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1ª Unidade 
O ser humano: um ser em desenvolvimento 
Introdução 
 
No estudo da Psicologia, há algumas áreas com conteúdos próximos uns dos outros, mas 
com abordagens diferentes. Assim, é possível distinguir Psicologia Infantil, Psicologia 
Genética e Psicologia do Desenvolvimento, dentre outras. Estas áreas correspondem 
também a realidades relacionadas, mas diferentes, como os conceitos de crescimento 
(mudança física), maturação (mudanças nas estruturas neurológicas e glandulares), 
aprendizagem (mudança relativamente estável no potencial de comportamento, atribuível a 
uma experiência), desenvolvimento (mudanças não só nas estruturas físicas, neurológicas 
e glandulares, mas também no comportamento, nas estruturas psicológicas e nos traços de 
personalidade), evolução ontogenética (mudanças acontecidas ao longo da história pessoal 
de determinado indivíduo) e filogenética (mudanças operadas ao longo da história e da 
evolução das espécies). 
 
Esta primeira unidade ajudará a você não só a entender o conceito de Psicologia do 
Desenvolvimento, mas também o auxiliará na contextualização da família e da criança 
contemporânea. Abordará também a aplicação da Psicologia do Desenvolvimento à prática 
educacional. 
 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
Conceituar Psicologia do Desenvolvimento. 
Identificar as mudanças ocorridas na instituição familiar e seus efeitos no desenvolvimento 
da criança. 
Destacar as contribuições da Psicologia do Desenvolvimento para a prática educativa. 
 
Esta unidade está dividida em: 
Aula 1 - Origem da Psicologia do Desenvolvimento: Conceituação e caracterização 
Aula 2 - A família e a criança contemporâneas: as práticas educativas familiares e o 
desenvolvimento 
Aula 3 - A Psicologia do Desenvolvimento e sua aplicação na prática educacional 
 
A história de Pelé, grande atleta brasileiro, ajudará você a entender a importância da 
família, do contexto do desenvolvimento e de nosso calendário maturacional como 
elementos norteadores do processo de desenvolvimento humano. 
E então? O que você achou dessa história? Interessante? 
A história de Pelé, que tanto nos orgulha, nos ajuda a entender o processo de 
desenvolvimento do ser humano. Vejamos: trata-se de um menino pobre que, com o 
estímulo familiar, um contexto propício de desenvolvimento e habilidades físicas, supera 
suas dificuldades. Isso nos faz pensar que o conhecimento produzido pela Psicologia do 
Desenvolvimento nos possibilita, enquanto educadores, compreender o nosso aluno e 
mediar seus processos de desenvolvimento. 
Aula 1 
Origem da Psicologia do Desenvolvimento: Conceituação e Caracterização 
 
Estudar o desenvolvimento humano envolve conhecer as variáveis afetivas, cognitivas, 
sociais e biológicas em todo o ciclo da vida, fazendo interface com diversas áreas do 
conhecimento. 
 
Existe hoje um consenso de que a Psicologia do Desenvolvimento Humano deve focar os 
indivíduos ao longo de todo o ciclo vital. Os psicólogos do desenvolvimento são sempre 
confrontados com novos desafios que envolvem, sobretudo, o caráter multidisciplinar dessa 
disciplina. Isto faz com que esses psicólogos precisem encontrar uma linguagem que 
facilite a comunicação entre profissionais de diferentes áreas de atuação. 
 
Você deve estar se perguntando: "Mas, afinal, o que é o desenvolvimento?". 
 
Tradicionalmente o estudo do desenvolvimento humano focou o estudo da criança e do 
adolescente. O interesse pelos anos iniciais de vida dos indivíduos tem sua origem na 
história do estudo científico do desenvolvimento humano. Ele se iniciou com a preocupação 
com os cuidados e a educação das crianças e com o próprio conceito de infância como um 
período particular do desenvolvimento. 
 
Entende-se hoje que o desenvolvimento é um conjunto de processos dinâmicos que 
ocorrem no ser humano, desde sua concepção até sua morte. Esses processos derivam da 
interação entre os sistemas nervoso, neuromuscular, endócrino e o meio que rodeia o 
indivíduo ao longo de sua vida. Sendo assim, desenvolvimento é a interação entre a 
hereditariedade e o meio ao longo do tempo. 
Esse processo ocorre ao longo de toda a vida do indivíduo. O objetivo da Psicologia 
do Desenvolvimento é a descrição e a explicação de mudanças nos comportamentos e nos 
processos mentais do indivíduo, ao longo do tempo e através de seu ciclo vital. 
Essas mudanças ocorrem não apenas em nossa forma de pensar, mas também na 
organização social e familiar. Devido a uma constante interação entre estas partes 
podemos afirmar que o desenvolvimento humano ocorre por um processo de interação 
entre o indivíduo e seu meio. 
Para saber mais sobre o que a Psicologia do Desenvolvimento estuda: o indivíduo a partir 
do período gestacional, dando uma ideia geral de como o desenvolvimento se processa, 
assista agora ao vídeo ​Psicologia do Desenvolvimento​. 
Sugerimos a leitura do artigo “​Psicologia do Desenvolvimento​: uma perspectiva histórica” 
em Tema da Psicologia, Vol. 13.n°. 2, Ribeirão Preto, dezembro de 2005. O artigo discute o 
conceito de estudo do desenvolvimento humano, apresentando um breve histórico da 
Psicologia do Desenvolvimento. 
Quando temos um mundo no qual a criança e o adulto compartilham da mesma realidade 
física e virtual tem-se, então, um mundo de iguais. Sendo assim, podemos afirmar que ser 
criança não significa ter infância. 
Para saber mais sobre como surgiu o conceito de infância , assista agora ao vídeo ​A 
invenção da infância ​. 
 
A criança que você conhece e compreende como um ser que possui uma especificidade 
nem sempre foi entendida desta forma. Hoje ela é entendida como um ser historicamente 
construído e constituído simbolicamente pela sociedade. Ela pensa, sente, compreende e 
intui o mundo dentro de um campo de visão bem diferente do nosso. 
 
Do latim infante, o termo denota “aquele que ainda não pode falar”. Na Idade Média, a 
palavra “infância” passou a ser aplicada para as crianças de até sete anos de idade, 
quando se considerava que elas começavam a entender o que os adultos diziam. Ainda 
hoje, é nessa idade que ela começa a ser alfabetizada. Porém, esse conceito de criança, 
que não é um adulto em miniatura e que não deve trabalhar, é ainda recente em nossa 
literatura. O panorama descrito acima começa a mudar muito vagarosamente até se pensar 
a criança como um sujeito de direitos. 
 
A infância, então, é um conceito que começará a se desenvolver a partir do século XVIII. 
Ela trouxe, como consequência, o conceito de infância moderna: uma fase da vida na qual 
os indivíduos precisariam de cuidados especiais e deveriam estar resguardados de 
algumas informações que lhes pudessem ser nocivas, para que se desenvolvessem e se 
constituíssem, no futuro, como indivíduos plenos, adultos. 
 
Segundo Ariès, nem sempre existiu uma preocupação com o desenvolvimento da criança. 
Ela não era a figura central da família. (História Social da criança e da família. RJ: 
Guanabara, 1973) 
 
Ampliando o Foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a psicologia do desenvolvimento, leia as 
páginas 11 - 15 do livro da disciplina Santos, Penélope Duarte dos. Nassar, Sérgio Pessôa. 
Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 
A família e a criança contemporâneas: as práticas educativas familiares e o 
desenvolvimento 
 
E, falando em​ família​, como é a família que você conhece? Será que você está preso a um 
único modelo de família composta por pai, mãe e filho? Este é o único modelo possível na 
atualidade ou podem existir outras composições? 
 
A família contemporânea tem se afastado cada vez mais do modelo familiar idealizado: pai, 
mãe e filhos. A família hierárquica, organizada em torno de um poder patriarcal, foi dando 
lugar a um modelo de família no qual o poder é distribuído de forma mais igualitáriaentre 
homem e mulher e, também, entre pais e filhos. O número de separações e divórcios 
também tem aumentado, assim como a idade em que as mulheres decidem se casar. As 
relações conjugais entre jovens também vêm aumentando. Em contrapartida, hoje, o 
número de mulheres que se encontram sozinhas com filhos para criar também aumentou, 
assim como a gravidez não programada entre as adolescentes. A família deixou de ser 
uma sólida instituição para se transformar em um agrupamento circunstancial e precário, 
regido pela lei menos confiável entre os humanos: a lei dos afetos e dos impulsos sexuais. 
 
Atualmente, podemos falar em família tentacular que, conforme Maria Rita Kehl (2003), é 
um tipo de família na qual a organização é formada por novos encontros, com adultos, 
adolescentes e crianças vindas de outras famílias. 
 
Independentemente do modelo familiar, é neste espaço de convivência que a criança irá se 
desenvolver e aprender. Esta bagagem inicial fará parte de seu currículo informal e será 
muito importante na história de seu desenvolvimento. 
 
“Sugerimos a leitura do artigo ​Práticas educativas familiares​: a família como foco de 
atenção psicoeducacional, pois ele reflete sobre a necessidade de se considerar a família 
como objeto de atenção psicoeducacional a partir da desconstrução de sua visão 
estereotipada. 
 
 
Ampliando o Foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a família e a criança contemporânea, leia as 
páginas 25 - 37 do livro da disciplina Santos, Penélope Duarte dos. Nassar, Sergio Pessôa. 
Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 2013. 
 
 
 
 
 
Aula 3 
A Psicologia do Desenvolvimento e sua aplicação na prática educacional 
 
Como vimos na aula anterior, atualmente a organização familiar pode ser formada também 
por novos encontros, com adultos, adolescentes e crianças vindos de outras famílias, além 
da tradicional composição de pai, mãe e filhos. A formação familiar, como entendemos, 
atua sobre o desenvolvimento das crianças. 
 
E a escola, como se posiciona diante de tantas transformações? 
Para saber mais sobre a diferença entre os três tipos de educação, assista agora ao ​vídeo 
Educação formal, educação não formal e educação informal. 
A escola é o lugar privilegiado da educação formal da criança. É no espaço escolar que ela 
irá se apropriar da leitura e da escrita. É neste espaço preparado de uma forma muito 
especial para recebê-la, que ela irá assimilar os conhecimentos selecionados pelo currículo 
escolar e considerados fundamentais para sua formação e desenvolvimento. 
 
Assim, percebemos que escola e família são contextos fundamentais no desenvolvimento 
da criança. E que cabe à escola e a seus educadores entenderem a importância desta 
parceria, acolhendo o aluno independentemente de sua idade, história ou contexto social. 
 
A Psicologia do Desenvolvimento vai, então, promover, através de sua produção teórica, 
ferramentas que possam auxiliar o professor na busca de novas metodologias, 
promovendo a discussão sobre os conteúdos a serem ensinados ao aluno. Para ela, a 
escola deve proporcionar ao aluno a capacidade de: 
 
● adquirir e enriquecer seus hábitos de leitura; 
● descobrir novos conhecimentos; 
● interagir com outros alunos; 
● alcançar a autonomia da ação e do pensar; 
● estabelecer relações de significado e sentido entre os conteúdos apreendidos e sua 
realidade socioafetiva. 
 
Sugerimos a leitura do artigo " ​A prática pedagógica da educação atual ​", que faz uma 
reflexão sobre o processo educativo, oferecendo à escola a alternativa de rever suas 
ações. 
 
Ampliando o Foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a aplicação da psicologia do desenvolvimento 
na prática educacional, leia as páginas 37 - 45 do livro da disciplina Santos, Penélope 
Duarte dos. Nassar, Sergio Pessôa. Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 
2013. 
 
 
Encerramento 
 
Como você conceituaria Psicologia do Desenvolvimento? 
Psicologia do Desenvolvimento é a compreensão e pesquisa dos processos de mudanças 
psicológicas nos seres humanos, que ocorrem ao longo de toda a existência, influenciados 
pelos fatores externos e por nossa herança filogenética. 
 
Que mudanças você identifica na instituição familiar e como seus efeitos podem 
implicar no desenvolvimento da criança? 
A organização familiar passou a ser formada por novos encontros, com adultos, 
adolescentes e crianças vindos de outras famílias. 
Independente do modelo familiar é neste espaço de convivência que a criança irá se 
desenvolver e aprender. Esta bagagem inicial fará parte de seu currículo informal, mas 
será muito importante na história de seu desenvolvimento. 
De que forma a Psicologia do Desenvolvimento pode contribuir para a prática 
educativa? 
A Psicologia do Desenvolvimento, através de sua produção teórica, auxilia o professor na 
busca de novas metodologias, promovendo a discussão sobre os conteúdos a serem 
ensinados ao aluno e na compreensão de seu comportamento. 
 
Resumo da Unidade 
Você estudou, nesta unidade, que o desenvolvimento envolve as variáveis afetivas, 
cognitivas, sociais e biológicas em todo o ciclo da vida. Aprendeu que o desenvolvimento é 
um conjunto de processos ativos e contínuos que ocorrem no ser humano, desde sua 
concepção até sua morte. 
 
Com o vídeo “A invenção da infância” você pode ver que esse conceito só começa a se 
desenvolver entre os séculos XVI e XVIII. 
 
Você aprendeu também que não existe só um tipo de família e que, atualmente, podemos 
falar em família tentacular que, conforme Maria Rita Kehl é um tipo de família na qual a 
organização é formada por novos encontros, com adultos, adolescentes e crianças vindos 
de outras famílias. 
 
 
 
 
 
 
2ª UNIDADE 
Principais Correntes Teóricas do Desenvolvimento: Inatismo, Ambientalismo, 
Interacionismo no Contexto Escolar 
 
A importância desta unidade reside da aprendizagem das grandes correntes teóricas do 
desenvolvimento cognitivo. 
 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
● Identificar as características de cada corrente teórica do desenvolvimento e como a 
apreensão do desenvolvimento infantil pode ser fundamental para algumas áreas do 
trabalho pedagógico. 
 
Esta unidade está dividida em: 
 
Aula 1 - Desenvolvimento e aprendizagem 
Aula 2 - Principais correntes teóricas do desenvolvimento humano: inatismo, 
comportamentalismo e interacionismo 
Aula 3 - As teorias do desenvolvimento humano e a dinâmica escolar 
 
 
A tirinha nos leva a refletir o porquê de uma criança, que é curiosa e gosta de aprender, 
não se interessar pelos conteúdos trabalhados na escola. 
 
Certamente, muitos fatores podem contribuir para isso, no entanto, conhecer um pouco 
sobre as teorias do desenvolvimento e da aprendizagem pode ajudar a compreender 
melhor o que se passa na escola e contribuir para uma prática mais adequada. 
 
 
 
 
 
 
AULA 1 
Desenvolvimento e aprendizagem 
 
O tema do desenvolvimento e aprendizagem na escola sempre gerou muita discussão. 
 
Afinal, o que é o desenvolvimento e a aprendizagem? 
A resposta não é simples e há muita divergência entre os teóricos. 
Atualmente, há consenso de que crianças diferem dos adultos em seu modo de pensar e 
que, portanto, o pensamento se modifica ao longo da vida, desenvolvendo-se. 
Assim, é possível afirmar que o desenvolvimento implica mudanças qualitativas e 
quantitativas no pensamento, e a maioria dos pesquisadores concorda que essas 
mudanças são consequência da interação dos processos de maturação e de 
aprendizagem. No entanto, alguns atribuem um peso maior aos fatores hereditários, 
enquanto outros, aos fatores ambientais. 
A aprendizagem, por sua vez, geralmente é vista como uma mudança relativamenteestável no pensamento. Vale ressaltar que, embora diferentes, desenvolvimento e 
aprendizagem são processos complementares: um influencia o outro. Por isso, trataremos 
de teorias do desenvolvimento e da aprendizagem aqui. 
 
A aprendizagem é muito importante para os seres humanos. A cultura de uma sociedade é 
a expressão da aprendizagem de muitas gerações. 
 
O homem fala, tem consciência do tempo e do espaço e é um ser cultural, construindo seu 
passado de forma seletiva. Além disso, o homem interage com os seus semelhantes e é 
capaz de ir além da concretude do mundo, operando com o mundo simbólico em nível 
imaginativo. 
 
Desde a Antiguidade, o homem quis saber como se aprende, mas é a partir do século XVII 
que as teorias do desenvolvimento e da aprendizagem passaram a surgir 
sistematicamente. 
 
Curiosidade 
Desde a Antiguidade que os filósofos gregos se perguntavam sobre a origem do 
conhecimento. 
 
Platão, que era um racionalista (ratio = razão), postulava que o conhecimento 
estava dentro do homem e, para descobri-lo, era necessário o uso da razão e da 
reflexão. 
Diferentemente, Aristóteles defendia que o conhecimento é alcançado por meio da 
experiência, pelo contato com o mundo externo. 
 
Geralmente, uma teoria demora em torno de 25 a 75 anos após o seu aparecimento para 
ser incorporada à prática escolar. Além disso, ela não substitui simplesmente a anterior, as 
duas vão passando a conviver, criando um amálgama (​Mistura de elementos diversos que, 
embora diferentes, contribuem para formar um todo​) cada vez mais confuso, pois muitas 
vezes reúnem teorias do desenvolvimento e da aprendizagem contraditórias. 
 
Aprendizagem: Cotidiano x Escola 
 
As práticas escolares, explícita ou implicitamente, contém uma teoria sobre o 
desenvolvimento e a aprendizagem, ou seja, um corpo teórico que se apoia em um 
conjunto de ações determinadas por um objetivo, consciente ou não. 
É importante poder analisar as práticas escolares sob o aspecto das teorias do 
desenvolvimento e da aprendizagem, pois essa análise poderá fornecer dados para 
reorientar todo o processo, especialmente quando se pergunta: 
 
Quais os fins que se deseja atingir? 
Que tipo de sujeito queremos formar? 
 
Quando o educador se faz essas perguntas, nota-se que adotar uma ou outra teoria do 
desenvolvimento vai fazer diferença. 
Por que desenvolvimento e aprendizagem podem ser entendidos como processos 
complementares? 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre desenvolvimento e aprendizagem, leia as 
páginas 9 - 14 do livro da disciplina Mendes, Leila de Carvalho. Psicologia da 
aprendizagem. 4. ed. Rio de Janeiro: UVA, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 2 
Principais correntes teóricas do desenvolvimento e da aprendizagem: 
inatismo, comportamentalismo, interacionismo 
 
As teorias do desenvolvimento e da aprendizagem são de várias ordens e podem ser 
classificadas de diferentes maneiras. Optamos por apresentar as correntes que mais 
influenciam as práticas escolares: 
 
● o inatismo; 
● o comportamentalismo; 
● o interacionismo. 
 
O que o provérbio sugere? Pense um pouco antes de continuar. 
 
Inatismo 
Podemos relacionar o provérbio citado à teoria inatista, pois o inatismo, como o nome 
indica, postula que as ideias são inatas, isto é, determinadas por fatores biológicos e 
hereditários, anteriores à experiência. Assim, nessa corrente, também conhecida como 
Apriorista ou Nativista, as capacidades (comportamento, personalidade, potencial, formas 
de pensar e conhecer) são herdadas de pai para filho e o conhecimento é pré- formado. 
Logo, desconsidera as interações socioculturais na formação do sujeito, sendo o 
desenvolvimento pré-requisito para o desenvolvimento mental e cognitivo desde o 
nascimento. 
Dessa forma, o ensino consiste em assegurar as condições para que a criança se 
desenvolva naturalmente, pois cada pessoa já nasce com um determinado potencial de 
inteligência, servindo o ambiente apenas para possibilitar o desenvolvimento dessa 
capacidade. 
Essa tese fundamenta a teoria do déficit cognitivo, que tenta explicar a dificuldade que 
algumas pessoas apresentam para aprender como sendo uma falta de capacidade inata. 
Na mesma linha, o conceito de “dom” também refere-se a capacidades inatas para 
desenvolver determinada atividade. 
Ainda é comum ouvirmos os seguintes comentários: 
 
"Fulano tem dom para desenhar!" 
"Beltrano não tem dom para jogar bola..." 
 
RENÉ DESCARTES: Filósofo, matemático e fisiologista, o francês René nasceu em La 
Haye (em 1802, a cidade passou a ser chamada de La Haye-Descartes), província de 
Touraine, no dia 31 de março de 1596. Para ele, que era um racionalista (corrente filosófica 
que priorizava a razão e contribuiu para fundamentar as ideias INATISTAS), a mente era 
vista como um dom de Deus; as ideias, inatas; e o conhecimento verdadeiro era alcançado 
pela introspecção. 
 
 
E esse provérbio, o que sugere? Uma ação insistente ao longo do tempo? 
 
Comportamentalismo 
Se na primeira corrente os teóricos colocavam toda a carga do desenvolvimento nos 
fatores hereditários, nessa outra extremidade temos os que acreditam que a única fonte de 
conhecimento é a experiência. 
Nessa linha podemos agrupar os chamados Comportamentalistas e os Ambientalistas. 
Para essa corrente, fundamentada no Empirismo, de empeiria = conhecimento empírico, 
experiência, não há nada na mente que não tenha passado pela experiência. 
Daí a expressão tábula rasa (quadro em branco) para se referir à mente humana. 
Os pesquisadores atribuem um peso exclusivo ao ambiente e consideram, por sua vez, um 
sujeito da aprendizagem passivo, que deve apreender o conhecimento que, desde sempre, 
está no ambiente externo. 
 
Assim, aprender é apresentar uma mudança no comportamento, e ensinar é modificar o 
ambiente, desenvolver estratégias para operar as mudanças desejadas. 
 
Comumente, os estudiosos dessa corrente tentaram explicar as dificuldades para aprender 
com a teoria do déficit social e também da linguagem. Também, ainda hoje, é comum 
ouvirmos dizer: 
 
"Ciclano não consegue aprender porque foi criado desta ou daquela maneira." 
"Ciclano não consegue aprender porque os pais não sabem falar direito." 
 
 
Interacionismo 
A terceira corrente abordada é a interacionista. Como o provérbio sugere, há uma troca, 
uma interação, pois nela são levados em conta tanto os fatores hereditários (inatos) quanto 
os fatores externos (ambientais), sendo o desenvolvimento visto como uma evolução. 
A aprendizagem, portanto, é uma construção realizada pelo sujeito ao longo da vida. 
Nessa linha, podemos citar tanto Piaget quanto Vygotsky, já que os dois consideraram o 
conhecimento como fruto da interação do sujeito com o meio que o circunda, não 
desconsiderando, contudo, os fatores hereditários, como dissemos. 
No entanto, cada qual vai entender de uma forma o desenvolvimento e a aprendizagem, 
pois enquanto Piaget fundamenta sua teoria em um modelo “biológico”, Vygotsky vai 
atribuir o desenvolvimento à cultura e as relações sociais. 
Jean Piaget nasceu no ano de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Piaget interessou-se 
pelas Ciências Naturais, trabalhando como malacólogo e formando-se em Biologia. 
Posteriormente, Piaget começa a voltar-se para a problemática da evolução da vida, 
chegando ao seu grande projeto que era elaborar uma Epistemologia Genética (teoria do 
conhecimento). Piaget faleceu em 1980, aos 84 anos, deixando uma vasta obra sobre o 
pensamento humano. 
Vygotsky também nasceu no ano de 1896, em Orcha, na Bielo-Rússia, e formou-se 
em Direito, História e Filosofia. Inicialmente Vygotsky foi um crítico da literatura, 
interessando-se pela Psicologia da Arte, daí passando para o estudo da psicologia geral. 
Vygotsky trabalhou como psicólogo, defectologistae pedólogo. Sua busca maior era 
entender o desenvolvimento dos processos psicológicos. 
Veja também 
1) Skinner, o mais radical dos behavioristas: no site da Revista Nova Escola. 
2) O filme “​O garoto selvagem​” oferece uma ótima oportunidade para se discutir as grandes 
correntes teóricas do desenvolvimento cognitivo 
 
Ampliando o foco > Para aprofundar seus conhecimentos sobre o inatismo, 
comportamentalismo e interacionismo, leia as páginas 14 - 25 do livro da disciplina 
Mendes, Leila de Carvalho. Psicologia da aprendizagem. 4. ed. Rio de Janeiro: UVA, 2016. 
 
Aula 3 
As teorias do desenvolvimento e da aprendizagem e a dinâmica escolar 
 
As teorias do desenvolvimento e da aprendizagem relacionam-se diretamente às práticas 
escolares. 
É possível que o professor não saiba qual a teoria que orienta sua prática, ainda assim, há 
uma teoria fundamentando-a. 
Tomar consciência da teoria da aprendizagem adotada é de fundamental importância, 
especialmente para que o professor possa comparar suas ações às suas propostas 
teóricas, pois algumas teorias da aprendizagem não se prestam a determinados fins e 
objetivos, como, por exemplo, a formar um cidadão crítico, lançando mão de uma teoria 
comportamentalista. 
A criticidade só pode ser construída por um processo reflexivo. 
 
O Inatismo na escola 
O Inatismo, como vimos, acredita que cada pessoa herda uma determinada capacidade, 
um dom. Assim, basta que se propicie um ambiente favorável que o desenvolvimento 
seguirá seu curso normal, sendo inibido, apenas, quando houver nutrientes insuficientes, a 
não inserção no meio cultural ou forte pressão emocional. 
 
Baseados nas premissas inatistas de que os indivíduos nascem dotados de determinadas 
capacidades, os pesquisadores resolveram medir a inteligência, surgindo, então, os 
primeiros testes de inteligência (Qi) elaborados por Alfred Binet e Simon. 
Saiba Mais 
Alfred Binet ( 1857-1911) Pedagogo e psicólogo francês, Binet ficou conhecido por sua 
contribuição no campo da psicometria, sendo considerado o inventor do primeiro teste de 
inteligência, a base dos atuais testes de QI. 
 
Théodore Simon (1873-1961) Psicólogo francês, formado em Medicina, desenvolveu 
estudos sobre indivíduos com deficiência mental. Ao conhecer o trabalho de Alfred Binet, 
inicia uma colaboração que se manterá até a morte dele. É com Binet que constrói a 
Escala Métrica de Inteligência destinada a "medir a inteligência". Consagrou toda a sua 
vida a continuar a obra de Binet. 
 
Esses testes terminaram por dar origem às pesquisas que tentavam explicar o porquê do 
baixo desempenho principalmente das crianças das camadas menos favorecidas. Daí 
surgiu a tese do déficit cognitivo e da privação cultural. 
 
 
A tese do déficit cognitivo explicava o baixo desempenho pela falta de nutrientes 
necessários ao desenvolvimento. 
Já a tese da privação cultural, como diz o nome, sugeria uma carência de estímulos 
ambientais diversos, entre eles, a linguagem. 
 
Além dessas teses, não podemos esquecer o conceito de prontidão, que tem como 
fundamento que a maturação é um pré-requisito para a aprendizagem, tendo influenciado, 
principalmente a aprendizagem da leitura e da escrita. 
 
A partir dessas considerações, não é difícil estabelecer relações da teoria Inatista e a 
prática pedagógica. A educação quase nada pode alterar as determinações inatas, na 
medida em que as aptidões já estão lá desde o nascimento. Dessa forma, o 
desenvolvimento é pré-requisito para o aprendizado, e o desenvolvimento cognitivo é 
alcançado de forma introspectiva. 
 
As práticas espontaneístas, pouco desafiadoras, que subestimam tanto a capacidade 
intelectual do indivíduo quanto a força da educação, podem ser explicadas por essa 
corrente, pois, como dissemos, as características do sujeito estão lá desde sempre e, 
portanto, poucas chances de se modificarem. 
 
O Comportamentalismo na escola 
Também conhecido como Ambientalismo ou Behaviorismo, o Comportamentalismo é a 
crença de que a aprendizagem se centra apenas nos comportamentos objetivamente 
observáveis, negligenciando as atividades mentais. O comportamento pode ser modificado 
através da seleção prévia de experiência e da manipulação do meio. 
 
Os procedimentos didáticos e os conteúdos não precisam ter nenhuma relação com o 
cotidiano do aluno e, muito menos, com as realidades sociais. Na postura pedagógica, que 
supervaloriza a “cultura geral” (a que se estabeleceu e que deve ser transmitida 
hegemonicamente), cabe ao educando apenas ouvir passivamente e executar prescrições 
que lhes são fixadas por autoridades externas. 
 
A prática pedagógica comportamentalista, para garantir a apreensão do conhecimento, 
valoriza o trabalho individual, a concentração, o esforço pessoal e a disciplina. 
 
A comunicação entre os alunos e as dúvidas são vistas como falta de respeito, bagunça, 
dispersão, indisciplina e “conversas paralelas”. Portanto, privilegia-se a interação unilateral 
adulto-criança, sendo aquele visto como modelo perfeito que deve ensinar e moldar o 
caráter, o comportamento e o conhecimento. 
 
Para alcançar a eficiência no ensino e na aprendizagem, o ensino, centrado no professor, 
deverá ser rigoroso e exigente na tarefa de direcionar, punir, treinar, vigiar, organizar 
conteúdos e recursos de ensino. 
 
O professor (elemento central e único detentor do conhecimento) é quem corrige, avalia e 
julga os resultados e comportamentos dos alunos. Ele prioriza seus “erros e dificuldades” 
para que ambos sejam eliminados. 
A aprendizagem se confunde com a memorização de um conjunto de conteúdos 
desarticulados, através da repetição de exercícios de fixação e cópia, estimulados por 
elogios e recompensas (reforço positivo) ou notas baixas, castigos etc. (reforço negativo). 
O método se baseia na exposição verbal, análise e conclusão do conteúdo, por parte do 
professor, e a verificação da aprendizagem se dá através de avaliações periódicas, que 
são utilizadas como instrumentos de controle. 
 
Assim, nesta concepção, é exclusivamente através das relações que os alunos 
estabelecem de forma controlada com os objetos de seu meio físico que a construção de 
conhecimento se dá. Dessa forma, compreende-se que um ambiente rico de estímulos 
proporcionará por isso desafios e aprendizagens. 
 
Determinismos inatos ou sociais… 
 
Tanto a concepção inatista como a comportamentalista reforçam a ideia de um 
determinismo prévio, por razões inatas ou adquiridas, causando um grande impacto sobre 
as práticas pedagógicas. 
 
Por outro lado, provocam, também, uma espécie de perplexidade e imobilismo no sistema 
educacional, pois desvaloriza as práticas escolares, na medida que a aprendizagem já está 
determinada ou por fatores inatos ou adquiridos. 
 
O Interacionismo na escola 
Tanto para Piaget quanto para Vygotsky, o desenvolvimento das estruturas mentais não é 
inato e nem está no meio. Ele faz parte de uma construção a ser feita pelo sujeito na 
interação com o meio. 
 
No entanto, apesar dos dois autores serem interacionistas, eles divergem quanto à forma 
como se opera esse processo. 
 
Para ambos, é importante destacar que: 
 
● o desenvolvimento não está desde sempre no sujeito, nem é dado somente por 
fatores ambientais. 
● os dois pesquisadores reconhecem fatores hereditários e fatores ambientais, mas 
acreditam que o desenvolvimento não se dá apenas por eles. É preciso que haja 
uma atividade do sujeito. É essa atividade que vai torná-lo o protagonista do 
processo de aprendizagem. 
● com os dois teóricos é possível atribuir um peso maior ao processo pedagógico. 
Diferentemente do inatismo e do comportamentalismo, onde estavam pré-determinadas as 
condições do desenvolvimento e da aprendizagem, no Interacionismo, os fatores do meio e 
as características do sujeito se mesclam à atividade do sujeito. 
Assim, é possívelentender a prática pedagógica como fator preponderante ao 
desenvolvimento e a aprendizagem, embora esses processos sejam entendidos de forma 
distinta para os autores. Nas próximas aulas, estudaremos detalhadamente cada um. 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a teoria do desenvolvimento e as práticas 
escolares, leia as páginas 25 - 30 do livro da disciplina Mendes, Leila de Carvalho. 
Psicologia da aprendizagem. 4. ed. Rio de Janeiro: UVA, 2016. 
 
 
Encerramento 
Por que estudar teorias do desenvolvimento e da aprendizagem? 
Devemos estudar as teorias do desenvolvimento humano para tomarmos consciência de 
qual teoria norteia nossa prática. Conscientes da teoria adotada, podemos reorientá-la, 
de acordo com nossas escolhas e propósitos educativos 
Quais as principais correntes teóricas do desenvolvimento humano? 
As principais correntes teóricas do desenvolvimento humano são o Inatismo, o 
Comportamentalismo e o Interacionismo. No Inatismo, há a crença de que o 
conhecimento é inato e que o desenvolvimento ocorrerá desde que sejam possibilitadas as 
condições propícias. No Comportamentalismo, temos o extremo oposto: o conhecimento 
provém do meio. Por fim, no Interacionismo, o conhecimento é fruto das interações. 
Qual a relação entre as teorias do desenvolvimento humano e a dinâmica 
escolar? 
A relação entre as TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM E A DINÂMICA 
ESCOLAR refere-se à possibilidade do reconhecimento de que a teoria da aprendizagem 
adotada, consciente ou não, implicará em uma prática pedagógica, e que cada teoria do 
desenvolvimento se presta a determinados objetivos educacionais. Por isso, é de 
fundamental importância que o professor se pergunte que teoria está seguindo, e se sua 
prática é condizente com o seu discurso, de forma que atenda aos fins propostos. 
Resumo da Unidade 
Nesta unidade, você estudou as ​Teorias do desenvolvimento e da aprendizagem: 
inatismo, comportamentalismo e interacionismo​. 
Vimos que no Inatismo os fatores inatos são determinantes para o desenvolvimento e a 
aprendizagem e que, portanto, nada resta à escola, a não ser oferecer um ambiente 
propício para que o sujeito se desenvolva. 
Já no Comportamentalismo, ao contrário, é o meio que determina o desenvolvimento e a 
aprendizagem. Se, no Inatismo, o determinismo se deve a fatores hereditários, no 
Comportamentalismo o determinismo é social. 
Por fim, estudamos o interacionismo de Piaget e Vygotsky. Para os autores, o 
conhecimento é uma construção que se deve tanto a fatores inatos quanto a fatores do 
meio. Assim, a escola assume um papel importante para o desenvolvimento e 
aprendizagem dos alunos, pois, não havendo determinação, há muito a se fazer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3ª UNIDADE 
Abordagens contemporâneas da Aprendizagem e Desenvolvimento 
(Parte I) 
 
Nesta unidade, conheceremos as Abordagens contemporâneas da Aprendizagem e 
Desenvolvimento (Parte I), de tal forma que você consiga diferenciar, entre as teorias apresentadas, 
como cada teórico pensa o desenvolvimento e a aprendizagem infantil. 
 
✔Na aula 1, abordaremos a teoria psicossexual de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, 
vislumbrando compreender de que forma as contribuições freudianas e as etapas do 
desenvolvimento psicossexual descritas por ele são importantes para a prática educativa. ✔Na aula 
2, trataremos do construcionismo de Jean Piaget, objetivando identificar quais as contribuições da 
teoria psicogenética para a prática docente. 
✔E, por fim, na aula 3, a teoria do sociointeracionismo em Vigotsky, intencionando, igualmente, 
identificar as contribuições da teoria sociocultural para a prática docente. 
 
Bons estudos! 
 
Objetivos 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Diferenciar, entre as teorias, a forma como cada teórico pensa o desenvolvimento e a 
aprendizagem infantil. 
Conteúdo Programático 
 
Esta unidade está dividida em: 
 
Aula 1 - Freud e a Teoria Psicossexual do desenvolvimento 
Aula 2 - O construcionismo de Piaget 
Aula 3 - Vigotsky e o sociointeracionismo 
 
 
 
Na tirinha, a criança resolve não ir mais à escola, argumentando que não precisa aprender coisas 
nem desenvolver habilidades, deixando implícito que aprende-se e desenvolve-se na escola. Será 
que todos os teóricos concordam com isso? Ao final deste módulo você poderá responder a essa 
pergunta! 
Aula 1 
Freud e a Teoria Psicossexual do desenvolvimento 
O desenvolvimento Psicossexual e suas implicações para o Processo Educacional 
 
Nesta aula, esperamos que você aprenda a reconhecer a importância das contribuições 
freudianas à compreensão do desenvolvimento humano. 
Joseph Breuer, Ana O. e Freud 
Para saber mais sobre Freud e entender o contexto em que ele criou a psicanálise, assista 
agora ao vídeo ​Sigmund Freud - biografia​. 
 
Freud sofreu influência de Charcot (médico e cientista francês que utilizava a técnica 
da hipnose no tratamento das perturbações psíquicas, particularmente, a histeria), Liebaut 
e Berheim (médicos franceses que utilizavam a técnica da sugestão pós-hipnótica 
construindo a ideia de processos inconscientes subjacentes a consciência) passando a 
utilizar, também, no seu atendimento clínico a técnica da hipnose como recurso terapêutico 
no tratamento da histeria. 
 
Apesar de utilizar a técnica da hipnose, Freud, em muitas situações verificava a sua 
ineficácia e se questionava: não haveria outra maneira? 
Para saber mais sobre o funcionamento do Ego, um intermediador entre os desejos do Id, a 
satisfação do desejo e as proibições do Superego, assista agora ao vídeo ​Id, Ego e 
Superego​. 
Então, ocorreu-lhe que, se o paciente comunicasse tudo o que se passasse com ele, 
mesmo algo que ele considerasse insignificante, vergonhoso ou até mesmo doloroso, isso 
seria mais frutífero para o tratamento. Então, ele sugeriu a associação livre como técnica. 
Através dos estudos realizados sobre o tratamento realizado por Breuer na paciente Ana 
O., ele propõe um modelo para o aparelho psíquico composto por três níveis: o consciente, 
o pré-consciente e o inconsciente. Mas considera o inconsciente como sendo a chave para 
se chegar à cura. 
 
Em 1923, Freud apresenta a sua estrutura dinâmica da personalidade: o Id, o Ego e o 
Superego, bem como as fases de desenvolvimento da libido. 
 
Ao longo do desenvolvimento do ser humano, a libido passa por progressivas organizações 
em busca da obtenção do prazer. Freud propõe, então, alguns estágios do 
desenvolvimento psicossexual: 
 
Fase oral – a boca é a fonte primária de 
prazer para o recém-nascido. 
Fase anal - a libido se desloca para a região 
anal, onde se instala a fonte dominante de prazer. 
 
Fase 
fálica - a libido se localiza nos genitais e apresenta a fantasia de todos, meninos e meninas, 
de possuírem um pênis. Ocorre o Complexo de Édipo. 
 
Fase 
de latência - a libido encontra-se provisoriamente deslocada dos seus objetivos sexuais. 
 
Fase 
genital - pleno desenvolvimento do adulto. 
 
📢Sugerimos a leitura dos artigos ​Complexo de Édipo​, segundo Freud e ​Édipo Rei​, de 
Sófocles. 
📢Para saber mais, assista a animação ​Complexo de Édipo​, de Sigmund Freud. 
 
Ao entrar na escola, a importância especial dada pelo aluno ao professor coincide com o 
período de latência vivido pelo aluno. Esse professor assume um lugar que, até então, era 
ocupado pelos pais, podendo surgir a transferência e a utilizaçãodos mecanismos de 
defesa. 
 
Sendo assim, a psicanálise tem muito a contribuir para o exercício docente, auxiliando o 
professor na construção de um relacionamento afetivo com o seu aluno, promovendo o 
desenvolvimento e os processos de aprendizagem. 
 
 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre psicanálise e os estágios de desenvolvimento 
psicossexual, leia as páginas 47 - 98 do livro da disciplina Santos, Penélope Duarte dos. 
Nassar, Sergio Pessôa. Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 
O construcionismo de Piaget 
A teoria psicogenética de Jean Piaget 
 
 
Quase todas as pessoas que trabalham com educação já ouviram falar de Piaget, mas 
poucos conhecem sua obra, exceto a que ele acredita que as crianças passam por 
estágios de desenvolvimento mental e que elas têm habilidades diferentes nesses estágios. 
 
O pensamento do mestre genebrino é muito mais vasto e complexo. Piaget procurou 
compreender as relações entre a biologia e o conhecimento, desenvolvendo uma 
psicologia genética, ou seja, uma psicologia geral que buscou explicar as funções mentais 
por seu modo de formação, integrando fatores hereditários, fatores ambientais e uma ação 
do indivíduo sobre o meio. 
 
 
Assim, Piaget vai buscar explicar, através de um conjunto de investigações, a gênese das 
condutas inteligentes, elaborando um protótipo apoiado na biologia para explicar o 
desenvolvimento. 
 
Para Piaget, o desenvolvimento é contínuo, e dá-se por uma constante busca de equilíbrio, 
implicando sempre uma passagem de um estado de menor equilíbrio para um estado de 
equilíbrio superior, o que significa a adaptação dos esquemas existentes ao mundo 
exterior. 
 
Esse processo é denominado de EQUILIBRAÇÃO. 
 
Assim, uma criança que já construiu o esquema de sugar, assimila a mamadeira, mas terá 
que modificar o esquema para sugar a chupeta, comer com colher etc. 
 
O processo de equilibração inicia um novo ciclo quando o interesse do sujeito é 
despertado, desequilibrando-o e gerando uma necessidade. 
 
Essa necessidade vai impulsionar uma ação que visa a busca de novo equilíbrio, de uma 
satisfação. 
 
O processo de equilibração envolve dois mecanismos complementares: as estruturas 
variáveis (estágios) e o funcionamento constante. 
 
O funcionamento constante 
 
Frente a um objeto desconhecido o indivíduo: 
 
Desequilibra-se → Assimila e acomoda→ Adapta-se 
Quando há equilíbrio entre a Assimilação e a Acomodação, há Adaptação, o que garante o 
desenvolvimento progressivo para formas mais equilibradas. 
 
Por exemplo, quando uma criança começa a contar, precisa de objetos contáveis para 
orientar a progressão. Com o tempo, vai desenvolvendo os esquemas de quantidade e vai 
podendo se desprender dos objetos, fazendo a operação mentalmente. 
 
Ambiente → Desequilíbrio → Adaptação → Equilibração 
 ↙ ↘ 
 Assimilação Acomodação 
 
Fatores que promovem o desenvolvimento 
Além da Equilibração, Piaget destacou outros três fatores responsáveis pelo 
desenvolvimento: 
 
 
1. Maturação do organismo (basicamente do sistema nervoso central): 
 
A maturação é uma condição necessária, mas que não explica todo o desenvolvimento, 
desempenhando apenas o papel de abrir possibilidades para novas condutas que precisam 
ser atualizadas. 
 
 
 
2. Exercício e as experiências adquiridas (adquirida na ação efetuada sobre os 
objetos): 
 
Piaget estabelece dois tipos distintos de experiências: a experiência física e a experiência 
lógico-matemática. Mesmo a experiência física não é um simples registro de dados, mas 
uma estruturação ativa e assimiladora. 
 
3. As interações e as transmissões sociais (jogo, conversa, trabalho com outras 
crianças): 
 
Não são suficientes para explicar o desenvolvimento, pois a criança só assimilaraá as 
informações que estiverem de acordo com o conjunto de estruturas relativas ao seu nível 
de pensamento. Para Piaget, um dos equívocos da escola é imaginar que a criança tenha 
apenas de incorporar as informações já "digeridas", como se a transmissão não exigisse 
uma atividade interna de assimilação-acomodação do indivíduo, no sentido de haver uma 
reestruturação, e daí uma correta compreensão do que foi transmitido. 
 
 
Assim, para Piaget, com o fator de equilibração, quatro fatores promovem o 
desenvolvimento. 
 
4. A equilibração é o mecanismo interno que reúne todos os fatores precedentes de 
modo a construir e a reconstruir todas as estruturas mentais. Para Piaget, é o fator 
fundamental, na medida em que completa e evidencia o caráter não-apriorístico do 
desenvolvimento das estruturas mentais do indivíduo. A evolução ocorre sempre na direção 
de um equilíbrio, mas sem um plano preestabelecido, isto é, como o equilíbrio depende da 
ação do sujeito ativo sobre os distúrbios externos e, ao mesmo tempo, da ação desses 
sobre aquele. O que se pode observar é um ponto de equilíbrio e não o ponto de equilíbrio. 
 
A aprendizagem 
Para Piaget, a aprendizagem aparece como um processo que depende do 
desenvolvimento. 
 
Mas como o desenvolvimento não procede nem do meio nem é inato, é, principalmente, 
fruto da interação entre esses dois fatores, regida pela equilibração, a explicação 
interacionista coloca ênfase na atividade do sujeito. 
 
Assim, o DESENVOLVIMENTO é o processo que dá suporte para cada nova experiência 
de aprendizagem, A noção de aprendizagem está restrita à aquisicão de um conhecimento 
novo e específico derivado do meio, diferenciando-a do desenvolvimento da inteligência, 
que corresponderia à totalidade das estruturas de conhecimento construídas. Na imagem 
abaixo, as escadas representam o desenvolvimento, e o “x”, as aprendizagens realizadas 
em um determinado estágio. 
 
No entanto, Piaget também denomina de aprendizagem (sentido amplo) o próprio processo 
de desenvolvimento. 
 
Nesse sentido, aprender seria desenvolver-se. 
 
As formas mais equilibradas, que a inteligência assume ao longo do desenvolvimento, são 
as estruturas variáveis, isto é, um fator estrutural que comporta certos níveis de 
inteligência, uma evolução. 
 
A criança nasce equipada com um sistema reflexo que logo é sucedido pelos primeiros 
hábitos adquiridos que, por sua vez, precedem a inteligência prática que serve de apoio à 
inteligência verbal. O funcionamento é constante, mas mudam os conteúdos, os esquemas, 
as estruturas. 
 
Essas estruturas não foram inventadas por Piaget, mas observadas e descritas 
minuciosamente. 
 
Baseado nessas estruturas, Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo em estágios: 
 
 As Estruturas Variáveis 
Estágios ​ Idades médias 
 Inteligência senso-motora 0 a 1 ½ , 2 anos 
Inteligência pré-operatória 1 ½, 2 a 7 anos 
 Operações intelectuais concretas 7 a 11 anos 
 Operações intelectuais abstratas 11 a 15 anos 
 
Esses estágios são caracterizados por uma estrutura de conjunto, uma lógica, e, embora 
as idades variem em função do meio social, das experiências pessoais, do processo de 
maturação e, principalmente, do fator de equilibração, a ordem de sucessão é constante. 
 
Então, o desenvolvimento para Piaget é a passagem contínua de um estado de menor 
equilíbrio para um estado de equilíbrio superior, estando subordinado a dois grupos de 
fatores: os fatores da hereditariedade e adaptação biológicas, dos quais depende a 
adaptação do sistema nervoso e dos mecanismos psíquicos elementares, e os fatores de 
transmissão ou de interações sociais. 
 
Características dos estágios do desenvolvimento 
 
ESTAGIOS IDADES 
MEDIAS 
CARACTERISTICASInteligência 
senso-motora 
0 a 1 ½ , 
2 anos 
O aparecimento da função semiótica 
(representação mental do mundo) que 
permite o surgimento da linguagem etc, 
marca a passagem da inteligência 
senso-motora para a inteligência 
pré-operatória. 
O nível de linguagem é o monólogo coletivo, 
isto é, todos falam ao mesmo tempo sem 
que respondam as argumentações dos 
outros. 
A socialização é vivida de forma isolada, 
dentro do coletivo. Não há liderança e os 
pares são constantemente trocados. 
Inteligência 
pré-operatória 
1 ½, 2 a 7 
anos 
Desejo de explicação dos fenômenos. É a 
“idade dos porquês”, pois a criança pergunta 
o tempo todo. 
Distingue a fantasia do real, podendo 
dramatizar a fantasia sem que acredite nela. 
O pensamento continua centrado no seu 
próprio ponto de vista. 
Já é capaz de organizar coleções e 
conjuntos sem, no entanto, incluir conjuntos 
menores em conjuntos maiores (rosas no 
conjunto de flores, por exemplo). 
Linguagem - não mantém uma conversação 
longa, mas já é capaz de adaptar sua 
resposta às palavras do companheiro. 
Operações intelectuais 
concretas 
7 a 11 
anos 
O indivíduo consolida as conservações de 
número, substância, volume e peso. 
Ordena elementos por seu tamanho 
(grandeza), incluindo conjuntos, 
organizando então o mundo de forma lógica 
ou operatória. 
A organização social é a de bando, podendo 
participar de grupos maiores, chefiando e 
admitindo a chefia. 
Compreende as regras, sendo fiéis a ela, e 
estabelecendo compromissos. 
A conversação torna-se possível (já é uma 
linguagem socializada), sem que, no 
entanto, possam discutir diferentes pontos 
de vista para que cheguem a uma conclusão 
comum. 
Operações intelectuais 
abstratas 
11 a 15 
anos 
Ápice do desenvolvimento da inteligência. 
Nível de pensamento hipotético-dedutivo ou 
lógico-matemático. É quando o indivíduo 
está apto para calcular uma probabilidade, 
libertando-se do concreto em proveito de 
interesses orientados para o futuro. É, 
finalmente, a “abertura para todos os 
possíveis”. A partir desta estrutura de 
pensamento é possível a dialética, que 
permite que a linguagem dê-se em nível de 
discussão para se chegar a uma conclusão. 
A organização grupal pode estabelecer 
relações de cooperação e reciprocidade. 
 
 
Contribuições à dinâmica escolar 
Na teoria interacionista de Piaget, o conhecimento não está nem no indivíduo, nem no 
meio. Ele é construído na interação, na troca do sujeito com o meio, sendo o 
desenvolvimento explicado por um mecanismo interno: o processo de equilibração. 
Então, se o que a escola quer é promover o desenvolvimento, formando alunos críticos, 
autônomos e criativos, o importante é que haja a apropriação da informação pelo aluno, 
transformando-a em conhecimento. 
 
Segundo Piaget, nesse processo, cada aluno terá uma compreensão da questão proposta, 
bem como uma solução, visto que a percepção é orientada por uma atividade assimiladora, 
que incorpora os dados novos a esquemas antigos: 
 
“...toda percepção se estende em interpretações por assimilação a esquemas, ou 
sensório-motores (esquemas de ações), ou conceituais e representativos, pré-operatórios 
ou operatórios…” 
Piaget, Memória e Inteligência, p. 2. 
 
A escola, então, deve promover um ambiente que possibilite a interação (aluno x aluno, 
professor x aluno, grupo x grupo) para que a informação possa ser transformada pelo 
sujeito e pelo grupo, visando a construção de um conhecimento legitimado socialmente. 
Não podemos esquecer que, quando o sujeito incorpora os dados novos aos antigos, pode 
ser que a assimilação seja por demais deformante, com uma assimilação maior do que a 
acomodação. O que significa uma dificuldade de modificar-se (acomodar), de ajustar-se às 
regras, só modificando o meio (assimilando). Nesse caso, é necessário um trabalho que 
vise equilibrar as funções. Os jogos são excelentes instrumentos para desenvolver esse 
trabalho. 
 
No caso de uma interferência muito diretiva por parte do professor, pode haver uma 
acomodação maior do que a assimilação, resultando em imitação. Nesse caso, o aluno tem 
dificuldade de modificar o meio, só se modificando. O desafio do professor aqui é 
possibilitar que o aluno permita arriscar, errar, criar. 
 
Já nas atividades em que as trocas entre iguais são oportunizadas com mais frequência, 
cada elemento poderá, sob a supervisão do professor, expressar sua opinião sobre cada 
conteúdo, escutar o ponto de vista do grupo, comparando-o com o seu, garantido, assim, 
condições maiores para um equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, reconstruindo o 
conteúdo. 
 
A função do professor seria a de um mediador entre o conteúdo do sujeito e o conteúdo da 
matéria, favorecendo a ação do aluno sobre o objeto do conhecimento, questionando o 
grupo nas suas afirmações, ora desequilibrando, quando estiverem “cheios de certezas”, 
ora favorecendo a equilibração, quando estiverem muito desequilibrados. 
Para que isto aconteça, também é necessário que seja considerado o que o aluno já sabe, 
permitindo-se que ele elabore suas hipóteses sobre o conhecimento, e que o erro seja visto 
como um caminho para o acerto. 
 
Vídeo da Aula 
Assista agora ao vídeo da unidade ​Desenvolvimento e aprendizagem ​em Jean Piaget. 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre o construcionismo de Piaget, leia as páginas 
31 - 43 do livro da disciplina Mendes, Leila de Carvalho. Psicologia da aprendizagem. 4. ed. 
Rio de Janeiro: UVA, 2016 
Aula 3 
Vigotsky e o sociointeracionismo 
 
A Escola Soviética de Psicologia, cujo principal representante é o russo Lev Semenovich 
Vygotsky (1896-1932), desenvolveu uma outra linha dos estudos da inteligência, criada na 
tentativa de construção de uma nova psicologia, que fizesse uma síntese das ciências do 
corpo e da mente (REGO, 2001, p. 28-29). Para Vygotsky, a inteligência ou as funções 
psicológicas superiores​(As funções psicológicas superiores seriam aqueles processos de 
caráter voluntário, como as ações conscientes, a atenção voluntária, a memorização ativa, 
o pensamento abstrato e o comportamento intencional e, por isso mesmo, difeririam dos 
processos psicológicos inferiores, como os reflexos, as reações automáticas e as 
associações simples.) têm um suporte biológico, fruto da atividade cerebral, sendo o 
cérebro: 
 
 
Vygotsky explica que, ao nascer, a relação do sujeito com o mundo é uma relação direta 
(S-R), que aos poucos vai sendo substituída por um ato complexo, mediado. 
 
Os elementos mediadores da relação homem-mundo são: 
 
Os instrumentos – que são elementos externos ao indivíduo; são objetos mediadores da 
relação homem-mundo, que carregam consigo uma função, na medida em que são feitos 
ou buscados pelo homem para atingir um objetivo, dominar a natureza, como um machado, 
um lápis ou mesmo um pente. 
Os signos – que são instrumentos internos, psicológicos, como a linguagem; na sua forma 
mais elementar, o signo é marca externa que auxilia o homem em tarefas que exigem 
memória ou atenção. 
As pessoas. 
 
Vygotsky dividiu este processo em estágios. Assim, primeiro o indivíduo realiza as ações 
externamente e, a partir do significado que suas ações têm para o grupo, ele poderá 
atribuir significados a elas e desenvolver processos psicológicos internos. Podemos 
concluir então que, para Vygotsky, é o aprendizado que possibilita o desenvolvimento dosprocessos superiores de pensamento, que são relacionamentos sociais internalizados. 
 
Dessa forma, é a necessidade de interação que possibilita o conhecimento, uma vez que 
os indivíduos buscam não só compreender o mundo, mas também saber como os outros o 
compreendem. Nessa perspectiva, o social tem um papel fundamental. (SENNA, 1999). 
 
 
1º estágio  2º estágio  3º estágio  4º estágio 
Equipamento e atividade 
Natural ou 
primitivo 
Psicologia 
ingênua 
Uso externo de 
meios culturais 
Uso interno de 
meios culturais 
Mecanismos 
inatos  
 
Mecanismos 
inatos + Alguma 
mediação 
 
X​ = sinais 
externos 
Mediação 
consciente dos 
sinais auxiliares 
externos 
 
X​ = sinais 
externos 
auxiliares 
conscientes 
Interiorizarão 
de relações 
externas entre 
estímulo, sinais 
e 
comportamento 
X ​= sinais 
internos 
 
Respostas 
Naturais e 
primitivas. 
Apenas as 
conexões 
externas, 
concretas e 
reais podem 
afetar o 
comportamento 
da criança. 
Criação e 
manipulação de 
sinais a fim de 
alcançar a 
resposta 
desejada. 
Alcance da 
atividade 
desejada sem 
ajuda de sinais 
auxiliares 
externos. 
 
 
Moll, Luis C. Vygotsky e a educação, p.128 e Valsiner e Van Der Veer, Vygotsky uma 
Síntese, p. 260. 
 
Mas o que é aprender para Vygotsky? 
 
Vygotsky usa OBUCHENIE, um termo russo para referir-se ao “processo de 
ensino-aprendizagem”, esse processo compreende sempre aquele que aprende, aquele 
que ensina, e a relação entre essas pessoas, havendo uma síntese, ou seja, a criação de 
algo novo, e não uma aquisição exógena. 
 
Implantar algo na criança é impossível. Só é possível treiná-la para alguma atividade 
exterior, como digitar um texto. Para criar uma ZONA DE DESENVOLVIMENTO 
PROXIMAL, isto é, para engendrar uma série de processos de desenvolvimento interior, 
precisamos dos processos corretamente construídos de aprendizagem escolar. 
 
A ZONA DE DESENVOLVIMENTO 
PROXIMAL é, pois, um domínio psicológico 
em constante transformação. É como se o 
processo de desenvolvimento progredisse 
mais lentamente do que o processo de 
aprendizado. O aprendizado desperta 
processos de desenvolvimento que, aos 
poucos, vão tornar-se parte das funções 
psicológicas consolidadas do indivíduo. 
“Para Vygotsky, a aprendizagem está 
relacionada ao desenvolvimento desde o 
início da vida humana, sendo ‘um aspecto 
necessário e universal do processo de 
desenvolvimento das funções psicológicas 
culturalmente organizadas e 
especificamente humanas’ (Vygotsky, 
1984, p.101). O percurso de 
desenvolvimento do ser humano é, em 
parte, definido pelos processos de 
maturação do organismo individual, 
pertencendo à espécie humana, mas é a 
aprendizagem que possibilita o despertar 
de processos internos de desenvolvimento 
que, se não fosse o contato do indivíduo 
com um determinado ambiente cultural, 
não ocorreriam. Em outras palavras, o 
homem nasce equipado com certas 
características próprias da espécie (por 
exemplo, a capacidade de enxergar por 
dois olhos, que permite a percepção 
tridimensional, ou a capacidade de receber 
e processar informação auditiva), mas as 
chamadas funções psicológicas superiores, 
aquelas que envolvem consciência, 
intenção, planejamento, ações voluntárias 
e deliberadas, dependem de processos de 
aprendizado. O homem é membro de uma 
espécie para cujo desenvolvimento a 
aprendizagem tem um papel central, 
especialmente no que diz respeito a essas 
funções superiores, tipicamente humanas.” 
Castorina et al, Piaget e Vygotsky: Novas 
contribuições para o debate, p. 55,56. 
 
Nível de desenvolvimento real 
Nível de desenvolvimento 
potencial 
↓  ↓ 
Capacidade de realizar tarefas 
de forma independente 
Capacidade de desempenhar 
tarefas com ajuda de adultos ou 
de companheiros 
ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL 
 
A linguagem sempre foi uma preocupação central na obra de Vygotsky, ocupando um lugar 
de destaque. Vygotsky abordou-a não como um sistema linguístico, mas em seu aspecto 
funcional e psicológico, pois interessava-lhe a linguagem como constituidora do sujeito, 
enfocando seus estudos na relação PENSAMENTO–LINGUAGEM. 
 
As principais ideias sobre o tema estão no livro PENSAMENTO E LINGUAGEM. O primeiro 
e último capítulos encerram o núcleo central de seu pensamento. Infelizmente, a 
abordagem permanece apenas anunciada, pois Vygotsky morre logo após tê-lo escrito. 
 
Uma das principais bases do pensamento de Vygotsky é a de que as funções psicológicas 
superiores são construídas ao longo da história social do homem, na sua relação com o 
meio físico e social. Essa relação é sempre mediada por instrumentos e símbolos. Como a 
linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos, a questão do 
desenvolvimento da linguagem ocupa lugar central. 
 
A linguagem possui duas funções básicas: 
INTERCAMBIO SOCIAL: Gera necessidade de comunicação e impulsiona o 
desenvolvimento da linguagem. 
 
PENSAMENTO GENERALIZANTE: Responsável por tornar a linguagem um instrumento 
do pensamento. 
 
O pensamento e a linguagem desenvolvem-se da mesma forma que as outras funções 
psicológicas superiores. Vai da atividade social interpsíquica para a atividade 
individualizada, intrapsíquica. Isto é, primeiro a criança observa e atribui os sentidos que o 
grupo ao qual pertence atribui. Aos poucos ela vai internalizando e a atividade que era 
INTERPSÍQUICA torna-se INTRAPSÍQUICA. 
 
Nas crianças pequenas, o pensamento se desenvolve sem a linguagem, e as “palavras” se 
formam sem o pensamento; seu objetivo é chamar a atenção do adulto. Essa é a função 
social da fala nesta fase. 
 
Leia, em ‘A Formação Social da Mente’, mais detalhes sobre esta teoria de Vygotsky. 
 
Pode-se, então, estabelecer uma linguagem pré-intelectual e um pensamento 
pré-linguístico. Quando as duas linhas se encontram, o pensamento se torna verbal e a 
linguagem racional. 
 
A partir de então, a criança percebe o propósito da fala, que começa a servir ao intelecto e 
o pensamento começa a ser verbalizado. 
 
Daí por diante a criança passa a sentir a necessidade das palavras, tentando aprendê-las – 
é a descoberta da função simbólica da palavra. 
 
Leia este interessante artigo da revista Nova Escola: Vygotsky e o conceito de pensamento 
verbal. 
 
Para Vygotsky, o conhecimento é construído na interação do sujeito com o meio, mediado 
por instrumentos. Essa construção se dá pelo processo de aprendizagem, sendo esta que 
impulsiona o desenvolvimento. Como vimos nessa teoria, o significado atribuído à 
aprendizagem inclui não só aquele que aprende, mas também aquele que ensina e a 
relação entre eles, havendo uma síntese, ou seja a criação de algo novo. Logo, a 
aprendizagem, para Vygotsky, significa a criação de algo novo. 
 
Então, se o que a escola quer é promover o desenvolvimento, formando alunos críticos, 
autônomos e criativos, o importante é que haja efetivamente aprendizagem – a criação de 
algo novo por parte do aluno. A aprendizagem se compara, então, a uma invenção ou a 
uma reinvenção do conhecimento pelo aluno. 
 
 
Assim, a escola deve promover um ambiente que possibilite a interação (aluno x aluno, 
professor x aluno, grupo x grupo), uma vez que aprendemos com os pares,para que a 
informação possa ser transformada pelo sujeito e pelo grupo, visando à aprendizagem. É 
na interação com o outro que vamos elaborando e reelaborando a informação e 
transformando-a em conhecimento. 
 
Para isso, a escola deverá planejar atividades que envolvam observação, pesquisa, 
resoluções de questões específicas, ou mesmo propostas de estudos e preparação de 
seminários, palestras ou outras apresentações. No entanto, para que isso ocorra e o 
professor possa planejar estratégias que permitam avanços, reestruturações e ampliação 
do conhecimento do aluno, deverá conhecer o seu nível efetivo de informação, ou seja, 
suas hipóteses, crenças, opiniões; suas ideias acerca do mundo onde está inserido. 
 
Para que isso aconteça, também é necessário que seja considerado o que o aluno já sabe, 
permitindo-se que ele elabore suas hipóteses sobre o conhecimento, e que o erro seja visto 
como um caminho para o acerto. 
 
 
Da mesma forma, essas diversas interações sugeridas serão elementos mediadores entre 
o aluno e mundo, auxiliando-o na internalização deste meio. 
 
“Isto é, primeiramente o indivíduo realiza as ações externas, que serão interpretadas pelas 
pessoas a seu redor, de acordo com os significados culturalmente estabelecidos. A partir 
dessa interpretação é que será possível para o indivíduo atribuir significados a suas 
próprias ações e desenvolver processos psicológicos internos que podem ser interpretados 
por ele próprio a partir dos mecanismos estabelecidos pelo grupo cultural e compreendidos 
por meio dos códigos compartilhados pelos membros desse grupo.” ​(Oliveira, 1993, p. 39, 
in Kohl de Oliveira, M., Piaget e Vygotsky: Novas contribuições para o debate, p. 61.) 
 
Vídeo da Aula 
Para saber mais sobre A teoria sociocultural de Vygotsky, assista agora ao vídeo da 
unidade Desenvolvimento e aprendizagem em VYGOTSKY. 
 
Se preferir, faça o download do áudio (mp3 compactado) deste vídeo clicando aqui. 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre Vygotsky e o sociointeracionismo, leia as 
páginas 45 – 57 do livro da disciplina Mendes, Leila de Carvalho. Psicologia da 
aprendizagem. 4. ed. Rio de Janeiro: UVA, 2016. 
 
 
 
 
Encerramento 
Quais as contribuições das etapas do desenvolvimento psicossexual para a 
prática educativa? 
A Psicologia do Desenvolvimento, através de sua produção teórica, auxilia o professor na 
busca de novas metodologias, promovendo a discussão sobre os conteúdos a serem 
ensinados ao aluno e na compreensão de seu comportamento. 
Quais as contribuições das teorias psicogeneticas de Jean Piaget para a prática 
escolar? 
A principal contribuição da teoria piagetiana para a prática escolar diz respeito à função 
do professor que deve favorecer a ação do aluno sobre o objeto do conhecimento, 
funcionando como um mediador entre o conteúdo do sujeito e o conteúdo da matéria, 
questionando o grupo nas suas afirmações, ora desequilibrando, quando estiverem “cheios 
de certezas”, ora favorecendo a equilibração, quando estiverem muito desequilibrados. 
Quais as contribuições da teoria sociocultural para a prática docente? 
Dentre as diversas contribuições, podemos destacar principalmente a valorização do papel 
do professor e da aprendizagem com os pares e do conceito de Zona de Desenvolvimento 
Proximal. 
 
Resumo da Unidade 
 
Nesta unidade, você estudou a Teoria de Freud e sua contribuição para a Psicologia do 
Desenvolvimento. Foram abordados temas interessantes, como: a descoberta do 
inconsciente, o desenvolvimento da sexualidade infantil, o Id, o Ego e o Superego e os 
mecanismos de defesa do Ego. Da mesma forma, estudamos a contribuição da psicanálise 
para o exercício docente, no auxílio do professor para a construção de um relacionamento 
afetivo com o seu aluno, promovendo o desenvolvimento e os processos de aprendizagem. 
 
Tivemos a oportunidade também, de estudar um pouco da obra de Piaget. Iniciamos com 
uma apresentação da Epistemologia de Piaget, aprofundando os estudos sobre o 
mecanismo de Equilibração, que envolve as estruturas variáveis e as invariantes 
funcionais. Vimos as relações entre a equilibração e o desenvolvimento, e a aprendizagem 
e as características de cada estágio do desenvolvimento. Por último, estudamos as 
contribuições do autor para a prática pedagógica. 
 
Finalmente, estudamos sobre o desenvolvimento e a aprendizagem em Vygotsky e 
pudemos aprender que, para o pesquisador, é a aprendizagem que impulsiona processos 
de desenvolvimento. Vimos que a teoria histórico-cultural contribui sobremaneira para a 
educação formal, na medida em que valoriza o papel do professor e da aprendizagem nos 
processos de desenvolvimento. 
 
 
 
 
4ª UNIDADE 
Abordagens contemporâneas da Aprendizagem e Desenvolvimento (Parte II) 
 
INTRODUÇÃO 
Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo das Abordagens contemporâneas da 
Aprendizagem e Desenvolvimento (Parte II), de tal forma que você consiga diferenciar, 
entre as teorias, a forma como cada teórico apresentado pensa o desenvolvimento e a 
aprendizagem infantil. Além disso, compreender o desenvolvimento e a aprendizagem do 
adolescente e do adulto. 
 
Na aula 1, abordaremos a A teoria das Inteligências múltiplas de H. Gardner, objetivando 
que você identifique a diversidade de formas pelas quais a inteligência se manifesta e os 
vários tipos de inteligência múltipla para aplicar na prática escolar. Na aula 2, o teórico 
Wallon e a sua teoria das emoções, para que você consiga reconhecer a importância da 
afetividade à dinâmica escolar. 
E, por fim, na aula 3, o desenvolvimento e aprendizagem do adolescente e do adulto, para 
que, assim, você relacione as transições da adolescência para o mundo adulto e as 
exigências da prática docente. 
 
Objetivos 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
Diferenciar, entre as teorias, a forma como cada teórico pensa o desenvolvimento e a 
aprendizagem infantil, do adolescente e do adulto. 
 
Esta unidade está dividida em: 
Aula 1 - A teoria das Inteligências múltiplas de H. Gardner 
Aula 2 - Wallon e a teoria das emoções 
Aula 3 - Desenvolvimento e Aprendizagem do adolescente e do adulto 
 
Você sabia que alguns escritores escreveram sobre a adolescência e a sua problemática? 
 
América do Sul > José de Alencar - “Senhora” de José de Alencar mostra a revolta de uma 
adolescente que foi abandonada por seu pretendente por ser pobre. Ao tornar-se rica ela 
se vinga, demonstrando a inconstância e as ações movidas pelas emoções, típicas da 
adolescência. 
Alemanha > Göethe - “Werther” de Göethe se mata por ter sido recusado por seu amor. 
Uma existência repleta de busca de si mesmo. Tão atual quanto Shakespeare, vocês não 
acham? 
Inglaterra > Shakespeare - “Romeu e Julieta” de Shakespeare fala sobre um casal de 
adolescentes que vivenciam seu primeiro amor. Esse amor é proibido, pois seus pais são 
inimigos, o que deixa o amor deles mais forte ainda. 
 
Que tal embarcarmos juntos nesta jornada pela busca do entendimento sobre o que 
significa ser adolescente? Vamos lá? 
 
 
 
 
 
Aula 1 
A teoria das Inteligências múltiplas de H. Gardner 
 
Howard Gardner é professor de cognição e educação na HarvardGraduate School of 
Education. Ele também ocupa o cargo de professor adjunto de psicologia na Universidade 
de Harvard. 
Gardner recebeu inúmeros prêmios pela sua obra e foi eleito um dos intelectuais públicos 
mais influentes do mundo em 2011. 
Autor de vinte e nove livros traduzidos em trinta e duas línguas e uma centena de artigos, 
Gardner é muito conhecido nos círculos educacionais pela sua teoria das INTELIGÊNCIAS 
MÚLTIPLAS. 
Veja o site de Gardner. 
 
Gardner apresenta uma visão pluralista da mente, uma visão multifacetada da inteligência, 
que se afasta das visões unitárias de inteligência e dos testes de QI. 
 
Baseado principalmente em duas fontes, uma referente ao desenvolvimento de diferentes 
tipos de capacidades nas crianças normais e na informação de como essas capacidades 
falham sob condições de dano cerebral, Gardner e seu grupo realizaram uma análise e 
estudaram os resultados, organizando, inicialmente, os sete grupos de inteligência. 
 
Veja o artigo e o vídeo sobre Gardner em “Howard Gardner, o pai da Teoria das 
Inteligências Múltiplas”. 
 
O pesquisador enfatiza que o importante é deixar clara a pluralidade do intelecto e que a 
lista pode ser reorganizada, como o fez, mais tarde, incluindo a inteligência 
NATURALÍSTICA (reconhecer e classificar espécies da natureza) e a EXISTENCIAL 
(refletir sobre questões fundamentais da vida humana) e sugerindo o agrupamento das 
inteligências inter e intrapessoal. 
 
INTELIGENCIA LINGUISTICA: É a habilidade para usar a linguagem para convencer, 
agradar, estimular ou transmitir ideias, como a habilidade exibida pelos poetas.Em 
crianças, esta habilidade se manifesta por meio da capacidade para contar histórias 
originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas. 
 
Assista ao documentário Línguas – Vidas em português. 
 
INTELIGENCIA LOGICO-MATEMATICA: Como o nome indica, é a capacidade lógica e 
matemática. É a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer 
problemas e resolvê-los. É a inteligência de matemáticos e cientistas. Mas, enquanto os 
matemáticos desejam criar um mundo abstrato, os cientistas pretendem explicar a 
natureza. 
A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer 
cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio. 
O filme Uma mente brilhante retrata bem esta inteligência. 
INTELIGENCIA ESPACIAL: Capacidade de formar uma representação mental de um 
mundo espacial de forma precisa, operacionalizando formas ou objetos mentalmente e, a 
partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação 
visual ou espacial. É a inteligência dos marinheiros, dos engenheiros, dos arquitetos, dos 
cirurgiões, escultores e pintores. 
Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido por meio da 
habilidade com quebra-cabeças e outros jogos espaciais e pela atenção a detalhes visuais. 
INTELIGENCIA MUSICAL: Quarta categoria de capacidade identificada. Se manifesta pela 
habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma música ou peça musical. Inclui 
habilidade para discriminar sons e perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, 
texturas e timbre. Mozart a possuía em alto grau. 
A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no 
seu ambiente e, frequentemente, canta para si mesma. 
Veja o filme A vida de Mozart . 
INTELIGENCIA CORPORAL-CINESTESICA: Refere-se à habilidade para resolver 
problemas ou criar produtos utilizando o corpo inteiro ou parte do corpo. Apresentam essa 
inteligência altamente desenvolvida os dançarinos, os atletas, os cirurgiões e os artistas. 
A criança que apresenta inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir 
de estímulos musicais ou verbais e demonstra uma grande habilidade atlética ou uma 
coordenação fina apurada. 
INTELIGENCIA INTERPESSOAL: É a habilidade para entender outras pessoas. 
Psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem-sucedidos possuem alto grau de 
inteligência interpessoal. 
Crianças dotadas com essa inteligência apresentam uma habilidade para liderar outras 
crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de 
outros. 
INTELIGENCIA INTRAPESSOAL: Sétimo tipo de inteligência, é o correlativo da inteligência 
interpessoal, é voltada para dentro. É a habilidade para ter acesso aos próprios 
sentimentos, sonhos e ideias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de 
problemas pessoais. 
 
Estude mais sobre inteligências múltiplas em ‘Howard Gardner, o cientista das inteligências 
múltiplas’. 
 
Vídeo da Unidade 
Para saber mais sobre esta teoria, assista agora ao vídeo da unidade Teorias das 
Inteligências Múltiplas. 
Se preferir, faça o download do áudio (mp3 compactado) deste vídeo clicando aqui. 
 
Gardner diz que nunca pensou para sua teoria um conjunto de procedimentos que todos 
devessem seguir, mas que aconteceu algo interessante e que já está sendo reunido em um 
livro. Educadores em todo o mundo estão adotando as múltiplas inteligências. Para ele, no 
entanto, há duas implicações importantes da Teoria das Inteligências Múltiplas na prática 
escolar. 
Veja o vídeo “O que meu filho deve aprender?”. 
 
A primeira diz respeito à individualização do ensino. Hoje podemos ensinar a mesma coisa 
de várias maneiras, e isso é possível graças aos computadores. As pessoas aprendem de 
diferentes maneiras e isso precisa ser respeitado. 
 
Por outro lado, tudo o que é importante deve ser ensinado de várias formas. Quando 
ensinamos algum conteúdo de várias formas, duas coisas acontecem: você alcança um 
maior número de pessoas e, dessa forma, mostra o que é realmente saber algo. Quando 
sabemos algo, podemos pensá-lo de várias formas. 
Veja o vídeo ‘Para cada pessoa, um tipo de educação’. 
 
Mas a grande contribuição de Gardner foi ter tirado o foco das inteligências canônicas 
(linguística e lógico-matemática) e ter mostrado que a inteligência se expressa de várias 
formas. 
 
Sua teoria contribuiu para que as escolas começassem a valorizar mais as outras 
expressões da inteligência. Embora ainda haja muito a se avançar, já é possível vermos 
escolas apresentando uma grade curricular mais abrangente, incluindo em seus currículos 
atividades não acadêmicas. 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a teoria das inteligências múltiplas, leia as 
páginas 59 - 74 do livro da disciplina Mendes, Leila de Carvalho. Psicologia da 
aprendizagem. 4. ed. Rio de Janeiro: UVA, 2016. 
 
 
 
 
Aula 2 
Wallon e a teoria das emoções 
 
O ser humano, na perspectiva walloniana, é um ser que se desenvolve em uma realidade 
dialética (Pensada a partir das suas contradições em uma perspectiva de superação.). 
 
Wallon observa atentamente as relações estabelecidas entre a criança e os meios – seus 
contextos de desenvolvimento (espaço físico, família, ambiente familiar, linguagem, 
cultura), assinalando o que ele denominou de campos funcionais, ou seja, os domínios 
funcionais que atuam tanto na relação com as realidades presentes, quanto com as 
realidadesimaginadas. São eles: o da afetividade, do ato motor, do conhecimento e o da 
formação do eu como pessoa. 
 
O que será que Wallon está querendo nos dizer com isto? 
 
A realidade, a vida concreta, apresenta uma complexidade que não pode ser compreendida 
em uma perspectiva determinista e linear. Wallon considera a dinâmica da realidade em 
uma visão dialética, ou seja, os obstáculos e as possibilidades são entendidos como 
propulsores do desenvolvimento. Daí, cada indivíduo apresentar um ritmo e um processo 
particulares que se estabelecem através das interações da criança com o meio. O meio a 
que estamos nos referindo é plural e multifacetado. 
Wallon pesquisou a gênese do psiquismo humano e utilizou como metodologia a 
observação do comportamento infantil e suas várias formas de expressão. Para ele, o 
gesto involuntário observado no bebê tem uma importância fundamental na elaboração da 
atividade mental da criança. 
Vamos pensar em um bebê, em seu berço, movimentando os seus braços. Sua mãe 
atenta percebe os movimentos e considera que a criança está solicitando o seu colo. 
Acolhido afetuosamente, o bebê inicia a descoberta dos efeitos dos seus gestos ou atos no 
outro e, gradativamente, irá descobrindo outros gestos, aprendendo e percebendo o 
movimento e limites do seu corpo, e os modificando de acordo com a resposta encontrada. 
 
Estamos, portanto, nos referindo a um dos campos funcionais, o ato motor, que se enuncia 
através de outro campo funcional, a emoção. Esta, por sua vez, é percebida como a 
expressão da afetividade. Na teoria walloniana, as emoções ocupam um lugar privilegiado, 
são responsáveis pela junção do orgânico com o social, propiciando, portanto, a gênese da 
consciência humana. 
 
A presença da mãe ou de seu substituto (a) permite que, em um processo lento, instável, 
através desta junção entre um fator de ordem biológica e um fator de ordem social, o bebê 
organize as suas formas de manifestação que irão, mais tarde, consolidar aprendizagens 
que lhe permitirão o controle das reações espontâneas substituídas por comportamentos 
voluntários. 
Assim, o choro irá aparecer nas situações afetivas mais variadas: medo, alívio, sofrimento, 
gozo, alegria e outras, permitindo ao bebê a satisfação das suas necessidades. 
 
Para saber mais, leia o artigo Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e 
afetividade na educação. 
 
Como você pode observar, o desenvolvimento apresenta uma perspectiva multidimensional 
em que se destaca o papel do organismo e do meio no qual o indivíduo está inserido como 
elementos propulsores da sua elaboração psíquica. 
Se você já conseguiu entender o papel das emoções e do ato motor, podemos, agora, nos 
referir a outro campo funcional – o do conhecimento. 
Voltemos a uma informação dada em um parágrafo anterior: “a presença da mãe 
traduzindo um gesto, permite ao bebê organizar as suas formas de manifestação que 
serão, mais tarde, substituídas por comportamentos voluntários”. 
 
Ao gesto do bebê, corresponde um gesto da mãe imerso em uma cultura que constrói as 
regras de convivência e, neste caso específico, um saber: o cuidar do bebê. Este gesto se 
expressa por um olhar, um ato e uma palavra. Paulatinamente, “o nosso bebê” será 
introduzido em um mundo simbólico que utiliza uma determinada linguagem – instrumento 
indispensável para a estruturação do seu pensamento. 
 
Vejamos agora o quarto e último campo funcional proposto por Wallon, a formação do eu 
como pessoa. Para isso, voltemos ao nosso bebê. 
 
Este, ao nascer, não se percebe enquanto ser diferenciado, não tem consciência dos 
limites do seu próprio corpo. Será através de um processo progressivo de interação com o 
meio, neste primeiro momento representado pela figura de sua mãe e/ou substituto (a), que 
a diferenciação, ou seja, a individuação ocorre. O bebê, através das suas sensações e da 
relação com sua mãe, vai delineando e conhecendo o seu próprio corpo e os objetos do 
seu meio social. A atividade exploratória guiada pelas sensações, pelo corpo e pelas 
emoções, e que ganham significado através da interação com o outro, vão permitindo ao 
bebê um conhecimento sobre si mesmo e o mundo à sua volta. Assim, em um processo 
dinâmico, diferenciado e que envolve retrocessos e reviravoltas, ele irá construir em um 
primeiro momento, a sua consciência corporal, ou seja, o seu eu corporal vai se 
estabelecendo. Portanto, a diferenciação entre o espaço subjetivo e o objetivo, em outras 
palavras, o que é o meu corpo e o que não é o meu corpo, a qual se seguirá, nas etapas 
seguintes do seu desenvolvimento, e na interação com o seu meio social e cultural a 
construção do eu psíquico, complementando a construção da consciência de si. 
 
Desta forma, Wallon entende que observando a criança, analisando suas atividades, que 
funcionam como molas propulsoras do desenvolvimento, poderemos compreender a sua 
evolução mental. Verifica-se, portanto, que o processo de desenvolvimento humano é 
determinado pelas condições biológicas e sociais. Variáveis complementares que envolvem 
o homem na sua permanente busca por mudança e transformação. Veja a seguir. 
FATORES ORGANICOS: 
Responsáveis pela sequência do movimento. Com suas características determinantes, têm 
os seus efeitos controlados através do meio social e pelo próprio indivíduo. 
FATORES SOCIAIS: Têm um papel preponderante na aquisição dos processos mentais 
superiores responsáveis pela apropriação da linguagem e do pensamento. 
 
Wallon, além de verificar a influência do social no desenvolvimento e aprendizagem 
humana, considera a escola um lugar privilegiado para orientação e acompanhamento da 
criança em seu processo de desenvolvimento. Severo crítico dos métodos tradicionais da 
escola, afirmava que a educação não pode desconsiderar as condições de 
desenvolvimento no planejamento das suas ações e na compreensão das necessidades e 
interesses apresentados pela criança. 
 
Para Wallon, o desenvolvimento humano se apresenta em etapas diferenciadas que 
compreendem um conjunto de necessidades e interesses que se modificam ao longo do 
processo e permitem à criança, em um determinado contexto de desenvolvimento, utilizar 
os recursos de que dispõe imprimindo a esta relação um caráter particular e único, que 
apresenta um ritmo e uma dinâmica própria. 
 
Desta forma, outro aspecto a ser considerado refere-se ao ritmo do desenvolvimento. 
Wallon irá afirmar que as etapas do desenvolvimento se apresentam “descontínuas, 
marcadas por rupturas, retrocessos e reviravoltas.” (GALVÃO, 2000). 
 
A passagem de um estágio de desenvolvimento para o seguinte é marcado por uma crise 
ou um conflito que irá propiciar a mudança e/ou a transformação de um campo de atividade 
funcional para o outro. Os conflitos tanto atuam no nível orgânico como no psíquico, mas 
não, necessariamente, anulando a etapa anterior. 
 
Procure se lembrar de situações vividas por você que, de alguma maneira, promoveram 
uma crise ou um conflito e de como conseguiu resolvê-las. Os conflitos, para Wallon, 
funcionamcomo elementos dinamogênicos. 
 
Dinamogenia: Segundo o Dicionário Aulete Digital, dinamogenia é um termo da fisiologia e 
se refere à exaltação funcional de um órgão sob a influência de uma excitação. 
 
Cada etapa do desenvolvimento apresenta as seguintes características: 
 
descontinuidade; rupturas; retrocessos; reviravoltas. 
E são marcadas por uma crise ou um conflito, que funciona como um fator propulsor do 
desenvolvimento, ou seja, um elemento dinamogênico. Este, por sua vez, pode ter origem: 
EXOGENA: Ocorre por uma inadaptação ou estranhamento da ação da criança na relação 
com o mundo externo provocado pelo adulto e/ou pela cultura. Exemplos: mudança de 
escola, chegada de um novo irmão, separação dos pais etc. 
ENDOGENA: Ocorre por um desconforto ou desequilíbrio da maturação nervosa. 
Exemplos: uma doença, síndromes genéticas, transtornos metabólicos etc. 
 
A integração desses fatores, tanto de origem endógena quanto exógena, requer um 
período e um ritmo particulares que irão propiciar uma nova estabilidade. 
 
Para Wallon, uma das atividades da criança que permite a elaboração deste momento de 
crise ocorre através do brincar. O ato de brincar permite à criança exercitar as 
possibilidades das funções adquiridas sem o controle do meio externo. Assim, como pontua 
Wallon, a criança, brincando, explora todas as possibilidades da função presente, 
chegando ao seu limite e, exercendo o seu domínio, integra-a a uma forma superior de 
atividade, promovendo uma progressão funcional. Ou seja, brincar permite à criança uma 
maior elaboração do conflito, permitindo, aos poucos, a sua integração à etapa do 
desenvolvimento em que ela se encontra. 
 
Esta elaboração do conflito através do brincar envolve outra variável apontada por Wallon, 
que se refere à possibilidade de comunicação com o mundo através da expressão de uma 
linguagem corporal que utiliza a motricidade e a expressão emocional. 
Sugerimos a leitura do artigo, Henri Wallon na Intervenção Pedagógica em crianças com 
múltiplas deficiências. in: Revista SOBAMA. V. 6, n. 1, dez, 2001. 
Os autores destacam as contribuições da teoria walloniana na intervenção pedagógica com 
alunos que apresentam necessidades especiais (DM/DV) privilegiando os aspectos do 
desenvolvimento social, emocional e psicomotor. 
 
O ser humano, entendido em seu desenvolvimento global, na sua relação com o mundo, 
depara-se com um corpo que deseja e com um meio que estabelece limites e 
possibilidades. Esta relação envolve interesse, curiosidade, mobilidade, sentimentos, e 
permite que, nesta interação, criança/meio, ela possa ir adquirindo uma consciência de si, 
do seu corpo e das suas emoções. 
A escola, nesta perspectiva, desempenha um papel fundamental, dizem Boato e Oliveira 
(2013): “O saber escolar não pode dissociar-se do meio físico e social onde a atividade 
infantil encontra alternativas de realização e sim nutrir-se das possibilidades que ele 
oferece.” 
 
Dessa forma, é importante para o professor entender: 
 
°A dinâmica e plasticidade do desenvolvimento humano. 
°O papel das crises e dos conflitos como elementos dinamogênicos. 
°O lugar ocupado pela escola na construção de estratégias que permitam à criança 
conhecer seus limites e suas possibilidades. 
°A expressão motora e emocional da criança como elementos essenciais na resolução dos 
seus conflitos e consciência de si. 
 
Você já aprendeu que o desenvolvimento humano apresenta, como característica, os 
campos funcionais, lembra? Pois bem, nos estágios do desenvolvimento, os campos 
afetivos e cognitivos apresentam uma alternância funcional, ou seja, cada etapa do 
desenvolvimento se caracteriza por atividades onde uma determinada função se destaca. 
Assim, as etapas do desenvolvimento apresentam, segundo Wallon, “um movimento 
pendular”, ou seja, ora se apresenta a função afetiva, que imprime uma marca centrípeta 
(movimento circular de fora para dentro) e permite uma elaboração íntima, particular, ora se 
apresenta a função cognitiva que imprime uma marca centrífuga (movimento circular de 
dentro para fora), direcionado para a elaboração de relações com o mundo externo. 
 
Os estágios do desenvolvimento apresentam como características: 
 
 
Os estágios do desenvolvimento formulados por Wallon apresentam, a cada etapa, uma 
evolução mental qualitativa caracterizada por um tipo diferenciado de comportamento, uma 
atividade predominante que se direciona, ora para a construção do próprio sujeito, ora para 
a construção da realidade exterior. 
 
As contribuições wallonianas podem orientar o professor no planejamento das suas 
estratégias de ensino. O conhecimento dos estágios de desenvolvimento favorece a 
identificação dos comportamentos apresentados pelos alunos, que devem, portanto, 
abarcar as atividades propostas pelo professor. Assim, em função do estágio, pode-se 
pensar em atividades que promovam a livre expressão corporal; a exploração dos espaços 
e objetos; desenvolvimento de pesquisas e projetos, não esquecendo a importância da 
relação professor-aluno que devem ser orientadas pelo afeto, respeito, ritmo e interesse do 
aluno. 
 
Utilizando as contribuições de Sayeg (2013) e Galvão (2000), com relação às práticas 
educativas, destacam-se: 
 
● planejar atividades que permitam ao aluno desenvolver a capacidade de 
observação, a livre expressão e posicionamento diante dos conteúdos trabalhados; 
● explicitar a natureza e a significação das atividades escolares; 
● propor atividades diversificadas; 
● selecionar conteúdos que favoreçam o desenvolvimento das funções motoras, 
afetivas e cognitivas; 
● utilizar recursos pedagógicos que estimulem o aluno à aprendizagem dos conteúdos 
de ensino. 
Por fim, como assinala Galvão (2000), a educação não se refere, apenas, a uma discussão 
sobre métodos pedagógicos. Ela enseja uma reflexão política sobre o papel da escola na 
sociedade. A crítica walloniana à seletividade do sistema educacional francês permanece 
atualíssima, não só no seu país de origem, como também na realidade educacional 
brasileira. 
Desta maneira, cabe a você, professor, contribuir com a sua atuação competente e 
compromissada para a mudança dessa realidade. Como propõe Wallon, procure observar, 
analisar e se posicionar diante dos conteúdos que vem assimilando. 
 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre Wallon e a teoria das emoções, leia as páginas 
101 - 134 do livro da disciplina Santos, Penélope Duarte dos. Nassar, Sergio Pessôa. 
Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 3 
Desenvolvimento e Aprendizagem do adolescente e do adulto 
 
Adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta, caracterizado pelos 
impulsos do desenvolvimento físico, mental, emocional, sexual e social. É um processo 
com características próprias e dinâmicas. 
 
Para saber mais sobre o quanto pode ser difícil lidar com o adolescente, assista agora ao 
vídeo Super Nanny - O que é a adolescência? 
 
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069, de 1990, define a 
adolescência como a faixa etária de 12 a 18 anos de idade(artigo 2°), e, em casos 
excepcionais e quando disposto na lei, o estatuto é aplicável até os 21 anos de idade 
(artigos 121 e 142). O adolescente pode ter o voto opcional como eleitor e cidadão a partir 
dos 16 anos. 
 
Adolescentes 
Durante a adolescência há tarefas a cumprir e metas a conquistar que são estabelecidas 
pela cultura e pelo grupo social. Além disso o adolescente se depara com as 
transformações corporais que dão lugar a novas formas e sensações deixando para trás o 
corpo familiar da infância. 
 
Intimamente ligada às modificações do corpo, emerge uma sexualidade descoberta e ativa, 
afastando o jovem do corpo protetor e seguro dos pais para ele próprio se tornar potencial 
gerador de vida. 
 
Para efeitos didáticos, divide-se a adolescência em três fases: 
 
PUBESCENCIA (10-12 ANOS): Ocorrem melhorias nos níveis de força, rápida maturação 
morfológica e funcional, maturação labiríntica. A união destes elementos dá condições ao 
pleno desenvolvimento motor. 
 
PUBERDADE (12-15 ANOS): Grande variação no comportamento psicológico com uma 
grande instabilidade emocional e INCORDENAÇÃO MOTORA (recebe o nome de ataxia. 
Ataxia é um sintoma, e não uma doença específica, onde há uma alteração dos 
movimentos voluntários, do equilíbrio e da marcha. Essas alterações modificam a 
percepção corporal do indivíduo, tornando as atividades desajeitadas e laboriosas.) ; 
grande necessidade de vivência e de autorrealização no grupo; aumento brusco dos níveis 
de testosterona e irrupção da sexualidade. 
 
PÓS-PUBERDADE(15-19): Harmonia das proporções corporais e melhoria da coordenação 
motora; pleno equilíbrio psíquico; modelagem da personalidade; estabilidade e 
regularização hormonal e psíquica. 
 
Sugerimos a leitura do artigo “Subvertendo o conceito de adolescência”, que analisa o 
conceito de adolescência, situando-o como uma construção histórica, a partir da sociedade 
contemporânea. 
 
Gravidez 
A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade 
da adolescência, com sérias consequências para a vida dos adolescentes envolvidos, de 
seus filhos que nascerão e de suas famílias. 
Quando a atividade sexual tem como resultante a gravidez, gera consequências tardias e, 
em longo prazo, tanto para a adolescente quanto para o recém-nascido. 
A adolescente poderá apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, 
emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado, além de complicações da 
gravidez e problemas de parto. 
As adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, 
geralmente, vêm de famílias cujas mães também iniciaram vida sexual precoce ou 
engravidaram durante a adolescência. 
Para saber mais sobre as dificuldades enfrentadas pelas jovens durante e depois da 
gravidez, assista, agora, ao vídeo Gravidez na adolescência. 
 
Adolescência e gravidez, quando ocorrem juntas, acarretam consequências para todos os 
familiares, principalmente para os adolescentes envolvidos. Esses jovens não estão 
preparados emocionalmente e nem mesmo financeiramente para assumir tamanha 
responsabilidade. Muitos deles saem de casa, cometem abortos, deixam os estudos ou 
abandonam as crianças sem saber o que fazer ou fugindo da própria realidade. Para 
muitos destes jovens, não há perspectiva de futuro. 
Somado a isso, a falta de orientação sexual e de informações, a mídia, e os 
comportamentos de risco aumentam e contribuem para uma maior incidência de gestação 
juvenil. 
As mudanças comportamentais influenciadas pela mídia encaminham o adolescente para 
um mundo “dourado” onde a felicidade está ao alcance da marca da roupa que você 
comprou, do lugar que você frequentou e dos comportamentos que você assumiu e/ou 
experimentou. 
 
Outra questão, igualmente crítica, relaciona-se ao uso de drogas. 
Não é um fenômeno único e isolado o fato do grande aumento do uso de drogas entre os 
adolescentes. Hoje em dia, eles estão mais sujeitos ao contato com as drogas. Ambiente, a 
necessidade de pertencimento a um determinado grupo, a busca pela identidade, tudo 
favorece o contato e as primeiras experiências. A isso, acrescenta-se a necessidade de 
buscar/viver novas sensações, práticas educacionais inconsistentes, conflitos familiares, 
fracasso escolar, baixa auto estima, iniciação prematura e histórico familiar de uso abusivo 
de drogas, que criam condições favoráveis para que os adolescentes se sintam livres para 
aventuras deste tipo, sem pensar muito nas consequências. 
A dependência pode ser tratada desde que o adolescente tome consciência de sua 
situação, deixe de justificar seu comportamento, se preocupe com o seu bem-estar e 
comece a agir positivamente. 
A recuperação é uma tarefa difícil e o tratamento médico é apenas uma parte desta 
recuperação. A participação dos pais e a união da família são os maiores fatores de 
combate, assim como a degradação da família é uma das causas do aumento do número 
de usuários. 
Para saber mais sobre o que são as drogas, seus efeitos, sua utilização e, principalmente, 
os motivos que levam o adolescente a procurá-las, assista agora ao vídeo Drogas na 
adolescência - trabalho de sociologia. 
A adolescência é um período de transformações físicas e mentais que podem gerar maior 
ou menor sofrimento psíquico, de acordo com o contexto e com a história de 
desenvolvimento do jovem. 
À procura de sua identidade, o adolescente se torna uma presa de fácil manipulação. A 
mídia, por exemplo, estimula o uso do álcool e do tabaco, apresentando-os como 
sinônimos de status e sucesso. Mas o incentivo às drogas pode ocorrer dentro da própria 
família, seja pelo uso compulsivo de medicamentos pelos pais, seja pela cultura alcoólatra 
ou tabagista pregada dentro do próprio lar. 
 
E a violência? 
Atualmente, a violência está de tal forma disseminada, que se tornou quase impossível 
precisar suas causas e propor medidas eficazes para sua extinção. A revista “Science” 
aponta algumas das causas sociais da violência mais relevantes: 
 
A violência vem se tornando um dos problemas que mais angustia a nossa sociedade. 
Quanto aos adolescentes, envolvendo-se com a violência, tanto quanto as vítimas, como 
os agressores, também, acabam sofrendo alguma forma de exclusão. Quando vitimados, 
ocorre a exclusão da própria vida. Quando agressor, o adolescente é excluído da 
possibilidade de viver em exercício a cidadania, por meio da qual pode se reconhecer e ser 
reconhecido como sujeito de direitos e deveres. 
 
A maioria dos jovens infratores testemunhou e/ou foi vítima de violência doméstica. Essa 
experiência pode afetar sua forma de interpretar a realidade, encarando como provocação 
pessoal situações banais, tendendo a limitar o seu repertório de reações a comportamentos 
violentos. 
Sugerimos a leitura do artigo “Adolescência e violência: mais uma forma de exclusão”. 
 
Stress e solidão 
O estresse e a solidão predispõem os adolescentes a comportamentos agressivos nas 
escolas. Esse estresse é consequência de se viver em um lar destruído ou de pertencer a 
uma famíliaem que, de fato, não existe vida familiar. 
 
Muitos pais proporcionam aos filhos tudo aquilo que eles lhes pedem no campo material, 
mas não lhes dão tempo, critérios morais, apoio emocional ou bons exemplos. Os 
adolescentes, para construírem a personalidade, têm necessidade de modelos com os 
quais se identifiquem, mas nem sempre os encontram na família. 
Outra frustração que pode estar na escola é a de que os adolescentes receberam em casa 
uma educação permissiva, sem nenhum tipo de exigência. 
Uma saída seria conscientizar a população adulta a ocupar, com mais propriedade, este 
lugar de modelo com o qual o adolescente deveria se identificar. Toda sociedade é 
responsável pela tarefa de reagir contra o avanço da violência e do descaso com os 
direitos humanos. 
 
Não podemos nos esquecer que o Estatuto da Criança e do Adolescente considera, desde 
1990, a criança e o adolescente como cidadãos, com direitos. 
 
Para saber mais sobre a violência na adolescência, desigualdade social, violência na TV, 
dificuldade nos laços familiares etc., assista agora, ao vídeo Violência na Adolescência. 
Sugerimos a leitura do artigo “Uso de drogas e violência na adolescência”. 
 
A transição para a vida adulta também é conturbada, pois ela implica a tomada de decisões 
muito importantes para o resto de nossas vidas. Porém, todas elas estão relacionadas a 
uma única fonte: formação escolar. É ela que poderá determinar, de alguma forma, a saída 
da casa dos pais, a escolha da profissão, a escolha do parceiro, a construção de uma 
família, a manutenção da saúde física e mental. 
 
Para saber mais sobre essa fase de transição para vida adulta, assista, agora, ao vídeo 
Vida adulta, casamento + família (quem eu sou). 
 
É comum, nos estudos que tratam da juventude, a defesa da ideia de que os jovens se 
acham tão segmentados quanto à sociedade como um todo. A questão é colocada mais ou 
menos nos seguintes termos: é tal a heterogeneidade das situações que vivenciam os 
jovens no Brasil de hoje, que é difícil pensá-los como uma categoria única. 
 
Se a escola não for sensível ao que definitivamente significa ser jovem hoje, será uma 
escola incapaz de manter os jovens no sistema. Se ela considerar o jovem trabalhador um 
adulto, gerando tal expectativa de comportamento em relação a ele, certamente terá com 
este jovem uma relação tensa. Os jovens pobres e ricos desejam uma escola onde 
consigam aprender, mas que também seja um espaço agradável, onde possam encontrar 
amigos, ouvir música. 
É preciso, cada vez mais, que a equipe escolar procure conhecer sua clientela, construindo 
um ambiente adequado às suas características e aos seus interesses. 
 
Pesquisas realizadas, em áreas violentas, favelas e regiões periféricas do Rio de Janeiro, 
mostram que o que os jovens querem é uma escola limpa, que ensine, cuja biblioteca 
funcione, que existam referências, como uniforme, horário, hino escolar, times de futebol, 
enfim uma escola que os permita desfrutar deste curto período de juventude. 
Os anseios de manifestar na escola a sua marca de viver a juventude não podem ser 
ignorados, nem vistos como obstáculo aos estudos. Investir em atividades artísticas, 
culturais e esportivas, com a contribuição de diferentes áreas do conhecimento é uma 
forma criativa de combinar a aprendizagem e o prazer. É essencial, ainda, que a escola 
possua uma identidade e que os jovens possam sentir orgulho de fazer parte dela. Eles 
têm necessidade de símbolos que os inspirem. Em uma escola que tem cara própria, esses 
símbolos estão e devem estar em toda a parte, na camiseta com o logotipo próprio, no 
hino, nos “gritos de guerra” entoados em competições esportivas. Esse sentimento 
aumenta quando a escola os convida a participar da resolução de problemas, através do 
grêmio, ou os envolve em projetos interdisciplinares, como aqueles voltados para a difusão 
de mensagens de proteção à saúde, em que os estudantes colocam os conhecimentos 
aprendidos a serviço da comunidade. 
Lidar com adolescentes não é tarefa fácil, sobretudo quando estão próximos das 
fronteiras da transgressão e da violência. Entretanto, considerá-los como essencialmente 
diferentes pode parecer que se está trabalhando em seu favor, mas, na questão escolar, 
pode-se estar mesmo é levando-os para a transgressão. Uma das condições essenciais 
para que a escola, principalmente a pública, seja menos preconceituosa e mais tolerante 
com os jovens é que os professores recebam apoio e tenham acesso a informações 
básicas sobre a juventude e adolescência, de preferência junto com os pais destes alunos, 
o que contribuirá para que se aproximem de seus alunos e aprendam com o desafio que 
esses seres em constante mutação representam. 
 
Sugerimos a leitura do artigo “Transição para a vida adulta. Das condições sociais às 
implicações psicológicas”. 
Ampliando o foco 
Para aprofundar seus conhecimentos sobre o desenvolvimento e aprendizagem do 
adolescente e do adulto, leia as páginas 135 - 171 do livro da disciplina Santos, Penélope 
Duarte dos. Nassar, Sergio Pessôa. Psicologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: UVA, 
2013. 
 
ENCERRAMENTO 
 
 
Qual a contribuição da teoria das inteligências múltiplas de H. Gardner para a 
educação? 
A grande contribuição de Gardner foi ter tirado o foco das inteligências canônicas 
(linguística e lógico-matemática) e ter mostrado que a inteligência se expressa de várias 
formas. 
Sua teoria contribuiu para que as escolas começassem a valorizar mais as outras 
expressões da inteligência. Embora ainda haja muito a se avançar, já é possível vermos 
escolas apresentando uma grade curricular mais abrangente, incluindo em seus currículos 
atividades não acadêmicas. 
 
Quais as contribuições da teoria das emoções para a prática educativa? 
As contribuições wallonianas podem orientar o professor no planejamento das suas 
estratégias de ensino. O conhecimento dos estágios de desenvolvimento favorece a 
identificação dos comportamentos apresentados pelos alunos, que devem, portanto, 
abarcar as atividades propostas pelo professor. Assim, em função do estágio, pode-se 
pensar em atividades que promovam a livre expressão corporal; a exploração dos espaços 
e objetos; desenvolvimento de pesquisas e projetos, não esquecendo a importância da 
relação professor-aluno que devem ser orientadas pelo afeto, respeito, ritmo e interesse 
do aluno. 
 
Quais são os aspectos presentes no processo de transição da adolescência para a 
idade adulta para pensarmos as práticas docentes? 
A transição para a vida adulta é conturbada, pois ela implica a tomada de decisões muito 
importantes para o resto de nossas vidas. Porém, todas elas estão relacionadas a uma 
única fonte: formação escolar. É ela que poderá determinar, de alguma forma, a saída da 
casa dos pais, a escolha da profissão, a escolha do parceiro, a construção de uma família, 
a manutenção da saúde física e mental. Se a escola não for sensível ao que 
definitivamente significa ser jovem hoje, será uma escola incapaz de manter os jovens no 
sistema. Se ela considerar o jovem trabalhador um adulto, gerando tal expectativa de 
comportamento em relação a ele, certamente terá com este jovem uma relação tensa. Osjovens pobres e ricos desejam uma escola onde consigam aprender, mas que também seja 
um espaço agradável, onde possam encontrar amigos, ouvir música. É preciso, cada vez 
mais, que a equipe escolar procure conhecer sua clientela, construindo um ambiente 
adequado às suas características e aos seus interesses. 
 
Resumo da Unidade 
Nesta unidade, estudamos a Teoria das Inteligências Múltiplas, que mostra que a 
inteligência se expressa de diferentes formas, e não apenas naquelas valorizadas pela 
cultura acadêmica, como a inteligência linguística e lógico-matemática. Essa teoria trouxe 
para a prática escolar importantes contribuições na medida em que focou seus estudos em 
aspectos pouco valorizados pela cultura acadêmica. 
 
Já segundo a Teoria de Henri Wallon para a Psicologia do Desenvolvimento, para 
entendermos as atitudes das crianças, devemos entender o meio onde ela está inserida. A 
escola ocupa um lugar fundamental no processo de desenvolvimento humano, na medida 
em que se apresenta como um contexto favorável de desenvolvimento e que compreende 
as etapas de desenvolvimento humano como um processo dinâmico, particular e 
multifacetado. 
 
Para fecharmos os nossos estudos abordamos o tema “adolescência”. Sabemos agora que 
para termos uma identidade é preciso que passemos por várias etapas: desde a despedida 
da infância, descoberta das mudanças do corpo e da personalidade até a escolha do 
caminho para a vida adulta, tudo isso ao mesmo tempo. Para alguns de nós, essas 
mudanças são traumáticas e acabamos nos refugiando nas drogas. Já algumas 
adolescentes engravidam, na tentativa de chegarem à vida adulta mais rápido. Há, 
também, aqueles que sofrem violências e aqueles que a praticam. Trata-se de um período 
de muitas turbulências, muitas transformações e, também, de muitas desilusões. 
 
Uma das condições essenciais para que a escola seja menos preconceituosa e mais 
tolerante com os jovens é que os professores recebam apoio e tenham acesso a 
informações básicas sobre a juventude e adolescência, se aproximando dos alunos e 
aprendendo com o desafio que eles representam. Lidar com adolescentes não é tarefa 
fácil. Se a escola não for sensível ao que definitivamente significa ser jovem hoje, será uma 
escola incapaz de manter os jovens no sistema.

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