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Pré-modernismo 1902-1922
A vida literária antes da semana de 22
Pré-modernismo?
Simbolismo/Parnasianismo Pré-modernismo Semana de
22/Modernismo
Literatura de transição?
Não! O termo pré-modernismo, organiza a
história da literatura e da cultura tendo por
centro o modernismo. Cada época tem suas
demandas históricas e estéticas e não são etapas anteriores
de algo mais importante que as antecede.
Contexto Histórico
1) Sistema político: República do Café com Leite ou República Velha
(1894-1930):
*Regime político que dependia do sucesso da exportação
*Produtores delegavam ao Estado a compra dos excedentes.
2) Fim do século XIX = urbanização + vinda de imigrantes
3) Marginalização dos escravos – Lei Áurea 13 de maio de 1888
4) Início da industrialização – cria-se a classe média, os operários e o
subproletariado.
Contexto Histórico
5) Decadência da cultura da
cana-de-açúcar –
empobrecimento galopante no
Nordeste.
Síntese do cenário: Política só
representava os interesses de um
grupo poderoso, as novas classes
sociais e os mais pobres não
tinham seus interesses
contemplados.
Contexto Histórico
“ Do quadro emergem ideologias em
conflito: o tradicionalismo agrário
ajusta-se mal à mente inquieta dos
centros urbanos, permeável aos
influxos europeus e norte-americanos
na sua faixa burguesa, e rica de
fermentos radicais nas suas camadas
médias e operária.”
(Alfredo Bosi, História Concisa da
Literatura Brasileira, p. 304)
E a Literatura com isso?
A tensão social será matéria do romance
pré-modernista:
A) Canudos – Os Sertões, Euclides da
Cunha.
B) Movimentos operários – Brás, Bexiga
e Barra funda, Alcântara Machado.
C) A vida no interior do São Paulo – Jeca
Tatu, de Monteiro Lobato.
Assunto da literatura =
problematização da realidade social do
país, em diversos níveis.
Euclides da Cunha – 1866-1909
Investe na carreira militar até se
desentender com o ministro da guerra. É
excluído de exército e confessa-se
militante republicano. Julgado por D.
Pedro II, consegue o perdão. Com a
proclamação da República, volta ao
exército e se forma em engenharia
militar.
Desliga-se do exército por novos
desentendimentos e passa a trabalhar
como jornalista, quando é enviado para
Canudos e lá inicia a escrita d’ Os Sertões
(1897) .
Foi assassinado pelo amante da esposa.
Estilo:
• Influência do Positivismo e
Determinismo;
• Preocupação com a realidade
histórica e social do Brasil;
• Descrições minuciosas do
meio, do homem e da luta;
• Literatura sociológica;
• “Os Sertões” Obra híbrida =
Literatura e História
“Os Sertões”
Intentamos esboçar, palidamente embora, ante o olhar de futuros historiadores,
os traços atuais mais expressivos das sub-raças sertanejas do Brasil. E fazemo-lo
porque a sua instabilidade de complexos de fatores múltiplos e diversamente
combinados, aliada às vicissitudes históricas e deplorável situação mental em que
jazem, as tomam talvez efêmeras, destinadas a próximo desaparecimento ante as
exigências crescentes da civilização e a concorrência material intensiva das
correntes migratórias que começam a invadir profundamente a nossa terra. O
jagunço destemeroso, o tabaréu ingênuo e o caipira simplório serão em breve
tipos relegados às tradições evanescentes, ou extintas.
[...]
Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação
integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo. (nota preliminar de “Os Sertões”)
Lima Barreto
(1881-1922)
Neto de ex-escravos. Matriculou-se na Escola
Politécnica, com a ajuda do Visconde de Ouro
Preto, mas não se formou. Logo após, seu pai
enlouquece e é internado.
Passou toda a vida no Rio de Janeiro e escreveu
sobre a cidade e seus bairros e hábitos mais
simples e boêmios.
Apesar da pobreza, era um leitor erudito e
planejou quase todas as suas obras com vinte e
poucos anos. Tinha depressão e foi alcóolatra, o
que lhe trouxe duas internações no Hospício
Nacional.
Viveu diversos casos de injustiça e humilhação,
dada a cor de sua pele e sua origem simples.
Lima Barreto (1881-1922)
Estilo:
• Misto de ideário socialista + sentimento
conservador = igualdade e justiça social
+ Contra a modernização, flerte com a
monarquia.
• Homem polêmico.
• Crítico ao nacionalismo: Triste fim de
Policarpo Quaresma
• Prosa espontânea e animada, fácil de
ler
• Literatura ligada ao real da vida urbana
e as figuras humanas, próximo da
crônica de costumes.
“Clara dos Anjos”
O carteiro Joaquim dos Anjos não era homem de serestas e serenatas;
mas gostava de violão e de modinhas. Ele mesmo tocava flauta,
instrumento que já foi muito estimado em outras épocas, não o sendo
atualmente como outrora. Os velhos do Rio de Janeiro, ainda hoje, se
lembram do famoso Calado e das suas polcas, uma das quais - "Cruzes,
minha prima!"é uma lembrança emocionante para os cariocas que
estão a roçar pelos setenta. De uns tempos a esta parte, porém, a
flauta caiu de importância, e só um único flautista dos nossos dias
conseguiu, por instantes, reabilitar o mavioso instrumento - delícia, que
foi, dos nossos pais e avós.
Monteiro Lobato
(1895- 1948)
Foi um importante editor de livros inéditos
e autor de importantes traduções. Seguindo
seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos
da Carochinha"), ficou popularmente
conhecido pelo conjunto educativo de sua
obra de livros infantis.
Formado em direito, atuou como promotor
público até se tornar fazendeiro, após
receber herança deixada pelo avô. Diante
de um novo estilo de vida, Lobato passou a
publicar seus primeiros contos em jornais e
revistas.
Só em 2010 começou-se a discutir o tema
do racismo em suas obra. Era membro da
Sociedade Eugenia, em São Paulo.
Monteiro Lobato
Estilo:
- Moralista e racionalista;
- Nacionalista, Determinista e
Positivista
- Antivanguardista (“Paranóia ou
Mistificação”)
- Ponto alto de sua literatura :
Sítio do Pica-Pau-Amarelo.
Afinal as duas velhas apareceram – Dona
Benta no vestido de gorgorão, e Nastácia num
que Dona Benta lhe havia emprestado.
Narizinho achou conveniente fazer a
apresentação de ambas por haver ali muita
gente que as desconhecia. Trepou em uma
cadeira e disse:
- Respeitável público, tenho a honra de
apresentar vovó, Dona Benta de Oliveira,
sobrinha do famoso Cônego Agapito
Encerrabodes de Oliveira, que já morreu.
Também apresento a Princesa Anastácia. Não
reparem por ser preta. É preta só por fora, e
não de nascença. Foi uma fada que um dia a
pretejou, condenando-a a ficar assim até que
encontre um certo anel
na barriga de um certo peixe. Então o encanto
se quebrará e ela virará uma linda princesa
loura (LOBATO, 1959, p. 234)
Augusto dos Anjos
(1884-1914)
Augusto dos Anjos, estudou na Faculdade
de Direito do Recife entre 1903 e 1907.
Formado em Direito, retornou para João
Pessoa, capital da Paraíba, onde passou a
lecionar Literatura Brasileira e língua
portuguesa, em aulas particulares.
Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4
horas da madrugada, aos 30 anos,
em Leopoldina, Minas Gerais, onde era
diretor de um grupo escolar. A causa de
sua morte foi a pneumonia.
Augusto dos Anjos (1884-1914)
• Publicou um único livro : “Eu”
• Pessimista, materialista, cético,
cientificista
• Sua poesia conjuga a dimensão
cósmica e a angústia moral
• https://www.youtube.com/watch
?v=jMV5LCrOuN4
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
A preparação da Semana de
Arte Moderna
Contexto
O início de tudo...
1917, São Paulo assistia à
inauguração da Exposição de
pintura moderna Anita Malfatti.
Duas reações:
1) Adesão
apaixonada (Futuros
modernistas)
2) Crítica feroz - “A propósito da
exposição Malfatti” –
posteriormente conhecida
como “Paranoia ou
mistificação?” (Monteiro
Lobato)
Consequências
• A crítica de Lobato provoca a ira dos futuros modernistas
que se reúnem em torno de Anita Malfatti cria-se o grupo
modernista
• Anita Malfatti nunca mais organiza exposição própria no
Brasil
Unesp 2017
Trata-se de uma obra híbrida que transita
entre a literatura, a história e a ciência, ao
unir a perspectiva científica, de base
naturalista e evolucionista, à construção
literária, marcada pelo fatalismo trágico e
por uma visão romântica da natureza. Seu
autor recorreu a formas de ficção, como a
tragédia e a epopeia, para compreender o
horror da guerra e inserir os fatos em um
enredo capaz de ultrapassar a sua
significação particular.
(Roberto Ventura. “Introdução”. In: Silviano
Santiago (org.). Intérpretes do Brasil, vol. 1,
2000. Adaptado.)
Tal comentário crítico aplica-se à obra
a) Capitães da Areia, de Jorge Amado.
b) Vidas secas, de Graciliano Ramos.
c) Morte e vida severina, de João Cabral
de Melo Neto.
d) Os sertões, de Euclides da Cunha.
e) Grande sertão: veredas, de Guimarães
Rosa.
Enem 2017
Chamou-me o bragantino e levou-me pelos
corredores e pátios até ao hospício propriamente.
Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de
indigentes, aquela em que a imagem do que a
Desgraça pode sobre a vida dos homens é mais
formidável. O mobiliário, o vestuário das camas, as
camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer
monopólio, os loucos são da proveniência mais
diversa, originando-se em geral das camadas mais
pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes
italianos, portugueses e outros mais exóticos, são
os negros roceiros, que teimam em dormir pelos
desvãos das janelas sobre uma esteira
esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros,
cocheiros, moços de cavalariça, trabalhadores
braçais. No meio disto, muitos com educação, mas
que a falta de recursos e proteção atira naquela
geena social.
BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos
vivos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010.
No relato de sua experiência no sanatório onde
foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade
social e humana marcada pela exclusão. Em seu
testemunho, essa reclusão demarca uma
a) medida necessária de intervenção terapêutica.
b) forma de punição indireta aos hábitos
desregrados.
c) compensação para as desgraças dos
indivíduos.
d) oportunidade de ressocialização em um novo
ambiente.
e) conveniência da invisibilidade a grupos
vulneráveis e periféricos.