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AULA 01 - DRGE - SANAR FLIX DEFINIÇÃO ● Refluxo: fisiológico, principalmente após refeições ● Doença do Refluxo: mais frequente, maior intensidade, gera sintomas EPIDEMIOLOGIA ● Muito frequente: distúrbio mais comum do TGI alto ● 20-40% da população ● Prevalência aumenta ao longo da vida FISIOPATOLOGIA Refluxo pode ser ácido, alcalino ou de gás. O mais comum é o ácido. Mecanismos que previnem ou atenuam o refluxo ● Supraesofágico: ○ produção de saliva intacta ○ deglutição intacta ● Corpo esofágico: ○ peristaltismo primário e secundário intacto ○ tight junctions intactas ● Junção Gastroesofágica (principais mecanismos): ○ RTEEI infrequente ○ tônus EEI intacto ○ EEI sobreposto ao diafragma ● Gástrico ○ motilidade gástrica normal Mecanismos que induzem ou promovem dano à mucosa na presença do refluxo ● Supraesofágico ○ xerostomia ○ deglutição comprometida ● Corpo Esofágico ○ hipomotilidade ○ peristaltismo fragmentado ○ motilidade esofágica ineficaz ○ contratilidade ausente ○ tight junctions do esôfago ● Junção Gastroesofágica (principais fatores) ○ RTEEI frequente ○ EEI hipotenso ○ hérnia de hiato ● Gástrico ○ gastroparesia ○ hipersecreção (Zollinger Helisson) RESUMO: ● relaxamento transitório do EEI exacerbado ○ mais comum ○ não associado à deglutição ● hipotonia do EEI ● hérnia de hiato (discrepância de localização entre o esfíncter e o diafragma ○ nem toda hérnia hiatal gera DRGE. Tem risco aumentado de desenvolver DRGE Outros Fatores que influenciam: ● Acid Pocket ○ bolsão de ácido boiando acima do bolo alimentar ● Gastroparesia ○ dificuldade do clearance gástrico ● Dismotilidade esofágica QUAL O MECANISMO MAIS COMUM? AUMENTO DO RELAXAMENTO TRANSITÓRIO DO EEI FATORES DE RISCO ● obesidade - principal!!! ● gestação ○ mecanismo hormonal gera um aumento do risco ○ 30-50% das gestantes pode de ter DRGE ● medicações ○ bloqueadores de canal de cálcio, nitratos, antidepressivos ● alimentos: ○ cafeína, álcool, gordura, chocolate, hortelã ● tabagismo SINTOMAS TÍPICOS ● pirose: queimação retrosternal, pode chegar até o pescoço ● regurgitação: gosto ácido na boca, vômito sem náusea SINTOMAS ATÍPICOS ● rouquidão ● pigarro ● tosse crônica ● sensação de ‘globus” faríngeo ● dor torácica ○ diagnóstico diferencial com angina pectoris DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ● Acalásia: disfagia, perda ponderal, fatores de risco ● Esofagite eosinofílica: impactação alimentar, disfagia, alterações endoscópicas e histológicas típicas ● Divertículo esofágico: idosos, halitose, disfagia ● Esofagite infecciosa: disfagia, dor, mais agudo ● Eructações patológicas: deglutições seguidas eliminação de ar ● Síndrome da ruminação: comportamental ● Síndromes funcionais: sintomas refratários, exames normais, critérios específicos DIAGNÓSTICO ● pHmetria: convencional ou impedanciometria (mais recomendado) ● endoscopia: ○ só graus avançados de esofagite (los Angeles graus C ou D) ○ ou complicações: Barrett, estenose péptica ● Manometria: não diagnóstica, porém faz diagnóstico diferencial TRATAMENTO Medidas não farmacológicas ● perda ponderal ● elevação da cabeceira ● medidas alimentares e medicamentosas Medidas Farmacológicas ● IBP’s: principal classe ● Bloqueadores de H2 ● Antiácidos ● Procinéticos ? controverso: muito usado em pacientes com gastroparesia. RESUMO DA AULA: ● alta prevalência ● Refluxo x Doença do Refluxo ● Fisiopatologia: relaxamento transitório do EEI ● Fatores de risco: obesidade ● Sintomas típicos: pirose e regurgitação ● Diagnóstico pode ser feito com sintomas típicos ● Exames: pHmetria, EDA, manometria (não diagnostica) ● Tratamento: controle da obesidade + uso de IBP’s INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: ● WGO Guidelines ○ J Clin Gastroenterol. 2017 ● Expert COnsensus on GERD ○ Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2017 ● Lyon Consensus on GERD ○ Gut. 2018 AULA 02 DRGE DIAGNÓSTICO Controvérsia: sintomas típicos são suficientes? x Exames complementares para todos? Diagnóstico pelos sintomas típicos: ● praticidade ● sensibilidade e especificidade moderadas (cerca 70%) ● melhora com IBP: pode não ser DRGE, pode ser esofagite eosinofílica por ex. ● uso desnecessário de IBP Exames para todos: ● diagnóstico mais preciso ● custo, acessibilidade, múltiplas consultas Quando solicitar exames complementares? ● sintomas atípicos ● sinais de alarme (perda de peso, disfagia, odinofagia ● refratariedade à terapia inicial ● fatores de risco para Barrett ○ 50 anos ○ sexo masculino ○ obesidade ○ sintomas prolongados Exames complementares: ● pHmetria ○ convencional ■ somente refluxo ácido ■ cada vez menos usada ■ diagnóstico: índice de Meester > 14,7 (nº e duração de refluxos) ○ impedanciometria (preferível) ■ refluxo ácido, não-ácidos, pirose funcional, hipersensibilidade esofágica ■ cada vez mais utilizada ■ diagnóstico: tempo de exposição ácida (TEA) > 6% ou TEA 4-6% +>80 episódios de refluxo em 24h ● Manometria ○ convencional ○ alta resolução (preferível) ○ não diagnostica ○ pode sugerir DRGE ■ EEI hipotônico ■ hérnia hiatal ■ hipomotilidade ○ Distúrbios motores associados ○ Alta resolução: cada vez mais utilizada ● Endoscopia ○ o que procurar? ■ esofagite (classificação de Los Angeles) ■ hérnia hiatal ■ Barrett ■ estenose péptica Exame padrão ouro? pHmetria por impedanciometria Grau A: erosão <5mm não confluentes Grau B: erosões >5mm não confluentes Grau C: erosões confluente em 75% da circunferência Grau D: erosões confluentes em >75% da circunferência ATENÇÃO REDOBRADA Como interpretar Endoscopia? ● Normal: não afasta DRGE ● alterações discretas: não diagnostica Diagnóstico: ● Esofagite grau C/D ● complicações: Barrett, estenose péptica Quais alterações diagnosticam DRGE? Esofagite C/D ou COmplicações (BArrett ou estenose péptica RESUMO DIAGNÓSTICO TRATAMENTO ● Medidas não farmacológicas ○ perda ponderal (principal) ○ elevação da cabeceira (15-20 cm) ○ decúbito lateral esquerdo + higiene do sono ○ medidas alimentares (controverso ■ evitar café, gorduras, apimentados, bebidas gaseificadas ■ esperar pelo menos 3h para deitar-se ○ restrições medicamentosas: BCC, nitratos, benzodiazepínicos, tricíclicos, anticolinérgicos, etc. ● Medicamentos ○ Inibidores da bomba de prótons IBP: principal classe ■ classe mais importante ■ bloqueio irreversível da via final da secreção gástrica ■ meia-vida: 1,5-2h ■ tomar: 30-45min antes das refeições ■ posologia: 1-2x/dia ■ Uso sob demanda ■ complicações pelo uso crônico (controvérsias): supercerscimento bacteriano, pneumonia, def. B12 e magnésio, PBE em pac cirróticos ■ começa com 1x ao dia, pela manhã antes do café. Se for refratário aumenta para 2xdia. ■ Dexlansoprazol: meia vida é a mesma mas a liberação é prolongada. Não precisa necessariamente usar 30-45min antes da refeição. ○ Bloqueadores de H2 ■ menos eficazes que os IBPs ■ bloquei reversível de apenas uma via secretória ■ terapia adjunta ■ Posologia: 2xdia ■ taquifilaxia: diminuição da ação da medicação ao longo do tempo ■ Ranitidina é mais usada por ser mais barata ○ Antiácidos ■ terapia adjunta, nunca monoterapia ■ alívio imediato de curta duração ■ gestantes e sintomas esporádicos ○ Procinéticos (controverso) ■ não usar rotineiramente ■ não utilizar como monoterapia ■ papel especial na gastroparesia ● Cirurgia ● Tratamentos endoscópicos ● Esôfago de Barrett RESUMO DA AULA ● Diagnóstico pode ser clínico ● Exames complementares em casos selecionados ● Endoscopia normal não afasta DRGE ● Impedâncio-pHmetria é o padrão ouro ● Tratamento não farmacológico: perda de peso ● Tratamento farmacológico: IBP’s INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: ● WGO Guidelines ○ J Clin Gastroenterol. 2017 ● Expert COnsensus on GERD ○ Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2017 ● LyonConsensus on GERD ○ Gut. 2018