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1 Psicopedagogia e Neurociências Psicopedagogia Institucional PSICOMOTRICIDADE, EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E LUDICIDADE Juliane Feldmann Edna Barberato Genghini 2 FELDMANN, Juliane GENGHINI, Edna Barberato Psicomotricidade, Educação Psicomotora e Ludicidade (livro- texto) Juliane Feldmann; Edna Barberato Genghini. – São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu UNIP, 2019. 189 p. il. 1. Psicomotricidade e movimento. 2. Educação Psicomotora. 3. Ação Didática e Ludicidade no trabalho psicopedagógico. 4. Avaliação e Intervenção Psicomotora. Feldmann, Juliane. Genghini, Edna Barberato. II. Pós- Graduação Lato Sensu UNIP. III. Psicomotricidade, Educação Psicomotora e Ludicidade. 3 PSICOMOTRICIDADE, EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E LUDICIDADE Professora conteudista JULIANE FELDMANN Pedagoga pela Universidade Regional de Blumenau- SC; Psicopedagoga Institucional e Clínica pelo ICPG; Neuropsicopedagoga Clinica pelo CENSUPEG; Psicomotricista pela FMU; Coordenadora Pedagógica pela Prefeitura Municipal de SBC - SP - 13 anos de atuação como professora em sala de aula, com experiência em alfabetização; 12 anos atuando como psicopedagoga clinica clínica em consultório próprio; Coordenadora da Equipe Multidisciplinar do espaço Integrado; 12 anos ministrando cursos e palestras na área da educação; Docente em cursos de pós-graduação; Coordenadora do Curso de Pós Graduação em Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica pela UNIP; Autora dos Livros: Aprender tem que ser Divertido. Ed. CEITEC - esgotado; Trio de Rimas. - Ed. Matrix; Pensamento e Emoções - Ed. Matrix; Sentimentos e Pensamentos – Ed. Matrix, Exercícios da Gratidão – Ed. Matrix. Autora de Jogos Neuropsicopedagógicos - www.neurototem.com.br - Te Conhecendo Melhor (Técnica Projetiva) - Jogo das Funções Executivas - Alinhando 3 - Bingo da Ortografia - De Olho nos Monstros - Labirinto Psicomotor - Tabuleiros de Percurso - As Pulgas do Gato - Enfeitando o bolo, Técnica dos Grampos de Roupa; Técnica das Esponja. Professora Colaboradora/coordenadora: EDNA BARBERATO GENGHINI, Professora Universitária desde 2002. Atualmente no exercício da função de Coordenadora para todo o Brasil de três cursos ao nível de Pós Graduação Lato Sensu: em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, DOCÊNCIA PARA O ENSINO SUPERIOR e em FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, pela UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP/EaD, onde também atua como Professora Adjunta, nas modalidades SEI e SEPI. É Diretora e Psicopedagoga da MENTOR ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA LTDA. ME desde 1991. Possui graduação em Economia Doméstica - Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André (1980), graduação em Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), Pós-graduação em Psicopedagogia pela Universidade São Judas (1987), Mestrado em Ciências Humanas pela Universidade Guarulhos (2002) e pós-graduação Lato Sensu em Formação em Educação a Distância pela UNIP - Universidade Paulista (2011). É autora e coautora de livros Textos para os cursos de Pós Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional, Docência para o Ensino Superior e Formação em Educação a Distância da UNIP - EaD. Áreas de Interesse: Neurociências - Educação Inclusiva - Psicopedagogia Clínica e Institucional - Formação e Gestão em Educação a Distância - Formação de Docentes para o Ensino Superior. 4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 06 1. PSICOMOTRICIDADE E MOVIMENTO: 09 1.1 Psicomotricidade 09 1.2 Motricidade, Psicomotricidade e Neurociências 12 1.3 Desenvolvimento Infantil e Primeira Infância 13 1.4 Desenvolvimento Psicomotor 14 1.5 O Desenvolvimento Psicomotor na concepção de Henri Wallon 17 1.6 A importância do Movimento na formação da inteligência, segundo Jean Piaget 30 1.8 A psicomotricidade no Enfoque Neurofuncional de Aleksander Luria 38 1.9 Arnold Gesell 49 1.10 Bases do Desenvolvimento Neurológico 50 1.10.1 Sistema Nervoso Central 52 1.10.2 Hemisférios e Lobos Cerebrais 54 1.10.3 Controle das Funções Motoras e do Comportamento 57 1.10.4 Marcos do Desenvolvimento Neuropsicomotor 61 2. EDUCAÇÃO PSICOMOTORA: ASPECTOS SENSORIAIS, PERCEPTIVOS E BASES PSICOMOTORAS 79 2.1 O sentido do Tato 79 2.2 O sentido da Visão 81 2.3 O sentido da Audição 83 2.4 O sentido do Olfato 85 2.5 O sentido do Paladar 86 2.6 O sentido Cinestésico 88 2.7 Bases Psicomotoras 90 2.7.1 Tônus e Equilíbrio 91 2.7.1.1 Alterações e desarmonias do Tônus 93 2.8 Equilíbrio 96 2.9 Lateralização e Lateralidade - 2 a 3 anos 98 2.10 Esquema Corporal 3 a 4 anos 100 2.11 Organização Espaço-Temporal - 4 a 5 anos 104 2.12 Praxia Global e Praxia Fina - 5 a 6 anos 109 3. TRANSTORNOS PSICOMOTORES, AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOMOTORA 117 3.1 Conceitos psicomotores envolvidos no desenvolvimento humano 117 3.2 Compreendendo algumas síndromes neurológicas 119 3.3 Distúrbios psicomotores 121 3.4 Instabilidade psicomotora 122 5 3.5 Debilidade psicomotora 123 3.6 Inibição Psicomotora 125 3.7 Lateralidade Cruzada 126 3.8 Avaliação Psicomotora 127 3.9 Intervenção Psicomotora 130 3.10 Atividades Psicomotoras 132 4. AÇÃO DIDÁTICA E LUDICIDADE NO TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO: O LÚDICO, O BRINCAR E A NEUROCIÊNCIAS. INTERVENÇÕES EM PSICOMOTRICIDADE 155 4.1 O lúdico, o brincar e a brincadeira 155 4.2 Fröebel e o Jardim de Infância 156 4.3 O lúdico na educação infantil 157 4.4 Quais as características de um espaço lúdico? 159 4.5 O brincar e a neurociência 169 4.6 O lúdico desenvolve competências 161 4.7 As diferentes formas de ver o brincar 162 4.8 Intervenções Psicomotoras II 166 REFERÊNCIAS 184 6 INTRODUÇÃO Olá, aluno(a)! Bem-vindo(a)! Neste material você encontrará os conteúdos pertinentes à disciplina PSICOMOTRICIDADE, EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E LUDICIDADE, que trata, fundamentalmente da importância do desenvolvimento psicomotor e suas inter- relações com a inteligência, aprendizagem e afetividade. Também estudaremos as Bases Psicomotoras e como estimulá-las. Vamos aprender a aplicar Atividades Lúdicas e Jogos Educativos no setting de atendimento clínico e institucional, que auxiliem no desenvolvimento psicomotor e cognitivo e, para finalizar, vamos discutir o papel do psicopedagogo nos processos de Avaliação e Intervenção Psicomotora. O objetivo desse livro-texto do curso de pós-graduação em PSICOPEDAGOGIA E NEUROCIÊNCIAS da UNIP EaD é ajudá-lo a compreender as etapas do desenvolvimento motor e quais fatores o influenciam. A psicomotricidade e suas inter-relações com inteligência, aprendizagem e afetividade. O papel do psicopedagogo nos processos de Avaliação e Intervenção Psicomotora, conhecer alguns Exercícios Psicomotores, aplicações de Atividades Lúdicas e Jogos Educativos no setting de atendimento clínico e institucional. O material que agora você tem em seu poder está dividido em quatro unidades didáticas distintas, porém complementares.Cada uma delas apresenta uma particularidade do tema e foi organizada tendo em vista facilitar seu percurso dentro da temática. Veja como estão organizadas: 7 Unidade 1 – Psicomotricidade e Movimento: Psicomotricidade. Motricidade. Neurociências. Desenvolvimento Infantil. Desenvolvimento Neuropsicomotor. Desenvolvimento Humano segundo Wallon, Piaget, Gesell. Crescimento x Desenvolvimento x Maturação. Desenvolvimento do sistema nervoso central. Hemisférios Cerebrais. Luria Unidade 2 – Educação Psicomotora: Aspectos sensoriais, perceptivos. Bases psicomotoras Unidade 3 – Avaliação e Intervenção Psicomotora: Vitor da Fonseca, Francisco Rosa Neto, Gislene de Campos Oliveira. Transtornos Psicomotores. Unidade 4 – Ação Didática e Ludicidade no Trabalho Psicopedagógico: O Lúdico. O Brincar e a Neurociências. Intervenções em Psicomotricidade. Para estudar todos os temas indicados, os objetivos gerais da disciplina são: conhecer e entender a Educação Psicomotora como a “educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”, com o propósito de Avaliar, Orientar e Intervir, no ambiente clínico e Institucional, quando as condições do programa escolar forem insuficientes ou inadequados para atender às necessidades individuais ou grupais de desenvolvimento psicomotor em crianças, adolescentes e adultos. Saiba, também, quais são os objetivos específicos: Oferecer uma Fundamentação Teórica sobre as Etapas do Desenvolvimento Infantil e as Etapas do Desenvolvimento Neuropsicomotor; Conhecer o que alguns autores estudaram o Desenvolvimento Humano e sua relação com a psicomotricidade; Conhecer o sistema nervoso central e as áreas cerebrais para melhor entender o desenvolvimento psicomotor; Conhecer o Sistema Sensorial, Perceptivo e as Bases Psicomotoras (Tônus, Equilíbrio, Lateralidade, Estruturação Corporal, Organização Espacial, Organização Temporal, Praxia fina e Praxia global) 8 Ampliar a competência do psicopedagogo em relação às questões relacionadas ao desenvolvimento psicomotor em crianças e sua relação com o tripé motor-afetivo-cognitivo, propiciando a ele um contexto de discussão teórico-prática que auxilie o profissional no trabalho preventivo e proativo sobre o atendimento a crianças com dificuldades ou atrasos no desenvolvimento global, transtornos de aprendizagem, deficiências mentais, sensoriais e alterações motoras em ambiente escolar. Apresentar e instrumentalizar o psicopedagogo acerca das concepções sobre o uso de atividades lúdicas que auxiliem no desenvolvimento psicomotor e cognitivo através de atividades significativas no setting de atendimento clínico e institucional. Bem, como você já percebeu, há muitos assuntos a serem tratados. Esperamos que você aproveite a leitura e as imagens do seu livro e não deixe de buscar as indicações da sessão “Saiba mais”. Ah! Os assuntos não se esgotam neste Livro-texto portanto, para aprimorar seus conhecimentos, busque os complementos na Bibliografia Recomendada, OK? Animado(a)? Então, mãos à obra! Boa jornada! 9 1. PSICOMOTRICIDADE E MOVIMENTO A maturidade se trata da evolução da mente e o coração. Vitor Fonseca Nesta unidade, vamos nos divertir com alguns conceitos sobre o que é psicomotricidade, motricidade, o que alguns renomados estudiosos tem a nos dizer sobre o assunto e o que a Neurociência tem a contribuir. 1.1 Psicomotricidade Psicomotricidade1 é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização”. Ações que envolvem a psicomotricidade vêm sendo desenvolvidas no espaço escolar, especialmente na Educação Infantil e Ensino Fundamental pelos próprios 1 Fonte desta definição: Associação Brasileira de Psicomotricidade in https://psicomotricidade.com.br/ Acesso em 13/02/2019. Conteúdos trabalhados na unidade: Psicomotricidade. Motricidade. Neurociências. Desenvolvimento Infantil. Desenvolvimento Neuropsicomotor. Desenvolvimento Humano segundo Wallon, Piaget, Gesell. Crescimento x Desenvolvimento x Maturação. Desenvolvimento do sistema nervoso central. Hemisférios Cerebrais. Luria. 10 professores, embora saibamos que não há nenhuma exigência de formação específica na referida área. As ações educativas que envolvem crianças nesse período de escolarização devem ser revestidas pelo movimento e ludicidade. Mesmo no âmbito familiar tais movimentos e brincadeiras devem ser parte dos hábitos da vida diária na infância. Com Dupré, em 1907, inicia-se uma denominação específica da psicomotricidade entendida como o paralelismo psicomotor que implica na compreensão estreita da relação entre o desenvolvimento da motricidade, inteligência e afetividade. Com Gessel, médico pediatra e pesquisador, surge a primeira preocupação com a mensuração do desenvolvimento psicomotor. Ele elabora a escala de maturação motora. Com Wallon, surge a preocupação com a identidade corporal (NICOLA, 2004). O conceito de psicomotricidade defendido pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, citado por Otoni (2007), indica que se trata de uma ciência que estuda o homem a partir de seu movimento nas suas relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica. Assim, diante da conjunção de forças que atuam no corpo, como o choro, os medos, as alegrias e tristezas, a criança estrutura suas marcas, buscando qualificar seus afetos e elaborar seus pensamentos, constituindo-se em uma pessoa. Vale ressaltar que o tornar-se pessoa envolve também e, principalmente, relações parentais que irão proporcionar o contexto adequado para o nascimento psicológico da criança, assim como de todas as interferências sociais, culturais e históricas em que estará inserida. A criança se manifesta desde o início de sua existência pela via da ação, do movimento e do impulso, e é dessa forma que se relaciona com o seu entorno. Observamos que em situações de desprazer e desconforto se manifestará com o choro e é assim que chamará a atenção do adulto. Ao contrário, na presença de situações prazerosas tenderá a expor sua alegria, também com o corpo inteiro. No Brasil, somente em 1950 se começa a tratar do tema da psicomotricidade. Haim Gruspum e Antonio Branco Lefévre direcionam os trabalhos para as áreas terapêuticas do tratamento de crianças com algum tipo de deficiência. Gruspum se preocupou mais especificamente com a atuação orientada para os casos dos 11 distúrbios de aprendizagem. Lefévre elaborou a primeira escala de avaliação neuromotora direcionada para crianças brasileiras (ISPE-GAE, 2010). Para a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, fundada em 1980, a psicomotricidade deve se orientar para as crianças em fase de desenvolvimento, como os bebês de alto risco, crianças com dificuldades ou atrasos no desenvolvimento global, transtorno de aprendizagem, deficiências mentais, sensoriais e problemas psíquicos; alterações motoras, relacionais e perceptivas em consequência de lesões neurológicas,assim como pessoas na terceira idade. A psicomotricidade é entendida para Vitor Fonseca como um campo transdisciplinar que investiga as relações e influências recíprocas e sistêmicas entre o psiquismo e a motricidade: O psiquismo, nessa perspectiva, é entendido como sendo constituído pelo conjunto do funcionamento mental, ou seja, integra as sensações, as percepções, as imagens, as emoções, os afetos, os fantasmas, os medos, as projeções, as aspirações, as representações, as simbolizações, as conceitualizações, as ideias, as construções mentais, etc. (FONSECA, 2008, p. 9). É importante considerarmos a integração do psiquismo ao abordarmos a referida área, já que a fragmentação não nos permitirá enxergar a criança em sua totalidade. Quando nos deparamos com quadros de distúrbios ou imaturidades psicomotoras, iremos analisá-los a partir da complexidade do psiquismo humano; assim, não se faz necessário uma intervenção focal de uma proposta de reeducação, mas sim de um trabalho que envolva a totalidade e a subjetividade de cada sujeito. Quando observamos que uma determinada criança ou adolescente vem apresentando um quadro de imaturidade psicomotora ou mesmo algum transtorno psicomotor, não podemos “tratar” o caso apenas como uma parte específica do corpo que está apresentando um problema (disgrafia, por exemplo, onde a criança apresenta uma letra feia e não a entendemos). Precisamos compreender o que está ocorrendo com a criança em sua totalidade, evitando abordá-la isoladamente com técnicas de caligrafia para melhorar a coordenação motora fina, por exemplo. Outros autores de áreas diferentes tratam da psicomotricidade de formas diversas, como Merleau-Ponty (1971) citado por Oliveira (2010), que afirma que 12 homem é uma realidade corporal, se caracteriza pelo seu próprio corpo que se apresenta como uma subjetividade encarnada. A espacialidade do corpo se completa na ação. Jean Piaget (1987), que se preocupou com os estudos das estruturas cognitivas, enfatiza a importância do período sensório-motor e da motricidade, mais precisamente antes da aquisição da linguagem. A inteligência, para este autor, é um processo de adaptação ao ambiente. Para que isso ocorra, há a necessidade de manipulação pelo indivíduo dos objetos do mundo concreto (OLIVEIRA, 2010). Le Boulche (1984 apud Oliveira 2010) afirma que a psicomotricidade se utiliza das contribuições da psicanálise no que se refere à importância do afeto no desenvolvimento humano, assim como da concepção comportamental, ao considerar a importância do instrumento para um melhor desempenho do indivíduo. 1.2 Motricidade, Psicomotricidade e Neurociências Motricidade é o mesmo que motilidade; é o domínio do corpo, agilidade, destreza, locomoção, a faculdade de mover-se voluntariamente. É a possibilidade neurofisiológica de realizar movimentos, a qualidade do que é móvel ou que obedece às leis do movimento (HURTADO, 1983). Tem um papel fundamental na vida intelectual da criança e constitui-se uma de suas origens. A motricidade só pode ser compreendida à luz da neurociência. Reúne a psicologia, a motricidade e a neurologia em um novo campo de conhecimentos: a Neuropsicomotricidade. Para intervir educacional e terapeuticamente na Neuropsicomotricidade, é preciso conhecer como o cérebro se desenvolve, como se estrutura e trabalha. Só dessa maneira é que conseguiremos compreender e intervir nas perturbações psicomotoras e nos atrasos do desenvolvimento psicomotor, ou como Vitor da Fonseca nos coloca: ... nas funções neuropsicológicas e nas redes neuronais da atenção, do processamento e da integração da informação sensorial, da planificação, da execução, da monitorização e verificação das ações, das respostas 13 adaptativas e dos comportamentos inerentes ao desenvolvimento e à aprendizagem humana. (FONSECA, 2018, p.20). 1.3 Desenvolvimento Infantil e Primeira Infância O desenvolvimento do ser humano é ininterrupto, gradativo e obedece a certa ordem e regularidade. Isto significa que: O desenvolvimento acontece por etapas: Estas etapas seguem uma sequência; Esta sequência é invariável (o individuo não pode “saltar” etapas, embora possa passar por certas etapas mais depressa ou mais devagar que os outros); O processo de desenvolvimento ocorre ao longo de toda a vida do indivíduo. Desde a concepção até à maturidade, há um paralelo no desenvolvimento do organismo, do cérebro e do comportamento. As capacidades mentais e comportamentais só surgem com base na maturação do sistema nervoso (em que inclui o cérebro) e de todo o organismo (Ex. uma criança só começa a andar quando as suas pernas têm uma maturação óssea e muscular adequada à marcha, mas o seu sistema nervoso e o ouvido interno têm de ser capazes de manter e regular o equilíbrio corporal e motor); As aquisições necessárias à transição de uma fase de desenvolvimento para outra não são feitas instantaneamente, ocorrem ao longo do tempo. Devido à continuidade do desenvolvimento é que uma fase da vida influência as outras fases posteriores. O que ocorre em cada fase do desenvolvimento, influencia as fases seguintes; Um acontecimento traumático na infância pode levar a que um adulto exiba determinados comportamentos resultantes dessa vivência; 14 A não aquisição de competências das fases do desenvolvimento que lhes são propícias pode comprometer seriamente as fases seguintes. A velocidade e a intensidade do processo de desenvolvimento não são as mesmas ao longo de todo o processo. O processo de desenvolvimento é rápido na primeira infância, depois vai- se tornando mais lento, torna-se rápido, novamente, durante o surto de crescimento pré-pubertário, volta a ser lento na adolescência e tem um nivelamento final por volta dos 18/19 anos. O desenvolvimento é o processo pelo qual o ser humano se forma enquanto ser, desde o momento da concepção, até à sua morte; Este processo dá-se como uma interação constante entre o indivíduo (as suas estruturas biológicas e mentais) e o meio em que se encontra inserido. O desenvolvimento humano é um processo de crescimento e mudança que ocorre ao longo da vida, a nível físico, comportamental, cognitivo e emocional; Em cada fase surgem características específicas; Cada criança é um indivíduo e pode atingir estas fases de desenvolvimento mais cedo ou mais tarde do que outras crianças da mesma idade. Vamos falar das características mais marcantes de cada fase do Fase do Desenvolvimento Infantil mais adiante. 1.4 Desenvolvimento Psicomotor A Criança atua no mundo através de seus movimentos! Para isso necessita: Maturidade Motora – que é alcançada com a maturação do sistema nervoso. Maturidade Intelectual – quando nos tornamos capazes de pensar de forma abstrata. 15 Maturidade Social - é alcançada quando nos tornamos capazes de nos relacionarmos de forma eficaz com outras pessoas, e quando integramos e contribuímos de forma positiva para a sociedade. Maturidade Afetiva – capacidade de sentir as emoções, processá-las e expressá-las adequadamente indiferente da situação em que se enquadra, aceitando que o outro sinta, processe e expresse as suas emoções. O desenvolvimento da maturidade é construído no dia a dia, com as estimulações e limitações que o meio nos impõe. A estrutura de vida familiar, herança genética, experiências motoras anteriores são fatores importantes para o processo de desenvolvimento motor. Os seis primeiros anos de vida são decisivos na formação integral do indivíduo. A maneira como os estímulosse organizam nas primeiras três fases do desenvolvimento, refletirá na base de seu caráter e etapas seguintes. Nessa fase ocorrem momentos nos quais circuitos cerebrais específicos para formação de determinadas habilidades têm maior plasticidade e melhor resposta à determinada experiência ambiental. O desenvolvimento motor acontece assim: a) Céfalo-caudal: diz respeito do desenvolvimento da cabeça e evoluem em direção aos pés. O bebê tem maior controle motor sobre a cabeça do que sobre os músculos situados mais abaixo, pois o desenvolvimento segue a partir dos movimentos oculares, quando a criança acompanha com o olhar os movimentos, move a cabeça e assim desenvolve a musculatura do pescoço, dando sustentação da cabeça. Depois evolui para os membros superiores, até a conquista do uso do dedo indicador para os movimentos de pinça e, por último, para os membros inferiores quando o bebê adquire o controle da marcha. 16 b) Próximo-distal: diz respeito ao eixo central e as extremidades do corpo. As partes centrais amadurecem mais cedo e tornam-se operantes antes das partes que se situam na extremidade. O controle se processa no tronco, nos movimentos amplos do ombro, para os braços, mãos e dedos. Vamos entender melhor o que isso significa? O desenvolvimento começa pelo controle da cabeça, depois controle do pescoço, depois controle do tronco, quadril, pernas e pés. Paralelamente, surge o controle dos ombros, cotovelo, mãos e dedos. Vamos ver, a seguir, alguns estudiosos que se dedicaram a estudar o desenvolvimento infantil. Fonte: http://naescola.eduqa.me/atividades/ movimento/o-desenvolvimento- motor-na-primeira-inf-ncia-o-que-e- preciso-saber/ Fonte: http://naescola.eduqa.me/atividades/ movimento/o-desenvolvimento- motor-na-primeira-inf-ncia-o-que-e- preciso-saber/ 17 1.5 O desenvolvimento Psicomotor na concepção de Henri Wallon Médico e Psicólogo francês. Considerado o Psicólogo da Emoção! Estudou a psicologia da Criança. Em seus estudos observou que a criança organiza seu corpo através do movimento. Estudou sobre a formação do Esquema Corporal para entender como a criança toma consciência do seu corpo. Para desenvolvermos os conceitos relacionados à obra de H. Wallon, utilizaremos os estudos realizados por Vitor Fonseca (2008), que apresenta uma abordagem didática e clara, nos ajudando a compreender o desenvolvimento humano em suas multideterminações. Wallon traz uma abordagem que nos permite compreender o sujeito no mundo a partir de um olhar não fragmentado, possibilitando uma compreensão do homem real e concreto, caracterizado pelas relações socioculturais, especificidades psicomotoras, emocionais e orgânicas. Com respeito ao desenvolvimento infantil, Wallon nos alerta para o caráter de descontinuidade, antagonismos e oposições, assim como conflitos emocionais. Não se trata de uma evolução linear e progressiva, que vai passando de um estágio a outro, ocorre por saltos e descontinuidade. Fonte: http://teoriadaaprendizagem.blogspot.com/2012/ 03/principais-teorias-de-wallon.html 18 Assim, vale ressaltar que trataremos dos estágios “wallonianos” de forma didática, como propõe Fonseca (2008), para melhor entendermos o processo evolutivo psicomotor e, principalmente, para entendermos o percurso biopsicossocial de forma global, observando a estreita relação dos elementos motores, sociointerativos e afetivos que envolvem o vir a ser de nossa existência. Wallon não separava a existência humana dos aspectos socioculturais e das especificidades orgânico-biológicas. Inclui a motricidade na criança como uma expressão do seu próprio psiquismo. Sendo, em síntese, a primeira forma de expressão do emocional e do comportamento. A criança se utiliza de sua linguagem psicomotora para exprimir as necessidades de bem-estar e de mal-estar, que contêm em si uma dimensão afetiva e interativa que se manifesta como uma comunicação do corpo, não verbal e complexa, antes da linguagem propriamente verbal. Assim, o processo de interação mãe-bebê, ou de quem quer que esteja realizando os cuidados da criança, são importantes do ponto de vista do desenvolvimento do vínculo afetivo positivo com o mundo, assim como com o desenvolvimento saudável da criança. Podemos perceber essa afirmativa feita por Wallon quando nos deparamos com as irritações infantis diante das adversidades da realidade. Nos momentos de expressão de raiva e agressividade fica bastante evidente a expressão psicomotora do comportamento (o choro, a birra, etc.) que reflete o conteúdo emocional do psiquismo da criança que ainda não consegue lidar com a frustração. Wallon estudou a criança completa, em todas as suas dimensões, não estudou os elementos do desenvolvimento separadamente, como fez Piaget. O método adotado por Wallon é o da observação pura. Considera que esta metodologia permite conhecer a criança em seu contexto, “só podemos entender as atitudes da criança se entendermos a trama do ambiente no qual está inserida”. Segundo ele, é a partir do ato que o homem estrutura seu pensamento. Se forem dadas condições favoráveis em seu desenvolvimento, essa estruturação é possível. Faz-se necessário conhecer e entender o funcionamento mental infantil e com isso ajudar a criança na superação dos obstáculos que ela enfrenta em seu 19 processo de desenvolvimento. Cabe ao educador contribuir para que os pequenos caminhem rumo à categorização do pensamento sem inibir sua imaginação. Wallon explica que o pensamento infantil é global, confuso, indiferenciado, mas possui uma lógica e um estilo singular. Empenhou-se em analisar o desenvolvimento infantil e entender os caminhos da inteligência na criança. É através da emoção que, segundo Wallon, se estabelece a relação entre o biológico, o social e psicológico. A afetividade é a fase de desenvolvimento mais primitiva. A afetividade está ligada às manifestações fisiológicas (fome, prazer, desconforto, etc.). Por meio da "atividade emocional" é que a criança consegue realizar a passagem, a transição entre o estado orgânico, mais primitivo, até sua etapa mais cognitiva. Neste processo estão envolvidos fatores orgânicos e também a mediação cultural, social. Estudos aprofundados sobre o Tônus iniciaram a partir das propostas desenvolvidas por Wallon. A emoção se traduz e se imprime no tônus muscular. O Tônus é composto por mímicas, atitudes e posições que modificam a afetividade presente. Tônus, uma trama onde se tecem as atitudes! Fonte: http://revistadestaquemais.com.br/rai va-segundo-medicina-tradicional- chinesa/ 20 As variações tônicas se alteram conforme a sensibilidade afetiva. Vamos estudar mais sobre o Tônus na Unidade 2. Wallon ainda nos diz que a Criança passa por construções: a) Internas – ligadas à Maturação, a qual é responsável pelos movimentos naturais. b) Externas – ligadas aos estímulos do ambiente. Fonte: http://desenvolvimento-infantil.blog.br/engatinhar-andar-o-inicio-da-independencia-do-bebe/ Fonte: https://www.altoastral.com.br/sinais- depressao-nao-ignorados/ Fonte: https://saude.abril.com.br/mente- saudavel/dor-nas-costas-pode- originar-depressao-e-ansiedade/ 21 Outros movimentos requerem Maturação + Aprendizagem!Para Wallon a motricidade é a primeira forma de manifestação do ser humano e é sempre afetiva. O bebê, como dependente do outro, utiliza-se de recursos da afetividade para agir sobre o outro. O movimento pode ser dividido em duas dimensões: a) Dimensão afetiva: reforço da comunicação, por ex., a mímica do bebê, movimentos das pernas e dos braços, etc. b) Dimensão práxica: quando atua sobre o ambiente (envolve a cognição) Fonte: https://pt.depositphotos.com/740768 25/stock-photo-asian-cute-baby- learning-to.html Fonte: https://cispladancas.wordpress.com/ 2011/03/22/os-beneficios-do-ballet- infantil/ Fonte: https://institutoibe.com.br/educacao- infantil-qual-e-importancia-da- psicomotricidade/ 22 Estágios do Desenvolvimento segundo Wallon 0-6 meses - Estágio Impulsivo Os movimentos são descargas de energia muscular. Para conseguir o que quer, o bebê se utiliza de uma grande impulsividade motora (base para vida psíquica) Caso não seja atendido prontamente resultará num sofrimento de espera e age através de espasmos musculares desordenados, gritos de forma impulsiva e gestos, tudo acompanhado de emoção!!! Neste período da vida do bebê seus movimentos e reflexos são puras descargas de energia muscular que se apresentam na forma de espasmos sem intenção ou significado (GUREWITCH, 1926 apud FONSECA, 2008). Observe o bebê quando está com cólica, por exemplo, estica as pernas e braços de forma descoordenados. Expressa o seu bem ou mal-estar por meio de sua tonicidade (o tônus é a contração permanente da musculatura) e gestualidade episódica. O outro (adultos que se relacionam com a criança) ajuda na construção do eu, na medida em que ele vai sendo incorporado e internalizado como parceiro permanente. Assim, Wallon, citado por Fonseca (2008), acredita que a afirmação da identidade do eu busca no outro a sua afirmação. O bebê progride de uma indiferenciação corporal para uma identidade de si mesmo, a partir das interações motoras com o adulto. Fonte: http://www.vanufsj.jor.br/dialogo- tonico-uma-conversa-que/ 23 6-12 meses - Estágio Tônico Emocional A fonte da emoção é o tônus. É o estágio afetivo. A emoção é desencadeadora da ação, sendo edificada pela tonicidade, que amadurece nessa idade. Os gestos, atitudes, as mímicas traduzem suas necessidades. É dessa comunicação que a Psicomotricidade trata!! 1-2 anos - Estágio Sensório Motor Aumenta a organização das emoções. É a passagem da atividade tônica automática e afetiva para atividade relacional, que põe a criança em contato com o mundo dos objetos. Surge o andar e descobre os efeitos e diversidade dos objetos. Fonte: https://br.freepik.com/fotos- premium/infantil-bebe-chorando- e-gritando-deitada-na- cama_2306075.htm Fonte: https://mamaetagarela.com/desenvolvimento-infantil-de-1-a-36-meses-andar-sentar-etc/ 24 Neste momento da vida a criança começa a expressar sua psicomotricidade com sentido e significado, revelando uma diferenciação entre ela e o mundo (o eu do não eu), que passa a ser fruto de exploração e descobertas, em termos motores e psíquicos. A criança começa a manipular todos os objetos que lhe interessa, assim como manipula o seu próprio corpo: o domínio da mão pela visão (oculomanual) faz com que tente mexer e sentir muito antes de conhecer e perceber os objetos; o pensamento inicial, ainda incipiente, vai necessitar dos gestos para se exteriorizar, enquanto os instrumentos verbais não estão integrados (ainda não sabe falar); o gesto, que é exuberante neste período, precede a palavra. 2-4 anos - Estágio Projetivo Ocorre a aquisição da Linguagem! A autonomia postural se intensifica facilitando organizar suas ações. A imitação também se intensifica. Faz perguntas inusitadas. Este momento do desenvolvimento infantil é marcado pela atitude postural que garante a autonomia crescente. A criança começa a imitar os modelos sociais, Fonte: http://www.meubebe.ninja/dicas- para-o-seu-filho-aprender-a-falar- bem-e-no-tempo-correto/bebe- falando-no-telefone/ 25 incorporando-os e produzindo imagens mentais contextualizadas que lhe permitem recriá-los e modificá-los. A linguagem falada passa a substituir os gestos. O ato mental projeta-se em ato motor. A criança é capaz de dar significado ao símbolo e ao signo, melhor dizendo, encontra para cada objeto a sua representação e para esta representação, um signo (um nome). Assim, afirma Wallon, ao produzir simulações, imitações, eco mímicas, sequências de ações mais ou menos complexas, a criança, sem a presença de objetos e pessoas, pode torná-los presentes, substituindo-os em suas ações. 3-6 anos - Estágio Personalístico Consciência do EU. Atitudes de oposição e inibição. Deseja ser validada para satisfação pessoal. O modelo do outro é significativo. Nesse estágio incidirá a formação do caráter. Neste estágio do desenvolvimento a criança caminha para a construção da personalidade, cada vez mais integrada. Um eu corporal começa a se transformar Fonte: https://amadeipsicanalise.wordpress. com/tag/formacao-do-eu/ 26 em um psíquico, ou seja, uma noção de um ser social com autonomia e individualidade. A criança toma consciência de si mesma. Neste momento se observa uma clara crise de oposição em que ela se confronta com as pessoas ao seu redor, exercitando a sua independência (“não quero”, “não faço”), precisa se diferenciar do outro. Partilhar objetos se torna difícil. Por outro lado, também vai precisar exercitar a sedução, ora se exibindo e fazendo gracinhas, procurando fazer valer os seus méritos para ter satisfações narcísicas, ou seja, de valorização pessoal. Posteriormente, passa por um processo de identificação, quando novamente inicia a imitação e assimilação de seus heróis e personagens que admira. Assim, continua o movimento de construção de sua personalidade, ajustando- se aos papéis que lhe são atribuídos nos diversos âmbitos de sua convivência; na escola, na família e em todos os níveis de sua convivência, aprendendo nas relações sociais. 7-11 anos - Estágio Categorial Importantes alterações no comportamento intelectual! Adquire mais habilidade para manter-se mais atento em uma mesma atividade. Fonte: http://comoeducarseusfilhos.com.br/ blog/atividades-para-estimular-as- funcoes-executivas-dos-3-aos-5- anos/ 27 Nesta fase do desenvolvimento a criança passa a inibir com mais frequência os seus aspectos motores priorizando a atenção e a sensação. A motricidade que era tão requerida nos estágios anteriores, passa a ser inibida e autorregulada. As relações com o meio começam a ser mediadas a partir dos aspectos cognitivos. Compreendem os fatos que ocorrem no mundo utilizando o pensamento sincrético (por volta dos 6/7 aos 9/11 anos), estabelecendo relações de contraste: grande-pequeno, branco-preto, cheio-vazio etc., de identificação, parentesco e oposição para explicar os fatos concretos. A imagem do que é real ainda é holística, sem separação do todo em partes. Quando, por volta dos 9 aos 11 anos, inicia o pensamento propriamente categorial é que irá estabelecer relações que incluem o agrupamento, a comparação, a categorização (os peixes pertencem ao grupo dos animais, por exemplo). Neste período, a criançajá consegue regular com mais maturidade a sua impulsividade, a consciência de si mesma no mundo e a utilizar os recursos do pensamento com lógica e discernimento. Na posse de um equilíbrio postural (psicomotor), afetivo e cognitivo, passa a responder mais adequadamente às inquietações e questionamentos que vão surgindo, se preparando para a nova etapa. Estágio da Puberdade e Adolescência Necessidades do EU e das preocupações sobre a pessoa. Esse estágio gera uma inquietude entre atitudes e sentimentos. Essas alterações são vistas em seu próprio corpo devido as alterações fisiológicas e as sensações serão de desorientação de si mesma. É a marca para passagem ao estágio Adulto. 28 As complexas transformações somáticas, assim como as modificações psicofisiológicas oriundas da maturação sexual, vão ocorrer novamente a partir do tripé motor-afetivo-cognitivo. Não podemos esquecer de que tais modificações sofrem as influências dos contextos sociais e culturais. A imagem corporal pode passar por uma crise que indica desequilíbrios interiores, com a presença de fobias, sentimentos de inadequação, timidez, fantasias etc. A necessidade de novos grupos de identificação se faz presente e podem ser fundamentais para um novo posicionamento diante das pessoas e da sociedade. A teoria walloniana nos permite compreender o homem a partir de uma perspectiva neuropsicológica, relacional e cultural em que o movimento e a motricidade estão presentes de forma integrada no desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança. A importância de se estudar o movimento e a motricidade no desenvolvimento infantil se verificam na maneira como o bebê se apresenta na primeira fase de sua existência, na qual a função do movimento é essencialmente afetiva. Somente no final do primeiro ano, quando se utilizará dos gestos como pegar, empurrar, abrir, fechar (praxias), é que se verificam as possibilidades do movimento como instrumento de exploração do mundo. Neste momento, as ações da criança se voltam para um processo de adaptação social e o movimento passa a ter uma conotação cognitiva de apreensão do mundo concreto (GALVÃO, 2004). Os aspectos neuropsicomotores envoltos nas dimensões sociais, históricas e culturais pelo qual se inscreve a vida da criança na ótica de Wallon, faz com que conheçamos como deveria ocorrer o processo de desenvolvimento infantil. Fonte: http://www.godllywood.com/girls/de- mae-para-mae-idade-confusa/ 29 Quando esse processo se apresenta de forma desequilibrada ou com alguma disfunção, como nos casos de crianças que por volta dos 6 ou 7 anos ainda não conseguem permanecer atentas a uma determinada atividade proposta em sala de aula, podemos acreditar que algo esteja ocorrendo quanto ao controle psicomotor e de atenção desta criança. Galvão (2004), amparada em Wallon, afirma que a diminuição da motricidade e o ajustamento progressivo do movimento na primeira infância relacionam-se às condições de controle voluntário sobre o ato motor, tidas como disciplinas mentais. Tal capacidade implica no amadurecimento dos centros de inibição e discriminação situados no córtex cerebral, que ocorre por volta dos 6 a 7 anos. Assim, o que se observa é que, antes dessa idade, é reduzida a possibilidade de controle voluntário (dificuldade da criança em permanecer na mesma posição ou fixar a atenção sobre um mesmo foco). Observa-se, no início da vida infantil, uma evidência clara da vida emocional em estreita ligação com a vida físico-motora. O choro expressa a dor e a insatisfação (manifestação motora) que também serve para estabelecer relações com o mundo. No decorrer do desenvolvimento começamos a perceber uma maior preocupação da criança com a construção do próprio eu (personalismo). Posteriormente, caminha para uma maior preocupação com a compreensão do mundo (cognição/conhecimento), até retornar para um novo momento de reconstrução de identidade, com a puberdade. Ao compreendermos a psicomotricidade a partir do modelo da totalidade walloniano, podemos entender melhor os casos em que as crianças estejam vivenciando algum tipo de transtorno ou disfunção no âmbito da motricidade, analisando tais casos numa perspectiva global não fragmentada. 30 “No primeiro ano de vida nutrir a inteligência é nutrir o afeto” Wallon (2007) Saiba mais sobre Wallon e a psicomotricidade em: https://www.ufsj.edu.br/portal2- repositorio/File/mestradoeducacao/Disertacao8ValciriaOliveiraPinto.pdf 1.6 A importância do Movimento na formação da inteligência, segundo Jean Piaget Nasceu na Suíça. Biólogo, zoólogo, filósofo, epistemólogo e psicólogo; Desde muito cedo mostrou interesse pela ciência; Estudou a interação de moluscos com o meio ambiente. Piaget foi quem nos despertou para a importância do movimento na formação da inteligência. Seus primeiros estudos foram sobre a lógica que da criança e como ela se manifesta através da linguagem espontânea, nas suas perguntas e respostas verbais de julgamento e de raciocínio. Fonte: http://pequenospsicologos.blogsp ot.com/2009/10/piaget-e-o- desenvolvimento.html 31 Como biólogo, Piaget inicialmente estudou sobre os moluscos. • os moluscos, como todos os seres vivos, adaptam-se às mudanças das condições ambientais; • convenceu-se de que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e que ajudam a organizar o ambiente; • esses estudos exerceram grande influência sobre suas explicações para o desenvolvimento humano. Depois, Piaget tentou responder algumas questões: • O que é o conhecimento? • O que conhecemos? • Como conseguimos conhecer o que conhecemos? • Como alcançamos o conhecimento válido? • Que contribuições trazem o sujeito e o objeto ao ato de conhecer? Para Piaget, o conhecimento é um processo. Ele estudou como muda e evolui o conhecimento. Estudou, também, os mecanismos e processos mediante os quais se passa dos estados de menor conhecimento aos estados de conhecimento mais avançados, assim esquematizando-os em: Os mecanismos; Os esquemas; Assimilação; Acomodação Equilibração Fonte: http://www.teliga.net/2007/11/as-pesquisas-biolgicas-de-piaget.html 32 Os mecanismos • Esquemas mentais • Abstração empírica e abstração reflexiva • Aprendizagem: acomodação, assimilação e equilibração • Conflitos cognitivos e desequilíbrios Os esquemas Segundo Piaget todo esquema é coordenado com outros esquemas e ele próprio constitui uma totalidade com partes diferenciadas. • Piaget entendeu a mente como dotada de estruturas do mesmo modo que o corpo. • Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos se adaptam e organizam intelectualmente o meio. • Não são objetos reais, não são observáveis. • São construtos hipotéticos, da mesma maneira que “inteligência”, “criatividade”, “capacidade”, etc. • Mudam continuamente e tornam-se mais refinados. • Eles se modificam com o desenvolvimento mental. • Os esquemas cognitivos dos adultos são derivados dos esquemas sensório-motores da criança. • Os processos responsáveis pelas mudanças na estrutura cognitiva são, segundo Piaget, assimilação, acomodação e equilibração. Assimilação Assimilação foi um termo que Piaget emprestou da biologia: o alimento é ingerido, digerido e assimilado. De forma semelhante, segundo Piaget, a experiência é assimilada e processada. 33 • A assimilação pode servista como o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes; • O processo pelo qual o indivíduo se adapta cognitivamente ao ambiente e o organiza; • Possibilita a ampliação dos esquemas mentais; Acomodação Os esquemas dos adultos são diferentes daqueles das crianças. Piaget descreveu e explicou essas transformações pelo processo de acomodação. Ocasionalmente um estímulo não pode ser assimilado por não poder ser encaixado em nenhum esquema pré-existente na estrutura cognitiva. O que ocorre neste caso? Criação de um novo esquema no qual possa encaixar o estímulo ou a modificação de um esquema prévio de modo a incluir o estímulo. A acomodação é a criação de novos esquemas mentais ou a modificação de antigos esquemas existentes. A acomodação é responsável pelo desenvolvimento (mudança qualitativa) e assimilação pelo crescimento (mudança quantitativa) Equilibração Os processos de assimilação e acomodação são necessários para o crescimento e o desenvolvimento cognitivo. • apenas assimilação poucos esquemas e incapacidade de detectar diferenças nas coisas. • apenas acomodação grande número de esquemas pequenos e com pouca generalidade • Piaget chamou o balanço entre assimilação e acomodação de equilibração. • Equilibração é o processo de passagem do desequilíbrio para o equilíbrio. • Desequilíbrio é um estado de conflito cognitivo, que ocorre quando expectativas ou predições não são confirmadas pela experiência a 34 maior fonte de motivação para o desenvolvimento intelectual, segundo Piaget. Processo da aprendizagem, segundo Piaget Fonte: http://md.intaead.com.br/geral/psicologia/#/capa Estágios de desenvolvimento segundo Piaget Para Piaget, as mudanças cognitivas resultam de um processo de desenvolvimento de sucessivas mudanças qualitativas das estruturas cognitivas (esquemas). Ao usar a palavra “estágio” em sua teoria, Piaget não quis dizer que as crianças mudam de um nível discreto a outro, como em uma escada. Cada estrutura e sua respectiva mudança deriva da estrutura precedente; As mudanças são graduais e nunca abruptas; Os esquemas são construídos e reconstruídos (ou modificados) gradualmente; O que interessa é identificar as mudanças cognitivas mais gerais que acontecem em todas as pessoas; 35 O estágio sensório-motor Dura do nascimento ao 18º mês de vida; A criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos físicos que a rodeiam; Esse estágio se chama sensório-motor, pois o bebê adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas por informações sensoriais imediatas. 1ª FASE – Exercícios reflexos (0 a 1 mês) - nessa fase a criança só possui como meio de adaptação os reflexos hereditários; 2ª FASE – Reação circular primária (1 a 4 meses) - o bebê repete os movimentos que prolongam as atividades reflexas que são desprovidas de intencionalidade. 3ª FASE 3ª FASE- Reação circular secundária (4 a 8 meses) - o bebê se focaliza mais no mundo dos objetos ao seu redor que no seu próprio corpo; 4ª FASE – Coordenação de esquemas secundários ( 8 a 12 meses) - O bebê experimento vários esquemas conhecidos como balançar, puxar, etc. Estes são usados como meio para conseguir determinada coisa (brinquedo); 5ª FASE – Reação circular terciária (12 a 18 meses), a criança varia e experimenta novos padrões de comportamento, para analisar e compreender o que acontece. Ex. a criança joga o brinquedo fora do berço várias vezes, mas cada vez observa a trajetória diferente e o lugar onde caiu; 6ª FASE – Combinações mentais (18 a 24 meses) – A criança inicia o “jogo simbólico”, o faz-de-conta, recorda-se de fatos passados e os imita depois de algum tempo decorrido. O estágio pré-operacional Dura do 18º mês aos 8 anos de vida; A criança busca adquirir a habilidade verbal; Nesse estágio, ela já consegue nomear objetos e raciocinar intuitivamente, mas ainda não consegue coordenar operações fundamentais; 36 Pensamento simbólico – ex. uma uma caixa e faz de conta que é um carrinho; Pensamento intuitivo – é uma espécie de ação executada em pensamento: encaixar, seriar, deslocar, etc; A imitação – uma das manifestações da função simbólica; O jogo simbólico – Em várias de suas obras Piaget mostra a importância do brinquedo e do jogo em termos de evolução social e crescimento intelectual; O Desenho – É uma forma de função simbólica. Apresenta-se em diferentes fases; A imagem mental – considera-se a imagem mental como uma imitação interiorizada; A linguagem – aparece paralelamente ás outras formas de função simbólica. Começa no período sensório–motor com o balbuciar da criança. O estágio das operações concretas Dura dos 8 aos 12 anos de vida. A criança começa a lidar com conceitos abstratos como os números e relacionamentos. Esse estágio é caracterizado por uma lógica interna consistente e pela habilidade de solucionar problemas concretos. Noção de conservação de quantidades (construção do nº) Noção de classificação (ex. diferentes figuras) Noção de seriação (ex. a seriação das frutas) Noção de espaço (deslocamento) Noção de tempo (se constrói junto com as noções de movimento, velocidade e espaço) Noção de causalidade (causa e efeito) 37 O estágio das operações formais Do ponto de vista emocional, o adolescente ainda manifesta um último tipo de egocentrismo: atribui grande poder a si e ao próprio pensamento. Muitas vezes julga que somente ele está certo. Implicações educacionais da teoria de Piaget • A teoria de Piaget não é uma teoria educacional, mas fornece subsídios para as práticas educacionais. • A equilibração permite que a experiência externa seja incorporada na estrutura cognitiva pela construção de novos esquemas mentais. • Neste sentido os piagetianos dizem que o conhecimento é construído e daí vêm as expressões “construtivismo” e “construção do conhecimento”. • Ensinar é provocar o desequilíbrio da mente do estudante para que ela procure o reequilíbrio e construa novos esquemas mentais (isto é, aprenda). • O ensino deve, portanto, ativar este mecanismo. • Isto é, o professor deve buscar uma ligação entre o que o aluno já sabe (esquemas) e o que deseja ensinar. • Cabe ao educador introduzir situações desequilibradoras. • Sempre que possível o aluno deve agir. Se o ambiente escolar não oferece desafios e dificuldades, a atividade mental é apenas de assimilação. 38 1.7 A psicomotricidade no Enfoque Neurofuncional de Aleksander LURIA Fonte: http://luria.ucsd.edu/ Psicólogo Russo Pioneiro nos estudos da Neuropsicologia Seguidor de Vygostski Estudou os mecanismos do cérebro e seus sistemas funcionais ao longo do desenvolvimento cultural Aleksander Romanovich Luria, aqui apresentado à luz dos trabalhos de Fonseca (2008), juntamente com Vygotsky, Leontiev e Rubinstein, é um dos neuropsicólogos russos mais conhecidos mundialmente. Seus trabalhos se voltam para os estudos clínico-experimentais do nosso cérebro, suas manifestações expressivas e concretas do psiquismo. Posiciona-se contrário aos especialistas da área que acreditam na abordagem localizacionista das funções cerebrais; essa abordagem indica que os atos, aprendizagens ou atitudes estejam vinculados às áreas específicas do cérebro. Assume que algumas áreas, e não todas se combiname se articulam para gerar um comportamento. Os fundamentos neuropsicológicos lurianos procuram explicar as funções cerebrais a partir de três grandes unidades funcionais que participam de todas as atividades psicológicas. 39 A primeira unidade é a responsável pela regulação da atividade cerebral e do estado de vigília que nos mantém em alerta adequado para as necessidades do dia- a-dia. A segunda unidade de funcionamento é para recebimento, análise e armazenamento de informações. A terceira unidade postulada por Luria é para programação, regulação e controle da atividade (OLIVEIRA, 2001). Assim, Luria (1979 apud Oliveira 2001) enfatiza que qualquer atividade psicológica envolve simultaneamente as três unidades funcionais. Exemplifica que a percepção visual exige a participação de um nível adequado de atividade do organismo (primeira unidade), a análise e a síntese da informação recebida pelo sistema visual (segunda unidade) e os movimentos dos olhos pelas várias partes do objeto a ser percebido (terceira unidade). Dessa forma, entende-se o funcionamento das três unidades funcionais propostas por Luria ocorrendo sempre de uma forma integrada, sendo esta a base de compreensão da natureza dos mecanismos cerebrais envolvidos na atividade mental. Esse ponto de vista de totalidade e interação do funcionamento cerebral, incluindo também as interferências do ambiente sociocultural é que nos permitem conceber o homem e suas características de desenvolvimento psicomotor de maneira ampla e contextualizada. Assim, explica Fonseca (2008), as múltiplas áreas cerebrais, na concepção de Luria, não atuam de forma isolada, já que uma determinada aprendizagem ocorre quando resulta da cooperação sistêmica, harmônica e sinergética das mesmas. Considera o cérebro como um órgão de incomensurável flexibilidade, agindo nueropsicologicamente em sistemas funcionais alternativos. Por esta razão é que podemos inferir que, em casos clínicos de diagnósticos de dislexia, disortografias e outros transtornos de aprendizagem, não podemos nos posicionar de forma definitiva no que diz respeito aos progressos da aprendizagem, pois se houver uma intervenção psicopedagógica satisfatória para esses casos, poderá haver a superação e a compensação deste transtorno. As condições de aprendizagem ocorrem em função da plasticidade e flexibilidade cerebral. Assim, as aprendizagens escolares de leitura e escrita e do cálculo, que se constituem de elementos receptivos (input), integrativos, elaborativos 40 e expressivos (output), emergem da integração e cooperação de várias áreas ou zonas corticais e subcorticais; contrária à teoria neurológica clássica, de uma área específica. Oliveira (2001) menciona um exemplo que nos ajuda a compreender a importância dos aspectos do contexto social e cultural no nosso desenvolvimento, assim como a função de plasticidade do cérebro: [...] Um indivíduo que vive num grupo cultural que não dispõe da escrita jamais será alfabetizado. Isto é, embora, enquanto membro da espécie humana disponha da possibilidade física de aprender a ler e escrever, essa possibilidade física de aprender a ler e escrever, essa possibilidade só será desenvolvida como um modo de funcionamento psicológico por seres humanos que vivam em sociedades letradas. É importante destacar que essa diferença funcional não se reflete em diferenças físicas no cérebro humano: enquanto sistema aberto, o cérebro está, justamente, preparado para realizar funções diversas, dependendo dos diferentes modos de inserção do homem no mundo (OLIVEIRA, 2001. p. 85). As particularidades que caracterizam o funcionamento cerebral na concepção de Luria permitem compreender as dimensões dos sistemas funcionais que nos caracterizam na apreensão dos objetos e demais conhecimentos no contexto em que vivemos. Essa mobilidade plástica possibilita a aprendizagem de formas culturalmente apropriadas a cada ambiente social nos quais estamos inseridos: aprendizagens de hábitos gastronômicos, de convivências, atitudes, conhecimentos da linguagem escrita, matemática etc. Estágios do Desenvolvimento Neuropsicológico na Concepção de Luria Luria, assim como Wallon e Piaget, acredita que o desenvolvimento neuropsicológico implica em sucessão de desequilíbrios funcionais seguidos de reorganizações de circuitos neuronais que se constituem em novas estruturas de ação e pensamento. 41 Primeiro estágio: desenvolvimento da unidade referente aos estados de atenção e vigília, com ramificações tônico-emocionais (a função tônica regula o grau de tensão dos músculos) e tônico-posturais. Segundo estágio: desenvolvimento sensório e motor primário que irá permitir a expansão do desenvolvimento da inteligência sensório-motora de Piaget, superando a fase inicial dos reflexos incondicionados. A criança já inicia uma intenção ao olhar e se interessar por determinado objeto (sensório) e pegá-lo (motor). Equilibra-se em sua postura. O amadurecimento do córtex motor (frontal superior, se acelera em interação com o ambiente. A sequência do desenvolvimento hierarquizado é consequência da plasticidade cerebral que está inserida nos processos de aprendizagem e de mediação cultural. Observa-se um movimento que se segue, primeiramente pela predominância do ato motor durante o primeiro ano, seguida da construção do eu corporal, também chamado de self, um desenvolvimento visual e espacial com o surgimento das praxias finas e lúdicas (gestos, ações, pegar, largar, brincar). No segundo ano, paralelamente, ocorre um desenvolvimento auditivo, que ao longo do terceiro ano, culmina com o surgimento das competências da linguagem. Terceiro estágio: inicia-se o surgimento do pensamento simbólico e de representação, coincidindo com as características do o estágio pré-operatório de Piaget e com os estágios projetivos e personalístico de Wallon. A maturação das áreas pré-frontais (áreas motoras secundárias) faz com que as ações psicomotoras se tornem mais complexas com a presença das coordenações oculomanuais e produções articulatórias e fonológicas mais precisas. Quarto estágio: neste período novos circuitos neuronais se fazem presentes (vísuo-áudio-tátil-cinestésico), preparando a criança para a aprendizagem escolar de leitura, escrita e do cálculo, coincidentes com as operações concretas piagetianas (princípios de conservação e de coordenação perceptiva) e com o estágio categorial walloniano. 42 Quinto estágio: as áreas de planificação e de execução terciária (lobos- frontais) que possibilitam o acesso às análises operatórias formais, oriundas da maturação progressiva dos mecanismos cerebrais que processam o pensamento hipotético-dedutivo, assim como de auto-regulação e metacognição (conscientizar, analisar e avaliar como se conhece). Assim, afirma Luria, citado por Fonseca (2008), o desenvolvimento neuropsicológico se faz integrado do ponto de vista psicomotor, emocional e cognitivo, a partir da emergência de sistemas funcionais cada vez mais complexos, implicando uma multiplicidade de zonas cerebrais. Podemos observar, ao analisarmos os estágios de desenvolvimento apresentados por Luria, uma sequência que envolve as mediações culturais e sociais em estreita interação com os aspectos psicomotores, emocionais e cognitivos. Os elementos que caracterizam a nossa evolução como seres humanos ocorrem de forma integrada em nosso funcionamento neuropsicológico. Entender o desenvolvimento psicomotor implica em compreender as origens do nosso processo de aprendizagem também. Considerando as concepções de Wallon e Luria,observamos que apresentam uma abordagem que envolve a estreita relação do funcionamento neuropsicológico e as determinações socioculturais que estão presentes na trajetória humana desde o princípio da humanidade (filogênese). Nos primeiros momentos de nossa evolução humana há um predomínio dos esquemas motores e sensoriais, apontados por Piaget, Luria e Wallon citados por Fonseca (2008), para que possamos interagir e saciar nossas necessidades básicas. Dessa forma, nos conectamos com o mundo e com as pessoas por meio de nossos atos motores e sensoriais (choramos e nos debatemos para mobilizar o meio a nos servir, por exemplo). O amadurecimento neurológico vai evoluindo e nos possibilitando uma maior habilidade funcional; assim, começamos a tomar consciência de nosso corpo e do nosso próprio eu, sempre na presença e na relação com outras pessoas. A nossa inteligência (aspectos da cognição) começa a se diferenciar, ampliando a nossa compreensão do mundo, por meio do desenvolvimento das funções superiores que nos permitirão classificar, abstrair e codificar o que está a nossa volta. 43 Portanto, não podemos estudar isoladamente a psicomotricidade sem entendermos como ocorre o nascimento psiconeurológico, melhor dizendo, sem analisarmos todo o desenvolvimento do ser humano numa perspectiva de totalidade e integração desses fenômenos. Ressalte-se a importância de se avaliar uma criança que possa estar com algum problema psicomotor, do ponto de vista de sua globalidade como pessoa, que está apresentando aquele determinado sintoma, para não incorrermos no erro de isolar e intervir localizadamente. Parafraseando Fonseca (2008), a nossa experiência humana é uma totalidade biopsicossocial no sentido de que a maturação neurológica (aspecto biológico) indica o resultado da dialética da quantidade e da qualidade das mediações socioculturais possibilitadas pelo outro socializado, portador de valores culturais (aspecto sociológico). A relação de estreiteza entre a construção do pensamento e o ato motor é verificada também nos experimentos de Vygotsky (2001): É digno de nota o fato de que quanto mais forte e intenso é o pensamento mais clara e complexa é a natureza motora. O homem que pensa não se satisfaz com as palavras mudas que ele pronuncia consigo mesmo. Começa a mexer os lábios, às vezes passa a sussurrar, às vezes começa a falar alto consigo mesmo. (...) Costuma-se a observar isto nas crianças: quando absorvidas pela solução de alguma tarefa difícil elas começam a ajudar com os lábios o seu pensamento e em operações de adição e multiplicação de repente a testa, as bochechas e a língua assumem uma participação ativa (VIGOTSKY, 2001, p. 216). Ao compreendermos a função psicomotora inserida no desenvolvimento global da criança, observa-se que o desenvolvimento de nossa inteligência enquanto humanos, como propõe Fonseca (2008), se verifica a partir do desenho em espiral da hierarquia evolutiva que vai ocorrendo das aquisições motoras (neuromotora), sensório-motoras, psicomotoras, simbólicas, conceituais e sociais. Dessa forma, passamos da inteligência neuromotora, em que predominam os movimentos indiferenciados, à inteligência sensório-motora em que se observam movimentos mais diferenciados e objetivos, indicando a conquista do que Fonseca 44 (2008, p. 519) denomina “antropogenética da postura bípede (macromotricidade)”, considerada atitude humana. A partir dessa autonomia postural é que surgirão as formas de movimento integrado e de exploração lúdica, de convergências de unidades neurológicas que buscam o mesmo objetivo de desenvolvimento e de processos inibitórios que permitirão as possibilidades da atenção compartilhada, assim como a interação, a construção da identidade, a imitação, o jogo e a mediação simbólica, ou seja, o surgimento e a edificação de atos mentais que originarão a linguagem verbal ou falada. Por tudo o que aqui já foi exposto, há que se concordar com o título de Luria, como sendo considerado “o pai da neuropsicologia moderna”. Suas pesquisas se converteram em um dos pilares deste ramo fundamental da psicologia, para a qual o cérebro é a fonte do comportamento. São três as principais unidades ou sistemas funcionais necessários para qualquer tipo de atividade mental: a unidade para regular o tono ou a vigília, a unidade responsável por obter, processar e armazenar as informações E outra para programar, regular e verificar a atividade mental. Os processos mentais do homem e a sua atividade consciente ocorrem com a participação destas três unidades, cada uma delas com seu papel específico. Elas são indissociáveis!!! Uma depende da maturação da outra para organizar e integrar novas aprendizagens. As três são interligadas e são hierarquizadas. Elas vão da área primaria para secundária e depois para área terciária automaticamente. Primeira unidade funcional É formada pela medula, tronco cerebral, cerebelo, sistema límbico e tálamo; Responsável pela REGULAÇÃO DO TÔNUS e VIGÍLIA; 45 Compreende a Tonicidade e Equilibração; Corresponde basicamente à aquisição da persistência motora; Unidade de alerta e atenção necessários ao desempenho de qualquer atividade; Inter-relacionam os dois hemisférios; São responsáveis pelas funções de sobrevivência, vigilância tônico postural e pela seleção, filtragem distribuição e refinamento das informações sensoriais recebidas do meio externo; Os processos de excitação que ocorrem no córtex desperto, em vigília. Obedecem a uma lei de intensidade, segundo a qual, todo estímulo forte evoca uma resposta forte, tampouco o estímulo fraco acarreta uma resposta fraca. Disfunções na primeira unidade funcional Lesões nessas áreas do cérebro geram diminuição do tônus, fadiga, sono, imobilidade, por vezes, estados de coma. Essa unidade é de suma importância visto que qualquer processamento adequado de informação no cérebro é necessário que o aluno esteja desperto, acordado, em vigília. Esses processos são ativados pela formação reticular – é uma estrutura constituída por uma rede nervosa de neurônios interconectados situado no tronco cerebral que gera impulsos gradativos que modulam a atividade cortical. Segunda unidade funcional A segunda unidade funcional é a unidade destinada a RECEBER, ANALISAR e ARMAZENAR informações. Compreende a noção de corpo, lateralização e a estruturação espaço temporal. 46 É constituída pelas regiões posteriores como as regiões: visual (occipital), auditiva (temporal) e tátil-cinestésico (parietal). Responsável pela recepção sensorial que está conectada as extremidades (a periferia) e aos órgãos sensoriais, recebendo impulsos individualizados e transmitindo-os a outros neurônios. Os neurônios dessa unidade possuem uma especificidade, recebem informações através da visão, da audição, dos sistemas vestibulares e do tato. Disfunções na segunda unidade funcional Qualquer disfunção nessa unidade pode causar: Desordens de Processamento ou reconhecimento da informação, ora omitindo e substituindo dados ou adicionando e distorcendo outros. Essas desordens causam dificuldades de aprendizagem, como: a) Disnomina – Disfasia – Disartria (Linguagem oral); b) Distúrbios de leitura e escrita, disortografia, disgrafias - (Linguagem escrita) Terceira unidade funcional A terceira unidade programa, regula e verifica as atividades mentais. Cria intenções, formula planos e programa suas ações, inspeciona sua realização e regula seu comportamento, verifica sua atividadecomparando as ações com o plano original e corrigindo os erros cometidos. Compreende as praxias global e fina É constituída pela região frontal – que representa o nível mais elaborado do desenvolvimento do cérebro humano. Responsável pela execução de qualquer tipo de praxia - (macro, micro, grafomotora) Para realizar TODAS essas funções complexas, a terceira unidade se apoia na MATURAÇAO das áreas motoras. 47 Dela vem então a ação das informações recebidas. Disfunções na terceira unidade funcional Qualquer disfunção nessa unidade pode causar: a) Incapacidade de formular intenções ou tarefas motoras; b) Déficits na leitura e escrita e cálculos. Praxia: ações com sequência de movimentos planejados e coordenados em função de um resultado a ser atingido ou ainda um a intenção a ser conseguida. Coordenação: ato motor, aparelho locomotor, articulações. 48 A psicomotricidade no enfoque neurofuncional de Luria Fonte: https://pt.slideshare.net/institutoconscienciago/neuropsicologia-4404803 49 1.8 Arnold Lucius Gesell Fonte: http://producao.virtual.ufpb.br/books/edusanta na/fundamentos-psicologicos-da-educacao- livro/livro/livro.chunked/ch02s01.html Nasceu em 21 de junho de 1880 em Alma, Estados Unidos Médico e Psicólogo desenvolvimentista Demonstrou interesse pelos aspectos maturacionais em desenvolvimento humano. Pesquisou o desenvolvimento infantil. Interessou-se pelo retardo mental concluindo que para compreender essa realidade era necessário, primeiro, entender o desenvolvimento normal. Iniciou uma série de pesquisas sobre o crescimento mental de bebês. Elaborou um novo método de investigação (metodologia de observação direta) do comportamento pelo uso controlado do ambiente e estímulos precisos. A teoria de Gesell abrange o desenvolvimento envolvendo as quatro dimensões do desenvolvimento: (motora, social, afetiva e cognitiva), porém privilegia o desenvolvimento físico. Qualquer perturbação nessa fase poderá, se não for detectada a tempo, diminuir as capacidades futuras. Embora a maturação neurológica seja crucial, Gesell não se esqueceu das condições de vida da criança. 50 Fonte: https://www.abcdobebe.com/criancas/etapas-do-desenvolvimento/etapas-do- desenvolvimento-humano/ 1.10 Bases do Desenvolvimento Neurológico A base do desenvolvimento é biológica e maturacional. O processo de desenvolvimento ocorre de forma ordenada e de acordo com determinados padrões gerais. Fonte: http://themaeducando.blogspot.com/ 51 Como já dissemos anteriormente, crianças normais progridem em uma mesma sequência, sendo que o desenvolvimento se processa no sentido da cabeça para os pés (Céfalo-caudal); e do tronco para os membros (Próximo-distal). Fonte: https://www.juntadeandalucia.es/turismocomercioydeporte/iad/calamardo/iadformacion/tdci/pdf/ ci-bcd-01.pdf Essas características maturacionais não devem ser vistas como normas rígidas, mas como sequências gerais do desenvolvimento, chamando a atenção para as diferenças individuais (influências ambientais), admitindo-se uma margem de variação dentro da idade (ritmo). É o aumento da capacidade do indivíduo na realização de funções cada vez mais complexas. O desenvolvimento neurológico começa praticamente do momento da formação do ovo. O funcionamento do sistema nervoso é o resultado das interações do individuo com o meio ambiente, seja ele intra ou extrauterino. Para melhor entendermos vamos compreender a diferença entre: a) Crescimento é o aumento do corpo, de ponto de vista físico. Ele pode ser aumento de estatura ou de peso. Os processos básicos do crescimento são: 52 aumento de tamanho celular (chamado de hipertrofia) ou aumento do numero das células (hiperplasia). b) Maturação: trata-se de organização progressiva das estruturas morfológicas. Aqui entra: crescimento e diferenciação celular, mielinização, especialização dos aparelhos e sistemas. A maturidade pode ser vista como a fase na vida de uma pessoa, em que se atinge um estado pleno de desenvolvimento, sendo que este estado de desenvolvimento não se refere apenas ao domínio físico, abrangendo também o domínio social, intelectual e emocional. Vamos falar mais sobre isso adiante. c) Desenvolvimento: é um ponto de visto holístico, integrante dos processos do crescimento e maturação, mas que junta a isto o impacto e a aprendizagem sobre cada evento, e, também, a integração psíquica e social. d) Desenvolvimento psicossocial: é a integração do aspecto humano. O ser aprende a interagir e mover, respeitar as regras da sociedade, a rotina diária – praticamente, a criança vai seguir os passos que vão ter como finalidade a convivência com a sociedade a qual pertence. A Natureza construiu o cérebro de tal forma que, durante os primeiros anos de vida, ele é capaz de captar informações com um ritmo extraordinário e sem o mínimo esforço. 1.10.1 Sistema Nervoso - SN O SN é responsável pelo controle de todas as atividades do nosso corpo, integrando as sensações a respostas motoras, adaptando-se às condições internas ou externas vigentes no momento, permitindo melhores condições de sobrevivência. Sistema Nervoso Central (SNC) É aquele que se localiza dentro das cavidades craniana (crânio) e da coluna vertebral. Assim, o SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O encéfalo é dividido em cérebro, cerebelo e tronco encefálico. 53 É no SNC que chegam as informações relacionadas aos sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) e é dele que partem ordens destinadas aos músculos e glândulas. Fonte: http://bio-neuro-psicologia.usuarios.rdc.puc-rio.br/sistema-nervoso- (introdu%C3%A7%C3%A3o).html Sistema Nervoso periférico (SNP) O sistema nervoso periférico, às vezes chamado simplesmente de SNP, é a parte do sistema nervoso que se encontra fora do sistema nervoso central (SNC). É constituído basicamente pelos nervos cranianos, nervos raquidianos e fibras e gânglios nervosos. É formado pelos nervos receptores sensoriais! 54 1.10.2 Hemisférios e Lobos Cerebrais Fonte: http://bio-neuro-psicologia.usuarios.rdc.puc-rio.br/sistema-nervoso- (introdu%C3%A7%C3%A3o).html 55 O cérebro regula os sistemas dos órgãos do corpo. O cérebro controla os sentidos do olfato, paladar, tato, visão e audição. As emoções são sentidas e processadas por meio do uso do cérebro. O cérebro permite que você pense, analise informações e solucione problemas. O cérebro é dividido em 2 Hemisférios e cada Hemisfério Cerebral é dividido em 4 partes chamadas Lobos: Fonte: https://fredywander.blogspot.com/2012/12/lobos-cerebrais-e-suas- especializacoes.html Lobo Frontal – Fica localizado na região da testa, está associado as funções executivas, à fala, pensamento e memória, também controlam habilidades motoras aprendidas (por exemplo: escrever, tocar instrumentos musicais ou dar laços em cadarços de calçados) e coordenam as expressões faciais e os gestos56 expressivos, além de aspectos comportamentais. Um comprometimento nessa região varia de acordo com o tamanho da lesão, podendo carretar apatia, falta de atenção, indiferença e, às vezes, incontinência, não tendo consciência das consequências de seu comportamento. Lobo da ínsula é um lobo profundo, situado no fundo do sulco lateral, no encéfalo. Suas principais funções são fazer parte do sistema límbico e coordenar quaisquer emoções, além de ser responsável pelo paladar. A ínsula é uma área cerebral tão desconhecida quanto essencial para entender o nosso comportamento. Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/a- insula-manancial-emocoes-empatia/ Há quem diga que é nela que está localizado o núcleo da nossa “consciência”. Por ora, os neurologistas afirmam apenas que essa estrutura funciona como o manancial das nossas emoções, o lugar da nossa empatia e o cofre da nossa intuição. Saiba mais sobre a Insula em: https://amenteemaravilhosa.com.br/a-insula-manancial-emocoes-empatia/ Lobo Occipital – Está localizado na região da nuca e realiza a integração vinda dos estímulos. O comprometimento da região occipital produz dificuldades na leitura de palavras visuais (conserto/coberto, bola/pola, dedo/bedo, etc.). 57 Semanticamente e sintaticamente assim como, podem provocar agnosia, acarretando perda parcial ou total da visão, até mesmo a incapacidade de reconhecer o rosto de pessoas conhecidas e familiares, assim como objetos. Lobo Parietal – Está localizado na parte superior central da cabeça e é a entrada sensorial do corpo. Nessa região é percebemos o tato, o paladar, a dor e localização do nosso corpo no espaço. Uma pequena lesão nessa área pode produzir dormência do lado oposto do corpo. Falta de interpretação das relações espaciais. Uma lesão um pouco maior, pode acarretar na perda da capacidade de realizar tarefas sequenciais (um problema denominado apraxia) e a consciência do sentido direita-esquerda e ainda afetar a capacidade de reconhecimento das partes do corpo ou do espaço que está a sua volta. Está relacionado também a interpretação e integração de informações visuais, provenientes do córtex occipital, e o tato. Lobo Temporal – Está localizado nas regiões laterais da cabeça, por cima das orelhas. Responsável pela recepção, decodificação e retenção das informações auditivas, como a compreensão de uma música ou da fala humana. Também é responsável pela interpretação dos odores. O lobo temporal esquerdo parece ser o responsável pelo processamento fonológico. Uma lesão do lobo temporal direito afetar a memória dos sons. Uma lesão ao lobo temporal esquerdo interfere drasticamente na compreensão e expressão da linguagem. 1.10.3 Controle das Funções Motoras e do Comportamento É o resultado da maturação de certos tecidos nervosos, aumento em tamanho e complexidade do sistema nervos central, crescimento dos ossos e músculos. São, portanto, comportamentos aprendidos que surgem espontaneamente desde que a criança tenha condições adequadas para se exercitar. 58 O funcionamento do sistema motor envolvem ações de planejamento e programação motora realizadas por áreas específicas do córtex cerebral, ações de comando cortical sobre a medula e o tronco encefálico que modulam os reflexos e os movimentos mais grosseiros e um sofisticado sistema de controle realizado pelo cerebelo e pelos núcleos da base, cujo objetivo é zelar para que os movimentos sejam iniciados e terminados no tempo certo, e realizados harmoniosamente como previsto pelas áreas de planejamento. Fonte: https://www.todamateria.com.br/cerebro/ A ação motora corresponde a um conjunto de comandos armazenados na memória a que o sujeito recorre antes de iniciar um movimento, constituído por uma sequência de instruções que dirigem as ativações dos músculos envolvidos numa determinada ação. Podemos dividir os movimentos em três classes relativamente distintas: os movimentos reflexos, os movimentos rítmicos e os movimentos voluntários. Os movimentos reflexos estereotipados são muito bem organizados pela medula espinal, mas os movimentos voluntários elaborados requerem a participação 59 integrada dos outros níveis hierárquicos, incluindo uma ampla e crucial intervenção de várias áreas do córtex cerebral. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/7297793/ Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/1221232/ 60 fonte: https://slideplayer.com.br/slide/10002172/ Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/10002172/ 61 1.10.4 Marcos do Desenvolvimento Neuropsicomotor A Criança e o Adulto apresentam alguns padrões de desenvolvimento previsíveis. Características marcantes fazem parte de cada fase do desenvolvimento desde o nascimento até a terceira idade. A primeira infância é o período que vai desde o nascimento até aproximadamente o 3º ano de vida de uma criança. É um período de grande desenvolvimento físico, marcado pelo gradual crescimento da altura e do peso da criança. Envolvendo graduais mudanças no comportamento da pessoa e na aquisição das bases da sua personalidade. 1º mês Reação de atenção inata Para de chorar quando alguém se aproxima Se comunica através do choro Suas flexões de membros superiores e inferiores são mais flexíveis que ao nascer 2º mês Segue com os olhos os estímulos Emite sons vocais Brinca com a mãos e dedos Deitado de bruços já eleva a cabeça 3º mês Já sacode um chocalho Sorri em resposta ao outro 62 Comunica-se através do sorriso – “sorriso social” Quando de bruços já se apoia nos cotovelos Tem preensão palmar, ou seja, quando um objeto encosta em suas mãos, já o pega. 4º mês Aproxima-se de um objeto apalpando-o Ri alto Já rola Começa a orientar-se no espaço observando tudo a sua volta. 5º mês Pega os objetos ao seu alcance, com intenção dirigida ao que está olhando e os coloca na boca Leva os pés a boca Senta-se com apoio Deitado de costas faz movimentos de pedalar com os membros inferiores 6ºmês Utiliza seu corpo e objetos no espaço Balbucia Começa alimentação pastosa com colher Senta-se sem apoio e já é capaz de liberar as mãos Deitado de bruços, se sustenta apenas com um braço para agarrar objetos com a outra mão Se sustenta de pé, dá pulinhos e agacha-se sobre as perninhas Consegue segurar um objeto em cada mão simultaneamente 63 7º e 8º meses Procura objetos caídos, joga-os Transfere objetos de uma mão para outra Reconhece objetos Se lhe apresentam três objetos enquanto segura dois, já é capaz de largar um deles para pegar o outro Simboliza presença e ausência – Ex: cadê! Achouuu! Simboliza aceitação e rejeição dependendo da pessoa que ele vê Chora quando a mãe não está perto Reconhece-se no espelho Repete atos que lhe interessam – bate palmas, mexe no móbile do berço para vê-lo balançar Começa a demonstrar compreensão das palavras e emite sons Parece gostar de ouvir sua própria voz Quando deitado de costas já consegue sentar sozinho Começa a engatinhar 9ºmês Mantém-se de pé com apoio, mas cai facilmente Bebês ativos já dão seusprimeiros passinhos Vocaliza as primeiras palavras de duas sílabas, geralmente a mesma palavra para nomear tudo Inicia o movimento de pinça, com oposição entre o polegar e o indicador para agarrar objetos pequenos 64 10º mês Mantém-se de pé com apoio, agora com mais firmeza Já bebe num copo segurando-o com as duas mãos Interrompe ações ao ouvir ordens (vai cair!, Não! ) Aprende as primeiras palavras, juntando sílabas, assim como repete sons ouvidos 11º e 12º meses Começa a andar com objetivo (sabe onde quer ir) Na linguagem, já diz três palavras seguidas (frases curtas) Aponta objetos, coloca os dedinhos em orifícios e detalhes Anda sozinho apoiando-se em móveis com a tentativa de soltar as mãos para dar os primeiros passos sozinho. 13º a 18º meses Anda sozinha e já se agacha pra pegar um objeto, embora seu equilíbrio ainda é sensível Sobe escadas engatinhando Apresenta uma linguagem mais rítmica Controle dos esfíncteres Gosta de brincar com caixas, colocar e retirar objetos Faz uma torre de com dois cubos Há o aprimoramento da coordenação motora fina Já faz rabiscos Já sabe passar as páginas de um livro, embora seja várias de uma só vez 65 2 anos Possui uma noção de seu corpo, sente-se nele, mas ainda não relaciona as partes Reconhece a diferença sexual pelas característica como barba, voz... Usa colher e lápis Sobe escadas e desce colocando os dois pés em cada degrau Salta com os dois pés juntos Sobe nas coisas Come sem lambuzar-se Existe um aumento de vocabulário 3 anos Utiliza o pronome “EU” – inicia a tomada de consciência de si Reconhece e explica ações através do vocabulário Classifica, compara e identifica Demonstra cooperação Usa talheres e quer se vestir sozinha Tem a capacidade completa do controle dos esfíncteres – diurno e noturno Salta em um pé só, como o saci Sobe e desce escadas alternando os pés nos degraus Começa a usar a tesoura Idade dos porquês 4 anos Temais elasticidade das articulações Não tem freio motor 66 Coordena as mãos na escrita Não distingue a fantasia da realidade Inicia abstrações Distingue frente e costas Salta com habilidade Evolui na capacidade de socialização Ocorre a manipulação mais acentuada na área genital Sabe copiar pequenas figuras, associando à escrita Reconhece cores 5 anos Coordenação motora global desenvolvida Amplo desenvolvimento do esquema corporal Progressiva consciência de si Começa a utilizar a mão dominante Já consegue fazer círculos e quadrados Segura o lápis com mais firmeza Salta alternando os pés Protege as crianças menores Colabora nas mais diversas funções e atividades Esta construindo a sua personalidade, portanto com essa idade já sente simpatia ou antipatia por crianças do mesmo sexo É a fase da formação da censura – certo e errado Identifica-se com figuras de ídolos Aprende regras e padrões de comportamento básicos da sociedade 67 6 anos Aprende a andar de bicicleta Apresenta diversos movimentos experimentando o seu corpo Inicio da escrita Apresenta atitudes sociais bruscas Distingue direita e esquerda em si mesmo Faz tentativas de amarrar laços Distingue fantasia da realidade, mas adora brincar de personagens e os incorpora Fase da troca de dentes Começa se interessar por jogos de raciocínio e de competição Gosta de estar em pequenos grupos 7 e 8 anos Fase da plena integração do corpo Aperfeiçoa as habilidades adquiridas anteriormente Os gestos se aprimoram Reconhece direita e esquerda no outro A noção de temporalidade esta mais definida (presente – passado e futuro) Começa a ter condutas éticas, entende a importância de valores e normas Procura por amigos fora de casa Aparece a reprodução rítmica passam a racionalizar os seus pensamentos e as suas crenças, procurando as razões, os porquês por detrás de um problema ou de um fato Aumenta a importância dos amigos e dos professores. 68 9 e 10 anos Possui gestos motores mais harmônicos e aperfeiçoa a agilidade Levanta alternativas para solucionar problemas Valoriza o grupo de amigos que possuem gostos semelhantes. Explica alguns conceitos abstratos (amor, bondade...) Inicia pequenas compras Fala e age ao mesmo tempo 11 e 12 anos Combina os movimentos dos membros superiores e inferiores Equilibra força muscular e habilidade É reflexivo e espontâneo Preferem diferenciação de atividades masculinas e femininas Há maior desenvolvimento muscular nos menino Passa a compreender mais a sociedade, ordens sociais e grupos, o que torna esta faixa etária uma área instável de desenvolvimento psicológico. Começam as preocupações como a expectativa de ser aceite por um grupo, ou, ainda certas diferenças em relação a outras crianças da mesma faixa etária agravam-se nesta fase. Inicio da Adolescência Adolescência Adolescência é a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Redefinição da imagem corporal, consubstancial na perda do corpo infantil e da consequente aquisição do corpo adulto. Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil, o luto pela perda dos pais da infância. 69 Aumento de responsabilidades. Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio. É marcada pelo início das intensas transformações físicas que transformam a criança num adulto; é o início da puberdade, marcada principalmente pelo aumento do ritmo de crescimento corporal e pelo amadurecimento dos órgãos sexuais. Egocentrismo, imaturidade, instabilidade, confusão, despertar para novas realidades, busca acentuada de autonomia, forte necessidade de reconhecimento e aceitação, idealismo, utopia, entusiasmo, criatividade, ingenuidade, embrião para uma nova identidade, adopção das influências dos pares. movimento para a independência social e econômica e desenvolvimento da identidade, a aquisição das competências necessárias para a realização de relacionamentos adultos e papéis, e da capacidade de raciocínio abstrato. dificuldade em compreender conceitos complexos, ou a relação entre o comportamento e as consequências, ou o grau de controle que têm ou podem ter sobre a tomada de decisões de saúde, incluindo as relacionadas ao comportamento sexual. Os meninos competem entre si pela atenção por shows de capacidade física e os atos de ousadia, muitas vezes beirando a loucura, as meninas competem pela atenção dos meninos, mais comumente por tentativa para melhorar a sua aparência. Adolescência agora vai até os 25 anos de idade! https://www.bbc.com/portuguese/geral-42747453 https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/mulher/comportamento/adolescencia-agora- acaba-aos-25-anos-segundo-psicologos,96f732af94551410VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html 70 Vida Adulta Estágio que vem após a adolescência. Diz-se que, quando a pessoa entra na fase adulta, seu crescimento biológico é "interrompido". É também aquele que já responde por seus próprios atos, ou seja, que atingiu sua maioridade e que possui grandes responsabilidades. O que é um adulto? “Uma pessoa que atingiu o máximo do seu crescimento e a plenitude das suas funções biológicas”. Fonte: https://www.dicionarioinformal.com.br/adulto/A fase adulta vai aproximadamente até os 50 anos. Nessa fase há novas responsabilidades Passa a ter uma profissão definida Assume papeis maternos e paternos Os movimentos tornam-se mais calmos Existe a fixação das habilidades da motricidade A partir dos 35 anos existe uma moderação, objetividade e economia A partir dos 35 anos a atividade motora diminui, exceto em indivíduos treinados Existe um maior investimento no potencial intelectual interno e cuidado com os valores morais e espirituais. 71 Terceira Idade A velhice ou terceira idade inicia aos 55 anos. conseguem controlar melhor o estresse e também mostram menos sintomas de ansiedade ou raiva quando as coisas não correm como elas desejam do que os mais jovens. Vivem uma nostalgia, o que traz grandes benefícios para a saúde, principalmente no aspecto psicológico. o cérebro tem uma grande sabedoria e por essa razão, reage de maneira mais despreocupada. o desempenho cognitivo dos idosos era maior, mais organizado e consistente. mudanças do cérebro, na memória, causando a diminuição da rapidez de raciocínio. a visão entra em declínio, ficando cada vez mais cansada. alguns problemas cardiológicos podem surgir. Mudanças na postura, onde as articulações passam a se comprimir fazendo com que encolhamos alguns centímetros. Mais gordura na região abdominal. Os hormônios também entram em queda em ambos os sexos. As mulheres param de ovular e enfrentam os problemas causados pela menopausa que também diminui a produção do estrogênio. Os homens têm o tempo de resposta sexual reduzido, assim como a produção de espermatozoides. falta de elasticidade na pele, além de provocar rugas e linhas de expressão. o tamanho dos rins também fica menor. Com essa redução, as funções dos rins também ficam comprometidas, não purificando tão rápido os resíduos que se encontram no organismo. 72 Os pulmões tendem a fornecer menos oxigênio para o corpo desempenhar suas funções básicas. A densidade e a espessura dos fios de cabelo vão diminuindo, além do branqueamento dos mesmos. Assita o vídeo abaixo – Corpo e Movimento na Ed. Infantil com Marco Santoro https://www.youtube.com/watch?v=TC3RpoTFb1w São vários os autores que procuraram se aprofundar nos Métodos e nas Teorias da Psicomotricidade. Cada um com sua visão, teoria e método. Procure pesquisar a respeito dos seguintes autores "mais renomados": Gisele B. Soubiran – Ajuriaguerra - Dalila Costallat - Vitor da Fonseca – Jean Le Boulch - Bernard Aucouturier - Esteban Levin, Simone Ramain, André Lapierre, Jocian Machado e Solange Thiers, sendo as duas últimas autoras brasileiras. 73 Você que conhecer mais um pouquinho sobre o cérebro funciona? Sugiro o Livro: Neurociências do Mente e do Comportamento de Roberto Lent, da editora LAB. Nesta obra você encontrará respostas para muitos questionamentos que abrangem as áreas sensoriais, motoras, cognitivas e emocionais. “Nenhuma teoria do desenvolvimento humano é universalmente aceita, e nenhuma sozinha explica todas as facetas do desenvolvimento humano” (PAPALIA & OLDS, 2000 apud SILVA E JUNQUEIRA, 2004), para isso, se faz necessário um amplo volume de leitura acerca da temática para que se possa complementar e explicar as informações do acervo dos mais variados estudiosos desta área. 74 Atividade de Aplicação O Mapa Mental visa associar as informações adquiridas de uma forma mais lógica. No centro do mapa vai o nome da Unidade, aí vai-se "puxando" os tópicos. A partir desses, vão-se colocando outros itens que se relacionam com os conteúdos. Usar a criatividade utilizando figuras, desenhos e outros elementos que ache interessante, tudo isso para ficar uma produção mais atrativa. Bom trabalho! Psicomotrici dade e Movimento 75 1. Wallon empenhou-se em analisar o desenvolvimento infantil e entender os caminhos da inteligência na criança. Segundo ele a relação entre o biológico, o social e psicológico se dá através: o das atividades motoras o do Emocional o da Cognição Justifique: ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2. Prova: FUNCAB - 2012 Os dois primeiros anos do desenvolvimento intelectual da criança foram chamados por Piaget de período: o sensório-motor o de esquema o condicionado o de aprendizagem o de avaliação 76 3. Prova: EsFCEx - 2011 Segundo Piaget, o quarto e último estágio principal do desenvolvimento cognitivo, que ocorre durante a adolescência, quando o sujeito consegue manipular e organizar idéias e objetos, é denominado de: o Operações informais o Operações concretas o Operações formais o Pré-operacional o Sensório-motor 4. Prova: ISAE - 2011 De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo segue as seguintes etapas: o período sensório-motor, período das operações formais, período das operações concretas; o período pré-operatório, período das operações formais, período das operações abstratas; o período sensório-motor, período pré-operatório, período das operações concretas, período das operações formais; o período sensório-motor, período pré-operatório, período das operações concretas. 5. Vunesp – 2013 Na avaliação do desenvolvimento infantil, o psicólogo americano Arnold Gesell enfatiza o papel dos processos de: o socialização 77 o linguagem o maturação. o empatia. o coordenação motora. Na Unidade 1 - Psicomotricidade e Movimento iniciamos os estudos caracterizando a psicomotricidade como uma ciência que estuda o homem a partir de seu movimento nas suas relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica. Podemos, assim, organizar as nossas aprendizagens relativas ao processo de evolução do ser humano a partir da psicomotricidade, observando as sequências das aquisições. Fonseca (2008) afirma que é com base nos suportes da inteligência neuromotora, sensório-motora e perceptivo-motora que o cérebro, considerado como o órgão central da aprendizagem, inicia o processamento da informação. Fonseca (2008) afirma ainda a existência de dois sistemas simbólicos que se desenrolam com o tempo: auditivo-verbal e viso-motor. Fato que ajuda a explicar o surgimento inicial da linguagem falada e, posteriormente, da linguagem escrita. Linguagem e praxia (movimento com intenção) são os pilares da cognição humana. Assim, é desse ponto de vista que necessitamos estudar o desenvolvimento motor, compreendendo-o como processo integrado que relaciona as múltiplas dimensões humanas: neuropsicológica, cognitiva, social e cultural. A psicomotricidade é que oferece os alicerces para os demais processos afetivos, perceptivos e cognitivos e é por essa razão que o período da infância se apresenta tão importante para o desenvolvimento. 78 Vimos os diferentes conceitos, a partir da concepção de Wallon, Luria, Piaget e Vygotsky, que trabalham a concepção da psicomotricidade sob diferentes aspectos: da subjetividade à espacialidade do corpo que se completa na ação, às diferentes nomenclaturas acerca das etapas do desenvolvimentoque visam compreender o sujeito no mundo a partir de um olhar não fragmentado, possibilitando uma compreensão do homem real e concreto, caracterizado pelas relações socioculturais, especificidades psicomotoras, emocionais e orgânicas. Encerramos esta unidade de ensino trazendo as considerações de Victor da Fonseca sobre a experiência humana como sendo uma totalidade biopsicossocial que nos leva a compreendermos a função psicomotora inserida no desenvolvimento global da criança a partir de uma hierarquia evolutiva a partir da qual ocorrem as aquisições motoras (neuromotoras), sensório-motoras, psicomotoras, simbólicas, conceituais e sociais. Esperamos que você tenha aprendido bastante e esteja motivado(a) a ir adiante. Bom estudo! 79 2 EDUCAÇÃO PSICOMOTORA: ASPECTOS SENSORIAIS, PERCEPTIVOS E BASES PSICOMOTORAS O sistema sensorial forma representações internas e externas do nosso corpo. As informações sensoriais são usadas para atender quatro grandes funções: percepção e interpretação, controle do movimento, regulação de funções de órgãos internos e a manutenção de consciência. Os sentidos são funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente. Estão encarregados de receber estímulos externos. São eles que nos permitem interagir com outras pessoas e com o meio. Os sentidos nos trazem a beleza, os desconfortos, os prazeres, os medos. Fonte:https://desciclopedia.org/wiki/Sistema_sensorial O desenvolvimento dos sentidos segue uma sequência bem definida ao nascer: a) Dimensão tátil; b) Dimensão auditiva; c) E dimensão visual. Já, na adolescência, muda-se essa ordem: Visual, auditiva e tátil. 2.1. O Sentido do Tato Fonte: Própria da autora 80 • O tato é toda sensação gerada pelo toque de algo na pele. • Único sentido que o ser humano não vive sem. • É o mais velho dos sentidos, pois desde o ventre materno as sensações de contato são uma das poucas que a criança recebe. • É de grande importância estimular as vias táteis e auditivas durante os primeiros anos de vida. Percepção Tátil A percepção tátil é entendida como meio pelo qual o indivíduo projeta, registra, analisa, armazena e integra no cérebro as informações captadas. Na percepção tátil são exploradas: Pressão Textura Temperatura Pesado e leve Formas Volume Tudo isso sem ajuda da visão! 81 Através do tato também percebemos algumas comunicações corporais e não verbais: Ternura - Dor - Indiferença - Agressão, etc. 2.2 O Sentido da Visão A visão vem posteriormente, porém só se tornará significativa com base no que a pessoa tiver sentido e ouvido! Fonte: https://www.abcdobebe.com/bebes/cuidados-de-saude/o-sentido-da-visao/ • É o mais importante modo de comunicação interpessoal com o outro. • A visão assume um papel de alerta, vigilância e prontidão para a comunicação, sendo o mais importante sentido no desenvolvimento motor e linguístico. • Inicialmente a criança explora o objeto com a mão e mais tarde com a visão, fazendo com que a informação visual seja controlada e categorizada com a informação motora. • Com a maturação dos sistemas perceptivos, a visão passa a dar a mesma informação que a mão. 82 • As imagens são interiorizadas, sendo percebida pela criança, simbolizada e nomeada pela linguagem falada. A visão participa na organização postural e vestibular, lateralização e direcionalidade, conhecimento e identificação de si e linguística. “É pela motricidade e pela visão que a criança descobre o mundo dos objetos e é manipulando-os que ela os muda”. (Ajuriaguerra, 1983, p. 210) Percepção Visual Fonte: https://veja.abril.com.br/ciencia/pesquisa-prova-ligacao-entre-os-sentidos-da-visao-e-do-olfato/ É a capacidade de receber as informações sensoriais captadas do mundo externo e do próprio corpo e discriminá-las, selecioná-las e identificá-las, relacionando as experiências anteriores ou similares e reconhecendo-as. A área occipital do cérebro é responsável pela sua discriminação. Capacidades psicomotoras visuais As capacidades psicomotoras que necessitam serem estimuladas e otimizadas são: Coordenação visomotora = capacidade de coordenar olho / mão. Figura fundo = capacidade de distinguir uma figura em especial dentro de um fundo cheio de outras informações. Constância de forma = capacidade de reconhecer e identificar qualquer figura ou forma, independente do seu tamanho, orientação ou posição. Posição no espaço = habilidade em reconhecer e perceber qualquer forma em qualquer posição no espaço, mesmo que invertidas, retrovertidas ou rodadas. Relações espaciais = capacidade em reconhecer e detectar a posição de dados espaciais em objetos, figuras, pontos, letras e números entre si em relação com o indivíduo. 83 Algumas Práticas Para Estimular a Percepção Visual (Fonte: JOCIAN MACHADO BUENO, 2013, p. 212) Identificar formas geométricas, agrupar objetos pela forma, cor, tamanho.... Identificar o agrupar objetos iguais: tampinhas, bolinhas, latinhas.... Comparar objetos entre si pela forma, cor, tamanho... Identificar em um grupo de objetos as formas idênticas ou diferentes formas em diferentes posições. Descobrir figuras entrelaçadas, completar figuras ou desenhos. Montar cenas com os blocos lógicos Descobrir o que foi retirado de um grupo de objetos observados. Seguir labirintos desenhados no chão utilizando colagem com grãos, lã, barbante... Dizer o que falta em desenhos, conforme modelos completos numa série de figuras. Traçar linhas em papel quadriculado de acordo com as direções previamente estabelecidas. Enfiar contas num fio obedecendo a uma sequencia Formar figuras com palitos observando modelos Arrumar gravuras obedecendo a uma sequência de fatos. 2.3 O Sentido da Audição A audição é um sistema sensorial básico para compreensão da fala humana e indispensável à estruturação do sistema simbólico humano. O sentido da audição também é responsável pelo equilíbrio e pela percepção dos movimentos. Fonte: http://ondasulfm.com/index/noticia/entretenim ento/super-dica-da-onda-radio-onda-sul-ajuda- voce-a-cuidar-da-audicao,3327.html 84 Percepção Auditiva Fonte: http://cliapsicologia.com.br/audicao-na-primeira-infancia/ Percepção auditiva é a capacidade de organizar e compreender os estímulos sonoros que recebemos, podendo ser usada para descrever respostas comportamentais aos estímulos auditivos. A área temporal do cérebro é responsável pela sua discriminação. É essencial para entrar em contato com o meio, fonte de segurança, gratificações e conhecimentos. Para linguagem falada, a percepção auditiva se torna fundamental. São necessárias uma série de estruturas do cérebro especializadas na percepção auditiva e no reconhecimento de seus subcomponentes. Deficiência na Percepção auditiva Quem tem uma deficiência na percepção auditiva poderá ter: • Defasagem na linguagem interna • Na linguagem receptiva • Expressão falada Competências da Percepção Auditiva Atender a direções verbais Integrar, memorizar e reproduzir Traduzir músicas em movimentos Diferenciar os variadossons de instrumentos de percussão Reter e integralizar sons, timbres e volumes Mudar expressões motoras de acordo com os sons Reconhecer prosódia 85 2.4 O sentido do Olfato O aprendizado olfativo está relacionado diretamente com as experiências individuais e as coletivas, podendo alterar estados afetivos e relacionar-se ao comportamento social e sexual. Fonte: https://paineira.usp.br/aun/index.php/2017/04/07/experiencias-com-camundongos-buscam- desvendar-mecanismos-do-olfato/ Percepção Olfativa • É um sentido menos evoluído no homem em relação aos animais. • Os odores desencadeiam processos de atenção seletiva e comparativa, remetendo-se a experiências e situações vividas. • Evocam recordações e associações muito fortes, pois entram no cérebro sem passar pelo tálamo. • Através do olfato podemos rejeitar ou aceitar, se aproximar ou se afastar... • Com o cheiro a lembrança da matéria é imediata; • A partir da sensação, o odor é memorizado num processo de aprendizado, sendo importante na seleção alimentar e em processos e experiências emocionais. • Preste atenção: ser distraído pode atrapalhar seu olfato; • Perda de olfato está ligada ao Alzheimer e é comum em mulheres; • Você é bom de olfato? Quem tem o nariz apurado sente mais prazer no sexo; • Os nervos olfativos são também importantes para distinguir o sabor das substâncias que se encontram dentro da boca; 86 • Pode-se dizer que muitas das sensações gustativas têm sua origem no olfato. Não deixe de ler esta Crônica! “O Cheiro Bom da Terra” Fonte: https://artesmendes.wordpress.com/2012/11/16/cronica-o-cheiro-bom-da-terra-15-11-2012/ 2.5 O Sentido do Paladar O paladar é um importante sentido do corpo humano que nos permite reconhecer os sabores, além de sentir a textura dos alimentos ingeridos. Fonte: http://maesbrasileiras.com.br/voce-sabe-explorar-o-paladar/ 87 Curiosidade: Você sabia que a temperatura pode influenciar no sabor do alimento? Quando temos alimentos mais frios, percebemos melhor o gosto azedo. Quando o alimento está com uma temperatura maior, percebemos ele mais doce. Sendo assim, chocolates que ficam guardados na geladeira apresentam-se menos doces que aqueles consumidos na temperatura ambiente. Percepção Gustativa Fonte: https://omanualdaspapinhas.com/3-receitas-de-papinhas-salgadas/ Fonte: https://omanualdaspapinhas.com/meu-bebe-nao-quer-comer/ • O gosto é percebido por nós graças às chamadas papilas gustativas. Nessas papilas, está localizada uma grande quantidade de células sensoriais capazes de captar as informações a respeito do sabor dos alimentos. • As percepções gustativas também evocam recordações e associações diferenciando de prazerosas das não prazerosas. • A língua é responsável pelo paladar. As papilas são especializadas em detectar quatro sabores básicos: amargo, azedo, doce, salgado e umami. 88 • O paladar é influenciado pelo olfato, auxiliando o cérebro a reconhecer e discriminar os sabores dos alimentos ou objetos levados à boca. • Uma característica notável da língua é a sua textura. As línguas consistem em uma série de cumes, rugas, costuras e marcas que são exclusivas para cada indivíduo. O umami é o quinto gosto fundamental que sentimos além do doce, salgado, azedo e amargo. Ele foi descoberto ao acaso no século XX pelo professor e cientista japonês Kikunae Ikeda enquanto provava alimentos como aspargos, tomates, queijos e carnes. Percebendo o gosto comum entres estes alimentos, Ikeda denominou-o de Umami, que significa saboroso em japonês. Porém, somente nos anos 2000 ele foi reconhecido pela comunidade científica como o quinto gosto fundamental. http://www.portalumami.com.br/o-que-e-umami/ Você sabia que a língua branca pode ser um indicador de doenças? Veja: https://incrivel.club/criatividade-saude/10-maneiras-de-ter-uma-lingua-mais- saudavel-e-evitar-seu-embranquecimento-554110/ 2.6 O Sentido Cinestésico Especial habilidade para usar o próprio corpo. Envolve o autocontrole corporal quanto à destreza para manipular objetos, se relaciona com o uso das diferentes 89 partes do nosso corpo para fazer algo, para encontrar uma solução para um problema ou para se comunicar ou transmitir um significado. Pensar com o Corpo Fonte: https://www.revide.com.br/noticias/esporte/ginastica-ritmica-de-ribeirao-preto-e-vice-campea-nos-jogos-regionais/ • Cinestesia: sentido pelo qual se percebe os movimentos musculares. • O sentido cinestésico possibilita a percepção do movimento ou repouso do corpo. • Ele fornece informações sobre as posições relativas dos membros e outras partes do corpo durante os movimentos e sobre as tensões musculares. • O sentido cinestésico está associado à vontade, ou seja, ele é um sentido de ordem volitiva, pois frequentemente nos movemos porque queremos fazê-lo. • Por meio da percepção sensorial do movimento de uma parte do corpo despertamos nosso cérebro para que atue sobre ele, registrando sua existência. 90 2.7 Bases psicomotoras De acordo com Luria, as Bases Psicomotoras são divididas em 3 unidades. 1ª unidade - Tônus e Equilíbrio. 2ª unidade – Lateralização, Esquema corporal, Organização Espaço Temporal. 3ª unidade - Praxia global e Praxia fina. 1ª Unidade: responsável pela captação das informações. Áreas: medula; formação reticular; áreas pré- talâmicas. Aspecto cognitivo: atenção Base Psicomotora: tonicidade e equilibração 2ª Unidade: responsável pela decodificação das informações, organização e armazenamento. Áreas: lobos parietal; temporal; occipital. Aspecto cognitivo: Percepções Base Psicomotora: lateralização, noção do corpo; organização têmporo-espacial. 3ª Unidade: responsável pelo planejamento, execução e verificação das atividades. Área: lobo frontal. Por Angelita Corrêa Scardua https://www.psicologiasdobrasil.com.br/ sentidos-de-posicao/ 91 Aspecto cognitivo: planificação Base Psicomotora: praxias globais e finas 2.7.1 Tônus e Equilíbrio Espera-se que até 12 meses um bebê já tenha um Tônus e um Equilíbrio bem desenvolvido. “O tônus muscular está presente em todas as funções motoras do organismo como o equilíbrio, a coordenação, o movimento etc., todo o comportamento comunicativo está relacionado com o tônus” (Oliveira, 1997, p.27). A função tônica é de importância fundamental na psicomotricidade e implica na trama dos movimentos sem desaparecer na ausência de ação. Atua em todos os níveis da vida motora, participando também das funções motrizes de equilíbrio e coordenação, assim como da linguagem corporal. O total relaxamento muscular é passageiro e acompanha o início rápido e profundo do sono; após esse momento, o relaxamento do sono passa a sofrer influências tônicas (nos mexemos e mudamos de posição durante o sono). Na criança pequena, o tono age indicando sinais corporais: hipotonia (diminuição do tônus); satisfação ou hipertonia (aumento do tônus); apelo, ou seja, quando a criança se encontra feliz e satisfeita há um relaxamento muscular, já quando está irritada, necessitando de algo, seu tônus aumenta para demonstraressa insatisfação, que pode ocorrer com o choro. Um sono harmonioso possibilita uma maior regulagem e qualidade nos gestos. Edifica os esquemas sensoriais e motores para as representações mentais dos gestos e posturas (NICOLA, 2004). Fonte: própria do autor 92 Resumindo: • O Tônus é a quantidade de resistência que temos ao movimento; • Está relacionado a organização muscular e organização do prazer; • O tronco se organiza nessa fase; • O tônus regula o grau de tensão dos músculos; • Quando a criança fica de bruços, rola, rasteja, engatinha, está fortalecendo o tônus; • O tônus está relacionado ao grafismo e preensão; • Precisamos do tônus para ficar em pé e termos boa postura e alinhamento; • Sem a organização tônica como suporte, a atividade motora e a estrutura psicomotora não se desenvolve (Fonseca, 1995). • O tônus reflete as emoções; • Exerce a função de alerta, atenção e vigilância em atividades mentais; • Modificamos nosso tônus quando estamos com dificuldade de entender uma aula, compreender um texto ou resolver um problema; • Levantar da cadeira, mudar de posição, “dar um tempo” para o ajustamento postural contribui para que nossa atividade intelectual volte a fluir. Fonte: Própria do autor 93 2.7.1.1 Alterações e Desarmonia do Tônus Pode ocorrer em indivíduos com um bom nível motor: variações afetivas, com as emoções. Paratonia: O indivíduo não pode realizar movimentos e ao tentá-lo aumenta mais sua rigidez, dificuldade de relaxamento voluntário dos músculos. Paratonia: https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fi1.rgstatic.net%2Fpublication%2F5671864 _Diagnosing_paratonia_in_the_demented_elderly_Reliability_and_validity_of_the_Paratonia_Assess ment_Instrument_PAI%2Flinks%2F02e7e5177d89591f0d000000%2Flargepreview.png&imgrefurl=http s%3A%2F%2Fwww.researchgate.net%2Fpublication%2F5671864_Diagnosing_paratonia_in_the_de mented_elderly_Reliability_and_validity_of_the_Paratonia_Assessment_Instrument_PAI&docid=1AVr 5RM0EMW9EM&tbnid=IAtXDLn8beuiEM%3A&vet=10ahUKEwiZwuGHxMTiAhWvuVkKHUyUDz8QM whBKAEwAQ..i&w=850&h=1201&bih=625&biw=1366&q=paratonia&ved=0ahUKEwiZwuGHxMTiAhW vuVkKHUyUDz8QMwhBKAEwAQ&iact=mrc&uact=8 Sincinesias: Movimento involuntário que ocorre num grupo de músculos por ocasião de um movimento voluntário ou de um reflexo de outra parte do corpo. Por ex.: enquanto a criança escreve, mostra ou morde a ponta da língua. Está diretamente relacionado 94 com certa imaturidade sobre o controle do tônus. Pode ser algo normal até os 10-12 anos, idade em que vão desaparecendo. Por si mesmas não são transtornos, apenas são sintomas de algum outro problema. Sincinesia Fonte: https://deskgram.net/explore/tags/sincinesias As variações tônicas desobstruem o fluxo mental e orientam nossa percepção. Para a criança, esta relação de reciprocidade entre a atividade cognitiva e o controle do tônus é ainda mais relevante: ela aprende por meio da expressão corporal e ao experimentar desafios motores. Assim, a movimentação das crianças na sala de aula deve ser encarada como um recurso para aprendizagem e não um obstáculo. Hipotonia Hipotonia ou flacidez é o termo usado para a definição da queda ou ausência do tônus muscular (postural). Hipotonia fisiológica - 5º -6ºm Fonte: http://www.minutofisioterapia.com. br/postagens/2017/07/10/hipotonia / 95 Hipertonia Existem dois tipos de hipertonia: a espasticidade e a rigidez. Na espasticidade, há um aumento na resistência ao movimento passivo brusco. A resposta é dependente da velocidade, e, quanto maior for o alongamento, mais vigoroso será a resposta de um músculo espástico. Na rigidez, a resistência fica aumentada para todos os movimentos, fazendo com que partes do corpo se tornem mais rígidas e imóveis. Hipertonia global flexora – 0-3m Fonte:http://www.fisioterapiamaesefilhos.com/desenvolvimento-normal-do-recem- nascido/ Fonte: própria da autora Tônus Normal - 12m 96 2.8 Equilíbrio Esperamos que uma criança tenha o equilíbrio desenvolvido entre 12 meses a 2 anos de idade. Fonte: Própria da autora • O Equilíbrio é a fase em que a criança tem sensações labirínticas, vestibular. • O equilíbrio depende essencialmente do sistema labiríntico e do sistema plantar. • Enquanto o equilíbrio está sendo desenvolvido, paralelamente ela está desenvolvendo e amadurecendo suas habilidades auditivas; • A falta de equilíbrio atrapalha a aprendizagem; • Altera a capacidade de atenção e concentração; • Nessa fase a criança ainda não tem uma organização postural; • A criança precisa ter os pés no chão!!! Por isso as carteiras escolares devem favorecer esses “pés no chão”, serem da altura das crianças, pois “pés no chão” dão equilíbrio e segurança. A partir do desenvolvimento da tonicidade e da equilibração a criança adquire postura bípede, possibilitando a liberação das mãos a fim da exploração ocular e aquisição da marcha, explorando tudo que precisa para sua aprendizagem. O equilíbrio pode ser: 97 Dinâmico – Orientação controlada do corpo, em movimento com olhos abertos. Fonte: própria da autora Estático – capacidade de manter certa postura sobre uma base sustentável (sem movimento) Clara – 11 meses – O dia em que começou a andar. Fonte: própria da autora Com a automação da equilibração a criança vai adquirindo dinamismo bimanual e bipedal em equilíbrio estático e dinâmico. 98 Fontes: própria da autora 2.9 Lateralização e Lateralidade - 2 a 3 anos Lateralização do cérebro refere-se à forma como processos cognitivos (funções neurais) são mais dominantes em um lado do cérebro do que de outro. Isto é parte da razão por que as pessoas podem ser canhotas ou destras. A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. É a predisposição à utilização preferencial de um dos lados do corpo, em três níveis: mão, olho e pé (Le Boulch,1987/1992). Fonte: https://psicoativo.com/2016/04/lateralizacao-do-cerebro.html 99 Lateralidade A lateralidade está relacionada à propensão que temos em utilizar preferencialmente mais um lado do corpo do que o outro, em três níveis: mão, olho e pé. Tal fato significa que há um predomínio ou uma dominância motora de um dos lados. Dessa forma, o lado dominante apresentará mais força muscular, precisão e rapidez, embora o lado oposto também seja importante em função do auxílio que realiza a estas ações. A lateralização é a base para a construção espacial e é por meio dela que uma criança se orienta no mundo que a rodeia. Importante destacar que o próprio professor em sala poderá realizar atividades que desenvolvam o potencial motor do aluno. Antes da preocupação em rotulá-lo com alguma dificuldade, é importante apoiarmos e acreditarmos que as suas potencialidades poderão e deverão ser consideradas, antes de pensarmos em encaminhá-lopara um atendimento especializado. A criança necessita experimentar os dois lados sem interferência e sem direcionamento dos pais. A dominância de um dos lados somente se apresentará mais claramente por volta dos 5 e 7 anos (OLIVEIRA, 2010). A mesma autora apresenta algumas dificuldades que têm origem nos problemas com a lateralização. Pode haver um comprometimento na leitura e escrita; o ritmo dessa escrita pode ser mais lento e, muitas vezes, ilegível e mesmo especular. Probabilidade de maior imprecisão dos movimentos finos. Também pode haver confusão, por parte da criança, com relação às direções diferentes como d/b. Resumindo: • O cérebro é organizado em dois hemisférios: direito e esquerdo. • O que acontece no lado direito do corpo, seria de responsabilidade do hemisfério esquerdo e o que acontece no lado esquerdo do corpo, seria relacionado ao lado direito do cérebro. Estamos falando dos acontecimentos motores e sensoriais. • Predomínio Motor - mão, olho, pé e orelha. • O lado dominante apresenta maior força muscular, mais precisão e maior rapidez. • A lateralidade corporal capacita o indivíduo a utilizar um lado do corpo com maior desembaraço, de uma forma mais especializada. • Por volta dos 2 anos já é possível perceber qual a preferência manual. • A lateralidade fica bem definida por volta dos 6 anos, quando a partir desta idade começa a compreender o conceito de direita e esquerda em si mesmo, idade em que a criança começa a ser alfabetizada; 100 • A criança pode ter a lateralidade definida, mas não saber qual é a direita e a esquerda! Quando a lateralidade não está bem definida, é comum ocorrerem problemas: Dificuldade de aprender a direção gráfica; Dificuldade em aprender os conceitos de esquerda e direita; Comprometimento na leitura e na escrita; Má postura; Dificuldade na coordenação fina; Dificuldade na discriminação visual: confusão nas letras de direções diferentes como: b-d-p-q Na orientação espacial; Na construção de esquema e imagem corporal Diferenciação entre os lados do corpo Perturbações afetivas; Distúrbios da linguagem e do sono; Aparecimento de maior sincinesias; Frequentemente leem da direita para Esquerda; Trocam as consoantes de lugar; Confusões na hora de somar. 2.10 Esquema corporal – 3 - 4 anos Chamamos de Esquema Corporal ao conhecimento intelectual das partes do corpo e de suas funções. O Esquema Corporal é o elemento básico para formação da personalidade, que se desenvolverá graças à tomada de consciência de seu corpo e das possibilidades de expressar-se por através dele – reflete o equilíbrio entre as funções psicomotoras e sua maturidade. É através da noção de esquema corporal que a criança elabora todas as experiências vitais e organiza toda a sua personalidade. (WALLON, 1975) Uma criança cujo esquema corporal é mal constituído, não coordena bem seus movimentos e, consequentemente, suas habilidades manuais são difíceis 101 podendo ocorrer que a caligrafia seja feia e a leitura não seja harmoniosa no sentido em que a criança não segue o ritmo da mesma ou para no meio da frase ou da palavra. Outro sintoma é quando a criança não consegue reconstruir um boneco articulado e isso ocorre justamente por não possuir uma consciência de seu corpo A descoberta do esquema corporal é uma conquista gradativa da criança. Assim, ao conhecer o seu esquema corporal passa a ter consciência do seu próprio corpo, das partes que o compõem, das possibilidades de movimento, posturas e atitudes (NICOLA, 2004). Vale ressaltar, conforme Oliveira (2010), que o esquema corporal não é um conceito aprendido, logo, não podemos ensiná-lo. Esse esquema é organizado pela experimentação do corpo da criança e se constrói mentalmente, de acordo com o uso que a criança faz dele. É uma síntese de sua experiência corporal. Logo ao nascer a criança utiliza a boca como principal fonte de conhecimento de seu corpo. Por meio dela experimenta as sensações de frio, calor, de umidade. Leva à boca tudo o que vê e sente, iniciando assim seu aprendizado. Descobre suas mãos, brinca com elas, assim como com seus pés e sexo. Começa a sentir o poder que tem sobre seu próprio corpo quando, após cair e levantarem-se inúmeras vezes, aprende a encontrar seu ponto de equilíbrio. Aumenta esse poder quando aprende a controlar seus esfíncteres (musculatura que controle a saída da urina e fezes). Vai se conhecendo aos poucos, integrando as diversas sensações que experimenta no contato com o mundo (OLIVEIRA, 2010). A autora indica as perturbações oriundas de uma ausência de percepção e consciência do próprio corpo que podem levar a criança a apresentar problemas de esquema corporal. Eles se manifestarão nas dificuldades de coordenação dos movimentos que levam à lentidão na realização de gestos harmoniosos simples, como abotoar uma roupa, andar de bicicleta, jogar bola e outros, revelando a falta de domínio do corpo em ação no meio, bem como os conceitos relacionados às coordenadas do espaço, como em cima, embaixo, ao lado, linhas horizontais e verticais. Também revela problemas em identificar o sentido de direção, em função da confusão entre direita e esquerda. Esses conceitos podem interferir na aquisição da escrita, pois a criança não sabe se posicionar nos limites da folha, não consegue trabalhar com vírgulas, pontos, nem armar corretamente uma operação matemática. Tais dificuldades podem ser trabalhadas em jogos e brincadeiras em sala e fora dela, com o professor de educação física. Consciência corporal O corpo, para Oliveira (2010), deve ser entendido não somente do ponto de vista biológico e orgânico que possibilita a visão, audição, o movimento, mas é também um lugar que permite expressar emoções e estados interiores. Pela 102 interiorização é que a criança se volta para si mesma, o que lhe possibilita uma automatização das primeiras aquisições motoras. Quando a criança não consegue interiorizar seu corpo poderá ter problemas de ordem gnosiológica (conhecimento) e práxica (intenção motora). Entre 3 e 4 anos a está desenvolvendo a consciência corporal, que nada mais é do que a noção das dimensões e potencialidades do próprio corpo e de suas partes (braços, pernas, cabeça, mãos, etc.), sobre como essas partes “conversam” entre si, o espaço que ele pode ocupar e sua interação com o meio. Ter consciência corporal significa tomar consciência do próprio corpo, reconhecer e identificar os processos e movimentos corporais, internos e externos. É sinônimo de utilizar o corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o ambiente. Esse conhecimento é adquirido através do desenvolvimento perceptivo, das organizações sensoriais. Os déficits motores poderão criar barreira no processo de estruturação da consciência corporal em uma criança, conforme exemplo abaixo. Fonte: desenho realizado por paciente da própria autora. Imagem Corporal Menino de 10 anos que tem uma desmielinização na área motora, não tem consciência corporal, sua representação gráfica de si é assim. 103 Fonte: desenho realizado por paciente da própria autora. Mesma criança de 10 anos com desmielinização, após um ano e meio trabalhando esquema corporal, imagem corporal e consciência corporal nos atendimentos. Resumindo: As vivências corporais do indivíduo irão organizá-la ao longo do ciclo de vida, visto que a imagem corporal se estabelece como produto de vivênciasperceptivas e motoras; Se a criança não se reconhecer a si mesma, muito dificilmente poderia entender o espaço que a rodeia. Imagem corporal é a intuição que a crianças tem de seu corpo em relação a tudo que a rodeia: objetos e pessoas. O Esquema Corporal é a base para a Estruturação Espaço Temporal Por Que seu Filho Precisa Desenvolver a Consciência Corporal? http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/por-que-seu-filho-precisa-desenvolver- consciencia-corporal/ O esquema corporal é dividido em: Corpo vivido (até 3 anos de idade) Corresponde à fase de inteligência sensório motora de Piaget. O bebê sente o meio ambiente como fazendo parte dele mesmo. A criança tem uma necessidade muito grande de se movimentar, e através dos movimentos vai ganhando e ampliando sua experiência motora. Seus movimentos são espontâneos. 104 Corpo percebido ou descoberto (3 a 7 anos): Corresponde à fase de inteligência pré operatória de Piaget. Corresponde à organização do esquema corporal devido à maturação da "função de interiorização". Inicia a tomada de consciência de seu próprio corpo. Passa de movimentos espontâneos a movimentos mais controlados. A criança, com isso, passa a aperfeiçoar e refinar seus movimentos adquirindo uma maior coordenação dentro de um espaço e tempo determinado. Descobre sua dominância lateral e seu eixo corporal, passando seu corpo a ter um ponto de referência para se situar e situar os objetos no tempo e no espaço. Começa a adquirir os conceitos de embaixo, acima, direita, esquerda noções temporais, de ordem e sucessão, isto é, primeiro e último. Corpo representado (7 a 12 anos): Nesta etapa observa-se uma maior estruturação do esquema corporal. No início desta fase a representação mental da imagem do corpo consiste numa simples imagem reprodutora e é uma imagem de corpo estática. A criança só dispõe de uma imagem mental do corpo em movimento a partir de 10/12 anos, significando que atingiu uma representação mental de uma sucessão motora, com a introdução do fator temporal. 2.11 Organização Espaço Temporal - 4 a 5 anos Para compreendermos a importância da estruturação espacial, recorreremos a Ajuriaguerra (1988, p. 290), citado por Oliveira (2010): “[...[ a criança deve compor sinais orientados e reunidos de acordo com leis; deve, em seguida, respeitar as leis de sucessão que fazem destes sinais palavras e frases. A escrita é, pois, uma atividade espaço temporal”. Fonseca (1988) citado por Oliveira (2010) afirma que o espaço bucal é o primeiro com o qual a criança se defronta. A boca é o espaço mais próximo dos braços, passando a ser, portanto, o primeiro objeto de exploração, pois a sensação e o movimento estão intimamente ligados. A estruturação espacial não nasce com o indivíduo, é construída mentalmente a partir dos movimentos em relação aos objetos do mundo ao redor das crianças. 105 Por essa razão se faz importante as brincadeiras que envolvam distância, direção, alto e baixo, entre outras, pois possibilitam à criança se organizar perante o seu meio, prevendo e antecipando situações. Organização Espacial • É a maneira como a criança se localiza no espaço e como situa os outros e as coisas, umas em relação às outras. • A Estruturação Espacial precede a Estruturação Temporal • O corpo é o principal arquiteto na construção da orientação espacial e depende de informações sensoriais e vestibulares. • É a tomada de consciência da situação das coisas entre si. • É a possibilidade, para a pessoa, de organizar-se perante o mundo que a cerca, de organizar as coisas entre si, de coloca-las em um lugar, de movimentá-las. • É ter a noção de direção (cima, baixo, na frente, ao lado atrás) e de distância (longe, perto curto, comprido) em integração. • Não se ensina nem se aprende: descobre-se. O processo educativo deve ajudar nessa descoberta, levando em conta a evolução da estrutura progressiva da noção de espaço. • Sistemas receptores sensoriais: Visual e Tátil Cinestésico. • É parte integrante da nossa vida e difícil de dissociar os três elementos fundamentais da psicomotricidade: espaço/corpo/tempo. • Aprender a localização de um objeto não é fácil, exige tanto a capacidade motora quanto a percepção espacial. • Organiza-se por meio do esquema corporal e das experiências pessoais. Piaget estudou a percepção do espaço da criança: Primeiros meses: limita-se ao campo visual e possibilidades motoras; Quando começa a andar: o espaço se amplia e se multiplicam suas possibilidades de experiência. • O espaço deve ser organizado primeiro em relação ao próprio corpo e depois em relação aos outros e aos objetos. • A partir do momento que o indivíduo desenvolve a noção espacial, pode integrar seu corpo e o tempo nesse espaço e vencer os obstáculos e desafios os mais variados possíveis. • A carência espacial pode comprometer a aprendizagem da leitura. 106 Os Sintomas de uma má estruturação Espacial Pede-se para colocar a merendeira ao lado do armário e ela coloca na frente Confunde b e d, p e q, ou e on, 26 e 62, b e p, n e u Erros em matemática por não perceber as noções cima/embaixo, frente/trás Não perceber a ordem das unidades, dezenas...; Não consegue separar as sílabas; Dificuldade em reversibilidade (3 x 8 = 8 x 3); Não conseguem ordenar e organizar seus objetos pessoais em armários e gavetas; Chocam-se ou esbarram-se com frequência; Confundem noção de lugar, de orientação. Estruturação temporal Para Defontaine (1980, p. 144) citado por Oliveira (2010), as noções de espaço, corpo e tempo devem estar intimamente ligadas para que possamos entender o corpo humano. Assim, o corpo coordena-se, movimenta-se frequentemente dentro de um espaço determinado, em função do tempo e de um sistema de referências. Observa-se que da mesma forma que a palavra escrita exige que se tenha uma orientação no papel, a palavra falada exige que se emitem palavras de uma forma ordenada e sucessiva. Necessitamos da capacidade para lidar com conceitos que evoquem o ontem, hoje e amanhã. Uma criança pequena tem dificuldade em extrapolar suas ações. À luz da teoria da psicologia genética proposta por Wallon, podemos compreender melhor o significado da conduta das crianças e de suas relações com o meio: à sua fala e ações somam-se à postura, ao jeito de caminhar, à forma de executar os gestos e às expressões. Ao concluirmos essa primeira parte da apresentação dos principais conceitos da psicomotricidade, vale apena citarmos o pensamento de Thompson: O desenvolvimento global da criança, portanto, depende do comportamento perceptivo-motor, que, por sua vez, exige o controle motor, a percepção figura- fundo, a noção de corpo, a noção de espaço, a noção de tempo etc. A criança descobre o mundo fazendo experiências e, quando não encontra respostas para um 107 fenômeno, inventa. Aprender, portanto, passa a ser visto como um processo resultante da atuação da criança, enquanto um ser pensante e ativo, sobre os objetos do mundo físico (THOMPSON, 2010, p. 159). Assim, ao estudarmos os conceitos específicos da psicomotricidade, estamos analisando o processo de desenvolvimento humano que se inicia nos primeiros movimentos e sensações do bebê na sua tentativa de interação com o meio. Tais tentativas são marcadas pelos elementos que caracterizam um estágio neuropsicomotor imaturo, que irá se modificando nas relações sociais e com os recursos orgânicos geneticamente constituídos. Organização Temporal Fonte: https://terocupsararaquelcosta.blogs.sapo.pt/tag/orienta%C3%A7%C3%A3o+temporal • É a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos: (início, meio e fim), • A duração de intervalos: (dia e noite) • Renovação Cíclica de certos períodos: (uma semana, um mês, um ano) • Caráter irreversível do tempo: (ontem, hoje, amanhã) • E da duração dos intervalos: (noção de tempo longo e curto, noção de rápido e lento). • Noções temporais são muito abstratas e muitas vezes bem difíceis de ser adquiridas pelas crianças. • A ação da memória é fundamental. • A percepção temporal é indissociável da percepção espacial. 108 • Sistemas receptores sensoriais: Auditivo, Visual e Tátil Cinestésico. • A noção de tempo está muito ligada à afetividade. Os Sintomas de uma má organização temporal • A criança pode não perceber os intervalos de tempo, não notar os espaços entre as palavras, não atentar para o que vai mais depressa e mais devagar; • Escreve sem espaço entre as palavras; • Apresenta confusão na ordenação e sucessão de uma sílaba; • Não percebe o primeiro e o último, o antes e o depois; • Escreve “porblema” em vez de problema; • Não se organiza na noção direita/esquerda; • Falta de coordenação dos movimentos; • Dificuldade em correspondência dos sons com as letras; Fonte: https://educacaodialogica.blogspot.com/2017/07/8-periodos-do-desenvolvimento-humano.html 109 2.12 Praxia global e Praxia fina – 5 – 6 anos O que é PRAXIA? Praxia é a habilidade motora e organização dos movimentos, orientados para uma finalidade. É um movimento coordenado em função de um resultado, ou seja, transforma seu pensamento em um ato consciente e eficiente, ou seja, uma AÇÃO planejada antecipadamente. Fonte: http://naescola.eduqa.me/rotina-pedagogica/voce-sabe-o-que-praxia/ Durante muito tempo, os termos motricidade fina, grossa e global foram usados para se referir a habilidades que são muito mais amplas que isso. Hoje a neurociência específica que a execução dos atos motores intencionados, portanto, dos atos voluntários coordenados e orientados conforme uma intenção específica é denominada PRAXIA. Praxia Global A praxia global implica na atividade dos grandes músculos. Várias são as atividades que levam à conscientização global do corpo, como o ato de andar, que se caracteriza por ser um ato neuromuscular e que requer equilíbrio e coordenação; correr, que requer ainda, além dos já citados, resistência e força muscular; e outras 110 como saltar, rolar, pular, arrastar-se, nadar, lançar-pegar, sentar. Normalmente, as crianças já chegam à escola com certa coordenação global de seus movimentos (OLIVEIRA, 2010). Portanto, entende-se por praxia global a realização e a automação dos movimentos globais complexos, que se desenrolam num determinado tempo e que exigem a atividade conjunta de vários grupos musculares. A praxia Global traduz a organização da atividade consciente, da ação antecipada pelo pensamento, pois coordena o conhecimento integrado do corpo, por meio das informações cognitivas e emocionais resultantes das experiências anteriores, recebidas pelas vias sensoriais e perceptivas. https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjYnZ_MzcTiAhUBtlkKHefBC3wQjRx6BAgBEA U&url=http%3A%2F%2Fbrincarecrescercomapsicomotricidade.blogspot.com%2F2011%2F10%2Factividades-psicomotoras- equilibrio.html&psig=AOvVaw0FWFD-3coklUjLXnGe25ZX&ust=1559352080421823 Praxia Fina A praxia fina relaciona-se à habilidade e destreza manual. Uma coordenação elaborada dos dedos da mão possibilita uma ampliação de novos conhecimentos. É por meio do ato de preensão que as crianças vão descobrindo os objetos que se encontram ao seu redor. Fonte: http://psicomotricidadeeaprendizagem.blogspot.com/2010/07/mao-e-parte-central-da-funcao-da-praxia.html 111 Também se faz necessário o controle ocular, ou seja, a visão acompanhando os gestos da mão (coordenação oculomanual ou visomotora) (OLIVEIRA, 2010). Assim sendo, praxia fina é todo movimento que necessita da relação, da precisão da MÃO e dos DEDOS. A mão é a parte central da função da praxia fina; A mão é a parte do corpo que mais utilizamos, pois através dela temos acesso ao mundo que nos rodeia; No início do crescimento infantil, a mão torna-se uma das principais formas de diálogo tônico do bebê com sua mãe; A praxia fina recebe uma contribuição particular de todos outros fatores psicomotores e traduz-se num produto final para melhor estruturação do desenvolvimento do indivíduo; A praxia fina vai se refinando dos ombros para ponta dos dedos, envolvendo todas as articulações: ombro, cotovelo, pulso, mãos e ponta dos dedos; Os movimentos mais precisos, como o de pinça realizado pelos dedos polegar e o indicador da mão, vão sendo aprendidos e cada vez mais utilizados nas fases pré-escolar e escolar da criança, para mais tarde a mão se tornar um membro fundamental na execução da escrita. Exercícios para praxia fina Movimentos de pulso: Manipular talheres Escovar os dentes Pentear os cabelos Vestir-se e despir-se Abrir e fechar o zíper Separar o material escolar Arrumar a mesinha e a cadeira Tocar instrumentos musicais Acompanhar música com palmas Bater com martelo e prego em madeira Imitar gestos 112 Pirulito que bate bate Parabéns pra você Fazer sombras na parede Cavar buracos Peneirar Construir estradinhas de areia e percorrê-las Jogar a bola e pegá-la, na parede, para o outro... Jogar peteca Ioiô Pingue pongue Fantoches Empilhar blocos Passar anel Movimentos com dedos: Bolas de gude Dominó Brinquedos de encaixe Quebra-cabeças Caixa tátil Baralho Vestir bonecos Escravos de Jó Colagens: Palitos de dente Palitos de fósforo Palitos de picolé Serragem Areia Papel de seda Celofane 113 Barbante Lantejoulas Sementes Algodão Amassar e enrolar papel Modelar massinha Enfiar macarrão e botão em fios Pintar com pincel Crianças que têm transtornos na coordenação fina geralmente têm problemas visuomotores, apresentando inúmeras dificuldades de desenhar, recortar, escrever, ou seja, em todos os movimentos que exijam precisão na coordenação olho/mão. Todas estas aquisições vão se desenvolvendo lentamente na criança, com término total, aproximadamente aos 11/12 anos, por este motivo, os exercícios de conscientização corporal têm que estar presentes em todo o processo de educação psicomotora. Sinais a observar em crianças que não tiveram a psicomotricidade bem desenvolvida / atraso psicomotor Dificuldades de linguagem; Expressão oral pobre; Pedidos para que se repitam palavras e instruções; Uso demasiado de: “o quê?”, “como? ” Andar arrastando os pés; Ausência de reação a sons pouco intensos, fora de seu campo visual; Dores e supurações nos ouvidos; Cabeça virada para ouvir melhor, em posição pouco comum; Escolaridade Deficiente; Ditados com muitos erros; Olhar dirigido mais para os lábios do interlocutor do que para os olhos; Dificuldades de contatosafetivos; Irritabilidade; Falta de interesse; 114 Insegurança em brincadeiras ao ar livre; Dificuldade para a leitura e a escrita. Alunos com dificuldade de atenção; Organização e localização no espaço (utilização incorreta do caderno, organização dos objetos dispostos na carteira, etc); Alunos que se utilizam letras e números espelhados. Entenda mais sobre os 3 tipos de Praxia em: http://naescola.eduqa.me/rotina-pedagogica/voce-sabe-o-que-praxia/ Praxia Ideomotora Praxia Ideatória Praxia Construtiva Atividades para desenvolver a motricidade fina nas crianças de 0 – 2 anos: Massagem das mãos em combinação com a lengalengas (0+ meses); Massagem com linha (1+ meses); Massagem com bola de massagem ortopédica (0+ meses); Tapetes de desenvolvimento (0+ meses); Tapetes de massagens (8+meses); Palminhas (1+meses); Rasgar uma folha (8+ meses); Virar as paginas de um livro ( 8+meses ); Cordão com grânulos (6+ meses); Jogos de encaixar as peças volumosas (8+meses); Mexer diferentes tipos de cereais (6+meses); Rodar (fechar e abrir) as tampas das garrafas (8+meses); Laços (amarrar o cordão no sapato) (16+meses); Moldar as figuras com plasticina (12+meses); Desenhar as linhas e figuras / desenho livre (12+meses); 115 Fazer o puzzle (18+meses). Atividade de Aplicação Observação Psicomotora – Filme Mary e Max 1- Assistir ao filme e fazer as seguintes observações com relação à Mary: Dados de Identificação com as informações: Nome - Idade - Escolaridade Contexto de Mary Observações Psicomotoras em relação a Mary Fonte: http://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/cine-letras-apresenta-a-animacao-mary-and-max-em-biblioteca 116 Chegamos ao final da Unidade 2. Aqui você aprendeu um pouco sobre os cinco sentidos (tato, visão, audição, olfato e paladar) que nos ajudam a aprimorar os aspectos sensoriais e perceptivos, compondo as bases psicomotoras. Estudamos sobre os conceitos de Tônus e Equilíbrio, Lateralização e Lateralidade, Esquema Corporal, Organização Espaço-Temporal, Praxia Global e Praxia Fina e as fases do desenvolvimento humano em que estas características se manifestam, para que possamos entender as alterações no desenvolvimento neurológico e psicomotor que são origens de transtornos físicos e de aprendizagem. Apresentamos também, nesta unidade, várias atividades psicomotoras para que você, futuro psicopedagogo, possa desenvolver em seu espaço de trabalho, na dimensão clínica, bem como possa orientar os professores e coordenadores pedagógicos a realizarem no espaço institucional. Vamos agora para a Unidade 3, conhecer mais a fundo os Transtornos Psicomotores, Avaliação e Intervenção Psicomotora. Preparado(a)? Então vamos lá! Bom estudo! 117 3 TRANSTORNOS PSICOMOTORES, AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOMOTORA Neste material você encontrará conteúdos referentes aos Distúrbios Psicomotores e Avaliação Psicomotora. Mas, antes de falarmos de Transtornos Psicomotores, vamos rever um pouquinho sobre os Conceitos Psicomotores envolvidos no desenvolvimento humano (parte deles já abordados na Unidade 2). Estes conceitos serão muito importantes para compreender quais são os Distúrbios e como funcionam as formas de se avaliar. Um distúrbio psicomotor está ligado a problemas que envolvem o indivíduo em sua totalidade – afetivo – cognitivo e motor. De acordo com Fonseca, 2008, um distúrbio psicomotor é percebido como uma inquietação corporal causada por uma emoção que perturba, desorganiza, atrapalha, que altera o viver. O transtorno está à vista, manifesta-se no próprio corpo, ele se dá a ver. 3.1 Conceitos psicomotores envolvidos no desenvolvimento humano O desenvolvimento psicomotor e o processo que implica na aprendizagem da criança estão em estreita relação com as interações biológicas e sociais. Sua evolução ocorre a partir da maturação emocional, motora, linguística e, posteriormente, a uma maturação cognitiva. O desenvolvimento cognitivo é determinado pela história concreta da experiência psicomotora que foi edificado num determinado contexto social (FONSECA, 2008). Durante o período escolar (primeiros anos escolares), a educação psicomotora deve nortear a ação pedagógica, o que não significa que não possa se atingir outras faixas etárias, que, muitas vezes, podem apresentar dificuldades na área de controlar, dominar o seu corpo, por exemplo. A perspectiva psicomotora deve compreender a criança na sua totalidade, pois por meio dela a criança explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca. Tomando como referência o modelo de Luria, considerado um clássico da literatura neuropsicológica, consideramos sete fatores psicomotores: tonicidade, 118 equilibração, lateralização, noção de corpo, estrutura espaço-temporal, praxia global e praxia fina, observando que existe uma relação muito estreita entre eles (LURIA, 1981). Fonseca (2008) segue a matriz de correlação entre grupos considerando: tonicidade e equilibração, presentes na primeira unidade funcional do cérebro, essenciais à postura bípede; lateralização, noções de corpo e estruturação espaço- temporal, presentes na segunda unidade funcional do cérebro; referenciais essenciais à produção da motricidade intencional e integrada e as praxias global e fina, presentes na terceira unidade funcional do cérebro, que compreendem a sequência melódica e espaço-temporal intencional. Ao estudarmos o desenvolvimento humano devemos fazê-lo à luz de uma perspectiva da totalidade da espécie. Assim, devemos reconhecer que existe interação entre os aspectos biológicos do homem e suas circunstâncias ambientais e concretas: A edificação de uma personalidade, neste caso a da criança, resulta da interação entre o potencial hereditário e o meio, entre fatores endógenos e fatores exógenos, entre a atividade bioquímica e bioelétrica complexa do cérebro e a aprendizagem social complexa, ou seja, tudo o que permite a apropriação dos valores histórico-culturais de uma dada sociedade, onde a criança vai adquirindo sucessivamente a sua independência e vai se inserindo de forma cada vez mais criativa (FONSECA, 2008, p.527). Nossas experiências possuem uma base corporal, já que nosso corpo é o primeiro meio de comunicação com o mundo, graças às suas funções tônicas e de motilidade. O que no início de nossa vida era somente uma ação motriz (motora) se interioriza e se transforma em pensamento. Os movimentos referem-se a um termo genérico que envolve indistintamente os reflexos, atos motores conscientes ou não, que podem ser normais e patológicos, com significados ou não. O movimento corporal pode estar diretamente ligado à comunicação em determinadas situações. O deslocamento do corpo no espaço assumirá significados internos e externos, sem necessitar de outro recurso que não seja o próprio corpo em estado de comunicação (NICOLA, 2004). A motricidade não é um fenômeno secundário para o desenvolvimento da cognição, mas sim, uma ferramenta fundamental para sua expressão, pois os 119 movimentos se transformarão em comportamentos que serão enraizados no cérebro e nos sistemas sensorial e motor (THOMPSON, 2011). Assim, é necessário observar a importância de entendermos a psicomotricidade não somente comouma parte dos estudos do desenvolvimento humano relacionados apenas aos elementos motores e do movimento. Esta área do conhecimento nos possibilita compreendermos o desenrolar da trajetória do homem como um ser em constante mudança e construção, que se inicia na interação com o mundo, a partir de seus atos motores que irão se ampliando, interiorizando e regulando em processos de pensamento mais organizados. Utilizarmo-nos de referenciais pedagógicos que indicam a repetição de determinadas atividades lúdicas e de movimentos motores nas séries iniciais e na educação infantil somente farão sentido se compreendermos sua importância no desenvolvimento global de nossos alunos, e não apenas como procedimentos meramente motores. Ou seja, as atividades relacionadas ao desenvolvimento psicomotor devem ser pensadas no sentido de atingir as múltiplas dimensões humanas: cognitiva, neurobiológica e social. 3.2 Compreendendo algumas síndromes neurológicas Considerando os estudos de Ajuriaguerra (1955, 1964) citado por Fonseca (2008), apresentaremos alguns dos principais quadros de síndromes neurológicas. A compreensão dos estudos da aprendizagem implica no conhecimento da funcionalidade total e integrada do processo adaptativo que envolve as relações entre o cérebro e o corpo, ou seja, as relações psicomotoras que controlam a interação entre o organismo e o ambiente. Por outro lado, implicam também no conhecimento das incapacidades e perturbações que podem ocorrer nesse mesmo sistema de relações (FONSECA, 2008). Agnosia: é a perturbação essencial da percepção (input) que consiste na perda da discriminação, da identificação e da compreensão dos estímulos e na incapacidade de reconhecer as formas, as cores, objetos, espaços, sons, movimentos, símbolos etc. Trata-se, portanto de uma incapacidade de interpretação psicológica dos dados sensoriais, ou seja, de um problema de organização perceptiva e de estruturação cognitiva. Podemos citar como exemplo: 120 a) a agnosia visual, que se relaciona à impossibilidade de reconhecimento do significado do espaço, das imagens dos objetos em decorrência da dificuldade de discriminação e sequência visual; b) a agnosia auditivo-espacial se refere à incapacidade de localizar a origem espacial dos sons; c) agnosia auditiva relaciona-se ao déficit de identificação e de compreensão de sons elementares não simbólicos e da linguagem falada; d) aganosia das imagens refere-se à dificuldade de reconhecer imagens que se apresentam em um curto espaço de tempo (figuras geométricas, símbolos etc.). Apraxia: refere-se à incapacidade para elaborar, controlar e executar uma ação. Expressa o desajustamento entre a atividade visual e a atividade psicomotora. Todos os comportamentos humanos requerem a interligação dos aspectos espaciais com os aspectos corporais (somatognósicos), seja para escrever, dirigir um carro, para descascar uma batata ou para lançar uma bola. a) A apraxia ideomotora refere-se à incapacidade de realizar movimentos comandados ou a omissão de movimentos; b) apraxia motora diz respeito à incapacidade na execução de movimentos; c) apraxia de marcha consiste na incapacidade de dispor convenientemente os membros inferiores para andar; d) apraxia reflexiva consiste na incapacidade para desenhar ou fazer cópias; e) apraxia conceitual relaciona-se à incapacidade de realizar um movimento voluntário; f) apraxia frontal que consiste na dificuldade em realizar movimentos em virtude do enfraquecimento da iniciativa motora. Afasia: consiste em uma perturbação que se verifica na esfera da expressão e da compreensão da linguagem e dos símbolos verbais que a sustentam, embora se observe que permaneçam intactos os instrumentos periféricos da fala. As mais conhecidas são: a) a afasia amnésica, que é a incapacidade de abstração relacionada com as palavras e símbolos; b) afasia de Broca, que é a incapacidade de evocar palavras espontaneamente, dificuldade em repetir palavras. O mutismo pode ser incluído nessa categoria; c) afasia verbal que é a incapacidade de formar palavras e de escrevê-las (afasia motora); d) afasia sintática (agramatismo) se refere à dificuldade de reconhecimento do significado das palavras e das frases, ou seja, de reconhecer o significado da ideia de conjunto. 121 3.3. Distúrbios psicomotores Agora que já apresentamos algumas síndromes neurológicas, vamos conhecer os Distúrbios Psicomotores que afetam o desenvolvimento e a aprendizagem humana. Os distúrbios psicomotores podem apresentar-se através de comportamentos como: Criança desajeitada, Aparência de moleza, preguiça, inabilidade, Começa a andar tarde, cai muitas vezes, Precipita-se pelas escadas ao invés de descê-las ou morre de medo como se fosse um grande empreendimento escalá-las e não apenas subi-las, Na hora de vestir-se tem dificuldade em identificar o que é a manga, onde estão os braços, as pernas das calças? Enfiam-se pela cabeça? Por que existem laços de sapato? E um caderno? Começa-se de que lado? Por que as coisas são assim? Que estranho é este mundo de lados que não tem lados. Seus movimentos são desajeitados, lentos e pesados, Quando andam, apoiam duramente o calcanhar no solo, Quando crianças demoram a aprender a subir e descer escadas, Nas escolas, evitam participar de jogos, nos quais geralmente são ridicularizadas e afastadas. O que há com crianças assim é algum distúrbio psicomotor que não lhe permite identificar uma gama de conceitos que não conseguiram ser introjetados. Como entendê-lo. Como ajudá-lo? Torna-se necessário um conhecimento sobre os distúrbios da motricidade e as funções psicomotoras. Podemos classificar os Distúrbios Psicomotores em 4 grupos: • Instabilidade Psicomotora • Inibição Psicomotora • Debilidade Psicomotora • Lateralidade Cruzada 122 Distúrbios Psicomotores como Sintoma de Transtorno Emocional https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/disturbios- psicomotores-como-sintoma-de-transtorno-emocional/29949 3.4 Instabilidade psicomotora É o tipo mais complexo com várias implicações em decorrência das características clínicas que o portador apresenta. Essas crianças revelam instabilidade emocional, corporal e intelectual. Alguns dos Sintomas: Dificuldade em dar continuidade às brincadeiras; Dificuldade para inibir movimentos; Necessidade de estar sempre em movimento; Inquietação e agitação; Atitudes expansivas e explosivas; Descontrole emocional (sudorese nas mãos, dores de barriga, vontade de urinar, rubor...); Instabilidade emocional e intelectual; Tiques; Sincinesias; Pouca eficácia na realização das tarefas; Aumento da excitabilidade psíquica; Resposta exacerbada aos estímulos; Irritabilidade; Atividade motora e verbal aumentada, inadequada e repetitiva, podendo usar de agressividade; Falta de atenção e concentração; Falta de coordenação geral e de coordenação motora fina; Equilíbrio prejudicado; 123 Hiperatividade; Deficiência na formulação de conceitos e no processo da percepção: discriminação de tamanho, orientação espaço-temporal, discriminação da figura- fundo etc.; Atraso na linguagem e distúrbios da palavra; Explosivas, destruidoras, sensíveis, frustram-se com facilidade; Movimentam-se excessivamente enquanto dormem; Fazem movimentos rítmicos com o corpo ou a cabeça no travesseiro; Apresentam terrornoturno; Alterações no processo do pensamento; dificuldade para abstrair, pensamento desorganizado, memória pobre, atenção deficiente; Têm dificuldades na leitura, escrita e na aritmética (discalculia); lentidão nas tarefas; dificuldade de copiar do plano vertical para o plano horizontal (do quadro para o caderno); Babam excessivamente quando pequenas, chupam o dedo, roem unhas, têm dificuldade no controle dos esfíncteres e são de fácil fatigabilidade; Problemas disciplinares graves na família, na escola e na sociedade. As crianças com instabilidade motora não podem permanecer, via-de-regra, em turma comum. Devem ter atendimento individual de um professor especializado ou fazer parte de pequenos grupos. Nesse quadro podem aparecer também tiques. São movimentos automáticos, involuntários e incontroláveis. Repetem-se sempre da mesma forma, independentemente da vontade da criança e em geral começam depois dos 4 anos de idade. Os transtornos psicomotores não podem ser tratados como uma síndrome unicamente motora. É preciso levar em consideração o desenvolvimento afetivo das crianças e suas relações com o meio ambiente e com os outros. É importante ressaltar que essas ações sobre o meio são dadas pelo olhar do outro. A queixa da Instabilidade vem do outro e não da criança! 3.5 Debilidade psicomotora A Debilidade Psicomotora caracteriza-se pela presença de paratonia e sincinesia. 124 Paratonia: É a persistência de certa rigidez muscular, que pode aparecer nas quatro extremidades do corpo ou somente em duas. A criança apresenta incapacidade de relaxar voluntariamente um músculo. Quando a criança caminha ou corre, os braços e as pernas se movimentam mal e rigidamente. Ao caminhar ou na postura estática apresenta certa deselegância. A qualquer tipo de solicitação, interna ou externa, a rigidez aumenta. Se compararmos uma criança com a motricidade normal com uma criança que apresente paratonia, podemos observar que balançando o corpo de um lado para o outro, seguras pelos ombros, o movimento da criança normal é livre e amplo, já na criança com debilidade psicomotora o movimento se apresenta muito limitado, como se estivessem bloqueados. O mesmo padrão de comportamento motor poderá ser observado se levantarmos os braços das crianças até a altura dos ombros e os largarmos livremente. Sincinesias: É a participação de músculos em movimentos nos quais eles são desnecessários. Por exemplo, quando colocamos algo numa das mãos de uma criança com debilidade motora e pedimos que ela aperte o objeto fortemente, sua mão oposta também se fechará. Um teste que para ela é impossível é ficar sobre um pé só. São normais até 10-12 anos. As sincinesias tem haver com certa imaturidade sobre o controle do corpo. Outro exemplo é quando a criança coloca a língua pra fora do mesmo lado quando está escrevendo ou recortando. Nos casos de sincinesia percebemos ainda: descontinuidade dos gestos, imprecisão de movimentos nos braços e nas pernas; os movimentos finos dos dedos não são realizados e, num dado ritmo não consegue reproduzi-los através de atos coordenados, nem por imitação. Em geral, as crianças com debilidade motora apresentam: Distúrbios de linguagem (articulação, ritmo e simbolização); Hábitos manipuladores: enrolar o cabelo, chupar os dedos; Tremores na língua, nos lábios ou nas pálpebras, bem como nos dedos quando iniciam uma atividade ou fazem força com eles; Disciplina difícil; Atenção deficiente e coordenação motora pobre; Dificuldade de realizar movimento finos; Afetividade e intelectualidade comprometidas (seu aspecto habitual não é de sofrimento, mas de indiferença e apatia, confundido frequentemente com o de deficientes intelectuais); 125 Sonolência maior que a de outras crianças; Enurese noturna e até diurna por muitos anos; Isolamento social e crises de birra ou de ansiedade ao enfrentarem situações difíceis; Dificuldade na aprendizagem da leitura, escrita e aritmética. As crianças com debilidade psicomotora devem ser submetidas a um trabalho individualizado com professor especializado, ou fazer parte de pequenos grupos, à medida que forem se recuperando. 3.6 Inibição psicomotora As características da debilidade psicomotora estão presentes nesse quadro, com uma distinção fundamental: na inibição psicomotora existe a presença constante de ansiedade. As crianças com inibição psicomotora apresentam: • Crianças quietas demais, • Angustiadas, • Falta ou inibição de movimento; movimentos comprometidos, • Expressividade pobre, • Que não perturbam nunca, • Não lutam pelo que querem, • Não se defendem, • São extremamente passivas, • O olhar do Outro - que nas crianças instáveis aparece controlando, antecipando e cercando suas ações, nessas crianças não está presente, • Elas perpetuam neste comportamento, • Não querem ser vistas. • Estado de ansiedade constante; sobrancelhas franzidas, cabeça baixa; • Problemas de coordenação motora; • Distúrbios glandulares, de pele, circulatórios e tiques, além de enurese e ecoprese; 126 • Rendimento superior ao das crianças com debilidade psicomotora, mas fracassam em provas individuais (exames, chamadas orais) por causa da ansiedade. 3.7 Lateralidade cruzada A grande maioria dos autores acredita na existência de um hemisfério dominante no cérebro responsável pela lateralidade do indivíduo. Assim, de acordo com a ordem enviada do hemisfério dominante, teríamos o destro e o canhoto. Além da dominância da mão existe a do pé, a do olho e a do ouvido. Quando estas dominâncias não se apresentam do mesmo lado, dizemos que o indivíduo possui lateralidade cruzada. Até os 18 meses a criança é ambidestra, usa indiscriminadamente ambos os lados. A partir de 2 anos é que ela começa a definir sua lateralidade. Quando a dominância é direita ou esquerda, não ocorre nenhuma perturbação no esquema corporal, mas de forma geral, quando a lateralidade é cruzada, os distúrbios psicomotores são evidentes e resultam em deformação no esquema corporal. Esse tipo de distúrbio psicomotor é mais comum entre as crianças canhotas do que as destras. A lateralidade cruzada pode apresentar: mão direita dominante e olho esquerdo dominante; mão direita dominante e pé esquerdo dominante; mão esquerda dominante e olho direito dominante; mão esquerda dominante e pé direito dominante. A criança com lateralidade cruzada pode apresentar os seguintes problemas: Alto índice de fadiga; Frequentes quedas (é desajeitada e desastrada); Coordenação pobre, não conseguindo desenvolver satisfatoriamente as habilidades manuais; Atenção instável; Problemas de linguagem, especialmente as dislalias, linguagem enrolada e rápida; distúrbios do sono; Escrita repassada, espelhada, de cabeça para baixo ou ilegível (apresenta omissões de letras ou sílabas e lentidão); Leitura também comprometida; 127 Intranquilidade, sensações de inadequação ou de inferioridade. Qual seu Olho Dominante? Significado e Teste https://metodoselfhealing.com.br/dominante-qual-sua-vista-mais-forte/ Qual é a mão dominante? http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com/2010/09/qual-e-mao-dominante.html Como determinar qual lado do seu cérebro é dominante https://incrivel.club/inspiracao-psicologia/como-determinar-qual-lado-do-seu-cerebro- e-dominante-559210/ 3.8 A Avaliação Psicomotora Deacordo com Brach apud Batistella, 2001, o desenvolvimento psicomotor é um dos pré-requisitos para a aquisição de conteúdos cognitivos. A avaliação do perfil motor de crianças que apresentam dificuldades no aprendizado escolar é extremamente importante para que sejam identificados os reais problemas de aprendizagem. Crianças e adolescentes apesar de não apresentarem qualquer tipo de deficiência motora ou psíquica diagnosticada, sem perceberem porquê, "tropeçam" no próprio corpo ao tentarem executar alguns exercícios propostos. Percebe-se, que a aprendizagem destes alunos não se processa à mesma velocidade que a de outros alunos da mesma turma. Esses alunos solicitam mais ajuda mas, apesar disso, têm dificuldade em consolidarem determinadas aquisições. O interessante é que este "tropeçar" é recorrente, sendo motivo de grande frustração para os mesmos… Os mesmos alunos podem apresentar alterações do seu esquema corporal e/ou de outras dimensões psicomotoras. Caso existam, essas alterações da psicomotricidade podem ser corrigidas através de reeducação psicomotora. 128 Devemos verificar o perfil psicomotor a fim de obtermos importantes informações a respeito do desenvolvimento psicomotor, pois alguns distúrbios da motricidade influenciam no processo de alfabetização e outras áreas do conhecimento, levando muitas vezes a um déficit de aprendizagem. Quase todas as dificuldades escolares, são consequências de alguma imaturidade psicomotora. Algumas crianças apresentam dificuldades de aprendizagem por não realizarem movimentos adequados, não significando que a educação psicomotora deva se preocupar somente com os movimentos corretos de execução, em gestos automatizados. O interesse maior encontra-se no pensamento que está por trás destas ações. O corpo é o ponto de referência que o ser humano possui para conhecer e interagir com o mundo, servindo de base para o desenvolvimento cognitivo e para a aprendizagem de conceitos tão importantes para a alfabetização (PIAGET, 1968, citado por OLIVEIRA, 1996, p. 178). A criança precisa ter um corpo organizado. Esta organização é ponto de partida para que ela descubra suas diversas possibilidades de ação diante de novas situações e de situações problemas. O que Devemos avaliar: Tônus, equilíbrio, lateralidade, esquema corporal, orientação espacial e temporal, ritmo, praxia global e praxia fina, pois tais capacidades são solicitadas durante o processo de aprendizagem escolar. A Avaliação Psicomotora compreende um conjunto diversificado de testes de dificuldade graduada, conduzindo a uma exploração minuciosa de diferentes áreas do desenvolvimento motor. Indicado para aplicação dos testes motores em escolares matriculados na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação Especial. Os testes apresentam um grau elevado de sensibilidade no comportamento motor de crianças com transtornos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, alterações neuropsicomotoras e deficiências intelectuais, facilitando o diagnóstico de profissionais especializados e equipes multidisciplinares. Apresentaremos, a seguir, vários manuais completos para a Avaliação Psicomotora, essenciais e imprescindíveis na biblioteca do psicopedagogo. 129 Manual de Observações Psicomotoras: Significação Psiconeurológica dos Fatores Psicomotores Apresenta e descreve os procedimentos da Bateria Psicomotora (BPM) de Vitor da Fonseca, além de expor a fundamentação psiconeurológica dos módulos ou dos fatores psicomotores da tonicidade, da equilibração, da lateralidade, da noção do corpo, da estruturação espaço-temporal, da praxia global e da praxia fina, tendo como referência o modelo neuropsicológico do funcionamento mental de A. R. Luria de elevado consenso em termos mundiais. A BPM criada por Vitor da Fonseca como um instrumento clínico original de observação psicoeducacional procura analisar e investigar as relações sistêmicas e as influências recíprocas entre o psiquismo e a motricidade do sujeito observado (criança, adolescente, adulto ou sênior). Bayley III (Kit Completo) - Escalas de desenvolvimento do bebê e da criança pequena Avalia o funcionamento do desenvolvimento de bebês e crianças pequenas, de 1 a 42 meses de idade. Consiste em identificar atrasos no desenvolvimento e providenciar informações para o planejamento de intervenções em cinco domínios: •Cognitivo; •Linguístico; •Motor; •Socioemocional; •Comportamento adaptativo. 130 Avaliação Psicomotora: Um olhar para além do desempenho Enfoca aspectos que vão além de um desempenho quantificado no que ser refere à avaliação psicomotora infantil. Sensibiliza o olhar do profissional para que possa ir além do que é dado a ver no agir corporal da criança. Avaliação Psicomotora à luz da psicologia e da psicopedagogia - Gislene de Campos Oliveira - Editora Vozes. Tem como objetivo detectar e medir a potencialidade e dificuldades psicomotoras de crianças até 12 anos de acordo com a idade cronológica. 3.9- Intervenção Psicomotora A intervenção poderá ajudar tanto no desenvolvimento motor como nas áreas específicas da aprendizagem, considerando o trabalho de intervenção trata-se da utilização de movimentos práxicos (coordenados e pensados) visando uma melhor organização cerebral. Além disso, poderá ajudar no aspecto social (convívio com outras crianças e comportamento) e no aspecto emocional (autoestima). Rosa Neto, p.70, 2016 – Manual de Intervenção Motora. 131 O desenvolvimento motor é o processo de mudança no comportamento, relacionado com a idade, tanto na postura quanto no movimento da criança. Esse desenvolvimento inicia na infância, onde ocorre um amplo desenvolvimento de habilidades motoras. A aquisição dessas habilidades não depende apenas da maturação do sistema nervoso, mas também da biologia, do comportamento e do ambiente, está vinculada também ao desenvolvimento da percepção do corpo, espaço e tempo. É importante saber como e quando intervir; proporcionar um ambiente seguro e estimulante onde errar é o que menos importa mas, tentar acertar sentindo prazer é o que vai mover a criança para a realização da descoberta possibilitando reconhecer suas potencialidades. Precisamos saber o que é esperado, pois de acordo com a faixa etária, podemos detectar as variações normais e patológicas. A partir daí, teremos condições de estimular a criança, do ponto de vista da linguagem, da inteligência e do corpo de uma forma equilibrada. A estimulação errônea poderá acarretar desajustamentos, disfunções e distúrbios psicomotores que irão interferir no processo de integração do indivíduo com a sociedade (Alves, 2007, p. 38). a) Modelo de intervenção Preventivo Este modelo inclui a promoção e estimulação do desenvolvimento, incluindo a melhoria/manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida; As atividades e brincadeiras psicomotoras nas escolas visa desenvolver uma postura correta frente à aprendizagem de caráter preventivo do desenvolvimento integral do indivíduo nas várias etapas de crescimento, principalmente na primeira infância. b) Modelo de intervenção Educativo Este modelo deve ser aplicado nos contextos ditos em que se pretende essencialmente estimular o desenvolvimento psicomotor e o potencial de aprendizagem. c) Modelo de intervençãoReeducativo ou terapêutico Este modelo deve ser aplicado quando a dinâmica do desenvolvimento e da aprendizagem está comprometida, ou ainda quando é necessário ultrapassar problemas psicoafetivos, de base relacional, que compromete a adaptabilidade da pessoa. 132 As intervenções psicomotoras, qualquer que seja o modelo a ser aplicado, devem ser pensadas como uma ação planejada e estruturada. 3.10 Atividades Psicomotoras I "Meu corpo não é apenas um conjunto de órgãos, nem o dócil executor das decisões da minha vontade. Ele é o lugar onde vivo, sinto, onde existo. Lugar de desejo, prazer e sofrimento, domicílio da minha identidade, do meu ser." (André Lapierre, 2002 - Criador da Psicomotricidade Relacional) Tanto o psicopedagogo institucional (em suas funções de orientação escolar),quanto o psicopedagogo em suas funções clínicas e como educador, em sala de aula, poderá desenvolver atividades lúdicas em forma de exercícios. Este despertar para novas ideias devem ser buscado na prática pedagógica, sendo que o psicopedagogo tem papel importante no processo de construção de propostas que vão ao encontro da totalidade do desenvolvimento infantil. Nesta unidade, nos utilizaremos das propostas de exercícios apresentadas por: Nicola (2004), Machado (2011) e Sampaio (2011), divididas em xx categorias: a) Atividades que envolvem o desenvolvimento da coordenação motora global ou praxia global: correr, saltar com um pé só, com os dois pés, andar com a bola entre as pernas, pular cordas e todas as demais atividades que, muitas vezes, a criança já realiza, independente da escola. Realizar atividades para força e flexibilidade do tronco, como curvar-se, engatinhar, pular, arremessar, saltar etc. Seguir com o dedo linhas feitas em espuma ou barbante, primeiro no plano vertical, depois no horizontal. Seguir com lápis de cor o contorno de desenhos com lápis preto. Copiar desenhos, tendo o cuidado de não ultrapassar o carbono. b) Atividades que envolvam a coordenação motora fina ou praxia fina: dobraduras, jogo de pega varetas, fazer nós simples, fazer laços, abrir e fechar as mãos. O desenho e o grafismo desempenham uma habilidade preparatória importante para a escrita. Atividades dinâmicas de lançar-pegar. 133 c) Atividades que envolvam o esquema corporal: levar a criança a desenhar-se em tamanho real em papel, que depois poderá ser contornado acompanhando com o próprio corpo. O professor pode preparar previamente imagens com situações como: passeio de uma família na praia, motorista de um ônibus em movimento, meninos jogando futebol, guarda trânsito num cruzamento. O professor então dividirá a turma em duas partes. Solicitará que os grupos, por meio de mímicas, represente as imagens das fichas. Atividades que envolvam o movimento de braços, mãos, cabeça, pé de forma ritimada. O exercício de inspirar e expirar, com emissão de sons, pode ser desenvolvido em brincadeiras de soprar balões e são importantes para a construção do esquema corporal. Exercícios como andar de joelhos, para a frente e para trás, rolar livremente. Para a consciência das partes do corpo, pode ser utilizado o espelho. À criança, em frente ao espelho, solicitar que toque as partes do corpo que serão indicadas pela verbalização do professor. Realizar esse exercício com a nomeação de todas as partes do corpo. Pode ser fazer outro exercício posterior, com os olhos vendados. d) Atividades que envolvem a lateralidade: percorrer espaços demarcados no chão, com linhas, ora com um pé ora com outro. Cruzamento de instruções: mão direita na orelha esquerda; calcanhar direito no joelho esquerdo. O professor poderá também dispor a turma em uma única coluna, com um trem, poderá fazer uma linha no chão, com fita crepe. O professor fará perguntas e aquele que responder sim, dará um pulo para a direita. E quem responder não, dará um pulo para a esquerda. As perguntas sugeridas são: você tem irmãos? Tem cachorro? Gosta de futebol? e) Atividades que envolvam a estruturação espacial: andar livremente, parando a um sinal determinado. Pular corda de acordo com seu próprio ritmo e pular corda juntamente com um colega, respeitando o seu ritmo. Professor poderá indicar um aluno do grupo para ser eleito o “pegador” e outro para ser o “salvador”. O salvador terá o objeto de poder: a bola. O pegador sairá correndo atrás dos outros colegas do grupo. O pega-pega transcorre, mas quem estiver com a bola não pode ser pego. O grupo deverá entender que, quando o pegador estiver se aproximando de alguém, e este alguém estiver com a bola, deverá jogá-la rapidamente a quem corre o risco de ser pego. Quando alguém for pego, virará o pegador. Para terminar, abre-se o debate para compartilhar sensações, ideias e aprendizagens. Os exercícios que envolvem as relações espaço-temporais devem priorizar também os sentidos de ritmo, velocidade, duração, intervalo e distância. Sair ou entrar num círculo desenhado no chão, obedecendo à ordem: “todos para fora”, "Cláudia para dentro". Realizar marchas pulando obstáculos. Modelar em barro, argila, madeira ou massa plástica. Formar figuras com palitos, observando os modelos. Compor quebra-cabeças. Ordenar objetos atendendo a um determinado ritmo de forma, cor e 134 tamanho. Completar desenhos e formas de acordo com o modelo. Identificar a parte que foi retirada de um todo. f) Atividades que envolvam a estruturação temporal: algumas das atividades podem ser desenvolvidas para trabalhar outros aspectos motores de forma conjunta, numa mesma atividade. Propor à criança algumas realizações fantasiosas, como ser uma árvore, usar a imaginação para criar personagens. Procurar ser mais alta que possa ou ser menor. Formar duplas no espaço escolhido pelo professor. Este colocará uma música e solicitará que as duplas dancem segurando apenas a mão direita. Toda a vez que o professor disser um número, este deverá ser o número de pessoas que irão se juntar para formar outros grupos, lembrando que deverão manter o contato somente com as mãos direitas. Não será permitido que se soltem durante a dinâmica. Em alguns momentos, o professor poderá solicitar que os grupos dancem com outras partes do corpo (mãe direita e pé esquerdo). Durante a movimentação, o professor poderá pedir que formem grupos maiores e dificultar a forma de dançar. Rolar bolas no chão com diferentes velocidades. Organizar diariamente o calendário da classe. Tratar de temas com a turma, que envolvam acontecimentos do dia-a-dia. Distinguir as partes do dia: manhã, tarde e noite. Conversar com as crianças a respeito do que fizeram ontem, o que estão fazendo hoje e que pretendem fazer amanhã. Organizar uma linha do tempo com os fatos principais da vida de cada aluno. Reconhecer no grupo a criança mais velha e a mais nova. Para Fonseca (1995) citado por Fernandes (2011), a criança que apresenta dificuldades de aprendizagem poderá também revelar hesitações e desorganização de sua atividade motora: não consegue integrar perceptiva, consciente e cognitivamente o seu próprio corpo; não o reconhece em termos de orientação primária (“mostre-me sua mão esquerda”), secundária (“com a sua mão direita aponte o seu olho esquerdo”) e terciária (“aponte o braço esquerdo da boneca com o seu indicador direito”). Dessa forma, se a criança não dispõe desse elemento fundamental de relação e orientação com o mundo exterior, terá certas dificuldades no âmbito da direcionalidade, ou seja, problemas em projetar ou transferir exteriormente as noções espaciais básicas como: esquerda-direita, em cima-embaixo,dentro-fora, na frente-atrás etc. 135 150 propostas de atividades motoras para a educação infantil (de 3 a 6 anos) / Teresa Godall e Anna Hospital; trad. Beatriz Neves. – Porto Alegre: Artmed, 2004. 1) Onde está minha orelha? Objetivo: Buscar respostas motoras criativas e pessoais. Explorar a coordenação entre a percepção averiguada e o gesto. Reconhecer diante do espelho elementos do próprio corpo. Olhas e tocar a própria imagem de forma prazerosa. Material: espelhos de vários tamanhos, adesivos e maquiagem. Desenvolvimento da atividade: depois de colocar os adesivos sobre o dorso das orelhas, nas das bochechas e outro no queixo, as crianças, em dupla, ficarão diante do espelho. A professora irá citando as cores e as crianças colocarão um dedo sobre o adesivo da cor mencionada, refletido no espelho, primeiro no seu e depois no do seu par. Livremente , as duplas irão tocando em todos os adesivos, no espelho. Pode-se acrescentar mais um grau de dificuldade ao exercício. Quando for citada uma cor, as crianças, olhando no espelho, terão que tocar o adesivo colocado em seu corpo. 2) Contando até quatro Objetivo: reforçar a pulsação que se executa andando e contando até quatro. Manter sempre o mesmo ritmo, variando somente a ação final. Prestar atenção em cada passo e em cada número. Diferenciar as ações de entrar e subir. Fonte: https://www.sescsp.org.br/programacao/185487_NO%20MUNDO%20DO%20BAMBOLE Materiais: bancos e bambolês. 136 Desenvolvimento da atividade: as crianças marcharão pelo espaço, contando em voz alta os passos que vão dando: 1, 2, 3 e 4. O último passo deve coincidir com a ação de subir num banco ou de entrar num bambolê. 3) As pedras Objetivo: Consciência Corporal. Distinguir as partes do próprio corpo. Familiarizar-se com sua denominação. Habituar-se a manter um clima de tranquilidade e relaxamento. Respeitar a sensibilidade e o ritmo dos outros. Fonte: http://espacodeterapiaholisticamanaus.blogspot.com/2016/01/cristaloterapia.html Materiais: Pedras ou objetos pequenos Desenvolvimento da atividade: aquele que está sentado coloca suavemente as pedras em diferentes pontos do corpo do colega. Quando estiver acabando, este terá que adivinhar exatamente onde estão situadas. À medida que vai mencionando a parte do corpo, o colega retira a pedra. Quando não acertar, as pedras serão deixadas no lugar e, ao final, com os olhos abertos, serão retiradas, observando o nome e o ponto que não havia sido percebido. Depois, alternam-se os papéis. 4) Brincadeira com bambolês Objetivo: Orientação espacial. Discriminar as noções de dentro/fora e de grande/pequeno. Realizar diferentes tipos de saltos. Desenvolver a coordenação olho/pé combinada com a da corrida. Materiais: bambolês com tamanhos diferentes. Fonte: http://www.piramide.buscaitem.com.br/produto.php?produto=888 Desenvolvimento da atividade: As crianças deverão caminhar pela sala e, quando estiverem diante de um bambolê pequeno, terão que pular para dentro deste apoiando-se sobre um pé. Quando encontrarem um bambolê grande, pularão para dentro dele com os pés juntos. 137 5) Podemos andar de muitas maneiras Objetivo: Descobrir possibilidades de deslocamento. Adquirir uma boa coordenação global. Materiais: não é necessário. Fonte: http://www.uniorte.com.br/noticias.php?lendo=pe-de-bailarina-criancas-andando-na-ponta-dos-pes-18-06-2018 Desenvolvimento da atividade: o adulto irá dando as instruções: - Caminhar depressa. - Caminhar devagar. - Caminhar levantando os joelhos. - Caminhar e tocar o bumbum com os pés. - Caminhar em duplas. - Caminhar na ponta dos pés. - Caminhar apoiando só os calcanhares. - Caminhar agachado. Caminhar de lado. 6) Saltar rios Objetivo: realizar saltos horizontais com um e com dois pés. Experimentar diferentes impulsos de salto. Saltar sucessivamente diferentes obstáculos. Materiais: Cordas ou giz. 138 Desenvolvimento da atividade: os grupos sairão do centro da sala e, individualmente, tentarão pular os diferentes rios. Cada rio terá uma largura diferente. 7) Olha o Equilíbrio... Estátua! Posturas – Parecidas com a brincadeira de estátua Objetivo: Equilíbrio estático, habilidades auditivas, praxia global. Materiais: Nenhum Fonte: http://magisteriosamonte.blogspot.com/2016/ Desenvolvimento da atividade: Assim que a música parar, todos devem encontrar uma postura que seja difícil de manter. Quando todos tiverem encontrado sua própria postura, ficarão quietos como estatuas. 8) Fazer esculturas Objetivo: experimentar estabilidade no movimento quando há elevação do centro de gravidade do corpo. Antecipar a ação e prever as consequências. 139 Materiais: blocos de madeira, almofadas, materiais de pesos e volumes diversos. Na sala também haverá bancos, escadas, rodas, etc. Desenvolvimento da atividade: trata-se de deslocar os materiais para o ponto de chegada e ali construir uma escultura estável com todas as peças. 9) Transporte de estátua Objetivo: Equilíbrio, tônus, força, velocidade. Materiais: panos resistentes e cordas. Desenvolvimento da atividade: uma criança ficará em cima do pano e os outros puxarão a corda, deslocando-se por toda sala. O grupo que arrasta tem que procurar puxar com um movimento constante, para não provocar quedas. 10) Sacos e lenços Objetivo: dosar a velocidade em função do equilíbrio e da postura. Antecipar percursos e velocidades. Encontrar estratégia para o deslocamento confortável. Materiais: lenços, bastões, sacos de areia ou ainda outros materiais disponíveis com pesos diferentes. Desenvolvimento da atividade: trata-se de colocar, na dupla, o lençol ou objeto sobre a parte do corpo que quiser. A seguir, o colega levantará com o objeto sobre seu corpo e deverá deslocar-se pelo espaço conforme as indicações do outro: recolhendo objetos do chão, levantando um pé, etc. O colega irá acompanha-lo durante todo o trajeto, para ajuda-lo, colocar o objeto novamente, etc. 140 Atividades Adaptadas de: Psicomotricidade e educação física, Gonçalves, Fátima. São Paulo: Cultural RBL, 2010. 11) Movimentando-se na Geometria Objetivo: Orientação espacial, equilíbrio, criatividade Material: arcos, formas geométricas feitas com E.V.A. Desenvolvimento da atividade: fazer com folhas de E.V.A., quadrados, triângulos, retângulos e círculos Desenvolvimento da Atividade: Fazer um caminho em linha, colocando todas as formas iguais juntas, isto é, primeiro todos os círculos, depois os quadrados, todos os retângulos e, por fim, os triângulos. Atribuir a cada figura um movimento diferente, por exemplo, nos círculos, pular com os pés juntos; nos quadrados, andar de costas; nos triângulos, pular em um pé só. Nos retângulos pular de lado. As crianças deverão andar pelas figuras executando os movimentos correspondentes a cada grupo de figuras. Repetir, misturando as figuras em grupos menores de formas, para os movimentos serem trocados mais frequentemente. Usar as formas geométricas para montar figuras diferentes, por exemplo: casinha, barco, prédio, carro, etc. Deixar as crianças criarem livremente. 141 12) Brincando de Pontes e Bancos Objetivo: Equilíbrio, tônus,orientação espacial. Material: Nenhum Desenvolvimento da Atividade: O professor divide a sala ao meio; metade das crianças serão os bancos e a outra parte serão as pontes. Todos correm ao redor da quadra ou sala livremente. Quando o professor disser “banco”, as crianças que são de uma determinada turma deverão ficar no solo em seus apoios (posição de engatinhar) enquanto as outras saltam por cima delas. Porém, quando o professor disser “ponte”, será a vez desta turma ficar em quatro apoios no solo (mãos e pés no chão e quadril elevado) enquanto seus companheiros (bancos) passarão por baixo de seus corpos. O professor chama os grupos alternadamente e pode sugerir que busquem formas diferentes de transpor as pontes e bancos, como por exemplo: - Pontes: arrastando-se em decúbito dorsal (costas) ou engatinhando. 13) Técnica dígito-manual: palito (Dra. Dalila Costallat) Material: 1 palito de churrasco; 1 palito de sorvete grande; 1 palito de sorvete pequeno; 1 palito de dente e 1 palito de fósforo. Desenvolvimento da atividade: Do maior palito ao menor Pegar com as duas mãos, deslocar e recolocar no lugar. Pegar com os dois polegares (dedos). Pegar com os dois anulares. Pegar com os dois médios. Pegar com os dois indicadores. Pegar com os dois mínimos. Pegar com a mão dominante (10 vezes) Polegar e mínimo; Polegar e indicador; Polegar e médio; 142 Polegar e anular. Idem com a mão não dominante. Colocando um papel sem pauta, palitos de fósforo, com a mão dominante: (observar a cabeça do palito de fósforo). 1° livre (sem modelo); 2° direcionando (modelos em vertical/horizontal/letras e números); 3° cópia (seguindo sequencias desde simples até complexas); 4° transcrevendo (ditados). Manual de intervenção motora: educação infantil, ensino fundamental e educação especial / Francisco Rosa Neto (org.). – Florianópolis: UDESC, 2016. 14) Tampinhas Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: três tampinhas de garrafa e três palitos de picolé. Desenvolvimento da atividade: posicionar as tampinhas em forma de triângulo. Uma tampinha por vez deverá ser impulsionada com o dedo, sempre passando entre as outras duas até o gol formado com os palitos. 15) Massinha de modelar Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: Massa de modelar. 143 Desenvolvimento da atividade: Construir formas e objetos diferentes com as massinhas de modelar. 16) Colagem em Figuras Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: figuras quaisquer, papel crepom, lantejoula, algodão e cola branca. Desenvolvimento da atividade: Fazer bolinhas com as tiras de papel crepom. Colar as bolinhas, juntamente com as lantejoulas, o algodão, para preencher a parte interna da figura. 17) Casinha ou qualquer outra figura Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: cola branca, figuras diversas e glitter. Desenvolvimento da atividade: Passar cola com o dedo como se estivesse pintando. Com a cola na figura, esfarelar o glitter. 144 18) Nó mágico Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: Papel e lápis de cor. Desenvolvimento da atividade: cada participante deverá escolher um ponto e com o lápis iniciar movimentos circulares livres sem perder o contato do lápis com a folha. Em seguida cada espaço formado deve ser pintado de cores diferentes, tomando cuidado com os limites formados pelas linhas e cuidar também para que as cores não se encontrem na folha. 19) Contorno das mãos Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: Papel e hidrocor. Fonte: https://www.papodaprofessoradenise.com.br/conhecendo-o-proprio-corpo-com-diversao/dia- internacional-dos-canhotos/ Desenvolvimento da atividade: O participante devera posicionar uma de suas mãos em uma folha de papel e com a outra contornar com o hidrocor, fazendo o desenho da sua mão, sem perder o contato da caneta com a folha até que termine o contorno. Variação: criar figuras com as mãos. 145 20) Labirinto Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso- motor. Material: Lápis e folhas com labirintos. Desenvolvimento da atividade: Cada participante deverá traçar com o lápis uma linha contínua desde a entrada até a saída do labirinto. 21) Preenchendo com grãos Objetivo: Controle manual e desenvolvimento viso-motor. Material: folha com desenhos, grãos de alimentos e cola branca. Fonte: https://www.canguruonline.com.br/sao-paulo/post/enfim-ferias Obs: no site acima, saiba como tingir grãos e fazer colagens incríveis. Desenvolvimento da atividade: colar os grãos e formar imagens 22) Corrida com bambolê Objetivo: equilíbrio dinâmico, habilidade de locomoção, praxia global e sincronia. Material: Bambolês. Desenvolvimento da atividade: Os dois participantes deverão segurar um de cada lado do bambolê. Ao sinal do coordenador da atividade, deverão correr em sincronia levando o bambolê até o ponto de chegada. 146 23) Pula Barra Objetivo: equilíbrio dinâmico, habilidade de saltar e agilidade. Material: Cabo de vassoura. Desenvolvimento da atividade: Os participantes deverão formar um circulo com um deles no centro, segurando o cabo de vassoura. Ao sinal do coordenador da atividade esse deve girar raspando o cabo de vassoura no chão para que os demais saltam o obstáculo. 24) Pé de lata Objetivo: equilíbrio dinâmico e dissociação segmentar. Material: duas latas vazias de leite em pó e corda. Desenvolvimento da atividade: Com a corda amarrada na lata, o participante deverá equilibrar-se sobre as latas segurando a corda. 25) Bola na parede Objetivo: Dissociação segmentar e força. Material: Bola grande. Desenvolvimento da atividade: em uma fileira, o primeiro participante estará com uma bola na mão a uma distancia de 3 metros de uma parede. Esse arremessará a bola na parede e irá para o final da fila. O segundo da fila pagará a bola com as duas mãos e arremessará novamente, dando sequencia na tarefa até todos arremessarem. 147 26) Aviãozinho Objetivo: controle motor amplo, flexibilidade, concentração e controle postural. Material: Step. Desenvolvimento da atividade: os participantes dispostos livremente na quadra ou na sala de aula imitam um avião por 10 segundos de olhos abertos e 10 segundos de olhos fechados, depois no STEP também por 10 segundos. 27) Bambolê rasteiro Objetivo: controle motor amplo e flexibilidade. Material: Bambolê pequeno Desenvolvimento da atividade: Cada criança deverá ter um bambolê colocado em uma perna e fazer circular o bambolê levantando a outra perna até que o bambolê passe completando o círculo, e assim sucessivamente. 28) Saltar com a bola entre as pernas Objetivo: Força, equilíbrio dinâmico e atividade cortical. Material: bola de plástico ou borracha. Desenvolvimento da atividade: os participantes dispostos livremente na quadra ou na sala de aula com uma bola entre as pernas deverão saltar o mais longe possível. 29) Amarelinha 148 Objetivo:Dissociação segmentar, controle motor amplo, força, equilíbrio dinâmico e atividade cortical. Material: Giz. Desenvolvimento da atividade: As crianças dispostas em uma fila. Um de cada vez deve pular na amarelinha alternando o salto com um pé só e com os dois dentro dos respectivos quadrados da amarelinha desenhados no chão. 30) Passar a bola por cima e por baixo Objetivo: Agilidade, velocidade e concentração. Material: Bola Desenvolvimento da atividade: Pedir que os participantes formem duas filas, sendo que o primeiro de cada fila deve passar a bola por cima da cabeça para o segundo, depois o segundo para o terceiro e assim sucessivamente até o final da fila. O último da fila pega a bola e vai para frente no lugar do primeiro. 31) Atravessar o rio Objetivo: dissociação, controle motor amplo, agilidade e concentração. Material: Folha de papel A4 ou jornal Desenvolvimento da atividade: Delimitar uma área e contar que esses espaços é um rio. Cada participante precisa pisar apenas nas pedras (folhas A4) para atravessar. As folhas devem ser movimentadas pelo aluno para chegar ao outro lado do rio. 149 32) Percorrer a corda Objetivo: equilíbrio dinâmico, controle motor amplo e dissociação segmentar. Material: Corda de 4mts. Desenvolvimento da atividade: com auxilio do coordenador o participante faz um desenho no chão com a corda. Em seguida o participante terá que caminhar sobre ela com os olhos abertos. 33) Circuito de equilíbrio Objetivo: equilíbrio estático e dinâmico. Material: arcos, bolas, cordas, bancos e bastões. Desenvolvimento da atividade: o coordenador faz a montagem das estações e demonstra cada exercício. Em seguida, os participantes são distribuídos nas estações e se começa a atividade. Os participantes ficarão 20 segundos em cada estação. 34) Mestre mandou Objetivo: Reconhecimento, propriocepção, expressão e imitação corporal. Material: Nenhum. Fonte: https://www.omo.com/br/se-sujar-faz-bem/brincadeiras/siga-o-mestre.html Desenvolvimento da atividade: um dos participantes será o mestre e os demais deverão seguir os movimentos que seus movimentos, imitando todos os seus movimentos. 150 35) Montando o corpo Objetivo: Reconhecimento, imagem corporal e memória. Material: Folha com partes do corpo desenhada. Desenvolvimento: o participante receberá as partes do corpo recortadas e embaralhadas, para que organize o esquema corporal. 36) Desenhando sua imagem Objetivo: Reconhecimento, imagem corporal e memória. Material: Papel branco, lápis de cor, lápis preto, espelho Fonte: http://www.sbie.com.br/blog/quais-os-beneficios-da-dinamica-do-espelho-para-educacao-infantil/ Desenvolvimento: O participante desenhará sua própria imagem no papel, reconhecendo as partes corporais. Obs: veja no link acima outras atividades envolvendo espelho. 37) Carregar o que puder Objetivo: Cinestesia, propriocepção, domínio corporal. Material: Diferentes objetos. Desenvolvimento: Os participantes deverão transportar objetos com as diversas partes do corpo com exceção das mãos. 151 38) Balão pelo corpo Objetivos: domínio corporal, propriocepção, dissociação segmentar e cinestesia. Material: balões. Desenvolvimento: o coordenador da atividade indicará uma parte do corpo para os participantes jogarem ou carregarem o balão com a parte escolhida. 39) Jogo do tato Objetivos: reconhecimento, domínio corporal e cinestesia. Material: Nenhum. Desenvolvimento: Os participantes ficarão em duplas, um em frente ao outro com os olhos vendados. O coordenador da atividade executa os comandos, tais como: colocar a mão no ombro do companheiro, dar um passo para trás, colocar a mão na cabeça e eles deverão executar. 40) Pés e mãos na cor certa Objetivo: cinestesia, domínio corporal e dissociação segmentar. Material: Tapete colorido. Desenvolvimento: Os participantes deverão seguir os comandos do coordenador da atividade. “Pé direito na cor amarela”, “mão esquerda na cor vermelha”. 152 41) O que está faltando? Objetivo: Reconhecimento das partes do corpo. Material: imagem de rostos incompletos, revistas, cola e tesoura, etc. Desenvolvimento: Utilizando o material disponível, os participantes deverão procurar e recortar partes que compõe o rosto (olhos, nariz, boca, sobrancelhas) completando a imagem com as partes faltantes. 42) Cama de gato Objetivo: Orientação Espacial. Percepção do corpo e reconhecimento de tamanho e dimensão. Material: Barbante ou elástico Desenvolvimento: O coordenador da atividade montará uma teia com o barbante ou elástico. Os participantes deverão tentar passar pelo barbante ou elástico sem toca-lo. 43) Guardando os objetos na caixa Objetivo: Percepção visual e reconhecimento de tamanho, dimensão, semelhança e diferença. Material: Objetos de tamanhos variados, uma caixa grande e uma caixa pequena. Desenvolvimento: Os participantes terão que colocar os objetos pequenos na caixa pequena e os objetos grandes na caixa grande. 153 44) Cabe mais um Objetivo: percepção do corpo e reconhecimento de tamanho e dimensão. Material: Giz. Desenvolvimento: o coordenador da atividade desenhará círculos de diversos tamanhos no chão com giz. Os participantes deverão indicar quantos colegas cabem dentro de cada circulo e em seguida a hipótese deve ser testada. 45) Escadinha Objetivo: Percepção do corpo e reconhecimento de tamanho, dimensão, semelhança e diferença. Material: Nenhum. Desenvolvimento: Um dos participantes deverá organizar os colegas conforme altura, do mais alto para o mais baixo. 46) Escravos de Jó Objetivo: percepção visual, orientação, domínio lateral, reconhecimento de direita e esquerda, habilidades auditivas, ritmo. Material: Pedrinhas. Desenvolvimento: os participantes, sentados em círculo, receberão uma pedrinha, esta deverá ser passada de um participante para o outro em uma coreográfica de vai e vem, conforme a música. “ Os escravos de Jó jogavam caxangá (os jogadores vão passando as pedras um para o outro do lado direito, de forma que cada jogador fique sempre com uma pedrinha só). Tira, (cada jogador levanta pedra que está em suas mãos) põe, (colocam a pedra de novo no chão), deixa ficar,(apontam com o dedo para a pedra no cão), Guerreiros com guerreiros (voltam a passar a pedra para direita), fazem zigue, (colocam a pedra na frente do jogador à direita, mas não passam), zigue, (colocam a pedra na frente do jogador à esquerda, mas não soltam), zá, (colocam a pedra na frente do jogador à direita, mas não passam). 154 Dê uma espiadinha nesse link e veja outras atividades para trabalhar o esquema corporal: http://www.maristasccv.es/content/1%C2%BA-ei-esquema-corporal Chegamos ao final da Unidade 3. Aqui você aprendeu um pouco mais sobre os diversos Transtornos Psicomotores e as formas de Avaliação e Intervenção Psicomotora. Foram apresentados os conceitos psicomotores envolvidos no desenvolvimento humano, completando as informações da Unidade 2. Foram apresentadas algumas síndromes neurológicas e os conceitos de Instabilidade e Debilidade Psicomotora. Falamostambém sobre a lateralidade cruzada e suas implicações no desenvolvimento da criança e na aprendizagem. Após falarmos sobre os distúrbios psicomotores apresentamos as principais formas de avaliação psicomotora e finalizamos com cerca de cem tipos diferenciados de atividades psicomotoras para que você, psicopedagogo, possa desenvolver de forma individual ou em grupo, tanto no seu espaço clínico quanto na orientação institucional a professores e coordenadores educacionais. Agora, depois de tudo o que você já conheceu sobre Psicomotricidade e Educação Psicomotora até o presente momento, acreditamos que possa estar pronto(a) para o próximo passo: estudar a Ação Didática e Ludicidade no trabalho psicopedagógico. Pronto(a) para a Unidade 4? Então vamos lá! Bom estudo!!! 155 4 AÇÃO DIDÁTICA E LUDICIDADE NO TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO: O LÚDICO, O BRINCAR E A NEUROCIÊNCIAS. INTERVENÇÕES EM PSICOMOTRICIDADE. Olá, aluno(a)! Antes de iniciarmos os conteúdos referentes à nossa quarta e última unidade de estudo, faz-se necessário apresentarmos a você as diferenças conceituais entre as expressões “lúdico” e “brincar”, para que possamos eliminar os comentários de pessoas alheias à nossa formação e ao nosso trabalho, de que “as crianças vão aos nossos espaços somente para brincar”, uma forma pejorativa de se referir às atividades de reabilitação psicomotoras. Vamos então entender as diferenças? 4.1. O lúdico, o brincar e a brincadeira Vários autores descreveram as principais caraterísticas que diferenciam o lúdico, o brincar e a brincadeira, entre eles: Bomtempo, 1987; Brougère, 1997; De Rose e Gil, 1998; Kishimoto, 1997; Piaget, 1978; Santos, 1998 e Wajskop, 1995. Apresentamos, a seguir, uma definição-síntese de cada conceito: a) Lúdico é um termo usado para situações em que o individuo está vivendo uma ilusão criada quando se participa de uma brincadeira ou jogo, algo “fora da realidade” que nos dá prazer e alegria em participar. A palavra “ilusão” vem do latim e significa in ludere ou “no lúdico” em português. b) Brincar é uma ação própria, voluntária e espontânea e delimitada no tempo e no espaço, prazerosa, constituída por reforçadores positivos intrínsecos, com um fim em si mesma e tendo uma relação íntima com a criança. c) Brincadeira é a Ação do Brincar. A brincadeira mostra como a criança interpreta e assimila o mundo, os objetos, a cultura, as relações e os afetos das pessoas, sendo um espaço característico da infância. (Wajskop, 1995). A brincadeira constitui-se como uma característica universal, ela possui aspectos específicos que irão depender de diversos fatores, tais como ambiente físico, social, cultural e as características da criança. 156 O que caracteriza um jogo, uma brincadeira é a possibilidade que a criança tem de tomar decisões, de combinar regras, de negociar papéis, de agir de maneira transformadora sobre conteúdos significativos para ela, de ter liberdade e prazer. Na brincadeira, num Jogo, a maior lição que o educando aprende brincando é que quando se perde o mundo não se acaba. Se perder o jogo pode ganhar no próximo e no seguinte. Quando perdem em jogos que podem ser disputados de novo e vencidos ou não, as crianças entendem que apesar dos reverses da vida, ainda podem ter sucesso, inclusive em situações semelhantes em que a derrota foi experimentada. A brincadeira não é uma atividade inata. É uma atividade social aprendida através das interações humanas. É o adulto ou as crianças mais velhas que ensinam o bebê a brincar, interagindo e atribuindo significado aos objetos e às ações. Oficialmente, o primeiro adulto a se preocupar com a questão da importância do brincar na formação da pessoa e de sua aprendizagem foi Fröebel. 4.2 Fröebel e o Jardim de Infância Friedrich Wilhelm August Fröebel foi um pedagogo e pedagogista alemão com raízes na escola Pestalozzi. Foi o fundador do primeiro jardim de infância, nome dado por ele ao espaço destinado às crianças menores de 8 anos. Fröebel foi o primeiro educador que justificou o uso do brincar no processo educativo. Ele tinha uma visão pedagógica do ato de brincar. O brincar, pelo ato de brincar desenvolve os aspectos: físico, moral e cognitivo entre outros. O nome “Jardim de Infância” reflete um princípio que Fröebel compartilhava com outros pensadores de seu tempo: o de que a criança é como uma planta em sua fase de formação, exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira saudável. 157 As técnicas utilizadas até hoje em Educação Infantil devem muito a Fröebel. Para ele, as brincadeiras são o primeiro recurso no caminho da aprendizagem. Não são apenas diversão, mas um modo de criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo. Com base na observação das atividades dos pequenos com jogos e brinquedos, Fröebel foi um dos primeiros pedagogos a falar em autoeducação, um conceito que só se difundiria no início do século 20, graças ao movimento da Escola Nova, de Maria Montessori (1870-1952) e Célestin Freinet (1896-1966), entre outros. Para conhecer mais sobre Fröebel, acesse: https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fupload.wikimedia.org%2F wikipedia%2Fcommons%2Fthumb%2F8%2F82%2FFrederick-Froebel- Bardeen.jpeg%2F220px-Frederick-Froebel- Bardeen.jpeg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FFriedrich_Fr %25C3%25B6bel&docid=uARgENcvFSobEM&tbnid=AT6oQulKMQxwOM%3A&vet= 10ahUKEwiCuMjSjKHiAhUFP60KHcbjBZYQMwg5KAAwAA..i&w=220&h=299&bih=5 88&biw=1034&q=froebel&ved=0ahUKEwiCuMjSjKHiAhUFP60KHcbjBZYQMwg5KAA wAA&iact=mrc&uact=8. Acesso em 09 de maio de 2019) 4.2 O lúdico na educação infantil As brincadeiras despertam nas crianças várias ações ao concretizar as regras do jogo, sejam elas quais forem as mesmas procuram se envolver nessa brincadeira, e em relação ao lúdico os brinquedos e as brincadeiras relacionam-se diretamente com a criança, porém, não se confundem com o jogo, que aparece com significações opostas e contraditórias, visto que a brincadeira se destaca como uma ação livre e sendo supervisionada pelo adulto. Diante disto Pinto (2003, p.27) afirma que: Brinquedos e brincadeiras aparecem com significações opostas e contraditórias: a brincadeira é vista como uma ação livre, já o brinquedo expressa qualquer objeto que serve de suporte para as brincadeiras livre ou fica atrelado ao ensino de conteúdos escolares. (PINTO, 2003, p.27). 158 Para a autora esses elementos que constituem o brinquedo e a brincadeira são definidos como regras preestabelecidas que exigem certas habilidades das crianças. Entretanto, a brincadeira é uma ação que não exige um objeto-brinquedo para acontecer, é jogando que elas constroem conhecimentos que ajudará no seu desempenho escolar. Ao brincar a criança faz uma releitura do seu contexto sociocultural, em que a mesma amplia, modifica, cria e recria por meio dos papeis que irão representar. Portanto, é fundamental a utilização das brincadeiras e dos jogos no processo ensino pedagógico, diante dos conteúdos que podem ser ensinados por intermédio de atividades lúdicas em que a criança fica em contato com diferentes atividades, manipulando vários materiais, tais como jogos educativos, os didáticos, os jogos de construção e os apoios de expressão. Considerando esses fatores, o desenvolvimento da diversidade de materiais obriga a necessidade de adequar os mesmos, quanto ao espaço da brincadeira contribui para o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional,social e moral, sem que se perca a característica do brincar como ação livre, iniciada e mantida pela criança. A importância do espaço lúdico na construção do conhecimento é oportunizar a criança a observar o mundo imaginado por ela, e quando ela vê esta realidade de maneira muito distorcida, procuramos conversar com a mesma, esclarecendo as coisas, fazendo com que a criança fique mais perto da nossa realidade. Esta é uma das formas de brincar mais saudáveis para o desenvolvimento da criança, razão pelo qual o "faz de conta" infantil deve ser tratado e subsidiado com seriedade, atribuindo o papel relevante no ato de brincar e na constituição do pensamento infantil. É brincando e jogando que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva com o mundo. Para melhor compreensão é interessante o que Pinto (2003, p. 65) nos diz: O espaço lúdico não precisa ficar restrito a quatro paredes, ao contrario, deve fluir por todo o ambiente, dentro e fora das classes. Um dos objetivos desse espaço é favorecer o encontro de crianças, para brincar, jogar, fazer amigos, propiciar a convivência alegre e descontraída dos frequentadores. (PINTO, 2003, p.65). Seguindo o pensamento da autora, nesse espaço a criança interage com o meio físico, com outras crianças e com adultos, construindo assim, regras de convivência e competência, treina suas habilidades e capacidades de ganhar ou perder, saber respeitar suas diferenças dos outros, aprender a lutar por seus 159 direitos, defender seu espaço, mas respeitar o do amigo. Parecem coisas tão simples e tão óbvias, mas são muito difíceis de fazer na prática. 4.4 Quais as características de um espaço lúdico? Morais e Otta (2003) falam sobre o espaço em que ocorre o brincar, dizem que é constituído por três elementos: 1) a criança com suas experiências, seus recursos, suas motivações, pressões e condições sociais que a cercam; 2) O espaço físico em que ela está inserida, como os brinquedos a que ela tem acesso; 3) o espaço temporal como o tempo dedicado à brincadeira, as relações e crenças familiares. Tais elementos podem influenciar o brincar, garantindo-lhe um aspecto específico em cada contexto. Segundo Neiman & Rabinovich (2008), tal espaço lúdico dependeria também de três ordens de fatores: 1) a criança e suas características como idade, sexo, temperamento, habilidades; 2) as características do espaço físico, como o tamanho e qualidade do espaço; 3) a organização sociocultural em que ela está inserida, levando em conta as crenças parentais, as significações, emoções, entre outros. Os três fatores relacionam-se entre si, interferindo-se mutuamente e gerando o “espaço potencial do brincar”. 4.5 O brincar e a neurociência Piaget (1983) comprovou e fundamentou que a importância do meio na construção das estruturas mentais e afirmou que a estimulação da criança em ambientes lúdicos diversos durante a infância levaria a um maior desenvolvimento intelectual. Também disse que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da crianças, sendo por isso indispensável á prática educativa. 160 Brincar programa a estrutura neuronal. Experiências precoces favorecem habilidades que serão necessárias futuramente na vida. Durante os primeiros anos a atividade deve ser apenas lúdica, sem instruções dirigidas, isolamento, privação ou abuso, o que fará a diferença no desenvolvimento cerebral. Crianças que não brincam desenvolvem cérebro 20 a 30% menores que o normal para idade. Os caminhos que são repetidamente ativados ou usados tendem a ser protegidos e mantidos na vida adulta. O Desenvolvimento cerebral é um processo de USE ou PERCA. Experiências precoces determinam quais neurônios serão utilizados e quais irão morrer, e consequentemente se a criança será brilhante ou não, confiante, segura ou medrosa, articulada ou inibida. Em 1998, Brown estudou 26 assassinos sentenciados, no Texas e observou que ou eles relatavam ausência do brincar na infância ou envolviam-se com bullying, sadismo, crueldade com animais ou no caçoar externo. É BRINCANDO QUE A CRIANÇA SE EDUCA E APRENDE Através de seus experimentos e descobertas, ao brincar, aprende que é tentando, errando e refazendo que obtemos êxito em tudo que fazemos! 161 4.6 O lúdico desenvolve competências O lúdico desenvolve as seguintes competências: Aprender a Ser Aprender a Conhecer Aprender a Fazer Aprender a Conviver Faz-se necessário a criação de ambientes lúdicos que encorajam a construção do conhecimento, desenvolvendo os aspectos pessoal, social, cognitivo, afetivo, físico e psicomotor. É através da brincadeira que a criança: • Constrói a sua identidade • Conquista sua autonomia • Aprende a enfrentar medos • Expressa seu estado de espírito • Assimila e recria a experiência cultural dos adultos • Descobre suas limitações • Aprende a respeitar regras e limites 162 • Compreende o mundo e as ações humanas • Compreende e participa de seu grupo • Trabalha com o imaginário • Desenvolve a linguagem • Explora e conhece o mundo físico e seus fenômenos • Aprende a negociar papéis • Simula ações do cotidiano • Fica mais motivada a usar a inteligência • Favorece o desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo, social e moral • O brinquedo estimula a representação, colocando a criança na presença de reproduções • Cresce através da procura de soluções e de alternativas A criança, no brincar é desafiada a: • Indagar • Questionar • Transformar • Desvendar a própria realidade Com outras crianças, através das Brincadeiras, elas têm oportunidade de viver diferentes: • Emoções • Afetos • Trocas • Aproximações • Disputas 4.7 As diferentes formas de ver o brincar Do ponto de vista Fisiológico e Motor, o brincar auxilia no gasto de energia e desenvolve a motricidade, os músculos e a força. 163 Do ponto de vista Biológico, o brincar permite a aquisição de instintos e habilidades para sobrevivência na vida adulta. Do ponto de vista Sociológico, o brincar permite a interação, observação, troca de modelos de comportamentos. Do ponto de vista Psicológico, o brincar auxilia no entendimento da realidade. Fatores que tiram a significação do brincar: A “pedagogização” da brincadeira e imposição de esteriótipos; A higiene e organização exagerada; A falta de espaço físico; O brincar como recompensa; A falta de pesquisas e entendimento sobre o tema por parte das famílias; A pressão da escolarização precoce; A hora da brincadeira; A brincadeira e o jogo para disfarçar o conteúdo; Pouca formação do educador. Piaget (1983) distingue quatro tipos de estruturas que caracterizam o jogo infantil: o exercício, o símbolo, a regra. a) Jogo de Exercício: Comum no primeiro ano de vida, através dele que a criança repete gestos e assimila ações, incorporando a novos fazeres. O princípio é de exploração e repetição. São eles: jogos sonoros, visuais, tátil, olfativo, gustativo, motor e de manipulação. b) O Jogo Simbólico: é a aplicação do que foi assimilado anteriormente. É a substituição do real por símbolos. Um pedaço de pano vira uma boneca. Nesta etapa o faz de conta ganha destaque. c) O Jogo de Regras: Permiterelação entre ideia e pensamento, antecipa jogadas, planeja estratégias, utiliza o raciocínio operatório. Trabalha acima de tudo, respeito e ética, pois apensar da estratégia, ele precisa observar regras, esperar a sua vez de jogar e lidar com imprevistos. 164 Conforme as orientações dos novos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’ s, MEC, 1998, p.47), as atividades com jogos podem representar um importante recurso pedagógico, já que: “Os jogos constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações”. Rizzo (1996) cita alguns procedimentos que auxiliam ao educador na realização de jogos, sendo que alguns destes itens são comuns a qualquer disciplina: incentivar a ação do aluno; apoiar as tentativas do aluno, mesmo que os resultados, no momento, não pareçam bons; incentivar a decisão em grupo no estabelecimento das regras; apoiar os critérios escolhidos e aceitos pelo grupo para decisões, evitando interferir ou introduzir a escolha destes critérios; limitar-se a perguntar, frente ao erro ou acerto, se concordam com os resultados ou se alguém pensa diferente e porquê, evitando apontar ou corrigir o erro; estimular a comparação, termo a termo, entre grandezas lineares; estimular a tomada de decisões que envolvam sempre que possível avaliação de grandeza; estimular a discussão de ideias entre os jogadores e a criação de argumentos para defesa de seus pontos de vista; estimular a criação de estratégias eficientes, discutindo os possíveis resultados; estimular a antecipação dos resultados, no encaminhamento que se quer dar a partida; incentivar a criação e uso de sistemas próprios de operar (ação mental). Neste sentido, o jogo, pelo seu caráter propriamente competitivo, apresenta- se como uma atividade capaz de gerar situações-problema “provocadoras”, onde o sujeito necessita coordenar diferentes pontos de vista, estabelecer várias relações, resolver conflitos e estabelecer uma ordem. 165 O jogo lúdico é uma atividade que tem valor educacional intrínseco. Leif (1978), diz que "jogar educa, assim como viver educa: sempre sobra alguma coisa". A utilização de jogos educativos no ambiente escolar traz muitas vantagens para o processo de ensino e aprendizagem, entre elas: O jogo é um impulso natural da criança funcionando assim como um grande motivador; A criança através do jogo obtém prazer e realiza um esforço espontâneo e voluntário para atingir o objetivo do jogo; O jogo mobiliza esquemas mentais: estimula o pensamento, a ordenação de tempo e espaço; O jogo integra várias dimensões da personalidade: afetiva, social, motora e cognitiva; O jogo favorece a aquisição de condutas cognitivas e desenvolvimento de habilidades como coordenação, destreza, rapidez, força, concentração, etc. O brincar não visa somente à busca do prazer, ele está ligado também aos aspectos do desenvolvimento físico e da atividade simbólica. O aspecto físico abrange as habilidades motoras e sensoriais que a criança necessita desenvolver para sobreviver e adaptar-se, enquanto o desenvolvimento das habilidades linguísticas, cognitivas e sociais pode ser observado pelo brincar simbólico. Pelo faz-de-conta, as crianças testam e experimentam os diferentes papéis existentes na sociedade e, com isso, desenvolvem suas habilidades. Com o avançar da idade o faz-de-conta declina e começam a aparecer brincadeiras que imitam cada vez mais o real e os jogos de regras (CORDAZZO, VIEIRA, 2008). Relações Pais e Filhos! Como é o brincar na vida familiar hoje? O estreitamento das relações entre pais e filhos, contribui como um poderoso instrumento de socialização e de transmissão de valores no século XXI. Veja mais em: A DESVALORIZAÇÃO DO BRINCAR PELA FAMÍLIA DO SÉCULO XXI - por Sueli de Aquino Lemos Zuccolotto Fonte: http://faculdadedondomenico.edu.br/revista_don/artigo1_ed2.pdf 166 4.8 Intervenções psicomotoras - II O entendimento dos processos relacionados à motricidade é de suma importância para o planejamento pedagógico e psicopedagógico, centrado no desenvolvimento da aprendizagem das crianças. Tendo esse conhecimento, acreditamos q Vamos apresentar algumas sugestões de atividades motoras que você poderá utilizar na prática com as crianças. Essas atividades podem ser adaptadas com outros materiais que você tiver disponível. Além dessas sugestões, você pode encontrar muitas outras. Motricidade Fina Atividade 1 – Alinhavo Material: Papelão ou EVA como contorno de qualquer figura, perfurado, linha e agulha Esse tipo de atividade auxilia no desenvolvimento da coordenação motora fina, lógica e atenção dirigida. Orientação Espacial: HORA DO RUSH O Jogo "A Hora do Rush" é um ótimo jogo para desenvolver habilidades nas situações do cotidiano, habilidades cognitivas, resolução de problemas e tomada de decisões. Auxilia também a pensar de forma criativa, lidar com regras, com as emoções como ganhar e perder, autoconfiança, responsabilidade, autocontrole e orientação espacial. 167 Fonte: Própria da autora - Por Juliane Feldmann praxia fina: TÉCNICA DOS GRAMPOS DE ROUPA Material: 1 caixa de papelão 18x18x10 20 grampos de roupa com tamanhos e pressões variadas Objetivo: aumentar a força e a tonicidade dos pequenos músculos da mão, desenvolver a força e a tonicidade muscular, melhorar a letra e preparar para letra cursiva. A praxia fina é qualquer habilidade que envolva o uso dos pequenos músculos das mãos em concordância com o que os olhos veem. As atividades motoras finas incluem qualquer coisa que necessite força, coordenação e precisão dos movimentos dos músculos das mãos. Elas abrangem várias funções rotineiras, e um atraso na motricidade fina pode ter um impacto negativo na habilidade de uma pessoa em lidar com tarefas diárias práticas. A praxia fina mobiliza pequenos grupos musculares e movimentos controlados para realizar atividades como manusear objetos, tocar instrumentos, pintar, recortar e muitas outras que exigem um alto nível de destreza. Durante o período dos dois aos seis anos de idade, a criança adquire capacidades e habilidades no domínio da motricidade e da sensibilidade, que auxiliarão no desempenho eficiente das atividades do dia-a-dia, para as tarefas escolares, as práticas esportivas e as atividades de lazer. Como aplicar a técnica: Criança sentada com a caixa de grampos na frente dela sobre uma mesa. Obs: a caixa não pode se mover, girar, deve ficar na mesma posição enquanto o exercício é realizado. O que gira, se move, é a mão, o punho/pulso. 168 Solicitar a criança que tire 1 a 1 os grampos e que vá prendendo ao redor da caixa. Iniciar com o polegar direito + o indicador da mão dominante. Solicitar que coloque 5 grampos em cada lado da caixa. Ao finalizar o aplicador retira os grampos e solicita que coloque 3 grampos em cada lado da caixa usando o polegar + o dedo médio. O aplicador retira os grampos e solicita que agora coloque 3 grampos em cada lado da caixa usando o polegar + o dedo médio. Finalizar fazendo a mesma coisa usando o polegar + o dedo mindinho. Quanto terminar todo exercício com a mão dominante,fazer o mesmo processo com a outra mão. Obs: é um exercício cansativo, porém de grande valia quando queremos atingir os objetivos propostos acima. É possível que a criança sinta dor nos tendões na parte interna do ante braço. TÉCNICA DA ESPONJA – praxia fina Material: 2 bacias pequenas 1 esponja macia (tipo esponja de banho) Água - 500 ml Objetivo: aumentar a força e a tonicidade dos pequenos músculos da mão, desenvolver a força e a tonicidade muscular, melhorar a letra e preparar para letra cursiva. Como aplicar a técnica: Criança sentada com as duas bacias lado a lado em frente a criança. Uma das bacias contém 500ml aproximadamente de água. Perguntar para criança como fazer para colocar a água de uma bacia para outra utilizando somente a esponja. Aguardar para ver qual será a resposta... Solicitar a criança que coloque a esponja na bacia com água, que aperte a esponja com a palma e depois passe essa esponja para outra bacia apertando a esponja a fim de tirar todo excesso de água. Iniciar com a mão dominante. Fazer o procedimento até terminar a água da bacia. 169 OBS: não pode haver ajuda da outra mão. Ao finalizar, iniciar o procedimento utilizando a outra mão. Este é um exercício cansativo, porém de grande valia quando queremos atingir os objetivos propostos acima. É possível que a criança sinta dor nos tendões na parte interna do ante braço. PREPARANDO PARA ESCRITA - praxia fina Para melhorar o traçado e a precisão, repasse sobre algumas linhas com giz de cera, tinta, canetinha hidrocor grossa e o dedinho. Fonte: http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com/2009/02/preparando- para-escrita.html#comments A tarefa de “escrever” é complexa. Mobiliza 14 ossos digitais, cinco palmares, oito do punho, tendões e diversos músculos do braço. Tudo isso amparado por ombros e a coluna vertebral. Toda a atenção é dirigida a um objeto de plástico ou madeira que, graças ao sutil movimento de pinça do polegar opositor em conjunto com o indicador e o dedo médio pressiona o papel, fazendo nele uma marca chamada letra. ANDANDO SOBRE LINHAS Materiais: Barbantes – cordas – fitas adesivas Objetivo: Esquema corporal e Equilíbrio Desenvolvimento: Marque circuitos lineares no chão, com barbantes, fitas adesivas ou cordões coloridos. As crianças deverão andar sobre o caminho marcado, um pé na frente do outro. 170 Fonte: https://bebe.abril.com.br/desenvolvimento-infantil/atividades- montessorianas-beneficios-6-meses-6-anos/ Fonte: https://i.pinimg.com/originals/36/4d/cf/364dcfcc7d64d8c08071653a9de8c463.jpg 171 RECORTANDO TRILHAS - praxia fina (a partir dos 5 anos) Material: Tiras de papel de aproximadamente 20 cm x 8 cm contendo desenhos de linhas retas, curvilíneas, em zigue- zague e como mais sua imaginação mandar. Objetivo: Aperfeiçoa a coordenação motora fina. Desenvolvimento: Entregue as tiras à criança com uma tesoura de pontas arredondadas e a oriente a cortar seguindo as linhas. Fonte: https://bebe.abril.com.br/desenvolvimento-infantil/atividades- montessorianas-beneficios-6-meses-6-anos/ Sobre PRAXIA FINA Devemos lembrar que a "grafomotricidade" não se traduz a uma atividade motora. Ela se baseia na maturação e no desenvolvimento de outros elementos, como: a percepção, a simbolização, a estruturação espaço-temporal, a memória e a linguagem (Boscaini 1988). Desta maneira, torna-se imprescindível estimular atividades, como: - controle postural, - equilíbrio, - controle tônico, - controle inibitório, - organização do gesto (preensão, pressão, direcionalidade), - coordenação óculo-manual, - organização espacial, - discriminação de sequências temporais. 172 ANDANDO COM CORDAS Materiais: pedaços de cordas aproximadamente 30cm (vai depender da idade das crianças) Objetivo: Praxia Global, Esquema corporal e Equilíbrio Desenvolvimento: Prender as pontas da corda entre os dedos dos pés, como mostra a imagem. Se deslocar sem deixar a corda escapar. Outras formas: colocar as pontas da corda no seu próprio pé e a outra ponta no pé de um colega. Corrida das Maçãs Objetivo: Desenvolver o equilíbrio, concentração e espirito em equipe. Material: 2 Maçãs Desenvolvimento: Alunos em pé em duas filas, quantidade iguais de pessoas Os primeiros da fila recebem uma maçã. Ao sinal do professor, cada aluno coloca uma maçã na cabeça e caminha da forma mais rápida possível até um determinado ponto (5mts), sem colocar a mão na maçã. A criança deve voltar ao local de início, ou seja, para onde está a fila, passando a maçã para o próximo da fila. Fonte: http://magisteriosamonte.blogspot.com/2016/ 173 Mapa do Corpo Material: papel pardo, giz ou caneta hidrográfica. Desenvolvimento: O professor juntamente com os alunos, desenha o contorno do corpo das crianças em papel. Os desenhos feitos são recortados no contorno e os alunos, com auxilio do professor, completam o desenho, colocando os olhos, a boca, as orelhas, as roupas, etc. Quando todos os desenhos estiverem prontos, o professor pode propor questões sobre qual parte do corpo fica em cima da boca, nos lados da cabeça, etc. Pode também pedir aos alunos que organizem os bonecos por tamanho, guardando-os para outras atividades. Objetivo: desenvolver maior conscientização corporal e um vocabulário relativo às partes do corpo Onde está? Material: o mapa do corpo (realizado na atividade anterior) e bolas de meia. Desenvolvimento: O professor prega na parede alguns dos mapas do corpo e as crianças organizam-se em grupos com o mesmo numero de jogadores. Então o professor diz uma parte do corpo, por exemplo, pernas, e os alunos devem atirar as bolas de meia tentando acertar uma das pernas no desenho, o professor vai falando diversas partes do mapa corporal. Quando as crianças estiverem familiarizadas com a representação vertical de seu corpo, é interessante mudarmos a posição do papel para o plano horizontal – o chão. Nesse caso, cada aluno deve ter o boneco do seu corpo e pisar sobre a parte que o professor pedir a partir da cabeça. É interessante que o professor e os alunos conversem sobre a posição das partes de seu corpo: o pescoço está embaixo da cabeça, o umbigo fica na barriga, os braços ficam na parte de cima do corpo e as penas na parte de baixo, as orelhas estão uma de cada lado da cabeça, etc. Objetivo: desenvolver maior conscientização corporal e um vocabulário relativo a posição no espaço. 174 Coordenação visuomotora Uma das habilidades de percepção espacial que podemos auxiliar a criança a desenvolver em aulas de geometria é a coordenação visuomotora. Essa habilidade é exigida em atividades que envolvem artes, leitura, escrita, recorte e colagem, entre outras, e está diretamente associada à percepção de força, delicadeza, rapidez e cuidado. Há muitas atividades em geometria que favorecem o desenvolvimento da coordenação visuomotora, como a que indicamos a seguir. A percepção do espaço inclui também noções de posição e localização espacial, bem como o desenvolvimento de um vocabulário relativo a essas noções: perto, longe, antes, depois, na frente, atrás, entre, ao lado, etc. Além disso, é preciso que os alunos percebamque cada posição está relacionada a um referencial que, inicialmente, é ele mesmo. As próximas atividades também envolvem essa noção. No desenvolvimento da percepção do espaço e da coordenação motora, é importante propor atividades que desafiem os alunos a perceber a necessidade de buscarem ações corporais mais controladas, planejadas e elaboradas na resolução de problemas que envolvem a noção de espaço. Fazendo Marcas Material: papel pardo, tinta guache e pratinhos. Desenvolvimento: A intenção é que eles lembrem que, para conseguirmos a marca de um carimbo, nós molhamos em tinta e depois o pressionamos sobre o papel. O professor diz aos alunos que farão carimbos com as próprias mãos. Para isso, deverão molhar uma das mãos no prato com a tinta guache e depois carimba- las no papel. O professor deixa que façam a primeira marca e depois desafia: “quantas marcas diferentes vocês conseguem fazer?”. Para vencer o desafio, vale molhar na tinta toda a mão ou parte dela, mas sempre uma das mãos por vez, não valendo fazer marcas com as mãos juntas. Enquanto os alunos fazem a atividade, o professor pode observar os grupos e, se as marcas estiverem muito repetidas, pode enriquecer o repertório das crianças, mostrando-lhes um cartaz no qual o próprio professor tenha feito algumas marcas pedindo-lhes que imaginem como cada marca foi feita. 175 Outra possibilidade é que os grupos troquem os cartazes entre si, tentando descobrir em qual posição a mão foi carimbada para deixar uma determinada marca. Objetivo: Esquema corporal, orientação espacial, tônus, praxia fina Atrás ou na frente? Material: nenhum Desenvolvimento: O professor solicita às crianças que andem pela sala e, a um sinal dado, parem imediatamente onde estiverem. Elas devem olhar para quem está na frente e para quem está atrás delas. Feito isso, devem mudar de lugar, ocupando o da pessoa que está atrás delas. O professor deve fazer perguntas que estimulem os alunos a pensar na relatividade das posições espaciais. Por exemplo: “Quem está na frente do João? João está na frente de alguém? Uma variação dessa atividade pode ocorrer quando os alunos formam uma roda, de mãos dadas, e a um ritmo dado pelo professor andam para frente ou para trás o máximo possível. Outra possibilidade, ainda em roda, é propor aos alunos que cantam uma cantiga enquanto passam, um a um, pela frente e por trás dos colegas que estão na roda ou, então, propor brincadeiras de rodas nas quais, aos pares, os alunos fiquem de frente para um colega, atrás dele, ao lado, do outro lado, de costas, entre dois colegas. Objetivo: Orientação Espacial A pessoa misteriosa Material: Nenhum Desenvolvimento: Com os alunos organizados em filas, um ao lado do outro. O professor seleciona um deles sem que os outros saibam quem é. Em seguida, apresenta algumas pistas sobre a criança escolhida para que eles possam descobrir: - a pessoa que eu escolhi usa (ou não usa) óculos. - a pessoa que eu escolhi está sentada entre um menino e uma menina. - a pessoa que eu escolhi está na frente de João e atrás de Laura. O professor pode ir acrescentando dicas, até a classe descobrir, ou repetir a atividade incluindo referências como à direita ou à esquerda. Quando a pessoa misteriosa for descoberta, o professor escolhe outra e o processo reinicia. É possível também que o aluno que tenha descoberto a pessoa misteriosa seja o próximo a escolher alguém e apresentar as dicas para a classe. 176 Como a ênfase nessa atividade, além da localização e da posição, está no desenvolvimento de conceitos: longe, perto, na frente, atrás, antes, depois. Após ter realizado a atividade com a classe umas duas ou três vezes, aconselhamos a produção de um texto coletivo para registrar o que fizeram ou mesmo as dicas que podem ser dadas para localizar as pessoas na classe. Outro registro que pode ser feito por alunos a partir dos cinco anos é o desenho, que lhe exigirá uma reflexão sobre como representar os colegas e suas respectivas posições no espaço do papel. Objetivo: Orientação Espacial O caminho do sino Material: um pequeno sino ou outro objeto que produza um som similar. Desenvolvimento: O professor pede aos alunos que sentem no chão, formando uma roda, e que fiquem de olhos fechados, enquanto ele badala o sino em diferentes locais dentro e fora da classe umas quatro ou cinco vezes. Quando parar, as crianças devem dizer em quais locais o professor estava quando badalou o sino: perto ou longe, dentro ou fora da sala, mais perto da porta ou da janela, etc. Após essa primeira exploração inicial, o professor percorre com o sino um caminho simples, entre as crianças e pergunta: “Que caminho eu percorri pela sala? Quem pode me mostrar ou refazer o caminho percorrido?”. O aluno que desejar, pega o sino e refaz o caminho do professor e a classe discute se foi um caminho curto e longo, se o professor estava mias longe ou mias perto, por entre quais crianças ele passou, etc. É interessante pedir aos alunos que expliquem como fizeram para descobrir o caminho, que pistas utilizaram, e solicitar que representem por desenho o caminho que o sininho percorreu. O desenho anterior mostra um aspecto que é comum aparecer no registro dessa atividade: as setas para indicar o trajeto do professor com o sino por entre os alunos. Este é um indicio de que os alunos estão começando a representar trajetórias, dando a elas uma direção e um sentido. No desenho, é possível notar também a professora, as carteiras e os grupos entre os quais ela circulou com o sino. A atividade pode ser repetida outras vezes com caminhos mais sofisticados ou com caminhos feitos pelas próprias crianças. As próximas atividades propostas envolvem sequencias de posições, movimentos e sons e permitem aos alunos ampliar a discriminação visual, compreender noções de posição (antes, depois, entre, acima embaixo, etc.), 177 perceber relações entre ritmos, duração e, de modo especial, observar regularidades e descobrir padrões. A percepção de padrões e regularidades, que na educação infantil pode ser trabalhada por meio de sequencias, é uma habilidade que está relacionada à discriminação visual e a diversas aprendizagens de conceitos matemáticos, sejam eles geométricos ou numéricos. Objetivo: Habilidades Auditivas, orientação espacial Sons e movimento Material: nenhum Desenvolvimento: O trabalho com sequencias também pode ser realizado com sons e gestos, tais como: O professor bate palmas, bate palmas, estala os dedos, bate palmas, bate palmas, estala os dedos, etc., e propõe às crianças que continuem o padrão iniciado. A seguir, poderá propor que elas completem com o movimento adequado, palmas ou estalos de dedos, os intervalos que interrompem a sequencia, por exemplo: palma, palma, estalo, palma, palma, etc. O professor levanta os braços, abaixa, toca a ponta do nariz com o indicador, levanta os braços, abaixa, toca a ponta do nariz com o indicador, levanta os braços, abaixa, toca a ponta do nariz com o indicador, os alunos procuram imita-lo e repetem os gestos durante algum tempo. Objetivo: Orientação espacial, ritmo, habilidades auditivas Noções de espaço e lateralidade A partir de 6 anos, as crianças adquirem cada vez mais consciência das partes de seu corpo e percebem que há o predomínio de um dos lados: usam mais uma mão do que a outra, chutam a bola mais com um pé do que com o outro, etc. Isso ocorre porque começa a surgir a percepção intuitiva da lateralidade, cujo controle e conhecimentoprecisam ser trabalhados pela escola, inclusive em aulas de matemática, uma vez que o domínio da lateralidade será importante para auxiliar os alunos na superação da escrita espelhada, na localização de objetos, de outras 178 pessoas e de si mesmo com maior precisão, na percepção com maior nitidez das relações entre direção e sentido, na leitura de mapas e coordenadas, entre outras tarefas que realizarão em seu cotidiano na escola e fora dela. As atividades que seguem são todas destinadas a trabalhar o tema da lateralidade com os alunos e estão organizadas conforme o grau de dificuldade que podem representar para as crianças. Quem está à direita? Material: nenhum Desenvolvimento: Antes de iniciar a atividade, o professor pergunta aos alunos se sabem qual é a sua mão direita, como sabem disso e, então, coloca uma marca qualquer na mão direita de cada aluno só para identifica-la. Os alunos sentam em circulo e cada um recebe um crachá, o qual pode ser em forma de colar com um numero. A entrega desse crachá numerado é aleatória, não devendo obedecer a uma sequencia numérica. O professor senta com os alunos na roda, deixando um espaço vazio do seu lado direito. A brincadeira inicia com o professor dizendo: “A minha direita, está sentado o número???”. O aluno que tiver com o crachá correspondente ao numero pedido, levanta-se e vai sentar no lugar indicado. O aluno que ficou com seu lado direito desocupado, será o próximo a falar: A minha direita está sentado o número... A criança que não levantar em um determinado tempo ou que levantar na hora errada sai da roda. O mesmo ocorre com quem ficar com seu lado direito desocupado e esquecer-se de chamar. A roda vai fechando-se, e ganha quem não sair dela até o final da brincadeira. Essa brincadeira pode ser repetida umas três ou quatro vezes, de modo que na terceira vez em que brincarem nenhuma criança mais tenha a mão marcada. Também é interessante fazer a mesma atividade envolvendo a mão esquerda. Objetivo: Lateralidade Se eu fosse um robô Material: carteiras da sala, papel branco, canetinha e lápis. O professor diz aos alunos que eles imitarão um robô, o qual anda apenas quando recebe ordens de alguém. Feito isso, pede a um aluno que fique na porta da sala, explicando-lhe que se movimentará até sua carteira seguindo as instruções 179 verbais que serão dadas. As instruções devem usar apenas os comandos: em frente, pare, ande tantos passos para frente, vire à direita, dê meia volta, vire à esquerda. Quando terminar, isto é, quando o aluno atingir a sua carteira, outro aluno será chamado e o processo se repete a partir da porta e de outro ponto da sala. Outra possibilidade é que um outro aluno dê as instruções para outro seguir e depois troquem de papéis. A atividade é repetida em outros momentos, sendo possível pedir aos alunos que desenhem o último percurso realizado em uma folha em branco. Quando os desenhos estiverem prontos, o professor organiza uma roda, coloca os desenhos no chão e analisa com a classe as representações dos deslocamentos realizados, questionando quem traçou o percurso mais curto, se alguém usou seta para indicar o caminho e por quê, se é possível perceber o numero de passos dados pela criança que fez o deslocamento, etc. Objetivo: Lateralidade Quadriculados Material: giz, folha quadriculada e canetinha As atividades sobre os quadriculados visam a levar o aluno a codificar, decodificar e representar ações de deslocamentos, colocando em prática o vocabulário de relações como direita, esquerda, para cima, para baixo, para frente, etc. No chão, é desenhado com giz um quadriculado grande, com o lado de cada quadrado equivalente a um passo de seus alunos, e deixa os alunos circularem livremente sobre ele. Após esse primeiro momento, relembra com a turma a atividade SE EU FOSSE UM ROBÔ e pergunta para os alunos se seria possível usar um quadriculado para fazer o percurso como aqueles realizados na classe e como isso poderia ser feito. Então, o professor pede ajuda de algum aluno que queira experimentar realizar o percurso no quadriculado. O aluno fica em um ponto qualquer do quadriculado e desloca-se, por exemplo, dois passos ou dois lados de um quadrado para frente, um para esquerda, quatro para frente, dois para direita, etc. Professor e aluno podem revezar-se tanto na voz de comando quanto no deslocamento sobre o quadriculado, enquanto os outros alunos desenham o trajeto realizado sobre o quadriculado em uma folha de papel branco. Variação da atividade: entregar uma folha quadriculada em folha e as crianças vão seguindo as ordens com canetinha, no final todos deverão ter conseguido a mesma imagem formada. Objetivo: Orientação Espacial 180 Onde estou? Material: nenhum Desenvolvimento: Esta atividade permite ao aluno orientar-se em relação ao próprio corpo, aos objetos e a outras pessoas. O professor faz aos alunos perguntas como: - Quem senta na frente de Pedro? - Quem senta entre Ana e Júlia? - Quem senta atrás de Paulo? Os alunos devem responder às questões dando os nomes dos colegas que ocupam as posições em questão. O professor também pode dar algumas informações e pedir aos alunos que digam se elas são verdadeiras ou falsas: - Juliana senta atrás de Carla. - Felipe senta ao lado de Paula. - Carol senta à esquerda de Juliana. Em uma terceira etapa, o professor pede aos alunos que se localizem na classe – “Eu me chamo Luiz e sento na frente de Marcelo, atrás de Maria e à esquerda de Tiago.” – e que façam um desenho de sua localização. Finalmente, pode-se pedir aos alunos que fiquem de pé, na frente da sala, enquanto o professor, sentado em uma das carteiras, fornece as instruções para que eles se sentem: - Luiz, sente-se à minha direita. - Cristiane, sente-se à minha esquerda. - Patrícia, sente-se na frente de Luiz. Objetivo: Orientação Espacial Equilibrando Material: cartões com os seguintes dizeres: dois pés no chão, bumbum e pé no chão, 181 duas mãos e dois pés no chão, dois cotovelos e dois joelhos no chão, cabeça e dois joelhos no chão, um pé só no chão, somente o bumbum no chão, pés para frente e mãos para trás no chão. Obs: acrescentar outras posições Desenvolvimento: pedir que os alunos equilibrem-se conforme o que está indicado no cartão. Os alunos devem procurar equilibrar-se nas partes corretas do corpo, sem que nenhuma outra parte toque no chão, e não podem cair. O professor propõe um problema de cada vez e depois conversa com a classe, o que foi fácil, o que foi difícil, como fazer para não cair, etc. Conforme os alunos forem realizando os seis primeiros cartões com maior agilidade e rapidez, o professor pode sofisticar as propostas, incluindo cartões nos quais apareçam as cores vermelha e azul. Nesse caso, além da parte do corpo, os alunos deverão observar também se há referência de lateralidade. Objetivo: Equilíbrio, orientação espacial. Bola ao Cesto ou Bola na Boca do Palhaço Material: 5 bolas de plástico ou de meia, uma caixa de papelão desenhada e furada podendo fazer a boca de um palhaço, pode-se utilizar também uma caixa no chão ou até uma cesta. Objetivo: trabalhar coordenação visomotora (tem como finalidade o domínio de campo visual, associado à motricidade fina das mãos, dois elementos básicos para o grafismo, concentração, atenção, lateralidade, estruturação espacial, (em cima/em baixo, dentro/fora, perto/longe, do lado…). Desenvolvimento: Cadacriança, de posse de 5 bolas tentará acertar a boca do palhaço, ou ainda também acertar um cesto ou uma caixa. Deixar a criança distante uns 4mts. Fonte: adaptado de http://magisteriosamonte.blogspot.com/2016/ 182 Ao finalizarmos esta unidade relacionando ao papel da psicomotricidade no desenvolvimento humano com o lúdico, o brincar e as formas, assim como as possíveis ações e intervenções que poderão ser propostas às crianças em fase das primeiras apropriações do mundo real, vale enfatizarmos uma preocupação de não diagnosticarmos precocemente uma criança que venha apresentando alguma inaptidão psicomotora como portadora de alguma deficiência e que deve ser encaminhada a um serviço especial. Sabemos que nós adultos, muitas vezes podemos apresentar alguma dificuldade de noção espacial ou mesmo de lateralidade quando estamos dirigindo em busca de um novo endereço. Tais dificuldades não implicam em afirmarmos que temos um caso de distúrbio psicomotor. Podemos conviver sem grandes problemas com elas. Contudo, quando essas inaptidões interferem muito evidentemente no processo de aprendizagem escolar de uma criança devemos recorrer a indicações de atividades inúmeras, como as que mencionamos acima. Evidentemente que se o quadro se apresenta com claras manifestações de lentidão, falta de coordenação grave e outras perturbações psicomotoras, devemos encaminhá-las para um profissional especializado. O enfoque do estudo da psicomotricidade se faz importante em função da necessidade de entendermos o ponto de vista do desenvolvimento humano a partir das primeiras manifestações que se apresentam na interação do homem com a realidade concreta, com o meio que lhe assegura a existência. Entender as etapas do desenvolvimento psicomotor nos permite compreender o processo pelo qual nos apropriamos e interagimos com o meio que nos cerca. Essa relação pode se revelar dentro do esperado para a média da população ou de forma que indique a presença de determinados problemas de aprendizagem. Antes de definirmos tais problemas como sendo oriundos de aspectos intrínsecos (internos) ao indivíduo que aprende, temos de observar todo o contexto onde a mesma dificuldade surgiu. Uma criança que não vem apresentando comportamentos apropriados ao seu período de desenvolvimento e aprendizagem deve ser acompanhada com cuidado, no sentido de não lhe imputarmos transtornos que podem ter sua origem no contexto de suas relações sociais. Ao atuarmos como psicopedagogos, faz-se necessário que tenhamos uma concepção mais ampla sobre o indivíduo que aprende, sem incorrermos numa postura reducionista, enfatizando somente um dos aspectos do desenvolvimento, notadamente aqueles que se apresentam numa abordagem “psicologizante”, 183 buscando priorizar as justificativas que culpabilizam aquele que apresenta alguma dificuldade na aprendizagem. Finalizando, vale ressaltar que o homem se apresenta do ponto de vista da sua multirreferencialidade, o que implica em afirmar que os aspectos sociais, psicológicos, fisiológicos e culturais devem ser observados. Esperamos que você tenha aprendido bastante e que possa, em breve, estar aplicando os conceitos e técnicas aqui aprendidas em sua prática profissional. Até a próxima! 184 REFERÊNCIAS AJURIAGUERRA, J. et al. A escrita infantil: evolução e dificuldades. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. BARRETO, S. J. Psicomotricidade, educação e reeducação. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. BUENO, J. M.. Psicomotricidade: Teoria e Prática: da escola à aquática. São Paulo: Cortez, 2013. CORDAZZO, S. T. D. & VIEIRA, M. L. V. Caracterização de Brincadeiras de Crianças em Idade Escolar. Psicologia Reflexiva Crítica, Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 365-373, 2008. FONSECA, V. Manual de Observações Psicomotoras: Significação Psiconeurológica dos Fatores Psicomotores. 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