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processo penal I- aula 01 ( sistemas e principios) 2025

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Isabel

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Direito Processual 
Penal I
AULA 1- 
INTRODUÇÃO
Introdução ao Processo Penal
a) Jus puniendi 
→A partir do momento em que alguém pratica a conduta 
delituosa prevista no tipo penal, este direito de punir 
desce do plano abstrato e se transforma no ius puniendi 
in concreto. 
b) Necessidade de fixar regras para cerceamento de 
liberdade
Sistemas processuais penais: 
◦ A depender dos princípios que venham a informá-lo, o processo penal, 
na sua estrutura, pode ser inquisitivo, acusatório e misto. Nestor 
Távora, 2017. 
◦ a) Sistema inquisitorial: existe uma concentração de poderes na mão 
do juiz. 
◦ b) Sistema acusatório: As funções de acusar, defender e julgar são 
atribuídas a pessoas diversas. 
◦ c) Sistema misto: duas fases distintas – uma primeira fase 
inquisitorial, destinada a investigação preliminar, e em seguida, teria 
uma segunda fase, essa última de viés mais de sistema acusatório
Características do Sistema Inquisidor: 
- A função de acusar, defender e julgar encontram-se concentrados em 
uma única pessoa chamado de juiz inquisidor;
- Não existe contraditório 
- Ampla liberdade probatória em todas as fases (verdade real)
- O acusado é objeto do processo
- Procedimentos geralmente escritos e sigilosos.
Obs: a concentração de poderes nas mãos do juiz e a iniciativa probatória 
dela decorrente é incompatível com a garantia da imparcialidade (CADH, 
art. 8º §1º) e com o princípio do devido processo legal. 
Características do sistema acusatório 
- Caracteriza-se pela presença de partes distintas com separação 
das funções de acusar, defender e julgar. 
- A gestão da prova recai precipuamente sobre as partes. 
- Segundo Ferrajoli, são características do sistema acusatório a 
separação rígida entre o juiz e acusação, a paridade entre 
acusação e defesa, e a publicidade e a oralidade do julgamento. 
- O princípio da verdade real é substituído pelo princípio da busca 
da verdade, devendo a prova ser produzida com fiel observância 
ao contraditório e à ampla defesa; 
Sistema acusatório no CPP
◦Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a 
iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da 
atuação probatória do órgão de acusação. (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019)
◦Art. 156
◦Art. 129 CF/88. São funções institucionais do Ministério Público: I - 
promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
Sistema acusatório e STF
◦No julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 6.298, 6.300 e 6.305, 
o Supremo Tribunal Federal atribuiu interpretação conforme à Constituição ao art. 
3-A.
◦ Remanesce a possibilidade de o juiz, de ofício: 
◦ (a) “determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização 
de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante” (artigo 156, II); 
◦ (b) determinar a oitiva de uma testemunha (artigo 209); 
◦ (c) complementar a sua inquirição (artigo 212); e 
◦ (d) “proferir sentença condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado 
pela absolvição” (artigo 385).
Princípios Fundamentais do Processo Penal: Art 
5º, LVII da CF
a) Presunção de inocência (ou da não culpabilidade)
- direito de não ser declarado culpado senão após o término do devido 
processo legal, durante o qual o acusado tenha se utilizado de todos os meios 
de prova pertinentes para a sua defesa (ampla defesa) e para a destruição da 
credibilidade das provas apresentadas pela acusação (contraditório). 
- trânsito em Julgado de uma sentença Penal condenatória.
◦ Regra Probatória 🡪 cabe provar quem alega (Princípio in dubio pro reo ou favor 
rei)
◦ obs: exceções ao in dubio pro reo
◦ Regra de Tratamento 🡪 Tratado inocente interna e 
externamente.
◦ a regra é que o acusado permaneça em liberdade 
durante o processo; a imposição de medidas cautelares 
pessoas é a exceção
◦ OBS: A existência de prisões provisórias não ofende a 
presunção de inocência!!
Execução Provisória da Pena e presunção de 
inocência
◦ STF/2009: 7 x 4 votos – entendeu o STF que em virtude do princípio da 
presunção de inocência não era possível a execução provisória da pena 
◦ HC 126.292- permitir a execução provisória da pena privativa de liberdade 
após a decisão condenatória de segundo grau e antes do trânsito em 
julgado
◦ 2019- maioria (6 a 5), julgou procedentes pedidos formulados nas Ações 
Declaratórias de Constitucionalidade 43/DF, 44/DF e 54 para assentar a 
constitucionalidade do art. 283 do CPP, que condiciona o início do 
cumprimento da pena ao trânsito em julgado do título condenatório. 
◦ 2024 - STF reconhece constitucionalidade do artigo 492, I, alínea e,
Nemo tenetur se detegere
◦ ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. 
◦ o direito ao silêncio é um dos desdobramentos do nemo tenetur se detegere. 
◦ o princípio da não autoincriminação possui status supralegal (Convenção Americana de 
Direitos Humanos) e também constitucional (exatamente na interpretação macro que se 
confere ao direito ao silêncio).
◦ O direito ao silêncio abrange ao preso, investigado, processado, etc.. 
◦ Aviso de Miranda 🡪 nenhuma validade pode ser conferida às declarações feitas pela 
pessoa à polícia, a não ser que antes ela tenha sido claramente informada de: 
◦ 1) que tem o direito de não responder; 2) que tudo o que disser pode vir a ser utilizado 
contra ele; 3) que tem o direito à assistência de defensor escolhido ou nomeado. 
Desdobramentos do Princípio do Nemo Tenetur se 
Detegere:
- direito de não declarar contra si mesmo;
- direito de não confessar; e
- direito de não falar à verdade. 
Obs: Brasil não criminaliza perjúrio
Obs 2: mentiras agressivas
➢ Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que 
possa vim a incriminá-lo (não abrange comportamentos 
passivos)
➢ Direito de não permitir a prática de prova invasiva 
Obs- autodefesa não é absoluta
Princípio da Obrigatoriedade da 
Fundamentação das decisões judiciais
◦Artigo Basilar: 93, IX da Constituição
◦Muito relacionado com o Princípio da Ampla Defesa
◦Exceção: Júri
Princípio da Publicidade
◦ em regra os atos processuais tem que ser públicos
◦Art. 93, IX da CF
◦OBS: A publicidade não é absoluta – art. 5º, LX da 
CF ( defesa da intimidade e interesse social)
◦o advogado pode poderá ter acesso aos atos 
processuais.
Princípio do Duplo Grau de Jurisdição
◦Não é expresso na Constituição
◦Possui exceções
Princípio da Isonomia Processual
◦Artigo Basilar: 5º da CF
Princípio do Juiz Natural 
◦ Art. 5º, LIII da CF
◦ o acusado deverá ser julgado por um órgão previamente definido em lei
◦ Vedação a formação de Tribunal ou Juízo de Exceção
◦ PERGUNTINHA!!
◦ As varas especializadas ofendem esse princípio? NÃO
◦ Princípio do Promotor Natural - O acusado deverá ter um “acusador” 
previamente definido em lei.
◦ Segundo Renato Brasileiro: consiste no direito que cada cidadão possui de 
conhecer antecipadamente a autoridade jurisdicional que irá julgá-lo caso 
venha a praticar um fato delituoso. Conduz a ideia de imparcialidade! 
Princípio da Vedação às provas ilícitas
◦Artigo Basilar: 5º, LVI da CF
◦Provas ilegais - que contrariam norma de direito material 
vs. Provas ilegítimas - que contrariam norma de direito 
procedimental
◦Provas ilícitas por derivação
Princípio da Inércia 
◦ Art. 129, I da CF.
◦ A ação Penal surge mediante provocação
◦ Ação Pública: titular 🡪 MP
◦ Ação Privada: titular 🡪 ofendido
◦ Alicerce máximo do sistema acusatório
◦ Obs: Esse princípio não impede que o Juiz determine a realização de 
diligências 
◦ Fundamenta também o princípio da congruência ou correlação
◦
Princípio do Devido Processo Penal
◦Art. 5º, LIV da CF
◦Direito do acusado ser ouvido pessoalmente
◦Direito do acusado arrolar testemunhas
◦Direito de contradizer as provas e argumentos da acusação
◦Devido Processo Formal = que devem ser observadastodas as normas 
penais e processuais vs. Devido Processo Material = devem atuar com 
razoabilidade e adequação.
Contraditório e Ampla Defesa
◦Contraditório = Contradizer
◦OBS: Esse princípio sofre limitações – ex: prisão 
preventiva (art. 312 do CPP).
◦Ampla Defesa - dar instrumentos para Contradizer
◦Defesa Técnica (advogados e defensores públicos) e 
Autodefesa
◦Renato Brasileiro “o contraditório consiste na ciência 
bilateral dos atos ou termos do processo e a 
possibilidade de contrariá-los. Eis o motivo pelo qual se 
vale a doutrina da expressão audiência bilateral, 
consubstanciada pela expressão em latim audiatur et 
altera pars (seja ouvida também a parte adversa)”. 
◦Elementos do contraditório: direito à informação e direito 
de participação. 
◦ Autodefesa: É aquela exercida pelo próprio acusado e é renunciável;
◦ Desdobra-se em: direito de audiência; direito de presença; e 
capacidade postulatória. 
◦ Defesa técnica (processual ou especifica): é a defesa exercida por um 
profissional da advocacia, regularmente inscrito nos quadros da OAB. 
É irrenunciável.
◦ Súmula 523 do STF. No processo penal, a falta da defesa constitui 
nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova 
de prejuízo para o réu.

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