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FACIT | Práticas Jurídicas Penais | Caso Prático Faculdade de Ciências do Tocantins – FACIT | 1 FACIT Faculdade de Ciências do Tocantins CURSO DE DIREITO Práticas Jurídicas Penais CASO PRÁTICO Prerrogativas da Advocacia, Prisão em Flagrante e Abuso de Autoridade Policial Disciplina Práticas Jurídicas Penais Área Direito Penal e Processual Penal Nível Graduação em Direito Professor Prof. Esp. Márcio Adriano Souza OBJETIVOS PEDAGÓGICOS Este caso prático tem por finalidade desenvolver no aluno a capacidade de identificar e aplicar institutos do Direito Penal, do Direito Processual Penal e do Estatuto da Advocacia (Lei n.º 8.906/1994) diante de situação concreta envolvendo conflito entre prerrogativas profissionais da advocacia e o exercício do poder de polícia. A análise deve considerar, ainda, os princípios constitucionais pertinentes e as normas da Lei de Abuso de Autoridade (Lei n.º 13.869/2019). NARRATIVA DOS FATOS 1 Uma advogada compareceu a uma delegacia de polícia civil para registrar boletim de ocorrência em razão de suposto crime de injúria e difamação do qual teria sido vítima. Após o registro, a autoridade policial — delegado de polícia civil — determinou o arquivamento do boletim de ocorrência, justificando o ato com o excesso de trabalho e a insuficiência de pessoal no órgão. 2 Insatisfeita com a decisão de arquivamento, a advogada publicou em suas redes sociais pessoais o teor do despacho proferido pela autoridade policial, sem identificar o delegado pelo nome, nem fazer qualquer referência direta à sua pessoa. 3 Sentindo-se difamado pela publicação, o delegado de polícia dirigiu-se pessoalmente ao escritório de advocacia da profissional, fortemente armado, e ali deu voz de prisão em flagrante delito, FACIT | Práticas Jurídicas Penais | Caso Prático Faculdade de Ciências do Tocantins – FACIT | 2 imputando-lhe a prática do crime de difamação. O ato gerou tumulto no interior do escritório. Ao ser conduzida à delegacia, a advogada foi algemada. Chegando ao estabelecimento policial, o delegado acresceu ao ato as imputações de desacato e resistência à prisão. INDAGAÇÕES PARA ANÁLISE Com base nos fatos narrados, responda fundamentadamente às seguintes questões, indicando os dispositivos legais e constitucionais aplicáveis: 1 O delegado de polícia agiu corretamente ao dirigir-se pessoalmente ao escritório de advocacia e realizar a prisão em flagrante da advogada? Justifique. 2 A publicação da advogada nas redes sociais — expondo o despacho de arquivamento sem identificar o delegado — configura crime de difamação em flagrante delito? Analise os elementos típicos. 3 O suposto crime de difamação admite prisão em flagrante? Quais os requisitos legais? Há vedação específica para crimes de ação penal privada? 4 De acordo com o Estatuto da OAB, como deve ser procedida a prisão de um advogado no exercício da profissão? Quais as formalidades obrigatórias? 5 A autoridade policial pode invadir um escritório de advocacia? Em que condições? Quais os requisitos legais e as recomendações aplicáveis ao caso? 6 Caso o delegado se reconheça efetivamente vítima do crime de difamação, quais as vias legítimas de responsabilização da advogada? Poderia ele mesmo conduzir o inquérito? 7 Quais as consequências administrativas e judiciais que o delegado poderá enfrentar em razão de sua conduta no caso em análise? 8 Quais prerrogativas do advogado foram violadas pela conduta da autoridade policial? Enumere e fundamente. 9 Sendo o delegado a suposta vítima do crime, poderia ele mesmo presidir a investigação, invadir o escritório e efetuar a prisão em flagrante? Ou quais as medidas legalmente cabíveis deveriam ter sido adotadas, à luz do Código Penal, da Constituição Federal, do Código de Processo Penal e das garantias dos agentes públicos envolvidos? Fundamente. FACIT | Práticas Jurídicas Penais | Caso Prático Faculdade de Ciências do Tocantins – FACIT | 3 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS 1. Cada resposta deve ser fundamentada com indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais pertinentes. 2. O aluno deve distinguir entre a legalidade formal e a legalidade material dos atos praticados pelo delegado. 3. Recomenda-se a leitura prévia do Estatuto da OAB (Lei n.º 8.906/1994), em especial do art. 7.º, e da Lei de Abuso de Autoridade (Lei n.º 13.869/2019). 4. A análise das questões 4, 5 e 8 deve dialogar diretamente com a jurisprudência do STF e do STJ sobre prerrogativas da advocacia. 5. Na questão 9, atenção ao princípio da imparcialidade e ao impedimento funcional previsto no art. 252 do CPP. Prof. Esp. Márcio Adriano Souza Práticas Jurídicas Penais – FACIT | Araguaína, Tocantins