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PROCESSO PENAL 
Prof. Nidal Ahmad 
OAB 
2ª Fase 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Quando você está certo daquilo que pretende alcançar... 
Quando o mundo todo lhe diz que não conseguirá, e ainda assim você 
acredita ser possível... 
Quando você mantém o foco firme no objetivo... 
Quando você crê que DEUS estará presente a cada segundo da tua jornada... 
Quando você compreende que desafios e obstáculos existem tão somente para 
serem superados... 
Com persistência e coragem você consegue... 
E quando finalmente conseguir, desfrute a vitória ... saboreie o sucesso... 
É indescritível a emoção de uma boa conquista... 
Muito obrigado pela parceria, compreensão e paciência”. 
Prof. Nidal Ahmad 
 
 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
Prof. Nidal Ahmad 
OAB 
2ª Fase 
 
2 
 
ÍNDICE 
 
CAPÍTULO I - PRISÃO PROCESSUAL ........................................................................................ 4 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 4 
PRISÃO EM FLAGRANTE: Relaxamento de prisão/liberdade provisória .................................................. 5 
PRISÃO PREVENTIVA: Revogação da prisão preventiva ..................................................................... 31 
PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89): Revogação da prisão temporária ........................................... 47 
CAPÍTULO II - PROCEDIMENTOS ........................................................................................... 56 
CAPÍTULO III – AÇÃO PENAL, QUEIXA-CRIME E QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA .................. 59 
QUEIXA-CRIME ............................................................................................................................... 61 
QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA .......................................................................................................... 68 
CAPÍTULO IV - FASE JUDICIAL: PROCEDIMENTO COMUM .................................................... 72 
DA DENÚNCIA E REJEIÇÃO DA DENÚNCIA ....................................................................................... 72 
CITAÇÃO ........................................................................................................................................ 75 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO ................................................................................................................ 77 
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO............................................................................................................. 94 
MEMORIAIS .................................................................................................................................... 95 
EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI – PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO DA 
CONSUBSTANCIAÇÃO ................................................................................................................... 111 
CAPÍTULO V - RECURSOS ..................................................................................................... 118 
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO ................................................................................................... 118 
APELAÇÃO .................................................................................................................................... 135 
CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO ................................................................................................... 156 
REFORMATIO IN PEJUS ................................................................................................................. 161 
CAPÍTULO VI - COMPETÊNCIA ............................................................................................. 164 
 PADRÃO DE RESPOSTAS ............................................................................................................ 178 
 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
 
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PROCESSO PENAL 
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OAB 
2ª Fase 
 
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 CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL 
1) Introdução 
A prisão processual, também chamada de prisão cautelar ou provisória, ocorre 
por força da necessidade de segregação cautelar do acusado da prática de um delito durante as 
investigações ou no curso da ação penal nas hipóteses previstas na legislação processual penal. 
É aquela que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória. 
Não visa a punição do agente, mas de impedir que volte a praticar novos delitos 
ou que adote conduta voltada a influenciar na instrução criminal ou na aplicação da sanção decorrente da 
prática delituosa. 
Nos termos do artigo 283 do CPP, três são as espécies de prisão provisória: 
prisão em flagrante (art. 301 a 310 CPP), preventiva (art. 311 a 316 CPP) e temporária (Lei 
7.960/89). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRISÃO EM FLAGRANTE – artigo 301/310 do CPP 
PRISÃO PREVENTIVA – artigo 311/316 do CPP 
PRISÃO TEMPORÁRIA – Lei 7.960/89 
ESPÉCIES DE PRISÃO PROVISÓRIA 
01
 
 
 
 
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2) PRISÃO EM FLAGRANTE 
2.1) CONCEITO 
Trata-se de medida restritiva de liberdade, de natureza cautelar e processual, 
consistente na prisão, independente de ordem escrita do juiz competente, de quem é surpreendido 
cometendo uma infração penal ou quando acabou de cometê-la, ou quando perseguido, logo após, em 
situação que faça presumir ser autor da infração, ou, ainda, quando encontrado, logo depois à prática da 
infração, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser o autor da infração. 
Em síntese, a prisão em flagrante ocorre quando presente uma das hipóteses 
previstas no artigo 302 do Código de Processo Penal. 
A Lei nº 12.403/2011 introduziu o artigo 310, inciso II, do CPP, suprimindo a 
possibilidade de a prisão em flagrante prender por si só, na medida em que, se presentes os requisitos do 
artigo 312 do CPP e inadequada ou insuficiente a aplicação das medidas cautelares diversas da prisão, o 
juiz deverá converter a prisão em flagrante em prisão preventiva. 
Logo, forçoso concluir que a prisão em flagrante passou a assumir natureza 
precautelar, com duração limitada até a adoção pelo juiz de uma das providências do artigo 310 do CPP 
(relaxar a prisão em flagrante, convertê-la em prisão preventiva ou conceder a liberdade provisória). 
2.2) ESPÉCIES DE FLAGRANTE – Art. 302 CPP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
PRÓPRIO 
Art. 302, inciso III, do CPP. Ver art. 290, CPP. 
Art. 302, inciso I, do 
CPP. 
 
Art. 302, inciso II, do 
CPP. 
 
Preso praticando o 
delito ou quando 
acabou de 
cometê-lo 
Perseguição 
ININTERRUPTA 
IMPRÓPRIO 
Encontrado – Art. 
302, IV, CPP 
PRESUMIDO 
a)
) 
b)
) 
c)
) 
 
 
 
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a) Flagrante próprio – Art. 302, I e II, CPP 
Trata-se de prisão efetivada no momento em que o sujeito está praticando uma 
infração penal, ou quando acabou de cometê-la. 
A prisão deve ocorrer de imediato, sem qualquer intervalo de tempo entre a 
prática da infração e a detenção. Ocorre, pois, quando o agente ainda está no local do crime. 
Ex: prisão em flagrante no exato instante em que o agente criminoso busca sair da agência bancária onde 
praticava o delito de roubo. 
b) Flagrante impróprio (QUASE-FLAGRANTE) – Art. 302, III, CPP 
Trata-se da hipótese em que o agente é perseguido, logo após a infração, no 
contexto que faça presumir ser o autor do fato. 
A definição da expressão “logo após” traduz uma relação de imediatidade, com 
perseguição iniciada em momento bem próximo da infração. Aqui o agente já deixou o local do crime. 
É o tempo que decorre entre a práticado delito e as primeiras coletas de 
informações a respeito da identificação do autor e a direção seguida na fuga, iniciando-se, logo após, 
imediatamente a perseguição. Uma vez cessada a perseguição, cessa a situação de flagrância. Ou 
seja, a perseguição deve ser contínua, sem interrupções. 
A concepção de perseguição pode ser extraída do art. 290, § 1º, do CPP, 
notadamente das alíneas “a” e “b” do parágrafo primeiro. 
Não confundir início da perseguição com duração da perseguição. O início da 
perseguição deve ser logo após o fato; a perseguição, no entanto, pode perdurar por muitas horas e até 
dias, como, por exemplo, em crime de roubo a banco, em que a polícia chega imediatamente ao local, faz 
o primeiro levantamento e, de imediato, sai em perseguição dos suspeitos, que se embrenharam numa 
mata por mais de 30 horas. Nesse caso, considerando que a perseguição deflagrada logo após à prática da 
infração penal foi ininterrupta, eventual prisão em flagrante será legal. 
Se o agente for preso após cessada a perseguição, sem mandado judicial, a 
prisão será ilegal, devendo, pois, ser relaxada. 
 
 
 
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c) Flagrante presumido – Art. 302, inciso IV, do CPP 
Aqui o agente não é “perseguido”, mas “encontrado”, logo depois da prática da 
infração penal, na posse de instrumentos, armas, objetos ou papéis em situação que permita presumir ser 
ele o autor da infração. 
Quanto ao alcance da expressão “logo depois”, a jurisprudência tem admitido 
prisões ocorridas várias horas depois do crime. Não aceita, no entanto, prisão muitos dias depois ao do 
crime. 
2.3) OUTRAS VARIAÇÕES DAS ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
A) FLAGRANTE PROVOCADO OU PREPARADO 
O flagrante preparado ou provocado ocorre quando uma pessoa, policial ou 
particular, provoca, induz ou instiga alguém a praticar uma infração penal, somente para poder prendê-la. 
Nesse caso, não fosse a ação do agente provocador, o sujeito não teria dado início à prática do delito, pelo 
menos nas circunstâncias pelas quais foi preso. 
Trata-se, na verdade, de hipótese de crime impossível, já que, por força da 
preparação engendrada pelo policial ou terceiro para prendê-lo, seria impossível a consumação do crime. 
Em síntese, simultaneamente à indução à prática do crime, o agente provocador do flagrante age para 
evitar a consumação. 
É o que diz a Súmula 145 do STF: “Não há crime quando a preparação do 
flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. Trata-se de hipótese de crime 
impossível, que não é punível nos termos do artigo 17 do Código Penal. 
 
CUIDADO: a perseguição deve ser ininterrupta. Uma vez cessada a 
perseguição, não há mais situação de flagrância, devendo-se, a partir 
de então, efetivar-se a prisão somente munido de mandado judicial 
(prisão preventiva ou temporária, conforme o caso). 
 
 
 
 
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Ex: Policial disfarçado encomenda de um suspeito de praticar crime de falsidade de documento uma 
carteira de identidade fictícia, e, no momento combinado para a entrega do dinheiro e o recebimento do 
documento falsificado, realiza a prisão em flagrante. 
Em que pese a súmula mencionar somente o flagrante pela polícia, a ilegalidade 
também pode decorrer de flagrante preparado por particular. 
Ex: Suspeitando que a empregada doméstica esteja furtando objetos da residência, dona de casa deixa 
uma joia na mesa de centro da sala, ficando à espreita. No momento em que a empregada pega a joia, a 
dona de casa, auxiliada ou não por outras pessoas, a detém, prendendo-a em flagrante. Trata-se de prisão 
ilegal, já decorrente de flagrante preparado. 
Em suma, o flagrante provocado é ilegal, devendo, pois, a prisão ser relaxada. 
* Flagrante provocado x usuário de drogas 
No contexto de droga, deve-se verificar o caso concreto e as informações que 
constam no enunciado. 
Imaginemos a hipótese de um policial se disfarçar de usuário de drogas. Esse 
policial se aproxima do suspeito e solicita determinada quantia de drogas, que lhe é entregue pelo 
suspeito. Em relação ao verbo "vender" não há dúvidas de que se trata de flagrante provocado. Todavia, o 
artigo 33 da Lei de Drogas (Lei 11343/2006) prevê 18 condutas. No caso, embora seja flagrante provocado 
em relação à conduta vender, a prisão será legal em relação às condutas, por exemplo, "trazer consigo", 
"guardar", "ter em depósito", uma vez que em relação às demais condutas (trazer consigo, guardar, etc..), 
o suspeito não foi provocado ou influenciado a praticar. Ou seja, quando o policial disfarçado se 
aproximou, o agente já trazia consigo a droga, sendo, em razão disso, possível sua prisão em relação a 
essa conduta de trazer consigo. 
Agora, se o policial induz o suspeito a fornecer-lhe a droga que, no momento, 
não a possuía, ou seja, que não trazia consigo, e por conta da insistência do policial empregou esforço 
para conseguir, aí sim se pode falar em flagrante provocado e, portanto, ilegal, uma vez que o suspeito 
somente trouxe consigo a droga, porque foi induzido pelo policial a conseguir para ele. 
B) FLAGRANTE ESPERADO 
O flagrante esperado ocorre quando a autoridade policial, tomando 
conhecimento, por fonte segura, de que será praticado um delito, desloca-se até o local indicado, fica de 
campana e realiza a prisão quando iniciado os atos executórios do delito 
 
 
 
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O flagrante esperado não se confunde com o flagrante provocado, uma vez que, 
ao contrário deste, no flagrante esperado não há indução ou instigação da autoridade policial para que o 
agente dê início à execução do delito. 
O flagrante esperado constitui modalidade de flagrante válido, regular e, 
portanto, legal. 
C) FLAGRANTE FORJADO 
O flagrante forjado se caracteriza pela criação de provas para forjar a prática de 
um crime inexistente. Aqui a ação da autoridade policial ou de um particular visa a simular um fato típico 
inexistente, com o objetivo de incriminar falsamente alguém. 
Ex: policial coloca/enxerta droga no interior do veículo de determinada pessoa para prendê-la pelo delito 
de tráfico ilícito de entorpecentes. 
Trata-se de hipótese de flagrante absolutamente nulo/ilegal, merecendo, pois, 
ser relaxado. Nesse caso, o único infrator será o agente forjador, que pratica o delito de denunciação 
caluniosa (art. 339 do CP), e, se for agente público, também abuso de autoridade (Lei 4.898/65). 
D) FLAGRANTE RETARDADO OU DIFERIDO OU AÇÃO CONTROLADA 
Caracteriza-se pela possibilidade de retardar o momento da prisão em flagrante, 
não obstante estar o delito em curso, justamente para buscar maiores informações ou provas contra 
pessoas envolvidas em organizações criminosas ou tráfico ilícito de entorpecentes. 
O flagrante retardado ou diferido funciona como autorização legal para que a 
prisão em flagrante seja retardada ou protelada para outro momento, que não aquele em que o agente 
está em situação de flagrância. Trata-se, pois, de uma autorização legal para que a autoridade policial e 
seus agentes, que, a princípio, teriam a obrigação de efetuar a prisão em flagrante (art. 301, 2ª parte, 
CPP), deixem de fazê-lo, visando a uma maior eficácia da investigação. 
Há previsão de ação controlada, com destaque ao flagrante retardado ou 
diferido, por exemplo no art. 53, II, da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas) e art. 8º da Lei 12.850/2013 (Lei 
das Organizações Criminosas). 
Nos termos do artigo 53, II, da Lei 11.343/2006, a não atuação policial na prisão 
imediata em flagrante depende de autorização judicial e manifestação do MP. Essa autorização judicial está 
condicionada ao conhecimento do itinerário provável e à identificação dos agentes do delito ou de 
colaboradores. 
 
 
 
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DIFERIDO/ 
RETARDADO 
ESPERADO espera a práticado delito para prender em flagrante. Prisão LEGAL. 
Cumpre no futuro 
PREPARADO/ 
PROVOCADO 
 
provoca, induz ou instiga 
 
 
Prisão ILEGAL 
 
Para aprofundar INVESTIGAÇÃO 
* artigo 53, inciso II, da Lei n. 11.343/2006; 
 
* artigo 8º da Lei 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas). 
 
 
Súmula 145 STF. CRIME IMPOSSÍVEL (artigo 17 do CP) 
 
Prisão ILEGAL 
 
acusa INOCENTE 
 
FORJADO 
Conforme o artigo 8º, § 1º, da Lei 12.850/2013, o retardamento da intervenção 
policial não exige prévia autorização judicial, mas mera comunicação ao juiz competente que, se for o 
caso, fixará os limites da atuação e comunicará ao MP. 
A Lei nº 9613/98, que trata da Lavagem de Dinheiro, também prevê o instituto 
da ação controlada no seu artigo 4º-B, sendo possível suspender a ordem de prisão poderá ser suspensa 
pelo juiz, com prévia manifestação do MP, quando a sua execução imediata puder comprometer as 
investigações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2.4) PROCEDIMENTO PARA A LAVRATURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
Auto de prisão em flagrante é o documento elaborado, via de regra, sob a 
presidência da autoridade policial, contendo as formalidades que revestem a prisão em flagrante, tendo 
por objetivo precípuo retratar os fatos que ensejaram a restrição de liberdade do agente e, ainda, reunir os 
primeiros elementos de convicção acerca da infração penal que motivou a prisão. 
Uma vez preso em flagrante, por policial ou particular, o acusado deve ser 
conduzido à presença da autoridade policial. Se a autoridade policial considerar se tratar de situação de 
flagrância e que o fato constitui crime, determinará a lavratura do auto de prisão, incumbindo-lhe proceder 
da seguinte forma: 
a) oitiva do condutor: 
O condutor é a pessoa que levou o preso até a Delegacia de Polícia e o 
apresentou à autoridade policial. Pode ser policial ou qualquer pessoa. Embora na maioria das vezes o 
condutor seja quem procedeu à prisão, não precisa necessariamente ser o responsável pela detenção do 
suspeito. 
Ex: seguranças de determinada loja prendem em flagrante uma pessoa pela 
prática do delito de furto e acionam a polícia militar, que conduzem o preso à Delegacia de Polícia. Será 
um dos policiais, portanto, quem apresenta o preso ao delegado de polícia, figurando, assim, como 
condutor. 
b) oitiva de testemunhas: 
Em seguida, devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor, 
que, pelos arts. 304, caput, e 304, §1º, do CPP, devem ser, no mínimo, duas (referem-se a “testemunhas”, 
no plural). 
Não há vedação a que sirvam como testemunhas agentes policiais. 
A falta de testemunhas da infração não impedirá a lavratura do auto de prisão 
em flagrante, mas, nesse caso, com o condutor deverão assinar a peça pelo menos duas pessoas que 
tenham testemunhado a apresentação do preso à autoridade (art. 304, § 2º, do CPP). Considera-se, 
portanto, testemunha de apresentação aquelas que presenciaram o momento em que o condutor 
apresentou o preso à autoridade policial. 
 
 
 
 
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c) Interrogatório do preso. 
O interrogatório deve observar as mesmas formalidades exigidas para o 
interrogatório judicial, previstas nos arts. 185 a 196 do CPP, dentre as quais se destaca a advertência ao 
preso do seu direito constitucional ao silêncio, sem que isso possa ser interpretado em seu desfavor (art. 
5º, LXIII, da CF1). 
d) Nota de culpa: 
Nos termos do artigo 306, § 1º e § 2º, do CPP, superadas essas etapas, cumpre 
à autoridade policial, em até 24 horas após a realização da prisão, encaminhar o auto de prisão em 
flagrante devidamente instruído ao juiz competente, bem como entregar ao preso, no mesmo prazo, 
mediante recibo, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e 
os das testemunhas. 
Trata-se a nota de culpa de documento por meio do qual a autoridade policial 
cientifica o preso dos motivos de sua prisão, do nome do condutor e das testemunhas. 
Se não for entregue nota de culpa, o flagrante deve ser relaxado por falta de 
formalidade essencial. 
Além disso, a Lei 13.257/2016, incluiu o § 4º ao artigo 304, segundo o qual “Da 
lavratura do auto de prisão em flagrante deverá constar a informação sobre a existência de filhos, 
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos 
cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.” 
2.5) GARANTIAS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS DO PRESO 
A) Da comunicação imediata ao juiz competente e ao Ministério Público 
De acordo com o artigo 306 do CPP, a prisão de qualquer pessoa e o local onde 
se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família 
do preso ou à pessoa por ele indicada. 
 
1 Esse dispositivo é fundamental para qualquer interrogatório, seja na fase de investigação ou no curso da ação penal: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
(...) 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de 
advogado; 
 
 
 
 
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O artigo 5º, LXII, da CF/88 dispõe que a prisão de qualquer pessoa e o local 
onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa 
por ele indicada. 
A ausência da comunicação imediata da prisão em flagrante ao juiz competente e 
ao Ministério Público torna a prisão ilegal, devendo, portanto, ser relaxada. 
B) Da comunicação imediata da prisão à família do preso ou à pessoa por ele indicada. 
Nos termos do artigo 306 do CPP e artigo 5º, LXII e LXIII, da CF/88, cumpre à 
autoridade policial providenciar a comunicação imediata da prisão em flagrante à família do preso ou à 
pessoa por ele indicada, garantindo-lhe, assim, a assistência da família. 
Essa comunicação tem por objetivo certificar familiares acerca da localização do 
preso, bem como viabilizar ao preso o apoio e a assistência da família. 
A comunicação à família ou à pessoa pelo preso indicada constitui direito 
subjetivo do flagrado. Se não for observada essa formalidade pela autoridade policial, a prisão em 
flagrante será ilegal, devendo, pois, ser relaxada. 
C) Da assistência de advogado ao preso 
Nos termos do artigo 5º, inciso LXIII, parte final, da Constituição Federal, o preso 
tem direito à assistência da família e de advogado. 
A presença de advogado não é imprescindível à lavratura do auto de prisão em 
flagrante. De outro lado, se o preso constituir/contratar advogado, não cabe, à evidência, à autoridade 
policial vedar a presença do advogado constituído nos atos que integram a lavratura do auto de prisão em 
flagrante, podendo o profissional acompanhar a oitiva do condutor, das testemunhas, bem como o 
interrogatório do flagrado. 
Se o flagrado não informar o nome do seu advogado, deverá a autoridade policial 
encaminhar, em até 24 horas, cópia integral do APF à Defensoria Pública, nos termos do artigo 306, § 1º, 
do Código de Processo Penal. 
 
 
 
 
 
 
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Em síntese, a inobservância de qualquer dessas formalidades gera a ilegalidade 
da prisão em flagrante, devendo o juiz, ao receber os autos, deixar de homologar o auto de prisão em 
flagrante e determinar o relaxamento da prisão por ilegalidade formal. 
 
 
 
 
 
 
 
2.6) PROVIDÊNCIAS JUDICIAIS AO RECEBER O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE – Art. 310 
do CPP 
Ao recebero Auto de Prisão em Flagrante, o Juiz deverá adotar uma das 
providências previstas na nova redação do artigo 310 do CPP: 
A) 
B) 
C) 
 
Nesse sentido, num primeiro momento, o Magistrado deverá analisar o 
aspecto formal, a legalidade do auto de prisão em flagrante, bem como se há situação de flagrância, 
conforme as hipóteses do artigo 302 do CPP. Se observadas as formalidades, o Juiz homologa; na hipótese 
de alguma ilegalidade, seja formal ou material, o Juiz deverá relaxar a prisão em flagrante. 
Num segundo momento, uma vez homologado o auto de prisão em flagrante, o 
Juiz deverá verificar a necessidade de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva ou a 
concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança e a eventual imposição de medida cautelar diversa. 
GARANTIAS LEGAIS e CONSTITUCIONAIS DO PRESO 
COMUNICAÇÃO AO JUIZ (imediata) 
COMUNICAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO 
COMUNICAÇÃO FAMÍLIA ou QUEM INDIQUE 
ACESSO A ADVOGADO (DPE se não indicar adv.) 
A falta é 
ilegal 
RELAXAR O FLAGRANTE 
CONVERTER A PRISÃO EM FLAGRANTE EM PRISÃO PREVENTIVA 
CONCEDER LIBERDADE PROVISÓRIA (com ou sem fiança ou 
medidas cautelares) 
 
 
 
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Em sendo legal a prisão em flagrante, o juiz deve verificar se concederá a 
liberdade provisória ou se converterá a prisão em flagrante em prisão preventiva2. 
Convém ressaltar, por pertinente, que a prisão preventiva somente poderá ser 
decretada em substituição da prisão em flagrante se estiverem presentes os requisitos do art. 312 do CPP3 
E se não for suficiente outra medida diversa da prisão, bem como se presente uma das hipóteses do artigo 
313 do CPP. 
Assim, pela leitura do artigo 310, II, CPP, verifica-se que a prisão preventiva é 
a última ratio das medidas cautelares. Ela somente deve ser decretada quando todas as demais medidas 
cautelares se revelarem inadequadas e insuficientes para o caso concreto. Em outras palavras, a 
insuficiência das medidas cautelares diversas da prisão (aquelas previstas no artigo 319 do CPP) passou a 
ser mais um requisito para o cabimento da prisão preventiva. 
Logo, por ser medida de caráter excepcional, o juiz somente poderá converter a 
prisão em flagrante em prisão preventiva se estiverem presentes os requisitos do artigo 312 e 313 do CPP. 
Em síntese: O juiz, ao receber o auto de prisão em flagrante, deverá, 
fundamentadamente, converter a prisão em flagrante em preventiva (inciso II, primeira parte), desde que: 
a) a prisão seja legal (inciso I); 
b) as medidas cautelares diversas da prisão se revelarem inadequadas ou insuficientes (inciso II, parte 
final); 
c) o agente não tenha praticado o fato ao amparo das causas de exclusão da ilicitude previstas no art. 23, 
do CP; 
d) estejam presentes os requisitos dos artigos 312 e 313 do CPP. 
Caso contrário, será concedida liberdade provisória (com ou sem fiança ou 
cautelar diversa da prisão). 
 
 
 
2 Antes da Lei nº 12.403/2011, o agente ficava preso em decorrência da prisão em flagrante. O Juiz simplesmente homologava o APF e 
mantinha a prisão em flagrante. Com a alteração, o juiz, se presentes os requisitos, deverá converter a prisão em flagrante em prisão 
preventiva. Eis a razão do caráter precautelar da prisão em flagrante (pois dura até ser convertida em preventiva ou concedida a liberdade 
provisória). 
3 Garantia da ordem pública, garantia da ordem econômica, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal. 
Será estudado oportunamente. 
 
 
 
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Questão 04 – XXII EXAME 
Diego e Júlio caminham pela rua, por volta das 21h, retornando para suas casas após mais um dia de aula 
na faculdade, quando são abordados por Marcos, que, mediante grave ameaça de morte e utilizando 
simulacro de arma de fogo, exige que ambos entreguem as mochilas e os celulares que carregavam. Após 
os fatos, Diego e Júlio comparecem em sede policial, narram o ocorrido e descrevem as características 
físicas do autor do crime. Por volta das 5h da manhã do dia seguinte, policiais militares em patrulhamento 
se deparam com Marcos nas proximidades do local do fato e verificam que ele possuía as mesmas 
características físicas do roubador. Todavia, não são encontrados com Marcos quaisquer dos bens 
subtraídos, nem o simulacro de arma de fogo. Ele é encaminhado para a Delegacia e, tendo-se verificado 
que era triplamente reincidente na prática de crimes patrimoniais, a autoridade policial liga para as 
residências de Diego e Júlio, que comparecem em sede policial e, em observância de todas as formalidades 
legais, realizam o reconhecimento de Marcos como responsável pelo assalto. O Delegado, então, lavra auto 
de prisão em flagrante em desfavor de Marcos, permanecendo este preso, e o indicia pela prática do crime 
previsto no Art. 157, caput, do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 69 do Código Penal. Diante 
disso, Marcos liga para seu advogado para informar sua prisão. Este comparece, imediatamente, em sede 
policial, para acesso aos autos do procedimento originado do Auto de Prisão em Flagrante. Considerando 
apenas as informações narradas, na condição de advogado de Marcos, responda, de acordo com a 
jurisprudência dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir. 
A) Qual requerimento deverá ser formulado, de imediato, em busca da liberdade de Marcos e sob qual 
fundamento? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Oferecida denúncia na forma do indiciamento, qual argumento de direito material poderá ser 
apresentado pela defesa para questionar a capitulação delitiva constante da nota de culpa, em busca de 
uma punição mais branda? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não 
confere pontuação. 
 
Questão 02 - XII EXAME DE ORDEM 
Ricardo é delinquente conhecido em sua localidade, famoso por praticar delitos contra o patrimônio sem 
deixar rastros que pudessem incriminá-lo. Já cansando da impunidade, Wilson, policial e irmão de uma das 
vítimas de Ricardo, decide que irá empenhar todos os seus esforços na busca de uma maneira para 
prender, em flagrante, o facínora. 
Assim, durante meses, se faz passar por amigo de Ricardo e, com isso, ganhar a confiança deste. Certo 
dia, decidido que havia chegada a hora, pergunta se Ricardo poderia ajudá-lo na próxima empreitada. 
Wilson diz que elaborou um plano perfeito para assaltar uma casa lotérica e que bastaria ao amigo seguir 
as instruções. O plano era o seguinte: Wilson se faria passar por um cliente da casa lotérica e, percebendo 
o melhor momento, daria um sinal para que Ricardo entrasse no referido estabelecimento e anunciasse o 
Deverá ser requerido relaxamento de prisão nós termos do artigo 310 do código de processo penal .
 
 
 
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17 
 
assalto, ocasião em que o ajudaria a render as pessoas presentes. Confiante nas suas próprias habilidades 
e empolgado com as ideias dadas por Wilson, Ricardo aceita. No dia marcado por ambos, Ricardo, 
seguindo o roteiro traçado por Wilson, espera o sinal e, tão logo o recebe, entra na casa lotérica e anuncia 
o assalto. Todavia, é surpreendido ao constatar que tanto Wilson quanto todos os “clientes” presentes na 
casa lotérica eram policiais disfarçados. Ricardo acaba sendo preso em flagrante, sob os aplausos da 
comunidade e dos demais policiais, contentes pelo sucesso do flagrante. Levado à delegacia, o delegado 
de plantão imputa a Ricardo a prática do delito de roubo na modalidade tentada. 
Nesse sentido, atento tão somente às informações contidas no enunciado, responda justificadamente: 
A) Qual a espécie de flagrante sofrido por Ricardo? (Valor: 0,80) 
B) Qual é a melhor tese defensiva aplicável à situação de Ricardo relativamente à sua responsabilidade 
Jurídico penal?(Valor: 0,45) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PEÇA: 
 RELAXAMENTO DA PRISÃO 
PALAVRA MÁGICA: 
PRISÃO ILEGAL 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
2.7) PEÇAS PRÁTICAS NO CONTEXTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
2.7.1) RELAXAMENTO DA PRISÃO 
I) BASE LEGAL 
 
 
II) IDENTIFICAÇÃO 
O pedido de relaxamento de prisão guarda relação com PRISÃO ILEGAL. 
 
III) CONTEÚDO 
A prisão ilegal pode decorrer de ilegalidade formal e/ou material. 
A) ILEGALIDADE FORMAL 
Ocorre quando o auto de prisão em flagrante não observou as formalidades 
procedimentais previstas no art. 304 e 306 do CPP e dos incisos do art. 5º da Constituição Federal, 
notadamente LXI, LXII, LXIII, LXIV. 
As ilegalidades formais podem ocorrer durante ou depois da lavratura do auto de 
prisão em flagrante. 
RELAXAMENTO DA PRISÃO PRISÃO ILEGAL 
BASE LEGAL: art. 310, inciso I, CPP e art. 5º, LXV da CF/88 
 
 
 
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Além da inobservância das formalidades no art. 304 e 306 do CPP e dos incisos 
do art. 5º da Constituição Federal, notadamente LXI, LXII, LXIII, LXIV, pode incidir a ilegalidade pelo 
excesso de prazo da prisão, como, por exemplo, na conclusão do inquérito policial além do prazo previsto 
em lei, sem justificativa plausível ou, ainda, não oferecimento da denúncia de réu preso (prazo 05 dias). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
B) ILEGALIDADE MATERIAL 
Além das formalidades legais e constitucionais para a lavratura do APF, devem 
estar presentes situações autorizadoras da prisão em flagrante. 
Nesse sentido, se a prisão realizada não se enquadra em nenhuma das hipóteses 
do artigo 302 do CPP, a prisão será materialmente ilegal. Em outras palavras, se não estiver configurada 
nenhuma das hipóteses de flagrância, a prisão é ilegal. 
Assim, em tese, a ilegalidade da prisão em flagrante, na forma material, ocorre 
invariavelmente antes do início da lavratura do auto de prisão em flagrante. 
 
 
 
 
ALGUMAS ILEGALIDADES MATERIAIS 
* Preso sem estar em situação de flagrância (artigo 302 do CPP) 
* Flagrante preparado/provocado – Súmula 145 do STF 
* Flagrante forjado 
* Preso por fato atípico 
ALGUMAS ILEGALIDADES FORMAIS 
* Inobservância das formalidades legais e constitucionais na lavratura do APF. 
* Não comunicação imediata da prisão à autoridade judiciária. 
* Não comunicação imediata ao Ministério Público 
* Não encaminhamento do APF à Defensoria Pública, quando o autuado não informa 
nome de advogado. 
* Não entrega da nota de culpa no prazo de 24 horas. 
* Não viabilizar assistência de advogado. 
* Não comunicação imediata à família. 
* Falta de representação do ofendido, sendo hipótese de prisão decorrente de crime de 
ação penal pública condicionada à representação. 
* Ausência de requerimento da vítima na hipótese de prisão em flagrante por crime de 
ação penal privada; 
* Inversão da ordem de oitiva prevista no artigo 304 do CPP. 
* Falta de laudo de constatação da natureza da substância entorpecente (art. 50, §1º, 
da Lei 11.343/2006) 
 
 
 
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A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA 
DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
Autos nº 
Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº..., 
residente e domiciliado ..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM 
FLAGRANTE, com base no art. 310, inciso I, Código de Processo Penal e art. 5º, LXV da 
Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos 
I) DOS FATOS4 
II) DO DIREITO5 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, a fim de que possa 
responder a eventual processo em liberdade; 
b) a expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) vista ao Ministério Público6. 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
Local..., data... 
______________________ 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
4 Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
5 Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade formal e/ou material. 
6 Alguns autores consideram desnecessária vista ao MP. Por cautela, até porque não ensejará perda de pontos, pode-se 
adicionar o pedido de vista ao MP. 
 
 
 
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FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 73. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 84 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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22 
 
2.7.2) LIBERDADE PROVISÓRIA 
I) CONSIDERAÇÕES GERAIS 
Entende-se por liberdade provisória o instituto destinado a conferir ao acusado o 
direito de responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento ou não de determinadas 
condições. 
Nas palavras de Avena, com o advento da Lei 11.719/2008, modificada a redação 
do art. 408 (que restou substituído pelo atual art. 413) e revogado o art. 594, ficou o instituto da liberdade 
provisória limitado à prisão em flagrante.7 
Esse também é o entendimento de Nucci8, segundo o qual “a liberdade 
provisória, com ou sem fiança, é um instituto compatível com a prisão em flagrante, mas não com a prisão 
preventiva ou temporária. Nessas duas últimas hipóteses, vislumbrando não mais estarem presentes os 
requisitos que a determinam, o melhor a fazer é revogar a custódia cautelar, mas não colocar o réu em 
liberdade provisória, que implica sempre o respeito a determinadas condições”. 
A liberdade provisória está prevista no artigo 310, inciso III, do CPP, segundo o 
qual ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz poderá, fundamentadamente, conceder a liberdade 
provisória, com ou sem fiança. Está prevista ainda no art. 5º, LXVI, da CF/88, ninguém será levado à 
prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança. 
Além disso, o artigo 321 do CPP dispõe que, ausentes os requisitos que 
autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for 
o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP e observados os critérios constantes do art. 
282 do CPP. 
Segundo Lopes Júnior, a liberdade provisória é disposta como uma medida 
cautelar (na verdade, uma contracautela), alternativa à prisão preventiva, nos termos do art. 310, III, do 
CPP. No sistema brasileiro, situa-se após a prisão em flagrante e antes da prisão preventiva, como medida 
impeditiva da prisão cautelar [...] É a liberdade provisória uma forma de evitar que o agente preso em 
flagrante tenha sua detenção convertida em preventiva.9 
II) BASE LEGAL 
 
 
77 AVENA, Norberto. Processo Penal Esquematizado. São Paulo: Método. 2013. p. 973. 
88 NUCCI, Guilherme Souza. Código de Processo Penal Comentado. São Paulo: RT. 2016, p. 785. 
9 LOPES JÚNIOR, Aury. Direito ProcessualPenal. 9ª ed. São Paulo: Saraiva. 2016, p. 703. 
BASE LEGAL: art. 310, inciso III, CPP, art. 321 do CPP e art. 5º, LXVI da 
CF/88 
 
 
 
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PEÇA: 
 LIBERDADE PROVISÓRIA 
PALAVRA MÁGICA: 
PRISÃO FLAGRANTE 
LEGAL 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
III) IDENTIFICAÇÃO 
Cabe pedido de liberdade provisória nas hipóteses de prisão flagrante legal. 
 
 
 
 
 
 
IV) CONTEÚDO 
Se a prisão em flagrante se revestir de legalidade, pode o magistrado conceder a 
liberdade provisória sem nenhuma restrição, ou, ao contrário, impor ao agente a prestação de fiança e/ou 
outra medida cautelar diversa da prisão. 
Nos crimes afiançáveis, ausentes os requisitos que autorizam a prisão preventiva, 
é possível a concessão da liberdade provisória com fiança. 
Convém registrar, por pertinente, que há crimes inafiançáveis, tais como os 
crimes de racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, crimes hediondos, 
bem como crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o 
Estado Democrático. É o que se extrai do artigo 323 do CPP e art. 5º, XLII e XLIII, CF/88. Nesses casos, se 
ausentes os requisitos da prisão preventiva, será possível a concessão da liberdade provisória vinculada a 
fixação de uma medida cautelar diversa da prisão, salvo a fiança. Eis as hipóteses de liberdade provisória 
sem fiança: 
A) AUSÊNCIA DOS FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 321 DO CPP) 
Nos termos do artigo 321 do CPP, ausentes os requisitos da prisão preventiva, o 
juiz deverá conceder a liberdade provisória, sendo-lhe facultado, com a observância dos critérios da 
necessidade e da adequação previstos no art. 282 do CPP, exigir a prestação de fiança com a finalidade de 
assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de 
resistência injustificada à ordem judicial, bem como aplicar outras medidas cautelares diversas da prisão 
previstas no art. 319 do CPP. 
 
 
 
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Se o crime for inafiançável racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e 
drogas afins, terrorismo, crimes hediondos, bem como crimes cometidos por grupos armados, civis ou 
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. É o que se extrai do artigo 323 do CPP e 
art. 5º, XLII e XLIII, CF/88, busca-se a liberdade provisória, com pedido subsidiário de fixação de medida 
cautelar diversa da prisão. 
B) QUANDO HOUVER INDICATIVOS DE QUE O AGENTE PRATICOU A INFRAÇÃO PENAL 
ABRIGADO POR EXCLUDENTES DE ILICITUDE (ART. 310, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPP) 
Trata-se da hipótese em que os elementos constantes no auto de prisão em 
flagrante indicam ter o agente praticado o fato em situação de legítima defesa, estado de necessidade, 
exercício regular do direito ou estrito cumprimento do dever legal. 
Nesses casos, deverá o juiz conceder a liberdade provisória ao agente, 
independentemente se o fato praticado caracteriza delito afiançável ou inafiançável. 
Embora não esteja previsto no artigo 310, parágrafo único, do CPP, parte da 
doutrina entende possível a concessão da liberdade provisória nas hipóteses de excludente de 
culpabilidade (embriaguez acidental completa, coação moral irresistível, erro de proibição, etc), uma vez 
que, ao final, o agente não será privado de liberdade. 
QUESTÃO 4 – XXIV EXAME 
Pablo, que possui quatro condenações pela prática de crimes com violência ou grave ameaça à pessoa, 
estava no quintal de sua residência brincando com seu filho, quando ingressa em seu terreno um cachorro 
sem coleira. O animal adota um comportamento agressivo e começa a tentar atacar a criança de 05 anos, 
que brincava no quintal com o pai. Diante disso, Pablo pega um pedaço de pau que estava no chão e 
desfere forte golpe na cabeça no cachorro, vindo o animal a falecer. No momento seguinte, chega ao local 
o dono do cachorro, que, inconformado com a morte deste, chama a polícia, que realiza a prisão em 
flagrante de Pablo pela prática do crime do Art. 32 da Lei nº 9.605/98. Os fatos acima descritos são 
integralmente confirmados no inquérito pelas testemunhas. Considerando que Pablo é multirreincidente na 
prática de crimes graves, o Ministério Público se manifesta pela conversão do flagrante em preventiva, 
afirmando o risco à ordem pública pela reiteração delitiva. Considerando as informações narradas, na 
condição de advogado(a) de Pablo, que deverá se manifestar antes da decisão do magistrado quanto ao 
requerimento do Ministério Público, responda aos itens a seguir. 
 A) Qual pedido deverá ser formulado pela defesa de Pablo para evitar o acolhimento da manifestação pela 
conversão da prisão em flagrante em preventiva? Justifique. (Valor: 0,60) 
B) Sendo oferecida denúncia, qual argumento de direito material poderá ser apresentado em busca da 
absolvição de Pablo? Justifique. (Valor: 0,65) 
 
 
 
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C) QUANDO, EMBORA AFIANÇÁVEL O CRIME, NÃO POSSUI O FLAGRADO CONDIÇÕES 
ECONÔMICAS PARA PEGAR A FIANÇA (ART. 350 DO CPP) 
V) LIBERDADE PROVISÓRIA X TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES 
A jurisprudência e a doutrina oscilavam em relação ao artigo 44 da Lei 
11.343/2006, que veda a concessão de liberdade provisória no crime de tráfico ilícito de entorpecentes. 
Todavia, o STF, no julgamento do HC 104.339/SP, considerou inconstitucional o 
disposto no artigo 44 da Lei 11.343/2006 também na parte que veda a concessão da liberdade provisória, 
sob o fundamento de que o dispositivo viola o princípio da presunção da inocência e da dignidade da 
pessoa humana, bem como que a Lei 11.464/2007, ao excluir dos crimes hediondos e equiparados a 
vedação à liberdade provisória, sendo posterior à Lei de Drogas, revogou, tacitamente, o artigo 44 desta 
Lei, que proibia o benefício ao crime de tráfico de drogas. 
Assim, é possível conceder a liberdade provisória ao agente preso em flagrante 
pelo delito de tráfico ilícito de entorpecentes, desde que ausentes os requisitos que autorizam a decretação 
da prisão preventiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inconstitucionalidade do artigo 44 da Lei n. 11.343/2006 na parte que veda a concessão da 
liberdade provisória 
Ofensa ao princípio da presunção da inocência, previsto no artigo 5º, inciso LVII, da CF/88. 
Ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1º, inciso III, da CF/88. 
.. 
 
Ofensa ao princípio do devido processo legal, previsto no artigo 5º, inciso LIV, da CF/88. 
 
 
 
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QUESTÃO 4 - XVI EXAME 
Wesley, estudante, foi preso em flagrante no dia 03 de março de 2015 porque conduzia um veículo 
automotor que sabia ser produto de crime pretérito registrado em Delegacia da área em que residia. Na 
data dos fatos, Wesley tinha 20 anos, era primário, mas existia um processo criminal em curso em seu 
desfavor, pela suposta prática de um crime de furto qualificado. Diante dessa anotação em sua Folha de 
Antecedentes Criminais, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em 
preventiva, afirmando que existiria risco concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros 
envolvimentos com o aparato judicial. Você, como advogado(a) indicado por Wesley, é comunicado da 
ocorrência da prisão em flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo 
Delegado. Da mesma forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o 
magistrado, sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. Considerando as informações 
narradas, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a medida processual, diferente de habeas corpus, a ser adotada pela defesa técnica de Wesley? 
(Valor: 0,50) 
B) A representação da autoridade policial foi elaborada de modo adequado? (Valor: 0,75)Responda justificadamente, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal 
pertinente ao caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESTRUTURA LIBERDADE PROVISÓRIA 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO 
JUDICIÁRIA.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 10 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
Autos nº... 
 
Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº..., 
residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer a LIBERDADE PROVISÓRIA, com base no 
art. 310, inciso III, Código de Processo Penal, art. 321 do Código de Processo Penal, e art. 5º, 
LXVI, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos 
I) DOS FATOS11 
II) DO DIREITO12 
* Fazer referência, se for o caso, a fiança e/ou medidas cautelares diversas da prisão previstas no artigo 
319 e 320 do CPP.13 
 
10 Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88. 
11 Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
12 Ausência dos requisitos da prisão preventiva (art. 321 CPP) e/ou hipótese de excludente de ilicitude (art. 310, 
parágrafo único, CPP), presunção da inocência (art. 5º, LVII, CF/88) 
13 Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão 
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades 
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações 
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado dela permanecer distante; 
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou 
instrução; 
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e 
trabalho fixos; 
 VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver 
justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais; 
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os 
peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; 
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do 
seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; 
IX - monitoração eletrônica. 
 
 
 
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III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) a concessão da LIBERDADE PROVISÓRIA, a fim de que possa responder 
a eventual processo em liberdade; 
b) a expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) fixação de fiança14 e/ou medida cautelar diversa da prisão15; 
d) vista ao Ministério Público. 
 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
 
Local... e data... 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
§ 1o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 3o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com 
outras medidas cautelares. 
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as 
saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e 
quatro) horas. 
14 Se o crime for afiançável. 
15 Extrair do enunciado a mais adequada ao caso concreto. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
 
 
 
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29 
 
Em síntese: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando não for caso de conversão da prisão em flagrante em 
preventiva 
Formal ou material 
ma 
 
ou material 
Ausência dos requisitos preventiva – art. 321 CPP e 
excludentes ilicitude – art. 310, parágrafo único do CPP 
Medidas cautelares – art. 319 do CPP 
FLAGRANTE 
DELITO 
PRISÃO 
LEGAL 
PRISÃO 
ILEGAL 
LIBERDADE 
PROVISÓRIA 
Se indeferido, 
HABEAS 
CORPUS 
 
Se denegado, 
ROC 
RELAXAMENTO 
DA 
PRISÃO 
 
Se indeferido, 
HABEAS CORPUS 
 
Se denegado, 
ROC 
 
 
 
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30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 79. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 88 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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31 
 
3) PRISÃO PREVENTIVA: Revogação da prisão preventiva 
3.1) CONCEITO 
Trata-se de modalidade de prisão processual decretada exclusivamente por juiz 
competente quando presentes os pressupostos e as hipóteses previstas em lei (arts. 312 e 313 do CPP). 
Possui natureza cautelar, uma vez que visa a tutela da sociedade, da investigação 
criminal e garantir a aplicação da pena. Por se tratar de medida cautelar, pressupõe a coexistência do 
 
Como repercute na esfera da liberdade do acusado, que constitui direito e garantia 
fundamental do cidadão, a possibilidade de decretação da prisão preventiva encontra embasamento também 
no artigo 5º, especificamente no inciso LXI, da Constituição Federal, que permite a prisão provisória, antes 
do trânsito em julgado da sentença condenatória, desde que precedida de ordem escrita e fundamentada da 
autoridade judiciária competente. Em síntese, somente é possível decretar a prisão 
preventiva 
 
 
Conforme dispõe o art. 283, §2º, do CPP, a prisão poderá ser efetuada em 
qualquer dia e a qualquer hora, respeitada a garantia fundamental da inviolabilidade do domicílio, prevista 
no artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal, segundo o qual salvo na hipótese de prisão em flagrante, a 
prisão somente pode ser efetivada mediante ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente. 
De acordo com o artigo 293 do CPP, durante o período noturno, no caso de 
prisão preventiva e temporária, em que se exige mandado de prisão expedido por juiz competente, é 
vedado à autoridade policial ingressar em domicílio alheio para efetivar a prisão do suspeito. Todavia, 
nesse caso, se o morador consentir com o ingresso no seu domicílio, a autoridade policial, desde que 
munida de mandado, poderá efetivara prisão. 
Durante o período noturno, se o morador não permitir o ingresso no seu 
domicílio, a autoridade policial deverá aguardar o amanhecer, com os primeiros raios solares, para invadir, 
com ou sem consentimento do morador, a residência e aí sim efetivar a prisão. Se invadir sem permissão 
do morador, a prisão será ilegal, devendo ser relaxada. 
“por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente”. 
fumus bonis iuris (ou fumus comissi delicti) e do periculum in mora (ou periculum libertatis). 
 
Necessita de Mandado 
 
 
 
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O mandado de prisão deverá preencher os requisitos do artigo 285, parágrafo 
único, do CPP. 
3.2) LEGITIMAÇÃO 
Diante do que dispõe o art. 5º, LXI, CF/88, no sentido de que ninguém será 
preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária 
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei, resta 
claro que a prisão preventiva somente pode ser decretada por ordem judicial. 
Nesse caso, o Magistrado decreta, durante a investigação criminal ou ação penal, a 
prisão preventiva, que deve ser cumprida mediante a expedição do respectivo mandado. A prisão preventiva 
pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal. 
Conforme se extrai do artigo 311 do CPP, durante a investigação policial, o juiz não 
pode decretar a prisão preventiva de ofício, mas apenas a requerimento do Ministério Público ou 
representação da autoridade policial. 
Durante a ação penal, a decretação da prisão preventiva pode ser decretada de 
ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente de acusação, ou 
representação da autoridade policial. 
Se, na fase de investigação, o juiz decretar de ofício a prisão preventiva, a prisão 
será ilegal, sendo, nesse caso, cabível relaxamento de prisão. 
3.3) PRESSUPOSTOS 
Nos termos da parte final do artigo 312 do CPP, a prisão preventiva somente é 
possível, se, no caso concreto, houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade: 
 
Como o dispositivo se refere expressamente a “crime”, forçoso concluir que não 
cabe prisão preventiva nas contravenções penais. 
 
 
 
 
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3.4) FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA – Art. 312 
De acordo com o artigo 312 do CPP, a prisão preventiva pode ser decretada 
como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, para 
assegurar a aplicação da lei penal ou em caso de descumprimento das obrigações impostas por força de 
outras medidas cautelares. 
a) Garantia da ordem pública 
A prisão preventiva para garantia da ordem pública somente deve ocorrer em 
hipóteses de crimes que se revestem de especial gravidade no caso concreto, seja pela pena prevista, seja, 
sobretudo, pelos meios de execução utilizados. Cabe, ainda, prisão preventiva para garantia da ordem 
pública diante do risco de reiteradas investidas criminosas e quando presente situação de comprovada 
intranquilidade coletiva no seio social ou de uma determinada comunidade. 
A gravidade em abstrato do crime não autoriza a prisão preventiva. O juiz deve 
analisar a gravidade de acordo com as circunstâncias do caso concreto. Se não fosse assim, todo crime de 
homicídio ou de roubo, por serem abstratamente graves, autorizariam a prisão preventiva compulsória. 
 
 
 
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Em suma: a gravidade em concreto que autoriza a prisão preventiva é aquela 
revelada não só pela pena abstratamente prevista para o crime, mas também pelos meios de execução, 
quando a perversidade e o desprezo pelo bem jurídico atingido, reclamem medidas imediatas para 
assegurar a ordem pública, decretando-se a prisão preventiva. Diante disso, a gravidade em abstrato não 
constitui motivo idôneo a embasar um decreto de preventiva, devendo o Magistrado fundamentar sua 
decisão, nos termos do artigo 93, IX, da CF/88, art. 5º, LXI, da CF/88, bem como artigo 315 do CPP. 
Embora os tribunais superiores utilizem, em determinadas decisões, a 
expressão revogação da prisão preventiva, a FGV, no exame de 2010/03 e XIV Exame, sinalizou no sentido 
de considerar, nesse caso, a ilegalidade de prisão, na medida em que, após constar no enunciado que o 
juiz decretou a prisão preventiva considerando a gravidade em abstrato do crime, no padrão de resposta 
da prova de 2010/03 constou a expressão “Ilegalidade na decretação da prisão preventiva”. No XIV 
Exame, após constar no enunciado que “Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 
171, do Código Penal. No curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão 
preventiva do réu, com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção 
social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca em risco a integridade social, configurando 
conduta inadequada ao meio social.”, a questão seguiu com a seguinte redação, “O advogado de Cristiano, 
inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou Habeas Corpus perante o Tribunal 
de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal”. 
Ressalta-se, por pertinente, que o clamor público, por si só, não autoriza o 
decreto da prisão preventiva, servindo como uma referência adicional para o exame da necessidade da 
custódia cautelar, devendo, portanto, estar acompanhado de situação concreta excepcional, que justifique 
a prisão processual. 
b) Conveniência da instrução criminal 
É empregada quando houver risco efetivo para a instrução criminal e não meras 
suspeitas ou presunções. Ou seja, simples receio ou medo da vítima ou testemunha em relação ao 
acusado, não autoriza o decreto da prisão preventiva. 
Não cabe prisão preventiva com fundamento na conveniência da instrução 
criminal quando se pretende interrogar ou compelir o acusado a participar de algum ato probatório 
(acareação, reconstituição ou reconhecimento), sobretudo pela violação ao direito ao silêncio. 
Se a prisão preventiva foi decretada exclusivamente com base na conveniência da 
instrução criminal, uma vez encerrada a instrução, não há mais motivo para subsistir o decreto, impondo-se, 
então, a revogação, conforme se infere dos arts. 316 e 282, § 5º, ambos do CPP. Do contrário, passa a 
preventiva a se constituir uma forma de execução antecipada de pena, configurando constrangimento ilegal. 
 
 
 
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c) Garantia da aplicação da lei penal 
Significa assegurar a finalidade útil do processo penal, que é proporcionar ao 
Estado o exercício do seu direito de punir, aplicando a sanção devida a quem é considerado autor da 
infração penal. 
É a prisão para evitar que o agente empreenda fuga, tornando inútil a sentença 
penal por impossibilidade de aplicação da pena cominada. 
Todavia, o risco de fuga não pode ser presumido. Tem de estar fundado em 
circunstâncias concretas. Logo, não havendo nenhum elemento concreto, mas mera suspeita de fuga, não 
há motivo suficiente para o decreto da prisão preventiva. 
 
 
 
d) Garantia de ordem econômica 
Nesse caso, visa-se, com a decretação da prisão preventiva, impedir que o 
agente, causador de seriíssimo abalo à situação econômico-financeira de uma instituição financeira ou 
mesmo de órgão do Estado, permaneça em liberdade, demonstrando à sociedade a impunidade reinante 
nessa área. 
Equipara-se o criminoso do colarinho branco aos demais delinquentes comuns, 
na medida em que o desfalque em uma instituição financeira pode gerar maior repercussão na vida das 
pessoas, do que um simples roubo contra um indivíduo qualquer. 
 
 
 
 
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e) Descumprimento de obrigações impostaspor força de outras medidas cautelares 
Nos termos do art. 312, parágrafo único, do CPP, a prisão preventiva também 
poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de 
outras medidas cautelares (art. 319 do CPP), conforme art. 282, § 4º, do CPP. 
Nesse caso, é imprescindível que o juiz atente para a proporcionalidade, devendo 
sempre priorizar a cumulação de medidas cautelares ou adoção de outra mais grave, optando pela prisão 
preventiva em último caso. 
Em síntese, o Juiz deve priorizar a aplicação de medida cautelar diversa da prisão 
caso entenda adequada e suficiente diante do caso concreto. Ex: Suponha que o juiz determine a proibição 
do acusado de estabelecer contato com pessoa determinada (art. 319, III, CPP) e ele descumpre a 
medida. Nesse caso, o juiz deve, primeiro, optar por substituir a medida ou aplicar outra em cumulação, 
para só então, se persistir o descumprimento, decretar a preventiva, conforme dispõe o art. 312, parágrafo 
único, c/c o art. 282, § 4º, CPP. 
 
3.5) CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA – Art. 313 
Não se mostra suficiente a presença de um dos fundamentos da prisão preventiva, 
devendo, além disso, ser decretada somente em determinadas espécies de infração penal ou sob certas 
circunstâncias. Trata-se das condições de admissibilidade previstas no artigo 313 do CPP. 
 
Nos termos desse inciso, somente é cabível a prisão preventiva para os crimes 
dolosos com pena máxima, privativa de liberdade, superior a quatro anos. 
O limite de 04 anos tem a sua razão de ser, porquanto, se condenado 
definitivamente, o agente poderá, se preenchidos os requisitos do artigo 44 do Código Penal, ter substituída 
sua pena privativa de liberdade em restritiva de direitos. Nesse sentido, se condenado o agente não irá, a 
princípio, para prisão, com muito mais razão não poderá ser mantido preso quando incide a seu favor a 
presunção da inocência. 
A) NOS CRIMES DOLOSOS PUNIDOS COM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA SUPERIOR 
A 4 (QUATRO) ANOS: 
 
 
 
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37 
 
Além disso, se condenado a pena não superior a 04 anos, o agente poderá cumprir 
a pena privativa de liberdade em regime aberto, podendo sair para trabalhar durante o dia e retornar ao 
cárcere à noite. 
São inúmeros os crimes que, em razão deste inciso, não comportam prisão 
preventiva, tais como furto simples (art. 155 CP), apropriação indébita (art. 168 CP), receptação simples 
(art. 180 CP), descaminho (Art. 334 do CP), dentre outros. 
No caso de concurso material de crimes, somam-se as penas para fins de prisão 
preventiva. Nos casos de concurso formal de crimes e crime continuado, considera-se a causa de aumento 
no máximo e a de diminuição no mínimo. Em qualquer caso, se a pena máxima for superior a 04 anos, 
poderá, em tese, ser decretada a prisão preventiva. 
Tratando-se de causas de aumento de pena e de diminuição da pena, deve-se 
considerar a quantidade que mais aumente ou que menos diminua, respectivamente, a fim de se chegar a 
pena máxima cominada ao delito. 
Ex1: Furto noturno, previsto no artigo 155, § 1º, CP, a pena é aumentada em 1/3. 
O furto simples não autoriza o decreto da prisão preventiva, pois a pena máxima cominada é de 04 anos. 
Todavia, se for praticado durante repouso noturno, a pena é aumentada em 1/3, superando os 04 anos e, 
por conseguinte, autorizando o decreto da prisão preventiva. 
Ex2: Tentativa de estelionato. Conforme o artigo 171 do CP, a pena máxima 
cominada ao delito de estelionato é de 05 anos. Na hipótese de tentativa de estelionato, esta pena poderá 
ser reduzida de 1/3 a 2/3, conforme dispõe o art. 14, parágrafo único, do Código Penal. Se aplicada sobre a 
pena de 05 anos a redução mínima (1/3), a pena resultará em 03 anos e 04 meses, quantidade, portanto, 
incompatível com o disposto no artigo 313, inciso I, do CPP, o decreto da prisão preventiva. 
Assim, se uma pessoa primária está sendo processada por crime cuja pena 
máxima não excede 4 anos, descabe inicialmente a prisão preventiva, ainda que existam provas de que ela, 
por exemplo, está ameaçando testemunhas, podendo, nesse caso, ser aplicada uma das medidas cautelares 
previstas no art. 319 CPP. Somente se descumprida a medida cautelar, pode-se aventar a possibilidade de 
decreto da preventiva, com base no artigo 282, § 4º, c/c art. 312, parágrafo único, CPP. 
 
Trata-se da hipótese do réu reincidente em crime doloso. Nesse sentido, ainda que 
se trate de crime com pena máxima não superior a quatro anos, poderá ser decretada a prisão preventiva se 
o réu for reincidente em crime doloso, desde que presente um dos fundamentos do art. 312 do CPP. 
B) SE O RÉU OSTENTAR CONDENAÇÃO ANTERIOR DEFINITIVA POR OUTRO CRIME DOLOSO NO 
PRAZO DE 05 ANOS DA REINCIDÊNCIA 
 
 
 
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Por fim, cabe preventiva se o crime envolver violência doméstica e familiar contra 
a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das 
medidas protetivas de urgência. 
Além das medidas protetivas previstas na Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), a 
nova redação do artigo 313 do CPP incluiu os casos de violência doméstica, não só em relação à mulher, 
mas à criança, adolescente, idoso, enfermo ou qualquer pessoa com deficiência. 
Essas medidas protetivas estão previstas no art. 22 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria 
da Penha), arts. 43 a 45 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), e arts. 98 a 101 do ECA (Lei 8069/90). 
Convém registrar que, neste caso, a prisão preventiva será decretada apenas para 
garantir a execução das medidas protetivas de urgência, indicando, assim, a necessidade de imposição 
anterior das cautelares protetivas de urgência. 
Questão 01 – XX EXAME DA OAB 
Fausto, ao completar 18 anos de idade, mesmo sem ser habilitado legalmente, resolveu sair com o carro do seu 
genitor sem o conhecimento do mesmo. No cruzamento de uma avenida de intenso movimento, não tendo 
atentado para a sinalização existente, veio a atropelar Lídia e suas 05 filhas adolescentes, que estavam na 
calçada, causando-lhes diversas lesões que acarretaram a morte das seis. Denunciado pela prática de seis 
crimes do Art. 302, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 9503/97, foi condenado nos termos do pedido inicial, ficando a 
pena final acomodada em 04 anos e 06 meses de detenção em regime semiaberto, além de ficar impedido de 
obter habilitação para dirigir veículo pelo prazo de 02 anos. A pena privativa de liberdade não foi substituída por 
restritivas de direitos sob o fundamento exclusivo de que o seu quantum ultrapassava o limite de 04 anos. No 
momento da sentença, unicamente com o fundamento de que o acusado, devidamente intimado, deixou de 
comparecer espontaneamente a última audiência designada, que seria exclusivamente para o seu 
interrogatório, o juiz decretou a prisão cautelar e não permitiu o apelo em liberdade, por força da revelia. 
Apesar de Fausto estar sendo assistido pela Defensoria Pública, seu genitor o procura, para que você, na 
condição de advogado(a), preste assistência jurídica. Diante da situação narrada, como advogado(a), responda 
aos seguintes questionamentos formulados pela família de Fausto: 
A) Mantida a pena aplicada, é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos? 
Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Em caso de sua contratação para atuar no processo, o que poderá ser alegado para combater, 
especificamente, o fundamento da decisão que decretou a prisão cautelar? (Valor: 0,60) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não pontua 
C) SE O CRIME ENVOLVER VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER, CRIANÇA, 
ADOLESCENTE, IDOSO, ENFERMO OU PESSOA COM DEFICIÊNCIA, PARA GARANTIR A 
EXECUÇÃO DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA 
 
 
 
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QUESTÃO 4 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz no 
dia da prova geral da 2ª fase) 
Maria, primária e com bons antecedentes, trabalha há vários anos dirigindo uma van de transporte de crianças. 
Certo dia, após mudar o itinerário sempre observado, resolve fazer compras em um supermercado, onde 
permaneceu por duas horas, esquecendo de entregar uma das crianças de 03 anos na residência da mesma. Ao 
retornar ao veículo, encontra a criança desfalecida e, desesperada, leva-a ao hospital, não conseguindo, porém, 
evitar o óbito. Acabou denunciada e condenada pela prática do injusto do Art. 133, § 2º, do Código Penal 
(abandono de incapaz com resultado morte) à pena de 04 anos de reclusão em regime aberto. Apesar de ter 
respondido ao processo em liberdade, não foi permitido à Maria apelar em liberdade, fundamentando o juiz a 
ordem de prisão na grande comoção social que o fato causou. A família dispensou o advogado anterior e o(a) 
procurou para que assumisse a defesa de Maria. Considerando apenas as informações narradas na situação 
hipotética, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a tese de direito material a ser alegada em eventual recurso defensivo para evitar a punição de Maria 
pelo crime pelo qual foi denunciada? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual a medida que deve ser adotada na busca da liberdade imediata de Maria e com qual fundamento? 
Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
Questão 02 - XVII EXAME 
Glória, esposa ciumenta de Jorge, inicia uma discussão com o marido no momento em que ele chega do 
trabalho à residência do casal. Durante a discussão, Jorge faz ameaças de morte à Glória, que, de imediato 
comparece à Delegacia, narra os fatos, oferece representação e solicita medidas protetivas de urgência. 
Encaminhados os autos para o Ministério Público, este requer em favor de Glória a medida protetiva de 
proibição de aproximação, bem como a prisão preventiva de Jorge, com base no Art. 313, inciso III, do CPP. O 
juiz acolhe os pedidos do Ministério Público e Jorge é preso. Novamente os autos são encaminhados para o 
Ministério Público, que oferece denúncia pela prática do crime do Art. 147 do Código Penal. Antes do 
recebimento da inicial acusatória, arrependida, Glória retorna à Delegacia e manifesta seu interesse em não 
mais prosseguir com o feito. A família de Jorge o procura em busca de orientação, esclarecendo que o autor é 
primário e de bons antecedentes. Considerando apenas a situação narrada, na condição de advogado(a) de 
Jorge, esclareça os seguintes questionamentos formulados pelos familiares: 
 
 
 
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40 
 
A) A prisão de Jorge, com fundamento no Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, é válida? (Valor: 
0,60) 
B) É possível a retratação do direito de representação por parte de Glória? Em caso negativo, explicite as 
razões; em caso positivo, esclareça os requisitos. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas 
respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação 
 
QUESTÃO 02 - XV EXAME 
Durante inquérito policial que investigava a prática do crime de extorsão mediante sequestro, esgotado o prazo 
sem o fim das investigações, a autoridade policial encaminhou os autos para o Judiciário, requerendo apenas a 
renovação do prazo. O magistrado, antes de encaminhar o feito ao Ministério Público, verificando a gravidade 
em abstrato do crime praticado, decretou a prisão preventiva do investigado. Considerando a narrativa 
apresentada, responda aos itens a seguir. 
A) Poderia o magistrado adotar tal medida? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) A fundamentação apresentada para a decretação da preventiva foi suficiente? Justifique. (Valor: 0,60) 
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
QUESTÃO 3 – EXAME DE 2010/03 
Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o 
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por duas 
funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a prática do 
delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o Ministério Público 
Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da ordem pública, por ser o 
crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as testemunhas seriam mulheres e 
poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade antes da colheita de seus depoimentos 
judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão preventiva de Jeremias, utilizando-se dos 
argumentos apontados pelo Parquet. Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos 
apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a 
decisão judicial que recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva. 
 
 
 
 
 
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41 
 
REVOGAÇÃO 
 DA PREVENTIVA 
PRISÃO PREVENTIVA 
LEGAL 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
3.6) PEÇAS PRIVATIVAS DE ADVOGADO NO CONTEXTO DE PRISÃO PREVENTIVA 
3.6.1) REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA 
I) BASE LEGAL 
 
 
II) IDENTIFICAÇÃO 
Prisão preventiva legal. Quando não mais subsistir o motivo que ensejou o decreto 
da prisão preventiva. Trata-se de peça privativa de advogado. 
 
III) CONTEÚDO 
Buscar no enunciado informações no sentido de que não mais subsistem os 
motivos que ensejaram o decreto da prisão preventiva, previstos no artigo 312 do Código de Processo 
Penal, ou seja, que o agente não representa risco à ordem pública, à ordem econômica, à conveniência da 
instrução criminal, bem como à aplicação da lei penal. 
 
 
 
 
 
BASE LEGAL: art. 316 do CPP 
 
 
 
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42 
 
ESTRUTURA DE PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE 
......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 16 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA ...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA ......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
Autos nº... 
Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº..., 
residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer a REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, 
com base no art. 316 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir 
expostos 
I) DOS FATOS17 
II) DO DIREITO 
* Mencionar, por cautela, o disposto no art. 5º, LVII, da CF/88 (princípio da presunção da 
inocência). 
* Demonstrar que cessaram os motivos que ensejaram a prisão preventiva (a ausência dos 
fundamentos do artigo 312 do CPP). 
* Fazer, se for o caso, referência a medidas cautelares, invocando os artigos 282 e 319 e 320 do 
CPP18. 
 
16 Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88. 
17 Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
18 Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão 
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividadesII - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações 
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado dela permanecer distante; 
 
 
 
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43 
 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) A REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, a fim de que possa responder a 
eventual processo em liberdade; 
b) A expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) Subsidiariamente, aplicação de medida cautelar diversa da prisão; 
d) Vista dos autos ao Ministério Público. 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
Local..., data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou 
instrução; 
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e 
trabalho fixos; 
 VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver 
justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais. 
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os 
peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; 
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do 
seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; 
IX - monitoração eletrônica. 
§ 1o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 3o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). 
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com 
outras medidas cautelares. 
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as 
saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e 
quatro) horas. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm#art4
 
 
 
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44 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 85. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 93 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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45 
 
3.6.2) RELAXAMENTO DE PRISÃO PREVENTIVA 
I) BASE LEGAL 
 
 
 
II) IDENTIFICAÇÃO E CONTEÚDO 
O relaxamento da prisão no contexto da prisão preventiva poderá ocorrer quando 
a prisão for ilegal. Trata-se de peça privativa de advogado. 
Exemplos: 
* Prisão preventiva decretada em crime não listado no rol do art. 313 CPP. 
* Nos casos de Contravenções Penais. 
* Inobservância dos requisitos essenciais do mandado de prisão (art. 285, p. único, do CPP). 
* Prisão preventiva sem fundamentação. 
* Prisão preventiva decretada de ofício pelo juiz na fase investigatória. 
Em suma: 
 
 
 
 
 
 
 
JUIZ DECRETA 
A PRISÃO 
PREVENTIVA 
 
PRISÃO LEGAL 
 
PRISÃO ILEGAL 
 
PEDIDO DE 
REVOGAÇÃO DA 
PREVENTIVA 
 
PEDIDO DE 
RELAXAMENTO 
DE PRISÃO 
 
HC 
 
ROC 
 
DA DECISÃO 
QUE INDEFERE 
DA DECISÃO 
QUE DENEGA 
ROC 
 
HC 
 
DA DECISÃO 
QUE INDEFERE 
DA DECISÃO 
QUE DENEGA 
BASE LEGAL: art. 5º, LXV, CF/88 
 
 
 
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ESTRUTURA DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA 
DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)19 
 
Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº..., 
residente e domiciliado... por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO 
PREVENTIVA, com base no art. 5º, LXV da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos 
jurídicos a seguir expostos 
I) DOS FATOS20 
II) DO DIREITO21 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA, a fim de que possa 
responder a eventual processo em liberdade; 
b) a expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) Vista ao Ministério Público. 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
Local... e data... 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
19 Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88. 
20 Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
21 Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade da prisão preventiva. 
 
 
 
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4) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89) 
4.1) CONCEITO 
É prisão cautelar de natureza processual destinada a possibilitar as investigações 
a respeito de crimes graves, durante o inquérito policial. 
4.2) HIPÓTESES PARA A DECRETAÇÃO 
A prisão temporária pode ser decretada em relação aos crimes previstos no art. 
1º da Lei n. 7960/89 e nas seguintes hipóteses: 
a) Imprescindibilidade para as investigações do inquérito policial: 
Quando a autoridade policial, atualmente, representa pela prisão temporária, é 
obrigada a dar os motivos dessa necessidade, expondo fundamentos que serão avaliados, caso a caso, 
pelo magistrado competente. 
b) Residência fixa e identidade conhecida 
Esses dois elementos permitem a correta qualificação do suspeito, impedindo que 
outra pessoa seja processada ou investigada em seu lugar, evitando-se, por isso, o indesejado erro 
judiciário. 
Aquele que não tem residência (morada habitual) em lugar determinado ou que 
não consegue fornecer dados suficientes para o esclarecimento da sua identidade (individualização como 
pessoa) proporciona insegurança na investigação policial. 
 
 
 
 
 
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48 
 
 
4.3) DECRETAÇÃO POR AUTORIDADE JUDICIAL 
No caso de prisão temporária, não pode o magistrado decretá-la de ofício. Há, 
invariavelmente, de existir requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial. 
 
 
 
 
 
4.4) PRAZO 
Prazo de 05 dias, prorrogáveis por mais 05 dias. 
 
 
 
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49 
 
No caso de prisão temporária pela prática de crime hediondo e equiparados, o 
art. 2º, § 4º, da Lei 8072/90, estabelece que o prazo de prisão temporária pode atingir 30 dias, 
prorrogáveis por igualperíodo, em caso de extrema e comprovada necessidade. 
 
4.5) PROCEDIMENTO 
A prisão temporária pode ser decretada em face da representação da autoridade 
policial ou de requerimento do MP. Não pode ser decretada de ofício pelo juiz. 
No caso de representação da autoridade policial, o juiz, antes de decidir, tem de 
ouvir o MP. 
O juiz tem o prazo de 24 horas, a partir do recebimento da representação ou 
requerimento, para decidir fundamentadamente sobre a prisão. 
O mandado de prisão deve ser expedido em duas vias, uma das quais deve ser 
entregue ao iniciado, servindo como nota de culpa. 
Efetuada a prisão, a autoridade policial deve advertir o preso do direito 
constitucional de permanecer calado. 
Ao decretar a prisão, o juiz poderá (faculdade) determinar que o preso lhe seja 
apresentado, solicitar informações da autoridade policial ou submetê-lo a exame de corpo de delito. 
O prazo de 5 dias (ou trinta) pode ser prorrogado uma vez em caso de 
comprovada e extrema necessidade. 
 
 
 
 
 
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50 
 
4.6) REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA 
 
 
Como não há previsão expressa, considera-se como base legal, por analogia, o 
artigo 316 do CPP, podendo, ainda, ser considerado o artigo 282, § 5º, do CPP, que trata da revogação de 
medida cautelar. 
A revogação da prisão temporária ocorre no contexto de prisão temporária legal. 
4.7) RELAXAMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIA 
 
 
O relaxamento da prisão temporária guarda relação com prisão ilegal, que 
ocorre, por exemplo, quando o juiz decreta a prisão temporária de ofício; decreta prisão temporária na 
fase judicial; quando decreta em face de crime que não consta no rol do artigo 1º, inciso III, da Lei 
7.960/89. 
Em síntese, alguns exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Base Legal: art. 316 do CPP e art. 282, § 5º do CPP 
Base Legal: art. 5º, LXV, da CF/88 
 
 
 
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ESTRUTURA DE PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE 
......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 22 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA ...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA ......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
Autos nº 
Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...23, por 
seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência requerer a REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA, com base no art. 316 do Código de 
Processo Penal e 282, § 5º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a 
seguir expostos 
I) DOS FATOS24 
II) DO DIREITO 
* Fundamentar o pedido de revogação da prisão temporária com o disposto no art. 5º, LVII, da 
CF/88 (princípio da presunção da inocência). 
* Demonstrar a que não subsistem os motivos que ensejaram a prisão temporária. 
* Por cautela, se for o caso, fazer referência a medidas cautelares, invocando os artigos 282 e 319 e 
320 do CPP. 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) a REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA; 
 
22 Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88. 
23 Não inventar dados. Utilizar somente os disponibilizados no enunciado da peça. 
24 Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
 
 
 
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53 
 
b) com a expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) subsidiariamente, a aplicação de medida cautelar, como medida de inteira 
justiça; 
d) vista ao Ministério Público. 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
Local... e data... 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESTRUTURA DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DA PRISÃO TEMPORÁRIA: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)25 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA 
DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
 
Fulano de Tal..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., residente e 
domiciliado..., RG nº..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO 
TEMPORÁRIA, com base no art. 5º, LXV, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos 
jurídicos a seguir expostos 
I) DOS FATOS26 
II) DO DIREITO27 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer: 
a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO TEMPORÁRIA, a fim de que possa 
responder a eventual processo em liberdade; 
b) a expedição do respectivo alvará de soltura; 
c) Vista ao Ministério Público. 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
Local... e data... 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
25 Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88. 
26 Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão. 
27 Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade da prisão temporária. 
 
 
 
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QUESTÃO 02 - XX EXAME 
Lúcio, com residência fixa e proprietário de uma oficina de carros, adquiriu de seu vizinho, pela quantia de 
R$1.000,00 (mil reais) um aparelho celular, que sabia ser produto de crime pretérito, passando a usá-lo como 
próprio. Tomando conhecimento dos fatos, um inimigo de Lúcio comunicou o ocorrido ao Ministério Público, que 
requisitou a instauração de inquérito policial. A autoridade policial instaurou o procedimento, indiciou Lúcio pela 
prática do crime de receptação qualificada (Art. 180, § 1º, do Código Penal), já que desenvolvia atividade 
comercial, e, de imediato, representou pela prisão temporária de Lúcio, existindo parecer favorável do 
Ministério Público. A família de Lúcio o procura para esclarecimentos. Na condição de advogado de Lúcio, 
esclareça os itens a seguir. 
A) No caso concreto, a autoridade policial poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio? (Valor: 
0,60) 
B) Confirmados os fatos acima narrados, o crime praticado por Lúcio efetivamente foi de receptação qualificada 
(Art. 180, § 1º, do CP)? Em caso positivo, justifique. Em caso negativo, indique qual seria o delito praticado e 
justifique. (Valor: 0,65) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
QUESTÃO 03 - VI OAB 
Caio, Mévio, Tício e José, após se conhecerem em um evento esportivo de sua cidade, resolveram praticar um 
estelionato em detrimento de um senhor idoso. Logrando êxito em sua empreitada criminosa, os quatro 
dividiram os lucros e continuaram a vida normal. Ao longo da investigação policial, apurou-se a autoria do delito 
por meio dos depoimentos de diversas testemunhas que presenciarama fraude. Em decorrência de tal 
informação, o promotor de justiça denunciou Caio, Mévio, Tício e José, alegando se tratar de uma quadrilha de 
estelionatários, tendo requerido a decretação da prisão temporária dos denunciados. Recebida a denúncia, a 
prisão temporária foi deferida pelo juízo competente. 
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual(is) o(s) meio(s) de se impugnar tal decisão e a quem deverá(ão) ser endereçado(s)? (Valor: 0,6) 
b) Quais fundamentos deverão ser alegados? (Valor: 0,65) 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2ª Fase 
 
56 
 
 CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS – IDENTIFICAÇÃO 
1) NOTA INTRODUTÓRIA 
Os procedimentos constituem a forma de desenvolvimento do processo, delimitando e 
prevendo os passos e as sequências de atos que deverão ser seguidos ao longo de uma ação penal. 
A ação penal pública é deflagrada com o oferecimento da denúncia. A ação penal 
privada, por sua vez, será deflagrada por meio de uma queixa-crime. 
2) PROCEDIMENTO COMUM 
Nos termos do art. 394 do CPP, a disposição do procedimento comum ocorre da 
seguinte forma: 
a) Ordinário: pena máxima igual ou superior a quatro anos de pena privativa de liberdade. 
b) Sumário: pena máxima cominada maior de dois anos e inferior a quatro anos de pena privativa 
de liberdade. 
c) Sumaríssimo: Pena máxima até 02 anos. Para as infrações de menor potencial ofensivo, na 
forma da Lei 9.099/95, por exemplo, crime de lesão corporal leve, previsto no artigo 129, “caput”, do CP, 
cuja pena máxima não supera dois anos. 
Para a definição do procedimento devem ser consideradas as qualificadoras, bem 
como as causas de aumento de pena e de diminuição da pena, porquanto repercutem no montante da 
pena máxima abstrata prevista na lei. 
Nesse caso, a definição do procedimento tem especial relevância, por exemplo: 
a) no endereçamento da peça, por exemplo. Isso porque se incidir o procedimento sumaríssimo, a peça 
deverá ser direcionada para o Juiz do Juizado Especial Criminal; incidindo o procedimento sumário ou 
ordinário, a peça deverá ser direcionada para o Juiz de Direito da Vara Criminal. 
b) no recurso cabível na hipótese de rejeição da denúncia ou queixa-crime. Se o procedimento for 
sumaríssimo, o recurso cabível será apelação, conforme artigo 82 da Lei 9.099/95; se for procedimento 
sumário ou ordinário, o recurso cabível será o recurso em sentido estrito, nos termos do artigo 581, inciso 
I, do CPP. 
02
 
 
 
 
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57 
 
c) No caso de crime de menor potencial ofensivo, por exemplo, se for adotado o procedimento diverso do 
previsto na Lei 9099/95, será caso de nulidade do processo. 
No caso de concurso de crimes, também devem ser considerados os critérios do 
cúmulo material (concurso material e concurso formal impróprio) e da exasperação da pena (concurso 
formal perfeito e crime continuado). 
No concurso material, nenhum problema se apresenta, já que basta somar as 
penas. Se a soma das penas ultrapassar dois anos, não será adotado o rito sumaríssimo, previsto na Lei 
9099/95. Se a soma das penas for superior a quatro anos, o procedimento será o ordinário, afastando-se a 
procedimento sumário. 
 
 
 
Ex: Crime de associação criminosa (art. 288, “caput”, do CP) segue o procedimento sumário, porquanto 
a sua pena máxima é de 03 anos. Todavia, se o crime é de associação criminosa armada, a pena aumenta até 
metade (art. 288, parágrafo único, do CP), passando a pena máxima a 04 anos e 06 meses. Logo, nesse caso, 
adota-se o procedimento ordinário, pois a pena máxima superou 04 anos. 
Da mesma forma, o crime de furto simples (art. 155, “caput”) adota o procedimento ordinário, pois a 
pena máxima é de 04 anos. Todavia, no crime de tentativa de furto simples, considerando a redução de 1/3 
(fração mínima), a pena máxima ficará em 02 anos e 08 meses, adotando-se, nesse caso, o procedimento 
sumário. Note-se que a redução pela tentativa é de 1/3 a 2/3 (art. 14, parágrafo único). No caso, diminui-se o 
mínimo possível, a fim de atingir a pena máxima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 DICA: Se a causa for de aumento de pena, considera-se a fração 
máxima, a fim de que incida a pena máxima; na hipótese de causa de 
diminuição da pena, diminui-se o mínimo possível, também para se 
obter a pena máxima abstrata no caso. 
 
 
 
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58 
 
QUESTÃO 1 - V EXAME 
Antônio, pai de um jovem hipossuficiente preso em flagrante delito, recebe de um serventuário do Poder 
Judiciário Estadual a informação de que Jorge, defensor público criminal com atribuição para representar o seu 
filho, solicitara a quantia de dois mil reais para defendê-lo adequadamente. Indignado, Antônio, sem averiguar 
a fundo a informação, mas confiando na palavra do serventuário, escreve um texto reproduzindo a acusação e 
o entrega ao juiz titular da vara criminal em que Jorge funciona como defensor público. Ao tomar conhecimento 
do ocorrido, Jorge apresenta uma gravação em vídeo da entrevista que fizera com o filho de Antônio, na qual 
fica evidenciado que jamais solicitara qualquer quantia para defendê-lo, e representa criminalmente pelo fato. O 
Ministério Público oferece denúncia perante o Juizado Especial Criminal, atribuindo a Antônio o cometimento do 
crime de calúnia, praticado contra funcionário público em razão de suas funções, nada mencionando acerca dos 
benefícios previstos na Lei 9.099/95. Designada Audiência de Instrução e Julgamento, recebida a denúncia, 
ouvidas as testemunhas, interrogado o réu e apresentadas as alegações orais pelo Ministério Público, na qual 
pugnou pela condenação na forma da inicial, o magistrado concede a palavra a Vossa Senhoria para apresentar 
alegações finais orais. 
Em relação à situação acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) O Juizado Especial Criminal é competente para apreciar o fato em tela? (Valor: 0,30) 
b) Antônio faz jus a algum benefício da Lei 9.099/95? Em caso afirmativo, qual(is)? (Valor: 0,30) 
c) Antônio praticou crime? Em caso afirmativo, qual? Em caso negativo, por que razão? (Valor: 0,65) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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59 
 
 CAPÍTULO III – AÇÃO PENAL, QUEIXA-CRIME E QUEIXA-CRIME 
SUBSDIÁRIA 
1) AÇÃO PENAL 
1.1) CONCEITO 
É o direito de agir exercido perante juízes e tribunais, invocando a prestação 
jurisdicional, que, na esfera criminal, é a existência da pretensão punitiva do Estado. 
1.2) AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA – Art. 24 
É aquela em que o Ministério Público poderá propor a ação penal, 
independentemente da manifestação de vontade do ofendido ou do seu representante legal. Em outras 
palavras, o Ministério Público poderá oferecer a denúncia de ofício. 
Quando o tipo penal silenciar em relação à natureza da ação penal, será pública 
incondicionada. 
1.3) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA – Art. 24, parte final, CPP 
a) CONCEITO 
É aquela cujo exercício se subordina a uma condição. Essa condição tanto pode 
ser a manifestação de vontade do ofendido ou de ser representante legal (representação), como também a 
requisição do Ministro da Justiça. 
O MP só pode dar início à ação se a vítima ou seu representante legal o 
autorizarem, por meio de uma manifestação de vontade. Mais ainda: sem a permissão da vítima, nem 
sequer poderá ser instaurado inquérito policial. 
A ação penal pública, seja incondicionada, seja condicionada, é promovida pelo 
Ministério Público por meio de denúncia, que constitui sua peça inicial (art. 100, § 1º, e art. 24 CPP). 
b) NATUREZA JURÍDICA DA REPRESENTAÇÃO 
A natureza jurídica da representação é a de condição de procedibilidadeda ação 
penal pública. Sem ela, o órgão do MP não pode iniciar a ação penal mediante o oferecimento da 
denúncia. 
03
 
 
 
 
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2ª Fase 
 
60 
 
Os crimes de ação penal pública condicionada à representação são aqueles em 
que consta no tipo penal a expressão “somente se procede mediante representação”. 
c) TITULAR DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO 
A representação pode ser exercida pelo ofendido ou representante legal. 
Se o ofendido contar com menos de 18 anos ou for mentalmente enfermo, o 
direito de representação cabe exclusivamente a quem tenha qualidade para representá-lo. 
Ao completar 18 anos e não sendo deficiente mental, o ofendido adquire o direito 
de representar. 
No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, 
o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 24, § 1º, do CPP). 
d) PRAZO – Art. 38 CPP 
O direito de representação pode ser exercido dentro do prazo de 06 meses, 
contados do dia em que o ofendido ou seu representante legal veio a saber quem é o autor do crime (art. 
38 CPP). 
Trata-se de prazo decadencial, que não se suspende nem se prorroga, e cuja 
fluência, iniciada a partir do conhecimento da autoria da infração, é causa extintiva da punibilidade do 
agente (art. 107, IV, CP). 
e) IRRETRATABILIDADE – Art. 25 
Nos termos dos arts. 25 do CPP e art. 102 do CP, “a representação será 
irretratável depois de oferecida a denúncia”. Assim, se o ofendido exerce o direito de representação, pode 
retirá-la antes de iniciar-se a ação penal com o oferecimento da denúncia. 
No contexto de violência doméstica ou familiar contra a mulher, nos crimes de 
ação penal pública condicionada à representação, como, por exemplo, o crime de ameaça (art. 147 do CP), 
será possível a retratação perante o juiz, desde que seja designada audiência especialmente designada 
com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público (art. 16 da Lei 
11340/2006). 
1.4) AÇÃO PENAL PRIVADA 
a) CONCEITO 
 
 
 
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2ª Fase 
 
61 
 
PEÇA: 
QUEIXA-CRIME 
PALAVRA MÁGICA: 
Ação penal privada – 
ofendido procura 
advogado 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
É aquela em que o Estado, titular exclusivo do direito de punir, transfere a 
legitimidade para a propositura da ação penal à vítima ou a seu representante legal. 
A ação penal privada é promovida mediante queixa-crime do ofendido ou de seu 
representante legal. São aqueles crimes em que no tipo penal consta a expressão “somente se procede 
mediante queixa”. 
 
 
2) QUEIXA-CRIME 
2.1) CONCEITO 
Trata-se, em síntese, da petição inicial da ação penal privada oferecida, via de regra, 
pelo ofendido ou seu representante legal. 
2.2) BASE LEGAL 
 
 
 
 
2.3) IDENTIFICAÇÃO 
O ofendido/vítima de um crime de ação penal privada procura advogado para adotar a 
medida cabível. 
Exemplo da peça queixa-crime do XV Exame da OAB: “(...) Enrico procurou seu 
escritório de advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo.” 
 
 
Base Legal: art. 30 ou 31, 41 e 44, do CPP e art. 100, §2º, do CP 
 
 
 
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62 
 
2.4) LEGITIMIDADE – Arts. 30/31 CPP 
 
 
 
 
 
 
A queixa-crime é ajuizada por um advogado contratado pelo ofendido ou seu 
representante legal, detentores da legitimidade para ajuizar a ação penal privada. 
Se o ofendido morre ou é declarado ausente, o direito de oferecer queixa, ou de 
dar prosseguimento à acusação, passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 31 do CPP), 
ressalvado o caso dos art. 236, parágrafo único, do CP, cuja legitimidade será somente do cônjuge enganado. 
2.5) PRAZO DA AÇÃO PENAL PRIVADA – Art. 38 do CPP e 103 do CP 
 
 
 
 
 
 
 
 
O prazo para o oferecimento da queixa-crime é de 06 meses, contados a partir da 
data do conhecimento da autoria do crime pelo ofendido ou seu representante legal (art. 38 CPP e 
103 do CP). 
O prazo é decadencial, conforme o art. 10 do CP, computando-se o dia do começo e 
excluindo-se o dia final. Assim, se, por exemplo, o ofendido do crime de calúnia toma conhecimento da autoria 
do fato no dia 12 de março de 2015, a queixa-crime deverá ser oferecida até o dia 11 de setembro de 2015, 
sob pena de decadência e consequente extinção da punibilidade. 
Tratando-se de ação penal privada subsidiária, o prazo será de 06 meses a contar do 
encerramento do prazo para o Ministério Público oferecer a denúncia (art. 29 CPP e 100, § 3º, do CP). 
 
OFENDIDO 
REPRESENTANTE LEGAL (menor) 
 
CADI (morte ou ausência do 
ofendido) 
CADI (morto) 
 
Art. 30 do CPP 
Art. 31 do CPP 
6 meses DA CIÊNCIA DA AUTORIA 
 
 Art. 38 CPP e art. 103 CP 
PRAZO DECADENCIAL 
Artigo 10 CP 
 
 
 
 
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63 
 
2.6) REQUISITOS DA QUEIXA (IMPORTANTE) – Art. 41 CPP 
 
 
 
 
 
A) Descrição do fato em todas as suas circunstâncias: 
• Descrever o fato de forma clara e objetiva, mencionando o autor da ação (ofendido/querelante) e o 
ofensor (querelado), a data, local do fato, os meios e instrumentos empregados, a forma como foi 
praticado o crime e o motivo. 
• Mencionar que a conduta do querelado constitui crime de ação penal privada, destacando e 
descrevendo, ainda, eventuais agravantes, qualificadoras ou causas de aumento de pena. 
• Na hipótese de concurso de agentes, a queixa deve especificar a conduta de cada um. Assim, no caso 
de coautoria e participação, deverá ser descrita, individualmente, a conduta de cada um dos coautores 
e partícipes. 
B) Qualificação do acusado ou fornecimento de dados que possibilitem sua identificação 
Qualificar é apontar o conjunto de qualidades pelas quais se possa identificar o 
querelado, distinguindo-o das demais pessoas: nome, nacionalidade, estado civil, RG, etc... 
 
 
 
C) Classificação jurídica do fato 
O autor deverá indicar o dispositivo (artigo) que se aplica ao fato imputado, não 
bastando a simples menção ao nome da infração. 
D) Rol de Testemunhas 
O momento adequado para arrolar testemunhas, consoante o disposto no art. 41 do 
CPP, é o da propositura da ação. 
E) Pedido de condenação 
2.7) DICAS: 
I) Alguns crimes de ação penal privada previstos no Código Penal: 
Descrição do FATO e circunstâncias 
Identificação/Qualificação 
Qualificação jurídica 
Pedido de condenação 
Pedido de citação 
Rol de testemunhas 
Valor mínimo indenizatório 
Artigo 387, inciso IV, do CPP. 
Pedido produção de provas 
OBS: Na prova da OAB, colocar na qualificação única e exclusivamente os dados fornecidos no enunciado 
 da questão, sob pena de ter a peça zerada (podem interpretar que o candidato esteja se identificando). 
 
 
 
 
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64 
 
Arts. 138 (calúnia), 139 (difamação) e 140 (injúria), ressalvada a hipótese do art. 145 e parágrafo único, bem 
como disposto na Súmula 714 do STF. 
Art. 161, § 1º, incisos I e II – Alteração de limites (se não usar de violência e a propriedade for particular). 
Art. 163, “caput”, inciso IV do parágrafo único e art. 164 c/c art. 167 (crime de dano) 
Art. 179 e parágrafo único – fraude à execução 
Art. 184, “caput” – violação de direito autoral 
Art. 236 
Art. 345 (exercício arbitrário das próprias razões – VIII Exame da OAB) 
II) Na peça, importante mencionar que a queixa-crime está instruída com instrumento de procuração com 
poderes especiais (art. 44 do CPP). 
 
 
 
 
 
 
 
III) Além disso, deve ser feita referência ao disposto no art. 387, IV, do CPP, que dispõe sobre a fixação do 
valor mínimo para a indenização da vítima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECIAIS 
ARTIGOS 41 e 44 do CPP 
 
 
 
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65 
 
ESTRUTURADA QUEIXA-CRIME: 
a) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ....Vara Criminal da Comarca ........(se crime da competência 
da Justiça Estadual) 
b) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ....Vara Criminal da Seção Judiciária de ........(se crime da 
competência da Justiça Federal)28 
c) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca de ........(se a infração 
for de menor potencial ofensivo – Lei 9.099/95) 
 
 
 
FULANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil, profissão, RG..., residente e 
domiciliado....29, por seu procurador infra-assinado, mediante procuração com poderes especiais em anexo, 
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer QUEIXA-CRIME, com base nos artigos 30, 
41 e 44, ambos do Código de Processo Penal, e artigo 100, § 2º, do Código Penal, contra CICLANO 
DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., residente e domiciliado...30, pelos fatos e 
fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
I) DOS FATOS31 
1º Parágrafo: localizar (data, hora, local)32 e verbo nuclear do tipo 
2º Parágrafo: descrever como foi praticado o delito 
3º Parágrafo: eventuais agravantes, causas de aumento de pena ou qualificadoras 
II) DO DIREITO 
Mencionar o fato e atribuir o respectivo tipo penal. 
III) PEDIDO 
Ante o exposto, requer o querelante: 
a) o recebimento da queixa-crime; 
b) a citação do querelado; 
c) produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas; 
d) a procedência do pedido, com a consequente condenação do querelado nas penas dos artigos ...do CP; 
 
28 Art. 109 da CF/88 – Competência da Justiça Federal 
29 Não inventar dados. 
30 Não inventar dados. 
31 Deve-se narrar o fato criminoso de forma clara, objetiva e detalhada, com todas suas circunstâncias, sem inventar dados e somente reproduzir o 
enunciado da questão. 
32 Se o enunciado disponibilizar essas informações. 
 
 
 
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66 
 
e) a fixação de valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387, IV, do CPP. 
 
ROL DE TESTEMUNHAS: (somente dados fornecidos no enunciado) 
1. Nome... 
2. Nome... 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
 
Local..., data... 
 
ADVOGADO..., 
OAB... 
 
 
OBS 1: Se for ajuizada a queixa-crime perante o Juizado Especial Criminal, formular pedido também de 
designação de audiência preliminar ou de conciliação, conforme constou no XV Exame, quando caiu queixa-
crime. 
OBS 2: Como regra, a competência para processar e julgar os crimes contra a honra será do Juizado 
Especial Criminal (pois a pena máxima é a do crime de calúnia e não supera 2 anos), seguindo o rito lá 
disposto; 
OBS 3: contudo, havendo concurso de crimes entre calúnia e difamação e/ou injúria será excedida a 
competência do JECCrim (a pena máxima superará dois anos), devendo o processo seguir o rito estabelecido 
nos arts. 519 e seguintes do CPP. 
OBS 4: Jamais esquecer de apresentar o rol de testemunhas (sem inventar nomes e dados. Colocar somente 
os fornecidos pelo enunciado). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 91. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 97 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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68 
 
3) QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA OU SUBSTITUTIVA - AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA 
PÚBLICA 
3.1) CABIMENTO DA AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA 
A ação penal privada subsidiária é proposta nos crimes de ação pública, condicionada 
ou incondicionada, quando o Ministério Público deixar de requisitar diligências, promover pelo arquivamento ou 
oferecer denúncia no prazo legal. O MP, via de regra, tem o prazo de 05 dias, réu preso, e 15 dias, réu solto, 
para oferecer a denúncia, conforme art. 46 CPP. 
É a única exceção prevista no próprio art. 5º, LIX, da CF, à regra da titularidade 
exclusiva do MP sobre a ação penal pública. 
Não tem cabimento nos casos de arquivamento do Inquérito Policial ou das peças de 
informação ou, ainda, quando o Promotor Público requerer a devolução dos autos à autoridade policial, 
requisitando a realização de diligencias imprescindíveis para o oferecimento da denúncia. 
Portanto, a ação privada subsidiária só pode ser intentada no caso de inércia do órgão 
do Ministério Público, ou seja, quando o Promotor de Justiça ou Procurador da República (se Justiça Federal) 
não oferece denúncia no prazo legal, não promove pelo arquivamento do inquérito policial ou não requisita 
diligências. 
3.2) BASE LEGAL 
 
 
 
3.3) IDENTIFICAÇÃO 
Verificando-se a inércia do Ministério Público, ou seja, que o Ministério Público, dentro 
do prazo do artigo 46 do CPP, não ofereceu denúncia, não promoveu pelo arquivamento do inquérito policial e 
não requisitou diligências, o ofendido/vítima de um crime de ação penal pública procura advogado para adotar 
a medida cabível. 
 
 
 
 
 
 
 
PEÇA: 
 QUEIXA-CRIME 
 SUBSIDIÁRIA 
PALAVRA MÁGICA: 
INÉRCIA DO MP 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
Base Legal: art. 29, 41 e 44, do CPP e art. 100, §3º, do CP, e 
artigo 5º, inciso LIX, da CF/88 
 
 
 
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69 
 
3.4) PRAZO 
O ofendido ou seu representante legal tem o lapso de 06 meses para intentar a 
ação penal subsidiária por meio de queixa substitutiva, contados a partir do dia em que se esgotou o 
prazo para o Promotor de Justiça iniciar a ação penal pública (art. 38, parte final do CPP, e art. 
103, in fine, CP). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 02 – Prova aplicada em Porto Alegre – XXV Exame 
No dia 06 de abril de 2017, João retirou Clara, criança de 11 anos de idade, do interior da residência em que 
esta morava, sem autorização de qualquer pessoa, vindo a restringir sua liberdade e mantê-la dentro de um 
quarto trancado e sem janelas. Logo em seguida, João entrou em contato com o pai de Clara, famoso 
empresário da cidade, exigindo R$200.000,00 para liberar Clara e devolvê-la à sua residência. Após o pai de 
Clara pagar o valor exigido, Clara é liberada e, de imediato, a família comparece à Delegacia para registrar o 
fato. Depois das investigações, João é identificado e os autos são encaminhados ao Ministério Público com 
relatório final de investigação, indiciando João. Após 90 (noventa) dias do recebimento do inquérito, os autos 
permanecem no gabinete do Promotor de Justiça, sem que qualquer medida tenha sido adotada. Considerando 
as informações narradas, responda, na condição de advogado(a) da família de Clara, aos itens a seguir. 
A) Considerando que o crime é de ação penal pública incondicionada, qual a medida a ser adotada diretamente 
pela família de Clara e seu advogado em busca da responsabilização criminal de João? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Em caso de inicial acusatória, qual infração penal deve ser imputada a João? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
 
 
 
 do dia que esgotou o prazo 
para o MP oferecer a denúncia 6 meses 
 
 
 
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70 
 
ESTRUTURA DA QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA: 
a) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da .....Vara Criminal da Comarca de ........ (se crime da 
competência da Justiça Estadual) 
b) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da .....Vara Criminal da Seção Judiciária de ........ (se crime da 
competência da Justiça Federal)33c) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do .....Juizado Especial Criminal da Comarca de ........(se a 
infração for de menor potencial ofensivo – Lei 9.099/95) 
 
 
FULANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., residente e 
domiciliado....34, por seu procurador infra-assinado, mediante procuração com poderes especiais em anexo, 
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA OU 
SUBSTITUTIVA, com base nos artigos 29, 41 e 44, todos do Código de Processo Penal, artigo 100, § 
3º, do Código Penal e art. 5º, LIX, da Constituição Federal/88, contra CICLANO DE TAL, 
nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., residente e domiciliado....35, pelos fatos e fundamentos 
jurídicos a seguir expostos: 
I) DOS FATOS3637 
1º Parágrafo: localizar e verbo nuclear do tipo 
2º Parágrafo: descrever como foi praticado o delito 
3º Parágrafo: eventuais agravantes, causas de aumento de pena ou qualificadoras 
II) DO DIREITO 
Mencionar o fato e atribuir o tipo penal respectivo. 
III) PEDIDO 
Ante o exposto, requer o querelante: 
a) o recebimento da queixa-crime; 
b) a citação do querelado; 
c) produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas; 
d) a procedência do pedido, com a consequente condenação do querelado nas penas dos artigos ...do CP; 
 
33 Art. 109 da CF/88 – Competência da Justiça Federal 
34 Não inventar dados. 
35 Não inventar dados. 
36 Deve-se narrar o fato criminoso de forma clara, objetiva e detalhada, com todas suas circunstâncias, sem inventar dados e somente reproduzir o 
enunciado da questão. 
37 Fazer referência à inércia do MP 
 
 
 
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71 
 
e) a fixação de valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387, IV, do CPP. 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento 
 
Local... e data... 
______________________ 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
ROL DE TESTEMUNHAS: (somente dados fornecidos no enunciado) 
1. Nome.... 
2. Nome.... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AÇÃO PENAL 
PÚBLICA 
(DENÚNCIA) 
 
 
 
 
PRIVADA 
(Queixa-crime) 
INCONDICIONADA 
 
CONDICIONADA 
 
Exclusiva 
Personalíssima 
Art. 236, parágrafo único, 
do CP 
Subsidiária da Pública 
Art. 29 do CPP 
 
 
 
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72 
 
 CAPÍTULO IV – FASE JUDICIAL 
 
1) DA DENÚNCIA E REJEIÇÃO DA DENÚNCIA 
 
1.1) INTRODUÇÃO 
A Denúncia é a petição inicial da ação penal pública, oferecida pelo Ministério 
Público contra o agente do fato criminoso. 
Ao receber o inquérito policial ou peças de informação, o Ministério Público, por meio 
do seu agente (Promotor ou Procurador da República), verificando a existência de prova da materialidade de 
fato, que caracteriza crime em tese, e indícios de autoria, em decorrência do princípio da obrigatoriedade, deve 
oferecer a denúncia. 
Para fins de prova dissertativa da OAB, convém sejam analisadas as causas de 
rejeição da denúncia, previstas no artigo 395 do CPP. 
1.2) REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA – ART. 395 
Causas de rejeição da denúncia ou queixa: 
 a) for manifestamente inepta 
b) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal 
c) faltar justa causa para o exercício da ação penal 
 
a) for manifestamente inepta 
Ocorre inépcia da denúncia quando a peça apresentada pelo Ministério Público não 
contém relato compreensível dos fatos ou não observa os requisitos exigidos no artigo 41 do CPP. 
Algumas hipóteses que podem ensejar a inépcia da denúncia, dentre outras: 
a) Descrição dos fatos de forma incompreensível, incoerente, que inviabiliza a produção da defesa. 
b) Descrição extensa, sem pormenorizar o objeto da acusação. 
c) Falta de pedido claro da acusação. 
d) O MP não descrever a conduta de cada um dos acusados, na hipótese de concurso de pessoas. 
 
 
 
04
 
 
 
 
 
 
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73 
 
b) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal 
Pressupostos processuais são elementos que repercutem na própria existência e 
validade do processo (necessidade de ter juiz competente, capacidade postulatória, ausência de litispendência, 
coisa julgada) 
As condições da ação são: 
a) possibilidade jurídica do pedido: fato narrado não constitui crime 
b) interesse de agir – estar prescrita a ação – evidente perdão judicial 
c) legitimidade para agir 
Com relação à legitimidade para agir, particularmente em relação à queixa, pode ser 
rejeitada se oferecida diretamente pela vítima e não por meio do seu procurador; se oferecida por advogado 
sem procuração outorgada pela vítima; se, em caso de morte do ofendido, apresentar-se como querelante 
pessoa que não consta do rol do art. 31 do CPP. 
Haverá ilegitimidade ativa se for oferecida denúncia em crime de ação penal privada 
ou queixa em crime de ação penal pública (sem que se trate de hipótese de ação privada subsidiária). 
c) faltar justa causa para o exercício da ação penal 
Consiste na ausência de qualquer elemento indiciário da existência do crime ou de sua 
autoria. Em outras palavras, para haver justa causa, a inicial acusatória deve estar acompanhada de um 
suporte probatório mínimo que demonstre a materialidade do delito e indícios suficientes de autoria. 
* Ex: não haver prova suficiente de autoria; ou, ainda, a denúncia apontar autoria 
localizada a partir de prova ilícita, que, uma vez verificada, deve ser desentranhada dos autos (art. 157 do 
CPP). Em sendo considerada ilícita, a prova da autoria será desentranhada dos autos, não restando, portanto, 
nenhum elemento para subsidiar o oferecimento da denúncia. 
A incidência de prescrição ou outra causa de extinção da punibilidade também podem 
induzir falta de justa causa para ação penal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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74 
 
QUESTÃO 01 – IV EXAME OAB 
Maria, jovem extremamente possessiva, comparece ao local em que Jorge, seu namorado, exerce o cargo de 
auxiliar administrativo e abre uma carta lacrada que havia sobre a mesa do rapaz. Ao ler o conteúdo, descobre 
que Jorge se apropriara de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), que recebera da empresa em que trabalhava para 
efetuar um pagamento, mas utilizara tal quantia para comprar uma joia para uma moça chamada Júlia. 
Absolutamente transtornada, Maria entrega a correspondência aos patrões de Jorge. 
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Jorge praticou crime? Em caso positivo, qual(is)? (Valor: 0,35) 
b) Se o Ministério Público oferecesse denúncia com base exclusivamente na correspondência aberta por Maria, 
o que você, na qualidade de advogado de Jorge, alegaria? (Valor: 0,9) 
 
QUESTÃO 4 - V EXAME OAB 
João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do 
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de 
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes, a 
saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de 
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de João, 
os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece ao seu 
escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis. Você, como 
profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime ao juízo 
competente no dia 18/7/11. 
O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-a,afirmando tratar-se de 
clara decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão foi publicada dia 25 de 
julho de 2011. 
Com base somente nas informações acima, responda: 
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30) 
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30) 
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30) 
d) Qual é a tese defendida? (0,35) 
 
 
 
 
 
 
 
 
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75 
 
2) CITAÇÃO 
Não sendo caso de rejeição da denúncia, deve o juiz recebê-la, determinando, a 
seguir, a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias, se não for o 
caso de suspensão condicional do processo (previsto no artigo 89 da Lei 9.099/9538). 
No processo penal, a regra é citação pessoal e por mandado, observando-se os 
requisitos do art. 351, 352 e 357 CPP. 
Se o réu se oculta para não ser citado, o artigo 362 prevê a possibilidade de citação 
por hora certa, oportunidade em que o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com 
hora certa, na forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de 
Processo Civil. 
Todavia, a partir da entrada em vigor do novo CPC, a citação por hora certa na esfera 
penal segue o procedimento previsto nos artigos 252/254. Assim, quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de 
justiça houver procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o encontrar, deverá, havendo suspeita 
de ocultação, intimar qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, 
voltará a fim de efetuar a citação, na hora que designar. 
Nos termos do artigo 253 do Novo CPC, No dia e na hora designados, o oficial de 
justiça, independentemente de novo despacho, comparecerá ao domicílio ou à residência do citando a fim de 
realizar a diligência. Se o citando não estiver presente, o oficial de justiça procurará informar-se das razões da 
ausência, dando por feita a citação, ainda que o citando se tenha ocultado em outra comarca, seção ou 
subseção judiciárias. 
A citação com hora certa será efetivada mesmo que a pessoa da família ou o vizinho 
que houver sido intimado esteja ausente, ou se, embora presente, a pessoa da família ou o vizinho se recusar a 
receber o mandado. 
Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça deixará contrafé com qualquer pessoa 
da família ou vizinho, conforme o caso, declarando-lhe o nome. 
O oficial de justiça fará constar do mandado a advertência de que será nomeado 
curador especial se houver revelia. 
Conforme o artigo 254 do novo CPC, feita a citação com hora certa, o escrivão ou 
chefe de secretaria enviará ao réu, executado ou interessado, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da 
juntada do mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-lhe de tudo ciência. 
 
38 Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério 
Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja 
sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão 
condicional da pena (art. 77 do Código Penal). 
(...) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art77
 
 
 
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Na hipótese de o réu encontrar-se em local incerto e não sabido, a citação será 
feita por edital, suspendendo-se o processo e o prazo prescricional se o réu não comparecer ou não nomear 
advogado, conforme artigo 366 CPP. 
Ressalta-se: somente quando o réu for citado pessoalmente e não apresentar 
resposta à acusação é que o juiz poderá nomear um defensor para realizar a defesa técnica e continuar o 
processo. Se não for caso de citação pessoal, mas citação por edital, deve-se aplicar a regra do art. 366 do 
CPP, suspendendo-se o processo e a prescrição. 
 
Cuidado: 
Nos termos da Súmula 415 do STJ, “O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo 
máximo da pena cominada”. 
Ou seja, na hipótese de um crime com pena máxima de 02 anos o prazo prescricional é de 04 anos. Com 
o recebimento da denúncia, o prazo de prescrição é interrompido, passando a correr novamente o prazo 
de 04 anos. Considere que entre o recebimento da denúncia e a decretação da suspensão do processo e 
do prazo prescricional (em decorrência da citação por edital) tenha se passado 06 meses. A ação ficará 
suspensa por 04 anos se o réu não for localizado. Findo o período de suspensão, o prazo prescricional 
volta a correr pelos 03 anos e 06 meses restantes. Ao término deste período, deverá ser decretada 
extinta a punibilidade do réu pela prescrição da pretensão punitiva. 
 
A ausência de citação ou vícios insanáveis no ato citatório constitui causa de nulidade 
absoluta do processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PEÇA: 
RESPOSTA A ACUSAÇÃO 
PALAVRA MÁGICA: 
CITAÇÃO 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
 
 
3) RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 396 e 396-A CPP 
3.1) PEÇA OBRIGATÓRIA 
A resposta à acusação constitui peça obrigatória, pois, se não apresentada, deverá o 
juiz nomear defensor para oferecê-la, nos termos do artigo 396-A, § 2º, CPP. 
Assim, não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não 
constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por dez dias. A 
ausência de nomeação de defensor pelo juiz para oferecimento da resposta à acusação gerará nulidade 
absoluta. 
3.2) BASE LEGAL 
3.3) IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A resposta à acusação é oferecida após a citação do acusado. Antes, por óbvio, 
da audiência de instrução. 
Base Legal: art. 396 e 396-A do CPP 
 
 
 
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Logo, deve haver denúncia, o recebimento da denúncia e a citação do réu. Não 
poderá ter sido realizada audiência de instrução e julgamento. 
DICA: Nem sempre consta expressamente no enunciado toda a sequência dos atos (“foi 
oferecida denúncia e recebida”). Basta, para identificar a peça resposta à acusação, que no 
enunciado conste como último ato processual a CITAÇÃO. 
Exemplos: 
Peça XXIV EXAME: “Em busca do cumprimento do mandado de citação, o oficial de justiça comparece à 
residência de Patrick e verifica que o imóvel se encontrava trancado. Apenas em razão desse único 
comparecimento no dia 26/02/2018, certifica que o réu estava se ocultando para não ser citado e 
realiza, no dia seguinte, citação por hora certa, juntando o resultado do mandado de citação e 
intimação para defesa aos autos no mesmo dia. Maria, vizinha que presenciou a conduta do oficial de 
justiça, se assusta e liga para o advogado de Patrick, informando o ocorrido e esclarecendo que ele se encontra 
trabalhando e ficará embarcado por 15 dias. O advogado entra em contato com Patrick por email e este apenas 
consegue encaminhar uma procuração para adoção das medidas cabíveis, fazendo uma pequena síntese do 
ocorrido por escrito. Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade do advogado de Patrick, a peça 
jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito material e 
processual pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo. (Valor: 5,00)” “PEDIU PARA PARAR, 
PAROU NA CITAÇÃO: RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
Peça XXI Exame: “Diante disso, em 16 de março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o 
país, Gabriela e o advogado compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu 
regular prosseguimento desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de Gabriela para 
citação.Naquele mesmo momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao seu advogado, para 
apresentação da medida cabível. Cabe destacar que a ré, acompanhada de seu patrono, já manifestou 
desinteresse em aceitar a proposta de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público. 
Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade de advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível, 
diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. 
A peça deverá ser datada no último dia do prazo. (Valor: 5,00)” Pediu para parar, parou na citação: resposta à 
acusação 
 
Peça VIII Exame: “(...) Recebida a inicial pelo juízo da 5ª Vara Criminal, o réu é citado no dia 18 de janeiro 
de 2011.(...)” PEDIU PARA PARAR, PAROU AQUI!!! 
 
 
 
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3.4) PRAZO 
Devidamente citado, cumpre ao réu oferecer resposta escrita, por escrito, no prazo 
de 10 dias. O Código de Processo Penal não aponta a partir de quando começa a correr o prazo de citação. 
Por isso, adota-se, por analogia, o art. 406, § 1º, CPP e Súmula 710 do STF, segundo o qual o prazo será 
contado a partir do efetivo cumprimento do mandado e não da juntada do mandado aos autos. 
Defensor Público: prazo em dobro. 
O prazo processual guarda relação, invariavelmente, aos prazos para praticar atos 
processuais. Ex: apresentar resposta à acusação, memoriais, interposição de recursos. 
O prazo processual é disciplinado no artigo 798 do CPP. 
O prazo começa a correr a partir do 1º dia útil da citação. Assim, se a citação ocorreu 
na sexta (dia 05/08), o prazo começará a correr no dia 08/08 (segunda-feira, que será o primeiro dia útil). 
Se o prazo vencer num sábado, domingo, ou feriado, será prorrogado para o 1º dia 
útil. 
Tomemos como o exemplo o prazo considerado no XXI Exame, quando caiu resposta 
à acusação. A ré foi citada no dia 16/03/2015, numa segunda-feira. O prazo começa a correr a partir do 1º dia 
útil (17/03/2015, terça-feira) - 18/03/2015 (quarta) – 19/03/2015 (quinta) – 20/03/2015 (sexta) – 21/03/2015 
(sábado) – 22/03/2015 (domingo) – 23/03/2015 (segunda) – 24/03/2015 (terça) – 25/03/2015 (quarta) – 
26/03/2015 (quinta). 
O último dia do prazo para apresentar a resposta à acusação seria o dia 26/03/2015. 
Se o dia 26/03/2015 tivesse caído num sábado ou domingo, o prazo deveria ser 
prorrogado para o 1º dia útil. Logo, se o dia 26/03/2015 tivesse caído no sábado, o último dia do prazo seria 
28/03/2015 (segunda-feira). 
 
 
 
 
A CONTAR DO 
EFETIVO 
CUMPRIMENTO DO 
MANDADO 
 
 
 
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3.5) CONTEÚDO DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
Na resposta à acusação, deve-se buscar eventuais informações que permitam 
desenvolver teses preliminares e de mérito. 
É o momento destinado ao denunciado arguir nulidades, em matéria preliminar, 
consistente, inclusive, em defeitos de natureza processual constantes na peça acusatória e, até mesmo, na 
fase de inquérito (nulidade de provas produzidas no Inquérito), bem como toda matéria de defesa, visando 
à absolvição sumária (art. 397 CPP), oferecer documentos, especificar as provas que pretende produzir e 
arrolar testemunhas. 
Assim, no caso da resposta à acusação, as teses de mérito guardam relação com 
as hipóteses que ensejam a absolvição sumária, previstas no artigo 397 do CPP. 
Em síntese, na resposta à acusação, assim como nas outras peças, deve-se 
desenvolver uma tese que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, a tese invariavelmente 
guarda relação com o objeto de pedido. 
Nesse sentido, considerando que o pedido correspondente à resposta à acusação 
é de ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA, com base no artigo 397 do CPP, as teses de mérito na resposta à acusação 
envolvem, via de regra: 
I) causa excludente de ilicitude 
II) excludente de culpabilidade, salvo a inimputabilidade por doença mental 
III) excludente de tipicidade 
IV) causas extintivas de punibilidade 
 
Portanto, na resposta à acusação, deve-se buscar no enunciado: 
A) Preliminares: 
Vícios processuais e procedimentais decorrentes da inobservância de exigências 
legais que podem levar à nulidade do ato e dos que dele derivam e, até mesmo, do processo. 
 
 
 
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* Alguns exemplos de preliminares 
B) Mérito 
Corresponde, basicamente, em invocar causas excludentes de ilicitude, 
culpabilidade, salvo a inimputabilidade e tipicidade. Na resposta à acusação, a extinção da punibilidade 
integra uma das hipóteses de pedido de absolvição sumária, sendo, por isso, excepcionalmente, tratada 
como se mérito fosse. 
I) Algumas causas excludentes de ilicitude 
 
 
 
a) Incompetência absoluta do juízo 
b) Rejeição da denúncia (art. 395) 
c) Nulidade da citação 
d) Nulidade/ilicitude de prova produzida no inquérito policial 
e) Nulidades – art. 564 CPP, I, II, III (“a”, “b”, “c” e “e”) e IV 
f) Nulidade do processo por não ter sido adotado o procedimento adequado. 
 
CAUSAS 
EXCLUDENTES 
DE ILICITUDE 
art. 397, I do 
CPP 
ESTADO DE NECESSIDADE 
art.24, CP 
LEGITIMA DEFESA 
art.25, CP 
ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL 
art.23, III, CP 
EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO 
art.23, III, CP 
CONSENTIMENTO DO OFENDIDO 
Causa Supralegal 
 
 
 
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II) Algumas causas excludentes de culpabilidade 
 
 
 
 
 
III) Alguns exemplos de excludentes da tipicidade que podem ensejar absolvição sumária 
 
FALTA DE POTENCIAL 
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE 
CAUSAS 
EXCLUDENTES 
DE 
CULPABILIDADE 
art. 397, II do 
CPP 
INIMPUTABILIDADE PELA 
EMBRIAGUEZ COMPLETA E ACIDENTAL 
art. 28, § 1º, CP 
art.21, CP 
INEXIGIBILIDADE DE 
CONDUTA ADVERSA 
art.22, CP 
ERRO DE 
PROIBIÇÃO 
INEVITÁVEL 
 
 
 
 
ILICITUDE 
COAÇÃO MORAL 
IRRESISTÍVEL 
 
 
 
 
ILICITUDE 
OBEDIÊNCIA 
HIERÁRQUICA 
 
 
 
 
ILICITUDE 
CAUSAS 
EXCLUDENTES 
DE 
TIPICIDADE 
art. 397, III do 
CPP 
FATO ATÍPICO 
COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL 
CRIME IMPOSSÍVEL 
art.17, CP 
ERRO DE TIPO ESSENCIAL 
art.20, CP 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
SÚMULA VINCULANTE Nº 24 
 
 
 
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IV) Alguns exemplos de causas de extinção da punibilidade39 
 
3.6) PEDIDO: ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA – Art. 397 CPP 
 
 
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido expresso acerca de 
cada tese desenvolvida. Por exemplo, se foi desenvolvida tese que envolva preliminar (incompetência do 
juízo, por exemplo), deve-se pedir expressamente que seja declarada a incompetência do juízo. 
Além disso, após o oferecimento da resposta escrita, abre-se a possibilidade de o 
juiz absolver sumariamente o réu, encerrando o processo, quando incidir, no caso, causa manifesta de 
exclusão da ilicitude do fato; causa manifesta de exclusão da culpabilidade (exceto a inimputabilidade por 
doença mental, seguindo-se o processo nesse caso); o fato narrado evidentemente não constituir crime 
(causas excludentes de tipicidade, por exemplo); ou causa extintiva de punibilidade. 
 
39 Tratada aqui, excepcionalmente, como mérito, já que o seu reconhecimento enseja absolvição sumária (Art. 397, IV, 
CPP). 
CAUSAS DE 
EXTINÇÃO DA 
PUNIBILIDADE 
PRESCRIÇÃO 
RESSARCIMENTO DO DANO NO PECULATO CULPOSO 
PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO 
SOCIAL, INCLUSIVE ACESSÓRIOS 
RESSARCIMENTO DO DANO ANTES DO RECEBIMENTO DA 
DENUNCIA NO CRIME DE ESTELIONATO MEDIANTE EMISSÃO DE 
CHEQUE SEM PROVISÃO DE FUNDOS 
art. 171, § 2º, VI, CP e Súmula 554 STF 
HIPÓTESES DO ART. 107,CP 
art.109 a 117 CP 
art.312 § 3º CP 
Na resposta à acusação, o pedido é de absolvição sumária, 
com base no artigo 397 do CPP. 
 
 
 
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I - a existência manifestade causa excludente da ilicitude do fato 
O juiz estará autorizado a julgar antecipadamente a lide penal quando estiver 
comprovada a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato, prevista, via de regra, nos 
artigos 23, 24 e 25 do Código Penal. Ou seja, para a decretação da absolvição sumária é necessária a 
existência de prova que permita ao juiz, desde logo, em cognição sumária, obter plena certeza de que o réu 
agiu em legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular do 
direito. 
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo 
inimputabilidade 
Trata o dispositivo, por exemplo, das causas de exclusão da culpabilidade 
consistente na embriaguez completa acidental (art. 28, §1º, do CP), a falta de potencial consciência da 
ilicitude (erro de proibição inevitável, artigo 21 do CP), coação moral irresistível e obediência hierárquica 
(art. 22 do CP). 
Na hipótese em que a inimputabilidade se encontra comprovada por exame de 
insanidade mental, o Código de Processo Penal não autoriza a absolvição imprópria do agente, pois esta 
implicará a imposição de medida de segurança, o que poderá ser prejudicial ao réu, já que não lhe será 
possível comprovar por outras teses defensivas a sua inocência, sem a imposição de qualquer outra medida 
restritiva. 
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime 
Se o juiz não rejeitar a denúncia e, por conta dos argumentos e provas juntadas 
com a resposta escrita, se convencer que o fato narrado não constitui crime, poderá, agora, absolver 
sumariamente o réu. 
Alguns exemplos: 
Ex: Acusado pela prática de crime contra a ordem tributária apresenta documento demonstrando que o 
tributo supostamente sonegado ainda não havia sido lançado (Súmula Vinculante nº 2440). 
Ex2: erro de tipo essencial invencível. 
Ex3: crime impossível. 
Ex4: princípio da insignificância 
Ex5: fato atípico 
 
40 Súmula vinculante nº 24: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, 
da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. 
 
 
 
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IV – extinção da punibilidade do agente 
Aqui há uma impropriedade do legislador, pois, nos casos de extinção de 
punibilidade, não há análise de mérito, mas causa impeditiva da sua análise. Além disso, o artigo 61 do 
CPP permite que o juiz, em qualquer fase do processo, reconheça a extinção da punibilidade, inclusive de 
ofício. 
De qualquer modo, para fins de resposta escrita, o juiz declara extinta a 
punibilidade e absolve o réu, com base no art. 397, inciso IV, do CPP. 
V – Produção de provas e rol de testemunhas 
Também deve constar pedido expresso de produção de provas, com designação 
de audiência de instrução e julgamento e oitiva das testemunhas arroladas 
3.7) RECURSOS 
A absolvição sumária faz coisa julgada material, resolvendo, pois, definitivamente 
o mérito da causa. 
Por isso, da decisão que absolve sumariamente o réu com base no artigo 397, 
incisos I, II e III, cabe apelação. 
Quanto à decisão que declara a extinção da punibilidade, impropriamente 
considerada como hipótese de absolvição sumária, a doutrina é uníssona no sentido de que o recurso cabível 
é o recurso em sentido estrito, com base no artigo 581, VIII, do CPP. 
Não há recurso cabível contra a decisão que não acolhe o pedido de absolvição 
sumária. Nesse caso, assim como na hipótese de recebimento da denúncia ou queixa, a medida cabível é a 
impetração de habeas corpus visando ao trancamento da ação penal. 
3.8) DICAS 
A) Aliado às preliminares e questões de mérito, cumpre ao acusado na resposta escrita oferecer documentos 
e justificações, especificar as provas pretendidas, arrolar testemunhas qualificando-as e requerendo sua 
intimação, quando necessário. 
B) Embora não seja comum neste momento processual, cremos ser possível a desclassificação do delito em 
sede de resposta à acusação, como, por exemplo: 
a) desclassificação ensejar incompetência absoluta do juízo (arguida em preliminar); 
 
 
 
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Ex: Denúncia pela prática do delito de moeda falsa (art. 289 CP) perante a Justiça 
Federal. Acolhida a tese da falsificação grosseira, alegada na resposta à acusação, haverá desclassificação para 
o delito de estelionato (art. 171 do CP), cuja competência é da Justiça Estadual, nos termos da Súmula 73 do 
STJ. 
b) desclassificação para crime de ação penal pública condicionada à representação ou de ação penal privada, 
que, ao final, redundará na decadência e pedido de absolvição sumária, pela extinção da punibilidade (art. 397, 
inciso IV) 
Ex: Conforme admitido no VIII Exame da OAB, possível postular a desclassificação do 
delito, com consequente extinção da punibilidade se desclassificado para crime de ação penal privada, com 
prazo decadencial expirado. No caso do VIII Exame, exigiu-se a desclassificação do crime de extorsão (art. 158) 
para exercício arbitrário das próprias razões (art. 345), que se trata de crime, via de regra, de ação penal 
privada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.9) ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
 
 
A) Endereçamento: juiz da causa 
B) Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade postulatória (por seu 
procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 396 ou 396-A), nome da peça (resposta escrita ou 
resposta à acusação), frase final (pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
C) corpo da peça (teses defensivas) 
D) pedidos: pedidos articulados conforme as teses desenvolvidas. Ex: nulidades, absolvição sumária, com 
base no artigo 397 do CPP e, subsidiariamente, a produção de provas, com designação de audiência de 
instrução e julgamento e oitiva das testemunhas arroladas. 
E) parte final (local, data, advogado e OAB) 
F) rol de testemunhas 
NO MÉRITO: 
- Causa excludente de ilicitude 
- Causa excludente de 
culpabilidade 
- Causa excludente de tipicidade 
- Causa excludente de 
punibilidade 
 
 
BASE LEGAL: 
ART. 396 E 396-A 
PRAZO: 10 DIAS 
PEDIDO: 
 
a) seja reconhecida a 
incompetência do juízo; 
 
b) seja rejeitada a denúncia; 
 
c) nulidades (referir todas as 
nulidades enfrentadas na peça); 
 
d) seja o réu absolvido 
sumariamente, com base no 
artigo 397 (apontar o inciso 
correspondente); 
 
e) a produção de provas, com 
designação de audiência de 
instrução e julgamento e oitiva 
das testemunhas arroladas. 
 
 
 
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ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE CRIME 
DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SECÃO JUDICIÁRIA DE 
.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)41 
Processo nº .... 
 
 
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com 
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar RESPOSTA À 
ACUSAÇÃO, com base nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal, pelos fatos e 
fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
I) DOS FATOS42 
II) DO DIREITO 
A) DAS PRELIMINARES43 
B) DO MÉRITO 
* Após identificar e arguir eventuais preliminares contidas no enunciado, deve-se atacar o mérito, 
buscando a absolvição sumária do réu, com base no artigo 397 do CPP. 
* No mérito, busca-se, invariavelmente, no enunciado causas excludentes do crime: ilicitude, 
culpabilidade, tipicidade e, excepcionalmente na resposta à acusação, causas extintivas de punibilidade. 
* O VIII exame da OAB também considerou a desclassificação de um crime para outro. Extorsão(art. 
158) para Exercício arbitrário das próprias razões (art. 345), com posterior decadência do direito de queixa, pois 
desclassificado para crime de ação penal privada. 
III) DO PEDIDO44 
Ante o exposto, requer o denunciado: 
a) seja reconhecida a incompetência do juízo; 
b) seja rejeitada a denúncia; 
 
41 Competência da Justiça Federal – Art. 109 CF/88 
42 Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem transcrever o enunciado. Relatar o crime pelo qual o réu foi denunciado. 
O oferecimento e recebimento da denúncia. Que o réu foi citado 
43 As preliminares são questões que envolvem vícios formais processuais e procedimentais. São questões que levam à nulidade do ato 
ou do próprio processo. Não guardam nenhuma relação com a absolvição (que trata de matéria de mérito) 
44 Deve-se elaborar os pedidos de modo articulado, seguindo-se a ordem das teses desenvolvidas, desde as preliminares 
até o mérito. 
 
 
 
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c) nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça); 
d) Absolvição sumária, com base no artigo 397 (apontar o inciso correspondente); 
e) A produção de provas, com designação de audiência de instrução e julgamento e oitiva das 
testemunhas arroladas. 
 
ROL DE TESTEMUNHAS45 
 
A) FULANO DE TAL 
B) CICLANO DE TAL 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
 
Local...e data...46 
 
______________________ 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
Cuidado: No procedimento crimes de responsabilidade dos funcionários públicos 
(art. 514 do CPP) e tráfico ilícito de entorpecentes (art. 55 da Lei 11.343/2006) há previsão de defesa 
preliminar (que não se confunde com a resposta escrita do art. 396 do CPP). 
A defesa preliminar desses procedimentos especiais visa, em síntese, a convencer 
ao juiz a rejeitar a denúncia ou queixa. Ou seja, tem cabimento antes do recebimento da denúncia ou 
queixa, e o réu é notificado (e não citado) para apresentá-la. 
O equívoco no fundamento legal pode levar a zerar e peça. 
 
 
 
 
45 colocar somente os nomes e dados fornecidos pela banca. não inventar nada. 
46 cuidado com o prazo. A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo 
 
 
 
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PEÇA PROFISSIONAL XXV EXAME 
Patrick, nascido em 04/06/1960, tio de Natália, jovem de 18 anos, estava na varanda de sua casa em 
Araruama, em 05/03/2017, no interior do Estado do Rio de Janeiro, quando vê o namorado de sua 
sobrinha, Lauro, agredindo-a de maneira violenta, em razão de ciúmes. Verificando o risco que sua 
sobrinha corria com a agressão, Patrick gritou com Lauro, que não parou de agredi-la. Patrick não tinha 
outra forma de intervir, porque estava com uma perna enfaixada devido a um acidente de trânsito. Ao ver 
que as agressões não cessavam, foi até o interior de sua residência e pegou uma arma de fogo, de uso 
permitido, que mantinha no imóvel, devidamente registrada, tendo ele autorização para tanto. Com 
intenção de causar lesão corporal que garantisse a debilidade permanente de membro de Lauro, apertou o 
gatilho para efetuar disparo na direção de sua perna. Por circunstâncias alheias à vontade de Patrick, a 
arma não funcionou, mas o barulho da arma de fogo causou temor em Lauro, que empreendeu fuga e 
compareceu à Delegacia para narrar a conduta de Patrick. Após meses de investigações, com oitiva dos 
envolvidos e das testemunhas presenciais do fato, quais sejam, Natália, Maria e José, estes dois últimos 
sendo vizinhos que conversavam no portão da residência, o inquérito foi concluído, e o Ministério Público 
ofereceu denúncia, perante o juízo competente, em face de Patrick como incurso nas sanções penais do 
Art. 129, § 1º, inciso III, c/c. o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Juntamente com a denúncia, 
vieram as principais peças que constavam do inquérito, inclusive a Folha de Antecedentes Criminais, na 
qual constava outra anotação por ação penal em curso pela suposta prática do crime do Art. 168 do 
Código Penal, bem como o laudo de exame pericial na arma de Patrick apreendida, o qual concluiu pela 
total incapacidade de efetuar disparos. Em busca do cumprimento do mandado de citação, o oficial de 
justiça comparece à residência de Patrick e verifica que o imóvel se encontrava trancado. Apenas em razão 
desse único comparecimento no dia 26/02/2018, certifica que o réu estava se ocultando para não ser 
citado e realiza, no dia seguinte, citação por hora certa, juntando o resultado do mandado de citação e 
intimação para defesa aos autos no mesmo dia. Maria, vizinha que presenciou a conduta do oficial de 
justiça, se assusta e liga para o advogado de Patrick, informando o ocorrido e esclarecendo que ele se 
encontra trabalhando e ficará embarcado por 15 dias. O advogado entra em contato com Patrick por email 
e este apenas consegue encaminhar uma procuração para adoção das medidas cabíveis, fazendo uma 
pequena síntese do ocorrido por escrito. Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade do 
advogado de Patrick, a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses 
jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo. 
(Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para 
dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
 
 
 
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PEÇA PROFISSIONAL XXI EXAME 
Gabriela, nascida em 28/04/1990, terminou relacionamento amoroso com Patrick, não mais suportando as 
agressões físicas sofridas, sendo expulsa do imóvel em que residia com o companheiro em comunidade 
carente na cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02 anos. Sem ter 
familiares no Estado e nem outros conhecidos, passou a pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de 
acesso público, alimentando-se a partir de ajudas recebidas de desconhecidos. Nessa época, Gabriela fez 
amizade com Maria, outra mulher em situação de rua que frequentava os mesmos espaços que ela. No dia 
24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo o filho chorar e ficar doente em razão 
da ausência de alimentação, após não conseguir emprego ou ajuda, Gabriela decidiu ingressar em um 
grande supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava 
R$18,00(dezoito reais). Ocorre que a conduta de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a 
abordou no momento em que ela deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu 
os dois produtos escondidos. Em sede policial, Gabriela confirmou os fatos, reiterando a ausência de 
recursos financeiros e a situação de fome e risco físico de seu filho. Juntado à Folha de Antecedentes 
Criminais sem outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos 
os envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em flagrante 
e o inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de 
Gabriela pela prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, além de 
ter opinado pela liberdade da acusada. O magistrado em atuação perante o juízo competente, no dia 18 de 
janeiro de 2011, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, concedeu liberdade provisória à 
acusada, deixando de converter o flagrante em preventiva, e determinou que fosse realizada a citação da 
denunciada. Contudo, foi concedida a liberdade para Gabriela antes de sua citação e, como ela não tinha 
endereço fixo, não foi localizada para ser citada. No ano de 2015, Gabriela consegue um emprego e ficaem melhores condições. Em razão disso, procura um advogado, esclarecendo que nada sabe sobre o 
prosseguimento da ação penal a que respondia. Disse, ainda, que Maria, hoje residente na rua X, na época 
dos fatos também era moradora de rua e tinha conhecimento de suas dificuldades. Diante disso, em 16 de 
março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país, Gabriela e o advogado 
compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu regular prosseguimento 
desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de Gabriela para citação. Naquele mesmo 
momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao seu advogado, para apresentação da medida 
cabível. Cabe destacar que a ré, acompanhada de seu patrono, já manifestou desinteresse em aceitar a 
proposta de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público. Considerando a situação 
narrada, apresente, na qual idade de advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível, diferente do habeas 
corpus , apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá 
ser datada no último dia do prazo. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de 
Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do 
dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
 
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QUESTÃO 3 – XVII EXAME 
Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que 
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth 
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes, 
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto 
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago 
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em 
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado 
pela prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da 
comarca de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que 
o magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar 
resposta à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda, 
na qualidade de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir. 
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi 
das Cruzes? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material 
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique. 
(Valor: 0,60) 
 
 
 
QUESTÃO 3 – XV EXAME 
A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, causando 
prejuízo ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, procedimento 
administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. Ao 
mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que, 
considerando a autonomia das instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime 
previsto no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. 
Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a apresentação de resposta à acusação pela 
Defensoria Pública, Raquel o procura para, na condição de advogado, tomar as medidas cabíveis. 
Diante disso, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a medida jurídica a ser adotada de imediato para impedir o prosseguimento da ação penal? (Valor: 
0,60) 
B) Qual a principal tese jurídica a ser apresentada? (Valor: 0,65) 
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 1 – VIII OAB 
Em determinada ação fiscal procedida pela Receita Federal, ficou constatado que Lucile não fez constar 
quaisquer rendimentos nas declarações apresentadas pela sua empresa nos anos de 2009, 2010 e 2011, 
omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal. Iniciado processo administrativo de 
lançamento, mas antes de seu término, o Ministério Público entendeu por bem oferecer denúncia contra 
Lucile pela prática do delito descrito no art. 1º, inciso II da Lei n. 8.137/90, combinado com o art. 71 do 
Código Penal. A inicial acusatória foi recebida e a defesa intimada a apresentar resposta à acusação. 
Atento(a) ao caso apresentado, bem como à orientação dominante do STF sobre o tema, responda, 
fundamentadamente, o que pode ser alegado em favor de Lucile. (Valor: 1,25) 
 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 31 e 59. 
Já a resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 36 e 69 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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4) AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO 
Em não sendo caso de absolvição sumária, o Magistrado designará audiência de 
instrução e julgamento, aonde a produção de prova é concentrada, ou seja, toda prova oral deverá, em 
regra, ser produzida em única audiência. 
Na audiência de instrução, deve-se respeitar a ordem estabelecida pelo 
procedimento legal. 
Primeiramente, ouve-se o ofendido; depois, as testemunhas de acusação; após, 
as testemunhas de defesa e, por fim, proceder-se-á ao interrogatório do réu. Note-se que, para 
viabilizar a ampla defesa, o interrogatório do réu passou a ser o último ato instrutório. 
Se a inversão da ordem de inquirição for determinada pelo juiz sem concordância 
do réu, gera-se nulidade relativa. 
Durante a audiência de instrução e julgamento pode haver, ainda, 
esclarecimentos de perito, acareação, reconhecimento de pessoas e coisas. 
No procedimento comum ordinário, as partes podem arrolar, sem justificar ou 
motivar, até 08 testemunhas cada uma. 
Encerrado o interrogatório, passa-se à fase das diligências, passíveis de serem 
requeridas pelas partes cuja necessidade ou conveniência se origine de circunstâncias ou de fatos 
apurados na instrução. 
Ordenada diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da 
parte, a audiência será concluída sem as alegações finais. Realizada a diligência determinada, as partes 
apresentarão, conforme artigo 404, parágrafo único, do CPP, no prazo sucessivo de cinco dias, suas 
alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 dias, o juiz proferirá a sentença. Trata-se, portanto, de 
hipótese em que será autorizada a cisão da audiência única. 
 
 
 
 
POSSÍVEIS NULIDADES 
DURANTE A AUDIÊNCIA DE 
INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 
INVERSÃO ORDEM 
INQUIRIÇÃO 
AUSÊNCIA CIENTIFICAÇÃO DO DIREITO AO 
SILÊNCIO 
NÃO VIABILIZAÇÃO DE 
CONVERSA PRÉVIA E RESERVADA 
COM DEFENSOR 
AUSÊNCIA DO DEFENSOR 
 
 
 
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PEÇA: 
MEMORIAIS ESCRITOS 
PALAVRA MÁGICA: 
ENCERRADA A 
INSTRUÇÃO 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
5) MEMORIAIS OU ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
5.1) INTRODUÇÃO 
Declarada encerrada a instrução, passa-se à etapa dos debates orais. Todavia, 
sobretudo no contexto da prova da OAB, os debates orais podem ser convertidos em memoriais escritos em, 
basicamente, três hipóteses: a) complexidade da causa; b) excessivo númerode réus; c) quando na audiência 
for ordenada realização de diligência. 
 
5.2) IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA 
Os memoriais são oferecidos após o encerramento da instrução e antes da sentença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Encerramento da Instrução--------MEMORIAIS------sentença 
 
 
 
 
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Exemplos de como identificar a peça extraídos de memoriais que já cobrados pela 
FGV: 
XXIII EXAME 
(...) Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter deixado seu notebook 
acoplado à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente havendo restituição do bem com a descoberta dos 
agentes da lei. Também foram ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a 
autoria a partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório, confirma os fatos, mas esclarece 
que acreditava que o notebook subtraído era seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de 
Antecedentes Criminais da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que 
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens captadas pela câmera de 
segurança. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação da ré nos 
termos da denúncia. Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de 
2016, quarta-feira, sendo o dia seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana 
seguinte, exceto sábado e domingo. Considerando apenas as informações narradas, na condição de 
advogado(a) de Roberta, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as 
teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) 
 
XX EXAME 
(...) Após a juntada da Folha de Antecedentes Criminais do réu, apenas mencionando aquele inquérito, e do 
laudo de exame de material, confirmando que, de fato, a substância encontrada no veículo do denunciado era 
“cloridrato de cocaína”, os autos foram encaminhados para o Ministério Público, que pugnou pela condenação 
do acusado nos exatos termos da denúncia. Em seguida, você, advogado (a) de Astolfo, foi intimado (a) em 06 
de março de 2015, uma sexta-feira. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser 
inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do 
prazo, sustentando todas as tese s jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) 
 
XVII EXAME 
(...) Após, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Daniel, que ostentava apenas aquele processo pelo 
porte de arma de fogo, que não tivera proferida sentença até o momento, o laudo de avaliação indireta do 
automóvel e o vídeo da câmera de segurança da residência. O Ministério Público, em sua manifestação 
derradeira, requereu a condenação nos termos da denúncia. A defesa de Daniel é intimada em 17 
de julho de 2015, sexta feira. 
 
 
 
 
 
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XIV EXAME DA OAB 
(...) A prova pericial atestou que a menor não era virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o 
primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos meses após o ato sexual. O Ministério Público pugnou 
pela condenação de Felipe nos termos da denúncia. A defesa de Felipe foi intimada no dia 10 de 
abril de 2014 (quinta-feira). 
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, 
redija a peça cabível, no último dia do prazo, excluindo a possibilidade de impetração de Habeas Corpus, 
sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0) 
 
IX EXAME 
(...) Nesse sentido, considere que o magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as 
partes, para o oferecimento da peça processual cabível. Como advogado de Gisele, levando em conta 
tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça cabível. (Valor: 5,0) 
5.3) BASE LEGAL 
Há duas hipóteses de base legal: 
 
 
 
 
A) Pela complexidade da causa ou número de acusados: Art. 403, § 3º, CPP. 
B) Quando for requerido diligências em audiência: Art. 404, parágrafo único, CPP. 
5.4) PRAZO 
 
 
 
Prazo: 05 dias 
Defensor Público: prazo em dobro 
O prazo processual é disciplinado no artigo 798 do CPP. 
Base legal: art. 403, § 3º, CPP OU art. 404, parágrafo único, CPP. 
5 dias 
 
 
 
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98 
 
O prazo começa a correr a partir do 1º dia útil da citação ou intimação. Assim, se a 
intimação ocorreu na sexta (dia 05/08), o prazo começará a correr no dia 08/08 (segunda-feira, que será o 
primeiro dia útil). 
Se o prazo vencer num sábado, domingo, ou feriado, será prorrogado para o 1º dia 
útil. 
EX: A defesa foi intimada para apresentar memoriais no dia 14.07.2014 (terca-feira), 
sendo o prazo de 05 dias. Nesse caso, como o quinto dia do prazo para a apresentação dos memoriais caiu no 
dia 19/07/2014 (domingo), prorroga-se para o primeiro dia útil, nos termos do artigo 798, § 3º, do CPP, razão 
pela qual o último dia do prazo será 20/07/2014 (segunda-feira). 
5.5) CONTEÚDO 
Os memoriais podem conter questões preliminares e/ou matérias de mérito. 
A) Preliminares: 
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos 
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade. 
Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de 
punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às preliminares. 
B) Mérito: 
Conforme já mencionado, nas peças práticas profissionais deverão ser buscadas no 
enunciado teses que, ao final, viabilizarão a formulação do correspondente pedido. Ou seja, aborda-se na peça 
aquilo que, ao final, poderá ser objeto de pedido. 
No caso dos memoriais escritos, as teses de mérito guardam relação com as hipóteses 
que ensejam a absolvição, previstas no artigo 386 do CPP. 
Considerando que o pedido de absolvição deve observar um dos incisos do artigo 386, 
a matéria de mérito nos memoriais (aqui vale para apelação) consistirá, necessariamente, na discussão, acerca 
da materialidade, autoria, tipicidade, ilicitude, culpabilidade, além de teses subsidiárias, formando aquilo que 
convencionamos representar pela sigla MATICS. 
 
 
 
 
 
 
 
M 
A 
T 
I 
C 
S 
MATERIALIDADE (incisos I e II) 
 
AUTORIA (incisos IV e V) 
 
TIPICIDADE (inciso III) 
 
ILICITUDE (inciso VI) 
 
CULPABILIDADE (inciso VI) 
 
SUBSIDIARIEDADE 
 
 
 
 
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C) SUBSIDIARIEDADE47 
 
Além das preliminares e das questões de mérito, deve-se buscar no enunciado 
informações que permitam identificar alguma tese subsidiária. As teses subsidiárias consistem, basicamente, 
nas hipóteses em que, uma vez condenado, permitem ao réu ter sua situação amenizada. 
Como forma de facilitar a identificação, convencionarmos considerar a ordem 
estabelecida no art. 59 do CP. Trata-se de espécie de checklist. 
c.1) na quantidade de pena: Art. 59, II: verificar o sistema trifásico (art. 68). 
* buscar no enunciado informações para sustentar a pena-base no mínimo legal (afastar, por exemplo, maus 
antecedentes); 
* Apontar atenuantes (previstas no artigo 65 do CP); afastar agravantes (previstas no artigo 61 e 62 do CP); 
* Apontar causas de diminuição de pena (ex: tentativa – art. 14, parágrafo único, do CP); afastar causas de 
aumento de pena. 
* Afastar qualificadoras 
c.2) regime carcerário mais brando: Art. 59, III, do CP 
* Verificar o artigo 33 do Código Penal e artigo 2º, § 1º, da Lei 8.072/90 ( O STF declarou inconstitucional esse 
dispositivo). 
c.3) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos: Art. 59, IV, do CP 
* Verificar o artigo 44 do CP e artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 (verResolução nº 05 do Senado). 
c.4) Sursis – Art. 77 do CP 
c.5) Desclassificação do delito 
5.6) PEDIDO 
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma 
das teses desenvolvidas ao longo da peça. 
Ex. Se sustentou a tese da incompetência do juízo, sob o argumento de que o 
processo tramita na Justiça Estadual, ao passo que a competência é da Justiça Federal, deve-se, ao final, 
formular pedido expresso de que seja declarada a incompetência do Juízo; 
Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias. 
 
47 As teses subsidiárias serão estudadas com mais profundidade na aula de Direito Penal, na parte da teoria da pena. 
 
 
 
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Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido 
expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou, subsidiariamente, que o réu 
não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para afastar a reincidência, com a consequente 
diminuição da pena...e assim por diante... 
O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP. 
 
ATENÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
A sentença absolutória é aquela que julga improcedente a acusação, valendo-se 
de um dos fundamentos mencionados no artigo 386 do CPP: 
A) Estar provada a inexistência do fato – artigo 386, inciso I, do CPP. 
Nesse caso, há prova robusta da inexistência da materialidade do delito. Ou seja, 
não se trata de mera insuficiência de prova, pois restou categoricamente demonstrado que o fato não 
existiu. 
Ex: Vítima de estupro que admite, em juízo, não ter havido o constrangimento, 
tendo imputado o delito ao réu somente para prejudicá-lo. 
Ex2: vítima de furto que afirma ter encontrado os objetos, que, na verdade, 
estavam perdidos. 
 
 
Na resposta à acusação (art. 396-A), o pedido é de absolvição sumária, com base no artigo 397 do CPP. 
Nos memoriais do procedimento do júri, o pedido é de absolvição sumária terá por base o artigo 415 
do CPP. 
 ! 
 
 MEMORIAIS DO PROCEDIMENTO COMUM 
PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO É COM 
BASE NO ARTIGO 386 CPP 
 
 
 
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101 
 
B) Não haver prova da existência do fato – artigo 386, inciso II, do CPP. 
Nesse caso, incide a dúvida acerca da existência ou não do fato criminoso. Ou 
seja, o fato até pode ter ocorrido, mas a acusação não logrou comprovar a sua existência ou 
materialidade. 
Ex: quando não foi realizado auto de exame de corpo de delito em crime que 
deixa vestígio. Agente denunciado por lesão corporal grave. Não foi realizado auto de exame de corpo 
delito direto ou indireto. Nesse caso, não há prova da materialidade do delito, razão pela qual deve o 
agente ser absolvido, com base no artigo 386, II, do Código Penal. 
C) Não constituir o fato infração penal – artigo 386, inciso III, do CPP. 
Nessa hipótese, a instrução revelou causas de exclusão de uma ou algumas 
elementares do delito relatado na denúncia. Trata-se, pois, de hipótese de reconhecimento de uma das 
causas excludentes da tipicidade do fato descrito na denúncia. 
Ex: Sujeito denunciado por ter praticado conjunção carnal com menina de 13 
anos de idade. Durante a instrução, comprova-se que a relação sexual ocorreu quando a suposta vítima já 
havia completado 14 anos. Nesse caso, há exclusão do crime de estupro de vulnerável, previsto no art. 
217-A. 
Ex: princípio da insignificância. 
D) Estar provado que o réu não concorreu para a infração penal – artigo 386, inciso IV, do 
CPP. 
Nesse caso, restou caracterizada a existência do delito. Todavia, restou 
comprovado que o delito foi praticado por outras pessoas. 
Ex: vítima reconhece o réu por fotografia como sendo o autor do roubo ocorrido 
na Avenida Tenente Coronel Brito em Santa Cruz do Sul, no dia 05 de novembro de 2012, por volta das 
22h. o réu consegue comprovar não ter sido o autor do delito, porque, na referida data e horário, estava 
em São Luiz Gonzaga, distante 400km, visitando a família. 
E) Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal – artigo 386, inciso V, do 
CPP. 
O fato ocorreu. Todavia, não há comprovação segura no sentido de que o réu 
contribuiu para a empreitada delituosa. Aqui a dúvida deve militar em favor do réu. 
 
 
 
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2ª Fase 
 
102 
 
Considere o fato de a autoria ter sido apontada por meio de prova ilícita (Ex: 
interceptação telefônica sem autorização judicial), uma vez alegada a ilicitude da prova e o seu 
consequente desentranhamento dos autos, nada restará para apontar a autoria do delito. 
F) Existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 
23, 26 e § 1o do art. 28, todos do código penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre 
sua existência – artigo 386, inciso VI, do CPP. 
* Absolvição com base nas circunstâncias que excluam o crime: trata-se de causas excludentes de 
ilicitude, previstas nos artigos 23, 24 e 25 do CP, consistentes na legítima defesa, estado de necessidade, 
exercício regular do direito e estrito cumprimento do dever legal. 
* Absolvição com base nas causas que isentem o réu de pena: trata-se das causas excludentes de 
culpabilidade previstas no artigo 21 (erro de proibição inevitável), 22 (coação moral irresistível e 
obediência hierárquica à ordem não manifestamente ilegal), 26, “caput” (inimputabilidade por doença 
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado), e 28, § 1º (embriaguez acidental completa), 
todos do Código Penal. 
Na hipótese de absolvição com base na inimputabilidade decorrente de doença 
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, o juiz aplicará medida de segurança 
consistente em internação ou tratamento ambulatorial (art. 386, parágrafo único, III, do CPP). Por se 
tratar de sentença absolutória na qual se aplica uma espécie de sanção penal, chama-se de sentença 
absolutória imprópria. 
G) Não existir prova suficiente para a condenação 
Constitui fórmula genérica a ser utilizada quando não for possível a aplicação dos 
dispositivos anteriores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2ª Fase 
 
103 
 
 
* ESTRUTURA DOS MEMORIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A) Endereçamento: juiz da causa 
B) Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade postulatória (por seu 
procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 403, § 3º ou 404, parágrafo único, do CPP), nome da 
peça (Memoriais escritos), frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
C) corpo da peça (teses defensivas) 
D) pedidos: 
1) Nulidades (acompanhar a ordem das preliminares) 
2) Extinção da punibilidade. Ex: seja declarada extinta a punibilidade pela prescrição, com base no artigo 107, 
inciso IV, do Código Penal. 
3) absolvição, com base no artigo 386 do Código de Processo Penal. 
4) diminuição da pena, regime carcerário, etc 
E) parte final (local, data, advogado e OAB) 
 
BASE LEGAL: 
Art. 403, §3º, CPP 
OU 
Art. 404, parágrafo único, 
CPP 
PRAZO: 05 DIAS 
 
*Materialidade 
*Autoria 
*Tipicidade 
*Ilicitude 
*Culpabilidade 
*Subsidiariedade 
 
 
 
 
 
* Mesmas da resposta à 
acusação + nulidades da 
audiência 
* Nulidades do ato e do 
processo (art. 564 do CPP) 
* Extinção da punibilidade 
* Prescrição da pretensão 
punitiva em abstrato. 
 
 
 
 
 
MEMORIAIS 
 
Todas as teses 
alegadas 
+ 
 
Absolvição 
art. 386, CPP 
 
 
 
*Quantificação da pena; 
*Regime inicial 
carcerário; 
*Substituição da PPL por 
PRD; 
*Sursis da pena (se não 
cabível PRD). 
 
 
 
 
1.PRELIMINARES 
 
 
 2. MÉRITO 
 
 
 4. PEDIDO 
 
 
3. SUBSIDIARIAMENTE 
Art. 59 do CP 
 
 
 
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2ª Fase104 
 
ESTRUTURA DOS MEMORIAIS: 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE CRIME 
DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE 
......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)48 
Processo nº ... 
 
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com 
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar MEMORIAIS, com 
base no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal (se complexidade da causa ou número de 
réus), ou 404, parágrafo único, do Código de Processo Penal (se deferida realização de diligências 
em audiência), pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
I) DOS FATOS49 
II) DO DIREITO 
A) DAS PRELIMINARES50 
B) DO MÉRITO51 
* No mérito, busca-se afastar a materialidade e a autoria, bem como arguir uma das 
causas excludentes do crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade, além das teses subsidiárias, 
representada pela sigla MATICS. 
Materialidade 
Autoria 
Tipicidade 
Ilicitude 
Culpabilidade 
Subsidiariedade 
 
48 Competência da Justiça Federal – art. 109 da CF/88. 
49 Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem simplesmente transcrever o enunciado.* Relatar o crime 
pelo qual o réu foi denunciado. O oferecimento e recebimento da denúncia. Que o réu foi citado. Apresentou resposta 
escrita. Audiência de instrução. Inquirição testemunhas 
50 As preliminares são questões que envolvem vícios formais processuais e procedimentais. São questões que levam à 
nulidade do ato (e dos que dele derivarem) ou do próprio processo. Não guardam nenhuma relação com a absolvição, que 
seria matéria de mérito. 
Embora não sejam tecnicamente questões preliminares, pois não anulam o processo, recomenda-se que as causas extintivas 
de punibilidade sejam arguidas antes das matérias de mérito. 
51 No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do crime: 
exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. 
 
 
 
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2ª Fase 
 
105 
 
C) SUBSIDIARIEDADE52 
III) DO PEDIDO53 
Ante o exposto, requer o denunciado: 
a) preliminares 
b) nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça); 
c) absolvição, com base no artigo 386 do CPP (apontar o inciso correspondente); 
d) diminuição da pena (pena-base no mínimo legal, reconhecimento de atenuante e/ou causa de diminuição da 
pena, afastar agravante e/ou causa de aumento de pena); 
e) regime carcerário; 
f) substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, 
g) “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos), 
 
Local... e data...54 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 Dica: para facilitar a identificação dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 
do CP. 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias 
e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena - 
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar agravantes e causas de aumento da pena e qualificadoras]; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP); 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP). 
ART. 77 CP (SURSIS) 
53 Deve-se elaborar os pedidos de modo articulado, seguindo-se a ordem das teses desenvolvidas, desde as preliminares 
até o mérito e teses subsidiárias envolvendo o apenamento. 
54 cuidado com o prazo. A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo 
 
 
 
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106 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XXIII EXAME OAB 
No dia 23 de fevereiro de 2016, Roberta, 20 anos, encontrava-se em um curso preparatório para concurso na 
cidade de Manaus/AM. Ao final da aula, resolveu ir comprar um café na cantina do local, tendo deixado seu 
notebook carregando na tomada. Ao retornar, retirou um notebook da tomada e foi para sua residência. Ao 
chegar em casa, foi informada de que foi realizado registro de ocorrência na Delegacia em seu desfavor, tendo 
em vista que as câmeras de segurança da sala de aula captaram o momento em que subtraiu o notebook de 
Cláudia, sua colega de classe, que havia colocado seu computador para carregar em substituição ao de 
Roberta, o qual estava ao lado. 
No dia seguinte, antes mesmo de qualquer busca e apreensão do bem ou atitude da autoridade policial, 
Roberta restituiu a coisa subtraída. As imagens da câmera de segurança foram encaminhadas ao Ministério 
Público, que denunciou Roberta pela prática do crime de furto simples, tipificado no Art. 155, caput, do Código 
Penal. O Ministério Público deixou de oferecer proposta de suspensão condicional do processo, destacando que 
o delito de furto não é de menor potencial ofensivo, não se sujeitando à aplicação da Lei nº 9.099/95, tendo a 
defesa se insurgido. 
Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter deixado seu notebook acoplado 
à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente havendo restituição do bem com a descoberta dos agentes da 
lei. Também foram ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a autoria a 
partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório, confirma os fatos, mas esclarece que 
acreditava que o notebook subtraído era seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de 
Antecedentes Criminais da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que 
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens captadas pela câmera de 
segurança. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação da ré nos termos da 
denúncia. 
Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de 2016, quarta-feira, sendo o dia 
seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana seguinte, exceto sábado e domingo. 
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Roberta, redija a peça jurídica 
cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser 
datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) 
Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do 
dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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107 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XX EXAME OAB 
Astolfo, nascido em 15 de março de 1940, sem qualquer envolvimento pretérito com o aparato judicial, no dia 
22 de março de 2014, estava em sua casa, um barraco na comunidade conhecida como Favela da Zebra, 
localizada em Goiânia/GO, quando foi visitado pelo chefe do tráfico da comunidade, conhecido pelo vulgo de 
Russo. Russo, que estava armado, exigiu que Astolfo transportasse 50 g de cocaína para outro traficante, que o 
aguardaria em um Posto de Gasolina, sob pena de Astolfo ser expulso de sua residência e não mais poder 
morar na Favela da Zebra. Astolfo, então, se viu obrigado a aceitar a determinação, mas quando estava em seu 
automóvel, na direção do Posto de Gasolina, foi abordado por policiais militares, sendo a droga encontrada e 
apreendida. Astolfo foi denunciado peranteo juízo competente pela prática do crime previsto no Art. 33, caput, 
da Lei nº 11.343/06. Em que pese tenha sido preso em flagrante, foi concedida liberdade provisória ao agente, 
respondendo ele ao processo em liberdade. Durante a audiência de instrução e julgamento, após serem 
observadas todas as formalidades legais, os policiais militares responsáveis pela prisão em flagrante do réu 
confirmaram os fatos narrados na denúncia, além de destacarem que, de fato, o acusado apresentou a ver são 
de que transportava as drogas por exigência de Russo. Asseguraram que não conheciam o acusado antes da 
data dos fatos. Astolfo, em seu interrogatório, realizado como último ato da instrução por requerimento 
expresso da defesa do réu, também confirmou que fazia o transporte da droga, mas alegou que somente agiu 
dessa forma porque foi obrigado pelo chefe do tráfico local a adotar tal conduta, ainda destacando que residia 
há mais de 50 anos na comunidade da Favela da Zebra e que, se fosse de lá expulso, não teria outro lugar para 
morar, pois sequer possuía familiares e amigos fora do local. Disse que nunca respondeu a nenhum outro 
processo, apesar já ter sido indiciado nos autos de um inquérito policial pela suposta prática de um crime de 
falsificação de documento particular. Após a juntada da Folha de Antecedentes Criminais do réu, apenas 
mencionando aquele inquérito, e do laudo de exame de material, confirmando que, de fato, a substância 
encontrada no veículo do denunciado era “cloridrato de cocaína”, os autos foram encaminhados para o 
Ministério Público, que pugnou pela condenação do acusado nos exatos termos da denúncia. Em seguida, você, 
advogado (a) de Astolfo, foi intimado (a) em 06 de março de 2015, uma sexta-feira. Com base nas informações 
acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a 
possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as tese s jurídicas pertinentes. 
(Valor: 5,00) 
Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do 
dispositivo legal não confere pontuação. 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFFISIONAL DO XX EXAME DA OAB – REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO 
Bruno Silva, nascido em 10 de janeiro de 1997, enquanto adolescente, aos 16 anos, respondeu perante a Vara 
da Infância e Juventude pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, sendo julgada procedente a 
ação socioeducativa e aplicada a medida de semiliberdade. No dia 10 de janeiro de 2015, na cidade de Belo 
Horizonte, Minas Gerais, Bruno se encontrava no interior de um ônibus, quando encontrou um relógio caído ao 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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lado do banco em que estava sentado. Estando o ônibus vazio, Bruno aproveitou para pegar o relógio e colocá-
lo dentro de sua mochila, não informando o ocorrido ao motorista. Mais adiante, porém, 15 minutos após esse 
fato, o proprietário do relógio, Bernardo, já na companhia de um policial, ingressou no coletivo procurando pelo 
seu pertence, que havia sido comprado apenas duas semanas antes por R$ 100,00 (cem reais). Verificando que 
Bruno estava sentado no banco por ele antes utilizado, revistou sua mochila e encontrou o relógio. Bernardo 
narrou ao motorista de ônibus o ocorrido, admitindo que Bruno não estava no coletivo quando ele o deixou. 
Diante de tais fatos, Bruno foi denunciado perante o juízo competente pela prática do crime de furto simples, 
na forma do Art. 155, caput, do Código Penal. A denúncia foi recebida e foi formulada pelo Ministério Público a 
proposta de suspensão condicional do processo, não sendo aceita pelo acusado, que respondeu ao processo em 
liberdade. No curso da instrução, o policial que efetivou a prisão do acusado, Bernardo, o motorista do ônibus e 
Bruno foram ouvidos e todos confirmaram os fatos acima narrados. Com a juntada do laudo de avaliação do 
bem arrecadado, confirmando o valor de R$ 100,00 (cem reais), os autos foram encaminhados ao Ministério 
Público, que se manifestou pela procedência do pedido nos termos da denúncia, pleiteando reconhecimento de 
maus antecedentes, em razão da medida socioeducativa antes aplicada. 
Você, advogado(a) de Bruno, foi intimado(a), em 23 de março de 2015, segunda-feira, sendo o dia 
subsequente útil. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso 
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando 
todas as tese s jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00 pontos) 
Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. 
 A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XIV EXAME OAB 
Felipe, com 18 anos de idade, em um bar com outros amigos, conheceu Ana, linda jovem, por quem se 
encantou. Após um bate-papo informal e trocarem beijos, decidiram ir para um local mais reservado. Nesse 
local trocaram carícias, e Ana, de forma voluntária, praticou sexo oral e vaginal com Felipe. Depois da noite 
juntos, ambos foram para suas residências, tendo antes trocado telefones e contatos nas redes sociais. No dia 
seguinte, Felipe, ao acessar a página de Ana na rede social, descobre que, apesar da aparência adulta, esta 
possui apenas 13 (treze) anos de idade, tendo Felipe ficado em choque com essa constatação. O seu medo foi 
corroborado com a chegada da notícia, em sua residência, da denúncia movida por parte do Ministério Público 
Estadual, pois o pai de Ana, ao descobrir o ocorrido, procurou a autoridade policial, narrando o fato. Por Ana 
ser inimputável e contar, à época dos fatos, com 13 (treze) anos de idade, o Ministério Público Estadual 
denunciou Felipe pela prática de dois crimes de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217- A, na forma do 
artigo 69, ambos do Código Penal. O Parquet requereu o início de cumprimento de pena no regime fechado, 
com base no artigo 2º, §1º, da lei 8.072/90, e o reconhecimento da agravante da embriaguez preordenada, 
prevista no artigo 61, II, alínea “l”, do CP. O processo teve início e prosseguimento na XX Vara Criminal da 
cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, local de residência do réu. Felipe, por ser réu primário, ter bons 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
 
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antecedentes e residência fixa, respondeu ao processo em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a 
vítima afirmou que aquela foi a sua primeira noite, mas que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para 
frequentar bares de adultos. As testemunhas de acusação afirmaram que não viram os fatos e que não sabiam 
das fugas de Ana para sair com as amigas. As testemunhas de defesa, amigos de Felipe, disseram que o 
comportamento e a vestimenta da Ana eram incompatíveis com uma menina de 13 (treze) anos e que qualquer 
pessoa acreditaria ser uma pessoa maior de 14 (quatorze) anos, e que Felipe não estava embriagado quando 
conheceu Ana. O réu, em seu interrogatório, disse que se interessou por Ana, por ser muito bonita e por estar 
bem vestida. Disse que não perguntou a sua idade, pois acreditou que no local somente pudessem frequentar 
pessoas maiores de 18 (dezoito) anos. Corroborou que praticaram o sexo oral e vaginal na mesma 
oportunidade, de forma espontânea e voluntária por ambos. A prova pericial atestou que a menor não era 
virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos 
meses após o ato sexual. O Ministério Público pugnou pela condenação de Felipe nos termos da denúncia. 
A defesa de Felipe foi intimada no dia 10 de abril de 2014 (quinta-feira). 
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, 
redija a peça cabível, no último dia do prazo, excluindo a possibilidade de impetração de Habeas Corpus, 
sustentando,para tanto, as teses jurídicas pertinentes. 
 
PEÇA PROFISSIONAL - IX EXAME OAB 
Gisele foi denunciada, com recebimento ocorrido em 31/10/2010, pela prática do delito de lesão corporal leve, 
com a presença da circunstância agravante, de ter o crime sido cometido contra mulher grávida. Isso porque, 
segundo narrou a inicial acusatória, Gisele, no dia 01/04/2009, então com 19 anos, objetivando provocar lesão 
corporal leve em Amanda, deu um chute nas costas de Carolina, por confundi-la com aquela, ocasião em que 
Carolina (que estava grávida) caiu de joelhos no chão, lesionando-se. A vítima, muito atordoada com o 
acontecido, ficou por um tempo sem saber o que fazer, mas foi convencida por Amanda (sua amiga e pessoa a 
quem Gisele realmente queria lesionar) a noticiar o fato na delegacia. Sendo assim, tão logo voltou de um 
intercâmbio, mais precisamente no dia 18/10/2009, Carolina compareceu à delegacia e noticiou o fato, 
representando contra Gisele. Por orientação do delegado, Carolina foi instruída a fazer exame de corpo de 
delito, o que não ocorreu, porque os ferimentos, muito leves, já haviam sarado. O Ministério Público, na 
denúncia, arrolou Amanda como testemunha. Em seu depoimento, feito em sede judicial, Amanda disse que 
não viu Gisele bater em Carolina e nem viu os ferimentos, mas disse que poderia afirmar com convicção que os 
fatos noticiados realmente ocorreram, pois estava na casa da vítima quando esta chegou chorando muito e 
narrando a história. Não foi ouvida mais nenhuma testemunha e Gisele, em seu interrogatório, exerceu o direito 
ao silêncio. Cumpre destacar que a primeira e única audiência ocorreu apenas em 20/03/2012, mas que, 
anteriormente, três outras audiências foram marcadas; apenas não se realizaram porque, na primeira, o 
magistrado não pôde comparecer, na segunda o Ministério Público não compareceu e a terceira não se realizou 
porque, no dia marcado, foi dado ponto facultativo pelo governador do Estado, razão pela qual todas as 
audiências foram redesignadas. Assim, somente na quarta data agendada é que a audiência efetivamente 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
 
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aconteceu. Também merece destaque o fato de que na referida audiência o parquet não ofereceu proposta de 
suspensão condicional do processo, pois, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos, em 
30/03/2009, Gisele, em processo criminal onde se apuravam outros fatos, aceitou o benefício proposto. Assim, 
segundo o promotor de justiça, afigurava-se impossível formulação de nova proposta de suspensão condicional 
do processo, ou de qualquer outro benefício anterior não destacado, e, além disso, tal dado deveria figurar na 
condenação ora pleiteada para Gisele como outra circunstância agravante, qual seja, reincidência. Nesse 
sentido, considere que o magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as partes, para o 
oferecimento da peça processual cabível. 
Como advogado de Gisele, levando em conta tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça 
cabível. (Valor: 5,0) 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. Os 
enunciados correspondentes 
estão na apostila “caderno de 
peças – para resolver”, nas págs. 
03, 24 e 45. Já as resoluções 
constam na apostila “caderno de 
peças - padrão de respostas”, 
nas págs. 04, 28 e 53 e 
seguintes. Após realizar a peça, 
assista à respectiva aula de 
estruturação! 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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6) EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI - PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO 
DA CONSUBSTANCIAÇÃO 
No processo penal, o réu se defende dos fatos, sendo secundário a classificação 
jurídica constante na denúncia ou queixa. 
Segundo o princípio da correlação, a sentença está limitada apenas à narrativa 
feita na peça inaugural, pouco importando a tipificação legal dada pelo acusador. 
O princípio da correlação está regulamentado nos arts. 383 e 384 do CPP, que 
dispõem, respectivamente, dos institutos da emendatio libelli e mutatio libelli. 
Na verdade, o estudo desses institutos está intimamente relacionado a dois 
princípios básicos em matéria de sentença penal: primeiro, o princípio da consubstanciação, segundo o 
qual o réu defende-se dos fatos descritos na denúncia ou na queixa-crime e não da capitulação; e, 
segundo, o princípio da correlação da sentença, traduzindo-se este como a necessidade de amoldar a 
sentença aos fatos descritos na inicial acusatória. (AVENA, 2013, p. 1089). 
6.1) EMENDATIO LIBELLI – Art. 383 CPP 
Ao oferecer a denúncia ou queixa, o acusador deve descrever o fato criminoso e, 
após, conferir a ele a respectiva classificação jurídica. O réu, como visto, defende-se dos fatos relatados e 
não da classificação dada. 
Nessa hipótese, pode ocorrer de o juiz considerar inadequada a classificação 
jurídica atribuída ao fato narrado na inicial acusatória. 
O fato delituoso descrito na peça acusatória continua sendo rigorosamente o 
mesmo, cabendo ao juiz corrigir a classificação atribuída pelo Ministério Público ou querelante ao fato 
descrito. 
Desse modo, sem que tenha surgido ao longo da instrução nenhum 
elemento novo ou circunstância capaz de modificar a descrição do fato contido na denúncia ou 
queixa, o juiz poderá dar aos eventos delituosos descritos explícita ou implicitamente na denúncia ou 
queixa a classificação jurídica que considerar correta, ainda que, em consequência, venha a aplicar pena 
mais grave, sem necessidade de prévia vista à defesa, a qual não poderá alegar surpresa, uma vez que 
não se defendia da classificação legal, mas da descrição fática da infração penal. 
Ex: A denúncia narra que fulano subtraiu, mediante o emprego de fraude para 
diminuir ou burlar a vigilância da vítima sobre o objeto subtraído, classificando, no entanto, tal conduta 
como sendo estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, deixando de propor a suspensão 
condicional do processo pelo fato de o agente ter sido condenado pela prática de outro crime. No caso, 
deve o Juiz dar definição jurídica diversa à atribuída pelo Ministério Público, condenando o acusado pela 
prática do crime de furto qualificado pelo emprego de fraude (art. 155, § 4º, inciso II, do CP), sem ofensa 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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ao contraditório ou ampla defesa, nem tampouco do princípio da correlação entre acusação ou sentença, 
já que o acusado se defendia do fato de ter subtraído objeto mediante fraude, conforme narrado na 
denúncia. 
 
a) Nova definição jurídica do fato e suspensão condicional do processo Art. 383, § 1º, CPP 
Se a nova definição jurídica do fato é viável, inclusive para a aplicação de pena 
mais grave, naturalmente, o mesmo se dá para a aplicação de benefícios anteriormente não concedidos 
por falta de condições. 
Se o crime inicialmente imputado previa pena mínima superior a um ano, não se 
podia utilizar o instituto da suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95). 
Porém, vislumbrando a possibilidade de que isto se concretize, cabe ao 
magistrado, em decisão fundamentada, determinar a abertura de vista ao Ministério Público, a fim de que 
possa oferecer proposta, se for o caso. 
Ex: A denúncia narra que fulano empurrou a vítima e arrebatou-lhe a corrente 
do pescoço, classificando tal conduta como roubo (art. 157 do CP). Após o encerramento da instrução, o 
Magistrado se convence de que o fato descrito na denúncia não constitui violência ou grave ameaça, 
interpretando a conduta descrita na inicial acusatória como sendo furto simples (art. 155 do CP). No 
momento do oferecimento da denúncia, não era cabível a proposta de suspensão condicional do processo, 
uma vez que a pena mínima do crime de roubo é de 04 anos. Ao final de instrução, considerando-se a 
hipótese de furto simples, cuja pena mínimaé de 01 ano, passou-se a aventar a possibilidade de 
suspensão condicional do processo. 
Assim, nesse caso, ao receber os autos conclusos para sentença, vislumbrando 
hipótese de definição jurídica diversa da contida na exordial, que, por sua vez, poderá ensejar a suspensão 
condicional do processo, o Magistrado deverá operar a desclassificação do delito, limitando-se 
exclusivamente à correta tipificação da conduta, sem emitir, portanto, qualquer juízo de valor acerca do 
mérito (condenação ou absolvição). Em seguida, deverá determinar vista dos autos ao Ministério Público 
para que se manifeste acerca da possibilidade da proposta da suspensão condicional do processo. 
Se o juiz proferir sentença condenatória pelo delito de furto, pode-se, em sede 
de preliminar de apelação, arguir a nulidade da sentença, pela inobservância do procedimento do artigo 
383, § 1º, do CP. 
b) Desclassificação – Art. 383, § 2º, CPP 
Se o juiz, ao sentenciar, por exemplo, verificar que o fato descrito, em verdade, 
equivale a uma tentativa de homicídio e não a uma lesão corporal gravíssima, deve remeter o caso à Vara 
Privativa do Júri. 
 
 
 
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O mesmo ocorrerá se observar tratar-se de crime de órbita federal, determinando 
a remessa dos autos à Vara da Seção Federal da sua Região. 
Nesse caso, caberá ao juiz, motivadamente, realizar a desclassificação, sem, 
contudo, emitir juízo de valor acerca do mérito (condenação ou absolvição), devendo, pois, limitar-se à 
tipificação do delito, encaminhando, após, os autos ao juízo competente. 
Ex: A denúncia narra que determinado funcionário público aceitou promessa de 
vantagem indevida para retardar ato de ofício, capitulando a conduta como sendo de corrupção passiva, 
prevista no artigo 317 do CP. Após o encerramento da instrução, o Magistrado considera ter ocorrido, em 
tese, o delito de corrupção passiva privilegiada, previsto no artigo 317,§ 2º, do CP, cuja pena varia de 03 
meses a 01 ano, sendo, pois, crime de menor potencial ofensivo, devendo, diante disso, sem emitir 
qualquer juízo de valor acerca do mérito, remeter o processo ao Juizado Especial Criminal. 
 
QUESTÃO 4 – 2010/01 
Jânio foi denunciado pela prática de roubo tentado (Código Penal, art. 157, caput, c/c art. 14, II), cometido 
em dezembro de 2009, tendo sido demonstrado, durante a instrução processual, que o réu praticara, de 
fato, delito de dano (Código Penal, art. 163, caput). 
Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações. 
a) Em face da nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pelo juiz? 
b) Caso a nova capitulação jurídica do fato fosse verificada apenas em segunda instância, seria possível a 
aplicação do instituto da emendatio libelli? 
 
6.2) MUTATIO LIBELLI – Art. 384 CPP 
Aqui não ocorre simples emenda na acusação, mediante correção na tipificação 
legal, mas verdadeira mudança, com alteração na narrativa acusatória. Assim, a mutatio libelli implica o 
surgimento de uma prova nova, desconhecida ao tempo do oferecimento da ação penal, levando a uma 
readequação dos episódios delituosos relatados na denúncia ou queixa. 
Ex1: Um sujeito é denunciado pelo crime de furto. Ao longo da instrução, uma 
testemunha afirma ter visto o réu apontando uma arma, circunstância que não estava descrita na 
denúncia. O juiz não poderá condenar o réu pelo delito de roubo. Deverá dar vista dos autos ao Ministério 
Público, para aditamento da denúncia e inclusão da circunstância da arma, abrindo-se, após, oportunidade 
à defesa se pronunciar, procedendo-se, se for o caso, à instrução, mediante a oitiva de até 03 
testemunhas, para, somente agora, o juiz proferir sentença. 
 
 
 
 
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a) Procedimento da mutatio libelli 
Considerando a hipótese de mutatio libelli, cumpre ao juiz abrir vista dos autos 
ao Ministério Público para o aditamento da denúncia, no prazo de 05 dias, concedendo-se, após, vista dos 
autos ao defensor para se manifestar também no prazo de 05 dias (art. 384, § 2º). 
Em sendo admitido o aditamento da denúncia, o Magistrado designará nova 
audiência para inquirição de testemunhas, novo interrogatório, debates e julgamento. Nos termos do 
artigo 384, § 4º, do CPP, na hipótese de aditamento, cada parte poderá arrolar até três testemunhas. 
Conforme o artigo 384, § 4º, ao sentenciar o feito, o juiz ficará adstrito aos 
termos do aditamento recebido, ou seja, não poderá condenar o réu além dos limites do aditamento. 
b) Exclusividade dos crimes de ação pública 
Veda a lei que o juiz tome qualquer iniciativa para o aditamento da queixa, em 
ação exclusivamente privada, pois a iniciativa é sempre da parte ofendida, além de não viger, nesse caso, 
o princípio da obrigatoriedade da ação penal, cujo controle é de ser feito tanto pelo promotor, quanto pelo 
magistrado. 
Ao contrário, regendo a ação privada exclusiva o princípio da oportunidade, não 
cabe qualquer iniciativa nesse sentido pelo órgão acusador. Aliás, se o querelante, por sua própria ação, 
desejar aditar a queixa, em ação privada exclusiva, deve levar em conta o prazo decadencial de seis 
meses. 
c) Impossibilidade de aplicação da mutatio libelli em grau recursal 
A mutatio libelli se aplica somente em 1ª instância, não sendo possível aplicar tal 
procedimento em 2ª instância (Tribunal de Justiça). É o que diz a Súmula 453 do STF. 
 
Súmula 453 STF: “Não se aplicam à segunda instância o Art. 384 e parágrafo único 
do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato 
delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou 
implicitamente, na denúncia ou queixa.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 1 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz no 
dia da prova geral da 2ª fase) 
Jorge, com 21 anos de idade, reincidente, natural de São Gonçalo/RJ, entrou em uma briga com seus pais, 
razão pela qual foi morar na casa de sua tia Marta, irmã de seu pai, na cidade de Maricá/RJ, já que esta tinha 
apenas 40 anos e “o entenderia melhor”. Após 06 meses residindo no mesmo local que sua tia, Jorge subtraiu o 
carro de Marta, levando-o para uma favela em Niterói, onde pretendia morar no futuro. No começo, Marta não 
desconfiou da autoria, porém após alguns dias, teve certeza de que o autor do crime era seu sobrinho, mas 
nada fez para vê-lo responsabilizado criminalmente, em razão do afeto que tinha por ele. Apenas, então, 
comunicou à seguradora que seu veículo fora furtado. Jorge, 01 ano após esses fatos, estava na direção do 
veículo que havia subtraído quando foi abordado por policiais militares que, constatando que aquele bem era 
produto de crime pretérito, realizaram sua prisão em flagrante. Jorge foi denunciado pela prática do crime de 
receptação, mas, no curso da instrução, foi descoberto que, na verdade, o acusado era o autor do crime de 
furto. O Ministério Público aditou a denúncia para adequá-la às novas descobertas e, após manifestação da 
Defensoria Pública, foi o aditamento recebido. Não houve requerimento de novas provas. Jorge o(a) procura 
para, na condição de advogado(a), apresentar as Alegações Finais. 
Considerando as informações extraídas da hipótese, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a principal tese defensiva a ser formulada nas Alegações Finais para evitar a condenação de Jorge? 
(Valor: 0,65) 
B) Na condição de advogado(a) do acusado, o que você alegaria, no campo processual, caso o juiz viesse a 
condenar Jorge, após o aditamento, de acordo com a imputação original de receptação? (Valor: 0,60) Obs.: o 
examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
QUESTÃO 3 - VIII OAB 
João e José foram denunciados pela práticada conduta descrita no art. 316 do CP (concussão). Durante a 
instrução, percebeu-se que os fatos narrados na denúncia não corresponderiam àquilo que efetivamente teria 
ocorrido, razão pela qual, ao cabo da instrução criminal e após a respectiva apresentação de memoriais pelas 
partes, apurou-se que a conduta típica adequada seria aquela descrita no art. 317 do CP (corrupção passiva). O 
magistrado, então, fez remessa dos autos ao Ministério Público para fins de aditamento da denúncia, com a 
nova capitulação dos fatos. Nesse sentido, atento(a) ao caso narrado e considerando apenas as informações 
contidas no texto, responda fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) Estamos diante de hipótese de mutatio libelli ou de emendatio libelli? Qual dispositivo legal deve ser 
aplicado? (Valor: 0,50) 
B) Por que o próprio juiz, na sentença, não poderia dar a nova capitulação e, com base nela, condenar os réus? 
(Valor: 0,50) 
C) É possível que o Tribunal de Justiça de determinado estado da federação, ao analisar recurso de apelação, 
proceda à mutatio libelli? (Valor: 0,25) 
 
 
 
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QUESTÃO 3 – 2009-03 
 Júlio foi denunciado pela prática do delito de furto cometido em fevereiro de 2010. Encerrada a instrução 
probatória, constatou-se, pelas provas testemunhais produzidas pela acusação, que Júlio praticara roubo, dado 
o emprego de grave ameaça contra a vítima. 
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações. 
a) Dada a nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pela autoridade judicial, sem que 
se fira o princípio da ampla defesa? 
b) O princípio da correlação é aplicável ao caso concreto? 
c) Caso Júlio tivesse cometido crime de ação penal exclusivamente privada, dada a nova definição jurídica do 
fato narrado na queixa após o fim da instrução probatória, seria aplicável o instituto da mutatio libelli? 
 
 
 
 
 
 
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EMENDATIO LIBELLI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MUTATIO LIBELLI 
 
 
Ex. Se o Juiz condenar o réu direto, mesmo sabendo de fato novo, não descrito na denúncia, 
haverá nulidade, devendo ser arguida, em termos de peça, em preliminar de apelação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DENÚNCIA 
FATOS 
SENTENÇA 
Princípio da Correlação 
e 
Congruência 
MP relato dos fatos 
+ 
definição jurídica 
 
Não há fatos novos 
+ 
Definição jurídica diversa 
FATO NOVO 
 
(não descrito na denúncia) 
 
 
 
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a) concessão, negativa ou revogação da suspensão condicional da pena (inc. XI), 
lembrando que, quando a concessão ou negativa se der na sentença condenatória, 
cabe apelação; 
b) concessão, negativa ou revogação do livramento condicional (XII); 
c) decisão sobre unificação de penas (XVII); 
d) Decisões relativas a medidas de segurança (XIX, XX, XXI, XXII e XXIII). 
e) Conversão da multa em detenção ou em prisão simples (art. 581, XXIV). 
A hipótese deixou de subsistir após a Lei 9.268/96, que modificou o art. 51 do CP. 
 CAPÍTULO V - RECURSOS 
1) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
1.1) BASE LEGAL 
 
1.2) NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
É o recurso cabível contra decisões interlocutórias, quando se tratar de hipótese 
expressamente prevista em lei (arts. 581 a 592). 
O rol de hipóteses do recurso em sentido estrito é taxativo, sendo cabível, 
portanto, somente nas hipóteses do artigo 581 do CPP, podendo, eventualmente, ser adotada interpretação 
extensiva, que não desborde sobremaneira da natureza da decisão recorrida, como, por exemplo, recurso 
em sentido estrito contra decisão rejeitou o aditamento próprio da denúncia ou queixa. 
Convém registrar que algumas decisões que constam no rol do artigo 581 não 
comportam mais recurso em sentido estrito, passando a ser cabível agravo em execução: 
 
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Base legal: art. 581 do CPP 
5
 
 
 
 
 
 
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1.3) HIPÓTESES DE CABIMENTO 
 
Cabe recurso em sentido da decisão que rejeitar a denúncia ou queixa, por conta 
da incidência de uma das hipóteses do artigo 395 do CPP. 
De regra, do recebimento da denúncia não cabe qualquer recurso, apenas 
impetração de Habeas corpus, ante a absoluta falta de previsão legal. 
 
O STF firmou entendimento, por meio da Súmula 707 do STF, no sentido de 
que: “Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao 
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo”. 
QUESTÃO 4 – EXAME V – OAB 
João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do 
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de 
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes, a 
saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de 
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de João, 
os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece ao seu 
escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis. Você, como 
profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime ao juízo 
competente no dia 18/7/11. O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-
a, afirmando tratar-se de clara Decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão 
foi publicada dia 25 de julho de 2011. Com base somente nas informações acima, responda: 
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30) 
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30) 
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30) 
d) Qual é a tese defendida? (0,35) 
 
 
É o caso do reconhecimento ex officio da incompetência pelo próprio juiz, que 
determina a remessa dos autos ao juízo competente, nos termos do art. 109 do CPP. Se o juiz se dá por 
incompetente, acolhendo exceção (caso de incompetência relativa), aplica-se o inciso III do artigo 581. 
II) Da decisão que concluir pela incompetência do juízo: 
 
I) Da sentença que não receber/rejeitar a denúncia ou queixa 
 
DICA: No caso das infrações penais de competência do juizado especial 
criminal, não cabe recurso em sentido estrito da decisão que rejeitar a 
denúncia ou queixa, mas apelação, com prazo de 10 dias (art. 82, caput, 
da Lei 9.099/95). 
 
 
 
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No procedimento do júri, da decisão de desclassificação do fato para crime não 
doloso contra a vida (art. 419 do CPP), cabe recurso em sentido estrito com base neste inciso, pois o juiz 
estará, em última análise, concluindo pela incompetência do Tribunal do Júri para julgar a causa. 
Da decisão do juiz dando-se por competente não cabe qualquer recurso, 
podendo a parte prejudicada intentar apenas habeas corpus. 
 
Recurso voltado para a acusação. 
O art. 95 do CPP enumera as cinco exceções oponíveis, a saber: suspeição, 
incompetência do juízo, litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada. 
Note-se que o cabimento do recurso em sentido estrito está restrito à decisão 
que acolher a exceção oposta pelo réu, ou seja, julgar procedente a exceção. Se rejeitada a exceção, a 
decisão é irrecorrível, podendo ensejar eventual HC. 
Acolhida ou rejeitada a exceção de suspeição, não cabe qualquer recurso, pois 
não se pode forçar o juiz que se considera suspeito a julgar a causa. 
 
A decisão de pronúncia trata-se de uma decisão interlocutória mista não 
terminativa,que encerra uma fase do procedimento, sem julgar o mérito, isto é, sem declarar o réu 
culpado. 
A decisão de impronúncia, com a edição da Lei 11689/2008, passou a comportar 
o recurso de apelação (art. 416). 
 
Nessa parte, a lei prevê tanto situação favorável ao réu quanto desfavorável. 
Assim, concedida a fiança ou fixado um valor muito baixo, pode o MP recorrer. Negada, cassada ou 
considerada inidônea, cabe ao acusado apresentar o seu inconformismo. 
Por outro lado, quando o juiz conceder liberdade provisória, pode o MP recorrer, 
mas não cabe RESE para o réu que tem o seu pedido de liberdade provisória negado, sendo possível o 
habeas corpus. 
Finalmente, quando a prisão, por ser ilegal, mereça ser relaxada, caso o juiz o 
faça, proporciona ao MP a interposição de recurso em sentido estrito. Quando houver a negativa ao 
relaxamento, pode-se impetrar habeas corpus. 
 
V) Da decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir 
requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou relaxar a 
prisão em flagrante: 
 
IV) Da decisão que pronunciar 
III) Da decisão que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição 
 
 
 
 
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Essa decisão era impugnada por recurso em sentido estrito. Com a edição da Lei 
11689/2008, o recurso cabível passou a ser apelação. 
 
São situações desfavoráveis ao réu, sendo-lhe permitido o recurso em sentido 
estrito, porque, realmente, são decisões interlocutórias, merecedoras do duplo grau de jurisdição. 
Entretanto, quando houver o quebramento, implicando a obrigação de se 
recolher à prisão, poder dar ensejo à impetração de HC. 
 
Trata-se de sentença terminativa de mérito, isto é, que encerra o processo com 
julgamento do mérito, sem absolver ou condenar o réu. 
Cabe recurso em sentido estrito contra a decisão terminativa que, no processo de 
conhecimento, declara extinta a punibilidade do acusado. 
O recurso em sentido estrito relativo a este inciso tem aplicação residual, ou seja, 
somente é cabível nos casos em que a extinção da punibilidade não tenha ocorrido no corpo da sentença 
ou no âmbito da Vara de Execuções Criminais. 
Com efeito, se ocorrer a extinção da punibilidade no corpo da sentença penal, o 
recurso cabível será o de apelação, conforme dispõe o art. 593, § 4º, CPP. Ex: imagine que o réu esteja 
sendo processado por dois delitos. O Juiz absolve o réu pela prática de um deles e declara a prescrição em 
relação ao outro. Nesse caso, o recurso do MP ou assistente à acusação (na inércia do MP) será o de 
apelação, com base no artigo 593, I, do CPP, inclusive em relação à decisão que decretou a prescrição. É o 
que se extrai do artigo 593, § 4º, do CPP 
Quando a decisão for proferida no curso da execução criminal, o recurso cabível 
é o agravo da execução, previsto no art. 197 da LEP. 
Nesse sentido, somente cabe recurso em sentido estrito quando a decisão de 
extinção da punibilidade for proferida fora do âmbito da sentença penal e da execução criminal. Ex: 
Extinção da punibilidade no curso do processo em face da prescrição do crime (art. 107, inciso IV, do CP). 
Salienta-se que essa legitimidade é supletiva, ou seja, o assistente somente 
poderá recorrer se o Ministério Público não interpuser recurso. 
 
 
VIII) Da decisão que decreta a prescrição ou julga, por outro modo, extinta a punibilidade do 
acusado 
 
VII) Da decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor 
 
VI) Absolvição sumária (REVOGADO) 
 
 
 
 
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* Absolvição sumária pela extinção da punibilidade (art. 397, inciso IV, do CPP) 
Diante da previsão legal atípica no sentido de considerar a possibilidade de 
sentença absolutória na hipótese de causa extintiva da punibilidade, parte da doutrina passou a aventar a 
possibilidade de interposição do recurso de apelação contra tal decisão. 
Assim, diante do paradoxo criado pelo legislador, o entendimento doutrinário 
prevalente é no sentido de que o juiz deverá, simplesmente, declarar a causa extintiva de punibilidade, 
independentemente do veredicto absolutório, ou seja, declara a causa extintiva de punibilidade e 
simplesmente absolve o réu, com base no artigo 397, inciso IV, do CPP, cabendo, contra essa decisão, 
recurso em sentido estrito. 
 
É a contraposição do inciso anterior. Negada a extinção da punibilidade, o 
processo seguirá seu curso normal. Trata-se, portanto, de decisão interlocutória simples. Diante da 
previsão expressa da lei, caberá recurso em sentido estrito. 
Da mesma forma do inciso anterior, o recurso em sentido estrito contra decisão 
que indeferir pedido de extinção de punibilidade somente poderá ser manejado de forma residual, ou seja, 
quando a decisão não ocorrer na própria sentença condenatória (cabendo apelação) ou em sede de 
execução criminal (quando será cabível agravo em execução). 
Convém ressaltar que o Código de Processo Penal, especificamente no artigo 
648, inciso VII, prevê a possibilidade de impetração de habeas corpus quando incidente causa de extinção 
da punibilidade. Nesse sentido, a regra deverá ser o uso do RSE, uma vez que o habeas corpus não deve 
ser usado como sucedâneo de recurso. 
Todavia, em caso de evidente constrangimento ilegal, na qual o reconhecimento 
da causa extintiva de punibilidade não reclama aprofundamento da prova, afigura-se possível – e na 
prática é a providência mais comum – a adoção do habeas corpus.55 
 
O dispositivo refere-se à decisão do juiz de primeira instância, da qual, na 
hipótese de concessão, cabe também recurso ex officio (art. 574, I). 
No caso de decisão denegatória proferida em única ou última instância, pelos 
Tribunais Regionais Federais e pelos tribunais dos Estados, caberá recurso ordinário para o STJ (art. 105, 
II, “a”, CF). 
Se a decisão denegatória for proferida em única instância (somente em única 
instância) pelos tribunais superiores, caberá recurso ordinário ao STF (art. 102, II, “a”). 
 
55 STJ, HC 91.115/RJ, DJ 04.08.2008. 
X) Da decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus 
IX) Da decisão que indeferir pedido de extinção de punibilidade 
 
 
 
 
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No caso da decisão encontrar-se embutida em sentença condenatória, cabe 
apelação. Após o trânsito em julgado da condenação, cabe agravo em execução (art. 197 da LEP). Assim, 
esse dispositivo tem aplicação prejudicada. 
Além disso, se o “sursis” for concedido ou negado na sentença, caberá apelação, 
por conta do disposto no artigo 593, § 4º, do CPP. 
 
Cabe agravo em execução, estando o dispositivo em questão revogado (art. 197 
da LEP). 
 
Reconhecida essa hipótese, que é típica decisão interlocutória, cabe à parte 
inconformada em ter que reiniciar a instrução ou reproduzir determinados atos, impugnar a decisão 
anulatória pelo recurso em sentido estrito. 
De outro lado, se condenado, nada impede que o interessado argua a nulidade 
em preliminar de eventual recurso de apelação. 
Por interpretação extensiva ao artigo 581, inciso XIII, do CPP, é cabível o recurso 
em sentido estrito contra decisão que declarar ilícita a prova juntada aos autos. 
 
Tendo em vista a imparcial formação da lista de jurados, o procedimento deve 
ser de conhecimento geral, publicando-se o resultado final na imprensa e afixando-se no fórum. Logo, é 
possível que qualquer pessoa questione a idoneidade de um jurado, incluído na lista (art. 426, § 1º). 
Nesse caso, pode o juiz, acolhendo petição da parte interessada, excluí-lo da 
lista, o que dá margem ao inconformismo daquele que foi extirpado. Por outro lado, a inclusão de alguém, 
impugnada e mantida pelo magistrado, dá lugar à interposição de recurso em sentido estrito. Nesse caso, 
em caráter excepcional,segue o recurso ao Presidente do TJ. 
Excepcionalmente, em relação a essa decisão, o prazo para interpor o recurso é 
de 20 dias, devendo ser dirigido ao Presidente do Tribunal de Justiça. 
 
No caso da apelação, o juízo de prelibação (admissibilidade) deve ser feito tanto 
na primeira quanto na instância superior. Assim, o juiz a quo pode deixar de receber o apelo (o que 
equivale a denegá-lo), se entender não preenchido algum pressuposto recursal objetivo ou subjetivo. 
XV) Da decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta 
 
XIV) Da decisão que incluir ou excluir jurado na lista geral 
 
XIII) Da decisão que anular a instrução criminal no todo ou em parte 
 
XII) Da decisão que conceder, negar ou revogar livramento condicional (REVOGADO) 
 
XI) Da decisão que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena 
 
 
 
 
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Nessa hipótese, cabe recurso em sentido estrito contra o despacho denegatório 
da apelação. Note-se que o recurso não se volta contra a sentença apelada, mas exclusivamente contra o 
despacho que negou seguimento à apelação. 
 
As questões prejudiciais estão previstas nos artigos 92 e 93 do CPP. 
Questão prejudicial é aquela que deve ser decidida antes do julgamento da 
questão principal de forma definitiva, no mesmo ou em outro processo com ela relacionado. 
Exemplo de prejudicialidade obrigatória: ação de anulação de casamento no 
crime de bigamia. Deve-se primeiro definir a questão da anulação de um dos casamentos, para depois 
resolver o mérito do delito de bigamia. 
Exemplo de prejudiciais facultativa: a verificação do direito de propriedade nos 
crimes de furto, estelionato; da posse, no de esbulho e invasão de domicílio, etc. 
Se o juiz determinar a suspensão do processo para solução da questão 
prejudicial, obrigatória ou facultativa, cabe recurso em sentido estrito. 
 
O incidente de falsidade está previsto no artigo 145 a 148 do CPP. 
 
1.4) PRAZO – ART. 586 E 588 
 
O recurso em sentido se procede em dois momentos distintos, um para 
interposição (fundamental para atestar a tempestividade) e outro para apresentação das razões. Ou seja, 
via de regra, primeiro o recorrente interpõe o recurso, o juiz recebe e, após, determina a intimação para 
oferecimento das razões (ressalta-se, contudo, que, para fins de EXAME OAB, a peça de interposição e as 
razões de recurso são apresentadas simultaneamente). 
 
 
 
XVII) que decidir o incidente de falsidade 
 
XVI) que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial; 
 
 
 
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125 
 
1.5) LEGITIMIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Ministério Público, o querelante (ação penal privada), a defesa, o próprio réu e, 
ainda, o assistente de acusação podem interpor recurso em sentido estrito. 
OBS: O assistente de acusação poderá recorrer em sentido estrito somente da 
decisão que “decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade”, nos termos do art. 
584, § 1º, c/c art. 581, VIII, já que tal decisão impede a formação de título executivo para eventual 
reparação do dano. 
O assistente de acusação pode ser habilitado nos autos, hipótese que, nessa 
condição, será intimado de todos os atos e poderá recorrer, caso não o faça o Ministério Público, no prazo 
de 05 dias. 
No caso de assistente de acusação não habilitado, considerando que ainda 
não tinha tomado ciência dos atos praticados no processo e, portanto, não foi intimado das decisões, terá 
o prazo de 15 dias para interpor o recurso em sentido estrito (art. 584, §1º, c/c 598, parágrafo único, do 
CPP). 
A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a 
regra disposta na Súmula 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, 
começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEGITIMADOS 
 
 
MINISTÉRIO PÚBLICO 
 
QUERELANTE 
 
DEFESA 
 
PRÓPRIO RÉU 
 
ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO 
LlellLLEJDJDJ 
 
Ver súmula 448 do STF 
 
 
 
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126 
 
1.6) COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO 
A interposição do recurso deve ser dirigida ao juiz de primeiro grau que 
proferiu a decisão, para que este possa rever a decisão, em sede de juízo de retratação. 
As razões de recurso devem ser endereçadas ao Tribunal competente 
(Tribunal de Justiça, se da competência da Justiça Comum Estadual; ou Tribunal Regional Federal, se da 
competência da Justiça Federal). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.7) EFEITO REGRESSIVO 
Na hipótese de manutenção da decisão recorrida, ou, ainda, se houver retratação 
e agora a outra parte impugnar a nova decisão, o recurso passará a ter efeito devolutivo, devolvendo a 
discussão de toda a matéria ao Tribunal Competente. 
Além do efeito devolutivo, o RESE possui efeito regressivo, uma vez que a 
interposição do recurso obriga o juiz que prolatou a decisão recorrida a reapreciar a questão, mantendo-a 
ou reformando-a, conforme dispõe o artigo 589, “caput”, do CPP. 
INTERPOSIÇÃO 
LlellLLEJDJDJ 
 
RAZÕES 
 
LlellLLEJDJDJ 
 
JUÍZO DE 1ª GRAU 
LlellLLEJDJDJ 
 
TRIBUNAL COMPETENTE 
LlellLLEJDJDJ 
 
Excelentíssimo Senhor Doutor 
Juiz de Direito da Vara do 
Tribunal do Júri da Comarca 
se crime doloso contra a vida da 
competência da Justiça Estadual 
 
Excelentíssimo Senhor Doutor 
Juiz Federal da Vara do 
Tribunal do Júri da Secção 
Judiciária 
se crime doloso contra a vida da 
competência da Justiça Federal 
Excelentíssimo Senhor Doutor 
Juiz de Direito da Vara 
Criminal da Comarca 
se crime da competência 
da Justiça Estadual 
Excelentíssimo Senhor Doutor 
Juiz Federal da Vara Criminal 
da Secção Judiciária de 
se crime da competência 
da Justiça Federal 
Egrégio Tribunal de Justiça 
Colenda Câmara 
Egrégio Tribunal Regional 
Federal 
Colenda Turma 
Egrégio Tribunal de Justiça 
Colenda Câmara 
Egrégio Tribunal Regional 
Federal 
Colenda Turma 
 
 
 
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127 
 
PEÇA: 
 RECURSO EM SENTIDO 
ESTRITO 
PALAVRA MÁGICA: 
DECISÃO DE PRONÚNCIA 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
No tocante ao efeito regressivo do recurso: recebendo os autos, o juiz, 
dentro de dois dias, reformará ou sustentará a sua decisão, mandando instruir o recurso com as cópias 
que lhe parecerem necessárias. A falta de manifestação do juiz importa em nulidade, devendo o tribunal 
devolver os autos para esta providência. O juízo de retratação será sempre fundamento. A fundamentação 
deficiente do juiz também obriga o tribunal a convencer o julgamento em diligência para esse fim. 
Se o juiz mantiver o despacho, remeterá os autos à instância superior; se 
reformá-la, o recorrido, por simples petição, e dentro do prazo do prazo de cinco dias, poderá requerer a 
subida dos autos. O recorrido deverá ser intimado, no caso de retratação do juiz. 
1.8) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO CONTRA DECISÃO DE PRONÚNCIA 
I) BASE LEGAL 
Se for recurso em sentido estrito contra uma decisão de pronúncia, a base legal 
será o artigo 581, inciso IV, do CPP. 
 
 
 
II) IDENTIFICAÇÃO 
Se, ao final da 1ª fase do procedimento do júri, o juiz proferir uma decisão de 
pronúncia, contra essa decisão cabe recurso em sentido estrito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplo de como identificar a peça extraído RESE já cobrado pela FGV: 
XI EXAME 
“(...) Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu 
pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O advogado de Jerusa é intimado da referida 
decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira).” 
Base legal: art. 581, inciso IV, do CPP. 
 
 
 
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128 
 
III) CONTEÚDO 
Assim como nas demais peças, deve-se buscar no enunciado preliminarese mérito. 
A) Preliminares: 
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos 
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade. 
Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de 
punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às preliminares. 
B) Mérito 
Conforme abordado, nas peças práticas profissionais deverá ser desenvolvida uma 
tese que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, somente se aborda na peça aquilo que, ao 
final, poderá ser objeto de pedido. 
No caso do recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia, as teses de mérito 
guardam relação com as hipóteses que podem ensejar decisão de: a) impronúncia (art. 414 do CPP); b) 
absolvição sumária (art. 415 do CPP); c) ou desclassificação (art. 419 do CPP).56 
Eventuais teses subsidiárias podem consistir no afastamento da qualificadora e/ou de 
causa de aumento de pena. 
IV) PEDIDO 
Quando se trata de recursos, deve-se formular pedido de REFORMA da decisão e 
PROVIMENTO do recurso. 
Além disso, no campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para 
cada uma das teses desenvolvidas ao longo da peça. 
Ex. Se sustentou alguma preliminar, nulidade, por exemplo, deve-se, ao final, 
formular pedido expresso no sentido de que seja declarada a nulidade. 
No que tange ao mérito, o pedido deve guardar relação com a(s) tese(s) invocadas: 
a) Impronúncia; e/ou absolvição sumária; e/ou desclassificação. 
a) impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou 
b) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou 
c) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal. 
d) Afastamento da qualificadora ou causa de aumento de pena. 
 
56 Conteúdo abordado no capítulo que trata dos memoriais do Júri. 
 
 
 
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129 
 
1.9) ESTRUTURA DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A estrutura do RESE segue dois momentos: interposição do recurso (afirmar que 
pretende recorrer) e as razões de recurso. 
A) INTERPOSIÇÃO 
a) Endereçamento: Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri (se crime doloso contra a vida); Juiz de 
Direito da Vara Criminal (se crime não doloso contra a vida da competência da Justiça Estadual) ou Juiz 
Federal da Vara Criminal da Secção Judiciária (se crime não doloso contra a vida da competência da 
Justiça Federal) 
b) Preâmbulo: nome (qualificação), capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado), 
fundamento legal (art. 581 e um dos incisos), nome da peça (Recurso em sentido estrito), frase final 
(pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
c) juízo de retratação, conforme artigo 589 CPP (importante) 
d) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data, 
advogado e OAB) 
Obs: cuidar hipóteses de formação de instrumento e relação de peças (é na interposição que se indica e 
requer o traslado de peças para formação do instrumento). 
B) RAZÕES 
a) Endereçamento: 
Tribunal de Justiça (se da competência da Justiça Estadual); 
Tribunal Regional Federal (se da competência da Justiça Federal). 
PEÇA DE 
INTERPOSIÇÃO 
RAZÕES DO 
RECURSO 
PARA O JUIZ DE 
1º GRAU 
PARA O TRIBUNAL 
FUNDAMENTO LEGAL: 
art. 581, (indicar o inciso) 
PRAZO: 
EXCEÇÃO: 15 + 2 DIAS NOS 
CASOS DO ART. 584, § 1º 
EXCEÇÃO: 20 DIAS NOS CASOS 
DO ART. 581, XVI, CPP 
INTERPOSIÇÃO: 05 DIAS 
RAZÕES: 02 DIAS 
RECURSO 
EM 
SENTIDO 
ESTRITO 
CABIMENTO: 
Art. 581, CPP 
Art. 294, 
parágrafo 
único do CTB 
Art. 2º, III do 
DECRETO-LEI 
Nº 201/67 
 
 
 
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130 
 
b) identificação: recorrente, recorrido, nº processo 
c) saudação: 
Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara 
Justiça Federal: Egrégio Tribunal Regional Federal – Colenda Turma 
d) corpo da peça (I. DOS FATOS: breve relato; II. DO DIREITO: preliminares e mérito) 
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico 
f) parte final: Nestes termos, pede deferimento; local, data e OAB 
 
ESTRUTURA DA PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO AO JUIZ DE 1º GRAU 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
COMARCA........ (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA........ (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA COMARCA ........(SE 
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA 
DE........(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)57 
 
Processo nº .... 
 
 
FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, 
inconformado com a decisão de fls., interpor o presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no 
artigo 581, (indicar o inciso), do Código de Processo Penal. 
Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos 
termos do artigo 589 do Código de Processo Penal58. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o 
presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal59, para o 
devido processamento. 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento 
 
Local..., data...60. 
____________________ 
Advogado... 
OAB... 
 
57 Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88 
58 IMPORTANTÍSSIMO FAZER REFERÊNCIA AO JUÍZO DE RETRATAÇÃO PREVISTO NO ARTIGO 589 CPP 
59 conforme competência seja da Justiça Estadual ou Federal 
60 CUIDAR QUANDO O ENUNCIADO PEDIR O ÚLTIMO DIA DO PRAZO RECURSAL 
 
 
 
 
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131 
 
RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO: ENDEREÇAMENTO AO TRIBUNAL 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL 
Recorrente: Fulano de Tal 
Recorrido: Ministério Público 
Processo nº... 
 
RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
 
Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal 
 Colenda Câmara ou Colenda Turma (se Justiça Federal) 
 
I) DOS FATOS61 
II) DO DIREITO 
A) DAS PRELIMINARES 
B) DO MÉRITO 
Ex: Se for RESE contra decisão de pronúncia, seguem hipóteses: 
Mérito para pedido de impronúncia (art. 414 CPP) 
Mérito para pedido de absolvição sumária (art. 415 CPP) 
Mérito para pedido de desclassificação (art. 419 CPP)62 
C) SUBSIDIARIEDADE 
* Afastar qualificadora e/ou causa de aumento de pena 
III) DO PEDIDO63 
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a REFORMA 
DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que: 
a) sejam reconhecidas as preliminares invocadas64 
b) seja o réu impronunciado, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou 
Seja o réu absolvido sumariamente, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou 
Seja desclassificado o delito, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao 
juízo competente. 
c) Seja afastada a qualificadora e/ou causa de aumento de pena. 
Local... e data... 
 
 
Advogado... 
OAB... 
 
61 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o enunciado). 
62 Atentar para possibilidade de adoção de teses envolvendo nexo de causalidade (art. 13, § 1º, CP) e desistência voluntária e 
arrependimentoeficaz (art. 15), já que podem resultar em fatos que não se coadunam com crimes dolosos contra a vida, persistindo, 
por exemplo, como crime remanescente lesão corporal leve, grave ou gravíssima, levando, por conseguinte, à desclassificação do delito 
e declinação de competência. 
63 CONFORME O ENUNCIADO DA PEÇA OU DA QUESTÃO, OS PEDIDOS PODEM SER CUMULATIVOS 
64 Referir novamente todas as preliminares, articulando o pedido na ordem que foram invocadas. 
 
 
 
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132 
 
PEÇA PRÁTICO-PROCESSUAL - XI EXAME OAB 
Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas 
respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua 
frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa 
não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir 
Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a 
presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece 
em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das 
investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do 
delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos 
do CP). Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia 
causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito 
em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos 
em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão 
devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O 
advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira). 
Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível 
e date-o com o último dia do prazo para a interposição. 
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. 
 
QUESTÃO 04 – XXV EXAME APLICADO EM PORTO ALEGRE/RS 
Vitor efetuou disparos de arma de fogo contra José, com a intenção de causar sua morte. Ocorre que, por 
erro durante a execução, os disparos atingiram a perna de seu inimigo e não o peito, como pretendido. 
Esgotada a munição disponível, Vitor empreendeu fuga, enquanto José solicitou a ajuda de populares e 
compareceu, de imediato, ao hospital para atendimento médico. Após o atendimento médico, já no quarto 
com curativos, enquanto dormia, José vem a ser picado por um escorpião, vindo a falecer no dia seguinte 
em razão do veneno do animal, exclusivamente. Descobertos os fatos, considerando que José somente 
estava no hospital em razão do comportamento de Vitor, o Ministério Público oferece denúncia em face do 
autor dos disparos pela prática do crime de homicídio consumado, previsto no Art. 121, caput, do Código 
Penal. Após regular prosseguimento do feito, na audiência de instrução e julgamento da primeira fase do 
procedimento do Tribunal do Júri, quando da oitiva das testemunhas, o magistrado em atuação optou por 
iniciar a oitiva das testemunhas formulando diretamente suas perguntas, sem permitir às partes 
complementação. Após alegações finais orais das partes, o magistrado proferiu decisão de pronúncia. 
Apesar da impugnação da defesa quanto à formulação das perguntas pelo juiz, o magistrado esclareceu 
que não importaria quem fez a pergunta, pois as respostas seriam as mesmas. Com base apenas nas 
informações narradas, na condição de advogado(a) de Vitor, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da decisão proferida pelo magistrado e qual argumento de direito processual 
pode ser apresentado em busca da desconstituição de tal decisão? Justifique. (Valor: 0,65) 
 
 
 
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133 
 
B) Existe argumento de direito material a ser apresentado, em momento oportuno, para questionar a 
capitulação jurídica apresentada pelo Ministério Público? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
QUESTÃO 3 - IX EXAME OAB 
Mário está sendo processado por tentativa de homicídio uma vez que injetou substância venenosa em 
Luciano, com o objetivo de matá-lo. No curso do processo, uma amostra da referida substância foi 
recolhida para análise e enviada ao Instituto de Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de 
armazenamento e acondicionamento, a substância não fora hábil para produzir os efeitos a que estava 
destinada. Mesmo assim, arguindo que o magistrado não estava adstrito ao laudo, o Ministério Público 
pugnou pela pronúncia de Mário nos exatos termos da denúncia. Com base apenas nos fatos 
apresentados, responda justificadamente. 
A) O magistrado deveria pronunciar Mário, impronunciá-lo ou absolvê-lo sumariamente? (Valor: 0,65) 
B) Caso Mário fosse pronunciado, qual seria o recurso cabível, o prazo de interposição e a quem deveria 
ser endereçado? (Valor: 0,60) 
 
QUESTÃO 4 - 2010-03 
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado, guiava seu 
automóvel tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o trajeto, o casal começa a 
discutir asperamente, o que faz com que Caio empreenda altíssima velocidade ao automóvel. Muito 
assustada, Madalena pede insistentemente para Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade 
não seria possível controlar o automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em 
direção e refutando qualquer possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge um 
buraco e, em razão da velocidade empreendida, acaba se desgovernando, vindo a atropelar três pessoas 
que estavam na calçada, vitimando-as fatalmente. Realizada perícia de local, que constatou o excesso de 
velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que relataram à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, 
Caio foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio na modalidade de dolo 
eventual, três vezes em concurso formal. Recebida a denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada 
ao Tribunal do Júri da localidade e colhida a prova, o Ministério Público pugnou pela pronúncia de Caio, 
nos exatos termos da inicial. 
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens a seguir, empregando 
os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte? (Valor: 0,4) 
b) Qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,3) 
c) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça de interposição 
deveria ser dirigida? (Valor: 0,3) 
 
 
 
 
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134 
 
 
QUESTÃO 03 – OAB – 2010-02 
Pedro, almejando a morte de José, contra ele efetua disparo de arma de fogo, acertando-o na região 
toráxica. José vem a falecer, entretanto, não em razão do disparo recebido, mas porque, com intenção 
suicida, havia ingerido dose letal de veneno momentos antes de sofrer a agressão, o que foi comprovado 
durante instrução processual. Ainda assim, Pedro foi pronunciado nos termos do previsto no artigo 121, 
“caput”, do Código Penal. Na condição de Advogado de Pedro: 
I. Indique o recurso cabível; 
II. O prazo de interposição; 
III. A argumentação visando à melhoria da situação jurídica do defendido. 
Indique, ainda, para todas as respostas, os respectivos dispositivos legais.* VER RAZÕES E CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO NA PASTA DAS 
AULAS COMPLEMENTARES 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 97. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 101 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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135 
 
2) APELAÇÃO 
 
2.1) CONCEITO 
É o recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a 
segunda instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a consequente modificação 
parcial ou total da decisão. 
2.2) IDENTIFICAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos de como identificar a peça extraídos de apelações já cobradas pela FGV: 
 
XXV EXAME – PEÇA – PROVA APLICADA EM PORTO ALEGRE 
Durante a instrução, todos os fatos acima descritos são confirmados pelas testemunhas, não tendo sido o réu 
interrogado, já que, apesar de intimado, apresentou problemas de saúde no dia e não pôde comparecer à 
audiência. Ainda durante a audiência de instrução e julgamento, após a instrução, as partes apresentaram suas 
alegações, sendo consignado pela defesa o inconformismo com a ausência do réu, já que foi apresentado 
atestado médico, e, em seguida, o juiz proferiu sentença condenatória nos termos da denúncia, 
condenando o agente pela prática dos dois delitos em suas modalidades consumadas. No momento de fixar a 
pena-base, aumentou o magistrado a pena do estelionato em 02 meses, destacando que o comportamento de 
Breno não deixa qualquer dúvida de que agiu com dolo. Já a pena do uso de documento falso foi aplicada em 
seu patamar mínimo. Na segunda fase, não foram reconhecidas atenuantes, mas foi reconhecida a agravante 
da reincidência, aumentando a pena de cada um dos delitos em mais 02 meses de reclusão. No terceiro 
momento, não foram reconhecidas causas de aumento ou de diminuição. Assim, foi fixada a pena de 01 ano e 
04 meses de reclusão e 14 dias-multa, no que tange ao crime de estelionato, e 02 anos e 02 meses de reclusão 
e 12 dias-multa para o crime de falsificação de documento equiparado ao público, restando a pena final em 03 
anos e 06 meses de reclusão e 26 dias-multa. O regime inicial de cumprimento de pena aplicado pelo 
magistrado foi o semiaberto e não houve substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito, 
tudo fundamentado na reincidência do agente. Intimado da decisão, o Ministério Público apenas tomou ciência 
PEÇA: 
 RECURSO DE APELAÇÃO 
PALAVRA MÁGICA: 
SENTENÇA 
PAROU! 
PEDIU PRA PARAR 
 
 
 
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136 
 
de seu teor, não apresentando qualquer medida. Já a defesa técnica de Breno foi intimada de seu teor 
em 06 de dezembro de 2017, quarta-feira, sendo quinta-feira dia útil em todo o país. Considerando 
apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Breno, redija a peça jurídica cabível, diferente 
de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá 
ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) 
 
XXII EXAME 
Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena-base, 
reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação julgada procedente em face de 
Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 meses de reclusão. Não foram reconhecidas 
agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado em 1/3 a pena, justificando ser 
desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor 
causado à vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em 4 (quatro) 
anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado que o crime 
de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o 
Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na condição de 
advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos autos, a intimação da sentença pela defesa ocorreu 
em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país. 
 
XVIII EXAME 
No dia 25 de junho de 2015 foi proferida sentença pelo juízo competente, qual seja a 1ª Vara Criminal da 
Comarca de Natal, condenando Caio à pena privativa de liberdade de 10 anos e 06 meses de reclusão, a ser 
cumprida em regime inicial fechado. Na sentença consta que a pena base de cada um dos crimes deve ser 
aumentada em seis meses pelo fato de Caio possuir maus antecedentes, já que ostenta em sua FAC duas 
condenações pela prática de crimes, e mais 06 meses pelo fato de o acusado ter desrespeitado a liberdade 
sexual da mulher, um dos valores mais significativos da sociedade, restando a sanção penal da primeira fase 
em 07 anos de reclusão, para cada um dos delitos. Na segunda fase, não foram reconhecidas atenuantes ou 
agravantes. Afirmou o magistrado que atualmente é o réu maior de 21 anos, logo não estaria presente a 
atenuante do Art. 65, inciso I, do CP. Ao analisar o concurso de crimes, o magistrado considerou a pena de um 
dos delitos, já que eram iguais, e aumentou de 1/2 (metade), na forma do Art. 71 do CP, justificando o 
acréscimo no fato de ambos os crimes praticados serem extremamente graves. Por fim, o regime inicial para o 
cumprimento da pena foi o fechado, justificando que, independente da pena aplicada, este seria o regime 
obrigatório, nos termos do Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90. Apesar da condenação, como Caio respondeu ao 
processo em liberdade, o juiz concedeu a ele o direito de aguardar o trânsito em julgado da mesma forma. Caio 
e sua família o (a) procuram para, na condição de advogado (a), adotar as medidas cabíveis, destacando que 
 
 
 
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2ª Fase 
 
137 
 
estão insatisfeitos com o patrono anterior. Constituído nos autos, a intimação da sentença ocorreu em 07 de 
julho de 2015, terça-feira, sendo quarta-feira dia útil em todo o país. 
 
XIII EXAME 
O Juiz, então, proferiu sentença em audiência condenando Diogo pela prática do crime de violação de 
domicílio em concurso material com o crime de furto qualificado pela escalada. Para a dosimetria da pena o 
magistrado ponderou o fato de que nenhum dos bens subtraídos fora recuperado. Além disso, fez incidir a 
circunstância agravante da reincidência, pois considerou que a condenação de Diogo pelo crime de estelionato 
o faria reincidente. O total da condenação foi de 4 anos e 40 dias de reclusão em regime inicial semi-aberto e 
multa à proporção de um trigésimo do salário mínimo. Por fim, o magistrado, na sentença, deixou claro que 
Diogo não fazia jus a nenhum outro benefício legal, haja vista o fato de não preencher os requisitos para tanto. 
A sentença foi lida em audiência. O advogado(a) de Diogo, atento(a) tão somente às informações descritas no 
texto, deve apresentar o recurso cabível à impugnação da decisão, respeitando as formalidades legais e 
desenvolvendo, de maneira fundamentada, as teses defensivas pertinentes. O recurso deve ser datado com 
o último dia cabível para a interposição. (Valor: 5,0) 
 
XII EXAME 
Finda a instrução criminal, o magistrado proferiu sentença em audiência. Na dosimetria da pena, o 
magistrado entendeu por bem elevar a pena base em patamar acima do mínimo, ao argumento de que o 
trânsito em julgado de outra sentença condenatória configurava maus antecedentes; na segunda fase da 
dosimetria da pena o magistrado também entendeu ser cabível a incidência da agravante da reincidência, 
levando em conta a data do trânsito em julgadodefinitivo da sentença de estelionato, bem como a data do 
cometimento do furto (ora objeto de julgamento); não verificando a incidência de nenhuma causa de aumento 
ou de diminuição, o magistrado fixou a pena definitiva em 4 (quatro) anos de reclusão no regime inicial 
semiaberto e 80 (oitenta) dias-multa. O valor do dia-multa foi fixado no patamar mínimo legal. Por entender 
que a ré não atendia aos requisitos legais, o magistrado não substituiu a pena privativa de liberdade por pena 
restritiva de direitos. Ao final, assegurou-se à ré o direito de recorrer em liberdade. O advogado da ré deseja 
recorrer da decisão. Atento ao caso narrado e levando em conta tão somente as informações contidas no 
texto, elabore o recurso cabível. (Valor: 5,0) 
 
 
 
 
 
 
 
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138 
 
2.3) CABIMENTO DA APELAÇÃO NAS SENTENÇAS DO JUIZ SINGULAR – Art. 593 
A) DAS SENTENÇAS DEFINITIVAS DE CONDENAÇÃO OU ABSOLVIÇÃO PROFERIDAS POR JUIZ 
SINGULAR (artigo 593, inciso I, do CPP) 
 
 
 
 
Cabe apelação nas sentenças definitivas de condenação ou absolvição. São as 
decisões que põe fim à relação jurídica processual, julgando o seu mérito, quer absolvendo, quer 
condenando o acusado. 
Com o advento da Lei 11.689/2008, caberá apelação contra a sentença de 
absolvição sumária (art. 416), tanto as proferidas nos processos de competência do juiz singular (art. 397), 
exceto a decisão que declara extinta a punibilidade (inciso IV do art. 397), como as proferidas nos 
processos de competência do júri, na 1ª fase do procedimento (art. 415 do CPP). 
B) DAS DECISÕES DEFINITIVAS, OU COM FORÇA DE DEFINITIVAS, PROFERIDAS POR JUIZ 
SINGULAR NOS CASOS NÃO PREVISTOS NO CAPÍTULO ANTERIOR (artigo 593, inciso II, do 
CPP) 
Cabe, ainda, apelação das sentenças que, julgando o mérito, põe fim à relação 
jurídica processual ou ao procedimento, sem, contudo, absolver ou condenar o acusado. 
Logo, no caso, consistem na hipótese de decisões interlocutórias mistas 
(definitivas ou com força de definitivas), que não integram o rol do art. 581, sendo, assim, cabível, na 
forma residual, portanto, o recurso de apelação, previsto no inciso II do art. 593. 
* DECISÕES DEFINITIVAS: também denominadas terminativas de mérito, são 
aquelas que encerram o processo, incidental ou principal, com julgamento do mérito, sem, no entanto, 
absolver ou condenar. 
Ex: procedência ou improcedência da restituição de coisa apreendida (art. 120, § 
1º); decisão que autoriza levantamento do sequestro; que concede a reabilitação. 
* DECISÕES COM FORÇA DE DEFINITIVAS: são aquelas decisões que encerram o processo, sem 
julgamento do mérito (decisão interlocutória mista terminativa) ou uma etapa procedimental (decisão 
interlocutória mista não terminativa). 
Ex: decisão de impronúncia, que é apelável (art. 416 CPP). 
2.4) PRAZO – Art. 593 e Art. 600 
O prazo para interposição é, em regra, 05 dias (art. 593), a contar da intimação, 
sendo 08 dias para arrazoar o recurso (art. 600). 
Fundamento legal: art. 593, inciso I, do CPP 
 
 
 
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139 
 
Nos termos da Súmula 710 do STF: “No processo penal, contam-se os prazos da 
data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou carta precatória ou ordem”. 
No caso do réu, devem ser intimados ele e seu defensor, iniciando-se o prazo 
após a última intimação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.5) LEGITIMIDADE DO ASSISTENTE À ACUSAÇÃO 
A legitimidade do assistente de acusação está prevista no artigo 598 do CPP. O 
assistente à acusação, pode ser: 
a) habilitado nos autos: quando já atuava nos autos, razão pela qual vinha sendo 
intimado dos atos processuais, podendo, nessa condição, interpor recurso no prazo de 05 dias. 
b) não habilitado nos autos: quando passa a atuar nos autos a partir da 
sentença, não sendo até então, portanto, intimado dos atos processuais, razão pela qual terá o prazo mais 
dilatado para interpor recurso de apelação, qual seja, 15 dias, nos termos do artigo 598, parágrafo único, 
do CPP. 
A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a 
regra disposta na Súmula 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, 
começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”. 
2.6) CONTEÚDO 
O recurso de apelação pode exigir do candidato desenvolver teses relacionadas a 
preliminares e/ou matérias de mérito. 
 
5 DIAS 
15 DIAS 
Para o assistente da 
acusação não habilitado 
10 DIAS 
No JECrim, já com as razões 
 
8 DIAS 
 
 
 
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140 
 
A) Preliminares: 
As questões preliminares são aquelas que não observam aspectos formais de 
determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade. Aqui, por questão de organização, 
recomenda-se que as causas extintivas de punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo 
destinado às preliminares. 
B) Mérito: 
Conforme já mencionado, nas peças práticas profissionais deverão ser buscadas no 
enunciado teses que, ao final, viabilizarão a formulação do correspondente pedido. Ou seja, aborda-se na peça 
aquilo que, ao final, poderá ser objeto de pedido. No caso da apelação contra decisão proferida por juiz 
singular, as teses de mérito guardam relação com as hipóteses que ensejam a absolvição, previstas no artigo 
386 do CPP. 
Considerando que o pedido de absolvição deve observar um dos incisos do artigo 386, 
a matéria de mérito consistirá, necessariamente, na discussão, acerca da materialidade, autoria, tipicidade, 
ilicitude, culpabilidade, além de teses subsidiárias, formando aquilo que convencionamos representar pela sigla 
MATICS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No XXII exame, caiu também como tese a desistência voluntária, ao passo que no 
XXV Exame, na prova aplicada em Porto Alegre, caiu princípio da consunção, com absolvição em face do crime 
meio. 
C) SUBSIDIARIEDADE65 
 
Além das preliminares e das questões de mérito, deve-se buscar no enunciado 
informações que permitam identificar alguma tese subsidiária. As teses subsidiárias consistem, basicamente, 
nas hipóteses em que, uma vez condenado, permitem ao réu ter sua situação amenizada. 
 
65 As teses subsidiárias serão estudadas com mais profundidade na aula de Direito Penal, na parte da teoria da pena. 
M 
A 
T 
I 
C 
S 
MATERIALIDADE (incisos I e II) 
 
AUTORIA (incisos IV e V) 
 
TIPICIDADE (inciso III) 
 
ILICITUDE (inciso VI) 
 
CULPABILIDADE (inciso VI) 
 
SUBSIDIARIEDADE 
 
 
 
 
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141 
 
Como forma de facilitar a identificação, convencionarmos considerar a ordem 
estabelecida no art. 59 do CP. Trata-se de espécie de checklist. 
I) na quantidade de pena: Art. 59, II: verificar o sistema trifásico (art. 68). 
* buscar pena-base no mínimo legal (afastar, por exemplo, maus antecedentes); 
* Apontar atenuantes (previstas no artigo 65 do CP); afastar agravantes (previstas no artigo 61 e 62 do CP); 
* Apontar causas de diminuição de pena (ex: tentativa – art. 14, parágrafo único, do CP); afastar causas de 
aumento de pena. 
* Afastar qualificadoras 
II) regime carcerário mais brando: Art. 59, III, do CP 
* Verificar o artigo 33 do Código Penal e artigo 2º, § 1º, da Lei 8.072/90 ( O STF declarou inconstitucional esse 
dispositivo). 
III) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos: Art. 59, IV, do CP 
* Verificar o artigo 44 do CP e artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 (ver Resolução nº 05 do Senado). 
IV) Sursis – Art. 77 do CP 
V) Desclassificação para delito mais brando. 
3.7) PEDIDO 
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma 
das teses desenvolvidas ao longo da peça. 
Ex. Se sustentou a tese da nulidade da sentença, deve-se, ao final,formular pedido 
expresso de que seja declarada a nulidade da sentença. 
Se desenvolveu tese acerca da prescrição, ao final deve formular pedido expresso de 
extinção da punibilidade, com base no artigo 107, IV, do Código Penal. 
Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias. 
Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido 
expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou, subsidiariamente, que o réu 
não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para afastar a reincidência, com a consequente 
diminuição da pena...e assim por diante... 
 
 
 
 
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142 
 
O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP. 
 
 ATENÇÃO 
 
 
 
 
3.8) ESTRUTURA DO RECURSO DE APELAÇÃO 
A estrutura do recurso de apelação segue dois momentos: interposição do recurso 
(afirmar que pretende recorrer) e as razões de recurso. 
A) INTERPOSIÇÃO – para juiz de 1º grau 
a) Endereçamento: Juiz de Direito da Vara Criminal (se crime não doloso contra a vida da competência 
da Justiça Estadual) ou Juiz Federal da Vara Criminal da Seção Judiciária (se crime não doloso contra a 
vida da competência da Justiça Federal); Juiz de Direito da Vara do Juizado Especial Criminal (se for 
infração de menor potencial ofensivo) 
b) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória 
(por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 593, inciso __, 416 se absolvição 
sumária ou impronúncia, ou artigo 82 da Lei 9.099/95, se tratar de infração de menor 
potencial ofensivo), nome da peça (Recurso de apelação), frase final (pelas fatos e fundamentos 
jurídicos a seguir expostos); 
Obs: se for apelação contra decisão do Tribunal do Júri, não esquecer de indicar o inciso contra o 
qual está recorrendo. Nesse sentido é a Súmula 713 do STF: “O efeito devolutivo da apelação contra 
decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição”. 
c) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data, 
advogado e OAB) 
Obs: o recurso de apelação não tem efeito regressivo. 
 
 
 
 
 ! 
 
 APELAÇÃO CONTRA DECISÃO DE JUIZ SINGULAR 
Pedido de absolvição é com base no artigo 386 CPP 
 
 
 
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143 
 
B) RAZÕES 
a) Endereçamento: para Tribunal ou Turmas Recursais (se for infração de menor potencial 
ofensivo) 
Tribunal de Justiça (se da competência da Justiça Estadual); 
Tribunal Regional Federal (se da competência da Justiça Federal). 
Turmas Recursais (Se for infração de menor potencial ofensivo) 
b) identificação: apelante, apelado, nº processo 
c) saudação: 
Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara 
Justiça Federal: Egrégio Tribunal Regional Federal – Colenda Turma 
d) corpo da peça (I. Dos fatos: breve relato; II. DO DIREITO: preliminares, mérito e teses subsidiárias) 
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico 
f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data, advogado e OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO: Juiz de 1º grau 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA 
COMARCA......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO 
JUDICIÁRIA DE ......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)66 
 
 
Processo nº ... 
 
 
 
FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu 
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência, inconformado com a decisão de fls., interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com 
base no artigo 593, (indicar o inciso), do Código de Processo Penal. 
Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas, 
remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado...ou Tribunal Regional Federal. 
 
Nestes termos, 
pede deferimento 
 
Local..., data...67 
 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88 
67 CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO 
 
 
 
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145 
 
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento ao Tribunal Competente 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...... (se da competência da Justiça Estadual); 
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ....REGIÃO (se da competência da Justiça Federal). 
Apelante: Fulano de Tal 
Apelado: Ministério Público 
Processo nº 
 
 RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal 
 Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal) 
 
I) DOS FATOS68 
II) DO DIREITO69 
A) DAS PRELIMINARES 
B) DO MÉRITO70 
C) SUBSIDIARIAMENTE71 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer seja CONHECIDO o recurso e REFORMADA A DECISÃO 
DE 1º GRAU, com o consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......: 
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares) 
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ....., do CPP 
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos), 
 
Local... e data... 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
68 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente 
transcrever o enunciado). 
69 Aqui também sugere-se dividir os fundamentos jurídicos em preliminares e mérito. 
70 No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do 
crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS 
71 Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do CP. 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias 
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena - 
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras]; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP); 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP). 
ART. 77 CP (SURSIS) 
 
 
 
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2ª Fase 
 
146 
 
ESTRUTURA DE APELAÇÃO NO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL 
PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO: Juiz de 1º grau 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA 
COMARCA ...... 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ...... 
 
 
Processo nº .... 
 
 
 
 
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, 
com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, inconformado com a 
decisão de fls., interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 82 da Lei 9.099/95. 
Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas, 
remetendo-se os autos às Turmas Recursais.Nestes termos, 
pede deferimento. 
 
Local..., data...72. 
 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO 
 
 
 
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147 
 
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento às TURMAS RECURSAIS 
EGRÉGIA TURMA RECURSAL 
Apelante: Fulano de Tal 
Apelado: Ministério Público 
Processo nº .... 
 
 
 RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 Egrégia Turma Recursal 
 Eméritos Julgadores 
 
I) DOS FATOS73 
II) DO DIREITO 
A) DAS PRELIMINARES 
B) DO MÉRITO74 
C) SUBSIDIARIAMENTE75 
III) DO PEDIDO 
Ante o exposto, requer seja REFORMADA A DECISÃO DE 1º GRAU, com o 
consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......: 
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares) 
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ....., do CPP 
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos), 
 
Local... e data... 
 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
73 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente 
transcrever o enunciado). 
74 No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do 
crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS 
75 Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do CP. 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias 
e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena - 
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras]; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP); 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP). 
ART. 77 CP (SURSIS) 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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*VER RAZÕES DE APELAÇÃO NA PASTA DAS AULAS COMPLEMENTARES 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. Os 
enunciados correspondentes 
estão na apostila “caderno de 
peças – para resolver”, nas págs. 
10, 38, 66 e 128. Já as 
resoluções constam na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, nas págs. 12, 43, 76 
e 124 e seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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149 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XXV EXAME APLICADA EM PORTO ALEGRE/RS 
Breno, nascido em 07 de junho de 1945, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, falsifica uma 
assinatura em uma folha de cheque e a apresenta em loja de eletrodomésticos localizada no bairro de sua 
residência, com a intenção de realizar compras no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Após a 
apresentação do cheque, apesar de a falsificação não ser grosseira e ser apta a enganar, o gerente do 
estabelecimento comercial percebe que aquele cheque não fora assinado pelo verdadeiro correntista do 
banco, já que o nome que constava do título de crédito era de um grande amigo seu. Descoberta a fraude, 
o referido gerente aciona a polícia, e Breno é preso em flagrante antes de obter a vantagem pretendida. 
Com o recebimento dos autos, o Ministério Público opina pela liberdade de Breno e oferece denúncia pela 
prática dos crimes do Art. 171, caput, e Art. 297, § 2º, na forma do Art. 69, todos do Código Penal. Após 
concessão da liberdade provisória e recebimento da denúncia, houve juntada do laudo pericial do cheque, 
constatando a falsidade e a capacidade para iludir terceiros, bem como da Folha de Antecedentes 
Criminais, no qual consta uma condenação definitiva pela prática, no ano anterior, do crime de homicídio 
culposo na direção de veículo automotor, além de uma ação em curso pela suposta prática de crime de 
furto. Durante a instrução, todos os fatos acima descritos são confirmados pelas testemunhas, não tendo 
sido o réu interrogado, já que, apesar de intimado, apresentou problemas de saúde no dia e não pôde 
comparecer à audiência. Ainda durante a audiência de instrução e julgamento, após a instrução, as partes 
apresentaram suas alegações, sendo consignado pela defesa o inconformismo com a ausência do réu, já 
que foi apresentado atestado médico, e, em seguida, o juiz proferiu sentença condenatória nos termos da 
denúncia, condenando o agente pela prática dos dois delitos em suas modalidades consumadas. No 
momento de fixar a pena-base, aumentou o magistrado a pena do estelionato em 02 meses, destacando 
que o comportamento de Breno não deixa qualquer dúvida de que agiu com dolo. Já a pena do uso de 
documento falso foi aplicada em seu patamar mínimo. Na segunda fase, não foram reconhecidas 
atenuantes, mas foi reconhecida a agravante da reincidência, aumentando a pena de cada um dos delitos 
em mais 02 meses de reclusão. No terceiro momento, não foram reconhecidas causas de aumento ou de 
diminuição. Assim, foi fixada a pena de 01 ano e 04 meses de reclusão e 14 dias-multa, no que tange ao 
crime de estelionato, e 02 anos e 02 meses de reclusão e 12 dias-multa para o crime de falsificação de 
documento equiparado ao público, restando a pena final em 03 anos e 06 meses de reclusão e 26 dias-
multa. O regime inicial de cumprimento de pena aplicado pelo magistrado foi o semiaberto e não houve 
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito, tudo fundamentado na reincidência do 
agente. Intimado da decisão, o Ministério Público apenas tomou ciência de seu teor, não apresentando 
qualquer medida. Já a defesa técnica de Breno foi intimada de seu teor em 06 de dezembro de 2017, 
quarta-feira, sendo quintafeira dia útil em todo o país. Considerando apenas as informações narradas, na 
condição de advogado(a) de Breno, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos 
de declaração, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia 
do prazo para interposição. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que 
possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
 
150 
 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XXII EXAME 
Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime de roubo em 
um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do caixa. Narrou o plano 
criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir. Leonardo decidiu, então, praticar o 
delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele ingressou e, no momento em que restava 
apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a 
intenção de Leonardo era apenas a de subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue 
acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o 
único funcionário que estava trabalhando no horário era um senhorque utilizava cadeiras de rodas. 
Arrependido, antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair, 
mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a abordagem, 
verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso 
do vizinho para a Polícia. Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público requereu a conversão da 
prisão em flagrante em preventiva e denunciou Leonardo como incurso nas sanções penais do Art. 157, § 
2º, inciso I, c/c o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual 
seja, o da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o 
processo teve seu prosseguimento regular. O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois 
não foi localizado, e, na data dos fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado. 
Em seu interrogatório, Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu 
do crime que pretendia praticar. Constavam no processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado 
sem qualquer anotação e a Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela 
prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da ação 
socioeducativa. O magistrado concedeu prazo para as partes se manifestarem em alegações finais por 
memoriais. O Ministério Público requereu a condenação nos termos da denúncia. O advogado de Leonardo, 
contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de imediato, o magistrado abriu vista para a Defensoria 
Pública apresentar alegações finais. Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No 
momento de fixar a pena-base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação 
julgada procedente em face de Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 meses de 
reclusão. Não foram reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado 
em 1/3 a pena, justificando ser desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de 
porte do material diante do temor causado à vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a 
pena final ficou acomodada em 4 (quatro) anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o 
fechado, justificando o magistrado que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os 
cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. 
A irmã de Leonardo o procura para, na condição de advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos 
autos, a intimação da sentença pela defesa ocorreu em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-
feira dia útil em todo o país. Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
 
151 
 
inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia 
do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) Obs.: a peça 
deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. 
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XVIII EXAME 
Durante o carnaval do ano de 2015, no mês de fevereiro, a família de Joana resolveu viajar para 
comemorar o feriado, enquanto Joana, de 19 anos, decidiu ficar em sua residência, na cidade de Natal, 
sozinha, para colocar os estudos da faculdade em dia. Tendo conhecimento dessa situação, Caio, vizinho 
de Joana, nascido em 25 de março de 1994, foi até o local, entrou sorrateiramente no quarto de Joana e, 
mediante grave ameaça, obrigou-a a praticar com ele conjunção carnal e outros atos libidinosos diversos, 
deixando o local após os fatos e exigindo que a vítima não contasse sobre o ocorrido para qualquer 
pessoa. Apesar de temerosa e envergonhada, Joana contou o ocorrido para sua mãe. A seguir, as duas 
compareceram à Delegacia e a vítima ofertou representação. Caio, então, foi denunciado pela prática como 
incurso nas sanções penais do Art. 213 do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 71 do Estatuto 
Repressivo. Durante a instrução, foi ouvida a vítima, testemunhas de acusação e o réu confessou os fatos. 
Foi, ainda, juntado laudo de exame de conjunção carnal confirmando a prática de ato sexual violento 
recente com Joana e a Folha de Antecedentes Criminais (FAC) do acusado, que indicava a existência de 
duas condenações, embora nenhuma delas com trânsito em julgado. Em alegações finais, o Ministério 
Público requereu a condenação de Caio nos termos da denúncia, enquanto a defesa buscou apenas a 
aplicação da pena no mínimo legal. No dia 25 de junho de 2015 foi proferida sentença pelo juízo 
competente, qual seja a 1ª Vara Criminal da Comarca de Natal, condenando Caio à pena privativa de 
liberdade de 10 anos e 06 meses de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado. Na sentença 
consta que a pena base de cada um dos crimes deve ser aumentada em seis meses pelo fato de Caio 
possuir maus antecedentes, já que ostenta em sua FAC duas condenações pela prática de crimes, e mais 
06 meses pelo fato de o acusado ter desrespeitado a liberdade sexual da mulher, um dos valores mais 
significativos da sociedade, restando a sanção penal da primeira fase em 07 anos de reclusão, para cada 
um dos delitos. Na segunda fase, não foram reconhecidas atenuantes ou agravantes. Afirmou o 
magistrado que atualmente é o réu maior de 21 anos, logo não estaria presente a atenuante do Art. 65, 
inciso I, do CP. Ao analisar o concurso de crimes, o magistrado considerou a pena de um dos delitos, já 
que eram iguais, e aumentou de 1/2 (metade), na forma do Art. 71 do CP, justificando o acréscimo no fato 
de ambos os crimes praticados serem extremamente graves. Por fim, o regime inicial para o cumprimento 
da pena foi o fechado, justificando que, independente da pena aplicada, este seria o regime obrigatório, 
nos termos do Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90. Apesar da condenação, como Caio respondeu ao processo 
em liberdade, o juiz concedeu a ele o direito de aguardar o trânsito em julgado da mesma forma. Caio e 
sua família o (a) procuram para, na condição de advogado (a), adotar as medidas cabíveis, destacando 
que estão insatisfeitos com o patrono anterior. Constituído nos autos, a intimação da sentença ocorreu em 
07 de julho de 2015, terçafeira, sendo quarta-feira dia útil em todo o país. 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a 
peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo para interposição, 
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00 pontos) 
 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - IV EXAME OAB 
Tício foi denunciado e processado, na 1ª Vara Criminal da Comarca do Município X, pela prática de roubo 
qualificado em decorrência do emprego de arma de fogo. Ainda durante a fase de inquérito policial, Tício 
foi reconhecido pela vítima. Tal reconhecimento se deu quando a referida vítima olhou através de pequeno 
orifício da porta de uma sala onde se encontrava apenas o réu. Já em sede de instrução criminal, nem 
vítima nem testemunhas afirmaram ter escutado qualquer disparo de arma de fogo, mas foram uníssonas 
no sentido de assegurar que o assaltante portava uma. Não houve perícia, pois os policiais que prenderam 
o réu em flagrante não lograram êxito em apreender a arma. Tais policiais afirmaram em juízo que, após 
escutarem gritos de “pega ladrão!”, viram oréu correndo e foram em seu encalço. Afirmaram que, durante 
a perseguição, os passantes apontavam para o réu, bem como que este jogou um objeto no córrego que 
passava próximo ao local dos fatos, que acreditavam ser a arma de fogo utilizada. O réu, em seu 
interrogatório, exerceu o direito ao silêncio. Ao cabo da instrução criminal, Tício foi condenado a oito anos 
e seis meses de reclusão, por roubo com emprego de arma de fogo, tendo sido fixado o regime inicial 
fechado para cumprimento de pena. O magistrado, para fins de condenação e fixação da pena, levou em 
conta os depoimentos testemunhais colhidos em juízo e o reconhecimento feito pela vítima em sede 
policial, bem como o fato de o réu ser reincidente e portador de maus antecedentes, circunstâncias 
comprovadas no curso do processo. 
Você, na condição de advogado(a) de Tício, é intimado(a) da decisão. Com base somente nas informações 
de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, 
apresentando as razões e sustentando as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0) 
 
 
V EXAME OAB - PEÇA 
Em 10 de janeiro de 2007, Eliete foi denunciada pelo Ministério Público pela prática do crime de furto 
qualificado por abuso de confiança, haja vista ter alegado o Parquet que a denunciada havia se valido da 
qualidade de empregada doméstica para subtrair, em 20 de dezembro de 2006, a quantia de R$ 50,00 de 
seu patrão Cláudio, presidente da maior empresa do Brasil no segmento de venda de alimentos no varejo. 
A denúncia foi recebida em 12 de janeiro de 2007, e, após a instrução criminal, foi proferida, em 10 de 
dezembro de 2009, sentença penal julgando procedente a pretensão acusatória para condenar Eliete à 
pena final de dois anos de reclusão, em razão da prática do crime previsto no artigo 155, §2º, inciso IV, do 
Código Penal. Após a interposição de recurso de apelação exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça 
 
 
 
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2ª Fase 
 
153 
 
entendeu por bem anular toda a instrução criminal, ante a ocorrência de cerceamento de defesa em razão 
do indeferimento injustificado de uma pergunta formulada a uma testemunha. Novamente realizada a 
instrução criminal, ficou comprovado que, à época dos fatos, Eliete havia sido contratada por Cláudio havia 
uma semana e só tinha a obrigação de trabalhar às segundas, quartas e sextas-feiras, de modo que o 
suposto fato criminoso teria ocorrido no terceiro dia de trabalho da doméstica. Ademais, foi juntada aos 
autos a comprovação dos rendimentos da vítima, que giravam em torno de R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais) mensais. Após a apresentação de memoriais pelas partes, em 9 de fevereiro de 2011, foi proferida 
nova sentença penal condenando Eliete à pena final de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Em 
suas razões de decidir, assentou o magistrado que a ré possuía circunstâncias judiciais desfavoráveis, uma 
vez que se reveste de enorme gravidade a prática de crimes em que se abusa da confiança depositada no 
agente, motivo pelo qual a pena deveria ser distanciada do mínimo. Ao final, converteu a pena privativa de 
liberdade em restritiva de direitos, consubstanciada na prestação de 8 (oito) horas semanais de serviços 
comunitários, durante o período de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses em instituição a ser definida pelo juízo 
de execuções penais. Novamente não houve recurso do Ministério Público, e a sentença foi publicada no 
Diário Eletrônico em 16 de fevereiro de 2011. 
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto 
acima, redija, na qualidade de advogado de Eliete, com data para o último dia do prazo legal, o recurso 
cabível à hipótese, invocando todas as questões de direito pertinentes, mesmo que em caráter eventual. 
(Valor: 5,0) 
 
 
PEÇA PRÁTICO‐PROFISSIONAL – VII OAB 
Leia com atenção o caso concreto a seguir: 
Grávida de nove meses, Ana entra em trabalho de parto, vindo dar à luz um menino saudável, o qual é 
imediatamente colocado em seu colo. Ao ter o recém‐nascido em suas mãos, Ana é tomada por extremo 
furor, bradando aos gritos que seu filho era um “monstro horrível que não saiu de mim” e bate por 
seguidas vezes a cabeça da criança na parede do quarto do hospital, vitimando‐a fatalmente. Após ser 
dominada pelos funcionários do hospital, Ana é presa em flagrante delito. 
Durante a fase de inquérito policial, foi realizado exame médico‐legal, o qual atestou que Ana agira sob 
influência de estado puerperal. Posteriormente, foi denunciada, com base nas provas colhidas na fase 
inquisitorial, sobretudo o laudo do expert, perante a 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri pela prática do crime 
de homicídio triplamente qualificado, haja vista ter sustentado o Parquet que Ana fora movida por motivo 
fútil, empregara meio cruel para a consecução do ato criminoso, além de se utilizar de recurso que tornou 
impossível a defesa da vítima. Em sede de Alegações Finais Orais, o Promotor de Justiça reiterou os 
argumentos da denúncia, sustentando que Ana teria agido impelida por motivo fútil ao decidir matar seu 
filho em razão de tê‐lo achado feio e teria empregado meio cruel ao bater a cabeça do bebê repetidas 
vezes contra a parede, além de impossibilitar a defesa da vítima, incapaz, em razão da idade, de 
defender‐se. 
 
 
 
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A Defensoria Pública, por sua vez, alegou que a ré não teria praticado o fato e, alternativamente, se o 
tivesse feito, não possuiria plena capacidade de autodeterminação, sendo inimputável. Ao proferir a 
sentença, o magistrado competente entendeu por bem absolver sumariamente a ré em razão de 
inimputabilidade, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar em 
consequência da influência do estado puerperal. Tendo sido intimado o Ministério Público da decisão, em 
11 de janeiro de 2011, o prazo recursal transcorreu in albis sem manifestação do Parquet. 
Em relação ao caso narrado, você, na condição de advogado(a), é procurado pelo pai da vítima, em 20 de 
janeiro de 2011, para habilitar‐se como assistente da acusação e impugnar a decisão. 
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto 
acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando do último dia 
do prazo. (Valor: 5,0) 
 
 
QUESTÃO 2 - IV EXAME 
Caio é denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio qualificado por motivo fútil. 
De acordo com a inicial, em razão de rivalidade futebolística, Caio teria esfaqueado Mévio quarenta e três 
vezes, causando-lhe o óbito. Pronunciado na forma da denúncia, Caio recorreu com o objetivo de ser 
impronunciado, vindo o Tribunal de Justiça da localidade a manter a pronúncia, mas excluindo a 
qualificadora, ao argumento de que Mévio seria arruaceiro e, portanto, a motivação não poderia ser 
considerada fútil. No julgamento em plenário, ocasião em que Caio confessou a prática do crime, a defesa 
lê para os jurados a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça no que se refere à caracterização de Mévio 
como arruaceiro. Respondendo aos quesitos, o Conselho de Sentença absolve Caio. 
Sabendo-se que o Ministério Público não recorreu da sentença, responda aos itens a seguir, empregando 
os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) A esposa de Mévio poderia buscar a impugnação da decisão proferida pelo Conselho de Sentença? Em 
caso positivo, de que forma e com base em que fundamento? (Valor: 0,65) 
b) Caso o Ministério Público tivesse interposto recurso de apelação com fundamento exclusivo no artigo 
593, III, “d”, do Código de Processo Penal, poderia o Tribunal de Justiça declarar a nulidade do julgamento 
por reconhecer a existência de nulidade processual? (Valor: 0,6) 
 
 
QUESTÃO 1 – XIX EXAME 
João estavadirigindo seu automóvel a uma velocidade de 100 km/h em uma rodovia em que o limite 
máximo de velocidade é de 80 km/h. Nesse momento, foi surpreendido por uma bicicleta que atravessou a 
rodovia de maneira inesperada, vindo a atropelar Juan, condutor dessa bicicleta, que faleceu no local em 
virtude do acidente. Diante disso, João foi denunciado pela prática do crime previsto no Art. 302 da Lei nº 
9.503/97. As perícias realizadas no cadáver da vítima, no automóvel de João, bem como no local do fato, 
indicaram que João estava acima da velocidade permitida, mas que, ainda que a velocidade do veículo do 
acusado fosse de 80 km/h, não seria possível evitar o acidente e Juan teria falecido. Diante da prova 
 
 
 
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pericial constatando a violação do dever objetivo de cuidado pela velocidade acima da permitida, João foi 
condenado à pena de detenção no patamar mínimo previsto no dispositivo legal. Considerando apenas os 
fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado, indicando seu prazo e fundamento legal? (Valor: 0,60) 
B) Qual a principal tese jurídica de direito material a ser alegada nas razões recursais? (Valor: 0,65) 
 
 
 
 
 
 
 
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5) CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO 
5.1) INTRODUÇÃO 
Nos termos do artigo 593 do CPP, se não concordar com a sentença proferida, a 
parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição da apelação no prazo de 05 dias. Após, o juízo 
de 1º grau, onde foi proferida a sentença, fará o primeiro juízo de admissibilidade, recebendo ou não a 
apelação. Na sequência, conforme dispõe o artigo 600 do CPP, se recebida a apelação, intima-se o apelante 
para apresentar suas RAZÕES PARA REFORMA da decisão recorrida e, após, o apelado para oferecer suas 
CONTRARRAZÕES ou RAZÕES DO APELADO. 
5.2) PRAZO 
Conforme o artigo 600 do CPP, o prazo para contrarrazões é de 08 dias. 
5.3) IDENTIFICAÇÃO 
O Recurso de apelação é interposto e arrazoado pelo apelante, sendo, na 
sequência, o apelado intimado para oferecer as contrarrazões. 
Exemplo de identificação considerando a peça que caiu no XIX Exame. 
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL XIX EXAME 
 
“ (...) Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do Estado foi julgada 
procedente, com Rodrigo sendo condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida 
em regime semiaberto, e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não 
reconhecer qualquer agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu as 
majorantes mencionadas na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta. O Ministério Público 
foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia útil. 
Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de primeira instância, 
acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, requerendo: i) O aumento 
da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de Antecedentes Criminais do 
acusado; ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código 
Penal; iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157, 
§2º, incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes; iv) Fixação do 
regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo com faca tem assombrado a população do 
Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a sociedade. A defesa não apresentou 
recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou, 
no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você, 
advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas 
na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída 
a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. 
(Valor: 5.00)” 
 
 
 
 
 
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157 
 
5.4) CONTEÚDO 
Deve-se buscar no enunciado informações que permitem desenvolver teses 
voltadas à manutenção da decisão recorrida, bem como refutar os argumentos lançados pela acusação. 
ESTRUTURA DAS CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO76 
PETIÇÃO DE JUNTADA 
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA 
COMARCA.....(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL) 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SECÇÃO 
JUDICIÁRIA DE..... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 
 
7 a 10 linhas 
 
Processo nº .... 
 
 
 
 
FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu 
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência, apresentar as presentes CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do 
Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao Tribunal 
de Justiça do Estado... (ou Tribunal Regional Federal) 
 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento 
 
 
Local..., data... 
 
 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
 
76 As contrarrazões de recurso de apelação também são compostas de petição de juntada e de razões para manutenção da 
decisão. 
 
 
 
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2ª Fase 
 
158 
 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO....OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL 
 
 
Apelante: Ministério Público 
Apelado: Fulano de Tal 
Processo nº .... 
 
 
 CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 
 
Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal 
Colenda Câmara ou Colenda Turma (se Justiça Federal) 
 
I) DOS FATOS77 
II) DO DIREITO78 
III) DO PEDIDO79 
Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO o recurso e, no mérito, seja 
IMPROVIDO o recurso de apelação interposto, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos 
seus exatos termos. 
 
2 linhas 
Local... e data... 
 
 
ADVOGADO... 
OAB... 
 
 
 
 
77 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada), bem como da decisão recorrida. 
78 Pode-se dividir em preliminares e mérito. Em preliminar, buscar, invariavelmente, informações no enunciado para desenvolver tese para o não conhecimento do recurso 
(Ex: intempestividade do recurso interposto). No mérito, buscar informações para desenvolver teses voltadas a Expor argumentos contrários aos invocados nas razões de 
apelação (informados no enunciado da questão), defendo, em síntese, a manutenção da decisão recorrida. 
79 REQUERER O NÃO CONHECIMENTO, IMPROVIMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO E A MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. 
 
 
 
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2ª Fase 
 
159 
 
 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL– XIX EXAME 
No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigo e um amigo não identificado foram 
para um bloco de rua que ocorria em razão do Natal, onde passaram a ingerir bebida alcoólica em 
comemoração ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia do amigo, já um pouco tonto em 
razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu, mediante emprego de uma faca, os pertences 
de uma moça desconhecida que caminhava tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos 
que acabara de sair do médico e saber que estava grávida de um mês. Em razão dos fatos, Rodrigo foi 
denunciado pela prática de crime de roubo duplamente majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos I e 
II, do Código Penal. 
Durante a instrução, foi juntadaa Folha de Antecedentes Criminais de Rodrigo, onde constavam anotações 
em relação a dois inquéritos policiais em que ele figurava como indiciado e três ações penais que 
respondia na condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver sentença com trânsito em julgado. 
Foram, ainda, durante a Audiência de Instrução e Julgamento ouvidos a vítima e os policiais que 
encontraram Rodrigo, horas após o crime, na posse dos bens subtraídos. Durante seu interrogatório, 
Rodrigo permaneceu em silêncio. Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do 
Estado foi julgada procedente, com Rodrigo sendo condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, 
a ser cumprida em regime semiaberto, e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além 
de não reconhecer qualquer agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu as 
majorantes mencionadas na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta. 
O Ministério Público foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo 
terça-feira dia útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de 
primeira instância, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, 
requerendo: 
i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de Antecedentes 
Criminais do acusado; 
ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código Penal; 
iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157, §2º, 
incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes; 
iv) Fixação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo com faca tem assombrado a 
população do Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a sociedade. 
 
A defesa não apresentou recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério 
Público e intimou, no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, 
você, advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível. 
Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso 
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, 
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00) 
 
 
 
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FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 17. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 20 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
 
 
 
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161 
 
6) EFEITO EXTENSIVO – Art. 580 CPP 
Conforme dispõe o artigo 580 do CPP, havendo dois ou mais réus, com idêntica 
situação processual e fática, se apenas um deles recorrer e obtiver benefício, será este aplicado também aos 
demais que não impugnaram a sentença ou decisão. 
Ex: Theo e Russo são condenados por terem praticado crime de roubo majorado por 
emprego de arma de fogo não apreendida, considerando o magistrado desnecessária a perícia na arma. Theo 
interpõe recurso de apelação buscando também afastar a majorante do emprego de arma de fogo. O 
provimento do recurso, afastando a majorante, se estende a Russo, que não havia apelado. 
O efeito extensivo não se aplica quando a matéria recorrida envolver somente 
circunstância de caráter pessoal. Ex: Na situação acima, Theo interpõe recurso de apelação voltado à 
diminuição da pena, porque não foi considerada a sua menoridade (menor de 21 anos) à época do fato. 
Eventual provimento do recurso não alcançará Russo, pois se trata de circunstância pessoal, nada relacionada 
ao fato praticado. 
Esse efeito extensivo não se restringe unicamente à apelação, sendo cabível também 
nos demais recursos. 
 
7) REFORMATIO IN PEJUS 
Todos os recursos possuem efeito devolutivo. Significa que a interposição de um 
recurso viabiliza a análise total ou parcial da matéria impugnada em primeiro grau. Em síntese, a interposição 
do recurso reabre a discussão da decisão combatida no recurso por um órgão superior, cuja extensão da 
apreciação pelo Tribunal depende de quem seja o recorrente, ou seja, se o recurso foi interposto pela acusação 
ou defesa. 
Especificamente em relação à reformatio in pejus, convém seja feito um estudo 
articulado considerando quem foi o recorrente: recurso da acusação ou recurso da defesa. 
7.1) Recurso da acusação: 
A) Extensão do efeito devolutivo visando a agravar a situação jurídica do réu condenado: 
O efeito devolutivo do recurso da acusação é bastante limitado quando voltado a 
piorar a situação do réu. Isso porque não pode o Tribunal, por exemplo, reconhecer contra o réu nulidade não 
postulada no recurso da acusação. 
É nesse sentido, aliás, o teor da Súmula 160 do STF, segundo a qual é nulo o acórdão 
que reconhece contra o réu nulidade não arguida no recurso da acusação, excetuados os casos de reexame 
necessário (já que no caso de reexame necessário, a devolução é sempre na íntegra). 
7.2) Recurso da defesa: 
A) Extensão do efeito devolutivo visando a beneficiar o réu condenado 
 
 
 
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Neste caso, a devolução que se opera pelo recurso defensivo é, em regra, integral, 
podendo ser decididas em seu favor, no juízo ad quem, temas não enfrentados na impugnação. 
B) O efeito devolutivo do recurso da defesa em face da reformatio in pejus: 
Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 
383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena, 
quando somente o réu houver apelado da sentença. 
Ocorre a reformatio in pejus quando o Tribunal agrava a situação do réu em face de 
recurso interposto exclusivamente pela defesa. A reformatio in pejus pode ser direta ou indireta. 
* REFORMATIO IN PEJUS DIRETA 
Ocorre quando o próprio Tribunal profere decisão agravando a situação jurídica do réu 
ao julgar recurso exclusivo da defesa. 
Embora a apelação permita o reexame da matéria decidida na sentença, o efeito 
devolutivo não é pleno, ou seja, não pode resultar do julgamento decisão desfavorável à parte que interpôs o 
recurso. 
Recorrendo apenas o réu, não é possível haver reforma da sentença para agravar sua 
situação; recorrendo a acusação em caráter limitado, não pode o tribunal dar provimento em maior extensão 
contra o apelado. 
* REFORMATIO IN PEJUS INDIRETA 
Trata-se da anulação da sentença, por recurso exclusivo do réu, vindo outra a ser 
proferida, devendo respeitar os limites da primeira, sem poder agravar a situação do acusado. 
Assim, caso o réu seja condenado a 5 anos de reclusão, mas obtenha a defesa a 
anulação dessa decisão, quando o magistrado – ainda que seja outro – venha a proferir outra sentença, está 
adstrito a uma condenação máxima de 5 anos. 
Se pudesse elevar a pena, ao proferir nova decisão, estaria havendo uma autêntica 
reforma em prejuízo da parte que recorreu. 
Em tese, seria melhor ter mantido a sentença, ainda que padecendo de nulidade, pois 
a pena seria menor. 
Em síntese: Imagine-se que o réu, condenado a cinco anos de reclusão, recorra 
invocando nulidade do processo. Considere-se, outrossim, que o Ministério Público não tenha apelado da 
decisão para aumentar a pena. Se o tribunal, acolhendo o inconformismo da defesa, der-lhe provimento e 
determinar a renovação dos atos processuais, não poderá a nova sentença, como regra, agravar a situação em 
que já se encontrava o réu por força da sentença,sob pena de incorrer em reformatio in pejus indireta, ou seja, 
 
 
 
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o juiz, na nova sentença, estaria limitado a cinco anos. Se fixar pena superior a cinco anos, poderá ser alegado, 
em preliminar de apelação, nulidade da sentença. 
 
QUESTÃO 02 – XIV EXAME DA OAB 
Gustavo está sendo regularmente processado, perante o Tribunal do Júri da Comarca de Niterói-RJ, pela 
prática do crime de homicídio simples, conexo ao delito de sequestro e cárcere privado. Os jurados 
consideraram-no inocente em relação ao delito de homicídio, mas culpado em relação ao delito de sequestro 
e cárcere privado. O juiz presidente, então, proferiu a respectiva sentença. Irresignado, o Ministério Público 
interpôs apelação, sustentando que a decisão dos jurados fora manifestamente contrária à prova dos autos. 
A defesa, de igual modo, apelou, objetivando também a absolvição em relação ao delito de sequestro e 
cárcere privado. 
O Tribunal de Justiça, no julgamento, negou provimento aos apelos, mas determinou a anulação do 
processo (desde o ato viciado, inclusive) com base no Art. 564, III, i, do CPP, porque restou verificado que, 
para a constituição do Júri, somente estavam presentes 14 jurados. 
Nesse sentido, tendo como base apenas as informações contidas no enunciado, responda justificadamente 
às questões a seguir. 
A) A nulidade apresentada pelo Tribunal é absoluta ou relativa? Dê o respectivo fundamento legal. (Valor: 
0,40) 
B) A decisão do Tribunal de Justiça está correta? (Valor: 0,85) 
Utilize os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 – XI EXAME 
Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade 
tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto. Todavia, atento às 
particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o benefício da suspensão condicional 
da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não fixou nenhuma condição. Somente a defesa 
interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de autoria e, 
subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de 
Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da 
defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de 
fazê-lo na sentença condenatória. 
Nesse sentido, atento apenas às informações contidas no texto, responda, fundamentadamente, aos itens a 
seguir. 
A) Qual o recurso cabível contra a decisão do Tribunal de Justiça? (Valor: 0,55) 
B) Qual deve ser a principal linha de argumentação no recurso? (Valor: 0,70) 
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. 
 
 
 
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 CAPÍTULO VI - COMPETÊNCIA 
 
7.1) CONCEITO 
Competência é a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos 
quais o juiz pode prestar jurisdição). 
7.2) ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA 
A doutrina tradicional distribui a competência considerando três aspectos 
diferentes: 
a) ratione materiae: estabelecida em razão da natureza do crime praticado. 
b) ratione personae: em razão da qualidade das pessoas acusadas. 
c) ratione loci (art. 69, I e II): em razão do local. 
7.3) CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA 
Não sendo hipótese de foro por prerrogativa da função, deve-se estabelecer 
critério para fixação da competência. Nesse particular, necessário seguir os seguintes passos de forma 
articulada: 
1º) Identificar qual a Justiça Competente 
2º) Identificar o foro competente 
3º) Identificar o Juízo competente 
Em relação à matéria, existe, basicamente, as de competência das Justiças 
Especiais (Justiça Militar e Justiça Eleitoral) e da Justiça Comum (Federal e Estadual). 
Nesse sentido, em primeiro lugar, deve-se verificar se o crime é da Justiça 
Especial Militar; num segundo momento, se não for da competência da Justiça Militar, analisar se é da 
competência da Justiça Eleitoral; para somente ao final, em não sendo da competência de nenhuma das 
justiças especializadas, passar à análise se é da competência da Justiça Comum Federal ou Estadual. 
7.4) JUSTIÇA FEDERAL 
A competência da Justiça Federal é residual em relação às especiais; prevalece, 
por outro lado, sobre a Justiça Estadual, nos termos do art. 78, III, do CPP e Súmula 122 do STJ. 
A competência da Justiça Federal está prevista no artigo 109 da Constituição 
Federal. 
I) Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou 
interesse da união ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as 
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contravenções e ressalvada a competência da justiça militar e da justiça eleitoral – art. 109, 
IV, da CF/88 
Qualquer delito que atinja bens jurídicos de interesse da união será da 
competência da Justiça Federal. 
Não abrange as contravenções. Dispõe-se a súmula 38 do STJ que “compete à 
Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda 
que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesses da União ou de suas entidades”. 
Há que se ressaltar o previsto na Súmula 147 do STJ no sentido de que é 
competente a Justiça Federal para processar e julgar os crimes praticados contra funcionário federal, 
quando relacionados com o exercício da função. 
Evidentemente, por lesarem serviços da União, são também da competência da 
Justiça Federal os crimes praticados por funcionários federais no exercício da função. 
Por se limitar o art. 109, IV, da CF, às autarquias e empresas públicas, assentou-
se no STJ que “compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar causas cíveis em que é parte 
sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento” (Súmula 42 do STJ). 
Por isso, não são da competência da Justiça Federal, mas da Justiça Estadual, os 
crimes praticados contra o Banco do Brasil, por exemplo. 
II) Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando teve a execução iniciada 
no Brasil, consumando-se ou devendo consumar-se no exterior, ou vice-versa – Art. 109, V, da 
CF/88 
Compete, ainda, à Justiça Federal o processo e julgamento dos “crimes previstos 
em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no país, o resultado tenha ou devesse 
Ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente” (art. 109, V). 
Ex: Súmula 522 do STF: “Salvo ocorrência de tráfico para o Exterior, quando, 
então, a competência será da Justiça Federal, compete à Justiça dos Estados o processamento dos crimes 
relativos a entorpecentes”. 
III) Causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º do art. 109 – Art. 109, V-A, 
CF/88 
Estipula o parágrafo 5º que nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, 
o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes 
de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o 
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de 
competência para a Justiça Federal 
 
 
 
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Nesta hipótese, o deslocamento de um crime para a Justiça Federal somente 
deve dar-se quando realmente houver grave violação de direitos humanos, de caráter coletivo (como, por 
exemplo, um massacre produzido por policiais contra vários indivíduos). 
Tal medida teria a finalidade de assegurar o desligamento do caso das questões 
locais, mais próprias da Justiça Estadual, levando-o para a esfera federal, buscando, inclusive, elevar a 
questão à órbita deinteresse nacional e não somente regional. 
IV) Crimes contra a organização do trabalho, quando envolver interesses coletivos dos 
trabalhadores – Art. 109, VI, da CF/88 
V) Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira – Art. 109, VI, da 
CF/88 
Como previsto no art. 26, caput, da Lei 7.492/86. 
Também compete à Justiça Federal apreciar “os crimes contra organização do 
Trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômica e financeira” 
(art. 109, VI, da CF). 
VI) Crimes cometidos a bordo de navios e aeronaves, excetuados o da Justiça Militar – Art. 
109, IX, da CF/88 
Segundo o STF e STJ, navios são embarcações de grande cabotagem ou de 
grande capacidade de transporte de passageiros, aptas a realizar viagens internacionais. 
Logo, somente as embarcações de grande porte envolvem a Justiça Federal. 
As demais (lanchas, botes, iates, etc) ficam na esfera da justiça estadual. 
Os crimes cometidos a bordo de aeronaves terão competência sempre da Justiça 
Federal, pois a CF mencionou os crimes cometidos a bordo de aeronaves e não de aviões de grande porte. 
Houve divergência no STF em caso de apreensão de drogas ilícitas, quando os 
agentes já estavam em solo, no aeroporto de Brasília, porém em conexão para um voo entre Cuiabá e São 
Paulo. 
Prevaleceu o entendimento de que a competência seria da Justiça Estadual, pois 
a referência feita pela CF, fixando a competência da Justiça Federal, ter-se-ia voltado à aeronave em voo 
pelo espaço aéreo brasileiro, não se saberia ao certo onde o crime se deu. 
Estando a aeronave em solo e os agentes, igualmente, fora dela, incompetente a 
Justiça Federal. 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 03 - XXII Exame 
Na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Maurício iniciou a execução de determinada contravenção 
penal que visava atingir e gerar prejuízo em detrimento de patrimônio de entidade autárquica federal, mas a 
infração penal não veio a se consumar por circunstâncias alheias à sua vontade. Ao tomar conhecimento dos 
fatos, o Ministério Público dá início a procedimento criminal perante juízo do Tribunal Regional Federal com 
competência para atuar no local dos fatos, imputando ao agente a prática da contravenção penal em sua 
modalidade tentada, oferecendo, desde já, proposta de transação penal. Maurício conversa com sua família 
e procura um(a) advogado(a) para patrocinar seus interesses, destacando que não tem interesse em aceitar 
transação penal, suspensão condicional do processo ou qualquer outro benefício despenalizador. Com base 
apenas nas informações narradas e na condição de advogado(a) de Maurício, responda: 
A) Considerando que a contravenção penal causaria prejuízo ao patrimônio de entidade autárquica federal, o 
órgão perante o qual o procedimento criminal foi iniciado é competente para julgamento da infração penal 
imputada? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado para evitar a punição de Maurício? Justifique. 
(Valor: 0,60) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não 
confere pontuação. 
 
QUESTÃO 03 - XIV EXAME OAB 
Daniel, Ana Paula, Leonardo e Mariana, participantes da quadrilha “X”, e Carolina, Roberta, Cristiano, 
Juliana, Flavia e Ralph, participantes da quadrilha “Y”, fazem parte de grupos criminosos especializados em 
assaltar agências bancárias. Após intensos estudos sobre divisão de tarefas, locais, armas, bancos etc., 
ambos os grupos, sem ciência um do outro, planejaram viajar até a pacata cidade de Arroizinho com o 
intuito de ali realizarem o roubo. Cumpre ressaltar que, na cidade de Arroizinho, havia apenas duas únicas 
agências bancárias, a saber: uma agência do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, e outra da 
Caixa Econômica Federal, empresa pública federal. No dia marcado, os integrantes da quadrilha "X" 
praticaram o crime objetivado contra o Banco do Brasil; os integrantes da quadrilha "Y" o fizeram contra a 
Caixa Econômica Federal. Cada grupo, com sua conduta, conseguiu auferir a vultosa quantia de R$ 
1.000.000,00 (um milhão de reais). 
Nesse caso, atento tão somente aos dados contidos no enunciado, responda 
fundamentadamente de acordo com a Constituição: 
A) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha 
"Y"? (Valor: 0,65) 
B) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha 
"X"? (Valor: 0,60) 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 1 - EXAME 2010-03 
Caio, na qualidade de diretor financeiro de uma conhecida empresa de fornecimento de material de 
informática, se apropriou das contribuições previdenciárias devidas dos empregados da empresa e por esta 
descontadas, utilizando o dinheiro para financiar um automóvel de luxo. A partir de comunicação feita por 
Adolfo, empregado da referida empresa, tal fato chegou ao conhecimento da Polícia Federal, dando ensejo 
à instauração de inquérito para apurar o crime previsto no artigo 168-A do Código Penal. No curso do 
aludido procedimento investigatório, a autoridade policial apurou que Caio também havia praticado o crime 
de sonegação fiscal, uma vez que deixara de recolher ICMS relativamente às operações da mesma 
empresa. Ao final do inquérito policial, os fatos ficaram comprovados, também pela confissão de Caio em 
sede policial. Nessa ocasião, ele afirmou estar arrependido e apresentou comprovante de pagamento 
exclusivamente das contribuições previdenciárias devidas ao INSS, pagamento realizado após a 
instauração da investigação, ficando não paga a dívida relativa ao ICMS. Assim, o delegado encaminhou os 
autos ao Ministério Público Federal, que denunciou Caio pelos crimes previstos nos artigos 168-A do Código 
Penal e 1º, I, da Lei 8.137/90, tendo a inicial acusatória sido recebida pelo juiz da vara federal da 
localidade. Após analisar a resposta à acusação apresentada pelo advogado de Caio, o aludido magistrado 
entendeu não ser o caso de absolvição sumária, tendo designado audiência de instrução e julgamento. 
Com base nos fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos 
jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual é o meio de impugnação cabível à decisão do Magistrado que não o absolvera 
sumariamente? (Valor: 0,2) 
b) A quem a impugnação deve ser endereçada? (Valor: 0,2) 
c) Quais fundamentos devem ser utilizados? (Valor: 0,6) 
 
QUESTÃO 3 – EXAME 2010-03 
Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o 
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por 
duas funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a 
prática do delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o 
Ministério Público Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da 
ordem pública, por ser o crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as 
testemunhas seriam mulheres e poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade 
antes da colheita de seus depoimentos judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão 
preventiva de Jeremias, utilizando-se dos argumentos apontados pelo Parquet. 
Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal 
pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a decisão judicial que recebeu a 
denúncia e decretou a prisão preventiva. 
 
 
 
 
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7.5) JUSTIÇA ESTADUAL 
É a competência mais residual de todas, pois o crime somente será julgadona 
Justiça Estadual quando não for da competência da Justiça Especial (Militar ou Eleitoral) e da Justiça 
Comum Federal. 
A propósito, havendo conflito entre a Justiça Comum Federal e Estadual, 
prevalece a Justiça Federal, nos termos do art. 78, III, CPP e Súmula 122 do STJ. 
Súmula 122 do STJ: “Compete à Justiça Federal o processo e julgamento 
unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do Art. 78, II, 
"a", do Código de Processo Penal.” 
7.6) DETERMINAÇÃO DO FORO COMPETENTE 
Estabelecida a Justiça competente, deve-se, agora, proceder à análise do foro 
competente, que se traduz na competência em razão do lugar. 
7.6.1) REGRA GERAL – Art. 70 CPP 
Para a determinação da competência lugar do crime é o lugar da consumação, 
ou seja, onde terminam por se reunir todos os elementos da definição do crime. 
No caso de tentativa, a competência é determinada “pelo lugar em que for 
praticado o último ato de execução” (art. 70, caput, segunda parte). 
7.6.2) COMPETÊNCIA CRIME CONTINUADO E PERMANENTE – Art. 71 CPP 
Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em 
território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção (art. 71). 
7.6.3) COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU – Art. 72, 73 CPP 
Duas são as hipóteses: 
A primeira delas encontra-se no art. 72, caput: Não sendo conhecido o 
lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. 
A Segunda hipótese refere-se à ação privada exclusiva, em que o 
querelante poderá preferir o foro do domicílio ou residência do réu, ainda quando conhecido o lugar 
da infração (art. 73, caput). 
Não sendo possível a aplicação das regras acima mencionadas por não ter o réu 
domicílio ou residência certa, sendo ignorado o seu paradeiro, é competente o juiz que primeiro tome 
conhecimento do fato (art. 72, § 2º). 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 3 - XVII EXAME 
Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que 
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth 
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes, 
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto 
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago 
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em 
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado 
pela prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da 
comarca de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que 
o magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar 
resposta à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda, 
na qualidade de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir. 
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi 
das Cruzes? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material 
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique. 
(Valor: 0,60) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
QUESTÃO 2 – EXAME 2010-03 
Caio, residente no município de São Paulo, é convidado por seu pai, morador da cidade de Belo Horizonte, 
para visitá-lo. Ao dirigir-se até Minas Gerais em seu carro, Caio dá carona a Maria, jovem belíssima que 
conhecera na estrada e que, ao saber do destino de Caio, o convence a subtrair pertences da casa do 
genitor do rapaz, chegando a sugerir que ele aguardasse o repouso noturno de seu pai para efetuar a 
subtração. Ao chegar ao local, Caio janta com o pai e o espera adormecer, quando então subtrai da 
residência uma televisão de plasma, um aparelho de som e dois mil reais. Após encontrar-se com Maria no 
veículo, ambos se evadem do local e são presos quando chegavam ao município de São Paulo. 
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos 
apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Caio pode ser punido pela conduta praticada e provada? (Valor: 0,4) 
b) Maria pode ser punida pela referida conduta? (Valor: 0,4) 
c) Em caso de oferecimento de denúncia, qual será o juízo competente para processamento da ação 
penal? (Valor: 0,2) 
 
 
 
 
 
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171 
 
QUESTÃO 01 - XII EXAME 
Carolina foi denunciada pela prática do delito de estelionato, mediante emissão de cheque sem suficiente 
provisão de fundos. Narra a inicial acusatória que Carolina emitiu o cheque número 000, contra o Banco 
ABC S/A, quando efetuou compra no estabelecimento “X”, que fica na cidade de “Y”. Como a conta 
corrente de Carolina pertencia à agência bancária que ficava na cidade vizinha “Z”, a gerência da loja, 
objetivando maior rapidez no recebimento, resolveu lá apresentar o cheque, ocasião em que o título foi 
devolvido. 
Levando em conta que a compra originária da emissão do cheque sem fundos ocorreu na cidade “Y”, o 
ministério público local fez o referido oferecimento da denúncia, a qual foi recebida pelo juízo da 1ª Vara 
Criminal da Comarca. Tal magistrado, após o recebimento da inicial acusatória, ordenou a citação da ré, 
bem como a intimação para apresentar resposta à acusação. 
Nesse sentido, atento(a) apenas às informações contidas no enunciado, responda de maneira 
fundamentada, e levando em conta o entendimento dos Tribunais Superiores, o que pode ser arguido em 
favor de Carolina. (Valor: 1,25) 
 
QUESTÃO 01 - XXI EXAME 
Paulo e Júlio, colegas de faculdade, comemoravam juntos, na cidade de São Gonçalo, o título obtido pelo 
clube de futebol para o qual o primeiro torce. Não obstante o clima de confraternização, em determinado 
momento, surgiu um entrevero entre eles, tendo Júlio desferido um tapa no rosto de Paulo. Apesar da 
pouca intensidade do golpe, Paulo vem a falecer no hospital da cidade, tendo a perícia constatado que a 
morte decorreu de uma fatalidade, porquanto, sem que fosse do conhecimento de qualquer pessoa, Paulo 
tinha uma lesão pretérita em uma artéria, que foi violada com aquele tapa desferido por Júlio e causou sua 
morte. O órgão do Ministério Público, em atuação exclusivamente perante o Tribunal do Júri da Comarca 
de São Gonçalo, denunciou Júlio pelo crime de lesão corporal seguida de morte (Art. 129, § 3º, do CP). 
Considerando a situação narrada e não havendo dúvidas em relação à questão fática, responda, na 
condição de advogado(a) de Júlio: 
 
A) É competente o juízo perante o qual Júlio foi denunciado? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual tese de direito material poderia ser alegada em favor de Júlio? Justifique. (Valor: 0.60) 
 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
 
 
 
 
 
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172 
 
7.7) CAUSAS MODIFICADORAS DA COMPETÊNCIA (CONEXÃO OU CONTINÊNCIA) 
 
7.7.1) COMPETÊNCIA POR CONEXÃO – Art. 76 
A conexão existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas 
por um vínculo, um nexo, um liame que aconselha a junção dos processos, propiciando, assim, 
ao julgador perfeita visão do quadro probatório. 
São efeitos da conexão: a reunião das ações penais em um mesmo 
processo e a prorrogação da competência. 
I) CONEXÃO INTERSUBJETIVA – Art. 76, I 
a) CONEXÃO INTERSUBJETIVAPOR SIMULTANEIDADE 
Diante da primeira parte do art. 76 (CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR 
SIMULTANEIDADE), há conexão se, ocorrendo duas ou mais infrações, “houverem sido praticadas, ao 
mesmo tempo, por várias pessoas reunidas”. NÃO HÁ LIAME PSICOLÓGICO. 
Ex. o exemplo clássico é o de diversos expectadores de um jogo de futebol, 
ocasionalmente reunidos, praticarem depredações no estádio. 
b) CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR CONCURSO 
Pelo art. 76, I, 2ª parte, há conexão se as infrações forem praticadas “por várias 
pessoas em concurso, embora diverso o tempo e lugar”. É a hipótese de concurso de pessoas em 
várias infrações. Ex. quadrilha que trafica entorpecentes em vários pontos da cidade. 
c) CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR RECIPROCIDADE 
Pelo art. 76, I, última parte, há conexão se os crimes forem praticados “por 
várias pessoas, umas contra as outras”. EX: agressões entre componentes de dois grupos de pessoas 
em um baile. 
II) CONEXÃO OBJETIVA, LÓGICA OU MATERIAL: Art. 76, II 
Nos termos do artigo 76, II, a competência é determinada pela conexão se, no 
caso de várias infrações, “houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para 
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas”. 
III) CONEXÃO INSTRUMENTAL OU PROBATÓRIA – Art. 76, III 
7.7.2) COMPETÊNCIA POR CONTINÊNCIA – Art. 77 
Diz que há continência quando uma coisa está contida em outra, não sendo 
possível a separação. 
 
 
 
 
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173 
 
I) CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO DE PESSOAS – Art. 77, I 
Justifica-se a junção de processos contra diferentes réus, desde que eles tenham 
cometido o crime em conluio, com unidade de propósitos, tornando único o fato a ser apurado. Difere 
da conexão por concurso, porque nesta há vários agentes praticando vários fatos. 
II) CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO FORMAL DE CRIMES – Art. 77, II 
O art. 70 refere-se ao concurso formal de crimes, em que, com uma mesma 
conduta o agente pratica dois ou mais crimes. 
O art. 73, 2ª parte refere-se ao erro de execução (aberratio ictus), em que, por 
acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, além de atingir a pessoa que pretendia ofender 
lesa outra. 
O art. 74, 2ª parte, refere-se ao resultado diverso do pretendido (aberratio 
criminis), em que fora da hipótese anterior, o agente além do resultado pretendido, causa outro. 
Em todos os casos, está-se diante de concurso formal, razão pela qual, na 
essência, o fato a ser apurado é um só, embora existam dois ou mais resultados. 
7.7.3) FORO PREVALENTE 
I) COMPETÊNCIA PREVALENTE DO JÚRI – Art. 78, I 
Dispõe o art. 78, I: “no concurso entre a competência do júri e a de outro 
órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri”. 
II) JURISDIÇÃO DA MESMA CATEGORIA – Art. 78, II 
Considera-se jurisdição da mesma categoria aquela que une magistrados 
aptos a julgar o mesmo tipo de causa. 
Ocorre, porém, que pode haver um conflito real entre esses magistrados. Ex: 
furto e receptação (conexão instrumental). Cada inquérito foi distribuído a um juiz diferente. Havendo 
conexão instrumental, torna-se viável que sejam julgados por um único juiz. 
Como ambos são de idêntica jurisdição, estabelecem-se regras para escolha do 
foro prevalente: 
A) FORO ONDE FOI COMETIDA A INFRAÇÃO MAIS GRAVE 
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão 
observadas as seguintes regras: 
(...) 
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: 
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais 
grave; 
 
 
 
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174 
 
(...) 
Tendo em vista que o primeiro critério de escolha é o referente ao lugar da 
infração, é possível que existam dois delitos sendo apurados em foros diferentes, tendo em vista que as 
infrações originaram-se em locais diversos (como no furto e receptação). 
Assim, elege-se qual é o mais grave para a escolha do foro prevalente: se for um 
furto qualificado e uma receptação simples, fixa-se o foro do furto qualificado (pena mais 
grave) como o competente. 
B) FORO ONDE FOI COMETIDO O MAIOR NÚMERO DE INFRAÇÕES 
 
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão 
observadas as seguintes regras: 
(...) 
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: 
(...) 
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de 
infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; 
(...) 
Ex: Imagine-se que três delitos de furto simples (art. 155 do CP) estejam sendo 
apurados em Santos/SP, enquanto um delito de receptação simples (art. 180 do CP), praticados, em tese, 
em conexão, esteja sendo apurado em Bauru/SP. Embora a pena do furto e da receptação sejam 
idênticas, o julgamento dos quatro crimes deve ser realizado em Santos/SP, onde foi praticado maior 
número de infrações. 
C) FORO RESIDUAL ESTABELECIDA PELA PREVENÇÃO 
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão 
observadas as seguintes regras: 
(...) 
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: 
(...) 
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; 
Neste caso, havendo magistrados de igual jurisdição em confronto e não sendo 
possível escolher pela regra da gravidade do crime (ex: furto simples e receptação simples), nem pelo 
número de delitos (em ambas as comarcas foram praticados um delito), elege-se o juiz pela prevenção, 
isto é, aquele que primeiro conhecer de um dos processos torna-se competente para julgar 
ambos, avocando da Comarca ou Vara vizinha o outro. 
 
 
 
 
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175 
 
7.8) COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 
7.8.1) INTRODUÇÃO 
Determinadas pessoas, por exercerem funções específicas, possuem a 
prerrogativa de serem julgadas originariamente por determinados órgãos. Trata-se de foro por 
prerrogativa da função exercida e não privilégio da pessoa. 
Importante atentar acerca de decisão recente do STF, a qual trouxe alterações 
significativas ao firmar o entendimento de que o foro por prerrogativa de função conferido aos deputados 
federais e senadores se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do cargo e em razão das funções a 
ele relacionadas. Ainda, o relator da respectiva Ação Penal (AP 937), ministro Luís Roberto Barroso, 
estabeleceu que, após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para 
apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais 
afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer 
que seja o motivo. 
Passa-se, agora, à análise de algumas hipóteses de foro por prerrogativa de 
função: 
7.8.2) COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – Art. 102, § I, “b” e “c”, CF/88 
O STF já firmou entendimento de que a expressão “infrações penais comuns” do 
art. 102, I, “b” e “c” abrange todas as modalidades de infrações penais, inclusive os crimes eleitorais, 
militares e as contravenções penais. 
7.8.3) COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – Art. 105, I, “a”, CF/88 
Nos termos do artigo 105, inciso I, “a”, da CF/88, compete ao Superior Tribunal 
de Justiça processar e julgar, originariamente, nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do 
Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos 
Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os 
dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos 
Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante 
tribunais 
7.8.4) COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS – Art. 108, I, “a”, CF/88 
Aos Tribunais Regionais Federais competem processar e julgar originariamente osjuízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes 
comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da 
Justiça Eleitoral. 
 
 
 
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Na parte final do artigo 108, inciso I, “a”, contém a ressalva em relação aos 
crimes eleitorais, de modo que, se um desses agentes praticar um crime eleitoral, será julgado pelo 
Tribunal Regional Eleitoral (TRE). 
7.8.5) COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA – Art. 96, III, CF/88 
Nos termos do artigo 96, inciso III, da CF/88, compete aos Tribunais de Justiça 
dos Estados julgar juízes estaduais e do Distrito Federal, bem como os membros do Ministério Público dos 
Estados. Contudo, a Constituição faz expressa ressalva à Justiça Eleitoral, de modo que, se qualquer 
desses agentes praticar crime eleitoral, será julgado no TRE. 
Os magistrados e os membros do MP devem ser julgados pelo Tribunal ao qual 
estão vinculados, pouco importando o lugar da infração, seguindo-se a competência estabelecida na 
Constituição Federal. 
Assim, caso um juiz estadual cometa um delito de competência da justiça federal 
será julgado pelo TJ do seu Estado. 
O mesmo se dá com o juiz federal que cometa um crime da esfera estadual: será 
julgado pelo TRF da sua área de atuação. 
Frise-se que pouco importa o lugar da infração penal. Se um juiz estadual de São 
Paulo cometer um delito no Estado do Amazonas, será julgado pelo TJ de São Paulo. 
Em se tratando de crime de competência do Tribunal do Júri continua 
prevalecendo a competência por prerrogativa de função, pois também prevista na Constituição Federal, ou 
seja, o Juiz que praticar crime doloso contra a vida será julgado pelo Tribunal de Justiça. 
7.8.6) COMPETÊNCIA PARA JULGAR PREFEITOS – Art. 29, X, CF/88 
Se o prefeito cometer um crime de competência de Justiça Comum Estadual, será 
julgado no Tribunal de Justiça. 
Contudo, se praticar um crime eleitoral, será julgado pelo Tribunal Regional 
Eleitoral (TRE). 
Se o delito for de competência da Justiça Federal será julgado pelo Tribunal 
Regional Federal (TRF). 
É o que se extrai da Súmula 702 do STF: “A competência do Tribunal de Justiça 
para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça Comum Estadual; nos demais 
casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”. 
Ver, ainda, as Súmulas 208 e 209 do STJ. 
 
 
 
 
 
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QUESTÃO 4 - IX EXAME 
Laura, empresária do ramo de festas e eventos, foi denunciada diretamente no Tribunal de Justiça do 
Estado “X”, pela prática do delito descrito no Art. 333 do CP (corrupção ativa). Na mesma inicial 
acusatória, o Procurador Geral de Justiça imputou a Lucas, Promotor de Justiça estadual, a prática da 
conduta descrita no Art. 317 do CP (corrupção passiva). A defesa de Laura, então, impetrou habeas corpus 
ao argumento de que estariam sendo violados os princípios do juiz natural, do devido processo legal, do 
contraditório e da ampla defesa; arguiu, ainda, que estaria ocorrendo supressão de instância, o que não se 
poderia permitir. Nesse sentido, considerando apenas os dados fornecidos, responda, 
fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) Os argumentos da defesa de Laura procedem? (Valor: 0,75) 
B) Laura possui direito ao duplo grau de jurisdição? (Valor: 0,50) 
 
QUESTÃO 3 - IV EXAME 
Na cidade de Arsenal, no Estado Z, residiam os deputados federais Armênio e Justino. Ambos objetivavam 
matar Frederico, rico empresário que possuía valiosas informações contra eles. Frederico morava na cidade 
de Tirol, no Estado K, mas seus familiares viviam em Arsenal. Sabendo que Frederico estava visitando a 
família, Armênio e Justino decidiram colocar em prática o plano de matá-lo. Para tanto, seguiram Frederico 
quando este saía da casa de seus parentes e, utilizando-se do veículo em que estavam, bloquearam a 
passagem de Frederico, de modo que a caminhonete deste não mais conseguia transitar. Ato contínuo, 
Armênio e Justino desceram do automóvel. Armênio imobilizou Frederico e Justino desferiu tiros contra ele, 
Frederico. Os algozes deixaram rapidamente o local, razão pela qual não puderam perceber que Frederico 
ainda estava vivo, tendo conseguido salvar-se após socorro prestado por um passante. Tudo foi noticiado à 
polícia, que instaurou o respectivo inquérito policial. No curso do inquérito, os mandatos de Armênio e 
Justino chegaram ao fim, e eles não conseguiram se reeleger. O Ministério Público, por sua vez, munido 
dos elementos de informação colhidos na fase inquisitiva, ofereceu denúncia contra Armênio e Justino, por 
tentativa de homicídio, ao Tribunal do Júri da Justiça Federal com jurisdição na comarca onde se deram os 
fatos, já que, à época, os agentes eram deputados federais. Recebida a denúncia, as defesas de Armênio e 
Justino mostraram-se conflitantes. Já na fase instrutória, Frederico teve seu depoimento requerido. A 
vítima foi ouvida por meio de carta precatória em Tirol. Na respectiva audiência, os advogados de Armênio 
e Justino não compareceram, de modo que juízo deprecado nomeou um único advogado para ambos os 
réus. O juízo deprecante, ao final, emitiu decreto condenatório em face de Armênio e Justino. Armênio, 
descontente com o patrono que o representava, destituiu-o e nomeou você como novo advogado. 
Com base no cenário acima, indique duas nulidades que podem ser arguidas em favor de Armênio. 
Justifique com base no CPP e na CRFB. (Valor: 1,25) 
 
 
 
 
 
 
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Ver a pasta das AULAS COMPLEMENTARES (EAD) os seguintes conteúdos: 
• RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
• CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
• RAZÕES DE APELAÇÃO 
• CARTA TESTEMUNHÁVEL 
• RECURSO ESPECIAL 
• RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
 
 
 
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OAB 2ª FASE 
 
PROCESSO PENAL 
 
PADRÃO DE RESPOSTAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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Sumário 
 
CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL ......................................................................................... 181 
1) PRISÃO EM FLAGRANTE .................................................................................................................. 181 
2) PRISÃO PREVENTIVA ...................................................................................................................... 184 
3) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89) ............................................................................................ 188 
CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS – IDENTIFICAÇÃO ................................................................ 191 
CAPÍTULO III – AÇÃO PENAL, QUEIXA-CRIME E QUEIXA-CRIME SUBSDIÁRIA ....................... 192 
QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA OU SUBSTITUTIVA - AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA .... 192 
CAPÍTULO IV – FASE JUDICIAL – PROCEDIMENTO COMUM ..................................................... 193 
1) DENÚNCIA E CAUSAS DE REJEIÇÃO DA DENÚNCIA .......................................................................... 193 
2) RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 396 e 396-A ..................................................................................... 194 
3) MEMORIAIS .................................................................................................................................... 201 
4) EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI - PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO DA 
CONSUBSTANCIAÇÃO ......................................................................................................................... 212 
CAPÍTULO V - RECURSOS ...........................................................................................................216 
1) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO .................................................................................................... 216 
2) APELAÇÃO ...................................................................................................................................... 221 
3) CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO ..................................................................................................... 236 
4) REFORMATIO IN PEJUS ................................................................................................................... 237 
CAPÍTULO VI - COMPETÊNCIA ................................................................................................... 239 
COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO ................................................................................. 245 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2ª Fase 
 
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 CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL 
 
 
 
1) PRISÃO EM FLAGRANTE 
 
 
Questão 04 – XXII EXAME 
Diego e Júlio caminham pela rua, por volta das 21h, retornando para suas casas após mais um dia de aula 
na faculdade, quando são abordados por Marcos, que, mediante grave ameaça de morte e utilizando 
simulacro de arma de fogo, exige que ambos entreguem as mochilas e os celulares que carregavam. Após 
os fatos, Diego e Júlio comparecem em sede policial, narram o ocorrido e descrevem as características 
físicas do autor do crime. Por volta das 5h da manhã do dia seguinte, policiais militares em patrulhamento se 
deparam com Marcos nas proximidades do local do fato e verificam que ele possuía as mesmas 
características físicas do roubador. Todavia, não são encontrados com Marcos quaisquer dos bens 
subtraídos, nem o simulacro de arma de fogo. Ele é encaminhado para a Delegacia e, tendo-se verificado 
que era triplamente reincidente na prática de crimes patrimoniais, a autoridade policial liga para as 
residências de Diego e Júlio, que comparecem em sede policial e, em observância de todas as formalidades 
legais, realizam o reconhecimento de Marcos como responsável pelo assalto. O Delegado, então, lavra auto 
de prisão em flagrante em desfavor de Marcos, permanecendo este preso, e o indicia pela prática do crime 
previsto no Art. 157, caput, do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 69 do Código Penal. Diante 
disso, Marcos liga para seu advogado para informar sua prisão. Este comparece, imediatamente, em sede 
policial, para acesso aos autos do procedimento originado do Auto de Prisão em Flagrante. Considerando 
apenas as informações narradas, na condição de advogado de Marcos, responda, de acordo com a 
jurisprudência dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir. 
A) Qual requerimento deverá ser formulado, de imediato, em busca da liberdade de Marcos e sob qual 
fundamento? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Oferecida denúncia na forma do indiciamento, qual argumento de direito material poderá ser apresentado 
pela defesa para questionar a capitulação delitiva constante da nota de culpa, em busca de uma punição 
mais branda? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
Gabarito comentado 
A) A defesa de Marcos deverá formular requerimento de relaxamento da prisão, tendo em vista que não 
havia situação de flagrante a justificar a formalização do Auto de Prisão em Flagrante. Narra o enunciado 
que, de fato, Marcos, mediante grave ameaça, inclusive com emprego de simulacro de arma de fogo, 
subtraiu coisas alheias móveis de Diego e Julio, logo praticou dois crimes de roubo. As vítimas reconheceram 
o acusado, de modo que há justa causa para o oferecimento de denúncia. Todavia, não havia situação de 
flagrante a justificar a prisão do acusado. Isso porque o reconhecimento e prisão de Marcos ocorreram mais 
de 07 horas após o fato, sendo certo que não houve perseguição e nem com o agente foram encontrados 
instrumentos ou produtos do crime. Dessa forma, nenhuma das situações previstas no Art. 302 do Código 
de Processo Penal restou configurada. Em sendo a prisão ilegal, o requerimento a ser formulado é de 
relaxamento da prisão. Insuficiente, no caso, o examinando apresentar requerimento de liberdade 
provisória. Primeiro porque, em sendo a prisão ilegal, sequer deveriam ser analisados os pressupostos dos 
Artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal nesse momento. Além disso, a princípio, não seria caso de 
reconhecimento de ausência dos motivos da preventiva, já que foi praticado crime com circunstâncias 
graves e o agente é triplamente reincidente. B) O equívoco a ser alegado em relação à capitulação delitiva 
refere-se ao concurso de crimes. Sem dúvidas, confirmados os fatos, houve crime de roubo, já que foram 
subtraídas coisas alheias móveis e houve emprego de grave ameaça, ainda que apenas através de palavras 
de ordem e emprego de simulacro de arma de fogo. Da mesma forma, dois foram os crimes patrimoniais 
praticados. Isso porque dois patrimônios foram atingidos e presente o elemento subjetivo, tendo em vista 
que Marcos sabia que estava subtraindo pertences de duas pessoas diversas. Todavia, com uma só ação, 
mediante uma ameaça, foram subtraídos bens de dois patrimônios diferentes. Assim, deverá ser reconhecido 
 1
 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
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182 
 
o concurso formal de delitos, aplicando-se a regra da exasperação da pena, e não o concurso material, com 
aplicação do cúmulo material de sanções. 
 
Tabela de Pontos 
 
ITEM PONTUAÇÃO 
 
A. O requerimento a ser formulado é de relaxamento da 
prisão (0,35), tendo em vista que não está presente 
nenhuma das situações de flagrante elencadas no Art. 302 
do CPP (0,30). 
0,00/0,30/0,35/0,65 
B. O argumento é que houve concurso formal de crimes 
(0,35), tendo em vista que, com uma só ação, foram 
praticados dois delitos (0,15), nos termos do Art. 70 do CP 
(0,10). 
0,00/0,15/0,25/0,35/0,45/ 0,50/0,60 
 
 
Questão 02 - XII EXAME OAB 
 
Ricardo é delinquente conhecido em sua localidade, famoso por praticar delitos contra o patrimônio sem 
deixar rastros que pudessem incriminá-lo. Já cansando da impunidade, Wilson, policial e irmão de uma das 
vítimas de Ricardo, decide que irá empenhar todos os seus esforços na busca de uma maneira para prender, 
em flagrante, o facínora. 
Assim, durante meses, se faz passar por amigo de Ricardo e, com isso, ganhar a confiança deste. Certo dia, 
decidido que havia chegada a hora, pergunta se Ricardo poderia ajudá-lo na próxima empreitada. Wilson diz 
que elaborou um plano perfeito para assaltar uma casa lotérica e que bastaria ao amigo seguir as 
instruções. O plano era o seguinte: Wilson se faria passar por um cliente da casa lotérica e, percebendo o 
melhor momento, daria um sinal para que Ricardo entrasse no referido estabelecimento e anunciasse o 
assalto, ocasião em que o ajudaria a render as pessoas presentes. Confiante nas suas próprias habilidades e 
empolgado com as ideias dadas por Wilson, Ricardo aceita. No dia marcado por ambos, Ricardo, seguindo o 
roteiro traçado por Wilson, espera o sinal e, tão logo o recebe, entra na casa lotérica e anuncia o assalto. 
Todavia, é surpreendido ao constatar que tanto Wilson quanto todos os “clientes” presentes na casa lotérica 
eram policiais disfarçados. Ricardo acaba sendo preso em flagrante, sob os aplausos da comunidade e dos 
demais policiais, contentes pelo sucesso do flagrante. Levado à delegacia, o delegado de plantão imputa a 
Ricardo a prática do delito de roubo na modalidade tentada. 
Nesse sentido, atento tão somente às informações contidas no enunciado, responda justificadamente: 
A) Qual a espécie de flagrante sofrido por Ricardo? (Valor: 0,80) 
B) Qual é a melhor tese defensiva aplicável à situação de Ricardo relativamente à sua responsabilidade 
jurídicopenal? (Valor: 0,45) 
 
GABARITO COMENTADO 
A situação narrada configurahipótese de flagrante preparado (ou provocado). Tal prisão em flagrante é nula 
e deve ser imediatamente relaxada, haja vista o fato de ter sido preparada por um agente provocador, que 
adotou medidas aptas a impedir por completo a consumação do crime. 
Inclusive, o Verbete 145 da Súmula do STF disciplina que nas situações como a descrita no enunciado 
inexiste crime. 
Aplica-se, também, o Art. 17 do Código Penal: o flagrante preparado constitui hipótese de crime impossível. 
Sendo assim, a melhor tese defensiva aplicável a Ricardo é aquela no sentido de excluir a prática de crime 
com base no Verbete 145, da Súmula do STF, e no Art. 17, do Código Penal. 
Note-se que o enunciado da questão deixa claro que busca a melhor tese defensiva no campo jurídicopenal. 
Assim, eventuais respostas indicativas de soluções no âmbito processual (tais como: prisão ilegal que deve 
ser relaxada), ainda que corretas, não serão consideradas para efeito de pontuação, haja vista o fato de não 
responderem ao questionado. 
 
 
 
 
 
 
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183 
 
QUESTÃO 4 – XXIV EXAME 
Pablo, que possui quatro condenações pela prática de crimes com violência ou grave ameaça à pessoa, 
estava no quintal de sua residência brincando com seu filho, quando ingressa em seu terreno um cachorro 
sem coleira. O animal adota um comportamento agressivo e começa a tentar atacar a criança de 05 anos, 
que brincava no quintal com o pai. Diante disso, Pablo pega um pedaço de pau que estava no chão e 
desfere forte golpe na cabeça no cachorro, vindo o animal a falecer. No momento seguinte, chega ao local o 
dono do cachorro, que, inconformado com a morte deste, chama a polícia, que realiza a prisão em flagrante 
de Pablo pela prática do crime do Art. 32 da Lei nº 9.605/98. Os fatos acima descritos são integralmente 
confirmados no inquérito pelas testemunhas. Considerando que Pablo é multirreincidente na prática de 
crimes graves, o Ministério Público se manifesta pela conversão do flagrante em preventiva, afirmando o 
risco à ordem pública pela reiteração delitiva. Considerando as informações narradas, na condição de 
advogado(a) de Pablo, que deverá se manifestar antes da decisão do magistrado quanto ao requerimento 
do Ministério Público, responda aos itens a seguir. 
 A) Qual pedido deverá ser formulado pela defesa de Pablo para evitar o acolhimento da manifestação pela 
conversão da prisão em flagrante em preventiva? Justifique. (Valor: 0,60) 
B) Sendo oferecida denúncia, qual argumento de direito material poderá ser apresentado em busca da 
absolvição de Pablo? Justifique. (Valor: 0,65) 
 
GABARITO COMENTADO 
A) A defesa de Pablo deverá formular pedido de liberdade provisória, tendo em vista que, apesar de ostentar 
diversas condenações pela prática de crimes graves, na situação apresentada, com base nas informações 
constantes do auto de prisão em flagrante, poderá o juiz verificar que Pablo agiu amparado por causa 
excludente da ilicitude, de modo que poderá conceder liberdade provisória, mediante termo de 
comparecimento a todos os atos do processo, conforme previsão do Art. 310, parágrafo único, do CPP. 
B) O argumento de direito material a ser apresentado é que Pablo deverá ser absolvido do crime imputado 
porque agiu amparado por estado de necessidade, que é causa excludente da ilicitude. Todos os requisitos 
estabelecidos pelo Art. 24 do CP estão preenchidos, tendo em vista que havia situação de perigo atual ao 
seu filho, não provocada por Pablo, e não tinha ele outra maneira de agir para proteção, tendo em vista que 
o cão adotava comportamento agressivo e tentava atacar a criança. Além disso, em que pese a relevência 
da vida de um cachorro para o seu dono, o sacrifício da vida de uma criança não era razoável exigir nas 
circunstâncias do caso concreto. Não há que se falar em legítima defesa, porém, pois esta pressupõe injusta 
agressão, o que, por sua vez, somente se configura com um comportamento humano. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A. Liberdade provisória (0,35), nos termos do Art. 310, parágrafo único, do CPP (0,10), já que o juiz pode 
verificar, com base nas informações do auto de prisão em flagrante, que Pablo agiu amparado em causa 
excludente da ilicitude (0,15). 
B. A existência de estado de necessidade (0,40), nos termos do Art. 24 do CP OU Art. 23, inciso I, do CP 
(0,10), que funciona como causa excludente da ilicitude (0,15). 
 
QUESTÃO 4 - XVI EXAME 
Wesley, estudante, foi preso em flagrante no dia 03 de março de 2015 porque conduzia um veículo 
automotor que sabia ser produto de crime pretérito registrado em Delegacia da área em que residia. Na 
data dos fatos, Wesley tinha 20 anos, era primário, mas existia um processo criminal em curso em seu 
desfavor, pela suposta prática de um crime de furto qualificado. Diante dessa anotação em sua Folha de 
Antecedentes Criminais, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em 
preventiva, afirmando que existiria risco concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros 
envolvimentos com o aparato judicial. Você, como advogado(a) indicado por Wesley, é comunicado da 
ocorrência da prisão em flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo Delegado. 
Da mesma forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o magistrado, 
 
 
 
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sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. Considerando as informações narradas, 
responda aos itens a seguir. 
A) Qual a medida processual, diferente de habeas corpus, a ser adotada pela defesa técnica de Wesley? 
(Valor: 0,50) 
B) A representação da autoridade policial foi elaborada de modo adequado? (Valor: 0,75) Responda 
justificadamente, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao 
caso. 
GABARITO COMENTADO 
A) Considerando que o enunciado narra que foi realizada validamente a prisão em flagrante de Wesley pela 
prática do crime de receptação simples, a medida processual a ser formulada é o pedido de liberdade 
provisória, evitando que seja decretada a prisão preventiva do indiciado. 
B) A representação da autoridade policial não foi elaborada de maneira adequada em relação à sua 
fundamentação, pois não estão preenchidos os requisitos do Art. 313 do Código de Processo Penal, sendo 
estes indispensáveis para a conversão da prisão em flagrante em preventiva. O crime praticado pelo 
indiciado não tem pena privativa de liberdade máxima superior a 04 anos. Ademais, não é o acusado 
reincidente na prática de crime doloso, devendo ser destacado que a existência de ação em curso não afasta 
a ausência de configuração do inciso II do Art. 313. Os requisitos do inciso III também não estão atendidos, 
sendo incabível a prisão preventiva, independentemente da fundamentação com os pressupostos do Art. 312 
do CPP. 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A. Formulação de pedido de liberdade provisória (0,40), com fundamento no Art. 321 do CPP ou no Art. 310, 
III, do CPP (0,10). Obs.: a mera citação do dispositivo legal não será pontuada. 0,00/0,40/0,50 
 B. A representação da autoridade policial não foi elaborada de maneira adequada em relação à sua 
fundamentação, pois não estão preenchidos os requisitos para a decretação da prisão preventiva (0,65), do 
Art. 313 do CPP (0,10). 
Obs.: a mera citação do dispositivo legal não será pontuada. 0,00/0,65/0,75 
 
 
2) PRISÃO PREVENTIVA 
 
Questão 01 – XX EXAME DA OAB 
Fausto, ao completar 18 anos de idade, mesmo sem ser habilitado legalmente, resolveu sair com o carro do 
seu genitor sem o conhecimento do mesmo. No cruzamento de uma avenida de intenso movimento, não 
tendo atentado para a sinalização existente, veio a atropelar Lídia e suas 05 filhas adolescentes, que 
estavam na calçada, causando-lhes diversas lesões que acarretaram a morte das seis. Denunciado pelaprática de seis crimes do Art. 302, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 9503/97, foi condenado nos termos do 
pedido inicial, ficando a pena final acomodada em 04 anos e 06 meses de detenção em regime semiaberto, 
além de ficar impedido de obter habilitação para dirigir veículo pelo prazo de 02 anos. A pena privativa de 
liberdade não foi substituída por restritivas de direitos sob o fundamento exclusivo de que o seu quantum 
ultrapassava o limite de 04 anos. No momento da sentença, unicamente com o fundamento de que o 
acusado, devidamente intimado, deixou de comparecer espontaneamente a última audiência designada, que 
seria exclusivamente para o seu interrogatório, o juiz decretou a prisão cautelar e não permitiu o apelo em 
liberdade, por força da revelia. Apesar de Fausto estar sendo assistido pela Defensoria Pública, seu genitor o 
procura, para que você, na condição de advogado(a), preste assistência jurídica. Diante da situação narrada, 
como advogado(a), responda aos seguintes questionamentos formulados pela família de Fausto: 
A) Mantida a pena aplicada, é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos? Justifique. (Valor: 0,65) 
 
 
 
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B) Em caso de sua contratação para atuar no processo, o que poderá ser alegado para combater, 
especificamente, o fundamento da decisão que decretou a prisão cautelar? (Valor: 0,60) Obs.: o examinando 
deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
Gabarito Comentado 
A) Tratando-se de crime culposo, o fato de a pena ter ficado acomodada em mais de 04 anos, por si só, não 
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, sendo certo que o 
encarceramento deve ser deixado para casos especiais, quando se manifestar extremamente necessário.O Art. 
44, inciso I, do Código Penal, afirma expressamente que caberá substituição, independente da pena aplicada, 
se o crime for culposo. No caso, como o fundamento exclusivo do magistrado foi a pena aplicada, é possível 
afastá-lo e, consequentemente, buscar a substituição em sede de recurso. 
B) O fato de o acusado não ter comparecido ao interrogatório, por si só, não justifica o decreto prisional, 
devendo ser entendida a sua ausência como extensão do direito ao silêncio. Hoje, o interrogatório é tratado 
pela doutrina e pela jurisprudência não somente como meio de prova, mas também como meio de defesa. Por 
sua vez, o direito à ampla defesa inclui a defesa técnica e a autodefesa. No exercício da autodefesa, pode o 
acusado permanecer em silêncio durante seu interrogatório. Da mesma forma, poderá deixar de comparecer ao 
ato como extensão desse direito, sendo certo que no caso não haveria qualquer prejuízo para a instrução nesta 
ausência, já que a audiência seria apenas para interrogatório. A prisão, antes do trânsito em julgado da decisão 
condenatória, reclama fundamentação concreta da necessidade da medida, não podendo ser aplicada como 
forma de antecipação de pena. A banca examinadora considerou como adequada a alegação do não cabimento 
da prisão preventiva pelo fato de o crime praticado por Fausto ser culposo, não atendendo, assim, o requisito 
do art. 313, inc. I, do CPP. A mera alegação, em abstrato, de ausência dos requisitos da prisão preventiva foi 
considerada insuficiente, bem como a mera citação do dispositivo legal acima destacado. 
 
QUESTÃO 4 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz 
no dia da prova geral da 2ª fase) 
Maria, primária e com bons antecedentes, trabalha há vários anos dirigindo uma van de transporte de crianças. 
Certo dia, após mudar o itinerário sempre observado, resolve fazer compras em um supermercado, onde 
permaneceu por duas horas, esquecendo de entregar uma das crianças de 03 anos na residência da mesma. Ao 
retornar ao veículo, encontra a criança desfalecida e, desesperada, leva-a ao hospital, não conseguindo, porém, 
evitar o óbito. Acabou denunciada e condenada pela prática do injusto do Art. 133, § 2º, do Código Penal 
(abandono de incapaz com resultado morte) à pena de 04 anos de reclusão em regime aberto. Apesar de ter 
respondido ao processo em liberdade, não foi permitido à Maria apelar em liberdade, fundamentando o juiz a 
ordem de prisão na grande comoção social que o fato causou. A família dispensou o advogado anterior e o(a) 
procurou para que assumisse a defesa de Maria. Considerando apenas as informações narradas na situação 
hipotética, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a tese de direito material a ser alegada em eventual recurso defensivo para evitar a punição de Maria 
pelo crime pelo qual foi denunciada? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual a medida que deve ser adotada na busca da liberdade imediata de Maria e com qual fundamento? 
Justifique. (Valor: 0,60) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo 
legal não confere pontuação. 
Gabarito comentado 
A) Deveria o advogado buscar a absolvição de Maria pelo fato de não ter praticado dolosamente o abandono de 
incapaz ou, ao menos, a desclassificação para homicídio culposo. O crime de abandono de incapaz somente 
pode ser praticado de forma dolosa, não admitindo a responsabilização criminal do agente a título de culpa. Na 
hipótese, de acordo com o texto apresentado, Maria não teve a intenção de abandonar a criança no veículo, 
tendo, de forma negligente, a esquecido no interior do carro. Dessa forma, não há como ser mantida a 
 
 
 
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condenação pelo crime de abandono de incapaz. O Art. 133, §2º, do Código Penal, apesar de ser aplicável 
quando o resultado morte decorrer de culpa, exige que haja dolo na conduta antecedente, qual seja, abandono 
de incapaz, o que não ocorreu na presente hipótese. 
B) Para garantir a liberdade imediata de Maria, o advogado deveria impetrar habeas corpus visando 
restabelecer a liberdade da ré até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A regra geral, que 
obviamente admite exceções, é a de que o acusado deve apelar na mesma condição em que se encontrava no 
curso da instrução. Estando solto, apela solto; estando preso e sendo condenado em primeira instância, em 
especial à pena em regime de cumprimento fechado, poderá ser mantida a prisão. No caso concreto deveria ser 
combatida a decisão que decreta a prisão preventiva de Maria. Alguns argumentos poderiam ser apresentados 
pelo examinando. Primeiramente, poderia ele alegar que não houve circunstância fática nova a justificar a 
decretação da prisão preventiva, que é medida cautelar e não antecipação do cumprimento da pena. Da mesma 
forma, poderia esclarecer que a motivação pela comoção social é insuficiente, pois não confunde com o risco 
para a ordem pública, ademais, de acordo com jurisprudência firme dos Tribunais Superiores, comoção social 
não enseja prisão cautelar. A sentença condenatória não inovou a situação de modo a justificar a alteração do 
status libertatis. Por fim, poderia o examinando alegar que Maria foi condenada a 04 anos de reclusão, em 
regime inicial aberto. A imposição de prisão preventiva, que é medida cautelar, acabaria sendo mais gravosa do 
que a medida final aplicada, o que violaria o princípio da homogeneidade. Distribuição dos Pontos ITEM 
PONTUAÇÃO A.A tese a ser alegada é que Maria deve ser absolvida ou ter sua conduta desclassificada para o 
crime de homicídio culposo (0,30), pois o abandono decorreu de culpa e não de dolo (0,35). 0,00 / 0,30 / 0,35 
/ 0,65 B.O advogado deveria impetrar habeas corpus (0,25), alegando que não houve alteração fática a 
justificar o decreto prisional OU que a comoção social não é motivação idônea, OU porque com a aplicação do 
regime aberto, a medida cautelar acabaria sendo mais gravoso que a definitiva (0,35). 0,00 / 0,25 / 0,35 / 0,60 
Questão 02 - XVII EXAME 
Glória, esposa ciumentade Jorge, inicia uma discussão com o marido no momento em que ele chega do 
trabalho à residência do casal. Durante a discussão, Jorge faz ameaças de morte à Glória, que, de imediato 
comparece à Delegacia, narra os fatos, oferece representação e solicita medidas protetivas de urgência. 
Encaminhados os autos para o Ministério Público, este requer em favor de Glória a medida protetiva de 
proibição de aproximação, bem como a prisão preventiva de Jorge, com base no Art. 313, inciso III, do CPP. 
O juiz acolhe os pedidos do Ministério Público e Jorge é preso. Novamente os autos são encaminhados para 
o Ministério Público, que oferece denúncia pela prática do crime do Art. 147 do Código Penal. Antes do 
recebimento da inicial acusatória, arrependida, Glória retorna à Delegacia e manifesta seu interesse em não 
mais prosseguir com o feito. A família de Jorge o procura em busca de orientação, esclarecendo que o autor 
é primário e de bons antecedentes. Considerando apenas a situação narrada, na condição de advogado(a) 
de Jorge, esclareça os seguintes questionamentos formulados pelos familiares: 
A) A prisão de Jorge, com fundamento no Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, é válida? (Valor: 
0,60) 
B) É possível a retratação do direito de representação por parte de Glória? Em caso negativo, explicite as 
razões; em caso positivo, esclareça os requisitos. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas 
respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação 
GABARITO COMENTADO 
A) Deveria o examinando demonstrar que a prisão preventiva decretada em desfavor de Jorge, com base no 
Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, não é válida no caso concreto. De início, é possível 
perceber que os requisitos previstos no Art. 313, incisos I e II, do CPP não estão presentes, pois a pena 
máxima para o crime praticado é inferior a 04 anos e Jorge é primário e de bons antecedentes. Em relação 
ao inciso III do Art. 313, não basta que o crime seja praticado em situação de violência doméstica e familiar 
contra mulher. Para regularidade da prisão, é preciso que seja aplicada para garantir execução de medida 
protetiva de urgência. Dessa forma, somente será cabível caso exista uma medida protetiva anteriormente 
aplicada e descumprida ou, ao menos, que, após aplicação da medida protetiva, exista risco concreto de 
descumprimento. No caso, de imediato o magistrado, após requerimento do Ministério Público, decretou a 
 
 
 
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prisão preventiva, sem que houvesse medida protetiva de urgência previamente aplicada. Assim, não foi 
válida a prisão. 
B) Deveria o examinando esclarecer que o crime de ameaça é de ação penal pública condicionada à 
representação, nos termos do Art. 147, parágrafo único, do Código Penal, de modo que é possível a 
retratação do direito de representação. Como o crime foi praticado em situação de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, contudo, alguns requisitos são trazidos pela lei de modo a garantir que essa 
manifestação foi livre de pressões. Tais requisitos são trazidos pelo Art. 16 da Lei 11.340/06, que admite a 
retratação antes do recebimento da denúncia, desde que realizada em audiência especial, na presença do 
magistrado, após manifestação do Ministério Público. 
 
QUESTÃO 02 - XV EXAME 
Durante inquérito policial que investigava a prática do crime de extorsão mediante sequestro, esgotado o 
prazo sem o fim das investigações, a autoridade policial encaminhou os autos para o Judiciário, requerendo 
apenas a renovação do prazo. O magistrado, antes de encaminhar o feito ao Ministério Público, verificando a 
gravidade em abstrato do crime praticado, decretou a prisão preventiva do investigado. Considerando a 
narrativa apresentada, responda aos itens a seguir. 
A) Poderia o magistrado adotar tal medida? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) A fundamentação apresentada para a decretação da preventiva foi suficiente? Justifique. (Valor: 0,60) 
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
GABARITO COMENTADO 
A questão em análise busca extrair conhecimento acerca do tema prisão preventiva. Durante muito tempo 
se controverteu sobre a possibilidade de o magistrado decretar a prisão preventiva de ofício, em especial 
durante as investigações policiais. A lei 12.403 conferiu novo tratamento ao tema. Na hipótese narrada, o 
juiz, ainda durante a fase de investigação, sem ação penal em curso, decretou a prisão preventiva do 
indiciado de ofício, o que não é admitido pelo artigo 311 do Código de Processo Penal, tendo em vista que 
violaria o princípio da imparcialidade, o princípio da inércia e até mesmo o sistema acusatório. Ainda que a 
decretação da prisão preventiva de ofício neste momento fosse admitida, a fundamentação apresentada 
seria insuficiente, pois a gravidade em abstrato do crime não pode justificar a aplicação de medidas 
cautelares pessoais. O juiz não fundamentou a prisão preventiva, medida excepcional considerando o 
princípio da presunção de inocência e o direito à liberdade, com circunstâncias em concreto do caso. 
Nesse sentido, perceba-se que a questão em análise dividiu-se em dois itens distintos. 
Para receber a pontuação relativa ao item ‘A’, considerando-se o comando da questão (“Poderia o 
magistrado adotar tal medida? Justifique.”), o examinando deveria responder que o magistrado não poderia 
ter agido daquela forma, calcando-se no sistema acusatório que norteia o processo penal brasileiro desde 
sua expressa adoção pela nossa Magna Carta. Consoante o sistema acusatório o juiz deve ser inerte e 
imparcial, de sorte que a decretação de uma prisão cautelar de ofício por parte do magistrado fere 
frontalmente tais postulados. Ademais, interpretando-se o art. 311 do CPP, resta claro que o juiz não pode 
decretar prisão preventiva de ofício na fase de inquérito. Tal interpretação decorre, obviamente, de uma 
leitura baseada no sistema acusatório. Nesse ínterim, é oportuno destacar que eventuais respostas calcadas 
no art. 311 do CPP, necessariamente, deveriam demonstrar que tal dispositivo veda a decretação de prisão 
preventiva de ofício pelo juiz na fase de inquérito policial; a tal constatação somente se chega a partir de 
uma interpretação principiológica, razão pela qual não merecem pontuação as respostas que se limitarem a 
indicar como fundamento da negativa o art. 311 do CPP, simplesmente, sem qualquer análise mais 
aprofundada. 
Por fim, para fazer jus à pontuação relativa ao item ‘B’, considerando-se o comando da questão, o 
examinando deveria indicar que a fundamentação apresentada pelo magistrado não foi suficiente, pois a 
gravidade em abstrato do delito, segundo entendimento pacífico, não é argumento idôneo, capaz de 
justificar uma prisão cautelar. Mais uma vez, a simples indicação de dispositivo legal não deve ser pontuada, 
sendo necessário, tal como manda o enunciado, que o examinando justifique sua resposta. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A) Não poderia, sob pena de violação do princípio da imparcialidade OU princípio da inércia OU 
sistema/princípio acusatório (0,55), com base no Arts. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88 
(0,10) 
 
 
 
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OU 
Não, com base no fato de que o juiz não pode decretar prisão preventiva de ofício na fase de inquérito 
(0,55), com base no art. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88 (0,10) 
OU 
Não, com base no fato de que o juiz só poderia decretar prisão preventiva de ofício na fase processual 
(0,55), com base no art. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88 (0,10). 
Obs.: a mera citação do artigo não pontua. 
0,00/0,10/0,55/0,65 
B) A fundamentação não foi suficiente porque a gravidade em abstrato do crime não é argumento hábil a 
fundamentar uma prisão (0,60) 
 
 
QUESTÃO 3 – EXAME 2010-03 
Jeremias épreso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o 
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por 
duas funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a 
prática do delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o 
Ministério Público Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da ordem 
pública, por ser o crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as testemunhas 
seriam mulheres e poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade antes da colheita 
de seus depoimentos judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão preventiva de Jeremias, 
utilizando-se dos argumentos apontados pelo Parquet. 
Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal 
pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a decisão judicial que recebeu a denúncia 
e decretou a prisão preventiva. 
GABARITO COMENTADO 
a) Não, pois a competência para processamento e julgamento é de uma vara comum da justiça estadual, 
por se tratar de crime patrimonial e que não ofende bens, serviços ou interesses da União ou de suas 
entidades autárquicas. 
b) Não, pois a jurisprudência é pacífica no sentido de que considerações genéricas e presunções de que em 
liberdade as testemunhas possam sentir-se amedrontadas não são argumentos válidos para a decretação da 
prisão antes do trânsito em julgado de decisão condenatória, pois tal providência possui natureza 
estritamente cautelar, de modo que somente poderá ser determinada quando calcada em elementos 
concretos que demonstrem a existência de risco efetivo à eficácia da prestação jurisdicional. 
c) Tribunal Regional Federal, pois a autoridade coatora é juiz de direito federal. 
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação: 
 
Item Pontuação 
Incompetência da Justiça Federal para julgar o caso (0,15), por não se enquadrar 
nas hipóteses do art. 109 da CRFB (0,15). 
 
Incompetência do Tribunal do Júri (0,15), considerando que o crime de latrocínio 
tem natureza patrimonial (0,15). 
 
Ilegalidade na decretação da prisão preventiva (0,2), com base na impossibilidade 
de fundamentar a prisão na gravidade abstrata do crime OU na presunção de que 
as vítimas se sentiriam amedrontadas (0,2). 
0 / 0,15 / 0,3 
 
 
0 / 0,15 / 0,3 
 
 
0 / 0,2 / 0,4 
 
 
 
3) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89) 
 
QUESTÃO 02 - XX EXAME 
Lúcio, com residência fixa e proprietário de uma oficina de carros, adquiriu de seu vizinho, pela quantia de 
R$1.000,00 (mil reais) um aparelho celular, que sabia ser produto de crime pretérito, passando a usá-lo 
como próprio. Tomando conhecimento dos fatos, um inimigo de Lúcio comunicou o ocorrido ao Ministério 
 
 
 
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Público, que requisitou a instauração de inquérito policial. A autoridade policial instaurou o procedimento, 
indiciou Lúcio pela prática do crime de receptação qualificada (Art. 180, § 1º, do Código Penal), já que 
desenvolvia atividade comercial, e, de imediato, representou pela prisão temporária de Lúcio, existindo 
parecer favorável do Ministério Público. A família de Lúcio o procura para esclarecimentos. Na condição de 
advogado de Lúcio, esclareça os itens a seguir. 
A) No caso concreto, a autoridade policial poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio? (Valor: 
0,60) 
B) Confirmados os fatos acima narrados, o crime praticado por Lúcio efetivamente foi de receptação 
qualificada (Art. 180, § 1º, do CP)? Em caso positivo, justifique. Em caso negativo, indique qual seria o delito 
praticado e justifique. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação 
do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
Gabarito comentado 
 
A) No caso concreto, a autoridade policial não poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio. De 
início, deve ser destacado que o crime de receptação, ainda que em sua modalidade qualificada, não está 
previsto no rol de delitos estabelecido pelo Art. 1º, inciso III, da Lei nº 7.960/89. Isso, por si só, já afastaria 
a possibilidade de ser decretada a prisão temporária. Ademais, os outros requisitos trazidos pelos incisos I e 
II do Art. 1º do mesmo diploma legal também não estão preenchidos, uma vez que Lúcio possui residência 
fixa e a medida não se mostra imprescindível para as investigações do inquérito policial. Ressalta-se que a 
prisão temporária não se confunde com a preventiva, de modo que a fundamentação com base nos artigos 
312 e 313 do CPP será considerada insuficiente. B) O crime praticado por Lúcio foi o de receptação simples 
e não em sua modalidade qualificada. Prevê o Art. 180, § 1º, do Código Penal, que a pena será de 03 a 08 
anos, quando o agente “Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, 
montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no 
exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime”. A ideia do 
legislador foi punir mais severamente aquele comerciante que se aproveita de sua profissão para ter um 
acesso facilitado ou maior facilidade na venda de bens produtos de crimes. Assim, para tipificar a 
modalidade qualificada, é necessária que a receptação tenha sido praticada pelo agente no exercício de 
atividade comercial ou industrial. Não basta que o autor seja comerciante. No caso concreto, apesar de 
comerciante, Lúcio não teve acesso ao celular produto de crime em razão de sua atividade comercial, pois o 
adquiriu de seu vizinho. Além disso, essa mesma atividade comercial não facilitaria eventual revenda do 
bem, já que sua intenção foi ficar com o celular para si. Dessa forma, configurado, apenas, o crime de 
receptação simples. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS ITEM PONTUAÇÃO 
A. Não poderia a autoridade policial ter representado pela prisão temporária, pois o crime de receptação não 
está previsto no rol de crimes que admitem essa modalidade de prisão (0,50), na forma do Art. 1º, inciso 
III, da Lei nº 7.960/89 (0,10). 0,00 / 0,50 / 0,60 
 
B. Não, pois o crime praticado foi de receptação simples (0,35), tendo em vista que Lúcio não adquiriu o 
bem no exercício de atividade comercial (0,30). 0,00 / 0,30 / 0,35 / 0,65 
 
 
QUESTÃO 03 - VI OAB 
Caio, Mévio, Tício e José, após se conhecerem em um evento esportivo de sua cidade, resolveram praticar 
um estelionato em detrimento de um senhor idoso. Logrando êxito em sua empreitada criminosa, os quatro 
dividiram os lucros e continuaram a vida normal. Ao longo da investigação policial, apurou-se a autoria do 
delito por meio dos depoimentos de diversas testemunhas que presenciaram a fraude. Em decorrência de tal 
informação, o promotor de justiça denunciou Caio, Mévio, Tício e José, alegando se tratar de uma quadrilha 
de estelionatários, tendo requerido a decretação da prisão temporária dos denunciados. Recebida a 
denúncia, a prisão temporária foi deferida pelo juízo competente. 
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados 
e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual(is) o(s) meio(s) de se impugnar tal decisão e a quem deverá(ão) ser endereçado(s)? (Valor: 0,6) 
b) Quais fundamentos deverão ser alegados? (Valor: 0,65) 
 
 
 
 
PROCESSO PENAL 
Prof. Nidal Ahmad 
OAB 
2ª Fase 
 
190 
 
Gabarito Comentado: 
a) Relaxamento de prisão, endereçado ao juiz de direito estadual. 
OU 
Habeas corpus, endereçado ao Tribunal de Justiça estadual. 
b) Ilegalidade da prisão, pois não há formação de quadrilha quando a reunião se dá para a prática de 
apenas um delito. Não há que se falar em formação de quadrilha,

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