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DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Renata Faria de Araujo 1ª Edição, 2022 EAD Reitor e Diretor Campus Engenheiro Coelho: Martin Kuhn Vice-reitor para a Educação Básica e Diretor Campus Hortolândia: Douglas Jefferson Menslin Vice-reitor para a Educação Superior e Diretor Campus São Paulo: Afonso Cardoso Ligório Vice-reitor administrativo: Telson Bombassaro Vargas Pró-reitor de graduação: Afonso Cardoso Ligório Pró-reitor de pesquisa e desenvolvimento institucional: Allan Macedo de Novaes Pró-reitor de educação à distância: Fabiano Leichsenring Silva Pró-reitor de desenvolvimento espiritual e comunitário: Henrique Melo Gonçalves Pró-reitor de Desenvolvimento Estudantil: Carlos Alberto Ferri Pró-reitor de Gestão Integrada: Claudio Knoener Educação Adventista a Distância Conselho editorial e artístico: Dr. Adolfo Suárez; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Allan Novaes; Me. Diogo Cavalcanti; Dr. Douglas Menslin; Pr. Eber Liesse; Me. Edilson Valiante; Dr. Fabiano Leichsenring, Dr. Fabio Alfieri; Pr. Gilberto Damasceno; Dra. Gildene Silva; Pr. Henrique Gonçalves; Pr. José Prudêncio Júnior; Pr. Luis Strumiello; Dr. Martin Kuhn; Dr. Reinaldo Siqueira; Dr. Rodrigo Follis; Esp. Telson Vargas Editor-chefe: Rodrigo Follis Gerente administrativo: Bruno Sales Ferreira Editor associado: Werter Gouveia Responsável editorial pelo EaD: Luiza Simões Editora Universitária Adventista Presidente Divisão Sul-Americana: Stanley Arco Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos Presidente Mantenedora Unasp (IAE): Maurício Lima 1ª Edição, 2022 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Editora Universitária Adventista Engenheiro Coelho, SP Renata Faria de Araujo Mestrado em Educação- Unasp/ EC Campagnoni, Mariana / dos Santos, Diego Henrique Moreira Formação da identidade profissional do contador [livro eletrônico] / Mariana Campagnoni. -- 1. ed. -- Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2020. 1 Mb ; PDF ISBN 978-85-8463-172-8 1. Carreira profissional 2. Contabilidade 3. Contabilidade como profissão 4. Contabilidade como profissão - Leis e legislação 5. Formação profissional 6. Negócios I. Título. 20-33026 CDD-370.113 Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP) (Ficha catalográfica elaborada por Hermenérico Siqueira de Morais Netto – CRB 7370) Diretrizes curriculares da educação infantil 1ª edição – 2022 e-book (pdf) OP 00000_000 Coordenação editorial: Késia Santos Conteudista: Renata Faria de Araujo Preparador: Kawanna Cordeiro Projeto gráfico: Ana Paula Pirani Capa e Diagramação: William Nunes Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900 Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172 www.unaspress.com.br Editora Universitária Adventista Validação editorial científica ad hoc: Silvana Telma de Lima Fritoli Mestrado em Ensino - (Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste) Mestrado Interdisciplinar em Sociedade e Desenvolvimento (Universidade Estadual do Paraná - Unespar) Graduação - Licenciatura Plena em Pedagogia (Centro Universitário Adventista de São Paulo - Unasp-Cp2) MBA em Gestão em EAD e tutoria Online - (Unasp virtual) Especialista em Neuropsicopedagogia (Instituto Adventista Paranaense - IAP) Editora associada: Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo em breves citações, com indicação da fonte. SUMÁRIO A CRIANÇA E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL ........7 A criança: visão histórica, cultural e social .......................................9 Colonização .............................................................................10 Do fim do brasil colônia ao Brasil República ..........................13 Revolução industrial................................................................17 Fundamentos da história da educação infantil ...............................19 Reforma Leôncio de Carvalho .................................................21 Os cenários assistencialistas das creches ................................23 LDB ..........................................................................................25 A constituição de 1980 e 1988 ...............................................26 Direitos da criança ............................................................................29 Declaração universal dos direitos da criança ..........................30 ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ..........................32 Política Nacional da Educação Infantil ....................................36 LDB (Leis de Diretrizes e Bases) ..............................................37 Marco legal da primeira infância ............................................40 As reformas educacionais e a educação infantil contemporânea ..........41 RCNEI .......................................................................................42 DCNEI .......................................................................................44 BNCC ........................................................................................45 Um ponto importante .............................................................46 FEIRAS E MEGAEVENTOS47 TURISMO .................................................................................51 Considerações finais.........................................................................49 Resumo ............................................................................................50 Referências .......................................................................................52 7 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL UNIDADE 1 - Identificar, discutir a trajetória da criança e da educação infantil nas dimensões histórica, cultural e social. - Analisar os caminhos das diretrizes curriculares e currículos nacionais para educação infantil. A CRIANÇA E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL UNIDADE 1 OB JE TI VO S 8 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL INTRODUÇÃO Seja bem-vindo(a) ao estudo sobre Diretrizes Curriculares da educação infantil. Falar sobre direitos da criança e suas oportunidades de escolarização, hoje, é comum e inquestionável. Mas, nem sempre foi assim. Nos primordiais da história do Brasil, as crianças não eram reconhecidas como sujeitos de valores e de direitos. Somente a partir da constituição de 1988 é que documentos legais ganharam força no Brasil, dando à criança algum reconhecimento. A partir daí, o processo de escolarização passou a ser pauta das discussões e legislações nacionais. Assim, as diretrizes curriculares nacionais surgiram, estabelecendo, dessa forma, a base nacional comum, responsável por orientar a organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas das redes de ensino da educação infantil brasileira. Nosso objetivo, nesse estudo, é entender por quais caminhos a história da criança e da educação infantil passaram até que fossem reconhecidas como direito oficial e legal no país. Acreditamos que, conhecendo mais essa parte da história, podemos compreender os avanços, os desafios e as contribuições, a fim de, como professores, gestores, pais, 9 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL contribuirmos cada vez mais para a educação integral de nossas crianças. Esperamos que, ao final da unidade, você consiga: • entender a história da criança no brasil; • reconhecer a trajetória da educação infantil; • identificar as principais legislações sobre o direito da criança; • examinar documentos norteadores da educação infantil na contemporaneidade; • reconhecer a trajetória percorrida, buscando a valorização das conquistas. Bom estudo! A CRIANÇA: VISÃO HISTÓRICA, CULTURAL E SOCIAL A história da criança no Brasil não tem um início glorioso em sua origem. Marcada por privações e dificuldades, evidenciam-se muitos problemas como: maus-tratos, abusos 10 DIRETRIZES CURRICULARESDA EDUCAÇÃO INFANTIL sexuais constantes, miséria, abandono familiar, falta de abrigo, escravidão. Fatores diversos marcam as negligências do Estado, família e sociedade. Para facilitar a compreensão e organização do entendimento da história da criança no Brasil, dividimos a história por períodos, sendo período colonial, do fim do Brasil colônia ao Brasil República e Revolução industrial, como podemos acompanhar a partir de agora. COLONIZAÇÃO O Brasil é descoberto em 1500, e, logo no começo da história do Brasil, quando passa a ser povoado, por volta de 1530, crianças também entravam nas embarcações com destino às colônias, como o Brasil. Essas crianças, muitas vezes, eram alistadas para as embarcações pelos próprios pais, que, por serem de classes sociais baixas, consideravam que seria uma pessoa a menos para gastos como comida. Por isso arrendavam os filhos por algum trocado para o sustento. Outra situação era a de crianças abandonadas que embarcavam em busca de subsistência na colônia para onde eram enviadas. Nesses ambientes, essas crianças, mesmo 11 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL acompanhadas dos pais, sofriam maus- tratos a bordo. Na maioria das vezes, trabalhavam fazendo serviços pesados nas embarcações, como grumetes, além de sofrerem abusos físicos e sexuais, servindo aos tripulantes. Para Mary Del Priore (2021) as crianças que embarcavam nessas tripulações eram vistas como adultos em corpos infantis, sendo explorados da mesma forma que homens ou animais, enquanto durasse sua vida útil. As crianças só se livravam de tais tratamentos, quando possuíam classes mais altas, pois, nessa condição, eram guardadas dos abusadores pelos pais ou responsáveis de viagens. O sofrimento não se restringia ao contexto de exploração nas embarcações apenas. Não raramente, em caso de necessidade de aliviar o peso das embarcações, as crianças eram lançadas ao mar. As crianças que sobreviviam a GRUMETE Tipo de aprendiz a bordo, menor de idade, responsável por lim- par e ajuda os marinheiros nos diferentes trabalhos. Disponível em: https://pt.bab.la/diciona- rio/espanhol-portugues/gru- mete#:~:text=Grumete%20 %C3%A9%20um%20tipo%20 de,e%20gradualmente%20 cresceu%20na%20vida. Acesso em: 19 jul. 2022. 12 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL tantas dificuldades nessas embarcações e chegaram ao território brasileiro, sofriam abusos da mesma forma ao desembarcarem. Assim, essa fase não era percebida como fase importante para se notar necessidades específicas das crianças. Na colonização, a estatura era uma das únicas diferenças notada e considerada entre as crianças e os adultos. Por isso, quando se notava certa independência física, já era enviada ao trabalho, independente da idade, em plantações, pescas, caças, colaborando para o sustento da família, assim que lhe era possível a independência. Pelos anos que se seguiram à colonização, os jesuítas se encarregaram de catequizar os meninos pequenos, sendo eles: índios, portugueses ou mestiços. Para isso, ofereciam ambientes para catequização e ensino da fé. A ideia oferecida era que catequizá-los era um meio de moldá-los, sendo essa uma forma de evitar a imoralidade e Na colonização, a estatura era uma das únicas diferenças notada e considerada entre as crianças e os adultos. 13 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL outros problemas sociais. Porém, se os ensinos oferecidos fossem negligenciados, o que era comum, tendo em vista às necessidades de sobrevivência, esses ensinos eram negados, sobrando apenas oportunidade para os mais aplicados, normalmente de famílias mais ricas. DO FIM DO BRASIL COLÔNIA AO BRASIL REPÚBLICA Nos séculos 18 e 19, a oportunidade de acesso ao saber era exclusividade dos filhos das elites, pois os filhos dos pobres não tinham a educação como alternativa, sobrando para esses apenas o trabalho na lavoura, enquanto os filhos dos ricos eram ensinados por professores particulares, sobretudo no século 19 (DEL PRIORE, 2021). Assim, ainda no período colonial, o cuidado com a infância mais humilde se seguiu como responsabilidade de Portugal, através da companhia de Jesus, a igreja católica e representantes da corte. O objetivo continuava sendo usar a catequização para converter crianças em pessoas dóceis através da evangelização. Todavia a escravidão continuou forçando as crianças a trabalharem, e ainda forçou os pais escravos a abandonarem seus filhos aos cuidados dos seus senhores para o trabalho, 14 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL assim como os adultos, por falta de condições do cuidado ou por troca de algum valor. Assim, na segunda parte do Brasil colônia, as crianças de menos renda continuam a serem exploradas através do trabalho físico, principalmente. Apesar das tentativas de acolhimento no círculo de cuidados e catequização dos jesuítas, as crianças seguiam sendo abandonadas, isso porque esses ambientes dificilmente conseguiam acolher a todas essas crianças, além dos órfãos e migrantes. Constantemente havia infanticídio, ou bebês eram abandonados em matagais ou mesmo em vias públicas. Era necessário que algo fosse feito para diminuir o descaso com as crianças na sociedade. Dessa forma, as igrejas católicas e as santas casas de misericórdias tomam a iniciativa de criar as casas dos expostos. Esses ambientes acolhiam crianças de baixa renda abandonados nas ruas ou num contexto de filhos fora do casamento ou sem condição de serem criadas pelos pais por motivos diversos. Assim, as crianças poderiam ser deixadas em rodas nas paredes dessas casas acolhedoras, sem os responsáveis pelo abandono serem identificados. 15 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL SAIBA MAIS Esta roda era uma espécie de dispositivos onde eram colocados os bebês abandonados por quem desejasse fazê-lo. Apresentava uma forma cilíndrica, dividida ao meio, sendo fixada no muro ou na janela da instituição. O bebê era colocado numa das partes desse mecanismo que tinha uma abertura externa. Depois, a roda era gira- da para o outro lado do muro ou da janela, possibilitan- do a entrada da criança para dentro da instituição. Pros- seguindo o ritual, era puxada uma cordinha com uma sineta, pela pessoa que havia trazido a criança, a fim de avisar o vigilante ou a rodeira dessa chegada, e imedia- tamente a mesma se retirava do local (PASSETI, s/a, p. 9). Esses ambientes, portanto, eram parte social acolhedora de crianças em situação de abandono social e parental. Iniciando em 1726, na Bahia, a primeira Casa dos expostos ou roda dos enjeitados surgiu como uma saída para esse problema da sociedade. Os bebês e crianças pequenas ficavam sobre o cuidado de amas de leite ou famílias voluntárias, mas, em geral, mesmo pequenas, elas eram exploradas no trabalho, mesmo nesses ambientes acolhedores. Após os sete anos, os juízes decidiam os destinos dessas crianças, frequentemente, 16 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL sendo comum o envio ao trabalho de senhores que possuíam interesses físicos nelas. A falta de higiene, de cuidados eram os principais fatores que geravam mortalidade às crianças nas casas dos expostos, sendo que boa parte dos pequenos morriam ou se desnutriam nesses ambientes. A princípio, as casas eram exclusivas para pessoas de nenhuma condição financeira, sendo ampliado para elites por frutos de relacionamentos extraconjugais. Na passagem do século 19 ao 20, após inúmeras denúncias de higienistas sobre falta de cuidado e desnutrição e alto índice de mortalidade e de juristas que defendiam outros caminhos para a educação da criança, as casas dos expostos foram extintas. Essas instituições passaram, pois, a serem consideradas contrárias aos interesses do Estado. Mudanças significativas surgem, então, nesse período, o que enfraquece mais ainda as rodas dos enjeitados. A presença da criança passa a ser almejada pela família, trazendo mudançassociais e familiares, causando cada vez menos procura a esses ambientes. E embora, no Brasil, a última casa dos expostos só tenha sido desativada em 1950, em São Paulo, no final do século 20, as casas já perdem seu valor. 17 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL REVOLUÇÃO INDUSTRIAL A indústria moderna se oficializou em meados do século 19 em diante no Brasil. Esse momento histórico acarretou uma necessidade das famílias saírem das fazendas em direção às cidades, buscando sustento nas fábricas e indústrias. E foi nesse contexto que as famílias passaram por mudanças de mentalidade sobre o valor afetivo das organizações familiares. O valor da criança e o reconhecimento do vínculo da mesma com sua família tornou uma preocupação para a geração e cada membro da família, incluindo a criança, passou a ter sua importância familiar. Assim, os cuidados com as crianças passam por uma série de mudanças, uma vez que o pai coloca sobre o filho a expectativa de futuro da família. A partir de então, a mortalidade comum e pouco sentida, passa a ser muito mais sofrida, logo, as crianças passam a ser foco do cuidado e proteção familiar. Com o êxodo rural, torna-se comum o trabalho materno nas indústrias. As famílias que tinham condição buscavam cuidadoras para seus filhos nos períodos em que as mães precisavam trabalhar, porém as crianças mais pobres não tinham com quem ficar, o que passou a gerar um problema 18 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL de cunho social. Assim, as famílias mais humildes, não vendo saída, permitiam que os filhos fossem inseridos nas fábricas como operários, mesmo ainda muito pequenos, por isso eles começavam a trabalhar, sendo explorados quanto às horas de trabalho, recebendo muito pouco por isso. Nesse contexto, as mães precisavam de um lugar seguro para deixar seus filhos e movimentos sociais passaram a defender a necessidade de novas escolas para que essas crianças, principalmente na primeira infância, fossem cuidados. Assim, há uma revolução da educação nessa fase, uma vez que novas escolas e instituições foram realmente criadas para satisfazer essas necessidades de acolhimento, principalmente das classes mais baixas. Num primeiro momento, a escola tem papel assistencialista, de cuidado e alimentação, uma vez que eram ambientes como creches, que serviam apenas para as crianças pobres passarem o tempo, sem qualquer preocupação com o ensino. Assim, a creche, nesse momento e ao longo da história, sofreu muito preconceito, tendo em vista apenas o cuidado das crianças das classes baixas a qual eram destinadas as famílias carentes e de forma alguma aos filhos dos ricos. Por muitos anos no Brasil, essa mentalidade perdurou, foram necessárias muitos debates e leis, por 19 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL longos anos, a fim de se ressignificar o papel escolar, trazendo em pauta o papel da escola além do assistencialismo, mas também para o ensino, como conhecemos hoje. FUNDAMENTOS DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A infância nos primeiros séculos após a colonização do Brasil, era vista como qualquer outra fase, não havendo qualquer cuidado ou ensinamento diferenciado a elas. Com a idade de sete anos em diante a criança era preparada para o trabalho, dando seguimento aos trabalhos dos pais, isso porque, nessa época, as crianças não tinham uma ligação tão emocional com sua família. Além disso, os pequenos eram apenas miniadultos, sendo reproduções dos mais velhos quanto a forma de viver. Num primeiro momento, a escola tem papel assistencialista, de cuidado e alimentação, uma vez que eram ambientes como creches, que serviam apenas para as crianças pobres passarem o tempo, sem qualquer preocupação com o ensino. 20 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL As taxas de natalidade e mortalidade para as crianças eras muito altas e comuns, mas como o vínculo afetivo ainda era escasso, não causava grandes prejuízos emocionais aos pais, que normalmente tinham outros vários filhos. A educação na infância, através da escolarização, também não era prioridade, principalmente para os filhos das classes mais baixa que precisavam contribuir com o sustento das famílias. Após a idade moderna, a revolução industrial e o iluminismo, a visão da criança passa a ser modificada. A família enxerga com afeto a criança e principalmente as crianças da elite eram melhor tratadas, social e intelectualmente. Com o tempo, a criança passa então a ser um indivíduo de grande relevância social, com direitos, e que precisam de cuidados físicos, cognitivos, psicológicos e emocionais. Porém, para transformar essa visão social em prática, muitas lutas foram travadas e discussões sócio-políticas realizadas. Os primeiros passos para o surgimento do que conhecemos hoje como educação infantil foram lentos e base de muitas polêmicas. Falaremos sobre algumas dessas leis e discussões nacionais que incentivaram o surgimento da educação infantil como dever do Estado. 21 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL REFORMA LEÔNCIO DE CARVALHO Um dos primeiros documentos oficiais nacionais sobre escolarização para as crianças pequenas sobreveio da Reforma Leôncio de Carvalho, o então primeiro-ministro do Império do Brasil. O Decreto n. 7.247 em 19 de abril de 1879, dentre várias reformas, determinou a criação dos jardins de infância em cada distrito do município da Corte voltados à educação de crianças de três a sete anos de idade, como podemos observar: “Art. 5º Serão fundados em cada districto do municipio da Côrte, e confiados á direcção de Professoras, jardins da infancia para a primeira educação dos meninos e meninas de 3 a 7 annos de idade”. (BRASIL, 1789). Apesar da iniciativa em oferecer jardim da infância para as crianças pequenas, as verbas eram destinadas mais exclusivamente para as crianças maiores, evidenciando o descaso com essa fase da escolarização, assunto recorrente no cenário nacional. Sendo assim, a escolarização para o jardim da infância não teve força nacional efetiva, nesse momento, embora o assunto se tornasse cada vez mais importante. Com a decadência cada vez maior das casas dos expostos, instituições acolhedoras de crianças abandonadas e de 22 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL classes baixas, ficou cada vez mais evidente a necessidade de criar meios para resolver o problema social do abandono infantil, principalmente no socorro às mães que precisavam de atendimento aos filhos para que pudessem trabalhar, no contexto da industrialização. Assim, a necessidade da escolarização para os pequenos se torna cada vez mais evidente, porém, além do descaso, muitas polêmicas envolviam a criação do jardim da infância. Uma delas considerava um possível trauma tirar as crianças pequenas de suas famílias e levá-las ao ambiente escolar, polêmica que envolvia, principalmente, as crianças de famílias mais abastadas, outro dilema que seguiu o curso do tempo. Ainda assim, no final do século 19, ocorreu algo que somou para o desenvolvimento da educação infantil, ao mesmo tempo que evidenciou a desigualdade já explícita em terreno nacional: os jardins de infância no Brasil chegaram. Entretanto, haviam creches e escolas maternais para crianças mais pobres cujas famílias possuíam poucos recursos, e instituições mais elitizadas. Como podemos observar no trecho abaixo, [...] o que se pode notar, do que foi dito até aqui, é que as creches e pré-escolas surgiram a partir de mudanças econômicas, políticas e sociais que ocorreram na sociedade: 23 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL pela incorporação das mulheres à força de trabalho assalariado, na organização das famílias, num novo papel da mulher, numa nova relação entre os sexos, para citar apenas as mais evidentes. Mas, também, por razões que se identificam com um conjunto de ideias novas sobre a infância, sobre o papel da criança na sociedade e de comotorná-la, através da educação, um indivíduo produtivo e ajustado às exigências desse conjunto social. (BUJES, 2001, p. 15) Houve, portanto, um desenvolvimento de instituições particulares de jardim da infância, embora muitos pais de famílias ricas seguissem com a educação aos pequenos sendo feita em suas casas. Enquanto isso, as creches, embora com poucos recursos, precisavam ganhar forças e incentivos. OS CENÁRIOS ASSISTENCIALISTAS DAS CRECHES ”Kuhlmann Jr. (1996) considera 1899 como o ano do surgimento de creches que passaram a ocupar o cenário da assistência à infância brasileira.” (GUIMARÃES, 2017, p. 99). O autor defende também (1991) que a recomendação de criação de creches para as indústrias tomava vultos nos congressos, abordando a assistência à infância. Então,” durante as duas décadas iniciais do século 20, implantaram-se as primeiras instituições pré-escolares assistencialistas no Brasil e as entidades 24 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL assistenciais fundaram creches.” (GUIMARÃES, 2017, p. 100.) Mas foi apenas em 1909, depois de 30 anos do referido decreto acima - de 1879, a respeito da criação dos jardins de infância - que o primeiro para fins públicos foi inaugurado, na ocasião no Rio de Janeiro, à época capital do Brasil, para crianças de quatro a sete anos, o Jardim de Infância Campos Salles. “Em 1923, houve a primeira regulamentação do trabalho da mulher com a proposta de instalação de creches e salas de amamentação próximas aos postos de trabalho.” (GUIMARÃES, 2017, p. 102). Nesta ocasião, efetivou-se a caracterização assistencialista da função de guarda das crianças em creche para pobres. Assim, ainda não se falava em educação das crianças de zero a seis anos. As unidades escolares ofereciam, em sua maioria, cuidados sanitários e alimentação, que também não havia qualquer preocupação em diferenciar dos adultos o que era oferecido. As cuidadores também, em geral, não tinham formação especializada, passando o tempo cuidando das crianças, para que suas mães trabalhassem. Vivendo a era Vargas, 1930 até 1945, o estado novo realizou algumas modificações em diversos setores da sociedade, incluindo este que tratamos, descritos na CLT, ou, Consolidação das Leis Trabalhistas. Um marco legal na legislação previa que empresas particulares com mais 25 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL de 30 funcionárias, acima de 16 anos, deveriam oferecer creches para os seus filhos, embora essa previsão fosse necessariamente cumprida. Mas então, em 1959, a criança é reconhecida, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um sujeito de direitos, atribuindo ao Estado, à sociedade e à família o dever de garantir esses direitos, quais sejam: direito à saúde, educação, profissionalização, lazer e segurança social. Certamente essa declaração trouxe peso para as demais mudanças na educação infantil que se seguiram. LDB No ano de 1961, temos uma nova legislação voltada para a Educação Infantil e suas especificidades. a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 4024/61) propôs a inclusão dos jardins de infância no sistema de ensino por meio dos seus artigos 23 e 24, porém, a generalidade da Lei não permitiu que ações efetivas fossem realizadas, apesar do aumento da demanda por creches e pré-escolas. Observe ainda que a educação infantil será novamente mencionada na Lei 5692, aprovada em 1971, retrocedendo ao que já se lia no artigo 24, da Lei 4024. A nova menção no parágrafo 2º, do art. 19, assegura que “os sistemas valerão para as crianças de 26 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL idade inferior a 7 anos que recebam conveniente educação em escolas maternais, jardins-de-infância ou instituições equivalentes” (LDB 5692/71). (GUIMARÃES, 2017, p. 111). Uma vez que as principais preocupações estavam na evasão escolar das séries iniciais, viu-se na demanda da educação infantil um meio de preparar as crianças para os estudos posteriores, criando vínculos escolares. O MEC divulgou diversos pareceres e documentos, entre eles o parecer do Conselho Federal de Educação 2018/74 que fundamentou, recomendou e reafirmou a prioridade da pré-escola no atendimento das crianças oriundas das famílias de baixa renda, visando, com isso, equalizar as oportunidades de acesso e permanência, além de oferecer formação escolar que compensasse a marginalização e carência cultural a que estas crianças estavam submetidas em seu meio. (GUIMARÃES, 2017, p. 116). A CONSTITUIÇÃO DE 1980 E 1988 Claramente, ao longo do período de redemocratização já na década seguinte, nos anos 1980, a educação da criança passou a ser vista com cada vez mais frequência como um dever do Estado no que dizia respeito à sua educação. Havia a necessidade de que este se comprometesse genuinamente 27 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL com essa função e a população comum a partir deste momento começava a lutar pela ampliação educacional em via pública, de maneira que esta fosse mais democrática e abrangente. Assim, nesse mesmo ano, a educação pré-escolar foi instituída oficialmente, por conta do III Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto. O documento estabeleceu diretrizes, prioridades, metas, estratégia e plano de ação da política do pré-escolar. O programa instituiu que os primeiros anos de vida são importantes para o desenvolvimento humano, por isso a importância desses ambientes escolares nessa fase, com vista a contribuir com as precárias condições de vida de boa parte da população infantil brasileira da época, diminuindo, assim, os danos para o desenvolvimento futuro da criança. Assim, a Constituição Federal define, como Guimarães menciona (2017, p. 121), que de acordo com o artigo 208 é um direito social o atendimento às crianças como parte estatal. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de [...] atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade (...) é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à 28 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a sobrevivência familiar comunitária. (BRASIL, 1988)” (GUIMARÃES, 2017, p. 121 e 122). Certamente, a Carta Magna de 1988 trouxe um avanço para a criança ao reconhecê-la como sujeito de direitos, portanto cidadã, embora ainda foi omissa sobre a obrigação de oferta de educação infantil pelo Estado. Inaugurou-se no Brasil um longo e sofrido processo de transformação do caráter assistencial para o educacional quanto ao atendimento das crianças das creches e pré-escolas, entendendo que a educação de zero a seis anos de idade trata-se de um direito da criança e não da mãe trabalhadora. A renovação proposta pela constituição de 1988 recebeu contribuição de estudos da psicologia da infância, da neurociência e outras áreas do conhecimento ligadas à construção da inteligência, linguagem e construção do conhecimento por crianças pequenas. O intercâmbio com educadores especialistas e experientes na educação infantil envolvendo crianças desde seu nascimento contribuiu com os debates em congressos e fóruns em defesa de uma educação infantil de qualidade nas creches e pré-escolas no Brasil. A partir desses passos legais e sociais, surgiram tantas outras legislações trazendo uma outra visão da função 29 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL educativa ao atendimento institucionalizado da criança, desencadeando discussões sobre o tipo de trabalho pedagógico adequado a esse segmento, sua normatização, a revisão do papel dos professores junto à necessidade de formação específica, além das diretrizes curriculares a serem seguidas. DIREITOS DA CRIANÇA Ao longo das últimas décadas, uma série de movimentos mundiais e nacionais contribuiu para a valorizaçãoda criança como sujeito autônomo e detentora de direitos. Observe na figura 1 alguns destes documentos oficiais que iremos tratar neste capítulo: Figura 1 – Alguns documentos referentes ao direito da criança ALGUNS DOCUMENTOS REFERENTES AO DIREITO DA CRIANÇA 1959 – Declaração Universal dos direitos da criança 1990 – ECA (Estatuto da criança e do adolescente) 1994 – Política Nacional Educação Infantil 1996 – LDB (Lei de diretrizes e bases da educação) 2016 – Marco legal da 1ª infância Fonte: elaborada pela autora 30 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA A declaração universal dos direitos da criança foi oficializada em 20/11/1959. Esse documento foi aprovado, por unanimidade, por 196 países na sede mundial da ONU e é a declaração conhecida como tratado internacional mais amplamente aceito na história. É responsabilidade da UNICEF, como organismo unicelular da ONU, fiscalizar o cumprimento dos direitos estabelecidos na declaração. O documento, entre outros pontos importantes, declara que a criança é um sujeito de direitos, atribuindo ao Estado, à sociedade e à família o dever de garantir direitos fundamentais na infância, máxima defendida em outros documentos que se seguirão. Assim, se assegurando às crianças uma série de direitos, como: educação, cuidados de saúde, proteção, ao direito de brincar, entre outros. A declaração universal dos direitos da criança foi aprovada, por unanimidade, por 196 países na sede mundial da ONU e é a declaração conhecida como tratado internacional mais amplamente aceito na história. 31 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL Assim, a declaração universal dos direitos da criança trata- se de um marco importante para o início oficial das discussões dos direitos da infância mundialmente falando. A partir desse marco histórico, cada países, no decorrer dos anos que se seguiram, passou a criar sua própria legislação que envolvia o direito da criança e o dever do estado, da família e sociedade. Entre os pontos citados na declaração, inclui-se o direito à educação, como podemos observar no trecho abaixo: Princípio 7º: A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade. Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais. A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar- se-ão em promover o gozo deste direito. (ONU, 1959) Alguns pontos importantes desse trecho da declaração que queremos destacar incluem o direito à educação, gratuita 32 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL e compulsória no grau primário, o que acarretará uma série de avanços nesse sentido ao redor do mundo. Outro ponto trata- se da ênfase na responsabilidade da família em primeiro lugar quanto à educação de seus filhos, o que não isenta o seu dever de educar, apesar do reconhecimento do papel do Estado em colaborar com essa educação. O brincar se torna outro direito importante adquirido, já que, por boa parte da história, a criança era apenas considerada um miniadulto, tendo que desenvolver, desde pequenos, tarefas semelhantes a eles. Portanto essa nova forma de olhar para criança se configurará de extrema importância para as diretrizes educacionais infantis. ECA (ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE) ECA é a abreviação de Estatuto da Criança e do Adolescente. O documento surge em 13/07/1990, através da Lei 8.069, após intensos movimentos sociais – incluindo a luta em relação aos meninos de rua – que levaram mais de 700 crianças ao plenário nacional e aprovaram o ECA em uma votação simbólica. Esse documento é um compromisso da sociedade com a cidadania e surgiu como resposta ao cumprimento da constituição de 1988. 33 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL O estatuto conseguiu reunir direitos da criança e do adolescente e apresentar deveres da sociedade, do estado e da família de proteção à infância, sendo os Direitos Fundamentais instituídos: I - Do direito à vida e à saúde: incluindo a proteção, nascimento sadio e desenvolvimento adequado; II - Do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade: ir e vir a lugares públicos, ter liberdade de expressão e opinião, crenças e cultos, brincar e se divertir; III - Do direito à convivência familiar e comunitária: educação pela família ou afins e sociedade; IV - Do direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer: envolve o desenvolvimento pleno da criança, valorização histórica e artística; e V - Do direito à profissionalização e à proteção no trabalho: defende que é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, e para esses, salvo na condição de aprendiz. (BRASIL, 1990). Alguns outros pontos de interesse do documento encontram-se no fato do ECA estabelecer a diferença de idades entre crianças e adolescentes, sendo: criança – 0 a 12 anos incompletos e adolescentes - 12 anos completos a 18 anos. O ECA traz também a proibição do trabalho infantil, salvo acima de 14 anos, como menor aprendiz. Um significativo avanço, principalmente quando se remete à história da criança ao longo dos anos de colonização. Além disso, o documento regulariza com mais clareza o dever do Estado quanto ao direito de 34 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL escolarização aos pequenos, quando diz: “O estatuto também estipula os deveres do Estado para que sejam assegurados os direitos apontados, quais sejam: (...) Oferecer atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade”. (JACOB, E. SANTOS, A. L., 2020). SAIBA MAIS Alguns pontos importantes para educação (ECA, 1990) Artigo 16 Incisos II – “Direito de opinião e expressão” Inciso IV – “Direito de brincar e praticar esportes e divertir-se” Artigo 18 “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do ado- lescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desuma- no, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. Art. 70-A “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de- verão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes.” 35 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL Considerando o fato de que nos educamos em sociedade, os familiares, os pais, os gestores, os docentes, as autoridades públicas e demais áreas de atuação infantil devem valorizar o conhecimento a respeito do ECA, uma vez que visamos por um mundo mais justo e melhor para crianças e adolescentes. Considerando a área de atuação na educação infantil, esse é um documento muito importante para entendermos como agir nessa fase de ensino, lembrando todos os direitos atribuídos como vemos no artigo 3º da constituição, onde sintetiza o objetivo do estatuto ao dizer: Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (...) assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990). O ECA, dessa forma, pode ser visto como uma grande conquista nacional. É um fato, ao menos neste sentido, que somos reconhecidos internacionalmente como uma instituição de grande renome, importância e relevância no que diz respeitoaos direitos às crianças. O problema é que, se ainda desconhecido, logo, será descumprido, sobretudo quando ainda 36 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL vemos vulnerabilidade social de crianças e adolescentes, tendo um longo caminho pela frente. Assim, é importante que nós, educadores, criemos um convívio de participação na escola quando pequenos. É importante, levando em conta que é neste processo que se inicia a socialização e a compreensão de coletividade na convivência com as diferenças nos mais variados colegas de turma e suas características. Desde pequeno é que se aprende a ser cidadão, através do diálogo, conflito, reconhecendo seus direitos e responsabilidades, a partir de oportunidades de construir relações democráticas e participativas na escola e na sociedade. Tudo isso se mostra como relevante, crucial e inegável como um direito às crianças. POLÍTICA NACIONAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL Considerando as circunstâncias, o MEC se torna o grande responsável pela proposta da Política Nacional de Educação Infantil ao longo dos anos 90. Assim surge a Política Nacional da Educação Infantil que foi um documento criado pelo MEC, em 1994, apresentando todos os protocolos, orientações, diretrizes, para o público infantil – considerado de 0 a 6 anos. Esse documento define um conjunto articulado de objetivos, 37 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL estabelece metas a serem alcançadas em curto prazo, propõe estratégias de ação e orientações recomendadas para a equipe educacional. Além disso, o documento propõe-se a fortalecer as instituições competentes, a fim de expandir as ofertas de vagas e melhorar a qualidade de atendimento em creches e pré- escolas. A partir de então, o MEC propõe uma série de outros documentos referentes a esse segmento de ensino. LDB (LEIS DE DIRETRIZES E BASES) A LDB, leis de diretrizes e bases, como o próprio nome diz, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Essa é a lei que regulamenta a educação no nosso país e estabelece as responsabilidades de cada instância governamental, definindo e organizando aquilo que deve ser ministrado ao público da primeira infância, de 0 a 3 anos. Também chamada de Carta Magna da Educação nacional, a LDB é a mais importante lei brasileira que se refere à educação e foi instituída pela lei número 9394 de 20 de dezembro de 1996. Entre outros motivos, ela foi criada a fim de levar em conta a necessidade de todos terem acesso à educação e efetivamente realizar este projeto de abrangência e democratização do ensino. 38 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL É importante lembrar que o surgimento inicial da LDB se deu em 1961, tratando-se do início da legislação escolar no Brasil, estabelecendo divisões e seguimentos primário, colegial e universitário. Em 1971, há uma nova divisão de primeiro, segundo e terceiro grau, aumentando a permanência de 4 para 8 anos escolares. Porém, é na lei 9394/96 que há mudanças significativas, que torna essa data relevante para a história dos direitos da infância, uma vez que inclui a educação infantil como primeira etapa da educação básica, revogando as estruturas anteriores e propondo nas instruções normativas a divisão da educação em dois níveis: O nível básico, divididos em infantil, fundamental e médio e o nível superior, com a faculdade. Considerando a importância desse documento para as diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil, segue as informações contidas nesse documento sobre esse segmento escolar (BRASIL, 2017, p. 22): Também chamada de Carta Magna da Educação nacional, a LDB é a mais importante lei brasileira que se refere à educação. 39 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL SEÇÃO II – Da Educação Infantil Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30. A educação infantil será oferecida em: I – creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até (3) três anos de idade; II – pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade. Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I – avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental; II – carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; III – atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral 40 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL IV – controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total de horas; V – expedição de documentação que permita atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. Todos os pontos citados acima são relevantes para a legislação que se segue, pois agora a educação infantil integra a educação básica, há divisão mais clara entre creche (0 a 3 anos) e pré-escola (4 e 5 anos). Institui-se a forma de avaliação para o segmento escolar e a importância do controle de presença, bem como a carga mínima exigida. Assim, percebemos mais um significativo avanço para a educação nacional, como um todo, e para a educação infantil em específico. MARCO LEGAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA O marco legal da primeira infância trata-se de outro documento nacional importante sobre os direitos da criança. É datado de 8 de março de 2016 e a legislação tornou o Brasil como pioneiro em reconhecer a primeira infância importante quanto às políticas públicas, cujo comando partiu da Frente Parlamentar da Primeira Infância que, é válido lembrar, não se eximiu de criar uma conversa aberta com diversos setores 41 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL da sociedade, além de haver se utilizado de material legal preexistente para a composição de mais este projeto. AS REFORMAS EDUCACIONAIS E A EDUCAÇÃO INFANTIL CONTEMPORÂNEA Com o direto das crianças tendo se ampliando nos últimos tempos, a educação infantil ganha cada vez mais força. Nesse sentido, são inúmeros os documentos e publicações oficiais do Ministério da Educação (MEC) do Brasil e os marcos regulatórios que buscam orientar as práticas pedagógicas e o trabalho docente nas escolas de educação infantil. Vamos falar de três documentos nacionais importantes, suas funções, diferenças e atribuições para a educação nacional, em especial para a educação infantil, como vemos na figura 2. Figura 2 - Documentos norteadores para educação infantil no Brasil Fonte: elaborada pela autora 42 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL RCNEI O RCNEI trata-se do Referencial Curricular Nacional para a educação infantil e foi instituído em 1998 como parte dos parâmetros curriculares nacionais. É válido lembrar que ele não é um manual, funcionando como uma ferramenta que auxilia na formação de uma ideia a respeito do trabalho a ser administrado. Ele chega, também, na década de 90, em 1996 junto à LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), seguindo as Diretrizes Curriculares Nacionais. Isso significa que não é um documento de caráter normativo, mas sim instrucional. Considerado um avanço para a época, apresenta objetivos, conteúdos e orientações didáticas para a educação infantil. Um de seus maiores objetivos é apresentar o que deve ser ensinado na educação infantil. O RCNEI em outras palavras, é nada mais, nada menos, do que pensar, não seguir estritamente, a respeito de orientações para professores que cuidem no dia a dia do público infantil de 0 a 6 anos, dadas as devidas contextualizações de público, classe social, cultura, e ainda a personalidade ou estilo dos professores.É exatamente esse o motivo de não ser algo necessariamente estrito: a flexibilidade de possibilidades é necessária. 43 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL Entre seus principais pontos, queremos destacar sua organização. O Referencial Curricular Nacional é organizado em 3 volumes, sendo o volume 1 é a introdução, trazendo conteúdos básicos sobre creches, pré-escolas brasileiras, profissionalização, etc., já o volume 2 é sobre trata da construção da personalidade da criança, sua autonomia e interações sociais; e o volume 3 fala sobre o conhecimento de mundo, onde são apresentados seis documentos, cada um relacionado aos subeixos de trabalho na educação infantil, mais aproximados das áreas de estudo escolares como as conhecemos hoje, tais como o desenvolvimento da linguagem oral, ciências da natureza, matemática, etc. A unidade 3 mostra-se como uma importante contribuição para a prática escolar na educação infantil visando seu desenvolvimento integral, sendo assim um guia para a prática nas creches e pré-escolas. Estudaremos tais eixos mais adiante. Segundo o RCNEI, a organização do Referencial possui caráter instrumental e didático, devendo os educadores ter consciência de que os conhecimentos se processam de maneira integrada e global e que há inter-relações entre os diferentes eixos sugeridos a serem trabalhados com as crianças. (Brasil, 1998) 44 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL DCNEI A DCNEI (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil) é um documento que, diferente do RCNEI, é normativo, ou seja, seu cumprimento é obrigatório, não apenas instrucional. Como resumo de sua importância, as diretrizes estão voltadas para as políticas públicas, sendo base para a elaboração do planejamento curricular da escola, uma vez que propõe metas e objetivos escolares. A atenção do documento está voltada para a criança, na direção de colocá-la no foco. Reforça o conhecimento cultural e científico, o contato com natureza, e apresenta interesse no modo como a criança se situa no mundo. Seu objetivo é apresentar subsídios sobre o aprendizado da criança para proporcionar o direito de melhor aprender. Os eixos estruturantes apresentados pela DCNEI envolvem a interação e a brincadeira, propondo a articulação das diferentes linguagens para a organização do currículo e da didática da educação infantil. O marco conceitual observado no DCNEI está na relação entre o cuidar e o educar, algo que a BNCC valida e reforça. Cuidar e educar significa entender que o espaço/tempo onde a criança vive pede a atenção de tutores responsáveis por 45 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL compreender suas devidas fases da vida e colaborem para o seu desenvolvimento de maneira saudável, segura e proveitosa. O documento pontua, entre outros tópicos, as concepções atreladas ao segmento escolar, os princípios norteadores, a importância da inclusão, envolvendo cultura, crenças, diversidades. Traz uma abordagem interessante sobre avaliação na educação infantil. Partes desses pontos serão retomadas em nosso estudo sobre o fazer pedagógico na educação infantil. BNCC A BNCC é um documento de caráter normativo, ou seja, é considerado obrigatório para nortear as políticas públicas da educação infantil e foi instituído em 2017. Um de seus principais objetivos é apresentar subsídios sobre o aprendizado da criança para proporcionar o direito de melhor aprender. Na BNCC o foco é o protagonismo da criança, acreditando que o desenvolvimento ocorre a partir das vivências e experiências de cada criança e daquilo que já foi aprendido por ela. As aprendizagens, dessa forma, são planejadas e pensadas a partir das competências e saberes que a criança já adquiriu. A base reforça a importância dos eixos cuidar e educar citados pelo DCNEI. 46 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL São cinco os principais campos de desenvolvimento da criança: noções, habilidades, atitudes, valores e afetos, neste caso levando em conta a faixa etária de 0 a 5 anos dentro dos pressupostos da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A BNCC é a base dos demais documentos escolares. Assim, podemos entender que ela deve estar integrada ao currículo da rede, que deve conter no projeto político-pedagógico escolar que juntos formam as diretrizes do plano de aula do professor. UM PONTO IMPORTANTE Antes de encerrarmos a apresentação dos principais documentos norteadores para a educação infantil nacional, é importante destacar que o foco trazido até esse momento envolve principalmente deveres do estado com as crianças. Porém os três documentos apresentados, RCNEI, DCNEI e BNCC, bem como o ECA e Brincar e educar são eixos importantes e fundamen- tais na educação infantil, segundo documentos como DCNEI e BNCC. Fonte: Freepik 47 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL demais documentos, apresentam a importância da família no processo de integração com a escolarização da criança da educação infantil, em especial. É fundamental que os pais estejam em diálogo constante com os agentes de educação da escola. O respeito entre ambos, a colaboração, ajudarão que a criança se desenvolva. É fácil exemplificar: pais presentes na educação de seus filhos no que diz respeito ao conhecimento direto e no seu desenvolvimento pessoal inevitavelmente colaboram para que a escola desenvolva um bom trabalho com a criança. A proposta de crescimento em todas as esferas, o lidar com as emoções, o contato social com outros, é o objetivo também do ensino escolar. Por isso, a educação oferecida pelo Estado, com base nas legislações estudadas, é inquestionavelmente importante, porém a parceria da família e responsáveis é fundamental para que tenhamos uma educação de qualidade na infância. Ellen White, no livro Educação (2013, p. 284) afirma essa ideia ao afirmar que “O trabalho do professor deve suplementar o dos pais, mas não o substituir. Em tudo que respeita ao bem-estar da criança devem os pais e professores esforçar-se no sentido de cooperar”. O RCNEI defende ainda, sobre a importância da integração da família com a escola: 48 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL constata-se em muitas instituições que as relações familiares têm sido conflituosas, baseadas numa concepção equivocada de que as famílias dificultam o processo de socialização e de aprendizagem das crianças. No caso das famílias de baixa renda, por serem consideradas como portadoras de carências de toda ordem. No caso das famílias de maior poder aquisitivo, a crítica incide na relação afetiva estabelecida com as crianças. [...] Muitas instituições que agem em função deste tipo de preconceito têm procurado implantar programas que visam a instruir as famílias, especialmente as mães, sobre como educar e criar seus filhos dentro de um padrão preestabelecido e considerado adequado. (BRASIL, RCNEI, 1998) Assim, tendo entendido os principais pontos de cada um desses documentos, é importante lembrar que eles são, hoje, os principais instrumentos para elaborar e avaliar as propostas pedagógicas das instituições de educação infantil do país, garantindo os direitos infantis alcançados ao longo da história. AGORA É COM VOCÊ Procure conhecer os direitos infantis defendidos pela ECA no seguinte link https://www.gov.br/mdh/pt-br/centrais-de-conteudo/crianca-e- adolescente/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-versao-2019.pdf. Acesso em: 19 jul. 2022. Após a compreensão das discussões trazidas nesse documento, reflita sobre quais mudanças relacionadas aos direitos infantis ao longo da história da criança já deveríamos ter superado, mas, não raro, é possível notá-las na sociedade contemporânea (cite exemplos, se preferir). 49 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao estudarmos o assunto de diretrizes curriculares da educação infantil tínhamos como meta: estudar a criança em seus aspectos históricos, culturais e sociais,compreendendo a infância ao longo da história e a importância da educação infantil. Portanto, lembrando que o grande tema era: a criança e a história da educação infantil, falamos, ao longo do módulo, sobre a história da criança e a forma como ela era tratada, não diferente de um adulto em miniatura, por séculos. Falamos sobre o desenvolvimento da educação infantil, considerando o caráter assistencialista e os avanços da creche em resposta às demandas sociais. Outro ponto apresentado dizia respeito aos direitos infantis, sobretudo estabelecidos pelo ECA e as conquistas da LDB. E, ainda, discutimos pontos importantes da legislação norteadora da educação infantil, com destaque para o RCNEI, DCNEI e BNCC. Conhecer as diretrizes curriculares e saber que elas estabelecem a base nacional comum, responsável por orientar a organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas das redes de ensino da educação infantil brasileira é fundamental para professores, gestores, futuros professores e gestores, ou mesmo pais, cidadãos ou quaisquer profissionais que queiram entender sobre os direitos das crianças, a fim de 50 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL através da história passada, compreenderem as demandas da contemporaneidade, oferendo sempre uma educação de qualidade aos pequenos. Assim, terminamos com as palavras de Ellen White, no livro Educação (2013), ao falar sobre a importância do preparo para a missão que é ensinar nossas crianças: todo professor deve cuidar de que seu trabalho tenda a resultados definidos. Antes de tentar ensinar uma matéria, deve ter em seu espírito um plano distinto, e saber o que precisamente deseja conseguir. Não deve ficar satisfeito com a apresentação de qualquer assunto antes que o estudante compreenda os princípios nele envolvidos, perceba a sua verdade, e esteja apto a referir claramente o que aprendeu. (White, 2013, p. 189). RESUMO Nesta unidade aprendemos que: • a história da criança e a forma como ela era tratada, não foi diferente de um adulto em miniatura, por séculos, no período de colonização; 51 A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL • a criança não era cidadã de direitos e a escravidão e o abandono parental eram comuns para os pequenos até meados do século 19; • a escolaridade promovida pela igreja (catequização) ou Estado era privilégio dos filhos de famílias ricas durante a república, já que as crianças mais humildes precisavam trabalhar para subsistência; • a revolução industrial estimulou o êxodo rural, onde mulheres se viram na obrigação de trabalhar nas indústrias sem ter com quem deixar seus filhos; • o desenvolvimento da educação infantil surgiu entre os séculos 19 e 20, para as famílias mais pobres, e iniciou considerando o caráter assistencialista das instituições que apenas cuidavam das crianças para as mães trabalharem; • houve o avanço das creches em resposta às demandas sociais, porém um olhar social inteiramente negativo para essas instituições, considerando-as serem só para pobres; • os direitos das crianças passam a ser focos de documentos oficiais a partir da declaração universal dos direitos da criança de 1959 que reconhece a criança como cidadã de direitos; 52 DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL • a Constituição de 1988, que reconhecia nacionalmente o direto da criança, torna-se a carta magna nacional de direitos infantis; • a partir do reconhecimento dos direitos infantis, a criação de documentos como o ECA, LDB, Marco legal da primeira infância, política nacional da educação infantil, entre outras legislações nacionais foram criadas; • surgem diversos documentos norteadores da educação infantil, como RCNEI, DCNEI e BNCC; • a legislação vigente para a educação infantil coloca a criança como protagonista e incentiva a brincadeira, o cuidado e o aprendizado infantil, entre outros pontos; • segundo esses documentos, família e escola devem trabalhar em cooperação para a educação integral da criança. 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