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Anatomia do Esôfago O Esôfago é um tubo músculo-membranoso, começa a nível de C6 e vai até mais ou menos T11, vai ate o abdome onde ele vai abrir, dilatando-se para dar início ao estômago. Tem três porções principais porque atravessa três partes do corpo: cervical, torácico e abdominal. O esôfago abdominal é a parte mais curta, o torácico a mais comprida, e o cervical a média. O esôfago torácico ocupa o mediastino superior e posterior, desce por trás do coração. Embora a maioria das figuras mostre o esôfago descendo reto, não é isso que acontece. Esôfago tem formato leve de S no pescoço ele faz uma pequena curva pra esquerda, volta para a linha média na base do pescoço e no tórax ele cruza para o outro lado por isso sua relação com a aorta vai mudando. Tem uma intima relação com a aorta e desce, na maior parte do tempo paralelo, mas nessa hora que cruza ele passa pela frente da aorta. O esôfago não é um tubo aberto, quando não há deglutição ou peristalse ele fica colabado. Não tem grandes marcos anatômicos, porém, o calibre da luz não é constante ao longo do seu trajeto. Ele tem três pontos de constrição fisiológica: esfíncter esofagiano superior, esfíncter esofagiano inferior e, no meio do caminho, a constrição bronco-aórtica. O esfíncter esofagiano superior é composto pelo músculo cricofaríngeo e constrictor inferior da faringe, é um esfíncter anatômico. O esôfago tem uma relação anatômica importante com o arco aórtico e brônquio principal esquerdo, que pressionam um pouco o esôfago e fazem uma pequena constrição, a bronco-aórtica. O esfíncter esofagiano inferior, não é um esfíncter anatômico, é uma hipertonia, ponto em que o músculo esofágico esta mais apertado fisiologicamente. Coincide anatomicamente no ponto em que o esôfago atravessa o diafragma, o que se torna um mecanismo de continência do esôfago, impedindo o conteúdo gástrico de subir. Essa é uma das defesas contra a DRGE. O esôfago é fixado ao diafragma pelos vasos que ajudam a ancorar e, principalmente, pela fáscia diafragmática inferior que se abre e vira um ligamento que fixa o esôfago, o ligamento freno- esofágico. Em pessoas com hérnia de hiato, o esôfago é “puxado” para cima, fazendo com que o ponto de hipertonia não coincida com o diafragma. Isso faz com que o ponto de hipertonia e o diafragma não consigam mais somar forças, perdendo um pouco do mecanismo de continência e causando DRGE. As relações do esôfago tem relação com a clínica. O esôfago cervical desce entre traqueia e coluna, tem relação com os músculos do pescoço, com a carótida comum dos dois lados, a glândula tireoide (os lobos), o nervo laríngeo recorrente - porção do vago, e o ducto torácico (estrutura linfática que recebe a maior parte da linfa dos membros inferiores e superior esquerdo e deságua na cava). O esôfago torácico mediastino superior - entre traqueia e coluna - e posterior - atravessa a aorta, tem relação com a via respiratória, pleuras (indiretamente pulmões), e relação íntima com coração/pericárdio, além dos vasos do pescoço e ducto torácico. Relação com o diafragma e se continua com o estômago. Esôfago tem uma forte relação embriológica com a via respiratória, podendo haver uma comunicação: uma fístula traqueo- esofágica. Quando ocorre a separação normal o esôfago e traqueia continuam unidos na vida adulta por um tecido conjuntivo frouxo normalmente. A irrigação do esôfago vai vir toda direta ou indiretamente da aorta: - Cervical: saindo da artéria subclávia tem o tronco tireocervical, de onde sai a artéria tireóidea inferior, de onde saem ramos esofágicos. - Torácico: ramos esofágicos e brônquicos da aorta torácica. - Abdominal: a aorta abdominal tem ramos parietais e ramos viscerais. O primeiro ramo parietal da aorta abdominal é a artéria frênica inferior, sai no inicio da aorta abdominal e vai para abaixo do diafragma, e também manda ramos para o esôfago. A última artéria que irriga do esôfago vem do primeiro ramo visceral da artéria aorta abdominal. O tronco celíaco tem três ramos, um desses ramos é a artéria gástrica esquerda, que irriga o estômago e esôfago. Drenagem venosa do esôfago - Cervical: é drenado pelas tributárias esofágicas da veia tireóidea inferior, que cai na subclávia; - Torácico: existem veias que correm paralelamente ao esôfago dos dois lados, a veia ázigos drena o esôfago torácico do lado direito, do lado esquerdo tem veias de menor calibre e menor comprimento: hemiázigos e hemiázigos acéssoria, que vão para a circulação cava/ sistêmica. - Abdominal: a veia frênica inferior drena uma parte do esôfago abdominal e cai na cava, a porção final do esôfago abdominal é drenada pela veia gástrica esquerda, que vai para a veia porta-hepática. Ou seja: o fim do esôfago é drenado para a circulação porta e não para a cava. A veias surgem de um plexo submucoso no esôfago, e é dessa rede que surgem os vasos. Só que essa rede, como se comunica, comunica sangue que vai para a cava e sangue que vai para a porta. Uma obstrução na veia porta pode causar síndrome de hipertensão portal. Na hipertensão portal os vasos que vão para a porta ficam engorgitados, o sangue fica represado ao longo da gástrica esquerda, e o aumento de pressão vai se distribuindo de forma retrograda até chegar no plexo submucoso que engorgita e causa varizes de esôfago. Esse sangue que está vindo de um sistema de alta pressão, desvia para o sistema de baixa pressão (circulação sistêmica), o sangue de deveria ir para o fígado acaba fugindo pela frênica e vai para a cava, por causa da anastomose porto-sistêmica fisiológica. O sangue que vem das vísceras, cheio de ureia e amônia, que são toxinas, que podem ir ao cérebro e causar encefalopatia hepática. Cirrose cardíaca: congestão, hepatomegalia, suprimento arterial tem dificuldade de chegar, isquemia, o que causa cirrose de origem cardíaca. O nervo vago (par X) é o principal responsável pela inervação esofágica. Só que a inervação do esôfago tambem é proveniente de fibras do tronco simpático e na parte abdominal existem fibras do plexo celíaco. Um ramo especifico do nervo vago que é o nervo laríngeo recorrente que inerva o esôfago cervical, é um ramo muito importante de se conhecer para que na hora de fazer cirurgia esofágica não lesar.