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ADAPTAÇÃO CELULAR As células respondem ao aumento da demanda e ao estímulo externo por meio da HIPERPLASIA ou da HIPERTROFIA, e respondem à redução de nutrientes e de fatores de crescimento pela ATROFIA. Em algumas situações, as células mudam de um tipo para outro, um processo conhecido como METAPLASIA. São vários os mecanismos moleculares para a adaptação celular: Indução através da estimulação direta das células pelos fatores produzidos pelas próprias células afetadas ou por outras células no ambiente que as circunda; Ativação de receptores na superfície celular e vias de sinalização. Indução da síntese de novas proteínas pelas células-alvo (como na resposta das células musculares ao aumento das exigências físicas) e a estimulação da proliferação celular (como na resposta do endométrio ao estrogênio). Mudança na produção de um tipo de proteína para outro pela célula ou pelo aumento acentuado na produção de uma proteína. 2.1. HIPERPLASIA Aumento no número de células de um órgão ou tecido, geralmente resultando em aumento do seu volume. Ocorre se a população celular for capaz de fazer MITOSE. 2.1.1. HIPERPLASIA FISIOLÓGICA Hormonal: aumenta a capacidade funcional de um tecido quando é necessário. Exemplos: proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade e durante a gravidez; útero gravídico. Compensatória: aumento da massa tecidual após dano ou ressecção parcial. Exemplo: após nefrectomia unilateral, o rim remanescente sofre hiperplasia compensatória. 2.1.2. HIPERPLASIA PATOLÓGICA A maioria é causada pela estimulação excessiva das células-alvo por hormônios ou por fatores de crescimento. Também é resposta importante do tecido conjuntivo na cicatrização (proliferação de fibroblastos e vasos sanguíneos – fatores de crescimento). Pode ocorrer também por estimulação por fatores de crescimento em certas infecções virais (ex.: papilomavírus humano – HPV). 2.2. HIPERTROFIA Aumento no TAMANHO das células, resultando em aumento do tamanho do órgão. Células capazes de se dividir podem responder ao estresse tanto fazendo hiperplasia quanto hipertrofia. Já as que não se dividem (ex.: músculo cardíaco) sofrem apenas hipertrofia. A hipertrofia pode ser fisiológica ou patológica, sendo causada por aumento da demanda funcional ou por estímulos hormonais específicos. Um bom exemplo de hipertrofia por aumento da demanda funcional é a hipertrofia das células musculares estriadas do coração e dos músculos esqueléticos. Os músculos hiperdesenvolvidos dos fisiculturistas resultam de um aumento no tamanho de cada fibra muscular em resposta ao aumento da demanda funcional. No coração, o estímulo é geralmente uma sobrecarga hemodinâmica crônica causada, por exemplo, por hipertensão ou valvas cardíacas defeituosas; neste caso, há um limite além do qual o aumento da massa muscular não é mais capaz de compensar o aumento da carga a que o coração é submetido, ocorrendo, então, a insuficiência cardíaca. Nesse estágio, ocorrem alterações degenerativas nas fibras miocárdicas, com perda e lise dos elementos contráteis miofibrilares, e a morte do miócito pode ocorrer por apoptose ou necrose. O crescimento fisiológico do útero durante a gravidez é um bom exemplo de aumento de um órgão por estimulação hormonal, no caso, pelo estrogênio. Neste caso, ocorre tanto o aumento no número quanto de volume de células musculares lisas e células epiteliais. A prolactina e o estrogênio também causam a hipertrofia fisiológica das mamas durante a amamentação. Embora hiperplasia e hipertrofia sejam processos distintos, frequentemente ocorrem juntas, e podem ser desencadeadas pelos mesmos estímulos externos. KUMAR, ABBAS e FAUSTO, 2005. 2.3. ATROFIA Redução no tamanho da célula devido à perda de substância celular. Quando envolve um número suficiente de células, o tamanho do tecido ou órgão diminui. 2.3.1. ATROFIA FISIOLÓGICA Comum nas fases iniciais do desenvolvimento (estruturas embrionárias como a notocorda e ducto tiroglosso). Um exemplo de atrofia fisiológica é a redução de volume do útero após o parto. 2.3.1. ATROFIA FISIOLÓGICA Pode ser localizada ou generalizada. As causas mais comuns são: Diminuição da carga (atrofia por desuso). Exemplo: atrofia muscular na imobilização de membro fraturado. Perda da inervação (atrofia por desnervação). Exemplo: atrofia muscular associada à poliomielite. Diminuição do suprimento sanguíneo. Exemplo: doença arterial oclusiva. Nutrição inadequada. Exemplo: desnutrição protéico-calórica (marasmo) e caquexia. Perda da estimulação endócrina. Exemplo: atrofia do endométrio e das mamas na menopausa. Envelhecimento (atrofia senil). Tipicamente vista em tecidos com células permanentes, como cérebro e coração. Pressão. A compressão de um tecido por um período de tempo pode causar atrofia. As alterações celulares fundamentais são idênticas em todos os casos, com retração das células para um tamanho menor, no qual a sobrevivência ainda é possível. A atrofia pode progredir para um ponto em que as células são danificadas e morrem. Para observar alguns aspectos microscópicos da atrofia muscular neurogênica, acesse o site http://library.med.utah.edu/WebPath/CINJHTML/CINJ001.html. Aspecto macroscópico de atrofia testicular: http://library.med.utah.edu/WebPath/CINJHTML/CINJ002.html. Aspecto macroscópico de atrofia cerebral: http://missinglink.ucsf.edu/lm/ids_104_neurodegenerative/Case1/Case1Gross.htm ou http://library.med.utah.edu/WebPath/CINJHTML/CINJ003.html. 2.4. METAPLASIA Alteração reversível na qual um tipo de célula adulta (epitelial ou mesenquimal) é substituída por outro tipo de célula adulta. Esta forma de adaptação pode representar a substituição de células mais sensíveis ao estresse por tipos celulares mais capazes de sobreviver ao ambiente adverso. Pode se desenvolver em tecidos expostos a traumatismos prolongados ou a irritações crônicas. A metaplasia mais comum é a de epitélio colunar para epitélio escamoso, que ocorre no trato respiratório em resposta à irritação crônica provocada pela fumaça do cigarro. Nesta situação, as células epiteliais colunares ciliadas normais da traquéia e dos brônquios são geralmente substituídas, focalmente ou de forma extensa, por epitélio escamoso estratificado. O epitélio escamoso estratificado, mais resistente, é capaz de sobreviver em circunstâncias nas quais o epitélio colunar especializado, mais frágil, provavelmente teria sido destruído. Apesar das células metaplásicas escamosas terem a vantagem de conseguir sobreviver, a secreção de muco – um mecanismo protetor importante – desaparece. Se as influências que predispõem à metaplasia persistem, elas podem induzir transformações malignas no epitélio metaplásico. Desta forma, o tipo mais comum de câncer no trato respiratório é composto por células escamosas que se desenvolveram em áreas de metaplasia. Um outro exemplo é a metaplasia do epitélio escamoso para o epitélio colunar que ocorre no caso do esôfago de Barret. Neste caso, o epitélio escamoso esofágico é substituído por células colunares semelhantes a células intestinais em função do refluxo de ácido gástrico. Transformações malignas podem surgir nessas áreas, tipicamente na forma de adenocarcinomas glandulares. Para observar os aspectos microscópicos da metaplasia do trato respiratório, acesse o site http://library.med.utah.edu/WebPath/CINJHTML/CINJ009.html Para observar os aspectos microscópicos da metaplasia em mucosa esofágica, acesse o site http://library.med.utah.edu/WebPath/CINJHTML/CINJ010.html