Prévia do material em texto
pPPPPPKKP SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO DE ILHÉUS - SEDUC 2012 DIRETRIZES CURRICULARES DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ILHÉUS-BA Prefeito Municipal de Ilhéus Newton Lima Silva Vice Prefeito Municipal Mário Alexandre Corrêa de Sousa Secretária de Educação Lidiney Maria F. Campos de Azevedo Diretora Pedagógica Sara Mirian Pereira Alves Lemos Produção e Organização Textual Jussara Tânia Silva Moreira – Formação Zoêmia Núbia Sampaio de Souza – Formação Edição Gráfica Patrícia Regina Prisco Ferreira – Anos Finais Produção Textual Adriana Barreto De Santana – NTM Antônio Carlos Oliveira Da Luz - NTM Danyelle Bomfim Matos Pimentel – CRIE Edla Soares dos Santos – Progressão Eleny Tereza Santos Correia – Educação do Campo Eunice Ijino Santana– EJA Indiara Azevedo Fonseca – Educação Infantil Jorsinai de Argolo Souza - CRIE Jozair Anunciação do Amaral – EJA Lucília Santos Da França Lopes - CRIE Maria Angélica Silva da Silva – Ciclos Iniciais Patrícia Regina Prisco Ferreira – Anos Finais Sandra Catharina Elias Lopes Silva- Orientação Escolar Sueli Alves Farias - NTM Colaboração Ana Paula Gonçalves de Sousa Lima – Gestão Escolar Camila da Silva Lisboa – Pacto pela Educação Débora Diane Souza Duarte – Pro- Letramento Fabiana Leitão Bezerra Santos – Pacto pela Educação Fabíola Midlej Adry - Pacto pela Educação José Vicente D’Avila Cassimiro - Pacto pela Educação Lisandra de Oliveira Haad – Pacto pela Educação Valéria Almeida dos Santos – Pacto pela Educação Viviane Oliveira de Castro - Pacto pela Educação SUMÁRIO A PALAVRA DA SECRETÁRIA APRESENTAÇÃO 1 DIRETRIZES CURRICULARES DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ILHÉUS .............................5 1.1 Um Pouco de Nossa História ..................................................................................................7 Núcleo de Tecnologia Municipal (NTM) ............................................................................... 10 CRIE: Centro de Referencia à Inclusão Escolar .................................................................... 12 1.2 Referências e Discussão das Diretrizes ................................................................................ 32 1.3 Organização Curricular e Matrizes: Competências, Habilidades e Conteúdos............... 38 2 DIRETRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL .............................. 41 3 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................. 73 4 DIRETRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL .................. 75 5 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL .................................................... 101 6 ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ............... 105 7 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ....................................... 116 8 ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO DO CAMPO .................................... 119 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS: POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA ........................................... 143 10 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 145 A PALAVRA DA SECRETÁRIA É com grande satisfação que entrego a rede municipal de ensino as diretrizes curriculares municipais para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. Elas sistematizam o que foi estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9394/96) e outros marcos legais que regem o sistema educacional do Brasil. Construir um documento que norteará o trabalho pedagógico das unidades escolares exige socialização de saberes, respeito às concepções do outro, participação consciente de cada envolvido como membro de uma atividade que se consolida em equipe. Enfim, não é uma tarefa fácil. A publicação que você recebe agora apresenta o resultado desse trabalho e do esforço para fazer de um sonho uma possível realidade. Aqui, estão contidas as diretrizes curriculares gerais, além de outras informações que, certamente, vão subsidiar os trabalhadores da educação na elaboração de propostas pedagógicas para as escolas do Sistema Público Municipal de Ensino. Em articulação com as diretrizes, a SEDUC também promove a formação contínua dos seus docentes e técnicos da educação. Acreditamos que, assim, motivamos sua busca permanente por estudos e pesquisas, contribuindo para qualificar ainda mais o ensino. Acreditando nessa conjunção de fatores que estamos orientando o trabalho desenvolvido nas escolas, dinamizando o ensino e integrando a multiplicidade de experiências e saberes necessários. Aos educadores das escolas municipais de Ilhéus, meus desejos de que esse seja o norte, o caminho... e que avancemos na direção de uma educação de qualidade, na perspectiva de colaboramos para fazer com que os alunos e alunas do sistema municipal de Ilhéus sejam cada vez mais protagonistas de suas próprias histórias e da história da cidade. Boa leitura e bom trabalho! Secretária Municipal da Educação Profª Lidiney Maria Ferreira Campos de Azevedo APRESENTAÇÃO No momento em que a rede municipal de ensino de Ilhéus vem centrando esforços na discussão pela melhoria da qualidade da educação e na busca de novas estratégias para alcançar tal objetivo, a SEDUC busca instrumentalizar seus educadores para a tarefa de ensinar / aprender com sucesso. Essas diretrizes curriculares são dedicas aos professores, por acreditar que essa edição possa contribuir para o trabalho com as disciplinas do currículo e, por meio delas, para a formação integral de nossos alunos. As Diretrizes Curriculares Municipais têm como orientações gerais: o compromisso com o fazer e o aprender; relacionar as propostas educacionais com o desenvolvimento econômico, social, político e cultural; efetuar a defesa da educação básica e da escola pública; possibilitar a articulação de todos os níveis e modalidades de ensino e, a compreensão dos profissionais da educação como sujeitos epistêmicos. Neste momento, cabe aos sujeitos da educação (professores e equipes pedagógicas) retomar as propostas curriculares em vigência e avaliarem a sua correspondência com o que está proposto nestas diretrizes, para assim rever o que necessita ser alterado, complementado, substituído e mantido, levando em consideração que todas as escolas da rede municipal, respeitada as suas particularidades, estão vinculadas ao mesmo sistema de ensino, certamente, tais reflexões e atitudes podem contribuir para a organização desse sistema. Equipe Pedagógica 1 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO PARA A REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ILHÉUS A Secretaria Municipal de Educação de Ilhéus (SEDUC), no intuito de oferecer uma educação de qualidade social efetua a construção das diretrizes curriculares para apresentar aos educadores reflexões, orientações e sugestões que possam contribuir para a prática educativa em sala de aula. Pretende-se, desta forma, produzir uma linha de trabalho comum (mas não uniforme) nas escolas. Neste sentido, é compromisso da Secretaria desenvolver uma política educacional que possa minimizar as desigualdades sociais. Considerando ainda, a grande diversidade presente em nossa rede optou-se na organização dos conhecimentos por áreas, cabendo aos professores, segundo as necessidades e possibilidades dosalunos, definirem a maneira mais adequada de estudo. A grande meta educacional é que ao final do ensino infantil e fundamental todos os educandos tenham adquirido as noções mais relevantes contidas neste currículo básico, sendo capazes de prosseguir os estudos com segurança e competência. Essas diretrizes mediante aos princípios pedagógicos e filosóficos que a subjazem destacam as concepções de homem, sociedade, educação e função social da escola. Sua estrutura está constituída por eixos, marcos e orientações curriculares de cada segmento do ensino infantil e fundamental, colocando as questões específicas da educação de jovens e adultos (EJA), educação especial e educação do campo. Sua construção teve por base axiológica valores voltados para o desenvolvimento da pessoa humana, formação ética e exercício da cidadania, bem como, pela composição da teoria do ciclo de aprendizagem, interdisciplinaridade e contextualização histórica. Direcionamentos esses, que vinculam a educação ao mundo do trabalho, sem perder de vista o caráter da prática social, compreensão de significados, preparação para o exercício da cidadania, construção da autonomia intelectual e pensamento crítico, aprendizado da flexibilidade para o entendimento das novas condições de vida, organização social, indissociabilidade entre a teoria e prática. 6 É mister contemplar em uma perspectiva critica o processo de globalização da economia, que em um mundo cada vez mais impactado pelo avanço científico- tecnológico marcou profundamente as transformações ocorridas no âmbito do trabalho, mas também, aponte para um novo paradigma de educação: a pedagogia de competência, que para Perrenoud (1999, p.7) “é a capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimento, mas sem limitar-se a eles". Essa dinâmica contemporânea fundamenta os conceitos de educação e competência pela construção das habilidades, ótica que acaba por reestruturar os processos de ensino e aprendizagem e (re)elaborações dos seus projetos pedagógicos. Dito de outra maneira, a SEDUC parte das elocuções levantadas por Barros Leal (2001) ao dizer que a priori deve se ter as seguintes questões: quais são as competências exigidas atualmente do jovem? Como entender que na atualidade da complexa globalização informatizada existe a predominância da competividade em detrimento ao conhecimento? Quais são as ponderações que podem sinalizar indagações sobre a função da escola? Essas questões são direcionadoras para priorizar o respeito à diferença existente entre os seres humanos em seu processo de formação, evitando os equívocos graves na condução dos trabalhos educacionais. Como um processo dinâmico que pressupõe a continuidade a educação está num permanente “vir a ser”, concretizando-se no desenvolvimento de ação e reflexão. Reconhecendo essa dialeticidade a equipe pedagógica da SEDUC percebeu a necessidade de formular essas diretrizes, em consonância com as diretrizes nacionais e resoluções do Conselho Municipal de Educação. Para tanto, reuniões foram realizadas com a finalidade de elaborar as matrizes curriculares, mediante a ressignificação do ensinar e do aprender. Esse documento é considerado o plano de referência para todos os planejamentos escolares, devendo a reconstrução acontecer a cada quatro (4) anos e a revisão no período de dois (2) anos, a partir da data de sua aprovação pelo Conselho Municipal de Educação. O referido documento permeado pelas concepções do ciclo de aprendizagem subsidiou a construção de uma matriz curricular adequada ao tempo cultural do aluno, buscando a excelência dos saberes fundamentais para a sua inserção na sociedade. Além disso, a mesma prima por uma formação que desenvolva as competências e habilidades 7 instrumentais, humanas e políticas, ou seja, uma formação que reconheça a identidade do sujeito em sua cultura. Essa meta estabelecida pela SEDUC é direcionadora para buscar a qualidade educacional, garantindo um currículo que tenha maior sentido de realidade e atualidade, objetivando o combate ao isolamento físico, pedagógico, administrativo e profissional. Tal requisito básico para a formação do ciclo de aprendizagem tem como foco o compartilhamento da autoridade, delegação das responsabilidades, valorização e mobilização das equipes escolares, canalizando para a iniciativa do trabalho coletivo. Salientamos que a SEDUC através de avaliações e ajustes internos, anuais ou em qualquer momento, pode juntamente com o Conselho Municipal de Educação efetuar mudanças, quando necessárias, dos princípios, finalidades e objetivos institucionais propostos. Entretanto deve ser observado que somente as leis não asseguram a autonomia e a gestão democrática, peças chave para a construção participativa de qualquer projeto, mas o real comprometimento dos atores educacionais onde cada indivíduo trabalha em prol do coletivo. 1.1 Um Pouco de Nossa História Apesar das constantes transformações que permeiam a realidade em decorrência dos avanços científicos e tecnológicos, podemos afirmar que no âmbito da sociedade brasileira ainda existe muita injustiça, violência e diferenças culturais, sociais e econômicas. As desigualdades são alarmantes e, por conseguinte, gera um quadro de exclusão social. Esse quadro também se apresenta em nosso contexto ilheense, caracterizando nossa sociedade, em sua grande maioria, com baixo poder aquisitivo, ausência de infraestrutura, presença de subempregos, falta de segurança, precariedade dos serviços públicos oferecidos, baixo grau de instrução e pouco acesso à cultura, causando desestímulo na população e gerando acentuadas desigualdades sociais. A análise dessa realidade nos revela que o contexto sócio-econômico, político e cultural onde são inseridas as escolas municipais acaba por determinar a construção de diretrizes que contemplem claramente as finalidades da educação, a definição do seu papel, suas formas operacionais e os caminhos que pretende seguir. Neste contexto, 8 exige-se pensar nos rumos da educação do município, suas tendências majoritárias e alternativas de buscar a excelência, pois não refletir sobre este momento implica, inevitavelmente, ser levada a reboque dos interesses mais conservadores da sociedade. Assim sendo, é inevitável e imprescindível a modernização das escolas da rede municpal de ensino, transformando-as num local privilegiado onde o saber sistematizado disciplinar não é seu único universo, mas também, preparar indivíduos críticos, sociais e competitivos para atuar em seus locus sociais, fato que exige compromisso politico, pedagógico e coletivo. Partindo dessas considerações, apresenta de forma sucinta o perfil sócio, econômico e cultural do município para que possamos melhor situar as condições reais da educação. Situado no sul da Bahia, o município de Ilhéus é caracterizado por uma extensa área rural e litorânea, possui 1.760 km2 e abriga uma população de 184.236 habitantes (IBGE, 2010, ONLINE). Sua grande extensão territorial, destacando a concentração populacional na área rural e a falta de recursos para investimentos se constitui em uma das suas dificuldades para garantir a qualidade de vida, pavimentação das vias rurais, fortalecimento da agricultura de subsistência, além da efetivação dos objetivos educacionais. Sua história remonta a época das Capitânias Hereditárias, tendo a “Vila de São Jorge dos Ilhéos” como atividade econômica a produção agrícola, especialmente o plantio do cacau. O referido produto oportunizou a origem de uma história recheada de tramas, amores, conchavos políticos e disputa pelo poder, terreno fértil paraos romances de Adonias Filho e Jorge Amado. Sobrevivente de uma monocultura que detinha a riqueza nas mãos de poucos privilegiados, a cidade passou por um forte momento de crise com a invasão da vassoura de bruxa que se disseminou na plantação de cacau de toda a região. Passado o momento de grande recessão e dificuldade, atualmente, Ilhéus desponta como um importante polo turístico que associado a outros empreendimentos na área industrial vislumbram para a cidade momentos de maior crescimento e prosperidade. Tal situação tem possibilitado um avanço do ponto de vista econômico apresentando um quadro mais satisfatório na geração de emprego e renda – mesmo que de forma tímida. 9 A cidade de Ilhéus em sua rede municipal de educação compõe um conjunto de quarenta e seis (46 Unidades), sendo trinta e três (33) na sede e treze (13) no campo, atendendo ao ensino Infantil e fundamental, absorvendo as questões específicas da educação de jovens e adultos, educação especial e educação do campo Além disso, na atualidade existem seis (06) escolas conveniadas. Compete a Secretaria de Educação, administrar as suas unidades escolares, além de planejar, informar e orientar os profissionais da educação que estão sob sua responsabilidade administrativa, adotando, como meta principal, a disponibilização de dados, permanentemente atualizados, para acompanhar, controlar e avaliar as ações propostas. As atividades de políticas públicas da Secretaria Municipal estão pautadas nas vertentes pedagógicas, sócio-político-cultural e administrativa. Na vertente pedagógica a perspectiva é possibilitar que os processos e estratégias metodológicas norteiem suas ações a partir de um currículo descentralizado e contextualizado, valorizando o cidadão no seu espaço de vivência. A integração com a comunidade escolar, estabelecendo um clima harmonioso nos diversos aspectos do processo educacional deve ser considerada pela vertente sócio-política e cultural. Nesse sentido, surge à necessidade de pensar um trabalho educacional em equidade com o conhecimento cientifico e cultural, colocando aluno, comunidade, professor e escola como agentes construtores de uma sociedade mediada pela justiça social. Pois, decorrente do mundo pós-moderno, caracterizado como rápido, complexo e incerto, a escola se vê refém de um sistema que cobra e espera dela a formação de cidadãos aptos a adequarem-se ao modelo imposto pela ciranda econômica, na qual a ascensão social e sucesso financeiro é a meta principal. Contudo, a universalização do ensino vem tencionar esse paradigma visto que não existe lugar para todos no topo da pirâmide capitalista e, nem todos se veem nele. Para a grande maioria que seguira seu caminho vivendo, convivendo e empregando sua força de trabalho na própria comunidade, essa escola necessita projetar uma filosofia de educação que corresponda a uma formação crítica, intelectual e consciente, na perspectiva de vislumbrar mudanças em seu cotidiano. 10 A construção das diretrizes curriculares tem se constituído num momento ideal para reflexão sobre os entraves presentes no percurso de desencadeamento de objetivos educacionais, sinalizando caminhos que leva a insatisfação, desemprego e subserviência refletida no aluno como resultado final de uma pratica de conhecimentos da realidade sócio histórica, local e global, na concepção de que basta certificar o aluno para que este tenha uma falsa ilusão de preparo para a vida. É nesta perspectiva, que a SEDUC delineia o quadro real de desafios a serem enfrentados, dentre esses a formação de professores, a ruptura com modelos tradicionais de trabalho, bem como, a busca de um novo modelo de educação. Ciente da longa e árdua caminhada rumo à democratização da educação pública acredita-se que este ideal somente se concretizará pelas mãos daqueles que fazem o cotidiano da escola. Porém, para tanto, tem-se consciência de que é necessário garantir as condições básicas para que as escolas públicas municipais possam recuperar sua dignidade e seu valor social. Nessa perspectiva, a SEDUC apresenta como suporte pedagógico: a) 11 - - - - 12 - - b) CRIE: Centro de Referencia à Inclusão Escolar I Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva De acordo com o documento do Ministério da Educação que trata dos Marcos Político-Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, a redes de ensino devem organizar-se para de oferecer uma educação que contemple as necessidades de formação humana e cidadã para todos os brasileiros, neste contexto as pessoas com algum tipo de deficiência, transtorno global do desenvolvimento e pessoas com altas habilidades, compõem o público do serviço de atendimento educacional especializado. A nossa Constituição Federal elegeu como fundamentos da República a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inc. II e III), e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inc. IV). Garante ainda expressamente o direito à igualdade (art. 5º), e trata, nos artigos 205 e seguintes, do direito de TODOS à educação. Esse direito deve visar o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (art. 205). Além disso, elege como um dos princípios para o ensino, a igualdade de condições de acesso e permanência na escola. (art. 206, inc. I), acrescentando que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um. (art. 208, V). Portanto, a Constituição garante a todos o direito à educação e ao acesso à escola. Toda escola, assim reconhecida pelos órgãos oficiais como tal, deve atender aos princípios constitucionais, não podendo excluir nenhuma pessoa em razão de sua origem, raça, sexo, cor, idade, deficiência ou ausência dela. Em acordo a Constituição Federal de 1988, a LDBN busca contemplar as necessidades de atender as especificidades dos alunos identificados com algum tipo de 13 necessidade educacional especial, no capítulo V, onde trata do atendimento educacional especial. Em nossa Constituição anterior, as pessoas com deficiência não eram contempladas nos dispositivos referentes à Educação em geral. Esses alunos, independentemente do tipo de deficiência, eram considerados titulares do direito à Educação Especial, matéria tratada no âmbito da assistência. Pelo texto constitucional anterior ficava garantido aos deficientes o acesso à educação especial. Isso não foi repetido na atual Constituição, fato que, com certeza, constitui um avanço significativo para a educação dessas pessoas. Assim, para não ser inconstitucional, a LDBEN ao usar o termo Educação Especial deve fazê-lo permitindo uma nova interpretação, um novo conceito, baseados no que a Constituição inovou, ao prever o atendimento educacional especializado e não Educação Especial em capítulo destacado da Educação. Defendemos um novo conceito para a Educação Especial, pois esta sempre foi vista como a modalidade de ensino que podia substituir os serviços educacionais comuns, sem qualquer questionamento a respeito da idade do aluno para quem os serviços comuns estavam sendo totalmente substituídos. Por mais palatável que seja essa possibilidade, dado que muitas crianças e adolescentes apresentam diferenças bastante significativas, não podemos esquecer que esses alunos têm, como qualquer outro,direito de acesso à educação, em ambiente escolar que não seja segregado, juntamente com seus pares da mesma idade cronológica. A participação desses alunos deve ser garantida nas classes comuns para que se beneficiem desse ambiente escolar e aprendam conforme suas possibilidades. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº 9.394/96, no artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências e; a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. Também define, dentre as normas para a organização da educação básica, a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 24, inciso V) e “*...+ oportunidades 14 educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37). Em 1999, o Decreto nº 3.298 que regulamenta a Lei nº 7.853/89, ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino, enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. Acompanhando o processo de mudanças, as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que: Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001). As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar a escolarização, porém, ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular, não potencializa a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino prevista no seu artigo 2º. O Plano Nacional de Educação - PNE, Lei nº 10.172/2001, destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular, à formação docente, à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. A Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3.956/2001, afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas, definindo como discriminação com base na deficiência, toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Esse Decreto tem importante repercussão na educação, exigindo uma reinterpretação da educação especial, compreendida no contexto da diferenciação adotada para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. 15 Na perspectiva da educação inclusiva, a Resolução CNE/CP nº1/2002, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, define que as instituições de ensino superior devem prever em sua organização curricular formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. A Lei nº 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. A Portaria nº 2.678/02 aprova diretriz e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braile para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. Em 2003, o Ministério da Educação cria o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, visando transformar os sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos, que promove um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização, a organização do atendimento educacional especializado e a promoção da acessibilidade. Em 2004, o Ministério Público Federal divulga o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular, com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão, reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. Impulsionando a inclusão educacional e social, o Decreto nº 5.296/04 regulamentou as leis nº 10.048/00 e nº 10.098/00, estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Nesse contexto, o Programa Brasil Acessível é implementado com o objetivo de promover e apoiar o desenvolvimento de ações que garantam a acessibilidade. O Decreto nº 5.626/05, que regulamenta a Lei nº 10.436/2002, visando à inclusão dos alunos surdos, dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular, a 16 formação e a certificação de professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngue no ensino regular. Em 2005, com a implantação dos Núcleos de Atividade das Altas Habilidades/Superdotação – NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal, são formados centros de referência para o atendimento educacional especializado aos alunos com altas habilidades/superdotação, a orientação às famílias e a formação continuada aos professores. Nacionalmente, são disseminados referenciais e orientações para organização da política de educação inclusiva nesta área, de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006, da qual o Brasil é signatário, estabelece que os Estados Parte devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta de inclusão plena, adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório, sob alegação de deficiência; b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art.24). Em 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Ministério da Educação, o Ministério da Justiça e a UNESCO lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos que objetiva, dentre as suas ações, fomentar, no currículo da educação básica, as temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem inclusão,acesso e permanência na educação superior. II Orientações do Trabalho Pedagógico para Alunos com Surdez Para organização dos processos educacionais das pessoas com SURDEZ, nossa intenção é esclarecer que o ato educativo relativo ao contexto da escola para o aluno com surdez, no que diz respeito ao cotidiano pedagógico, precisa ser redirecionado, construindo novas e infinitas possibilidades que levem este aluno a uma aprendizagem contextualizada e significativa, valorizando seu potencial e desenvolvendo suas 17 habilidades cognitivas, linguísticas e sócio afetivas. Propomos considerar a pessoa com surdez, o conhecimento e o objeto de estudo a partir da base conceitual do pensamento pós-moderno, que envolve epistemologicamente a complexidade do fenômeno inter e intra-humano e estabelece uma simbiose entre a educação da consciência e da instrução da inteligência. De acordo com o Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, as pessoas com surdez têm direito a uma educação que garanta a sua formação, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo. Pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngue e se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez na escola é fazer com que esta instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida. Na abordagem bilíngue, a Libras e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, quando ensinadas no âmbito escolar, são deslocadas de seus lugares especificamente linguísticos e devem ser tomadas em seus componentes histórico- cultural, textual e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica. Para que isso ocorra, não se discute o bilinguismo com olhar fronteiriço ou territorializado, pois a pessoa com surdez não é estrangeira em seu próprio país, embora possa ser usuária da Libras, um sistema linguístico com características e status próprios. Deverá ser considerada ainda no currículo escolar da rede municipal, a especificidade linguística das pessoas surdas, nos aspectos identitários e culturais, pois estas constroem as relações com o mundo a partir de processos visuais, logo a cultura tradicionalmente oral da escola, impressa no currículo, não contempla a necessidade das representações visuais da história de vida dos surdos, da necessidade de associarem-se uns aos outros tendo a língua como fator de aglutinação, sem caracterizar a formação de guetos, a contação de histórias em LIBRAS, o teatro surdo, a pantomima, a sirene escolar com sinal luminoso, os projetos de artes visuais, fotografias entre outros aspectos, que 18 deverão ser pesquisados e estudados por todas as escolas que tenham alunos surdos estudando. Estes alunos devem ainda receber apoio linguístico sob forma de tradução e interpretação das aulas na sala de aula regular de intérpretes de LIBRAS que tenham formação em bacharelado ou licenciaturas em nível superior ou técnico superior, ou formação mínima em nível médio, certificação através do exame de proficiência e ou especialização, ou ainda cursos de formação continuada na área de interpretação e tradução. O sistema educacional público deverá reconhecer a profissão do intérprete de LIBRAS, através de dispositivos legais e plano de carreira, e esta atuação não é a mesma, do professor bilíngue das salas de apoio/multifuncionais, nem do professor de língua portuguesa como segunda língua, nem de apoio individualizado. Este profissional atuará com ética e rigor que a profissão exige favorecendo a comunicação surdo/ouvinte e traduzindo da LIBRAS para Língua Portuguesa e da Língua Portuguesa para LIBRAS os saberes desenvolvidos em sala de aula que tenham alunos surdos estudando. Este profissional cumprirá carga horária preferencialmente de 40 horas semanais, dedicadas à interpretação em sala de aula e planejamento junto à equipe pedagógica da escola, para melhor desempenho do trabalho, antecipando e preparando melhor o trabalho de tradução das diversas áreas do conhecimento. Deverá ainda acompanhar as atividades pedagógicas desenvolvidas pela escola extra sala de aula, onde os alunos surdos estarão participando, tais como laboratórios, aulas de educação física, palestras, excursões, gincanas, eventos cívicos entre outros. O ensino de Língua Portuguesa deverá ter caráter diferenciado, cumprindo o Decreto 5626/05 que referenda a Língua Brasileira de Sinais como língua natural das pessoas surdas e a língua portuguesa na modalidade oral e escrita como segunda língua. Portanto a rede municipal de ensino deverá organizar horários de aulas diferenciados para estes alunos para aquisição e desenvolvimento de saberes de Língua Portuguesa como segunda língua, com professores que tenham formação para este fim. Este profissional com formação em Letras e conhecimento sobre ensino de Língua Portuguesa como segunda língua, poderá atender á escola em horários diferenciados, preferencialmente com carga horária de 40 horas semanais, distribuídas em horário de 19 aula com os alunos, a saber, cinco aulas semanais com duração de cinquenta minutos, e com horário de planejamento e elaboração de material visual, para atender a esta demanda na escola que tenham alunos surdos matriculados, desenvolvendo proposta de ensino da Língua Portuguesa em caráter de segunda língua, inserindo no currículo da escola esta modalidade de ensino, substituindo as aulas de português como língua materna, que já são desenvolvidas pela escola. Esta distribuição de carga horária segue uma orientação para alunos dos anos finais do ensino fundamental, podendo ter uma distribuição diferente para atender alunos dos anos iniciais e alunos surdos na educação infantil. O currículo de ensino de língua portuguesa como segunda língua para alunos com surdez, que são usuários de LIBRAS, deverá ser organizado pela equipe pedagógica da escola, com base nas diretrizes nacionais para ensino de Língua Portuguesa, com consulta a professores especialistas da área de surdez, sobre desenvolvimento deste currículo para usuários de língua portuguesa como segunda língua. São inúmeros os textos legais que asseguram esse direito aos estudantes surdos, inclusive sugerindo que as instituições de ensino desenvolvam mecanismos de avaliação nas duas línguas, e não apenas na língua escrita, conforme assegurado no Art. 14. § 1º, Incisos VI e VII, do Decreto Federal 5626/2005: VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade linguística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa; VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos, distinguindo estes alunos dos demais nas peculiaridades linguísticas que os mesmos apresentam, podendo a escola estabelecer horários, organização do espaço, número de aluno por intérprete, bem como provas filmadas com respostas em LIBRAS para serem legendadas e traduzidas para língua portuguesa, por profissionais intérpretes, para que os professores tenham dados a mais nas estratégias de avaliação destes alunos. III Orientações do Trabalho Pedagógico para Alunos com TranstornoGlobal do Desenvolvimento 20 Para alunos com Transtorno Global do Desenvolvimento o trabalho deverá ser desenvolvido de acordo com as seguintes classificações: Alunos com síndromes (autismo, asperger, down, rett, e outras). Alunos com distúrbios de aprendizagem (dislexia, dislalia, disortografia, disgrafia, discalculia). Alunos com transtornos de comportamento TDAH, DÉFICIT DE ATENÇÃO, PSICOSES INFANTIS. Alunos caracterizados com Síndromes de acordo com diagnóstico médico, e avaliação de equipe multiprofissional (psicólogos, psicopedagogos, pedagogos especializados, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais), deverão participar em sala de aula, compreendendo que algumas caracterizações do trabalho pedagógico com pessoas que apresentam quadros sindrômicos, demandam das equipes pedagógicas das escolas, reorganização dos tempos em sala de aula, do currículo, bem como a colaboração de mais de um professor, compreendendo que uma reorganização de tempos em espaços sugerem maior participação de todos os alunos para que os colegas que apresentam determinadas síndromes possam aprender junto. Alunos com distúrbios na aprendizagem demandam bastante tempo da escola entre a suspeição, o encaminhamento para avaliação, o envolvimento da família com a situação apresentada, e o tempo escolar deste aluno de acordo com diretrizes dos ciclos. Diante disto, é necessário que a rede municipal de ensino estabeleça uma equipe multiprofissional formada com no mínimo: professores especializados, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos, atuando num mesmo espaço, do Centro de Referência à Inclusão Escolar, e a interface com os médicos neurologistas e demais especialistas, com cotas de atendimento ao público escolar na rede de saúde, com horários dedicados a este processo de avaliação para promover um trabalho sistemático de devolutivas às escolas e salas de recursos multifuncionais, para que consigam desenvolver intervenções que contribuam com a superação das dificuldades enfrentadas por estes alunos. Na maioria das vezes, estes alunos a depender da situação apresentada pelo distúrbio, irão requerer uma reflexão no Projeto Político Pedagógico da Escola, sobre os espaços tempos de aprendizagem e sobre os processos de avaliação. 21 Alunos com transtornos de comportamento TDAH, DÉFICIT DE ATENÇÃO, PSICOSES INFANTIS, desafiam-nos a pensar a diferença por ela, respeitando os limites e possibilidades que estes alunos apresentam de ritmo, saberes e vivências. Rohde e Benczik, oportunamente, consideram: “Reconhecemos a complexidade e a dificuldade do trabalho do professor em sala de aula. Você tem vários alunos para atender e ensinar e não somente a criança com TDAH, ou com déficit de atenção ou uma psicose em questão”. As observações dos autores evidenciam que o professor não tem uma tarefa fácil, considerando-se o tempo que a criança passa na escola e o número de regras de que esse sistema necessita para que esteja organizado e favoreça o aprendizado. Diante disto, orientamos que as equipes escolares, professores, gestores, orientadores educacionais, supervisores desenvolvam, tempo e espaço para organização de grupos de estudos sobre as questões científico-pedagógicas relacionadas às pessoas que apresentam estas diferenças, além de inserção no PPP da escola de estratégias de trabalho em sala de aula, bem como dos processos de avaliação, além da presença em alguns casos do ensino colaborativo, o qual preconiza a participação de mais de um professor alternando o tempo de trabalho com este aluno em sala. IV Orientações para o Trabalho Pedagógico - Alunos Com Deficiência Intelectual A deficiência intelectual não é um quadro único, padronizado e caracterizado igualmente em todos os alunos que a apresentam. A deficiência intelectual não é um quadro único, padronizado e caracterizado igualmente em todos os alunos que a apresentam. Geralmente uma Deficiência Intelectual refere-se ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento da mente como um todo. Deficiência Intelectual melhor distingue entre deficiência mental e doença mental (transtorno) Refere-se ao estado de redução notável do funcionamento intelectual significativamente inferior à média, associado a limitações pelo menos em duas áreas de habilidade adaptativa: comunicação, auto-cuidado, competências domésticas, 22 habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e trabalho. Todos esses aspectos devem ocorrer durante o desenvolvimento infantil, ou seja, antes dos 18 anos, para que um indivíduo seja diagnosticado como deficiente intelectual (AAMR -Associação Americana de Deficiência Mental / DSM.IV, 1994). Geralmente constitui uma dificuldade de abstração, ou seja, uma dificuldade de operar no nível das ideias, do raciocínio, sem contar com a presença do estímulo concreto. Essa dificuldade pode se apresentar em vários níveis, desde as que se resolvem com algum suporte do professor ou de algum colega, até as que necessitam de intenso e constante suporte em diferentes instâncias da vida: pessoal, social, educacional, profissional, entre outros. A dificuldade de abstração tem consequências práticas importantes na vida cotidiana da criança, inclusive na própria aprendizagem do respeito a limites próprios à vida em comunidade. No entanto, é importante reconhecer o aluno que apresenta deficiência intelectual como um sujeito capaz de crescimento e de afirmação, potencializando o desenvolvimento e a aprendizagem objetivando também eliminar as barreiras que dificultam a aprendizagem desse aluno. Por isso, a escola regular precisa se organizar para acolher os alunos com deficiência intelectual. Além dos ganhos que eles podem obter em seu processo de desenvolvimento e de construção do conhecimento sobre a realidade, a convivência com parceiros da mesma faixa etária, na diversidade que constitui a escola, favorece sua socialização. É preciso insistir no preceito legal que dá direito, ao aluno com deficiência intelectual, a nove anos de escolarização no Ensino Fundamental. Significa que o aluno tem direito de cursar os nove anos do Ensino Fundamental, ou seja, ele tem a garantia da trajetória escolar, do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. De acordo com o Inciso I do Artigo 32, da LDB – Lei nº. 9394/9611, a escola tem a obrigatoriedade da escola em realizar as adequações necessárias para a aprendizagem 23 dos alunos com deficiência intelectual, durante todo o percurso do ensino fundamental, inclusive considerando a funcionalidade do currículo. Portanto, em relação ao conteúdo curricular, este deverá ser de acordo com o que ele necessita aprender e/ou desenvolver para que possa ter uma vida plena e atue, participando ao máximo, nas oportunidades que a vida nos oferece. Desse modo, propomos a organização de um trabalho pedagógico numa perspectiva funcional. Sendo assim, as aprendizagens devem: - responder às necessidades individuais dos alunos, aos seus interesses e desejos; - proporcionar oportunidades para que os alunos possam apropriar-se de informação no presente e no futuro; - atender às prioridades definidas pela família; - utilizar tecnologia de apoio adequada às necessidades individuais de cada aluno, de modo a facilitar o acesso à informação e a promover a sua autonomia. Além disso, há outras providências mais específicas necessárias a promoção do acesso do aluno ao conteúdo curricular: - posicionar o aluno de forma que possa obter a atenção do professor; - estimularo desenvolvimento de habilidades de comunicação interpessoal; - encorajar a ocorrência de interações e o estabelecimento de relações com o ambiente físico e de relações sociais estáveis; - estimular o desenvolvimento de habilidades de autocuidado; - estimular a atenção do aluno para as atividades escolares; - estimular a construção de crescente autonomia do aluno, ensinando-o a pedir as informações de que necessita, a solicitar ajuda, enfim, a se comunicar com as demais pessoas de forma que estas sejam informadas de sua necessidade e do que esteja necessitando; - oferecer um ambiente emocionalmente acolhedor para todos os alunos. - demonstrar ao aluno o que pretende dizer. Não se limitar a dar instruções verbais. - proporcionar ao aluno materiais e experiências práticas e oportunidade de experimentar as coisas 24 - dividir as tarefas novas em passos pequenos. Demonstrar como se realiza cada um desses passos. Partilhar com o aluno o prazer de encontrar uma solução. - acompanhar a realização de cada passo de uma tarefa com comentários imediatos e úteis para o prosseguimento da atividade. Outra questão importante é a avaliação do processo de ensino e aprendizagem, pois a cada dia, alunos e professores, são novas pessoas, com necessidade e expectativa diferentes. Este ajuste é sempre necessário, tendo em vista o conjunto de pessoas que o professor recebe a cada ano. Ajustar-se significa conhecer os alunos para avaliá-los, observando o conjunto de objetivos para o ciclo, então, planejar segundo suas necessidades. Então, se no final da trajetória do Ensino Fundamental, realizados todos os ajustes necessários e esgotadas todas as possibilidades de adequações, inclusive considerando-se a funcionalidade do currículo, o aluno com Deficiência Intelectual poderá receber uma terminalidade específica, se não houver alcançado os objetivos curriculares previstos no Inciso I do Artigo 32, da LDB – Lei nº. 9394/96. Tudo isso requer a observação de alguns critérios, a saber: - preocupação em evitar a defasagem idade/série, permitindo ao aluno o acesso aos anos finais do ensino fundamental; - necessidade de a escola realizar adequadamente os registros individuais, através de Relatórios Descritivos da trajetória do aluno; - realização de registro das avaliações pedagógicas e as complementares expedidas por profissionais de diferentes áreas. Assim, a terminalidade específica não pode ser expedida sem a devida comprovação documental de todos os procedimentos pedagógicos e complementares realizados para a garantia da aprendizagem desse aluno. Em relação ao uso de instrumentos de avaliação significativos, o Portfólio permite que a avaliação seja continua e permanente, pois é uma coleção de todo o trabalho em andamento, estejam estes trabalhos relacionados de alguma forma entre si ou não. Enfim, propomos situações significativas, contextualizadas e desafiadoras que levem em consideração as diferenças dos alunos. Para isso, necessário se faz 25 profissionais que estejam atentos para as diferenças de ritmos, de interesses, de estilos de aprendizagem, garantindo o direito a educação de todos e de cada um. V Orientações para o Trabalho Pedagógico - Alunos Com Deficiência Visual/Cegueira E Baixa-Visão a) CARACTERÌSTICAS DE BAIXA VISÂO A baixa visão é uma deficiência que requer a utilização de estratégias e de recursos específicos, sendo muito importante compreender as implicações pedagógicas dessa condição visual e usar os recursos de acessibilidade adequa dos no senti do de favorecer uma melhor qualidade de ensino na escola. Quanto mais cedo for diagnosticada, melhores serão as oportunidades de desenvolvimento e de providências médicas, educacionais e sociais de suporte para a realização de atividades cotidianas. A baixa visão pode ser causada por enfermidades, traumatismos ou disfunções do sistema visual que acarretam diminuição da acuidade visual, dificuldade para enxergar de perto e/ou de longe, campo visual reduzido, alterações na identificação de contras te, na percepção de cores, entre outras alterações visuais. Trata-se de um comprometimento do funcionamento visual, em ambos os olhos, que não pode ser sana do, por exemplo, com o uso de óculos convencionais, lentes de contato ou cirurgias oftalmológicas. b) CARACTERÍSTICAS DA CEGUEI RA CONGÊNITA E CEGUEIRA ADVENTÍCIA O objetivo de te trabalho é o de focalizar aspectos e particularidades da cegueira e suas implicações no contexto educacional e social. Não se trata de abordar características anatômicas e fisiológicas do sistema visual ou a etiologia das diversas manifestações da falta da visão. A ausência da visão manifesta da durante os primeiros anos de vi da é considerada cegueira congênita, enquanto a perda da visão de forma imprevista ou repentina é conhecida como cegueira adquirida ou adventícia, geralmente ocasiona da por causas orgânicas ou acidentais. Estima-se que somente 10% do segmento de pessoas com cegueira não apresenta nenhum tipo de percepção visual, pois a maioria delas revela a 26 presença de algum resíduo de visão funcional, mesmo que seja apenas para detectar pontos de luz, sombras e objetos em movimento. c) CEGUEI RA CONGÊNITA A cegueira congênita pode ser causada por lesões ou enfermidades que comprometem as funções do globo ocular. Dentre as principais causas, destacam-se a retinopatia da prematuridade, a catarata, o glaucoma congênito e a atrofia do nervo óptico. Trata-se de uma condição orgânica limitante que interfere significativamente no desenvolvimento infantil. A criança com cegueira não tem as mesmas possibilidades de comunicação e interação de uma criança que enxerga para entrar em contato com objetos, seres e os diversos apelos visuais do ambiente por que a visão favorece a mobilidade, a localização, integra e organiza as informações provenientes dos outros senti dos de forma abrangente e simultânea. O movimento de busca e exploração, a autonomia e independência para brincar, correr, pular, participar de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas ficam comprometidos pela ausência da visão que restringe o movimento do corpo no espaço e a possibilidade de controle do ambiente. Por isto, a criança com cegueira tem mais dificuldade para estabelecer relações entre sons, vozes, ruídos, formas e outros estímulos de modo espontâneo e natural. Neste sentido, é necessário provocar o interesse e a curiosidade dela e orientar suas atividades para que possa conhecer e identificar fontes sonoras, mover e localizar o corpo no espaço, aprender o no me, o uso e a função das coisas, usar o tato para identificar forma, tamanho. Para desenvolver um trabalho significativo com alunos que tem cegueira ou baixa visão são necessários que se faça a organização do currículo escolar bem como do Atendimento Educacional Especializado com as seguintes áreas: d) SISTEMA BRAILLE O Braille é um código em relevo, baseado em seis pontos perceptíveis pelas pontas dos dedos, organizados espacialmente por uma configuração de duas colunas com três pontos cada uma, cuja combinação reproduz caracteres que representam as diferentes letras do alfabeto e a correspondente simbologia matemática, química. 27 O acesso ao conhecimento do sistema requer determinadas condições básicas relacionadas em: Localização dos pontos quanto aos conceitos espaciais (acima, meio, abaixo, direita, esquerda) e quanto aos conceitos numéricos (1, 2, 3, 4, 5, 6); Destreza motora fina e grossa: coordenação bi manual, independência digital, sensibilidade e destreza manipulativa, exploração tátil. e) ATIVIDADES DA VIDA AUTÔNOMAReferem-se àquelas atividades do dia a dia, que constituem parte da rotina e visam tornar o indivíduo capaz de satisfazer suas necessidades básicas, independentemente. f) ESCRITA CURSIVA É o método utilizado pela pessoa cega para escrever seu nome de próprio punho (assinatura). Tem por objetivos: Substituir a impressão digital pela assinatura em tinta; Estimular e promover a emancipação, autonomia e o sentido de privacidade; Possibilitar o fortalecimento da confiança em si mesmo e autoestima; Respeitar a individualidade e exercer a capacidade de decisão. Os primeiros movimentos são desenvolvidos atividades exploratórias com movimentos livres para a identificação e reconhecimento da posição do corpo, dos braços e das mãos. Percebemos o movimento da mão dominante e da mão guia em relação à coordenação e ao deslocamento de um ponto a outro da folha de papel e de uma superfície plana. As linhas retas, quebradas e curvas são representadas por objetos e outras referências tais como a posição vertical, horizontal ou dobrada dos braços. g) SOROBAN Utilização do ábaco para realização de cálculos matemáticos. A elaboração do conceito de número, por parte das pessoas com deficiência visual, depende de sua interação com o mundo concreto, o que permite construir conceitos e se apropriar das informações mais elementares; as quais, no entanto, embasam todo o conhecimento matemático. h) ESTIMULAÇÃO VISUAL 28 Consiste em utilizar a visão residual que a criança possui, proporcionando exercícios específicos que se baseiam no funcionamento visual com o objetivo de alcançar o mais alto desempenho possível desse resíduo visual. Sobre o funcionamento visual: Primeira função óptica: relacionada ao processo de fixação, focalização, mobilização e acomodação; Primeira função óptica: relacionada ao processo de fixação, focalização, mobilização e acomodação; Segunda função óptica: é a perceptiva. Diz respeito à concentração nas tarefas visuais para discriminação, reconhecimento, identificação e memória visual. Terceira função óptica: é a perceptivo viso-motora. Compreende o trabalho óculo manual com as funções perceptivas. i) ESTIMULAÇÃO PRECOCE É um procedimento biopsicossocial que tem por finalidade proporcionar à criança deficiente visual, nos primeiros anos de vida (0 a 4 anos), determinados estímulos de forma a possibilitar que os desenvolvimentos das suas potencialidades psicomotoras, cognitivas e sensoriais, ocorram tão normais quanto o possível. Tem por objetivo desenvolver e potencializar as funções cerebrais, por meio de jogos, exercícios, técnicas, atividades e recursos, de acordo com a fase do desenvolvimento em que se encontra, beneficiando seu lado intelectual, seu físico e sua afetividade. j) INFORMÁTICA Um dos componentes das tecnologias assistivas (todo arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoa com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão), que permite ter acesso a informações por meio de um sintetizador de voz, a exemplo do Dosvox e Jaws. k) IMPRESSÃO BRAILLE Consiste em criar acessibilidade às pessoas cegas por meio de materiais impressos em Braille. l) ADAPTAÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICO Consiste em tornar modelos originais perceptíveis ao tato. 29 VI Oferta Do Atendimento Educacional Especializado (AEE) Na Rede Regular Municipal No documento Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, publicado pelo Ministério da Educação, é reafirmada a visão sistêmica da educação que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis, etapas e modalidades de ensino, a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais, limitando, o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007, p. 09). O Decreto nº 6.094/2007 estabelece dentre as diretrizes do Compromisso Todos pela Educação, a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas. Em 2008, a Presidência da República, aprova decreto que regulamenta o serviço de atendimento educacional especializado (AEE) e o exercício no âmbito do magistério dos profissionais que atuam nesta modalidade. Trazendo neste texto, orientações quanto à reorganização dos serviços existentes em atendimento educacional especializado e bem como para implementação do serviço através de Salas de Recursos Multifuncional, ficando o desafio para os sindicatos reorganizarem os textos que tratam das categorias do magistério o reconhecimento e organização do trabalho e carreira destes profissionais. A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, matriculados na rede pública de ensino regular. Considera-se atendimento educacional especializado o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular. Neste âmbito a Secretaria Municipal de Educação de Ilhéus, organiza e mantém desde o ano de 2001, o funcionamento do Centro de Referência à Inclusão Escolar/CRIE, 30 atendendo aos dispositivos legais que indicam a organização deste serviço para atender a especificidade dos alunos com necessidades educacionais especiais. O Centro de Referência à Inclusão Escolar constitui-se uma unidade educacional pública, que presta Atendimento Educacional Especializado, para alunos com deficiências, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades, criado no âmbito da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Ilhéus na Bahia, atendendo aos dispositivos legais, criado segundo artigo 72, inciso VII da Lei Orgânica Municipal. A atuação do CRIE fundamenta-se nos marcos legais, políticos e pedagógicos que orientam para implementação de sistemas inclusivos: Decreto n° 6.949/2009 que estabelece diretrizes gerais da educação especial; Decreto n° 6.571/2008, que dispõe sobre apoio da União e a política de financiamento do atendimento educacional especializado AEE. Resolução CNE/CEB n° 4/2009, que institui Diretrizes Operacionais para Atendimento Educacional Especializado. O CRIE foi fundado com o nome de CAPI em 21 de agosto de dois mil e um (2001), atendendo a uma proposta de projeto encaminhada ao FNDE organizada pela Secretaria de Educação de Ilhéus, cumprindo uma exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no cap. V artigo 59, “Os Sistemas de Ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: currículos, métodos, técnicas e recursos educativos para atender às suas necessidades; professores com especialização adequada para atendimento especializado; educação especial para o trabalho”. Em 12 de fevereiro de 2011, o 1, o Prefeito Municipal Newton Lima, assinou o decreto n°012/2011 de Criação do Centro, instituindo-o oficialmente no âmbito da Secretaria Municipal de Educação. Compreendendo adesão da Secretaria de Educação em 2008, a implantação das Salas de Recurso Multifuncional deacordo com a política do MEC, para que este serviço aconteça na escola do aluno, os gestores escolares organizam espaço e projeto político pedagógico para que os professores pais e alunos estejam participando e colaborando no processo de inclusão de aluno com necessidades educacionais especiais. O papel da Sala de Recursos Multifuncional enquanto Atendimento Educacional Especializado é o de oferecer o que não é próprio dos currículos da base nacional comum e, como defensoras dos interesses das pessoas com deficiência, cuidar para que as escolas comuns cumpram o seu papel. 31 As salas de recursos multifuncionais estão em fase de implantação, sendo que das 18 escolas que foram contempladas para receber este serviço, 09 encontra-se em funcionamento recente, sendo encaminhados a estas salas alunos que já recebiam este serviço no Centro de Referência à Inclusão Escolar/CRIE. As salas de recursos multifuncionais são espaços da escola onde se realiza o atendimento educacional especializado para alunos com necessidades educacionais especiais, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, centradas em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida escolar. Esse serviço se realiza em espaço dotado de equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais especiais dos alunos, podendo estender-se a alunos de escolas mais próximas, nas quais ainda não exista esse atendimento. Pode ser realizado individualmente ou em pequenos grupos em horário diferente daquele em que frequentam a classe comum. A sala de recursos multifuncionais é, portanto, um espaço organizado com materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o atendimento às necessidades educacionais especiais. No atendimento, é fundamental que o professor considere as diferentes áreas do conhecimento, os aspectos relacionados ao estágio de desenvolvimento cognitivo dos alunos, o nível de escolaridade, os recursos específicos para sua aprendizagem e as atividades de complementação e suplementação curricular. A denominação sala de recursos multifuncionais se refere ao entendimento de que esse espaço pode ser utilizado para o atendimento das diversas necessidades educacionais especiais e para desenvolvimento das diferentes complementações ou suplementações curriculares. Uma mesma sala de recursos, organizada com diferentes equipamentos e materiais, pode atender, conforme cronograma e horários, alunos com deficiência, altas habilidades/superdotação, dislexia, hiperatividade, déficit de atenção ou outras necessidades educacionais especiais. Para atender alunos cegos, por exemplo, deve dispor de professores com formação e recursos necessários para seu atendimento educacional especializado. Para atender alunos surdos, deve se estruturar com profissionais e materiais bilíngues. Portanto, essa sala de recursos é multifuncional em 32 virtude de a sua constituição ser flexível para promover os diversos tipos de acessibilidade ao currículo, de acordo com as necessidades de cada contexto educacional. 1.2 Referências e Discussão das Diretrizes Em meio ao processo contínuo de globalização, caracterizado pela total ausência de fronteiras na qual imperam os interesses econômicos e políticos em detrimento aos interesses socioculturais, em um mundo permeado pelo medo e pela violência sem limites, nos tornamos a cada dia parte da engrenagem que observa e às vezes contribui para a sedimentação das enormes carências do ser humano, tanto em termos de conhecimento e educação, como de afetividade, amor, solidariedade e espiritualidade. Vivemos na era do paradoxo, de um lado, fome, miséria e violência, do outro, crescimento vertiginoso das tecnologias digitais, com destaque para as telecomunicações que impulsionam uma expansão sem limites capaz de disponibilizar diversos recursos e possibilidades de aprendizagem. Nesse cenário de inquietudes, incertezas e indagações não devem perder de vista de que a educação se constitui também como um ato de conhecimento, uma aproximação crítica da realidade. Diante desse fato é imprescindível tomarmos consciência do papel que o homem exerce sobre o meio em que vive, para que, através da práxis, façamos uma reflexão em nossa realidade e assim, possamos transformá-la, efetivando a perspectiva dialética de ação – reflexão – ação. Portanto, é necessário tratar a produção pedagógica como prática dos homens, em que o conteúdo é determinado pelo social e vice-versa. Para isso, devemos encontrar métodos adequados para a produção de conhecimento do contexto no qual estamos inseridos, e este conhecimento não pode resultar de uma visão ingênua. Marx acreditava que, para se construir o conhecimento, seria necessário captar as múltiplas determinações que a realidade estabelece como verdade e tendência: “A pesquisa tem de captar suas várias formas de evolução e rastrear sua conexão íntima. Só depois de concluído esse trabalho é que se pode expor adequadamente o movimento real” (MARX, 1978, p.28). Nesse aspecto, é necessário tentar descrever de forma clara e precisa toda dinâmica imposta pela realidade buscando um marco para definir o conjunto de 33 referências teóricas, políticas e filosóficas que balizará o processo educacional. Trata-se da explicitação das ideias, concepções e teorias que deverão orientar toda a prática educativa. Para tanto, é preciso entender as relações existentes entre a escola e a realidade local, nacional e mundial. Significa compreender o sentido histórico da educação e da escola pública, percebendo suas transformações atuais à luz dos processos históricos que a determinam. Dessa relação entre o global, nacional e local, é possível entender a “realidade” da educação em sua singularidade, compreendida, entretanto, como resultante dessas relações mais amplas. Essa análise pode nos lançar na definição e explicitação sobre as finalidades sociais da educação e da escola, levando-nos a interrogar sobre o tipo de sociedade com o qual a escola se compromete ou deseja se comprometer, que tipo de sujeitos pretende formar, qual sua intencionalidade, vista em suas dimensões política, cultural e educativa. Cabe, portanto, deixar evidenciado a base teórica de sustentação das referidas diretrizes dando norte as suas ações. Nesse eixo, procura-se apresentar o tipo de sociedade que queremos construir, qual a formação social e cultural que almejamos para nossas crianças e jovens. Quais os valores que aspiramos desenvolver, qual a função social da escola nos processos de formação dos sujeitos humanos? E que concepção de conhecimento norteará o processo ensino e aprendizagem? Discute-se o “dever-ser” da educação e a base da fundamentação para a ação que Secretaria Municipal deseja desempenhar. Nesse contexto, existe uma “consequência lógica expressa pela imagem de homem e mundo que fundamenta toda a teoria educacional” (KUNZ, 2001, p. 136), para a superação de uma educação “bancária, na qual apresenta uma concepção mecânica da consciência, que a vê como algo vazio a ser preenchido” (FREIRE, 2003, p. 67) e, a cada dia mostra-se mais ineficiente e mantenedora de uma sociedade em processo de decadência. Evidencia a necessidade de uma educação, comprometida com a emancipação dos indivíduos. Processo em que a formação educacional do homem requer a problematização da existência humana no âmbito das interações sociais. Para tal, é imprescindível uma leitura da realidade social no sentido crítico, dialético e emancipatório considerando o homem como um sujeitohistórico. Nesse contexto, a 34 educação não é uma qualificação individual, mas uma ação de emancipação da sociedade, cujo processo se desenvolve e estrutura-se através de experiências interacionais. Em outras palavras, a socialização é o fundamento da formação da identidade social do homem, mulher e criança (KUNZ, 2001). Somente poderemos evidenciar a emancipação da sociedade se for considerado a identidade social como um processo permanente de educação. Esse alicerce possibilita a comunicação e reflexão, para que as ações sejam interpretadas e reinterpretadas em um processo livre de coerções individuais e sociais. Desse modo, a escola convive com a construção e reconstrução das vivências pessoais, familiares, culturais e sociais. Partindo dessa condição o conhecimento a ser adquirido pelo educando deve estar pautado em uma prática social concreta, convertendo a educação escolar em um campo de princípios democráticos que possa estabelecer a inclusão social e a construção da cidadania. Portanto, a educação, não pode deixar de possibilitar um ensino que prime pela emancipação do sujeito levando em consideração o contexto sociocultural (KUNZ, 2001). A função social da escola, nesse processo, está em produzir conhecimentos específicos, mas também, criar relações democráticas entre os envolvidos na ação educativa. Para ser efetivamente considerada como uma instituição cidadã, a escola deve priorizar o acesso, permanência e as oportunidades para os alunos se apropriarem dos saberes fundamentais a sua inserção na sociedade como cidadão. Nessa perspectiva, prioriza-se uma formação subsidiada pela construção das competências e habilidades, seja de ordem instrumental, humana e política. Ou seja, uma formação que reconheça a identidade do sujeito em sua cultura, respeitando os limites, a diversidade e a singularidade, bem como, efetivar condições na construção da autonomia, do espírito de cooperação, reciprocidade, conhecimento e o desenvolvimento de relações democráticas. Encontra assim, a função da escola, não apenas voltada para atuar no processo dos saberes sistematicamente produzido para a dominação, mas também, constituídos pelos saberes dos grupos sociais, historicamente negados, silenciados e distorcidos. A passagem de uma educação mecanicista para aquela que prioriza a construção do conhecimento, aliada à compreensão histórica do contexto que a produziu, considera além 35 da visão teórica crítico e emancipatória, as ações pedagógicas norteadas por aspectos teóricos histórico-culturais e sociointeracionista. O exposto acima exige reflexão sobre ensino, conteúdos e métodos entre outros, portanto, não pode ser considerada pura e simplesmente transmissão ordenada dos saberes. Ensinar é mais do que transmitir conhecimento, é o ato de compreender que o aprender implica escolha e responsabilidade, ou seja, “o pressuposto básico da educação é a autonomia, capacidade de autogoverno de cada cidadão” (GADOTTI, 1994, p. 32). Bentini (2005) afirma que, apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual, pretende-se que a escola tenha uma administração participativa, sem autoritarismos, preocupada com a coletividade, tendo em vista o desenvolvimento de seus profissionais. Trata-se de uma escola que supere as contradições, saia às ruas, invada os lares e todos os setores da sociedade, reconheça o educando enquanto sujeito integral que pensa, sente, age e reage, ampliando a sua consciência cidadã (SAMPAIO, 2004). Nessa perspectiva, fica evidente a intenção de rompimento com a prática educativa vigente, buscando propiciar ao sujeito um espaço significativo de aprendizagem, onde tenha direito a fala, pensamento e a ação, deixando de lado a exigência de memorização e repetição. Abre-se assim, o espaço para discussão, análise crítica, compromisso com o desenvolvimento de competências e habilidades que o instrumentalize para ser agente de sua história, consciente, capaz de decidir os seus destinos, integrando-se ao contexto em que está inserido e contribuir para o bem da sociedade. É importante salientar que nessa proposta requer um modelo de gestão que supere o status quo, normas vigentes e práticas que não estejam em acordo com o compromisso político e pedagógico de uma educação emancipatória. Tudo isso, nos leva a convicção de mudanças que precisam acontecer no próprio caminhar, mediante um sólido compromisso com a formação continuada dos profissionais da educação, gerando novas perspectivas e práticas que consolidem uma política de educação voltada para a emancipação dos sujeitos. A nossa proposta metodológica e avaliativa tem por finalidade criar ambientes de aprendizagem que permitam o desenvolvimento do conhecimento interdisciplinar. Tal assertiva nos leva perceber a necessidade de ampliar os espaços de convivência e aprendizagem num movimento contínuo de superação dos entraves existentes entre 36 escola, comunidade, aluno e professor com o objetivo de oferecer uma educação de qualidade social. Nesse sentido, deve se buscar o fortalecimento da equidade social, mediante a uma concepção de homem como sujeito histórico, produto e produtor das relações econômicas, sociais, culturais e políticas que o transforma e são transformados pelos conflitos presentes no nicho cotidiano e pela participação como processo educativo, conscientizador, transformador e de luta, mediante a construção de uma sociedade justa e igualitária. Diante do exposto, podemos afirmar que a referida proposta prima por uma educação que desenvolva um ensino baseado na reflexão sobre o mundo vivido e respectivo mundo do movimento do aluno, pois, entre a dimensão de determinada visão de mundo e uma correspondente visão de homem, existe uma relação muito tensa pela qual se pode chegar a interpretar a educação como um processo real. Nesse âmbito socioeducacional, a SEDUC como uma instituição que executa políticas educacionais adota como base norteadora para gestão de seu trabalho os seguintes fins e princípios: • A educação possibilita ao ser humano o desenvolvimento harmonioso em suas dimensões física, social, emocional, cultural e cognitiva nas relações individuais e sociais. • A educação constitui um direito inalienável do homem em qualquer idade e capacita-o a alcançar o exercício pleno da cidadania de forma a ser promovida não como uma justaposição de etapas fragmentadas, mas em perspectiva de continuidade articulada entre educação infantil, ensino fundamental, incluindo a educação de jovens e adultos, educação do campo e a educação especial. • Os princípios éticos da autonomia, responsabilidade, solidariedade e respeito ao bem comum são valorizados na prática pedagógica como norteadores da vida cidadã. • A vivência do processo educativo tem como objetivo propiciar ao cidadão condições de responder positivamente às grandes necessidades contemporâneas de aprendizagem: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, em conformidade com o Relatório Delors, publicado em 1996. • Os valores estéticos, políticos e éticos, organizados sob as premissas básicas da sensibilidade, igualdade e identidade, essenciais à formação integral do aluno, permeiam a 37 organização curricular, as relações interpessoais, o planejamento, o acompanhamento e a avaliação de todo o trabalho docente, discente, gestor e administrativo. • A flexibilidade teórico-metodológica, reconhecimento e aceitação do pluralismo de ideias constituem elementos essenciais na definição da política pedagógica adotada. • A ação pedagógica enfatiza procedimentos capazes de favorecer a compreensão e o domínio dos fundamentos científicose tecnológicos em que se baseiam os processos produtivos da sociedade atual. • O sistema educacional proporciona recursos e meios que atendam às necessidades educacionais de todos os alunos, de modo a oportunizar o seu desenvolvimento e a sua aprendizagem, garantindo: educabilidade de todos os seres humanos; direito à equidade, igualdade de oportunidades educacionais independentemente dos comprometimentos que possam apresentar; respeito à dignidade humana; direito à liberdade de aprender e expressar-se e direito de ser diferente. À luz desses princípios norteadores anunciados, a SEDUC tem como foco de atuação: • Aprendizagem: ação escolar centra-se no aluno e na aprendizagem, não entendida como acumulação de informações e conteúdos, e sim como um processo de formação e de construção do ser humano, intrínseca aos sujeitos, que se relacionam, que se comunicam e se formam no ambiente social e pedagógico da instituição educacional, aprender é, portanto, tarefa de sujeitos instituintes. • Formação de professores e de gestores: a formação inicial e em serviço é intrínseca ao ser e, mais ainda, quando se torna professor-educador e gestor da educação escolar. Revigorar e qualificar os atores envolvidos na educação é um fator de impacto e de mudanças na ação e na prática pedagógica dos professores e dos gestores. • Gestão Compartilhada: a gestão compartilhada nas instituições educacionais da rede pública municipal ao ser exercida conforme o disposto no Art. 206, VI, da Constituição Federal, nos Arts. 3, VIII, e 14 da LDB, visa que coletivamente, alunos, professores e pais se comprometam de forma sistemática e contínua na busca qualitativa e quantitativa da oferta educacional. Essa premissa deve permear todo o processo educativo, de modo a priorizar, nas suas ações, a participação coletiva dos sujeitos, no sentido de estabelecer uma práxis pedagógica centrada no diálogo e na promoção da autonomia escolar, 38 conforme destaca Veiga (1997, p.102), “a escola é um espaço público, lugar de debate e diálogo fundado na reflexão coletiva (...) terão que nascer do próprio chão da escola e ser construída coletivamente”. Assim, essa proposta curricular defende um processo participativo, construído continuamente para organização do trabalho pedagógico, a fim de desvelar os conflitos e as contradições, nascidos da própria realidade, tendo o compromisso da superação de problemas com a formação do cidadão. Ressalta-se que essa ação não pode ser reduzida simplesmente ao campo pedagógico da autonomia da instituição educacional, mas também, em sua dimensão administrativa (financeira e jurídica) de forma articulada, dinâmica e comprometida com a qualidade de ensino. Igualmente, espera-se que cada instituição educacional, tendo por base as diretrizes norteadoras da SEDUC possa elaborar sua proposta pedagógica, partilhando suas experiências, enriquecendo e agilizando uma mudança com vistas à promoção de uma nova cultura educacional comprometida com a gestão da aprendizagem. 1.3 Organização Curricular e Matrizes: Competências, Habilidades e Conteúdos A rapidez com que evolui o conhecimento faz da educação o principal fator de promoção das competências, assumindo centralidade nas questões relacionadas à formação humana em sua totalidade, contemplando as dimensões físicas, emocionais, culturais, cognitivas e profissionais. Poderíamos dizer que uma competência permite mobilizar conhecimentos a fim de enfrentar uma determinada situação. A competência não é o uso estático de regras aprendidas, mas uma capacidade de lançar mão dos mais variados recursos, de forma criativa e inovadora, no momento e do modo necessário. Dessa forma, os processos de ensino e de aprendizagem devem favorecer ao aluno na articulação dos saberes para enfrentar os problemas e as situações inusitadas encontrados nos contextos pessoais e profissionais. O conceito referido traz para o cenário educacional uma nova perspectiva para o processo de ensino e aprendizagem, já que pressupõe a utilização de estratégias pedagógicas que promovam a aprendizagem ativa, em que o aluno tenha liberdade para 39 criar e desenvolver raciocínios mais elaborados. A escola assim, tem por função socializar os conceitos elaborados sobre a realidade, o que contribui para assegurar a todos os cidadãos o direito de acesso aos conhecimentos produzidos. Daí a relevância do currículo escolar, pois é a partir dele que se faz a seleção dos conhecimentos advindos dos diversos campos da ciência, organizando-os em áreas. Percebe, portanto, a necessidade de uma mudança significativa da função social da instituição educacional, considerando o educar para competências, onde se destaca o saber selecionar os conteúdos conforme assegurado na Resolução nº 1 de 20 de abril de 2011 do Conselho Municipal de Educação. O conceito de habilidade em geral, é considerado como algo menos amplo do que as competências. Assim, a competência estaria constituída por várias habilidades. Entretanto, uma habilidade não "pertence" a determinada competência, uma vez que uma mesma habilidade pode contribuir para competências diferentes. habilidades e competências. Perspectiva na qual, a organização de métodos de ensino parte do diagnóstico feito pelo professor, dos conhecimentos organizados dos componentes curriculares e dos domínios prévios dos alunos. Isso requer do professor o desenvolvimento de certa sensibilidade para romper com os estereótipos e pré-modelos, veiculados pela sociedade ou mesmo pela comunidade escolar, que padronizam categorias de alunos, seja pela faixa etária, seja pela origem étnica ou sociocultural. O Currículo inclui assim, os aspectos básicos, que envolvem os eixos filosóficos e sociopolíticos da educação, marco teórico e legal que o concretiza na sala de aula, relacionando princípios e operacionalização, teoria e prática, planejamento e ação. Destaca-se, ainda, a obrigatoriedade de inclusão dos conteúdos referentes à História e à Cultura Afro-Brasileira e Indígena de acordo com a Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008, que devem ser ministrados no contexto de todo o currículo escolar, em especial nas áreas que envolvem a Arte, Literatura e História. O tema saúde, ambiente e trânsito também devem fazer parte da proposta pedagógica das instituições educacionais de ensino infantil 40 e fundamental de forma interdisciplinar. Ainda existem para a construção da autonomia conteúdos que trate dos direitos das crianças, adolescentes e cidadania, devendo ser desenvolvido transversalmente por todos os componentes curriculares. O ensino religioso, regulamentado pela Lei nº. 9.475, de 22 de julho de 1997, que dá nova redação ao Art. 33 da LDB compõe a parte diversificada do Currículo, sendo obrigatória sua oferta pela instituição educacional e a matrícula facultativa para o aluno. Tendo por base essas considerações iniciais, será apresentada, a seguir, a forma como se organiza o currículo em suas diferentes etapas e modalidades de ensino. 41 2 DIRETRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL O atendimento às crianças de zero (0) a seis (6) anos em instituições especializadas teve origem com as mudanças sociais e econômicas causadas pelas revoluções industriais no mundo inteiro. Atrelado a este fato e acompanhando a intensificação da urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças de organização e estrutura das famílias, deu-se início ao atendimento pré- escolar com fins assistencialistas, de caráter de assistência à saúde / preservaçãoda vida, não se relacionando com o fator educacional. Houve uma maior consciência da sociedade na importância das experiências na primeira infância, a criança como sujeito social e histórico inserida em uma sociedade na qual partilha de uma determinada cultura e é profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também contribui com ele (BRASIL, MEC, SEF, DPE, COEDI, 1994), assim sendo, a criança não é uma abstração, mas um ser produtor e produto da cultura (FARIA, 1999). O município de Ilhéus, em consonância com a LDB, atende às crianças a partir de três (3) anos. A Lei Nº 9.394 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em 20/12/1996, descreve: Educação infantil como a primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (LBD, Art. 29). Conforme a resolução CNE/CEB N°1, de 07 de abril de 1999, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Art. 3° - I), estabelecem que as propostas pedagógicas das instituições desta etapa escolar devem respeitar os seguintes fundamentos norteadores: a) Princípios éticos da autonomia, responsabilidade, solidariedade e respeito ao bem comum. b) Princípios políticos dos direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática. 42 c) Princípios estéticos da sensibilidade, criatividade, ludicidade e diversidade de manifestações artísticas e culturais. Com este instrumento, pretende-se apresentar aos professores um conjunto de habilidades referentes aos conteúdos básicos voltados ao universo infantil, visando subsidiar ação docente de modo a propor desafios necessários à construção de aprendizagens, conforme o nível de desenvolvimento “epistemológico” das crianças em idade pré-escolar de zero (0) a cinco (5) anos de idade. Entendemos que construir uma proposta curricular significa sem dúvida organizar, sistematizar, propor um roteiro como suporte para a construção da prática educativa, visando gerar ações a partir de conceitos possíveis ao desenvolvimento das habilidades que se fazem necessárias às descobertas infantis. Ao mesmo tempo, sugerimos aos professores analisá-las e enriquecê-las adaptando à sua realidade. O procedimento pedagógico deve ser um ato criativo e contextualizado para atender às necessidades reais das crianças, alicerçado por uma fundamentação teórica que possibilite aos professores promoverem a construção de aprendizagens significativas, objetivando o aprimoramento da linguagem oral, da socialização e integração com o mundo em que a criança vive. Nesse sentido, esta proposta curricular vem atender a todos que atuam com as populações infantis, Creche, Pré-escolas e em outros espaços de socialização e interação das crianças, e que ela se constitua em um ponto de apoio para uma melhor sistematização das atividades diárias nas instituições de educação infantil. Ela reconhece a criança como sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. Tendo em vista as últimas descobertas das neurociências é mister agregar este conhecimento para proporcionar uma educação de qualidade. Desta forma, a estimulação da criança, desde a sua mais tenra idade é fundamental. Deve haver neste período o máximo de satisfação de suas necessidades básicas, pois as crianças que possuem carência de estímulos corporais e ambientais, nesta fase, poderão apresentar dificuldades no decorrer de outros estágios do desenvolvimento, com risco de chegar ao ensino 43 fundamental com déficits acumulados em relação às habilidades mínimas necessárias para que possam adquirir novos conhecimentos que dela serão exigidos. Reconhecendo que a função da escola é estimular também os aspectos cognitivos, justifica introduzir os conceitos das neurociências também na educação infantil. Assim não seria expor a criança a uma série de atividades, mas possibilitar sua construção através de experiências significativas nas quais intervêm os sentidos, a percepção e o prazer da exploração, o descobrimento, o autocontrole, o jogo e a expressão artística. (LAMPRÉIA, 1985). Glenn Doman(1984) entende que o cérebro humano é um instrumento mágico que se desenvolve num ritmo explosivo e descendente, sendo este processo completo na idade de oito anos. Quando a criança tem cinco (5) anos, oitenta por cento do crescimento do seu cérebro já se completaram, aos oito (8) anos está, virtualmente completo. Durante o período de oito (8) a oitenta (80) anos, temos um desenvolvimento cerebral menor do que no único ano (o mais lento dos oito primeiros) que vai dos sete (7) aos oito (8) anos de idade. O autor declara que o período de um (1) a cinco (5) anos é uma etapa de vida crucial para todo o futuro da criança, portanto é nesse período de vida que o cérebro infantil representa uma porta aberta a todos os ensinamentos e os assimila sem nenhum esforço consciente. O período do nascimento até os oito (8) anos de idade é crucial para aquisição de conhecimentos básicos, do desenvolvimento conceitual e das habilidades cognitivas, e a escola precisa assumir o seu papel, pois a educação é um fator de desenvolvimento intelectual, linguístico, afetivo, social, que ultrapassa os limites da simples instrução. Nesse contexto de investimento na qualidade da formação global não podemos dissociar o cuidar e o educar desse processo, tornando consciente a ação pedagógica mediante uma visão integrada do desenvolvimento da criança com base em concepções que considerem os aspectos particulares da infância e suas formas de desenvolvimento. Dessa forma, a escola deve investir em situações que incentivem a criança a expressar-se nas diferentes linguagens e a interagir com o meio, desenvolvendo suas estruturas de pensamento e construindo seus conhecimentos físicos, lógico-matemáticos, sociais e a representação simbólica. É a partir dessa perspectiva que a educação infantil deve atender às novas exigências, incentivando a construção de uma pedagogia eficiente e 44 competente, concretizando assim, o acesso e a qualidade do atendimento numa educação democrática. Para isso, requer: • uma ação pedagógica que contemple o educar e cuidar de forma integrada; • uma parceria entre família e a escola; • atenção aos aspectos psiconeurológicos; • uma concepção de ensino e aprendizagem baseada na construção do conhecimento que possibilite o desenvolvimento integral; • cultura do pensamento e reflexão na escola; • o uso das várias linguagens como forma de representação humana; • atendimento a organização psicomotora (tonicidade, equilíbrio, lateralidade, noção de corpo, organização espaço-temporal, coordenação ampla e fina) através de jogos e brincadeiras na rotina diária das crianças; • a leitura e escrita de forma significativa e funcional; • a construção da base alfabética e o desenvolvimento da consciência fonológica( rima e aliteração aos quatro (4) anos e consciência de palavras, sílabas e fonemas aos cinco (5) anos); • construção da autonomia social, moral e intelectual da criança; • o trabalho com a linguagem oral e escrita, a língua matemática, o ambiente natural e sociocultural, filosofia e dança (como áreas diversificada); • atendimento as crianças com necessidades educativas especiais e respeito às diferenças;• uma proposta didática baseada nas modalidades organizativas, em especial, o trabalho pedagógico através de projetos; • uma avaliação processual e contínua com o uso de vários instrumentos de avaliação (diário de bordo, relatórios, portfólio, diário escolar entre outros); • atendimento as especificidades do campo: *reconhecer os modos próprios de vida no campo como fundamentais para a constituição da identidade das crianças moradoras em territórios rurais; *ter vinculação inerente à realidade destas populações, suas culturas e tradições e identidades, assim como as práticas ambientalmente sustentáveis; 45 *flexibilizar, se necessário, calendário, rotinas e atividades, respeitando as diferenças quanto à atividade econômica destas populações; *valorizar e evidenciar os saberes e o papel dessas populações na produção de conhecimentos sobre o mundo e sobre o ambiente natural. *prevê a oferta de brinquedos e equipamentos que respeitem as características ambientais e socioculturais da comunidade. 2.1 Objetivo Geral • Subsidiar ações que possibilitem uma construção progressiva do conhecimento da criança de 0 (zero) a 5 (cinco) anos nas Creches/Pré-escolas, para que esta firme-se como indivíduo e como ser coletivo, interagindo através das relações afetivas com responsabilidade e autonomia. 2.2 Objetivos Específicos • Desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações; • Reconhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar; • Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social; • Ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração; • Explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente, valorizando atitudes que contribuam para sua observação; 46 • Brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades; • Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva; • Reconhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade. • Identificar a criança especial, buscando envolvê-la em atividades que lhe possibilitem seu avanço na motricidade, linguagem e cognição, encaminhando, quando necessário, a atendimento especializado; • Manter contato com uma grande variedade de escritas sociais: livros, revistas, jornais, TV, filmes, tecnologias e mídias digitais, teatro, utilizando-os como fontes de informação para aquisição e construção do conhecimento linguístico e textual; 2.3 Marco Teórico A educação infantil, primeiro contato da criança com o saber sistematizado, deve potencializar o agir conforme as exigências da sociedade moderna que através de suas inúmeras conquistas tecnológicas fez com que o papel da educação fosse repensado para adequar-se às necessidades e expectativas dessa sociedade. Dentro desse contexto, o “educar” e o “cuidar” são funções indissociáveis. Algum tempo atrás essas duas funções pareciam separadas, cabendo à creche o cuidar e à escola o educar. Hoje, a integração dessas duas funções na educação infantil representa um avanço significativo no olhar pedagógico onde o cuidar e o educar caminham juntos, um é parte integrante do outro, pois o desenvolvimento integral do ser humano depende de cuidados na dimensão afetiva, biológica (envolvendo a saúde e higiene) e intelectual. O desenvolvimento infantil pleno depende, também, de práticas educativas que favoreçam a aquisição de conhecimentos e atitudes, permitindo à criança desenvolver posturas críticas, participativas, dialógicas e a valorização das experiências individuais e 47 coletivas. Para que a instituição de educação infantil desenvolva ações voltadas para a formação integral da criança faz-se necessário primeiramente, ter compreensão do homem como sujeito histórico marcado por características próprias, conforme enfatiza Paulo Freire (1996, p. 46). “A questão da identidade cultural de que se fazem parte a dimensão individual e a de classe dos educadores, cujo respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista, é um problema que não pode ser desprezado”. Sendo o ensino infantil a primeira etapa da educação básica e o primeiro contato da criança com o saber sistematizado, é imprescindível que este tenha como fundamentação metodológica os estudos de autores como John Dewey (1979), Piaget (1978), Vygotsky (1979), Wallon (1979) e Emília Ferreiro (1989). Eles apresentam a educação escolar como uma prática viabilizadora de condições para os educadores desenvolverem suas capacidades e aprenderem os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade. John Dewey (1979), afirma que a ação precede o conhecimento e o pensamento, pois antes de existir como ser pensante, o homem é um ser que age e, também, um ser eminentemente social. O autor faz referencia as necessidades sociais como norteadoras da concepção de vida e educação, instituindo a fórmula: Vida humana + vida social = cooperação. Nesse sentido, é possível afirmar a impossibilidade de aprendizagem genuína em processos divorciados da experiência. Ele estabelece cinco fases para se efetivar a aprendizagem: I. Um momento de perplexidade decorrente do conforto com uma situação problemática, de caráter mal definido, gerador de dúvida; II. Uma antecipação hipotética, esboço de interpretação dos elementos do problema; III. Uma etapa de exploração e análise de todos os aspectos importantes para definir e classificar o problema; IV. Um trabalho de reelaboração e refinamento das hipóteses iniciais, tornando-as mais consistentes e mais precisas em função do seu enquadramento num conjunto mais amplo de informações; V. Um momento de teste da hipótese através de uma ação na realidade para verificar suas consequências. 48 Nesse sentido, o problema é o ponto de partida da aprendizagem, o suporte no qual oscila a elaboração racional de hipóteses e a antecipação de seus resultados. Isso significa compreender a educação como um processo de contínua reorganização, cabendo ao professor apresentar os conteúdos escolares na forma de questões ou problemas sem dar de antemão respostas ou soluções prontas. A teoria de Jean Piaget (1976) é base do construtivismo interacionista, pautada na ideia de que estruturas mentais (cognitivas e afetivas) são construídas ou formadas ao longo do desenvolvimento mediante a interação entre o sujeito e o meio. Afirma, ainda, que o processo de construção do conhecimento ocorre em etapas evoluídas progressivamente por meio de estruturas que surgem com base em um mecanismo de adaptação do organismo a novas situações. Seguindo o mesmo pensamento de Dewey, Piaget (1976) afirma que a criança é, por natureza, ativa, consequentemente, ela aprende melhor e de forma mais efetiva a partir da experiência concreta.A teoria sociocultural do desenvolvimento apresentada por Lev Vygotsky (1984), defende a tese de que o ser humano se constrói a partir das relações sociais, sendo por meio delas internalizada os elementos da cultura. Afirma que a aprendizagem impulsiona o desenvolvimento, portanto, o professor tem o papel de interferir, desafiar, desencadear avanços e estimular a interação entre as crianças. Dessa forma, a sua proposta de relação entre desenvolvimento e aprendizagem contribui significativamente para a educação. O desenvolvimento é entendido como um processo de internalização cultural do “pensar” e “agir”, iniciando nas relações sociais, embasadas na interação de linguagem, jogo e compartilhamento com a criança e seus sistemas de pensamento e ação. Vygotsky (1979) colocou em discussão os indicadores de desenvolvimento real, fundamentando sua proposta em indicadores de desenvolvimento proximal que revelariam modos de agir em elaboração, seriam, assim, as soluções que a criança consegue atingir com a orientação e intervenção do adulto. Emília Ferreiro (1989), em suas pesquisas, procurou observar como se realiza a aquisição da linguagem oral e escrita na criança. Os resultados permitiram conhecer a maneira como a criança concebe esse processo, os mecanismos através dos quais constrói o conceito de língua escrita enquanto sistema de representação dos sons da fala por sinais gráficos, ou seja, tornar-se alfabético. Sugere situações favoráveis ao desenvolvimento 49 desse processo, mostrando o papel fundamental da interação com práticas e materiais significativos de leitura e escrita a fim da conceitualização da língua escrita por parte da criança. Nessa etapa, ela passa por avanços e recuos até se apossar do código linguístico e dominá-lo, o que ocorre por sequência de hipóteses. Para Henri Wallon (1979), o desenvolvimento da criança não é restrito a um simples cérebro, mas envolve também quatro elementos básicos: a afetividade, o movimento, a inteligência e formação do eu como pessoa. No aspecto afetivo as emoções têm papel preponderante no desenvolvimento da criança, uma vez que por meio dele os seus desejos e vontades são exteriorizados, cabendo às instituições de ensino fomentar essas manifestações. No tocante ao movimento é destacado o seu caráter pedagógico, seja pela qualidade dos gestos e movimentos como por sua representação. Como as emoções dependem da organização de espaços para se manifestar, devem as unidades escolares, através de atividades lúdicas pedagógicas, disponibilizarem tempo para a fluidez das emoções e pensamento. Para o desenvolvimento da inteligência é necessário fazer diferenciações com a realidade exterior e interior sendo o seu interior formado por sonhos e fantasias e o exterior com símbolos, códigos e valores, sociais e culturais. Na formação do eu como pessoa destaca-se dependência do outro para a sua construção, seja para ser referência ou para ser negado. O processo de negação inicia-se no do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como instrumento de descoberta de si próprio. Os educadores que trabalham com crianças, do nascimento aos seis (6) anos, precisam estar atentos para o atendimento das suas necessidades básicas, a fim de contribuírem positivamente em seu desenvolvimento, pois esse período é fundamental para sua vida futura. 3.4 Marco Legal A construção das diretrizes curriculares municipais observa as normas legais e orienta as ações pedagógicas que contemplam o processo de qualificação da educação infantil nas escolas da rede municipal de ensino de Ilhéus. Em 1988, a Constituição Federal reconhece o dever do Estado e o direito da criança a ser atendida em creches e pré-escolas 50 e vincula esse atendimento à área educacional. Em 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente ratifica os dispositivos enunciados na constituição. Considerando a Lei Federal Nº 9394/96, que regulamenta a educação brasileira e dá diretrizes para os sistemas de ensino e instituições que os integram, dentre as quais as de educação infantil, enfatiza-se que esta: “é a primeira etapa da Educação Básica e, como tal, não pode ser dissociada das demais etapas.” A inserção da educação infantil na educação básica, como sua primeira etapa, é o reconhecimento de que a educação começa nos primeiros anos de vida e é essencial para o cumprimento de sua finalidade, afirmada no Art. 22 da Lei: “a educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar – lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer – lhes meios para progredir no trabalho e nos estudos posteriores”. A educação infantil recebeu um destaque na LDB, inexistente nas legislações anteriores. É tratada na Seção II, do capítulo II (Da Educação Básica), nos seguintes termos: Art. 29 A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30 A educação infantil será oferecida em: I – Creches ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II – Pré – Escolas para crianças de quatro a seis anos de idade. O Ministério da Educação (MEC) em 1990 elaborou e distribuiu às escolas de todo o país o documento Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998). O mesmo visava auxiliar o professor na realização do seu trabalho educativo diário com as crianças de zero a seis anos. Apontava metas de qualidade para garantir o desenvolvimento integral das crianças, reconhecendo seu direito à infância como parte de seus direitos de cidadania. No âmbito da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), de acordo com as atribuições que lhe foram conferidas pela nova legislação, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, como Resolução CNE/CEB nº1 de 07/04/1999 (Brasil, 1999). Essas diretrizes têm o caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais de educação, diferentemente do referencial, que se constitui apenas em um documento orientador do trabalho pedagógico. A resolução que instituiu essas diretrizes foi precedida por um parecer que trata de várias questões relativas à qualidade (Parecer CNE/CEB nº22/98, de 17/12/98). 51 Tanto o Parecer quanto a Resolução são muito claros ao englobarem na nomenclatura instituições de educação infantil creches, pré-escolas, classes e centros de educação infantil. Reforçam também a faixa etária de zero até seis anos como um todo íntegro e delimitador das matrículas nas instituições de educação infantil. Em ambos, a criança ocupa um lugar central como sujeito de direitos. Por outro lado, a Resolução CNE/CEB nº 2, de 19/04/1999, se ocupou da questão da formação dos professores que atuam com as crianças de zero até seis anos. A instituição da Lei nº 11.114, do dia 16 de maio de 2005, modificou o art. 6º da LDB incluindo a criança de seis anos de idade, no Ensino Fundamental, seguida pela Lei nº 11.274, de seis de fevereiro de 2006, que altera o caput do art.32, afirmando que o ensino fundamental obrigatório tem duração de nove (9) anos e inicia-se aos seis (6)anos de idade. Os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (2006) contêm referências que devem ser utilizadas pelos sistemas (creches e pré-escolas) que promovam a igualdade de oportunidades e que levem em conta diferenças, diversidades e desigualdades de nosso imenso território e das muitas culturas nele presente. Outrossim,salienta-se que qualquer proposta educativa deve considerar a criança por inteiro, integrando as ações de educar e cuidar, compreendendo-as como funções indispensáveis e indissociáveis na educação infantil, pois no ato de cuidar, educa-se e, no ato de educar, cuida-se. Essas duas ações integradas implicam em atenção e resposta às necessidades do desenvolvimento das crianças que são expressas em: proteção e segurança, afeto e amizade, expressão de sentimentos, desenvolvimento da curiosidade, imaginação e capacidade de expressão; acesso a alimentação sadia, higiene e saúde; possibilidade de movimento em espaços amplos e em contato com a natureza; atenção individual, em especial durante processos de inserção nas instituições de educação infantil; acesso a ambientes educativos aconchegantes e desafiadores; desenvolvimento da identidade cultural, etnia e religiosa; possibilidade de brincar como uma forma privilegiada de aprender e expressar conhecimentos sobre si, sobre a cultura e o mundo onde vive. A educação infantil ganha, portanto, novos contornos ao consolidar as modificações herdadas das formas de organização econômica e social decorrentes, principalmente, dos avanços das ciências, tecnologias e articulações entre os povos. 52 2.5 Eixos Norteadores O presente documento está norteado por uma concepção de currículo que traz em sua base a perspectiva interdisciplinar e a organização em áreas de conhecimento. Assim, como nas outras modalidades de ensino, essa diretriz visa à formação do aluno como um ser social, interagindo com o meio, desenvolvendo a função de cidadão de direito e deveres. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, documento normativo do Conselho Nacional de Educação, estão os seguintes fundamentos norteadores: - Princípios éticos, políticos e estéticos. - Reconhecimento da identidade das crianças, famílias, profissionais que atuam na educação infantil e unidade educacional, diante dos vários contextos em que esses se situam. - Existência de práticas de educação e de cuidados que possibilitem a integração dos aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos, linguísticos e sociais da criança. - Percepção da criança como um ser completo, total e íntegro, em posição de aprender a ser, conviver consigo mesma e os demais no próprio ambiente, de maneira articulada e gradual. - Construção das propostas pedagógicas em integração com famílias e profissionais. - Buscar de formas variadas o provimento de conteúdos básicos, a constituição de conhecimentos e valores, a interação entre as diversas áreas do conhecimento e aspectos da vida cidadã. - Avaliação pautada no acompanhamento e registros dos avanços do desenvolvimento da criança, sem caráter de promoção ou de retenção, em um ambiente de gestão democrática, com vistas a garantir os direitos básicos da criança e sua família. Os eixos para a educação infantil na rede municipal de Ilhéus reafirmam o que está disposto nas diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil e enfatizam: 1) visão completa de criança, sinalizando para um processo educativo que a considere como foco principal, sendo respeitada em suas diferentes linguagens, expressões e capacidade de criação; 53 2) compreensão de que cuidar e educar são ações indissociáveis, base de sustentação do processo educacional da criança; 3) clareza de que os elementos da educação infantil estão voltados ao desenvolvimento, construção da autonomia, primeiras vivências que impulsionam em direção ao conhecimento. Esse é o norte que deve orientar e articular a ação educativa; 4) necessidade de superação de práticas tradicionais que valorizem uma concepção compensatória, preparatória ou antecipatória de educação; 5) clareza na percepção de que a aprendizagem e conhecimento estão presentes no âmbito da educação infantil, demandando sentido de intencionalidade, planejamento e acompanhamento. 6) linguagem, socialização, brincadeira e interação se constituem como articuladores do desenvolvimento e, portanto, do conhecimento, estando em direta relação com o meio social. Essas considerações evidenciam a compreensão do processo educativo se consolidando pela interação com outros indivíduos. Sob o olhar de Vygotsky (1994), as aprendizagens que ocorrem são suporte para o desenvolvimento que abre perspectivas para novas aprendizagens. A dinâmica desse processo demonstra que não existe ruptura de elementos, por seu nível de importância, no desenvolvimento ou na aquisição de aprendizagens, mas há correlação entre eles. Assim, a proposta de trabalho com a criança nesse nível de escolaridade dispensa a fragmentação de conteúdos ou compartimentalização de aprendizagens estabelecidas em etapas a serem vencidas em um determinado tempo. A partir dessas considerações, destacam-se, a seguir, cinco eixos articuladores do trabalho: a) infância: tempo de direitos; b) espaços e tempos articulados; c) ação compartilhada; d) metodologia; e) planejamento. Esses eixos consideram a dinâmica da prática pedagógica historicamente construída, a heterogeneidade e a multiplicidade de suas articulações, com o compromisso de pensar constantemente sobre o conjunto de práticas e posturas vinculadas ao processo educativo como elementos fundamentais para que a criança seja efetivamente respeitada em seu direito. 54 a) Infância: tempo de direitos Para a organização do trabalho educativo nas unidades de educação infantil é imprescindível ter clareza da concepção de infância e criança, uma vez que a compreensão de infância está relacionada a um período da vida da criança e, esta é vista como sujeito de direitos. Assim, podemos afirmar que a ideia de infância não é estática, mas construída e modificada na prática social. A criança, histórica e culturalmente contextualizada, inserida em uma família situada em um espaço e tempo geográfico, com toda a diversidade que apresenta, seja biológica, cultural, racial ou religiosa, precisa ser conhecida, compreendida e respeitada como sujeito que produz a própria história na história em que se faz a sua educação. Ela se encontra em processo de desenvolvimento de todas as dimensões humanas - afetiva, social, cognitiva, psicológica, espiritual, motora, sexual, lúdica e expressiva. É essa criança que comunica e expressa conhecimentos, emoções, sentimentos por múltiplas linguagens. É necessário que ela tenha espaços e condições para exercitar o direito de ser criança e viver a sua infância de modo pleno. É para ela, síntese de complexas relações, inserida na família e na sociedade, que a SEDUC se propõe pensar a rede de educação infantil no município de Ilhéus, sob a perspectiva da infância e da educação como tempo de direitos. Nesse sentido, o ponto de partida e de chegada à elaboração dos projetos pedagógicos das unidades que ofertam educação infantil é a criança cidadã. A organização da ação educativa implica em articular e ajustar os espaços e tempos às necessidades da criança, entendida com ser humano que vive todas as suas dimensões no presente, com identidade própria e que exige ação apropriada às suas especificidades. b) Espaços e tempos articulados Desenvolvimento e aprendizagem: a compreensão que se tem da criança, como ela aprende e se desenvolve é fundamental para orientar os projetos pedagógicos de educação infantil. Nesse período a base de toda a formação do ser humano é constituída, a partir das primeiras experiências que a criança constrói o seu modo pessoal de ser, sentir, agir e reagir diante de situações, objetos e do mundo que a cerca. 55 Desde o nascimento a criança está em contato com o mundosimbólico da cultura em que vive, e, assim, deflagra-se o processo de desenvolvimento de sua identidade pessoal e grupal. Nesse processo, o desenvolvimento humano se dá em uma construção coletiva, a partir das interações que a criança estabelece com as pessoas, inicialmente com aquelas com quem está mais envolvida afetivamente, e com o meio. Segundo Borges e Lara (2002), para o aprendizado e desenvolvimento infantil são fundamentais a qualidade e a constância das relações vividas pelo ser humano nos primeiros anos. Nessa concepção, o ser humano aprende a ver o mundo pelos olhos de quem cuida dele e o educa. Atenção, acolhimento e amparo são ações que dão suporte e condições aos bebês de enfrentarem a vida, os momentos de ansiedade e de angústia diante de situações novas e ameaçadoras. É a qualidade e a constância dessas relações que vão proporcionar ao bebê a internalização de um sentimento de confiança para aprender e se desenvolver. A criança aprende desde cedo as formas culturais de expressar emoções e aos poucos vai internalizando os signos existentes nas diferentes situações sociais de que participa, potencializando suas condições de interação com o mundo. Segundo Lima (2001), o desenvolvimento da criança depende da possibilidade de explorar seu ambiente, expressar suas emoções, ter contato com várias coisas e pessoas, estabelecer relações afetivas. É nessas múltiplas interações que a criança vai construindo sua subjetividade, imagem corporal, percebendo características próprias e desenvolvendo a autonomia. Nas diversas tentativas de conhecer e compreender o meio onde vive a criança se empenha, age, lança hipóteses, transforma e também se modifica em uma influência recíproca, passando por conflitos quando suas ações são limitadas por ordem social e maturação biológica, limitações essas que acabam gerando motivação na elaboração de estratégias de ação no sentido de superá-las. Para Vygotsky(1994), o estabelecimento da relação entre a aprendizagem e desenvolvimento das funções psicológicas deve considerar dois níveis de desenvolvimento. 1) nível de desenvolvimento real - resultado de um processo de desenvolvimento já realizado, identificado através da solução independente de problemas pela criança. 2) nível de desenvolvimento potencial - fixado através da solução de problemas sob orientação de adultos ou de crianças mais experientes. Na distância entre esses dois níveis situa-se a zona 56 de desenvolvimento proximal, que define funções psicológicas no processo de maturação que está ocorrendo no desenvolvimento infantil. Em suas pesquisas, Vygotsky descobriu que as crianças podem apresentar idade mental equivalente em relação ao desenvolvimento efetivo (real). Essas pesquisas afirmaram que na interação com adultos e crianças mais capazes, em situações desafiadoras, é ativado na criança processos internos de desenvolvimento e, com a continuidade, se tornam aquisições efetivas. O aprendizado cria a zona de desenvolvimento proximal e desperta vários processos internos de desenvolvimento que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados, esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança (VYGOTSKY, 1994, p.117-118). Isso indica a importância de estabelecer interações de qualidade entre adultos e crianças e do planejamento para situações de aprendizagem envolvendo crianças entre si, reconhecendo-as capazes de ensinar e aprender umas com as outras. As possibilidades da criança desenvolver o pensamento, a identidade e a noção de si própria, como expressar emoções e relacionar-se em grupo, respeitando regras de convivência, dependem das oportunidades em participar de diferentes experiências, nos espaços e tempos que propiciem o movimento, a dança, a interação com a natureza, a música, a literatura, as artes, o brincar, a interação com outras crianças e adultos. A criança registra pelo movimento, quando desenha, situações envolvendo pessoas e objetos que foram percebidos e imaginados, atuando na elaboração da própria memória, ampliando suas possibilidades de expressão e potencializando o exercício da função simbólica, característica da espécie humana que implica na capacidade de operar mentalmente com símbolos e imagens, pensar e representar pessoas e coisas, independente de estar na presença delas. Em experiências musicais, desenvolve a oralidade, a orientação do movimento; seguindo ritmos, desenvolve o próprio ritmo e amplia seu repertório cultural. Em contato com diferentes expressões artísticas, aprende a se comunicar por outras linguagens, ampliando conhecimentos e experiências, ao mesmo tempo em que desenvolve a estética, a sensibilidade, o espírito crítico e o respeito às múltiplas formas de manifestação cultural. Nessa perspectiva, a interação é considerada uma das principais condições para o 57 desenvolvimento, na medida em que impulsiona e articula processos de constituição humana. Brincadeira: a brincadeira é uma atividade humana constituída, de acordo com Wajskop (2001), um modo de assimilar e recriar as experiências socioculturais dos adultos. Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas, pois, quando brincam ao mesmo tempo em que desenvolvem sua imaginação, as crianças podem construir relações reais entre elas e elaborar regras de organização e convivência. Concomitantemente a esse processo, reiterarem situações de sua realidade, ao mesmo tempo em que já vive uma possibilidade de modificá-la (id. 2001, p. 33). Ao brincar, a criança experimenta situações e modelos de como dominar a realidade, revelando situações carregadas de emoções e afetos e organizando lógicas e contradições presentes na sociedade. Mais do que formar regras, a criança as reelabora em um processo criativo, combinando-as entre si e construindo com elas novas possibilidades de interpretação e representação do real. Assim, quando brinca de ser o outro (mãe, pai, bebê), de imitar e representar diferentes papéis sociais (motorista, professor, médico), a criança internaliza valores culturais que contribuem para o desenvolvimento de sua identidade de grupo; no plano simbólico, expressa e reelabora emoções que viveu nas relações pessoais e situações que causaram alegria ou tristeza, satisfação ou desconforto, raiva, ciúmes. Ao brincar, ela se constitui criança; ao mesmo tempo em que organiza o pensamento, aprende a antecipar ações, a planejar, tomar decisões, agir coletivamente, criar e respeitar regras, controlando a sua impulsividade, e a encontrar soluções para problemas que são impostos pela própria brincadeira que quer vivenciar. É no espaço de brincar que a criança desenvolve a capacidade de realizar ações conjuntas, de coordenar ideias, opiniões e o próprio comportamento com o das outras crianças. Brincando, ela manifesta e constitui linguagens, exercita a imaginação e a função simbólica, ressignificando a realidade nos momentos de fantasia, o que possibilita estabelecer relações e aprender sobre papéis sociais e os fatos que observa no mundo em que vive. Nas suas brincadeiras, a criança não se limita a imitar pessoas, mas também objetos, coisas, elementos da natureza. Ao imitar dá a sua versão, produzindo algo novo. 58 Vygotsky (1994) considera a brincadeira uma grande fonte de desenvolvimento, pois, ao separar objeto e significado, a criança atua no plano da representação, ao distanciar-se do significado imediato das coisas, comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real. O brinquedocria, assim, uma zona de desenvolvimento proximal e, como foco de uma lente de aumento, contém todas as tendências do desenvolvimento de forma condensada. Além disso, para o autor, o brinquedo fornece estrutura básica para mudanças das necessidades e da consciência, pois, nelas as crianças ressignificam o que vive e sente. Kishimoto (1992, p. 156) reforça a importância da brincadeira para as crianças ao afirmar que “essa possibilidade de mudar o sentido das coisas, de recriar fenômenos que observa em seu cotidiano é que torna a brincadeira um fator que colabora para o desenvolvimento infantil”. A contribuição do movimento (jogo ou brincadeira) para a melhoria do processo de aprendizagem da criança durante as aulas vai depender da concepção que o professor possui de movimento, de criança, de aprendizagem e desenvolvimento. É necessário perceber a brincadeira ou o jogo como uma atividade que faz parte do cotidiano infantil, ela funciona como um canal de comunicação que permite à criança se apropriar do mundo. Durante as brincadeiras e jogos o papel do professor deverá ser o de provocar e desafiar a participação coletiva na busca de encaminhamentos e resolução de problemas. É através das brincadeiras ou jogos que podemos despertar e incentivar a criança para o espírito de companheirismo e de cooperação. No transcorrer da prática das brincadeiras ou jogos as crianças deverão ter possibilidade de trocar seus pontos de vista, de movimentar e sugerir movimentos, discutir regras, tomar iniciativas, construir novas regras, bem como novas possibilidades de participação, ou seja, deverão construir juntas o jogo e pensar sobre ele. O jogo ou brincadeira nesse contexto ganha espaço, como ferramenta ideal da aprendizagem, na medida em que propõe estímulo ao interesse da criança, desenvolve níveis diferentes de suas experiências pessoal e social, ajuda a construir suas novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade através de um instrumento pedagógico que leva o professor à condição de condutor, estimulador e avaliador da 59 aprendizagem. “O jogo ou brincadeira é o melhor caminho de iniciação ao prazer estético, à descoberta da individualidade e à meditação individual” (CELSO ANTUNES). Situações em que as crianças podem brincar: • A linguagem, mudando a entonação das palavras, o timbre da voz, o sentido das frases. • Os objetos, mudando seu uso convencional. • Os brinquedos, aceitando a imagem que eles propõem ou mudando seus significados e usos. • Os personagens, pessoas ou animais, mudando sua identidade através da linguagem ou utilizando-se de fantasias e objetos simbólicos; assumindo outras identidades através da manipulação de bonecos, fantoches, marionetes, ouvindo e recontando uma história. • Os espaços, modificando-os, pintando-os, cobrindo com panos, lençóis... • O desenho, desenhando, contando histórias, criando personagens. Do que depende a brincadeira: • Temas (do que as crianças brincam): boneca, carrinho, feira, show de música, casinha, médico, detetive, laboratório, lutas, cabeleireiro, circo, polícia e ladrão, lojinha, escolinha, comidinha, fadas e bruxas, super-heróis, casamento, festas. • Motivações (como se desencadeia o brincar): um acontecimento recente a que uma criança assistiu; um programa de televisão; roupas; fantasias ou material disponível na sala; algo que descobriu recentemente; um livro lido; uma história ouvida; uma peça vista; um objeto ou um brinquedo; uma pergunta do educador uma dúvida; uma questão sua ou de um colega; um projeto do grupo. • Recursos: papéis e identidades aferidos às crianças com quem se brinca, aos adultos ou personagens imaginários ou a bonecos, planos de ação ou enredos que vão se tornando mais complexos na medida em que as crianças crescem e quanto mais elas brincam; objetos e ambientes que são modificados ou inventados na medida da necessidade. • Nos centros de educação infantil, a brincadeira é educação por excelência. No ato de brincar ocorrem trocas, as crianças convivem com suas diferenças, se dá o desenvolvimento da imaginação e da linguagem, da compreensão e apropriação de 60 conhecimentos e sentimentos, do exercício da iniciativa e da decisão. Existem dois aspectos muito importantes no emprego dos jogos ou brincadeiras como instrumento de aprendizagem significativa. Em primeiro lugar, os jogos ocasionais, distantes de uma cuidadosa e planejada programação, são totalmente ineficazes. Em segundo lugar, certa quantidade de jogos ou brincadeiras incorporados a uma programação somente tem validade quando rigorosamente selecionada e subordinada à aprendizagem que se tem como meta. Jamais se devem usar jogos ou brincadeiras pedagógicas sem rigoroso ou cuidadoso planejamento. É necessário que haja um planejamento sério e específico para utilizar o jogo como ferramenta de aprendizagem do conteúdo que se deseja ensinar. Não devemos avaliar a qualidade do professor pela quantidade de jogos ou brincadeiras que emprega, mas sim pela qualidade dos jogos que se preocupou em pesquisar e selecionar. Diante do exposto, ao criar desafios através das brincadeiras, do imaginário, do faz- de-conta e do lúdico na educação infantil, estão sendo considerados os interesses e as necessidades das crianças, proporcionando condições favoráveis e determinantes para o seu desenvolvimento. É dada possibilidade que ampliem suas vivências, sua leitura de mundo, compreensão e elaboração de regras de convivência e autonomia, avançando para um conhecimento mais elaborado das culturas e dos conhecimentos construídos pela humanidade. Ampliação das experiências: Esses fundamentos acerca dos processos que envolvem a aprendizagem e o desenvolvimento humano, somados à concepção de infância e de criança, remetem ao importante papel da instituição de educação infantil na organização de diferentes experiências em espaços e tempos que respeitem a criança como sujeito de direitos. Isso indica que o processo educativo da criança pequena tem como eixo ampliar a experiência de infância, e “não antecipar as aquisições possíveis pelo exercício da função simbólica em períodos de desenvolvimento posterior” (LIMA, 2002, p. 28). Constitui, portanto, um equívoco antecipar vivências que exigem da criança aquilo a que não está em condições de responder ou compreender. É preciso esclarecer que a criança precisa efetivar uma série de realizações no domínio da função simbólica, entre elas é ser capaz de dar significado a uma forma, capacidade que ela adquire “realizando colagens, dobraduras, desenhos, brincadeiras, 61 principalmente de faz-de-conta e outras que incluem especificamente a representação” (id, p. 28). Quando desenha, brinca, ouve, conta e reconta histórias, canta e dança, a criança está construindo bases necessárias para leitura, escrita, matemática, entre outros conhecimentos. Literatura: a literatura tem sua origem na cultura popular, nas narrativas que foram sendo transmitidas de geração a geração, sendo a responsável por colocar a criança pela primeira vez em contato com um texto, iniciando-a na linguagem literária quando ela tem oportunidade de ouvir contos, poesias, lendas, mitos, adivinhas, provérbios, parlendas, cantos, rimas, entre outras formas de literatura oral. Ela proporciona à criança, num plano simbólico, espaço para elaborar sentimentos e emoções que vive, como alegria, inveja, amizade, ciúmes, amor, raiva, solidariedade, medo, cooperação, compreender fatos sociais, internalizar valores éticos e morais, oportunizando a ampliação das experiências infantis, na medida em que leva a criança a conhecer outros mundos, culturas, tempos eespaços sociais. Na faixa etária que compreende essa modalidade de ensino, há o predomínio do pensamento mágico onde a criança dá vida a objetos inanimados e a animais, dotando-os de comportamentos humanos. A literatura estimula o imaginário próprio da infância, trazendo em narrações fantásticas, elementos para a criança lidar com o real e o imaginário. É comum que o real e o imaginário se confundam na infância e, é pelo imaginário que a criança compreende o mundo que a cerca. Isso ocorre porque permite à criança afastar-se de si mesma pela ficção e experimentar características e sentimentos de outra pessoa, objeto ou animal. É assim que a literatura se torna um recurso adequado ao mundo imaginário das crianças, trazendo sentimentos que vivem de maneira simbólica, caricaturada e lúdica, contribuindo para sua elaboração e compreensão. É ouvindo muitas histórias contadas, lidas e dramatizadas, brincando com rimas e parlendas, recitando poesias, vibrando com os heróis da mitologia e torcendo por um final feliz nos contos de fadas que as crianças, aos poucos, ficam fascinadas pela leitura e começam a gostar de ler, quando os textos que são levados até elas respondem às suas indagações sobre o mundo que está aprendendo a conhecer. Na educação infantil, momentos de leitura são determinantes no desenvolvimento pelo interesse e o prazer de ler e devem ocorrer diariamente. Por isso, livros de histórias, 62 poesias, lendas, entre outros materiais impressos, devem ter um lugar especial dentro das salas, facilitando e incentivando o acesso das crianças à leitura, desde o berçário. As crianças devem ter acesso irrestrito aos livros e não somente em dias escalados para visitar a biblioteca da instituição. Aprender a ler, pesquisar, encontrar assuntos de seu interesse é importante para as crianças desenvolverem sua autonomia de leitura e pesquisa. Nesse processo, a literatura impulsiona o processo de conhecimento de mundo das crianças, pois, É através duma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer e passa a ser Didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir as portas da compreensão do mundo) (ABRAMOVICH, 1997, p.17). Isso significa que a função da literatura infantil é alegrar, divertir e emocionar as crianças e, de maneira lúdica levá-las a perceber e a interrogar a si mesmas e ao mundo que as cerca, promovendo nelas o desenvolvimento do senso crítico e a ampliação das experiências já adquiridas. c) Ação compartilhada As famílias podem participar de diversas formas na educação, sendo um deles exercer o direito de participar das tomadas de decisões relativas às questões de ordem pedagógica, administrativa e financeira dentro da instituição, por meio de representatividade (associação de pais, sindicato de professores e funcionários e conselho escolar). Outra forma de participação das famílias é por meio da ação compartilhada, entendendo a instituição de educação infantil como um contexto complementar de educação das crianças. A ideia de educação complementar à da família está relacionada à origem social da educação infantil, quando as famílias passaram a necessitar de um espaço seguro e organizado para partilhar o cuidado e a educação de seus filhos, diante dos longos períodos de afastamento de seus lares, durante sua jornada de trabalho. 1 Objetivos e desafios na ação compartilhada 63 A necessidade de evoluir no processo de atuação com as famílias tem sido constante, assim como um desafio para os profissionais que atuam com a educação infantil na rede municipal de ensino de Ilhéus é repensar essas relações sob a ótica de uma atuação conjunta. Conhecer a dinâmica social, bem como as práticas culturais das comunidades, torna-se imprescindível para que se possam proporcionar ações educativas de respeito e valorização das crianças e suas famílias. Com isso, pretende-se que as ações educativas nesses espaços estabeleçam relações democráticas para que, sobretudo, os envolvidos conheçam a realidade social, provoquem reflexões e procurem repensar modalidades de atendimento, com vistas a responderem aos direitos das crianças. Compreender que as relações estabelecidas com as famílias trazem sentimentos muitas vezes conflituosos, em razão do significado de deixar uma criança e sua educação sob cuidados de outra pessoa, constitui o primeiro passo para quem participa dessa rede de relações. Natural que surjam dificuldades de comunicação entre duas instâncias que têm o compromisso de educar a criança, uma vez que posições e contextos diferenciados envolvem características emocionais, institucionais e culturais também diferenciadas. É fundamental o entendimento de que essa modalidade de ensino estabelece uma relação de complementaridade às ações da família, superando a concepção de substituição, desenvolvendo uma atuação no sentido de fortalecer vínculos, estabelecer relações de confiança, abrir canais de comunicação, chamar à participação dos projetos pedagógicos, propiciando envolvimento no processo educativo. Destacam-se como fundamentais os seguintes elementos que constituem a linha mestra para o trabalho com famílias no município de Ilhéus: - reconhecer e respeitar as famílias na diversidade de configurações e constituições; - perceber a família como espaço das primeiras relações afetivas e sociais da criança e, portanto, a principal instância responsável por assegurar seus direitos básicos; - entender que diferentes pessoas participam das ações de cuidar e educar no âmbito familiar; - apresentar às famílias o espaço de educação infantil como um importante contexto de desenvolvimento da criança; 64 - proporcionar a participação dos pais ou responsáveis no processo educativo e nas relações comunitárias e da sociedade, compartilhando com esses segmentos a educação das crianças. A escolha das estratégias para interação com as famílias é definida pela equipe que atua no espaço de educação infantil, conforme objetivos do processo educacional. Fundamental para essa definição é ter em vista o conhecimento da criança, considerando sua realidade sociocultural, e entender a relação entre família e espaço educativo em toda a sua dimensão, respeitando modos de agir e pensar, valorizando costumes e tradições, esclarecendo objetivos, atitudes e prioridades da instituição. De um lado, essa interação visa propiciar às famílias o conhecimento do trabalho desenvolvido e oportunizar que estas possam discutir as propostas apresentadas juntamente com a equipe. Por outro lado, o conhecimento dos contextos de vida da criança, costumes e valores culturais da família permite uma aproximação entre as duas instituições, de maneira a complementar o trabalho realizado. Além disso, o conhecimento do contexto familiar da criança evita julgamentos preconcebidos das atitudes dos pais, pois, ao levar em consideração esse conhecimento, os profissionais da educação infantil têm possibilidades de tomar decisões mais acertadas no encaminhamento do trabalho com a própria criança ou nas estratégias de interação com os pais. Atingir os objetivos propostos em uma dimensão de ação compartilhada exige reflexões constantes, este é um dos maiores desafios que se tem ao definir a proposta de trabalho, pois envolve uma problemática social mais ampla, que é a de aproximar a família de modo que esta se perceba corresponsável pelo processo,seja na instituição pública ou privada. Essa interação só será conseguida na medida em que os pais se considerem coautores da proposta e se sintam parte integrante do trabalho educativo desenvolvido com a criança. d) Metodologia A proposta da SEDUC, no âmbito da educação infantil, baseia-se no princípio de que a aprendizagem ocorre quando o educando interioriza e compreende o objeto de conhecimento, apossando-se dele. Esse processo acontece à medida que a criança observa, distingue, generaliza e tira conclusões. 65 As ações estratégicas orientadas às creches e pré-escolas municipais são organizadas e planejadas buscando criar oportunidade de participação efetiva de todas as crianças, independentemente da hipótese de leitura e escrita, respeitando a criança em suas etapas e níveis de desenvolvimento. A organização do trabalho educativo como promoção da aprendizagem das crianças de zero (0) a cinco (5) anos, respeita o cuidar e o educar, tendo como pilares: a interação social; o respeito ao conhecimento prévio; a individualidade e a diversidade; o desafio e a resolução de problemas. O processo deve acontecer com base numa metodologia participativa entre professores, aluno, pais, com trabalhos em grupos, pesquisas e questionamentos, numa ação dialógica, deixando aparecer suas diferentes falas, sem perder de vista o eu da criança - iniciativas e preferências. O currículo aqui proposto será desenvolvido através de atividades auto relacionadas e auto dirigidas, uma vez que a instituição educacional não apenas cuida como educa, e educar pressupõe o desenvolvimento de um trabalho intencional que envolve planejamento, organização e avaliação. Os conteúdos serão trabalhados através de projetos didáticos, que se organizam segundo temas sobre os quais as crianças vão tecer redes de significações, possibilitando um contato com as práticas sociais reais. Um dos ganhos ao se trabalhar com projetos é possibilitar às crianças que a partir de um assunto relacionado com um dos eixos de trabalho, possam estabelecer múltiplas relações, ampliando suas ideias sobre um assunto específico, buscando complementações com conhecimentos pertinentes aos diferentes eixos. Esse aprendizado serve de referência para outras situações, permitindo generalizações de ordens diversas. O projeto didático pode possibilitar às crianças diferenciar suas próprias experiências das outras pessoas, pensar o presente e o passado, o sentido do tempo e do espaço. Por meio de projeto, podem ver o espaço como uma construção histórica organizada socialmente para atender necessidades criadas nas comunidades e trabalhar o tempo como um ato de liberação do presente, considerando as diferentes temporalidades existentes no cotidiano. Suas representações sobre o tema serão reelaboradas pelo olhar da professora, que durante o processo, tentará apreender as hipóteses e as significações infantis. 66 São objetivos conquistados a partir da utilização da rotina: atender e integrar o cuidar e o educar incluindo atividades; contribuir para diversos tipos de integração; proporcionar diversidade de atividades, contribuindo para a construção de conhecimentos e autonomia; e proporcionar oportunidade de trabalho em diversos cantinhos e ambientes externos. e) Planejamento Planejar é o ato inerente à existência humana desde os primórdios da civilização. Está presente em todos os momentos de nossas vidas, desde as coisas mais rotineiras até as mais determinantes. Na educação, o planejamento se reveste em instrumento fundamental para a operação dos objetivos, no sentido de alcançar as finalidades educativas e também possibilitar uma avaliação consistente e comprometida com a realidade da ação pedagógica. Tendo em vista a concepção de conhecimento em sua totalidade e propósito de adotar o enfoque interdisciplinar nas áreas do conhecimento, identificamos o planejamento como momento de reflexão da práxis do professor, permitindo um constante ressignificar desta. Nos Centros de Educação Infantil, as crianças e suas famílias devem encontrar um ambiente físico e humano, por meio de estrutura e funcionamento adequados, que propicie experiências e situações planejadas intencionalmente, de modo que democratize o acesso de todos os bens culturais e educacionais, que proporcionem uma qualidade de vida mais justa, equânime e feliz. As situações planejadas intencionalmente devem prever momentos de atividades espontâneas e outras dirigidas, com objetivos claros, que aconteçam num ambiente iluminado pelos princípios éticos, políticos e estéticos das propostas pedagógicas. O cotidiano nas turmas de educação infantil é dinâmico. Todos os dias o professor encaminha suas propostas e os alunos podem contribuir com sugestões. Neste combinado coletivo devem estar presentes determinadas ações que acontecem diariamente e todas as outras atividades do dia. 2.6 Organização curricular A organização curricular municipal está ancorada na concepção de currículo que considera o educando como um ser histórico, concreto, situado no tempo e no espaço. Para tanto, privilegia-se um currículo voltado para “o que”, “por que” e “para quê” ensinar, 67 onde o educando identifique-se nesse mundo das diferentes linguagens e demais eixos do currículo como sujeito social e cultural. O currículo, assim, se caracteriza pela intencionalidade de atribuir significado às experiências entre o sujeito e o objeto do conhecimento. A educação infantil na rede municipal de ensino pretende atender crianças de zero a três anos em turmas de creche, quatro e cinco anos em turmas de pré-escola. Atualmente mantemos convênio com sete (7) instituições que atendem crianças nessa faixa etária, sendo que escolas municipais de ensino fundamental possuem turmas de pré- escola. A rede pública municipal de ensino está estruturada em ciclos de aprendizagem organizada em períodos plurianuais, com a institucionalização da progressão continuada, respeitando o ritmo e o tempo de aprendizagem dos alunos. Logo, a organização das escolas de educação infantil da rede municipal de ensino, além da estrutura em ciclos de aprendizagem constituídos em períodos plurianuais, segue as orientações abaixo, conforme a Resolução do CNE\CEB nº 03\05, que em seu artigo 1º estabelece que “a antecipação da obrigatoriedade no ensino fundamental aos seis anos de idade implica a ampliação da duração do ensino fundamental para nove anos” e, em seu artigo 2º, que “a organização do ensino (...) da educação infantil adotará a seguinte nomenclatura”: CRECHE PRÉ-ESCOLA Crianças de zero aos três (0 - 3) anos de idade Crianças de quatro aos cinco (4 – 5) anos de idade Para garantir uma estrutura comum à organização desse nível de ensino na rede municipal de Ilhéus, a SEDUC adota a seguinte nomenclatura: CICLO FASES ESCOLARIZAÇÃO IDADE 1 I Creche Crianças de zero aos três (0 - 3) anos II Pré-escola Crianças de quatro aos cinco (4 – 5) anos Essa organização curricular baseada no ciclo de aprendizagem exige reestruturação do tempo - espaço curricular, dos conhecimentos a serem trabalhados plurianualmente, 68 além de assegurar a formação e o tempo dos profissionais da educação, com vista a garantir a construção coletiva das ações pedagógicas para a efetivação dessa proposta. A educação infantil na rede municipal de Ilhéus, é composta por duas fases, atende a criança de zero (0) aos cinco (5) anos de idade e esta organizada por três áreas de estudos, a saber: Área 1 – Linguagens e Movimento; Área 2 – Ciências do Meio e Área 3 – Matemática e Tecnologia. Assim, comoos demais ciclos essa modalidade de ensino deve ser organizado para que um único professor possa trabalhar durante os dois anos que perfaz o seu período de duração. Nos componentes do currículo para enriquecimento de estudos, acompanhados e voltados para a construção moral e religiosa, história afro-indígena, história regional e local, educação e meio ambiente, educação e trânsito e educação e saúde os professores devem trabalhar de forma interdisciplinar. Nos estudos das áreas 1, 2, e 3 que requer conhecimentos específicos, os professores podem ser licenciados em pedagogia e, preferencialmente, formados em educação física, educação musical, língua estrangeira, filosofia e artes. O currículo, nessa fase, inicia a estruturação dos esquemas mentais responsáveis pela compreensão do mundo. Caracterizam-se, portanto, pela intencionalidade de atribuir significados às experiências ocorridas entre o sujeito e o objeto cognoscível. As diferentes áreas do conhecimento devem enfocar os saberes cotidianos e científicos de forma a estabelecer inter-relações entre a teoria e prática, considerando o conteúdo escolar não como um ponto de chegada, mas um ponto de partida, onde cada profissional interage com o educando, estabelecendo uma relação dialógica que com as diferentes práticas pedagógicas vão proporcionar o processo de ensinar e aprender, tanto por parte do educando como do professor. Dessa forma, amplia-se a capacidade de interpretar o mundo a partir da possibilidade crescente de perceber significados, produzir conhecimentos, construir competências e habilidades. O currículo deverá contemplar e valorizar os diferentes saberes trazidos pelos educandos, valorizar suas histórias de vida e, sobretudo, construir propostas coletivas. É preciso considerar os educandos em suas especificidades e potencialidades, desenvolvendo ações e criando espaços para suas vivências, experiências, saberes e 69 valores, como centro da organização do processo pedagógico. Isso implica na reorganização da escola levando em conta os tempos da vida, as aprendizagens, os fazeres e as construções dos educandos. 6. 7 Parâmetros Curriculares Municipais A educação infantil na rede municipal de Ilhéus na perspectiva de desenvolver valores, atitudes e práticas que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos numa sociedade democrática, apresenta três grandes dimensões, a saber: a) dimensão pessoal da formação, autonomia e desenvolvimento da aprendizagem: • promover a criação de situações que favoreçam o conhecimento de si próprio e relacionamentos com os outros levando em consideração os valores da justiça, da verdade e da solidariedade; • favorecer o desenvolvimento progressivo da aprendizagem respeitando a fase etária do aluno em sua construção pessoal assentada nos valores da iniciativa, criatividade, persistência e sentimento de autoconfiança; • proporcionar em colaboração com os parceiros educativos, situações de ensino- aprendizagem, formais e não formais, que fomentem a expressão de interesses e aptidões em domínios diversificados e experimentação e auto avaliação. • criar condições que permitam apoiar compensatoriamente as carências individualizadas, detectando e estimulando aptidões específicas e precocidades. b) Dimensão das aquisições básicas e intelectuais fundamentais para a construção das competências e habilidades: • Promover domínio progressivo dos meios de expressão e comunicação verbal e não verbal, compreendendo a estrutura e o funcionamento básico da língua portuguesa em situações que envolvam a oral a escrita, percebendo que a mesma é um instrumento vivo de transmissão e criação da cultura nacional. • Assegurar a aprendizagem de uma língua estrangeira. • Incluir o ensino de língua brasileira de sinais de acordo com a lei 10.436 de 2002 e o decreto 5626 de 2005 70 • garantir a aquisição e estruturação de conhecimentos básicos sobre natureza, sociedade, cultura, desenvolvendo a interpretação e análise crítica dos fenômenos naturais, sociais e culturais; • fomentar o conhecimento dos elementos essenciais da expressão visual e musical e as regras da sua organização; • contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade estética; • possibilitar o desenvolvimento de capacidades próprias para a execução de atos motores exigidos no cotidiano. • estimular a iniciação do conhecimento tecnológico e de ambientes próprios do mundo; • incentivar a aquisição de competências para interpretar e organizar informações das conquistas técnicas e científicas; • proporcionar orientações escolares em colaboração com as famílias. c) Dimensão para a cidadania • estimular a criação de atitudes e hábitos que favoreçam a maturidade sócio afetiva. • promover o desenvolvimento de atitudes e hábitos possibilitando iniciativas individuais e coletivas; • garantir a informação adequada à compreensão do significado e das implicações do nosso relacionamento com outros espaços socioculturais e econômicos, suscitando uma atitude responsável, solidária e participativa; • fomentar a existência de uma consciência nacional aberta à realidade concreta numa perspectiva de humanismo universalista, solidariedade e compreensão internacional. Reconhecendo, porém, que existem distintas etapas do desenvolvimento de aquisição no processo da construção do conhecimento, levou-se em consideração os problemas de aprendizagem, requerendo a adequação da progressão dos objetivos aos estágios de desenvolvimento dos alunos, em consonância com as diferentes fases dos ciclos de aprendizagem. Está é a preocupação na concepção dos planos de estudo de cada área, cada disciplina ou área disciplinar, onde já se tornou possível, por se tratar de campos de ensino- aprendizagem delimitados, definir objetivos específicos segundo os quatro níveis 71 articulados de progressão, sem perder de vista a linha de continuidade que conduz às metas finais. A consecução destes objetivos deve subordinar-se ao desenvolvimento das competências e habilidades essenciais, gerais e específicas definidas no currículo nacional (núcleo comum e o núcleo diversificado). No entanto, tanto a SEDUC (Secretaria Municipal de Educação) quanto às secretarias das escolas deve ter claro que as “dificuldades de aprendizagem” apresentadas no processo educativo correspondentes a cada um dos ciclos incidirá em necessidades de intervenções psicopedagógicas. 6.8 Avaliação A avaliação do trabalho educativo na educação infantil consiste em um processo contínuo, fundamentado na criança como referência dela própria. A avaliação dispensa níveis comparativos entre as crianças e tem como objetivo principal a orientação do profissional no realinhamento de suas intervenções. De acordo com o art. 31 da Lei n.º 9.394/96, a avaliação da criança na Educação Infantil "far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental". A avaliação focaliza as necessidades e experiências infantis, considerando os diferentes momentos do desenvolvimento, bem como os aspectos referentes ao seu universo cultural e, nessa perspectiva, é necessário (re) significar a avaliação. A avaliação deve avançar de um caráter constatativo para uma postura investigativa, na busca de entendimento do processo de desenvolvimento infantil compreendido de forma integrada. Assim, o profissional que atua na educação infantil necessita ter um olhar sensível e abrangente sobre a criança, para superar concepções classificatórias, comportamentalistas e práticas descontextualizadas que impedem a percepção dosignificado da aprendizagem e do desenvolvimento da criança como processos em permanente construção. O desafio posto está na mediação, esta entendida como intervenção necessária que busca uma articulação significativa entre os conceitos construídos pela criança e a realidade que a cerca. De acordo com Hoffmann, a avaliação em Educação Infantil precisa resgatar urgentemente o sentido essencial de acompanhamento do desenvolvimento infantil, de reflexão 72 permanente sobre as crianças em seu cotidiano como elo da continuidade da ação pedagógica (1996, p. 48). É preciso pensar a organização de instrumentos que possibilitem acompanhar o tempo da criança em ser e em se desenvolver na instituição, revelando a sua trajetória, as curiosidades manifestadas, os avanços progressivamente alcançados, a sua relação com outras crianças e adultos, o que não irá se encerrar no julgamento das ações, mas no que se observou, analisou, refletiu e apontou sobre o caminho percorrido, sendo este também ponto de reorganização da prática educativa. Daí a necessidade do registro das ações que se evidenciam no cotidiano do trabalho, sendo relatórios, fotos, gravações em áudio e vídeo, materiais produzidos pelas crianças e diários, entre outros, alternativas atualmente utilizadas que subsidiam a reflexão no processo avaliativo. Entende-se que as observações têm caráter de provisoriedade, devido ao ritmo de desenvolvimento, às formas de pensamento, às conquistas de aprendizagem da criança que se dão em um processo dinâmico e que se modificam pelas relações que se estabelecem no cotidiano. Cada vez mais, as famílias querem e precisam participar do trabalho pedagógico, pois ao abrir espaço para os pais falarem das suas expectativas com relação aos filhos e analisarem o trabalho, construímos as pontes entre a casa e a escola. Nesse sentido, a comunicação das aprendizagens pode ser feita através de exposições, apresentações, dramatizações, encontros com os pais, publicação de livros, histórias em quadrinhos, vídeos e outros meios. Os pais, através do registro do que foi realizado em sala de aula, podem descobrir o processo cognitivo de seu filho e vê-lo atuando em outro tipo de espaço social. Além disso, podem valorizar o trabalho escolar e participar efetivamente dele. Portanto, a avaliação é apresentada em sua dimensão formadora, que não concebe a fragmentação do sujeito, mas atua sob o caráter gradativo do processo de desenvolvimento da criança, das suas necessidades individuais e do grupo. Esses são indicadores fundamentais em relação ao processo de avaliação a serem considerados na elaboração dos projetos pedagógicos. 73 3 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃO INFANTIL 3.1 Plano Curricular Ciclo 1 (Educação Infantil) P R IN C IP IO B Á SI C O : Ed u ca çã o P ar a A C id ad an ia Componentes do Currículo Comum Áreas Curriculares CARGA HORÀRIA ANUAL Área 1 – Linguagens e Movimento CICLO 1 Estudos da Língua Portuguesa, Artes, Motricidade, Expressão Corporal e Literatura Fase 1 (CRECHE) Fase 2 (INFANTIL) Área 2 – Ciências do Meio Estudos Geográficos, Históricos Filosóficos e da Natureza Área 3 – Matemática e Tecnologia Estudos Matemáticos e Tecnológicos Total por Fase 800 800 1.600 Currículo para a Formação da Autonomia Pessoal e Social Área Curricular de Atividades e Enriquecimento 74 Estudos acompanhados voltados para: Construção Moral e Religiosa História Afro-Indígena História Regional e local Educação e Meio Ambiente Educação e Trânsito Educação e saúde Educação e as linguagens artísticas Carga Horária Semanal e Anual Definida pela escola de forma Interdisciplinar 75 4 DIRETRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL O Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ilhéus desde o ano de 2000 foi organizado em Ciclos, conforme Resolução 001/1999 do Conselho Municipal de Educação, regulamentada pela lei 001/2000 e Instrução normativa 002/2000, publicada no Jornal Oficial do Município, nº 3.914, de 05 de maio de 2000. No entanto, em um processo de descontinuidade da implantação progressiva dos ciclos resultou em 2006 o retorno da organização em séries. No ano de 2008 houve a retomada do processo de organização da Rede Municipal em Ciclos de Aprendizagem, inicialmente implantado nos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental e de maneira gradativa, será efetivada até 2013 a ampliação para os anos finais, ficando assim estruturado: Figura 1 – ciclo de aprendizagem 76 – - Nesse sentido, 4.2 Marco Teórico A Secretaria da Educação (SEDUC), mediante ao processo de implementação do Ensino Fundamental de Nove Anos e dos ciclos de aprendizagem articulados com as Diretrizes Curriculares, tem como uma de suas metas assegurar as políticas educacionais, em consonância com o Plano Municipal de Educação1, na tentativa de buscar alternativas para 1 O Conselho Municipal de Educação em 2011 promoveu debates com diversos segmentos da sociedade , objetivando discutir o Plano Municipal de Educação para efetuar sua reestruturação. 77 minimizar os problemas de evasão, repetência e outras práticas de exclusão que fazem parte do cotidiano escolar. O grande desafio da educação é contribuir para o desenvolvimento dos seres humanos, ou seja, da formação em todas suas dimensões. No entanto, esse processo passa por etapas diferenciadas, pois, conforme Arroyo (2005) pressupõe que cada pessoa, em cada tempo da vida, vai se constituindo como sujeito cognitivo, afetivo, ético, cultural, social, corpóreo, estético. Sendo preciso compreender melhor, em cada tempo, a mente humana, a socialização, as aprendizagens e a construção das identidades. Dessa forma, é preciso organizar o processo pedagógico escolar de modo que contemple as diversidades, tempos e espaços, no intuito de proporcionar a formação integral dos educandos. Buscar a formação é conceber que o ensino não é apenas transmitir saber, mas dialogar com diferentes culturas que compreendam a condição humana, o que implica pensar a escola além da visão mecanicista e formalista em que os conteúdos têm um fim em si mesmo, levando em consideração o respeito aos educandos como um princípio norteador de toda ação educativa. A escola deve propor à articulação entre conhecimento e vida, identidade e diversidade, formação e humanização, cidadania e direitos, bem como construir uma nova organização pautada na horizontalidade das relações, possibilitando o avanço da gestão democrática e a construção da prática educativa pelo coletivo dos profissionais. A proposta de reorganização do tempo e do espaço escolar insere-se num processo de reestruturaçãoe de reavaliação do sistema educacional, buscando alcançar os objetivos e as finalidades da educação. A ampliação do ensino fundamental para nove anos, reorganização do ciclo de aprendizagem e construção das Diretrizes Curriculares apontam para a organização da escola ancorada numa concepção de educação que respeite a complexidade, o tempo e as aprendizagens de cada um. – - Como um dos principais caminhos para a realização humana, a educação não pode ser restrita apenas a treinamentos ou informações. É preciso repensá-la e fazê-la servir à vida, numa compreensão mais ampla e incondicional do que seja educar. Diante de tal realidade, a Rede Municipal da Educação de Ilhéus tem como proposta desenvolver um 78 trabalho partindo das necessidades curriculares, administrativas e pedagógicas a fim de imprimir novo vigor ao processo de construção do conhecimento. Não podemos fechar os olhos para a realidade que ora se apresenta, afinal “o importante não ‘é fazer como se’ cada um houvesse aprendido, mas permitir a cada um aprender” (PERRENOUD, 1999, p. 165). Nesse sentido, a alteração do ensino fundamental de oito para nove anos e os referenciais do ciclo de aprendizagem, tem por objetivo combater o fracasso escolar sem fazer apologias ao desaparecimento da reprovação, a intenção não é apenas a aprovação desmedida de crianças, jovens e adultos que não dominem os códigos da leitura, da escrita e dos conhecimentos matemáticos (PERRENOUD, 2000). Portanto, os ciclos de aprendizagem representam um passo a mais na busca da qualidade do ensino, considerando que a estrutura curricular em ciclos compreende períodos de escolarização organizados em blocos, ultrapassando as séries anuais e variando de duração. Ele se constitui como alternativa de organizar o processo de ensino e aprendizagem, adequado às características do desenvolvimento humano, enquanto estratégia adotada para superar os problemas relacionados ao fracasso escolar, na medida em que possibilita realizar investigações constantes acerca da construção do pensamento, haja vista, que a organização curricular do ciclo ocorre plurianualmente, conforme propõe Perrenoud (1999). O ciclo de aprendizagem permite uma visão mais ampla, sobre a construção de competências e habilidades, requerendo uma organização de ensino postulada por mudanças em relação ao processo ensino/aprendizagem. A “competência do agir” está intimamente ligada à apropriação do conhecimento e suas relações com o “mundo vivido”, para tal, o educando é considerado como um sujeito que sabe criticar e receber críticas, capaz de refletir em relação a si e aos sujeitos inseridos em determinado contexto social, fazendo parte do mundo em movimento, podemos então considerá-lo como um “agente de transformação social”. Nesse sentido, - 79 4.3 Marco Legal A construção das Diretrizes Curriculares, implementação do ensino fundamental de nove anos e reorganização dos ciclos de aprendizagem observam as normas legais, asseguram os benefícios e o aprimoramento de ações educativas que contemplem o processo de qualificação da educação nas escolas do Sistema Municipal de Ensino de Ilhéus. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (9394/96), no art.9º Inciso IV, incumbe a União de estabelecer, em colaboração com os Estados, Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, ensino fundamental e médio, que nortearão os currículos e os seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar a formação básica comum. As Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. (PARECER CEB/CNE nº 04/98 e RESOLUÇÃO CNE/CEB nº 02/98). Conforme estas diretrizes deve-se observar as seguintes proposições: ● Princípios norteadores da ação pedagógica nas escolas: Éticos: autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito ao bem comum; políticos: direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática; estéticos: sensibilidade, criatividade, diversidade de manifestações artísticas e culturais. ● Explicitação do reconhecimento da identidade pessoal dos alunos, professores e outros profissionais e a identidade da Escola e de seus respectivos sistemas de ensino. ● Reconhecimento das aprendizagens como: a) constituídas na interação entre os processos de conhecimento, linguagem e afetivos; b) consequência das relações entre as distintas identidades dos vários participantes do contexto escolar; c) envolvendo ações inter e intra-subjetivas – expressas através de múltiplas formas de diálogo. 80 ● Garantia de igualdade de acesso dos alunos a uma Base Comum Nacional de maneira a legitimar a unidade e qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. ● Paradigma curricular que visa estabelecer a relação do Ensino Fundamental com: ● A vida cidadã (Saúde, sexualidade, vida familiar e social, meio ambiente, trabalho, ciência e tecnologia, cultura, linguagens) e as áreas do conhecimento; ● A explicitação de processos de ensino voltados para as relações com a comunidade local, regional e planetária. ● Utilização da parte diversificada com projetos e atividades do interesse de suas comunidades. ● Cooperação entre as escolas – buscando condições de funcionamento das estratégias educacionais. A ampliação do ensino fundamental de oito (8) para nove (9) anos foi sinalizada pelas Leis 9394/96 e 10.172/01. Essa instituiu o Plano Nacional da Educação (PNE) cuja meta nº 2 era: “ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade, à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de sete (7) a quatorze (14) anos”, visando oferecer maiores oportunidades de aprendizagem no período da escolarização obrigatória e assegurar o ingressando mais cedo no sistema de ensino das crianças, para que alcancem maior nível de escolaridade. Em 16 de maio de 2005, a Lei 11.114 alterou os art. 6º, 30º, 32º e 87º da Lei nº 9394/96, estabelecendo como obrigação dos pais ou responsáveis a matrícula das crianças no ensino fundamental a partir dos seis (6) anos de idade. Contudo, foi mantida a duração de oito anos para a integralização dessa etapa da escolarização. Em seis de fevereiro de 2006 foi aprovada a Lei n.º 11.274 instituindo o ensino fundamental de nove anos de duração, com inclusão de crianças de seis (6) anos de idade no ensino regular tendo em nível municipal até 2010 como prazo final para a sua implementação. O objetivo de prolongar a permanência do aluno na escola foi para assegurar um tempo de convívio escolar, maiores oportunidades de aprender e, com isso, uma aprendizagem mais ampla. É evidente que a aprendizagem não depende do aumento do tempo de permanência na escola, mas sim do emprego mais eficaz desse tempo. Além das leis, normas foram definidas tendo em vista regulamentar o ensino fundamental de nove anos: Parecer CNE/CEB nº 6, aprovado em 8 de junho de 2005, que visa o estabelecimento de normas nacionais para a ampliação do Ensino Fundamental para nove anos de duração; Resolução CNE/CEB nº 3, de 3 de agosto de 2005, que define normas nacionais para a ampliação do Ensino Fundamental para nove anos de duração; Parecer CNE/CEB nº 18, aprovado em 15 de setembro de 2005, que dá orientações para a matrícula 81 das crianças de seis (6) anos de idade no Ensino Fundamentalobrigatório; Resolução CME nº 03 de 23 de maio de 2008, que dá orientação sobre o Ensino Fundamental de nove anos para o Sistema Municipal de Ensino de Ilhéus; Parecer CNE/CEB nº 39 de 08 de agosto 2006, que consulta sobre situações relativas à matrícula de crianças de seis anos no Ensino Fundamental; e Parecer CNE/CEB nº 4/2008, aprovado em 20 de fevereiro de 2008, que dá orientação sobre os três anos iniciais do Ensino Fundamental de nove anos. [...] 3 – A organização do Ensino Fundamental com nove anos de duração supõe, por sua vez, a reorganização da Educação Infantil, particularmente da Pré-Escola, destinada, agora, a crianças de 4 e 5 anos de idade, devendo ter assegurada a sua própria identidade. 4 – O antigo terceiro período da Pré-Escola não pode se confundir com o primeiro ano do Ensino Fundamental, pois esse primeiro ano é agora parte integrante de um ciclo de três anos de duração, que poderíamos denominar de “ciclo da infância”. 5 – [...] há necessidade de se considerar esses três anos iniciais como um bloco pedagógico ou ciclo sequencial de ensino. [...] 7 – Os três anos iniciais são importantes para a qualidade da Educação Básica: voltados à alfabetização e ao letramento, é necessário que a ação pedagógica assegure, nesse período, o desenvolvimento das diversas expressões e o aprendizado das áreas de conhecimento estabelecidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. 8 – Dessa forma, entende-se que a alfabetização dar-se-á nos três anos iniciais do Ensino Fundamental. 9 – A avaliação, tanto no primeiro ano do Ensino Fundamental, com as crianças de seis anos de idade, quanto no segundo e no terceiro anos, com as crianças de sete e oito anos de idade, tem de observar alguns princípios essenciais: 9.1 – A avaliação tem de assumir forma processual, participativa, formativa, cumulativa e diagnóstica e, portanto, redimensionadora da ação pedagógica; 9.2 – A avaliação nesses três anos iniciais não pode repetir a prática tradicional limitada a avaliar apenas os resultados finais traduzidos em notas ou conceitos; 9.3 – A avaliação, nesse bloco ou ciclo, não pode ser adotada como mera verificação de conhecimentos visando ao caráter classificatório; 9.4 – É indispensável a elaboração de instrumentos e procedimentos de observação, de acompanhamento contínuo, de registro e de reflexão permanente sobre o processo de ensino e de aprendizagem; 9.5 – A avaliação, nesse período, constituir-se-á, também, em um momento necessário à construção de conhecimentos pelas crianças no processo de alfabetização. 10 – Os professores de áreas específicas, especialmente no caso da Educação Física e de Artes, devem estar preparados para planejar adequadamente o trabalho com crianças de seis, sete e oito anos, tanto no que se refere ao desenvolvimento humano, cognitivo e corporal, como às habilidades e interesses demonstrados pelos alunos. 11 – Os professores desses três anos iniciais, com formação mínima em curso de nível médio na modalidade normal, mas, preferentemente, licenciados em Pedagogia ou Curso Normal Superior, devem trabalhar de forma inter e multidisciplinar, admitindo-se portadores de curso de licenciatura específica apenas para Educação Física, Artes e Língua Estrangeira Moderna, quando o sistema de ensino ou a escola incluírem essa última em seu projeto político- pedagógico. 12 – O agrupamento de crianças de seis, sete e oito anos deve respeitar, rigorosamente, a faixa etária, considerando as diferenças individuais e de desenvolvimento. 82 O cuidado na sequência do processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças e adolescentes implica no conhecimento e na atenção às suas características etárias, sociais e psicológicas. As orientações pedagógicas, por sua vez, devem estar atentas a essas características para que os educandos sejam respeitados como sujeitos do aprendizado, devendo, também, ser adequadas ao que propõem a legislação educacional. Na rede municipal de Ilhéus a implantação de ciclos de aprendizagem ancorou-se legalmente no artigo 23 da LDB, que determina: “(...) a educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios” (BRASIL, 1996, on line). Essa organização fica estruturada conforme quadro abaixo: CICLO FASE MODALIDADE FAIXA ETÁRIA ETAPA DE VIDA 1 I e II Educação Infantil. 04 e 05 anos Infância 2 I, II e III Ensino Fundamental 06, 07 e 08 anos Ciclo da Infância (Alfabetização) 3 I e II Ensino Fundamental 9 e 10 anos Crianças 4 I e II Ensino Fundamental 11 e 12 anos Pré-Adolescentes 5 I e II Ensino Fundamental 13 e 14 anos Adolescentes A estrutura curricular em ciclos de aprendizagem enquanto estratégia adotada para superar os problemas relacionados ao fracasso escolar pretende atender ao educando respeitando o tempo de ser criança, pré-adolescente e adolescente em suas especificidades. Diante do exposto, acredita-se que está modalidade organizativa do ensino possibilita aprendizagens significativas e o respeito aos diferentes ritmos, contemplando em seu currículo a formação integral dos alunos, tendo como principais eixos: educação, concepção e finalidade; cultura, poder, escola e cidadania; equidade, liberdade e igualdade; participação, pedagógico, metodológico e currículo. Para que haja uma efetivação de qualidade dos eixos propostos é necessário o envolvimento de todos os membros da comunidade escolar nas questões pedagógicas, numa perspectiva de uma cultura colaborativa (socialização de dúvidas e saberes). O currículo deve, portanto, contemplar as dimensões: física, psíquica, cognitiva, afetiva, social, 83 ética e estética nas diversas áreas do conhecimento. Para os ciclos 2 e 3 fica estruturado em: área 1 linguagens e movimentos, área 2 linguagens da ciências do meio e área 3 linguagens matemáticas e tecnológicas. No ciclo 4 e 5 área 1 linguagens e movimento, área 2 linguagens das ciências sociais e do meio, área 3 linguagens matemáticas, tecnológicas e das ciências da natureza. 4.4 Eixos Norteadores A Secretaria Municipal da Educação de Ilhéus assume, no presente documento, uma concepção interdisciplinar de currículo cuja organização tem como base as áreas de conhecimento, levando em consideração o processo de formação do educando, e, consequentemente, sua participação escolar. Essa diretriz visa à formação do homem como um ser social, que interage com o meio exercendo a sua função de cidadão de deveres e direitos, sendo esperado ainda, a sua inserção no mundo do trabalho, o desenvolvimento da responsabilidade social. As concepções aqui assumidas como referenciais, de modo geral, constituir-se-ão elementos articuladores das concepções específicas de cada escola e de cada componente curricular, integrando-os num todo identitário da prática educativa da Rede Municipal de Ensino, que será concretizado nas unidades escolares, levando-se em conta a gama de situações nas quais estão inseridas, bem como nas subjetividades dos sujeitos. a) Educação: concepção e finalidade O homem é um ser complexo, em função das múltiplas dimensões que o integram, ou seja, a parte biológica, social, política e cultural que se desenvolvem numa vivência dialética. Nesse contexto existencial, a educação constitui-se num processo histórico de formação humana que contribui para o desenvolvimento integral do indivíduo. Enquanto ação formativa, a educação abrange processos de socialização, transmissão, aquisição e produção de conhecimento, viabilizando experiências de construção de significados sociopolíticose culturais que instrumentalizam o sujeito para a participação e transformação do contexto em que vive. Nesta perspectiva educacional, promover o homem significa “tornar o homem cada vez mais capaz de conhecer os elementos de sua situação para intervir nela, transformando- 84 a no sentido de uma ampliação da liberdade, da comunicação e colaboração entre os homens” (SAVIANI, 1996, p. 38). Os fins educativos estão, assim, voltados para a promoção do educando enquanto sujeito social, histórico e culturalmente situado, de modo a desenvolver os conhecimentos, as habilidades e atitudes necessárias à sua participação na vida humana, seja na dimensão intersubjetiva, referente às relações interpessoais, na dimensão simbólica de produção de significados e sentidos, bem como na dimensão produtiva do mundo do trabalho. Este amplo processo, inerente à educação, assume diferentes configurações, conforme as especificidades das práticas educativas desenvolvidas nos diversos contextos sociais e institucionais. Desse modo, torna-se pertinente esclarecer a concepção de educação escolar e as categorias que a integram: cultura, poder e cidadania. b) Cultura, poder, escola e cidadania A educação escolar define-se como um tipo de educação sistemática, formal e institucionalmente organizada. Sistemática, porque estrutura-se de modo a integrar intencionalmente diferentes elementos e sujeitos, constituindo um todo articulado e coerente entre si e com o contexto externo. Formal, porque se desenvolve a partir de procedimentos definidos conforme padrão regularmente assumido e Institucional por ser estabelecida enquanto uma organização de ação social com finalidades definidas e regimento próprio instituindo os padrões de ação escolar. A escola constitui-se, portanto, na instituição político-social definida pela função específica de realizar, junto aos cidadãos, o processo educativo formal e sistematizado, oportunizando a esses sujeitos vivenciar o processo de formação educacional que lhe permita uma inserção participativa na sociedade. Nessa compreensão, a relação entre escola e sociedade é vista de modo mutuamente ativa, haja vista, a dinâmica contraditória que as integra, pois a escola contribui tanto para a conservação da estrutura social de desigualdade, quanto oferece também instrumentos participativos de transformação. Cortella (2002, p.136) afirma que “a escola pode, sim, servir para reproduzir as injustiças”, pois, a escola atua no espaço da cultura, mediando relações de poder no âmbito da construção da cidadania. Desse modo, a cultura é concebida como “esse meio ambiente humano, por nós produzido e no qual somos produzidos” (CORTELLA, 2002, p. 39). Portanto, 85 a cultura é, ao mesmo tempo, processo e produto que constituem o homem e que são por ele criados. Dentre esses produtos culturais, o conhecimento é um bem de produção necessário à existência participativa do sujeito, o bem de produção imprescindível para nossa existência é o conhecimento, dado que ele, por se constituir em entendimento, averiguação e interpretação sobre a realidade, é o que nos guia como ferramenta central para nela intervir, ao seu lado se coloca a Educação [...], que é o veículo que o transporta para ser produzido e reproduzido (CORTELLA 2002, p. 45). Assim concebido, os processos culturais de produção ou reprodução da cultura são permeados pelas relações de poder marcando o caráter político do espaço cultural. Trata-se de uma visão não inocente do poder [...]. O sentido de não-inocência é o de reconhecer a existência de um jogo de correlação de forças que estabelece critérios de validade e legitimidade segundo os quais são produzidas representações, sentidos, e instituídas realidades (COSTA, 1999, p. 41). Dinamicamente, então, a escola consolida-se como lócus de relações políticas em que se busca o diálogo público sobre o acesso e a utilização intencional do conhecimento, conforme o interesse dos grupos e sujeitos sociais. Essas múltiplas dimensões que se articulam na dinâmica da educação escolar é que fazem da escola um instrumento de cidadania, como estabelece a LDBEN, Art. 2°, “a educação, dever da família e do estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. A escola pública, a despeito de suas dificuldades, encontra-se diante do grande desafio de constituir-se como instituição qualificada para a formação do cidadão, oferecendo sua contribuição efetiva ao processo de democratização da sociedade ilheense. Tal desafio demanda que esta rede de ensino consolide-se como pública, não apenas por sua gratuidade, mas em razão de uma prática educativa democrática e emancipatória. Nesse sentido, é fundamental que todos que nela atuam tenham clareza sobre o conjunto das condições institucionais e pedagógicas necessárias ao cumprimento de sua missão. É no espaço das contradições que a escola é convocada a integrar o movimento histórico de transformação social, contribuindo para a construção da cidadania, que vai além da igualdade formal e se manifesta na participação coletiva e comprometida de cada sujeito na edificação histórica da sociedade onde vive. 86 Nessa perspectiva, podemos falar em escola cidadã, entendida como o espaço adequado ao desenvolvimento do processo democrático, na medida em que é responsável por uma prática educativa que visa contribuir, sistematicamente, para a formação de cidadãos capazes de compreender a realidade onde vivem, interagir com outros indivíduos e nela intervir. c) Equidade, Liberdade e Igualdade Implicam uma ligação do currículo com a realidade sociopolítica e cultural concreta dos educandos, observando-se as dimensões éticas, políticas e estéticas: * Ética – justiça, solidariedade, liberdade e autonomia; respeito à dignidade da pessoa humana e de compromisso, com a promoção do bem estar de todos, contribuindo para combater e eliminar quaisquer manifestações de preconceito e discriminação seja de origem, raça, sexo, cor, idade, classe social e quaisquer outras formas de discriminação; * Política – reconhecimento dos direitos e deveres de cidadania, respeito ao bem comum e à preservação do regime democrático e dos recursos ambientais; busca da equidade, justiça no acesso à educação, à saúde, ao trabalho (empregabilidade, empreendedorismo e autonomia), aos bens culturais e outros benefícios; exigência de diversidade de tratamento para assegurar a igualdade de direitos entre os estudantes que apresentam diferentes necessidades; redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais; * Estética – considera as diferentes expressões artísticas, cultivo da sensibilidade juntamente com o da racionalidade; enriquecimento das formas de expressão e do exercício da criatividade; valorização das diferentes manifestações culturais, especialmente a da cultura brasileira; construção de identidades plurais e solidárias. Cabe, portanto, ao profissional, buscar enfatizar as raízes culturais, tanto nacionais como locais, buscando recuperar a identidade cultural baiana e ilheense, propiciando a identificação do estudante com essa abordagem e conteúdo. d) Participação 87 É um princípio fundador da democracia, implicando a conscientização de ser parte integrante, em articulação com todos os grupos, uma vez que sem a participação, não é possível transformar a realidade. A participação não visa apenas às questões formais de mera presença, implica o direito de ser partícipe, de ser por inteiro, diferente, de viverplenamente o sentido da diversidade, o reconhecimento da legitimidade de participação como direito social, considerando a multiplicidade de identidades no espaço educativo e curricular. Esses princípios devem organizar o currículo e fundamentar a abordagem de cada área, e abrem perspectivas de compreensão dos sujeitos educativos, dos objetos de estudo e do conhecimento. Dessa forma, os eixos visam a estabelecer interações de conteúdos, com metodologias e práticas educativas, valorizando o saber, o saber-ser e o saber-fazer, estimulando o estudante a desenvolver potenciais de ser, pesquisar e adquirir saberes, com base nas experiências de vida e nas possibilidades de formular projetos individuais e comunitários. Pressupõe um currículo para todos, mas respeitando-se as diversidades, sendo a liberdade considerada uma conquista e uma tarefa humana fundamental, pela qual se desenvolve a autonomia. Implica, portanto, a busca pela inexistência de incongruências curriculares, de forma a não permitir intolerâncias, comparações depreciativas ou práticas segregadoras no Sistema Municipal de Educação. A escola, como um lócus de pesquisa, envolve docentes, discentes, gestores e técnicos, famílias, que fazem do cotidiano fonte inesgotável de reflexão sobre as características, formas de pensar e de aprender, acerca das dificuldades docentes e discentes, de forma a tornar o ensino e a aprendizagem cada vez mais significativos, em consonância com os eixos aqui apresentados. e) Pedagógico Delinear a concepção pedagógica da diretriz curricular significa explicitar os traços característicos que norteiam a prática pedagógica desta rede de ensino e, consequentemente, traçar o desenho do desenvolvimento curricular proposto. Os construtos teóricos classificam as tendências pedagógicas que, historicamente têm se apresentado na prática educativa escolar, ora de modo predominante, ora de modo concomitante. 88 Não serão revisadas textualmente neste documento as características destas tendências, mas considera-se que na dinâmica de reconstrução destas práticas pedagógicas redimensionam-se sentidos, pressupostos e perfis do fazer educativo, pois o desenvolvimento do conhecimento, mudanças na sociedade e na cultura e, também pelo perfil do homem que se pretende formar, modificam-se as orientações norteadoras da prática pedagógica, a fim de alcançar os objetivos formativos propostos. Desta forma, a SEDUC objetivando a autonomia e formação do cidadão, propõe como suporte do desenvolvimento curricular uma concepção pedagógica progressista implicando em uma compreensão mais ampla de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 2001, p. 25). Desse modo, a aprendizagem se configura como um processo de construção de conhecimentos em suas diferentes modalidades (cognitivos, afetivos, psicomotores, práticos, políticos e éticos). No que se refere ao contexto social e institucional, é de suma importância que cada escola desenvolva o estudo da realidade social em que está inserida de modo a construir sua identidade institucional no âmbito da prática educativa, reconhecendo-se como uma unidade escolar da Rede Pública Municipal de ensino. Esse aspecto já foi destacado como procedimento necessário na elaboração do currículo escolar e, consequentemente, para a autonomia da escola. O processo ensino e aprendizagem é predominantemente uma relação intersubjetiva, uma vez que se constitui num processo em que diferentes sujeitos relacionam-se de diversas formas, em diferentes contextos para alcançarem um objetivo comum: a produção e reprodução cultural de uma sociedade. “Ensinar envolve estabelecer uma série de relações que devem conduzir a elaboração, por parte do aprendiz, de representações pessoais sobre o conteúdo objeto de aprendizagem” (ZABALA, 1998, p. 90). Dessa forma, a relação professor-aluno na prática educativa é compreendida nestas diretrizes curriculares como uma relação permeada pelo dialogo sobre o objeto do conhecimento, ganhando a significação do educador como elemento articulador da formação do cidadão. Assim, o profissional que atua nos ciclos de aprendizagem deve: Conhecer e respeitar as diferentes fases do desenvolvimento humano que são compostas pela Infância, puberdade e adolescência; pautar o seu trabalho numa perspectiva lúdica; 89 conceber o conhecimento enquanto processo de construção humana, considerando- se mediador da ação educativa; entender a necessidade de estar em constante processo de atualização profissional; garantir em sua prática o cuidar e educar numa perspectiva de desenvolvimento integral, envolvendo os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivo-linguísticos e sociais; ofertar condições aos sujeitos em cada unidade escolar fazer intervenções em prol dos educandos com dificuldades de aprendizagem. f) Metodológico As diretrizes curriculares do ensino fundamental da SEDUC buscam um processo dinâmico de ação – reflexão - ação na perspectiva de desenvolvimento e avaliação curricular, portanto, é pertinente explicitar os eixos metodológicos em que se assentam. Um primeiro ponto de sustentação prática deste documento é a contextualização sistêmica do conhecimento. O conhecimento escolar é parte integrante das produções cognitivas e, ao mesmo tempo, um tipo de conhecimento específico que se caracteriza pelo processo de transmissão, apropriação e produção institucionalmente situadas. O conhecimento sistêmico representa a compreensão dos múltiplos conhecimentos de modo articulado, percebendo-se a relação entre eles em sua complexidade, sendo constitutivo do todo (MORIN, 2000). Nesse processo, a escola que visa a formação cidadã deve aproximar os conteúdos curriculares da vida do aluno, fazendo desses conhecimentos uma das condições prévias de aprendizagem. É fundamental valorizar a cultura local, ao mesmo tempo ultrapassar limites, oferecendo às crianças e aos jovens de diferentes grupos sociais as condições de acesso à cultura, no âmbito local, regional e nacional. Um segundo ponto de sustentação, diretamente relacionado ao primeiro, é compreender como uma unidade dialética a teoria e a prática. O conhecimento teórico é produzido a partir da prática reflexiva sobre a realidade (prática), em seus diferentes níveis de concreticidade ou abstração intelectual, produzindo, assim, outra realidade prática. O terceiro ponto refere-se à diversidade, implicando em uma mudança na prática educativa escolar, tradicionalmente marcada pela homogeneização dos sujeitos e das práticas. O respeito à diversidade significa a flexibilização no conteúdo e nas práticas 90 curriculares, visando o atendimento escolar diferenciado, possibilitando a inclusão de pessoas, cujas diferenças são de natureza pessoais, socioculturais ou interativas. O quarto ponto metodológico é a instrumentação tecnológica da prática educativa, exigindo que a escola busque e utilize os recursos tecnológicos em duas perspectivas: mediar o processo ensino e aprendizagem como recurso didático à prática docente e desenvolver nos educandos habilidades operativas junto aos instrumentos tecnológicos. Portanto, a tecnologia constitui- se em meio e objetivo da aprendizagem, presente na sociedade caracterizada como “sociedade da informação”, Nesse contexto as sequencias didáticas de ensino devem ter o caráter globalizador em relação aos diversos tipo de conhecimentos (conceituais, procedimentais e atitudinais) e habilidades a serem desenvolvidas pelos educandos. Considerando esse delineamento metodológico, delega-se ao corpo escolar a utilização de seuconhecimento, criatividade e experiência para empreender métodos diversificados numa prática pedagógica autônoma e eficaz no sentido de produzir aprendizagem, conforme as especificidades de cada escola e sala de aula. g) Organização do Conhecimento A organização do conhecimento na programação de conteúdos é apresentada por área, constituída por eixos norteadores, integrando os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, formando unidades didáticas, por sua vez, permitindo a exploração de situações-problemas contextuais. Portanto, esse princípio supera a perspectiva fragmentada e isolada do conhecimento. É necessário esclarecer o significado do termo conteúdo, para além da compreensão dos conhecimentos sistematizados nas disciplinas em forma de fatos, conceitos, princípios, enunciados e teorias, abrangendo conhecimentos referentes ao desenvolvimento de outras capacidades e habilidades cognitivas, motoras, afetivas, relação interpessoal e inserção social. Dessa forma, essa organização do conhecimento, apresentado em cada área é constituída por competências e habilidades a serem aprendidas pelos educandos. Essa perspectiva significa uma mudança no enfoque da prática pedagógica, porque se antes os professores percebiam os objetivos educacionais como uma lista de verbos que seriam escolhidos e relacionados a algum conteúdo, cumprindo assim uma exigência burocrática, 91 nesta proposta é necessário outro entendimento. Competências e habilidades expressam finalidades do processo de ensino e aprendizagem e englobam conteúdos que estão sendo trabalhados no processo ensino e aprendizagem. As habilidades significam as formas operativas em diversas dimensões do sujeito (intelectual, motor, afetivo, inter-relacional e social), tornando efetiva a sua ação sobre a realidade. Então, referir-se às habilidades não é propor verbos, mas definir as formas de operação que o sujeito estará aprendendo a desenvolver através da experiência didática. A formação de competências constitui-se em objetivos educacionais, exatamente pelo enfoque articulado dos diferentes tipos de conteúdos e a integração do desenvolvimento de habilidades, pois, dessa forma, o educando tem a oportunidade de aprender para saber, ser, agir e se relacionar, ou seja, ser competente para vivenciar as experiências educativas e sociais. O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social, direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal e coletiva. Nessa perspectiva, foram incorporadas como componentes do currículo para o enriquecimento de estudos, as questões da religião, história afro-indígena, história local e regional, educação para o trânsito, educação e saúde, educação e o meio ambiente. Assim posto, destaca-se como preocupação básica que a estrutura curricular apresentada possibilite a veiculação do conhecimento de forma interdisciplinar, destacando-se pela produção ou processo de relações entre saberes, superando a segmentação que estanca e imobiliza os diversos campos do conhecimento de forma compartimentada. Associa-se à interdisciplinaridade a transversalidade como forma de refletir sobre a prática desse conhecimento, estabelecendo as devidas relações para a inclusão de saberes, antes considerados extracurriculares, para o espaço escolar, ampliando assim a dimensão educativa do aluno. h) Currículo Dentre as inúmeras concepções de currículo relacionadas às teorias e práticas curriculares, a Secretaria Municipal da Educação de Ilhéus situa suas diretrizes curriculares na perspectiva crítica, considerando o currículo como um “artefato intermediário e 92 mediador entre a sociedade exterior às escolas e as práticas sociais concretas que nelas se exercitam como consequência do desenvolvimento do currículo” (SACRISTAN, 2000, p. 49). O currículo é a unidade dialética de processo e produto decisório sobre a prática educativa, abrangendo as dimensões filosóficas (intencionalidades), políticas (relações de poder), sociais (inter-relação escola-sociedade) e pedagógicas (concepção do processo ensino-aprendizagem), integrando a participação individual e coletiva dos sujeitos escolares. Costa (1999) ao se referir ao currículo, afirma que não está pensando apenas no conjunto de conteúdos, disciplinas, métodos, experiências e objetivos. O currículo e seus componentes constituem um conjunto articulado e normalizado de saberes, regidos por uma determinada ordem, estabelecida em uma arena em que estão em luta visões de mundo e onde se produzem, elegem e transmitem representações, narrativas, significados sobre as coisas e seres do mundo (COSTA, 1999, p. 41). Nesse sentido, as diretrizes curriculares do ensino fundamental cumprem o duplo papel, na instância do Sistema Municipal de Educação assume uma concepção educacional, delineando um perfil da prática pedagógica coerente com a identidade e com as finalidades políticas, filosóficas e sociais propostas no âmbito decisório do município. Dessa forma, articula-se aos outros níveis administrativos, no sentido de garantir a oferta de uma educação de qualidade. O outro papel das diretrizes curriculares é subsidiar a escola na elaboração do seu currículo, construção da sua identidade e autonomia. O Currículo Escolar é a proposta pedagógica em ação que contribui, a partir das vivências, experiências culturais e sociais dos sujeitos envolvidos, na construção das identidades de nossos educandos. Esse deve ser entendido como processo dinâmico, que se constrói e se desenvolve na multiplicidade de relações com os diversos âmbitos da comunidade escolar. Desse modo, pensar em concepções de currículo implica resgatar o conhecimento construído pela humanidade [re]significando-o e transformando-o numa perspectiva sócio histórica de evolução humana, considerando as diferentes fases do desenvolvimento humano. Nesse período de transição do Ensino Fundamental de oito para nove anos e reorganização do ciclo de aprendizagem (2008-2016) fomos desafiados a repensar a proposta curricular que norteará as ações das escolas, algumas indagações foram 93 consideradas: que profissionais? Quais projetos? Quais metodologias? Quais os espaços e tempos da escola, do educador e do educando? E, como avaliar? Essas questões são importantes para orientar a construção da identidade dos sujeitos, o tipo de formação continuada mais apropriada aos educadores – entendendo “educadores” como profissionais que fazem parte do processo educativo e não apenas os que estão na atividade de regência de classe. Também se questionou que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas, nossas relações com os educandos, com as famílias, com os profissionais da educação, assim, como quais competências devem ser trabalhadas com os educandos ao longo dos nove anos e que tratamento deve ser dado aos conteúdos escolares para que eles não tenham um fim em si mesmos. Esta construção aponta a necessidade de pensar um currículo para o Ensino Fundamental a partir da dinâmica que a sociedade exige e, principalmente, comprometido “*...+ com a construção de um projeto social que não somente ofereça informações, mas que, de fato, construa conhecimentos, elabore conceitos e possibilite a todos aprender, descaracterizando, finalmente, os lugares perpetuados na educação brasileira de êxito de uns e fracasso de muitos”. (LIMA, p.7, 2007). Nesse sentido, os currículos não são somente informações a serem passadas aos educandos, são construções de conhecimentos e práticas produzidas em dinâmicas sociais, políticas, culturais, (re)significados em cada contextohistórico. Essa referência remete-nos a pensar o princípio fundamental dos currículos que é a educação de qualidade para todos, o que implica saber compreender e trabalhar as diversidades presentes nas escolas. Cabe destacar que desenvolver um currículo vai muito além do que está proposto nos planos e nas propostas pedagógicas. Existem elementos que são claramente percebidos, como atitudes e valores, transmitidos pelas relações entre os diversos atores do processo educativo que fazem parte do currículo oculto. O currículo necessita, prioritariamente, de flexibilidade e disponibilidade para desenvolver a percepção do educador e do educando, trabalhar com as fases do ciclo de aprendizagem e superar os preconceitos sociais e culturais. Nessa perspectiva, a avaliação também assume um caráter processual, participativo, formativo, cumulativo e diagnóstico, portanto, redimensionador da ação pedagógica. É indispensável à elaboração, pelo professor, de instrumentos e procedimentos de 94 observação, de acompanhamento contínuo, de registro e de reflexão permanente sobre o processo de ensino e de aprendizagem. Portanto, o papel dos professores no desenvolvimento do currículo é fundamental, uma vez que são eles os grandes artífices da construção e implementação dos currículos que se materializam nas escolas em todos os espaços e tempos. Enfatiza-se, assim, a importância da formação inicial e continuada dos profissionais da educação, não somente por meio de conhecimentos específicos das disciplinas, mas também, pela sensibilização e humanização das relações, a fim de buscar a efetivação desse currículo, visando construir possibilidades de um mundo melhor para se viver. 4.5 Organização Curricular A organização curricular municipal está ancorada na concepção de currículo que considera o educando como um ser histórico, concreto, situado no tempo e no espaço. Para tanto, privilegia-se um currículo voltado para “o que”, “por que” e “para quê” ensinar, onde o educando identifique-se nesse mundo das diferentes linguagens e demais eixos do currículo como sujeito social e cultural. O currículo, assim, se caracteriza pela intencionalidade de atribuir significado às experiências entre o sujeito e o objeto do conhecimento. A nova organização curricular do ensino fundamental para os nove anos e reorganização do ciclo de aprendizagem, exige a reestruturação do tempo e espaço curricular dos conhecimentos a serem trabalhados plurianualmente, além de assegurar a formação e o tempo dos profissionais da educação com vista a garantir a construção coletiva das ações pedagógicas para a efetivação dessa proposta. O ensino fundamental de nove anos e reorganização do ciclo de aprendizagem na rede municipal de Ilhéus possui a seguinte estrutura: 4.5.1 Anos Iniciais (1º ao 5º ano) Os anos iniciais, compostos por cinco fases divididos por dois ciclos de escolarização, organizados por área de estudos atendem a criança a partir dos seis (6) anos de idade. Cada ciclo deve ser organizado, para que um único professor possa trabalhar durante o seu 95 período de duração. Nas áreas que compõem a parte diversificada do currículo os professores de educação física, educação musical, língua estrangeira, filosofia e artes podem ter formação em pedagogia. A alfabetização e o letramento devem ser trabalhados como processos indissociáveis, por meio de planejamento pedagógico que possibilite: - O desenvolvimento das diversas linguagens e o aprendizado das áreas de conhecimento; - o desenvolvimento das capacidades necessárias à apropriação da língua (compreensão e valorização da cultura, apropriação do sistema da escrita, leitura, produção de diferentes gêneros textuais, desenvolvimento da oralidade). Os Anos Iniciais têm a função de instrumentalização e sistematização da alfabetização. O educando, fazendo uso de sua competência linguística, seus recursos de pensamento e suas habilidades exploratórias, precisará buscar outras aquisições formais e não formais. É a instrumentalização para o aprender pelo registro codificado da natureza, da sociedade e da própria linguagem. O currículo volta-se, nessa fase, para a estruturação sólida dos esquemas mentais responsáveis pela compreensão do mundo. Caracteriza-se, portanto, pela intencionalidade de atribuir significados às experiências ocorridas entre o sujeito e o objeto cognoscível. 4.5.2 Anos Finais (6º ao 9º anos) Os Anos Finais, compostos por quatro fases em dois ciclos de aprendizagem, são estruturados por áreas, observando as especificidades das diferentes disciplinas que as compõe, onde cada professor assume a disciplina de acordo com a sua formação e acompanha o período de duração do ciclo. Os anos finais têm a função de promover a análise crítico-reflexiva e a aplicação formal e não formal das áreas do conhecimento, ou seja, constitui um período de aprofundamento e sistematização dos conhecimentos construídos nos anos iniciais. As diferentes áreas do conhecimento enfocam os saberes cotidianos e científicos de forma que o educando perceba a aplicação desses saberes, de modo que possa estabelecer inter-relações entre a teoria e a prática. Deve-se considerar que o conteúdo escolar não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida, onde cada profissional interage com o 96 educando, estabelecendo uma relação dialógica que, com as diferentes práticas pedagógicas, vão proporcionar o processo de ensinar e de aprender, tanto por parte do educando, quanto do professor. Dessa forma, amplia-se a capacidade de interpretar o mundo a partir da possibilidade crescente de perceber significados, produzir conhecimentos, construir competências e habilidades. O currículo deverá contemplar e valorizar os diferentes saberes trazidos pelos educandos, valorizar suas histórias de vida e, sobretudo, construir propostas coletivas. É preciso considerar os educandos em suas especificidades e potencialidades, desenvolvendo ações e criando espaços para suas vivências, experiências, saberes e valores, como centro da organização do processo pedagógico. Isso implica na reorganização da escola levando em conta os tempos da vida, as aprendizagens, os fazeres e das construções dos educandos. 4.6 Parâmetros Curriculares Municipais O ensino fundamental propõe três objetivos gerais: ● Criar as condições para o desenvolvimento global e harmonioso da personalidade, mediante a descoberta progressiva de interesses, aptidões e capacidades que proporcionem uma formação pessoal, na sua dupla dimensão individual e social. ● Proporcionar a aquisição e domínio de saberes, instrumentos, capacidades, atitudes e valores indispensáveis a uma escolha esclarecida das vias escolares. ● Desenvolver valores, atitudes e práticas que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos numa sociedade democrática. Esses objetivos se desdobram em três grandes dimensões, a saber: a) Dimensão pessoal da formação, autonomia e desenvolvimento da aprendizagem: Promover a criação de situações que favoreçam o conhecimento de si próprio e relacionamentos com os outros levando, em consideração os valores da justiça, verdade e solidariedade; favorecer o desenvolvimento progressivo da aprendizagem respeitando a fase etária do aluno em sua construção pessoal assentada nos valores da iniciativa, criatividade, persistência e sentimento de autoconfiança; 97 proporcionar em colaboração com os parceiros educativos, situações de ensino- aprendizagem, formais e não formais, que fomentem a expressão de interesses e aptidões em domínios diversificados, experimentação e autoavaliação; criar condições que permitam apoiar compensatoriamente as carências individualizadas, detectando e estimulando as aptidões especificas e precocidades. b) Dimensão das aquisições básicas e intelectuais fundamentais para a construção das competências e habilidades: Promover domínio progressivo dos meios de expressão e comunicação verbal e não verbal, compreendendo a estrutura e o funcionamento básico da língua portuguesa em situações que envolvam a oralidade e a escrita, percebendo que a mesma é um instrumento vivo de transmissão e criação da cultura nacional; assegurar a aprendizagem de uma língua estrangeira; Incluir o ensino de língua brasileira de sinais de acordo com a lei 10.436 de 2002 e o decreto 5626 de 2005 garantir a aquisição e estruturação de conhecimentos básicos sobre natureza, sociedade, cultura, desenvolvendo a interpretação e análise crítica dos fenômenos naturais, sociais e culturais; fomentar o conhecimento dos elementos essenciais da expressão visual e musical e as regras da sua organização; contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade estética; possibilitar o desenvolvimento de capacidades próprias para a execução de atos motores exigidos no cotidiano; estimular a iniciação do conhecimento tecnológico e de ambientes próprios do mundo; incentivar a aquisição de competências para interpretar e organizar informações das conquistas técnicas e científicas; proporcionar orientações escolar em colaboração com as famílias; c) Dimensão para a cidadania Estimular a criação de atitudes e hábitos que favoreçam a maturidade sócio afetiva; 98 promover o desenvolvimento de atitudes e hábitos possibilitando iniciativas individuais e coletivas; garantir a informação adequada à compreensão do significado e das implicações do nosso relacionamento com outros espaços socioculturais e econômicos, suscitando uma atitude responsável, solidária e participativa; fomentar a existência de uma consciência nacional aberta à realidade concreta numa perspectiva de humanismo universalista, solidariedade e compreensão internacional. Os objetivos e dimensões enunciados devem ser entendidos como eixos para o desenvolvimento gradual do ensino fundamental de nove (9) anos, como prevê a lei 11.274 de 2006. Assim, apesar da divisão do ensino fundamental em quatro ciclos de aprendizagem (2, 3, 4,5), não foram definidos objetivos específicos para cada um deles, a fim de evitar a compartimentação e rupturas indevidas na sequência do processo formativo ciclado, que se pretende eminentemente ser integrador. Reconhecendo, porém, que existem distintas etapas do desenvolvimento de aquisição no processo da construção do conhecimento, levou-se em consideração os problemas de aprendizagem, requerendo a adequação da progressão dos objetivos aos estágios de desenvolvimento dos alunos, em consonância com as diferentes fases dos ciclos de aprendizagem. Está é a preocupação na concepção dos planos de estudo de cada área, cada disciplina ou área disciplinar, onde já se tornou possível, por se tratar de campos de ensino- aprendizagem delimitados, definir objetivos específicos segundo os quatro níveis articulados de progressão, sem perder de vista a linha de continuidade que conduz às metas finais. A consecução destes objetivos deve subordinar-se ao desenvolvimento das competências e habilidades essenciais, gerais e específicas definidas no currículo nacional (núcleo comum e o núcleo diversificado). No entanto, tanto a SEDUC (Secretaria Municipal de Educação) quanto às secretarias das escolas deve ter claro que as “dificuldades de aprendizagem” apresentadas no processo educativo correspondentes a cada um dos ciclos incidirá em necessidades de intervenções psicopedagógicas. 99 4.7 Avaliação e suas Múltiplas Funções O conceito de avaliação concebido pela SEDUC baseia-se em um conjunto de ações organizadas cuja finalidade é obter informações sobre o que o aluno aprendeu para subsidiar uma tomada de decisão. Para tanto, é preciso elaborar procedimentos investigativos que possibilitem conhecer a realidade dos alunos quanto à aprendizagem. Os critérios de avaliação definidos nesta proposta funcionam como orientadores, que ajudarão a decidir sobre quais procedimentos e instrumentos de avaliação utilizar, considerando as habilidades e competências a serem alcançados. Nesse sentido, a avaliação da aprendizagem ocorrerá em uma perspectiva democrática, em consonância com a função social da escola, preparando cidadãos para que exerçam seus direitos na sociedade (MENDEZ, 2002). Na crença dessa possibilidade, apontam-se os seguintes princípios e propostas de atuação concreta: a avaliação deve ser transparente de modo a garantir aos alunos o direito de estar informados sobre o seu desenvolvimento educacional, critérios adotados da avaliação e as decisões tomadas para sua formação. A avaliação deverá ser motivadora facilitando o desenvolvimento pessoal através da reflexão sobre os resultados, baseando-se na participação e negociação, permitindo aos alunos compartilhar responsabilidades e compromissos em relação a ela, contribuindo assim, para desenvolver valores relacionados equidade, liberdade e igualdade. Portanto, de acordo com este princípio deve-se permitir a intervenção dos alunos na seleção ou gestão de temas, criando oportunidade para que eles proponham atividades avaliativas, calendários, participem na correção das provas e apreciação de resultados e de outras atividades que possam fazer sem conflito de competências. Para concretizar tal modelo é indispensável à mediação do professor na aprendizagem do aluno auxiliando em sua formação, identificando as dificuldades e avanços, na perspectiva de intervir e provocar transformações necessárias ao sujeito cognoscente. Além disso, é imprescindível fazer leitura dos resultados do desempenho, buscando empreender o nível de desenvolvimento de suas competências e habilidades, mediante estratégias de ensino. Quanto à utilização dos instrumentos, deve-se estar atento para dois aspectos que garantem a melhoria do processo avaliativo e aprendizagem do aluno: a diversificação dos 100 instrumentos utilizados no processo avaliativo para a coleta de dados nas diferentes áreas, com o objetivo de verificar como o conhecimento está sendo construído e, adequação desses instrumentos às características das disciplinas. Para tanto deve se utilizar como conceito as seguintes representações: CC competência construída, CA competência aproximada, CNC competência não construída. 101 5 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL P R IN C ÍP IO B Á SI C O : E D U C A Ç Ã O P A R A A C ID A D A N IA FO R M A Ç Ã O D A A U TO N O M IA P ES SO A L 5.1 MATRIZ CURRICULAR – CICLOS 2 e 3 COMPONENTES DO CURRÍCULO POR ÁREAS CICLO 2 CICLO 3 ÁREA 1- LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS FASE I FASE II FASE III FASE I FASE II SEM AN SEM AN SEM AN SEM AN SEM AN LÍNGUA PORTUGUESA, REDAÇÃO E LITERATURA 6 240 6 240 6 240 6 240 6 240 ARTES 2 80 2 80 2 80 2 80 2 80 EDUCAÇÃO FÍSICA 2 80 2 80 2 80 2 80 2 80 ÁREA 2 – CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS FASE I FASE II FASE III FASE I FASE II SEM AN SEM AN SEM AN SEM AN SEM AN ESTUDOS GEOGRÁFICOS 2 80 2 80 2 80 2 80 2 80 ESTUDOS HISTÓRICOS 2 80 2 80 2 80 2 80 2 80 ESTUDOS FILOSÓFICOS 2 80 2 80 2 80 2 80 2 80 ÁREA 3- MATEMÁTICA, CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS FASE I FASE II FASE III FASE I FASE II SEM AN SEM ANSEM AN SEM AN SEM AN MATEMÁTICA 6 240 6 240 6 240 6 240 6 240 CIÊNCIAS DA NATUREZA 3 120 3 120 3 120 3 120 3 120 CARGA HORÁRIA ANUAL POR FASE 25 1000 25 1000 25 1000 25 1000 25 1000 CARGA HORÁRIA ANUAL POR CICLO 3000 2000 COMPONENTES DO CURRÍCULO PARA ENRIQUECIMENTO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO PARA RELIGIÃO O ENRIQUECIMENTO DE ESTUDOS SERÁ OFERECIDO PELA ESCOLA DE FORMA INTERDISCIPLINAR. EDUCAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA AFRO-INDÍGENA EDUCAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA REGIONAL EDUCAÇÃO E O MEIO AMBIENTE EDUCAÇÃO E O SOCIAL EDUCAÇÃO E SAÚDE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO 102 P R IN C ÍP IO B Á SI C O : E D U C A Ç Ã O P A R A A C ID A D A N IA FO R M A Ç Ã O D A A U TO N O M IA P ES SO A L MATRIZ CURRICULAR – CICLOS 4 e 5 COMPONENTES DO CURRÍCULO POR ÁREAS CICLO 4 CICLO 5 FASE I FASE II FASE I FASE II ÁREA 1- LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL LÍNGUA PORTUGUESA, REDAÇÃO E LITERATURA 05 200 05 200 05 200 05 200 LÍNGUA ESTRANGEIRA 02 80 02 80 02 80 02 80 ARTES 01 40 01 40 01 40 01 40 EDUCAÇÃO FÍSICA 02 80 02 80 02 80 02 80 ÁREA 2 – CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS FASE I FASE II FASE I FASE II SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL GEOGRAFIA 03 120 03 120 03 120 03 120 HISTÓRIA 03 120 03 120 03 120 03 120 FILOSOFIA 02 80 02 80 02 80 02 80 ÁREA 3- MATEMÁTICA, CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS FASE I FASE II FASE I FASE II SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL SEMANAL ANUAL MATEMÁTICA 04 160 04 160 04 160 04 160 CIÊNCIAS DA NATUREZA 03 120 03 120 03 120 03 120 CARGA HORÁRIA POR FASE 25 1000 25 1000 25 1000 25 1000 CARGA HORÁRIA POR CICLO 2000 horas 2000 horas COMPONENTES DO CURRÍCULO PARA ENRIQUECIMENTO DE ESTUDOS O ENRIQUECIMENTO DE ESTUDOS SERÁ OFERECIDO PELA ESCOLA DE FORMA INTERDISCIPLINAR. EDUCAÇÃO PARA RELIGIÃO EDUCAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA AFRO-INDÍGENA EDUCAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA REGIONAL EDUCAÇÃO E O MEIO AMBIENTE EDUCAÇÃO E O SOCIAL EDUCAÇÃO E SAÚDE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO 103 6 ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A Educação de Jovens e Adultos foi instituída na rede municipal de ensino no ano de 2002, criada com a Resolução de nº 001 de 11 de abril de 2002 do Conselho Municipal de Educação, conforme dispositivo da Lei Federal 9394/96 de 20 de dezembro de 1996 e Portaria nº 006 de 14 de novembro de 2001 da Secretaria Municipal de Educação. Ela visa atender a uma população a partir de 15 anos completos que não teve acesso ou continuidade de estudos na idade regular. Seu objetivo é garantir aos jovens e adultos o acesso e permanência na escola, através de uma prática inovadora que permita a reflexão e ação dos indivíduos sobre o mundo, conscientizando-os dos seus direitos e deveres e do poder de atuação para transformação da sua realidade. A oferta da modalidade de EJA, no primeiro e segundo segmentos do ensino fundamental, constitui, dentre outras, a busca da garantia do direito à educação para pessoas que não tiveram acesso à escola ou por motivos(s) diversos tiveram que abandoná-la, e que carregam um histórico significativo de repetência ou de idas e vindas à escola em busca de oportunidades de emprego e renda, carregando em suas bagagens emocionais o estigma de baixa autoestima e de perfil socioeconômico deficitário, apresentando a necessidade de um modelo pedagógico próprio, que privilegia situações de aprendizagem adequadas às referidas especificidade do(a) educando (a). No Sistema Municipal de Ensino, a educação de jovens e adultos do ensino fundamental está estruturada em duas (02) etapas, sendo a 1ª etapa correspondente aos anos iniciais, com duração de três (03) anos divididos em fases 1, 2 e 3. A2ª etapa correspondente aos anos finais, com duração de 02 (dois) anos divididos em fases 1 e 2, totalizando em cinco (05) anos para a conclusão do Ensino Fundamental. Com a implantação do ensino de nove anos a estrutura do curso de EJA modifica-se em relação à equivalência. O detalhamento é apresentado a seguir. EJA I – 1ª Etapa corresponde aos anos iniciais do Ensino Fundamental com durabilidade de 3 anos: Fase 1 – equivalente ao 1º e 2º ano do ensino fundamental– carga horária de 200 dias letivos com progressão automática para fase 2; 104 . Fase 2 - equivalente ao 3º e 4º ano do ensino fundamental– carga horária de 200 dias letivos; Fase 3 - equivalente ao 5º ano do ensino fundamental – carga horária de 200 dias letivos. EJA II – 2ª etapa corresponde aos anos finais do ensino fundamental com durabilidade de dois anos: Fase 1 – equivalente ao 6º e 7º ano do ensino fundamental - carga horária de 200 dias letivos; Fase 2 – equivalente ao 8º e 9º ano do ensino fundamental - carga horária de 200 dias letivos. Na primeira etapa, têm-se as seguintes áreas do conhecimento: Linguagem e Movimento, Linguagens Matemáticas e Tecnologias e Estudo da Sociedade e da Natureza. A proposta de atuação do (a) educador (a) da educação de jovens e adultos, na segunda etapa do ensino fundamental, está organizada por área do conhecimento: Linguagens e Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e Matemática e suas Tecnologias. Incluem-se, nessas áreas, os estudos de Historia Afro-brasileira e indígena, estabelecidos pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, e a obrigatoriedade do estudo de uma língua estrangeira em EJA II, de acordo com a Resolução CNE/CEB no 1, de 5 de julho de 2000. A organização das expectativas do ensino e aprendizagem de forma aproximada entre as áreas do conhecimento favorece a inter ou transdisciplinaridade da proposta curricular de EJA, cabendo, porém, ao educador (a), mapear entre elas os conteúdos que sejam pertinentes à realidade social e cognitiva do (a) educando (a), tornando essa ação um ponto de partida, visando a atingir o conhecimento pretendido nas unidades significativas de cada área. Nesse âmbito, a educação de jovens e adultos é expressa enquanto possibilidade de aprendizagem significativa que favoreça ao desenvolvimento pleno da cidadania e qualifique para o trabalho, cumprindo a tarefa de disseminar discussões entre os seus profissionais e discentes sobre questões pertinentes à realidade sociocultural brasileira, a exemplo: da pluralidade cultural e a discriminação a que grande parte da 105 população está sujeita, das questões éticas, como a dignidade, a possibilidade de promoção da saúde, da preservação ambiental e a sexualidade, entre outras, contribuindo para a formação de uma sociedade com princípios democráticos. Além disso, a educação de jovens e adultos deve levar em conta as necessidades e especificidades das pessoas envolvidas e de sua condição no desenvolvimento social, cultural, político e econômico. Tal perspectiva reforça o respeito ao seu direito de viver dignamente todas as etapas da vida e de exercer sua cidadania, realização e bem-estar em todo o curso de sua vida, por meio do acesso aos conhecimentos socialmente produzidos. Igualmente, é necessária a ampliação da oferta do atendimento escolar ao jovem e adulto de acordo a demanda e necessidade da comunidade em que a escola está inserida.. Por essa via, deve-se também primar pela formação permanente de técnicos, professores, estudantes e demais membros da comunidade escolar sobre temas relativos ao processo natural e sociocultural de desenvolvimento do ser humano (notadamentesobre amadurecimento e envelhecimento) e acerca de conteúdos e metodologias de ensino, próprios a cada idade. 6.1 Eixos Epistemológicos e Pedagógicos A SEDUC assume como eixos para a EJA os fundamentos da Educação Popular, com base em Paulo Freire, que nesta perspectiva configura-se como um modo de ser e de atuar que expressa uma estreita vinculação entre os processos educativos e as lutas e os anseios da classe trabalhadora. A formação básica para, deve acontecer mediante o desenvolvimento do atendimento às demandas específicas de jovens e adultos trabalhadores, contribuindo para sua compreensão e inclusão no mundo do trabalho. Isso inclui, dentre outros: o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; o fortalecimento dos vínculos da família, de solidariedade humana e de tolerância recíproca na vida social; o desenvolvimento de autoestima, fortalecendo a confiança na sua capacidade de aprender, sistematizar e consolidar as experiências de vida e os conhecimentos já adquiridos; o estímulo para o exercício da 106 autonomia social, política e intelectual, com responsabilidade, pensamento crítico, aperfeiçoamento e convivência em diferentes espaços sociais; a relação teoria e prática no estudo das disciplinas e no desenvolvimento de habilidades relacionadas com o uso de tecnologias e com os fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos; e o desenvolvimento da cidadania para que possa usufruir dos bens materiais e culturais existentes no meio em que vivem. Para tanto, pauta suas concepções e práticas nos eixos epistemológicos e pedagógicos a seguir apresentados: a) Flexibilidade: refere-se à abordagem curricular, à organização dos espaços e tempos de ensino e aprendizagem. Neste sentido, implica maior dinamismo e disponibilidade para o novo, para a criatividade e a fim de integrar os demais princípios. A flexibilidade curricular deve significar um momento de aproveitamento das experiências diversas que os(as) educandos(as) trazem consigo, como, por exemplo, os modos pelos quais eles trabalham seus tempos e seu cotidiano. Ela poderá atender a esta tipificação do tempo mediante atividades extraclasse em sintonia com temas da sua vida cotidiana, tornando- se elementos geradores de um currículo ativo e dinâmico. b) Dialogicidade: princípio político, epistemológico e metodológico orientador do diálogo na troca de saberes entre os sujeitos do processo educativo, pautando- se no respeito às diferenças. Esse eixo sustenta uma proposta educacional que tem como base os pressupostos da educação popular, com base em Paulo Freire, considerando o diálogo horizontal, o respeito ao conhecimento prévio dos alunos, sua cultura e seu papel social, como fundamentais na apreensão do conhecimento. c) Participação: induz à ação de estar junto, de compartilhar, de interagir, e envolver-se com a atuação coletiva. Transmitir ou receber informações não configura em si um ato de aprendizado de conhecimento. Para que o conhecimento ocorra é preciso que o sujeito (cognoscente) dialogue com o objeto que quer conhecer (objeto cognoscível). O conhecimento verdadeiro é aquele que transforma o ser aprendiz, diferentemente do que ocorre no modelo da “bancária” onde não há conhecimento verdadeiro, mas sim mera assimilação mnemônica de informações. 107 d) Horizontalidade: é a expressão não hierarquizada relação professor(a) e aluno(a), mesmo reconhecendo as diferenças nas funções, papéis e saberes. Independente do nível de complexidade de conhecimento e escolaridade é necessário que o docente crie condições efetivas para que o aluno(a) participe com sua atividade intelectual, curiosa, indagadora, irrequieta, criadora e até mesmo perturbadora de quem possui o desejo de conhecer cada vez mais. Isto se dá numa posição de igualdade de intenções e de reconhecimento de que se aprende ao ensinar e se ensina ao aprender. e) Autonomia: capacidade de organizar, gerir sua própria aprendizagem, formando o pensar crítico da realidade e ser capaz de emitir opinião própria sobre os fatos. Nesse sentido, a igualdade e a liberdade se constituem em pressupostos essenciais do direito á educação e da autonomia dos alunos, principalmente em uma sociedade quer se quer politicamente democrática e socialmente equitativa. OLUM1 DO CURRÍCULO f) Criticidade: perspectiva de ler e interpretar o real de maneira reflexiva, consubstanciando a educação como um ato político, onde os sujeitos envolvidos tenham uma formação cidadã, conscientes de seus direitos e deveres, capazes de contribuir na transformação da sociedade. Nesse sentido, trata-se de uma educação que deve acontecer ao longo de toda a vida, garantindo ampla formação, respeitando a dimensão holística do ser humano e possibilitando seu prosseguimento nos estudos. Na reflexão pedagógica sobre essa modalidade educativa, tem especial relevância a consideração das dimensões social, ética e política. O ideário da educação popular destaca o valor educativo do diálogo e da participação, considerando o(a) educando(a) como sujeito portador de saberes, que devem ser reconhecidos. g) Contextualização: nos processos de ensino-aprendizagem que tem por base a prática educativa freireana, torna-se imprescindível a relação entre os saberes do mundo vivido dos alunos com os saberes do mundo pensado. Na contextualização dos conteúdos é necessário formular significâncias dos saberes aprendidos e ensinados para que possa acontecer a inter-relação dos 108 conteúdos próprios dos saberes sistematizados e a valorização dos saberes dos educandos (as). A inserção dos problemas vivenciados por esses sujeitos, como conteúdo a ser trabalhado, requer um conhecimento prévio da sua realidade. Ao problematizar suas realidades, por meio de um processo dialógico, os sujeitos do processo ensino - aprendizagem vão estabelecendo uma relação de parceria entre os vários saberes e as possibilidades de transformação dos sujeitos, por meio da compreensão das várias realidades. Tal perspectiva é capaz de tornar a aprendizagem mais prazerosa, afetiva e significativa, estimulando os alunos à reflexão de sua situação real de vida social, cultural e econômica. Daí a possibilidade da formação de cidadãos críticos, participativos e atuantes na transformação de sua realidade. Por isso, a avaliação do ensino fundamental na educação de jovens e adultos será sempre um instrumento a serviço da aprendizagem com função de diagnosticar e acompanhar o desenvolvimento do estudante e, também, realimentar o planejamento do ensino quando necessário. É inegável a necessidade de uma política de formação continuada em serviço para os docentes que atuam na EJA, além de maior suporte para as escolas, a exemplo da: melhoria da estrutura física, garantia de recursos materiais, pessoal de apoio e de suporte para o acompanhamento pedagógico. Configura-se, também, como imprescindível a manutenção de uma relação adequada entre demanda e oferta de matrículas, inclusive mantendo a EJA em diferentes turnos na escola. Ressalta-se, ainda, que deverá ser observada a flexibilidade da sua carga horária sem perder de vista a garantia dos componentes curriculares presentes na Base Comum e na Parte Diversificada. Deve também ser previsto adequação, metodologias, adaptação e flexibilidade para atender aos estudantes com deficiência. Nesse sentido, a educação de jovens e adultos favorece ao pleno desenvolvimento da cidadania, a qualificação para o trabalho e a efetivação da possibilidadede aprendizagem significativa. Tal situação termina por contribuir para a tarefa de disseminar entre os sujeitos envolvidos discussões sobre questões pertinentes à realidade sociocultural (pluralidade cultural e discriminação) as questões 109 éticas (dignidade, direito a saúde, preservação ambiental e a sexualidade, acessibilidade para pessoas com deficiência), dentre outras. Compreende-se que a EJA, dentro de sua singularidade, contribui para a realização de uma sociedade com princípios democráticos na medida em que se apresenta plena na consecução dos objetivos a que se propõe: formação humana emancipatória, reflexiva, crítica e transformadora. 6.2 Eixos Metodológicos Partindo dos referenciais freireanos, a concepção metodológica está baseada em eixos da horizontalidade, ética, leitura de mundo que precede a leitura da palavra; valorização da oralidade, coletividade, conhecimento prévio e da crença na capacidade continua de aprendizagem dos sujeitos educativos. Para se efetivar uma prática educativa nesses eixos na EJA I, se faz necessário observar os seguintes passos: I – Investigação: as questões e aos temas devem partir do universo vocabular e da comunidade onde vive o educando, ganhando assim mais significado para o mesmo. Esse processo será gerado mediante uma busca conjunta entre professor e aluno. II–Tematização: a análise dos significados sociais dos temas trabalhados é fator importante para o momento da tomada de consciência do mundo; III–Problematização: momento que possibilita a superação da visão ingênua e acrítica do mundo por parte do educando na perspectiva de assumir uma postura critico – reflexiva. Contribui também para a proposta da Educação de Jovens e Adultos a concepção sócio-construtivista, destacando Vygotsky, que compreende o desenvolvimento humano não como decorrência de fatores isolados, nem tampouco de fatores ambientais que agem sobre o organismo controlando seu comportamento, mas através das trocas recíprocas estabelecidas durante toda a vida entre indivíduo e meio. Esse desenvolvimento se processa de forma dinâmica e dialética, através de rupturas e desequilíbrios provocadores de contínuas reorganizações por parte do indivíduo. Nesta perspectiva, a premissa de que o homem constituiu-se como tal através de suas interações sociais, muda o foco de compreendê-lo como sujeito 110 passivo para alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Nessa abordagem, o sujeito produtor de conhecimento não é um mero receptáculo que absorve e contempla o real, nem portador de verdades oriundas do plano ideal, ao contrário é um sujeito ativo que em sua relação com o mundo e com o objeto de estudo, reconstrói (no seu pensamento) esse mundo. O conhecimento envolve sempre um fazer, um atuar do homem. Sabe-se que à presença do sujeito na escola não é garantia de que o indivíduo se apropria do acervo de conhecimento sobre áreas básicas daquilo que foi elaborado com por seu grupo cultural. O acesso a esse saber dependerá, entre outros fatores de ordem social, política, econômica e da qualidade do ensino oferecido. Nesse sentido, o pensamento de Vygotsky suscita a necessidade de uma avaliação mais criteriosa sobre a função real da escola. O ensino verbalístico baseado na transmissão oral, assim como as práticas espontaneístas que abdicam do seu papel de desafiar e intervir no processo de apropriação do conhecimento dos alunos é, na perspectiva Vigotskyana, além de infrutíferos extremamente inadequados. Seus postulados apontam para necessidade da criação de melhores condições na escola para que todos tenham acesso as informações, experiências e possam efetivamente aprender. Portanto, os espaços destinados aos jovens e adultos não devem ser um local de mera transmissão de conhecimentos, preparação para a vida futura, mas de construção de conhecimentos, trocas e de relações sócio-culturais constantes para um sujeito que vive um tempo de vida concreta, podendo favorecer a motivação e a permanência dos alunos jovens e adultos nesse espaço. O tempo ali vivenciado deve ser percebido como tempo de vida e de reflexão sobre a mesma. A escola deve ser uma das agências formadoras desse e nesse tempo. Conceber a educação para as exigências do mundo de trabalho ou para qualquer outro contexto de vida, fora o espaço escolar, não deve implicar renúncia ao momento e à realidade imediata. A análise dos saberes e competências próprias dos alunos jovens e adultos em seus contextos sócio-culturais podem levá-los a avançar na sua capacidade critica, criativa e autônoma. 111 Enfim, os postulados de Vygotsky apontam para a necessidade da criação de uma escola bem diferente da que conhecemos. Uma escola em que as pessoas possam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes. Onde há espaço para transformação, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade (2001 p.118). Ou seja, uma escola em que professores e alunos tenham autonomia, possam pensar e refletir sobre o seu próprio processo de construção de conhecimentos e ter acesso a novas informações. Onde o conhecimento sistematizado não é tratado de forma dogmática, esvaziado de significado, concebendo o homem como um ser que pensa, raciocina, deduz, abstrai, sente, imagina, se emociona e sensibiliza, constatando a efetiva relação entre razão e emoção, eros e logos. 6.3 Objetivos: Promover um ensino de qualidade, resgatando valores e direitos humanos, a fim de valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia para favorecer uma atuação consciente do indivíduo na sociedade. Oportunizar aprendizagens significativas aos jovens e adultos na construção de suas próprias hipóteses e na valorização dos conhecimentos adquiridos fora da escola, promovida por uma prática de relação dialógica entre educadores e educandos. Melhorar o nível de desempenho dos alunos da EJA na rede municipal de ensino, através de uma prática pedagógica que valorize as diferenças individuais e respeito às diversidades. Proporcionar uma rotina de acolhimento visando o bem estar e a permanência do aluno na escola Promover atividades pedagógicas que desenvolva a auto-estima do educando e fortaleça a confiança na capacidade de aprendizagem, valorizando a educação como meio de desenvolvimento pessoal e social. Garantir o domínio da leitura, da escrita e da linguagem oral para que os jovens e adultos sejam capazes de analisar criticamente os diferentes discursos, inclusive o próprio, para melhor atuação na sociedade. 112 Garantir o domínio da matemática como construção humana, ampliando formas de raciocínio e processos mentais para compreensão da realidade e a solução de problemas do cotidiano. Promover através do conhecimento das Ciências como atividade humana, político-econômica e sócio-cultural, possibilitando a identificação de riscos e benefícios à vida, na formação de agentes transformadores da sociedade. Desenvolver atividades sócio-culturais, artísticas e esportivas, para maior integração e participação dos jovens e adultos na vida social. Oportunizar o acesso às modernas tecnologias de comunicação, ampliando as oportunidades profissionais dos educandos. Garantir a inclusão da EJA no Projeto Político Pedagógico da escola, observando a sua especificidade e considerando os princípios e pressupostos que devem nortear a implantação dessa prática pedagógica. 6.4 Avaliação na educação de jovens e adultos – EJA Os procedimentos avaliativos devem envolver a análise dos processose dos resultados sob o eixo do educador, para refletir sobre como realizou a mediação dos estudos do educando e para identificar suas dificuldades e avanços (auto-avaliação). Desde a implantação das classes de Educação de Jovens e Adultos no município de Ilhéus, a Portaria de nº 006 de 14 de novembro de 2001 estabelecia a nota como meio de avaliar o desempenho dos alunos. Entretanto, de acordo a Resolução n°1 de 20 de abril de 2011, fixa Diretrizes Operacionais para a Organização e Funcionamento dos Ciclos de Aprendizagem no referido município, em seu Art. 35, salienta que à avaliação deve assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e diagnóstica. Partindo desse pressuposto apresentamos a proposta de mudança da avaliação na EJA de somativa (notas) para a avaliação formativa (competências e habilidades construídas). Essa mudança iniciará com a 1ª etapa e progressivamente alcançará a 2ª etapa. 113 A avaliação entendida como processo contínuo deverá ser desenvolvida como parte integrante da prática pedagógica, devendo realizar registros descritivos a fim de acompanhar a evolução do aluno durante o ano letivo. Os períodos dos registros da avaliação na EJA passam de semestral para trimestral, a partir de instrumentos avaliativos diversificados: Observação – Registro descritivo e reflexivo – Trabalhos individuais e coletivos – Portfólios – Exercícios – Produções textuais –Avaliação escrita (testes, provas e outros), Relatórios – Auto- avaliação entre outros, de acordo a faixa etária e características do educando, portanto deve-se utilizar como conceitos as seguintes representações: CC Competência Construída, CA Competência Aproximada e CNC Competência não Construída. Os períodos da avaliação serão distribuídos 1º, 2º e 3º trimestres. Nos trinta dias do início do ano letivo deverá acontecer uma avaliação diagnóstica com o objetivo de identificar os níveis de aprendizagem dos alunos (competências e habilidades mínimas construídas), a fim de organizar e agrupar as turmas. No decorrer do ano letivo a avaliação será registrada nos diários de classe trimestralmente de acordo o calendário definido pela Secretaria de Educação. Nesta perspectiva, o educador que trabalha com jovens e adultos deverá desenvolver uma prática avaliativa que seja contínua, processual, diagnóstica, democrática e cumulativa. Cabe aqui descrever cada uma dessas práticas: Diagnóstica – identifica os conhecimentos iniciais dos alunos, investiga o que os alunos trazem para sala de aula de conhecimentos para ser sistematizados, aprofundados e socializados e para saber o que precisa ser ensinado. Processual e contínua – ocorre durante o processo de aprendizagem dos alunos referindo-se aos procedimentos idealizados pelos professores com a finalidade de adequar seu trabalho aos progressos e necessidades de aprendizagens dos alunos. Democrática – respeita o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los. Devendo ser orientados e ajudados em suas dificuldades, com práticas que possibilitem aos alunos participar efetivamente dos processos avaliativos por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor, nos 114 quais se definam objetivamente as finalidades, as ações, as condições de realização, as responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. Cumulativa – aspecto progressivo na construção do conhecimento que busca ampliar e facilitar o processo de novas aprendizagens assegurando a qualificação do aluno ao final do processo. Os eixos que nortearão toda a educação de jovens e adultos devem estar pautados na construção da cidadania, educação para a vida e o trabalho, ou seja, para saber, fazer, conviver e ser, valorizando a afetividade como eixo significativo para o desejo e a vontade de aprender, a partir das relações afetivas e respeitosas de todos os atores envolvidos na educação de jovens e adultos da Rede Municipal de Ensino de Ilhéus. 7 MATRIZ CURRICULAR DA EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS P R IN C IP IO B Á SI C O : Ed u ca çã o p ar a a C id ad an ia Plano Curricular EJAI - 1ª ETAPA (ENSINO FUNDAMENTAL) Componentes do Currículo Comum CARGA HORÁRIA Áreas Curriculares Disciplinares Componentes Curriculares Fase 1 Sem Anual Fase 2 Sem. Anual Fase 3 Sem. Anual Total Área 1 – Linguagens e Movimento Estudos da Língua Portuguesa, Artes, Expressão Corporal e Literatura 08 320 08 320 08 320 960 Área 2 – Estudos da Sociedade e da Natureza Estudos Geográficos, Históricos e da Natureza. 06 240 06 240 06 240 720 Área 3 Linguagem Matemática e Tecnologia Estudos Matemáticos e Tecnológicos 06 240 06 240 06 240 720 Total 20 800 20 800 20 800 2.400 116 Currículo de Formação da Autonomia Pessoal e Social Área Curricular de Atividades e Enriquecimento Estudos acompanhados voltados para: Construção Moral e Religiosa História Afro-Indígena História Regional e local Educação e Meio Ambiente Educação e Trânsito Educação e saúde Educação e as linguagens artísticas Carga Horária Semanal e Anual Definida pela escola de forma Interdisciplinar 117 P R IN C IP IO B Á SI C O : Ed u ca çã o p ar a a C id ad an ia Plano Curricular EJA II - 2 ª ETAPA (ENSINO FUNDAMENTAL) Componentes do Currículo Comum CARGA HORÁRI Áreas Curriculares Disciplinares Componentes Curriculares Fase 1 Sem Anual Fase 2 Sem. Anual Total Área 1 – Linguagens e Movimento Estudos da Língua Portuguesa, Literatura, Redação, Língua Estrangeira e Artes 09 360 09 360 720 Área 2 – Estudos da Sociedade e da Natureza Estudos Geográficos, Históricos e da Educação e Trabalho 08 320 08 320 640 Área 3 Linguagem Matemática e Tecnologia Estudos Matemáticos e Tecnológicos e das Ciências Físicas e Biológicas 08 320 08 320 640 Total 25 1.000 25 1.000 2.000 118 Currículo de Formação da Autonomia Pessoal e Social Área Curricular de Atividades e Enriquecimento Estudos acompanhados voltados para: Construção Moral e Religiosa História Afro-Indígena História Regional e local Educação e Meio AmbienteEducação e Trânsito Educação e saúde Educação e as linguagens artísticas Carga Horária Semanal e Anual Definida pela escola de forma Interdisciplinar 8 ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO DO CAMPO O Brasil é contraditório, por um lado se tem a excessiva concentração de renda e donos de latifúndios e por outro, altos índices de níveis de pobreza e pessoas sem terra para o plantio. Dentre as contradições da sociedade brasileira, encontra a presença da questão agrária, que “está no centro do processo constitutivo do Estado republicano e oligárquico no Brasil, assim como a questão da escravidão estava nas próprias raízes do Estado monárquico no Brasil imperial” (MARTINS, 2000, p. 101). Nesse contexto, refletir sobre as peculiaridades da educação do campo, implica saber que ela sempre esteve à margem das políticas educacionais, haja vista, que na ótica oficial a educação não era necessária aos povos trabalhadores da terra. Historicamente, o debate acerca da Educação do Campo galgou força a partir da década de 90. Os parâmetros condicionadores das reflexões realizadas surgiram de certa forma nos movimentos sociais do campo. Todavia, outras organizações também se colocaram nesta plataforma de discussão e, depois de uma profunda luta social por parte desses movimentos sociais e dos educadores do campo, avanços foram aos poucos sendo conquistado. Na atualidade ainda são inúmeros os desafios para a superação das desigualdades sociais no campo, pois mesmo tendo conquistado em função da atuação dos movimentos sociais e das iniciativas governamentais que foram impulsionadas pela sociedade civil organizada, um espaço político na conjuntura atual, as escolas rurais ainda são isoladas com pedagogias tradicionais que não respeitam o universo simbólico dos camponeses. A educação do campo deve ser considerada como uma forma de se pensar o processo de ensino-aprendizagem destinado aos trabalhadores rurais, mas de maneira nenhuma pode perder o seu caráter de formação integral dos povos do campo. Para tal, precisa garantir o acesso de todos aos níveis e modalidades de ensino (educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos e educação especial). Considerando que a escola do campo deve servir de instrumento na formação do cidadão consciente e crítico, capaz de se assumir como um agente da história, todas as ações dessa instituição devem ser direcionadas no sentido de valorizar e (re)-significar os conteúdos, o saber, as experiências e expectativas dos alunos. De instigar o educando no mundo da leitura, pesquisa e interpretação da realidade, para propiciar assim, um ambiente 120 construtivo, onde prevaleça o diálogo, responsabilidades a participação de forma crítica e ética. Para tanto, é necessário que a escola garanta um conjunto de práticas planejadas coletivamente, no sentido de contribuir para a formação do educando, sem perder de vista a prática pedagógica desafiadora e embasada na realidade socioeconômica e político-cultural da comunidade escolar. Esse conhecimento perpassa pela discussão sobre as experiências das pessoas envolvidas no contexto escolar, pois, conteúdos devem estar em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico da vida do aluno. Sabemos que o campo nem sempre se constitui por áreas que desenvolvem apenas práticas de agricultura e pecuária, e que o município de Ilhéus, especificamente, não mais sobrevive da monocultura cacaueira. Portanto, o campo Ilheense é formado por áreas distritais que possuem luz elétrica, comércio local, transporte coletivo e sofre influência direta dos meios de comunicação como acontece na área urbana. Além disso, alguns desses distritos devido às suas riquezas naturais utilizam os pontos turísticos, consolidando assim, o movimento econômico trazido pelos turistas durante o verão. Diante disso, faz-se necessário promover diretrizes curriculares que consolidem uma proposta pedagógica em consonância com as especificidades da região, mas que leve em consideração o: desenvolvimento sustentável, profissionalização (especialmente dos alunos da EJA), possibilidades de progressão dos estudos, atividades práticas possíveis de se realizar nas localidades, temáticas específicas da região inclusas no currículo, através do Projeto Político Pedagógico de cada unidade escolar, inclusão das escolas nucleadas em projetos específicos que envolvam a arte-educação, jogos escolares, participação em eventos na sede entre outros movimentos. Para que isso ocorra é necessário organizar a educação do campo, a partir do desenvolvimento de projetos que sejam capazes de atender as especificidades da área rural, garantindo e assegurando a qualidade social da educação, mas principalmente, respeitando as características regionais e os direitos de acesso e permanência na escola no próprio local onde reside a população. 8. 1 Marco Teórico 121 No Brasil, até a década de 30 do século XX, o que se objetivava era fixar o homem ao campo. Com esse intuito em 1937 foi criada a Sociedade Brasileira de Educação Rural, para assim expandir o ensino e preservar a cultura do homem do campo. No entanto, o número elevado de analfabetos na área rural foi destacado no VIII Congresso Brasileiro de Educação, reforçando assim a preocupação com a educação rural (LEITE, 1999). Esse período da história sofreu uma gradativa substituição de poder de uma elite agrária para as emergentes elites industriais. A cidade se consolidou como referência de modernização e progresso, enquanto o campo representava o antigo e o rústico (LEITE, 1999). Após a II Guerra Mundial, foi criada a Comissão Brasileiro-Americana de Educação das Populações Rurais, no âmbito da interferência da política norte-americana no país. Assim, foram instaladas as Missões Rurais e, ao final dos anos de 1940, foi criada a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (LEITE, 1999). As ações governamentais desenvolvia a educação do campo com o objetivo de proteção e assistência ao camponês. Na década de 1950, foi criada a Campanha Nacional de Educação Rural e o Serviço Social Rural, com preocupações voltadas à formação de técnicos responsáveis pelo desenvolvimento de projetos de educação de base e programas de melhoria de vida, que não discutia efetivamente a origem dos problemas vividos no campo (LEITE, 1999). Em 1960 Paulo Freire (1987) ofereceu contribuições significativas à educação popular, destacando aqui a educação do campo, com os movimentos de alfabetização de adultos e desenvolvimento de uma concepção de educação dialógica, crítica e emancipatória. A prática social dos sujeitos passou a ter maior valorização, por meio de uma proposta distinta da prática educativa bancária predominante na educação brasileira. É importante fazer uma distinção dos povos que habitam no campo, pois, diferente das comunidades carentes que aceitam a ajuda governamental, a população do campo, organiza-se e luta por políticas públicas, construindo alternativas de resistência econômica, política e cultural que também inclui iniciativas no setor da educação (LEITE, 1999). Logo, a concepção de campo tem o seu sentido cunhado pelos movimentos sociais no final do século XX, em referência à identidade e cultura dos povos do campo, valorizando- os como sujeitos que possuem laços culturais e valores relacionados à vida na terra. Trata-se 122 do campo como lugar de trabalho, de cultura, da produção de conhecimento na sua relação de existência e sobrevivência. Essa compreensão de campo vai além de uma definição jurídica, pois configura um conceito políticoao considerar as particularidades dos sujeitos e não apenas sua localização espacial e geográfica. A perspectiva da educação do campo se articula a um projeto político e econômico de desenvolvimento local e sustentável, a partir da perspectiva dos interesses dos povos que nele vivem. São povos que ao longo da história foram explorados e expulsos do campo, devido a um modelo de agricultura capitalista, cujo eixo é a monocultura e a produção em larga escala para a exportação, com o agronegócio, os insumos industriais, agrotóxicos, as sementes transgênicas, o desmatamento irresponsável, a pesca predatória, as queimadas de grandes extensões de florestas, a mão-de-obra escrava. Eis por que a educação do campo deve ter como fundamento o interesse por um modelo cujo foco seja o desenvolvimento humano. Como afirma Fernandes (2005), que seja um debate da questão agrária mediante o princípio da superação, portanto, da luta contra o capital e da perspectiva de construção de experiências para a transformação da sociedade. Na educação do campo, devem emergir conteúdos e debates, sobre temas que possibilitem o estudo de um modelo de desenvolvimento que se contraponha a um currículo essencialmente urbano. Essa visão, que tem permeado as políticas educacionais, parte do princípio que o espaço urbano serve de modelo ideal para o desenvolvimento humano. Esta perspectiva contribui para descaracterizar a identidade dos povos do campo, no sentido de se distanciarem do seu universo cultural. Além dessas especificidades educacionais inerente ao campo, essas diretrizes curriculares consideram ainda as características do ciclo de aprendizagem que de acordo com Perrenoud, organiza o ensino levando em conta a escolarização com foco nas aprendizagens pretendidas. Quanto à progressão continuada, as adoções dos ciclos de três e dois anos cada, permitem possibilidades de reprovação ao final desses (MAINARDES, 1997). Dessa forma, esse processo tem na construção das competências uma das questões essenciais. Ou seja, o norte entre os projetos de uma mudança educacional no campo e a sua consolidação, somente poderá ocorrer sob a forma de novas relações associadas ao desenvolvimento das competências construídas pelos educando (PERRENOUD, 2004). 123 Além disso, cabe entender que as competências não se consolidam no âmbito dos recursos (conhecimentos, habilidades), mas na mobilização destes recursos. Para que haja competência, é necessário colocar em ação um repertório de recursos (conhecimentos, capacidades cognitivas, capacidades integrativas, capacidades relacionais) sustentados por uma visão que contemple a mudança social. 8.2 Marco Legal No campo, assim como nos espaços urbanos existe a diversidade econômica, os movimentos sociais, a multiculturalidade, que devem ser respeitadas ao se estabelecer propostas pedagógicas, como prevê o artigo 26 da LDB: “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada”. Sobre esse aspecto o Plano nacional de Educação (PNE) traz no documento de 2010 que a “oferta do ensino fundamental e a ampliação da oferta dos ciclos regulares em substituição às classes isoladas e unidocentes são metas perseguidas, considerada as peculiaridades regionais e a sazonalidade”, pois, historicamente, a educação do campo somente começou a ser reconhecida quando um “um grande número de rurícolas deixou o campo em busca das áreas onde se iniciava um processo de industrialização mais amplo” (LEITE, 1999, p. 28). Na década de 1960, a Lei 4024/61 deixou a educação rural a cargo dos municípios. Com a aprovação da lei ditatorial 5692/71, não houve nenhum avanço para a educação rural, uma vez que naquele momento, não se discutia o ensino de 2.º grau (atual Ensino Médio) para as escolas rurais. Com a aprovação da Constituição de 1988, a educação se destacou como um direito de todos. Em dezembro de 1996 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394), houve finalmente o reconhecimento da diversidade do campo. Claramente essa é reconhecida nos artigos 23, 26 e 28, que tratam tanto das questões da organização escolar como de questões pedagógicas. Contudo, mesmo com esses avanços na legislação educacional, a realidade das escolas para a população rural continua precária. As ações educativas no campo, na realidade municipal, deve propiciar o que prevê a lei 9394 de 1996 no que se refere à educação infantil (artigo 29), ensino fundamental (artigo 124 32), educação de jovens e adultos, pois essas modalidades de ensino precisam de acordo com o Art. 28 da LDBEN “na oferta da educação básica para a população rural fazer as adaptações necessárias à sua adequação as peculiaridades da vida rural de cada região, especialmente” nos: I- conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; III - adequação à natureza do trabalho na zona rural (BRASIL, MEC, 1996, On Line). Essa conquista prevista pela Lei foi obtida no final dos anos de 1990, quando surgiu nos espaços públicos o amplo debate sobre a educação do campo, como parte desse movimento pode citar o I Encontro de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (I ENERA), que em 1997 foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Naquele evento, foi lançado um desafio: “pensar a educação pública a partir do mundo do campo, levando em conta o seu contexto, em termos de sua cultura específica, quanto à maneira de conceber o tempo, o espaço, o meio ambiente”. A partir de então, o poder público passou a reconhecer a necessidade de pensar uma legislação específica de educação aos povos do campo, levando o Conselho Nacional de Educação, por meio da Câmara de Educação Básica, a aprovar, em 2002, as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo (Resolução CNE/CEB nº. 1, de 3 de abril de 2002). Fica explícito que a educação rural teve um lugar marginal na política educacional brasileira e que somente na década de 90 houve sinais de mudanças, mediante a ação dos movimentos e organizações sociais voltados à educação do campo. Constata-se, portanto, que não houve, historicamente, empenho do poder público para implantar um sistema educacional adequado às necessidades das populações do campo. Assim, pode afirmar que o Estado brasileiro omitiu-se: (1º) na formulação de diretrizes políticas e pedagógicas específicas para as escolas do campo; (2º) na dotação financeira que possibilitasse a institucionalização e manutenção de formação inicial e continuada e de valorização da carreira docente no campo (MEC, SECAD, 2005). Na educação do município de Ilhéus, a trajetória da educação do campo não foi diferente, pois marginalizada enfrentou todos os problemas encontrados no restante do país. O que exige na atualidade a construção de diretrizes curriculares que assegurem 125 benefícios e aprimoramentos de ações educativas garantidoras do acesso, permanência e êxito do aluno na escola do campo. Além disso, o cuidado na sequência do processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças e adolescentes do campo implica no conhecimento e atenção às suas características etárias, sociais e psicológicas. Mas também, visa à implantação dos ciclos de aprendizagem organizada de acordo o quadro abaixo: CICLO FASE MODALIDADE FAIXA ETÁRIA ETAPA DE VIDA 1 I e II Educação Infantil. 04 e 05 anos Infância 2 I, IIe III Ensino Fundamental 06, 07 e 08 anos Ciclo da Infância (Alfabetização) 3 I e II Ensino Fundamental 9 e 10 anos Crianças 4 I e II Ensino Fundamental 11 e 12 anos Pré-Adolescentes 5 I e II Ensino Fundamental 13 e 14 anos Adolescentes A estrutura curricular em ciclos de aprendizagem enquanto estratégia adotada deve envolver de todos os membros da comunidade escolar nas questões pedagógicas, numa perspectiva de uma cultura colaborativa (socialização de dúvidas e saberes). O currículo deve, portanto, contemplar as dimensões: física, psíquica, cognitiva, afetiva, social, ética e estética nas diversas áreas do conhecimento. Dessa maneira a estrutura da educação no âmbito municipal fica assim estruturada, ciclo 1 – educação infantil – esse ciclo compreende duas fases, I e II ciclos que contemplam a creche e a etapa pré-escolar. Ciclos 2 e 3 contemplam o ensino fundamental nos anos iniciais, tendo como áreas: 1 linguagens e movimentos, 2 linguagens da ciências do meio e área linguagens matemáticas e tecnológicas. No ciclo 4 e 5, que é voltado para atender ao ensino fundamental nos anos finais tem a área 1 linguagens e movimento, área 2 linguagens das ciências sociais e do meio, área 3 linguagens matemáticas, tecnológicas e das ciências da natureza. 8. 3 Eixos Temáticos Os eixos temáticos trabalho e divisão social, cultura e identidade, desenvolvimento sustentável, movimentos sociais e cidadania, opções metodológicas, organização do tempo e espaço escolar, são entendidos neste texto como problemáticas centrais a serem focalizadas nos conteúdos escolares. Referem-se à valorização do ser humano que está diretamente no 126 ambiente da sala de aula vinculado a valorização dos saberes da experiência, para uma educação que supere a dimensão apenas enciclopédica. a) Trabalho e divisão social: O trabalho é uma atividade humana que gera transformação humana e territorial, estudar quais atividades os povos do campo desenvolvem e quais atividades agrícolas, industriais e de serviços marcam determinadas conjunturas dos países é uma forma de aprofundar o conceito de trabalho e compreender as relações socioterritoriais (DAMASCENO, 1993). Na sociedade capitalista, a divisão social do trabalho é marcada pela fragmentação do trabalho humano, uma vez que cada indivíduo fica responsável por uma parte do produto que está sendo elaborado. O objetivo é a ampliação da produtividade e o aumento do lucro por parte dos donos dos meios de produção. E no campo, como se dá a divisão social do trabalho? Como os jovens, mulheres, homens e crianças se organizam para a atividade produtiva? É sabido que os povos do campo conhecem o ciclo completo da produção: plantio, cuidados técnicos e colheita. Em algumas lavouras, pode haver a necessidade de que um grupo de trabalhadores se dedique a capina, enquanto outros se dedicam à colheita, sejam eles proprietários ou não. Presume assim, que a divisão social do trabalho, seja no campo ou na cidade, é fundamentada na “especialidade” em determinada função e assim são originadas as diferentes profissões: técnicos agrícolas, agrônomos, professores, entre outras profissões, mas também pode estar assentada em valores ligados aos costumes de um determinado grupo social. É a formação educacional que dará a peculiaridade à função social do trabalho que é cultural, podendo estar centralizada na organização da família, ou nas particularidades de cada atividade produtiva. São inúmeras as possibilidades de trabalho em sala de aula, pois a própria lógica da divisão do trabalho na escola pode ser explorada com as crianças. Oferece aos professores inúmeras possibilidades de seleção de conteúdos para cada ano escolar e para as diversas modalidades de ensino. Pois, as discussões sobre relações sociais produtivas e o lugar que o município ocupa no âmbito econômico, político e social do País conduz a que historicamente se estude como se constitui a divisão da riqueza? Quais os movimentos que questionam a concentração de renda? Quais são os movimentos de 127 trabalhadores num país como o Brasil? O que dá origem aos movimentos sociais? Quantos são os movimentos sociais do campo e o que reivindicam historicamente? Questões como essas auxiliam no desenvolvimento do conceito trabalho e divisão social, e conduz a entender o conceito de cultura e identidade. b) Cultura e identidade: A Cultura é entendida como toda produção humana que se constrói a partir das relações do ser humano com a natureza, com o outro e consigo mesmo. A cultura é gerada na prática social produtiva de cada uma das categorias sociais dos povos do campo. Esses conteúdos culturais devem estar presentes nas práticas pedagógicas, pois são eles que fazem a escola ter um sentido na formação dos alunos. A não inserção desses conteúdos nas práticas pedagógicas provocou, ao longo da história, a negação da cultura dos povos do campo nas escolas. Assim, na superação de conteúdos estereotipados sobre o modo de vida camponês, a educação do campo pode trazer as características de sociabilidade e de trabalho comunitário presentes nas experiências camponesas. A valorização de temáticas que abordem a troca de produtos de consumo básico, as atividades do tipo mutirão, a solidariedade no momento da colheita de determinado produto agrícola valoriza a cultura dos povos do campo, isto significa criar vínculos com a comunidade e gerar um sentimento de pertença ao lugar e ao grupo social. Possibilita assim, criar uma identidade sociocultural que leva o aluno a compreender o mundo e transformá-lo. Cultura e identidade são dois conceitos que podem ser problematizados a partir da identificação da trajetória de vida dos alunos, da caracterização das práticas socioculturais vividas na comunidade onde a escola está localizada, da análise das relações sociais vividas nos ambientes familiar, comunitário e de trabalho. É importante que os aspectos da realidade constituam apenas o ponto de partida, pois o ponto de chegada depende da inserção de conteúdos devidamente selecionados, que junto a uma seleção de outros materiais, sejam livros, jornais, documentários entre outros., possam auxiliar os alunos no exercício na reflexão e produção de conhecimentos. O ponto de chegada é síntese que permite compreender a diversidade social, étnica, racial e sexual que compõe a sociedade brasileira e dos aspectos culturais diversos. Reconhecer a identidade dos povos latino-americanos é essencial para superar a visão de 128 que a cultura europeia ou norte-americana é superior à brasileira. Reconhecer as particularidades do próprio país leva à superação da ideia de subordinação a que o povo brasileiro foi submetido no processo de colonização. c) Desenvolvimento sustentável: Existe uma interdependência campo-cidade que pode ser problematizada a partir das atividades cotidianas e das necessidades sociais básicas, como alimentação, vestuário, trabalho e água potável, que remetem a reflexão sobre o desenvolvimento sustentável. Esse por sua vez, requer um projeto político de sociedade que contemple a dimensão socioambiental do ser humano, da sociedade e do planeta, afinal além do campo “um município de pequeno ou médio porte localizado fora de aglomerações poderá confirmar que sua economia é essencialmente alicerçada na utilização direta de recursos naturais” (VEIGA, 2003, p. 56). Essa interdependência conduz a entender que a área rural de Ilhéus, seja através dos assentamentos de reforma agrária, da agricultura familiar e da agricultura não familiar (capitalista, patronal e latifundiária), além de manter a sua própria organizaçãosocial, ainda tem a utilização do turismo como fator econômico, assim, à questão do desenvolvimento sustentável como alternativa da educação no campo, torna-se imprescindível e evita a agressão ao meio ambiente e ao ser humano. d) Movimentos sociais e cidadania: A organização política de um país, um estado ou um município guarda relação com a representação político-partidária, porém não somente isso. A existência de movimentos sociais, associações comunitárias e organizações sociais indicam a organização política dos moradores de um determinado local. Tratar a organização política é valorizar a organização da população pela demanda da reforma agrária e direitos trabalhistas que tem sido a luta dos trabalhadores rurais organizados. Por sua vez, os grandes produtores rurais se unem para reivindicar negociação de suas dívidas e as condições para manter a produção em larga escala e grande extensão de terra. Mesmo quando essas manifestações agregam pequenos proprietários, a distribuição dos resultados beneficia prioritariamente o grande capital agrário. A organização política se dá no âmbito escolar, nas características da gestão, que pode ser mais democrática ou mais autoritária. No ambiente escolar, a organização de familiares 129 ou pais e mães dos alunos, a organização dos estudantes, a organização dos funcionários, dos professores indicam formatos políticos, apresenta demandas, faz denúncias em torno das políticas públicas. No Brasil, foram os movimentos sociais de demandas por educação que deram impulso à ampliação das escolas públicas. Na escola, as conquistas dos movimentos sociais parecem diminuídas diante do seu real valor. É importante resgatar as lutas por direitos civis, políticos e sociais no país, pois se trata de um debate sobre a construção da cidadania. Os trabalhadores rurais não ganham a terra, eles conquistam-na, os indígenas não “ganham” a demarcação de suas terras, eles conquistam-na, ou seja, os movimentos sociais de toda natureza, seja com caráter de classe, como o movimento dos sem terra (MST) ou interclassista como os movimentos ecológicos brigam pela garantia de todos os cidadãos, projetando a liberdade e igualdade, resguardadas as diferenças. e) Opções metodológicas: Os saberes escolares devem ser valorizados sob a égide de dois planos: experiências trazidas pelos alunos e experiências trazidas pelos professores. Essas experiências somadas aos saberes específicos e gerais de cada área do conhecimento efetiva a valorização da cultura dos povos do campo na escola. É necessário repensar a organização das experiências e saberes escolares, articulando conteúdos já sistematizados com a realidade educacional do campo, partindo do interior das diferentes áreas: Linguagens e Movimento, Linguagens das Ciências Sociais e do Meio e Linguagens Matemáticas, tecnológicas e Ciências da Natureza que através de estudos disciplinares (Língua Portuguesa, Literatura, Redação, Língua Estrangeira, Arte, Educação Física, Estudos Geográficos, Históricos, Filosóficos, Matemáticos e tecnológicos e das Ciências Físicas- Biológicas), compõe em Ilhéus o currículo municipal da base comum. Para isso, é necessário levar em consideração a investigação. Como diz Freire: “não posso investigar o pensar dos outros, se não penso” (1987, p. 101). Outra maneira de fazer a educação do campo ocorrer partindo das experiências cotidianas dos seus educandos está em absorver a parte diversificada da matriz curricular de maneira interdisciplinar. Ou seja, para superar o trabalho pedagógico fragmentado ao efetuar os estudos voltados para a construção Moral e Religiosa, História Afro-Indígena, História Regional e Local, Educação e Meio Ambiente, Educação e Trânsito, Educação e 130 saúde, esses devem ser efetuados adequados à realidade do campo, mas sem perder o caráter de formação desejada. Para Fazenda (1994) a atitude interdisciplinar procura indagar as certezas paradigmáticas resultantes das teorias que configuram a atual ciência escolar e considera fundamental para a construção dessa ciência a pesquisa criteriosa sobre as ações comprometidas ocorridas em sala de aula. Quatro fundamentos de uma prática docente interdisciplinar descritos por Fazenda, merecem destaque: A parceria – consiste numa tentativa de incitar o diálogo com outras formas de conhecimento a que não estamos habituados, nessa tentativa a possibilidade de interpenetração delas. A possibilidade - que um pensar venha a se complementar no outro na sala de aula, lugar onde a interdisciplinaridade habita, a autoridade é conquistada, a obrigação é alternada pela satisfação, a arrogância pela humildade, a reprodução pela produção de conhecimento, diferença no espaço arquitetônico e na organização do tempo. Alicerces do projeto interdisciplinar - o projeto, a intencionalidade, o rigor características fundamentais de uma forma de pensar e de agir interdisciplinares, infelizmente em muitos casos, têm sido substituídas pela improvisação. Possibilidade de efetivação de pesquisas interdisciplinares – aprender a pesquisar fazendo pesquisa, é próprio de uma educação interdisciplinar (1994, p. 84-88) A pesquisa é um dos caminhos sugeridos na elaboração de encaminhamentos metodológicos na educação do campo que prima pela interdisciplinaridade. Ela pode se dar no plano individual ou coletivo, mediante o diálogo, a indagação, o registro e a sistematização das informações como aspectos essenciais da mesma. Eleger temas centrais para a prática pedagógica escolar pode ser um caminho para articular os conhecimentos específicos das áreas. Por exemplo: Meio Ambiente e Saúde podem ser temas de projetos escolares, porém a essência do trabalho estará na articulação a ser feita entre as áreas do conhecimento. O envolvimento de professores, alunos, comunidade e equipe escolar na prática pedagógica é um caminho para o desenvolvimento da participação social. O trabalho com temas geradores é outra opção teórico-metodológica indicada na perspectiva emancipatória de educação. Porém, como apontou Freire (1987), os temas são extraídos da realidade, desde que oriundos de investigações feitas com a comunidade e entre a própria comunidade. A organização dos saberes escolar pode seguir diferentes encaminhamentos metodológicos, se tiver a clareza de qual é a concepção de educação do campo que se quer desenvolver. f) Organização do tempo e espaço escolar: 131 O mundo atual exige que a escola valorize o conhecimento sistematizado e enciclopédico. Nesse sentido, a educação do campo, em relação ao tempo e espaço escolar se assemelha à educação da cidade uma vez que segue a organização dos Ciclos de aprendizagem de acordo com a resolução municipal. No entanto, não podemos deixar de lado os lugares educativos como rios, parques e áreas de matas fechadas, que comumente são encontrados no espaço rural. Repensar a organização do espaço escolar e as formas de encaminhamento metodológico induzirá a uma reorganização dos tempos escolares, pois um modelo de aula fechado, por exemplo, em cinquenta minutos por disciplina, nem sempre permite desenvolver atividades que levem em conta essas outras possibilidades. A construção do projeto político-pedagógico da escola requer a reflexão sobre tais questões. Uma aula na mata, na ilha, no acampamento, no assentamento, na associação comunitária, na roça ou na cooperativa, dentre tantos outros lugares, pode levar uma manhã toda, numa sequência de encontros, para que os alunos compreendam as relações sociais de produção e o processo de criação da mercadoria, circulação e de consumo. Para que a escola proponha tempos diferentes, é preciso que o projetopolítico- pedagógico seja coerente em seus princípios pedagógicos, que cada planejamento de ensino explicite os objetivos, as articulações entre disciplinas, os conceitos e noções a serem desenvolvidas com os alunos. Caso contrário, a prática poderá se tornar apenas uma visita a outro ambiente que não a sala de aula, não atingindo habilidades e competências a serem construídas em uma educação crítica, emancipatória e ciclada. Em relação aos tempos pedagógicos, ainda há que se considerar, além do ciclo de aprendizagem, a dinâmica da vida do campo, com os seus períodos produtivos de pesca, plantio, colheita e turismo. As épocas de chuvas também devem ser consideradas na elaboração do calendário escolar, evitando, assim, a evasão, ou um número excessivo de faltas de alunos em determinadas ocasiões do ano. Como fazer avançar o debate sobre os tempos e espaços escolares? Um caminho é o reconhecimento do fato de que a lógica temporal não tem contribuído para uma aprendizagem crítica dos conteúdos, devido à fragmentação do trabalho. A valorização do campo nas propostas educacionais depende de cada um de nós, é preciso cultivar a ideia de que a educação do campo tem sentido superior quando pensada em sua relação com a 132 questão agrária, que há muito inquieta os trabalhadores de todos os cantos, sobretudo aqueles que têm na terra a sua condição fundamental de cidadania. 8.4 Organização Curricular A Educação desenvolvida nos vários espaços campesinos de Ilhéus se define a partir da concepção de uma Educação do e no Campo, compreendendo que campo e cidade são interdependentes, como partes de uma única sociedade de direito ao acesso e permanência à escola pública de qualidade social. É fundamental garantir as especificidades de cada comunidade, em sua dinâmica de vida social, econômica e cultural, incorporando distintos processos educativos. Sob essas perspectivas, pensando a educação a partir do mundo do campo e para o campo, o município de Ilhéus em suas diretrizes curriculares fundamenta a organização curricular nas Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo (CNE/CEB 1, 2002), que considera os diversos contextos discutidos nos eixos supramencionados. Ao reconhecer a especificidade da Educação do campo, o município de Ilhéus busca respeitar a diversidade sociocultural, por essa razão prevê como opção metodológica a utilização de projetos que sejam compatíveis à sua demanda, objetivando minimizar a situação, muitas vezes excludente, em que as crianças, jovens e adultos se encontram. De todo modo, em razão da especificidade desta clientela, o MEC tem reconhecido a necessidade de um atendimento diferenciado e isto se dá pela criação de leis e resoluções que possam minimizar os efeitos que os anos de abandono impuseram a esta população. Nada mais justo, uma vez que estas ações contribuem para o enraizamento e o aprofundamento de políticas públicas que promovam a igualdade de oportunidades na educação, a inclusão social, o crescimento sustentável e ambientalmente justo, em direção a uma sociedade menos desigual, mais compassiva e solidária. De acordo com o diagnóstico do meio rural brasileiro realizado pelo o INEP aponta como principais dificuldades em relação à educação do campo a: Insuficiência e precariedade das instalações físicas da maioria das escolas, dificuldades de acesso dos professores e alunos às escolas, em razão da falta de um sistema adequado de transporte escolar, a falta de professores habilitados e efetivados, o que provoca constante rotatividade, a falta de conhecimento 133 especializado sobre políticas de educação básica para o meio rural, com currículos inadequados que privilegiam uma visão urbana de educação e desenvolvimento, a ausência de assistência pedagógica e supervisão escolar nas escolas rurais, o predomínio de classes multicicladas com educação de baixa qualidade, a falta de atualização das propostas pedagógicas das escolas do campo, o baixo desempenho escolar dos alunos e elevadas taxas de distorção idade-série, baixos salários e sobrecarga de trabalho dos professores, quando comparados com os que atuam na zona urbana e a necessidade de reavaliação das políticas de nucleação das escolas e de adequação do calendário escolar adequado às necessidades do meio rural (SECAD, on line, p.18). Cabe ressaltar que as escolas do campo em Ilhéus sofrem também essas dificuldades, pois grande parte das escolas rurais não possuem estruturas físicas adequadas e existe um grande número de professores contratados que em sua maioria ainda estão cursando o nível superior. Essas dificuldades devem conduzir que a SEDUC e os educadores em conjunto procurem criar programas, estratégias metodológicas, projetos, seminários, feiras e outras formas de conduzir o conhecimento, para incluir no sistema a valorização da educação do campo. Existe ainda no sistema municipal de educação o modelo de nucleação conforme demonstra a tabela abaixo. Percebe-se ainda que a organização da nucleação nem sempre segue princípios geográficos, o que prejudica o acompanhamento pedagógico e administrativo por parte de Núcleo Total turmas Anexos MUL TI C1F1 C1F2 C2F1 C2FII C2FI C3FI C3FI Anos Finais EJA I EJA II Areia Branca 16 5 11 x 2 1 x x 1 1 x x x Aritagua I 36 9 16 x 4 1 1 2 1 2 5 1 3 Aritaguá II 46 5 7 x 5 3 3 4 6 5 10 3 x Banco Central 23 4 4 x 2 1 1 2 2 2 7 2 x Banco do Pedro 35 6 5 2 4 4 3 4 2 2 5 2 2 Castelo Novo 19 2 4 1 1 1 2 3 1 2 4 x x Couto 11 1 2 1 2 1 1 2 1 1 x x x Inema 21 2 2 x 2 1 2 3 2 2 5 x 2 Japú 24 7 21 x 1 x x 1 x x x 1 1 Olivença 28 9 16 x 2 2 2 2 2 2 x x x Pimenteira 14 1 3 x 1 1 1 1 1 1 4 x 1 Sambaituba 46 4 9 x 6 3 3 5 4 4 10 2 x Santo Antônio 32 4 5 x 2 1 1 1 2 1 12 3 4 134 gestores e coordenadores, já que a dificuldade de acesso, a grande distância da sede, falta de transporte ou más condições de estrada interferem na qualidade do trabalho pedagógico. Será necessário, pra minimizar essa situação que a SEDUC possa traçar metas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de ensino-aprendizagem e proporcionar condições dignas de trabalho para os educadores. As salas multicicladas articulam-se com as diretrizes curriculares nacionais para o ensino fundamental de nove anos e com as diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica. (Parecer CNE/CEB nº7/2010 e resolução CNE/CEB nº4 de 2010). Sendo implantado progressivamente conforme projeto pedagógico da rede municipal de ensino e providências relativas às políticas públicas que garantam a sua execução plena. Assim, em 2012 existem no município 105 salas multicicladas, tais salas na atualidade se constituem em um desafio para as políticas públicas municipais voltadas para o campo, [...] o problema das turmas multicicladas está na ausência de uma capacitação específica dos professores envolvidos, na falta de material pedagógico adequado e, principalmente, a ausência de infraestrutura básica – material e de recursos humanos – que favoreça a atividade docente e garanta a efetividade do processo de ensino-aprendizagem. Investindo nestes aspectos, as turmas multicicladas poderiam se transformar numa boa alternativa para o meio rural, atendendo aos anseios da população em dispor de uma escola próxima do local de moradia dos alunos, sem prejuízo da qualidade do ensino ofertado, especificamente no caso das séries iniciais do ensino fundamental. (INEP,2006, p. 19) Em várias localidades o atendimento à Educação de Jovens e Adultos é prejudicado pela falta de transporte à noite, ocasionando a diminuição na carga horária de aulas, dificultandoa contratação de professores, promovendo a evasão e deixando fora da escola diversas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar. Ainda cabe esclarecer que as escolas do campo do município de Ilhéus apresentam características físicas, estruturais, pedagógicas, econômicas e sociais bastante diferenciadas. Neste sentido os objetivos da Secretaria Municipal de Educação estão voltados para a captação de mais recursos e para o combate dos altos índices de analfabetismos, de evasão e de distorção idade-ciclo, além do enfrentamento do êxodo rural, em especial em virtude da drástica redução de oferta de trabalho no campo. A conjectura desses fatores contribui para que as metas educacionais estabelecidos pela organização curricular estejam baseada na produção histórico-cultural do homem do campo e compreenda a escola como um espaço de resgate das vivências sociais, a fim de construir um ideário coletivo para as pessoas que vivem no campo, e dele sobrevivem, potencializando-os de ferramentas culturais e de uma leitura crítica e reflexiva das relações 135 sociais com seus pares, bem como outros segmentos sociais que fazem parte de sua comunidade. Nessa perspectiva um dos principais objetivos da educação do campo passa a ser o de trabalhar com os processos de percepção e de formação da identidade, no duplo sentido de ajudar o sujeito a construir uma visão de si mesmo (autoconsciência de quem e com se identifica) e de trabalhar os vínculos dos diferentes sujeitos com identidades coletivas, sociais, ressaltando os valores, modos de vida, a memória e a cultura do grupo social do qual pertence. É função também da escola socializar e produzir diferentes tipos de saberes, ligados ao mundo da cultura, incluindo os da arte e da estética, ao mundo de trabalho, a dimensão de militância e da luta social e dos conhecimentos específicos dos processos de aprendizagem escolar: aprender a ler, a construir conceitos, a ler com o olhar científico a realidade a sua volta, a fazer pesquisa e a tomar posição crítica diante das diversas situações sociais, compreendendo que há saberes de diferentes tipos, de natureza distintas e que este se processa de varias formas. A escola precisa investir na formação de sujeitos que sejam capazes de potencializar seus conhecimentos estabelecendo relação entre os modelos de agricultura, as matrizes tecnológicas, a produção econômica e das relações de trabalho com a sua realidade social, garantindo através dos conhecimentos adquiridos uma melhoria na qualidade de vida dos que vivem no campo, reconhecendo que estas relações são vividas e construídas por sujeitos concretos, de diferentes gêneros, etnias, religiões e vinculadas, ou não a diferentes organizações e diversas formas de produzir e de viver individualmente ou na coletividade, compreendendo que estas questões devem atravessar verticalmente todo o currículo do campo. A organização curricular municipal está ancorada na concepção de um currículo que valorize o homem do campo, isto deve fazer parte do cotidiano escolar englobando questões ligadas ao meio ambiente e relação com os diferentes grupos étnicos, realidade presente em nosso município. Essa organização citada exige a reestruturação do tempo e espaço curricular dos conhecimentos a serem trabalhados plurianualmente, além disso, deve assegurar a formação e o tempo dos profissionais da educação com vista a garantir a construção coletiva das ações pedagógicas para a efetivação de uma proposta que possa realmente contribuir 136 com a formação educacional do homem do campo. Dessa maneira a educação infantil, o ensino fundamental de nove anos e a reorganização do ciclo de aprendizagem e a EJA na rede municipal de Ilhéus possui as seguintes estruturas: I Educação Infantil Ciclo 1, fases I e II, modalidade de ensino: atendimento de crianças de zero (0) a seis (6) anos. II Anos Iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) Os anos iniciais são compostos por dois ciclos de escolarização, divididos por cinco fases. Sua organização é por área de estudo e atende, preferencialmente, a criança de seis (6) a oito (8) anos de idade. Os ciclos 3 e 4 devem ser organizado, para que um único professor possa trabalhar durante o seu período de duração, priorizando por meio de planejamento pedagógico: - A alfabetização e o letramento que devem ser trabalhados como processos indissociáveis; - o desenvolvimento das diversas linguagens e o aprendizado das áreas de conhecimento; - o desenvolvimento das capacidades necessárias à apropriação da língua (compreensão e valorização da cultura, apropriação do sistema da escrita, leitura, produção de diferentes gêneros textuais, desenvolvimento da oralidade). Os Anos Iniciais têm a função de instrumentalização e sistematização da alfabetização. O educando, fazendo uso de sua competência linguística, seus recursos de pensamento e suas habilidades exploratórias, precisará buscar outras aquisições formais e não formais para ampliar a sua formação. É a instrumentalização para o aprender pelo registro codificado da natureza, da sociedade e da própria linguagem. O currículo volta-se, nessa fase, para a estruturação sólida dos esquemas mentais responsáveis pela compreensão do mundo. Caracteriza-se, portanto, pela intencionalidade de atribuir significados às experiências ocorridas entre o sujeito e o objeto cognoscível. II Anos Finais (6º ao 9º anos) do Ensino Fundamental Os Anos Finais, compostos por quatro fases em dois ciclos de aprendizagem, são estruturados por áreas, observando as especificidades das diferentes disciplinas que as 137 compõe, onde cada professor assume a disciplina de acordo com a sua formação, mas como nos anos iniciais, deve também acompanhar o período de duração do ciclo. Os anos finais têm a função de promover a análise crítico-reflexiva e a aplicação formal e não formal das áreas do conhecimento, ou seja, constitui um período de aprofundamento e sistematização dos conhecimentos construídos nos anos iniciais. As diferentes áreas do conhecimento enfocam os saberes cotidianos e científicos de forma que o educando perceba a aplicação desses saberes, de modo que possa estabelecer inter-relações entre a teoria e a prática. Deve-se considerar que o conteúdo escolar não é um ponto de chegada, mas um ponto departida, onde cada profissional interage com o educando, estabelecendo uma relação dialógica que, com as diferentes práticas pedagógicas, vão proporcionar o processo de ensinar e de aprender, tanto por parte do educando, quanto do professor. Dessa forma, amplia-se a capacidade de interpretar o mundo a partir da possibilidade crescente de perceber significados, produzir conhecimentos, construir competências e habilidades. O currículo deverá contemplar e valorizar os diferentes saberes trazidos pelos educandos, valorizar suas histórias de vida e, sobretudo, construir propostas coletivas. É preciso considerar os educandos em suas especificidades e potencialidades, desenvolvendo ações e criando espaços para suas vivências, experiências, saberes e valores, como centro da organização do processo pedagógico. Isso implica na reorganização da escola levando em conta os tempos da vida, as aprendizagens, os fazeres e das construções dos educandos. 8.4 Educação de Jovens e Adultos no Campo A Educação de jovens e adultos no campo, segue a mesma diretriz da área urbana, por isso ela está estruturada em duas (02) etapas, sendo a 1ª etapa correspondente aos anos iniciais do ensino fundamental, com duração de 03 (três) anos divididos em: fases 1, 2 e 3. A 2ª etapa correspondente aos anos finais do ensino fundamental tema duração de dois (02) anos divididos em fases 1 e 2, totalizando assim, cinco (5) anos para a conclusão do Ensino Fundamental. 138 8.5 Parâmetros Curriculares Municipais Os princípios da educação do campo devem buscar o: I - respeito à diversidade do campo em seus aspectos sociais, culturais, ambientais, políticos, econômicos, gêneros, geracionais, raças e étnicos; II - incentivo à formulação de projetos político-pedagógicos específicos para as escolas do campo, estimulando o desenvolvimento das unidades escolares como espaços públicos de investigação, articulação de experiências e estudos direcionados para o desenvolvimento social, economicamente justo e ambientalmente sustentável, em articulação com o mundo do trabalho; III - desenvolvimento de políticas de formação de profissionais da educação para o atendimento da especificidade das escolas do campo, considerando-se as condições concretas da produção e reprodução social da vida no campo; IV - valorização da identidade da escola do campo por meio de projetos pedagógicos com conteúdos curriculares e metodologias adequadas às reais necessidades dos alunos do campo, bem como flexibilidade na organização escolar, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; V - controle social da qualidade da educação escolar, mediante a efetiva participação da comunidade e dos movimentos sociais do campo. No que diz respeito à construção das habilidades e competências da educação do campo, estes são compatíveis com aqueles previsto para a educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos, devendo-se, no entanto, deve efetivar as devidas adequações a fim de garantir o respeito às especificidades que são peculiares a vida do campo, promovendo fazeres pedagógicos que respeitem as reais necessidades e interesses dos diferentes sujeitos que fazem parte dessa realidade. Para concretizar essa pretensão torna-se necessário ter como objetivos: Reconhecer a especificidade das escolas do campo; assegurar a implementação de uma formação de educadores vinculada a um projeto de desenvolvimento do campo; garantir a efetivação da construção do Projeto Político Pedagógico de cada uma das escolas do campo de acordo com a realidade local; assegurar a reconstrução permanente de projetos das escolas do campo; 139 promover o engajamento político de todos os atores envolvidos com os fazeres da educação do campo a fim de engajá-los na luta para a efetivação da qualidade social da escola; incentivar e promover soluções ecologicamente adequadas em relação à importância da proteção ambiental e o resgate da identidade dos indivíduos do campo na formação de hábitos, conceitos e valores ligados ao desenvolvimento sustentável; reconhecer as reais necessidades dos educadores que atuam no campo, assegurando condições dignas de trabalho; investir na estrutura física das escolas do campo, bem como, garantir condições básicas mínimas de seu funcionamento como: água, merenda, banheiros, entre outros. viabilizar o acesso e permanência de alunos nas escolas do campo garantindo o transporte e professores; reduzir gradativamente as classes multicicladas a fim de propiciar maior qualidade de ensino-aprendizagem para os alunos do campo, facilitando o trabalho pedagógico do professor. Esses objetivos se desdobram em três dimensões, a saber: a) Dimensão pessoal da formação, autonomia e desenvolvimento da aprendizagem: Promover a criação de situações que favoreçam o conhecimento de si próprio e relacionamentos com os outros levando, em consideração os valores da justiça, verdade e solidariedade; favorecer o desenvolvimento progressivo da aprendizagem respeitando a fase etária do aluno em sua construção pessoal assentada nos valores da iniciativa, criatividade, persistência e sentimento de autoconfiança; proporcionar em colaboração com os parceiros educativos, situações de ensino- aprendizagem, formais e não formais, que fomentem a expressão de interesses e aptidões em domínios diversificados, experimentação e auto avaliação; criar condições que permitam apoiar compensatoriamente as carências individualizadas, detectando e estimulando as aptidões especificas e precocidades. b) Dimensão das aquisições básicas e intelectuais fundamentais para a construção das competências e habilidades: 140 Promover domínio progressivo dos meios de expressão e comunicação verbal e não verbal, compreendendo a estrutura e o funcionamento básico da língua portuguesa em situações que envolvam a oralidade e a escrita, percebendo que a mesma é um instrumento vivo de transmissão e criação da cultura nacional; assegurar a aprendizagem de uma língua estrangeira; Incluir o ensino de língua brasileira de sinais de acordo com a lei 10.436 de 2002 e o decreto 5626 de 2005; garantir a aquisição e estruturação de conhecimentos básicos sobre natureza, sociedade, cultura, desenvolvendo a interpretação e análise crítica dos fenômenos naturais, sociais e culturais; fomentar o conhecimento dos elementos essenciais da expressão visual e musical e as regras da sua organização; contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade estética; possibilitar o desenvolvimento de capacidades próprias para a execução de atos motores exigidos no cotidiano; estimular a iniciação do conhecimento tecnológico e de ambientes próprios do mundo. incentivar a aquisição de competências para interpretar e organizar informações das conquistas técnicas e científicas. proporcionar orientações escolar em colaboração com as famílias. c) Dimensão para a cidadania Estimular a criação de atitudes e hábitos que favoreçam a maturidade sócio afetiva; promover o desenvolvimento de atitudes e hábitos possibilitando iniciativas individuais e coletivas. garantir a informação adequada à compreensão do significado e das implicações do nosso relacionamento com outros espaços socioculturais e econômicos, suscitando uma atitude responsável, solidária e participativa; fomentar a existência de uma consciência nacional aberta à realidade concreta numa perspectiva de humanismo universalista, solidariedade e compreensão internacional. 141 Os objetivos e dimensões enunciados devem ser entendidos como eixos para o desenvolvimento gradual da educação do campo que leva em consideração as suas especificidades, desde que seja observada a adequação da progressão dos alunos, em consonância com as diferentes fases dos ciclos de aprendizagem ou etapas da EJA. Está preocupação deve estar presente em cada área e estudo disciplinar, pois a consecução deste objetivo deve subordinar-se ao desenvolvimento das competências e habilidades essenciais, gerais e específicos definidas no currículo municipal. 8.6 Avaliação O processo de avaliação deve ser realizado em função das habilidades e competências propostas para serem construídas a cada trimestre. Pode ser feita de diversas maneiras, trabalhos individuais, atividades em grupos, trabalhos de campo, elaboração de textos, criação de atividades que possam ser um “diagnóstico” do processo pedagógico em desenvolvimento. Muito mais do que uma verificação para fins de conceitos, a avaliação é um diagnóstico do processo pedagógico, do ponto de vista dos conteúdos trabalhados para a apropriação e produção de conhecimentos. É o diagnóstico que faz emergir os aspectos que precisam ser modificados na prática pedagógica. Para a educação do campo um procedimento essencial é a escuta: escutar os povos do campo, a sua sabedoria, as suas críticas; escutar os educandos e as suasobservações, reclamações ou satisfações com relação à escola e à sala de aula; escutar as carências expostas pelos professores das escolas do campo; escutar cada um dos sujeitos que fazem o processo educativo: comunidade escolar, professores e governos, na esfera municipal. Há uma produção cultural no campo que deve se fazer presente na escola. Os conhecimentos desses povos precisam ser levados em consideração, constituindo ponto de partida das práticas pedagógicas na escola do campo. A crença dessa possibilidade, aponta para os seguintes princípios e propostas de atuação concreta: a avaliação deve ser transparente de modo a garantir aos alunos o direito de estar informados sobre o seu desenvolvimento educacional, critérios adotados da avaliação e as decisões tomadas para sua formação. 142 A avaliação deverá ser motivadora facilitando o desenvolvimento pessoal através da reflexão sobre os resultados, baseando-se na participação e negociação, permitindo aos alunos compartilhar responsabilidades e compromissos em relação a ela, contribuindo assim, para desenvolver valores relacionados equidade, liberdade e igualdade. Portanto, de acordo com este princípio deve-se permitir a intervenção dos alunos na seleção ou gestão de temas, criando oportunidade para que eles proponham atividades avaliativas, calendários, participem na correção das provas e apreciação de resultados e de outras atividades que possam fazer sem conflito de competências. Para concretizar tal modelo é indispensável à mediação do professor na aprendizagem do aluno auxiliando em sua formação, identificando as dificuldades e avanços, na perspectiva de intervir e provocar transformações necessárias ao sujeito cognoscente. Além disso, é imprescindível fazer leitura dos resultados do desempenho, buscando empreender o nível de desenvolvimento de suas competências e habilidades, mediante estratégias de ensino. Quanto à utilização dos instrumentos, deve-se estar atento para dois aspectos que garantem a melhoria do processo avaliativo e aprendizagem do aluno: a diversificação dos instrumentos utilizados no processo avaliativo para a coleta de dados nas diferentes áreas, com o objetivo de verificar como o conhecimento está sendo construído e, adequação desses instrumentos às características das disciplinas. Para tanto deve se utilizar como conceito as seguintes representações: CC competência construída, CA competência aproximada, CNC competência não construída. 143 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS: POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA As diretrizes curriculares tem em vista obter um projeto de educação a partir de três perspectivas: ciclo de aprendizagem, construção de competências em estreita relação com habilidades e envolvimento dos conhecimentos universais e/ou realidade global com saberes locais e/ou derivados da vivência dos alunos. Prevê ainda que a base formadora de uma escola democrática é a parceria alcançada entre professores, alunos, funcionários e comunidade. A escola, como espaço de disseminação do conhecimento é considerada um instrumento capaz de fazer as pessoas ascenderem socialmente, diante dessa constatação, cabe envolver professores e alunos, alunos e alunos, na luta pela legitimidade social. Destarte, as diretrizes por um lado apresenta no seu conjunto uma proposta curricular voltada para a formação da cidadania plena, adotando por outro lado, uma perspectiva pedagógica que defende a ideia do aluno como ser pensante capaz da construção de sua autonomia. Assegurando o conhecimento prévio das reais necessidades das crianças, jovens e adultos, o conjunto das diretrizes é pautado em referenciais críticos e perspectiva de uma pedagogia histórica, cultural e interacionista. Assim tem o seu detalhamento através do marco histórico, epistemológico, metodológico e situacional, destacando, contudo, eixos norteadores, para que esses sirvam de análise e reflexão na unidade educacional, quando houver o planejamento do trabalho pedagógico aplicado em cada fase do ciclo de aprendizagem. Por conseguinte, ao conceber o aluno como esse sujeito possuidor de uma história de vida, as diretrizes curriculares buscam em uma perspectiva transversal abarcar os temas etnia, meio ambiente, saúde, arte, música e ética que relacionados com os eixos infância, identidade, cidadania, cultura, sociedade e trabalho, por sua vez associados às bases conceituais põem em cheque questões contemporâneas da fragmentação cientifica. Desse modo, apontam as possibilidades de ter como parâmetro educacional a interdisciplinaridade, enfatizando a necessidade de romper com a visão disciplinar, ao mesmo tempo em que defende a ideia de trabalhar por áreas de conhecimento. 144 Assim, cada escola além de manter sua autonomia, para elencar habilidades e competências, pode também detalhar objetivos e conteúdos que visem à formação de indivíduos capazes de se posicionar criticamente na sociedade. Dessa maneira, as diretrizes curriculares garantem a unidade pedagógica dentre as escolas da Rede Municipal, para que através dessa interação entre as suas realidades socioculturais, viabilizem o atendimento à diversidade cultural e conhecimentos linguísticos, matemáticos, sociais, artísticos, religiosos filosóficos entre outros. Analisando, entretanto, a importância e o respeito necessário aos saberes originários da realidade sociocultural do aluno, as diretrizes primam pela superação da concepção hegemônica do saber científico em detrimento a um processo de ensino/aprendizagem cuja visão seja a valorização das ideias prévias dos estudantes. Portanto, cada um dos eixos temáticos apresentados possuem estruturações progressivas dos conhecimentos, para que assim possa sempre que preciso haver reelaborações de acordo com as percepções de mundo adquiridas por professores, alunos, enfim pela comunidade escolar. Como caminho para atingir cada eixo, as diretrizes propõem metodologias de trabalho que permitam aos professores dialogarem entre si de forma interdisciplinar, ao mesmo tempo, em que consente ao aluno construir e exercer sua cidadania. Posterior a cada segmento de ensino é oferecida a matriz curricular, a partir do enfoque do ciclo de aprendizagem, onde cada direcionamento curricular aponta diversas possibilidades pedagógicas para fazer da educação ilheense um modelo totalmente inclusivo. 145 10 REFERÊNCIAS ALMEIDA ,Maria Elizabeth B. Tecnologias trazem o mundo para a escola, 2008. Disponível no Portal do Professor. ARROYO, Miguel Gonzáles. Indagações sobre currículo: educandos e educadores: seus direitos e o currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag2.pdf. Acesso em 12 de maio de 2012. _______________________. Ofício de Mestre: imagens e autoimagens. 8ª ed., Petrópolis: Editora Vozes, 2005. ______________________. Imagens quebradas. Trajetórias e Tempos de Alunos e Mestres. Petrópolis: Editora Vozes, 2004. BEAUCHAMP, J; PAGEL, Sandra Denise; NASCIMENTO, Arcélia Ribeiro do. (Orgs.) Ensino fundamental de nove anos: orientações para inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. BORBA, Ângela Meyer e GOULART, Cecília. “As diversas expressões e o desenvolvimento da criança na escola” In: BEAUCHAMP, Jeanete; PAGEL, Sandra Denise; NASCIMENTO, Arcélia Ribeiro do. (Orgs.) Ensino fundamental de nove anos: orientações para inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria deEducação Básica, 2007. BRASIL. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica das Escolas do Campo. CNE/MEC, Brasília, 2002. ______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Normas técnicas para a produção de textos em Braille. Brasília, DF, 2002. Disponível em: http://por tal.mec.gov.br/ Acesso em: 30 maio 2009. ______. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB 4.024, de 20 de dezembro de 1961. _______. Ministério da Educação. Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971. _______. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial, 1988. _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Lei Nº. 7.853, de 24 de outubro de 1989. _______. Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. _______. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: plano de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem. UNESCO, Jomtiem/Tailândia, 1990. _______. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: UNESCO, 1994. _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 1994. ______. Parecer CNE/CEB n° 16, de 6 de agosto de 2008. Regulamentação dos termos “efetivo trabalho escolar” e “efetivo trabalho educativo”. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2008. ______. Parecer CNE/CEB n° 2, de 30 de janeiro de 2008. Formação e atuação de docentes na organização pedagógica do Ensino Fundamental. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2008. ______. Parecer CNE/CEB n° 4, de 20 de fevereiro de 2008. Orientação sobre os três anos iniciais do Ensino Fundamental de nove anos. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2008. 146 ______. Resolução CME/CEB n° 20, de 10 de maio de 2006. Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental – 9 anos no Sistema Municipal de Ensino. Conselho Municipal de Educação de Santa Maria, 2006. ______. Resolução CME/CEB n° 25, de 07 de maio de 2008. Ações Pedagógicas Integradas desenvolvidas nas Escolas Municipais como integrantes do Regimento Escolar, Projeto Político Pedagógico e Planos de Estudos, 2008. ______. Resolução CNE/CEB n° 2, de 03 de agosto de 1998. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 1998. _______. Resolução CNE/CEB n° 2, de 07 de abril de 2005. Define normas nacionais para a ampliação do Ensino Fundamental para nove anos de duração. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2005. _______. Presidência da República, Casa Civil, Sub-Chefia para Assuntos Jurídicos. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB n° 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes da educação nacional. Presidência da República, Casa Civil, Sub- Chefia para Assuntos Jurídicos, 1996. _______Parecer CNE/CEB n° 45, de 07 de dezembro de 2006. Consulta referente à interpretação da Lei Federal nº 11.274, de 6/2/2006, que amplia a duração do Ensino Fundamental para nove anos, e quanto à forma de trabalhar nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Câmara de Educação Básica, 2006. ________. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental. Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos. Segundo Segmento do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF,2002.vol01,02 e 03. ______. Lei n° 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os artigos. 6o, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. 2005. ______. Lei n° 11.274, de 06 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos artigos. 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Presidência da República, Casa Civil, Sub-Chefia para Assuntos Jurídicos, 2006. _______. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Presidência da República, Casa Civil, Sub-Chefia para Assuntos Jurídicos, 2001. _______.Parecer CNE/CEB n° 18, de 15 de setembro de 2005. Orientações para matrícula das crianças de seis anos de idade no Ensino Fundamental obrigatório, em atendimento à Lei n° 11.114, de 16 de maio de 2005, que altera os Arts. 6°, 32 e 87 da Lei n° 9.394/1996. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2005. _______. Parecer CNE/CEB n° 39, de 08 de agosto de 2006. Consulta sobre situações relativas à matrícula de crianças de seis anos no Ensino Fundamental. Câmara de Educação Básica, 2006. _______. Parecer CNE/CEB n° 4, de 29 de janeiro de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 1998. _______Parecer CNE/CEB n° 6, de 08 de junho de 2005. Reexame do Parecer CNE/CEB n° 24/2004, que visa o estabelecimento de normas para a ampliação do Ensino Fundamental 147 para nove anos de duração. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica, 2005. DAMASCENO, M. N. A construção do saber social pelo camponês na sua prática educação do campo. Cadernos Temáticos – Educação do Campo. SEED/PR. Curitiba, 2005. FAZENDA, I. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas, SP: FERNANDES, B. M. A questão agrária no Brasil hoje: subsídios para pensar a FERNANDES, Cláudia Oliveira. Indagações sobre currículo: currículo e avaliação. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag5.pdf FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, 2002 e 2003. ________. Extensão ou Comunicação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. ________. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 e 2003. _______. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000. ________ Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: UNESP, 2001. GADOTTI M. & ROMÃO J. E. Autonomia da escola: Princípios e Propostas. 2ª Ed. São Paulo. Cortez, 1997 GOMES, Nilma Lino. Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag4.pdf ILHÉUS , Prefeitura Municipal de Ilhéus, Secretaria Municipal de Educação. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL. Construindo a cidadania SEC/2006 KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. Injuí: Unijuí, 2001. LEITE, S. C. Escola rural: urbanização e políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1999. LIMA, Elaine Leite de. Fundação para “a Nova Era na era da Informática”, de 1997 a 2002. LIBÂNEO, J.C. Didática. 15. Ed. São Paulo: Cortez, 1999. ______________. Organização e gestão da escola. Goiânia, Alternativa, 2001. LIMA, Elvira Souza Indagações sobre currículo: currículo e desenvolvimento humano. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag1.pdf LIMA, Elvira Souza. Atividades de Estudo. São Paulo, Editora Sobradinho 107, 2006. ______________. Desenvolvimento e Aprendizagem na Escola. São Paulo, Editora Sobradinho 107, 1998. _____________. Memória e Imaginação. São Paulo, Editora Sobradinho 107, 2004. _____________. Neurociências e Aprendizagens. São Paulo, Editora Sobradinho 107, 2004. LUCKESI. C.C. Avaliação da aprendizagem escolar. 14 ed. São Paulo. Cortez, 2002. LUCKESI. C.C. Filosofia da Educação. São Paulo.Cortez, 1994. MAINARDES, Jefferson, Reinterpretando os ciclos de aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2007, MANTOAN, Maria Tereza E. Todas as Crianças São Bem Vindas à Escola. São Paulo: UNICAMP, 2003 _______________________. Ensinando a Turma Toda: As Diferenças n Escola. São Paulo.2008. MARTINS, J. de S. Reforma agrária: o impossível diálogo sobre a história possível. In: Tempo Social. Revista de Sociologia da USP. V. 11, n. 2 (outubro de 1999), editado em fevereiro de 2000. São Paulo: USP, FFLCH. (p. 129-153). 148 ____________ O poder do atraso: Ensaios de Sociologia da História Lenta. São Paulo: Hucitec, 1994. MARX, Karl; ENGELS, Os Manuscritos econômico-filosóficos: O terceiro manuscrito. Filosóficos e outros textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978. MEC, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Referencia para uma política nacional de educação do campo: caderno de subsídios. Coordenação: Marise Nogueira Ramos, Telma Maria Moreira, Clarice Aparecida dos Santos – 2.ed. – Brasília; MEC, SECAD, 2005. MONEREO, C.; POZO, J.I. En qué siglo vive la escuela?: el reto de la nueva cultura educativa. Cuadernos de Pegagogía, n. 298, p. 50-55, 2001. MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa. Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/. Acessado em 04 de julho. Papirus, 1994. NÓVOA, A. Concepções e práticas de formação contínua de professores. In: NÓVOA, A. Formação Contínua de Professores: Realidades e Perspectivas. Aveiro: Universidade de Aveiro,1991. PENIN. Sonia T. Sousa. VIEIRA, Sofia Lerche. Refletindo sobre a função social da escola. In: Gestão da Escola: Desafios a Enfrentar. Org. VIEIRA, Sofia Lerche. Rio de Janeiro. DP&A, 2002. PERRENOUD, P. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre. Artmed, 2000. _____________. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre. Artmed, 1999. ___________. Os ciclos de Aprendizagem: um caminho para combater o fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004. ____________. Práticas Pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa. Publicações. D. Quixote, 1993 ____________. Formando professores profissionais: Quais estratégias Quais competências? Porto Alegre: Artes Médicas, 2001. PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ILHÉUS –2001. QUADROS, Ronice Muller. Ideias para Ensinar Português para Alunos Surdos. Porto Alegre: Gráfica Palloti-MEC, 2006. SOUSA, José Vieira. Corrêa Juliane. Projeto Pedagógico: a autonomia no cotidiano escolar. In: Gestão da Escola: Desafios a Enfrentar. Org. VIEIRA, Sofia Lerche. Rio de Janeiro. DP&A, 2002. STAINBACK, S; STAINBACK, W. Inclusão: Um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. THERRIEN, J.; DAMASCENO, M. N. (org.). Educação e escola no campo. Campinas: Papirus, 1993. VEIGA, J. E. da. Cidades Imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. 2. Ed. Campinas/SP: Autores Associados, 2003.