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LITERATURA 
 
Editora Exato 1 
TEORIA LITERÁRIA 
1. ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO E FUN-
ÇÕES DA LINGUAGEM 
O homem é um ser social e, portanto, necessita 
comunicar-se. Assim, emite uma série de mensagens, 
transmitidas por meio dos mais diferentes códigos. 
Essas mensagens falam sobre algo e, para sua trans-
missão, necessitam de um canal de comunicação. 
E a cada uma dessas emissões, percebe-se, no 
emissor, uma intenção, que varia de acordo com o 
seu interesse sobre os elementos da comunicação. A 
essas intenções chamamos “Funções da Linguagem”, 
as quais mantêm estreita relação com os elementos 
utilizados no ato comunicativo. 
REFERENTE
(Referencial)
EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR
 (Emotiva) (Poética) (Conativa)
CÓDIGO
(Metalingüística)
 CANAL
(Fática) 
Funções da Linguagem 
� Função Referencial: é centrada no referen-
te, no assunto, e apresenta linguagem obje-
tiva, clara, definida, em que predomina a 
denotação, usando-se sempre a 3ª pessoa do 
discurso. 
� Função Emotiva: é centrada no emissor, a-
presenta linguagem subjetiva, em que há 
traços estilísticos, como interjeições, pontu-
ação expressiva, adjetivos e há o uso da 1ª 
pessoa do discurso. 
� Função Conativa (Apelativa): centra-se no 
receptor, apresenta vocativos, frases impe-
rativas e optativas, busca convencer o des-
tinatário da mensagem e usa a 2ª pessoa do 
discurso. 
� Função Fática: é centrada no canal, busca 
assegurar a comunicação, a transmissão da 
mensagem, é o canal sendo testado para 
medir sua eficiência. 
� Função Poética: centra-se na mensagem, 
tem por objetivo deixar a mensagem mais 
expressiva, através da seleção e da combi-
nação dos signos, e não se restringe apenas 
à poesia. 
 
� Função Metalingüística: é centrada no có-
digo e caracteriza-se pela explicação da lin-
guagem por meio da própria linguagem. 
As funções de linguagem concorrem entre si, 
isto é, num mesmo texto aparece mais de uma função 
mas, normalmente, uma é predominante. 
2. SIGNO LINGÜÍSTICO 
O signo é um código verbal ou não-verbal, que 
serve como instrumento de comunicação. Possui duas 
partes indissociáveis: o significante, que diz respeito 
à sua forma, e o significado, referente ao seu conteú-
do. 
O signo lingüístico é um código verbal, ou se-
ja, aquele que usa essencialmente a palavra, seja ela 
escrita, seja ela falada. O significante, portanto, dirá 
respeito sempre à identificação dos sons, na palavra 
pronunciada, ou das letras, na palavra escrita. Por ou-
tro lado, o significado referir-se-á ao conceito que se 
tem do significante. 
SIGNO LINGÜÍSTICO = material = concreto = forma = sons / letras 
 Imaterial abstrato conteúdo conceito 
Denominam-se polissemia os vários significa-
dos de mesma origem para um mesmo significante. 
EX: 
� O teto lá de casa precisa de reparos. 
� Coitado! Não tem teto onde morar. 
� Você tá velho, hein! Perdeu até o teto. 
Normalmente a polissemia abrange a denota-
ção, que pode ser entendida como a palavra usada em 
seu sentido real, claro, objetivo, na primeira acepção 
do dicionário; e a conotação, que se entende por sen-
tido figurado, ou seja, quando se retira a palavra de 
seu sentido original e atribui-se a ela novos sentidos. 
A denotação e a conotação levam-nos a mais 
dois conceitos importantes no estudo da literatura. 
São eles: texto literário e texto não-literário. Como 
identificá-los? 
O texto não-literário, normalmente, é centrado 
no plano de conteúdo, pois seu objetivo é fornecer in-
formação, ou seja, usando a linguagem denotativa, 
informar o receptor sobre algo. 
Veja o exemplo abaixo: 
Fotossíntese – Da ação da luz sobre os vege-
tais verdes depende o mais importante de todos os 
fenômenos vitais, escravizando todos os seres vivos. 
Exteriormente, a fotossíntese se manifesta pela 
troca de gases entre o vegetal e a atmosfera: o vege-
tal absorve CO2 e elimina Oxigênio. Duas condições 
são necessárias para que o fenômeno se realize: uma 
é a presença de clorofila; consiste em absorver uma 
 
Editora Exato 2 
parte das radiações solares, cuja energia é então a-
proveitada para reações químicas no interior da 
planta. 
Nessa função, as radiações vermelhas são as 
mais eficazes, vindo depois do aspecto, o vileta. Na 
faixa correspondente ao verde, o fenômeno é quase 
nulo. 
O mais importante, porém, é que, graças à e-
nergia solar absorvida, a planta verde decompõe o 
CO2 em seus elementos (carbono e oxigênio), devol-
ve o oxigênio à atmosfera, e unindo o carbono aos 
materiais da seiva, fabrica substâncias orgânicas. 
Esta síntese, efetuada sob a ação da luz, é que justifi-
ca a denominação de Fotossíntese dada ao fenôme-
no. 
3. TEXTO LITERÁRIO E NÃO-LITERÁRIO 
O texto literário, ao contrário do não-literário, 
apresenta o trabalho com a linguagem, fixa-se no ní-
vel do plano da expressão, em que predomina a cono-
tação. Neste caso, a expressão sobrepõe-se ao 
conteúdo, resultando nas várias significações do tex-
to. 
Leia o texto abaixo, comparando-o ao texto 
não-literário: 
Luz do Sol 
(Caetano Veloso) 
Luz do sol, 
Que a folha traga e traduz 
Em verde novo, em folha, em graça 
Em vida, em força e em luz 
Céu azul 
Que vem até onde os pés tocam a terra 
E a terra expira e exala seus azuis. 
Reza, reza o rio 
Córrego pro rio 
O rio pro mar 
Reza a correnteza 
Roça a beira 
Doura a areia 
 
Marcha o homem sobre o chão, 
Leva no coração uma ferida acesa 
Dono do sim e do não 
Diante da visão da infinita beleza 
Finda por ferir com a mão essa delicadeza, 
A coisa mais querida 
A glória da vida. 
 
Na construção do texto literário, como já foi 
dito, o uso da linguagem conotativa se torna muito 
mais imponente que o uso da denotação. A conotação 
se fará presente, nestes textos, através da construção 
de imagens resultantes de uma linguagem única, ím-
par e figurada. A esse desvio estilístico, chamaremos 
Figuras de Linguagem. 
 
4. FIGURAS DE LINGUAGEM 
Figuras de linguagem são, portanto, recursos 
literários que exploram e recriam formas, estruturas e 
significados, produzindo um efeito artístico e inova-
dor, chamado estranhamento. 
� Elipse: é a omissão de um termo que pode 
ser deduzido pelo contexto. Seu principal 
efeito é a concisão. 
Exemplo: 
No céu, dois fiapos de nuvens. 
(No céu, há/existem dois fiapos de nuvens). 
Normalmente, a elipse de um termo essencial é 
marcada por vírgulas. 
� Pleonasmo: é a repetição de um termo ou 
idéia óbvia. 
O efeito é o reforço da expressão. 
Exemplo: 
Rolou pela escada abaixo. 
Resta-me a mim somente uma solução. 
O pleonasmo vicioso constitui um defeito de 
linguagem. 
Exemplo: 
“subir para cima”/ “descer para baixo”/ “sair 
para fora”. 
� Polissíndeto: é a repetição de conjunção, 
geralmente, a coordenativa aditiva “e”. 
Exemplo: 
E foge, e volta, e vacila, e treme, e solta a voz, 
e canta. 
� Assíndeto: é a ausência, a omissão de con-
junção. 
Exemplo: 
Subira à janela, sondava os arredores, gritava a 
plenos pulmões. 
� Anáfora: é a repetição da mesma palavra 
ou expressão, no início de frases ou versos. 
Exemplo: 
“Se você gritasse, 
“Se você gemesse, 
“Se você tocasse a valsa vienense, 
“Se você dormisse, 
“Se você cansasse, 
“Se você morresse, 
Mas você não morre, 
Você é duro, José!” 
(Carlos Drummond de Andrade) 
� Aliteração: é a repetição de sons consonan-
tais para sugerir um objeto ou as caracterís-
ticas desse objeto. 
Exemplo: 
“Acho que a chuva ajuda a gente se ver”. 
(Caetano Veloso) 
 
� Assonância: é a repetição de sons vocáli-
cos. 
Exemplo: 
Amar abre a alma, alcança o ar, amassa o mar 
 
Editora Exato 3 
� Silepse : é a concordância ideológica, ou 
seja, é a concordância com o sentido, a i-
déia das palavras e não com a forma delas. 
Ocorre em três casos: 
1º- Silepse de gênero: é a concordância com 
gênero implícito: masculino ou feminino. 
Exemplo: 
Santos é muito poluída. 
Vossa Majestade é muito generoso. 
2º- Silepse de número: é a concordância com 
número implícito: singular ou plural. 
Exemplo: 
O povo pediu que o governante cedesse, para 
isso, saíram em passeata. 
3º - Silepse de pessoa: é a concordância com a 
pessoa implícita: primeira, segunda ou terceira. 
Exemplo: 
Todos os brasileiros somos assim. 
� Antítese: é a oposição evidenciada em pa-
lavras ou idéias. 
Exemplo: 
“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, 
Depois da luz, se segue a noite escura, 
Em tristes sombras morre a formosura, 
Em contínuas tristezas, a alegria”. 
� Paradoxo: é um tipo de antítese, restrito à 
oposição de idéias reunidas num só pensa-
mento. 
Exemplo: 
“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”. 
(Gregório de Matos) 
� Hipérbole: é o exagero de uma expressão 
para enfatizá-la. 
Exemplo: 
Estou morrendo de fome. 
Chorou um rio de lágrimas. 
� Eufemismo: é o abrandamento de expres-
sões desagradáveis. 
Exemplo: 
Ele contraiu o mal de Hansen. (lepra) 
Ele abotoou o paletó. ( morreu) 
� Ironia ou Antífrase: consiste em sugerir o 
contrário do que as palavras ou frases ex-
primem, pela entonação ou pelo contexto, 
com intenção sarcástica ou satírica. 
Exemplo: 
 Você é tão inteligente! Não acertou nenhuma 
questão. 
� Gradação: consiste em dispor as idéias em 
ordem crescente (clímax) ou decrescente 
(anticlímax). 
Exemplo: 
Ide, correi, voai, que por vós chama o rei, a pá-
tria, o mundo , a glória. (clímax) 
Não já lutando, mas rendido, enfermo, prostra-
do, desfalecido, morrendo, morto. (anticlímax) 
� Prosopopéia ou Personificação: consiste 
em dar características de seres animados a 
seres inanimados, ou, ainda, atribuir quali-
dade, sentimentos humanos a seres irracio-
nais ou inanimados. 
Exemplo: 
As árvores são imbecis: despem- se justamente 
quando chega o inverno. 
� Metáfora: é uma comparação implícita; 
consiste em transportar para um termo uma 
significação que não lhe é própria; para is-
so, faz-se uma associação afetiva, subjetiva 
entre dois universos de significação; é uma 
figuração em que cabe, perfeitamente, a co-
notação. Por ser uma comparação “abrevia-
da”, faltam elementos conectores. 
Exemplo: 
Murcharam-lhe os entusiasmos da mocidade. 
� Comparação: vem explícita por marcas e-
videntes na oração. 
Exemplo: 
Sua boca é como um pássaro vermelho. 
(comparação) 
Sua boca é um pássaro vermelho. ( símile) 
O pássaro vermelho tocou-me os lábios. 
(metáfora) 
� Catacrese: é uma metáfora cristalizada pe-
lo uso, é o emprego impróprio de uma pa-
lavra ou expressão no lugar de outra por 
não haver correspondência, na língua, de 
palavra adequada. 
Exemplo: 
Embarcamos no avião das dez horas. 
� Metonímia: é a substituição de um nome 
pelo outro porque entre eles existe a relação 
de proximidade; é a representação de um 
nome por outro. Esta relação surge quando 
se emprega: 
O autor pela obra 
Exemplo: Leio Machado de Assis. 
A causa pelo efeito 
Exemplo: Esta casa é fruto do meu suor. 
O continente pelo conteúdo ou vice-versa 
Exemplo: Tomou duas latas de cerveja. 
O instrumento pela pessoa que o utiliza 
Exemplo: Ele é um bom garfo. 
O lugar pelo produto 
Exemplo: O presidente gosta de um bom Ha-
vana. 
O concreto pelo abstrato ou vice-versa 
Exemplo: A juventude brasileira está mal-
orientada 
O sinal pelo significado 
Exemplo: O trono estava abalado. 
 
 
 
 
Editora Exato 4 
ESTUDO DIRIGIDO 
1 O poema abaixo é um exemplo clássico de rica 
exploração do signo lingüístico. Leia-o atenta-
mente: 
Trem de Ferro 
Café com pão 
Café com pão 
Café com pão 
 
Virge Maria que foi isso maquinista? 
Agora sim 
Café com pão 
Agora sim 
Voa, fumaça 
 
Corre, cerca 
Ai seu foguista 
Bota fogo 
Na fornalha 
Que eu preciso 
Muita força 
Muita força 
Muita força 
 
Oô... 
Foge, bicho 
Foge, povo 
Passa ponte 
Passa poste 
Passa pasto 
Passa boi 
Passa boiada 
Passa galho 
De ingazeira 
Debruçada 
 
No riacho 
Que vontade 
De cantar 
 
Oô... 
Quando me prendero 
No canaviá 
Cada pé de cana 
Era um oficiá 
Oô... 
Menina bonita 
Do vestido verde 
Me dá tua boca 
Pra matá minha sede 
 
Oô... 
 
Vou mimbora vou mimbora 
 
Não gosto daqui 
Nasci no sertão 
Sou de Ouricuri 
 
Oô... 
 
Vou depressa 
Vou correndo 
Vou na toda 
Que só levo 
Pouca gente 
Pouca gente 
Pouca gente 
(Manuel Bandeira) 
 
a) Explique por que na primeira estrofe o desta-
que maior é para o significante e não para o 
significado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) Levando-se em conta o formato do poema 
(versos curtos, estrofes longas), que imagem 
visual ele sugere? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) Localize duas estrofes em que significante e 
significado estão igualmente destacados, con-
ferindo ao poema força e sonoridade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Editora Exato 5 
EXERCÍCIOS 
1 Identifique a função da linguagem que prevalece 
nos textos abaixo: 
a) "É dever da família, da sociedade e do Estado 
assegurar à criança e ao adolescente, com ab-
soluta prioridade, o direito à vida, à alimenta-
ção, à educação, ao lazer, à profissionalização, 
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade 
e à convivência familiar e comunitária, além 
de colocá-los a salvo de toda forma de negli-
gência, discriminação, exploração, violência, 
crueldade e opressão". 
(Constituição da República Federativa do Brasil. art. 227) 
 
b) Vem o vento veloz varando as velas. 
temos de mergulhar dentro da noite 
molhada e fria de intocada treva." 
(Mauro Mota) 
 
c) 
 
d) "Eu te peço perdão por amar de repente 
Embora o meu amor seja uma velha canção 
nos teus ouvidos. 
Das horas que passei à sombra dos teus gestos 
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos 
Das noites que vivi acalentado 
Pela graça indizível dos teus passos eterna-
mente fugindo 
Trago a doçura dos que aceitam melancolica-
mente" 
(Vinicius de Moraes) 
 
e) ..Fuzuê. S.M. Bras. 1. Festa, função. 2 Barulho, 
confusão, conflito. 
 
f) "Ah! esse cara tem 
me consumido 
A mim e a tudo que eu quis 
Com seus olhinhos infantis 
Como os olhos de um bandido 
Ele está na minha vida 
Porque quer 
E eu estou pra o que der e vier 
Ele chega ao anoitecer 
Quando vem a madrugada 
Ele some 
Ele é quem quer 
Ele é o homem 
Eu sou apenas 
Uma mulher" 
(Caetano Veloso) 
 
g) 
O que Todo Executivo Deve Saber
Sobre a Postura do Executivo
Cruze os Braços
Incline-se para a frente e pouse
o queixo sobre as mãos.
Incline-se para trás e repouse
a cabeça nas mãos.
Mas não incline demais
para trás. 
 
 
Os esquemas abaixo referem-se às questões 3 e 4. 
2 Observe os quatro esquemas dos processos de 
comunicação para julgar os itens abaixo: 
1. 2.
3. 4.
A
A
A
A
B
B
B
B
 
1111 No primeiro esquema, A não se comunica 
com B. 
2222 Nos esquemas 1 e 2, a comunicação é eficien-
te. 
3333 Não se observa processo de comunicação no 
último esquema. 
 
4444 Considera-se efetiva a comunicação apenas no 
esquema 3. 
 
 
Editora Exato 6 
3 Os itens abaixo relacionam situações equivalen-
tes aos esquemas dados; julgue as proposições 
considerando o processo de comunicação. 
1111 A conversa entre um americano e um brasileiro 
que estuda inglês há pouco tempo pode ser re-
presentada pelo esquema 2. 
2222 O esquema 1 caracteriza a tentativa de conver-
sa entre um brasileiro e um japonês em que um 
não fala a língua do outro. 
3333 A palestra de um professor universitário sobre 
física nuclear a alunos de 2º grau é indicada 
pelo esquema 4. 
4444 Pessoas que falam a mesma língua de mesmo 
nível em perfeito entendimento, não teriam re-
presentatividade nos esquemas dados. 
 
4 Todas as afirmativas estão corretas, exceto: 
a) na obra literária predomina a função poética da 
linguagem, ainda que as demais estejam pre-
sentes; 
b) o caráter arbitrário do signo lingüístico não 
pode ser determinado nem observado em tex-
tos literários. 
c) os conceitos de cultura, língua e literatura es-
tão estreitamente ligados; 
d) a criação literária é, fundamentalmente, a cria-
ção de um estilo que oferece determinada cisão 
do homem e do mundo. 
e) literatura éa criação, a invenção mediante a 
sensibilidade do autor num processo estético e 
textual. 
 
 
Considere o texto abaixo, para responder às questões 
de 6 a 8. 
O que é literatura 
A literatura, como toda arte, é uma transfigura-
ção do real, é a realidade recriada através do espírito 
do artista e retransmitida através da língua para as 
formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma 
corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra, 
autônoma, independente do autor e da experiência da 
realidade de onde proveio. Os fatos que lhe deram, às 
vezes, origem, perderam a realidade primitiva e ad-
quiriram outra, graças à imaginação do artista. São 
agora fatos de outra natureza, diferentes dos fatos na-
turais objetivados pela ciência, ou pela história, ou 
pela sociedade? 
O artista literário cria, ou recria, um mundo de 
verdades que não são mensuráveis pelos mesmos pa-
drões das verdades fatuais. Os fatos que manipulam 
não têm comparação com os da realidade concreta. 
São as verdades humanas gerais, que traduzem antes 
um sentimento de experiência, uma compreensão e 
um julgamento das coisas humanas, um sentido da 
vida, e que fornecem um retrato vivo e insinuante da 
vida, o qual sugere antes que esgota o quadro. 
A literatura é, assim, vida, parte da vida, não se 
admitindo que possa haver conflito entre uma e outra. 
Através das obras literárias, tomamos contato com a 
vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os 
homens e lugares porque são as verdades da mesma 
condição humana. 
(COUTINHO, Afrânio, Notas de Teoria Literária. 2. ed, 
Rio de Janeiro) 
 
5 O título do texto propõe o conceito de literatura. 
Julgue os itens. 
1111 Segundo o texto, literatura e língua são com-
ponentes artísticos. 
2222 O artista é o responsável pela criação literária. 
3333 Na literatura, a realidade é forjada. 
4444 O sentido da vida entra em conflito com a lite-
ratura, pois aquele é modificado em função 
desta. 
5555 A vida revela-se por meio das obras de arte. 
 
6 De acordo com as funções da linguagem, julgue 
os itens abaixo: 
1111 Apesar de tratar sobre literatura, o texto é não-
literário, pois nele predomina a função referen-
cial da linguagem. 
2222 Dizemos que há metalinguagem quando se uti-
liza um código para se falar dele próprio. As-
sim, um filme que discorre sobre o próprio 
cinema, um poema que fala sobre a própria po-
esia são exemplos de metalinguagem. Este 
conceito de função metalingüística não é ob-
servado no texto. 
3333 A função metalingüística da linguagem con-
centra-se no próprio código; isto é, o código é 
o tema da mensagem ou serve para explicar o 
próprio código. No texto, a metalingüística i-
nexiste. 
4444 No último parágrafo, o autor inclui a função 
conativa. 
 
7 Reconheça quais dos textos foram escritos em 
linguagem literária e quais em linguagem utilitá-
ria. A autoria e a fonte dos textos foram suprimi-
das propositadamente. 
a) "O homem velho deixa vida e morte para trás. 
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca 
mais. O grande espelho que é o mundo ousaria 
refletir os seus sinais. O homem velho é o rei 
dos animais”. 
b) "Para o mundo, quando era quinhentos anos 
mais novo, os contornos de todas as coisas pa-
reciam mais nitidamente traçados do que nos 
nossos dias. O contraste entre o sofrimento e a 
 
Editora Exato 7 
alegria, entre a adversidade e a felicidade apa-
recia mais forte." 
c) “A rede de tricô era áspera entre os dedos, não 
íntima como quando a tricotara. A rede perde-
ra o sentido e estar num bonde era um fio par-
tido; não sabia o que fazer com as compras no 
colo. E como uma estranha música, o mundo 
recomeçava ao redor”. 
d) “Autoridades culturais italianas estão tentando 
levantar fundos (com participação internacio-
nal) para desenterrar e recuperar os tesouros 
arqueológicos da cidade de Herculano, destru-
ída, com Pompéia, pelo vulcão Vesúvio (sul de 
Nápoles)”. 
e) "Os sapatos ficam entre os pés e o chão, no que 
são como as palavras. As meias entre os pés e 
os sapatos, como os adjetivos. Os verbos, pas-
sos. Cadarços, laços. Os pés caminham lado a 
lado, calçados. Sapatos são calçados. Porque 
são e porque são usados. Palavras são pedaços. 
Os pés descalços caminham calados". 
 
8 Os textos a seguir apresentam linguagem conota-
tiva e literária. Procure compreender as idéias 
fundamentais de cada um deles ou reescreva-os 
em linguagem denotativa e utilitária. 
a) ando tão à flor da pele 
que qualquer beijo de novela me faz 
chorar 
ando tão à flor da pele 
que teu olhar flor na janela me faz mor-
rer 
(Zeca Baleiro) 
 
b) Dezembro 
Oiti: a cigarra zine: 
convite à praia. Tine 
o sol no quadril, e o míni 
véu, dissolve, do biquíni. 
(Carlos Drummond de Andrade) 
 
 
c) o vazio do quarto 
É o avesso da festa 
O avesso do vício 
De te namorar 
(Daniela Mercury e Durval Lelys)) 
 
9 Leia o texto abaixo, transcrito de uma pichação 
de muro em São Paulo: 
Eternamente 
É ter na mente 
Éter na mente 
Eternamente 
 
Pode-se considerar este texto como artístico, prin-
cipalmente porque: 
a) traduz, de maneira límpida, a idéia de eterni-
dade. 
b) trabalha um arranjo de signos a partir de um só 
vocábulo, relacionando-os entre si. 
c) participa socialmente de um contexto, por estar 
pichado num muro. 
d) evoca uma mensagem poética, a partir do dado 
da imortalidade. 
 
GABARITO 
Estudo Dirigido 
1 
a) O poeta usa a expressão café com pão três ve-
zes para reproduzir os primeiros movimentos 
do trem. O significado delas pouco diz, mas 
elas são perfeitas quanto à tonicidade. 
b) Sugere o desenho de um trem e seus vagões. 
c) à 4ª e a última. 
Exercícios 
1 
a) referencial. 
b) poética. 
c) metalingüística. 
d) emotiva. 
e) metalingüística. 
f) emotiva/poética. 
g) conativa. 
2 C, E, E, E 
3 C, C, C, C 
4 B 
5 C, C, C, E, E 
6 C, E, E, E 
7 
a) Caetano Veloso – linguagem literária. 
b) Johan Huizinga – linguagem utilitária. 
c) Clarice Lispetor – linguagem literária. 
d) Folha de São Paulo – linguagem utilitária. 
e) Arnaldo Antunes - linguagem literária. 
8 
a) O eu-lírico se diz sensível a assuntos sentimen-
tais, provavelmente por estar apaixonado ou 
muito carente. 
b) faz calor e uma mulher de biquíni toma sol na 
praia. 
c) A ausência provoca uma grande tristeza. 
9 B

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