Prévia do material em texto
DOENÇAS DO TGI INFERIOR Profa. Alane Bezerra alane.bezerra@professor.unifametro.edu.br Jejuno: Proximal – Vit A e B, ácido fólico, ferro, lactose Distal – dipeptídeos, isomaltose, maltose, trealose e sacarose Jejuno inteiro – glicose, galactose, ác. ascórbico, AA, glicerol, AG, monoacilgliceróis, ácido fólico, biotina, ácido pantotênico, Zn, K+ e cobre Duodeno: AA, AG, monoacilgliceróis, monossacarídeos, dissacarídeos (lactose), Vit A e B, glicerol e Ca Íleo: Cloreto, Na, K+, dissacarídeos, isomaltose, maltose e sacarose. Distal – B12 (fator intrínseco), sais biliares Todo jejuno e íleo: Vit B1, B2, B3, B6, D, E, K, iodo, Ca, Mg e fósforo Ceco: Água e eletrólitos INTESTINOS - REVISÃO Cólon transverso: Água e biotina CONSTIPAÇÃO Alteração no trânsito intestinal (intestino grosso) ↓ n° de evacuações, com fezes endurecidas e esforço à defecação Ausência de evacuação por mais de 3 dias ou volume <100g/dia CONSTIPAÇÃO Etiologia • Principais: Ausência repetida da resposta imediata ao estímulo de evacuar; Vida moderna, alimentos fast-food, ausência de horários regulares para as refeições; ↓fibra; ↓líquido. • Secundários: Inatividade (pacientes acamados); uso crônico de laxantes (medicações anticonvulsivantes, bloqueadores de canal de Ca, depressivos, AINE, anti- heméticos, anti-Parkinson...); doenças do intestino grosso (que levam a insuficiência da propulsão ou da passagem do bolo fecal por obstrução), neuropatia (diabetes), neoplasias intestinais, gestação, síndrome do cólon irritável, hemorroidas, etc. Terapia Nutricional: > oferta de fibras na dieta CONSTIPAÇÃO 20 a 35 g/dia 20 a 38 g/dia ♀: 25 g/dia ♂: 38 g/dia > 50g/dia (ADA, 2003) (BEYER, 2006) (IOM, 2005) Fibras solúveis Efeitos fisiológicos Pectina (maçã, casca de frutas cítricas, morango); gomas (aveia, leguminosas); algumas hemiceluloses (psyllium) Retardam o esvaziamento gástrico e diminuem a taxa de absorção de CHO; Ligam-se aos ácidos biliares, retardando ou reduzindo a absorção de lipídios; Aumentam o volume e a maciez das fezes; FOS (alho, cebola, banana, tomate, alcachofra) São fermentados no cólon e produzem AGCC (acetato, proprianato, butirato) Efeito prebiótico Fibras insolúveis Efeitos fisiológicos Celulose (farinha de trigo integral, feijões, ervilha, maçã, repolho, raízes vegetais); hemiceluloses (cereais, soja, grãos integrais); lignina (vegetais maduros, trigo) Aceleram o trânsito intestinal; reduzem obstipação Aumentam volume e maciez das fezes CONSTIPAÇÃO Anamnese Alimentar Frequência Fontes de vegetais (fibras) Quantidade Principal instrumento: A utilização de medicamentos é importante, entretanto, “viciam” a mucosa intestinal, de modo que quantidades crescentes serão necessárias ↓ FIBRAS melhor CONSTIPAÇÃO Alternativas para aumentar o consumo de fibras Estimuladores da mobilidade intestinal (contém ácido di-hidroxifinil isotina) Essencial a ingestão de 8 copos/dia de líquidos para que as fibras possam alterar o peso e a maciez das fezes Terapia Nutricional: – 1 a 2 semanas para atingir a meta de fibras – Líquidos: mínimo 1.600 mL/dia (8 copos de 200mL) – FOS - Fruto-oligossacarídeos (prebiótico) – Frutas cruas ↑ em ácidos orgânicos (laranja; mamão; ameixa preta/suco) – Alimentos como laranja, pera e água de coco → excita sistema nervoso parassimpático: > peristalse Naturalmente presente nos alimentos, adicionados e sintéticos CONSTIPAÇÃO CONSTIPAÇÃO Alimentos com ↑ fibras: 25 – 30g insolúveis, celulose, hemiceluloses, lignina; Incluir sucos de frutas e alimentos estimuladores: mamão (papaína + AO), laranja (celulose + AO), ameixa (di-hidroxifenil isatina), feijão, aveia, leite; Líquidos frios pela manhã; ↓ alimentos refinados e ↑ alimentos integrais; Incluir maior teor de lipídio; Incluir saladas de vegetais crus e frutas com casca; Evita-se alimentos que podem exercer efeito obstipante. Exemplos: ameixa fresca, ameixa seca, morango, melancia, laranja, mamão, melão, tangerina, kiwi, abacaxi, manga, banana nanica, pinha, caqui, tamarindo, jaca, uva com casca, agrião, couve, alface, almeirão, nabo, acelga, maxixe, palmito, azeitona, pepino, berinjela, rúcula, tomate, cogumelo, abóbora, abobrinha, espinafre, beterraba, folha de mostarda, brócolis, jiló, broto de feijão, repolho, cenoura crua, quiabo, couve-flor, vagem, chuchu, ervilhas, grão de bico, fava, lentilha, feijão, soja, iogurte, milho, cereais integrais e farelo de trigo CONSTIPAÇÃO Terapia nutricional: Outras orientações: Obedecer ao menor estímulo evacuatório; Evitar laxantes; Água gelada em jejum (+ fibras insolúveis no desjejum = bolo fecal) Permanecer 10 min no banheiro, 1h após o desjejum; Banco debaixo dos pés (evacuação + fácil); Atividade física (++ abdominal). CONSTIPAÇÃO DIARREIA Definição: – ↑ da frequência (> 3x/dia), fluidez com fezes semipastosas ou líquidas + perda excessiva de líquidos e eletrólitos (Na e K) ou volume das evacuações (> 300mL) Classificação e etiologia: Segundo início e duração: – Aguda: início abrupto, duração < 10 dias (causas variadas) – perda de água e eletrólitos pelas fezes. – Crônica: duração > 2 semanas ou recidiva – perda de nutrientes (má digestão/absorção). DIARREIA Classificação e etiologia: – Osmótica: presença de solutos osmoticamente ativos no intestino, inadequadamente absorvidos. Ex: síndrome de dumping, deficiência de lactase, uso de lactulose. – Secretória: secreção de eletrólitos e água pelo epitélio intestinal. Ex: toxinas bacterianas/vírus; laxantes gordura não absorvida. – Exsudativa: lesão da mucosa – extravasa muco, proteínas do plasma, sangue (fezes purolentas e sanguinolentas). Ex: RCU, Chron, enterite por radiação. – Por medicamento: antibiótico (↓flora colônica/inibe recaptação/microorganismos oportunistas). – Contato mucoso limitado: ↓ área absortiva saudável. Ex: DII. DIARREIA Terapia nutricional: 1º passo: identificar/tratar causa 2º passo: reposição de líquidos/eletrólitos – Repor líquidos (> 1,2ml/kcal) e eletrólitos pela dieta (caldo, sopa, sucos de frutas e hortaliças, isotônicos, água de coco) – Evitar leite e derivados (↓lactase - enterócitos). - Normoglicídica a hipoglicídica (3,5-4,5g/kg/dia). Evitar dissacarídeos!! - Hiperproteica (1,2-1,8g/kg/dia); - Hipolipídica (0,6-1g/kg/dia). – Dieta antifermentativa (evitar alimentos ↑enxofre = flatulentos (ver tolerância). DIARREIA Terapia nutricional: ↑Fibras solúveis: AGCC (sugere-se usar fécula (arroz polido, tapioca, batata), farinhas (milho, trigo, aveia)). ↓Fibras insolúveis: Evitar! Pectinas (maçã, morango, cascas de frutas cítricas) Gomas (aveia, leguminosas secas – lentilha, grão de bico) Hemicelulose (psyllium) Prebióticos: Fruto-oligossacarídeos (alho, cebola, banana, tomate, alcachofra), lactulose, inulina, xilitol, lactitol. DIARREIA Terapia nutricional: Período de recuperação: probióticos Excessos: Sacarose >25-50g/refeição; Frutose: >20-25g/refeição; Polióis: >10g/dia. Retirar lactose, sacarose, suco de frutas estimulantes do intestino (Diluição de 25-50%); excitantes químicos: purinas, condimentos, xantinas, café, bebidas alcoólicas; DIARREIA - Volume das refeições: reduzido (produzem resposta mínima, promovendo maior digestão e absorção); - Temperatura das preparações: morna (evitar gelados/frios); - Consistência: líquida a branda, com o mínimo teor de resíduos; - Diarreia crônica: há associações de deficiências nutricionais; - SuplementarB1 (função tônica no intestino), K(se deficiente, aumenta trânsito intestinal e anorexia) e Fe (Anemia). - Se esteatorreia, o uso de TCM é indicado; DIARREIA INTOLERÂNCIA À LACTOSE DIFERENÇA BÁSICA Intolerância x alergia: Alergia é uma resposta do sistema imunológico a algum componente do alimento (proteínas). Intolerância trata-se de uma reação adversa que envolve a digestão ou o metabolismo, mas não o sistema imunológico. Incapacidade de hidrolisar a lactose em monossacarídeos, resultado da diminuição da atividade de enzima lactase na mucosa do intestino delgado. Prevalência mundial de hipolactasia primária: 70%. Fato preocupante: ingestão insuficiente de cálcio, vitamina D. TIPOS Congênito: alactasia ao nascimento; Primário: hipogalactasia – declínio predeterminado geneticamente da atividade da lactase durante a infância. Secundário: diminuição enzimática secundária a doenças que causem dano na borda em escova da mucosa do intestino delgado ou que aumentem significativamente o tempo de trânsito intestinal, como nas enterites infecciosas, doença celíaca, DII (especialmente doença de Crohn), doença diverticular do cólon. Diferentemente da hipolactasia primária do adulto, a hipolactasia secundária é transitória e reversível. QUADRO CLÍNICO A lactose não degradada é fermentada por bactérias no intestino grosso, produzindo ácido láctico e gases (CO2, H2). O volume de lactose que excede a capacidade de fermentação da flora intestinal aumenta a pressão osmolar intraluminal que leva a sintomas (↑ de motilidade intestinal - diarreia, náuseas, flatulência). Tolerância ao iogurte: presença de betagalactosidase!! Sintomas mais comuns: náusea, dores abdominais, diarreia aquosa abundante, gases e desconforto. Os sintomas podem levar de alguns minutos até muitas horas para aparecer. DIAGNÓSTICO Teste de sobrecarga à lactose: Ingestão de uma sobrecarga de lactose para avaliação da curva glicêmica; Sintomas são exacerbados; Má-absorção da lactose: aumento da glicemia < 20 mg. TERAPIA NUTRICIONAL Pode-se utilizar dietas a base de soja e/ou isentas de lactose; Verificar a tolerância individual para consumo de alimentos lácteos; Iogurtes, queijos e coalhadas (traços de lactose) podem ser tolerados, pois a composição é alterada no seu processamento. β-galactosidase: kefir, produtos lácteos com bactérias. DOENÇA DIVERTICULAR DEFINIÇÃO Presença de divertículos (bolsas) que fazem protusão da parede do cólon Muito comum nos países industrializados Prevalência maior em idosos (> 65 anos) S I N A I S 80% nunca apresentam sintomas Quando sintomáticos: •Dor no quadrante inferior do abdome •Cólica •Alteração nos hábitos intestinais 5% dos casos: complicação (infecção no divertículo - diverticulite → perfuração intestinal ou formação de abcesso e sangramento) FIBRAS DIETÉTICAS E DOENÇA DIVERTICULAR INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO: alimentação deficiência em fibras, elevado consumo de carnes, de cafeína e de álcool são fatores de risco DIVERTICULOSE E DIVERTICULITE Diverticulose: presença de numerosos divertículos no intestino. Acredita-se que grande parte da população com mais de 60 anos seja portadora assintomática dessa condição. Diverticulite: quando os divertículos ficam inflamados ou infectados, podendo apresentar abscesso ou perfuração. Dor, distensão e desconforto abdominal, náuseas, vômitos, calafrios, febre, diarreia ou constipação. Estima-se que10-20% dos indivíduos com diverticulose evoluirão com diverticulite SINTOMAS Em grande parte dos casos: assintomática. Se sintomática: queixas inespecíficas de desconforto abdominal, constipação e alterações dos hábitos intestinais. Diverticulite aguda: dor abaixo do umbigo, que se desloca para o quadrante inferior esquerdo do abdômen, constipação, diarreia, sangue nas fezes, febre, náuseas e vômitos, sangramentos. TERAPIA NUTRICIONAL Diverticulose: Dieta rica em fibras (20-30g/dia) (25g/dia, mulheres; 38g/dia, homens). Inclusão de alimentos com alto teor de fibras. Ingestão adequada de água (2-3L/dia). Evitar laxantes por conta própria para combater as crises de obstipação intestinal, esforço ao evacuar. Controle do estresse ou prática de atividade física para acelerar o trânsito intestinal. TERAPIA NUTRICIONAL Diverticulite aguda não complicada: dieta líquida restrita + antibióticos de largo espectro. Fibras: < 10g/dia e aumentar 5g/semana, conforme a recuperação do paciente. Evitar: maracujá, kiwi, goiaba, tomate, pepino, ervilha, lentilha, feijões, nozes e amendoim. DOENÇA CELÍACA DOENÇA CELÍACA Espru não tropical, espru celíaco, enteropatia sensível ao glúten Intolerância ao glúten: com ou sem DC Hipersensibilidade a alfa-gliadina (glúten): sintomas inespecíficos sem reposta imune ou danos intestinais Síndrome de má absorção Resposta de hipersensibilidade à gliadina (ptn do glúten) Susceptibilidade genética + Fatores ambientais (exposição ao glúten) Ex: prolaminas (frações de glúten - nocivas): gliadinas , , γ e Ω e glutenina (trigo); hordeínas (cevada), secalinas (centeio), avidina (aveia). + Fator ambiental desencadeante (fatores estressores: inflamação, doença...) + Resposta autoimune FATORES Resposta imune inadequada – células T Peptídeos do TRIGO, CENTEIO, CEVADA CITOCINAS Pró-inflamatórias RESPOSTA INFLAMATÓRIA (Síntese de anticorpos) ATROFIA DA MUCOSA INTESTINAL (achatamento das vilosidades e alongamento das células das criptas, com menor superfície de absorção) FISIOPATOLOGIA ATROFIA DA MUCOSA INTESTINAL proximal e média do intestino delgado DISSACARIDASES PEPTIDASES CARREADORES NECESSÁRIOS PARA TRANSPORTE DE NUTRIENTES SECREÇÕES REDUZIDAS DAS VESÍCULAS BILIARES FISIOPATOLOGIA Obrigatório (lei federal nº 10.674, de 16/05/2003) nos rótulos de todos os alimentos industrial – “presença ou não de glúten?” – resguardar o direito à saúde dos celíacos RÓTULO NUTRICIONAL •Sintomatologia confusa com SII ou outros distúrbios do TGI. •Associada com dermatite herpetiforme. •Sorologia: anticorpos antiendomísio (EMA), peptídeo gliadina desaminada, antitransglutaminase tecidual (anti-tTG). •Padrão-ouro – Biópsia da mucosa intestinal (biópsia jejunal) As pernas, as nádegas, os joelhos e os ombros. DIAGNÓSTICO Osteopenia (má absorção de Ca) Osteomalácia Artrite Naúseas, cólicas abdominais, distensão abdominal, apatia, fadiga Coagulopatias (def. vit K) Deficiência de lactase* Fraqueza Náuseas Esteatose hepática Hepatite Dermatite herpetiforme Ulcerações aftosas orais recorrentes Anemias (má absorção de Fe, B9). Alterações na menstruação Sintomas neurológicos: ataxia, convulsões e polineuropatia Diarreia (def. Zn) Perda de peso Astenia SINAIS E SINTOMAS DIETA constitui o elemento essencial do tratamento PRIMÁRIO Exclusão de trigo, centeio, cevada e derivados para o resto da vida (dieta isenta de glúten) ATENÇÃO: “Contaminação” dos produtos industrializados (difícil de controlar) Substituição: Milho, batata, arroz, soja, tapioca, araruta, mandioca, quinoa, amaranto, sorgo, polvilho, trigo sarraceno. Remoção do glúten da dieta é a prevenção do desenvolvimento tardio de neoplasias malignas TERAPIA NUTRICIONAL Alimentos proibidos (obviamente contém glúten) Alimentos permitidos (obviamente isentos de glúten) Alimentos que precisam explicitar que são isentos de glúten no rótulo Pão e farinha de trigo, centeio, cevada e aveia Leite e outros laticínios Salsichas, patês, pasta dequeijo, carnes para lanche, carnes e aves enlatadas Bolos, doces, biscoitos, tortas ou outros alimentos feitos com essas farinhas Arroz, milho, trigo sarraceno e qualquer alimento feito com essas farinhas Alimentos industrializados que podem conter farinhas de cereais como aditivos, espessantes ou aromatizantes Massas italianas (espaguete, macarrão...), sêmola de trigo Qualquer tipo de carne fresca, peixes ou frutos do mar e ovos Bebidas alcoólicas derivadas de cereais (uísque, vodka) Produtos industrializados com essas farinhas (flan, creme, sorvete, geleia...) Tapioca, soja Molhos para carne (molho de soja) Molhos para saladas, mostarda, catchup, molho de tomate... Alimentos maltados (ex: leite maltado) Frutas, vegetais, batatas Sopas instantâneas ou enlatadas e caldos em cubos Bebidas contendo cereais (cerveja, cerveja sem álcool) Manteiga, margarina, óleos e outras gorduras Café ou chá instantâneo Sal, pimenta, vinagre Balas e achocolatados Café com grãos moídos, chá e infusões de ervas Em geral, todo alimento enlatado Bolos e doces sem as farinhas proibidas Hóstia de comunhão TERAPIA NUTRICIONAL SECUNDÁRIO NA PRESENÇA DE SINTOMAS: •Restrição também de lactose /sacarose (retorno gradual) •Reposição de líquidos e eletrólitos - diarreia grave NA MÁ-ABSORÇÃO PERSISTENTE: •Suplementação de vitaminas e minerais •TCM TERAPIA NUTRICIONAL • 1ª: Sem glúten, lactose, sacarose e fibra. • 2ª: Sem glúten, baixo aporte de lactose. • 3ª: Sem glúten •Evolução: •Melhora clínica, ganho ponderal e mudança na consistência das fezes: •Se pastosas: Evoluir p/ 2ª fase •Se bem formadas: Evoluir p/ 3ª fase Melhora histológica e clínica após a retirada do glúten da dieta Melhora clínica evidente: após de 1 ou 2 semanas Recuperação completa: vários meses Causa do fracasso do tratamento: Remoção incompleta do glúten na dieta TERAPIA NUTRICIONAL VCT: necessidades p/equilíbrio do EN Hipoglicídica ou Hipolipídica Suplementação (micro): Mg, Ca (>1g/dia), Zn, Fe, Vit lipossolúveis (A, D, E, K), Ác Fólico, B1, B12 e outras do complexo B, 𝟂-3 ↓ fibra insolúvel, fontes de enxofre, fermentadores, extremos de temperatura. Fracionamento ↑ Volume ↓ Vitaminas lipossolúveis e TCM - esteatorreia Líquidos: prevenir a desidratação TERAPIA NUTRICIONAL PTN: Hiperprotéica DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS DII Duas formas mais comuns: 1)Retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) 2)Doença de Crohn (DC) São doenças crônicas (TGI) multifatorial origem desconhecida Predisposição genética + resposta imune anormal/autoimune na parede intestinal + alteração na microflora + desencadeamento ambiental/infeccioso DII CARACTERÍSTICAS – RCUI – DC Localizada no cólon descendente, no sigmóide e no reto (mucosa + submucosa) Sintomas + comuns: diarreia mucossanguinolenta, dor e cólica, mal estar, fraqueza, febre, perda de peso, alterações eletrolíticas e desnutrição. Pode atingir qualquer parte do TGI (boca ao ânus) sendo mais comum no íleo distal e cólon Sintomas + comuns: diarreia episódica, dor abdominal pós-prandial e periumbilical, febre baixa, perda de peso, anorexia. • Corticosteróides (Ca e PTN); Sulfassalazina (folato); Colestiramina (gorduras e vitaminas) Interações drogas-nutrientes • Sepse, febre, fístula • Aumento do turnover celular • Repleção das reservas orgânicas • Terapia com substâncias (catabolismo proteico) Aumento nas necessidades nutricionais FATORES RELACIONADOS À DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL • Anorexia, náuseas, vômitos – dietas restritas • Dor abdominal e diarreias Diminuição da ingestão alimentar • Diminuição da área absortiva (doença, ressecções), Supercrescimento bacteriano, Deficiência de sais biliares Má absorção • Enteropatia perdedora de proteínas; Fístulas: perda de eletrólitos, minerais e traços; Sangramento GI Aumento das perdas intestinais Recuperar e/ou manter o estado nutricional Adequação da ingestão de nutrientes Manter o crescimento em crianças Diminuir a atividade e aumentar o tempo de remissão da doença OBJETIVOS DA TERAPIA NUTRICIONAL Aplicar as recomendações nutricionais adequadas de acordo com o tipo de doença e grau de atividade – Perda de peso? (Corticosteróides – edema → retenção hídrica) – Hipoalbuminemia (processo inflamatório: ptn de fase aguda - ) Albumina + PCR ultrassensível – Anemia? (níveis de Fe, Ác. Fólico, B12) – Ca: Taxa de crescimento de crianças, doenças ósseas - Desnutrição agrava as funções digestivas e absortivas do TGI. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Equação de Harris Benedict: Calcula-se a TMB: TMB Mulher: 655,1 + 9,5 x Peso (kg) + 1,8 x Altura (cm) – 4,7 x idade (anos) Homem: 66,5 + 13,8 x Peso (kg) + 5 x altura (cm) – 6,8 x idade (anos) - Barot, 1991 = TMB x FA x 1,75 (índice de Barrot para DII) TERAPIA NUTRICIONAL 30 a 35 kcal/kg/dia ou 30-45kcal/kg de PI GEB x 1,75 1-1,5g (até 2g para desnutridos)/Kg PI/dia 1,3-1,5g/kg/dia → BN+ Hipolipídica < 20% VCT. Se esteatorreia, ≤ 40g/dia (Usar até 50% de TCM). Normolipídica: fase de recuperação. VCT PTN LIP Fase aguda – Ø lactose; Ø mono/dissacarídeos ↑fibra solúvel (AGCC)/ ↓insolúvel (diarreia) Fase remissão – ↑ gradual de fibra insolúvel CHO NE NP NO TERAPIA NUTRICIONAL Excesso de açúcar TERAPIA NUTRICIONAL Nutrientes específicos: 3 – 6g/dia - ↓RI. RCUI: reduz a atividade da doença, aumento do tempo de remissão, efeito poupador de fármaco; DC: reduz a atividade da doença. trofismo da mucosa intestinal Efeito benéfico na mucosa intestinal ↑ tempo de remissão. ↓permeabilidade; ↓atividade da doença. AG ω3 AGCC e GLUTAMINA PROBIÓTICOS TERAPIA NUTRICIONAL ▪Isento de purinas. ▪Suplementar: ácido fólico, B1,B6, B12, C, Zn, potássio, selênio, Ca, Mg, Fe, Vitaminas lipossoluveis. ▪Volume reduzido e fracionamento aumentado. ▪Consistência: ▪Fase aguda: líquida a leve. ▪Fase moderada: leve a pastosa. ▪Fase recuperação: branda a normal. TERAPIA NUTRICIONAL SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL DEFINIÇÃO Associação de sintomas GI crônicos RECORRENTES não explicados por anormalidades estruturais ou bioquímicas (no cólon, principalmente) Subsíndromes: Dor abdominal com constipação (alternando com diarreia) - Quadro mais habitual Diarreia indolor (quadro menos frequente) Distensão abdominal Flatulência em excesso Eliminação de muco nas fezes Sensação de esvaziamento retal incompleto DIAGNÓSTICO Critérios de ROMA para SII Sintomas de desconforto abdominal por pelo menos 3 dias/mês por 3 meses que consistem em: • Dor abdominal, que é aliviada com a defecação ou • Associada a alteração na consistência das fezes, ou • Associada a alteração na frequência de evacuações Com 2 ou mais dos seguintes achados: Alteração da frequência de evacuações (>3x/dia ou < 3x/semana) Alteração na consistência das fezes (pelotas fecais/duras ou semi-sólidas/aquosas) Alteração na eliminação das fezes (esforço, urgência ou sensação de evacuação incompleta) Eliminação de muco Distensão abdominal INTOLERÂNCIA A ALIMENTOS LEITE OVOSMILHO TRIGO CAFÉ NOZES VINHO TOMATE Frequentemente associados à exacerbação dos sintomas MÁ ABSORÇÃO DE AÇÚCARES (lactose, sorbitol e frutose) Desenvolve os sintomas da SII (↑ fermentação) Diarreia osmótica e distensão abdominal Intolerância à lactose TERAPIA NUTRICIONAL Dieta normal “Sem restrições” individualizar! Balanceada Dietas muito ricas em fibras (Plantago ovata, Psyllium) ↓ Agravam ossintomas ↓ Grande produção de gases (fermentação) Aumento gradual!!! Identificar intolerâncias alimentares. Bifidobacterium (B. infantis), Lactobacillus, Streptococcus salivarius: efeitos na redução na distensão e flatulência. FODMAPS: Restringe alimentos com frutose, lactose, fruto e galacto-oligossacarídeos (rafinose), álcoois de açúcar (sorbitol, manitol, xilitol) → Pouco absorvidos no intestino delgado: osmóticos e rapidamente fermentados pelas bactérias. Fase de eliminação (6-8 semanas) e de reintrodução (1 grupo/vez) Reduz os sintomas GI. TERAPIA NUTRICIONAL TERAPIA NUTRICIONAL FODMAP Alimentos ricos em FODMAP Frutose Frutas: maçãs, peras, pêssegos, manga, ervilha de vagem comestível, melancia, frutas enlatadas em suco natural, frutas secas, suco de frutas, Adoçantes: mel, xarope de milho rico em frutose Lactose Leite (vaca, cabra, ovelha), sorvetes, queijos suaves (ricota, cottage) Oligossacarídeos Legumes: alcachofra, aspargo, beterraba, couve de Bruxelas, brócolis, repolho, erva-doce, alho, alho poró, quiabo, cebola, ervilha. Cereais: trigo e centeio (↑↑qtd) Leguminosas: grão de bico, lentilhas, feijão comum, feijão cozido. Frutas: melancia, maçã, pêssego, caqui, damasco, cereja, pitomba, lichia, pera, nectarina, ameixa seca. Vegetais: abacate, couve-flor, cogumelos, ervilha torta. Adoçantes: sorbitol, manitol, maltitol, xilitol, etc. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MUSSOI, T. D. Nutrição: Guia Prático. 1ª edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, p. 211-216, 2017. OLIVEIRA, A. M.; SILVA, F. M. Dietoterapia nas doenças do adulto. 1ª edição. Rio de Janeiro, Editora Rubio, p. 119-150, 2018. ROSS, A. C. Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. 11ª edição. Barueri, Editora Manole, p. 1054-1108, 2016.