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2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 1 2016 2ª PROVA PARCIAL DE PORTUGUÊS Aluno (a): Nº Ano: 2º Turma: Data: 14 / 06 /16 Nota: Professor(a): Letícia Silva Valor da Prova: 30 Pontos Orientações gerais: 1) Número de questões desta prova: 11 2) Valor das questões: Abertas (4): 4,0 pontos cada. Fechadas (7): 2,0 pontos cada. 3) Provas feitas a lápis ou com uso de corretivo não têm direito à revisão. 4) Aluno que usar de meio ilícito na realização desta prova terá nota zerada e conceituação comprometida. 5) Tópicos desta prova: - Ordem inversa e ordem direta - Aposto e vocativo - Complementos verbais e transitividade verbal - Figuras de Linguagem - Estudo dos poemas de Manoel de Barros - Texto dissertativo 1ª Questão: Leia o poema "As lições de R. Q.", de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva o que se pede. Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano): A expressão reta não sonha. Não use o traço acostumado. A força de um artista vem das suas derrotas. Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro. Arte não tem pensa: O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo. Isto seja: Deus deu a forma. Os artistas desformam. É preciso desformar o mundo: Tirar da natureza as naturalidades. Fazer cavalo verde, por exemplo [...] Considerando no contexto das tendências dominantes da poesia de Manoel de Barros, pode- se afirmar que, neste texto, o "eu-lírico" vê o mundo como: a) Oportunidade de manifestar seu desapego, tanto pelo sagrado, como pelo profano. b) Ânsia de integração em uma sociedade em que o sujeito só é reconhecido pela excentricidade e estranheza. c) Transfiguração do mundo, que corresponde à experiência dos próprios sentidos. d) Frustração, uma vez que o artista é um derrotado e Deus, uma ameaça. e) Esvaziamento do sentido de Arte, de Natureza e da ausência de sonhos. COLÉGIO XIX DE MARÇO Educação do jeito que deve ser 2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 2 2ª Questão: Leia os fragmentos do poeta Manoel de Barros e analise as proposições a seguir: Como dizer: eu pendurei um bem-te-vi no sol... (...) Retiro semelhanças de pessoas com árvore de pessoas com rãs de pessoas com pedras I - As imagens poéticas das palavras feitas brinquedos podem ser traduzidas apenas numa possibilidade interpretativa. ( ) II - As imagens comparativas são dadas pelos elementos lógicos do poema.( ) III - Há um desencadeamento de ilogismo ligado à necessidade de criação poética.( ) Assinale a alternativa CORRETA: a) Todas estão incorretas. b) Somente I e II estão corretas. c) Somente I e III estão corretas. d) Somente III está correta. e) Todas estão corretas. 3ª Questão: Proposta de redação Inserido em uma das grandes reservas de natureza preservada do planeta, a poesia de Manoel de Barros, sem em nenhum momento ter um discurso ambiental ou ecológico, faz a maior defesa possível da preservação do meio ambiente ao defender que a vida verdadeira se dá pelo fim da fronteira entre homem e mundo (“ficar parado diante de uma coisa até sê-la”), de sua postura de superioridade e controle do mundo, como se dele não fizesse parte. Enfim, o ideal de ser árvore. É o que se pode perceber no fragmento abaixo: “Bernardo é quase árvore”. Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe. E vêm pousar em seu ombro. Seu olho renova as tardes.” Manoel de Barros, em O livro das ignorãças. Este outro modo de se relacionar com o mundo valoriza a sensibilidade e propõe uma vida mais pura, longe do consumismo e das exigências competitivas do mundo do capital em que o ter é mais importante do que ser (“Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser” – “O catador”). Com base na leitura dos poemas de Manoel de Barros, escreva um texto dissertativo- argumentativo sobre o seguinte tema: Preservação ambiental X Consumismo. É possível ao homem contemporâneo viver de forma mais simples e, em contato com a natureza, sem destruí-la? OBSERVAÇÕES: Não se esqueça de atribuir um título ao seu texto. A redação NÃO será corrigida se for entregue a lápis. Escreva entre 20 a 30 linhas. 2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 3 _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 4 4ª Questão: “Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo.(...)” Manoel de Barros, “O apanhador de desperdícios”. As palavras em destaque exercem, respectivamente, as funções sintáticas de: a) objeto indireto, objeto indireto, complemento nominal, objeto direto. b) objeto direto, objeto indireto, objeto indireto, complemento nominal. c) objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial. d) objeto indireto, complemento nominal, objeto direto, adjunto adverbial. e) complemento nominal, objeto indireto, objeto indireto, adjunto adverbial. 5ª Questão: “Sob o canto do bate-num-quara nasceu Cabeludinho bem diferente de Iracema desandando pouquíssima poesia o que desculpa a insuficiência do canto mas explica a sua vida que juro ser o essencial - Vai desremelar esse olho, menino! - Vai cortar esse cabelão, menino! Eram os gritos de Nhanhá.(...)” Manoel de Barros, “Cabeludinho” a) No início da estrofe, há um verso que está em ordem inversa. Transcreva-o e, em seguida, identifique as funções sintáticas dos termos da oração. _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ b) Transcreva o verso em que há um vocativo. Identifique este termo. _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ c) No verso “Eram os gritos de Nhanhá”, dê a função sintática de todos os termos que o compõem. _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ 6ª Questão: No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E, pois. Em poesia, que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos — O verbo tem que pegar delírio. 2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 5 a) Estabeleça uma relação entre o poema e a seguinte frase, também de autoria de Manoel de Barros: "Não gosto de palavra acostumada". _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ b) Qual figura de linguagem pode-se identificar no verso: “Eu escuto a cor dos passarinhos”? _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ c) Qual a ideia que se pode extrair do verso: “O verbo tem que pegar delírio”, tendo em vista as características da poesia de Manoel de Barros? _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ Texto para as questões 7 a 9: O apanhador de desperdícios Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. “ Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74. 7ª Questão: É próprio da poesia de Manoel de Barros valorizar seres e coisas considerados, em geral, de menor importância no mundo moderno. No poema de Manoel de Barros, essa valorização é expressa por meio da linguagem: a) denotativa, para evidenciar a oposição entre elementos da natureza e da modernidade. b) rebuscada de neologismos que depreciam elementos próprios do mundo moderno. c) hiperbólica, para elevar o mundo dos seres insignificantes. d) simples, porém expressiva no uso de metáforas para definir o fazer poético do eu-lírico poeta. e) referencial, para criticar o instrumentalismo técnico e o pragmatismo da era da informação digital. 2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 6 8ª Questão: Considerando o papel da arte poética e a leitura do poema de Manoel de Barros, afirma- se que a) informática e invencionática são ações que, para o poeta, correlacionam-se: ambas têm o mesmo valor na sua poesia. b) arte é criação e, como tal, consegue dar voz às diversas maneiras que o homem encontra para dar sentido à própria vida. c) a capacidade do ser humano de criar está condicionada aos processos de modernização tecnológicos. d) a invenção poética, para dar sentido ao desperdício, precisou se render às inovações da informática. e) as palavras no cotidiano estão desgastadas, por isso à poesia resta o silêncio da não comunicabilidade. 9ª Questão: I - Identifique as figuras de linguagem presentes nos versos abaixo retirados do poema “Apanhador de desperdícios” a) “Não gosto das palavras fatigadas de informar”. ________________________________________________________________ b) “Sou um apanhador de desperdícios”. ________________________________________________________________ c)” Meu quintal é maior do que o mundo”. ________________________________________________________________ d) “Tenho em mim um atraso de nascença”. ________________________________________________________________ II – Reescreva as frases acima acrescendo um aposto para os termos que estão em destaque. Atente- se para a pontuação. a) ____________________________________________________________________________ b) ____________________________________________________________________________ c) _____________________________________________________________________________ d)_____________________________________________________________________________ 10ª Questão: As características marcantes da poesia de Manoel de Barros são o uso de vocabulário coloquial-rural e de uma sintaxe que remete diretamente à oralidade, ampliando as possibilidades expressivas e comunicativas do seu léxico através da formação de palavras novas (neologismos). Nem sempre é fácil entender suas obras devido ao desconhecimento do significado das palavras criadas por ele. Para a elaboração da poesia solicitada em sala de aula, ressalta-se, aqui, o excelente trabalho de pesquisa realizado pela aluna Maryanne Visoto, do 2º ano Nair Prado, quanto ao significado do vocabulário utilizado por Manoel de Barros. A partir do trabalho dela, associe os termos em negrito abaixo com seu real significado na obra: a) “O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.”2ª PP de Português/ 2º ano / Letícia/Página 7 b) “O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. c) “Obrar não era construir casa ou fazer obra de arte/ Esse verbo tinha um som diferente”. d) “Quem acha bonito e pode passar a vida a ouvir o som das palavras Ou é ninguém ou zoró”. Pode-se dizer que as palavras em destaque significam respectivamente: a) inadequações, brincadeiras, realizar, tribo indígena. b) inconveniências, apoios, produzir, desconfiado. c) inutilidades, traquinagens, defecar, ativo. d) esquisitices, brincadeiras, defecar, bobo. e) loucuras, macaquices, maquinar, inconsequente. 11ª Questão: Cabeludinho Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro. BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003. No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses usos podem produzir a exemplo das expressões “voltou de ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa reflexão, o autor destaca: a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do texto. b) a importância de certos fenômenos gramaticais para o conhecimento da língua portuguesa. c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades linguísticas. d) o relato fiel de episódios vividos por Cabeludinho durante as suas férias. e) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da linguagem