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DIRETRIZES 
CURRICULARES 
DA EDUCAÇÃO 
INFANTIL
Renata Faria de Araujo
1ª Edição, 2022
EAD
Reitor e Diretor Campus Engenheiro Coelho: Martin Kuhn 
Vice-reitor para a Educação Básica e Diretor Campus Hortolândia: Douglas Jefferson Menslin
Vice-reitor para a Educação Superior e Diretor Campus São Paulo: Afonso Cardoso Ligório
Vice-reitor administrativo: Telson Bombassaro Vargas 
Pró-reitor de graduação: Afonso Cardoso Ligório 
Pró-reitor de pesquisa e desenvolvimento institucional: Allan Macedo de Novaes 
Pró-reitor de educação à distância: Fabiano Leichsenring Silva 
Pró-reitor de desenvolvimento espiritual e comunitário: Henrique Melo Gonçalves
Pró-reitor de Desenvolvimento Estudantil: Carlos Alberto Ferri
Pró-reitor de Gestão Integrada: Claudio Knoener 
Educação Adventista a Distância
Conselho editorial e artístico: Dr. Adolfo Suárez; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Allan Novaes; 
Me. Diogo Cavalcanti; Dr. Douglas Menslin; Pr. Eber Liesse; Me. Edilson Valiante; 
Dr. Fabiano Leichsenring, Dr. Fabio Alfieri; Pr. Gilberto Damasceno; Dra. Gildene Silva; 
Pr. Henrique Gonçalves; Pr. José Prudêncio Júnior; Pr. Luis Strumiello; Dr. Martin Kuhn; 
Dr. Reinaldo Siqueira; Dr. Rodrigo Follis; Esp. Telson Vargas
Editor-chefe: Rodrigo Follis
Gerente administrativo: Bruno Sales Ferreira
Editor associado: Werter Gouveia
Responsável editorial pelo EaD: Luiza Simões
Editora Universitária Adventista
Presidente Divisão Sul-Americana: Stanley Arco
Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos
Presidente Mantenedora Unasp (IAE): Maurício Lima
1ª Edição, 2022
DIRETRIZES 
CURRICULARES 
DA EDUCAÇÃO 
INFANTIL
Editora Universitária Adventista 
Engenheiro Coelho, SP
Renata Faria de Araujo
 Mestrado em Educação- Unasp/ EC
Campagnoni, Mariana / dos Santos, Diego Henrique Moreira
Formação da identidade profissional do contador [livro eletrônico] / Mariana Campagnoni. -- 1. 
ed. -- Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2020.
1 Mb ; PDF
ISBN 978-85-8463-172-8
1. Carreira profissional 2. Contabilidade 3. Contabilidade como profissão 4. Contabilidade como 
profissão - Leis e legislação 5. Formação profissional 6. Negócios I. Título.
20-33026 CDD-370.113
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP)
(Ficha catalográfica elaborada por Hermenérico Siqueira de Morais Netto – CRB 7370)
Diretrizes curriculares da educação infantil
1ª edição – 2022
e-book (pdf)
OP 00000_000
Coordenação editorial: Késia Santos
Conteudista: Renata Faria de Araujo
Preparador: Kawanna Cordeiro
Projeto gráfico: Ana Paula Pirani 
Capa e Diagramação: William Nunes 
Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp
Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900
Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172 
www.unaspress.com.br
Editora Universitária Adventista
Validação editorial científica ad hoc:
Silvana Telma de Lima Fritoli
Mestrado em Ensino - (Universidade Estadual do Oeste do 
Paraná - Unioeste)
Mestrado Interdisciplinar em Sociedade e Desenvolvimento 
(Universidade Estadual do Paraná - Unespar)
Graduação - Licenciatura Plena em Pedagogia (Centro 
Universitário Adventista de São Paulo - Unasp-Cp2)
MBA em Gestão em EAD e tutoria Online - (Unasp virtual)
Especialista em Neuropsicopedagogia (Instituto Adventista 
Paranaense - IAP)
Editora associada:
Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida 
a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo 
em breves citações, com indicação da fonte.
SUMÁRIO
A CRIANÇA E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL ........7
A criança: visão histórica, cultural e social .......................................9
Colonização .............................................................................10
Do fim do brasil colônia ao Brasil República ..........................13
Revolução industrial................................................................17
Fundamentos da história da educação infantil ...............................19
Reforma Leôncio de Carvalho .................................................21
Os cenários assistencialistas das creches ................................23
LDB ..........................................................................................25
A constituição de 1980 e 1988 ...............................................26
Direitos da criança ............................................................................29
Declaração universal dos direitos da criança ..........................30
ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ..........................32
Política Nacional da Educação Infantil ....................................36
LDB (Leis de Diretrizes e Bases) ..............................................37
Marco legal da primeira infância ............................................40
As reformas educacionais e a educação infantil contemporânea ..........41
RCNEI .......................................................................................42
DCNEI .......................................................................................44
BNCC ........................................................................................45
Um ponto importante .............................................................46
FEIRAS E MEGAEVENTOS47
TURISMO .................................................................................51
Considerações finais.........................................................................49
Resumo ............................................................................................50
Referências .......................................................................................52
7
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
UNIDADE 1
- Identificar, discutir a trajetória da criança e da educação 
infantil nas dimensões histórica, cultural e social.
- Analisar os caminhos das diretrizes curriculares e currículos 
nacionais para educação infantil.
A CRIANÇA E A HISTÓRIA 
DA EDUCAÇÃO INFANTIL 
UNIDADE 1
OB
JE
TI
VO
S
8
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a) ao estudo sobre Diretrizes Curriculares 
da educação infantil. Falar sobre direitos da criança e 
suas oportunidades de escolarização, hoje, é comum e 
inquestionável. Mas, nem sempre foi assim. Nos primordiais 
da história do Brasil, as crianças não eram reconhecidas 
como sujeitos de valores e de direitos. Somente a partir da 
constituição de 1988 é que documentos legais ganharam força 
no Brasil, dando à criança algum reconhecimento.
A partir daí, o processo de escolarização passou a ser 
pauta das discussões e legislações nacionais. Assim, as 
diretrizes curriculares nacionais surgiram, estabelecendo, 
dessa forma, a base nacional comum, responsável por 
orientar a organização, o desenvolvimento e a avaliação das 
propostas pedagógicas das redes de ensino da educação 
infantil brasileira.
Nosso objetivo, nesse estudo, é entender por quais 
caminhos a história da criança e da educação infantil passaram 
até que fossem reconhecidas como direito oficial e legal 
no país. Acreditamos que, conhecendo mais essa parte da 
história, podemos compreender os avanços, os desafios e 
as contribuições, a fim de, como professores, gestores, pais, 
9
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
contribuirmos cada vez mais para a educação integral de nossas 
crianças. Esperamos que, ao final da unidade, você consiga:
• entender a história da criança no brasil;
• reconhecer a trajetória da educação infantil;
• identificar as principais legislações 
sobre o direito da criança;
• examinar documentos norteadores da 
educação infantil na contemporaneidade;
• reconhecer a trajetória percorrida, buscando 
a valorização das conquistas. 
Bom estudo!
A CRIANÇA: VISÃO HISTÓRICA, CULTURAL 
E SOCIAL 
A história da criança no Brasil não tem um início glorioso 
em sua origem. Marcada por privações e dificuldades, 
evidenciam-se muitos problemas como: maus-tratos, abusos 
10
DIRETRIZES CURRICULARESDA EDUCAÇÃO INFANTIL
sexuais constantes, miséria, abandono familiar, falta de abrigo, 
escravidão. Fatores diversos marcam as negligências do Estado, 
família e sociedade. 
Para facilitar a compreensão e organização do 
entendimento da história da criança no Brasil, dividimos a 
história por períodos, sendo período colonial, do fim do Brasil 
colônia ao Brasil República e Revolução industrial, como 
podemos acompanhar a partir de agora. 
COLONIZAÇÃO
O Brasil é descoberto em 1500, e, logo no começo da 
história do Brasil, quando passa a ser povoado, por volta de 
1530, crianças também entravam nas embarcações com destino 
às colônias, como o Brasil. Essas crianças, muitas vezes, eram 
alistadas para as embarcações pelos próprios pais, que, por 
serem de classes sociais baixas, consideravam que seria uma 
pessoa a menos para gastos como comida. Por isso arrendavam 
os filhos por algum trocado para o sustento.
Outra situação era a de crianças abandonadas que 
embarcavam em busca de subsistência na colônia para onde 
eram enviadas. Nesses ambientes, essas crianças, mesmo 
11
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
acompanhadas dos pais, sofriam maus-
tratos a bordo. Na maioria das vezes, 
trabalhavam fazendo serviços pesados 
nas embarcações, como grumetes, além 
de sofrerem abusos físicos e sexuais, 
servindo aos tripulantes. 
Para Mary Del Priore (2021) as 
crianças que embarcavam nessas 
tripulações eram vistas como adultos 
em corpos infantis, sendo explorados 
da mesma forma que homens ou 
animais, enquanto durasse sua vida 
útil. As crianças só se livravam de tais 
tratamentos, quando possuíam classes 
mais altas, pois, nessa condição, eram 
guardadas dos abusadores pelos pais ou 
responsáveis de viagens. 
O sofrimento não se restringia ao 
contexto de exploração nas embarcações 
apenas. Não raramente, em caso de 
necessidade de aliviar o peso das 
embarcações, as crianças eram lançadas 
ao mar. As crianças que sobreviviam a 
GRUMETE
Tipo de aprendiz a bordo, menor 
de idade, responsável por lim-
par e ajuda os marinheiros nos 
diferentes trabalhos. Disponível 
em: https://pt.bab.la/diciona-
rio/espanhol-portugues/gru-
mete#:~:text=Grumete%20
%C3%A9%20um%20tipo%20
de,e%20gradualmente%20
cresceu%20na%20vida. Acesso 
em: 19 jul. 2022.
12
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
tantas dificuldades nessas embarcações e 
chegaram ao território brasileiro, sofriam 
abusos da mesma forma ao desembarcarem. 
Assim, essa fase não era percebida 
como fase importante para se notar 
necessidades específicas das crianças. Na 
colonização, a estatura era uma das únicas 
diferenças notada e considerada entre as 
crianças e os adultos. Por isso, quando 
se notava certa independência física, já 
era enviada ao trabalho, independente 
da idade, em plantações, pescas, caças, 
colaborando para o sustento da família, 
assim que lhe era possível a independência.
Pelos anos que se seguiram à 
colonização, os jesuítas se encarregaram 
de catequizar os meninos pequenos, 
sendo eles: índios, portugueses ou 
mestiços. Para isso, ofereciam ambientes 
para catequização e ensino da fé. A 
ideia oferecida era que catequizá-los 
era um meio de moldá-los, sendo essa 
uma forma de evitar a imoralidade e 
Na colonização, 
a estatura era 
uma das únicas 
diferenças 
notada e 
considerada 
entre as 
crianças e os 
adultos.
13
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
outros problemas sociais. Porém, se os ensinos oferecidos 
fossem negligenciados, o que era comum, tendo em vista às 
necessidades de sobrevivência, esses ensinos eram negados, 
sobrando apenas oportunidade para os mais aplicados, 
normalmente de famílias mais ricas. 
DO FIM DO BRASIL COLÔNIA AO BRASIL 
REPÚBLICA
Nos séculos 18 e 19, a oportunidade de acesso ao saber era 
exclusividade dos filhos das elites, pois os filhos dos pobres 
não tinham a educação como alternativa, sobrando para esses 
apenas o trabalho na lavoura, enquanto os filhos dos ricos eram 
ensinados por professores particulares, sobretudo no século 19 
(DEL PRIORE, 2021).
Assim, ainda no período colonial, o cuidado com a infância 
mais humilde se seguiu como responsabilidade de Portugal, 
através da companhia de Jesus, a igreja católica e representantes 
da corte. O objetivo continuava sendo usar a catequização para 
converter crianças em pessoas dóceis através da evangelização. 
Todavia a escravidão continuou forçando as crianças a 
trabalharem, e ainda forçou os pais escravos a abandonarem 
seus filhos aos cuidados dos seus senhores para o trabalho, 
14
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
assim como os adultos, por falta de condições do cuidado 
ou por troca de algum valor. Assim, na segunda parte do 
Brasil colônia, as crianças de menos renda continuam a serem 
exploradas através do trabalho físico, principalmente. 
Apesar das tentativas de acolhimento no círculo de 
cuidados e catequização dos jesuítas, as crianças seguiam 
sendo abandonadas, isso porque esses ambientes dificilmente 
conseguiam acolher a todas essas crianças, além dos órfãos e 
migrantes. Constantemente havia infanticídio, ou bebês eram 
abandonados em matagais ou mesmo em vias públicas. Era 
necessário que algo fosse feito para diminuir o descaso com as 
crianças na sociedade. 
Dessa forma, as igrejas católicas e as santas casas de 
misericórdias tomam a iniciativa de criar as casas dos 
expostos. Esses ambientes acolhiam crianças de baixa renda 
abandonados nas ruas ou num contexto de filhos fora do 
casamento ou sem condição de serem criadas pelos pais por 
motivos diversos. Assim, as crianças poderiam ser deixadas 
em rodas nas paredes dessas casas acolhedoras, sem os 
responsáveis pelo abandono serem identificados.
15
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
SAIBA MAIS
Esta roda era uma espécie de dispositivos onde eram 
colocados os bebês abandonados por quem desejasse 
fazê-lo. Apresentava uma forma cilíndrica, dividida ao 
meio, sendo fixada no muro ou na janela da instituição. 
O bebê era colocado numa das partes desse mecanismo 
que tinha uma abertura externa. Depois, a roda era gira-
da para o outro lado do muro ou da janela, possibilitan-
do a entrada da criança para dentro da instituição. Pros-
seguindo o ritual, era puxada uma cordinha com uma 
sineta, pela pessoa que havia trazido a criança, a fim de 
avisar o vigilante ou a rodeira dessa chegada, e imedia-
tamente a mesma se retirava do local (PASSETI, s/a, p. 9).
Esses ambientes, portanto, eram parte social acolhedora 
de crianças em situação de abandono social e parental. 
Iniciando em 1726, na Bahia, a primeira Casa dos expostos 
ou roda dos enjeitados surgiu como uma saída para esse 
problema da sociedade. Os bebês e crianças pequenas ficavam 
sobre o cuidado de amas de leite ou famílias voluntárias, mas, 
em geral, mesmo pequenas, elas eram exploradas no trabalho, 
mesmo nesses ambientes acolhedores. Após os sete anos, os 
juízes decidiam os destinos dessas crianças, frequentemente, 
16
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
sendo comum o envio ao trabalho de senhores que possuíam 
interesses físicos nelas.
A falta de higiene, de cuidados eram os principais fatores 
que geravam mortalidade às crianças nas casas dos expostos, 
sendo que boa parte dos pequenos morriam ou se desnutriam 
nesses ambientes. A princípio, as casas eram exclusivas para 
pessoas de nenhuma condição financeira, sendo ampliado para 
elites por frutos de relacionamentos extraconjugais.
Na passagem do século 19 ao 20, após inúmeras 
denúncias de higienistas sobre falta de cuidado e 
desnutrição e alto índice de mortalidade e de juristas que 
defendiam outros caminhos para a educação da criança, 
as casas dos expostos foram extintas. Essas instituições 
passaram, pois, a serem consideradas contrárias aos 
interesses do Estado.
Mudanças significativas surgem, então, nesse período, 
o que enfraquece mais ainda as rodas dos enjeitados. A 
presença da criança passa a ser almejada pela família, trazendo 
mudançassociais e familiares, causando cada vez menos 
procura a esses ambientes. E embora, no Brasil, a última casa 
dos expostos só tenha sido desativada em 1950, em São Paulo, 
no final do século 20, as casas já perdem seu valor.
17
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A indústria moderna se oficializou em meados do século 
19 em diante no Brasil. Esse momento histórico acarretou uma 
necessidade das famílias saírem das fazendas em direção às 
cidades, buscando sustento nas fábricas e indústrias. E foi 
nesse contexto que as famílias passaram por mudanças de 
mentalidade sobre o valor afetivo das organizações familiares. 
O valor da criança e o reconhecimento do vínculo da mesma 
com sua família tornou uma preocupação para a geração e 
cada membro da família, incluindo a criança, passou a ter sua 
importância familiar.
Assim, os cuidados com as crianças passam por uma 
série de mudanças, uma vez que o pai coloca sobre o filho 
a expectativa de futuro da família. A partir de então, a 
mortalidade comum e pouco sentida, passa a ser muito mais 
sofrida, logo, as crianças passam a ser foco do cuidado e 
proteção familiar.
Com o êxodo rural, torna-se comum o trabalho materno 
nas indústrias. As famílias que tinham condição buscavam 
cuidadoras para seus filhos nos períodos em que as mães 
precisavam trabalhar, porém as crianças mais pobres não 
tinham com quem ficar, o que passou a gerar um problema 
18
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
de cunho social. Assim, as famílias mais humildes, não vendo 
saída, permitiam que os filhos fossem inseridos nas fábricas 
como operários, mesmo ainda muito pequenos, por isso eles 
começavam a trabalhar, sendo explorados quanto às horas de 
trabalho, recebendo muito pouco por isso. 
Nesse contexto, as mães precisavam de um lugar seguro 
para deixar seus filhos e movimentos sociais passaram a 
defender a necessidade de novas escolas para que essas 
crianças, principalmente na primeira infância, fossem cuidados. 
Assim, há uma revolução da educação nessa fase, uma vez 
que novas escolas e instituições foram realmente criadas para 
satisfazer essas necessidades de acolhimento, principalmente 
das classes mais baixas.
Num primeiro momento, a escola tem papel 
assistencialista, de cuidado e alimentação, uma vez que 
eram ambientes como creches, que serviam apenas para 
as crianças pobres passarem o tempo, sem qualquer 
preocupação com o ensino. Assim, a creche, nesse momento 
e ao longo da história, sofreu muito preconceito, tendo em 
vista apenas o cuidado das crianças das classes baixas a qual 
eram destinadas as famílias carentes e de forma alguma aos 
filhos dos ricos. Por muitos anos no Brasil, essa mentalidade 
perdurou, foram necessárias muitos debates e leis, por 
19
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
longos anos, a fim de se ressignificar o 
papel escolar, trazendo em pauta o papel 
da escola além do assistencialismo, 
mas também para o ensino, como 
conhecemos hoje.
FUNDAMENTOS DA 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
INFANTIL
A infância nos primeiros séculos 
após a colonização do Brasil, era vista 
como qualquer outra fase, não havendo 
qualquer cuidado ou ensinamento 
diferenciado a elas. Com a idade de sete 
anos em diante a criança era preparada 
para o trabalho, dando seguimento aos 
trabalhos dos pais, isso porque, nessa 
época, as crianças não tinham uma 
ligação tão emocional com sua família. 
Além disso, os pequenos eram apenas 
miniadultos, sendo reproduções dos mais 
velhos quanto a forma de viver.
Num primeiro 
momento, 
a escola 
tem papel 
assistencialista, 
de cuidado e 
alimentação, 
uma vez 
que eram 
ambientes 
como creches, 
que serviam 
apenas para as 
crianças pobres 
passarem o 
tempo, sem 
qualquer 
preocupação 
com o ensino.
20
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
As taxas de natalidade e mortalidade para as 
crianças eras muito altas e comuns, mas como o vínculo 
afetivo ainda era escasso, não causava grandes prejuízos 
emocionais aos pais, que normalmente tinham outros vários 
filhos. A educação na infância, através da escolarização, 
também não era prioridade, principalmente para os filhos 
das classes mais baixa que precisavam contribuir com o 
sustento das famílias.
Após a idade moderna, a revolução industrial e o 
iluminismo, a visão da criança passa a ser modificada. A família 
enxerga com afeto a criança e principalmente as crianças da 
elite eram melhor tratadas, social e intelectualmente. Com o 
tempo, a criança passa então a ser um indivíduo de grande 
relevância social, com direitos, e que precisam de cuidados 
físicos, cognitivos, psicológicos e emocionais.
Porém, para transformar essa visão social em prática, 
muitas lutas foram travadas e discussões sócio-políticas 
realizadas. Os primeiros passos para o surgimento do que 
conhecemos hoje como educação infantil foram lentos e 
base de muitas polêmicas. Falaremos sobre algumas dessas 
leis e discussões nacionais que incentivaram o surgimento 
da educação infantil como dever do Estado.
21
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
REFORMA LEÔNCIO DE CARVALHO
Um dos primeiros documentos oficiais nacionais sobre 
escolarização para as crianças pequenas sobreveio da Reforma 
Leôncio de Carvalho, o então primeiro-ministro do Império do 
Brasil. O Decreto n. 7.247 em 19 de abril de 1879, dentre várias 
reformas, determinou a criação dos jardins de infância em cada 
distrito do município da Corte voltados à educação de crianças 
de três a sete anos de idade, como podemos observar: “Art. 
5º Serão fundados em cada districto do municipio da Côrte, e 
confiados á direcção de Professoras, jardins da infancia para a 
primeira educação dos meninos e meninas de 3 a 7 annos de 
idade”. (BRASIL, 1789).
Apesar da iniciativa em oferecer jardim da infância 
para as crianças pequenas, as verbas eram destinadas mais 
exclusivamente para as crianças maiores, evidenciando o 
descaso com essa fase da escolarização, assunto recorrente no 
cenário nacional. Sendo assim, a escolarização para o jardim 
da infância não teve força nacional efetiva, nesse momento, 
embora o assunto se tornasse cada vez mais importante.
Com a decadência cada vez maior das casas dos expostos, 
instituições acolhedoras de crianças abandonadas e de 
22
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
classes baixas, ficou cada vez mais evidente a necessidade 
de criar meios para resolver o problema social do abandono 
infantil, principalmente no socorro às mães que precisavam 
de atendimento aos filhos para que pudessem trabalhar, no 
contexto da industrialização. 
Assim, a necessidade da escolarização para os pequenos 
se torna cada vez mais evidente, porém, além do descaso, 
muitas polêmicas envolviam a criação do jardim da infância. 
Uma delas considerava um possível trauma tirar as crianças 
pequenas de suas famílias e levá-las ao ambiente escolar, 
polêmica que envolvia, principalmente, as crianças de famílias 
mais abastadas, outro dilema que seguiu o curso do tempo.
Ainda assim, no final do século 19, ocorreu algo que 
somou para o desenvolvimento da educação infantil, ao mesmo 
tempo que evidenciou a desigualdade já explícita em terreno 
nacional: os jardins de infância no Brasil chegaram. Entretanto, 
haviam creches e escolas maternais para crianças mais pobres 
cujas famílias possuíam poucos recursos, e instituições mais 
elitizadas. Como podemos observar no trecho abaixo,
[...] o que se pode notar, do que foi dito até aqui, é que 
as creches e pré-escolas surgiram a partir de mudanças 
econômicas, políticas e sociais que ocorreram na sociedade: 
23
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
pela incorporação das mulheres à força de trabalho 
assalariado, na organização das famílias, num novo papel 
da mulher, numa nova relação entre os sexos, para citar 
apenas as mais evidentes. Mas, também, por razões que se 
identificam com um conjunto de ideias novas sobre a infância, 
sobre o papel da criança na sociedade e de comotorná-la, 
através da educação, um indivíduo produtivo e ajustado 
às exigências desse conjunto social. (BUJES, 2001, p. 15)
Houve, portanto, um desenvolvimento de instituições 
particulares de jardim da infância, embora muitos pais de 
famílias ricas seguissem com a educação aos pequenos sendo 
feita em suas casas. Enquanto isso, as creches, embora com 
poucos recursos, precisavam ganhar forças e incentivos.
OS CENÁRIOS ASSISTENCIALISTAS DAS CRECHES 
”Kuhlmann Jr. (1996) considera 1899 como o ano do 
surgimento de creches que passaram a ocupar o cenário da 
assistência à infância brasileira.” (GUIMARÃES, 2017, p. 99). O 
autor defende também (1991) que a recomendação de criação 
de creches para as indústrias tomava vultos nos congressos, 
abordando a assistência à infância. Então,” durante as duas 
décadas iniciais do século 20, implantaram-se as primeiras 
instituições pré-escolares assistencialistas no Brasil e as entidades 
24
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
assistenciais fundaram creches.” (GUIMARÃES, 2017, p. 100.) 
Mas foi apenas em 1909, depois de 30 anos do referido decreto 
acima - de 1879, a respeito da criação dos jardins de infância - que 
o primeiro para fins públicos foi inaugurado, na ocasião no Rio 
de Janeiro, à época capital do Brasil, para crianças de quatro a 
sete anos, o Jardim de Infância Campos Salles.
 “Em 1923, houve a primeira regulamentação do 
trabalho da mulher com a proposta de instalação de creches 
e salas de amamentação próximas aos postos de trabalho.” 
(GUIMARÃES, 2017, p. 102). Nesta ocasião, efetivou-se a 
caracterização assistencialista da função de guarda das crianças 
em creche para pobres. Assim, ainda não se falava em educação 
das crianças de zero a seis anos. As unidades escolares 
ofereciam, em sua maioria, cuidados sanitários e alimentação, 
que também não havia qualquer preocupação em diferenciar 
dos adultos o que era oferecido. As cuidadores também, em 
geral, não tinham formação especializada, passando o tempo 
cuidando das crianças, para que suas mães trabalhassem.
Vivendo a era Vargas, 1930 até 1945, o estado novo 
realizou algumas modificações em diversos setores da 
sociedade, incluindo este que tratamos, descritos na CLT, 
ou, Consolidação das Leis Trabalhistas. Um marco legal 
na legislação previa que empresas particulares com mais 
25
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
de 30 funcionárias, acima de 16 anos, deveriam oferecer 
creches para os seus filhos, embora essa previsão fosse 
necessariamente cumprida.
Mas então, em 1959, a criança é reconhecida, pela 
Organização das Nações Unidas (ONU) como um sujeito 
de direitos, atribuindo ao Estado, à sociedade e à família 
o dever de garantir esses direitos, quais sejam: direito à 
saúde, educação, profissionalização, lazer e segurança social. 
Certamente essa declaração trouxe peso para as demais 
mudanças na educação infantil que se seguiram.
LDB
No ano de 1961, temos uma nova legislação voltada para a 
Educação Infantil e suas especificidades. a aprovação da Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 4024/61) 
propôs a inclusão dos jardins de infância no sistema de ensino 
por meio dos seus artigos 23 e 24, porém, a generalidade da 
Lei não permitiu que ações efetivas fossem realizadas, apesar 
do aumento da demanda por creches e pré-escolas. Observe 
ainda que a educação infantil será novamente mencionada 
na Lei 5692, aprovada em 1971, retrocedendo ao que já se lia 
no artigo 24, da Lei 4024. A nova menção no parágrafo 2º, do 
art. 19, assegura que “os sistemas valerão para as crianças de 
26
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
idade inferior a 7 anos que recebam conveniente educação 
em escolas maternais, jardins-de-infância ou instituições 
equivalentes” (LDB 5692/71). (GUIMARÃES, 2017, p. 111).
Uma vez que as principais preocupações estavam na 
evasão escolar das séries iniciais, viu-se na demanda da 
educação infantil um meio de preparar as crianças para os 
estudos posteriores, criando vínculos escolares.
O MEC divulgou diversos pareceres e documentos, entre 
eles o parecer do Conselho Federal de Educação 2018/74 
que fundamentou, recomendou e reafirmou a prioridade 
da pré-escola no atendimento das crianças oriundas das 
famílias de baixa renda, visando, com isso, equalizar as 
oportunidades de acesso e permanência, além de oferecer 
formação escolar que compensasse a marginalização e 
carência cultural a que estas crianças estavam submetidas 
em seu meio. (GUIMARÃES, 2017, p. 116). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1980 E 1988
Claramente, ao longo do período de redemocratização 
já na década seguinte, nos anos 1980, a educação da criança 
passou a ser vista com cada vez mais frequência como um 
dever do Estado no que dizia respeito à sua educação. Havia 
a necessidade de que este se comprometesse genuinamente 
27
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
com essa função e a população comum a partir deste 
momento começava a lutar pela ampliação educacional em 
via pública, de maneira que esta fosse mais democrática e 
abrangente. Assim, nesse mesmo ano, a educação pré-escolar 
foi instituída oficialmente, por conta do III Plano Setorial 
de Educação, Cultura e Desporto. O documento estabeleceu 
diretrizes, prioridades, metas, estratégia e plano de ação da 
política do pré-escolar. 
O programa instituiu que os primeiros anos de vida são 
importantes para o desenvolvimento humano, por isso a 
importância desses ambientes escolares nessa fase, com vista a 
contribuir com as precárias condições de vida de boa parte da 
população infantil brasileira da época, diminuindo, assim, os 
danos para o desenvolvimento futuro da criança.
Assim, a Constituição Federal define, como Guimarães 
menciona (2017, p. 121), que de acordo com o artigo 208 é um 
direito social o atendimento às crianças como parte estatal.
O dever do Estado com a educação será efetivado mediante 
a garantia de [...] atendimento em creche e pré-escola às 
crianças de zero a seis anos de idade (...) é dever da família, da 
sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com 
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à 
28
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, 
ao respeito, à liberdade e a sobrevivência familiar comunitária. 
(BRASIL, 1988)” (GUIMARÃES, 2017, p. 121 e 122). 
Certamente, a Carta Magna de 1988 trouxe um avanço 
para a criança ao reconhecê-la como sujeito de direitos, 
portanto cidadã, embora ainda foi omissa sobre a obrigação 
de oferta de educação infantil pelo Estado. Inaugurou-se 
no Brasil um longo e sofrido processo de transformação do 
caráter assistencial para o educacional quanto ao atendimento 
das crianças das creches e pré-escolas, entendendo que a 
educação de zero a seis anos de idade trata-se de um direito 
da criança e não da mãe trabalhadora. 
A renovação proposta pela constituição de 1988 
recebeu contribuição de estudos da psicologia da infância, 
da neurociência e outras áreas do conhecimento ligadas 
à construção da inteligência, linguagem e construção do 
conhecimento por crianças pequenas. O intercâmbio com 
educadores especialistas e experientes na educação infantil 
envolvendo crianças desde seu nascimento contribuiu com os 
debates em congressos e fóruns em defesa de uma educação 
infantil de qualidade nas creches e pré-escolas no Brasil.
A partir desses passos legais e sociais, surgiram tantas 
outras legislações trazendo uma outra visão da função 
29
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
educativa ao atendimento institucionalizado da criança, 
desencadeando discussões sobre o tipo de trabalho pedagógico 
adequado a esse segmento, sua normatização, a revisão 
do papel dos professores junto à necessidade de formação 
específica, além das diretrizes curriculares a serem seguidas.
DIREITOS DA CRIANÇA 
Ao longo das últimas décadas, uma série de movimentos 
mundiais e nacionais contribuiu para a valorizaçãoda 
criança como sujeito autônomo e detentora de direitos. 
Observe na figura 1 alguns destes documentos oficiais que 
iremos tratar neste capítulo:
Figura 1 – Alguns documentos referentes ao direito da criança
ALGUNS DOCUMENTOS REFERENTES AO DIREITO DA CRIANÇA
1959 – Declaração Universal dos direitos da criança 
1990 – ECA (Estatuto da criança e do adolescente)
1994 – Política Nacional Educação Infantil
1996 – LDB (Lei de diretrizes e bases da educação)
2016 – Marco legal da 1ª infância
Fonte: elaborada pela autora
30
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS 
DIREITOS DA CRIANÇA 
A declaração universal dos 
direitos da criança foi oficializada 
em 20/11/1959. Esse documento foi 
aprovado, por unanimidade, por 196 
países na sede mundial da ONU e é 
a declaração conhecida como tratado 
internacional mais amplamente aceito na 
história. É responsabilidade da UNICEF, 
como organismo unicelular da ONU, 
fiscalizar o cumprimento dos direitos 
estabelecidos na declaração.
O documento, entre outros pontos 
importantes, declara que a criança é um 
sujeito de direitos, atribuindo ao Estado, à 
sociedade e à família o dever de garantir 
direitos fundamentais na infância, máxima 
defendida em outros documentos que 
se seguirão. Assim, se assegurando às 
crianças uma série de direitos, como: 
educação, cuidados de saúde, proteção, ao 
direito de brincar, entre outros.
A declaração 
universal dos 
direitos da 
criança foi 
aprovada, por 
unanimidade, 
por 196 
países na 
sede mundial 
da ONU e é 
a declaração 
conhecida 
como tratado 
internacional 
mais 
amplamente 
aceito na 
história. 
31
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
Assim, a declaração universal dos direitos da criança trata-
se de um marco importante para o início oficial das discussões 
dos direitos da infância mundialmente falando. A partir desse 
marco histórico, cada países, no decorrer dos anos que se 
seguiram, passou a criar sua própria legislação que envolvia o 
direito da criança e o dever do estado, da família e sociedade. 
Entre os pontos citados na declaração, inclui-se o direito à 
educação, como podemos observar no trecho abaixo:
Princípio 7º: A criança terá direito a receber educação, que 
será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário.
Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a 
sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais 
oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade 
de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, 
e a tornar-se um membro útil da sociedade. Os melhores 
interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis 
pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em 
primeiro lugar, aos pais. A criança terá ampla oportunidade 
para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da 
sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-
se-ão em promover o gozo deste direito. (ONU, 1959)
Alguns pontos importantes desse trecho da declaração 
que queremos destacar incluem o direito à educação, gratuita 
32
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
e compulsória no grau primário, o que acarretará uma série de 
avanços nesse sentido ao redor do mundo. Outro ponto trata-
se da ênfase na responsabilidade da família em primeiro lugar 
quanto à educação de seus filhos, o que não isenta o seu dever 
de educar, apesar do reconhecimento do papel do Estado em 
colaborar com essa educação.
O brincar se torna outro direito importante adquirido, já 
que, por boa parte da história, a criança era apenas considerada 
um miniadulto, tendo que desenvolver, desde pequenos, tarefas 
semelhantes a eles. Portanto essa nova forma de olhar para 
criança se configurará de extrema importância para as diretrizes 
educacionais infantis.
ECA (ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE)
ECA é a abreviação de Estatuto da Criança e do 
Adolescente. O documento surge em 13/07/1990, através 
da Lei 8.069, após intensos movimentos sociais – incluindo 
a luta em relação aos meninos de rua – que levaram mais 
de 700 crianças ao plenário nacional e aprovaram o ECA em 
uma votação simbólica. Esse documento é um compromisso 
da sociedade com a cidadania e surgiu como resposta ao 
cumprimento da constituição de 1988.
33
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
O estatuto conseguiu reunir direitos da criança e do 
adolescente e apresentar deveres da sociedade, do estado e da 
família de proteção à infância, sendo os Direitos Fundamentais 
instituídos: I - Do direito à vida e à saúde: incluindo a proteção, 
nascimento sadio e desenvolvimento adequado; II - Do 
direito à liberdade, ao respeito e à dignidade: ir e vir a lugares 
públicos, ter liberdade de expressão e opinião, crenças e cultos, 
brincar e se divertir; III - Do direito à convivência familiar e 
comunitária: educação pela família ou afins e sociedade; IV - 
Do direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer: envolve 
o desenvolvimento pleno da criança, valorização histórica e 
artística; e V - Do direito à profissionalização e à proteção no 
trabalho: defende que é proibido qualquer trabalho a menores 
de quatorze anos de idade, e para esses, salvo na condição de 
aprendiz. (BRASIL, 1990). 
Alguns outros pontos de interesse do documento 
encontram-se no fato do ECA estabelecer a diferença de idades 
entre crianças e adolescentes, sendo: criança – 0 a 12 anos 
incompletos e adolescentes - 12 anos completos a 18 anos. O 
ECA traz também a proibição do trabalho infantil, salvo acima 
de 14 anos, como menor aprendiz. Um significativo avanço, 
principalmente quando se remete à história da criança ao longo 
dos anos de colonização. Além disso, o documento regulariza 
com mais clareza o dever do Estado quanto ao direito de 
34
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
escolarização aos pequenos, quando diz: “O estatuto também 
estipula os deveres do Estado para que sejam assegurados os 
direitos apontados, quais sejam: (...) Oferecer atendimento em 
creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade”. 
(JACOB, E. SANTOS, A. L., 2020). 
SAIBA MAIS
Alguns pontos importantes para educação (ECA, 1990)
Artigo 16
Incisos II – “Direito de opinião e expressão”
Inciso IV – “Direito de brincar e praticar esportes e divertir-se”
Artigo 18 
 “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do ado-
lescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desuma-
no, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. 
Art. 70-A
“A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de-
verão atuar de forma articulada na elaboração de políticas 
públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso 
de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e 
difundir formas não violentas de educação de crianças e de 
adolescentes.”
35
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
Considerando o fato de que nos educamos em sociedade, 
os familiares, os pais, os gestores, os docentes, as autoridades 
públicas e demais áreas de atuação infantil devem valorizar 
o conhecimento a respeito do ECA, uma vez que visamos por 
um mundo mais justo e melhor para crianças e adolescentes. 
Considerando a área de atuação na educação infantil, esse é 
um documento muito importante para entendermos como agir 
nessa fase de ensino, lembrando todos os direitos atribuídos 
como vemos no artigo 3º da constituição, onde sintetiza o 
objetivo do estatuto ao dizer:
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os 
direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (...) 
assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas 
as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o 
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, 
em condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990). 
O ECA, dessa forma, pode ser visto como uma grande 
conquista nacional. É um fato, ao menos neste sentido, que 
somos reconhecidos internacionalmente como uma instituição 
de grande renome, importância e relevância no que diz 
respeitoaos direitos às crianças. O problema é que, se ainda 
desconhecido, logo, será descumprido, sobretudo quando ainda 
36
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
vemos vulnerabilidade social de crianças e adolescentes, tendo 
um longo caminho pela frente.
Assim, é importante que nós, educadores, criemos um 
convívio de participação na escola quando pequenos. É 
importante, levando em conta que é neste processo que se inicia 
a socialização e a compreensão de coletividade na convivência 
com as diferenças nos mais variados colegas de turma e suas 
características. Desde pequeno é que se aprende a ser cidadão, 
através do diálogo, conflito, reconhecendo seus direitos e 
responsabilidades, a partir de oportunidades de construir 
relações democráticas e participativas na escola e na sociedade. 
Tudo isso se mostra como relevante, crucial e inegável como 
um direito às crianças.
POLÍTICA NACIONAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Considerando as circunstâncias, o MEC se torna o grande 
responsável pela proposta da Política Nacional de Educação 
Infantil ao longo dos anos 90. Assim surge a Política Nacional 
da Educação Infantil que foi um documento criado pelo MEC, 
em 1994, apresentando todos os protocolos, orientações, 
diretrizes, para o público infantil – considerado de 0 a 6 anos. 
Esse documento define um conjunto articulado de objetivos, 
37
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
estabelece metas a serem alcançadas em curto prazo, propõe 
estratégias de ação e orientações recomendadas para a equipe 
educacional. Além disso, o documento propõe-se a fortalecer 
as instituições competentes, a fim de expandir as ofertas de 
vagas e melhorar a qualidade de atendimento em creches e pré-
escolas. A partir de então, o MEC propõe uma série de outros 
documentos referentes a esse segmento de ensino.
LDB (LEIS DE DIRETRIZES E BASES)
A LDB, leis de diretrizes e bases, como o próprio nome diz, 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Essa é a 
lei que regulamenta a educação no nosso país e estabelece as 
responsabilidades de cada instância governamental, definindo 
e organizando aquilo que deve ser ministrado ao público da 
primeira infância, de 0 a 3 anos.
Também chamada de Carta Magna da Educação 
nacional, a LDB é a mais importante lei brasileira que se 
refere à educação e foi instituída pela lei número 9394 de 20 
de dezembro de 1996. Entre outros motivos, ela foi criada a 
fim de levar em conta a necessidade de todos terem acesso à 
educação e efetivamente realizar este projeto de abrangência 
e democratização do ensino. 
38
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
É importante lembrar que o 
surgimento inicial da LDB se deu em 
1961, tratando-se do início da legislação 
escolar no Brasil, estabelecendo divisões 
e seguimentos primário, colegial e 
universitário. Em 1971, há uma nova 
divisão de primeiro, segundo e terceiro 
grau, aumentando a permanência de 4 para 
8 anos escolares. Porém, é na lei 9394/96 
que há mudanças significativas, que torna 
essa data relevante para a história dos 
direitos da infância, uma vez que inclui a 
educação infantil como primeira etapa da 
educação básica, revogando as estruturas 
anteriores e propondo nas instruções 
normativas a divisão da educação em 
dois níveis: O nível básico, divididos em 
infantil, fundamental e médio e o nível 
superior, com a faculdade.
Considerando a importância desse 
documento para as diretrizes curriculares 
nacionais para a educação infantil, segue as 
informações contidas nesse documento sobre 
esse segmento escolar (BRASIL, 2017, p. 22):
Também 
chamada de 
Carta Magna 
da Educação 
nacional, a 
LDB é a mais 
importante 
lei brasileira 
que se refere à 
educação.
39
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
SEÇÃO II – Da Educação Infantil
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, 
tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de 
até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual 
e social, complementando a ação da família e da comunidade. 
Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
I – creches, ou entidades equivalentes, para 
crianças de até (3) três anos de idade;
II – pré-escolas, para as crianças de 4 
(quatro) a 5 (cinco) anos de idade.
Art. 31. A educação infantil será organizada de 
acordo com as seguintes regras comuns:
I – avaliação mediante acompanhamento e registro 
do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de 
promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental;
II – carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) 
horas, distribuída por um mínimo de 200 
(duzentos) dias de trabalho educacional;
III – atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias 
para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral
40
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
 IV – controle de frequência pela instituição de 
educação pré-escolar, exigida a frequência mínima 
de 60% (sessenta por cento) do total de horas;
V – expedição de documentação que permita atestar os 
processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança.
Todos os pontos citados acima são relevantes para a 
legislação que se segue, pois agora a educação infantil integra a 
educação básica, há divisão mais clara entre creche (0 a 3 anos) 
e pré-escola (4 e 5 anos). Institui-se a forma de avaliação para 
o segmento escolar e a importância do controle de presença, 
bem como a carga mínima exigida. Assim, percebemos mais um 
significativo avanço para a educação nacional, como um todo, e 
para a educação infantil em específico.
MARCO LEGAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA 
O marco legal da primeira infância trata-se de outro 
documento nacional importante sobre os direitos da criança. 
É datado de 8 de março de 2016 e a legislação tornou o Brasil 
como pioneiro em reconhecer a primeira infância importante 
quanto às políticas públicas, cujo comando partiu da Frente 
Parlamentar da Primeira Infância que, é válido lembrar, não 
se eximiu de criar uma conversa aberta com diversos setores 
41
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
da sociedade, além de haver se utilizado de material legal 
preexistente para a composição de mais este projeto.
AS REFORMAS EDUCACIONAIS E A 
EDUCAÇÃO INFANTIL CONTEMPORÂNEA 
Com o direto das crianças tendo se ampliando nos últimos 
tempos, a educação infantil ganha cada vez mais força. Nesse 
sentido, são inúmeros os documentos e publicações oficiais 
do Ministério da Educação (MEC) do Brasil e os marcos 
regulatórios que buscam orientar as práticas pedagógicas e 
o trabalho docente nas escolas de educação infantil. Vamos 
falar de três documentos nacionais importantes, suas funções, 
diferenças e atribuições para a educação nacional, em especial 
para a educação infantil, como vemos na figura 2.
Figura 2 - Documentos norteadores para educação infantil no Brasil
Fonte: elaborada pela autora
42
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
RCNEI
O RCNEI trata-se do Referencial Curricular Nacional 
para a educação infantil e foi instituído em 1998 como parte 
dos parâmetros curriculares nacionais. É válido lembrar que 
ele não é um manual, funcionando como uma ferramenta que 
auxilia na formação de uma ideia a respeito do trabalho a ser 
administrado. Ele chega, também, na década de 90, em 1996 
junto à LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), seguindo 
as Diretrizes Curriculares Nacionais. Isso significa que não é 
um documento de caráter normativo, mas sim instrucional.
Considerado um avanço para a época, apresenta objetivos, 
conteúdos e orientações didáticas para a educação infantil. Um 
de seus maiores objetivos é apresentar o que deve ser ensinado 
na educação infantil. O RCNEI em outras palavras, é nada 
mais, nada menos, do que pensar, não seguir estritamente, 
a respeito de orientações para professores que cuidem no 
dia a dia do público infantil de 0 a 6 anos, dadas as devidas 
contextualizações de público, classe social, cultura, e ainda a 
personalidade ou estilo dos professores.É exatamente esse o 
motivo de não ser algo necessariamente estrito: a flexibilidade 
de possibilidades é necessária. 
43
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
Entre seus principais pontos, queremos destacar sua 
organização. O Referencial Curricular Nacional é organizado em 
3 volumes, sendo o volume 1 é a introdução, trazendo conteúdos 
básicos sobre creches, pré-escolas brasileiras, profissionalização, 
etc., já o volume 2 é sobre trata da construção da personalidade 
da criança, sua autonomia e interações sociais; e o volume 3 
fala sobre o conhecimento de mundo, onde são apresentados 
seis documentos, cada um relacionado aos subeixos de trabalho 
na educação infantil, mais aproximados das áreas de estudo 
escolares como as conhecemos hoje, tais como o desenvolvimento 
da linguagem oral, ciências da natureza, matemática, etc. 
A unidade 3 mostra-se como uma importante contribuição 
para a prática escolar na educação infantil visando seu 
desenvolvimento integral, sendo assim um guia para a prática 
nas creches e pré-escolas. Estudaremos tais eixos mais adiante. 
Segundo o RCNEI,
a organização do Referencial possui caráter instrumental e 
didático, devendo os educadores ter consciência de que os 
conhecimentos se processam de maneira integrada e global 
e que há inter-relações entre os diferentes eixos sugeridos 
a serem trabalhados com as crianças. (Brasil, 1998)
44
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
DCNEI 
A DCNEI (Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Infantil) é um documento que, diferente do RCNEI, é 
normativo, ou seja, seu cumprimento é obrigatório, não apenas 
instrucional. Como resumo de sua importância, as diretrizes 
estão voltadas para as políticas públicas, sendo base para a 
elaboração do planejamento curricular da escola, uma vez que 
propõe metas e objetivos escolares. 
A atenção do documento está voltada para a criança, na 
direção de colocá-la no foco. Reforça o conhecimento cultural 
e científico, o contato com natureza, e apresenta interesse 
no modo como a criança se situa no mundo. Seu objetivo 
é apresentar subsídios sobre o aprendizado da criança 
para proporcionar o direito de melhor aprender. Os eixos 
estruturantes apresentados pela DCNEI envolvem a interação 
e a brincadeira, propondo a articulação das diferentes 
linguagens para a organização do currículo e da didática da 
educação infantil. 
O marco conceitual observado no DCNEI está na relação 
entre o cuidar e o educar, algo que a BNCC valida e reforça. 
Cuidar e educar significa entender que o espaço/tempo onde 
a criança vive pede a atenção de tutores responsáveis por 
45
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
compreender suas devidas fases da vida e colaborem para o seu 
desenvolvimento de maneira saudável, segura e proveitosa.
O documento pontua, entre outros tópicos, as concepções 
atreladas ao segmento escolar, os princípios norteadores, 
a importância da inclusão, envolvendo cultura, crenças, 
diversidades. Traz uma abordagem interessante sobre avaliação 
na educação infantil. Partes desses pontos serão retomadas em 
nosso estudo sobre o fazer pedagógico na educação infantil.
BNCC
A BNCC é um documento de caráter normativo, ou seja, 
é considerado obrigatório para nortear as políticas públicas 
da educação infantil e foi instituído em 2017. Um de seus 
principais objetivos é apresentar subsídios sobre o aprendizado 
da criança para proporcionar o direito de melhor aprender.
Na BNCC o foco é o protagonismo da criança, acreditando 
que o desenvolvimento ocorre a partir das vivências e experiências 
de cada criança e daquilo que já foi aprendido por ela. As 
aprendizagens, dessa forma, são planejadas e pensadas a partir das 
competências e saberes que a criança já adquiriu. A base reforça a 
importância dos eixos cuidar e educar citados pelo DCNEI.
46
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
São cinco os principais campos de 
desenvolvimento da criança: noções, 
habilidades, atitudes, valores e afetos, 
neste caso levando em conta a faixa etária 
de 0 a 5 anos dentro dos pressupostos 
da BNCC (Base Nacional Comum 
Curricular). A BNCC é a base dos demais 
documentos escolares. Assim, podemos 
entender que ela deve estar integrada 
ao currículo da rede, que deve conter no 
projeto político-pedagógico escolar que 
juntos formam as diretrizes do plano de 
aula do professor.
UM PONTO IMPORTANTE
Antes de encerrarmos a apresentação 
dos principais documentos norteadores 
para a educação infantil nacional, é 
importante destacar que o foco trazido 
até esse momento envolve principalmente 
deveres do estado com as crianças. Porém 
os três documentos apresentados, RCNEI, 
DCNEI e BNCC, bem como o ECA e 
Brincar e educar são eixos 
importantes e fundamen-
tais na educação infantil, 
segundo documentos como 
DCNEI e BNCC. 
Fonte: Freepik
47
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
demais documentos, apresentam a importância da família 
no processo de integração com a escolarização da criança da 
educação infantil, em especial. 
É fundamental que os pais estejam em diálogo 
constante com os agentes de educação da escola. O respeito 
entre ambos, a colaboração, ajudarão que a criança se 
desenvolva. É fácil exemplificar: pais presentes na educação 
de seus filhos no que diz respeito ao conhecimento direto e 
no seu desenvolvimento pessoal inevitavelmente colaboram 
para que a escola desenvolva um bom trabalho com a 
criança. A proposta de crescimento em todas as esferas, 
o lidar com as emoções, o contato social com outros, é o 
objetivo também do ensino escolar. 
Por isso, a educação oferecida pelo Estado, com base nas 
legislações estudadas, é inquestionavelmente importante, 
porém a parceria da família e responsáveis é fundamental para 
que tenhamos uma educação de qualidade na infância. Ellen 
White, no livro Educação (2013, p. 284) afirma essa ideia ao 
afirmar que “O trabalho do professor deve suplementar o dos 
pais, mas não o substituir. Em tudo que respeita ao bem-estar 
da criança devem os pais e professores esforçar-se no sentido 
de cooperar”. O RCNEI defende ainda, sobre a importância da 
integração da família com a escola:
48
DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
constata-se em muitas instituições que as relações familiares têm 
sido conflituosas, baseadas numa concepção equivocada de que as 
famílias dificultam o processo de socialização e de aprendizagem 
das crianças. No caso das famílias de baixa renda, por serem 
consideradas como portadoras de carências de toda ordem. No caso 
das famílias de maior poder aquisitivo, a crítica incide na relação 
afetiva estabelecida com as crianças. [...] Muitas instituições que 
agem em função deste tipo de preconceito têm procurado implantar 
programas que visam a instruir as famílias, especialmente as 
mães, sobre como educar e criar seus filhos dentro de um padrão 
preestabelecido e considerado adequado. (BRASIL, RCNEI, 1998)
Assim, tendo entendido os principais pontos de cada um 
desses documentos, é importante lembrar que eles são, hoje, 
os principais instrumentos para elaborar e avaliar as propostas 
pedagógicas das instituições de educação infantil do país, 
garantindo os direitos infantis alcançados ao longo da história.
AGORA É COM VOCÊ
Procure conhecer os direitos infantis defendidos pela ECA no seguinte 
link https://www.gov.br/mdh/pt-br/centrais-de-conteudo/crianca-e-
adolescente/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-versao-2019.pdf. 
Acesso em: 19 jul. 2022. Após a compreensão das discussões trazidas nesse 
documento, reflita sobre quais mudanças relacionadas aos direitos infantis 
ao longo da história da criança já deveríamos ter superado, mas, não raro, é 
possível notá-las na sociedade contemporânea (cite exemplos, se preferir).
49
A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao estudarmos o assunto de diretrizes curriculares da 
educação infantil tínhamos como meta: estudar a criança em 
seus aspectos históricos, culturais e sociais,compreendendo 
a infância ao longo da história e a importância da educação 
infantil. Portanto, lembrando que o grande tema era: a criança 
e a história da educação infantil, falamos, ao longo do módulo, 
sobre a história da criança e a forma como ela era tratada, não 
diferente de um adulto em miniatura, por séculos. Falamos 
sobre o desenvolvimento da educação infantil, considerando 
o caráter assistencialista e os avanços da creche em resposta 
às demandas sociais. Outro ponto apresentado dizia respeito 
aos direitos infantis, sobretudo estabelecidos pelo ECA e as 
conquistas da LDB. E, ainda, discutimos pontos importantes da 
legislação norteadora da educação infantil, com destaque para o 
RCNEI, DCNEI e BNCC.
Conhecer as diretrizes curriculares e saber que elas 
estabelecem a base nacional comum, responsável por orientar 
a organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas 
pedagógicas das redes de ensino da educação infantil brasileira 
é fundamental para professores, gestores, futuros professores e 
gestores, ou mesmo pais, cidadãos ou quaisquer profissionais 
que queiram entender sobre os direitos das crianças, a fim de 
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DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
através da história passada, compreenderem as demandas da 
contemporaneidade, oferendo sempre uma educação de qualidade 
aos pequenos. Assim, terminamos com as palavras de Ellen White, 
no livro Educação (2013), ao falar sobre a importância do preparo 
para a missão que é ensinar nossas crianças:
todo professor deve cuidar de que seu trabalho tenda 
a resultados definidos. Antes de tentar ensinar uma 
matéria, deve ter em seu espírito um plano distinto, e 
saber o que precisamente deseja conseguir. Não deve 
ficar satisfeito com a apresentação de qualquer assunto 
antes que o estudante compreenda os princípios nele 
envolvidos, perceba a sua verdade, e esteja apto a referir 
claramente o que aprendeu. (White, 2013, p. 189).
RESUMO
Nesta unidade aprendemos que:
• a história da criança e a forma como ela era tratada, 
não foi diferente de um adulto em miniatura, 
por séculos, no período de colonização;
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A CRIANçA E A hISTóRIADA EDUCAçãO INFANTIL 
• a criança não era cidadã de direitos e a escravidão 
e o abandono parental eram comuns para os 
pequenos até meados do século 19;
• a escolaridade promovida pela igreja (catequização) 
ou Estado era privilégio dos filhos de famílias ricas 
durante a república, já que as crianças mais humildes 
precisavam trabalhar para subsistência;
• a revolução industrial estimulou o êxodo rural, onde 
mulheres se viram na obrigação de trabalhar nas 
indústrias sem ter com quem deixar seus filhos;
• o desenvolvimento da educação infantil surgiu entre os 
séculos 19 e 20, para as famílias mais pobres, e iniciou 
considerando o caráter assistencialista das instituições que 
apenas cuidavam das crianças para as mães trabalharem;
• houve o avanço das creches em resposta às demandas 
sociais, porém um olhar social inteiramente negativo para 
essas instituições, considerando-as serem só para pobres;
• os direitos das crianças passam a ser focos de documentos 
oficiais a partir da declaração universal dos direitos da criança 
de 1959 que reconhece a criança como cidadã de direitos;
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DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
• a Constituição de 1988, que reconhecia nacionalmente o direto 
da criança, torna-se a carta magna nacional de direitos infantis;
• a partir do reconhecimento dos direitos infantis, a 
criação de documentos como o ECA, LDB, Marco legal da 
primeira infância, política nacional da educação infantil, 
entre outras legislações nacionais foram criadas;
• surgem diversos documentos norteadores da 
educação infantil, como RCNEI, DCNEI e BNCC;
• a legislação vigente para a educação infantil coloca a 
criança como protagonista e incentiva a brincadeira, o 
cuidado e o aprendizado infantil, entre outros pontos;
• segundo esses documentos, família e escola devem trabalhar 
em cooperação para a educação integral da criança.
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