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CANAIS DE DISTRIBUIÇÃOCANAIS DE DISTRIBUIÇÃO INTRODUÇÃO A CANAIS DEINTRODUÇÃO A CANAIS DE DISTRIBUIÇÃODISTRIBUIÇÃO Autor: Nathalie Mianutti R e v i s o r : WAG N E R Q U I R I C I I N I C I A R introdução Introdução Nesta unidade, serão abordados os canais de marketing, seu conceito e suas principais estruturas, funções, classi�cações e con�gurações, a partir de estudos de importantes autores que pesquisam esse assunto dentro das grandes corporações. Será apresentado case real com descrição dos impactos gerados pela análise dos canais, buscando-se veri�car de forma prática os conceitos inicialmente abordados. Com base neste estudo inicial e em um exemplo prático, será possível desenvolver estratégias e projetos de canais, com foco nas demandas de mercado e distribuições de bens e serviços para as mais diversas áreas de atuação. Nesta primeira etapa, é importante entender os conceitos de de�nição que envolvem esse tema (canais de distribuição), em conjunto com os teóricos que estudam o tema. Para Kotler e Armstrong (2003), canais de distribuição é a relação das organizações que dependem entre si das interações relacionadas ao processo de venda de um produto ou serviço para destinação ao consumidor �nal ou intermediário da operação. Para Churchill e Peter, é a organização de órgãos e instituições que, dentro de suas relações, estabeleceram contatos e processos para a chegada do produto ou serviço ao consumidor �nal, ou seja, de�nem como uma tarefa de marketing. Desse conceito, pode-se compreender porque alguns autores mencionam o canal de distribuição como um canal de marketing. É o caso de Coughlan et al. (2011, p. 2): Nossa de�nição de canal de marketing requer alguma explicação. Primeiro indica que um canal de marketing é um conjunto de organizações interdependentes. Em outras palavras um canal de marketing não é apenas uma empresa fazendo seu melhor no mercado – seja ela um fabricante, atacadista ou varejista. Na realidade há muitas entidades envolvidas no negócio do marketing de canais. Cada membro do canal depende dos outros para fazer seu trabalho. Dentro dos vários conceitos apresentados, podemos concluir que canais de distribuição são as ligações entre as organizações até a chegada ao mercado, ou seja, como o produto ou serviço comercializado alcançará seu público-alvo de venda. Esse conceito é válido tanto para Estruturas do Composto deEstruturas do Composto de DistribuiçãoDistribuição o mercado B2B (empresas que vendem para outras empresas) quanto para o mercado B2C (empresas que vendem ao consumidor �nal). Dentro desse conceito, deve-se saber que o objetivo principal é atender à necessidade do cliente, seja essa qual for, dentro das mais variadas composições que possam surgir. Um exemplo prático dessa questão é a própria cadeia em que o processo está envolvido. O produto estará envolto em uma cadeia de distribuição, com varejistas, distribuidores? Será fornecido de forma direta, venda direta da fábrica? Cada organização tem seu processo, e, neste estudo, vamos compreender melhor esse funcionamento dos canais de distribuição. Trade Marketing O conceito de trade marketing é amplamente utilizado por meio dos canais de distribuição do mercado B2B (Business to Business, ou seja, empresas que vendem para outras empresas). Tem por função atender à demanda do shopper no ponto venda. Nesse contexto, o consumidor é o que exerce o ato de consumir o produto, enquanto o shopper é a pessoa que compra o mesmo produto. Um exemplo dessa diferenciação é uma mãe (shopper) que escolhe uma calça para seu �lho de 5 anos (consumidor). O papel do shopper e do consumidor também pode ser exercido pela mesma pessoa, ou seja, nesse caso, exerce ao mesmo tempo as duas funções, por exemplo, uma pessoa que vai a uma loja de roupa, escolhe uma calça, experimenta e a leva após aprovar o produto. O objetivo desse processo é aumentar as vendas e otimizar a atuação dos canais de distribuição. Atualmente, existem empresas especializadas na atuação do trade marketing como uma espécie de consultoria na área, visando à criação de estratégias que otimizem o processo. Função dos Canais Podemos entender a função dos canais como uma necessidade de distribuição física que nada mais é do que a maneira como o produto está ou será disponibilizado: depósito, estoque e processo de transporte (veículos), envolvendo ainda o processo de carga e descarga dele até a chegada ao cliente. Os canais foram criados para atender às mais diversas necessidades atuais (como o e- commerce – vendas pela Internet –, o crescimento logístico, a necessidade de terceirização de atividades, os diversos per�s de consumidores) e organizar o mix de produtos da empresa e sua variedade no mercado, de modo que a velocidade de atendimento seja otimizada. Com a criação de uma gestão e�ciente dos canais, é possível controlar vantagens competitivas no mercado por meio de uma gestão de distribuição correta e e�ciente que atenda à demanda do cliente. Com isso, os canais auxiliam na tomada de decisões estratégicas, visto que o desenho das atividades levanta pontos positivos e negativos para direcionar mudanças signi�cativas. Essas oportunidades e ameaças serão assim monitoradas pela empresa dentro do seu ambiente interno e externo, levando a mudanças proativas de direcionamento. Os canais são criados para satisfazer ao atendimento aos clientes; sendo assim, é dever da empresa monitorar frequentemente a e�ciência dos seus serviços de distribuição. Segundo Coughlan et al. (2011), o fato de deixar o processo �uir entre diferentes pontos no tempo por diferentes membros do canal cria oportunidades de venda. Na Figura 1.1, os tipos de venda (direta e atacadista) ilustram as relações no canal, também chamadas de linhas de contato: As partes que compõem os canais de distribuição da Figura 1.1 podem ser conceituadas conforme segue: Figura 1.1 - Funções no canal de marketing Fonte: Adaptada de Coughlan et al. (2011). Fabricante: produz o produto acabado a partir de uma matéria-prima, por exemplo, da madeira uma indústria poderá produzir papel, papelão e caixas, entre outros produtos derivados. Varejista: atende ao consumidor �nal de forma direta, normalmente em quantidades fracionadas, por exemplos supermercados, lojas, feiras e pontos comerciais. Atacadista: atende ao mercado adquirindo os produtos diretamente dos fabricantes, em grandes lotes; normalmente possui contrato de fornecimento com os fabricantes. Distribuidor: realiza a distribuição de mercadorias dos fabricantes ou atacadistas em grandes lotes que são divididos em lotes menores e os repassa a outros atacadistas, que demandam menor quantidade dos produtos. Considerando esses conceitos, a Figura 1.2 mostra três tipos de venda: venda direta, venda por um atacadista e venda por dois atacadistas. Note que os canais �uem de modo a atender a todos através das respectivas linhas de contato. reflita Re�ita O cliente sempre tem razão! Essa frase é muito comum no ambiente corporativo. Visto que a atual palavra é encantar o cliente em um mercado competitivo, como o canal de distribuição pode in�uenciar nessa questão? A re�exão é válida e cabe à estratégia do canal sua devida preocupação com o assunto. A Figura 1.2 possui cinco distintos canais de distribuição, alguns com mais membros e, por consequência, com operações mais complexas. Rosenbloom (2014) utilizou a nomenclatura “Agente” na Figura 1.2, ou seja, é o distribuidor dos produtos que possui contrato de fornecimento com o fabricante. praticarVamos Praticar Os membros do canal de distribuição atuam como terceiros no processo de chegada do produto até o cliente �nal. Tomando como base o trabalho das consultoras de catálogos Jequiti, Avon, Natura e Eudora, qual alternativa melhor enquadra a atuação dessas pro�ssionais no canal de distribuição? a) Distribuidoras e varejistas. b) Produtoras. c) Como canais de marketing. d) Somente varejistas. Figura 1.2 - Canaisde distribuição Fonte: Adaptada de Rosenbloom (2014). e) Somente distribuidoras. Para entender a classi�cação dos canais, é necessário saber o conceito de produto logístico, como resultado de uma atividade. Produto físico (tangível, por exemplo: equipamento ou alimento) mais o processo (por exemplo, venda) é igual ao produto logístico, que será distribuído no mercado. Nível dos Canais Os canais podem ser classi�cados em dois tipos: direto e indireto. O canal indireto atua com atacadistas e varejistas em sua cadeia de fornecimento até a chegada ao cliente �nal. Com o canal direto, o fornecimento é feito do fabricante direto ao consumidor, ou seja, não há intermediários. Então, podemos concluir que os intermediários são pessoas jurídicas que atuam como facilitadores do canal de distribuição, visto que, para o fabricante, a venda direta pode não ser tão vantajosa, e, assim, se coexistirem parceiros que auxiliam a chegada do produto a mesa do consumidor, o processo poderá tornar-se lucrativo. A presença do intermediário pode variar de uma empresa para outra, na medida em que depende da estratégia elaborada pela empresa para atendimento dos clientes. Con�guração dos Canais eCon�guração dos Canais e DistribuiçãoDistribuição Quadro 1.1 - Classi�cação dos canais Fonte: Adaptado de Kotler e Armstrong (2003). No Quadro 1.1, nota-se que a empresa 1 não tem por estratégia a �gura do intermediário e atende o canal de distribuição de forma direta. Já nas empresas 2 e 3 os intermediários atuam como varejistas, depósitos, atacados, ou seja, são escalonados a atender o canal e atuando de forma indireta. Classificação dos Canais Os canais de distribuição ou marketing podem ser classi�cados como: Consumo são os canais de distribuição com a chamada venda direta de produtos, saindo do fabricante e chegando ao consumidor �nal. Esse canal é amplamente utilizado no mercado B2B (business to business). Nesse caso, o fabricante vende diretamente à empresa que vai utilizar o produto. Por exemplo, venda de papel revista em bobinas para uma grá�ca que imprime e distribui o produto aos seus clientes �nais, que podem ser supermercados, comprando o encarte publicitário, e editoras que possuam títulos de revistas. Mesmo que a grá�ca tenha um cliente �nal e transforme o produto, podemos considerar como canal de distribuição consumo ao fazer análise da venda do produto bobina. Empresarial são os canais de distribuição com venda indireta de produtos, ou seja, aquela que faz uso de intermediários (atacadistas, varejistas). Serviço, como o próprio nome já diz, não envolve produto, mas sim prestações de ações relacionadas à consultoria, manutenções e criação intelectual, entre outros exemplos. Também há uma classi�cação quantitativa de canais: Sistemas multicanais estabelecem dois ou mais canais distintos para os produtos produzidos. Por exemplo: um fabricante estabelece que irá possuir um canal de distribuição via varejistas especializados em seu produto e também um canal de distribuição para varejistas de público geral representados, por exemplo, por supermercados. Por exemplo: produtos de maquiagem sendo vendidos por lojas de cosméticos especializadas e também por supermercados. Sistemas de canais reversos são também chamados de logística reversa, ou seja, consistem no fabricante receber novamente os produtos que já foram comercializados, ou ainda, uma parte desses, por exemplo, embalagens. Os motivos são diversos: prazo de validade, problemas de qualidade como defeitos de fabricação e reaproveitamento de embalagens, entre outros. Por exemplo: cooperativas de reciclagem recebem embalagens, partes de plásticos e metais de fabricantes que tiveram seu processo de recebimento de produtos via canais reversos. A terceira classi�cação é relacionada à função do canal e suas partes (fabricantes, atacadistas e varejistas). Sistema horizontal de canal é quando duas ou mais empresas se unem em um único nível para explorar uma oportunidade de mercado. Geralmente, é um processo seguido por empresas que carecem de recursos �nanceiros, humanos, técnicos, marketing e produção e se unem para fortalecer os processos e criar novas oportunidades de mercado. Sistema vertical de canais é aquele representado pelo fabricante, atacadista e varejista atuando em um sistema único. É uma classi�cação de canal utilizada como tentativa de minimizar impacto em sistemas com muitos intermediários, com a possibilidade de controlar um canal mais enxuto, eliminando um alto �uxo de serviços ou atividades duplicadas. Sistemas de Distribuição A empresa pode atuar em vários segmentos. Cada segmento terá sua cadeia de distribuição, por exemplo, grandes corporações como a P&G, que atua com vários produtos no mercado (fraldas, escovas de dente, amaciantes). Cada linha de produto terá seu desenho de canal estabelecido previamente. praticarVamos Praticar “No âmbito da saúde, o desenvolvimento de robôs ocorreu para auxiliar algumas tarefas consideradas básicas. O sistema robótico de apoio hospitalar Helpmate da empresa Pyxis Corp, San Diego, Califórnia, USA, por exemplo, move-se transportando medicamentos, refeições, outros utensílios e equipamentos. Pode ser e�caz para todas as áreas hospitalares, e permite que os pro�ssionais executem outras funções nas quais têm papel insubstituível”. Assinale a alternativa correta que indique o tipo de sistema que o enunciado se refere. SIQUEIRA-BATISTA, R. et al. Cirugía robótica aspectos bioéticos. ABCD: Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, v. 29, n. 4, p. 287-290, 2016. a) Sistema horizontal de canal. b) Sistema vertical de canal. c) Sistema reverso. d) Sistemas multicanais. e) Consumo. Para fazer a gestão de um canal, é necessário passar por algumas etapas (segmentação do mercado, posicionamento de mercado e análise das lacunas), das quais trataremos a seguir. Gestão de Canais: Segmentar o Mercado O primeiro passo é segmentar o mercado, ou seja, precisa ser dividido em um grupo de clientes �nais: semelhantes entre si e diferentes entre si. Por meio dessa divisão, é possível agregar valor ao negócio e valorizar o que cada grupo de clientes precisa, dentro do que a empresa já produz ou pensa em produzir. Na segmentação, deve-se entender como o cliente quer adquirir o produto. Nesse momento, não é necessário saber o que vender, mas sim o que o cliente busca: redução do tempo de entrega, ganhos na armazenagem e outros custos envolvidos. É importante saber ouvir para entender a necessidade e preservar o atendimento e relacionamento baseado em con�ança e que possibilite o cliente contar suas necessidades. No mercado B2B (business to business – empresas que vendem para outras empresas), a tendência é o cliente trabalhar com solicitação de terceirizações, ou seja, solicitar fornecedores externos nas mais diversas áreas, especialistas em tecnologia de ponta, melhorando custos, visto que retiram essa responsabilidade do atual gestão. Ainda nesse mercado, é solicitado o ECR (Ef�cient Customer Response) e o JIT (Just in Time) referentes à entrega do produto. Na ECR, o interesse é que o produto chegue logo à mesa do consumidor Estratégias e Projetos deEstratégias e Projetos de CanaisCanais �nal, ou seja, foca-se na rápida distribuição aos centros varejistas. No JIT, a entrega dos produtos é feita somente quando necessário, de modo que não �quem armazenados. No mercado B2C (Business to Customer – empresas que vendem ao consumidor �nal), é solicitado atendimento rápido relacionado à entrega, fazer o cliente conhecer melhor o produto, ou seja, ser competitivo no mercado, entender a disponibilidade de recursos do cliente. Relacionado à demanda do serviço a ser oferecida ao cliente, é estabelecida a seguinte divisão referente à segmentação: Divisão de grandes volumes: frequência da compra. Conveniência espacial: local da compra. Tempo de entrega e espera: prazo para receber o produto. Sortimento e variedade: necessidade docliente frente à variedade do produto. O grau de demanda do serviço é relacionado a cada item e varia de acordo com o produto e a resposta do cliente. A seguir, veremos um exemplo, referente a uma entrevista com uma família, relacionado ao consumo de bebidas não alcoólicas. Quadro 1.2 - Segmentação de mercado (exemplo: mercado de bebidas) Fonte: Adaptado de Coughlan et al. (2011). Gestão de Canais: Posicionamento de Mercado Consiste em organizar da melhor forma o canal e suas atividades relacionadas aos produtores, atacadistas, varejistas até a chegada ao consumidor �nal. O intuito é distribuir responsabilidades e �uxos referentes a custos de cada item a ser analisado: Gestão de Canais: Análise de Lacunas Posse Física Atividades e custos relacionados a armazenagem e transporte entre dois membros do canal. Figura 1.4 - Posicionamento dos canais de distribuição Fonte: Adaptada de Coughlan et al. (2011). A necessidade de de�nir lacunas signi�ca estudar toda e qualquer limitação nos canais, saber identi�car as di�culdades e traçar estratégias para resolução dos problemas. A expectativa de um canal de distribuição é que esse apresente sempre um custo mínimo para a operação e manutenção. Qualquer alteração de impacto em prejuízo �nanceiro é considerada uma lacuna. Sendo assim, é necessário analisar funções do canal não valorizadas como atividades repetitivas e manuais de elevado custo, análise de atendimento e relacionamento com o cliente, tarefas não otimizadas e impactos externos (meio ambiente, legislações). É importante criar uma cultura de automatização de funções que impactam em uma quantidade menor de erros e retrabalhos manuais. São analisados os mesmos princípios de demanda a serviço a ser oferecida ao cliente, ou seja: Divisão de grandes volumes: frequência da compra. Conveniência espacial: local da compra. Tempo de entrega e espera: prazo para receber o produto. Sortimento e variedade: necessidade do cliente frente à variedade do produto. Porém, para a análise de lacunas, as demandas são analisadas de acordo com o tópico relacionado que poderá ocasionar algum problema ao canal de distribuição: Nível fornecido (baixo / OK / alto): é a quantidade vendida ao cliente. Cada empresa determinará o que considera um bom volume de vendas. E�ciência (alta ou OK) do canal: como está o andamento do processo como um todo. Origem do problema: é a causa inicial ou o motivo do problema no canal de distribuição. Limites ambientais e gerenciais: ambientais para caso de certi�cações ou licenças e gerenciais no caso de preço do produto, entrega, produto. Resultado desejado: é o objetivo almejado pelo canal, de acordo com a demanda solicitada após a resolução do problema. Após essa etapa, analisa-se a chamada tática para eliminar o problema, ou seja, quais as principais ações que poderão ser desenvolvidas para chegar a uma resolução do problema. Por �m, devem-se analisar quais seriam as mudanças previstas após a eliminação do problema. Com isso, podemos adaptar um quadro que resume esses pontos como modo de visualização do canal de distribuição. Temos um exemplo preenchido. Uma indústria papeleira possui uma di�culdade no canal de distribuição. O cliente, que é uma grá�ca, compra as bobinas de papel, mas solicita que a fábrica aguarde a entrega. O problema é que a grá�ca apresenta um espaço de estoque reduzido e nem todo mês consegue reverter o produto comprado em material impresso aos clientes. A fábrica, por sua vez, também não apresenta local de armazenagem. Sendo assim, o Quadro 1.3 é a análise das lacunas preenchidas sobre a questão: Divisão de quantidades Conveniência espacial Tempo de espera e entrega Variedade Nível fornecido (baixo / OK / alto) Baixo: a indústria só embarcar o produto quando vende Alto: bom relacionamento com o cliente Alto: estoque parado na fábrica Baixo: grá�ca usa o fabricante como estoque E�ciência (OK / custo alto) Custo alto de armazenagem na indústria Alto: falta de local para armazenagem na grá�ca Custo alto: envio de cargas fracionadas Alto: larguras especí�cas com di�culdade de venda Origem do problema Falta de local para armazenagem das bobinas na grá�ca A indústria arca, produz e embala o material, mas �ca parado em estoque Armazenamento da fábrica é limitado Pouca �exibilidade do cliente em contribuir com uma solução Limites ambientais e gerenciais São necessárias várias carretas para o transporte Certi�cação FSC da madeira Produto produzido sem previsão de faturamento (dé�cit) A locação do espaço para armazenagem é um custo que a grá�ca não pode arcar Resultado desejado Redução do estoque da indústria Continuar o relacionamento com o cliente Produção e entregas semanais Estoque otimizado na indústria Tática para eliminar o problema 1 – Desenvolvimento de um armazém onde o cliente poderá guardar a mercadoria em um local próximo à cidade, podendo os pedidos serem enviados a qualquer tempo. Esse armazém seria de um distribuidor da Quadro 1.3 - Análise de lacunas (exemplo: mercado papeleiro) Fonte: Adaptado de Coughlan et al. (2011). A análise de lacunas entre a fábrica e o cliente �nal representado pela grá�ca demonstra o quanto pode ser melhorado um canal de distribuição já utilizado. O conceito é válido não somente quando ocorrer um problema, mas também como forma de melhoria contínua do processo e, por consequência, um melhor atendimento ao cliente. praticarVamos Praticar Para criar um novo canal de distribuição ou analisar um já existente, é necessária uma metodologia de análise de dados preexistentes ou coletados no mercado a ser atendido. COUGHLAN, T. A. et al. Canais de marketing. São Paulo: Pearson, 2011. Quais as etapas estratégicas utilizadas para analisar ou criar um novo projeto de canal de distribuição? a) Socialização, sinalização e consumo. fábrica na região da grá�ca (venda da fábrica com comissão para o distribuidor). 2 – Estabelecer/negociar um contrato de fornecimento anual com a grá�ca para compras/entregas mensais. Em caso de rompimento do acordo, será cobrada uma multa a ser estabelecida entre as partes. Mudança prevista no desempenho do canal – A grá�ca poderá utilizar o estoque do armazém. – A fábrica não terá um capital de giro parado. – Fábrica com aumento de espaço físico e redução no custo de armazenagem. – Vendas semanais para o cliente. – Possível redução da condição de pagamento, visto que o parcelamento somente é feito devido à necessidade de estoque da grá�ca. – Modalidade de venda alterada para venda com entrega futura. b) Implantar um novo canal, discutir e verticalizar. c) Segmentação, posicionamento e análise de lacunas. d) Análise de lacunas, socialização e rever o canal. e) Segmentação, posicionamento e implantar o canal. Após as etapas de segmentação, posicionamento e análise de lacunas, o projeto do canal passa para a próxima fase de implementação. Nessa fase importante, devem-se: identi�car potencialidades; identi�car con�itos; estabelecer um plano de gestão; estabelecer uma melhoria ou criar um novo canal. Na criação do canal em sua melhoria, é necessário criar um plano de ação: Monitorar a implementação do canal com um resumo de tarefas (o quê?). Responsáveis (quem?). Prazos (quando?). Lugares de exceção (onde?). Descrição de como será alcançado o objetivo (como?). No Quadro 1.4, vemos um exemplo de plano de ação: Projeto de CanaisProjeto de Canais Quadro 1.4 - Plano de ação da implementação do canal Fonte: Adaptado de Brasil e Pansonato (2018). Na implementação do canal, devem-se identi�car fontes de poder, por exemplo uma localização privilegiada, e ainda controlar variáveis que possam vir a atrapalhar o andamento do canal e desvios nas estratégias planejadas. Outra habilidade que é importante ao bom funcionamento do canal é a resolução de con�itos. Os principais con�itos enfrentados são: con�itos demetas: diferenças entre as metas e os objetivos do canal; con�itos de domínio: diferenças sobre o domínio de ação e a responsabilidade no canal; con�ito perceptual diferenças entre a percepção do mercado. Para prevenir con�itos, é necessário ter uma equipe responsável pelo canal na organização e liderança de modo que haja intervenções semanais de melhoria contínua no canal, ou seja, é um zelo em prol do funcionamento e�caz do canal. PLANO DE AÇÃO O que Quem Quando Onde Como O Quadro 1.5 utiliza o mesmo exemplo da grá�ca e do fabricante de papel visto no item 3.3 gestão de projetos: análise de lacunas. É um mecanismo de monitoramento �nanceiro, do ponto de vista do fabricante e intermediários, dando origem, assim, a uma maneira de identi�car um possível desacordo, além de saber exatamente os alvos de atendimento e monitorar possíveis falhas relacionadas a partir de percepções. Note que essa é uma análise que necessita de um projeto de canal já implantado. saiba mais Saiba mais A logística reversa, ou também chamada sistema de canais reversos, está cada vez mais difusa pelo mundo corporativo. Certi�cações de qualidade como a ISO 9001 e a ISO 14000, respectivamente, Gestão da Qualidade e Meio Ambiente, auxiliam com a necessidade de preocupação com elementos de reciclagem e reaproveitamento. São exemplos de retorno embalagens plásticas e papelão, pallets de madeira, partes plásticas, metal, aço, ferro, alumínio. Para saber mais sobre o tema, leia o artigo “Modelo de gerenciamento de logística reversa”. ACESSAR http://www.scielo.br/pdf/gp/v19n3/01.pdf Ponto de Vista Fabricante Ponto de Vista Intermediários ou consumidor �nal Expressão de Desacordo Objetivos Financeiros Preços mais baixos para grá�ca. Preços mais baixos do fabricante e preços mais altos para os clientes �nais. Fábrica: Para manter o relacionamento com o cliente, recorre à redução de preços e negociações de armazenagem. Grá�ca: Situação confortável, pois sabe que o fabricante não quer perder mercado e atende suas necessidades. Aumento do volume de vendas para a grá�ca. Aumento do volume de vendas a clientes �nais Diminuir despesas de armazenagem contratando um armazém externo. Diminuir despesas de armazenagem. Redução de estoque. Desconto para clientes �nais com a �nalidade de esvaziar o estoque. Redução do valor do frete. Manutenção de preços com a fábrica. Concentra-se em: Concentra-se em: Contas de Alvos Desejados Atender a vários mercados. Atender a vários mercados. Fábrica: aumentar o número de clientes e criar novos produtos Grá�ca: aumentar Quadro 1.5 - Percepções na implementação do canal Fonte: Adaptado de Coughlan et al. (2011). No exemplo citado, a grá�ca é o consumidor �nal que utiliza das vantagens oferecidas pelo fabricante com o uso das percepções de mercado. A fábrica precisa melhorar a estratégia comercial de modo que não haja uma ruptura no fornecimento, ou seja, encontrar um equilíbrio entre os preços ofertados e a armazenagem de estoques. praticarVamos Praticar Qual das alternativas a seguir re�ete uma importante estratégia na implementação do canal de distribuição? a) Resolução de con�itos do canal. b) Segmentar o mercado. c) Análise de lacunas. d) Evitar identi�car potencialidades. o número de clientes com inovações em impressões grá�cas Políticas de Produtos e Contas Desejadas Expandir as vendas para o mercado grá�co. Aumento de vendas. Fábrica: encontrar um equilíbrio no preço das grá�cas. Grá�ca: reduzir o preço com com a fábrica para oferecer desconto aos clientes �nais. e) Posicionamento de mercado. indicações Material Complementar L I V R O Trade marketing: estratégias e práticas para o ponto de venda Sérgio Simonetti Editora: Saraiva Comentário: possui uma exposição de conceitos situados de forma prática, fazendo uso de exemplos atuais do mercado. O foco é em ferramentas do trade marketing, de modo que o leitor consegue estabelecer paralelos com a realidade enfrentada no dia a dia das empresas. F I L M E Bee Movie Ano: 2007 Comentário: não é de hoje que as abelhas são um exemplo de organização do processo produtivo do mel dentro de suas colmeias. O �lme, apesar de ser infantil, ilustra de forma prática um exemplo de processo de canal de distribuição. T R A I L E R conclusão Conclusão Canais de distribuição é um tema abrangente e, nesta unidade, foi sintetizado de forma a esclarecer os principais conceitos, autores e classi�cação. Para ampliar o conhecimento, foram apresentados alguns exemplos de canais com o intuito de aprender a projetar uma nova linha de distribuição ou ainda estabelecer melhorias em fornecimentos já estruturados, mas que apresentam algum con�ito interno. Projetar um canal de marketing, também chamado distribuição, é um grande desa�o a ser pensado dentro das corporações, devido ao complexo sistema de intermediários e particularidades existentes entre todo o processo, que vai desde a fabricação até a chegada ao consumidor �nal. referências Referências Bibliográ�cas BRASIL, C.; PANSONATO, R. Logística dos canais de distribuição. São Paulo: InterSaberes. 2018. CHURCHILL Jr., G.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. COUGHLAN, T. A. et al. Canais de marketing. São Paulo: Pearson, 2011. HERNANDEZ, C. T. et al. Modelo de gerenciamento de logística reversa. São Carlos, 2012. v. 19, n. 3, p. 445-456. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003. ROSENBLOOM, B. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo. Cengage Learning, 2014. SIQUEIRA-BATISTA, R. et al. Cirurgia robótica: aspectos bioéticos. ABCD: Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, v. 29, n. 4, p. 287-290, 2016.