Prévia do material em texto
1 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL CÂMPUS BENTO GONÇALVES RELATÓRIO DE ESTÁGIO - GOLDEN SUCOS LTDA.: ELABORAÇÃO DE SUCO DE UVA TINTO CONCENTRADO SAFRA 2018 ANA BEATRIZ PEIXOTO DE CAMARGOS Bento Gonçalves, junho de 2018 2 ANA BEATRIZ PEIXOTO DE CAMARGOS RELATÓRIO DE ESTÁGIO - GOLDEN SUCOS LTDA.: ELABORAÇÃO DE SUCO DE UVA TINTO CONCENTRADO SAFRA 2018 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado junto ao Superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul-Campus Bento Gonçalves, como requisito parcial à obtenção do título de Tecnólogo em Viticultura e Enologia. Orientadora: Prof. Giselle Ribeiro de Souza. Bento Gonçalves, junho de 2018 3 AGRADECIMENTOS A Empresa Golden Sucos e toda a equipe, que me recebeu de braços abertos e me proporcionou amigos, experiências e lembranças incríveis. Ao IFRS e todos os professores que fizeram parte destes 4 anos como filha da instituição. Em especial, a minha orientadora Giselle e professoras Aneti e Larissa por aceitarem o convite para avaliar meu trabalho. Aos meus pais, Carlos e Sandra, e minha mãe do coração Núbia, por não me desampararem, orarem por mim e serem meu alicerce de amor, mesmo a 1.500 km de distância. Minhas irmãs Carol, Beel, Maria Luísa, Maria Clara e meu irmão Carlos Filho por dividirem essa família complicada comigo e serem a razão dos meus dilemas e sorrisos. Vocês são meus maiores presentes. Meu companheiro de jornada, Guilherme, por todo o carinho, suporte, dedicação, paciência, amor e cumplicidade. Por me presentear com três anjos, Dirceu, Enir e Mateus, que toparam me adotar e cuidar como filha e irmã. Minhas filhas felinas, Chérie e Sushi, por serem minhas parceiras inseparáveis todos os dias, me fazendo sorrir nas situações mais difíceis. Meus melhores amigos Franco, Priscila e Marcus, pelas horas de alegria, tristeza, desespero e alívio proporcionados nos semestres divididos. A Deus, por ser um Pai cuidadoso e bondoso, não me deixando desistir. Por ter me segurado quando fraquejei, me mostrado a cada dia que os planos d’Ele sempre são melhores que os meus e me ensinado que a alegria sempre vem pela manhã. Meu mais sincero muito obrigada a cada um que esteve ao meu lado. “Every road is a slippery slope There is always a hand that you can hold on to Looking deeper through the telescope You can see that your home's inside of you. ” 4 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Delineamento dos pavilhões da Golden Sucos Ltda .................... 9 Figura 2: Evaporador em vista aérea. ........................................................... 23 Figura 3: Área de recebimento com tombador em funcionamento. .......... 24 Figura 4: Uvas tombadas no funil sobre a desengaçadeira ....................... 26 Figura 5: Viscosímetro capilar Ostwald. ...................................................... 29 Figura 6. Teste de pectina com resultado transcrito como '+++'. ............. 31 Figura 7: DECANTER: Método utilizado na diminuição de borra. .............. 32 Figura 8: UltraStar XL, utilizado na retenção de sólidos em suspensão .. 33 Figura 9. Suco concentrado em análise no laboratório de qualidade. ...... 34 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Limites Analíticos para composição do suco de uva ................. 14 Tabela 2: Informação nutricional para 100 gramas (3 colheres de sopa).. 40 Tabela 3: Características físico-químicas estabelecidas como padrão .... 40 6 LISTA DE ANEXOS ANEXO A – FLUXOGRAMA DE PROCESSOS DA UVA ............................... 48 ANEXO B – TRATAMENTO ENZIMÁTICO ..................................................... 49 ANEXO C – PRENSAGEM .............................................................................. 50 ANEXO D – DESPECTINIZAÇÃO ................................................................... 51 ANEXO E – DECANTER 1 A 7 ........................................................................ 52 ANEXO F – MICROFILTRAÇÃO ..................................................................... 53 ANEXO G – EVAPORADOR ........................................................................... 54 ANEXO F – PRODUTO FINAL ........................................................................ 55 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 9 2. HISTÓRICO DA EMPRESA ...................................................................... 11 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 12 3.1. SUCO DE UVA ................................................................................... 12 3.2. LEGISLAÇÃO ..................................................................................... 13 3.3. CULTIVARES ...................................................................................... 14 3.4. CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUIMICAS E NUTRITIVAS ................. 15 3.4.1. Água ............................................................................................. 15 3.4.2. Açúcares ..................................................................................... 15 3.4.3. Ácidos Orgânicos ....................................................................... 16 3.4.4. Minerais ....................................................................................... 16 3.4.5. Substâncias nitrogenadas ......................................................... 17 3.4.6. Compostos Fenólicos ................................................................ 17 3.4.7. Vitaminas ..................................................................................... 17 3.4.8. Pectina ......................................................................................... 18 3.5. PROCESSO DE ELABORAÇÃO ........................................................ 18 3.5.1. Recebimento da uva e desengace ............................................ 18 3.5.2. Aquecimento da uva ................................................................... 19 3.5.3. Tratamento enzimático ............................................................... 19 3.5.4. Pré-esgotador, esgotador e prensa contínua........................... 20 3.5.5. Clarificação ................................................................................. 20 3.5.6. Estabilização tartárica: ............................................................... 20 3.5.7. Pasteurização.............................................................................. 21 3.5.8. Envase e armazenamento .......................................................... 21 3.5.9. Concentração .............................................................................. 22 4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ............................................................. 24 4.1. RECEBIMENTO .................................................................................. 24 4.2. AQUECIMENTO DA UVA ................................................................... 27 4.3. TRATAMENTO ENZIMÁTICO ............................................................ 27 4.4. PRÉ-ESGOTADOR, ESGOTADOR E PRENSA CONTÍNUA ............. 29 4.5. DESPECTINIZAÇÃO.......................................................................... 30 8 4.6. DECANTERS ...................................................................................... 31 4.7. MICROFILTRAÇÃO ............................................................................ 32 4.8. CONCENTRAÇÃO .............................................................................. 33 4.9. METODOLOGIA ANALÍTICA DO PRODUTO FINAL .......................... 34 4.9.1. Sólidos Insolúveis ...................................................................... 35 4.9.2. ºBrix: ............................................................................................ 35 4.9.3. Acidez .......................................................................................... 35 4.9.4. pH: ................................................................................................ 36 4.9.5. Absorbância ................................................................................ 36 4.9.6. Turbidez ....................................................................................... 37 4.9.7. Floculação ................................................................................... 37 4.9.8. Pectina ......................................................................................... 38 4.10. ESTABILIZAÇÃO TARTÁRICA ........................................................... 38 4.11. ENVASE .............................................................................................. 38 4.12. INFORMAÇÕES TÉCNICAS .............................................................. 39 5. IFS E ESPECIFICAÇÕES ......................................................................... 41 5.1. AUDITORIA EXTERNA E KNOCK-OUT – KO .................................... 42 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................... 43 7. REFERÊNCIAS ......................................................................................... 44 9 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho foi desenvolvido na empresa Golden Sucos Ltda. (figura 1), localizada no interior do município de Farroupilha RS, região Nordeste do estado do Rio Grande do Sul, a uma distância de 107 km da capital do estado (DAER-RS, 2016). O relatório tem como objetivo descrever as atividades realizadas, em especial aquelas concernentes ao processo de fabricação de suco de uva, no estágio final para conclusão do curso de Viticultura e Enologia do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, campus Bento Gonçalves. Tais atividades foram desenvolvidas no Laboratório de Processos, durante o período de safra, de janeiro a março de 2018. O suco de uva é benéfico para a saúde dos consumidores, pois além de ser altamente nutritivo possui ação antioxidante, a qual combate os radicais livres e o Figura 1: Delineamento dos pavilhões da Golden Sucos Ltda. Fonte: Google Earth. 10 envelhecimento precoce. Sua cor, sabor e aroma de característica foxada – que remete ao sabor do fruto in natura – são muito bem quistos pelos apreciadores brasileiros e estrangeiros, tendo atraído atualmente o grande foco de investimentos dentro do mercado vitivinícola. O grande marco da safra 2018 foi a sua colheita antecipada em vinte dias, ocasionada pelas altas temperaturas no mês de setembro de 2017 e pela menor quantidade de chuvas durante o período. O inverno na Serra Gaúcha tem uma média de 410 horas com temperaturas abaixo de 7 graus, no entanto em 2017 foram apenas 188 horas registradas (MATOS, 2018). Nos últimos 20 anos, com o crescimento do mercado interno voltado ao setor, os viticultores têm investido em novas cultivares, como clones desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), em busca de melhorar o desempenho da vinha e, consequentemente, o resultado final da vindima. Maquinários mais modernos também foram adquiridos para poda e colheita, além de um maior auxílio por parte da comunidade acadêmica por meio de pesquisas a respeito de doenças e pragas. O processo de fabricação do suco de uva concentrado aconteceu através da “evaporação por arraste”. Tal método é um dos mais tradicionais, no qual o calor é visto como um aliado na cocção do alimento. Por sua ancestralidade, houve a necessidade de estudo e aprimoramento, e assim surgiram novas técnicas, a fim de gerar a menor intervenção negativa possível na avaliação sensorial do consumidor. Ao transformar um produto simples em um produto concentrado, é agregado valor ao produto final. Devido a diminuição da atividade da água, aumenta-se o estado de conservação e o espaço de armazenamento é condensado, facilitando o transporte e dificultando a proliferação de micro-organismos num meio hostil. 11 2. HISTÓRICO DA EMPRESA A empresa Golden Sucos Ltda., gerenciada por Andres Arecco, foi fundada em 1999 pela família Arecco. A empresa ocupa uma área de mais de 26.000 m2, dos quais 10.000 m2 são de área construída, onde são processadas 50.000 toneladas de fruta por ano. Foi fundada com o objetivo de produzir sucos concentrados de alta qualidade, suprindo as necessidades de produção de grandes empresas engarrafadoras dos segmentos de néctar, bebida mista e refrigerantes. A missão da empresa é produzir suco com qualidade, inovação, competitividade e excelência em serviços. A responsável técnica Marlice Carini e o responsável pela produção Roque Cavagnoli estão na coordenação das equipes desde o início das atividades da empresa. Rosiele Possa é responsável pela gestão da equipe APPCC, administração dos Registros de Qualidade e manutenção das normas estabelecidas pelo certificado IFS Food, que atestam a segurança do alimento. As equipes trabalham com o processamento de uva nos meses de janeiro a março, maçã de abril a outubro e cebola no mês de novembro. Nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2018 houve a auditoria referente a safra 2017, onde foram avaliados todos os documentos arquivados, a equipe selecionada para a produção de 2018 e seu desempenho e conhecimento técnico dentro das atividades desenvolvidas. A nota obtida pela empresa, dentro dos padrões IFS Food, determinados de acordo com o Códex Alimentarius, foi 96,8%, estabelecida como “High Level”, ou seja, “alto nível” para o ano de 2018. A empresa trabalha com o tratamento de efluentes gerados pela indústria, e garante a qualidade de seus produtos e processos com comprometimento ambiental e social junto aos moradores das regiões do entorno – São Marcos e Vila Jansen. 12 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1. SUCO DE UVA Existem registros de épocas bíblicas que saúdam o vinho, já que o conhecimento sobre os micro-organismos naturais e seus efeitos sobre os alimentos ainda eram nulos – sendo inviável conservar um mosto de uva sem que fermentasse. Somente com Louis Pasteur (1822-1895) a fermentação foi efetivamente estudada, e com o desenvolvimento da pasteurização (1864) tornou-se possível a conservação de alimentos por um maior período de tempo. O primeiro suco de uva registrado no Brasil vem de 1910, quando Oreste Franzoni & Cia produzia “Suco de Uvas Franzoni” em Monte Belo – Rio Grande do Sul. Em 1965 foram catalogadas dezenove indústrias produzindo suco em território nacional, sendo dez delas em solo Sul-Rio-Grandense. O principal fator estimulante para tamanho desenvolvimento do ramo na região foi a abundância de matéria prima de qualidade, trazida e implantada por italianos e seus descendentes, conforme MARZAROTTO (2005 apud LIMA, 2014). Esse estímulo perdura até os dias de hoje, sendo o Rio Grande do Sul responsável por 57% daprodução vitícola nacional (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO, GOVERNANÇA E GESTÃO, 2015). As intempéries climáticas durante o ciclo ocasionaram a perda de mais de 50% da produção em 2016, portanto a safra não é considerada nas estatísticas. Sendo assim, a produção de uvas em 2017 teve um crescimento de 3,94% sobre 2015. Num parâmetro geral, a produção de sucos – integrais e concentrados – caiu em 14,48%. Em análise particular, o suco de uva integral de 2017 superou em 25,96% a litragem de 2015. Em contrapartida, os concentrados sofreram uma queda de 7,08% de 2015 para 2017. Foram no total 818.783 toneladas destinadas ao processamento (MELLO, 2018). 13 3.2. LEGISLAÇÃO O suco de uva é a bebida não fermentada, não concentrada e não diluída, obtida da fruta madura e sã, por processamento tecnológico adequado, submetido a tratamento que deve assegurar sua apresentação e conservação até o momento do consumo. Em conseguinte, a Lei Federal 8.918 no artigo 5, nos parágrafos 2 e 3, descreve que no rótulo da embalagem deve ser mencionado o nome da fruta, indicando seu grau de concentração, caso tenha sido parcialmente desidratado (BRASIL, 1994). O Decreto nº 8.198, de 20 de fevereiro de 2014, que regulamenta a Lei no 7.678, de 8 de novembro de 1988, afirma: Capítulo VII - Da classificação dos derivados da uva e do vinho: Art. 17 - Os derivados da uva e do vinho serão classificados em: I - Não fermentado e não alcoólico - integram essa classe o suco de uva, a polpa de uva, o caramelo de uva, o xarope de uva, o mosto simples ou virgem, o mosto conservado ou apagado, o mosto sulfitado, o mosto cozido, o mosto concentrado e o mosto concentrado retificado; ... Art. 18 - Derivados da uva e do vinho não alcoólicos são os que contiverem menos de meio por cento, em volume, à temperatura de vinte graus Celsius, de álcool etílico potável, exceto os mostos, que poderão conter até um por cento de álcool etílico potável. ... Capítulo VIII - Da padronização dos vinhos e derivados da uva e do vinho: Art. 22 - Os vinhos e derivados da uva e do vinho abrangidos por este Regulamento deverão atender aos seguintes requisitos: I - Apresentar característica sensorial própria da matéria-prima vegetal, animal ou mineral de sua origem, ou cuja denominação ou marca se lhe assemelhe, e conter, obrigatoriamente, essa matéria-prima nos limites estabelecidos neste regulamento e em atos administrativos complementares; 14 II - O suco de uva reconstituído, elaborado a partir do suco de uva concentrado ou desidratado, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o suco de uva integral; III - Para efeito deste Regulamento, a graduação alcoólica de vinhos e derivados da uva e do vinho será expressa em porcentagem de volume de álcool etílico à temperatura de vinte graus Celsius; Além disso, os sucos deverão obedecer aos padrões de identidade e qualidade fixados pelo Ministério da Agricultura, que regulamenta através da Instrução normativa nº 01, de 7 de janeiro de 2000, os limites analíticos para a composição do suco de uva (tabela 1). Tabela 1: Limites analíticos para composição do suco de uva. Fonte: IN nª1, 07/01/2000 3.3. CULTIVARES Em 1998, Manfroi, Meneguzzo e Rizzon especificaram quatro cultivares consideradas recomendadas para a produção de suco de uva, sendo elas Concord, Isabel e Bordô da espécie V. labrusca e Jacquez da espécie V. bourquina. As variedades utilizadas devem manter, mesmo após o processamento, as características sensoriais esperadas pelo consumidor, como o aroma foxado e o sabor característico da fruta, além da coloração violácea intensa que o solo da região proporciona. O equilíbrio entre o dulçor e a acidez é obtido através da maturação completa, sendo a colheita realizada dentro dos padrões físico-químicos definidos Variáveis Mínimo Máximo Sólidos solúveis em ºBrix, a 20 ºC 14,00 - Acidez total expressa em ácido tartárico (g / 100g) 0,41 - Açúcares totais naturais da uva (g / 100g) - 20,0 Sólidos insolúveis %v/v - 5,00 Acidez volátil em ácido acético (g / 100g) - 0,050 15 pela Instrução Normativa nº 1 de 2000, garantindo a qualidade da matéria prima que será processada. Em 2011, após descobertas de novas espécies híbridas compatíveis com todo o território Sul do Brasil, foi divulgado pela Embrapa um novo documento, constando novas variedades para suco de uva que surgiram a partir de cruzamentos e mutações genéticas. Foram descritas: Concord Clone 30, Isabel Precoce, BRS Cora, BRS Violeta e BRS Carmem, todas recebidas pela Golden Sucos na safra 2018. 3.4. CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUIMICAS E NUTRITIVAS 3.4.1. Água Constituinte quantitativamente mais importante e principal elemento que compõe o suco de uva simples. Isabelle Santana et. al (2011), em análise realizada para definir a composição química e centesimal do suco de uva, tem seus resultados congruentes aos definidos anteriormente por Manfroi, Meneguzzo e Rizzon (1998), que caracterizam 85% da composição presente como água. É extraída do solo e armazenada nas células do fruto durante o processo de maturação. 3.4.2. Açúcares Vigara e Amores (2010) colocam os açúcares como compostos orgânicos caracterizados por possuir vários grupos -OH em sua molécula, e uma função aldeído ou cetona. Se denominam -OSES e podem ser Aldoses e Cetoses. A quantidade de açúcares acumulados na colheita depende da cultivar escolhida e do nível de maturação do fruto. Os dois principais compostos presentes no suco de uva são a glicose e a frutose, em proporções aproximadamente iguais. (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). O limite estabelecido pelo anexo XXII da Instrução Normativa nº 1 de 2000, que regulamenta a fixação de padrões de identidade e qualidade para suco de uva, é de no máximo 20 g/L de açúcares naturais totais a cada 100 g de solução. Os sólidos 16 solúveis a 20 ºC devem ter um valor mínimo de 14 ºBrix. Este limite padroniza a bebida de maneira que os ácidos e açúcares estejam dentro de um padrão sensorial agradável e equilibrado. 3.4.3. Ácidos Orgânicos Rizzon e Mielle (2002) pontuam a liberação de ácidos orgânicos da película para o mosto por meio da maceração. Os principais ácidos presentes são o ácido tartárico, o ácido málico e o ácido cítrico. São responsáveis pelo sabor ácido do suco de uva e devem estar em equilíbrio com a quantidade de açúcares presente na solução. Conferem ao mosto um pH baixo, em torno de 2,90 a 3,43, e apresentam uma ação estimulante de secreção salivar e suco gástrico. (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). Os ácidos presentes no suco são considerados sólidos insolúveis, e de acordo com o anexo XXII da Instrução Normativa nº 1 de 2000, não deve exceder 5% v/v. Este percentual garante a mínima decantação pós envase, característica considerada negativa visualmente na análise sensorial. 3.4.4. Minerais As substancias minerais encontrados em maior quantidade são: potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), sódio (Na) e silício (Si), macro elementos advindos das plantas. Os minoritários são ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn) alumínio (Al), cobre (Cu), níquel (Ni), lítio (Li), molibdênio (Mo), cobalto (Co) e vanádio (V) (VIGARA; AMORES, 2010). Em estudo realizado por Morgano, Queiroz e Ferreira (1999), foram quantificados pelo método de digestão por micro-ondas as quantidades de alguns dos principais minerais em suco de uva a 15 ºBrix. O potássio, cátion presente em maior quantidade e parte essencial do sal do ácido tartárico, representou em torno de 325 mg/L de sucosimples. Sódio apresentou 165 mg/L, cálcio 127 mg/L, fósforo 97 mg/L, magnésio 93 mg/L, cobre 3,82 mg/L, manganês 2,28 mg/L, ferro 1,91 mg/L e zinco 0,65 mg/L. O total de minerais quantificados ficou em torno de 0,8 g/L. Os dados obtidos contradizem a colocação de Manfroi, Meneguzzo e Rizzon (1998), que citam 17 a presença de 1,5 a 3 g/L de minerais. Por fim, Vigara e Amores (2010) condensam os dois resultados definindo o teor de minerais entre 0,8 e 2,8 g/L. 3.4.5. Substâncias nitrogenadas O suco de uva apresenta substâncias nitrogenadas, que se apresentam como polipeptídios, proteínas, nitrogênio amoniacal e aminoácidos (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). Os aminoácidos estão entre os compostos nitrogenados mais conhecidos e estudados da uva e do vinho. A glutamina é o principal aminoácido transportado pela planta após a virada de cor e durante a maturação. Junto com a arginina e a prolina, representam de 60 a 70% do total de aminoácidos das uvas maduras. (SCHUMACHER et al., 2012). 3.4.6. Compostos Fenólicos Os compostos fenólicos são responsáveis tanto pela cor quanto pela adstringência do suco de uva (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). As antocianinas são responsáveis pela coloração rubi-violácea (520nm), os flavonoides pela cor amarela (430nm) e os taninos pelo acastanhado. Sensorialmente, são responsáveis pela avaliação visual (cor), o gosto (adstringência e amargor) e o olfato (fenóis voláteis), segundo Vigara e Amores (2010). 3.4.7. Vitaminas No suco de uvas são encontradas vitaminas do complexo B, como a tiamina, riboflavina e niacina, o ácido ascórbico e o inositol (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). Amores e Vergara (2010) descrevem a tiamina compondo 160-450 µg/L, a riboflavina 3-60 µg/L, a niacina 0,68-2,6 µg/L, o ácido ascórbico em quantidades aproximadas de 90 mg/kg e inositol 380-710 µg/L. 18 3.4.8. Pectina O suco de uva pode apresentar elevado teor de pectina, entre 0,5 e 3,0 g/L. Devido ao poder geleificante, contribui no aumento da viscosidade do suco de uva e dificulta a extração do mosto, interferindo em seu rendimento (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). É composta por moléculas de que podem ser hidrolisadas por calor ou atividade enzimática (MANFROI; MENEGUZZO; RIZZON, 1998). Vedana (2008) salienta que a pectina é considerada um coloide hidrófilo de carga negativa, estabilizada por uma camada de água que envolve cada partícula. Uvas viníferas possuem menores quantidades de pectina, comparadas com uvas das variedades americanas. 3.5. PROCESSO DE ELABORAÇÃO O processamento da uva na obtenção do suco, de acordo com Meneguzzo e Rizzon (2007), seguem de acordo como descrito a seguir. 3.5.1. Recebimento da uva e desengace É realizado na entrada da agroindústria e deve ser feito controle da cultivar, a fim de garantir a procedência conforme característica, estado sanitário e peso do fruto. É determinado neste momento o teor de açucares presentes nas uvas, para que seja calculado o teor de rendimento com um mostímetro ou refratômetro. São os primeiros tratamentos mecânicos aplicados. A presença de uvas com podridão pode interferir, iniciando um processo fermentativo indesejado. Meneguzzo e Rizzon (2007) também salientam a importância do desengace e esmagamento, para que o mosto entre em contato com a película dilacerada e extraia a coloração desejada. O ambiente deve ser devidamente sanitizado, a fim de evitar qualquer entrada facilitada de micro-organismos que podem gerar fermentação. 19 3.5.2. Aquecimento da uva O processo de aquecimento deve ser feito a uma temperatura mínima de 65 ºC, não devendo ultrapassar os 90 ºC, temperatura esta que permite a caramelização do açúcar natural e consequente manutenção desse sabor característico. O mosto é mantido a 75-80 ºC por 15 minutos em um trocador de calor tubular, eliminando as leveduras, extraindo cor e possibilitando a conservação – desde que seja evitada a recontaminação, segundo Manfroi, Meneguzzo e Rizzon (1998). Em seguida, as temperaturas devem ser baixadas a 55-60 ºC com aplicação de vácuo para efetivar posteriormente a ação correta das enzimas. As antocianinas podem ser degradadas por enzimas endógenas presentes nos tecidos das plantas, como glicosidases, polifenoloxidases e peroxidases (MALACRIDA, MOTTA; 2006). Segundo Freitas et. al (2006) em experimento realizado no estudo de geleias, as temperaturas elevadas não inativaram totalmente as enzimas peroxidase (POD) e polifenoloxidase (PPO), porém determinaram diminuição da atividade enzimática. 3.5.3. Tratamento enzimático Categorizadas como catalisadores biológicos por Meneguzzo e Rizzon (2007), o objetivo do tratamento enzimático é o favorecer as reações químicas. As enzimas mais utilizadas são as pectolíticas, que apresentam alta capacidade de hidrólise e favorecem a extração de cor e aromas, a velocidade de prensagem, o rendimento e a clarificação (ÁVILA, 2011). A concentração de pectina no mosto da uva varia entre 0,5 e 3 g/L, variando entre cada cultivar, o grau de maturação e o método de extração. As doses recomendadas para aplicação variam entre 2 a 4 g/hL de mosto, e de 1 a 2 horas são suficientes para total hidrólise e resultado satisfatório, que podem ser constatados via testes laboratoriais de viscosidade (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). 20 3.5.4. Pré-esgotador, esgotador e prensa contínua Um esgotador dinâmico e uma prensa contínua realizam o trabalho de separação da fase sólida com a parte líquida. O esgotador é definido como um “caracol” inclinado, que separa o suco na parte inferior e conduz a parte sólida para cima, direto para a prensa contínua. O suco em questão ainda é turvo, pela presença de partes de película e sais de potássio em suspensão (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). Tais colocações congruem com as de Ávila (2011), ao estabelecer que devem ser extraídos açúcares, pigmentos, substâncias aromáticas e vitaminas. Não obstante, a dilaceração excessiva deve ser evitada, reduzindo gostos herbáceos desagradáveis, taninos, compostos fenólicos adstringentes, óleos essenciais e glicosídeos amargos – como hesperidina, naringina e limonina. 3.5.5. Clarificação Existem diversas maneiras para se obter a clarificação ideal do suco de uva. Duas maneiras foram desenvolvidas pela equipe de produção: ● Despectinização: A pectina dificulta a precipitação de impurezas e sais. Mesmo nos sucos que já receberam uma dose de enzima, é recomendada uma nova aplicação que abranja ação protease, arabinase e amilase (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). ● Filtração: Nesta etapa do processo é aplicado o ultrafiltro de membrana e cerâmica, mais encontrado no processamento de maçãs. Deve reter os produtos da hidrólise enzimática (ÁVILA, 2011). 3.5.6. Estabilização tartárica: A precipitação de bitartarato de potássio e tartarato de cálcio ao fundo da garrafa também é indesejada, por depreciar sensorialmente o aspecto visual. O frio é o principal agente dentro da estabilização, diminuindo a solubilidade do sal. Deve-se resfriar o suco de 0-2 ºC, próximo ao ponto de congelamento, permanecendo por 8 a 10 dias em sucos simples. A refrigeração é mais eficaz quando a redução de 21 temperatura é rápida, formando cristais menores. O suco deve ser filtrado – ainda frio – para haver completa separação dos cristais. Em caso de aumento de temperatura, eles se solubilizam novamente (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). Em sucos concentrados, pela alta densidade e viscosidade do líquido, essa precipitação é mais lenta, levando em torno de 30 dias para total precipitaçãode um tanque. 3.5.7. Pasteurização A conservação deve ser estabelecida visando a limpeza e higiene dos equipamentos e tanques em contato com o líquido, inibição de micro-organismos fermentativos e a redução do contato do produto com oxigênio (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). É pontuado por Tamanini (2007) a importância da pasteurização como um ponto crítico de controle a ser levantado dentro da APPCC, uma vez que não há tratamento posterior que elimine os perigos microbiológicos incorporados. Louis Pasteur (1822-1895) criou a técnica para prolongar a conservação dos alimentos por tratamento térmico. O calor destrói micro-organismos inativando as enzimas que garantem sua sobrevivência, favorece a estabilidade proteica e inativa as enzimas presentes na uva ou produzidas por fungos (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). 3.5.8. Envase e armazenamento Antes do envase é importante efetuar análise físico-química, certificando os parâmetros analíticos dentro dos limites estabelecidos pela legislação. A avaliação sensorial também é de extrema importância para detectar possíveis defeitos organolépticos. Após o engarrafamento e rotulagem, o suco deve ser conservado em local seco, com umidade e temperaturas controladas – 70-75% e 12-15 ºC. O local deve ser isento de cheiros desagradáveis, ventilado e sem incidência de luz solar direta (MENEGUZZO; RIZZON, 2007). 22 3.5.9. Concentração Por meio de pesquisa bibliográfica, identificou-se poucos trabalhos que abordassem de maneira efetiva a produção industrial de sucos concentrados, sendo o enfoque da grande maioria dos trabalhos o marketing e as exportações, principalmente de cítricos – como laranja e abacaxi. Todas as bibliografias encontradas a respeito de concentração de suco utilizaram métodos secundários, como osmose reversa por filtros de membrana, não utilizados pela empresa Golden Sucos Ltda. Ávila (2011) levanta três possíveis métodos de concentração, a evaporação por arraste, a crioconcentração ou a osmose inversa – desidratação por hiper-filtração. A evaporação foi considerada economicamente mais viável, atuando também como inativador de enzimas e pasteurizador. Sá, Cabral e Matta (2003) citam o uso de temperaturas elevadas como meio de concentração mais tradicional. No entanto, promove alterações significativas na qualidade sensorial e nutricional do suco, pois as características se dão por compostos voláteis e vitaminas – na maioria das vezes termo sensíveis. Estes mesmos pontos foram levantados por Cabral et. al (2008), os quais consideram que o processo térmico pode resultar na perda de frescor, coloração e aroma, além de diminuir as propriedades antioxidantes conferidas pelas antocianinas e compostos fenólicos. A concentração de alimentos apresenta vantagens como a redução da necessidade de espaço para armazenamento, diminuição dos custos com transporte e embalagem e estabilidade ao produto (MATSUURA, 1994). Segundo Karel (1975 apud Matsuura, 1994), a evaporação é a operação de concentração de soluções pela ebulição do solvente, sob condições controladas de temperatura, umidade e fluxo de ar. O termo é frequentemente utilizado quando o produto resultante está ainda no estado semissólido ou líquido. Foi considerado por Karel o método mais desenvolvido, economicamente mais favorável e mais amplamente utilizado. 23 Ruas (1986 apud Matsuura, 1994) alerta que a concentração de sucos de fruta por evaporação, mesmo sob vácuo, ainda é um processo severo. Siozawa e Quast (1975 apud Matsuura, 1994) apontam alguns problemas com as propriedades mais importantes que influem no processo, como a concentração do líquido, a formação de espumas, a sensibilidade térmica do produto, a formação de incrustações e os materiais de construção da torre do evaporador (figura 2). Nos evaporadores de aquecimento indireto, o líquido a ser concentrado flui continuamente através de uma superfície trocadora de calor, que separa o produto do meio de aquecimento – vapor d’água a alta pressão (185 ºC). A superfície de aquecimento geralmente é uma parede de metal na forma de placa tubular ou cônica (MATSUURA, 1994). Figura 2: Evaporador em vista aérea. Fonte: Arquivos Golden Sucos Ltda. 24 4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 4.1. RECEBIMENTO Durante o período de 2 de janeiro a 2 de março de 2018 foi aberto o recebimento (figura 3) para processamento industrial de uvas Vitis labrusca. A grande maioria dos produtores entrega sua carga à granel, havendo uma mínima parcela de produtores com caixas. As uvas são recebidas de vinhedos da Serra Gaúcha e entorno, como Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul, Nova Roma do Sul, Pinto Bandeira, Monte Belo, Coronel Pilar, Flores da Cunha, e outras diversas cidades e distritos. As variedades recebidas são majoritariamente tintas e americanas, como Bordô, BRS Cora, BRS Carmem, Concord, Isabel, Isabel Precoce, Niágara, Seibel e BRS Violeta. Figura 3: Área de recebimento com tombador em funcionamento. Fonte: Arquivo Golden Sucos Ltda. 25 O setor agrícola tem trabalhado em busca da implantação do Programa Alimento Seguro (PAS Uva para Processamento) em parceria com a Embrapa e o Ibravin. Periodicamente, são realizados encontros com os produtores parceiros em conversas e palestras, esclarecendo e avaliando a efetividade das Boas Práticas Agrícolas, como: manejo da água, uso e armazenamento de agroquímicos, segurança do trabalhador, produção, colheita e transporte. O objetivo do programa é proporcionar ao consumidor o acesso a um alimento sadio, que tenha sido produzido, processado e comercializado de forma segura e com qualidade, favorecendo o produtor, a indústria e o cliente. O sistema é desenvolvido e mantido pelas entidades integrantes do Sistema S (Senai, Sebrae, Sesi, Sesc e Senac) (INFORMATIVO SACA ROLHAS, 2013). Na etapa de recebimento é feita uma avaliação qualitativa via sistema, identificando o produtor, o transportador e o responsável pela pesagem. Os critérios para avaliação da fruta são fixados na parede da sala de recebimento da matéria prima, são eles: • Entrega conforme o cronograma; • Acondicionamento adequado; • Presença de água; • Presença de podridões; • Maturação visual da fruta; • Presença de galhos e folhas; • Odor ácido, avinagrado; • Incidência de pragas; • Veículo não usado para transporte de produtos que contenham glúten; • Aprovado para industrialização. Em caso de não conformidade com o padrão exigido pela empresa dentro das normas estabelecidas pelo IFS Food, os superiores da área agrícola e de produção 26 são acionados para fotografar, avaliar e decidir o que deve ser feito. Como os casos extremos não acontecem com grande frequência, a carga é processada e o caso é repassado para o diretor, que estabelece uma ação corretiva posterior – desde uma avaliação mais minuciosa e rígida na próxima carga ao bloqueio de entrega do produtor na empresa. Nessa etapa do processo, as uvas são tombadas ao funil (figura 4) e direcionadas à desengaçadeira, e em sequência ao tanque pulmão-pasteurizador. Nele permanece até que seja atingida a litragem necessária para ocorrer a pasteurização. Figura 4: Uvas tombadas no funil sobre a desengaçadeira. Fonte: Arquivo Golden Sucos Ltda. 27 4.2. AQUECIMENTO DA UVA A etapa de aquecimento da uva, que promove a extração de cor e inativação de micro-organismos prejudiciais ao mosto (MENEGUZZO; RIZZON, 2007), ocorre de acordo com a vazão estabelecida pelo operador. Existem dois tanques-pulmão responsáveis por essatrasfega. A temperatura ideal do suco dentro do pasteurizador é de 75 a 85 ºC por 30 segundos, evitando a caramelização do açúcar, aroma e sabor de cozido. As altas temperaturas promovem extração de cor e eliminação de micro-organismos contaminantes. A temperatura de saída do suco pelo é de 40 a 55 ºC, alcançadas por um trocador de calor com água da torre de refrigeração. Essas informações são registradas de hora em hora e tabeladas pelo operador em Registro de Qualidade, desenvolvido pela responsável do setor de acordo com as exigências estabelecidas sob o Códex Alimentarius pelo IFS Food. 4.3. TRATAMENTO ENZIMÁTICO A cantina possui quatro tanques de tratamento enzimático, com agitador e volume de 250 hL. No laboratório de processos são dispostas planilhas do Registro de Qualidade, onde são descritos: data, tanque, horário inicial de enchimento, enzima utilizada e lote; estes dados são registrados em um primeiro momento. Após o enchimento de aproximadamente 95% do tanque, ele é automaticamente fechado pelo sistema e o próximo tanque é iniciado. O operador em atividade deve informar ao laboratório de processos: a quantidade de enzimas adicionada; a quantidade exata de litros do tanque fechado e o horário de fechamento. Estes dados também são adicionados na tabela. Ao lado dos tanques, é acoplado um dosador de enzimas, ativado com gás comprimido. A enzima é colocada no recipiente, então é aberta a válvula do tanque e em seguida aberta a válvula do ar comprimido. O ar empurra o líquido ao tanque sem haver necessidade de um operador subir à abertura ou utilizar bombas. A dosagem 28 utilizada é de 4 ml/hL, considerada dentro do padrão colocado por Meneguzzo e Rizzon (2007). Após a finalização do enchimento do tanque de tratamento enzimático, é necessário aguardar em torno de 45 minutos para a realização das análises necessárias. Neste ponto do processo são analisados: • ºBrix Final; • Temperatura de tanque no momento da coleta; • Viscosidade do mosto. O ºBrix era avaliado com um refratômetro e uma fonte de luz. O valor é dado diretamente no visor. A temperatura era obtida através de um termômetro a laser em um ponto do tanque fosco de cor preta, não havendo disparidade entre o valor obtido pelo laser ou por termômetro de mercúrio. Para a viscosidade, deve-se seguir a metodologia: 1 Centrifugar 4 tubos de amostra por 5 minutos; 2 Encaixar o bulbo do viscosímetro capilar submerso em água destilada a 20 ºC; 3 Filtrar a amostra já centrifugada – ao menos 20 ml; 4 Manter a amostra filtrada em banho maria até que atinja 20ºC; 5 Dosar 10ml no viscosímetro (figura 5) com auxílio de pipeta volumétrica; 6 Por meio de um tubo de silicone anexado ao aparelho, a amostra é levemente succionada até que o menisco atinja o vinco superior do vidro. 7 O cronometro é ativado quando se inicia a descida, e parado quando o menisco ultrapassa o vinco inferior. O valor a ser considerado é obtido com a média de três avaliações de tempo. Então é feito o cálculo: TEMPO DE DESCIDA DA AMOSTRA (SEG) X ºBRIX DA AMOSTRA TEMPO DE DESCIDA DA ÁGUA (SEG) 29 Para se calcular a viscosidade do mosto, é necessário primeiramente obter a viscosidade da água, que era medida todos os dias pela manhã, sendo utilizado o mesmo viscosímetro por capilaridade submerso em água destilada. O tempo contabilizado girava em torno de 11,8 e 12,3 segundos. Pelo sistema internacional, a medida da viscosidade é dada em Pascal por segundo (Pa × s). O valor encontrado mediante cálculo não deve ser superior a 2. 4.4. PRÉ-ESGOTADOR, ESGOTADOR E PRENSA CONTÍNUA O mosto em maceração é separado do bagaço passando sequencialmente por um pré-esgotador, esgotador e prensa contínua. Durante o processo é novamente adicionada uma dose de novas enzimas, para que seja feita a quebra efetiva da pectina – como recomendam Meneguzzo e Rizzon (2007). A dose adicionada é de 5 ml/hl. São coletadas amostras das três saídas para a mastela e feitos os registros de: • ºBrix Figura 5: Viscosímetro capilar Ostwald. Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAg7 m0AG/relatorio?part=2 30 • Sólidos Insolúveis • Temperatura O ºBrix é obtido da mesma maneira anterior, por refratômetro. A temperatura, porém, por meio de termômetro de mercúrio. Os sólidos insolúveis de acordo com a marcação do tubo graduado após centrifugação a 1800 rpm por dez minutos. O resultado era multiplicado por 10. É repassado ao laboratório pelo operador da prensa: a hora inicial de prensagem; a quantidade de enzima utilizada; o lote; a hora final da prensagem e o valor total de enchimento do tanque de despectinização. 4.5. DESPECTINIZAÇÃO Após prensado, o mosto permanece no tanque, que não possui agitador, por mais 45 minutos. Neste momento, são feitas as análises: ● ºBrix; ● Temperatura do tanque no momento da coleta; ● Viscosidade final do suco; ● Teste de pectina. O teste de pectina tem sua metodologia definida como: 1 Dosar 10ml de solução de quebra de pectina – 95% álcool 96% v/v + 5% ácido clorídrico fumegante 37% v/v - em tubo de ensaio; 2 Dosar 5ml de amostra centrifugada (1800 rpm por 10 minutos) no tubo contendo a solução de quebra de pectina; agitar o tubo contra a luz. O resultado é colocado na planilha como ‘N’ quando o líquido se apresenta límpido, ‘+’ quando há leve nebulosidade, ‘++’ com nebulosidade moderada ou ‘+++’ com alta nebulosidade ou formação de fibras (figura 6). De acordo com o resultado, mais enzima pectinase era administrada ao mosto. 31 A viscosidade é feita utilizando a mesma metodologia anterior, utilizando 10 ml de amostra a 20 ºC centrifugada e filtrada, em viscosímetro capilar com bulbo submerso em água destilada. Estando dentro dos padrões estabelecidos (viscosidade inferior a 2 Pa×s) e atestando-se a quebra total de pectina, é autorizada a passagem do suco aos decanters. 4.6. DECANTERS São dispostos 3 tanques-pulmão para o setor dos decanters, enumerados de 1 a 7. Neste modelo de tratamento o suco, ainda com coloides em suspensão, entra pelo tubo de alimentação no centro da rosca, com formato cilíndrico-cônico, que separa o sólido do líquido por centrifugação. A fase sólida vai sendo empurrada pela rosca no entorno, enquanto a parte líquida escoa por gravidade. Nesta etapa, no laboratório de processos, são feitas as seguintes análises de hora em hora: ● Sólidos insolúveis de entrada dos decanters; ● Sólidos insolúveis de saída dos decanters; ● ºBrix Figura 6. Teste de pectina com resultado transcrito como '+++'. Fonte: Arquivo Pessoal. 32 Os sólidos insolúveis são obtidos por meio de centrifugação por 10 minutos, e o ºBrix por refratômetro. Ao passar pela centrífuga, o suco não deve ultrapassar 3% de sólidos. Caso ultrapasse, o operador é informado, a velocidade de centrifugação é diminuída e a análise é refeita em seguida. 4.7. MICROFILTRAÇÃO Toda a saída dos decanters é armazenada no tanque de entrada da microfiltração. Nesta etapa do processo o suco não está mais tão denso, porém ainda se encontra turvo. O mosto então passa por tubos com membranas de fluxo cruzado. Em seguida é direcionado a um pequeno tanque de armazenamento do suco já translúcido pronto para a concentração. Dentro do fluxograma estabelecido pela empresa, a microfiltração é colocada como um Ponto Crítico dentro da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC, exigido pelo IFS Food. Por esta especificação, devem ser feitas as seguintes análises: ● Sólidos insolúveis do tanque de entrada;● Sólidos insolúveis do tanque de saída; Figura 7: DECANTER: Equipamento utilizado na diminuição de borra. Fonte: <https://www.flottweg.com/pt/linha-de-produtos/tricanterr/> 33 ● ºBrix do tanque de saída; ● Turbidez do tanque de saída. Também eram anotados em planilha o nível do tanque de entrada da microfiltração e o equipamento em funcionamento (1 e/ou 2). Caso as 2 microfiltrações estivessem em funcionamento, eram feitas análises das duas entradas e das duas saídas. Estas análises devem atestar pleno funcionamento da microfiltração, podendo ser requisitado pelo auditor no ano posterior algumas planilhas para confirmação. 4.8. CONCENTRAÇÃO Após filtrado, o suco é transferido para o tanque pulmão do evaporador que, concentra o suco a ±70 ºBrix. O evaporador funciona por aquecimento a vácuo, utilizando o vapor da caldeira. A água que é retirada é controlada pelo operador, que deve manter o suco em 68 ºBrix. Nesta etapa o aroma também é extraído junto à água e armazenado para ser utilizado durante o blend na etapa de envase. A evaporação, empregada no setor de sucos, tem por objetivo aumentar a concentração de sólidos totais para reduzir a atividade de água, contribuindo para a conservação do produto final (figura 9). A evaporação também pode funcionar como etapa antecedente a Figura 8: UltraStar XL, utilizado na retenção de sólidos em suspensão. Fonte: http://www.bucherunipektin.co m/sites/default/files/download _center/FL-PRO- UltraStar%20XL-EN.pdf 34 outras operações, como a desidratação, o congelamento e a esterilização. Por gerar redução de peso e volume dos alimentos, facilita e reduz os custos de transporte, armazenamento e distribuição. Diariamente, eram recolhidas amostras do evaporador a cada hora de funcionamento, e registrados em planilha de Registo de Qualidade o horário, junto com as seguintes análises: ● ºBrix do tanque inicial – não concentrado; ● ºBrix da amostra final – concentrado; ● Temperatura de saída do suco concentrado. Todas as amostras de saída do evaporador eram armazenadas no laboratório de qualidade, e todos os dias às 8:00 eram iniciados os testes finais com os resultados finais da produção do dia anterior. As análises feitas para o suco concentrado final são: ºBrix, pH, acidez, sólidos insolúveis, absorbância, floculação, pectina e turbidez. 4.9. METODOLOGIA ANALÍTICA DO PRODUTO FINAL As amostras eram primeiramente homogeneizadas e em seguida pesadas – cerca de 50 g de cada amostra em um Becker com capacidade para 1 litro. A amostra era distribuída em 6 tubos graduados de 10 mL, dispostos na centrífuga. Os outros dois espaços eram preenchidos com a amostra para sólidos insolúveis: Figura 9: Suco concentrado em análise no laboratório de qualidade. Fonte: Arquivo Golden Sucos Ltda. 35 4.9.1. Sólidos Insolúveis Materiais: Centrífuga; Tubos graduados (10 mL); proveta graduada (50 mL); bastão de vidro. Procedimento: preencher a proveta com 25 mL de água destilada e 25 mL de suco concentrado; homogeneizar e distribuir em 2 tubos graduados; dispor nos espaços restantes da centrífuga; ligar o aparelho e centrifugar as amostras a 1800 rpm por 10 minutos. Resultado: valor dos dois tubos somados, dividido por 2 e multiplicado por 10. Deve ser inferior a 8%. Os tubos apenas com suco concentrado que também haviam centrifugado eram despejados em um Becker de 100 mL, tendo seu peso registrado. O ºBrix deveria ser aferido entre 67,5 e 68,5 com água destilada. 4.9.2. ºBrix: Materiais: Refratômetro e bastão de vidro. Método: Homogeneizar a amostra e colocar uma gota no refratômetro digital. É feita a correção do ºBrix com o cálculo: O resultado do cálculo era o valor a ser atingido na balança com adição de água destilada. Em seguida, a partir do suco com ºBrix corrigido, era separada a próxima amostra. 4.9.3. Acidez Materiais: Potenciômetro, balança de precisão, agitador magnético, bureta (50 mL), barra magnética, proveta (100 mL), Becker (250 mL). PESO DA AMOSTRA X ºBRIX DA AMOSTRA 68 (ºBRIX DESEJADO) 36 Reagente: Hidróxido de Sódio (NaOH) 0,1N. Procedimento: Pesar 10 g de amostra; adicionar 100 mL de água destilada à amostra; posicionar a solução no agitador com a barra magnética; encaixar o potenciômetro e a bureta no Becker contendo a solução; ligar o aparelho; titular NaOH até que o potenciômetro acuse pH 8,2; anotar o volume gasto de NaOH e realizar o cálculo: Onde o volume gasto estava sempre próximo a 24; a concentração da solução 0,1002; 0,075 para o valor em ácido tartárico; 100 a diluição realizada. Resultado: dado em gramas de ácido tartárico / 100 mL. 4.9.4. pH: Materiais: Potenciômetro, Becker (100 mL), termômetro. Reagentes: Soluções Tampão 4,0 e 7,0. Método: Aferir o potenciômetro com as soluções tampão a 20 ºC todas as manhãs, encaixar a amostra no bulbo, ligar o aparelho, aguardar 5 minutos e realizar a leitura. 4.9.5. Absorbância Materiais: espectrofotômetro; balança de precisão; cubetas; balão volumétrico (50 mL); Becker (100 mL); papel filtro faixa preta. Reagentes: Solução Tampão MAC pH 3,2 – composto por água destilada, ácido cítrico e fosfato. Procedimento: pesar 0,5 g de amostra em balão de 50 mL; filtrar a solução de MAC com filtro faixa preta; completar a medida do balão volumétrico até chegar aos VOLUME GASTO DE NaOH X CONCENTRAÇÃO NaOH x 0,075 X 100 PESO DA AMOSTRA 37 50 g; homogeneizar; zerar o espectrofotômetro com o MAC; lavar a cubeta 3x, limpando bem as superfícies; ler a densidade ótica (DO) nos espectros os comprimentos de onda de 520 e 430 nm; Cálculo: leitura x 100. Resultado 520: Peso da amostra / (Peso amostra + MAC) x DO 520 Resultado 430: Peso da amostra / (Peso da amostra + MAC) x DO 430 Relação: Resultado 520 / Resultado 430 4.9.6. Turbidez Materiais: Turbidimetro; Becker (50 mL); bastão de vidro. Procedimento: Pesar 10 g de amostra e aferir a 16 ºBrix: Após realizada a conferência entre 15,5 e 16,5 ºBrix, transferir a solução para o recipiente do turbidímetro e realizar a medição. 4.9.7. Floculação Materiais: Refratômetro; balança; visor para análise ótica; estante para tubos; tubo de Nessler (100 mL); Becker (250 mL); bastão de vidro. Procedimento: pesar 25 g de amostra; diluir a 13 ºBrix; adicionar 100 mL da amostra ao tubo de Nessler; deixar repousar por 24 horas à temperatura ambiente sobre uma estante. Marcar no tubo data, hora e número do tanque que está em enchimento. PESO DA AMOSTRA (10, ...) X ºBRIX DA AMOSTRA (68, ...) 16 (ºBRIX DESEJADO) PESO DA AMOSTRA (25, ...) X ºBRIX DA AMOSTRA (68, ...) 13 (ºBRIX DESEJADO) 38 Resultado: Ler no visor de análise ótica o resultado da floculação, que pode ser – limpo e sem depósito; limpo com depósito; turvo sem depósito; turvo com depósito. 4.9.8. Pectina Materiais: Tubo de ensaio com tampa; pipeta graduada (10 mL); pipeta volumétrica (5 mL); visor para análise ótica. Reagentes: Solução para teste de pectina. Procedimento: adicionar 5 mL de amostra a 13 ºBrix (retirar do Becker utilizado na floculação) no tubo de ensaio; adicionar 10 mL de solução junto à amostra; fechar o tubo; agitar; ler no visor de análise ótica o resultado do teste de pectina. Resultado: positivo ou negativo. 4.10. ESTABILIZAÇÃO TARTÁRICA O suco concentrado é direcionado aos tanques da câmara fria, onde permanecem por cerca de 30 dias, até que ocorra a total precipitação de bitartarato de potássio e tartarato decálcio. Os tanques não possuem agitador e não é utilizado nenhum insumo no auxílio da decantação. Mensalmente é realizada análise físico-química e microbiológica de todos os produtos que se encontram em estoque pelo laboratorista efetivo, para definição de vida de prateleira e atesto de conformidade com os parâmetros exigidos pelas instruções normativas. 4.11. ENVASE Todos os sucos são mantidos em câmara fria e separados por safra até que o cliente peça o produto de acordo com as suas exigências de mercado. O pedido é 39 então enviado ao laboratório de qualidade, onde são refeitas todas as análises realizadas durante a safra diariamente, junto à analise sensorial. Durante o envase, também é separada uma amostra do blend – com total assepsia da saída do tanque – para análise microbiológica, feita pelo laboratorista efetivo da empresa. O blend é a mistura definida pelo responsável pelo envase para obter exatamente as características desejadas pelo consumidor, incluindo cor, acidez e pH, dentro do padrão estabelecido de 68 ºBrix. O envase é feito a quente na maioria dos casos, sendo feito a frio apenas em entregas à granel. Antes de embalado, o suco é direcionado a uma nova filtração. Uma tela de inox assegura o produto de possíveis perigos físicos que possam ter entrado em contato com o líquido. Considerado um Ponto Crítico de Controle dentro do APPCC, o ambiente é isolado, os funcionários designados utilizam roupas brancas, devem seguir padrões rígidos de higiene, utilizar máscaras e ter cuidados com as unhas e com odores corporais – sejam endógenos ou exógenos. As embalagens utilizadas pela empresa são: ● Bombona plástica de polipropileno, 25 kg; ● Tambor metálico com tampa removível revestidos com 2 sacos plásticos de polietileno de baixa densidade e alta resistência, 265 kg; ● A granel. 4.12. INFORMAÇÕES TÉCNICAS Estão disponíveis no site da empresa informações técnicas, as quais descrevem o produto acabado como líquido límpido, viscoso, de cor vermelho púrpura escuro, odor e sabor característicos da fruta. É obtido através de um processo de prensagem, tratamento enzimático, filtração e concentração do suco extraído da uva, sem adição de açúcar. A informação nutricional para uma porção de 100 gramas (3 colheres de sopa), atendendo à legislação federal da ANVISA RDC 360 de 23/12/2003 (tabela 2): 40 Tabela 2: Informações nutricionais para 100 gramas (3 colheres de sopa). As características físico-químicas estabelecidas pela empresa são apresentadas na tabela 3: Tabela 3: Características físico-químicas estabelecidas como padrão. Segundo observações quanto às condições de armazenamento, a distribuição e a vida de prateleira, o transporte deve ser feito em carga frigorífica ou com lona térmica. O produto pode ser transportado em temperatura ambiente de dois a cinco dias, e o suco refrigerado deve ser armazenado em câmara fria, entre 5 e 10 ºC, e o suco congelado a -5 ºC. Quantidade por porção (100 gramas) Valor Calórico (kcal) 215 Carboidratos (g) 52,3 Fibra Alimentar Total (g) < 1,00 Gordura Total (g) 0,076 Proteína (g) 1,23 Variável Unidade Parâmetros Brix (20ºC) º 67,5 – 68,5 Acidez g% ácido tartárico 2,30 – 4,00 pH - 2,50 – 3,50 Cor (520) A.C./g 440 – 800 Relação 520/430 - 1,10 – 2,00 Sólidos Insolúveis % < 1,0 Fonte: Arquivos Golden Sucos Ltda. Fonte: Arquivos Golden Sucos Ltda. 41 5. IFS E ESPECIFICAÇÕES A Golden Sucos Ltda. trabalha com o certificado IFS Food (Alimentos), que tem como principais objetivos: ● Estabelecer um padrão comum com um sistema de avaliação uniforme; ● Trabalhar com organismos acreditados e auditores qualificados; ● Assegurar a comparabilidade e transparência em toda a cadeia de abastecimento; ● Reduzir custos e tempo para fornecedores e varejistas; O auditor deve avaliar se os elementos estão documentados, implementados e mantidos continuamente melhorados. São avaliados: ● A estrutura organizacional quanto à responsabilidade, autoridade, qualificação e descrição do cargo; ● Procedimentos documentados e instruções relativas à sua implementação; ● Auditorias internas; ● Comparativos de analises finais internas e externas; ● Ações a serem tomadas em caso de não conformidade; ● Implementação de ações corretivas em caso de não-conformidade; ● Manuseio, armazenamento e recuperação dos Registros de Qualidade e de segurança de alimentos, dados de rastreabilidade e controle de documento. 42 5.1. AUDITORIA EXTERNA E KNOCK-OUT – KO Uma não conformidade maior em alguns requisitos identificada pelo auditor externo determinam um possível KO. Se estes não são cumpridos, resulta em não certificação. São eles: ● Responsabilidade da direção; ● Sistema de monitoramento de cada PCC; ● Higiene pessoal; ● Especificação de matérias-primas; ● Cumprimento da formulação; ● Gestão de material estranho; ● Sistema de rastreabilidade; ● Auditorias internas; ● Procedimento de recolhimento e recall; ● Ações corretivas. Esses requisitos não podem ser avaliados com C, apenas A, B ou D. Se for pontuado com D, não é recebido o certificado. A DNV, Det Norske Veritas, realiza as auditorias de IFS. Nenhum responsável interno tem conhecimento de quem será o auditor, que só é divulgado um mês antes da visitação. O certificado só pode ser revalidado em período de safra, para que tudo seja avaliado em pleno funcionamento. 43 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A Golden Sucos Ltda. tem como principal objetivo entregar o melhor produto dentro do estabelecido pelas instruções normativas e características pré- estabelecidas. Clientes com padrões de exigência diferenciados tem seus pedidos atendidos com precisão e asseio pela equipe de laboratório. A aplicação do sistema APPCC pelos líderes é exemplar, estando toda a equipe consciente de maneira diligente sobre sua função e importância dentro do processo produtivo. A atuação do sistema computadorizado para abertura e fechamento de tanques e válvulas traz organização ao processo e evita desperdícios que poderiam ser ocasionados por funcionários, como frequentemente ocorre dentro da indústria vitivinícola. Ao longo de todo o pavilhão estão dispostos diversos informativos a respeito das boas práticas de fabricação, de maneira facilitada e inclusiva, possibilitando ao colaborador com baixo nível de estudo a fácil compreensão. O laboratório de processos proporciona ao laboratorista autonomia e segurança, tendo em vista que todas as atividades realizadas durante a safra são controladas e autorizadas pelo responsável em atividade – inclusive o controle de pontos críticos. O preenchimento dos Registros de Qualidade auxilia na organização de toda a equipe, a qual têm acesso ao cronograma de atividades realizadas desde o tratamento enzimático à concentração. Recomenda-se estudos por parte do laboratório de qualidade voltados para a estabilização tartárica, tendo em vista que diversos métodos de aceleração são descritos na bibliografia e não são aplicados. Como exemplo, a implantação de agitadores nos tanques e o uso de cristais facilitadores de aglomeração do bitartarato de potássio. 44 7. REFERÊNCIAS ÁVILA, L.D. Derivados da Uva e do Vinho. Bento Gonçalves, IFRS BG, 2011. BRASIL. Lei N° 8.918, de 14 de julho de 1994. Institui a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas. Diário Oficial, Brasília, DF, 14 jul. 1994. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1994/lei-8918-14- julho-1994-349791-norma-pl.html>Acesso em: 25 mai. 2018. CABRAL, Lourdes Maria Correa. Concentração de suco de uva por osmose inversa. Rio de Janeiro: Embrapa, 2008. 4 p. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/164109/1/CT138-suco-uva- OI.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2018. DAER-RS. Distâncias de Porto Alegre. Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem - Rio Grande do Sul, 2016. Acesso em: 06 jun. 2018 FREITAS, Andreia Andrade et al. Atividades das enzimas peroxidase (POD) e polifenoloxidase (PPO) nas uvas das cultivares benitaka e rubi e em seus sucos e geleias. Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v. 1, n. 28, p.172-177, jan. /mar. 2008. GOLDEN SUCOS LTDA, Farroupilha. Produtos, 2014. Disponível em: <http://goldensucos.com.br/p/product.php?p=1>. Acesso em: 30 mai. 2018. Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão. Uva e Maçã. Atlas Socioeconômico, Rio Grande do Sul, 2015. Disponível em: <http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/uva-e-maca>. Acesso em 10 jun. 2018. INFORMATIVO SACA ROLHAS. Brasil: Ibravin, v. 1, n. 8, mar. 2013. Disponível em: <http://www.ibravin.org.br/downloads/1377722196.pdf>. Acesso em 20 mar. 2018. LIMA, Marcos dos Santos. Caracterização Química de Sucos Produzidos em Escala Industrial com Novas Variedades Brasileiras de Uva Cultivadas no Nordeste do Brasil. 2014. 156 f. Tese (Doutorado) - Curso de Engenharia de Alimentos, Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/123235/325596.pdf?sequenc e=1>. Acesso em: 15 jun. 2018. 45 MALACRIDA, Cássia Roberta; MOTTA, Silvana. Antocianinas em Suco de Uva: Composição e Estabilidade. Curitiba, v. 24, n. 1, p.59-82, jan. /jun. 2006. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/alimentos/article/view/5294>. Acesso em: 5 jun. 2018 MATSUURA, Fernando César Akira Urbano. Processamento e Caracterização de Suco Integral e Concentrado Congelado de Acerola. 1994. 160 f. Tese (Mestrado) - Curso de Engenharia de Alimentos, Centro de Tecnologias, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/254395/1/Matsuura_FernandoCes arAkiraUrbano_M.pdf>. Acesso em: 8 jun. 2018. MATTOS, Greici. Colheita de uva no RS é antecipada e produtores comemoram a qualidade. Globo Rural, Rio de Janeiro, 21 jan. 2018. Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2018/01/colheita-de- uva-no-rs-e-antecipada-e-produtores-comemoram-qualidade.html>. Acesso em: 7 jun. 2018. MELLO, Loiva Maria Ribeiro. Desempenho da Vitivinicultura Brasileira em 2015. Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, 16 fev. 2016. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/9952204/artigo-desempenho- da-vitivinicultura-brasileira-em-2015>. Acesso em: 7 jun. 2018. MELLO, Loiva Maria Ribeiro. Desempenho da Vitivinicultura Brasileira em 2017. Campo & Negócios, Brasil, 2018. Disponível em: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1091329/1/LOIVA20 18HFp112116.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO. IN 1: Regulamento Técnico Para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Suco de Uva. 1 ed. Brasília: Brasil, 2000. 21 p. MORGANO, Marcelo Antônio; QUEIROZ, Sônia Cláudia do Nascimento; FERREIRA, Márcia Miguel Castro. Determinação dos teores de minerais em sucos de frutas por espectrometria de emissão óptica em plasma indutivamente acoplado. Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v. 19, n. 3, p.198-208, set. /dez. 1999. NOAL, Flávia. Estimativa aponta que produção de uva na Serra Gaúcha será de 720 mil toneladas nesta safra. Jornal Zero Hora, 2018. Disponível em: 46 <https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2018/01/estimativa-aponta-que- producao-de-uva-na-serra-gaucha-sera-de-720-mil-toneladas-nesta-safra- cjc6if7s401da01ps154tf2bl.html>. Acesso em: 9 jun. 2018. RITSCHEL, Patrícia Silva; MAIA, João Dimas Garcia; CAMARGO, Umberto Almeida. Cultivares de Uva para Processamento de Suco. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, n. 72, nov. 2011. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/55085/1/Cultivares-suco.pdf>. Acesso em: 6 jun. 2018. RIZZON, Luiz Antenor; MANFROI, Vitor; MENEGUZZO, Júlio. Elaboração de Suco de Uva na Propriedade Vitícola. Bento Gonçalves: EMBRAPA-CNPUV, 1998. 24 p. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/26032/1/Doc21.pdf> Acesso em: 5 jun. 2018 RIZZON, Luiz Antenor; LINK, Marcos. Rio Grande do Sul: Embrapa. Composição do suco de uva caseiro de diferentes cultivares. Ciência Rural, Santa Maria, v. 36, n. 2, p.689-692, maio/jun. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ /cr/v36n2/a55v36n2.pdf>. Acesso em: 7 jun. 2018. SÁ, Iralla dos Santos; CABRAL, Lourdes Maria Corrêa; MATTA, Virgínia Martins. Concentração de Suco de Abacaxi Através dos Processos com Membranas. Brazilian Journal of Food Technology, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p.53-62, Jan./jun. 2003. Disponível em: <http://bj.ital.sp.gov.br/artigos/brazilianjournal/free/p03112.pdf>. Acesso em: 8 de jun. 2018. SCHUMACHER, Rafael Lizandro et al. Compostos Nitrogenados do Vinho: Fatores Envolvidos na Formação de Aminoácidos e Aminas Biogênicas. Joaçaba, v. 12, n. 2, p.137-154, jul. /dez. 2012. Disponível em: <https://editora.unoesc.edu.br/index.php/evidencia/article/view/2243/pdf>. Acesso em: 8 jun. 2018. VEDANA, Maria Isabel Simczak. Efeito do Processamento na Atividade Antioxidante da Uva. 2008. 88 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Tecnologia em Alimentos, Programa de Pós-Graduação, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008. Disponível em: 47 <https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/17289/Dissertacao Maria Isabel Vedana.pdf?sequence=1>. Acesso em: 6 jun. 2018. VIGARA, Juan J. Moreno; AMORES, Rafael A. Peinado. Química Enológica. Madrid: A. Madrid Vicente, Ediciones y Ediciones Mundi-prensa, 2010. 48 ANEXO A – FLUXOGRAMA DE PROCESSOS DA UVA 49 ANEXO B – TRATAMENTO ENZIMÁTICO 50 ANEXO C – PRENSAGEM 51 ANEXO D – DESPECTINIZAÇÃO 52 ANEXO E – DECANTER 1 A 7 53 ANEXO F – MICROFILTRAÇÃO 54 ANEXO G – EVAPORADOR 55 ANEXO H – PRODUTO FINAL