os alunos e
levando-os a imitar mais tarde esses modelos.
O autoritarismo da maior parte das relações humanas interpessoais, grupais e organizacionais espelha
o estágio atrasado em que nos encontramos individual e coletivamente de desenvolvimento humano, de
equilíbrio pessoal, de amadurecimento social. E somente podemos educar para a autonomia, para a
liberdade com processos fundamentalmente participativos, interativos, libertadores, que respeitem as
diferenças, que incentivem, que apoiem, orientados por pessoas e organizações livres.
As mudanças na educação dependem, em primeiro lugar, de termos educadores maduros intelectual
e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar. Pessoas
com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos.
82 MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Ed. Papirus.2000.
As inovações tecnológicas e sua utilização no processo de ensino-
aprendizagem
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O educador autêntico é humilde e confiante. Mostra o que sabe e, ao mesmo tempo está atento ao
que não sabe, ao novo. Mostra para o aluno a complexidade do aprender, a nossa ignorância, as nossas
dificuldades. Ensina, aprendendo a relativizar, a valorizar a diferença, a aceitar o provisório. Aprender é
passar da incerteza a uma certeza provisória que dá lugar a novas descobertas e a novas sínteses.
Os grandes educadores atraem não só pelas suas ideias, mas pelo contato pessoal. Dentro ou fora da
aula chamam a atenção. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que
estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. São um poço inesgotável de
descobertas.
Enquanto isso, boa parte dos professores é previsível, não nos surpreende; repete fórmulas, sínteses.
São docentes “papagaios”, que repetem o que leem e ouvem, que se deixam levar pela última moda
intelectual, sem questioná-la.
É importante termos educadores/pais com um amadurecimento intelectual, emocional, comunicacional
e ético, que facilite todo o processo de organizar a aprendizagem. Pessoas abertas, sensíveis, humanas,
que valorizem mais a busca que o resultado pronto, o estímulo que a repreensão, o apoio que a crítica,
capazes de estabelecer formas democráticas de pesquisa e de comunicação.
As mudanças na educação dependem também de termos administradores, diretores e coordenadores
mais abertos, que entendam todas as dimensões que estão envolvidas no processo pedagógico, além
das empresariais ligadas ao lucro; que apoiem os professores inovadores, que equilibrem o
gerenciamento empresarial, tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um ambiente de maior
inovação, intercâmbio e comunicação.
As mudanças na educação dependem também dos alunos. Alunos curiosos, motivados, facilitam
enormemente o processo, estimulam as melhores qualidades do professor, tornam-se interlocutores
lúcidos e parceiros de caminhada do professor-educador.
Alunos motivados aprendem e ensinam, avançam mais, ajudam o professor a ajuda-los melhor. Alunos
que provêm de famílias abertas, que apoiam as mudanças, que estimulam afetivamente os filhos, que
desenvolvem ambientes culturalmente ricos, aprendem mais rapidamente, crescem mais confiantes e se
tornam pessoas mais produtivas.
Integrar os Meios de Comunicação na Escola
Antes da criança chegar à escola, já passou por processos de educação importantes: pelo familiar e
pela mídia eletrônica. No ambiente familiar, mais ou menos rico cultural e emocionalmente, a criança vai
desenvolvendo as suas conexões cerebrais, os seus roteiros mentais, emocionais e suas linguagens. Os
pais, principalmente a mãe, facilitam ou complicam, com suas atitudes e formas de comunicação mais ou
menos maduras, o processo de aprender a aprender dos seus filhos.
A criança também é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Aprende a informar-se, a
conhecer - os outros, o mundo, a si mesmo - a sentir, a fantasiar, a relaxar, vendo, ouvindo, “tocando” as
pessoas na tela, que lhe mostram como viver, ser feliz e infeliz, amar e odiar. A relação com a mídia
eletrônica é prazerosa - ninguém obriga - é feita através da sedução, da emoção, da exploração sensorial,
da narrativa - aprendemos vendo as estórias dos outros e as estórias que os outros nos contam. Mesmo
durante o período escolar a mídia mostra o mundo de outra forma - mais fácil, agradável, compacta - sem
precisar fazer esforço. Ela fala do cotidiano, dos sentimentos, das novidades. A mídia continua educando
como contraponto à educação convencional, educa enquanto estamos entretidos.
Os Meios de Comunicação, principalmente a televisão, desenvolvem formas sofisticadas
multidimensionais de comunicação sensorial, emocional e racional, superpondo linguagens e mensagens,
que facilitam a interação, com o público. A TV fala primeiro do "sentimento" - o que você sentiu", não o
que você conheceu; as ideias estão embutidas na roupagem sensorial, intuitiva e afetiva.
Os Meios de Comunicação operam imediatamente com o sensível, o concreto, principalmente, a
imagem em movimento. Combinam a dimensão espacial com a cinestésica, onde o ritmo torna-se cada
vez mais alucinante (como nos videoclipes). Ao mesmo tempo utilizam a linguagem conceitual, falada e
escrita, mais formalizada e racional. Imagem, palavra e música se integram dentro de um contexto
comunicacional afetivo, de forte impacto emocional, que facilita e predispõe a aceitar mais facilmente as
mensagens.
A eficácia de comunicação dos meios eletrônicos, em particular da televisão, se deve também à
capacidade de articulação, de superposição e de combinação de linguagens totalmente diferentes -
imagens, falas, música, escrita - com uma narrativa fluida, uma lógica pouco delimitada, gêneros,
conteúdos e limites éticos pouco precisos, o que lhe permite alto grau de entropia, de interferências por
parte de concessionários, produtores e consumidores.
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A televisão combina imagens estáticas e dinâmicas, imagens ao vivo e gravadas, imagens de captação
imediata, imagens referenciais (registradas diretamente com a câmara) com imagens criadas por um
artista no computador. Junta imagens sem ligação referencial (não relacionadas com o real) com imagens
"reais" do passado (arquivo, documentários) e as mistura com imagens "reais" do presente e imagens do
passado não “reais”.
A imagem na televisão, cinema e vídeo é sensorial, sensacional e tem um grande componente
subliminar, isto é, passa muitas informações que não captamos claramente.
O olho nunca consegue captar toda a informação. Então escolhe um nível que dê conta do essencial,
do suficiente para dar um sentido ao caos, de organizar a multiplicidade de sensações e dados. Foca a
atenção, em alguns aspectos analógicos, nas figuras destacadas, nas que se movem e com isso
conseguimos acompanhar uma estória. Mas deixamos de lado, inúmeras informações visuais e
sensoriais, que não são percebidas conscientemente. A força da linguagem audiovisual está em que
consegue dizer muito mais do que captamos, chegar simultaneamente por muitos mais caminhos do que
conscientemente percebemos e encontra dentro de nós uma repercussão em imagens básicas, centrais,
simbólicas, arquetípicas, com as quais nos identificamos ou que se relacionam conosco de alguma forma
É uma comunicação poderosa, como nunca antes a tivemos na história da humanidade e as novas
tecnologias de multimídia e realidade virtual só estão tornando esse processo de simulação muito mais
exacerbado, explorando-o até limites inimagináveis.
A organização da narrativa televisiva, principalmentea visual, não se baseia somente - e muitas vezes,
não primordialmente- na lógica convencional, na coerência interna, na relação causa-efeito, no princípio
de não-contradição, mas numa lógica mais intuitiva, mais conectiva. Imagens, palavras e música vão se
agrupando segundo critérios menos rígidos, mais livres e subjetivos dos produtores que pressupõem um
tipo de lógica da recepção também menos racional, mais intuitiva.
Um dos critérios principais é a contiguidade a justaposição por algum tipo de analogia, de associação
por semelhança ou por oposição, por contraste. Ao colocar pedaços de imagens ou cenas juntas, em
sequência, criam-se novas relações, novos significados, que antes não existiam e que passam a ser
considerados aceitáveis, "naturais", "normais". Colocando, por exemplo, várias matérias em sequência,
num mesmo bloco e em dias sucessivos - como se fossem capítulos de uma novela -, sobre o assassinato
de uma atriz, o de várias crianças e outros crimes semelhantes, acontecidos no Brasil e em outros países,
multiplica-se a reação de indignação da população, o seu desejo de vingança. Isto favorece os
defensores da pena de morte; o que não estava explícito em cada reportagem e nem talvez fosse a
intenção dos produtores.
A televisão estabelece uma conexão aparentemente lógica entre mostrar e demonstrar. Mostrar é igual
a demonstrar, a provar, a comprovar. A força da imagem é tão evidente que se torna difícil não fazer essa
associação comprovatória ("se uma imagem me impressiona, é verdadeira"). Também é muito comum a
lógica de generalizar a partir de uma situação concreta. Do individual, tendemos ao geral. Uma situação
isolada converte-se em situação paradigmática, padrão. A televisão, principalmente, transita
continuamente entre as situações concretas e a generalização. Mostra dois ou três escândalos na família
real inglesa e tirar conclusões sobre o valor e a ética da realeza como um todo.
Ao mesmo tempo, o não mostrar equivale a não existir, a não acontecer. O que não se vê, perde
existência. Um fato mostrado com imagem e palavra tem mais força que se somente é mostrado com
palavra. Muitas situações importantes do cotidiano perdem força, por não ter sido valorizadas pela
imagem-palavra televisiva.
A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus
códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É importante educar para
usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos
indivíduos. O poder público pode propiciar o acesso de todos os alunos às tecnologias de comunicação
como uma forma paliativa, mas necessária de oferecer melhores oportunidades aos pobres, e também
para contrabalançar o poder dos grupos empresariais e neutralizar tentativas ou projetos autoritários.
Se a educação fundamental é feita pelos pais e pela mídia, urgem ações de apoio aos pais para que
incentivem a aprendizagem dos filhos desde o começo das vidas deles, através do estímulo, das
interações, do afeto. Quando a criança chega à escola, os processos fundamentais de aprendizagem já
estão desenvolvidos de forma significativa. Urge também a educação para as mídias, para compreendê-
las, criticá-las e utilizá-las da forma mais abrangente possível.
Preparar os Professores para a Utilização do Computador e da Internet
- O primeiro passo é facilitar o acesso dos professores e dos alunos ao computador e à Internet.
Procurar de todas as formas possíveis que todos possam ter o acesso mais fácil, frequente e
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personalizado possível às novas tecnologias. Ter salas de aula conectadas, salas ambiente para
pesquisa, laboratórios bem equipados. Facilitar que os professores possam ter seus próprios
computadores. Facilitar que cada aluno possa ter um computador pessoal portátil. Sabemos que esta
situação no Brasil é atualmente uma utopia, mas hoje o ensino de qualidade passa também
necessariamente pelo acesso rápido, contínuo e abrangente a todas as tecnologias, principalmente às
telemáticas.
Um dos projetos políticos mais importantes é que a sociedade encontre formas de diminuir a
distância que separa no acesso à informação entre os que podem e os que não podem pagar por
ela. As escolas públicas, comunidades carentes precisam ter esse acesso garantido para não
ficarem condenadas à segregação definitiva, ao analfabetismo tecnológico, ao ensino de quinta
classe.
- O segundo passo é ajudar na familiarização com o computador, com seus aplicativos e com a Internet.
Aprender a utilizá-lo no nível básico, como ferramenta. No nível mais avançado: dominar as ferramentas
da WEB, do e-mail. Aprender a pesquisar nos search, a participar de listas de discussão, a construir
páginas.
- O nível seguinte é auxiliar os professores na utilização pedagógica da Internet e dos programas
multimídia. Ensiná-los a fazer pesquisa.
Começar pela pesquisa aberta, onde há liberdade de escolha do lugar (tema pesquisado livremente)
e pesquisa dirigida, focada para um endereço específico ou um site determinado. Pesquisa nos sites de
busca, nos bancos de dados, nas bibliotecas virtuais, nos centros de referência. Pesquisa dos temas mais
gerais para os mais específicos, pesquisa grupal e pessoal.
- A internet pode ser utilizada em um projeto isolado de uma classe, como algo complementar ou um
projeto voluntário, com alunos se inscrevendo. A Internet pode ser um projeto entre vários colégios ou
grupos, na mesma cidade, de várias cidades ou países. O projeto pode evoluir para a interdisciplinaridade,
integrando várias áreas e professores. A Internet pode fazer parte de um projeto institucional, que envolve
toda a escola de forma mais colaborativa.
A escola pode utilizar a Internet em uma sala especial ou laboratório, onde os alunos se deslocam
especialmente, em períodos determinados, diferentes da sala de aula convencional. A internet também
pode ser utilizada na sala de aula conectada, só pelo professor, como uma tecnologia complementar do
professor ou pode ser utilizada também pelos alunos conectados através de notebooks na mesma sala
de aula, sem deslocamento.
Alguns Caminhos para Integrar as Tecnologias num Ensino Inovador
Na sociedade da informação, todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar;
reaprendendo a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.
É importante conectar sempre o ensino com a vida do aluno. Chegar ao aluno por todos os caminhos
possíveis: pela experiência, pela imagem, pelo som, pela representação (dramatizações, simulações),
pela multimídia, pela interação online e offline.
Partir de onde o aluno está. Ajuda-lo a ir do concreto ao abstrato, do imediato para o contexto, do
vivencial para o intelectual. Os professores, diretores, administradores terão que estar permanentemente
em processo de atualização através de cursos virtuais, de grupos de discussão significativos, participando
de projetos colaborativos dentro e fora das instituições em que trabalham.
Tanto nos cursos convencionais como nos cursos à distância teremos que aprender a lidar com a
informação e o conhecimento de formas novas, pesquisando muito e comunicando-nos constantemente.
Isso nos fará avançar mais rapidamente na compreensão integral dos assuntos específicos, integrando-
os num contexto pessoal, emocional e intelectual mais rico e transformador. Assim poderemos aprender
a mudar nossas ideias, sentimentos e valores onde se fizer necessário.
Necessitamos de muitas pessoas livres nas escolas que modifiquem as estruturas arcaicas,
autoritárias do ensino - escolar e gerencial - Só pessoas livres, autônomas - ou em processo de libertação
- podem educar para a liberdade, podem educar para a autonomia, podem transformar a sociedade. Só
pessoas livres merecem o diploma de educador.Faremos com as tecnologias mais avançadas o mesmo que fazemos conosco, com os outros, com a
vida. Se somos pessoas abertas, as utilizaremos para comunicar-nos mais, para interagir melhor. Se
somos pessoas fechadas, desconfiadas, utilizaremos as tecnologias de forma defensiva, superficial. Se
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somos pessoas autoritárias, utilizaremos as tecnologias para controlar, para aumentar o nosso poder. O
poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes.
Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas
convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar
um verniz de modernidade, sem mexer no essencial. A Internet é um novo meio de comunicação, ainda
incipiente, mas que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar
e de aprender.
Sala de Aula Interativa
Outro termo bem utilizado para usos da tecnologia é o de sala de aula interativa. Vem do iluminismo a
crença na escola como lugar destinado a formar cidadãos esclarecidos, senhores do seu próprio destino.
Entretanto a sala de aula convive tradicionalmente com um impedimento de base ao seu propósito
primordial de educar para a cidadania. Ela não contempla a participação do aluno na construção do
conhecimento e da própria comunicação. O grande discurso moderno centrado na educação escolar
sempre conviveu esse impedimento: o peso de uma tradição bem formulada por Pierre Lévy quando diz:
“a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar-ditar do mestre”.
Nos livros Pedagogia do oprimido, Educação e mudança, e A importância do ato de ler, Paulo Freire
faz críticas à transmissão como sendo o modelo mais identificado como prática de ensino e menos
habilitado a educar. Cito algumas: “O professor ainda é um ser superior que ensina a ignorantes. Isto
forma uma consciência bancária [sedentária, passiva]. O educando recebe passivamente os
conhecimentos, tornando-se um depósito do educador. Educa-se para arquivar o que se deposita.”;
“Quem apenas fala e jamais ouve; quem ‘imobiliza’ o conhecimento e o transfere a estudantes, não
importa se de escolas primárias ou universitárias; quem ouve o eco, apenas de suas próprias palavras,
numa espécie de narcisismo oral; (...) não tem realmente nada que ver com libertação nem democracia.”;
“Ensinar não é a simples transmissão do conhecimento em torno do objeto ou do conteúdo.
Transmissão que se faz muito mais através da pura descrição do conceito do objeto a ser mecanicamente
memorizado pelos alunos.”
P. Freire não desenvolveu uma teoria da comunicação que dê conta de sua crítica à transmissão. No
entanto, deixou seu legado que garante ao conceito de interatividade a exigência da participação daquele
que deixa o lugar da recepção para experimentar a cocriação.
A sala de aula presencial e à distância segue os três fundamentos citados anteriormente. Entretanto,
é preciso considerar que a distinção “presencial” e “à distância” será cada vez menos pertinente quanto
mais se popularizarem as tecnologias digitais. As duas modalidades coexistirão: o uso da web, dos
suportes multimídia e a sala de aula tradicional com professor e alunos frente a frente. O aluno terá a aula
na escola, na universidade, e terá também o site da disciplina com exercícios e novas proposições
configurando a sala de aula virtual. Porém é certo que esteja apenas iniciando a proliferação do “ensino
exclusivamente à distância” via Internet.
Para promover a sala de aula interativa o professor precisa desenvolver pelo menos cinco habilidades
entre outras:
1. Pressupor a participação-intervenção dos alunos, sabendo que participar é muito mais que
responder “sim” ou “não”, é muito mais que escolher uma opção dada; participar é atuar na construção
do conhecimento e da comunicação;
2. Garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção, sabendo que a comunicação e a aprendizagem
são produção conjunta do professor e dos alunos;
3. Disponibilizar múltiplas redes articulatórias, sabendo que não se propõe uma mensagem fechada,
ao contrário, se oferece informações em redes de conexões permitindo ao receptor ampla liberdade de
associações, de significações;
4. Engendrar a cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre alunos
e professor como cocriação e não no trabalho solitário;
5. Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades, sabendo que a fala livre e plural supõe
lidar com as diferenças na construção da tolerância e da democracia.
Estas são habilidades necessárias para o professor aproveitar ao máximo o potencial das novas
tecnologias em sala de aula. Contudo não se destinam somente à sala de aula “inforrica”. Pois, uma vez
que interatividade é conceito de comunicação e não de informática, tais habilidades são necessárias
também para o professor que quer modificar sua postura comunicacional na sala “infopobre”.
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Alguns Problemas no Uso da Internet na Educação
Os dados e informações são muitos, e, portanto, gera uma certa confusão entre informação e
conhecimento.
Na informação os dados organizam-se dentro de uma lógica, de uma estrutura determinada.
Conhecimento é integrar a informação no nosso referencial tornando-a significativa para nós. Alguns
alunos estão acostumados a receber tudo pronto do professor e, portanto, não aceitam esta mudança na
forma de ensinar.
Também há os professores que não aceitam o ensino multimídia, porque parece um modo de ficar
brincando de aula...
Na navegação muitos alunos se perdem pelas inúmeras possibilidades de navegação e acabam se
dispersando. Deve-se orientá-los a selecionar, comparar, sintetizar o que é mais relevante, possibilitando
um aprofundamento maior e um conhecimento significativo.
Mudanças no Ensino Presencial com Tecnologia
Muitos alunos já começam a utilizar o notebook para pesquisa, para solução de problemas. O professor
também acompanha esta mudança motivando os alunos através dos avanços tecnológicos. Teremos com
esta atitude mais ambientes de pesquisa grupal e individual em cada escola; Ex.: as bibliotecas
transformam-se em espaços de integração de mídias e banco de dados.
Com isto haverá mais participação no processo de comunicação, tornando a relação professor/aluno
mais aberta e interativa, mais integração entre sociedade e a escola, entre aprendizagem e a vida.
Quando vale a pena encontrar-nos na sala de aula?
Aprendemos e ensinamos com programas que apresentam o melhor da educação presencial com as
novas formas virtuais; porém há momentos que precisamos encontrar-nos fisicamente, em geral no
começo e no final de um assunto ou curso.
Equilibrar o Presencial e o Virtual
Dificuldades no ensino presencial não serão resolvidos com o virtual. Unir os dois modos de
comunicação o presencial e o virtual e valorizando o melhor de cada um é a solução.
As atividades que fazemos no presencial como comunidades, criação de grupos afins. Definir objetivos,
conteúdos, formas de pesquisas e outras informações iniciais. A comunicação virtual permite interações
espaço-temporais mais livres, adaptação a ritmos diferentes dos alunos novos contatos com pessoas
semelhantes, mas distantes, maior liberdade de expressão à distância.
Com o processo virtual o conceito de curso, de aula também muda. As crianças têm mais necessidade
do contato físico para ajudar na socialização, mas nos cursos médios e superiores, o virtual superará o
presencial. Menos salas de aulas e mais salas ambientes, de pesquisa, de encontro, interconectadas.
Tecnologias na Educação a Distância
Muitas organizações estão se limitando a transpor para o virtual, adaptações do ensino presencial.
Começamos a passar dos modelos individuais para os