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EDUCAÇÃO ESPECIAL Betania J. Stange Lopes Keyla Ferrari Lopes 1ª Edição, 2021 EAD Reitor e Diretor Campus Engenheiro Coelho: Martin Kuhn Vice-reitor para a Educação Básica e Diretor Campus Hortolândia: Douglas Jefferson Menslin Vice-reitor para a Educação Superior e Diretor Campus São Paulo: Afonso Cardoso Ligório Vice-reitor administrativo: Telson Bombassaro Vargas Pró-reitor de graduação: Afonso Cardoso Ligório Pró-reitor de pesquisa e desenvolvimento institucional: Allan Macedo de Novaes Pró-reitor de educação à distância: Fabiano Leichsenring Silva Pró-reitor de desenvolvimento espiritual e comunitário: Henrique Melo Gonçalves Pró-reitor de Desenvolvimento Estudantil: Carlos Alberto Ferri Pró-reitor de Gestão Integrada: Claudio Knoener Educação Adventista a Distância Conselho editorial e artístico: Dr. Adolfo Suárez; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Allan Novaes; Me. Diogo Cavalcanti; Dr. Douglas Menslin; Pr. Eber Liesse; Me. Edilson Valiante; Dr. Fabiano Leichsenring, Dr. Fabio Alfieri; Pr. Gilberto Damasceno; Dra. Gildene Silva; Pr. Henrique Gonçalves; Pr. José Prudêncio Júnior; Pr. Luis Strumiello; Dr. Martin Kuhn; Dr. Reinaldo Siqueira; Dr. Rodrigo Follis; Esp. Telson Vargas Editor-chefe: Rodrigo Follis Gerente administrativo: Bruno Sales Ferreira Editor associado: Werter Gouveia Responsável editorial pelo EaD: Luiza Simões Editora Universitária Adventista Presidente Divisão Sul-Americana: Stanley Arco Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos Presidente Mantenedora Unasp (IAE): Maurício Lima 1ª Edição, 2021 EDUCAÇÃO ESPECIAL Editora Universitária Adventista Engenheiro Coelho, SP Betania Jacob Stange Lopes Doutorado em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos Keyla Ferrari Lopes Doutorado em Psicologia pela Universidad de Flores - Argentina Campagnoni, Mariana / dos Santos, Diego Henrique Moreira Formação da identidade profissional do contador [livro eletrônico] / Mariana Campagnoni. -- 1. ed. -- Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2020. 1 Mb ; PDF ISBN 978-85-8463-172-8 1. Carreira profissional 2. Contabilidade 3. Contabilidade como profissão 4. Contabilidade como profissão - Leis e legislação 5. Formação profissional 6. Negócios I. Título. 20-33026 CDD-370.113 Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP) (Ficha catalográfica elaborada por Hermenérico Siqueira de Morais Netto – CRB 7370) Educação especial 1ª edição – 2021 e-book (pdf) OP 00123_122 Coordenação editorial: Luciana Lima Preparador: Louise Maiana Reis de Queiroz Projeto gráfico: Ana Paula Pirani Diagramação: William Nunes Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900 Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172 www.unaspress.com.br Editora Universitária Adventista Validação editorial científica ad hoc: Kelly Cristine Zaneti dos Santos Mestre Profissional em Educação pelo Unasp -EC Editora associada: Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo em breves citações, com indicação da fonte. SUMÁRIO EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O ALUNO PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: CONTEXTOS HISTÓRICOS E POLÍTICOS ................... 11 Introdução ........................................................................................12 Educação inclusiva: da antiguidade à sociedade contemporânea ...........................................................14 Fases evolutivas do processo de inclusão ...............................14 Aspectos legais da educação inclusiva na realidade brasileira ......................................................26 Caracterização do aluno Público-alvo da Educação Especial .................................................43 Atendimento inclusivo no espaço escolar .......................................47 Barreiras no contexto escolar ..................................................51 Considerações finais.........................................................................60 Referências .......................................................................................64 PRÁTICAS E AVALIAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR INCLUSIVO ............................ 71 Introdução ........................................................................................72 Práticas inclusivas em sala de aula ..................................................73 Planejamento curricular ..................................................................78 Professores da educação especial e da educação regular ............................................................81 O planejamento do professor para todos os alunos: ..............................................................86 Comportamento adaptativo/avaliação do comportamento adaptativo .......................................................88 Pais de alunos com deficiência e a parceria entre escola e família ......................................................98 Considerações finais........................................................................113 Referências ......................................................................................116 VO CÊ ES TÁ A QU I TÓPICOS SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO ESPECIAL .......... 123 Introdução .......................................................................................124 Alfabetização e práticas pedagógicas para deficiência intelectual ............................................................125 Ensino-aprendizagem na deficiência intelectual: conceitos gerais ..................................................129 Ensino-aprendizagem na deficiência intelectual: o método fônico ..................................................135 Caracterização e educação da criança com superdotação e altas habilidades ...........................................138 Características identificadas em educandos que apresentam superdotação/altas habilidades ................145 Atendimento Educacional Especializado (AEE) .....................151 Educação especial e inclusão nas deficiências sensoriais .............158 Conceituando a surdez ...........................................................158 Educação para surdos ............................................................161 Dicas de como abordar o educando surdo na escola e em outros contextos .................................165 O processo de ensino-aprendizagem do educando com deficiência visual ..........................................168 Considerações finais........................................................................181 Referências ......................................................................................186 VO CÊ ES TÁ A QU I EMENTA Público alvo da educação especial e de estratégias de ensino na educação inclusiva. - Refletir e analisar os novos paradigmas educacionais, em uma visão crítica e transformadora; - Incentivar a produção de trabalhos científicos na área da inclusão, desenvolvendo o conceito e o espírito de pesquisa; - Atuar em sala de aula, avaliando, intervindo e mediando a prática pedagógica com crianças e adolescentes em uma perspectiva inclusiva e educativa. TÓPICOS SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO ESPECIAL UNIDADE 3 OB JE TI VO S 124 EDUCAÇÃO ESPECIAL INTRODUÇÃO Olá! Tudo bem com você? Seja bem-vinda(o) ao nosso estudo de tópicos sobre ensino e aprendizagem em educação especial. Esse é um tema que tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões acadêmicas e políticas. Estar atualizado em relação às ações e estratégias dessa área de atuação profissional é imprescindível para qualquer educador que se preze. Como você sabe, a reflexão e o aprendizado devem ocorrer de forma contínua entre profissionais tanto da educação especial quanto da educação regular. Contudo, para a concretização de uma prática pedagógica inclusiva, a capacitaçãopara a direita, podendo usar uma ou até mesmo as duas mãos 178 EDUCAÇÃO ESPECIAL simultaneamente. O alfabeto em si é definido a partir de uma matriz de duas colunas e três linhas, o que se convencionou chamar “cela braile”. Figura 2 — O alfabeto braile Fonte: Shutterstock Segundo Maruch e Steinle (2016) a alfabetização e o letramento não são processos independentes, mas indissociáveis. A alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e escrita, isto é, através de atividades 179 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl de letramento e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações som- grafia, isto é, em dependência da alfabetização. Portanto, não se trata da escola escolher ou optar entre estes dois processos. Assim, é importante ficar claro para os alfabetizadores que os dois processos não podem estar separados, têm que acontecer ao mesmo tempo (MARUCH; STEINLE, 2016, p. 15). A criança precisa compreender que um texto cumpre a sua função quando consegue aproximar a intenção de dizer com o que de fato se diz/escreve e a interpretação/ compreensão de que ouve/lê. Qualquer criança, ao chegar à escola, faz uso da linguagem oral e se expressa com razoável tranquilidade. Cabe ao professor responsável pela alfabetização da criança cega proporcionar um “ambiente alfabetizador”, não visual pelas razões óbvias, mas da mesma maneira que numa classe de ensino comum. Segundo Sá, Campos e Silva (2007) a falta da visão desperta interesse, ansiedade, dúvidas e pode provocar impacto dentro do ambiente escolar. Esse cenário é muitas vezes abordado de forma pouco natural, pois os professores não sabem como proceder em relação aos alunos cegos. Eles manifestam dificuldade de aproximação e de comunicação, com dúvidas sobre o que fazer e como fazer. Nesse caso, torna-se necessário, 180 EDUCAÇÃO ESPECIAL dissipar os medos do desconhecido e refletir sobre a situação de inclusão e aprendizagem. Nesse exercício constante de repensar a prática, a comunidade escolar e os educadores poderão assimilar novos conceitos, modificar atitudes e posturas. Os profissionais da educação devem estabelecer um relacionamento aberto e cordial com a família dos alunos para conhecer melhor suas necessidades, hábitos e comportamentos, abordar naturalmente a condição da cegueira e responder perguntas dos colegas na sala de aula, quando houver. É importante orientar os educandos a adquirir uma postura acolhedora, criando o hábito de realizar descrições verbais das informações visuais não- audíveis e evitar a comunicação gestual na interação com os colegas cegos ou com baixa visão. Uma criança cega tem iguais condições de pensamento em relação a uma criança que possui visão normal. No entanto, por conta da característica que essa condição de cegueira ou baixa visão impõe, seu processo de aprendizado de leitura e escrita ocorre de maneira mais complexa, uma vez que o contato com o universo das palavras ocorre mais tarde e de forma diferenciada. Por isso, é importante que a criança com deficiência visual seja bem estimulada. 181 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl A mediação do professor junto ao educando e à família dele é de extrema necessidade, uma vez que o estudante possui vivências diferentes no contexto escolar e no ambiente doméstico. Além disso, a inclusão dele aos outros alunos, mediante o auxílio do educador, faz com que a ambientação na sala se torne mais fácil e acolhedora. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, abordamos as principais ações pedagógicas voltadas para o ensino e aprendizagem de pessoas com deficiência intelectual, superdotação/altas habilidades, surdez, cegueira e baixa visão. Sabemos que cada educando possui suas peculiaridades, provenientes de suas condições específicas, e que o educador deve sempre aperfeiçoar seus estudos para desenvolver as abordagens adequadas a cada situação. O educador precisa compreender a condição de seus alunos, adaptando materiais e utilizando estratégias pedagógicas lúdicas e materiais concretos. Ele precisa adaptar os currículos e realizar avaliações constantes, considerando a resposta de cada educando e suas diferentes expressões. 182 EDUCAÇÃO ESPECIAL A superdotação/altas habilidades requer do educador um olhar diferenciado. É preciso sensibilidade ao avaliar possibilidades de enriquecimento de conteúdo e parcerias com organizações que possam dar ênfase ao talento apresentado. Já a falta da audição requer que educadores dominem a língua brasileira de sinais e conheçam estratégias visuais de ensino da língua portuguesa, além de considerar e conhecer a cultura surda e as diferentes identidades surdas de seus educandos. Por fim, a deficiência visual requer do educador a mediação para um ambiente rico em estímulos e recursos sensoriais adequados. Conhecer o sistema Braille e ferramentas ligadas a essa linguagem contribuirão para o enriquecimento das aulas e da experiência dos estudantes que possuem baixa visão ou que são cegos. Desse modo, percebemos que a inclusão é o processo que desafia os educadores a “aprenderem a aprender” todos os dias. Como mediadores do processo de ensino- aprendizagem, professores e professoras devem estar dispostos, todos os dias, a se colocar no lugar de seus educandos e proporcionar a eles experiências que internalizem os conteúdos programados. Mais do que uma técnica profissional, esse é um exercício de humanidade. 183 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl RESUMO Nesta unidade aprendemos que: • A conceituação de deficiência intelectual (D.I.) ainda é debatida no meio acadêmico e não há consenso pleno sobre o assunto. • A American Association on Mental Retardation divide a D.I. em cinco dimensões: habilidades intelectuais; comportamento adaptativo; participação, interações e papéis sociais; saúde; e contexto. • As necessidades e capacidades de pessoas com D.I. podem ser divididas em quatro áreas: motora, comunicação, cognitiva, socieducacional. • As ações pedagógicas do educador devem ser realizadas por meio de um processo de ensino diferenciado que oportunize a participação e melhoria de desempenho dos educandos. • Ao atender alunos com D.I., a abertura de currículo deve levar em conta três tipos de aspectos: relacionais, materiais e de organização. 184 EDUCAÇÃO ESPECIAL • O educador deve e valorizar as habilidades para o aprendizado de seus educandos que possuem necessidades especificas. • Os cinco níveis de experiência do processo de aprendizagem são: sensação, percepção, formação de imagem, simbolização, conceituação. • O educador deve conhecer as estratégias pedagógicas diferenciadas para atuar corretamente no ensino aprendizagem de educandos com deficiência intelectual, superdotação/altas habilidades e deficiências sensoriais. • O método fônico é um dos métodos mais eficientes de alfabetização e letramento de crianças com D.I. • Princípio Alfabético: é o entendimento de que há uma relação entre a presença e a posição de uma letra e o som que ela tem na palavra ou a posição que a letra ocupa na palavra. • As políticas educacionais e de inclusão, propõem medidas que garantem o direito de participação e desenvolvimento de alunos com Superdotação/ Altas Habilidades na rede regular de ensino. 185 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • Os estudos estatísticos indicam que de 3% a 5% da população apresentam potencial acima da média, em diferentes contextos sociais. • Especialistas recomendam, para o aluno superdotado, a permanência no ensino comum, com apoio especializado. • Aceleração, enriquecimento e suplementação são estratégias pedagógicas para alunos superdotados. • O termo “surdo” designa a pessoa que tem surdez profunda. • “Deficiente auditivo” é aquele emquem a surdez é leve ou moderada, havendo um resíduo auditivo. • O termo Surdo-mudo é erroneamente utilizado em literaturas antigas. • O estudante com surdez, no entanto, precisa do auxílio de um intérprete para conseguir compreender o conteúdo transmitido pelo professor. • As comunidades surdas reivindicam a implantação de escolas bilíngues por todo o país, em respeito aos direitos dos educandos surdos. 186 EDUCAÇÃO ESPECIAL • Deve-se mensurar a aprendizagem a partir da língua utilizada pelo educando independente deste ser surdo ou ouvinte. • A mediação do professor junto ao educando e à família dele é de extrema necessidade, uma vez que o estudante possui vivências diferentes no contexto escolar e no ambiente doméstico. 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Sabendo que cada aluna(o) é única(o), existem parâmetros e técnicas especificamente voltadas às diferentes condições que os educandos público-alvo da educação especial apresentam. Esta unidade se dedica a aprofundar conceitos e estratégias destinados ao ensino e à aprendizagem desses educandos. Ao final dela, esperamos que você: • Conheça práticas pedagógicas e estratégias de alfabetização voltadas para estudantes com deficiência intelectual; 125 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • Familiarize-se com práticas pedagógicas, como suplementação, aceleração e atendimento educacional especializado (AEE), voltadas a alunos com superdotação e altas habilidades; • Desenvolva ações e estratégias de ensino e comunicação voltadas a alunos com deficiência auditiva e visual. Bom estudo! ALFABETIZAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGI- CAS PARA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL A deficiência intelectual (D.I.) é uma condição que envolve grande complexidade e requer reflexões cuidadosas. Há muita discussão a respeito de sua definição e identificação. Para alguns especialistas, o diagnóstico dela é realizado através da compreensão de quatro fatores etiológicos — a saber, biomédicos, comportamentais, sociais e educacionais (CARVALHO; MACIEL, 2003). Já a American Association on Mental Retardation, segundo Carvalho e Maciel (2003), conceitua a D.I. por meio de cinco 126 EDUCAÇÃO ESPECIAL dimensões. Estas são ligadas à pessoa, ao seu funcionamento individual no ambiente físico e social, ao contexto e aos sistemas de apoio. As dimensões são caracterizadas como: Dimensão I: habilidades intelectuais – A dimensão intelectual passa a constituir apenas um dos indicadores de déficit intelectual, considerando em relação às outras dimensões. Não é o suficiente para o diagnóstico da deficiência. […] Dimensão II: comportamento adaptativo – O comportamento adaptativo relaciona-se a aspectos acadêmicos, conceituais e de comunicação, necessários à competência social e ao exercício da autonomia, e pode ser entendido como um “conjunto de habilidades conceituais, sociais e práticas adquiridas pela pessoa para corresponder às demandas da vida cotidiana.” Limitações nessas habilidades podem prejudicar a pessoa nas relações com o ambiente e dificultar o convívio no dia a dia. Indica-se a avaliação objetiva do comportamento adaptativo por meio da utilização de instrumentos objetivos de mensuração. […] Dimensão III: participação, interações e papéis sociais – Essa dimensão ressalta a importância na vida comunitária. Refere-se às interações sociais e aos papéis vivenciados pela pessoa, bem como à sua participação na comunidade. Dimensão IV: saúde – A avaliação diagnóstica de retardo mental deve contemplar elementos mais amplos, de modo a incluir fatores etiológicos e de saúde física e mental. A definição e o acompanhamento dos quadros patológicos e das síndromes são fundamentais na definição do diagnóstico e dos apoios 127 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl necessários, realizados por profissionais especializados na área da saúde. Dimensão V: contexto – A avaliação do contexto refere-se a uma perspectiva ecológica do desenvolvimento – que remete à abordagem ecológica do desenvolvimento, de Bronfenbrenner —, a qual privilegia os aspectos saudáveis do desenvolvimento, que devem ser estudados em ambientes naturais. A análise deve estender-se ao maior número possível de ambientes dos quais o indivíduo participa e às relações que ele mantém. As condições em que a pessoa vive, as quais estão relacionadas com qualidade de vida, devem compor esta dimensão do diagnóstico. São as práticas e os valores culturais que devem ser considerados, bem como as oportunidades educacionais, de trabalho e lazer, as condições contextuais de desenvolvimento e às condições ambientais relacionadas ao seu bem-estar, à saúde, à segurança pessoal, ao conforto material, ao estímulo ao desenvolvimento e às condições de estabilidade no momento presente (TÉDDE, 2012, p. 26-27, destaque nosso). Tédde (2012) explica que, para confirmar o diagnóstico da D.I., é necessário haver lacunas tanto na dimensão cognitiva do indivíduo quanto da dimensão adaptativa. Se existirem limitações em apenas uma das dimensões, o quadro não é considerado D.I. A grande dificuldade de conceituar essa deficiência trouxe consequências indeléveis na maneira de lidarmos com ela e com quem a possui. O medo da diferença e do desconhecido é responsável, em grande parte, pela 128 EDUCAÇÃO ESPECIAL discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência, mas principalmente por aquelas com deficiência mental (SEESP/ SEED/ MEC, 2007, p.15 apud TÉDDE, 2012, p. 28). Para as autoras Honora & Frizanco (2008 apud TÉDDE, 2012), estudantes com deficiência intelectual manifestam variados tipos de capacidades e necessidades. Normalmente, essas diferenças se apresentam em quatro áreas: 1. Área motora: algumas crianças com deficiência intelectual leve não apresentam diferenças significativas em relação às crianças consideradas “normais”, porém podem apresentar alterações na motricidade fina. Nos casos mais severos, pode- se perceber incapacidades motoras mais acentuadas, tais como dificuldades de coordenação e manipulação. Podem também começar a andar mais tardiamente. 2. Área cognitiva: alguns alunos com deficiência intelectual podem apresentar dificuldades na aprendizagem de conceitos abstratos, em focar a atenção, na capacidade de memorização e resolução de problemas, na generalização. Podem atingir os mesmos objetivos escolares que alunos considerados “normais”, porém, em alguns casos, com um ritmo mais lento. 3. Área da comunicação: em alguns alunos com deficiência intelectual, é encontrada dificuldade de comunicação, acarretando uma maior dificuldade em suas relações. 4. Área socioeducacional: em alguns casos de deficiência intelectual, ocorre uma discrepância entre a idade mental e a idade cronológica, 129 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl porém temos de ter claro que a melhor forma de promover a interação social é colocando os alunos em contato com seus pares da mesma idade cronológica, para participar das mesmas atividades, aprendendo os comportamentos, valores e atitudes apropriados da sua faixa etária. O fato de o aluno ser inserido numa turma que tenha sua “idade mental”, ao invés de contribuir para seu desenvolvimento, irá infantilizá-lo, o que dificulta seu desenvolvimento psíquico-social (TÉDDE, 2012, p. 28-29, destaque nosso). Neste sentido, Tédde (2012) ressalta que cada criança é uma criatura singular. As(os) estudantes com D.I. merecem um olhar individualizado e que considere suas limitações, suas necessidades, personalidade e potenciais. O foco deve estar naquilo que conseguem realizar com autonomia, observando as habilidades e comportamentos que necessitam ser melhorados e adquiridos. Pessoas com deficiência intelectual necessitam de apoio pedagógico, de atenção especializada, de adequações curriculares e de ter suas capacidades valorizadas, respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem (TÉDDE, 2012). ENSINO-APRENDIZAGEM NA DEFICIÊNCIA INTE- LECTUAL: CONCEITOS GERAIS De acordo com Claudia Mara da Silva (2016) no artigo “Alfabetização e deficiência intelectual: uma estratégia 130 EDUCAÇÃO ESPECIAL diferenciada”, um ponto extremamente importante a se destacar quando se fala na criança com D.I. é que esta pode possuir déficit tanto na comunicação e na linguagem quanto no esquema corporal e na função executiva. Por essas razões, esses indivíduos estão mais suscetíveis a apresentar dificuldades no planejamento e execução de ações, necessitando de mais tempo para aprendizagem, mais repetição e mais estímulo. A síndrome de Down, exemplifica a autora, inclui deficiência intelectual. Pessoas com asíndrome apresentam hipotonia e podem ainda ter outros comprometimentos, que variam de acordo com o indivíduo (SILVA, 2016, p. 6). Fatores como família, estimulação e ambiente influenciam, de maneira que seus desenvolvimentos e progressos individuais podem ter caminhos e ritmos diferentes. Esses transtornos de desenvolvimento da pessoa com D.I. “têm sua origem de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica” (SILVA, 2016, p. 6). A autora ainda esclarece que a dificuldade de aprendizado não está necessariamente ligada ao QI, pois indivíduos com problemas emocionais também manifestam dificuldade no aprendizado. 131 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Ela comenta que as ações pedagógicas, nesse contexto, devem ser realizadas por meio de um processo de ensino diferenciado. A ideia é priorizar a participação e melhoria de desempenho dos educandos, valorizando as habilidades para o aprendizado. Para respaldar as questões relacionadas à aprendizagem na D.I., o artigo de Silva (2016) recorreu aos estudos de Vygotsky, que abordaram o trabalho pedagógico. O acadêmico defendia a necessidade de mediação com o meio para que houvesse aprendizado. Sendo que, para ele, “as singularidades de desenvolvimento do deficiente intelectual é que eram interessantes e não suas limitações ensimesmadas” (SILVA, 2016, p. 6). O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal elaborado por Vygotsky amplia a aprendizagem por meio de intervenções que alterem as funções psicológicas superiores. Essa zona proximal é definida pelo autor como a distância entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial (SILVA, 2016, p. 7). IMPORTANTE Desenvolvimento real é o desenvolvimento mental integral da criança, aquilo que consegue fazer sozinha. Desenvolvimento proximal é o limiar do processo cognitivo possível da criança, o que ela consegue fazer com ajuda dos outros. 132 EDUCAÇÃO ESPECIAL Para Silva (2016), a contribuição mais importante de Vygotsky é o reconhecimento de que as limitações do aluno com deficiência intelectual têm origem em suas respostas sociais. A consequência disso é o reconhecimento da necessidade de ações mais estratégicas quando o assunto é a alfabetização de crianças com D.I. ou dificuldade de aprendizagem. A educadora relata que, para Manjon (1997 apud SILVA, 2016), a flexibilização e abertura do currículo deve levar em conta a três elementos que contribuem para um completo atendimento das necessidades educativas em uma perspectiva de equidade. São eles: Aspectos relacionais que envolvem os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem (professores, outros educadores, alunos); aspectos materiais e organizativos, que referem aos espaços, móveis e materiais didáticos; e aspectos de organização de tempo escolar, analisando do currículo, a metodologia, o conteúdo programático e o processo avaliativo (SILVA, 2016, p. 7). O processo de aprendizagem pode ser organizado em cinco níveis de experiência. A Figura 1 detalha isso a seguir: 133 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Figura 1 — Os cinco níveis de experiência do processo de aprendizagem Conceituação Simbolização Formação de imagem Percepção Sensação Fonte: adaptado de Silva (2016) Como a autora enfatiza, o professor é o mediador e o condutor da aprendizagem. Portanto, precisa ter esses nível claros em sua mente. Ela explica: Na hierarquia da aprendizagem uma aprendizagem está vinculada à anterior, ou seja, sem a experiência da percepção não se chega à formação de imagem, o professor que trabalha com alunos DI precisa adequar sua prática ao nível em que seu aluno se encontra. Alunos que não fazem imagem mental não se alfabetizam, pois a formação de imagem refere-se à sensação ou, informação já recebidas e percebidas, está relacionada aos processos de memória. O conhecimento 134 EDUCAÇÃO ESPECIAL do sujeito em seu processo evolutivo de aprendizagem, a observação de aspectos individuais, cognitivos ou afetivos emocionais é primordial para que o aluno DI possa pensar e compreender e, assim, aprender (SILVA, 2016, p. 8). A educação é uma prática social. Silva (2016) comenta que que as comunicações mediadas por fala ou do uso de códigos de escritas são ferramenta úteis para “aprimorar as relações dos sujeitos com o meio e entre eles mesmos” (SILVA, 2016, p. 9). No âmbito da escrita e da leitura a palavras da vez é “letramento”, que, segundo especialistas, é mais do que simplesmente alfabetizar. Letrar é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno, então se uma aluna DI alfabetizada aos 18 anos deixa um bilhete para a mãe escrito desta forma: “A XAVE TA NA VIZINHA”, dessa forma a aluna conseguiu dar um sentido para a escrita e, embora com erros ortográficos, se fez compreender: Tal análise nos faz refletir sobre níveis de letramento, considerando o bilhete, podemos afirmar que o nível de letramento da aluna é baixo, porém supriu sua necessidade de escrita (SILVA, 2016, p. 9). Isso significa que alunos com D.I. não alcançam altos níveis de letramento? Segundo Silva (2016), sim. Na opinião dela, essas pessoas não conseguirão se tornar hábeis para interagir com fontes 135 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl de elaboradas de informação ou resolver problemas complexos. No entanto, serão capazes de adquirir habilidades que superem suas necessidades de leitura e escrita cotidianas, viabilizando independência e interação deles na sociedade letrada. Ainda recorrendo a Vygotsky, Silva (2016) salienta que professor mediador deve construir situações estratégicas para atender às necessidades especializadas dos seus alunos. A mediação do professor, segundo a autora, é que vai trazer bons resultados. Tendo isso em conta, “o professor deverá ser capaz de criar situações de aprendizagem num contexto educativo, o que requer uma prática consciente e reflexiva em interação com a teoria” (SILVA, 2016, p. 9). O primeiro passo, de acordo com Silva (2016) é despertar nos alunos com D.I. o desejo de aprender a ler e a escrever — condição básica para que o aprendizado aconteça. ENSINO-APRENDIZAGEM NA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: O MÉTODO FÔNICO O método fônico é um dos métodos mais eficientes de alfabetização e letramento de crianças com D.I. Ele “consiste no aprendizado através da associação entre fonemas e grafemas, ou seja, sons e letras” (SILVA, 2016, p. 10). 136 EDUCAÇÃO ESPECIAL Segundo Ribeiro (2017), o método fônico nasceu da crítica ao método alfabético. Ele foca na relação entre palavras e sons e permite, em primeiro lugar, descobrir o princípio alfabético. Para escrever a palavra sapo, por exemplo, cada letra ocupa um espaço, as letras precisam ser escritas nos devidos espaços para formar a palavra. Dependendo da posição, a letra muda de som (SILVA, 2016, p. 10). Pode se dizer que o método fônico também é conhecido como método das boquinhas. De acordo com Ribeiro (2017), o maior benefício desse método para a criança com síndrome de Down, por exemplo, é saber sobre a pronúncia de cada letra, mesmo que ainda não tenha o conhecimento do processo da leitura e da escrita. Silva (2016) comenta que, de acordo com as pesquisas internacionais, o método fônico é o mais eficaz para a alfabetização. MÉTODO ALFABÉTICO É o entendimento de que há uma relação entre a presença e a posição de uma letra e o som que ela tem na palavra ou a po- sição que a letra ocupa na pala- vra (sIlVA, 2016, p. 10). 137 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Estudantes expostos ao método fônico, de acordo com a autora, ativam mais as regiões do cérebro associadas à escrita e à coordenação motora quando comparadas com crianças que aprendem com os outros métodos. Capovilla(2010 apud FREITAS, 2011, p. 13) afirma que o método fônico é inteligente, lúdico e nada mecânico. As crianças acabam sendo bem alfabetizadas em quatro ou seis meses, quando passam a ler textos cada vez mais complexos e variados. Ele é tão eficaz em produzir compreensão e produção de textos porque, de modo sistemático e lúdico, fortalece o raciocínio e a inteligência verbal. Nesse sentido, sabemos que, além do processo mediador do professor no ensino-aprendizagem da criança com deficiência intelectual, há recursos e métodos disponíveis que podem ser utilizados, repensados e avaliados cotidianamente, de acordo com a necessidade de cada aluno com deficiência. A prática pedagógica pautada por situações concretas e lúdicas traz benefícios, satisfação, motivação e alegria às crianças, promovendo o desenvolvimento afetivo, cognitivo, social, psicomotor e linguístico do educando. A utilização de materiais concretos e lúdicos no processo ensino aprendizagem deve ter o objetivo de desenvolver: o 138 EDUCAÇÃO ESPECIAL raciocínio, a compreensão de conceitos sobre as disciplinas, e a linguagem. Isso porque, ao lançar mão de brincadeiras, jogos e materiais adequados, os objetivos propostos podem ser atingidos com maior facilidade. CARACTERIZAÇÃO E EDUCAÇÃO DA CRIANÇA COM SUPERDOTAÇÃO E ALTAS HABILIDADES Quando o assunto são pessoas com superdotação e altas habilidades, uma das maiores dificuldades é a compreensão e o uso adequado da nomenclatura, já que existe uma variedade de terminologias utilizadas — em sua maioria, de forma inadequada. Santos e Peripolli (2011 apud MEDEIROS et al., 2017) ratificam essa ideia ao explicitar que a expressão “superdotação” gera confusão de conceitos devido à comparação com crianças precoces, prodígios e aos gênios. Vamos ver um pouco de como está a discussão a respeito da nomenclatura. De acordo com as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001), as altas habilidades/superdotação caracterizam estudantes que 139 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl apresentem grande facilidade de aprendizagem, dominando rapidamente os conteúdos. Esse conceito é adotado por programas brasileiros que trabalhem com educandos considerados superdotados e talentosos (ALTAS, 2012). Nessa perspectiva, essas(es) estudantes são aqueles que apresentam desempenho acima da média e potencial elevado em elementos isolados ou combinados, tais como “capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para as artes e capacidade psicomotora” (SEESP, 2006 apud ALTAS, 2012). Para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2012, p.15), os termos superdotação ou superdotado dizem respeito a quem “demonstra desempenho superior ao de seus pares em uma ou mais das seguintes áreas: habilidade acadêmica, motora, artística, criatividade ou liderança”. O mesmo documento define altas habilidades como capacidade acima da média em um ou mais dos seguintes domínios: intelectual, acadêmico, liderança, psicomotricidade e artes — “além de grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse”. Vale ressaltar que as características desses indivíduos são variadas, pois cada um apresenta perfil diferenciado, como: no pensar, aprender, agir e no desenvolvimento de seu potencial (O QUE, [2018?]). 140 EDUCAÇÃO ESPECIAL Os termos “pessoa com altas habilidades” e “superdotado” são mais usados para definir crianças ou adolescentes que demonstram sinais ou indicação de habilidade superior em alguma área do conhecimento, ao ser comparado a seus pares de mesma faixa etária. Neste sentido alguns estudiosos desta área preferem o uso de termos com mais possibilidades de escolhas como “talento” ou “altas habilidades” (O QUE, [2018?]). Para outros autores, os termos “superdotado” e “talentoso” designam crianças e jovens que possuem habilidades potenciais e alta capacidade de desempenho em diversas frentes. Assim como já mencionado por outros estudiosos, essas áreas de destaque envolvem o desempenho intelectual, criativo, acadêmico, liderança e artes. Por essa razão, precisam de serviços ou atividades que não são oferecidas normalmente pelas escolas (ALTAS, 2012). Para Virgolim (2007 apud LEITE et al., 2013) faz-se necessário diferenciar os termos, uma vez que o conceito de precoce se refere à criança que apresenta alguma habilidade desenvolvida prematuramente em qualquer área do conhecimento. Já o termo prodígio se refere a crianças que executam tarefas em nível profissional, podendo ser comparadas a um adulto, enquanto genialidade deve ser atribuída a pessoas que fizeram grandes contribuições para o seu tempo, como 141 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Gandhi, Einstein e Jobs, que levaram a sociedade a grandes revoluções. Para este autor a altas habilidade/superdotação é influenciada por fatores genéticos e internos do indivíduo como autoestima elevada, coragem, determinação, alta motivação) e por fatores ambientais como oportunidades variadas, personalidade e nível educacional dos pais, estimulação dos interesses infantis, entre outros (LEITE et al., 2013). As políticas educacionais e de inclusão, propõem medidas que garantem o direito de participação e desenvolvimento de alunos com Superdotação/Altas Habilidades na rede regular de ensino. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI), esse grupo de estudantes demonstram: Potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (BRASIL, 2008, p. 15). De acordo com o artigo 5º das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001, p. 2), são público-alvo da Educação Especial os que alunos 142 EDUCAÇÃO ESPECIAL que apresentarem “altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. Sobre o processo de aprendizado e escolarização destes educandos, alguns pesquisadores abordaram o tema em profundidade. Abaixo, destacaremos alguns dos principais estudos e teorias, de acordo com o levantamento de Medeiros et al. (2017). A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Gardner, defende que pessoas normais são capazes de resolver problemas em até oito diferentes áreas intelectuais: linguística, lógico-matemática, cinestésica, musical, espacial, interpessoal, intrapessoal e naturalista. O superdotado, nas perspectiva dessa teoria, tem precocidade em uma ou mais áreas intelectuais. No Modelo Diferenciado de Superdotação e Talento, de Gagné, a superdotação é uma herança genética, e o indivíduo superdotado desenvolve suas habilidades de forma espontânea. No entanto, “o talento se distingue por ser o resultado da combinação de habilidades naturais e os contextos sociais em que o indivíduo se encontra, como os ambientes familiar e escolar” (MEDEIROS et al., 2017). Gagné elenca as seguintes as áreas de domínio superior: intelectual, criativa, socioafetiva, sensório-motora e percepção extrassensorial. 143 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl De acordo com Souza, Costa e Souza (2017), um conceito atualmente mais aceito por autores e educadores sobre superdotação é o de Renzulli: o Modelo dos Três Anéis. Segundo esse autor, o comportamento superdotado consiste na interação entre os três grupamentos básicos dos traços humanos: habilidades gerais e/ou específicas acima da média, elevados níveis de comprometimento com a tarefa e elevados níveis de criatividade. Habilidade acima da média: referem-se aos comportamentos observados, relatadosou demonstrados que confirmariam a expressão de traços consistentemente superiores em qualquer campo do saber ou do fazer. Assim, tais traços apareceriam com frequência e duração no repertório de uma pessoa, de tal forma que seriam percebidos em repetidas situações e mantidos ao longo de períodos de tempo. Criatividade: são os comportamentos visíveis por intermédio da demonstração de traços criativos no fazer e no pensar, expressos em diferentes linguagens, tais como: falada, gestual, plástica, teatral, matemática, musical, filosóficas ou outras. Envolvimento com a tarefa: relacionam-se aos comportamentos observáveis por meio de expressivo nível de interesse, motivação e empenho pessoal nas tarefas que realiza (SOUZA; COSTA; SOUZA, 2017, p. 29, destaque nosso). Um dos pontos que Renzulli destaca em seus estudos é o motivacional. De acordo com o autor, esse fator inclui traços 144 EDUCAÇÃO ESPECIAL de personalidade como perseverança, dedicação, esforço, autoconfiança e crenças em suas próprias habilidade de conseguir realizar trabalhos importantes (SOUZA; COSTA; SOUZA, 2017). Os estudos estatísticos, de acordo com Guenther (2006 apud SOUZA et al., 2015), indicam que de 3% a 5% da população apresentam potencial acima da média, em diferentes contextos sociais. No entanto, esses talentos, na maioria das vezes, são perdidos ou danificados em virtude da falta de reconhecimento e de ações pedagógicas voltadas para o atendimento de suas necessidades (SOUZA et al., 2015). De acordo com Ourofino e Guimarães (2007 apud SOUZA et al., 2015), a mais conhecida lista de características dos alunos com superdotação e altas habilidades é a do Saberes e Práticas da Inclusão. Ela indica que os alunos com superdotação altas habilidades são aqueles que possuem: alto grau de curiosidade; boa memória; atenção concentrada; persistência; independência e autonomia; interesse por áreas e tópicos diversos; facilidade de aprendizagem; criatividade e imaginação; iniciativa; liderança; vocabulário avançado para a sua idade cronológica; riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de ideias); facilidade para interagir com 145 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl crianças mais velhas ou com adultos; habilidade para lidar com ideias abstratas; habilidade para perceber discrepâncias entre ideias e pontos de vista; interesse por livros e outras fontes de conhecimentos; alto nível de energia; preferências por situações/objetos novos; senso de humor; e originalidade para resolver problemas (SOUZA et al., 2015, p. 15). As autoras ressaltam que nem todos os indivíduos com superdotação/altas habilidades apresentam todas as características listadas. Elas variam de acordo com a área em que se encontra a habilidade. CARACTERÍSTICAS IDENTIFICADAS EM EDUCANDOS QUE APRESENTAM SUPERDOTAÇÃO/ALTAS HABILIDADES O Portal Educação (TRAÇOS, [S.d.], online) resume as características de estudantes superdotados e/ou com altas habilidades por meio da seguinte lista: • Grande curiosidade a respeito de objetos, situações ou eventos, com envolvimento em muitos tipos de atividades exploratórias; 146 EDUCAÇÃO ESPECIAL • Autoiniciativa tendência a começar sozinho as atividades, a perseguir interesses individuais e a procurar direção própria; • Originalidade de expressão oral e escrita, com produção constante de respostas diferentes e ideias não estereotipadas; • Talento incomum para expressão em artes, como música, dança, teatro, desenho e outras; • Habilidade para apresentar alternativas de soluções, com flexibilidade de pensamento; • Abertura para realidade, busca de se manter a par do que o cerca, sagacidade e capacidade de observação; • Capacidade de enriquecimento com situações- problema, de seleção de respostas, de busca de soluções para problemas difíceis ou complexos; • Capacidade para usar o conhecimento e as informações, na busca de novas associações, combinando elementos, ideias e experiências de forma peculiar; • Capacidade de julgamento e avaliação superiores, ponderação e busca de respostas lógicas, percepção de implicações e consequências, facilidade de decisão; • Produção de ideias e respostas variadas, gosto pelo aperfeiçoamento das soluções encontradas; 147 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • Gosto por correr risco em várias atividades; • Habilidade em ver relações entre fatos, informações ou conceitos aparentemente não relacionados; • Aprendizado rápido, fácil e eficiente, especialmente no campo de sua habilidade e interesse. Entre as características destes educandos, ainda podem existir (CARACTERÍSTICAS, [S.d.], online): • Necessidade de definição própria; • Capacidade de desenvolver interesses ou habilidades específicas; • Interesse no convívio com pessoas de nível intelectual similar; • Resolução rápida de dificuldades pessoais; • Aborrecimento fácil com a rotina; • Busca de originalidade e autenticidade; • Capacidade de redefinição e de extrapolação; 148 EDUCAÇÃO ESPECIAL • Espírito crítico, capacidade de análise e síntese; • Desejo pelo aperfeiçoamento pessoal, não aceitação de imperfeição no trabalho; • Rejeição de autoridade excessiva; • Fraco interesse por regulamentos e normas; • Senso de humor altamente desenvolvido; • Alta-exigência; • Persistência em satisfazer seus interesses e questões; • Sensibilidade às injustiças, tanto em nível pessoal como social; • Gosto pela investigação e pela proposição de muitas perguntas; • Comportamento irrequieto, perturbador, importuno; • Descuido na escrita, deficiência na ortografia; 149 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • Impaciência com detalhes e com aprendizagem que requer treinamento; • Descuido no completar ou entregar tarefas quando desinteressado. • Impaciência com detalhes e com aprendizagem que requer treinamento; • Pouco ou nenhum comprometimento em tarefas que não são de seu interesse. Lima (2008) comenta que há educandos que não se destacam nas habilidades acadêmicas, mas que mesmo assim são considerados superdotados. Para Banet e Munday (2005 apud LIMA, 2008, p. 21-22), muitos educandos com altas habilidades podem possuir rendimento abaixo do esperado e ainda demonstrar várias das características abaixo listadas: • Boa capacidade de fala, demonstrando rapidez de pensamento, habilidade para aprofundar as ideias de outras pessoas e aplicar o que aprendeu em situações diferentes; • Capacidade de argumentar e justificar seu ponto de vista com facilidade; 150 EDUCAÇÃO ESPECIAL • Trabalho escrito insatisfatório, tendência para deixar suas tarefas incompletas, desorganizadas e fazer o mínimo necessário para aprovação; • Demonstração de estarem entediadas, letárgicas, desinteressadas e ansiosas para terminar as aulas; • Demonstração de serem inquietas e desatentas; • Capacidade de manipular outras pessoas e situações; • Capacidade de elaborar questões inquiridoras e talvez provocativas e desafiadoras; • Mais facilidade de estabelecer relações com alunos mais velhos e com adultos do que com seus colegas de classe; • Necessidade de conhecer as razões para tarefas de sala de aula – e o porquê da relevância do que é proposto. • Desorganização, tanto em termos dos aspectos práticos dos equipamentos, como também em termos de gerenciamento de seu tempo; • Capacidade de se isolar em seu mundo particular, podendo, portanto, sentar e ficar sem fazer nada por longos períodos de tempo, tanto durante como fora do período de aulas; • Baixa popularidade junto aos seus colegas de grupo porque percebe as fraquezas das outras pessoas e apresenta desembaraço para falar abertamente sobre elas; 151 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • Demonstração de ser quieto ou reservado, não expondo suas habilidades devido ao medo de que seus colegas exerçamalgum tipo de pressão ou intimidação; • Facilidade para frustrar-se, especialmente quando percebe que há outros, na classe ou no grupo, que são lentos demais em termos intelectuais; pode haver uma tendência a ficar de mau humor ou ter alterações de humor. Há necessidade, portanto de observar que esses comportamentos “são dinâmicos, complexos, temporais e envolvem a interação entre as habilidades cognitivas, os traços de personalidade e o ambiente onde o indivíduo está inserido” (CHAGAS, 2007, p. 16 apud LYRA, 2013, p. 22). ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) Delpretto (2010 apud SOUZA et al., 2015) destaca a importância do trabalho colaborativo entre a educação regular e a educação especial, no intuito de auxiliar no ensino aprendizagem desses educandos. O autor ainda ressalta que o Projeto Político-Pedagógico da escola deve incluir “organização curricular, planejamento, avaliação e práticas educacionais que acolham, interpretem e valorizem as habilidades em diferentes áreas” (SOUZA et al., 2015, p. 23). 152 EDUCAÇÃO ESPECIAL Uma vez descoberta a capacidade elevada do aluno, provisões educacionais devem ser feitas para assegurar pleno desenvolvimento às capacidades e talentos do aluno. No cenário escolar existem estratégias organizacionais e orientadas para assegurar atenção às diferentes expressões de talentos e necessidades educacionais. Lima (2008) recomenda, para o aluno superdotado, a permanência no ensino comum, com apoio especializado. O aluno deve frequentar a sala de aula, onde receberá atendimento diferenciado mediante estratégias de enriquecimento curricular. No contraturno, ele deverá frequentar um serviço de apoio especializado que promova estratégias de enriquecimento curricular específicas, de acordo com a área de maior habilidade e interesse do aluno. Neste sentido, de acordo com a autora, faz-se necessário compreender que o atendimento especializado ao aluno com altas habilidades/superdotação foi elaborado de acordo com os princípios que regem documentos internacionais, por pertencerem à Educação Especial — como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e Declaração de Salamanca (1994) —, e nos documentos oficiais da educação brasileira — Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/90, Lei de Diretrizes e Bases da Educação 153 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Nacional – LDBEN Lei 9394/96, Diretrizes Nacionais para Educação Especial – Parecer 17/2001). No que tange a organização do trabalho pedagógico, o parecer 17/2001 determina a necessidade de serem oferecidas: atividades que favoreçam o aprofundamento e o enriquecimento de aspectos curriculares aos alunos que apresentam superdotação, de forma que sejam desenvolvidas suas potencialidades, permitindo ao aluno superdotado concluir em menor tempo a educação básica, nos termos do Artigo 24, V, “c”, da LDBEN (BRASIL, MEC/SEESP, 2001, p. 48-49 apud LIMA, 2008, p. 5). No caso do atendimento educacional aos superdotados, o parecer apresenta os investimentos pedagógicos para efetivação desse processo: a) Organizar os procedimentos de avaliação pedagógica e psicológica de alunos com características de superdotação; b) Prever a possibilidade de matrícula do aluno em série compatível com seu desempenho escolar, levando em conta, igualmente, sua maturidade sócio emocional [sic]; c) Cumprir a legislação no que se refere: 154 EDUCAÇÃO ESPECIAL • Ao atendimento suplementar para aprofundar e/ou enriquecer o currículo; • À aceleração/avanço, regulamentados pelos respectivos sistemas de ensino, permitindo, inclusive, a conclusão da Educação Básica em menor tempo; • Ao registro do procedimento adotado em ata da escola e no dossiê do aluno; d) Incluir, no histórico escolar, as especificações cabíveis; e) Incluir o atendimento educacional ao superdotado nos projetos pedagógicos e regimentos escolares, inclusive por meio de convênios com instituições de ensino superior e outros segmentos da comunidade. f) Recomenda-se às escolas de Educação Básica a constituição de parcerias com Instituições de Ensino Superior com vistas à identificação de alunos que apresentem altas habilidades/ superdotação, para fins de apoio ao prosseguimento de estudos no ensino médio e ao desenvolvimento de estudos na educação superior, inclusive mediante a oferta de bolsas de estudo, destinando-se tal apoio prioritariamente àqueles alunos que pertençam aos estratos sociais de baixa renda (BRASIL, MEC/SEESP, 2001, p. 49 apud LIMA, 2008, p. 5) Existem algumas possibilidades e etapas de apoio previstas na lei com relação aos alunos com altas habilidades/ superdotação. A primeira estratégia é a aceleração. É possível mover uma criança para séries acima de sua faixa etária. No 155 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Brasil, a previsão da aceleração seriada de acordo com a LDBEN se faz mediante a avaliação de conhecimentos curriculares realizada pela própria escola. São modalidades de aceleração: a. Entrar mais cedo na fase ou no nível seguinte de ensino; b. Saltar uma ou mais séries escolares; c. Acelerar por área, ou seja, frequentar séries mais adiantadas em determinadas disciplinas; d. Cursar níveis paralelos (ex.: ensino fundamental ao mesmo tempo em que o ensino médio). Outras estratégias comuns no atendimento a estudantes superdotados ou com altas habilidades são o enriquecimento e a suplementação. Para Guenther (2018), enriquecimento educativo é um esforço de estimulação intencional e planejado que visa o crescimento da criança com bases no aprofundamento curricular básico com conhecimentos, informações e ideias proporcionando uma abrangência de contexto maior de cada disciplina, tema, assunto ou área do saber. 156 EDUCAÇÃO ESPECIAL IMPORTANTE Devemos frisar que o fator determinante da aceleração não é a idade do aluno, mas o ritmo do aprendizado e da produção mental. Alguns profissionais da educação argumentam que a aceleração pode estar na contramão da maturidade emocional do aluno e ainda causar um des- locamento do grupo de faixa etária. De acordo com Guenther (2018), os que assim pensam utilizam um “nebuloso conceito” de queima de etapas como razões para negar a aceleração aos alunos e pais que a solicitam. O sucesso da aceleração depende da flexibilidade do sistema, do quanto os alunos são acelerados e do nível de maturidade geral da criança e principalmente do apoio professor que acolhe estes alunos. O ponto central do enriquecimento é interrelacionar a aprendizagem de um determinado assunto a outras áreas de conhecimento e fazer emergir novas ideias. O maior ganho do enriquecimento para a criança está em chegar a melhores níveis de compreensão, conhecimentos, conceitos e ideias. Um ponto relevante a se destacar e que gera muita confusão é que atividades extraclasse e enriquecimento não são sinônimos. Guenther (2018) observa em seus estudos que os educadores quando pensam em desenvolvimento de talentos e habilidades logo associam a atividades extraclasse como artes, teatros, esportes, feiras e exposições. De fato, essas são 157 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl iniciativas muito proveitosas para todos os alunos, porém não se orientam para as capacidades específicas de cada aluno. Uma forma de organizar o enriquecimento educativo de maneira que cada criança receba aquilo que melhor responde aos interesses, talentos, características e habilidades é a elaboração de um plano individual. Esse plano de trabalho pode ser elaborado pela criança junto com o professor/ orientador. O processo deve avaliar com a criança o que foi realizado no semestre anterior, o que foi satisfatório e proveitoso, o que ela julga que ficou inacabado, o que ela deixou de fazer e o que gostaria de ter feito — ou seja, uma análise daexperiência vivida pelo aluno do semestre anterior. Guenther (2018) destaca que o bom plano de trabalho individual deve levar em consideração os interesses e preferencias da criança e as necessidades observadas pelo professor. Em outras palavras: aquilo que é preciso melhorar ou corrigir em algum aspecto. Realizar um projeto pedagógico diferenciado para os alunos superdotados requer preparo estudo e envolvimento da escola direção, coordenação pedagógica e corpo docente como um todo 158 EDUCAÇÃO ESPECIAL EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSÃO NAS DEFICIÊNCIAS SENSORIAIS CONCEITUANDO A SURDEZ No âmbito da medicina, segundo Lopes (2018), o termo “surdo” designa a pessoa que tem surdez profunda. “Deficiente auditivo” é aquele em quem a surdez é leve ou moderada, havendo um resíduo auditivo. Segundo a autora, o termo Surdo, com S maiúsculo, se refere à pessoa que pertence à Comunidade Surda, que usa a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) para se comunicar. O termo Surdo-mudo, contudo, é erroneamente utilizado em literaturas antigas. Ele reflete uma ideia equivocada, pois pessoa muda é aquela que não faz uso do aparelho fonador — ou seja, os órgãos e estruturas que produzem os sons de nossa fala — para falar emitir qualquer som vocal. “‘Mudez’ não está relacionada à ‘surdez’” (LOPEZ, 2018, p. 12). Um surdo que tenha seu aparelho fonador em perfeito estado pode desenvolver a fala. Ele manifestará alguma dificuldade, a depender do grau da perda e dos estímulos recebidos, bem como de uma terapia fonoaudiológica. 159 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl IMPORTANTE Como enfatiza Lopes (2018, p. 12): “surdo-mudo é a mais inadequada denominação atribuída ao surdo, atualmente, não se aceita mais este termo. Acreditamos que só um trabalho informativo da comunidade surda junto à sociedade sobre a inadequação do termo surdo-mudo pode, aos poucos, fazer esta terminologia cair em desuso”. A autora explica que, diferentemente do que ocorre no âmbito da medicina, para a comunidade surda, o termo “deficiente auditivo” é usado para os indivíduos que não aceitam ser surdo e não participam da comunidade surda. Também é empregado para designar aqueles que não usam Libras e aqueles que tiveram perda auditiva na idade adulta. Surdo é quem tem a Libras como sua língua (LOPES, 2018). É importante observar dois aspectos: • nem todos os surdos fazem leitura labial; • nem todos os surdos sabem Língua Brasileira de Sinais. Isto ocorre por diferentes motivos: alguns surdos não aprendem a língua de sinais por que não gostam; a família não aceita ou nunca incentivou; muitos moram em localidades inacessíveis ou simplesmente não têm contato com outros surdos que saibam Libras (LOPES, 2018, p. 12). 160 EDUCAÇÃO ESPECIAL Existem basicamente dois tipos de surdez: • Congênita: o indivíduo nasce surdo antes de ter adquirido uma língua; nesse caso, denomina-se surdez pré-lingual; • Adquirida: o indivíduo poderá adquiri-la ao longo da vida, inclusive após ter adquirido a fala, sendo denominada surdez pós-lingual. A surdez congênita é desenvolvida quando a criança ainda está em gestação. Ela pode ser consequência de medicamentos ingeridos pela gestante, doenças desenvolvidas durante a gestação — como sífilis e toxoplasmose —, pode ter causa hereditária ou ainda ser causada pela exposição da mãe a radiações, além, é clado, de problemas no parto — “nascimento antes ou depois do tempo, infecções hospitalares, uso de fórceps para retirar a criança ou a falta de oxigenação, dentre outros” (LOPES, 2018, p. 13). A surdez pode ser classificada nos seguintes graus: • Leve – quando a perda auditiva é de até quarenta decibéis, que impede a audição de um som fraco ou distante. A pessoa pode ter dificuldade para compreender uma conversa e pedir que a frase seja repetida 161 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl frequentemente, parecendo estar sempre distraída, mas não costuma causar alterações graves na linguagem; • Moderada – é a perda auditiva entre quarenta e setenta decibéis, em que só são compreendidos sons de alta intensidade, causando dificuldades na comunicação, como atraso da linguagem, e necessidade de habilidades de leitura labial para uma melhor compreensão; • Severa – causa perda auditiva entre setenta e noventa decibéis, que permite a compreensão de alguns ruídos e vozes intensas, tornando a percepção visual e a leitura labial importantes para a compreensão; • Profunda – é a forma mais grave e acontece quando a perda auditiva ultrapassa noventa decibéis, impedindo a comunicação e a compreensão da fala (LOPES, 2018, p. 15). EDUCAÇÃO PARA SURDOS De acordo com Moura, Freire e Felix (2017), os surdos têm dividido as salas de aulas junto com alunos ouvintes, que aprendem em seu próprio idioma, a língua portuguesa. O estudante com surdez, no entanto, precisa do auxílio de um intérprete para conseguir compreender o conteúdo transmitido pelo professor. 162 EDUCAÇÃO ESPECIAL Sabe-se que o papel do intérprete é apenas repassar informações entre aluno/professor e vice/versa, ele não pode interferir no ensino diretamente. A ética trabalhista deste profissional o impossibilita de fazer qualquer interferência no aprendizado do aluno. Por isso a necessidade de professores bilíngues e escolas especializadas (MOURA; FREIRA; FELIX, 2017, p. 1285). Ainda de acordo com Moura, Freire e Felix (2017), o ideal seria que o aluno surdo inserido em sala de aula de ensino aprendesse em sua própria língua. No caso do Brasil, seria a Libras. Todavia, no caso da inclusão, os conteúdos são repassados aos alunos surdos por meio de um intérprete que atua interpretando/traduzindo do português para Libras e vice-versa. Ou seja, ele aprende de uma forma secundária e não como o ensino deveria lhe ser ofertado segundo prevê a Lei da Acessibilidade número 10.098 de 10 de dezembro de 2000. A lei assegura, afirmam Moura, Freire e Felix (2017), que o aluno surdo se desenvolva dentro de suas habilidades linguísticas, sendo a Libras sua primeira língua e o ensino ofertado em Libras. O Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005 assegura a ampliação da educação para “o aluno surdo dentro dos parâmetros linguísticos, e especifica o preparo profissional do educador, e a difusão da Libras nas escolas e suas especificidades” (MOURA; FREIRE; FELIX, 2017, p. 1285). 163 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl A luta das comunidades surdas está ganhando destaque junto a educadores. Elas reivindicam a implantação de escolas bilíngues por todo o país, em respeito aos direitos dos educandos surdos, uma vez que a premissa é que os mesmos possam aprender em sua própria língua. É importante neste processo de ensino-aprendizagem colaborar para estruturação dos pensamentos, desenvolvimento de habilidades linguísticas, dinamização de saberes e conhecimentos. E isso só acontecerá se a Libras for considerada como parte principal na educação brasileira de surdos. A proposta educacional bilíngue tem por objetivo ensinar o educando surdo através da utilização de duas línguas: a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte. Ou seja, nesta abordagem, a língua oral falada no país é ensinada como segunda língua na modalidade escrita e, caso o aluno queira, na modalidade oral. Para Jokinen (1999 apud MOURA; FREIRE; FELIX, 2017, p. 1285) o desenvolvimento do educando surdo depende de sua língua, por isso se faz necessária que a interação ocorra por meio desta língua desde a infância, especialmente no contexto educativo. O desenvolvimento escolar dos educandos surdos 164 EDUCAÇÃO ESPECIAL só poderá acontecer de forma efetiva se a Libras for aceita como primeira língua ou língua materna. O bilingüismo permite que, dada a relação entre o adulto e a criança, esta possa construir uma autoimagem positiva como sujeito surdo, sem perder a possibilidadede se integrar numa comunidade de ouvintes. A proposta bilíngüe possibilita ao leitor surdo fazer uso das duas línguas, escolhendo a qual irá utilizar em cada situação linguística (KUBASKI & MORAES, 2009, p. 15 apud GODOI; SANTOS; SILVA, 2013, online). Como bem destacam MOURA; FREIRE; FELIX, 2017, p. 1289): Dentro da estrutura educacional, deve-se dar a devida importância para as escolas bilíngues, as quais proporcionam o respeito e a dignidade da comunidade surda, sua cultura, sua língua, sua maneira de aprender. Levando em consideração os fatos históricos, percebe-se que o surdo aprende diferente do ouvinte, pois neste caso o aluno tem um sentido mais aguçado que é a visão, ele precisa de materiais visuais para assimilar o conteúdo, por isso o uso da língua de sinais é essencial na transmissão de conhecimentos. Anelando o desenvolvimento e um verdadeiro aprendizado, o bilinguismo deve ser implantado nas escolas, que precisam ser especializadas para receber estes alunos e ensiná-los em sua própria língua. 165 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Embasados nessas informações, devemos observar a realidade da educação brasileira e questionar se existem escolas bilíngues funcionando no Brasil, ou se apenas estão incluindo o aluno em salas de aulas mistas de ouvintes no ensino regular, sem repensar no nível de desenvolvimento destes alunos. As escolas de ensino regular devem priorizar a língua dos seus educandos, seja ela oral ou visual-espacial. Deve-se mensurar a aprendizagem a partir da língua utilizada pelo educando independente deste ser surdo ou ouvinte. DICAS DE COMO ABORDAR O EDUCANDO SURDO NA ESCOLA E EM OUTROS CONTEXTOS Lopes (2018, p. 15) elenca uma série de dicas para o trabalho com alunos surdos. Ao falar com surdo não é necessário tocá-lo fortemente e/ou falar em voz alta. Lembre-se, ele é SURDO, não necessita gritar para se fazer entender. Fale pausadamente e de frente, para que ele faça a leitura labial, caso saiba. Neste caso, selecionamos as principais dicas: • entre em seu campo visual – ao se comunicar com um surdo ou deficiente auditivo, é importante manter o olhar no mesmo nível do outro; 166 EDUCAÇÃO ESPECIAL • sente-se, caso ele esteja sentado, ou fique em pé, se for o caso; • fique um pouco mais distante do que o normal, para que a pessoa consiga ver todos os seus gestos, posicione-se de frente para ele; • deixe a boca visível de forma a possibilitar a leitura labial; • procure não segurar objetos em frente a boca; • fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras sem exageros; • fale em um tom de voz normal, evite sussurrar e gritar. Essas ações distorcem os movimentos dos lábios, dificultando a leitura. Para um surdo, isso é muito mais complicado do que entender o tom de voz normal, pois o surdo não poderá ouvir mudanças sutis no tom de voz que indiquem os sentimentos; • aumente o volume da voz apenas se a outra pessoa pedir isso; • fale um pouco mais devagar, se a pessoa pedir; • expressões faciais, gestos e movimentos do corpo são excelentes indicações para melhor expressar o que você quer dizer; 167 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl • mantenha sempre o contato visual. No caso de surdos oralizados, caso tenha dificuldade em compreender o que eles estão falando, não se acanhe em pedir para que repitam. Mangili (2014) elenca outras dicas importantes para professores: • Quando quiser destacar alguma palavra, frase ou data, escreva-a na lousa, pois alunos com deficiência auditiva assimilam melhor o conteúdo por meios visuais. • Forneça materiais alternativos ao aluno quando for utilizar recursos sonoros em sala, como áudios e vídeos (aos quais se podem acrescentar legendas ou se recomendar a leitura do conteúdo por escrito em outra fonte). • Adapte ou substitua atividades que exijam muito do sentido auditivo do estudante, como prova oral ou análise de áudios, por exemplo. • Se a criança frequentar também um serviço de apoio educacional especializado, mantenha contato com o professor desse serviço para acompanhar o progresso do aluno nas áreas em que ele possua maior dificuldade. 168 EDUCAÇÃO ESPECIAL O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DO EDU- CANDO COM DEFICIÊNCIA VISUAL CONCEITUANDO CEGUEIRA E BAIXA VISÃO Cegueira é uma alteração grave ou total de uma ou mais das funções da visão. Pedagogicamente, é considerada cego o educando que não tem visão suficiente para aprender a ler em tinta, mesmo com ampliação das fontes das letras. A cegueira pode ser congênita — quando o bebê nasce cego — ou adquirida durante algum período da vida por questões de doenças ou acidentes. É considerado com baixa visão ou visão subnormal o educando que utiliza pequeno potencial visual. A baixa visão é complexa devido à variedade e à intensidade de comprometimentos visuais. Atualmente, busca-se empregar o termo baixa visão, uma vez que, de acordo com Amiralian (2004), o uso do termo baixa visão tende a minimizar o preconceito que o termo “subnormal” pode provocar. Baixa visão é o comprometimento do funcionamento visual em ambos os olhos, mesmo após correção de erros de refração comuns com uso de óculos ou lentes de contato, mas que utiliza ou é potencialmente capaz de utilizar a visão para planejamento e execução de uma tarefa (MOTA, 2014, online). 169 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Entre as pessoas com baixa visão, há variações na deficiência: alguns conseguem ler se o texto impresso for grande ou estiver próximo a seus olhos. Lentes de aumento também podem viabilizar a visualização. Outros conseguem apenas detectar grandes formas, cores ou contrastes (DALL’AGNOL; CAZASSUZ; LIMA, 2018, online). Assim, duas escalas oftalmológicas passaram a ser os elementos que acabam por delimitar o grupamento dos deficientes visuais, cegos e baixa visão: a acuidade visual e o campo visual. A acuidade visual é a capacidade do olho de diferenciar detalhes no espaço, ou seja, reconhecer o contorno e a forma das imagens e objetos. A acuidade visual normal é chamada de visão 20/20, o que significa que uma pessoa consegue ver detalhes a uma distância de 20 pés (6 metros) igual a uma normal enxerga (O QUE, [S.d.]). Em contrapartida: O campo visual é a extensão do espaço que o olho vê quando está parado e olha em frente. O olho, em seguida, transmite ao cérebro a informação que recebe, neste campo, levando em conta a sua forma, cor, volume etc. O campo visual cobre cerca de 180° em um indivíduo cuja visão é normal. O campo visual pode ser medido pelo oftalmologista, cada olho individualmente. Quando o campo visual é alterado, pode afetar o campo periférico ou 170 EDUCAÇÃO ESPECIAL central e certas áreas não são mais identificadas pelo olho. Pode se tratar de uma área não vista no meio do campo visual ou de sensação de perda da percepção do espaço de visão (chamada escotoma). O campo visual é reduzido por patologias que afetam diretamente o olho ou outras que comprometem o nervo ótico (CAMPO, 2017, online]). Portanto, de forma simplificada, pode-se contextualizar a cegueira e a baixa visão como deficiências visuais que limitam uma das formas de apreensão de informações do mundo externo. Nesse caso, a visão. O PROFESSOR E O ENSINO-APRENDIZAGEM DO EDUCANDO COM DEFICIÊNCIA VISUAL É preciso fornecer a uma criança cega, em processo de alfabetização, experiências físicas diretas com os objetos que a rodeiam. Isso se aplica ainda mais aos objetos de escrita braile ou escrita em branco: “o punção, a reglete, máquina de escrever, textos em relevo, ábacos, símbolos da escrita em formas táteis… a escola deverá levar ao aluno opções diversas de materiais didático- pedagógicos” (MAILON; MICHELLE; PRICILA, 2011, online). “A intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente” (TAILLE; OLIVEIRA e DANTAS1992, p. 33 apud SANTOS, [S.d.], online). Para Vygotsky (2002) a aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento desde o 171 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl nascimento da criança. A aprendizagem desperta processos internos de desenvolvimento que só podem ocorrer quando o indivíduo interage com as pessoas. As relações de cooperação representam justamente aquelas que vão pedir e possibilitar o desenvolvimento. A partir dos estudos de Jean Piaget, as pesquisas têm demonstrado que a função cognitiva de crianças com deficiência visual se desenvolve mais lentamente quando comparada com o desenvolvimento de crianças com boa visão. Por isso, é frequente observar alguns desajustes no desenvolvimento entre as dimensões operacionais e simbólicas do pensamento. Isso faz com que haja dificuldades na compreensão e formulação de determinados conceitos (ALMEIDA, 2002). A criança com perda visual severa pode apresentar ainda um atraso no desenvolvimento global. Isto se deve em grande parte à dificuldade de interação, apreensão, exploração e domínio do meio físico. Os educandos com cegueira ou baixa visão necessitam de mais tempo para agir e interagir, e o educador deve incentivá-los a explorar o ambiente. Nesse sentido, os estudos priorizam a necessidade de serem oferecidas para crianças cegas experiências concretas e diretas com os objetos reais, acompanhados de informações e interações verbais realizadas com adultos e crianças. Estes 172 EDUCAÇÃO ESPECIAL devem pertencer ao grupo social das crianças com deficiência para que elas possam aprender e compreender sobre a realidade que as cerca. Embora não haja um manual de como agir num processo de aprendizagem e/ou alfabetização para crianças cegas ou com baixa visão, há alguns elementos que podem auxiliar nessa ação e que, por muitas vezes, se fazem essenciais na construção da leitura e da escrita. No caso do educando com baixa visão, algumas estratégias são utilizadas pelos educadores, como a lista abaixa, adapta de Lima (2019): • Falar de frente para estimular o olhar; • Estimular o aluno a olhar para aspectos como cor, forma e encorajá-lo a tocar nos objetos enquanto olha; • Aproximar o objeto do campo visual; • Fazer uso de contraste claro e escuro nas folhas de papel e desenhos; • Em grupo: Falar seu nome quando se referir a ela. 173 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl No caso dos educandos com cegueira, Lima (2019) elenca algumas estratégias básicas: • Levá-los a conhecer todo o ambiente da escola, professores e colegas; • Informar mudanças de móveis, ausências de pessoas; • Brincadeiras e atividades devem conter pistas sonoras e táteis; • Ao apresentar um novo material ou objeto buscar informar verbalmente do que se trata e apresentá- lo no dorso da mão do educando para que ele posa explorá-lo, evitando assim acidentes ou surpresas que podem assustar o educando; • Estar ciente da diferença entre os educandos que nunca tiveram visão e dos educandos que perderam a visão após algum tempo. De acordo com Mailon, Michelle e Pricila (2011, online), as experiências significativas são responsáveis pela decodificação e interpretação do mundo pelas vias 174 EDUCAÇÃO ESPECIAL sensoriais remanescentes (táteis, auditivas, olfativas, gustativas). A falta dessas experiências pode prejudicar a compreensão das relações espaciais, temporais e aquisição de conceitos necessários para a alfabetização. O professor tem a função explícita de intervir nesse processo, diversamente de circunstâncias informais nas quais a criança estuda por imersão em um espaço cultural. Assim, é função do professor provocar os progressos dos alunos, e isso se torna possível com sua intervenção. O professor do ensino especial deve apoiar o aluno em suas dificuldades e auxiliar no processo da escrita braile. O professor regular deve dispensar ao aluno com deficiência visual a mesma atenção que aos demais alunos da turma e dar-lhe o mesmo apoio. Não é necessário que defina regras particulares ou que lhes exija menos trabalho. O docente também deve possibilitar a recuperação ou apoio complementar nas matérias que o educando apresente dificuldade de compreensão. Esse apoio pedagógico também será útil para auxiliar na sala de aula regular, juntamente com outros educandos, apenas se houver necessidade do educando com cegueira ou baixa visão — uma vez que este 175 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl demonstre dificuldades de compreensão dos conteúdos acadêmicos nas aulas. O professor do ensino especial precisa adaptar os materiais didáticos, tais como questionários, folhas de exercícios, mapas e gráficos. O objetivo é que a criança cega ou com visão reduzida possa compreender esses materiais e participar das atividades junto com os colegas. É imprescindível colocar à disposição da criança todos os materiais e recursos específicos que ela necessite, como por exemplo máquina braile, livros em braile, papel especial, meios informáticos, livros com fontes ampliadas, canetas com ponta porosa e grossa, papel com pautas especiais próprias para baixa visão, lupas etc. LEITURA E ESCRITA DE ALUNOS CEGOS Uma criança que consegue ver estabelece uma comunicabilidade visual com o mundo. Assim que nascemos, somos estimulados a ver ao nosso redor e absorver tudo o que é possível, tendo uma percepção de tudo que nos cerca, das pessoas e dos objetos imóveis. A visão é o principal sentido de um indivíduo, responsável pela maneira de identificar contornos, detalhes, formas, cores, e o ambiente que nos cerca. É responsável pela integração sensorial, permite a associação entre som e imagem, imitações, 176 EDUCAÇÃO ESPECIAL cópias escritas e executar atividades exploratórias em um determinado ambiente ou contexto. O cego costuma ter o desenvolvimento mais apurado da audição, do tato e do olfato. Isso é resultado do uso contínuo desses sentidos por conta da ausência de visão. Por meio da neuroplasticidade, o cérebro se adaptada a esta condição e faz com que os sentidos remanescentes fiquem mais aguçados e funcionem de forma complementar. A ausência de um de nossos sentidos torna os outros mais apurados. A audição é o sentido que será predominante com a ausência de visão. Embora a audição ajude a pessoa a se localizar um pouco melhor, não chega a indicar que ele terá poderá substituir perfeitamente o sentido da visão. Algumas dificuldades poderão aparecer, mas, com a ajuda de profissionais, estimulação e outros sentidos, a pessoa será capaz de estudar e realizar suas atividades cotidianas. De acordo com Oliveira (2020), é dever do professor deve fornecer materiais que levem o estudante cego a experimentar sensações e prazeres do mundo da escrita. 177 TóPICOs sOBRE ENsINO E APRENDIzAgEm Em EDUCAçãO EsPECIAl Materiais como placas de isopor, cortiça ou borracha são recursos simples e valiosos para que o deficiente visual se familiarize com o ato de combinar pontos, pegar o punção, perfurar o papel e ter noção de espaço. Todo material dever ter forma retangular, imitando a cela Braille. (GONÇALVES; FERREIRA, 2010, p. 91 apud OLIVEIRA, 2020, p. 21). A principal forma de alfabetizar uma criança cega é por meio do braile. De acordo com Lemos e Cerqueira (1996), o sistema Braille foi desenvolvido na França e reconhecido no ano de 1825. Ele teve grande importância para a educação dos deficientes visuais naquela comunidade e no mundo. O braile recebeu esse nome devido ao seu criador, Louis Braille, um homem que perdeu a visão em um acidente na infância. Com quinze anos de idade, Braille desenvolveu um código para o alfabeto francês. Em 1829, ele publicou o sistema, que incluía também notação musical. O sistema Braille é composto por 63 símbolos em relevo que resultam na combinação de até seis pontos em duas colunas de três pontos cada. Sua leitura é feita da esquerda