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Análise de texto pré-modernista: Fragmento de Canaã de Graça Aranha José Pereira de Graça Aranha nasceu em São Luís, no Maranhão, em 1868. Era de família abastada e culta o que lhe proporcionou seu desenvolvimento espiritual. Foi ainda adolescente cursar Direito em e teve Tobias Barreto como mestre. Formou-se em 1886 e seguiu a magistratura. Foi nomeado juiz municipal em Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo, no ano de 1890, onde juntou dados para seu romance Canaã, o qual foi lançado em 1902. Seu primeiro trabalho impresso foi o prefácio ao livro Concepção Monística do Direito, de Fausto Cardoso, que aconteceu no ano de 1894. Devido à tal publicação e à amizade com Joaquim Nabuco, foi eleito precocemente para a recém-fundada Academia Brasileira de Letras onde ocupou a cadeira a qual o patrono foi Tobias Barreto. Entrou para o Itamarati dividiu-se durante vinte anos entre a literatura e várias missões diplomáticas em vários países. Quando voltou ao Brasil, tentou impulsionar a cultura nacional baseado nas correntes de arte e pensamento europeu observadas principalmente na França. Participou da Semana de Arte Moderna e criticou a imobilidade da literatura oficial após a conferência O Espírito Moderno, rompendo com a Academia: “Ou a Academia se renova, ou morra a Academia.” A partir daí, interessado agora nos problemas sociais e políticos do país, escreveu o romance A Viagem Maravilhosa e aderiu à Revolução de Outubro. Faleceu no Rio de Janeiro, aos sessenta e dois anos de idade, em janeiro de 1931. Canaã foi uma obra escrita em 1902, que fala sobre a imigração alemã no Espírito Santo. Foi o primeiro romance ideológico brasileiro a discutir o destino histórico do país. Representou um elo entre “as correntes filosóficas e estéticas do final do século XIX (Realismo, Naturalismo, Simbolismo) e a revolução modernista da segunda década do século XX.” É um dos marcos do pré-modernismo. A trama se passa no início do século XX (1902) e nela pode ser notada a presença dos tempos cronológico e psicológico. O espaço físico é a cidade de Porto do Cachoeiro e pode ser considerado como espaço social o armazém de Roberto Schultz. A história é narrada em terceira pessoa com narrador onisciente, sendo utilizada pelo autor uma linguagem culta e formal. Como característica da obra, o autor descreve constantemente a natureza e a população local. A ideia central do romance são os debates entre Milkau e Lentz, dois colonos alemães que se instalam em Porto do Cachoeiro (hoje Santa Leopoldina), no Espírito Santo. Eles tornam-se amigos e competidores ao defenderem duas filosofias de vida diferentes. Milkau vem para o Brasil após a morte de seus pais e de sua amada. Ele resolve largar tudo e recomeçar sua vida na “Terra Prometida”, que seria o Brasil em sua idealização inicial. Ex-crítico literário em um jornal de Berlin, é amante da arte, da natureza, da paz e da união entre os homens. É liberal e sonhador. Lentz, por sua vez, considera os brasileiros ociosos, preguiçosos, fracos e indolentes. Pensa que, por serem mestiços, os brasileiros deveriam ser dominados por “raças superiores”. Milkau é o personagem que representa o otimismo, a confiança no futuro e na força renovadora do amor universal. Lentz, ao contrário, é adepto das teorias racistas, e considera o brasileiro um povo fraco e indolente. Milkau representa “a lei do amor” enquanto Lentz representa “a lei da força”. São duas ideologias confrontadas: o universalismo (Milkau) e o racismo (Lentz). Esse confronto ideológico inédito até então foi o que antecipou a tomada de consciência dos modernistas. Canaã significa “A Terra Prometida”, e sendo os personagens imigrantes alemães, eles veem o vilarejo, como um lugar preparado para encontrar a paz e a abundância que eles desejam. A vida no vilarejo funciona harmoniosamente. Tudo possui um seu lugar certo e cada um possui sua função trabalhada de maneira serena e feliz. Segundo o trecho disponibilizado para análise, no lugar funcionava uma espécie de núcleo industrial da colônia, com atividades como: sapateiro, alfaiate, fiadoras, cozinheiras, ferreiros e roceiros. Fonte: Xerox de fragmento da obra Canaã cedido pela professora. ANDRADE, Fernando Teixeira de. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - Literatura Brasileira). In: Coleção Objetivo – Sistema de Métodos de Aprendizagem. v. 5.